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Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC
Revista do Instituto Cenecista
de Ensino Superior de Santo Ângelo
 
Saúde Integrada
REVISTA DA SAÚDE DO
INSTITUTO CENECISTA
ISSN: 1983-2230
VOL. 1, Nº 5, JANEIRO/JUNHO DE 2010
VOL. 1, Nº 6, JULHO/DEZEMBRO DE 2010
IESA
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Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC
Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo – IESA
Diretor Presidente: Deputado Federal Alexandre José dos Santos
Diretor Vice-Presidente: Dr. Juarez de Magalhães Rigon
Diretora Secretária: Profa Anita Ortiz Corrêa
Diretor Conselheiro: Irapuan Diniz de Aguiar
Diretor Conselheiro: José Lima Santana
Diretor Conselheiro: Rogério Auto Teófilo
Diretor Conselheiro: Sérgio Feltrin Corrêa
Conselho Fiscal e de Assuntos Econômicos
Conselheiro Presidente: Edivaldo Dantas
Conselheiro Secretário: Júlio César Souza Baltharejo
Conselheiro: Laércio Segundo de Oliveira
Primeiro Conselheiro Suplente: Ernani Soares Maia
Segundo Conselheiro Suplente: Maria da Guia Lima Cruz
Diretor do IESA: Prof. Júlio César Lindemann
Coordenador do Curso de Biomedicina: Emanuelle Kerber Vieira Mallet
Coordenador do Curso de Fisioterapia: Lisandra de Oliveira Carrilho
Comissão Editorial: Emanulle Mallet, Lisandra Carrilho, Armindo Holler, Débora Pedroso.
Conselho Editorial: Dra. Salete Oro Boff (IESA/UNISC), Dr. Doglas Cesar Lucas (IESA/UNIJUI), 
Dr. José Hermes Ribas do Nascimento (IESA), Dr. Renato Przyczynski 
(IESA), Matias Nunes (IESA/UNIJUI), Emanuelle Mallet (IESA); Armindo 
Heller (IESA), Débora Pedroso (IESA).
Revisão: Thaí�s Gomes e Yana Picinin
Capa: Endereço do Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo A� ngelo
Rua Dr. João Augusto Rodrigues, 471CEP: 98801-015 – Santo A� ngelo – RS 
Fone: 55 3313 1922 – Fax 55 3313 1922
e-mail: revistasaude@iesanet.com.br
Assinatura da revista via on-line
http://www.iesanet.com.br
 
A revisão dos textos é de inteira responsabilidade dos autores
Direitos de publicação, capa, programação visual, editoração e impressão:Editora e Gráfica Cenecista Dr. José Ferreira
Av. Frei Paulino, 530 – Bairro Abadia
PABX: (34) 2103-0700 – Fax: (34) 3312-5133
CEP: 38025-180 – Uberaba, MG – e-mail: cnecedigraf@cneconline.com.br
IESA
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FICHA CATALOGRÁFICA
 Editora e Gráica Cenecista Dr. José Ferreira
 Av. Frei Paulino, 530 - Bairro Abadia
 PABX: (34) 2103-0700
 FAX: (34) 3312-5133
 CEP: 38025-180 - Uberaba, MG
 e-mail: cnecedigraf@cneconline.com.br
Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo
DADOS INTERNACIONAIS DE CATAGOLOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) 
 
 
 
 
Saúde Integrada: revista da saúde/Instituto Cenecista de Santo 
Ângelo. Vol.1, n.5 (jan./jun. 2010. Vol.1, n.6 (jul/dez. 2010) – 
Uberaba: CNEC Edigraf, 2010. 
 
 Semestral 
ISSN: 1983-2230 
 
 
 
1. Biomedicina. 2. Fisioterapia. I. Instituto Cenecista de Santo 
Ângelo. 
 
CDU: 612 
615.82 
 
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SUMÁRIOAPRESENTAÇA� O .................................................................................................................................................. 7
RELAÇA� O DO ESTRESSE OXIDATIVO NA DOENÇA DIABE� TICA TIPO 2 ...................................... 9
Andressa Holsbach Berwanger
Matias Nunes FrizzoESTUDO SOBRE A APLICABILIDADE DE PROTOCOLOS DE REABILITAÇA� O NO PO� S-OPERATO� RIO DE ARTROPLASTIA TOTAL DE JOELHO ....................................................................... 27
Vanessa Machado
Thais do Nascimento Gomes
TESTE DE PATERNIDADE: UMA ANA� LISE DAS QUESTO� ES TE� CNICAS E LEGAIS ENVOLVIDAS NO EXAME ...................... 39
Alice Kunzler
Emanuelle Kerber Viera Mallet
FISIOTERAPIA MANIPULATIVA NO TRATAMENTO DA CERVICALGIA ........................................ 55
Marcelo Anderson Bracht
Armindo HollerA RELAÇA� O DA EPIGENE� TICA NA GE� NESE TUMORAL ...................................................................... 75
Günther de Menezes Sott
Matias Nunes FrizzoO TRATAMENTO DA DOR LOMBAR ATRAVE� S DA ESTABILIZAÇA� O CENTRAL PE� LVICA ..... 93
Juliane Pukall Bezerra Fontana 
Thaís do Nascimento Gomes
A RELAÇA� O DO ESTRESSE OXIDATIVO COM A ATEROSCLEROSE ................................................. 103
Belisa Avila Rodrigues
Caroline Brandão Quines
Matias Nunes Frizzo
Saúde Integrada 2010_Biomedicina.indd 5 06/10/2014 16:28:08
OS BENEFI�CIOS DO REFORÇO MUSCULAR EM PORTADORES DE GONARTROSE .................. 123
Aline Fróes Tavares 
Thais do Nascimento GomesPREVALE� NCIA DE ENTEROPARASITOSES NA POPULAÇA� O ATENDIDA EM PROJETO DE EXTENSA� O DO CURSO SE BIOMEDICINA IESA – RS ............................................................................ 135
Djonattan Patrick Sinhorini
Alexandre Novicki
Débora PedrosoPREVALE� NCIA DE HEPATITE B E C EM PACIENTES ATENDIDOS NO PRONTO ATENDIMENTO DR. ERNESTO NASCIMENTO SOBRINHO NA CIDADE DE SANTO A� NGELO - 
RS, BRASIL.............................................................................................................................................................. 153
Katiúscia Aozani Munareto
Emanuelle Kerber Viera MalletPOTENCIAL TOXICIDADE DO CARBONATO DE LI�TIO ........................................................................ 179
Letícia Aparecida Nascimento do Carmo
Juliana Foletto Fredo Roncato
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7 
APRESENTAÇÃO
APRESENTAÇÃO
Apresentamos a Revista Saúde Integrada, uma publicação anu-
al, que integra os cursos de Biomedicina e Fisioterapia do Instituto 
Cenecista de Santo Ângelo, que tem por missão disseminar estudos 
e pesquisas realizadas na área de saúde.
Desta forma, é com satisfação que apresentemos os assuntos 
abordados nesta edição da revista: a relação entre Diabetes Mellitus 
tipo 2, suas complicações e o estresse oxidativo; análise comparativa 
entre a aplicabilidade dos protocolos reabilitativos de pós-operatório 
de artroplastia total de joelho osteoartrose; demonstrar como são 
realizados os testes de paternidade em laboratórios clínicos; des-
crever a anatomia funcional da coluna cervical, o entendimento da 
cervicalgia e a aplicação da terapia manipulativa; a relação existente 
entre a epigenética e a gênese tumoral; mecanismos utilizados pela 
estabilização central pélvica através da análise de seu funcionamen-
to; relação do estresse oxidativo com a aterosclerose; benefícios do 
reforço muscular na gonartrose, através das respostas fisiológicas 
dos recursos fisioterapêuticos empregados; verificar a prevalência 
de hepatite B e C em pacientes atendidos no Pronto Atendimento de 
Santo Ângelo; e por fim um estudo de caso sobre carbonato de lítio e 
os danos que este medicamento pode causar no organismo quando 
utilizado por longo período e em doses altas.
Assim, esperamos que a leitura destes escritos possa propor-
cionar ao leitor, a elucidação de possíveis dúvidas, bem como gerar 
ponderações e questionamentos.
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9 
RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO NA DOENÇA DIABÉTICA TIPO 2
RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO NA 
DOENÇA DIABÉTICA TIPO 2
RELATIONSHIP OF OXIDATIVE STRESS IN 
DISEASE TYPE 2 DIABETIC
Andressa Holsbach Berwanger1
Matias Nunes Frizzo2
RESUMO
A Diabetes Mellitus caracteriza-se por anormalidades endócrinas e metabólicas. O objeivo deste trabalho é descrever a 
relação entre diabetes, suas complicações e o estresse oxidaivo. Foi realizada uma pesquisa em literatura especiica da 
área, abrangendo uma extensa seleção de arigos. A Diabetes ipo 2 é uma deiciência parcial da secreção de insulina, 
e suas complicações apresentam origem mulifatorial, em que mecanismos bioquímicos e patológicos as associam à 
hiperglicemia crônica e ao estresse oxidaivo como principais desencadeadores.O estresse oxidaivo é o desequilíbrio 
entre os sistemas oxidantes e anioxidantes. Devido à capacidade de oxidar lipídios, proteínas e DNA, sabe-se que o 
estresse oxidaivo tem um papel fundamental nas complicações diabéicas. Há evidências que o aumento na formação 
de radicais livres e a redução da capacidade de defesa anioxidante, pelo estado hiperglicêmico, estão envolvidos na 
patogênese das complicações da diabetes. O mecanismo mais aceito para o desenvolvimento das complicações consiste 
que o estado hiperglicêmico e o aumento dos ácidos graxos livres, resultem, na isiopatologia inicial da diabetes, 
aivando as EROs e ERNs através do dano macromolecular, levando à aivação de diversas vias celulares sensíveis ao 
estresse oxidaivo. O estresse oxidaivo tem recebido cada vez mais importância, e o maior conhecimento sobre sua 
gênese e seus efeitos faz com que haja uma associação com a eiologia de diversas doenças, que no passado não 
possuíam fatores desencadeantes bem esclarecidos, auxiliando na busca por novos e mais eicazes tratamentos.
Palavras-chave: Diabetes Mellitus ipo 2. Estresse Oxidaivo. Complicações diabéicas.
ABSTRACT
Diabetes mellitus is characterized by metabolic and endocrine abnormaliies.The objecive is describe the relaionship 
between diabetes, their complicaions with the oxidaive stress. Performed a literature search in speciic area, covering 
a wide selecion of items. Diabetes type 2 is a parial deiciency of insulin secreion, and its complicaions appear to 
be mulifactorial, in which the pathological and biochemical mechanisms associated with chronic hyperglycemia and 
oxidaive stress as the main triggers. The oxidaive stress is the imbalance between oxidant and anioxidant systems. 
Because of the ability to oxidize lipids, proteins and DNA, it is known that oxidaive stress plays a key role in diabeic 
complicaions. There is evidence that increased formaion of free radicals and reduced anioxidant defense capability, 
because the hyperglycemic state, are involved in the pathogenesis of diabeic complicaions. The most accepted 
mechanism for the development of complicaions is that the state of hyperglycemia and increased free faty acids, 
resuling in the iniial pathophysiology of diabetes, ROS and acivaing RNSs by macromolecular damage, leading to 
acivaion of several cellular pathways sensiive to oxidaive stress. Oxidaive stress has received increasing importance 
and greater knowledge about its genesis and its efect is such that there an associaion with the eiology of several 
diseases in the past had no precipitaing factors elucidated by assising in the search for new and more efecive 
treatments.
Keywords: Diabetes mellitus type 2. Oxidaive Stress. Diabeic complicaions.
1 Acadêmica Concluinte do Curso de Biomedicina, 2010. Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo. andy.berwanger@
uol.com.br
2 Mestre em Biologia Celular e Molecular (PUCRS); Professor do Curso de Biomedicina CNEC/IESA. mmfrizzo@hotmail.com
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ANDRESSA HOLSBACH BERWANGER - MATIAS NUNES FRIZZO
1. INTRODUÇÃO
O Diabetes Mellitus (DM), é conhecido como uma síndrome clí-
nica heterogênea, que se caracteriza por anormalidades endócrinas 
e metabólicas. Disfunções das células β-pancreáticas e disfunções 
quanto à resistência insulínica estão associadas ao desenvolvimen-
to do diabetes (WHO, 2009). Existem muitos tipos de Diabetes, as 
mais comuns são a Diabetes tipo 1 e a Diabetes tipo 2. A diabetes 
tipo 1 é o resultado de uma destruição das células beta da ilhota de 
Langerhans do pâncreas. A Diabetes tipo 2 é uma deficiência parcial 
da secreção de insulina, associado com a resistência insulínica (BE-
CKMAN et al., 2002; NORWOOD; INLANDER, 2000).
Os outros tipos de diabetes que podemos citar aqui são: diabe-
tes gestacional, diabetes relacionada a defeitos genéticos na função 
das células β (MODY 1, 2, 3, 4, 5 e 6), defeitos genéticos na ação da 
insulina, relacionada a doenças do pâncreas exócrino, relacionada a 
endocrinopatias, induzido por medicamentos ou agentes químicos, 
relacionada a infecções e diabetes relacionada a síndromes genéti-
cas (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2009). 
O diabetes está entre as cinco doenças que mais matam no mun-
do. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), na primeira 
metade do século XXI, havia cerca de 171 milhões de pessoas com 
diabetes no mundo, sendo que a organização prevê que, em 2030, 
metade da população mundial possua a patologia (WHO, 2009). 
Uma estimativa realizada nos Estados Unidos demonstrou que fo-
ram gastos US$132 bilhões de dólares com pacientes diabéticos, 
durante um ano (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2007).
O DM e suas complicações apresentam origem multifatorial, me-
canismos bioquímicos e patológicos tem associado a hiperglicemia 
crônica e o estresse oxidativo como os principais desencadeadores 
das complicações diabéticas (REIS et al., 2008).
Dentre as principais complicações do diabetes relacionadas com 
o estresse oxidativo e a hiperglicemia destacam-se, a níveis micro-
vasculares, como a retinopatia diabética, a nefropatia diabética e a 
neuropatia diabética, e as complicações macrovasculares, que são 
as disfunções endoteliais como doença isquêmica do coração, a do-
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RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO NA DOENÇA DIABÉTICA TIPO 2
ença arterial periférica e o pé diabético (RODRIGUES et al., 2005; 
WAJCHENBERG, 2002).
O estresse oxidativo é uma condição biológica em que ocorre 
um desequilíbrio entre a produção de Espécies Reativas de Oxigê-
nio (EROs) e a sua desintoxicação através de sistemas biológicos 
que as removam ou reparem os danos por elas causados. Devido à 
capacidade de oxidar diretamente lipídios, proteínas e DNA, sabe-se 
que o estresse oxidativo tem um papel fundamental nas complica-
ções diabéticas (LOPES et al., 2008).
Todos os organismos vivos possuem um ambiente intracelular de 
natureza redutora, existindo um equilíbrio entre as formas oxidada e 
reduzida de moléculas como o NADH, equilíbrio esse mantido por 
enzimas à custa de energia metabólica. Perturbações neste equilí-
brio podem provocar a produção de peróxidos e radicais livres que 
danificam todos os componentes celulares, incluindo proteínas, lípi-
dios, entre outros (WAJCHENBERG, 2002).
O presente trabalho tem como objetivo avaliar a relação do es-
tresse oxidativo com o DM tipo 2, descrevendo as relações entre o 
estado hiperglicêmico e as complicações do diabetes com o estado 
de estresse oxidativo.
2. DIABETES MELLITUS
O DM é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas pela 
hiperglicemia e associada a complicações, disfunções e insuficiência 
de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, cérebro, cora-
ção e vasos sangüíneos. Pode resultar de defeitos de secreção e/ou 
ação da insulina envolvendo processos patogênicos específicos, por 
exemplo, destruição das células beta do pâncreas (produtoras de 
insulina), resistência à ação da insulina, distúrbios da secreção da 
insulina, entre outros (BRASIL, 2006).
Existem dois tipos de diabetes, o tipo 1 e o tipo 2, com fisio-
patologias diferentes, porém com as mesmas complicações finais 
(RESENDE, 2006). O DM tipo 1, presente em 5 a 10% dos casos, 
é uma doença auto-imune, em que geralmente é resultado de uma 
destruição das células beta da ilhota de Langerhans do pâncreas, 
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ANDRESSA HOLSBACH BERWANGER - MATIAS NUNES FRIZZO
causando na maioria das vezes uma deficiência absoluta de insulina 
(BRASIL, 2001; BECKMAN et al., 2002). Ainda, não se sabe ao certo 
como as pessoas desenvolvem o diabetes tipo 1. A prevalência do 
Diabetes tipo 1 ocorre em pessoas com menos de 35 anos de idade, 
porém, vale lembrar que ela pode aparecer em qualquer idade (NO-
RWOOD; INLANDER, 2000).
O DM tipo 2, presente em 90 a 95% dos casos de diabetes, é 
resultado de uma deficiênciaparcial da secreção de insulina em re-
lação aos níveis de glicose sanguínea, associado a uma resistên-
cia insulínica (BRASIL, 2001; BECKMAN, 2002). O diabetes tipo 2 
possui um fator hereditário maior do que a do tipo 1, e ainda está 
relacionado com a obesidade e o sedentarismo. Estima-se que 60% 
a 90% dos portadores da doença sejam obesos, e a sua incidência 
ocorre geralmente após os 40 anos (NORWOOD; INLANDER, 2000; 
POITOUT; ROBERTSON, 2002).
As conseqüências sociais e econômicas do diabetes são devas-
tadoras: são 4 milhões de mortes por ano relativas ao diabetes e 
suas complicações, o que representa 9% da mortalidade mundial 
total. O grande impacto econômico ocorre notadamente nos serviços 
de saúde, como conseqüência dos crescentes custos do tratamento 
da doença e, sobretudo das complicações, como a doença cardio-
vascular, a diálise por insuficiência renal crônica e as cirurgias para 
amputações de membros inferiores (BRASIL, 2006).
O diabetes apresenta alta morbi-mortalidade, com perda impor-
tante na qualidade de vida. É uma das principais causas de mor-
talidade, insuficiência renal, amputação de membros inferiores, ce-
gueira e doença cardiovascular. A OMS estimou em 1997 que, após 
15 anos de doença, 2% dos indivíduos acometidos estarão cegos e 
10% terão deficiência visual grave. Além disso, estimou que, no mes-
mo período de doença, 30 a 45% terão algum grau de retinopatia, 
10 a 20%, de nefropatia, 20 a 35%, de neuropatia e 10 a 25% terão 
desenvolvido doença cardiovascular (WHO, 2009).
As complicações do DM podem ser divididas de acordo com os 
tipos de vasos que são acometidos, podem ser microvasculares, 
como a Retinopatia Diabética, que consiste na principal forma de 
cegueira irreversível no Brasil, é assintomática nas suas fases ini-
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13 
RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO NA DOENÇA DIABÉTICA TIPO 2
ciais, mas evolui ao longo do tempo, acometendo a maioria dos por-
tadores de diabetes após 20 anos de doença, a Nefropatia Diabética 
constitui-se por alterações nos vasos dos rins, ocorrendo a perda 
de proteína na urina, é uma situação onde o órgão reduz sua fun-
ção lentamente, porém de forma progressiva, até a paralisação total, 
e a Neuropatia Diabética que é uma degeneração nos axônios, as 
complicações podem ser também macrovasculares como a Doenças 
Cardiovasculares que são complicações com maiores morbimortali-
dade, as doenças isquêmicas cardiovasculares são mais freqüentes 
e mais precoces em indivíduos com diabetes, comparativamente aos 
demais e pra finalizar temos o Pé diabético que consiste em úlceras 
nos pés e logo mais amputação de extremidades (GOLDMAN; AU-
SIELLO, 2005). 
A expectativa de vida é reduzida, em média, em 15 anos para o 
diabetes tipo 1 e em 5 a 7 anos na do tipo 2. Hoje em dia as compli-
cações do Diabetes tem sido muito incidentes, o risco de acidente 
vascular cerebral é de 2 a 4 vezes maior entre pessoas com diabe-
tes em relação as pessoas hígidas. No ano de 2004, a doença car-
díaca foi observada em 68% dos atestados de óbitos de pacientes 
com Diabetes. Em 2005, 46.739 pessoas com diabetes começaram 
o tratamento para doença renal e diálise. Cerca de 70% das pes-
soas com diabetes tem formas leves e graves de danos no sistema 
nervoso central. Mais de 60% das amputações não traumáticas dos 
membros inferiores ocorrem em pessoas com diabetes (AMERICAN 
DIABETES ASSOCIATION, 2007). 
3. ESTRESSE OXIDATIVO 
O estresse oxidativo é deinido como um desequilíbrio entre os 
sistemas oxidantes e antioxidantes, sempre em favor do primeiro. 
São geradas inúmeras espécies reativas: os radicais livres, no qual 
obtemos um elétron desemparelhado na última camada eletrônica, e 
as espécies reativas, não radicais, favorecendo assim a ocorrência 
de danos oxidativos (HALLIWELL; WHITEMAN, 2004). Por sua vez, 
são desenvolvidos os mecanismos protetores, que têm a função de 
neutralizar os compostos reativos e, conseqüentemente prevenir os 
efeitos adversos do estresse oxidativo, os chamados antioxidantes 
(MAYNE, 2003).
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ANDRESSA HOLSBACH BERWANGER - MATIAS NUNES FRIZZO
Os Radicais Livres são átomos ou moléculas altamente reativas, 
que contêm um número ímpar de elétrons em sua última camada 
eletrônica. As camadas eletrônicas de um elemento químico são 
denominadas K, L, M e N, e seus subníveis são s, p, d, f. É este 
não-emparelhamento de elétrons da última camada que confere alta 
reatividade a esses átomos ou moléculas (HALLIWELL, 1992). Os 
radicais livres por serem altamente reativos podem reagir com estru-
turas celulares, dentre elas as proteínas, os lipídeos, os carboidratos 
e o DNA. Dentre os principais radicais livres destacam-se o oxigênio 
singlete, o radical superóxido, o radical hidroxila, o oxido nítrico, o 
peroxinitrito e o radical semiquinona (ANDERSON, 1996).
Uma célula normalmente é capaz de superar os efeitos deletérios 
do estresse oxidativo se as perturbações forem pequenas, restabe-
lecendo o equilíbrio normal intracelular, mas perturbações de maior 
escala podem levar à morte celular, apoptose e até necrose (LOPES 
et al., 2008).
Existem duas fontes de radicais livres, os que se originam de for-
ma endógena, que são os produzidos pelo próprio organismo como 
resultado de uma reação metabólica como as produzidas na mito-
côndria, nos peroxissomos e na atividade de algumas enzimas como 
citocromo P450-oxidase, xantina oxidase, e as fontes exógenas que 
são provenientes das condições do meio externo ao sistema bioló-
gico como o tabaco, poluição do ar, solventes, radiações gama e 
ultravioleta (FERREIRA; MATSUBARA, 1997). 
A produção excessiva de radicais livres durante os processos 
metabólicos levam ao desenvolvimento de muitos mecanismos de 
defesa antioxidante para impedir os danos do estresse oxidativo 
(SIES, 1993). Os antioxidantes são responsáveis pela inibição e re-
dução das lesões causadas pelos radicais livres nas células (SIES; 
STAHL, 1995). Esses agentes que protegem as células contra os 
efeitos dos radicais livres são classificados em antioxidantes enzimá-
ticos ou não-enzimáticos (SIES, 1993).
Para se proteger, o sistema de defesa da célula atua em duas 
formas, uma como detoxificadora do agente antes que ele cause le-
são. Esta forma é constituída por glutationa reduzida (GSH), superó-
xido-dismutase (SOD), catalase, glutationa-peroxidase (GSH-Px) e 
vitamina E. A outra forma de defesa tem a função de reparar a lesão 
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15 
RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO NA DOENÇA DIABÉTICA TIPO 2
ocorrida, sendo constituída pelo ácido ascórbico, pela glutationa-re-
dutase (GSH-Rd) e pela GSH-Px, entre outros. Com exceção da vita-
mina E (α-tocoferol), que é um antioxidante estrutural da membrana, 
a maior parte dos agentes antioxidantes está no meio intracelular 
(FERREIRA; MATSUBARA, 1997).
Os radicais livres e os danos oxidativos induzidos nas células 
e tecidos têm sido relacionados com a etiologia de várias doenças, 
além do diabetes está relacionado à doença de Parkinson, Alzhei-
mer, doenças neurovegetativas, aterosclerose, acidente vascular ce-
rebral, isquemia e ainda pode se relacionar com o envelhecimento 
(LOPES et al., 2008).
4. RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO 
COM O DM TIPO 2
Mecanismos bioquímicos têm sido propostos para explicar as 
anormalidades estruturais e funcionais associadas com a exposição 
prolongada dos tecidos vasculares à hiperglicemia com indícios de 
que a capacidade antioxidante endógena esteja prejudicada nos in-
divíduos diabéticos, dificultando a remoção dos radicais livres (SIES; 
STAHL, 1995).
Espécies Reativas de Oxigênio (EROs) e Espécies Reativas de 
Nitrogênio (ERNs) funcionam como moléculas que sinalizam a regu-
lação da função celular, sendo que é o aumento de sua produção ou 
diminuição de sua eliminação que causa o estresse oxidativo. Com o 
desequilíbrio entre a produçãode EROs e ERNs, e as defesas antio-
xidantes, o estresse oxidativo conduz frequentemente a uma lesão 
tecidual (RÖSEN et al., 2001; BEISSWENGER, 2005). 
Os radicais livres atuam diretamente oxidando as moléculas ou 
indiretamente ativando vias de sinalização celular que são sensíveis 
a mecanismos de estresse oxidativo (LAIGHT et al., 2000). Estudos 
in vivo revelam que o estresse oxidativo, ocorrido após a hiperglice-
mia, ocorre antes das complicações tardias do diabetes se manifes-
tarem, sugerindo que o estresse oxidativo desempenha um papel 
relevante na patogênese das complicações desta doença (LOPES 
et al., 2008; HAMILTON et al., 2007).
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ANDRESSA HOLSBACH BERWANGER - MATIAS NUNES FRIZZO
A importância da formação de EROs na indução do dano celular 
induzido pela hiperglicemia tem sido apontada em diferentes estu-
dos, a hiperglicemia apresenta várias vias de sinalização sensíveis 
ao estresse oxidativo. Existem algumas vias que são as principais 
responsáveis pelas complicações do diabetes, entre elas destacam-
se a via do NF-kB, a Via Celular da p38 MAPK, Via Celular da PKC, a 
Via Celular dos AGE, a Via Celular das Hexosaminase a Via Celular 
do Poliol (LOPES et al., 2008).
A Via do NF-Kb (fator de transcrição que participa de respostas 
inflamatórias) é uma das vias intracelulares alvo da hiperglicemia, 
das EROs e do estresse oxidativo mais estudadas, ela é ativada 
através de ácidos graxos, fator de necrose tumoral e interleucinas 1 
e responsável pela regulação da expressão de um grande número 
de genes, incluindo os genes ligados às complicações da diabetes 
(BARNES; KARIN, 1997). 
A Via Celular da p38 MAPK (inibidor da Proteína Quinase Ativa-
da por Mitógeno p38) tem sua ativação influenciada por um grande 
número de processos celulares envolvidos na inflamação, imunida-
de, crescimento celular, apoptose, respostas teciduais específicas 
ao estresse oxidativo. No caso da diabetes tipo 2, esta via é ativada 
por episódios de hiperglicemia (EVANS et al., 2002).
A Via Celular da PKC (Proteína C Quinase) a sua concentração 
de diacilglicerol (um ativador da PKC) encontra-se aumentada nos 
tecidos, a produção de EROs pela oxidase, em pequenas quantida-
des, pode funcionar na sinalização metabólica e, em grandes quanti-
dades, originando o dano oxidativo e subsequente as complicações 
diabéticas (KOYA; KING, 1998).
Já, a Via Celular dos AGE (produtos de reações não enzimáticas), 
referem-se a um grupo heterogêneo de proteínas, lipídeos e ácidos 
nucléicos que se formam por glicosilação não enzimática, sendo que 
a sua formação é estimulada na presença de estresse oxidativo e 
hiperglicemia podendo causar o estresse oxidativo (EVANS et al., 
2003).
A Via Celular das Hexosaminas a ativação da via biossintética 
das hexosaminas é desencadeada pelo influxo excessivo de glico-
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RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO NA DOENÇA DIABÉTICA TIPO 2
se ou ácidos graxo para vários tipos de células, o que leva, por sua 
vez, a insulino-resistência e ao desenvolvimento das complicações 
tardias da diabetes (EVANS et al., 2003).
Por fim, a Via Celular do Poliol esta via é iniciada a partir do 
momento em que os níveis glicêmicos aumentam, a hiperglicemia 
condiciona uma estimulação da enzima aldose redutase, e forma-
ção subsequente de sorbitol, a acumulação intracelular de sorbitol os 
efeitos do sorbitol são exacerbados, aumentando o estresse oxidati-
vo que desencadeia as complicações diabéticas como a retinopatia, 
nefropatia, neuropatia, bem como contribuir para o desenvolvimento 
de cataratas (HAMILTON et al., 2007).
O estado hiperglicêmico faz com que o processo de estresse oxi-
dativo desencadeie suas vias de ativação, relacionando-se assim as 
complicações do diabetes, a níveis microvasculares, como a retino-
patia diabética, a nefropatia diabética e a neuropatia diabética, e as 
complicações macrovasculares, que são as disfunções endoteliais 
como doença isquêmica do coração, a doença arterial periférica e o 
pé diabético (RODRIGUES et al., 2005, MONNIER et al., 2006).
Complicações Microvasculares são conhecidas também como 
microangiopatia. O estresse oxidativo, é o processo final de lesão 
celular da grande maioria dos fatores de risco cardiovascular, que 
se caracteriza por uma produção aumentada de EROs, ou por uma 
redução das defesas anti-oxidantes. Estas alterações resultam em 
inativação da produção do oxido nítrico endotelial, com conseqüente 
diminuição do seu efeito endotélio-protetor, que pode ser reproduzi-
da, do ponto de vista de pesquisa clínica, na diminuição da respos-
ta vasodilatadora endotélio-dependente. A disfunção endotelial está 
definitivamente relacionada com estados pró-oxidantes, diretamente 
relacionados com o processo inflamatório vascular. Não só o DM, 
mas também a obesidade estão associados a estados inflamatório 
e de estresse oxidativo, reversíveis com restrição dietética (WAJ-
CHENBERG, 2002; BIERMAN, 1999).
Entre elas podemos citar a neuropatia, a nefropatia e a retinopa-
tia. Com relação a neuropatia Diabética, que é uma das principais 
complicações que aparecem com o tempo de evolução crônica do 
DM, caracterizada pela degeneração progressiva dos axônios das 
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fibras nervosas. Existem evidências sugerindo que o estresse oxi-
dativo causado pelo aumento de radicais livres ajudam como me-
canismo patogênico importante. O mecanismo que explica a possí-
vel relação do estresse oxidativo com a Neuropatia Diabética é que 
ocorre a hiperglicemia a qual leva a oxidação da glicose e lipídeos, 
ocorre formação de AGEs, através da via dos polióis, que causam 
um estresse oxidativo, assim ocorrendo logo após o dano Neural 
(BOULTON, 2005).
A Nefropatia Diabética aparece alguns anos após o início do dia-
betes, estima-se que 20 a 30% dos portadores de DM tipo 2, apresen-
tem algum grau de problema no rim depois de 10 a 20 anos do apa-
recimento da doença. Apesar de ser potencialmente tratável, muitos 
pacientes não conseguem atingir as metas de tratamento propostas 
e acabam progredindo para fases mais avançadas da doença, com 
risco de insuficiência renal mais grave e necessidade de diálise. Sua 
relação com o estresse oxidativo é através da via PKC, na qual o dia-
cilglicerol mais EROs, formam o estresse oxidativo desencadeando 
a Nefropatia Diabética (LOCATELLI et al., 2003; TAKEBAYASHI et 
al., 2006).
Já a retinopatia diabética é uma complicação crônica do diabete 
mellitus que 60% dos pacientes diabéticos adquirem mais ou menos 
após 20 anos de duração da doença, sendo a principal causa de ce-
gueira em adultos, glicose e pressão arterial elevados, ligados com 
um longo tempo de duração do DM, são os principais fatores de risco 
da retinopatia diabética, esta complicação também é ativada pela via 
dos polióis, ela é uma complicação que ocorre geralmente após a 
Neuropatia (RAMOS et al., 1999; BOELTER, 2003).
Nas complicações macrovasculares temos o Infarto Agudo do 
Miocárdio e o Acidente Vascular Cerebral (AVC) que aparecem como 
conseqüência de uma aterosclerose. O estresse oxidativo é um fa-
tor comum subjacente a diabetes e a doença aterosclerótica, onde 
ocorre um defeito mitocondrial primário ou induzido por excesso de 
glicose ou por muitos ácidos graxos, onde vai aumentar os radicais 
livres, e ativar a via dos poliois onde irá gerar o desenvolvimento das 
complicações diabéticas (TRICHES et al., 2009).
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RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO NA DOENÇA DIABÉTICA TIPO 2
Entre as complicações macrovasculares podemos citar:
Infarto Agudo do Miocárdio é causado pela redução do fluxo san-
guíneo coronariano de magnitude e duração suficiente para não ser 
compensado pelas reservas orgânicas. A causa habitual da morte 
celularé uma isquemia (deficiência de oxigênio) no músculo cardía-
co, por oclusão de uma artéria coronária. A relação desta complica-
ção com o estresse oxidativo esta na lipoproteína de baixa densida-
de oxidada (LDL-ox), que é gerada durante a peroxidação lipídica, 
resultando da reação entre radicais livres e lipídios séricos, existem 
evidências do envolvimento da LDL-ox na formação e ruptura de pla-
cas ateroscleróticas, também sendo biomarcador nas síndromes co-
ronarianas agudas (SANTOS et al., 2009).
Acidente Vascular Cerebral (AVC), particularmente o isquêmi-
co, além de mais prevalente, em pacientes portadores de Diabetes 
a recuperação é mais difícil, onde ocorre mais mortalidade. O AVC 
isquêmico é a diminuição ou privação do aporte sanguíneo em de-
terminado órgão ou estrutura, com consequente redução do supri-
mento de oxigênio e nutrientes, sua relação com o estresse oxidativo 
se da quando o radical hidroxila formado nos tecidos pode causar 
danos às proteínas, lipídios e ácidos nucléicos e o radical superóxi-
do produzido pela xantina oxidase durante a reperfusão pode reagir 
rapidamente com o radical óxido nitroso, fazendo com que ocorra o 
AVC (TRICHES et al., 2009).
5. MATERIAL E MÉTODO
O presente artigo foi realizado através de uma pesquisa biblio-
gráfica em literatura especifica da área, abrangendo DM e estresse 
oxidativo, a partir de uma extensa seleção de artigos, obtidos junto 
aos principais bancos de dados e bibliotecas virtuais de saúde e me-
dicina, como o PubMed, Scielo, Bireme, Elsevier, além de revistas, 
periódicos e livros da Biblioteca do Instituto Cenecista de Ensino Su-
perior de Santo Ângelo. A busca foi realizada no período de agosto 
de 2009 a outubro de 2010, privilegiando artigos datados a partir do 
ano de 1993, não havendo restrições de idioma.
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ANDRESSA HOLSBACH BERWANGER - MATIAS NUNES FRIZZO
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO 
O principal causador das complicações do diabetes é a exposi-
ção dos tecidos a altos níveis de glicose, além de uma provável perda 
da capacidade antioxidante nos indivíduos diabéticos. A resistência 
a insulina também é um ponto muito importante no diabetes tipo 2, 
indivíduos com obesidade abdominal são mais resistentes a insulina, 
pois há vários depósitos de gordura abdominal (WAJCHENBERG, 
2002; GOSTTSCHALL; BUSNELLO, 2009). 
O estresse oxidativo funciona como uma ligação entre um es-
tado hiperglicêmico e as características fisiopatológicas associadas 
ao início e à progressão das complicações do diabetes (GANDHI et 
al., 2009). Há evidências de que o aumento na formação de radicais 
livres e a redução da capacidade dos sistemas fisiológicos de defe-
sa antioxidante estão envolvidos na patogênese e desenvolvimento 
das complicações da diabetes. A patogenicidade multifatorial da DM 
requer uma abordagem terapêutica baseada em diferentes agentes 
para atuar nas diferentes características da doença e nos seus di-
ferentes estágios de evolução (LOPES et al., 2008: BRASIL, 2006).
As complicações do diabetes ocorrem pela junção de diversos 
fatores, mas o estado hiperglicêmico que desencadeia o processo 
de estresse oxidativo é fundamental para tal. A importância da forma-
ção de EROs na indução do dano celular induzido pela hiperglicemia 
tem sido apontada em diferentes estudos, a hiperglicemia apresenta 
várias vias de sinalização sensíveis ao estresse oxidativo (REIS et 
al., 2008; AGUIAR et al., 2007).
O mecanismo mais aceito para o desenvolvimento das complica-
ções (figura 1) consiste em que com o estado hiperglicêmico e o 
aumento dos ácidos graxos livres, resultem, então, na fisiopatologia 
inicial da diabetes, ativando assim as EROs e ERNs através do dano 
macromolecular diretamente ou indiretamente, levando à ativação 
de diversas vias celulares sensíveis ao estresse oxidativo. Na diabe-
tes tipo 2 existe uma evidência crescente que as vias sensíveis ao 
estresse oxidativo (NF-kB, o P38MAPK e JNK/SAPK), que são ativa-
das através da hiperglicemia, levem a um estado de insulinoresistên-
cia, bem como a diminuição da excreção de insulina. Assim, os EROS 
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RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO NA DOENÇA DIABÉTICA TIPO 2
e ERNS, induzidos pela hiperglicemia e altos níveis de ácidos graxos 
tem um papel importante na ativação das cascatas de sinalização do 
estresse oxidativo (LOPES et al., 2008).
Figura 1 – Mecanismo da gênese das complicações da DM
Fonte: Adaptada de LOPES et al., 2008.
A ação do estresse oxidativo se difere em cada tipo de compli-
cação do diabetes, como na neuropatia diabética e na retinopatia 
diabética, em que sugere-se que a hiperglicemia leve a oxidação da 
 ↑ ERO
MITOCONDRIAL
ESTRESSE OXIDATIVODANOMACROMOLECULAR
DISFUNÇÃO DAS CÉLULAS βINSULINO-RESISTÊNCIA
NF-kB
p38 MAPK
JNK/SAPK
COMPLICAÇÕES DIABÉTICAS
HIPERGLICEMIA
 ↑ ÁCIDOS GRAXOS 
LIVRES
Diretamente Indiretamente
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glicose e lipídeos, ocorrendo a formação de AGEs, através da via 
dos polióis, e assim, fazendo com que ocorra o processo de estresse 
oxidativo, causando o dano neural e o dano dos microvasos ocula-
res (BOULTON, 2005). Na Nefropatia Diabética, sua relação com o 
estresse oxidativo se da através da via PKC, na qual o diacilglicerol 
mais EROs, iniciam o processo do estresse oxidativo, desencade-
ando as alterações vasculares dos glomérulos renais, ou seja, a Ne-
fropatia diabética (LOCATELLI et al., 2003; SCHENA; GESUALDO, 
2005).
No Infarto Agudo do Miocárdio, a relação está quando o esta-
do hiperglicêmico faz com que a LDL-oxidase seja gerada, durante 
a peroxidação lipídica, resultando da reação entre radicais livres e 
lipídios séricos, ocasionando a formação e ruptura de placas ate-
roscleróticas nas artérias coronarianas (SANTOS et al., 2009). No 
Acidente Vascular Cerebral (AVC), o radical hidroxila formado nos 
tecidos pode causar danos às proteínas, lipídios e ácidos nucléicos, 
e o radical superóxido produzido pela xantina oxidase durante a re-
perfusão pode reagir rapidamente com o radical óxido nitroso (TRI-
CHES et al., 2009).
7. CONCLUSÃO
Com o passar dos anos o estresse oxidativo tem recebido cada 
vez mais importância, visto que, o maior conhecimento sobre sua 
gênese e seus efeitos fazem com que haja, cada vez mais, uma as-
sociação com a etiologia de diversas doenças, que no passado não 
possuíam causas, ou fatores desencadeantes, bem esclarecidas.
O aumento na prevalência da DM na população, e principalmen-
te, o incremento dos gastos para seu tratamento e do tratamento de 
suas complicações, tornaram a DM um grande problema de saúde 
pública a ser resolvido, ou ao menos, contido. 
Diversos medicamentos são usados para o controle glicêmico 
de pacientes diabéticos, em sua grande maioria para compensar a 
deficiência insulínica causada pela doença, e evitar, assim, o estado 
hiperglicêmico. No entanto, a elucidação das origens das complica-
ções através do estresse oxidativo pode fazer com que sejam desco-
bertas novas formas de combate as complicações da DM.
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RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO NA DOENÇA DIABÉTICA TIPO 2
A avaliação da literatura é clara em reconhecer que existe uma 
relação do estresse oxidativo no desenvolvimento das complicações 
diabéticas. Inúmeros autores demonstram que quando ocorre o au-
mento da hiperglicemia e ácidos graxos, elevam-se os níveis de ra-
dicais livres nos tecidos, levando a um quadro de estresse oxidativo 
e, dessa forma, provocando lesões nos tecidos que participam na 
gênese das complicações do diabetes.
Cabe destacar ainda a importância de novos estudos que ava-
liem as associações entre o DM e suas complicações com o estresse 
oxidativo na busca de novas formas de tratamento e redução na in-
cidência das complicações da doença. Alémdisso, tais estudos po-
dem contribuir no entendimento de diversas outras doenças.
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ESTUDO SOBRE A APLICABILIDADE DE PROTOCOLOS DE REABILITAÇÃO NO PÓS-OPERATÓRIO DE ARTROPLASTIA TOTAL DE JOELHO
ESTUDO SOBRE A APLICABILIDADE DE 
PROTOCOLOS DE REABILITAÇÃO NO 
PÓS-OPERATÓRIO DE ARTROPLASTIA 
TOTAL DE JOELHO
STUDY ON THE APPLICABILITY OF THE PROTOCOLS 
OF THE REHABILITATION OF POST-OPERATIVE 
TOATL KNEE ARTHROPLASTY
Vanessa Machado1
Thais do Nascimento Gomes2
RESUMO
A evolução patológica da osteoartrose do joelho podelevar à indicação cirúrgica de artroplasia total de joelho, 
quando o tratamento conservador não é mais efeivo. Os protocolos de reabilitação pós-operatórios são recursos que 
podem ser uilizados para guiar a conduta isioterapêuica pós-operatória quando se quer trabalhar sobre os déicits 
funcionais como a amplitude de movimento (ADM), força muscular (FM) e marcha. A pesquisa objeivo fazer uma 
análise comparaiva sobre a aplicabilidade dos protocolos reabilitaivos de pós-operatório de artroplasia total de joelho 
e foi baseada em bibliograias disponíveis em livros e no meio eletrônico através de sites de busca como Google, Bireme, 
Scielo. A comparação dos protocolos mostrou que os autores têm uma abordagem bastante semelhante ao tempo de 
duração de cada fase e dos exercícios aplicados na reabilitação pós-operatório. Ambos concordam com o início precoce 
da isioterapia pós-operatório e a gradual inserção de exercícios para a ADM passivos, aivo-assisidos e aivos, a MPC 
(mobilização passiva conínua), de reforço muscular e de treino de marcha, inicialmente com apoio parcial, evoluindo 
para apoio total. Ainda referem sobre a importância do treino de coordenação, propriocepção e das aividades de vida 
diárias. Embora haja mínima diferença quanto ao tempo para o avanço de cada fase reabilitaiva e alta do paciente nos 
protocolos analisados, percebe-se a relevante necessidade de avaliar a resposta isiológica de cada indivíduo após a 
cirurgia e a cada fase do tratamento, levando em conta suas paricularidades. 
