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Terceirização Prof. Fabrício Veiga Costa Descrição Fundamentação jurídico-legal, caracterização e efeitos jurídicos da terceirização trabalhista. Propósito Compreender os fundamentos teóricos e jurídico-legais da terceirização trabalhista, as questões atinentes à responsabilidade jurídica e seus desdobramentos no âmbito da administração pública é de fulcral importância para a trajetória prático-profissional do estudante desse assunto. Preparação Antes de iniciar o estudo do conteúdo proposto, é importante que você tenha em mãos a Constituição brasileira de 1988 e a CLT (Consolidação das Lei do Trabalho). Objetivos 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 1/53 Módulo 1 Terceirização Analisar a fundamentação jurídico-legal, a caracterização e os efeitos jurídicos da terceirização trabalhista. Módulo 2 Terceirização e responsabilidade jurídica Identificar os principais requisitos da responsabilidade jurídica decorrente da terceirização trabalhista e seus reflexos nos direitos fundamentais sociais do empregado. Módulo 3 Aspectos da terceirização na administração pública Reconhecer os conceitos básicos do fenômeno jurídico da terceirização no âmbito da administração pública. Introdução No presente estudo, num primeiro momento, o foco da análise será no fenômeno jurídico da terceirização no ordenamento jurídico, designadamente o debate doutrinário-jurídico urgido com as alterações trazidas pela Lei nº 13.467/2017. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 2/53 Em seguida, delinearemos as principais características da responsabilidade jurídica da empresa tomadora e da empresa interveniente, a possibilidade de haver a solidariedade entre elas, assim como apontamentos acerca dos aspectos processuais nas ações concernentes à terceirização. Por fim, debateremos sobre os aspectos jurídicos da terceirização na administração pública e as principais controvérsias jurídicas enucleadas no fenômeno da terceirização na administração pública. 1 - Terceirização Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar a fundamentação jurídico-legal, a caracterização e os efeitos jurídicos da terceirização trabalhista. Ligando os pontos A terceirização é um fenômeno jurídico que possibilita a contratação de prestação de serviços de mão de obra trabalhadora, por intermédio de uma terceira empresa, denominada interposta. Os fundamentos legais da terceirização encontram-se no artigo 455 da Consolidação das Leis do Trabalho, no artigo 25 da Lei nº 8.987/1995 (regime de concessão e permissão no âmbito da administração pública), no artigo 94, inciso II, da Lei nº 9.472/1997 (Lei de Telecomunicações), na Lei nº 7.102/1983 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 3/53 (Lei de Vigilância Bancária), na Lei nº 6.019/1974 (Lei de Trabalho Temporário) e, sobretudo, na Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho. Há inúmeras divergências teóricas e doutrinárias quanto ao tema, especificamente no que atine à proteção dos direitos fundamentais sociais dos trabalhadores. Após o advento da Lei nº 13.467/2017, o banco Mercúrio Solar, atento às alterações legislativas, fez uma consulta ao seu departamento jurídico a fim de assegurar – dentro dos limites legais – uma política organizacional de terceirização de suas atividades-fim e atividades- meio. Em razão disso, contratou uma empresa de prestação de serviços de mão de obra para exercer as atividades laborativas de caixas, serviços gerais, segurança armada e atendentes. Você, como advogado do banco Mercúrio Solar, elaboraria um parecer em qual sentido? É possível haver a terceirização da atividade-fim do banco Mercúrio Solar? Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 Os efeitos da terceirização trabalhista têm grande importância teórica no entendimento crítico e sistemático do tema em questão. Com relação ao que se encontra no enunciado, assinale a alternativa correta: A Os efeitos jurídicos da terceirização são benéficos para os trabalhadores terceirizados, tendo em vista que assegura, com a maior amplitude possível, os direitos fundamentais sociais previstos na Constituição brasileira de 1988 e na CLT. B O empregado terceirizado possui vínculo formal de emprego com a empresa tomadora, a quem se encontra diretamente subordinado ao longo da execução do contrato de trabalho. C A empresa prestadora de serviços garante isonomia salarial e irredutibilidade de vencimentos ao trabalhador terceirizado, de modo a tornar viável a 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 4/53 Parabéns! A alternativa D está correta. A terceirização trabalhista não traz para o empregado terceirizado ampla proteção no que atine ao exercício de seus direitos trabalhistas, constituindo-se ofensa ao princípio da imperatividade das normas trabalhistas. O empregado terceirizado possui vínculo formal de emprego com a empresa prestadora de serviços, mas se encontra diretamente subordinado à empresa tomadora ao longo da execução do contrato de trabalho. A isonomia salarial e a irredutibilidade de vencimentos não são uma garantia assegurada ao empregado terceirizado. O pagamento de todas as verbas trabalhistas será de responsabilidade direta da empresa prestadora de serviços, com quem o empregado possui o vínculo formal de emprego, mas o acompanhamento direto das atividades desenvolvidas ao longo da execução do contrato de trabalho será de responsabilidade da empresa tomadora. Questão 2 A compreensão acerca da distinção teórica existente entre atividade-fim e atividade-meio é de significativa importância para o entendimento do fenômeno jurídico da terceirização trabalhista. A respeito da temática aqui apresentada, assinale a alternativa correta: proteção jurídica de todos os seus direitos trabalhistas. D A execução do contrato de trabalho é monitorada diretamente pela empresa tomadora, e a empresa prestadora de serviços responsabiliza-se pelo pagamento de todas as verbas trabalhistas ao empregado terceirizado. E A empresa prestadora de serviços de mão de obra responsabiliza-se pelo pagamento das verbas trabalhistas e assume toda responsabilidade no que atine ao controle de jornada e acompanhamento direto das atividades desenvolvidas pelo empregado terceirizado ao longo da execução do contrato de trabalho. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 5/53 Parabéns! A alternativa E está correta. O advento da Lei nº 13.467/2017 (reforma trabalhista) permitiu a terceirização trabalhista tanto de atividade-fim quanto de atividade- meio, constituindo-se uma forma de violação direta dos direitos trabalhistas dos empregados terceirizados. Com isso, a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho foi revogada, haja vista que admitia, apenas, a terceirização de atividade-meio, proibindo-se, expressamente, a possibilidade de terceirização de atividade-fim. A Com o advento da Lei nº 13.467/2017 e da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho, passou a ser possível apenas a terceirização da atividade-meio, como forma de garantir amplamente a proteção jurídica dos direitos trabalhistas do empregado terceirizado. B Numa instituição de ensino superior privada, os serviços de limpeza, conservação e vigilância integram o conceito de atividade-fim, haja vista que possuem direta relação com o objeto da organização empresarial. C Entende-se por atividade-fim aquela que, mesmo não tendo relação direta com o objeto da empresa, é diretamente por ela executada. D A partir do advento da reforma trabalhista, passou a ser possível a terceirização trabalhista tanto de atividade-fim quantode atividade-meio, constituindo-se uma forma de garantir amplamente a proteção dos direitos trabalhistas dos empregados terceirizados. E Antes do advento da reforma trabalhista, era admissível apenas a terceirização da atividade-meio e, em razão disso, havia um impacto menor no que atine à proteção dos direitos trabalhistas de todos os empregados vinculados à empresa tomadora. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 6/53 Os serviços de limpeza, conservação e vigilância, quando prestados a uma instituição de ensino superior privada, integram o rol de atividade-meio. Entende-se por atividade-fim aquela que possui relação direta com o objeto da organização. Questão 3 Explique e justifique juridicamente se a postura adotada pelo banco Mercúrio Solar, quanto à terceirização trabalhista, encontra-se compatível com o ordenamento jurídico brasileiro vigente. Justifique sua resposta. Digite sua resposta Chave de resposta A política institucional implantada pelo banco Mercúrio Solar, no que atine à terceirização trabalhista, é compatível com o ordenamento jurídico brasileiro vigente. Tal afirmação se justifica porque, após o advento da reforma trabalhista, por meio da entrada em vigor da Lei nº 13.467/2017, passou a ser admitida a terceirização tanto de atividade-fim quanto de atividade-meio. Antes do advento da legislação supramencionada, a terceirização de atividade-fim constituía conduta ilícita vedada pelo ordenamento jurídico brasileiro. Fenômeno da terceirização no ordenamento jurídico brasileiro 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 7/53 O que é a terceirização? Vamos iniciar nossos estudos compreendendo em que consiste a terceirização no Direito do Trabalho. A terceirização é um fenômeno jurídico recente na história do direito brasileiro vigente, consiste na possibilidade de contratação de prestação de serviços de mão de obra trabalhadora, por intermédio de uma terceira empresa, denominada interposta. A formalização da relação de emprego ocorrerá diretamente junto à empresa que oferece serviços de mão de obra, embora o empregado fique subordinado à empresa tomadora ao longo da execução do contrato de trabalho. Trata-se de instituto regulado inicialmente pela Lei nº 6.019/1974, recentemente alterada pela Lei nº 13.467/2017, que trouxe a última reforma trabalhista. Conceitualmente, a terceirização deve ser compreendida como a transferência da execução da mão de obra trabalhadora de uma empresa para outra. No caso em questão, temos a empresa contratante/tomadora e a empresa contratada/prestadora. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 8/53 Com o advento da Lei nº 13.467/2017, houve significativo aumento das possibilidades de terceirização trabalhista; antes só era admitida a terceirização de atividade-meio. Com o advento da referida lei, passou- se a admitir a terceirização de atividade-fim, fato que desencadeou inúmeras críticas, especialmente no que diz respeito aos defensores dos direitos fundamentais sociais. Há entendimentos no sentido de que a ampliação do espectro da terceirização trabalhista teve como consequência a precarização da mão de obra trabalhadora, especialmente porque a empresa responsável pelo fornecimento dos trabalhadores que exercerão atividades profissionais para a empresa tomadora quase sempre paga a eles o piso de sua categoria profissional como forma de, nessa cadeia produtiva, auferir lucro em detrimento dos direitos trabalhistas dos trabalhadores terceirizados. Os fundamentos legais da terceirização encontram-se nos seguintes locais: Artigo 455 da Consolidação das Leis do Trabalho. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 9/53 Artigo 25 da Lei nº 8.987/1995 (regime de concessão e permissão no âmbito da administração pública). Artigo 94, inciso II, da Lei nº 9.472/1997 (Lei de Telecomunicações). Lei nº 7.102/1983 (Lei de Vigilância Bancária). Lei nº 6.019/1974 (Lei de Trabalho Temporário). Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho. A Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho é clara ao estabelecer que a terceirização lícita é aquela que tem como objeto a atividade-meio da tomadora, como é o caso das atividades de vigilância, limpeza e conservação, embora tenha sido revogada com o advento da Lei nº 13.467/2017, que passou a permitir, também, a terceirização de atividades-fim. A regulamentação normativa da terceirização no mercado privado ocorreu, inicialmente, por meio de dois modelos restritos de contratação: o trabalho temporário (Lei nº 6.019/1974) e o trabalho de vigilância bancária (Lei nº 7.102/1983)” (DELGADO, 2022, p. 412). Diante desse contexto propositivo, é relevante afirmar que “o modelo terceirizante da Lei nº 6.019/1974 produziu, indubitavelmente, uma inflexão no sistema trabalhista do país, já que contrapunha à 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 10/53 clássica relação bilateral (própria da CLT) uma nova relação trilateral de prestação colaborativa, dissociando o fato do trabalho do vínculo jurídico que lhe seria inerente. Contudo, ainda assim, tal inflexão foi limitada, uma vez que a fórmula do trabalho temporário não autorizava a terceirização permanente, produzindo efeitos transitórios no tempo. (DELGADO, 2022, p. 412). A recente alteração legislativa Principais alterações trazidas pela Lei nº 13.467/2017 A reforma trabalhista, ocorrida mediante a aprovação da Lei nº 13.467/1917, ampliou de forma significativa o espectro da terceirização trabalhista no Brasil. Em seu artigo 4-A, passou a admitir que, por meio da terceirização, a empresa tomadora pudesse transferir para terceiros a execução de quaisquer de suas atividades, inclusive a atividade principal. Dessa forma, fica evidente que, no atual sistema jurídico, admite-se, inclusive, a possibilidade de terceirização de atividade-fim, algo até então vedado pela Súmula 331 do TST. A partir dessa reforma legislativa, todas as empresas passaram a ter o direito de terceirizar tanto atividades-meio quanto atividades-fim, transferindo para a prestadora de serviços a responsabilidade pela seleção e contratação dos trabalhadores que exercerão suas atividades laborativas diretamente em favor da tomadora. A precarização da mão de obra e uma possível mercantilização dos direitos trabalhistas são questões sempre postas em debate quando se discute criticamente o tema terceirização trabalhista. Os defensores da terceirização sustentam que “a transferência de determinadas atividades secundárias de uma empresa permite que ela concentre maiores esforços para aprimorar os seus serviços principais” (CARVALHO, 2021). 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 11/53 A lógica da terceirização trabalhista segundo Carvalho (2021, p. 85) é a seguinte: O estudo dos efeitos jurídicos decorrentes da terceirização trabalhista engrandece a análise crítica da temática aqui apresentada e podem ser A empresa tomadora “opta por transferir serviços a terceiros, buscando reduzir seus custos de produção. Em vez de contratar empregados, a empresa tomadora opta por uma empresa para executar seus serviços. A empresa contratada fica responsável por fornecer a mão de obra, dirigir e arcar com os custos de seu pessoal. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 12/53 demonstrados das seguintes maneiras: Primeiro efeito jurídico O empregado possui vínculo formal de emprego com a empresa prestadora do serviço de mão de obra, embora esteja diretamente subordinado ao poderdiretivo e disciplinador da empresa tomadora, que é a beneficiária direta do exercício regular e não eventual das atividades laborativas. Segundo efeito jurídico “A terceirização – mesmo lícita – provoca, naturalmente, debate acerca do tratamento isonômico aplicável ao obreiro terceirizado em face dos trabalhadores diretamente admitidos pela empresa tomadora dos serviços terceirizados” (DELGADO, 2022, p. 420). O debate que gira em torno da igualdade salarial evidencia uma das maiores e mais importantes críticas existentes ao instituto da terceirização trabalhista. Para que a empresa prestadora de serviços de mão de obra trabalhadora consiga auferir lucros em suas atividades empresariais, precisa pagar baixos salários aos seus empregados e, assim, precarizar as relações de emprego. A consequência imediata de todo esse contexto fático-jurídico são os benefícios trazidos para a empresa tomadora, que além de não ser a responsável direta pelo vínculo de emprego do trabalhador terceirizado, endossa a prática de pagamento de baixos salários a esses trabalhadores. Em razão disso, há entendimento de que eles passam a vivenciar um processo de coisificação no âmbito das relações de emprego, algo que ofenderia diretamente o princípio da dignidade da pessoa humana. A relação entre trabalho temporário e a terceirização Efeitos jurídicos da terceirização e suas principais críticas O trabalho temporário é considerado a situação-tipo para o advento do instituto da terceirização trabalhista. O artigo 2 da Lei nº 6.019/1974 regulamenta o trabalho temporário e o define da seguinte forma: 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 13/53 Trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física a uma empresa, para atender à necessidade transitória de substituição de seu pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços. (MACHADO JÚNIOR, 1999, p. 141) Nesse sentido, torna-se relevante afirmar: A Lei nº 6.019/1974, ao gerar a figura do trabalho temporário, pareceu querer firmar tipicidade específica, inteiramente afastada da clássica relação de emprego. Não apenas sufragava a terceirização, mas também fixava rol modesto de direitos para a respectiva categoria, além de regras menos favoráveis do que aquelas aplicáveis a empregados clássicos também submetidos a contratos a termo (art. 443 e seguintes da CLT). (DELGADO, 2022, p. 425) O empregado terceirizado firmou contrato de trabalho, a fim de formalizar sua relação de emprego, com a empresa prestadora de serviços, ou seja, “todas as situações envolvendo terceirização (conservação e limpeza, atividade-meio, vigilância, trabalho temporário), caso tenham no polo de prestador de serviços uma pessoa natural que 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 14/53 labore com pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação, são situações regidas pelo Direito do Trabalho, com contratos de emprego entre o obreiro terceirizado e a empresa terceirizante” (DELGADO, 2022, p. 426). Antes da reforma trabalhista, somente era admissível a terceirização trabalhista de atividades-meio. Saiba mais Entende-se por atividade-meio toda aquela atividade que não esteja diretamente relacionada nem vinculada com a atividade-fim da empresa, ou seja, com o seu objeto. Para melhor exemplificar, imagine a seguinte situação: Há uma instituição de ensino superior cujo objeto é a prestação de serviços educacionais; considera-se atividade-fim aquela exercida pelo professor no que atine ao desenvolvimento de atividades laborativas de ensino, pesquisa e extensão, haja vista que tais atividades integram o eixo central e o objeto da instituição de ensino. Além dessa atividade principal, tem-se, ainda, outras atividades consideradas necessárias ao desenvolvimento das instituições de ensino, mas que não estão diretamente vinculadas ao seu objeto central. Os serviços de limpeza, conservação e vigilância são atividades que, embora não integrem o eixo central da instituição de ensino, são consideradas necessárias e, por isso, são denominadas de atividades- meio. Com o advento de Lei nº 13.429/2017, passou a ser possível a terceirização trabalhista tanto de atividade-meio quanto de atividade- fim. O legislador infraconstitucional autorizou as empresas a contratar prestadores de serviços de mão de obra relacionada à sua atividade-fim. Qual o re�exo dessa mudança legislativa no contexto dos direitos trabalhistas? 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 15/53 Entende-se que a possibilidade de terceirização trabalhista de forma ampla terá, como algumas de suas consequências, a precarização das relações de emprego, a redutibilidade de salários e a exploração da mão de obra, questões que vão de encontro com os princípios da proteção, intangibilidade de salários, imperatividade das normas trabalhistas, haja vista que, diante desse contexto, torna-se viável que as empresas prestadoras de serviços paguem o piso salarial para seus empregados, sem oferecer a eles outros benefícios e direitos trabalhistas que teriam se fossem diretamente contratados pela empresa tomadora. Há intenso debate na doutrina brasileira no que tange à constitucionalidade da reforma trabalhista, especificamente no ponto que diz respeito à terceirização. Trabalhadores terceirizados, que têm contratos de trabalho sucessivamente extintos antes de completar um ano, não chegam a adquirir direito a férias anuais remuneradas, o qual se encontra assegurado em tratados internacionais ratificados pelo Brasil. Aqueles que têm contrato extinto no segundo ano de trabalho provavelmente não usufruem as férias, por não permanecerem no emprego nos doze meses consecutivos que compreendem o período concessivo. (PORTO, 2017, p. 155) Tal prática “esvazia sobremaneira a eficácia do direito fundamental voltado à regeneração física e mental e ao convívio social e familiar do trabalhador” (PORTO, 2017, p. 156). Outro ponto nevrálgico envolvendo a questão da constitucionalidade do fenômeno da terceirização trazida pela reforma trabalhista diz respeito à redutibilidade dos salários. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 16/53 A análise comparativa da remuneração também demonstra que os terceirizados recebem salários menores do que os empregados dos tomadores de serviços que exercem a mesma função. De 2007 a 2014, essa diferença se manteve, em média, entre 23% e 27%. (PORTO, 2017, p. 156) Assim, “resta claro que aos trabalhadores terceirizados é dispensado tratamento muito inferior àquele assegurado aos empregados diretos do tomador de serviços. Com efeito, os trabalhadores terceirizados, embora trabalhem mais, recebem salários e benefícios menores. Ressalta-se que deve ser adotado o conceito amplo de remuneração previsto na Convenção nº 100 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), aprovado pelo Decreto Legislativo nº 24, de 1956, e promulgado pelo Decreto nº 41.721, 1957” (PORTO, 2017, p. 158). 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 17/53 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A terceirização é um fenômeno jurídico criado com o objetivo de propor novas formas legalmente viáveis de constituição de vínculos de emprego. A respeito do tema aqui apresentado, assinale a alternativa correta: A O empregado terceirizado possui vínculo formal de emprego com a empresa tomadora, a quem se encontra diretamente subordinado. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 18/53 Parabéns! A alternativa C está correta. O empregado terceirizado possui vínculo formal de empregocom a empresa interveniente (prestadora de serviços), a responsável direta pelo pagamento de todas as verbas trabalhistas. Já a empresa tomadora é quem se beneficia diretamente da mão de obra do empregado terceirizado e, por isso, ele se encontra subordinado a ela. Questão 2 Mesmo com o advento da reforma trabalhista, perduram muitas divergências sobre a legalidade e a constitucionalidade do fenômeno jurídico da terceirização, especialmente quando se analisa a questão em tela sob a perspectiva dos direitos trabalhistas dos empregados terceirizados. A respeito do tema ora exposto, assinale a alternativa correta: B O vínculo formal de emprego do empregado terceirizado é com a empresa tomadora, mas se encontra diretamente subordinado à empresa interveniente (prestadora de serviços). C A empresa interveniente (prestadora de serviços) possui vínculo formal de emprego com o empregado terceirizado, ressaltando-se que sua subordinação é com a empresa tomadora. D O empregado terceirizado possui vínculo formal de emprego com a empresa interveniente (prestadora de serviços), a quem está subordinado. E A subordinação do empregado é tanto à empresa tomadora quanto à empresa interveniente (prestadora de serviços), haja vista que é com ambas que possui vínculo formal de emprego. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 19/53 Parabéns! A alternativa B está correta. O Judiciário brasileiro não reconhece a terceirização como um instituto ilegal e inconstitucional, mesmo havendo muitas críticas no sentido de que esse instituto atenta contra os direitos fundamentais sociais e trabalhistas dos empregados terceirizados. Há posicionamentos doutrinários bastante solidificados que sinalizam no sentido de reconhecer que a terceirização é uma forma de ofensa aos direitos trabalhistas dos empregados, tendo em conta que essa seria considerada uma estratégia do sistema capitalista utilizada para a precarização da mão de obra. A A terceirização é um instituto reconhecido pelo STF como inconstitucional, levando em conta que atenta diretamente contra os direitos trabalhistas dos empregados terceirizados. B Embora haja muitas críticas quanto à legalidade e à constitucionalidade do instituto da terceirização, sabe-se que ele é reconhecido pelo Judiciário brasileiro. C Considerando-se que a terceirização atenta contra os direitos trabalhistas dos empregados, ela não é reconhecida pelo Judiciário brasileiro. D A terceirização é considerada ilegal, mas não inconstitucional, pelo poder Judiciário brasileiro atual. E A terceirização não atenta em nada contra os direitos dos empregados e, por isso, é considerada constitucional e legal pelo Judiciário brasileiro. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 20/53 2 - Terceirização e responsabilidade jurídica Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os principais requisitos da responsabilidade jurídica decorrente da terceirização trabalhista e seus re�exos nos direitos fundamentais sociais do empregado. Ligando os pontos A responsabilidade jurídica da empresa tomadora e da empresa interveniente (prestadora de serviços), no contexto da terceirização trabalhista, é um tema que gera inúmeras divergências teóricas e, muitas vezes, jurisprudenciais (junto aos tribunais brasileiros). Os reflexos dessa temática são diretos quando se fala em proteção dos direitos trabalhistas dos empregados terceirizados, especialmente no que atine ao fato de o vínculo empregatício ser constituído diretamente com a empresa interveniente e a subordinação do empregado estar vinculada à empresa tomadora. Além das questões aqui expostas, temos, ainda, os reflexos da terceirização trabalhista no campo do processo trabalhista, seja no que atine à competência do juízo ou à possibilidade de formação de litisconsórcio passivo facultativo. A Faculdade Tabajaras do Sul, localizada na cidade de Cacacá, interior do estado de São José, resolveu terceirizar os serviços de limpeza, conservação e vigilância no ano de 2019. Já no ano de 2020, a referida instituição de ensino superior resolveu terceirizar, também, a mão de obra de professores, objetivando economizar com sua folha de pagamento. Iniciado o ano de 2022, a Faculdade Tabajaras do Sul encerra suas atividades e a empresa interveniente também age no 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 21/53 mesmo sentido (encerra suas atividades), alegando crise financeira decorrente da pandemia da covid-19. Você, advogado em Cacacá, fora procurado por um ex-trabalhador da Faculdade Tabajaras do Sul que, não só gostaria de saber se poderia reivindicar seus direitos na Justiça – porque a faculdade encerrou as atividades por causa da situação pandêmica vivida por todos –, como também queria saber sobre qual empresa recairia uma eventual responsabilização pelos pagamentos das verbas trabalhistas. Diante desse caso, vamos responder a algumas questões sobre responsabilidade jurídica pelo pagamento das verbas trabalhistas e previdenciárias no caso de terceirização de mão de obra? Questão 1 A responsabilidade jurídica pelo pagamento das verbas trabalhistas e previdenciárias, no caso de terceirização de mão de obra envolvendo relação de emprego, é tema de significativa importância no ordenamento jurídico brasileiro. A respeito dessa temática, assinale a alternativa correta: A O texto original da Lei nº 6.019/1974 (art. 16) prevê a responsabilidade solidária da empresa tomadora dos serviços (empresa-cliente) pelas verbas de contribuições previdenciárias, remuneração e indenização referente à terceirização trabalhista. B Conforme estabelece a Súmula 371 do TST e a Lei nº 13.429/2017, a responsabilidade da empresa tomadora de serviços é solidária com a empresa interveniente nos casos envolvendo terceirização trabalhista. C Segundo estabelece a Lei nº 6.019/1974, nos casos de terceirização trabalhista, a responsabilidade da empresa tomadora é subsidiária, tendo em vista que a empresa interveniente é quem assume diretamente a responsabilidade pelos créditos dos trabalhadores terceirizados. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 22/53 Parabéns! A alternativa A está correta. A Lei nº 6.019/1974 instituiu como regra geral a responsabilidade solidária da empresa tomadora e da empresa interveniente nos casos envolvendo terceirização trabalhista. Com o advento da Súmula 371 do TST e da Lei nº 13.429/2017 (reforma trabalhista), a responsabilidade da empresa tomadora passou a ser subsidiária nos casos de terceirização trabalhista, haja vista que o vínculo direto do empregado terceirizado é com a empresa interveniente. Com relação ao litisconsórcio, pode-se afirmar que não é possível formar o litisconsórcio passivo facultativo, na ação trabalhista envolvendo mão de obra de empregado terceirizado, porque a empresa tomadora responde subsidiariamente. Questão 2 O estudo do tema terceirização trabalhista, na perspectiva do processo do trabalho, é de significativa importância para o entendimento das questões a ela inerentes. A respeito da competência e da formação de litisconsórcio em ações trabalhistas propostas por empregados terceirizados, assinale a alternativa correta: D É juridicamente possível a constituição do litisconsórcio passivo facultativo em ações trabalhistas propostas por empregado terceirizado, levando em conta que a responsabilidade de empresa tomadora e interveniente é solidária. E Não é juridicamente possível a constituição do litisconsórcio passivo facultativo em razão da responsabilidade da empresa tomadora e interveniente ser solidária, tal como estabelece a Súmula 371 do TST e a Lei nº 13.429/2017. A Mesmo antes do advento da EmendaConstitucional nº 45, a Justiça do Trabalho era competente para processar e julgar demandas envolvendo relações de emprego e relações de trabalho, inclusive as reclamatórias trabalhistas com objeto na terceirização trabalhista. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 23/53 Parabéns! A alternativa C está correta. Antes do advento da Emenda Constitucional nº 45, a competência da Justiça do Trabalho era restrita para o processamento e julgamento de relações de emprego, não se admitindo o debate de relações de trabalho no âmbito das ações trabalhistas propostas. Após o advento da respectiva emenda constitucional, ampliou-se a competência da Justiça do Trabalho, passando-se a incluir relações de emprego e de trabalho como objeto possível das reclamatórias trabalhistas. Considerando-se que a empresa tomadora é subsidiariamente responsável nos casos de terceirização trabalhistas, pode-se afirmar que não é processualmente possível a B É juridicamente possível a formação de litisconsórcio passivo facultativo da empresa tomadora com a empresa interveniente nos casos de ações trabalhistas propostas por empregados terceirizados. C A Justiça do Trabalho tem competência absoluta em razão da matéria para o processamento e julgamento de demandas judiciais envolvendo relações de emprego e trabalho, incluindo-se, nesse rol, as reclamatórias trabalhistas ajuizadas por empregados terceirizados. D É possível a constituição do litisconsórcio ativo facultativo de empregados terceirizados, assim como é admissível o litisconsórcio passivo facultativo da empresa tomadora e interveniente, quando ajuizada reclamatória trabalhista cujo objeto é o reconhecimento de direitos fundamentais sociais no contexto da terceirização. E O fenômeno jurídico da terceirização faculta aos empregados terceirizados ajuizarem suas respectivas reclamatórias trabalhistas na Justiça do Trabalho ou, facultativamente, na Justiça Federal, de modo a assegurar o direito fundamental de acesso à Justiça. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 24/53 formação de litisconsórcio passivo facultativo entre empresa tomadora e empresa interveniente, nos casos envolvendo reclamatória trabalhista ajuizada por empregado terceirizado. A competência para julgar ações trabalhistas envolvendo direitos de empregados terceirizados é absoluta e exclusiva da Justiça do Trabalho. Questão 3 Explique e justifique juridicamente quem deverá responder pelo pagamento das verbas trabalhistas dos empregados terceirizados. Em seguida, analise se os autores das reclamatórias trabalhistas poderão constituir litisconsórcio passivo necessário, como meio de garantir a proteção dos seus direitos trabalhistas. Digite sua resposta Chave de resposta As reclamatórias trabalhistas ajuizadas pelos empregados terceirizados deverão ser propostas em face da empresa interveniente, haja vista a responsabilidade subsidiária da empresa tomadora, tal como se encontra previsto na Súmula 331 do TST e na Lei nº 13.429/2017 (reforma trabalhista). Em razão disso, os reclamantes precisam demandar, primeiro, a empresa interveniente e apenas se provarem sua impossibilidade de quitar os débitos trabalhistas e previdenciários é que poderão acionar a empresa tomadora, comprometendo-se, assim, a formação do litisconsórcio passivo facultativo. A responsabilidade jurídica na terceirização 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 25/53 Responsabilidade jurídica da empresa tomadora e da empresa interveniente Responsabilidade e terceirização Neste vídeo, conheceremos as responsabilidades de tomador e interveniente nos casos de terceirização. A terceirização trabalhista é um fenômeno por meio do qual a gestão do vínculo empregatício fica a cargo de uma empresa interveniente, que oferece à empresa tomadora a mão de obra trabalhadora para, assim, viabilizar o exercício das atividades laborativas diretamente subordinadas à empresa que se beneficia da referida mão de obra. A temática da responsabilidade em situações de terceirização foi tratada expressamente pela Lei do Trabalho Temporário. Estabelece o texto original da Lei nº 6.019/1974 (art. 16) a responsabilidade solidária da empresa tomadora dos serviços (empresa-cliente) pelas verbas de contribuições previdenciárias, remuneração e indenização. (DELGADO, 2022, p. 432) 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 26/53 É relevante observar que a empresa tomadora (empresa-cliente) no âmbito da terceirização trabalhista respondia solidariamente pelas verbas trabalhistas e previdenciárias com a empresa interveniente (prestadora de serviços). Não obstante solidária, a responsabilidade criada pela Lei nº 6.019/1974, sua hipótese de incidência era sumamente restrita: incidiria apenas havendo falência da empresa fornecedora da força de trabalho. Além disso, a responsabilidade solidária não abrangeria todas as verbas do contrato envolvido, somente aquelas poucas especificadas na Lei nº 6.019/1974. (DELGADO, 2022, p. 432) Tal regra foi alterada em momento posterior, especialmente