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Conteúdo 
 
1 - Sistema Financeiro Nacional: Estrutura do Sistema Financeiro Nacional; Órgãos normativos e instituições 
supervisoras, executoras e operadoras. 2 - Mercado financeiro e seus desdobramentos (mercados monetário, de 
crédito, de capitais e cambial). 3 - Moeda e política monetária: Políticas monetárias convencionais e não-convencionais 
(Quantitative Easing); Taxa SELIC e operações compromissadas; O debate sobre os depósitos remunerados dos 
bancos comerciais no Banco Central do Brasil. 4- Orçamento público, títulos do Tesouro Nacional e dívida pública. 5 - 
Produtos Bancários: Noções de cartões de crédito e débito, crédito direto ao consumidor, crédito rural, poupança, 
capitalização, previdência, consórcio, investimentos e seguros. 6 - Noções de Mercado de capitais. 7 - Noções de 
Mercado de Câmbio: Instituições autorizadas a operar e operações básicas. 8- Regimes de taxas de câmbio fixas, 
flutuantes e regimes intermediários. 9 - Taxas de câmbio nominais e reais; 10 - Impactos das taxas de câmbio sobre 
as exportações e importações. 11 - Diferencial de juros interno e externo, prêmios de risco, fluxo de capitais e seus 
impactos sobre as taxas de câmbio. 12- Dinâmica do Mercado: Operações no mercado interbancário. 13 - Mercado 
bancário: Operações de tesouraria, varejo bancário e recuperação de crédito. 14 - Taxas de juros de curto prazo e a 
curva de juros; taxas de juros nominais e reais. 15 - Garantias do Sistema Financeiro Nacional: aval; fiança; penhor 
mercantil; alienação fiduciária; hipoteca; fianças bancárias. 16 - Crime de lavagem de dinheiro: conceito e etapas; 
Prevenção e combate ao crime de lavagem de dinheiro: Lei nº 9.613/98 e suas alterações; Circular nº 3.978, de 23 de 
janeiro de 2020 e Carta Circular nº 4.001, de 29 de janeiro de 2020 e suas alterações.17- Autorregulação bancária. 18 
- Sigilo Bancário: Lei Complementar nº 105/2001 e suas alterações. 19 - Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): Lei 
nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 e suas alterações. 20 - Legislação anticorrupção: Lei nº 12.846/2013 e Decreto nº 
8.420/2015 e suas alterações. 21 - Segurança cibernética: Resolução CMN nº 4.658, de 26 de abril de 2018. 22 - Ética 
aplicada: ética, moral, valores e virtudes; noções de ética empresarial e profissional. A gestão da ética nas empresas 
públicas e privadas. Código de Ética do Banco do Brasil. 23 - Política de Responsabilidade Socioambiental do Banco 
do Brasil. 24 - ASG (Ambiental, Social e Governança): Economia Sustentável; Financiamentos; Mercado PJ. 
 
Coletâneas de Exercícios pertinentes 
 
 
 
 
 
Conhecimentos Bancários 
 
 
 
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1 - Sistema Financeiro Nacional: 
Estrutura do Sistema Financeiro Nacional; Órgãos normativos e instituições supervisoras, 
executoras e operadoras. 
 
O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é formado por um 
conjunto de instituições públicas, privadas e também 
pelo órgão máximo que é o Conselho Monetário 
Nacional (CMN). 
 
O Sistema Financeiro Nacional – SFN - esta subdivido 
em entidades normativas, supervisoras e operacionais. 
 
As entidades normativas são responsáveis pela 
definição das políticas e diretrizes gerais do sistema 
financeiro, sem função executiva. Em geral, são 
entidades colegiadas, com atribuições específicas e 
utilizam-se de estruturas técnicas de apoio para a 
tomada das decisões. Atualmente, no Brasil funcionam 
como entidades normativas o Conselho Monetário 
Nacional – CMN, o Conselho Nacional de Seguros 
Privados - CNSP e o Conselho Nacional de Previdência 
Complementar – CNPC. 
 
As entidades supervisoras, por outro lado, assumem 
diversas funções executivas, como a fiscalização das 
instituições sob sua responsabilidade, assim como 
funções normativas, com o intuito de regulamentar as 
decisões tomadas pelas entidades normativas ou 
atribuições outorgadas a elas diretamente pela Lei. O 
Banco Central do Brasil – BCB, a Comissão de Valores 
Mobiliários – CVM, a Superintendência de Seguros 
Privados – SUSEP e a Superintendência Nacional de 
Previdência Complementar – PREVIC são as entidades 
supervisoras do nosso Sistema Financeiro. 
 
Além destas, há as entidades operadoras, que são 
todas as demais instituições financeiras, monetárias ou 
não, oficiais ou não, como também demais instituições 
auxiliares, responsáveis, entre outras atribuições, pelas 
intermediações de recursos entre poupadores e 
tomadores ou pela prestação de serviços. 
Abaixo, relação dessas instituições, com descrição das 
principais atribuições de algumas delas. 
 
Entidades Normativas 
 
Conselho Monetário Nacional - CMN 
É o órgão deliberativo máximo do Sistema Financeiro 
Nacional. O CMN não desempenha função executiva, 
apenas tem funções normativas. Atualmente, o CMN é 
composto por três membros: 
 Ministro da Fazenda (Presidente); 
 Ministro do Planejamento Orçamento e Gestão; e 
 Presidente do Banco Central. 
 
Trabalhando em conjunto com o CMN funciona a 
Comissão Técnica da Moeda e do Crédito (Comoc), 
que tem como atribuições o assessoramento técnico na 
formulação da política da moeda e do crédito do País. 
As matérias aprovadas são regulamentadas por meio 
de Resoluções, normativos de caráter público, sempre 
divulgadas no Diário Oficial da União e na página de 
normativos do Banco Central do Brasil. 
 
Conselho Nacional de Seguros Privados - 
CNSP 
O CNSP desempenha, entre outras, as atribuições de 
fixar as diretrizes e normas da política de seguros 
privados, regular a constituição, organização, 
funcionamento e fiscalização das Sociedades 
Seguradoras, de Capitalização, Entidades Abertas de 
Previdência Privada, Resseguradores e Corretores de 
Seguros. 
 
Conselho Nacional de Previdência 
Complementar CNPC 
O CNPC tem a função de regular o regime de 
previdência complementar operado pelas entidades 
fechadas de previdência complementar (Fundos de 
Pensão). 
 
Entidades Supervisoras 
 
As entidades supervisoras desenvolvem atividade 
complementar à realizada pelos órgãos normativos do 
SFN (Sistema Financeiro Nacional), sendo elas 
responsáveis pela supervisão das demais instituições 
que integram o sistema, ou seja, as instituições 
operadoras. 
Integram as entidades supervisoras: 
 
Banco Central do Brasil - BCB 
O Banco Central do Brasil foi criado em 1964 com a 
promulgação da Lei da Reforma Bancária (Lei nº 4.595 
de 31.12.64). 
 
Sua sede é em Brasília e possui representações 
regionais em Belém, Belo Horizonte, Curitiba, 
Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, 
Salvador e São Paulo. 
 
É uma autarquia federal que tem como principal missão 
institucional assegurar a estabilidade do poder de 
compra da moeda nacional e um sistema financeiro 
sólido e eficiente. 
 
 
 
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A partir da Constituição de 1988, a emissão de moeda 
ficou a cargo exclusivo do BCB. 
 
O presidente do BCB e os seus diretores são 
nomeados pelo Presidente da República após a 
aprovação prévia do Senado Federal, que é feita por 
uma arguição pública e posterior votação secreta. 
 
Entre as várias competências do BCB destacam-se: 
 Assegurar a estabilidade do poder de compra da 
moeda nacional e da solidez do Sistema Financeiro 
Nacional; 
 Executar a política monetária mediante utilização de 
títulos do Tesouro Nacional; 
 Fixar a taxa de referência para as operações 
compromissadas de um dia, conhecida como taxa 
SELIC; 
 Controlar as operações de crédito das instituições 
que compõem o Sistema Financeiro Nacional; 
 Formular, executar e acompanhar a política cambial 
e de relações financeiras com o exterior; 
 Fiscalizar as instituições financeiras e as clearings 
(câmaras de compensação); 
 Emitir papel-moeda; 
 Executar os serviços do meio circulante para 
atender à demanda de dinheiro necessária às 
atividades econômicas; 
 Manter o nível de preços (inflação) sob controle; 
 Manter sob controle a expansão da moeda e do 
crédito
e a taxa de juros; 
 Operar no mercado aberto, de recolhimento 
compulsório e de redesconto; 
 Executar o sistema de metas para a inflação; 
 Divulgar as decisões do Conselho Monetário 
Nacional; 
 Manter ativos de ouro e de moedas estrangeiras 
para atuação nos mercados de câmbio; 
 Administrar as reservas internacionais brasileiras; 
 Zelar pela liquidez e solvência das instituições 
financeiras nacionais; 
 Conceder autorização para o funcionamento das 
instituições financeiras. 
 
Comissão de Valores Mobiliários - CVM 
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foi criada em 
07 de dezembro de 1976 pela Lei 6.385 para fiscalizar 
e desenvolver o mercado de valores mobiliários no 
Brasil. 
 
A Comissão de Valores Mobiliários é uma autarquia 
federal vinculada ao Ministério da Fazenda, porém sem 
subordinação hierárquica. 
 
Com o objetivo de reforçar sua autonomia e seu poder 
fiscalizador, o governo federal editou, em 31.10.01, a 
Medida Provisória nº 8 (convertida na Lei 10.411 de 
26.02.02), pela qual a CVM passa a ser uma "entidade 
autárquica em regime especial, vinculada ao Ministério 
da Fazenda, com personalidade jurídica e patrimônio 
próprios, dotada de autoridade administrativa 
independente, ausência de subordinação hierárquica, 
mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes, e 
autonomia financeira e orçamentária" (art. 5º). 
 
É administrada por um Presidente e quatro Diretores 
nomeados pelo Presidente da República e aprovados 
pelo Senado Federal. Eles formam o chamado 
"colegiado" da CVM. Seus integrantes têm mandato de 
5 anos e só perdem seus mandatos "em virtude de 
renúncia, de condenação judicial transitada em julgado 
ou de processo administrativo disciplinar" (art. 6º § 2º). 
O Colegiado define as políticas e estabelece as práticas 
a serem implantadas e desenvolvidas pelas 
Superintendências, as instâncias executivas da CVM. 
 