Palavras-chave: osteoartrose, artroplasia, protocolos de reabilitação.
ABSTRACT
Pathological changes of knee osteoarthriis can lead to surgical indicaion of total knee arthroplasty when conservaive 
treatment is no longer. The protocols of post-operaive rehabilitaion are resources that can be used to guide the 
conduct in post-operaive physiotherapy when we want to work on the funcional deicits and the Range Of Moion 
(ROM), muscular strength (MS) and march. The study was based on bibliographies available in books and electronic 
media through search websites like Google, BIREME, Scielo. Comparison of protocols showed that the authors has a 
very similar approach to the duraion of each phase and to the exercises applied in rehabilitaion ater surgery. Both 
agree with the early onset of post-operaive physiotherapy and the gradual inserion of exercises for passive ROM, 
acive-assisted and acive, the CPM (Coninuous Passive Mobilizaion) of muscle strengthening and march training, 
iniially with parial support, evolving for full support. The authors also show concern about the importance of training 
coordinaion, propriocepion and the daily life aciviies. Although there are minimal diference in the ime to advance 
the phases of the paient and high in the analyzed protocols, we ind relevant the need to evaluate the physiological 
response of individuals ater surgery and every phase of treatment, taking into account their pariculariies. 
Keywords: osteoarthriis, arthroplasty, rehabilitaion protocols.
1 Acadêmica Concluinte do Curso de Fisioterapia, 2010. Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo. vanessamachado.
mv@gmail.com
2 Mestre em Educação nas Ciências. Orientadora. Professora do Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo, IESA- RS. 
gomesnthais@gmail.com
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1. INTRODUÇÃO
O joelho constitui-se de uma articulação de ossos, músculos, 
ligamentos, meniscos e demais componentes, em que cada parte 
atua para sustentação do corpo e movimentos de deslocamento. 
A osteoartrose, também conhecida como osteoartrite ou artrose, é 
uma doença reumática degenerativa que atinge o joelho, causando 
principalmente dores e limitações no decorrer das atividades de vida 
diária. Ela ocorre com maior freqüência a partir da terceira década 
de vida, tendo como indicação a artroplastia total de joelho, quando 
o tratamento conservador para esta patologia não faz mais efeito. 
A artroplastia total de joelho é um procedimento cirúrgico, no qual 
se realiza a substituição de todos os componentes da articulação 
do joelho, fixando-se uma prótese total. O procedimento é bastante 
complexo, exigindo muitos cuidados antes e depois da cirurgia. No 
tratamento pós-operatório de cirurgias como a artroplastia total de 
joelho dispõe-se de diversos recursos fisioterapêuticos, entre eles a 
utilização de protocolos de reabilitação que são planos de tratamen-
to pré-determinados e que servem como base para cada fase deste 
processo, tendo em vista um melhor resultado funcional e mais pre-
coce possível (BARBOSA, 2005). Pelas limitações que a artroplastia 
total do joelho causa, após o procedimento, a fisioterapia deve inter-
vir de forma a desenvolver protocolos pós-operatórios criteriosos e 
embasados teoricamente para garantir efetividade em sua prática, 
alcançando assim resolutividade no processo reabilitativo. Por isso, 
o presente trabalho buscou, através de fundamentação teórica, ana-
lisar e comparar dois protocolos pós-operatórios de artroplastia total 
de joelho do tipo cimentada nas diferentes fases do processo reabi-
litativo, objetivando verificar os ganhos funcionais de amplitude de 
movimento, força muscular e marcha. A busca teórica e a reflexão 
sobre a adequação de protocolos é importante pela multiplicidade 
de casos e diferentes reações ao tratamento, pois cada organismo 
responde aos estímulos de uma forma diferenciada e fatores como 
idade, sexo, atividade funcional e estilo de vida devem ser conside-
rados.
2. MATERIAL E MÉTODOS
Este trabalho se desenvolveu através de estudo bibliográfico 
descritivo, buscando fundamentar teoricamente os protocolos de re-
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abilitação no pós-operatório de artroplastia total de joelho em relação 
à suas abordagens no ganho de amplitude de movimento (ADM), 
força muscular (FM) e restauração da marcha. Procurou-se referen-
dar-se a partir de critérios como: idade acima de 60 anos, indepen-
dente de sexo, tendo por etiologia determinante a artroplastia e a 
osteoartrite ou osteoartrose, elegendo o estudo pelo procedimento 
cirúrgico e intervenção pós-operatória de prótese do tipo cimentada, 
sem objetivar associar ao estudo de outras intervenções cirúrgicas 
ou doenças associadas. Sendo esses indivíduos sem distúrbios, al-
terações neurológicas e/ou alterações cognitivas.
A revisão de literatura baseou-se aos anos de 1993 a 2009 e a 
fundamentação teórica buscada foi relacionada a diversos recursos 
como livros, revistas e meios eletrônicos, entre eles artigos, sites de 
busca, como exemplo Google e Google Acadêmico, Scielo e Bireme.
A discussão foi pautada pela análise específica de dois protoco-
los de reabilitação de Artroplastia Total de Joelho (ATJ). Esses pro-
tocolos serão comparativamente verificados sobre os aspectos dos 
seus efeitos na reabilitação, buscando refletir sobre a adequação de 
uso destes protocolos de forma a atingir a maior eficácia na fisiotera-
pia a partir das particularidades de cada paciente.
Realizou-se um estudo comparativo entre dois protocolos de re-
abilitação pós-operatórios de artroplastia total de joelho (ATJ) dos 
autores Kisner e Colby (2005) e Maxey e Magnusson (2003). Ambos 
abordam o tratamento utilizado com o paciente em recuperação, di-
vidido em fases do processo reabilitativo. Procurou-se fazer o levan-
tamento destes instrumentos voltando-se ao procedimento cirúrgico 
de substituição total do joelho do tipo cimentada. Objetivando-se, 
assim, refletir sobre a adequação destes protocolos na reabilitação 
de cada paciente, tendo em vista suas particularidades.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A fisioterapia no pré e no pós-operatório de artroplastia total de 
joelho deve ser incentivada, pois a possibilidade destaprática garan-
te mais rapidamente o retorno físico funcional do paciente às suas 
atividades da vida diária, atividades laborais, grupos sociais, entre 
outros. A reabilitação pós-operatória da artroplastia total de joelho 
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torna-se mais eficaz quando começada precocemente com movi-
mentos de flexão e extensão do joelho durante exercícios e transfe-
rências de peso. Deve-se ter cuidado de não deitar sobre o membro 
operado e não colocar almofada em baixo do joelho a fim de evitar 
deformidade em flexão (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2003).
O tratamento após a cirurgia é progressivo, as caminhadas co-
meçam com auxílio de muletas e passam para bengalas. Nos primei-
ros dias é feita a transferência de peso de uma perna para outra len-
tamente, os exercícios devem ser praticados freqüentemente, porém 
respeitando os limites do paciente. Se existir dor, pode-se aplicar téc-
nicas de analgesia como crioterapia e massagem (PORTER, 2005). 
Ainda quanto às técnicas terapêuticas, a termoterapia é utilizada no 
relaxamento de músculos contraturados e exercícios isométricos in-
dicados no reforço muscular em fase aguda, objetivando melhora na 
sustentação de peso e absorção de choques. Entretanto, faz obser-
vação quanto ao uso de calçados apropriados no treino da marcha 
(LIANZA,2001).
Para tanto, a fisioterapia se baseia em protocolos de reabilita-
ção que são planos de tratamento pré-estabelecidos para alcance 
de melhores resultados ao curto prazo. Tais instrumentos procuram 
eleger recursos físico-funcionais para cada etapa do tratamento, le-
vando em conta as fases do reparo pós-cirúrgico. Entre os diversos 
protocolos existentes, estão os dos autores Kisner e Colby (2005) 
e o do Maxey e Magnusson (2003), abordando as diferentes fases 
do processo de reabilitação com enfoque no reestabelecimento da 
ADM, FM e demais funções como retorno à marcha entre outras ati-
vidades (KISNER; COLBY, 2005; MAXEY; MAGNUSSON, 2003)
Neste contexto, a amplitude de movimento (ADM) serve para 
manter a mobilidade das articulações e ajudar na regeneração de te-
cidos em condições patológicas ou pós-operatórias (KISNER; COL-
BY, 2005). Para uma melhor qualidade de vida, o indivíduo necessita 
ter no mínimo 90° de flexão do joelho para ser considerado funcional 
e para subir escadas, por exemplo, é preciso 105° de flexão (PREN-
TICE; VOIGHT, 2003).
No procedimento de artroplastia total de joelho ou imobilização 
pós-operatória, os tecidos moles e estrutura óssea são um pouco 
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prejudicados, entre eles o tecido conjuntivo, músculos, tendões e 
pele. Portanto, após a sutura da operação ficam tecidos fibrosados e 
cicatricial impedindo a ADM completa de extensão e flexão do joelho, 
sendo então importante o alongamento para liberação da ADM na 
cápsula articular (KISNER; COLBY, 2005).
A movimentação passiva é benéfica ao indivíduo que não conse-
gue mover ativamente o membro com a articulação comprometida, 
como no caso dos pacientes pós-operatório de ATJ. A mobilização 
da articulação evita contraturas, aderências e degeneração da carti-
lagem durante o período de imobilização no leito, devendo ser usada 
preferentemente antes do alongamento passivo. A mobilização pas-
siva contínua (MPC) é utilizada para trabalhar o ganho de amplitude 
de movimento de maneira rápida e precisa. Estudos relatam obter 
resultados mais rápidos do que com as técnicas convencionais (KIS-
NER; COLBY, 2005).
Há diversas maneiras de restaurar a força muscular perdida após 
períodos de imobilização, cirurgia ou patologia. Dentre estas, o exer-
cício isométrico ou estático que se baseia na contração do músculo 
contra uma carga imóvel, sem aumento de comprimento. Este tipo é 
muito utilizado na reabilitação de pacientes pós-operatórios ou pro-
cessos patológicos agudos nos quais possivelmente existe diminui-
ção de ADM. Durante a realização da contração isométrica, deve-se 
orientar o paciente a realizar a expiração. Pois manobra como a de 
Valsalva, em que se faz uma apnéia com a glote fechada, aumen-
tam a pressão intratecal, que pode aumentar a chance de ocasionar 
aumento da pressão arterial sistólica e acidentes cardiovasculares 
(KISNER; COLBY, 2005; PRENTICE; VOIGHT, 2003).
O exercício dinâmico inclui exercícios concêntricos ocorren-
do contração e encurtamento do músculo e exercícios excêntricos 
em que o músculo se alonga sob tensão. Os exercícios de cadeia 
cinética fechada são especialmente utilizados para fortalecimento 
de membros inferiores, já que oferecem sustentação de peso. Estes 
exercícios visam trabalhar a força muscular nos movimentos neces-
sários nas AVD’s e nas demais atividades funcionais, como cami-
nhar, subir escadas, as quais exigem o bom condicionamento dos 
músculos quadríceps e isquiotibiais (PRENTICE; VOIGHT, 2003).
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O ganho de força muscular deve estar associado também à con-
quista do controle neuromuscular, já que não basta ao paciente a 
aquisição de força sem a possibilidade de controlar sua ativação. Por 
isso, a propriocepção é também um objetivo da fisioterapia no trata-
mento de artroplastias, já que ao ser iniciada precocemente garan-
te ao paciente mais noção de movimento, posicionamento espacial, 
velocidade, distribuição de peso corporal e alerta de receptores na 
prevenção de quedas e organização corporal. Os recursos técnicos 
utilizados são através do treino em apoio bipodal e posteriormente 
unipodal que exercitam o equilíbrio estático e dinâmico com o uso 
de pranchas proprioceptivas, balancins, através do feedback visual, 
comando verbal do terapeuta entre outros (KISNER; COLBY, 2005; 
PRENTICE; VOIGHT, 2003).
Entretanto, chama-se a atenção no que se refere ao treinamento 
de força com exercícios resistidos para pacientes em idade adulta 
avançada. Pois, há diversos fatores como o declínio da força, flexi-
bilidade, velocidade, tamanho e número de fibras musculares. Por 
isso, deve-se ter cuidado no momento da aplicação da carga e reali-
zação dos exercícios (KISNER; COLBY, 2005).
Os estudos sobre a marcha apontam para diversos fatores que 
comprometem a locomoção normal. Entre eles está diminuição da 
amplitude de movimento de flexão do joelho, realizada pelos múscu-
los posteriores da coxa como os isquiotibiais, necessária na fase de 
balanço do ciclo da marcha. Também a diminuição da ADM de ex-
tensão do joelho pela ação da contração do quadríceps, importante 
na fase de apoio. Além desses, a fraqueza muscular e falta de equi-
líbrio, todos provenientes de uma situação patológica, incapacida-
des e imobilizações como é o caso dos pacientes com osteoartrose 
ou pós-operatórios de artroplastia total de joelho (KISNER; COLBY, 
2005; PRENTICE; VOIGHT, 2003).
A reabilitação da marcha no pós-operatório trata-se da atuação 
do fisioterapeuta a partir da liberação médica. Inicialmente, é tra-
balhada a transferência de peso parcial com auxilio de andador ou 
muleta e realizado treino da marcha progressivamente, e de forma 
repetida ao longo do dia (PORTER, 2005).
A Fase Aguda ou de Proteção Máxima é a primeira fase de rea-
bilitação num processo patológico ou pós artroplastia total de joelho, 
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quando se deve proporcionar ao paciente proteção máxima, pois o 
tecido lesado encontra-se em estágio de reação inflamatória. Tendo 
duração de 4 a 6 dias ou 1 a 2 semanas. Complementandoa ideia 
sobre a fase de cuidado agudo, relata-se que esta tem duração de 1 
a 5 dias e a abordagem fisioterapêutica deve buscar prevenir compli-
cações do pós-operatório e recuperação funcional. A restauração da 
ADM de flexão e extensão completa até 90°, transferências de peso 
e em seguida treino da marcha e independências nas atividades de 
vida diária (AVD’s) são algumas das metas (MAXEY; MAGNUSSON, 
2003).
A proteção é exercida deixando o paciente em repouso, isto é, 
imobilizando o membro operado para melhor cicatrização sem correr 
riscos de nova lesão. Porém, a não movimentação precoce prejudica 
no sucesso de ganho da amplitude de movimento (ADM) e conse-
qüentemente no retorno às atividades. Por isso, é incluído movimen-
to passivo do membro inferior, precisamente da articulação do joelho 
operado, para que possa haver circulação dos fluídos e organização 
dos fibroblastos responsáveis pela formação do tecido cicatricial, 
evitando-se aderências e alterações da cartilagem (KISNER; COL-
BY, 2005).
A intensidade do movimento de ADM passiva é suave, no limite 
suportado pelo paciente. Por se tratar de um estágio agudo de rea-
bilitação, a dor é mais intensa pela possível presença de inflamação 
no local. A amplitude alcançada com o movimento passivo contínuo 
varia de 0 a 40° de flexão que, conforme as condições do paciente, 
aumenta 5 a 10° por dia (KISNER; COLBY, 2005; MAXEY; MAG-
NUSSON, 2003).
Em um estudo comparativo de dois grupos de pacientes pós
-operatório de ATJ do tipo cimentada, relacionam o ganho de ADM. 
Encontrou-se resultados de que um grupo que recebeu MPC na 1ª 
semana teve um ganho maior de ADM e alta antecipada do que o 
outro que permaneceu imobilizado e só realizou na 2ª semana. O 
motivo foi melhora da drenagem de líquidos na articulação (MAR-
QUES; KONDO, 1998).
Os exercícios devem ser iniciados no segundo ou terceiro dia 
pós-operatório (MAXEY; MAGNUSSON, 2003). Nesta fase é permi-
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tido iniciar exercícios de fortalecimento muscular, desde que sejam 
realizados com pouca carga e dentro da tolerância do paciente. Os 
exercícios isométricos em vários ângulos são escolhidos para for-
talecimento do membro inferior cujo joelho foi operado e para bom-
beamento sanguíneo através da contração muscular. Exercícios de 
resistência podem ser aplicados moderadamente nos demais seg-
mentos corporais, preparando o paciente para o uso de dispositi-
vos auxiliares na deambulação, como muletas ou andador. Nesses 
casos, o alongamento é contra-indicado por causa da inflamação 
(KISNER; COLBY, 2005).
Quanto a Fase Subaguda ou de Proteção Moderada, a prote-
ção do joelho operado nesse estágio ocorre durante a realização de 
exercícios para manter os tecidos moles em boas condições de re-
generação. Nesta fase a inflamação diminui, dando espaço a produ-
ção de tecidos de granulação e colágeno. Por isso, deve-se respeitar 
o limite do paciente, não indo além deste para prevenir o retorno da 
inflamação. A fase subaguda ou de proteção moderada ocorre 14 a 
21 dias após a lesão ou de 3 a 6 semanas (KISNER; COLBY, 2005). 
Já no protocolo de Maxey e Magnusson (2003) a duração é de 6 a 
14 dias fase IIa subaguda ou 1 a 3 semanas subaguda avançada IIb.
A realização de exercícios ativos é permitida, mas o paciente 
pode não conseguir realizar em toda sua amplitude devido à fraque-
za muscular decorrente da imobilização no estágio agudo. Mesmo 
assim, é preciso informá-lo quanto aos sintomas, como dor que pode 
ser normal nesta fase, causada pela retração dos tecidos moles ou 
associada a edema, indicando inflamação decorrente da progressão 
muito rápida do exercício (KISNER; COLBY, 2005; MAXEY; MAG-
NUSSON, 2003).
A partir daí, são inseridos exercícios em cadeia aberta e fechada 
para membros inferiores e resistidos, tendo cuidado em relação à 
intensidade e amplitude exagerada, pois, através da formação de 
colágeno, a cicatriz se desenvolve com mobilidade, sendo por isso 
frágil e facilmente rompida (KISNER; COLBY, 2005; MAXEY; MAG-
NUSSON, 2003).
O exercício em cadeia fechada é usado de forma a restaurar as 
capacidades de equilíbrio e coordenação alteradas pelo dano cau-
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sado aos mecanoceptores, ligamentos, tendões ou cápsula (SILVA, 
2006).
É indicado como modalidade fisioterapêutica, o uso da massa-
gem de fricção transversa para mobilização de tecidos moles e lo-
cais de incisão. Ela influi na mobilidade do tecido cicatricial, libe-
rando aderências e melhorando a amplitude de movimento pelo 
deslizamento dos tecidos através da articulação do joelho (KISNER; 
COLBY, 2005).
Durante a fase subaguda avançada, os protocolos de reabilitação 
de ATJ incluem a iniciação do retorno às atividades funcionais. Para 
isso, é colocado em exercício o treino da marcha com apoio de peso 
total com ou sem dispositivos auxiliares, progredindo para avanço 
de alguns passos e em pequenas distâncias conforme o equilíbrio 
do paciente (KISNER; COLBY, 2005; MAXEY; MAGNUSSON, 2003).
Já a Fase Crônica ou de Retorno às Atividades, neste estágio 
não há inflamação, os tecidos já estão em remodelamento cicatricial 
e ocorre alinhamento do colágeno à sobrecarga. Acontece do 21° dia 
ao 60° dia ou após a 6ª semana de pós-operatório de artroplastia to-
tal do joelho do tipo cimentada. Há presença de dor ao alongamento 
devido à resistência imposta pela contratura do tecido cicatricial que 
causa aderências e limitações (KISNER; COLBY, 2005).
Na última fase de reabilitação ou fase crônica, trabalham-se di-
versas formas de exercícios e objetos que irão ajudar na comple-
mentação e finalização da reabilitação do paciente pós-operatório 
de artroplastia total de joelho. Por exemplo, normalizar a marcha de 
maneira a realizar sem dispositivos de apoio, aumentar a ADM, me-
lhorar o equilíbrio e sustentação de peso (KISNER; COLBY, 2005; 
MAXEY; MAGNUSSON, 2003).
O retorno às atividades de vida diárias (AVD’s) e profissionais 
exige um bom fortalecimento muscular, feito através de exercícios 
de forma segura e com bom equilíbrio que pode ser adquirido como 
resposta ao treino do sistema neuromuscular. O alongamento de is-
quiotibiais e quadríceps são utilizados com uma sobrecarga contro-
lada para diminuir a contratura dos tecidos aderidos e aumentar a 
ADM, porque se faz necessário uma amplitude de 110 a 125° de fle-
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xão para atividades funcionais como subir e descer escadas e uma 
amplitude de 0 a 110° de extensão para normalizar o ciclo da marcha 
(KISNER; COLBY, 2005; MAXEY; MAGNUSSON, 2003).
A redução de peso tem grande influência no sucesso do trata-
mento pós-operatório de artroplastia total de joelho do tipo cimenta-
da, já que o sobrepeso está associado ao precursor deste processo. 
Pois, o excesso de peso é um dos fatores que predispõem o surgi-
mento de osteoartrite, sendo esta a causa da ATJ e conseqüente 
reabilitação pós-cirúrgica. Para tanto, pode-se trabalhar a condição 
aeróbica ou cardiovascular deste paciente, através de exercícios na 
bicicleta estacionária ou aquáticos (MAXEY; MAGNUSSON, 2003).
No programa de reabilitação, a diminuição do repouso na cama, 
os cuidados com os tecidos moles evitando contraturas são enfatiza-
dos para melhora do ganho de flexão (LENSSEN, 2006). Também, o 
incentivo de fisioterapeuta e enfermeiros aos pacientes pós-operató-
rio de ATJ na realização dos exercícios e continuação do tratamento 
após a alta (MAXEY; MAGNUSSON, 2003).
4. CONCLUSÃO
A fisioterapia pós-operatória baseou-se em protocolos de reabili-
tação, os quais propuseram exercícios para ganho de amplitude de 
movimento, restauração da força, marcha e retorno às atividades. 
Os estágiosda cicatrização tecidual são considerados importantes 
no estabelecimento das fases do tratamento pós artroplastia total de 
joelho. 
Durante a busca, por um motivo da aplicação de protocolos de 
reabilitação no pós-operatório de artroplastia total de joelho do tipo 
cimentada, diversos fatores que interferem no sucesso ou não do 
processo reabilitativo foram encontrados. Entre eles está a adesão 
do paciente pelo plano de tratamento, o respeito às limitações de 
cada paciente e a escolha por seguir um programa de fisioterapia 
após ser submetido a uma substituição total da articulação do joelho 
por uma prótese decorrente da osteoartrose.
Na comparação dos protocolos não houve grandes discordâncias 
entre os autores, ambos são muito semelhantes. Contudo, alguma 
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variação de tempo de permanência em cada fase deverá levar em 
consideração a idade do paciente, a forma como se desencadeou 
a patologia deste e os estágios de cicatrização, pois estes podem 
apresentar comportamento diferente, relacionando às suas respos-
tas fisiológicas desde quando surgiram, no pré-operatório, passando 
pelo procedimento cirúrgico até o pós-operatório. Portanto, há pos-
sibilidade dessa situação ter ocorrido na construção de cada um dos 
dois protocolos utilizados neste estudo. 
Enfim, protocolos de reabilitação existem para guiar condutas fi-
sioterapêuticas, como exemplo no pós-operatório de artroplastia to-
tal de joelho. Por isso, eles não devem ser seguidos rigorosamente, 
já que cada indivíduo responde de uma maneira particular. 
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tocolo Padrão do IOT e Protocolo Avançado [dissertação]. São 
Paulo: USP; 2006.
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TESTE DE PATERNIDADE: UMA ANÁLISE DAS QUESTÕES TÉCNICAS E LEGAIS ENVOLVIDAS NO EXAME
TESTE DE PATERNIDADE: 
UMA ANÁLISE DAS QUESTÕES 
TÉCNICAS E LEGAIS ENVOLVIDAS NO 
EXAME
PATERNITY TESTING: 
AN ANALYSIS OF TECHNICAL AND LEGAL ISSUES 
INVOLVED IN EXAM
Alice Kunzler1
Emanuelle Kerber Viera Mallet2
RESUMO
Diante dos grandes avanços sofridos nos úlimos anos na área da biologia molecular, os testes de paternidade podem 
hoje presumir de fato uma paternidade legíima. Este fato se deve graças ao surgimento de várias técnicas de análise 
em DNA, que permitem que este seja um teste relaivamente rápido e preciso. No entanto, a solicitação deste teste 
possui exigências e cuidados especiais que devem ser tomados por parte do laboratório, já que pode servir como prova 
pericial. A parir destes dados o objeivo do trabalho é demonstrar como são realizados os testes de paternidade em 
laboratórios clínicos e quando o laboratório tem a autorização legal para fazê-lo.
Palavras-Chave: Impressões digitais de DNA; técnicas de diagnósico molecular; genéica forense; paternidade.
ABSTRACT
Facing the great advances that the molecular biology area had sufer in the last few years, paternity tesing can now 
assume indeed a legiimate paternity. This fact is due to the emergence of many analyical techniques in DNA that allows 
it to be a relaively fast and accurate test. However, the solicitaion of this test has requirements and special cares which 
has to be taken by the laboratory, because the results can be used as forensics evidence. From this informaion, this 
work aimed to show how paternity tesing is performed and when the laboratory has the legal authorizaion to do it.
Keywords: DNA ingerprints; molecular diagnosics techniques; forensics geneics; paternity
1. INTRODUÇÃO
Atualmente no Brasil, existe uma onda de testes de DNA em labo-
ratórios públicos, com dinheiro do estado e em clínicas particulares. 
A iniciativa de fazer o teste muita vezes provem de mães desespe-
radas, que nos levam a crer que são elas as que mais se beneficiam 
da nova tecnologia. Este fato coincide com o surgimento de novas 
leis de paternidade, como um meio para fortalecer e ampliar laços 
1 Acadêmica Concluinte em Biomedicina (IESA, 2010); Mestranda em Bioquímica e Bioprospecção (UFPel). alice.bio@hotmail.com
2 Mestre em Genética e Diagnóstico Molecular (ULBRA, 2008); Graduação em Biomedicina (FEEVALE,2006); Coordenadora do Curso 
de Biomedicina e professora titular (IESA).emanuelle@iesanet.com.br
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familiares, através de uma paternidade e maternidade responsável 
(FONSECA, 2005).
Desde 1999, começando em São Paulo, o poder público aceitou 
arcar com a demanda popular, pagando os testes com dinheiro dos 
cofres públicos. No Rio Grande do Sul, na segunda metade de 2002, 
ingressaram no sistema gaúcho de justiça uma média de mil pedidos 
de investigação paterna por mês. Marcando aproximadamente 500 
testes por mês, o Serviço Médico Jurídico ainda tem uma lista de 
espera de mais de 8 mil pedidos – o que representa cerca de um ano 
e dez meses de fila, sendo que o mesmo fenômeno se repete em 
quase todos os estados da União (FONSECA, 2005).
Desta maneira, um aumento exponencial na solicitação de tes-
tes de paternidade vem ocorrendo no Brasil, já que esta é a melhor 
maneira de praticamente confirmar uma paternidade e tem sido am-
plamente utilizada pelo sistema judiciário. Existem diversas manei-
ras de realizar o exame, e estas variam de acordo com o número 
de pessoas disponíveis para análise, principais técnicas utilizadas e 
materiais biológicos passíveis de se obter informações, nestes ca-
sos, DNA. 
Apesar de ser um teste que necessite de técnicas e aparelhos 
modernos, não são estes os maiores empecilhos para o desenvolvi-
mento do teste, já que laboratórios que não realizam estes exames 
podem realizar as coletas e enviar os materiais para análise em la-
boratórios de apoio. Porém, existem várias normas legais que regem 
o exame, e que devem ser de conhecimento do laboratorista. Neste 
sentido, existe uma deficiência de materiais que abordam todos os 
procedimentos, tanto técnicos, mas principalmente os legais envolvi-
dos no teste, e que possam servir de base técnica para os laborató-
rios que oferecem este serviço. 
Embora pareça um simples exame utilizando DNA, o teste de pa-
ternidade enfrenta seus maiores desafios na área jurídica, pois pode 
ser utilizado como prova pericial. Os laboratórios que realizam estes 
serviços possuem a responsabilidadede conhecer as leis que asse-
guram o teste, obrigações legais e cuidados técnicos, para saber em 
que situações o exame pode ser realizado ou quando é necessária a 
apresentação de autorização legal para fazê-lo. 
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Com isso, o objetivo deste trabalho é demonstrar como são rea-
lizados os testes de paternidade em laboratórios clínicos. 
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Condições Legais
A família é a base da sociedade, pois a partir dela acontecem as 
outras relações sociais. A paternidade é um fator determinante na 
vida do indivíduo, gerando fortes conseqüências em sua formação 
sócio-afetiva, e está diretamente ligada ao estado em que se en-
contra o pai e o filho. Assim, surgiram os testes de paternidade, que 
permitem a constituição legal entre duas pessoas, do laço de paren-
tesco de primeiro grau (DALVI, 2008).
A pesquisa genética da paternidade é permitida no nosso sistema 
jurídico. A lei n° 8.560/92 regula a investigação de paternidade dos 
filhos obtidos fora do casamento, os quais terão os mesmos direitos 
e qualificações e sendo proibidas quaisquer designações discrimi-
natórias relativas à filiação, nos termos do art. 1.596 do Código Ci-
vil. Em 2001, a lei n° 10.317 estabeleceu normas para a concessão 
de assistência judiciária aos necessitados, concedendo gratuidade 
do exame de DNA nos casos que especifica (CROCE; CROCE JR, 
2009).
A prova pericial do exame de DNA em um teste de paternidade 
só deve ser aceita quando observados os critérios indispensáveis 
de segurança tanto na coleta quanto na manipulação posterior das 
amostras, ou seja, desde a etapa de identificação dos indivíduos até 
a elaboração e entrega do laudo. Para tanto, um rígido esquema é 
estabelecido no momento da colheita dos materiais. Primeiramente 
é necessário que os sujeitos envolvidos apresentem documentos de 
identificação com foto, para garantir a comprovação da identidade 
dos mesmos. A coleta deve ser testemunhal, ou seja, realizada na 
presença de todos os envolvidos, para que os mesmos se identifi-
quem mutuamente e assinem confirmando que a coleta foi efetuada 
na pessoa correta. Todos os envolvidos devem preencher e assinar 
o formulário de identificação e coleta e assinar declarações padro-
nizadas autorizando a realização do exame, e declarando não te-
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rem se submetido a transplante de medula óssea nem a transfusão 
sanguínea recente. Neste momento também são coletadas provas 
datilográficas (letra e assinatura), datiloscópica (impressão digital), 
e, por fim, fotográfica e datilográfica (é tirada uma foto, datada e 
assinada). Estas provas são realizadas com todos os envolvidos, in-
clusive crianças. Obtidas estas provas, realiza-se a coleta de sangue 
através de punção venosa. São colhidos rotineiramente, pelo menos 
dois tubos por pessoa, em que um tubo fica estocado no laboratório 
e o outro/ outros seguem para a extração de DNA. Os testes podem 
ser realizados e analisados por duas equipes diferentes e depois ter 
os resultados confrontados. Sempre que existir exclusão de paterni-
dade, repete-se a análise com a amostra que tinha sido congelada, 
sendo confirmadas, dessa maneira, todas as exclusões (RASKIN, 
2009; FIGINI et al., 2003).
Antes de se realizar o teste propriamente dito, todas as amostras 
são testadas para sequências de DNA específicos do sexo feminino 
e do sexo masculino. Assim, a amostra da mãe deve apresentar as 
sequências compatíveis com o sexo feminino, o pai sequências com-
patíveis com o sexo masculino e a criança sequências compatíveis 
com seu sexo. Este procedimento é realizado como forma de contro-
le para que não ocorra troca de amostras, e após esta verificação as 
amostras são encaminhadas para as análises finais. Outro controle 
adicional de qualidade é feito antes da liberação do laudo, o teste 
de maternidade, no qual são comparados o DNA do filho e da mãe, 
antes da análise do DNA do filho e do pai. Por fim, se os dois exa-
mes demonstrarem que o suposto pai não é o pai biológico, o exame 
é repetido novamente, para a certificação dos resultados (RASKIN, 
2009).
O teste também pode ser feito na ausência de uma pessoa en-
volvida. A mãe de registro que quiser investigar a paternidade de 
seu filho (a) pode realizar o exame sem o consentimento do pai, pois 
ele não estará sendo investigado. A recíproca também é verdadeira. 
Casos que não estão enquadrados em processos jurídicos e em que 
a situação exija a presença de um menor de idade, é necessária au-
torização do responsável e apresentação de certidão de nascimento 
ou declaração da maternidade. O requerimento do teste de pater-
nidade só pode ser realizado por pai e mãe de registro, e o próprio 
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filho após a maioridade. Neste caso, o filho investiga o vínculo e 
paternidade com um terceiro, sem que ocorra a anulação do registro 
de nascimento (RASKIN, 2009).
2.2. Técnicas
A biologia molecular é uma área que tem sofrido muitos avanços 
nos últimos anos. O surgimento de novas técnicas e de novos mar-
cadores para análise em DNA para identificação pessoal tem apri-
morado e facilitado os testes, uma vez que cada vez menos material 
é necessário, sem que ocorra perda da qualidade das análises. 
Dentre as técnicas disponíveis para a análise de paternidade, 
três se destacam: PCR- STR, sondas unilocais e sondas multilocais. 
Estes testes têm substituído os tradicionais métodos de investiga-
ção de paternidade: marcadores sanguíneos, séricos, enzimáticos 
e leucocitários HLA, pois esses marcadores apresentam uma varia-
bilidade pequena entre os indivíduos. Já o DNA se constitui de uma 
extrema variabilidade de seqüências gênicas, fazendo com que a 
freqüência de cada marcador seja extremamente baixa na popula-
ção. No ano de 2006, de acordo com a AABB (American Association 
of Blood Banks), que regula e realiza a acreditação dos laboratórios, 
a tecnologia da PCR foi utilizada em 98,53% dos testes de paterni-
dade realizados, e em contra - partida não foi relatado nenhum caso 
de teste realizado com utilização de HLA (JOBIM, 2008).
Nos últimos anos, a maioria dos laboratórios que disponibilizam 
este exame o realiza através da técnica de PCR-STR. A PCR, ou 
reação em cadeia da polimerase, é um método muito eficaz na ava-
liação da individualidade humana. Esta técnica se baseia na amplifi-
cação do material genético, ou seja, através do uso de uma enzima 
– DNA polimerase- o fragmento desejado durante vários ciclos é co-
piado e replicado, gerando bilhões de cópias da seqüência desejada 
em um espaço curto de tempo. Por ser uma técnica muito específica, 
a PCR determina que se conheça a seqüência a ser copiada. As 
principais regiões do genoma utilizadas, portanto, são as denomina-
das microssatélites, constituídas por STRs (short tandem repeats), 
ou “fingerprints”, que são seqüências curtas de nucleotídeos que se 
repetem em tandem por todo genoma. Para análise de paternidade 
utiliza-se em média mais que 12 locos gênicos. Já técnicas utilizando 
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sondas uni e multilocais são técnicas em que utiliza-se como mar-
cadores os minissatélites, ou VNTRs (variable number of tandem re-
peats). Estes são fragmentos mais longos que os STRs, e, portanto, 
exigem que se tenha mais material disponível para análise (JOBIM, 
2008; BORGES-OSÓRIO; ROBINSON, 2001).
As bases para utilização dos testes de identificação da indivi-
dualidade humana, através dos estudo do DNA, encontram-se nos 
polimorfismos dos diversos loci de minissatélites e microssatélites. 
Cada pessoa apresentaum cromossomo materno e um paterno, e 
as segregações destas estruturas repetitivas seguem a lei de Men-
del, em que um alelo é de origem materna e outro de origem paterna 
para cada locus (DOLYNSKI; PEREIRA, 2007).
Depois de amplificado pela técnica de PCR, os materiais são 
submetidos à eletroforese de DNA ou a um seqüenciador automá-
tico. A eletroforese é uma técnica simples e rápida, utilizada para a 
separação, visualização e também purificação do DNA de diferentes 
tamanhos. O material amplificado é aplicado em um gel e submetido 
a um campo elétrico, permitindo a separação do material de acordo 
com o seu tamanho. Já os seqüenciadores automáticos necessitam 
que os primers utilizados na PCR sejam marcados com fluorocro-
mos, gerando picos de tamanhos e cores diferentes conforme os 
alelos que passam pelo laser, permitindo desta forma a identificação 
e a comparação dos alelos dos materiais amplificados (ROSSETTI 
et al., 2006).
Na eletroforese, a análise do peso das bandas, ou alelos, o que 
se observa é a existência, no filho, da banda (ou alelo) de origem 
materna, que é idêntica a uma das de sua mãe. A outra banda pre-
sente deverá ser de origem paterna e idêntica a presente no DNA do 
investigado. A ausência de pelo menos duas bandas idênticas entre 
o filho e o suposto pai confirma uma exclusão de paternidade, já que 
uma única banda não é capaz de confirmar a exclusão devido à pos-
sibilidade de ter ocorrido uma mutação. Quando o possível pai não 
é excluído, calcula-se o índice de paternidade (IP), a probabilidade 
positiva de paternidade para cada sonda e a probabilidade cumula-
tiva de paternidades dos diversos testes. O índice de paternidade é 
baseado no teorema de Bayes que compara as chances do filho her-
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dar o alelo compartilhado com o suposto pai, 50%, quando o supos-
to pai possui dois alelos distintos, ou 100%, quando possui apenas 
um com a freqüência deste alelo na população. Países desenvolvi-
dos, como os EUA e a Alemanha utilizam a seguinte classificação 
em relação ao índice de paternidade: 90-95%-paternidade provável; 
95-99%-paternidade muito provável; 99-99,73% - paternidade extre-
mamente provável e acima de 99,73% - paternidade praticamente 
provada (RASKIN, 1997; FIGINI et al., 2003; JOBIM, 2008; SAM-
PAIO et al., 2002).
2.3. Materiais
O DNA humano está disponível em quantidade suficiente para 
análise em todas as células nucleadas do sangue e tecidos, em me-
nor concentração no soro ou no plasma, e no líquido amniótico pla-
centário. No cabelo, ele está bem representado nos bulbos capilares, 
enquanto que nos ossos fica enclausurado nas células conhecidas 
como osteoclastos. No caso de pessoas falecidas há mais tempo, 
em que os materiais dos tecidos já se encontram degradado, os os-
sos e os dentes são de grande importância para a obtenção de DNA 
(JOBIM, 2008).
Na realização do teste de paternidade, pode-se fazer uso de 
diversos materiais biológicos, com os quais o único objetivo é a 
obtenção de uma amostra de DNA. Os materiais mais comumen-
te utilizados são sangue, esperma, saliva e cabelos. O sangue é o 
material preferencial de escolha, visto que ele representa uma fonte 
abundante de informação genética e por fornecer DNA íntegro e de 
boa qualidade para análise. A escolha de cabelo como material é 
utilizada quando um dos envolvidos realizou transplante de medula 
óssea ou transfusão sanguínea nos últimos noventa dias. Pessoas 
que fazem uso de medicamentos ou drogas podem fazer o exame, 
pois o seu padrão genético não será afetado, assim como não há 
necessidade de jejum nem mudanças na rotina (CROCE; CROCE 
JR, 2009; RASKIN, 2009).
A coleta do material exige um controle extremo, já que as amos-
tras passam a ter uma cadeia de custódia, na qual todos técnicos 
que realizaram provas, e todas as análises são documentadas, para 
que o material colhido possa ser passível de confiança e possua 
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legalidade perante a justiça. Desta forma, os documentos da cadeia 
de custódia devem possibilitar que sejam registradas todas as fases, 
desde o recebimento, aliquotagem, preparação, testes realizados 
até a disposição final. Laboratórios que oferecem o serviço, mas de 
forma terceirizada, devem ter cuidados extras, com profissional es-
pecializado responsável, já que a coleta e o envio deste exame se-
guem normas muito diferentes de outros exames de patologia clínica 
(CHASIN, 2008; RASKIN, 1997).
2.4. Número de pessoas envolvidas 
A investigação de paternidade pode ser realizada de acordo com 
a quantidade de pessoas envolvidas, ou de acordo com as possi-
bilidades de cada caso. Os casos mais comuns e de mais fácil re-
solução são os testes trio, em que há a presença do possível pai, 
do filho e da mãe. Nestes casos, o leque de marcadores genéticos 
disponíveis para análise é tão grande, que fica impossível a falta de 
conclusão (FIGINI et al., 2003).
Outros tipos de testes são os que envolvem apenas o possível 
pai e o filho, quando na impossibilidade da presença da mãe, e são 
chamados testes duo. Nestes casos, as provas são realizadas com 
o DNA entre o suposto filho e possível pai, porém um número maior 
de alelos será analisado, sendo os resultados estatísticos bastante 
confiáveis. São observados metade dos alelos em comum entre o 
autor e o investigado. Uma exclusão consiste na ausência de alelos 
em comum (FIGINI et al., 2003; RASKIN, 2009). 
Testes post-mortem são aqueles em que o possível pai é faleci-
do, e então analisa- se os ascendentes e descendentes, ou parte-se 
para a exumação do corpo. Nestes casos, a identificação de pater-
nidade pode sofrer limitações devido à escassez de indivíduos para 
análise, tanto na parte da autora quanto na do suposto pai (FIGINI et 
al., 2003; JOBIM et al., 2008).
Quando no estudo da família existem várias possibilidades. A pri-
meira é se ambos os possíveis avós paternos são disponíveis. Os 
resultados são como se o falecido estivesse vivo, pois os alelos exis-
tentes no suposto filho de origem paterna devem obrigatoriamente 
estar presentes no avô ou na avó. Se não existir partilha entre os ale-
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los, conclui-se como uma exclusão, enquanto que a inclusão por ser 
de fácil detecção fornece resultados estatisticamente importantes. A 
segunda maneira é através na análise dos filhos legítimos e irmãos 
do possível pai. Quando os filhos legítimos são analisados é impor-
tante o estudo da mãe e da viúva do investigado. Entre os irmãos, só 
é possível observar o máximo de quatro alelos ou bandas diferentes. 
Nestes casos a exclusão de paternidade se dá na presença de mais 
de quatro alelos diferentes entre os irmãos e o alelo paterno do autor. 
Analisando a viúva e seus filhos a exclusão ocorre quando os dois 
alelos paternos forem identificados nos filhos do falecido e não forem 
identificados no autor. A maioria destes casos são resolvidos, sen-
do a conclusão proporcional a quantidade de pessoas disponíveis 
para análise, ou seja, quanto mais filhos ou tios disponíveis, maior 
a possibilidade de resultados conclusivos. É sempre mais desejável 
que se faça a análise do maior número possível de ascendentes e 
descendentes, pois pode ocorrer de que o alelo paterno presente no 
autor não seja o mesmo existente nos suposto irmãos (FIGINI et al., 
2003).
Em situações nas quais o investigado falecido não deixou des-
centes para análise, parte-se para a exumação do corpo. São ana-
lisados os dentes molares, pré-molares e fêmur. Em caso de mor-
te recente, de horas ou dias, pode-se recolher amostras de sangue 
puncionando veias ou o coração, ou coletar cabelos, com bulbo, em 
umaamostra de pelo menos 20 fios. Até quatro semanas de morte 
pode-se usar amostras de músculo esquelético (FIGINI et al., 2003; 
JOBIM et al., 2008).
3. MATERIAL E MÉTODOS
Este estudo constitui-se de uma revisão da literatura cujo enfo-
que é testes de paternidade realizados em laboratórios clínicos. Para 
tanto, foram consultados livros, periódicos e artigos científicos.
