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<p>Literatura</p><p>Infanto Juvenil</p><p>Professora Esp. Paula Regina Dias de Oliveira</p><p>Professora Me. Greicy Juliana Moreira</p><p>Diretor Geral</p><p>Gilmar de Oliveira</p><p>Diretor de Ensino e Pós-graduação</p><p>Daniel de Lima</p><p>Diretor Administrativo</p><p>Renato Valença Correia</p><p>Coordenador NEAD - Núcleo</p><p>de Educação a Distância</p><p>Jorge Van Dal</p><p>Coordenador do Núcleo de Pesquisa</p><p>Victor Biazon</p><p>Secretário Acadêmico</p><p>Tiago Pereira da Silva</p><p>Projeto Gráfico e Editoração</p><p>André Dudatt</p><p>Revisão Textual</p><p>Beatriz Longen Rohling</p><p>Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante</p><p>Caroline da Silva Marques</p><p>Geovane Vinícius da Broi Maciel</p><p>Jéssica Eugênio de Azevedo</p><p>Kauê Berto</p><p>Web Designer</p><p>Thiago Azenha</p><p>UNIFATECIE Unidade 1</p><p>Rua Getúlio Vargas, 333,</p><p>Centro, Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>UNIFATECIE Unidade 2</p><p>Rua Candido Berthier</p><p>Fortes, 2177, Centro</p><p>Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>UNIFATECIE Unidade 3</p><p>Rua Pernambuco, 1.169,</p><p>Centro, Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>UNIFATECIE Unidade 4</p><p>BR-376 , km 102,</p><p>Saída para Nova Londrina</p><p>Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>www.unifatecie.edu.br/site</p><p>As imagens utilizadas neste</p><p>livro foram obtidas a partir</p><p>do site ShutterStock</p><p>FICHA CATALOGRÁFICA</p><p>UNIFATECIE - CENTRO UNIVERSITÁRIO EAD.</p><p>Núcleo de Educação a Distância;</p><p>MOREIRA, Greicy Juliana.</p><p>OLIVEIRA, Paula Regina Dias de.</p><p>Literatura Infanto Juvenil.</p><p>Greicy. Juliana Moreira.</p><p>Paula. Regina Dias de Oliveira.</p><p>Paranavaí - PR.: Fatecie, 2020. 102 p.</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária</p><p>Zineide Pereira dos Santos.</p><p>AUTORAS</p><p>Professora Mestre Greicy Juliana Moreira</p><p>● Mestre em Letra (UEM).</p><p>● Especialista em Língua Portuguesa - Teoria e Prática (América do Sul).</p><p>● Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional (Faculdade Maringá).</p><p>● Especialista em Educação Especial com Ênfase em Libras (Bom Bosco).</p><p>● Especialista em Educação Empreendedora (Puc -RJ).</p><p>● Especialista em Gestão de Pessoas (Faculdade Maringá).</p><p>● Licenciatura em Letras - Português.</p><p>● Segunda Licenciatura ( Pedagogia - Unicesumar - em andamento).</p><p>● Professora da Pós-Graduação (UNIFCV).</p><p>● Tutora Pedagógica e de Pós-graduação da (UNIFCV).</p><p>● Professora conteudista na área de Educação (UNIFCV/UNIFATECIE).</p><p>● Instrutora de cursos Técnicos e Profissionalizantes (SENAC-PR).</p><p>● Experiência na área de Educação há 12 anos.</p><p>● Experiência no Ensino Técnico e Superior e Pós-Graduação (presencial e à</p><p>distância): desde 2010 até os dias atuais.</p><p>Acesse meu currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/8929294723407914</p><p>Professora Esp. Paula Regina Dias de Oliveira</p><p>● Especialista em Docência no Ensino Superior (Unicesumar)</p><p>● Especialista em EAD e as Novas Tecnologias Educacionais (UniCesumar).</p><p>● Licenciatura em Pedagogia (FAPI – Faculdades de Pinhais).</p><p>● Tutora Educacional - Modalidade Presencial em disciplinas Híbridas (UNIFCV).</p><p>● Professora orientadora de trabalho de conclusão de curso da pós-graduação</p><p>(UNIFCV).</p><p>● Professora mediadora na área da Educação (UNIFCV).</p><p>Ampla experiência como tutora educacional e como professora mediadora em</p><p>disciplinas do curso de Pedagogia na modalidade EAD. Experiência como facilitadora em</p><p>cursos de formação profissional. Experiência em docência na educação infantil.</p><p>Acesse meu currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/2006860851344290</p><p>https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=B8DA4EF97D4AE655B42127C955EE8B8E</p><p>http://lattes.cnpq.br/2006860851344290</p><p>http://lattes.cnpq.br/2006860851344290</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE I ...................................................................................................... 5</p><p>A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>UNIDADE II ................................................................................................... 25</p><p>A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>UNIDADE III .................................................................................................. 53</p><p>Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>UNIDADE IV .................................................................................................. 73</p><p>Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>5</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• Conceito</p><p>• Aspectos históricos</p><p>• Especificidade</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>Ao final desta unidade você será capaz de:</p><p>• Apresentar e discutir alguns conceitos de literatura infanto juvenil, discutir suas concep-</p><p>ções, promover a compreensão crítica no que se refere a literatura infanto juvenil.</p><p>• Apresentar uma introdução à História da Literatura Infanto juvenil, bem como compreen-</p><p>der o seu desenvolvimento desde a Idade Medieval até os dias atuais.</p><p>• Discutir algumas questões acerca dessa literatura, a relação entre o leitor e o texto, além</p><p>das suas características e especificidades.</p><p>UNIDADE I</p><p>A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Professora Especialista Paula Regina Dias de Oliveira</p><p>6UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Nos dias atuais, formar leitores literários tem se tornado um grande desafio, pois</p><p>circulam em nossa sociedade discursos variados e muitas são as formas de expressão, e</p><p>o texto literário tem tentado se manter ativo em meio a essa imensa variedade de textos.</p><p>Mais afinal, o que é a literatura? O que a diferencia dos demais gêneros e por que ela é tão</p><p>importante na formação da criança e do adolescente?</p><p>A literatura infanto juvenil é formada por um conjunto de textos diversificados em</p><p>que a classificação desse gênero se dá pelo público que deseja atingir. Essa característica</p><p>é fundamental e compartilhada entre os diversos gêneros.</p><p>Falar um pouco sobre a importância dos textos literários, seu conceito, sua história</p><p>e especificidades é um dos objetivos desta unidade, pois a literatura infanto juvenil exerce</p><p>uma função importante na formação, cultural social e educativa da criança e do adolescente.</p><p>Assim, abordaremos primeiramente o conceito e com base nele, para após tra-</p><p>çarmos um percurso histórico mostrando suas transformações desde a Idade Média até a</p><p>Idade Contemporânea. Com base em uma visão crítica e pedagógica deste gênero falare-</p><p>mos sobre suas especificidades e suas características e o impacto que ela produz no leitor.</p><p>Espero com esse percurso, contribuir para seus estudos no que se refere a co-</p><p>nhecer e compreender a importância da literatura infanto juvenil na formação pedagógica,</p><p>social e cultural dos estudantes e na formação de futuros leitores.</p><p>Venha comigo e bons estudos!</p><p>7UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>1.CONCEITO</p><p>1.1 O que é Literatura?</p><p>O texto a seguir inicia com uma intenção de se realizar um passeio pela imaginação</p><p>que permeia a Literatura Infanto-juvenil. Para tanto, é preciso conhecer alguns conceitos</p><p>básicos sobre Literatura. Os primeiros conceitos se referem a Arte e a Literatura, seguidos</p><p>da Literatura para crianças e adolescentes.</p><p>Ao falar-se em Literatura, logo se remete ao ato de ler, a interação entre o leitor</p><p>e um texto literário. Todavia, a obra de arte literária vai além de uma simples leitura, pois</p><p>possui especificidades e características que outros textos não possuem. É importante</p><p>ressaltar aqui que a discussão que permeia o conceito de Literatura, suas singularidades e</p><p>especificidades não são fáceis. Diversas correntes teóricas tentaram defini-las, porém não</p><p>obtiveram sucesso, pois são discussões que ocorreram em sentidos diferentes, sociedades</p><p>e épocas distintas.</p><p>A Literatura expressa uma experiência humana, porém de maneira específica e</p><p>isso dificilmente poderá ser definido com exatidão. Cada época produziu e compreendeu a</p><p>literatura do seu jeito. E conhecer esse jeito, é conhecer a singularidade de cada momento</p><p>histórico da caminhada humana, bem como a sua evolução no decorrer desse período.</p><p>(COELHO, 2000).</p><p>Assim percebe-se que a Literatura está em constante modificação, e que ao longo</p><p>do tempo desenhou-se uma linha que demonstra esse vai e vem que nas palavras de Coe-</p><p>lho 2000, (p.14)“se reflete nas definições que o fenômeno literário recebeu desde Platão e</p><p>Aristóteles no século IV a.C., os quais deram início a discussão do tema”.</p><p>8UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>O</p><p>os níveis:</p><p>● Ler em voz alta e falar, sobre a leitura os alunos na pré-escola e nos primeiros</p><p>anos do ensino fundamental é de extrema importância, pois ajuda a desenvolver</p><p>o vocabulário e desperta o interesse pela leitura.</p><p>● Proporcionar o contato da criança com textos diversificados, desde poemas,</p><p>contos, mostrar figuras, ajudam a estimular a imaginação, fazendo com que a</p><p>criança mergulhe no universo da imaginação.</p><p>● Promover um ambiente que seja agradável e que favoreça a leitura.</p><p>38UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Com esse processo a criança aprenderá a reconhecer o herói da história, o tempo</p><p>da história, espaço, movimento, personagens, ação narrativa, bem como se familiarizar</p><p>com as metáforas, sinestesias e imagens. A criança também pode demonstrar que sente</p><p>prazer na leitura de determinada história, ao pedir que contem para ela várias vezes a</p><p>mesma narrativa. Isso é importante e deve ser estimulado.</p><p>Prática da leitura silenciosa:</p><p>● É muito importante na formação do leitor que ele se habitue a leitura silenciosa,</p><p>pois ela é quem dá a base da educação individual e ajuda a desenvolver o</p><p>imaginário, as emoções, sem que precise da intervenção do adulto.</p><p>Nos dias atuais, os livros infantis são bem proveitosos, pois vem repleto de ilustra-</p><p>ções e textos escritos, permitindo a criança que ainda não está alfabetizada a convivência</p><p>com os livros através das imagens que estes oferecem. A leitura dessas imagens leva a</p><p>criança a entrar no universo da leitura mesmo que não verbalmente. Daí a importância</p><p>de estimular esse comportamento na criança pois ele irá prepará-la para os textos mais</p><p>complexos que ela terá contato futuramente.</p><p>Ensino individualizado da leitura em todos os níveis da escolarização:</p><p>● Pesquisas indicam que quando o método de ensino da leitura é individualizado,</p><p>o prazer e interesse são maiores.</p><p>● Apesar da leitura individualizada despertar maior prazer, ele não deve ser dog-</p><p>matizado e o professor deve estar preparado para perceber em quais momentos</p><p>a leitura deve ser trabalhada individualmente ou em grupo.</p><p>Alternar entre a leitura silenciosa e leitura em voz alta é recomendável na literatura,</p><p>essa leitura em voz alta geralmente é realizada pelo professor, para que o ritmo e a entona-</p><p>ção da leitura não se percam. (COSTA, 2007).</p><p>39UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Adaptação das habilidades envolvidas na leitura quanto ao material e aos objetivos</p><p>da leitura:</p><p>● O leitor passa a ler melhor e assimilar mais rápido o conteúdo à medida que vai</p><p>ganhando prática e autonomia na leitura.</p><p>● Levar em consideração que cada texto requer uma desenvoltura diferente é um</p><p>fator importante na prática pedagógica que deve adequar a escolha dos textos</p><p>de acordo com os objetivos que desejam alcançar.</p><p>Assim, exercitar a leitura em voz alta é importante, pois ela exige do leitor entonação</p><p>vocal e interpretação, mais sempre levando em consideração a importância de realizar uma</p><p>leitura prévia a fim de se familiarizar com o conteúdo.</p><p>Se a leitura for realizada pela criança, o professor deve prepará-la para que realize</p><p>a interpretação em voz alta da forma mais adequada possível. Deve-se evitar improvisos,</p><p>erros e defeitos de prosódia e dicção e balbucios que comprometem a qualidade da ento-</p><p>nação. (COSTA, 2007).</p><p>Treinamento sistemático de consecução da leitura:</p><p>● Neste momento, avaliar a velocidade e compreensão em relação a leitura é</p><p>importante.</p><p>● Primeiramente, é importante delimitar o sentido de velocidade e de compreensão</p><p>do texto. A velocidade se refere a habilidade de ampliação do período de fixação</p><p>e de aumento da concentração. Já a compreensão se refere a capacidade do</p><p>leitor assimilar o conteúdo na mesma proporção em que o texto progride, ou</p><p>seja, conforme o aluno lê, ele assimila e compreende o significado do texto lido.</p><p>● Ao final o professor poderá avaliar o progresso do aluno levantando questiona-</p><p>mentos, testes e discutindo sobre o tema trabalhado.</p><p>É válido ressaltar que não se deve utilizar a leitura silenciosa ou em voz alta como</p><p>parâmetro para a avaliação do domínio da ortografia, ela deve ser, na verdade, um exercício</p><p>que desperte prazer no leitor.</p><p>40UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Mensuração e avaliação do progresso:</p><p>● Acompanhar de perto o progresso do aluno é importante. É necessário que</p><p>sejam realizadas avaliações diferenciadas, de acordo com o desenvolvimento</p><p>de formação do leitor.</p><p>● O professor deve evitar o uso de fichas e resumos que forcem a interpretação</p><p>e avaliação do aluno, esses processos são engessados e não contribuem para</p><p>o desenvolvimento.</p><p>● Durante o processo de avaliação é interessante que o professor utilize sua</p><p>criatividade para encontrar formas de avaliação que sejam coerentes e eficazes</p><p>no decorrer da rotina escolar.</p><p>Seleção de material de leitura para o ensino:</p><p>● É importante que o aluno tenha acesso a um material diversificado, assim ele</p><p>terá a chance de descobrir o que mais lhe agrada, o que é mais interessante</p><p>e o que é mais divertido para ele. Isso faz com que sua capacidade de leitura</p><p>aumente, além de contribuir para a que o hábito da leitura se torne algo cons-</p><p>tante na vida do leitor.</p><p>Os bons livros infantis, por conseguinte, são o fundamento do ensino da</p><p>leitura. Os interesses pelo enredo e pelo destino das personagens levam a</p><p>criança a terminar o livro num certo prazo de tempo. Quando isso acontece,</p><p>obtém-se o efeito prático tão necessário à compreensão na leitura. É nesse</p><p>ponto que a influência da sala de aula se combina com as inclinações na</p><p>esfera pessoal (BAMBERGER, 2000, p. 24 apud COSTA, 2007, p. 52).</p><p>Neste sentido, o professor, deve ter consciência de que para que seu trabalho</p><p>com o texto literário seja efetivo, ele deve ter sua sensibilidade em relação às obras bem</p><p>apuradas e desenvolvidas. Deve conhecer as obras, quais são mais apropriadas, quando</p><p>foram publicadas, quantas edições possuem, além de conhecer um pouco da história dos</p><p>autores. Ele também precisa ter um conhecimento detalhado sobre as funções que a litera-</p><p>tura possui, de forma que por meio desses conhecimentos saiba como utilizar cada texto.</p><p>Ademais, é importante que o professor que ensina a literatura e a prática da leitura</p><p>esteja ciente dos interesses dos alunos, conheça os livros infantis da atualidade, sem deixar</p><p>de lado os clássicos da literatura infantil, tenha consciência filosófica, seja desprovido de</p><p>preconceitos, goste de textos que promovam a emancipação e sejam inovadores. Devem</p><p>ser bons leitores, ter conhecimento e uma formação sólida das letras, ter fundamentação</p><p>41UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>teórico-metodológica. Essas são algumas das características positivas que poderão contri-</p><p>buir para um trabalho produtivo e eficaz para o desenvolvimento e formação do leitor.</p><p>Em contrapartida, ao papel do professor, a escola também precisa estar adaptada e</p><p>habilitada oferecendo subsídios ao professor, para que este consiga desempenhar seu pa-</p><p>pel. Possuir uma biblioteca que disponha de um bom acervo, é fundamental neste processo</p><p>e, sobretudo, ter programas de ensino que valorizem a leitura e a integração entre aluno e</p><p>professor, esta, por sua vez deve ser democrática e simétrica. (COSTA, 2007).</p><p>Para finalizarmos nossos estudos em relação a formação do leitor, e não menos</p><p>importante, é a qualidade empregada na literatura infantil brasileira, uma vez que, o uso do</p><p>lúdico e o descompromisso textual, atrelados a linguagem empregada e diversidade dos</p><p>temas torna mais prazerosa a experiência da leitura.</p><p>42UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>4 LITERATURA E CONCEITO DE LETRAMENTO</p><p>O letramento é um assunto muito discutido entre os profissionais da educação, e</p><p>apesar de ser um tema novo, tem sido propagado não só no mundo acadêmico, ele vem</p><p>ganhando espaço na escolas, nos cursos de formação para professores e também em</p><p>pesquisas</p><p>acadêmicas, sendo assim pode-se perceber que de certo modo o letramento é</p><p>algo que está intrinsecamente ligado a vida em sociedade. No ambiente escolar, é um fator</p><p>de grande relevância para o processo de ensino que o professor saiba como lidar com os</p><p>diversos tipos de letramento e consiga guiar o aluno para que este também seja capaz de</p><p>desenvolver outros tipos de letramento.</p><p>Neste tópico destacaremos o letramento literário, o qual tem como objetivo a for-</p><p>mação de futuros leitores que sejam críticos, que possam compreender a literatura em</p><p>seu contexto, e para que isso aconteça é importante que o aluno seja inserido no mundo</p><p>da literatura. Será apresentado também os conceitos de letramento literário, bem como</p><p>algumas sugestões sobre como trabalhar este assunto em sala de aula para uma escola-</p><p>rização correta do texto literário. Não obstante, a literatura é um recurso importante para a</p><p>educação e ler serve como uma base para o início e o fim do letramento literário.</p><p>43UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>4.1 O que é o letramento afinal?</p><p>O letramento surgiu no Brasil, a pouco mais de duas décadas, pela necessidade</p><p>que emergia de caracterizar e nomear comportamentos e práticas sociais na área da leitura</p><p>e escrita. Comportamentos estes que iam além do domínio do alfabeto e da ortografia. A</p><p>partir do momento em que a vida social e as atividades profissionais se tornaram cada vez</p><p>mais direcionadas e dependentes da linguagem escrita, expondo assim ser insuficiente</p><p>apenas alfabetizar a criança e ou o adulto, foram se tornando mais visíveis os comporta-</p><p>mentos e práticas sociais de leitura. (SOARES, 2004). Lembrando ainda que alfabetização</p><p>e letramento são dois processos distintos cada um com suas características e especificida-</p><p>des. De acordo com Soares, (2003, p. 90):</p><p>Embora correndo o risco de uma excessiva simplificação, pode-se dizer</p><p>que a inserção no mundo da escrita se dá por meio da aquisição de uma</p><p>tecnologia – a isso se chama alfabetização, e por meio do desenvolvimento</p><p>de competências (habilidades, conhecimentos, atitudes) de uso efetivo des-</p><p>sa tecnologia em práticas sociais que envolvem a língua escrita – a isso se</p><p>chama letramento.</p><p>Soares reforça ainda que o letramento é aquilo que a pessoa faz com as habilidades</p><p>da leitura e da escrita em um determinado contexto, e também como essas habilidades vão</p><p>se relacionar com as necessidades, com os valores e as práticas sociais de determinado</p><p>indivíduo. (SOARES, 2004). Desta forma, é válido ressaltar que o letramento é uma prática</p><p>social não sendo apenas um processo pessoal.</p><p>4.2 Relembrando sobre o conceito de letramento</p><p>O conceito de letramento engloba a leitura e a escrita, que embora sejam fenôme-</p><p>nos distintos se complementam e constituem conforme Soares (2004, p. 48-49) um “[…]</p><p>conjunto de habilidades, comportamentos, conhecimentos que compõem um longo e com-</p><p>plexo continuum”, ou seja, conforme explicitado pela autora, o indivíduo pode ter facilidade</p><p>em escrever o seu nome, mais não ser capaz de escrever um bilhete, ou ainda, ser capaz</p><p>de ler um bilhete, mas não conseguir ler uma reportagem. Neste sentido corroborando</p><p>com nossos estudos Soares (2004) diz que “[…] há diferentes tipos e níveis de letramento,</p><p>dependendo das necessidades, das demandas do indivíduo e de seu meio, do contexto</p><p>social e cultural” (SOARES, 2004, p. 48- 49).</p><p>44UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Contribuindo com a fala de Soares, Kleiman (1995) enfatiza o letramento como</p><p>uma prática discursiva de um determinado grupo social, mas que não necessariamente</p><p>envolvem atividades de leitura e escrita, mas que tem como função tornar significativa a</p><p>interação oral por meio da sua relação com a escrita. Assim, o letramento é um conjunto de</p><p>práticas sociais que que vai além da escrita. Ela ainda ressalta o letramento como termos de</p><p>práticas sociais, e que estes são aspectos não só culturais, mas também de estruturas de</p><p>poder que se fazem presentes na sociedade. Isto posto, as práticas letradas são produtos</p><p>da cultura, da história e dos discursos. (KLEIMAN, 1995).</p><p>Já Street (2014), apresenta uma visão mais ampla e atualizada do conceito de</p><p>letramento. O autor vê o letramento como uma prática social que salienta a natureza social</p><p>da leitura e da escrita, bem como o múltiplo caráter das práticas de letramento. Ele se vale</p><p>de perspectivas transculturais, da natureza social do letramento para se opor àquilo que</p><p>chama de perspectiva “autônoma”, orientada para as habilidades. Ele ainda:</p><p>• Reconhece a existência de múltiplos letramentos praticados em contextos reais;</p><p>• Sugere aos leitores que rejeitem uma visão etnocêntrica e hierárquica;</p><p>• Orienta que os leitores privilegiem uma forma particular de letramento diante</p><p>das muitas variedades existentes;</p><p>• Em oposição a essa perspectiva, o autor propõe um modelo ideológico de</p><p>letramento reconhecendo que as práticas de leitura e escrita estão inseridas</p><p>não em significados culturais, e também nas alegações ideológicas sobre o</p><p>que é considerado como letramento, e nas relações de poder que estão a ela</p><p>associadas (STREET, 2014).</p><p>Ainda de acordo com o autor, “recentemente, porém, a tendência tem sido no rumo</p><p>de uma consideração mais ampla de letramento como uma prática social e numa perspec-</p><p>tiva transcultural.” (STREET, 2014, p. 17).</p><p>Desta forma finalizamos nossos estudos sobre os conceitos de letramento na visão</p><p>dos três autores citados verificando a importância de compreendermos o letramento como</p><p>algo que vai além da leitura e da escrita, mas como uma prática social que faz parte da</p><p>formação social dos alunos.</p><p>45UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>4.3 O letramento literário como caminho para uma adequada escolarização e forma-</p><p>ção de leitores em idade escolar</p><p>Um dos fatores que tem contribuído para uma má formação dos leitores em fase</p><p>escolar é a escolarização inadequada da literatura neste ambiente. Soares (2006), abre</p><p>uma discussão sobre essa escolarização e traz exemplos de como acontece e mostra</p><p>caminhos que podem levar a mudanças que são possíveis e necessárias neste contexto.</p><p>A autora ainda divide as instâncias de escolarização em três níveis, conforme demonstra o</p><p>quadro a seguir:</p><p>Quadro 2: Instâncias de escolarização</p><p>1. BIBLIOTECA ESCOLAR</p><p>- O espaço de guardar livros e de acesso à lite-</p><p>ratura</p><p>2. A LEITURA E ESTUDOS DE LIVROS</p><p>DE LITERATURA</p><p>- É orientada, determinada e avaliada</p><p>3. A LEITURA E O ESTUDO DE TEXTO</p><p>- A literatura é apresentada por meio de fragmen-</p><p>tos para serem lidos, compreendidos e interpre-</p><p>tados</p><p>Fonte: SOARES, Magda. A escolarização da literatura infantil e juvenil. In: EVANGELISTA, Aracy A.M.;</p><p>BRANDÃO, Heliana M.B.; MACHADO, Maria Z. V. (ORG.) Escolarização da leitura literária. 2º. ed., Belo</p><p>Horizonte: Autêntica, 2006.</p><p>É possível verificar que na última instância, a escolarização da literatura é inadequada</p><p>, uma vez que promove a leitura de fragmentos de textos literários fora de seus contextos,</p><p>apresenta, títulos e gêneros em quantidade limitada, não obtém critérios na escolha de</p><p>autores e obras, as atividades propostas não visam à textualidade ou literalidade, transfor-</p><p>mando o texto literário em um mero texto informativo, que tem como pretexto exercícios de</p><p>metalinguagem. Essa conclusão foi obtida, após análise de livros didáticos utilizados por</p><p>alunos do 1º ao 4º ano do ensino fundamental I. (SOARES, 2006).</p><p>A autora ressalta que é papel da escola a didática dos conhecimentos e as práticas</p><p>culturais, mas que também é possível fazer uma escolarização adequada,</p><p>Distinguimos entre uma escolarização adequada e uma escolarização ina-</p><p>dequada da literatura: adequada seria aquela escolarização que conduzisse</p><p>eficazmente às práticas de leitura literária que ocorrem no contexto social e às</p><p>atitudes e valores próprios do ideal do leitor que se quer formar; inadequada</p><p>é aquela escolarização que deturpa, falsifica, distorce a</p><p>literatura, afastando,</p><p>e não aproximando, o aluno das práticas de leitura literária, desenvolvendo</p><p>nele resistência ou aversão ao livro e ao ler. (SOARES, 2006, p. 47)</p><p>46UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Assim sendo, se o processo de escolarização for realizado de forma caracterizada,</p><p>respeitando sua função social ela pode contribuir significativamente para a formação do</p><p>aluno leitor dentro daquilo que chamamos de uma perspectiva do letramento literário.</p><p>4.4 Letramento literário como uma proposta de trabalho nas escolas</p><p>Quando se trata de leitura literária, muitos se enganam com o fato de achar que</p><p>a leitura é somente prazer. As pessoas não nascem gostando ou não de ler. Essa é uma</p><p>habilidade que deve ser despertada no indivíduo.</p><p>Em sala de aula, é comum ver os professores utilizando os gêneros literários ape-</p><p>nas como pretexto para ensinar alguns aspectos gramaticais da língua (COSSON, 2006).</p><p>Infelizmente isso é um erro, pois a literatura deveria ser vista com prioridade nas escolas.</p><p>Mas para que isso aconteça é necessário repensar o conceito de literatura, e torná-lo uma</p><p>prática significativa de ensino-aprendizagem, considerando também seu valor e a função</p><p>social que ela exerce na vida do leitor.</p><p>Visando melhorar a prática do ensino da literatura no ambiente escolar, estudiosos</p><p>mostram o letramento literário, como sendo uma forma mais amplas do ensino da literatura</p><p>(SILVA; SILVEIRA, 2011). Autores como Paulino (1998), define que, embora passem pela</p><p>escola, o letramento literário ainda é uma apropriação pessoal de práticas de leitura e</p><p>escrita, assim como os outros tipos de letramento. Neste tipo de letramento, muitas vezes</p><p>não são cobradas as habilidades de escrita literária, por serem constituídas apenas como</p><p>escolhas individuais (PINHEIRO, 2006).