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GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA 
Edição IV 
 
Autor Principal 
Guilherme Barroso Langoni de Freitas 
 
Autores colaboradores 
Alana Santa Rosa Santos 
Alice Freitas 
Ana Clara dos Santos Matos 
Ana Clara dos Santos Souza 
Ana Flávia Mendes Silva 
Anna Clara Lopes Costa 
Brenda Mirelly Jastrow 
Bruno Chiaretti Cossenzo Abdo 
Camila Guimarães Maciel de Castro 
Carolina Campos Rezende Libanio 
Carolina Loyola Prest Ferrugini 
Cleverson Gomes do Carmo Junior 
Daniela Borges Mielke 
Davi Fernando Gomes Pereira 
Deborah Ferreira Duget Arruda 
Djalma Gomes Neto 
Eduarda de Oliveira Teixeira 
Emerson Batista da Silva Santos 
Felipe Guimarães Martini 
Fernanda Chaib Fonseca Pereira 
Gabriel Junqueira Guimarães¹ 
Gabriela Neves de Souza 
Gabriela Silveira Anatólio Lima 
Gilberto Santos Cerqueira 
Giovanna Martins Oliveira Magalhães 
Giulia Messias Cadaval Pessoa 
Isabela Lamounier de Carvalho 
Isabella Souza Assunção 
Isadora Amabile Lopes Fabres 
Isadora Lima Teles Baeta Zebral 
Ítalo de Souza Porto 
Janine Martins Machado 
Jayme Murad Magalhães 
Júlia Abreu Dorneles 
Júlia Benevenuto Moreira 
Júlia Resende Ferreira Magri 
Kamila Jales Corteleti 
Lara Garcia Magalhães 
Laura Figueiró Euler Vaz de Melo Fernandes 
Laura Helena Boy Paiva 
Laura Moore Gaissler 
Laura Vasconcelos Rodrigues de Oliveira Tonello 
Letícia de Cássia Freire Franco 
Letícia Nogueira Falcão do Carmo 
Lucas Daniel Dos Anjos Guimaraes 
Maria Eduarda Piffer de Almeida 
Maria Eduarda Ribeiro de Figueiredo 
Maria Guimarães Petry 
Mariana Barino Melo 
Mariela Sthefany Silva 
Marina Henriques Amaral 
Natália Mourão de Pinho Tavares 
Nathalia Perondi Passarela 
Patrick Romanzini Pedreira 
Paula Salomão Libânio 
Pauline Christina Campos Martins Ferreira¹ 
Pedro Chamon Pacheco 
Rafael de Oliveira Marra 
Rodrigo Veloso Souto Rocha 
Sávio Laguardia Marra Filho 
Tainá Evangelista Diniz Morais 
Thaís Viana de Ávila Oliveira 
Victoria Cardoso Alves 
Vitória Figueiredo Garrido Cabanellas Nogueira
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2023 
2023 by Editora Pasteur 
Copyright © Editora Pasteur 
 
 
Editor Chefe: 
 
Dr Guilherme Barroso Langoni de Freitas 
 
Corpo Editorial: 
 
Dr. Alaercio Aparecido de Oliveira 
(Faculdade INSPIRAR, UNINTER, CEPROMEC e Força Aérea Brasileira) 
Dra. Aldenora Maria Ximenes Rodrigues 
MSc. Aline de Oliveira Brandão 
 (Universidade Federal de Minas Gerais -MG) 
Dra. Ariadine Reder Custodio de Souza 
(Universidade Estadual do Centro-Oeste – PR) 
MSc. Bárbara Mendes Paz 
(Universidade Estadual do Centro-Oeste -PR) 
Dr. Daniel Brustolin Ludwig 
(Universidade Estadual do Centro-Oeste -PR) 
Dr. Durinézio José de Almeida 
(Universidade Estadual de Maringá -PR) 
Dr. Everton Dias D’Andréa 
(University of Arizona/USA) 
Dr. Fábio Solon Tajra 
(Universidade Federal do Piauí -PI) 
Francisco Tiago dos Santos Silva Júnior 
(Universidade Federal do Piauí -PI) 
Dra. Gabriela Dantas Carvalho 
Dr. Geison Eduardo Cambri 
 
MSc. Guilherme Augusto G. Martins 
(Universidade Estadual do Centro-Oeste -PR) 
Dr Guilherme Barroso Langoni de Freitas 
(Universidade Federal do Piauí -PI) 
Dra. Hanan Khaled Sleiman 
(Faculdade Guairacá -PR) 
MSc. Juliane Cristina de Almeida Paganini 
(Universidade Estadual do Centro-Oeste -PR) 
Dra. Kátia da Conceição Machado 
(Universidade Federal do Piauí -PI) 
Dr. Lucas Villas Boas Hoelz 
(FIOCRUZ -RJ) 
MSc. Lyslian Joelma Alves Moreira 
(Faculdade Inspirar -PR) 
Dra. Márcia Astrês Fernandes 
(Universidade Federal do Piauí -PI) 
Dr. Otávio Luiz Gusso Maioli 
(Instituto Federal do Espírito Santo -ES) 
Dr. Paulo Alex Bezerra Sales 
MSc. Raul Sousa Andreza 
MSc. Renan Monteiro do Nascimento 
Dra. Teresa Leal 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Editora Pasteur, 2023)
F866 FREITAS, Guilherme Barroso Langoni de 
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA/ Freitas, G.B.L.-Irati: 
Pasteur, 2023. 
1 livro digital; 169 p.; ed. IV; il. 
 
Modo de acesso: Internet 
ISBN 978-65-6029-005-1 
https://doi.org/10.59290/978-65-6029-005-1 
1. Medicina 2. Ciencias da Saúde 3. Mulher 
I. Título. 
 
CDD 610 
CDU 612.6 
https://doi.org/
 
 
 
 
 
Desde a puberdade, menarca, desenvolvimento das mamas, gravidez até a 
menopausa, doenças significativas afetam as mulheres. uma equipe multidisciplinar poderá 
assistir da melhor forma esta mulher e ser apoio fundamental no trabalho do médico 
ginecologista. A partir da maturidade, quando os órgãos reprodutivos amadurecem, as 
mulheres são aconselhadas a fazer um exame de saúde anual ou pelo menos a cada 3 anos 
com um ginecologista, porém muitas delas não terão esse acesso com facilidade pelos 
serviços públicos de saúde ou ainda se depararão com profissionais sem a formação 
adequada. A consciência das funções corporais básicas e a manutenção de um bom bem-
estar físico e mental são aspectos vitais da gestão da saúde da mulher e no bom atendimento 
ginecológico e obstétrico. A detecção precoce de doenças e outros problemas de saúde pode 
ser importante para ajudar qualquer paciente a ter uma vida mais saudável, feliz e, em alguns 
casos, mais longa. Na verdade, a detecção precoce e bom manejo da paciente pode aumentar 
significativamente as chances de sobrevivência de certas doenças, incluindo muitas formas 
de câncer. É por isso que os especialistas recomendam a adesão a um cronograma regular 
de exames médicos e exames apropriados com base em seus dados demográficos e fatores 
de risco. O livro Ginecologia e Obstetrícia aborda capítulos sobre sexualidade, atendimento 
clínico, cuidados do aparelho genital feminino e intervenções cirúrgicas e medicamentosas 
para as principais complicações. O leitor encontrará capítulos pré-definidos, construídos por 
autores convidados e atualizados sobre os principais temas. A Editora Pasteur fica feliz em 
apresentar esse material de alta qualidade e importância. 
Guilherme Barroso L de Freitas 
Dr. Prof. Dpto. Bioquímica e Farmacologia, Universidade Federal do Piauí (UFPI) 
Diretor Científico do Grupo Pasteur 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 1 
CONSULTA GINECOLÓGICA ....................................................................................................... 1 
Capítulo 2 
SEXOLOGIA .................................................................................................................................. 10 
Capítulo 3 
GINECOLOGIA INFANTO-PUBERAL ........................................................................................ 18 
Capítulo 4 
GONORREIA .................................................................................................................................. 30 
Capítulo 5 
VAGINITE E VAGINOSE ............................................................................................................. 38 
Capítulo 6 
INFECÇÃO URINÁRIA NA GRAVIDEZ .................................................................................... 50 
Capítulo 7 
DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA ....................................................................................... 61 
Capítulo 8 
GINECOLOGIA ENDÓCRINA ..................................................................................................... 68 
Capítulo 9 
MIOMAS ......................................................................................................................................... 75 
Capítulo 10 
ENDOMETRIOSE .......................................................................................................................... 85 
Capítulo 11 
INFERTILIDADE ........................................................................................................................... 93 
Capítulo 12 
HISTERECTOMIA ....................................................................................................................... 103 
Capítulo 13 
CLIMATÉRIO ...............................................................................................................................111 
Capítulo 14 
PLANEJAMENTO FAMILIAR ................................................................................................... 123 
Capítulo 15 
MASTOLOGIA ............................................................................................................................. 137 
 
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Capítulo 16 
MASTITE GRANULOMATOSA IDIOPÁTICA ......................................................................... 145 
Capítulo 17 
ISTMOCELE ................................................................................................................................. 156 
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1 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Saúde da Mulher, Ginecologia, Exame Ginecológico. 
Capítulo 1 
ANA FLÁVIA MENDES SILVA¹ 
ANNA CLARA LOPES COSTA¹ 
BRUNO CHIARETTI COSSENZO ABDO1 
CAROLINA CAMPOS REZENDE LIBANIO1 
1. Discente – Medicina da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais. 
CONSULTA 
GINECOLÓGICA 
 
2 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
A consulta ginecológica é fundamental na 
vida de todas as mulheres, já que ela promove o 
cuidado à saúde individualizada da mulher e a 
prevenção de diversas condições que afetam sua 
qualidade de vida. Essas consultas envolvem 
anamnese detalhada e exame físico ginecoló-
gico, que abrange inspeção e palpação de ma-
mas e genitálias, podendo incluir, também, co-
leta de exames como a colpocitologia. Além 
disso, durante o atendimento, o médico pode re-
comendar medidas de planejamento familiar 
como o uso de contraceptivos e medidas de pre-
venção de doenças sexualmente transmissíveis 
como a aplicação de vacinas e o uso de preser-
vativos. Já que, muitas vezes, a ida ao ginecolo-
gista representa o único contato das mulheres 
com o sistema de saúde, é um importante mo-
mento para sanar dúvidas, fazer encaminhamen-
tos necessários e solicitar os exames periódicos 
segundo as demandas individualizadas de cada 
paciente. É interessante ressaltar que essa é, in-
clusive, uma oportunidade para a detecção pre-
coce de câncer de colo de útero e de câncer de 
mama, o que favorece o prognóstico, aumenta a 
sobrevida e reduz os gastos em saúde pública. 
A consulta ginecológica 
A consulta ginecológica apresenta o roteiro 
semelhante a outras especialidades médicas, 
sendo composta pela anamnese, o exame físico, 
a solicitação de exames complementares, con-
duta e terapêutica. Entretanto, diferentemente 
das outras especialidades, durante uma consulta 
ginecológica, a paciente irá comunicar assuntos 
extremamente pessoais como sexualidade, higi-
ene, planejamento familiar, sintomas urogeni-
tais, sintomas mamários e por isso, cabe ao mé-
dico se atentar ao seu porte perante a paciente, 
sempre deixando-a confortável e segura para 
abrir suas queixas. (BEREK, 2014) 
Além disso, o exame físico também é um 
momento de bastante exposição da mulher e por 
isso é de extrema importância que o médico se 
atente a sua conduta para deixá-la o mais con-
fortável possível. Isso pode ser facilitado, expli-
cando para a paciente cada passo a ser realizado, 
pois gera uma maior confiança no profissional. 
Um atendimento completo, com anamnese e 
exame físico de qualidade é a base de todo 
acompanhamento ginecológico e por isso nunca 
deve ser feito com descuido. Uma conduta ade-
quada e pedidos de exames complementares ne-
cessários dependem exclusivamente de um bom 
atendimento clínico e cabe ao médico realizá-lo 
de forma adequada (PASSOS et al., 2017). 
Anamnese 
A anamnese é um dos principaispassos da 
consulta ginecológica pois é a partir dela que a 
maioria das hipóteses diagnósticas são traçadas. 
Dessa forma, é nesse momento que o médico 
deve se atentar para construir uma boa relação 
médico-paciente, de forma a criar um ambiente 
acolhedor e confortável para a paciente trazer 
suas queixas (PASSOS et al., 2017). 
Inicialmente são coletadas as informações 
de identificação como nome completo, idade, 
estado civil, profissão, naturalidade, procedên-
cia, cor autodeclarada e religião. Esses dados 
permitem, muitas vezes, evidenciar patologias, 
devido a sua prevalência em determinado grupo 
de mulheres (FEBRASGO, 2018). 
A queixa principal deve ser registrada com 
a linguagem da paciente e seu detalhamento é 
explorado na história da moléstia atual, onde 
deve-se questionar data de início da queixa, du-
ração, intensidade, fatores de melhora ou piora 
e sintomas associados. Nem sempre as pacientes 
vão ao consultório devido a queixas específicas, 
mas pode ocorrer de ser apenas consultas de ro-
tina para exames periódicos ou necessidade de 
orientações para planejamento familiar. 
 
3 | P á g i n a 
Em seguida começa a abordagem dos ante-
cedentes ginecológicos e obstétricos. Esses itens 
são de extrema importância para uma consulta 
ginecológica. Inicia-se perguntando à paciente 
sobre sua primeira menstruação (menarca) e as 
características de seus ciclos menstruais como 
regularidade, duração, volume do fluxo, sinto-
mas associados (cólicas), intervalo e se ocorrem 
atrasos. Em seguida, questionar sobre a data da 
última menstruação. Se a paciente já tiver pa-
rado de menstruar, é importante perguntar a data 
da menopausa, sintomas do climatério e se faz 
uso de terapia hormonal. Se possível, resgatar 
informações da telarca e pubarca. 
A abordagem da vida sexual feminina mui-
tas vezes não é fácil, mas para uma consulta gi-
necológica completa é necessário. A construção 
de uma boa relação médico paciente permite 
uma comunicação mais aberta sobre esses te-
mas, fazendo com que a paciente sinta liberdade 
para relatar aspectos íntimos e pessoais de sua 
vida. Então, registra-se a idade da primeira rela-
ção sexual (sexarca); número de parceiros sexu-
ais; se faz, ou já fez, uso de métodos contracep-
tivos; se já teve alguma infecção sexualmente 
transmissível; se apresenta alguma queixa rela-
cionada a disfunção sexual, como diminuição da 
libido e impossibilidade de relação. Sempre as-
segurar que as consultas abordam temas sigilo-
sos e que nenhuma abordagem deve ser feita 
com julgamentos e sim de maneira respeitosa. 
(FEBRASGO, 2018). 
Ao final desses questionamentos é impor-
tante registrar quando foram feitos os últimos 
exames complementares como a mamografia, 
ultrassom de mama, exame preventivo e ultras-
som transvaginal ou abdominal. Com esses da-
dos o médico consegue apurar a necessidade de 
refazer esses exames como forma de preven-
ção. 
Em seguida, perguntar sobre o número de 
gestações, quantidade de partos e as vias (nor-
mal ou cesáreo), se já sofreu abortamentos es-
pontâneos ou induzidos, se já teve traumas ge-
nitais ou complicações durante as gestações. 
Abordar também sobre o período do puerpério e 
lactação (duração e limitações). 
Como em outras consultas, de outras espe-
cialidades, na consulta ginecológica também é 
interrogado se a paciente apresenta comorbida-
des, faz uso de medicamentos diários, se já teve 
internações prévias, se já realizou cirurgias, se 
apresenta alergias, se já foi submetida a transfu-
sões de sangue e qual o status de vacinação. Es-
ses tópicos devem ser registrados na história pa-
tológica pregressa da paciente (PASSOS et al., 
2017). 
Assim como o histórico de patologias da pa-
ciente é relevante, o histórico de patologias da 
família também é importante, principalmente de 
doenças cardiovasculares, doenças endócrinas, 
obesidade, osteoporose, câncer de mama e de 
ovário. 
Além disso, o questionamento sobre as con-
dições de vida e hábitos da paciente contribui 
para uma anamnese completa. Dessa forma, per-
gunta-se sobre a estrutura da moradia, da famí-
lia, escolaridade, alimentação, trabalho, exercí-
cios físicos, etilismo, tabagismo e uso de outras 
drogas. 
Para finalizar o roteiro da anamnese é im-
portante assegurar se a paciente não deseja com-
pletar algo que ela tenha esquecido de abordar 
ou se ela apresenta alguma preocupação que 
possa ser solucionado ou averiguada durante a 
consulta ou exame físico (PASSOS et al., 2017). 
Exame físico 
Após a anamnese, inicia-se o exame físico 
geral. Sempre que possível, deve-se realizá-lo 
na presença de um profissional de enfermagem, 
mesmo que a médica seja do sexo feminino, 
 
4 | P á g i n a 
para que a paciente fique mais confortável e a 
segurança dela e do profissional seja garantida 
(BEREK, 2014). 
Na primeira parte do exame deve ser feita a 
ectoscopia. É imprescindível analisar a pele e as 
mucosas, procurando por sinais de palidez, cia-
nose, anemia e resistência insulínica, assim 
como a distribuição de pelos e gordura corporal. 
Além disso, devem ser aferidos os dados vitais 
da paciente, pressão arterial, frequência e aus-
culta cardíaca, frequência respiratória, tempera-
tura e oxigenação em ar ambiente. Medidas an-
tropométricas como a altura, o peso e o índice 
de massa corporal podem ajudar na avaliação de 
obesidade, fator de risco para diversas comorbi-
dades, incluindo câncer de endométrio. O 
exame da tireoide também pode ser realizado, 
mas atualmente não é obrigatório nas consultas 
ginecológicas. 
O exame físico específico da ginecologia é 
dividido em exame das mamas e exame pélvico. 
A primeira etapa do exame das mamas é a ins-
peção estática, realizada com o profissional de 
frente para a paciente, que são orientadas a per-
manecerem sentadas com os braços ao longo do 
corpo e sem qualquer vestimenta recobrindo os 
seios, conforme representado na Figura 1.1. Se-
rão analisados o volume (pequeno, médio, 
grande), o formato (arredondado ou pendular), 
os mamilos e as auréolas, atentando-se para a 
coloração, a presença de assimetrias, de abaula-
mentos e retrações, de lesões, de edema e de eri-
tema (LASMAR, 2017). 
Figura 1.1 Imagem da inspeção estática da mama 
Fonte: Passos et al., 2017. 
O segundo passo é a inspeção dinâmica das 
mamas, em que serão analisados os mesmos as-
pectos anteriores, mas enquanto a paciente se 
encontra sentada, com as mãos na cintura, con-
forme a Figura 1.2, de forma a contrair o mús-
culo peitoral e assim expor algum tipo de abau-
lamento, retração e assimetria (MINISTÉRIO 
DA SAÚDE, 2023). 
Figura 1.2 Imagem da inspeção dinâmica da mama 
Fonte: Passos et al., 2017. 
Os linfonodos podem ser acometidos em 
caso de metástase linfonodal no câncer de mama 
e, por isso, sempre devem ser avaliados. A or-
dem de avaliação é supraclavicular, cervical 
posterior e por último os axilares. 
 
 
5 | P á g i n a 
Em seguida, pede-se para a paciente deitar, 
com os braços apoiados na cabeça para ser rea-
lizada a palpação da mama, Figura 1.3. Nesse 
momento, devem ser realizados movimentos 
circulares, em todos os quadrantes da mama, 
com as duas mãos, de forma que o exame fique 
mais preciso. Nesse exame, é possível identifi-
car adensamento e nódulos, caso houver. Ao fim 
da palpação, pode-se realizar a expressão do 
mamilo para avaliar presença de derrame papi-
lar, caso a paciente apresente queixa de descarga 
mamilar (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023). 
Figura 1.3 Imagem da palpação da mama 
Fonte: Passos et al., 2017. 
O exame pélvico e especular é uma parte 
importante do exame ginecológico. Para sua re-
alização, é imprescindível que todos os materi-
ais necessários estejam devidamente separados 
e que o local seja adequado. Inicialmente, deve-
se solicitar a paciente que fique em posição gi-
necológica, também chamada deposição de li-
totomia, ou seja, em decúbito dorsal, com as ná-
degas junto à borda da mesa ginecológica, com 
coxas e joelhos fletidos descansando a fossa po-
plítea nos estribos. É de extrema importância 
que a paciente esteja coberta com avental de 
abertura posterior e um lençol para cobrir ab-
dome e membros inferiores, deixando as demais 
partes despidas para que haja ampla visualiza-
ção da genitália externa (CAMARGOS et al., 
2008). 
O examinador, com as mãos devidamente 
enluvadas, iniciará então o exame de inspeção 
estática da vulva e da região perineal, avaliando 
o monte pubiano, pequenos e grandes lábios, 
clitóris, vestíbulo, meato uretral, corpo perineal 
e ânus. Para melhor visualização da região ves-
tibular, é necessário que o examinador afaste os 
pequenos lábios através da apreensão destes 
com seu polegar e indicador. Nessa etapa do 
exame, diversas doenças podem ser evidencia-
das, por isso, é fundamental atentar-se para a 
presença de condilomas acuminados ou sifilíti-
cos, cancros, úlceras herpéticas, doenças epite-
liais ou processos alérgicos (CAMARGOS et 
al., 2008). 
Em seguida, é realizado o exame da genitá-
lia interna. A finalidade desse exame é a visua-
lização do colo uterino e das paredes vaginais. 
O exame especular é contraindicado em casos 
como estenose vulvar, atresia vaginal, integri-
dade do hímen (pacientes virgens) e vaginismo. 
Para iniciar então o exame, é necessário esco-
lher o tamanho apropriado do espéculo vaginal. 
Os espéculos podem ser de plástico ou metal e 
possuir diferentes tamanhos (número 1, 2 e 3), 
além de possuir vários modelos, como o Collins 
ou Graves, Figura 1.4. 
Figura 1.4 Imagem do espéculo de Collins 
Fonte: Passos et al., 2017. 
 
6 | P á g i n a 
Após a seleção do espéculo, o examinador 
deve então introduzi-lo com suas lâminas fecha-
das. Para expor a vagina, a mão não dominante 
deve, com os dedos indicador e médio, afastar 
os grandes lábios. A mão dominante do exami-
nador deve então apoiar o espéculo na fúrcula e 
no períneo, em uma angulação de aproximada-
mente 75º, Figura 1.5. É importante a introdu-
ção correta do espéculo para evitar traumatismo 
uretral. Após completar a introdução, as lâmi-
nas, que ainda permanecem fechadas, devem ser 
afastadas para evidenciar as paredes vaginais e 
o colo uterino (LASMAR, 2017). 
 
Figura 1.5 Imagem do espéculo de Collins 
 
Fonte: Passos et al., 2017. 
Com boa visualização do colo, o examina-
dor é capaz de avaliar diversos aspectos cervi-
cais, como a coloração das paredes vaginais, 
pregueamento, presença ou ausência de secre-
ções, como muco, leucorreia ou mesmo sangue. 
Na presença de secreções clinicamente suspei-
tas de infecção, pode ser feita a coleta desse ma-
terial para realização de exame microscópico a 
fresco, chamado teste amínico (KOH a 10%), 
para auxiliar na identificação de germes anaeró-
bios. 
Em seguida, é realizada a coleta colpocito-
lógica. Inicialmente deve-se utilizar a espátula 
de Ayre em movimento giratório (rotação de 
360º) na região ectocervical e a escova, prefe-
rencialmente do modelo Cytobrush, também em 
movimento giratório, na região endocervical. A 
coleta ectocervical precede a endocervical com 
a finalidade de evitar sangramentos provocados 
pela escova durante o exame da endocérvice, 
que possam, por consequência, acabar prejudi-
cando a coleta do material da ectocérvice. Após 
cada coleta, o examinador deve dividir a lâmina 
imaginariamente em duas metades e espalhar 
todo o material separadamente em cada uma 
dessas partes. Imediatamente após a transferên-
cia do material para a lâmina, deve-se imergir 
completamente em um frasco com álcool ou fi-
xada com um spray apropriado, para evitar o 
ressecamento do esfregaço. Por fim, identifica-
se atentamente a lâmina e o frasco (BOTELHO 
et al., 2018). 
Finalizada a coleta colpocitológica, é reco-
mendada a realização da limpeza do colo ute-
rino com ácido acético 2% ou 5% para remoção 
de secreções. Após feita a lavagem, realiza-se o 
teste de Schiller para identificar regiões da ecto-
cérvice com depleção de glicogênio celular. Na 
presença do Lugol, essas áreas não se coram de-
vido a intensa divisão celular na presença de al-
terações celulares neoplásicas. Essas áreas são 
denominadas iodo-negativo, teste de Schiller 
positivo, em que também é possível identificar 
a presença de lesões precursoras de câncer cer-
vical. Esse teste ainda é capaz de facilitar a iden-
tificação e a confirmação das colpites (áreas de 
iodo-claras). Antes da retirada do iodo com bis-
sulfito de sódio 5%, pode-se avaliar o colo do 
útero através do colposcópio, caso haja indica-
ção. Dessa forma, avalia-se detalhada e minuci-
osamente todas as áreas suspeitas. Um bom 
exame colposcópico apresenta diversas vanta-
gens, como melhor seleção de áreas a serem bi-
opsiadas e evitar falsos negativos (BOTELHO 
et al., 2018). 
Para finalizar o exame físico deve-se reali-
zar o toque vaginal bimanual. Para sua realiza-
ção é necessário calçar as luvas e lubrificar os 
dedos indicador e médio que serão introduzidos 
no canal vaginal. 
 
7 | P á g i n a 
Simultaneamente à inserção dos dedos indi-
cador e médio, o dedo anelar e o dedão são usa-
dos para afastar os pequenos lábios. Interna-
mente, toca-se na musculatura pélvica, na pa-
rede da vagina, no colo uterino e no fundo do 
saco vaginal. 
Com a outra mão comprime-se a parede ab-
dominal na região do hipogástrio, enquanto o 
colo uterino é elevado para cima com os dedos 
usados no toque. Com esse exame é avaliado o 
volume uterino, a posição, consistência e mobi-
lidade, além de dor. 
Exames complementares 
Os exames complementares devem ser sem-
pre precedidos por um bom exame clínico, com 
anamnese detalhada e exame físico minucioso 
(PORTO et al., 2019). 
Quando o exame clínico é realizado de ma-
neira adequada, os exames complementares são 
prescritos de maneira individualizada, aten-
dendo às demandas da paciente. Somente assim 
é possível cumprir com os preceitos de Preven-
ção Quaternária, que consiste em evitar a reali-
zação excessiva de exames, reduzindo a chance 
de iatrogenias. 
Além disso, tratando sobre a realidade do 
Brasil, é preciso fazer o manejo correto dos re-
cursos escassos do SUS, sempre baseando a 
conduta médica em evidências científicas. 
Muitos são os exames complementares dis-
poníveis na atenção à saúde da mulher. Neste 
capítulo, serão abordados os seguintes exames: 
colpocitologia, colposcopia e mamografia, bem 
como suas principais indicações segundo preco-
nizado pelo Ministério da Saúde. 
A Colpocitologia é o exame de escolha para 
o rastreamento do câncer de colo do útero e deve 
ser realizado de maneira periódica (ONU, 
2019). Ele é realizado durante o exame especu-
lar, sendo utilizada uma Espátula de Ayre para 
a análise da ectocérvice e uma Escova Cervical 
(citobrush) para a endocérvice. Após a coleta, o 
material deve ser fixado em uma lâmina e enca-
minhado para a análise citológica, em que o 
laudo será dado segundo as nomenclaturas cito-
patológicas, Tabela 1.1. 
O exame citopatológico é utilizado como 
método de rastreio do câncer do colo do útero, 
porque esse tipo de neoplasia origina-se de uma 
lesão precursora que, na maior parte dos casos, 
é curável (INCA, 2011). Apesar da possibili-
dade de regressão, as lesões NIC II e III têm 
maior chance de progressão para adenocarci-
noma e, por isso, devem ser tratadas (INCA, 
2011). 
 
