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GUIA PRÁTICO ALIMENTAR PARA PRIMEIRA INFÂNCIA APRESENTAÇÃO A PRIMEIRA INFÂNCIA é o período que compreende desde a gestação até os 6 anos de idade. As experiências da primeira infância têm um impacto profundo no desenvolvimento do cérebro – afetando a aprendizagem, a saúde, o comportamento, é quando somos preparados para as oportunidades ao longo da vida. Na primeira infância a alimentação tem um papel fundamental para o crescimento e desenvolvimento, para a formação de hábitos saudáveis e manutenção da saúde; e muitos são os desafios para se garantir a prática de uma alimentação adequada neste início de vida. A alimentação inicia-se com o aleitamento materno e evolui para preparações com a introdução de alimentos como arroz, feijão, frutas, legumes, verduras, carnes e ovos. A introdução alimentar realizada de forma correta e saudável, associada ao aleitamento materno, propiciarão o crescimento e desenvolvimento da criança, prevenindo doenças e promovendo a saúde, não só durante a infância, mas para toda vida. Os hábitos alimentares que formamos nesta fase, tendem a se manter na vida adulta, por isso, a alimentação continua tendo papel fundamental para a formação de hábitos saudáveis e promoção da saúde. O Direito a Alimentação Adequada e Saudável é garantido pela Constituição Federal. O Brasil criou a Política Nacional de Alimentação e Nutrição - PNAN, que é destinada a melhorar as condições de alimentação, nutrição e saúde da população. O PNAE - Programa Nacional de Alimentação Escolar oferece alimentação escolar e ações de educação alimentar e nutricional a estudantes de todas as etapas da educação básica pública. AMAMENTAÇÃO O leite materno é o alimento ideal para a criança, estando adaptado às suas necessidades nos primeiros anos de vida. Contém anticorpos que protegem contra infecções como diarreia, infecções respiratórias, de ouvido entre outras. Nos dois primeiros anos de vida o aleitamento materno pode prevenir o aparecimento de várias doenças na vida adulta (asma, diabetes, obesidade) e favorece o desenvolvimento do sistema imunológico, a maturação do sistema digestório e neurológico. A Amamentação produz vários estímulos importantes para a boca e para os músculos do rosto, evitando problemas de respiração, mastigação, fala, alinhamento dos dentes, também deglutição; ajuda no desenvolvimento infantil e estabelecimento de laços afetivos entre a mãe e o bebê. Recomenda-se que a criança seja amamentada por dois anos ou mais, sendo nos primeiros seis meses amamentação exclusiva (apenas com leite materno), nenhum outro tipo de alimento se faz necessário, como água, chá, suco ou outros leites. O leite materno pode variar de cor e sabor de acordo com os alimentos ingeridos pela mãe. Através dele a criança entra em contato com diferentes sabores, o que influenciará nas suas reações a partir dos 6 meses, quando começará a receber a alimentação complementar. Até completar 1 ano, o leite materno é a principal fonte de alimentação da criança. Amamentar é um direito da mãe e ser amamentada é um direito da criança. Você sabia que nas creches da rede municipal de ensino, acolhemos e apoiamos essas famílias, disponibilizando um local com ambiente adequado para que mães possam amamentar seus filhos, bem como estamos preparados e treinados a receber e armazenar o leite materno para ser oferecido à criança durante o período de permanência na escola? Nos Centros de Saúde, temos equipes de enfermagem e médicos, capacitados a acompanhar e prestar orientações às famílias que estão com dificuldade na amamentação. Amamentar nem sempre é intuitivo e havendo qualquer dúvida nesta fase, o profissional de saúde pode e deve ser consultado. A primeira ida ao Centro de Saúde, deve acontecer entre 3 e 5 dias de vida do bebê, quando mãe e bebê serão atendidos conjuntamente e qualquer dificuldade na amamentação poderá ser avaliada. Em caso da impossibilidade de a criança ser amamentada, os profissionais do Centro de Saúde serão os responsáveis por orientar aos pais e cuidadores, sobre qual fórmula é mais adequada às necessidades nutricionais daquele bebê. Ressaltamos aqui, que devido a alergias e doenças gastrointestinais, o leite de vaca, seja ele de caixinha, saquinho ou diretamente da vaca, não é recomendado antes do primeiro ano de vida da criança. NEM TODO CHORO É FOME O bebê