Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Nota Técnica de Apoio ao PARECER CNE/CP Nº: 50/2023 
 do GRUPO DE TRABALHO PSICOLOGIA ESCOLAR/EDUCACIONAL da Associação 
Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP) 
 
O Grupo de Trabalho de Psicologia Escolar e Educacional (GT-PEE), que faz parte da 
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação (ANPEPP) desde 1994, mais uma vez 
comprometido fortemente com a democracia brasileira, com a justiça social, a equidade e a garantia 
de direitos para todos, vem a público trazer seu manifesto favorável ao Parecer No. 50/2023 do 
Conselho Nacional de Educação (CNE), do Ministério da Educação (MEC), que trata das Orientações 
Específicas para o Público da Educação Especial: Atendimento de Estudantes com Transtorno do 
Espectro Autista (TEA). 
O objetivo do GT-PEE é desenvolver e consolidar a Psicologia Escolar como campo científico 
de produção de conhecimento, pesquisa e intervenção, caracterizada pela pluralidade, diversidade e 
complexidade. Há décadas, os pesquisadores que compõem o GT de Psicologia Escolar produzem e 
divulgam estudos, reflexões, teorias, práticas na interface entre Psicologia e Educação a partir de 
fundamentos e evidências científicas. 
Constatamos que o ponto de partida para a construção do Parecer No. 50/2023 foi a própria 
Constituição Federal de 1988, carta magna em que se firmou legalmente o compromisso do Estado 
em garantir a educação para todos, em igualdade de condições de acesso e permanência. Ao longo 
das últimas décadas, outros avanços nas políticas educacionais de inclusão seguiram historicamente 
e, na esteira do movimento mundial pela Educação Inclusiva, foram implementadas: a) a Política 
Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Brasil, 2008); b) a Lei No. 
12.764/2012 (Brasil, 2012), que assegura os direitos da pessoa autista; c) a Lei No. 13.146/2015 
(Brasil, 2015), conhecida como a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, com valor de 
emenda constitucional. São marcos políticos da história da educação inclusiva brasileira que 
objetivam fomentar o exercício dos direitos e liberdades das pessoas com deficiência, em condições 
de igualdade, e ratificam o paradigma da inclusão escolar como um direito assegurado pelo Estado a 
esses estudantes, da educação básica à educação superior, com atendimento às especificidades de 
cada aprendiz. 
As políticas educacionais de inclusão, pautadas no paradigma do modelo social da pessoa com 
deficiência, vêm ampliando mecanismos de permanência dos estudantes com necessidades 
específicas nas classes comuns, o que justifica o aumento significativo do número de matrículas de 
pessoas autistas nas escolas regulares de ensino no país. Este paradigma situa o conceito de 
deficiência como desdobramento da forma como a sociedade se organiza culturalmente para 
comportar a diversidade humana, e não uma alteração especificamente das características dos sujeitos 
atípicos. Desta compreensão, depreende-se que as limitações vivenciadas pelas pessoas autistas nas 
instituições educacionais não são originadas exclusivamente de suas particularidades 
comportamentais e/ou sensoriais, mas, sobretudo, pelas barreiras institucionais que se interpõem nas 
e pelas interações sociais em um contexto organizado para um desenvolvimento padrão e normativo. 
Em grande parte, considera-se que as diretrizes estabelecidas no Parecer No. 50/2023 já são 
aquelas encontradas nas legislações brasileiras e nos acordos estabelecidos em convenções 
internacionais. O Parecer estabelece orientações que visam o aprimoramento dos sistemas de ensino 
para o estudante autista, com ênfase no acesso, permanência, participação e aprendizagem efetiva 
para o desenvolvimento humano voltado a esse público. 
O transtorno do espectro autista (TEA) é considerado uma especificidade do 
neurodesenvolvimento caracterizado predominantemente por restrições na fala; dificuldades no 
contato visual; baixa reciprocidade emocional; padrões de comportamentos repetitivos; estereotipias 
motoras e vocais; e interesses fixos e restritos, o que traz desdobramentos às interações sociais entre 
pessoas com e sem autismo em diversos contextos, entre os quais, a escola. 
