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RESUMO CURRÍCULO RESUMO CURRÍCULO Texto de... ILVA, Tomaz Tadeu da. Diferença e identidade: o currículo multiculturalista. In: ______. Documentos de identidade: uma introdução ás teorias do currículo. 2. ed. Belo Horizonte: Autentica, 2007. p. 85-90. Diferença e identidade: o currículo multiculturalista. Multiculturalismo e um movimento legítimo de reivindicação dos grupos culturais dominados no interior daqueles paises dominantes para terem suas formas culturais reconhecidas e representadas na cultura nacional. Compreensão antropológica: devesse tolerar e respeitar a diferença porque sob a aparente diferença ha uma mesma humanidade. São as relações de poder que fazem côn que a “diferença” adquira um sinal, que o “diferente” seja avaliado negativamente relativamente ao “não-diferente”. Nos Estados Unidos, o multiculturalismo originou-se exatamente como una questão educacional ou curricular. A perspectiva liberal ou humanista enfatiza um currículo multiculturalista baseado nas idéias de tolerância. Da perspectiva mais crítica, focaliza se nas relações de poder, e a tolerância é colocada permanentemente em questão. No haverá “justiça curricular” se o cânon curricular no for modificado para refletir as formas pelas quais a diferença e produzida por relações sociais de assimetria. As relações de gênero e a pedagogia feminista. O termo “gênero” refere-se aos aspectos socialmente construídos do processo de identificação sexual. O currículo produz relações de gênero. O feminismo vinha mostrando que as linhas do poder da sociedade estão estruturadas não apenas pelo capitalismo, mas também pelo patriarcado. Há uma profunda desigualdade dividindo homens e mulheres, e estende-se a educação e ao currículo. Há desigualdade do gênero com questões de acesso, sobretudo nos paises periféricos do capitalismo. O mundo social está feito de acordo com os interesses e as formas masculinas de pensamento e conhecimento. Não existe nada mais masculino que a própria ciência. A pedagogia feminista tentava construir um ambiente de aprendizagem que facilite o desenvolvimento de uma solidariedade feminina. O currículo como narrativa étnica e racial. As teorias críticas focalizadas na dinâmica da raça e da etnia se concentram em questões de acesso a educação ao currículo. A identidade étnica e racial está estreitamente ligada às relações de poder que opõem o homem branco europeu às populações dos países por ele colonizados. Raça – cor da pele. Etnia – características mais culturais. O texto curricular está recheado de narrativas nacionais, étnicas y raciais, e conserva as marcas da herança colonial. A questão torna-se então: como desconstruir o texto racial do currículo. Um curriculo multiculturalista desse tipo deixaria de ser folclórico para se tornar profundamente político. Um currículo crítico deverá centrar-se na discussão das causas institucionais, históricas e discursivas do racismo. A questão do racismo não pode ser analisada sem o conceito de representação, depende de relações de poder. Uma coisa “estranha” no currículo: a teoria queer. A teoria queer surge, em países como Estados Unidos e Inglaterra, como uma espécie de unificação dos estudos gays y lésbicos. Queer – “estranho”. Através da “estranheza” quer-se perturbar a tranqüilidade da “normalidade”. O conceito de gênero foi criado para enfatizar o fato de que as identidades masculina e feminina são historicamente e socialmente produzidas. A teoria queer começa por problematizar a identidade sexual considerada normal, ou seja, a heterossexualidade. A identidade é sempre una relação: o que eu sou só se define pelo que não sou. A homossexualidade torna-se como um desvio da sexualidade dominante, hegemônica, normal, isto é, a heterossexualidade. A teoria queer quer nos fazer pensar o impensável, o que é proibido pensar, questionar todas as formas bem-comportadas de conhecimento e de identidade. Estimula que a questão da sexualidade seja seriamente tratada no currículo como uma questão legítima de conhecimento e de identidade. O fim das metanarrativas: o pós-modernismo. É um conjunto variado de perspectivas, abrangendo uma diversidade de campos intelectuais, políticos, estéticos, epistemológicos. A educação tal como a conhecemos hoje é a instituição moderna por excelência, o questionamento pós-modernista constitui um ataque à própria idéia de educação. A teorização crítica da educação e do currículo segue os da grande narrativa da modernidade, o pós-modernismo constitui uma radicalização dos questionamentos lançados às formas dominantes de conhecimento pela pedagogia crítica. Para o pós-modernismo, o progresso não é algo necessariamente desejável ou benigno. O pós-modernismo, inspirado no pós-estruturalismo, o sujeito não é o centro da ação social. Ele não pensa, fala e produze: ele é pensado, falado e produzido. O pós-modernismo não rejeita simplesmente aquilo que critica: ele, ambígua e ironicamente, imita, incorpora, inclui. Não apenas tolera, mas privilegia a mistura, o hibridismo e a mestiçagem – de culturas, de estilos, de modos de vida. Inclina-se para a incerteza e a dúvida. A crítica pós-estruturalista do currículo. O pós-estruturalismo é freqüentemente confundido com o pós-modernismo. Embora partilhem certos elementos, o pós-modernismo define-se relativamente a uma mudança de época, o pós-estruturalismo limita-se a teorizar sobre a linguagem e o processo de significação. Para o estruturalismo a língua é a estrutura, a fala é a utilização concreta, pelos falantes