chora por diversas razões: ou porque está com sono, frio, calor, dor, cólicas, com a fralda suja; ou porque está precisando de carinho e de atenção, aconchego, quer sugar; e, também porque está com fome. Está em dúvida se seu bebê está se alimentando o suficiente?! Converse com a equipe de saúde e se informe sobre o ganho adequado de peso, o número de troca de fraldas de xixi, e observe sempre o seu estado geral. Os bebês costumam se alimentar a cada duas ou três horas nos primeiros meses, mas manter a oferta de leite em livre demanda, sempre que o recém-nascido manifestar o desejo de mamar, é garantia de que estará sempre bem nutrido. Aos pais, companheiros (as) e rede de apoio, assegurar um ambiente tranquilo e confortável, fazendo a oferta de água, sucos, frutas e outros alimentos para a lactante, é a melhor forma de se fazer presente e útil neste momento. INTRODUÇÃO DA ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR A PARTIR DOS 6 MESES A liberação da introdução de novos alimentos, deverá respeitar os sinais de prontidão da criança. Se isso não acontecer, as chances de dificuldade neste processo serão grandes é preciso lembrarmos que cada criança tem seu tempo e desenvolvimento. O marco são os 6 meses, desde que não tenha nascido prematuramente ou tenha outras questões de saúde, por isso o alinhamento dessas orientações com a consulta com o profissional da saúde é fundamental, pois é nesse momento que a criança apresenta adequado desenvolvimento digestório, imunológico e neurológico para receber novos alimentos. SÃO SINAIS DE PRONTIDÃO DO BEBÊ: 1. Se interessa pelo que você come; 2. Sustenta cabeça e tronco e consegue sentar sem apoio; 3. Já segura objetos com as mãos; 4. Já reduziu ou eliminou o reflexo de protrusão (empurrar com a língua); 5. Faz movimentos voluntários com a língua e com a boca, mostrando que está pronto para mastigar (mesmo que ainda não tenha dentes); A alimentação complementar deve oferecer energia e nutrientes de acordo com as necessidades da criança na proporção adequada e preparada de forma higiênica. ESQUEMA PARA O DIA ALIMENTAR REFEIÇÃO ALIMENTO Café da manhã Leite materno ou fórmula infantil Colação Fruta amassada ou raspada Almoço Papa principal de misturas múltiplas Lanche da tarde Fruta amassada ou raspada Jantar Papa principal de misturas múltiplas Lanche da noite Leite materno ou fórmula infantil GUIA ALIMENTAR PARA CRIANÇAS BRASILEIRAS MENORES DE 2 ANOS, 2019. Para que as recomendações sejam atingidas, a alimentação deve conter todos os grupos de alimentos. ESQUEMA DE PRATO PARA SER UTILIZADO EM TODAS AS IDADES VARIANDO O TAMANHO DA PORÇÃO: É muito importante prestar atenção aos sinais de saciedade da criança, por exemplo, quando está satisfeita em uma refeição vira o rosto ou não quer mais abrir a boca. Não se deve forçar a criança a limpar o prato, pois isso pode prejudicar sua habilidade de controlar o apetite e levar ao ganho de peso excessivo. “Comer bem” não é sinônimo de “comer muito”. DESENVOLVIMENTO E SINAIS DE FOME E SACIEDADE IDADE ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL SINAIS DE FOME E DE SACIEDADE 6 meses • Senta com pouco ou nenhum apoio. • Diminui o movimento de empurrar com a língua os alimentos para fora da boca. • Mastiga. • Surgem os primeiros dentes. Sinais de fome: Chora e se inclina para frente quando a colher está próxima, segura a mão da pessoa que está oferecendo a comida e abre a boca. Sinaisde saciedade: Vira a cabeça ou o corpo, perde interesse na alimentação, empurra a mão da pessoa que está oferecendo a comida, fecha aboca, parece angustiada e chora. 7 a 8 meses • Senta sem apoio. • Pega alimentos e leva à boca. • Surgem novos dentes. Sinais de fome: Inclina-se para a colher ou alimento, pega ou aponta para a comida. Sinais de saciedade: Come mais devagar, fecha a boca ou empurra o alimento. Fica com a comida parada na boca sem engolir. 9 a 11 meses • Engatinha ou anda sem apoio. • Faz movimentos de pinça com as mãos para segurar pequenos objetos. • Pode comer de forma independente, mas ainda precisa de ajuda. • Dá dentadas e mastiga alimentos mais duros. Sinais de fome: Aponta ou pega alimentos. Fica excitada quando vê o alimento. Sinais de saciedade: Come mais devagar, fecha a boca ou empurra o alimento. Fica com a comida parada na boca sem engolir. 