4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Embora o teste de paternidade seja um exame bastante difun-
dido na nossa sociedade, ele exige alguns cuidados por parte dos 
laboratoristas. O teste pode ser solicitado por alguma pessoa física, 
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como o pai ou a mãe, ou como parte de um processo judicial. Em 
ambos os casos, o teste exige cuidados, mas estes devem ser refor-
çados quando a solicitação não provém sem solicitação jurídica. De 
acordo com Raskin (2009), algumas precauções devem ser toma-
das, desde a solicitação do teste até a coleta dos materiais. Todos os 
materiais devem possuir uma cadeia de custódia; o teste pode ser 
realizado na ausência de uma pessoa envolvida; quando na presen-
ça de menor é exigida a certidão de nascimento e o requerimento só 
pode ser realizado por pai ou mãe de registro. Dalvi (2008) entende 
que na colheita do material, é importante obter autorização de todos 
os envolvidos, assim como todas as amostras devem ser codificadas 
para garantir a confiabilidade do teste. Desta forma, resguardam-se 
os direitos da criança e os direitos da família, e apesar de não se 
ter muitos autores dissertando a respeito, é de consenso na grande 
maioria dos laboratórios que prestam este serviço que sejam respei-
tadas essas normas. 
De acordo com Dalvi (2008), o reconhecimento da paternidade 
pode ser feito de várias formas. A mais comum é a realizada pela 
declaração no termo de paternidade. No entanto, o artigo 2° da Lei 
8560/92 expõe o reconhecimento da paternidade por suprimento. 
Neste caso, havendo um registro de nascimento no qual apareça 
somente o nome da mãe, o escrivão deve remeter ao juiz uma certi-
dão do ato e das declarações da mãe sobre endereço do pai e outras 
possibilidades de encontrá-lo. Com isso, o juiz determina, caso en-
tenda que tenham indícios suficientes para presumir a paternidade 
do suspeito pai e que este confirme a paternidade, a remessa de um 
termo de reconhecimento. Contudo, se ocorrer a negativa paterna de 
comparecer em juízo, ou ocorrer a negação da paternidade, o caso é 
encaminhado ao Ministério Público para que se proponha a ação de 
investigação de paternidade. 
Ainda conforme Dalvi (2008), todo ano no Brasil são feitos 6000 
testes de DNA para comprovação de paternidade. Em cada teste, há 
laços familiares que se dissolvem pela comprovação de que alguém 
não era filho do pai que imaginava ter, ou relacionamentos começam 
a ser construídos a partir da descoberta de que uma pessoa tinha um 
filho que não julgava ser seu. 
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Fonseca (2005), afirma que muitos casos nem chegam a ser jul-
gados. Alguns processos acabam sendo arquivados porque não foi 
possível localizar o suposto pai, e mesmo quando localizado é co-
mum o homem não comparecer na primeira convocação para fazer 
o exame. Nos casos que são julgados na Vara de Família, a criança 
consegue colocar na certidão o nome de algum “pai”. Se menor, a 
criança ainda tem o direito de receber pensão. Porém, essa identida-
de oficial nem sempre traz consequências no plano prático e muito 
menos no plano afetivo. Desta forma, nada garante que o homem 
declarado pela corte como pai cumpra seu compromisso paterno, 
pois a afirmação de um fato biogenético, o cumprimento de uma lei 
e o desenvolvimento de uma relação social são processos muitos 
distintos. 
Pode – se afirmar que com o advento do teste em DNA é hoje 
praticamente possível garantir se um indivíduo é ou não filho bioló-
gico de um determinado casal. Da mesma forma, é possível excluir 
pessoas falsamente acusadas e obter probabilidades de inclusão 
extremamente próximas a 100%. Com a nova geração de testes em 
DNA, é muito difícil encontrar duas pessoas iguais em diversos locos 
genéticos analisados, ficando a única exceção a cargo dos gêmeos 
univitelinos que possuem, a princípio, 100% de seu DNA igual.
Muitas técnicas são hoje disponíveis para análises em DNA. Em 
relação a testes de paternidade, a técnica PCR – STR se destaca 
como sendo utilizada majoritariamente por laboratórios que prestam 
este serviço. De acordo com Jobim (2008), a técnica de PCR – STR 
tem sido muito utilizada na análise pericial de casos de identificação 
humana, pois é um método extremamente poderoso na avaliação 
da individualidade humana. A abundância de STRs no genoma hu-
mano é uma fonte inesgotável de variabilidade, e não encontram 
problemas como as altas taxas de mutações encontradas nos locos 
utilizados por sondas uni e multi-locais, já que os STRs apresentam 
baixa taxa de mutação (RASKIN, 1997). Ainda de acordo com Raskin 
(2009), a escolha da técnica deve ficar a critério de cada laboratório, 
pois não existe metodologia melhor ou pior, qualquer uma utilizada 
– sondas unilocais, sondas multilocais ou STRs (microssatélites)-, é 
capaz de esclarecer absolutamente todos os casos, cada uma com 
suas facilidades ou dificuldades. A utilização de sondas apresenta 
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custo relativamente baixo, mas encontra dificuldades visto que uti-
liza material radioativo, é uma técnica extremamente trabalhosa, e 
o DNA a ser analisado deve estar em uma quantidade suficiente e 
não degradado. Já os STRs apresentam algumas vantagens, como 
o DNA é amplificado via PCR, a amostra a ser analisada pode ter 
uma quantidade inicial pequena e mesmo existindo contaminação da 
amostra por DNA de outras espécies a técnica de PCR é específica 
o suficiente para amplificar apenas o DNA humano. 
Para a análise do DNA, faz-se uso de qualquer material humano 
constituído por células nucleadas. De acordo com Raskin (2009), o 
material de preferência para a realização do teste de paternidade é 
sangue total, coletado através de punção venosa. Neste caso, o ma-
terial é abundante e coletado em condições ideais, evitando contami-
nações, além de ser obtido mediante autorização prévia de todos os 
envolvidos. Embora, dependendo da situação, como em transfusões 
sanguíneas ou transplante de medula óssea, possa se fazer uso de 
outros materiais como cabelo (bulbo), saliva, esperma, ossos. De 
acordo com Jobim et al. (2008), quando um dos indivíduos envolvi-
dos é falecido há mais tempo, os cabelos são inadequados visto que 
já perderam a raiz e os tecidos remanescentes costumam apresentar 
material degradado. Sendo assim, os ossos e os dentes costumam 
ser os materiais de escolha para a obtenção de DNA. Em casos en-
volvendo crianças em estado fetal, Raskin (2009) afirma que o teste 
pode ser feito analisando o DNA presente nas células do líquido am-
niótico ou das vilosidades coriônicas da placenta, quando a gestação 
encontra-se próxima do quarto mês. O mesmo autor acredita que 
este tipo de exame só deve ser feito com o consentimento do casal 
e declaração de que o resultado não será utilizado para interrupção 
da gestação, a não ser casos de estupro confirmado. 
O teste de paternidade pode ser realizado de diversas formas, 
de acordo com a quantidade de pessoas disponíveis para a ava-
liação. De acordo com Figini e cols (2003), os casos de mais fácil 
resolução são os que se apresentam disponíveis para análise o trio: 
mãe, filho e suposto pai. Raskin (2009) sugere que este tipo de teste 
é o mais preciso, no entanto, quando o DNA do pai ou da mãe está 
indisponível ocorre um acréscimo de locos analisados, ocasionando 
maior tempoe custo, mas sem alterar a precisão do teste. Quando 
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TESTE DE PATERNIDADE:UMA ANÁLISE DAS QUESTÕES TÉCNICAS E LEGAIS ENVOLVIDAS NO EXAME 
o material da mãe está disponível o exame é ao mesmo tempo um 
teste de paternidade e maternidade, e pode ser usado para esclare-
cer situações como uma possível troca de crianças na maternidade, 
ou com crianças desaparecidas e que são encontradas muitos anos 
mais tarde. Figini e cols (2003) afirmam ainda que em um teste com 
suposto pai e filho, observam-se metade dos alelos em comum entre 
o autor e o investigado, sendo os resultados estatísticos bastante 
confiáveis. Caso não são observados alelos em comum, ocorre uma 
exclusão. No caso em que o possível pai é falecido, é de consenso 
entre Figini e cols (2003) e Jobim et al. (2008), que parte-se para a 
análise dos ascendentes e descendentes do falecido ou exumação 
do corpo. Desta forma, quando no estudo da família ainda é possível 
a análise dos avós paternos, ou na sua ausência, da maior quanti-
dade de filhos e irmãos do investigado, maior é a probabilidade de 
conclusão. 
De acordo com Sampaio et al. (2002), ainda quando se recons-
titui o perfil genético do suposto pai através de parentes de primeiro 
grau, a análise pode resultar inconclusiva.
Em casos de exumação, a análise dos dentes molares e pré-mo-
lares e do osso fêmur devem ser o material de escolha, para que a 
quantidade de material seja suficiente para análise, visto que grande 
parte já pode estar degradada. Em casos de morte recente, Figini e 
cols (2003) afirmam que se pode utilizar qualquer material, preferen-
cialmente músculo, mais os dentes molares e pré-molares e fios de 
cabelo contendo bulbo.
5. CONCLUSÃO
Desta forma, conclui-se que a técnica mais utilizada em testes de 
paternidade é a PCR através da análise dos microssatélites, por ser 
uma técnica mais prática e eficiente. Dentre os materiais disponíveis 
para análise, recomenda-se a utilização de sangue para a extração 
de DNA, e a situação preferencial é aquela que constam os três en-
volvidos no caso, suposto pai, mãe e filho. Os testes de paternidade 
podem ser realizados em laboratórios clínicos quando solicitado por 
meio de um processo jurídico, ou quando solicitado por uma pessoa 
física, nestes casos, com algumas precauções e exigência de docu-
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ALICE KUNZLER - EMANUELLE KERBER VIERA MALLET
mentos comprobatórios de filiação. O teste de paternidade através 
do DNA foi amplamente aceito pelo poder judiciário podendo resol-
ver de forma prática, e talvez precipitada, questões muito comple-
xas. Assim, este teste pode tanto ser utilizado para firmar um laço 
de parentesco, como também para negar laços já existentes, já que 
a certeza genética não significa cumprimento das questões sociais 
dos envolvidos.
6. REFERENCIAS
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FISIOTERAPIA MANIPULATIVA NO TRATAMENTO DA CERVICALGIA
FISIOTERAPIA MANIPULATIVA NO 
TRATAMENTO DA CERVICALGIA
MANIPULATIVE PHYSIOTHERAPY TREATMENT NECK 
PAIN
Marcelo Anderson Bracht1
Armindo Holler2
RESUMO
A dor cervical é uma queixa relaivamente comum e afeta cerca de 70% dos indivíduos em algum momento de suas vidas. 
A coluna cervical é considerada o elo lexível entre o crânio e o tronco. Possui uma função que combina mobilidade e ao 
mesmo tempo estabilidade, dando suporte a cabeça, além de proteção para as estruturas vasculares e nervosas. Por 
ser uma área de grande mobilidade tem uma grande propensão à lesão. Para aingir sucesso em sua intervenção clínica 
o Fisioterapeuta necessita de um amplo entendimento da anatomia funcional e da biomecânica clínica a im de realizar 
uma avaliação precisa e aplicar corretamente as técnicas manipulaivas. Este estudo tem como objeivo descrever a 
anatomia funcional da coluna cervical, o entendimento da cervicalgia e a aplicação da terapia manipulaiva. Foi feita 
uma revisão da literatura em livros, arigos cieníicos e sites relacionados com o assunto. 
Palavras-chave: coluna cervical. Cervicalgia. isioterapia manipulaiva.
ABSTRACT
Cervical pain is a relaively common complaint, afecing about 70% of individuals at some point in their lives. The cervical 
spine is considered a lexible link between the skull and torso. It has a funcion that combines mobility and stability at 
the same ime, supporing his head, and protecion for the vascular and nervous structures. Being anarea of 
great mobility has a high propensity to injury. To achieve success in their clinical intervenion the physiotherapist needs 
a broad understanding of funcional anatomy and biomechanics clinic in order to perform an accurate and correctly 
apply the manipulaive techniques. This study aims to describe the funcional anatomy of the cervical spine,neck of the 
understanding and applicaion of manipulaive therapy. A review of the literature in books, scieniic aricles 
and sites related to the subject.
Keywords: cervical spine, neck and manipulaive physiotherapy.
1. INTRODUÇÃO
A coluna cervical tem como função primordial suportar e orientar 
a cabeça no espaço relativamente ao tórax para servir os sistemas 
sensoriais (JULL et al., 2008). Esta tarefa exige um sistema muscu-
loesquelético complexo a fim de combinar mobilidade e estabilidade. 
A grande mobilidade associada a fatores extrínsecos e intrínsecos 
propiciam a instalação de disfunções na região cervical. 
1 Fisioterapeuta, FURB; Mestre em Fisioterapia, UDESC; Especialista em Fisioterapia Ortopédica, ACE; Aperfeiçoamento em 
Fisioterapia Manipulativa. E-mail: mabracht@gmail.com. 
2 Fisioterapeuta, Mestre em Educação, Professor no curso de Fisioterapia do IESA – Santo Ângelo – RS. E-mail: riegerhol@yahoo.com.
br.
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MARCELO ANDERSON BRACHT - ARMINDO HOLLER
Um número significativo da população é acometido por cervical-
gia e por esse motivo, com freqüência, osFisioterapeutas são con-
frontados com a necessidade de selecionar terapias eficazes para o 
tratamento da disfunção cervical. A Terapia manipulativa vem sendo 
utilizada há longa data no alívio das mais variadas manifestações de 
dor. O estudo é uma revisão bibliográfica das principais estruturas 
da coluna cervical, a sua anatomia funcional e biomecânica com o 
objetivo de contribuir para o entendimento dos efeitos da Fisioterapia 
Manipulativa no tratamento da Cervicalgia.
2. METODOLOGIA
O trabalho consistiu numa revisão bibliográfica sobre a aborda-
gem da Fisioterapia Manipulativa no tratamento da cervicalgia. Foram 
consultadas bases de dados através da Biblioteca Virtual em Saúde 
(BVS) da BIREME, bibliografia atualizada utilizando os descritores: 
“Cervicalgia” and “Terapia Manual” or “Fisioterapia Manipulativa”. 
3. DISCUSSÃO
A região cervical é dotada de grande mobilidade permitindo mo-
vimentos de 45º de flexão e extensão. Flexiona-se lateralmente 45º 
e é capaz de girar aproximadamente 60º (THOMPSON; FLOYD, 
1997). Devido a sua mobilidade a cervical sofre mecanicamente pe-
los esforços a que é submetida no trabalho e na vida diária. Para 
minimizar o impacto é constituída de uma lordose fisiológica de con-
cavidade posterior (SOBOTTA, 2008). Segundo Hoppenfeld (2001), 
a coluna cervical possui as funções de suporte, estabilidade e mobi-
lidade para a cabeça; abriga e conduz a medula espinhal, a artéria 
vertebral e as veias jugulares internas; a cadeia simpática do siste-
ma nervoso autônomo.
A coluna cervical se constitui em duas categorias anatômicas e 
funcionais distintas, ou seja, em coluna cervical superior, suboccipital 
ou atípica (C0,C1, C2) e coluna cervical inferior ou vértebras típicas ( 
C3 a C7) (GOULD, 1993). A coluna cervical superior que é composta 
pelo atlas e áxis, isto é, as duas primeiras vértebras, as quais estão 
unidas entre si, além do occipital, por uma complexa cadeia articu-
lar com três eixos e três graus de liberdade. As demais vértebras 
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FISIOTERAPIA MANIPULATIVA NO TRATAMENTO DA CERVICALGIA
cervicais são todas do mesmo tipo (KAPANDJI, 2000). Segundo o 
mesmo autor, a coluna cervical inferior se estende do platô inferior 
do áxis até o platô superior da primeira vértebra torácica. Possuem 
dois tipos de movimentos: sendo um movimento de flexão - extensão 
e por outro lado movimentos mistos de inclinação - rotação. Fun-
cionalmente as colunas cervical, superior e inferior, trabalham em 
uníssono para realizar movimentos puros de rotação, inclinação ou 
de flexão e extensão da cabeça.
A parte inferior da coluna cervical é caracterizada pelas vértebras 
(C3- C7), cujos processos espinhosos tornam-se progressivamente 
maiores em ordem descendente. A sétima vertebral cervical é deno-
minada proeminente por apresentar o maior processo espinhoso na 
região cervical. Abaixo do áxis cada unidade tem vértebras adjacen-
tes separadas por discos intervertebrais (KAPANDJI, 2000).
O atlas diferencia se das demais vértebras principalmente por 
não apresentar corpo vertebral, por ser um anel mais largo transver-
sal que sagitalmente. Contém duas massas laterais ovaladas com 
uma face articular superior e uma face articular inferior; o arco an-
terior tem por face posterior uma face articular cartilaginosa ovalada 
que se articula com a apófise odontóide do áxis (GOULD, 1993). O 
áxis, por sua vez, apresenta um corpo vertebral cuja face superior 
recebe em seu centro o processo odontóide, que serve de pivô para 
a articulação atlantoaxial. Possui duas faces articulares, que se so-
bressaem lateralmente para fora do corpo vertebral. O arco posterior 
está constituído por duas lâminas estreitas. A apófise espinhosa é 
composta por dois tubérculos como as demais espinhosas cervicais. 
As apófises transversas apresentam um orifício pelo qual ascende à 
artéria vertebral, que leva o sangue oxigenado à região mais nobre 
do corpo que é o cérebro (KAPANDJI, 2000).
Conforme o mesmo autor, a terceira vértebra cervical é seme-
lhante às quatro últimas vértebras cervicais, portanto é uma vértebra 
cervical padrão: possui um corpo vertebral alongado transversalmen-
te, sua face comporta o platô vertebral superior, limitada lateralmente 
pelos processos unciformes. As facetas cervicais estão localizadas 
em pilares articulares pequenos angulados em torno de 45 graus 
obliquamente, posteriormente e inferiormente. O ângulo aumenta 
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nos níveis descendentes e torna-se vertical em C7. A superfície da 
faceta superior é convexa, e a superfície da faceta inferior é cônca-
va. Esta estrutura anatômica das facetas articulares permite os movi-
mentos de flexão, extensão, lateroflexão e rotação (BRUNNSTROM, 
1989).
Entre as vértebras encontram-se os discos intervertebrais que 
são estruturas fibrocartilaginosas consistindo de uma parte periféri-
ca, anel fibroso e de uma parte central, núcleo pulposo. Atua como 
amortecedor elástico que equilibra as pressões transmitidas pelo nú-
cleo pulposo. O conteúdo aquoso diminui progressivamente, com o 
correr da idade. Assim sendo, possuem dupla função para articula-
ção, que permite a flexibilidade da coluna, e age como um amorte-
cedor, prevenindo traumatismos e lesões ósseas. O disco suporta 
e distribui as cargas na coluna vertebral assim como restringe os 
movimentos bruscos. São capazes de suportar forças compressivas, 
bem como forças de torção e curvatura aplicadas sobre a coluna 
(KISNER; COLBY, 2004).
Os ligamentos são estruturas fibrosas não contráteis, que unem 
um osso a outro e promovem estabilidade. Os ligamentos são flexí-
veis, porém não extensíveis, contêm terminações nervosas que são 
importantes nos mecanismos reflexos e na percepção de movimento 
e posição (KENDAL; McCREARY; PROVANCE, 1995). Encontram-
se ao longo de toda a coluna e apresentam um suprimento sanguí-
neo pobre, mas um bom suprimento nervoso (GOULD, 1993).
São de extrema importância, na coluna cervical, os forames in-
tervertebrais, pequenos orifícios, dirigidos anterior, inferior e lateral-
mente que se constituem pelos arcos, corpos e processos articulares 
vertebrais adjacentes. Com exceção das duas primeiras todas as 
raízes cervicais transitam pelos forames intervertebrais. Além disso, 
contem também tecido areolar, pequenas artérias, vênulas e nervos 
(HOPPENFELD, 2002).
Os músculos do pescoço podem ser funcionalmente divididos 
em dois grandes grupos musculares: os anteriores e os posteriores. 
Segundo Knoplich (2003), a maior massa de músculos flexores está 
localizada na região cervical média C4 a C6, onde C5 e C6 são a 
região da cervical inferior que tem o maior grau de movimento e 
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FISIOTERAPIA MANIPULATIVA NO TRATAMENTO DA CERVICALGIA
conseqüentemente sendo a área de maior desgaste mecânico e de 
exposição a traumas. Os músculos escaleno anterior, médio e poste-
rior têm como funções a estabilização da primeira e segunda costela 
durante a respiração e estabilização do pescoço, durante a rotação 
(TEIXEIRA; SOUZA, 2001b).
Através desta breve revisão das principais estruturas anatômicas 
que compõe a coluna cervical percebemos a complexidade e a im-
portância da mesma. Não nos aprofundamos, pois o nosso objetivo 
é fazer uma revisão para um melhor entendimento das estruturas, 
pois as técnicas de terapia manual devem ser aplicadas com preci-
são, caso contrário, não são efetivas. Assim sendo, a seguir faremos 
algumas considerações sobre a cinésiologia e biomecânica da cer-
vical.
O movimento de uma unidade estrutural da coluna em qualquer 
direção causa alguma distorção do disco intervertebral. Tal distorção 
provoca algum alongamento das fibras anulares quando a totalidade 
do disco se deforma, seja em flexão, em extensão, em movimento 
lateral ou em rotação (HOPPENFELD,2001). 
Segundo Edmound (2000), a flexão anterior e posterior são os 
movimentos primários que ocorrem na articulação atlanto-occipital. 
Essa articulação é responsável por 15º de movimento no plano sagi-
tal. O movimento ocorre primariamente através de rolamento do oc-
cipital sobre o atlas. Ocorrem cerca de 10º de flexão anterior e pos-
terior na articulação atlanto-axial. O movimento completo é realizado 
pela coluna cervical inferior. Todas as vértebras cervicais realizam 
os movimentos de flexão, extensão, inclinação lateral e rotação, po-
rém alguns segmentos realizam movimentos maiores do que outros. 
O movimento maior de flexão ocorre na interface C4-C5, ao passo 
que a extensão é razoavelmente bem difundida. Esse fato contribui 
para que a rotação maior ocorra ao nível de C5-C6, já a inclinação é 
maior entre C2-C5 diminuindo á medida que se aproxima da coluna 
torácica. Além disso, o arco do movimento lateral é definido pelos 
planos das fissuras uncovertebrais ou juntas de Luschka (OLIVEIRA; 
OLIVEIRA, 2009). A maior parte do movimento de flexão lateral corre 
na coluna cervical inferior. A flexão lateral excessiva é bloqueada 
pelas articulaões uncovertebrais. A coluna cervical inferior também 
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é responsável por, aproximadamente, 45º de rotação para cada lado 
(EDMOND, 2000).
Durante o movimento de extensão, o corpo da vértebra supraja-
cente se inclina e desliza para trás; o espaço entre os platôs verte-
brais se estreita mais para trás que para diante, o núcleo pulposo se 
desloca levemente para diante e, deste modo, as fibras anteriores 
do anel fibroso entram em tensão. Este movimento de deslizamen-
to para trás do corpo vertebral não realiza ao redor do centro de 
curvatura das faces articulares e, conseqüentemente, aparece uma 
abertura na articulação interapofisária. O movimento de extensão é 
limitado pela tensão de ligamento vertebral comum anterior e pelos 
ressaltos ósseos (KAPANDJI, 2000).
O movimento da coluna cervical inferior é guiado pelas facetas 
articulares, que formam um ângulo de 45 graus ventralmente a partir 
do plano frontal. Devido a essa angulação, a flexão anterior ocorre 
quando a faceta caudal da vértebra mais cranial desliza para cima e 
para frente sobre a faceta cranial da vértebra caudal. A angulação 
oblíqua das facetas articulares também produz uma translação ven-
tral da vértebra mais cranial com flexão anterior, e o inverso, uma 
translação dorsal da vértebra mais cranial com a flexão posterior 
(EDMOND, 2000). Com a flexão de um segmento vertebral, a porção 
anterior do disco é comprimida e a posterior é liberada. O núcleo pul-
poso é deslocado posteriormente, potencialmente para redistribuir a 
carga através do disco. Cargas assimétricas em flexão resultam em 
distorções do núcleo em direção ao canto contralateral póstero-late-
ral onde as fibras do anel estão mais alongadas (KISNER; COLBY, 
2004). 
O movimento de flexão não é limitado pelos ressaltos ósseos, 
mas somente pelas tensões ligamentares do ligamento vertebral co-
mum posterior (ligamento longitudinal posterior), da cápsula da ar-
ticulação interapofisária, dos ligamentos amarelos, dos ligamentos 
interespinhais e do ligamento supra-espinhal ou ligamento cervical 
posterior (HAMILL; KNUTZEN, 1999). Na inclinação, ocorre a imbri-
cação homolateral, deslocamento discal contralateral, deslizamento 
da vértebra superior, porém este movimento limita-se pela cápsula 
contralateral, ligamento intertransverso, processos unciformes e pe-
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FISIOTERAPIA MANIPULATIVA NO TRATAMENTO DA CERVICALGIA
las facetas articulares. Na rotação, assim como na inclinação, ocorre 
a imbricação e inclinação homolateral. O movimento é bloqueado 
por facetas articulares, cápsulas homolaterais, ligamento intertrans-
verso contra-lateral e por tecidos moles (FERRETTI, 2006). 
Além destes movimentos, temos os conjugados de inclinação e 
de rotação na coluna cervical inferior que estão determinados pela 
orientação das faces das apófises articulares, que não permitem 
nem movimentos de rotação pura, nem movimentos de inclinação 
pura (KNOPLICH, 2003). 
Para um melhor entendimento dos movimentos Fryette descre-
veu duas leis que afirmam: na primeira lei quando uma vértebra ou 
um grupo de vértebras está em posição neutra das facetas, para 
realizar uma rotação de um lado, a vértebra ou grupo de vértebras 
é obrigada a realizar primeiro uma látero flexão do lado oposto; a 
segunda lei quando uma vértebra ou um grupo de vértebras encon-
tra-se em estado de flexão ou extensão para formar uma látero-fle-
xão de um lado, esta vértebra ou este grupo vertebral é obrigado a 
realizar primeiro uma rotação do mesmo lado (MAKOFSKY, 2006). 
Depois desta breve revisão da anotomia e biomecânica da cervi-
cal passamos para o entendimento de uma das principais patologias 
desta região que é a cervicalgia. Caracteriza-se pela dor ao nível da 
coluna cervical alta, sendo aí incluída a cefaléia da nuca. Quando 
a dor dessa região se irradia para ombro, braço e mão passam a 
denominar-se cervicobraquialgia, admitindo-se que o plexo braquial 
formado das terminações C2 a C8 tenha sido afetado (KNOPLICH, 
1986).
Pesquisa epidemiológica Internacional sugere que 40% da po-
pulação sofrerão de dor cervical em qualquer ano com um ponto de 
prevalência entre 10 e 20% (FEJER, 2006).
A cervicalgia tende a se tornar persistente e recorrente em mais 
de 60% das pessoas que podem esperar algum grau of OINGOING 
dor por muitos anos após o primeiro episódio (GORE, 1987). Se-
gundo Teixeira et al.(2001), a dor cervical é uma das condições ál-
gicas mais prevalentes na prática médica, acomete, acometeu ou 
acometerá 55% da população em algum momento da vida. Estima-
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se que 12% das mulheres e 9% dos homens apresentam cervicalgia 
crônica. São mais propensos a desenvolvê-la os idosos, trabalhado-
res braçais, indivíduos tensos ou que executem atividade adotando 
vícios posturais. Ferretti (2006) em seu estudo afirma que 15% da 
população sofrem dor cervical e 43% dessa população são enca-
minhados para tratamento fisioterápico. Segundo o mesmo autor a 
patologia é uma das queixas mais comuns no cotidiano da clínica de 
fisioterapia e tem sido observada em 25% das pessoas entre 25 a 29 
anos de idade, mas essa proporção aumenta para 50% da popula-
ção acima de 45 anos de idade.
A origem da cervicalgia pode estar ligada a transtornos endócri-
nos, metabólicos, vasculares, disfunção dos condrócitos, perturba-
ção da fibra colágena da cartilagem, aumento da tensão muscular 
e microtraumatismo. Processos degenerativos como espondilite an-
quilosante, artrose da coluna vertebral, também alterações mecâ-
nicas como hérnia discal, espondilolistese cervical, infecções ósse-
as, deformidades, tumores benignos e malignos, posturas viciosas, 
desvios das posições das vértebras, má postura, posições forçadas 
e tensão emocional (KNOPLICH, 1986). Na região cervical, encon-
tram-se localizadas parte da estrutura do esôfago, a laringe, a glân-
dula tireóide, a traquéia, as artérias carótidas e vertebrais e as veias 
jugulares, que também podem ser causa de dor, quando acometidas 
por afecções de natureza variada (TEIXEIRA et al., 2001). O esta-
do emocional do paciente tem uma influência significativa sobre o 
pescoço tanto em sua curvatura como em relação ao centro de gra-
vidade. Por exemplo, a postura do ombro caído no indivíduo deprimi-
do é compensada com o aumento do tônus muscular para mantê-lo 
excentricamente. A pessoa hostil e agressiva geralmente centraliza 
suas tensões nos músculos cervicais (HERBERT et al., 1995). Deve 
se considerar também a dor isquêmica e muscular em conseqüência 
da falta de oxigênio acumulando catabólitos irritantes.Este quadro 
desencadeia um processo inflamatório dos tecidos que finalmente 
conduz a reação fibrosa dentro dos músculos e tecidos contíguos. 
Desta forma fechando um ciclo que produz a dor e a incapacidade 
(KENDAL; McCREARY; PROVANCE, 1995).
Portanto a cervicalgia pode ter várias causas como traumas re-
petitivos, secundários a erros posturais ou ergonômicos da coluna 
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FISIOTERAPIA MANIPULATIVA NO TRATAMENTO DA CERVICALGIA
cervical ou ainda ser uma sintomatologia secundária que pode ser 
por alterações do forame intervertebral, do canal vertebral ou arté-
rias vertebrais ou por problemas viscerais. Porém na grande maio-
ria dos pacientes a dor é desencadeada não pelas artropatias ou 
discopatias, mas sim por comprometimento de síndrome dolorosa 
miofacial da musculatura cervical e da cintura escapular, que é uma 
afecção álgica do aparelho locomotor, que acomete músculos, ten-
dões, fáscias e ligamentos e é caracterizada por dor e aumento de 
tensão dos músculos afetados (FERRETTI, 2006). Esta idéia tam-
bém é reforçada por Teixeira et al. (2001) afirmando que a síndrome 
dolorosa miofascial é a causa mais comum da cervicalgia crônica. 
Porém em alguns casos constitui um fator revelador de uma doença 
local, regional ou sistêmica mais grave.
O resultado final das patologias é a sensação de dor denominada 
de cervicalgia por se manifestar nesta região do corpo. A dor é um 
estado de consciência com um componente afetivo desagradável e 
que desempenha um papel de proteção para o organismo. Portan-
to a dor tem um valor fundamental, pois alerta o indivíduo sobre a 
ocorrência de alguma forma de lesão orgânica instalada ou em vias 
de instalar-se (TEIXEIRA et al, 2001a). O conceito de dor, do comi-
tê de taxonomia da International Association for the Study of Pain 
(IASP), como experiência sensorial e emocional desagradável, que 
é associada ou descrita em termos de lesões teciduais. A dor é sem-
pre subjetiva. Cada indivíduo utiliza a palavra dor de acordo com o 
aprendizado frente a suas experiências prévias. “É uma sensação 
desagradável localizada em uma parte do corpo; constitui adicional-
mente uma experiência emocional” (TEIXEIRA et al., 2001a, p.14).
A dor pode ser classificada como superficial, profunda, visceral, 
central e psicogênicas. Mas também pode ser classificada confor-
me duração como dor aguda ou crônica (FERRETTI, 2006). A dor 
também se manifesta de diferentes formas dependendo o órgão ou 
tecido acometido. Este entendimento é importante para auxiliar na 
avaliação e diagnóstico da lesão.
Assim sendo, descreveremos as características da dor cervical 
nos diferentes tecidos. A dor óssea é precisa, centrada sobre a vér-
tebra danificada. É uma dor surda, contínua e aumenta com os mo-
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vimentos. A dor discal é aguda, se manifesta quando o peso do 
corpo é colocado sobre o disco intervertebral danificado. Aumenta 
com a anteflexão que provoca a retropulsão discal, e tenciona o liga-
mento longitudinal posterior ricamente inervado. A dor aparece ime-
diatamente, sem tempo de latência. Ao nível cervical esta dor pode 
ampliar-se com esforços, pois aumenta a pressão intrameníngea. 
A dor ligamentar aparece quando uma postura é mantida durante 
muito tempo. Não se manifesta de forma imediata, aparece ao final 
de amplitudes articulares. É descrita quase sempre como uma sen-
sação de queimação (FERRETTI, 2006). Para o mesmo autor, a dor 
muscular manifesta-se com os movimentos e está relacionada com 
a contração muscular. O movimento doloroso indica músculo lesado. 
O movimento oposto, que coloca em tensão o músculo, é respon-
sável por um rebote causado por um espasmo muscular. A dor é 
do tipo isquêmica, é surda, difusa e se intensifica com a contração 
isométrica. A dor nervosa ou dor radicular é do tipo filiforme, poden-
do o paciente indicar o trajeto da mesma. É intensificada com certos 
movimentos, e na maioria das vezes, pelo apoio sobre o processo 
transverso da vértebra implicada (FERRETTI, 2006).
Outro ponto fundamental é a avaliação do doente com cervicalgia, 
para que possamos determinar com precisão as estruturas acometi-
das para então eleger a técnica adequada e aplicá-la com eficiência. 
Os principais pontos a serem contemplados no exame clínico são: 
dados da história, antecedentes individuais e familiares, hábitos, am-
biente de trabalho, padrão de sono, uso de medicamentos e o exame 
físico incluindo aparelho locomotor e do sistema nervoso. Também 
deve ser observado a localização, intensidade, distribuição, irradia-
ção, fatores de melhora e de piora da dor, dentre outros aspectos. 
O exame físico deve incluir a inspeção e a palpação das estruturas 
cervicais, das vísceras e dos músculos, a percussão das apófises 
espinhosas, a movimentação passiva e ativa do pescoço. Avaliar a 
dinâmica e a arquitetura da região cervical em relação ao resto do 
corpo. Examinar a sensibilidade superficial e profunda, a motricidade 
voluntária, automática, involuntária e reflexa. A avaliação da coor-
denação dos movimentos e das anormalidades neurovegetativas e 
tróficas é fundamental para aferir ocorrência de neuropatias. Além de 
exames laboratoriais visando esclarecer dúvidas (TEIXEIRA; SOU-
ZA, 2001b).
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FISIOTERAPIA MANIPULATIVA NO TRATAMENTO DA CERVICALGIA
Uma das técnicas de tratamento é a terapia manual. O termo 
terapia manual pode referir-se a diferentes métodos de tratamen-
to na fisioterapia abrangendo a mobilização, manipulação, massa-
gem, tração, alongamento entre outras (LADEIRA, 2007). Conforme 
o mesmo autor a origem da Terapia Manual vem da Grécia Antiga. A 
manipulação articular faz parte da medicina desde o conhecimento 
de seu relato histórico, pois há evidências de que técnicas manuais 
eram utilizadas na Tailândia em 2000 a.C. bem como no Egito Antigo 
(EDMOND, 2000). Por um período a terapia manual perdeu força, 
porém sua prática voltou nas últimas décadas e atualmente é um 
grande auxílio da medicina (MAKOFSKY, 2006). Esta aceitação mé-
dica se deu em razão dos resultados satisfatórios quando de sua uti-
lização científica no tratamento de disfunções músculo-esqueléticas. 
Este sucesso pode ser observado na United States Clinical Practice 
Guideline, Acute Low Back Problems in Adults, um guia publicado 
por um painel de especialistas e pesquisadores do governo ameri-
cano, o qual recomenda o uso de terapia manual (LADEIRA, 2007).
Segundo Ladeira (2007), o termo terapia manual refere-se aos 
diferentes métodos de tratamento utilizados na fisioterapia como a 
mobilização e manipulação articular, massagem do tecido conectivo, 
massagem de fricção transversa, entre outras. Mobilização e mani-
pulação articular são métodos conservativos de tratamento de dor, 
restrição de amplitude de movimento articular e outras disfunções 
de movimento do sistema músculo-esquelético. Alguns profissionais 
definem de forma mais limitada a manipulação articular como sendo 
uma técnica específica na qual a cápsula articular é alongada por 
meio de uma manobra brusca na articulação. Edmond (2000), tem 
uma definição mais abrangente de manipulação ao afirmar em seu 
livro que “essa definição é tão ampla que permite incluir qualquer 
técnica manual aplicada à articulação em uma disfunção que movi-
mente as duas superfícies, uma em relação à outra”. Portanto não 
faz uma diferenciação entre mobilização e manipulação.
Ladeira (2007) diferencia mobilização e manipulação. Segundo o 
autor, mobilização “refere-se a movimentos passivos acessórios de 
jogo articular executados gentilmente em baixa velocidade pelo tera-
peuta”, enquanto que manipulação “refere-se à execução de movi-
mentos acessórios de jogo articular executados em alta velocidade”. 
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Este último entendimento está baseado na definição de Maitland et 
al. (2003). Segundo o mesmo autor, a palavra manipulação pode ser 
usada de várias formas e esclarece estas duas definições. O termo 
manipulação pode ser utilizado de forma mais abrangente como ci-
tado por Edmond “ou pode ser visto, mais especificamente, como 
uma técnica de manipulação forçada, realizada com velocidade” 
(MAITLAND et al., 2003). A alta velocidade de aplicação de técnicas 
de manipulação não permite que o paciente tenha controle da execu-
ção das mesmas. Quando realizadas com movimentos passivos de 
tal forma que podem ser evitadas pelo paciente são definidas como 
mobilização (MAITLAND et al., 2003). 
Existem dois tipos de movimentos passivos que podem ser exe-
cutados por terapeutas: movimentos acessórios e movimentos fisio-
lógicos. Os movimentos fisiológicos realizados ativamente sem au-
xílio são: extensão, flexão, rotação, adução, abdução, pronação e 
supinação. Movimentos acessórios podem apenas ser executados 
pelo terapeuta. Os movimentos acessórios são: aproximação, se-
paração, deslizamento, rolamento e girar (MAITLAND et al., 2003). 
Qualquer um destes movimentos pode ser realizado em baixa ou 
alta velocidade, gentil ou vigorosamente, em grandes ou pequenas 
amplitudes e mesmo assim serem denominados de movimentos 
passivos (MAITLAND et al., 2003).
Na mobilização há dois tipos: movimentos passivos oscilatórios 
e os movimentos passivos em estiramento sustentado. Os movimen-
tos passivos oscilatórios podem ser realizados de forma vagarosa, 
rapidamente, suavemente ou em staccato. Estes movimentos podem 
ser realizados enquanto a articulação estiver tracionada ou compri-
mida. Os movimentos passivos em estiramento são realizados no 
limite do arco de movimento com oscilações de pequena amplitude 
(MAITLAND et al., 2003). 
Os movimentos acessórios dividem-se em composto e jogo ar-
ticular. Movimento de jogo articular ocorre como resultado de uma 
força externa aplicada nas articulações. O movimento de jogo articu-
lar pode ser utilizado tanto para o tratamento quanto para a avalia-
ção. Movimentos compostos, ao contrário de movimentos acessó-
rios de jogo articular ocorrem involuntariamente como resultado de 
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FISIOTERAPIA MANIPULATIVA NO TRATAMENTO DA CERVICALGIA
movimentos ativos executados pelo próprio paciente. Movimentos 
acessórios compostos são essenciais para movimentos fisiológicos 
ocorrerem sem anomalias (LADEIRA, 2007). Quando a ADM de um 
movimento acessório estiver limitada, o movimento fisiológico asso-
ciado a este movimento acessório também estará limitada. Da mes-
ma forma, quando o movimento acessório tiver uma ADM excessiva 
e a articulação não tiver um bom controle muscular, o movimento 
fisiológico da mesma será disfuncional. Somente movimentos aces-
sórios limitados requerem alongamento, os movimentos acessórios 
excessivos requerem exercícios de estabilização (LADEIRA, 2007).
A artrocinemática é a área da cinemática que investiga os movi-
mentos acessórios que ocorrem entre superfícies articulares durante 
movimentos fisiológicos. Os terapeutas manuais estão particular-
mente interessados nos movimentos artrocinemáticos de deslize e o 
rolar. A direção do deslize vai depender do formato da superfície ar-
ticular: côncava ou convexa. Se a superfície articular em movimento 
for convexa, o deslizamento vai sempre ocorrer na direção oposta de 
movimento da diáfise do osso. Se a superfície em movimento for 
côncava, o deslize vai sempre ocorrer na direção de movimento da 
diáfise do osso, a lei do côncavo e convexo (LADEIRA, 2007). 
Esta alteração do espaço intra-articular durante movimentos de 
separação e aproximação é importante para que movimentos fisio-
lógicos ocorram sem anomalias. “A perda do jogo articular resultará 
Figura 1 – Manipulação Cervical Alta - C1/C2 – “Chin Hold”
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em dor articular e espasmo da musculatura circunvizinha” (OLIVEI-
RA; OLIVEIRA, 2009, p. 40). Fisioterapeutas devem entender cada 
tipo de articulação sinovial que eles pretendem aplicar técnicas de 
mobilização, porque cada articulação sinovial pode requerer uma 
técnica diferente de tratamento (LADEIRA, 2007).
A perda de movimento acessório pode ocorrer gradualmente 
após um trauma físico, após um período de imobilização, ou após 
um desuso articular prolongado. Geralmente está associada com 
o encurtamento de estruturas periarticulares (LADEIRA, 2007). No 
momento em que uma articulação encontra-se hipomóvel, ou seja, 
a mesma mantém-se temporariamente impedida de realizar sua fun-
ção de movimento normalmente, outra articulação irá executar um 
movimento compensatório provocando geralmente uma hipermobili-
dade na mesma a fim de manter as atividades habituais do organis-
mo (OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2009). Assim sendo, o objetivo mecânico 
principal da terapia manual é restaurar movimentos acessórios limi-
tados e prevenir as complicações associadas com o desuso articular 
(LADEIRA, 2007).
Antes da aplicação de qualquer técnica de terapia manual o te-
rapeuta deve fazer uma minuciosa avaliação. Edmond (2009) re-
comenda que é importante que o profissional avalie se há oclusão 
potencial da artéria vertebral antes de continuar com algumas das 
técnicas descritas para a coluna cervical que envolva movimento do 
pescoço. Indagar o paciente sobre qualquer sintoma que sugira pro-
blemas da artéria vertebral como tontura ou vertigem com a posição 
da cabeça (MAITLAND et al., 2003). “O fisioterapeuta deve rodar 
gentilmente o pescoço do paciente, em ambas as direções e manter 
cada posição por alguns segundos, para estar certo de que isto não 
produz sintomas” (MAITLAND et al., 2003, p. 17). Segundo o mesmo 
autor, os principais sintomas no teste da artéria vertebrobasilar são: 
parestesia facial, diplopia, embaçamento da visão, náuseas, vômi-
tos, tremores e nistagmo. 
