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Artigo de pedagogia - AS COMPETENCIAS SOCIOEMOCIONAIS NA EDUCACAO INFANTIL NA VISAO DE ALUNOS DO 2 SEMESTRE DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UEPA

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AS COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL NA VISÃO
DE ALUNOS DO 2º SEMESTRE DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UEPA
Amanda Cristina Farias, Deyvison Lopes Amorim, Dominique Anne Lima, Kurt Dickison
Lemos, Ryan Ben-Hur de Oliveira Arruda
Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia – Universidade do Estado do Pará (UEPA) –
CCSE
Belém - Pará - Brasil
Resumo: O artigo tematiza as competências socioemocionais na perspectiva dos alunos de
pedagogia da Universidade do Estado do Pará (UEPA). Tem como objetivo analisar o
conhecimento dos alunos sobre as competências socioemocionais e a sua importância na
educação infantil. Consiste em uma pesquisa de campo de abordagem qualitativa. Realizou-se
levantamento bibliográfico e documental para subsidiar a análise dos dados, coletados por
meio de entrevistas e da técnica Grupo Focal. Os sujeitos foram nove alunos do segundo
semestre do curso de pedagogia da UEPA. Constatam-se categorias do papel psicopedagógico
das competências socioemocionais e a sua importância nos documentos analisados e nas falas
dos sujeitos da pesquisa. Conclui-se que as competências socioemocionais na educação
infantil ressignificam o papel da escola frente o conhecimento, a cultura, a compreensão de
vida e a aprendizagem dessas novas habilidades.
Palavras-Chaves: Habilidades socioemocionais, competências socioemocionais, habilidades
do século XXI, Educação infantil.
INTRODUÇÃO
As competências socioemocionais são elementos fundamentais que somam
diretamente no desenvolvimento da autonomia nas crianças,pois essas competências auxiliam,
no âmbito escolar, o indivíduo a controlar suas próprias emoções e colaboram no seu
desenvolvimento, auxiliando a identificar obstáculos, priorizar objetivos, desenvolver a
empatia e a multiplicidade de valores.
Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo apresentar uma análise da
importância das competências socioemocionais na educação infantil. Por conseguinte,
identificar na literatura as competências socioemocionais e como são aplicadas; analisar
relatos de alunos sobre o que pensam sobre as competências socioemocionais no contexto
escolar e social, sobretudo na educação infantil.
Este artigo se justifica tendo em vista que no ano de 2020 será obrigatório o
desenvolvimento das competências socioemocionais nas escolas brasileiras pela BNCC (Base
Nacional Comum Curricular). Desse modo, ressalta-se a importância da presença efetiva
dessas práticas nas relações de aprendizagem, para que os indivíduos sejam enxergados, cada
vez mais, em sua totalidade e estejam preparados para enfrentar as adversidades do século 21.
Anita Abed (2014, p. 3), nesse sentido, afirma que “O conhecimento em si deve ser
amplamente significativo e prazeroso, algo da ordem socioemocional”, o que pode ser
constatado, segundo a autora, a partir dos anos 90, “com o surgimento do Paradigma do
Desenvolvimento Humano, recomendado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento) e a publicação do Relatório Jacques Delors, organizado pela Unesco [...]”.
O primeiro texto posiciona as pessoas na base dos processos de desenvolvimento e
indica a educação como a melhor oportunidade para capacitá-las para escolhas e auxiliá-las a
tornar seu potencial em competências. Já o relatório da Unesco preconiza um sistema
educacional fundamentado em quatro pilares: (1) aprender a conhecer, (2) aprender a fazer,
(3) aprender a ser, e (4) aprender a conviver. Em conjunto representaram um grande passo
para a questão da importância de uma educação global, que reflete o indivíduo em sua
integralidade.
MARCO TEÓRICO
COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS
Competências socioemocionais são a capacidade de cada pessoa em ter que lidar
com suas próprias convicções emocionais, desenvolver o autoconhecimento, relacionar-se um
com o outro, ser capaz de colaborar, mediar conflitos e solucionar problemas (CASEL, 2018).
