Prévia do material em texto
MARKETING ESTRATÉGICO AULA 3 Prof. Dr. Achiles Batista Ferreira Junior 2 "Preocupe se com o que as pessoas dizem e você estará acorrentado(a) a elas" CONVERSA INICIAL Nesta etapa, vamos conhecer um pouco mais sobre tópicos importantes para que a empresa/organização obtenha um índice elevado de sucesso, afinal, o objetivo empresarial é sempre atingir o ápice nos negócios, concorda? Sim, vamos continuar a falar de análise, vamos usar uma ferramenta de gestão bem conhecida e muito utilizada pelas empresas, e que pode com certeza ser útil em sua empresa e no seu marketing pessoal, uma vez que ela auxilia na análise do ambiente na qual encontra-se inserida. Em seguida, vamos falar de segmentação de mercado, públicos-alvo, diferenciação e posicionamento, que são considerados conceitos básicos para sobrevivência empresarial. Ufa, então é isso, vamos nessa que temos muito “chão” pela frente. Figura 1 – Olhe isso, é muito importante Créditos: Lassedesignen/Shutterstock. CONTEXTUALIZANDO Já parou para pensar como muitas vezes nos deparamos com empresas que passam a fazer parte de forma intensa de nossas vidas, e isso pode ser facilmente observado entre as pessoas que fazem parte do seu dia a dia, 3 afinal, você já percebeu que sempre tem um amigo ou amiga que é louco por uma certa marca de celular? Você consegue imaginar qual seria essa marca? Ou aquele tio que curte motocicletas e vive falando de uma marca famosa americana? Ou mesmo um amigo que gosta muito de um time de futebol a ponto pagar mensalmente para ser sócio e assim ter acesso a todos os jogos do clube do coração? Enfim, são vários os exemplos do chamado lovemarks1. Veja a seguir algumas imagens que remetem aos exemplos citados. Figura 2 – Apple Store Créditos: R.classen/Shutterstock. 1 Lovemark é um conceito utilizado no Marketing para se referir a uma marca que já conseguiu gerar um bom nível de confiança e comprometimento entre seus clientes e que por isso permanece em suas lembranças e é recomendada a outros potenciais clientes. Fonte: <https://rockcontent.com/br/blog/lovemark/>. Acesso em: 4 maio 2022. 4 Figura 3 – Harley Davidson Créditos: Walter Eric Sy/Shutterstock. Figura 4 – Arena Clube Athletico Paranaense Créditos: Pedro Moraes/Shutterstock. 5 Afinal de contas, quais são os fatores que influenciam essa relação de amor entre consumidores e como é construído esse processo? Que muitas vezes chega ao ponto de tornar um consumidor em um advogado da marca2. Uma forma de tentar assimilar melhor essa prática é pela criação de um ranking3 desenvolvido como uma forma de termômetro, com aplicação de um indicador, atividade essa desenvolvida pela Adriana Rocha, CEO da eCGlobal Research Solutions4, o Net Love Score (NLS). Na ocasião foram realizadas cerca de 1.700 entrevistas, envolvendo homens e mulheres entre 18 e 54 anos, pertencentes às classes A, B e C, em todas as regiões do Brasil. Sendo avaliadas uma média de 4 a 5 categorias, das 9 incluídas no estudo, que englobaram mais de 30 segmentos de mercado, dessa forma foi possível chegar aos seguintes resultados (veja, a seguir, as empresas mais amadas do Brasil): Fonte: Forbes. 2 Advogado de marca é aquele cliente engajado. Ele se sente tão satisfeito com o que sua empresa oferece que divulga seu conteúdo, indica os produtos para outras pessoas e promove seu negócio. Ele não é apenas um cliente, é um defensor de tudo que sua empresa produz. Fonte: <https://plusoft.com/blog/advogados-de-marca/>. Acesso em: 4 maio 2022. 3 Substantivo masculino. Posição que algo ou alguém ocupa numa escala que destaca seu mérito em relação aos demais. Classificação que ordenadamente segue alguns critérios específicos: USP perde muitas posições em ranking de universidades. Fonte: <https://www.dicio.com.br/ranking/>. Acesso em: 4 maio 2022. 