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Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro Avaliação PRESENCIAL – AP1 Período - 2024/1º Disciplina: INTRODUÇÃO AO AGRONEGÓCIO Código da Disciplina: EAD 06036 Coordenador: LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA LIMA Aluno (a): ............ GABARITO ............................................................................................ Pólo: ................................................................................................................................... Só serão aceitas resposta feitas a caneta esferográfica azul ou preta; Não será feita revisão da questão quando respondida a lápis. Boa sorte! 1. Faça uma análise da importância da cultura do café, tanto na formação quanto no desenvolvimento econômico brasileiro, com base nas informações históricas e nos recursos teóricos e metodológicos da cadeia agroindustrial do café (figura abaixo). (3,0 pontos). A cadeia agroindustrial do café RESPOSTA: O agronegócio é hoje o setor de maior superávit na balança comercial do país. Com o crescimento deste mercado, novas habilidades de gestão precisam ser trabalhadas para que a produtividade deste setor se mantenha elevada. A atividade cafeeira possui uma relevante participação no mercado agroindustrial nacional, é responsável por grandes exportações. A agroindústria do café é o conjunto de atividades relacionadas à transformação de matérias-primas provenientes da agricultura. A cadeia agroindustrial do café compõe-se dos segmentos ligados aos fatores de produção, à produção agrícola, e, ainda, ao beneficiamento e à comercialização do produto, nos quais atuam fornecedores, produtores, maquinista, trabalhadores rurais, cooperativas e corretores. Nos últimos anos, a demanda mundial de café tem crescido a uma taxa de 1% ao ano. Há 50 anos o consumo per capita de café no mundo é de cerca de 1 quilo/ano. Os Estados Unidos são os maiores consumidores do mundo, seguido pelo Brasil, Alemanha e Japão. Quando se analisa a demanda mundial, não se pode deixar de considerar o Brasil, o segundo maior consumidor. Em relação à geografia da produção de café, os principais estados produtores são Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Paraná. O Estado de Minas Gerais representou aproximadamente 51% da produção cafeeira nacional. O aparecimento da ferrugem dos cafeeiros em 1970 foi um dos grandes responsáveis pela introdução de novas práticas agrícolas, como espaçamento de plantio e adequação das lavouras para mecanização através de podas. No mercado, além dos micro tratores, existem tratores específicos que permitem que todas as fases da lavoura (do plantio aos tratos culturais) sejam mecanizadas. Deve-se mencionar como importante avanço tecnológico nessa cultura, o fato de que foram desenvolvidas, no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), variedades resistentes à ferrugem do cafeeiro, que é causada pelo fungo Hemileia Vastarix, que foi praticamente disseminado em toda região Centro-Sul do país durante a década de 70. Com a grande pressão competitiva as empresas se veem obrigadas a realizar grandes investimentos em P&D, realizam inovação de processos e produtos. Para realizar esse processo de desenvolvimento de novas tecnologias, as empresas dependem de créditos, pois não possuem capacidade de desenvolver grandes inovações com capital próprio. O novo foco das pesquisas, no sentido de produzir cafés com atributos demandados, passa a ser importante na análise da competitividade do café. Isso porque o café é um produto diferenciado e sua competitividade não só depende dos custos de produção e produtividade, mas também o interesse dos consumidores por determinada origem, associada à qualidade do produto. Isso significa que os países produtores da variedade de café arábica podem se valer da estratégia de diferenciação para obter margens superiores, conseguindo dessa forma ganhos competitivos. Para investigar a qualidade total do café, devem-se levar em consideração os fatores regionais, espécies e variedades culturais e sistema de processamento e comercialização existentes nos países e regiões de produção. Existem basicamente duas espécies arábicas, de melhor bebida e robusta, considerada de bebida neutra. A busca por qualidade na indústria de alimentos está mostrando um crescimento constante na última década, fruto das mudanças nas preferências dos consumidores. Muitos deles estão dispostos a pagar mais por produtos que possuam alguns atributos desejados. O segmento de cafés especiais, por exemplo, representa atualmente 12% do mercado internacional da bebida. Os atributos de qualidade do café cobrem uma ampla gama de conceitos que vão desde características físicas, como origem, variedade, cor e tamanho e até preocupações de ordem ambiental e social de como o café é produzido. O setor de cafés especiais é um dos que mais cresce, também é conhecido por cafés goumert. A definição refere-se aos cafés de excelente qualidade. Esse produto tem maior valor de venda e uma forte aceitação nos mercados nacional e internacional. A expansão na participação dos cafés especiais brasileiros no mercado internacional apoia-se no aumento da qualidade do produto e em um plano de marketing. Outro segmento diferenciado é o produto Orgânico. A produção de “café legitimamente orgânico” vem crescendo em todo Brasil, firmando-se como uma tendência necessária e irreversível. Os fatores responsáveis por esse novo direcionamento são a grande demanda dos mercados nacional e internacional por produtos orgânicos e a conscientização mundial da importância da preservação do meio ambiente associada à valorização social do trabalhador rural. Pode-se concluir que setor cafeeiro está se voltando para produção de cafés especiais, pois além do aumento da demanda por esse