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Antes de adentramos nessa noção de texto, é preciso fazer uma panorâmica das concepções de textos feitas pela Linguística Textual. Segundo Koch (2002), o conceito de texto varia conforme o sentido de língua e de sujeito. Interação de Ideias Hoje, o entendimento sobre o que vem a ser um texto é balizado pela noção de interação. O texto, então, é tomado como um evento no qual os sujeitos são vistos como agentes sociais que levam em consideração o contexto sociocomunicativo, histórico e cultural para a construção de sentido dos textos. OLHANDO DE PERTO Vemos, então, que a perspectiva assumida na atualidade investe no entendimento do texto como um artefato dinâmico, daí ser possível tratá-lo como um evento (altamente complexo, como já sugerimos). Essa natureza dinâmica possibilitou uma rediscussão sobre os aspectos envolvidos na dinâmica textual. Koch (2004), por exemplo, salienta que a coerência textual – inicialmente entendida como um princípio de interpretação semântica derivado das relações estabelecidas na superfície textual – passa a ser considerada como o resultado “de uma construção dos usuários do texto, numa dada situação comunicativa” (p. 43), estabelecida “por meio de processos cognitivos operantes na mente dos usuários, desencadeados pelo texto e seu contexto” (p. 46). Isso implica que a complexidade do objeto texto demanda uma noção mais elástica de coerência (e de textualidade), que privilegie a importância de cada interação e do trabalho dos sujeitos na procura pela coerência textual. Como se encontra em Cavalcante (2010), se a coerência continua sendo uma unidade de sentidos de um texto, é preciso acrescentar que cada um a elabora de um determinado modo, de acordo com seus conhecimentos linguístico-textuais, com seus saberes específicos que compartilha com os coenunciadores e seus conhecimentos de mundo. Para a (re)construção da coerência textual, todos os indícios cotextuais e as inferências engatilhadas por eles se articulam, tornam-se coesas, e nos ajudam a compor um todo significativo para dada situação sociodiscursiva. Assim, o texto “não representa a materialidade do cotexto, nem é somente o conjunto de elementos que se organizam numa superfície material suportada pelo discurso; o texto é uma construção que cada um faz a partir da relação que se estabelece entre enunciador, sentido/referência e coenunciador, num dado contexto sociocultural. Por isso está inevitavelmente atrelado a uma enunciação discursiva” (CAVALCANTE, 2010, p. 9). 2