4 eCGlobal cria novo indicador para medir o amor entre consumidores e marcas e entregar inteligência competitiva para o mercado. Fonte: <https://exame.com/negocios/releases/ecglobal-cria-novo-indicador-para- medir-o-amor-entre-consumidores-e-marcas-e-entregar-inteligencia-competitiva-para-o-mercado/>. Acesso em: 4 maio 2022. 6 Vamos em frente para assimilar cada vez mais sobre essa temática superbacana e, acredite, cada esforço é válido para melhorar seu aprendizado e consequentemente seu valor no mercado. Afinal, cada linha, cada página lida, cada anotação e cada suor de seu esforço fortalecem sua formação. Crédito: Achiles Junior, 2021. Figura 5 – Faz sentido para você? Créditos: Shift Drive/ Shutterstock. TEMA 1 – ANÁLISE SWOT Retomamos o assunto que trata sobre a Matriz SWOT5, que trata sobre a avaliação dos pontos fortes e fracos (Strengths, Weaknesses), olhando os recursos internos e capacidades de uma empresa/organização, que também trata das informações relacionadas com as oportunidades e ameaças 5 A SWOT (FOFA), conhecida também pelo nome Análise FOFA ou FFOA no Brasil, é uma ferramenta que permite realizar análises de cenário ou de ambiente, seja ele interno ou externo. É um excelente complemento para o planejamento estratégico que foi criado entre as décadas de 1960 e 1970, por Albert Humphrey, professor da universidade de Stanford. A ferramenta começou a ganhar notoriedade mundial quando passou a ser citada por autores como Michael Porter e pelos materiais do Grupo BCG. Fonte: <https://www.consultoriaiso.org/o-que-significa-swot-e-o-que-ela-pode-fazer-pelo-seu- negocio/>. Acesso em: 4 maio 2022. https://www.bcg.com/ 7 (Opportunities, Threats) do mercado (Figura 2). Essa mesma matriz também é conhecida como matriz FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) ou mesmo PFOA (Potencialidade, Fragilidades, Oportunidades e Ameaças). Figura 6 – Exemplo de análise SWOT Créditos: Trueffelpix/ Shutterstock. Dentro de um plano de marketing, será destinada uma etapa exclusiva para a análise SWOT, na qual se observe informações relacionadas às forças e fraquezas da organização/empresa, comparadas às da concorrência e também às principais ameaças e oportunidades externas (Baker, 2003). Sobre forças e fraquezas Segundo Churchill e Peter (2012), as forças são aquelas coisas que a empresa faz melhor do que seus concorrentes, chamadas também de competências. Estas competências podem entregar mais valor para os clientes, encurtar o tempo de entrega de um novo produto ao mercado, construir relações fortes com os membros dos canais (fornecedores, distribuidores) e com os clientes. Exemplos de forças: quantidade de patentes, lealdade dos clientes, capacidade de produção, recursos financeiros, marcas fortes, habilidades tecnológicas. Por sua vez, as fraquezas são aquelas coisas que a empresa não faz tão bem e podem dificultar a busca de alguma oportunidade, ou ainda atrapalhar na hora de combater alguma ameaça. Podem ser: falta de direção estratégica, altos custos de produção, instalações antigas, marcas não conhecidas ou valorizadas, falta de financiamento (Churchill; Peter, 2012). Oportunidades e ameaças Já no cenário de ameaças e oportunidades, o objetivo é ficar cada vez mais atento às mudanças ocorridas no mercado, uma vez que as 8 oportunidades podem incluir algum tipo de demanda6 não atendida (surgimento de novos mercados potenciais), ou pela aquisição/fusão de empresas concorrentes, surgimento de novos conceitos ou tecnologias de produtos (lançamento de novos produtos potenciais). Da mesma forma, incontrolável, por sua vez, as ameaças podem ser consideradas as entradas concorrentes novos ou bem mais fortalecidos, surgimento de legislação que acabem por limitar ou prejudicar a atividade da empresa, ou mesmo algum tipo de mudança nos hábitos de consumo dos clientes. TEMA 2 – SEGMENTAÇÃOVamos lá falar sobre segmentação e mercado, uma vez que “segmentar” algo significa “dividir”, nesse caso vamos pensar no exemplo clássico da pizza, veja a seguir, cada fatia corresponde a um pedaço do mercado. E assim dividido fica mais fácil saber quais são os ingredientes, insumos e sabores que ficam mais adequados ao paladar de seu público, concorda? Imagine você organizar um jantar e servir uma pizza inteira de um único sabor, sem fatiar, ficaria mais complicado para agradar a todos os seus convidados, concorda? 