Prévia do material em texto
Este e-book traz para você, cursista, os “Elementos Essenciais para Liderança e Gestão Escolar”. São 5 volumes: Ao longo desses fascículos, você fará uma viagem ao universo da liderança e gestão escolar, através de uma linguagem simples e de fácil compreensão. Esperamos que esta leitura o ajude no desempenho das atividades de gestão, assim como desperte em você a vontade de se tornar um líder cada vez melhor e mais inspirador, cuja atuação contribui efetivamente para a oferta de uma educação de qualidade social. Boa leitura! Tem uma larga experiência na Gestão Pública com 20 anos de atuação na área. Esteve à frente da Secretaria Executiva de Educação Integral e Profissional da Secretaria Estadual de Educação e Esportes (SEE) do Governo de Pernambuco durante os últimos 05 anos, liderando a universalização da Política Pública de Educação Integral no Estado. É Mestre em Gestão e Avaliação da Educação Pública pela Universidade Federal de Juiz de Fora - MG, Especialista em Gestão Pedagógica da Educação Profissional e Tecnológica pelo IFPE, Especialista em Microbiologia Aplicada pela UFRPE, Licenciada em Biologia pela UPE. Educadora, Mentora e Palestrante, com passagem por dezenas de municípios em Pernambuco, nos estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Goiás, também, atua como Consultora Pedagógica no Instituto Sonho Grande e Tutora no Programa de Residência em Gestão Pública da Vetor Brasil. É professor da rede estadual de Pernambuco há 15 anos, tendo atuado durante 8 anos como gestor escolar em 4 escolas de diferentes regiões do estado. Desde 2021 atua no âmbito da Secretaria de Educação e Esportes do estado, com experiência na gestão das Escolas Integrais de 45h e atualmente responde pela Superintendência de Políticas Educacionais de Formação de Professores e Inovação Pedagógica. Doutorando em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco, com pesquisa sobre políticas educacionais voltadas para a Gestão Escolar. P a u lo B ru n o J. F .d e B ri to M a ri a M e d e ir o s Mestre e doutora em Engenharia de Sistemas e Computação pela COPPE/UFRJ (1992,1997), com desenvolvimento de parte da tese de doutorado na Université de Montréal e PCLS na Harvard Business School (2012). Pós-Graduada em Sistemas de Informação pelo JICA (Japan Internacional Cooperation Agency), Okinawa, Japão (1989). Coordena programas de educação para o empreendedorismo, tais como a Especialização Lato Sensu Formação de Professores em Empreendedorismo e Gestão para o Ensino Médio (FOREMP) e Empreende Jovem Fluminense. Foi coordenadora do programa de gestão e liderança escolar MBA Gestão Empreendedora – Educação (2012-2018). É pesquisadora nas áreas de empreendedorismo e gestão educacional, tendo publicado artigos em periódicos de alto impacto. Seus interesses se estendem ao tema da educação para o empreendedorismo, do empreendedorismo social, da liderança, bem como às questões relacionadas às tecnologias educacionais, entre elas a EAD e os recursos educacionais abertos (REA). Coordenou, entre outros, o Projeto OportUnidad no Brasil (2013-2014), financiado pela European Comission (EC) . É docente do Mestrado Profissional em Administração (UFF/Volta Redonda) e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Gestão e Empreendedorismo, PPGE/UFF. Professora Visitante da Melbourne Graduate School of Education, University of Melbourne (2019). S a n d ra R .H .M a ri a n o ISBN 978-65-87875-39-2 1.Compreender os desafios de gerir a escola e liderar a equipe. 2.Identificar as competências técnicas e comportamentais essenciais do líder escolar. 3. Realizar uma autoavaliação de competências para liderança. 4.Conhecer os conceitos centrais sobre o aprendizado ao longo da vida. Objetivos de aprendizagem: O jogo de futebol está prestes a começar. Os dois times já estão posicionados em campo para o início da partida e cada jogador toma o seu lugar no gramado. O esquema tático foi montado pelo treinador e os jogadores se organizam dentro do campo de acordo com suas atribuições: goleiro, zagueiros, laterais, volantes, meias, ponta e centroavante. Apesar de ocuparem diferentes posições, todos são atletas, vestem a mesma camisa e pertencem a um time. Ah... e compartilham um objetivo em comum: alcançar a vitória. Nós que somos expectadores atentos, logo percebemos que um dos jogadores tem uma faixa presa ao braço. Trata-se da braçadeira de capitão. Ele é o líder da equipe. Independentemente da posição que irá jogar a partida, os companheiros sabem que podem contar com alguém que é uma referência. Ninguém se constitui um líder do dia para a noite. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s Seja pela maturidade, pela experiência técnica, pela capacidade de engajar pessoas ou pelo equilíbrio emocional, o fato é que o capitão do time demonstrou um conjunto de conhecimentos e habilidades que o fez conquistar o respeito do time, a validação e o apoio dos superiores e o reconhecimento das pessoas. 07 Pensando na escola como um time que entra em campo para vencer o jogo, que nessa metáfora significa alcançar a aprendizagem dos estudantes e da sua formação integral para a vida, faz sentido que além das definições das atribuições e responsabilidades de cada integrante do grupo, haja uma liderança competente, comprometida e capaz de inspirar pessoas pela força do exemplo. Conceitos como autonomia, descentralização, avaliação em larga escala, indicadores educacionais e responsabilização fazem, cada vez mais, parte do cotidiano da gestão escolar no Brasil. Com isso, é imperativo repensarmos a atuação do gestor escolar como a liderança da escola, definindo a necessidade de novos aprendizados administrativos e pedagógicos, bem como ratificando a importância de refletirmos sobre o papel desta liderança e do perfil das competências que precisam ser desenvolvidas para desempenhar bem esta função. Neste curso sobre Liderança e Gestão Escolar pretendemos adotar uma perspectiva que se conecte com a vida real de quem assumiu o desafio de gerir uma unidade de ensino. Não seremos prescritivos, nem tão pouco temos a intenção de apresentar receitas infalíveis. Pensando na equipe da escola como um time, abordaremos o desafio de gerir a escola e liderar essa equipe. Para isso, vamos tratar das competências técnicas e comportamentais essenciais para o gestor escolar atuar como líder e da importância do pilar do aprender a aprender como âncora para o seu desenvolvimento ao longo da vida. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s Nossa experiência profissional demonstrou que a missão de liderar uma unidade de ensino exige um olhar amplo para as questões administrativas, 08 financeiras e pedagógicas. No entanto, é imprescindível cuidar das pessoas. Conectar-se com todos que fazem parte do complexo ecossistema escolar entendendo suas demandas e necessidades. As escolas, em especial aquelas que oferecem educação pública, apresentam situações complexas, em que é preciso garantir o seu caráter democrático e, ao mesmo tempo, atender as exigências burocráticas próprias de uma organização pública. Desta forma, fazer a gestão escolar em escolas públicas é um desafio. A este respeito Souza (2012, p.164) pontua: A escola, com as suas diferentes formas de organização e gestão, parece estar para além de uma organização estritamente burocrática. Ela está entre o caos ou o casuísmo e a extrema racionalidade ou organização burocrática, isto é, tem-se a escola como uma instituição que está organizada com base nesses dois amplos aspectos, que por vezes se apresentam como antagônicos, mas que por vezes também convivem no mesmo estabelecimento. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s No Brasil, a expressão gestão escolar começou a ganhar evidência no final da década de 80 disseminou-se durante a década de 90 com a LDBEN 9.394/96, que que enfatizou a gestão democrática e a necessidade de construçãocoletiva do Projeto Político Pedagógico da escola através da participação de diferentes segmentos. Segundo Schneckenberg (2000), o modelo de gestão escolar democrática vem norteando o trabalho dos gestores educacionais no Brasil, de maneira que se preocupem com a qualidade da aprendizagem dos estudantes, conhecendo a sua realidade, engendrando os enfrentamentos necessários para vencer os desafios do dia a dia escolar. Assim, observa-se que esta tarefa exigirá dos gestores a capacidade de promover o envolvimento de todo grupo social no sentido de unir esforços para atingir os objetivos de garantir a aprendizagem e a formação cidadã. Assim sendo, para além das questões administrativo- financeiras, é fundamental que os gestores escolares estejam também preparados para lidar com as práticas pedagógicas adotadas na escola, seu monitoramento e avaliação; com todas as implicações para a gestão de pessoas; e ainda, preocuparem-se com o clima escolar das instituições, já que todas estas questões têm implicações diretas e afetam sobremaneira o trabalho a ser realizado. Segundo Paro (2010) há uma contradição que consiste em se ter nas escolas diretores cujas atribuições e atuações práticas foram concebidas para um papel meramente administrativo, sem reflexão sobre a característica política de seu cargo, diante de um ofício que, por estar vinculado à promoção da educação, é por excelência uma ação democrática. Além disso, a liderança voltada para a aprendizagem tem se tornado um aspecto central de uma gestão escolar bem sucedida. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s 09 Espera-se, portanto, que o gestor da escola pública desenvolva as competências necessárias para articular novos conhecimentos, habilidades e atitudes com sua vivência cotidiana para construir práticas escolares coletivas em prol da aprendizagem do estudantes. 10 DESAFIOS DE GERIR A ESCOLA E A EQUIPE Você já parou para observar quão complexos estão os dias atuais? As coisas ao nosso redor mudam em uma velocidade sem precedentes. O que hoje tomamos como verdade amanhã pode ser colocado em “xeque”. Mas não só as coisas mudam, as pessoas e pensamentos mudam e se transformam igualmente, Será que você está preparado para esse mundo em constante transformação? Já viu como a escola mudou? Como as pessoas mudaram? Como seus comportamentos estão diferentes de alguns anos atrás? E não precisamos ir muito distante cronologicamente, basta lembrarmos quem eram nossos estudantes, professores, equipe gestora e funcionários antes da pandemia. Nossa! Enfrentamos tantos e tantos desafios naquele momento que hoje pensamos e agimos diferente! Seja nas nossas práticas rotineiras de trabalho, seja no perfil e comportamento C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s DIFERENCIANDO OS CONCEITOS DE LIDERANÇA E GESTÃO O professor Tony Bush, um experiente pesquisador da Universidade de Nottingham, afirma o seguinte: "Há mais de uma década, indaguei se a alteração de liderança para gestão era simplesmente semântica ou se assinalava uma alteração mais radical no modo de operação de escolas e outras organizações (Bush, 2008). Essa indagação permanece em aberto, visto que as definições dessas duas abordagens se sobrepõem, causando confusão e incerteza. Segundo Heck e Hallinger, elas diferem quanto à manutenção e à mudança: Gestão e administração indicam processos gerenciais que mantêm o equilíbrio das organizações, como planejamento, organização, coordenação e controle. Liderança indica funções relacionadas à mudança, como estabelecer uma visão