As técnicas fisioterápicas de manipulação só têm valor, como for-
ma de tratamento, se forem acompanhadas de uma avaliação conti-
nua bem apurada. A escolha correta da direção do grau, da velocida-
de, do ritmo e da duração das técnicas deverá ser feita de maneira 
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FISIOTERAPIA MANIPULATIVA NO TRATAMENTO DA CERVICALGIA
correta. A avaliação é constante, isto é, realizada antes, durante e 
depois de cada técnica. “A avaliação continuada que envolve a ava-
liação das mudanças, nos sintomas do paciente e nos sinais (...) que 
acontecem como resultado de técnica(s) de tratamento” (MAITLAND 
et al., 2003, p. 4). Segundo o mesmo autor o tratamento por ma-
nipulação pode ser dividido em quatro principais partes que são: o 
exame do paciente, modo de planejamento, técnicas de tratamento 
e avaliação continuada. 
As técnicas são discutidas segundo a sua importância, porém 
nunca serão definitivas. Não existe técnica ou grupo de técnicas 
invariável, por isso não existe lugar para o dogmático, o terapeuta 
deve sempre estar aberto. Mesmo que haja técnicas básicas que 
devem ser ensinadas, o pressuposto é que o terapeuta seja tão eclé-
tico que possa modificar suas técnicas, até que tenha alcançado seu 
objetivo. As técnicas de tratamento devem incluir todos os movimen-
tos possíveis da articulação, movimentos fisiológicos, movimentos 
acessórios e todas as possibilidades de movimentos combinados. 
“Basicamente, o ‘conceito’ demanda conhecer como relacionar o rit-
mo, a velocidade, a posição no espaço, a amplitude e a tensão da 
técnica a ser utilizada” (MAITLAND et al., 2003).
Segundo Jull et al. (2008) possivelmente o maior benefício deri-
vado dos procedimentos de terapia manipulativa seja o seu efeito 
na dor.
Giona (2003) aplicou uma combinação de técnicas de deslize e 
separação no tratamento de contraturas periarticularesna muscula-
tura posterior da cervical em pacientes com cefaléia tensional. Com 
o trabalho percebeu que a fisioterapia com a terapia manual pode 
ser eficaz no tratamento da patologia tanto de forma coadjuvante 
como opção única no tratamento. 
Em um estudo randomizado e controlado realizado por Jull 
(2001) demonstrou-se a eficácia clínica da terapia manual para as 
disfunções cervicais. Este estudo comparou um programa específico 
de exercícios de estabilização, terapia manual e terapia manual com 
exercícios em pacientes com cefaléia cervicogênica. A autora cons-
tatou uma redução significante da cefaléia no grupo terapia manual e 
exercícios, sendo que os resultados foram mantidos após 12 meses.
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Oliveira e Oliveira (2009) utilizou a manipulação cervical a fim 
de observar a variação da amplitude de movimento, analisar a cor-
relação entre o lado dominante e o lado acometido e a diminuição 
da sintomatologia dolorosa. Observou-se redução significativa no 
quadro álgico e ganho na ADM. Portanto, uma correção articular “fei-
ta em qualquer parte da coluna, ou em qualquer lugar do sistema 
esqueletal tem influência no sistema neuromúsculoesqueletal total” 
(OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2009, p. 41). Também Wright (apud DEEG, 
2009) fez uma revisão na literatura sobre a terapia de mobilização 
e seus efeitos neurofisiológicos em pacientes com cervicalgia e epi-
condilalgia lateral e encontrou fortes evidências para uma analge-
sia provocada pela terapia manual que ocorre após a manipulação. 
Deeg (2009), investigou os efeitos da técnica de deslizamento lateral 
cervical no segmento C5/C6 sobre a percepção da dor e na função 
autonômica. No estudo encontraram uma forte correlação entre o 
efeito analgésico e simpatoexcitação. 
Esta mesma teoria também é coroborada por Marinzeck (2001), 
segundo o autor após a aplicação da Terapia Manipulativa Espinhal 
existe uma produção de analgesia e simpatoexcitação, mesmo que 
os mecanismos pelos quais isso acontece ainda não são totalmente 
compreendidos. O argumento aceito é que a analgesia induzida pela 
manipulação é uma resposta neurofisiológica específica ao estímulo 
“produzido pelos sistemas descendentes inibitórios da dor, com um 
papel principal provido pela coluna lateral da substância periaquedu-
tal cinza”. Conforme o autor, diversos realizados com animais medi-
ram mudanças na atividade do sistema nervoso simpático periférico 
e central após a terapia manipulativa espinhal. 
Segundo Jull et al. (2008) possivelmente o maior benefício de-
rivado dos procedimentos de terapia manipulativa seja o seu efei-
to na dor. Em uma revisão sobre a manipulação e mobilização no 
tratamento de desordens mecânicas cervicais demonstrou-se que a 
terapia manipulativa pode reduzir a dor cervical, embora um melhor 
resultado seja alcançado quando a terapia é combinada com o exer-
cício (GROSS et al, 2004).
Benassi et al. (2010) realizaram um estudo com pacientes que 
apresentavam cervicalgia aplicando a terapia manual, onde foi pos-
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FISIOTERAPIA MANIPULATIVA NO TRATAMENTO DA CERVICALGIA
sível atingir resultados positivos entre 80 e 100% logo após o estudo, 
constatando a diminuição da tensão muscular, da algia e o ganho de 
amplitude de movimento. 
Também Ferretti (2006), realizou um estudo com tratamento de 
“pompage” cervical associado a alongamentos cervicais e de cintura 
escapular associado a ondas curtas e obteve resultados mais favo-
ráveis o paciente que associou a terapia manual. Natali (2004) fez 
um estudo comparativo aplicando técnicas de Terapia Manual e de 
RPG, analisando os dados obtidos constatou que as técnicas mani-
pulativas promovem um ganho maior na diminuição da dor e melhora 
da flexão ativa. Constatou-se a redução do quadro doloroso e evo-
lução das amplitudes de movimento tanto da coluna cervical, quanto 
do membro superior sintomático. 
4. CONCLUSÃO
Através deste estudo percebemos o grande número de estrutu-
ras envolvidas na coluna cervical as quais possibilitam os diversos 
movimentos dessa região com o objetivo de dar suporte ao crânio. 
Um número significativo da população é acometido com cervicalgia 
em algum momento da vida. Um dos fatores causais é a grande 
quantidade de movimento da região cervical o que gera uma grande 
propensão de lesão.
Com base na bibliografia consultada constatou-se que terapia 
manipulativa é uma das possíveis alternativas no tratamento da cer-
vicalgia caracterizando-se como uma das ferramentas da fisioterapia 
no controle da dor. A Terapia Manipulativa é uma técnica de ação 
direta que trabalha com o objetivo de melhorar a amplitude de mo-
vimento fisiológico e acessório, reduzindo a dor e tensão muscular 
em pacientes que apresentam o quadro de cervicalgia. Consideran-
do que cada indivíduo possui diversos fatores causais e respondem 
de maneira diferenciada ao tratamento é necessária uma avaliação 
constante dos sinais e sintomas a fim de nos certificarmos da efi-
cácia das técnicas manipulativas. Tendo em vista os estudos que 
demonstram a eficácia da Fisioterapia Manipulativa no tratamento da 
cervicalgia, sugere-se que as técnicas de manipulação e mobiliza-
ção sejam inseridas dentro dos currículos acadêmicos de Fisiotera-
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MARCELO ANDERSON BRACHT - ARMINDO HOLLER
pia aumentando a gama de ferramentas de trabalho para os futuros 
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MARCELO ANDERSON BRACHT - ARMINDO HOLLER
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75 
A RELAÇÃO DA EPIGENÉTICA NA GÊNESE TUMORAL
A RELAÇÃO DA EPIGENÉTICA NA 
GÊNESE TUMORAL
THE RELATIONSHIP OF TUMOR EPIGENETIC IN 
GENESIS
Günther de Menezes Sott1
Matias Nunes Frizzo2
RESUMO
Devido a elevada mortalidade e o alto custo que envolve o diagnosico e tratamento do câncer, é necessário a 
adoção de novas técnicas para diagnosico e tratamento dos tumores. Frente a esse problema surge a aplicação da 
epigenéica, que é o estudo de todas as mudanças reversíveis e herdáveis no genoma que não alteram a sequência 
de nucleoídeos do DNA. Objeivos: Avaliar a relação existente entre a epigenéica e a gênese tumoral, levando em 
consideração dados estaísicos sobre a inluencia de Hipermeilações e hipomeilações na tumorigênese. Método: 
Foi realizado um levantamento de produções na base de dados eletrônica PubMed, e de 90 arigos selecionados, 25 
foram escolhidos para a presente revisão integraiva baseada na relevância estaísica e apresentação de maior numero 
de genes. Resultados: Notou-se que a origem do câncer, bem como a metástase, apresentam ligações diretas com 
a meilação do DNA, seja ela como fator desencadeante para alterações genéicas, ou, seus efeitos, como resultado 
inal de alterações epigenéicas, como silenciamento ou superexpressão. As alterações epigenéicas aparecem mais 
cedo do que as genéicas, e esse fato altera a idéia de que todos os tumores surgem de mutações genéicas e colocam 
as modiicações epigenéicas como as possíveis alterações seminais para a iniciação do tumor. Conclusão: O trabalho 
mostrou que ainda há importantes lacunas à cerca da epigenéica que devem ser esclarecidas para que se tenha um 
conhecimento mais amplo da dos processos biomoleculares envolvidos na tumorigênese.
Palavras-chave: Epigenéica; Gênese tumoral; Câncer; Meilação do DNA; Aceilação da Histona.
ABSTRACT
Introducion: Due to high mortality and high cost involved in the diagnosis and treatment of cancer, it is necessary to 
adopt new techniques for diagnosis and treatment of tumors. Faced with this issue comes the applicaion of epigeneics, 
which is the study of all reversible heritable changes in the genome that do not alter the nucleoide sequence of DNA. 
Objecives: Assess the relaionship between epigeneics and tumor genesis, rise into account staisical data on the 
inluence of Hipermeilações hipomeilações and in tumorigenesis. Method: We conducted a survey of producion 
in the electronic database PubMed, and selected 90 aricles, 25 were chosen for this integraive review based on the 
staisical relevance and presentaion of a greater number of genes. Results: It was noted that the origin of cancer and 
metastasis, have direct links with DNA methylaion, whether as a triggering factor for geneic alteraions, or its efects, 
as the inal result of epigeneic changes, such as silencing or overexpression . Epigeneic changes appear earlier than 
geneic ones, and this fact changes the idea that all tumors arise from geneic mutaions and epigeneic modiicaions 
pose as the seminal possible changes for the iniiaion of the tumor. Conclusion: The study showed that there are 
sill important gaps in the fence of epigeneics to be clariied in order to have a broader knowledge of the molecular 
processes involved in tumorigenesis. 
Keywords: Epigeneics; Genesis tumor, cancer, DNA methylaion, histone acetylaion.
1 Biomédico com Habilitação em Análises Clínicas pelo Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo- CNEC/IESA. Enviar 
correspondência E-mail: gunthersott@hotmail.com São Luiz Gonzaga, RS, Brasil. CEP: 97800000.2 Mestre em Biologia Celular e Molecular na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, Professor do curso de 
Biomedicina, Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo CNEC-IESA, Santo Ângelo, RS, Brasil. CEP 98801-015. Enviar 
correspondência E-mail: mnfrizzo@hotmail.com.
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GÜNTHER DE MENEZES SOTT - MATIAS NUNES FRIZZO
1. INTRODUÇÃO
Segundo a American Cancer Socciety (ACS) o câncer é um gru-
po de doenças caracterizadas por crescimento celular descontrolado 
que tem como causa tanto fatores endógenos como estado imune e 
alterações genéticas, quanto exógenos, que compreendem desde 
substâncias químicas, tabagismo, radiação entre outros (GARCIA, 
2007). 
Estima-se que uma a cada oito mortes ocorridas no mundo seja 
causada por algum tipo de câncer, isso significa que o câncer mata 
mais pessoas do que a AIDS, Tuberculose e Malária juntos. Nos 
países com economia desenvolvida ele é a segunda maior causa de 
mortalidade, logo atrás de doenças coronarianas e está em terceiro 
nos países com economia subdesenvolvida, superado pelas mes-
mas doenças coronarianas e diarréia (GARCIA et al., 2007). 
No Brasil, o câncer foi responsável por 17% dos óbitos com cau-
sa conhecida em 2007, atingindo o segundo lugar em mortalidade 
naquele ano.Para os anos de 2010 e 2011 a projeção é de que se-
jam diagnosticados 489.270 pacientes com câncer, sendo desses 
236.240 casos novos para o sexo masculino e 253.030 para sexo 
feminino (BRASIL, 2009).
Segundo dados do DATASUS, somente no intervalo de 2001 à 
2005 o Brasil gastou cerca de 4,35 bilhões de reais em procedimen-
tos cirúrgicos, radio e quimioterápicos com pacientes portadores de 
câncer, excluindo-se aqui os demais gastos gerados com o diagnós-
tico, medicação e atividades indiretas (BRASIL, 2006).
Devido a essa elevada mortalidade e o alto custo que envolve 
o diagnostico e tratamento do câncer é necessário à adoção de no-
vas técnicas para diagnostico e tratamento dos tumores. Frente a 
esse problema surge a aplicação da epigenética, que é o estudo 
de todas as mudanças reversíveis e herdáveis no genoma que não 
alteram a sequência de nucleotídeos do DNA. Essas alterações se 
dão por mecanismos físicos, comoo estiramento ou a compactação 
da cromatina, possibilitando ou evitando a transcrição, assim como 
por maneiras químicas que compreendem a adição ou subtração de 
radicais metil em sítios genômicos próximos de regiões promotoras 
que respectivamente silenciam ou ativam genes (ESTELLER, 2007).
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A RELAÇÃO DA EPIGENÉTICA NA GÊNESE TUMORAL
Alguns estudos comprovam que na maioria dos tumores os me-
canismos epigenéticos estão inseridos na fase inicial do processo 
de alteração celular, comumente afetando supressores tumorais, ge-
nes que estimulam o ciclo celular, apoptose entre outros (JONES; 
BAYLIN, 2002).
Quanto mais cedo se descobre os distúrbios celulares, as chan-
ces de cura aumentam, principalmente quando esses distúrbios são 
causados por alterações epigenéticas, já que seus mecanismos, ao 
contrario das mutações, são totalmente reversíveis (MANOHARAN 
et al., 2007).
Dessa forma, estudos que avaliam a relação entre a epigenéti-
ca e a gênese tumoral são de grande relevância visto que o câncer 
é uma doença prevalente, e a necessidade do esclarecimento dos 
mecanismos moleculares que acarretam sua formação é vital para a 
objetividade e antecipação do tratamento. O presente trabalho tem 
como objetivo avaliar a relação entre os fenômenos epigenéticos e a 
gênese tumoral.
2. MATERIAL E MÉTODO
Trata-se de uma revisão sistemática da literatura. Para tanto, foi 
realizada busca eletrônica na base de dados PubMed (http://www.
ncbi.nlm.nih.gov/sites/entrez/) entre Março e Agosto de 2010, utili-
zando os descritores: epigenetic, methylation, cancer. 
A busca primaria foi feita com os descritores isolados, afim da 
obtenção de informações acerca de cada assunto. Após isso, foram 
cruzadas as três palavras-chave, sendo encontrados 594 artigos pu-
blicados no espaço de 1990 a 2010.
Desses, 90 artigos foram selecionados para leitura analítica, nos 
quais se empregou os critérios de elegibilidade: contemplar o maior 
número possível de proto-oncogenes e supressores tumorais envol-
vidos no estudo; apresentar variados tipos de neoplasias relaciona-
das com as epimutações. Já os critérios exclusivos foram: pesquisas 
com linhagens celulares e animais e demais artigos que não orbita-
vam no objetivo geral desse trabalho.
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GÜNTHER DE MENEZES SOTT - MATIAS NUNES FRIZZO
Assim, ao final da busca, 34 publicações foram selecionadas 
para compor este artigo.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1. Epigenética
Estamos acostumados com a idéia de que o potencial codifica-
dor do genoma está restrito apenas ao arranjo de quatro bases ni-
trogenadas: Adenina, Timina, Citosina e Guanina. Entretanto tem 
se descoberto alguns mecanismos adicionais que interagem com o 
genótipo de forma flexível e que tem o poder de alterar o fenótipo 
sem causar qualquer tipo de mutação ou alteração na sequência já 
estabelecida do DNA (DIMITRIJEVIC, 2005).
Esses mecanismos foram agrupados em uma nova área de es-
tudo da Biologia Molecular denominada Epigenética, palavra que 
descende do Grego e significa ‘’Sobre a genética’’.Os dois principais 
mecanismos epigenéticos conhecidos são a metilação do DNA, no 
qual ocorre uma modificação química covalente na base nitrogenada 
citosina e a acetilação da Histona, uma proteína responsável pelo 
enovelamento do DNA (DIMITRIJEVIC, 2005; MANOHARAN et al., 
2007).
A metilação da citosina foi descoberta em 1948 e desde então 
tem gerado muitas duvidas sobre a sua real função fisiológica, che-
gando a ser até chamada de a quinta base nitrogenada: 5-Metilcito-
sina. Esse processo químico envolve a adição de um radical metil 
(CH3) na posição 5 – C da citosina. Essa reação é catalisada por um 
grupo de enzimas denominadas DNA Metiltransferases (DNMT) e é 
flexível e herdável (SANTOS; MAZZOLA; CARVALHO, 2005).
Mas, o que chama a atenção é que a 5-Metilcitosina é quase que 
exclusivamente encontrada em regiões genômicas que possuem por 
característica uma longa repetição dos nucleotídeos Citosina e Gua-
nina. Essas regiões são chamadas CpG islands, e são muitas vezes 
encontradas próximas a promotores gênicos, mais precisamente em 
quase todos os genes de controle celular e em cerca da metade dos 
outros promotores humanos (ANSELMO et al., 2006).
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A RELAÇÃO DA EPIGENÉTICA NA GÊNESE TUMORAL
A metilação de promotores tem o poder de silenciamento pois 
quando ela ocorre, trás consigo um grupo de proteínas, denomina-
dos Methyl-CpG binding protein. Esse grupo de proteínas não se fixa 
em uma região específica do DNA, mas tem uma grande afinidade 
por regiões metiladas. Tais proteínas ao se ligarem ao DNA metilado 
podem competir com fatores de transcrição pelos seus respectivos 
domínios ou, ainda, promover um rearranjo na estrutura do DNA, 
devido o recrutemento da Histona deacetylase originando cromatina 
de alta densidade, a qual se torna incompatível com o processo de 
transcrição (BOYES; BIRD, 1991).
O genoma humano é composto por cerca de três bilhões de 
pares de base, que apesar de serem estruturas de tamanho ínfimo 
ocupam um espaço nuclear relativamente grande. Isso se evidencia 
quando observamos um núcleo celular em fase de interfase, no qual 
seu material genético está descondensado, possibilitando o acesso 
à maquinaria de replicação celular (DIMITRIJEVIC, 2005).
Mas existem ocasiões na qual o DNA deve estar compactado, e o 
controle dessa condensação compõe o segundo material de estudo 
da epigenética, a Acetilação da Histona (MCKENNA et al., 2008).
As Histonas formam uma família de proteínas de cabeça glo-
bular com uma cauda carregada positivamente, que quando juntas 
servem de matriz para o enovelamento do DNA. Cada complexo de 
histona possibilita a ancoragem de cerca de 150 pares de base (pb) 
em seu entorno, formando um complexo denominado nucleossomo 
(MANOHARAN et al., 2007).
O conjunto de nucleossomos dá origem a cromatina, que pode 
adotar duas características diferentes dentro do domínio subcromos-
somal: Heterocromatina quando está em um estágio muito compac-
tado, impedindo a atividade transcritora; e Eucromatina, quando está 
mais relaxada possibilitando assim o acesso aos genes e facilitando 
a transcrição (SHIAH; TAI; WU,2008).
O DNA é carregado negativamente, e esse é o motivo pelo qual a 
histona consegue ancorá-lo de forma eficaz, pois possui uma cauda 
positiva. Mas acetilações reversíveis nesta cauda a deixam próxima 
da neutralidade, fazendo com que essa proteína perca a capacidade 
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GÜNTHER DE MENEZES SOTT - MATIAS NUNES FRIZZO
de interação com o DNA e possibilite a abertura da cromatina. Essa 
característica faz com que a acetilação da histona seja considerado 
um meio de controle da expressão gênica (DIMITRIJEVIC, 2005).
A acetilação ocorre no aminoácido Lisina, e é catalisada pela en-
zima Histona Acetiltransferase (HAT). Como é um processo epigené-
tico, portanto, tendo reversão, a enzima Histona Deacetilase (HDAC) 
catalisa o processo contrario, devolvendo a Lisina a carga positiva, 
possibilitando a ancoragem do DNA e resultando na formação da 
Heterocromatina (SANTOS; MAZZOLA; CARVALHO, 2005).
3.2. Gênese tumoral
As células se diferenciam umas das outras devido à expressão 
de diferentes combinações de genes que são necessários para a re-
alização correta da função a qual estão destinadas, já que o material 
genético contido em todas as células corporais é o mesmo. O produ-
to dessa combinação, que é modulada por diversos fatores, acarreta 
em modificações morfológicas, bioquímicas e fisiológicas dessas cé-
lulas, tornando - a peculiar as demais devido a esse processo cha-
mado de diferenciação celular (SANTOS; MAZZOLA; CARVALHO, 
2005).
No mecanismo de diferenciação celular, assim como na repli-
cação, existem alguns fatores reguladores, na maioria das vezesenzimas que apresentam funções de manutenção da informação 
genética, evitando alguma mutação, e regulação do ciclo celular, 
impedindo o crescimento descontrolado de um tecido ou evitando 
que células senescentes e sem função permaneçam vivas (WARD, 
2002). Quando esses mecanismos de controle são perdidos, existe a 
chance de que aconteça uma replicação celular descontrolada, pois 
a célula se torna independente de seus genes e fatores reguladores, 
dando origem então a uma doença denominada Câncer (RIVOIRE 
et al., 2001).
O câncer pode ser causado tanto por fatores externos: como ta-
baco, dieta, radiação química e agentes infecciosos; como interno, 
por mutações hereditárias ou não, fatores imunológicos e hormonais 
e alterações no metabolismo. Esses fatores podem agir juntos ou 
em sequência para dar origem ao tumor, que requer muitos passos 
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A RELAÇÃO DA EPIGENÉTICA NA GÊNESE TUMORAL
e pode demorar anos para se manifestar clinicamente (GARCIA et 
al., 2007).
Considera-se o câncer uma doença genética no sentido de que 
o fenótipo maligno é resultado de alguma alteração genética que é 
transmitido as células filhas e confere a essas algumas vantagens 
fisiológicas (WARD, 2002).
Entre os genes humanos existem duas classes deles, pequenas 
em relação a todo o genoma que são de grande importância na tu-
morigênese: protooncogenes e supressores tumorais. Esses genes 
em suas configurações normais regem todo o ciclo celular através de 
uma intrincada sequência de eventos que resultam no crescimento e 
divisão celular (RIVOIRE et al., 2001). 
Proto-oncogenes estimulam, enquanto genes supressores tu-
morais inibem os processos de divisão celular. Coletivamente, es-
tas duas classes de genes são responsáveis pela proliferação des-
controlada encontrada nos cânceres em humanos (RIVOIRE et al., 
2001).
Os Proto-oncogenes codificam oncoproteinas que controlam o 
ciclo normal de proliferação celular, apoptose, ou ambos. Por sua 
vez o termo oncogene refere-se a um protooncogene alterado que 
quando ativo codifica produtos que superestimulam a proliferação 
celular anormal (VIDEIRA et al., 2002).
Proto-oncogenes podem transformar-se em oncogenes através 
de 2 formas: mudanças na estrutura do gene, resultando na síntese 
de oncoproteínas anormais, tendo função aberrante, e, por mudan-
ças na regulação da expressão do gene, resultando um aumento 
ou produção inadequada de proteínas promotoras de crescimento 
celular (CARLO; CROCE, 2008).
Quando ocorre alguma dessas alterações na célula, ela não res-
ponde aos mecanismos regulatórios e começa a se multiplicar em 
demasia devido a essa vantagem fisiológica (WARD, 2002).
O produto dos oncogenes pode ser classificado em seis grupos: 
fatores de transcrição, remodelador de cromatina, fatores de cres-
cimento, receptor de fator de crescimento, transdutores de sinal e 
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GÜNTHER DE MENEZES SOTT - MATIAS NUNES FRIZZO
reguladores de apoptose (CARLO; CROCE, 2008).
Alguns dos oncogenes mais conhecidos são: SIS, RAS, ABL/
BCR, MYC, HER2, BCL2, MET E RET. Cada um está envolvido em 
um tipo de tumor diferente, como Mama, tireóide, leucemia, linfomas 
e outros (KOPNIN, 2000; SHARMA; SETTLEMAN, 2007).
Os genes supressores de tumores, em contraste, contribuem 
para o desenvolvimento de câncer quando são inativados, genética 
ou epigenéticamente. O resultado é perda da ação de genes supres-
sores funcionais, o que depriva a célula de controles cruciais para a 
prevenção de crescimento inapropriado (RIVOIRE et al., 2001).
Os supressores de tumor codificam proteínas que inibem a divi-
são celular. Por desempenharem esta função e terem sido descober-
tos em estudo de tumores receberam esta denominação. O primeiro 
gene supressor de tumor descrito foi o Rb, que codifica uma proteína 
que regula a transição celular para a fase S e está associado ao de-
senvolvimento do retinoblastoma (KOPNIN, 2000).
Sem duvidas o supressor tumoral mais conhecido é o p53, que 
codifica uma fosfoproteína denominada proteína p53, que desempe-
nha um importante papel nocontrole do ciclo celular e previne o apa-
recimento de câncer (EISENBER; KOIFMAN, 2001; FIGUEIREDO et 
al., 2003).
A proteína p53 bloqueia a divisão em células que sofreram in-
júrias no seu DNA, dando tempo para a sua reparação. A perda da 
função desse gene pode estar relacionada tanto à iniciação quanto à 
progressão tumoral (ALMEIDA et al., 2007).
Para demonstrar sua importância, cita-se o fato de que muta-
ções na proteína p53 são encontradas em cerca de 50% de todos 
os cânceres humanos, ou mais de 50 tipos de tumores (MATTOS et 
al.,2005)
A alteração de um único gene raramente é suficiente para o de-
senvolvimento de um tumor maligno. A maioria das evidencias mos-
tra um processo de múltiplas alterações, em proto-oncogenes e su-
pressores tumorais (CARLO; CROCE, 2008).
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83 
A RELAÇÃO DA EPIGENÉTICA NA GÊNESE TUMORAL
3.3. Relação da Epigenética na Gênese tumoral
Os dois principais mecanismos epigenéticos, metilação do DNA 
e acetilação da histona, ocorrem normalmente em nosso corpo e são 
importantíssimos para a regulação gênica eestabilidade cromossô-
mica, mas quando perdem o controle representam um risco à saúde 
celular, pois estudos recentes apontam que em todos os tipos de 
câncer humano, as alterações epigenéticas ou são a causa, ou estão 
contribuindo com as alterações genéticas para a evolução tumoral 
(TING; MCGARVEY; BAYLIN, 2006).
As alterações epigenéticas que exercem maior influência na gê-
nese tumoral são as alterações no padrão de metilação do DNA, 
incluindo desmetilações em massa e metilação especifica de certos 
promotores, fazendo com que o ácido nucléico altere sua estrutu-
ra e função, possibilitando a ocorrência de transcrições indevidas 
de repetidos elementos e ativação de genes específicos que podem 
predispor o genoma à instabilidade devido a perca do controle de 
replicação cromossomal (TING; MCGARVEY; BAYLIN, 2006).
A maioria dos genes de supressores tumorais, remodelamento 
tecidual, reparo do DNA, controle celular e anti-apoptóticos tem seu 
promotor precedido de CpG islands, e em qualquer tipo de câncer 
todos eles podem estar silenciados e isso se deve mais a causas 
epigenéticas do que.Asmutações e epimutações, no entanto podem 
ocorrer de maneira simultânea nas células, pois já foi demonstrado 
que alguns genes mutados têm também o seu correspondente, no 
outro alelo, silenciado por hipermetilação nos seus promotores (JO-
NES; BAYLIN, 2002).
Foi realizado um estudo comparativo no qual é apontado que,a 
hipermetilação de promotores de supressores tumorais é tão, ou mais 
comum quanto as mutações no silenciamento desses genes (JO-
NES; BAYLIN, 2002). A Figura 1 aponta a localização dealguns dos 
principais supressores tumorais e de que maneira eles comumente 
são silenciados. Em verde estão os genes que são silenciados por 
mutações; em vermelho, os que são afetados por epimutações, e em 
roxo os que podem sofrer ambas as alterações.
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GÜNTHER DE MENEZES SOTT - MATIAS NUNES FRIZZO
Um estudo realizado em 2006 determinou o perfil de metilação 
de 55 tumores cerebrais levando em consideração 7 genes especí-
ficos que frequentemente se mostram metilados em uma série de 
neoplasias, como mama, cérebro, pulmão estomago e colo. Esses 
genes eram: DAPK, MGMT, p14ARF, p16INK4a , TP73, RB1, TIMP-3, e 
em 83,6%das amostras havia ao menos um dos sete genes com um 
perfil aberrante de metilação (ANSELMO et al., 2006).
Dentre os genes analisados, o que apresentou resultados mais 
significantes foi o p14ARF, um supressor tumoral que inibe a degrada-
ção da p53 durante a progressão do ciclo celular, que se apresenta-
va hipermetilado em 40% das amostras tumorais (XING et al., 1999; 
ANSELMO et al., 2006).Cerca de 50% dos genes que causam câncer familiar quando 
mutados na sua linha de germinação são encontrados silenciados 
por metilação nos mesmos tipos de câncer esporádicos.No processo 
de metilação o gene é silenciado devido a migração de um grupo de 
5 proteínas denominado Methyl-CpG binding protein domains. São 
elas: MeCP2, MBD1, MBD2, MBD3 e MBD4 (JONES; BAYLIN, 2002; 
ESTELLER, 2007).
Essas proteínas alem de competir com sítios de fatores de trans-
crição também servem como tradutores do que acontece no DNA 
- TP73
- MSH2
- VHL
- APC
- P15
- P14, P16
- PTCH - PTEN - ATM - BRCA2
- GSTP1
- RB
- MLH1
- FHIT
- RASSFIA
- SMARCA3
- SSI1
- CDH1
- HIC1
- TP53
- NF1
- BRCA1
- SMAD4
- STK11
- NF2
- SMARCB1
- TIMP3
1 2 3 4 5 6 7 8
14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
9 10 11 12 13
Figura 1 - Supressores tumorais e as causas de seu silenciamento. Fonte:JONES; 
BAYLIN, 2002.
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85 
A RELAÇÃO DA EPIGENÉTICA NA GÊNESE TUMORAL
para a cromatina, pois elas têm a capacidade de atrair a enzima 
HDAC, que atua desacetilando à histona. Essa alteração química faz 
com que a histona retome sua carga positiva e ancore novamente 
o DNA, fazendo com que a cromatina tome o arranjo de Heterocro-
matina, mais densa, e por isso dificultando fisicamente o acesso de 
fatores transcricionais aos genes ali contidos, mostrando que os dois 
principais fenômenos epigenéticos estão interligados (DUCASSE; 
BROWN, 2006).
Para entendermos o impacto que as mudanças epigenéticas sur-
tem no câncer, dependemos do detalhamento de qual passo surge à 
evolução neoplásica e como essa causa eleva os estágios até o sur-
gimento de células invasivas. As alterações genéticas e epigenéticas 
podem ocorrer em qualquer um desses passos, mas essas últimas 
aparecem preferencialmente mais cedo, às vezes com anormalida-
des naestrutura da cromatina ou silenciando/ativando determinados 
genes, surgindo muito antes dos sinais clínicos. Esse fato altera a 
idéia de que todos os tumores surgem de mutações genéticas e co-
locam as modificações epigenéticas como as possíveis alterações 
seminais para a iniciação do tumor (TING; MCGARVEY; BAYLIN, 
2006).
O motivo pelo qual a epigenética chama tanto a atenção dos 
cientistas hoje em dia pode se resumir no fato de que as suas altera-
ções são totalmente reversíveis. Esse fato abre o caminho para uma 
nova abordagem sobre o tratamento do câncer na sua fase inicial e 
também explica algumas das questões que não se podem solucio-
nar pensando no câncer como um fenômeno mutacional, apenas.
Por exemplo, quando alterações genéticas são as responsáveis pela 
inativação de ambos os alelos de um determinado gene, o nível de 
decréscimo dessa proteína se torna fixo. Por outro lado, quando o 
silenciamento se dá por metilação, a perda da função do gene é 
reversível e proporcional a densidade de CpG islands presentes na 
região promotora. Portanto, densidades intermediárias de metilação 
significam níveis intermediários de supressão tumoral. Sendo assim, 
enquanto a via genética determina uma supressão fixa e imediata, a 
via epigenética se manifesta como uma forma gradual, progressiva e 
flexível (HSIEH, 1994; PIETENPOL, 1995).
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GÜNTHER DE MENEZES SOTT - MATIAS NUNES FRIZZO
Com essa idéia foi possível esclarecer uma questão bastante 
discutida acerca do gene daE – Cadherin , proteína importantíssima 
para a adesividade intracelular,encontrado com atividade diminuída 
ou silenciada na maioria dos cânceres epiteliais, como o de beixiga.
Esse gene está localizado no cromossomo 16q22.1 e codifica uma 
glicoproteína transmembrânica, cuja função é de grande importância, 
tanto para a adesividade intercelular como para o desenvolvimento 
e manutenção do fenótipo epitelial (GRAFF et al., 2000; CHRISTO-
FORI; SEMB, 1999).
Para iniciar o processo invasivo e produzir células metastáticas, 
as células tumorais devem, primeiramente, se desprender das cone-
xões que as mantêm unidas à massa tumoral original e migrar para 
os focos distantes. Mas para que essas células consigam se instalar 
no interior do órgão alvo, essas conexões devem ser reativadas (RI-
BEIRO FILHO, 2005).
Uma analise realizada em focos metastáticos de carcinomas 
resultantes de células tumorais epiteliais revelou que nestas amos-
tras ocorre a reexpressão da E-cadherin. Isso implica no fato de que 
deve haver algum mecanismo reversível comandando a ativação e 
silenciamento do gene desta proteína, pois a alteração na sequência 
deste gene, seja por mutação ou deleção, configura uma alteração 
definitiva e dificilmente poderia ser revertida. Já o mecanismo de 
silenciamento por hipermetilação preenche adequadamente o requi-
sito de reversibilidade aqui encontrada (GRAFF et al., 2000). 
Grande parte dos carcinomas exibe um padrão celular diferen-
te no que diz respeito à expressão da E-cadherin. Por isso, células 
de um mesmo tumor possuem diferentes graus de metilação deste 
gene e consequentemente diferentes graus de expressão desta mo-
lécula de adesão. Com a progressão da hipermetilação, surgem cé-
lulas que perdem suas conexões intracelulares devido ao baixo nível 
dessa importante proteína e se desprendem dos órgãos primários 
e migram para os tecidos-alvo. Mas no tecido alvo ela deve voltar 
a ser expressa para conseguir se adaptar ao novo microambiente e 
conseguir sobreviver (GRAFF et al., 2000; RIBEIRO-FILHO, 2005).
O mesmo tipo de estudo foi feito em cima da glicoproteína Epi-
thelial Cell Adhesion Molecule (EpCAM) que tem a mesma carac-
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87 
A RELAÇÃO DA EPIGENÉTICA NA GÊNESE TUMORAL
terística da E-cadherin e o resultado encontrado foi semelhante ao 
anterior (SHIAH; TAI; WU, 2008).
Isso mostra que a epigenética não aparece apenas na gênese 
tumoral, mas também se envolve com todo o processo carcinogêni-
co, deixando claro que não se pode mais ignorar a sua importância 
para com a elucidação dos processos moleculares da tumorigênese 
e munindo também a ciência de novas ferramentas para a facilita-
ção do diagnóstico precoce e tratamentos menos agressivos para o 
câncer.
CpG Islands hipermetiladas podem ser encontradas em pacien-
tes oncológicos em amostras de DNA derivadas de Escarro, Urina 
e Soro. Esse DNA, presume-se que venha de células tumorais que 
sofreram necrose ou apoptose (SIDRANSKY, 2002).
Em câncer de próstata, por exemplo, o gene GSTP1 metilado 
foi identificado em 72% das amostras de soro dos pacientes aco-
metidos. Já na urina identificou-se o mesmo gene metilado em 68% 
dos casos de inicio do tumor e em 72% dos quadros de câncer local 
avançado. Portanto, tem se considerado que o uso do padrão de 
metilação deste e de alguns outros genes encontrados nos fluídos 
biológicos, juntamente com a analise histológica facilita a especifici-
dade diagnóstica (GOESSL et al., 2000; MANOHARAN et al., 2007).
No entanto já foi demonstrado aqui que a maioria dos genes que 
se apresentam metilados em algum tipo de tumor não são especí-
ficos, ou seja, aparecem também em outros tipos de câncer.Esse 
é ainda o maior problema enfrentado quando se fala em diagnósti-
co epigenético, mas já se sabe que alguns genes têm uma diferen-
ciação tecidual específica, como o caso do CDKN2B, geneque está 
quase que sempre metilado em alterações linfóides, ao contrario dos 
tumores sólidos (JONES; BAYLIN, 2002).
Com isso a analise dos padrões de metilação de certos genes, 
como o CDKN2B, nos casos de Leucemia começam a servir como 
marcador tumoral e detector de doença residual mínima após o tra-
tamento de quimioterapia, pois foi constatada uma queda nos níveis 
de metilação do CDKN2B na medula óssea de pacientes comleuce-
mias agudas em remissão clinica, e alguns estudos apontam que o 
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GÜNTHER DE MENEZES SOTT - MATIAS NUNES FRIZZO
aparecimento de um padrãode metilação aberrante nesse processo 
representa um grande risco de retorno da doença (LIMA et al., 2008; 
AGRAWAL et al., 2007).
A detecção dos padrões de metilação da citosina iniciou com a 
técnica de conversão do bissulfeto, que consiste na modificação for-
çada da citosina não metilada em uracil. Dessa forma, utiliza-se em 
conjunto com uma técnica de PCR para a ampliação e outra técnica 
de seqüenciamento. Como toda e qualquer citosina não metilada, 
devido à conversão do bissulfeto se transformou em uracil, as cito-
sinas visíveisno seqüenciamento representam a 5-Metilcitosina, ou 
seja, a citosina metilada (LIMA et al., 2008).
No entanto por esta medodologia, as analises se tornavam longas 
e cansativas e seus dados, sozinhos não se concretizavam como um 
indicativo tumoral, pois como já foi descrito a metilação de apenas 
um gene não é especifico a nenhum câncer. Então, a tecnologia do 
Microarrays se torna a mais importante ferramenta para essa análi-
se, pois contém uma imensa quantidade de marcadores epigenéti-
cos que sozinho não dizem muito, mas quando refletem um padrão 
de metilação, se torna uma forte ferramenta de diagnóstico precoce. 
E com a preconização do diagnóstico, flagrando a célula ainda 
em processo de transformação tumoral é possível lançar mão de 
algum tipo de tratamento epigenético curativo, pois esses processos 
são reversíveise herdáveis.
O tratamento epigenético do câncer tem um potencial relativa-
mente maior do que o tratamento genético, pois possui copias in-
tactas de supressores tumorais que não precisam ser transfectadas 
para a célula, pois eles já estão lá, prontos, só precisam ser reativa-
das. Além disso, se uma abordagem a um gene específico é usada 
para reativar um supressor tumoral, ela apresenta uma toxicidade 
tecidual relativamente baixa. Se for difícil conceber uma estratégia 
terapêutica para substituir um gene mutante em pacientes, é muito 
menos fantástico imaginar a restauração de um padrão de metilação 
em células tumorais (DIMITRIJEVIC, 2005).
Um dos maiores alvos farmacológicos associados com essas 
modificações epigenéticas é a DNMT. O inibidor da DNMT mais co-
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A RELAÇÃO DA EPIGENÉTICA NA GÊNESE TUMORAL
nhecido até agora é o 5aza-2-deoxycytidine (5-azaC), que tem uma 
caracteristica quimica similar à citosina e acaba por se ligar de uma 
forma irreversível na DNMT, seqüestrando essa enzima e causando 
uma alteração na balança DNMT – desmetylases, a favor dessas 
ultimas, levando a uma Hipometilação (MANOHARAN et al., 2007; 
DIMITRIJEVIC, 2005).
Mas para que isso ocorra, primeiramente a 5-azaC precisa ser 
incorporada ao DNA, e isso pode levar a um aumento da mutagenici-
dade local, que em alguns efeitos colaterais já relatados leva a uma 
mielosupressão (MANOHARAN et al., 2007).
Há, além da 5-azaC outras drogas inibidoras da DNMT em testes 
que apresentam uma menor toxicidade tecidual.Mas até que pon-
to a hipometilação causada por essas drogas se torna sustentável? 
Adianta reativar os supressores tumorais e na mesma manobra faci-
litar a surgimento de oncogenes?
Como todos os tratamentos experimentais, estas ainda são algu-
mas das questões que devem ser mais bem esclarecidas para que o 
tratamento epigenético, teoricamente mais brando que os convencio-
nais possam ser adotados, não em exclusividade, mas em conjuntos 
com os demais, pois, apesar do que aqui foi descrito, o câncer é sim 
uma doença com múltiplas causas que interagem constantemente e 
para que o seu tratamento seja bem sucedido é necessário encarar 
todas essas frentes.
4. CONCLUSÃO
Alguns pesquisadores acreditam que a epigenética representa a 
ultima fronteira para o domínio total da informação genética, outros 
preferem tratá-la com mais cautela, mas o fato é que ela se con-
solidou como um importante mecanismo molecular no controle da 
expressão, regulação e transmissão da informação gênica e causa 
até hoje a excitação em alas da ciência.
Hoje, a epigenética é apontada como uma das formas nas quais 
o meio ambiente consegue modular o biológico, estreitando assim a 
relação entre o estilo de vida e as suas conseqüências, bem como 
deixando as suas marcas na evolução e perpetuação celular.
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GÜNTHER DE MENEZES SOTT - MATIAS NUNES FRIZZO
Em relação ao câncer, sabe-se que está presente na fase mais 
precoce das alterações moleculares, precedendo e possibilitando 
mutações, silenciando ou ativando genes, alterando a conformação 
cromossômica podendo levá-lo a instabilidade e até coreografando 
a expressão de determinados genes quando assim precisos para o 
processo de metástase.
O uso da epigenética está voltado para o diagnóstico precoce 
dos tumores devido aos padrões alterados de metilação e para o tra-
tamento dos mesmos, visto que a característica mais importante dos 
processos epigenéticos é a sua reversibilidade e flexibilidade, não 
encontrada nas alterações genéticas. Isso possibilita uma aborda-
gem terapêutica considerada teoricamente mais simples e segura ao 
paciente, mas que não deve ser vista como soberana, afinal os pro-
cessos biomoleculares de tumorigênese ainda não estão bem elu-
cidados e não se deve abrir mão de nenhuma tática para vencê-lo.