6 Demanda significa a quantidade de um bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir por um preço definido em um mercado. [...] A demanda sempre influencia a oferta, ou seja, a demanda que determina o movimento da oferta. Fonte: <https://www.significados.com.br/demanda/>. Acesso em: 4 maio 2022. 9 Figura 7 – Pizza x segmentação de mercado Créditos: ADfoto/ Shutterstock. Outro fato para exemplificar melhor é que se torna muito difícil (não impossível, imagino que você lembrou do seu amigo que consegue) que você consiga comer uma pizza inteira, assim, da mesma forma que o mercado, é bem melhor fatiar para poder aproveitar cada pedaço de forma mais adequada, concorda? Ou mesmo se você está com vontade de comer uma pizza, tem a opção de comprar por fatia, fica mais barato que comprar uma inteira, já que você não pretende comer ela toda. Com as empresas dentro do seu mercado de atuação é assim, o que ela faz é dividir/fatiar o mercado, e assim consegue identificar com qual pretende atuar. Segundo Kotler e Armstrong (2007 p. 164), segmentação de mercado é “a divisão de um mercado em grupos menores de compradores com necessidades, características ou comportamentos diferentes, que podem requerer produtos ou mixes de marketing distintos”. Porém, estes “segmentos” têm que fazer sentido em existir. Ou seja, as pessoas que pertencem a certo segmento devem ter perfis similares entre si. Mas, ao mesmo tempo, bem diferentes das pessoas de outros segmentos. Tem que valer a pena desenvolver produtos, estratégias, comunicação diferentes para estes 10 segmentos (Urdan; Urdan, 2013). Veja a seguir de forma sucinta alguns tipos de segmentações mais utilizadas pelo mercado. Geográficas Figura 8 – Localidades Créditos: Triff/Shutterstock. Tem seu ponto principal de utilização por organizações e empresas de menor porte, que não podem optar por mercados muito amplos (Urdan; Urdan, 2013). Demográficas7 Figura 9 – Homens x Mulheres x Gerações Créditos: Fizkes/Shutterstock. 7 A segmentação demográfica é um instrumento do marketing digital que busca delimitar o público-alvo de mensagens e publicidade a partir da criação de filtros e parâmetros predefinidos. Com a segmentação demográfica, é possível gastar menos e impactar pessoas com inclinação maior à conversão. Fonte: <https://neilpatel.com/br/blog/segmentacao-demografica/>. Acesso em: 4 maio 2022. 11 Esse tipo de segmentação pode ser por gênero, idade, geração e ciclo de vida de família, sendo que na segmentação por gênero as empresas são grandes adeptas, principalmente do setor de vestuário, beleza e higiene pessoal (Kotler); já em relação à idade, podemos destacar quando no mercado os desejos e as necessidades dos consumidores tendem a mudar devido à idade (Kotler; Armstrong, 2007). Já no contexto da geração, é possível destacar a adequação da comunicação, por exemplo, com segmentos nascidos em diferentes épocas, tais como baby boomers8, geração X9, Y10 e Z11, por exemplo. Já na segmentação por ciclo de vida da família, é possível compreender melhor como funciona pensando nas fases de uma família, passando pelo tempo de solteiro (e você, em qual fase está?), na fase de recém-casados (boa essa fase né?), passando para o momento em que os casais têm filhos, primeiro na fase dos bebês (lembra como era mais difícil dormir nessa época?), passando