1 e 2 anos de idade • Anda com algum ou nenhum auxílio. • Come com colher. • Segura o alimento com as mãos. • Segura o copo com ambas as mãos. • Apresenta maior habilidade para mastigar. • Os dentes molares começam a aparecer. Sinais de fome: Combina palavras e gestos para expressar vontades por alimentos específicos, leva a pessoa que cuida ao local onde os alimentos estão, aponta para eles. Sinais de saciedade: Balança a cabeça, diz que não quer, sai da mesa, brinca com o alimento e joga-o longe. GUIA ALIMENTAR PARA CRIANÇAS BRASILEIRAS MENORES DE 2 ANOS, 2019. MASTIGAÇÃO A alimentação complementar é formada por dois tipos de refeições: a papa principal e a papa de fruta. Na papa principal os alimentos devem ser cozidos com pouca água, apenas o suficiente para amaciá-los, pois os alimentos devem ser espessos desde o início. As frutas devem ser raspadas ou amassadas e sem adição de açúcar, não se deve oferecer suco. Deve-se iniciar a alimentação complementar com a consistência pastosa e gradativamente evoluir conforme a aceitação, até ficar em pedacinhos. Não é recomendado o uso de liquidificador, mixer ou peneira, os alimentos devem ser grosseiramente amassados com um garfo a fim de estimular a mastigação e promover o desenvolvimento orofacial. Se a comida estiver um pouco seca, adicione um pouco de caldo do cozimento da própria preparação (dos legumes ou do feijão), não se deve misturar, por exemplo, sopa ao prato com arroz e feijão. ALIMENTAÇÃO DA CRIANÇA DE 1 A 2 ANOS DE IDADE Nesta faixa etária, a alimentação já deve ser similar à consumida pela família. Os alimentos escolhidos devem ser adequados à capacidade de mastigar e engolir da criança e o tamanho das porções devem ser ajustadas conforme a aceitação. As refeições devem ser preparadas com pouco óleo e sal. Não devem ser adicionados temperos prontos ou industrializados, corantes artificiais e açúcar. É importante apresentar à criança a maior diversidade possível de alimentos saudáveis, como grãos integrais, diferentes tipos de frutas, verduras e legumes, para reforçar e construir o hábito alimentar. Nesta fase, inicia-se o treinamento para o uso de talheres estimulando a coordenação e a destreza motora, funcionando como importante incentivo ao desenvolvimento. A alimentação da criança até 2 anos deve ter como base a utilização dos alimentos “in natura” e minimamente processados. Quanto maior a variedade de alimentos, de diferentes grupos na alimentação, maior será a diversidade de nutrientes, o que contribui para o crescimento e desenvolvimento saudável. As experiências com novos sabores, cores e texturas durante o primeiro ano de vida ajudam a criança a desenvolver hábitos alimentares adequados e estilo de vida saudável, promovendo uma melhor qualidade de vida na fase adulta. NÃO OFERECER PIPOCA Não oferecer pipoca para crianças menores de 6 anos, as cascas são difíceis de mastigar nesta idade e por isso aumentam o risco de engasgo e sufocamento. ANTES DOS TRÊS ANOS NÃO OFERECER AÇÚCAR Nos três primeiros anos de vida a criança não deve consumir nenhum tipo de açúcar: branco, mascavo, cristal, demerara, açúcar de coco, xarope de milho, mel, melado ou rapadura, também não devem ser oferecidas preparações que tenham açúcar (bolos, biscoitos, doces, geleias), e não adicionar em sucos e outras bebidas. Entretanto, bolos caseiros com frutas que são naturalmente doces podem ser ofertados nos lanches intermediários. O consumo de açúcar aumenta as chances de a criança desenvolver obesidade e outras doenças na vida adulta, também provoca placa bacteriana e cáries. Como a criança já tem preferência pelo sabor doce, se oferecido preparações açucaradas, a mesma poderá ter mais dificuldade em aceitar verduras, legumes e outros alimentos saudáveis. O mel também não deve ser oferecido, pois apesar de ser mais saudável contém os mesmos componentes do açúcar, e há risco de contaminação por uma bactéria associada ao botulismo que causa sintomas gastrointestinais e neurológicos em crianças menores de 1 ano. ALIMENTAÇÃO DA CRIANÇA DOS 2 AOS 6 ANOS DE IDADE O período pré-escolar, entre 2 e 6 anos de idade, é um período crítico na vida da criança. Nesta fase a criança apresenta um ritmo de crescimento regular e inferior aos dois primeiros anos de vida, portanto com decréscimo das necessidades nutricionais e do apetite. É quando a criança começa a se socializar mais, comunica com mais facilidade suas preferências, aprofunda a relação