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O TRATAMENTO DA DOR LOMBAR ATRAVÉS DA ESTABILIZAÇÃO CENTRAL PÉLVICA
O TRATAMENTO DA DOR LOMBAR 
ATRAVÉS DA ESTABILIZAÇÃO CENTRAL 
PÉLVICA
THE TREATMENT OF LOW BACK PAIN THROUGH THE 
CENTRAL PELVIC STABILIZATION
Juliane Pukall Bezerra Fontana 1
Thaís do Nascimento Gomes2
RESUMO
Este estudo foi sancionado pelo uso da técnica de estabilização central pélvica no tratamento da dor lombar. A dor 
lombar tem causas mulifatoriais podendo levar a desgastes ísicos, emocionais e funcionais prejudicando na qualidade 
de vida. Nesta pesquisa que teve por objeivo invesigar os mecanismos uilizados pela estabilização central pélvica 
através da análise de seu funcionamento, de suas inter-relações com a dor lombar e com o desequilíbrio muscular 
estáico e dinâmico da musculatura do tronco veriicou que a melhora nos desequilíbrios da musculatura extensora e 
lexora do tronco e dos músculos paravertebrais e abdominais podem auxiliar na estabilização e sustentação da coluna 
lombar para uma movimentação ampla e saudável. Por isso, o tratamento da dor lombar através da estabilização central 
pélvica visa trabalhar o equilíbrio estáico e dinâmico nas disfunções musculoesqueléicas. O estudo evidenciou que 
a estabilização central pélvica pode permiir que seu praicante retorne a suas aividades diárias em um nível alto de 
funcionalidade, melhorando o controle postural, o sistema neuromuscular, garanindo o equilíbrio da musculatura do 
tronco e do abdômen. 
Palavras-chave: Dor Lombar. Estabilização Central Pélvica. Método Pilates. 
ABSTRACT
This study was completed by using the technique of central pelvic stabilizaion in the treatment of low back pain. Lumbar 
pain is mulifactorial causes may lead to physical, emoional and funcional wear impairing quality of life. This research 
aimed to invesigate the mechanisms used by the central pelvic stabilizaion through the analysis of its operaion, its 
interrelaions with backache and the staic and dynamic muscle imbalance of the trunk musculature found that the 
improvement in muscle imbalances extension and lexion of the trunk and paraspinal and abdominal muscles can help 
stabilize and support the spine for a wide and healthy movement. Therefore the treatment of low back pain through 
the pelvic core stabilizaion work aims staic and dynamic balance in musculoskeletal disorders. The study showed that 
the central pelvic stabilizaion may allow the praciioner to return to their daily aciviies at a high level of funcionality, 
improving postural control, neuromuscular system, ensuring the balance of the muscles of the trunk and abdomen.
Key-words: Back Pain. Central Pelvic Stabilizaion. Pilates Method. 
1. INTRODUÇÃO
Atualmente diversos estudos vêm demonstrando preocupação 
com distúrbios relacionados à coluna lombar. Nota-se que cerca de 
2,4% homens e 1,7% mulheres da população economicamente ati-
va já presenciou ou presencia episódios de algias lombares. A dor 
1 Fisioterapeuta, Pós-Graduanda em Fisioterapia Dermatofuncional- CBES- Porto Alegre- RS. E-mail: bezerra.juliane@yahoo.com.br
2 Mestre em Educação nas Ciências. Orientadora. Professora do Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo, IESA- RS. 
E-mail: gomesnthais@gmail.com
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JULIANE PUKALL BEZERRA FONTANA - THAÍS DO NASCIMENTO GOMES
instalada de forma contínua ou por longos períodos facilita o desen-
volvimento de distúrbios psicomotores podendo vir acompanhado de 
outros sintomas como: desconforto, fadiga e rigidez articular (SILVA; 
FASSA; VALLE, 2004; REINEHR; CARPES; MOTA, 2008).
Das diversas técnicas utilizadas pela fisioterapia no tratamento 
da dor lombar as que se baseiam na estabilização central pélvica 
objetivam fortalecer o centro de força ou “power house” que é cons-
tituído por grupos musculares da região da cintura pélvica que se 
estendem da base das costelas até a região inferior da pelve e que 
geram um regime preventivo e terapêutico essencial para o alívio da 
dor lombar. Esse centro localiza-se junto ao centro de gravidade cor-
poral e fornece através de sua ação uma “cinta muscular” que traba-
lha estabilizando a coluna, o tronco e os movimentos dos membros 
(REINEHR; CARPES; MOTA, 2008).
Os músculos paravertebrais e abdominais devem manter-se 
equilibrados com as demais estruturas para que constituam um sis-
tema dinâmico que forneça força, estabilidade e auxilie na estabiliza-
ção e sustentação da coluna lombar em uma movimentação ampla 
e saudável.
Este estudo buscou investigar os mecanismos utilizados pela es-
tabilização central pélvica através da análise de seu funcionamento, 
de suas inter-relações com a dor lombar e com o desequilíbrio mus-
cular estático e dinâmico da musculatura do tronco.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
O estudo desenvolveu-se como uma pesquisa bibliográfica base-
ado em artigos científicos, livros e demais periódicos. Foram utiliza-
das para a pesquisa as palavras-chave: Dor Lombar, Estabilização 
Central Pélvica e Método Pilates. 
3. DISCUSSÃO 
A dor lombar é uma resposta adaptativa e protetora ao estresseimposto a coluna vertebral e que se reflete através de resposta irri-
tável dos músculos quando realizam movimentos rápidos de torção 
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O TRATAMENTO DA DOR LOMBAR ATRAVÉS DA ESTABILIZAÇÃO CENTRAL PÉLVICA
ou de levantamento causando déficit funcionais (DUFOUR, 2004). 
Vários são os mecanismos de resposta do organismo à dor além das 
alterações na excitabilidade do sistema motor como a reação do sis-
tema sensorial e nervoso central (HODGES; MOSELEY; LORIMER, 
2003).
A musculatura encurtada ou enfraquecida da coluna lombar vai 
restringir a capacidade da pelve e da região lombar em manter seu 
alinhamento correto causando déficit no desempenho funcional e 
físico devido ao efeito dos músculos em suas fixações (DILLMAN, 
2004). 
Os músculos do tronco, principalmente os músculos transverso 
do abdômen e multífido lombar, devem fornecer endurece, força e 
resistência suficiente para uma ótima eficácia do sistema musculo-
esquelético (CRAIG, 2000; HODGES; MOSELEY; LORIMER, 2003).
Segundo O’Sulivan e Darren, o multífido lombar e o transverso 
do abdômen tem com funções:O músculo multífido fornece controle dinâmico para o movimento 
segmentado na zona neutra. E o transverso do abdômen auxilia na 
manutenção da pressão intra-abdominal, agindo em co-contração com o multifidio lombar através do seu apego toracolombar (2002 
p. 06).
Muitos pacientes com dor lombar apresentam diminuição da 
contração dos músculos do tronco, dos discos intervertebrais, do 
controle muscular e um maior depósito de gordura na região lom-
bar (PARKKOLA 1993). A atividade elétrica em pacientes com dor 
lombar apresenta-se aumentada e a fadiga dos eretores da espinha 
mostra-se evidentes. Ocorre a perda da mobilidade no segmento L5 
e S1 com o aumento subseqüente na mobilidade de outros segmen-
tos (DUFOUR, 2004).
A instabilidade lombar é uma evidente alteração encontrada em 
indivíduos com dor lombar (HODGES; GANDEVIA, 2000). Sendo 
definida por Bisschop: 
É um prejuízo na capacidade do sistema estabilizador da coluna 
lombar em manter a zona neutra da amplitude do movimento de um segmento dentro dos limites fisiológicos. Que muitas vezes pode 
alterar-se devido a um desequilíbrio muscular (2003, p. 122).
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Por isso a co-contração da musculatura extensora e flexora do 
tronco antagonista é imprescindível para possibilitar uma estabilida-
de mecânica à coluna lombar para manter-se em uma posição neu-
tra (CHOLEWICKI; PANJABI; KHACHATRYAN, 1997).
A estabilização central pélvica ocorre pelo controle mecânico arti-
cular onde os músculos agem como limitadores e controladores dos 
movimentos evitando desequilíbrios musculares, padrões de distor-
ção, dominância sinérgica e adequando o controle postural dinâmi-
co ideal para a realização dos movimentos funcionais (PRENTICE; 
VOIGHT, 2003). 
O mecanismo utilizado na estabilização central é a concentração 
que ajuda o sistema nervoso central (SNC) na solicitação dos mús-
culos adequados para a realização das atividades funcionais promo-
vendo ativação antecipatória dos músculos profundos, aperfeiçoan-
do a estabilidade lombar ocasionando alívio da dor (GUEDES, 2000).
A estabilização ocorre por três sistemas: sistema passivo, ativo e 
neural que devem manter-se em equilíbrio e interligado trabalhando 
a conscientização corporal para que as estruturas forneçam estabi-
lizações necessárias para a movimentação. Sendo assim, a esta-
bilização central pélvica visa fortalecer o centro de força ou “power 
house” prevenindo ou tratando a dor lombar (GUEDES, 2000). A 
contração dos músculos do tronco deve ser aprendida com certo 
nível de consciência uma vez que estes músculos agem de forma 
involuntária (LIEBENSON, 2000).
O treino muscular para garantia da estabilidade deve estar asso-
ciada a posição neutra da pelve, ou seja, a pelve não deve estar nem 
na anteversão ou na retroversão pélvica, mas neutra a estas duas 
posições. A amplitude de movimento fisiológica total durante o treino 
divide-se em duas zonas: a zona neutra que corresponde a posição 
inicial da amplitude de movimento contra o mínimo de resistência 
e a zona elástica que é a porção da amplitude de movimento mais 
próxima a amplitude final dentro da zona neutra com uma resistência 
interna maior (PALASTANGA; FIELD; SOAMES, 2000).
A estabilização central pélvica divide-se em cinco estágios com 
níveis progressivos de dificuldade conforme a consciência corporal 
do indivíduo. Gradualmente a contração deve ser mantida por 6, 10 e 
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O TRATAMENTO DA DOR LOMBAR ATRAVÉS DA ESTABILIZAÇÃO CENTRAL PÉLVICA
20 segundos para que após seja aumentado o número de repetições 
e evolução para o próximo estágio. O estágio I os exercícios dão 
ênfase no recrutamento de músculos abdominais, glúteos, posterio-
res de coxa e transverso do abdômen, sem anterversão ou retrover-
são pélvica durante as contrações. Envolvem neste primeiro estágio 
exercícios como a ponte, flexão lateral, cinturão abdominal. No es-
tágio II ocorrem os exercícios de correção do desequilíbrio de força 
e resistência muscular, progredindo os exercícios do estágio I com 
maior nível de exigência. No estágio III o objetivo é a reeducação 
dos músculos estabilizadores abdominais e escapulares em cadeia 
cinética, com exigência ainda maior que a anterior. O estágio IV se 
dá através de exercícios avançados de estabilização dinâmica onde 
se incluem os exercícios pliométricos (REINEHR; CARPES; MOTA, 
2008).
Através da orientação das fibras musculares a contração do mús-
culo transverso do abdômen resulta na diminuição da circunferência 
abdominal causando aumento da tensão na fáscia toracolombar e 
aumento da pressão intra-abdominal. Por isso a compressão axial 
e as forças de cisalhamento são reduzidas e transmitidas por uma 
área maior, tornando a região lombar mais estável durante o levan-
tamento de cargas externas. Portanto o fortalecimento dos músculos 
que constituem o “centro” pode dar maior estabilidade à coluna atu-
ando como se fosse uma “plataforma biomecânica” que se tornando 
mais sólida e eficiente e ajusta os músculos periféricos ligados a co-
luna lombar e a pelve distribuindo as forças na pelve e nos membros 
inferiores (HODGES; MOSELEY; LORIMER, 2003).
A reabilitação musculoesquelética tradicional enfatiza a mecâni-
ca articular isolada com a melhora da ADM, flexibilidade, aumento da 
força e da resistência muscular, ao invés de trabalhar as informações 
aferentes obtidas pelas articulações que são processadas pelo siste-
ma de controle postural. Recentemente tem-se dado ênfase as mo-
dalidades cinesioterapêuticas que enfatizam o treino proprioceptivo 
destacando o sistema neural da articulação (PRENTICE; VOIGHT, 
2003).
Dentre os recursos cinesioterapêuticos que auxiliam no reequilí-
brio muscular e na normatização dos músculos do tronco através da 
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estabilização central estão: o método Pilates, a contrologia, o alon-
gamento pós-facilitação e os exercícios específicos em cadeia ciné-
tica funcional.
O Método Pilates utiliza exercícios que favorecem o trabalho dos 
músculos estabilizadores, promovendo a eliminação da tensão ex-
cessiva em certos grupos musculares evitando dessa forma as com-
pensações causadas por desequilíbrios musculares (CRAIG, 2005; 
GUEDES, 2000; DAVIS, 2006; FERNANDES, 2006).
A atividade harmônica entre músculos locais e globais permite 
a estabilização da coluna lombar. Estudos evidenciam que o mús-
culo transverso do abdômen é o primeiro a ser ativado durante os 
movimentos do tronco e membros tendo ação sinergista e adotando 
uma reação antecipatória aos movimentos produzindo assim a firme-
za necessária à colunalombar. A desativação deste músculo-chave 
pode gerar desequilíbrios musculares importantes e consequente-
mente levar à dor (PEREIRA et al., 2008).
O alongamento pós-facilitação utiliza no tratamento de múscu-
los encurtados através de contração isométrica sustentada durante 
7 segundos seguida de 12 segundos de alongamento (HAMMER, 
2003). Este tipo de modalidade reabilitativa pode auxiliar na reequili-
bração muscular beneficiando a estabilização central.
A reabilitação em cadeia cinética funcional que visa melhorar 
a capacidade do sistema nervoso central (SNC) de permitir que os 
músculos agonistas, antagonistas, sinergistas, estabilizadores e 
neutralizadores atuem de forma eficiente para manter-se em equilí-
brio e por isso pode ser um método coadjuvante ao da estabilização 
central (PRENTICE; VOIGHT, 2003).
As modalidades que derivam da estabilização central pélvica ou 
a associam durante os exercícios proporcionam benefícios sem pre-
judicar a flexibilidade, enfatizando a contração isotônica (concêntrica 
e excêntrica) e isométrica nos músculos do tronco e abdominais que 
formam o centro de força (GUEDES, 2000). Pelo fato de desenvol-
verem a conscientização corporal aprimorando o seu desempenho 
em tarefas funcionais, melhorando o condicionamento físico, a ca-
pacidade cardiovascular e a reeducando a respiração diafragmática. 
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O TRATAMENTO DA DOR LOMBAR ATRAVÉS DA ESTABILIZAÇÃO CENTRAL PÉLVICA
Por isso pode ser um excelente recurso indicado no controle da dor 
lombar (TEIXEIRA; SAKAMOTO; SIQUEIRA, 2004).
4. CONCLUSÃO
Através do presente estudo pode-se constatar que o desequilí-
brio muscular e a deficiência do controle neuromuscular ocasiona-
dos na musculatura extensora e flexora do tronco são uma das mais 
importantes causas dos distúrbios que ocorrem na coluna lombar e 
que por sua conseqüência levam a dor desta região. Para mante-
rem-se funcionais estes músculos devem estar fortes e capazes de 
fornecer sustentação a pelve e a coluna lombar auxiliando também 
na proteção e suporte as demais estruturas. 
A estabilização central pélvica se dá pelo controle mecânico arti-
cular, através da contração muscular isométrica considerando como 
um centro de força que estabiliza a coluna e conseqüentemente ali-
viando a dor. Assim a técnica visa manter ou restabelecer um centro 
neuromuscular integro fornecendo força e resistência para impedir 
movimentos compensatórios.
Portanto, a estabilização central pélvica permite que o indivíduo 
em tratamento retorne as suas atividades diárias em um nível alto 
de funcionalidade, melhorando todo o sistema postural, neuromus-
cular e reequilibrando a musculatura que dá suporte e sustentação 
a coluna lombar consequentemente diminuindo a dor e permitindo a 
normatização da estabilidade lombar. 
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A RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO COM A ATEROSCLEROSE
A RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO 
COM A ATEROSCLEROSE
RELATION OF OXIDATIVE STRESS WITH 
ATHEROSCLEROSIS
Belisa Avila Rodrigues1
Caroline Brandão Quines2
Matias Nunes Frizzo3
RESUMO 
Tema de muitos estudos nas úlimas décadas, os radicais livres são foco de interesse por pariciparem de processos 
isiológicos e patológicos. Uma produção exacerbada desses radicais livres gera um desequilíbrio no organismo, já que o 
sistema anioxidante não é capaz de neutralizar todas as substâncias produzidas. Esse ipo de desequilíbrio denomina-
se estresse oxidaivo, um fenômeno relacionado a várias patologias, como câncer, diabetes, envelhecimento, Alzheimer, 
Parkinson e aterosclerose. A aterosclerose é a principal fonte de morbidade e mortalidade nos países desenvolvidos. 
Considerada uma patologia mulifatorial, está relacionada ao enrijecimento dos vasos sanguíneos, causando obstrução 
do luxo, estenose e redução da chegada de oxigênio a diferentes regiões do corpo. Dessa maneira, esse estudo tem 
como objeivo, através de uma pesquisa bibliográica, avaliar a relação do estresse oxidaivo com a aterosclerose. Os 
principais eventos na aterosclerose compreendem disfunção endotelial e inlamação, os quais podem ser causados pelo 
estresse oxidaivo, através da oxidação das lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e diminuição da biodisponibilidade 
de oxido nítrico (NO). Além disso, o estresse oxidaivo atua na progressão da doença e contribui para a formação e 
ruptura da placa ateroscleróica. Diante dos estudos realizados, embora alguns autores ainda discordem desta relação, 
torna-se inegável a paricipação do estresse oxidaivo em processos bioquímicos ligados a aterosclerose.
Palavras-chave: Estresse oxidaivo. Aterosclerose. Oxidação da LDL. Espécies reaivas. Radicais livres.
ABSTRACT
Topic of many studiesin the latest decades, free radicals are focus of interest for paricipaing in physiological and 
pathological processes. An exacerbated producion of free radicals causes instability in the body, since the anioxidant 
system is unable to neutralize all the substances produced. This kind of instability is named oxidaive stress, a 
phenomenon related to several diseases such as cancer, diabetes, aging, Alzheimer’s, Parkinson’s and atherosclerosis. 
Atherosclerosis is the major source of morbidity and mortality in developed countries. Considered a mulifactorial 
disease, it is related to blood vessels’ hardening, causing low obstrucion, stenosis and reducion of oxygen’s arrival 
to diferent parts of the body. This way, the goal of this study is, through a bibliographic research, evaluate the relaion 
between oxidaive stress and atherosclerosis. Its main events include endothelial dysfuncion and inlammaion which 
may be caused by oxidaive stress, through low density lipoproteins (LDL) oxidaion and nitric oxide (NO) bioavailability 
reducion. Besides, oxidaive stress acts in the disease’s progression and contributes to the formaion and rupture of 
atheroscleroic plaque. Considering studies performed, although some authors sill disagree with this relaion, it is 
undeniable the role of oxidaive stress in biochemical processes linked to atherosclerosis.
Keywords: Oxidaive stress. Atherosclerosis. LDL oxidaion. Reacive species. Free radicals.
1. INTRODUÇÃO
Os radicais livres tornaram-se foco de interesse nas últimas dé-
cadas pelo papel desempenhado por essas moléculas em mecanis-
1 Acadêmica Concluinte do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo- CNEC/IESA. 
2 Acadêmica Concluinte do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo- CNEC/IESA. 3 Mestre em Biologia Celular e Molecular na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, Professor do curso de 
Biomedicina, Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo CNEC-IESA, Santo Ângelo, RS, Brasil. CEP 98801-015. Enviar 
correspondência E-mail: mnfrizzo@hotmail.com.
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BELISA AVILA RODRIGUES - CAROLINE BRANDÃO QUINES - MATIAS NUNES FRIZZO
mos fisiológicos e patológicos. Sendo assim, diversos estudos têm 
sido realizados para esclarecer esse papel dos radicais livres no or-
ganismo (FERREIRA; MATSUBARA, 1997; ANDRADE et al., 2005 ).
No metabolismo de seres aeróbicos, a oxidação é fundamental. 
Por esse motivo, radicais livres podem ser produzidos de modo na-
tural, ou como consequência de algum distúrbio biológico. Podem 
ter origem do oxigênio, sendo chamados de espécies reativas de 
oxigênio (ERO), ou originarem-se do nitrogênio, denominados de es-
pécies reativas de nitrogênio (ERN) (BARREIROS et al., 2006).
O estresse oxidativo resulta de um desequilíbrio nos sistemas 
pró e antioxidante, com predomínio dos oxidantes. Está relacionado 
com várias patologias, nas quais pode ser a causa ou o fator agra-
vante do quadro geral. Dentre essas patologias, destacam-se a ar-
trite, choque hemorrágico, catarata, disfunções cognitivas, diabetes, 
câncer e aterosclerose (CAVALCANTE; BRUIN, 2009). 
A aterosclerose é a principal fonte de morbidade e mortalidade 
no mundo desenvolvido, sendo considerada um problema de saúde 
pública. A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que a pros-
peridade econômica global pode levar a uma epidemia da ateroscle-
rose (STOCKER; KEANEY, 2004). No Brasil, aproximadamente 300 
mil óbitos por ano, são causados por doenças cardiovasculares, as-
sociadas à aterosclerose. Dados ainda mais alarmantes são encon-
trados nos Estados Unidos, onde as doenças cardiovasculares são 
responsáveis por cerca de 80% das mortes de pessoas com mais de 
65 anos (GIROLDO et al., 2007).
A aterosclerose caracteriza-se por uma resposta inflamatória 
crônica da parede arterial, processo que pode ser causado por in-
flamação ou uma disfunção endotelial. Considerada uma patologia 
de natureza multifatorial, compreende processos oxidativos de lipo-
proteínas, alterações celulares (em macrófagos, monócitos, células 
musculares lisas, células endoteliais e plaquetas) e envolvimento de 
moléculas de adesão liberadas por processos inflamatórios (ROSS, 
1999; GIROLDO et al., 2007). A doença está relacionada ao enrije-
cimento dos vasos sanguíneos, causando obstrução do fluxo pelas 
placas ateroscleróticas, o que resulta em estenose e reduz a che-
gada de oxigênio a diferentes regiões do corpo. Em conseqüência 
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A RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO COM A ATEROSCLEROSE
dessa obstrução, pode ocorrer infarto agudo do miocárdio, acidente 
vascular cerebral e aneurisma da aorta (PINHO et al., 2010).
Diversas evidências tentam explicar a relação do estresse oxida-
tivo com a aterosclerose, na qual ERO e ERN, principalmente as de-
rivadas do óxido nítrico (NO), são cada vez mais reconhecidas como 
responsáveis pelo comprometimento da função endotelial celular 
e pela implicação na aterogênese (PAPAHARALAMBUS; GRIEN-
DLING, 2007).
Compreender os mecanismos envolvidos na formação e evolu-
ção da aterosclerose torna-se cada vez mais importante, uma vez 
que os índices apontam a aterosclerose como a principal causa de 
mortalidade no mundo. O melhor entendimento da gênese e pro-
gressão da aterosclerose pode proporcionar o desenvolvimento de 
novas terapias, inclusive com antioxidantes, que possam retardar a 
progressão da patologia ou preveni-la (GIEHL et al., 2007).
O presente estudo tem por objetivo avaliar a relação do estresse 
oxidativo com a aterosclerose, incluindo a relação entre as espécies 
reativas e a oxidação das lipoproteínas de baixa densidade (LDL), 
bem como a relação das mesmas com a inflamação dos endotélios, 
formação e evolução da aterosclerose.
2. Estresse Oxidativo
O estresse oxidativo é um fenômeno relacionado a ação de ra-
dicais livres no organismo (ĎURAČKOVÁ, 2010). Compreende-se 
como radical livre, átomo ou molécula que possui elétrons não em-
parelhados na sua camada orbital externa (VASCONCELOS et al., 
2007).
Entretanto, o termo radical livre não é ideal para designar os 
agentes reativos patogênicos, pois muitos deles não possuem elé-
trons desemparelhados na última camada (FERREIRA; MATSUBA-
RA, 1997). Assim, os termos ERO e ERN são considerados mais 
apropriados para descrever melhor esses agentes químicos (CA-
VALCANTE; BRUIN, 2009; ĎURAČKOVÁ, 2010). As ERO são divi-
didas em dois grupos: radicalares, nos quais estão o hidroxila (HO-), 
superóxido (O2
-), peroxila (ROO.) e alcoxila (RO-); e não radicalares, 
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BELISA AVILA RODRIGUES - CAROLINE BRANDÃO QUINES - MATIAS NUNES FRIZZO
formados pelo oxigênio (O2), peróxido de hidrogênio (H2O2) e ácido 
hipocloroso (BARREIROS et al., 2006). 
A maior via de produção de ERO compreende o transporte de 
elétrons através da mitocôndria. Além disso, podem ser formadas 
através de fontes citoplasmáticas, a partir de enzimas como a xan-
tina oxidase e a NADPH oxidase (ANDRADE et al., 2005). Macró-
fagos ativados e neutrófilos, por exemplo, podem produzir grandes 
quantidades de superóxido e seus derivados, além de oxigênio sin-
glete, através da NADPH oxidase (DRÖGE, 2002).
As ERN, em sua maioria, são formadas a partir da síntese do 
NO, através da conversão da L-arginina a L-citrulina pelas sintases 
do óxido nítrico (CAVALCANTE & BRUIN, 2009). Entre elas, as mais 
encontradas são: óxido nítrico (NO), óxido nitroso (N2O2), ácido ni-
troso (HNO2), nitritos (NO2), nitratos (NO3) e peroxinitritos (ONOO
-) 
(BARREIROS et al., 2006).
A produção acentuada dessas espécies reativas, tanto as deri-
vadas do nitrogênio quanto as de oxigênio, pode gerar efeitos preju-
diciais como peroxidação dos lipídios de membrana e agressão às 
proteínas dos tecidos e das membranas, às enzimas,carboidratos 
e DNA (RIBEIRO et al., 2005; ĎURAČKOVÁ, 2010; ANDRADE et 
al., 2005 ). A oxidação do colesterol LDL, no sangue, causa dano as 
paredes das artérias e veias, além de facilitar o acúmulo de lipídios 
e colaborar com a formação da placa aterosclerótica, que posterior-
mente pode formar trombos. Os trombos podem migrar pela circula-
ção e causar infarto ou acidente vascular cerebral (BARREIROS et 
al., 2006). 
No entanto, as ERO e as ERN nem sempre são prejudiciais ao 
organismo, sendo necessárias em processos biológicos como sina-
lização celular, contração muscular, produção de energia, regulação 
do crescimento celular e sistema imune (PINHO et al., 2010). Um 
exemplo desta dupla função exercida pelas ERN e ERO consiste no 
radical NO, que possui variadas funções fisiológicas nos sistemas 
cardiovascular, imune, reprodutivo e nervoso, além de seu papel na 
hemostasia, inibindo plaquetas e impedindo a formação do trombo. 
Porém, como característica de um radical, possui um elétron desem-
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A RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO COM A ATEROSCLEROSE
parelhado na sua última camada orbital, o que lhe confere alta rea-
tividade com outros radicais, e ainda com moléculas como lipídios, 
proteínas e ácidos nucléicos (VANNI et al., 2007).
Para a produção acentuada das espécies reativas, tanto de 
oxigênio quanto nitrogênio, o organismo dispõe de um sistema de 
defesa conhecido como sistema antioxidante. Os antioxidantes do 
organismo são divididos em dois grupos: os não enzimáticos e os 
enzimáticos (VASCONCELOS et al., 2007).
Os antioxidantes enzimáticos são produzidos pelo organismo e 
compreendem três sistemas. O primeiro é composto por enzimas 
superóxido dismutase (SOD), que catalisam a lise do radical ânion 
superóxido (O2•−), convertendo-o em oxigênio e peróxido de hidro-
gênio. O segundo, formado pela enzima catalase (CAT), que atua na 
dismutação do peróxido de hidrogênio (H2O2) em oxigênio e água. E 
o terceiro é composto pela glutationa (GSH) em conjunto com duas 
enzimas, a glutationa peroxidase (GPx) e glutationa redutase (GR) 
e também catalisa a dismutação do peróxido de hidrogênio em água 
e oxigênio, sendo que a glutationa opera em ciclos entre sua forma 
oxidada e sua forma reduzida (BARREIROS et al., 2006).
O sistema antioxidante não enzimático é formado por diversas 
substâncias, que podem ser produzidas in vivo ou adquiridas na 
dieta. Dentre os principais antioxidantes não enzimáticos, podemos 
citar a glutationa (GSH), tocoferóis, ascorbato, ácido úrico e β-caro-
teno, além de proteínas de transporte de metais de transição, como 
a transferrina (transporte do ferro) e ceruloplasmina (transporte do 
cobre e oxidação do ferro para ser captado pela transferrina) (VAS-
CONCELOS et al., 2007; RIBEIRO et al., 2005).
A célula, em condições fisiológicas, necessita de um equilíbrio 
entre os sistemas pro-oxidante e antioxidante. O desequilíbrio en-
tre esses sistemas é denominado estresse oxidativo e ocorre, ge-
ralmente, quando os antioxidantes não são suficientes para conter a 
produção exacerbada de ERO e ERN. Está relacionado a diversas 
patologias, dentre elas a aterosclerose, artrite, isquemia, envelhe-
cimento, diabetes, câncer e doenças neurodegenerativas como Al-
zheimer e Parkinson (RIBEIRO et al., 2005; ĎURAČKOVÁ, 2010).
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BELISA AVILA RODRIGUES - CAROLINE BRANDÃO QUINES - MATIAS NUNES FRIZZO
3. Aterosclerose
A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica, bem como 
um distúrbio do metabolismo lipídico, que afeta essencialmente to-
das as artérias do organismo, principalmente a aorta (LIBBY, 2002; 
SHIBATA & GLASS, 2010). Caracteriza-se como uma doença pro-
gressiva, na qual ocorre acúmulo de lipídios e elementos fibrosos nas 
artérias, que leva ao enrijecimento dos vasos e pode comprometer 
o fluxo sanguíneo, desencadeando diversas doenças cardiovascu-
lares como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e 
aneurisma da aorta (GIROLDO et al., 2007; AIKAWA; LIBBY, 2004). 
O desenvolvimento dessa doença é lento, podendo iniciar na in-
fância, a partir dos três anos de idade quando surgem estrias gordu-
rosas que são precursoras das placas ateroscleróticas. Mas, de ma-
neira geral, suas manifestações clínicas evoluem silenciosamente, e 
os sintomas começam a aparecer a partir dos 50 anos (GIROLDO et 
al., 2007).
Alguns fatores de risco podem contribuir para o desenvolvimen-
to da aterosclerose como dislipidemia, tabagismo, diabetes mellitus, 
obesidade, hipertensão arterial, histórico familiar e sedentarismo. 
Outros fatores não tradicionais, como inflamação, estresse oxidativo, 
infecção persistente, proteinúria e hiperfosfatemia, parecem exercer 
um papel relevante no desenvolvimento do processo aterosclerótico 
(DUMMER et al., 2007; HALPERN et al., 2010). 
Os principais eventos da aterosclerose são disfunção endotelial 
e inflamação. O endotélio tem função de regulação do tônus vagal, 
modulação da inflamação, da agregação plaquetária e promoção e 
inibição do crescimento neovascular. Além de ser responsável pela 
síntese de fatores vasoconstritores e vasodilatadores (PINHO et al., 
2010). Nas fases iniciais da doença, um acúmulo de LDL e radi-
cais livres estimulam as células endoteliais a expressar moléculas de 
adesão específicas, como a molécula de adesão da célula vascular 
(VCAM-1), que participa do processo inflamatório mediando a en-
trada de leucócitos, como monócitos para a camada íntima do vaso 
(HULTE; FABERGER., 2002; TSUBOSAKA et al., 2010).
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A RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO COM A ATEROSCLEROSE
Na presença de fatores inflamatórios há perda da ação protetora 
do endotélio que passa a ser fonte de elementos que participam da 
progressão da aterosclerose (CASELLA-FILHO et al., 2003). Uma 
disfunção endotelial caracteriza-se por uma resposta inflamatória da 
parede vascular a injúria, levando a um desequilíbrio entre as subs-
tâncias vasodilatadoras e vasoconstritoras, secreção e produção de 
fatores de crescimento (LUZ et al., 2006).
Entre os mecanismos que levam a uma disfunção endotelial, a 
oxidação da LDL, caracteriza-se como o principal evento na atero-
gênese. Essa lipoproteína modificada causa danos ao endotélio e a 
parede vascular, comprometendo a elasticidade da artéria e contri-
buindo para a evolução do processo aterosclerótico (POHJANTÄHTI
-MAAROOS et al., 2010).
A oxidação da LDL pode ocorrer através de radicais livres, de 
células endoteliais, células musculares lisas e macrófagos, os quais 
secretam produtos oxidativos por múltiplas vias, e difundem as LDL 
aprisionadas no espaço subendotelial, iniciando a oxidação lipídica. 
As modificações na LDL pelos monócitos parece ocorrer em dois 
estágios, o primeiro antes dos monócitos serem ativados por alte-
rações na apoproteína B (ApoB), o segundo quando os monócitos 
ativos, convertidos em macrófagos, vão oxidar a LDL (SIQUEIRA et 
al., 2006; BATLOUNI, 1997).
Esse processo de oxidação pode ser mediado por diferentes 
mecanismos, como mieloperoxidação, lipoperoxidação lipídica, íons 
metálicos e ERN. O processo de mieloperoxidação ocorre quando 
monócitos liberam a enzima mieloperoxidase que converte a LDL 
em sua forma aterogênica. Essa LDL modificada vai degradar ma-
crófagos transformando-os em células espumosas (SIQUEIRA et al., 
2006; MERTENS; HOLVOET, 2001).
Na lipoperoxidação lipídica, células endoteliais, macrófagos e 
monócitos produzem a 15–lipoxigenase, uma proteína que converte 
ácidos graxos poliinsaturados em hidroperóxidos lipídicos, que oxi-
dam a LDL, transformando-a em sua forma aterogênica (MERTENS; 
HOLVOET, 2001). Além disso, íons metálicos também regulam a oxi-
dação da LDL, sendo importantes na formação das ERO, através 
das reações de Fenton e de Haber-Weiss. Entre os íons metálicos o 
mais importante é o ferro (FERREIRA; MATSUBARA,1997).
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BELISA AVILA RODRIGUES - CAROLINE BRANDÃO QUINES - MATIAS NUNES FRIZZO
A molécula de LDL modificada é citotóxica para as células endo-
teliais, nas quais promove a expressão de citocinas pró-inflamató-
rias, vasoconstrição, causa inibição do NO e aumento da agregação 
plaquetária (LUZ et al., 2006). Acredita-se que a principal relação do 
estresse oxidativo com a aterosclerose, consiste na perda da bioati-
vidade do NO, com conseqüente redução da capacidade vasodilata-
dora dependente do endotélio (BAHIA et al., 2004).
O NO é a principal substância antiaterogênica produzida pelo en-
dotélio, com a função de regular a hemostasia (VANNI et al., 2007). 
Desse modo, uma insuficiência na produção de NO leva a uma au-
sência de inibição plaquetária, uma proliferação de monócitos e ma-
crófagos, e consequentemente a complicações para a patogênese 
da aterosclerose (DUSSE et al., 2003). 
Este acúmulo de macrófagos dentro da camada íntima significa 
o primeiro estágio, que predispõe à progressão do ateroma e à evo-
lução para a placa (SHIMADA, 2009). A placa aterosclerótica é cons-
tituída por elementos celulares, núcleo lipídico e por componentes 
da matriz extracelular, promovendo a estenose e comprometendo o 
fluxo sanguíneo (CASELLA-FILHO et al., 2003).
As placas ateroscleróticas podem ser caracterizadas como está-
veis ou vulneráveis a ruptura. Placas estenosantes, são considera-
das estáveis, pois são mais fibrosas, e menos suscetíveis à ruptura 
e trombose. Ao contrário, nas placas vulneráveis à ruptura, há uma 
grande quantidade de macrófagos que liberam enzimas capazes de 
degradar o colágeno presente na camada fibrosa, tornando-a mais 
fina (STOCKER; KEANEY, 2004; VILAHUR et al., 2006). A ruptura 
da placa provoca a formação de trombos que podem ou não migrar 
através da circulação. Quando esses trombos atingem as artérias 
coronárias, podem ocasionar infarto agudo do miocárdio e nas arté-
rias carótidas poderá provocar uma isquemia cerebral ou um aciden-
te vascular cerebral (LIBBY, 2002; CHEN et al., 2010).
4. A Relação do Estresse Oxidativo com a 
Aterosclerose
Durante as últimas décadas, vários estudos vêm investigando o 
papel do estresse oxidativo na aterosclerose. De acordo com a teoria 
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A RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO COM A ATEROSCLEROSE
do estresse oxidativo, a aterosclerose resulta de uma modificação 
nas LDL na parede vascular, pelas ERO e ERN (VOGIATZI et al., 
2009). A oxidação dessas lipoproteínas leva a inflamação e conse-
quente dano endotelial. Isso ocorre através da expressão de molécu-
las de adesão, quimiocinas, citocinas pró-inflamatórias, e outros me-
diadores da inflamação em macrófagos e células da parede vascular 
(LIBBY et al., 2002). Assim, as moléculas de colesterol LDL oxidadas 
ativam o recrutamento de monócitos circulantes para o espaço in-
timal da artéria e inibem a capacidade dos macrófagos residentes 
para deixar à íntima (STOCKER; KEANEY, 2004). Os macrófagos 
podem gerar um acréscimo de ERO (especialmente o superóxido) 
através da enzima NADP(H) oxidase (VOGIATZI et al., 2009).
O radical superóxido reage rapidamente com o NO, e a conse-
quência dessa interação é a produção de outras espécies reativas 
oxidantes, como o peroxinitrito (ONOO-) (BAHIA et al., 2004). Molé-
culas de peroxinitrito geram dano direto ao DNA celular. Além disso, 
oxidam o tetrahidrobiopterina (BH4) e induzem o desacoplamento 
da eNOS (óxido nítrico sintase endotelial) (STOCKER; KEANEY, 
2005; PAPAHARALAMBUS; GRIENDLING, 2007). 
A eNOS é ativada por pequeno estresse na interface da célula 
endotelial e pelo sangue. É responsável pela produção de NO e seu 
desacoplamento gera uma produção adicional de superóxido e dimi-
nuição da biodisponibilidade do NO levando a perpetuação do dano 
endotelial (BAHIA et al., 2006). O NO atua no endotélio promovendo 
dilatação vascular, o que interfere na atuação dos leucócitos na in-
flamação e reduz a adesão dos mesmos à parede vascular (VANNI 
et al., 2007). A biodisponibilidade reduzida de NO leva a vasocons-
trição, agregação de plaquetas e adesão de neutrófilos ao endotélio, 
o que leva a formação da placa aterosclerótica (PINHO et al., 2010).
As placas vulneráveis caracterizam-se por uma camada fibrosa 
mais fina, pelo excesso de células espumosas e linfócitos, núcleo 
necrótico e pouco colágeno (SIQUEIRA et al., 2006). A formação 
desse núcleo necrótico da placa aterosclerótica decorre da apoptose 
das células da placa, especialmente das células musculares lisas e 
células do sistema imune (LIBBY, 2009).
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As ERO contribuem para a vulnerabilidade da placa como in-
dutores de apoptose e desempenham papel importante no controle 
da expressão e da atividade das metaloproteinases de matriz (VI-
LAHUR et al., 2006). As metaloproteinases participam em diversos 
dos processos envolvidos na aterogênese, como angiogênese e re-
modelamento, e têm papel fundamental na ruptura da placa ateros-
clerótica (SOUZA; LAURINDO, 2002).
Além da eNOS, outras fontes enzimáticas que contribuem para 
o aumento da produção de ERO e consequente estresse oxidativo, 
são as enzimas NADPH oxidase, xantina oxidase e mieloperoxidase 
(CAI; HARRISON, 2000). A NADPH oxidase é uma fonte importante 
de ERO em células vasculares e processos inflamatórios e catalisa 
a redução do oxigênio molecular através da transferência de um elé-
tron dos substratos NADH ou NADPH (MADAMANCHI et al., 2005; 
GRIENDLING et al., 2000).
A xantina oxidase atua oxidando a xantina e a hipoxantina a áci-
do úrico, o que leva a uma produção de superóxido e peróxido de 
hidrogênio. Alguns estudos apontam que o superóxido derivado da 
xantina oxidase também pode atuar na diminuição do NO (CAI; HAR-
RISON, 2000). Já a mieloperoxidase é produzida por macrófagos 
ativados e utiliza o peróxido de hidrogênio para produzir substâncias 
ainda mais oxidantes. Há três mecanismos pelos quais essa enzima 
participa de modificações oxidativas: consumo de NO, oxidação da 
LDL e inibição da eNOS (STOCKER; KEANEY, 2004).
Outro mecanismo relacionado a aterogênese compreende o pé-
roxido de hidrogênio, ERO que em condições de estresse oxidativo 
atua em mecanismos relacionados à produção de fatores de trans-
crição como o fator nuclear kappaB (NF- kB) e ativador de proteí-
na 1 (AP-1), que participam na expressão de moléculas de adesão, 
tais como as moléculas de adesão vasculares (VCAM-1), moléculas 
de adesão intracelular (ICAM-1) e citocinas. É estabelecido que o 
NF- kB atua nas células musculares lisas de vasos ateroscleróticos 
e é inativado por antioxidantes e anti-inflamatórios (VOGIATZI et al., 
2009).
Assim, espécies reativas são responsáveis não só por iniciarem 
um processo de aterosclerose, culminando com dano endotelial e 
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A RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO COM A ATEROSCLEROSE
inflamação, mas também estão relacionadas a progressão da do-
ença. Atuam na formação e ruptura da placa aterosclerótica e são 
relacionados a fatores de transcrição e indução de apoptose. Os da-
nos causados predispõem a um aumento na formação de espécies 
reativas o que agrava ainda mais o curso da doença (KONDO et al., 
2009; SOUZA; LAURINDO, 2002).
5. MATERIAL E MÉTODO
O presente estudo constitui-se de uma pesquisa bibliográfica a 
respeito do tema estresse oxidativo e aterosclerose, realizada atra-
vés de artigos de periódicos, revistas e materiais científicos disponi-
bilizados em bibliotecas médicas virtuais e portais de busca. Sendo 
assim, foram utilizados portais como PubMed, Scielo, Bireme, PNAS 
e Elsevier. 
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A aterosclerose é uma doença relacionada a doenças cardiovas-
culares e constitui-se como a principalcausa de morbidade e mor-
talidade nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Segundo 
Ross (1999) inicialmente era considerada uma doença de acúmulo 
de lipídios e cálcio na parede celular, mas durante as últimas dé-
cadas vem sendo reconhecida como uma patologia complexa que 
envolve inflamação e disfunção endotelial. Acredita-se que a infla-
mação esteja intimamente ligada a disfunção endotelial e ao estres-
se oxidativo. Segundo Pinho et al (2010) o estresse oxidativo tem 
papel fundamental na fisiopatologia da disfunção endotelial e atua 
na migração de células e na formação da placa aterosclerótica. Além 
disso, são ERO e ERN, produzidas demasiadamente, as responsá-
veis pela oxidação da LDL. 
Dentre as teorias que explicam a aterosclerose a mais encon-
trada na literatura é a hipótese oxidativa. A modificação oxidativa 
da LDL é um evento precoce na aterosclerose e contribui para a 
aterogênese. Para comprovar essa teoria, Stocker e Keaney (2004) 
apontam estudos nos quais há presença de LDL oxidada in vivo e 
estruturas antioxidantes inibindo a aterosclerose em animais. Singh 
e Jialal (2006) afirmam que a evidência mais direta para o papel do 
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estresse oxidativo na aterogênese vem de estudos com apoE-/- em 
ratos. Esses estudos apresentam modelos com alta concentração 
de colesterol, aumento da peroxidação lipídica, diminuição da bio-
disponibilidade de NO e desenvolvimento de aterosclerose de modo 
semelhante aos humanos. Segundo Luz et al (2006) vários estudos 
experimentais in vitro e em modelos animais demonstram que o es-
tresse oxidativo é um fenômeno central em muitas fases da ateros-
clerose.