</p><p>Formar um leitor literário consiste em torná-lo alguém que saiba escolher as suas</p><p>leituras e que aprecie as construções e significações verbais que compõe as obras literárias,</p><p>além de saber usar estratégias de leituras que sejam adequadas a esses textos, aceitar</p><p>o pacto ficcional proposto, reconhecer as marcas linguísticas, entre outras características</p><p>que são específicas das obras literárias. (PAULINO,1998).</p><p>Cosson (2006) apresenta algumas estratégias que visam contribuir com o desen-</p><p>volvimento do letramento literário na escola, e que serão elencadas a seguir:</p><p>● Ele vê a leitura como objetivo principal desse tipo de letramento;</p><p>● A leitura deve ser discutida, questionada e analisada;</p><p>● Essa proposta consiste em uma sequência básica e uma sequência expandida</p><p>de letramento literário.</p><p>47UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Apresentamos os passos da sequência básica, conforme quadro a seguir:</p><p>Quadro 3: Passos da sequência básica</p><p>1º PASSO</p><p>- Motivação, preparação do aluno para entrar no texto;</p><p>- Esse primeiro encontro vai definir se ouve ou não sucesso no</p><p>encontro do leitor com a obra.</p><p>2º PASSO</p><p>- Apresentação do autor e da obra por meio da introdução;</p><p>- Função: permitir ao aluno receber de forma positiva a obra</p><p>literária;</p><p>- A introdução deve ser breve.</p><p>3º PASSO</p><p>- Leitura em si;</p><p>- É uma atividade escolar, portanto precisa ser acompanhada</p><p>pelo professor;</p><p>- O professor deve auxiliar os alunos em suas dificuldades,</p><p>principalmente no ritmo de leitura;</p><p>- No caso de textos extensos, orienta-se que a leitura seja feita</p><p>em casa, em bibliotecas ou em salas de leitura respeitando o</p><p>tempo.</p><p>- Em sala de aula é importante os alunos apresentarem o re-</p><p>sultado da leitura, como sendo um processo de apropriação do</p><p>letramento literário.</p><p>4º PASSO</p><p>- Interpretação;</p><p>- Deve ser pensado em dois momentos: interior e exterior;</p><p>- Momento interno: individual, acompanha a obra palavra por</p><p>palavra, decifra cada capítulo, até chegar à apreensão global</p><p>da obra, é realizada após o término da leitura;</p><p>- Momento externo: concretização do ato de construção de sen-</p><p>tido em uma determinada comunidade de leitores;</p><p>- Nesse ponto, o letramento literário feito na escola se distingue</p><p>da leitura literária.</p><p>Fonte: COSSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2006.</p><p>A sequência expandida, tem como função orientar os professores do ensino médio,</p><p>em que pretende deixar em evidência as articulações entre experiência, saber e educação</p><p>literária. Nesta sequência permanecem a motivação, introdução e leitura. A interpretação</p><p>passa a ser dividida em duas partes: primeira e segunda interpretação, em que a primeira</p><p>se refere a apreensão global da obra, onde o aluno traduz a impressão geral do título e o</p><p>impacto que este causou na sua senilidade enquanto leitor, em seguida conduz o aluno ao</p><p>entendimento do contexto da obra e aprofundamento da leitura, essa contextualização está</p><p>48UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>dividida em contextualização teórica, histórica, estilística, poética, crítica, presentificadora e</p><p>temática (COSSON, 2006).</p><p>A segunda interpretação compreende os aspectos da leitura aprofundada. Con-</p><p>siderada como uma viagem ao texto, pode apresentar diversos caminhos de acordo com</p><p>a contextualização que foi apresentada. Já a expansão é mais um passo a ser seguido e</p><p>tem como objetivo destacar as possibilidades de diálogo de uma obra com textos que a</p><p>precederam, ou também como um diálogo construído entre o leitor e duas ou mais obras.</p><p>Como a sequência básica está inserida na sequência expandida, é de responsabilidade do</p><p>professor definir até onde pode e consegue ir com os alunos. (COSSON, 2006).</p><p>É válido ressaltar que as sequências são apenas propostas de como o professor</p><p>trabalhar o letramento literário em sala de aula, todavia, nada impede que este encontre</p><p>novos caminhos para trabalhar adequadamente este tema. É preciso que as práticas de</p><p>leitura no contexto escolar sejam revistas e problematizadas e o professor enquanto o</p><p>mediador entre o aluno e o livro, tem a responsabilidade de apresentar em sala de aula</p><p>obras literárias visando o letramento literário. (FERNANDES, 2011).</p><p>Desta maneira, é importante e necessário que a escola utilize estratégias de ensino</p><p>que privilegiem a formação literária por meio da leitura, e ao professor enquanto principal</p><p>mediador do conhecimento deve assumir a sua posição na condução deste processo para</p><p>que o objetivo de formar o aluno enquanto leitor literário aconteça de forma satisfatória.</p><p>49UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Olá leitor,</p><p>Chegamos ao final de mais uma unidade de estudos do nosso material.</p><p>Em nosso passeio pelo mundo da cultura literária foi possível responder aos ques-</p><p>tionamentos realizados na introdução desta unidade, onde compreendemos que a literatura</p><p>é fruto da existência de uma cultura e que se não houver cultura, não há literatura. Também</p><p>ficou claro que a cultura está intrinsecamente relacionada ao homem e sociedade e que lei-</p><p>tura é um ato social, é uma atividade peculiar ao sujeito contemporâneo e que está presente</p><p>em seu cotidiano. Verificamos que a cultura é um termo com muitíssimos significados e é</p><p>rica em diversidade e a escola é um lugar onde se pode vislumbrar a diversidade cultural.</p><p>Em seguida no tópico II, discutimos sobre a formação do leitor, o trabalho que o pro-</p><p>fessor vai exercer nesse processo de formação do aluno, e as habilidades que o professor</p><p>precisa ter para desenvolver de forma satisfatória o seu papel. Abordamos alguns aspectos</p><p>importantes para a formação do hábito da leitura na visão de Richard Bamberger. Também</p><p>discutimos sobre a qualidade empregada na literatura infantil brasileira, o uso do lúdico e o</p><p>descompromisso textual, que são fatores que torna mais prazerosa a experiência da leitura.</p><p>No tópico III, foi possível relembrar sucintamente sobre o conceito de letramento.</p><p>Destacamos o letramento literário e a sua importância na formação dos futuros leitores.</p><p>Apresentamos também os conceitos de letramento literário como sendo uma forma mais</p><p>amplas do ensino da literatura.</p><p>Foram apresentadas também, algumas estratégias que</p><p>podem contribuir com o desenvolvimento do letramento literário na escola e que privilegiem</p><p>a formação literária por meio da leitura.</p><p>E para finalizarmos nossos estudos, verificamos a importância do professor en-</p><p>quanto mediador do conhecimento para que o objetivo de formar o aluno enquanto leitor</p><p>literário aconteça de forma satisfatória e que o aluno precisa entender que a escola vai</p><p>ensinar o que ele precisa saber para se tornar um cidadão autônomo, participativo e crítico</p><p>garantindo assim seu espaço na sociedade.</p><p>Assim sendo, espero com esse material desenvolvido com muito carinho e dedica-</p><p>ção tenha conseguido contribuir para o seu conhecimento e sua formação enquanto futuro</p><p>profissional.</p><p>Bons estudos e até a próxima unidade!</p><p>50UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Desde a criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN,</p><p>ainda inscrito como Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – SPHAN na dé-</p><p>cada de 1930, debatia-se o que poderia ser considerado patrimônio cultural. Neste período</p><p>coexistiam duas linhas de atuação no campo do patrimônio, a chamada “pedra e cal”,</p><p>hegemônica, na prática, pois eram os tombamentos que construíam o patrimônio histórico e</p><p>artístico nacional; e a de referência 3, hegemônica no plano discursivo (FONSECA, 2003).</p><p>A primeira, herdada do pensamento de Rodrigo Melo Franco de Andrade, concebia</p><p>o patrimônio alicerçado nas ideias de civilização e tradição, almejando civilizar o Brasil</p><p>através da tradição. A segunda, herdada de Mário de Andrade por Aloísio Magalhães, arti-</p><p>cularia as ideias de desenvolvimento e diversidade cultural, no sentido de que a diversidade</p><p>cultural brasileira fosse levada em consideração no processo de desenvolvimento do país.</p><p>Os dois discursos reconheciam a cultura brasileira sendo composta por outras dis-</p><p>tintas subculturas como a africana, ameríndia e européia. Mas os olhares eram diferentes: a</p><p>primeira as via como estágios de evolução para chegar à civilização, enquanto a segunda,</p><p>como formas de vida social e cultural atuais, diversas e em processo de transformação</p><p>(GONÇALVES, 1996).</p><p>A narrativa de Rodrigo Melo Franco de Andrade arrazoava que a conservação do</p><p>patrimônio histórico e artístico seria uma forma de educar a população sobre uma unidade</p><p>da nação e via os monumentos como signos de uma condição civilizada, “a materialização</p><p>de valores permanentes da civilização” (GONÇALVES, 1996, p. 65). Nesse sentido, a pre-</p><p>servação das características dos monumentos cúmplices do pretérito de determinado lugar</p><p>é que lhe abonava prestígio e expressão.</p><p>É oportuno considerar que a escolha pelo projeto de Rodrigo Melo Franco ocorre</p><p>pela influência européia na política de patrimônio adotada pelo Brasil, onde o termo “pa-</p><p>trimônio” adquire seu contorno semântico na modernidade e por ser, a cultura européia, o</p><p>modelo visado. Mas há também o eclipse do projeto de Mário de Andrade ao não explicitar</p><p>um instrumento que contemplasse a sua concepção do que estaria suscetível a ser patri-</p><p>mônio cultural brasileiro.</p><p>Nos anos de 1980, no campo literário, também se percebia uma conversão na</p><p>literatura, quando a escrita memorialista pode ser considerada integrante de “um processo</p><p>de retomada da conscientização política operada pelo livro” (SANTIAGO, 1982, p. 34).</p><p>51UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Escritores como Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Darcy Ribeiro, Ariano Suassuna,</p><p>Lins do Rego, Mário de Andrade, dentre outros, contribuíram para o fato de que, no livro,</p><p>“o povo é dado a conhecer através das suas próprias manifestações: casos, contos, ro-</p><p>mances, provérbios etc, dado a conhecer pela sua produção poética (no sentido amplo)”</p><p>(SANTIAGO, 1982, p. 37).</p><p>Para Silvano Santiago ainda há, em alguns desses escritos, uma visão do que</p><p>chama de classe dominante, em que o papel do escritor-intelectual é colher as informações</p><p>dos indivíduos mantendo uma relação entre o contar e o contar direito, corrigido. Mas sem</p><p>dúvida, contribuíram para a “vertente popular que vai sustentar as possibilidades de um</p><p>discurso que atualize, sem preconceitos e sem demagogia” (SANTIAGO, 1982, p. 37), os</p><p>autores que chamaria de romancistas-antropólogos.</p><p>Assim é apropriado compreender, com Chauí (1996), que há uma definição de</p><p>critérios entre emissor e receptor, uma regra a ser respeitada entre quem pode dizer e</p><p>quem pode ouvir. Existe o emissor autorizado e o receptor autorizado, sendo o primeiro o</p><p>especialista, que possui o conhecimento que lhe permite fundamentar a falar; e o segundo</p><p>aquele para o qual é concedido um espaço de opinião, aceitação ou recusa, mas dentro de</p><p>um espaço de atuação que já lhe foi definido. E assim, começou essa história.</p><p>Fonte: MASCARENHA, Denise dos Anjos. A literatura como forma de registro da cultura popular brasileira:</p><p>cantorias, crenças e aforismos em grande sertão: veredas. II Seminário de Pesquisa da Faculdade de Ciên-</p><p>cias Sociais. Goiânia: 2011. Disponível em: <<https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/253/o/Denise_dos_An-</p><p>jos_Mascarenha.pdf>>. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>52UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>• Título: Armazém do Folclore.</p><p>• Autor: Ricardo Azevedo.</p><p>• Editora: Ática, 2019.</p><p>• Sinopse: As histórias do rico repertório da cultura popular</p><p>brasileira ganham ainda mais fluência e brilho com o texto e as</p><p>ilustrações de Ricardo Azevedo, que pesquisa o tema há mais de</p><p>20 anos. Neste “armazém”, as crianças encontram quadras popu-</p><p>lares, contos, adivinhas, brincadeiras com palavras e muito mais.</p><p>LIVRO</p><p>• Título: A Moreninha.</p><p>• Autor: Joaquim Manuel de Macedo.</p><p>• Editora: Ática.</p><p>• Sinopse: o romance A Moreninha é um clássico da nossa</p><p>literatura e representa a narrativa romântica com características</p><p>nacionais. Publicado em 1844, o Romantismo, como grande</p><p>parte dos movimentos literários, tinha força na Europa. A obra</p><p>de Joaquim Manuel de Macedo dá os primeiros passos para o</p><p>Romantismo tipicamente brasileiro. A obra mostra os costumes e</p><p>a organização da sociedade que se formava no século XIX no Rio</p><p>de Janeiro: os estudantes de medicina, os bailes, a tradição da</p><p>festa de Sant’Ana, o flerte das moças etc. Também está presente</p><p>a cultura nacional, através da lenda da gruta, em que o choro de</p><p>uma moça que se apaixonou por um índio e não foi correspondida</p><p>se transforma na fonte que corre na gruta.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• Título: Memórias Póstumas.</p><p>• Ano: 2001.</p><p>• Sinopse: o filme mostra a vida de Brás Cubas, contada por ele</p><p>mesmo depois de sua morte. Entre as adaptações que o texto</p><p>sofreu nessa produção, há um fator temporal. É como se o pro-</p><p>tagonista tivesse saído da tumba para contar sua história no ano</p><p>2000.</p><p>53</p><p>Plano de Estudo:</p><p>● Narrativa infanto-juvenil.</p><p>● Trabalho com gêneros textuais por meio da literatura.</p><p>● Principais autores – Monteiro Lobato, Pedro Bandeira, Ruth Rocha e Ziraldo.</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>● Conceituar e contextualizar as características da narrativa infanto-juvenil.</p><p>● Fundamentar as acepções referentes ao trabalho com gêneros textuais por meio</p><p>da literatura.</p><p>● Apresentar informações sobre a vida e obra dos principais autores brasileiros de</p><p>literatura infanto-juvenil.</p><p>UNIDADE III</p><p>Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Professora Mestre Greicy Juliana Moreira</p><p>54UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Caro(a) aluno(a), Olá!</p><p>Seja muito bem-vindo(a) à unidade III. Agora, vamos viajar pelo encantador mundo</p><p>do “Ensino da literatura infanto-juvenil.</p><p>Nossa primeira parada será para desvendar as especificidades do gênero em</p><p>questão, além de refletir sobre a relevância do trabalho com literatura em sala de aula e o</p><p>despertar do gosto pela leitura literária.</p><p>No decorrer desse delicioso passeio, percorreremos os caminhos relacionados ao</p><p>trabalho com os gêneros textuais por</p><p>meio da literatura.</p><p>Na última parada, vamos adentrar ao mundo dos principais autores de literatura</p><p>infanto-juvenil, como por exemplo, Monteiro Lobato, Pedro Bandeira, Ruth Rocha e Ziraldo</p><p>e então, conhecer um pouco sobre a biografia deles. Depois, vamos mergulhar nas mais</p><p>diversas obras e personagens criados por esses renomados e consagrados autores brasi-</p><p>leiros.</p><p>Embarque nessa maravilhosa viagem comigo e conheça mais sobre literatura</p><p>infanto-juvenil, estudante!!!</p><p>55UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>1 NARRATIVA INFANTO-JUVENIL</p><p>Aluno(a), durante nossa viagem pelo maravilhoso mundo da literatura infanto-ju-</p><p>venil, nessa primeira parada da unidade III (três), vamos conhecer as especificidades da</p><p>“narrativa infanto-juvenil”.</p><p>Para iniciarmos nosso diálogo sobre esse universo, precisamos, primeiramente,</p><p>apresentar informações sobre a contextualização histórica desse gênero no Brasil, para</p><p>entendermos mais sobre os primeiros registros. As primeiras produções são datadas no</p><p>século XIX, porém foi somente no século XX, no contexto de ascensão da família burguesa,</p><p>que houve efetivamente a consolidação de produções destinadas ao público em questão.</p><p>Contudo, nessa época, a literatura estava relacionada à prática pedagógica, ou seja, o</p><p>principal objetivo era trabalhar valores morais, descartando a função artística. Contudo,</p><p>foi somente em 1920, quando Lobato lançou “A menina do narizinho arrebitado”, que a</p><p>literatura ganhou destaque, ultrapassou as funções pedagógicas e deu lugar ao prazer e a</p><p>aventura (COELHO, 2006).</p><p>Agora, estudante, com intuito de avançarmos em nossa viagem, vamos recorrer à</p><p>classificação dos gêneros literários. Segundo as teorias de Platão (A república) e Aristóteles</p><p>(Poética), eles são considerados um conjunto de textos, que possuem semelhanças entre</p><p>formas e conteúdos, classificados em três grandes categorias: épico, lírico e o dramático.</p><p>Alguns autores defendem ainda, uma outra classificação: a narrativa de ficção, um desdo-</p><p>bramento do épico.</p><p>Nessa unidade, vamos nos debruçar, mais especificamente, sobre o gênero narra-</p><p>tivo, estruturado em prosa, o qual apresenta enredo com situação inicial, conflito e clímax.</p><p>56UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Os elementos constituintes são: o narrador, o tempo, o lugar, o enredo e as personagens.</p><p>Dentro da classificação narrativa, existe uma subcategoria, a qual destaca as produções</p><p>de contos, novelas e romances. Além delas, existe também a crônica, que transita entre o</p><p>literário e jornalístico, uma vez que, narra fatos históricos em ordem cronológica, abordando</p><p>temas da atualidade.</p><p>As obras de Literatura infantil e juvenil apresentam como primordial especificidade</p><p>a oralidade, resgatando os primórdios do ato de narrar. Assim, essa leitura cumpre o papel</p><p>social da literatura, ou seja, transforma a infância e desenvolve a criticidade do aluno, assim</p><p>“pode se constituir num fator de liberdade e transformação dos homens” (SILVA, 1986).</p><p>Cabe agora, dialogar um pouco sobre as especificidades da literatura infanto-</p><p>-juvenil, que é mais apropriada para os leitores entre dez e quinze anos. Nessas obras,</p><p>os temas mais relevantes dão destaque para o mundo significativo para o adolescente,</p><p>apresentando suas dúvidas em relação ao contexto no qual está inserido, motivando a</p><p>reflexão e o questionamento dele, como exemplo temos os seguintes temas: sexo, droga,</p><p>violência, relacionamento amoroso, escolha profissional, afirmação, dentre outros. Já os</p><p>personagens aproximam-se do conceito de herói épico, afirmando suas personalidades,</p><p>com aspectos hostis e desafiadores (SILVA, 1986).</p><p>Vale ressaltar a importância de trabalhar a diversidade de gêneros literários em sala</p><p>de aula, pois esse trabalho interdisciplinar, associa o entendimento social e cultural com a</p><p>aquisição linguística, contribuindo significativamente com o desenvolvimento do aluno leitor.</p><p>De acordo com estudiosos da crítica literária, é interessante que o educador, no decorrer</p><p>do seu projeto com literatura, exemplifica a especificidade de cada gênero com diversidade</p><p>de livros, apresentando informações que enriqueçam o estudo, como por exemplo: surgi-</p><p>mento, características, temas, função social, autores e obras famosos (STALLONI, 2001).</p><p>Assim, para finalizar esse tópico, aluno, é interessante destacar que durante anos</p><p>a literatura foi utilizada em sala de aula simplesmente para recursos pedagógicos, porém</p><p>ainda hoje encontramos produções de literatura infanto-juvenil com fins temáticos, como</p><p>por exemplo, séries literárias produzidas para apresentar os temas transversais, etc. De</p><p>acordo com alguns estudiosos da área não há problemas nas abordagens temáticas, mas</p><p>sim em utilizar a literatura apenas para fins pedagógicos, pois o papel social da literatura vai</p><p>muito além disso. Portanto, não é bom ao fazer uso de gêneros literários em sala de aula,</p><p>descartar sua riqueza em detrimento do pedagógico.</p><p>Então, aluno(a), no próximo tópico, retomaremos esse assunto e ampliaremos</p><p>nossos conhecimentos sobre o trabalho em sala de aula com gêneros textuais e literatura.</p><p>57UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>2 O TRABALHO COM GÊNEROS TEXTUAIS POR MEIO DA LITERATURA</p><p>Estudante, olá!</p><p>Agora, neste segundo tópico, primeiramente, vamos dialogar sobre o conceito de</p><p>gêneros textuais sob a perspectiva da Linguística Aplicada -LA, subsidiada na concepção</p><p>dialógica da linguagem, com ênfase na abordagem sócio-histórica, de acordo com os pres-</p><p>supostos teórico bakhtiniano, do Círculo e demais estudiosos. Na sequência, nosso estudo</p><p>abordará aspectos relacionados ao trabalho com os gêneros textuais e a literatura em</p><p>sala de aula, para tanto, buscaremos as acepções das da Base Nacional Comum Curricular</p><p>(BNCC) e depois apresentaremos sugestões de trabalhos.</p><p>2.1 Gêneros textuais</p><p>Os gêneros discursivos são enunciados concretos, relativamente estáveis, consti-</p><p>tuídos no campo social e, que modificam-se, tomam formas e adaptam-se de acordo com</p><p>as mudanças e os campos sociais onde estão inseridos. Esses campos são os ambientes</p><p>onde a comunicação entre indivíduos acontece tais como: campo religioso, escolar, jurídico,</p><p>científico, familiar, etc. Conforme elucida o teórico “Cada enunciado particular é individual,</p><p>mas cada campo de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enun-</p><p>ciados, os quais denominamos gêneros do discurso (BAKHTIN, 2003, p. 277).</p><p>58UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Por serem constituídos em diversos campos e contextos diferenciados, possuem</p><p>especificidades e intenções comunicativas que refletem a finalidade e condição de produ-</p><p>ção específica para cada situação comunicativa. Por isso, o referido autor faz a seguinte</p><p>classificação: gêneros do discurso (orais e escritos), segundo a sua heterogeneidade,</p><p>como primários e secundários. Os primários decorrem de uma situação cotidiana informal,</p><p>como por exemplo, bate-papo entre colegas, família, etc. Já os secundários, muitas vezes</p><p>advém dos primários, no entanto, são forma mais complexos, tais como escrita de produ-</p><p>ção científica, relatórios, etc. Além dessas acepções, o mesmo autor divide os elementos</p><p>constitutivos dos gêneros em: conteúdo temático, forma composicional e estilo (BAKHTIN,</p><p>2003).</p><p>O estudo e ensino de gêneros textuais teve destaque e foi muito discutido a partir</p><p>do lançamento dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, em 1998. Então, Dolz &</p><p>Schneuwly (2004) baseando-se nas contribuições do Interacionismo Sociodiscursivo, pro-</p><p>puseram um agrupamento dos gêneros orais e escritos, com intuito de colaborar para o</p><p>desenvolvimento desse trabalho em sala de aula e ainda, no ensino de língua portuguesa.</p><p>Quadro 1 - Agrupamento de gêneros</p><p>Domínios sociais de co-</p><p>municação</p><p>Capacidades de lingua-</p><p>gem dominantes</p><p>Exemplos de gêneros orais e escritos</p><p>Cultura literária ficcional NARRAR</p><p>Mimeses da ação através</p><p>da criação de intriga</p><p>Conto maravilhoso</p><p>Fábula</p><p>Lenda</p><p>Narrativa de aventura Narrativa de fic-</p><p>ção científica</p><p>Narrativa de enigma Novela fantástica</p><p>Conto parodiado</p><p>Documentação e memori-</p><p>zação de ações humanas</p><p>RELATAR</p><p>Representação pelo dis-</p><p>curso de experiências vi-</p><p>vidas, situadas no tempo</p><p>Relato de experiência vivida</p><p>Relato de viagem Testemunho</p><p>Curriculum vitae</p><p>Notícia</p><p>Reportagem</p><p>Crônica esportiva</p><p>Ensaio biográfico</p><p>Discussão de problemas</p><p>sociais controversos</p><p>ARGUMENTAR Sustenta-</p><p>ção, refutação e negocia-</p><p>ção de tomadas de posi-</p><p>ção</p><p>Texto de opinião</p><p>Diálogo argumentativo Carta do leitor</p><p>Carta de reclamação Deliberação infor-</p><p>mal Debate regrado</p><p>Discurso de defesa (adv.) Discurso de</p><p>acusação (adv.)</p><p>http://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/view/99757/146238</p><p>http://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/view/99757/146238</p><p>59UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Transmissão e construção</p><p>de saberes</p><p>EXPOR</p><p>Apresentação textual de</p><p>diferentes formas do sa-</p><p>ber</p><p>Seminário</p><p>Conferência</p><p>Artigo ou verbete de enciclopédia</p><p>Entrevista de especialista Tomada de</p><p>notas</p><p>Resumo de textos “expositivos” ou ex-</p><p>plicativos</p><p>Relatriório científico</p><p>Relato de experiência científica</p><p>Instruções e prescrições DESCREVER AÇÕES</p><p>Regulaçäo mútua de com-</p><p>portamentos</p><p>Instruções de montagem Receita Regu-</p><p>lamento Regras de jogo</p><p>Instruções de uso Instruções</p><p>Fonte: Elaborado com base em Dolz e Schneuwly (2004, p. 121).</p><p>Para analisar a relação entre o trabalho com gêneros discursivos e a literatura</p><p>infanto-juvenil, faz-se necessário, antes, realizar um mapeamento sobre como o assunto</p><p>é tratado na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o que faremos no próximo tópico.</p><p>2.2 Gêneros textuais e literatura</p><p>É sabido que a literatura tem destaque no processo de ensino-aprendizagem dos</p><p>alunos, na BNCC, documento normativo que define os aprendizados fundamentais para</p><p>a educação básica e estabelece os objetivos e aprendizagem por meio de habilidades e</p><p>competências primordiais a serem desenvolvidas pelo aluno, a cientificidade e a importân-</p><p>cia dos estudos de Literatura aparecem em vários asp são explorados e contemplados em</p><p>diversos aspectos e facetas.</p><p>Na terceira das dez Competências Gerais da Educação Básica, a literatura é</p><p>referenciada como manifestações artísticas:”Valorizar e fruir as diversas manifestações</p><p>artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas</p><p>da produção artístico-cultural” (BRASIL, 2017).</p><p>Ampliando nossos horizontes e atendendo ao propósito desse tópico, a BNCC des-</p><p>taca as práticas literárias no contexto extraescolar, com intuito de atender às necessidades</p><p>da educação 4.0, relaciona a literatura às práticas digitais de leitura de textos literários.</p><p>Nesse sentido, sugere explorações de obras literárias por meios de diversos gêneros</p><p>discursivos: “Depois de ler um livro de literatura ou assistir a um filme, pode-se postar co-</p><p>mentários em redes sociais específicas, seguir diretores, autores, escritores, acompanhar</p><p>de perto seu trabalho; podemos produzir playlists, vlogs, vídeos-minuto, escrever fanfics,</p><p>produzir e-zines, nos tornar um booktuber, dentre outras muitas possibilidades” (BRASIL,</p><p>2017, p. 68).</p><p>60UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Além disso, ela amplia o trabalho com a leitura literária sugerindo produções de</p><p>outros gêneros, como por exemplo, animações, HQs e paródias. Aqui, estudante, vale res-</p><p>saltar que o professor conectado com as novas tendências, utilizará as Metodologias Ativas</p><p>e, também, as ferramentas digitais como recursos pedagógicos, pois isso irá corroborar</p><p>para o desenvolvimento das habilidades esperadas para o século XXI.</p><p>Soma-se também a esse trabalho de conexão entre gêneros discursivos e literatura</p><p>outras acepções da BNCC, ao destacar a função utilitária da literatura, que é proporcionar</p><p>a formação de um leitores-fruidor, capaz de desvendar as múltiplas camada de sentido</p><p>de um texto, dialogar e refletir criticamente com a obras lidas, num processo de formação</p><p>social (BNCC, 2017).