Tabela 1.1 Nomenclaturas citopatológica e histopatoló-
gica utilizadas para o diagnóstico das lesões cervicais es-
camosas e suas equivalências. 
Richart 1967 INCA 2006 
- - 
- Alteração benigna 
- Indeterminado 
NIC I LO-SIL 
NIC II E III HI-SIL 
Carcinoma invasor Carcinoma invasor 
 Fonte: Adaptado de INCA, 2011. 
A colpocitologia deve ser iniciada em mu-
lheres a partir de 25 anos quejá iniciaram a vida 
sexual. O intervalo entre os exames deve ser de 
três anos, após dois exames negativos com in-
tervalo anual (INCA, 2011). O rastreio deve se-
guir até os 64 anos, podendo ser interrompidos 
após essa idade se a paciente possuir pelo menos 
dois exames negativos consecutivos nos últimos 
cinco anos (INCA, 2011). 
 
8 | P á g i n a 
Para que o exame seja válido, é preciso ava-
liar se a amostra está satisfatória que permita 
uma conclusão diagnóstica. Para isso, o resul-
tado da coleta deve indicar a presença de células 
representativas dos epitélios do colo do útero: 
 Células escamosas 
 Células glandulares 
 Células metaplásicas 
Caso o resultado apresente alterações da 
normalidade, a paciente deve ser orientada a se-
guir com a propedêutica segundo a lesão apre-
sentada. 
A colpocitologia deve ser repetida em 3 
anos em pacientes menores de 25 anos em caso 
de lesões do tipo ASC-US e LO-SIL. Já em pa-
cientes com lesão ASC-US entre 25 e 29 anos, 
o exame citológico deve ser realizado nova-
mente dentro de 12 meses. Pacientes acima de 
30 anos com ASC-US ou acima de 25 anos com 
LO-SIL devem realizar outra citologia dentro de 
6 meses. Todas as demais alterações - ASC-G, 
AOI, HI-SIL, carcinoma invasor e adenocarci-
noma - devem ser imediatamente encaminhadas 
para a realização de colposcopia e, então, bióp-
sia guiada. 
A Colposcopia é a análise do colo do útero 
a partir de um Colposcópio, instrumento dotado 
de lentes que possibilitam o aumento da estru-
tura a ser visualizada (PORTO et al., 2019). 
Esse exame é indicado, como citado anteri-
ormente, em alterações específicas da normali-
dade no exame colpocitológico. Além disso, é 
indicado quando o colo do útero apresenta as-
pecto suspeito, inspeção visual com ácido acé-
tico positiva ou teste de Schiller positivo. 
Sua utilização justifica-se pelo fato de o 
exame colposcópico permitir a detecção de le-
sões pré-cancerosas e malignas do colo do útero. 
Isso é possível devido ao aumento proporcio-
nado pelo colposcópio que possibilita a realiza-
ção de biópsia de maneira guiada e direcionada, 
fazendo com que a amostra enviada para o ana-
tomopatológico seja mais certeira (PORTO et 
al., 2019). Após a realização do exame colpos-
cópico, a paciente será direcionada ao nível de 
atenção à saúde adequado para, então, seguir 
com a terapêutica. 
A Mamografia é o exame de rastreio para o 
câncer de mama. É realizado um raio-X da 
mama em duas incidências mínimas: crânio-
caudal e médio-lateral oblíqua. Existem outras 
incidências que podem ser realizadas de ma-
neira individualizada. 
Segundo o INCA, esse exame deve ser rea-
lizado bianualmente em mulheres entre 50 e 69 
anos. No Brasil, o Ministério da Saúde não in-
dica, como rotina esse exame em pacientes com 
menos de 50 anos e em pacientes maiores de 69 
anos, sem fatores de risco associados. 
A propedêutica a ser seguida após a realiza-
ção da mamografia varia de acordo com o BI-
RADS, conforme demonstrado na Tabela 1.2. 
Tabela 1.2 Tabela de propedêutica segundo BI-RADS 
BI-RADS CONDUTA 
1 
Incidência adicional ou 
ultrassonografia 
2 
Seguimento conforme 
idade 
3 
Seguimento conforme 
idade 
4A Biópsia 
4B Biópsia 
5 
Altamente sugestivo de 
carcinoma 
6 
Carcinoma confirmado 
com biópsia 
Fonte: Adaptado de Hoffman et al, 2014.
 
9 | P á g i n a 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS 
BEREK, J. Tratado de Ginecologia. 15. ed. Rio de Ja-
neiro: Guanabara Koogan, 2014. 
BOTELHO, N.M. et al. Manual de habilidades profissio-
nais: atenção à saúde da mulher e gestante. 2. ed. Belém: 
EDUEPA, 2018. 
CAMARGOS, A.F. et al. Ginecologia Ambulatorial: ba-
seada em evidências científicas. 2.ed. Belo Horizonte: 
Coopmed, 2008. 
FEBRASGO. Tratado de Ginecologia. 1. ed. Rio de Ja-
neiro: Grupo GEN, 2018. p. 31-45. 
HOFFMAN, B. et al. Ginecologia de Williams. 2. ed. 
Porto Alegre: McGraw-Hill Artmed, 2014. 
INCA. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do cân-
cer do colo do útero. Rio de Janeiro: INCA, 2011. 
LASMAR, R.B. Tratado de ginecologia. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2017. 1 recurso online. ISBN 
978852773240. 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Exame clínico das mamas. 
Disponível em: < https://linhas de cui-
dado.saude.gov.br/portal/câncer-de-mama/atenção-espe-
cializada/planejamento-terapeutico/exame-clinico-ma-
mas/>. Acesso em: 11 abr. 2023 
ONU. Organização das Nações Unidas. Programmes and 
projects. Cancer. Screening and early detection of cancer. 
Nova York: United Nations, 2019. 
PASSOS, E. et al. Rotinas em Ginecologia. 7. ed. Porto 
Alegre: Artmed, p. 45-50, 2017. 
PORTO, C.C. et al. Semiologia médica. 8. ed. Rio de Ja-
neiro: Guanabara Koogan, 2019.
 
10 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Disfunção sexual; Dispareunia; Sexologia 
Capítulo 2 
DEBORAH FERREIRA DUGUET ARRUDA¹ 
FERNANDA CHAIB FONSECA PEREIRA¹ 
RAFAEL DE OLIVEIRA MARRA¹ 
SÁVIO LAGUARDIA MARRA FILHO¹ 
1. Discente - Medicina - Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (FASEH). 
SEXOLOGIA 
 
11 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
No século passado, a sexologia era abordada 
com os recursos terapêuticos herdados da psica-
nálise. À medida que a medicina ginecológica 
foi evoluindo, abriu-se o leque de novas teorias 
e seus respectivos manejos, além do aperfeiçoa-
mento na condução das comorbidades sexuais 
até então descobertas. 
Acometimentos sexuais são corriqueiros e 
fazem parte do cotidiano da mulher em múlti-
plas faixas etárias, e manifestam-se de formas 
variadas como queda ou até mesmo supressão 
da libido, desconcerto ou falha em se chegar ao 
orgasmo e desconforto físico durante o ato se-
xual. Tal quadro costuma vir acompanhado de 
relatos que provocam grande sofrimento mental 
na mulher, atrapalhando seu convívio com a sua 
parceria sexual e também na sua qualidade de 
vida de uma forma generalizada. Quando o mé-
dico recebe essas queixas de sua paciente, pode-
se assim dizer que está diante de um quadro de 
disfunção sexual feminina. 
Com o aumento das informações disponí-
veis para o público de uma forma geral, tem-se 
nos dias atuais surgido um aumento na demanda 
de pacientes que buscam soluções e terapias 
para os seus acometimentos sexuais. 
A disfunção sexual feminina surge a partir 
de uma descompensação nos estágios da res-
posta sexual conectando-se com relevantes sis-
temas endócrinos, anatômicos, neural, vascular, 
psíquico, além também do fator social, acarre-
tando quase sempre em deficiências na quali-
dade de vida feminina. 
A maioria dos distúrbios sexuais dá-se de-
vido à falta de conhecimento, lendas, e crenças 
sobre a parte fisiológica e anatômica dos órgãos 
sexuais. 
O profissional que acolhe e trata pacientes 
com queixas de distúrbios na vida sexual neces-
sita estar preparado plenamente para lidar com 
tal situação, então recomenda-se que esse indi-
víduo tenha o devido conhecimento sobre o 
tema e seus recursos propedêuticos, como tam-
bém possíveis tratamentos, além de também 
compreender e aceitar a sexualidade de cada in-
divíduo; esse preparo tem por finalidade reduzir 
possíveis influências maléficas e iatrogênicas 
no enfermo. 
Tipos de disfunção sexual 
As formas de disfunções sexuais, segundo 
Ribeiro et al. (2013), são catalogadas em: 
Distúrbio do desejo Sexual Hipoativo 
(Desejo Sexual Inibido): Ocorre quando há di-
minuição ou ausência total de fantasias e de de-
sejo de ter atividade sexual. 
Aversão Sexual (Evitação Sexual. Fobia 
Sexual): Evitação ativa de ter sexo com parcei-
ros, com sentimentos de repulsa, ansiedade e 
medo. 
Transtorno de Excitação (Frigidez): É a 
incapacidade persistente ou recorrente de adqui-
rir ou manter a lubrificação vaginal e turgescên-
cia até o fim do ato sexual. A mulher tem pouca 
ou nenhuma sensação de excitação. Antiga-
mente, esse problemaera denominado de Frigi-
dez. 
Anorgasmia (Inibição do Orgasmo): 
Quando a mulher se sente incapaz de atingir or-
gasmo. Pode haver um atraso ou ausência recor-
rente ou persistente do orgasmo, mesmo após 
estímulo sexual adequado. 
Dispareunia: É a dor genital associada ao 
ato sexual. Para ser denominada dispareunia não 
deve ser causada por fatores orgânicos, como in-
fecções ou nódulos, por exemplo. 
Vaginismo: É a contração involuntária dos 
músculos próximos à vagina que impedem a pe-
netração pelo pênis, dedo, ou espéculo gineco-
lógico ou mesmo um tampão. A mulher não 
 
12 | P á g i n a 
consegue controlar o movimento de contração, 
apesar de até desejar o ato sexual. 
Disfunção Sexual Devido a uma Condição 
Médica: Caracteriza-se quando há um pro-
blema orgânico que gera problemas sexuais, 
como, por exemplo, a diminuição de desejo de-
vido a Diabetes Mellitus. 
Disfunção Sexual Induzida por Substân-
cias: Caracteriza-se quando há um problema se-
xual pelo uso de algumas substâncias. Por 
exemplo, diminuição do desejo sexual por uso 
de altas doses de sedativos hipnóticos, como o 
diazepam. 
Tratamento 
O profissional deve começar orientando so-
bre as questões anatômicas e fisiológicas da atu-
ação sexual. Durante o exame físico, o médico 
pode fazer o uso de espelho com o intuito de que 
a paciente possa acompanhar o exame e poder 
ser orientada sobre achados anatômicos normais 
e/ou alterados, tal prática tem como finalidade 
esclarecer de uma maneira melhor a explicação 
anatomofisiológica da ação sexual. Após a etapa 
do exame físico, é necessário explicar sobre o 
que é “normal” e esclarecer possíveis dúvidas 
que a mulher possa vir a ter relacionados com o 
ato sexual (FEBRASGO, 2019). 
O manejo dos sintomas sexuais deve ser 
abrangido de forma global visando a estabiliza-
ção dos sinais somáticos, psíquicos, local, além 
de abranger também a parceria sexual. Outro fa-
tor que não deve ser negligenciado envolve con-
dutas direcionadas unicamente para as queixas 
da atual paciente, criando-se assim um manejo 
único para cada caso (BARRETO et al., 2018). 
Um modelo que tem mostrado muita efici-
ência e praticidade no manejo da disfunção se-
xual feminina, tendo ganhado muita atenção na 
prática médica, é o modelo conhecido como 
PILSET (PLISSIT). Tal protocolo proporciona 
ao profissional da saúde executar uma aproxi-
mação amplificada capaz de abranger sintomas 
originados do sistema psíquico, biológico, e 
também de queixas que envolvam pouco ou ne-
nhum conhecimento referente a questões anatô-
micas e sexuais (LARA et al., 2008). 
Sendo assim, o modelo de PILSET é utili-
zado como um mnemônico sendo apresentado 
da seguinte forma, segundo Lara et al. (2008): 
permissão (P): o especialista “permite” ao paci-
ente praticar o ato sexual levando-se em conta a 
fisiologia da relação sexual. Abrangendo espe-
cialmente a elucidação, além de transpor as ob-
jeções que possam existir em relação ao ato se-
xual. Podendo ser exemplificado da seguinte 
forma: a “aprovação” do terapeuta para que a 
mulher com disfunção sexual faça uso de fanta-
sias sexuais e consuma conteúdo erótico para a 
estimulação sexual; informação limitada (IL): 
orientar questões fisiológicas resultantes du-
rante a prática sexual e também explicar a res-
peito da constituição anatômica do órgão genital 
feminino, explicando onde localizam-se os pon-
tos com maior sensibilização e satisfação da re-
gião vulvar e vaginal que compreendem o clíto-
ris, pequenos lábios e intróito vaginal, pois tais 
regiões possuem uma maior quantidade de pon-
tos vásculo-nervosos; sugestão específica (SE): 
orientar e propor alterações no comportamento 
sexual, tendo como modelo parâmetros basea-
dos na função orgânica que constitui o ato se-
xual e consequentemente chegando a um resul-
tado esperado, nortear alterações de conduta 
(atitude assertiva), podendo ser exemplificado 
da seguinte maneira: a mulher vive uma vida 
conflituosa com seu companheiro, mesmo assim 
preserva a relação, pois tem os seus motivos 
particulares para a causa. A aparência desfavo-
rável da convivência resulta em uma situação 
onde os malefícios superam os benefícios e com 
isso desfavorece a relação afetiva-emocional do 
 
13 | P á g i n a 
casal. A medida que a mulher com disfunção se-
xual pontua e eleva as questões benéficas que a 
intimidade com o parceiro gera como produto, a 
possibilidade de se promover um progresso fa-
vorável a sua vivência sexual é extremamente 
alta; terapia sexual (T) a terapia sexual é indi-
cada para todos os casos de extrema complexi-
dade como por exemplo anedonia, confrontos 
que como consequência acarretem em ataques 
verbais e físicos, abuso sexual, alterações no 
comportamento sexual, manejos que não se ob-
teve uma resolução positiva após explicações 
(LARA et al., 2008). 
Entende-se que as condutas habituais são tá-
ticas que devemos utilizar primariamente no 
manejo da disfunção sexual feminina, evidenci-
ando-se a instrução anatomofisiológica do ór-
gão genital, elucidando o produto que se obtém 
durante o ato sexual, a atribuição sexual da mu-
lher, a orientação sexual tanto para a mulher 
quanto para a sua parceria sexual, alterações de 
cunho mutável pelo auxílio médico, modifica-
ção do estilo de vida, etc. Essas condutas englo-
bam o modelo PILSET. (BARRETO et al., 
2018; SILVA et al., 2013). De forma comple-
mentar e generalizada o médico deve abordar 
questões relacionadas a saúde geral e bem como 
o manejo de comorbidades infecciosas do trato 
genital que venham a acarretar em quadros de 
dispareunia, além de intervir cirurgicamente em 
quadros de incontinência urinária, prolapsos de 
órgãos pélvicos, ou outras queixas que tenham 
sofrido alguma alteração anatômica e possam 
interferir na atividade sexual da mulher (LARA 
et al., 2008). Acrescenta-se também a necessi-
dade avaliar e substituir quando necessário dro-
gas que possam prejudicar a resposta sexual, 
também deve-se orientar sobre a prática e os be-
nefícios que os exercícios físicos para o fortale-
cimento dos músculos da região pélvica vão 
promover a vida sexual da mulher. (SOUZA et 
al., 2020). 
Terapia hormonal 
A terapia hormonal em mulheres que estão 
na fase pós menopausa tem se mostrado bas-
tante eficaz, já em mulheres que estão na fase do 
menacme, a terapia hormonal necessita de mais 
estudos que possam documentar e comprovar a 
sua real indicação e efetividade (STUDD, 2007). 
Mulheres que chegam no estágio da menopausa 
tem como consequência natural uma redução 
considerável nos níveis de estrogênio em seu or-
ganismo, a redução androgênica a medida em 
que se envelhece somada ao abrupto declínio 
hormonal acarretam em um quadro de distúrbio 
do desejo sexual hipoativo. O surgimento da re-
dução do desejo/excitação sexual feminino ao 
longo do climatério sugere estar associado com 
quadros de hipoestrogenismo / hipogonadismo 
(FEBRASGO, 2019). Em quadros onde a mu-
lher relata uma redução da libido que venha cor-
relacionada ao surgimento de sintomas da me-
nopausa sendo eles vasomotores e atrofia uroge-
nital, a terapia hormonal mostra-se bastante efi-
caz e de fácil aceitação pela paciente. (PAR-
DINI, 2007). Sendo assim, segundo Febrasgo 
(2019), o médico pode lançar mão dos seguintes 
medicamentos para o manejo do quadro: 
• Tibolona (esteroide sintético advindo da 
noretisterona) utilizando-se a dosagem de 2,5 
mg ao dia. Essa droga é indicada para mulheres 
que apresentam o quadro de distúrbio do desejo 
sexual hipoativo, e encontram-se pós menopau-
sadas dentro da janela de oportunidade. Mulhe-
res que fazem uso desta medicação, relatam o 
aumento do desejo sexual, excitação, e também 
satisfação durante o ato propriamente dito e re-
dução dos sintomas urogenitais. O seu uso não 
é recomendado para mulheres com câncer de 
mama, câncer de endométrio,tromboembo-
lismo agudo, hepatopatia aguda e/ou grave, car-
diopatia grave e sangramento uterino sem causa 
diagnosticada. 
 
14 | P á g i n a 
• Undecanoato de testosterona: 40 mg por 
dia, durante 15 dias, realizando-se a sua suspen-
ção durante os próximos 15 dias após a última 
dose. Essa droga é indicada para pacientes que 
apresentem déficit androgenal relacionado com 
queixas de disfunção sexual do desejo, ou pre-
viamente diagnosticada com distúrbio do desejo 
sexual hipoativo, e não necessite da aferição re-
gularmente dos níveis de testosterona total e li-
vre. A reposição de testosterona em mulheres 
pré e pós menopausa tem seu uso contraindi-
cado relativamente em mulheres que apresen-
tem alopecia androgênica, acne, hirsutismo, dis-
lipidemia e disfunção hepática, já as contraindi-
cações absolutas são para quadros de hirsutismo 
grave, acne grave e risco grande de câncer de 
mama, câncer de endométrio, episódios trom-
boembólicos e doença cardiovascular. 
Terapia não hormonal 
O uso de drogas de ação no sistema nervoso 
central para o manejo da disfunção sexual femi-
nina tem apresentado grande efetividade. Estu-
dos relatam que alguns neurotransmissores 
atuam na sensibilização e não sensibilização de 
regiões do cérebro que influenciam na resposta 
sexual feminina. (PARDINI, 2007). Segundo a 
Febrasgo (2019), as medicações que podem ser 
utilizadas estão descritas a seguir: 
• Flibanserina 100 mg ao dia. Trata-se de 
uma droga que atua como agonista do receptor 
2A (5HT-2A), exerce de forma parcial agonista 
também sobre os receptores de dopamina (D4). 
Esse medicamento atua liberando grandes quan-
tidades de noradrenalina e dopamina e redu-
zindo os níveis de serotonina no cortéx cerebral 
tendo como consequência o restabelecimento do 
controle pelo cortéx pré-frontal sobre as áreas 
de recompensa e motivação do cérebro, possibi-
litando o início do desejo sexual. Esse medica-
mento está indicado para mulheres na pré-me-
nopausa que apresentem o quadro de distúrbio 
do desejo sexual hipoativo, admitindo-se que o 
balanceamento dos neurotransmissores cere-
brais aprimore o desempenho da resposta se-
xual. A flibanserina pode apresentar como efei-
tos colaterais quadros de hipotensão, síncope, 
sonolência, náuseas, fadiga, insônia e xerosto-
mia. Seu uso também não está indicado como 
terapia para outros tipos de disfunção sexual que 
não seja a de desejo. Além disso, recomenda-se 
abolir o seu uso quando a paciente não apresen-
tar melhora após 2 meses de terapia. 
• Bupropiona 150 mg por dia. Esse medi-
camento inativa a recaptação de dopamina e no-
repinefrina, além de bloquear os receptores de 
serotonina 5HT-2, além de promover um certo 
efeito prossexual. Seu uso está indicado para o 
tratamento da disfunção sexual feminina resul-
tante do uso de antidepressivos. Pode ser usada 
também no manejo de mulheres com o quadro 
de distúrbio do desejo sexual hipoativo. Está 
contra indicada para pacientes com epilepsia, 
bulimia e anorexia. 
Na maioria das vezes, o tratamento que tem 
se mostrado mais eficaz para mulheres com de-
sejo sexual hipoativo é aquele desenvolvido a 
partir de componentes da terapia sexual, terapia 
cognitivo-comportamental, e abordagens que 
englobem a mulher como um todo (LARA et al., 
2008). 
Terapia sexual 
A terapia sexual foi desenvolvida com o in-
tuito de se abordar e auxiliar tanto a mulher 
quanto a sua parceria sexual com o intuito de 
compreender, antever e resolver situações rela-
cionadas com a monotonia da vida conjugal, de-
sajuste na comunicação do casal, bem como a 
ausência de intimidade entre os parceiros 
(LARA et al., 2008). 
 
15 | P á g i n a 
Sua abordagem se dá através de técnicas que 
promovam a inclusão sensorial bem como o 
aconselhamento global da vida do casal. 
(STUDD, 2007). 
A peça chave que a terapia sexual se baseia 
se dá através da terapia de foco sensorial ou sen-
sitivo, que se desenvolve através de exercícios 
de toque sensual realizados de forma progres-
siva. Essa forma de terapia tem como objetivo 
reduzir a aversão aos toques sensuais ou da prá-
tica sexual ligada a quadros de muita ansiedade, 
permitindo-se assim a possibilidade de se rees-
tabelecer o diálogo e a intimidade entre os par-
ceiros. Recomenda-se que os primeiros toques 
não se comecem por áreas genitais, mas sim to-
cando-se regiões “comuns” como face, mãos e 
dorso, e à medida que os parceiros vão ga-
nhando novamente intimidade entre eles, a indi-
cação de toques em áreas genitais pode ser ini-
ciada e só após essa etapa espera-se que tenha o 
reestabelecimento das relações sexuais (FE-
BRASGO, 2019). 
Terapia cognitivo-comportamental: 
A terapia cognitivo-comportamental tem 
como objetivos principais elucidar e modificar 
questões relacionadas tanto ao cognitivo quanto 
questões que envolvam a distorção de crenças, 
responsáveis por fomentar o declínio do desejo 
e da função sexual feminina. Uma peça signifi-
cativa que compõe a terapia cognitivo-compor-
tamental é a questão do conhecimento, pois cos-
tuma ser de grande auxílio tanto para a mulher 
quanto o casal estabelecendo formas de se com-
preender pontos relacionados ao estímulo eró-
tico físico e mental (FEBRASGO, 2019). 
Sua aplicabilidade se dá através de técnicas 
voltadas para a questão de aprendizagem como 
a prática de atenção plena, reconhecimento cor-
poral, além da autoestimulação genital não mas-
turbatória (STUDD, 2007; FEBRASGO, 2019). 
Tratamento do distúrbio da excitação se-
xual: 
As excitações mental/subjetiva ou geni-
tal/objetiva ou fisiológica podem estar ou não 
relacionadas. A excitação sexual subjetiva cons-
titui a compreensão feminina perante a sua rea-
tividade genital ou não. Já, quando nos referi-
mos a excitação genital, estamos diante de um 
quadro fomentado por uma questão fisiológica, 
que envolve vasocongestão e lubrificação da va-
gina. Podem estar ou não associados entre si, ou 
se manifestarem de forma singular (SILVA et 
al., 2013; RIBEIRO et al., 2013). Compreender 
qual o mecanismo excitatório encontra-se blo-
queado e também quais os fatores desencadea-
ram esse bloqueio disfuncional da excitabili-
dade sexual, é de suma importância para se es-
tabelecer a terapia mais eficaz. Basicamente o 
manejo do quadro é realizado através da excita-
ção psicomental da atenção plena na terapia 
cognitivo-comportamental, tornando-se peça 
chave para se alcançar resultados efetivos. Em 
situações onde o único componente é a excita-
ção genital, opta pelo manejo do quadro fa-
zendo-se o uso de medicamentos e/ou dispositi-
vos vaginais (FEBRASGO, 2019). 
Tratamento da desordem do orgasmo: 
O passo inicial para se obter êxito no trata-
mento da desordem do orgasmo consiste em 
elucidar e orientar a paciente (se possível, o ca-
sal) referentes ao orgasmo, dedicando-se as 
perspectivas do que seria, bem como o desen-
volvimento do quadro e a sua periodicidade, 
deve-se também se situar o quão compromete a 
vivência da mulher quanto do parceiro devido 
ao quadro. É necessário também distinguir or-
gasmo clitorinano de orgasmo vaginal. 
(STUDD, 2007; SILVA et al., 2013). A con-
versa deve ser direcionada para episódios de or-
gasmo promovido durante o coito que não ne-
cessitou de estímulo do clitóris, e episódios de 
 
16 | P á g i n a 
orgasmo surgido durante estimulação do clitó-
ris. É necessário ao longo da consulta orientar a 
paciente que o orgasmo pode não estar presente 
em todas as relações sexuais consideradas satis-
fatórias (FEBRASGO, 2019). 
Outro ponto importante diz respeito a avali-
ação minuciosa se a anorgasmia está relacio-
nada ao uso de determinadas substâncias que di-
ficultem o seu acontecimento como por exem-
plo anorgasmia induzida pelo uso de antidepres-
sivos ou pelo abuso de drogas, também deve ser 
perguntado se a mulher possui alguma comorbi-
dade de causavascular, neuropática e reumato-
lógica (LARA et al., 2008). A partir do mo-
mento que se tiver excluído as causas orgânicas 
e a paciente encontra-se esclarecida quanto a 
sua situação, a terapia mais indicada é a técnica 
da masturbação dirigida, tal técnica tem como 
finalidade orientar a mulher a explorar o seu 
corpo tornando-a mais familiarizada e confortá-
vel com o seu órgão genital e outras partes ana-
tômicas do seu corpo (FEBRASGO, 2019). 
Tratamento da dor sexual: 
O manejo da dispareunia leve a moderada 
quando associada ao quadro de atrofia vulvova-
ginal, pode-se lançar mão do uso de constituin-
tes não hormonais como lubrificantes a base de 
água, cremes hidratantes (LARA, et al., 2008). 
A estrogenização local é proposta para quadros 
mais graves em mulheres que se encontram na 
pós menopausa e possuem atrofia vulvovaginal, 
outra alternativa de tratamento é a laserterapia 
(PARDINI, 2007). 
Tratamento do vaginismo: 
A terapia consiste na aplicação de técnicas 
de dessensibilização sistemática, combinando-
se com a fisioterapia do assoalho pélvico, tendo 
como meta não permitir que a musculatura pél-
vica apresente espasmos (SOUZA et al., 2020). 
O tratamento da disfunção sexual deve ser 
direcionado a queixa principal da paciente, 
sendo o foco primordial a instrução sexual, re-
lacionando-se ou não a drogas, e a psicoterapia 
sexual. Por fim, é extremamente importante en-
fatizar que a cada caso deve ser individualizado 
e abordado a parte social, mental e física da mu-
lher com disfunção sexual (FEBRASGO, 2019). 
 