e metas para a escola, além de motivar suas partes a avançar em direção à realização delas. Esta distinção se tornou mais evidente [...] enquanto elementos da responsabilização das escolas (Heck; Hallinger, 2005, p. 240). dos estudantes, seja na condução das aulas pelos professores e daí por diante. Vamos falar um pouquinho mais sobre os desafios enfrentados na escola! Em primeiro lugar, precisamos compreender que a escola é um espaço formado por PESSOAS e nele são refletidas as transformações vivenciadas pela sociedade como um todo. Mas afinal, quais são as principais transformações vividas pela escola que impactam diretamente o comportamento de seus integrantes? C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s 1. Adaptação às novas tecnologias - Já observou como o mundo vem se comportando tecnologicamente? Até mesmo para adotar uma aprendizagem mais significativa, as escolas precisam incorporar novas tecnologias em seus currículos e em sua infraestrutura com o objetivo de proporcionar aos estudantes uma educação atualizada e prepará-los para o mundo digital. 2. Inclusão e diversidade - Você deve concordar comigo que precisamos estimular na escola um ambiente de convivência saudável. A escola precisa ser um espaço inclusivo e acolhedor para todos independente de raça, gênero, etnia, religião ou orientação sexual, entre outros. 3. Preparação para o mercado de trabalho - A escola deve proporcionar uma educação que prepare os estudantes para enfrentar os desafios do mercado de trabalho, oferecendo cursos de formação profissional e habilidades que possam ser aplicadas no mundo do trabalho. Precisamos preparar nossos estudantes para os desafios do mundo do trabalho que incluam o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e técnicas. Assista a uma videoaula sobre os Elementos de Liderança, segundo Tony Bush. 11 C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s 5. Adequação do currículo - O currículo deve ser contextualizado e atual, para que os estudantes possam ter uma educação significativa e relevante para a sua vida e para o mundo em que vivem. 6. Gestão de recursos financeiros - As escolas precisam gerenciar seus recursos financeiros com eficiência, para que possam oferecer uma educação de qualidade sem comprometer sua estabilidade financeira. E quando se trata da esfera pública, esse desafio é ainda mais importante, não é mesmo? 4. Formação de cidadãos críticos e responsáveis - A escola deve proporcionar uma 12 educação que desenvolva nos estudantes habilidades críticas e cívicas, para que possam se tornar cidadãos responsáveis e contribuir para a sociedade. Agora que já entendemos a complexidade e os desafios contemporâneos da sociedade, pense em você como gestor e líder de uma escola. Esse é o espaço de formação e transformação que você está conduzindo. Você já deve ter percebido que as transformações que mencionamos trazem novos desafios à gestão? Pois bem. A escola necessita de uma liderança capaz de conduzir de forma eficiente e eficaz as pessoas e os processos frente às constantes mudanças. E como é difícil mudar, não é mesmo? Você já sabe quais os principais obstáculos para a mudança, verdade? Então, a mudança só se realiza com as pessoas, e por seu intermédio, pois são elas que mudam a cultura da organização. Mas afinal de contas, qual o papel do(a) líder da escola? Antes de tudo, é importante compreendermos o conceito de líder. Você sabe qual o papel de um líder? Será que é a mesma coisa de um chefe? Para compreendermos o conceito e as funções desses dois papéis, peço que leia a seguinte história (Cuidado, talvez seja tão próximo a você esse exemplo que você confunda a ficção com a realidade!): “ Existia uma escola que estava passando por uma grande crise interna. O diretor, Sr. José, era um chefe autoritário que governava a escola com mãos de ferro. Ele impunha regras rígidas e punia os estudantes com severidade, sem se importar com as necessidades individuais de cada um. Um dia, a escola recebeu um novo diretor, Sr. Pedro, que era conhecido por ser um líder carismático e inspirador. Ele sabia que a escola precisava de mudanças e estava determinado a transformá-la em um lugar melhor para os estudantes. Ao chegar na escola, Sr. Pedro se reuniu com a equipe docente e perguntou quais eram os problemas mais urgentes que precisavamser resolvidos. Ele ouviu atentamente as opiniões dos professores e, em seguida, convocou uma reunião com os estudantes para saber o que eles pensavam. Na reunião com os estudantes, o Sr. Pedro deixou claro que estava ali para ouvir e ajudar a escola a se tornar um lugar melhor para todos. Ele explicou que queria trabalhar com eles para melhorar as condições da escola e para que todos pudessem ter um ambiente de aprendizado mais acolhedor e justo. Os estudantes ficaram animados com a abordagem de Sr. Pedro e começaram a compartilhar suas ideias e preocupações. Com a ajuda do diretor, eles formaram um conselho estudantil que passou a discutir soluções para os problemas enfrentados pela escola. 13 C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s Sr. José, o antigo diretor, olhava para tudo isso com desdém. Ele acreditava que os estudantes não tinham capacidade para decidir o que era melhor para a escola e que a liderança devia vir de cima para baixo. Mas a abordagem doSr. Pedro estava começando a mostrar resultados. Com o tempo, a escola começou a se transformar. Os estudantes se tornaram mais engajados e motivados, e os professores começaram a trabalhar mais em equipe para melhorar a qualidade do ensino. As relações interpessoais melhoraram e a escola se tornou um lugar mais agradável para se estar. Em poucos meses, a escola se tornou um modelo de escola para a região. Sr. Pedro se tornou um exemplo de liderança inspiradora e os estudantes, professores e funcionários da escola se uniram em torno de um objetivo comum: tornar a escola um lugar melhor para todos, unidos em busca de aprender mais e melhor. A diferença entre Sr. José e Sr. Pedro era clara. O primeiro era um chefe autoritário que impunha suas regras e não se importava com as necessidades individuais dos estudantes, e muitas vezes não dava a merecida atenção ao processos de ensino-aprendizagem. O segundo, por sua vez, era um líder carismático e inspirador, que ouvia as opiniões dos outros e trabalhava em equipe para alcançar objetivos comuns., entre eles garantir aos estudantes o direito à aprendizagem. 