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Estudos de Polícia e Policiamento 
no Brasil
ANDERSON MARCELO D’ALEXANDRO HOELBRIEGEL
1ª Edição
Brasília/DF - 2023
23-153472 CDD-363.2
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Hoelbriegel, Anderson Marcelo D'Alexandro
 Estudos de polícia e policiamento no Brasil [livro
eletrônico] / Anderson Marcelo D'Alexandro
Hoelbriegel. -- 1. ed. -- Brasília, DF : Unyleya,
2023.
 PDF 
 Bibliografia.
 ISBN 978-65-85643-36-8
 1. Polícia - Brasil 2. Policiamento comunitário 
3. Segurança pública I. Título.
Índices para catálogo sistemático:
1. Policiamento comunitário : Problemas sociais 
 363.2
Eliane de Freitas Leite - Bibliotecária - CRB 8/8415
Autores
Anderson Marcelo D’Alexandro Hoelbriegel
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e 
Editoração
Sumário
Organização do Livro Didático....................................................................................................................................... 4
Introdução ............................................................................................................................................................................. 6
Capítulo 1
História e Evolução da Segurança Pública no mundo ..................................................................................... 9
Capítulo 2 
Modelos de Segurança Pública e Escolas de Polícia ......................................................................................31
Capítulo 3 
Visão Sistêmica da Segurança Pública ................................................................................................................48
Capítulo 4
Organização formal do Sistema de Segurança Pública no Brasil ..............................................................64
Capítulo 5
Padrões de Policiamento: o desenvolvimento da polícia moderna ..........................................................84
Capítulo 6
A Polícia Comunitária: conceituação e operacionalização ........................................................................100
Referências .......................................................................................................................................................................119
4
Organização do Livro Didático
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em capítulos, de forma didática, objetiva 
e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, 
entre outros recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão 
indicadas, também, fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas 
complementares.
A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização do Livro Didático.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
Cuidado
Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o 
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.
Importante
Indicado para ressaltar trechos importantes do texto.
Observe a Lei
Conjunto de normas que dispõem sobre determinada matéria, ou seja, ela é 
origem, a fonte primária sobre um determinado assunto.
5
ORgAnIzAçãO DO LIVRO DIDátICO
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa 
e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. 
É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus 
sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas 
conclusões.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Gotas de Conhecimento
Partes pequenas de informações, concisas e claras. Na literatura há outras 
terminologias para esse termo, como: microlearning, pílulas de conhecimento, 
cápsulas de conhecimento etc.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Posicionamento do autor
Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o 
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.
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Introdução
Seja bem-vindo à disciplina Estudos de Polícia e Policiamento no Brasil.
Nesta disciplina vamos refletir sobre a origem e história da Segurança Pública no mundo e 
no Brasil, identificando como tal evolução e as diversas escolas de polícia influenciam as 
estratégias de Segurança Pública.
Nosso estudo está estruturado em uma abordagem sistêmica e visão holística da Segurança 
Pública, no qual buscaremos o debate e a compreensão sobre os principais conceitos 
acerca do tema principal, os ditos ciclos de polícia e de persecução criminal. Abordaremos, 
também, a estrutura do sistema de Segurança Pública entre os diversos níveis dos entes 
federados, bem como os modelos de policiamento mais adequados à situação a ser 
enfrentada pelos gestores.
É importante salientar que, independentemente da área de formação ou da sua experiência 
profissional, a disciplina vai provocar uma ampla discussão e debate sobre as principais 
estratégias de Segurança Pública adotadas pelos gestores face aos problemas encontrados na 
sociedade.
Você notará aspectos importantes em todas as nossas discussões e, desde já, propomos 
que aproveite bem o material disponibilizado, incluindo textos e material audiovisual.
Sugerimos que você se organize para ler o material com bastante calma, realize as 
atividades e assista às videoaulas dentro do prazo estabelecido. Em caso de dúvidas, você 
pode (e deve!) consultar o professor tutor da disciplina.
Objetivos
Fazer com que o leitor seja capaz de:
 » Abordar a relevância da disciplina para a formação do Gestor de Segurança Pública. 
 » Conhecer a origem, a história e a evolução da Segurança Pública no mundo 
civilizado, identificando como as diversas escolas de polícia influenciam os 
sistemas de segurança pública existentes no mundo. 
 » Compreender a Segurança Pública como um sistema, bem como identificar e 
entender os ciclos de polícia e persecução criminal. 
7
IntRODuçãO
 » Identificar a estrutura do sistema de Segurança Pública face à Constituição 
Federal e seus desdobramentos até o nível municipal. 
 » Identificar as principais abordagens de policiamento e suas características, as 
diferenças essenciais entre os principais modelos de policiamento, assim como 
suas semelhanças. 
 » Identificar o modelo de policiamento mais adequado, de acordo com a necessidade 
e as circunstâncias. 
9
Introdução do Capítulo 
Ao iniciarmos o estudo da Segurança Pública, nada mais óbvio do que começarmos com um 
pouco da sua história. Neste capítulo você perceberá que a segurança é uma necessidade 
primária de toda comunidade, região, território em qualquer contexto social e/ou espaço 
temporal.
É importante ressaltar que a segurança possui duas dimensões: a “Interna” e a “Pública”. 
E é com base nisso que conheceremos o processo de formação e evolução da Segurança 
Pública ao longo da história e em diversas civilizações.
Aprofundaremos o tema Segurança Pública desde os seus primórdios até a chamada 
Segurança Pública moderna, tal qual conhecemos hoje.
Objetivos 
 » Compreender e caracterizar a segurança nos primórdios da civilização. 
 » Identificar as características da Segurança Pública moderna – origem e evolução. 
 » Diferenciar Polícia Política de Polícia Profissional.
 » Compreender o conceito decomunitarização da Polícia. 
1.1 A segurança nos primórdios da civilização
Em todo e qualquer registro social primitivo, fica evidente que, quando o ser humano 
passou a viver em comunidade, de alguma forma era necessário algum tipo de freio moral 
(o qual chamaremos de “código de conduta social”) e, ainda, de um grupo de indivíduos 
que garantisse, por meio da força, o cumprimento de tal código de conduta e convivência 
em sociedade. Caso contrário, a barbárie imperaria nas relações sociais da época, o que 
traria desordem social e falência do primitivo sistema comunitário.
1
CAPÍTULO
HIStÓRIA E EVOLuçãO DA 
SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO
10
CAPÍTULO 1 • HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO
Um Estado, para ser considerado como tal, deve reunir três elementos essenciais: “povo”, 
“território” e “governo”. O Estado só existe pela necessidade das pessoas, que habitam 
determinado espaço territorial em ter uma parcela dessa população eleita (ou não) para 
fazer o que elas não poderiam fazer individualmente.
As primeiras cidades remetem ainda à Antiguidade. Podemos facilmente perceber que 
as primeiras cidades, em geral, foram assentamentos permanentes onde seus habitantes 
podiam se dedicar a tarefas mais especializadas, tais como o comércio, por exemplo. Outro 
ponto comum nas cidades era que as tarefas eram bem divididas pelas diversas classes 
sociais. 
Importante ressaltar que a estrutura político-social encontrada em grande parte do mundo 
ocidental deve-se aos gregos e romanos.
Os gregos, em certo momento de sua história, começaram a se organizar em cidades estado 
(pólis), já os romanos alternavam-se entre república (res publica) e império (imperium). Tais 
sistemas sociais influenciaram sobremaneira o mundo ocidental, inclusive no campo da 
organização da Segurança Pública.
Platão, em sua obra “A República”, faz referência à cidade ideal, bem como a divide em 
classes sociais:
A primeira classe é a de cidadãos, responsável por atividades básicas, tais como o cultivo da 
terra.
A segunda classe seria composta de guerreiros, a qual seria responsável pela proteção da cidade.
A última classe, dos detentores do conhecimento, a nobreza, seria responsável pela 
administração da cidade e política.
Na Grécia Antiga, as Assembleias possuíam poderes praticamente ilimitados. Além de 
votar questões de Segurança Interna (paz e guerra), era ela que designava os magistrados. 
No início era responsável pela estratégia de segurança da cidade e repressão à violação 
das leis, mas a assembleia acabou por se tornar um grande tribunal, que julgava quase 
tudo na pólis.
Provocação
E qual seria a solução?
11
HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO • CAPÍTULO 1
Em dado momento da história grega, mercenários foram usados na segurança das cidades-
estados, mas com insucesso. Tal fato, somado aos conflitos sociais entre classes, trouxe à 
tona a tirania imposta por alguns chefes militares que acabaram por se tornar dirigentes 
das cidades. 
Com a falência das cidades-estados e ascensão da Macedônia, a segurança interna se 
fortaleceu em toda a Grécia, sendo também o Exército responsável pela proteção das 
cidades (Segurança Pública).
Em Roma, as funções policiais se confundiam com as judiciais, porém é na civilização 
romana que a atividade de Segurança Pública alcança maior similaridade com a estrutura, 
tal como conhecemos hoje em dia. A Segurança Pública romana era organizada, disciplinada 
e responsável pela garantia da ordem pública e proteção individual e coletiva. 
Como podemos perceber, tanto no caso da Grécia quanto no de Roma, havia uma 
preocupação quanto à segurança das cidades. Ao ponto que Platão, em sua obra 
“A República”, transcreveu o diálogo entre Sócrates e Adimanto, em que Sócrates 
fez a seguinte afirmação: “o que causa o nascimento a uma cidade, penso eu, é a 
impossibilidade que cada indivíduo tem de se bastar a si mesmo e a necessidade que 
sente de uma porção de coisas”.