Sua sede é localizada na cidade do Rio de Janeiro com 
Superintendências Regionais nas cidades de São 
Paulo e Brasília. 
 
Essas são algumas de suas atribuições: 
 Estimular a formação de poupança e a sua 
aplicação em valores mobiliários; 
 Assegurar e fiscalizar o funcionamento eficiente das 
bolsas de valores, do mercado de balcão e das bolsas 
de mercadorias e futuros; 
 Proteger os titulares de valores mobiliários e os 
investidores do mercado contra emissões irregulares 
de valores mobiliários e contra atos ilegais de 
administradores de companhias abertas ou de carteira 
de valores mobiliários; 
 Evitar ou coibir modalidades de fraude ou de 
manipulação que criem condições artificiais de 
demanda, oferta ou preço dos valores mobiliários 
negociados no mercado; 
 Assegurar o acesso do público a informações sobre 
os valores mobiliários negociados e sobre as 
companhias que os tenham emitido; 
 Assegurar o cumprimento de práticas comerciais 
equitativas no mercado de valores mobiliários; 
 Assegurar o cumprimento, no mercado, das 
condições de utilização de crédito fixadas pelo 
Conselho Monetário Nacional. 
 Realizar atividades de credenciamento e 
fiscalização de auditores independentes, 
administradores de carteiras de valores mobiliários, 
agentes autônomos, entre outros; 
 Fiscalizar e inspecionar as companhias abertas e os 
fundos de investimento; 
 Apurar, mediante inquérito administrativo, atos 
ilegais e práticas não-equitativas de administradores de 
companhias abertas e de quaisquer participantes do 
mercado de valores mobiliários, aplicando as 
penalidades previstas em lei; 
 
 
 
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 Fiscalizar e disciplinar as atividades dos auditores 
independentes, consultores e analistas de valores 
mobiliários. 
 
Superintendência de Seguros Privados - 
SUSEP 
 
A Susep é o órgão responsável pelo controle e 
fiscalização dos mercados de seguro, previdência 
privada aberta, capitalização e resseguro. Criada em 
1966 pelo Decreto-Lei 73/66, que também instituiu o 
Sistema Nacional de Seguros Privados, de que fazem 
parte o CNSP, o IRB, as sociedades autorizadas a 
operar em seguros privados e capitalização, as 
entidades de previdência privada aberta e os corretores 
habilitados. 
 
É uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, 
administrada por um Conselho Diretor, composto pelo 
Superintendente e por quatro Diretores. Essas são 
algumas de suas atribuições: 
Fiscalizar a constituição, organização, funcionamento e 
operação das Sociedades Seguradoras, de 
Capitalização, Entidades Abertas de Previdência 
Privada e Resseguradores, na qualidade de executora 
da política traçada pelo CNSP; Atuar no sentido de 
proteger a captação de poupança popular que se efetua 
através das operações de seguro, previdência privada 
aberta, de capitalização e resseguro. 
 
Superintendência Nacional de Previdência 
Complementar - PREVIC 
 
A Previc atua como entidade de fiscalização e de 
supervisão das atividades das entidades fechadas de 
previdência complementar e de execução das políticas 
para o regime de previdência complementar operado 
por essas entidades. É uma autarquia vinculada ao 
Ministério da Previdência Social. 
 
Entidades Operadoras 
 
Órgãos Oficiais 
Banco do Brasil - BB 
O Banco do Brasil é o mais antigo banco comercial do 
Brasil e foi criado em 12 de outubro de 1808 pelo 
príncipe regente D. João. É uma sociedade de 
economia mista de capitais públicos e privados. É 
também uma empresa aberta que possui ações 
cotadas na Bolsa de Valores de São Paulo 
(BM&FBOVESPA). 
 
O BB opera como agente financeiro do Governo 
Federal e é o principal executor das políticas de crédito 
rural e industrial e de banco comercial do governo. E a 
cada dia mais tem se ajustado a um perfil de banco 
múltiplo tradicional. 
 
Banco Nacional do Desenvolvimento 
Econômico e Social - BNDES 
Criado em 1952 como autarquia federal, hoje é uma 
empresa pública vinculada ao Ministério do 
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com 
personalidade jurídica de direito privado e patrimônio 
próprio. É responsável pela política de investimentos a 
longo prazo do Governo Federal, necessários ao 
fortalecimento da empresa privada nacional. 
 
Com o objetivo de fortalecer a estrutura de capital das 
empresas privadas e desenvolvimento do mercado de 
capitais, o BNDES conta com linhas de apoio para 
financiamentos de longo prazo a custos competitivos, 
para o desenvolvimento de projetos de investimentos e 
para a comercialização de máquinas e equipamentos 
novos, fabricados no país, bem como para o 
incremento das exportações brasileiras. 
 
Os financiamentos são feitos com recursos próprios, 
empréstimos e doações de entidades nacionais e 
estrangeiras e de organismos internacionais, como o 
BID. Também recebe recursos do PIS e PASEP. 
 
Conta com duas subsidiárias integrais, a FINAME 
(Agência Especial de Financiamento Industrial) e a 
BNDESPAR (BNDES Participações), criadas com o 
objetivo, respectivamente, de financiar a 
comercialização de máquinas e equipamentos; e de 
possibilitar a subscrição de valores mobiliários no 
mercado de capitais brasileiro. As três empresas, 
juntas, compreendem o chamado "Sistema BNDES". 
 
Caixa Econômica Federal - CEF 
Criada em 12 de janeiro de 1861 por Dom Pedro II com 
o propósito de incentivar a poupança e de conceder 
empréstimos sob penhor. É a instituição financeira 
responsável pela operacionalização das políticas do 
Governo Federal para habitação popular e saneamento 
básico. 
 
A Caixa é uma empresa 100% pública e não possui 
ações em bolsas. 
 
Além das atividades comuns de um banco comercial, a 
CEF também atende aos trabalhadores formais - por 
meio do pagamento do FGTS, PIS e seguro-
desemprego, e aos beneficiários de programas sociais 
e apostadores das Loterias. 
 
As ações da Caixa priorizam setores como habitação, 
saneamento básico, infraestrutura e prestação de 
serviços. 
 
Demais Entidades Operadoras 
Instituições Financeiras Monetárias 
São as instituições autorizadas a captar depósitos à 
vista do público.
Atualmente, apenas os Bancos 
 
 
 
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Comerciais, os Bancos Múltiplos com carteira 
comercial, a Caixa Econômica Federal e as 
Cooperativas de Crédito possuem essa autorização. 
 
Demais Instituições Financeiras 
Incluem as instituições financeiras não autorizadas a 
receber depósitos à vista. Entre elas, podemos citar: 
 Agências de Fomento 
 Associações de Poupança e Empréstimo 
 Bancos de Câmbio 
 Bancos de Desenvolvimento 
 Bancos de Investimento 
 Companhias Hipotecárias 
 Cooperativas Centrais de Crédito 
 Sociedades Crédito, Financiamento e Investimento 
 Sociedades de Crédito Imobiliário 
 Sociedades de Crédito ao Microempreendedor 
 
Outros Intermediários Financeiros 
São também intermediários do Sistema Financeiro 
Nacional: 
 Administradoras de Consórcio; 
 Sociedades de Arrendamento Mercantil; 
 Sociedades corretoras de câmbio; 
 Sociedades corretoras de títulos e valores 
mobiliários; 
 Sociedades distribuidoras de títulos e valores 
mobiliários. 
 
Instituições Auxiliares 
Também compõem o Sistema Financeiro Nacional, 
como entidades operadoras auxiliares, as entidades 
administradores de mercados organizados de valores 
mobiliários, como os de Bolsa, de Mercadorias e 
Futuros e de Balcão Organizado. 
 
Além das entidades relacionadas acima, também 
integram o SFN as companhias seguradoras, as 
sociedades de capitalização, as entidades abertas de 
previdência complementar e os fundos de pensão. 
 
 
2 - Mercado financeiro e seus desdobramentos 
(Mercados monetário, de crédito, de capitais e cambial). 
 
O mercado financeiro é composto das operações de 
aquisição e venda de ativos. Todas essas operações 
dependem de duas peças fundamentais: o mercado 
monetário e o de capitais. 
 
O mercado monetário é exclusivo para operações de 
curto prazo, influenciadas pela atuação do Banco 
Central e que envolve também instituições financeiras. 
 
O mercado financeiro é fundamental para o 
desenvolvimento do país. 
 
O que é mercado financeiro? 
O mercado financeiro é um intermediador entre 
poupadores e tomadores de recursos. 
 
Dessa forma, sem essa intermediação, cada agente 
que tem dinheiro a emprestar teria muito trabalho para 
encontrar aqueles que precisam desse dinheiro. 
 
Por isso, através do papel do mercado financeiro, os 
superavitários conseguem multiplicar seu capital e os 
deficitários conseguem os recursos necessários para 
financiar suas atividades. 
 
Dinâmica do Mercado Financeiro 
 
 
 
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Desse modo, o mercado financeiro viabiliza o 
desenvolvimento e o crescimento do país, 
possibilitando o aumento de produtividade, da 
eficiência e do bem-estar social. 
 
Nesse sentido, o conjunto de instituições que integram 
esse mercado é definido como Sistema Financeiro 
Nacional (SFN). 
 
Portanto, o mercado financeiro tem algumas 
funções: 
 Estimular a formação de poupanças; 
 Facilitação de transferências de recursos entre os 
agentes; e 
 Provisão de liquidez aos agentes. 
 
Como funciona o mercado financeiro 
Basicamente, as instituições financeiras captam 
recursos daqueles que têm poupança e emprestam 
para aqueles que precisam. 
 
Os agentes pegam empréstimos, como empresas que 
desejam fazer investimentos no seu negócio para 
expandir suas operações. 
 
Nesse processo, o lucro da instituição financeira se dá 
pela diferença do valor que ela paga ao poupador e 
cobra do tomador. 
 
Divisões do mercado financeiro 
Contudo, o sistema financeiro não se resume a isso. Na 
verdade, ele se divide em alguns segmentos: 
 
Mercado monetário: O mercado monetário é 
responsável por fazer financiamentos de curto e 
curtíssimo prazo. Isto é, os empréstimos têm duração 
de até um ano. Assim, é o responsável pela liquidez 
monetária. 
 