afetiva com a alimentação e vivencia novas experiências. Passa a ter controle para urinar e evacuar. Amplia sua autonomia em relação à alimentação, recusando ou aceitando os alimentos oferecidos a ela, interagindo espontaneamente por meio das exposições de suas vivências e de questionamentos frequentes. Nesta fase a criança começa a se interessar mais pelo que acontece no ambiente e se distrai brincando. Assim, além de respeitar os sinais da fome e saciedade da criança, os cuidadores devem zelar por um ambiente tranquilo na hora de oferecerem as refeições. A quantidade de alimentos que a criança consegue comer ainda é pequena. Nenhum alimento ou bebida (exceto água) deve ser consumido entre as refeições, para não prejudicar a aceitação do almoço e jantar. A criança precisa estar com fome para aceitar a quantidade adequada de refeição. Os legumes e verduras devem ser colocados no prato da criança, mesmo que ela rejeite e diga que não vai comer. Colocar no prato da criança todos os dias, em todas as refeições é uma boa estratégia para ela entender que estes alimentos fazem parte da rotina. Aos 3 anos todos os dentes já apareceram e as crianças podem ingerir alimentos de diferentes texturas, amadurecendo seu sistema digestório e propiciando ao organismo uma alimentação adequada em quantidade e qualidade. Esse processo de mastigação é importante para o desenvolvimento da musculatura do rosto. Maus hábitos alimentares como, por exemplo, alimentos na textura incorreta principalmente com consistência líquida ou pastosa, podem levar a aquisição de deformidades dentárias e de mordida. O uso prolongado de chupetas e mamadeiras também aumenta o risco de deformidades dentárias e de mordida, e pode levar a criança a desenvolver a síndrome do respirador bucal. Estes hábitos devem ser eliminados até os 3 anos de idade. Depois dos 3 anos, a oferta de pequenas quantidades de alimentos com açúcar não afetará a aceitação de outros alimentos, por exemplo bolos caseiros sem recheio e cobertura. Entretanto, não é recomendável acrescentar açúcar, farinhas ou achocolatado ao leite ou em outras bebidas, bem como os alimentos ultraprocessados não devem ser oferecidos. Neste período, a quantidade de alimentos ingerida pode variar, sendo bastante em alguns períodos e quase nada em outros; caprichos podem fazer com que alimentos favoritos de hoje sejam recusados amanhã, ou que um único alimento seja consumidopor muitos dias. Os pais precisam aceitar este comportamento como transitório e não reagirem com medidas autoritárias, para que isso não se transforme em um distúrbio alimentar. A reação dos pais à recusa alimentar da criança é um fator muito importante na formação dos hábitos e das preferências alimentares da criança. Envolver a criança na escolha da refeição da família, no planejamento da alimentação e no seu preparo é uma excelente estratégia, para que ela passe a apreciar mais os alimentos. O cuidado com a alimentação continua sendo uma tarefa coletiva e compartilhada com os familiares, escolas e centros de saúde. ASPECTOS IMPORTANTES DA EVOLUÇÃO DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR NA INFÂNCIA E ORIENTAÇÕES PARA UMA CONDUTA ALIMENTAR SAUDÁVEL E HÁBITOS ADEQUADOS: Aceitação dos alimentos É preciso paciência e persistência, pois é necessário que a criança prove o novo alimento, em torno de 10 vezes, para estabelecer seu padrão de aceitação, se gosta ou não do lhe foi ofertado. Apetite É muito variável e sofre influência de vários fatores, entre eles idade, atividade física, temperatura do ambiente e ingestão na refeição anterior. Criança cansada ou superestimulada com brincadeiras pode não aceitar a alimentação de imediato, assim como no verão, o apetite pode ser menor. Se a refeição anterior foi volumosa, também pode diminuir o apetite. Portanto, as refeições devem seguir horários fixos com intervalos de 2 a 3 horas, que são suficientes para que a criança sinta fome na próxima refeição. Autonomia Quando a criança já for capaz de se servir e comer sozinha deverá ser estimulada, isso é uma excelente estratégia na formação de bons hábitos alimentares. Importante sempre estar com supervisão para evitar engasgos. A criança também deve ser acomodada a mesa com outras crianças e membros da família, pois ela observa outras pessoas se alimentando e a aceitação dos alimentos se dá pelo processo de condicionamento social. É