No florescer das civilizações, as pessoas se organizaram em sociedade, pois a vida em 
coletividade traria mais conforto e segurança. Desta forma nascem os governos e, com 
eles, a figura dos servidores públicos.
O servidor público é aquela pessoa ou grupo de pessoas que faz tudo aquilo que as outras 
pessoas não podem fazer por elas mesmas. No campo da Segurança, outro diálogo entre 
Sócrates e Glauco deixa clara essa necessidade, conforme veremos abaixo:
 » Sócrates – Portanto, quanto mais importante é a função de guardião do Estado, 
mais tempo livre exige e também mais arte e aplicação. 
 » Glauco – Acredito que sim.
 » Sócrates – E não são necessárias habilidades naturais para exercer esta profissão? 
 » Glauco – Claro que sim. 
Provocação
Quem era o servidor público? Quais suas funções?
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CAPÍTULO 1 • HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO
 » Sócrates – Logo, parece que a nossa tarefa consistirá em escolher, se formos 
capazes, os que são habilitados por natureza a defender a cidade.
A partir de agora passaremos a estudar as dimensões da Segurança das civilizações. 
A Segurança é uma necessidade básica do ser humano.
Segundo Maslow, as necessidades de segurança estão relacionadas à busca de proteção 
contra ameaças/privações, assim como à fuga do perigo; surgem no indivíduo quando as 
necessidades fisiológicas estão relativamente satisfeitas. São necessidades de proteção 
contra doenças, incertezas, desemprego, roubo etc. 
Figura 1. Pirâmide de Maslow.
 
 
 
 
Realizações 
pessoais 
 Estima 
 Social 
 Segurança 
 Fisiológicas 
Fonte: Adaptado de: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/maslows-hierarchy-maslow-pyramid-needs-
spanish-1603323184. 
A Segurança, enquanto necessidade básica, possui duas dimensões a saber: a Segurança 
Interna e a Segurança Pública.
Egito
No Egito, comenta Cleré (1947), um dos primeiros faraós – Menés – promulgou um código 
em que seus súditos deveriam se cadastrar para o senso e, para tanto, deveriam procurar os 
magistrados, que exerciam as funções policiais.
Provocação
E como foi em outras civilizações da Antiguidade?
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HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO • CAPÍTULO 1
No Egito Antigo, os faraós consideravam a força policial extremamente necessária, 
principalmente para o controle dos impostos, das construções e das convulsões sociais 
causadas durante os períodos de fome.
Havia uma divisão de tarefas bem definida, eram divisões especializadas para cada uma 
das missões a serem cumpridas. 
Além de escoltar os responsáveis pela “contagem do gado”, ou seja, da arrecadação de 
impostos, essa “polícia” executava outros serviços, como cuidar das fronteiras, escoltar 
navios e até mesmo vigiar o comportamento dos habitantes da aldeia, para se certificar de 
que tudo estava em ordem. 
Curiosamente, além de contar com o corpo especial “medjay”, responsável pela segurança 
pessoal, existia o grupo “sasha”, que guardava o harém do Faraó.
Roma
A história de Roma pode ser dividida em três grandes fases:
 » Monarquia (753 a.C. a 509 a.C.);
 » República (509 a.C. a 29 a.C.);
 » Império (29 a.C. a 476 d.C.).
Em todas as fases romanas era comum na estrutura administrativa de Roma a existência de 
magistrados. Os principais eram:
 » Édis: responsável pelos serviços públicos, tais como: abastecimento da cidade, 
pavimentação de ruas, organização de jogos e da segurança.
 » Pretores: responsáveis pela justiça.
 » Cônsules: responsáveis pelo comando dos exércitos em tempos de guerra, além 
de presidir o Senado ou os comícios.
 » Questores: cuidavam do tesouro público.
 » Censores: faziam o censo da população, mantinham a conduta dos cidadãos e 
supervisionavam os gastos públicos.
Segundo Bayley (2001, p. 41):
[...] quando César Octavius se tornou príncipe, adotando o nome Augusto 
[...], havia percebido que uma cidade em crescimento e movimentada com 
quase um milhão de pessoas [...] precisava de um sistema de policiamento 
eficiente.
14
CAPÍTULO 1 • HIStÓRIA E EVOLuçãODA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO
Criou-se, então, o cargo de praefectus urbi, preenchido por indicação do Senado, com a 
responsabilidade de manter a ordem pública executiva e judicialmente. 
Praefectus significa prefeito em latim, era o “posto acima dos outros”. 
Ao longo da história romana, o termo serviu para designar os mais variados cargos 
administrativos: alguns eletivos, outros nomeados pelo imperador ou pelo Senado. Havia, 
entre outros, o prefeito da segurança, o prefeito do acampamento militar, o prefeito das 
festas religiosas. O mais importante era o praefectus urbi (“prefeito da cidade”: i. é, de 
Roma), magistrado que, no reinado de Augusto, tinha a incumbência de manter a paz e a 
ordem na cidade, apagar incêndios. 
Ele supervisionava o comércio de pão e de carne, a atividade dos banqueiros, os teatros 
e as diversões públicas. Para exercer suas funções, dispunha, inclusive, de uma guarda 
municipal, inteiramente sob seu comando. 
Como a civilização romana interagiu com todas as grandes civilizações da região do 
Mediterrâneo é natural que as estruturas e modus operandi das organizações policiais da 
época sejam similares, porém é com a civilização romana que a atividade de Segurança 
Pública, tal como conhecemos no Ocidente, ganha forma e corpo.
Idade Média
Após a queda do Império Romano, durante a Idade Média, o poder de polícia esteve nas 
mãos dos senhores feudais e da Igreja Católica. 
Os senhores feudais possuíam exércitos para defesa de seus feudos e a Igreja era tida 
como única fonte de controle social.
A Igreja Católica usou seus fiéis como inquisidores para policiar os hereges, interrogá-los 
sob tortura e mandá-los após para a fogueira, caso não professassem os dogmas da Santa 
Igreja.
Posteriormente, com a queda do Feudalismo e o início da Reforma, os reis começaram a 
ter em suas mãos um poder absoluto. 
Começava o despotismo e o Estado-Polícia. As pessoas eram oprimidas pelo Estado para a 
sua manutenção.
As liberdades individuais eram permanentemente desrespeitadas.
Esse Estado-polícia entrou em declínio no século XVIII. Uma das consequências do 
Iluminismo e da Revolução Francesa foi a separação dos Poderes e da liberdade individual, 
até então desconhecidos pelos sistemas déspotas e autocráticos da época.
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HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO • CAPÍTULO 1
Com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, a Revolução Francesa acabou 
com os privilégios do Estado e colocou os cidadãos em plano de igualdade, com 
idênticos direitos e deveres.
Consequentemente, as atividades de magistratura foram desmembradas em atividades 
policiais e de magistratura.
Ao longo da transição do absolutismo para o liberalismo, existe uma lenta e gradual 
transferência do titular do poder do controle social dos militares para a administração 
civil, considerada como função original e essencial para todo Estado democrático: a 
manutenção da ordem e da paz interna.
A Segurança Pública no Brasil
Assim como em outros países, a história da formação da Polícia no Brasil muitas vezes 
se confunde com a história das Forças Armadas, corroborando com a confusão existente 
entre Segurança Interna e Segurança Pública.
De certa forma, no Brasil, a história da nossa Segurança Pública se inicia em 1808, com a 
chegada da família real portuguesa, logo após a fuga por causa da invasão de Napoleão 
Bonaparte a Portugal.
D. João VI trouxe, em sua caravana, membros da Divisão Militar da Guarda Real de 
Polícia, iniciando, assim, a formação da Segurança Pública no País. 
Observe a lei
DECRETO DE 13 DE MAIO DE 1809 
Crêa a divisão militar da Guarda Real da Polícia no Rio de Janeiro. 
Sendo de absoluta necessidade prover á segurança e tranquillidade publica desta Cidade, cuja população e 
trafico têm crescido consideravelmente, e se augmentará todos os dias pela affiuencia de negocios Inseparável 
das grandes Capitaes; e havendo mostrado a experiencia, que o estabelecimento de uma Guarda Militar de 
Policia é o mais proprío não só para aquelle desejado fim da boa ordem e socego publico, mas ainda para 
obstar ás damnosas especulações do contrabando, que nenhuma outra providencia, nem as mais rigorosas 
leis prohibitivas tem podido cohibir: sou servido crear uma Divisão Militar da Guarda Real da Policia desta 
Corte, com a possível semelhança daquella que com tão reconhecidas vantagens estabeleci em Lisboa, a 
qual se organizarà na conformidade do plano, que com este baixa, assignado pelo Conde de Linhares, (do 
meu Conselho de Estado Ministro e Secretario de Estado dos Negocios Estrangeiros e da Guerra). O Conselho 
Supremo Mílítar o tenha, assim entendido e o faça, executar na parte que lhe toca. 
Palacio do Rio de Janeiro em 13 de Maio de 1809. 
Com a rubrica do Principe Regente Nosso Senhor.
16
CAPÍTULO 1 • HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO
Segundo o próprio Decreto de D. João VI, a Guarda Real deveria ser formada pelos 
melhores soldados dos quatro regimentos de Infantaria e Cavalaria, não só pela 
preferência de sua indispensável robustez, mas por já conhecerem o serviço.