Sendo assim, podemos dizer que são competências essenciais para a vida pessoal de
qualquer pessoa, tendo em vista que vivemos em sociedade e são habilidades que usamos
diariamente, nos relacionamos interpessoais e na gestão das adversidades subjetivas de cada
indivíduo, como emocionais, de tempo, e outros.
Por outro lado, Oliveira (2017) cita que “solidariedade, amizade, responsabilidade,
colaboração, empatia, organização, ética, cidadania, honestidade são valores desejáveis nos
relacionamentos humanos e cada vez mais requisitados e necessários nos dias de hoje,
portanto, deverão ser ensinados, praticados e estimulados também nas escolas”.
Essa nova visão não diverge com o grupo de habilidades cognitivas já trabalhadas
nas escolas (refletir, interpretar, generalizar aprendizados, pensar abstratamente), até por causa
do elo que possuem com as socioemocionais. Para Paul Tough (2012) revela que alunos que
têm competências socioemocionais mais trabalhadas apresentam resultados superiores no
aprendizado dos conteúdos acadêmicos. “O sucesso no meio universitário não está ligado ao
bom desempenho na escola, mas sim à manifestação de características como otimismo,
resiliência e rapidez na socialização” (Paul Tough, 2012, p. 272). Ele ainda mostra que as
socioemocionais não são inatas e fixas: “elas são habilidades que você pode aprender; são
habilidades que você pode praticar; e são habilidades que você pode ensinar”, seja no
ambiente escolar ou dentro de casa.
A BNCC coloca que a partir de 2020 todas as escolas brasileiras terão de incluir as
habilidades socioemocionais nos seus currículos. Ou seja, haverá a necessidade de adaptar os
programas escolares e capacitar os professores para que possam ministrar essas novas
competências que têm foco em habilidades não-cognitivas, muito mais relacionadas ao
comportamento e à administração das próprias emoções, mas que impactam positivamente o
indivíduo e a relação dele com o mundo ao seu redor.
EDUCAÇÃO INFANTIL
A educação infantil é a primeira etapa da educação básica. É a única
que está vinculada a uma idade própria: atende crianças de zero a três
anos na creche e de quatro e cinco anos na pré-escola. Tem como
finalidade o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos
físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da
família e da comunidade (LDB, art.29).
Podemos entender que a educação infantil é onde a criança tem o primeiro contato
com pessoas de fora do meio familiar, sendo institucionalizado na sociedade enquanto aluno,
assimilando novas personalidades e conhecendo no outro suas próprias naturezas
psicossociais.
Não só, mas também é preciso entender que o aluno na educação infantil é visto
como um indivíduo novo para a sociedade, e também a sociedade é vista como algo novo para
esse aluno, de acordo com a BNCC de 2018 quando é citado que “A entrada na creche ou na
pré-escola significa, na maioria das vezes, a primeira separação das crianças dos seus vínculos
afetivos familiares para se incorporarem a uma situação de socialização estruturada.” A
DCNEI, Resolução CNE/CEB nº 5/2009, diz que a criança é o “sujeito histórico e de direitos,
que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade
pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra,
questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura”, ou seja, o
aluno no ensino infantil tem por direito ser proporcionado a atividades que desenvolvam a
construção de uma criança que reconheça seu espaço físico, social e individual.
A RELAÇÃO DA SOCIABILIDADE NAS COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS
O significado da palavra sociabilidade de acordo com site Dicio, se dá na
“particularidade ou atributo do que é sociável; tendência para viver em sociedade, em
comunidade.” A etimologia vem da variação da palavra sociável (propício a viver em
https://www.dicio.com.br/sociavel/
sociedade). Partindo disso, como já foi dito neste artigo no parágrafo anterior, entendemos
que a sociabilidade é algo muito importantepara o desenvolvimento do aluno no ensino
infantil, tendo em vista a necessidade e o direito da criança de ter contato e experiência social.