17 | P á g i n a 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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na qualidade de vida feminina: um estudo observacional. 
Revista Pesquisa em Fisioterapia, v. 8, n. 4, p. 511–517, 
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FEBRASGO - Tratado de ginecologia. Editores Cesar 
Eduardo Fernandes, Marcos Felipe Silva de Sá; coorde-
nação Agnaldo Lopes da Silva Filho. [et al.]. - 1. ed. - Rio 
de Janeiro: Elsevier, 2019 
LARA, L.A.S. et al. Abordagem das disfunções sexuais 
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cia, v. 30, p. 312- 321, 2008. 
PARDINI, D. Terapia hormonal da menopausa. Arquivos 
Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 51, n. 6, 
p. 938–942, ago. 2007. 
RIBEIRO, B. et al. Disfunção sexual feminina em idade 
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Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, v. 29, n. 1, p. 
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Brasileiro de Cirurgiões, v. 40, n. 3, p. 196–202, 2013. 
SOUZA, L.C. de; et al. Fisioterapia na disfunção sexual 
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On-line, v. 5, n. 2, 2020. 
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cological Endocrinology, v. 23, n. 12, p. 673-681, 2007.
 
 
 
18 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Contracepção; Adolescência; Gravidez na adolescência. 
Capítulo 3 
JÚLIA RESENDE FERREIRA MAGRI¹ 
LUCAS DANIEL DOS ANJOS GUIMARÃES¹ 
VICTORIA CARDOSO ALVES¹ 
1. Discente - Medicina na Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais. 
GINECOLOGIA INFANTO-
PUBERAL 
 
19 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
Segundo Rosaneli et al., 2020, a adolescên-
cia é marcada por diversas modificações, sejam 
elas de natureza emocional, psicológica, física e 
social. Entretanto, é também nessa fase, carac-
terística pela descoberta do próprio corpo e pra-
zer, que a gravidez indesejada pode se fazer pre-
sente. Ainda segundo os mesmos autores, com-
preende-se que a gestação na adolescência, de 
forma indesejada, perpetua ciclos intergeracio-
nais de pobreza, isso porque, as meninas, em sua 
maioria, fazem parte de níveis socioeconômicos 
mais baixos e são afetadas de forma despropor-
cional pela gravidez precoce. 
Ademais, corroborando com tais estudos, é 
possível entender que a educação funciona 
como fator de prevenção da gravidez, de forma 
efetiva, quando as meninas começam a estudar 
desde os primeiros anos de vida, de forma que o 
espaço de estudo e aprendizado e amigável e 
acessível, e o Estado age como fomentador de 
oportunidades, as jovens são protegidas contra 
exclusão, violência, expulsão do ambiente esco-
lar, e o ensino é voltado ao conhecimento do 
próprio corpo, ao manejo da saúde reprodutiva, 
ao empoderamento nas relações pessoais e aos 
direitos como cidadã (UNESCO, 2017). 
Ainda dentro do espectro de prejuízos na sa-
úde pública, o parto prematuro, as anemias, a 
pré-eclâmpsia e a desproporção feto pélvica po-
dem se configurar como complicações possíveis 
no cenário de gestação precoce, na adolescência 
(PAIVA et al., 2020). Em relação a gravidez 
precoce, entende-se que a condição de pobreza 
potencializa a exposição aos riscos, provavel-
mente porque pertencer a um nível socioeconô-
mico menos favorável pode levar a um menor 
nível de informações sobre sexualidade, cuida-
dos de saúde e importância de contracepção 
(SANTOS et al., 2021). 
Além disso, o contexto social e político 
atual, a precariedade da vida, as inequidades de 
gênero e a negação dos Direitos Sexuais Repro-
dutivos, culminam na exclusão dos saberes dos 
adolescentes, sendo estes reduzidos ao saber bi-
omédico, o que lhes exclui da completude dos 
direitos sexuais e reprodutivos, bem como o di-
reito de decidir sobre seus próprios corpos 
(SILVA et al., 2020). 
Em relação ao uso de métodos contracepti-
vos, o panorama de uso pelos jovens é bastante 
abrangente e os cenários são diversificados. 
Nesse sentido, segundo Costa et al., 2016 e 
Spindola et al., 2012, adolescentes que viven-
ciam relacionamentos mais estáveis priorizam a 
prevenção de gestação em detrimento da pre-
venção de infecções sexualmente transmissíveis 
(IST), assim as IST são temáticas apontadas 
com frequência, e corroboram com fatores que 
podem aumentar a probabilidade de gravidez 
(NEIVA-SILVA et al., 2018). 
Além disso, pelo fato de a sexualidade ainda 
ser um tabu, os assuntos não são discutidos com 
facilidade assim, essa condição prejudica uma 
orientação sexual adequada com os jovens e in-
viabiliza um discurso objetivo e assertivo 
quanto ao uso de métodos contraceptivos 
(COSTA et al., 2016). 
Ainda de acordo com o autor, a carência de 
orientação contraceptiva fornecida aos estudan-
tes e algo concreto e é importante que o papel 
dos profissionais de saúde como fomentadores 
da comunicação seja incentivado e destacado, 
de forma que haja a promoção do conhecimento 
entre os estudantes e a motivação para o uso 
correto dos métodos pelos adolescentes que 
decidiram iniciar suas práticas sexuais. 
Seguindo ainda a linha de raciocínio do es-
tudo acima, os adolescentes considerados mais 
vulneráveis a gravidez na adolescência são pro-
venientes de famílias com baixa renda, pouca 
 
20 | P á g i n a 
escolaridade e estão na fase inicial da adoles-
cência. Costa et al., 2016 reafirma que os ado-
lescentes têm iniciado suas atividades sexuais 
sem orientação contraceptiva e com pouco co-
nhecimento relacionado ao uso dos métodos. 
Assim, encontram-se expostos a gravidez não 
planejada, em concordância com o fato de que a 
maioria tem iniciado as práticas sem nunca ter 
usado quaisquer métodos. Outro ponto impor-
tante levantado por Piantavinha & Machado, 
2022, é que é preciso considerar a dificuldade 
dos jovens em conhecer os métodos como uma 
questão multifatorial, a qual depende de motiva-
ções de cunho religioso, valores pessoais e ques-
tões familiares dos adolescentes. 
Dados epidemiológicos 
É indispensável para o assunto em questão, 
estarmos cientes da importância e da relevância 
que a gravidez na adolescênciapossui dentro de 
uma sociedade na qual os gastos em saúde per-
passam por esse âmbito, além de tantos outros 
motivos que serão descritos no decorrer do 
texto. 
Em setembro de 2015, líderes mundiais e re-
presentantes da sociedade civil reuniram-se na 
sede da ONU, em Nova York e definiram os de-
safios do Brasil para atingir as metas pactuadas 
na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sus-
tentável, com ações voltadas a adolescentes e jo-
vens, espera-se dessa forma a garantia do acesso 
universal aos serviços de saúde sexual e repro-
dutiva, incluindo planejamento familiar, infor-
mação e educação (VIEIRA et al., 2021), dessa 
forma em alguns estudos as estatísticas demons-
traram uma queda no número de gestantes com 
menos de 20 anos de idade, no entanto, os nú-
meros ainda são muito preocupantes (DA 
SILVA, 2018), pois dentro do que foi encon-
trado nos estudos de acordo com o que é defi-
nido pela Organização Mundial de Saúde 
(OMS) a adolescência corresponde ao período 
de vida entre 10 e 19 anos (VERLI, 2020, 
PAIVA et al., 2020). Por ano em todo mundo de 
16 a 18 milhões de adolescentes ficam grávidas 
e a grande maioria em países subdesenvolvidos 
e em desenvolvimento (CHEROBINI et al., 
2022; PAIVA et al., 2020; DA SILVA, 2018). 
Um outro retrato que conseguimos levantar é 
que na América Latina o índice é de 65,5 nasci-
mentos para cada mil já no Brasil a taxa chega a 
68,4 nascimentos para cada mil adolescentes 
mulheres, assim é importante salientar que por 
ano 434 mil crianças nascem no Brasil mulheres 
adolescentes na faixa etária de 15 a 19 anos va-
lendo destacar que o referido país possui a maior 
taxa de mães adolescentes da América Latina 
(MOURA et al., 2021) e por fim nesse cenário, 
há destaque para a região Norte do país, que 
possui a maior média entre todas as regiões do 
país, com a média de 21,3 % dos partos, um va-
lor que está mais de 7 % acima da já revelada 
média nacional (BEZERRA & MATOS, 2022). 
Ainda assim podemos ressaltar que adoles-
centes com menos de 14 anos tem a probabili-
dade de 5 a 7 vezes maior de morrer durante a 
gravidez do que mulheres com mais idade que 
são mães (ALMEIDA et al., 2021), e além disso 
a gravidez na adolescência é a segunda maior 
causa de mortalidade materna nas faixas etárias 
de 15 aos 19 anos (CHEROBINI et al., 2022). 
Com isso, a maternidade na adolescência é con-
siderada um grande risco devido às complica-
ções biológicas e sociais, ainda assim dentro das 
complicações biológicas temos a grande inci-
dência de Doenças Sexualmente Transmissíveis 
(IST´s) associado diretamente ao início precoce 
da atividade sexual que segundo estudo brasilei-
ros de todos adolescentes, 27,5% deles já possu-
íam experiência sexual precoce (VIEIRA et al., 
2021). 
Portanto, a realização do presente estudo re-
lacionado à temática, é essencial para a constru-
ção coletiva do conhecimento, pois o estudo 
 
21 | P á g i n a 
possibilita à sociedade acadêmica e científica 
ampliar os horizontes e dessa forma estratégias 
e mudanças concretas, contínuas e palpáveis 
para possíveis resoluções a longo prazo do ce-
nário em questão (LEITE et al., 2021). 
Determinantes sociais 
Precisamos entender também que a gravidez 
na adolescência não é um fenômeno homogê-
neo, e que dessa forma depende do contexto so-
cial em que o adolescente está inserido, por-
tanto, surgiu após consenso da comissão homô-
nima da Organização Mundial de Saúde (OMS) 
os determinantes sociais da saúde sendo eles as 
condições sociais em que as pessoas vivem e 
trabalham e que são relevantes para que os ór-
gãos públicos consigam prever os fatores exter-
nos que influenciam de maneira negativa na 
qualidade de vida das pessoas ajudando assim 
na criação de medidas globais para redução da 
desigualdade (MOURA et al., 2021). 
Diante do exposto, a pergunta norteadora é: 
quais os determinantes sociais da saúde relacio-
nados à gravidez na adolescência? De acordo 
com um dos estudos analisados, os resultados 
encontrados mostraram alguns determinantes 
sociais da saúde e sua associação com a gravi-
dez na adolescência, destacando-se a renda, 
condições de moradia, escolaridade e acesso aos 
serviços de saúde. Inicialmente foi observado 
em um dos estudos que as condições de margi-
nalização e pobreza têm uma associação consi-
derável com a gravidez e taxa de fertilidade en-
tre adolescentes, em outros estudos conclusões 
semelhantes foram levantadas, em João Pessoa-
PB por exemplo foi constatado que a maioria 
das adolescentes entrevistadas que possuíam fi-
lhos tinham renda familiar menor que um salá-
rio mínimo, e além disso os resultados eviden-
ciaram que, para 54% das participantes da pes-
quisa, a principal fonte de renda provinha do 
cônjuge/companheiro, sendo que 31,7% viviam 
da renda familiar em estudos parecidos também 
65% das entrevistadas eram totalmente depen-
dentes financeiramente de terceiros, sendo que 
em 50,4% dos casos, o companheiro era o res-
ponsável pelo sustento, e uma a cada quatro jo-
vens tinha dependência financeira dos pais, 
além disso no Brasil estudos levantaram que 
72% das jovens não trabalhavam (MOURA et 
al., 2021). 
No que diz respeito às condições de mora-
dia, a prevalência da maternidade adolescente 
foi maior em áreas rurais do que em áreas urba-
nas, além disso outro estudo apontou que eram 
mais predispostos a começar ter filhos adoles-
centes de residência rural, casados, com pai ou 
mãe sem escolaridade e a falta de pais para co-
municação em relação a questões de saúde se-
xual e reprodutiva, ainda quanto à condição de 
moradia, o referido estudo demonstra que 68% 
das entrevistadas referiram morar em residência 
própria da família de origem e 32% falaram que 
moravam em residência alugada. 
Dentro do contexto de acesso aos serviços 
de saúde, os resultados evidenciaram que, 
quanto às consultas de pré-natais, as mães ado-
lescentes tiveram menos consultas que as mães 
com idade entre 20 e 35 anos (MOURA et al., 
2021), além disso em outro foco da análise as 
pacientes que tiveram desde a infância um 
acompanhamento longitudinal e integral pre-
visto pela atenção primária, tiveram melhores 
contextos a longo prazo na adolescência e na 
vida adulta, apontando assim a relevância e ne-
cessidade de um acesso universal e com equi-
dade para todas elas, portanto, a atenção básica 
(AB) tem um papel fundamental no processo de 
educação em saúde e na preconização de novas 
formas de ações coletivas e a renovação de prá-
ticas promovendo o bem-estar (ALMEIDA et 
al., 2021). 
E por fim em relação à escolaridade, de 
acordo com estudo inglês, a evasão escolar não 
 
22 | P á g i n a 
está associada com a gravidez na adolescência 
entre meninas adolescentes inglesas, entretanto 
outros estudos destacaram que as adolescentes 
que não estudam têm chances 2,76 vezes maio-
res de maternidade adolescente do que suas con-
trapartes que têm nível de ensino maior que se-
cundário os mesmos autores afirmam ainda que 
a prevalência de maternidade adolescente foi 
cerca de quatro vezes maior entre as adolescen-
tes com nenhuma educação em comparação 
com aqueles com maior do que o ensino secun-
dário durante o período de 2004-2014, outros 
estudos ainda documentaram 48% das adoles-
centes grávidas pesquisadas tinham menos de 8 
anos de estudo, ou seja, não haviam concluído o 
ensino fundamental, e 64% não estudavam. Em 
outro sentido da análise, o estudo brasileiro ava-
liou os fatores preditores da evasão escolar entre 
adolescentes com experiência de gravidez e os 
resultados demonstram que 94,4% das jovens 
afirmaram ter interrompido os estudos em al-
gum momento da vida durante ou após uma gra-
videz, sendo que 54,4% abandonaram os estu-
dos definitivamente. Além disso, os autores res-
saltam que, destas jovens, as que trabalhavam e 
tiveram gravidez recorrente foram maisfavorá-
veis a abandonar os estudos dessa forma o baixo 
nível de escolaridade foi associado com maiores 
chances de maternidade adolescente entre as jo-
vens que aquelas que têm ensino superior, por-
tanto o estudo da associação da gravidez na ado-
lescência com a educação como determinante 
social da saúde é importante, pois a maioria dos 
trabalhados estudados mostraram que o nível de 
escolaridade baixo foi associado com maiores 
chances de maternidade adolescente entre as jo-
vens. 
Impactos da gravidez na adolescência 
A gravidez na adolescência vem associada 
com diversos problemas atuais e futuros para 
essa adolescente, para sua família e pessoas de 
contato próximo. A gestação nesse período da 
vida tem maiores chances de risco, e é uma das 
maiores causas de morte materna, podendo tam-
bém haver implicações na saúde do bebê, como 
a ocorrência de baixo peso do recém-nascido. 
Dessa forma é importante ressaltar que a adoles-
cência é um período extremamente perigoso 
para uma gravidez, uma vez que tais perigos 
apresentam-se presentes tanto para o bebê 
quanto para a parturiente, tanto em questões psi-
cológicas, emocionais e fisiológicas. Segundo o 
Fundo de População das Nações Unidas (UN-
FPA) a saúde da jovem pode passar por compli-
cações durante a gestação e dificuldades no 
parto. O UNFPA relata também os desdobra-
mentos após o parto, com o destaque de que a 
parte fisiológica da jovem também pode ser afe-
tada (BEZERRA & MATOS, 2022). 
Além desses impactos para a saúde da mãe 
e do bebê, é relevante citarmos também os pro-
blemas mais imediatos para o contexto de vida 
dessa jovem. Na questão social, fica evidente 
que uma gestação precoce poderá dificultar a 
continuidade dos estudos, acometendo direta-
mente a parte educacional de escolarização, for-
mação profissional e o acesso futuro ao mercado 
de trabalho, o que aumentará ainda mais a de-
pendência financeira dos pais ou parceiros. Essa 
situação costuma levar a desdobramentos em 
que a pubescente eleva seu risco de desemprego, 
visto que sua pequena escolaridade dificulta a 
entrada no competitivo mercado de trabalho. 
Uma vez que, pode-se observar que uma gesta-
ção precoce não costuma ser planejada, o que 
pode levar a mudanças bruscas na rotina dos jo-
vens e das famílias. 
Como já dito anteriormente a o contexto da 
gravidez na adolescência acaba influenciando 
no âmbito familiar, pois a possível situação de 
desemprego ou emprego de baixa remuneração 
pela jovem, acarretará gastos para sua família. 
Além disso, outro fator de importante destaque 
 
23 | P á g i n a 
é que a maioria das gestações precoces ocorre 
fora do contexto de uma relação formal, ou seja, 
a pubescente e o pai da criança não são nem na-
morados. Frente a essa situação, é comum que 
ao invés de encontrar apoio, a jovem se depare 
com repressão familiar, o que pode somar no 
seu comprometimento psicológico e contribuir 
para uma possível fuga de casa, o que piora 
ainda mais o contexto da gravidez na adolescên-
cia e o aumento dos riscos para o feto e a mãe 
(BEZERRA & MATOS, 2022). 
Retomando um pouco mais a fundo aos pro-
blemas de saúde materna e do bebê, é impres-
cindível expor que o bebê pode apresentar alte-
ração no crescimento e no desenvolvimento, 
caso sejam fruto de um parto prematuro em de-
corrência do corpo da pubescente ainda não es-
tar completamente formado, de modo que é co-
mum que tais recém-nascidos apresentem baixo 
peso (Organização Mundial da Saúde, 2020). Já 
para as adolescentes grávidas tem riscos aumen-
tados para infecções puerperais, anemia e pré-
eclâmpsia. 
Por fim, em relação aos impactos da gravi-
dez na adolescência é significativo ressaltar o 
fato da gravidez precoce encontra-se associada 
à recorrentes casos de disseminação de IST’s. 
Além disso, também relacionado gestação inde-
sejada, encontra-se a questão do aborto. Sobre o 
assunto, afirmam que “[...] o aborto inseguro é 
um dos maiores problemas de negligência à sa-
úde da mulher, gerando inúmeras consequências 
sexuais e reprodutivas” (BEZERRA & MA-
TOS, 2022). 
Importância do conhecimento dos 
adolescentes ao iniciar a vida sexual 
O baixo conhecimento das práticas contra-
ceptivas está associado ao planejamento de gra-
videz, aumentando em 4,5% as chances de uma 
gravidez não planejada (DE ARAÚJO & 
NERY, 2018). A maioria dos adolescentes pos-
suem conhecimento insuficiente ou até mesmo 
ausente sobre métodos contraceptivos, o que 
contribui para o uso incorreto dos mesmos. 
Dessa forma, de acordo com o artigo (PIANTA-
VINHA & MACHADO, 2022) a maior preva-
lência é do uso do preservativo masculino e do 
anticoncepcional oral, mas estes em maioria são 
utilizados sem orientação de profissionais da sa-
úde como fonte de informação para o uso cor-
reto dos métodos. 
Sendo assim, mediante a esse contexto re-
tratado para Villela & Doreto (2006), é impor-
tante ainda ressaltar que os maiores índices de 
gravidez na adolescência se encontram nas po-
pulações mais pobres e com baixa escolaridade, 
ficando evidente, uma maior dificuldade de 
acesso a informações e contraceptivos (DA 
SILVA, 2018). Como já dito anteriormente, as 
meninas adolescentes são as mais atingidas com 
a falta de informações e orientações seguras so-
bre educação sexual, uma vez que a gravidez na 
adolescência é um problema de saúde pública 
tanto para a saúde materna como para a saúde 
infantil (CHEROBINI et al., 2022). 
O artigo de Cherobini et al. (2022), por meio 
de pesquisas evidenciou que a educação em sa-
úde na escola é uma das mais importantes estra-
tégias educativas para prevenção de gravidez na 
adolescência, uma vez que é nas escolas que os 
adolescentes iniciam a vivência da sexualidade, 
expressão suas dúvidas e questionamentos, além 
de estarem dispostos a receberem orientações 
sobre a questão da sexualidade, pois é nessa fase 
que está presente a descoberta do próprio corpo 
e do prazer sexual. Essa prática é orientada pe-
los órgãos mundiais de saúde (Nações Unidas, 
UNESCO e OMS). Considerando os problemas 
já ditos, um fator que contribui negativamente é 
o fato do relacionamento sexual e os modos de 
viver a sexualidade estarem sendo explorados 
cada vez mais cedo. Sendo que tal fato vem 
 
24 | P á g i n a 
sendo desacompanhado de uma orientação efe-
tiva que possa nortear os adolescentes sobre a 
prevenção de gravidez indesejada e de ISTs 
(CHEROBINI et al., 2022). 
Dessa forma, podemos concluir que o co-
nhecimento não é o único fator responsável, mas 
contribui significativamente para o desfecho da 
gravidez não planejada. Porém, outros fatores, 
como idade, sexarca, renda, estado civil e esco-
laridade estão também associados à gravidez na 
adolescência e ao não planejamento da gestação 
(DE ARAÚJO & NERY, 2018). 
Contraceptivos e infecções 
sexualmente transmissíveis 
O conhecimento dos adolescentes acerca 
dos métodos contraceptivos e das infecções se-
xualmente transmissíveis é um tópico muito im-
portante de ser abordado. Começando então fa-
lando dos métodos contraceptivos temos que em 
resumo o conhecimento sobre eles na faixa etá-
ria estudada é muito precário (DOS SANTOS, 
2021) na maioria o conhecimento era insufici-
ente ou até mesmo ausente (PIANTAVINHA, 
2022). Uma vez que, as principais fontes de in-
formações desses adolescentes são a família, a 
escola e os amigos, levantando assim um ques-
tionamento sobre a atuação dos profissionais de 
saúde, que parece ser restrita, no que tange à as-
suntos de contracepção e saúde sexual de forma 
geral (DOS SANTOS, 2021). 
Dessa forma, fica evidente também que a 
maioria dos adolescentes ainda não tiveram 
acesso a informações e serviços adequados ao 
atendimento de suas necessidades de saúde se-
xual e reprodutiva que os orientassem a tomar 
decisões de maneira livre e responsável (PIAN-
TAVINHA & MACHADO, 2022).Essa baixa 
participação dos profissionais de saúde como 
fonte de informação, reflete na qualidade das in-
formações e na edição sexual fornecida para as 
adolescentes. 
Um outro fator que se relaciona muito com 
o nível de conhecimento dos adolescentes sobre 
os métodos contraceptivos é a questão social, 
um estudo realizado identificou que estudantes 
das escolas privadas conhecem um maior nú-
mero de métodos anticoncepcionais do que os 
das escolas públicas. Além disso, outro ponto 
que contribui negativamente para a educação se-
xual dos adolescentes é a ausência ou a pouca 
abordagem de temas referentes ao corpo e à se-
xualidade na escola e em casa. Em casa, muitos 
pais não se dispõem ou encontram dificuldades 
em assumir o papel de protagonista na constru-
ção do conhecimento dos seus filhos em relação 
à sexualidade. Já nas escolas, muitas vezes, por 
falta de preparação dos professores, deixa-se de 
discutir a dimensão subjetiva da sexualidade. 
Com isso, a abordagem sobre o tema acaba se 
tornando meramente biológica e distante das ne-
cessidades vividas pelos jovens alunos. Medi-
ante essas questões, é importante ressaltar que a 
ausência de uso da mesma linguagem e aborda-
gem sobre a educação sexual na escola, na famí-
lia e na rede de saúde se apresenta como outra 
barreira na qualidade educacional dos adoles-
centes (PIANTAVINHA & MACHADO, 
2022). 
Em pesquisas realizadas os métodos contra-
ceptivos mais referidos e conhecidos pelos ado-
lescentes foram o preservativo masculino e o 
anticoncepcional oral. Sendo interessante desta-
car que o preservativo masculino é um método 
de fácil uso, acessível e de baixo custo, sendo 
mais frequentemente usado nas primeiras rela-
ções sexuais (PIANTAVINHA & MACHADO, 
2022). No que diz a respeito à escolha dos mé-
todos contraceptivos é importante avaliar vários 
fatores, como a história pessoal, vulnerabilidade 
a infecções de transmissão sexual, condições 
clínicas, custo e acesso, comunicação com o 
parceiro, intenções reprodutivas e questões cul-
turais e mitos sobre a contracepção. Dessa 
 
