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Princípios e reflexões do Desenho Universal para Aprendizagem (DUA): (re)pensar de um plano de aula do ensino fundamental – Anos Iniciais.
Renato Ramos de Aguiar1
e-mail: renato.ramosdeaguiar.unifesspa.t4@gmail.com
O Desenho Universal para Aprendizagem – DUA, desafiou os designers de espaços arquitetônicos para planejarem e criarem produtos que atendessem à diversidade das pessoas. Por isso, no final da década de 1980 e início da década de 1990, foi desenvolvido modelo do DUA por David Rose, Anne Meyer e colegas do Center for Applied Special Technology (CAST) estendendo o conceito de Desenho Universal do meio arquitetônico para o ambiente de aprendizagem escolar com o objetivo de proporcionar o acesso ao currículo para alunos com deficiência.
Segundo o Desenho Universal para Aprendizagem, o currículo deve ser adaptado aos alunos e não o contrário, porque reconhece que a diversidade e a variabilidade de alunos é a norma. Posteriormente, concluiu-se que o DUA contribui para a aprendizagem de todos os alunos. Segundo Heredero (2020), aponta que:
O DUA e uma referência que corrige o principal obstáculo para promover alunos avançados nos ambientes de aprendizagem: os currículos inflexíveis, tamanho único para todos. São precisamente esses currículos inflexíveis que geram barreiras não intencionais para o acesso ao aprendizado. Os estudantes que estão nos extremos, como os superdotados e os com altas habilidades e os estudantes com deficiência, são particularmente vulneráveis. Um desenho curricular deficiente poderia não atender a todas as necessidades de aprendizagem, incluindo os estudantes que poderíamos considerar na média. (HEREDERO, 2020, p. 3)
O currículo que se cria seguindo a referência do DUA e planejado desde o princípio para atender as necessidades de todos os alunos, pois considera a variabilidade e/ou diversidade dos estudantes ao sugerir flexibilidade de objetivos, métodos, materiais e avaliações, possibilitando aos educadores atender as carências diversas, fazendo com que mudanças posteriores, assim como o esforço e o tempo vinculados a elas, sejam dispensáveis com a prática.
Segundo o autor Heredero “O DUA ajuda os educadores a alcançar esse objetivo, proporcionando uma referência para entender como criar currículos que atendam às necessidades de todos os estudantes desde o primeiro momento (p. 3)”. O DUA estimula a criação de propostas flexíveis desde o início, apresentando opções personalizáveis que permitem a todos os estudantes progredir a partir de onde eles estão, e não de onde nós imaginamos que estejam. As opções para atingi-los são variadas e suficientemente fortes para proporcionar uma educação efetiva para todos os estudantes.
Toda sala de aula é composta por um grupo de alunos com uma ampla variabilidade de características: diferentes habilidades, preferências, necessidades, formas de comunicar-se, dentre outros aspectos. Ambientes escolares inclusivos também permitem a construção de contextos de aprendizagem a partir das diferenças, contribuindo para o enriquecimento cognitivo e afetivo (Matos & Mendes, 2014). 
Essa realidade chama a atenção para a importância de um contexto de ensino que atenda a essa variabilidade e que seja capaz de potencializar as habilidades dos diferentes alunos. Assim, crianças que não se adequavam totalmente às metodologias padronizadas e rígidas podem usufruir de diferentes alternativas e possibilidades de aprendizagem.
Isso pode ocorrer porque as metodologias utilizadas são mais flexíveis e com maior variabilidade, elaboradas objetivando que participem das atividades propostas todas as crianças da turma, e desenvolvam suas habilidades escolares. O DUA ajuda os educadores a alcançar esse objetivo, proporcionando uma referência para entender como criar currículos que atendam às necessidades de todos os estudantes desde o primeiro momento.
Para além dos benefícios que a Educação Especial pode oferecer aos alunos com algum tipo de deficiência ou transtorno, pode proporcionar o acesso às condições plenas de desenvolvimento a partir da Educação Básica, de qualidade e inclusiva para todos. 
Desta forma, estaremos analisando a partir de agora, um plano de aula do ensino fundamental – séries iniciais, com o objetivo de averiguar se atende aos princípios do DUA, de que de maneira contempla ou não a realidade da turma para quem foi elaborado o planejamento e desenvolvidos as atividades pedagógicasnde aos enseios de uma educação escolar inclusiva. Para melhor discernimento dos ouvintes e dos participantes envolvidos, uma breve descrição do perfil da turma será feita.
