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Arcos Dentais Permanentes e Oclusão Dental Profa. Dra. Alessandra Lozano Tanto os dentes decíduos como os permanentes se relacionam através de suas faces de contato formando arcos, um superior e outro inferior, de concavidade posterior. Os autores, em geral, aceitam que a morfologia dos arcos dentais pode apresentar-se elíptica, parabólica, hiperbólica, semicircular, em forma de V ou em forma de U. O diâmetro transversal é maior no arco superior do que no inferior, o que nos faz entender porque o arco superior envolve o inferior. Nesse envolvimento ou sobreposição, na posição de oclusão, as bordas incisais dos incisivos e caninos inferiores tocam as faces linguais dos homólogos superiores e as cúspides vestibulares dos premolares e molares inferiores ocluem com as fossetas oclusais dos superiores. Curva sagital de oclusão (Balkwill-Spee) Quando observamos os arcos dentais por um plano sagital ou ântero-posterior, notamos que existe uma curva determinada pelas faces oclusais dos dentes, que começa nos molares e termina no canino. Essa curva existe em função da posição que os dentes ocupam nos alvéolos, com alturas diferentes, o que não acontece na dentição decídua, onde os dentes estão implantados na mesma altura, deixando portanto de apresentar essa curva. Curva transversal de oclusão (curva de Wilson) Quando da observação dos arcos dentais pelo plano frontal, nota-se uma curva transversal de concavidade superior. Essa curva passa pelos planos oclusais* dos molares e existe devido à inclinação dos dentes nos alvéolos, podendo sofrer modificações com o tempo, em função dos desgastes sofridos pela dentição. Na região dos premolares, a inclinação dos dentes é mínima, de modo que não é formada uma curva semelhante. Nos arcos decíduos, também não notamos a presença desta curva, pois nesse caso os dentes estão implantados perpendicularmente. DireçÃo geral dos dentes O conhecimento da direção geral dos dentes é de grande importância em clínica, tanto em anestesiologia, quando se pretende uma inclinação adequada da inserção da agulha, para a realização de uma técnica perfeita, quanto em especialidade como cirurgia, nas apicetomias, implantodontia para a correta instalação dos cilindros. Em endodontia também, nos procedimentos de abertura coronária e manipulação dos canais radiculares. Em cada arco deve-se considerar a inclinação ou direção dos dentes de duas formas: vestíbulo-lingual e mésio-distal. Direção vestíbulo-lingual no arco superior, todos os dentes têm seu longo eixo inclinado para a lingual (raiz voltada para a lingual, coroa voltada para a vestibular). Essa inclinação é máxima nos incisivos e mínima nos premolares. No arco inferior, os incisivos e muitas vezes os caninos têm seu longo eixo com inclinação para a lingual; os demais inclinam-se para a vestibular (raiz voltada para a vestibular, coroa voltada para a lingual). Direção mésio-distal o arco superior apresenta os dentes com inclinação para a distai (raiz voltada para a distai, coroa voltada para a mesial), com exceção muitas vezes do terceiro molar. No arco inferior, os incisivos estão implantados verticalmente, os demais dentes apresentam inclinação para a distal. Equilíbrio dos dentes Os dentes de cada arco apresentam os chamados "pontos de contato", que na verdade passam a ser superfícies ou áreas de contato* com o tempo e que são muito importantes para a manutenção do equilíbrio, mas, além disso, existem forças que incidem sobre os dentes e que podem alterar esse equilíbrio. Dentre elas destacamos as forças exercidas por músculos da mastigação (músculo masseter, músculo temporal, músculo pterigóideo medial), as quais determinam o contato entre os dentes antagonistas. Sentido horizontal (direção vestíbulo-lingual) nos dentes anteriores, a musculatura labial exerce uma força na face vestibular, que deve ser equilibrada pela força exercida pela língua na face lingual. Já nos posteriores, a musculatura jugal é que age na face vestibular, devendo ser equilibrada pelas forças exercidas pela língua na face lingual Sentido horizontal (direção mésio-distal) o equilíbrio no sentido mésiodistal é devido aos pontos de contato; a perda de um único dente ou parte dele pode alterar esse equilíbrio. O dente imediatamente distai ao espaço vago tende a se deslocar em direção a ele. Sentido vertical o equilíbrio nesse sentido é mantido graças aos dentes antagonistas, que impedem a extrusão do dente, bem como pelo próprio ligamento periodontal que impede a intrusão do dente no alvéolo, isto é, o aprofundamento deste no interior da substância óssea esponjosa. Oclusão dental Oclusão, por definição, significa o ato de fechar, de ser fechado. Em Odontologia, consideramos oclusão quando, ao se fazer a elevação da mandíbula através dos músculos elevadores, ocorre o contato entre os dentes antagonistas. Vamos considerar alguns aspectos fundamentais no engrenamento dental em uma oclusão dita normal (presença de todos os dentes ocluindo de modo saudável e estético), já que oclusão perfeita ou ideal é muito difícil de ser observada: todos os dentes de um arco, individualmente, devem ocluir com dois dentes do arco oposto; um deles é o antagonista principal, que é o dente homónimo (por exemplo, o 13 oclui com o 43, ambos caninos, portanto homónimos); o outro é o antagonista acessório, que é o dente imediatamente mesial no maxilar e o distai na mandíbula (por exemplo, no mesmo caso da oclusão dos caninos, os acessórios são o 12 e o 44); fazem exceção os incisivos centrais inferiores e os terceiros molares superiores, que ocluem unicamente com os seus homólogos antagonistas. nos dentes anteriores, o terço incisal da face vestibular dos inferiores deve ocluir com o terço incisai da face lingual dos superiores, incluindo a cúspide do canino inferior, cuja porção distal deve ocluir com a porção mesial da cúspide do canino superior. nos dentes posteriores, as pontas das cúspides vestibulares dos dentes inferiores devem ocluir nas fossetas* centrais dos dentes superiores, e as cúspides linguais dos dentes superiores devem ocluir nas fossetas centrais dos dentes inferiores, sendo chamadas de cúspides de suporte ou de carga. As cúspides vestibulares dos dentes superiores e as linguais dos inferiores são chamadas cúspides de proteção ou de contenção. image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png