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GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Prova 1 Beatriz Chaveiro Turma XVIII Semiologia Ginecológica O ginecologista é o médico primário da mulher, abrangendo a função reprodutiva, função endócrina, avaliação do bem estar físico e psicológico e tratamento de patologias infecciosas. O exame deve ser completo não importando a subespecialidade do ginecologista. É a primeira oportunidade para rastreio de doenças cardiovasculares, endocrinopatias, rastreio de neoplasias. Anamnese • Problema atual • Objetivos: interação médico-paciente, proporcionar confiança e encontrar o melhor diagnóstico • Componentes: o Identificação: nome, profissão (dor pélvica crônica associada a esforço muscular, ITU por segurar a urina), naturalidade, idade (doença e orientações características para cada faixa etária), estado civil, escolaridade (nível de instrução e de comunicação para orientações) o Queixa principal: dor/sangramento/corrimento o HDA: localização, intensidade, início, irradiação, periodicidade, fator de melhora e fator de piora, tratamentos realizados o IS: cardiovascular/ gastrointestinais/ geniturinário/ respiratório o Antecedentes pessoais: doenças cardiovasculares, doenças endócrinas (hipotireoidismo associado a infertilidade), infecções (tuberculose, clamídia), uso de medicações (hidroclorotiazida, metoclopramida, psicotrópicos), cirurgias prévias. o Antecedentes familiares: doenças cardiovasculares, hipertensão arterial sistêmica, endocrinopatias, história de câncer (síndrome de Lynch), história menstrual (ex.: mãe com menopausa precoce tem peso para uma paciente que deseja engravidar) o Antecedentes menstruais: menarca, ciclo, DUM, dismenorreia, menopausa o Antecedentes sexuais: 1º coito (rastreio de CA de colo), número de parceiro, libido, dispareunia o Antecedentes ginecológicos: corrimento, cirurgias, cauterização, método contraceptivo o Antecedentes obstétricos: GPA, amamentação, escolha do tipo de parto e justificativa, complicações da gestação (diabetes gestacional, eclâmpsia) e do parto Exame físico • Geral: o Avaliação do tipo constitucional: magra, obesa, atlética, estigmas de Turner o Fascies, mucosa, pelos, pele o Aparelho respiratório o Aparelho pulmonar • Especial: o Mamas: inspeção (estática e dinâmica, com a paciente sentada), palpação (sentada e em decúbito dorsal) ▪ Classificação de Tanner: M1 (mamas infantis), M2 (8-13 anos), M3 (10-14 anos), M4 (10 ½ - 15 anos), M5 (13- 18 anos) Beatriz Chaveiro Turma XVIII o Abdome ▪ Divisão anatômica do abdome ▪ Inspeção: forma, volume, cicatrizes ▪ Palpação: localiza a dor, visceromegalias ▪ Percussão ▪ Ausculta ▪ Dor pélvica: alteração renal, intestinal, órgãos genitais o Órgãos genitais externos: anatomia, mucosa (hipocorada), prolapso (urocele, retocele), perda de urina (tosse, espirro), pilificação (em pctes com menstruação precoce), músculos do períneo (diminuição do corpo perineal em decorrência de partos repetidos) ▪ Inspeção dinâmica: pedir para a paciente tossir (prolapso [classificação de POPQ], incontinência urinária) o Órgãos genitais internos (toque) ▪ Toque vaginal: bimanual. Avaliar: paredes vaginais, colo, útero (estima o tamanho uterino), comprometimento dos paramétrios (doenças inflamatórias e câncer), anexos (gravidez ectópica, cistos), dor (DIP, aderências) ▪ Toque retal: impossibilidade de realizar o toque vaginal / estadiamento de tumorações • Especular: órgãos genitais internos o Avaliar posição do colo, formato, presença de mácula rubra, alterações anatômicas, orifício o Conteúdo vaginal: corrimento branco e espesso associado a prurido e disúria (candidíase), corrimento fluido esverdeado ou amarronzado e associado a odor normalmente após as relações (vaginose) Beatriz Chaveiro Turma XVIII Exame das Mamas Autoexame das Mamas O autoexame é o exame das mamas efetuado pela própria mulher. É importante para o autoconhecimento, uma vez que, conhecendo as próprias mamas, a paciente pode detectar alguma alteração. Contudo, o autoexame não tem importância como método isolado. Ele deve ser associado a mamografia, um eficaz método de rastreamento para mulheres acima de 40 anos. Para mulheres com menos de 40 anos, o autoexame deve ser associado a um exame físico bem feito na consulta ginecológica. O autoexame deve ser feito 1x/mês, 7-10 dias após a menstruação (a mama está em uma fase com menor influência da progesterona, ficando menos inchada). Em mulheres após a menopausa, o autoexame deve ser feito em um mesmo dia a cada mês. • Como fazer? o Procure observar deformações ou alterações no formato das mamas, abaulamentos, retrações, feridas ao redor do mamilo. o Levante os braços e observe se há alguma área de retração na mama ou no mamilo. o Durante o banho, palpe as mamas com as pontas dos dedos e note se há alguma alteração do tecido glandular, como nódulos. O autoexame normalmente permite identificação de nódulos de mais de 1,5 cm. O exame físico realizado por um profissional detecta nódulos com 1 cm. Exame Físico das Mamas • Deve ser realizado anualmente por um profissional habilitado • Deve ser feito com a paciente inicialmente na posição supina e depois, deitada. • A ordem do exame deve ser: inspeção, palpação e expressão Inspeção estática • Pedir para a paciente sentar-se na maca, com os braços pendentes • Comparar tanto o tamanho quanto o formato das mamas • Retrações, abaulamentos • Inspeção da pele e do mamilo • Solicitar que eleve os braços permite uma inspeção mais completa da metade inferior da mama. Essa manobra dá ênfase a áreas sutis de retração que não aparecem profundamente quando os braços estão relaxados. Inspeção dinâmica • Peça para a paciente contrair os músculos peitorais e colocar as mãos na cintura (“aperta a cintura e joga os cotovelos para frente”) • Tem objetivo de dar ênfase a áreas sutis de retração que não aparecem profundamente quando os braços estão relaxados. Palpação das fossas supra, infaclaviculares e das axilas • A palpação dessas áreas permite a identificação de linfonodomegalias • Fossas supra e infraclaviculares: a palpação é feita com as pontas dos dedos • A axila será examinada com a mão contralateral do médico, enquanto o braço estará flexionado e apoiado (imagem ao lado). o Essa manobra permite melhor abordagem da axila, uma vez que relaxa o músculo peitoral maior. o A mão do examinador deve ser em cunha e deslizar sobre o gradil costal, identificando o linfonodo alterado. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Palpação das Mamas • A paciente deitada e o braço ipsilateral levantado acima da cabeça • Técnicas: o Blood-good: dedilhar o Velpau: mão espalhada com movimentos circulares • É importante examinar a mama completamente: comparar as mamas e identificar locais simétricos (e fisiológicos) de difícil palpação. As regiões de difícil palpação são: sulco inframamário, região retroareolar e quadrante superolateral) Expressão mamilar • Tipos: o Expressão tipo ordenha: sem importância quanto ao câncer. Pressionar o polegar no quadrante superolateral e o indicador no quadrante inferomedial e depois inverter (“em X”). A expressão deve ser delicada, uma vez que há risco de lesão e obtenção de derrame hemático à expressão (induzido). o Expressão tipo ponto de gatilho: pressão direta é aplicada em vários pontos contornando a aréola até encontrar o ponto do derrame (pressionar com 1 dedo os pontos semelhantes ao relógio, identificando a região específica que causa derrame). O derrame considerado suspeito é o hemático ou água de rocha (), unilateral. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Exemplos Caso 1 • Retração + placa escurecida. • Mamografia normal • Exame físico sem alteração nos outros parâmetros • Punch dermatológico condizente com queloide (após picadade inseto) Caso 2 • Retração + hiperemia • Retração de câncer: pele repuxada • A neoplasia invade os ligamentos de Cooper e os repuxa, causando retração da pele • Carcinoma inflamatório com implantes secundários (vários pontos vermelhos na pele) Caso 3 • Síndrome de Poland: hipoplasia ou aplasia da musculatura torácica unilateral, ausência de desenvolvimento mamário Caso 4 • Retração em mama esquerda • Ulceração em mamilo • Mamilo plano • Mamografia: microcalcificações em grande parte da mama Caso 5 • Ulceração mamilar • Neoplasia de mama Caso 6 • Região hiperêmica + ulceração + pus • Mastite não tratada de maneira adequada • Desenvolvimento de abscesso mais profundo, com ulceração Beatriz Chaveiro Turma XVIII Caso 7 • Glândula acessória bilateral com aréola e mamilo Caso 8 • Abaulamento em mama esquerda + desvio de mamilo + coloração enegrecida da pele + saída de secreção láctea • Tumor Filoides Caso 9 • Abaulamento + ulceração + necrose • Fase avançada de neoplasia • Tumor sangrante Caso 10 • Tumoração em mama esquerda • Pele em aspecto brilhante (pele esticada “de forma aguda”) • Cisto único Caso 11 • Tumor muito avançado • Pele em casca de laranja típica • Carcinoma inflamatório Caso 12 • Tumor filoides Beatriz Chaveiro Turma XVIII Consulta Obstétrica A consulta pré-natal, assim como uma consulta clínica, é composta de anamnese, exame físico e avaliação dos exames complementares. As consultas são divididas em primeira consulta e acompanhamento. Primeira Consulta • Preenchimento da ficha de acompanhamento pré-natal o Realizar anamnese clínica completa o Realizar anamnese obstétrica o Exame clínico geral o Exame obstétrico • Deve acontecer no 1º trimestre, o mais precoce possível • Solicitar todos os exames • Avaliação inicial da saúde materna e fetal • Estimar a idade gestacional por DUM e DPP • Encaminhamento para áreas multidisciplinares Anamnese Obstétrica • Identificação: nome, idade materna, etnia, estado civil, profissão, religião, nacionalidade, naturalidade e procedência. o Idade: a idade materna ideal para gestação é entre 20 e 29 anos. As primigestas jovens (< 17 anos) ou idosas (> 30 anos) têm mais risco de complicações obstétricas e mortalidade perinatal. Gestantes adolescentes tem maior incidência de anemias, doença hipertensiva gestacional, prematuridade, baixo peso ao nascimento, desproporção cefalopélvica. No caso de gestantes com mais de 35 anos, é importante orientar a respeito de doenças genéticas e malformações fetais. o Profissão: é importante reconhecer as pacientes que passam longos períodos em posição supina (aumento de pressão de membros inferiores) ou sentada (fenômenos tromboembólicos, cervicalgia), que realizam esforço físico intenso, sofrem exposição a agentes químicos e físicos e estresse. Existem correlações entre profissão e trabalho de parto prematuro (TPP). o Etnia: pacientes negras têm maior incidência de HAC, anemia falciforme, miomatose uterina o Estado civil: é importante avaliar o apoio econômico e psicológico do companheiro. o Escolaridade: as informações devem ser passadas de acordo com o grau de compreensão • Queixa principal • HDA • Antecedentes: Beatriz Chaveiro Turma XVIII • História social o Tabagismo: risco maior de CIUR o Álcool: síndrome alcoólica fetal o Drogas ilícitas o Exercícios físicos: caminhadas, natação, hidroginástica (preferencialmente sem impacto) o Violência doméstica: os clínicos devem estar preparados para reconhecer as marcas e características de abuso, como hematomas, lesões não usuais, depressão, início tardio do pré-natal, absenteísmo elevado no pré-natal, cancelamento de visitas em cima da hora com justificativas curtas. • História Obstétrica Atual o Idade gestacional o Data provável do parto: regra de Naegelle (somar 7 dias ao primeiro dia da última menstruação e subtrair 3 meses do mês da última menstruação) o Confirmação da idade gestacional e da data provável de parto a partir da primeira USG (que deve ser feita no primeiro trimestre) o Alguns fatores podem contribuir para erro de data, como incerteza da DUM, ciclos menstruais irregulares, gestação em uso de anticoncepcionais hormonais ou com intervalo menor que 3 meses da sua suspensão, ou gestação no curso do aleitamento materno. Nesses casos, deve ser seguida a datação ultrassonográfica • História Obstétrica Pregressa o GPA ▪ Nuligesta: mulher que nunca engravidou e também não está grávida no momento da consulta ▪ Primigesta: mulher que se encontra na primeira gestação ou apresenta apenas uma gestação pregressa ▪ Multigesta: a partir da segunda gestação, seja ela atual ou já pregressa ▪ Nulípara: nenhuma das gestações ultrapassou 20 semanas ▪ Primípara: apenas uma gravide além de 20 semanas ▪ Multípara: duas ou mais gravidezes além de 20 semanas o Via de parto (abdominal ou vaginal) o Idade gestacional no parto o Peso do RN o Ano de ocorrência dos eventos obstétricos o Idade atual dos filhos o Intercorrências clínicas e obstétricas em gestações e partos anteriores o Abortamentos: avaliar se o evento foi precoce ou tardio, espontâneo ou intencional, e se houve necessidade de intervenção (curetagem uterina ou aspiração manual intrauterina). o Gestação ectópica: analisar quais tratamentos foram instituídos (laparotomia, laparoscopia com salpingectomia ou salpingostomia, medicamentoso ou expectante) Exame Físico • Exame físico geral: inspeção geral da pele, verificação de mucosas, temperatura, peso, estatura, ausculta cardíaca e respiratória, palpação do pescoço e abdominal e exame das extremidades. • Exame físico obstétrico: o Medida da altura uterina: avaliação do crescimento fetal. A paciente deve estar em decúbito dorsal, com os membros em extensão e bexiga vazia. A medida é realizada com fita métrica entre a sínfise púbica e o fundo uterino. A medida deve ser avaliada a partir da Curva de Evolução da Altura Uterina (Curva de Martinelli). A altura uterina auxilia no rastreamento das alterações do crescimento fetal, das alterações no volume de líquido amniótico. Beatriz Chaveiro Turma XVIII o Ausculta dos batimentos fetais: feito com o sonar Doppler (a partir de 9-12 semanas) ou estetoscópio de Pinard (a partir de 16 semanas). A frequência oscila entre 110 e 160 bpm, com média de 140. o Exame de Vulva e Vagina: inspeção, exame especular com visualização do colo uterino e toque vaginal. Avaliar possíveis lesões sexualmente transmissíveis e secreções patológicas; no toque, avaliam-se comprimento, consistência e dilatação do colo uterino. o Exame das mamas: buscar alterações patológicas, buscar preparo do mamilo para a amamentação. o Manobra de Leopold: é feita em 4 tempos: ▪ Primeiro tempo: delimita-se o fundo do útero com ambas as mãos encurvadas. Busca-se reconhecer o contorno do fundo uterino e a parte fetal. O polo pélvico é mais volumoso que a cabeça, esferoide, irregular, resistente, mas redutível. O polo cefálico é regular, resistente e irredutível. ▪ Segundo tempo: deslizar as mãos do fundo uterino em direção ao polo inferior do órgão, tentando sentir o dorso fetal e as pequenas partes ou membros. A região dorsal é uma superfície resistente e contínua, plana no sentido longitudinal. ▪ Terceiro tempo: visa à exploração da mobilidade do polo que se apresenta em relação com o estreito superior. Seria um dos tempos da técnica sistematizada por Leopold, e nela se procura apreender o polo entre o polegar e o médio da mão direita, imprimindo-lhe movimentos de lateralidade que indicam o grau de penetração da apresentação na bacia. Quando ela está alta e móvel, esse polo balança de um lado para outro. ▪ Quarto tempo: explorar a escava em último lugar, quando se costuma encontrar o polo cefálico, com caracteres mais nítidos.O examinador volta suas costas para a cabeça da paciente e coloca as mãos sobre as fossas ilíacas, caminhando em direção ao hipogástrio. Com as extremidades dos dedos, procura penetrar na pelve. Abarcando o polo, deve-se verificar, pelas suas características, se é o cefálico ou o pélvico. Identifica-se a apresentação cefálica ou pélvica. Na apresentação córmica (transversa), a escava está vazia. Consultas subsequentes Rotineiramente, nas consultas de acompanhamento avaliam-se peso materno, pressão arterial e altura uterina e realiza-se ausculta dos batimentos cardíacos fetais, além de pesquisa de edema, exame ginecológico, controle do calendário de vacinação. O exame dos demais sistemas é realizado diante de alguma queixa clínica, assim como o exame especular e o toque digital, que devem ser realizados sempre que houver queixa de perdas vaginais ou contrações, respectivamente. Bibliografia: Zugaib, Rezende Beatriz Chaveiro Turma XVIII Técnica para Coleta de COP A realização periódica do exame citopatológico continua sendo a estratégia mais adotada para rastreamento do câncer de colo de útero. • População alvo: a partir dos 25 anos de idade para as mulheres que já tiveram atividade sexual • Periodicidade: o intervalo ideal entre os exames deve ser de 3 anos, após 2 exames negativos com intervalo anual • Recomendações gerais: o Os exames devem seguir até os 64 anos e serem interrompidos quando, após essa idade, as mulheres tiverem pelo menos 2 exames negativos consecutivos nos últimos 5 anos o Para mulheres com mais de 64 anos e que nunca realizaram dois exames com intervalo de 1-3 anos. Se ambos forem negativos, essas mulheres podem ser dispensadas de exames adicionais. • Recomendações prévias: o A utilização de lubrificantes, espermicidas ou medicamentos vaginais deve ser evitada por 48 horas antes da coleta de material o A realização de exames intravaginais, como a ultrassonografia, também deve ser evitada nas 48 horas anteriores à coleta, pois é utilizado gel para indução do transdutor o O exame não deve ser feito no período menstrual, pois a presença de sangue pode prejudicar o diagnóstico citopatológico. Deve-se aguardar o quinto dia após o término da menstruação. • Revisão anatômica do colo uterino o O colo do útero corresponde a uma porção fibromuscular inferior do útero, com forma cilíndrica. o Mede entre 3-4 cm de comprimento e 2,5 cm de diâmetro o Histologicamente divide-se em ectocérvice (porção vaginal do colo uterino. Entra-se normalmente centralizada em torno do orifício externo. É recoberta por um epitélio escamoso não queratinizado que consiste de 4 camadas de células, sendo elas: basais, parabasais, intermediárias e superficiais), endocérvice (canal recoberto pelo epitélio colunar. É composto por uma única camada de células altas com núcleos basais) e junção escamo-colunar (transição entre a ectocérvice e a endocérvice. A localização da JEC em relação ao orifício cervical é variável durante a vida da mulher). A coleta de COP • Materiais: o Espéculo o Lâmina de vidro com extremidade fosca o Espátula de Ayre o Escova endocervical o Luvas o Pinça Cherron o Solução fixadora, álcool 96% ou spray de polietilenoglicol o Gaze o Recipiente para acondicionamento das lâminas mais adequado para o tipo de solução fixadora adotada (frasco porta- lâmina, caixa de madeira ou caixa plástica) o Formulários de requisição de COP o Lápis o Avental descartável • Técnica: o Introduzir o espéculo em inclinação de 45°em relação à fenda vulvar o Durante a introdução, rotacionar o espéculo para que a abertura fique na horizontal o Abrir o espéculo e posicionar de maneira que o colo do útero fique completamente exposto o Coleta: ▪ Ectocérvice: utilizar a espátula de Ayre. Encaixar a ponta mais longa no orifício do colo e rotacionar ▪ Endocérvice: utilizar a escova endocervical. Introduzir a escova no orifício do colo e rotacionar o Aplicação do material na lâmina ▪ Ectocérvice: dispor o material no sentido transverso, na metade superior da lâmina, próximo à região fosca (previamente identificada com as iniciais da paciente e a data de nascimento). ▪ Endocérvice: dispor o material no sentido transverso, na metade inferior da lâmina. o O esfregaço obtido deve ser imediatamente fixado para evitar o dessecamento do material. A fixação com álcool 96% é considerada a melhor para esfregaços citológicos. A fixação com o spray de polietilenoglicol também deve ser feita imediatamente após a coleta, com uma distância de 20 cm entre o spray e a lâmina Beatriz Chaveiro Turma XVIII Modificações fisiológicas gravídico-puerperais Sistema Circulatório A alteração do volume é a primeira adaptação circulatória observada na gestante. O volume sanguíneo aumenta consideravelmente durante a gravidez (30-50% maiores que os níveis pré-gestacionais). As variações relacionadas ao aumento da volemia se associam a diferenças individuais e à quantidade de tecido trofoblástico, sendo maior em gestações múltiplas e menor em gestações com predisposição a insuficiência placentária. A hipervolemia está relacionada ao aumento das necessidades de suprimento aos órgãos, genitais, principalmente o útero. Além disso, tem função protetora para gestante e feto em relação à redução do retorno venoso, comprometido com as posições supina e ereta, e também para as perdas sanguíneas esperadas no processo de parturição. O aumento de volemia materna decorre do acréscimo de volume plasmático (45-50%) e, em menor quantidade, da hiperplasia celular (o volume de células vermelhas se eleva em cerca de 30%). Essa desproporção entre plasma e celularidade causa a hemodiluição observada em gestantes. Como a viscosidade plasmática está menor, tem-se menor trabalho cardíaco. Esses processos adaptativos se iniciam já no primeiro trimestre de gestação, por volta da sexta semana, com expansão mais acelerada no segundo trimestre, para, finalmente, reduzir sua velocidade e estabilizar-se nas últimas semanas do período gravídico. Dessa forma, observa-se aumento de 15% do volume plasmático ao fim do primeiro trimestre e de aproximadamente mais 25% ao fim do segundo trimestre. Fora da gestação, o aumento agudo de volemia ativa receptores de volume e barorreceptores em átrios e grandes vasos, estimulando secreção de peptídeo atrial natriurético e aumentando a excreção de sódio e água, além de vasodilatação. Na gestação, o aumento de volume é gradual, de modo que os receptores de volume se tornam menos sensíveis. Isso permite o acúmulo de Na e água no organismo materno. As gestantes hígidas toleram bem as alterações cardiovasculares; enquanto as portadoras de cardiopatia, hipertensão arterial ou distúrbio hiperdinâmico, como hipertireoidismo, porém, podem apresentar descompensação clínica já no primeiro trimestre, diante da sobrecarga hemodinâmica. Na gravidez, o aumento da frequência cardíaca basal, geralmente em 15 a 20 bpm, e a elevação do volume sistólico determinam aumento do débito cardíaco em até 50%. Esse processo inicia por volta da 5ª semana de gestação, estabiliza durante a 24ª semana e atinge o ápice no pós-parto imediato. Ocorre aumento de prostaciclina que, associada a progesterona, gera e mantém vasodilatação generalizada, diminuindo a resistência vascular periférica. Essas alterações cursam com queda da pressão arterial (mais às custas da pressão diastólica). O deslocamento do diafragma (aumento do volume intra-abdominal) desloca o coração para cima e para a esquerda. Além disso, o volume cardíaco também está aumentado (↑ volume sistólico e hipertrofia dos miócitos), o que favorece alterações de ritmo esperadas (extrassístoles ventriculares, taquicardias paroxísticas supraventriculares). Também pode ocorrer sopro (↓viscosidade sanguínea). ⎯ Aumento do volume sanguíneo de 30-50% ⎯ Aumento da capacidade cardíaca → taquicardia ⎯ Aumentoda pressão venosa de MMII pela compressão parcial da veia cava inferior → priorizar decúbito esquerdo ⎯ FC em repouso aumenta em 10 bpm ⎯ Trabalho máximo do coração no final do 2º trimestre → diminui nas últimas semanas de gestação → aumenta imediatamente após o parto ⎯ Coração deslocado para cima e para a esquerda → maior volume uterino ⎯ Risco de edema de pulmão, principalmente em gestantes hipertensas ⎯ Aumento do DC, ritmo e volume sistólico ⎯ Palpitação (no 1º mês e no final da gestação) ⎯ Síndrome da hipotensão supina ⎯ Hipotensão ortostática ⎯ Diminuição do retorno venoso ⎯ Diminuição da PAS em 3-4 mmHg e da PAD em 10- 15 mmHg Beatriz Chaveiro Turma XVIII Sistema Hematológico Em relação aos eritrócitos, ainda que haja hemodiluição, gestantes apresentam 450 mL a mais de eritrócitos, com incremento no 3º trimestre. A eritropoiese está aumentada devido à maior quantidade de eritropoietina (maior quantidade de reticulócitos em sangue periférico, mas menor tempo de vida das hemácias). Tem-se redução da concentração de hemoglobina (gestantes com hemoglobina menor que 11 g/dL no primeiro e no terceiro trimestres ou 10,5 g/dL no segundo trimestre seriam consideradas anêmicas). O hematócrito pode chegar a níveis fisiológicos mais baixos, como 32%. A leucocitose pode estar presente na gravidez normal, com valores totais entre 5000 e 14000 /mm3. Durante o parto e o puerpério imediato, os valores de leucócitos se elevam de modo significativo, podendo chegar a 29.000/mm3. A leucocitose é principalmente neutrofílica (mas apresentam função deprimida). As proteínas inflamatórias de fase aguda apresentam aumento durante todo o período gestacional. Os níveis plaquetários estão discretamente reduzidos na gravidez normal. Parte desse evento ocorre pelo fenômeno da hemodiluição, mas o consumo de plaquetas também está envolvido nesse processo, e certo grau de coagulação intravascular no leito uteroplacentário pode ser uma justificativa para esse achado. A plaquetopenia na gestante é considerada quando a contagem plaquetária está igual ou inferior a 100.000/mm3. Praticamente todos os fatores de coagulação estão elevados na gestação, com exceção dos fatores XI e XIII. Fibrinogênio e dímero D têm seus níveis elevados em até 50% com o decorrer da gravidez. A atividade fibrinolítica parece estar reduzida na gestação à custa da elevação de inibidores dos ativadores de plasminogênio. As necessidades de ferro durante o ciclo gravídico-puerperal aumentam consideravelmente. O consumo e a perda de ferro que ocorrem nessa fase não permitem que a gestante mantenha os níveis de hemoglobina e os estoques desse elemento dentro do intervalo de normalidade. Uma série de eventos contribui para esse estado de deficiência de ferro: consumo pela unidade fetoplacentária, utilização para produção de hemoglobina e de mioglobina para aumento da massa eritrocitária e da musculatura uterina, e depleção por perdas sanguíneas e pelo aleitamento. Por esse motivo, a não ser que haja suplementação adequada, a maioria das gestantes apresentará anemia ferropriva. ⎯ Anemia fisiológica: hemodiluição ⎯ Aumento do volume plasmático de 40-50% ⎯ Aumento do eritrócito de 20-30% ⎯ Hemodiluição: redução do hematócrito e das hemoglobinas ⎯ Leucocitose ⎯ Plaquetas: pouca alteração na série plaquetária ⎯ Hipercoagulabilidade na gestação (fatores VII, VIII, X, FVW) Sistema Endócrino As adaptações endócrinas e metabólicas do organismo materno visam garantir o aporte nutricional para o desenvolvimento saudável do feto, de termo e com peso adequado. A produção placentária de substâncias similares aos hormônios maternos gera um novo equilíbrio dos eixos hipotálamo-hipófise-adrenal, hipotálamo-hipófise-ovário e hipotálamo-hipófise-tireoide. Da mesma forma, sua produção hormonal própria, como a do hormônio lactogênico placentário, altera o metabolismo da gestante adequando-o ao momento de desenvolvimento ou crescimento fetal. Assim, depara-se com duas fases distintas: uma primeira etapa de anabolismo materno, que dura pouco mais da metade da gestação; e uma segunda etapa de catabolismo materno e anabolismo fetal, que se inicia ao fim da primeira metade e segue até o término da gravidez. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Glândulas endócrinas o Produção de HCG → estimula a produção de estrogênio e progesterona pelo corpo lúteo → a progesterona mantém o corpo lúteo funcionando para manter o feto no útero até a formação da placenta / o estrogênio estimula hipertrofia do endométrio, aumento da vascularização do útero e mamas para nutrição do feto até a formação da placenta o Somatotropina coriônica (HCS) o Produção de HPL o Aumento generalizado da produção de todos os hormônios o Hormônio melanócito estimulante o Aumento da aldosterona: reabsorção de sódio e água para manter o balanço eletrolítico • Estrogênio o Hipertrofia e desenvolvimento uterino o Desenvolvimento dos ductos mamários → nos primeiros dias de gestação, manifestada pelo aumento da rede de Haller, mastalgia, aumento de volume mamário, mamilo mais sensível, estrias o Desenvolvimento de estrias gravídicas o Rubor e eritema na pele o Aumento da vascularização materna o Aumento do fluxo de sangue para o feto o Epistaxe • Progesterona o Origem principal é a placenta o Inibe contrações uterinas o Auxilia desenvolvimento de mamas e placenta o Diminui o tônus dos músculos lisos → constipação, incontinência urinária o Reduz motilidade gástrica e relaxamento dos esfíncteres → incontinência urinária, ITU, refluxo gastroesofágico o Aumenta a produção de prolactina a partir da quinta semana até o final da gestação • Progesterona na gestação o Desenvolvimento do endométrio uterino → o estrogênio hipertrofia o endométrio e a progesterona estabiliza o Implantação do ovo o Desenvolvimento dos dusctos secretores das mamas o Estimula a secreção de sódio o Redução do tônus dos músculos lisos o Auxilia a eliminação de excretas do feto Alterações de Metabolismo O ganho de peso materno decorre, em grande parte, do acúmulo de componente hídrico intra e extravascular e, em menor proporção, do acúmulo de componentes energéticos estruturais (carboidratos, lipídeos e proteínas). Na primeira fase de anabolismo materno, que se estende da concepção até 24 a 26 semanas de gestação, o aporte energético é direcionado para reservas maternas. Na segunda fase, de catabolismo materno, tanto o aporte energético ingerido como as reservas maternas são direcionados ao crescimento do feto. O ganho de peso materno varia de acordo com o IMC pré-gestacional: Beatriz Chaveiro Turma XVIII Fase Anabólica da Gestação: a gravidez normal gera um deslocamento do equilíbrio entre o metabolismo materno de carboidratos e o de lipídeos, os quais ganham mais relevância no metabolismo energético durante o período gestacional. Dessa forma, observa-se redução da glicemia em jejum e da glicemia basal materna em favor do armazenamento de gordura, glicogênese hepática e transferência de glicose para o feto. Essas alterações são desencadeadas pelos hormônios sexuais placentários (estrógeno e progesterona). Fase Catabólica da Gestação: a partir da segunda metade da gestação. Inicia-se o período catabólico, com lipólise, neoglicogênese e resistência periférica à insulina, a qual é secundária à produção placentária de hormônios diabetogênicos, como GH, CRH, progesterona e, especialmente, hormônio lactogênico placentário (hLP), também chamado de somatomamotropina coriônica. É a partir de 30 semanas gestacionais que a mulher começa a mobilizar suas reservas energéticas para se adequar ao crescimento fetal. Para garantir o aporte de glicose necessário visando o crescimento e o desenvolvimento do produto conceptual, ocorre aumento da resistência periférica à insulina (mais evidente após a 26ª semana de gestação), criando um ambientede hiperglicemia pós-prandial e consequente hiperinsulinemia, resultante da hipertrofia e da hiperplasia das células beta pancreáticas mediadas pela prolactina e pelo hLP. A hiperglicemia visa satisfazer a maior necessidade energética do feto no terceiro trimestre, favorecendo o transporte de glicose pela placenta, que ocorre por difusão facilitada. Para manter o desvio de glicose para o produto conceptual, o metabolismo da gestante passa a utilizar mais lípides como fonte energética. Metabolismo proteico: aumento do balanço nitrogenado materno total com acúmulo de aproximadamente 1.000 g de proteína no termo da gestação. Metade desse acúmulo é direcionada ao feto e a seus anexos, sendo a outra metade destinada a suprir as necessidades da musculatura uterina hipertrofiada, do desenvolvimento mamário, da hipervolemia plasmática e da hiperplasia dos eritrócitos. ⎯ Aumento devido a necessidades fetais e ao aparecimento HPL ⎯ Hipoglicemia em jejum ⎯ Necessidade do feto provém ao suprimento materno de glicose ⎯ O feto retira precursores de glicose da mãe ⎯ Níveis de insulina plasmática reduzem rapidamente ⎯ Tendência à hiperglicemia ⎯ Retenção hídrica, ganho ponderal ⎯ Aumento do IMC ⎯ Aumento de 8-10l de retenção hídrica ⎯ Aumento do volume plasmático intra e extracelular ⎯ Hiperandosteronismo secundário à gestação ⎯ Glicose transferida ao feto por difusão facilitada ⎯ Presença do hormônio lactofênio placentário → garante que o feto receba grande quantidade de glicose Pele e Anexos A produção de estrogênios estimula a angiogênese em todo o tegumento. Associado ao estado hiperprogestogênico, ocorre vasodilatação de toda a periferia do organismo. Observam-se, assim, eventos vasculares da pele e dos anexos, como eritema palmar, telangiectasias, hipertricose e aumento de secreção sebácea e da sudorese. A hiperpigmentação da pele da gestante também está relacionada aos altos níveis de progesterona, que parecem aumentar a produção e a secreção do hormônio melanotrófico da hipófise. Agindo sobre moléculas de tirosina da pele, induz a produção excessiva de melanina, o que provoca máculas hipercrômicas denominadas cloasmas ou melasmas (maior incidência em face, fronte, projeção cutânea da linha alba, aréola mamária e regiões de dobras). Podem piorar com sol e normalmente desaparecem após a gestação. ⎯ Estrias nas mamas / abdome / nádegas ⎯ Hiperpigmentação da pele ⎯ Linha Nigris → da sínfise púbica até a cicatriz umbilical ⎯ Cloasma → manchas hiperpigmentares no rosto ⎯ Hiperatividade das glândulas sudoríparas → mais sensação de calor ⎯ Hiperatividade de glândulas sebáceas e folículo piloso → mais acne ⎯ Hemangiomas → ↑ estrogênio causa ↑vascularização ⎯ Sangramento da mucosa oral ⎯ Aumento do pH da mucosa oral → aumento de cáries, perda do esmalte dentário ⎯ Aumento da produção de saliva → sialorreia Beatriz Chaveiro Turma XVIII Sistema Esquelético As articulações, de modo geral, sofrem processo de relaxamento durante a gravidez, com acúmulo de líquido também denominado embebição gravídica. Nas articulações dos membros inferiores, a embebição gravídica pode predispor a gestante a dores crônicas, entorses, luxações e até fraturas. Ao contrário do que se pensava, o estrogênio, progesterona e relaxina não estão envolvidos nesse fenômeno. Durante a gravidez, observa-se que as articulações da bacia óssea (sínfise púbica, sacrococcígea e sinostoses sacroilíacas) se apresentam com maior elasticidade, aumentando a capacidade pélvica e modificando a postura e a deambulação da gestante. Essas modificações estão associadas à relaxina. O aumento do volume abdominal e das mamas desvia anteriormente o centro de gravidade materno. Por instinto, a gestante direciona o corpo todo posteriormente, de forma a compensar e encontrar novo eixo de equilíbrio que permita que ela se mantenha ereta. Por essa razão, surgem hiperlordose e hipercifose da coluna vertebral, aumento da base de sustentação, com afastamento dos pés e diminuição da amplitude dos passos durante a deambulação (marcha anserina). Além disso, o aumento da flexão cervical causa compressão de raízes cervicais que originam os nervos ulnar e mediano, acarretando fadiga muscular, dores lombares e cervicais, e parestesias de extremidades. ⎯ Mudança no centro de gravidade materno ⎯ Aumento da lordose lombar ⎯ Mudança na marcha: marcha anserina ⎯ Amolecimento das cartilagens pélvicas → aumento na mobilidade das articulações pélvicas ⎯ Relaxamento dos ligamentos ⎯ Relaxamento dos músculos abdominais → diátase (o retorno à elasticidade não gravídica depende da quantidade de colágeno, exercícios) Sistema Gastrintestinal Muitas gestantes se queixam do aumento de apetite e sede. A resistência à ação da leptina e as alterações da secreção de ADH, em nível de osmolaridade distinto da não grávida, parecem ser as explicações para tais alterações de sensibilidade na gestante. Mudanças nas preferências alimentares (pica ou malacia) são comuns e podem chegar a configurar verdadeiras perversões do paladar, com desejos de ingerir terra, sabão, carvão, entre outros. Náuseas e vômitos são muito prevalentes no primeiro trimestre e desaparecem ao longo da gestação. Por vezes, podem ser de difícil manejo, acompanhados de perda significativa de peso, o que configura hiperêmese gravídica. Dados recentes associam tal entidade a altos níveis de hCG circulante e alterações laboratoriais da função tireoidiana. A sialorreia é desencadeada por estímulo neurológico do quinto par craniano (nervo trigêmeo) e do nervo vago, e relaciona-se mais à dificuldade de deglutição decorrente das náuseas do que propriamente ao aumento de secreção salivar. Sabe-se que a progesterona é um potente relaxante de fibras musculares lisas. O estrógeno, por sua vez, age como indutor dos efeitos progestogênicos no organismo materno. Esses efeitos levam a relaxamento do esfíncter esofágico inferior e redução de seu peristaltismo com aumento da incidência de refluxo gastroesofágico. A pirose é uma queixa comum. A hipotonia da vesícula biliar pode predispor litíase biliar (associada ao aumento do colesterol sérico desde o início da gestação). A contratilidade da musculatura lisa dos intestinos também se encontra reduzida, causando obstipação. Sintomas intestinais e anorretais, como inchaço abdominal, obstipação, incontinência e doença hemorroidária são comuns. As alterações hepáticas e pancreáticas são eminentemente funcionais e relacionadas ao metabolismo energético. A função hepática permanece igual à da não grávida, com exceção do transporte intraductal de sais biliares, que se apresenta parcialmente inibido, efeito secundário às ações do estrógeno e da progesterona. ⎯ ↑progesterona → ↓peristaltismo ⎯ Lentificação do esvaziamento gástrico e trânsito intestinal ⎯ Náusea, vomito, distensão abdominal ⎯ Pirose e refluxo ⎯ Estase biliar e formação de cálculos biliares ⎯ Hemorroidas ⎯ Alterações desde o início da gestação Beatriz Chaveiro Turma XVIII Sistema Respiratório Ocorre ingurgitamento e edema da mucosa nasal, que se traduz em maior frequência de obstrução, sangramento e rinite durante a gravidez. Além disso, tem-se alterações anatômicas da caixa torácica, como elevação diafragmática (em aproximadamente 4cm e com prejuízo da amplitude do movimento muscular), aumento de 5-7 cm na circunferência da caixa torácica. Na grávida, não se nota modificação da capacidade vital, mas ocorre readaptação dos volumes distribuídos nos seus diversos componentes. Dessa forma, presencia-se aumento do volume corrente com redução da reserva expiratória e preservação da reserva inspiratória. A elevação do volume corrente pretende suprir as demandas de oxigênio, que sofrem aumento por conta da maior massa eritrócitária e da quantidade total de hemoglobina circulante. O oxigênio que participa das trocas pulmonaresexcede em 20 a 30% as novas necessidades. Durante a gestação, ocorre deslocamento de volume entre a capacidade inspiratória e a capacidade residual funcional. Tem-se acréscimo na capacidade inspiratória e redução da capacidade residual funcional. A FR sofre pouca ou nenhuma mudança na gravidez normal, mas o aumento de volume corrente estabelece a hiperventilação. Consequentemente, ocorre queda da pressão parcial de dióxido de carbono (pCO2), o que gera um gradiente entre gestante e feto, facilitando a excreção fetal. Ao mesmo tempo, o aumento do pH desvia a curva de dissociação de oxigênio para a esquerda, o que dificulta a liberação de oxigênio para os tecidos maternos. A discreta alcalose respiratória crônica é compensada pelo aumento da excreção renal de bicarbonato. Essas alterações causam sensação de dispneia. ⎯ Aumento do volume corrente e diminuição do volume residual ⎯ Retificação do diafragma em torno de 4 cm ⎯ Hipervetilação ⎯ Redução da pressão de CO2 e alcalose respiratória compensada → tendência à dispneia em pequenos esforços ⎯ Redução da pressão de O2, facilitando a liberação para o feto ⎯ Dispneia ⎯ Epistaxe e gengivorragia → alteração da coagulação, alteração da musculatura dos vasos Sistema Urinário Anatomicamente, os rins apresentam aumento de cerca de 1 cm em seus diâmetros durante a gestação. O aumento da volemia em associação com a redução da resistência vascular periférica provoca elevação do fluxo plasmático glomerular, com consequente aceleração do ritmo de filtração glomerular. A osmolaridade plasmática também se modifica na gravidez por conta da ativação do sistema renina-angiotensina- aldosterona e da redução do limiar para secreção de ADH. Esses fatos denotam menor capacidade renal de concentrar urina. As grávidas, em geral, filtram maiores quantidades de sódio e água no glomérulo, o que é compensado por maior reabsorção tubular desses elementos, resultado da ação da aldosterona e do ADH. Da mesma forma que a PA, as taxas de fluxo plasmático glomerular e filtração glomerular reduzem em posição supina e aumentam em decúbito lateral. Assim, o padrão de excreção urinária é maior à noite em função da posição em decúbito, sendo a noctúria uma queixa comum. Fatores hormonais como a progesterona provocam hipotonia da musculatura dos ureteres e da bexiga, causando discreta hidronefrose e aumento do volume residual vesical. Fatores mecânicos, como aumento do plexo vascular ovariano direito, dextrorrotação e compressão extrínseca uterina, predispõem à acentuação da hidronefrose do lado direito e à redução da capacidade vesical, demonstrada por meio de polaciúria fisiológica da gravidez. ⎯ Aumento do fluxo plasmático renal de 60-80% ⎯ Aumento da filtração glomerular em 50% ⎯ Hipertrofia e aumento do peso renal ⎯ Dilatação lateral e pielocalicial ⎯ Hidronefrose → maior compressão do ureter, principalmente o direito. Às vezes é necessário passagem de cateter ⎯ Aumento da eliminação de urina → polaciúria principalmente no primeiro trimestre. Melhora no segundo e piora no terceiro ⎯ Maior risco de ITU → hidronefrose, aumento da eliminação de urina com pH alterado ⎯ Aumento da excreção de sódio e água Beatriz Chaveiro Turma XVIII Sistema Nervoso Central Discretas alterações de memória e de concentração, geralmente no último trimestre, e sonolência (↑PROGESTERONA e ALCALOSE RESPIRATÓRIA). Modificações Locais no Organismo Materno • Útero o Aumento progressivo da capacidade volumétrica + Incremento de vascularização o Coloração violácea em decorrência de vascularização e vasodilatação venosa o Consistência amolecida por retenção hídrica em espaço extravascular o Aumento acentuado do tamanho do útero em 4x em comprimento e peso → fora do período gestacional o útero normal é um órgão compacto, que pesa aproximadamente 60 a 70 g, com capacidade interna de até 10 mL e dimensões aproximadas de 7 cm de comprimento, 4 a 5 cm de largura e 2 a 3 cm de espessura (1 a 2 cm entre a cavidade e a serosa) e, no termo da gestação, apresenta-se como um órgão com peso de 700 a 1.200 g, capacidade total de 5 L (podendo chegar a 20 L em determinadas situações) e dimensões de comprimento, largura e espessura de aproximadamente 30, 24 e 22 cm, respectivamente. o Até 12 semanas o útero é um órgão intrapélvico, com forma assimétrica decorrente da implantação localizada do embrião (sinal de Piscacek). A partir disso e até 20 semanas de gestação, assume a forma esférica e torna-se um órgão abdominal. É nesse momento que o peso uterino e o amolecimento dos tecidos adjacentes levam-no a ocupar os fórnices laterais da vagina (sinal de Noble-Budin) o As fibras musculares do miométrio uterino passam por: hiperplasia, hipertrofia e alongamento o Aumento do fluxo sanguíneo (de 20-40x) e redução da resistência das artérias uterinas o Contrações de Braxton-Hicks → molda a apresentação fetal • Colo uterino o Aumento da vascularização e edema de colo uterino o Espessamento do epitélio do colo uterino o Colo mais macio, encurtado e elástico o Rolha de Schroeder: hipertrofia glandular com aumento da secreção mucosa (tampão mucoso). O muco cervical da gestante é rico em imunoglobulinas e citocinas, funcionando mecânica e imunologicamente como proteção contra a ascensão de microrganismos o Sangramentos comuns na manipulação, em decorrência da hipervascularização • Ovários o Os ovários têm importância crucial no início da gravidez (até a 7ª semana): o corpo lúteo transforma-se em corpo lúteo gravídico, processo assegurado pelos altos níveis de hCG (células trofoblásticas). • Tubas uterinas e ligamentos o As tubas ficam estiradas o Ligamentos são hipertrofiados e congestos • Vagina o Hiperemia e edema da mucosa vaginal o Sinal de Kluge: coloração arroxeada pela retenção sanguínea nos vasos venosos o Acúmulo de glicogênio e maior descamação celular servem de substrato para proliferação de lactobacilos o Diminuição do pH vaginal para 3,5-6 • Vulva o Sinal de Jacquemier-Chadwick: coloração arroxeada decorrente da hipervascularização local • Mamas o Dor e hipersensibilidade mamária desde o primeiro trimestre. Melhora com o decorrer da gestação o Progesterona + Estrógeno + Prolactina → crescimento e desenvolvimento mamário a partir de hiperplasia e diferenciação celular o Aumento de volume a partir da 6ª semana de gestação o Hiperpigmentação mamilar e sensibilidade o Papila mais saliente o Sinal de Hunter: hiperpigmentação areolar, com de coloração externa aos limites originais da aréola o Tubérculos de Montgomery: hipertrofia das glândulas sebáceas do mamilo o Rede de Haller: hipervasculrização de tecido glandular visível sob a pele Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Bibliografia: Zugaib Beatriz Chaveiro Turma XVIII Bacia Obstétrica O trajeto, ou canal da parturição, estende-se do útero à fenda vulvar. Nele, há três estreitamentos anulares: o orifício cervical, o diafragma pélvico (urogenital) e o óstio vaginal (fenda vulvovaginal). Constituído de formações de diversas naturezas – partes moles do canal do parto –, é sustentado entre a sua porção superior, o corpo do útero e a inferior, perineovulvar, por cintura óssea, que se designa pelo nome de pequena pelve, pequena bacia ou escavação. • Parto: estado resolutivo da gestação. • Parto vaginal: fatores envolvidos são trajeto (canal vaginal), objeto (estática fetal) e motor (útero) Anatomia da Bacia A bacia (ou pelve) constitui o canal ósseo, formado pelos dois ilíacos – o sacro e o cóccix –, com as respectivas articulações (sínfise púbica, sacroilíacas, sacrococcígea). Entre o sacro e a 5a vértebra lombar, é possível