Como podemos perceber, mais uma vez se confundia Segurança Interna com Segurança 
Pública.
Quando da Independência do Brasil, em 1822, a Segurança Interna se confundia com 
a Segurança Pública. A legislação brasileira da época era omissa com relação ao tema, ao 
ponto da Constituição Imperial de 1824 não possuir nenhum apontamento sobre a temática 
Segurança Pública.
Somente em 1828, tivemos a primeira lei que versava sobre o assunto e, mesmo assim, 
limitava-se a delegar às Câmaras Municipais o exercício do poder de polícia.
Observe a lei
N. 4.- GUERRA. EM 3 DE JANEIRO DE 1824
Dá providências sobre o policiamento da cidade do Rio de Janeiro. 
S. M. o Imperador, Tendo em vista evitar quanto for possível a collisão resultante da mistura dos Corpos das 
differentes Armas do Exercito que elevem concorrer com o Corpo de Policia para a mantença da segurança e 
tranquíllidade publica, e bem assim prevenir os graves darnnos que de semelhante mistura provêm á disciplina 
militar; Manda, pela Secretaria de Estado dos Negocios da Guerra, que o General Governador das Armas da Côrte 
e Província expeça as necessarias ordens para cumprimento das seguintes Imperiaes Resoluções: 
1o Que a Cidade e seus suburbios sejam distribuídos convenientemente em Districtos para serem guardados, 
vigiados e rondados pelos Corpos do Exercito que se acharem estacionados na sua maior proximidade. 
2o Que os respectivos Chefes fiquem responsaveis pela exacção do serviço que ora lhes fica encarregado, 
nomeando elles para este effeito diariamente um Official habil do Corpo do seu commando para dirigir e 
inspeccionar o detalhe das Rondas e Patrulhas, sempre de accordo com o Brigadeiro Chefe do Corpo de Policia 
ao qaal deverão dar immediatamente parte das novidades que occorrerem nos respectivos Districtos para á vista 
dellas rormalisar nas partes diarias que o mesmo deve remetter ás competentes Estações. 
3o Que as ditas Patrulhas de Guardas sejam sempre commandadas por Chefes do seu mesmo Corpo, afim de 
se obter uma exacta subordinação, completa uniformidade na execução dos detalhes de serviço, a par da mais 
estricta e invariavel disciplina. 
4.° Finalmente, que esta medida se deve fazer extensiva aos Corpos de 2a Linha quando, por urgencia, fôr 
necessario empregal-es naquelle serviço. 
Paço, 3 de Janeiro de 1824.- João Gomes da Silveira Mendonça.
17
HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO • CAPÍTULO 1
Como podemos observar, a lei imperial de 1824 delega às Câmaras Municipais o exercício 
do poder de polícia e é quase a mesma organização dos antigos romanos.
Já em 1831, durante a regência de Feijó, todos os copos policiais foram extintos e em seu 
lugar criado um único Corpo de Guardas Municipais Voluntários, na quantidade de um por 
província. Esse Corpo deveria ser hierarquizado e disciplinado, composto exclusivamente 
por voluntários sob regimede dedicação exclusiva.
Observe que, até então, as forças policiais brasileiras eram subordinadas às Câmaras 
Municipais e, posteriormente, em 1834, passaram a ser subordinadas às Assembleias 
Legislativas Provinciais.
Na época, não havia polícia judiciária no Brasil e tais atividades ficavam sob responsabilidade 
dos magistrados, em especial, dos juízes de paz. Somente em 1841, é instituída uma 
organização policial para este fim.
Como o Brasil se viu envolvido em diversos conflitos internos e externos durante o período 
do Império e Regência, em várias ocasiões a Força Policial era empregada em conjunto 
com as Forças Armadas.
Após a Proclamação da República, em 1889, houve uma enorme transformação 
político-social e, com ela, no âmbito da Segurança Pública, a responsabilização dos 
governos estaduais pela manutenção da ordem e segurança públicas, além da garantia dos 
direitos e liberdade dos cidadãos. Também autorizava a criação das guardas cívicas para 
policiamento de seus limites territoriais.
 Observe a lei
TITULO III
POSTURAS POLICIAES 
Art. 66. Terão a seu cargo tudo quanto diz respeito á policia, e economia das povoações, e seus termos, pelo que 
tomarão deliberações, e proverão por suas posturas sob·re os objectos seguintes: 
§ 1o Alinhamento, limpeza, illumminação, e desempachamento das· ruas, cães e praças, conservação e reparos de 
muralhas feitas para segurança dos edificios, e prisões publicas, calçadas, pontes, fontes, aqueductos, chafarizes, 
poços, tanques, e quaesquer outras construcções em beneticio commum dos habitantes, ôu para decôro e 
ornamento das povoações.
18
CAPÍTULO 1 • HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO
A missão constitucional das Forças de Segurança Pública, durante a República Velha se 
alternou entre Segurança Interna (em tempos de guerra) e Segurança Pública (em tempos 
de paz). Observamos, ainda, que, as forças estaduais, desde antes da proclamação da 
República, em tempos de conflito, eram utilizadas como reforço das Forças Armadas.
Com a implantação da ditadura de Vargas e após vários conflitos internos, entre eles a 
Revolução Constitucionalista, em São Paulo, o governo federal, receoso do poder das forças 
públicas estaduais, tornou-as reserva de primeira linha do Exército, conforme podemos 
verificar no trecho abaixo, retirado da Constituição de 1934:
 Observe a lei
DECRETO N. I – DE 15 DE NOVEMBRO DE 1889 
Proclama provisoriamente e decreta como a forma de governo da Nação Brazileira a Republica Federativa, e 
estabelece as normas pelas quaes se devem reger os Estados Federaes. 
Art. 1o Fica proclamada provisoriamente e decretada como a fôrma de governo da nação brazileira – a Republica 
Federativa.
Art. 2o As provincias do Brazil, reunidas pelo laço da federação, ficam constituindo os Estados Unidos do Brazil. 
Art. 3o Cada um desses Estados, no exercicio de sua legitima soberania, decretarão opportunamente a sua 
constituição definitiva, elegendo os seus corpos deliberantes e os seus governos locaes. 
Art. 4o Emquanto, pelos meios regulares, não se proceder á eleição do Congresso Constituinte do Brazil, e bem 
assim á eleição das legislaturas de cada um dos Estados, será regida a, nação brazileira pelo Governo Provisorio 
da Republica.; e os novos Estados pelos governos que hajam proclamado ou, na falta destes, por governadores 
delegados do Governo Provisório. 
Art. 5o Os governos dos Estados federados adoptarão com urgencia todas as providencias necessarias para a 
manutenção da ordem e da segurança publica, defesa e garantia, da liberdade e dos direitos dos cidadãos, quer 
nacionaes quer estrangeiros. 
Art. 6o Em qualquer dos Estados, onde a ordem publica for perturbada, e onde faltem ao governo local meios 
elficazes para reprimir as desordens e assegurar a paz e tranquilidade publicas, effectuará o Governo Provisorio a 
intervenção necessaria para, com o apoio da força publica, assegurar o livre exercicio dos direitos dos cidadãos e a 
livre acção das autoridades constituidas. 
Art. 7o Sendo a Republica Federativa Brazileira a fórma de governo proclamado, o Governo Provisorio não 
reconhece nem reconhecera. nenhum governo local contrario a forma republicana, aguardando, como lhe 
cumpre, o pronunciamento definitivo do voto da nação, livremente expressado pelo sufrágio popular.
Art. 8o A força publica regular, represetada pelas tres armas do exercito e pela armada nacional, de que existam 
guarnições ou contingentes nas diversas provincias, coutinuarão subordinada e exclusivamente dependente 
do Governo Provisorio da Republica, poclamado os governos locaes, pelos meios ao seu alcance decretar a 
organisação de uma guarda civica destinada ao policiamento do territorio de cada um dos novos Estados.
19
HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO • CAPÍTULO 1
Apesar da centralização excessiva decorrente do regime autocrático, foi a primeira vez 
na história brasileira que a Segurança Pública e as forças públicas responsáveis pela 
Segurança Pública recebem tratamento constitucional.
Com o fim da II Guerra Mundial e consequente derrota dos regimes autocráticos na 
Europa, o País entra em um novo ciclo de redemocratização, porém a Constituição de 1946 
mantém a competência privativa da União para legislar sobre as Forças Públicas, agora 
denominadas Polícias Militares.
Porém, em 1964, o País retorna ao regime de exceção, devido às turbulências internas e à 
geopolítica internacional. Mais uma vez, vivemos uma centralização e controle excessivos 
sobre a Segurança Pública e limitação do poder estadual.
 Observe a lei
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL (DE 16 DE JULHO DE 1934)
Nós, os representantes do povo brasileiro, pondo a nossa confiança em Deus, reunidos em Assembléia Nacional 
Constituinte para organizar um regime democrático, que assegure à Nação a unidade, a liberdade, a justiça e o 
bem-estar social e econômico, decretamos e promulgamos a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS 
ESTADOS UNIDOS DO BRASIL
TÍTULO I
Da Organização Federal
CAPÍTULO I
Disposições Preliminares
[...]
Art. 5o Compete privativamente à União:
[...]
V – organizar a defesa externa, a polícia e segurança das fronteiras e as forças armadas;
[...]