para o período dos filhos maiores, chegando à fase da maturidade, na qual temos os casais mais velhos já sem filhos, pois estes saem de casa ou deveriam sair, e começa novamente o ciclo da vida familiar, o que achou? Bate com o que você vive ou percebe na sociedade? Psicográficas 8 Os Baby Boomers são os nascidos entre 1945 e 1964. O termo, em inglês, se refere ao boom demográfico ocorrido nos Estados Unidos durante esse período. [...] No Brasil, os Baby Boomers passaram a participar efetivamente do mercado de trabalho nos anos de 1970. Fonte: <https://www.ufjf.br/ladem/2020/05/28/baby-boomers-o-que-significa-e-quais-sao-as- caracteristicas/>. Acesso em: 4 maio 2022. 9 O fotógrafo Robert Capa cunhou a expressão 'geração X' para se referir às pessoas que nasceram a partir dos anos 60. Em apenas meio século, esta geração conviveu com outras três: 'baby boomer', Y e Z. Fonte: <https://www.iberdrola.com/talentos/geracao-x-y-z>. Acesso em: 4 maio 2022. 10 A revolução foi marcada pelos millennials ou geração Y. Também conhecidos como nativos digitais, os millennials são os nascidos entre 1982 e 1994, e a tecnologia faz parte de seu dia a dia: todas as suas atividades passam por meio de uma tela. Fonte: <https://www.iberdrola.com/talentos/geracao-x-y-z>. Acesso em: 4 maio 2022. 11 O mais marcante dessa geração é a sua íntima relação com a tecnologia e com o meio digital. Fonte: <https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/geracao-z.htm>. Acesso em: 4 maio 2022. 12 Figura 9 – Pessoas pensam e consomem diferentemente umas das outras Créditos: Mix Tape/ Shutterstock. Nesse quesito, os consumidores são divididos com base no seu estilo de vida ou suas personalidades, até porque inúmeras vezes as pessoas do mesmo perfil demográfico são completamente diferentes entre si (Kotler; Armstrong, 2007). Comportamentais 13 Figura 10 – Compras por impulso Créditos: Gater Images/Shutterstock. Segundo Kotler e Armstrong (2007), os consumidores também podem ser divididos com base em algumas características comportamentais. Por exemplo, status do usuário (não usuários, ex-usuários, usuários potenciais, usuários regulares); índices de utilização (pequenos, médios e grandes usuários); status de fidelidade (fiéis, mais ou menos fiéis, nada fiéis); ocasiões de compra (Dia das Mães, Namorados, Natal etc.); aliás, já percebeu como muitas pessoas ficam praticamente “loucas” por compras e presentes no período do Natal? E, por fim, pode-se destacar sobre os benefícios procurados que os clientes buscam quando compram algo (por exemplo, existe uma infinidade de pastas de dentes com diferentes benefícios: para clarear dentes, para dentes sensíveis, mais baratas, contra cáries etc.). Em todos esses cenários a forma como é feita a abordagem dos clientes é bem diferente, o que justifica segmentar e desenvolver estratégias diferenciadas. Segmentação é descobrir diferenças relevantes no mercado, reunir consumidores parecidos em segmentos e então selecionar o mercado-alvo (Urdan; Urdan, 2013, p. 32). 14 Crédito: Achiles Junior, 2021. TEMA 3 – IDENTIFICANDO SEU MERCADO-ALVO Já aprendemos o que é segmentação e como é possível dividir o mercado em fatias e assim conseguir uma melhor comunicação e resultado junto ao seu consumidor, porém a partir desse momento a empresa precisa direcionar suas ações para quais e quantos segmentos irá atender. Enfim, a definição do mercado-alvo é fundamental para otimização de recursos e objetivos, sendo que o mercado-alvo pode ser considerado como um conjunto de compradores com necessidades ou características similares que a empresa escolhe atender (Kotler; Armstrong, 2007). Para identificar o mercado-alvo e assim adotar as melhores estratégias de marketing possíveis e atingir com êxito os objetivos estabelecidos, recomenda-se levar emconsideração os fatores do mercado, tais