Esse mercado negocia títulos do tesouro, papéis 
comerciais e certificado de depósitos. Há três formas 
das operações acontecerem: 
 
 Quando o Banco Central faz a venda de títulos 
públicos para instituições financeiras 
 Quando o Banco Central faz a compra de 
títulos públicos que eram de instituições 
financeiras 
 Quando as instituições financeiras fazem 
compra e venda entre si dos títulos do Tesouro 
 
Todas essas três formas de operações influenciam na 
liquidez monetária. Por exemplo, quando o Bacen 
vende títulos, há a retirada de moeda no mercado. 
Desta forma, se diminui a liquidez. 
 
Da mesma forma, quando são comprados os títulos, há 
injeção de moeda no mercado e aumento da liquidez. 
 
O mercado monetário é considerado a peça 
fundamental para liquidez em curto prazo. Assim, o 
governo consegue controlar a quantidade de moeda em 
circulação e o crédito. Ou seja, a liquidez afeta 
diretamente a economia. 
 
Mercado monetário e liquidez 
Para manter a liquidez alta, são feitas operações com 
os título públicos de curto prazo – os vencimentos 
podem variar de poucos dias até, no máximo, um ano. 
 
Além disso, como há um grande número de operações 
de compra e venda, isso torna mais alta a liquidez 
desses papéis. O mercado monetário negocia e faz 
operações com dois tipos de títulos. Eles podem ser: 
 
Títulos Públicos: São papéis que devem ser 
emitidos pelo Tesouro Nacional e servem para custear 
as despesas do governo. Exemplos: NTN, LTN e LFT. 
Títulos Privados: Esses papéis são emitidos por 
instituições financeiras ou empresas e servem para 
captação de dinheiro para ter reservas. Exemplos: 
CDB, CDI e debêntures. 
 
Cada uma dessas operações altera a oferta de títulos 
na economia, o que influencia na taxa de juros. Para 
facilitar o entendimento, confira os seguintes exemplos: 
 
Venda de títulos pelo BC 
Quando o Bacen vende títulos para instituições 
financeiras, ele oferece o título e recebe capital 
(moeda) em contrapartida. Por isso, a venda de títulos 
reduz a liquidez monetária. 
Destaca-se que essa é uma política monetária 
contracionista, já que reduz a demanda por títulos. 
Reduzindo a demanda por títulos, a taxa de juros tende 
a subir, para compensar a demanda inferior. 
 
Compra de títulos pelo BC 
A compra de títulos pelo BC significa que o Bacen está 
oferecendo moeda e recebendo, em contrapartida, 
títulos emitidos anteriormente. Por isso, essa operação 
injeta moeda na economia e aumenta a liquidez 
monetária. 
Por isso, essa operação é uma medida expansionista, 
visto que a compra de títulos pelo Banco Central 
aumenta a demanda por títulos. E o aumento na 
demanda por esses títulos tende a reduzir a taxa de 
juros. 
 
Esses são os tipos de título que são operados no 
Mercado Monetário. Os outros tipos de papéis fazem 
parte do mercado de capitais. 
 
 
 
 
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Diferença entre os mercados monetário e de 
capital 
A liquidez é uma das principais diferenças entre o 
mercado de capital e o monetário. O de capital possui 
médio e longo prazo para negociações. 
 
Isso acaba diminuindo a liquidez destes papéis. Além 
disso, como o mercado monetário influencia a 
economia diariamente, ele acaba afetando o mercado 
de capitais a longo prazo. 
 
O mercado de capitais engloba a bolsa de valores, 
corretoras e instituições financeiras. E serve como um 
sistema de distribuição de valores mobiliários. 
 
As políticas monetárias estabelecidas pelo país estão 
diretamente ligadas com os Títulos Públicos. Além 
disso, este mercado influencia as taxas de juros e a 
concessão de crédito. 
 
As taxas de juros usadas para empréstimos de pessoas 
e empresas tem como base as taxas do mercado. 
Desta forma, essas taxas de juros tem efeito 
diretamente na economia do país. 
 
Mercado de capitais: O Mercado de Capitais é 
uma divisão do sistema financeiro, responsável por 
fazer a intermediação entre aqueles que precisam 
captar recursos de longo prazo para a implantação de 
seus projetos, como a expansão de uma empresa, com 
os investidores, que dispõe desses recursos e desejam 
investi-los. 
 
Mas atenção: não se trata
de operações de crédito, na 
qual a parte tomadora dos recursos fica responsável 
pelo pagamento de uma dívida. 
 
No Mercado de Capitais, a relação existente entre as 
partes envolvidas é diferente. 
 
Ela ocorre por meio da negociação de ativos ou de 
títulos de dívidas, conhecidas como debêntures. 
 
O Mercado de Capitais é o responsável por conferir 
liquidez aos títulos emitidos pelas empresas, 
possibilitando a negociação entre vendedores e 
compradores e, assim, permitindo assim a 
capitalização das instituições. 
 
Dessa maneira, o Mercado de Capitais direciona os 
recursos financeiros de longo prazo disponíveis para os 
mais variados segmentos da atividade econômica. 
 
Entre eles, agronegócio, comércio, serviços e indústria. 
 
Mercado de crédito: O mercado de crédito é uma 
outra modalidade do sistema financeiro em que 
ocorrem os processos de tomada e de concessão de 
crédito. Sendo que essas operações dependem de 
duas partes, uma credora e outra devedora. 
 
Então, a parte credora oferece liquidez à parte 
devedora em troca de um prêmio de liquidez e de risco. 
Isto é, em troca de juros. Sendo que o mercado de 
crédito abrange empréstimos, financiamentos e 
depósitos à vista. 
 
Ressalta-se que o mercado de crédito possui 
fundamental importância dentro de uma economia. Isso 
porque é por meio dele que empresas podem se 
alavancar com capital de terceiros para desenvolverem 
seus projetos. 
 
Esses projetos, construídos com o capital de credores, 
são responsáveis por gerar empregos e por aumentar 
a produção da economia. Portanto, conclui-se que o 
mercado de crédito possui estreito vínculo com o 
crescimento do PIB. 
 
Mercado de câmbio: diz respeito às transações 
de compra e de venda de moeda estrangeira. O 
mercado de câmbio é extremamente importante para o 
mundo contemporâneo pelos seguintes aspectos: por 
meio dele as pessoas conseguem realizar viagens ao 
exterior, os capitais estrangeiros são movimentados 
possibilitando o comércio internacional e ainda é 
utilizado como meio de investimento e proteção 
financeira. 
 
Tal mercado pode afetar diretamente o sistema 
econômico do país e, consequentemente, as empresas 
na comercialização de seus produtos e serviços. Com 
as variações cambiais, as atividades de importação e 
exportação acabam sendo impactadas, trazendo um 
aumento ou redução na venda de produtos nacionais, 
por exemplo. 
 
 
 
 
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3 - Moeda e política monetária 
Políticas monetárias convencionais e não-convencionais (Quantitative Easing); Taxa SELIC e operações 
compromissadas; O debate sobre os depósitos remunerados dos bancos comerciais no Banco Central do Brasil. 
 
Moeda 
 
Em termos econômicos, moeda é tudo aquilo que é 
geralmente aceito para liquidar as transações, isto é, 
para pagar pelos bens e serviços e para quitar 
obrigações, ou seja, de acordo com esta definição, 
qualquer coisa pode ser moeda, desde que aceita como 
forma de pagamento. Ela é considerada o instrumento 
básico para que se possa operar no mercado. Pois a 
moeda atua como meio de troca. Quando um indivíduo 
vende seu produto, ele receberá moeda pelo produto 
vendido e, por conseguinte, terá moeda para comprar 
aquilo que desejar. 
 
Além disso, a moeda desempenha a função como 
unidade de conta (também chamado de denominador 
comum de valor), isto é, fornece um padrão para que 
as demais mercadorias expressem seus valores, e 
forneçam um referencial para que os valores dos 
demais produtos sejam cotados no mercado. 
 
E a terceira função da moeda é a chamada reserva de 
valor, função que decorre do meio de troca, onde o 
poder de comprar adquirido ao vender sua mercadoria 
mantiver-se ao longo do tempo. Em outras palavras, a 
moeda deve preservar o poder de compra (assim como 
acontece com os títulos, pois eles tem valor de compra 
e rentabilidade ao longo do tempo). 
 
Resumindo as três funções, temos: 
 
 Moeda como meio de troca: intermediário entre as 
mercadorias; 
 Moeda com unidade de conta: ser o referencial das 
trocas, o instrumento pelo qual as mercadorias são 
cotadas; e 
 Moeda como reserva de valor: poder de compra que 
se mantém no tempo, ou seja, forma de se medir a 
riqueza. 
 
Ao longo do tempo, a moeda evoluiu, primeiramente 
tínhamos a moeda-mercadoria (sal, animais, etc.), 
passando pela moeda metálica (ouro, prata, metais 
preciosos) até chegarmos ao que temos hoje, o papel-
moeda ou moeda fiduciária, para o qual não existe 
qualquer tipo de lastro. Isto é, não existe a garantia 
física sustentando o valor da moeda, e sua aceitação 
se deve à imposição legal do Governo. 
 
Assim como demandamos moeda ao comprar e vender 
mercadorias, há também a oferta de moeda. Num 
sistema cuja moeda é lastreada, por exemplo, em ouro, 
a circulação de moeda depende da quantidade de ouro 
em estoque no país. Já em um sistema sem lastro, tem-
se a moeda fiduciária, e o responsável pelo controle de 
oferta de moeda é o Banco Central. 
 
O Banco Central é o único emissor da moeda nacional, 
tendo como principal responsabilidade zelar pela 
quantidade de moeda nacional. 
 
O Banco Central é o órgão que controla a oferta 
monetária no país e os assuntos a ela relacionados. 
 
 
 
9 
 
 
São funções do Banco Central: 
 Controlar a oferta de moeda (possui o monopólio); 
 Zelar pelo valor da moeda nacional; e 
 Regularizar e fiscalizar o sistema financeiro. 
 
Política Monetária Convencional e Não 
Convencional 
 
Política Monetária é um conjunto de medidas adotadas 
para promover o controle da quantidade de moeda em 
circulação na economia. As medidas impactam 
diretamente na inflação e na taxa de juros do país, 
estimulando ou retraindo a economia dependendo do 
cenário que se apresenta. 
 