TÍTULO VI
Da Segurança Nacional
Art. 167. As polícias militares são consideradas reservas do Exército, e gozarão das mesmas vantagens a este 
atribuídas, quando mobilizadas ou a serviço da União.
20
CAPÍTULO 1 • HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO
Outro aspecto relativo à centralização e controle dos organismos estaduais de Segurança 
Pública é que as Polícias Militares passaram a ser comandadas por Oficiais do Exército e, por 
conta dessa mudança, as polícias passaram a se preocupar demasiadamente com questões 
de Segurança Interna, relegando a segundo plano a preocupação com questão de ordem e 
segurança públicas.
Em 1968, fruto das revoltas de estudantes e outras questões, foram criados, pelo 
Exército, os temidos Atos Institucionais, que mudavam drasticamente os dispositivos 
Constitucionais de acordo com a necessidade dos Generais, conforme vemos abaixo:
No ano de 1985, o Brasil entra em uma nova fase de redemocratização, com o fim do 
regime militar ditatorial e culminando com a promulgação da atual Constituição de 1988 
e consequente mudança nas forças de Segurança Pública, especialmente nas Polícias 
Brasileiras. Foi dedicado um artigo inteiro para o tema, que será tratado mais à frente em 
nossa disciplina.
 Observe a lei
CAPÍTULO III
Da Competência dos Estados e Municípios
[...]
Art. 13. Os Estados se organizam e se regem pelas Constituições e pelas leis que adotarem, respeitados, dentre 
outros princípios estabelecidos nesta Constituição, os seguintes: 
[...]
§ 4o As polícias militares, instituídas para a manutenção da ordem e segurança interna nos Estados, nos Territórios 
e no Distrito Federal, e os corpos de bombeiros militares são considerados forças auxiliares,reserva do Exército.
 Observe a lei
[...]
§ 4o As polícias militares, instituídas para a manutenção da ordem e segurança interna nos Estados, nos Territórios 
e no Distrito Federal, e os corpos de bombeiros militares são considerados forças auxiliares reserva do Exército, 
não podendo os respectivos integrantes perceber retribuição superior à fixada para o correspondente posto ou 
graduação do Exército, absorvidas por ocasião dos futuros aumentos, as diferenças a mais, acaso existentes. 
(REDAÇÃO DADA PELO ATO COMPLEMENTAR n. 40, de 1968).
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HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO • CAPÍTULO 1
Figura 2. Constituição Cidadã.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/constitution-federative-republic-brazil-crfb-1988-1817541497. 
1.2 Segurança pública moderna – origem e evolução
Antes de passarmos ao tema Segurança Pública moderna, é necessário estudar alguns 
termos para entendermos a distinção entre cada um deles.
Segurança Interna
Apesar de o nome dessa dimensão sugerir que a segurança seja efetuada no interior de um 
Estado, na verdade, trata-se de todas as medidas e contramedidas adotadas para garantir a 
Soberania Nacional.
Figura 3. Segurança Interna.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/military-586268462. 
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/constitution-federative-republic-brazil-crfb-1988-1817541497
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/military-586268462
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CAPÍTULO 1 • HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO
Nesse caso, a Segurança Interna poderá ser definida como a situação que garante a unidade, 
a soberania e a independência de uma Nação, a integridade e a segurança das pessoas e dos 
bens; o bem-estar e a prosperidade da Nação; a unidade do Estado e o desenvolvimento 
normal das suas tarefas; a liberdade de ação política dos órgãos de soberania e o regular 
funcionamento das instituições democráticas, no quadro constitucional.
Os servidores públicos responsáveis pela garantia da Soberania Nacional são chamados de 
“militares das Forças Armadas”. Eles são guerreiros treinados para combater os inimigos e 
eliminar as ameaças no plano internacional.
Segurança Pública
Aqui o conceito é diferente, assim como o foco e finalidade de suas ações.
No que diz respeito à matéria de segurança dentro das fronteiras de uma Nação, ganha 
relevo o conceito de Segurança Pública, que é a atividade desenvolvida pelo Estado 
para garantir a ordem e a segurança públicas, proteger pessoas e bens e contribuir para 
assegurar o normal funcionamento das instituições democráticas, o regular exercício dos 
direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos e o respeito pela legalidade 
democrática.
Figura 4. Segurança Pública.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/policeman-42975109. 
A Segurança Pública é um processo do governo e, portanto, visa à garantia de um código de 
convivência social, seja pela legislação penal e processual penal vigente, seja pelas normas 
administrativas e de posturas.
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/policeman-42975109
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HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO • CAPÍTULO 1
Os servidores que trabalham no sistema de Segurança Pública, diferentemente dos militares 
das Forças Armadas, não possuem inimigos e a sua função não é a de eliminar os cidadãos 
infratores da lei, mas, sim, de capturá-los e levá-los a julgamento para que seja restaurada 
a ordem pública.
É bem verdade que, nos primórdios das civilizações, havia uma confusão de atribuições 
dos guerreiros responsáveis pela Segurança Interna e àqueles responsáveis pela Segurança 
Pública das cidades.
O próprio Platão, durante suas discussões sobre qual seria o melhor perfil dos guardiões 
das cidades, deixa claro que eles também seriam responsáveis pela Segurança Interna, 
ou seja, a Segurança Pública era confundida com Segurança Interna e, assim o foi, por 
séculos, uma vez que este filósofo foi extremamente influente na formação dos estados.
Ao longo de séculos e em várias partes do mundo, principalmente, no ocidente, tais termos 
se confundiam, tanto é assim que, no caso brasileiro, a maioria das polícias militares, 
instituições seculares, foram comandadas por oficiais do Exército, o que causava forte 
dilema institucional, pois, ao mesmo tempo que a força policial deveria se dedicar ao seu 
papel de polícia de ordem pública, havia o papel de força auxiliar das Forças Armadas.
Na prática, temos duas lógicas completamente conflitantes em uma mesma instituição: a 
primeira delas faz alusão à manutenção da Segurança Pública, enquanto a segunda lógica 
é a da Segurança Interna, em que o seu efetivo, sob forte regime de disciplina e hierarquia, 
se mantém aquartelado, para responder e eliminar qualquer ameaça à Segurança.
Somente em 1829, na Inglaterra, é que surge o primeiro modelo de polícia moderna. 
O modelo inglês surge em contraponto ao modelo francês de polícia, pois a polícia 
tradicional (da época) possuía característica totalitária. A polícia francesa basicamente 
consistia no conceito vigiar-punir, ou seja, eram os olhos, ouvidos e braços do soberano 
francês.
A organização policial francesa é derivada da centralização absolutista e buscava garantir 
a unidade do território francês. Seu poder era ilimitado, uma vez que muitas vezes era 
confundido com o próprio Estado.
A polícia francesa possuía papéis de Segurança Pública e também de Segurança Interna, 
característica marcante encontrada nas instituições policiais oriundas do modelo francês, o 
qual veremos mais adiante.
Na Inglaterra, Sir Robert Peel e seus colaboradores sabiam que o seu projeto de uma 
nova força policial – moderna e profissional – só conseguiria vencer as resistências no 
Parlamento e na população se ele em nada lembrasse a police francesa (REINER, 1992). 
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CAPÍTULO 1 • HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO
Devido a experiências anteriores, o sentimento inglês era de que uma polícia do Estado 
poderia ser um instrumento de tirania e opressão.
Mesmo após um projeto-piloto em Dublin, a ideia de se ter uma força policial de tempo 
integral ainda trazia o receio de a nova força policial ser utilizada como uma possível 
arma do executivo contra o Parlamento e a população.
Em 1820, Londres tem um ano com diversos crimes brutais e uma sequência de 
convulsões causadas por motins e tumultos urbanos – em grande parte reflexo das 
guerras napoleônicas – que foram dominados pelas forças militares com graves prejuízos 
à vida e a propriedade. 
Figura 5. Policial Inglês.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/london-england-05072017-retro-vintage-dressed-768045817. 
A manutenção da paz, por meio das Forças Armadas, mostrou-se falha, uma vez que o uso 
da repressão armada havia demonstrado não ter nenhum efeito dissuasivo, a despeito de 
sua ilimitada brutalidade. 
Em contrapartida, os velhos arranjos comunais de provimento de ordem (milícias, xerifados, 
constables etc.) mostraram-se insatisfatórios para o próprio Parlamento e a população. 
Além das violações, torturas e privilégios, revelaram-se também ineficazes de atender aos 
problemas da vida urbana industrial como o crime, os conflitos sociais e os distúrbios civis. 
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/london-england-05072017-retro-vintage-dressed-768045817
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HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO • CAPÍTULO 1
As forças privadas de segurança, além de subordinadas às conveniências de seus 
integrantes, não podiam constituir uma força de tempo integral.
As críticas quanto aos serviços prestados por elas iam desde o uso arbitrário e desmedido 
da força até a fragilização da autoridade legal do Estado.
A privatização das forças de segurança, da forma como ocorria antes da Guerra dos Trinta 
Anos, que devastou a Europa com a morte de quase 1/5 dos europeus, mostrou-se ineficaz, 
pois qualquer pessoa que tivesse recursos suficientes poderia criar uma força paramilitar e 
utilizá-las a seu critério, conformesuas convicções ou ambições particulares.
Então, dessa forma, o projeto de Robert Peel, primeiro-ministro inglês, e seus colaboradores, 
avançou com uma resistência menor do que a inicial. Foram formulados os famosos 
princípios, que ganhariam o seu nome. 