25 | P á g i n a 
forma é essencial que as mulheres sejam infor-
madas sobre todas as opções contraceptivas dis-
poníveis, sendo imprescindível que haja uma 
orientação de profissionais da saúde como já 
mencionado (DA SILVA, 2018). 
Por fim, vamos abordar um pouco mais a 
fundo sobre as IST’s. Dessa forma, identificou 
que as adolescentes que vivem relacionamentos 
mais estáveis, independente da condição econô-
mica e escolar, priorizam a prevenção de gesta-
ção, ao invés das IST e HIV/aids. Nesse sentido, 
as IST e DST são temáticas apontadas com fre-
quência, com destaque para as vulnerabilidades 
associadas à sua contração, sobretudo os fatores 
de risco, tais como o desconhecimento dos mé-
todos contraceptivos e, consequentemente, uso 
incorreto dos mesmos (DOS SANTOS, 2021). 
Ademais, identificou ainda que o desconhe-
cimento e uso incorreto dos métodos contracep-
tivos, o fato de não estudar ou ter parado de es-
tudar, não residir com a família, ter tido mais de 
10 parceiros sexuais no último ano, ter parceiro 
fixo no último ano e ter feito sexo em troca de 
dinheiro ou favores, são fatores relacionados à 
gravidez na adolescência e contração de IST e 
DST (DOS SANTOS, 2021). Além de todos es-
ses pontos já citados, ainda acreditasse que a ex-
periência sexual precoce está associada com as 
IST, mais parceiros sexuais, uso inconsistente 
de contraceptivos, gravidez indesejada e sexo 
com parceiros de risco (VIEIRA et al., 2021). 
Em um estudo as participantes do sexo fe-
minino apresentavam ter um maior conheci-
mento a respeito dos métodos contraceptivos e 
prevenção de IST, embora relatassem menor 
adesão ao uso de preservativos e maior utiliza-
ção de contraceptivos orais e contracepção de 
emergência (VIEIRA et al., 2021). Dessa forma, 
acredita-se que o conhecimento apropriado a 
respeito das mudanças durante a puberdade, se-
xualidade, vias de transmissão/prevenção de 
IST, são fundamentais para a manutenção da sa-
úde e bem-estar, assim como na prevenção de 
gestações não planejadas e IST (VIEIRA et al., 
2021). 
Projetos de intervenção para evitar a 
gravidez na adolescência 
De acordo com o já descrito em nossa aná-
lise, em 2015 nos objetivos da ONU dentro do 
desenvolvimento sustentável tivemos em Nova 
York uma discussão acerca da necessidade de se 
ater às necessidades e direitos dos adolescentes, 
sendo uma das lutas a gravidez na adolescência, 
entretanto no Brasil já vem sendo realizado es-
tratégias públicas desde a Constituição Federal 
de 1988 e a regulamentação do Sistema Único 
de Saúde (SUS), e foi feito nesse mesmo con-
texto a criação da Lei Orgânica da Saúde que 
estabelece os fatores determinantes e condicio-
nantes da saúde, entre outros, a alimentação, a 
moradia, o saneamento básico, o meio ambi-
ente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade 
física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e 
serviços essenciais, a partir disso vamos trazer 
alguns estudos que identificaram em seu escopo 
alguns desses dados de forma mais aprofundada 
que nos esclareça e embase formas que já vem 
sendo realizadas e que podem ser usadas conco-
mitantemente as últimas para nos proporcionar 
mais ferramentas e habilidades para diminuir ou 
até evitar a gravidez na adolescência (MOURA 
et al., 2021). 
Em sua maioria os artigos abordaram prin-
cipalmente o papel da educação como um es-
paço privilegiado para ações de promoção de sa-
úde e educação sexual em razão do seu caráter 
formativo, o que pode servir de estímulo à mu-
dança de comportamentos e hábitos dos adoles-
centes sendo assim de suma importância que as 
escolas reconheçam e aceitem a sexualidade 
como parte do processo de desenvolvimento da 
criança (CHEROBINI et al., 2022), ainda nesse 
 
26 | P á g i n a 
raciocínio o mesmo estudo apresentou que 
mesmo com pequenos resultados, a abordagem 
da educação por pares à educação em saúde se-
xual é altamente valorizada entre os alunos é 
vista como positiva pelos educadores, além 
disso não só as instituições de educação mas os 
centros de saúde contribuírem para a prevenção 
da gravidez na adolescência fornecendo acesso 
a informações, serviços de saúde reprodutiva, 
incluindo hormonais e de ação prolongada, con-
tracepção reversível, aconselhamento contra-
ceptivo e sexualidade e educação, sendo nesses 
últimos identificado um significativo impacto 
dos programas de educação em saúde no uso de 
contraceptivos e na redução das taxas de gravi-
dez na adolescência (CHEROBINI et al., 2022). 
Em outra narrativa realizada no ano de 2018 
pela Faculdade Federal de Minas Gerais no es-
tado do Acre, foi implementado um projeto de 
intervenção na população da cidade de Acrelân-
dia – AC, na qual possui altos índices de gravi-
dez na adolescência. Após ter levantado esse 
prevalente problema foi dado início aos projetos 
de intervenção, um dos primeiros se aproxima 
do relatado anteriormente no estudo de (CHE-
ROBINI et al., 2022), uma intervenção educa-
tiva para adolescentes e pais para influenciar e 
garantir futuros conhecimentos e fortalecer pro-
gramas abrangentes, enfatizando a prevenção 
para adiar a primeira relação sexual e, se ela co-
meçar, poder acessar e usar os métodos de con-
tracepção, isso pode ser realizado através de um 
bom acolhimento pela atenção básica de saúde, 
garantir que esse público alvo receba informa-
ções de qualidade frequentes sobre esse pro-
blema, acesso mais facilitado em relação a pre-
servativos e testes de gravidez e também desen-
volver estratégias para envolver os adolescentes 
e jovens do sexo masculino, estimulando a cor-
responsabilidade nas questões relacionadas à 
prevenção da gravidez, das doenças sexual-
mente transmissíveis e na criação dos filhos. 
Como já deixamos claro, a educação é de granderelevância, mas os métodos contraceptivos e co-
nhecimento sobre eles também, tanto para redu-
zir os índices de gravidez na adolescência 
quanto para redução da incidência de IST´s den-
tro dessa população (CASANOVA, 2018). 
Além do embasamento na educação a abor-
dagem familiar foi indispensável para ajudar os 
adolescentes nesse momento de amadureci-
mento, pois a quebra do tabu entre pais e filhos 
no momento de discutir e compartilhar experi-
ências sobre assunto foram de grande valia para 
ajudar o adolescente a evitar a gravidez nesta 
faixa etária, dentre as ações estão influenciar no 
estilo de vida dos pais que não conseguem falar 
de sexo com os filhos, ensinar aos pais como li-
dar com a gravidez indesejada, ensinar a impor-
tância de uma boa comunicação com os filhos e 
até mesmo realizar encontros de pais e filhos 
para facilitar a interação entre todos e assim ini-
ciar as relações de empatia e entendimento. 
Um outro ponto que também perpassa pelo 
apoio familiar e também de responsabilidade do 
poder público é o que está previsto pela Lei Or-
gânica de Saúde e também pelo Estatuto da Cri-
ança e do Adolescente (ECA), um equilíbrio en-
tre fatores determinantes e condicionantes como 
na saúde, na alimentação, na moradia, ao sanea-
mento básico, no meio ambiente, no trabalho, na 
renda, na atividade física, no transporte, no lazer 
e no acesso aos bens e serviços essenciais e por 
fim e ainda se pautando na responsabilidade dos 
serviços básicos de saúde um esforço multidis-
ciplinar que irá contemplar todos os anseios e 
habilidades que irão mudar pouco a pouco a re-
alidade da gravidez na adolescência, entretanto 
desenvolvemos mais a frente especificamente o 
papel da atenção primária e da multidisciplina-
ridade no manejo do problema em questão (CA-
SANOVA, 2018). 
Portanto entende que é mais fácil planejar 
ações preventivas adequadas ao grupo que se 
 
27 | P á g i n a 
deseja atingir na comunidade, buscando estraté-
gias que devem ser colocadas em prática para a 
redução da gravidez na adolescência, do que 
atuar quando o problema já está instalado. No 
entanto, não depende apenas dessas ações para 
se reduzir a gravidez na adolescência, há um 
problema cultural e econômico que não está so-
mente sobre a governabilidade dos profissionais 
de saúde. A prevenção em saúde indica uma 
ação antecipada, baseada no conhecimento das 
causas de uma condição de saúde, o que pode 
contribuir na redução da gravidez na adolescên-
cia. Prevenir é considerar uma série de fatores 
para favorecer que o indivíduo tenha condições 
de fazer escolhas saudáveis e apesar de ter sido 
em um grupo amostral pequeno as intervenções 
feitas em Acrelândia-AC, outros estudos repor-
taram estratégias e resultados muito parecidos 
nos dando boas expectativas em relação ao fu-
turo sobre o assunto. 
Multidisciplinaridade no manejo e 
acompanhamento das adolescentes na 
atenção primária. 
O manejo e acompanhamento da gravidez 
na adolescência é de responsabilidade primor-
dial dos profissionais de saúde, pois a atuação 
em diferentes formas na atenção básica, promo-
vendo a saúde de forma integral e contínua é de 
total importância para essa classe de pacientes, 
dessa forma explicaremos qual é o papel de cada 
componente da atenção primária na prevenção 
de gravidez na adolescência. 
Inicialmente precisamos entender o papel 
direto da atenção básica no processo de educa-
ção em saúde e na preconização de novas for-
mas de ações coletivas e a renovação de práticas 
promovendo o bem-estar, dessa forma para se 
alcançar o entendimento dos conhecimentos e 
informações conhecimentos sobre a fisiologia 
do ciclo menstrual e contracepção que as mulhe-
res possuem passados pelos profissionais de sa-
úde deve ser feita uma alfabetização funcional 
conhecida como letramento em saúde sendo as-
sim a habilidade de um indivíduo em obter, ler, 
compreender e utilizar informações sobre Sa-
úde, uma outra abordagem é a responsabilidade 
para que os profissionais busquem ações para 
atender as necessidades desses pacientes, inse-
rida no contexto social, seja por meio da visita 
domiciliar, do atendimento individual, das ativi-
dades em grupos específicos para adolescentes, 
jovens e familiares, também se torna como es-
tratégia das Unidades Básicas de Saúde facilita-
ção do acesso aos preservativos gratuitos até 
também por ser principal método com mais por-
centagem de eficácia existente atualmente, faz-
se notável também a capacitação permanente 
dos profissionais para a realização da educação 
em saúde com os adolescentes, trazendo a im-
portância das práticas sexuais seguras, bem 
como a humanização e atenção de qualidade a 
essa faixa etária, visto que são suscetíveis a do-
enças e agravos a saúde (ALMEIDA et al., 
2021). 
Ainda nesse raciocínio, cabe às equipes de 
atenção primária a organização multidisciplinar 
diferenciada com reuniões semanais e discussão 
de casos que tragam ideias e projetos de preven-
ção de novos casos de gravidez na adolescência 
em cada contexto específico, deve ser feito tam-
bém por cada profissional da saúde uma aborda-
gem individual e focada para cada caso e paci-
ente. Como dito anteriormente, o papel do mé-
dico é rastreamento da gravidez, do estadia-
mento de risco que esse evento tem ou pode ter 
para paciente bem como também transmissão de 
conhecimento acerca de métodos contraceptivos 
e sobre processo fisiológico e sexual que leva a 
gravidez, além disso o psicólogo tem papel de 
grande relevância e de difícil manejo pois além 
de tentar entender os anseios do adolescente 
precisa entender todo contexto em que vive e 
 
28 | P á g i n a 
suas relações familiares e sociais para a partir 
daí fazer um trabalho de prevenção e também de 
redução dos impactos da gravidez na adolescên-
cia (ALMEIDA et al., 2021). Um outro profis-
sional de fundamental contribuição para o 
acompanhamento e prevenção da gravidez na 
adolescência é o enfermeiro que deve auxiliar a 
escola no desenvolvimento de práticas educati-
vas sobre educação sexual, Sendo assim, urge a 
necessidade de discutir projetos de lei que incor-
porem o profissional da enfermagem nas escolas 
a fim de fortalecer as estratégias de educação em 
saúde nessas instituições, também cria se a ne-
cessidade de incluir nas universidades de enfer-
magem e nos currículos, a saúde escolar e como 
emprego no setor de educação, e não como é re-
alizada atualmente, em que a saúde escolar é 
uma extensão do setor da saúde para o setor edu-
cacional, favorecendo, assim, a transversalidade 
na educação em busca por melhores resultados 
(CHEROBINI et al., 2022). 
Portanto fica evidente que os centros de 
atenção básica precisam cada vez mais de estra-
tégias mais atrativas e resolutivas para evitar a 
gravidez na adolescência e as complicações a 
ela relacionadas, também seria relevante melho-
rar o processo de trabalho da equipe com a fina-
lidade de diminuir a gravidez na adolescência, 
incentivar a prática de uma sexualidade segura, 
deve também a equipe garantir o funcionamento 
do binômio prevenção e informação para dimi-
nuir este evento na adolescência e nunca se es-
quecer da corresponsabilidade de todos os pro-
fissionais da saúde frente a esse grande desafio 
na saúde pública brasileira (CASANOVA, 
2018). 
 
 
29 | P á g i n a 
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30 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Gonorreia; Neisseria Gonorhoeae; Tratamento. 
Capítulo 4 
CAMILA GUIMARÃES MACIEL DE CASTRO¹ 
DAVI FERNANDO GOMES PEREIRA¹ 
MARIELA STHEFANY SILVA¹ 
VITÓRIA FIGUEIREDO GARRIDO CABANELLAS NOGUEIRA¹ 
1. Discente - Medicina, Universidade de Itaúna (UIT), Itaúna-MG. 
GONORREIA 
 
31 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
A gonorreia é uma infecção sexualmente 
transmissível (IST), sendo, dentre as de origem 
bacteriana, a segunda mais observada em escala 
mundial. Nesse sentido, constitui-se como um 
problema de saúde pública a ser enfrentado. 
Embora tenha-se observado uma redução do nú-
mero de casos, essa IST ainda apresenta, princi-
palmente no que tange aos países em desenvol-
vimento, um grau de morbidade significante. 
Tal fato se deve a um conjunto de fatores sociais 
e comportamentais, mas também à resistência 
antimicrobiana manifestada pelo patógeno cau-
sador, Neisseria gonorrhoeae (NG) (HE-
MSELL, 2014). 
Vale ressaltar que a gonorreia é uma doença 
que tem sido motivo de grande preocupação 
pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de-
vido ao fato de ser transmitida por meio da rela-
ção sexual desprotegida, além de ser de fácil 
propagação, principalmente entre as populações 
socioeconomicamente vulneráveis e as com 
maior promiscuidade sexual. Estima-se que em 
2016, segundo a OMS, cerca de 87 milhões de 
indivíduos adquiriram essa infecção global-
mente, com taxas de incidências em 20 por 1000 
mulheres e 26 por 1000 homens (CHEMAI-
TELLY, 2021). Além disso, a infecção retal, re-
gião comum de acometimento, é responsável 
por cerca de 70 milhões de casos em todo o 
mundo. Calcula-se que a incidência de NG varia 
de 0,6% a 35,8% em mulheres, 0,0% a 5,7% em 
homens que fazem sexo com mulheres e de 
0,2% a 24% em homens que fazem sexo com 
outros homens (HSH) (LO et al., 2021). Ade-
mais, vale salientar que foi observada uma asso-
ciação entre as infecções por gonorreia e por 
clamídia, que varia de 40 a 46% (NGUYEN et 
al., 2022). 
A NG, ou gonococo, se constitui como um 
patógeno gram negativo, não flagelado, en-
capsulado, anaeróbio facultativo e que não 
forma esporos (Figura 4.1). As infecções cau-
sadas por essa bactéria, podem afetar e provo-
car sintomatologia em indivíduos de ambos os 
sexos. Os homens tendem a procurar os servi-
ços de saúde de forma mais rápida, logo, 
evita-se uma extensão do quadro. No entanto, 
nas mulheres, a variabilidade clínica pode fa-
zer com que as mesmas procurem o atendi-
mento já em fases mais tardias, apresentando, 
muitas vezes, complicações, a exemplo da do-
ença inflamatória pélvica (CENTERS FOR 
DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 
2021). 
Figura 4.1 Diplococos gram-negativos intracelulares 
sugestivos de Neisseria gonorrhoeae 
Fonte: Ministério da Saúde, 1997. 
No que tange às repercussões que essa do-
ença pode gerar para a mulher acometida, 
pode-se destacar: DIP, infertilidade, além de 
consequências na gestação como gravidez ec-
tópica e prematuridade (GONÇALVES, 
2021). No caso dos homens, repercussões 
como orquiepididimite e proctite, com tendên-
cia à formação de abscessos e fístulas, podem 
surgir, predominantemente, nos HSH (ROSS, 
2019).
 
 
32 | P á g i n a 
Infecção pela Neisseria gonorrhoeae 
A gonorreia pertence ao grupo de ISTs que 
cursam com Síndrome de Corrimento Genital 
(uretral ou vaginal). Diante disso, as mulheres 
que sofrem com o quadro devem ser instruídas 
quanto às características da condição, pois o di-
agnóstico de uma IST acarreta em implicações 
que não estão presentes nos corrimentos de eti-
ologia não-IST. Ademais, é fundamental deter-
minar se existe uma infecção verdadeira ou se é 
apenas um corrimento vaginal fisiológico 
(GONÇALVES, 2021). 
Todavia, por ser assintomática em grande 
parte do grupo feminino e ter seu tratamento re-
alizado, muitas vezes, de forma inapropriada, 
torna-se essencial um rastreio mais fidedigno 
entre aqueles com fatores de risco para a infec-
ção e em gestantes, sendo que, por ora, deve-se 
tratar o parceiro. Tal fato tem como objetivo 
principal evitar que a NG torne-se uma bactéria 
super-resistente (CHEMAITELLY, 2021). 
Fisiopatologia 
É importante evidenciar que a NG invade as 
células epiteliais colunares e transicionais, pas-
sando para o meio intracelular. Por isso, o epi-
télio vaginal não está envolvido (HEMSELL, 
2014; GONÇALVES, 2021). A ligação com 
essa camada epitelial da mucosa, mediada em 
parte pelos pili e pela proteína Opa, é prosse-
guida, em 24 - 48 horas, pela penetração do or-
ganismo entre e através das células epiteliais 
para, assim, alcançar o tecido submucoso. Nesse 
processo, existe uma resposta intensa de poli-
morfonucleares, levando à descamação do epi-
télio, desenvolvimento de microabscessos sub-
mucosos e formação de exsudato. Posterior-
mente, sobretudo em infecções não tratadas, os 
macrófagos e linfócitos irão substituir gradual-
mente os polimorfonucleares. Ressalta-se, 
ainda, que tal infiltraçãomononuclear e 
linfocítica anormal persistirá nos tecidos por 
várias semanas após a negativação das cultu-
ras e a não identificação da NG na histologia 
(PENNA et al., 2000). 
Ou seja, após o contato sexual com o hos-
pedeiro e a quebra das barreiras naturais da 
mucosa, a infecção progride para a doença em 
um período relativamente curto (2 a 5 dias). 
Em geral, ocorrerá um processo autolimitado 
e sem maiores consequências, porém, em al-
guns casos, existirão complicações no apare-
lho urogenital ou à distância, causando altera-
ções sindrômicas (PENNA et al., 2000). 
Sintomatologia 
Os sinais e sintomas da gonorreia variam 
de acordo com o local da infecção, sendo eles: 
mucosas do trato urogenital, faringe, reto e 
conjuntiva ocular (PENNA et al., 2000; CEN-
TERS FOR DISEASE CONTROL AND 
PREVENTION, 2021). 
A sintomatologia referente à infecção pela 
NG no trato reprodutor inferior feminino pode 
se manifestar como vaginite ou cervicite. Em 
mulheres que apresentam a cervicite, deve-se 
ficar atento à secreção vaginal, que se caracte-
riza por ser profusa, sem odor, não irritante e 
de cor branca-amarelada (Figura 4.2). Entre-
tanto, também é possível a ascensão de tais 
bactérias em direção ao endométrio ou às tu-
bas uterinas, levando a infecção do trato re-
produtivo superior. Além disso, pode-se in-
fectar as glândulas de Bartholin e Skene, cau-
sando bartolinite e esquenite, respectiva-
mente, bem como a uretra, levando à uretrite 
(Figura 4.3) (HEMSELL, 2014). Desse 
modo, uma anamnese detalhada é fundamen-
tal diante de um corrimento genital. Destaca-
se, ainda, a relevância da caracterização do 
corrimento, quanto a cor, consistência e odor, 
bem como a presença de outros sintomas, 
 
33 | P á g i n a 
como prurido e irritação genital. Ademais, deve-
se colher um breve relato das práticas sexuais e 
da higiene genital da mulher, bem como o uso 
de medicamentos tópicos ou potenciais irritan-
tes locais (GONÇALVES, 2021). 
Figura 4.2 Cervicite 
 
Legenda: cervicite purulenta visualizada por meio do 
exame especular. Evidencia-se secreção branco-amare-
lada exteriorizando-se pelo colo cervical. 
Fonte: Goldfarb, 1998. 
Figura 4.3 Uretrite 
Legenda: Glande inflamada e secreção uretral purulenta 
em um paciente com gonorreia. 
Fonte: Penna; Hajjar; Braz, 2000. 
Vale lembrar que, muitas mulheres que pos-
suem NG no colo do útero são assintomáticas, o 
que demonstra a necessidade de rastrear regu-
larmente aquelas em grupos de alto risco. São 
fatores de risco para gonorreia: mulheres sexu-
almente ativas com idade igual ou inferior a 25 
anos, com múltiplos parceiros, com outras ISTs 
prévias ou mesmo associadas, profissionais do 
sexo, com infecção prévia por gonococo e em 
uso irregular do preservativo. Dessa forma, o 
rastreamento anual para essas mulheres torna-
se recomendado (HEMSELL, 2014). No que 
se refere aos HSH, é benéfico que a triagem 
seja feita a cada 3-6 meses naqueles que estão 
sob alto risco de adquirir HIV, que não pos-
suem parceiro fixo e que fazem abuso de dro-
gas (CENTERS FOR DISEASE CONTROL 
AND PREVENTION, 2021). 
A infecção faríngea, por sua vez, é comum 
em pessoas que praticam sexo oral. Os sinais 
e sintomas desse acometimento incluem dor, 
faringite, hiperemia, edema das tonsilas pala-
tinas, presença de material purulento, odino-
fagia, febre e aumento dos gânglios linfáticos 
do pescoço (CHARLOTTE et al., 2019; CEN-
TERS FOR DISEASE CONTROL AND 
PREVENTION, 2021). Já a infecção retal 
pode apresentar sintomas como dor, sangra-
mento, secreção retal mucopurulenta, tenesmo 
e diarreia (LO et al., 2021). Entretanto, na 
maioria das vezes, tais quadros são assintomá-
ticos, o que pode resultar em um diagnóstico 
tardio e no aumento do risco de complicações 
(CHARLOTTE et al., 2019; CENTERS FOR 
DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 
2021). 
Não é incomum que a infecção por NG 
possa se manifestar como uma conjuntivite, 
caracterizada por hiperemia conjuntival, 
edema, secreção purulenta e desconforto ocu-
lar (PENNA et al., 2000). É relevante que o 
diagnóstico diferencial seja realizado com ou-
tras causas de conjuntivite, como alergias, in-
fecções virais ou bacterianas não gonocócicas 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1997). Em casos 
suspeitos, a cultura deve ser realizada a partir 
de amostras oculares para confirmar o diag-
nóstico (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1997). 
Destaca-se, ainda, que a infecção conjuntival 
gonocócica (Figura 4.4) pode ocorrer de 
forma isolada ou concomitante com outras 
 
34 | P á g i n a 
manifestações clínicas de infecção por NG, 
como a uretrite (GONÇALVES, 2021). 
Figura 4.4 Conjuntivite gonocócica 
 
Legenda: Descarga profusa na conjuntivite gonocócica 
bacteriana. 
Fonte: Kanski & Menon, 2003. 
Diagnóstico 
Nesse contexto, é de suma importância fazer 
o diagnóstico precoce da doença, a fim de dimi-
nuir o número de infectados. Por conseguinte, 
atualmente, recomenda-se o emprego dos testes 
não culturais (NAAT) que detectam a bactéria 
através da presença do seu DNA, por meio de 
uma análise da Reação de Cadeia da Polimerase 
(PCR). Esses testes são realizados a partir de co-
letas específicas de amostras de vagina, ectocér-
vice e urina. Cabe enfatizar que, para mulheres 
submetidas a histerectomia, sem a preservação 
do colo uterino, a coleta é realizada com a pri-
meira urina da manhã. No entanto, para infec-
ções gonocócicas na faringe ou no reto, os testes 
NAAT não estão habilitados pela Food and 
Drug Administration (FDA) para identificação 
diagnóstica da doença. Portanto, nessas situa-
ções, deve-se realizar culturas das regiões ana-
tômicas desejadas (HEMSELL, 2014). 
Novos ensaios clínicos têm sido realizados 
na literatura médica a fim de se obter o diagnós-
tico da doença gonocócica mais rapidamente, 
promover o tratamento adequado e minimizar as 
repercussões negativas proporcionadas pela NG 
à população, principalmente, para as pessoas 
que possuem maiores riscos de se infectar 
com a bactéria. Logo, um estudo realizado por 
CHARLOTTE et al., 2019 demonstrou eficá-
cia dos testes rápidos para a identificação do 
germe em leitos de departamentos de emer-
gência em pessoas que possuíam sinais clíni-
cos da infecção gonocócica. Esses testes apre-
sentam sensibilidade e especificidade seme-
lhantes aos NAAT. Contudo, os testes rápidos 
têm sido uma proposta diagnóstica promissora 
em relação ao NAAT, pois ao fazer o diagnós-
tico instantâneo da doença permite o trata-
mento precocemente (CHARLLOTE et al., 
2019). 
Ademais, pesquisas científicas realizadas 
por Valala et al., 2021 trouxeram conclusões 
importantes a respeito dos testes NAAT, se-
gundo eles, as amostras poderiam ser coleta-
das pelo próprio paciente, sendo que elas apre-
sentaram qualidades semelhantes às colhidas 
por médicos ou outros profissionais de saúde. 
Logo, a autocoleta de amostras para o diag-
nóstico da gonorreia tem sido alvo de relevân-
cia na literatura e apresenta benefícios, como 
não sobrecarregar o sistema de saúde, promo-
ver tratamento rápido e eficaz, além de evitar 
a super-resistência da NG. Todavia, ainda 
continua sendo os testes NAAT o protocolo 
padrão de diretrizes internacionais, como o 
Centers for Disease Control and Prevention 
(CDC), para a comprovação da doença (VA-
LALA et al., 2021). 
Tratamento 
Sabe-se que a emergência de cepas da NG 
resistentes aos antimicrobianos é uma adver-
sidade em escala mundial, tendo em vista sua 
ameaça à saúde pública. Diante disso, o ma-
nejo dessa entidade clínica tem sido cada vez 
mais explorado, a fim de se obter maior su-
cesso no tratamento e, consequentemente, re-
duzir as taxas de complicações e de trans-
 
35 | P á g i n a 
missão. No ano de 2007, com o aparecimento de 
cepas da NG resistentes às fluoroquinolonas nos 
Estados Unidos, o CDC retirou sua indicação 
acerca do uso deste antimicrobiano,de modo 
que a terapêutica contra a gonorreia naquele 
país limitou-se às cefalosporinas. Posterior-
mente, em 2010, diante da preocupação com a 
resistência antimicrobiana, foi instituída pelo 
CDC, uma terapia dupla para gonorreia, com ce-
falosporina associada a azitromicina ou doxici-
clina, para todos os pacientes, mesmo entre 
aqueles em que fora afastado o diagnóstico de 
clamídia após o teste. Todavia, essa medida foi 
suspensa alguns anos após, tendo em vista as 
preocupações em relação aos prejuízos poten-
ciais à microbiota (CENTERS FOR DISEASE 
CONTROL AND PREVENTION, 2021). 
Atualmente, o regime terapêutico recomen-
dado pelas diretrizes do CDC como primeira es-
colha para infecções gonocócicas não complica-
das do colo uterino, uretra, reto ou faringe, é 
ceftriaxona 500 mg intramuscular em dose 
única, para pessoas com peso <150 kg, ou 1 g se 
≥150 kg. Ademais, com o objetivo de mitigar a 
transmissão da gonorreia, os pacientes devem se 
abster de atividade sexual por 7 dias após a an-
tibioticoterapia e a resolução dos sintomas, se 
presentes, bem como até que todos os parceiros 
sejam tratados. É válido lembrar, ainda, que to-
dos diagnosticados com essa infecção devem in-
vestigar outras ISTs, incluindo clamídia, sífilis 
e HIV. Vale salientar que não é raro encontrar 
simultaneamente indivíduos infectados por go-
norreia e clamídia, logo, se esta não puder ser 
excluída, deve ser tratada com doxiciclina 100 
mg por via oral, 2 vezes ao dia durante 7 dias, 
de acordo com o CDC (CENTERS FOR DI-
SEASE CONTROL AND PREVENTION, 
2021). 
Como regimes alternativos preconizados 
pelo CDC, em caso de alergia às cefalosporinas, 
tem-se a gentamicina 240 mg intramuscular, em 
uma dose única, associado à azitromicina 2 g 
por via oral, em dose única. Se a ceftriaxona 
estiver indisponível ou sua administração for 
inviável, pode-se ainda empregar cefixima 
800 mg por via oral, em dose única 
(CENTERS FOR DISEASE CONTROL 
AND PREVENTION, 2021). 
Após a finalização do tratamento, os paci-
entes devem efetuar um teste de cura, exclu-
indo-se aqueles que obtiveram gonorreia uro-
genital ou retal não complicada. Portanto, os 
indivíduos com gonorreia faríngea devem re-
tornar após 7 a 14 dias de uso do antimicrobi-
ano indicado, para realizar nova testagem, seja 
pela cultura ou pelo NAAT. Se o NAAT for o 
método escolhido e vier positivo, indica-se re-
alizar uma cultura para confirmação, antes de 
reiniciar a terapia. Além disso, todas as cultu-
ras positivas devem ser submetidas ao antibi-
ograma (CENTERS FOR DISEASE CON-
TROL AND PREVENTION, 2021). 
Apesar de todos os esforços, é grande a 
prevalência de uma nova infecção pela NG em 
indivíduos previamente tratados, o que sugere 
uma reinfecção resultante do não tratamento 
ou da terapia inadequada do parceiro, bem 
como de uma relação desprotegida com um 
novo parceiro. Logo, os infectados por essa 
IST devem ser testados para a mesma nova-
mente, 3 meses após a terapêutica (CENTERS 
FOR DISEASE CONTROL AND PREVEN-
TION, 2021). 
Logo, a gonorreia possui índices signifi-
cantes dentro do cenário epidemiológico das 
ISTs no Brasil. Ademais, sabe-se que são mui-
tos os impactos que a infecção gonocócica 
pode gerar na população, como agravos à 
morbidade e à qualidade de vida dos indiví-
duos acometidos, bem como os elevados cus-
tos em saúde pública, constituindo-se como 
um problema de cunho social relevante a ser 
 
36 | P á g i n a 
considerado. Portanto, evidencia-se a necessi-
dade de ações mais efetivas para redução do nú-
mero de casos da NG no país. Nesse panorama, 
tornam-se ferramentas fundamentais: a identifi-
cação das pessoas que estão sob alto risco, o di-
recionamento delas para a triagem, o diagnós-
tico pelos métodos recomendados e a instituição 
do tratamento correto. Vale destacar, por fim, 
a importância da cautela no que diz respeito à 
terapêutica desta entidade clínica, bem como 
a necessidade de novos estudos comparativos 
acerca dos antibióticos indicados, tendo em 
vista a ascensão da resistência aos antimicro-
bianos. 
 