A oxidação dessa LDL provoca efeitos biológicos severos. Além 
de ser pró-inflamatória, causa inibição da enzima eNOS, promoven-
do vasoconstrição e adesão de moléculas. Estimula citocinas como 
a interleucina-1 (IL-1) e aumento da agregação plaquetária. Outra 
propriedade da LDL oxidada vem do fato de ser imunogênica. Se-
gundo Ross (1999) isso faz com que além de atrair macrófagos até 
a parede do vaso, a mesma também tenha a capacidade de reter os 
macrófagos ali presentes, inibindo sua mobilidade. Esse acúmulo de 
macrófagos causa um aumento das ERO, que são produzidas atra-
vés das enzimas que esses possuem. 
Sendo assim, durante o processo de inflamação do vaso, o endo-
télio fica suscetível a uma grande variedade de ERO por um período 
prolongado. Lum e Roebuck (2001) apontam que neutrófilos polimor-
fonucleares (PMN), encontrados aderidos ao endotélio ou migrando 
através do tecido, são capazes de produzir grande quantidade de 
superóxidos. Com a geração de superóxidos, outra espécie ainda 
mais reativa é formada, o peroxinitrito. Esse atua diretamente no 
DNA celular e também é capaz de causar uma perpetuação do dano 
endotelial, através do desacoplamento da enzima eNOS. Segundo 
Cai e Harrison (2000) uma grande quantidade de estudos sugerem 
que o dano endotelial pode ser resultado de uma aceleração da ina-
tivação do NO causada pelas ERO.
Além da LDL oxidada, novas espécies reativas atuarão inibindo 
a biodisponibilidade de NO e criando ou agravando um processo de 
disfunção endotelial. Segundo Singh e Jialal (2006) dentre os fatores 
que danificam o endotélio, espécies reativas, principalmente as deri-
vadas do oxigênio, são as principais responsáveis por comprometer 
as células do endotélio. Lakshmi et al (2009) comprovam essa idéia 
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A RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO COM A ATEROSCLEROSE
e afirmam que um aumento na produção de ERO é a maior causa de 
disfunção endotelial na aterosclerose clínica e experimental.
O estresse oxidativo influencia na aterogênese, mas também 
contribui na progressão da doença através da oxidação da LDL que 
gera uma resposta inflamatória, na qual são liberados fatores que re-
gulam o equilíbrio da placa, podendo torná-la estável ou vulnerável. 
Um estudo realizado por Siqueira et al (2006) envolvendo pacientes 
coronariopatas demonstra que altas concentrações de LDL modifi-
cadas na placa ou no plasma do paciente predispõe a ruptura da 
placa, o que resulta na formação de trombos que podem migrar pela 
circulação e atingir inclusive artérias coronárias e carótidas.
Outra relação importante é observada com as metaloproteina-
ses de matriz, que participam em vários momentos da aterosclerose, 
principalmente no que se refere a ruptura da placa aterosclerótica. 
Segundo Souza e Laurindo (2002) o estresse oxidativo seria um im-
portante modulador dessas metaloproteinases, com isso, desequilí-
brios redox seriam capazes de afetar negativamente a remodulação 
vascular e espécies reativas poderiam degradar a matriz extracelular 
causando uma instabilidade na placa, tornando-a mais suscetível a 
ruptura. 
Apesar da grande maioria dos estudos estarem de acordo com a 
hipótese oxidativa e a utilizarem para explicar a fisiopatologia da ate-
rosclerose, alguns autores apontam falhas nessa hipótese. Segundo 
Libby (2002) a hipótese oxidativa da LDL é voltada para estudos in 
vitro e seus achados não, necessariamente, corresponderiam a pro-
cessos in vivo. Porém, existem fortes evidências da oxidação da LDL 
in vivo.
Stocker e Keaney (2005) apontam estudos em que ácidos gra-
xos poliinsaturados oxidados, por ERO, decompõem-se em aldeídos 
reativos que facilmente se ligam a resíduos de lisina da apolipoprote-
ína B-100, gerando uma LDL alterada. Anticorpos que reconhecem 
essa apolipoproteína oxidada aparecem em lesões ateroscleróticas 
em coelhos, ratos com apolipoproteína E deficiente e em humanos, 
mas não aparecem em artérias normais. Além disso, biomarcado-
res da peroxidação lipídica (que gera LDL oxidada) podem ser en-
contrados em fluídos biológicos. Segundo Abdalla e Sena (2008) 
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a determinação destes biomarcadores pode ser realizada através 
de técnicas cromatográficas ou enzimoimunoensaios. Dessa forma, 
embora alguns autores ainda discordem desta relação é inegável a 
participação do estresse oxidativo em processos bioquímicos liga-
dos a aterosclerose.
7. CONCLUSÃO
Patologia importante nas sociedades modernas, a aterosclerose 
encontra-se entre as principais causas de morte no mundo. Fatores 
de risco, relacionados ao estilo de vida, são alguns entre os muitos 
motivos que levam à patologia nos indivíduos. Porém, é necessário 
descobrir outros mecanismos pelos quais a aterosclerose se desen-
volve, dentre eles o estresse oxidativo.
Diante dos estudos demonstrados, verificou-se que, em inúme-
ros trabalhos, é descrita uma relação entre o estresse oxidativo e a 
aterosclerose. A hipótese oxidativa da aterosclerose tem sua consis-
tência pela grande quantidade de estudos nos quais é validada atra-
vés da avaliação do estresse oxidativo desde o início da aterogênese 
até a progressão e ruptura da placa. São muitas as evidências que 
apontam as modificações oxidativas na LDL como um importante 
mecanismo para o desenvolvimento das lesões, sendo observadas 
em pacientes com doenças cardiovasculares e obrigatoriamente em 
todos os estágios da aterogênese. Também fica claro que não é só 
através da oxidação da LDL que o estresse oxidativo atua na patolo-
gia. Como já evidenciado, ERO e ERN contribuem para o desenvol-
vimento de uma disfunção do endotélio, bem como são relacionados 
aos processos inflamatórios do vaso. Além disso, inúmeras doenças 
estão relacionadas ao estresse oxidativo, nas quais, também, evi-
dencia-se uma relação de dano aos tecidos mediado pelo acúmulo 
de ERO e ou ERN. 
Portanto, torna-se importante o esclarecimento dos processos 
que envolvem o estresse oxidativo, seus mecanismos e atuação nas 
patologias. Do mesmo modo, a expansão dos conhecimentos so-
breos diferentes fatores relacionados à aterosclerose torna-se in-
dispensável, bem como compreender os mecanismos envolvidos na 
formação e evolução dessa patologia. Uma nova visão do papel da 
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A RELAÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO COM A ATEROSCLEROSE
inflamação na aterosclerose e também a sua relação com o estresse 
oxidativo podem fornecer uma nova estrutura na compreensão clí-
nica dessa doença, o que possibilitaria o desenvolvimento de novos 
tratamentos para prevenir e evitar sua progressão.
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OS BENEFÍCIOS DO REFORÇO MUSCULAR EM PORTADORES DE GONARTROSE
OS BENEFÍCIOS DO REFORÇO 
MUSCULAR EM PORTADORES DE 
GONARTROSE
THE BENEFITS OF SUPPORT IN PATIENTS WITH 
MUSCULAR GONARTHROSIS
Aline Fróes Tavares1 
Thais do Nascimento Gomes2
RESUMO
A gonartrose é uma patologia reumatológica que afeta a ariculação do joelho, manifestando-se devido a muitos 
fatores como o processo natural do envelhecimento ou ao acúmulo excessivo de carga que a ariculação suporta o que 
desequilibra as forças musculares e aumenta a exigência do joelho. O reforço muscular é uma alternaiva preveniva e/
ou curaiva para o restabelecimento das funções normais do joelho. Este estudo teve como objeivo realizar uma revisão 
bibliográica sobre os beneícios do reforço muscular na gonartrose, através das respostas isiológicas dos recursos 
isioterapêuicos empregados. Evidenciou-se através desta pesquisa que objeivou veriicar os beneícios do reforço 
muscular em pacientes com gonartrose, que o cálcio tem um papel importante na contração e principalmente na 
geração de força, sendo que sua falta é fator de fraqueza muscular e desequilíbrios que tornam susceíveis patologias 
como a gonartrose. Os ipos de contração muscular, de acordo com cada músculo, podem favorecer o ipo de exercício 
mais indicado, acelerando os beneícios frente ao tratamento de reforço muscular. Dessa forma tal análise permiiu 
concluir que as mudanças isiológicas causadas pela gonartrose podem ser prevenidas ou amenizadas a parir do reforço 
muscular quando uilizado através do conhecimento do ipo de musculatura e do exercício, que deve ser personalizado 
e adaptado ao esilo de vida.
Palavras-chave: contração muscular, gonartrose, reforço muscular.
ABSTRACT
The gonarthrosis is a rheumaic disease that afects the knee joint, manifesing due to many factors such as the natural 
process of aging or excessive accumulaion of load that the joint support which impairs muscle strength and increases 
the requirement knee. Muscle strengthening is a prevenive and / or curaive alternaive for the restoraion of normal 
knee funcions. This study aims to review literature on the beneits of muscle strengthening in gonarthrosis by the 
physiological responses of physiotherapy resources employees. It was evident through this research aimed to verify the 
beneits of muscle strengthening in paients with gonarthrosis, that calcium plays an important role in contracion and 
mainly in power generaion, with its absence of muscle weakness and imbalances factor that makes them suscepible 
pathologies as gonarthrosis . The types of muscle contracion, according to every muscle, may favor the most appropriate 
type of exercise, acceleraing the beneits to the treatment of muscle strengthening. Thus this analysis concluded that 
physiological changes caused by gonarthrosis can be prevented or miigated from muscle strengthening when used 
through knowledge of muscles and the type of exercise, which should be personalized and tailored to the lifestyle.
Keywords: twitch, gonarthrosis, muscle strengthening
1. INTRODUÇÃO
O sistema musculoesquelético com o passar do tempo sofre mui-
tas modificações, seja pelo processo natural de envelhecimento ou 
1 Fisioterapeuta, pós-graduada em ortopedia e traumatologia com ênfase em atendimento na Clínica de Fisioterapia (CBES). E-mail: 
alifroes@yahoo.com.br
2 Mestre em educação nas ciências. Docente do Curso no Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo CNEC/IESA. 
E-mail:gomesnthais@gmail.com
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ALINE FRÓES TAVARES - THAIS DO NASCIMENTO GOMES
pela associação de movimentos repetitivos, estilo de vida, posturas 
viciosas e mantidas durante a jornada de trabalho o que sobrecarre-
ga as diferentes estruturas corporais (SILVA; TARANTO; PIASECKI, 
2006). Essas alterações preocupam já que podem acarretar uma 
série de lesões e déficits funcionais importantes como as rupturas 
de meniscos e ligamentos, perda de equilíbrio, fraqueza muscular, 
bursites e artrites (JACOB; FRANCONE, LOSSOW, 1990).
Dentre as doenças que acometem o sistema musculoesqueléti-
co, as chamadas patologias reumatológicas são as mais constantes, 
e têm na osteoartrose suas maiores incidências. São consideradas 
um problema mundial que acomete os países desenvolvidos e em 
desenvolvimento, atingindo cerca de 16,2% da população brasileira 
(SEDA; SEDA, 2001). 
A osteoartrose é a degeneração dos componentes articulares 
que leva à destruição progressiva da cartilagem hialina, da cápsu-
la articular, da membrana sinovial e que pode atingir de forma se-
cundária os tecidos moles. Pode ser agravada pela perda de força 
muscular consequência geralmente do sedentarismo, gerando per-
da de funcionalidade, de estabilidade, de flexibilidade,diminuição de 
amplitude de movimento (ADM) e propriocepção, o que causa maior 
instabilidade muscular levando a outras patologias associadas (RO-
DRIGUES, 2007).
A gonartrose, osteoartrose de joelho, é dentre as osteoartroses, 
as que mais se manifestam devido ao acúmulo de carga que supor-
tam o que faz aumentar significativamente a exigência do joelho, de-
sequilibrando assim as forças musculares, e por isso necessitando 
de reforço muscular (WANNMACHER, 2006).
A evolução da gonartrose pode lev
ar a substituição total da articulação, mas o tratamento conser-
vador é a alternativa inicial para evitar os agravos da patologia. As 
técnicas fisioterapêuticas neste caso devem melhoram os sinais e 
sintomas dolorosos, prevenir atrofias e perdas de amplitude de mo-
vimento sendo fundamentais as orientações posturais, de ativida-
des de vida diária e a inclusão de atividade física específica (RADL, 
2005).
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OS BENEFÍCIOS DO REFORÇO MUSCULAR EM PORTADORES DE GONARTROSE
2. MATERIAIS E MÉTODOS
Foram utilizados no presente artigo os seguintes materiais: arti-
gos, livros, revistas, revistas online, sites relacionados da web. Atra-
vés do método de consulta, leitura e análise do conteúdo para ela-
boração do artigo.
3. DISCUSSÃO
Na gonartrose, a diminuição de líquido pela inatividade funcional 
e pela fraqueza muscular gera tensão articular, sobrecarga, fricção 
e desgaste dos elementos presentes no joelho. O reforço muscular 
faz com que seja preservado o movimento funcional e a produção 
de líquido de forma adequada, fazendo com que as estruturas se-
jam preservadas e as forças continuem agindo corretamente. A ge-
ração de força muscular se dá através de dois tipos de contração: 
a contração isotônica, gerando movimento de forma concêntrica e 
excêntrica, e de forma isométrica quando não acontece movimento 
(SILVERTHORN, 2003). 
Devido a hipotrofia muscular ocorre o desequilíbrio muscular e 
ação incorreta de agonistas e antagonistas. A ação agonista do reto 
femoral fica prejudicada, pela compensação gerada no movimento, 
os vastos laterais e médios precisam entrar em ação no movimento 
de extensão de joelho e os isquiotibiais acabam por funcionar como 
sinergistas ao auxiliar o movimento. Os músculos, quadríceps e is-
quiotibiais tornam-se hipotróficos geralmente devido ao desuso ou 
quadro álgico, que limita o movimento e a função (OLIVEIRA; CAR-
VALHO; SILVA, 2008).
A gonartrose é responsável por 50-60% de redução de torque 
máximo de quadríceps, aliado a dor e a rigidez muscular são deter-
minantes da diferença de torque e trabalho isocinético nos pacientes 
portadores de gonartrose. Por isso, a diminuição de torque demons-
tra a perda de força muscular, principalmente em quadríceps, que 
pacientes com gonartrose apresentam o que leva a um desequilíbrio 
muscular e alteração funcional. Para geração de torque, movimento 
e de força, deve haver a ação das musculaturas agonistas e antago-
nistas que de forma recíproca e ordenada trabalhem para que estas 
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ações aconteçam, tal fenômeno é denominado de inervação recípro-
ca (MELO et al., 2008).
O agonista tem papel principal na execução do movimento e na 
manutenção de uma postura contraindo-se ativamente. Os antago-
nistas possuem ação anatômica oposta ao agonista regulando a po-
tência ou a rapidez da ação. Usualmente os antagonistas não estão 
se contraindo e nem auxiliando ou resistindo ao movimento (ALBU-
QUERQUE, 2003).
Somente os músculos que atuam sobre uma única articulação 
são considerados verdadeiros antagonistas. Os músculos que atu-
am sobre mais de uma articulação agem como antagonistas e outras 
vezes como sinergistas. A articulação do joelho tem como antagonis-
ta o reto femoral dos isquiotibiais, porém quando o quadril e joelho 
fletem simultaneamente o reto femoral funcionará como sinergista 
(ALBUQUERQUE, 2003).
A potência funciona como a taxa de trabalho ou a produção de 
potência que descreve a intensidade do exercício. Através da com-
preensão do termo potência é que se consegue calcular o trabalho 
realizado e a eficiência do exercício associado (POWERS; HOWLEY, 
2000).
A força da contração aumenta com a somação das contrações 
musculares. A força gerada pela contração de uma fibra muscular 
simples pode ser aumentada pelo incremento da velocidade (fre-
qüência) com que os potenciais de ação estimulam a fibra muscular 
(SILVERTHORN, 2003).
O treinamento físico rigoroso acarreta alterações nos tipos de fi-
bra muscular. Tanto no treinamento de endurance quanto o de resis-
tência (peso) acarretam uma conversão das fibras rápidas em fibras 
mais lentas. A perda muscular passa por duas fases, uma lenta, em 
que 10% da massa é perdida entre os 25 e os 50 anos de idade, e 
uma rápida entre os 50 e os 80 anos onde ocorre uma perda adicio-
nal de 40%, portanto aos 80 anos metade da massa muscular total 
foi perdida. Ainda ocorre durante este processo a perda de fibras 
rápidas e o aumento de fibras lentas (POWERS; HOWLEY, 2004).
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OS BENEFÍCIOS DO REFORÇO MUSCULAR EM PORTADORES DE GONARTROSE
A perda do trofismo e força não são observadas somente nos 
idosos e inativos, mas também, por exemplo, em períodos de imo-
bilização por gesso quando se percebe a redução do tamanho do 
músculo. Logo o músculo esquelético é um tecido altamente plástico 
que responde tanto ao uso quanto ao desuso. Embora o exercício 
regular não possa eliminar completamente a perda muscular rela-
cionada à idade pode-se aumentar a endurance e a força muscular 
nos idosos de maneira similar à observada nos indivíduos jovens. 
O reforço muscular neste contexto tem papel relevante para garan-
tia de músculos fortes que gerem melhora da estabilidade funcional 
articular e proprioceptiva proporcionando proteção articular, equilí-
brio muscular, contração correta e movimento ideal do seguimento 
(POWERS; HOWLEY, 2004).
Os exercícios isométricos trabalham de forma eficiente os mús-
culos através de contração muscular que desenvolve tensão sem 
provocar a alteração do comprimento do músculo. Este tipo de exer-
cício não provoca grande hipertrofia (aumento de massa muscular), 
mas desenvolve força em escala moderada. Seu benefício é de não 
comprometer a postura durante sua execução (SILVA; TARANTO; 
PIASECKI, 2008).
O aumento de força e de massa muscular é observado através 
deste tipo de exercício na reabilitação de problemas musculoesque-
léticos, inclusive em pacientes que apresentem limitação articular 
como, por exemplo, os pacientes com gonartrose. Já que na isome-
tria não existe solicitação de movimentos com amplitudes como os 
que são solicitados em exercícios mais dinâmicos. O aumento de for-
ça irá depender do regime de treinamento, o tipo de ação muscular, 
a intensidade, o volume, o posicionamento, a ordem dos exercícios e 
o período de repouso entre as séries e freqüência (COUTRIN; GUE-
DES; MOTTA, 2008).
O isostreching trabalha de maneira benéfica por bloquear as rota-
ções compensatórias, o que acontece com portadores de gonartrose, 
que perdem a mobilidade e a rotação, compensando os movimentos. 
O bloqueio é dado por uma forte contração muscular dos agonistas, 
fazendo com que aconteça o reforço, e o alongamento dos antago-
nistas. Pela dificuldade imposta ao corpo há o reforço muscular. A 
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forma com que age na coluna, reforçando seus músculos profundos 
e tornando-a móvel e tonificada, faz com que mantenha uma retidão 
por contração de todos os músculos (REDONDO, 2001). 
O método DeLorme foi criada por Delorme em 1945 e se baseia 
em exercícios resistidos com aumento progressivo de carga sobre 
o músculo, uma sobrecarga. Entre as diversas maneirasde formu-
lar o princípio da sobrecarga, de uma forma ampla, o desempenho 
muscular não pode ser melhorado a não ser que o músculo seja exi-
gido além da capacidade diária usual. Basicamente, “a parte distal 
do membro movido pelo músculo ou grupo muscular a ser treinado é 
submetido a peso de diversos modos (RAMALHO et al., 2004).
É um método que se baseia na quantidade de peso que se pode 
conduzir por toda a amplitude de movimento em dez repetições. En-
tão se trata de um exercício de alta resistência em que os pesos 
são distribuídos de maneira que, na primeira série de dez repetições 
máximas, seja colocado 50% do peso, na segunda série de dez re-
petições máximas coloca-se 75% e na terceira coloca-se 100%. As 
repetições são o número de execuções completas e contínuas do 
exercício (MATTOSO, 2006). 
A musculação orientada pode trazer inúmeros benefícios, este-
ticamente como modelação do corpo e a diminuição de gordura e 
ainda fisiologicamente com a geração de força muscular. Há melho-
ra da circulação sanguínea, treino do coração, melhora da postura, 
aumento da flexibilidade, melhora da auto-estima, e na osteoartrite 
a musculatura fortalecida propicia estabilidade articular, promoven-
do menor desgaste entre os ossos (OLIVEIRA; CARVALHO; SILVA, 
2008).
A força é aumentada pela sustentação de carga, podendo ser be-
néfica no aumento de massa óssea e tem se demonstrado ser muito 
eficaz em pacientes com doenças articulares inflamatórias (PRENTI-
CE; VOIGHT, 2003).
No método Pilates é preconizado o condicionamento físico e 
mental, trabalhando dessa forma o corpo globalmente. Desenvolvido 
por Joseph Pilates em 1920, através de um equipamento específico 
e um método para balancear e fortalecer os músculos e articulações. 
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OS BENEFÍCIOS DO REFORÇO MUSCULAR EM PORTADORES DE GONARTROSE
São exercícios que focalizam a melhora da flexibilidade e a força 
total do corpo sem a hipertrofia da musculatura. É usado como con-
dicionamento físico, reabilitação e a busca pelo bem-estar físico e 
mental entre pessoas de todas as idades (DAVIS, 2006).
O método propicia melhora da circulação, do condicionamento 
físico geral, da flexibilidade, da amplitude muscular e do alinhamen-
to postural adequado, melhorando também os níveis de conscien-
tização corporal e coordenação motora. Mostra-se muito eficiente 
no alívio de dores crônicas, diminui o risco de lesões, fortalecendo, 
alongando e equilibrando a musculatura ajudando a preparar a rea-
bilitação de áreas com fraqueza muscular (PEREIRA, 2008).
A hidroterapia é um dos recursos para o tratamento de portado-
res de gonartrose, podendo ser realizado em piscinas, tanque de 
Hubbard e balneários. A piscina pode ser profunda, em banheiras 
com redemoinhos de água, banhos de contraste e duchas escoce-
sas onde se alterna água quente e fria (CAMPION, 2000).
A água possui propriedades que auxiliam no tratamento da osteo-
artrite de joelho. Em águas aquecidas, a temperatura de, em média, 
36° estimula o relaxamento muscular e alivia a dor das articulações. 
A flutuação promove a diminuição da sobrecarga articular, ajudando 
com que os exercícios de fortalecimento sejam feitos sem a com-
pressão óssea, logo, não há dor. A viscosidade, fricção e tensão su-
perficial causam resistência ao movimento promovendo aumento da 
força muscular (CAROMANO, 2001).
Nesse método, o terapeuta fornece estabilidade para o paciente 
e a posição de suas mãos influencia na movimentação do paciente 
e na quantidade de trabalho isométrico e isotônico realizado. Pode-
se conseguir a irradiação dos músculos mais fortes para os que se 
encontram mais fracos (SKINNER; THOMSON, 2000).
O método Qi Gong é uma terapia alternativa que faz a conexão 
entre corpo e mente. Constituída por um grupo de técnicas da espe-
cialidade da medicina energética, baseando-se que a cura do corpo 
depende de um equilíbrio de energia vital, da mente tranqüila e das 
emoções controladas. Semelhante aos exercícios de Tai Chi, com 
movimentos lentos, posturas controladas e isentas de impacto que 
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ALINE FRÓES TAVARES - THAIS DO NASCIMENTO GOMES
deslocam e estimulam o centro de gravidade do corpo, mostram-se 
benéficos ao fortalecimento, principalmente em portadores de go-
nartrose que apresentam limitações de movimento e devem evitar a 
impactação articular (DAVIS, 2006).
O biofeedback refere-se a integração da mente e do corpo, sig-
nificando “retroalimentação da vida”, utilizando eletronicamente as 
informações emitidas pelo corpo para que o indivíduo perceba o 
que está acontecendo dentro do seu cérebro, do sistema nervoso 
e de seus músculos, transmitindo sinais imediatos e contínuos das 
alterações corporais que ele nem percebe, como pressão arterial, 
atividade das ondas cerebrais ou tensão muscular. O Biofeedback 
mensura, por um aparelho, uma resposta fisiológica melhorando o 
componente sensorial de um mecanismo de retroalimentação (fe-
edback), para que a sensibilidade compensada e a força perdida, 
forneçam respostas apropriadas, com uma associação nova entre 
estímulo e resposta (BOTTOMLEY, 2006).
Este método é amplamente utilizado na reeducação muscular, 
para que o paciente visualize o movimento, muitas vezes nas ampli-
tudes que ele não consegue mais realizar, como nos casos em que 
a musculatura está fraca. Pode ser colocado em músculos normais 
ou no correspondente da extremidade saudável, realizando os mo-
vimentos em todas as amplitudes ou a contração e o relaxamento. 
Durante a aplicação do aparelho para ajudar a resposta do paciente, 
podem ser aplicadas todas as formas de exercício, facilitação neu-
romuscular proprioceptiva (FNP) e o posicionamento corporal, para 
que se alcance o objetivo de recrutar as unidades motoras que estão 
funcionais. Trata-se então de um aparelho auxiliar na função do for-
talecimento para detectar qual a capacidade do músculo ou grupo 
muscular, para que seja então realizado um programa adequado e 
mais eficaz de fortalecimento (DAVIS, 2006).
O método Kabat ou FNP desenvolvido nos Estados Unidos pelo 
Dr. Kabat consiste no uso de padrões funcionais de movimento para 
aceleração das respostas neuromusculares, em que o fisioterapeuta 
dá vários estímulos sensoriais para facilitar o movimento, como pres-
são e toque com as mãos sobre o corpo e no sentido do movimento, 
estiramento rápido do músculo a ser estimulada (facilitado), tração 
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OS BENEFÍCIOS DO REFORÇO MUSCULAR EM PORTADORES DE GONARTROSE
ou compressão conforme objetivo e comando de voz do fisiotera-
peuta para estímulo ao movimento. A técnica pode ser utilizada para 
início de contração, fortalecimento muscular, aumentar a mobilidade 
e melhorar a coordenação motora (FAVARÃO; PIERETTI, 2004).
Os padrões de facilitação neurofuncional proprioceptiva (FNP) 
de fortalecimento utilizados para joelho são os que destacam a rota-
ção tibial manualmente resistidos, essenciais para o treino da função 
normal. Os movimentos são realizados em cadeia cinética aberta, 
devendo incluir apenas contração ativa, utilizando o padrão de movi-
mento funcional. Padrões resistidos são feitos em períodos em que o 
músculo já está mais fortalecido Os exercícios são feitos sempre em 
diagonais, seguindo os movimentos funcionais, em todos os ângulos 
que a articulação permite (PRENTICE; VOIGHT, 2003).
A vantagem do FNP/Kabat é que a parte mais forte da muscula-
tura fortalece as debilitadas e por serem atividades alternadas a fadi-
ga demora mais tempo para ocorrer. A posição em alongamento é o 
estímulo de estiramento, o contato manual é o estímulo visual, ainda 
conta com o estímulo verbal e a máxima resistência é a seqüência 
de movimento. A contração gera o movimento, trabalha função, ge-
rando atividade (PRENTICE; VOIGHT, 2003).
Na utilização da corrente Russa Para é preciso conhecer asfi-
bras que serão estimuladas. Como com o enfraquecimento perdemos 
mais fibras rápidas (contrações fortes e rápidas, com fadiga rápida) 
e aumentam as fibras lentas (resistentes à fadiga, mas necessitam 
maior tempo para gerar força) é preciso escolher dentro da corrente 
russa a estimulação correta para nossos objetivos. À medida que a 
intensidade da estimulação elétrica aumenta mais fibras musculares 
são estimuladas, dando lugar a contrações mais fortes. O trabalho se 
torna muito mais eficaz se, junto com a corrente elétrica, for realizada 
contração muscular ativa contra uma resistência. As fibras muscu-
lares tônicas e fásicas devem ser estimuladas para que se obtenha 
um trabalho muscular mais efetivo. Porém dependendo do objetivo 
funcional é que se determina qual delas deve ser priorizada. No caso 
dos portadores de gonartrose enfatizam-se as fibras fásicas, respon-
sáveis pelas contrações rápidas e potentes que atuarão diretamente 
no fortalecimento do quadríceps (PRENTICE; VOIGHT 2003).
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ALINE FRÓES TAVARES - THAIS DO NASCIMENTO GOMES
4. CONCLUSÃO
Dentre os benefícios do reforço muscular em portadores de go-
nartrose estão: a redução de alterações funcionais, a facilitação das 
atividades diárias, a redução da dor, o aumento de amplitude de mo-
vimento e força muscular e a melhora da postura e do condiciona-
mento físico. 
Os tipos de exercícios, de acordo com cada músculo, podem 
favorecer o fortalecimento, acelerando os benefícios que o mesmo 
proporciona frente à gonartrose. Como no caso da contração tipo 
isotônica que aumenta a resistência e a isocinética que vai propor-
cionar ao paciente graduar a mesma.
Entre os apresentados, o método DeLorme foi o que menos pa-
receu viável já que necessita de um elevado tempo de duração para 
que seja realizado, apresenta a utilização de cargas com pesos in-
definidos, exige alta resistência do indivíduo praticante, além de se-
rem restritas a alguns usuários em vistas as suas contra-indicações. 
Já o Biofeedback foi considerado um auxílio para que os exercícios 
dentro de cada técnica sejam mais bem aproveitados e indique qual 
a deficiência ou a condição da musculatura trabalhada. Tem gran-
de importância para a reeducação dos pacientes e treino, mas nem 
sempre é um recurso disponível ao paciente.
A musculatura dos joelhos deve ser priorizada, mas não deve ser 
esta apenas o foco reabilitativo, uma vez que toda musculatura de 
forma global deve ser estimulada. As técnicas que se enquadraram 
nestes quesitos foram: os exercícios isométricos, o Isostreching, a 
musculação, o método Pilates, a hidroterapia, o método Qi Gong, o 
método Kabat ou FNP e a corrente russa.
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PREVALÊNCIA DE ENTEROPARASITOSES NA POPULAÇÃO ATENDIDA EM PROJETO DE EXTENSÃO DO CURSO SE BIOMEDICINA IESA – RS
PREVALÊNCIA DE ENTEROPARASITOSES 
NA POPULAÇÃO ATENDIDA EM 
PROJETO DE EXTENSÃO DO CURSO SE 
BIOMEDICINA IESA – RS
PREVALENCE OF INTESTINAL PARASITES IN THE 
POPULATION ATTENDED IN PROJECT SCOPE OF 
COURSE IF BIOMEDICINA IESA - RS
Djonattan Patrick Sinhorini1
Alexandre Novicki2
Débora Pedroso3
RESUMO
As parasitoses intesinais consituem um grave problema de saúde pública, sobretudo em países em desenvolvimento 
onde ocupam lugar de destaque entre as doenças negligenciadas. Afetam principalmente as populações de baixa 
renda, que vivem em condições precárias de saneamento básico e aumenta o risco de contaminação e proliferação de 
doenças na população infanil. Esse trabalho objeivou registrar quais as parasitoses intesinais que ocorreram entre 
outubro de 2009 a outubro de 2010, nas crianças entre 6 a 15 anos incompletos alunas de Centro de Referência de 
Assistência Social (CRAS). Foram analisadas 198 amostras fecais de 66 crianças e observou-se posiividade em 31(46,9%) 
dos exames realizados. Os parasitos encontrados foram Ascaris lumbricóides (25%), Entamoeba coli (21,1%), Trichuris 
trichiura (19,2%), Endolimax nana (15,40%) entre outros. As crianças posiivas ao exame foram proporcionadas 
tratamento médico. O alto índice de infecção parasitária no presente estudo é relexo da falta de saneamento básico da 
região estudada. Com este estudo ica registrado a prevalência das parasitoses intesinais encontradas na população de 
estudo e a possibilidade de novos trabalhos de extensão visando à prevenção e controle das enteroparasitoses.
Palavras- Chave: Prevalência, Parasitoses Intesinais, Parasiismo.
ABSTRACT
Intesinal parasiic infecion is an important public health problem, especially in developing countries where play an 
important role between the neglected diseases. Mainly afect the poor populaion that live in low sanitaion condiions 
increasing the infecion risk and spread of diseases mainly in children. The present study was carried out between 
the period of October 2009 toOctober 2010 and an invesigaion about the intesinal parasites occurring in children 
between 6-15 years old, students of the Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). One hundred ninety eight 
fecal samples were analyzed of 66 children and posiivity rates were observed in 31 (46.9%) theirs. The most prevalent 
parasites were Ascaris lumbricoides (25%), Entamoeba coli (21.1%), Trichuris trichiura (19.2%), Endolimax nana 
(15.4%). Infected children received medical treatment. In this study, the high parasiic infecion rates relect the lack 
of sanitaion in the studied region. Here is noiied the intesinal parasites prevalence in this populaion and further 
extension’s work aiming at the prevenion and control of intesinal parasites.
Keywords: Prevalency, Intesinal Parasitasis, Parasiism
1 Acadêmico concluinte do curso de Biomedicina, 2010. Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo
2 Mestrado em Física (UFRGS); Especialista em Docência no Ensino Superior (IESA); Físico e Matemático (URI). Docente do curso de 
Biomedicina do Instituto Cenecista de Santo Ângelo.
3 Mestre em Parasitologia (UFPEL); Especialista em Análises Clínicas (UFRGS); Biomédica (FEEVALE); Docente do curso de 
Biomedicina do Instituto Cenecista de Santo Ângelo.
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DJONATTAN PATRICK SINHORINI - ALEXANDRE NOVICKI - DÉBORA PEDROSO
1. INTRODUÇÃO
As parasitoses intestinais constituem um grave problema de saú-
de pública, sobretudo em países em desenvolvimento, onde ocu-
pam lugar de destaque entre as doenças negligenciadas. Estudos 
de diferentes regiões do Brasil mostram freqüências diferentes entre 
espécies de helmintos e protozoários. Variam de acordo com as ca-
racterísticas da amostra estudada, localidade, fatores climáticos, só-
cio-econômicos, educacionais e de saneamento (SILVA; SANTOS, 
2001; BASSO et al., 2008; FONSECA; SILVEIRA, 2010).
Em relação á ocorrência, estudos demonstram que as enteropa-
rasitoses acometem principalmente crianças e adultos jovens, cons-
tituindo um fator agravante na subnutrição, refletindo diretamente no 
rendimento escolar (FONSECA; SILVEIRA, 2010). Segundo Andreis, 
Schuh e Tavares (2008), apesar de isoladamente não apresenta-
rem alta letalidade, as parasitoses intestinais podem ser analisadas 
como co-fatores da mortalidade infantil, podendo afetar o equilíbrio 
nutricional, induzir sangramento intestinal , além de competir pela 
absorção de nutrientes e interferindo o desenvolvimento cognitivo 
da criança.
A escolha do tema de pesquisa teve como justificativa dois as-
pectos importantes, (I) vivências adquiridas no projeto de extensão 
Parasitologia na Comunidade: Uma Prática de Educação em Saúde 
no curso de Biomedicina (II) a gravidade que assumem as parasito-
ses intestinais na infância.
O presente trabalho estima a prevalência de enteroparasitos em 
crianças de 6 a 15 anos incompletos, atendidas em Centro de Refe-
rência de Assistência Social (CRAS), analisa alguns aspectos epide-
miológicos, sociais e sanitários da população atendida no projeto de 
extensão da disciplina de Parasitologia. 
2. Relações parasito hospedeiro e 
ambiente
O parasitismo é uma associação entre seres vivos com unilate-
ralidade de benefícios, sendo o hospedeiro um dos associados e o 
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PREVALÊNCIA DE ENTEROPARASITOSES NA POPULAÇÃO ATENDIDA EM PROJETO DE EXTENSÃO DO CURSO SE BIOMEDICINA IESA – RS
prejudicado nesta associação. O hospedeiro é indispensável ao pa-
rasita que, dele separado, morrerá por falta de nutrição. O parasito 
obtém alimento as expensas de seu hospedeiro (tecidos, humores e 
conteúdo intestinal) e abrigo. Assim, a parasitose é o estado de in-
fecção cuja agressão repercute prejudicialmente sobre o hospedeiro 
(CIMERMAN; CIMERMAN, 2005; SILVA; SANTOS, 2001).
Para que ocorra a infecção três fatores da clássica tríade epi-
demiológica das doenças parasitárias são indispensáveis: as con-
dições do hospedeiro, o parasito e o meio ambiente. Em relação ao 
hospedeiro os fatores predisponentes incluem: idade, estado nutri-
cional, fatores genéticos, culturais, comportamentais e profissionais. 
Pesa para o lado do parasito: a resistência ao sistema imune do hos-
pedeiro e os mecanismos de escape vinculados as transformações 
bioquímicas e imunológicas verificadas ao longo do ciclo de cada 
parasito. As condições ambientais associadas aos fatores anteriores 
irão favorecer e definir a ocorrência de infecção e doença (FREI; 
JUNCANSEN; PAES, 2008).
As parasitoses intestinais são transmitidas aos hospedeiros por 
várias fontes de contaminação. Geralmente a transmissão ocorre por 
via passivo-oral, onde ocorre ingestão de alimentos ou água conta-
minados com estruturas parasitárias, sendo sua maior prevalência 
vinculada a áreas que se apresentam com condições higiênico-sani-
tárias precárias associadas à falta de tratamento adequado de água 
e esgoto, logo estes fatores facilitam a disseminação de ovos, cis-
tos e larvas, sendo a transmissão também facilitada pelo aumento 
do contato pessoa a pessoa propiciado pelos ambientes fechados 
como creches, escolas, asilos, presídios, pois o grande número de 
indivíduos presentes nesses ambientes não permite, muitas vezes, 
obedecer às normas de higiene e assim, contribuem para o alto grau 
de parasitoses intestinais (AFIUNE; RIBEIRO; COSTA, 2009).
As enteroparasitoses também estão associadas à locais de níveis 
socioeconômicos baixos, esgotos, lagos, córregos, riachos contami-
nados, pois estes podem acumular grande quantidade de dejetos 
e fezes contaminados por pessoas enfermas, bem como o lixo que 
atrai numerosos insetos e roedores, facilitando a proliferação dos 
parasitas (CORREIA; BRANDÃO; RIBEIRO, 2005). O desconheci-
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DJONATTAN PATRICK SINHORINI - ALEXANDRE NOVICKI - DÉBORA PEDROSO
mento deste problema de saúde pública esbarra na necessidade de 
conhecimento da realidade e dos fatores de risco que favorecem o 
surgimento, a manutenção e a propagação desses agentes (ZAIDEN 
et al., 2008).
Pelo menos em uma das fase do ciclo evolutivo as parasitoses 
intestinais encontram-se no aparelho digestivo do homem e podem 
provocar diversas alterações patológicas, sobretudo a diarréia crôni-
ca e desnutrição (BAPTISTA et al., 2006). 
Em relação aos sintomas clínicos eles podem ou não estar pre-
sentes, e variam de ausência de sintomas a estado subagudo ou 
crônico. Geralmente os sintomas são vagos e sem explicações, o 
que dificulta o diagnóstico clínico, salvas exceções como, por exem-
plo: de prurido anal no caso de enterobiose, quando há eliminações 
de vermes adultos na ascaridíase, ou quando evoluem para suas 
complicações, com manifestações clínicas mais específicas (MAN-
FROI; STEIN; CASTRO FILHO, 2009).
Os sinais clínicos são variáveis, diferindo conforme a fase e du-
ração da infecção e o número de parasitas. Em conseqüência da 
migração do parasita imaturo (larva) no organismo do hospedeiro, 
pode ocorrer dor abdominal, febre, vômito, diarréia, urticária, má di-
gestão e absorção, icterícia, hepatomegalia e alterações de enzimas 
hepáticas, leucocitose e eosinofilia (OLIVEIRA et al., 2007; MAN-
FROI, 2009).
Em preocupação com a saúde, sobretudo, e das repercussões 
econômicas, vários programas foram criados para o controle das pa-
rasitoses intestinais em diferentes países, mas infelizmente, verifi-
cou-se um descompasso entre o êxito alcançado nos países mais 
desenvolvidos e aquele verificado nas economias mais pobres. Exis-
te falta de projetos educativos com a participação da comunidade 
que dificulta a implantação das ações de controles, além, do custo 
financeiro das medidas técnicas. Há de se considerar, portanto, que 
além da melhoria das condições sócio-econômicas e de infraestrutu-
ra geral, o engajamento comunitário é um dos aspectos fundamen-
tais para a implantação, desenvolvimento e sucessodos programas 
de controle (SILVA; SANTOS, 2001).
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PREVALÊNCIA DE ENTEROPARASITOSES NA POPULAÇÃO ATENDIDA EM PROJETO DE EXTENSÃO DO CURSO SE BIOMEDICINA IESA – RS
3. Prevalência das Enteroparasitoses em 
crianças 
É estimado que mais de 100 tipos de parasitos sejam capazes de 
infectar o ser humano, e as parasitoses infantis são causas impor-
tantes de morbidade e mortalidade em todo o mundo (FERREIRA et 
al., 2006). 
No Brasil existe uma grande diversidade geográfica, climática, 
social e econômica, que contribui para uma ampla variedade de 
enteropatógenos, presentes em zonas rurais ou urbanas de vários 
estados, com intensidade variável, segundo o ambiente e espécie 
parasitária, prevalecendo, geralmente, em altos níveis na população 
das regiões com condições sócio-econômicas mais precárias (OR-
LANDINI; MATSUMOTO, 2003). Das helmintoses intestinais huma-
nas, que mais se destacam são ascaridiose, tricuríose, enterobiose, 
ancilostomose e estrongiloidose. Já dentro das protozooses intesti-
nais, a de maior freqüência em crianças está giardíase (SILVA; SAN-
TOS, 2001). 
No Município de Guarapuava-PR, Pittner et al. (2006), analisan-
do a prevalência de enteroparasitoses em 203 crianças de creches 
e escolas, cuja idade variava de 0 a 15 anos, sendo 50% meninos e 
50% meninas, diagnosticaram 123 (60,59%) amostras positivas. Os 
parasitas de maior freqüência foram Giardia lamblia 103(50,73%), 
Ascaris lumbricoides 31(15,27%), e ainda encontraram os para-
sitas Strongyloides stercoralis, Entamoba coli, Criptospodirium sp, 
Ancylostoma duodenali, Hymenolepis nana, Hymenolepis diminuta, 
Trichuris trichiuria, Entamoeba histolytica, Endolimax nana e Entero-
bius vermicularis em menor freqüência.
Zochio (2006) ao determinar a prevalência de parasitos em crian-
ças atendidas em uma escola e em um centro de convivência da 
cidade de Bauru, SP, analisaram 76 crianças de ambos os sexos, 
entre zero a seis anos. Observaram a prevalência de 19,7% de po-
sitividade. No total foram encontrados: Entamoeba coli 10(58,8%), 
Endolimax nana 11(73,3%) de monoparasitos, enquanto que as as-
sociações de parasitas foram: 1(25%) Giardia lamblia e Entamoeba 
coli e 3 (75%) Entamoeba coli e Endolimax nana. 