</p><p>Frente a essas acepções, entendemos que o professor não pode restringir o ensino</p><p>da literatura apenas ao modo verbal, porque, hoje, as tecnologias digitais e as diferentes</p><p>semioses, contemplam novos saberes e linguagens múltiplas, os quais resultam em textos</p><p>híbridos e multissemióticos, significativos para essa geração 4.0. Nesse sentido, com intuito</p><p>de despertar o interesse pela leitura literária e promover estratégias para a transformação</p><p>de leitores competentes, a escola, bem como os educadores precisam olhar e entender</p><p>esses novos letramentos emergentes, explorar as diferentes linguagens, pois os diversos</p><p>modos de representação e expressão estão inseridos no contexto sócio-histórico do aluno</p><p>(LEMKE, 2010).</p><p>De acordo com o que foi exposto, o uso da literatura em sala de aula é essencial,</p><p>pois ela é rica e completa, além de despertar o senso crítico e promover a criatividade, uma</p><p>vez que é repleta de fantasia. Assim, de acordo com os especialista, os textos literários</p><p>constroem uma base educativa para vida em sociedade” (COLOMER, 2007)</p><p>Contudo, reafirmamos que as mais diversas estratégias de utilização da leitura</p><p>literária, por meio dos gêneros discursivos, não podem ficar restritas apenas ao pedagógico</p><p>e/ou fazer deste uma finalidade, o ideal é cada vez mais desenvolver uma leitura literária</p><p>livre e vivenciada pelos alunos.</p><p>61UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>3 PRINCIPAIS AUTORES – MONTEIRO LOBATO, PEDRO BANDEIRA, RUTH ROCHA E</p><p>ZIRALDO</p><p>Olá, estudante!</p><p>Nesse último tópico da unidade III, vamos nos aventurar pelo mundo dos principais</p><p>autores brasileiros de literatura infanto-juvenil.</p><p>No primeiro momento, vamos navegar pela vida e obra de Monteiro Lobato e des-</p><p>vendar particularidades desse escritor tão importante, cujos textos são atuais e despertam</p><p>e encantam crianças, jovens e adultos.</p><p>Depois, nossa parada será pelo maravilhoso mundo da vida e obra de Pedro Ban-</p><p>deira, um autor contemporâneo, que faz a cabeça da garotada.</p><p>Por último, passearemos pelo mundo mágico de uma das autoras mais querida e</p><p>conhecida pelas crianças e jovens, a encantadora Ruth Rocha.</p><p>E então, aluno(a), venha comigo e aventure-se nesse mundo de riquezas literárias.</p><p>3.1 Monteiro Lobato</p><p>José Bento Renato Monteiro Lobato, (1882-1948), paulistano, estudou direito Fa-</p><p>culdade de São Paulo e casou com Maria Pureza Natividade. Tinha uma vida financeira</p><p>favorável, por causa das fazendas herdadas de seu pai, isso possibilitou a sua quase total</p><p>dedicação ao ofício de escritor.</p><p>62UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Figura polêmica, foi escritor e editor modernista, escrevia contos para diversos</p><p>jornais nas cidades de São Paulo, Santos e Rio de Janeiro. Entre mais ou menos os anos</p><p>de 1915 e 1918, ele estava revoltado com os sertanejos, que faziam constantemente quei-</p><p>madas nos campos, prejudicando as lavouras alheias, como por exemplo as dele, Lobato,</p><p>então, enviou uma carta ao jornal “O Estado”, apresentando criticamente sua revolta.. Esse</p><p>fato deu origem a publicação de diversos contos e, quatorze deles compõem o livro “Uru-</p><p>pês”, publicado em 1918, o qual tem como figura principal o famoso caboclo Jeca Tatu,</p><p>um não idealizado que representava a figura do caboclo, trabalhador campestre de São</p><p>Paulo.“Lobato é, com efeito, um jornalista participando ativamente dos ideais políticos e</p><p>sociais de um grupo cuja influência extrapolava a tão auto proclamada neutralidade do</p><p>jornal” (VALENTE, 2010). Foi a partir desse momento, que o autor iniciou sua carreira</p><p>literária como um excelente contador de histórias, visionário, os seus textos representavam</p><p>sua indignação social, contudo eram viagens criativas e emocionantes, que misturavam</p><p>realidade e imaginação.</p><p>Na década de 20, abriu a gráfica Monteiro Lobato, que não durou muito</p><p>tempo</p><p>e logo após, em 1927, fundou a Editora Brasiliense, em sociedade com amigos. Nesse</p><p>mesmo ano, em Nova Iorque, o presidente Washington Luís nomeou Lobato como adido</p><p>comercial do Brasil. Mais tarde, em 1946, foi morar na Argentina e por lá abriu a editora</p><p>Acteón, porém não ficou muito tempo longe do seu país de origem. Então, em 1947 voltou</p><p>a morar no Brasil e faleceu no ano seguinte. Após sua morte, em 1951, começou a ser</p><p>transmitido pela TV, em rede nacional, O Sítio do Picapau Amarelo. Era a primeira vez</p><p>na história brasileira que houve uma programação destinada ao público infantil, em idade</p><p>pré-escolar, como intuito de diversão, mas com pano de fundo pedagógico.</p><p>Um dos maiores autores do seu tempo, é considerado como o precursor da litera-</p><p>tura infanto-juvenil. Críticos literários salientam que o referido autor nacionalizou o universo</p><p>infantil brasileiro, porque, em suas obras, misturava realidade e fantasia, transmitindo</p><p>valores morais, num contexto conhecido pelas crianças de seu país, como por exemplo, os</p><p>sítios, campos e riachos, opondo-se aos padrões europeus cultivados na mitologia. Além</p><p>disso, diferentemente dos contos tradicionais, que tinham as fadas, ele criou a Emília, uma</p><p>boneca de pano, para sua trama, com a intenção de aproximação</p><p>Os personagens principais são crianças ativas, inteligentes e questionadoras, o</p><p>que faz a aproximação do público-alvo com a obra, uma vez que há identificação imediata</p><p>entre leitor e o texto. Os temas desenvolvidos também favorecem a identificação uma vez</p><p>que, são problemas cotidianos, inseridos no contexto histórico e social da época.</p><p>63UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>A literatura lobatiana foi responsável por despertar o gosto pela leitura de uma gera-</p><p>ção que rapidamente se encantou com suas aventuras. No entanto, as crianças conheciam</p><p>a obras do autor, na maioria das vezes, apenas pelos fragmentos apresentados nos livros</p><p>didáticos, utilizados como pretextos para as aulas de gramática e ortografia. Autora espe-</p><p>cialista na área destaca que “Lobato não se limita à transmissão de conhecimentos. Suas</p><p>personagens aprendem observando, agindo, questionando o adulto, tirando conclusões e</p><p>aproveitando o que é válido em novas situações. Sua atuação é crítica e transformadora”</p><p>(ZILBERMAN, 1983, p. 140-141).</p><p>Caro(a) aluno(a), para finalizar nossa viagem por esse mundo de fantasia e cria-</p><p>tividade lobatiano, preparei uma relação, em ordem alfabética, com os principais títulos</p><p>publicados por ele para satisfazer sua curiosidade:</p><p>Quadro 2: Principais Obras</p><p>As Aventuras de Hans Staden, 1927 Caçadas de Pedrinho, 1933</p><p>Dom Quixote das Crianças, 1936 Emília no País da Gramática, 1934</p><p>Fábulas, 1922 Geografia de Dona Benta, 1935</p><p>Histórias de Tia Nastácia, 1937 Narizinho Arrebitado,1921</p><p>Marquês de Rabicó, 1922 Picapau Amarelo, 1939</p><p>Poço do Visconde, 1937 Saci, 1921</p><p>Peter Pan,1930 Reinações de Narizinho,1931</p><p>Urupês, 1918</p><p>Fonte: Lobato (2020)</p><p>3.2 Pedro Bandeira</p><p>Exímio escritor brasileiro de livros infanto-juvenis, nasceu em Santos cursou Ciên-</p><p>cias Sociais na Universidade de São Paulo. Escreveu para o jornal Última Hora e, durante</p><p>algum tempo, esteve envolvido com o teatro profissional, foi ator, diretor e cenógrafo, além</p><p>do teatro com bonecos.</p><p>Em 1972, começou a trabalhar na editora Abril, e então nasceu o grande escritor de</p><p>livros destinados ao público infantil e infanto-juvenil, primeiramente com textos publicados</p><p>nas revistas da editora. Mais tarde, em 1983, houve o lançamento do seu primeiro livro</p><p>“O Dinossauro que Fazia Au-Au” e, a partir desse momento, dedicou-se exclusivamente à</p><p>literatura direcionada para crianças e adolescentes. Os gêneros literários publicados por ele</p><p>64UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>são diversos, pois o autor passeia por vários mundos: contos, narrativas, poemas dentre</p><p>outros encantado os corações dos leitores.</p><p>Posteriormente, em 1984, Pedro lançou “A Droga da Obediência”, pela editora</p><p>Moderna, no qual abordou temas relacionados à amizade, a investigação, questões morais</p><p>e éticas. Esse livro, como não podia ser diferente, em 1986, levou o autor a receber os</p><p>prêmio: Jabuti de melhor livro infantil, da Câmara Brasileira do Livro e também, o troféu de</p><p>melhor livro juvenil da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Com a ascensão de</p><p>sua produção e reconhecimento pela excelente qualidade das suas obras, posteriormente,</p><p>recebeu outros grandes prêmios, como por exemplo: Adolfo Aizen e Altamente Recomen-</p><p>dável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).</p><p>Autor versátil, encanta os leitores de diversas idades, pois seus livros apresentam</p><p>diversidades temáticas. Destacam-se em suas produções as narrativas policiais, revelando</p><p>intertextualidade com as obras de Conan Doyle.</p><p>Contudo, o sentimentalismo ganha destaque e a atenção, principalmente dos ado-</p><p>lescentes, pois estes identificam-se com as aventuras e peripécias dos personagens, os</p><p>quais possuem idades semelhantes. Como exemplo de títulos que trabalham a temática do</p><p>amor adolescente, podemos destacar o livro “A marca de uma lágrima (1985) e “Agora</p><p>estou sozinha” (1957).</p><p>Bandeira foi leitor de Lobato na infância, o que explica a riqueza de suas narrativas,</p><p>que reúnem mistério, suspense e emoção, o que resultou em mais de cem obras publicada.</p><p>Atualmente, a editora Moderna relançou oito clássicos do autor, com novo conceito editorial</p><p>e linguagem atual. Além disso, agora ele é autor exclusivo dessa editora e ainda, seus livros</p><p>estão reunidos numa biblioteca com o seu nome, no site da editora (MODERNA, 2020).</p><p>Caro(a) aluno(a), para finalizar nossa viagem pelo fantástico mundo aventureiro do</p><p>Bandeira, preparei uma relação, em ordem alfabética, com os principais títulos publicados</p><p>por ele para satisfazer sua curiosidade:</p><p>65UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Quadro 3: Principais Obras</p><p>A Droga da Obediência A Droga do Amor</p><p>A Flecha Traiçoeira A Marca de Uma Lágrima</p><p>Agora Estou Sozinha Alice no País da Mentira</p><p>Anjo da Morte (publicado em 1988); Aqueles olhos verdes</p><p>As Cores de Laurinha Brincadeira Mortal</p><p>Como conquistar essa garota Droga de Americana!</p><p>Gente de Estimação Histórias Apaixonadas</p><p>O Dinossauro Que Fazia Au-Au O Fantástico Mistério de Feiurinha</p><p>O Grande Desafio O Mistério da Fábrica de Livros</p><p>O Pequeno Fantasma Pânico na Escola</p><p>Pântano de Sangue Por Enquanto Eu Sou Pequeno</p><p>Prova de Fogo</p><p>Fonte: Moderna (2020)</p><p>3.3 Ruth Rocha</p><p>Nasceu em 1931, em São Paulo e é socióloga de formação. Ela representa a cha-</p><p>mada pelos críticos de “geração inovadora da literatura infantil”. Como parâmetro para suas</p><p>escritas, as obras lobatianas contribuíram para o sucesso dos livros dela.</p><p>Suas primeiras publicações aconteceram a partir de 1967, para a revista Cláudia,</p><p>uma revista direcionada ao público feminino. Nesse momento ela escrevia artigos sobre a</p><p>área da educação, logo em seguida, foi convidada pela revista Recreio, da editora Abril,</p><p>para publicar séries infantis. Posteriormente, tornou-se coordenadora do departamento de</p><p>publicações infanto-juvenil dessa editora.</p><p>Em 1976, publicou o seu primeiro livro “Palavras, muitas palavras”, uma espécie</p><p>de cartilha/poema, a autora mostra para o leitor que aprender a ler é divertido. Assim, faz</p><p>rimas com palavras que começam com a mesma letra, como por exemplo:”c de casa, c de</p><p>cola, de coruja e de cartola. C de cobra, e de chinelo, de camelo e de castelo (ROCHA,</p><p>2013). Pouco tempo depois, ainda no decorrente ano, publicou o seu Best-seller: “Marcelo,</p><p>marmelo, martelo”, que vendeu muito mais de 20 milhões de exemplares.</p><p>Possuidora de um dom excepcional para a escrita encantadora e também muito</p><p>crítica, durante o período da Ditadura Militar, não se intimidou e escreveu sátiras por meio</p><p>dos seus livros, como por exemplo, no livro “O Reizinho Mandão”, o qual ganhou prêmio</p><p>internacional Hans Christian Andersen.</p><p>66UNIDADE III Ensino</p><p>da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Conheça, estudante, com um trecho desse livro: “Esse negócio de ser rei não e</p><p>assim, não! Não é só ir mandando pra cá, ir mandando pra lá…Mandou todo mundo calar</p><p>a boca, calar a boca, calar a boca! De certo, com medo de que todo mundo dissesse que</p><p>você estava fazendo bobagens. (ROCHA, 2013).</p><p>Em 1988, em Nova Iorque, foi lançado na sede das Nações Unidas, “A Declaração</p><p>Universal dos Direitos Humanos Para Crianças”, escrito por ela em parceria com Otávio</p><p>Roth. Dez anos depois, em 1988, foi condecorada como a Comenda da Ordem do Ministé-</p><p>rio Cultural pelo presidente da república Fernando Henrique Cardoso. Posteriormente, em</p><p>2007, foi eleita para a cadeira 38 da Academia Paulista de Letras (ROCHA, 2020, online).</p><p>A referida autora, há mais de cinquenta (50) anos, dedica-se à publicações para</p><p>crianças e adolescentes, favorecendo a formação de leitores e desenvolvimento do hábito</p><p>pela leitura. É uma das autoras mais premiadas do país em literatura infanto-juvenil, com</p><p>oito Jabutis, e ainda, tem mais de duzentos livros publicado entre didáticos, paradidáticos,</p><p>dicionário e literatura. Seus livros estão espalhados pelo mundo afora, uma vez que, foram</p><p>traduzidos para pelo menos vinte e cinco (25) idiomas (ROCHA, 2020, online).</p><p>Caro(a) aluno(a), para finalizar nossa viagem pelo mundo da Ruth, preparei uma</p><p>relação, em ordem alfabética, com os principais títulos publicados por ela para satisfazer</p><p>sua curiosidade:</p><p>Quadro 4: Principais Obras</p><p>As Coisas que a Gente Fala De Repente Dá Certo</p><p>Declaração Universal dos Direitos Humanos O Que É, o Que É?</p><p>O Rato do Campo e o Rato da Cidade O Mistério do caderninho preto</p><p>O Reizinho Mandão Palavras, Muitas Palavras</p><p>Ruth Rocha conta Ilíada Tenho Medo Mas Dou um Jeito</p><p>Fonte: Rocha, 2020</p><p>3.4 Ziraldo</p><p>Ziraldo Alves Pinto, artista mineiro com muitos predicados, nasceu em 1932. Desde</p><p>a infância seu dom pelo desenho já era conhecido e com seis anos um de seus desenhos</p><p>foi publicado no jornal Folha de Minas. Fez faculdade de Direito na Universidade Federal</p><p>de Minas Gerais. Trabalhou no jornal a Folha da manhã e depois na revista O Cruzeiro. Ar-</p><p>tista, escritor, chargista e colunista, seus trabalhos sempre foram conhecidos e populares.</p><p>Contudo, foi apenas em 1960, ao publicar a revista “Turma do Pererê”, que houve a sua</p><p>67UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>consagração como artista. Mas, isso aconteceu em meio ao período Militar, ocasionando,</p><p>logo depois, no cancelamento da revista, porque fugia aos padrões editoriais propostos</p><p>(ZIRALDO, 2020).</p><p>O autor resistiu, lutou, foi preso na época do AI-5 e relançou sua revista tempos</p><p>depois, porém sem tanto sucesso. Na década de 60 ainda, em Bruxelas, ganhou o prêmio</p><p>“Nobel” Internacional de Humor e o Prêmio Merghantealler: principal premiação da impren-</p><p>sa livre da América Latina. Posteriormente, fundou “O Pasquim” jornal celeiro pós-68 junto</p><p>com outros humoristas (ZIRALDO, 2020).</p><p>Seu maior sucesso aconteceu em 1980, com a publicação do livro “O menino</p><p>maluquinho”, símbolo do menino nacional, levando o autor a ganhar o Prêmio Jabuti de</p><p>Literatura. O livro originou revistas, tiras em quadrinhos, filme e a peças de teatro.</p><p>O referido autor é conhecido por sua diversidade artística, porque suas obras e</p><p>publicações passeiam por diversos gêneros, tais como: cartazes, livros, logos, marcas</p><p>e sobretudo as charges. A vida e obra dele também foi retratada em um documentário,</p><p>transmitido pela tv Senac.</p><p>Sempre imerso em novos projetos, atualmente, mantém ativo um site denominado</p><p>ziraldo.com, no qual há informações completas sobre suas publicações, projetos e ainda</p><p>livros disponíveis para leitura online.</p><p>Caro(a) aluno(a), para finalizar nossa viagem pelo surpreendente mundo do Ziral-</p><p>do, preparei uma relação, em ordem alfabética, com os principais títulos publicados por ele</p><p>para satisfazer sua curiosidade:</p><p>Quadro 5: Principais Obras</p><p>A fábula das três cores A turma do Pererê (1960)</p><p>Bichinho da maçã (1982) Flicts (1969)</p><p>Meninas (2019) O joelho juvenal (1983)</p><p>O menino da lua (2006) O menino maluquinho (1980)</p><p>O menino marrom (1986) O planeta lilás (1979)</p><p>Os dez amigos (1983) Uma menina chamada Julieta (2009)</p><p>Uma professora muito maluquinha (1994) Vito Grandam (1987)</p><p>Vovó Delícia (1997)</p><p>Fonte: Ziraldo.com (2020)</p><p>68UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>SAIBA MAIS</p><p>1. Notícia: Em primeiro de janeiro de 2019, a obra de Monteiro Lobato caiu em domí-</p><p>nio público, porque a proteção aos direitos é válida por setenta (70) anos. Portan-</p><p>to, como o autor morreu em 1948, os direitos da família terminaram. Dessa forma,</p><p>qualquer editora/autor pode publicar as obras do consagrado autor brasileiro, sem</p><p>pagamentos de direitos autorais. Click no link para saber mais: http://cultura.gov.br/</p><p>obras-de-monteiro-lobato-entram-para-dominio-publico/.</p><p>2. Livro: O autor Pedro Bandeira, escritor brasileiro de literatura infanto-juvenil, adap-</p><p>tou a obra de Monteiro Lobato para crianças do século XXI. Lançou, em 2019, pela</p><p>editora Moderna, o livro “Narizinho - a menina mais querida do Brasil”. O autor, em</p><p>entrevista, salientou que para ele a personagem lobatiana em questão é, ao lado de</p><p>Capitu de Machado de Assis, a mais importante da literatura brasileira. Além disso,</p><p>salientou que “se Emília é a consciência crítica de Lobato, a imaginação de Narizinho</p><p>é o motor que faz tudo se movimentar”. Click no link para saber mais: https://www.</p><p>almanaquedacultura.com.br/artes/pedro-bandeira-adapta-obra-de-monteiro-lobato-</p><p>-para-criancas-do-seculo-xxi/.</p><p>3. Cinema: Monteiro Lobato nas grandes telas: a produtora Clube Filmes iniciou, em</p><p>2019, a produção de um longa-metragem sobre a trama lobatiana “Sítio do Pica-</p><p>pau Amarelo”. Um filme dirigido por Fabrício Bittar, que também assina o roteiro em</p><p>parceria com André Catarinacho. O a previsão de estreia é 2020. O diretor, em entre-</p><p>vista, enfatizou o poder imaginativo das tramas: “É uma boneca que fala, um sabugo</p><p>de milho que vira visconde. As histórias estimulam a imaginação para transformar</p><p>essas fantasias em realidade”, pontua, revelando que a previsão de lançamento do</p><p>filme é para 2020, conforme informações do site Reino Literário (2019). Click no link</p><p>para saber mais: http://www.reinoliterariobr.com.br/2019/01/news-clube-filmes-vai-</p><p>-produzir-filme-do.html.</p><p>REFLITA</p><p>Estudante, viajando pelo mundo da literatura infanto-juvenil, nos deparamos com um</p><p>assunto muito polêmico, que tem gerado opiniões diversas: o racismo nas obras de</p><p>Monteiro Lobato. Por isso, vamos fazer uma parada e refletir sobre essa problemáti-</p><p>ca, que ganhou destaque, em 2010, quando o Conselho Nacional de Educação (CNE)</p><p>identificou conteúdos que poderiam ser considerados racistas na produção do escritor,</p><p>como por exemplo, nas obras Caçadas de Pedrinho e Reinações de Narizinho. Em,</p><p>http://cultura.gov.br/obras-de-monteiro-lobato-entram-para-dominio-publico/</p><p>http://cultura.gov.br/obras-de-monteiro-lobato-entram-para-dominio-publico/</p><p>https://www.almanaquedacultura.com.br/artes/pedro-bandeira-adapta-obra-de-monteiro-lobato-para-criancas-do-seculo-xxi/</p><p>https://www.almanaquedacultura.com.br/artes/pedro-bandeira-adapta-obra-de-monteiro-lobato-para-criancas-do-seculo-xxi/</p><p>https://www.almanaquedacultura.com.br/artes/pedro-bandeira-adapta-obra-de-monteiro-lobato-para-criancas-do-seculo-xxi/</p><p>http://www.reinoliterariobr.com.br/2019/01/news-clube-filmes-vai-produzir-filme-do.html</p><p>http://www.reinoliterariobr.com.br/2019/01/news-clube-filmes-vai-produzir-filme-do.html</p><p>69UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>2019, quando a obra lobatiana tornou-se domínio público, reacenderam as discussões</p><p>em torno dessa polêmica.</p><p>Assim, para auxiliar na sua reflexão, apresentarei alguns pontos de vistas sobre o as-</p><p>sunto, proferidos por críticos literários e autores renomados:</p><p>Em, 2019, na XIX Bienal Internacional do Livro no Rio, no Café Literário, os autores Pe-</p><p>dro Bandeira e Marisa Lajolo dialogaram sobre</p><p>o assunto:</p><p>Bandeira: “A mensagem que ficou é que a Emília nasceu com um preconceito que, na</p><p>realidade, vem da sociedade”, ao se referir a um trecho da obra, no qual a Emília chama</p><p>a Tia Anastácia de “negra beiçuda”. Para ele é um ponto específico e incoerente que não</p><p>deve ser levado em conta, uma vez que as contribuições de toda a obra do autor são</p><p>mais relevantes.</p><p>Lajolo: “Negrinha é um dos primeiros contos de Monteiro Lobato. É um conto absoluta-</p><p>mente anti-escravagista, anti-preconceito, anti-racismo. Na obra, ele faz uma defesa ab-</p><p>soluta de uma criança negra que é torturada por uma senhora rica e branca”, salientou</p><p>a especialista na área, que escreveu uma biografia sobre o autor em primeira pessoa,</p><p>com base nas cartas escritas por ele.</p><p>Na sequência, postarei algumas manchetes e links, para você, estudante, ler e refletir</p><p>mais sobre o assunto:</p><p>1. “Questão racial em obra de Monteiro Lobato volta a ser discutida pelo STF” (2020).</p><p>Disponível em: https://www.migalhas.com.br/quentes/326485/questao-racial-em-</p><p>-obra-de-monteiro-lobato-volta-a-ser-discutida-pelo-stf</p><p>2. “A polêmica de Monteiro Lobato em sítio do picapau amarelo: homem de seu tempo</p><p>ou racismo explícito?” Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/</p><p>reportagem/polemica-de-monteiro-lobato-em-sitio-do-picapau-amarelo-homem-de-</p><p>-seu-tempo-ou-racismo-explicito.phtml.</p><p>3. “Obra infantil de Monteiro Lobato é tão racista quanto o autor, afimar historiadora”.</p><p>Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/02/obra-infantil-de-</p><p>-monteiro-lobato-e-tao-racista-quanto-o-autor-afirma-autora.shtml.</p><p>E, então, aluno (a), após realizar as leituras propostas e refletir sobre o tema, qual é a</p><p>sua opinião:</p><p>“O racismo nas obras de Monteiro Lobato, é uma situação pontual e/ou desapro-</p><p>pria a leitura para crianças e adolescentes?</p><p>https://www.migalhas.com.br/quentes/326485/questao-racial-em-obra-de-monteiro-lobato-volta-a-ser-discutida-pelo-stf</p><p>https://www.migalhas.com.br/quentes/326485/questao-racial-em-obra-de-monteiro-lobato-volta-a-ser-discutida-pelo-stf</p><p>https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/polemica-de-monteiro-lobato-em-sitio-do-picapau-amarelo-homem-de-seu-tempo-ou-racismo-explicito.phtml</p><p>https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/polemica-de-monteiro-lobato-em-sitio-do-picapau-amarelo-homem-de-seu-tempo-ou-racismo-explicito.phtml</p><p>https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/polemica-de-monteiro-lobato-em-sitio-do-picapau-amarelo-homem-de-seu-tempo-ou-racismo-explicito.phtml</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/02/obra-infantil-de-monteiro-lobato-e-tao-racista-quanto-o-autor-afirma-autora.shtml</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/02/obra-infantil-de-monteiro-lobato-e-tao-racista-quanto-o-autor-afirma-autora.shtml</p><p>70UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Aluno (a),</p><p>Chegamos ao fim dessa unidade III. Durante nossa viagem, percorremos caminhos</p><p>para conhecer o co contextualização e especificidades do gênero narrativa infanto-juvenil.</p><p>Depois, dialogamos sobre a importância de trabalhar, na escola, a leitura literatura</p><p>alinhada aos gêneros discursivos para uma melhor formação de leitores proficientes. Além</p><p>disso, salientamos o poder colaborativo dessa prática para acionar as mais variada áreas</p><p>do conhecimento do aluno, favorecendo o exercício do pensamento crítico e reflexivo dele.</p><p>Soma-se a esses fatores a fundamental necessidade de o educador preparar suas aulas</p><p>alinhadas às exigências da educação 4.0 e as normativas da BNCC, promovendo por meio</p><p>de Metodologias Ativas e das Ferramentas Pedagógicas Digitais a autonomia e criticidade</p><p>dos seus alunos.</p><p>Por fim, no último tópico, passeamos pelo maravilhoso mundo dos autores brasi-</p><p>leiros de literatura infanto-juvenil mais renomados: Monteiro Lobato, Pedro Bandeira, Ruth</p><p>Rocha e Ziraldo. Nesse momento, podemos conhecer um pouquinho sobre a vida e obra</p><p>de cada um dele, bem como as especificidades de suas obras. Mas sobretudo, e mais</p><p>importante, salientamos a importância da obra de cada um para a propagação da leitura</p><p>literária e desenvolvimento do hábito da leitura.</p><p>Caro(a) aluno, futuro professor de língua materna, desejamos que ao final desse</p><p>estudo, os assuntos aqui abordados contribuem significativamente para a formação de um</p><p>professor leitor, ciente da importância da leitura literária, em especial da LIJ, no contexto</p><p>do escolar. Além disso, que os temas desenvolvidos auxiliem as suas práticas didático-pe-</p><p>dagógicas. Em suma, salientamos que o todo educador é um eterno aluno e caçador de</p><p>novos conhecimentos. Sejamos sempre “eternos aprendizes”</p><p>Um abraço!!!!</p><p>71UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Olá, estudante!</p><p>Para acrescentar informações ao seu aprendizado, sugiro as seguintes leituras:</p><p>1. “O lugar da educação literária nas novas orientações curriculares: uma</p><p>reflexão sobre os caminhos de Portugal e do Brasil”, artigo publicado na</p><p>revista RBEP – Revista brasileira de estudos pedagógicos, em 2018, realiza</p><p>uma comparação entre a formação do leitor literário nos currículos da educação</p><p>básica de Portugal e do Brasil e ainda, apresenta informações sobre as quais</p><p>estratégias identificadas nas DCs desses países, que visam a formação do lei-</p><p>tor literário. Click para ativar novos conhecimentos: http://rbep.inep.gov.br/ojs3/</p><p>index.php/rbep/article/view/3320/3055.</p><p>2. “Literacia: da narrativa mitológica à transmidiática”: relato de uma prá-</p><p>tica pedagógica publicada no caderno de práticas, no site da BNCC-Mec, a</p><p>experiência relatada objetivou desenvolver a prática da leitura por meio</p><p>do estudo de narrativas míticas e de heróis mediado pelas Tecnologias da</p><p>Informação e Comunicação (TIC). Click para ativar novos conhecimentos:</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-</p><p>-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/152-literacia-da-narrativa-mitologi-</p><p>ca-a-transmidiatica?highlight=WyJwcm90YWdvbmlzbW8iLCJqdXZlbmlsIiwicH-</p><p>JvdGFnb25pc21vIGp1dmVuaWwiXQ==.</p><p>3. “A narrativa juvenil brasileira: entre temas e formas, o fantástico”, tese de</p><p>doutorado apresentada ao PLE-UEM, em 2017, apresenta, por meio de uma</p><p>análise intrínseca das narrativas juvenis, como o fantástico se manifesta na</p><p>estrutura das dez narrativas que compõem o corpus selecionado, como tem</p><p>sido apresentado aos jovens leitores brasileiros desde a década de 1970 até</p><p>a atualidade. Click para ativar novos conhecimentos: http://www.ple.uem.br/</p><p>defesas/pdf/kcmatia_do.pdf.