Estudos e tecnologias derivadas de pesquisas em ciência psicológica, da educação e outras 
voltadas ao estudante autista são sugeridas no Parecer No. 50/2023, com destaque à elaboração do 
PEI (Plano de Ensino Individualizado); implementação de tecnologias comportamentais e de ensino 
a partir de pesquisas decorridas de Práticas Baseadas em Evidências (PBE); formação continuada de 
professores, coordenadores, tutores e demais da equipe técnica da escola; entre outros. É importante 
destacar que as diretrizes do Parecer não compreendem orientações às escolas como uma 
transferência de saberes e teorias advindas da prática clínica para o contexto educacional, o que 
incorreria no risco de conduzir o apoio à escola ao fortalecimento da psicologização e biologização 
dos processos pedagógicos. Contrapondo a essa perspectiva, objetiva-se compreender os aspectos 
próprios das características de estudantes autistas, em seus diferentes níveis de suporte no espectro, 
além dos aspectos históricos, sociais, culturais e pedagógicos da escola que se materializam no dia a 
dia e que ainda são obstáculos ao processo da inclusão deste público. Trata-se de um projeto de 
sociedade em construção que tem como horizonte a escola democrática e inclusiva, o que requer 
mudanças estruturais no interior dos espaços educacionais para alcançar a população de estudantes 
com Transtorno do Espectro Autista. 
O Parecer No. 50/2023 fortalece a defesa do GT de Psicologia Escolar sobre a urgência de 
ações para a materialização da Lei Federal No. 13.935 de 2019, que trata da oferta de serviços em 
psicologia e serviço social nas escolas públicas do país. O acesso e a permanência dos estudantes 
autistas nas escolas já é uma realidade para a qual as escolas, de modo geral, têm encontrado 
dificuldades em conduzir o processo de educação inclusiva quando voltada para esse público. 
Proposições para a atuação do psicólogo escolar no processo de inclusão de estudantes da 
educação especial já foram apontadas por pesquisadores do GT de Psicologia Escolar e que ainda são 
pertinentes à realidade escolar na contemporaneidade. No cenário atual, defende-se que o psicólogo 
escolar deve estar ainda mais resistente aos tensionamentos diários de onde a maior parte das decisões 
pedagógicas estão subsidiadas pela lógica do capacitismo. Essa lógica ora subestima o potencial de 
aprendizagem dos estudantes com autismo, e os apartam das oportunidades de estarem na escola; ora 
(nas poucas histórias de êxito), supervaloriza o desempenho escolar na lógica da “reparação” daqueles 
que são excluídos historicamente, desconsiderando técnica e cientificamente as características 
complexas que culminam na qualidade da interação professor, alunos e agentes escolares auxiliares 
especialistas em cada tipo de deficiência. 
Por essas defesas e argumentos ora apresentados, e ancorados na luta anticapacitista do 
Conselho Federal de Psicologia, nós, do GT de Psicologia Escolar e Educacional, da Associação 
Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP), nos manifestamos favoráveis ao 
Parecer No. 50/2023 e conclamamos às autoridades para efetivas ações de implementação da Lei 
Federal No. 13.935/2019, para que psicólogos escolares estejam nas instituições educacionais para 
acompanhar a implementação de políticas institucionais que ampliem o processo de inclusão do 
estudante autista na escola regular de ensino. 
Sustentados pela autonomia crítica advinda do rigor científico, ético e político que guiam suas 
ações de docência e de pesquisa, os membros do GT- PEE tornam explícitos e públicos os incentivos 
à homologação do Parecer No. 50/2023 para a garantia de direito e do exercício da cidadania dos 
estudantes autistas. Defendemos, na Psicologia e na Educação, a dimensão democrática na 
construção,coletiva e relacional, de uma cultura solidária com os direitos humanos e a paz, que deve 
ser exercitada no diálogo com muitos e para muitos, pautado em princípios éticos de justiça, respeito, 
solidariedade, valorização da vida e da diversidade norteando a busca do bem comum. 
 
Grupo de Trabalho Psicologia Escolar e Educacional 
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia 
(ANPEPP)

Mais conteúdos dessa disciplina