 
37 | P á g i n a 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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38 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Vaginite; Vaginose; Infecções Vaginais; Diagnóstico; Tratamento. 
Capítulo 5 
GABRIELA SILVEIRA ANATÓLIO LIMA¹ 
LAURA VASCONCELOS RODRIGUES DE OLIVEIRA TONELLO¹ 
LAURA MOORE GAISSLER¹ 
LAURA FIGUEIRÓ EULER VAZ DE MELO FERNANDES¹ 
1. Discente - Medicina da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais - FCMMG. 
VAGINITE E VAGINOSE 
 
39 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
A vaginite refere-se à inflamação da va-
gina, que pode ser causada por diversos agen-
tes, como bactérias, fungos, vírus e protozoá-
rios. A vaginose, por sua vez, é uma condição 
específica caracterizada pelo desequilíbrio da 
microbiota vaginal,com um aumento de bac-
térias anaeróbias em relação às bactérias lac-
tobacilos, que normalmente predominam na 
vagina saudável, mas sem presença de infla-
mação importante. Essas condições podem re-
sultar em sintomas como corrimento vaginal 
anormal, prurido, ardor, dor durante a relação 
sexual e odor desagradável, afetando signifi-
cativamente a qualidade de vida das mulheres 
(LINHARES et al., 2019). 
A epidemiologia das vaginites e vaginoses 
é ampla e varia de acordo com o agente cau-
sador e a população estudada. Estima-se que a 
vaginite causada por Candida spp., um tipo de 
fungo, seja a forma mais comum de vaginose, 
afetando cerca de 75% das mulheres em al-
gum momento de suas vidas (TORTORA, 
2005). As vulvovaginites e vaginoses repre-
sentam as queixas mais frequentes nos consul-
tórios de ginecologia, sendo responsáveis por 
aproximadamente 40% dos motivos de con-
sulta (LINHARES et al., 2019). 
No Brasil, estudos epidemiológicos têm 
relatado uma alta prevalência de vaginose 
bacteriana em mulheres em idade reprodutiva. 
Um estudo realizado em uma cidade do sul do 
Brasil identificou uma prevalência de vagi-
nose bacteriana em 63,82% da amostra. 
(GALLO et al., 2016). Outro estudo realizado 
em uma maternidade no sudeste do Brasil en-
controu uma prevalência de vaginose bacteri-
ana de 20,7% em mulheres grávidas (GONDO 
et al., 2010). 
As vaginites e vaginoses têm uma relevân-
cia clínica significativa. Além dos sintomas 
incômodos que podem afetar a qualidade de vida 
das mulheres, essas condições também estão asso-
ciadas a complicações obstétricas, aumentando o 
risco de parto prematuro, ruptura prematura de 
membranas, endometrite pós-parto e infecções ne-
onatais. Além disso, as infecções genitais podem 
aumentar o risco de aquisição e transmissão de in-
fecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como 
o HIV (NUGENT et al., 1991). 
A compreensão da epidemiologia das vagini-
tes e vaginoses, incluindo os agentes causadores, 
a prevalência e as complicações associadas, é fun-
damental para o desenvolvimento de estratégias 
de prevenção, diagnóstico e manejo adequado 
dessas condições. A identificação dos fatores de 
risco, a compreensão da apresentação clínica e a 
avaliação da relevância clínica das vaginites e va-
ginoses podem fornecer informações valiosas 
para o desenvolvimento de abordagens eficazes 
no cuidado 
Conceito e definição de vaginite e 
vaginose 
A vaginite é definida como qualquer condição 
com sintomas de corrimento vaginal anormal, 
odor, irritação, coceira ou queimação. As causas 
mais comuns de vaginite são vaginose bacteriana, 
candidíase vulvovaginal e tricomoníase. Causas 
não infecciosas, incluindo vaginite atrófica, irri-
tante, alérgica e inflamatória, são menos comuns. 
O diagnóstico é feito usando uma combinação de 
sintomas, achados do exame físico e testes labora-
toriais ou baseados em consultório (PALADINE 
& DESAI, 2018). 
Vaginose é conceituada como o desequilíbrio 
da flora vaginal caracterizado pela substituição 
maciça de germes anaeróbios, em substituição aos 
Lactobacilos da flora microbiana saudável, ou 
uma proliferação anormal dos já existentes. Esta 
condição é extremamente variável entre as mulhe-
res, contudo normalmente se dá por origem poli-
 
40 | P á g i n a 
microbiana no qual há um sinergismo entre 
Gardnerella vaginalis e outras bactérias ana-
eróbias, particularmente espécies as espécies 
microbianas mais frequentemente identifica-
das são Atopobium, Prevotella, Megasphaera, 
Leptotrichia, Sneatia, Bifidobacterium, Dia-
lister, Clostridium e Mycoplasmas. A Vagi-
nose tem sido referida como a mais frequente 
afecção do trato genital inferior feminino, es-
tando relacionada à ampla variedade de dis-
túrbios do trato reprodutivo, devido às bacté-
rias produtoras de peróxido de hidrogênio, 
que levam ao aparecimento de um corrimento 
vaginal de pequena intensidade e com mau 
odor (GIRALDO et al., 2007). 
Epidemiologia das vaginites e 
vaginoses 
A vaginose é atualmente a principal causa 
de secreção vaginal infecciosa em mulheres 
em idade fértil, contudo, embora menos co-
mum, ela pode ser encontrada em crianças e 
mulheres na fase pós-menopausa, mas sua 
prevalência parece ser semelhante em gestan-
tes e não-gestantes. Geralmente esta condição 
afeta mulheres em idade reprodutiva, o que 
sugere que os hormônios sexuais podem estar 
envolvidos em sua patogênese. O aumento do 
número de parceiros sexuais e a utilização do 
dispositivo intrauterino (DIU) foram associa-
dos a um aumento na incidência. Embora não 
seja considerada uma infecção sexualmente 
transmissível, a vaginose bacteriana parece 
estar intimamente relacionada à atividade se-
xual. O uso de contraceptivos hormonais pode 
ter um efeito protetor em seu desenvolvi-
mento, pois promove uma microbiota predo-
minantemente lactobacilar (ESCHENBACH 
et al., 1988). 
O perfil epidemiológico das vaginites é 
complexo e varia de acordo com a doença em 
questão. A vaginose bacteriana é mais comum 
em mulheres em idade fértil, além de que mulhe-
res que já tiveram infecções prévias possuem 
maior probabilidade de recorrência, o uso de du-
chas vaginais e o tabagismo também foram asso-
ciados a um aumento do risco. A candidíase afeta 
uma proporção significativa de mulheres em al-
gum momento da vida, com uma prevalência entre 
20% e 30%. Fatores de risco incluem o uso de an-
tibióticos, diabetes, gravidez, uso de contracepti-
vos hormonais e imunossupressão. A tricomoní-
ase é menos comum, afetando cerca de 3% a 5% 
das mulheres em idade reprodutiva. É mais co-
mum em mulheres sexualmente ativas e está asso-
ciada a um maior número de parceiros sexuais. 
Em geral, as vaginites podem ser mais comuns em 
mulheres com imunidade comprometida, inclu-
indo aquelas com HIV ou outras doenças crônicas. 
É importante notar que a prevenção e o tratamento 
eficazes das vaginites dependem de uma compre-
ensão precisa do perfil epidemiológico da doença 
em questão (SOBEL, 1990). 
Etiologia e fisiopatologia das vaginites e 
vaginoses 
Vaginose Bacteriana: A vaginose bacteriana 
é um desequilíbrio na flora vaginal que é caracte-
rizado pela substituição fisiológicas do ambiente 
vaginal, por bactérias anaeróbias. Esse desequilí-
brio pode mudar a resposta imunológica local, o 
que faz com que o ambiente vaginal fique imuno-
deprimido e mais suscetível a outros agentes in-
fecciosos, como o vírus do papiloma humano 
(HPV) e o HIV. Essa condição está relacionada a 
diversos distúrbios do trato reprodutivo, como 
maior incidência em mulheres inférteis, aumento 
do risco de aborto após fertilização in vitro, infec-
ções pelo HPV e neoplasias intraepiteliais cervi-
cais, infecções pós-cirurgias ginecológicas, au-
mento da taxa de infecção pelo HIV, maior possi-
bilidade de aquisição de agentes sexualmente 
transmissíveis, maior risco de infertilidade tubá-
ria, prematuridade, aborto espontâneo, baixo peso 
 
41 | P á g i n a 
ao nascer e endometrite pós-parto (NASIOU-
DIS et al., 2016). 
Candidíase vaginal: Candida albicans 
pode fazer parte da flora normal em baixas 
concentrações, porém sua proliferação anor-
mal leva a uma invasão das camadas do epité-
lio vaginal causando um estado inflamatório 
local que evolui com o aparecimento de corri-
mento, prurido, disúria, dispareunia. São pro-
duzidas enzimas proteolíticas que favorecem 
a aderência e o dano às células epiteliais, fa-
vorecendo a invasão. Possuem, ainda, a capa-
cidade de formação de biofilmes, o que faci-
lita a candidíase vaginal de recorrência (PA-
LADINE & DESAI, 2018). 
Tricomoníase: Tem como agente etioló-
gico o parasita flagelado Trichomonas vagi-
nalis, sexualmente transmissível, que penetra 
na vagina, aderindo fortemente às células epi-
teliais se ligando à membrana das células e pa-
rasitando a mesma. Assim, causando uma res-
posta inflamatóriao que facilita a aquisição de 
outras infecções, inclusive a do HIV. A trico-
moníase tem sido associada a complicações 
durante o ciclo gravídico puerperal (FICHO-
ROVA et al., 2015). 
Vaginose citolítica: Consequência da ex-
cessiva proliferação de Lactobacillus, pela re-
dução do pH vaginal e pela citólise. Os fatores 
que determinam a proliferação excessiva de 
Lactobacillus não são conhecidos (assim 
como não são totalmente conhecidos os fato-
res determinantes do pH vaginal), discute-se 
se o pH mais ácido facilitaria o desenvolvi-
mento dos Lactobacillus ou se ocorreria o in-
verso. De qualquer maneira, o excesso lacto-
bacilar aumenta o processo citolítico, cujos 
produtos são responsáveis pela sintomatolo-
gia (CIBLEY & CIBLEY, 1991). 
Vaginite inflamatória descamativa: 
Forma menos frequente de vaginite purulenta 
crônica de intensa inflamação. A etiologia é 
desconhecida, e em alguns casos, têm sido identi-
ficados Streptococcus do grupo B e Escherichia 
coli. Existe a hipótese de que fatores imunológi-
cos e deficiência de estrogênios contribuam para 
sua patogênese (REICHMAN & SOBEL, 2014). 
Vaginite aeróbica: Estado de alteração do 
ambiente vaginal caracterizado por bactérias aeró-
bicas entéricas (sendo as mais frequentes Entero-
coccus faecalis, Escherichia coli, Staphylococcus 
aureus, Staphylococcus epidermidis, Streptococ-
cus do grupo B), redução ou ausência de Lactoba-
cillus e processo inflamatório. O desenvolvimento 
de bactérias aeróbicas pode se dar secundário a al-
terações imunológicas em resposta à população 
bacteriana presente, ocorre aumento na produção 
de citocinas (DONDERS et al., 2017). 
Apresentação clínica e diagnóstico das 
vaginites e vaginoses 
Vaginose bacteriana: Cursa com corrimento 
de intensidade variável, acompanhado de odor va-
ginal fétido (“odor de peixe” ou amoniacal), que 
piora com o intercurso sexual desprotegido e du-
rante a menstruação. O odor ocorre devido à vola-
tilização de aminas aromáticas (putrescina, cada-
verina, dimetilamina) resultantes do metabolismo 
das bactérias anaeróbias em contato com a alcali-
nidade do sêmen ou do sangue menstrual. Ao 
exame especular, observa-se o conteúdo vaginal 
de aspecto homogêneo, em quantidade variável, 
com coloração esbranquiçada, branco-acinzen-
tada ou amarelada. Os critérios para diagnóstico 
da vaginose bacteriana (VB) são os de Amsel e os 
de Nugent (SOBEL, 2000). Os critérios de Amsel 
requerem três dos quatro itens a seguir; corri-
mento vaginal branco-acinzentado homogêneo 
aderente às paredes vaginais; medida do pH vagi-
nal maior do que 4,5; teste das aminas (whiff test) 
positivo; presença de “clue cells”. O escore de Nu-
gent baseia-se em elementos avaliados na bacteri-
oscopia do conteúdo vaginal (Gram). O resultado 
 
42 | P á g i n a 
da avaliação é traduzido em escores, assim 
considerados: escore de 0 a 3 como padrão 
normal; escore de 4 a 6 como flora vaginal in-
termediária; escore de 7 a 10 como VB (NU-
GENT et al., 1991). 
Candidíase vaginal: A principal sinto-
matologia refere-se ao prurido e corrimento 
mais intensos no período pré-menstrual, além 
de disúria e dispareunia. Ao exame ginecoló-
gico, observam-se hiperemia vulvar, edema, 
fissuras e escoriações; ao exame especular, 
verificam-se hiperemia da mucosa vaginal e 
presença de conteúdo vaginal esbranquiçado 
ou amarelado de aspecto fluido, espesso ou 
flocular, podendo estar aderido às paredes va-
ginais, o pH vaginal também encontra se di-
minuído. A presença de fungos é confirmada 
por meio de exame a fresco do conteúdo vagi-
nal com hidróxido de potássio (KOH) a 10% 
ou soro fisiológico, bacterioscopia com colo-
ração pelo método de Gram ou cultura em 
meios específicos. O exame a fresco possui 
sensibilidade em torno de 50% a 60% (LED-
GER & WITKIN, 2007). A positividade do 
exame a fresco dispensa a continuidade da in-
vestigação. Entretanto, se tal exame for nega-
tivo e houver sintomas, está indicada a conti-
nuação do processo diagnóstico, com a bacte-
rioscopia pelo Gram e cultura, particular-
mente nos casos recorrentes (SOBEL et al., 
1995). 
Tricomoníase: caracterizada por sinto-
mas de um corrimento abundante, geralmente 
amarelado ou amarelo-esverdeado, acompa-
nhado de sensações de queimação, dor geni-
tal, dor ao urinar e durante a relação sexual. 
No exame ginecológico, há a presença de ver-
melhidão dos órgãos genitais externos e o cor-
rimento é visto saindo da abertura vulvar. Ao 
examinar a vagina, nota-se um aumento na 
quantidade de conteúdo vaginal com uma cor 
amarela ou amarelo-esverdeada, podendo 
também apresentar pequenas bolhas (MILLER et 
al., 2005). A parede vaginal e a parte externa do 
colo do útero estão vermelhas e, ocasionalmente, 
é possível observar pequenas hemorragias, dando 
à cerviz um aspecto de "morango" (colpite macu-
laris) sinal patognomonico. O pH vaginal geral-
mente é superior a 4,5 e o teste de aminas (teste de 
Whiff) pode ser positivo devido à presença de bac-
térias anaeróbias associadas à vaginose bacteri-
ana. O diagnóstico geralmente é feito pela bacte-
rioscopia a fresco, onde se pode observar o para-
sita se movendo de forma pendular (sensibilidade 
entre 51% e 65%). A cultura (usando meio de Di-
amond) é recomendada quando há sintomas e os 
exames anteriores foram negativos (LEDGER & 
WITKIN, 2007). 
Vaginose citolítica: caracterizada por um cor-
rimento branco e prurido que pode variar em in-
tensidade e piorar no período pré-menstrual. É co-
mum associar sintomas de ardor, queimação, disú-
ria e dispareunia. Durante o exame, é possível ob-
servar um aumento geralmente flocular, fluido ou 
grumoso do conteúdo vaginal, aderente ou não às 
paredes vaginais. O pH vaginal é igual ou menor 
que 4. A bacterioscopia do conteúdo vaginal 
(Gram) revela aumento excessivo de Lactobaci-
llus, raros leucócitos ou ausência deles, núcleos 
desnudos e restos celulares devido à lise das célu-
las epiteliais. Elementos fúngicos, como hifas e 
esporos, não são encontrados (YANG et al., 
2017). 
Vaginite descamativa inflamatória: os sin-
tomas frequentemente relatados são de secreção 
vaginal em grande quantidade ou moderada, 
acompanhada de desconforto intenso, ardência e 
dispareunia. Durante o exame ginecológico, há 
presença de inflamação na mucosa genital com 
vermelhidão, podendo apresentar manchas ver-
melhas ou até mesmo hematomas; a cérvice tam-
bém pode estar envolvida. Em alguns casos, é ne-
cessário retirar o conteúdo vaginal para melhor vi-
sualização da inflamação na mucosa. É importante 
 
43 | P á g i n a 
descartar a possibilidade de tricomoníase. 
Pela análise microscópica, há aumento dos 
polimorfonucleares e células parabasais, au-
sência de Lactobacillus e presença de outras 
bactérias. O pH vaginal encontra-se acima de 
4,5 (SOBEL et al., 2011). 
Vaginite aeróbica: os sintomas incluem 
secreção vaginal, que pode ter um aspecto pu-
rulento e cheiro desagradável; em casos de in-
flamação acentuada, pode haver queixa de 
disúria e dispareunia. No exame ginecológico, 
é possível observar inflamação do vestíbulo e 
hiperemia da mucosa vaginal, além do au-
mento do conteúdo vaginal em diferentes 
graus. O quadro clínico grave da vaginite por 
bactérias aeróbicas é semelhante ao da vagi-
nite inflamatória descamativa, e para alguns 
especialistas, ambos os casos representam a 
mesma condição (LEDGER & WITKIN, 
2007). A flora microbiana e a presença de leu-
cócitos no conteúdo vaginal são avaliadas por 
meio da microscopia com contraste de fase em 
aumento de 400 vezes, e a vaginite aeróbica é 
classificada em quatro graus, chamados de 
"graus lactobacilares", de acordo com a quan-
tidade de cada elemento. No entanto, a utiliza-
ção dessa classificação apresenta limitações 
na prática, devido à falta de treinamento e 
equipamento adequado (CIBLEY & CI-
BLEY, 1991). 
Complicaçõesobstétricas associadas 
às vaginites e vaginoses 
Durante a gestação, ocorrem mudanças 
significativas no corpo feminino que visam 
garantir o crescimento fetal adequado, inclu-
indo alterações hormonais, metabólicas e 
imunológicas. Algumas dessas mudanças 
também afetam o ambiente genital e aumen-
tam a probabilidade de ocorrência de vulvo-
vaginites. As infecções do trato reprodutivo 
representam um grande problema de saúde 
global, sendo uma das principais causas de morbi-
mortalidade materna e perinatal, juntamente com 
as ISTs (LAGHI et al., 2021). Durante a gravidez, 
as consequências dessas infecções podem ser gra-
ves e incluem nascimento prematuro, aborto es-
pontâneo, doença inflamatória pélvica, baixo peso 
ao nascer, infertilidade, ruptura prematura de 
membranas, infecções crônicas e até mesmo a 
morte (WHO, 2005). 
As infecções vulvovaginais mais comuns em 
mulheres grávidas são as mesmas que afetam pre-
dominantemente mulheres em idade fértil, inclu-
indo a vaginose bacteriana, caracterizada pela pre-
sença da bactéria Gardnerella vaginalis como 
principal agente causador, a candidíase vulvova-
ginal, cujo fungo predominante é a Candida Albi-
cans que tem sua colonização aumentada em até 
duas vezes quando comparada a mulheres não grá-
vidas devido ao depósito de glicogênio na vagina 
pelo estrógeno, e a tricomoníase, que apresenta o 
terceiro maior número de casos (SOBEL, 2007). 
A vaginose bacteriana é um fator de risco para 
o desenvolvimento de complicações obstétricas e 
ginecológicas, incluindo parto prematuro e traba-
lho de parto prematuro, ruptura prematura de 
membranas, baixo peso ao nascer, aumento do 
risco de aborto espontâneo, infecções pós-parto e 
infecções na cicatriz de cesariana (KAMGA et al., 
2019). Com isso, recomendações clínicas para tri-
agem e tratamento da vaginose bacteriana em ges-
tantes foram estabelecidas pela Sociedade de Obs-
tetrícia e Ginecologia do Canadá em 2017 (YU-
DIN et al., 2008). De acordo com essas diretrizes, 
se for indicado tratamento para prevenir resulta-
dos adversos na gravidez, pode-se prescrever Me-
tronidazol 500 mg por via oral duas vezes ao dia 
durante 7 dias, ou Clindamicina 300 mg por via 
oral duas vezes ao dia por 7 dias. As recomenda-
ções são baseadas em evidências justas para a 
ação clínica preventiva (nível de evidência B) 
(CAMPOS et al., 2012). 
 
44 | P á g i n a 
Além disso, foi observado um aumento na 
incidência de vulvovaginites em mulheres 
grávidas na segunda metade da gravidez, ou 
seja, no terceiro trimestre, o que pode ser atri-
buído a fatores como: dificuldade de higieni-
zação durante esse período, diminuição da 
imunidade e aumento do pH vaginal (GOS-
MANN et al., 2017). 
Fatores de risco para o 
desenvolvimento de vaginites e 
vaginoses 
O uso de antibióticos é um fator de risco 
comum para o desenvolvimento de vulvova-
ginites, pois esses medicamentos podem alte-
rar o equilíbrio da flora vaginal normal, per-
mitindo que as bactérias nocivas cresçam em 
excesso. Da mesma forma, as mudanças hor-
monais que ocorrem durante a gravidez po-
dem aumentar a suscetibilidade a infecções 
vaginais. Além disso, pessoas com diabetes 
mal controlado podem ter um risco maior de 
desenvolver infecções por fungos devido a al-
terações nos níveis de glicose no sangue (LE-
DGER & WITKIN, 2007). O estresse também 
pode enfraquecer o sistema imunológico, au-
mentando o risco de infecções. O uso de pro-
dutos de higiene inadequados, como sabone-
tes perfumados e duchas vaginais, pode irritar 
a vagina e alterar o pH, o que pode levar a in-
fecções. As roupas íntimas apertadas e os te-
cidos sintéticos também podem impedir a cir-
culação de ar, criando um ambiente úmido e 
quente que favorece o crescimento de bacté-
rias e fungos. Já a atividade sexual pode alte-
rar o equilíbrio da flora vaginal e aumentar o 
risco de infecções, enquanto o uso de contra-
ceptivos como diafragmas e preservativos 
com espermicida pode aumentar o risco de ir-
ritação vaginal. Por fim, pessoas com sistema 
imunológico enfraquecido, como aquelas com 
HIV, estão em maior risco de infecções por 
fungos e bactérias, incluindo vulvovaginites 
(ARAUJO et al., 2021). 
Estratégias de tratamento e manejo 
adequado das vaginites e vaginoses 
A VB tem como objetivo de tratamento elimi-
nar os sintomas e restabelecer o equilíbrio da flora 
vaginal fisiológica, principalmente por meio da 
redução dos anaeróbios. Existem diversas opções 
de medicamentos que podem ser utilizados, como 
o metronidazol de 500 mg por via oral (VO) duas 
vezes ao dia durante sete dias, o gel de metroni-
dazol de 0,75% - 5g (um aplicador) intravaginal 
ao deitar durante cinco dias ou o creme de clinda-
micina de 2% - 5g (um aplicador) intravaginal ao 
deitar durante sete dias. Como alternativa, tam-
bém podem ser utilizados o tinidazol de 2g por 
VO duas vezes ao dia durante dois dias, o tini-
dazol de 1g VO uma vez ao dia durante cinco dias 
ou a clindamicina de 300 mg por VO a cada 12 
horas durante sete dias. É importante lembrar que 
esses medicamentos podem apresentar efeitos co-
laterais como náuseas, vômitos, cefaleia, tonturas, 
boca seca e gosto metálico. É recomendado evitar 
a ingestão de álcool durante 24 horas após o trata-
mento com nitroimidazólicos, e a abstinência de 
atividade sexual ou o uso de preservativos durante 
o tratamento, já que o creme de clindamicina tem 
base oleosa e pode enfraquecer condons e diafrag-
mas. Quando ocorrem recidivas, pode ser neces-
sário utilizar outro regime terapêutico ou repetir o 
mesmo tratamento assim que o episódio recor-
rente se instale. Para múltiplas recorrências, pode 
ser utilizado o metronidazol de 500 mg por VO 
duas vezes ao dia, durante 7 a 14 dias, ou o gel de 
metronidazol intravaginal duas vezes por semana, 
durante quatro a seis meses. No entanto, mesmo 
após o término da terapia, novos episódios recor-
rentes podem ocorrer (WORKOWSKI & BER-
MAN, 2007). 
 