</p><p>http://rbep.inep.gov.br/ojs3/index.php/rbep/article/view/3320/3055</p><p>http://rbep.inep.gov.br/ojs3/index.php/rbep/article/view/3320/3055</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/152-literacia-da-narrativa-mitologica-a-transmidiatica?highlight=WyJwcm90YWdvbmlzbW8iLCJqdXZlbmlsIiwicHJvdGFnb25pc21vIGp1dmVuaWwiXQ==</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/152-literacia-da-narrativa-mitologica-a-transmidiatica?highlight=WyJwcm90YWdvbmlzbW8iLCJqdXZlbmlsIiwicHJvdGFnb25pc21vIGp1dmVuaWwiXQ==</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/152-literacia-da-narrativa-mitologica-a-transmidiatica?highlight=WyJwcm90YWdvbmlzbW8iLCJqdXZlbmlsIiwicHJvdGFnb25pc21vIGp1dmVuaWwiXQ==</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/152-literacia-da-narrativa-mitologica-a-transmidiatica?highlight=WyJwcm90YWdvbmlzbW8iLCJqdXZlbmlsIiwicHJvdGFnb25pc21vIGp1dmVuaWwiXQ==</p><p>http://www.ple.uem.br/defesas/pdf/kcmatia_do.pdf</p><p>http://www.ple.uem.br/defesas/pdf/kcmatia_do.pdf</p><p>72UNIDADE III Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>• Título: Introdução à literatura infantil e juvenil atual.</p><p>• Autor: Teresa Colomer / Tradução de Laura Sandroni</p><p>• Editora: Global, 2017</p><p>• Sinopse: A proposta da autora para esse livro foi produzir uma</p><p>espécie de manual sobre literatura infanto-juvenil. Para tanto,</p><p>primeiramente, dialogou sobre a função da literatura. Depois,</p><p>apresentou os aspectos relacionados à mediação. Na sequência,</p><p>apontou as características desse gênero e, por último, os critérios</p><p>de seleção. Além disso, fez reflexões sobre as produções literárias</p><p>e ainda, sugeriu atividades práticas para o trabalho com literatura.</p><p>Para finalizar, ela apresentou relações de obras adequadas para</p><p>diversos níveis educacionais.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• Título: Como estrelas na terra</p><p>• Ano: 2007</p><p>• Sinopse: Ótimo filme, para pensar e refletir sobre a prática pe-</p><p>dagógica. Esse filme indiano relata a história do menino Ishaan,</p><p>disléxico, que sofria com a repressão do pai e o bullying na escola,</p><p>porque não conseguia aprender e não era motivado pelos profes-</p><p>sores extremamente tradicionalistas e conservadores. Tudo muda</p><p>quando um novo professor consegue enxergar e diagnosticar a</p><p>dificuldade desse aluno. ELE utiliza, então, diversas estratégias e</p><p>métodos colaborativos para despertar o interesse de Ishaan pela</p><p>escola.</p><p>WEB</p><p>● A Monteiro Lobato projetos Culturais, website tem como obje-</p><p>tivo apresentar informações e divulgar toda a obra de Lobato,</p><p>mantendo, cada vez mais vivos, no imaginário do nosso povo,</p><p>a fantasia e os ideais do criador da literatura infantil brasileira.</p><p>Link do site: http://www.monteirolobato.com/direitos-autorais.</p><p>● Coletivo Leitor disponibiliza gratuitamente artigos e conteúdos</p><p>relacionados à formação do leitor literário e literatura em sala</p><p>de aula. Apresenta também os lançamentos das editoras par-</p><p>ceiras. Link do site: https://www.coletivoleitor.com.br/.</p><p>http://www.monteirolobato.com/direitos-autorais</p><p>https://www.coletivoleitor.com.br/</p><p>73</p><p>Plano de Estudo:</p><p>● Conceitos e Definições sobre Projetos em literatura infanto-juvenil</p><p>● Campos de estudo da literatura como recurso de aprendizagem da leitura e da</p><p>escrita</p><p>● Tipos de Recursos didático para narração de histórias</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>● Conceituar e contextualizar os Projetos em literatura infanto-juvenil desenvolvidos em</p><p>sala de aula.</p><p>● Dialogar sobre a importância do trabalho da literatura como recurso de aprendizagem</p><p>da leitura e da escrita.</p><p>● Compreender a utilização dos diversos recursos utilizados para contar histórias:</p><p>manuais e tecnológicos.</p><p>UNIDADE IV</p><p>Prática Pedagógica e Literatura</p><p>Infanto-juvenil</p><p>Professora Mestre Greicy Juliana Moreira</p><p>74UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Acadêmico(a), olá!!!</p><p>Seja muito bem-vindo(a)!!! Chegamos à última unidade do nosso livro sobre Lite-</p><p>ratura Infanto Juvenil, a unidade IV – Prática Pedagógica e Literatura Infanto-Juvenil.</p><p>Agora, nosso diálogo será mais específico, abordaremos assuntos relacionados às</p><p>prática pedagógicas e o ensino de literatura infanto-juvenil em sala de aula.</p><p>Para iniciarmos, vamos mergulhar no mundo dos projetos em literatura infanto-juve-</p><p>nil. Para tanto, apresentaremos informações sobre os pilares da Educação 4.0, Metodologias</p><p>Ativas, normativas da Base Nacional Comum Curricular -BNCC para desenvolvimentos de</p><p>Projetos Pedagógicos e para ilustrar disponibilizamos exemplos de experiências aplicadas</p><p>com alunos da educação básica.</p><p>Depois, entenderemos a função da literatura como recurso de aprendizagem da</p><p>leitura e da escrita e com intuito de justificar a importância dessa prática recorremos às</p><p>acepções teóricas do letramento literário e da escolarização da leitura leitura em sala de</p><p>aula. Além disso, para acrescentar conhecimentos, disponibilizamos exemplos de práticas</p><p>pedagógicas de sucesso, aplicadas por educadores durante as aulas de língua materna.</p><p>Por fim, para maximizar seu aprendizado, vamos conhecer exemplos de diversos</p><p>recursos didáticos (manuais e tecnológicos) utilizados para narração de histórias literárias.</p><p>Então, embarque comigo nesta jornada e desvende um mundo cheio de novas</p><p>descobertas!!!</p><p>75UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>1 PROJETOS EM LITERATURA INFANTO-JUVENIL</p><p>Estudante, vamos iniciar nosso diálogo sobre os “Projetos em literatura juvenil”,</p><p>para tanto, primeiramente, faz-se necessários entendermos os pilares da educação 4.0,</p><p>uma vez que, isso corrobora com nossa prática pedagógica.</p><p>Posteriormente, nossa conversa permeará as acepções sobre as Metodologias</p><p>Ativas e suas contribuições para o desenvolvimento de projetos em literatura juvenil.</p><p>Na sequência, estudaremos as normativas da Base Nacional Curricular Comum</p><p>relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa, mais especificamente sobre o trabalho com</p><p>a literatura e sua importância para desenvolver o hábito da leitura literária.</p><p>Para finalizar esse tópico, com intuito de ampliar seus horizontes, disponibilizamos</p><p>exemplos de projetos literários aplicados por educadores.</p><p>Então, venha comigo desvendar esse interessante mundo de projetos literários,</p><p>contextualizados na educação 4.0.</p><p>1.1 Educação 4.0</p><p>Estudante, tudo muda o tempo todo no mundo e com a educação não é diferente,</p><p>pois ela não é obsoleta. A LDB 9394/1996, como é sabido, alterou os parâmetros da educa-</p><p>ção e contribuiu significativamente para as transformações das práticas pedagógicas dos</p><p>educadores brasileiros. Contudo, vivemos em constantes mudanças sociais e um futuro</p><p>76UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>professor de língua materna, docente do século XXI, precisa estar preparado para o novo</p><p>cenário educacional. Então, acadêmico(a), eu pergunto:</p><p>-Você sabe o que significa e quais são os pilares da Educação 4.0-E4?</p><p>Então, é por esse motivo, para ampliar seus horizontes que te convido a se apro-</p><p>fundar conosco nesse novo contexto educacional 4.0</p><p>Para iniciarmos nosso diálogo, numa linha do tempo, recordamos alguns momentos</p><p>históricos relacionados à educação:</p><p>● Educação 1.0: Meados do século XVIII, elitizada, tradicionalista, individualista,</p><p>foco no educador e, os recursos utilizados eram lousa, livros e cadernos.</p><p>● Educação 2.0: Depois da Revolução Industrial até mais ou menos meados do</p><p>século XX, o foco era a sala de aula e a memorização. A dinâmica das aulas</p><p>passeava entre o coletivo e o individual. A utilização de recursos tecnológicos</p><p>era pouca e centralizada nos laboratórios de informática e/ou ciências.</p><p>● Educação 3.0: Era da internet e tecnologia que integra pessoas. As aulas são</p><p>mais participativas e sobretudo, colaborativas, desenvolvendo o trabalho em</p><p>equipe. Nesse momento, inicia-se o ensino híbrido (presencial e à distância).</p><p>● Educação 4.0: automaticamente nossos conhecimentos nos remete a outra</p><p>expressão” Indústria 4.0 e/ou 4ª Revolução Industrial”, ou seja, um mundo</p><p>totalmente automatizado, imerso em uma revolução tecnológica: a linguagem</p><p>computacional, inteligência artificial, Internet das coisas (IoT), entre outras.</p><p>Como vivemos em sociedade, a área da educação está diretamente ligada a esse</p><p>contexto tecnológico em rede, pois as crianças e jovens vivenciam a tecnologia e estão to-</p><p>talmente conectados com esses novos recursos. Por isso, justifica-se esse termo utilizado</p><p>para denominar o contexto educacional atual. Esse novo método de ensino, muito além</p><p>dos aspectos tecnológicos, contempla o termo learning by doing, que traduzindo significa</p><p>“aprender por meio da experimentação”, e isso, caro(a) estudante, está diretamente re-</p><p>lacionado ao desenvolvimento de projetos, aprender fazendo, vivências, que é o conteúdo</p><p>específico desse tópico (CARVALHO NETO, 2017).</p><p>A E4, abordagem teórico-prática, tem como objetivo principal ir além, ultrapassar</p><p>os conteúdos curriculares, ampliar os horizontes, ou seja, aprendizagem indispensável</p><p>para a vida em sociedade, no século XXI: eficaz comunicação, resolução de problemas,</p><p>77UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>utilizar ferramentas e métodos para tomar decisões</p><p>fato de o fenômeno literário não possuir uma única definição só demonstra a</p><p>sua complexidade e a sua capacidade de se renovar ao longo do tempo. Por esse motivo,</p><p>conceituar a Literatura depende de muitas vertentes. E mesmo que não haja um consenso</p><p>entre os teóricos sobre esse assunto como já mencionado anteriormente, sabe-se que</p><p>existem algumas especificidades e características que são próprias do texto literário.</p><p>Souza (2000), sugere a seguinte definição para a Literatura,</p><p>[ ] parte do conjunto da produção escrita e, eventualmente, certas modalidades</p><p>de composições verbais de natureza oral (não escrita), dotadas de proprieda-</p><p>des não específicas, que basicamente se resumem numa elaboração especial</p><p>da linguagem e na constituição de universos ficcionais e imaginários. (p.42).</p><p>Corroborando com os estudos até aqui, Souza se refere a literatura como uma das</p><p>possibilidades de utilização e exploração da linguagem e da ficção, ou seja, pela capacida-</p><p>de que o indivíduo tem de criar um universo ficcional por meio do fenômeno literário. Neste</p><p>sentido, pressupõe-se que a autora define a obra literária como uma construção interna, o</p><p>qual há um domínio da linguagem e do seu criador, no entanto, não se pode esquecer que</p><p>o que dá corpo à obra literária é a interação que se dá entre o texto e o leitor por meio da</p><p>leitura. É o leitor que atribui o significado àquilo que antes era apenas um amontoado de</p><p>sinais gráficos que foram impressos em uma folha de papel.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Alguns Teóricos nos apresentam diferentes conceitos sobre a Arte e Literatura.</p><p>De acordo com Tavares (1981), a Arte no seu conceito amplo ou real se refere a aplica-</p><p>ção do conhecimento a ação. “o meio adequado à realização de qualquer obra”. Já no</p><p>conceito filosófico ou estético, a Arte é uma forma superior de conhecimento intuitivo,</p><p>para ele “É a representação sensível da beleza, através da intuição”.</p><p>Já para o autor, na época clássica no que se refere ao sentido amplo, a “Arte Literária</p><p>consiste na realização dos preceitos estéticos na invenção, da disposição e da elocu-</p><p>ção, porém no sentido restrito, a Arte Literária é a arte que cria, pela palavra, uma imita-</p><p>ção da realidade”. (p. 17-30).</p><p>Fonte: TAVARES, Hênio. Teoria Literária. Belo Horizonte: Itatiaia, 1981.</p><p>9UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Foi com o passar dos séculos que a distinção entre o lógico e o imaginário se con-</p><p>sagrou. De acordo com Costa (2007), o “texto literário traz a marca da invenção e da quebra</p><p>de padrões de escrita e de representação do mundo e do homem” (p. 16). Foi com base</p><p>nessa diferenciação entre o lógico e o imaginário que foi possível chegar aos conceitos de</p><p>Literatura que temos hoje.</p><p>1.1.2 Conceitos que envolvem a Literatura Infanto-juvenil</p><p>No que se refere a literatura infanto-juvenil, ela é composta por histórias fictícias</p><p>infantis e está destinada a crianças, adolescentes e jovens. Essas obras incluem, poemas,</p><p>novelas, obras que envolvam a cultura e o folclore ou simplesmente textos (obras que</p><p>retratam a vida real). Tais obras são desenvolvidas de acordo com a idade do leitor. Ao</p><p>analisar uma obra literária desenvolvida para crianças com faixa etária entre três e quatro</p><p>anos, por exemplo, verá que esta é repleta desenhos, com poucas palavras, além de serem</p><p>obras muito coloridas. Já uma obra escrita para o público adolescente e jovem, raramente</p><p>haverá desenhos, em sua maioria são constituídas apenas por textos.</p><p>1.1.3 Conceitos que envolvem a Literatura Infantil</p><p>A Literatura Infantil está destinada, como o nome diz, ao público infantil com faixa</p><p>etária entre dois e dez anos de idade. Essas obras precisam ser de fácil leitura e enten-</p><p>dimento pela criança que a lê, além disso deve despertar o interesse e, principalmente</p><p>estimular a imaginação da criança.</p><p>Criados por professores e pedagogos no final do século no final do século XVII, os</p><p>primeiros livros infantis tinham como objetivo apenas criar hábitos e valores. Hoje, além</p><p>desses objetivos, a leitura deve apresentar uma outra visão da realidade, ou seja, a diversão</p><p>e o lazer, que são importantes fatores no que se refere ao desenvolvimento psicossocial do</p><p>leitor.</p><p>Neste sentido pode-se dizer que a Literatura Infantil de acordo com Aguiar (2001,</p><p>Apud Costa, 2007), trata-se de um “objeto cultural. São histórias ou poemas que ao longo</p><p>dos séculos cativam as crianças. Alguns livros nem foram escritos para elas, mas passaram</p><p>a ser considerados literatura infantil (p.16)”.</p><p>Abaixo pode-se verificar algumas características das obras literárias destinadas as</p><p>crianças, bem como suas características e exceções:</p><p>10UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>● As obras literárias desenvolvidas para atender ao público infantil com faixa etá-</p><p>ria entre dois e quatro anos, são compostas por pequenos grupos de palavras</p><p>e frases simples. São coloridos, com muitas imagens. Isso acontece, pois nesta</p><p>fase as crianças iniciando o processo de aprendizagem da leitura e codificação</p><p>dos signos.</p><p>● Os livros destinados aos leitores com idade entre quatro e seis anos, são com-</p><p>postos por grupos maiores de palavras e frases, porém sem lançar mão dos</p><p>estímulos visuais.</p><p>● Para as crianças com idade entre sete e dez anos as obras literárias possuem</p><p>um número reduzido de imagem, já priorizando o texto. Como nessa idade a</p><p>criança já está na fase escolar, e já conseguem racionalizar, os textos passam</p><p>a ser mais complexos, com o intuito de estimular a criança a encontrar por si só</p><p>as respostas as indagações que estão no texto.</p><p>Apesar de ser possível verificar que as obras literárias possuem algumas caracte-</p><p>rísticas em comum, elas também possuem algumas exceções, como temas não apropria-</p><p>dos para tais faixas etárias, livros que retratam guerras, que abordam fatos como crimes e</p><p>vícios.</p><p>Essas obras especificamente, possuem entre oitenta a cem páginas, ou seja, são</p><p>relativamente pequenas, além disso, contam com estímulos visuais, a linguagem e a escrita</p><p>são simples e as histórias são retratadas de maneira clara. Em alguns casos possuem ca-</p><p>ráter didático, explicando ao leitor regras e comportamentos sociais, e geralmente contam</p><p>com um final feliz.</p><p>Ademais, pode-se então considerar que a literatura infantil, apesar de estar associa-</p><p>da a criança, é aquela que vai ao encontro das necessidades do leitor e que se identificam</p><p>com ele, não sendo necessariamente desenvolvida somente para atender ao público infantil.</p><p>Ela deve ser considerada como uma arte e deleite, e deve ir além da intenção pedagógica e</p><p>didática ou como um estímulo ao hábito da leitura, ela deve despertar a criança que existe</p><p>em cada um de nós por meio do imaginário e da fantasia.</p><p>1.1.4 Conceitos que envolvem a Literatura Juvenil</p><p>A Literatura Juvenil é aquela obra destinada ao público com faixa etária entre dez e</p><p>quinze anos de idade. Essas obras costumam incluir temas e fatores que podem despertar</p><p>11UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>o interesse do jovem adolescente, como temas controversos e romances. Alguns aspectos</p><p>relacionados ao seu futuro no que se refere a sua escolha profissional, na busca por au-</p><p>toafirmação, também são temas muito comuns para essa faixa etária, além de personagens</p><p>que possuem a mesma faixa etária dos leitores, bem como o número elevado de páginas.</p><p>Tais obras costumam ter em média duzentas a trezentas páginas.</p><p>Diante das abordagens acima sobre as características da Literatura infanto-juvenil,</p><p>é possível perceber que a produção literária precisa atender há alguns critérios e especifi-</p><p>cidades, uma vez que eles é que vão distinguir um texto literário de um texto não literário.</p><p>No tópico três desta unidade trataremos de forma mais aprofundada sobre algumas espe-</p><p>cificidades do texto literário.</p><p>REFLITA</p><p>“Dentro do contexto da literatura infantil, a função pedagógica implica a ação educativa</p><p>do livro sobre a criança. De um lado, relação comunicativa leitor-obra, tendo por inter-</p><p>rapidamente, criativamente e criticidade</p><p>(CARVALHO NETO, 2017).</p><p>De acordo com Carvalho Neto (2017), os quatros referenciais teórico-metodológi-</p><p>cos da E4, considerados pilares são:</p><p>1. Modelo sistêmico: as instituições precisam avaliar o cenário atual, com intuito</p><p>de preparar estratégias para a mudança da abordagem de ensino;</p><p>2. Mudança do senso comum: instituições e educadores precisam buscar re-</p><p>ferenciais teóricos para elaboração de aulas com um novo conceito frente às</p><p>novas realidades;</p><p>3. Gestão do conhecimento estudo das competências e habilidades dos alunos;</p><p>4. Cibercultura: preparação e organização dos espaços de aprendizagem para</p><p>que atinjam o propósito da Educação 4.0.</p><p>Estudante, mas por que é preciso repensar o papel do professor no século XXI? E</p><p>ainda, por que os pilares da E4 estão relacionados ao contexto desta unidade?</p><p>Autor renomado, que publicou diversos artigos e livros sobre o assunto, assevera</p><p>que houve mudanças significativas relacionadas a plasticidade cerebral de jovens (geração</p><p>Y e Z) imersos na cultural digital, como por exemplo, o pouco tempo de atenção produtiva</p><p>durante as aulas quando comparado aos alunos de outras gerações. Nesse sentido, os</p><p>pilares que sustentam a E4 apontam interconexões, que direcionam para novas práticas</p><p>pedagógicas, em especial auxiliam o professor de língua portuguesa ao desenvolver pro-</p><p>jetos literários para motivar os alunos e conduzi-los a novos conhecimentos sociais como</p><p>também científicos (CARVALHO NETO, 2017).</p><p>Para ampliar nossos horizontes sobre esse novo contexto educacional, na sequên-</p><p>cia, vamos entender o que são Metodologias Ativas e o porquê de utilizar essas novas</p><p>metodologias em sala de aula, especificamente nas aulas de literatura, com essa geração</p><p>4.0.</p><p>1.2 Metodologias Ativas</p><p>No contexto atual da E4, o docente, no decorrer da sua prática pedagógica, precisa</p><p>levar em consideração que aprendizagem não acontece simplesmente pelo ato de ouvir e/</p><p>ou escutar, mas efetivamente quando os alunos elaboram o que recebem, porque trabalham</p><p>78UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>cognitivamente com o meio lhes oferecem. Nesse sentido, a aprendizagem colaborativa é</p><p>muito mais eficaz, conforme destaca o psiquiatra norte americano William Glasser ao apre-</p><p>sentar a Pirâmide da Aprendizagem, ele revela, portanto, que quando ensinamos alguma</p><p>coisa à alguém (explicar, ilustrar, demonstrar, etc) retemos 95% e ainda, que nossa reten-</p><p>ção ao praticar (escrever, demonstrar, utilizar, etc) gira em torno dos 85%, diferentemente,</p><p>quando apenas lemos, nossa retenção fica na casa dos 10%, já que “A boa educação é</p><p>aquela em que o professor pede para que seus alunos pensem e se dediquem a promover</p><p>um diálogo para promover a compreensão e o crescimento dos estudantes” (GLASSER,</p><p>2017).</p><p>Infere-se, então, que as práticas pedagógicas precisam contemplar o processo de</p><p>produção dos saberes por meio de participação ativa de professores e alunos, ou seja,</p><p>ensinar e aprender a partir de projetos e para corroborar com essas práticas entram em</p><p>cena as Metodologias Ativas de Aprendizagem (VICKERY, 2016):</p><p>Aluno(a), agora, para exemplificar, apresentaremos informações sobre algumas</p><p>Metodologias Ativas de Aprendizagem, que são utilizadas como recurso tecnológico e</p><p>didático</p><p>As metodologias ativas enfatizam o desenvolvimento autônomo do aluno e estimu-</p><p>lam o raciocínio e a busca do conhecimento, nesse contexto pedagógico, o estudante é o</p><p>protagonista. Contudo, o sucesso de toda prática pedagógica depende muito da preparação</p><p>e mediação do professor.</p><p>Muitas são as formas de utilização das metodologias ativas em sua sala de aula,</p><p>mas todas, mesmo com suas especificidades e objetivos diferenciados, almejam o protago-</p><p>nismo do estudante. Conheça alguns exemplos (VICKERY, 2016):</p><p>● Resolução de problemas: A aprendizagem baseada em problemas objetiva a</p><p>resolução colaborativa dos desafios propostos. Desenvolve a habilidade de</p><p>investigação, reflexão e criatividade. A função do professor é incentivar o aluno</p><p>a buscar uma solução.</p><p>● Entre times e Pares: Essa técnica prioriza o compartilhamento de ideias em</p><p>pequenos grupos, como por exemplo, debater, refletir e construir pensamento</p><p>crítico sobre um estudo de caso apresentado. A função do professor é o mediar</p><p>e orientar.</p><p>79UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>● Sala de aula invertida: A ideia é disponibilizar material de estudo, antecipada-</p><p>mente, por meio de recursos online e/ou impresso para que haja a leitura e es-</p><p>tudo em home office. No decorrer da aula, o professor vai fazer considerações e</p><p>questionamentos sobre o tema proposto, estimulando a troca de conhecimentos.</p><p>● Aprendizagem Cooperativa: Essa técnica prioriza o desenvolvimento de compe-</p><p>tências importantes propostas pela BNCC – Base Nacional Comum Curricular,</p><p>porque nessa técnica de aprendizagem as responsabilidades são distribuídas</p><p>e isso desenvolve as habilidades de raciocínio e socioemocionais. Além disso,</p><p>possui como referência quatro princípios básicos: participação equivalente;</p><p>interdependência positiva; produção individual; alta Interação Simultânea.</p><p>● Projetos: Nessa técnica, um problema é apresentado ao grupo para que seja</p><p>primeiramente avaliado, depois os alunos precisam encontrar a origem do</p><p>problema para apresentar as possibilidades de soluções possíveis e viáveis.</p><p>Essa atividade enfatiza o fazer, ou seja, o estudante precisa “colocar a mão na</p><p>massa” e realizar a ação, diferentemente da técnica de “problemas”, na qual a</p><p>resolução é apenas teórica.</p><p>De acordo com o que foi exposto, as metodologias ativas fazem com que o aluno</p><p>participe ativamente do seu processo de aprendizagem, desenvolve habilidades e caracte-</p><p>rísticas para a vida em sociedade e ainda, prepara o estudante para o mundo do trabalho.</p><p>Além disso, é possível também explorá-las para incentivar a leitura literária. Assim, os</p><p>projetos literários, essenciais para a formação e o desenvolvimento dos alunos, podem ser</p><p>desenvolvidos por meio desses métodos ativos e ainda com recursos tecnológicos.</p><p>Com intuito de aprofundar os conhecimentos, na sequência, vamos dialogar mais</p><p>especificamente sobre “Projetos em Literatura”.</p><p>1.3 Projetos de Literatura e a BNCC</p><p>Caro aluno(a), como disseminar a literatura em sala de aula por meio de projetos é</p><p>o nosso diálogo nesse momento.</p><p>Os projetos literários utilizados como prática pedagógicas e aplicados no decorrer</p><p>das aulas de língua materna estabelecem diálogos, integram diferentes saberes por meio</p><p>da interdisciplinaridade com as diversas áreas do conhecimentos. O trabalho interdiscipli-</p><p>nar é uma proposta pedagógica transversal e integradora e está entre um dos dez planos</p><p>80UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>de ação para a aprendizagem da BNCC “[…]formas de organização interdisciplinar dos</p><p>componentes curriculares e fortalecer a competência pedagógica das equipes escolares</p><p>para adotar estratégias mais dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do</p><p>ensino e da aprendizagem (BRASIL, 2017, p. 12).</p><p>Assim, para corroborar com seu aprendizado vamos dialogar, primeiramente, sobre</p><p>as normativas da BNCC relacionadas à educação literária e projetos, mas como a literatura</p><p>aparece nesse documento? A literatura não é um componente curricular específico, no</p><p>entanto, em diversos momentos e áreas ela é citada e aparece como primordial instrumento</p><p>para o desenvolvimento do leitor competente.</p><p>A BNCC ao discutir o ensino de Língua Portuguesa, em especial a literatura, sa-</p><p>lienta que a leitura em suas diversas linguagens (orais escritas e semióticas) amplia as</p><p>múltiplas experiências, proporcionando ao aluno um olhar crítico para atuar em sociedade.</p><p>Justifica-se, portanto, a partir dessas acepções, desenvolver projetos literários que contem-</p><p>plem “práticas de linguagem que decorrem da interação</p><p>ativa do leitor/ouvinte/espectador</p><p>com os textos escritos, orais e multissemióticos e de sua interpretação, sendo exemplos as</p><p>leituras para: fruição estética de textos e obras literárias” (BRASIL, 2018, p. 69).</p><p>Estudante, coaduna-se com o assunto em questão “projetos em literatura infan-</p><p>to-juvenil”, acepções encontradas no primeiro bloco da BNCC, 1º ao 5º ano, na terceira</p><p>habilidade EF15LP18, ao abordar a questão da formação do leitor/leitura multissemiótica,</p><p>sugere-se que as práticas pedagógicas desenvolvam a habilidade de relacionar texto com</p><p>ilustrações e outros recursos gráficos e isso vai ao encontro do assunto em questão, pro-</p><p>jetos literários por meio de metodologias ativas, que contemplem as diversas formas de ler</p><p>um texto, extrapolando sua superficialidade (BRASIL, 2018).</p><p>Infere-se, portanto, que a formação do leitor deve ser trabalhada, em especial em</p><p>sala de aula, por várias maneiras de ler, ou seja, por diversas formas e suportes, ultra-</p><p>passando as barreiras do texto escrito. Assim, as várias formas de ler literatura libertam e</p><p>ampliam os horizontes dos alunos e isso, só é possível por meio de práticas pedagógicas</p><p>inovadoras, como por exemplo utilizar as metodologia ativa de projetos nas aulas de língua</p><p>portuguesa.</p><p>Acadêmico (a), mas por que trabalhar com projetos?</p><p>Vivemos numa época de reestruturação, globalização e avanço tecnológico. A me-</p><p>lhoria do sistema educacional é um fator fundamental, pois exige que as novas gerações</p><p>possuam competências no domínio de conhecimentos específicos, no domínio de lingua-</p><p>81UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>gens, no domínio das relações humanas e, acima de tudo, que possuam competências e</p><p>habilidades empreendedoras.