Ainda, segundo Reiner (1992), decorrente dos famosos princípios de Robert Peel, a 
função da Polícia passa a ser da manutenção da ordem pública e da promoção da paz e 
tranquilidade social.
Segundo ele:
 » a polícia deve ser estável, eficaz e organizada militarmente, debaixo do controle 
do governo;
 » a missão básica para a polícia existir é prevenir o crime e a desordem;
 » a capacidade de a polícia realizar suas obrigações depende da aprovação pública de 
suas ações;
 » a polícia necessita realizar segurança com o desejo e cooperação da comunidade, 
na observância da lei, para ser capaz de realizar seu trabalho com confiança e 
respeito do público;
 » o nível de cooperação do público para desenvolver a segurança pode contribuir na 
diminuição proporcional do uso da força;
 » uso da força pela polícia é necessária para manutenção da segurança, devendo agir 
em obediência à lei, para a restauração da ordem, e só usá-la quando a persuasão, 
conselho e advertência forem insuficientes;
 » a polícia visa à preservação da ordem pública em benefício do bem comum, 
fornecendo informações à opinião pública e demonstrando ser imparcial no 
cumprimento da lei;
26
CAPÍTULO 1 • HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO
 » a polícia sempre agirá com cuidado e jamais demonstrará que se usurpa do poder 
para fazer justiça;
 » o teste da eficiência da polícia será pela ausência do crime e da desordem, e não 
pela capacidade de força de reprimir esses problemas;
 » a polícia deve esforçar-se para manter constantemente, com o povo, um 
relacionamento que dê realidade à tradição de que a polícia é o povo e o povo é a 
polícia.
A polícia de Peel foi o resultado de um extenso diálogo e uma série de compromissos 
com os seus aliados e oponentes: deveria ser um meio de força civil, estruturado sob 
os princípios da hierarquia e da disciplina paramilitares; com uma administração 
centralizada e autonomia regional; preparada para a ação em grupo, mas com uma 
prática cotidiana centrada no indivíduo. 
A polícia de Londres teria que ser a polícia dos súditos, do Parlamento, e nunca do Estado. 
Assim, a polícia inglesa nasceu desarmada e sem função investigativa: sua missão estava 
restrita a “proteger e servir”.
A utilização das Forças Armadas na Segurança Pública dos territórios ocupados, durante a 
Era Napoleônica, com sua excessiva brutalidade para manutenção da ordem, criou muitos 
efeitos nocivos à própria manutenção da ordem e paz social.
A privatização das forças de segurança também se mostraram ineficazes e, muitas vezes, 
propiciaram desvios nocivos à sociedade.
Figura 6. Congresso de Viena.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/congress-vienna-conference-organize-europe-
after-237235759. 
https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/congress-vienna-conference-organize-europe-after-237235759
https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/congress-vienna-conference-organize-europe-after-237235759
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HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO • CAPÍTULO 1
Apesar de a discussão sobre o conceito de Estado remontar desde o século XIII, após o 
período pós-Napoleão, que tal conceito ganha força, uma vez que foi necessário se 
estabelecer um novo compromisso entre as nações europeias, reafirmando, assim, no 
Congresso de Viena, o conceito de Estado Moderno.
Entretanto, foi com Max Weber, importante jurista e economista alemão do século XVIII 
que o termo “Estado” ganha uma definição que nos acompanha até os dias atuais.
Figura 7. Max Weber.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/max-maximilian-weber-vector-sketch-portrait-1220491198. 
Segundo Weber (1964), o Estado é uma entidade que reivindica o exclusivo uso legítimo 
da força física, de modo a fornecer segurança aos cidadãos. Essa definição se tornou 
central no estudo da moderna ciência política ocidental.
Embora haja a preocupação com a garantia dos direitos individuais, o fato é que, em muitas 
sociedades, o discurso dos representantes do estado e mesmo dos responsáveis públicos 
pela segurança, tem contemplado esses valores, na prática, as ações dos integrantes das 
corporações de segurança acabaram indo em outra direção.
O que predominava e talvez predomine até hoje é a filosofia do vigiar para punir.
1.3 Polícia Política x Polícia Profissional
Apesar de a doutrina moderna de Polícia indicar a direção da ordem pública e da paz 
social, por diversos fatores, que dependem da análise dos contextos sociopolíticos de 
cada um dos Estados e suas respectivas relações sociais, impera nas organizações de 
Segurança Pública o modelo atualmente conhecido como polícia política.
https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/max-maximilian-weber-vector-sketch-portrait-1220491198
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CAPÍTULO 1 • HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO
Isso representava um grande retrocesso, uma vez que as organizações públicas eram 
utilizadas pelo político da vez para atingir seus objetivos pessoais e não os do Estado.
Figura 8. Polícia Política.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/special-agent-speaks-on-field-telephone-1500346133. 
Nesse período, as atividades dos agentes de segurança tinham como objetivo manter 
o político no poder, a qualquer custo, inclusive o de deixar de fazer atividade legal 
ou de ofício. Como havia alternância de dirigentes no poder, não era possível a 
profissionalização dos policiais, uma vez que eles também não permaneciam nas 
estruturas organizacionais.
Em 1910, essa fase obscura conhecida como polícia política, foi gradualmente substituída 
pela reforma ou fase da polícia profissional.
Foram duas grandes frentes instituídas para anular ou minimizar a influência dos políticos 
na polícia, a primeira consistiu na organização (burocracia) dos serviços de segurança 
com regulamentos e leis específicas sobre o assunto, além da definição dos critérios 
de promoção e progressão, baseados na antiguidade e merecimento. A outra frente 
foi a capacitação técnica dos servidores da Segurança Pública. Talvez seja decorrente 
dessa frente a forma como ainda fazemos segurança pública nos dias de hoje, visto 
que o profissionalismo e a escassez de recursos humanos, com a crescente utilização 
de viaturas e meios de comunicação, somada à explosão demográfica vivenciada nos 
grandes centros urbanos, fez com que as táticas de policiamento fossem baseadas nos 
locais de prática de crimes e violência, justamente para repressão do criminoso.
Com isso, a polícia só se preocupava com o criminoso e o crime. Todo o resto não era 
problema de polícia.
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/special-agent-speaks-on-field-telephone-1500346133
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HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO • CAPÍTULO 1
1.4 Comunitarização da Polícia
Podemos entender a comunitarização da Polícia como a fase subsequente à reforma, 
que se desenvolveu a partir da necessidade da correção de erros decorrentes da 
profissionalização das polícias, uma vez que o principal efeito colateral dessa fase de 
profissionalização foi o afastamento da comunidade e enorme antipatia gerada no seio 
da sociedade.
O afastamento descrito no parágrafo anterior tem como origem a implantação do modelo 
de policiamento motorizado nos Estados Unidos no século passado, na década de 1950.
Figura 9. Comunitarização.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/integration-convoy-africanamerican-moving-trucks-
protected-238814350. 
Embora considerado um avanço, a utilização de viaturas e radiocomunicadores promoveu 
o afastamento entre policiais e comunidade. Após três décadas de pesquisas, ficou 
comprovado cientificamente que mesmo com a redução no tempo de atendimento 
às ocorrências, os indicadores de criminalidade continuavama subir e estavam 
intrinsecamente relacionados a fatores socioambientais.
Decorrente dos diversos movimentos sociais entre os anos de 1960 e 1970 nos EUA, 
somados às várias pesquisas e da convergência entre elas, ficou comprovada a origem 
da crise: a falta de pertencimento da polícia ao meio social, pois como já dizia Sir Robert 
Peel na obra de Reiner (1992): “A Polícia deve esforçar-se para manter constantemente 
com o povo um relacionamento que dê realidade à tradição de que a polícia 
é o povo e o povo é a polícia”.
https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/integration-convoy-africanamerican-moving-trucks-protected-238814350
https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/integration-convoy-africanamerican-moving-trucks-protected-238814350
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CAPÍTULO 1 • HIStÓRIA E EVOLuçãO DA SEguRAnçA PÚBLICA nO MunDO
Como a polícia americana foi alvo de duras críticas pela sociedade, as autoridades 
policiais, após uma autocrítica, recorreram ao meio acadêmico para entender o motivo da 
desconexão entre polícia e sociedade.
Ao final do estudo, um diagnóstico foi apresentado à Polícia, o qual a orientava a buscar na 
comunidade parceiros para identificação dos problemas locais e agir de forma criativa e 
menos protocolar para mitigar os riscos antes mesmo de eles se concretizarem. Daí, surge a 
chamada polícia de proximidade.
 Sintetizando
O que vimos neste capítulo?
 » Como era a Segurança nos primórdios da civilização.
 » Como surgiu a Segurança Pública moderna.
 » Distinção de Segurança Interna de Segurança Pública.
 » A sensibilidade do tema Segurança Pública a ponto de ser tratado como tema constitucional brasileiro.
 » A comunitarização da Polícia e suas causas e efeitos.
31
Introdução do Capítulo 
Este capítulo visa apresentar os modelos de Segurança Pública e as Escolas de Polícia 
existentes no mundo, bem como nos auxiliarão na distinção das escolas e modelos de 
atuação nas diversas instituições de segurança pública. Estudaremos os conceitos básicos 
que norteiam o estudo da segurança pública, além de nos possibilitar distinguir ações 
preventivas de ações repressivas dos principais organismos de segurança pública.
Objetivos 
 » Identificar as escolas de polícia.
 » Compreender os modelos de Segurança Pública.