45 | P á g i n a 
Candidíase não complicada (que ocorre de 
forma esporádica, com intensidade leve ou 
moderada, e afeta mulheres não comprometi-
das) pode ser tratada com antifúngicos via va-
ginal ou sistêmica, ambas com eficácias seme-
lhantes. Entre os antifúngicos imidazólicos, 
pode-se usar por via local: fenticonazol 
(creme a 0,02 g/g, um aplicador ao deitar, du-
rante sete dias, ou óvulo com 600 mg em dose 
única), clotrimazol (creme a 10 mg/g por sete 
dias, ou comprimido vaginal de 500 mg em 
dose única), miconazol (creme a 20 mg/g por 
14 dias), econazol (creme a 10 mg/g por 14 
dias), butaconazol (20 mg/g em dose única), 
terconazol (8 mg/g por cinco dias), tioconazol 
(20 mg/g por sete dias, ou óvulo de 300 mg 
em dose única); e entre os antifúngicos poliê-
nicos, nistatina (creme vaginal a 25.000 UI/g 
por 14 dias) (DENISON et al., 2020). Para uso 
sistêmico, pode-se usar fluconazol (compri-
mido de 150 mg em dose única), cetoconazol 
(comprimidos de 200 mg, dois comprimidos – 
400 mg – durante cinco dias) e itraconazol 
(cápsulas de 100 mg, uma cápsula pela manhã 
e outra à noite, por apenas um dia). Entre os 
efeitos colaterais, estão náuseas, dores abdo-
minais e cefaleia, sendo rara a elevação das 
enzimas hepáticas (SOBEL, 2003). 
A candidíase complicada (recorrente ou 
grave, por espécies não albinas ou em mulhe-
res com diabetes, ou enfermidades que com-
prometam o sistema imunológico, ou enfra-
quecidas ou em tratamento com imunossu-
pressores) requer a confirmação da presença 
do fungo antes do início do tratamento, pois 
outras condições podem apresentar sintomas 
semelhantes (vaginose citolítica, alergias ou 
dermatopatias). Os episódios isolados geral-
mente respondem aos tratamentos menciona-
dos anteriormente; no entanto, alguns especi-
alistas sugerem terapia tópica por 7 a 14 dias 
ou oral (fluconazol 150 mg, três doses com in-
tervalosde três dias) (SOBEL et al., 2006). De-
pois que os episódios agudos forem resolvidos, 
pode-se adotar esquemas de supressão com um 
comprimido de fluconazol (150 mg) uma vez por 
semana, durante seis meses. Outra opção é o tra-
tamento intermitente por via local. Depois que o 
tratamento supressivo for concluído, cerca de 
50% das mulheres ficam livres dos episódios re-
correntes. Para casos graves, com eritema ex-
tenso, edema, escoriações e fissuras, recomenda-
se terapia prolongada, com medicamentos por via 
local por 7 a 14 dias, ou fluconazol (150 mg) em 
duas doses com intervalo de 72 horas. Não exis-
tem terapias comprovadamente eficazes para es-
pécies diferentes de Candida albicans. Alguns au-
tores recomendam terapia prolongada (7 a 14 dias) 
com medicamentos diferentes do fluconazol; ou-
tros sugerem o uso de óvulos vaginais manipula-
dos contendo 600 mg de ácido bórico (SOBEL, 
2003). 
Para a tricomoníase as terapias prescritas são 
metronidazol 2 g por via oral em dose única ou 
tinidazol 2 g por via oral em dose única. Como 
alternativa, o metronidazol 500mg pode ser admi-
nistrado a cada 12 horas durante sete dias. Estudos 
controlados randomizados que comparam 2 g de 
metronidazol ou tinidazol sugerem que este úl-
timo é equivalente ou até superior ao metronidazol 
na eliminação do parasita e no alívio dos sintomas. 
Uma nova avaliação é recomendada três meses 
após o tratamento. Deve-se alertar sobre a absti-
nência de álcool por 24 horas após o uso de me-
tronidazol e 72 horas após o uso de tinidazol. É 
importante encaminhar os parceiros sexuais para 
o tratamento da doença sexualmente transmissí-
vel. Recomenda-se a detecção de outras infecções 
transmitidas sexualmente (SOBEL et al., 2006). 
Não há um tratamento específico para a vagi-
nose citolítica, uma vez que sua causa ainda é des-
conhecida. Recomenda-se o uso de medidas que 
possam temporariamente alcalinizar o ambiente 
 
46 | P á g i n a 
vaginal, como duchas vaginais com bicarbo-
nato de sódio, especialmente durante o perí-
odo pré-menstrual (CIBLEY; CIBLEY, 
1991). 
Na vaginite inflamatória descamativa o 
propósito do tratamento é diminuir a conta-
gem bacteriana e o processo inflamatório. Até 
o momento, não há estudos controlados ran-
domizados disponíveis. Contudo três terapêu-
ticas podem ser usadas, sendo elas, clindami-
cina em creme vaginal 2% - 5 g, por 21 dias; 
ou 2) hidrocortisona intravaginal 10%, por 
duas a quatro semanas; combinação de creme 
de clindamicina e hidrocortisona. Os trata-
mentos apresentam boa resposta, embora 30% 
dos casos tenham apresentado recorrência. O 
uso periódico de estrogênios por via vaginal 
pode reduzir a recorrência (REICHMAN & 
SOBEL, 2014). 
Não existe padronização para o trata-
mento da vaginite aeróbica. Diferentes auto-
res têm variado o uso de antibióticos por via 
local ou sistêmica. Sugere-se que a aborda-
gem clínica seja baseada principalmente nos 
achados microscópicos. Se houver predomi-
nância de inflamação, pode-se utilizar hidro-
cortisona 10% por via vaginal; caso haja pre-
domínio de atrofia, pode-se usar estrogênios 
via vaginal. Se houver um número excessivo 
de bactérias, recomenda-se o uso de clindami-
cina 2% por via local (DONDERS et al., 
2017). 
Importância da microbiota vaginal 
na saúde da mulher e sua relação 
com as vulvovaginites 
O microbiota vaginal é um ecossistema 
minucioso e mutável que passa por variações 
constantes ao longo do ciclo menstrual femi-
nino e durante toda a vida da mulher. A parede 
vaginal é composta por um tecido epitelial não 
queratinizado e estratificado coberto por secreção 
cervicovaginal, que obtém oxigênio, glicose e ou-
tros nutrientes dos tecidos submucosos subjacen-
tes por meio de difusão, devido à limitação do su-
primento sanguíneo. Isso resulta em um ambiente 
relativamente anaeróbio que abriga uma comuni-
dade microbiana complexa que vive em uma rela-
ção simbiótica com o organismo hospedeiro (MA-
YNARD et al., 2012). 
O microbiota pessoal adquirido durante o 
parto sofre alterações ao longo da vida, indicando 
a especificidade do microbioma. Na vagina, a 
clara cooperação entre os micróbios e o hospe-
deiro proporciona a primeira linha de defesa con-
tra a migração de patógenos oportunistas. Esse 
equilíbrio saudável é conhecido como eubiose. A 
produção de várias substâncias antimicrobianas 
pelos lactobacilos tem sido registrada como a 
principal razão por trás de sua predominância na 
microbiota vaginal humana saudável. Essas subs-
tâncias antimicrobianas incluem ácido lático, bac-
teriocinas de ação limitada e peróxido de hidrogê-
nio de amplo espectro (H2O2) (PEKMEZOVIC et 
al., 2019). Elas são sugeridas para desempenhar 
vários papéis importantes na defesa do hospe-
deiro. No entanto, a superação de patógenos opor-
tunistas perturba esse equilíbrio simbiótico conhe-
cido como disbiose, o que leva ainda mais à infla-
mação. Há uma relação mútua entre a fisiologia 
reprodutiva da mulher e a microbiota vaginal 
(VMB), ou seja, não apenas as mudanças fisioló-
gicas que começam desde o nascimento e conti-
nuam até a pós-menopausa podem afetar a VMB, 
mas, por sua vez, a VMB também pode afetar a 
fisiologia reprodutiva, contudo, o VMB de uma 
mulher saudável em idade reprodutiva é definido 
como microflora dominada por Lactobacillus, 
produzindo ampla quantidade de ácido láctico 
com pH < 4,5 (STOYANCHEVA et al., 2014). 
A colonização inicial de micróbios tem ori-
gem na vagina materna, se o parto for natural, ou 
nas mãos da pessoa que primeiro segura o bebê 
 
47 | P á g i n a 
após a cesárea. Embora haja pouca informa-
ção disponível, é sugerido que esses micró-
bios se diferenciam em diferentes comunida-
des e se estabeleçam na pele, intestino e va-
gina dentro de algumas semanas. Há evidên-
cias de que os bebês possuem quantidade re-
sidual de estrogênio circulante da mãe, que 
pode ser consumida por algumas espécies de 
Lactobacillus para o metabolismo (CU-
LHANE et al., 2002). 
A região vaginal infantil possui pH neutro 
e apresenta um epitélio escamoso estratificado 
fino coberto por uma fina camada mucosa. 
Até os 10 anos de idade, os ovários não pro-
duzem hormônios (período de silêncio estro-
gênico), resultando em baixos níveis de glico-
gênio, o que leva a um baixo crescimento de 
lactobacilos e, consequentemente, um meio 
vaginal alcalino. No entanto, a partir dos 13 
anos de idade, a maturação adrenal e gonadal 
ocorre, levando a alterações puberais na vulva 
e na vagina. Durante a puberdade, o desenvol-
vimento folicular resulta na produção de es-
trogênio. O aumento nos níveis de estrogênio 
promove o espessamento do epitélio vaginal, bem 
como da camada mucosa e a produção de glicogê-
nio intracelular, o que leva à seleção de lactobaci-
los (ALVAREZ-OLMOS et al., 2004). 
Após a menopausa, ocorrem alterações no am-
biente vaginal, tais como diminuição dos níveis de 
estrogênio e glicogênio, afinamento do epitélio 
vaginal, mudança da VMB de lactobacilos para 
uma maior diversidade microbiana, aumento do 
pH, redução das secreções vaginais, ressecamento 
e dor durante a relação sexual. Dessa forma, a 
composição da VMB de meninas pré-púberes é 
semelhante à de mulheres na pós-menopausa, o 
que sugere que a fisiologia reprodutiva desempe-
nha um papel crucial na determinação da VMB fe-
minina (HICKEY et al., 2015). No entanto, o uso 
de creme de estrogênio restaura o ambiente vagi-
nal em mulheres na pós-menopausa, tornando-o 
semelhante ao de mulheres em idade reprodutiva 
(NILSSON et al., 1995). 
 
 
48 | P á g i n a 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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50 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Infecção; Urinária; Gestação. 
Capítulo 6 
LARA GARCIA MAGALHÃES¹ 
LAURA HELENA BOY PAIVA1 
LETÍCIA DE CÁSSIA FREIRE FRANCO1 
JAYME MURAD MAGALHÃES2 
1. Discente – Medicina Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais. 
2. Médico - Universidade Federal de Minas Gerais. 
INFECÇÃO URINÁRIA NA 
GRAVIDEZ 
 
51 | Página 
INTRODUÇÃO 
No Brasil e no mundo a infecção do trato 
urinário (ITU) é uma condição médica extrema-
mente frequente caracterizada pela colonização 
e proliferação de agentes infecciosos no sistema 
urinário, incluindo rins, ureteres, bexiga e ure-
tra. A ocorrência de ITU é maior em mulheres 
em função do menor tamanho da uretra e proxi-
midade anatômica com ânus. No contexto da 
gestação, a prevalência desta infecção também 
é alta, atingindo cerca de 17-20% das gestantes 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013). A ITU na 
gravidez pode se manifestar como bacteriúria 
assintomática, infecção de trato urinário inferior 
(cistites) ou, ainda, trato superior (pielonefrite). 
A bacteriúria ocorre em 2-10% das gestações, a 
cistite acomete 2% das grávidas. A pielonefrite 
aguda, forma mais grave da ITU, se desenvolve 
em 25-35% das cistites (MINISTÉRIO DA SA-
ÚDE, 2013) e apresenta uma taxa de recorrênciaao longo da gestação de 6-8% (GARCIA et al., 
2016). Verificou-se também que essa infecção é 
mais prevalente em mães adolescentes, a partir 
dos 14 anos e decresce junto a idade da gestante 
(JOHNSON & ROCHELEAU, 2021) Obser-
vou-se também uma prevalência de 28% de ITU 
durante a gestação em mulheres que tiveram 
esta nos últimos 3 meses precedentes à gravidez 
(JOHNSON & ROCHELEAU, 2021). Tendo 
em vista a relevância epidemiológica desse qua-
dro, é primordial a compreensão e discussão dos 
seus principais aspectos. 
Patogenia 
Durante a gestação ocorrem diversas mu-
danças correlacionadas anatômicas, hormonais 
e imunes que, associadas aos fatores da mulher 
que já predispõe à infecção, resultam em uma 
propensão ainda maior para colonização do trato 
urinário (SCHNARR & SMAILL, 2008). 
Inicialmente, destaca-se a dilatação dos rins 
e do ureter, descrita como hidroureteronefrose. 
Esse processo sofre influência mecânica conse-
quente da obstrução pelo útero gravídico, asso-
ciado ao aumento da pressão intra abdominal 
(GLASER & SCHAEFFER, 2013; HSIA & 
SHORTLIFFE, 1995). Além disso, a literatura 
científica também relata a ação da progesterona, 
hormônio presente em altas concentrações na 
gravidez, a qual implica na hipotonicidade, re-
laxamento, redução do peristaltismo e edema 
dessas estruturas (HABAK & GRIGGS 2022; 
GLASER & SCHAEFFER, 2013). Ademais, 
estudos também sugeriram que as prostaglandi-
nas causam também dilatação ureteral a partir 
da inibição da contração do ureter. 
Outra mudança anatômica relevante é o des-
locamento anterior da bexiga juntamente com 
sua hipertrofia e relaxamento do músculo liso, 
levando ao aumento da capacidade de armaze-
namento e estase urinária (GLASER & 
SCHAEFFER, 2013; HSIA & SHORTLIFFE, 
1995). Verifica-se que a hidronefrose e o hi-
droureter são observados de forma branda a par-
tir da sétima semana de gravidez e sua evolução 
associada a complicações são mais observadas 
no segundo trimestre (GLASER & SCHAEF-
FER, 2013; HSIA & SHORTLIFFE, 1995). 
Adicionalmente, ocorre também o aumento da 
taxa de filtração glomerular em 30-50%, associ-
ado à mudanças na composição da urina, como 
variações do Ph e da osmolaridade, glicosúria e 
aminoacidúria, fatores que podem facilitar o 
crescimento bacteriano (GLASER & SCHAEF-
FER, 2013; SCHNARR & SMAILL, 2008). 
A gestação é um estado de imunocompro-
metimento, o que aumenta o risco para infec-
ções como a descrita. Exemplifica-se essa con-
dição a partir da redução da N-metil histamina 
urinária, principalmente no terceiro trimestre, o 
que sugere menor degradação dos mastócitos 
nessa fase (BAHAA et al., 2020). 
 
52 | Página 
O trato urinário é em condições fisiológicas 
estéril e sua colonização geralmente ocorre por 
via ascendente a partir da flora vaginal/perineal 
ou de fezes remanescentes (GLASER & 
SCHAEFFER, 2013). Os agentes bacterianos 
responsáveis pela infecção urinária durante a 
gravidez são os mesmos para mulheres não grá-
vidas, sendo Escherichia coli a bactéria mais co-
mum, responsável por 70-80% dos casos 
(SCHNARR & SMAILL, 2008). Estudos reali-
zados no Brasil divergem quanto ao segundo e 
terceiro organismos epidemiologicamente mais 
relevantes, variando entre Enterococcus faeca-
lis e Staphylococcus saprophyticus (GARCIA et 
al, 2016). 
A E.coli é o principal microrganismo por fa-
zer parte da microbiota perineal (CUNDELL, 
2018), logo possui vantagem anatômica, e por 
possuir diversos fatores de virulência que favo-
recem a colonização. Esses determinantes viru-
lentos são toxinas, adenosinas, fímbrias ou pilis, 
aspectos que permitem a aderência ao epitélio, 
multiplicação, invasão tecidual e impedem a la-
vagem pela urina (SCHNARR & SMAILL, 
2008). Associado a isso, verifica-se que o hipe-
restrogenismo na gestação contribui para que 
certas cepas de E.coli, que possuem adenosinas 
tipo 1, se aderem ao urotélio (DUARTE et al., 
2008). Quanto à virulência do E. faecalis des-
taca-se a capacidade de formação de biofilme e 
utilização de fibrinogênio em seu metabolismo 
energético. (FLORES-MIRELES et al., 2015). 
Já o Staphylococcus saprophyticus utiliza da 
urease presente para fazer uma colonização efi-
ciente da bexiga e dos rins, além de possuir 
slime extracelular e ácidos lipoteicóico os quais 
contribuem para aderência (KLINE et al., 
2010). 
Sinais e sintomas 
As infecções do trato urinário são classifica-
das como baixas ou cistites quando acometem o 
trato urinário inferior, composto por uma curta 
porção dos ureteres, pela uretra e pela bexiga. Já 
as altas, também denominadas de pielonefrite, 
são relacionadas ao trato superior, constituído 
pela maior parte dos ureteres e pelos rins (MI-
NISTÉRIO DA SAÚDE, 2013). Elas podem se 
apresentar por meio de variadas manifestações 
clínicas, posto que a sintomatologia difere em 
função da região acometida. 
A bacteriúria assintomática (BA) ocorre em 
2% a 15% dos casos de ITU na gestação (KA-
LINDERI et al., 2018), representando um im-
portante fator de risco para o desenvolvimento 
de infecções sintomáticas agudas durante esse 
período. Essa condição é caracterizada pela pre-
sença de bactérias em pelo menos 105 unidades 
formadoras de colônias por mL de cultura de 
urina, na ausência de sinais ou sintomas de ITU 
(LENZ, 2018). 
A prevalência de casos sintomáticos de ITU 
durante a gravidez é menos comum, mas eles 
ainda podem ser fator de complicação de 1 a 2% 
das gestações (KALINDERI et al., 2018). Entre 
as apresentações sintomáticas, tem-se as cisti-
tes, definidas como a presença de uma bacteriú-
ria significante, associada à invasão da mucosa 
da bexiga. Os principais sintomas são descon-
forto, tenesmo vesical, dor em queimação du-
rante ou após o ato de urinar (disúria) de início 
agudo, aumento da frequência do desejo de uri-
nar (polaciúria), dor e rigidez suprapúbica. 
Nesse caso, a febre é pouco frequente. Também 
pode haver a ocorrência de cistites hemorrágicas 
que, além dessas manifestações, cursam com 
hematúria. 
 
 
53 | Página 
Uma vez que os patógenos atingem as vias 
urinárias altas, a infecção passa a apresentar sin-
tomatologia importante, caracterizando a pielo-
nefrite. A ocorrência é mais comum nos se-
gundo e terceiro trimestres da gestação. A clí-
nica usual é indicada por lombalgia, desconforto 
costovertebral, dor em flanco, calafrios e febre. 
Os sintomas urinários semelhantes aos das in-
fecções baixas podem ou não estar presentes. 
Em casos mais avançados, é possível o apareci-
mento de sintomas indicativos de sepse, como 
taquicardia e hipotensão. Algumas manifesta-
ções inespecíficas como mal-estar, anorexia, 
náuseas e vômitos também podem estar presen-
tes, o que amplia os diagnósticos diferenciais 
durante essa fase (FEBRASGO, 2018). Ade-
mais, 20 a 40% dos casos de BA não tratados 
podem progredir para quadros agudos, como a 
pielonefrite, e serem responsáveis por compli-
cações na gestação, a exemplo do parto prema-
turo (HABAK & GRIGGS, 2022). 
Diagnóstico 
Clínico 
O diagnóstico clínico de ITU na gravidez é 
inicialmente dificultado pela caracterização dos 
sintomas. Uma vez que há, naturalmente, mu-
danças fisiológicas advindas desse período, a 
presença de manifestações como a polaciúria 
pode não ser específica da patologia, já que a 
sintomática pode ser decorrente tanto da própria 
gestação, quanto de uma possível ITU. Desse 
modo, destaca-se a relevância da realização de 
uma boa anamnese e exame físico pelo profissi-
onal, a fim de identificar fatores de risco, histó-
ria pregressa que possa contribuir para o quadro 
e a associação com outros sintomas supracita-
dos. Em caso de suspeita de infecção, deve-se 
iniciar a propedêutica indicada. 
Bacteriúria Assintomática 
Destaca-se a relevância da realização de tri-
agem pré-natal para bacteriúria assintomática, 
visto que durante a gestaçãohá o aumento do 
risco de desenvolvimento dessa condição, a fim 
de promover o tratamento precoce e de evitar 
complicações materno-fetais. O padrão ouro 
para a testagem é a urocultura com antibio-
grama, que deve ser realizada a partir de duas 
amostras urinárias coletadas em tempos distin-
tos. A análise de uma única amostra pode forne-
cer resultado falso-positivo em até 40%. Nos ca-
sos de BA, a presença de mais de 105 colô-
nias/mL de urina sugere infecção. Valores entre 
104 e 105 correspondem à infecção em 50% dos 
casos (DUARTE et al., 2008). A desvantagem 
da urocultura está ligada ao custo, tempo gasto 
para se obter o número de colônias bacterianas 
e o antibiograma e à necessidade de profissio-
nais capacitados e de laboratórios bem estrutu-
rados para a realização. 
Tendo em vista o risco de contaminação da 
amostra, é fundamental a tomada de cuidados 
pela paciente e pelo laboratório na coleta e no 
manejo do conteúdo, a exemplo da realização de 
assepsia perineal, colher a urina do jato médio, 
transporte imediato e refrigeração a 4o C, sem 
ultrapassar 24 horas. 
Atualmente, novos testes de menor custo e 
de maior velocidade têm sido desenvolvidos. 
Entre eles, cita-se o Teste de Nitrito, que analisa 
a presença da conversão bacteriana de nitrato 
em nitrito. Apresenta sensibilidade de 50% e es-
pecificidade de 97%. O Teste da Esterase de 
Leucócitos também pode ser utilizado, apesar 
de possuir sensibilidade e especificidade de ape-
nas 25%. A limitação desses métodos está rela-
cionada a problemas de acurácia e à alta ocor-
rência de resultados falso-positivos advindos de 
contaminação, o que impossibilita seu uso iso-
lado para screening, sendo-o possível apenas 
 
54 | Página 
em associação a outras técnicas (FIOCRUZ, 
2020). 
O Gram de Gota consiste em um teste rápido 
de uroanálise microscópica de uma gota de 
urina, objetivando a visualização dos patógenos. 
Entende-se que o estudo Gram apresenta sensi-
bilidade e especificidades satisfatórias, o que o 
caracteriza como o melhor teste rápido disponí-
vel para screening de ITU. Contudo, ainda não 
substitui a urocultura para uma análise precisa 
(DUARTE et al., 2008). 
Casos Sintomáticos 
Há uma vasta gama de exames laboratoriais 
que podem ser realizados para o diagnóstico de 
ITU, com diferentes especificidades e sensibili-
dades. Dessa forma, salienta-se a frequente ne-
cessidade de associação de dois ou mais méto-
dos para melhor resultado. É comum a escolha 
do exame de Urina tipo 1, também denominado 
de EAS (Elementos Anormais do Sedimento), 
como primeiro método de análise de possíveis 
alterações no sistema urinário em casos sinto-
máticos. Por meio dele, é possível verificar as-
pectos físicos da urina, como pH e cor, e a pre-
sença de corpos estranhos (sedimentos), a 
exemplo de proteínas, nitritos, leucócitos e ce-
tonas. Dentre as possíveis alterações detectadas 
no exame, tem-se a leucocitúria, hematúria, pro-
teinúria e cilindros no sedimento urinário. Elas 
correspondem a sinais de inflamação, os quais 
nem sempre são indicativos de ITU. Assim, o 
EAS não é o exame ideal para o diagnóstico iso-
lado de infecção. No entanto, é usado para sus-
tentar a indicação de início da terapêutica em 
pacientes sintomáticas até que o resultado da 
cultura seja conhecido. 
Isso posto, destaca-se a relevância da reali-
zação da urocultura para a confirmação do re-
sultado, como supracitado. Mediante à presença 
de sintomas, são consideradas positivas para 
ITU uroculturas com até 102 colônias/mL. Nos 
casos em que a pielonefrite é concomitante com 
obstrução de via urinária ou, mais raramente, 
em que a infecção não se estende ao sistema co-
letor, a urina coletada pode não apresentar leu-
cocitúria ou outras alterações na uroanálise. 
Como exame complementar, a ecografia de 
rins e vias urinárias é importante frente a uma 
infecção, por possibilitar a identificação de cál-
culo urinário e de dilatação dos túbulos renais. 
Em casos de ITU de repetição, de falha de res-
posta ao tratamento após 72 horas e/ou de pre-
sença de bactérias incomuns é imprescindível a 
realização desses exames. 
Para quadros clínicos mais graves, hemo-
grama com contagens globais e diferenciais de 
leucócitos, uréia e creatinina são exames rele-
vantes para identificar a agressividade da infec-
ção, por meio da presença de alterações hema-
tológicas e na função renal (DUARTE et al., 
2008). 
Durante a pesquisa de um provável caso de 
pielonefrite, é avaliado o Sinal de Giordano, por 
meio da manobra de punhopercussão da loja re-
nal, no nível da 11o e da 12o costela, pelo profis-
sional. Se houver o processo infeccioso, a paci-
ente irá se queixar de dor e o sinal será positivo 
(FEBRASGO, 2018). 
Diagnósticos Diferenciais 
Mediante sintomas inespecíficos de ITU, 
principalmente a dor em flanco, a identificação 
de diagnósticos diferenciais é imperativa. De-
vem ser pesquisados quadros de nefrolitíase e 
ureterolitíase obstrutivas, além da ocorrência de 
abscessos, o que pode ser feito com auxílio da 
ecografia de vias urinárias. Uretrites, vaginites, 
infecções sexualmente transmissíveis caracteri-
zam diagnósticos diferenciais de cistites. Sinais 
de febre e dor abdominal podem indicar corio-
amnionite, com ou sem trabalho de parto prema-
turo. Ademais, pneumonites virais, pneumonias 
e apendicite também podem ser pesquisadas a 
 
55 | Página 
partir de um quadro de dor (FEBRASGO, 
2018). 
Tratamento 
O Instituto para Práticas Seguras no Uso de 
Medicamentos (ISMP Brasil) publicou um bo-
letim em 2019 sobre o “Uso Seguro de Medica-
mento na Gestação", utilizando como base as 
classificações propostas pelo Food and Drug 
Administration (FDA). A primeira classificação 
surgiu em 1979, organizando os medicamentos 
em cinco categorias (A, B, C, D e X) de acordo 
com a Tabela 6.1. Contudo, foi visto que a clas-
sificação não considerava a individualidade das 
gestantes, o tempo de gestação, os graus de risco 
fetal, além das alternativas terapêuticas disponí-
veis. Assim, a FDA atualizou essa classificação 
substituindo o sistema ABCDX pela Regra de 
Rotulagem de Gravidez e Lactação (PLLR), a 
qual exige que as bulas contenham informações 
detalhadas sobre a segurança do medicamento, 
abrangência de todas as fases da gestação, efei-
tos adversos fetais, entre outros (Tabela 6.2) 
(ISMP, 2019). 
Tabela 6.1 Classificação do risco do uso de medicamentos durante a gestação de acordo com a categorização por letras 
Categoria Características da segurança do medicamento 
A 
Em estudos controlados em mulheres grávidas, o fármaco não demonstrou risco para o feto no 
primeiro trimestre de gravidez. Não há evidências de risco nos trimestres posteriores, sendo 
remota a possibilidade de dano fetal. 
B 
Os estudos em animais não demonstraram risco fetal, mas também não há estudos controlados 
em mulheres grávidas; ou então, os estudos em animais revelaram riscos, mas que não foram 
confirmados em estudos controlados em mulheres grávidas. 
C 
Não foram realizados estudos em animais e nem em mulheres grávidas; ou então, os estudos em 
animais revelaram risco, mas não existem estudos disponíveis realizados em mulheres grávidas. 
D 
O fármaco demonstrou evidências positivas de risco fetal humano, no entanto, os benefícios 
potenciais para a mulher podem, eventualmente, justificar o risco, como, por exemplo, em casos 
de doenças graves ou que ameacem a vida, e para os quais não existem outros fármacos mais 
seguros. 
X 
Em estudos em animais e mulheres grávidas, o fármaco provocou anomalias fetais, havendo 
clara evidência de que o risco para o feto é maior do que qualquer benefício possível para a 
paciente. 
Fonte: Retirada do boletim ISMP - USO SEGURO DE MEDICAMENTOS NA GESTAÇÃO, 2019. 
 