</p><p>As mudanças sócio-políticas do mundo contemporâneo requerem que a educação</p><p>esteja presente cada vez mais nos diferentes espaços. Por isso, tornam-se necessárias</p><p>também algumas mudanças no enfoque metodológico da Educação, adequando-as às</p><p>novas exigências da sociedade em que vivemos. Sociedade essa que necessita urgente-</p><p>mente de ações inovadoras.</p><p>A formação básica do cidadão na escola, no ensino fundamental demanda-se o</p><p>pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo, a compreensão do ambiente material e</p><p>social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a</p><p>sociedade, além de atividades que despertem o empreendedorismo. Já o Ensino Médio tem</p><p>a função de consolidação dos conhecimentos e a preparação para o mundo do trabalho.</p><p>É importante ressaltar, que os estudantes de escolas públicas, apresentam baixo</p><p>rendimento escolar e índices de reprovação. Consequentemente, não adquiriram eficaz-</p><p>mente conhecimentos relevantes para a vida em sociedade, como saber ler e escrever</p><p>de forma competente, habilidades essenciais para o exercício da cidadania e atuação no</p><p>mundo corporativo.</p><p>Assim sendo, o papel do professor, num contexto de ensino-aprendizagem, é</p><p>investigar o que está dando certo ou errado. Além disso, diagnosticar o que precisa ser</p><p>modificado ou acrescentado, e também, intervir nos problemas identificados com intuito de</p><p>resolvê-los. Conforme ressalta o autor ”[...] na escola ou na sala de aula...[ ]responder a três</p><p>perguntas: O que está acontecendo aqui? (BORTONI –RICARDO , 2006, p. 31).</p><p>Nessa perspectiva educacional, cabe ao professor, por meio de sua intervenção</p><p>pedagógica, propiciar situações significativas de aprendizagem, em que o saber prévio</p><p>dos alunos seja resgatado e reelaborado, contextualizando-se o conhecimento formal e</p><p>ampliando-os.</p><p>É sabido que o trabalho com atividades literárias deve ser conciliado com o conteú-</p><p>do estruturante da educação básica como ler e escrever. Considerando essas afirmações,</p><p>acredita-se que, o desenvolvimento de Projeto Literária seja importante para o processo de</p><p>formação do aluno, pois corrobora para o desenvolvimento de habilidades como: aprender</p><p>a conhecer, a fazer, a ser e a conviver, ou seja, vão ao encontro dos quatro pilares da</p><p>educação 4.0.</p><p>Coaduna-se a essa proposta, o papel da escola básica, que tem por função principal</p><p>desenvolver trabalhos, considerando as vivências sociais dos alunos, mas também propi-</p><p>82UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>ciar conhecimentos necessários para o desenvolvimento acadêmico, social e profissional.</p><p>Conforme aponta os dizeres das DCEs do Paraná, subsidiadas pela teoria bakhtiniana e</p><p>seu círculo (PARANÁ, 2008).</p><p>Com base nas acepções, entendemos ser imprescindível desenvolver formas</p><p>diferentes de aprendizados, ou seja, despertar o interesse dos alunos a partir do que é</p><p>significativo para ele.</p><p>Nesse sentido, espera-se que a instituição, num contexto de projeto de educação</p><p>democrática, seja responsável pelo desenvolvimento de alunos empreendedores, tanto</p><p>pessoal como profissionalmente. Para tanto, é interessante que promova meios, nos quais</p><p>os alunos entrem em contato com diversas situações de aprendizagens inovadoras e prá-</p><p>ticas, que os possibilitem participar de um circuito da sociedade moderna como cidadãos</p><p>ativos.</p><p>Assim, é função do professor fornecer ao aluno condições adequadas de elabora-</p><p>ção, permitindo-lhe empenhar-se na realização consciente de um trabalho que realmente</p><p>tenha sentido para ele. Isso só é conseguido à medida que a proposição das atividades seja</p><p>bem clara e definida, apresentando-se as “coordenadas” do contexto de produção. Quando</p><p>o aluno deixa de ser passivo no processo de construção do conhecimento, ele começa a</p><p>ver significado nos conteúdos estruturantes e atitudes empreendedoras começam a surgir.</p><p>Portanto, de acordo com o que foi exposto, a intenção ao trabalhar com projeto de</p><p>literários, contribui para formação de indivíduos com melhores desempenhos e competên-</p><p>cias leitoras, isto é, pessoas que conseguem se efetivar e ter êxito nas diversas situações</p><p>sociais.</p><p>Aluno(a), agora vamos entender o conceito de “Competência” para elaboração de</p><p>Projeto.</p><p>Para o desenvolvimento de projetos pedagógicos é importante entender o conceito</p><p>de competência, pois o projeto literário é articulado para alcançar determinadas aptidões</p><p>essenciais para o aprimoramento individual do aluno.</p><p>O ativo intelectual é hoje um dos aspectos estudados pelas organizações que</p><p>buscam encontrar nos colaboradores conhecimentos diversos que acabem transformando</p><p>esforços em resultados. Hoje, com o avanço da tecnologia torna-se imprescindível que as</p><p>organizações busquem o capital intelectual como diferencial competitivo no mercado, pois</p><p>como menciona Oliveira (2009, p. 191) “querendo ou não, a informação e o conhecimento</p><p>se democratizam não apenas na sociedade, como também no interior das organizações. ”</p><p>83UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>Assim buscamos responder - O que é competência? A competência não é um con-</p><p>ceito novo, porém nos últimos anos tem sido pautas para as questões de aprimoramento</p><p>pessoal, pedagógico e profissional. O autor renomado nos estudos sobre o tema destaca</p><p>que a competência designa a capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para</p><p>enfrentar um tipo de situação (PERRENOUD, 2000).</p><p>De acordo com os estudiosos no assunto, então o termo “projeto” designa uma</p><p>forma de simular situações que exijam do indivíduo aspectos importantes que uma em-</p><p>presa busque. É papel do professor mediar essa aprendizagem e desenvolver aspectos</p><p>psicológicos e operacionais, como cita Ribeiro (2005, p. 33) a “aprendizagem envolve três</p><p>domínios da individualidade, quais sejam: os aspectos cognitivo, afetivo e psicomotor”.</p><p>O projeto se inicia pelo planejamento das estratégias, que são atitudes criativas e</p><p>ações intuitivas que tendem a levar a empresa ao sucesso (THOMPSON, 2008).</p><p>A execução é desenvolvida inteiramente pelos estudantes, que por fim devem</p><p>apresentar um trabalho consistente sendo embasado em todo o conteúdo aprendido e ad-</p><p>quirido durante</p><p>esse processo. O projeto é uma forma do aluno aprimorar todo a informação</p><p>aprendida em sala e o ainda permite mostrar a importância da capacitação.</p><p>O projeto literário a ser desenvolvido precisa atingir as seguintes competências:</p><p>trabalho em equipe, criatividade, sustentabilidade e atitudes empreendedoras, sem detri-</p><p>mento da função social da literatura.</p><p>Agora, para finalizar esse tópico tão importante e colaborativo para sua formação,</p><p>na sequência, com intuito de ilustrar o conteúdo abordado, disponibilizamos exemplos de</p><p>projetos literários desenvolvidos por educadores. Esses e outro projetos estão disponíveis</p><p>para consulta, no site da BNCC-MEC.</p><p>= Literacia: da narrativa mitológica à transmidiática: O objetivo desse projeto</p><p>foi promover a aquisição e o desenvolvimento da prática da leitura por meio do</p><p>estudo de narrativas míticas e de heróis, com o intuito de incentivar o letramento</p><p>literário colaborativo mediado pelas Tecnologias da Informação e Comunicação</p><p>(TIC). Para saber mais, dê um click: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/</p><p>implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/</p><p>152-literacia-da-narrativa-mitologica-a-transmidiatica?highlight=WyJsaXRlcmF-</p><p>0dXJhIl0=</p><p>= Projeto Sacola Viajante – Literatura Infantil: Esta prática objetivou ampliar a</p><p>imaginação e incentivar a descoberta do universo literário, confrontando realida-</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/152-literacia-da-narrativa-mitologica-a-transmidiatica?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/152-literacia-da-narrativa-mitologica-a-transmidiatica?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/152-literacia-da-narrativa-mitologica-a-transmidiatica?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/152-literacia-da-narrativa-mitologica-a-transmidiatica?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>84UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>de e fantasia. Além disso, ela auxiliou no desenvolvimento do gosto pela leitura</p><p>e por histórias, estimulando também o lúdico e o faz de conta. Para saber mais,</p><p>dê um click: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/</p><p>caderno-de-praticas/educacao-infantil/187-projeto-sacola-viajante-literatura-</p><p>-infantil?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>= Nas rodas do saber: uma prática inovadora no desenvolvimento do gosto pela lei-</p><p>tura: O intuito desse projeto foi promover o hábito da leitura nos alunos, bem como</p><p>o gosto pela literatura por meio das tecnologias de informação e comunicação.</p><p>Para saber mais, dê um click: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implemen-</p><p>tacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/173-nas-rodas-do-saber-u-</p><p>ma-pratica-inovadora-no-desenvolvimento-do-gosto-pela-leitura=2-?highlight-</p><p>WyJpbnRlcmRpc2NpcGxpbmFyaWRhZGUiXQ==</p><p>= Entrelinhas: uma plataforma socioeducacional: O objetivo desta prática foi</p><p>despertar o interesse pela leitura e desenvolver o “comportamento leitor”, mobi-</p><p>lizando os alunos em ações de intervenções na escola e na comunidade. Para</p><p>saber mais, dê um click: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/</p><p>praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/79-entrelinhas-uma-plataforma-so-</p><p>cioeducacional?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>= A Saga do Herói: das aulas de História à tela dos cinemas: Esse projeto teve</p><p>como objetivo explorar a saga do herói presente no estudo de momentos</p><p>históricos, analisando as informações neles contidas e seu reflexo na dis-</p><p>seminação de conceitos e culturas transversais à história. Para saber mais,</p><p>dê um click: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/</p><p>caderno-de-praticas/ensino-medio/105-a-saga-do-heroi-das-aulas-de-historia-</p><p>-a-tela-dos-cinemas?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/educacao-infantil/187-projeto-sacola-viajante-literatura-infantil?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/educacao-infantil/187-projeto-sacola-viajante-literatura-infantil?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/educacao-infantil/187-projeto-sacola-viajante-literatura-infantil?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/173-nas-rodas-do-saber-uma-pratica-inovadora-no-desenvolvimento-do-gosto-pela-leitura-2?highlight=WyJpbnRlcmRpc2NpcGxpbmFyaWRhZGUiXQ==</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/173-nas-rodas-do-saber-uma-pratica-inovadora-no-desenvolvimento-do-gosto-pela-leitura-2?highlight=WyJpbnRlcmRpc2NpcGxpbmFyaWRhZGUiXQ==</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/173-nas-rodas-do-saber-uma-pratica-inovadora-no-desenvolvimento-do-gosto-pela-leitura-2?highlight=WyJpbnRlcmRpc2NpcGxpbmFyaWRhZGUiXQ==</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/173-nas-rodas-do-saber-uma-pratica-inovadora-no-desenvolvimento-do-gosto-pela-leitura-2?highlight=WyJpbnRlcmRpc2NpcGxpbmFyaWRhZGUiXQ==</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/79-entrelinhas-uma-plataforma-socioeducacional?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/79-entrelinhas-uma-plataforma-socioeducacional?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/79-entrelinhas-uma-plataforma-socioeducacional?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/105-a-saga-do-heroi-das-aulas-de-historia-a-tela-dos-cinemas?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/105-a-saga-do-heroi-das-aulas-de-historia-a-tela-dos-cinemas?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/105-a-saga-do-heroi-das-aulas-de-historia-a-tela-dos-cinemas?highlight=WyJsaXRlcmF0dXJhIl0=</p><p>85UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>2 LITERATURA COMO RECURSO DE APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA</p><p>Olá, aluno(a)!</p><p>Chegamos ao segundo tópico da unidade IV. Agora, o nosso objetivo será dialogar</p><p>sobre a “literatura como recurso de aprendizagem da leitura e da escrita”.</p><p>Já falamos, em outros momentos, sobre a importância da leitura literária para a</p><p>formação do leitor competente, então, aqui, nosso objetivo é direcionar nossos olhares</p><p>para as práticas de ler e escrever, exercícios essenciais para o fortalecimento da cidadania,</p><p>utilizando a literatura como recurso.</p><p>No entanto, precisamos salientar, como já dissemos anteriormente, que o trabalho</p><p>com a literatura proporciona riqueza pedagógica e faz a diferença na vida do aluno, contudo</p><p>não pode ser essa sua única função, porque a literatura tem o papel essencial de levar</p><p>o estudante a extrapolar os muros da escola, ir além e viajar por mares nunca antes</p><p>navegados.</p><p>A literatura é um instrumento essencial de transformação e formação de leitores,</p><p>uma vez que, dentre muitas funções possibilita a expansão do conhecimento e leva o aluno</p><p>a refletir “de um modo geral, a literatura amplia e enriquece a nossa visão da realidade de</p><p>um modo específico, permite ao leitor a vivência intensa e ao mesmo tempo a contemplação</p><p>crítica das condições e possibilidades de existência humana” (CUNHA, 2006, p. 57).</p><p>86UNIDADE IV Prática</p><p>Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>Assim, na escola, em particular nas aulas de língua materna, cabe ao educador</p><p>utilizar estratégias eficazes para desenvolver o hábito da leitura e formar leitores competen-</p><p>tes. É, nesse momento, que a literatura entra em cena e satisfaz os anseios pedagógicos</p><p>do professor, pois é completa em todos os sentidos, então justifica-se sua utilização como</p><p>recursos para as aulas de ensino-aprendizagem da leitura e escrita, contudo, “uma pe-</p><p>dagogia da leitura que objetiva a transformação do leitor, e através deste, da sociedade,</p><p>dificilmente se funda na descrição da estrutura do(s) texto(s) (ZILBERMAN, 2005, p. 115).</p><p>Escolher a literatura juvenil como protagonista, porque ela, com suas especificida-</p><p>des, leva o aluno a extrapolar os limites do tempo e viajar pelo mundo da imaginação, isso</p><p>se justifica, também porque “De fato, tanto a obra de ficção como a instituição do ensino</p><p>estão voltadas à formação do indivíduo ao qual se dirigem. (ZILBERMAN, 2003).</p><p>De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a prática da leitura/</p><p>escrita por meio da literatura deve contemplar a construção da identidade do aluno leitor,</p><p>além de habilidades e competências. Para tanto, sugere-se promover algumas estratégias</p><p>para que ele: perceba as diferenças entre textos literários e não literários; Faça compa-</p><p>ração entre diversidade de textos literários e não literários; Identifique as características</p><p>do autor através dos indícios gramaticais; Desenvolva o domínio do discurso por meio da</p><p>argumentação oral por meio de diversos gêneros textuais; Produza e avalie criticamente</p><p>textos seus e outros (BRASIL, 1998).</p><p>O letramento literário, uma extensão do termo letramento, versa sobre a experiência</p><p>da literatura vinculada à leitura e a escrita, objetivando desenvolver a competência leitora</p><p>dos estudantes por meio de estratégias específicas. A autora renomada no assunto salienta</p><p>que “O letramento é um conjunto de práticas sociais que perpassam a escrita” (KLEIMAN,</p><p>1995, p. 20). Em diálogo com a acepção anterior sobre o letramento em sala de aula e</p><p>ampliando esse conceito, o autor salienta que “o letramento literário enquanto construção</p><p>literária dos sentidos se faz indagando ao texto quem e quando diz, o que diz, como diz,</p><p>para que diz e para quem diz” (COSSON, 2006, p. 17). Infere-se, portanto, a partir desses</p><p>diálogos, que essa prática de letramento literário precisa ser realizada em sala de aula, por</p><p>meio da mediação do professor, uma vez que, tais entendimentos serão possíveis quando</p><p>dialogados com outros textos/gêneros textuais, ou seja, estratégias de leitura literária que</p><p>corroboram à formação do leitor competente (COSSON, 2006).</p><p>Aluno(a), ao abordamos a utilização da literatura como recurso para a leitura e a</p><p>escrita em sala de aula, precisamos pensar sobre como serão propostas e desenvolvidas</p><p>as estratégias adequadas de leitura para alcançar com efetividade os objetivos propostos</p><p>87UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>pela escola, ou seja, os fins educativos e formadores, sem desconsiderar a função social da</p><p>literatura. Para isso, recorremos às diversas instâncias de escolarização da literatura que</p><p>vão desde a biblioteca, a leitura de livros, até a leitura e estudo de textos (SOARES, 2006).</p><p>Para ampliar os estudos, salientamos que o ato de ler desencadeia sete habilidades:</p><p>conhecimento prévio, conexão, inferência, visualização, perguntas ao texto, sumarização e</p><p>síntese. Assim, o educador tem papel essencial para explorar didaticamente tais habilida-</p><p>des no momento de utilização da literatura como recurso pedagógico (PRESSLEY, 2002).</p><p>Aluno(a), para finalizar esse tópico e com o intuito de ilustrar as acepções discutidas</p><p>e proporcionar um melhor aprendizado, a seguir, exemplificamos o uso da literatura como</p><p>recursos para as aulas de leitura e escrita, apresentando práticas pedagógicas aplicadas</p><p>em sala de aula, que foram destaques em suas escolas.</p><p>= Letramento Literário: Esta prática tem como objetivo promover uma interven-</p><p>ção na leitura de poemas na escola, proporcionar autonomia na elaboração de</p><p>sentidos das leituras na perspectiva do letramento literário significativo e iniciar</p><p>a formação de uma comunidade de leitores pela socialização de experiências.</p><p>Para saber mais, dê um click: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implemen-</p><p>tacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/149-letra-</p><p>mento-literario-na-escola-o-texto-poetico-no-processo-de-ensino-aprendiza-</p><p>gem?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>= Crônicas digitais: a multimodalidade na escolarização da literatura: Este</p><p>trabalho consiste no relato de uma experiência voltada à sistematização de me-</p><p>canismos favorecedores da leitura do texto literário e da produção de crônicas</p><p>digitais. Para saber mais, dê um click: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/</p><p>implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/81-cronicas-digi-</p><p>tais-a-multimodalidade-na-escolarizacao-da-literatura?highlight=WyJsZWl0dX-</p><p>JhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>= Nas rodas do saber: uma prática inovadora no desenvolvimento do gosto pela</p><p>leitura: Promover o hábito da leitura nos alunos, bem como o gosto pela litera-</p><p>tura por meio das tecnologias de informação e comunicação. Para saber mais,</p><p>dê um click: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/</p><p>caderno-de-praticas/ensino-medio/</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/149-letramento-literario-na-escola-o-texto-poetico-no-processo-de-ensino-aprendizagem?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/149-letramento-literario-na-escola-o-texto-poetico-no-processo-de-ensino-aprendizagem?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/149-letramento-literario-na-escola-o-texto-poetico-no-processo-de-ensino-aprendizagem?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-finais/149-letramento-literario-na-escola-o-texto-poetico-no-processo-de-ensino-aprendizagem?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/81-cronicas-digitais-a-multimodalidade-na-escolarizacao-da-literatura?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/81-cronicas-digitais-a-multimodalidade-na-escolarizacao-da-literatura?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/81-cronicas-digitais-a-multimodalidade-na-escolarizacao-da-literatura?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/81-cronicas-digitais-a-multimodalidade-na-escolarizacao-da-literatura?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-medio/</p><p>88UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>3 RECURSOS DIDÁTICO PARA NARRAÇÃO DE HISTÓRIAS</p><p>Olá, acadêmico(a)!!!</p><p>Chegamos ao último tópico da unidade IV. Quem lê viaja e para finalizar nossa</p><p>viagem sobre esse vasto mundo da leitura literária em sala de aula, mais especificamente</p><p>sobre as práticas pedagógicas utilizadas para trabalhar a literatura sem desfazer da sua</p><p>função social.</p><p>Então, agora, para finalizar, conheceremos os mais variados “recursos didático</p><p>para narração de histórias”, em sala de aula.</p><p>3.1 Recursos didático para narração de histórias</p><p>A arte de contar histórias é uma</p><p>atividade humana milenar encantadora e de-</p><p>safiadora. No contexto escolar, essa prática justifica-se porque, o ato de ouvir histórias</p><p>literárias proporciona o início da formação leitora de qualquer aluno. Além disso, favorece</p><p>o desenvolvimento da linguagem oral, estimulando o gosto e hábito pela leitura literária,</p><p>proporciona também a interação entre alunos e professores, e ainda, transporta os ouvintes</p><p>para um mundo de fantasias e imaginações, e sobretudo, está de acordo com os objetivos</p><p>gerais da BNCC de Língua Portuguesa para o EF(EF15LP03, EF15LP15 e EF35LP01,</p><p>EF35LP02) (BRASIL, 2018).</p><p>89UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>De acordo com o exposto no tópico anterior, para realizar qualquer atividade de</p><p>leitura e para que não haja uma escolarização da leitura deturpada, faz-se necessário um</p><p>planejamento prévio, ou seja, o professor precisa, antes de tudo, investigar o estilo de</p><p>literatura e o gênero mais adequado ao público/alvo. Depois, planejar o momento para a</p><p>aula de contação de histórias literária e ainda, verificar quais serão as estratégias de leitura/</p><p>recursos contemplados nessa aula e/ou projeto literário (COSSON, 2006).</p><p>A seguir, são apresentadas ideias de recursos manuais e populares utilizados por</p><p>educadores para contação de histórias, nas escolas e/ou comunidade, com o intuito de</p><p>instrumentalizar e sugerir atividades criativas/alternativas para essa prática pedagógica:</p><p>● Varal de histórias: faça um varal e pendure trechos, imagens, capa do(s) livro(s)</p><p>que serão narrados;</p><p>● Mala de histórias: apresente uma mala decorada e dentro coloque objetos e</p><p>fantoches que fazem parte do contexto da história a ser contada naquele dia.</p><p>Dê asas à imaginação dos seus alunos.</p><p>● Avental/painél de histórias: No decorrer da narração, retire do avental persona-</p><p>gens e objetos confeccionados com materiais diversos (EVA, reciclados, etc)</p><p>e construa, em um painel, uma ilustração que resume a ideia principal da obra</p><p>literária.</p><p>● Teatro de fantoches: Construa fantoches com os mais variados recursos e utili-</p><p>ze-os para ilustrar sua narração.</p><p>● Histórias Sonoras:</p><p>No momento prévio à atividade, é interessante que o educador leia a história cri-</p><p>ticamente, analise-a, conheça os personagens e suas características para poder utilizar o</p><p>recurso de entonação vocal, expressando a melodia da fala e caracterizando sonoramente</p><p>cada personagem</p><p>Antes de iniciar o ato de contar a história, o professor tem que preparar o local, no</p><p>qual acontecerá o evento narrativo. O céu é o limite, use a imaginação, contudo, lugares</p><p>confortáveis e aconchegantes fazem a diferença.</p><p>Estudante, como conversamos nos outros tópicos, a tecnologia é uma realidade e</p><p>está ativamente inserida em nossas vidas, seja no contexto pessoal, social e/ou acadêmico</p><p>e o uso dos mais variados recursos midiáticos para contação de história têm se multiplicado,</p><p>pois somos cidadãos 4.0. Assim, abordar questões relacionadas às estratégias metodoló-</p><p>90UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>gicas e meios tecnológicos em sala de aula é essencial, porque precisamos, enquanto</p><p>educadores, desenvolver competências e habilidades ligadas à tecnologia.</p><p>A tecnologia contribui muito para o processo de ensino e aprendizagem. Então,</p><p>com o advento da Indústria 4.0 e para atender os anseios da E4, surgiram uma vasta gama</p><p>de ferramentas web que possibilitam contar histórias em novas mídias digitais – online</p><p>–storytelling. A seguir, uma lista com as melhores e mais utilizadas para esse contexto de</p><p>contação de histórias (GÓIS, 2018, online):</p><p>● Storymap: Esta ferramenta ajuda a contar histórias com fotos, textos e vídeos;</p><p>● Timeline: Com esta ferramenta, você pode processar datas e eventos de plani-</p><p>lhas; Quando sua história for cronológica, tente a Linha do tempo.</p><p>● Sway: Um gerenciador de layouts e apresentações extremamente poderoso.</p><p>Conte histórias por meio de vídeos, textos, áudio, tweets, quase tudo que você</p><p>quiser. É fácil incorporar conteúdo de diversas mídias e formatos;</p><p>● Canva: Esse não é bem novidade mas ainda é um dos apps mais úteis da lista.</p><p>A ferramenta permite arrastar e soltar com facilidade para projetar rapidamente</p><p>peças gráficas e apresentações de mídia social.</p><p>● Steller: Com este aplicativo você pode contar uma história nas mídias sociais</p><p>através de fotos, vídeos e textos. Uma alternativa para se criar público e enga-</p><p>jamento, além de também ser possível criar histórias com um design lindo.</p><p>● IZI.Travel: Pensar em histórias acessíveis se tornou uma obrigação para qual-</p><p>quer criador de conteúdo e isso é ótimo. Incluir pessoas com deficiência (neste</p><p>caso, visual) não só inclui essas pessoas a um mundo cada vez mais digital</p><p>e híbrido como também cria oportunidades de novas combinações transmídia</p><p>e possibilidades de storytelling. Nesta ferramenta, combine áudio com texto e</p><p>imagens</p><p>Aluno (a), a partir do que foi exposto, entendemos que o papel do professor é de</p><p>extrema importância para mediar esse processo de despertar o hábito da leitura literária e</p><p>formar leitores competentes. Portanto, os recursos para contação de histórias manuais e</p><p>tecnológicos apresentados auxiliam nessa seara e contribuem efetivamente para o sucesso</p><p>das práticas pedagógicas propostas.</p><p>91UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Literatura e Cinema – a arte de contar histórias em LIBRAS. No Cinemão, um programa</p><p>que transmite todos os gêneros cinematográficos, incluindo documentários premiados</p><p>em libras, com legenda e locução, você encontra, por exemplo, o conto “Um Apólogo</p><p>–Machado de Assis”, a história do “Menino Maluquinho – Ziraldo”, dentre outros. Esse</p><p>é um dos programas da TVINES (Parceria do Instituto Nacional de Educação de Surdos</p><p>(INES) e da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (ACERP) viabiliza</p><p>a primeira webTV em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Para viajar no mundo dessas</p><p>histórias maravilhosas, click aqui: http://tvines.org.br/?p=16313.</p><p>REFLITA</p><p>Caro(a) Aluno(a), reflita sobre:</p><p>As novas tecnologias como possibilidade de auxílio no processo de ensino-apren-</p><p>dizagem para as aulas de leitura literária contribuem e/ou atrapalham?