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DJONATTAN PATRICK SINHORINI - ALEXANDRE NOVICKI - DÉBORA PEDROSO
No município de Tangará Serra – MG, Tiago et al. (2005) anali-
sando a prevalência de enteroparasitoses em pacientes da Unidade 
Mista de Saúde do município, analisaram 1596 prontuários de exa-
mes coproparasitológicos nos meses de março e agosto do ano de 
2004, sendo que o percentual de positividade foi de 51,4 %. Os para-
sitas de maior freqüência foram Endolimax nana 278 (17.4%), Enta-
moeba coli 205 (12,8%), Giardia lamblia 139 (8,7%) e Strongyloides 
stercoralis 25 (1,6%). Ainda encontraram 28 (1.7%) de associações 
duplas e 3(0,2%) de associações triplas. 
No município de Salvador-BH, Prado et al. (2001), fizeram a ava-
liação de helmintos e protozoários intestinais em crianças de 7 a 
14 anos de idade e a prevalência de infectados por pelo menos um 
protozoário/helminto foi de 66,1%. Trichuris trichiuria, Ascaris lum-
brioides, Endolimax nana, Entamoeba coli foram os parasitos com 
positividade acima de 20%, porém em menor freqüência foram diag-
nosticados: Giardia lamblia, Ancilostomídeos, Enterobius vermicula-
res, Entamoeba histolytica, Schistosoma mansoni, Iodamoeba buts-
chilii e Hymenolepis nana. 
A distribuição das enteroparasitoses mais freqüentes foi tam-
bém estudada na população de um assentamento de sem-terras em 
Campo Florido, MG. Foram realizados exames coproparasitológicos 
em 72 crianças com 5 a 14 anos e evidenciaram 59,7% de positivi-
dade. A prevalência dos parasitas foi de Giardia lamblia 22(30,5%), 
Entamoeba coli 13(18%), Hymenolepis nana 7(9,7%), Hymenolepis 
diminuta 6(8,3%), Ancilostomídeos 5(6,9%), Enterobius vermicularis 
5(6,9%), Endolimax nana 3(4,2%), Iodamoeba butschlii 2(2,8%) e 
Schistosoma mansoni 1(1,4%) (FERREIRA et al., 2003).
4. MATERIAIS E MÉTODOS
4.1. Caracterização e local do estudo
Trata-se de um estudo descritivo com coleta de dados, realiza-
do no período de outubro de 2009 a outubro de 2010, no Centro 
de Referência de Assistência Social (CRAS) em 66 crianças de 06 
(seis) até 15 (quinze) anos incompletos, cujo os pais ou responsável 
consentiram em enviar amostras múltiplas de fezes para análise no 
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PREVALÊNCIA DE ENTEROPARASITOSES NA POPULAÇÃO ATENDIDA EM PROJETO DE EXTENSÃO DO CURSO SE BIOMEDICINA IESA – RS
Laboratório de Parasitologia do Instituto Cenecista de Ensino Supe-
rior de Santo Ângelo (IESA).
O CRAS está situado na zona Sul da cidade de Santo Ângelo - 
RS, com 108 alunos matriculados entre 6 a 15 anos de idade. Atende 
crianças no turno inverso da escola cujas famílias são beneficiárias 
do programa Federal Bolsa Família.
4.2. Instrumentos de Pesquisa
Após autorização da direção do CRAS o estudo dividiu-se em 
três fases: (I) Reunião com os pais e/ou responsáveis pelas crianças, 
com explicação dos objetivos do estudo; Aplicação de questionário 
epidemiológico, distribuição de frascos de coleta de fezes, mediante 
assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido; (II) Ativi-
dades educativas às crianças e pais e execução do exame de fezes 
para diagnóstico; (III) Articulação com PSF Programa de Saúde da 
Família para avaliação médica e tratamento.
4.3. Procedimentos de laboratório
Foram analisadas três amostras fecais de cada paciente no se-
tor de Parasitologia por dois métodos qualitativos: Hoffman, Pons e 
Janner (HPJ); e FAUST e cols. Totalizando ao final do trabalho de 
pesquisa, a análise de 198 amostras de fezes. 
Os resultados do estudo foram analisados pelo programa Micro-
soft Office Word 2007 e Microsoft Office Excel 2007.
5. RESULTADOS
5.1. Aspectos Sanitários
Foram aplicados 66 questionários (Tabela 1), os quais os res-
ponsáveis pelas crianças responderam a perguntas sobre ambiente 
doméstico, hábito das crianças, sinais clínicos.
Em média cada residência possui cinco moradores e a maioria 
dos responsáveis pelas crianças tem o 1º grau incompleto (74,2%), 
enquanto que apenas 15,1% dos responsáveis haviam concluído o 
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DJONATTAN PATRICK SINHORINI - ALEXANDRE NOVICKI - DÉBORA PEDROSO
ensino médio. Quanto ao tipo de moradia, 50 % das famílias moram 
em casa de madeira, 31,8% moram em casas de alvenaria e 18,1% 
em casas mistas. 
Com referência a presença de animais doméstico, apenas 
9(13,6%) das 66 das famílias, não tinham animais, enquanto que 
57(86,6%) das famílias possuíam algum tipo de animal. Dessas, 
51,1% possuíam apenas cão em sua residência e 24,2% possuíam 
duas espécies, gato e cão. Dos 66 questionários respondidos, apro-
ximadamente 69% dos animais viviam no pátio, 18% nas residências 
e 13% não possuíam animais. 
Em relação ao dejeto da casa 23(34,8%) famílias possuem 
fossa, enquanto que 20 (30,3%) das famílias jogavam em um rio que 
passa próximo das residências. 
 Os resultados dos questionários mostram ainda que, as crian-
ças que não tem quadro de diarréia com freqüência, 24(36,3%) os 
pais tem o hábito de usar chá como tratamento e não fazem uso de 
automedicação, pois preferem procurar a Unidade de Saúde do Mu-
nicípio.
TABELA 1: Fatores de risco a enteroparasitoses em crianças 6 e 15 anos incompletos 
atendidos pelo Centro de Referência de Assistência Social, do município de Santo 
Ângelo, RS, no período de outubro de 2009 a outubro de 2010
Variáveis analisadas Respostas Número Porcentagem
Escolaridade do responsável
1º Grau Incompleto 49 74,2%
2º Grau Incompleto 10 15,1%
Utiliza tratamento de água?
Outros 7 10,6%
Não usa tratamento 60 90,9%
Usa tratamento 6 9,0%
As crianças andam de pés descalços?
Costume 2131,8%
As vezes 29 43,9%
Nunca 16 24,2%
Alguém na casa roe unhas?
Sim 37 56,1%
Não 29 43,9%
As crianças tem diarréia com frequência?
Sim 11 16,7%
Não 55 83,3%
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PREVALÊNCIA DE ENTEROPARASITOSES NA POPULAÇÃO ATENDIDA EM PROJETO DE EXTENSÃO DO CURSO SE BIOMEDICINA IESA – RS
A residência possui rede de agosto?
Sim 42 63,6%
Não 24 36,4%
Qual o tipo de depósito do dejeto casa?
Fossa fechada 23 34,8%
Rio 20 30,3%
Outros 23 34,8%
Possui animais domésticos em casa? Quantos?
Não 9 13,6
Sim 57 86,6%
Quais animais estão presentes?
Cão 34 51,5%
Cão e gato 16 24,2
Outros 7 10,6%
Não possui animal 9 13,6%
Onde vivem?
Pátio 45 68,2%
Casa 12 18,2%
Não possui animal 9 13,6%
5.2. Prevalência das Parasitoses Intestinais 
Das 66 crianças com idade entre 6 e 15 anos incompletos que 
tiveram suas fezes analisadas, 31 crianças estavam positivas para 
ao menos um enteroparasita (Tabela 2). 
Os meninos foram os mais acometidos por parasitos intestinais, 
estando 27,2% positivos, enquanto as meninas foram positivas em 
19,6 % dos casos (Grafico 3).
As helmintoses intestinais foram mais freqüentes do que as proto-
zooses, os protozoários intestinais encontrados nas amostras fecais 
das crianças estudadas foram: Entamoeba coli(21,1%), Endolimax 
nana(15,4%), Iodamoeba butschlii(1,9%), Giardia lamblia(9,6%), 
e os helmintos intestinais: Ascaris lumbricóides(25,2%), Trichuris 
trichiura(19,2%), Hymenolepis nana(3,8%), Hymenolepis diminu-
ta(1,9%), Strongyloides stercoralis(1,9%), (Tabela 4.). O parasito 
mais freqüente foi o Ascaris lumbricoides, estando este presente em 
13 das 66 crianças analisadas (Tabela 4).
Crianças acometidas por dois ou mais parasitos intestinais, re-
presentaram 22,7% do total de casos positivo (Gráfico 5), sendo a 
associação Ascaris lumbricoides – Trichuris trichiuria a mais freqüen-
te, representando 12,2% dos casos.
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DJONATTAN PATRICK SINHORINI - ALEXANDRE NOVICKI - DÉBORA PEDROSO
TABELA 2. Freqüência de amostras de fezes analisadas em crianças 6 a 15 anos 
incompletos atendidos pelo Centro de Referência de Assistência Social, do município 
de Santo Ângelo, RS, no período de outubro de 2009 a outubro de 2010
Amostras Número Percentual
Positivos 31 46,9%
Negativos 35 53,1%
TOTAL 66 100%
GRÁFICO 3. Relação entre as amostras fecais de meninos e meninas de 6 e 15 anos 
incompletos atendidos pelo Centro de Referência de Assistência Social, do município 
de Santo Ângelo, RS, no período de outubro de 2009 a outubro de 2010
TABELA 4. Freqüência de parasitos encontrados nas amostras fecais analisadas 
de meninos e meninas entre 6 a 15 anos incompletos atendidos pelo Centro de 
Referência de Assistência Social, do município de Santo Ângelo, RS, no período de 
outubro de 2009 a outubro de 2010.
Parasitos
Indivíduos parasitados Frequência
Masc. Fem. Total Positivos
Ascaris lumbricoides 9 4 13 25,2%
Entamoeba coli 6 5 11 21,1%
Trichuris trichiuria 6 4 10 19,2%
Endolimax nana 3 5 8 15,4%
Giardia lamblia 4 1 5 9,6%
Hymenolepis nana - 2 2 3,8%
Strongyloides stercoralis 1 - 1 1,9%
Iodamoeba butschlii - 1 1 1,9%
Hymenolepis diminuta - 1 1 1,9%
Feminino
Positivos
19,60%
27,20%
24,20%
28,70%
Negativos
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PREVALÊNCIA DE ENTEROPARASITOSES NA POPULAÇÃO ATENDIDA EM PROJETO DE EXTENSÃO DO CURSO SE BIOMEDICINA IESA – RS
GRÁFICO 5. Percentual de amostras fecais monoparasitadas e poliparasitadas 
em crianças de 6 a 15 anos incompletos atendidos pelo Centro de Referência de 
Assistência Social, do município de Santo Ângelo, RS, no período de outubro de 
2009 a outubro de 2010.
Todas as crianças que participaram e mostraram resultados posi-
tivos foram encaminhados para tratamento médico no ESF.
6. DISCUSSÃO
Em nosso país as taxas de prevalência de parasitoses sempre 
foram altas, como foi relatado por Chieff et al. (1992), que referem 
o estudo epidemiológico das enteroparasitoses brasileiras realizado 
na década de 10, quando as prevalência foram de 78,2% a 99,4% 
conforme a região do país. Estudos posteriores mostravam taxas 
mais altas, nos anos de 50 e 60, que variavam entre 20 e 98% (RO-
QUE et al., 2005). 
Em comparação a estudos realizados com crianças de idades 
parecidas no Rio Grande do Sul, a prevalência de parasitoses in-
testinais positivas neste estudo (46,9%) mostrou-se semelhante. De 
acordo com BIASSI et al. (2009) de 235 amostras analisadas foi en-
contrado em 2008 na cidade de Erechim (RS), 37,9 % de positivida-
de em crianças, já em Passo Fundo foram analisadas 36 amostras 
(RS), Silva (2009) obteve um total de 38,8% de casos positivos. Já 
em Caxias do Sul RS, Pezzi e Tavares (2007) obtiveram um total 
53,10%
24,20% 22,70%
MONOPARASITISMO
POLIPARASITISMO
NEGATIVISMO
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de 55,4% de positividade em 276 nas crianças. Em outro estudo 
realizado na mesma cidade que a análise, Trevisan et al., 2004 en-
contraram um percentual de amostras positivas de (36,4%) em 22 
crianças de 0 a 10 anos.
Foram encontradas amostras positivas para algum tipo de para-
sito intestinal em 29 (27,2%) sexo masculino e 23 (19,6%) do sexo 
feminino. Concordando com outros estudos que mostram maior po-
sitividade nos meninos (FONSECA et al., 2010; BAPTISTA et al., 
2006). Os meninos apresentam maior índice de infecção por para-
sitas intestinais quando comparados as meninas, o que pode ser 
explicado pelo fato de os meninos estarem mais expostos ao âmbito 
peridomiciliar durante atividades de lazer, ficando mais vulneráveis a 
infecções (PRADO et al., 2001).
As parasitoses intestinais mais freqüentes neste estudo foram 
Ascaris lumbricoides, Entamoeba coli, Trichuris trichiuria e Endoli-
max nana. Esta freqüência reforça o fato de que neste período de 
vida os hábitos alimentares, sociais e pessoais tais como introdução 
de alimentos crus nas refeições, maior contato com o solo e animais 
facilitam a transmissão (ZAIDEN et al., 2008).
A prevalência de Ascaris lumbricoides (25,2%) verificada no pre-
sente estudo concorda com estudos de varias outras regiões estu-
dadas no Brasil como Ferreira et al. (2003), Basso et al. (2008) e 
Barreto (2008), que justificam a presença deste helminto pelo fato 
deve-se à própria biologia deste parasita que tem ovos muito resis-
tentes com grande capacidade de aderência a superfícies, fato que 
representa um fator importante na sua transmissão, uma vez que, 
presente no ambiente e em alimentos, tais ovos não são removidos 
com facilidade por lavagens e podem permanecer por anos. No Bra-
sil, levantamentos coproparasitológicos têm demonstrado que o As-
caris lumbricoides é o helminto que ocorre com maior freqüência en-
tre as diferentes comunidades estudadas (MACEDO, 2005). Porém, 
a freqüência encontrada neste estudo, discorda com os resultados 
obtido por Trevisan et al., 2004) na mesma região. Onde analisa-
ram 22 exames de fezes com crianças em idades entre 2 a 10 anos, 
e encontraram 9,% de Ascaris lumbricóides, 54,4% de Entamoeba 
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PREVALÊNCIA DE ENTEROPARASITOSES NA POPULAÇÃO ATENDIDA EM PROJETO DE EXTENSÃO DO CURSO SE BIOMEDICINA IESA – RS
coli e 9,% de Endolimax nana. Esta diferencia por estar associada a 
diferença do números de amostras analisadas. 
A associação de Trichuris trichiuria e Ascaris lumbricoides foi 
freqüente 8(25%), o que também foi verificado por ROQUE et al. 
(2005), BIASSI et al. (2009) e FERRI et al. (2009). O que é devido, 
além da similaridade dos ciclos de vida, pela grande eliminação de 
ovos pelas fêmeas e pela resistência destes no meio ambiente po-
dendo dar-se no peridomicílio, atuando este meio, como um impor-
tante foco de manutenção e transmissão destasenteroparasitoses 
(BASSO et al., 2008).
Nas amostras estudadas, observou-se a freqüência da ameba 
Entamoeba coli 21.1% seguido pela freqüência de Endolimax nana 
15.4%. Essas duas espécies são comensais não patogênicas, mas 
com importante implicação na epidemiologia das doenças parasitá-
rias (MACEDO, 2005; FERREIRA et al., 2003). Estes enterocomen-
sais apresentam o mesmo mecanismo de transmissão de outros pro-
tozoários patogênicos como a Giardia lamblia, ainda podem sugerir 
do não tratamento da água, lavagem inadequada das mãos, e ocor-
rência de alimentos contaminados (MACEDO, 2005).
A taxa de prevalência encontrada para a Giardia lamblia (7,6%) 
foi relativamente baixa comparada à outros estudos realizados em 
vários estados. (KOMAGOME et al., 2007; CASTRO et al., 2004). 
Essa baixa prevalência do estudo, pode se justificar em que a maior 
freqüência de Giardia lamblia acontece em crianças de até 4 anos na 
maioria dos casos.
Encontraram-se altos índices de analfabetismo ou ensino fun-
damental incompleto dos responsáveis na população es tudada 
(74,2%), o que pode estar contribuindo com a freqüência das parasi-
tas intestinais nesta população.
Assim, torna-se necessária a implantação de programas de con-
trole e educação para melhorar a qualidade de vida desses indiví-
duos, considerando a grave repercussão desses parasitas e a de-
ficiência no sistema de sanea mento básico e estado nutricional da 
população, pois a carência destes colabora para o aumenta do risco 
de contaminação e proliferação de doenças na população infantil 
(FERREIRA; ANDRADE, 2005).
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DJONATTAN PATRICK SINHORINI - ALEXANDRE NOVICKI - DÉBORA PEDROSO
7. CONCLUSÃO
Através deste estudo constatou-se que existe forte relação entre 
as condições de vida destas crianças e que na maioria das vezes é 
precária, com a frequência de parasitos intestinais.
As condições higiênico-sanitárias do ambiente, dos hábitos higiê-
nicos, do grau de escolaridade do responsável, podem contribuir de 
forma significativa para uma maior prevalência de enteroparasitoses 
na faixa etária considerada e que existe forte relação.
Os resultados encontrados nesse trabalho se assemelham bas-
tante aos encontrados a nível nacional, esse trabalho serve também 
para conscientizar da necessidade de melhoria de investimentos á 
saúde, saneamento básico, escolaridade e infra-estrutura, além da 
continuidade das atividades de extensão pelos novos alunos da dis-
ciplina de Parasitologia, visando à prevenção e controle das entero-
parasitoses.
8. REFERÊNCIAS
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PREVALÊNCIA DE HEPATITE B E C EM PACIENTES ATENDIDOS NO PRONTO ATENDIMENTO DR. ERNESTO NASCIMENTO SOBRINHO NA CIDADE DE SANTO ÂNGELO - RS, BRASIL
PREVALÊNCIA DE HEPATITE B E 
C EM PACIENTES ATENDIDOS NO 
PRONTO ATENDIMENTO DR. ERNESTO 
NASCIMENTO SOBRINHO NA CIDADE DE 
SANTO ÂNGELO - RS, BRASIL
PREVALENCE OF HEPATITIS B AND C IN PATIENTS 
TREATED IN READY CALL DR. ERNESTO NEPHEW 
BORN IN THE CITY OF SANTO ANGELO - RS, BRAZIL
Katiúscia Aozani Munareto1
Emanuelle Kerber Viera Mallet2
RESUMO
Este trabalho tem como objeivo veriicar a prevalência de hepaite B e C em pacientes atendidos no Pronto 
Atendimento Dr. Ernesto Nascimento Sobrinho, na cidade de Santo Ângelo. A população de estudo foi composta por 
pacientes atendidos pelo SUS entre janeiro de 2008 a julho de 2010, que buscaram atendimento primário para avaliar a 
infecção por hepaite B ou C, e os dados de natureza clínica e laboratorial obidos em prontuários médicos. Do total de 
45 pacientes, a prevalência de infecção pelo VHB foi de 26,6% e de VHC foi 73,3%, com distribuição no sexo masculino 
66,6% para o vírus VHB e 63,64% para o vírus VHC. Comparado com o sexo feminino a prevalência foi 33,33% e 36,36%, 
respecivamente. A prevalência das infecções segundo a faixa etária foi predominante nas faixas compreendidas entre 
24-29 anos (25%), 29-34 anos (25%) e 34-39 (25%) para o VHB e 41-49 anos (30,30%) para o VHC. Na análise das 
dosagens enzimáicas prevaleceram transaminases aumentadas para ambas as infecções. Na análise das alterações 
de bilirrubina total e bilirrubina direta foi encontrado média de 3,1 mg/dL e 2,43 mg/dL para o VHB e 1,22 mg/dL e 
0,7 mg/dL para o VHC. Nas analise das plaquetas foi encontrado média de 121.500 mm3 para o VHB e 108.272 mm3 
para o VHC. Na análise do tempo de protrombina a média para o VHB e VHC foram 12,2 s e 15,3 s, respecivamente. O 
genóipo 3 do VHC foi predominante. Os fatores de risco observados foram uso de drogas ilícitas, transfusão sanguínea 
antes da década de 90 e o eilismo crônico. Diante da freqüência de infecções e das complicações que podem acarretar, 
torna-se importante a realização de analises semelhante para que se possa monitorar o comportamento da hepaite B 
e da hepaite C no município de Santo Ângelo. 
Palavras-chaves: Hepaite B, Hepaite C, alterações laboratoriais.
ABSTRACT
This work aims to verify the prevalence of hepaiis B and C in paients assisted at Dr. Ernesto Nascimento Sobrinho 
Emergency Care Post, in the city of Santo Ângelo. The populaion studied has been assisted by public health service, 
between January, 2008 and July, 2010, who looked for primary atendance in order to evaluate the infecion caused by 
hepaiis B or C and the clinical and laboratory data obtained in medical records. From 45 paients, the prevalence of 
infecion by HVB was 26,6% and by HCV was 73,3%, with 66,6 % of distribuion in the male gender , the virus HVB and 
63,64% for the virus HCV. Compared to the female gender, the prevalence was 33,33% and 36,36%, respecively. The 
prevalence of infecions according to the age group was predominant in the age group between 24-29 years old(25%), 
29-34 years old (25%) and 34-39 years old(25%) for the HVB and 41-49 years old (30%) for HCV. In the analysis of the 
enzyme dosage, transaminase has prevailed increased for both infecions. In the analysis of changes in total bilirubin 
1 Acadêmica Concluinte do curso de Biomedicina, 2010. Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo.
2 Mestre em Diagnóstico Genético e Molecular (ULBRA), Biomédica (FEEVALE); Coordenadora do curso de Biomedicina e Professora 
Titular (IESA) e Responsável técnica pelo Laboratório Hemoclin.
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KATIÚSCIA AOZANI MUNARETO - EMANUELLE KERBER VIERA MALLET
and direct bilirubin an average of 3,1 mg/ml and 2,43 mg/dL for HVB has been found and 1,22 mg/dL and 0,7 mg/dL 
for HCV. In the analysis of the platelets an average of 121.500 mm3 for HVB and 108.272 mm3 for HCV has been found. 
In the analysis of prthrombin ime the average for HVB and HCV were 12,2 s and 15,3 s, respecively. The genotype of 
HCV 3 was predominant. The risk factors observed were illicit drug use, blood transfusion before the 90s and chronic 
alcoholism. Given the frequency of infecions and complicaions it may lead to, it becomes important to perform similar 
analysis in order to monitor the behavior of hepaiis B and C in the city of Santo Ângelo.
Keywords: Hepaiis B, Hepaiis C, laboratory abnormaliies.
1. INTRODUÇÃO
As hepatites virais são doenças causadas por diferentes agentes 
etiológicos, que possuem tropismo primário pelas células hepáticas, 
apresentando características epidemiológicas, clínicas e laborato-
riais semelhantes, porém, com importantes particularidades (BRA-
SIL, 2008).
A distribuição das hepatites é universal e sua extensão difere de 
região para região. No Brasil, também há grande variação na preva-
lência de cada um dos agentes etiológicos. A importância das hepa-
tites virais não se retrata apenas ao grande número de pessoas in-
fectadas; expande-se também às complicações das formas agudas 
e crônicas (CARVALHO; ARAÚJO, 2008).
No Brasil, o Ministério da Saúde estima que 15% da população 
já foram expostas ao vírus da hepatite B, e que 1% sofra de hepatite 
crônica. Quanto à hepatite C ainda não existem estudos capazes 
de estabelecer sua real prevalência no país. Um estudo de base 
populacional realizado na região Sudeste revelou 1,42% de portado-
res do vírus da hepatite C na cidade de São Paulo (BRASIL, 2005a; 
BRASIL, 2005b).
Fatores como custo elevado do diagnóstico precoce e a inefici-
ência do sistema de saúde, a ausência de sintomas das infecções 
pelo VHB (hepatite B) e VHC (hepatite C), o crescimento do número 
de usuários de drogas injetáveis e inaláveis, o compartilhamento de 
objetos perfurocortantes e a precariedade ou a não existência de 
sistemas de esgotos e de abastecimento de água contribuem para a 
disseminação das hepatites. Esses fatores fazem com que as hepa-
tites tornem-se preocupantes endemias, especialmente nas regiões 
mais pobres do Brasil (TURA et al., 2008).
Os vírus das hepatites B e C compartilham do mesmo mecanis-
mo de transmissão, ou seja, através da troca de fluídos corporais. A 
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PREVALÊNCIA DE HEPATITE B E C EM PACIENTES ATENDIDOSNO PRONTO ATENDIMENTO DR. ERNESTO NASCIMENTO SOBRINHO NA CIDADE DE SANTO ÂNGELO - RS, BRASIL
prevalência do VHB e VHC permanece alta em populações de alto 
risco, como usuários de drogas, profissionais da saúde, pacientes 
de hemodiálise e aqueles sujeitos a transfusões sanguíneas (LA-
DEHOF; BUENO, 2005; SCHUMARRY, 2008).
Sendo assim, apesar dos avanços diagnósticos e terapêuticos, a 
prevalência das hepatites B e C continuam elevadas e relevante é o 
estudo de suas distribuições na população. Informações atualizadas 
sobre a prevalência da circulação dos vírus são essenciais para o de-
senvolvimento de estratégias de saúde pública. A realização desse 
tipo de pesquisa permite estabelecer os grupos e os fatores de risco 
e conseqüentemente elaborar estratégias de controle, diagnóstico 
precoce da infecção e medidas preventivas eficazes, proporcionado 
melhor acesso ao tratamento, bem estar e saúde desses pacientes 
(MARTINS et al., 2008).
A vista do exposto este trabalho teve como objetivo geral verificar 
a prevalência das hepatites B e C em pacientes que buscaram aten-
dimento no Pronto Atendimento Dr. Ernesto Nascimento Sobrinho, 
popularmente conhecido como Posto 22 de Março, no município de 
Santo Ângelo-RS, Brasil.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
As hepatites virais constituem doença de notificação compulsória 
e representam um grave problema de saúde pública mundial devido 
à elevada prevalência. A Organização Mundial de Saúde estima que 
cerca de 2 bilhões de pessoas já se infectaram com o vírus HBV e 
350 milhões destes são portadores crônicos. Estudos relatam a ocor-
rência de 600 mil mortes por ano relacionadas à hepatite B. Quanto 
à hepatite C, estima-se que aproximadamente 150 a 200 milhões de 
pessoas estão infectadas com o VHC e 130 milhões evoluíram para 
hepatite crônica e cirrose, com cerca de um a dois milhões de óbitos 
ao ano (AQUINO et al., 2008; CRUZ et al., 2009; MORAES et al., 
2010). 
As hepatites são doenças que se caracterizam pela agressão 
ao tecido hepático. Está agressão se manifesta pela inflamação do 
fígado e dos hepatócitos, sendo responsáveis pelas manifestações 
clínicas e laboratoriais. As infecções causadas pelos vírus VHB e 
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KATIÚSCIA AOZANI MUNARETO - EMANUELLE KERBER VIERA MALLET
VHC lesam o fígado provocando o aparecimento de sintomas clás-
sicos como icterícia e a liberação de enzimas hepáticas. Os indi-
víduos infectados podem tornar-se transmissores mesmo antes de 
apresentarem os sintomas, devido à facilidade de transmissão dos 
vírus (BABINSKI et al., 2008).
A hepatite aguda pode ser auto-limitada e regredir ou progredir 
para uma infecção crônica, como as hepatites B e C. Geralmente, o 
curso típico de uma hepatite viral aguda é apresentar primeiramente 
o período de incubação que varia de duas a vinte semanas, podendo 
variar este período de acordo com a etiologia e a carga viral. Após 
este período, inicia-se a fase pré-ictérica desta hepatopatia, caracte-
rizada pelo aparecimento de sintomas como: fadiga, náuseas, falta 
de apetite e leve dor no quadrante superior direito. Logo, vem à fase 
ictérica, marcada pelo aparecimento de icterícia e os sintomas de 
fadiga e náusea se acentuam (GOLDMAN; AUSIELO, 2005).
Após um período variável de uma semana a um mês surge a 
fase de recuperação ou convalescência com melhora do estado ge-
ral e a volta do apetite com desaparecimento dos sinais de mal-estar, 
colúria e icterícia. Normalmente, o fígado apresenta-se doloroso a 
palpação e com borda romba ou lisa de consistência normal. Cerca 
de 20% dos casos apresentam o baço também palpável. Nos casos 
mais graves pode ocorrer o aparecimento de aranhas vasculares e 
adenopatias cervicais (CRUZ et al., 2000). 
A infecção pelo VHC pode acometer diversos órgãos, como a 
pele, o sistema músculo-articular, os nervos periféricos e os rins. 
Entretanto, o mecanismo das implicações extra-hepáticas é incerto. 
Acredita-se que as manifestações cutâneas são causadas por an-
tígenos virais ou por linfócitos infectados pelo VHC depositados na 
pele (CONTE, 2000; GARAMEZ et al., 2010).
O vírus da hepatite B é um hepadnavírus transmitido principal-
mente através de transfusões sanguíneas, transplante de órgãos, 
uso de hemoderivados, compartilhamento de seringas entre usuá-
rios de drogas injetáveis, materiais intravenosos, relações sexuais, 
destacando-se o papel de fluidos orgânicos, como o sêmen e a sali-
va, ou ainda verticalmente, seja por via transplacentária, no momen-
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PREVALÊNCIA DE HEPATITE B E C EM PACIENTES ATENDIDOS NO PRONTO ATENDIMENTO DR. ERNESTO NASCIMENTO SOBRINHO NA CIDADE DE SANTO ÂNGELO - RS, BRASIL
to do parto ou durante o aleitamento materno (VALENTE et al., 2005; 
ANASTÁCIO et al., 2008; CONCEIÇÃO et al., 2009).
O vírus da hepatite C é um vírus de RNA envelopado da família 
flaviridae. É transmitido através da exposição parenteral por agulhas 
contaminadas, transfusão de sangue, hemodiálise, além de drogas 
injetáveis e transmissão vertical. Contudo, a transmissão perinatal 
depende da quantidade de vírus circulante no momento do parto e 
da coinfecção com o HIV, ocorrendo em 0 a 35,5% dos casos de 
mães infectadas. O HCV é encontrado principalmente no sangue to-
tal, papa de hemácias, plaquetas, plasmas e nos concentrados de 
fatores de coagulação. Assim, é considerado a principal forma de he-
patite transmitida por hemoderivados (VALENTE et al., 2005; SATO; 
BERTOLINI, 2006; GONÇALVES et al., 2008).
Devido ao grande número de contaminações em pacientes trans-
fundidos foi criada a lei 7.649, de 25 de janeiro de 1988, que estabe-
leceu a obrigatoriedade do cadastramento dos doadores de sangue 
e a realização de exames laboratoriais no sangue coletado, visando 
prevenir a propagação de doenças, como hepatite B, sífilis, doença 
de Chagas, malária e AIDS. Entretanto, em 1993, a Portaria 1.376 
tornou obrigatória a inclusão de testes para anticorpos contra o VHC 
nos exames de triagem. Essas medidas reduziram a transmissão 
dessas duas formas de hepatite por transfusão e hemoderivados 
(DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, 1988; BRASIL, 1993).
O diagnóstico laboratorial da hepatite B, em qualquer uma das 
formas clínicas é realizado através da pesquisa de marcadores so-
rológicos. Esses marcadores são fundamentais não apenas para o 
diagnóstico, mas também são úteis no seguimento da infecção vi-
ral, na avaliação do estado clínico do paciente e na monitorização 
do tratamento específico. Para analisar se há replicação viral deve-
se incluir a pesquisa de DNA do vírus VHB (FERREIRA, 2000; LA-
DEHOF; BUENO, 2005; MINCIS; MINCIS, 2007).
O teste inicial para determinar a infecção da hepatite C é a pes-
quisa de anti-HCV. Os testes comercializados para a detecção do 
VHC são os ELISA (Enzyme Linked ImmunoSorbent Assay), pois 
apresentam vantagens como rapidez, facilidade de automação, alta 
confiabilidade e custo relativamente baixo. Entretanto, a baixa espe-
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KATIÚSCIA AOZANI MUNARETO - EMANUELLE KERBER VIERA MALLET
cificidade dos ELISA determinou o desenvolvimento de testes suple-
mentares para a confirmação do diagnóstico da infecção pelo VHC 
em indivíduos positivos, assim, a confirmação do diagnóstico é feita 
através da técnica de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) pela 
presença de RNA do VHC. A técnica de PCR também tem sido uti-
lizada para avaliar a resposta terapêutica. A quantificação da carga 
viral auxilia na avaliação dos fatores preditivos da resposta terapêuti-
ca, mas não é indicativa de progressão da doença (BRANDÃO et al. 
2001; MINCIS; MINCIS, 2005; MINCIS; MINCIS, 2007).
Os testes bioquímicos são importantes porque permitem estabe-
lecer o tipo de lesão hepática, seja hepatocelular ou colestática. Os 
resultados dos testes laboratoriais podem ser usados para confirmar 
a existência da lesão ao fígado; avaliara função dos hepatócitos, a 
drenagem biliar e o sistema reticuloendotelial, e também determinar 
a causa da doença hepática (MINCIS; MINCIS, 2007).
A confirmação da agressão ao tecido hepático é através dos tes-
tes bioquímicos. A elevação sérica das aminotransferases possibilita 
estabelecer o tipo de lesão hepática. Na infecção pelo VHC é co-
mum encontrar ALT (alanina aminotransferase) e a AST (aspartato 
aminotransferase) 10 a 100 vezes o valor normal, com atividade de 
ALT maior que AST. Na fase aguda de infecção pelo VHB a ALT e a 
AST encontram-se aumentadas. Essas enzimas são importantes no 
diagnóstico das formas anictéricas, elevando-se no início do quadro, 
indicando lesão hepatocelular. A diminuição das aminotransferases 
ocorre no início da fase ictérica, podendo permanecer com os valores 
elevados por até seis meses. Entretanto, na análise das dosagens 
enzimáticas da ALT e AST na fase crônica de infecção pelo VHB as 
aminotransferases encontram-se normais. A elevação dos níveis sé-
ricos dessas enzimas ocorre devido ao aumento de permeabilidade 
dos hepatócitos, decorrente do processo inflamatório hepático (FER-
REIRA; SILVEIRA, 2004; MINCIS; MINCIS, 2007; PELEGRINI et al., 
2007; SANTOS et al., 2010).
A bilirrubina é um pigmento biliar que tem seu metabolismo alte-
rado nas lesões hepatocelulares, tendo importância prognóstica nas 
hepatites e insuficiência hepática fulminante. Nas hepatites virais as 
bilirrubinas elevam-se após o aumento das transaminases e nas for-
mas agudas, podem alcançar valores 20 a 25 vezes acima do nor-
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PREVALÊNCIA DE HEPATITE B E C EM PACIENTES ATENDIDOS NO PRONTO ATENDIMENTO DR. ERNESTO NASCIMENTO SOBRINHO NA CIDADE DE SANTO ÂNGELO - RS, BRASIL
mal. Se elevam nas formas ictéricas da doença, com predomínio da 
bilirrubina direta sobre a indireta. Na urina pode ser detectada preco-
cemente, antes mesmo do surgimento da icterícia (MISZPUTEN et 
al., 2003; GARCIA, 2008).
Para avaliar a coagulação sanguínea nos pacientes portadores 
dos vírus VHB e VHC pode-se realizar os exames de Tempo de Pro-
trombina (TP) e a contagem de plaquetas. Em pacientes com hepa-
topatia crônica há plaquetopenia devido ao aumento do seqüestro e 
ao baixo nível de trombopoetina produzida pelo fígado (VASCONCE-
LOS et al., 2006; ROCHA et al., 2009).
De acordo com o Ministério da Saúde, nas formas agudas be-
nignas o tempo de protrombina sofre poucas alterações, exceto nos 
quadros de hepatite fulminante. Nos casos de hepatite crônica, o 
alargamento do tempo de protrombina indica a deterioração da fun-
ção hepática e em associação com alguns outros fatores clínicos e 
laboratoriais compõe a classificação de Child (importante meio de 
avaliar o grau de deterioração da função hepática, além de um mar-
cador prognóstico) (BRASIL, 2005a).
Resultados laboratoriais indicativos de mau prognóstico nas he-
patites virais agudas e crônicas consistem na elevação do tempo de 
protrombina, queda brusca das transaminases e elevação das bilir-
rubinas (MISZPUTEN et al., 2003).
Outra técnica molecular que tem trazido informações sobre as 
infecções pelos vírus HBV e HCV é a genotipagem. A caracterização 
molecular dos genótipos e dos sub-genótipos permite estabelecer 
orientações quanto à resposta ao tratamento e prognóstico das do-
enças. Estudos têm demonstrado a ocorrência variada dos genóti-
pos do HBV em diferentes regiões. Entre os já encontrados, estão 
o B, C, D e F, e recentemente um caso E isolado em um viajante na 
cidade de São Paulo. A prevalência do genótipo do HCV também va-
ria de acordo com a região geográfica. O genoma do HCV apresenta 
seis genótipos e múltiplos subtipos têm sido identificados. Em um es-
tudo realizado em diferentes regiões do Brasil foram encontrados os 
genótipos 1, 2, 3, 4 e 5 em pacientes com hepatite crônica C (PARIS 
et al., 2000; RONCATO et al., 2008; GONZAGA et al., 2008; LOPES 
et al., 2009).
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KATIÚSCIA AOZANI MUNARETO - EMANUELLE KERBER VIERA MALLET
O padrão-ouro para investigação diagnóstica e para o estadia-
mento da doença hepática é a biópsia hepática. O diagnóstico de 
hepatite crônica é histológico e a biópsia deve ser realizada quando 
houver aumento de transaminases ou evidência de replicação viral 
por mais de seis meses. O diagnóstico histológico é importante para 
a decisão terapêutica e também fornece subsídios quanto à confir-
mação da etiologia dos vírus. Atualmente, as hepatites crônicas são 
classificadas segundo o grau de inflamação e do estágio de fibro-
se (STRAUSS, 2001; MINCIS; MINCIS, 2005; CALLEGARO et al., 
2006; CODES et al., 2006).
Para combater as hepatites virais o Ministério da Saúde criou 
em 2002 o programa para a prevenção e controle das hepatites tor-
nando mais intenso as ações de vacinação contra a hepatite B. A 
prevenção para o vírus do VHB se dá com aplicação de três doses 
da vacina: a primeira é administrada ao nascer, a segunda ao final do 
primeiro mês de vida e a terceira aos seis meses. A vacina também 
é disponível para pessoas na faixa etária de 1 a 19 anos e aos indi-
víduos que fazem parte de grupos de risco, como imunodeprimidos, 
profissionais da saúde e profissionais do sexo (CARLO et al., 2008).
A prevenção da hepatite B através da imunização foi um grande 
progresso. Estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas já tenham 
recebido a vacina em todo o mundo. A vacina contra a hepatite B é 
altamente imunogênica e protetora contra a infecção desencadeada 
pelo VHB. Antígenos do vírus situados na camada superficial sem 
partículas infectantes são aplicados para estimular o sistema imune 
a produzir anticorpos protetores que impedem a infecção. Conside-
ra-se proteção quando os títulos de anticorpos ao HBsAg (anti-HBs) 
são maiores que 10 mUI/mL. A série completa de três ou quatro 
doses da vacina induz uma resposta protetora em mais de 90% dos 
adultos e em mais de 95% das crianças e adolescentes saudáveis 
(FERRERIA; SILVEIRA, 2006; BABINSKI et al., 2008; MORAES et 
al., 2010).
O “American College of Obstetricians and Gynecologists” tem 
recomendado a vacina nas gestantes com alto risco de infecção, 
como as pacientes usuárias de drogas ilícitas, com histórias de he-
motransfusão, com múltiplos parceiros, com histórias familiar de he-
patite B, ou ainda, grávidas com sorologia negativa, mas que estão 
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PREVALÊNCIA DE HEPATITE B E C EM PACIENTES ATENDIDOS NO PRONTO ATENDIMENTO DR. ERNESTO NASCIMENTO SOBRINHO NA CIDADE DE SANTO ÂNGELO - RS, BRASIL
em contato com indivíduos portadores da infecção aguda ou crônica 
(CONCEIÇÃO et al., 2009).
A vacinação contra o VHB é a principal medida de prevenção 
contra a hepatite B ocupacional, entre os profissionais da área de 
saúde. A vacina deve ser realizada na admissão do profissional, no 
estudante ou no estagiário. O profissional que apresentar lesão cor-
tante tem uma probabilidade de 40% em adquirir o vírus da hepatite 
B. Comparado com a hepatite C este risco cai para 10%. Os fatores 
de risco para a transmissão do HCV ainda não estão bem definidos. 
O risco da infecção está correlacionada com o tempo de trabalho, 
realizações de procedimentos invasivos e com a ocorrência de aci-
dentes com perfurocortantes. Assim, a imunização é uma medida 
fundamental para a prevenção e controle das infecções na equipe de 
saúde, nas famílias e também nos pacientes (CIORLIA; ZANETTA, 
2007; SOUZA et al., 2008; CAVALCANTI et al., 2009).
Além da vacinação é importante orientar os indivíduos que fazem 
parte dos grupos de risco e a população em geral sobre os cuidados 
de contaminação, tanto na hepatite B quanto na hepatite C. A educa-
ção sexual deve enfatizar o uso de preservativos. Outra medida de 
prevenção é a esterilização de materiais ou uso descartável. Trans-
fusões sanguíneas só devem ser feitas com sangue analisado. Entre 
osprofissionais da saúde é importante a realização de programas de 
reciclagem e levantamento de questões de precauções universais e 
educação continuada visando à prevenção de acidentes (CRUZ et 
al., 2000; CIORLIA; ZANETTA, 2007).
Ainda não há vacina contra o vírus da hepatite C e nem medidas 
preventivas eficazes pós-exposição ao vírus. É necessário reduzir a 
incidência da infecção e conseqüentemente diminuir o risco de he-
patopatia e de outras doenças relacionadas aos portadores do vírus. 
Para que se inicie as atividades de prevenção é preciso identificar os 
indivíduos contaminados e assim reduzir o risco de transmissão e a 
evolução para hepatopatia crônica. Também devem-se ter cuidados 
com as transfusões de sangue e hemoderivados, e atenção para o 
perigo da disseminação entre profissionais da saúde e com todos os 
meios de transmissão, seja saliva, sêmen, urina, lágrimas (SILVA et 
al. 2003; FERREIRA; SILVEIRA, 2004).
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KATIÚSCIA AOZANI MUNARETO - EMANUELLE KERBER VIERA MALLET
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.1. Caracterização da Pesquisa
O presente estudo constitui uma pesquisa descritiva, com estudo 
de prevalência das hepatites B e C em pacientes atendidos no Pron-
to Atendimento Dr. Ernesto Nascimento Sobrinho na cidade de Santo 
Ângelo-RS.
3.2. Amostra
Composta por pacientes atendidos pelo SUS entre janeiro de 
2008 a julho de 2010, que buscaram atendimento primário para ava-
liar a infecção por hepatite B ou C.
3.3. Procedimentos
Os dados de natureza clínica e laboratorial foram coletados nos 
prontuários médicos de pacientes que buscaram atendimento pri-
mário no Pronto Atendimento Dr. Ernesto Nascimento Sobrinho, no 
município de Santo Ângelo-RS, Brasil. 
Os dados obtidos foram digitados em planilha, e posteriormente 
foram submetidos à estatística. Para a construção dos gráficos uti-
lizou-se o software BR Office 3.2. A análise estatística dos exames 
foi realizada apenas nos prontuários que apresentavam o resultado 
dos mesmos.