importante deixá-la comer com as mãos e não cobrar limpeza neste momento; quando souber manipular adequadamente a colher, pode substituí-la pelo garfo. Sentidos A criança deve utilizar sentidos como visão e olfato, na experiência com novos alimentos. Devem provar em pequena quantidade e ir aumentando gradativamente. A apresentação do prato, o alimento preparado em diferentes receitas também contribui na sua aceitação. Autorregulação da Ingestão A criança possui mecanismos internos de saciedade, que determinam a quantidade que ela necessita. Portanto, comportamentos como recompensas, chantagens ou punições para forçar a criança a comer devem ser evitados, pois podem reforçar a recusa da criança a comer. A sobremesa não deve ser uma recompensa e sim uma preparação, dê preferência a frutas. O tamanho das porções também deve ser de acordo com a aceitação, o ideal é oferecer uma quantidade pequena de alimento e perguntar se a criança deseja mais. Se durante o período determinado para a refeição a criança não aceitar os alimentos, a refeição deverá ser encerrada e apenas na próxima, será oferecido algum alimento. Portanto, se a aceitação for baixa ou nula, não deverá ser oferecido fórmula infantil ou outro alimento em substituição. Preferências Importante lembrar que os alimentos de sabor doce são os de preferência da criança, pois o sabor doce é inato do ser humano. Portanto, é necessário orientar e controlar o consumo e a quantidade desses alimentos. O leite também tem sabor doce, por isso não deve substituir refeições ou ser servido em seguida da refeição. Se esse hábito for contínuo a criança deixará de aceitar a refeição salgada, em detrimento a ele. A substituição de refeições por lácteos é um importante fator de risco para o desenvolvimento de anemia carencial ferropriva. A dependência de um único alimento pode levar a um desequilíbrio nutricional. A CRIANÇA VEGETARIANA A introdução da alimentação complementar segue os mesmos passos da introdução alimentar da criança que não é vegetariana. Na versão vegetariana, quando as carnes, ovos e derivados não são incluídos no esquema alimentar, é necessário aumentar as porções de leguminosas (feijões, ervilha, lentilha, grão de bico e etc.) e adequar as porções dos cereais para que a recomendação nutricional seja atendida. É muito importante que a criança seja amamentada exclusivamente até os 6 meses e que se possível se estenda, de forma complementar, pelo menos até os 2 anos de idade, pois assim receberá boa parte do cálcio necessário para seu desenvolvimento. Os leites vegetais (industrializados ou preparados em casa) não devem ser oferecidos antes de 2 anos de idade em substituição ao leite materno ou às fórmulas infantis, pois são muito pobres em calorias e/ou nutrientes e não atendem às demandas nutricionais dos lactentes. ESQUEMA DE PRATO A SER UTILIZADO PARA CRIANÇAS VEGETARIANAS VARIANDO O TAMANHO DA PORÇÃO De acordo com a Academy of Nutrition and Dietetics e o Conselho Regional de Nutrição da 3ª Região, quando bem planejadas, como todas devem ser, as dietas vegetarianas promovem o crescimento e desenvolvimento adequados e podem ser adotadas em qualquer ciclo da vida, inclusive na gestação e na infância. No entanto, é fundamental que a criança vegetariana, como qualquer outra criança, seja acompanhada pelo médico pediatra que monitore seu crescimento e desenvolvimento, oriente sobre sua alimentação e sobre a necessidade de suplementação com vitaminas e minerais. Crianças vegetarianas alimentadas inapropriadamente, com dietas muito restritivas, apresentam grande risco de deficiência nutricional. PROCESSAMENTO DE ALIMENTOS Alimentos in natura ou minimamente processados O que são? Alimentos in natura são obtidos diretamente de plantas ou de animais e não sofrem qualquer alteração após deixar a natureza. Exemplos: Legumes, verduras, frutas, batata, mandioca e outras raízes e tubérculos in natura ou embalados, fracionados, refrigerados ou congelados; Arroz branco, integral ou parboilizado, a granel ou embalado; Milho em grão ou na espiga, grãos de trigo e de outros cereais; feijão de todas as cores, lentilhas, grão de bico e outras leguminosas; Cogumelos frescos ou secos; frutas secas, sucos de fruta e suco de frutas pasteurizados e sem adição de açúcar ou outras substâncias; O que são? Alimentos minimamente processados correspondem a alimentos in natura que