O artigo da AIX sistemas “saiba aplicar competências socioemocionais na BNCC
para educação infantil” demonstra que há cinco campos principais que cobrem as
competências, são eles: Autoconhecimento; Autocontrole; Consciência social; Habilidades
sociais; Tomada de decisão responsável. Para a sociabilidade é necessário trabalhar dois
desses cinco campos, a consciência social, visando o que o artigo diz “A partir dessa
competência, é possível compreender normas sociais [...], bem como a reconhecer os apoios e
recursos da família, escola e comunidade.” e as habilidades sociais, “Dominar essa
competência envolve saber se comunicar com clareza, ouvir e cooperar com os outros, resistir
à pressão social quando ela for inadequada, negociar conflitos de maneira construtiva, saber
pedir e oferecer ajuda quando necessário.” (AIX sistemas, 2018)
Neste sentido, as competências socioemocionais não só irão trabalhar o
desenvolvimento do aluno no ensino infantil para a escola, mas também para a sua construção
social produzindo frutos neste indivíduo que de sua maneira proporcionaram uma maior
sociabilidade para o âmbito pessoal.
A RELAÇÃO DA EMPATIA NAS COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS
Para Hoffman (1987), empatia pode ser classificada como uma capacidade de
colocar-se no lugar do outro, e a partir da influência de determinados sentimentos, ter a
possibilidade de dar uma reação positiva para a situação alheia. As competências
socioemocionais almejam alcançar justamente isso: o trabalho das boas relações entre as
futuras gerações e assim formar futuros cidadãos não só capazes de exercer confiança no lado
profissional, e sim obter uma boa estima no âmbito pessoal também. Sabemos que atualmente
um dos grandes déficits na sociedade está relacionado com esta falta de habilidade entre seus
habitantes, o que fere os direitos garantidos por lei. Segundo a Constituição Federal, a
educação por si é um "direito de todos e um dever do Estado e da Família, será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa,
seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1998,
Art. 205). Por conta desse déficit a sociedade cria indivíduos cada vez mais introvertidos e
inseguros, sem a plena capacidade de confiar no outro e estreitando os vínculos sociais.
Grande parte destes mesmos cidadãos começam a adquirir problemas relacionados ao lado
emocional e mental como transtornos dos mais variados tipos e até depressão.
A escola, em sua total obrigação, deve garantir um bom desenvolvimento do aluno
nos quesitos físicos, mentais, morais, cognitivos e emocionais. Isso está garantido através da
Constituição, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei de Diretrizes e Bases e a
BNCC. Dentre esses deveres, está a prática das competências socioemocionais como a
empatia.
A RELAÇÃO DO PENSAMENTO CRÍTICO NAS COMPETÊNCIAS
SOCIOEMOCIONAIS
Um cidadão confiante, empático e sociável, com a habilidade de ouvir, sentir e
pensar situações nada relacionadas a sua realidade acaba construindo pontes e mantendo
contato com outras pessoas. Isto também colabora e ajuda a desenvolver seu pensamento
crítico e a capacidade de questionar e impedir que situações injustas sejam feitas,
principalmente contra pessoas cujo não possuem a mesma habilidade. A empatia não só
auxilia em um bom desenvolvimento da saúde emocional e mental como também abre portas
para cidadãos mais aptos a buscar o melhor para a sociedade em si.