como o tamanho do segmento a ser atendido pela empresa ou organização; a taxa de crescimento do referido mercado; a taxa de previsibilidade ou estabilidade do mercado e, por fim, poder de barganha12. Outros fatores devem ser levados em consideração no processo de identificação do mercado-alvo, entre eles se destacam os fatores econômicos e tecnológicos e os fatores competitivos: a intensidade competitiva, sendo que primeiro trata dos fatores ligados à economia e à tecnologia, referem-se às barreiras de entrada, como uma tecnologia protegida por patentes ou que tenha um custo muito alto para conquistar o referido mercado, isso pode ser 12 O Poder de Barganha é a força de uma pessoa ou um grupo ao discutir preços, colocando pressão e exigências, por exemplo, maior qualidade em menor preço. Fonte: <https://neogrid.com/br/blog/o-poder-de-barganha-dos-compradores-na-cadeia-de- suprimentos-e-frequentemente-o-vilao-dos-consumidores>. Acesso em: 4 maio 2022. 15 um impeditivo nesse processo. Já em relação aos fatores competitivos, a forma como se encontra o mercado e a sua intensidade competitiva precisam ser levadas em consideração, afinal, mercados em que existem muitos concorrentes ou que são dominados por uma ou poucas empresas podem não ser tão relevantes. Você ouviu falar sobre a obra “A estratégia do oceano azul13”? Nela, o autor fala justamente sobre isso, mercados saturados e mercados praticamente vazios, sendo o mercado saturado o oceano vermelho, que remete a sangue, tubarões brigando por alimentos, e oceano azul o mercado sem muita competição; vale pesquisar sobre esse assunto, temos certeza de que você vai curtir. Figura 11 – Oceano azul x Oceano vermelho Créditos: Leremy/Shutterstock. Enfim, antes de escolher um mercado onde já existam empresas dominantes, será necessário obter uma vantagem competitiva14 em relação a seus concorrentes, afinal, ser mais um em meio a tantos vendendo mais do mesmo pode ser a receita para o fracasso. 13 Ambos os oceanos servem para descrever o universo do mercado. Oceano vermelho engloba o mercado conhecido, atual, com todas as empresas já existentes. [...] O oposto oceano azul abrange o mercado desconhecido, onde não há concorrência, onde não há briga. Isso porque essas empresas ainda não existem. Fonte: <https://bityli.com/eWJe2F>. Acesso em: 4 maio 2022. 14 A vantagem competitiva é o atributo (ou conjunto de características) que posiciona determinada empresa à frente das concorrentes no mercado. É o motivo que a leva a ser escolhida na hora da compra, em detrimento das demais. Fonte: <https://negociossc.com.br/blog/o-que-e-vantagem-competitiva-e-por-que-ela-e-importante-2>. Acesso em: 4 maio 2022. 16 Crédito: Achiles Junior, 2021. TEMA 4 – IDIP - SEJA DIFERENTE No estudo da mercadologia existe um conceito chamado IDIP, que trata de uma máxima, com as letras iniciais, em que ‘I” representa “identificar” o mercado, situação que vimos anteriormente nesse material, o ‘D” representa a “diferenciação” em que chegamos a temática desse bloco, que trata de pensar diferente e agir fora da caixinha, para após termos novamente um “I”, mas que aqui representa “interação” e, por fim, o P de personalização, teremos dessa forma um jeito novo de pensar mercado, o IDIP para fazer parte de seu olhar mercadológico, concorda? Assim sendo, é preciso que a empresa crie uma proposição de valor, para ter um valor diferenciado no mercado-alvo em que ela escolheu trabalhar. Como Hoolley et al. (2011) comentam, a empresa deve criar algo que é visto como sendo exclusivo pelo mercado. Ou seja, as empresas usam suas forças e habilidades para diferenciar as ofertas da empresa das ofertas dos concorrentes, com base em alguns critérios valorizados pelo consumidor. Segundo Kotler e Armstrong (2007), uma empresa pode se diferenciar de várias maneiras: por produto, pelos serviços, por canal, por pessoal, pela imagem. Produto – pode-se diferenciar produtos em relação a suas características (ex.: ao criar um notebook extremamente leve); desempenho (ex.: um liquidificador mais silencioso); design e estilo (ex.: o ketchup Heinz foi projetado para ficar de “cabeça para baixo”, facilitando a saída do produto - Figura 12). 