Este plano de aula foi ministrado em uma turma do terceiro (3°) ano do ensino fundamental, anos iniciais, composta por 25 alunos, alunos com 8 a 9 anos, na Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental I “São Francisco de Assis”, localizada na zona rural do município de Tailândia-Pa. A referida escola atende um público de 148 crianças desde o maternal III, idade de 3 anos, aos alunos do 5° ano, idade de 10 a 12 anos e que residem na comunidade ou no seu entorno.
A nivel socioeconômico das famílias destes alunos é diversificado, girando em torno da agricultura familiar, plantação de dendê, serviço público e comércio local. A escola possui 4 Salas de aula, 1 sala da coordenação e direção juntas, 1 cozinha com dispensa e 2 banheiros externos coletivo dos alunos e de todos os funcionários.
Os níveis de aprendizagem dos alunos é diversificado, variando entre o nível pré-silábico e o nível alfabético/ortográfico de acordo com a psicogênese da língua escrita. Dos 25 alunos alunos da turma, 1 aluno tem dislexia e o outro tem transtorno do espectro autista, demonstrando assim uma maior dificuldade de aprendizagem, do qual, o professor precisa desenvolver as estratégias e atividades de forma diversificada.
Nesta turma trabalha 1 professora formada em pedagogia com especialização em educação infantil e outra em alfabetização e letramento. O planejamento e a sequência de atividades são elaboradas coletivamente, entre todos os professores da instituição escolar e na elaboração das atividades é observada a matriz curricular do município que tem os objetivos, componentes curriculares, unidades temáticas e conteúdos bem definidos por bimestre e também algumas sugestões de metodologias, estratégias e avaliação.
Diante disso, com todas essas informações, é analisado a partir de agora o planejamento que a professora Maria elaborou para 1 dia de aula, com 4 horas de duração, no componente curricular de língua portuguesa.
	Plano de aula 20/06/2024
	Escola Municipal de Ensino Fundamental “São Francisco de Assis”
Diretora: Maria Aparecida da Silva
Vice-diretora: Fabiana Silva e Silva
Coordenadora: Karla Smith da Silva
Professor(a): Maria da Silva Sampaio
Turma: 3ª ano “C”	Turno: manhã	Ano: 2024
Componente Curricular (BNCC): Língua Portuguesa	Data: 20 / 06 / 2024 - SEG.
Tema da Aula: Leitura e Interpretação “A LEBRE E A TARTARUGA”/ Antônimos e Sinônimos.
	Práticas de linguagem:
	( X ) Análise linguística/semiótica (Alfabetização)
( X ) Análise linguística/semiótica (Ortografização)
( X ) Produção de textos (escrita compartilhada e autônoma)
	Objetos de conhecimento:
	( X ) Construção do sistema alfabético e da ortografia;
( X ) Compreensão em leitura;
( X ) Construção do sistema alfabético/ Convenções da escrita;
( X ) Construção do sistema alfabético/ Estabelecimento de relações anafóricas na referenciação e construção da coesão.
	Habilidades da BNCC:
	( X ) EF03LP02 - Ler e escrever corretamente palavras com sílabas CV, V, CVC, CCV, VC, VV, CVV, identificando que existem vogais em todas as sílabas.
( X ) EF03LP11 - Ler e compreender, com autonomia, textos instrucionais (receitas, instruções de montagem etc.), com a estrutura própria desses textos ( indicação de passos a serem seguidos) e mesclando palavras, imagens e recursos gráfico- visuais, considerando tema/assunto do texto.
( X ) EF03LP12 - Ler e compreender, com autonomia, cartas pessoais e diários, com expressão de sentimentos e opiniões,outros gêneros do campo da vida cotidiana, de acordo com as convenções do gênero carta e considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do texto.
( X ) EF35LP21 - Ler e compreender, de forma autônoma, textos literários de diferentes gêneros e extensões, inclusive sem ilustrações, estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores.
	Estratégias e Ações / Práticas Pedagógicas:
	Rotina (acolhida, oração, avisos gerais, aniversariante do dia, calendário, ajudantedo dia). Outros:
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
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	*Conhecimento prévio: Resgatar o que os alunos sabem acerca do tema da aula, adição e subtração, cálculos na Reta Numérica.
	( X ) Debate do conteúdo;
( X ) Exposição e exercício;
( X ) Atividades complementares;
 ( X ) Atividades impressas ou xerocadas;
	( X ) Sequência didática;
( X ) Cálculo mental;
( X ) Situação-problemas;
( X ) Trabalho em duplas ou grupos.