14 C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s Essa história mostra que a liderança é uma habilidade essencial para qualquer pessoa que queira inspirar mudanças positivas e alcançar sucesso em longo prazo. Com ela, também é possível compreender facilmente a diferença entre chefia e liderança. Agora, vamos representar essa diferença com a seguinte imagem: Você consegue compreender que o gestor da escola, precisa, portanto, frente aos desafios e transformações da atualidade, exercer uma postura de liderança? Ele deve ser alguém que engaje todas as pessoas da escola. Observe que nesse caso estamos falando de TODOS que compõem a comunidade escolar. A pessoa que desempenha o papel de líder influencia o comportamento de outras pessoas. A liderança se estabelece por meio de uma relação de influência. Assim, podemos dizer que: C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s ● Alguém tem liderança quando é capaz de influenciar o comportamento de outros; ●A liderança ocorre quando líderes influenciam pessoas a realizar certos objetivos que representam os valores e as motivações tanto dos líderes como das pessoas que formam o time; ●Liderança é o uso da influência não coercitiva para dirigir as atividades dos membros de um grupo e levá-los à realização de seus próprios objetivos. 15 Diante disso, peço que você reflita sobre a escola em que trabalha e seu papel enquanto líder escolar: você consegue identificar outras pessoas que também exercem liderança? Como você se vê na escola? Seu comportamento se aproxima mais do conceito de liderança ou chefia? Como será que os demais integrantes da comunidade escolar enxergam você e os demais integrantes da equipe gestora? 16 Mesmo que o(a) diretor(a) seja democrático(a) em suas práticas de gestão, é ele ou ela quem responde pelos resultados da escolas, sejam positivos ou negativos. Assim, é preciso gerir da melhor forma os recursos à sua disposição, sejam eles físicos, financeiros ou humanos a fim de atingir os resultados pretendidos. Desta forma, para o alcance dos objetivos traçados, que nesse caso, dizem respeito a um bom resultado escolar, o líder, para exercer uma boa gestão escolar, deverá desenvolver competências que elevem a sua efetividade. Se você acha que os líderes já nasceram feitos, você está enganado. Qualquer um de nós pode desenvolver competências que nos auxiliem na missão de liderar uma escola. COMPETÊNCIAS TÉCNICAS E COMPORTAMENTAIS ESSENCIAIS DO LÍDER ESCOLAR Agora que compreendemos o que é a liderança e sua importância no contexto da gestão escolar na atualidade, é preciso que os gestores escolares desenvolvam competências de liderança que sejam capazes de enfrentar os desafios do novo século. Mas, quais são elas? Aos líderes escolares são requisitadas não só competências técnicas para resolução de problemas técnico-administrativos e/ou pedagógicos, mas, sobretudo, habilidades para conduzir e liderar pessoas para o atingimento dos objetivos da escola. E se estamos falando em escola, o estudante e seu processo de desenvolvimento e aprendizagem devem ser o centro de todos os objetivos organizacionais. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou, em 11 de maio de 2021, a matriz de competências para o diretor escolar. A matriz, que aguarda homologação pelo Ministério da Educação, foi estruturada em quatro dimensões formadas por um conjunto de competências com as atribuições, práticas e ações esperadas por um gestor escolar. São elas: A dimensão político-institucional diz respeito ao engajamento com a comunidade, implementação e coordenação da gestão democrática na escola e a organização escolar considerando o aspecto sistêmico organizacional. Desta forma, podemos dizer que as competências inerentes à atividade de gestão sob a tutela do líder e/ou diretor escolar são: LIDERAR A GESTÃO DA ESCOLA Essa competência trata sobre a capacidade de liderar a equipe gestora, orientando os princípios e valores da escola. Gerir de forma democrática exercendo uma liderança colaborativa, envolvendo a equipe escolar para que atue de forma eficiente e adequada. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s Dimensão Político- Institucionais Dimensão Pedagógica Dimensão Administrativo-Financeira Dimensão Pessoal e Relacional Importante dizer que a dimensão administrativo- financeira exige mais fortemente competências gerenciais. Enquanto a dimensão pessoal e relacional exige o desenvolvimento de competências socioemocionais. Vamos compreender melhor cada dimensão e suas competências. 