Política Monetária Convencional 
 
O Banco Central (BC) é responsável por controlar a 
quantidade de moeda que circula na economia por 
meio do Comitê de Política Monetária (COPOM). Sendo 
assim, as medidas de Política Monetária adotadas 
visam o equilíbrio da economia, alterando a oferta de 
moeda e definindo as taxas de juros. Definições 
importantes para conter e superar crises, bem como 
manter a inflação sob controle. 
 
Os instrumentos da política monetária são visto como 
um conjunto de ações que autoridades econômicas 
usam para controlar a oferta da moeda e a taxa de 
juros. 
 
Cabe ao Banco Central, emitir moedas, ser o guardião 
das reservas bancárias, promover empréstimos de 
liquidez aos bancos comerciais, realizar operações de 
mercado aberto e o fazer o controle seletivo de crédito. 
 
Os instrumentos de Política Monetária são: 
 
Recolhimento Compulsório 
Recolhimento compulsório é um dos instrumentos de 
Política Monetária utilizado pelo Governo para aquecer 
a economia. É um depósito obrigatório feito pelos 
bancos comerciais junto ao Banco Central. 
 
Parte de todos depósitos que são efetuados à vista pela 
população junto aos bancos comerciais vão para o 
Banco Central. O Banco Central fixa esta taxa de 
recolhimento. Esta taxa é variável, de acordo com os 
interesses do Governo em acelerar ou não a economia. 
 
O recolhimento compulsório tem por finalidade 
aumentar ou diminuir a circulação de moeda no País. 
Quando o Governo precisa diminuir a circulação de 
moedas no país, o Banco Central aumenta a taxa do 
compulsório, pois desta forma os bancos comerciais 
terão menos crédito disponível para população, 
portanto, a economia acaba encolhendo. 
 
Ocorre o inverso quando o Governo precisa aumentar 
a circulação de moedas no país. A taxa do compulsório 
diminui e com isso os bancos comerciais fazem um 
depósito menor junto ao Banco Central. Desta maneira, 
os bancos comerciais ficam com mais moeda 
disponível, consequentemente aumentam suas linhas 
de crédito. Com mais dinheiro em circulação, há o 
aumento de consumo e a economia tende a crescer. 
 
Os bancos comerciais podem fazer transferências 
voluntárias, porém, o depósito compulsório
é 
obrigatório. 
 
Redesconto Bancário 
Outro instrumento de controle monetário é o 
Redesconto Bancário, no qual o Banco Central 
concede “empréstimos” aos bancos comerciais a taxas 
acima das praticadas no mercado. 
 
Os chamados empréstimos de assistência à liquidez 
são utilizados pelos bancos comerciais somente 
quando existe uma insuficiência de caixa (fluxo de 
caixa), ou seja, quando a demanda de recursos 
depositados não cobrem suas necessidades. 
 
Quando a intenção do Banco Central é de injetar 
dinheiro no mercado, ele baixa a taxa de juros para 
estimular os bancos comerciais a pegar estes 
empréstimos. Os bancos comerciais por sua vez, terão 
mais disponibilidade de crédito para oferecer ao 
mercado, consequentemente a economia aquece. 
 
E quando o Banco Central tem por necessidade retirar 
dinheiro do mercado, as taxas de juros concedidas para 
estes empréstimos são altas, desestimulando os 
bancos comercias a pegá-los. Desta forma, os bancos 
comerciais que precisam cumprir com suas 
necessidades imediatas, enxugam as linhas de crédito, 
disponibilizando menos crédito ao mercado, com isso a 
economia desacelera. 
 
Operações com Títulos Públicos 
Também conhecido como Open Market (Mercado 
Aberto), as operações com títulos públicos é mais um 
dos instrumentos disponíveis de Política Monetária. 
Este instrumento, considerado um dos mais eficazes, 
consegue equilibrar a oferta de moeda e regular a taxa 
de juros em curto prazo. 
 
A compra e venda dos títulos públicos se dá pelo Banco 
Central. De acordo com a necessidade de expandir ou 
reter a circulação de moedas do mercado, as 
autoridades monetárias competentes resgatam ou 
vendem esses títulos. 
 
Se existe a necessidade de diminuir a taxa de juros e 
aumentar a circulação de moedas, o Banco Central 
 
 
 
10 
 
compra (resgata) títulos públicos que estejam em 
circulação. 
 
Se a necessidade for inversa, ou seja, aumentar a taxa 
de juros e diminuir a circulação de moedas, o Banco 
Central vende (oferta) os títulos disponíveis. 
 
Portanto, os títulos públicos são considerados ativos de 
renda fixa, tornando-se uma boa opção de investimento 
para a sociedade. 
 
Outra finalidade dos títulos públicos é a de captar 
recursos para o financiamento da dívida pública, bem 
como financiar atividades do Governo Federal, como 
por exemplo, Educação, Saúde e Infraestrutura. 
 
Controle de Crédito 
É um dos instrumentos mais difíceis de se conceituar e 
expor, pois é pouco utilizado devido as constantes 
mudanças que sofre, pois as regras determinadas pelo 
Banco Central hoje, podem sofrer mudanças ou até 
mesmo não existirem mais amanhã. É um instrumento 
que se refere ao controle direto sobre o crédito. Pode 
estar relacionado ao volume de transações de crédito, 
ao prazo ou ainda a que se destina este crédito. 
 
É através de mais este instrumento de Política 
Monetária que as autoridades monetárias têm como 
controlar o volume de crédito e distribuição das linhas 
de crédito, impondo taxas, condições e períodos. 
 
Acaba por se tornar um instrumento pouco 
convencional, pois pode gerar distorções no livre 
funcionamento do mercado e até desestimular a 
atividade de intermediação financeira, mas às vezes, é 
utilizado pelo Banco Central de acordo com as 
necessidades exigidas pelo mercado econômico. 
 
Persuasão Moral 
Os bancos centrais têm como função supervisionar o 
sistema bancário e financeiro, influenciam os sistemas 
de liquidação e de pagamentos, principalmente como 
fornecedores de uma variedade de serviços de 
liquidação e de pagamentos para outros bancos. Esses 
serviços devem ser confiáveis, para estarem 
disponíveis mesmo quando os mercados nos quais eles 
funcionem estiverem em crise. Eles não devem, nunca, 
ser a origem de tais crises. 
 
Apenas recentemente a vigilância se tornou uma 
função dos bancos centrais, em que os objetivos de 
segurança e eficiência são promovidos pelo 
monitoramento dos sistemas existentes ou planejados, 
pela avaliação deles contra esses objetivos e, quando 
necessário, pela indução a mudanças. Entretanto, 
embora recente, esse desenvolvimento na natureza da 
vigilância tem sido rápido e a função agora é 
reconhecida como uma das principais 
responsabilidades dos bancos centrais. 
 
 Na prática, a maioria dos bancos centrais usa a 
persuasão moral em suas atividades diárias de 
vigilância. A persuasão é uma estratégia de 
comunicação que consiste em utilizar recursos lógico-
racionais ou simbólicos para induzir alguém a aceitar 
uma ideia, uma atitude, ou realizar uma ação. 
 
Existem, por exemplo, formas de pressionar os bancos 
para que ofereçam linhas de crédito para pequenos 
empresários e pessoas de baixa renda. Uma delas 
seria através da persuasão moral implícita, onde o 
Banco Central influencia a atuação dos bancos por 
meio de pressão para que o sistema bancário possa ser 
mais acessível. Uma outra forma seria por meio de leis 
sobre divulgação financeira. 
 
Política Monetária Não Convencional 
 
A política monetária não convencional é uma estratégia 
que pode ser utilizada por um governo para atuar de 
maneira ativa na economia, reduzindo assim os efeitos 
de um período econômico negativo. 
 
Esse é um cenário comum em momentos de crise. Foi 
o que aconteceu, por exemplo, nos Estados Unidos 
durante a Crise do Subprime, em 2008. 
 
Vale lembrar, essa foi uma crise causada pelo excesso 
de confiança e de estímulo ao crédito imobiliário. Uma 
vez que os clientes dos bancos passaram a não ter 
condições de honrar seus compromissos, explodiu uma 
bolha. 
 
A Crise do Subprime foi caótica e um dos principais 
desafios econômicos da história, fazendo com que 
muitos dos grandes bancos estadunidenses 
apresentassem proximidade com a falência. Sob certas 
óticas, sem uma atuação ativa do governo os 
resultados seriam ainda piores. 
 
Essa naturalmente não foi a última crise financeira. Em 
cenários adversos, muitos governos atuam para manter 
a economia saudável na medida do possível (ou ao 
menos reduzir os impactos da situação atravessada). 
 
Qual é a importância de uma política monetária 
não convencional? 
Como o próprio nome sugere, a política monetária não 
convencional não deve ser utilizada de maneira 
frequente. Isto é, ela pode ser considerada como um 
plano de contingência. 
 
O que acontece é que, ao longo de uma crise, o cenário 
torna-se extremamente desafiador. O consumo é 
reduzido, pois a população passa a ter medo de perder 
o seu emprego e, consequentemente, a sua renda. As 
 
 
 
11 
 
empresas vendem menos. E tudo parece ir ladeira 
abaixo. 
 
É nesta hora que a política monetária não convencional 
costuma ser executada. Ela não vai garantir a solução 
de todos os problemas, mas visa manter o sistema 
funcionando e, na medida do possível, ajudar na 
recuperação econômica após o período de crise. 
 
Sem uma atuação neste sentido, os efeitos de uma 
recessão econômica poderiam ser muito mais drásticos 
e duradouros. Desta forma, a importância da estratégia 
consiste em atuar para evitar problemas financeiros 
maiores no longo prazo. 
 
O que pode ser executado em uma política 
monetária não convencional? 
Durante a aplicação de uma política monetária não 
convencional, os países acabam aderindo a ações que 
certamente não estariam em prática se o ambiente 
econômico fosse positivo. 
 
Em 2020, por exemplo, o mundo precisou lidar com 
uma pandemia. Desta forma, o isolamento social foi 
necessário, algo que levou a uma crise financeira 
mesmo em um momento que parecia, em tese, 
promissor do ponto de vista financeiro. 
 
No Brasil, uma das medidas adotadas pelo governo 
visando a redução dos danos dessa situação foi um 
benefício emergencial — um pagamento mensal que 
ajudasse as pessoas com seus gastos. Esse auxílio 
não seria realizado em condições normais. 
 