com o advento da Súmula 331 do TST, cuja interpretação sistemática direciona para a responsabilidade subsidiária da empresa tomadora, já que o entendimento prevalente é aquele no qual a empresa interveniente é quem responde diretamente pelo pagamento de todas as verbas trabalhistas e previdenciárias referentes ao empregado-terceirizado, tendo em consideração que é com ela que o empregado formaliza seu vínculo de emprego. A súmula 371 do TST, tratando dessa reinterpretação da ordem justrabalhista no que tange à temática da responsabilidade em contextos de terceirização, fixou que o inadimplemento das obrigações 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 27/53 trabalhistas, por parte do empregador, implica na responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que tenha participado da relação processual e conste também no título executivo judicial”. (DELGADO, 2022, p. 432-433) Mesmo com o advento da reforma trabalhista (Lei nº 13.429/2017), a regra que continua vigorando, a respeito da responsabilidade decorrente da terceirização, é a seguinte: A empresa tomadora tem responsabilidade subsidiária, ou seja, considerando-se que o vínculo empregatício na terceirização é constituído diretamente como a empresa interveniente, sabe-se que ela é quem responderá de forma direta por todos os encargos trabalhistas. Subsidiariamente, se a empresa interveniente não puder cumprir com o pagamento de todos os encargos trabalhistas, estende-se essa responsabilidade para a empresa tomadora, haja vista que é quem se beneficiou diretamente dos préstimos da mão de obra trabalhadora. Uma indagação se torna relevante no presente contexto: A responsabilidade subsidiária, preconizada no inciso VI da Súmula 331 TST e na Lei nº 13.429/2017, aplica- se a créditos trabalhistas resultantes de contratos de terceirização pactuados com entes estatais? Em homenagem aos princípios da proteção e da isonomia, pode-se afirmar que o Estado deve responder subsidiariamente pelo pagamento 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 28/53 das verbas trabalhistas não quitadas pela empresa interveniente, tendo em conta que os direitos fundamentais sociais são de natureza indisponível e irrenunciável. Reconhecer, no presente caso, a irresponsabilidade absoluta do ente estatal seria uma forma de legitimar a violação de direitos trabalhistas pelo próprio Estado. “Assim, quer em face da responsabilidade objetiva do Estado, quer em face de sua responsabilidadesubjetiva, inerente a qualquer pessoa jurídica, as entidades estatais respondem, sim, pelos valores resultantes dos direitos trabalhistas devidos pelos empregadores envolvidos com contratos terceirizantes com tais entidades” (DELGADO, 2022, p. 434). Terceirização e direitos fundamentais sociais dos trabalhadores Solidariedade entre empresa interveniente e tomadora Outra indagação é considerada fundamental no presente momento da reflexão científica proposta: Quais seriam os desdobramentos jurídico-legais, para empregador e empregado, caso prevaleça a regra da responsabilidade trabalhista solidária, entre empresa interveniente e tomadora, no que atine aos direitos fundamentais sociais, previdenciários e trabalhistas dos empregados terceirizados? 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 29/53 A primeira importante vantagem seria para o empregado-terceirizado, que não teria como obrigação esgotar as tentativas de satisfação de seu crédito trabalhista e previdenciário em face da empresa interveniente para, somente depois disso, acionar a empresa tomadora. Nesse caso o empregado-terceirizado poderia acionar judicialmente ambas as empresas, por meio da constituição de um litisconsórcio passivo facultativo, tanto na fase do processo de conhecimento quanto na fase do processo de execução. Uma desvantagem que pode ser levantada no presente contexto diz respeito aos interesses da empresa tomadora, ou seja: Se ela responder solidariamente pelos créditos trabalhistas e previdenciários, juntamente com a prestadora de serviços (empresa interveniente), qual seria a vantagem de contratar uma empresa interveniente para fornecer mão de obra terceirizada? Uma das principais vantagens para a empresa tomadora, ao optar pela terceirização trabalhista, é a responsabilidade subsidiária por ela assumida frente à empresa interveniente. Além disso, ressalta-se o dever de a empresa interveniente assumir a responsabilidade direta pelo pagamento de todas as verbas trabalhistas devidas ao longo do contrato de trabalho, cabendo à empresa tomadora apenas a responsabilidade de gerir a prestação de serviços enquanto o contrato de trabalho estiver em vigor. A adoção da regra da responsabilidade solidária poderá ocasionar impacto econômico na atividade desenvolvida por empresas intervenientes, pelos motivos aqui expostos. Outra questão a ser aventada nesse momento diz respeito à vantagem e privilégio conferido à empresa interveniente, caso prevaleça a tese de responsabilidade solidária no caso de terceirização trabalhista. Se a empresa tomadora for solidariamente responsável, isso poderia 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 30/53 desencadear um certo conforto para a empresa interveniente, além da possibilidade de estimular possíveis fraudes de empresas prestadoras de serviços de mão de obra. Se uma empresa interveniente se lança no mercado, sabendo que a responsabilidade trabalhista decorrente da terceirização é solidária, qual garantia a empresa tomadora terá que todos os encargos trabalhistas serão regularmente quitados pela empresa interveniente ao longo da execução do contrato de trabalho? Reconhecer a responsabilidade solidária, no presente contexto, poderá trazer conforto à empresa interveniente e insegurança à empresa tomadora, fatores esses que poderão influenciar diretamente no êxito da terceirização como instituto do Direito do Trabalho. Aspectos processuais na terceirização Competência e litisconsórcio Competência é a atribuição legal para o exercício da função jurisdicional, previamente definida em lei que estabelecerá critérios de como a jurisdição será exercida, delimitando a matéria e sua extensão territorial. A Justiça do Trabalho é regida pela regra de competência absoluta em razão da matéria, fundada em norma jurídica cogente que autoriza o magistrado a reconhecer de ofício vício de competência absoluta, ou seja, se o magistrado verificar que é absolutamente incompetente para uma demanda, poderá reconhecer sua incompetência mediante provocação da parte interessada ou, ainda, ex officio. Com o advento da Emenda Constitucional nº 45/2004, verifica-se a ampliação das atribuições conferidas à Justiça do Trabalho, ou seja, antes da respectiva emenda, a competência da Justiça do Trabalho era mais restrita às questões diretamente relacionadas com os direitos trabalhistas (relações de emprego). O advento da Emenda Constitucional nº 45, ao ampliar a competência da Justiça do Trabalho, permitiu que demandas que abordam direta ou indiretamente questões trabalhistas fossem objeto de análise da Justiça do Trabalho, incluindo- 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 31/53 se, por exemplo, a competência para o processamento e julgamento de ações de indenização por danos morais e materiais decorrentes de acidente de trabalho, além da apreciação de algumas demandas envolvendo relações de trabalho. Com a EC nº 45, de 2004, confirmou- se a já sedimentada competência judicial trabalhista para conhecer e julgar lides inerentes à terceirização: é que a competência constitucional abrange não só as relações de emprego, como, ainda, qualquer relação de trabalho conexa à terceirização. (DELGADO, 2022, p. 436) A grande modificação trazida pela Emenda Constitucional nº 45 é que, antes dela, a Justiça do Trabalho era competente para o processamento e julgamento de demanda envolvendo, apenas, as relações de emprego, mas, após seu advento, a competência se estendeu para as relações de trabalho. As razões que levaram o legislador constitucional a fazer essa opção têm relação direta com a especialidade da Justiça do Trabalho, tecnicamente preparada para processar e julgar demandas envolvendo tanto as relações de emprego quanto as relações de trabalho. Outra relevante questão processual a ser debatida no presente contexto é a formação de litisconsórcio nas ações trabalhistas cuja pretensão deduzida é a terceirização. Conforme exposto, a responsabilidade da empresa tomadora é subsidiária e, em razão disso, o reclamante precisa, primeiro, demandar a empresa interveniente (prestadora de serviços) e só após reconhecer sua insuficiência em arcar com o pagamento das verbas trabalhistas e previdenciárias é que poderá demandar a empresa tomadora, que responderá de forma subsidiária. Em razão disso, afirma-se que não será possível a constituição de litisconsórcio passivo facultativo quando a responsabilidade civil da empresa tomadora for subsidiária. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 32/53 Somente será juridicamente possível a constituição do litisconsórcio passivo facultativo, na ação trabalhista cuja pretensão é a terceirização, quando restar reconhecida a responsabilidade civil solidária entre empresa interveniente e empresa tomadora. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 33/53 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O instituto da terceirização trabalhista, embora seja regulamentado pelo direito material, tem importantes discussões no contexto processual. A respeito desse tema, assinale a alternativa correta: Parabéns! A alternativa B está correta. Não se admite a formação do litisconsórcio ativo necessário no caso de ações trabalhistas envolvendo discussões referentes à A Nas ações trabalhistas, cujo objeto é a terceirização, é juridicamente admissível a formação do litisconsórcio ativo necessário. B Não é juridicamente possível a constituição do litisconsórcio passivo facultativo nas ações trabalhistas que discutem a terceirização, haja vista que a responsabilidade jurídica da empresa tomadora é subsidiária. CÉ juridicamente possível a formação do litisconsórcio ativo e passivo no âmbito das ações trabalhistas que discutem a terceirização. D A competência para o processamento e julgamento das ações trabalhistas envolvendo terceirização é relativa e pertence à Justiça do Trabalho. E Excepcionalmente a competência para o julgamento das ações envolvendo a terceirização poderá ser da Justiça Estadual Comum ou Justiça Federal. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 34/53 terceirização, tendo em vista que dessa forma poderá ocorrer a limitação do direito fundamental de acesso à justiça. Considerando- se que a responsabilidade jurídica da empresa tomadora é subsidiária, não é admissível a formação de litisconsórcio passivo nas ações trabalhistas envolvendo discussão da terceirização. A competência para o processamento e julgamento das ações trabalhistas envolvendo terceirização é da Justiça do Trabalho e é absoluta. Questão 2 A responsabilidade jurídica, no que atine à terceirização trabalhista, é um tema de importante relevância para o entendimento dos direitos trabalhistas dos empregados terceirizados. A partir da temática aqui apresentada, assinale a alternativa correta: A A empresa tomadora é diretamente responsável pelo pagamento dos créditos trabalhistas dos empregados terceirizados, tendo em vista que ele é diretamente subordinado a essa empresa. B O pagamento dos créditos trabalhistas é de responsabilidade direta da empresa interveniente, levando em consideração que a empresa tomadora responde subsidiariamente pelo referido pagamento. C O empregado terceirizado é diretamente subordinado à empresa interveniente (prestadora de serviços), ressaltando-se que é essa empresa a responsável pelo pagamento dos créditos trabalhistas. D Embora o empregado terceirizado não esteja subordinado à empresa tomadora, sabe-se que é ela quem tem responsabilidade subsidiária pelo pagamento dos créditos trabalhistas. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 35/53 Parabéns! A alternativa B está correta. A empresa tomadora é subsidiariamente responsável pelo pagamento dos créditos trabalhistas. O empregado terceirizado encontra-se diretamente subordinado à empresa tomadora. O pagamento dos créditos trabalhistas do empregado terceirizado é de responsabilidade direta da empresa interveniente, considerando- se que a empresa tomadora é subsidiariamente responsável. Não há qualquer subordinação do empregado terceirizado à empresa interveniente (prestadora de serviços). 3 - Aspectos da terceirização na administração pública Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os conceitos básicos do fenômeno jurídico da terceirização no âmbito da administração pública. Ligando os pontos E O empregado terceirizado não está subordinado à empresa interveniente (prestadora de serviços) levando em conta que essa empresa não tem qualquer responsabilidade quanto ao pagamento dos créditos trabalhistas. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 36/53 O fenômeno jurídico da terceirização trabalhista no âmbito da administração pública é tema controverso que gera inúmeras discussões e questionamentos na comunidade jurídica. A primeira questão a ser analisada no contexto temático em tela é a obrigatoriedade de realização de concurso público como condição para a contratação de pessoas que trabalharão na administração pública. A partir dessa máxima, é possível indagar se é juridicamente possível a terceirização no âmbito da administração pública direta e indireta e, em sendo admissível tal possibilidade, deve-se analisar se tal fenômeno englobaria apenas as atividades-meio ou, também, as atividades-fim. O município de Alegria do Viver resolveu terceirizar o serviço de limpeza e vigilância. Em razão disso, contratou a empresa interveniente (prestadora de serviços) denominada Sonhos Impossíveis, a qual tinha como atividade-fim o serviço de limpeza e vigilância. O contrato firmado entre as partes iniciou em agosto de 2019 e perdurou até dezembro de 2021. Desde o mês de agosto de 2021, a empresa Sonhos Impossíveis deixou de pagar salário, depositar o FGTS e recolher contribuição previdenciária de seus empregados terceirizados. Ante esse caso, pergunta-se: é possível que a administração pública terceirize serviços? Ter-se-ia uma degenerescência da Constituição Federal? Ou, em outras palavras: a terceirização na administração pública não infringe o regramento constitucional da aprovação prévia em concurso público de provas e de provas e títulos como requisitos para a investidura em cargo ou emprego público? Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 O texto da Constituição brasileira de 1988 é categórico ao estabelecer que a forma clássica de contratação de pessoal para exercer atividades laborativas junto à administração pública é o concurso público. Em contrapartida, verifica-se, ainda, que a terceirização é outra forma admissível de contratação de pessoas para exercerem suas atividades laborativas junto à administração pública. A respeito do tema apresentado, assinale a alternativa correta: 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 37/53 Parabéns! A alternativa B está correta. O administrador público não poderá escolher livremente sua forma de contratação de pessoas, tendo em vista a obrigatoriedade de respeitar os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Excepcionalmente, admite-se a contratação de pessoas via terceirização, desde que sejam observados os limites jurídicos previamente estabelecidos em lei. A terceirização não se constitui em ato administrativo discricionário. A terceirização gera responsabilidade subsidiária do Estado, caso a empresa interveniente (prestadora de serviços) esteja inadimplente quanto ao pagamento dos créditos trabalhistas. Questão 2 A O administrador público poderá escolher livremente sua forma de contratação de pessoas, seja via concurso público ou terceirização. B A forma clássica de contratação de pessoas é o concurso público, admitindo-se, de forma excepcional e nos limites legais, a terceirização. C Qualquer atividade da administração pública poderá ser terceirizada, haja vista tratar-se de ato discricionário do agente público. D A terceirização não gera qualquer responsabilidade para a administração pública no que tange ao pagamento dos créditos dos empregados terceirizados. E É absolutamente inadmissível a contratação de pessoal na administração pública via terceirização. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 38/53 O fenômeno jurídico da terceirização deve ser compreendido sob o viés do direito público quando se fala na aplicabilidade e utilização da terceirização trabalhista pela administração pública. A respeito desse tema, assinale a alternativa correta: Parabéns! A alternativa A está correta. A A administração pública é juridicamente considerada empresa tomadora e, por isso, responde subsidiariamente pelos créditos trabalhistas dos empregados terceirizados, no caso de inadimplemento da empresa interveniente (prestadora de serviços). B O empregado terceirizado é subordinado de forma direta à empresa interveniente (prestadora de serviço), que é a pessoa diretamente responsável pelo pagamento dos débitos trabalhistas referente aos empregados terceirizados. C A administração pública não tem qualquer responsabilidade jurídica quanto ao pagamento dos créditos trabalhistas dos empregados terceirizados, tendo em consideração que essa é uma responsabilidade exclusiva da empresa interveniente(prestadora de serviços). D Em razão das disponibilidades dos direitos trabalhistas dos empregados terceirizados, a administração pública não terá qualquer responsabilidade jurídica quanto ao pagamento dos respectivos créditos trabalhistas. E A responsabilidade jurídica pelo pagamento dos créditos trabalhistas de empregados terceirizados é solidária entre a empresa interveniente (prestadora de serviços) e a administração pública. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 39/53 A responsabilidade jurídica da administração pública, nos casos de terceirização trabalhista, é subsidiária, considerando-se que os direitos trabalhistas dos empregados terceirizados são de natureza indisponível e inalienável. O empregado terceirizado é diretamente subordinado à administração pública. A empresa interveniente (prestadora de serviço) é a responsável direta pelo pagamento das verbas trabalhistas, ressaltando-se que a administração pública será subsidiariamente responsável pelo pagamento dos respectivos créditos trabalhistas. Os créditos trabalhistas dos empregados terceirizados são de natureza indisponível e irrenunciável. Não existe responsabilidade solidária entre administração pública e empresa interveniente (prestadora de serviços) quanto ao pagamento de créditos trabalhistas de empregados terceirizados perante à administração pública. Questão 3 A partir do estudo de caso aqui apresentado, responda: o município Alegria do Viver tem responsabilidade jurídica quanto ao pagamento dos créditos trabalhistas dos empregados terceirizados? Justifique juridicamente sua resposta: 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 40/53 Digite sua resposta Chave de resposta Os direitos dos empregados terceirizados são irrenunciáveis e indisponíveis, levando em conta que visam garantir o seu sustento e a dignidade da pessoa humana. No caso em análise, verifica-se que o município de Alegria do Viver responderá subsidiariamente pelo pagamento dos créditos trabalhistas dos empregados terceirizados. Se a empresa interveniente Sonhos Impossíveis não conseguiu arcar com o pagamento das verbas trabalhistas, conclui-se que essa responsabilidade recairá subsidiariamente sobre o município Alegria do Viver, que foi quem se beneficiou diretamente da mão de obra dos trabalhadores. Terceirização e administração pública A terceirização na administração pública Neste vídeo, o professor nos explica sobre os diferentes aspectos e impactos da terceirização na administração pública. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 41/53 Primeiros aspectos O advento da Constituição brasileira de 1988 trouxe significativas modificações no que atine à administração pública, ou seja: A Carta Magna colocou a aprovação prévia em concurso público de provas e de provas e títulos como requisito insuplantável para a investidura em cargo ou emprego público, considerando nulo o ato de admissão efetuado sem a observância de tal requisito. (DELGADO, 2022, p. 422) No momento em que a legislação constituinte adotou a respectiva regra, passamos a ter significativo obstáculo no que tange ao fenômeno da terceirização trabalhista no setor público, já que o concurso público passou a ser a essência do ato de admissão de trabalhadores pelo Estado. O objetivo do legislador constituinte foi estabelecer critérios mais objetivos (menos subjetivos) de contratação de pessoas para o exercício de atividades laborativas no âmbito da administração pública, privilegiando a aplicabilidade dos princípios da legalidade, impessoalidade e eficiência. Entendeu-se, a partir de então, que o concurso público é instrumento efetivo que viabiliza a contratação de pessoas com base em critérios fundados nas habilidades e competências profissionais de cada candidato, afastando-se da sistemática clientelista. A terceirização de mão de obra no âmbito da administração pública é tema não pacificado na doutrina e na jurisprudência brasileira e, por isso, torna-se relevante apresentar os três posicionamentos teóricos existentes: 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 42/53 Primeira corrente A primeira corrente afirma que a terceirização de atividades pelo Estado é conduta ilícita, não gera vínculo empregatício em razão da vedação constitucional e, por isso, não teria a aptidão de produzir efeitos no que atine à responsabilidade do Estado quanto ao pagamento de verbas trabalhistas e previdenciárias aos empregados terceirizados. Segunda corrente A segunda corrente se posiciona no sentido de conferir validade ao vínculo jurídico com o ente estatal tomador dos serviços, que assume, “em consequência, a posição de empregador desde o início da relação socioeconômica verificada” (DELGADO, 2022, p. 423). Terceira corrente A terceira corrente afirma que não se pode negar validade e eficácia ao texto constitucional, “como se o Direito do Trabalho fosse um superdireito, imune a qualquer influência ou comando retificador de sua rota, mesmo quando oriundo do documento político e jurídico maior de uma nação” (DELGADO, 2022, p. 424). “Para a corrente intermediária, permaneceria o dilema de compatibilizar- se, harmonizar-se a vedação constitucional ao reconhecimento de vínculo empregatício com entidades estatais sem concurso público com inúmeros outros princípios e regras constitucionais tão relevantes quanto a regra vedatória obedecida” (DELGADO, 2022, p. 424). Mesmo que a terceirização trabalhista realizada pelo Estado seja considerada atividade ilícita, para a terceira corrente o reconhecimento dessa ilicitude não seria suficiente para justificar a violação dos direitos trabalhistas dos empregados terceirizados. Controvérsias jurídicas 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 43/53 Se a administração pública se beneficia diretamente da mão de obra dos trabalhadores terceirizados (e direta ou indiretamente a coletividade também se beneficia do exercício dessas atividades laborativas), e mesmo que tal prática seja considerada ilícita a partir da leitura do texto da Constituição brasileira de 1988, isso, por si só, não poderá afastar a responsabilidade subsidiária do ente público em arcar com o pagamento das verbas trabalhistas devidas. Reconhecer a absoluta irresponsabilidade do Estado, quanto ao pagamento subsidiário das verbas trabalhistas e previdenciárias em favor dos empregados terceirizados, constitui uma forma de enriquecimento ilícito do Estado. A terceirização representa uma das formas de descentralização das atividades estatais amplamente difundida desde o advento de Ementa Constitucional nº 19, que incluiu o princípio da eficiência entre os princípios constitucionais contidos no caput do art. 37 da Constituição Federal, visando à modernização e à otimização do Estado. (SANTO, 2004, p. 157) Embora o texto constitucional estabeleça a obrigatoriedade de concurso público para seleção de pessoas para trabalharem para o Estado, não podemos afastar a terceirização como atividade excepcional e necessária à garantia da continuidade na prestação do serviço público. Propõe-se, aqui, uma reflexão mais sistemática, menos legalista e literal sobre o tema em questão. Re�exão Se interpretarmos a literalidade do texto constitucional vigente, a conclusão imediata será a vedação da prática da terceirização em razão da obrigatoriedade de contratação de pessoas via concurso público. Porém, caso o texto constitucional seja interpretado de forma sistemático-integrativa, pode-se reconhecer que a terceirização é uma 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 44/53 medida excepcionalque poderá ser adotada pelo Estado como meio de garantir a regularidade na prestação dos serviços públicos, de modo a atender aos interesses da coletividade. Caráter excepcional da terceirização na administração pública Especi�cidades da terceirização na administração pública “Por terceirização entende-se a contratação de empresas especializadas, terceiros, para a realização de atividades-meio e fim de determinada organização” (SANTO, 2004, p. 157). A partir da recente reforma trabalhista, ocorrida no ano de 2017 no Brasil, passou-se a admitir a terceirização de atividade-fim e meio. No âmbito da administração pública: Para que ela se realize da forma como permitida pela legislação vigente, o plano de cargos e carreiras da União, estado ou município deverá ser omisso no tocante ao cargo que se pretenda terceirizar. Ou seja, havendo regulamentação pelo plano de cargos e carreira de um município, por exemplo, acerca do cargo, o qual pretende ser eventualmente terceirizado, ocorrerá mera substituição de mão de obra, já que referido cargo integra a estrutura organizacional dessa municipalidade, e as despesas inerentes a este serão contabilizadas como outras despesas com pessoal, computadas no cálculo do limite constitucionalmente imposto pelo art. 169 da CF. (SANTO, 2004, p. 157) 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 