A RELAÇÃO DA AUTONOMIA NAS COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS
O processo de construção da autonomia moral é algo muito importante no contexto
da educação infantil. A autonomia é a capacidade que a criança possui de desenvolver
atividades, de acordo com suas limitações, sem o auxílio de adultos. Com isso, Jean Piaget foi
um dos autores que trouxe contribuições para o desenvolvimento da autonomia por parte das
crianças, ele caracterizava "Autonomia como a capacidade de coordenação de diferentes
perspectivas sociais com o pressuposto do respeito recíproco". Em suas contribuições para o
desenvolvimento moral Piaget ressalta o papel ativo da criança na construção do pensamento,
assim como a importância da interação social para essa construção. Segundo Lino e Vieira
(2007) “para Piaget toda a moral consiste em um sistema de regras e a essência de qualquer
moralidade está no respeito que o indivíduo adquire face a estas regras.” (p. 200). De acordo
com Vieira e Lino (2007), no contexto educacional, é de extrema importância que as práticas
pedagógicas incentivem, e propiciem experiências educativas que corroborem no
desenvolvimento da autonomia das crianças, criando condições para a construção de
estruturas cognitivas que favoreçam a consolidação de conhecimentos.
Desse modo, é notório que as competências socioemocionais são elementos
fundamentais que somam diretamente no desenvolvimento da autonomia nas crianças, pois
auxilia a identificar obstáculos, priorizar objetivos e planejar ações ao decorrer da trajetória
escolar.
A TEORIA DO BIG FIVE
Para conseguir medir aspectos específicos da personalidade pesquisadores utilizam
os testes e escalas para enquadrá-los em pelo meno um dos domínios dos Big Five (John e
Srivastava, 1999, p. 30), citado também em Almlund et al (2011) para enquadrar os domínios
analisados por testes e escalas nos cinco grandes grupos dos Big Five: Abertura a novas
experiências: é a tendência do ser humano está disposto a experiências novas no âmbito
cultural, intelectual e estético. O indivíduo com esse domínio caracteriza-se sendo artístico,
imaginativo, curioso, excitável, criativo e com uma gama maior de interesses; Extroversão:
orientação do elã em direção ao mundo externo, a coisas e as pessoas (ao invés do mundo
subjetivo interno). O indivíduo nesse domínio é caracterizado como sociável, autoconfiante,
amigável, entusiasmado, aventureiro e energético; Consciência: propensão a ser esforçado,
responsável e organizado. O indivíduo dentro desse domínio é caracterizado como autônomo,
eficiente, organizado, não impulsivo, disciplinado e focado para seus objetivos; Estabilidade
Emocional: capacidade de antecipar-se e tomar consistência de reações emocionais, sem
mudanças fortes de humor. Por outro lado, o indivíduo emocionalmente instável é
caracterizado como irritadiço, impulsivo, preocupado, introspectivo, e não-autoconfiante;
Amabilidade: inclinação a agir de modo não egoísta e cooperativo. O indivíduo cooperativo
ou amável pode ser caracterizado como altruísta, tolerante, modesto, não teimoso, simpático,
e objetivo.
No infográfico abaixo, é mostrada a ligação entre traços de personalidade e os
grupos do Big Five. O desenvolvimento das competências socioemocionais pode ser benéfico
tanto para um bom desempenho em matemática, como para ter sucesso nas artes e, por que
não, felicidade;
METODOLOGIA
Tendo em vista a opção por um enfoque analitico, atento as necessidades da
realidade e aos significados produzidos pelos sujeitos, este estudo adota, ainda, uma
abordagem qualitativa, que, segundo Chizzotti (2009, p. 78), nasce com aquelas pesquisas que
questionam o modelo positivista de ciência e que se empenham em “mostrar a complexidade
e as contradições de fenômenos singulares, a imprevisibilidade e a originalidade criadora das
relações interpessoais e sociais”.
Segundo este mesmo autor, os pesquisadores que utilizam a abordagem qualitativa,
dedicam-se à análise dos significados que os indivíduos imprimem em suas ações, “no meio
ecológico em que constroem suas vidas e suas relações, à compreensão do sentido dos atos e
das decisões dos atores sociais ou, então, dos vínculos indissociáveis das ações particulares
com o contexto social em que estas se dão” (p. 78).
Neste sentido, os seguintes passos do método da revisão integrativada literatura
foram seguidos: a identificação do problema (foi definido claramente o propósito da revisão);
a busca da literatura (com a delimitação de palavras-chaves, bases de dados e aplicação dos
critérios definidos para a seleção dos artigos; a avaliação e a análise dos dados obtido.