</p><p>Para auxiliá-lo em sua reflexão, sugiro as seguintes leituras:</p><p>Artigo: Letramento literário multimodal e intermidiático: a construção do leitor/</p><p>scriptor de uma nova mídia” - esse artigo apresenta uma experiência didática realiza-</p><p>da com estudantes da graduação de Letras. O objetivo do curso, intitulado “Adaptação</p><p>Literária e Multimodalidade”, era o de levar o aprendiz a se apropriar dos conceitos fun-</p><p>damentais de multimodalidade e de intermidialidade por meio de análise de adaptações</p><p>literárias em diversas mídias. A estratégia didática adotada foi a de convidar o aprendiz</p><p>a tomar o papel de autor/scriptor de uma transposição intermidiática multimodal através</p><p>do manuseio de uma obra literária pertencente a uma mídia verbal textual (mídia-fonte)</p><p>com o objetivo de reconfigurá-la em uma mídia qualificada – filme, HQ, stop-motion etc.</p><p>(mídia-alvo) a partir de sua apropriação da linguagem literária textual.</p><p>http://tvines.org.br/?p=16313</p><p>92UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>Artigo: Do livro ilustrado ao aplicativo: reflexões sobre multimodalidade na literatura</p><p>para crianças. Este trabalho busca refletir sobre a diversidade de recursos semióticos</p><p>presente na literatura infantil contemporânea, analisando os efeitos dos avanços tecno-</p><p>lógicos sobre o texto literário. Utilizando alguns conceitos originários dos estudos sobre</p><p>a multimodalidade, analisa os potenciais de sentido resultantes da articulação entre re-</p><p>cursos verbais e não verbais na literatura impressa e digital, a partir das obras Flicts, “A</p><p>girafa” e “Cigarra”, da série “Ave, palavra”, de Angela Lago, e do aplicativo de literatura</p><p>para crianças Es así, de Paloma Valdivia.</p><p>Livro: Gêneros</p><p>multimodais, multiletramentos e ensino. A obra consiste em uma</p><p>compilação de trabalhos que se materializou em dois momentos: a realização da expe-</p><p>riência de estágio pós-doutoral em que, foi ministrada a disciplina “Tópicos Avançados</p><p>em Estudo do Texto e do Discurso: estratégias argumentativas dos textos verbo-imagé-</p><p>ticos”, na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), em 2018, quando</p><p>os alunos foram estimulados a apresentarem diferentes perspectivas de análise para os</p><p>memes e para alguns outros gêneros nos quais a multimodalidade se fez presente como</p><p>elemento articulador de significados. Disponível em:</p><p>https://ebookspedroejoaoeditores.files.wordpress.com/2019/03/livro-ana-maria-lima-e-</p><p>book-final.pdf?fbclid=IwAR0ZkcEGe5o5VeDaYwnzeHEZQCtS9y90zPOoXOrdM2vq-</p><p>taJ6-OiF6f-DWYo</p><p>https://ebookspedroejoaoeditores.files.wordpress.com/2019/03/livro-ana-maria-lima-ebook-final.pdf?fbclid=IwAR0ZkcEGe5o5VeDaYwnzeHEZQCtS9y90zPOoXOrdM2vqtaJ6-OiF6f-DWYo</p><p>https://ebookspedroejoaoeditores.files.wordpress.com/2019/03/livro-ana-maria-lima-ebook-final.pdf?fbclid=IwAR0ZkcEGe5o5VeDaYwnzeHEZQCtS9y90zPOoXOrdM2vqtaJ6-OiF6f-DWYo</p><p>https://ebookspedroejoaoeditores.files.wordpress.com/2019/03/livro-ana-maria-lima-ebook-final.pdf?fbclid=IwAR0ZkcEGe5o5VeDaYwnzeHEZQCtS9y90zPOoXOrdM2vqtaJ6-OiF6f-DWYo</p><p>93UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Olá, aluno (a)!</p><p>Enfim, chegamos ao final da unidade IV, na qual abordamos temas relacionados</p><p>às práticas pedagógicas direcionadas ao trabalho com a literatura infanto-juvenil. Assim,</p><p>no decorrer de toda essa unidade, justificamos a importância da presença efetiva da leitura</p><p>literária em sala de aula, pois ela tem a capacidade de formar pensamentos críticos, além</p><p>desenvolver competências que melhoram a relação do aluno com o mundo.</p><p>No primeiro tópico, dialogamos sobre como desenvolver projetos com literatura</p><p>infanto-juvenil, mas para isso, primeiramente, nos debruçamos sobre os pilares da educa-</p><p>ção 4.0, com o intuito de entendermos melhor essa nova realidade e ainda conhecer quais</p><p>os desafios que precisaremos superar, nesse novo contexto social. Direcionamos nossos</p><p>olhares também para as metodologias ativas de aprendizagem, assim compreendemos</p><p>como elas contemplam às necessidades dessa nova geração em rede e ainda satisfazem</p><p>as normativas da BNCC. Por fim, para exemplificar a aplicabilidade, listamos exemplos de</p><p>projetos aplicados com sucesso em salas de aulas.</p><p>Já no segundo momento, nosso foco foi direcionado para a literatura funcionando</p><p>como recurso de aprendizagem da leitura e da escrita. Nesse sentido, antes de apontar</p><p>caminhos a serem seguidos, conscientizamos, você, futuro professor de língua materna,</p><p>que antes de tudo, literatura é literatura e tem função social, não é meramente um recurso</p><p>pedagógico para o ensino de gramática. Ao encontro dessa discussão, apresentação as</p><p>acepções do letramento literário e da escolarização da leitura literária de maneira adequa-</p><p>da. Para finalizar exemplificamos, apresentando práticas pedagógicas aplicadas em sala</p><p>de aula, que foram destaques em suas escolas.</p><p>No último tópico, viajamos pelo mundo da contação de histórias e então, apresen-</p><p>tamos informações sobre os mais variados recursos manuais e tecnológicos que estão à</p><p>disposição do educador.</p><p>Em suma, nessa trajetória, esperamos ter estimulado sua curiosidade acerca dos</p><p>conteúdos relacionados à literatura infanto-juvenil, bem como despertado seu interesse</p><p>de por novos conhecimentos, porque um professor é sempre um estudante em constante</p><p>formação.</p><p>94UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Olá, estudante!</p><p>Para acrescentar informações ao seu aprendizado, sugiro as seguintes leituras:</p><p>1. “Start up aposta na literatura para combater o preconceito”: publicado na</p><p>revista Mundo Escolar, em 2020. O texto apresenta informações sobre um</p><p>projeto, que utiliza a literatura juvenil como ferramenta erradicar o preconceito</p><p>entre crianças, desenvolvido pela Piraporiando, considerada uma das principais</p><p>edtechs responsáveis por impactos positivos na educação do país. Click para</p><p>ativar novos conhecimentos: https://mundoescolaronline.com.br/sigam-os-lide-</p><p>res-edicao-07-2/.</p><p>2. “Gamificação na 8ª Pré-Jornadinha Nacional de Literatura”: publicado na</p><p>Desenredo, revista do programa de pós-graduação em letras da Universidade</p><p>de Passo Fundo-Rs, em 2019, o texto analisa as contribuições da gamificação</p><p>no desenvolvimento de competências na aprendizagem de literatura. Esse pro-</p><p>jeto foi realizado a por meio do aplicativo JornadApp na Escola, utilizado como</p><p>recurso na 8ª pré-Jornadinha Nacional de Literatura. Click para ativar novos</p><p>conhecimentos: http://seer.upf.br/index.php/rd/article/view/9725/114114851.</p><p>3. “Projeto livros: diferentes obras em diferentes espaços, encantando e de-</p><p>senvolvendo potencialidades”: relato de uma prática pedagógica publicada</p><p>no caderno de práticas, no site da BNCC-Mec, objetivou aproximar os alunos</p><p>das práticas de leitura, utilizando diversos livros em diversos tempos e espa-</p><p>ços, tendo a escola e seus ambientes como referências para essas práticas.</p><p>Click para ativar novos conhecimentos: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/</p><p>implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-iniciais/</p><p>134-projeto-livros-diferentes-obras-em-diferentes-espacos-encantando-e-de-</p><p>senvolvendo-potencialidades?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd.</p><p>https://mundoescolaronline.com.br/sigam-os-lideres-edicao-07-2/</p><p>https://mundoescolaronline.com.br/sigam-os-lideres-edicao-07-2/</p><p>http://seer.upf.br/index.php/rd/article/view/9725/114114851</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-iniciais/134-projeto-livros-diferentes-obras-em-diferentes-espacos-encantando-e-desenvolvendo-potencialidades?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-iniciais/134-projeto-livros-diferentes-obras-em-diferentes-espacos-encantando-e-desenvolvendo-potencialidades?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-iniciais/134-projeto-livros-diferentes-obras-em-diferentes-espacos-encantando-e-desenvolvendo-potencialidades?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-iniciais/134-projeto-livros-diferentes-obras-em-diferentes-espacos-encantando-e-desenvolvendo-potencialidades?highlight=WyJsZWl0dXJhIiwiZXNjcml0YSJd</p><p>95UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>• Título: Letramento Literário: teoria e prática</p><p>• Autor: Rildo Cosson</p><p>• Editora: Contexto, 2006</p><p>• Sinopse: Este livro foi escrito especificamente para professores</p><p>que desejam trabalhar com literatura em sala, pois apresenta infor-</p><p>mações sobre o letramento literário e ainda, apresenta informações</p><p>sobre como estimular o hábito além das práticas já conhecidas.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• Título: O Sorriso de Mona Lisa</p><p>• Ano: 2003</p><p>• Sinopse: Katherine Watson é uma recém-formanda da UCLA que</p><p>foi contratada, em 1953, para lecionar História da Arte na prestigio-</p><p>sa Wellesley College, uma escola só para mulheres. Determinada</p><p>a confrontar valores ultrapassados da sociedade e da instituição,</p><p>Katherine inspira suas alunas tradicionais, incluindo Betty e Joan,</p><p>a mudarem a vida das pessoas como futuras líderes que serão.</p><p>• Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=aM1129Il3mg</p><p>WEB</p><p>• Café Literário – um ciclo com dez webinars, que apresenta bate</p><p>papo sobre literatura, formação de leitores e experiências dentro e</p><p>fora da sala de sala).</p><p>• Link do site: https://redes.moderna.com.br/cafe-literario-moderna/</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=aM1129Il3mg</p><p>https://redes.moderna.com.br/cafe-literario-moderna/</p><p>96UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AUGUSTI, Rosyane Aparecida Leite; SILVA, Carlos da. A cultura popular na escola: literatura de</p><p>cordel e o ensino da língua materna. Os desafios da Escola Pública Paranaense na perspectiva</p><p>do professor PDE. Versão online v.1. Cadernos PDE. 2016. Disponível em: <<http://www.diaadiae-</p><p>ducacao.pr.gov.br/>>. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>AZEVEDO, Ricardo. Cultura popular, literatura e padrões culturais. 2008. Disponível em:</p><p><<http://www.ricardoazevedo.com.br/>>. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>BAKHTIN, M. M. Estética da criação verbal. Tradução do russo por Paulo Bezerra. 4.ed. São Pau-</p><p>lo: Martins Fontes, 2003.</p><p>BARROS, Maria L. de A. A literatura popular para além da Modernidade. Anuário de Literatura 10,</p><p>2002, p. 53-71. Disponível em: <<https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/view/5266>>.</p><p>Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>BICKMORE, S.; YOUNGBLOOD, K. “It’s The Catcher in the Rye… He Said It Was the Kind of</p><p>Book You Made Your Own”: Finding Holden in Contemporary YA Literature. English in Education,</p><p>Yorkshire, v.48, n.3, p.250-263, 2014. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/</p><p>eie.12049/abstract</p><p>BORDINI, Maria da Glória; AGUIAR, Vera Teixeira. Literatura: a formação do leitor (alternativas me-</p><p>todológicas). 2.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993.</p><p>BORTONI-RICARDO, S. M. Pesquisa Qualitativa e a Prática Do Professor. In: Projeto de forma-</p><p>ção continuada para professores do ensino médio, área de língua portuguesa e literatura – (Estado</p><p>do Ceará). Brasília: CEAD, 2006.</p><p>BRASIL, Ministério de Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quar-</p><p>to ciclos: Ensino/ Secretaria de Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.</p><p>BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017. Disponível em: http://basenacio-</p><p>nalcomum.mec.gov.br/images/BNC C_20dez_site.pdf. Acesso em: 22 de jun 2020.</p><p>BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Ministério da Educação, 2018. Disponível em:< http://</p><p>basenacionalcomum.mec.gov.br/wpcontent/uploads/2018/02/bncc-20dez-site.pdf>. Acesso em: 26</p><p>de jun de 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Curricular Comum: documento preliminar. Secre-</p><p>taria da Educação Fundamental. Brasília, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.</p><p>br/images/BNCC_publicacao.pdf Acesso em 26 de junho 2020.</p><p>CANCLINI, Néstor Garcia. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade Tradu-</p><p>ção de Heloisa Pezza Cintrão, Ana Regina Lessa. 3.ed. São Paulo: EDUPS, 2000.</p><p>CARVALHO NETO, C. Z. Educação 4.0: princípios e práticas de inovação em gestão e docência.</p><p>São Paulo: Laborciencia editora, 2017.</p><p>CHAMBERS, A. Finding the Form: Toward a Poetics of Youth Literature. The Lion</p><p>and the Unicorn, Baltimore, v.34, n.3, p.267-283, set. 2010. Disponível em:</p><p>https://muse.jhu.edu/journals/lion_and_the_unicorn/v034/34.3.chambers.pdf</p><p>COELHO, N. N. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Moderna, 2000.</p><p>COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil: teoria, análise, didática. 7ª ed. São Paulo: Moderna,</p><p>2006.</p><p>https://muse.jhu.edu/journals/lion_and_the_unicorn/v034/34.3.chambers.pdf</p><p>97UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>COLOMER, T. A formação do leitor literário: narrativa infantil e juvenil atual. Trad.</p><p>Laura Sandroni. São Paulo: Global Editora, 2003.</p><p>COLOMER, Teresa. Andar entre livros: a leitura literária na escola. São Paulo: Global, 2007.</p><p>COSSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2006.</p><p>COSTA, Marta Morais da. Metodologia do ensino da literatura infantil. Curitiba: Ibpex, 2007.</p><p>CUNHA, Maria Antonieta Antunes. Literatura Infantil Teoria e Prática. 18ªed.São Paulo: Ática, 2006.</p><p>DOLZ, Joaquim; SCHNEUWLY, Bernand. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas, SP:</p><p>Mercado de Letras, 2004. 278 p. (Tradução e organização: Roxane Rojo; Glaís Sales Cordeiro).</p><p>FERNANDES, Célia Regina Delácio. Letramento literário no contexto escolar. In: GONÇALVES,</p><p>Adair Vieira; PINHEIRO, Alexandra Santos (ORG.) Nas trilhas do letramento: entre teoria, prática</p><p>e formação docente. Campinas, SP: Mercados de Letras; Dourados, MS: Editora da Universidade</p><p>Federal da Grande Dourados, 2011, 321-348.</p><p>GLASSER, W. (2017). William Glasser. Fonte: PPD: Disponível em: Acesso em: 25 de junho de</p><p>2020.</p><p>GÓIS, Victor. 17 ferramentas tecnológicas para se contar boas histórias. Disponível em: <https://</p><p>medium.com/dgtl-mente/uma-lista-de-ferramentas-tecnol%C3%B3gicas-para-se-contar-boas-his-</p><p>t%C3%B3rias-ebf492cf892d>. Acesso em: 20 de jun de 2020.</p><p>HUNT, P. Crítica, teoria e literatura infantil. Trad. Cid Knipel. Ed. rev. São Paulo:</p><p>Cosac Naify, 2010.</p><p>KLEIMAN, ANGELA B. (orgs.) 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II Seminário de Pesquisa da Fa-</p><p>culdade de Ciências Sociais. Goiânia: 2011. Disponível em: <<https://files.cercomp.ufg.br/weby/</p><p>up/253/o/Denise_dos_Anjos_Mascarenha.pdf>>. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>MAUAD, Ana Maria. “A vida das crianças de elite durante o Império”. In: DEL PRIORE, Mary (Org.).</p><p>História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 1999. p. 137-176.</p><p>MODERNA. Seja bem-Vindo à biblioteca Pedro Bandeira. Disponível em: <https://www.moderna.</p><p>com.br/autoresexclusivos/pedro-bandeira/>. Acesso em 20 de jun 2020.</p><p>https://medium.com/dgtl-mente/uma-lista-de-ferramentas-tecnol%C3%B3gicas-para-se-contar-boas-hist%C3%B3rias-ebf492cf892d</p><p>https://medium.com/dgtl-mente/uma-lista-de-ferramentas-tecnol%C3%B3gicas-para-se-contar-boas-hist%C3%B3rias-ebf492cf892d</p><p>https://medium.com/dgtl-mente/uma-lista-de-ferramentas-tecnol%C3%B3gicas-para-se-contar-boas-hist%C3%B3rias-ebf492cf892d</p><p>http://www.monteirolobato.com/</p><p>https://www.moderna.com.br/autoresexclusivos/pedro-bandeira/</p><p>https://www.moderna.com.br/autoresexclusivos/pedro-bandeira/</p><p>98UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>No Café Literário, especialista contestam racismo nas obras de Monteiro Lobato Disponível em:</p><p><https://www.bienaldolivro.com.br/releases/no-cafe-literario-especialista-contestam-racismo-nas-</p><p>-obras-de-monteiro-lobato/>. Acesso em 18 de jun 2020.</p><p>OLIVEIRA, Fátima Bayma. Desafios da educação: contribuições estratégicas para o ensino</p><p>superior: Rio de Janeiro: E-pappers: Fundação Getúlio Vargas, 2009.</p><p>PALO, Maria José; OLIVEIRA, Maria Rosa D. Literatura Infantil: Voz de Criança. 4 ed. São Paulo:</p><p>Ática, 2006.</p><p>PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação- SEED. Diretrizes curriculares de Língua Portu-</p><p>guesa para a educação básica. Curitiba, 2008.</p><p>PAULINO, Graça. Letramento literário: cânones estéticos e cânones escolares. Caxambu: ANPED,</p><p>1998 (Anais em CD ROM).</p><p>PEREIRA, Maria Elisa Matos; SOUZA, Luana Soares; KIRSHOF, Edgar Roberto. Literatura Infa-</p><p>tojuvenil. Curitiba: Intersabees, 2012. (Serie Por Dentro da Literatura).</p><p>PERRENOUD, F. Dez novas competências para ensinar. Tradução Patrícia 40 Chittoni Ramos.</p><p>Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.</p><p>PINHEIRO, Marta Passos. Letramento literário na escola: um estudo de práticas de leitura literá-</p><p>ria na formação da “comunidade de leitores”. Tese de Doutorado, UFMG, 2006.</p><p>PRESSLEY, Michael. Reading</p><p>instruction that works: the case for balanced teaching. New York:</p><p>Gilford, 2002.</p><p>PROENÇA FILHO, D. A linguagem literária. 8 ed. rev. São Paulo: Ática, 2009. (Série Princípios).</p><p>RIBEIRO, Antonio Lima. Gestão de Pessoas: São Paulo: Saraiva, 2005.</p><p>RICHE, Rosa Maria Cuba. Literatura infanto-juvenil contemporânea: texto/contexto - caminhos.</p><p>Perspectiva, Florianópolis, v.17, n.31, p. 127-139, jan./jun. 1999.</p><p>ROCHA, Ruth. Biografia. Disponível em:<http://www.ruthrocha.com.br/>. Acesso em 20 de jun</p><p>2020.</p><p>ROCHA, Ruth. O reizinho mandão. Editora: Salamandra. 2013.</p><p>ROCHA, Ruth. Palavras, Muitas Palavras. Editora: Salamandra. 2013.</p><p>SILVA, Aline Luiza da. A trajetória da Literatura Infantil: Da Origem Histórica e do Conceito Mercado-</p><p>lógico ao Caráter Pedagógico da Atualidade. REGRAD – Revista Eletrônica de Graduação – UNI-</p><p>VEM. v. 2 - n. 2 - jul/dez – 2009. Disponível em: <http://revista.univem.edu.br/index.php/REGRAD/</p><p>article/viewFile/234/239></p><p>SILVA, Antonieta Mirian de O.C., SILVEIRA, Maria Inez Matozo. Leitura para fruição e letramento</p><p>literário: Desafios e possibilidades na formação de leitores In.: VI EPAL – Anais, 2011.</p><p>SILVA, Ezequiel Theodoro da. Leitura na escola e na biblioteca. Campinas: Papirus, 1986.</p><p>SOARES, Magda. A escolarização da literatura infantil e juvenil. In: EVANGELISTA, Aracy A.M.;</p><p>BRANDÃO, Heliana M.B.; MACHADO, Maria Z. V. (ORG.) Escolarização da leitura literária. 2º. ed.,</p><p>Belo Horizonte: Autêntica, 2006.</p><p>SOARES, Magda. Letramento e escolarização. In: RIBEIRO, Vera Masagão (Org.). Letramento no</p><p>Brasil: reflexões a partir do INAF. São Paulo: Global, 2003.</p><p>https://www.bienaldolivro.com.br/releases/no-cafe-literario-especialista-contestam-racismo-nas-obras-de-monteiro-lobato/</p><p>https://www.bienaldolivro.com.br/releases/no-cafe-literario-especialista-contestam-racismo-nas-obras-de-monteiro-lobato/</p><p>http://www.ruthrocha.com.br/</p><p>http://www.ruthrocha.com.br/serie/palavras-muitas-palavras</p><p>http://revista.univem.edu.br/index.php/REGRAD/article/viewFile/234/239</p><p>http://revista.univem.edu.br/index.php/REGRAD/article/viewFile/234/239</p><p>99UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>_______________. Letramento: um tema em três gêneros. 2º. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.</p><p>_______________. A escolarização da literatura infantil e juvenil. In: EVANGELISTA, Aracy A.M.;</p><p>BRANDÃO, Heliana M.B.; MACHADO, Maria Z. V. (ORG.) Escolarização da leitura literária. 2º.</p><p>ed., Belo Horizonte: Autêntica, 2006.</p><p>SOUZA, R. A. A Teoria da Literatura. São Paulo: Ática, 2000.</p><p>STALLONI, Yves. Os gêneros literários. São Paulo: Difel, 2001.</p><p>STREET, Brian. Letramentos sociais: abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na</p><p>etnografia e na educação. Trad. Marcos Bagno. 1ºed. São Paulo: Parábola Editorial, 2014.</p><p>TAVARES, Hênio. Teoria Literária. Belo Horizonte: Itatiaia, 1981.</p><p>THOMPSON, Arthur A.; STRICKLAND III, A. J.; GAMBLE, John E.. Administração Estratégica. 15</p><p>ed., São Paulo: McGraw-Hill, 2008.</p><p>VALENTE, Thiago Alves. Monteiro Lobato nas páginas do jornal: um estudo dos artigos publicados</p><p>em O Estado de S. Paulo (1913-1923) / Thiago Alves Leite. - São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010.</p><p>VICKERY, Anitra. et al. Aprendizagem Ativa: nos anos iniciais do ensino fundamental. Porto Alegre:</p><p>Penso, 2016.</p><p>ZILBERMAN, R. A literatura Infantil e o leitor. In: CADEM ARTORI, L.; ZILBERMAN, R. Literatura</p><p>Infantil: autoritarismo e emancipação. São Paulo: Ática: 1987. (Coleção Ensaios).</p><p>ZILBERMAN, Regina (org.) Atualidade de Monteiro Lobato: Uma revisão crítica. São Paulo: Merca-</p><p>do Aberto, 1983.</p><p>ZILBERMAN, Regina. A Literatura Infantil na Escola. Regina Zilbermann. São Paulo, Global 2003</p><p>ZILBERMAN, Regina; SILVA, Ezequiel Teodoro da. Leitura –Perspectivas Interdisciplinares. 4.ª ed.</p><p>São Paulo: Ática, 2005.</p><p>ZIRALDO.COM: Livros & Obras. Disponível em:<https://ziraldo.com/livros/home.htm> Acesso em</p><p>20 jun 2020.</p><p>https://ziraldo.com/livros/home.htm</p><p>100UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Caro(a) estudante!</p><p>Chegamos ao final dessa disciplina com a certeza de ter colaborado efetivamente</p><p>para sua formação acadêmica, uma vez que, ao produzirmos esse material, elencamos</p><p>conteúdos primordiais para atuação profissional do professor da educação básica, especial-</p><p>mente àquele que trabalha diariamente com a formação do do leitor competente, inserido</p><p>num contexto de educação 4.0.</p><p>Dessa forma, na primeira unidade, nossos olhares estavam direcionados à con-</p><p>textualização histórica da leitura infanto-juvenil, desde seu surgimento até as produções</p><p>contemporâneas, além das suas especificidades enquanto gênero literário.</p><p>Na segunda unidade, mergulhamos nas relações entre cultura e literatura infanto-</p><p>-juvenil. Para tanto, foi preciso entender a inter-relação entre a cultura popular e a literária e</p><p>o quanto isso favorece a formação do leitor competente. Assim, para abordar a questão da</p><p>formação do leitor, recorremos aos pressupostos teóricos do Letramento Literário, e então,</p><p>compreendemos que o ele é uma prática social de responsabilidade primeiro da escola,</p><p>bem como do professor de língua materna, paralelamente à família.</p><p>No terceiro momento, para ampliar os horizontes, entendemos como deve aconte-</p><p>cer o trabalho dos gêneros textuais por meio da literatura infanto-juvenil, em sala de aula,</p><p>de maneira tal que a literatura não perca sua função social e seja apenas didatizada. Para</p><p>auxiliar na escolha de obras literárias, nos aventuramos pelo fantástico mundo da vida e</p><p>obra dos autores mais renomados, no Brasil: Monteiro Lobato, Pedro Bandeira, Ruth Rocha</p><p>e Ziraldo.</p><p>Por fim, na quarta e última unidade, dialogamos mais especificamente sobre às</p><p>práticas pedagógicas relacionadas ao trabalho com a literatura infanto-juvenil. Para isso,</p><p>investigamos as normativas da BNCC relacionadas ao desenvolvimento de projetos e a</p><p>101UNIDADE IV Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>importância dessa prática para atender às necessidades desses jovens 4.0. Falamos</p><p>também, sobre a importância da literatura como recurso de aprendizagem da leitura e da</p><p>escrita e para ilustrar recorremos novamente aos pressupostos do letramento literário e</p><p>também, à escolarização da leitura literária em sala de aula. Para finalizar, com intuito de</p><p>acrescentar conhecimentos, apresentamos informações sobre os recursos didático (ma-</p><p>nuais e tecnológicos) utilizados como apoio para narração de histórias literárias.</p><p>De acordo com o exposto, esperamos que essa disciplina coaduna com sua for-</p><p>mação acadêmica e motive, você, na busca incessante por novos conhecimentos, pois</p><p>os conceitos teóricos aqui abordados são importantes, porém não são únicos neste vasto</p><p>universos de possibilidade que o trabalho com a leitura literária possibilita. Portanto, faze-</p><p>mos um convite às novas descobertas e possíveis reflexões sobre o papel do professor e a</p><p>formação do leitor competente.</p><p>Um grande abraço!!!</p><p>UNIDADE I</p><p>A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>UNIDADE II</p><p>A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>UNIDADE III</p><p>Ensino da Literatura Infanto-Juvenil</p><p>UNIDADE IV</p><p>Prática Pedagógica e Literatura Infanto-juvenil</p><p>mediário o pedagógico, que dirige e orienta o uso da informação; de outro, a cadeia</p><p>de mediadores que interceptam a relação livro-criança: família, escola, biblioteca e o</p><p>próprio mercado editorial, agentes controladores de usos que dificultam à criança a de-</p><p>cisão e escolha do que e como ler. Extremamente pragmática, essa função pedagógica</p><p>tem em vista uma interferência sobre o universo do usuário através do livro infantil, da</p><p>ação de sua linguagem, servindo-se da força material que palavras e imagens possuem,</p><p>como signos que são, de atuar sobre a mente daquele que as usa; no caso, a criança”.</p><p>(PALO; OLIVEIRA 2006, p.13)</p><p>Fonte: PALO, Maria José; OLIVEIRA, Maria Rosa D. Literatura Infantil: Voz de Criança. 4 Ed. São Paulo:</p><p>Ática, 2006.</p><p>12UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>2. ASPECTOS HISTÓRICOS</p><p>2.1 O Discurso na Literatura Infanto juvenil da Idade Média e Moderna.</p><p>A partir do momento em que a literatura deixou de sofrer influência religiosa, a</p><p>concepção de leitura sofreu mudanças. Essas mudanças se deram na época moderna</p><p>e teve como aporte o Romantismo que fazia reconhecer a burguesia como classe social</p><p>dominante na época. Esse resgate tem repercutido até os dias atuais. A nova maneira de</p><p>escrita que já influencia o público adulto, passou a favorecer o público infantil com a fina-</p><p>lidade de modificar o comportamento da criança, apresentando em suas obras situações</p><p>que vão reforçar valores sociais já existentes e que são apresentados a sociedade como</p><p>modelo a serem compreendidos e seguidos.</p><p>Desta forma, ao apresentar algum aspecto histórico no que se refere a literatura</p><p>infanto-juvenil, bem como compreender as características que marcaram esse gênero,</p><p>deve-se levar em conta que ela surge atrelada a um dado momento histórico, o que nos</p><p>permite vincular a esse período o surgimento da literatura infantil. Fator esse importante,</p><p>uma vez que no período que antecede tais fatos, a literatura tinha a função apenas de for-</p><p>madora, a fim apenas de integrar a criança a sociedade. Contribuindo com os pensamentos</p><p>aqui explicitados, Zilberman (1987), descreve que na sociedade antiga não existia infância,</p><p>[...]nenhum espaço separado do mundo adulto. As crianças trabalhavam e</p><p>viviam junto com os adultos, testemunhavam os processos naturais da exis-</p><p>tência (nascimento, morte, doença), participavam junto deles da vida pública</p><p>(política), nas festas, guerras, audiências, execuções, etc., tendo assim seu</p><p>13UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>lugar assegurado nas tradições culturais comuns: na narração de histórias,</p><p>nos cantos, nos jogos (p.5).