17 Isto é, favorecendo a qualidade do ambiente de aprendizagem para que seja eficaz e seguro. Isso inclui a delegação apropriada de tarefas aos membros da equipe, o acompanhamento das responsabilidades partilhadas e apoio à execução. IMPLEMENTAR E COORDENAR A GESTÃO DEMOCRÁTICA NA ESCOLA 18 O gestor escolar deve liderar a escola em consonância com as diretrizes da legislação nacional e com as normas do sistema/rede de ensino a que pertence. Deve garantir a participação dos profissionais da escola, da comunidade e do Conselho Escolar na elaboração do Projeto Político Pedagógico. Para tanto, deve garantir o acesso às informações sobre as atividades e desafios da escola para as pessoas que nela trabalham, estudam ou têm filhos matriculados. Como também compartilhar a tomada de decisões que envolvam o Projeto Político Pedagógico da escola. ENGAJAR A COMUNIDADE A liderança escolar deverá compreender o perfil socioeconômico, político e cultural de sua comunidade acadêmica, garantindo o envolvimento da comunidade no cotidiano da escola. Para tanto, faz-se necessário o incentivo e a convivência com as famílias e comunidade local, por meio de ações que promovam o fortalecimento de vínculos. O apoioà criação e desenvolvimento de colegiados que envolvam a comunidade como o Conselho de Classe buscando engajá-los no planejamento e acompanhamento das atividades escolares. DESENVOLVER VISÃO SISTÊMICA E ESTRATÉGICA O gestor escolar deve ser capaz de pensar a escola de forma sistêmica, considerando todos os seus elementos e relações. Ele deve ser capaz de identificar tendências e aspectos-chave do contexto educacional, para antecipar possíveis implicações e desenvolver estratégias e soluções eficazes. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s PELA ORGANIZAÇÃORESPONSABILIZAR-SE ESCOLAR Cabe ao gestor escolar a responsabilidade pela escola, garantindo as condições de funcionamento adequado à sua função social. Assim, é pertinente implementar estratégias de monitoramento de frequência e permanência dos estudantes, cumprir e fazer cumprir o regimento escolar e o calendário escolar. Deve elaborar relatórios e registros atualizados sobre a memória da escola e ações realizadas. CONDUZIR O PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO Cabe ao gestor escolar a condução da elaboração da proposta pedagógica de forma colaborativa, estratégias de aprendizado e acompanhamento e do desenvolvimento contemplando avaliação do integral dos estudantes, tendo como base o compromisso de todos com a aprendizagem. Para tanto, faz-se necessário propor um calendário de reuniões pedagógicas, mobilizando todos em direção à participação e ao compartilhamento de objetivos e responsabilidades. FOCALIZAR SEU TRABALHO NO COMPROMISSO COM O ENSINO E A APRENDIZAGEM O gestor escolar tem responsabilidade no desenvolvimento de uma cultura de ensino e aprendizagem eficaz e eficiente. Cabe a ele, portanto, liderar, coordenar e conduzir o trabalho coletivo e colaborativo para garantir a qualidade do ensino e da aprendizagem dos estudantes em todos os aspectos de seu desenvolvimento. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s A dimensão pedagógica diz respeito ao compromisso do diretor escolar com o processo de ensino e aprendizagem. Desta forma, podemos dizer que as competências inerentes à atividade de gestão pedagógica são as seguintes: 19 Desta forma, faz-se necessário o incentivo às práticas pedagógicas que promovam a melhoria da aprendizagem, identificando os fatores internos e externos à escola que afetam e influenciam a aprendizagem dos estudantes, o conhecimento da Base Nacional Comum Curricular e o currículo construído a partir dela. 20 COORDENAR A GESTÃO CURRICULAR E OS MÉTODOS DE APRENDIZAGEM E AVALIAÇÃO O gestor Escolar e a equipe técnico-pedagógica devem coordenar a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e dos programas de estudos e monitorar a aprendizagem dos estudantes. Esse aspecto da gestão pedagógica da escola deve buscar coordenar a equipe técnico-pedagógica para definir as diretrizes pedagógicas comuns e a estratégia de implementação efetiva do currículo em colaboração com o corpo docente, considerando as metodologias de ensino e formas de avaliação para promover a aprendizagem. APOIAR AS PESSOAS DIRETAMENTE ENVOLVIDAS NO ENSINO E NA APRENDIZAGEM O gestor escolar deve garantir apoio e formação continuada para os professores e empenhar-se na busca de condições adequadas para o ensino e a aprendizagem. Cabe ao gestor escolar estimular a avaliação contínua das atividades docentes e de suas eventuais necessidades de formação. É importante, nesse contexto, buscar garantir o atendimento aos estudantes com necessidades especiais e o incentivo para o desenvolvimento do projeto de vida dos estudantes. PROMOVER CLIMA PROPÍCIO AO DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL O gestor escolar deve garantir um ambiente escolar que respeite as diferenças, seja acolhedor e positivo, e esteja fundamentado em valores democráticos. Esse ambiente é essencial para a aprendizagem, o desenvolvimento e o bem-estar dos estudantes, contribuindo para reduzir as desigualdades educacionais. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s A dimensão administrativo-financeira diz respeito ao compromisso firmado pelo gestor escolar na coordenação das atividades administrativas, pela gestão do patrimônio, pelos espaços, pelos recursos financeiros e pelas equipes da escola. As competências desta dimensão são as seguintes: COORDENAR AS ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS O gestor escolar é responsável pelo cumprimento dos dispositivos legais estabelecidos pelo sistema de ensino que integra. Tais dispositivos dizem respeito à vida escolar dos estudantes, emissão de declarações, ofícios e outros documentos. É papel do diretor escolar pela atualização, expedição, legalidade e autenticidade dos documentos da escola. Utilizar as novas tecnologias de informação e comunicação é também uma competência importante para a boa gestão escolar. ZELAR PELO PATRIMÔNIO E PELOS ESPAÇOS FÍSICOS O gestor escolar deve se responsabilizar pela manutenção e conservação do espaço físico, pela segurança do patrimônio escolar e pela manutenção atualizada do tombamento dos bens públicos de sua escola. Para tanto, faz-se necessário uma coordenação que garanta uma utilização adequada dos ambientes e patrimônios da escola, com a elaboração de orientações sobre o uso dos espaços e a elaboração de um plano de segurança patrimonial. COORDENAR AS EQUIPES DE TRABALHO Ao gestor escolar cabe organizar, acompanhar e conduzir o trabalho da escola, priorizando as necessidades dos estudantes e promovendo o desenvolvimento profissional e a motivação da equipe. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s 21 GERIR OS RECURSOS FINANCEIROS DA ESCOLA É de responsabilidade do gestor escolar a administração financeira e a prestação de contas dos recursos materiais e financeiros recebidos. Assim, deve-se incentivar a participação da comunidade, na indicação de elementos que possam tornar o plano de aplicação de recursos financeiros consistente com os anseios da comunidade e do Projeto Político- Pedagógico da escola. Para tanto, é importante conhecer e cumprir a legislação e normas referentes à prestação de contas dos recursos financeiros da escola, monitorando de forma adequada as despesas e seus registros. É necessário também elaborar, junto com o Conselho Escolar, planos de aplicação dos recursos financeiros e prestação de contas, que deverão ser divulgados à comunidade escolar. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s Essa dimensão trata, especialmente, do 22 desenvolvimento das competências inter e intrapessoais necessárias a um bom líder. Observe que algumas destas competências podem ser qualificadas como de caráter socioemocional. Assim, o gestor escolar deverá promover um ambiente com bons relacionamentos para uma efetiva colaboração entre os membros da comunidade escolar. O respeito e a confiança deverão prevalecer tendo como base o comportamento ético e justo. Desta forma, podemos dizer que as competências para o bom exercício da dimensão pessoal e relacional são as seguintes: CUIDAR E APOIAR AS PESSOAS 23 O gestor escolar deve construir um ambiente escolar de respeito e confiança comportando-se de forma ética e promovendo relacionamentos positivos com base na colaboração efetiva entre os membros da comunidade escolar, que inclui, entre outros atores, as instituições de apoio de proteção à criança e ao adolescente. Inspirar confiança, pela capacidade de ser profissionalmente imparcial, justo e respeitoso, promovendo uma convivência escolar justa e solidária. COMPROMETER-SE COM O SEU DESENVOLVIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL O gestor escolar deve buscar ampliar e atualizar seus conhecimentos gerais e especialmente sobre a educação, a escola, seus sujeitos e processos. Deve privilegiar também o seu próprio desenvolvimento pessoal e de toda a equipe escolar através de qualificação profissional e outros meios adequados de aprendizagem. SABER COMUNICAR-SE E LIDAR COM CONFLITOS O gestorescolar deve buscar sempre a melhor forma de se expressar. Busca compreender a origem dos problemas e conflitos. Deve mediar a construção de soluções alternativas, em diálogo com todas as partes interessadas, mostrando capacidade de escuta ativa e argumentação. Para tanto, deve utilizar formas de comunicação claras e eficazes com todos, articulando argumentos conectados ao contexto e consistentes com sua responsabilidade à frente da escola. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s ● Autoavaliação de competências para liderança 24 Agora que já vimos e compreendemos o conjunto de competências necessárias ao exercício eficaz do cargo de diretor escolar, que envolvem competências, habilidades e atitudes, de caráter técnico e comportamental, você já pensou em analisar suas competências para liderança e gestão escolar? Pois bem, chegou a hora! Não é um processo difícil, porém requer muita honestidade e vontade de mudar para se tornar um profissional melhor. E aí, você está disposto a fazer essa autoanálise? Para nos desenvolvermos como pessoas e como profissionais, é fundamental nos conhecermos (autoconhecimento) e nos autoavaliarmos (autoavaliação). Esse processo exige coragem e determinação, pois mudar não é tarefa fácil. É a partir do autoconhecimento que podemos lidar com nossas emoções, melhorando a qualidade das relações interpessoais. Observe, contudo, que esse é um processo contínuo, que requer de nós a capacidade de nos autoavaliarmos e promovermos mudanças ao longo da vida. Isso faz parte do relacionar-se, do conviver, do viver. Assim, se você compreendeu a importância dessa autoavaliação, que tal colocá-la em prática? A autoavaliação de competências é um processo importante para que você identifique os seus prontos fortes e as oportunidades de desenvolvimento. Este é um primeiro passo no longo caminho de desenvolvimento para se tornar um profissional mais completo e preparado para enfrentar os desafios da atualidade. Segue abaixo um exemplo de como realizar uma autoavaliação de competências: C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s se você precisa melhorar sua habilidade em monitoramento de resultados escolares, pode considerar a possibilidade de inscrever-se em cursos de estatística ou análise de dados. 25 6) Identifique recursos disponíveis para ajudar no seu desenvolvimento. Por exemplo, se a sua rede de ensino oferece programas de treinamento, verifique se há algum relacionado às competências que você precisa desenvolver. 7) Defina prazos e metas para aprimorar suas competências. Por exemplo, você pode definir que quer melhorar sua habilidade em análise de dados em um período de três meses, buscando alcançar uma avaliação de 4 ou 5. Você pode estar se perguntando: mas afinal quais as competências exigidas por um diretor escolar? Essa resposta está justamente nas dimensões que apresentamos neste capítulo e resumimos a seguir. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s 1) Identifique as competências-chave para a sua área de atuação apresentadas na matriz de competências do diretor escolar. 2) Para cada competência identificada, avalie o seu nível de habilidade atual. Use uma escala de 1 a 5, sendo 1 para nenhuma habilidade e 5 para habilidade excelente. 3) Identifique as competências que você considera como pontos fortes. Por exemplo, se você avaliou sua habilidade em saber se comunicar e lidar como conflitos como 4 ou 5, considere isso um ponto forte. 4)Identifique as competências que você precisa desenvolver. Por exemplo, se você avaliou sua habilidade em análise de dados como 2 ou 3, considere isso uma oportunidade de desenvolvimento. 5)Crie um plano de ação para desenvolver as competências que você precisa melhorar. Por exemplo, C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s Fonte: CNE. Base Nacional Comum de Competências do Diretor Escolar (BNC- Diretor Escolar). Parecer nº04, de 11 de maio de 2021. Relator Mozart Neves Ramos. 26 Lembre-se de que a autoavaliação de competências é um processo contínuo. É importante realizar essa avaliação regularmente, para que você possa acompanhar seu desenvolvimento profissional e identificar novas oportunidades de crescimento. ● Aprendizado ao longo da vida - LIFELONG LEARNING 27 Acredito que você já compreendeu que o processo de conhecimento e de transformação humana é contínuo, não é mesmo? Imagina se hoje você tivesse resistência com as novas tecnologias? Observe que você ficaria para trás, concorda? Imagine se você, frente aos grandes desafios aos quais vivemos durante a pandemia, tivesse se recusado a continuar a aderir às novas tecnologias para trabalhar, para se alimentar, para viver? Os colegas de trabalho e todas as pessoas que aderiram ao novo contexto foram capazes de seguir, aprendendo e desenvolvendo suas competências e habilidades. Garanto que parte dos conhecimentos adquiridos naquele momento são de extrema importância hoje. Muitos aspectos foram incorporados às suas práticas de trabalho e de vida. Assim, como vivemos em constante evolução, faz-se necessário que nos adaptemos ao novo para nosso próprio crescimento. O processo de conhecimento é permanente e constante. Um conceito da atualidade que enfatiza a importância da aprendizagem contínua se chama Lifelong learning. Lifelong learning é um termo em inglês que pode ser traduzido como "aprendizado ao longo da vida". O conceito refere-se à importância da aprendizagem contínua e do desenvolvimento pessoal e profissional em todas as fases da vida. Se você pensa que a etapa de apreensão de conhecimento se dá apenas na escola e faculdade, aí você está enganado! Aprendemos e nos desenvolvemos ao longo de nossas vidas, seja através dos conhecimentos formais, seja através dos conhecimentos do dia a dia, no relacionar-se, na partilha, na troca, no viver. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s Nunca é cedo ou tarde para aprendermos e crescermos como pessoas ou como profissionais. Desta forma, o conceito de lifelong learning reconhece que o aprendizado não deve ser limitado apenas à educação formal, como escola e universidade, mas também deve ser uma prática constante ao longo da vida, com o objetivo de melhorar habilidades, conhecimentos e competências em várias áreas. 28 Isso pode incluir, por exemplo, a busca de cursos de atualização, treinamentos e workshops, a leitura de livros, a participação em eventos, palestras e conferências, o desenvolvimento de habilidades práticas e a experimentação de novas atividades. E sabe qual a importância dessa necessidade de aprendizado contínuo? Basta você observar o mundo em que vivemos. Ele apresenta-se em constante mudança, onde novas tecnologias, práticas e habilidades emergem continuamente. Com a prática constante do lifelong learning, as pessoas podem se manter atualizadas e preparadas para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e da vida. No entanto, você pode estar se perguntando: “Mas o que isso tem a ver comigo, com o meu papel enquanto gestor escolar? Afinal de contas, essa é uma decisão pessoal”. Pois é. Concordo com você. Porém, precisamos estimular esse aprendizado contínuo em nossas vidas e na vida dos que participam de nossa rotina. E nesse caso, estamos falando do ambiente escolar! Será que você vem contribuindo para o desenvolvimento de sua equipe? Esse estímulo contribuirá para o alcance dos objetivos propostos pela gestão. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s Um exemplo de lifelong learning no contexto da escola pode ser a implementação de um programa de desenvolvimento profissional contínuo para os professores. Esse programa oferece oportunidades de aprendizado ao longo da carreira para os educadores, permitindo que eles atualizem constantemente seus conhecimentos e habilidades. Nesse programa, os professores têm acesso a uma variedade de atividades de aprendizagem, como cursos,workshops, palestras, grupos de estudo e mentorias. Essas atividades abordariam tópicos relevantes, como novas metodologias de ensino, tecnologias educacionais, desenvolvimento socioemocional dos estudantes, inclusão educacional, entre outros. Os professores têm flexibilidade para escolher as atividades que melhor se adequem aos seus interesses e necessidades, permitindo que personalizem sua jornada de aprendizagem contínua. Além disso, o programa pode oferecer incentivos, como créditos para progressão na carreira ou reconhecimento por meio de certificados ou diplomas, para motivar os professores a participarem ativamente. Esse programa de desenvolvimento profissional contínuo proporciona aos professores a oportunidade de se manterem atualizados sobre as melhores práticas educacionais e as últimas pesquisas na área. Dessa forma, eles poderiam aplicar novos conhecimentos e abordagens em suas salas de aula, beneficiando diretamente os estudantes. Ao adotar o conceito de lifelong learning para os professores, a escola estará enfatizando a importância do aprendizado contínuo não apenas para os estudantes, mas também para os educadores. Essa abordagem contribuiria para a melhoria da qualidade do ensino e para a formação de professores mais capacitados e engajados, que estão constantemente se aprimorando em busca de oferecer uma educação de excelência. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s 29 Enfatiza a importância da aprendizagem contínua em todas as fases da vida. Isso significa que as pessoas têm a capacidade de adquirir novos conhecimentos, habilidades e competências ao longo de sua vida, independentemente da idade. 30 DESENVOLVIMENTO HOLÍSTICO: Reconhece que o crescimento e o aprendizado não estão limitados apenas à esfera acadêmica ou profissional, mas também incluem aspectos sociais, emocionais e pessoais. Isso significa que o desenvolvimento ocorre em múltiplas áreas da vida e abrange aspectos cognitivos, físicos, sociais e emocionais. APRENDIZAGEM CONTÍNUA: TRANSIÇÕES E MUDANÇAS: Reconhece que as pessoas passam por várias transições e mudanças ao longo de suas vidas, como mudança de carreira, casamento, paternidade, aposentadoria, entre outras. Essas transições são vistas como oportunidades de crescimento e aprendizado, que podem levar a novas experiências e perspectivas. CONTEXTUALIZAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO: Considera o papel do contexto e do ambiente em que as pessoas estão inseridas. Isso inclui fatores como a cultura, a família, a comunidade, a educação e o ambiente social. Esses contextos influenciam o desenvolvimento das pessoas e moldam suas experiências de aprendizado e crescimento. Mas afinal quais os conceitos centrais sobre o desenvolvimento ao longo da vida? C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s AUTONOMIA E RESPONSABILIDADE: Enfatiza a importância da autonomia e da responsabilidade pessoal no processo de 31 aprendizagem e desenvolvimento. As pessoas são incentivadas a assumir a responsabilidade por seu próprio crescimento, identificar suas necessidades de aprendizado e buscar oportunidades para expandir seus conhecimentos e habilidades. VALORIZAÇÃO DA DIVERSIDADE: Reconhece e valoriza a diversidade de trajetórias e experiências de vida das pessoas. Cada indivíduo tem seu próprio ritmo de desenvolvimento e suas próprias metas e aspirações. Portanto, o desenvolvimento ao longo da vida é inclusivo e respeita as diferenças individuais. Esses conceitos centrais destacam a importância de uma prática abrangente e contínua para o desenvolvimento das pessoas ao longo de suas vidas, promovendo aprendizado, crescimento e adaptação às diversas mudanças e transições que ocorrem ao longo do tempo. C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s Michelangelo Buonarroti foi um renomado artista renascentista italiano. Ele nasceu em 6 de março de 1475, em Caprese, na atual Itália, e faleceu em 18 de fevereiro de 1564, em Roma. Michelangelo é considerado um dos maiores artistas de todos os tempos, conhecido por sua habilidade excepcional em diversas formas de arte, como pintura, escultura e arquitetura. Ele foi um dos principais protagonistas do movimento renascentista, que ocorreu na Europa entre os séculos XIV e XVI, marcando um renascimento do interesse pelas artes, ciências e humanidades. Na pintura, ele mesmo teria dito “Pintura não é minha arte”, apesar de ter feito maravilhosas obras de arte, dentre elas, o teto da Capela Sistina em Roma, considerada Patrimônio da Humanidade. Na escultura, ele também foi genial. Algumas de suas obras mais famosas incluem a escultura "David", uma representação em mármore do herói bíblico, e a escultura em mármore"Pietà" , localizada na Basílica de São Pedro, em Roma. Ambas são caracterizadas pela perfeição e detalhes que impressionam até hoje. Apesar da genialidade artística de Michelangelo, seu domínio técnico e seu estilo expressivo e dramático, que deixaram uma marca profunda no Renascimento italiano e na história da arte como um todo, a frase mais famosa atribuída a ele foi: C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s Em italiano significa "EU CONTINUO APRENDENDO" em português. Essa frase é considerada uma expressão do desejo de Michelangelo de nunca parar de aprender e aprimorar suas habilidades, mesmo em idade avançada. Reflete sua atitude humilde e sua busca constante pelo conhecimento e pelo aperfeiçoamento artístico ao longo de sua vida. 32 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BUSH, Tony. (2023). Capítulo 1 - Teorias de Liderança Escolar. In J. Weinstein & L. Simielli (Eds.), Liderança escolar: diretores como fatores-chave para a transformação da educação no Brasil (Cap. 1). UNESCO Office in Brasilia. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000383601. CNE. Base Nacional Comum de Competências do Diretor Escolar (BNC- Diretor Escolar). Parecer nº04, de 11 de maio de 2021. Relator Mozart Neves Ramos. LUCK, H. Dimensões da gestão escolar e suas competências. Curitiba: Positivo, 2009. PETROCELLI, Marina. Lifelong Learning: a educação como um processo contínuo. 27 de maio de 2020. https://blog.mbauspesalq.com/2020/04/07/lifelong-learning-a-educacao-como-um-processo- continuo/?gad=1&gclid=CjwKCAjw04yjBhApEiwAJcvNocC1OZi3vxIUskAqTz- vmAtL0TbiS5t_tjf_gxwsnIPr05s_gKVmshoCLmMQAvD_BwE. Acessado em: 16 de maio de 2023. 33 C a p ít u lo 1 – P ri m e ir o s P a ss o s ISBN 978-65-87875-39-2