17 Figura 12 – IDIP - Olhar mercadológico Créditos: Sundry Photography/Shutterstock. Gostou desse exemplo? Que tal aprofundar ainda mais sobre esse tema pesquisando sobre o assunto? Você pode procurar mais sobre o tema de marketing e com certeza vai encontrar muito material bacana. Crédito: Achiles Junior, 2021. 18 TEMA 5 – POSICIONAMENTO 5.1 Mas, afinal de contas, o que é posicionamento? Vamos mudar de mercado e falar um pouco sobre política. Isso mesmo. Imagine uma eleição, em que a percepção ou imagem de alguém tem grande relevância e pode determinar o voto do eleitor. Dentro desse contexto e do ponto de vista do marketing, caso você tenha uma percepção positiva ou negativa do candidato, você já possui uma imagem do candidato, ou seja, já tem um posicionamento em relação a este (boa ou ruim), isso é o posicionamento de uma marca, é a forma ou modo como esta é percebida/vista pelo eleitor, também em comparação a outros nomes existentes no universo eleitoral (marcas). Para que esse nome/marca assuma um bom posicionamento de mercado, torna-se necessário uma estratégia de marketing que seja eficiente a ponto de atingir com êxito o público-alvo. Assim, a equipe de marketing do partido/candidato poderá definir qual será o conceito e a estratégia (mote de campanha15) do candidato, especificando assim qual será o posicionamento que ele seguirá perante os eleitores: adotará uma percepção mais moderada? Radical? Centro? Direita? Esquerda? Defensor de quais valores? E com quais propostas adequará seu discurso? Logicamente que seguir seu coração é fundamental, porém muitas vezes é necessária uma adequação na comunicação, pois pode passar imagem errada, afinal: Crédito: Achiles Junior, 2021. Escolhemos explicar posicionamento usando o mercado político justamente para chamar a sua atenção, porém tudo aqui funciona tanto para o 15 O primeiro passo para fazer uma peça publicitária é definir o conceito (ou mote) da campanha. O mote é resumido em algumas poucas palavras e direciona a imagem da marca para diferentes valores, transmitindo aos consumidores sua proposta no mercado. Fonte: <https://www.sinergiapublicidade.com.br/quais-sao-os-principios-envolvidos-na-criacao- de-pecas-publicitarias/>. Acesso em: 4 maio 2022. https://www.sinergiapublicidade.com.br/reconhecimento-de-marca-como-medir-a-reputacao-da-sua-empresa/ 19 mercado citado quanto para o mercado corporativo de produtos e serviços. Seguindo nessa linha, serão escolhidos os melhores canais e estratégias de comunicação a serem adotados. Contudo, independentemente de quais sejam estas estratégias, duas questões precisam ser consideradas: a construção de uma forte presença digital, por meio da criação e gerenciamento de perfis oficiais dos candidatos nas principais redes sociais, além de envios de mensagens (respeitando a LGPD16 e privacidade do consumidor) via WhatsApp17, Telegram18, SMS e servidores de e-mail. O posicionamento Segundo Hooley et al. (2011 p. 149) citando Kotler (1997): posicionamento é o ato de projetar a oferta e a imagem da empresa de modo que elas ocupem uma posição competitiva distinta e significativa nas mentes dos clientes-alvo. Para ter sucesso neste posicionamento, a empresa deve pensar nos benefícios que oferece para os clientes, e não apenas no produto em si (Holley et al., 2011). Isto porque você não compra ingressos de cinema, você compra diversão; você não compra celular, você compra estar conectado o dia todo. Segundo Urdan e Urdan (2013), a empresa define como quer serpercebida pelos clientes (diferenciação), e depois terá um árduo trabalho para se posicionar e consolidar este posicionamento na mente das pessoas. Segundo Kotler e Armstrong (2007), o posicionamento total de uma marca é chamado de proposição de valor – o mix de benefícios sobre os quais a marca é diferenciada e posicionada. 