A busca dos estudos ocorreu no período de outubro a novembro de 2019. Os critérios
de inclusão dos estudos foram: artigos em português e inglês, publicados nos últimos 6 anos,
que apresentam em sua discussão considerações sobre as competências socioemocionais, a
Teoria do Big Five e habilidades do século XXI, indexados nas bases de dados da SciElo,
Google Acadêmico, site do Ministério da educação e portais de educação (porvir.org,
aixsitemas.com.br).
Para a realização da busca, foram utilizadas combinações entre as seguintes
palavras-chaves: competências socioemocionais; habilidades não-cognitivas, habilidades do
século XXI, habilidades emocionais, vida adulta, BNCC competências socioemocionais, as
competências socioemocionais na educação infantil, educação infantil, avaliação de
competências socioemocionais. Os termos foram cruzados como descritores e também como
palavras do título e do resumo.
Nessa busca, foram inicialmente identificados 14 artigos científicos na base de dados
SciElo e 19 artigos na base de dados Google Acadêmico para a leitura exploratória dos
resumos e, então, selecionados 12 que foram lidos integralmente. Depois da leitura analítica
destes artigos, 8 foram selecionados como objeto de estudo, por apresentarem aspectos que
respondiam à questão norteadora desta revisão. As etapas destes processos estão descritas no
Quadro 1. O total de artigos selecionados na tabela é superior a 12, pois quatro artigos
aparecem em cruzamento de palavras-chaves distintas. Os textos selecionados foram
posteriormente submetidos à análise temática.
Quadro 1. Distribuição das referências bibliográficas obtidas nas bases de dados
SciElo e Google Acadêmico, segundo as palavras-chaves selecionadas, Brasil, 2019.
Base de
dados
Palavras-chaves cruzadas
concomitantemente (como
palavras do resumo e
como descritores)
Número de
referências
obtidas
Resumos
Analisados
Referências
selecionadas
para análise
Selecionados
para Revisão
SciElo Habilidades
socioemocionais à
educação infantil
5 2 1 1
Competências
socioemocionais à
educação infantil
2 2 0 0
Habilidades do século
XXI à educação infantil
3 2 1 1
Habilidades
não-cognitivas à educação
infantil
2 1 1 0
Habilidades
socioemocionais à vida
pessoal
1 1 1 1
Avaliação das
competências
socioemocionais à
educação infantil
1 1 1 1
Google
Acadêmico
Competências
socioemocionais à BNCC
6 5 2 2
A importância das
competências
socioemocionais à
educação infantil
5 3 2 1
Habilidades
socioemocionais à vida
pessoal
1 1 1 0
Habilidades
socioemocionais à
educação infantil
4 1 2 1
Avaliação das
competências
socioemocionais à
educação infantil
3 2 0 0
DISCUSSÃO E RESULTADOS
Conforme foi mostrado até o momento este artigo visa mostrar a percepção dos alunos do 2°
semestre de pedagogia sobre as competências socioemocionais. Trabalhar o socioemocional
das crianças envolve primeiramente fazer a criança entender o seu eu no mundo, ou seja, seu
autoconhecimento. Fazê-las entender o que acontece com seus sentimentos, em sua maioria
sendo novidades a cada dia para elas, encontraremos necessidades específicas para trabalhar
com elas. Com atividades lúdicas podemos desenvolver caminhos passíveis ao entendimento
dessas crianças sobre elas mesmas, seja com filmes, atividades de desenho visando entender o
que são sentimentos e como eles funcionam quando os sentimos.