 
56 | Página 
Tabela 6.2 Comparação entre o antigo sistema de categorização do FDA por letrase o atual 
Características da categorização por 
letras 
Características da nova categorização do FDA 
Classificação por letras (A, B, C, D, 
X), ordenando os medicamentos em 
relação ao risco potencial. 
• Informações descritivas mais detalhadas sobre o perfil de segurança do 
medicamento durante a gestação que requerem análise mais crítica dos 
profissionais de saúde. 
Considerações focadas nos riscos 
de teratogenicidade dos fármacos 
no primeiro trimestre da gestação. 
• Abrange todo o período da gestação, trabalho de parto, parto e também 
orientações para mulheres e homens com potencial reprodutivo. 
• Considera efeitos de teratogenicidade e também efeitos adversos fetais, 
descrevendo detalhadamente o dano potencial na bula, sua frequência e 
gravidade. 
• Descreve os riscos fetais de não tratar a doença. 
Informações frequentemente 
baseadas nos estudos realizados em 
animais; poucos dados do uso em 
humanos. 
• Indústrias deverão atualizar a informação das bulas com informações de 
estudos em humanos e dados internos sobre o uso do medicamento 
durante a gestação (ex.: registro de exposição durante a gestação*). 
• Será detalhado se o perfil de segurança foi determinado com base em 
estudo com animais, humanos ou ambos. 
*Registro de exposição durante a gestação: do inglês pregnancy exposure registry, trata-se de um estudo observacional 
desenvolvido para coletar informações sobre gestantes que tomam medicamentos ou vacinas. Pode ser realizado por 
centros de pesquisa ou pela indústria farmacêutica voluntariamente ou mediante solicitação da Food And Drug Admi-
nistration (FDA). 
Fonte: Retirada do boletim ISMP - USO SEGURO DE MEDICAMENTOS NA GESTAÇÃO, 2019. 
 
Como já mencionado, o método padrão ouro 
para diagnóstico da ITU é a urocultura, no en-
tanto, a antibioticoterapia deve ser iniciada pre-
cocemente a partir da análise clínica. Ressalta-
se que independente da apresentação clínica da 
infecção, esta deverá ser tratada, já que pode 
ocorrer progressão da doença (KALINDERI et 
al., 2018). Além disso, o tratamento com anti-
bióticos pode reduzir a incidência de parto pre-
maturo e baixo peso ao nascer (SMAILL & 
VAZQUEZ, 2019). 
A escolha do antibiótico deve ser direcio-
nada para a cobertura dos microorganismos 
mais prevalentes e, após a identificação do 
agente pela urocultura e da sensibilidade pelo 
antibiograma, a terapêutica poderá ser modifi-
cada (HABAK & GRIGGS, 2022). 
Quanto ao uso de antibióticos na gravidez, 
as quinolonas e tetraciclinas não são recomen-
dados devido aos efeitos tóxicos para o feto. 
Ademais, sulfonamidas e nitrofurantoína não 
são recomendadas no primeiro e terceiro trimes-
tres. No primeiro trimestre, devem ser evitadas 
pelo risco de deficiências congênitas e, no ter-
ceiro trimestre, a nitrofurantoína deve ser evi-
tada pois há risco do recém-nascido desenvolver 
anemia hemolítica. Já as sulfonamidas ou a as-
sociação entre sulfametoxazol-trimetoprima de-
vem ser evitadas devido ao risco potencial de 
kernicterus no bebê após o parto. No entanto, 
como as consequências da ITU não tratada na 
gravidez são significativas, tais medicamentos 
poderão ser utilizados se não houver outras al-
ternativas disponíveis, já que o benefício supera 
o risco (HABAK & GRIGGS, 2022; MINIS-
TÉRIO DA SAÚDE, 2013). 
 
57 | Página 
Nos últimos anos, a ampicilina tem sido o 
antibiótico de escolha para ITU na gravidez, no 
entanto, a resistência da E. coli a este tratamento 
tem aumentado significativamente, surgindo, 
assim, novas escolhas terapêuticas. Associando 
este fato com as recomendações descritas 
acima, o tratamento da ITU na gravidez possui 
uma redução significativa nas possibilidades te-
rapêuticas quando comparados às drogas poten-
cialmente utilizáveis (DUARTE et al., 2008). 
Para o tratamento da bacteriúria assintomá-
tica e cistite, os antibióticos preconizados são as 
penicilinas, cefalosporinas e nitrofurantoína 
(mais detalhes na Tabela 6.3). Há conflito de 
evidências em relação ao tempo de tratamento, 
mas, um curso de 7 a 10 dias é recomendado 
para evitar o risco de recorrência. Em casos de 
pielonefrite, o manejo é intra hospitalar com an-
tibioticoterapia endovenosa e reposição de flui-
dos para manter a produção de urina adequada. 
Inicialmente, o tratamento consiste em tratar a 
infecção em curso de acordo com o antibio-
grama durante 14 dias e, após o tratamento, é 
necessário manter o uso contínuo de nitrofuran-
toína (100 mg/dia) até a 37ª ou a 38ª semana de 
gravidez (DUARTE et al., 2008; SOCIEDADE 
BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA E SOCI-
EDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA, 
2004). 
Tabela 6.3 Antibióticos para o tratamento de ITU na gravidez 
Antibiótico Posologia 
Cefalexina Um comprimido de 500 mg em intervalos de 6 horas. 
Cefadroxil Um comprimido de 500 mg em intervalos de 8 ou 12 horas. 
Amoxicilina Um comprimido de 500 mg em intervalos de 8 horas. 
Nitrofurantoína Um comprimido de 100 mg em intervalos de 6 horas. 
Ampicilina Um comprimido de 500 mg em intervalos de 6 horas. 
Fosfomicina 
Trometamol 
Administrada, em jejum, na dose única de 3 g da apresentação em pó, diluída em água. 
Fonte: Adaptado do Ministério da Saúde - Atenção ao Pré-Natal de Baixo Risco, 2013. 
 
Um estudo multicêntrico sobre o perfil de 
resistência antimicrobiana envolvendo o Brasil 
e países europeus verificou-se maior sensibili-
dade à fosfomicina trometamol (96,4%), se-
guida pela nitrofurantoína (87%), cefuroxima 
(82,4%) e amoxicilina-clavulanato (82,1%). Es-
pecificamente em relação às mulheres no Brasil, 
verificou-se sensibilidade bacteriana de 86,5% 
para nitrofurantoína, 75,7% para cefuroxima e 
78,7% para amoxicilina-clavulanato (NABER 
et al., 2008). 
Para a escolha do tratamento, além das bac-
térias mais prevalentes e da sensibilidade ao an-
tibiótico, outros fatores devem ser considerados, 
como a disponibilidade do medicamento no Sis-
tema Único de Saúde, a condição da paciente 
para adquirir a medicação, a tolerabilidade ao 
medicamento, a facilidade do esquema posoló-
gico e, como já mencionado, a toxicidade ma-
terna e fetal (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013; 
ISMP, 2019). 
 
58 | Página 
Após o término do tratamento, deve-se rea-
lizar urocultura para controle de cura, confir-
mando a erradicação da bacteriúria. Esta deverá 
ser repetida mensalmente nos três primeiros me-
ses após a infecção e, caso todas sejam negati-
vas, de dois em dois meses até o término da gra-
videz (DUARTE et al., 2008). 
A prevenção de recorrência das infecções 
urinárias na gravidez, quimioprofilaxia, é indi-
cada em casos de história prévia de ITUs recor-
rentes antes da gestação; um episódio de pielo-
nefrite durante a gravidez; duas ou mais ITUs 
baixas na gestação; uma ITU baixa, complicada 
por hematúria franca e/ou febre; uma ITU baixa 
associada a fatores de risco importantes para re-
corrência. Nessas condições, o manejo da paci-
ente consiste no tratamento padrão da infecção 
ativa, seguindo-se com o uso de nitrofurantoína 
(50-100 mg/dia) ou amoxicilina (250 mg/dia) ou 
cefalexina (250-500 mg/dia) por via oral e à 
noite durante todo o ciclo gravídico-puerperal, 
até pelo menos 6 semanas pós-parto (FE-
BRASGO, 2018). 
Evolução e complicações 
Quanto à evolução da infecção urinária na 
gravidez, o principal ponto discutido na litera-
tura é a ocorrência de pielonefrite após bacteri-
úria assintomática. Discussões apontam que a 
frequência de pielonefrite foi maior em nulípa-
ras (HILL et al., 2005). Existem diversas evi-
dências epidemiológicas que associam o trata-
mento dessa condição à prevenção da pielone-
frite aguda (SCHNARR & SMAILL, 2008). As 
principais consequências descritas são: sepse, 
choque séptico, lesão renal aguda, abscesso re-
nal e insuficiência renal aguda transitória 
(GRETTE et al., 2019). 
Define-se por sepse uma resposta irregular e 
disfuncional à infecção, originadada resposta 
inflamatória sistêmica, enquanto o choque sép-
tico, além de todos esses aspectos, inclui hipo-
tensão e desequilíbrio hemodinâmico (NAPO-
LITANO, 2018). Lesão renal aguda, que em 
3.9% dos casos evolui para insuficiência renal 
com necessidade de diálise, e abscesso renal são 
característicos da destruição do parênquima re-
nal, seja pela bactéria, seja pela resposta infla-
matória (TABER-HIGHT & SHAH, 2020). 
As repercussões sistêmicas maternas são as-
sociadas, ou não, à sepse, sendo as mais comuns 
insuficiência respiratória, anemia, diabetes mel-
litus e ruptura prematura das membranas e parto 
pré-termo (GRETTE et al., 2019; SCHNEE-
BERGER et al., 2014). Casos mais raros repor-
taram trombocitopenia, pneumonia e coagulo-
patias (GRETTE et al., 2019). Ademais, estudos 
também concluíram que a infecção urinária du-
rante a gestação pode aumentar o risco de endo-
metriose e mastite pós parto (WERTER & 
SCHNEEBERGER et al., 2021). 
No que tange a complicações para o feto, sa-
lienta-se que o parto pré termo e/ou baixo peso 
são as principais evoluções a serem observadas, 
principalmente em associação à pielonefrite ma-
terna (GRETTE et al., 2019). O parto pré termo 
está relacionado na maioria dos casos à pré-
eclâmpsia, condição em que ocorre uma disfun-
ção do endotélio placentário materno, manifes-
tando-se com proteinúria e hipertensão. A asso-
ciação da ocorrência da pré-eclâmpsia com a in-
fecção do trato urinário, em suas diferentes ma-
nifestações, ainda não é completamente eluci-
dada. Acredita-se que o estado inflamatório re-
sultante da infecção pode evoluir com lesão en-
dotelial, atresia e hipóxia placentária e por con-
sequência, pré-eclâmpsia (YAN et al., 2018). 
Tal condição apresenta diversos impactos sistê-
micos maternos mesmo após a gestação, como 
insuficiência renal e patologias neurológicas e 
cardiovasculares, como encefalopatia e hiper-
tensão arterial, respectivamente. Observa-se que 
a pré-eclâmpsia está correlacionada à restrição 
 
59 | Página 
do crescimento fetal intra-uterino em grande 
parte devido à hipóxia e a disfunção nutricional. 
Essa restrição é responsável pelas consequên-
cias a longo prazo dessa condição, em destaque 
estão quadros de disfunção cardiovascular, cog-
nitivas e de desenvolvimento neurológico (DI-
MITRIADIS et al., 2023). 
Junto ao descrito, a infecção, independente-
mente da presença de pré-eclâmpsia, pode cau-
sar restrição ao crescimento fetal intra uterino e 
parto pré termo (MAZOR-DARY & LEVY, 
2009). A inflamação exacerbada no contexto in-
feccioso é possivelmente a causa do parto pré 
termo. Destacam-se como consequências desse 
quadro, insuficiência pulmonar crônica, danos 
neurológicos e comportamentais, doenças cardi-
ovasculares, renais e metabólicas (HUMBERG 
et al., 2020).
 
 
60 | P á g i n a 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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61 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Doença Inflamatória Pélvica; Saúde da Mulher; Infecções Sexualmente 
Transmissíveis. 
Capítulo 7 
FELIPE GUIMARÃES MARTINI¹ 
NATHALIA PERONDI PASSARELA2 
1. Médico pós-graduado em Nutrologia Esportiva no Instituto BWS. 
2. Graduanda em Medicina na Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL - 
Tubarão). 
DOENÇA INFLAMATÓRIA 
PÉLVICA 
 
62 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma 
síndrome clínica caracterizada pela existência 
de um processo inflamatório dos órgãos genitais 
internos femininos. É relacionada à um quadro 
infeccioso polimicrobiano do trato genital supe-
rior, ocasionado pela ascensão de microrganis-
mos do trato genital inferior (POPA etal., 
2019). Essa infecção pode afetar o endométrio, 
tubas uterinas, anexos uterinos e/ou estruturas 
contíguas. Sua progressão é definida pela viru-
lência dos germes e a resposta imune. Os pató-
genos podem ser sexualmente transmissíveis - 
clamídia, gonococo, micoplasmas, tricomonas e 
vírus -, ou endógenos por bactérias aeróbias e 
anaeróbias provenientes da flora vaginal (ME-
NEZES et al., 2021). 
Numerosos são os fatores de riscos para DIP 
e a grande parte deles corresponde a situações 
de vulnerabilidade social, visto que, a principal 
etiologia dessa síndrome é de causa sexual-
mente transmissível (CURRY et al., 2019). Al-
gumas circunstâncias podem facilitar o seu apa-
recimento, tais como: idade (15 aos 25 anos), 
uso de pílulas combinadas, período menstrual 
(pela diminuição do efeito bacteriostático do 
muco cervical), menstruação retrógrada (pela 
ascensão bacteriana), alguns fatores ginecológi-
cos e obstétricos e história pessoal pregressa de 
DIP e vaginoses (TURPIN et al., 2021). 
Extensa parte dos casos decorre de maneira 
insidiosa e são assintomáticos ou oligossinto-
máticos, sendo identificados, sobretudo, pelas 
sequelas que provocam. Os sinais e sintomas 
são inespecíficos e heterogêneos, contudo, há 
algumas especificidades a depender da etiologia 
e da estrutura acometida (SPAIN & RHEIN-
BOLDT, 2016). São sugestivos: dor pélvica, 
corrimento vaginal, disúria e dispareunia, náu-
sea e vômitos, febre e calafrios, metrorragia, as-
tenia, dor à mobilização uterina e palpação dos 
anexos, tensão abdominal nos quadrantes infe-
riores do abdome, distensão abdominal e ausên-
cia ou diminuição dos ruídos hidroaéreos 
(CUBA, 2019). 
Quando se trata de mulheres que têm ativi-
dade sexual e apresentam desconforto na parte 
inferior do abdômen ou na pelve, é importante 
levar em conta a possibilidade de DIP como um 
diagnóstico. Além de conduzir uma entrevista 
detalhada e realizar um exame físico, é essencial 
realizar questões suplementares para avaliar a 
extensão do envolvimento sistêmico e estabele-
cer o diagnóstico apropriado (MITCHELL et 
al., 2021). 
Baseado em uma lista de critérios maiores, 
menores e elaborados, o diagnóstico clínico de 
DIP é sugerido. Realiza-se o diagnóstico a partir 
da presença de três critérios maiores mais um 
critério menor ou apenas um critério elaborado 
isoladamente. Os exames complementares de 
imagem e laboratorial devem ser realizados para 
diagnóstico etiológico e avaliação da gravidade. 
A laparoscopia é considerada padrão-ouro, po-
rém, está reservada para situações específicas 
(KREISEL et al., 2021). 
É crucial iniciar o tratamento e realizar a tri-
agem de comunidade por clamídia em mulheres 
em idade fértil, a fim de evitar danos graves aos 
órgãos reprodutivos (ZHENG et al., 2019). De-
vido à variedade de agentes causadores dessa 
condição, a monoterapia não é recomendada. O 
tratamento da Doença Inflamatória Pélvica 
(DIP) é baseado em evidências empíricas, utili-
zando uma combinação de antibióticos que 
abrangem a Neisseria gonorrhoeae, a Chlamy-
dia trachomatis e diversos patógenos anaeró-
bios gram-negativos, mesmo que esses agentes 
não tenham sido confirmados em exames labo-
ratoriais (ASHM, 2022). 
A Doença Inflamatória Pélvica não diagnos-
ticada ou tratada de maneira inapropriada, pode 
 
63 | P á g i n a 
ocasionar desfechos negativos na saúde repro-
dutiva feminina a longo prazo. Dessa forma, o 
reconhecimento precoce dos sinais e sintomas, 
diagnóstico acurado e tratamento adequado são 
necessários para melhorar a detecção e o manejo 
da DIP. 
Etiopatogenia 
A DIP é uma síndrome clínica caracterizada 
pela existência de processo inflamatório que 
afeta estruturas do trato genital superior tais 
como: útero, tubas uterinas, ovários e estruturas 
anexas, provocando endometrite, salpingite, 
ooforite, abscesso tubo ovárico e peritonite 
(POPA et al., 2019). Segundo Cuba (2017), a 
DIP é ocasionada pela ascensão de um agente 
infeccioso vaginal ou cervical, de forma espon-
tânea ou provocada por procedimentos de inser-
ção de dispositivos intrauterinos (DIU), cureta-
gem e biopsia de endométrio. Além disso, pode 
levar a sequelas reprodutivas graves, como in-
fertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crô-
nica (ZHENG et al., 2019). Sua progressão é de-
finida pela virulência dos germes e a resposta 
imune. Os patógenos podem ser sexualmente 
transmissíveis - clamídia, gonococo, micoplas-
mas, tricomonas e vírus -, ou endógenos por 
bactérias aeróbias e anaeróbias provenientes da 
flora vaginal (MENEZES et al., 2021). 
Numerosos são os fatores de riscos para a 
DIP e a grande parte deles corresponde a situa-
ções de vulnerabilidade social, visto que, a prin-
cipal etiologia dessa síndrome é de causa sexu-
almente transmissível. Quanto mais cedo for o 
início da atividade sexual, maior seu risco 
(CURRY et al., 2019). 
Aproximadamente 15% dos casos de DIP 
não são transmitidos sexualmente, estando cor-
relacionados a germes entéricos, patógenos res-
piratórios ou outros que colonizam o trato geni-
tal inferior (CDC, 2021). 
Cerca de 85% dos casos de DIP são ocasio-
nados por patógenos sexualmente transmitidos 
ou associados à vaginose bacteriana. As princi-
pais etiologias de DIP, Chlamydia trachomatis 
e Neisseria gonorrhoeae, têm demonstrando di-
minuição em sua incidência, demonstrando, em 
alguns estudos, cerca de apenas 1/3 dos casos 
(SWEENEY et al., 2022). Contudo, esses agen-
tes patogênicos ainda são facilmente encontra-
dos associados à DIP, sendo ainda uma das mais 
importantes complicações das infecções sexual-
mente transmissíveis (ISTs), representando um 
preocupante problema de saúde pública (ME-
NEZES et al., 2021). 
Entretanto, não somente a atividade sexual 
predispõe à DIP, mas também a imaturidade do 
epitélio cervical e a utilização de contraceptivo 
oral (CURRY et al., 2019). Segundo Turpin et 
al. (2021), algumas circunstâncias podem faci-
litar o seu aparecimento, tais como: 
- Idade (15 aos 25 anos): a mulher jovem 
com infecções do trato genital inferior possui 
maior probabilidade de desenvolver DIP devido 
ao tempo de possível exposição e reinfecção. 
Alguns autores, ainda relacionam uma causa 
hormonal, principalmente em adolescentes, 
visto que apresentam ciclos anovulatórios cons-
tantes. 
- Nível socioeconômico baixo: a popula-
ção com baixo nível socioeconômico estão mais 
associadas à comportamentos promíscuos, me-
nor acesso a cuidados médicos, hábitos de higi-
ene escassos e maior incidência de ISTs. 
- Vida sexual ativa: a assiduidade da rela-
ção sexual influi pela maior facilidade na ascen-
são microbiana e maior chance de entrar em 
contato com agentes patógenos da DIP. 
- Múltiplos parceiros: é um fator de risco 
relevante, visto que a mulher pode vir a ter con-
tato com portadores de ISTs e relações sexuais 
desprotegidas. 
 
64 | P á g i n a 
- Uso de pílulas combinadas: pode favore-
cer a infecção por N. gonorrhoeae e C. Tracho-
matis, pela possibilidade de causar ectopia. 
- Período menstrual: o muco cervical du-
rante o ciclo menstrual apresenta menor efeito 
bacteriostático, e com a oscilação hormonal du-
rante o fluxo, a ascensão dos microorganismos 
é facilitada. 
- Menstruação retrógrada: pela ascensão 
bacteriana. 
- Fatores ginecológicos e obstétricos: mu-
lheres que realizaram a inserção de DIU há me-
nos de 20 dias, histeroscopia, curetagem, partos 
recentes, abortos e realização de duchas vagi-
nais. 
- História pessoal pregressa de DIP, vagi-
nites e vaginoses. 
Quadro clínico e diagnóstico 
Extensa parte dos casos decorre de maneira 
insidiosa e são assintomáticos ou oligossinto-
máticos, sendo identificados, sobretudo, pelas 
sequelas que provocam (SPAIN & RHEIN-
BOLDT, 2016). Quando oligossintomáticos, há 
a possibilidade de serem detectados mais rá-
pido, contudo, não é o que acontecena maioria 
dos casos, visto que as pacientes são assistidas 
no âmbito dos cuidados primários de saúde, 
tendo dificuldades de realizar exames comple-
mentares que consigam caracterizar completa-
mente a doença (TAO et al., 2018). 
Os sinais e sintomas são inespecíficos e he-
terogêneos, contudo, há algumas especificida-
des a depender da etiologia e da estrutura aco-
metida (SPAIN & RHEINBOLDT, 2016). Se-
gundo Cuba (2019), são sugestivos: 
- Dor pélvica: aguda ou insidiosa, em 
grande parte é bilateral, com início durante ou 
logo após a menstruação. 
- Corrimento vaginal: purulento, com ou 
sem odor fétido. 
- Disúria e dispareunia: principalmente 
em casos insidiosos e crônicos. 
- Náusea e vômitos: na existência de aco-
metimento peritoneal. 
- Febre e calafrios: apesar de inespecífico 
pode ajudar no diagnóstico diferencial de gravi-
dez ectópica. 
- Metrorragia: maior acometimento em 
mulheres jovens e com envolvimento endome-
trial. 
- Astenia. 
- Dor à mobilização uterina e palpação 
dos anexos. 
- Tensão abdominal nos quadrantes infe-
riores do abdome, distensão abdominal e ausên-
cia ou diminuição dos ruídos hidroaéreos. 
Quando sintomático, o diagnóstico diferen-
cial de DIP deverá ser realizado frente às mani-
festações uroginecológicas, gastrointestinais e 
esqueléticas. Diante disso, algumas hipóteses 
podem ser investigadas, tais como: gravidez ec-
tópica, apendicite aguda, infecção do trato uri-
nário, litíase ureteral, torção de tumor cístico de 
ovário, torção de mioma uterino, rotura de cisto 
ovariano, endometriose (endometrioma roto), 
diverticulite. Dessa forma, através da elucida-
ção das hipóteses diagnósticas, pode-se estabe-
lecer a terapêutica precoce e evitar sequelas nas 
pacientes (LAREAU & BEIGI, 2008). 
Em mulheres sexualmente ativas com dor 
abdominal baixa ou dor pélvica, deve-se consi-
derar o diagnóstico de DIP. Além da anamnese 
minuciosa e exame físico completo - exame ab-
dominal, exame especular vaginal, exame bima-
nual com mobilização do colo e palpação dos 
anexos -, é fundamental realizar investigação 
adicional, a fim de avaliar acometimento sistê-
mico e estabelecer o diagnóstico (MITCHELL 
et al., 2021). Baseado em uma lista de critérios 
maiores, menores e elaborados, o diagnóstico 
 
65 | P á g i n a 
clínico de DIP de acordo com os protocolos es-
tabelecidos pelo Ministério da Saúde é realizado 
a partir da presença de três critérios maiores as-
sociado a um critério menor ou um critério ela-
borado, evidenciados na Tabela 7.1. 
 
Tabela 7.1 Critérios diagnósticos de DIP 
Critérios maiores 
Dor no hipogástrio 
Dor à palpação de anexos Dor à mobilização de colo 
uterino 
Critérios menores 
T.axilar>37,5°C ou T.retal>38,3°C 
Conteúdo vaginal ou secreção endocervical anormal 
Massa pélvica 
+ de 5 leucócitos/campo de imersão em material de 
endocérvice 
Leucocitose em sangue periférico 
PCR ou VHS elevadas 
Comprovação laboratorial de infecção cervical por 
gonococo, clamídia ou micoplasmas 
Critérios elaborados 
Evidência histopatológica de endometrite 
Presença de abscesso tubo-ovariano ou de fundo de 
saco de Douglas em estudo de imagem 
Laparoscopia com evidência de DIP 
 
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde, 2020. 
 