Outra prática comum da política monetária não 
convencional está na compra de títulos que estão
em 
propriedade dos bancos comerciais pelo Banco 
Central. O objetivo aqui é injetar dinheiro na economia 
e ajudar com a liquidez da moeda (no nosso caso, o 
real). 
 
Os riscos da política monetária não 
convencional? 
Embora seja extremamente válida do ponto de vista 
social ou econômico, uma política monetária não 
convencional precisa ser avaliada com cautela. Os 
resultados, afinal, serão colhidos no longo prazo. 
 
Um excesso de dinheiro em circulação, por exemplo, 
pode levar a um problema relacionamento ao câmbio, 
com a desvalorização da moeda no cenário 
internacional. 
 
Os efeitos das decisões também podem atingir outros 
indicadores. A redução das taxas de juros é outra 
estratégia comum para enfrentar crises, mas pode 
trazer aumento de inflação se não for bem utilizada. 
 
Portanto, a política monetária não convencional deve 
ser empregada em momentos realmente críticos e, 
ainda assim, monitorando todos os impactos de longo 
prazo para evitar um cenário ainda mais adverso no 
futuro. 
 
Quantitative Easing 
 
O quantitative easing, também conhecido como 
flexibilização quantitativa, é uma estratégia de estímulo 
monetário que visa, a partir da compra de títulos 
públicos e privados pelo Banco Central, aumentar a 
oferta de dinheiro em circulação na economia. 
 
A sua aplicação costuma sobrevir a um momento de 
forte crise ou estagnação econômica, quando a 
instituição perde o controle sobre a deflação. Japão, 
Estados Unidos e o bloco da Zona do Euro são alguns 
dos mais famosos implementadores dessa política. 
 
Para se ter uma ideia de sua magnitude, o quantitative 
easing é considerado a maior forma de intervenção 
pública já realizada nas economias ocidentais - com 
exceção, apenas, das grandes guerras mundiais. 
 
Como o quantitative easing funciona? 
O quantitative easing é uma estratégia ligada à 
Macroeconomia, ou seja, não está direcionado a 
nenhum setor ou região específica, mas a todos os 
blocos da nação. 
 
Em situações “normais”, o Banco Central, cuja função 
principal é garantir a estabilidade do sistema 
econômico, utiliza as taxas de juros como forma de 
controlar a inflação. Assim, ele é capaz de incentivar ou 
restringir a tomada de crédito e a circulação monetária 
de acordo com os objetivos fixados. 
 
No entanto, em contextos extremos, as reduções não 
são capazes de frear a diminuição no índice de preços. 
 
O que fazer, então, quando a taxa de juros já 
está próxima de zero e, ainda assim, mercado 
financeiro continua em desaquecimento? 
 
A resposta encontrada por países como Japão (1990s), 
Estados Unidos (2008) e Inglaterra (2009) foi criar uma 
quantidade exorbitante de dinheiro novo, gerando valor 
expandido e impulsionando o poder de compra. 
 
Em situações comuns, o ajuste do mercado passa pela 
emissão de dinheiro físico. 
 
No entanto, nos casos de quantitative easing, o capital 
criado é eletrônico (ou artificial) e a sua utilização se 
destina à compra de títulos bancários, de dívidas 
públicas ou privadas. 
 
 
 
 
12 
 
Como os maiores detentores de títulos são os bancos, 
o que acontece é uma transferência indireta, com o 
dinheiro passando das mãos do Banco Central para as 
das instituições financeiras através dessa transação. 
 
O resultado é uma injeção de capital, que diminui as 
taxas de juros cobradas em empréstimos, 
financiamentos e cartões. 
 
Com o acesso facilitado ao crédito, o cliente (pessoa 
física ou jurídica) vai às compras e faz o dinheiro 
circular. O crescimento da procura logo é percebido 
pelos fornecedores, que, baseados na lei da oferta e da 
demanda, aumentam os preços cobrados e propiciam 
a inflação. 
 
Por outro lado, o quantitative easing pode ter efeitos 
também sobre o mercado de investimentos. A 
aquisição massiva de títulos tende a levar o seu preço 
para cima, aquecendo as trocas entre investidores e 
fazendo o capital girar. 
 
Quais são os riscos atrelados aos programas 
de quantitative easing? 
Na terra da economia previsível, certamente a lógica do 
quantitative easing funciona perfeitamente. 
 
Na vida real, entretanto, nem sempre é assim. 
A desvalorização da moeda local, frente às moedas 
estrangeiras, não é um risco na aplicação do 
quantitative easing, mas sim uma característica 
inerente. 
 
Outros fatores, no entanto, dependem da resposta do 
mercado às medidas adotadas. 
Por exemplo, se houver um erro no diagnóstico da 
demanda, o Banco Central pode inserir um montante 
superior ao necessário e gerar uma hiperinflação. 
Se a taxa de juros se manter baixa por um período 
prolongado, há a possibilidade de surgimento das 
chamadas bolhas de ativos. 
 
Embora, nesses casos, a alta nos valores dos ativos 
seja insustentável, a bolha se espalha, “contaminando” 
não somente este país, como outros igualmente 
influenciados por ele. 
O resultado é uma complexa conexão de mercados 
esperando que a bolha “estoure”. 
 
Além disso, com o estabelecimento dos programas de 
quantitative easing há o risco de: 
 
- Desvio no seu caráter temporário, sendo usado para 
financiar de forma permanente a dívida pública e 
privada; 
Intenso deslocamento do capital para países 
emergentes, gerando excesso de liquidez, com 
subsequente inflação elevada e/ou bolhas; 
- “Guerra de QEs”: quando vários países adotam o 
quantitative easing ao mesmo tempo, a desvalorização 
da moeda tem efeito pífio sobre a melhora da balança 
comercial, o que os obriga a competir no volume 
injetado para superarem uns aos outros. 
 
Taxa SELIC e operações compromissadas 
 
Taxa Selic 
 
Para iniciarmos a explicação acerca dos aspectos 
definidores da taxa Selic, vale destacar qual seja o 
conceito formulado pelo Banco Central do Brasil sobre 
referida taxa, uma vez que é este órgão quem define 
por meio do Comitê de Política Monetária (COPOM) a 
meta Selic mensal, para que, então, a partir deste 
conceito tecermos comentários acerca dos aspectos 
definidores da taxa Selic. 
 
Conceitua o Banco Central, com nossos destaques: 
 
A taxa Selic “É a taxa apurada no Selic, obtida mediante 
o cálculo da taxa média ponderada e ajustada das 
operações de financiamento por um dia, lastreadas em 
títulos públicos federais e cursadas no referido sistema 
ou em câmaras de compensação e liquidação de 
ativos, na forma de operações compromissadas. 
Esclarecemos que, neste caso, as operações 
compromissadas são operações de venda de títulos 
com compromisso de recompra assumido pelo 
vendedor, concomitante com compromisso de revenda 
assumido pelo comprador, para liquidação no dia útil 
seguinte. Ressaltamos, ainda, que estão aptas a 
realizar operações compromissadas, por um dia útil, 
fundamentalmente as instituições financeiras 
habilitadas, tais como bancos, caixas econômicas, 
sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários e 
sociedades distribuidoras de títulos e valores 
mobiliários”. 
 
Estabelecido o conceito primário da taxa Selic 
divulgado pelo Banco Central do Brasil, passemos aos 
comentários pertinentes. Num primeiro momento, diz-
se que a taxa Selic é um índice, que é obtido por meio 
de uma média ponderada, sendo este índice uma 
referência para a Economia, ou seja, com a fixação 
deste índice temos a taxa referencial para a política 
monetária, que serve de base para as demais taxas de 
juros da economia. É obtido pela seguinte fórmula: 
 
 
 
Lj: fator diário correspondente à taxa da j-ésima 
operação; 
 
 
 
13 
 
Vj: valor financeiro correspondente à taxa da j-ésima 
operação; 
n: número de operações que compõem a amostra. 
 
Num segundo momento, verifica-se que a formulação 
deste índice é manejada diariamente, por meio de 
operações compromissadas, o que se denomina de 
overnight. 
 
De modo simples, a taxa Selic serve de taxa de juros 
de pagamento da dívida do Governo representada 
pelos títulos públicos, que são adquiridas diariamente 
especialmente pelas instituições financeiras 
(overnight), ou seja, com a emissão
de títulos públicos, 
o Governo se compromete a pagar, a título de juros, 
aos adquirentes destes, a taxa diária da Sistema 
Especial de Liquidação e Custódia. Sendo assim, a 
taxa Selic tem lastro nos títulos públicos e é modificada 
diariamente, por meio dessas operações de 
financiamento. 
 
Em outros termos, também é possível dizer que a taxa 
Selic é usada para operações de curtíssimo prazo entre 
os bancos, que ao tomarem recursos emprestados de 
outros bancos por um dia, oferecem títulos públicos 
como garantia, a fim de reduzir risco e juros na 
transação. 
 
Assim, como o risco final da transação é do Governo, 
pois seus títulos servem de lastro para a operação e o 
prazo é o de apenas um dia (prazo mais curto possível), 
esta taxa acaba servindo de referência para todas as 
demais taxas de juros da economia. 
 
No entanto, ressalta-se que muito embora a taxa Selic 
modifica-se diariamente de acordo com a overnigth, 
deve a mesma permear a meta Selic, que é 
estabelecida mensalmente pelo Comitê de Política 
Monetária do Banco Central, dela não se distanciando 
substancialmente. 
 
Destarte, do que restou exposto, conclui-se que a taxa 
Selic é a taxa de financiamento no mercado 
interbancário para operações de um dia, ou overnight, 
que possuem lastro em títulos públicos federais, títulos 
estes que são listados e negociados no Sistema 
Especial de Liquidação e Custódia, ou Selic. 
 
Taxa Selic / dezembro de 2022 = 13,75% 
 
A taxa Selic e sua influência na Economia 
Passada a primeira fase de nosso trabalho, e entendido 
quais os aspectos definidores da taxa Selic, faz-se 
necessário discorrer acerca de sua importância para a 
Economia, respondendo às questões sobre como que 
referida taxa tem o poder de regular as finanças do país 
inteiro. 
 
Em termos simples, a taxa básica de juros é o 
instrumento utilizado pelo Banco Central para manter a 
inflação sob controle. 
 
Isto porque quando a taxa básica de juros Selic é 
bastante reduzida, os investimentos em aquisição de 
títulos públicos, que lastreiam a Selic, tornam-se menos 
atrativos à população, o que faz com que a população 
tenha maiores sobras de dinheiro, tendo maior acesso 
ao crédito, aos investimentos em produção e ao 
consumo. 
 