 » Estudar os conceitos básicos que envolvem o tema Segurança Pública.
 » Prevenção x repressão: qual a melhor estratégia?
2.1 Escolas de Polícia
Apesar de bastante disseminado hoje em dia, o estudo e debate sobre a atuação das 
organizações de preservação e manutenção da ordem pública é bastante recente na história 
da humanidade. Acredita-se que a primeira vez que um grupo de pessoas reuniu-se para 
estudar o sistema de Segurança Pública foi no início do século XIX, porém, de certa forma, 
as discussões e debates no parlamento inglês sobre como deveria ser a polícia inglesa, em 
contraponto ao modelo policial francês, pode ser considerado como o primeiro estudo 
sobre os problemas e desafios da Segurança Pública.
No século XIX, durante a formação dos Estados sul-americanos, as instituições policiais 
daqueles países foram sendo construídas com base nos modelos de polícia que 
predominavam à época: o modelo inglês (anglo-saxônico) e o modelo francês (latino).
2
CAPÍTULO
MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E 
ESCOLAS DE POLÍCIA
32
CAPÍTULO 2 • MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA
O modelo francês, considerado um “paradigma de centralização e militarismo”, em 
contraponto com o modelo anglo-saxônico, de “orientação civil e municipal”, foram as 
bases para a construção dos organismos policiais encontrados no Ocidente.
A história da polícia, em forma parecida com o que temos ainda hoje em dia, teve origem na 
França, no século XIII, quando, após o período feudal, a polícia é reestruturada a partir das 
Forças Armadas, sendo criada a “Gendarmerie”, uma força voltada a missões de Segurança 
Interna e também de Segurança Pública. Séculos depois, Napoleão Bonaparte, durante 
sua política expansionista pela Europa, acaba por disseminar o modelo francês de polícia 
– Gendarmerie – por todas as nações conquistadas. Tal modelo, além de perdurar até hoje, 
também atingiu outros continentes. 
A polícia francesa foi formada para atender aos interesses dos Marechais de Campo, 
pois estes tinham que cuidar de suas tropas nos intervalos de guerra. Os soldados nessa 
condição iam até as cidades e acabavam praticando as mais diversas violações contra as 
pessoas e ao patrimônio. Como forma de conter tais abusos e violações, os Marechais 
escolheram entre seus subordinados de conduta ilibada aqueles que policiassem os 
colegas de farda para evitar que cometessem desvios e, assim, fossem devidamente 
sancionados.
Tais militares com funções de polícia passaram a compor a tropa pessoal dos Marechais e, 
por isso, passaram a ser conhecidos como “Marechausse”, que foi a denominação inicial 
das “Gendarmerie”, mas que ainda serve de denominação para algumas forças policiais no 
mundo.
Com o passar do tempo, o termo “Marechausse” foi substituído por “Gendarmerie”, que 
significa homens gentis da tropa, e perdura até hoje na França e em outros países.
Figura 10. gendarmerie.
Fonte: https://pixabay.com/pt/images/search/gendarmerie/. 
https://pixabay.com/pt/images/search/gendarmerie/
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MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA • CAPÍTULO 2
O próprio modelo anglo-saxônico teve como base para a sua criação o modelo francês, porém 
procurou estabelecer uma diferenciação na organização e na subordinação, como vimos 
anteriormente.
Na América Latina, por exemplo, os policiais discutiam esses conceitos e escreviam 
em artigos suas considerações sobre esses modelos. Muitos desses policiais, além da 
leitura de livros e artigos europeus sobre o tema, viajavam em “visita de estudo” a Paris 
ou Londres, em busca de novidades policiais. É importante ressaltar que, naquela época, 
os policiais que viajavam eram funcionários policiais e, ao mesmo tempo, membros da 
elite – geralmente médicos e juristas.
Vamos, então, conhecer as escolas de polícia?
Escola de Polícia Anglo-Saxônica
A escola de polícia anglo-saxônica defende a grande especialização, pois a realização 
das suas tarefas está associada à vigilância do estrito cumprimento da lei, perseguindo e 
punindo o cidadão infrator. Trata-se de uma agência governamental, com autoridade legal 
constituída, que se limita a atender emergências, ou seja, atua quando ocorre o delito.
Os seus agentes policiais até podem participar da vida comunitária, mas não é algo 
decorrente da estrutura e filosofia policial. Não existe interação entre polícia e sociedade 
no sentido de antecipação de possíveis delitos, por meio da identificação e tratamento 
de anormalidades, antes que ocorra o agravamento das situações e gerem emergências. 
Esse modelo é o mais encontrado nas democracias liberais do ocidente.
Figura 11. Criminoso.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/criminal-man-handcuffs-interrogation-room-being-1102701539. 
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/criminal-man-handcuffs-interrogation-room-being-1102701539
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CAPÍTULO 2 • MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA
O foco da atividade policial é a identificação do autor do fato, ou seja, do criminoso, 
com a finalidade de puni-lo. Assim sendo, o modelo anglo-saxônico é especialista na 
investigação criminal, na repressão ao criminoso e na sanção penal a quem tenha 
infringido a lei.
Escola de Polícia Oriental
A escola de polícia oriental dá destaque a ações de Segurança Pública orientadas à resolução 
de problemas da comunidade. Nesse modelo, a polícia faz parte da comunidade, ela vive 
a comunidade, existe uma interação polícia-comunidade. A harmonia social é mantida 
por meio da negociação, da persuasão, aconselhamento e ajuda. A polícia, por meio dessa 
estratégia, faz parte do contexto social e não é percebida como um agente estranho ao 
processo, pois todo assunto é relevante, nada é tratado como irrelevante.
Enquantona escola de polícia anglo-saxônica o foco da atuação é o combate ao criminoso, 
na escola de polícia oriental o foco é a “prevenção”, pois a ação dos órgãos responsáveis 
pela Segurança Pública se concentram nos elementos que viabilizam a prática do crime. 
Para que o crime ocorra são necessários três elementos: ambiente, vítima e agente.
Assim como ocorre no estudo do triângulo do fogo, em que temos três elementos – 
combustível, comburente e calor – no caso do triângulo do crime, basta eliminarmos um 
dos fatores (elementos) de cada lado do triângulo para que ele não ocorra.
Figura 12. triângulo do crime.
Fonte: http://www.pm.se.gov.br/wp-content/uploads/2014/01/Portas-Fechadas-Versa_o-para-publicac_a_o.pdf. 
Para que um ato predatório ocorra é necessário que haja uma convergência no tempo e 
no espaço de três elementos: ofensor motivado (agente) que, por alguma razão, esteja 
predisposto a cometer um crime; alvo disponível (vítima), objeto ou pessoa que possa ser 
atacada, e ausência de guardiões (oportunidade), que são capazes de prevenir violações.
http://www.pm.se.gov.br/wp-content/uploads/2014/01/Portas-Fechadas-Versa_o-para-publicac_a_o.pdf
35
MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA • CAPÍTULO 2
Jean Claude Monet (2001), sobre o uso da força, defende que o uso legítimo da força está 
inserido na própria vontade do povo. Vejamos: se uma sociedade, que vive sob o regime 
democrático de direito, escolhe a forma da lei, em que essa mesma sociedade pretende 
viver, fica subentendido que essa mesma população espera que a polícia use a força legítima 
e necessária para que as leis sejam cumpridas e a paz social seja garantida para a maioria da 
população.
É importante ressaltar que na escola de polícia oriental o uso da força ocorre sim, mas 
somente para restaurar a ordem pública e paz social. O uso da força está calcado em uma 
constante busca da legitimação da sua utilização.
A escola oriental enfatiza o atendimento à comunidade, por isso a prevenção do crime deve 
ser resultado de uma cooperação constante entre polícia, família, escolas, comércio, locais 
de trabalho, entre outras.
É importante salientar que, com o passar do tempo, as organizações policiais do mundo 
foram sendo influenciadas por ambas as escolas de polícia ao ponto de não mais existir a 
aplicação pura de cada um dos princípios de cada escola de polícia.
Como podemos perceber em nossa leitura, as escolas de polícia podem ser divididas 
em duas: uma que se preocupa em vigiar, reagir e punir; e a outra preocupada com a 
prevenção do ato criminoso.
2.2 Modelos de Segurança Pública
É importante ressaltar que durante a leitura deste capítulo, você certamente notará que, 
eventualmente, escolas e modelos poderão receber denominações iguais. Nesse contexto, 
é de extrema importância que você compreenda quais as principais características de 
cada escola e como tais escolas/características se refletem nos modelos de segurança 
pública, que podem ser focados exclusivamente no agente criminoso ou elaborada com a 
participação de vários atores sociais.
Os modelos de polícia podem ser considerados como a forma de estruturação dos 
organismos de segurança pública nos vários países, com foco no objetivo a ser alcançado.
As polícias do mundo, e decorrente delas os demais órgãos do sistema de segurança pública, 
são oriundas de dois grandes grupos: as do tipo “latino” e as do tipo “anglo-saxônico”.
As polícias do grupo latino são frequentemente encontradas nos Estados unitários, que 
têm como característica marcante a centralização política, existindo um único poder 
político central no território nacional e sobre toda a população, o qual controla todas as 
coletividades regionais e locais. 
36
CAPÍTULO 2 • MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA
As polícias deste grupo são conhecidas como Polícias Nacionais, Guardas Nacionais, 
Carabineiros e “Gendarmeries”. 