16 A partir de agosto de 2021, a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados se torna obrigatória e passa a ser reforçada por multas e sanções administrativas para as empresas que não estiverem em conformidade. Fonte: <https://bityli.com/S8ht5>. Acesso em: 4 maio 2022. 17 O WhatsApp é um aplicativo de troca de mensagens e comunicação em áudio e vídeo pela internet, disponível para smartphones Android, iOS, Windows Phone, Nokia e computadores Mac e Windows. O programa tem mais de 1,5 bilhão de usuários ativos mensais espalhados por mais de 180 países. Fonte: <https://bityli.com/88qZf>. Acesso em: 4 maio 2022. 18 Telegram é um aplicativo gratuito de troca de mensagens. Aqui no Brasil, é considerado rival do famoso WhatsApp. Tão versátil quanto o verdinho, o Telegram tem versões para uso profissional, para celulares com sistema operacional iOS, Android e Windows. Ele também conta com uma versão Web, para ser usado no desktop. Fonte: <https://bityli.com/TRFRF>. Acesso em: 4 maio 2022. 20 Lembre-se: Crédito: Achiles Junior, 2021. TROCANDO IDEIAS Então, destacamos aqui uma série que há um bom tempo fez um grande sucesso no streamming19 mundial, acesse o artigo e reflita sobre o conteúdo, se puder, comente nas redes sociais e marque @achilesjunior. Acesse o link a seguir para ler o conteúdo na íntegra. Disponível em: <https://professormarketing.com.br/blog/8-licoes-de- marketing-que-podemos-tirar-com-a-serie-round-6>. Acesso em: 27 jun. 2022. 19 Streaming é a transmissão, em tempo real, de dados de áudio e vídeo de um servidor para um aparelho – como computador, celular ou smart TV. Um servidor é um tipo de computador que armazena os conteúdos de determinado site, programa, app ou serviço digital. Quando se fala em “conteúdo na nuvem”, por exemplo, está se falando de um servidor físico onde essa mídia está. Fonte: <https://bityli.com/JvEPSx>. Acesso em: 4 maio 2022. 21 Fonte: Achiles Junior, 2021. PS.: essa atividade não é obrigatória. 22 NA PRÁTICA Agora teremos um pequeno desafio para você, afinal, já aprendeu a fazer uma análise SWOT. Que tal elaborar uma análise SWOT da empresa onde trabalha, ou de alguma em que você já trabalhou ou conheça? Sugerimos que você encontre dois itens para cada um dos quatro elementos, duas forças e duas fraquezas, duas oportunidades e duas ameaças do mercado. Créditos: Balodann/Shutterstock. Obs.: este exercício é para reforçar seu aprendizado. Não é obrigatório. 23 FINALIZANDO Esperamos que tenha gostado dessa etapa e desse material. Pode ter certeza que foi desenvolvido com muito carinho mesmo. Nesse momento, você já percebeu como os tópicos começam a se relacionar e fica cada vez mais interessante aprender sobre marketing (pelo menos assim esperamos). Desta forma, poderá ver alguma oportunidade no mercado de se diferenciar do que já existe, além de conhecer melhor seu público-alvo e, consequentemente, desenvolverá posposições de valor que ele realmente valorize. Desta maneira também se diferenciará dos concorrentes com uma vantagem competitiva. Porém, a empresa precisa divulgar este valor de forma consistente para se tornar conhecida e se posicionar na mente dos consumidores, como a empresa que no segmento entrega mais valor do que as demais. 24 Dica de ouro especial para você! Busque esses livros: Crédito: Achiles Junior, 2021. 25 REFERÊNCIAS ACHILES JUNIOR. 8 lições de marketing que podemos tirar com a série Round 6. Professor Marketing, 13 out. 2021. Disponível em: <https://professormarketing.com.br/blog/8-licoes-de-marketing-que-podemos- tirar-com-a-serie-round-6/>. Acesso em: 4 maio 2022. AMA. American Marketing Association. 