Com o maior consumo e aumento da demanda, os 
preços tendem a subir, encadeando o processo 
inflacionário da moeda. 
 
Por outro lado, quando a taxa Selic é aumentada, o que 
se faz mais atrativo é a aquisição de títulos públicos, 
pois o Governo pagará mais para a população que 
adquire tais títulos, ou seja, com o aumento da taxa 
Selic, o dinheiro tende a ser retido nessas espécies de 
aplicação, fazendo com que não haja recursos 
disponíveis no mercado para o consumo e 
investimentos em produção, por exemplo. 
 
Sendo assim, a população consumirá menos e os 
investimentos em produção também serão menores, a 
economia irá desacelerar e os preços serão reduzidos, 
podendo ocorrer o fenômeno inverso ao da inflação. 
 
É por esse motivo que os empresários pedem corte nas 
taxas, pois assim será possível viabilizar investimentos, 
sendo também por esse motivo que as Bolsas sobem, 
pois que reduções da taxa de juros também viabilizam 
a migração de recursos da renda fixa para a renda 
variável. 
 
Portanto, do que restou exposto, possível concluir que 
o principal instrumento que têm em mãos as 
autoridades financeiras é a taxa de juros básica da 
Economia (taxa Selic), haja vista que ao alterá-la, o 
Banco Central é capaz de aquecer ou desaquecer a 
economia e influenciar nos principais indicadores de 
crescimento do país. 
 
Operações Compromissadas 
 
Operações compromissadas são operações de venda 
(ou de compra) de títulos com compromisso de 
recompra (ou revenda) dos mesmos títulos em uma 
data futura, podendo ser antes ou igual à data de 
vencimento dos títulos. 
 
No entanto, apesar de normalmente vincularmos ao 
BC, as operações compromissadas podem ser 
realizadas entre instituições financeiras ou até mesmo 
entre instituições financeiras e pessoas jurídicas. 
 
 
 
 
14 
 
Os títulos aos quais nos referimos podem ser títulos 
públicos ou privados. O mais comum são os títulos 
públicos. 
 
Quando uma instituição financeira ou o BC faz uma 
operação compromissada de venda, é o mesmo que 
tomar um empréstimo dando como garantia um título 
(normalmente público). Consegue perceber? Quem 
“vende” o título, recebe o dinheiro pelo título, mas 
posteriormente esse título será recomprado. Além 
disso, quem vendeu o título nessa operação 
compromissada paga juros ao comprador. 
 
Na prática, esse tipo de operação é muito comum entre 
instituições financeiras ao fim do dia, as quais correm 
para esse tipo de operação buscando liquidez. Bancos 
com “caixa negativo” fazem essas operações com 
aqueles que tiveram “caixa positivo”. Se o título dado 
como garantia for um título público federal, dá-se o 
nome a essa taxa de “Selic Over”. Caso a garantia seja 
um título bancário privado, o nome dado é “CDI”. 
 
Mas por que não vender o título diretamente? Isso 
acontece porque muitas vezes essas operações são 
curtíssimas e não valeria a pena vender os títulos… 
Muitas vezes, duram 1 único dia ou poucos dias… 
 
Vender títulos não é tão simples, tem o problema de 
liquidez e também de pagar “pedágio” por vender antes 
do vencimento. Nesse caso, como é para resolver um 
problema de liquidez pontual, o mais prático é utilizar 
essas operações, que tem custo baixo e são bem 
líquidas. 
 
Essas operações compromissadas podem ser 
registradas em sistemas. Caso o título público dado 
como garantia seja um título público federal, ela será 
registrada no Selic (Sistema Especial de Liquidação e 
Custódia). Caso o título dado como garantia seja um 
título privado, ela será registrada na Cetip (Central de 
Custódia e Liquidação Financeira de títulos). 
 
A taxa Selic que o Banco Central determina chama-se 
“SELIC META”, ela é uma referência ao mercado e 
costuma balizar, no caso de liquidez preservada, a 
SELIC OVER. 
 
Mas não são só bancos que participam desse 
sistema… Fundos de investimento, por exemplo, fazem 
caixa também utilizado essas operações, consegue 
imaginar como? 
 
Quando um fundo de investimento está com dinheiro 
disponível e não quer deixar o dinheiro parado, o fundo 
pode fazer uma operação compromissada de compra 
com compromisso de revenda com alguma instituição 
financeira. Nesse caso, o fundo deixa o dinheiro 
“parado” rendendo algum juros e, quando precisa do 
dinheiro, desfaz a operação com a instituição 
financeira. Veja que seria muito mais complicado o 
fundo pegar o dinheiro, ir ao mercado, comprar títulos, 
armazenar e depois vender, até porque no momento de 
venda poderia não encontrar liquidez ou pagar um 
“pedágio” pela venda do título. 
 
No mundo ideal e utópico, haveria plena liquidez entre 
compradores e vendedores e a taxa seria 
extremamente bem regulada, tendo uma SELIC OVER 
muito próxima a SELIC Meta. Na prática, no entanto, 
distorções de demanda acontecem e, com isso, 
flutuações da taxa de juros paga nessas operações. 
 
Se houver um desequilíbrio com mais players querendo 
fazer operações compromissadas de venda do que de 
compra, a taxa de juros dessas operações 
provavelmente aumentará. O grande problema, nesse 
caso, é uma falta de liquidez generalizada, até porque 
essas operações, como dito, acontecem não só entre 
bancos. 
 
Para isso, os Bancos Centrais também fazem uma 
ponte nesse sistema, podendo fomentar a liquidez, 
atuando tanto nas operações compromissas de venda, 
quanto de compra. 
 
A parte importante de toda essa discussão é entender 
como funciona melhor a questão de política monetária 
brasileira. Na prática, temos o CMN (Conselho 
Monetário Nacional) que determina uma meta de 
inflação a ser seguida pelo Banco Central. Essa meta 
tem um centro, piso (inferior) e teto (superior). O BC, 
em tese, trabalha para deixar a inflação próxima ao 
centro da meta. O principal instrumento para tal é 
através
da determinação da taxa básica de juros, a 
SELIC. 
 
Se a taxa básica de juros aumenta, você tende a 
controlar a pressão inflacionária. Dessa forma, inflação 
acima da meta fomenta alta de juros; enquanto que 
inflação abaixo do centro da meta fomenta corte de 
juros. 
 
Essa SELIC determinada, no entanto, é chamada de 
SELIC Meta e é uma referência para o mercado, 
principalmente no que tange as operações 
compromissadas que envolvem títulos públicos 
federais. A taxa nessas operações se chama SELIC 
OVER. 
 
Caso falte liquidez nessas operações compromissadas 
de venda, a SELIC Over tende a subir, superando a 
SELIC Meta. Nesse caso, o BC pode intervir fazendo 
operações compromissadas de compra com taxa 
estipulada próximo a SELIC Meta. 
 
Dessa forma, as operações estruturadas servem como 
um meio do BC garantir que a SELIC Meta seja, de fato, 
incorporada. 
 
 
 
15 
 
 
O debate sobre os depósitos 
remunerados dos bancos comerciais no 
Banco Central do Brasil. 
 
Na última terça-feira dia 22 de junho a câmara dos 
deputados aprovou o PL que autoriza o BACEN a 
receber depósitos voluntários dos Bancos Comerciais, 
os quais passarão a ser uma alternativa as operações 
compromissadas na regulação diária da liquidez do 
mercado interbancário, necessária para permitir a 
autoridade monetária fixar o valor da taxa Selic na meta 
definida nas reuniões do Copom. Importante ressaltar 
que os depósitos remunerados são um instrumento 
de política monetária utilizado tanto pelo Federal 
Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) como 
pelo Banco Central Europeu. Nesse aspecto, o PL está 
aperfeiçoando a operacionalidade da política monetária 
no Brasil, emparelhando-a com as melhores práticas 
existentes nos países desenvolvidos. 
 
No entanto, alguns analistas criticaram o PL 
argumentando de que o mesmo permitiria uma redução 
artificial, puramente contábil, na dívida bruta do 
governo geral (DBGG). Isso porque, conforme a 
metodologia de cálculo da DBGG adotada pelo 
BACEN, a assim chamada “carteira livre de títulos”, ou 
seja, os títulos da dívida pública que não estão sendo 
utilizados pela autoridade monetária nas operações 
compromissadas não são contabilizados como parte da 
DBGG. Quando o BACEN precisa enxugar liquidez do 
mercado interbancário, ou seja, absorver as reservas 
em excesso dos bancos comerciais, ele vende os 
títulos da carteira livre para os bancos comerciais por 
intermédio das operações compromissadas, que nada 
mais são do que uma venda de títulos da carteira do 
BACEN com compromisso de recompra dos mesmos 
pela autoridade monetária ao final de um determinado 
período de tempo. Ao vender os títulos por intermédio 
das compromissadas o BACEN está aumentando a 
quantidade de títulos da dívida pública nas mãos do 
“mercado” e, dessa forma, aumentando a DBGG. 
 
Se o BACEN puder substituir as operações 
compromissadas pelos depósitos voluntários; então as 
reservas excedentes dos bancos comerciais poderão 
ser depositadas diretamente no BACEN, sem que seja 
necessário a venda de títulos da dívida pública para o 
“mercado”; ou seja, sem que ocorra um aumento da 
DBGG. Dessa forma, as operações de regulação de 
liquidez do Banco Central não terão nenhum impacto 
na dívida pública, cuja dinâmica passará a depender 
exclusivamente do déficit nominal do Tesouro Nacional, 
ou seja, a soma entre o resultado primário do governo 
geral e o pagamento de juros da dívida pública. 
 
Como o leitor já deve ter percebido, não há nada de 
“contabilidade criativa” no expediente dos depósitos 
voluntários no BACEN. Pelo contrário, as operações 
compromissadas, que no Brasil são realizadas pela 
venda de títulos do Tesouro Nacional que estão na 
carteira do BACEN, eram a verdadeira jabuticaba na 
política monetária brasileira. Isso porque a Constituição 
Federal veda ao BACEN a possibilidade de comprar 
títulos da dívida pública diretamente do Tesouro; assim 
para que o BACEN possa ter o volume necessário de 
títulos públicos para fazer as operações normais de 
regulação de liquidez era necessário que o Tesouro 
Nacional fizesse uma emissão de títulos públicos, não 
para financiar o déficit nominal, mas para “capitalizar” o 
BACEN. Dessa forma, o Tesouro poderia emitir, 
digamos, R$ 300 bilhões em títulos públicos, os quais 
seriam contabilizados no balanço do BACEN no seu 
passivo como “aumento de capital próprio” e no seu 
ativo como “carteira livre de títulos”. Enquanto esses 
títulos não forem vendidos ao mercado por intermédio 
das operações compromissadas, eles não seriam 
contabilizados na DBGG; assim que os mesmos 
fossem vendidos, então a dívida aumentaria na 
magnitude da venda. 
 