</p><p>Da mesma forma, Lajolo e Zilberman, ainda pressupunham que por ter apenas ca-</p><p>ráter formador da moral burguesa e por constituir uma atividade que era realizada somente</p><p>dentro dos lares daquela época, a valorização da família serviu como principal incentivo da</p><p>leitura como sendo apenas uma prática social, ou seja, “ser leitor, papel que, como pessoa</p><p>física, exercemos, é função social, para a qual se canalizam ações individuais, esforços</p><p>coletivos e necessidades econômicas” (LAJOLO; ZILBERMAN, 1999, p.14). Este contexto</p><p>histórico define qual o papel a criança deve assumir na sociedade, bem como o avanço da</p><p>burguesia demonstrando assim, a função da literatura infantil na Idade Média.</p><p>Lajolo e Zilberman (1999) ainda definem a família como centralizadora, que forta-</p><p>lecem o Estado e que dá privilégios a criança a tendo como merecedora de uma atenção</p><p>especial, que possui status próprio, o qual sobre elas recaem as preocupações com a</p><p>religião, saúde e educação.</p><p>Essa definição se origina da estrutura social rígida que existia na Idade Média e</p><p>que era caracterizada pela divisão das classes sociais, onde o poder era centralizado nas</p><p>propriedades, em que a linhagem hierárquica existente não dava voz a família nuclear.</p><p>Somente alguns séculos após o período medieval é que a burguesia passa a ganhar força</p><p>e a partir daí é que começam as transformações na sociedade moderna.</p><p>Assim, de acordo com Zilberman (1987),</p><p>A entidade designada como família moderna é um acontecimento do Século</p><p>das Luzes. Os diferentes historiadores coincidem na afirmação de que foi</p><p>ao redor de 1750 que se assistiu à complementação de um processo que</p><p>principiou no final da Idade Média, com a decadência das linhagens e a des-</p><p>valorização dos laços de parentesco, e culminou com a conformação de uma</p><p>unidade familiar unicelular, amante da privacidade e voltada a preservação</p><p>das ligações efetivas entre pais e filhos. (p.5).</p><p>Diante do exposto acima pode-se perceber que essa nova configuração é a prin-</p><p>cipal responsável pelas transformações que aconteceram entre a Idade Média e Moderna,</p><p>em que, mudam-se não só as relações sociais mais também a subjetividade do indivíduo</p><p>em detrimento de um modo de vida que antes não existia e o qual a partir dele emerge um</p><p>novo sujeito.</p><p>É a partir do século 18 que, com a ascensão da burguesia a situação da criança</p><p>passa por mudanças, o qual a infância começa a ser valorizada. Há então a separação</p><p>entre a vida pública e o setor privado, entre a família e o setor de negócios. A infância e a</p><p>idade adulta passam a ser fases diferentes da vida, opondo-se casa e trabalho, preparando</p><p>14UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>a criança para os compromissos futuros. (ZILBERMAN, 1988). Dentro desse cenário fica</p><p>então explícito a valorização e os cuidados que a criança passa a receber podendo assim</p><p>ser mais bem orientada com o intuito de se tornar um adulto capaz de se adaptar a socie-</p><p>dade daquele período histórico.</p><p>Ainda neste contexto, observa-se que a educação ganha um novo sentido e que</p><p>a pedagogia encontra um lugar de destaque em meio a configuração e transmissão que</p><p>emerge da ideologia burguesa daquele período, promovendo a necessidade de uma forma-</p><p>ção social, pessoal, profissional, cognitiva e ética. Os clássicos e os contos de fadas que</p><p>provém dos folclores e que são frutos de duas fontes distintas e contrapostas de materiais</p><p>literários, passam por uma renovação e adaptação, contribuindo desta forma para a forma-</p><p>ção cultural. (ZILBERMAN, 1988).</p><p>A pedagogia e a literatura infanto-juvenil estão vinculadas, no sentido de formar</p><p>futuros cidadãos que sejam pensantes, atuantes e capazes de desempenhar de maneira</p><p>adequada o seu papel social. Neste dado momento histórico o que é considerado relevante</p><p>é o caráter formador que a literatura tem para oferecer. A literatura infanto juvenil ganha uma</p><p>roupagem adaptada e acessível ao público jovem, com base em obras literárias já existen-</p><p>tes, como os contos de fadas, ou clássicos da literatura adulta. Neste modelo é valorizado</p><p>o potencial educativo que é proposto pelo material a fim de garantir pela escola burguesa</p><p>uma formação de qualidade aos leitores. Daí a importância da escola nas transformações</p><p>sociais, pois o êxito no processo de privatização da família - que tem sua afirmação na</p><p>burguesia e que é menor na classe operária – acabou por gerar uma lacuna no tocante a</p><p>socialização da criança, pois conforme relata Zilberman (1987),</p><p>Se a configuração da família burguesa leva a valorização dos filhos e à</p><p>diferenciação da infância enquanto faixa etária e estrato social, há conco-</p><p>mitantemente, e por causa disto, um isolamento da criança, separando-a</p><p>do mundo adulto e da realidade exterior. Nesta medida, a escola adquirirá</p><p>nova significação, ao tornar-se o traço de união entre os meninos e o mundo,</p><p>restabelecendo e unidade perdida. (p.9).</p><p>Como é a escola que faz essa ligação entre a criança e o mundo, cabe a ela decidir</p><p>e apresenta-lo de forma adequada, selecionando e filtrando os aspectos que consideram</p><p>mais importantes ao indivíduo em formação, bem como informar a criança de que maneira</p><p>ela deve se portar diante deste mundo e o que a sociedade espera dela.</p><p>Os primeiros textos de literatura infanto juvenil surgiram dentro deste contexto, com</p><p>base em adaptações</p><p>folclóricas e de textos da literatura adulta, constituindo- se o gênero</p><p>literário, porém como fruto de interesses pedagógicos para fins educativos, culminado que</p><p>as primeiras obras literárias para o público infanto-juvenil chamaram mais a atenção dos</p><p>15UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>pedagogos do que dos estudiosos de literatura. Somente posteriormente é que os textos</p><p>destinados a criança passaram a ser estudado por estudiosos da literatura, dando uma</p><p>atenção especial a esse primeiro material que foi produzido a fim de estudá-lo.</p><p>REFLITA</p><p>Leitura e Oralidade:</p><p>As obras de Literatura infanto juvenil buscam o resgatar a oralidade na escritura, indo</p><p>desta forma ao encontro da narração. A fala é natural ao ser humano e já existia antes</p><p>mesmo da descoberta da escrita. Expressões faciais e corporais, além dos gestos eram</p><p>importantes recursos da comunicação oral e permitiam a troca de informações e senti-</p><p>mentos entre os interlocutores de maneira mais direta. Palo e Oliveira (2001) relatam</p><p>que “[...] o discurso oral cria uma cena múltipla (verbal e não verbal) e inclusiva, na qual,</p><p>o que menos conta é o que se diz, já que tudo está no modo como se diz e, mais ainda,</p><p>na tensão dialética entre o dito e o calado; entre aquilo que a fala articula e a gestualida-</p><p>de desarticula e ega. Sua vida faz-se na fugacidade do presente, instante em que tudo</p><p>está não estando. Discurso precário, um quase discurso, sempre em disponibilidade</p><p>para incorporar um novo dado em risco com o acaso.” (p.44) Neste sentido, oralidade é,</p><p>um aspecto característico e fundamental do texto literário infanto juvenil.</p><p>2.2 A Literatura Infanto juvenil na Contemporaneidade e o seu retrato na Educação</p><p>Brasileira.</p><p>A literatura Infanto juvenil, na contemporaneidade ainda é considerada como objeto</p><p>de análise por teóricos e críticos literários, mesmo sendo reconhecida pelo alto potencial</p><p>pedagógico que possui. Fato esse que é demonstrado pela inclusão do estudo da literatura</p><p>infanto juvenil nas últimas décadas em disciplinas dos cursos de Letras no Brasil.</p><p>A sua valorização se dá devido a sua função representativa que é própria da arte</p><p>ficcional, proporcionando uma visão da realidade. Eram obras originalmente criada para</p><p>uso das crianças, porém passou a receber status científico a partir do momento em que foi</p><p>possível perceber que além dos adultos produzirem as obras, eles também as manipula-</p><p>vam com o objetivo de dominar a infância. Entretanto é preciso que haja não somente uma</p><p>16UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>integração, mais uma reflexão sobre a organização da disciplina e dos cursos ligados a ela.</p><p>Ela deve servir como um instrumento que visa enfrentar as dificuldades que dificultam o</p><p>trabalho realizado com as crianças. (ZILBERMAN, 1998).</p><p>A instrumentalização do professor para trabalhar com a literatura infanto juvenil na</p><p>escola, conforme a autora diz, se torna importante. Não obstante a isso, primeiro fez-se</p><p>necessário que os textos destinados às crianças fossem reconhecidos como arte literária,</p><p>passassem por uma nova apreciação analítica, para que, enquanto um material cultural</p><p>destinado a criança, pudesse se melhor avaliado, já que diversas vezes esses materiais</p><p>eram prejudicados em sua forma artística em detrimento das intenções de domínio e dou-</p><p>trinação da infância.</p><p>Ao retratar os princípios da educação no Brasil, Mauad (1999) observa que junta-</p><p>mente com a literatura de caráter universal, prevalecia uma literatura moralista, advinda do</p><p>século XIX. Tal literatura tinha como objetivo a formação do caráter, da moral, e serviam</p><p>como modelos a serem seguidos por crianças e jovens. Publicações em que os títulos</p><p>já indicavam quando o conteúdo era destinado a meninos, onde algumas delas traziam</p><p>relatos sobre condutas e códigos morais e, para as meninas, onde algumas obras, eram de-</p><p>dicadas as mães de família, com histórias morais cujo objetivo era ensinar princípios, usos</p><p>e costumes. Entretanto foi somente na virada da modernidade para a pós-modernidade que</p><p>a literatura brasileira se desenvolveu, e a partir daí “passou a refletir de maneira estética</p><p>esse sistema social complexo vivendo entre o pré-capitalismo de algumas regiões [...] e as</p><p>grandes cidades”. (RICHE 1999, p.130).</p><p>Vislumbra-se então dois cenários distintos, em que de um lado estão crianças</p><p>com pouco ou nenhum acesso a livros infantis e obras literárias, enquanto do outro lado o</p><p>acesso é de sobremaneira facilitado aos livros e obras literárias, bem como a outros bens</p><p>de consumo. Apesar desta discrepância existente no Brasil, a intenção aqui é enfatizar</p><p>que atualmente o livro infantil busca retratar a realidade, os problemas sociais, políticos e</p><p>econômicos do País, porém sem fugir as suas especificidades como o uso do lúdico, o des-</p><p>pertar e transmitir sentimentos, emoções, curiosidades e produzir novas experiências ao</p><p>leitor. Em contrapartida, tem como função levar o pequeno leitor a compreender a realidade</p><p>que o cerca de maneira intensa.</p><p>A leitura de uma obra literária permite a reflexão e o questionamento, podendo des-</p><p>sa forma facilitar ao homem a compreensão dos ensinamentos impostos pela sociedade,</p><p>mas para que isso aconteça é preciso que se concentre na infância essa formação. Diante</p><p>disso entende-se que esse movimento que circunda literatura contemporânea, a transforma</p><p>17UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>em suporte para as experiências do mundo real a partir do momento que oferecer um</p><p>formato de texto que esteja aberto as múltiplas leituras, ou seja, ao despertar na criança,</p><p>dúvidas referentes ao mundo, as histórias contemporâneas dão oportunidade a crianças de</p><p>elaborar questionamentos que a levarão a refletir. Ações e atitudes essas, que provém da</p><p>leitura.</p><p>Os contos clássicos, por sua vez, têm como função instigar a sensibilidade artística</p><p>da criança equilibrando fantasia e realidade. Apesar de saber que o que está lendo não</p><p>é verdade, ela entra no mundo imaginário fingido acreditar no que lê. Esses contos não</p><p>impedem que a criança desenvolva o raciocínio lógico, pois não atenuam a sua inteligência</p><p>e viajar no mundo da imaginação é sobremaneira importante e necessária para o desen-</p><p>volvimento infantil. A leitura do texto literário “pode se constituir num fator de liberdade e</p><p>transformação dos homens”. (SILVA 1986, p. 21).</p><p>Resultado disso é que a leitura literária, seja ela de um texto que retrata a realidade</p><p>ou um texto divertido, ao permitir a criança refletir e pensar de forma crítica, está cumprindo</p><p>o seu papel social.</p><p>A função social no que se refere a uma coletividade contemporânea só se cumpre,</p><p>quando os códigos culturais que fazem parte do conhecimento acadêmico são compreen-</p><p>didos, uma vez que constituem uma forma de sobrevivência e poder. A transmissão do</p><p>conhecimento literário permanece e acontece por meio da leitura, seja ela propagada e</p><p>armazenada por meio do livro físico ou eletrônico.</p><p>18UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>3. ESPECIFICIDADES</p><p>3.1 A diferença entre leitura literária e demais gêneros textuais</p><p>A leitura literária por possuir características e especificidades próprias se difere dos</p><p>demais textos que que circulam na sociedade, uma vez que, a comunicação diferenciada</p><p>que existe entre o leitor e o texto são fatores importantes ao considerar um objeto como</p><p>sendo literário, bem como os efeitos que o texto produz ao leitor e a subjetividade que esse</p><p>objeto empresta na concretização da leitura são características marcantes e específicas</p><p>da leitura literária.</p><p>Essas especificidades tornam possível ao leitor expandir suas fronteiras do co-</p><p>nhecido que são absorvidas por meio da imaginação, porém sem esquecer suas próprias</p><p>dimensões, tais fronteiras são decifradas por meio do intelecto. A leitura literária ainda</p><p>constitui uma atividade sintetizadora à medida que permite ao leitor penetrar no âmbito</p><p>da alteridade sem que este perca de vista</p><p>a sua subjetividade e história. Por este motivo</p><p>torna-se uma atividade completa e que dificilmente poderá ser substituída por outra. (ZIL-</p><p>BERMAN, 1990).</p><p>Ela também permite uma interação entre leitor e texto, que resulta da atividade</p><p>intelectual e fantasiosa, permitindo ao indivíduo experimentar o outro sem se perder de</p><p>vista. Quando isso ocorre, há uma ampliação de horizontes e expectativas que que se</p><p>dá a partir do momento em que o texto oferece ao leitor uma nova visão da realidade ou</p><p>19UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>lhe causa algum impacto. Desta forma, pressupõe-se a leitura literária como sendo uma</p><p>atividade ampla que proporciona novos saberes.</p><p>Ao se referir a literatura, Machado (2001), nos mostra dois caminhos que se encon-</p><p>tram intimamente ligados no texto literário,</p><p>Ler literatura, livros que levem a um esforço de decifração, além de ser um</p><p>prazer, é um exercício de pensar, analisar, criticar. Um ato de resistência cul-</p><p>tural. Perguntar “para onde queremos ir?” “e como?” pressupõe uma recusa</p><p>de estereótipo e uma aposta na invenção. Pelo menos, uma certa curiosidade</p><p>de uma opinião que não é exatamente a nossa - e o benefício da dúvida, sem</p><p>a convicção do monopólio da verdade. Só a cultura criadora, com sua exube-</p><p>rância, pode alimentar permanentemente essa verdade pujante e nova. (p.88).</p><p>É possível perceber no texto da autora que ela apresenta a leitura literária como</p><p>uma forma de resistência cultural, além disso ela ainda enfatiza não só o saber mais também</p><p>o prazer. Demonstrando assim o caráter individual e social da literatura. A capacidade de</p><p>refletir e criticar desenvolvida por meio da leitura é o que torna o indivíduo um ser ativo na</p><p>transformação social, além disso a leitura o prepara para interpretar a sua realidade social de</p><p>maneira mais aprofundada e em contrapartida pode prepará-lo para ser atuante e consciente</p><p>no seu dia a dia. Em estudos realizados sobre a literatura juvenil, é aceitável que a “literatura</p><p>tem a capacidade de dar [aos adolescentes] um lugar no mundo, algo tangível em que eles</p><p>podem se apegar enquanto passam pelas suas próprias versões dos processos de transição</p><p>presentes em cada [livro].” (BICKMORE; YOUNGBLOOD, 2014, p.262, tradução livre).</p><p>O adolescente por sua vez, como um sujeito que está em fase de transição deve ter</p><p>sua passagem entre a infância e vida adulta concebida de maneira satisfatória. A literatura</p><p>neste contexto tem como função auxiliar o adolescente no enfrentamento dos conflitos</p><p>decorrentes desta fase, mostrando a ele que não é o único a enfrentar tais dificuldades e</p><p>que é possível superá-las. Para o adolescente o interesse pelo conteúdo é um diferencial</p><p>na escolha de um livro, seja ele em seu aspecto educacional ou apenas por diversão, o que</p><p>pressupõe que a necessidade de que os temas literários abordados sejam diversificados.</p><p>Diante disso, as temáticas propostas para essa faixa etária precisam apresentar um</p><p>equilíbrio, não ser muito sério, de difícil interpretação, nem muito simples, ou irrelevante.</p><p>Esses aspectos devem ser considerados principalmente se a leitura estiver relacionada às</p><p>experiências do adolescente leitor. Mas como acontece a resolução dos conflitos existentes,</p><p>uma vez que a literatura pressupõe como objetivo a promoção do aprendizado?</p><p>O que se percebe nessas narrativas é que conflitos são encerrados definitivamente</p><p>onde os finais são mais tradicionais. Todavia aquele modelo de conclusão em que se vê</p><p>somente a tomada de decisão e um encorajamento a mudança não é possível saber se</p><p>20UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>os conflitos foram realmente encerrados. Nos dois modelos, entretanto, o conceito de final</p><p>feliz é subjetivo e pode haver finais tristes, mas ainda assim se faz válido o otimismo na</p><p>literatura infanto juvenil e que de fato buscam a reconciliar indivíduo e sociedade, mesmo</p><p>que está possa se mostrar contrária ao indivíduo. Isso demonstra um sutil conservadorismo</p><p>que ainda existe mais que pode passar despercebido.</p><p>E o que de fato dizer sobre as características da literatura infanto juvenil? Hunt</p><p>(2010) afirma que a literatura infantil e juvenil “se define exclusivamente em termos de</p><p>um público que não pode ser definido” (p.27). Neste sentido entende-se é que a literatura</p><p>infanto-juvenil é, heterogênea, e que conforme a idade do leitor vai aumentando, sua com-</p><p>preensão em relação aos textos literários e ao mundo vão se ampliando e assim também o</p><p>nível de complexidade e exigências de leitura. (COLOMER, 2003).</p><p>Uma das características deste gênero textual e que indicam a sua heterogeneidade</p><p>é a idade do leitor e do protagonista da história, devendo ser parecidas, além disso o estilo</p><p>da linguagem e o vocabulário utilizado também são determinadas pelo leitor, tendo em vista</p><p>as diferentes necessidades de acordo com a idade, dificultando assim a sua classificação.</p><p>Outro fator que dificulta falar sobre suas especificidades é a interação com outras mídias e</p><p>formatos, pois tanto a literatura infantil quanto a juvenil são um campos que compreendem</p><p>quase todos os gêneros literários, e por compartilhar com o público infantil conforme descri-</p><p>to por Hunt (2010) “gêneros específicos: a narrativa para escola, textos dirigidos a cada um</p><p>dos sexos entre outros[...]”, (p.44). Apesar da interação com outros gêneros esses textos</p><p>estão divididos entre fantasia e ficção.</p><p>A literatura infanto juvenil contribui com a formação social, a compreensão de</p><p>mundo, mostrando para o leitor a realidade ao seu redor e como estas funcionam, além</p><p>de possui caráter educativo, podendo ser utilizada na escola com o objetivo de trabalhar</p><p>habilidades nas crianças e não só uma forma de diversão e lazer, como acontece com a</p><p>literatura adulta.</p><p>Enfim, a literatura infanto juvenil está em constante evolução, sempre se</p><p>transformando e se reinventando, dado que “uma característica central da literatura da</p><p>juventude seria ter como finalidade descrever e identificar o que é juventude” (CHAMBERS,</p><p>2010, p.273) e a literatura precisa acompanhar os processos de mudança que envolvem a</p><p>criança e o adolescente.</p><p>Diante dos nossos estudos, este tópico teve como intuito apresentar de maneira</p><p>simples um panorama básico sobre as especificidades e características da literatura infanto</p><p>juvenil a fim de contribuir um pouco com o conhecimento acerca do assunto.</p><p>21UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Nesta unidade tivemos a oportunidade de conhecer o conceito da literatura infanto</p><p>juvenil. Foi possível perceber que a obra de arte literária vai além de uma simples leitu-</p><p>ra, pois possui especificidades e características que outros textos não possuem. Nos foi</p><p>permitido verificar que cada época produziu e compreendeu a literatura do seu jeito. E</p><p>conhecer esse jeito, é conhecer a singularidade de cada momento histórico da caminhada</p><p>humana. Também entendemos que a Literatura está em constante modificação, e que ao</p><p>longo do tempo desenhou-se uma linha que explica esse vai e vem o que demonstra a sua</p><p>capacidade de se renovar ao longo do tempo.</p><p>Nossos estudos nos mostrou que a intenção do livro infantil é retratar a realidade,</p><p>os problemas sociais, políticos e econômicos do País, sem fugir as suas especificidades</p><p>como o uso do lúdico, o despertar e transmitir sentimentos, emoções e que em contra-</p><p>partida a literatura juvenil é aquela obra destinada ao público com faixa etária entre dez</p><p>e quinze anos de idade e que costumam incluir temas e fatores que podem despertar o</p><p>interesse do jovem adolescente, como temas controversos e romances. Diante de algumas</p><p>características destas obras literárias foi possível perceber que a produção literária precisa</p><p>atender há alguns critérios e especificidades, uma vez que eles é que vão distinguir um</p><p>texto literário de um texto não literário.</p><p>No tópico dois da unidade ficou claro que ao apresentar</p><p>algum aspecto histórico</p><p>no que se refere a literatura infanto-juvenil, bem como compreender as características que</p><p>marcaram esse gênero, deve-se levar em conta que ela surge atrelada a um dado momento</p><p>histórico, o que nos permite vincular a esse período ao surgimento da literatura infantil. E</p><p>por ter apenas caráter formador da moral burguesa e realizada somente dentro dos lares</p><p>daquela época, a valorização da família serviu como principal incentivo da leitura como</p><p>sendo apenas uma prática social.</p><p>Porém verificou-se que a partir do século 18 que, com a ascensão da burguesia</p><p>a situação da criança passa por mudanças, o qual a infância começa a ser valorizada.</p><p>Há então a separação entre a vida pública e o setor privado, entre a família e o setor de</p><p>negócios. A infância e a idade adulta passam a ser fases diferentes da vida, opondo-se</p><p>casa e trabalho, preparando a criança para os compromissos futuros.</p><p>22UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Ainda neste contexto, observa-se que a educação ganha um novo sentido e que</p><p>a pedagogia encontra um lugar de destaque em meio a configuração e transmissão que</p><p>emerge da ideologia burguesa daquele período, promovendo a necessidade de uma forma-</p><p>ção social, pessoal, profissional, cognitiva e ética.</p><p>Por fim, no tópico três, abordamos as especificidades da literatura infanto juvenil,</p><p>e verificamos que elas tornam possível ao leitor expandir suas fronteiras do conhecido que</p><p>são absorvidas por meio da imaginação, porém sem esquecer suas próprias dimensões,</p><p>tais fronteiras são decifradas por meio do intelecto e que neste contexto tem como função</p><p>auxiliar o adolescente no enfrentamento dos conflitos decorrentes desta fase, mostrando a</p><p>ele que não é o único a enfrentar tais dificuldades e que é possível superá-las.</p><p>Respondendo a nossa indagação na introdução da unidade a literatura infanto ju-</p><p>venil contribui com a formação social, a compreensão de mundo, mostrando para o leitor a</p><p>realidade ao seu redor e como estas funcionam, além de possui caráter educativo, podendo</p><p>ser utilizada na escola com o objetivo de trabalhar habilidades nas crianças e não só uma</p><p>forma de diversão e lazer, como acontece com a literatura adulta.</p><p>Bons estudos e até a próxima unidade!</p><p>23UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>A ORIGEM HISTÓRICA DA LITERATURA INFANTIL</p><p>Você sabia que literatura infantil surgiu no século XVII com Fenélon (1651-1715),</p><p>justamente com a função de educar moralmente as crianças. O texto abaixo retirado de um</p><p>artigo publicado na revista UNIVEM, retrata um pouco dessa história, o que vem comple-</p><p>mentar os nossos estudos no que se refere a literatura infanto-juvenil em seus aspectos</p><p>históricos no que se refere ao uso da literatura infantil como foco na moral e na formação</p><p>adulta do indivíduo.</p><p>De acordo com a autora do artigo, as histórias tinham uma estrutura maniqueísta,</p><p>a fim de demarcar claramente o bem a ser aprendido e o mal a ser desprezado. A maioria</p><p>dos contos de fadas, fábulas e mesmo muitos textos contemporâneos incluem-se nessa</p><p>tradição. Naquele momento, a literatura infantil constitui-se como gênero em meio a trans-</p><p>formações sociais e repercussões no meio artístico. Em 1697, Charles (1628- 1703) Perrault</p><p>traz a público Histórias ou contos do tempo passado, com suas moralidades: Contos de</p><p>Mão Gansa. Ganham, então, forma editorial as seguintes histórias: A Bela Adormecida no</p><p>bosque, Chapeuzinho Vermelho, O Gato de Botas, As Fadas, A Gata Borralheira, Henrique</p><p>do Topete e O Pequeno Polegar. Os contos de fada conhecidos atualmente surgiram na</p><p>França, ao final do século XVII, com Perrault, que editou as narrativas folclóricas contadas</p><p>pelos camponeses, retirando passagens obscenas de conteúdo incestuoso e canibalismo.</p><p>Assim, acredita-se que, antes do cunho pedagógico, houve o objetivo de leitura e contem-</p><p>plação pela mente adulta. Acredita-se também que a mitologia grega já possuía um modo</p><p>particular de transmitir o contexto da história de “Chapeuzinho Vermelho”. Posteriormente,</p><p>Charles Perrault trouxe a história moralizadora e mais adequada aos ambientes sociais</p><p>que conviviam na época. A história da menina e do lobo sofreu ainda alterações por Hans</p><p>Christian Andersen e pelos Irmãos Grimm. Segundo Cunha (1987), “no Brasil, como não</p><p>poderia deixar de ser, a literatura infantil tem início com obras pedagógicas e, sobretudo,</p><p>adaptadas de produções portuguesas, demonstrando a dependência típica das colônias”</p><p>(p. 20). Pode-se dizer que a literatura infantil brasileira teve início com Monteiro Lobato,</p><p>com uma literatura centralizada em algumas personagens em especial.</p><p>Para ler o artigo na integra acesse o link da revista.</p><p>Fonte: SILVA, Aline Luiza da. A trajetória da Literatura Infantil: Da Origem Histórica e do Conceito Mercadoló-</p><p>gico ao Caráter Pedagógico da Atualidade. REGRAD – Revista Eletrônica de Graduação – UNIVEM. v. 2 - n.</p><p>2 - jul/dez – 2009. Disponível em: <http://revista.univem.edu.br/index.php/REGRAD/article/viewFile/234/239></p><p>http://revista.univem.edu.br/index.php/REGRAD/article/viewFile/234/239</p><p>24UNIDADE I A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>• A sociedade literária e a torta de casca de batata</p><p>• Mary Ann Shaffer, Annie Barrows</p><p>• Editora Rocco, 2009.