foram submetidos a processos de limpeza, remoção de partes não comestíveis ou indesejáveis, fracionamento, moagem, secagem, fermentação, pasteurização, refrigeração, congelamento e processos similares que não envolvam agregação de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias ao alimento original. Exemplos: Castanhas, nozes, amendoim e outras oleaginosas sem sal ou açúcar; cravo, canela, especiarias no geral e ervas frescas e secas; Farinhas de mandioca, de milho ou de trigo e macarrão ou massas frescas ou secas feitas com essas farinhas e água; Carnes de gado, de porco e de aves e pescados frescos, resfriados ou congelados; Leite pasteurizado, ultrapasteurizado (longa vida) ou em pó, iogurte (sem adição de açúcar); Ovos; Chá, café e água potável. Utilize óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias Utilizar com moderação a adição de pequenas quantidades de óleo, gorduras, açúcar e sal, pois o excesso desses nutrientes é prejudicial à saúde. O consumo excessivo de sódio aumenta o risco de doenças cardíacas, enquanto o consumo excessivo de açúcar aumenta o risco de cárie dental, de obesidade e de outras doenças crônicas. Óleos, gorduras, sal e açúcar O que são? São produtos extraídos de alimentos in natura ou da natureza por processos como prensagem, moagem, trituração, pulverização e refino. São usados nas cozinhas das casas e em refeitórios e restaurantespara temperar e cozinhar alimentos e para criar preparações culinárias variadas e saborosas, incluindo caldos e sopas, saladas, tortas, pães, bolos, doces e conservas. Exemplos: Óleo de soja, de milho, de girassol ou de oliva, manteiga, banha de porco, gordura de coco, açúcar branco, demerara ou mascavo, sal de cozinha refinado ou grosso. Limite o uso de alimentos processados, consumindo-os, em pequenas quantidades, como ingredientes de preparações culinárias ou como parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados O uso de alimentos processados deve ser limitado, pois mesmo contendo a maioria dos nutrientes do alimento do qual deriva, os ingredientes e os métodos de processamento utilizados na fabricação alteram de modo desfavorável a composição nutricional. A adição de sal e açúcar geralmente estão presentes em quantidades superiores às usadas em preparações culinárias. A perda de água durante a fabricação e a eventual adição de óleo ou açúcar, aumentam a caloria dos alimentos. Alimentos processados O que são? Alimentos processados são fabricados pela indústria com a adição de sal ou açúcar ou outra substância de uso culinário a alimentos in natura para torná-los duráveis e mais agradáveis ao paladar. São produtos derivados diretamente de alimentos e são reconhecidos como versões dos alimentos originais. São usualmente consumidos como parte ou acompanhamento de preparações culinárias feitas com base em alimentos minimamente processados. Exemplos: Cenoura, pepino, ervilhas, palmito, cebola, couve- flor preservados em salmoura ou em solução de sal e vinagre; extrato ou concentrados de tomate (com sal e ou açúcar); frutas em calda e frutas cristalizadas; carne seca e toucinho; sardinha e atum enlatados; queijos; e pães feitos de farinha de trigo, leveduras, água e sal. EVITE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS Os alimentos ultraprocessados devem ser evitados devido a composição nutricional desses produtos, que possuem excesso de calorias (açúcares e gorduras), apresentam alto teor de sódio, são pobres em fibras que são essenciais para prevenção de doenças (do coração, diabetes e vários tipos de câncer), são pobres em vitaminas e minerais e ricos em componentes químicos como conservantes e corantes artificiais. No PNAE, este tipo de alimento é proibido para crianças até 3 anos por determinação do FNDE. Alimentos Ultraprocessados O que são? São formulações industriais feitas inteiramente ou majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amido, proteínas), derivados de constituintes de alimentos (gordura hidrogenada, amido modificado) ou sintetizadas em laboratório com base em matérias orgânicas como petróleo e carvão (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários tipos de aditivos usados para dotar os produtos de propriedades sensoriais atraentes). Técnicas de manufatura incluem extrusão, moldagem, e pré-processamento por fritura ou cozimento. Exemplos: Vários tipos de biscoitos principalmente