Desde meados dos anos 2000 o volume das operações 
compromissadas do BACEN vem aumentando 
sistematicamente, alcançando um valor próximo de 
20% do PIB. Isso ocorreu basicamente devido ao 
acumulo de reservas internacionais, as quais passaram 
de pouco mais de US$ 60 bilhões em 2005 para quase 
US$ 400 bilhões em 2016. A compra de reservas 
internacionais é um fator de expansão da base 
monetária e das reservas bancárias. Para manter a 
taxa de juros na meta definida pelo Copom, o BACEN 
precisou enxugar essa liquidez com a venda de títulos 
públicos. Dado o volume gigantesco de base monetária 
criada, o Tesouro teve que emitir 20% do PIB em títulos 
públicos, apenas para enxugar a liquidez criada pelo 
acumulo das reservas internacionais; ou seja, a DBGG 
aumentou em 20 p.p do PIB sem que isso tenha 
resultado de uma operação “acima da linha”, ou seja, 
da necessidade de financiar o déficit nominal do setor 
público. 
 
Até 2012, isso não era um problema para a formulação 
de política econômica porque tanto o governo como o 
mercado financeiro acompanhavam apenas a evolução 
da dívida líquida do setor público, a qual já desconta o 
valor das reservas internacionais, anulando assim o 
impacto das operações compromissadas sobre a 
dinâmica da dívida pública. Contudo, devido as 
trapalhadas do Ministério da Fazenda durante o 
primeiro governo Dilma Rouseff com as “pedaladas 
fiscais”, o mercado passou a olhar para o 
comportamento da dívida bruta, ao invés da dívida 
líquida. O problema é que as “pedaladas fiscais” foram 
resolvidas no final de 2015, mas o mercado e os 
analistas econômicos continuam olhando apenas para 
a dívida bruta, não para a dívida líquida, como era a 
praxi até 2011. Qual a razão desse comportamento? 
 
 
 
16 
 
Minha hipótese é de que focar na dívida bruta, ao invés 
da dívida líquida, dá mais credibilidade para o discurso 
do “abismo fiscal” que o país estaria a ponto de cair, 
caso não se aprove a agenda de reformas. Dessa 
forma, a “consistência com o erro” tem uma explicação 
muito clara na Economia Política: o “mercado” quer 
uma redução de impostos e para isso cria um “dragão 
debaixo da cama” que seria uma situação de 
insolvência do Estado Brasileiro devido a uma dívida 
bruta muito elevada. A adoção dos depósitos 
voluntários põe “água no chope” dessa narrativa pois 
permitiria uma redução significativa da dívida bruta (não 
da dívida líquida), atenuando assim a situação de 
“emergência fiscal” que o mercado quer vender para os 
políticos e para a sociedade brasileira. 
 
Em suma, a criação dos depósitos voluntários é bem-
vinda do ponto de vista da melhoria da 
operacionalidade da política monetária no Brasil, além 
de tornar mais transparente a situação das contas 
públicas no Brasil, separando o aumento da dívida 
pública que resulta do déficit nominal, daquele que foi 
gerado unicamente para permitir ao BACEN conduzir 
as operações normais de política monetária. Isso não 
tem nada de contabilidade criativa. Trata-se de bom 
senso, temperado pela boa teoria econômica. 
 
 
4 - Orçamento público, títulos do Tesouro Nacional e dívida pública. 
 
Orçamento Público 
 
Orçamento público é o instrumento utilizado pelo 
Governo Federal para planejar a utilização do
dinheiro 
arrecadado com os tributos (impostos, taxas, 
contribuições de melhoria, entre outros). Esse 
planejamento é essencial para oferecer serviços 
públicos adequados, além de especificar gastos e 
investimentos que foram priorizados pelos poderes. 
 
Essa ferramenta estima tanto as receitas que o 
Governo espera arrecadar quanto fixa as despesas a 
serem efetuadas com o dinheiro. Assim, as receitas são 
estimadas porque os tributos arrecadados (e outras 
fontes) podem sofrer variações ano a ano, enquanto as 
despesas são fixadas para garantir que o governo não 
gaste mais do que arrecada. 
 
Uma vez que o orçamento detalha as despesas, pode-
se acompanhar as prioridades do governo para cada 
ano, como, por exemplo: o investimento na construção 
de escolas, a verba para transporte e o gasto com a 
saúde. Esse acompanhamento contribui para fiscalizar 
o uso do dinheiro público e a melhoria da gestão pública 
e está disponível aqui, no Portal da Transparência do 
Governo Federal. 
 
Elaboração do Orçamento 
 
O processo de elaboração do orçamento é complexo, 
pois envolve as prioridades do Brasil, um país com mais 
de 200 milhões de habitantes. Se já é difícil planejar e 
controlar os gastos em nossa casa, imagine a 
complexidade de planejar as prioridades de um país do 
tamanho do Brasil. No entanto, o planejamento é 
essencial para a melhor aplicação dos recursos 
públicos. 
 
O processo de planejamento envolve várias etapas, 
porém três delas se destacam: a aprovação da Lei do 
Plano Plurianual (PPA), da Lei de Diretrizes 
Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual 
(LOA). 
 
Cada uma dessas leis é proposta pelo Poder Executivo, 
a partir de objetivos específicos, e depende da 
aprovação do Congresso Nacional. Isso permite que os 
deputados e senadores eleitos como nossos 
representantes influenciem o orçamento, adequando 
as leis às necessidades mais críticas da população que 
representam. 
 
Para organizar e viabilizar a ação pública, o PPA 
declara as políticas e metas previstas para um período 
de 4 anos, assim como os caminhos para alcançá-las. 
A LDO e a LOA devem estar alinhadas às políticas e 
metas presentes no PPA, e, por sua vez, são 
elaboradas anualmente. 
 
A LDO determina quais metas e prioridades do PPA 
serão tratadas no ano seguinte - além de trazer 
algumas obrigações de transparência. A partir daí, a 
LOA é elaborada, detalhando todos os gastos que 
serão realizados pelo governo: quanto será gasto, em 
que área de governo (saúde, educação, segurança 
pública) e para que. 
 
A ideia é terminar cada ano com a LOA aprovada para 
o ano seguinte, ou seja, com todo o detalhamento dos 
gastos e receitas. A LOA é o que chamamos, de fato, 
de orçamento anual. A lei por si só também é grande e 
complexa, por isso é estruturada em três documentos: 
orçamento fiscal, orçamento da seguridade social e 
orçamento de investimento das estatais. 
 
No Portal da Transparência do Governo Federal, você 
consegue consultar dados sobre a execução do 
orçamento fiscal e da seguridade social, uma vez que 
esses são os investimentos e gastos que afetam 
diretamente o seu dia a dia. 
 
 
 
17 
 
 
Títulos do Tesouro Nacional 
 
O Tesouro Direto é um programa criado em 2002 pelo 
Tesouro Nacional em parceria com a BM&F Bovespa 
(atual B3) que permite a venda de títulos públicos 
federais a pessoas físicas por meio da internet. O 
principal objetivo é o de democratizar o acesso da 
população aos títulos públicos, antes acessíveis 
somente por meio de fundos de renda fixa que, na 
época, cobravam dos investidores altas taxas de 
administração. 
 
Hoje, o Tesouro Direto é considerado uma das mais 
importantes opções de investimento do Brasil, isso 
porque conta com uma rentabilidade atrativa, liquidez e 
um baixo nível de risco. 
 
Quais são os tipos de Tesouro Direto 
Existem três tipos de Tesouro Direto mais populares 
entre as pessoas físicas, são eles: 
 Prefixados; 
 Pós-fixados indexados ao IPCA e, 
 Pós-fixados indexados à taxa Selic. 
 
Recentemente, o Tesouro Nacional promoveu uma 
mudança nas nomenclaturas dos títulos públicos, isso 
com o intuito de melhorar a comunicação com os 
investidores. Agora, é possível identificar as principais 
características de um título diretamente por meio de 
seu nome. 
 
Vale lembrar que as novas nomenclaturas continuam 
vinculadas aos nomes antigos e resumem os principais 
atributos dos títulos, que são: tipo de rentabilidade, 
fluxo de remuneração e data de vencimento. 
 
A principal vantagem dessa mudança para o investidor 
é não mais precisar decorar essa verdadeira “sopa de 
letrinhas” que formava os nomes dos títulos. 
 
Abaixo, uma breve explicação sobre cada um dos 
tipos de Tesouro Direto. 
 
Tesouro Prefixado (LTN) 
Esse título conta com uma taxa que já predefinida no 
momento da compra. Dessa forma, se você optar por 
investir no Tesouro Prefixado já saberá imediatamente 
qual será a taxa de juros a ser paga pelo Tesouro 
Nacional ao término da aplicação. 
 
Uma estratégia muito utilizada por especialistas nesse 
tipo de investimento é a compra dos títulos nos 
momentos em que a taxa de juros do país esta alta, 
mas com tendências de recuo. Isso faz com que o 
investidor “trave” a sua rentabilidade em um momento 
em que a taxa básica de juros (Selic) está elevada. 
Assim, mesmo que posteriormente a Selic acabe 
caindo, a rentabilidade maior no final do prazo do 
investimento está garantida! 
 
Tesouro IPCA+ (NTN-B) 
Esse título possui a sua rentabilidade vinculada à 
variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo 
(IPCA), que é utilizado para medir a inflação oficial do 
país. Nesse sentido, o investidor não consegue saber 
exatamente qual será a sua remuneração ao final do 
período de validade do título, uma vez que o IPCA é um 
índice que apresenta uma ampla volatilidade ao longo 
dos meses. Além do IPCA, a remuneração também é 
acrescida dos juros. 
 
Se você pretende investir nesse tipo de título é 
importante observar se existe uma expectativa de 
aumento da inflação. Dessa forma, além de proteger 
seu patrimônio, você também poderá elevar seu poder 
aquisitivo. 
 