</p><p>• A sociedade literária e a torta de casca de batata conta a história</p><p>de Juliet Ashton, uma escritora em busca de um tema para seu</p><p>próximo livro. Ela acaba encontrando-o na carta de um desconhe-</p><p>cido de Guernsey, Dawsey Adams, que entra em contato com a</p><p>jornalista para fazer uma consulta bibliográfica. Começa aí uma</p><p>intensa troca de cartas a partir da qual é possível identificar o</p><p>gosto literário de cada um e o impacto transformador que a guerra</p><p>teve na vida de todos. As correspondências despertam o interesse</p><p>de Juliet sobre a distante localidade e narram o envolvimento dos</p><p>moradores no clube de leituras – a Sociedade Literária e a Torta</p><p>de Casca de Batata –, além de servirem de ponto de partida para o</p><p>próximo livro da escritora britânica. O clube, criado antes de existir</p><p>de fato, foi formado de improviso, como um álibi para proteger</p><p>seus membros dos alemães. O que nenhum dos integrantes da</p><p>Sociedade imaginava era que os encontros pudessem aproximar</p><p>os vizinhos, trazer consolo e esperança e, principalmente, auxiliar</p><p>a manter, na medida do possível, a mente sã. As reflexões e as</p><p>discussões a respeito das obras os livraram dos pensamentos</p><p>sobre as dificuldades que enfrentavam e ainda serviram para apro-</p><p>ximar pessoas de classes e interesses tão díspares, de pescador</p><p>a frenólogo, de dona de casa a enfermeira. Instigada pela força</p><p>dos depoimentos, a jornalista decide visitar Guernsey, onde a con-</p><p>vivência com as pessoas que conheceu por cartas e a descoberta</p><p>sobre as experiências dos ilhéus lhe dão uma nova perspectiva.</p><p>A viagem proporciona à escritora mais do que material para seu</p><p>livro. Guernsey oferece a chance de recomeçar após a Guerra,</p><p>fazer amizades sinceras e encontrar o amor – em suas diversas</p><p>formas. O que ela encontra por lá, e as relações que trava, mudam</p><p>sua vida para sempre. Em 2018 o livro ganha versão para cinema</p><p>estrelada por Lily James, Michiel Huisman e Mathew Goode.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• A Livraria.</p><p>• 2017.</p><p>• A viúva Florence Green, interpretada pela atriz Emily Mortimer,</p><p>chega a um pequeno vilarejo no litoral da Inglaterra, na década de</p><p>1950, com objetivo de abrir uma livraria. Mas, ela não contava que</p><p>seu sonho fosse afrontar pessoas poderosas do lugar, e ainda,</p><p>o preconceito de uma população inteira em relação ao hábito da</p><p>leitura. O filme tem uma linda fotografia e os diálogos quase soam</p><p>desnecessários diante dos sentimentos que parecem correr ape-</p><p>nas pelos olhos dos atores. No elenco, também estão Bill Nighy</p><p>e Patricia Clarkson.</p><p>25</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• Relação entre cultura e literatura</p><p>• A formação do leitor</p><p>• Leitura e conceito de letramento</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Compreender a relação entre a cultura e a literatura,</p><p>como forma conhecimento, mais</p><p>também como uma função social na formação do indivíduo;</p><p>• Entender algumas questões relacionadas ao uso da literatura infantil na escola, como</p><p>aspectos fundamentais na formação do leitor;</p><p>• Relembrar os conceitos de letramento, e entendê-lo como caminho para uma adequada</p><p>escolarização e formação de leitores em idade escolar.</p><p>UNIDADE II</p><p>A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Professora Especialista Paula Regina Dias de Oliveira</p><p>26UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Caro leitor,</p><p>A arte está presente a séculos na vida do homem, seja qual for sua forma de apre-</p><p>sentação. Por meio dos livros, das músicas, enfim, ela é vista como um fazer, como um</p><p>conjunto de atos e situações que transformam. Ela é um produto oferecido pelo homem,</p><p>porém influenciado pela cultura. Essa arte também pode ser expressa por meio de textos</p><p>escritos, o que denominamos de literatura.</p><p>A literatura é responsável por transformar a experiências dos discursos em obras</p><p>literárias. Mais qual a relação que se estabelece entre a cultura e a literatura? E como essa</p><p>relação pode contribuir para a formação do leitor e na sua formação social?</p><p>Nos tópicos a seguir discutiremos um pouco sobre esses questionamentos, bus-</p><p>cando compreender essa relação, em seguida conheceremos alguns dos aspectos que</p><p>compreendem a cultura, bem como a importância da cultura na escola e da literatura de</p><p>cordel como forma de ensino-aprendizagem da língua materna.</p><p>Estudaremos algumas questões que estão relacionadas ao uso da literatura infantil</p><p>na escola, como a contação de histórias e a iniciação a leitura, que são alguns dos aspectos</p><p>fundamentais na formação do leitor.</p><p>E para finalizarmos nossos estudos, discutiremos sobre o letramento literário e qual</p><p>o seu objetivo na formação de futuros leitores, também relembraremos alguns conceitos</p><p>de letramento literário e traremos algumas sugestões metodológicas sobre como trabalhar</p><p>este assunto em sala de aula para uma escolarização correta do texto literário.</p><p>Esperamos que este estudo o ajude a ampliar seus conhecimentos sobre a im-</p><p>portância da literatura em sala de aula, além do papel que a escola deve exercer nesse</p><p>processo de ensino-aprendizagem para que a prática da leitura, ao mesmo instigante e</p><p>prazerosa para o aluno.</p><p>Então, vamos começar?</p><p>27UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>1 RELAÇÃO ENTRE CULTURA E LITERATURA</p><p>Na unidade I deste material verificamos que a literatura é uma forma de comunica-</p><p>ção em que se trabalham emoções, sensações, sentimentos, desenvolvem-se afinidades</p><p>entre leitor e personagens, bem como a representação da realidade ou ficção, que são</p><p>criados pelo autor por meio do texto. A literatura, é um sistema semântico, onde a conota-</p><p>ção se destaca e está intimamente relacionada às diferenças sociais. (PROENÇA FILHO,</p><p>2009). Diante da afirmação de Proença, deve-se trazer a mente que a literatura está ligada</p><p>a uma cultura, um povo e a sociedade. Assim sendo, ela se torna um produto cultural, onde</p><p>o escritor busca os elementos que precisa para compor e organizar suas representações.</p><p>Pode-se dizer que:</p><p>Língua, cultura e literatura, estão intrinsecamente ligados, isso acontece,</p><p>pois, a literatura por se tratar de uma produção cultural, acompanha o desen-</p><p>volvimento social e cultural, se utiliza da língua para formar-se, e esta mesma</p><p>língua é responsável por passar os conhecimentos da sociedade para o ser</p><p>humano. A linguagem é literária é conotativa, pois se amplia em função do</p><p>universo dos falantes, além de se prender às diferenças sociais e, também ao</p><p>desenvolvimento da cultura (LIPPE, 2016, p. 71).</p><p>Assim, ao falarmos de literatura, é importante considerar que ela é fruto da existên-</p><p>cia de uma cultura, se não houver cultura, não há literatura, uma vez que a cultura depende</p><p>das pessoas que se organizam dentro de uma determinada sociedade. Baseados nesta</p><p>concepção, pode-se dizer que o leitor é influenciado pelo autor da obra, e dessa maneira</p><p>vai construindo seu ambiente social.</p><p>28UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>1.1 Aspectos que compreendem a cultura</p><p>A cultura pode ser compreendida por meio de três aspectos a seguir:</p><p>1. A cultura visa orientar o senso emocional do leitor, sendo considerada um tronco</p><p>que abarca normas, linguagens, mitos e símbolos.</p><p>2. Na concepção católica a cultura deve servir como um espelho para o homem</p><p>onde as qualidades do corpo e da alma são aprimoradas por meio do conheci-</p><p>mento, visando manter conservadas as experiências de espírito.</p><p>3. Já para a antropologia a cultura busca as soluções para os problemas da hu-</p><p>manidade por meio da integração entre o pensar e sentir de uma determinada</p><p>comunidade.</p><p>Os aspectos acima deixam visível que a cultura está intrinsecamente relacionada</p><p>ao homem e sociedade, considerando ainda, o que já foi e o que ainda está sendo feito</p><p>todos os dias. Dessa forma pressupõe que a literatura acompanha as transformações que</p><p>ocorrem na cultura de uma sociedade e as reflete nas obras literárias.</p><p>Aqueles conhecimentos que são adquiridos desde a infância em forma de lingua-</p><p>gem, são produtos da sociedade o qual estamos inseridos e fazemos parte. Deste modo,</p><p>em termos sociais, a caracterização da cultura permite que ela seja setorizada, podendo</p><p>ser tratada como literatura europeia, ocidental, romana, e consequentemente literatura</p><p>brasileira. (PROENÇA FILHO, 2009).</p><p>Pode-se dizer então que a língua está inclusa na relação existente entre cultura</p><p>e literatura, e que a linguagem literária é conotativa, sugerindo significados diferentes do</p><p>original. Ainda é correto dizer que a literatura representa o nível de cultura existente em</p><p>uma determinada sociedade. Lembrando que, uma obra ficcional não indica necessaria-</p><p>mente a realidade social e que a literatura, por sua vez apresenta questionamentos a serem</p><p>respondidos por uma sociedade, ou seja, ela surge da sociedade e depois volta para ela.</p><p>(LIPPE, 2016).</p><p>29UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>1.2 A Cultura popular</p><p>A leitura é um ato social, é uma atividade peculiar ao sujeito contemporâneo e que</p><p>está presente em seu cotidiano. Neste contexto é sabido que a literatura popular consiste</p><p>em produções de uma sociedade, onde se mantém viva a memória dessas produções que</p><p>constituem de uma tradição. Com o passar do tempo novos elementos foram acrescenta-</p><p>dos, principalmente no campo das práticas modernas e da oralidade, estas responsáveis</p><p>pelo aumento do contingente tradicional. (BARROS, 2002).</p><p>Como mencionando anteriormente em nossos estudos, são essas tradições que</p><p>nos tornam legítimos enquanto nação e sociedade. Fato este que faz com que se acredite</p><p>que a literatura popular, tanto oral quanto escrita se tornam vivas nos dias atuais em diver-</p><p>sas festas e comemorações. (CANCLINI, 2000).</p><p>Embora a tecnologia e do uso em massa de outros canais de comunicação, as</p><p>transformações ocorridas no decorrer dos tempos modernos não conseguiram extinguir</p><p>com as culturas populares tradicionais. Na contramão da modernidade, essas culturas se</p><p>desenvolveram nas últimas décadas transformando-se. Há uma interação com as tradições</p><p>tecendo ligações com outros setores fazendo com que a literatura não permaneça estável,</p><p>mas que ela se transforme juntamente com a sociedade. (BARROS, 2002).</p><p>Ao se falar em cultura popular no Brasil é preciso considerar ainda a existência de</p><p>dois sistemas de conhecimento que atuam de maneira mais ou menos dialógica e mesmo</p><p>que em graus diferentes, um influencia o outro e implica hábitos mentais, e padrões sociais,</p><p>éticos e estéticos. (AZEVEDO, 2008).</p><p>O quadro a seguir descreve as principais características desses dois sistemas de</p><p>conhecimento:</p><p>30UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Quadro 1: Principais características dos sistemas de conhecimento</p><p>SISTEMAS DE CULTURA OFI-</p><p>CIAL OU MODERNA</p><p>-Representado pelo poder público, elites culturais e eco-</p><p>nômicas;</p><p>- Padrões, conteúdos e valores</p><p>organizados de forma sis-</p><p>temática, formatada e esquematizada;</p><p>- Paradigmas transmitidos por escolas e universidades;</p><p>- Totalmente dependente da escrita;</p><p>- Utiliza livros, metodologias, teorias, jornais, revistas, pu-</p><p>blicidade, etc;</p><p>- É homogêneo, com informações fixadas em textos es-</p><p>critos.</p><p>SISTEMA DE CONHECIMENTO</p><p>DE CULTURA POPULAR</p><p>- É paralelo à cultura oficial;</p><p>- Possui um conjunto imenso de manifestações;</p><p>- Se desenvolve de forma caótica, espontânea e não pro-</p><p>gramada;</p><p>- Se constrói no dia a dia da vida cotidiana;</p><p>- É diversificada, heterogênea e heterodoxa;</p><p>- Possui variadas facetas e graduações nas diferentes re-</p><p>giões do país.</p><p>- Não é a mesma cultura da escola, do saber sistemático,</p><p>erudito, científico, técnico e impessoal;</p><p>- Como conhecimento, costuma ser desprezada pelo mo-</p><p>delo oficial.</p><p>Fonte: AZEVEDO, Ricardo. Cultura popular, literatura e padrões culturais. 2008. Disponível em: <<http://</p><p>www.ricardoazevedo.com.br/>>. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>Mesmo que muitas vezes desprezadas pelo modelo de cultura oficial, a cultura</p><p>popular é conhecida em seu discurso pelo vínculo que possui com a oralidade, sendo</p><p>marcada pela transmissão feita de maneira informal e espontânea através do boca a boca,</p><p>essa cultura ainda é chamada de cultura é a chamada empírica, uma vez que o Brasil é</p><p>um país muito abrangente, marcada pela diversidade cultural, com costumes e crenças</p><p>diferentes. Diferente do texto escrito - cultura oficial - que por estar fixado, o seu discurso</p><p>escrito pode atravessar o tempo.</p><p>Além disso, o discurso do texto deve ser mais complexo, seguir uma ordem, ser</p><p>esclarecedor e, também prever alguns questionamentos do possível leitor. Em síntese, po-</p><p>de-se dizer que tanto o discurso escrito quanto o discurso oral possuem objetivos diferentes,</p><p>exigem diferentes estratégias de pensamento, bem como seguem a modelos construtivos</p><p>diferentes. (AZEVEDO, 2008).</p><p>31UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Cultura é um termo com muitíssimos significados. A seguir três dos mais importantes:</p><p>Cultura no pensamento da sociologia: “Uma cultura constitui um corpo complexo de</p><p>normas, símbolos, mitos e imagens que penetram o indivíduo em sua intimidade, estrutu-</p><p>ram os instintos, orientam as emoções”. (MORIN, apud PROENÇA FILHO, 2009, p. 37).</p><p>Cultura no pensamento católico: “pela palavra ‘cultura’ em sentido geral, indicam-se</p><p>todas as coisas com as quais o homem aperfeiçoa e desenvolve as variadas qualidades</p><p>da alma e do corpo; procura submeter a seu poder pelo conhecimento e pelo trabalho,</p><p>o próprio orbe terrestre, torna a vida social mais humana, tanto na família quanto na co-</p><p>munidade civil, pelo progresso dos costumes e da instituição; enfim, exprime, comunica</p><p>e conserva, em suas obras, no decurso do tempo, as grandes experiências espirituais e</p><p>as aspirações, para que sirvam ao proveito de muitos e ainda, de todo o gênero huma-</p><p>no”. (PROENÇA FILHO, 2009, p. 37).</p><p>Cultura no pensamento antropológico: “o conjunto e a integração dos modos de pen-</p><p>sar, sentir e fazer adotados por uma comunidade, na busca de soluções para os proble-</p><p>mas da vida humana associativa”. (PROENÇA FILHO, 2009, p. 37).</p><p>Fonte: PROENÇA FILHO, D. A linguagem literária. 8 ed. rev. São Paulo: Ática, 2009. (Série Princípios).</p><p>1.3 A cultura na escola e literatura de cordel como forma de ensino-aprendizagem da</p><p>língua materna</p><p>A escola é um lugar onde se pode vislumbrar a diversidade cultural, todavia, apesar</p><p>de estar tão presente neste ambiente, muitas vezes ela não tem sido tão valorizada e</p><p>trabalhada como deveria. Os livros literários estimulam a imaginação, a fantasia, que são</p><p>fundamentais para o desenvolvimento, por esse motivo, eles precisam ser explorados de</p><p>maneira que o aluno se sinta envolvido pela leitura. Colaborando com nossos estudos</p><p>Cosson (2006, p. 16), diz que:</p><p>32UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>Na escola, a leitura literária tem a função de nos ajudar a ler melhor, não</p><p>apenas porque possibilita a criação do hábito da leitura ou porque nos forne-</p><p>ce, como nenhum outro tipo de leitura faz, os instrumentos necessários para</p><p>conhecer e articular com proficiência o mundo feito linguagem.</p><p>Neste sentido fica claro que a linguagem está presente em todos os lugares, e</p><p>oportuniza contatos, interação, aprendizagem, conhecimento, e por meio dela os indivíduos</p><p>se tornam humanizados. A poesia contida na literatura desenvolve no aluno a sensibilidade</p><p>e o caráter humanizador, daí a sua importância na escola. Considerando a função cultural</p><p>social que a arte e a obra literária exercem na vida do indivíduo, é necessário escolher</p><p>um gênero literário que revele essa diversidade cultural existente no Brasil, com intuito de</p><p>respeitar tais diferenças. (AUGUSTI; SILVA, 2016)</p><p>No Brasil, a literatura ou poesia de cordel como é chamada, é uma manifestação</p><p>cultural muito importante por suas características. Composta por poemas escritos, em</p><p>formato de músicas ou mesmo vídeos que enfatizam a cultura/literatura nordestina, são ca-</p><p>pazes de despertar nos alunos o interesse pela leitura literária e o respeito pela diversidade.</p><p>Esse gênero carrega consigo expressões e histórias que estão relacionadas com a cultura</p><p>popular e por suas peculiaridades literárias, em relação a outros gêneros não literários.</p><p>(AUGUSTI; SILVA, 2016).</p><p>Diante disso fica evidente a importância do uso da literatura de cordel no ambiente</p><p>escolar, mais para isso é preciso repensar o processo de ensino-aprendizagem e as meto-</p><p>dologias utilizadas, tanto no que se refere a sua história quanto ao seu modelo ideológico,</p><p>sem que haja paradigmas em relação ao caráter literário. A finalidade da literatura de cordel</p><p>deve ser a de levar o aluno a compreender e reconhecer a função social do cordel enquanto</p><p>linguagem literária na formação do leitor. Sendo assim, compreende-se que:</p><p>[...] crescemos como leitores quando somos desafiados por leituras progres-</p><p>sivamente mais complexas. Portanto, é papel do professor partir daquilo que</p><p>o aluno já conhece para aquilo que ele desconhece, a fim de proporcionar o</p><p>crescimento do leitor por meio da ampliação de seus horizontes de leitura.</p><p>(COSSON, 2006, p. 35)</p><p>Tal desafio é pertinente, uma vez que possibilita por meio da diversidade de textos</p><p>literários, uma ação didática que é sobremaneira necessária para a formação do leitor</p><p>amadurecido.</p><p>De acordo com Bordini; Aguiar (1993, p. 86), uso da literatura de cordel como méto-</p><p>do de ensino em que se reconhece a função social do gênero, enfatiza a comparação entre</p><p>o familiar e o novo, entre o próximo e o distante no tempo e no espaço por meio de cinco</p><p>etapas a seguir:</p><p>33UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>A Primeira Etapa refere-se à Determinação do Horizonte de Expectativas-</p><p>momento de verificação dos interesses dos alunos, a fim de prever estratégias</p><p>de ruptura e transformação dos discentes. A Segunda Etapa destaca o Aten-</p><p>dimento do Horizonte de Expectativas -momento de proporcionar aos alunos</p><p>experiências com textos literários que satisfaçam suas necessidades quanto</p><p>ao objeto escolhido e às estratégias de ensino. A Terceira Etapa apresenta</p><p>a Ruptura do Horizonte de Expectativas momento de trabalhar com textos e</p><p>atividades de leitura que abalem as certezas e costumes dos alunos. A Quarta</p><p>Etapa está relacionada ao Questionamento do Horizonte de Expectativas-</p><p>fase em que serão comparados os dois momentos anteriores relacionando</p><p>texto com vivência pessoal. A Quinta e última Etapa refere-se à Ampliação do</p><p>Horizonte de Expectativas- etapa em que os alunos tomarão consciência das</p><p>alterações e aquisições através da experiência com a literatura.</p><p>Neste contexto o professor deve ser o mediador do processo de ensino-apren-</p><p>dizagem, em que seu papel é o de estar atento às dificuldades do aluno. O professor de</p><p>intervir apresentando ao aluno o autor do texto, trazer para o ambiente de aprendizagem o</p><p>contexto histórico que envolve o texto apresentado,</p><p>comentar sobre o local em que a his-</p><p>tória acontece, a época, qual o objetivo do texto, enfim, juntos, professor e alunos deverão</p><p>explorar juntos os textos, analisar as informações nele contidas, utilizar das pistas que ele</p><p>oferece a fim de descobrir as informações que estão implícitas por meio da interpretação e</p><p>assim dar significado ao texto. (AUGUSTI; SILVA, 2016)</p><p>Essas ações farão com que o aluno desenvolva a autonomia e o gosto pela leitura,</p><p>porém é preciso levar em conta que este é um trabalho progressivo e gradual que deve</p><p>acontecer de maneira frequente nas aulas, mais que deve ser realizado de forma que não</p><p>sufoque a viva interação do aluno com a obra literária, o que pode prejudicar a formação do</p><p>futuro leitor literário. Ainda é válido ressaltar que o professor é referência para os alunos,</p><p>portanto a leitura deve ser uma prática em sua vida. Quando o professor ama a leitura</p><p>literária e faz dela uma prática, ao ler para os alunos ele mergulha no contexto da história,</p><p>e consegue transmitir ao aluno seu entusiasmo, podendo até contagiá-los. (AUGUSTI;</p><p>SILVA, 2016)</p><p>Como já estudado na unidade I deste material, o acesso aos livros na Idade Mé-</p><p>dia era algo que pertencia a classe alta, e o acesso à escola era privilégio dos senhores</p><p>detentores de posse. Entretanto nos dias atuais ainda é possível perceber fragmentos da</p><p>desigualdade social daquela época. Desta maneira, os livros devem estar presentes nas</p><p>aulas, em locais onde os alunos possam manuseá-los livremente, os livros devem ser di-</p><p>versificados, pois muitas vezes o aluno só tem acesso a eles na escola.</p><p>Para finalizar nossos estudos acerca do uso da literatura de cordel no ambiente</p><p>escolar, não podemos deixar de enfatizar a importância de o professor intermediar o conta-</p><p>34UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>to do aluno com o texto escrito, porém sem desmerecer seu potencial, pois a leitura é um</p><p>processo de constante aquisição.</p><p>Sob esta perspectiva, o aluno quando vem para a escola já traz consigo uma</p><p>bagagem de conhecimento denominado conhecimento empírico, é na neste espaço que</p><p>ele ampliará seus conhecimentos e os transformará em conhecimentos científicos e estes</p><p>precisam ser significativos para ele. O aluno precisa entender que a escola vai ensinar o</p><p>que ele precisa saber para se tornar um cidadão autônomo, participativo e crítico garantindo</p><p>assim seu espaço na sociedade.</p><p>35UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>2 A FORMAÇÃO DO LEITOR</p><p>Neste tópico estudaremos algumas questões que estão relacionadas ao uso da</p><p>literatura infantil na escola, como a contação de histórias e a iniciação a leitura, que são</p><p>alguns dos aspectos fundamentais na formação do leitor.</p><p>2.1 A contação de histórias na formação do leitor</p><p>Iniciaremos nossa conversa com uma questão muito comum em nossa área, que</p><p>é “como formar um leitor”? Na área da educação alguns questionamentos referentes a</p><p>formação de um leitor, são fundamentais. O trabalho que o professor vai exercer e as</p><p>escolhas que ele pode fazer ajudarão na compreensão do seu trabalho.</p><p>O professor é responsável por escolher a obra que seja apropriada ao leitor infantil,</p><p>escolher recursos metodológicos que sejam mais efetivos e que estimulem tanto a leitura,</p><p>quanto a compreensão das obras, em que os alunos consigam verbalizar o que aprendeu.</p><p>(ZILBERMAN, 1982, p.26 apud COSTA, 2007). Porém para que o professor consiga al-</p><p>cançar esses objetivos é preciso que ele esteja habilitado para isso. E isso acontecerá no</p><p>ensino superior.</p><p>Costa (2007, p. 41-42), ainda menciona alguns fatores que são necessários a essas</p><p>habilidades,</p><p>[...]como o conhecimento de um acervo literário representativo; o domínio de</p><p>critérios estéticos de modo a discernir quais são as obras de valor; conhecer</p><p>36UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>o conjunto literário destinado às crianças, com destaque para a sua trajetória</p><p>histórica, bem como os autores da atualidade de maior representatividade;</p><p>saber manipular técnicas e métodos de leitura.</p><p>Se o professor possuir essas habilidades, pode-se pressupor que ao realizar um</p><p>trabalho com a literatura infantil, este produza resultado satisfatório e eficaz. A construção</p><p>da literatura é algo que depende de alguns princípios que vão norteá-la, pois é um processo</p><p>lento que vai se formando gradativamente, uma vez que ler é encontrar sentido e se inte-</p><p>ressar pela leitura, aprender e se sentir competente para realizar as tarefas de leitura, além</p><p>de sentir que a aprendizagem como uma experiência emocional e gratificante. (SOLÉ, 1998</p><p>p. 172, apud COSTA, 2007).</p><p>Diante disso é claro que a qualidade e a dedicação quando empreendidas no ensino</p><p>da leitura produzirão no leitor infantil o prazer em ler, fará com que se sinta satisfeito com</p><p>a leitura e com o resultado obtido por meio do texto lido. Tal prazer pode ser resultante da</p><p>emoção motivada por um poema, ou por se identificar com algum personagem ou mesmo</p><p>com a história, ou simplesmente por ter aprendido algo com a leitura.</p><p>Aprender a ler, também significa aprender a ser ativo ante a leitura, ter</p><p>objetivos para ela, se auto interrogar sobre o conteúdo e sobre a própria</p><p>compreensão. Em suma, significa aprender a ser ativo, curioso e a exercer</p><p>controle sobre a própria aprendizagem, (SOLÉ 1998, p. 172 apud COSTA</p><p>2007, p. 44).</p><p>Entende-se então que o papel do professor é o de conduzir o aluno e orientá-lo, mais</p><p>sem lhe dar uma resposta pronta. Ele deve estimular o pensamento do leitor, incentivá-lo,</p><p>instigá-lo a levantar questionamentos sobre o que leu, deixando que ele chegue sozinho às</p><p>respostas. Costa (2007, p. 44), afirma que, “professor e aluno devem integrar-se com igual</p><p>determinação e vontade na aprendizagem do intercâmbio produtivo com textos literários”.</p><p>Para que esse processo de desenvolvimento dê certo, é preciso que ele esteja estruturado</p><p>em três pilares, são eles: autor, leitor e professor.</p><p>O autor é o responsável pela produção da obra, é ele quem vai atribuir a ela as</p><p>intenções e sua beleza. O leitor é o aluno que busca sentido no texto por meio de sua ex-</p><p>periência pessoais e também pelo repertório que já possui e por último vem o professor, tão</p><p>importante quanto o autor, pois devido a sua maturidade, seu conhecimento e metodologia,</p><p>vai mediar o aluno, possibilitando a ele um ambiente favorável à leitura.</p><p>37UNIDADE II A Literatura Infanto-Juvenil</p><p>REFLITA</p><p>Você sabia que ler desenvolve o cognitivo, amplia vocabulário, ativa o senso crítico</p><p>e estimula a percepção intelectual? Além disso, favorece a inserção do indivíduo na</p><p>sociedade, onde os textos escritos estão acima dos textos verbais, ou seja, a leitura o</p><p>capacita a exercer sua cidadania. Porém nem sempre foi assim:</p><p>“Do ponto de vista histórico, a situação de desigualdade entre elementos alfabetizados e</p><p>analfabetos produziu uma relação de domínio dos primeiros sobre os segundos, que se</p><p>acrescentou a todas as outras formas de dominação social. Já a Revolução Francesa de</p><p>1789 postulará a abertura de escolas públicas com o fim de levar as letras até o povo, de</p><p>modo a promover uma maior igualdade social” (BORDINI; AGUIAR 1993, p.10).</p><p>Ainda neste contexto histórico , surgiu a escola pública, porém as diferenças sociais</p><p>permaneceram, uma vez que a escola constituiu um caráter dominador e da elite, fazen-</p><p>do com que os menos favorecidos permanecessem excluídos e não tivessem acesso a</p><p>essa cultura, o que acontece até os dias atuais, pois muitos ainda continuam sem aces-</p><p>so e excluídos da sociedade.</p><p>Fonte: BORDINI, Maria da Glória; AGUIAR, Vera Teixeira. Literatura: a formação do leitor (alternativas</p><p>metodológicas). 2.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993.</p><p>2.2 A formação do hábito da leitura na visão de Richard Bamberger</p><p>Sobre o hábito da leitura, Bamberger (2000, p. 24-25 apud COSTA 2007, p. 45-54),</p><p>diz que para a formação do leitor é importante:</p><p>Promover a prontidão para a leitura em todos</p>