de uma língua particular, desse conjunto limitado de regras. O pós-estruturalismo partilha com o estruturalismo a mesma ênfase na linguagem como um sistema de significação. O processo de significação continua centra, mas a fixidez do significado que é, de certa forma, suposta no estruturalismo, se transforma, no pós-estruturalismo, em fluidez, indeterminação e incerteza. Foucault: não existe saber que não seja a expressão de uma vontade de poder. Ao mesmo tempo, não existe poder que não se utilize do saber. Como campos de significação, o conhecimento e o currículo são caracterizados também por sua indeterminação e por sua conexão como relações de poder. Uma perspectiva pós-estruturalista sobre o currículo questionaria os “significados transcendentais”, ligados a religião, a pátria, a ciência, que povoam o currículo. Buscaria perguntar: onde, quando, por quem foram eles inventados. Uma teoria pós-colonialista do currículo. O mundo contemporâneo, globalizado, só pode ser adequadamente compreendido se consideramos todas as conseqüências da chamada “aventura colonial européia” desde o século XV. A análise pós-colonial busca examinar tanto as obras literárias escritas do ponto de vista dominante, quanto àquelas escritas por pessoas pertencentes às nações dominadas. A teoria pós-colonial é um importante elemento no questionamento e na crítica dos currículos centrados no chamado “cânon ocidental”. A análise pós-colonial se junta às análises pós-moderna e pós-estruturalista, para questionar as relações de poder e as formas de conhecimento que colocaram a sujeito imperial europeu na sua posição atual de privilégio. O conceito de “representação” ocupa um lugar central na teorização pós-colonial (aquelas formas de inscrição através das quais o Outro é representado). Foi através da representação que o Ocidente construiu um “outro” como supostamente irracional, inferior e como possuído por uma sexualidade selvagem e irreferida. Era através da dimensão pedagógica e culturalque o conhecimento se ligava ao complexo das relações coloniais de poder. A crítica pós-colonial permite focalizar tanto processos de dominação cultural quanto processos de resistência cultural, bem como sua interação. O híbrido carrega as marcas do poder, mas também as marcas da resistência. As formas culturais que estão no centro da sociedade de consumo contemporânea espessam novas formas de imperialismo cultural?. Uma perspectiva pós-colonial exige um currículo multicultural que não separe questões de conhecimento, cultura e estética de questões de poder, política e interpretação. Os Estudos Culturais e o currículo. O campo de teorização conhecido como Estudos Culturais tem sua origem na fundação, em 1964, do Centro de Estudos Culturais Contemporâneos, na Inglaterra. Os esforços iniciais do Centro concentraram-se no estudo de formas culturais urbanas, sobretudo das chamadas “subculturas”. Os Estudos Culturais concebem a cultura como campo de luta em torno da significação social. A cultura é um jogo de poder. Os Estudos Culturais estão preocupados com questões que se situam na conexão entre cultura, significação, identidade e poder. Nessa perspectiva, a “instituição” do currículo é uma invenção social como qualquer outra, o “conteúdo” do currículo é uma construção social. Não há uma separação rígida entre o conhecimento tradicionalmente considerado como escolar e o conhecimento cotidiano das pessoas envolvidas no currículo, ambos buscam influenciar e modificar as pessoas, estão ambos envolvidos em complexas relações de poder. A pedagogia como cultura, a cultura como pedagogia. Todo conhecimento, na medida em que se constitui num sistema de significação, é cultural. Tal como a educação, as outras instancias culturais também são pedagógicas, também ensinam alguma coisa. O cultural torna-se pedagógico e a pedagogia torna-se cultural. Aprende-se vendo, por exemple, um noticiário ou uma peça de publicidade de na televisão. Do ponto de vista pedagógico e cultural, não se trata simplesmente de informação ou entretenimento: trata-se de formas de conhecimento que influenciarão o comportamento das pessoas de maneiras cruciais e até vitais. O currículo e a pedagogia dessas formas culturais mais amplas diferem, entretanto, da pedagogia e do currículo escolares, num aspecto importante, pelos imensos recursos econômicos e tecnológicos que mobilizam, elas se apresentam de uma forma sedutora e irresistível. Henry Giroux tem se voltado para a análise da pedagogia da mídia (filmes produzidos pela Disney). Joe Kincheloe analisa as peças publicitárias da McDonald’s e Shirley Steinberg os valores morais e sociais da boneca Barbie. As pedagogias culturais tem sido exploradas pelas próprias indústrias culturais. A teoria curricular crítica vê tanto a indústria cultural quanto o currículo propriamente escolar como artefatos culturais, no contexto de relações de poder. Currículo: uma questão de saber, poder e identidade. Embora seja evidente que somos cada vez mais governados por mecanismos sutis de poder tais como os analisados por Foucault, é também evidente que continuamos sendo governados por relações e estruturas de poder baseadas na propriedade de recursos econômicos e culturais. Depois das teorias críticas y pós-críticas do currículo torna-se impossível pensar o currículo simplesmente através de conceitos técnicos como os de ensino e eficiência ou de categorias psicológicas como as de aprendizagem. Nas teorias pós-críticas o conhecimento não é exterior ao poder, não se opõe ao poder, é parte inerente do poder.