3.4. Aspectos éticos
Este trabalho, baseado na revisão de prontuários médicos, foi 
realizado após consentimento do Responsável Técnico e Responsá-
vel Clínico do Pronto Atendimento Dr. Ernesto Nascimento Sobrinho 
por meio de um termo de autorização oficializado pelos mesmos. O 
modelo do termo de consentimento segue em anexo.
3.5. RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Em um total de 45 prontuários revisados, 26,6% pacientes apre-
sentaram infecção pelo vírus da hepatite B e 73,3% estavam infecta-
dos com o vírus da hepatite C, conforme o gráfico 1.
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PREVALÊNCIA DE HEPATITE B E C EM PACIENTES ATENDIDOS NO PRONTO ATENDIMENTO DR. ERNESTO NASCIMENTO SOBRINHO NA CIDADE DE SANTO ÂNGELO - RS, BRASIL
Gráico 1: Prevalência de Hepatite B e C na população estudada
Quanto à distribuição das hepatites verificamos maior prevalência 
do vírus VHC. O aumento da prevalência da hepatite C no município 
de Santo Ângelo segue a tendência nacional. Um estudo envolvendo 
clínicas de hemodiálise em Fortaleza, no estado de Ceará, obteve 
alta prevalência de hepatite C (52%) (MEDEIROS et al., 2004). Se-
gundo Gonçalves et al. (2008), isto se deve, supostamente, devido 
a falta de atenção básica à saúde como prevenção, triagem soroló-
gica, exames confirmatórios e acompanhamento dos pacientes as-
sintomáticos. A distribuição desigual dos recursos financeiros pelo 
Sistema Único de Saúde (SUS) para os municípios também pode ter 
ocasionado maior prevalência do vírus da hepatite C.
Cháves et al. (2003), traçaram um panorama da infecção no Bra-
sil no período entre 1996 e 2000 e encontraram prevalência de casos 
confirmados de 25% para a hepatite B e 12% para a hepatite C. Em 
um estudo realizado em um município de Mato Grasso, Souto et 
al. (2001), constataram presença da infecção pelo VHB em 31% da 
amostra analisada. Frente a esses resultados percebe-se as diver-
gências entre os achados das prevalências encontradas em diferen-
tes regiões do país. Esta situação pode ser justificada por diferenças 
geográficas, climáticas, econômicas e étnicas que interferem na epi-
demiologia das doenças (CLEMENS et al., 2000).
26,60%
73,30%
Hepatite B
Hepatite C
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A relação da distribuição das infecções segundo o sexo demons-
trou prevalência no sexo masculino de 66,66% para o vírus VHB e 
63,64% para o vírus VHC. Já no sexo feminino a prevalência foi 
33,33% para o vírus VHB e 36,36% para o vírus VHC, totalizando os 
45 prontuários estudados, conforme mostra a tabela 1.
Tabela 1. Prevalência do vírus da hepatite B e C segundo o sexo
Infecção
Masculino Feminino Total
n (%) n (%) n (%)
Hepatite B 66,66 33,33 100
Hepatite C 63,64 36,36 100
Ao analisarmos a prevalência das infecções segundo o sexo, 
houve maior prevalência no sexo masculino. O que pode explicar tal 
achado são os aspectos comportamentais adotados por esses indi-
víduos, tais como uso de drogas ilícitas, condições sociais diversas e 
a não utilização de preservativos (PELEGRINE et al., 2007).
No estudo realizado na cidade de Florianópolis também foi ob-
servado maior incidência de hepatite C no sexo masculino. Gonçal-
ves et al. (2008), afirma não há evidências que comprovem maior 
suscetibilidade nos homens à infecção viral. Este resultado deve-se, 
provavelmente, a fatores comportamentais. O predomínio maior de 
indivíduos do sexo masculino com VHB (66,66%) e VHC (63,64%) 
no município de Santo Ângelo no período estudado confirma outros 
achados, como no município de Maringá, onde a prevalência de he-
patite B e C também foram predominantes no sexo masculino (BA-
BINSKI et al., 2008).
Ao verificarmos a prevalência da infecção pelo VHB segundo a 
faixa etária, estas foram predominantes nas faixas compreendidas 
entre 24-29 anos (25%), 29-34 anos (25%) e 34-39 (25%), conforme 
o gráfico 2.
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PREVALÊNCIA DE HEPATITE B E C EM PACIENTES ATENDIDOS NO PRONTO ATENDIMENTO DR. ERNESTO NASCIMENTO SOBRINHO NA CIDADE DE SANTO ÂNGELO - RS, BRASIL
Gráico 2: Contaminação com VHB segundo a faixa etária
Já no gráfico 3 observamos que a prevalência da hepatite C é 
mais elevada em indivíduos entre 41-49 anos (30,30%) (10).
Gráico 3: Contaminação com o VHC segundo a faixa etária
Estes dados encontrados no município de Santo Ângelo mos-
tram que as infecções tanto de hepatite B quanto de hepatite C aca-
bam acometendo muito mais adultos jovens principalmente por este 
grupo estar mais suscetível aos fatores de risco.
25%
25%25%
8%
17%
24 l - - 29
29 l - - 34
34 l - - 39
39 l - - 44
44 l - - 150
12%
15%
15%
9%
18%
31%
17 l - - 25
25 l - - 33
33 l - - 41
41 l - - 49
49 l - - 57
57 l - - 65
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KATIÚSCIA AOZANI MUNARETO - EMANUELLE KERBER VIERA MALLET
A predominância das infecções nas faixas etárias encontradas 
se relaciona com dados da literatura internacional em que as maio-
res infecções pelo HCV são encontradas em indivíduos entre 30-
49 anos, indicando que o risco de transmissão afeta primariamente 
adultos jovens. Em um estudo realizado no Brasil e no Estado de 
Santa Catarina também pode se observar que a faixa etária acima 
dos 30 anos foi a mais acometida pela hepatite B e C (CHÁVEZ et 
al., 2003; THOMSON; FINCH, 2005).
Para Aquino et al. (2008), a faixa etária de 29 a 39 anos foi a mais 
acometida pelos vírus HBV e HCV, indicando que provavelmente a 
atividade sexual foi à principal forma de transmissão. A maior preva-
lência das sorologias encontrada nesta faixa etária e no sexo mas-
culino mostra que esses indivíduos podem ser mais expostos aos 
vírus, principalmente devido ao comportamento sexual. Outro fator 
que pode ser apontado é que neste período os homens acabam se 
relacionando commais de uma parceira.
Na análise das dosagens das enzimas AST e ALT, a média dos 
pacientes alterados contaminados com o VHB encontrada nesse es-
tudo foi 574 U/L e 977 U/L, respectivamente. Já para os indivíduos 
infectados com o VHC a média para os pacientes alterados para a 
AST foi 121,7 U/L e para a ALT a média encontrada foi 169,72 U/L, 
dados apresentados na tabela 2 e tabela 3.
Tabela 2. Resultados dos exames analisados dos pacientes infectados com o vírus 
VHB
Exames analisados
Pacientes 
analisados
Pacientes alterados Média
n n (%)
TGO 10 30 574 U/L
TGP 10 30 977 U/L
Bilirrubina Total 8 37,5 3,1 mg/dL
Bilirrubina Direta 4 50 2,43 mg/dL
Plaquetas 7 28,5 121.500 mm3
TP 8 0 12,2 s
*Valores de referência: TGO –5 a 38 U/L; TGP – 10 a 40 U/L; BT – até 1,2 mg/dL; BD – 
até 0,4 mg/dL; Plaquetas – 150.000 a 450.000 mm3; TP – 10 a 14 s. 
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PREVALÊNCIA DE HEPATITE B E C EM PACIENTES ATENDIDOS NO PRONTO ATENDIMENTO DR. ERNESTO NASCIMENTO SOBRINHO NA CIDADE DE SANTO ÂNGELO - RS, BRASIL
Tabela 3. Resultados dos exames analisados dos pacientes infectados com o vírus 
VHC
Exames analisados Pacientes 
analisados
Pacientes alterados Média
n n (%)
TGO 22 45,45 121,7 U/L
TGP 23 47,82 169,72 U/L
Bilirrubina Total 16 37,5 1,22 mg/dL
Bilirrubina Direta 10 60 0,7 mg/dL
Plaquetas 21 52,38 108.272 mm3
TP 18 16,6 15,3 s
*Valores de referência: TGO –5 a 38 U/L; TGP – 10 a 40 U/L; BT – até 1,2 mg/dL; BD – 
até 0,4 mg/dL; Plaquetas – 150.000 a 450.000 mm3; TP – 10 a 14 s.
Na análise das dosagens enzimáticas de AST e ALT verificamos 
a predominância de aminotransferases aumentadas. De acordo com 
Vranjac (2002), na fase inicial das hepatites virais o aumento das 
transaminases pode variar de 10 a 100 vezes o limite superior da 
normalidade. As transaminases são de fundamental importância, 
visto que podem ser consideradas marcadores específicos de dano 
hepático. Na fase ictérica há diminuição dos níveis séricos das ami-
notransferases, entretanto, seus valores podem permanecer altera-
dos por até seis meses, mesmo em pacientes que apresentar boa 
recuperação clínica (CRUZ et al., 2000; MINCIS; MINCIS, 2006).
As transaminases AST e ALT, sendo a primeira a aparecer no 
plasma, são enzimas celulares que melhor representam os fenôme-
nos necróticos nos hepatócitos durante a agressão pelos vírus VHB 
e VHC. A AST está presente na mitocôndria e no citosol dos he-
patócitos, enquanto que a ALT é exclusiva do citosol e encontra-se 
presente principalmente no fígado. Nas formas crônicas, geralmente 
não ultrapassam 15 vezes o normal e nos indivíduos assintomáticos 
é o único exame laboratorial sugestivo de doença hepática. Nos ca-
sos de hepatite fulminante a queda das aminotransferases pode re-
presentar falência progressiva do fígado pela destruição extensa do 
tecido (SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS, 
2007).
Na análise das alterações de bilirrubina total e bilirrubina direta, 
a média encontrada para os pacientes alterados infectados com o 
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VHB foi 3,1 mg/dL e 2,43 mg/dL, respectivamente. Quanto aos pa-
cientes alterados infectados com o VHC a média dos resultados para 
a bilirrubina total foi 1,22 mg/dL e para a bilirrubina direta foi 0,7 mg/
dL, conforme tabela 2 e 3.
As alterações das bilirrubinas apresentaram valores superiores 
aos de referência (BT: até 1,2 mg/dL e BI: até 0,4 mg/dL). Contudo, a 
média das alterações encontrada nos pacientes contaminados com 
o vírus da hepatite C mostrou valores inferiores aos encontrados na 
literatura. Estudos relatam que as bilirrubinas podem encontrar-se 
elevadas nas hepatites crônicas e avançadas, podendo alcançar 
níveis de até 20% superior a normalidade (GARCIA; JOVILIANO, 
2006; FILHO; GALIZZI, 2008).
Ao analisarmos as alterações de plaquetas a média para os pa-
cientes alterados infectados com o VHB foi 121.500 mm3. Dos sete 
pacientes analisados, apenas 28,5% (2) apresentaram plaquetope-
nia. Quanto aos pacientes alterados com hepatite C, a média de pla-
quetas foi 108.272 mm3. Dos 21 pacientes observados, 52,2% (11) 
revelaram plaquetopenia, conforme mostra a tabela 2 e 3.
A plaquetopenia é uma das mais freqüentes alterações hemato-
lógicas encontradas em pacientes com hepatite crônica. Segundo o 
trabalho revisado, as causas de trombocitopenia podem estar rela-
cionadas à produção ineficiente de trombopoetina pelo fígado, uso 
de fármacos depressores da medula óssea como interferon e ribavi-
rina e ligação dos vírus aos receptores de membrana nas plaquetas 
(THOFEHRN; MUNHOZ, 2006). 
Mesmo sendo uma manifestação comum em pacientes com do-
enças hepáticas crônicas, os mecanismos envolvidos na tromboci-
topenia não estão completamente elucidados. Um estudo realizado 
por Fusegawa et al. (2002), demonstrou maior ativação de plaque-
tas, que podem contribuir para os mecanismos de trombocitopenia 
nos pacientes analisados e que a fibrose também pode ter um papel 
na ativação de plaquetas na hepatite crônica. 
Ao examinarmos o tempo de protrombina a média dos resultados 
para os pacientes alterados contaminados com o vírus da hepatite 
B foi 12,2 segundos. Já para os pacientes alterados contaminados 
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com o vírus da hepatite C a média do tempo de protrombina foi 15,3 
segundos, conforme dados da tabela 2 e 3.
Os resultados do tempo de protrombina em ambas as infecções 
não sofreram alterações significativas, visto que o alargamento des-
te exame ocorre nos casos de hepatite fulminante e cirrose. Nas 
formas agudas benignas desta patologia esta prova sofre poucas al-
terações, assim como nas formas crônicas, quando pode não haver 
alterações significativas até as fases terminais. Nos quadros de insu-
ficiência hepática, encontradas tanto nas formas agudas fulminantes 
quanto nas cirroses descompensadas, a avaliação da atividade da 
protrombina adquire importância, uma vez que os níveis detectados 
vão decrescendo diretamente à gravidade do quadro, constituindo-
se, por isso, o melhor marcador prognóstico (BRASIL, 2005a; SE-
CRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS, 2007).
Ao verificarmos no gráfico a distribuição dos genótipos do VHC 
nos 13 pacientes que apresentaram genotipagem foram encontra-
dos os genótipos 1, 2 e 3, sendo predominantes o genótipo 3 (70%) 
(9), como demonstra o gráfico 4. Esses resultados se relacionam 
com dados da literatura, que mostram que na América do Sul, in-
cluindo o Brasil, Estados Unidos e Japão, os genótipos 1, 2 e 3 são 
responsáveis pela maioria das infecções. A caracterização dos genó-
tipos é importante no direcionamento do tratamento, já que os dife-
rentes genótipos influenciam as taxas de resposta (PELEGRINE et 
al., 2007).
Gráico 4: Distribuição dos genótipos do vírus VHC
15%
15%
70%
1
2
3
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A genotipagem do VHC tem importância na prática clínica para 
orientar nas decisões terapêuticas dos pacientes portadores de he-
patite C crônica. Estudos clínicos têm relatado respostas virológicas 
variáveis ao tratamento da hepatite C crônica com interferon pegui-
lado ou convencional associado a ribavirina com base na infecção 
por distintos genótipos. Segundo o estudo de Alves at al. (2003), os 
pacientes com genótipo não-1 apresentaram taxa de resposta sus-
tentada significativamente maior que os infectados com o genótipo 
1. Os pacientes infectados pelos genótipos 2 ou 3 têm 80% de chan-
ces a mais de erradicar a doença. A genotipagem tem importância 
também em investigações imunológicas para o desenvolvimento de 
vacinas (PERONEet al., 2008).
Ao considerar a associação entre os diversos fatores de risco 
com as infecções pelo VHB e VHC observados nos prontuários que 
trouxeram a informação, foi observado que os principais fatores de 
risco para os pacientes estudados são o uso de drogas ilícitas, trans-
fusão sanguínea antes da década de 90 e o etilismo crônico.
Quanto a associação entre a história de transfusão sanguínea 
e a infecção pelo VHC, Lopes et al. (2009), relataram uma tendên-
cia entre essa associação entre usuários de drogas no município 
de Goiânia, principalmente, quando as transfusões eram realizadas 
antes da implantação da triagem anti-HCV nos bancos de sangue 
em novembro de 1993 no Brasil. Este trabalho também mostrou uma 
prevalência elevada da infecção pelo HCV em usuários de drogas 
ilícitas, além do uso injetável de drogas como principal fator de risco 
para essa infecção.
Em um estudo realizado na cidade de Blumenau, no estado de 
Santa Catarina, a freqüência da contaminação por transfusão san-
guínea foi 3,3% na população estudada. O estudo também mostrou 
que o consumo de álcool torna mais suscetível à infecção pelo VHB. 
O alcoolismo é uma prática potencialmente influenciável pelo am-
biente social, onde são promovidas atividades de risco para a infec-
ção pelos vírus da hepatite B e C, bem como a prática desprotegida 
de relações sexuais ou uso de drogas injetáveis (LIVRAMENTO et 
al., 2009).
Ao avaliar as vias de transmissão da hepatite B percebe-se que 
os principais modos de contaminação são através da exposição 
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PREVALÊNCIA DE HEPATITE B E C EM PACIENTES ATENDIDOS NO PRONTO ATENDIMENTO DR. ERNESTO NASCIMENTO SOBRINHO NA CIDADE DE SANTO ÂNGELO - RS, BRASIL
parenteral, sexual, vertical, sangue contaminado ou fluídos corpo-
rais. Já o vírus da hepatite C, normalmente, é transmitido através de 
sangue contaminado. Os fatores de risco para ambas as infecções 
incluem usuários de drogas, transfusão, tatuagens, transplante de 
órgãos e comportamento sexual ativo (LADEHOF; BUENO, 2005; 
BLATT et al, 2009).
Verificamos que o diagnóstico das hepatites B e C é feito atra-
vés de técnicas sorológicas. Essas técnicas são fundamentais não 
apenas para o diagnóstico em si, mas também no seguimento da 
infecção viral, na avaliação do estado clínico do paciente e na moni-
torização da terapêutica específica. Os testes comercializados para 
a detecção do VHC são os ELISA. Entretanto, deve haver a confir-
mação do diagnóstico através da técnica de PCR pela presença de 
RNA do VHC (MINCIS; MINCIS, 2007; BABINSKI et al. 2008).
A biópsia hepática é considerada o padrão-ouro para o diagnósti-
co da fibrose na hepatite crônica. No entanto, é um procedimento de 
custo elevado, com complicações como dor, hemorragia e, em raros 
casos, morte. Para Lima et al. (2008), a biópsia para os indivíduos 
com hepatite crônica é necessária, visando avaliações prognóstica 
e terapêutica desses pacientes. Os pacientes que apresentam esta-
diamento avançado podem progredir rapidamente para cirrose e he-
patocarcinoma, enquanto que pacientes sem fibrose ou apenas com 
fibrose portal apresentam progressão mais lenta, não sendo preciso 
à terapia antiviral na maioria dos casos.
Alguns marcadores bioquímicos estudados em diferentes popu-
lações confirmam ter elevado valor preditivo no diagnóstico da fi-
brose significativa. A AST, ALT, a gama-glutamiltransferase e a con-
tagem de plaquetas podem apresentar correlação com a histologia 
hepática (LIMA et al., 2008). Segundo Fusegawa et al. (2002), o ín-
dice APRI (obtido pelo quociente AST/plaquetas) tem sido aplicado 
devido a sua elevada acurácia como preditor da fibrose hepática nos 
portadores de hepatite crônica.
Ao identificarmos os principais modos de prevenção das doen-
ças, conclui-se que a melhor forma de prevenção contra a hepatite 
B é uso da vacina, visto que é considerada a maneira mais eficaz 
de prevenir infecção aguda ou crônica e também controlar a trans-
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missão do vírus, sendo sua eficácia superior a 90% em indivíduos 
imunocompetentes (FILHO; GALIZZI, 2008; BENTO et al., 2010).
Recentemente foi criada nova portaria pelo Ministério da Saú-
de que contempla não apenas as crianças, que recebem a vacina 
da hepatite B sistematicamente fazendo parte do calendário vacinal, 
mas também profissionais da saúde, manicures, gestantes e homos-
sexuais (BRASIL, 2005b).
Quanto à hepatite C ainda não existem meios capazes de pro-
porcionar imunização ativa ou passiva, sendo as imunoglobulinas 
ineficazes e há grandes obstáculos na variabilidade genética do 
VHC. Assim, medidas que visam reduzir a exposição a situações de 
risco, bem como mudanças comportamentais, são as melhores con-
dutas para a prevenção primária (FILHO; GALIZZI, 2008; BENTO et 
al., 2010).
4. CONCLUSÃO
A análise final deste trabalho mostra que os resultados das pre-
valências das hepatites B e C se relacionam com outros estudos 
epidemiológicos realizados no Brasil, em que há maior prevalência 
de hepatite C, sendo o sexo masculino o mais acometido por ambas 
as infecções. Os vírus das hepatites B e C são transmitidos através 
da troca de fluídos corporais e o diagnóstico das infecções pode ser 
feito através de testes imunológicos e moleculares. A biópsia hepá-
tica é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico da fibrose na 
hepatite crônica. A prevenção da hepatite B pode ocorrer por vacina-
ção. Para os casos de hepatite C ainda não existe vacina disponível, 
e a única forma de profilaxia é orientação aos indivíduos que fazem 
parte dos grupos de risco.
Na análise dos exames pode-se concluir que os resultados en-
contrados nos mostram que a grande maioria dos pacientes estuda-
dos se encontrava na fase crônica da infecção desencadeada pelo 
VHB e VHC, em estágios iniciais.
Portanto, diante da freqüência de infecções e das complicações 
que podem acarretar, torna-se importante a realização de análises 
semelhante para que se possa monitorar o comportamento da hepa-
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PREVALÊNCIA DE HEPATITE B E C EM PACIENTES ATENDIDOS NO PRONTO ATENDIMENTO DR. ERNESTO NASCIMENTO SOBRINHO NA CIDADE DE SANTO ÂNGELO - RS, BRASIL
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propostas de prevenção e diminuir os riscos de contaminação e evo-
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POTENCIAL TOXICIDADE DO CARBONATO DE LÍTIO
POTENCIAL TOXICIDADE DO 
CARBONATO DE LÍTIO
POTENTIAL TOXICITY OF LITHIUM CARBONATE
Letícia Aparecida Nascimento do Carmo1
Juliana Foletto Fredo Roncato2
RESUMO
O Carbonato de Líio é muito uilizado na área psiquiátrica, por sua excelente eicácia terapêuica. Este relato de caso 
clínico trata-se de uma paciente que sofreu intoxicação pelo Líio, tendo como objeivo descrever os danos que este 
medicamento pode causar no organismo quando uilizado por longo período e em doses altas. Embora se trate de 
um medicamento de efeito comprovado no tratamento do Transtorno Bipolar, o arigo visa demonstrar as diversas 
alterações e riscos que podem ocorrer, enfaizando a importância de um rigoroso controle laboratorial desses pacientes, 
uma vez que somente através do monitoramento periódico é possível evitar um processo intoxicante e potencialmente 
fatal. Dessa forma, observa-se que o Carbonato de Líio tem um efeito benéico nos tratamentos psiquiátricos, mas 
para que se possa alcançar uma melhor qualidade no tratamento, faz-se necessário uma perfeita adesão do paciente 
ao tratamento e um rigoroso monitoramento clínico através de dosagens bioquímicas e hematológicas para evitar uma 
intoxicação medicamentosa.
Palavras-Chave: Diagnósico Laboratorial. Intoxicação. Líio. Transtorno Afeivo Bipolar.
 ABSTRACT
The Lithium Carbonate is very used in the psychiatric area, for its excellent therapeuic eicacy. This related clinical 
case it’s about a paient who sufered poisoning by lithium, which is aimed to describe the damage that this drug can 
cause at the body when it´s used for long periods and at high doses. Although this is a drug proven efecive in the 
treatment of bipolar disorder, the paper aims to demonstrate the various changes and risks that can occur. Emphasizing 
the importance of a thorough laboratory control of these paients, since only through regular screening is possible 
prevent a intoxicaing and potenially fatal process. Thus, it is observed that the lithium carbonate has a beneicial efect 
on psychiatric treatments, but so that we can achieve a beter quality of care, it is necessary to perfect adherence to 
the treatment and strict clinical monitoring with biochemical and hematological dosages to avoid a drug intoxicaion.
Keywords: Diagnosis laboratory. intoxicaion. lithium. Afecive Bipolar Disorder.
1. INTRODUÇÃO 
O Carbonato de Lítio é um medicamento amplamente utilizado 
na área psiquiátrica há vários anos. Sua eficácia foi comprovada 
através de diversos experimentos durante o decorrer do século XX 
e, desde então tem sido utilizado por especialistas do mundo todo 
como a droga de escolha no tratamento do (TAB) Transtorno Afetivo 
Bipolar, CID 10 - F: 31.
O Carbonato de Lítio é um medicamento de índice terapêutico 
muito baixo e farmacocinética individualizada. A margem entre a 
1 Acadêmica concluinte do Curso de Biomedicina, ano 2010. Instituto Cenecista de Ensino Superiror de Santo Ângelo.2 Professora da disciplina de Toxicologia do IESA; Farmacêutica e Bioquímica - UNICRUZ, 2000; Especialista em Toxicologia Aplicada 
– PUCRS, 2002; Mestre em Biologia Celular e Molecular – PUCRS, 2007; Pós-graduanda em Docência para o Ensino Superior - IESA.
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dose terapêutica e a dose tóxica é estreita, e por esse motivo, faz-
se necessário uma rigorosa monitorização terapêutica e laboratorial, 
por meio da determinação da concentração sérica e hemática, como 
forma de auxiliar no controle das doses a serem administradas ao 
paciente, uma vez que ele pode tornar-se tóxico ao organismo, já 
que sua excreção varia de indivíduo para indivíduo.
É de conhecimento dos profissionais da área médica os benefí-
cios do Lítio no tratamento do TAB e na fase maníaca de doenças 
maníaco-depressivas, bem como, a importância do rigoroso acom-
panhamento desses pacientes, uma vez que uma intoxicação aguda 
por lítio pode causar diversas alterações no organismo, como mani-
festações neurológicas leves (tremor, perda da coordenação dos mo-
vimentos musculares voluntários, dificuldades na fala, convulsões, 
encefalopatia, coma); manifestações neuromusculares (fraqueza 
muscular proximal, rabdomiólise, miastenia gravis e neuropatia axo-
nal). Estas manifestações são em geral reversíveis com a suspensão 
ou diminuição das doses do medicamento.
O uso do Carbonato de Lítio por um longo período também pode 
desencadear as chamadas patologias associadas, como o Diabetes 
Mellitus (DM), disfunções renal, hepática, cardíaca, hipertensão ar-
terial, sobrepeso e, até mesmo uma intoxicação por uso excessivo 
do medicamento.
Dados estatísticos apontaram que o TAB tem maior incidência 
em pessoas do sexo feminino. A interação do Carbonato de Lítio com 
os anticoncepcionais orais aumenta muito o risco de gravidez entre 
essas pacientes, devido à redução do efeito do anticoncepcional oral 
causada pelo lítio.
A puérpera em uso do lítio deve evitar a amamentação, pois cer-
ca de 40% da concentração sérica do lítio é passada através do leite, 
podendo causar intoxicação no recém-nascido.
Nesse trabalho, o questionamento é: o Carbonato de Lítio quan-
do usado em excesso em paciente com sofrimento psíquico, é tóxico 
para o organismo?
Para isso far-se-á uma revisão da literatura, visando apontar os 
danos que o medicamento Carbonato de Lítio causa ao organismo 
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do paciente. Além disso, no presente trabalho realizamos um estudo 
de caso clínico de uma paciente que sofreu intoxicação pelo medi-
camento.
Abordaremos ainda, a importância dos exames laboratoriais no 
monitoramento deste medicamento,visto que através dos resultados 
dos níveis séricos se consegue administrar melhor as dosagens do 
mesmo, evitando assim danos ao paciente.
1.1. Fundamentação Teórica
O Carbonato de Lítio é uma droga utilizada em diferentes pato-
logias da área psiquiátrica; porém no TAB seu uso é indispensável, 
pois trata-se de um transtorno severo, freqüente, que surge ao longo 
da vida adulta afetando o campo emocional da pessoa com emoções 
violentas, sentimentos persistentes, picos de depressão e euforia. 
Acomete em média 2% da população geral; onde deste percentual 
cerca de 12,5% a 30% tem sua sintomatologia confundida com de-
pressão em um primeiro momento; o que requer a avaliação de um 
especialista para um diagnóstico fidedigno (VIEIRA; GAUER, 2003; 
ARANTES, 2007).
Atinge ambos os sexos, com maior incidência de casos no sexo 
feminino, onde o quadro sintomatológico é mais severo do que nos 
homens. Nas mulheres entre os fatores de risco, destacam-se as 
oscilações hormonais, o ciclo menstrual, o período puerperal e a me-
nopausa; enquanto que nos homens o fator de maior relevância está 
no risco de suicídio, o qual pode estar associado à dependência de 
álcool. Em ambos os sexos essa disfunção pode estar ligada a alte-
rações bioquímicas (DIAS et al., 2006).
O Lítio foi introduzido na medicina como substância terapêutica 
por Garrod no ano de 1863, tendo sido utilizado para tratamento de 
diversas patologias durante mais de um século, sem muito sucesso. 
Já em 1949, Cade introduziu a droga no tratamento de pacientes psi-
quiátricos; porém em 1954 Schou, através do primeiro estudo duplo-
cego realizado com medicação psiquiátrica, comprovou a eficácia do 
mesmo no tratamento da mania e, desde então o Carbonato de Lítio 
passou a ser utilizado nos tratamentos de desordens maníacas nos 
países europeus e posteriormente pelos EUA (ROSA et al., 2006; 
TEIXEIRA; ROCHA, 2006; LEAL; FERNANDES, 2010).
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Em 1970 a Food and Drug Administration (FDA) aprovou o lítio 
como primeiro fármaco eficaz no tratamento das fases agudas e na 
manutenção da doença bipolar, a partir de então, há mais de 5 déca-
das ele vêm sendo utilizado pelos especialistas como a droga de es-
colha no tratamento do TAB e outras patologias associadas pela sua 
grande atuação como estabilizador de humor (ROSA et al., 2006).
Sua eficácia terapêutica nas crises maníacas e depressivas de 
pacientes bipolares é indiscutível, e para que haja uma melhor ade-
são ao tratamento, a formulação mais utilizada é a de comprimidos, 
por ser menos higroscópica e menos irritante à mucosa gástrica, 
quando comparada ao Cloridrato; porém essa formulação produz 
grande concentração da droga no soro, podendo causar efeitos co-
laterais e até reações tóxicas ao organismo (VISMARI et al., 2002; 
CERQUEIRA et al., 2008).
Seu pico plasmático varia entre 2 a 6 horas após sua absorção, 
com meia vida de 18 a 36 horas, e o estado de equilíbrio se dá entre 
90 a 120 horas (PARDINI, 2003; SOARES, 2010). 
Se a adesão ao tratamento não é 100% efetiva, o reflexo do uso 
incorreto acaba acarretando complicações da doença, efeitos cola-
terais variados, e oscilações dos níveis séricos nos resultados dos 
exames laboratoriais. Quando o paciente faz o uso correto e continu-
ado do Lítio, geralmente os níveis séricos em seu organismo estarão 
entre 0,6 mEq/L e 1,2 mEq/L, enquanto que os pacientes que fazem 
uso de forma irregular apresentam níveis inferiores a 0,6 mEq/L ou 
superiores a 1,2 mEq/L (ROSA et al., 2006).
Segundo Teixeira e Rocha (2006) o FDA, órgão regulador do 
uso de medicamento nos EUA, no ano de 2004 estabeleceu que 
todo paciente usuário do Carbonato de Lítio deveria ser monitorado, 
uma vez que existem efeitos adversos relacionados ao metabolismo 
como o DM, obesidade e dislipidemia.
O lítio utiliza-se da bomba sódio-potásio para transpor a mem-
brana do eritrócito; não se liga as proteínas, passando direto do san-
gue para os tecidos, chegando de forma mais rápida aos rins, fígado 
e pele; e de forma mais lenta aos ossos, músculos e cérebro. Ele é 
muito ágil na passagem pelas membranas celulares e também em 
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sua distribuição pelos fluídos corporais intra e extracelulares; possui 
um equilíbrio dinâmico entre os tecidos e o soro, o que torna possível 
realizar a dosagem sérica do lítio presente no organismo (VIEIRA et 
al., 2006; LEAL; FERNANDES, 2010).
Os medicamentos antipsicóticos, podem aumentar a entrada do 
lítio no interior das células vermelhas do sangue levando a um au-
mento da concentração eritrocitária de lítio e a uma possível toxici-
dade celular (CERQUEIRA et al., 2008).
É um sal altamente solúvel em água e não metabolizado pelo 
organismo, sua excreção é basicamente renal (variando conforme o 
peso e a idade do paciente); sendo que 80% do lítio filtrado é reab-
sorvido, e cerca de 1% excretado nas fezes; sua clearance é de cer-
ca de 15 a 30 ml/mim (aproximadamente 20% da creatinina) (VIEIRA 
et al., 2006; MENDES, 2008; LEAL; FERNANDES, 2010).
Ele possui uma similaridade com elementos como o sódio, potás-
sio, cálcio e magnésio; hipótese que justificaria a elevação dos níveis 
de serotonina e diminuição dos níveis de norepinefrina, alterando as-
sim as concentrações de dopamina, ácido g-aminobutírico (GABA) e 
acetilcolina do metabolismo (MACHADO-VIEIRA, 2003).
Para Soares (2010), o excesso de lítio no organismo pode decor-
rer em três situações: níveis de (1,5 mEq/L a 2 mEq/L) pode ocasio-
nar náuseas, tremores finos e diarréia; de (2 mEq/L a 3 mEq/L) pode 
apresentar vômitos, diarréia, sedação, ataxia, polidipsia e poliúria; 
e por fim níveis séricos acima de 3 mEq/L que são potencialmente 
fatais e passíveis de hemodiálise em regime de internação intensiva, 
podendo ocorrer dano neurológico irreversíveis com seqüelas gra-
ves. Já Pardini (2003) considera tóxicos níveis acima de 1,5 mEq/L 
através das dosagens do método eletrodo sedativo.
Os efeitos colaterais observados por Dias et al. (2006), apontam 
que os maiores danos se referem ao sexo feminino, podendo ser 
comparado nos seguintes dados: tremores (homens 54% e mulheres 
26%), ganho de peso no primeiro ano de tratamento (homens 18% e 
mulheres 47%), desenvolvimento de hipotireoidismo (homens 9% e 
mulheres 37%). 
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O lítio produz diversos efeitos colaterais, que variam de acordo 
com o sexo, a idade e o metabolismo de cada paciente; os mais 
comuns descritos são o DM, aumento do peso corporal, hipertensão 
arterial, tremores finos, diarréia, náuseas, tonturas, fraqueza muscu-
lar, poliúria e dislipidemia (MARCOLAN; URASAKI, 1998; ROSA et 
al., 2006; VIEIRA et al., 2006).
Para que se possa prevenir alguns efeitos colaterais e até mes-
mo a intoxicação, o monitoramento do lítio através de exames labo-
ratoriais é de fundamental importância, pois somente através deles o 
médico consegue analisar os efeitos que o mesmo está produzindo 
no organismo do paciente; uma vez que esses níveis estejam acima 
do pré-estabelecido como normal (0,6 mEq/L a 1,2 mEq/L) na cor-
rente sanguínea pode tornar-se tóxico ou fatal ao paciente (ROSA 
et al., 2006; CERQUEIRA et al., 2008). Essas dosagens podem ser 
feitas do plasma, do soro, da urina e dos fluídos corporais, através 
da fotometria de chama e espectrofotometria de absorção atômica 
(LEAL; FERNANDES, 2010).
Conforme Pardini (2003), a dosagem dos sais de lítio são úteis 
na monitorização dos níveis terapêuticos e toxicidade, porém a co-
leta deve ser realizada 12 horas após a ingesta da última dose do 
medicamento.
Em gestantes é grande a preocupação quanto ao uso do lítio, 
uma vez que estas pacientes não podem deixar de fazeruso do 
medicamento neste período. A exposição do feto ao lítio no primeiro 
trimestre da gestação aumenta o risco de malformações cardíacas, 
distúrbios do ritmo cardíaco, dificuldade respiratória, cianose, diabe-
tes insipidus nefrogênico, disfunção da tireóide, hipoglicemia, hipo-
tonia, letargia, hiperbilirrubinemia e bebês grandes para idade ges-
tacional. É importante o monitoramento sérico destas pacientes do 
início até o último mês de gestação (BLAYA, 2005; DIAS et al., 2006).
Embora se diga que a amamentação traz benefícios ao recém-
nascido, há casos em que se dever medir o risco/benefício, uma vez 
que cerca de 40% da concentração sérica do lítio da mãe passa para 
o bebê através do leite e por esse motivo que a American Academy 
of Pediatrics Commitee on Drugs contra-indica a amamentação nes-
ses casos. Ressaltamos que é recomendado também que se faça o 
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monitoramento nas crianças que tiveram contato com o lítio durante 
sua vida embrionária e/ou amamentação, a cada seis a oito sema-
nas, bem como os níveis de TSH, uréia e creatinina, com a finalidade 
de evitar efeitos nocivos do medicamento as mesmas (BLAYA, 2005; 
BRASIL, 2010).
2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1. Caracterização da Pesquisa
O presente estudo trata-se de uma pesquisa exploratória, com 
estudo de caso de uma paciente que sofreu intoxicação por Lítio.
2.2. Amostra
A amostra do estudo de caso será constituída por uma paciente 
com 42 anos de idade, sexo feminino, portadora da doença classifi-
cada no CID 10 sob o código F 31 (TRANSTORNO AFETIVO BIPO-
LAR).
2.3. Procedimentos
O quadro clínico da paciente será avaliado com base em exames 
laboratoriais, como Hemograma, Creatinina, Sódio, Lítio e TSH.
2.4. Relato de Caso Clínico
Paciente do sexo feminino, 42 anos, branca, interna no Hospital 
de Caridade da cidade de Santo Ângelo, no dia 03 de novembro de 
2009.
Diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar com episódio atual de-
pressivo grave, alucinações auditivas e visuais, idéias delirantes per-
sistentes, tontura e Pressão Arterial (P.A.) de 90 mmHg x 50 mmHg.
Submetida à exames laboratoriais constatou-se as seguintes al-
terações: Hemácias 3,25 milhões/mm3 e Hemoglobina 10,8 g/dl (ane-
mia); Leucócitos Totais 16.400 mm3 (leucocitose); Creatinina 2,2 mg/
dl; Sódio 128 mEq/L (Hiponatremia); Lítio 2,50 mEq/L (intoxicação); 
TSH Ultra-sensível 8,97 µUI/mL. Nos demais exames solicitados os 
resultados foram considerados dentro dos valores de referência: Gli-
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cose 78 mg/dl; Transaminase Oxalacética (AST) 17 U/L; Transami-
nase Pirúvica (ALT) 11 U/L; Potássio 3,7 mEq/L.
Na prescrição médica constava a administração total diária de 
Imipramina 150mg; Carbolitium 900mg; Clorpromazina 25mg; Ris-
peridona 6mg; Enalapril 10mg pela manhã; Furosemida 20mg pela 
manhã e Haldol I.M. se agitação.
Com base no resultado dos exames laboratoriais realizados no 
dia da internação, fez-se necessário suspender a Furosemida e o 
Carbolitium e, encaminhar a paciente para seção de hemodiálise já 
no dia seguinte a internação devido a intoxicação por lítio associada 
à interação medicamentosa com diurético e anti-hipertensivo.
No terceiro dia da internação a paciente começou a apresentar 
melhora no quadro clínico, após a primeira seção de hemodiálise; o 
Carbolitium 300mg foi suspenso e substituído pela Carbamazepina 
100mg a noite como estabilizador do humor; foi suspenso o Enalapril 
10mg e manteve-se as demais medicações prescritas na internação. 
Foi realizada a segunda seção de hemodiálise e sua P.A. era de 
160mmHg x 100mmHg.
No quarto dia de internação continuou apresentando evolução 
do quadro clínico, respondeu bem a segunda seção de hemodiálise, 
porém P.A. permanece 160mmHg x 100mmHg.
No quinto dia a paciente permanece tomando a medicação ha-
bitual e realizando seções de hemodiálise diária, evoluindo em seu 
quadro clínico. 
No sexto dia de internação paciente estava melhor clinicamente; 
foi solicitado as dosagens de Uréia 15 mg/dl; Creatinina 1,0 mg/dl; 
Lítio 0,60 mEq/L e TSH Ultra-sensível 8,97 µUI/mL com o intúito de 
averiguar se o processo de desintoxicação estava funcionando.
Devido a resposta orgânica positiva ao tratamento e as seções 
de hemodiálise, os níveis séricos da Creatinina e do Lítio normali-
zaram e a paciente recebeu alta médica; passando a utilizar a Car-
bamazepina 100mg em substituição ao Carbolitium 300mg desde o 
terceiro dia de internação. 
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3. DISCUSSÃO
Desde meados do século XX o Lítio é usado como o estabilizador 
de humor clássico, por conter propriedades anti-maníacas (VIEIRA 
et al., 2006). Embora haja outras opções terapêuticas para o trata-
mento do TAB, nenhum dessas drogas causam efeito superior ao do 
Lítio, o qual apresenta um efeito benéfico em cerca de 60% a 80% 
dos pacientes (MENDES, 2008).
O caso clinico em questão trata de uma paciente do sexo femi-
nino, adulta, portadora de sofrimento psíquico há muitos anos, em 
acompanhamento médico, que passa a apresentar quadro de aluci-
nações auditivas, visuais, idéias de perseguição, oscilações na P.A. 
e; nos resultados dos exames laboratoriais realizados ao primeiro 
dia de sua internação, foram observadas diversas alterações, dentre 
elas, uma intoxicação pelo Carbonato de Lítio.
Pardini (2003) afirma que os níveis de lítio aumentado podem es-
tar relacionados a insuficiência renal, desidratação, hiponatremia; e 
ao uso de alguns medicamentos, tais como: diuréticos, inibidores da 
ECA, haloperidol, clorpromazina e antiinflamatórios não esteróides. 
Soares (2010) descreve que o lítio em níveis superiores a 3 mEq/L 
é potencialmente fatal e passível de seções de hemodiálise em ca-
ráter de internação intensiva. A paciente em estudo, no momento da 
internação fazia uso de diurético, anti-hipertensivo, clorpromazina e 
haloperidol quando em estado de agitação, dentre suas medicações 
de uso contínuo; fato que justificaria os níveis elevados de lítio em 
seu organismo 2,50 mEq/L e as seções de hemodiálise que foram 
realizadas para desintoxicar o organismo da paciente. 
Os rins tem papel fundamental na absorção e excreção do lítio, 
pois cerca de 80% do lítio é reabsorvido pelo organismo e a clearan-
ce do lítio cerca de 20% da creatinina (LEAL; FERNANDES, 2010). 
Sendo por esse motivo que a Creatinina da paciente apresentava-se 
elevada: 2,2 mg/dl, uma vez que os rins não estavam em seu funcio-
namento normal.
Quando o sódio está em seus níveis normais no organismo, os 
rins conseguem fazer a excreção do lítio com uma meia vida apro-
ximada de 24 horas; porém, se o sódio estiver com níveis baixos o 
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lítio é depurado com menos efetividade do organismo (MARCOLAN; 
URASAKI,1998). Conforme os resultado dos exames laboratoriais 
solicitados pelo médico no primeiro dia da internação da paciente em 
relato, observou-se que a mesma estava com hiponatremia, pois seu 
nível de sódio encontrava-se a baixo do valor de referência, com re-
sultado de 128 mEq/L e também apresentava hipercreatinemia uma 
vez que os valores de referência para idade e sexo são de 0,5 mg/dL 
a 1,1 mg/dL e o resultado de sua dosagem era de 2,2 mg/dL.
O tratamento com lítio provoca alterações na função tireoidiana, 
podendo afetar cerca de 35% dos usuários. Trata-se de um medi-
camento que altera os níveis do TSH; e é responsável por 4% a 
60% dos relatos de bócio (LEAL; FERNANDES, 2010; DEMÉTRIO, 
2010). A literatura aponta que o lítio causa alterações na função ti-
reoideana, induzindo a diminuição da sua produção. Observou-se no 
caso estudado

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