Tesouro Selic (LFT) 
Esse título possui rentabilidade diária e é vinculado à 
taxa Selic, que é a base dos juros do país. Assim como 
no caso do Tesouro IPCA+, a pessoa que investe no 
Tesouro Selic não saberá exatamente qual será a sua 
rentabilidade no vencimento do título, pois dependerá 
da variação da Selic (quanto mais alta, maior a 
remuneração e vice-versa). 
 
Especialistas recomendam que esse título seja 
adquirido caso exista uma expectativa de alta na taxa 
Selic ou quando ela permanecer em um patamar mais 
elevado. Contudo, entre as principais vantagens desse 
título está a possibilidade de resgate do dinheiro a 
qualquer tempo, sem perdas, o que o faz muito indicado 
para as pessoas que desejam criar uma reserva de 
emergência ou mesmo fugir da antiga poupança. 
 
Vantagens e desvantagens de investir no 
Tesouro Direto 
Assim como qualquer outro tipo de investimento, o 
Tesouro Direto também conta com as suas vantagens 
e desvantagens. Entre as principais vantagens 
podemos destacar a boa rentabilidade, liquidez e a 
segurança para o investidor. Já entre as principais 
desvantagens estão a cobrança de taxas e alguns 
riscos que envolvem esse tipo de investimento. 
 
Quando se analisa a rentabilidade, os títulos do 
Tesouro Direto levam grande vantagem quando são 
mantidos até o seu vencimento, isso se comparado a 
outros tipos de aplicações financeiras de renda fixa 
disponíveis no mercado. A liquidez dos títulos também 
é garantida, uma vez que o Tesouro Nacional garante 
a recompra dos títulos quando for necessário, o que 
acontecerá em D+1. 
 
 
 
 
18 
 
Já a segurança se refere ao fato de que os títulos do 
Tesouro Direto são 100% garantidos pelo Tesouro 
Nacional, ou seja, quem garante o pagamento dos 
investidores é nada menos que o Governo
Federal, 
considerado o melhor “pagador” de todos. 
 
Apesar de poder se enquadrar como uma 
desvantagem, a cobrança de taxas no Tesouro Direto 
nem se compara aos valores cobrados em outros 
investimentos de renda fixa. Recentemente, o Tesouro 
Nacional reduziu a taxa de custódia dos títulos de 
0,30% para 0,25%, o que garante rendimentos maiores 
ao investidor. 
 
Além da taxa de custódia, instituições financeiras 
também podem cobrar uma taxa de administração. 
Vale lembrar que algumas corretoras, como é o caso 
da XP investimentos, isentam os investidores dessa 
cobrança, que pode chegar a 0,5% ao ano nos grandes 
bancos. 
 
O Tesouro Direto se sujeita a dois tipos de riscos: de 
crédito e de mercado. Contudo, o risco de crédito desse 
tipo de investimento é considerado muito baixo, visto 
que o país precisaria “quebrar” para que os 
rendimentos deixassem de ser pagos pelo governo. 
 
Já o risco de mercado é algo que requer uma certa 
atenção, pois os títulos públicos possuem uma certa 
volatilidade (uns mais que os outros), o que faz com 
que o preço de cada um dos tipos de Tesouro Direto 
possa oscilar durante o seu período de validade. Dessa 
forma, se você precisa resgatar o papel antes de sua 
data de vencimento, então poderá conseguir um valor 
menor ou maior do que o aplicado inicialmente. 
 
Nesse sentido, podemos citar como exemplo um título 
do Tesouro IPCA+ (NTN-B), pois o seu valor de face 
tende a registrar uma queda caso a taxa de juros da 
economia aumente. 
 
Como escolher títulos do Tesouro Direto 
A escolha de um título no Tesouro Direto envolve muito 
o perfil de cada investidor. Os mais conservadores, por 
exemplo, podem encontrar o seu “porto seguro” no 
Tesouro Selic, já os que desejam poupar para a 
aposentadoria encontram melhores condições nos 
títulos do Tesouro IPCA+ (NTN-B). Contar com o 
auxílio de uma corretora pode ser importante no 
momento da escolha, pois pode evitar prejuízos no 
futuro. 
 
O Tesouro Selic (LFT), por exemplo, paga um 
rendimento equivalente ao da taxa Selic e por isso é o 
mais popular entre os investidores de perfil 
conservador. Além disso, outra vantagem desse papel 
é que ele pode ser resgatado a qualquer momento, sem 
perdas para o investidor. Isso o torna uma alternativa 
bastante atrativa para aqueles que desejam criar uma 
reserva de emergência e antes utilizavam a poupança 
– que já foi considerada como o “pior” investimento do 
Brasil. 
 
Contudo, em momentos em que a Selic esteja em alta, 
outras opções de investimento de renda fixa podem se 
tornar mais interessantes que o Tesouro Selic. Esse é 
o caso, por exemplo, de alguns Fundos DI que 
possuem taxa de administração de até 0,3% e dos 
CDBs que paguem mais que 100% do CDI. 
 
Para os que desejam poupar para a aposentadoria, os 
papéis do Tesouro IPCA+ (NTN-B) são os mais 
indicados, pois possuem vencimentos muito longos 
(por exemplo, 2035 e 2050). Dessa forma, o investidor 
pode escolher um título cuja data de vencimento seja 
próxima a da expectativa de sua aposentadoria. Além 
disso, como o rendimento desses títulos possui como 
base a inflação acrescida de juros, o poder aquisitivo é 
garantido mesmo com o passar dos anos, visto o ganho 
real que é obtido. 
 
Já em um cenário em que os juros estiverem em um 
patamar mais elevado, os títulos do Tesouro Prefixado 
(LTN) se tornam mais interessantes. Isso acontece 
porque, nesses momentos, você poderá manter uma 
taxa de juros mais atraente para o papel durante alguns 
anos. Contudo, cabe o alerta para uma possível perda 
de rendimentos no curto prazo caso os juros subam 
ainda mais. Pensando nisso, o Tesouro Nacional evita 
emitir novos título do Tesouro Prefixado dotados de um 
longo prazo de vencimento nos momentos em que a 
Selic se encontra em um patamar elevado. 
 
Dívida Pública 
 
A Dívida Pública Federal (DPF) é a dívida contraída 
pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit 
orçamentário do Governo Federal, nele incluído o 
refinanciamento da própria dívida, bem como para 
realizar operações com finalidades específicas 
definidas em lei. 
 
Ela pode ser classificada de distintas formas, sendo as 
principais: i) quanto à forma utilizada para o 
endividamento, e ii) quanto à moeda na qual ocorrem 
os fluxos de recebimento e pagamento da dívida. 
 
Em relação à forma, o endividamento por ocorrer por 
meio da emissão de títulos públicos ou pela assinatura 
de contratos. Quando os recursos são captados por 
meio da emissão de títulos públicos, a dívida daí 
decorrente é chamada de mobiliária. Quando a 
captação é feita via celebração de contratos, a dívida é 
classificada como contratual. 
 
Os títulos públicos federais são instrumentos 
financeiros de renda fixa emitidos pelo Governo Federal 
via oferta pública (leilão) ou diretamente ao detentor. Já 
 
 
 
19 
 
os contratos são usualmente firmados com organismos 
multilaterais, tais como o Banco Mundial e o Banco 
Interamericano de Desenvolvimento, com agências 
governamentais, como o Japan Bank For International 
Cooperation e o KfW, e com bancos privados. 
 
Em relação à moeda na qual ocorrem seus fluxos de 
recebimento e pagamento, a Dívida Pública Federal 
pode ser classificada como interna ou externa. Quando 
os pagamentos e recebimentos são realizados na 
moeda corrente em circulação no país, no caso 
brasileiro o real, a dívida é chamada de interna. Por sua 
vez, quando tais fluxos financeiros ocorrem em moeda 
estrangeira, usualmente o dólar norte-americano, a 
dívida é classificada como externa. 
 
Atualmente, toda a Dívida Pública Federal em 
circulação no mercado nacional é paga em real e 
captada por meio da emissão de títulos públicos, sendo 
por essa razão definida como Dívida Pública Mobiliária 
Federal interna (DPMFi). 
 
Já a Dívida Pública Federal existente no mercado 
internacional é paga em outras moedas que não o real 
e tem sido captada tanto por meio da emissão de títulos 
quanto por contratos, sendo por isso definida como 
Dívida Pública Federal externa (DPFe). 
 
Objetivos e diretrizes 
 
O objetivo da gestão da Dívida Pública Federal é suprir 
de forma eficiente as necessidades de financiamento 
do governo federal, ao menor custo no longo prazo, 
respeitando-se a manutenção de níveis prudentes de 
risco e, adicionalmente, buscando contribuir para o bom 
funcionamento do mercado brasileiro de títulos 
públicos. 
 
Para o alcance desse objetivo, as seguintes diretrizes 
qualitativas norteiam a elaboração das estratégias de 
financiamento da DPF: 
 
- Substituição gradual dos títulos remunerados por 
taxas de juros flutuantes por títulos com rentabilidade 
prefixada e títulos remunerados por índice de preços; 
- Suavização da estrutura de vencimentos, com 
especial atenção para a dívida que vence no curto 
prazo; 
- Aumento do prazo médio do estoque; 
- Desenvolvimento da estrutura a termo de taxas de 
juros; 
- Aumento da liquidez dos títulos públicos federais no 
mercado secundário; 
- Ampliação da base de investidores; 
 
Necessidade de Financiamento e Metas 
 
As necessidades de financiamento projetadas, cujo 
montante reflete os vencimentos da dívida do Governo 
Federal em mercado, são as seguintes: 
 
 
O Tesouro Nacional provê ao público referência 
quantitativa de sua atuação por meio do 
estabelecimento de metas para os principais 
indicadores da Dívida Pública Federal ao final do ano, 
em termos de montante, composição e estrutura de 
vencimentos. Estas metas são explicitadas sob a forma 
de limites mínimos e máximos, sinalizando elementos 
importantes do planejamento da gestão da dívida sem, 
contudo, perder a flexibilidade para efetuar ajustes em 
sua execução diante de mudanças no cenário 
macroeconômico ou nas condições do mercado de 
títulos públicos. 
 
Considerando a necessidade e a estratégia de 
financiamento traçadas, as metas almejadas para os 
principais indicadores da Dívida Pública Federal são: 
 
 
 
 
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