45/53 Pelo que foi aqui exposto, é importante esclarecer o seguinte: A regra adotada no serviço público é que a contratação de pessoas ocorrerá via concurso público, de provas ou de provas e títulos. Excepcionalmente o Estado poderá se utilizar de outras formas de contratação, desde que as justifique a partir da necessidade excepcional de interesse público. Significa dizer que o Estado precisa manter a regularidade na prestação dos serviços públicos, de modo a atender aos interesses da coletividade. Em razão disso, se eventualmente não for possível a contratação de pessoas via concurso público, poderá o agente público se utilizar de outros meios considerados excepcionais. A terceirização é um meio excepcional de contratação de pessoas pelo Estado e poderá ser utilizada com o condão de garantir a regular prestação dos serviços públicos. De fato, o uso da terceirização deve visar ao atendimento das necessidades dos administrados, fornecendo-lhes serviços de boa qualidade, com redução nos custos e com a consequente implementação de incentivos à iniciativa privada. (SANTO, 2004, p. 158) 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 46/53 Maria Sylvia Zanella Di Pietro (1999, p. 99), ao estudar sobre a terceirização no âmbito da administração pública, afirma: “suas principais vantagens seriam a especialização da empresa contratada, a possibilidade de a empresa tomadora do serviço concentrar-se na execução de suas atividades-fim, a diminuição de encargos trabalhistas e previdenciários, com a consequente redução do preço do produto ou serviço, a simplificação da estrutura empresarial”. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 47/53 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O Direito Constitucional e Direito Administrativo brasileiro vigente institui como regra geral a contratação de servidores públicos via concurso público, de modo a viabilizar a aplicabilidade dos princípios da legalidade, impessoalidade e isonomia de acesso aos cargos públicos. Mesmo assim, verifica-se, no âmbito da administração pública, a discussão jurídica acerca da terceirização trabalhista. A respeito dos temas aqui apresentados, assinale a alternativa correta: A Não é juridicamente admissível a contratação de servidores públicos via terceirização trabalhista, haja vista que essa é uma prática considerada ilícita no âmbito da administração pública. B O concurso público é a única forma admitida constitucionalmente para a contratação isonômica de servidores públicos. C A administração pública poderá terceirizar serviços de limpeza e segurança, ressaltando-se que sua responsabilidade jurídica é subsidiária quanto ao pagamento dos créditos trabalhistas dos empregados terceirizados. D A administração pública poderá terceirizar qualquer serviço, tendo em vista que possui responsabilidade solidária com a empresa interveniente no que tange ao pagamento dos créditos trabalhistas. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 48/53 Parabéns! A alternativa C está correta. A terceirização trabalhista não é considerada prática ilícita no âmbito da administração pública. O concurso público não é a única forma de contratação de servidores públicos, apenas uma daquelas admitidas jurídico-constitucionalmente. É juridicamente possível a terceirização de serviços de limpeza e segurança e a responsabilidade da administração pública é subsidiária. A terceirização trabalhista é ato administrativo vinculado que somente poderá ocorrer nos limites previamente previstos em lei. Questão 2 O fenômeno jurídico da terceirização na administração pública, após o advento da reforma trabalhista, tem gerado inúmeras divergências e discussões no âmbito da ciência do Direito. A respeito do tema apresentado, assinale a alternativa correta: E A terceirização trabalhista é um ato administrativo discricionário do agente público, que poderá escolher qualquer serviço para ser terceirizado. A Com o advento da reforma trabalhista, passou a ser possível apenas a terceirização de atividade-fim no âmbito da administração pública. B A aprovação da reforma trabalhista teve como consequência jurídica direta a proibição da terceirização no contexto da administração pública. C A reforma trabalhista instituiu como regra que o concurso público é a única forma legal de contratação de servidores públicos. D O advento da reforma trabalhista permitiu a terceirização de atividade-meio na administração pública, ressaltando-se que o Estado é 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 49/53 Parabéns! A alternativa D está correta. O advento da reforma trabalhista causou reflexos no que tange à terceirização no âmbito da administração pública, que deverá ocorrer nos limites legais e em respeito aos princípios constitucionais vigentes. A aprovação da reforma trabalhista não teve como consequência direta a proibição da terceirização trabalhista na administração pública. O advento da reforma trabalhista não teve como consequência a instituição da regra geral de que o concurso público é a única forma de contratação de servidores públicos. A reforma trabalhista foi clara ao prever a possibilidade de terceirização trabalhista no âmbito da administração pública, destacando-se que a responsabilidade jurídica do Estado é subsidiária. Considerações �nais Viu-se que a reforma trabalhista, com a aprovação da Lei nº 13.467/2017, ampliou significativamente o escopo da terceirização de mão de obra no Brasil. Em seu artigo 4º-A, passou a reconhecer que, por meio da terceirização, a empresa tomadora poderia transferir a execução de qualquer uma de suas atividades, inclusive das atividades principais, para terceiro. Assim, no ordenamento jurídico atual, é reconhecida até mesmo a possibilidade de terceirização de atividades- fim, o que até então foi vedado pelo TST no Processo 331. Nessa reforma legislativa, todas as empresas têm o direito de terceirizar as atividades de apoio e atividades-fim, transferindo para os prestadores de serviços a responsabilidade pela seleção e contratação dos subsidiariamente responsável pelo pagamento das verbas trabalhistas dos empregados terceirizados. E A reforma trabalhista instituiu a responsabilidade jurídica solidáriado Estado e da empresa interveniente (prestadora de serviços), quando houver terceirização no âmbito da administração pública. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 50/53 trabalhadores que realizarão as atividades laborais diretamente para os mutuários. Nada obstante tal fato, mesmo com o advento da reforma trabalhista (Lei nº 13.429/2017), as regras sobre responsabilidade decorrente da terceirização que continuam válidas são no sentido de que o vínculo empregatício na terceirização é constituído diretamente como a empresa interveniente, sabe-se que ela é quem responderá de forma direta por todos os encargos trabalhistas. Depreendeu-se também que, embora o texto constitucional preveja a obrigatoriedade de abertura de concursos para seleção de pessoas para trabalhar para o Estado, não se pode descartar que a terceirização seja uma atividade especial e necessária para garantir a continuidade dos serviços públicos. Podcast Neste podcast, o especialista tratará do fenômeno da terceirização e seus impactos, assim como da possibilidade de sua ocorrência na administração pública. Explore + Leia o texto intitulado A Terceirização na Reforma Trabalhista, de autoria do jurista Helder Santos Amorim, publicado na Revista do Tribunal Superior do Trabalho, páginas 157-183, com o objetivo de aprimorar o entendimento sobre o tema “terceirização no contexto da reforma trabalhista”. 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 51/53 Referências CARVALHO, M. A reforma trabalhista e a terceirização. Direito Real. Publicado em: 05 out. 2021. Consultado na Internet em: 11 abr. 2022. DELGADO, M. G. Curso de Direito do Trabalho. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. DI PIETRO, M. S. Z. Parcerias na Administração Pública. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1999. MACHADO JÚNIOR, C. P. S. Direito do Trabalho. São Paulo: Ltr, 1999. MARTINS, S. P. Direito do Trabalho. 38. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. PORTO, L. V. A terceirização na reforma trabalhista e a violação às normas internacionais de proteção ao trabalho. Revista do Tribunal Regional da 3. Região, Belo Horizonte, v. 63, n. 96, p. 149-182, jul./dez., 2017. Consultado na Internet em: 11 abr. 2022. SANTO, L. M. E. Serviço Público. Curso Prático de Direito Administrativo. Coordenador: Carlos Pinto Coelho Motta. 2. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2004. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 52/53 javascript:CriaPDF() 16/06/24, 23:36 Terceirização https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04061/index.html?brand=estacio# 53/53