Figura 13. Carabineiros Chile.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/santiago-chile-november-28-2019-protesters-1798094461. 
O modelo francês é considerado o modelo principal e que deu origem a diversas 
outras polícias no mundo, principalmente após as guerras napoleônicas. Como vimos 
anteriormente, o modelo francês se organizou e se desenvolveu de forma integrada ao 
Exército.
Esses organismos policiais, por serem nacionais, integram as Forças Armadas do país, 
com todas as prerrogativas, direitos e deveres. Em regra, fazem o ciclo completo de polícia 
(policiamento de choque, policiamento rodoviário, polícia judiciária, entre outros).
Podemos citar como polícias do tipo latino: as Gendarmeries Francesa e Belga, e, por 
consequência, a de todos os países africanos colonizados pelar França e pela Bélgica, 
as polícias nacionais da Etiópia, Costa Rica, entre outras, as guardas nacionais de vários 
países e os “Carabineris” do Chile, Itália, Argentina e demais países de colonização 
Hispânica.
As polícias e demais órgãos de preservação da ordem pública do modelo anglo-saxônico 
são típicas das Repúblicas Federativas.
Fundamentam-se na moderna administração de empresas e, em princípio, procuram 
prestar um melhor serviço com o menor custo. Os recursos e meios disponíveis para a 
atuação desses organismos varia de acordo com o Estado a que pertencem, uma vez que 
um Estado rico tem uma polícia mais bem selecionada, preparada, remunerada e equipada 
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/santiago-chile-november-28-2019-protesters-1798094461
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MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA • CAPÍTULO 2
ao passo que um Estado com menor arrecadação não teria o mesmo tipo de polícia. São 
organismos desvinculados das Forças Armadas e executam todos os serviços de polícia 
(patrulhamentos, polícia judiciária, fiscalização de rodovias e ações de choque).
Tais polícias são hierarquizadas e estatutárias, pautando sua eficiência em uma estrutura 
proveniente da departamentalização. Usam desde armas leves até equipamentos 
especiais, de acordo com a especialização de alguns departamentos.
Nesse modelo não existe diferença entre polícia judiciária e polícia ostensiva, visto que o 
policial utiliza uniforme em razão do serviço e não da organização a que pertence.
Com maior proximidade da comunidade a que pertencem, seus gestores são normalmente 
eleitos pela sociedade, que exige a prestação de contas da autoridade delegada. Se os 
índices de criminalidade aumentam, o xerife ou chefe de polícia é convocado pela 
comunidade e questionado sobre os resultados e quanto ao plano de ação para resolução 
do problema.
Figura 14. Xerife.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/sheriff-car-fort-lauderdalehollywood-international-
airport-731157856. 
Geralmente, as críticas ao trabalho policial são aceitas com empatia e discutidas em 
conjunto com a comunidade.
É comum, ainda, a existência de uma polícia nacional, civil, com competência definida 
em lei para determinados crimes. Nas Repúblicas Federativas essas polícias são 
equiparadas a nossa Polícia Federal.
Os modelos anglo-saxônico e latino são classificados como modelos de “Polícia 
Democrática”.
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/sheriff-car-fort-lauderdalehollywood-international-airport-731157856
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/sheriff-car-fort-lauderdalehollywood-international-airport-731157856
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CAPÍTULO 2 • MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA
Nos estados de exceção, ou seja, em regimes autoritários, encontramos a chamada “Polícia 
Autoritária”, que tem como papel principal o controle social pelo uso da força.
Figura 15. Polícia Autoritária.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/minsk-belarus-august-10-2020-largest-1853953399. 
Sociedades democráticas, nas quais direitos e garantias fundamentais estejam consolidadas, 
não prosperam soluções pela força e/ou ações de violência policial. Nesses ambientes, a 
investigação criminal prevalece. Entretanto, nos governos de exceção, em que há a violação 
dosdireitos individuais e coletivos da população, as soluções pela força são empregadas 
para controle da população, quer seja em países de direita ou esquerda, que sempre se 
utilizam da polícia ostensiva em detrimento da investigação criminal.
Até agora vimos que existem dois modelos de polícia principais: o latino e anglo-saxônico. 
Estes dois modelos podem ser agrupados em um único modelo: “Polícia Democrática”. 
Entretanto, essa nomenclatura só cabe nos países com democracia consolidadas. Países 
com estado de exceção passam a receber a denominação de “Polícia Autoritária”.
Mas, qual seria o modelo adotado no Brasil?
Antes de responder a essa pergunta, é interessante destacar que o Brasil, até o início da 
República, era um Estado unitário, e após a Proclamação da República, em 1889, passou 
a ser Estado Federado. Essa mudança, somada aos períodos de Estado de exceção por que 
passou nosso país, nos ajudam a entender o modelo de segurança pública adotado por aqui.
Conforme visto anteriormente, no capítulo 1, as forças policiais brasileiras surgiram com 
a função de manter a ordem e a paz nas vilas e povoados, mas, por diversas vezes, eram 
usadas como tropas militares na defesa do País.
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/minsk-belarus-august-10-2020-largest-1853953399
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MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA • CAPÍTULO 2
Como foram criadas em um período no qual o País era um estado unitário, as forças 
públicas de segurança eram instituições tipicamente militares, com formação, hierarquia, 
uniformes e equipamentos militares, exerciam o papel de reserva das Forças Armadas e 
pela doutrina vigente, baseavam sua ação na força.
Figura 16. Modelo de Polícia.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/young-handsome-hispanic-policeman-wearing-police-1847244235. 
A influência da formação militar nas polícias era tão forte e intensa que, inclusive, adotaram 
os regulamentos militares no tocante à disciplina e engajamento da tropa para o combate. 
Com isso, as forças públicas estaduais acabaram por se tornar verdadeiros exércitos 
estaduais.
No início do século XX, São Paulo implantou a Missão Militar Francesa de Instrução da 
Força Pública que ocorreu para atender a um objetivo bastante peculiar do Estado de 
São Paulo, pois, desde o fim do Império, prevalecia a política do Café com Leite, que 
consistia na hegemonia política no cenário nacional de Minas Gerais e São Paulo.
Contudo, os políticos paulistas sabiam do risco de tentativas de intromissão na gestão 
econômica e social desenvolvida, sobretudo por meio de intervenções do Exército 
Brasileiro, que poderia restabelecer o modelo centralizador e burocrático.
Dessa forma, a grande agilidade econômica pela qual São Paulo passava seria prejudicada, 
principalmente no tangente à expansão cafeeira.
O objetivo era que a Força Pública deveria ser um pequeno exército paulista, ou seja, uma 
força de polícia em condições de desempenhar o papel de defesa territorial, para assegurar 
os interesses do Estado.
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/young-handsome-hispanic-policeman-wearing-police-1847244235
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CAPÍTULO 2 • MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA
Em razão da necessidade da reformulação da Corporação, é contratada a Missão em 27 de 
março 1906. Os seus membros vinham de uma unidade do Exército francês que realizava 
atividade de polícia em Paris: uma unidade militar com experiência de missões policiais.
Ela esteve por duas vezes no Brasil. A 1ª Missão Francesa ficou de 1906 a 1914, quando os 
oficiais franceses tiveram de retornar à pátria com a eclosão da I Guerra Mundial e retornou 
depois de 1919, permanecendo até 1924.
Figura 17. Primeira guerra Mundial.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/wwi-serbia-trench-position-crest-hill-245969176. 
A missão tinha como objetivo instruir, modelar e modernizar a corporação paulista, 
dando-lhe características marcadamente militares. Foram empregados os mais modernos 
recursos didáticos, os conhecimentos foram normalizados, exercícios tático-operacionais 
teóricos e práticos executados à exaustão, uniformes, armamento e equipamentos 
renovados elevando, assim, a força pública ao mesmo nível de adestramento e prontidão 
operacional dos grandes exércitos da Europa.
Como podemos perceber, originalmente, as Polícias Militares adotaram o modelo de 
polícia “latino”, o qual permaneceu autêntico até a década de 1960, quando, em 1964, 
deu-se início ao regime de exceção até 1985.
Com o início do regime de exceção, alguns organismos municipais criados na era Vargas, 
tais como as guardas municipais, foram extintos e suas atribuições repassadas às Polícias 
Militares. Dessa forma, as forças estaduais obtiveram o monopólio do policiamento 
ostensivo.
Essa mudança, que sofreu influência da reforma ocorrida nos Estados Unidos, denominada 
“modelo profissional”. Esse modelo foi marcado pela corrupção policial e submissão aos 
interesses políticos.
https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/wwi-serbia-trench-position-crest-hill-245969176
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MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA • CAPÍTULO 2
A adoção de uma doutrina de polícia oriunda do modelo anglo-saxão (polícia 
norte-americana) somada à manutenção e ao fortalecimento da vertente militar, típica das 
polícias do modelo latino, fez com que surgisse no Brasil um modelo de “polícia híbrida”, com 
contornos militares e competências policiais.
Figura 18. Poder de Polícia.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/antiriot-police-give-signal-be-ready-648806569. 
A preservação da ordem pública praticada no Brasil é alcançada pelo poder de polícia do 
Estado, em que se observam os abusos que possam existir em decorrência das relações 
sociais. Essa fiscalização pode ser “preventiva” ou “repressiva”, podendo ser provocada ou 
não. Quando houver violação ocorrerá a sanção de polícia e, sempre que a fiscalização 
falhar, ocorrerão às ordens de polícia.