os recheados, sorvetes, balas e guloseimas em geral, cereais açucarados, bolos e misturas para bolo, barras de cereal; Sopas, macarrão e temperos instantâneos, molhos, salgadinhos de pacote, refrescos em pó, refrigerantes, iogurtes e bebidas lácteas adoçadas e aromatizadas, bebidas energéticas; Produtos congelados e prontos para aquecimento como pratos de massas, pizzas, hambúrgueres, extratos de carne ou de frango ou peixe empanados do tipo nuggets, salsichas e outros embutidos. Pães de forma, pães para hambúrguer ou hot dog, pães doces e produtos panificados cujos ingredientes incluem substâncias como gordura vegetal hidrogenada, açúcar, amido, soro de leite, emulsificantes e outros aditivos. Não é recomendada a ingestão de líquidos com as refeições, pois distendem o estômago causando desconforto abdominal e interferindo na absorção dos nutrientes. O ideal é oferecê- los nos intervalos das refeições e de preferência água. Os sucos devem ser limitados, pois são mais calóricos e não possuem fibras que retardam a absorção do açúcar. Alimentos que possam provocar engasgos devem ser evitados, como uva inteira, pedaços grandes de cenoura, pipoca e outros. Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos Ultraprocessados. Opte por água, leite e frutas no lugar de refrigerantes, bebidas lácteas e biscoitos recheados. Não troque comida feita na hora (caldos, sopas, saladas, molhos, arroz, feijão, macarronada, refogado de legumes e verduras, farofas, tortas) por produtos que dispensam preparação culinária (sopas “de pacote”, macarrão “instantâneo”, pratos congelados prontos para aquecer, sanduíches, frios e embutidos, maionese e molhos industrializados). Fique com sobremesas caseiras, dispensando as industrializadas. ÁGUA A água também é um alimento necessário para o crescimento das crianças e para o melhor funcionamento do organismo, melhorando as funções dos rins, bexiga e intestino. A criança em amamentação exclusiva não precisa de água. A partir dos 6 meses, quando a criança começar a receber outros alimentos, a água deverá ser oferecida. Deve-se oferecer água à criança nos intervalos das refeições, cerca de 4 vezes por dia em copos de transição. Para crianças maiores de 1 ano, a água deve ser oferecida em copo e também nos intervalos das refeições, evitando a distensão do estômago e estímulo precoce da saciedade. Os copos utilizados devem ser limpos regularmente, ou seja, utilizar um copo lavado a cada vez que oferecer água à criança. Água de coco, suco de frutas, chás e outras bebidas não substituem a água. No primeiro ano de vida, o suco de fruta natural deve ser evitado pelo risco de predispor a obesidade devido ao maior consumo de calorias e a não ingestão de fibras presentes nas frutas que contribuem para diminuir a absorção do açúcar. A partir de 1 ano seu consumo deve ser limitado aos lanches intermediários. A recomendação de ingestão de água é planejada para que se atinja um balanço hídrico adequado, isto é, que a ingestão compense as perdas de água que acontecem naturalmente durante o dia prevenindo danos como a desidratação. Oferecer sempre a água nos intervalos das refeições é importante, pois a criança não percebe que está com sede e por isso não pede água. Em lugares muito quentes a necessidade de água é maior. RECOMENDAÇÃO DE INGESTÃO DE ÁGUA PARA CRIANÇAS IDADE RECOMENDAÇÃO (litros/dia) 0 a 6 meses 0,7 7 a 12 meses 0,8 1 a 3 anos 1,3 4 a 8 anos 1,7 DRI, 2006. A criança que recebe somente fórmula infantil, desde que preparada de forma adequada, também não precisa receber água. MOMENTO DA REFEIÇÃO Reconhecendo que o momento da refeição oferece valiosa oportunidade de aprendizagem, formação sociocultural e promoção da saúde, cabe ao cuidador, seja ele, pais, familiares, professores, babás, planejar esse momento de modo a permitir a criança sentir prazer, interagir com seus pares, envolver-se na organização e higiene do ambiente, manusear talheres, ter cuidados com a higiene pessoal antes, durante e após as refeições. As crianças precisam de rotina, pois além de se sentirem mais seguras e confiantes, passam a naturalizar comportamentos, por isso ao iniciar um processo para aprender a se servir de modo adequado, a levar o prato ao local onde realizarão a refeição, a comer determinados alimentos para que tenham uma dieta equilibrada, a ter maior consciência sobre a saúde e atitudes positivas, torne