produto, o valor de comercialização é maior que o do “produto normal”. E também está crescendo a produção de café orgânico, devido ao aumento da importância dada a questões ambientais. Quanto a Demanda, nota-se o aumento do consumo per capita no Brasil e a mudança da preferência do consumidor, aumentando a exigência por qualidade. Na oferta, nota-se sustentabilidade no longo prazo. A oferta interna é quase totalmente atendida pela produção interna. A produção do café localiza-se basicamente em quatro estados, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia. O país é o maior produtor de café do mundo, seguido pelo Vietnã e Colômbia que representam juntos 57,98% da produção mundial de café. As exportações do setor cafeeiro permanecem em elevação. O café brasileiro é cada vez mais comercializado em países do primeiro mundo como Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e Bélgica. 2. Analise a relação entre normas ambientais e inovação. Qual é a sua importância no agronegócio?(3,0). RESPOSTA: Nessa abordagem econômica da questão ambiental, parte do princípio que no mundo real predomina a competição dinâmica, onde as empresas ou produtores buscam introduzir soluções inovadoras para pressões de vários tipos, tanto impostas pelos concorrentes como pelos compradores e pelos reguladores. Essa abordagem econômica da questão ambiental afirma que as normas ambientais são capazes de desencadear inovações que reduzem os custos totais de um produto ou aumentam o valor. Por outro lado, essas inovações contribuem para que os produtores utilizem um conjunto de recursos de maneira mais produtiva, envolvendo matéria-prima, energia e mão-de-obra, podendo compensar, dessa forma, os custos da melhoria do impacto ambiental. A existência de poluição é vista como uma forma de desperdício econômico, que sinaliza que os recursos foram utilizados de forma incompleta, ineficiente ou ineficaz. As atividades poluidoras estariam adicionando custos, mas não estariam adicionando valor para os consumidores. Desse modo, o aumento da produtividadedos recursos que favorece a competitividade dos produtores está associado à redução do impacto ambiental, que contribui para o bem-estar social. Este conceito de produtividade dos recursos é uma nova maneira de abordar os custos totais dos sistemas e o valor associado a qualquer produto, ao criar um novo enfoque com a inclusão dos custos de oportunidade da poluição, vistos como esbanjamento de recursos, desperdício de esforços e comprometimento do valor do produto para o consumidor. Na nova abordagem da produtividade dos recursos, a melhoria ambiental e a competitividade são inseparáveis, porque a inovação é capaz de melhorar a qualidade, reduzindo os custos ambientais de forma efetiva. Daí por que a ineficiência econômica (poluição) ser vista como deficiência no projeto do produto e do processo, levando os produtores a incorporar a qualidade na totalidade do processo. Os esforços para eliminá-la podem adotar os mesmos princípios da gestão da qualidade total para o controle da poluição, estabelecendo o vínculo entre melhoria da qualidade e desempenho ambiental, através da utilização do controle estatístico do processo para reduzir a variação nos processos e diminuir os desperdícios. Para adotar a abordagem da produtividade dos recursos, deve-se complementar o enfoque de agro ecossistemas que trata exclusivamente da produção agrícola com o enfoque de sistema agroindustrial ou cadeia produtiva agroindustrial, que inclui produção agrícola, distribuição de recursos, processamento e comercialização de produtos numa região e/ou num país. 3. Defina insegurança alimentar e aponte as suas principais causas? (4,0) RESPOSTA: O USDA define como “insegurança alimentar” ter dificuldade em adquirir comida suficiente para alimentar a família ao longo do ano. As principais causas da crise mundial de alimentos são: o crescimento da demanda mundial por alimentos sem crescimento similar da oferta, menores estoques de produtos agrícolas dos últimos 30 anos, a desvalorização da moeda americana que provocou a migração dos investimentos para a compra de commodities agrícolas, elevando seus preços nos mercados globais. Além disso, o aumento da demanda por parte de países em desenvolvimento, o aumento do preço do petróleo, a demanda de milho para produção de etanol e enchentes e secas em países produtores. A desaceleração da economia global, quando combinada com a alta do preço dos combustíveis e dos alimentos, contribui para a deterioração da segurança alimentar no mundo. Isso tem um impacto negativo nos países em desenvolvimento que já se incluem os mais problemáticos, como os da África subsaariana. Entre esses estão a Etiópia, a Eritréia, o Sudão e Moçambique. As crises de abastecimento geram tumultos nos países mais pobres. No Haiti e na Costa do Marfim, os protestos contra preços de alimentos em alta se multiplicam. Distúrbios com dezenas de pessoas são relatados em Camarões, Senegal, Burkina Fasso, Mauritânia e em Moçambique. Segundo a Avaliação sobre Segurança Alimentar, relatório anual do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os alimentos e o petróleo mais caro empurraram 133 milhões de pessoas para o grupo dos que passam fome em 2007. O número de pessoas “sem garantia de ter alimentos” em 70 países em desenvolvimento cresceu em um ano para 982 milhões em 2007. A quantidade de pessoas com dificuldade para obter comida poderia crescer para 1,2 bilhões em 2017. A distribuição mundial de ajuda de alimentos enfrenta dificuldade. Entre 2004 e 2006, o volume de alimentos doados caiu para cerca de 7,4 milhões de toneladas, uma queda de 25%. A elevação do preço dos alimentos e do custo dos transportes levou os EUA, o maior doador de comida do mundo, a diminuir esse tipo de remessa em cerca de 50% nos últimos cinco anos.