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Afecções do retículo

Aula sobre afecções do retículo em ruminantes: reticulite e reticulo‑peritonite traumática; fatores predisponentes, fisiopatologia, sinais agudos e crônicos; diagnóstico (provas de dor, paracentese, Rx, US), alterações laboratoriais, prevenção e tratamento (conservador e ruminotomia).

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CLÍNICA MÉDICA GRANDES 
AULA 25/10/2023 (4)
Afecções do retículo 
Afecção mais comum do retículo: reticulite 
Pode ser por perfuração, corpo estranho, neoplasia – processo inflamatório inicial 
O que leva Ruminite → acidose 
O reticulo não é muito separado do rúmen, uma acidose aguda, o conteúdo está no retículo também (não 
é só traumática, por mais que seja mais comum) 
Mucosa do retículo é favos de mel 
Contração do rúmen é primária (movimento de mescla) e secundária 
 
Reticulo peritonite traumática - perfuração do retículo por CE perfurante 
 
FATORES PREDISPONENTES 
• Mucosa hexagonal com depressão central (favo) 
• Baixa seletividade alimentar (apreensão com a língua) 
• Gestação avançada e timpanismo (compressão dos órgãos craniais, CE já existente) 
• Transporte (instabilidade, subida e descida, CE já existente) 
• Localização do retículo entre 5 e 7º espaço intercostal com a face dorsal em contato com o diafragma 
• Condições ambientais – reforma de cerca, construção de barracão 
 
IMPORTÂNCIA ECONÔMICA: queda na produção, custo do tratamento, descarte e mortalidade, 75% 
se recuperam completamente e 25% têm complicações, muitos casos são despercebidos e tem recupe-
ração espontânea 
 
FISIOPATOLOGIA: 
Ingere CE e devido as contrações e mucosas fixa-se na parte baixa da parede cranial por ser 
abaixo do assoalho abdominal (em contato com diafragma), podendo atingir fígado ou baço, fixar na pa-
rede lateral. Pode ter peritonite localizada/focal (fase aguda) 
Pode apresentar resolução espontânea, pode desenvolver peritonite difusa, abscesso, indigestão 
vagal, endocardite e nefrite 
Pode ter sequelas 
 
CORPO ESTRANHO 
• Permanência no assoalho é inócuo (não faz nada) 
• Fixação na mucosa e submucosa não gera problema 
• Permanência na serosa gera a peritonite focal ou difusa 
• Permanência no ponto da perfuração pode cronificar ou atingir outros órgãos 
• Se retornar ao lúmen do retículo se recupera espontaneamente 
 
COMO SUSPEITAR DE UMA PERITONITE LOCALIZADA AGUDA? 
24h após perfuração 
• Queda na produção do leite 
• Anorexia ou baixa ingestão 
• Atonia ou hipomotilidade ruminal (depende da gravidade) 
• Ausência de ruminação 
• Timpanismo leve 
• Fezes escassas, podem estar ressecadas ou não 
• Febre (39,5 a 40ºC) 
 
 
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SINAIS: 
• Reluta a se movimentar ou da passos lentos (dor) 
• Geme ao caminhar (declives pressionam) 
• Geme na micção e defecção 
• Prefere se manter em posição quadrupedal 
• Arqueamento da coluna vertebral (50% dos casos) – cifose (tenta poupar abdômen) 
• Rigidez dos músculos abdominais e membros pélvicos 
 
COMO SUSPEITAR DE UMA PERITONITE CRÔNICA? 
Mais de 72h de evolução 
• Sinais pouco expressivos e duvidosos 
• Apetite e produção do leite não voltam por completo 
• Caminham a passos lentos 
• Geme ocasionalmente 
• Arqueamento da coluna vertebral 
• Timpanismo leve a moderado, redicivante 
• Emagrecimento progressivo 
 
DIAGNÓSTICO 
Anamnese – construção de cerca ou reforma, sinais e exame físico 
Prova de sensibilidade dolorosa 
• Beliscamento da cernelha – quando belisca, a vaca faz ventroflexão, gera dor 
• Percussão dolorosa – fecha mão em punho e bate, professora não confia muito 
• Prova do bastão – pega pedaço de madeira passa na axila, fica um de cada lado e em sin-
cronia faz pressão (não tentar levantar a vaca do chão kkk) e solta a seco, prova dor 
• Prova da rampa 
Paracentese 
RX, US, detector de metal 
 
PATOLOGIA CLÍNICA 
Peritonite localizada aguda 
• Neutrofilia com desvio a esquerda regenerativo 
• Aumento do fibrinogênio plasmático 
Peritonite localizada crônica 
• Leucocitose com neutrofilia e monocitose 
• Aumento do fibrinogênio plasmático 
Peritonite difusa 
• Leucopenia com neutropenia e linfopenia (células migram pra lá) 
• Aumento do fibrinogênio plasmático 
 