	Materiais, tecnologias e recursos utilizados:
	( X ) Folhas xerocadas e impressas;
( X ) Livro didático adotado;
( X ) Jogos didáticos pedagógicos;
	( X ) Régua, trena e fita métrica
( X ) Quadro branco e caneta piloto
( X ) Outros: _________________________
	Avaliação: A avaliação será através de observações diárias do aluno durante as aulas, na realização das atividades propostas, lembrando que cada educando tem seu próprio ritmo de aprendizagem. Assim, a mesma servirá de espelho para a prática pedagógica do professor, o qual poderá intervir pedagogicamente à medida que a aprendizagem não acontece.
	( X ) Trabalho individual e coletivo;
( X ) Avaliação escrita;
( X ) Relatório;
( X ) Atividade oral;
( X ) Avaliação formativa;
	( X ) Avaliação da participação;
( X ) Trabalho;
( X ) Apresentação oral;
( X ) Autoavaliação;
( X ) Debate.
O plano de aula apresentado atende as competências e habilidades asseguradas na Base Nacional Comum Curricular - BNCC, para o público-alvo do ensino fundamental, faixa-etária de seis (6) a dez (10) anos de idade. Para se compreender a questão aqui proposta, será importante, primeiramente, apresentar a maneira como as habilidades e competências são conceitualmente definidas na BNCC: 
[...]competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos) habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho (BRASIL, 2018, p. 8).
A partir do excerto acima, é possível perceber que o desenvolvimento de competências e habilidades no contexto escolar não visa apenas contribuir diretamente com o processo de ensino-aprendizagem, mas esses conceitos devem também considerar o olhar crítico do aluno sobre o espaço e o contexto em que esse inserido, como também, apreciar a contribuição dos conhecimentos geográficos, regionais e locais que promovem reflexões.
Portanto, a proposta deste plano trabalha um componente curricular, língua portuguesa, e três práticas de línguagem. Duas práticas foram desenvolvidas paralelarmente que é - análise linguística e semiótica:alfabetização - e análise linguística e semiótica: ortografização. A outra prática é a produção de textos - escrita compartilhada e autônoma - que visa a partir da leitura do texto “A lebre e a tartaruga” fazer uma releitura com um momento de produção textual.
O processo de produção textual, por meio da releitura do texto suplacitado, está relacionado com a construção do sistema de escrita alfabética, visando a desenvolver de 4 habilidades de acordo com a BNCC. Ao mesmo tempo foi trabalhado o assunto sinônimos e antônimos. 
Outra olhar atento é se o Plano de aula enm questão atende aos principios nosteadores daquilo que prevê o Desenho Universal para Aprendizagem -DUA- e quais são os delimitadores ou barreiras que possam impedir no dia a dia, no chão da ecola, para que esse seja realmente efetivado na prática da professora da turma, se os objetivos foram alcançados e contemplou a diversidade presente em sua turma.
Nesta perspectiva, segundo o autor HEREDERO (2010), “as adaptações dos elementos do currículo, de pequeno ou mesmo de grande porte, se tornam as estratégias básicas para atenção à diversidade, e se deveriam inserir no projeto pedagógico-político das escolas (SEBASTIAN HEREDERO, 1999)”. Ainda segundo a autor o plano de aula deve contemplar três princípios fundamentais baseados na investigação neurocientífica que orienta o DUA.
O primeiro princípio é Proporcionar Modos Múltiplos de Apresentação (o que da aprendizagem), pois segundo esse princípio, os estudantes recebem e compreendem a informação de diferentes modos do que lhes são apresentadas. “Além disso, a aprendizagem e a transferência do aprendizado ocorrem quando múltiplas apresentações são usadas, pois isso permite aos estudantes fazer conexões interiores, assim como entre os conceitos” (HEREDERO, 2010, p. 4).
A Lebre e a Tartaruga
Era uma vez… uma lebre e uma tartaruga. A lebre vivia caçoando da lerdeza da tartaruga.
Certa vez, a tartaruga já muito cansada por ser alvo de gozações, desafiou a lebre para uma corrida.
A lebre muito segura de si, aceitou prontamente. Não perdendo tempo, a tartaruga pois-se a caminhar, com seus passinhos lentos, porém, firmes.
Logo a lebre ultrapassou a adversária, e vendo que ganharia fácil, parou e resolveu cochilar um pouco.