acrescentar a articulação lombossacra, cujo vértice constitui o promontório. A bacia se divide em grande bacia e pequena bacia. • A grande bacia (ou pelve falsa) é na parte detrás, pela base do sacro; lateralmente, pelas cristas ilíacas; à frente, pela borda anterior do osso ilíaco. • A pequena bacia é dividida em estreito superior e estreito inferior: o Estreito superior: constituído de saliência do promontório, borda anterior da asa do sacro, articulação sacroilíaca, linha inominada, eminência ileopectínea e borda superior do púbis e da sínfise púbica. o Estreito inferior: composto de borda inferior dos dois púbis, ramos isquiopúbicos, tuberosidades isquiáticas, borda medial dos grandes ligamentos sacrociáticos e extremidade do cóccix. Diâmetros • Conjugata Anatômica: diâmetro anteroposterior, do promontório à borda superior da sínfise púbica → 11 cm • Conjugata Vera Obstétrica: diâmetro anteroposterior, do promontório à face posterior da sínfise púbica → 10,5 - 11 cm • Diâmetros Transversos: o Máximo: distância máxima entre os ossos ilíacos → 13-13,5 cm o Médio: equidistante do sacro e do púbis → 12cm • Diâmetros Oblíquos: o Primeiro oblíquo: eminência ileopectínea E até articulação sacro-ilíaca D → 12 cm o Segundo oblíquo: eminência ileopectínea D até articulação sacro-ilíaca E Beatriz Chaveiro Turma XVIII Pelvimetria Interna O estudo da capacidade da bacia é realizado por meio da pelvimetria, que procura estimar os diâmetros, ora medindo- os externamente (pelvimetria externa), ora internamente (pelvimetria interna). A pelvimetria interna (manobra chamada pelo professor de Conjugata Diagonalis) busca a identificação da Conjugata Vera. • Conjugata Vera: reduzir 1,5 centímetros da medita obtida pelo exame (atingir o promontório no exame de toque e medir a distância até a sínfise púbica). o 1º grau: Pelvis relativamente estreita, com uma Conjugada Vera entre 9.0 e 10.5 cm o 2º Grau: Pelvis moderadamente estreita, com uma Conjugada Vera entre 7.5 e 9.0 cm o 3º Grau: Pelvis absolutamente estreita, com uma Conjugada Vera menor de 7.5 cm. • Diâmetro Transverso: não existe uma manobra que permita a identificação exata do diâmetro transverso, por isso, deve-se avaliá-lo indiretamente pelas seguintes palpações: o Palpação das espinhas isquiáticas: caso as espinhas estejam muito proeminentes, tem-se sugestão de diâmetro transverso estreito, com dificuldade de parto normal. o Arco supra púbico: na palpação, deslizar os dedos lateralmente no fundo do canal. Quanto maior o ângulo do arco, mais largo é o diâmetro transverso. O arco subpúbico fechado é pior para parto normal. • Estreito inferior o Diâmetro cóccix-subpúbico: ponta do cóccix à borda inferior da sínfise púbica; mede 9,5 cm o Conjugata exitus: amplia-se no momento do parto e substitui o diâmetro cóccix- subpúbico. Quando o polo cefálico do feto passa pelo estreito inferior, tem-se o processo de retropropulsão do cóccix (círculo vermelho). O diâmetro passa a ser de 11 cm. o Diâmetro Bituberoso: mede 11 cm Bacia favorável ao parto normal: anteroposterior > 11cm ou promontório não atingível (anteroposterior amplo); espinhas apagadas e arco subpúbico aberto Tipos morfológicos de bacia Beatriz Chaveiro Turma XVIII Planos da Bacia: altura de apresentação • Altura da Apresentação: o Alta e móvel: não toma contato com o estreito superior o Ajustada: ocupa área do estreito o Fixa: não se mobiliza a palpação o Insinuada: a maior circunferência da apresentação transpôs a área do estreito superior • Classificação de DeLee: considera o diâmetro biespinha ciática ou linha interespinhosa, como plano de referência zero. Quando a parte baixa da apresentação estiver a 1 cm acima do plano “0”, a altura é expressa como “–1”; 2 cm acima, como “–2” e assim sucessivamente até “–5”. Quando a parte mais baixa da apresentação ultrapassar de 1 cm o plano “0”, sua altura será “+1”; quando de 2 cm, “+2”, nomeando-se assim até “+5”. o A indicação para sala de parto acontece quando a altura de apresentação está em DeLee +3. o Caso o feto esteja alto e móvel ou “não encaixado”, quer dizer que está acima de DeLee -2 • Planos de Hodge: pouco usado na clínica. O terceiro plano de Hodge corresponde ao zero de DeLee • Insinuação ou Encaixamento: passagem, pelo estreito superior, do maior plano perpendicular à linha da orientação, isto é, passagem do biparietal nas apresentações cefálicas e do bitrocanteriano nas apresentações pélvicas. • Assinclitismo: movimento de inclinação lateral da apresentação para travessia do canal pélvico o Assinclitismo Posterior: quando a sutura sagital está próxima do púbis e o parietal posterior é o primeiro a penetrar na escavação o Assinclitismo Anterior: quando a sutura sagital está mais aproximada do sacro e o parietal anterior desce em primeiro lugar o Sinclitismo: ausência da flexão lateral, mantendo-se a sutura sagital equidistante do sacro e do púbis Beatriz Chaveiro Turma XVIII Estática Fetal Anatomia Cefálica Fetal • As suturas permitem que o polo cefálico passe pela bacia: durante a passagem, os ossos cavalgam um sobre o outro, diminuindo a pressão sobre o encéfalo. As suturas do crânio fetal são: sagital, metópica, coronária, lambdoide e temporal. • Fontanela occipital ou lambdoide: mais prevalente nas apresentações cefálicas • Fontanela bregmática: maior fontanela. Quando identificada no exame de toque, indica hiperextensão da cabeça • Diâmetros cefálicos: o diâmetro mais fácil para passar pelo canal pélvico é o suboccípito-frontal, com 10,5 cm. Caso a cabeça esteja em deflexão, o diâmetro considerado é o occipto-mento, com 13,5 cm. Os pontos considerados referência para o cálculo dos diâmetros são: suboccipício, occipício, bregma, fronte, face, naso e mento. • Diâmetros biacromiais (ombros): caso o cóccix não faça retropropulsão, o diâmetro biacromial pode ficar preso, dificultando a saída. Manobra de Leopold • Primeiro tempo: delimita-se o fundo do útero com ambas as mãos encurvadas. Busca-se reconhecer o contorno do fundo uterino e a parte fetal. O polo pélvico é mais volumoso que a cabeça, esferoide, irregular, resistente, mas redutível. O polo cefálico é regular, resistente e irredutível. • Segundo tempo: deslizar as mãos do fundo uterino em direção ao polo inferior do órgão, tentando sentir o dorso fetal e as pequenas partes ou membros. A região dorsal é uma superfície resistente e contínua, plana no sentido longitudinal. • Terceiro tempo: visa à exploração da mobilidade do polo que se apresenta em relação com o estreito superior. Seria um dos tempos da técnica sistematizada por Leopold, e nela se procura apreender o polo entre o polegar e o médio da mão direita, imprimindo-lhe movimentos de lateralidade que indicam o grau de penetração da apresentação na bacia. Quando ela está alta e móvel, esse polo balança de um lado para outro. • Quarto tempo: explorar a escava em último lugar, quando se costuma encontrar o polo cefálico, com caracteres mais nítidos. O examinador volta suas costas para a cabeça da paciente e coloca as mãos sobre as fossas ilíacas, caminhando em direção ao hipogástrio. Com as extremidades dos dedos, procura penetrar na pelve. Abarcando o polo, deve-se verificar, pelas suas características, se é o cefálico ou o pélvico. Identifica-se a apresentação cefálica ou pélvica. Na apresentação córmica (transversa), a escava está vazia. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Atitude Fetal • Relação das partes fetais entre si. • Durante a gestação: normalmente, o feto está em hiperflexão (ou flexão generalizada). Isso explica porque a altura uterina acompanha o crescimento fetal até 34-36 semanas. Após esse período, a hiperflexão compensa o crescimento e ocupa menos espaço. Assim, a altura uterina ideal às 40 semanas é de 34 cm. O conjunto do tronco com os membros denomina-se ovoide córmico. • Durante o parto: ao iniciar-se o trabalho de parto, e principalmente após a amniorrexe, a atitude do feto se modifica. Nessas condições, devido à expansãodo segmento inferior e à incorporação da cérvice, o útero toma forma diversa daquela anteriormente guardada, passando de globosa a cilindroide, o que obriga o feto a endireitar o tronco, diminuindo sua flexão de maneira a se constituir em um cilindro, o cilindro fetal, formado pela cabeça fletida sobre o tronco, com as pequenas partes a ele mais aconchegadas. Situação Fetal • Relação do maior eixo fetal pelo maior eixo uterino. Quando os eixos coincidem, o feto está longitudinal. Caso os eixos estejam perpendiculares, o feto está em situação transversal. • Situação longitudinal: os eixos materno e fetal coincidem. A apresentação pode ser cefálica (a) ou pélvica (b). • Situação transversal: os eixos materno e fetal estão perpendiculares (c). Apresentação • Região do concepto que se relaciona com o estreito superior da bacia. • Apresentação córmica: situação transversa • Apresentação cefálica: em situação longitudinal, com o polo cefálico no estreito superior. A posição cefálica que favorece o nascimento por parto normal é a fletida (palpação da fontanela occipital). Contudo, existe a possibilidade de apresentação cefálica defletida, classificada nos seguintes graus: o I: defletida de primeiro grau ou apresentação de bregma (B). O parto normal pode ocorrer, mas muda o mecanismo de parto o II. defletida de segundo grau ou apresentação de fronte ou naso (N). Indica cesárea o III. defletida de terceiro grau ou apresentação de face, com palpação do mento (M). Passa via vaginal, mas machuca o feto • Apresentação pélvica: em situação longitudinal, o polo pélvico se encontra no estreito superior. Duas apresentações podem ocorrer: a apresentação pélvica completa (ou pelvipodálica), se as coxas e as pernas estão fletidas, e a apresentação pélvica incompleta (alguns membros estão em extensão. A mais comum é a de nádegas). Posição • Definição 1: relação do dorso fetal com o lado direito ou esquerdo materno, dificilmente podendo essa região fetal localizar-se francamente para a frente ou para trás em virtude da lordose lombar materna (“O dorso do feto está à direita ou à esquerda da mãe”) • Definição 2: relação entre o ponto de referência da apresentação com o lado esquerdo ou direito materno. • A melhor posição para o parto vaginal é a Occipitopúbica (o ponto occipital corresponde ao polo púbico materno) Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Variedades de posição: permite acompanhamento da rotação fetal. É composta de quatro palavras ou quatro letras, quando se utiliza abreviaturas. A primeira palavra refere-se ao ponto de referência fetal; a segunda palavra refere-se ao ponto de referência materno; a terceira palavra refere-se ao lado materno em que o ponto fetal se encontra; a quarta palavra refere-se ao plano da bacia em que o ponto de referência fetal se encontra (ex.: occipito-ilíaca direita anterior). Beatriz Chaveiro Turma XVIII Contratilidade Uterina • Cronologia da Contratilidade Uterina durante a Gestação: o Até 30 semanas de gestação, a atividade uterina é muito pequena. o Após 30 semanas, a atividade uterina aumenta vagarosa e progressivamente. o Nas últimas 4 semanas (pré-parto) a atividade é acentuada, observando-se, em geral, contrações de Braxton-Hicks (contrações não expulsivas de “treino”) mais intensas e frequentes, que melhoram a sua coordenação e se difundem a áreas cada vez maiores da matriz • No parto normal, a onda contrátil tem sua origem em dois marca-passos, direito e esquerdo, situados perto das implantações das tubas. • Tríplice gradiente descendente: a contração inicia no fundo do útero e desce em direção ao colo uterino. É mais intenso no corpo uterino, mas dura mais no segmento corporal (ístmo). • Trabalho de parto: considera-se início do trabalho de parto quando ocorrem 3 contrações, cada uma de 40 segundos, em 10 minutos (ou 120 unidades de Montevidéu) • Funções da contratilidade uterina: o Manutenção da gravidez: gravidez provavelmente se mantém pelo chamado bloqueio progesterônico. A progesterona tem a propriedade de diminuir a sensibilidade da célula miometrial ao estímulo contrátil, por hiperpolarização da membrana, bloqueando a condução da atividade elétrica de uma célula muscular a outra. o Dilatação do Ístmo e do Colo uterino: a contração encurta o corpo uterino e exerce tração longitudinal no segmento inferior, que se expande, e no colo, que progressivamente se apaga e dilata. O istmo é tracionado para cima, deslizando sobre o polo inferior do feto, experimentando dilatação no sentido circular. o Descida e expulsão do feto: pelo fato do colo uterino estar fixado na pelve óssea pelos ligamentos cardinais e úterossacros, o encurtamento das fibras musculares contraídas, empurra o feto para baixo e para dentro da pelve até que o feto seja expulso. o Hemostasia no puerpério: a contração uterina faz cessar a hemorragia no local de inserção placentária e determina também o fechamento de vasos sanguíneos miometriais. o Descolamento da placenta: com a expulsão do feto, o corpo do útero, adaptando-se à grande redução volumétrica, se retrai muito. O acentuado encurtamento é responsável pela desinserção placentária, bastando geralmente 2 a 3 contrações para descolá-la do corpo para o canal do parto (segmento inferior, colo e vagina). Beatriz Chaveiro Turma XVIII Mecanismo de parto Insinuação • A insinuação (ou encaixamento) é definida como a passagem da maior circunferência da apresentação fetal pela abertura superior da pelve. Ao toque vaginal, esse tempo é identificado quando a parte mais saliente da apresentação está ao nível das espinhas isquiáticas (DeLee 0) • O deslocamento do plano -5 de DeLee até 0 está incluído na insinuação • Na apresentação cefálica, ocorre flexão (apresentação de vértice), ou deflexão (apresentação de face) • Na apresentação pélvica, os membros inferiores aconchegam-se sobre o tronco ou desdobram-se os mesmos, para baixo ou para cima. Descida • Corresponde à descida da apresentação fetal a partir do plano 0 de DeLee. • Completando a insinuação, a cabeça migra até as proximidades do assoalho pélvico, onde começa o cotovelo do canal. • A descida, na realidade, ocorre desde o início do trabalho de parto e só termina com a expulsão total do feto. Durante esse mecanismo do parto, o movimento da cabeça é turbinal: à medida que o polo cefálico roda, vai progredindo no seu trajeto descendente. É a penetração rotativa Acentuação da Flexão • É realizada durante a descida. Neste tempo o feto aproxima o mento cada vez mais do tórax fetal com o propósito de facilitar a progressão do parto. Rotação Interna da Cabeça • Ocorre dentro da pelve óssea materna, com função de colocar o occipto fetal no púbis da mãe (hipomóclio). • Corresponde ao movimento de rotação da cabeça até que o polo cefálico atinja a variedade de posição occiptopúbica/direta anterior (ou raramenta a direta posterior/occiptossacra) • Dependendo da variedade de posição de insinuação, este movimento pode variar de 45º a 135º. Se o polo cefálico rodar de uma OIDP (occipto-ilíaca direita posterior) para OS (occiptossacra), a rotação será de apenas 45°. Contudo, se ele rodar de uma mesma OIDP pra OP (occiptopúbica), a rotação será de 135°. Deflexão • Corresponde ao movimento de extensão do polo cefálico que antecede ao movimento de desprendimento deste polo fetal. • É um movimento fundamental para que ocorra o desprendimento espontâneo do feto. Caso ele não ocorra, o feto não nasce espontaneamente, sendo necessária a utilização de instrumentos (como o fórceps). Desprendimento do Polo Cefálico • Corresponde ao nascimento da cabeça fetal, que ocorre facilmente após a deflexão. • Terminado o movimento de rotação, o suboccipital coloca-se sob a arcada púbica; a sutura sagital orienta-se em sentido anteroposterior. Dada a curvatura inferior do canaldo parto, o desprendimento ocorre por movimento de deflexão. A nuca do feto apoia-se na arcada púbica e a cabeça oscila em torno desse ponto. Rotação Externa da Cabeça • Ela é dita externa porque ocorre após o desprendimento do polo cefálico • Representa um movimento de restituição à variedade de posição de insinuação fetal → caso a insinuação fetal tenha sido em occipto-ilíaca direita posterior, a rotação será para o lado direito. Desprendimento dos Ombros • É o último tempo do mecanismo de parto e é neste tempo que o obstetra auxilia o feto a nascer. • Uma vez completada a rotação externa da cabeça, o obstetra apreende o feto pelo polo cefálico e realiza um movimento de oscilação do ombro para baixo com o propósito de desprender o ombro anterior; em seguida, ele deve realizar o mesmo movimento para cima com o objetivo de desprender o ombro posterior Beatriz Chaveiro Turma XVIII A. Insinuação – Descida e Acentuação da flexão da cabeça B. Rotação interna da cabeça C. Deflexão D. Desprendimento do pólo cefálico e rotação externa da cabeça E. Desprendimento do ombro anterior F. Desprendimento do ombro posterior Beatriz Chaveiro Turma XVIII Fisiologia Menstrual Esteroidogênese • Transformação do colesterol em hormônios sexuais e corticosteroides • Conjunto de processos que dão origem aos hormônios esteroides. • A distinção dos órgãos secretores depende da variedade de enzimas locais. Essas enzimas podem ser divididas em dois tipos: o Tipo P450: encontradas na mitocôndria ou no retículo endoplasmático liso o Hidroxiesteroides desidrogenases: encontradas no retículo endoplasmático rugoso. • A deficiência dessas enzimas pode causar deficiências na esteroidogênese. Um exemplo é a hiperplasia adrenal congênita, que cursa com deficiência de 21-hidroxilase, 11B-hidroxilase e a 3B-hidroxiesteroide desidrogenase. Reações da esteroidogênese • O colesterol circulante é convertido em pregnenolona pela β-hidroxilase (P450scc) • A pregnenolona é convertida em progesterona pela 3β-hidroxilase • A partir desses produtos, tem-se início a duas vias simultâneas: o Via delta 4 (a partir da progesterona) o Via delta 5 (a partir da pregnenolona) • A 17-α-hidroxilase converte a pregnenolona em 17-α-OH-pregnenolona. Na outra via, essa mesma enzima converte a progesterona em 17-α-OH-progesterona • A 17,20-liase converte a 17-α-OH-pregnenolona em DHEA. Na outra via, essa mesma enzima converte a 17-α-OH- progesterona em androstenediona. • A 17-β-desidrogenase converte o DHEA em adrostenediol. Na outra via, essa mesma enzima converte a androstenediona em testosterona • A enzima aromatase transforma hormônios masculinos em femininos. A aromatase converte a androstenediona em estrone. Na mesma via, essa mesma enzima converte a testosterona em estradiol. A inibição dessa enzima é útil em tratamento de neoplasias com receptores para estrógeno e progesterona. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Vias intracelulares da esteroidogênese • As vias intracelulares dependem do tipo e da quantidade de enzimas que estão presentem no órgão em questão • Esteroidogênese na Suprarrenal: a suprarrenal tem 3 zonas: reticular, fascicular e glomerular o Zona reticular: ▪ Corresponde a 1/3 da glândula ▪ Converte 17-OH-progesterona em DHEA → responsável por 90% da produção corporal de DHEA e 100% de S-DHEA ▪ O DHEA e o S-DHEA são excelentes marcadores da produção de androgênio da suprarrenal na suspeita de hiperprodução de algum androgênio (hiperplasia). o Zona fascicular: ▪ Corresponde a 2/3 da glândula, sendo responsável pela produção de glicocorticoides (cortisol) o Zona glomerular: ▪ Ilhotas na superfície da glândula responsáveis pela produção de mineralocorticoides (aldosterona) • Esteroidogênese no Tecido Periférico o Conversão principal de androstenediona em estrona → grande concentração de aromatase o Em pacientes obesas, tem-se maior incidência de câncer de endométrio e de mama. Isso decorre da maior conversão periférica e maior concentração sanguínea de estrogênio. • Esteroidogênese na Placenta o Depende do colesterol materno o A placenta não dispõe de 17α-hidroxilase → pode realizar a esteroidogênese somente até a progesterona o A progesterona gerada é um substrato tanto para a mãe quanto para o feto: ▪ Organismo materno: a progesterona é convertida até o substrato estradiol ▪ Organismo fetal: a progesterona é substrato para a síntese de estrio, sob estímulo do hCG e ACTH • Esteroidogênese no Ovário o Detalhada abaixo Esteroidogênese Ovariana • Produção de esteroides estimulada por hormônios liberados na hipófise (LH e FSH) • Ocorre no córtex ovariano, nas células da teca e da granulosa • A produção pode ser dividida em: fase folicular (produção maior de estrogênio) e fase lútea (produção maior de progesterona) • Teoria das Duas Células de Falk: nas células da teca, tem-se absorção do colesterol circulante, o qual é convertido até androstenediona e testosterona sob sinalização dos receptores de LH ativados. Os androgênios produzidos na célula da teca passam por osmose para a célula da granulosa. Nas células da granulosa, a androstenediona e a testosterona passarão por processo de aromatização, sendo convertidas em estrona e estradiol (respectivamente), sob sinalização dos receptores de FSH ativados. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Fase Folicular: o Após a aromatização e produção dos estrogênios, há um consequente aumento destes hormônios o Sob efeito dos maiores níveis circulantes de estrogênios, as células da teca secretam inibina A, que inibe o FSH, impedindo novo desenvolvimento folicular o No folículo pré-antral (uma fase do desenvolvimento folicular), tem-se aumento da proliferação da granulosa e aumento do líquido folicular o Defeito na passagem dos androgênios da célula da teca para a célula da granulosa → quando ocorre acúmulo dos androgênios no ambiente folicular, tem-se estímulo à enzima 5α-redutase. Essa enzima converte os androgênios acumulados na célula da teca em 5α-androgênio. Essa substância formada inibe a aromatização e a formação de receptores de LH, fazendo com que o folículo entre em atresia. Esse processo ocorre na maioria dos folículos recrutados, de modo que somente 1 folículo ovule. o Folículos recrutados: criam um ambiente estrogênico que permite evolução para folículo dominante maduro (receptor de LH na granulosa estimulado pelo FSH, induzindo a ovulação) o Folículos não recrutados: ocorre a androgenização e evolui para atresia por processo descrito acima. • Fase Lútea: o Após a ovulação: o folículo roto dá origem ao corpo lúteo o No corpo lúteo, as células da granulosa são mais proeminentes do que as da teca. Essa estrutura é importante para a produção de estrogênio e progesterona sob estímulo do LH. o Apesar do sistema de duas células continuar existindo, o LH assume o papel do FSH, uma vez que as células da granulosa (luteinizada) passam a expressar receptores de LH. o A produção principalmente de progesterona gera com feedback negativo com subsequente diminuição do FSH, impedindo um novo recrutamento folicular. Esse mecanismo da progesterona impedir recrutamento folicular e nova ovulação é explorado nos anticoncepcionais anovulatórios. o O pico da fase lútea do estrogênio e da progesterona acontece 8 dias após o pico do LH o Após 14 dias, o corpo lúteo deve ser estimulado pelo hCG, em caso de gestação. Caso esse processo não ocorra, tem-se degeneração do corpo lúteo e formação do corpo albicans (cicatricial). Isso causa uma queda brusca de estrogênio e progesterona, com desprendimento do endométrio e menstruação. Controle Neuroendócrino do Ciclo Menstrual Hierarquia do controle neuroendócrino: sistema córtico-límbico→hipotálamo→hipófise→ovário→endométrio Sistema Córtico-Límbico-Hipotalâmico • Esse sistema controla a liberação do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH)a partir de fatores inibitórios (serotonina, melatonina, dopamina, prolactina, opioides endógenos, inibina) e estimulatórios (noradrenalina, adrenalina, activina, neuropeptídeo Y, GABA) Hipotálamo • Conecta-se diretamente à hipófise e é anatomicamente dividido em: periventricular, lateral, medial • Produz: GnRH, GHRH, CRF, TRH • GnRH o Regula a secreção de gonadotrofinas pela hipófise, sendo secretado de forma pulsátil pelo núcleo arqueado e captado pelo plexo capilar do sistema porta-hipofisário. Exerce sua função na adeno-hipófise o A secreção pulsátil varia de acordo com a fase: ▪ Fase folicular: ↑frequência de pulso, com ↓amplitude; depois ↑frequência com ↑amplitude ▪ Fase lútea: diminuição da frequência de pulso, com redução gradativa da amplitude o Para testes clínicos, a administração contínua do GnRH leva ao down regulation na produção de LH e FSH, enquanto a administração intermitente e contínua leva ao up regulation. Esse mecanismo pode ser usado na oncologia em caso de neoplasias com receptores para estrogênio (grande estimulador a mitose), como o mioma; em bloqueio temporário do ovário para posterior estímulo intermitente com intuito de induzir ovulação. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Hipófise • Neuro-hipófise: ocitocina e ADH • Adeno-hipófise: FSH, LH, TSH, ACTH, GH e prolactina o FSH e LH são produzidos pelos gonadotrofos o FSH tem meia vida de 3-4 horas, enquanto o LH tem meia vida de 20 minutos o Ambos possuem a mesma subunidade α, diferindo somente na subunidade β Ovários • Oócitos: a unidade funcional do ovário é o folículo, sendo que cada um possui oócitos o Na 20ª semana, o feto possui entre 6-7 milhões de oócitos. Ao nascimento, possui de 1-2 milhões o Fase puberal: a paciente possui cerca de 300-500 mil oócitos parados no estágio de diplóteno da meiose até que ocorra a ovulação. o A cada ciclo, perde-se cerca de 1000 folículos por atresia o A mulher produz um total de 400 óvulos na vida reprodutiva • Fase Folicular → estrogênio o É a primeira fase do ciclo, com duração variável entre 10-14 dias o Evolução do folículo: folículo primordial → recrutamento → folículo pré-antral → proliferação celular da granulosa + acúmulo de líquido → folículo antral → folículo pré-ovulatório → folículo ovulatório o Fase pré-ovulatória: ▪ O estrogênio está em seu nível máximo: permite o pico de LH importante para o início do processo de luteinização e produção de progesterona pela granulosa, a qual é responsável pelo pico de FSH da metade do ciclo; tem papel fundamental no aumento dos receptores de LH ▪ Elevação dos androgênios (folículos que foram recrutados, mas que apresentaram problema no transporte de androgênios entre a célula da teca e da granulosa) com atresia granulosa e aumento da libido • Fase Ovulatória → LH o Retomada da meiose sob estímulo do pico de LH. Esse processo é completado após a fertilização o Além do pico das gonadotrofinas, é necessário maturidade do folículo (distensão folicular correta que facilite a eclosão do folículo e liberação do oócito) para a ovulação. o A ovulação ocorre de 10-12 horas após o pico de LH o Modificações necessárias para a ruptura do folículo (mediadas pelo pico do LH): ▪ Distensão com aumento do líquido antral ▪ Atuação de enzimas proteolíticas para o rompimento ▪ Prostaglandinas E e F: ação proteolítica e contração do oócito o A queda dos níveis de LH após a ovulação cursa com queda da produção de progesterona redução acentuada do estrogênio • Fase Lútea → progesterona o Tem esse nome devido ao acúmulo de luteína (pigmento amarelado) nas células da granulosa o Dura de 11-17 dias o Aumento de progesterona: pico máximo 8 dias após a ovulação, com função de supressão de novo recrutamento folicular. o Clínica da progesterona elevada: edema em mamas, edema em outras partes do corpo, trânsito intestinal mais lento o O declínio do corpo lúteo ocorre com 9-11 dias após a ovulação, com formação do corpo albicans. Após a morte do corpo lúteo, os níveis baixos de estrogênio e progesterona removem a ação de feedback negativo sobre a hipófise, permitindo novos pulsos de GnRH o Em caso de gestação, o corpo lúteo é mantido pelo hCG (estrutura semelhante ao LH) até a 9ª semana de gestação Beatriz Chaveiro Turma XVIII Útero • Endométrio: composto de descídua funcional (2/3, porção cíclica) e descídua basal (regeneração após a menstruação). • Do ponto de vista endometrial, o ciclo menstrual divide-se em três fases: proliferativo, secretor e menstrual • Fase Proliferativa: o Grande número de glândulas, células estromais e células vasculares endoteliais o Atividade mitótica elevada o Número máximo de células ocorre por volta do 8º-10º dia do ciclo, coincidindo com o pico do estradiol o Tem o pico mais elevado do estradiol o Células em forma pseudoestratificada o Aumento das células ciliadas • Fase Secretora: o Maior atuação da progesterona (sob ação do corpo lúteo) o O estroma permanece inalterado até o 7º dia após a ovulação. Posteriormente, tem-se edema progressivo. o Fase caracterizada por glândulas tortuosas com colabamento dos vasos • Fase Menstrual: o Ruptura irregular do endométrio o Após término da vida funcional do corpo lúteo: a redução do estrogênio e da progesterona leva a espasmos vasculares, com isquemia e perda de tecido. Associado a isso, tem-se aumento das prostaglandinas com intensificação dos vasoespasmos além da contração miometrial. o A parada do fluxo menstrual depende de efeitos combinados, como: vasoconstrição prolongada, colapso tecidual, estase vascular, reparação induzida pelo estrogênio do novo ciclo (possibilidade do uso de estrogênio para pacientes que têm sangramento volumoso) Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Desenvolvimento Puberal Normal e Anormal Puberdade é o período de transição da infância para a adolescência, marcado pelo desenvolvimento de caracteres sexuais secundários, surtos de crescimento acelerado, alterações comportamentais e aquisição da capacidade reprodutiva. Tem duração média de 4 anos e meio. Vários fatores influenciam o início da puberdade, sendo que a genética é o mais importante. Em relação aos fatores que influenciam na menarca, acreditava-se na existência de uma relação estreita com o peso corporal, de modo que ela ocorreria quando a menina atingisse 47,8 kg. Posteriormente, viu-se que o percentual de gordura exerce mais influência do que o peso em si, sendo que, ao atingir 16% de gordura corporal ocorre a menarca e 23% ocorrem ciclos ovulatórios. Isso porque o tecido adiposo secreta a leptina (peptídeo), que age no sistema nervoso central e estimula pulsos de GnRH. Fisiologia da Puberdade • Depende da integridade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário • O eixo hipotálamo-hipófise-ovário é funcionante desde a metade da vida embrionária: o Os esteroides sexuais produzidos na vida fetal estimulam a divisão celular e o desenvolvimento folicular no ovário fetal. Esse processo decorre do estímulo de hormônios maternos. o Ao nascimento, o estímulo é cessado subitamente, promovendo um aumento das gonadotrofinas e subsequente estímulo ovariano. Devido a isso, é comum encontrar botão mamário em recém-nascidas. o O estímulo permanece cessado até o 8º ano de vida. • Após o 8º ano de vida, tem-se início da ativação do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, com pulsos noturnos de GnRH. Isso inicia a secreção, inicialmente noturna e durante o sono, de FSH e LH. É importante destacar que a resposta do FSH ao GnRH é mais precoce, com aumento da produção de estrogênio. • Paralelamente, ocorre ativação da zona reticular das suprarrenais (adrenarca). Em decorrência disso, tem-se proliferação de glândulas sebáceas, odor característico do suor. Esse processo ocorre 2 anos antes do estirão de crescimento e elevação das gonadotrofinas.Marcos da Puberdade • Estirão de crescimento: o Acontece mais cedo nas meninas o Ação conjunta de GH + estrogênio + IGF-1 → os pulsos de GnRH promovem liberação de FSH e subsequente maior produção de estrogênio. O estrogênio provoca o aumento de GH, o qual estimula o IGF-1, que promove o crescimento. o Duração de 2-3 anos o Velocidade de crescimento de 9-10 cm/ano, com desaceleração gradual após a menarca (ganho de 6 cm apenas) • Telarca: o Desenvolvimento mamário o Ocorre 2 anos antes da menarca o Estágios de Tanner → M1: ausência de desenvolvimento; M2: aparecimento do broto mamário; M3: crescimento de mama e aréola; M4: projeção da papila e aréola acima do contorno da mama; M5: projeção apenas da papila e retorno da aréola ao contorno da mama (presença de lobos tipo 1 e 2, pouco especializados); M6: atingido apenas após 1 gestação a termo (presença de lobos tipo 3 e 4, mais especializados). Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Pubarca: o Aparecimento dos pelos pubianos, seguido dos axilares o Aumento da secreção das glândulas sebáceas (odor característico, acne) o Estágios de Tanner → P1: ausência de pelos pubianos; P2: pelos finos e lisos na borda dos grandes lábios; P3: aumento dos pelos em grandes lábios e púbis (mais escuros e crespos); P4: pelos escuros, crespos, grossos nos grandes lábios, púbis e períneo; P5: pelos abundantes em púbis, períneo e raiz das coxas. • Menarca o É o fenômeno mais marcante, sendo que no Brasil, a média de idade de ocorrência é aos 12 anos o Geralmente, após o estirão de crescimento, quando a idade óssea é de 13 anos e as mamas estão em M4 o Os ciclos tendem a ser anovulatórios e irregulares. o A ciclicidade da ovulação leva à regularidade menstrual e marca o final da puberdade. Maturação dos Caracteres Sexuais Primários • Útero: aumento do volume e proporção útero:colo = 2:1 (no período pré-púbere, a relação é de 1:1). Esse aumento da proporção garante o formato piriforme do útero maduro. • Ovários: presença de folículos ovarianos e subsequente aumento do volume ovariano • Produção de muco • Mudança na coloração da vagina (coloração pálida pré-puberal → coloração róseo-avermelhada pór-puberdade) decorrente da maior vascularização local por estímulos do estrogênio Puberdade Precoce • Desenvolvimento de caracteres secundários antes dos 8 anos, com incidência maior em meninas (4F:1M) • Classificação: o Puberdade Precoce Verdadeira: decorrente da ativação precoce do eixo H-H-O; dependente de GnRH o Pseudopuberdade Precoce: não associada à produção de gonadotrofinas Puberdade Precoce Verdadeira • Causas: o Idiopática: acontece em 80% dos casos em meninas. A frequência vem diminuindo devido a métodos diagnósticos mais sensíveis para lesões mínimas de SNC. o Lesões de SNC: devem sempre ser pesquisadas e podem levar a acometimentos ainda mais precoces. ▪ Tumores: hamartomas de hipotálamo, craniofatingiomas (principal causa de lesões de SNC que cursa com puberdade precoce), astrocitomas, gliomas, neurofibromas, teratomas ▪ Traumas: hidrocefalia, infecções, anomalias congênitas, traumas mecânicos • Consequências importantes: o Redução da altura final esperada: fechamento precoce da cartilagem de crescimento o Sem repercussão sobre a fertilidade e idade da menopausa o Aspecto psicossocial: mais expostas ao risco de abuso sexual Pseudopuberdade Precoce • Corresponde a 15-20% dos casos de puberdade precoce. • Ocorre elevação dos esteroides sexuais não associada à elevação dos níveis de GnRH • Causas: o Ovarianas (mais frequentes): tumores de células da granulosa (60%); arrenoblastoma, cistadenomas, gonadoblastomas, carcinomas, cistos ovarianos benignos e tumores produtores de hCG o Adrenais: tumores produtores de estrogênio (adenomas e carcinomas), hiperplasia adrenal congênita (pesquisar o aumento do S-DHEA). o Hipotireoidismo: é mais comum na puberdade tardia. O mecanismo de pseudopuberdade decorre da reação cruzada entre o FSH e o TSH. o Iatrogênica: fonte exógena de hormônios o Síndrome de McCune Albright: até 5% dos casos de pseudopuberdade precoce. Cursa com displasia óssea, hiperpigmentação da pele (manchas café com leite), precocidade sexual. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Precocidade Sexual Incompleta • Adrenarca prematura: o Discreta aceleração da velocidade do crescimento o Aumento discreto da androstenediona, DHEA e S-DHEA (marcador para atividade adrenal) • Telarca precoce: o Desenvolvimento mamário sem sinais puberais o Comum em meninas abaixo de 2 anos o Devem ser investigadas causas iatrogênicas (ingestão de estrogênios, por exemplo) o Avaliar: idade óssea, teste de GnRH, USG pélvico (avalia presença de cisto funcional) • Menarca prematura: o Rara a ocorrência isolada o Os principais diagnósticos diferenciais são: corpo estranho, infecções, trauma e neoplasias o Estrogênio em níveis pré-puberais Diagnóstico • História clínica detalhada: valorizar os sintomas e sinais de puberdade, antecedentes de doença do SNC, uso de hormônios, cefaleia recorrente ou dor abdominal sem causa específica, histórico familiar • Exame físico: estadiamento das mamas e pelos (Escala de Tanner), peso e altura (avaliar na curva de crescimento), identificar manchas café com leite e alterações ósseas (Síndrome de McCune Albright) • Laboratorial: o LH basal o FSH basal o LH após estímulo: ▪ 100 mg de GnRH e dosar LH em 30, 60, 90 e 120 minutos. O pico deve ocorrer entre 60-90 minutos. Os valores positivos para puberdade precoce são: • Valor do pico de LH dividido pelo valor de FSH (pico de LH/FSH) > 1 ou • LH > 10 ▪ 1-3,75 mg de leucoprorrelina (análogo de GnRH) com dosagem basal e em 120 minutos. Os valores de LH > 10 são positivos para puberdade precoce. o Estradiol: caso os níveis estejam muito elevados, pensar em tumores ou cistos ovarianos o Androgênios: em caso de suspeita de patologias de adrenais e inclui dosagem de testosterona, 17OH- progesterona, DHEA e S-DHEA o TSH e T4 livre: em caso de suspeita de hipotireoidismo primário (associado a idade óssea atrasada) o hCG: em caso de suspeita de carcinoma • Imagem: o Radiografia de mão e punho do lado não dominante: idade óssea o USG pélvico e abdominal: os achados que indicam puberdade precoce são: ▪ Útero > 35 mm ou volume > 2mm3 (ação estrogênica) ▪ Útero piriforme e endométrio hiperecogênico ▪ Ovários > 1 cm3 ▪ Suprarenais são melhores avaliadas por RM o RM ou TC de crânio: avaliação do SNC (puberdade precoce de origem central) Beatriz Chaveiro Turma XVIII Tratamento • O controle deve ser feito a partir da curva de crescimento e estadiamento mamário e pubiano • Idade óssea anual • Manter a inibição do eixo até 12 anos de idade óssea ou 2 anos a mais da cronológica Puberdade Tardia • Ausência de caracteres sexuais secundários até 14 anos de idade; OU • Não ocorrência da menarca até os 16 anos; OU • Não houver menarca após 3 anos da telarca. Classificação: Hipogonadismo Hipogonadotrófico: • Deficiência hipotálamo-hipofisária • Dosagens baixas de FSH e LH • 30% dos casos de puberdade tardia Hipogonadismo Hipergonadotrófico • Disfunção gonadal • Dosagens de LH e FSH altas • 43% dos casos de puberdade tardia Atraso Constitucional do desenvolvimento puberal • Causa genética • Não é patológico Hipogonadismo Hipogonadotrófico • Causas mais frequentes: o Tumores do SNC: craniofaringiomas, germinomas, gliomas e astrocitomas o Lesões do SNC: infecções, defeitos congênitos, hidrocefalia e radioterapia o Deficiência isolada de gonadotrofinas: síndrome de Kallman (cursa com anosmia) o Doenças crônicas e desnutrição: perdas > 50% do peso comprometem a produção de gonadotrofina. No caso da anorexia nervosa, tem-se hipogonadismo hipogonadotrófico funcional (disfunção hipotalâmica reversível) o Atividade física excessiva: cada ano de treinamento extenuantecursa com 5 meses de atraso na menarca o Hipotireoidismo: pode interferir na maturação óssea e no crescimento o Patologias genéticas: Síndrome de Laurence-Moon-Biedl (obesidade, retardo no desenvolvimento mental, pigmento na retina, malformações de ossos ou órgãos) e Síndrome de Prader-Labhart-Willi (hiperfagia, hipotonia, dificuldade de aprendizado, instabilidade emocional e imaturidade, alterações hormonais, baixa estatura, pele mais clara que os pais, fronte estreita, boca pequena, estrabismo) Hipergonadismo Hipergonadotrófico • Causas mais frequentes: o Digenesia gonadal: a causa mais frequente é a Síndrome de Turner (monossomia do X) que cursa com ovários em fita (sem células germinativas) e ausência de produção de estrogênio, com retardo do desenvolvimento puberal. o Após radio e/ou quimioterapia: depende da idade em que o tratamento foi feito e do uso de inibidores (GnRH ou análogos) ou transposição cirúrgica para a preservação gonadal em época correta o Ooforite autoimune: destruição do parênquima ovariano Atraso Constitucional do Desenvolvimento Puberal • Corresponde à maioria dos casos de atraso do desenvolvimento puberal • Atinge da mesma forma a altura, idade óssea e o desenvolvimento puberal • As principais causas são: fatores familiares, doenças crônicas e desnutrição • Dosagens de gonadotrofinas são normais para infância e teste de GnRH apresenta padrão pré-púbere Beatriz Chaveiro Turma XVIII Diagnóstico • Anamnese: curvas de crescimento, doenças neurológicas, infecções, desnutrição, patologias crônicas... • Exame físico: peso, estatura, estadiamento dos caracteres sexuais, percentil de gordura, identificação dos estigmas da Síndrome de Turner • Laboratorial: o Dosagens hormonais: ▪ Dosagem de gonadotrofinas (LSH e FSH): em caso de níveis elevados, a causa é periférica/ovariana; em caso de níveis baixos, causa central (hipotálamo ou hipófise). ▪ Dosagem de TSH e prolactina o Cariótipo: LH e FSH elevados Tratamento • Induzir e manter o desenvolvimento puberal • Para cada etiologia, estabelecer tratamento específico • Síndrome de Turner: reposição hormonal com estrogênio entre 12-15 anos e contraposição com progesterona após o pico de crescimento ou posterior ao uso de GH. A duração do tratamento deve ser de 2-3 anos. • Disgenesia gonádica que exista cromossomo Y: gonadectomia devido ao risco de malignização • Tratamento com indução da feminilização: 1. Estimular o desenvolvimento mamário e promover o estirão ▪ 0,3 mg/dia de estrogênio ou 25 mcg/dia de etinilestradiol transdérmico ▪ Duração de 6-12 meses ▪ Aumento gradual até 1,25 mg/dia de estrogênio ou 50 mcg/dia de estinilestradiol ▪ Tratamento associado ao GH 2. Promover menstruação e mineralização óssea ▪ 0,625 – 1,5 mg/dia de estrogênio ou 25-50 mcg/dia de etinilestradiol ▪ 5-10 mg/dia de acetato de medroxiprogesterona (AMP) por 10-14 dias no mês 3. Manutenção ▪ Manter o esquema anterior de estrogênio + progesterona OU ▪ Anticoncepcional oral de 20-35 mg de etinilestradiol Beatriz Chaveiro Turma XVIII Assistência Obstétrica Clinicamente, o estudo do parto analisa três fases principais (dilatação, expulsão e secundamento), precedidas de estádio preliminar, o período premonitório (pré-parto). Tende-se a considerar um quarto período, que compreenderia a primeira hora após a saída da placenta, pelo fato de ser uma fase de riscos imanentes, frequentemente ignorada pelo profissional que presta assistência ao parto. Períodos do Parto Período Premonitório ou Período Pré-Parto • “Queda do ventre”: descida do fundo uterino. Situada nas proximidades do apêndice xifoide, a cúpula do útero gravídico baixa de 2 a 4 cm, aumentando a amplitude da ventilação pulmonar, que até esse momento era dificultada pela compressão diafragmática. • Dores lombares: estiramento das articulações da cintura pélvica e transtornos circulatórios decorrentes dos novos contatos. • Secreção cervical: as secreções das glândulas cervicais tornam-se mais volumosas, com eliminação de muco, por vezes mesclado de sangue (“perda do tampão”). • Metrossístoles Intermitentes do Útero, com espaços cada vez mais curtos e contrações que se vão intensificando, prenunciando o parto (dolores praeparantes). A atividade uterina, desencadeada desde o início da gravidez, se mantém reduzida até 30 semanas. Ultrapassada essa época, a atividade cresce paulatinamente, especialmente após 36 semanas (maior intensidade e frequência das contrações de Braxton-Hicks). • Alterações de Colo Uterino: o Encurtamento da porção vaginal do colo o Amadurecimento do colo: dividido em duas fases: ▪ Fase 1: se inicia desde o 1o trimestre e se caracteriza pelo lento amolecimento do colo ▪ Fase 2: mais acelerada e se caracteriza pela máxima perda de complacência e integridade tecidual. Essa fase ocorre semanas ou dias antes do parto e torna possível que o colo esteja amadurecido para se dilatar e promover a passagem do concepto a termo após o início das contrações. o Orientação e abaixamento do colo: o parto só tende a começar com essa porção da matriz locada no centro do eixo vaginal, depois ou contemporaneamente à sua descida em relação à fenda vulvar. Diagnóstico de Trabalho de Parto • É um diagnóstico difícil, uma vez que o exato momento em que se iniciam contrações regulares e efetivas pode não ser identificado, as contrações do início do trabalho de parto podem ser menos frequentes e pouco dolorosas e, da mesma maneira, o ponto em que a dilatação cervical se inicia em resposta a essas contrações pode não ser determinado. • Os critérios para determinação do início do trabalho de parto são: ocorrência de contrações uterinas espontâneas e rítmicas (pelo menos duas em 15 min), associadas a, pelo menos, dois dos seguintes sinais: o Apagamento cervical o Colo dilatado para 3 cm ou mais o Ruptura espontânea da bolsa das águas. • As contrações são consideradas efetivas quando duram de 50-60 segundos, se estendem a todo o útero e estão associadas a sensação dolorosa concomitante tipo cólica • No que diz respeito à dilatação, a tendência atual é considerar diagnóstico de trabalho de parto 4 cm com colo apagado ou 5 cm independentemente do apagamento. • Na prática clínica, considera-se início do trabalho de parto quando ocorrem 3 contrações de 40 segundos em 10 minutos + dilatação de 3 centímetros • Falso trabalho de parto: metrossístoles, de ritmo irregular e sem coordenação, que, por não produzirem modificações no colo, são úteis no diagnóstico diferencial do verdadeiro trabalho. • É válido lembrar que as pacientes multíparas possuem menos contrações e mais dilatação Beatriz Chaveiro Turma XVIII Fase de Dilatação ou Primeiro Período • Tem início com as contrações uterinas rítmicas, que começam por modificar ativamente a cérvice, e terminam quando a sua ampliação está completa (10 cm). • O colo dilata-se graças ao efeito de tração das fibras longitudinais do corpo, que se encurta durante as contrações uterinas, e a outros fatores convergentes (bolsa das águas e apresentação) • O primeiro período é dividido em duas fases: o Fase latente: dilatação cervical gradual o Fase ativa: dilatação cervical rápida • Apagamento do colo uterino + Dilatação: o Primíparas: primeiro, ocorre a abertura do diafragma cervicossegmentário, seguido por apagamento de colo (desaparecimento do espaço cervical, com a incorporação dele à cavidade uterina) e, em último momento, início da dilatação da cérvice o Múltíparas: nessas pacientes, o apagamento do colo e a dilatação da cérvice são simultâneos, de modo que o colo se desmancha em sincronismo com a dilatação. • Amniorrexe: ruptura espontânea da bolsa das águas. Decorre do enfraquecimento generalizado, quando atuam as contrações uterinas e o repetido estiramento. A amniorrexe é classificada em: o Prematura: ruptura na ausência de trabalho departo o Precoce: ruptura no início do parto o Oportuna: ao final da dilatação o Tardia: ocorre após a expulsão do feto que, quando nasce envolto pelas membranas, é chamado de concepto empelicado o Espontânea: quando ocorre sem envolvimento médico o Provocada ou Artificial (amniotomia): decorre da ação direta do profissional que presta assistência ao parto (com o dedo ou instrumentos) o Intempestiva: acarreta prolapsos, procidências ou escape quase total do líquido amniótico (devendo ser evitada). Fase de Expulsão ou Segundo Período • Inicia-se quando a dilatação está completa e se encerra com a saída do feto • Contrações: cada vez mais intensas e frequentes, com intervalos progressivamente menores, até adquirirem o aspecto subintrante de 5 contrações a cada 10 min. • Contração voluntária dos músculos abdominais: associa a força contrátil do diafragma e da parede abdominal, cujas formações musculoaponeuróticas, ao se retesarem, formam uma cinta muscular poderosa que comprime o útero de cima para baixo e da frente para trás. • Puxos: origina-se, então, a vontade de espremer, os puxos, movimentos enérgicos da parede do ventre, semelhantes aos suscitados pela evacuação ou micção. São esses os puxos involuntários, tardios, que não demandam encorajamento dos presentes à cena do parto. • Saída do Feto: desce a apresentação pelo canal do parto, cumprindo os tempos preliminares do mecanismo de expulsão; passa a pressionar o períneo, que se deixa distender, encosta-se às paredes do reto, elimina-lhe ocasionalmente o conteúdo e turgesce o ânus. Dá-se a eliminação do líquido amniótico remanescente no útero. Após esses esforços, a parturiente passa por um lapso de euforia compensadora (ocitocina e pela endorfina). Secundamento • Descolamento (dequitação ou dequitadura), descida e expulsão ou desprendimento da placenta e de suas páreas. Duração Normal do Trabalho de Parto Fase Primípara Multípara Fase Latente 20h 14h Fase Ativa Com analgesia peridural 1,1-3,6h 0,4-2h Sem analgesia 0,6-2,8h 0,2-1,3h Beatriz Chaveiro Turma XVIII Medidas de Assistência Obstétrica Assistência no Anteparto • Cursos de preparação para o parto • Exercícios do assoalho pélvico: tanto a gravidez como o parto são fatores de risco para incontinência urinária. Os exercícios de prevenção cursam com redução de cerca de 30% no risco de incontinência urinária até 6 meses depois do parto, sendo o efeito proporcional à intensidade do treinamento dos músculos do assoalho pélvico. • Massagem perineal: iniciada a partir de 34 semanas é proposta no intuito de diminuir a ocorrência de lacerações perineais. Assistência no Primeiro Período (Dilatação) • Local adequado • Profissionais capacitados: parturientes de baixo risco (ou risco habitual) podem ser atendidas por enfermeiras- obstetras ou obstetrizes, e as de alto risco devem ser atendidas por médicos obstetras, capazes de intervir também no tratamento das distocias e sempre que houver indicação de procedimentos cirúrgicos (tomotocia) em um trabalho de parto previamente não complicado. • Cuidados iniciais: parturientes saudáveis de baixo risco ou risco habitual não são doentes, podem ficar com suas vestimentas, não devem submeter-se a jejum, tricoxisma, tricotomia nem enteróclise (enema). • Alimentação: não apenas existem efeitos metabólicos deletérios do jejum, levando a estresse desnecessário e produção de cetonas, como as taxas de broncospiração estão praticamente extintas, graças aos avanços da prática anestésica, de modo que parturientes de baixo risco podem e devem se alimentar e deve-se ter todo o cuidado na identificação da população de alto risco para aspiração, como mulheres obesas, com pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, que podem se beneficiar com estratégias como analgesia peridural, uso de inibidores de bomba de prótons, antagonistas H2, metoclopramida para melhorar a acidez gástrica. Além disso, como opioides podem retardar o esvaziamento gástrico, é razoável considerar-se o jejum quando eles são administrados. • Apoio contínuo • Posição e deambulação: há muito se sabe que a posição supina leva à compressão dos vasos abdominais, o que compromete a circulação uteroplacentária, podendo ocasionar risco ao feto. A conclusão é que mulheres devem ser encorajadas a escolher as posições em que se sintam mais confortáveis durante o trabalho de parto, com liberdade de escolha e de deambulação. • Toque vaginal: procura explorar sucessivamente: o colo (apagamento, dilatação, orientação e consistência), a bolsa das águas e a apresentação (posição, variedade, altura e proporcionalidade à bacia, além de outros detalhes, como a flexão e o assinclitismo). A apresentação cefálica mostra-se como um corpo duro, arredondado e liso, no qual se percebem as suturas e fontanelas. Toques frequentes e sem apuro técnico são traumatizantes para os tecidos maternos, provocam edema da cérvice e propiciam infecção ovular e da genitália, além de causar dor e desconforto para a mulher. A OMS recomenda o toque vaginal a cada 4h, na fase ativa. • Altura da apresentação: nas primíparas, ao início do trabalho, a apresentação costuma estar encaixada ou insinuada. Nas multíparas, a insinuação só ocorre ao fim da dilatação ou no começo da expulsão, permanecendo alta a apresentação durante a maior parte do trabalho. A apresentação está baixa quando, após ter sofrido a rotação interna (sutura sagital no eixo anteroposterior da bacia), toma contato com o períneo, o que ocorre no período de expulsão. • Ruptura das membranas: empurrando-se a apresentação, levemente, para cima, durante o toque, jorra o liquor amni nas amniorrexes consumadas; se estiverem intactas as membranas, ele se acumula entre essas e o polo fetal, mais tensas durante as contrações uterinas. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Uso de fluidos intravenosos: não há evidência de benefícios e existirem potenciais malefícios, como sobrecarga de volume, sobretudo quando se faz necessário associar infusão de ocitocina, e restrição da mobilidade da parturiente. Parturientes de baixo risco devem ser encorajadas a beber livremente líquidos. • Uso de ocitocina: uso precoce de ocitocina associou-se ao aumento de hiperestimulação uterina (taquissistolia associada com padrões anômalos de frequência cardíaca fetal). Dessa maneira, como o único efeito considerável foi o encurtamento da duração do trabalho de parto, que pode ser importante para algumas mulheres, mas não para outras, e dado o potencial risco, a medicação deve ser usada com cautela, individualizando-se os casos conforme características e expectativas das parturientes. • Sinais vitais maternos: pulso, pressão arterial e temperatura são rotineiramente avaliados na admissão da gestante de baixo risco. Situações distintas em que se observe rotura de membranas podem necessitar de avaliações de temperatura e frequência cardíaca a intervalos menores. Da mesma forma, a ocorrência de síndromes hipertensivas torna necessária a avaliação da pressão arterial com maior frequência e pacientes portadoras de diabetes necessitam de controle por meio de glicemia capilar, para se evitar tanto a hipoglicemia como a hiperglicemia durante o trabalho de parto. • Avaliação da Vitalidade do Concepto: os métodos mais utilizados são ausculta intermitente dos BCF com Doppler e cardiotocografia contínua. Não deve ser realizada com a parturiente deitada em decúbito dorsal, porque a compressão dos grandes vasos pelo útero gravídico pode levar a redução do retorno venoso, redução do débito cardíaco, redução do fluxo sanguíneo para útero e placenta e, portanto, a padrões anômalos de frequência cardíaca fetal por má oxigenação. É preferível que seja realizada com a mulher em posições verticais ou, se deitada, em decúbito lateral. A frequência cardíaca fetal adequada é de 110- 160 bpm. A ausculta do BCF deve ser feita a cada 30min-1h. O melhor momentopara a ausculta da BCF é durante e após a contração uterina (diagnóstico de desacelerações precoces ou DIPs) ⎯ DIP1: contração do polo cefálico (barorreceptores), não indica sofrimento fetal ⎯ DIP2 (visto na contração): hipóxia, início de sofrimento fetal → contração causa diminuição da circulação placentária. Caso haja pouca troca pregressa, tem-se desenvolvimento de hipóxia durante as contrações ⎯ DIP3 (independe da contração, exceto na circular de cordão): compressão/circulares do cordão umbilical Assistência no Segundo Período (Expulsão) • Monitoramento Fetal: deve ser feito com maior frequência, a cada 15 min, quando não a cada 5 min. Desacelerações precoces (tipo I) são comuns no período expulsivo, decorrentes da compressão do polo cefálico. • Posição Materna: há muitas vantagens a favor das posições verticalizadas (sentada, semissentada, ajoelhada, de cócoras e outras): efeito da gravidade, menor compressão da aorta e da cava, maior eficiência da contratilidade uterina, alinhamento do feto com a pelve, além das demais posições não supinas (lateral, quatro apoios). A hiperflexão das pernas (posição III) aumenta o diâmentro do trajeto de parto, facilitando a expulsão. • Puxos e Respiração: a respiração correta facilita o relaxamento da musculatura, com menor sensação dolorosa / influência nas trocas materno-fetais. Os puxos não devem ser comandados, de modo que a parturiente alterne entre momentos de contração e relaxamento espontaneamente, evitando lacerações de períneo. • Episiotomia: incisão cirúrgica do períneo, feita com tesoura ou bisturi, com o objetivo teórico de ampliar o canal de parto e facilitar o desprendimento fetal, podendo ser mediana (perineotomia) e mediolateral. Não deve ser feita de rotina, devendo ser seletivamente indicada. Toda episiotomia é uma laceração de 2º grau. ⎯ Músculos seccionados na incisão: bulbo esponjoso/cavernoso, transverso superficial e profundo do períneo, feixes do levantador do ânus • Manobras de Proteção Perineal: têm sido preferidas em relação à episiotomia, e incluem procedimento de Ritgen, técnica de flexão, uso de compressas mornas, massagem perineal, gel obstétrico, dentre outras Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Manobra de Kristeller: expressão do fundo do útero. Essa manobra não é mais recomendada por risco de ruptura uterina, lesões perineais graves, tocotraumatismos e maior hemorragia maternofetal. Algumas literaturas recomendam o uso da manobra em caso de: período expulsivo prolongado (> 2h) + bossa + dificuldade de colocação de fórceps • Assistência ao Desprendimento dos Ombros: após o nascimento do polo cefálico, aguarda-se o movimento de rotação externa da cabeça e avalia-se o progresso no desprendimento espontâneo do ombro, primeiro o anterior e depois o posterior, sem necessidade de manobras na maioria dos casos. Caso não ocorra desprendimento espontâneo dos ombros, inexistindo os sinais de distocia de ombro, apreende- se a apresentação com ambas as mãos, traciona-se para baixo com o objetivo de desprender o ombro anterior, depois para cima, auxiliando a saída do ombro posterior. Caso não haja liberação dos ombros 40 seg após a rotação, tem-se necessidade de intervenção. • Circular de Cordão: uma circular frouxa não precisa ser desfeita, e o nascimento pode processar-se normalmente. Para circulares apertadas dificultando o desprendimento, recomenda-se a manobra de somersault (posicionar a cabeça do feto próximo ao púbis materno, com propósito de evitar tracionamento do cordão) com ligadura tardia do cordão. • Ocitocina: momento adequado para a injeção intramuscular de 10 UI de ocitocina, capaz de reduzir as perdas sanguíneas pós-parto e apressar a dequitação, é durante a expulsão do ombro posterior, ou logo que for possível. • Contato pele a pele e ligação tardia do cordão umbilical: se não houver intercorrências, o bebê deve ser colocado sobre a mãe em contato pele a pele, a fim de facilitar a adaptação do recém-nascido fora do útero e tornar a amamentação mais fácil. Deve ser incentivado o aleitamento na primeira hora de vida, devendo-se aguardar ao menos 3 min para a ligadura do cordão umbilical, após cessadas suas pulsações. • Revisão da vulva, vagina e colo uterino: se não houver hemorragia ou ruptura de extensão considerável, rasgaduras pequenas não requerem maiores cuidados porque, em geral, superados o edema e a congestão das primeiras 24 h, ficam muito reduzidas. • Lacerações de Períneo: o usual é corrigir as lacerações após secundamento, para evitar que os pontos sejam rompidos durante o parto da placenta. As lacerações podem evoluir com incontinência fecal, fístulas reto- vaginais, fístulas cutâneo-retais. São classificadas da seguinte maneira: ⎯ 1º grau: acometimento de mucosa ⎯ 2º grau: acometimento de feixes da musculatura ⎯ 3º grau: acometimento de esfíncter ⎯ 4º grau: acometimento de intestino grosso Assistência ao Secundamento • Descolamento: decorre da retração do músculo uterino após o nascimento do concepto, e em consequência de suas contrações. Assim, reduz-se de modo acentuado a superfície interna do útero, pregueando-se a zona de inserção da placenta, o que ocasiona o seu descolamento. Ocorre por meio de dois mecanismos: o Mecanismo de Baudelocque-Schultze: frequência é de 75%, ocorre quando a placenta inserida na parte superior do útero inverte-se e desprende-se pela face fetal, em forma de guarda-chuva. o Mecanismo de Baudelocque-Duncan: se a placenta estiver localizada na parede lateral do útero, a desinserção começa pela borda inferior. Aqui o sangue se exterioriza antes da placenta, que, por deslizamento, se apresenta ao colo pela borda ou pela face materna. • Descida: migração da placenta para a vagina • Desprendimento / Expulsão: no canal vaginal, a placenta provoca nova sensação de puxo Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Manobra de Jacob-Dublin: para a recepção da placenta já desprendida. Tração leve da placenta para descolar as membranas, seguida de torção das páreas, o que as engrossa e fortifica. • Exame da Placenta e dos Anexos Ovulares: suspeita de retenção de cotilédones ou de membranas o Face Materna da Placenta: aspecto brilhante, corresponde à decídua compacta que saiu aderida aos cotilédones; as áreas sem brilho decorrem da ausência de decídua que ficou no útero. A retenção de um ou mais cotilédones traduz-se por falha na massa placentária, com nítida depressão o Face Fetal da Placenta: verificar o ponto de inserção do cordão e a integridade do âmnio, que, quando desprendido, deve ser reconstituído até cobrir totalmente a massa placentária. Os vasos umbilicais desaparecem gradualmente perto da borda da placenta; a interrupção de vaso de grosso calibre, nessa região, sugere a falta de fragmento da placenta (sucenturiada) o Membranas: quando as membranas têm, em qualquer parte do seu contorno, extensão menor de 10 cm, suspeita-se de inserção no segmento inferior do útero (placenta baixa). Assistência no Quarto Período • Corresponde à primeira hora após a saída da placenta • O quarto período é composto das seguintes fases: o Miotamponagem: retração uterina inicial que determina a ligadura viva dos vasos (o útero contrai e o próprio músculo colaba os vasos sanguíneos sangrantes). Imediatamente após a expulsão da placenta, o útero se contrai e é palpável um pouco abaixo do umbigo. A retração inicial determina a ligadura viva dos vasos uterinos, o que constitui a primeira linha de defesa contra a hemorragia o Trombotamponagem: é a formação de trombos nos grandes vasos uteroplacentários, constituindo hematoma intrauterino que recobre, de modo contínuo, a ferida aberta no local placentário. Esses trombos são aderentes, porque os coágulos continuam com os mencionados trombos dos grandes vasos sanguíneos uteroplacentários. Os coágulos enchem a cavidade uterina, à medida que a matriz gradualmentese relaxa e atinge, ao fim de uma hora, o nível do umbigo. Tal é a segunda linha de defesa contra a hemorragia, quando o estágio de contração fixa do útero ainda não foi alcançado. A contração do miométrio e a pressão do trombo determinam o equilíbrio miotrombótico. o Indiferença miouterina: o útero torna-se apático e, do ponto de vista dinâmico, apresenta fases de contração e de relaxamento, com o perigo de encher-se progressivamente de sangue. Quanto maior a paridade ou mais prolongados os três primeiros estágios da parturição, maior tende a ser o tempo de indiferença miouterina. O mesmo ocorreria após partos excessivamente rápidos, polidrâmnio, gravidez múltipla e nascimento de conceptos macrossômicos, à conta da excessiva distensão da matriz o Contração uterina fixa: após 1 hora, o útero adquire maior tônus e assim se mantém. • Frente ao sangramento pós-parto, é importante considerar os 4 Ts: o Tônus: quando não ocorre a miotamponagem o Tecidos: retenção de partes de membrana ou placenta no útero o Trajeto: laceração de colo, lesão no canal vaginal o TTPA: distúrbios de coagulação Beatriz Chaveiro Turma XVIII Partograma O partograma é a representação gráfica do trabalho de parto, que torna possível acompanhar a sua evolução, documentar, diagnosticar alterações e indicar a tomada de condutas apropriadas para a correção dos desvios, evitando intervenções desnecessárias. Não teve diferença estatística nas complicações materno e fetais, mas permite melhor avaliação. Alguns partogramas incluem duas linhas paralelas denominadas linhas de alerta e de ação. Quando a dilatação atinge ou cruza a linha de alerta, há necessidade de melhor observação clínica; somente quando a curva de dilatação cervical atinge a linha de ação a intervenção se torna necessária, o que não significa adotar uma conduta cirúrgica. Observações sobre o Preenchimento do Partograma • No partograma, cada divisória corresponde a 1 h na abscissa (eixo X) e 1 cm de dilatação cervical e de descida da apresentação na ordenada (eixo Y) • O registro gráfico deve ser iniciado quando a parturiente estiver na fase ativa do trabalho de parto (duas a três contrações generalizadas em 10 min, dilatação cervical mínima de 6 cm) • Os toques vaginais são realizados a cada 4 h. A cada toque deve-se anotar a dilatação cervical, a altura da apresentação, a variedade de posição e as condições da bolsa das águas e do líquido amniótico; quando a bolsa estiver rompida, por convenção, registra-se a dilatação cervical com um triângulo, e a apresentação e a respectiva variedade de posição são representadas por uma circunferência • O padrão das contrações uterinas e dos BCF, a infusão de líquidos, medicamentos e o uso de analgesia devem ser devidamente registrados • A dilatação cervical inicial é marcada no ponto correspondente do gráfico, traçando-se na hora imediatamente seguinte a linha de alerta e, em paralelo, 4 h após, registra-se a linha de ação, desde que a parturiente esteja na fase ativa de parto (no mínimo 1 cm/h de dilatação) • Outras observações: o Triângulo: dilatação o Bolinha: onde está o polo cefálico o Número de contrações uterinas em 10 minutos ▪ > 50 seg: pinta o quadradinho todo ▪ 30 seg: pinta metade do quadradinho Beatriz Chaveiro Turma XVIII Situação Características Partograma Fase Ativa Prolongada Dilatação do colo uterino ocorre lentamente, em velocidade menor que 1 cm/h. Essa distocia geralmente decorre da hipocinesia uterina e a correção se fará com ocitócicos e ruptura artificial das membranas. Fase Expulsiva Prolongada Descida da apresentação excessivamente lenta, embora a dilatação esteja completa. Essa distocia costuma estar relacionada com contratilidade uterina deficiente e a sua correção é obtida pela administração de ocitócicos e pela ruptura artificial da bolsa das águas. Parada Secundária da Descida Diagnosticada por dois toques sucessivos com intervalo de 1 h ou mais, desde que a dilatação do colo esteja completa. É frequente nesse tipo de distocia a desproporção cefalopélvica. A incidência de cesárea é elevada. - Provavelmente desproporção céfalo-pélvica, que pode ser: • Absoluta: feto grande • Relativa: feto pequeno/normal em assinclitismo ou deflexão (diâmetros cefálicos grandes) Parada Secundária da Dilatação Diagnosticada por dois toques sucessivos, com intervalo de 2 h ou mais, estando a mulher em trabalho de parto ativo. Há associação frequente com sofrimento fetal. A causa principal é a desproporção cefalopélvica absoluta (tamanho de polo cefálico maior que a bacia) ou relativa (posições anômalas: defletidas, transversas, posteriores). É grande a incidência de cesárea. - Medidas: orientar deambulação; administrar ocitocina; rotura oportuna da membrana - Avaliar contração não efetiva → administrar ocitocina - Distúrbios de contração: propagação, frequência (quantas vezes em 10 minutos), intensidade e duração Beatriz Chaveiro Turma XVIII Anatomia do Aparelho Urogenital Feminino Estrutura Pélvica • A pelve é constituída pela parte óssea e pela parte muscular • Pelve Óssea: o Sacro o Cóccix: o promontório se projeta anteriormente e é móvel. Essa mobilidade é importante para o trabalho de parto, principalmente no desprendimento de fetos macrossômicos. O ideal é não sentir o promontório da paciente no momento da palpação. o Ísquio: contém as espinhas isquiáticas, que são referências importantes para o bloqueio do nervo pudendo em caso de necessidade de anestesia para episiotomia, palpação vaginal durante o trabalho de parto para identificação da altura da apresentação fetal (ponto zero de DeLee). o Púbis: a sínfise púbica é uma articulação fibrocartilaginosa que une os ossos púbicos. Ela garante elasticidade e flexibilidade durante o trabalho de parto. • Articulações dos ossos pélvicos o Articulações do tipo Sínfise (elasticidade): ▪ Articulação sacrococcígea ▪ Sínfise púbica o Articulações Sinoviais (estabilidade): ▪ Articulações sacroilícas bilaterais Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Musculatura Pélvica o Músculos da parede lateral: piriforme, obturador interno, iliopsoas o Músculos do assoalho pélvico: ▪ Diafragma Pélvico ou Assoalho Pélvico: sustentação dos órgãos pélvicos, auxiliando a musculatura anterior do abdome. No parto, sustenta a cabeça fetal durante a dilatação cervical ▪ Diafragma Urogenital: composto pelo músculo transverso profundo do períneo (estabiliza o tendão central do períneo) e o esfíncter da uretra (comprime a uretra). Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Vasos sanguíneos o Irrigam estruturas além de estruturas genitais, bem como as estruturas de sustentação, como as serosas, as fáscias, os ligamentos. o O princípio geral da vascularização é controlar o suprimento sanguíneo e manter uma hemostasia rigorosa. o Durante a cesariana, a artéria que mais sangra é a artéria uterina o Artéria ovariana: ramo direto da aorta abdominal o Artéria uterina: ramo da artéria ilíaca interna (artéria aorta abdominal → artéria ilíaca comum → artéria ilíaca interna → artéria uterina) • Vasos Linfáticos o A metástase de cânceres pélvicos para linfonodos regionais é um dos fatores mais importantes no planejamento do tratamento de CA e previsão do resultado final • Inervação o A inervação da pelve é dividida entre autônoma (simpática e parassimpática) e somática o Nervo Pudendo: inervação somática (sensorial) da pele perianal, vulva e períneo, clitóris, uretra, vestíbulo da vagina. Ele deriva dos segmentos espinhais S2, S3 e S4. A parte motora é responsável pelo esfíncter externo do ânus, músculos do períneo, diafragma urogenital. o Nervos Autônomos ▪ Eferente: simpático e parassimpático • Plexo Vesical: bexiga e uretra • Plexo Retal Médio (Hemorroidário): reto • Plexo Uterovaginal:útero, vagina, clitóris, bulbos vestibulares ▪ Aferente: inervação de vísceras pélvicas e vasos sanguíneos Beatriz Chaveiro Turma XVIII Vagina • Tubo fibromuscular oco • A abertura é normalmente onde se localiza o hímen (tecido conjuntivo) • Tem fundo cego, terminando no colo do útero (Fundo de Saco de Vagina) • É composto de 3 camadas: mucosa, muscular e adventícea • A mucosa tem rugosidade em mulheres que estão na menacme, uma vez que essa camada é hormônio- dependente (principalmente do estrogênio). O pH varia entre 3,5-4,5, favorecendo a microbiota vaginal e dificultando a proliferação patológica de bactérias e fungos. • O suprimento sanguíneo vem da artéria vaginal (ramo da artéria uterina), artéria retal média e artéria pudenda. • A inervação é feita pelo plexo útero-vaginal e pelo nervo pudendo. Útero • É um órgão fibromuscular, piriforme • É constituído por corpo e colo, os quais variam muito o tamanho de acordo com a idade o Nascimento: corpo = colo o Menacme: corpo = 2x colo o Menopausa: corpo = colo • A maioria das mulheres tem útero em anteversoflexão (AVF). As variações anatômicas são: retroversoflexão (RVF) • O corpo uterino é composto de endométrio (proliferação hormônio-dependente), miométrio e serosa. O miométrio está presente no corpo uterino e corresponde à musculatura lisa responsável pelas contrações uterinas • O istmo fica entre o corpo uterino e o colo. Ele passa por alterações durante o trabalho de parto, ficando mais fino e distendido. • A irrigação é feita pela artéria uterina e a inervação pelo plexo uterovaginal Tubas Uterinas • São órgãos pares e possuem de 7-12cm • São responsáveis pela captação do óvulo e é onde ocorre a concepção (a tuba transporta e nutre o óvulo fecundado até a implantação no útero) • Irrigação pela artéria uterina e ovárica (as anastomoses desses vasos ocorrem no ligamento largo) • Inervação pelo plexo uterovaginal e ovárico. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Ovários • São órgãos pares e possuem variação endógena em relação ao tamanho (normalmente 5x3x3 cm) • São compostos por córtex e medula (parte de maior produção hormonal e onde estão os folículos) • Possuem estroma, folículos, tecido muscular e vasos • Irrigação pela artéria ovárica • Drenagem venosa o Ovário direito: drena para a veia cava o Ovário esquerdo: drena para a artéria renal esquerda Trígono Urogenital • Inclui estruturas genitais externas (vulva) e a abertura uretral • Glândulas de Skeene: podem obstruir e formar cistos que devem ser drenados • Glândulas de Bartholin: secreção importante principalmente no ato sexual • Hímen: pode ser de diversos tipos. No hímen pós-parto, tem-se a possibilidade de encontrar os carúnculos himenais. O hímen septado, quando fica muito fibroso, pode dificultar o ato sexual. O hímen imperfurado cursa com amenorreia primária associada a parte hormonal e fisiológica (TPM) sem alterações. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Embriologia do Aparelho Urogenital Feminino Desenvolvimento Embrionário • Os tratos urinário e genital feminino estão intimamente relacionados anatômica e embriologicamente • Cerca de 10% dos RN nascem com anormalidades do sistema genitourinário • O tecido inicial tem potencial embriogênico para ambos os sexos. A diferenciação acontece pela associação entre combinação genética e diferenciação sexual. Processo Inicial de diferenciação: • Na 5ª semana de vida, tem-se tecido indiferenciado. • Em um processo inicial, as células primitivas migram para as gônadas indiferenciadas, iniciando a evolução • Inicialmente, tem-se dois ductos. O ducto de Müller (ou Paramesonéfro) são responsáveis pela formação da parte da genitália interna feminina. O ducto de Wolf (ou Mesonefros) são responsáveis pela diferenciação masculina (diferenciação Y). • Qualquer embrião com potencial para gônada XX → caso não haja nenhum fator que impeça desenvolvimento de ductos de Muller, tem-se desenvolvimento gonadal para XX, mesmo com cariótipo XY. Os ductos de Wolff dependem de estímulos (hormonais, enzimáticos) para que sejam capazes de desenvolver. Esses ductos podem ficar na mulher como um remanescente embriológico, formando os Cistos de Gartner (não tem repercussão clínica, como dor ou sangramento. Ficam localizados no interior do canal vaginal, fazendo diagnóstico diferencial com os cistos de Bartholin. Estes ficam no introito vaginal e podem aumentar de tamanho tanto após oclusão, quanto em quadros infecciosos por Neisseria e Clamidia). • A evolução dos Ductos de Müller cursa com desenvolvimento do aparelho reprodutor interno (tubas uterinas, útero e 2/3 superiores da vagina) Beatriz Chaveiro Turma XVIII • A genitália interna feminina também vem do Tubérculo Genital, que forma o 1/3 inferior da vagina, o clitóris e os pequenos e grandes lábios. Diferenciação sexual XY (ou Testicular) • O gene SRY está presente no cromossomo Y e tem função de produção do Fato de Diferenciação Testicular (FDT). Esse fator de diferenciação age na gônada indiferenciada e estimula diferenciação em testículo. • Testículo o Células de Leydig: secretam testosterona, que age nos ductos de Wolf o Células de Sertoli: secretam fator anti-mulleriano, que age nos ductos de Muller impedindo o funcionamento • Os ductos de Wolf, sob ação da testosterona, formam os órgãos genitais internos (epidídimo, canal seminal e parte da próstata). • A testosterona é convertida em dihidro-testosterona pela 5α-redutase. A dihidro-testosterona age no tubérculo genital e estimula a formação dos órgãos genitais externos (pênis, bolsa escrotal e uretra peniana) Diferenciação sexual XX (ou Ovariana) • É passiva. • A diferenciação depende tanto da presença de cromossomos quanto de receptores: o Dois cromossomos X e Receptores normais → Ovário Normal o Ausência ou Anomalia do X → Disgenesia Ovariana (“Gônada em Fita”, que é pequena, hipoplásica e pouco evoluída) • Formação das células germinativas (passa de 6-7 milhões para 1-2 milhões e 400 mil ao nascimento), gônadas, oogônias, folículos primordiais • Diferenciação das oogônias até oócitos 1 (estágio de prófase 1 da meiose) • Genitália Interna: depende da ausência do Fator de Diferenciação Testicular (dependente da expressão do gene SRY) e do Fator Anti-Mülleriano. A formação completa ocorre entre a 18ª e 22ª semana • Genitália Externa: depende da ausência de androgênios, sendo que o processo de diferenciação sexual feminina finaliza por volta da 20ª semana. o Quando não tem receptores androgênicos ou testosterona, a genitália externa será correspondente a XX, mesmo que o cariótipo seja XY. o O grau de androgenização depende do grau de virilização. Nos fetos com carótipo XX e histórico de exposição (hormônio testosterona ou outras medicações que podem levar à virilização), tem-se formação de genitália externa ambígua (não chega a nascer com pênis e testículo). A diferenciação sexual XY (testicular) é ativa e depende do Fator de Diferenciação Testicular (advindo do gene SRY), dos androgênios (produzidos pelas Células de Leydig) e do Fator Anti-Mülleriano (produzido pelas Células de Sertoli) Beatriz Chaveiro Turma XVIII Malformação Genital • O desenvolvimento inicial do sistema genital é semelhante em ambos os sexos. • Os defeitos congênitos são causados por anomalias cromossômicas e apresentam-se com genitália externa ambígua. • Estados intersexuais ou hermafroditismo • O diagnóstico é feito a partir da histologia e do cariótipo Distúrbios do Desenvolvimento Sexual Feminilização da Genitália do XY → cariótipo XY + fenótipo XX • Síndrome de Morris ou Síndrome da Insensibilidade Androgênica: o Está associado ao gene recessivo ligado ao X (familiar) o ↓ Ação Androgênica (ausência de produção, viabilidade hormonal ou de receptores androgênicos nos ductos de Wolff) → o gene SRY éativado, com produção de Fator de Diferenciação Testicular e produção de testosterona. Contudo, a testosterona não encontra receptores para agir. Assim, não tem desenvolvimento dos órgãos internos masculinos (esse processo depende da ação da testosterona nos Ductos de Wolff). Como o problema está habitualmente em todo o testículo, tem-se ausência de fator anti-Mülleriano, permitindo o desenvolvimento dos ductos de Müller. o Vale destacar que a gônada é o testículo, uma vez que o cariótipo é XY. Dessa forma, a ausência de ovários faz com que a formação de órgãos femininos internos (útero, trompa e 2/3 superiores da vagina) não seja possível. Somente a parte externa (que depende unicamente da ausência de ação da testosterona) será desenvolvida. Assim, tem-se vulva, clitóris e o 1/3 inferior da vagina. o Achados: ▪ Genitália externa feminina (não respondeu aos androgênios) ▪ Gônadas: testículos pélvicos ou inguinais que devem ser removidos posteriormente ▪ Caracteres sexuais secundários muito discretos → na adolescência, ocorre pouco desenvolvimento mamário, uma vez que XY produzem estrona (estrogênio não tão forte). Os pelos são escassos ou ausentes ▪ Amenorreia primária ▪ Cópula insatisfatória (somente 1/3 inferior da vagina) o Diagnóstico: cariótipo (faz diagnóstico diferencial com Síndrome de Rokitansky-Mayer-Kuster-Hauser, em que o cariótipo é XX) o Tratamento: orquiectomia (retirada do testículo ectópico por risco de malignização), reposição hormonal e neovagina (de acordo com a preferência do paciente), manejo psicológico (paciente e familiares, uma vez que o diagnóstico é normalmente tardio) Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Síndrome de Swyer: o Disgenesia Gonadal PURA →gônadas disgenéticas (em Fita) o Ao contrário da Síndrome de Morris, não tem formação de testículo. o Tem-se o gene SRY, bem como o Fator de Diferenciação Testicular. Contudo, a gônada não é responsiva ao estímulo e permanece indiferenciada. Dessa maneira, não tem produção de testosterona (sem desenvolvimento dos ductos de Wolff) ou de fator anti-Mülleriano o Achados: ▪ Não gera órgãos genitais internos ▪ Genitália externa feminina (ausência de androgênios) ▪ Ausência de caracteres sexuais secundários → infantilismo genital, sem mamas, sem menarca ▪ Risco de malignização das gônadas em fita • Disgenesia Gonadal Mista: o O indivíduo pode ser 46X_ ou 46XY o Uma gônada é em fita e a outra se diferencia em um testículo hipofuncionante o A produção de testosterona e fator anti-Mülleriano é muito baixa. Assim, pode ocorrer formação de órgãos genitais internos menos diferenciados e genitália externa ambígua (pouca diferenciação entre pênis ou clitóris aumentado) o Caracteres sexuais secundários → desenvolvimento masculino incompleto o Diagnóstico: cariótipo Masculinização da Genitália do XX → cariótipo XX + fenótipo XY • Hiperplasia Adrenal Congênita: o Ocorre deficiência enzimática na esteroidogênese do córtex da adrenal, com grande aumento dos níveis de androgênio e subsequente virilização. o Forma Clássica: ▪ Ocorre no período neonatal, conhecida como forma perdedora de salo ▪ Tem-se deficiência completa da 21-hidroxilase ▪ Ausência da produção de aldosterona e cortisol ▪ Genitália ambígua ▪ Normalmente o RN morre por distúrbios hidroeletrolíticos Beatriz Chaveiro Turma XVIII o Forma Tardia: ▪ Deficiência da produção de cortisol ▪ Virilização da genitália externa ▪ Hirsutismo ▪ Diagnóstico pelo excesso de 17-hidroxi-progesterona (diferencia da SOP) ▪ Diagnóstico diferencial: SOP (testosterona alta), tumores ovarianos e tumores de adrenal ▪ Tratamento: corticosteroides, cirurgia para correção anatômica (de acordo com a preferência do paciente) Hermafrodita Verdadeiro • Ovotesticular: presença de tecido ovariano e testicular no mesmo indivíduo • O cariótipo pode ser tanto XX quanto XY ou até mosaicismo cromossomial • Normalmente o útero é rudimentar • Tratamento: gonadenectomia de uma das glândulas (normalmente a hipofuncionante) Malformações Uterovaginais • São raras, mas podem ser encontradas na prática clínica/cirúrgica • Os mecanismos são: o Fusão imprópria dos ductos paramesonéfricos o Desenvolvimento incompleto dos ductos paramesonéfricos o Ausência de desenvolvimento de parte dos ductos o Canalização ausente ou incompleta da lâmina vaginal Malformações Müllerianas • Pode ser causa de aborto recorrente, parto prematuro, por dificuldade de expansão uterina (o útero é menos desenvolvido). • Didelfo: dois úteros + uma/duas vaginas. Normalmente, um dos úteros é mais rudimentar. Pode ocorrer uma gestação de cada lado. • Bicorno: invaginação das 3 camadas do fundo do útero (serosa, miométrio e endométrio). Pode dividir o útero em dois, sendo que um dos lados fica mais involuído. Tem somente 1 vagina. • Septado: invaginação do miométrio. Pode ser septado completo (o septo de miométrio desce até o colo do útero) ou incompleto (o septo de miométrio fica no corpo). Pode ser resolvido com tratamento cirúrgico (vídeohisteroscopia). • Unicorno: forma metade do útero apenas. O outro ovário é pélvico, sem conexão com o útero. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Malformações Vaginais • Septo Vaginal Longitudinal ou Completo: o septo uterino desce até a vagina. Ocorre acúmulo de sangue na porção fechada, com evolução para dor pélvica e necessidade de intervenção cirúrgica. • Septo Vaginal Transverso: impede relação sexual, gestação e menstruação. Também tem necessidade de intervenção cirúrgica. • Síndrome de Rokitansky-Mayer-Kuster-Hauser ou Agenesia Vaginal: o Ausência de vagina (2/3 superiores), útero e tubas uterinas o Decorre de alguma intercorrência no desenvolvimento do ducto de Müller o A paciente tem cariótipo XX, ovários e órgãos genitais externos (clitóris, vulva e 1/3 inferior da vagina) Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Câncer de Mama Epidemiologia • O câncer de mama representa cerca de 1/3 dos cânceres na mulher, exceto as neoplasias malignas de pele. Esse valor é equivalente aos cânceres de prosta em homens. Fatores de Risco • Fatores incontroláveis: sexo, idade, fatores genéticos hereditários, idade da menarca e idade da menopausa (exposição aos estrogênios), história familiar, exposição a fatores carcinogênicos (como a radiação) • Fatore modificáveis: paridade (idade em que a mulher tem o primeiro filho. Quanto mais precoce a gestação, e quanto maior o número de paridades, menor o risco de câncer de mama), amamentação (fator protetor), terapia de reposição hormonal no período pós-menopausa (aumenta o risco de câncer de mama, independente da forma de reposição hormonal: estrogênio isolado, estrogênio+progesterona, tibolona, estrogenioterapia transdérmica ou vaginal), contracepção hormonal (o uso prolongado de anticoncepcionais hormonais em fases mais tardias da menacme aumentam o risco de câncer), exercício físico (1h30-2h por semana reduz o risco de câncer), controle do peso (obesidade na pós-menopausa aumenta o risco relativo de câncer de mama), uso de álcool (o alcoolismo, mesmo o social, é um grande fator de risco para câncer de mama. A relação entre risco de câncer e ingestão de álcool diária é linear). Beatriz Chaveiro Turma XVIII Diferenciação entre câncer hereditário e câncer familiar • Cerca de 80% dos cânceres são esporádicos, ou seja, independem de fatores relacionados a agrupamento familiar ou hereditariedade • De 20-25% dos cânceres correspondem ao tipo familiar (múltiplos fatores genéticos e ambientais envolvidos) • De 5-10% dos cânceres correspondem ao tipo hereditário (aumento do risco relacionado a um padrão genético autossômico dominante identificado) Câncer hereditário: predisposição genética • Entre os cânceres de mamaassociados à hereditariedade (herança de um fator que aumenta a chance de desenvolvimento neoplásico), a mutação mais comum é nos genes da família BRCA (BRCA-1, BRCA-2) • Há uma série de outros genes associados à hereditariedade do câncer de mama, como o TP53, MUTYH, etc. • Síndromes associadas às Alterações Genéticas do Câncer de Mama Hereditário: o No Brasil, temos uma variante da Síndrome de Li-Fraumeni (mutação na p53, também conhecida como “guardiã do genoma”). o As síndromes hereditárias citadas acima aumentam a chance de desenvolvimento de câncer de mama. A maioria está relacionada a mutações em genes controladores da divisão celular, especialmente os responsáveis por reparos no DNA em caso de erro. o A mutação em gene BRCA aumenta a chance de desenvolvimento de câncer de mama para 51% em mulheres com 50 anos e 87% em mulheres com 70 anos. Além disso, aumenta para 64% o risco de um segundo câncer de mama aos 70 anos e para 63% o risco de desenvolvimento de câncer de ovário. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Câncer familiar • Um estudo publicado no The Lancet avaliou a probabilidade de desenvolvimento de câncer de mama de acordo com o acometimento de familiares: o Mulheres com 0 familiares acometidos → risco de desenvolvimento de CA de mama até 80 anos de 7-8% o Mulheres com 1 familiar acometido → risco de desenvolvimento de CA de mama até 80 anos de 13% o Mulheres com 2 familiares acometidos → risco de desenvolvimento de CA de mama até 80 anos de 21% • Enquanto no câncer hereditário a herança é autossômica (geralmente dominante com penetrância incompleta), no câncer familiar tem-se uma relação entre múltiplos genes, bem como a exposição a fatores ambientais. Além disso, o padrão de transmissão dos genes ainda não está claro. Ainda assim, é seguro afirmar que, mesmo que não haja a transmissão de um gene específico associado ao câncer de mama, a relação familiar é suficiente para causar aumento do risco de desenvolvimento dessa patologia. Fisiopatologia • O câncer de mama é uma associação de doenças que acometem a mama, com perfis de agressividade e mecanismos de carcinogênese diferentes • A classificação pode ser feita de acordo com a histologia, sendo: o Carcinoma Ductal o Carcinoma Lobular • A classificação pode ser feita de acordo com o subtipo molecular, sendo: o Tumor Luminal A: receptor positivo para estrogênio e progesterona, similaridade com a célula mamária normal, melhor prognóstico e baixo grau histológico o Tumor Luminal B: receptor positivo para estrogênio e progesterona, similaridade com a célula mamária normal, maior taxa de proliferação, um pouco mais agressivo o Tumor HER2+: expressa um receptor para fator de crescimento epidermal (HER2), estando relacionado a tumores com maior taxa de divisão celular, maior grau histológico, pior prognóstico, maior velocidade de proliferação. Esse subtipo tem um tratamento específico. Corresponde a 15% dos casos. o Tumor Triplo Negativo: ausência de HER2, receptor para estrogênio e receptor para progesterona. É chamado de “tipo basaloide”, pois se origina de células da camada basal do epitélio do ducto mamário (células mioepiteliais, responsáveis pela contração do ducto e ejeção do leite). Esse subtipo não responde a tratamento hormonal, sendo mais agressivo, de mais alto grau histológico e pior prognóstico. O tratamento adotado é basicamente quimioterapia. Corresponde a 20% dos casos. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Princípios da Terapia • Para cânceres de mama não metastáticos, os objetivos principais da terapia são erradicar o tumor da mama e linfonodos regionais e prevenir recorrência metastática • A terapia local para tumores de mama não metastáticos consiste em cirurgia de ressecção e amostragem dos gânglios linfáticos axilares ou remoção dos linfonodos axilares com possibilidade de radioterapia pós-operatória em caso de cirurgia conservadora (com preservação da mama). • A terapia sistêmica pode ser pré-operatória (neoadjuvante), pós-operatória (adjuvante), ou ambas. O subtipo e o estadiamento do tumor de mama servem de guia para a escolha da terapia. • Para o câncer de mama metastático, os objetivos da terapia são prolongar a vida e manejar paliativamente os sintomas. Atualmente, o câncer de mama metastático permanece incurável. Tratamento Cirúrgico • Grosseiramente, divide-se o tratamento cirúrgico em conservador (retirada do tumor com conservação da mama) e radical (mastectomia total). • A escolha do tratamento cirúrgico depende da relação entre o tamanho do tumor e o tamanho da mama. Quando se tem uma “folga” entre o tamanho da mama e o tamanho do tumor, permitindo a retirada da neoplasia com preservação da estética, adota-se o tratamento conservador. Em caso de proporção desfavorável, opta-se por mastectomia. • Em associação ao tratamento cirúrgico, tem-se possibilidade do uso de terapia neoadjuvante, com redução do tumor. Essa redução pode fazer com que a paciente deixe de ser uma candidata à mastectomia e passe a ser possível a realização do tratamento conservador. • Estudos realizados sustentam o tratamento conservador (quadrantectomia) + radioterapia como eficaz para o tratamento do câncer de mama, bem como o tratamento radical, sem mudança significativa no tempo de sobrevida global das pacientes. • Vale destacar que o tratamento conservador representa uma mudança de paradigma no contexto de tratamento de tumores de mama, uma vez que permitiu a redução drástica do número de mulheres mutiladas, bem como a manutenção da sobrevida. Contudo, é imprescindível que o diagnóstico de tumor de mama seja o mais precoce possível, evidenciando a importância do rastreamento, principalmente pela mamografia. • As pacientes que passam por tratamento conservador precisam de complementação com radioterapia. Esse processo combinado diminui consideravelmente a reincidência de tumores de mama nos 5 anos de seguimento pós-cirúrgico. Assim, a radioterapia é mandatória para casos em que o tratamento conservador foi adotado. • Manejo do linfonodo axilar: a linfadenectomia axilar radical era feita em todas as pacientes submetidas à cirurgia. Contudo, essa prática tem uma morbidade significativa, principalmente relacionada ao linfedema de membro superior. Dessa maneira, atualmente retira-se somente o linfonodo sentinela (primeiro linfonodo para onde a drenagem da região da mama vai) da região. As duas técnicas possuem o mesmo resultado no que tange à recorrência do tumor, mas a linfadenectomia axilar seletiva (somente do linfonodo sentinela) tem menos complicações. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Terapia Sistêmica para Câncer de Mama Não Metastático Terapia Sistêmica para Câncer de Mama do Subtipo RH+ e HER2- • HR: receptor hormonal / HER2: receptor tipo 2 do fator de crescimento epidérmico humano • Esse subtipo compreende os Luminais A (HR+/HER2-, índice de proliferação nuclear baixo) e B (HR+/HER2-, índice de proliferação nuclear alto) • Relação entre os receptores de estrogênio e prognóstico: células normais da mama apresentam receptores de estrogênio, uma vez que esse hormônio é um potente estimulador de proliferação celular do epitélio mamário. É sabido que, quanto mais diferenciada a neoplasia, melhor o prognóstico. Dessa forma, a presença do receptor de estrogênio nas células neoplásicas indica diferenciação celular semelhante às células fisiológicas do tecido. Isso confere melhor prognóstico. • Fisiologia Endócrina da Mulher: na pré-menopausa, a concentração sérica de estrogênio é regulada principalmente pelo estradiol oriundo da síntese ovariana sob estímulo gonadotrófico-hipofisário. Na pós-menopausa, a falência ovariana fisiológica do processo de envelhecimento cursa com ausência de estradiol. Contudo, a conversão periférica (tecido adiposo, suprarrenal, tecido muscular, ovários) de androgênios em estrogênios catalisadapela enzima aromatase é fundamental para que a mulher menopausada tenha grandes quantidades de estrona e estriol. Assim, a maneira de tratar o câncer de mama receptor estrogênio positivo varia de acordo com o período em que a mulher se encontra (pré ou pós-menopausa). • No período de pós-menopausa, o tratamento do câncer de mama com receptor de estrogênio positivo pode ser realizado a partir de uma droga que iniba a ação da aromatase presente em tecidos periféricos. A primeira droga a ser utilizada com esse fim foi o Anastrozol. Posteriormente, introduziu-se no mercado o Letrozol e o Exemestano. (“Na pós-menopausa, pacientes com câncer de mama receptor de estrogênio positivo subtipos luminal A ou B se beneficiam com tratamento antiestrogênico com droga inibidora de aromatase”). Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Outra possibilidade de tratamento para câncer de mama receptor de estrogênio positivo é a redução da ligação dos estrogênios nas células neoplásicas a partir de competição pelo receptor. O Tamoxifeno é um fármaco que possui similaridade estrutural com o estrogênio, se liga ao receptor, mas não desencadeia ativação de vias intracelulares de transcrição, com subsequente efeito antiproliferativo. Ele é um modulador seletivo do receptor de estrogênio. Como a ação desse fármaco independe do local de produção do estrogênio, ele pode ser usado como terapia tanto no período de pré-menopausa quanto no período de pós menopausa. • Considerações sobre Tamoxifeno e Inibidores da Aromatase: o O uso de tamoxifeno em pacientes com câncer de mama receptor estrogênio positivo diminui o risco de recorrência do tumor. o No período da pós-menopausa, um estudo mostrou que pacientes que usaram inibidores de aromatase têm taxa de recorrência em 10 anos de 19%, enquanto pacientes que usaram tamoxifeno possuem 22%. • Supressão da Função Ovariana o No período de pré-menopausa, tem-se um detalhe importante. O tamoxifeno sozinho é considerado a droga padrão para tratamento adjuvante endócrino para todas as mulheres antes da menopausa. Em mulheres na pós-menopausa, a supressão de função ovariana (habitualmente feita pela ooforectomia) é bastante utilizada em adição ao tratamento farmacológico. Entretanto, essa medida não é aplicável em mulheres na pré-menopausa, com queda indiscutível da qualidade de vida. A partir disso, tem-se possibilidade de supressão temporária da função ovariana (uso de fármacos análogos de GnRH), seguida do uso de Tamoxifeno OU de Inibidores da Aromatase (após a supressão da função ovariana temporária, podem ser usados em mulheres não menopausadas). o A associação de supressão da função ovariana com tamoxifeno OU com inibidores da aromatase aumentam a sobrevida da paciente em relação ao uso isolado de tamoxifeno. o Comparando supressão da função ovariana + tamoxifeno com supressão da função ovariana + inibidor de aromatase, esta última apresentou sobrevida ainda melhor. o A supressão da função ovariana deve ser feita somente em pacientes que possuem alto risco de recorrência. • Quimioterapia: especialmente em caso de doença mais avançada associada a comprometimento linfonodal axilar. A quimioterapia reduz a taxa de recorrência de câncer e a mortalidade em 10 anos. O tipo de quimioterapia realizada também influencia nos parâmetros de avaliação da paciente. O tratamento padrão é feito com a Antraciclina. Contudo, tem-se possibilidade de associação da atraciclina com o taxano e ciclofosfamida, formando o Esquema ACT. As pacientes que fazem uso somente da antraciclina tem taxa de recorrência e mortalidade maior do que as pacientes que usam o esquema ACT. “Na doença receptor estrogênio positivo, a quimioterapia deve ser utilizada em pacientes que têm ou uma doença mais agressiva (Luminal B) OU metástase linfonodal.” Beatriz Chaveiro Turma XVIII Terapia Sistêmica para Câncer de Mama do Subtipo HER2+ • A proteína HER2 é um receptor tipo 2 do fator de crescimento epidérmico humano. No caso do câncer de mama, a mutação no gene cursa com hiperexpressão desse receptor na membrana celular, ativando múltiplas vias de formação neoplásica, como: o Autossuficiência em sinais de crescimento o Angiogênese sustentada o Aumento da taxa de divisão celular o Aumento da capacidade invasiva • O tratamento é feito com o Trastuzumab (anticorpo monoclonal anti-HER2), que permite ataque alvo-dirigido à proteína expressa somente nas células neoplásicas (altamente seletivo). • A associação entre quimioterapia + Trastuzumab cursa com taxa de recorrência 10% menor do que o uso isolado de quimioterapia. Terapia Sistêmica para Câncer de Mama do Subtipo Triplo Negativo • Observações sobre os Tumores Triplo Negativos o Esse subtipo possui receptor estrogênio negativo, receptor progesterona negativo e HER2 negativo o Dentro desse subtipo, tem-se pelo menos 6 tipos diferentes de tumor, o que dificulta a escolha do tratamento. O tumor triplo negativo é compreendido como uma coleção de tipos de cânceres de mama com diferenças histológicas e transcricionais. o O tumor triplo negativo geralmente é o tumor Basaloide, por se originar em células basais do epitélio mamário, chamadas Células Mioepiteliais. Essas células têm capacidade contrátil. o É comum que os tumores triplo negativos apresentem mutações do tipo BRCA: cerca de 70% das pacientes com BRCA positivo possuem tumores do tipo triplo negativo. • Quimioterapia: é o tratamento principal desse subtipo, tanto na adjuvância, quanto na neoadjuvância e em casos metastáticos. • Imunoterapia: deve ser adicionada à quimioterapia em pacientes com câncer de mama PDL1+ (antígeno expresso pela célula neoplásica). A primeira droga aprovada para uso na imunoterapia foi o Atezolizumab, • Inibidores da PARP: os inibidores da PARP (enzima poli-ADP-ribose-polimerase) são uma estratégia de tratamento eficiente em pacientes que possuem tumor triplo negativo associado a mutações BRCA1 ou BRCA2. Essas drogas utilizam do princípio da “Letalidade Sintética”. Em células neoplásicas com mutações específicas, tem-se dano somente em uma fita do DNA. Esse fármaco tem função de produzir dano no loccus correspondente na outra hélice de DNA. Isso inviabiliza a vida celular, causando morte da célula neoplásica. O fármaco usado é o Olaparib. • Terapia Antiandrogênica: tem mostrado benefícios no subtipo de tumor triplo negativo com receptor de androgênio positivo. “Quimioterapia e hormonioterapia são os tratamentos convencionais usados no tratamento sistêmico da doença” Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Ultrassonografia em Obstetrícia Ultrassonografia de 1º Trimestre • 11 a 13+6 semanas • Pode ser transvaginal ou transabdominal • Pelo modelo piramidal de assistência pré-natal, a ultrassonografia de 1o trimestre é a mais importante. • Nesse intervalo de 11-13+6 semanas, o ideal é o exame com 12 semanas, época na qual o teste de 1o trimestre combinado oferece os melhores resultados. Com 11 semanas, as oportunidades para o diagnóstico de malformações são menores; com 13 semanas, os resultados dos exames bioquímicos são menos fidedignos. Parâmetros avaliados • Determinação do saco gestacional (SG) no útero em local apropriado: descartar gravidez ectópica. O SG, que representa a cavidade coriônica, é coleção pequena de líquido, anecoica, cercada por halo (anel) ecogênico, o trofoblasto e a reação decidual. Com a ultrassonografia transvaginal é possível identificar o SG com 5 semanas. • Identificação da Vesícula Vitelina (VV) no saco gestacional: o SG deve ser avaliado para a identificação da vesícula vitelina (VV) e do embrião, quando poderá ser medido o comprimento cabeça-nádega (CCN). A VV pode ser visualizada a partir de 5,5 semanas. • Identificação da atividade cardíaca fetal: com 6 semanas o eco embrionário com batimentos cardiofetais podeser identificado. A atividade cardíaca pode ser identificada a partir do CCN de 2 mm, mas entre 2 e 4 mm o exame pode ser negativo em 5 a 10% de fetos viáveis. • Identificação da placenta e seu local de implantação no útero: o âmnio cresce rapidamente durante a gravidez e se funde com o cório entre 12 e 14 semanas. Em torno de 10 a 12 semanas, aparece espessamento no SG, que representa a placenta em desenvolvimento e o seu lugar de implantação no útero. Com 12 semanas, a placenta pode ser facilmente identificada e com 16 semanas tem estrutura definida. • Datação da gravidez: deve ser oferecida à paciente entre 10 e 13+6 semanas, quando encontra a sua maior acurácia – o CCN tem precisão de ± 5-7 dias. • Morfologia Fetal de 1º trimestre: deve ser investigada, de acordo com a idade gestacional. É indispensável identificar determinadas estruturas da morfologia fetal ainda no 1o trimestre. O corte transversal da cabeça fetal é obrigatório para atestar a normalidade do plexo coroide (sinal da “borboleta”). A ausência do sinal da “borboleta” é indicativo certo de holoprosencefalia e indicação de cariótipo fetal. • Morfologia uterina e anexos: o útero, incluindo os anexos, também deve ser pesquisado. Massas anexiais, miomas e malformações uterinas serão descritos. O fundo de saco posterior deve ser avaliado para a possível presença de líquido. • SG > 10 mm tem que ter embrião • Embrião > 5 mm tem q ter BCF Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Translucência Nucal: o É um notável marcador de trissomias e de outras anomalias fetais. o Não é diagnóstico (70% não tem alteração, 20% tem doença cromossômica, 8% está relacionado a doença cardíaca, renal e esquelética, 2% está relacionado a óbito fetal intraútero), avalia somente o risco (é rastreio). o Quanto ↑TN, pior o prognóstico. o Está associada à cromossomopatias e outras doenças, como anemia, infecção, nanismo, cardiopatia. É medida pelo percentil (>2,5 sugere alteração). • Avaliação de gemelaridade • Avaliação do prognóstico gestacional • Translucência intracraniana: malformação do tubo neural (meningocele, espinha bífida) Teste Pré-Natal Não Invasivo (NIPT) • Em torno de 3 a 13% do DNA livre no sangue materno é DNA fetal. Na verdade, o DNA fetal livre no sangue materno é proveniente de células apoptóticas do trofoblasto. • Pode ser realizado a partir de 9 a 10 semanas de gestação, o teste pré- natal não invasivo (NIPT) ou cell-free DNA (cfDNA) tem o objetivo de estabelecer: o Sexagem fetal o Rh fetal o Diagnóstico de trissomias 13, 18, 21, monossomia 45,X (Turner), 47,XXY (Klinefelter). Ultrassonografia de 2º Trimestre • 20 a 24 semanas Parâmetros avaliados • Localização da placenta: a localização da placenta é tempo fundamental da ultrassonografia morfológica. Se a placenta alcança o orifício interno do colo, esse achado deve ser confirmado pela via transvaginal. • Avaliação de colo uterino: o comprimento do colo é um marcador importantíssimo de parto pré-termo, também há de ser medido pela ultrassonografia transvaginal. • Datação da gravidez: é melhor realizada no 1º trimestre. No 2º trimestre, a gravidez pode ser datada pela medida do diâmetro biparietal (DBP) ou pelo comprimento do fêmur (CF), com precisão de ± 10 a 14 dias. o O DBP é medido no nível do tálamo e do cavo do septo pelúcido. A medida é realizada entre a borda externa do parietal proximal e a borda interna do parietal distal. o O CF é utilizado após 14 semanas. O eixo longo da diáfise é mensurado, estando o ângulo de insonação perpendicular a ela, excluindo-se as epífises femorais distais. • Circunferência abdominal (CA): deve ser determinada na linha da pele em plano transversal do abdome superior, no nível do estômago ou da junção da veia umbilical ao seio portal. A CA conduz ao diagnóstico de crescimento intrauterino restrito (CIR) ou de macrossomia. • Estimativa do peso fetal (EPF): pode ser realizada pela obtenção do DBP, da CA e do CF. O erro da estimativa é de ± 15 a 20%. • Morfologia fetal: os rins, a inserção do cordão umbilical e a bexiga (incluindo a demonstração das duas artérias umbilicais ao Doppler colorido) também serão visualizados nesse plano, assim como a integridade do diafragma direito e do esquerdo em planos parassagitais. A ultrassonografia morfológica deve surpreender a existência de malformações estruturais maiores, tais como encefalocele, gastrosquise, hérnia diafragmática, anormalidades urogenitais e outras. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Vitabilidade Fetal • Corresponde ao estudo do bem estar fetal, demonstrando adequada homeostase. Reflete a oxigenação e nutrição fetal. • A propedêutica para avaliação da vitalidade fetal inclui, além de métodos clínicos como a observação de movimentação fetal, a cardiotocografia, o perfil biofísico fetal e a Dopplervelocimetria. Estudos têm confirmado que não há benefícios na utilização de métodos de propedêutica armada para avaliação de vitalidade fetal em gestações de baixo risco. Assim, com exceção da observação dos movimentos fetais e da ausculta dos batimentos cardíacos fetais, que ocorrem em todas as consultas médicas durante o pré-natal, os métodos descritos abaixo aplicam-se ao acompanhamento de gestações de alto risco. • Início e frequência dos testes antenatais → não há interesse em iniciar os testes antes da viabilidade fetal (23 semanas), assim como em conceptos com malformações incompatíveis com a vida. Em grávidas com diabetes que necessitam de insulina, mas estão controladas, os testes fetais devem ser utilizados a partir de 32 a 36 semanas. Aquelas com diabetes mal controlado serão investigadas a partir de 26 semanas. Em mulheres com gravidez prolongada, sem outras complicações, a CTG e o vLA devem ser iniciados a partir de 41 semanas, embora seja melhor induzir o parto. Indicações • Doenças maternas: o Síndromes hipertensivas: hipertensão arterial crônica, pré-eclâmpsia, hipertensão arterial crônica com pré-eclâmpsia sobreposta, síndrome HELLP, iminência de eclâmpsia e eclâmpsia. o Endocrinopatias: diabetes mellitus e doenças tireoidianas. o Cardiopatias: congênitas e adquiridas. o Pneumopatias: asma e enfisema pulmonar. o Doenças do tecido conjuntivo: lúpus eritematoso sistêmico (LES), artrite reumatoide e dermatomiosite. o Nefropatias: insuficiência renal crônica, síndrome nefrótica e transplante renal. o Hemopatias: anemias carenciais, anemias hemolíticas (hemoglobinopatias), anemia falciforme e coagulopatias. o Trombofilias: congênitas e adquiridas. o Desnutrição materna. o Neoplasias malignas. • Intercorrências da gestação: o Restrição do crescimento fetal (RCF). o Pós-datismo. o Antecedentes obstétricos desfavoráveis: natimorto de causa desconhecida, RCF e descolamento prematro de placenta (DPP). o Alterações do volume de líquido amniótico: oligoâmnio e polidrâmnio. o Rotura prematura de membranas ovulares (RPMO). o Gemelidade, síndrome da transfusão feto-fetal e gêmeos discordantes. o Placenta prévia. • Doenças fetais: o Anemias fetais: aloimunização Rh e hidropsia fetal não imune. o Cardiopatias fetais: bloqueios cardíacos (bloqueio atrio-ventricular total), arritmias e malformações cardíacas. o Malformações e infecções fetais. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Movimentos Fetais • Todas as mulheres com fator de risco para prognóstico perinatal adverso devem ser orientadas para a contagem dos movimentos fetais a partir de 26 a 32 semanas de gravidez (ou a partir de 18-22 semanas, segundo o prof). • O critério mais aceito é aquele que considera como normal 10 ou mais movimentos feitos em 12 horas • Regra dos 8 → o bebê tem que movimentar pelo menos 8x por dia e não ficar 8h sem movimento Cardiotocografia • A cardiotocografia é um método de avaliação de vitalidade fetal que se fundamenta naanálise de parâmetros que possibilitam estudar os efeitos da hipoxemia no SNC e, consequentemente, no comportamento da frequência cardíaca fetal. • A frequência cardíaca fetal (FCF) basal normal está situada entre 110 e 160 bpm; acima de 160 bpm, taquicardia, e abaixo de 110 bpm, bradicardia, ambos indicativos de sofrimento fetal. • Teste da Aceleração → a CTG pode ser classificada em reativa e não reativa. o É reativa quando apresenta ≥ 2 acelerações ao movimento fetal, com amplitude ≥ 15 bpm e duração ≥ 15 s, em 20 min de traçado; a CTG reativa indica boa vitabilidade fetal. Em particular, no pré- termo (< 32 semanas), considera-se normal a aceleração com amplitude ≥ 10 bpm e duração ≥ 10 s. o É não reativa quando mostra < 2 acelerações em 20 min de traçado (podendo o exame ser estendido para 40 min), indicando comprometimento da vitabilidade fetal. Em geral, a frequência do teste da aceleração é de 1 a 2/semana. • Teste acústico → tem a capacidade de mudar o estado de sono fetal para o de vigília, e dessa forma propiciar alterações na FCF (aceleração), diminuindo os resultados falso-negativos com a CTG basal, demais de encurtar o tempo do exame. • Cardiotocografia computadorizada → a análise computadorizada da CTG anteparto foi introduzida pelo sistema 8002 da Sonicaid, que mede a variabilidade da FCF de duas maneiras: o Como variações de longa duração (long-term variation – LTV) em bpm o Como variação de curta duração (short-term variation – STV) em ms. o A STV > 4 ms afasta a acidemia fetal ou a possibilidade de morte intrauterina; STV < 4 ms indica graus variáveis de acidemia. O traçado terminal está caracterizado pela STV < 3 ms. • Desacelerações Intraparto (DIP) o Periódicas o Não periódicas ▪ Espica ou DIP 0: desaceleração com duração < 15 segundos relacionada com compressão funicular de curta duração ou soluço fetal, mais comum no prematuro. ▪ Desaceleração prolongada: desacelerações com duração maior que 3 minutos, relacionada com hipotensão postural materna, bloqueios anestésicos, hiperatividade uterina, compressões funiculares intensas e duradouras. Quando espontânea são sempre patológicas. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Perfil Biofísico Fetal • É um teste de avaliação anteparto da vitabilidade fetal, que observa, além da FCF pela CTG, quatro variáveis sonográficas durante 30 min de exame: movimento respiratório fetal (MRF), movimento fetal, tônus e vLA (volume do líquido amniótico). • Volume do Líquido amniótico → se houver membranas intactas, rim funcionante e sistema urinário desobstruído, a diminuição do vLA significa redução da filtração renal pela redistribuição do débito cardíaco com prejuízo do rim, em resposta à hipoxia crônica. • Teoria da Hipóxia gradual (tabela 3) → o surgimento das atividades biofísicas ocorre do tônus para a frequência cardíaca. As alterações ocorrem da frequência cardíaca para o tônus. • DIP 1 → fisiológico. O pico de contração uterina coincide com o pico da desaceleração • DIP 2 → patológico. O pico de desaceleração não coincide com as contrações. Indica sofrimento fetal. • DIP 3 umbilical → sinal de alerta Beatriz Chaveiro Turma XVIII Doppler Doppler da Artéria Uterina • Avalia a resistência dos vasos que suprem a placenta, refletindo a remodelação das artérias espiraladas, comprometida na pré-eclâmpsia, CIR, descolamento prematuro da placenta (DPP) e morte fetal intrauterina. • O resultado é considerado anormal quando a média das duas uterinas mostra índice de resistência (RI) > 0,58 e caso haja incisuras diastólicas em ambas as artérias. O Doppler uterino anormal está associado a risco 4 a 8 vezes maior de pré-eclâmpsia/CIR. Ao contrário, o Doppler uterino normal exibe valor preditivo negativo de 99%, praticamente excluindo essas complicações da gravidez. Doppler da Artéria Umbilical • Na gestação normal, a circulação umbilical está caracterizada por baixa resistência, crescente com a evolução da gravidez, à medida que se desenvolve a arquitetura vascular das vilosidades terminais. A elevação da resistência implica redução das unidades vasculares vilosas terminais, caracterizada por aumento da relação sístole/diástole (A/B) e do índice pulsátil (PI) (Trudinger et al., 1987). • Como teste de vitabilidade fetal, o Doppler da artéria umbilical foi o único procedimento que melhorou a mortalidade perinatal em estudos randomizados. Por esse motivo, é o teste de eleição para avaliar a insuficiência placentária no CIR. Doppler de outros vasos • Doppler de Artéria Cerebral Média: tem sido indicado no chamado CIR placentário tardio, vez que nesse cenário não há comprometimento da artéria umbilical • Doppler de Sistema Venoso: pode traduzir melhor o comprometimento iminente da função cardíaca fetal e a necessidade de interromper a gravidez. A deterioração da contratilidade do ventrículo direito conduz a sua dilatação e regurgitação (insuficiência) tricúspide, exacerbando a pressão de enchimento atrial direita e a resistência ao enchimento venoso. Tal resistência se reflete no ducto venoso que exibe padrão zero/reverso, à semelhança da artéria umbilical, durante a contração atrial (ponto a), achado altamente relacionado com iminente asfixia fetal. • Alteração de veia umbilical (veia pulsátil) é o pior prognóstico para o feto • Doppler não pode ser usado intraparto Beatriz Chaveiro Turma XVIII Vitabilidade Intraparto • Essas medidas são adotadas quando o diagnóstico de ↓vitalidade fetal é feito intraparto • Reanimação fetal intraútero → β-adrenérgico subcutâneo para ↓contração e ↑fluxo de sangue para a placenta Beatriz Chaveiro Turma XVIII Assistência Pré-Natal A obstetrícia é composta de três fases: pré-natal, parto e puerpério. Os objetivos do pré-natal são: diagnosticar ou confirmar a gravidez, quando ainda restam dúvidas; diagnosticar doenças maternas pré-existentes, tratando-as de forma a reduzir seu impacto nos resultados obstétricos; aconselhar, educar e apoiar a gestante e seus familiares quanto aos eventos relacionados à gravidez e À importância do acompanhamento pré-natal; identificar e minimizar os pequenos distúrbios da gravidez; identificar e tratar precocemente as intercorrências gestacionais, encaminhando os casos considerados de alto risco para os centros especializados; estímulo ao parto normal e resgate do parto como ato fisiológico; anamnese e exame clínico-obstétrico da gestante; imunização antitetânica; avaliação do estado nutricional da gestante; prevenção ou diagnóstico precoce do câncer de colo uterino ou de mama; atenção à mulher e ao recém-nascido na primeira semana após o parto e nova consulta puerperal até o 42º dia pós-parto. Classificação de Risco Gestacional Com o objetivo de reduzir a morbimortalidade materno-infantil e ampliar o acesso com qualidade, é necessário que se identifiquem os fatores de risco gestacional o mais precocemente possível. Fatores de risco gestacional • Características individuais e condições sociodemográficas desfavoráveis ⎯ Idade menor que 17 anos e maior que 35 anos ⎯ Ocupação: avaliar esforço físico, carga horária, rotatividade de horário, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos nocivos, estresse ⎯ Situação conjugal ou familiar insegura e não aceitação da gravidez ⎯ Baixa escolaridade (menos que 5 anos de estudo regular) ⎯ Condições ambientais desfavoráveis ⎯ Altura menor que 1,45m ⎯ Dependência de drogas lícitas ou ilícitas ⎯ Peso menor que 45kg e maior que 75kg (IMC que evidencie baixo peso, sobrepeso ou obesidade) • História reprodutiva anterior ⎯ Morte perinatal ou intrauterina explicada e inexplicada ⎯ Recém-nascido com crescimento retardado, pré-termo ou malformado ⎯ Macrossomia fetal ⎯ Abortamento habitual ⎯ Nuliparidade e multiparidade (mais que 5 partos) ⎯ Síndrome hemorrágica ou hipertensiva ⎯ Cirurgiauterina anterior ⎯ Três ou mais cesarianas ⎯ Intervalo interpartal menor do que dois anos ou maior do que cinco anos ⎯ Interrupção prematura da gestação, morte fetal intrauterina, síndrome Hellp,eclâmpsia, internação da mãe em UTI • Doença obstétrica na gravidez atual ⎯ Desvio quanto ao crescimento uterino, número de fetos e volume de líquido amniótico ⎯ Trabalho de parto prematuro e gravidez prolongada ⎯ Ganho ponderal inadequado ⎯ Pré-eclâmpsia e eclampsia ⎯ Diabetes gestacional ⎯ Infecção urinária ⎯ Anemia ⎯ Amniorrexe prematura ⎯ Hemorragias da gestação ⎯ Aloimunização ⎯ Óbito fetal • Intercorrências clínicas ⎯ Hipertensão arterial ⎯ Cardiopatias ⎯ Pneumopatias graves ⎯ Nefropatias ⎯ Epilepsia ⎯ Doenças infecciosas ⎯ Endocrinopatias (especialmente diabetes, hipotireoidismo e hipertireoidismo) ⎯ Hemopatias (anemia falciforme e talassemias) ⎯ Doenças autoimunes (LES, outras colagenoses) ⎯ Ginecopatias (malformação uterina, miomatose, tumores anexiais e outras) ⎯ Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com malformação fetal) e outras DSTs (condiloma), tuberculose, habseníase Beatriz Chaveiro Turma XVIII Fatores que indicam encaminhamento ao serviço de urgência e emergência • Síndromes hemorrágicas (incluindo descolamento prematuro de placenta, placenta prévia), independentemente da dilatação cervical e da idade gestacional; • Suspeita de pré-eclâmpsia: pressão arterial > 140/90, medida após um mínimo de 5 minutos de repouso, na posição sentada. Quando estiver associada à proteinúria, pode-se usar o teste rápido de proteinúria; • Sinais premonitórios de eclâmpsia em gestantes hipertensas: escotomas cintilantes, cefaleia típica occipital, epigastralgia ou dor intensa no hipocôndrio direito; • Eclâmpsia (crises convulsivas em pacientes com pré-eclâmpsia) • Crise hipertensiva (PA > 160/110); • Amniorrexe prematura: perda de líquido vaginal (consistência líquida, em pequena ou grande quantidade, mas de forma persistente), podendo ser observada mediante exame especular com manobra de Valsalva e elevação da apresentação fetal; • Isoimunização Rh; • Anemia grave (hemoglobina < 8); • Trabalho de parto prematuro (contrações e modificação de colo uterino em gestantes com menos de 36 semanas); • IG a partir de 41 semanas confirmadas; • Hipertermia (Tax > = 37,8C), na ausência de sinais ou sintomas clínicos de Ivas; • Suspeita/diagnóstico de abdome agudo em gestantes; • Suspeita/diagnóstico de pielonefrite, infecção ovular ou outra infecção que necessite de internação hospitalar; • Suspeita de trombose venosa profunda em gestantes (dor no membro inferior, edema localizado e/ou varicosidade aparente); • Investigação de prurido gestacional/icterícia; • Vômitos incoercíveis não responsivos ao tratamento, com comprometimento sistêmico com menos de 20 semanas; • Vômitos inexplicáveis no 3º trimestre; • Restrição de crescimento intrauterino; • Oligoidrâmnio; • Casos clínicos que necessitem de avaliação hospitalar: cefaleia intensa e súbita, sinais neurológicos, crise aguda de asma etc. Nos casos com menos de 20 semanas, as gestantes podem ser encaminhadas à emergência clínica. • Óbito fetal: Calendário de consultas • A OMS recomenda um mínimo de 6 consultas pré-natais para caracterizar um “pré-natal completo” • Acompanhamento multidisciplinar (psicólogo + assistente social + nutricionista + fisioterapeuta + enfermeira) complementando a atividade médica • Orientação: higiene, alimentação, amamentação, vestuário, lazer e outros • Controle da frequência às consultas • O acompanhamento da mulher no ciclo grávido-puerperal deve ser iniciado o mais precocemente possível e só se encerra após o 42º dia de puerpério, período em que a consulta de puerpério deverá ter sido realizada. Protocolo mínimo que deve ser seguido em toda consulta • Anamnese e exame físico geral • Medidas de peso e aferição da pressão arterial • Indagação sobre percepção de movimentos fetais • Exame físico do pré-natal: o Determinação da altura no fundo uterino o Ausculta dos batimentos cardíacos fetais Beatriz Chaveiro Turma XVIII Consulta pré-natal Anamnese Exame físico • Exame físico geral: o Inspeção de pele e mucosas o Sinais vitais: aferição do pulso, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura axilar; o Palpação da tireoide, região cervical, supraclavicular e axilar (pesquisa de nódulos ou outras anormalidades); o Ausculta cardiopulmonar; o Exame do abdome; o Exame dos membros inferiores; o Determinação do peso; o Determinação da altura; o Cálculo do IMC; o Avaliação do estado nutricional e do ganho de peso gestacional; o Medida da pressão arterial; o Pesquisa de edema (membros, face, região sacra, tronco). • Exame físico obstétrico: o Palpação obstétrica o Mamas: orientação a respeito de mamilo invertido, por exemplo o Palpação abdominal: manobras de Leopold-Zweifel (feita a partir de 27 semanas de gestação) o Exame ginecológico (inspeção dos genitais externos, exame especular, coleta de material para exame colpocitopatológico, toque vaginal o Circunferência abdominal: pouco utilizado o Aferição da Altura do Fundo Uterino (AFU): a partir de 12 semanas ▪ 10-12 semanas: acima da sínfise púbica ▪ 16 semanas: metade da distância entre a sínfise púbica e a cicatriz umbilical ▪ 20 semanas: na cicatriz umbilical o BCF: 110-160 bpm ▪ 10-12 semanas: sonar Doppler ▪ 20 semanas: estetoscópio de Pinard Cálculo da Idade Gestacional • Pode ser feito a partir de: o DUM o USG obstétrico de primeiro trimestre: transvaginal e feita até 14 semanas. Nesse USG, é feita a medida comprimento cabeça-nádega (CCN), com margem de erro mínima (de 3-5 dias, apenas) o Altura do fundo uterino • Data provável do parto: o Regra de Nagele: somar 7 ou 10 ao primeiro dia da menstruação e somar 9 ou subtrair 3 do mês Medida da Altura Uterina • Visa ao acompanhamento do crescimento fetal e à detecção precoce de alterações. • As variáveis do gráfico são: altura uterina e semanas de amenorreia • O crescimento correto ocorre entre o percentil 10 e o 90 • P < 10 → pequeno para a idade gestacional, com restrição de crescimento intrauterino (CIUR) • P > 90 → grande para a idade gestacional Avaliação do estado nutricional • Peso, altura, idade gestacional, IMC (localizar a classificação na tabela ou gráfico abaixo) • Avaliar principalmente o estado nutricional na admissão e ganho súbito de peso (avaliar quadro de diabetes gestacional) • Baixo peso (BP): investigue a história alimentar, a hiperêmese gravídica, as infecções, as parasitoses, as anemias e as doenças debilitantes. Dê a orientação nutricional, visando à promoção do peso adequado e de hábitos alimentares saudáveis. Remarque a consulta em intervalo menor do que o fixado no calendário habitual. • Sobrepeso e obesidade (S e O): investigue a obesidade pré-gestacional, casos de edema, polidrâmnio, macrossomia e gravidez múltipla. Dê orientação nutricional à gestante, visando à promoção do peso adequado e Beatriz Chaveiro Turma XVIII de hábitos alimentares saudáveis, ressaltando que, no período gestacional, não se deve perder peso, pois é desejável mantê-lo. Remarque a consulta em intervalo menor do que o fixado no calendário habitual Controle da PA • Detectar hipertensão materna: o A observação de níveis tensionais absolutos iguais ou maiores do que 140mmHg de pressão sistólica e iguais ou maiores do que 90mmHg de pressão diastólica, mantidos em medidas repetidas, em condições ideais, em pelo menos três ocasiões. o O aumento de 30mmHg ou mais na pressão sistólica (máxima) e/ou de 15mmHg ou mais na pressão diastólica (mínima), em relação aos níveis tensionais pré-gestacionais e/ou conhecidos até a 16ª semana de gestação, representa um conceitoque foi muito utilizado no passado e ainda é utilizado por alguns. Entretanto, apresenta alto índice de falsos positivos, sendo utilizado de melhor forma como sinal de alerta e para agendamento de controles mais próximos. • A hipertensão arterial sistêmica (HAS) na gestação é classificada nas seguintes categorias principais: o Pré-eclâmpsia: caracterizada pelo aparecimento de HAS e proteinúria (> 300 mg/24h) após a 20ª semana de gestação em mulheres previamente normotensas; o Eclâmpsia: corresponde à pré-eclâmpsia complicada por convulsões que não podem ser atribuídas a outras causas; o Pré-eclâmpsia superposta à HAS crônica: definida pela elevação aguda da PA, à qual se agregam proteinúria, trombocitopenia ou anormalidades da função hepática, em gestantes portadoras de HAS crônica com idade gestacional superior a 20 semanas; o Hipertensão arterial sistêmica crônica: é definida por hipertensão registrada antes da gestação, no período que precede à 20ª semana de gravidez ou além de doze semanas após o parto; o Hipertensão gestacional: caracterizada por HAS detectada após a 20ª semana, sem proteinúria, podendo ser definida como “transitória” (quando ocorre normalização após o parto) ou “crônica” (quando persistir a hipertensão). Beatriz Chaveiro Turma XVIII Exames complementares • Provas de vitalidade fetal: feitas de acordo com a necessidade. Em pré-natal de baixo risco sem intercorrências, não há necessidade. As provas de vitalidade são: doppler obstétrico, cardiotopografia ou perfil biofísico fetal. • Primeira consulta: hemograma, tipagem sanguínea e Rh (Coombs direto se Rh-), glicemia de jejum, teste rápido de triagem para sífilis e/ou VDRL/RPR; teste rápido diagnóstico anti-HIV; anti-HIV; toxoplasmose IgM e IgG; sorologia para hepatite B (HbsAg); exame de urina e urocultura; ultrassonografia obstétrica (não é obrigatório), com a função de verificar a idade gestacional; citopatológico de colo de útero (se necessário); exame da secreção vaginal (se houver indicação clínica); parasitológico de fezes (se houver indicação clínica); eletroforese de hemoglobina (se a gestante for negra, tiver antecedentes familiares de anemia falciforme ou apresentar história de anemia crônica). • Hemograma: deve ser solicitado no primeiro e segundo semestre Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Tipagem sanguínea e fator Rh o Mãe com Rh- e Pai+ OU Pai desconhecido: solicitar Coombs indireto. Caso o Coombs seja negativo, repetir a cada 4 semanas a partir da 24ª semana. Prescrever a imunoglobulina anti-Rh na 28ª semana. Caso o Coombs seja positivo, classificar como pré-natal de alto risco. • COP: feita de acordo com a necessidade (quanto tempo desde o último COP, número de parceiros, quadro clínico) • EAS e urocultura: necessárias nos 3 trimestres o Pesquisa-se sinais de infecção, proteinúria, hematúria e cilindrúria. o Bacteriúria assintomática (pelo menos 100.000 UFC/mL) requer tratamento o Microrganismos mais frequentes na ITU: E.coli, Proteus, Klebisiella, Enterobacter o Tratamento: Cefalexina, Ampicilina, Amoxicilina, Ácido Nalidíxico (500mg 6/6h por 10 dias), Nitrofurantoína (100mg 12/12h por 10 dias). o Em caso de pielonefrite, internar a paciente • USG: idealmente uma por trimestre. No mínimo, deve ser feita uma até 14 semanas (de primeiro trimestre, transvaginal. Essa USG é importante para avaliação da transluscência nucal, um marcador de síndrome de Down) e outra entre 18/20 e 22 semanas. o USG de 1º trimestre (até 14 semanas): idade gestacional pelo comprimento cabeça-nádega (CCN), diâmetro do saco gestacional, transluscência nucal e BCF o USG de 2º trimestre (entre 20 e 24 semanas): morfológica, com avaliação da idade gestacional pelo comprimento do fêmur ou diâmetro biparietal fetal. Também avalia malformações. o USG de 3º trimestre (em torno de 36 semanas): avalia a placenta e o local de inserção, apresentação e peso fetal e a quantidade de líquido amniótico • Glicemia de jejum: 1ª consulta e no 3º trimestre • TTOG: gestante com fator de risco para diabetes mellitus gestacional ou glicemia de jejum entre 85 e 110 mg/dL o Se > 140: intolerância à glicose o Se > 200: diabetes mellitus gestacional Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Outros exames complementares: o Exame Parasitológico Fetal (EPF) o Bacterioscopia de secreção vaginal: suspeita de IST; múltiplos parceiros o Eletroforese de hemoglobina: história de anemia falciforme o USG obstétrica com doppler: avaliação da vitalidade fetal o Rastreamento genético: abortamento de repetição; malformação fetal em gestações anteriores o Cardiotocografia: avaliação de vitalidade fetal o Exames invasivos: feitos em caso de necessidade de diagnóstico rápido a respeito de alguma patologia importante (toxoplasmose fetal) ▪ Biópsia de vilo corial ▪ Amniocentese ▪ Cordocentese: anemia fetal • Teste da mamãe: avaliação sorológica de várias infecções Teste da Mamãe • Exames: sífilis, HIV, HTLV, chagas, toxoplasmose, rubéola, hepatites B e C, citomegalovírus • Essas doenças possuem transmissão transplacentária, com risco de acometimento fetal Sífilis • Agente etiológico: Treponema palidum • Primária, secundária e terciária • Latente, recente e tardia • Transmissão vertical: é pior na fase primária e secundária • Resultados dos testes e condutas: o VDRL negativo: repetir exame em torno da 30ª semana, no momento do parto ou em caso de abortamento o VDRL positivo (1/8, 1/16, etc): não é necessário FTA-Abs o VDRL positivo (1/4): solicitar VDRL do parceiro e teste confirmatório (FTA-Abs) o Cura sorológica: queda de 2 diluições ou 4x o título (ex.: se a paciente apresentava sorologia de 1/8, a cura sorológica será atingida quando sorologia de 1/2. Se a paciente apresentava sorologia de 1/128, a cura sorológica será quando sorologia de 1/32). Após a cura sorológica, é necessário realizar um VDRL por mês. • Tratamento o Sífilis primária: tratar gestante e parceiro ▪ Penicilina G Benzatina 1.200.000 UI em cada glúteo, dose única (totalizando 2.400.000 UI) ▪ Estearato de Eritromicina 500mg VO 6/6h por 10 dias (em caso de alergia à penicilina) o Sífilis secundária ou latente: penicilina benzatina, 2,4 milhões UI, intramuscular, repetida após 1 semana, sendo a dose total de 4,8 milhões UI o Sífilis tardia (terciária e latente): penicilina benzatina, 2,4 milhões UI, intramuscular, semanal (por 3 semanas), sendo a dose total de 7,2 milhões UI. Beatriz Chaveiro Turma XVIII HIV perinatal • O risco de transmissão perinatal varia de acordo com o momento: o Intrauterino: 25-40% de risco de transmissão o Parto: 60-70% de risco de transmissão o Após o parto: 10-15% de risco de transmissão • Fatores de risco para aumento da transmissão perinatal de HIV: parto vaginal, procedimentos invasivos durante o trabalho de parto, longo período após ruptura prematura das membranas (>4h), uso de drogas durante a gestação, amamentação. • Resultados dos testes e condutas: o Resultado negativo: orientação (uso de preservativo). Nos casos suspeitos, repetir em 30-90 dias. o Resultado indeterminado: indicar uso de preservativo e repetir em 30 dias. o Resultado positivo: informar e encaminhar a serviço especializado para gestantes HIV+ • Toda gestante infectada pelo HIV deve receber Tarv durante a gestação Hepatite B • Vírus DNA HBV, com período de incubação de 60-180 dias. • Via de transmissão: sangue, vertical, sexual • Cronicidade: 10% • Resultados dos testes e condutas: o HbsAg Negativo: vacinar a gestante se tiver até 19 anos e vacinar RN o HbsAgPositivo: ▪ Gestante: complementar investigação no pós-parto e encaminhar para infectologista ▪ RN: aplicar IgHAHB e 1ª dose da vacina até 12h após o parto. Repetir vacina com 1 ano e 6 meses. Confirmar a imunidade pós-vacinal pela realização do anti-HBs até 1 ano de idade. • Se for HBsAg reagente, solicite HBeAge transaminases. A gestante com HBsAg reagente e com HBeAg reagente deve ser encaminhada ao serviço de referência para gestação de alto-risco; • Toda gestante HBsAg não reagente e com idade abaixo de 20 anos deve receber a vacina para hepatite B. Devemos coletar o anti-HbsAg em gestantes que não sabem se tomaram a vacina. As gestantes com vacinação incompleta devem completar o esquema vacinal já iniciado. Toxoplasmose • O hospedeiro definitivo é o gato • Resultados dos testes e condutas o IgM Negativo: orientar (evitar uso de produtos animais caprinos e bovinos crus ou malcozidos; incinerar fezes de gatos; lavar as mãos após manipular carne crua ou terra contaminada; evitar contato com gatos). o IgM Positivo: iniciar tratamento com Espiramicina 1g 8/8h VO o Teste de avidez de IgG: Beatriz Chaveiro Turma XVIII ▪ Baixa avidez (abaixo de 30%): infecção aguda, manter medicação até o parto. Em caso de presença de sinais de comprometimento fetal, iniciar tratamento tríplice (pirimetamina, ácido folínico e sulfadiazina). Nesse caso, a aminiocentese ou biópsia de vilo corial pode identificar infecção fetal. ▪ Fase de penumbra (avidez entre 30 e 60%): realizar testes novamente após um tempo ▪ Alta avidez (acima de 60%): considerar infecção antiga e suspender medicamentos. Quando a avidez é maior que 60% com ausência de sinais de comprometimento fetal, mantém-se a espiramicina até o termo + USG mensal. • Confirmada a infecção aguda antes da 30ª semana, deve-se manter a espiramicina na dose de 1g (3.000.000 UI), de 8 em 8 horas, via oral, continuamente até o final da gravidez. Se a infecção se der após a 30ª semana, recomenda-se instituir o tratamento tríplice materno: pirimetamina, 25mg, de 12/12 horas, por via oral; sulfadiazina, 1.500mg, de 12/12 horas, por via oral; e ácido folínico, 10mg/dia, este imprescindível para a prevenção de aplasia medular causada pela pirimetamina. Rubéola • Não tem tratamento • Resultados dos testes e conduta: o IgG+ e IgM- → paciente imune o IgG- e IgM- → paciente suscetível o IgG+ e IgM+ → paciente com doença ativa • Cursa com comprometimento do feto e malformação Citomegalovírus • A transmissão se dá por: via respiratória, transfusão de sangue, transmissão vertical, via sexual, por objetos compartilhados (xícaras e talheres) • É quase impossível viver sem ser infectado, em algum momento, pelo citomegalovírus. O período de incubação varia de alguns dias a poucas semanas. • Consequências para o bebê: perda auditiva, microcefalia, retardo mental, paralisia cerebral, coriorretinite • Resultados dos testes e condutas: o IgG e IgM positivos: infecção aguda o Infecção fetal: cordocentese após 22 semanas com PCR positivo • Não existe tratamento Beatriz Chaveiro Turma XVIII HTLV • Retrovírus que acomete linfócitos TCD4. Tem transmissão sexual e sanguínea, sendo associado a leucemia e linfoma • Resultados dos testes e condutas: o Teste Anti-HTLV: ▪ Negativo: orientação para uso de preservativo. Nos casos suspeitos, repetir em 30-90 dias ▪ Indeterminado: indicar uso de preservativo. Repetir em 30 dias ▪ Positivo: informar e encaminhar a serviço especializado para pacientes HTLV+ • Condutas no parto e puerpério: o Indicação obstétrica de parto cesariano o Condutas de biossegurança semelhantes ao HIV o Cuidados com o RN semelhante ao HIV, exceto uso de AZT o Evitar procedimentos traumáticos o CONTRAINDICAR O ALEITAMENTO MATERNO o Inibir a lactação o Planejamento familiar o Sexo seguro Chagas • Não é tratada na gravidez, sendo que o objetivo principal do rastreamento na gestação é o diagnóstico precoce no RN • Resultados dos testes e condutas: o IgG+ e IgM- → infecção crônica o IgG- e IgM- → paciente suscetível o IgM+ → doença aguda Intercorrências Gravídicas • Êmese e hiperêmese: orientações dietéticas, antieméticos comuns. A hiperêmese gravídica está associada a altos níveis de hCG e estrogênio, sendo importante afastar gestação molar. O tratamento das gestantes que estão com quadro de vômito há mais de 3 semanas é feito com hidratação EV, antiemético EV e Tiamina 100mg/dia EV. Nos casos de preservação do estado geral, antieméticos orais (bromoprida, metoclopramida e odansetrona) podem ser utilizados. • Pirose: tratar com antiácidos • Constipação: orientações dietéticas (fibras, maior ingestão de água), medicações • Hemorroidas: evitar intervenções, com preferência por tratamentos locais • Edema: se generalizado, pesquisar eclampsia • Varizes: elevar membros, uso de meias compressivas • Cãibras: diminuição do Ca e aumento do P, sendo que o tratamento visa controle dos sintomas • Fadiga e Lomabalgia: orientar sobre esforços físicos • Leucorreia Higiene pré-natal e orientações gerais • Irrigações vaginais: contraindicadas • Atividade física: dosada, sem impacto • Drogas teratogênicas • Atividade sexual: liberada em caso de gestação sem intercorrências • Fumo e bebida alcoólica: contraindicado Beatriz Chaveiro Turma XVIII Vacinas • Antitetânica (dT): recomendada a partir de 20 semanas para profilaxia de tétano neonatal. O esquema completo é composto de 3 doses, mas duas doses de vacinas são suficientes e devem ter intervalo de 60 dias. o Gestante não vacinada e/ou com situação vacinal desconhecida: iniciar o esquema o mais precocemente possível, independentemente da idade gestacional. No esquema recomendado constam três doses, podendo ser adotado um dos esquemas da tabela abaixo o Gestante com esquema vacinal incompleto: em qualquer período gestacional, deve-se completar o esquema de três doses o mais precocemente possível, com intervalo de 60 dias ou, no mínimo, 30 dias entre elas. o Gestante com esquema vacinal completo (3 doses ou mais) e última dose há menos de cinco anos: não é necessário vaciná-la. o Gestante com esquema completo (3 doses ou mais) e última dose administrada há mais de cinco anos e menos de 10 anos: deve-se administrar uma dose de reforço tão logo seja possível, independentemente do período gestacional. o Gestante com esquema vacinal completo (3 doses ou mais), sendo a última dose há mais de 10 anos: aplique uma dose de reforço. • Influenza: recomendada a todas as gestantes em qualquer período gestacional. • Hepatite B: pode ser feita em qualquer momento da gestação o Gestantes com esquema incompleto (1 ou 2 doses): deve-se completar o esquema. o Gestantes com esquema completo: não se deve vaciná-las. • Rubéola: totalmente contraindicada. A paciente que recebe vacina para rubéola precisa ficar no mínimo 6 meses sem engravidar • Raiva e Febre Amarela: recomendadas apenas em caso de necessidade Beatriz Chaveiro Turma XVIII Diabetes Mellitus Gestacional Conceito • O diabetes melito constitui um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia, resultante de defeitos na secreção e/ou na ação da insulina. A hiperglicemia crônica está associada a lesão, disfunção e insuficiência tardias de diversos órgãos, especialmente, olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos. • O DMG é definido como aquele que é diagnosticado no 2o/3o trimestre da gravidez, afastado o diabetes declarado. Mulheres com diabetes no 1o trimestre devem ser diagnosticadas como diabetes tipo 2. O DMG complica 7% de todas as gestações (1 a 14%, dependendo da população estudada) e representa aproximadamente 90% dos casos de diabetes na gravidez. Classificação do DMG segundo White Na gravidez, cerca de 90% das diabéticas são classe A, e as 10% restantes, classes B-H. • Classe A. Corresponde ao DMG. A intolerância à glicose só é anormal durante a gestação, retornando à normalidade ao fim a gravidez. Aproximadamente 15 a 30% das diabéticas classe A necessitam de insulina ao longo da gestação, passando, por conseguinte, para a classe A2. • Classes B e C. Pacientes com diabetes pré-gestacional relativamente recente e sem complicaçãovascular. Na classe B, o início da doença ocorre com 20 anos ou mais e tem duração menor que 10 anos. Na classe C, o diabetes tem início entre 10 e 19 anos de idade ou tem duração entre 10 e 19 anos. • Classes D-T. Diabéticas com complicação vascular. Na classe D, a doença tem duração de 20 anos ou mais ou início antes dos 10 anos ou exibe retinopatia benigna ou hipertensão. A classe F apresenta nefropatia com protenúria e redução da depuração da creatinina. A classe R mostra retinopatia maligna (proliferativa); a H, doença cardíaca isquêmica; e, na T, a paciente sofreu transplante renal. Fisiopatologia • O desenvolvimento da resistência à insulina a partir do 2º trimestre da gestação é uma adaptação fisiológica que visa transferir o metabolismo de energia materna da oxidação dos carboidratos para o de lipídios, preservando a glicose a ser fornecida ao feto em acelerado crescimento. Cerca de 80% do gasto energético fetal é feito pelo metabolismo da glicose. • Na gravidez, em resposta ao aumento da resistência periférica à insulina (diminuição da sensibilidade), a grávida, a partir do 2o trimestre, eleva gradativamente a secreção de insulina de 200 a 250% para compensar a redução de ≈50% na sensibilidade. Os hormônios placentários contrainsulínicos – lactogênio placentário humano (hPL) e hormônio do crescimento placentário humano (hPGH) – são os fatores que contribuem para a resistência à insulina aumentada vista na gravidez. Fala-se, também, na ação de adipocinas – elevação do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e diminuição da adiponectina – ambos concorrentes para explicar o aumento na resistência à insulina. • Na mulher com DMG, não é a resistência à insulina que está elevada, quando comparada à da gravidez normal, e sim o mau funcionamento das células β pancreáticas que secretam insulina insuficiente para vencer esse aumento da resistência. Isso leva ao aumento da concentração da glicose pós-prandial, capaz de determinar efeitos adversos no feto (macrossomia e hipoglicemia neonatal), pelo excessivo transporte transplacentário de glicose. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Diagnóstico • A glicemia de jejum deve ser realizada na 1ª consulta. Seguir o fluxograma abaixo para manejo dos valores encontrados: • O diabetes pré-gestacional pode, ainda, ser diagnosticado pela HbA1c ≥ 6,5% ou pela glicemia ao acaso ≥ 200 mg/d ℓ (esta última confirmada pela glicemia de jejum ou pela HbA1c). • Os casos normais na glicemia de jejum (< 92 mg/d ℓ) devem ser submetidos ao TOTG de 75 g de 2 h (TOTG-75) entre 24 e 28 semanas de gravidez. O TOTG-75 pretende ser diagnóstico e exige dieta livre 3 dias antes. Os valores já anormais são jejum ≥ 92 mg/d ℓ, 1 h ≥ 180 mg/d ℓ e 2 h ≥ 153 mg/d ℓ. Basta um valor alterado para o teste ser considerado positivo. Se o valor de jejum for ≥ 126 mg/d ℓ, o diabetes é considerado pré-gestacional. • Pré-Diabetes: anormalidade do metabolismo dos carboidratos pela medida da glicemia de jejum ou após teste oral de tolerância à glicose (TOTG), caracterizando, respectivamente, a glicemia de jejum alterada e a tolerância à glicose alterada, ambos estados de pré-diabetes, indicando alto risco para o desenvolvimento da doença. Complicações Maternas Fetais Parto - Risco de hiper e hipoglicemias - Toxemia gravídica (hipertensão) - Infecções urinárias de repetição - Pielonefrite - Polidrâmnio - Alterações vasculares, como retinopatia e nefropatia - Aborto espontâneo - Maior morbidade e mortalidade maternas - Maior risco de diabetes no futuro - Atrasos no crescimento intrauterino - Anomalias congênitas - Macrossomia: proliferação de adipócitos fetais, células musculares, células pancreáticas e neuroendócrinas - Desenvolvimento de obesidade, alterações na tolerância à glicose e diabetes mellitus na idade adulta - Atraso na maturação pulmonar - Óbito intrauterino - Maior risco de sofrimento fetal intraparto (fetos chegam ao trabalho de parto em estado de hipoxemia crônica) - Maior risco de distocia biacromial por macrossomia - Maior taxa de cesáreas - Parto prematuro - Parto traumático Fatores de Risco para DMG: • Idade > 35 anos • IMC > 30 ou Ganho Excessivo de Peso • História familiar de DM • Crescimento fetal excessivo • SOP • Hipertensão, pré-eclâmpsia • Antecedentes obstétricos: abortos de repetição, morte fetal, macrossomia, anomalias congênitas, DMG prévio, polidrâmnio Beatriz Chaveiro Turma XVIII Tratamento não farmacológico do DMG • Terapia Nutricional: baseia-se na avaliação do perfil antropométrico da gestante, dos seus hábitos alimentares, da acessibilidade aos alimentos, de características alimentares regionais, das suas condições clínicas, sócio- econômicas e culturais. De acordo com recomendações do Mistério da Saúde e da OMS deve-se orientar a adoção de alimentação saudável, cuja base deve ser composta por alimentos in natura ou minimamente processados. Estimular a inclusão dos grupos de alimentos abaixo relacionados nas refeições diárias • Exercícios Físicos: as atividades físicas recomendadas para a gestante são: caminhada, natação, ciclismo (em bicicleta estacionária), aeróbica de baixo impacto, yoga (desde que evitadas posturas que dificultem o retorno venoso), pilates (desde que evitadas posturas que dificultem o retorno venoso), corrida, esportes com uso de raquetes, treinamento de força, exercícios ergométricos de membros superiores (realizados em casa, sentada assistindo tv, por exemplo). Tratamento farmacológico do DMG • Insulina: a insulina está indicada sempre que a mudança no estilo de vida (dieta individualizada e atividade física) não for suficiente para atingir as metas do controle glicêmico. No tratamento do DMG, as insulinas mais utilizadas e de melhor disponibilidade são as insulinas humanas NPH (ação intermediária) e a Regular (ação rápida). Deve- se informar à gestante o momento recomendado de cada aplicação, observando que a insulina Regular deve ser aplicada entre 30 e 40 minutos antes da refeição, enquanto que os análogos Lispro e Aspart devem ser aplicados na hora de início da refeição ou 15 minutos antes. A ceia é uma refeição importante para prevenção de episódios de hipoglicemia naquelas que fazem uso de insulina à noite e deve conter 25 g de carboidratos, além de proteínas ou lipídios. • Metformina: apesar de não ser a droga de primeira escolha, pode ter seu uso considerado como monoterapia nos casos de inviabilidade de adesão ou acesso à insulina ou como adjuvante em casos de hiperglicemia severa que necessitam de altas doses de insulina para controle glicêmico. A metformina é uma biguanida de segunda geração que diminui os níveis de glicose através de diversos mecanismos celulares e extra-celulares, dentre eles: reduz a resistência periférica a insulina, aumenta o transporte de glicose no músculo esquelético e nos adipócitos, reduz a absorção de glicose pelo trato gastrointestinal, aumenta a síntese de glicogênio e reduz a gliconeogênese hepática. Pós-Parto Beatriz Chaveiro Turma XVIII Diabetes Mellitus Pregressa na Gestação Diagnóstico Influência do Diabetes Mellitus na Gestação • Malformação Fetal: as malformações mais comuns incluem defeitos cardíacos complexos, anomalias do SNC, tais como anencefalia e espinha bífida, craniofaciais e esqueléticas, incluindo regressão caudal/agenesia do sacro (aumento de 600 vezes), urogenitais e gastrintestinais. A incidência de malformações está fortemente associada aos níveis de A1c no 1o trimestre da gestação que devem ser < 6,5%. • Macrossomia fetal: a difusão facilitada de glicose através da placenta determina hiperglicemia/hiperinsulinemia fetal com consequências importantes para o feto e o recém-nascido. A insulina determina excessivo crescimento fetal, especialmente do tecido adiposo. O feto da mulher diabéticamal controlada tem risco elevado de macrossomia (> 4.000 g), com concentração desproporcional de tecido adiposo nos ombros e no tórax, dobrando o risco de distocia no parto. Também é frequente a ocorrência de polidrâmnio, pois o feto macrossômico é poliúrico. • Maturidade fetal: a literatura considera que haveria aumento na incidência da síndrome de angústia respiratória (SAR) apenas no diabetes mal controlado. No diabetes bem controlado, após 36 semanas da gestação, não ocorreria a imaturidade pulmonar fetal. • Abortamento: tem taxas 2 vezes maiores com o mau controle glicêmico. • Parto pré-termo: a incidência está aumentada em até 5 vezes no diabetes, especialmente nos casos que cursam com polidrâmnio. Não há contraindicação para o uso de corticoides (aumentar dose de insulina), mas os betamiméticos devem ser evitados. • Pré-Eclâmpsia: observada em 30 a 50% dos casos de diabetes com proteinúria e em mais de 50% daqueles com insuficiência renal. • Morte fetal: a taxa de mortalidade perinatal no diabetes é aproximadamente o dobro da vigente na população não diabética. o A morte fetal continua a ser uma preocupação obstétrica, mesmo na grávida bem controlada. Os extremos de crescimento fetal podem ocorrer nos dois cenários oferecidos pelo diabetes materno: macrossomia e crescimento intrauterino restrito (CIR). o A morte fetal é observada mais frequentemente nas últimas semanas da gravidez em pacientes com controle glicêmico deficiente, polidrâmnio e macrossomia fetal. o O mecanismo do óbito na gravidez complicada por macrossomia pode ser consequência da hiperinsulinemia fetal levando ao metabolismo anaeróbio, com acúmulo de ácido láctico e hipoxia/acidose. o Já em diabéticas com doença vascular que fazem CIR, a morte fetal por insuficiência placentária pode ocorrer tão cedo quanto o fim do 2o trimestre. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Influência da Gestação no Diabetes Mellitus • A gravidez está associada à exacerbação de muitas complicações relacionadas com o diabetes: nefropatia, retinopatia, doença coronária, hipertensão crônica, cetoacidose e cetose de jejum. o 1º trimestre: diante da transferência de glicose para o feto, a hipoglicemia materna pode ser sintomática e, em geral, obriga à diminuição na dose de insulina. As náuseas e os vômitos do 1o trimestre, que perturbam a ingesta de alimentos, também podem contribuir para nova redução da posologia. o 2º e 3º trimestres: a secreção crescente dos hormônios contrainsulínicos placentários (hPL, hPGH) explica as anormalidades exibidas no TOTG e obriga à elevação progressiva da dose de insulina. Por motivo da glicosúria renal gravídica, a excreção de glicose pela urina não é sinal de descontrole do diabetes. o Pós-parto: nos primeiros 7 a 10 dias do puerpério, eliminados os fatores contrainsulares e ainda sem a secreção do hGH, o que vinha ocorrendo durante a gravidez, há redução na dose de insulina para valores similares aos do 1o trimestre. Ao fim desse período inicial, as necessidades de insulina retornam aos valores pré-gestacionais. • Cetoacidose diabética: é uma emergência grave que acomete 1 a 3% de todas as grávidas diabéticas, especialmente as do tipo 1. Embora a mortalidade materna seja rara, a fetal pode ocorrer em 10 a 35% dos casos. O diagnóstico da cetoacidose diabética pode ser feito por hiperventilação, hálito cetônico, desidratação, coma, glicosúria (4+), cetonúria e hiperglicemia. • Cetose de Jejum (Hipoglicemia): as crises de hipoglicemia, pelo rígido controle glicêmico hoje proposto, constituem problema da maior importância (ADA, 2013). Até 70% das mulheres relatam episódios de hipoglicemia na gravidez, sendo um terço deles grave, com convulsões e perda da consciência, necessitando de terapia com glicose intravenosa. Diferenciação da cetoacidose e coma hipoglicêmico → administrar 2 ampolas de 50 mL de glicose a 50% EV rapidamente. Essa medida resolve a hipoglicemia e não afeta a acidose diabética. O tratamento da cetoacidose é feito com insulinoterapia. • Nefropatia Diabética: as estações complicadas por doença renal diabética apresentam risco elevado de morbidade materna e fetal, incluindo hipertensão, pré-eclâmpsia, CIR e parto pré-termo indicado. • Retinopatia Diabética: é a principal causa de cegueira entre os 24 e os 64 anos de idade. Ela pode ser classificada em: (1) retinopatia diabética não proliferativa (RDNP), caracterizada por microaneurisma, hemorragia e exsudato; (2) retinopatia diabética proliferativa (RDP), com acentuada neovascularização. A fotocoagulação a laser está indicada nos casos com RDP ou edema macular para reduzir o risco de perda da visão. No entanto, deve-se esclarecer que a gravidez não afeta a visão a longo prazo. Mulheres com diabetes pré-gestacional devem realizar exame de retina na 1a consulta pré-natal e no 2o/3o trimestre • Hipertensão Crônica: (≥ 130/80 mmHg) é observada em 70% das grávidas com diabetes. No tipo 1 está associada à nefropatia e no tipo 2 à síndrome metabólica. A hipertensão, especialmente a associada à nefropatia, aumenta o risco de pré-eclâmpsia, CIR e natimortalidade. O Doppler de artéria uterina é um importante sinal de toxemia. • Doença Coronária: a doença coronária é contraindicação para a gravidez. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Tratamento • Diabetes Mellitus: o tratamento deve ser preferencialmente com insulina. As pacientes com diabetes mellitus pré- gestacional que controlavam a doença com antidiabéticos orais devem passar para tratamento com insulina. Por maior que seja o controle da glicemia, a hipoglicemia é uma complicação frequente, especialmente a noturna. • Hipertensão arterial: contraindicados os inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) e os bloqueadores do receptor da angiotensina (BRA); os hipotensores de escolha são a metildopa e o nifedipino; os betabloqueadores devem ser evitados pelos seus efeitos no metabolismo da glicose. O objetivo do tratamento é manter pressão arterial de 110 a 129/65 a 79 mmHg. • Rastreamento de malformações fetais: o A translucência nucal (TN) > 3 mm, Doppler do ducto venoso anormal, mas especialmente HbA1c > 8,5%, podem sugerir malformações, em particular, cardíacas o A ultrassonografia morfológica do 2o trimestre, obrigatória em toda gravidez, é especialmente dirigida para surpreender os defeitos do tubo neural (DTN), agenesia sacral e defeitos renais. A ecocardiografia fetal é mandatória entre 18 e 20 semanas para diagnosticar os defeitos cardíacos complexos • Monitoramento do crescimento fetal: ultrassonografia seriada, a cada 4 semanas, a partir de 28 semanas, para avaliar a circunferência abdominal (CA) e o vLA, rastreia, respectivamente, a macrossomia fetal e o polidrâmnio. • Avaliação da vitalidade fetal: o monitoramento fetal no feto macrossômico é feito por CTG e pelo perfil biofísico fetal (PBF), a partir de 38 semanas. No CIR, deve-se optar pelo Doppler da artéria umbilical, a partir de 26 semanas. • Parto: o A prevenção da morte fetal e da macrossomia é uma razão para induzir o parto na diabética. De acordo com o NICE (2015), a indução do parto, ou a cesárea, se indicada, devem ser oferecidas com 37+0 a 38+6 semanas; outra opção seria esperar o parto espontâneo até 40+6 semanas. Considerar a interrupção antes de 37+0 semanas se houver complicações maternas ou fetais. o A cesárea deve ser considerada se o peso fetal estimado pela ultrassonografia for > 4.500 g. o Durante o parto, a glicemia deve ser controlada por infusão intravenosa de insulina regular ajustada para manter a glicemia < 110 mg/d ℓ, evitando-se a hipoglicemia neonatal. Nas pacientes submetidas à cesariana, a insulina de ação rápida deve ser utilizada para tratar valores de glicose > 140 a 150 mg/d ℓ. Infantes de Mães Diabéticas O infante de mãe diabética (IMD) está sujeito a inúmeras complicações ao nascimento, como macrossomia e CIR,policitemia e hiperviscosidade, hipoglicemia, hipocalcemia, hiperbilirrubinemia, cardiomiopatia e cardiomegalia, SAR e taquipneia transitória, mortalidade e morbidade. • Policitemia e hiperviscosidade: a policitemia (concentração de Hb > 20 g/d ℓ e hematócrito > 65%) ocorre em 5 a 10% dos IMD. A hiperglicemia é um estímulo poderoso para a produção de eritropoetina, provavelmente mediada pela diminuição da Po2. A policitemia/hiperviscosidade pode evoluir para obstrução vascular, isquemia e infarto de órgãos vitais, incluindo rins e SNC. • Hipoglicemia: acostumado a conviver com altas taxas de glicose, consequentemente, hiperinsulinismo, após o nascimento, interrompido subitamente o aporte de glicose materna pela placenta, e ainda presente o hiperinsulinismo, o IMD é candidato à hipoglicemia que pode levar à convulsão, com sequela neurológica. • Hipocalcemia e hiperbilirrubinemia: a hipocalcemia neonatal (cálcio plasmático < 7 mg/d ℓ) em gestações diabéticas ocorre em quase 20% dos casos. A hiperbilirrubinemia neonatal incide em aproximadamente 25% dos IMD. O monitoramento evita a morbidade decorrente do kernicterus, convulsão e lesão neurológica. • Malformações congênitas: em especial as do SNC estão aumentadas 16 vezes, particularmente a anencefalia de 13 vezes, espinha bífida de 20 vezes e síndrome de regressão caudal de 600 vezes. • Cardiomegalia e cardiomiopatia: em alguns bebês macrossômicos, pletóricos, o miocárdio se espessa, produzindo hipertrofia septal assimétrica significativa. Essas condições são frequentemente assintomáticas, mas de fácil diagnóstico à ecocardiografia, inclusive a obrigatória durante a gravidez. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Tireoidopatias no Período Gestacional Funcionamento Fisiológico da Tireoide na Gravidez • A função tireoidiana é regulada pelo eixo hipotálamo-hipófise, por meio de retroalimentação negativa. Os hormônios tireoidianos agem inibindo o hormônio hipotalâmico estimulador da tireotrofina (TRH) e o TSH, este último produzido na hipófise anterior. • O elemento básico para a síntese hormonal tireoidiana é o iodeto, proveniente da dieta e absorvido no trato gastrointestinal. Outro elemento importante na produção dos hormônios tireoidianos é a tireoglobulina, glicoproteína sintetizada pela tireoide que fornece a tirosina, elemento presente nas formas precursoras hormonais (monoiodotirosina e di-iodotirosina). Posteriormente, o acoplamento da monoiodotirosina e da di- iodotirosina darão origem aos hormônios tri-iodotironina (T3) e tetraiodotironina ou tiroxina (T4). Durante o processo de produção hormonal, um papel de destaque é dado à enzima tireoperoxidase (TPO), envolvida em diversas das reações anteriormente relatadas. • A tireoide, como outros órgãos endócrinos, sofre profundas mudanças durante o ciclo gravídico: o O aumento dos níveis circulantes de estrógenos resulta na diminuição da metabolização hepática da proteína transportadora de hormônios da tireoide (TBG), causando aumento de sua concentração sérica e, consequentemente, aumento relativo das formas ligadas dos hormônios tireoidianos (T3 total e T4 total) em relação às formas livres (pouco alteradas). o A hCG possui a propriedade de estimular os receptores de TSH em razão da semelhança estrutural de suas moléculas. Esse fato aumenta a produção de hormônios tireoidianos e, por meio de retroalimentação negativa, leva a uma diminuição dos níveis de TSH no início da gestação, os quais retomam seus valores normais a partir do segundo trimestre. o Sugere-se que as medições de T4 total são mais confiáveis durante a gestação, mas o intervalo normal de T4 total em grávidas é maior do que em pacientes não grávidas, em razão do excesso de TBG, de modo que também se deve ter cuidado ao interpretar os níveis de T4 total. • Em relação à função tireoidiana fetal, tem-se: o Por volta de 12 semanas de gestação, a tireoide fetal já é capaz de concentrar iodo e, provavelmente, a partir de 18 a 20 semanas já pode produzir seu próprio aporte hormonal o Durante a vida fetal, a produção normal de hormônios tireoidianos parece ser particularmente importante para o desenvolvimento do sistema nervoso central. Vários processos desse desenvolvimento estão ligados à presença dos hormônios tireoidianos na gestação: desenvolvimento prosencefálico (2 a 3 meses), proliferação neuronal (3 a 4 meses), migração neuronal (3 a 5 meses), organização neuronal (5 meses, pós-natal), migração da glia (6 meses, pós-natal) e mielinização (7 meses, pós-natal) Beatriz Chaveiro Turma XVIII Hipotireoidismo Hipotireoidismo Clínico • O hipotireoidismo é pouco comum na gravidez, principalmente porque, quando não tratado, é causa de infertilidade. • Quadro clínico: fadiga, obstipação, intolerância ao frio, perda de cabelo, aumento de peso, pele seca, cãibras musculares, entre outras queixas. O bócio pode ou não existir. Durante a gravidez, esses sintomas podem ser confundidos com queixas típicas da gestação • Diagnóstico: é feito por meio da dosagem do TSH e do T4 total ou livre. Nas pacientes com disfunção glandular primária, espera-se TSH acima dos valores de referência para o trimestre e T4 total ou livre diminuídos. A presença de anti-TPO e antitireoglobulina (anti-TG) relaciona-se com a doença de Hashimoto • Complicações materno-fetais: abortamento, óbito fetal, prematuridade, pré-eclâmpsia, RCF, anemia, anomalias congênitas, DPP, hemorragia pós-parto, baixo peso, angústia respiratória. A presença de anti-TPO aumenta em duas vezes o risco de perdas fetais precoces. • O não tratamento está associado a déficit no desenvolvimento intelectual de crianças pré-escolares e escolares. Hipotireoidismo Subclínico • Diagnóstico: é definido como elevações dos níveis circulantes de TSH (porém abaixo de 10 mUI/L), sem alterações dos valores absolutos dos hormônios tireoidianos (T4 total, T4 livre e T3), em pacientes assintomáticas. • Complicações materno-fetais: há divergência na literatura quanto à associação do hipotireoidismo subclínico com maiores taxas de parto prematuro, descolamento prematuro de placenta, pré-eclâmpsia, diabetes mellitus gestacional e admissão em UTI neonatal. Alterações no desenvolvimento neuropsicológico têm sido observadas em filhos de mulheres com hipotireoidismo subclínico. • Embora não haja comprovação do benefício do tratamento do hipotireoidismo subclínico durante a gestação, o potencial benefício supera os riscos do uso da levotiroxina sódica. Tratamento • O tratamento do hipotireoidismo, tanto clínico quanto subclínico, é realizado por meio de reposição hormonal com levotiroxina sódica administrada uma vez ao dia, preferencialmente em jejum (80% de absorção intestinal. Se for ingerido com alimentos, ou mesmo com outros medicamentos, a absorção desse medicamento é reduzida para 59%). • Hipotireoidismo Clínico: iniciar o tratamento com 2 μg/kg/dia, em dose única diária, em jejum. Para as pacientes sem tratamento prévio, e aumentar a dosagem de acordo com a medida de TSH, dosado a cada 4 semanas (assim que a gestação for diagnosticada, indica-se aumentar a dose de levotiroxina em 30%). • Hipotireoidismo Subclínico: inicie a levotiroxina na dose de 1,2 μg/kg/dia, em dose única a ser tomada em jejum. O controle deve ser feito por meio da dosagem de TSH a cada 4 semanas, também tendo como meta manter a concentração de TSH dentro dos valores de normalidade para a idade gestacional. Os ajustes de dose devem ser feitos de acordo com a dosagem do TSH, da mesma forma que para o hipotireoidismo clínico. • Monitoramento: a dosagem de TSH e T4 livre deve ser realizada a intervalos de 4 semanas até se atingir controle adequado, a partir de quando pode ser espaçada para cada 6 semanas. Após o parto, avaliar TSH a cada6 semanas. • Após o parto: recomenda-se retornar às doses de levotiroxina usadas previamente à gestação naquelas mulheres que já faziam uso do medicamento e estavam bem controladas antes da gravidez. Naquelas em que o hipotireoidismo clínico ou overt hipotireoidismo foi identificado na gravidez, orienta-se reduzir em 50% a dose de levotiroxina utilizada antes do parto. Para aquelas com hipotireoidismo subclínico, duas situações são previstas: se a dosagem de TSH ao diagnóstico tiver sido ≥ 5 mUI/L ou se tiver sido detectada a presença de anticorpos anti- TPO ou anti-TG, reduz-se a dose de levotiroxina à metade daquela usada ao final da gravidez; naquelas com an- ticorpos ausentes e TSH < 5 mUI/L ao diagnóstico, pode-se suspender a medicação após o parto. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Hipertireoidismo Epidemiologia e Etiologia • O hipertireoidismo é uma síndrome desencadeada pela produção e circulação excessiva dos hormônios tireoidianos • Sua principal causa é a doença de Graves, representando 85 a 95% dos casos o Hipertireoidismo na doença de Graves é causado pela produção de TRAb, anticorpo que se liga a receptores de células foliculares da tireoide. o Quanto mais altos os níveis circulantes de anticorpos estimuladores, maior a atividade da doença e mais intensas a liberação e a produção hormonal tireoidiana. o Os anticorpos podem atravessar placenta e causar estados de estimulação e inibição da tireoide fetal, ainda que esta última seja incomum. o A ação imunomoduladora da gestação tende a promover melhora da atividade imunológica antitireoidiana. Aliada à elevação da TBG e ao aumento de formas ligadas de hormônio tireoidiano, tradicionalmente há melhora da doença, principalmente no segundo e no terceiro trimestres, o que ocorre em até dois terços das gestantes. Em contrapartida, no puerpério, com o declínio da atividade imunossupressora e a exacerbação da imunidade humoral, há uma tendência à reativação do quadro clínico de hipertireoidismo, principalmente após o terceiro mês pós-parto • Outras causas dessa síndrome durante a gravidez são adenoma tóxico, tireoidite subaguda, bócio multinodular, iatrogenia (ingestão excessiva de hormônios tireoidianos) e hipertireoidismo transitório gestacional (presente nos casos de hiperêmese gravídica, neoplasia trofoblástica gestacional e gestação múltipla). Quadro Clínico • Durante a gravidez, o quadro clínico sofre alterações em consonância com a idade gestacional: o No primeiro trimestre de gestação, pela coestimulação provocada pela hCG, observa-se piora do quadro clínico. o No segundo e no terceiro trimestres, devido ao efeito imunossupressor e à elevação da TBG, o quadro clínico da doença apresenta-se menos exacerbado • Hipertensão e/ou pré-eclâmpsia podem ocorrer nos casos de maior gravidade Complicações materno-fetais • Pela capacidade de atravessar a barreira placentária, os fetos de mulheres com TRAb ou que estejam em uso de drogas antitireoidianas podem apresentar sinais de hiper ou hipotireoidismo, que incluem aumento do volume da tireoide, restrição do crescimento fetal, hidropsia, bócio, idade óssea avançada, alteração do ritmo cardíaco e insuficiência cardíaca. Diagnóstico • O diagnóstico de hipertireoidismo primário é realizado quando a dosagem de T4 total ou de T4 livre se apresenta aumentada e o TSH, suprimido, com presença de autoanticorpos • Classificação do Hipertireoidismo: o Hipertireoidismo Subclínico: normais determinam o diagnóstico de hipertireoidismo subclínico, que não está associado a complicações obstétricas. Uma vez que o tratamento clínico implica risco de hipotireoidismo fetal, essas pacientes não devem ser tratadas. o Hipertireoidismo Clínico: níveis elevados de T4 livre ou T4 total. Estão associados às complicações obstétricas já mencionadas; demandam, portanto, tratamento com drogas antitireoidianas. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Anticorpo Antirreceptor do TSH (TRAb): a elevação acentuada relaciona-se à atividade autoimune e à estimulação da tireoide do feto, com consequente hipertireoidismo fetal e/ou neonatal. Pode haver dificuldade no controle medicamentoso e necessidade de maiores doses de medicação. A dosagem de TRAb deve ser do seguinte modo: • Diferenciação entre Hipertireoidismo transitório da gestação e hipertireoidismo: o principal diagnóstico diferencial é o hipertireoidismo transitório gestacional, que está relacionado a altos níveis de hCG, capaz de estimular os receptores de TSH, podendo causar elevação das frações livre e total de T4 e consequente redução dos níveis circulantes de TSH. Tratamento • Drogas antitireoidianas são o tratamento de escolha durante a gestação. Utilizam-se o propiltiouracila e o tiamazol (também conhecido como metimazol), que pertencem à classe das tioureias. • Esses medicamentos atravessam a barreira placentária e podem causar hipotireoidismo fetal com ou sem bócio. O mecanismo de ação desses medicamentos é similar. Ambas inibem a organificação do iodo pela tireoide e têm efeito máximo após aproximadamente 15 dias do início do tratamento. • Propiltiouracila: é a droga de escolha para o tratamento do hipertireoidismo no primeiro trimestre, uma vez que apresenta menor passagem placentária que o tiamazol, droga associada a maior risco de malformações fetais, como atresia esofágica e cloacal, déficit psicomotor e, especialmente, aplasia cútis. • Tiamazol: como a propiltiouracila tem sido associada a quadros de hepatite fulminante, recomenda-se que a droga seja substituída pelo tiamazol no segundo trimestre. Deve-se estar atento ao risco de descompensação clínica quando se realiza a troca dos medicamentos. • Alternativamente, pode-se manter o uso de propiltiouracila no segundo e terceiro trimestres, desde que se faça vigilância dos efeitos colaterais (hemograma e enzimas hepáticas) junto às dosagens de hormônios tireoidianos. Tal vigilância também deve ser feita com o tiamazol. • Condições para suspensão da medicação: hipertireoidismo bem controlado com baixas doses de tioureias e baixos níveis de TRAb (menos do que duas vezes o valor de referência). Devem-se considerar a redução e a eventual suspensão da medicação a partir de 20 semanas de gestação, em especial a partir de 32 semanas, objetivando-se reduzir a passagem da droga ao feto. • Propranolol: como as tioureias levam de 7 a 15 dias para atingir seu melhor efeito, tem-se necessidade de uso adjuvante de propranolol para controle dos sintomas de hiperdinamismo em pacientes descompensada. Deve ser utilizado nas doses de 40 a 120 mg/dia, divididos em três a quatro tomadas, principalmente em gestantes com FC > 100 bpm. Sendo droga coadjuvante, é de uso restrito ao início do tratamento, devendo ser suspensa quando o efeito das tioureias se efetivar. Os efeitos fetais principais são hipoglicemia e RCF. Propiltiouracila → de 100 a 450 mg/dia, dividida em três tomadas diárias. Tiamazol → de 5 a 30 mg/dia, em uma ou duas doses diárias Beatriz Chaveiro Turma XVIII Slides da Aula Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Endometriose Conceito • Pode ser definida como a presença de tecido endometrial (“lesões endometrióticas”) fora do útero, o que causa uma reação inflamatória crônica. O tecido endometrial, quando biopsiado, deve ser composto de estroma e glândula. • Caraterizada por ser uma doença benigna, crônica, estrogênio-dependente e de natureza multifatorial, acomete principalmente mulheres em idade reprodutiva, porém são descritos casos de endometriose em pacientes na pré- menarca, assim como na pós-menopausa. Epidemiologia • Afeta mulheres no menacme (25-34 anos) • É cada vez mais diagnosticada em adolescentes • Todos os grupos étnicos e sociais são afetados • Impacto na qualidade de vida da mulher • Está presenteem 5-10% da população feminina, ocorrendo em 50% das mulheres com dismenorreia, 75% das mulheres com dor pélvica e em 25-40% das mulheres com infertilidade e subfertilidade Localização • Adenomiose → miométrio • Endometrioma → ovário • Septo vaginal • Bexiga • Apêndice • Tuba uterina → a distorção arquitetural cursa com hidrossalpinge Propõe-se a divisão da endometriose em três doenças distintas: peritoneal (implantes superficiais no peritônio), ovariana (implantes superficiais ou cistos) e profunda (penetra no espaço retroperitoneal ou na parede dos órgãos pélvicos com profundidade de 5 mm ou mais). Etiopatogenia • Teoria de Sampson/ Teoria do Fluxo Retrógrado: a menstruação pode descer para o canal vaginal ou subir pelas trompas e cair na cavidade abdominal. Células endometriais então se implantariam no peritônio e nos demais órgãos pélvicos, iniciando a doença. Cerca de 70-90% das mulheres possuem esse fluxo retrógrado, o que não coincide com a prevalência da endometriose, que gira em torno de 5-10%. Assim os implantes ocorreriam pela influência de um ambiente hormonal favorável e de fatores imunológicos que não eliminariam essas células desse local impróprio. • Teoria da disseminação hemática e linfática: explica a endometriose à distância (retina, rim, pulmão). • Teoria da metaplasia celômica (Iwanoff): considera-se a troca do epitélio celômico, principalmente ovariano e peritoneal, por tecido endometrial em processo metaplásico. Resquícios celulares embrionários sob indução hormonal ou traumática sofreriam modificações estruturais, funcionais e proliferariam sob o peritônio, em aspecto de endometriose. A presenta-se principalmente na pelve (alguns autores relacionam a apresentação da endometriose na pelve a mutações genéticas, associadas a alterações müllerianas). • Teoria do Transplante Direto: essa teoria explicaria o desenvolvimento de endometriose em episiotomia, em cicatriz de cesariana e em outras cicatrizes cirúrgicas. • Outros fatores que parecem ser necessários: endócrino (pacientes que possuem mais ovulações e mais menstruações têm mais associação com endometriose. A reposição hormonal somente com estrogênio causa ativação dos focos de endometriose), imunológico (dificuldade de eliminação das células endometriais na pelve), genético (histórico familiar) e iatrogênico (após cesáreas ou outras cirurgias uterinas) Classificação: • Profunda: > 5 mm • Superficial: < 5 mm Beatriz Chaveiro Turma XVIII Fatores de risco • Os principais fatores de risco estão associados à ação do estrogênio • Malformações uterinas • Menarca precoce • Ciclos menstruais curtos (< 27 dias) → maior número de menstruações • Duração aumentada do fluxo menstrual • Fluxo menstrual aumentado • Estenoses cervicais • Baixos índices de massa corporal • Gestações tardias • Nulipariddade • Raça branca e asiática • Dioxinas → substâncias associadas ao aquecimento do plástico Quadro clínico • Dor → o tecido endometriótico na cavidade abdominal provoca resposta inflamatória (macrófagos e neutrófilos). Tem-se angiogênese, neurogênese, esteroidogênese, proliferação, invasão e sobrevivência desse tecido endometriótico no peritônio da pelve feminina. A dor pélvica pode ser cíclica ou não; localização uni ou bilateral; restrita a uma região ou difusa; tende a agravar na fase pré-menstrual. • Infertilidade → ocorre processo aderencial entre a tuba uterina, ovário e peritônio. Dessa forma, a tuba perde a arquitetura fisiológica e função de captação do óvulo do encontro deste com o espermatozoide. Esse processo inflamatório da pelve também está associado à dificuldade de implantação do blastocisto no endométrio. Assim, a infertilidade se relaciona a distorções anatômicas dos ovários, trompas e útero (por aderências endometriais), distúrbios de função ovariana (no caso de endometrioma), alterações imunológicas no ambiente peritoneal e alteração dos mecanismos de implantação. • Dismenorreia → padrão de agravamento progressivo (piora a cada ciclo) e de intensidade forte. A dismenorreia grave tem sido associada à extensão das aderências, ao número de implantes e à infiltração do reto. • Dispareunia profunda → provocada por tração ou estiramento de fibras nervosas de cicatrizes ou pela pressão direta dos nódulos de endometriose entre o tecido fibroso. Nas mulheres com endometriose, a dispareunia profunda foi associada à presença de doença no fundo de saco, com infiltração na vagina e nos ligamentos uterossacros. • Sintomas atípicos devem ser valorizados pelo ginecologista, principalmente se ocorrem de forma cíclica, como dor irradiada para membros inferiores, vulvodínia, dor em região glútea, dor torácica, hemoptise, dor epigástrica, entre outros, que podem refletir lesões em localizações menos usuais. • Manifestações fora do trato genital o Gastrintestinal: dispepsia, disquesia, enterorragia, evacuações dolorosas de flatos o Urinário (relacionadas ao período menstrual): polaciúria, disúria, urgência miccional o Sintomas em órgãos distantes da pelve, como hemoptise menstrual, dor torácica, cefaleias e convulsões peimenstruais devem chamar atenção para endometriose não ginecológica. Essa situação requer o concurso de outros especialistas. • História menstrual: menarca precoce (<11 anos), polimenorreia (ciclos < 25 dias), menorragia (menstruação>7 dias ou em grande quantidade) • História reprodutiva: a nuliparidade pode ser fator de risco, uma vez que a gravidez mostrou ser fator de proteção contra a endometriose. Cada gravidez reduz a exposição da mulher aos ciclos hormonais da menstruação. Além disso, o parto vaginal dilata o canal cervical, reduzindo a resistência ao fluxo menstrual e diminuindo a proporção de menstruação retrógrada. Os altos níveis hormonais durante uma gestação têm ação de decidualização na superfície ovariana e peritoneal pélvica, diminuindo a susceptibilidade de implantação ou crescimento de implantes endometriais. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Exame físico: nódulos ou rugosidades enegrecidas em fundo de saco posterior ao exame especular sugerem a doença. Ao toque, útero com pouca mobilidade sugere aderências pélvicas; nódulos geralmente dolorosos também em fundo de saco posterior podem estar associados a lesões retrocervicais, ligamento uterossacros, parede vaginal ou intestinal. Massas anexiais podem estar relacionadas a endometriomas. Diagnóstico • O diagnóstico definitivo é feito a partir de biópsia por videolaparoscopia. Contudo, é um método muito invasivo, usado mais em necessidade de intervenções. • Habitualmente, o diagnóstico é feito pela clínica (dismenorreia + infertilidade) associada aos exames de imagem (USTV) • O ultrassom pélvico e transvaginal e a ressonância magnética são os principais métodos por imagem para detecção e estadiamento da endometriose. O enema opaco e a colonoscopia apresentam baixa sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de endometriose intestinal, visto que somente avaliam a superfície interna da alça. A tomografia computadorizada não tem boa capacidade para distinguir entre os diversos tecidos moles, apresentando dificuldades em diferenciar e delimitar os órgãos pélvicos em relação às lesões. • A dosagem de CA-125, CA 19-9, IL-6, TNF-α podem sugerir endometriose. Entretanto, esses marcadores estão elevados em somente 50% dos casos, normalmente em endometrioses mais graves, em que o exame de imagem já é suficiente para visualização da lesão. A dosagem associada de CA 125, IL-6, IL-8 e TNFα possui evidência de utilidade para endometriose. A dosagem de CA-125 é a mais utilizada, mas tem baixa sensibilidade e precisa ser colhido nos primeiros 3 dias do ciclo menstrual. É um bom coadjuvante para sugerir estágios avançados, especialmente quando está acima de 95 U/mL, além de ser um bom método para acompanhar o tratamento Laparoscopia: • Valedestacar que a profundidade da infiltração das lesões não está associada à gravidade do sintoma de DOR da paciente (pacientes com endometriose mínima podem ser extremamente sintomáticas). Essa relação não é válida para a infertilidade (enquanto pacientes com endometriose mínima possuem mais possibilidade de engravidar, pacientes com endometriose grave são mais inférteis). • Nas imagens laparoscópicas, observa-se: inflamação (pelve muito avermelhada). No período de menstruação, os focos de endometriose estão sangrantes Cor da Lesão Descrição Cronologia Preta Lesões típicas em pólvora Puntiformes Lesões recentes Vermelhas “Chama de vela” Excrescências glandulares Petéquia peritoneal Áreas de hipervascularização Brancas Opacificações brancas Aderências subovarianas Defeito, falha ou janela peritoneal Lesões amarronzadas ou amarelo- amarronzadas, em padrão “café com leite” Lesões antigas • Endometriomas → “cistos cor de chocolate”, contendo fluido negro e grosso • Nódulos endometrióticos com infiltração profund o Extensão > 5 mm abaixo do peritônio o Pode incluir ligamentos útero-sacro, vagina, intestino, bexiga ou uretra o Profundidade de infiltração relacionada ao tipo e gravidade dos sintomas Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Classificação Laparoscópica da endometriose (pontuação rASRM) o Estágio 1 → doença mínima → implantes isolados sem aderências significantes o Estágio 2 → doença leve → implantes superficiais com menos de 5 centímetros, sem aderências significantes o Estágio 3 → doença moderada → múltiplos implantes, aderências peritubárias e periovarianas o Estágio 4 → doença grave → múltiplos implantes superficiais e profundos, incluindo endometriomas, aderências densas e firmes (a presença de hidrossalpinge e endometriomas classifica a paciente nesse grau) Ultrassonografia pélvica / transvaginal (se possível, com doppler) • O preparo intestinal antes da USG-TV (Ultrassonografia Transvaginal) melhora a acurácia do exame. • Características identificáveis incluem espessamento linear hipoecogênico ou nódulos/massas com ou sem contornos regulares. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Tratamento A endometriose deve ser abordada com uma doença crônica e merece acompanhamento durante a vida reprodutiva da mulher, momento no qual a doença manifesta seus principais sintomas. O tratamento deve ser direcionado para as queixas da paciente, assim como para a localização e extensão da doença. Não há cura permanente para a endometriose, sendo que os objetivos do tratamento são: aliviar a dor e outros sintomas, reduzir lesões, manter/restaurar a fertilidade, evitar recorrência, melhorar a qualidade de vida. • Tratamento clínico: O tratamento clínico é eficaz no controle da dor pélvica e deve ser o tratamento de escolha na ausência de indicações absolutas para cirurgia. O seguimento deve ser realizado por equipe multidisciplinar com terapia medicamentosa hormonal e analgésica, quando necessário, e terapias complementares como atividade física, fisioterapia, acupuntura e psicologia, conforme as indicações apropriadas para cada paciente. Assim, o objetivo do tratamento clínico não é a diminuição das lesões ou cura da doença, mas, sim, o controle do quadro sintomatológico da paciente. ⎯ AINE → são frequentemente utilizados na dismenorreia primária, porém não existe evidência científica para o uso nas pacientes com endometriose ⎯ ACOH contínuo → o uso dos progestagênios de forma contínua resulta em bloqueio ovulatório e inibição do crescimento endometrial, com consequente atrofia das lesões. Outros mecanismos relacionados à ação anti- inflamatória desses hormônios são descritos, como inibição da produção de mastócitos, supressão de metaloproteinases e inibição da angiogênese. O progestagênio mais utilizado na prática clínica é o Dienogeste (VO, 2mg). Outra possibilidade é o uso de pílulas combinadas de estrogênios e progestagênios. O mecanismo de ação é similar ao dos progestagênios, agindo principalmente na decidualização e atrofia do tecido endometrial ectópico ⎯ DIU + levonogestrel → redução do fluxo menstrual retrógrado e tratamento hormonal da endometriose. É opção de longo prazo, assim como os implantes liberadores de progestagênios, como o etonogestrel, para controle da dor pélvica ⎯ Danazol → medicamento derivado da 17a-etiniltestosterona, age inibindo a liberação de hormônio luteinizante (LH) e a esteroidogênese e aumentando a testosterona livre, de forma que ocorre o bloqueio do eixo hipotalâmico- hipofisário-ovariano e da ovulação, criando, assim, um ambiente hipoestrogênico. Apesar da boa eficácia, o danazol tem sido pouco utilizado devido aos seus efeitos colaterais como hirsutismo, acne e ganho de peso. ⎯ Análogos de GnRH → agem no hipotálamo, ocupando os receptores do GnRH, o que provoca a inibição da liberação de hormônio folículo-estimulante (FSH) e LH pela hipófise. Consequentemente, ocorre um estado de anovulação e hipoestrogenismo, semelhante ao observado no climatério. O estado de hipoestrogenismo pode acarretar sintomas climatéricos como fogachos, secura vaginal, redução de libido e perda de massa óssea. Por isso, sugere-se utilizar essa medicação com cautela e em casos selecionados, evitando o uso prolongado. ⎯ Tratamento da Infertilidade → tratamento medicamentoso hormonal para supressão ovariana em pacientes com infertilidade e endometriose não deve ser prescrito. Uma alternativa para essas pacientes é o tratamento cirúrgico da endometriose para melhora da fertilidade. • Tratamento cirúrgico o Visa remover implantes endometriais e restaurar a fertilidade, sendo que a eficácia depende da habilidade do cirurgião. Vale destacar que a recorrência é comum (em 40-50% das pacientes após 5 anos) o Após a cirurgia, reiniciar uso de ACOH o Indicações: endometrioma ovariano > 6 cm, lesão em ureter, íleo, apêndice, ou retossigmoide com sinais de oclusão, dor, falha em tratamento medicamentoso após 6-12 meses. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Dismenorreia Conceito • Dismenorreia, do grego fluxo menstrual difícil, significa a dor pélvica que ocorre antes ou durante o fluxo menstrual. • Presença de dor uterina tipo cólica no baixo ventre ou na região lombar, incidindo antes ou durante a menstruação Epidemiologia • Incide em 90% das mulheres no menacme • Incapacitante em 10% por 1-2 dias, no mínimo • Repercussão no trabalho Classificação quanto à etiologia • Dismenorreia primária → intrínseca, essencial, funcional ou idiopática → manifestação da dor sem evidência que relacione com doença orgânica genital (sem pólipo, mioma ou endometriose) • Dismenorreia secundária → adquirida, orgânica ou extrínseca → aparece logo após instalação de condições patológicas Classificação quanto à intensidade Fisiopatologia • O mecanismo da dor na dismenorreia está relacionado à liberação de grandes quantidades de prostaglandinas e icosanoides pelo endométrio em descamação. Esses produtos promovem aumento da atividade do músculo uterino, que culmina com o incremento da força e frequência das contrações miometriais, o que acarreta a redução do fluxo sanguíneo no órgão e hipóxia tecidual. Esse estado de hipóxia resulta em estímulo das terminações nervosas nociceptoras com indução de dor. • Os níveis de PGs são quatro vezes mais elevados em mulheres com dor menstrual aguda em relação àquelas que apresentam pouca ou nenhuma dor menstrual; também verificaram que mulheres com dismenorreia severa apresentam níveis mais altos de PGs nos primeiros dois dias do fluxo menstrual. • O fumo é apontado como fator predisponente, provavelmente porque a nicotina está associada a vasoconstrição e hipóxia miometrial Beatriz Chaveiro Turma XVIII Dismenorreia primária • A dor menstrual é, em geral, tipo cólica e se inicia na pelve, podendo irradiar-se para a região lombar e faceinterna das coxas e causar sensação de peso no hipogástrio. Inicia-se antes ou nos primeiros dois dias do fluxo menstrual quando é, em geral, mais intensa. • Outros sintomas: cansaço, náusea, cefaleia, diarreia, dor em outra região, vômito, palidez, vertigem, desmaio • História clínica: ciclos regulares; início após as primeiras menstruações; diminuição próximo aos 20 anos ou após gestação; dor ocorre por 8-72h e está associada com o início do fluxo menstrual • Tratamento Não Medicamentoso: o Dieta: menos gordura animal, laticínios e ovo, maior ingestão de vegetais, sementes cruas e nozes o Exercício físico: moderado e regular o Medidas gerais: bolsa de água quente, banho morno, massagens relaxantes o Alternativos: acupuntura, eletroestimulação nervosa transcutânea, tratamento psicológico, apoio psicológico, antidepressivos, neurectomia pré-sacral • Tratamento Medicamentoso: o Analgésicos simples → tais como paracetamol ou dipirona, podem ser utilizados com sucesso em casos iniciais ou quando os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são contraindicados. o AINEs → são necessários de três a cinco dias de tratamento, iniciando-se um a dois dias antes do início do fluxo menstrual (analgesia preemptiva). Efeitos adversos gastrointestinais, tais como náuseas, vômitos e diarreia, podem ocorrer, mas em geral são bem tolerados. Especial atenção deve ser dada às pacientes com fator de risco para úlceras gastrointestinais – casos em que, se necessário, agentes gastroprotetores podem ser associados à terapêutica – ou doenças renais crônicas e hipertensão arterial. o ACOs → em uso contínuo ou cíclico (o ciclo anovulatório é geralmente menos doloroso). Reduzem a espessura endometrial, diminuindo o sangramento e, por consequência, provocando queda dos níveis de PGs no soro e no fluido menstrual. Efeitos adversos como cefaleia, náuseas, vômitos, dor abdominal, ganho de peso e acne são descritos em associação com uso de alguns ACOs, que muito raramente podem provocar eventos adversos sérios, tais como trombose e infarto. Dismenorreia secundária • As enfermidades mais comumente associadas à dismenorreia secundária são as que provocam dor pélvica crônica como a doença inflamatória pélvica, a endometriose e as doenças que acometem o útero como a leiomiomatose e a adenomiose, além das alterações psíquicas • Devemos suspeitar de dismenorreia secundária sempre que uma das seguintes anormalidades for encontrada: dismenorreia no primeiro ou segundo ciclo depois da menarca (considerar a possibilidade de malformação mülleriana), primeira ocorrência de dismenorreia após os 25 anos de idade, anormalidades pélvicas durante o exame físico, infertilidade associada, fluxo menstrual irregular ou aumentado, dispareunia e pequena ou nenhuma resposta ao tratamento clínico conservador com anti-inflamatório ou anticoncepcional oral. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Diagnósticos diferenciais da Dismenorreia secundária: • Investigação das causas de Dismenorreia secundária: • Tratamento: deve ser específico para a causa base da dismenorreia o Analgésicos e AINEs o ACO contínuo o DIU+levonorgestrel → tem ação hormonal comprovada pelo período de cinco anos e age induzindo atrofia endometrial por ação local, intrauterina, do levonorgestrel. Alguns estudos demonstram sua eficácia no controle da dismenorreia, principalmente quando associado à endometriose, não somente pela melhora clínica da dor pélvica, como também pela diminuição de marcadores séricos como o Ca-125 e pela melhora no estádio cirúrgico da doença o Outras opções: progestágenos, hormônios liberadores de gonadotrofina e danazol, terapias alternativas (vitamina E, piridoxina, magnésio, tiamina, óleo de peixe) Beatriz Chaveiro Turma XVIII Dor Pélvica Crônica Conceito • Caracteriza-se a DPC como dor em andar inferior do abdome, acíclica, com duração igual ou superior a seis meses, não causada pela gravidez e sem associação exclusiva com o coito. • Dor com duração mínima de 6 meses, de caráter acíclico, com intensidade variável, mas forte o suficiente para interferir na rotina de vida da paciente. • A dor pélvica crônica (DPC) se apresenta como uma das principais causas de encaminhamento de mulheres aos serviços de saúde Epidemiologia • Incide principalmente durante o menacme, entre 18 e 50 anos • 16% das mulheres apresentam dor pélvica • 10% das consultas ginecológicas • 12% das histerectomias • 40% das laparoscopias ginecológicas • A DPC é afecção de alta prevalência em todo o mundo, variando de 4% a 25% das mulheres em idade reprodutiva Etiologia • Dentre as causas ginecológicas, destacam-se a endometriose, as varizes pélvicas, as aderências e os miomas uterinos. Já entre as causas não ginecológicas, cumpre citar as intestinais como a síndrome do intestino irritável (SII) e a constipação crônica, as urológicas, destacando-se a cistite intersticial crônica, e as causas osteomusculares. Finalmente, destaca-se que não se pode negligenciar os distúrbios emocionais como fatores primários ou secundários à DPC • Descartar as causas de dor pélvica aguda: Fatores de risco • Abortamentos, fluxo menstrual intenso, endometriose, DIP, cicatriz de cesárea, aderências pélvicas, abuso físico e sexual na infância, abuso sexual ou qualquer outro tipo, depressão, ansiedade, transtornos histéricos Beatriz Chaveiro Turma XVIII Exame físico • Exame nas posições: ortostática, sentada, supina, e de litotomia • Incluir avaliação dos sistemas: musculoesquelético, urinário, gastrointestinal e psiconeurológico • O exame ginecológico é uma etapa fundamental na avaliação da paciente com DPC. Deve-se iniciar com a inspeção da genitália, em busca de anormalidades anatômicas e lesões visíveis, seguida pela palpação de linfonodos inguinais, avaliando-se linfonodomegalia inguinal ou mesmo tumorações endurecidas. A seguir, colo uterino, vagina, conteúdo vaginal e presença de secreção endocervical devem ser analisados com auxílio de um espéculo. Exames complementares • Exames complementares de rotina: o Colonoscopia (pólipos intestinais, endometriose intestinal, tumores, síndrome do cólon irritável) o Enema baritado do TGI inferior o Endoscopia digestiva alta o Histerossalpingografia o Histeroscopia (anormalidades uterinas, pólipos, adenomiose, miomatose) o Citoscopia (cistite intersticial, divertículos vesicias) o Estudo urodinâmico (IUE, causas centrais) o Venografia pélvica (congestão pélvica, varizes) o Tomografia computadorizada o Ressonância magnética o Pesquisa de sangue oculto nas fezes o Eletroneuromiografia (alterações nervosas) o Laparoscopia → é o padrão-ouro • Tratamento o Teste terapêutico: AOCH → caso haja melhora, suspeitar de endometriose o AINE → usados em quadros agudos o Agonistas de GnRH → pensando em endometriose o Opioides, IRSS e amitriptilina → em caso de falha terapêutica com os medicamentos anteriores Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII ISTs e Úlceras Genitais • Preconiza-se o manejo sindrômico, ou seja, tratamento de acordo com os sintomas. A maioria das úlceras genitais apresentam sintomas muito parecidos, de modo que, na dúvida, todas as etiologias devem ser tratadas. • A prevenção primária deve ser a mais promovida: mudança de comportamento sexual: diminuir número de parceiros, uso de preservativos. • O objetivo do tratamento é garantir que o paciente tenha sorologia IgG reagente e IgM não reagente (imunidade e cura sorológica) • A maioria dos casos ocorre em: o Adultos e adolescentes sexualmente ativos o RN ou lactentes → transmissão vertical (parto, aleitamento materno) • O tratamento efetivo inclui uma prescrição correta e adesão terapêutica por parte do paciente, com retornos às consultas • Existe vacina contra hepatiteB e é interessante fazer teste sorológico após o fim do ciclo de 3 vacinas • Abstinência sexual → durante o tratamento. • Não é sanguinolenta, não tem pus, não dói • Desaparece após 2-6 semanas, sem cicatrizes • Linfonodos regionais indolores, de consistência elástica que não fistulizam e não formam abscesso. • Não adianta fazer o VDRL, é preciso fazer um teste treponêmico (FTA-Abs) • Lesões de bordas infiltradas, fundo limpo e liso Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Sintomas sistêmicos: mal-estar, febre baixa, linfonodomegalia indolor próximo às lesões • O aparecimento do condiloma plano com confluência (foto do canto superior direito) geralmente faz com que o paciente busque atendimento • Assintomática, identificada por sorologia • Sífilis latente recente: menos de 1 ano de duração • Sífilis latente tardia: mais de 1 ano de duração • Lesões gomosas com infiltrado subcutâneo em diversos locais e outros achados do SCV e SNC • Em pacientes jovens internados com quadro de demência, é interessante solicitar sorologia para sífilis • Neurossífilis → tabes dorsalis, mielite transversa e demência reversível após tratamento adequado. • Lesões gomosas características da sífilis terciária • Pode formar cicatriz com retração • Identificação por campo escuro é o padrão-ouro na identificação da sífilis primária • A imunofluorescência direta é feita na lesão sifilítica em atividade • Em relação ao VDRL: como os casos de falso-positivos são raros, indica-se tratamento em caso de dúvida. Gestantes com VDRL positivo devem ser tratadas. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Só fica positivo em fase secundária ou latente • O VDRL negativo não exclui sífilis → o paciente pode estar no estágio de sífilis primária, que dura cerca de 21 dias. • Em caso de dúvida, o ideal é fazer um teste treponêmico (como o FTA-Abs), uma vez que o VDRL é não treponêmico. • Os títulos altos de VDRL que indicam análise de líquido cefalorraquidiano são→ 1:320 • VDRL- e FTA-Abs+ → pode ser sífilis primária (antes do VDRL positivar) OU sífilis pregressa curada • VDRL+ e FTA-Abs- → avaliar situações de reação cruzada. Caso esse resultado seja em gestante, o tratamento deve ser feito. • VDRL+ e FTA-Abs+ → sífilis após a fase primária sem tratamento OU tratamento recente (não deu tempo do VDRL ficar não reagente) • O FTA-Abs continua positivo após tratamento e cura • Doxaciclina e Ceftriaxona não são indicadas no tratamento de gestantes. Gestantes alérgicas a penicilina G benzatina devem passar por dessensibilização • A gestante é tratada como sífilis terciária, ou seja, Penicilina G benzatina 2,4 milhões UI, IM, semanal, por 3 semanas, totalizando dose de 7,2 milhões UI • Caso o parceiro não seja tratado, ocorre reinfecção e o tratamento precisa ser feito novamente. • A reinfecção é identificada quando o paciente aumenta a titulação em 2x o EX.: antes do tratamento, o VDRL era de 1:64. Durante o tratamento, a titulação diminuiu para 1:8. Em uma próxima dosagem, a titulação aumentou para 1:32 novamente, indicando reinfecção. o O tratamento deve ser refeito. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Na mulher, o Gonococo está muito associado à doença inflamatória pélvica. • A secreção pode se exteriorizar pelo colo do útero, canal vaginal, uretra. Tem coloração mais esverdeada • Orientar abstinência sexual durante o período de cura (7-10 dias após o tratamento), a qual é verificada pela cultura negativa. • Caso a lesão persista por mais de 4 semanas após o tratamento, é importante realizar a biópsia, com objetivo de fazer diagnóstico diferencial com Donovanose. • Evolução da lesão: pápula → vesícula → úlcera • Essa evolução associada à presença de dor é muito semelhante à herpes. A principal diferença é encontrada no fundo da lesão. Enquanto o cancro mole causa lesões com fundo purulento e fétido, a herpes faz lesões A diferença é que a herpes faz lesões múltiplas • O tratamento é feito com dose única • O uso de antibióticos causa epigastralgia, sintomas gastrintestinais (gases, diarreia), intolerância gástrica, etc. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Cancro misto de Rollet: associação entre o treponema (cancro duro) e o haemophyilus (cancro mole) • Clamydia trachomatis tipo L1, L2, L3 → lesões vulvares / tipo D e K → lesões vaginais e de colo de útero • Tratamento: associar protetores gástricos aos ATB • Úlcera definida, sangrante e indolor • A ulceração evolui lenta e progressivamente, podendo tornar-se vegetante ou úlcero-vegetante • Há predileção pelas regiões de dobras e região perianal • Diagnósticos diferenciais: o Sífilis: úlcera definida, não sangrante e indolor o Herpes: úlcera definida, não sangrante e dolorosa Beatriz Chaveiro Turma XVIII • DIPA: Neisseria (ceftriaxona) / Clamídia (azitromicina) • Infertilidade: decorre de alteração estrutural nas tubas uterinas, com oclusão e infertilidade • Síndrome uretral → paciente com queixa de ITU de repetição, histórico de tratamento com antibióticos sem sucesso. A urocultura vem negativa, mas o EAS mostra leucocitúria. Deve-se suspeitar de clamídia e iniciar tratamento adequado. • Colo com hiperemia, hipersecretivo • A azitromicina 1g em dose única é o tratamento preferencial • Abortamento habitual → reação inflamatória exagerada • Esterilidade → alteração de movimento do espermatozoide • Como o tratamento é longo, utilizar protetores gástricos. • Risco de transmissão vertical: o Caso a gestante apresente lesões, principalmente vesiculares, o parto normal não é indicado. o Se não houver lesão ativa no dia do parto, não contraindica parto normal. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Evolução da herpes: início com ardência e prurido → surgimento de pápulas → transformação em vesícula → ruptura da vesícula e formação de úlcera → coalescência das lesões → formação de crosta → cicatrização em 7 dias. • O quadro clínico é mais intenso em primoinfecção, pacientes imunocomprometidos (AIDS, principalmente) e gestantes. • O tratamento é feito preferencialmente com aciclovor, 400mg, 8/8h, por 7-10 dias. • Tratamento supressivo → indicado para pacientes com muita recidiva (>4-6x ao ano). Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Planejamento familiar e Métodos Contraceptivos Planejamento Familiar • É conceituado como paternidade responsável: deve permitir aos casais tanto assistência quanto orientações sobre como evitar gestações não planejadas (métodos contraceptivos) ou como ter um ou mais filhos. • As orientações são informações que, quando fornecidas, auxiliam a tomar uma decisão sobre a escolha do método anticoncepcional e como coloca-la em prática. Deve conter 4 elementos básicos: (1) comunicação em 2 vias; (2) ajuda para tomar decisões voluntárias, acerca de sua fertilidade e contracepção; (3) ajuda para usar o método corretamente e (4) resposta às necessidades e valores individuais. Métodos Contraceptivos • Para a escolha do método adequado, é importante considerar: mecanismo de ação, modo de uso, eficácia, efeitos colaterais, custo, critérios de elegibilidade médica, características individuais da paciente, o poder de escolha da paciente e o poder de contraindicação do orientador. Anticoncepcionais orais combinados • Usados por aproximadamente 25% das mulheres brasileiras na idade fértil (entre 15 e 49 anos) • Tipos de composição: o Monofásicas: contém a mesma quantidade de hormônio da primeira até a última pílula da cartela o Bifásicas: a primeira metade da cartela tem quantidade diferente de hormônios da segunda metade o Trifásicas • As composições bifásicas e trifásicas têm objetivo de simularcom mais semelhança um ciclo menstrual fisiológico, acompanhando as variações hormonais que ocorrem tipicamente. • Vias de administração: VO, transdérmica (adesivos), endovaginal (anéis vaginais) • As cartelas são compostas de 21 comprimidos, com objetivo de simular um ciclo de 28 dias. Quando a paciente interrompe o uso, ocorre um sangramento por privação hormonal, que é diferente da menstruação. • Mecanismo de ação: inibem a ovulação, além de tornar o muco cervical espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides. • Eficácia: depende da qualidade do uso o Uso típico ou rotineiro: 6-8 gravidezes/100 mulheres no primeiro ano de uso (1 a cada 12-17) o Uso correto (ideal): 0,1 gravidezes/100 mulheres no primeiro ano de uso (1 a cada 1000) • Benefícios: tornam as menstruações regulares, diminuem o fluxo menstrual, determinam alívio da dismenorreia e da tensão pré-menstrual, permitem programar as menstruações, diminuem o risco de doença inflamatória pélvica, diminuem o risco de gravidez ectópica e da moléstia trofoblástica gestacional, diminuem doenças Beatriz Chaveiro Turma XVIII benignas das mamas, protegem contra câncer de ovário (em 50%) e de endométrio, melhoram a artrite reumatoide, anemia, acne, seborreia e hirsutismo, diminuem a incidência de endometriose e mioma uterino. • Efeitos secundários: náuseas (mais comum nos 3 primeiros meses), cefaleia leve, sensibilidade mamária, leve ganho de peso (como o tempo de ação do fármaco no organismo é de apenas 1 dia, os efeitos de retenção hídrica e de ganho de peso são muito pequenos), nervosismo, acne, alterações do ciclo menstrual (diminuição do fluxo e do número de dias da menstruação), alteração do humor e diminuição da libido. • Duração de uso: o A pílula, se usada corretamente, oferece proteção anticoncepcional já no primeiro ciclo de uso o A efetividade da pílula se mantém durante todo o período de uso o Pode ser usada desde a adolescência até a menopausa, sem necessidade de pausa • Composição: o Estrogênio → normalmente o estrogênio utilizado é o etinilestradiol. O Stezza (nome comercial) é o único que utiliza o estradiol em sua composição. o Progesterona → o levonogestrel tem pequena ação androgênica, da mesma forma que a noretindrona. A ciproterona, drospirenona e a clomardinona possuem ação antiandrogênica, sendo usados com preferência em mulheres que têm SOP e outros sintomas de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne). A drospirenona e a clomardinona causam menor retenção líquida, enquanto a ciproterona tem ação antiandogênica mais potente. O dienogeste é uma progesterona potente que é utilizada isoladamente e em maiores dosagens como tratamento para endometriose (dienogeste + etinilestradiol → usado em pacientes que têm mais cólicas, fluxo mais intenso). • Como iniciar o uso do anticoncepcional: o Durante o ciclo menstrual → nos primeiros sete dias do ciclo menstrual, preferencialmente no primeiro dia da menstruação. Os AOC de baixa dose devem ser iniciados no primeiro dia do ciclo ou até os 3 primeiros dias. o Após o parto, se estiver amamentando → após parar a amamentação ou 6 meses após o parto o Após o parto, se não estiver amamentando → 3-6 semanas após o parto, com a certeza de não estar grávida. o Após aborto espontâneo ou provocado → nos primeiros 7 dias após a ocorrência do aborto inicial (menos de 2 semanas) OU no próximo ciclo quando o aborto não é inicial (mais de 2 semanas) tendo a certeza de não estar grávida. • Em caso de esquecimento de 1 ou mais pílulas: o Se esquecer de tomar 1 pílula → tomar a pílula esquecida imediatamente; tomar a pílula seguinte no horário regular; tomar o restante das pílulas regularmente. o Se esquecer de tomar 2 ou mais pílulas → orientá-la a usar método de barreira (camisinha) durante 7 dias; tomar uma pílula imediatamente; contar quantas pílulas restam na cartela (se restam 7 ou mais, tomar como de costume / se restam menos que 7, tomar o restante como de costume e iniciar uma nova cartela no dia seguinte) • Sinais de alerta (eventos vasculares): dor intensa e persistente no abdome, tórax ou membros / cefaleia intensa, que começa ou piora após o início do uso de AOC / perda breve da visão / escotomas cintilantes / icterícia → suspender o uso de imediato Beatriz Chaveiro Turma XVIII Anticoncepcional Vaginal (NuvaRing) • Anel plástico flexível e transparente, com diâmetro em torno de 5,4 cm e espessura de 4 mm. • Contém hormônios semelhantes ao da pílula em baixa dosagem. • São liberados diretamente na corrente sanguínea de forma contínua e constante → os hormônios não passam pelo fígado (evita metabolismo de primeira passagem) ou pelo estômago (evita exposição ao ácido) • Cada NuvaRing é destinado a um ciclo de uso, ou seja, ele dura 21 dias, podendo haver pausa de 7 dias. Contudo, da mesma maneira que nos AOC, tem-se possibilidade de usar de maneira contínua (colocar um novo anel vaginal a cada 3 semanas). • Início do uso: qualquer dia entre o primeiro e o quinto dia do ciclo menstrual. É aconselhável usar método de barreira durante os primeiros dias de uso Anticoncepcional Transdérmico (EVRA) • O contraceptivo EVRA age da mesma forma que as pílulas convencionais • A embalagem vem com três adesivos que são colocados 1x/semana, no 1º dia de menstruação • Assim como os anéis vaginais, os adesivos evitam o metabolismo hepático de primeira passagem e a exposição ao ácido estomacal • Os locais de aplicação são: regiões do glúteo, abdome, parte superior do braço ou costas. Deve haver revezamento entre os locais de aplicação. • Da mesma maneira que os métodos anteriores, pode ser feita pausa de 7 dias ou uso contínuo • A eficácia é idêntica à pílula convencional. Anticoncepcionais Orais de Progestógenos • Indicação de uso: somente em caso de contraindicação do uso de estrogênios, como mulheres com histórico de AVC, episódios de trombose anteriores, maior risco de desenvolvimento de trombose (tabagismo, obesidade, idade > 35 anos) • Minipílula ou Pílula de Progestógeno: ⎯ Mecanismo de ação: promovem o espessamento do muco cervical, dificultando a penetração dos espermatozoides / inibem a ovulação em aproximadamente metade dos ciclos menstruais ⎯ Eficácia: é alta o Mulheres lactantes → 0,5 em cada 100 mulheres em 1 ano para uso correto e 1 em cada 100 mulheres para uso típico em 6 meses. o Mulheres não lactantes → é alta, mas não tão alta quanto a da pílula combinada. São mais eficazes quando administradas sempre no mesmo horário ⎯ Efeitos secundários: para as lactantes, pode prolongar a amenorreia. Em não lactantes, pode levar à irregularidade menstrual. Pode causar sensibilidade mamária. ⎯ Risco: o mais importante é a falha. Além disso, tem-se maior risco de gravidez ectópica comparado à pílula combinada e DIU. ⎯ Benefícios: podem ser usados por mulheres que estão amamentando a partir de 6 semanas após o parto e não causam os efeitos colaterais do estrogênio. ⎯ Início de uso: em caso de amamentação, iniciar 6 semanas após o parto / após o parto se não estiver amamentando, iniciar 4 semanas após o parto / após aborto espontâneo ou provocado, iniciar imediatamente (nos primeiros 7 dias) / durante a menstruação normal, iniciar preferencialmente no primeiro dia do ciclo (pode ser iniciado até o quinto dia). ⎯ Manutenção: a paciente deve tomar uma pílula todos os dias. Se houver atraso na ingestão por mais do que 3 horas ou se esqueceu alguma pílula + não amamenta + menstruação já retornou, usar método de barreira. A mulher deve tomar a pílula esquecida assim que possível e continuar tomando uma pílula por dia, normalmente. ⎯ Sinais de alerta: procurar imediatamente o serviço de saúde se: sangramento excessivo, cefaleia intensa que começou ou piorou com o uso da minipílula, icterícia, possibilidade de gravidez. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Pílula de Progestógeno de Média Dose:⎯ Mecanismo de ação: o principal mecanismo de ação é a inibição da ovulação. Outro mecanismo de ação adicional é o aumento da viscosidade do muco cervical. ⎯ Eficácia: taxa de falha de 0,14/100 mulheres lactantes ou não em 1 ano. Quando excluídas as lactantes, os estudos mostraram uma taxa de falha de 0,17/100 mulheres em 1 ano. Ou seja, essa pílula é excelente para mulheres que possuem contraindicações para uso de estrogênio, sendo lactantes ou não e independentemente da idade. ⎯ Efeitos secundários: ao final de 1 ano, 50% das mulheres apresentam amenorreia. Outros efeitos secundários menos frequentes são: cefaleia, acne, sensibilidade mamária, náusea, vaginite, dismenorreia. ⎯ Riscos: por conter somente progestogênio, praticamente não apresenta riscos importantes à saúde. ⎯ Benefícios: podem ser usados por lactantes a partir de 6 semanas após o parto Implantes • É um método de longa duração (LARC) → oferecido para mulheres que não tenham interesse em engravidar nos próximos 2 anos. • Bastão contendo 68mg de Etogestrel → inserido na face lateral do braço • Possui liberação de: o 60-70 mcg/dia durante a semana 5 e 6 o 35-45 mcg/dia no final do primeiro ano o 30-40 mcg/dia no final do segundo ano o 25-30 mcg/dia no final do terceiro ano • Mecanismo de ação: inibição da ovulação / muco cervical / efeitos endometriais • Eficácia: a taxa de gravidez acumulada até 3 anos foi de zero em um total de 2.362 mulheres • Efeitos secundários: sangramento (sangramento frequente em cerca de 6% das pacientes; sangramento prolongado em cerca de 11,8%), amenorreia (20,7%) e oligomenorreia (27,2%) • Riscos e benefícios: métodos só de progestogênio apresentam menos risco que os hormonais combinados / o fato de ser administrado pela via subdérmica evita o metabolismo hepático de primeira passagem / é um método de longa duração (3 anos) / não interfere nas relações sexuais / é rapidamente reversível (retorno da fertilidade ocorre rapidamente) / pode ser inserido imediatamente após aborto até 12 semanas OU após 21-28 dias do parto ou aborto de segundo trimestre / em mulheres menstruando, pode-se iniciar a qualquer momento do ciclo, se há certeza de que a mulher não está grávida • Sinais de alerta: dor pélvica intensa, infecção/celulite no local de inserção, sangramento menstrual abundante, cefaleia intensa, icterícia. Anticoncepcional Injetável Mensal • As diferentes formulações contêm um éster de um estrogênio natural (estradiol) e um progestogênio sintético o 25mg de acetato de medroxiprogesterona e 5mg de cipionato de estradiol (MPA+CIP) → Cyclofemina o 50mg de enantato de noretisterona e 5mg de valerato de estradiol (NET+VAL) → Noregyna, Mesigyna o 150mg de acetofenido de dihidroxiprogesterona e 10mg de enantato de estradiol → Perlutan, Aldijet, Ciclovular, Daiva, Preg-less, Perlumes, Pregnolan • Mecanismo de ação: inibem a ovulação e tornam o muco cervical espesso • Eficácia: as taxas de gravide são baixas, entre 0,1-0,3% durante o primeiro ano de uso, com injeções mensais • Efeitos secundários: ganho de peso (bem maior do que no AOC, devido à quantidade de hormônios injetada), cefaleia, vertigem • Riscos e benefícios: semelhantes aos AOC o Taxa de retorno da fertilidade de 1,4% ao final do primeiro mês e 82,9% em um ano o Mais de 50% das usuárias engravidam durante os seis primeiros meses após a descontinuação • Modo de uso: o Durante o ciclo menstrual: nos primeiros 5 dias do ciclo o Após o parto, se estiver amamentando: após parar de amamentar ou 6 meses após o parto o Após o parto, se não estiver amamentando: 3-6 semanas após o parto, se certeza de não gravidez o Após aborto espontâneo ou provocado: nos primeiros 7 dias após a ocorrência de aborto • Prescrição: prescrever as injeções para cada 30 dias, de acordo com a data da primeira injeção. A mulher pode ter uma margem de 3 dias para mais ou para menos. Se houver atraso > 3 dias, ela deve usar método de barreira. • Sinais de alerta: (mesmos do AOC) Beatriz Chaveiro Turma XVIII Anticoncepcional Injetável Trimestral • Acetato de medroxiprogesterona → Depo provera, Contracept, Medrogest • É um progestogênio semelhante ao produzido pelo organismo feminino, que é liberado lentamente na circulação sanguínea. • Mecanismo de ação: impede a ovulação e espessa o muco cervical, dificultando a passagem do espermatozoide através do canal cervical • Eficácia: é um método muito eficaz, sendo que a taxa de gravidez é de 0,3/100 mulheres, dentro de 1 ano • Efeitos secundários: manchas ou sangramento leve (mais comum), sangramento volumoso (raro) ou amenorreia; aumento de peso (é o método contraceptivo que mais aumenta o peso, devido à quantidade de hormônio injetada), cefaleia, sensibilidade mamária, desconforto abdominal, alterações de humor, náusea, queda de cabelo, diminuição da libido, acne, atraso no retorno da fertilidade. • Riscos: redução da densidade mineral óssea, alteração do metabolismo lipídico (longo prazo) • Benefícios: o Pode ser usado por qualquer grupo etário (mas não é recomendado antes dos 16 anos, devido ao risco de redução da densidade mineral óssea) o Pode ser usado por lactantes após seis semanas do parto (sem afetar qualidade do leite materno) o Não provoca os efeitos colaterais do estrogênio o Ajuda a reduzir os sintomas de endometriose o Diminui a incidência de: gravidez ectópica, câncer de endométrio, doença inflamatória pélvica, mioma uterino, câncer de ovário. • Início do uso o Mulher menstruando regularmente → injetar nos 7 primeiros dias da menstruação o Pós-parto → após 6 semanas, por não alterar a lactação. Posteriormente poderá haver retorno da fertilidade o Após aborto espontâneo ou provocado → imediatamente ou nos primeiros 7 dias após o aborto. Após esse período, certificar de não gravidez • Modo de uso: o Aplicar 1 dose a cada 90 dias o Se houver atraso de mais de 2 semanas, utilizar métodos de barreira até ter certeza de não gravidez e então aplicar a nova dose. • Sinais de alerta: sangramento volumoso e incômodo, cefaleia intensa que começou após ter iniciado o anticoncepcional, icterícia Dispositivo Intrauterino (DIU) • É um dos métodos anticoncepcionais mais utilizados em todo o mundo • É um método de longa duração (LARC) • Existem dois tipos de DIU: de cobre e hormonal. O hormonal é um sistema liberador de levonorgestrel (Mirena e Kyleena) Beatriz Chaveiro Turma XVIII • DIU de cobre (TCu 280A) ⎯ Mecanismo de ação: atua impedindo a fecundação → dificulta a passagem do espermatozoide pelo trato reprodutivo feminino / é possível que o DIU previna a implantação do ovo fertilizado na parede uterina ⎯ Eficácia: a taxa de falha em 1 ano é de 0,3/100 mulheres ⎯ Efeitos secundários: as alterações no ciclo menstrual são comuns nos primeiros três meses (sangramento menstrual prolongado e volumoso, sangramento e manchas no intervalo entre as menstruações, cólicas de maior intensidade durante a menstruação). Outros sintomas menos comuns são: cólicas intensas ou dor até 3-5 dias após a inserção, anemia secundária a sangramento volumoso ou mais frequente. Dor e sangramento ou manchas podem ocorrer imediatamente após a inserção do DIU, mas usualmente desaparecem em 1-2 dias. ⎯ Riscos: perfuração da parede do útero / após uma DST, a doença inflamatória pélvica tende a ocorrer com mais frequência, principalmente no primeiro ano de uso / pode deslocar-se e sair do útero, perdendo sua eficácia. ⎯ Benefícios: é um método de longa duração / é muito eficaz / não interfere nas relações sexuais / não diminui o apetite sexual nem o prazer / não apresentam os efeitos colaterais do uso de hormônios / é imediatamente reversível (quando removido, a mulher pode engravidar tão rapidamente quanto uma mulher que não usou DIU) / não interfere na qualidade ou quantidade do leite materno / pode ser inserido imediatamente após o parto ou apósum aborto induzido (se não houver evidência de infecção) / não interage com outra medicação / pode prevenir gravidez ectópica. ⎯ Início do uso o Mulher menstruando regularmente → a qualquer momento durante o ciclo menstrual, desde que haja a certeza de que a mulher não está grávida e que ela tenha um útero saudável. A inserção do DIU deve ser durante a menstruação. As vantagens de inserir durante a menstruação são: se o sangramento é menstrual, a possibilidade de gravidez fica descartada; a inserção é mais fácil, uma vez que o colo está mais dilatado; qualquer sangramento não incomodará tanto a mulher; a inserção pode causar menos dor. As desvantagens de inserir durante a menstruação são: a dor por infecção pélvica pode ser confundida com cólica menstrual (o DIU está contraindicado em caso de infecção pélvica); pode ser difícil identificar outros sinais de infecção. o Após o parto → se a mulher já havia tomado a decisão antecipadamente, o momento mais indicado é de 10 minutos após a remoção da placenta. Ainda não pode ser inserido a qualquer momento dentro de 48h após o parto. Se não for inserido logo após o parto, pelo menos 4 semanas após. o Após aborto espontâneo ou provocado → imediatamente, se não houver infecção. Caso haja infecção, tratar corretamente. Após três meses, na ausência de infecção, ausência de alto risco de infecção e ausência de gravidez, inserir o DIU. ⎯ Indicações de remoção do DIU: o Solicitação por parte da mulher o Efeitos colaterais, como dor ou sangramento o Razões médicas: gravidez, doença inflamatória pélvica aguda (endometrite ou salpingite), perfuração uterina, deslocamento de DIU (em processo de expulsão parcial, pode ser realocado por uma histeroscopia), sangramento vaginal anromal e volumoso que põe em risco a saúde da mulher. o Quando expirou o prazo de validade o Quando a mulher atingiu a menopausa (pelo menos um ano se passou desde a última menstruação) ⎯ Após a inserção do DIU: o Agendar consulta de revisão com 3-6 semanas para verificar posicionamento do DIU o Pode solicitar USG para verificar o posicionamento correto do DIU o Orientar a paciente sobre como checar a presença do DIU pelo tamanho do fio do DIU ⎯ Sinais de alerta: ausência de menstruação, podendo significar gravidez / possível exposição a ISTs ou diagnóstico prévio de HIV/AIDS / possível deslocamento ao verificar os fios do DIU / dor intensa que vem aumentando no baixo ventre, especialmente se acompanhada de febre e/ou sangramento nos intervalos entre as menstruações. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Sistema Intrauterino Liberador de Levonorgestrel (SIU-LNG) ⎯ Mecanismo de ação: o Muco cervical → diminui a produção, aumenta a viscosidade, inibição da migração espermática o Efeitos endometriais → 1 mês após a inserção, ocorre supressão do epitélio endometrial / devido aos níveis elevados de levonorgestrel na cavidade uterina, ocorre insensibilidade do endométrio ao estradiol circulante o Inibição da ovulação → aproximadamente 45-90% dos ciclos permanecem anovulatórios o Inibição da motilidade espermática por reação de corpo estranho e mecanismos moleculares ⎯ Eficácia: taxa de gravidez de 0-0,2/100 mulheres em 5 anos. A taxa é similar à da esterilização cirúrgica ⎯ Efeitos secundários: spotting ou manchas (frequentes nos 2-3 primeiros meses), amenorreia (20% em 1 ano e 50% em 5 anos), efeitos hormonais (sensibilidade mamaria, acne), dor abdominal, dor nas costas, cefaleia, depressão, cistos funcionais (muito mais frequentes no Mirena do que no Kyleena). ⎯ Riscos e benefícios: além dos anteriormente mencionados no uso do DIU de cobre: o Rapidamente reversível, com retorno da fertilidade no 1º ano é de 75,4% e no 2º ano, 81% o Pode ser inserido imediatamente após aborto, até 12 semanas ou após 4 semanas do parto o Pode ser usado no tratamento de metrorragia, dismenorreia, endometriose e miomas. O Mirena é mais indicado do que o Kyleena para endometriose e dismenorreia, uma vez que o Kyleena tem menor quantidade de hormônios. o Pode ser usado na terapia de reposição hormonal da mulher menopausada, associado ao estrogênio (oral, implantes ou transdérmico) o Pode prevenir infecções genitais tanto baixas (cervicite e colpite), quanto baixas (endometrite e doença inflamatória pélvica), com melhores resultados que o DIU de cobre ⎯ Momentos apropriados para iniciar o uso o Mulher menstruando regularmente → entre o 1º e 7º dia do ciclo menstrual o Após o parto, com amamentação → 6-8 semanas após o parto o Após aborto (<12 semanas) → pode ser usado imediatamente se não houver sinais de infecção. Caso haja infecção, tratar adequadamente. Após três meses, na ausência de infecção, ausência de alto risco de reinfecção e ausência de gestação, inserir DIU. • Inserção do DIU o Passar espéculo → visualizar e pinçar o colo uterino, com objetivo de retificação do colo → histerometria (medida da distância até o fundo do útero) → ajustar o anel no dispositivo de inserção de acordo com a medida obtida → inserir o DIU (se o DIU for de cobre, inserir encostado no fundo uterino. Se o DIU for hormonal, recuar 1-2 cm antes de acionar a liberação e posicionar novamente no fundo uterino) → cortar o fio, deixando de 3-4 cm depois do colo. o A retirada do DIU pode ser feita com a escova de coleta de COP, pinça ou histeroscopia Beatriz Chaveiro Turma XVIII Anticoncepção Oral de Emergência • Mecanismo de ação: vários mecanismos podem intervir, dependendo do período do ciclo em que ocorre a relação sexual desprotegida e a tomada das pílulas. Os mecanismos mais estudados são: inibição e retardo da ovulação, alteração na função do corpo lúteo, interferência no transporte ovular e na capacitação de espermatozoides e fatores que interferem na fertilização. • A anticoncepção oral de emergência não tem nenhum efeito após a implantação ter se completado. • Não interrompe uma gravidez em andamento. • Eficácia: previne a gravidez em aproximadamente ¾ dos casos que, de outra maneira, ocorreriam. A probabilidade média de ocorrer gravidez decorrente de uma única relação sexual desprotegida na segunda ou terceira semana do ciclo menstrual é 8%; com a anticoncepção oral de emergência, essa taxa cai para 2%. • Efeitos secundários: os mais comuns são náuseas, vômitos, tontura, fadiga, cefaleia, mastalgia, diarreia, dor abdominal e irregularidade menstrual. O método de Yuzpe tem muito mais efeitos colaterais em relação ao Levonorgestrel isolado. • Intercorrências: o Vômitos → se nas primeiras 2h após a administração da anticoncepção oral de emergência, recomenda- se repetir a dose. Caso o vômito se repita no mesmo intervalo após a 2ª dose, recomenda-se que a administração da anticoncepção oral de emergência seja feita por via vaginal. • Contraindicação: a única contraindicação absoluta é gravidez confirmada, ainda que não haja evidência científica o suficiente para sustentar a hipótese de aborto secundário ao fármaco. • A anticoncepção de emergência não protege nas próximas relações sexuais, devendo ser necessário orientar abstinência ou método de barreira até a próxima menstruação. • Uso: deve ser feito até 72h após uma relação sexual desprotegida, sendo que o período de maior eficácia é nas primeiras 12h após. Métodos de Barreira • Condom Masculino de Látex ⎯ Ajudam a prevenir tanto a gravidez quanto as doenças sexualmente transmissíveis ⎯ Eficácia: quando usado da forma mais comum, tem uma eficácia média para prevenir a gravidez. A taxa de gravidez é de 14/100 mulheres no primeiro ano de uso (1 em cada 8). Usado corretamente, a taxa de gravidez cai para 3/100 mulheres (1 em cada 33). ⎯ Risco: indivíduos alérgicos ao látex podem apresentar vermelhidão, prurido e edema ⎯ Benefícios: previnem IST, previnem gravidez ectópica, é um método de anticoncepção ocacional, permitem que o homem assuma a responsabilidade de prevenira gravidez e algumas doenças, ajudam a prevenir ejaculação precoce. ⎯ Deslocamento ou Rompimento do Condom: decorre normalmente de falha humana (abrir o pacote com objetos pontiagudos, desenrolar o condom antes de usá-lo, relações sexuais prolongadas ou intensas e armazenamento inadequado). As taxas de ruptura, considerando todos os usuários, são inferiores a 5%. ⎯ Orientações: qualquer lubrificante à base de água pode ser utilizado. Não utilizar lubrificantes à base de óleo, com risco de dano ao condom. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Condom Feminino ⎯ Trata-se de um método de proteção contra IST, de anticoncepção, sob o controle da mulher ⎯ Eficácia: semelhante ao condom masculino e outros métodos vaginais. Em 1 ano, a taxa de gravidez é de 21/100 mulheres em uso comum e de 5/100 mulheres em uso correto. ⎯ Características que podem facilitar o uso: é controlado pela mulher, é confortável, é inserido antes da relação sexual, não precisa ser retirado imediatamente após a ejaculação (como deve ser feito com o condom masculino), é fácil de remover, tem menor perda de sensibilidade, é mais forte do que o látex, pode ser usado com lubrificantes à base de óleo, não apresenta efeitos colaterais aparentes (sem reações alérgicas) ⎯ Características que podem dificultar o uso: eficácia média ou baixa em uso rotineiro, precisa estar à mão, pode ser barulhento e pouco prático para algumas mulheres, os anéis interno e externo podem provocar desconforto ou dor, a inserção correta pode ser difícil, usuárias inexperientes devem ser orientadas sobre com inseri-lo. • Diafragma + Espermicida ⎯ Consiste em um capuz macio de borracha côncavo com borda flexível, que cobre o colo uterino ⎯ Deve ser utilizado com geleia ou creme espermicida. Para a escolha do diafragma correto, a paciente deve ir ao ginecologista, que fará uma medição do colo. ⎯ Mecanismo de ação: o diafragma bloqueia a penetração dos espermatozoides no útero e trompas. ⎯ Eficácia: é pouco eficaz, com taxa de gravidez de 20/100 mulheres no primeiro ano de uso. Caso seja usado corretamente, a taxa cai para 6/100 mulheres. ⎯ Efeito secundário: o diafragma causa aumento do número de infecções urinárias por pressionar a uretra e causar retenção urinária; o espermicida pode causar alergia e prurido tanto na paciente quanto no parceiro. Métodos Comportamentais • São métodos que requerem que a mulher aprenda quando o período fértil do seu ciclo menstrual começa e termina. Assim, sabendo identificar o período fértil, pode-se evitar a gravidez. • Mecanismo de ação: abstinência completa de relações sexuais vaginais durante o período fértil • Eficácia: pouco eficaz quando usado comumente, com taxa de gravidez de 20/100 mulheres em 1 ano. • Tipos de métodos comportamentais e taxa de gravidez associada: o Calendário: 9/100 mulheres no primeiro ano de uso → subtrair 12 do número de dias do ciclo menstrual mais curto e subtrair 11 do número de dias do ciclo menstrual mais longo. Se o ciclo menstrual variou entre 26 e 32 dias durante o registro, fazer 2 contas: ▪ 26-18 = 8 → evitar relações sexuais sem proteção a partir do dia 8 de cada ciclo. ▪ 32-11 = 21 → pode voltar a ter relações sexuais sem proteção a partir do dia 21 de cada ciclo. o Muco cervical: 3/100 mulheres no primeiro ano de uso → a mulher examina diariamente o seu muco cervical. Evitar relação sexual sem proteção por 4 dias após detecção de muco filante. o Temperatura corporal basal: 1/100 mulheres no primeiro ano de uso → registrar a temperatura no mesmo horário todos os dias, antes de levantar. A temperatura sobe 0,2-0,5°C após a ovulação. Evitar relações sexuais desprotegidas do 1º dia de menstruação até o 3º dia após a elevação da temperatura. o Sinto-térmicos: 2/100 mulheres no primeiro ano de uso → combinação dos 3 métodos acima. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Método da Amenorreia Lactacional • Mecanismo de ação: a amamentação altera as taxas de secreção de hormônios naturais, inibindo a ovulação. • Eficácia: é eficaz em uso típico ou rotineiro, sendo a taxa de gravidez de 2/100 mulheres nos primeiros 6 meses após o parto. • Fatores necessários para melhor eficácia: o A dieta do bebê consiste em, pelo menos, 85% de leite materno o A mãe precisa amamentar o bebê frequentemente durante dia e noite o A menstruação não pode ter retornado o O bebê tem menos de 6 meses de vida Esterilização Feminina • É um método anticoncepcional permanente para mulheres que não desejam mais ter filhos. Menos de 30% das mulheres que desejam reversão da laqueadura são elegíveis. Em somente metade dos casos em que a reversão é feita ocorre sucesso. • Tipos: o Salpingectomia parcial: a técnica mais utilizada é Pomeroy. o Anéis de Yoon: anel de silicone colocado em volta da trompa com um aplicador especial o Eletrocoagulação: pode ser feita por via laparoscópica o Grampos: causa menor lesão das trompas. Os mais utilizados são os grampos de Filshie e Hulka-Clemens o Microimplantes: contraindicado pela ANVISA pelo risco de deslocamento e desenvolvimento de dor pélvica crônica Salpingectomia Parcial Anéis de Yoon Eletrocoagulação Grampos • Vias de acesso: laparoscopia, minilaparoscopia, vaginal, histeroscópica • Eficácia: muito eficaz e permanente, com taxa de gravidez de 0,5/100 mulheres no primeiro ano. • Risco: o risco de gravidez ectópica é 10x maior após reversão de laqueadura. • Legislação: esterilização voluntária permitida em: o Homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de 25 anos de idade OU pelo menos 2 filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico. o Risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório médico escrito e assinado por dois médicos. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Lesões Precursoras do Câncer do Colo do Útero Microanatomia do Colo do Útero • O colo do útero é a região uterina que fica em contato com a vagina. • É composto de duas regiões: ectocérvice (epitélio escamoso, com função de proteção) e a endocérvice (epitélio colunar simples, com função mucossecretora). • O epitélio escamoso estratificado não queratinizado reveste originalmente a mucosa da ectocérvice e da vagina. Na fase reprodutiva, o epitélio escamoso estratificado apresenta as seguintes camadas: basal, parabasal, intermediária e superficial. A camada basal, ou germinativa, é responsável em condições fisiológicas pela regeneração (replicação celular). As outras camadas representam apenas diferentes estágios na maturação das células basais. Esse epitélio é influenciado pelos hormônios ovarianos, atingindo a sua máxima maturação sob a ação dos estrógenos. Por outro lado, a deficiência estrogênica, como ocorre na menopausa, leva a sua atrofia. • Junção escamo-colunar: região do epitélio do útero onde a ectocérvice e a endocérvice se encontram. É na JEC que ocorrem as lesões precursoras do câncer de colo uterino, por ser a área mais sensível ao estímulo carcinogênico do HPV (papiloma vírus humano). Citologia (método Papanicolau) • Células basais (seta): raramente são vistas nos esfregaços, exceto em casos de atrofia intensa ou ulceração da mucosa. Elas são redondas ou ovais, com citoplasma escasso corando intensamente em verde ou azul. Os seus núcleos são redondos, de localização central, com cromatina uniformemente distribuída, às vezes com um pequeno nucléolo • Células parabasais: predominam em condições fisiológicas associadas à deficiência estrogênica, como acontece na infância, lactação e menopausa (epitélio atrófico). O citoplasma é geralmente basofílico (cianofílico), com uma tonalidade menos intensa que aquela vista nas células basais. • Células intermediárias: são as células mais comuns nos esfregaços no período pós-ovulatório do ciclo menstrual, durante a gravideze na menopausa precoce. O seu predomínio é relacionado à ação da progesterona ou aos hormônios adrenocorticais. Elas exibem citoplasma geralmente basofílico, poligonal, com tendência a pregueamento das suas bordas • Células superficiais: são as mais comuns nos esfregaços no período ovulatório do ciclo menstrual. Elas são aproximadamente do mesmo tamanho das células intermediárias, também são poligonais, porém o citoplasma é mais aplanado e transparente, geralmente eosinofílico. • Células endocervicais: apresentam citoplasma relativamente abundante, delicado, semitransparente, que cora fracamente em azul, às vezes com vacúolos. Quando as células são vistas de frente, elas se agrupam em conjuntos monoestratificados, perdem a sua forma colunar e apresentam, às vezes, bordas citoplasmáticas bem definidas, lembrando um “favo de mel”. Beatriz Chaveiro Turma XVIII HPV: Papiloma Vírus Humano • É o agente etiológico do câncer de colo uterino e das lesões precursoras. • A vacina contra o HPV protege o paciente dos 4 subtipos. • O HPV tem predileção pela pele queratinizada anogenital. Os locais comuns de infecção incluem o pênis, escroto, períneo, canal anal, região perianal, introito vaginal, vulva e colo do útero. • O resultado final da infecção pelo HPV depende da virulência do patógeno e da competência imunológica do hospedeiro. Diagnóstico Citopatológico • Células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASCUS): achados citológicos caracterizados pela presença de alterações celulares insuficientes para o diagnóstico de lesão intraepitelial, mas alterações mais significativas do que as encontradas em processos inflamatórios o Possivelmente não neoplásicas (ASC-US) o Não se podendo afastar lesão de alto grau (ASC-H) • Lesão de baixo grau (LSIL): representa a manifestação citológica da infecção causada pelo HPV, altamente prevalente e com potencial de regressão frequente, especialmente em mulheres com menos de 30 anos Lesão de alto grau (HSIL): provável progressão para carcinoma invasivo • Lesão intraepitelial de alto grau não podendo excluir microinvasão • Carcinoma escamoso invasor • Distribuição dos resultados dos exames citopatológicos anormais de rastreamento do câncer de colo de útero em mulheres entre 25 e 64 anos: a lesão mais encontrada nos citopatológicos é a ASC-US (38,4%), seguida por LSIL (26,8%), HSIL (15,7%) e ASC-H (9,3%). LSIL HSIL Carcinoma in situ Beatriz Chaveiro Turma XVIII Lesão Intraepitelial de Baixo Grau – LSIL • Manifestação citológica da infecção por HPV, normalmente os sorotipos não oncogênicos. • Regressão espontânea → cerca de 47,4% dos casos regridem nos próximos 24 meses, enquanto somente 0,2% evoluem para carcinoma cervical. • Prevalência de lesão precursora após LSIL → 21,3% correspondem a NIC2 e 8,9% correspondem a NIC3. • Observações sobre o tratamento: o O tratamento não está indicado, uma vez que pelo menos metade dos casos regridem espontaneamente. Isso justifica a conduta de observação nessas pacientes. O tratamento em pacientes com LSIL pode ter riscos, como comprometer sucesso em gestações futuras por incompetência ístimo-cervical (abortamento no segundo semestre). o Não se observam benefícios na realização de colposcopia para acompanhamento nos próximos 24 meses. O acompanhamento citológico é suficiente. • Conduta adequada: o Mulheres com diagnóstico citopatológico de LSIL devem repetir o exame citopatológico em seis meses na unidade de atenção básica. o Processos infecciosos ou atrofia genital identificados devem ser tratados antes da nova coleta. o Se a citologia de repetição for negativa em dois exames consecutivos, a paciente deve retornar à rotina de rastreamento citológico trienal na unidade de atenção básica. o Se uma das citologias subsequentes no período de um ano for positiva, encaminhar à unidade de referência para colposcopia. Lesão Intraepitelial de Alto Grau – HSIL • Manifestação citológica da infecção por HPV, normalmente os sorotipos oncogênicos. • Prevalência de 0,26% das citologias realizadas e de 9,1 das citologias alteradas. • Observações sobre o tratamento: o Em caso de citopatológico com resultado de HSIL, essa lesão será confirmada histologicamente em 70- 75% dos casos. Em cerca de 1-2% dos citopatológicos, encontra-se carcinoma invasor (o diagnóstico de HSIL foi inadequado). Esses dados justificam uma conduta intervencionista. o É necessário que o tratamento seja feito para impedir a progressão para carcinoma invasor. o Ver e tratar: em mulheres com esse diagnóstico citopatológico, é uma estratégia vantajosa. Essa conduta consiste na realização do diagnóstico e do tratamento em uma única visita, realizado em nível ambulatorial, por meio da exérese da zona de transformação, sob visão colposcópica e anestesia local. • Conduta adequada: o Remoção das lesões a partir de métodos excisionais, os quais permitem tanto diagnóstico de casos de invasão quanto funcionam como tratamento definitivo. o Todas as pacientes que apresentarem citologia sugestiva de HSIL, na unidade de atenção primária, deverão ser encaminhadas à unidade de referência secundária para realização de colposcopia em até 3 meses após o resultado. o A repetição da citologia é inaceitável como conduta inicial. o Quando a colposcopia for satisfatória, com alterações maiores, sugestivas de HSIL, restritas ao colo do útero, totalmente visualizada e não se estendendo além do primeiro centímetro do canal, a conduta recomendada é a Excisão Eletrocirúrgica da Zona de Transformação (EZT). Quando essa abordagem não for possível, devido a processo inflamatório intenso (vaginite importante) ou outras contraindicações temporárias, essa deve ser realizada logo após sua correção. o Se a colposcopia não mostrar lesão, uma nova citologia com ênfase para o canal endocervical deve ser realizada após 3 meses da citologia anterior. o Procedimento: cirurgia de alta frequência (CAF) ou excisão eletrocirúrgica por alça (LEEP). Após 40 dias do procedimento, o colo do útero já está cicatrizado. Espera-se encontrar lesão de alto grau removida com sucesso, com margens de segurança histológicas muito bem definidas (ou seja, o a lesão foi removida por completo, com tecido sadio em volta). Beatriz Chaveiro Turma XVIII Colposcopia • Teste de Schiller (iodo) → o iodo consegue impregnar os tecidos ricos em glicogênio (células saudáveis), mantendo-os escuros. Já as células cancerígenas ou pré-cancerígenas são pobres em glicogênio e, por isso, não se impregnam com o iodo, mantendo-se mais claras, geralmente amareladas (Schiller positivo = iodo negativo). • Teste do ácido acético → ácido acético desidratada as células de forma heterogênea, sendo o seu efeito mais pronunciado nas células atípicas que nas células sadias. O resultado final é uma coloração brancacenta em todo o tecido que for composto por células suspeitas. Situações especiais • Gestação → a colposcopia pode ser realizada em qualquer época da gestação. A biópsia pode ser realizada com segurança, não havendo risco de eventos adversos sobre a gestação, existindo apenas maior probabilidade de sangramento. As lesões de alto grau detectadas na gestação possuem mínimo risco de progressão para invasão e algum potencial de regressão após o parto. Os procedimentos excisionais, quando realizados nesse período, aumentam o risco de abortamento, parto prematuro e frequentemente apresentam complicações como sangramento excessivo. • Menopausa → com o objetivo de melhorar tanto o exame colposcópico quanto o novo exame citopatológico, deve-se administrar previamente estrogênio tópico (creme de estradiol ou promestrieno). • Imunossuprimidas → o tratamento é o mesmo, mas o seguimento é mais rígido. Assim, como esse grupo tem maior risco de recidiva, a continuação do seguimento citopatológico deve ser anual durante toda a vida.• Histerectomizadas → não precisam fazer acompanhamento citopatológico de rotina. As mulheres que passaram por histerectomia total e possuem HISTÓRICO de tratamento prévio de HSIL com margens livres devem ser submetidas a exame citopatológico em seis e 12 meses após a histerectomia. Se ambos os exames forem negativos, o rastreamento citológico deverá ser trienal independentemente da idade. Fatores de Risco para Recidiva • Idade > 50 anos • Gravidade da doença tratada • Persistência de HPV oncogênico • Lesão glandular, ou seja, da endocérvice • Tabagismo • Imunodeficiência Beatriz Chaveiro Turma XVIII Puerpério O puerpério, também denominado pós-parto, é o período que sucede o parto e, sob o ponto de vista fisiológico, compreende os processos involutivos e de recuperação do organismo materno após a gestação. É aceitável dividi-lo em: pós-parto imediato, do 1o ao 10o dia; pós-parto tardio, do 10o ao 45o dia; e pós-parto remoto, além do 45o dia. Muitos estudos assumem como pós-parto os 12 meses que sucedem o parto. Puerpério Fisiológico Os complexos fenômenos regenerativos que ocorrem no sistema reprodutor feminino após o parto desenrolam-se especialmente ao longo do pós-parto imediato e do pós-parto tardio. Enquanto, no pós-parto imediato, prevalece a crise genital, caracterizada por eventos catabólicos e involutivos das estruturas hiperplasiadas e/ou hipertrofiadas pela gravidez, no pós-parto tardio evidenciam-se mais claramente a transição e a recuperação genital, com progressiva influência da lactação. Puerpério imediato • Útero: regride rapidamente, sendo ainda abdominal até o 10º dia (poucos centímetros acima da cicatriz umbilical logo após o parto) e pélvico a partir do 10º dia o A retração e contração uterinas, as quais acarretam acentuada anemia miometrial e consequente má nutrição e hipoxia celular, e estão também associadas a trombose e obliteração de vasos parietais formados ao longo da gestação. Imediatamente após o parto, mais especificamente com a saída da placenta, esses fenômenos de retração e contração são os principais responsáveis pela hemostasia da ferida placentária e por evitar os quadros de hemorragia pós-parto. o O reflexo uteromamário permite que esses eventos involutivos uterinos ocorram mais intensamente nas mulheres que amamentam. A estimulação dos mamilos e da árvore galactófora acarreta contrações uterinas, identificadas pelas mulheres como cólicas (tortos), em virtude da liberação de ocitocina. o O remodelamento dos vasos pélvicos (circulação uterina e ovariana), cujos calibres retornam progressivamente ao pré-gravídico e contribuem para um estado de isquemia do tecido miometrial hipertrofiado. Esse processo é influenciado significativamente tanto pela contração e retração miometrial quanto pelo desaparecimento da fístula arteriovenosa, representada pela circulação uteroplacentária o O desaparecimento súbito, em crise, dos hormônios placentários. o Em primíparas, a involução também é mais veloz, uma vez que as fibras musculares uterinas de pacientes multíparas não respondem tão bem à ação da ocitocina. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Colo do útero: até 12h após o parto, se mantém de 2-3 polpas digitais dilatado. Entre o 9º e o 10º dia, a dilatação é de 1 polpa digital. • Lóquios: o A involução e a regeneração do leito placentário, de toda a decídua e das demais superfícies genitais ocorrem, inicialmente, por meio da eliminação de grande quantidade de elementos deciduais e células epiteliais descamados, que, associados a eritrócitos e bactérias, compõem os lóquios. o Em geral, o volume total dos lóquios ao longo de todo esse período varia entre 200 e 500 mℓ. o Evolução dos lóquios: Lóquios sanguíneos Lóquios serossanguíneos Lóquios serosos Lóquios brancos - 3º-4º dia pós-parto - lochia cruenta, lochia rubra - presença de Sangue - lochia fusca - coloração acastanhada - lochia serosa, lochia flava - a partir do 10º dia pós-parto - lochia alba - presença de leucócitos - se mantém por 4-8 semanas Puerpério tardio • Todas as funções são influenciadas pela amamentação • Útero: regride lentamente até 6 semanas, voltando ao volume normal • Lóquios: regridem em 3 semanas (em média) • Sistema endócrino: o Com a saída da placenta, ocorre queda imediata dos esteroides placentários a níveis muito baixos e leve diminuição dos valores de prolactina, que permanecem ainda bastante elevados. o As gonadotrofinas e os esteroides sexuais atingem seus menores valores nas primeiras 2 a 3 semanas pós- parto. Já os níveis de hCG retornam ao normal 4 a 6 semanas após o parto. o Na ausência da lactação, nas primeiras semanas pós-parto, tanto o LH como o FSH mantêm-se com valores muito baixos, para logo começarem a se elevar lentamente. No início do puerpério, os níveis de estrogênio mantêm-se baixos, e a progesterona não é detectável. o A recuperação das gonadotrofinas até os níveis prévios da gravidez depende da ocorrência ou não da amamentação. A amamentação pode inibir a fertilidade pela ação direta do estímulo do mamilo sobre o hipotálamo por via neuroendócrina, elevando a prolactina e inibindo o FSH e o LH. • Sistema urinário: o Algum grau de trauma vesical é comum em partos vaginais, especialmente entre mulheres cujos trabalhos de parto foram mais demorados. o Retenção urinária: decorre de traumas (especialmente do nervo pudendo) associados à insensibilidade relativa da bexiga no período pós-parto. Os fatores de risco para a disfunção vesical pós-parto incluem nuliparidade, parto assistido, parto com 1º e 2º estágios prolongados, cesariana e analgesia de condução. o No que tange aos ureteres e pelves renais, os quais se encontram dilatados na gestação, comumente retornam ao estado pré-gravídico entre 2 e 8 semanas após o parto. • Sistema sanguíneo: o Leucocitose de até 25.000 após o parto. Esse valor é reduzido pela metade nas primeiras 48h, retornando a taxas habituais no 5º ou 6º dia. o Por volta de 6 semanas pós-parto, a hemoglobina encontra-se em níveis pré-gravídicos. o As alterações induzidas pela gravidez nos fatores de coagulação sanguíneos persistem por períodos variados do puerpério, mantendo, então, o estado de relativa hipercoagulabilidade. Por exemplo, os elevados níveis de fibrinogênio plasmático persistem ao menos na 1a semana pós-parto, enquanto a velocidade de hemossedimentação pode vir a se regularizar apenas entre a 5a e a 7a semana puerperal. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Sistema cardiovascular: o A frequência e o débito cardíacos mantêm-se elevados por 24 a 48 h após o parto e retornam aos valores pré-gravídicos por volta do 10o dia puerperal. o A resistência vascular permanece reduzida ao longo das primeiras 48 h pós-natais, e, então, progressivamente retorna aos níveis prévios à gestação • Sistema tegumentar: as estriações do abdome e das mamas, quando acontecem, perdem a cor vermelho- arroxeada e ficam pálidas, transformando-se, em algumas semanas, nas estrias branco-nacaradas. • Peso: a média de perda ponderal decorrente do parto é de 6 kg. No puerpério, ocorre perda adicional de 2 a 7 kg, habitualmente mais pronunciada nos primeiros 10 dias de pós-parto, atribuída a maior diurese, secreção láctea e eliminação loquial. Assistência pós-natal • Higiene: vulva e períneo → lavar com água e sabonete todas as vezes que for ao banheiro (micção e defecação) • Uso de absorventes descartáveis • Estímulo à deambulação precoce → mulheres que passaram por cesariana devem levantar com 12h e tomar banho. No máximo 24h após o parto, ela já deve estar deambulando (facilita eliminação de gases e previne trombose). A mobilização e o caminhar precoce reduzem a incidência de retenção urinária, constipação intestinal e fenômenos tromboembólicos pós-natais. Após o parto normal, mesmo quando utilizado o bloqueio regional, a paciente poderá deambular tão logose sinta em condições para tal. Contudo, ao menos a primeira deambulação após o parto deve acontecer sob vigilância (não necessariamente profissional de saúde), devido ao risco de síncope • Mamas: uso de porta-seios apropriados (as mamas devem estar elevadas). Em caso de ingurgitamento, prescrever ocitocina nasal e uso de compressa fria (bolsa de gelo) • Em relação ao cuidado da região perineal, a mulher deve ser orientada a fazer a higiene vulvar no sentido anterior- posterior, e o uso de gelo no primeiro dia pode reduzir o desconforto local, especialmente por ocasião da realização de episiotomia ou presença de laceração extensa. • A temperatura no pós-parto não deve ser interpretada pelos critérios normativos estabelecidos para condições extrapuerperais. Exceto para as primeiras 24 h, quando pode haver certa pirexia, o normal é a ausência de febre, caracterizada aqui pela temperatura abaixo de 38°C. Puerpério remoto • Duração imprecisa, com presença ou não de lactação • Menstruação → aproximadamente 45 dias, precedida de ovulação, em mulheres que não amamentam. Em lactantes, a duração da amenorreia vai depender da duração do aleitamento. • Amamentação → eleva a prolactina, inibe o FSH e LH Métodos anticoncepcionais • Barreira: condom, DIU (somente após 6 semanas do parto) • Hormonais: o Desogestrel 75mcg contínuo o Acetato de medroxiprogesterona 150mg IM 90/90 dias o Os conjugados estão contraindicados, uma vez que o estrogênio prejudica a amamentação e aumenta o risco de trombose (o risco de DTV nos primeiros 42 dias do pós-parto está aumentado de 22 a 84 vezes em relação a não grávidas) Exames da puérpera • Diários até o 2º dia: temperatura, pulso, PA, inspeção da mama, palpação de útero, exame dos lóquios, avaliação da cicatriz cirúrgica, inspeção do períneo, vulva e membros inferiores (sinais de trombose) • Primeira consulta: 7-10 dias após o parto → recomenda-se avaliar o estado de saúde da mulher e do RN; apoiar a família para a amamentação; orientar sobre os cuidados básicos com o RN; avaliar a interação da mãe com o RN; identificar situações de risco ou intercorrências e conduzi-las, bem como recomendar o planejamento familiar. • Segunda consulta: 6 semanas após o parto → investigar as condições gerais de saúde da mulher e do RN; caracterizar o padrão de amamentação; avaliar o retorno do fluxo menstrual e da atividade sexual; oferecer adequada orientação sobre os diferentes métodos anticonceptivos; exame clínico ginecológico e citologia. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Infecção Puerperal • Conceito: temperatura de, no mínimo, 38°C, durante 2 dias quaisquer, dos primeiros 10 do período pós-parto, excluídas as 24 h iniciais. • Mecanismos de defesa contra a infecção: atividade contrátil normal do útero, depois da dequitação, e a involução puerperal, além da reação leucocitária e da hemóstase trombótica na zona de implantação da placenta. • As infecções consideradas puerperais são: infecções genitais (endometrite, parametrite, anexite), peritonite, tromboflebite, ITU, infecção pulmonar, mastite, choque séptico. • Cerca de 15% dos casos de febre puerperal estão relacionados ao ingurgitamento mamário • A infecção puerperal corresponde à 3ª causa de mortalidade materna, ficando atrás de hipertensão arterial e hemorragias. Fisiopatogenia: • O principal sítio de desenvolvimento de infecção é a área remanescente do descolamento placentário • Anaeróbios correspondem a 40-60% dos patógenos encontrados • A endometrite pós-parto é frequentemente precedida por infecção intra-amniótica (rotura de bolsa amniótica de muitas horas, com favorecimento de infecção por estreptococo) • A etiologia estreptocócica está relacionada à via vaginal de parto • É importante lembrar que, a partir da junção cérvico-endometrial, a cavidade uterina é estéril. Fatores predisponentes o Cesariana: aumenta o risco de desenvolver endometrite em 5- 30x, de bacteremia em 2-10x, de abscesso ou tromboflebite pélvica em 2x e de morte por infecção em 80x. o Parto e amniorrexe prolongados o Numerosos toques vaginais o Baixo nível socioeconômico • Flora cervicovaginal normal na gestação: o A colonização por Lactobacillus aumenta na gravidez e existe a possibilidade de outros tipos de microrganismos serem diminuídos. Trata-se de alterações fisiológicas, destinadas a proteger o concepto, uma vez que Lactobacilli são avirulentos. Todavia, não se deve excluir o fato de que a flora cervicovaginal da grávida pode conter espécies aeróbias e anaeróbias potencialmente perigosas e comumente associadas a infecção puerperal e pós-abortamento. Os estrogênios poderiam estar comprometidos no aumento dos Lactobacilli e, juntamente com a progesterona, na redução dos anaeróbios Beatriz Chaveiro Turma XVIII Patógenos AERÓBIOS • Estreptococos β-hemolítico: o Grupo B: S. mastitidis, S. agalactiae ▪ Responsáveis por infecção precoce e neonatal (24h após o parto) ▪ Estão presentes em cerca de 30% das culturas vaginais e cervicais de gestantes (endêmica) ▪ A infecção ocorre dentro de 24 h do parto, com rápido agravamento do estado materno. ▪ Quadro clínico: febre (39°C), calafrios, taquicardia, útero doloroso à palpação (endomiometrite) ▪ São pacientes de risco as que tiveram parto disfuncional com ruptura prolongada das membranas, submetidas à operação cesariana. ▪ O tratamento antibiótico deve ser imediato para evitar abscessos e endocardite. Esses estreptococos são sensíveis a penicilina, ampicilina, cefalosporinas e eritromicina. o Grupo D: (inclui os enterococos, especialmente S. faecalis) ▪ Não são considerados patogênicos em infecções cirúrgicas ▪ Estão presentes em pequeno número nas endometrites pós-parto ou bacteremia ▪ São resistentes a penicilina, cefalosporinas, aminoglicosídios e clindamicina; a ampicilina ou o efeito sinérgico da penicilina e de um aminoglicosídio inibem os enterococos. o Grupo A: Streptococcus pyogenes ▪ Não fazem parte da microbiota normal da vagina e da cérvice, sendo, portanto, exógenos: presentes em nasofaringe e lesões de pele ▪ Enorme capacidade de invasão, com sinais mínimos de localização nos pontos lesados do canal do parto ▪ Os microrganismos são sensíveis a penicilina, cefalosporinas e eritromicina, e a resposta ao tratamento antibiótico adequado é muito rápida. • Estafilococos aeróbios: o Staphylococcus epidermidis e Staphylococcus aureus o Associados à abscessos vulvovaginais e às mastites (as mastites são, em grande parte, causadas pelo S.aureus) o Resistentes à penicilina e ampicilina o Resistente à penicilina e à ampicilina, sensível a oxacilina, meticilina, cloxacilina e cefalosporinas. • Aeróbios Gram Negativos: o Escherichia coli, Klebisiela, Proteus, Pseudomonas e Enterobacter o Protagonistas de ITU o A E.coli está presente em 2-10% das gestantes e em 33% das puérperas, podendo levar ao choque séptico o Canamicina, gentamicina e cloranfenicol são geralmente efetivos contra 95% das espécies • Haemophilus influenzae o É sensível à ampicilina, cloranfenicol e tetraciclina • Gardnerella vaginalis o Provoca infecção puerperal em associação com anaeróbios, sendo sensível à maioria dos antibióticos ANAERÓBIOS • Anaeróbios Gram Positivos: o Cocos anaeróbios (Peptococos, Peptoestreptococos) → habitantes não patogênicos da vagina e do colo, em geral se tornam virulentos na presença de tecido traumatizado e desvitalizado e de sangue coagulado. Os lóquios têm cheiro pútrido. Tornaram-se comuns as infecções mistas por aeróbios (E. coli, enterococos) e outros anaeróbios (bacteroides). A penicilina é o antibiótico de escolha; secundariamente, as cefalosporinas, a eritromicina e a clindamicina o Bastonetes anaeróbios (Clostrídios, sendo C. perfringensi) → hóspede normal da vagina e do colo. Quando patogênico, por motivos desconhecidos, pode ocasionar quadro gravíssimo (gangrena gasosa, hemólise;hipotensão, insuficiência renal), com mortalidade de 50 a 85% dos casos. Os lóquios têm odor fétido e a infecção é mais encontrada no abortamento infectado. Em geral, a endometrite é discreta e cede ao tratamento antibiótico (penicilina). Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Anaeróbios Gram Negativos: o Bacterioides (Bacterioides fragilis) → anaeróbios não patogênicos do canal do parto e dos intestinos, só se tornam virulentos em presença de tecido necrosado, lóquios fétidos e quadro clínico prolongado, frequentemente complicado por tromboflebite pélvica séptica. Não é trivial infecção que ameace a vida da paciente; B. fragilis é em geral sensível à clindamicina e ao cloranfenicol, antibióticos de escolha. São também efetivos cefoxitina e metronidazol OUTROS PATÓGENOS o Micoplasma → micoplasmas genitais são frequentemente encontrados na cérvice das gestantes. Esses microrganismos determinam infecção de baixa morbidade que explica a evolução favorável mesmo sem terapia específica. Os micoplasmas genitais, presentes no endométrio e/ou sangue em 15% das puérperas com endometrite, são sensíveis às tetraciclinas, à eritromicina e ao cloranfenicol. o Clamídia (Chlamydia trachomatis) → está relacionada à infecção puerperal, especialmente a partir do 3o dia de puerpério. São agentes sensíveis à tetraciclina e à eritromicina. Atualmente, a maioria das infecções é polimicrobiana (aeróbios, como o estreptococos, e anaeróbios) Quadros Clínicos • Endometrite: o É a infecção puerperal mais frequente o Inicia no sítio de implantação placentária o Habitualmente instala-se no 4o ou 5o dia de pós-parto; o aparecimento mais precoce sugere maior virulência. o Temperatura entre 38,5°C e 39°C e lóquios purulentos e com mal cheiro (em caso de infecção por anaeróbios) o O exame pélvico demonstra útero amolecido e doloroso, engrandecido no abdome, e colo permeável à polpa digital, que, manipulado, deixa escoar secreção purulenta. o Tratamento: ▪ Infecção leve: antibiótico oral por 7 dias ▪ Infecção moderada ou grave: antibiótico EV → esquema antibiótico usual é a clindamicina (900 mg IV cada 8 h) associada à gentamicina (1,5 mg/kg IV cada 8 h). A ampicilina (2 g IV cada 6 h) ou o metronidazol (500 mg IV cada 8 h) podem ser adicionados para prover cobertura contra anaeróbios se tiver sido realizada cesárea. Segundo o professor, na prática, utiliza-se o esquema tríplice ampicilina + metronidazol + gentamicina) ▪ A melhora após 48 a 72 h ocorre em cerca de 90% das mulheres. A persistência de febre após esse prazo faz pensar em complicações: abscesso de paramétrio, de parede ou pélvico e tromboflebite pélvica séptica. • Parametrite: o Decorre de lacerações do colo e da vagina o É a infecção do tecido conjuntivo fibroareolar, parametrial, decorrente, na maioria das vezes, de lacerações do colo e da vagina, em que o germe se propaga pela via linfática. O local de eleição é o tecido parametrial laterocervical (unilateral em 70% dos casos), podendo haver, todavia, invasão anterior (paracistite) ou posterior (pararretite), além da incursão ao ligamento largo. o Temperatura atinge 39,5°C + Dor intensa ao toque vaginal com enrijecimento dos paramétrios o O tratamento baseia-se no emprego de antibióticos e anti-inflamatórios. Quando há formação de abscessos, deve-se drenar pela via vaginal ou pela abdominal (fleimão do ligamento largo), com mobilização da mecha no 2o ou no 3o dia, e somente retirada completamente quando terminada a exsudação. • Anexite (salpingite e ovarite): o As anexites são representadas pela infecção e inflamação das tubas uterinas e dos ovários. São mais frequentes as salpingites do que as ovarites, e surgem após abortamentos infectados e partos vaginais prolongados. Beatriz Chaveiro Turma XVIII o Surgem após abortamentos infectados e partos vaginais prolongados o Piossalpinge (coleção de pus), hidrossalpinge (coleção de líquido) e obstrução tubária o Clinicamente, inicia-se com dor abdominal aguda, predominando nas fossas ilíacas, febre alta (39 a 39,5°C) e discreta defesa abdominal. O toque genital revela grande sensibilidade dos anexos. A palpação de tumoração anexial é notada, mais tarde, na evolução da moléstia. o O tratamento é feito por antibióticos; em raros casos, por motivo da possibilidade de ruptura de piossalpinge, há necessidade de realizar a salpingectomia. • Peritonite (Pelviperitonite): o A pelviperitonite acompanha muitas formas de infecção puerperal localizada: endomiometrite, salpingite, parametrite. o Febre alta (40°C) + Dor intensa ao toque no fundo de saco + Descompressão brusca positiva o Acompanha infecção puerperal localizada (endomiometrite, salpingite e parametrite) o Quando há abscesso no Douglas, pratica-se a colpotomia e a drenagem o Peritonite generalizada está associada à infecção por estreptococo β-hemolítico → o tratamento se baseia na laparotomia, que permite aspirar o exsudato livre a fim de reduzir a absorção tóxica. Os focos sépticos devem ser incisados pela via abdominal; a colpotomia é insuficiente, porque lojas purulentas podem surgir até no espaço subdiafragmático. Deixam-se drenos nas fossas ilíacas. Antes de se fechar a cavidade abdominal, é conveniente proceder à lavagem peritoneal com solução fisiológica e aí colocar ampicilina. • Tromboflebite pélvica séptica: o Pioemia (êmbolos sépticos) levando a abscessos renais, pulmonares e de outros órgãos → os agentes infecciosos são geralmente os anaeróbios: peptococos, peptoestreptococos e Bacteroides. o Febre, calafrios, taquicardia e taquipneia, comprometimento do estado geral o Dois quadros possíveis: ▪ Menos ostensivo, com febre persistente apesar dos antibióticos, paciente ambulatorial, dor ausente ou mal localizada. Exame pélvico e abdominal: achados mínimos e vagos ▪ Trombose da veia ovariana → sinais e sintomas mais comuns são febre, dor pélvica e massa abdominal palpável. Em grande parte dos casos, a trombose da veia ovariana não é diagnosticada até que a febre que não responde aos antibióticos após 48 h faz suspeitar da afecção. Infarto ovariano, obstrução ureteral e até o óbito da paciente também podem ocorrer. O diagnóstico feito por TC com ou sem contraste. o O melhor tratamento para a tromboflebite pélvica séptica, inclusive o da trombose da veia ovariana, é o antibiótico em combinação com o anticoagulante. Inicia-se com a heparina de baixo peso molecular (HBPM), no caso a enoxaparina em dose terapêutica: 1 mg/kg, 12/12 h, 1 ou 1,5 mg/kg, 24/24 h, por injeção subcutânea. Após o curso inicial com a enoxaparina associa-se o anticoagulante oral varfarina (10 mg/dia), e depois suspende-se a heparina. • Choque Séptico: o O principal agente é a Escherichia coli o O prognóstico é grave o O choque é precedido pela septicemia (febre de 40°C, calafrios, taquicardia de 120-140 bpm, estado geral comprometido). o Prenunciam o choque septicêmico, além de calafrios e febre, sudorese, sede, taquicardia, obnubilação mental e hipotensão. Em certos casos, a ausência de hipertermia é a regra. Paradoxalmente, o útero pode não estar doloroso nem aumentado de volume e o corrimento loquial, ausente ou discreto. o Pode levar à CIVD e insuficiência renal aguda o Tratamento: ▪ Esquemas antibióticos preferenciais: • Ampicilina (2 g IV a cada 6 h) mais clindamicina (900 mg IV a cada 8 h) • Gentamicina (1,5 mg/kg IV a cada 8 h) mais metronidazol (500 mg IV a cada 8 h) ▪ A reanimação líquida (cristaloide, sangue) deve ser mais conservadora e o uso precoce da norepinefrina, estimulado. Cuidado com os alvos de PVC > 8 mmHg e de pressão arterial média (PAM) > 65 mmHg, pois podem já indicar sobrecarga volumétrica. Do mesmo passo, a dobutamina só estaria indicada quando houver insuficiência ventricular esquerda Beatriz Chaveiro Turma XVIII Patologias da amamentação Na prevenção das doenças mamárias da lactação, os profissionaisde saúde devem estar atentos às orientações pré e pós-natais, avaliando a pega, orientando a livre demanda, o oferecimento alternado das mamas, a extração manual do leite e ainda esclarecendo que se devem evitar lavagem das mamas antes e após as mamadas, assim como o uso de sabonetes, cremes ou pomadas nas aréolas e mamilos, mantendo o banho diário como higiene pessoal. Ingurgitamento mamário: • O ingurgitamento mamário é consequência da retenção de leite e distensão alveolar, levando à compressão (acotovelamento) dos ductos e obstrução do fluxo de leite, acompanhados de edema, decorrente da congestão vascular e linfática. Ocorre febre e dor intensa na mama. • O ingurgitamento pode se restringir à região areolar ou afetar completamente uma ou ambas as mamas. O mamilo tende a se retrair e o leite sai com dificuldade. A pega não é feita corretamente pela criança. • Causas: esvaziamento incompleto das mamas, início tardio da amamentação, mamadas com horários rígidos quanto ao intervalo e/ou duração, sucção incorreta, obstrução de ductos lactíferos, malformação mamilar e prematuridade. • Hipogalactia secundária • Tratamento: o Em geral, o ingurgitamento é eliminado por meio de massagens suaves com movimentos circulares, especialmente nas áreas mais enrijecidas e dolorosas, para tornar o leite mais fluido, o que deve ser repetido antes de cada mamada para maior flexibilidade da aréola. O leite será extraído preferencialmente por técnica manual até se obter o conforto. Recomenda-se o estímulo à posição invertida de amamentar para auxiliar a saída do leite das áreas mais dolorosas. o Analgésicos comuns podem ser necessários. o Sustentação das mamas (é necessário mantê-las horizontalizadas) o Retirada do leite (manual ou bomba) o Ocitócitos via nasal: ejeção do leite retido o Bolsa de gelo Mastite • Mastite é uma condição inflamatória da mama, em geral associada à lactação e, nesse caso, é denominada mastite puerperal. Em geral, a partir do ingurgitamento mamário, pode ocorrer inicialmente uma obstrução de ductos e posteriormente mastite, e até formação de abscessos mamários, nas mais diversas regiões da mama; raramente pode evoluir para septicemia. • Pode ser causada por Staphylococcus aureus (50%), Estreptococo do grupo A ou B, Eschericha coli e Bacterioides. • Maior incidência na 2ª ou 3ª semana após o parto • No quadro clínico da mastite, as manifestações gerais mais comuns são mal-estar, febre (39-40°C), calafrios, náuseas e vômitos. As locais são dor, calor, vermelhidão, endurecimento, edema, retração papilar e, com a evolução, áreas de flutuação, celulite, necrose e até drenagem espontânea • Classificação e conduta: o Mastite não complicada: ausência de abscesso. O tratamento é clínico, internando-se a princípio a paciente, com amamentação mantida em ambas as mamas e sempre iniciada pela mama sadia, analgésicos (paracetamol, acetaminofeno), AINE (ibuprofeno, piroxicam) e antibioticoterapia. o Mastite complicada: presença de abscesso • Tratamento: o Antibioticoterapia: ▪ Cefalexina VO 500mg 6/6h por 14 dias (segundo o Rezende) ou 7-10 dias (segundo o professor) ▪ Amoxicilina VO 500mg 8/8h por 14 dias ▪ Cefoxitima 1g + Oxaciclina 500mg ambas EV 6/6h o Esvaziamento mamário o Seios suspensos o Bolsa de gelo o Drenagem cirúrgica do abscesso que não regride após tratamento com antibióticos Beatriz Chaveiro Turma XVIII Hemorragias • A hemorragia pós-parto pode ser classificada em primária (precoce) ou secundária (tardia), sendo primária quando a hemorragia ocorre dentro de 24 h do puerpério e secundária quando o sangramento excessivo incide entre 24 h e 6 a 12 semanas. • Fatores de Risco: o Descolamento prematuro de placenta (DPP) o Placenta prévia/acreta o Retenção placentária o Gravidez gemelar o Pré-eclâmpsia o História de hemorragia pós-parto o Obesidade o Anemia o Idade materna avançada o Macrossomia fetal o Cesárea o Episiotomia mediolateral o Parto vaginal operatório o Parto prolongado o Febre intraparto • Prevenção: a conduta ativa no secundamento é a maneira efetiva de prevenir a hemorragia pós-parto. Ela propõe a administração de ocitocina (10 UI) por via intramuscular (IM) após o nascimento da criança • Etiologia (4Ts): tônus (atonia uterina); trauma (lacerações, hematoma, ruptura, inversão); tecido (placenta retida e acreta); trombina (coagulopatia). Hemorragias precoces • As hemorragias precoces ocorrem nas primeiras 24h após o parto • As principais causas são: hipotonia uterina (90%) e laceração do trajeto (10%) • Tratamento: o Compressão bimanual mantida do útero (Manobra de Hamilton) o Agentes uterotônicos: ocitocina, derivados de ergot e prostaglandinas. A ocitocina estimula o útero a contrair-se ritmicamente, constringindo as artérias espiraladas e diminuindo o sangramento da ferida placentária. A ocitocina é o tratamento de 1a linha: 20 UI em 1 l de salina infundida por via intravenosa na velocidade de 250 mℓ/h; até 500 mℓ da infusão podem ser administrados em 10 min sem complicações (hipotensão); outra opção é a ocitocina IM na dose de 10 UI. o Hemotransfusão (em caso de choque hipovolêmico) o Sutura das lacerações existentes o Ligadura das artérias uterinas o Histerectomia (após falha terapêutica das medidas anteriores) Hemorragias tardias • Ocorrem após as primeiras 24h após o parto • Causas e Condutas Respectivas: o Restos ovulares (principal causa, normalmente após 10-15 dias)→ curetagem uterina o Sobredistensão uterina → ocitócitos o Subinvolução uterina → ocitócitos o Hematoma puerperal pós-episiotomia, subperitoneal, subaponeurótico → drenagem do coágulo, ligadura dos vasos sangrantes Beatriz Chaveiro Turma XVIII Rotura Prematura de Membranas Conceito • A ruptura prematura das membranas (RPM) é a amniorrexe espontânea que ocorre antes do início do parto. • O período de latência é definido como o intervalo entre a rotura das membranas e o início do trabalho de parto → na rotura prematura das membranas ovulares que ocorre no termo, 90% dos casos evoluem para o parto em até 24 horas, enquanto na gestação pré-termo o período de latência é inversamente relacionado com a idade gestacional em que ocorreu a rotura das membranas (quanto mais prematuro, maior o período de latência). • No termo, 8% das gestantes apresentam RPM. • A ruptura prematura das membranas pré-termo (RPMP), definida como a amniorrexe ocorrida antes de 37 semanas, incide em 3% de todas as gestações e é responsável por aproximadamente 25% dos partos pré-termo. Etiologia Iatrogênica Espontânea • Cirurgias cervicais durante a gestação • Procedimentos invasivos: o Amniocentese o Biópsia de vilosidades coriônicas o Laserterapia • Sobredistensão uterina (polidrâmnio e gestação múltipla) • Fatores mecânicos (contrações uterinas e movimentação fetal) • Alteração da integridade cervical (incompetência cervical, carclagem) • Fatores intrínsecos às membranas (deficiência de α-1 antitripsina e síndrome de Ehlers-Danlos) • Alteração da oxigenação tecidual (tabagismo) • Diminuição da atividade imunológica bactericida do líquido amniótico • Ao contrário da rotura espontânea das membranas, a iatrogênica possui bom prognóstico na maioria dos casos, apresentando resolução espontânea da lesão em um período de 2 a 3 semanas. • A etiologia da RPM espontânea envolve fatores que alteram a estrutura das membranas, cujo principal componente é o colágeno. Estes fatores estão relacionados com infecção ascendente da flora vaginal, sendo esta a causa identificável mais frequentemente associada à RPMO. As três principais evidências epidemiológicas que ratificam tal associação são maior prevalência de microrganismo no líquido amniótico de mulheres com RPM, quando comparadas com gestantes com membranas íntegras, maior prevalência de corioamnionite histológica e incidênciade RPMO maior em mulheres com infecção do trato genital inferior. Complicações • Maternas: o Corioamnionite (infecção ovular ou intra-amniótica) → os fatores de risco para desenvolvimento de corioamnionite são: RPM, parto pré-termo e amniorrexe > 18 h. o Endometrite o Bacteremia o Sepse materna • Fetais / Neonatais: o Hipoplasia pulmonar o Prematuridade → síndrome da membrana hialina, hemorragia intraventricular, enterocolite necrosante e sepse neonatal por imaturidade do sistema imunológico. o Infecção neonatal → infecção local (onfalite e conjuntivite), infecção do trato urinário, pneumonia e septicemia. o Oligodrâmnio → fácies característica (Síndrome de Potter) com orelhas dobradas, nariz achatado e pele enrugada. Podem também ocorrer deformidades de extremidades, principalmente pé torto, que é decorrente da dificuldade de movimentação fetal e de contraturas musculares e flexão. Entretanto, essas deformidades geralmente são reversíveis com fisioterapia. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Classificação • RPM a termo (> 37 semanas): geralmente seguida pelo início imediato do trabalho de parto. A principal consequência da RPM a termo é a infecção intrauterina, que aumenta com a duração entre o tempo de ruptura e o início do parto (> 18h). • RPM pré-termo (< 37 semanas): cerca de 50% das pacientes entram em trabalho de parto em 1 semana. As principais complicações nesse momento são infecção intrauterina (corioamnionite) e prematuridade (SAR, enterocolite necrosante, hemorragia intraventricular e paralisia cerebral) • RPM pré-viável (24-37 semanas): cerca de 40 a 50% das grávidas com RPM pré-viável dão à luz na primeira semana após a ruptura, e 70 a 80%, dentro de 2 a 5 semanas. Na RPMP com menos de 24 semanas, observaram-se menor sobrevida e maior retardo no neurodesenvolvimento em casos com oligoidrâmnio persistente. Diagnóstico • A confirmação diagnóstica da RPMO é feita clinicamente em 90% dos casos. o A gestante relata perda de líquido e, ao exame especular, observa-se escoamento de líquido pelo orifício externo do colo uterino. o Às vezes, durante o exame especular, faz-se necessário comprimir o fundo uterino ou solicitar à gestante que realize a manobra de Valsalva para observar o escoamento. o O toque vaginal não deve ser realizado pelo risco inerente de infecção ou, caso seja extremamente necessário realizá-lo, este não deve ser repetido frequentemente. • Em caso de dúvida, podem ser realizados testes que verificam a mudança no pH vaginal de habitualmente ácido para alcalino (o pH do líquido amniótico é de 7,1-7,3). o Papel de nitrazina → o papel de nitrazina apresenta coloração azul quando em pH alcalino. o Teste do fenol vermelho → deixa-se um tampão vaginal por algum tempo na vagina da paciente e, após sua retirada, observa-se mudança de coloração (de laranja para vermelho) quando se instilam algumas gotas do reagente. o Detecção da alfamicroglobulina-1 placentária (AmniSure) → esse teste vem ganhando aplicação por ter excelente rendimento ao detectar a alfamicroglobulina-1 de origem placentária (o chamado PAMG-1). o Cristalização → observação da arborização do muco cervical. Após a rotura das membranas, o líquido amniótico, rico em estriol, passa pelo canal cervical e entra em contato com o muco cervical. Esse muco, quando aquecido sobre uma lâmina, apresenta fenômeno de arborização (“em aspecto de samambaia”), que pode ser constatado ao microscópio óptico comum. Na ausência de arborização do muco, infere-se que não houve contato do mesmo com o estriol presente no líquido amniótico. • A ultrassonografia é utilíssima para confirmar o oligoidrâmnio (maior bolsão de líquido amniótico < 2 cm), mas não é diagnóstica da ruptura – cerca de 50% das amniorrexes ocorrem sem oligoidrâmnio. Diagnóstico de Infecção • A avaliação da presença de corioamnionite é fundamental para a conduta na RPMO, uma vez que, após o diagnóstico de infecção, a conduta é resolutiva, independentemente da idade gestacional. • A via de infecção pode ser ascendente a partir da flora vaginal ou hematogênica. • Fatore de risco: o Número de exames vaginais ≥ 6 o Duração do trabalho de parto > 12h o RPM > 24h o Colonização materna por estreptococos do grupo B o Líquido meconial • O diagnóstico de corioamnionite se baseia na presença de um critério maior (febre ≥ 37,8°C) ou pelo menos dois dos sinais do quadro → Beatriz Chaveiro Turma XVIII Tratamento Medidas Gerais • Hospitalização → o tratamento ambulatorial não é recomendado para pacientes com RPM pré-termo • Monitoramento → pacientes com RPM pré-termo devem ser submetidas ao monitoramento eletrônico para detecção precoce de desaceleração umbilical, principalmente por compressão de cordão. • Cultura de Estreptococo do grupo B → coleta de material da vagina e reto para cultura está indicada se o tratamento for expectante. A profilaxia antibiótica contra esse patógeno está indicada para pacientes com RPM pré-termo e RPM termo com intervalo entre amniorrexe e parto ≥ 18h. • Interrupção de Gestação, independentemente da idade gestacional: o Evidência de trabalho de parto o Corioamnionite o DPP o Comprometimento de vitabilidade fetal Corioamnionite • Independentemente da idade gestacional, o diagnóstico de corioamnionite indica indução de parto e administração de antibióticos. • O regime habitual é ampicilina, 2 g, por via intravenosa (IV), a cada 6 h, mais gentamicina, 1,5 mg/kg IV a cada 8h. • Clindamicina, 900 mg IV de 8/8 h, ou metronidazol, 500 mg IV de 8/8 h, podem ser adicionados para cobertura anaeróbica se for realizada cesárea. • A administração da terapia antibiótica na corioamnionite deve continuar até que a paciente esteja afebril e assintomática por 24 a 48 h após o parto. • Se a febre persistir após 24 h de iniciados os antibióticos, adicionar um terceiro agente (i. e., metronidazol ou clindamicina), caso não tenha sido administrado. • Se a paciente continuar febril, apesar do tratamento antibiótico, devem ser procuradas outras fontes de infecção: tromboflebite pélvica, infecção de parede, retenção de restos ovulares e infecção do sistema urinário. RPM a termo • O monitoramento eletrônico deverá ser prontamente utilizado para avaliar a vitabilidade fetal. • Tem-se indicação para a indução do parto com ocitocina/misoprostol, nas doses habituais, para reduzir a morbidade infecciosa materna, sem elevar os riscos de cesárea ou de operatória transpélvica. • A profilaxia contra estreptococos do grupo B está indicada em caso de cultura prévia positiva ou em caso de fatores de risco. RPM pré-termo • RPM entre 34 e 37 semanas: o A melhor conduta é o parto imediato • RPM entre 24 e 33 semanas: o Na ausência de complicações, o tratamento é expectante. A paciente deve manter o repouso relativo no leito (evitar atividade física) e pélvico (proibido o coito e o toque vaginal) e, concomitantemente, a gestante deve ser observada para a evidência de infecção, DPP, compressão do cordão umbilical, sofrimento fetal e início do parto. A avaliação fetal é feita pelo monitoramento eletrônico de seus batimentos cardíacos e pelo volume do líquido amniótico (vLA). A frequência desses testes pode ser diária ou 2×/semana, dependendo do resultado. É razoável considerar a indução do parto quando a gravidez chegar a 34 semanas. o Antibióticos profiláticos → administração venosa de ampicilina 2 g a cada 6 h por 48 h, associada à azitromicina 1 g, por via oral (VO), dose única, seguida por amoxicilina 500 mg VO 8/8 h por mais 5 dias o Corticoide → um único curso de corticoide é recomendado para gestantes com RPMP entre 24 e 33 semanas com risco de parto iminente o Neuroproteção fetal → mulheres com RPMP antes de 32 semanas e risco de parto iminente são candidatas ao tratamento com sulfato de magnésio. Beatriz Chaveiro Turma XVIII RPM pré-viável •O tratamento expectante ambulatorial pode ser tentado com monitoramento da infecção, DPP e parto, e ultrassonografia seriada para avaliar o oligoidrâmnio, na esperança da resselagem das membranas e restauração do volume amniótico. • USG seriadas • Grande risco materno → sepse e DPP Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Diagnóstico diferencial com incontinência urinária de esforço da gestante Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Oligodrâmnio Conceito • Redução do volume do líquido amniótico inferior a 300 ou 400 mL OU maior bolsão vertical < 2 cm OU índice de líquido amniótico < 5 cm. • Nessa condição, as funções do líquido amniótico podem ser prejudicadas, o que favorece fenômenos compressivos do cordão umbilical, sofrimento fetal e, em graus extremos, óbito do produto conceptual. • O oligodrâmnio associa-se com CIUR, sofrimento fetal intraparto, mortalidade perinatal aumentada Etiologia • No 2o trimestre, 50% dos casos de oligoidrâmnio são por amniorrexe prematura; 15%, por malformações fetais; 5%, por anormalidades da gravidez gemelar; 7%, por descolamento prematuro da placenta; 18%, por CIR; e 5%, de causa idiopática. Causas Fetais • Anomalias cromossômicas • Anomalias congênitas (aparelho urinário fetal, agenesia renal bilateral, doença renal policística, obstruão urinária baixa bilateral) • Pós-datismo • Doença Renal Fetal: quando há evidências sonográficas de oligoidrâmnio e a bexiga fetal não é identificada, é necessário investigar os rins do feto. Somente o defeito renal bilateral determina oligoidrâmnio: agenesia renal bilateral, displasia multicística e rim policístico infantil. A doença renal obstrutiva baixa (valvular ou uretral) é outra causa impeditiva e única com megabexiga, além do oligoidrâmnio. • Crescimento intrauterino restrito: a hipoxia crônica condiciona redistribuição do débito cardíaco com consequente diminuição do fluxo sanguíneo renal e do volume urinário fetal. • Ruptura das membranas ovulares: sequência de Potter (oligoâmnio grave e precoce, com deformidade de polo cefálico, face e extremidade) Causas Maternas • Hipertensão arterial: pré-eclâmpsia • Diabetes mellitus • Doença renal crônica • Doenças autoimunes (LES) Causas Placentárias • Descolamento Prematuro de Placenta Crônico • Transfusão feto-fetal: oligodrâmnio está associado à síndrome de transfusão gêmelo-gemelar (STGG), na placentação monocoriônica, ou ao CIR de um dos gêmeos, na variedade dicoriônica. • Insuficiência placentária → sofrimento fetal crônico → CIUR → centralização → oligoâmnio Causas farmacológicas • Inibidores da síntese de prostaglandina • Inibidores de enzima conversora de angiotensina Beatriz Chaveiro Turma XVIII Complicações • Apresentação anômala • Compressão do cordão umbilical • Pós-maturidade • Líquido meconial • Aumento da incidência de cesarianas Diagnóstico Diagnóstico Clínico • Útero pequeno para idade gestacional • Aconchegamento exagerado das pequenas partes fetais • Pequena interface líquido/feto Diagnóstico Ultrassonográfico • Maior bolsão vertical (MBV) < 2 cm • Índice do líquido amniótico (ILA) < 5 cm • Oligoâmnio grave → MBV < 1 cm / ILA ≤ 3 cm Tratamento • Nas pacientes que apresentem alguma condição clínica que possa justificar o oligoâmnio, tais como diarreia aguda, vômitos e infecções virais, a queda de líquido amniótico pode ser reversível após o tratamento da gestante e sua hidratação (quando permitida). Caso não haja reversão, considerar conduta ativa. • Indicações de conduta ativa: o Oligoâmnio diagnosticado no termo da gravidez (37-42 semanas) o Oligoâmnio grave diagnosticado entre 34-37 semanas • Entre 25 e 34 semanas é importante considerar corticoterapia materna para maturação pulmonar fetal. Hidratação materna • Há a possibilidade de reverter com reposição volêmica casos de oligoâmnio isolado, provavelmente decorrentes de desidratação materna grave, como quadros com diarreia aguda e vômitos. • A hidratação da mãe com 2 L de água por via oral em casos de oligoâmnio demonstrou o aumento médio de 30% no ILA. • A hidratação materna parenteral com solução isotônica e comprovou o aumento do volume de líquido amniótico em gestações de 3º trimestre com oligoâmnio idiopático. Amnioinfusão • Consiste na realização de amniocentese para infusão de soro fisiológico na cavidade amniótica • A infusão de 250 mL aumenta o ILA em 2 cm • Complicações: hipertonia uterina, alteração de ritmo cardíaco fetal, amnionite, ruptura uterina, infecção respiratória e cardíaca materna. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Polidrâmnio Conceito • Volume de líquido amniótico acima de 2.000 mL no momento do parto OU quando o maior bolsão vertical for maior que 8 cm OU índice de líquido amniótico > 18 cm nos quatro quadrantes • O aumento moderado de líquido amniótico tem pouco significado clínico, enquanto o aumento excessivo oferece problemas clínicos reais (complicações intraparto tanto maternas quanto fetais). • A USG possibilita um refinamento desse diagnóstico antes da ruptura das membranas. • A incidência de polidrâmnio é de 0,2-2% das gestações não inerentes a causas fetais e maternas. Formas clínicas • Agudas: acontece somente em 1,6% dos casos. Ocorre aumento de volume em poucos dias, sendo mais frequente durante o 2º trimestre. Podem cursar com trabalho de parto prematuro e taxas altas de mortalidade perinatal, evidenciando a gravidade do quadro. • Crônica: tem instalação lenta e progressiva, ocorrendo ao fim do 2º e 3º trimestres. A evolução fetal é mais favorável. • Precoce: ocorre antes da 24ª semana, com prognóstico sombrio. Etiologia • A etiologia relaciona-se com a alteração do balanço entre produção e absorção do líquido amniótico • O prognóstico varia de acordo com as causas primárias, sendo elas: fetais, placentárias, maternas ou idiopáticas Causas Fetais: • Obstrução do sistema gastrintestinal o Intrínsecas: malformações do TGI o Extrínsecas: malformações torácicas com desvio do mediastino • Deglutição dificultada • Exsudação anormal de líquido através de tecidos O polidrâmnio está relacionado a diversas anomalias fetais. Observa-se maior envolvimento dos sistemas nervoso central (SNC) (52%), digestório (47%), cardiovascular (30%), musculoesquelético (19%) e geniturinário (16%), no estudo de fetos com polidrâmnio grave. Na relação sistema orgânico e doença, podem ser citados para anomalias do SNC anencefalia e espinha bífida; sistema digestório, as atresias esofágica e duodenal; e as arritmias cardíacas caracterizam principalmente as alterações cardiovasculares. Ainda foram evidenciadas hérnias diafragmáticas e as displasias esqueléticas com compressão torácica. Causas Placentárias • Corioangioma, Placenta Circunvalada, Transfusão gêmeo-gemelar Causas Maternas • Doenças Hemolíticas Perinatais → mecanismo relacionado ao hiperdinamismo da circulação fetal por anemia • Diabetes mellitus → principal condição materna associada ao polidrâmnio. A poliúria decorrente da hiperglicemia fetal está provavelmente relacionada ao mecanismo fisiopatológico sugerido pelo polidrâmnio. O aumento da concentração de glicose no líquido amniótico é outra possibilidade, provocando influxo de água para o interior da cavidade amniótica, seguindo o gradiente osmótico. Polidrâmnio Idiopático • Quando a fisiopatologia do acúmulo excessivo é desconhecida, mas é provável que as membranas amnióticas tenham fatores predominantes, como presença de endotelina (peptídeo natriurético cerebral humano que promove constrição de vasos sanguíneos e aumento da PA. Com isso, ocorre maior quantidade de fator de crescimento endotelial e aumento do líquido) e aquaporinas (canais formados por proteínas espirais que atravessam a membrana celular e aumentam seletivamente a permeabilidade das membranasà água). Beatriz Chaveiro Turma XVIII Epidemiologia das Etiologias • Cerca de 50-60% não tem causa definida, sendo classificados como idiopáticos • Cerca de 8-20% dos polidrâmnios estão relacionados à diabetes materna como causa primária • Cerca de 4-45% dos polidrâmnios estão relacionados a malformações fetais com mecanismo de reabsorção. Complicações • O parto pré-termo é o desfecho de quase todas as formas agudas e é muito frequente também nas crônicas • Nas formas agudas, as insuficiências cardíaca e renal são características. A oportuna interrupção provocada da gravidez evita essas ocorrências • O parto prolongado é frequente, consequência da hipertonia e da hipossistolia. A normalização do volume amniótico, pela aspiração transabdominal e pela amniotomia, corrige a discinesia. • Maior risco de apresentações distócicas • Há relatos de choque, atribuídos à descompressão súbita após amniorrexe ou à rápida aspiração subsecutiva à paracentese. • Foram observadas hemorragias no pós-parto, devido à atonia por sobredistensão. • Alta incidência de prematuridade • O sofrimento materno pode ser intenso devido à pressão do útero, muito desenvolvido, sobre o diafragma, com dispneia acentuada, alentecendo a circulação venosa de retorno dos membros inferiores, provocando edema, varizes e hemorroidas, e comprimindo o sistema digestório; além disso, há dores difusas, abdominais e lombares. Classificação quanto à atividade uterina Polidrâmnio de Baixa Contratilidade • Espera-se a atividade uterina para a idade gestacional. • A hipertonia é pequena ou não ocorre, e a palpação do abdome revela a consistência normal do útero. • A diminuição do volume amniótico por aspiração transabdominal de fluido normaliza o tônus e não aumenta a atividade. • A resposta à perfusão de ocitocina é fisiológica. Polidrâmnio de Alta Contratilidade • A atividade uterina mais elevada corresponde à idade da gravidez. • Há hipertonia e hipossistolia. À palpação abdominal, nota-se o útero duro e tenso. • A contratilidade elevada é responsável pela antecipação do parto. • A redução do volume amniótico, por amniocentese transabdominal, faz descer o tônus e eleva a intensidade das contrações; iniciado o trabalho, ele é acelerado. • Esses casos não respondem à perfusão de ocitocina. Diagnóstico Diagnóstico clínico • Exame físico: útero grande desproporcionalmente à idade gestacional • Palpação: útero com consistência cística. O feto, quando reconhecido, é extremamente móvel, com apresentação indefinida. • Dificuldade na ausculta dos BCF • Hipertonia uterina • Metrossístoles • Dor abdominal, Dor lombar por maior peso, Edema e varizes de MMII por menor retorno venoso e maior estase • Pele do abdome lisa e brilhante com extensas estrias, Hemorroidas, Rotura Prematura de Membranas Beatriz Chaveiro Turma XVIII Diagnóstico Ultrassonográfico • Maior bolsão vertical (MBV) > 8 cm • Índice do líquido amniótico (ILA) > 18 cm • Classificação: o Leve → ILA entre 25 e 29 cm / MBV entre 8 e 11 cm o Moderado → ILA entre 30 e 34,9 cm / MBV entre 12 e 15 cm o Grave → ILA > 35 cm / MBV > 16 cm Tratamento Condutas no pré-natal • Controle de glicemia nas pacientes com diabetes • Coagulação a laser nas anastomoses arteriovenosas em caso de síndrome de transfusão gêmeo-gemelar e corioangioma • Amniodrenagem → os casos que cursam com dispneia e/ou dor abdominal podem receber amniocentese esvaziadora para amenizar temporariamente os sintomas. É realizada pela punção percutânea da cavidade amniótica para drenagem do líquido amniótico. É importante ressaltar que o procedimento, por ser invasivo, não é isento de riscos e que o polidrâmnio pode se refazer em poucos dias. A aspiração deve ser lenta, durando algumas horas para a retirada de 1.000 a 1.500 mℓ. O esvaziamento rápido pode propiciar fenômenos de descompressão e, certamente, o aumento da atividade uterina. Recomenda-se a administração simultânea de tocolíticos. • Indometacina o Fármaco capaz de normalizar o volume do líquido amniótico em casos de polidrâmnio, de acordo com a capacidade de reduzir o fluxo sanguíneo renal e a diurese fetal. o Seu emprego deve ser limitado a 34 semanas de gravidez, visto que a indometacina pode fechar, posteriormente, o canal arterial. o A dose recomendada é 1 comprimido (25 mg), 4 vezes/dia. o Efeitos colaterais: regurgitação de tricúspede, disfunção ventricular direita, fechamento do ducto arterioso (monitorizar pelo Doppler do Ducto Arterioso, também conhecido como DDA). • Sulindac o Inibidor de prostaglandinas (AINE) o O uso de sulindac pode levar a uma redução do volume de fluido amniótico. Há alguns relatos de que o sulindac diminui a pulsatilidade no ducto arterioso fetal menos do que a indometacina Condutas intraparto • Amniodrenagem → no início do trabalho de parto, a amniodrenagem pode ser realizada para reduzir o risco de súbitos esvaziamento e descompressão uterina depois da amniotomia, colaborando na diminuição da chance de complicações, como prolapso de cordão e DPP. • Complicações: prolapso de cordão, apresentação anômala (braço e mão) e hemorragia pós parto • É necessário utilizar profilaticamente 10 UI de ocitocina em 500 mℓ de solução glicosada. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Beatriz Chaveiro Turma XVIII Amenorreia Conceito • Falta de menstruação durante a menacme • Amenorreia é um diagnóstico sindrômico, ou seja, reflete um sintoma de diversas doenças ou afecções. • Amenorreia Fisiológica: ocorre durante a gestação, amamentação e pós-menopausa • Amenorreia Patológica: ocorre por distúrbios da cadeia neuroendócrina (alterações hipotalâmicas por influência de emoções ou exercício físico extenuante, por exemplo), sistema canalicular ou doenças sistêmicas (hipotireoidismo, hiperprolactinemia) e de outras glândulas (hiperplasias adrenais, insuficiência ovariana), útero rudimentar • Amenorreia Falsa: pacientes que tiveram estimulação do eixo hipotálamo-hipófise, mas sem exteriorização da menarca Amenorreia Primária Conceito • Ausência da menstruação aos 14 anos em mulheres sem caracteres sexuais secundários (telarca e pubarca) OU aos 16 anos com ou sem caracteres sexuais. Suspeita clínica com necessidade de investigação • A falha da menarca, isto é, ausência da primeira menstruação espontânea, deve ser investigada quando: o A menarca não ocorreu aos 15 anos de idade em meninas com caracteres sexuais secundários presentes; o A menarca não ocorreu cinco anos após o início do desenvolvimento das mamas, se isso se deu antes dos 10 anos de idade; o Meninas em que, aos 13 anos de idade, se verifique completa ausência de caracteres sexuais secundários. • Algumas situações devem ser particularizadas: o Meninas com características sexuais secundárias presentes antes dos 15 anos, sem menstruar, porém, com dor pélvica cíclica. Nessa situação, deve-se iniciar a investigação devido ao risco de obstrução do trato genital (septo vaginal e hímen imperfurado); o Na presença de estigmas genéticos sugestivos, por exemplo, da síndrome de Turner, a investigação é iniciada independentemente da idade Fisiopatologia • Para que a menarca ocorra, é necessário que haja ativação correta do hipotálamo, com estimulação da hipófise e subsequente ativação dos ovários. • Caso ocorra alguma alteração neuroendócrina (eixo hipotálamo-hipófise-ovário) ou anatômica (útero rudimentar ou ausente, obstrução), tem-se desenvolvimento de amenorreia. Etiologia • Disgenesia gonadal (50%) • Anomalias centrais no eixo hipotálamo-hipófise (25%) • Anomalias no trato de saída, sendo principalmente hímen imperfurado e septo vaginal (20%) • Outras causas (5%): hiperplasia adrenal congênita, hipotireoidismo, hiperprolactinemia Caracteres sexuais secundários • É importante avaliar a presença de caracteres sexuais secundários (telarca e pubarca,principalmente) • Marcos da puberdade: o Telarca ocorre em média aos 10.5 anos o Pubarca ocorre em média aos 11 anos o Menarca ocorre em média aos 12.8 anos • Avaliar o desenvolvimento puberal pelo escorre de Marshall e Tanner Beatriz Chaveiro Turma XVIII Diagnóstico • Anamnese: é importante excluir amenorreia induzida por medicação, gestação e casos de ambiguidade sexual. o Presença ou ausência de caracteres sexuais secundários? → avaliação da ativação do eixo hipotálamo- hipófise o Crescimento estatural adequado? → algumas síndromes (principalmente a Síndrome de Turner) estão associadas com nanismo o Estresse, alteração de peso (obesidade ou IMC muito baixo), alteração de hábitos alimentares e atividade física extenuante (atletas desde a infância), presença de doenças crônicas (hipotireoidismo ou doenças do SNC)? → essas situações podem provocar amenorreia primária hipotalâmica o Presença de dor pélvica cíclica (cólica) de caráter progressivo, associada à amenorreia primária? → sugere obstrução do trato de saída o Sinais e sintomas de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo, virilização)? → investigar tumores ovarianos produtores de androgênio, hiperplasia adrenal • Exame Físico: o Altura, peso, índice de massa corporal o Estágio de desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários (estágio de Tanner) o Presença de estigmas genéticos o Presença de hirsutismo → índice de Ferriman-Gallway (é o método padronizado e o mais utilizado para se avaliar a presença e a gravidade do hirsutismo. Gradua numa escala de 1-4 em 9 áreas do corpo) o Exame genital: ▪ Hímen imperfurado e septo vaginal ▪ Vagina curta (<8cm) → introdução de cotonete ou hiterômetro pela abertura himenal. A vagina curta está associada às malformações mullerianas. ▪ Toque bimanual (em pacientes que já tiveram sexarca), na avaliação dos órgãos pélvicos • Exames Complementares: o FSH → ajuda a diferenciar as patologias associadas ao ovário. Quando o FSH está alto, tem-se suspeita de disgenesia gonadal o Prolactina → descartar amenorreias extragenitais o TSH → hipotireoidismo o USG pélvico ou transvaginal / RM / TC → avaliação de presença de útero, gônadas e suas alterações o RM de crânio → avalia presença de tumores em sistema nervoso central o Cariótipo → avalia estigmas (principalmente relacionados à Síndrome de Turner) e disgenesia gonadal. Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Caracteres sexuais secundários presentes + Fenótipo feminino + Útero presente Anomalias do trato de saída (hímen imperfurado, septo transvaginal). o No exame de imagem, observa-se hematometria (retenção de sangue dentro do útero). o Nessas pacientes, o diagnóstico deve ser o mais rápido possível, evitando que o quadro evolua para hematossalpinge (associada à infertilidade e gravidez ectópica). O tratamento é feito com ressecção cirúrgica • Caracteres sexuais secundários presentes + Fenótipo feminino + Útero ausente Agenesia mulleriana (síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser, 46XX) Insensibilidade androgênica (síndrome de Morris: testosterona alta + presença de testículo + 46,XY). o A diferenciação entre as duas condições pode ser feita pelo exame físico. As pacientes que possuem síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (agenesia mulleriana) passaram pela pubarca (apresentam pelos pubianos, enquanto as pacientes que possuem síndrome de Morris (insensibilidade androgênica) não passaram (não apresentam pelos pubianos). o Na síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser, a paciente tem ovários e tubas normais, mas não tem útero (ou tem útero rudimentar). Podem estar associadas alterações renais e esqueléticas. A vagina pode estar ausente (possibilidade de cirurgia de neovagina) ou ser curta (uso de dilatadores vaginais). o Na síndrome de Morris, a paciente não tem útero nem ovários, sendo que a gônada é o testículo (os testículos podem ser encontrados na região inguinal). A retirada dos testículos está indicada após atingir a altura final, uma vez que há grande risco de malignização. A testosterona fica acima de 200 pg/mL. A paciente tem vagina curta, com possibilidade de uso de dilatadores. Como a paciente não tem útero nem ovários, ela não consegue engravidar com os próprios gametas. • Caracteres sexuais secundários presentes + Fenótipo masculino Insensibilidade androgênica parcial Hermafroditas verdadeiros Tumores produtores de androgênio Hiperplasia congênita de adrenal o Essas causas estão associadas com o aumento da testosterona • Caracteres sexuais secundários ausentes + FSH aumentado HIPOgonadismo HIPERgonadotrófico (o ovário não está respondendo) → disgenesia gonadal (síndrome de Turner clássica) OU insuficiência ovariana prematura (síndrome de Turner variante) o A investigação exige uso de cariótipo e imagem pélvica + dosagem de FSH • Caracteres sexuais secundários ausentes + FSH suprimido HIPOgonadismo HIPOgonadotrófico → síndrome de Kallman OU tumores do sistema nervoso central OU malformações no sistema nervoso central o A investigação exige uso de imagem do sistema nervoso central (RM) Beatriz Chaveiro Turma XVIII Ausência de caracteres secundários • O útero está presente, podendo ser rudimentar ou não • A primeira conduta nesses casos é dosar o FSH • FSH alto → anomalia gonadal o O FSH está alto porque o ovário não tem folículos capazes de produzir estradiol. Devido a isso, o tratamento deve repor estrogênio, de modo que a paciente atinja o desenvolvimento dos caracteres secundários. o As gônadas são rudimentares (“gônadas em fita”) o Síndrome de Turner (45,X): baixa estatura, orelhas assimétrias e mais baixas, tórax largo, mamilos muito separados, pálpebras caídas, muitas dobras na pele, pouco desenvolvimento dos seios, metacarpo curto, deformidades no cotobelo, unhas pequenas, ovários subdesenvolvidos, útero rudimentar, manchas acastanhadas, amenorreia, edema e sudorese. o Tratamento: ▪ Terapia de reposição hormonal (estrógeno e progesterona) → desenvolvimento dos caracteres secundários ▪ Hormônio de crescimento ▪ Tratamento de comorbidades associadas (cardiopatias, tireoidopatias, diabetes) ▪ Caso a paciente queira engravidar, indicar FIV com ovodoação • FSH normal ou baixo o Útero hipoplásico, risco de osteoporose, hiperprolactinemia o Pode decorrer de síndrome de Kallman, puberdade retardada, alterações hipofisárias (tumores ou infecções), alterações de peso (bulimia e anorexia nervosa) o Síndrome de Kallman: distúrbio na rota de migração nos neurônios secretores de GnRH e dos neurônios olfatórios (AMENORREIA PRIMÁRIA + ANOSMIA). o Causas hipotalâmicas e hipofisárias: tumores cerebrais (craniofaringioma), traumas cranioencefálicos, prolactinomas OBSEVAÇÕES IMPORTANTES • Descartar amenorreias fisiológicas (gravidez, amamentação, pós-menopausa) • Criptomenorreia ou septo devem ser tratados com ressecção cirúrgica devido ao risco de hematossalpinge • Para pacientes com útero e mamas totalmente desenvolvidos, a terapia hormonal deve associar estrogênio e progesterona, a fim de diminuir o risco de hiperplasia endometrial e malignidade. • Para pacientes somente com mamas totalmente desenvolvida e sem útero, pode tratar só com estrogênio. • O diagnóstico deve ser o mais rápido possível, uma vez que o hipoestrogenismo persistente está associado a risco aumentado para osteoporose. É importante adicionar vitamina D e cálcio à terapia estrogênica. • Cariótipo 46XY → rastrear estruturas gonadais intra-abdominais (apresentam potencial maligno e devem ser removidas) • Gestação: o Paciente sem útero e com ovário (Síndrome de Rokitansky) → utilizar útero de substituição para descendência. o Paciente sem útero e com disgenesia gonadal → reprodução assistida o Paciente com útero funcional e com disgenesia gonadal → doação de óvulos e FIV Beatriz Chaveiro Turma XVIII Amenorreia SecundáriaConceito • Sem menstruação por mais de 3 meses em pacientes com ciclos menstruais irregulares OU por mais de 6 meses em pacientes com ciclos irregulares OU quando ocorrerem menos de 9 menstruações em um ano. Ciclo menstrual normal • Fluxo sanguíneo de 50-80ml • Duração de 3-8 dias • Intervalo de 24-38 dias • Regularidade de aproximadamente 2-20 dias • É importante lembrar que amenorreia é ausência de menstruação por mais de 3 meses. Assim, quando a paciente menstrua a cada 2 meses, por exemplo, tem-se espaniomenorreia. Etiologias • Amenorreia de compartimento I: comprometimento do útero, cérvice e vagina • Amenorreia de compartimento II: comprometimento do ovário (estrogênio, progesterona e androgênios) • Amenorreia de compartimento III: comprometimento da hipófise (FSH, LH, prolactina e TSH) • Amenorreia de compartimento IV: comprometimento do hipotálamo (GnRH) Compartimento IV SNC – Hipotálamo Estresse Ganho de peso Distúrbios psicológicos Exercícios extenuantes Compartimento III Hipófise anterior Tumor hipofisário Insuficiência hipofisária Síndrome de Sheeham (necrose de hipófise no pós-parto) Hiperprolactinemia Compartimento II Ovários Perimenopausa Síndrome de Resistência Ovariana Insuficiência ovariana (SOP) Anormalidades cromossômicas Doenças autoimunes Radioterapia Quimioterapia Compartimento I Útero, cérvice e vagina Síndrome de Asherman (destruição do endométrio e formação de fibrose) Estenose de canal cervical Classificação OMS Grupo I: insuficiência hipotalâmica-hipofisária Grupo II: disfunção hipotalâmica-hipofisária Grupo III: insuficiência ovariana Grupo IV: hiperprolactinemia Grupo V: defeito no trato de saída (principalmente Síndrome de Asherman) Beatriz Chaveiro Turma XVIII Grupo I: Insuficiência Hipotalâmica-Hipofisária • Causas mais comuns: peso (bulimia, anorexia nervosa), exercício físico extenuante (produção de endorfinas), exposição a situações de estresse, Síndrome de Kallmann, Síndrome de Sheehan, hipofisectomia, radioterapia, pseudociese (a paciente imagina que está grávida) • Perfil hormonal: o ↓↓ FSH o ↓↓ LH o ↓↓ estrogênio • Mecanismos de Liberação de GnRH: as conexões hipotalâmicas que regulam o padrão e a amplitude dos pulsos de GnRH são plásticas e respondem a condições externas / psicológicas e fatores internos / metabólicos. o Pulsos ou flutuações intradiárias (<24h) ou circo/horas (<1h) o Frequência varia de 1:60 (LH) até 1:90 (FSH) minutos o Núcleo arqueado representa o local do gerador de pulsos • Amenorreia Hipotalâmica Funcional o Existem três causas principais: (1) doenças genéticas que interferem na migração de células da GnRH (síndrome de Kallmann); (2) neuromoduladores que interrompem o feedback normal (ex.: amenorreia por estresse e amenorreia por perda de peso); (3) efeito de agentes que alteram a neurotransmissão central e a função hipotalâmica (ex.: prolactina elevada, medicamentos psicotrópicos que aumentam a prolactina, medicações associadas a esteroides) o Estresse → O núcleo arqueado, localizado no hipotálamo tuberal e principal local de produção de GnRH, recebe vários circuitos neuronais do sistema límbico (responsável pelas emoções), que modificam a intensidade e a frequência dos pulsos de GnRH, explicando, assim, as várias formas de alterações menstruais observadas em mulheres submetidas a fortes impactos emocionais. o Tríade da mulher atleta → distúrbios alimentares + amenorreia + osteoporose (estrogênio baixo cronicamente). Em associação à tríade, pode ocorrer hipercostisolemia leve, baixos níveis de IGF-1 e T4 livre total. o Amenorreia medicamentosa → esteroides sexuais e medicamentos que causam hiperprolactinemia (reserpina, imipramida, fenotiazídicos, sulpirida, metoclopramida, risperidona) o Síndrome de Sheehan → hemorragias extensas no pós-parto podem cursar com necrose de hipófise. Na RM, tem-se sela túrcica vazia (“síndrome da sela vazia”). o Síndrome de Simmond → mesma fisiopatologia da síndrome de Sheehan. A diferença é que a síndrome de Simmond não está relacionada com o pós-parto. o Tumores cerebrais → craniofaringioma o Traumas cranioencefálicos Beatriz Chaveiro Turma XVIII Grupo II: Disfunção Hipotalâmica-Hipofisária • Perfil hormonal: depende da etiologia o SOP: ↓ FSH ou normal, ↑ LH ou, ↑ leve de testosterona, ↑estrogênio o Hiperplasia adrenal congênita: ↑ 17-OH-progesterona o Síndrome de Cushing: ↑cortisol o Tumores produtores de androgênio: ↑↑ Testosterona • Síndromes de hiperandrogenismo (hirsutismo): SOP, hiperplasia adrenal, doença de Cushing, tumores adrenais (os tumores adrenais estão associados com aumento muito mais intenso e rápido de testosterona em relação à síndrome do ovário policístico). Grupo III: Falência Ovariana • Causas mais comuns: etiologia autoimune, infecções, cirurgia, irradiação, disgenesia gonadal • Perfil hormonal: o ↑FSH e LH o ↓ estrogênio Grupo IV: Hiperprolactinemia • Causas mais comuns: adenoma pituitário, medicação, estresse, hipotireoidismo • Perfil hormonal: o ↑↑ Prolactina o ↓ FSH e LH o ↑ TSH Grupo V: Defeito no Trato de Saída • Causas mais comuns: hímen imperfurado, septo transvaginal, síndrome de Asherman, útero ausente, estenose cervical, insensibilidade androgênica, hermafroditismo. o Síndrome de Asherman → destruição do endométrio com formação de fibrose. Está relacionado com cirurgias ginecológicas-obstétricas (curetagem uterina, sinequias uterinas), braquiterapia, processos infecciosos (endometrites, tuberculose). • Perfil hormonal: o Sem alterações em quase todas as afecções o Insensibilidade androgênica e hermafroditismo → ↑testosterona FSH LH Estrogênio Prolactina TSH Testosterona Grupo I ↓ ↓ ↓ Normal Normal Normal Grupo II Depende da etiologia Grupo III ↑ ↑ ↓ Normal Normal Normal Grupo IV ↓ ↓ ↓ ↑ ↑ Normal Grupo V Normal Normal Normal Normal Normal Normal Abordagem Clínica • Anamnese: lembrar de perguntar: o História menstrual → saber se a paciente tinha ciclos regulares ou irregulares e início da amenorreia o Uso de fármacos → anticoncepcionais ou qualquer outra medicação o Atividade física e social → atividades físicas extenuantes o Nutrição e estresse → relação da amenorreia com peso e estresse o História obstétrica → síndrome de Sheehan (necrose hipofisária pós-parto) e síndrome de Asherman (destruição do endométrio principalmente por curetagem pós-aborto) o Galactorreia → hiperprolactinemia o Sinais de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo, pele oleosa) → SOP, hiperplasia adrenal, doença de Cushing, tumores adrenais o Sinais de falência ovariana (fogachos, secura vaginal) o Sintomas de hipotireoidismo (fadiga, sonolência, pele seca) o Cirurgias pélvicas Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Exame físico: o Estado nutricional e ponderal → avaliar IMC o Sinais de hiperandrogenismo → hirsutismo (escore de Ferriman e Gallway > 8), acne, estriais, acantose o Galactorreia pela expressão mamária o Avaliação da genitália interna e externa o Examinar o trofismo da pele, vulva e volume uterino e ovariano • Exames complementares: o FSH → deve ser sempre solicitado junto com estradiol. É importante avaliar os níveis altos em 2 dosagens diferentes com intervalo de 1 mês, antes de diagnosticar insuficiência ovariana o Prolactina o TSH o T4 livre o USG pélvico ou transvaginal → ovários aumentados de volume (> 10 cm3) e contagem de folículos > 20 compõem os critérios de definição de ovário policístico (critérios de Rotterdam) o RM de crânio → solicitada com suspeita de tumores, hiperprolactinemia, necrose de sela túrcica (Síndrome de Sheehan ou Síndrome de Simmond) o Histeroscopia → em suspeita de sinequias uterinas (Síndrome de Asherman) o Cariótipo → em suspeita de falência ovariana prematura ou insuficiência ovariana (Síndrome de Tunner variante / mosaico). Deveser solicitado principalmente em mulheres com menos de 30 anos que apresentam amenorreia secundária. o Testosterona sérica, DHEA-S e 17-hidroxiprogesterona → solicitar dosagem em caso de sinais de hiperandrogenismo ▪ ↑ 17-hidroxiprogesterona: hiperplasia adrenal congênita ▪ ↑ leve de testosterona e ↑ leve de DHEA-S: síndrome dos ovários policísticos ▪ ↑↑ testosterona: tumores ovarianos produtores de androgênio / tumores de adrenal USG endovaginal Histeroscopia Dosagem de TSH: descartar hipotireoidismo Beatriz Chaveiro Turma XVIII • Outros testes: a taxa de falso-positivo e falso-negativo pode ser alta e atrasar o diagnóstico final. o Teste da Progesterona: administrar acetato de medroxiprogesterona 10 mg/dia por 5-10 dias e interromper uso. Caso a paciente menstrue entre o 2º e 7º dia após a interrupção, tem-se teste positivo, indicando que há estrogênio circulante e endométrio funcionante, sem obstrução. Esse teste descarta a síndrome de Asherman (a paciente tem endométrio para descamar) e sugere síndrome do ovário policístico (anovulção hiperestrogênica). Dessa maneira, esse teste seria útil somente em caso de não acesso a USG. Quando o teste é negativo, pensa-se que não há estrogênio circulante suficiente. o Teste do Estrogênio e Progesterona: administrar estrogênio conjugado 1,25-2,5 mg/dia ou estradiol 1-2 mg/dia por 21 dias. Nos últimos 7-10 dias, associar progesterona e interromper toda a medicação ao final do ciclo de 21 dias. Caso a paciente menstrue entre o 2º e 10º dia após a interrupção, tem-se teste positivo, indicando que não existe estrogênio circulante em níveis normais. É necessário investigar causas ovarianas e centrais, com solicitação de FSH (caso o FSH esteja alto, indica insuficiência ovariana. Caso o FSH esteja baixo, realizar o teste do GnRH). Quando o teste é negativo, sugere fator uterino. o Teste do GnRH: realizado quando o teste do estrogênio e progesterona foi positivo e a dosagem de FSH evidenciou níveis baixos ou normais. Esse teste diferencia causas hipotalâmicas de causas hipofisárias. Administra-se 100 mcg EV de GnRH com posterior dosagem de FSH e LH. Caso esses hormônios estejam aumentados, a causa da amenorreia é hipotalâmica (estresse, anorexia, bulimia, exercício, tumor, doenças crônicas). Caso esses hormônios estejam diminuídos, a causa da amenorreia é hipofisária (síndrome de Sheehan, pan-hipopituitarismo, tumor) Tratamento • Objetivos do tratamento o Restabelecer a função menstrual o Restabelecer a atividade sexual o Reverter o hipoestrogenismo (associado com osteoporose) o Restabelecer a função ovulatória (em pacientes que tem desejo de engravidar) o Restabelecer a fertilidade o Tratar distúrbios associados • Hiperprolactinemia: tratamento com agonistas dopaminérgicos (bromocriptina ou cabergolina) • Hipotireoidismo: reposição do hormônio tireoidiano • Hipoestrogenismo: o Falência ovariana prematura: terapia estroprogestativa (TEP), ovodoação quando há desejo de engravidar o Amenorreia hipotalâmica funcional: terapia estroprogestativa associada ao tratamento específico para bulimia, anorexia. Caso a paciente permaneça com essas condições e engravide, tem-se maior risco de trabalho de parto prematuro. o Síndrome de Sheehan: terapia estroprogestativa, hipotireoidismo e outras deficiências hormonais. o Síndrome de Asherman: ressecção das sinequias, terapia estroprogestativa ou DIU (de progesterona) o SOP (anovulação hiperestrogênica): ▪ Caso a paciente não deseje engravidar: ACOH ▪ Caso a paciente deseje engravidar: orientar mudanças de hábito de vida (atividade física e perda de peso), iniciar metformina, inibidor de aromatase, inseminação intrauterina ou FIV ▪ Hiperandrogenismo graves: espironolactona, danazol o Hiperplasia de adrenal: prednisona Beatriz Chaveiro Turma XVIII Síndrome Pré-Menstrual A síndrome pré-menstrual (SPM) ou tensão pré-menstrual (TPM) é representada por um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais. Esses sintomas apresentam caráter cíclico e recorrente, iniciando-se nas duas semanas anteriores à menstruação e que aliviam com o início do fluxo menstrual. Fatores de Risco • Variação genética do gene ESR1 (gene alfa do receptor de estrogênio) • Alimentação: o Fatores protetores: tiamina, riboflavona, ferro e zinco o Fatores de risco: alta ingesta de potássio • Peso: adiposidade e a síndrome metabólica aumentam o risco de SPM, principalmente em mulheres com IMC acima de 27,5 kg/m2 • Outros: baixo nível educacional, fumo de cigarros, história de eventos traumáticos ou desordens de ansiedade Características • Fase lútea (2ª fase do ciclo menstrual) • Dos 25 aos 40 anos • Cerca de 85% das mulheres que menstrual relatam pelo menos um ou mais sintomas pré-menstruais • Sintomas incapacitantes de 2-10% dos casos • A forma severa corresponde ao Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) Etiopatogenia • A etiologia é desconhecida • Existe uma associação entre a atividade cíclica ovariana e os efeitos do estradiol e progesterona sobre os neurotransmissores. O neurotransmissor mais implicado nas manifestações clínicas da SPM é a serotonina, contudo também há dados que implicam a betaendorfina, o ácido gama-aminobutírico (GABA) e o sistema nervoso autônomo. o Serotonina: regula o humor o GABA: regula o afeto • Pacientes com SPM apresentam menores índices séricos de serotonina e menor captação plaquetária de serotonina. Captação alterada de serotonina plaquetária e diminuição no número de sítios de ligação de imipramina em plaquetas de mulheres com alterações pré-menstruais severas desde o início da fase lútea, bem como alterações em vários testes de estímulos, têm sido descritas. Um possível aumento agudo no tônus serotoninérgico, ou um desvio parcial na capacidade de ligação dos opioides endógenos, pode ser resultante da queda rápida dos esteroides gonadais, típica da fase lútea • É importante lembrar que não há alterações nos níveis e disponibilidade desses neurotransmissores → existe uma tendência a interpretar SPM como vulnerabilidade individual às modificações cíclicas hormonais fisiológicas, uma vez que diversos estudos demonstram concentrações normais de progesterona e estrogênio nas pacientes com esse diagnóstico, além da complexa interação entre os hormônios gonadais e neurotransmissores, que pode estar relacionada na gênese dos sintomas • Causas ambientais podem também estar relacionadas à TPM. Entre elas, ressalta-se o papel da dieta. Alguns alimentos parecem ter importante implicação no desenvolvimento dos sintomas, como chocolate, cafeína, sucos de frutas e álcool. As deficiências de vitamina B6 e de magnésio são consideradas. • A compreensão dos mecanismos envolvidos e de seus efeitos na fisiologia clareia o diagnóstico e facilita o tratamento Diagnóstico da Síndrome Pré-Menstrual • Anamnese: os sintomas mais comuns são a irritabilidade, a disforia e a tensão. O quadro clínico é polimórfico, ou seja, tem variabilidade na intensidade dos sintomas. • O diário sintomatológico é um instrumento fundamental para ser utilizado durante a consulta médica, com a finalidade de caracterizar os sintomas em relação à fase do ciclo menstrual e sua variabilidade de intensidade. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Sintomas Emocionais Sintomas Comportamentais Sintomas Somáticos Depressão Agressividade Irritabilidade Ansiedade Confusão mental Dificuldade de concentração Insegurança nas decisões Falta de iniciativa Aumento do apetite Compulsão por doces Absenteísmo Isolamento social Mastalgia Distensão abdominal Cefaleia Edema de extremidades Dor muscular Cansaço desproporcional Alteração de hábito intestinal Insônia Náuseas Taquicardia Diagnóstico de SPM • Presença de um sintoma (afetivo ou físico) que interfira nas atividades diárias por pelo menos os cincos dias que antecedema menstruação nos últimos três ciclos consecutivos. • Aumento da intensidade dos sintomas em 30% durante a fase lútea quando comparado com os dias de 5 a 10 do ciclo menstrual (utilizando instrumento padronizado, como o diário da sintomatologia em pelo menos dois ciclos consecutivos). • Presença de um sintoma afetivo (explosão de raiva, irritabilidade, depressão, ansiedade, confusão e retração social) e somático (mastalgia, edema abdominal, cefaleia e edema em extremidades) durante os cincos dias que precedem a menstruação, com alívio dos sintomas do 4º ao 13º dia do ciclo menstrual, nos últimos três ciclos consecutivos. Classificação da SPM Presença de 3 sintomas → SPM leve Presença de 4 sintomas ou mais → SPM moderada Transtorno Disfórico Pré-Menstrual Os critérios diagnósticos para DDPM utilizando o DSM-V inclui a documentação usando o diário de sintomas físicos e comportamentais durante vários ciclos consecutivos (12 meses) que interfiram nas atividades diárias, e/ou a presença de cinco ou mais sintomas durante a semana que antecede a menstruação, melhorando após o início dela, bem como se devem excluir distúrbios psiquiátricos. Pacientes com DDPM são associadas à diminuição da produtividade no trabalho, faltas periódicas e maior número de consultas aos profissionais de saúde. Alguns estudos sugerem aumento da idealização suicida. Nesse contexto, diante de qualquer manifestação mais grave, deve-se encaminhar para acompanhamento psiquiátrico. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Tratamento Até o momento, nenhuma intervenção específica foi efetiva para tratar todas as pacientes, mas muitas opções estão disponíveis. A SPM tem etiologias biológicas e psicossociais múltiplas, e seu tratamento deverá refletir a severidade dos sintomas e prejuízos apresentados. • Não medicamentoso: o Mudança de hábitos de vida: prática de atividade física, modificação da dieta, higiene do sono o Suplementação (polivitamínico) ▪ Cálcio: melhora da irritabilidade, ansiedade, edema, dor e perversão alimentar. ▪ Vitamina B6: alivia os sintomas de alteração de humor ▪ Magnésio: pode auxiliar na retenção hídrica, mas pode ocasionar diarreia osmótica o Psicoterapia • Medicamentoso: o ISRS: é o fármaco de primeira linha para SPM e TDPM. As medicações mais utilizadas são a fluoxetina (20 a 60 mg por dia), a sertralina (50 a 200 mg por dia) e a paroxetina (10 a 30 mg por dia). Também se mostraram eficazes o citalopram (20 a 30 mg por dia), escitalopram (10 a 20 mg por dia) e venlafaxina (75 a 150 mg por dia). Medicações serotoninérgicas, especificamente inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs), tornaram-se os fármacos de primeira linha no tratamento da SPM grave ou da DDPM. Um efeito benéfico pode ser esperado no primeiro ciclo. Se a resposta for insuficiente, a dose pode ser aumentada no ciclo subsequente. A terapia com ISRS parece ser mais eficaz para sintomas de humor do que sintomas somáticos. Entre os efeitos colaterais dos ISRSs estão a cefaleia, diarreia, náuseas, insônia e queda de libido. Os sintomas indesejados podem ser minimizados com a redução da dose do fármaco ou o uso apenas na fase lútea. o Hormonal (supressão do eixo hipotálamo-hipófise-ovário): GnRH, anticoncepcionais orais (podem ser usados como prova terapêutica. Prescreve-se ACO por 3 meses e pede retorno para reavaliação dos sintomas), mirena, danazol o Espironolactona → em dose de 50 a 100 mg por dia. As pequenas doses em curto tempo não acarretam efeitos colaterais significativos, mas existe a possibilidade de ocorrência de distúrbios gastrointestinais, sonolência, tontura e leucopenia, além disso, o uso contínuo de diurético pode ativar o sistema renina- angiotensina-aldosterona, resultando em efeito rebote e acúmulo rápido de fluido assim que o diurético é descontinuado. o ACO (drospirenona): pelo período de 3 ciclos menstruais consecutivos demonstram melhora nos sintomas pré-menstruais (redução do inchaço e retenção hídrica). A drospirenona é um progestágeno derivado da 17-espironolactona e tem um perfil farmacológico que se assemelha muito ao da progesterona natural. • Tratamento da Enxaqueca Pré-Menstrual o Na enxaqueca pré-menstrual, o tratamento é feito à base de analgésicos, ergotamina e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): indometacina, mefenato, ibuprofeno, naproxeno e piroxicam. o A sumatriptana (100 mg por dia) é agonista dos receptores da serotonina e excelente para a fase aguda, não devendo ser administrada em pacientes com insuficiência hepática, coronariana ou renal. o O tratamento profilático da enxaqueca pode ser feito com betabloqueadores (20 a 40 mg por dia), metisergida (2 a 6 mg por dia) ou flunarizina (5 a 25 mg por dia). • Tratamento da Mastalgia o Quando a mastalgia é importante, principalmente se acompanhada de aumento da prolactina e galactorreia, podem ser usados os agonistas dopaminérgicos: bromoergocriptina (1,5 a 7,5 mg por dia), lisurida (0,2 mg por dia) ou cabergolina (0,5 a 1 mg por semana), durante a fase lútea. Beatriz Chaveiro Turma XVIII Semiologia ginecológica Exame das mamas Consulta obstétrica COP Modificações fisiológicas grácido-puerperais Bacia obstétrica Estática fetal Contratilidade uterina Mecanismo de parto Fisiologia menstrual Desenvolvimento puberal normal e anormal Assistência obstétrica Partograma Anatomia do aparelho urogenital Embriologia do aparelho urogenital feminino Câncer de mama USG em obstetrícia Vitalidade fetal Assistência pré-natal Diabetes mellitus gestacional Tireoidopatias na gestação Endometriose Dismenorreia Dor pélvica crônica ISTs e úlceras genitais Planejamento familiar e métodos contraceptivos Lesões precursoras do CA de câncer de colo de útero Puerpério Rotura prematura de membranas Oligodrâmnio Polidrâmnio Amenorreia Síndrome pré-menstrual