este momento previsível, sempre no mesmo horário, no mesmo local, a fim de que se torne um hábito. Elas aprenderão também a manipular utensílios como travessas, conchas, colheres grandes, talheres e pratos de louça. Poderá haver desperdício de comida e certa bagunça no começo. Tudo isso é novidade,demanda tempo para aprender e não tem prazo para terminar. ORIENTAÇÕES DE BOAS PRÁTICAS NO MOMENTO DAS REFEIÇÕES: • Propiciar um ambiente tranquilo para a alimentação; • Incentivar e motivar a criança a experimentar alimentos diversos; • Estimular a criança a utilizar corretamente os talheres; • Respeitar o ritmo alimentar, estimulando a mastigar bem os alimentos; • Orientar a criança a comer com moderação e se servir de forma adequada, tanto na quantidade e qualidade; • Permitir que a criança se alimente sozinha, orientando-a como fazer e não reprimi-la, quando derramar ou espalhar os alimentos; • Não forçar a limpar o prato, mas sim orientar a criança a se servir de quantidade adequada; • Incentivar o ato de alimentar-se sozinha, pois é uma sensação nova para a criança e deve ser realizada com prazer; • Não realizar comentários desfavoráveis em relação a algum alimento, dada sua influência em relação às crianças. HIGIENE DAS MÃOS, ALIMENTOS, UTENSÍLIOS E PREPARAÇÕES Antes das refeições, deve-se criar o hábito de lavar as mãos com água e sabão. Mãos sujas podem trazer microrganismos e parasitas que transmitem doenças. Os utensílios utilizados devem ser adequados à idade e feitos de material resistente. Não utilize descartáveis, pois podem quebrar e causar machucados. Leve em consideração que o talher deve ser do tamanho que caiba na boca da criança e os líquidos devem ser oferecidos em copos. Lembre-se de verificar a temperatura da preparação, prove direto no prato com uma colher diferente da utilizada pela criança. Para esfriá-la, mexa com a colher. Não é recomendado soprar, pois os microrganismos presentes na boca do adulto podem passar à comida da criança. NECESSIDADE ALIMENTAR ESPECIAL Em caso de crianças com necessidade alimentar especial, é segurado o seu direito a segurança alimentar no ambiente escolar, para isso a família deverá comunicar a escola através de atestado médico. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE recomenda que o atendimento na escola seja centrado no diretor, que deve acolher o responsável pelo aluno com necessidade alimentar especial, receber o atestado médico e conferir se ele está completo tendo no mínimo um diagnóstico claro (nome da condição/enfermidade) e encaminhar para o Departamento de Alimentação Escolar, para que o cardápio seja adaptado. Cabe ao educador que acompanha a criança com necessidade alimentar especial questionar a equipe da cozinha, para a identificação do prato preparado e orientar os cuidados para que a criança não compartilhe da refeição com outras crianças. É DIREITO DA FAMÍLIA CONHECER E ACOMPANHAR O CARDÁPIO OFERECIDO, PORTANTO ESTE DEVERÁ SEMPRE SER FIXADO NO MURAL DA ESCOLA. SERVIÇOS ESSENCIAIS PARA A PRIMEIRA INFÂNCIA SAÚDE - Vacinação / Consulta médica e Puericultura / Saúde Bucal Procure a unidade básica de saúde que atenda o território onde a família reside, Disponível em: https:/saude.campinas.sp.gov.br/saude/ Acesso em: 12/07/2022. Triagem ofalmológica prevennta para bebês de 04 a 15 meses Boldrini através do Whatsapp (19) 3755-9200 Centro de Lactação – Banco de Leite Humano de Campinas Telefone: (19) 3306-6039 Horário de Atendimento: De segundas às sextas-feiras: das 08h às 17h Sábados, Domingos e Feriados: das 08h às 11h Os atendimentos são realizados mediante agendamento telefônico. EDUCAÇÃO - Inscrição e matrícula em Creche ou pré escola, Disponível em: https://integre-master.ima.sp.gov.br/integre/web/vagas_infanntil.php ASSISTÊNCIA - Programas Sociais (Auxílio Brasil e Viva Leite) Disponível em: https://poral.campinas.sp.gov.br/secretaria/assistencia-social-pessoa-com deficiencia-e-direitos-humanos/pagina/programas-sociais Acesso em: 12/07/2022. Atendimento presencial CRAS e outros equipamentos, Disponível em: https://portal.campinas.sp.gov.br/secretaria/assistencia-social-pessoa-comdefi- ciencia-e-direitos-humanos/pagina/localizacao-de-unidades-de-atendimento Acesso em: 12/07/2022. Para dúvidas e/ou informações sobre os serviços ligue: 156. Para dúvidas, sugestões e informações sobre o PIC chame no Whatsapp: (19) 98254-3612