2017. Disponível em: <https://www.ama.org/the-definition-of-marketing-what-is-marketing/>. Acesso em: 4 maio 2022. BÓRGES, R. O.; MADUREIRA, E. M. P. Marketing estratégico: ferramentas que auxiliam na definição da estratégia. 4º Simpósio de Sustentabilidade e Contemporaneidade nas Ciências Sociais, 2016. CARVALHO, E. da N.; SANTOS, R. M. G. dos. As diretrizes organizacionais: uma análise prática da missão, visão e valores em uma pequena empresa em Mossoró-RN. Revista Foco, 2016, 9.1: 23-36. CHURCHILL JUNIOR, G. A.; PETER, J. P. Marketing: criando valor para os clientes. São Paulo: Saraiva, 2012. COMIN, F. S. Missão, visão e valores como marcas do discurso nas organizações de trabalho. Psico, 2012, 43.3: 6. CREDIDIO, G. S. Publicidade e design: panorama nacional e como extrair maior valor das ideias criativas. Diálogo com a Economia Criativa, 2016, 1.2: 56-74. FERREIRA JUNIOR, A. B. Marketing político e eleitoral: uma analogia entre o mundo corporativo e a política. Curitiba: Ibpex, 2010. FERREIRA JUNIOR, A. B.; AZEVEDO, N. Q. Marketing digital: uma análise do mercado 3.0. Curitiba: InterSaberes, 2015. FERREIRA JUNIOR, A. B.; RIEPING, M. Itrends: uma análise de tendências e mercados. Curitiba: InterSaberes, 2014. FERREIRA JUNIOR, A. B.; AVIS, B. M. Supermarketing: estratégias de marketing digital. Curitiba: InterSaberes, 2022. FERREIRA JUNIOR, A. B.; CAMARGO. S. Cidadão é rei, marketing e atendimento em serviços públicos. Curitiba: InterSaberes, 2022. 26 FERREIRA JUNIOR, A. B.; SENTA, S. Supervarejo: uma abordagem prática sobre mercados de consumo. Curitiba: InterSaberes, 2014. FERREIRA JUNIOR, A. B. Caminhos do Marketing. Curitiba: InterSaberes, 2014. GIANOS, J. F. A brief introduction to ansoffian theory and the optimal strategic performance-positioning matrix on small business (OSPP). Journal of Management Research, v. 5, n. 2, p. 107, 2013. HOOLEY, G. J.; SAUNDERS, J. A.; PIERCY, N. F. Estratégia de marketing e posicionamento competitivo. São Paulo: Prentice Hall, 2005. HUNT, S. D.; MADHAVARAM, S. Adaptive marketing capabilities, dynamic capabilities, and renewal competences: The “outside vs. inside” and “static vs. dynamic” controversies in strategy. Industrial Marketing Management, 2019. KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princípios de Marketing. 12. ed. Londres: Pearson, 2007. KOTLER, P.; BES, F. T. de. A bíblia da inovação. Trad. Texto Editores. São Paulo: Leya, 2011. KUNTZ, R. A. Marketing político: manual de campanha eleitoral. São Paulo: Global, 2006. MANO, C. Esqueça os planos, diz Jim Collins. Revista Exame, 2013. Disponível em: <https://exame.com/revista-exame/esqueca-os-planos/>. Acesso em: 4 maio 2022. PEREIRA, L. B. Elementos condicionantes da estratégia organizacional: breve revisão da literatura. In: Estratégias competitivas: estudos e casos. Curitiba: Juruá, 2007. SEBRAE. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Ferramenta: missão, visão, valores (clássico). Disponível em: <https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/ME_Missao- Visao-Valores.PDF>. Acesso em: 4 maio 2022. SILVA, L. F. S. da. O processo de planejamento estratégico nas microempresas de Guarulhos/SP. Dissertação apresentada à Faculdade Campo Limpo Paulista, do programa de Mestrado em Administração das Micro e Pequenas Empresas, 2017. 27 UNILEVER. Sobre a Unilever. Operações. Disponível em: <https://www.unilever.com.br/about/operacoes/>. Acesso em: 4 maio 2022. ZEITHAML, V. A.; BITNER, M. J.; GREMLER, D. D. Marketing de serviços: a empresa com foco no cliente. Porto Alegre: Bookman, 2011. Não deixe de acessar os artigos do blog www.marketingdavida.com.brSiga no Instagram: @achilesjunior http://www.marketingdavida.com.br/