“É no meu caso eu acho que eu apresentaria primeiramente as
emoções pras crianças o tipo de sentimento amor, carinho, respeito e
estimularia nelas, e sempre dizendo, olha tem alguns sentimentos que
não são muito bons e quando vocês estiverem sentindo essas coisas
conversem. Porque a gente sabe que muitas vezes esses sentimentos
ruins, eles podem tá acontecendo por alguma coisa que as crianças
estão passando em casa e a criança sentir a liberdade de chegar e
falar: ‘a tia tô me sentindo com raiva por que meu pai brigou com a
minha mãe’”. (RUTH, BELÉM 2019)
Seguindo o desenvolvimento da noção dos sentimentos e autoconhecimento sobre eles pelas
crianças, surge a necessidade de desenvolver e ensinar essas crianças a saber como lidar com
elas. Surgindo o autogerenciamento dos sentimentos iremos poder lidar melhor com essas
crianças uma vez que elas iram produzir um autonomia desde cedo sobre situações que antes
só conseguiriam compreender com a assistência de um adulto, como um desentendimento
com outro coleguinha de classe produzindo estresse, a criança pode sozinha entender com o
desenvolvimento desse autogerenciamento emocional que não precisa resolver aquilo de
forma agressiva.
“Como ela já vai ter noção dos sentimentos que ela tem uma boa pra
mim é ensinar ela a parar pensar sobre esse sentimento,
principalmente os problemas a gente não pode tentar resolver tudo na
base da paulada, mas a gente tem que para pra pensar no problema
então ela vai ter que parar pra tentar descrever o que ela ta sentindo
pra depois tomar uma decisão, eu sei que ela é muito pequena pra ter
um raciocínio complexo sobre aquele sentimento mas acredito que
ensinando o básico daquele sentimento eu acredito que vai ter
melhores atitudes em relação a ele”. (PEDRO, BELÉM 2019)
De acordo com as entrevista um ponto importante a ser discutido é que na fala da maioria se
permanece o discurso da falta de entendimento sobre o que seriam essas competências, no
início das entrevistas sempre perguntávamos aos entrevistados se sabiam do que se tratava e
todos disseram que não, sendo que no segundo semestre de pedagogia na UEPA já se tem
aulas sobre a construção do desenvolvimento psicológico das crianças na disciplina de
psicologia do desenvolvimento que visa:
*EMENTA DA DISCIPLINA* Aqui tô esperando a denise me mandar a ementa da disciplina
para pegar algo que comprove o que eu disse ai blz.
Partindo dessa observação foi percebido nas falas dos participantes de forma geral a
necessidade de desenvolver essas competências nas escolas a partir do ano que vem, gerando
o que segundo eles pode ajudar as futuras crianças a lidar com situações adversas no campo
emocional para poder se estabilizar no campo social concreto, e iniciando isto na infância irá
proporcionar um maior controle emocional, havendo um equilíbrio pessoal em cada aluno que
desenvolve as competências durante o período de educação infantil, podendo assim chegar na
fase da adolescência com uma consciência mais organizada para a bomba de informações que
recebemos ao entrar na fase da puberdade.
“Acredito que vai dar equilíbrio pra ela e que isso é importante de ser
trabalhado desde a infância, que ela cresça desse jeito e que não
tenha que passar por esse processo naquela fase que é tão complicada
que é a nossa adolescência”. (AMANDA, BELÉM 2019)
As competências socioemocionais também tem o intuito de trabalhar o diferente, partindo
disso os entrevistados foram questionados sobre quando eles perceberam o diferente na sua
infância, seja em um coleguinha na escola ou o vizinho ao lado de casa, as respostas foram
variadas mas o acordo entre elas se dá onde a maioria não percebeu no outro mas sim o
diferente em si mesmo sobre os que estavam ao seu redor. Perceber que é diferente dos outros
é difícil para nós adultos, para a criança é mais complicado se ela não tem a assistência dos
pais para entender aquilo, a escola é o principal contato da criança com a sociedade que a
rodeia fora de casa, dessa forma seria necessário o desenvolvimento do aprender o que é
diferente e como lidar com o diferente do outro e principalmente a sua diferença para com os
outros. As competências socioemocionais são importantes para a aceitação das diferenças da
sociedade.