PROGNÓSTICO 
Agudo - favorável 
Presença de sequelas - desfavorável 
 
PREVENÇÃO 
• Eliminação das fontes de risco 
• Aplicação de ímãs 
 
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DOENÇAS CAUSADAS POR CE PERFURANTE: 
• Reticulite traumática simples 
• Reticulo-peritonite traumática aguda circunscrita 
• Reticulo-peritonite traumática crônica 
• Reticulo-omentite traumática 
• Reticulo-hepatite traumática 
• Reticulo-esplenite traumática 
• Retículo-pleuropneumonia traumática 
• Retículo-pericardite traumática 
• Ruminite, rumino-peritonite traumática 
 
TRATAMENTO 
1. Conservativo 
• Animal em baias com inclinação e piquete próximo 
• Ímã 
• ATB 
• Transfaunação 
• Correção hidroeletrolítica 
• Anti-inflamatório 
• Realocar para caminhar um pouco 
2. Ruminotomia exploratória (retículo tem difícil acesso) 
 
Reticulopericardite traumática 
Coração está entre 3 e 6º espaço intercostal com o ápice voltado para esquerda, fazendo contato com 
diafragma 
 
FATOR PREDISPONENTE 
• Óstio retículo-omasal acima do assoalho abdominal e o CE não sobe 
• Contração empurra o CE para o fundo facilitando a penetração da serosa 
• Gestação avançada, parto, timpanismo, transporte, contenção 
 
O QUE OCORRE APÓS PENETRAÇÃO DA SEROSA E CORAÇÃO? 
A microbiota bacteriana causa uma inflamação com hiperemia da superfície cardíaca, gerando 
com de atrito entre saco pericárdico e epicárdio. Conforme aumenta o volume do pericárdio, ocorre mi-
gração dos leucócitos, formando coleção purulenta causando ruído de roda d’água/ondulação de lí-
quido. 
Quando mais viscoso ficar o líquido, mais abafa as bulhas. Quanto mais o líquido aumenta, menor 
é a diástole, causando um ICC diastólica que leva a estenose de retorno da jugular e posteriormente en-
gorgitamento da jugular, edema de membro e hidroperitônio. 
Consequentemente aumenta FC e força de contratilidade, causando hipertrofia concêntrica do 
miocárdio, diminui diâmetro dos átrios e ventrículos ejetando menor volume de sangue/min, dimi-
nuindo a capacidade de oxigenação. Junto a isso, o líquido no pericárdio gera aderência entre o pericár-
dio e epicárdio dificultando os batimentos. Pulso alto. 
 
SINAIS CLÍNICOS 
Fase aguda: depressão profunda, anorexia, decúbito, salivação por evitar deglutir, arqueamento de 
dorso, ingurgitamento de jugular e edema de peito e parede abdominal ventral 
Pode ocorrer edema de conjuntiva, pirexia/febre, atonia ruminal, ausência de ventroflexão, gemido 
pronunciado, sons de atrito que aumenta e diminui com respiração + sons cardíacos aumentam 
Fase crônica: edema acentuado, diarreia aquosa, depressão, anorexia, sons cardíacos abafados 
com ruídos borbulhantes/gotejamento tilintante 
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Animais recuperados: sempre terá apetite variável, ingurgitamento de jugular, pulso rápido, abafa-
mento das bulhas e pulso irregular 
 
DIAGNÓSTICO 
• Anamnese e sinais clínicos 
• Leucocitose com neutrofilia, aumento de CK (creatina quinase) e AST, presença de exsudato retido. 
Bovino normalmente apresenta predomínio de linfócitos. 
• Provas de sensibilidade dolorosa pode ser negativa pelo CE ficar envolto por material fibrinoso 
• Paracentese 
• Laparotomia exploratória 
• RX, ECG 
• Prova do garrote: positivo engorgitamento cranial e caudal, e negativo cranial 
• Punção pericárdica é definitivo: tricotomia, anestesia local, sente pulsação e penetra agulha (80x15 
ou 100x15), drena pus e lava com solução fisiológica estéril 
 
Corpos que ultrapassam o retículo ficam envoltos por cordão fibroso no pericárdio. Portanto, as provas de 
beliscamento de cernelha e bastão são negativas. 
 
TRATAMENTO 
• Laparotomia para tirar CE 
• ATB amplo espectro 
• Drenagem e lavagem do saco pericárdico 
Longo tempo (50% dos casos recuperados tratamentos a longo prazo) 
Geralmente insatisfatório