Quando acordou, não viu a tartaruga e começou a correr.
Já na reta final, viu finalmente a sua adversária cruzando a linha de chegada, toda sorridente.
Moral da história… Devagar se vai longe.
A Lebre e a Tartaruga
De acordo com esse princípio, analisando a atividade de leitura acima que foi utilizada pela professora Maria durante a exposição da aula, embora a atividade relacionada seja de fácil leitura para uma indivíduo leitor, para o aluno autista e o aluno com dislexia, é muita grande a dificuldade par ler e mais ainda para compreender ou interpretar, mesmo que tenha sido apresentada de modo contextualizada com a história da fábula.
Também envolvendo o uso de atividades xerocadas coloridas e apesar de vários recursos principalmente áudios visuais ter sido utilizados, não se percebeu o uso de matérias concretos que poderia auxiliar o aluno que tem dificuldade de trabalhar com dados mais abstratos, musicas, cantigas, videos, bonecos, brincadeiras e o uso de materiais concretos.
A professora utilizou a mesma atividade escrita para todos os alunos da turma, o mesmo modo para a produção textual e para os dois alunos com dificuldades foi quase que impossível obter resposta ou um resultado razoável, por conta da compreensão, concentração e discernimento pra produzir o texto.
Esse é o argumento que nos leva ao segundo princípio do DUA -Proporcionar Modos Múltiplos de Ação e Expressão (o como da aprendizagem). Neste princípio, segundo o autor, 
Os estudantes diferem nas formas como procuram o conhecimento e expressam o que sabem. Por exemplo, as pessoas com dificuldades nas habilidades estratégicas e organizativas (transtorno da função executiva), os que apresentam barreiras com a comunicação etc., fazem a ação e a expressão da aprendizagem de forma muito diferente (HEREDERO, 2010, p. 4).
Desta forma, observa-se a necessidade de ofertar outras opções de manifestação da criança para que todos possam se expressar da sua maneira, levando em consideração os seus aspéctos individuais. O que se ppode observar é que a professora poderia utilizar outros metodos e estratégias para alcançar a totalidade de alunos da turma, diversos metodos, muitas estratégias, dinamizar, utilizar do lúdico e do concreto, um olhar atencioso e afetivo que busque se sensibilizar com as dificuldadesd destas crianças.
Já o terceiro princípio do DUA que é -Proporcionar Modos Múltiplos de Implicação, Engajamento e Envolvimento (o porquê da Aprendizagem). Existe uma diversidade de fontes queinfluenciam na hora de explicar a variabilidade individual afetiva e de envolvimento, como os fatores neurológicos e os culturais, os interesses pessoais, a subjetividade e os conhecimentos prévios, junto com outra gama de fatores presentes nestas Diretrizes. Por exemplo, uns optam por trabalhar sozinhos, outros preferem trabalhar com os companheiros. Logo, não há um único meio que seja ideal para todos os alunos em todos os contextos. Assim, e relevante proporcionar modos múltiplos de implicação e envolvimento (HEREDERO, 2010, p. 4). 
Por fim, observando a atividade proposta pela professora, identifica-se que apesar de ter sido uma atividade bastante dinâmica e elaborada com o objetivo da participação de todos, apresenta indicio de não ter contemplando boa parte dos pressupostos e princípios definidos no Desenho Universal para Aprendizagem, em vários da aula, nota-se que alguns alunos, principalmente o alunos com TEA e o outro com dislexia ficam perdidod, pois não conseguem compreender e se apropiar dos conhecimentos que estão sendio produzidos durante a aula.
Referências
Base Nacional Comum Curricular. Educação é a Base. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/conselho-nacional-de-educacao/base-nacional-comum-curricular-bncc
Heredero, E. (2010). A atenção à diversidade e a prática educativa inclusiva. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbee/a/F5g6rWB3wTZwyBN4LpLgv5C/. Acesso em: 17/06/204
Matos, S. N., & Mendes, E. G. (2014). A proposta de inclusão escolar no contexto nacional de implementação das políticas educacionais. Práxis Educacional, 10 (16), 35-59. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/index.php/praxis/article/view/762/643
Mendes, E. G. (2006). A radicalização do debate sobre inclusão escolar no Brasil. Revista Brasileira de Educação, 11(33), 387-405. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/KgF8xDrQfyy5GwyLzGhJ67m/abstract/?lang=pt
1Discente do Curso de Mestrado Profissional em Educação Inclusiva - PROFEI.
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