2.3 Conceitos básicos de Segurança Pública
Para que possamos mergulhar ainda mais no universo da Segurança Pública é preciso 
compreender os conceitos norteadores de tal atividade. Por este motivo, este tópico tem 
como finalidade a abordagem conceitual dos principais termos utilizados na doutrina de 
Segurança Pública.
O que é Segurança?
Já vimos anteriormente que na teoria das necessidades de Maslow, a segurança figura 
como uma necessidade básica do ser humano. A alta de segurança é uma preocupação 
que existe desde que o ser humano passou a habitar a Terra e, tem nos acompanhado 
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/antiriot-police-give-signal-be-ready-648806569
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CAPÍTULO 2 • MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA
desde sempre. É bem verdade que nos tempos atuais, a preocupação com a segurança 
tornou-se quase uma fobia nos principais centros urbanos do mundo.
Com a facilidade de propagação da mídia, que não mais passa somente pelos grandes 
grupos de mídia do mundo, mas, também, hoje, ao alcance de qualquer pessoa, há 
uma enorme disseminação de fatos ou situações que potencializam a insegurança da 
sociedade de modo geral e, com isso, tornando a relação do ser humano com o perigo da 
vida cotidiana muito mais intensa e aterrorizante.
A Segurança, como conceito, pode ser comparada a uma sensação, que é mais sentida 
na sua falta, concretizada por algum perigo iminente, que esteja se concretizando ou 
tenha se concretizado. A insegurança abala psico e fisicamente o ser humano, e, por 
conseguinte, uma comunidade.
Figura 19. Sensação de segurança.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/travel-relax-safety-security-insurance-concept-1166073085. 
Outro aspecto relacionado à insegurança é que, com o fenômeno da globalização, a 
segurança deixa de ter características regionalizadas para assumir aspectos ilimitados, 
sem fronteiras.
Então, podemos perceber a segurança como o produto resultante de um estado de 
tranquilidade e bem comum, onde não existaa percepção de perigo às pessoas e bens.
A segurança é uma preocupação antiga de qualquer Estado. Para manter ou alcançar essa 
situação, o Estado deverá agir tanto preventiva quanto repressivamente em quase todos os 
setores da atividade humana, em todas as situações em que os comportamentos humanos 
sejam capazes de comprometê-la e as situações que a ponham em risco. 
Conforme a doutrina da Escola Superior de Guerra (ESG, 2009, p. 24), dentro dos 
Objetivos Nacionais Permanentes encontra-se a paz social, definida como um valor 
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/travel-relax-safety-security-insurance-concept-1166073085
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MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA • CAPÍTULO 2
de vida, não imposto, mas decorrente do consenso, em busca de uma sociedade 
caracterizada pela conciliação e harmonia entre pessoas e grupos, principalmente 
entre o capital e o trabalho, e por um sentido de justiça social que garanta a satisfação 
das necessidades mínimas de cada cidadão, valorizando as potencialidades da vida em 
comum, beneficiando a cada um, bem como a totalidade da sociedade. 
Figura 20. Paz Social.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/unit-concord-multiethnic-team-all-hands-306587402. 
A extensão dos aspectos da segurança também é abordada pela ESG (2009, p. 66-67), 
entendendo que a segurança pode ser individual, comunitária, nacional ou coletiva: 
 » A segurança “individual” é entendida quando o homem tem o dever de sentir-
se interna e externamente seguro, ou seja, ter garantido direitos como os 
de liberdade, de propriedade, de locomoção, de proteção contra o crime e, 
também, a solução de seus problemas de saúde, educação, justiça, subsistência 
e oportunidade social. 
 » A segurança “comunitária” é entendida como a garantia dos elementos que dão 
estabilidade às relações políticas, econômicas e sociais, preservando a propriedade, o 
capital e o trabalho para plena utilização do interesse social. 
 » A segurança “nacional” está relacionada diretamente com a preservação dos 
Objetivos Fundamentais. As ameaças à Segurança Nacional têm origem, mais 
frequente, no ambiente externo à Nação. 
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/unit-concord-multiethnic-team-all-hands-306587402
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CAPÍTULO 2 • MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA
Figura 21. Homem das cavernas.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/primeval-caveman-wearing-animal-skin-holds-1595953561. 
Entretanto, a insegurança individual e/ou comunitária pode atingir um grau de generalização 
e gravidade de tal ordem que, ao pôr em risco algum dos Objetivos Fundamentais, se 
transformem em importantes fatores de instabilidade para a Nação.
A segurança “coletiva”, por fim, é a ideia segundo a qual o poder nacional pode ser 
fortalecido em consequência do apoio recíproco que se venha a estabelecer com outros 
centros de poder, isto é, com determinado grupo de países, buscando-se, nessa relação 
mútua, a eliminação de controvérsias e maior capacidade de conquistar e manter os 
objetivos de interesse comum. 
A segurança possui duplo aspecto – o subjetivo e o objetivo – o primeiro se reflete por meio 
da noção da garantia e proteção, e o segundo, por meio de ações tomadas para garantir a 
segurança. 
Independentemente do ângulo que seja enfocada, convém destacar que a segurança é 
uma necessidade de direito, individual ou dos aglomerados humanos e, como tal, cabe ao 
Estado satisfazê-la em toda sua amplitude.
Ordem pública 
Sem ordem o funcionamento de qualquer Estado torna-se impossível. A ordem pública 
é necessária para que todos possam desenvolver suas atividades com o máximo de 
produtividade. 
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/primeval-caveman-wearing-animal-skin-holds-1595953561
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MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA • CAPÍTULO 2
Figura 22. Ordem pública.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/spanish-police-squad-formation-back-view-1660356562. 
Afirma-se que a segurança das pessoas e dos bens é o elemento básico das condições 
universais, fator absolutamente indispensável para o natural desenvolvimento da 
personalidade humana. Pode-se considerar a manifestação da ordem pública como uma 
atividade destinada a manter a ordem social, referida às pessoas, bens e instituições sociais 
em geral, e a ordem jurídica, referida ao Estado e suas instituições. 
Doutrinariamente, conceitua-se ordem pública como sendo o conjunto de regras formais, 
coativas, que defluem do ordenamento jurídico da nação, tendo por escopo popular 
as relações sociais em todos os níveis e visando estabelecer um clima de convivência 
harmoniosa e pacífica, representando, assim, uma situação ou condição que conduz ao 
bem comum. 
Representa, ainda, uma situação de tranquilidade e normalidade que o Estado deve 
assegurar às instituições e a todos os membros da sociedade, consoante as normas 
jurídicas legalmente estabelecidas.
Figura 23. Manutenção da ordem pública.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/angry-judge-extreme-wide-angle-closeup-1006999741. 
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/spanish-police-squad-formation-back-view-1660356562
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/angry-judge-extreme-wide-angle-closeup-1006999741
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CAPÍTULO 2 • MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA
A ordem pública existe quando estão garantidos os direitos individuais, a estabilidade 
das instituições, o regular funcionamento dos serviços públicos e a moralidade pública, 
afastando-se dos prejuízos à vida em sociedade, isto é, atos de violência, de que espécie 
forem, contra as pessoas, bens ou o próprio Estado. 
A ordem pública é, sempre, uma noção do valor da nação, na sua mais profunda 
expressão, e compõe-se dos seguintes aspectos: 
 » tranquilidade pública: clima de convivência pacífica e de bem-estar social, em que 
reina a normalidade da comunidade, isenta de sobressaltos e aborrecimentos. É a 
paz nas ruas;
 » salubridade pública: situação em que se mostram favoráveis as condições de vida; 
 » segurança pública: conforme conceito já enunciado. 
A ordem pública representa o equilíbrio de uma sociedade em que cada cidadão tem plena 
liberdade e direitos, porém, devendo respeitar os limites instituídos por lei, para não ferir os de 
outrem. 
Em resumo, ordem pública é o conjunto de atividades exercidas pela Administração Pública 
no sentido de evitar a ocorrência de fatos que alterem a boa ordem das coisas, e, se acontecer, 
restaurá-las de imediato.
Segurança pública 
A segurança pública é um dos aspectos da ordem pública, juntamente com a tranquilidade 
pública e salubridade pública, como parte integrante do todo. 
Se as pessoas estivessem em permanente alerta, seria impossível a vida em comum, e não 
haveria progresso. Haveria a instalação do caos. Afastado, então, esse estado de guerra 
interna permanente, é possível a concentração de cada um no seu trabalho, atividade ou 
tarefa.
Figura 24. Exército.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/federal-district-brazil-september-08-2019-1499272697. 
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/federal-district-brazil-september-08-2019-1499272697
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MODELOS DE SEguRAnçA PÚBLICA E ESCOLAS DE POLÍCIA • CAPÍTULO 2
Sobre a segurança pública, podemos conceituá-la como o grau de relativa tranquilidade 
que cabe ao Estado fornecer ao cidadão, garantindo os direitos individuais e coletivos, 
tais como vida, propriedade, entre outros. Em outras palavras, é a manifestação do poder 
estatal embasado pelo ordenamento jurídico, que dá ao Estado o poder de usar a força em 
determinadas situações para garantir o direito à segurança pública. 
O manual básico de policiamento ostensivo, do Ministério do Exército (IGPM, 1988), 
define segurança pública como a garantia que o Estado (União, unidades Federativas e 
Municípios) proporciona à Nação, a fim de assegurar a ordem pública contra violações 
de toda espécie, que não contenham conotação ideológica.