“Percebi a diferença comigo, tipo por que as outras criançasda
minha turma eram magrinhas e eu era gordinha, todas as meninas
tinham cabelo liso e eram magrinhas, e por causa disso não queriam
brincar comigo”. (THAIS, BELÉM 2019)
As competências iram ser obrigatórias ano que vem (2020) nas escolas pelo Brasil, os relatos
dos participantes foram bem voltados para as questões de experiência de vida, uns contam que
na infância tinham dificuldade para se aceitar por não se encaixarem em um padrão de beleza
estipulado pela época em que eram menores, visando isso foi indagado para eles o que eles
acham que mudaria se eles tivessem tido oportunidade de ter acesso a essas competências nas
escolas enquanto estavam no ensino infantil, de forma unânime foi falado sobre a auto
aceitação que seria bem melhor desenvolvida, e que não teria acarretado problemas que
tiveram por situações de bullying na escola. A necessidade de se desenvolver essas
competências é cada vez mais vista pelas escolas brasileiras, entretanto, os graduandos de
pedagogia já deveriam em sua graduação desde os semestres iniciais trabalhar formar para
desenvolvê-las dentro das suas futuras salas de aula com seus alunos.
“Com certeza faria muita diferença, isso pode ser uma pequena coisa
pra eles pras crianças no caso hoje, mas pra gente que tá tendo
consequências por conta da falta disso, a gente trás muita coisa daí,
eu trouxe uma insegurança muito grande daí entendeu, que tá
passando agora que eu sou “adulta”, então isso são coisas que
podem ser evitadas, e eu to muito feliz que vocês estão dizendo que
vai ser implementada ano que vem”. (ANA PAULA, BELÉM 2019)
“Eu mudaria algumas atitudes que eu tenho em relação que as vezes
as pessoas falam coisas pra mim que me incomodam, que eu fico
triste, que eu chego em casa eu choro, essas coisas entendeu, acho
que eu aprenderia lidar melhor com as coisas que me falassem, ia
ficar tô nem aí minha autoestima lá em cima, aprenderia a não
internalizar essas emoções”. (RUTH, BELÉM 2019)
Na última parte das entrevistas foi pedido que os participantes avaliassem seu
autoconhecimento e sua empatia da forma que eles se sentissem à vontade, e metade dos
participantes disseram que deveriam melhorar ou em ou em outro e que estão trabalhando
para aperfeiçoá-los.
“Eu acho que tenho um autoconhecimento, mas eu tenho que quebrar
alguns paradigmas, todo mundo tem que quebrar os seus”. (MIRIÃ,
BELÉM 2019)
“Talvez eu não tenha tanto autoconhecimento e sobre empatia eu
ainda tô aprendendo, eu avalio como regular em uma escala de bom,
ruim ou regular”. (THAÍS, BELÉM 2019)
As competências socioemocionais ajudaram as crianças a desenvolver essas partes dos seus
eus de forma mais produtiva, não só individualmente, mas também socialmente, tendo em
vista que uma das participantes se emocionou ao contar sobre sua experiência de
desenvolvimento de empatia, ela relatou que sua avó possui um deficiência e que desde
pequena sofria bullying das outras crianças, ou seja, a entrevistada desde pequena aprendeu
com sua avó a respeitar a diferença dos outros.
“Se eu for olhar, eu acho que não ta ruim, ta bom por que eu acho que
sempre eu encarei de forma diferente, a minha família... por
exemplo... a questão assim do diferente, a minha vó é deficiente e ela
me conta história de quando as pessoas praticavam… *pausa pois a
entrevistada se emocionou ao tentar o relato de sua avó*... ela falava
que as crianças colocavam apelidos nela...”. (ROBERTA, BELÉM
2019).
Contudo, as entrevistas mexeram com o emocional dos participantes, lembrar de situações
que eles ou outras pessoas próximas passaram os fez entender a importância do
desenvolvimentos dessas competências desde o ensino infantil.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
XXX

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