Os exames complementares de imagem e la-
boratorial devem ser realizados para diagnóstico 
etiológico e avaliação da gravidade. Dentre os 
exames laboratoriais, pode-se incluir o hemo-
grama completo, VHS, PCR, exame bacterios-
cópico para vaginose bacteriana, cultura de ma-
terial de endocérvice com antibiograma, detec-
ção de clamídia e gonococo por biologia mole-
cular, pesquisa de N. gonorrhoeae e C. tracho-
matis no material de endocérvice, da uretra, 
exame qualitativo de urina e urocultura (para 
afastar infecção do trato urinário, hemocultura, 
B-HCG (para afastar gravidez ectópica) (KREI-
SEL et al., 2021). 
Em relação aos exames de imagem, sugere-
se solicitar ultrassonografia transvaginal e pél-
vico. Um importante achado ultrassonográfico 
na DIP é a presença de uma fina camada líquida 
preenchendo a trompa, com ou sem a presença 
de líquido livre na pelve. A laparoscopia é con-
siderada padrão-ouro, porém, está reservada 
para situações específicas (KREISEL et al., 
2021). 
Tratamento 
O tratamento imediato e a triagem de infec-
ções por clamídia em mulheres em idade repro-
dutiva são primordiais para prevenir danos gra-
ves aos órgãos reprodutivos, como infertilidade, 
gravidez ectópica e dor pélvica crônica 
(ZHENG et al., 2019). Devido à diversidade de 
agentes etiológicos relacionados à essa condi-
ção, a monoterapia não é recomendada. O trata-
mento da DIP é empírico, com associação de an-
tibióticos visando cobrir Neisseria gonor-
rhoeae, Chlamydia trachomatis e mais uma 
gama de patógenos gram negativos anaeróbios, 
ainda que esses agentes não tenham sido confir-
mados nos exames laboratoriais (ASHM, 2022). 
Em pacientes que apresentam quadro clí-
nico leve, na ausência de sinais de pelviperito-
nite nos exames abdominal e ginecológico, o 
tratamento é realizado ambulatorialmente 
(ASHM, 2022). Já as que apresentam abscesso 
tubo-ovariano, gravidez, ausência de resposta 
clínica após 72h do início do tratamento com an-
tibioticoterapia oral, intolerância a antibióticos 
orais ou dificuldade para seguimento ambulato-
rial, estado geral grave e dificuldade na exclusão 
 
66 | P á g i n a 
de emergência cirúrgica, é necessário a realiza-
ção do tratamento hospitalar (CDC, 2021). 
A Tabela 7.2 abaixo demonstra os 
esquemas terapêuticos utilizados para o 
tratamento da DIP. 
 
Tabela 7.2 Tratamento da DIP. 
Tratamento Primeira opção Segunda opção Terceira opção 
Ambulatorial 
Ceftriaxona 500 mg, IM, dose 
única 
MAIS 
Doxiciclina 100 
mg, 1 comprimido, VO, 2x/dia, por 
14 dias 
MAIS 
Metronidazol 250 mg, 2 comprimi-
dos, VO, 2x/dia, por 14 dias 
Cefotaxima 500 mg, IM, dose 
única 
MAIS 
Doxiciclina 10 
0mg, 1 comprimido, VO, 2x/ 
dia, por 14 dias 
MAIS 
Metronidazol 250 
mg, 2 comprimidos, VO, 
2x/dia, por 14 dias 
 
Hospitalar 
Ceftriaxona 1 g, IV, 1x/dia, por 14 
dias 
MAIS 
Doxiciclina 100mg, 1 comprimido, 
VO, 2x/dia, por 14 dias MAIS Me-
tronidazol 400 mg, IV, de 12/12 h 
Clindamicina 900 mg, IV, 3x/ 
dia, por 14 dias 
MAIS 
Gentamicina (IV ou IM): 3-5 
mg/kg, 1x/dia, por 14 dias 
Ampicilina/ sulbactam 3 
g, IV, 6/6h, por 14 dias 
MAIS 
Doxiciclina* 100 mg, 1 
comprimido, VO, 2x/dia, 
por 14 dias 
O uso parenteral deverá ser suspenso 24 horas após a cessação dos sintomas e a continuação terapêutica antimi-
crobiana por via oral deve se estender até 14 dias. 
Orientar quanto ao não uso de bebidas alcoólicas durante e após 24h do uso de metronidazol para evitar efeito 
dissulfiram (antabuse) símile. 
* A doxiciclina é contraindicada durante a gravidez 
Fonte: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para atenção integral às pessoas com infecções sexualmente trans-
missíveis 2019. 
 
A partir deste estudo entende-se que a DPI é 
umas das infecções mais comuns encontradas 
em mulheres não grávidas em idade reprodu-
tiva, é a complicação mais significativa das ISTs 
em mulheres sexualmente ativas e em idade re-
produtiva, sendo um grande problema de saúde 
pública, representando alto custo para a socie-
dade. 
É uma doença de quadro clínico variado, 
muitas vezes assintomático, dificultando seu di-
agnóstico precoce. Por ocasionar sequelas gra-
ves, tanto agudas quanto crônicas, principal-
mente no âmbito reprodutivo das mulheres, 
deve-se sempre suspeitar do diagnóstico de DIP 
em pacientes jovens sexualmente ativas com 
dor pélvica, especialmente nas pacientes com 
risco para ISTs. Além disso, o tratamento empí-
rico com o uso de antibióticos deve ser iniciado 
o mais precocemente possível. 
A DIP não diagnosticada ou tratada de ma-
neira inapropriada, pode ocasionar desfechos 
negativosna saúde reprodutiva feminina a 
longo prazo. Dessa forma, o reconhecimento 
precoce dos sinais e sintomas, diagnóstico acu-
rado e tratamento adequado são necessários para 
melhorar a detecção e o manejo da DIP.
 
67 | P á g i n a 
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68 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Endocrinologia; Mulheres; Saúde da Mulher. 
Capítulo 8 
PAULINE CHRISTINA CAMPOS MARTINS FERREIRA¹ 
GABRIEL JUNQUEIRA GUIMARÃES¹ 
PEDRO CHAMON PACHECO¹ 
1. Discente - Medicina na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) 
GINECOLOGIA 
ENDÓCRINA 
 
69 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
A Ginecologia endócrina é a área que com-
preende os aspectos fisiológicos, sobretudo hor-
monais e reprodutivos, do funcionamento do 
corpo da mulher desde o intra-útero até a senili-
dade. Ademais, também abrange a investigação 
e o tratamento de disfunções atreladas de forma 
direta ou indireta ao funcionamento ovariano, 
como hirsutismo, desenvolvimento puberal pre-
coce ou tardio, alterações do ciclo menstrual, 
menopausa, obesidade e osteoporose. Para en-
tender essa área, é fundamental compreender 
melhor alguns temas como desenvolvimento 
puberal, ciclo menstrual e climatério, os quais 
são abordados a fundo no capítulo. 
Puberdade 
A puberdade pode ser definida como fase do 
desenvolvimento, entre a infância e a vida 
adulta, marcada por mudanças corporais e psi-
cológicas, na qual ocorre a maturação sexual, 
surgem os caracteres sexuais secundários, esti-
rão de crescimento e mudanças na composição 
corporal. Na menina, a puberdade fisiológica é 
esperada que ocorra entre os 8 e 13 anos. 
O acompanhamento do desenvolvimento 
puberal é feito segundo os critérios da classifi-
cação de Tanner (Figura 8.1). São avaliados 
cinco estágios, considerando, quanto ao sexo fe-
minino, o desenvolvimento das mamas e a dis-
tribuição e a quantidade de pelos pubianos. O 
estágio 2 de Tanner marca o início da puber-
dade. Esta é completada ao atingir o estágio 5. 
É importante destacar que a transição entre cada 
estágio de Tanner não pode ser inferior a 6 me-
ses, nem superior a 2 anos (SPSP, 2021). 
 
70 | P á g i n a 
Figura 8.1 Critérios de classificação puberal de Tanner para o sexo feminimo 
FONTE: Ministério da Saúde, 2013. 
 
Nas meninas, o sinal de puberdade é o sur-
gimento do broto mamário, mudança que ocorre 
devido ao aumento dos níveis dos hormônios se-
xuais. Na puberdade fisiológica, o hipotálamo é 
ativado e estimula a hipófise a produzir os hor-
mônios folículo estimulante (FSH) e luteini-
zante (LH). O FSH e o LH atuam nos ovários, 
produzindo estrogênio e progesterona. A puber-
dade precoce e o atraso puberal podem ser sinais 
de alerta para possíveis doenças associadas, 
logo, o acompanhamento médico diante de qua-
dros como esses é essencial. 
Puberdade precoce 
Puberdade precoce no sexo feminino é o iní-
cio do desenvolvimento de caracteres sexuais 
secundários, telarca e pubarca, antes dos oito 
anos. Nas meninas, o primeiro sinal de início da 
puberdade é tipicamente a telarca. O aumento da 
secreção de hormônios responsável pelo desen-
volvimento dos caracteres sexuais também leva 
a maturação óssea, propiciando a fusão epifisá-
ria precoce e, consequentemente, uma altura fi-
nal menor no adulto (FUQUA, 2013). 
Existem dois tipos e puberdade precoce, a 
central e a periférica. 
 
71 | P á g i n a 
Puberdade precoce central (PPC), advém da 
maturação precoce do eixo hipotálamo-hipó-
fise-ovário, gerando o surgimento do broto ma-
mário e da pubarca. A ativação precoce do eixo 
hipotálamo-hipófise-gonadal ocorre por diver-
sos fatores. Pode ser patológica ou idiopática. É 
patológica em 10-20% dos casos, nas quais a 
puberdade precoce central idiopática é muito 
mais comum, compreendendo aproximada-
mente 80-90% dos casos. (CHOI et al., 2013) A 
puberdade precoce periférica (PPP) independe 
do eixo hipotálamo-hipófise-ovário e é desenca-
deada pela secreção excessiva de hormônios se-
xuais (estrógenos ou andrógenos) produzidos 
pelos ovários ou pela suprarrenal, por produção 
ectópica de gonadotropina de um tumor de cé-
lulas germinativas ou por exposição exógena a 
esteróides sexuais (SPSP, 2021). 
Ciclo menstrual 
A menstruação pode ser definida como 
fluxo de sangue resultante da descamação das 
paredes do endométrio quando não ocorre nida-
ção, e por convenção o primeiro dia do sangra-
mento é considerado o primeiro dia do ciclo 
menstrual (HMEC, 2021). A duração habitual 
de um ciclo menstrual é em média 28 dias, 
sendo, destes, de 4,5 a 8 dias o período mens-
trual. A perda sanguínea estimada varia de 5 a 
80 mL (FRASER et al., 2011). 
Sob a perspectiva da função ovariana, como 
pode ser visto na Figura 8.2, o ciclo menstrual 
pode ser definido dividido em duas fases: 
folicular (pré-ovulatória) e lútea(pós-
ovulatória). Estas, sob perspectiva do 
endométrio, são chamadas, respectivamente, de 
proliferativa e secretora. 
Figura 8.2 Ciclo ovariano e ciclo endometrial 
Fonte: A influência do ciclo menstrual na rotina da mulher militar, 2021 (ERNESTO, 2021). 
 
 
72 | P á g i n a 
Fase folicular 
O hipotálamo secreta GnRH com alta fre-
quência e baixa amplitude e estimula a hipófise 
a liberar FSH, o qual recruta os folículos ovari-
anos, que estão na fase lútea tardia, antes da 
menstruação, e atua sobre as células da granu-
losa, promovendo a conversão de androgênios 
em estrogênio. Os níveis circulantes de LH se 
elevam gradualmente. Os folículos recrutados 
logo intensificam a produção de estradiol. 
Em seguida, os folículos selecionados para 
ovulação amadurecem e acumulam células gra-
nulares secretoras de hormônios. Os níveis de 
FSH caem. Ademais, os folículos em desenvol-
vimento a inibina, hormônio responsável por 
inibir a secreção de FSH. Os níveis de estradiol, 
aumentam significativamente, atingindo o pico, 
assim ocorre a ovulação. Os níveis de progeste-
rona também começam a se elevar. Logo, ocorre 
um pico de LH, pois os altos níveis de estradiol 
desencadeiam um feedback positivo. Além 
disso, o pico de LH também é estimulado pelo 
GnRH e pela progesterona. 
Fase lútea 
Essa fase, em geral, possui uma duração fixa 
de aproximadamente 14 dias. Nela, após a libe-
ração do óvulo pelo folículo dominante, a partir 
das células deste, forma-se o corpo lúteo. 
O corpo lúteo secreta progesterona em 
quantidades aumentadas, a qual estimula o de-
senvolvimento do endométrio secretor, necessá-
rio para a implantação embrionária. 
Diante dos altos níveis circulantes de 
estradiol, progesterona e inibina durante maior 
parte da fase lútea, os níveis de LH e FSH 
decrescem. Se a fecundação não ocorre, os 
níveis de estradiol e progesterona baixam no fim 
dessa fase. Assim, o corpo lúteo se degenera, 
formando o corpo albicans. Caso ocorra a 
fecundação, o corpo lúteo não se degenera, 
permanece funcional no início da gestação, 
continuando a produzir progesterona 
(CLAPAUCH, 2022). 
A menstruação será desencadeada pela 
queda da progesterona e do estrogênio, resulta 
da contração das artérias espirais, o que pro-
move isquemia local, somada à destruição teci-
dual acelerada por enzimas proteolíticas, e ao 
vasoespasmo arteriolar e às contrações miome-
triais devido à produção de prostaglandinas 
(HMEC,2021). O conhecimento da fisiologia do 
ciclo menstrual é essencial para a compreensão 
dos distúrbios ginecológicos relacionados às ir-
regularidades deste. 
Climatério 
O climatério pode ser definido como transi-
ção entre o estágio reprodutivo da mulher e o 
não reprodutivo, ou seja, a falência ovariana 
(UTIAN,1994). Essa síndrome é um conjunto 
de sinais e sintomas, oriunda da ação de fatores 
socioculturais, psicológicos e endócrinos diante 
da senescência da mulher. Em geral, varia dos 
40 aos 65 anos, período no qual ocorre a meno-
pausa: a interrupção permanente da menstrua-
ção, confirmada após 12 meses consecutivos de 
amenorreia (FEBRASGO, 2010). O diagnóstico 
é clínico quando ocorre em mulheres na faixa 
etária esperada para hipofunção ovariana. Mu-
lheres nessa transição apresentam novas neces-
sidades em relação à prevenção de doenças e à 
promoção da saúde. É recomendado pela Fede-
ração Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia o 
rastreamento para neoplasias malignas gineco-
lógicas, câncer colorretal, fatores de risco para 
doença cardiovascular, osteoporose, depressão 
e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) 
(FEBRASGO, 2022). 
Quadro clínico 
Os sintomas mais frequentes são os vasomo-
tores, também conhecidos como fogachos. São 
sensações súbitas de calor, as quais duram por 
 
73 | P á g i n a 
volta de 3 a 4 minutos, na região central do 
corpo (VODA, 1981). Paralelamente pode ocor-
rer aumento da frequência cardíaca, vasodilata-
ção periférica, elevação da temperatura cutânea 
e sudorese (KAUNITZ & MASON, 2015). 
Ao fim da quarta década de vida, em virtude 
da queda da produção ovariana de inibina B, 
pode ocorrer elevação das concentrações séricas 
de FSH e de estradiol, desencadeando um encur-
tamento da fase folicular, o qual é, em geral, um 
dos primeiros sinais da redução da reserva ova-
riana. Os níveis de progesterona na fase lútea 
também reduzem devido à diminuição da quali-
dade do corpo lúteo. Com o passar dos anos, a 
depleção folicular é mantida e a anovulação se 
torna cada vez mais recorrente. Em virtude 
disso, ocorrem episódios mais longos de ame-
norreia, padrão o qual pode durar de um a três 
anos antes do último episódio de sangramento 
menstrual, que ocorre em média aos 47 anos 
(CASPER, 2020). 
Diagnóstico 
O diagnóstico, quando os sintomas acome-
tem mulheres da faixa etária esperada, é clínico. 
Em caso de dúvidas, a dosagem de FSH na fase 
folicular inicial é capaz de confirmar o diagnós-
tico. Valores superiores a 25 mUI/mL podem 
ser o indício do início da transição menopausal, 
entretanto, nota-se grande variabilidade diária 
das concentrações de FSH durante essa fase. 
Portanto, quando necessário, é indicado a reali-
zação de duas dosagens com intervalo de quatro 
a seis semanas (MS, 2016). Para mulheres, com 
menos de 45 anos, com quadro clínico de san-
gramento uterino anormal e ciclos menstruais 
pouco frequentes e de padrão irregular, mesmo 
que o quadro seja sugestivo de hipoestroge-
nismo, é recomendada investigação dos sinto-
mas e exclusão de outras causas de irregulari-
dade menstrual (CASPER, 2020). 
Terapêutica hormonal (TH) 
Os sintomas vasomotores associados ao hi-
poestrogenismo; a perda de massa óssea e o con-
sequente aumento do risco de fraturas por fragi-
lidade; e síndrome geniturinária da menopausa 
podem ser tratados por meio da terapêutica hor-
monal. A indicação pode ser feita baseada na 
história clínica e no exame físico completo. Eles 
dão capazes de descartar a grande maioria das 
contraindicações ao uso de TH. Dados suspeitos 
necessitam ser investigados com exames com-
plementares. É importante destacar que a pre-
sença de lesão precursora do câncer de mama é 
contraindicação ao uso de TH. Em virtude disso, 
a fim de iniciar o uso de TH, deve-se solicitar 
mamografia de rastreamento à paciente caso 
esta tenha realizado o exame há mais de um ano 
(POMPEI et al., 2018).
 
 
74 | P á g i n a 
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75 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Leiomioma; Histerectomia; Tumores Benignos. 
Capítulo 9 
EDUARDA DE OLIVEIRA TEIXEIRA¹ 
ISABELA LAMOUNIER DE CARVALHO1 
ISADORA LIMA TELES BAETA ZEBRAL1 
JÚLIA ABREU DORNELES1 
1. Discente – Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais. 
MIOMAS 
 
76 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
O leiomioma ou fibroma uterino, também 
popularmente conhecido como mioma uterino, 
consiste no tumor benigno do útero de maior 
frequência. Essa condição ginecológica deriva-
se da hiperproliferação das células musculares 
(miócitos) presentes no miométrio, camada 
muscular do útero, que se entrelaçam a tecido 
conjuntivo. Apesar de ser uma condição be-
nigna, relacionada a baixa mortalidade e rara-
mente ameaçadora à vida, pode gerar morbi-
dade, comprometendo a qualidade de vida da 
mulher ao gerar uma série de desconfortos e 
incômodos (BOZZINI, 2002). 
Essas formações são extremamente comuns, 
a prevalência de miomatose uterina em pa-
cientes em idade reprodutiva é de cerca de 30% 
(BOZZINI, 2004) sendo mais recorrente nas 
mulheres de raça negra. Todavia, acredita-se 
que esse valor é subestimado, já que a maioria 
dos miomas uterinos são assintomáticos. Cerca 
de 80% das mulheres negras e 70% das um-
lheres brancas são diagnosticadas com a condi-
ção, em diversos graus e formas durante a vida 
(SOUZA, 2022). Apesar de muitas vezes se 
apresentar de forma assintomática, o fibroma 
uterino é sintomático em 20% à 50% das um-
lheres (BOZZINI, 2002) e constitui uma das 
quatro principais causas de sangramento uterino 
anormal de causa anatômica. 
Os miomas podem ser classificados em 
corporais ou cervicais. Os corporais corres-
pondem a grande maioria, cerca de 98% dos 
casos, e são subdivididos em subserosos, intra-
murais e submucosos de acordo com sua loca-
lização (CARRIJO, 2022). A descrição desses 
subtipos será mais amplamente abordada 
quando descrita a sintomatologia em tópicos 
posteriores. 
A abordagem do leiomioma deve envolver 
o número de tumorações, volume e localização. 
Essas características estão diretamente rela-
cionadas à sintomatologia da paciente e servem 
de guia para escolha da melhor terapêutica. 
Assim, a principal subclassificação da mio-
matose uterina utilizada na prática clínica ocorre 
com o critério topográfico feito pela Federação 
Internacional de Ginecologia e Obstetrícia 
(FIGO) em associação com o grupo Mor-
phological Uterus Sonographic Assessment 
(MUSA), como demonstrado na Figura 9.1. 
Figura 9.1 Classificação proposta pela FIGO para desig-
nação de miomas, de acordo com sua profundidade no 
miométrio 
Fonte: OLIVEIRA, H. C. et al, 2019. 
Atualmente, o mioma é uma das principais 
indicações de cirurgias ginecológicas, corres-
pondendo a dois terços das indicações de histe-
rectomia em mulheres entre 35 e 50 anos. Além 
disso, representa cerca de 3 à 5% das causas de 
infertilidade ao atingir principalmente mulheres 
em idade reprodutiva (AVELINO, 2015) As-
sim, torna-se importante conhecer sua sinto-
matologia e os métodos e terapêuticos mais in-
dicados para, dessa forma, melhor orientar as 
mulheres e propiciar a elas um menor impacto 
possível em sua saúde e qualidade de vida. 
 
 
77 | P á g i n a 
Patogênese 
Embora a patogênese do leiomioma uterino 
não esteja totalmente esclarecida e ainda seja 
um tema de debate na ginecologia, uma das 
teorias mais aceitas na literatura postula que a 
condição deve-se a mutações somáticas no 
miométrio que resultam na perda da regulação 
do crescimento de um grupo de células mio-
metriais (FLAKE, 2003). Assim, será cons-
tituído o nódulo de mioma. 
É válido que os miomas são tumores 
hormônio-dependentes, porém ainda é incerto 
se a ação dos esteróides sexuais está associada 
somente ao crescimento tumoral ou se também 
estaria relacionada a iniciação neoplásica (OLI-
VEIRA et al., 2014). 
No que tange ao crescimento tumoral, é 
sabido que no local de desenvolvimento e cres-
cimento dos miomas é demonstrado um número 
aumentado de receptores de estrogénios e pro-
gesterona em relação ao miométrio normal 
(FLAKE, 2003). O estradiol é responsável pelo 
estímulo da produção dos componentes da ma-
triz celular, enquanto a progesterona aumenta a 
atividade mitótica e inibe a apoptose. Tal fator 
explica a sensibilidade da neoplasia à flutuações 
dos níveis hormonais. Assim, níveis aumen-
tados de hormônios promovem o crescimento da 
neoplasia, enquanto a diminuição dos seus ní-
veis circulantes culmina na sua regressão (OLI-
VEIRA et al., 2007). 
Já em relação a iniciação neoplásica, sabe-
se que níveis aumentados de estrogênio e pro-
gesterona resultam em um aumento das taxas de 
mitoses das células miometriais. Assim, esses 
hormônios poderiam contribuir para a ocor-
rência das mutações somáticas supracitadas 
(SOZEN, 2006). 
Os fatores de crescimento e seus receptores 
também têm um papel na patogênese do fibroma 
uterino. Os fatores de crescimento "transfor-
ming growth factor beta” (TGF-β), “basic 
fibroblast growth factor” (bFGF), “epidermal 
growth factor” (EGF), “platelet derived growth 
factor” (PDGF), “vascular endothelial growth 
factor” (VEGF) e “insulin- like growth factor 1” 
(IGF-1) são produzidos em excesso pelas pró-
prias células do mioma em relação a um mio-
métrio e endométrio normais (FARIA, 2008). 
Por último, a presença de múltiplos leio-
miomas no útero de uma mesma mulher sugere 
que podem haver anormalidades genéticas que 
também estejam envolvidas na formação e 
crescimento tumoral (BARBIERI & ANDER-
SEN, 1992). 
Assim, entende-se que a ação dos hor-
mônios sexuais, mediada pela ligação aos seus 
receptores, leva a ativação de proto oncogenes 
de fatores de crescimento e de seus receptores. 
Ademais, alterações estruturais e funcionais de 
antioncogenes e de genes reguladores do cres-
cimento celular também são descritas. Assim, 
tem-se a formação e desenvolvimento do leio-
mioma uterino. 
Fatores de risco 
Dentre os fatores de risco para o desenvol-
vimento de miomas destaca-se a idade, sendo o 
fator de risco mais relevante. Os leiomiomas são 
mais frequentemente encontrados em mulheres 
entre 30 e 40 anos de vida, sendo relativamente 
raros em mulheres jovens e na pós-menopausa 
(BOZZINI, 2002). Além disso, os miomas tend-
em a aumentar na gravidez. A população tam-
bém é um preditor de risco, sendo mais comum 
na etnia negra. Dados epidemiológicos indicam 
um aumento da incidência de até 9 vezes em 
mulheres negras em relação às mulheres brancas 
(BOZZINI, 2002) Além disso, nuliparidade, 
obesidade,menarca antes dos 11 anos também 
são fatores de risco (BOZZINI, 2004). A histó-
ria familiar de miomatose uterina também é um 
 
78 | P á g i n a 
importante fator de risco para ocorrência dessa 
condição (BENDA, 2001). 
Os fatores citados reforçam a relação causal 
dos miomas com os hormônios ovarianos pro-
posta na patogênese da doença. Os momentos de 
maiores concentrações hormonais são os mais 
propícios ao surgimento de leiomiomas, em-
quanto os ambientes de menor exposição hor-
monal estão relacionados à regressão das lesões. 
Dentre os fatores de proteção destacam-se 
paridade e uso de anticoncepcional oral com-
binado, que parece reduzir a incidência de mio-
ma em 17% a cada 5 anos. Por fim, o tabagismo 
também é indicado como um fator de proteção, 
mas esse mecanismo ainda não é totalmente 
elucidado (CARRIJO, 2022). 
Alterações degenerativas 
Microscopicamente, as fibras musculares 
dos miomas estão distribuídas em um padrão es-
piralado, circundadas por tecido conjuntivo, 
com vascularização tipicamente periférica. As-
sim, podem sofrer alterações degenerativas que 
ocorrem quando o seu crescimento torna des-
proporcional a oferta e a demanda de oxigênio, 
sendo os tipos de degeneração mais comuns a 
hialina, gordurosa, cística, mixomatosa, sarco-
matosa e vermelha (BOZZINI, 2004). 
A degeneração hialina é a mais frequente, 
geralmente ocorre em miomas subserosos, e 
consiste na substituição do tecido conjuntivo 
por tecido hialino, o que lhe confere um aspecto 
piloso e uma consistência macia. A degeneração 
gordurosa é mais rara e está associada à degene-
ração hialina avançada. A degeneração cística 
ocorre por liquefação de material hialino, dando 
origem a cistos de conteúdo claro. 
Na degeneração mixomatosa há um au-
mento da matriz fibrilar amorfa com redução do 
número de fibras musculares individuais, com-
ferindo-lhe uma textura gelatinosa. A degene-
ração sarcomatosa é rara, costuma produzir ne-
crose dentro do mioma com áreas de hemorragia 
e grande celularidade com intensa atividade 
mitótica e atipias nucleares. A degeneração 
vermelha ocorre devido à congestão ou infarto 
do mioma, o que lhe confere um aspecto ne-
crótico com hemorragias difusas, edema e arté-
rias entumecidas e, geralmente está associado a 
gravidez. 
Alterações morfológicas nos miomas, como 
calcificações (principalmente após a menopau-
sa, no interior ou na periferia), edema, atrofia 
relacionada ao hipoestrogenismo, necrose ou 
infecção podem ser observadas (DÍAZ et al., 
2022). 
Manifestações clínicas 
Os miomas podem localizar-se em qualquer 
camada uterina sendo normalmente classifica-
dos segundo a sua posição anatômica em 
submucosos, intramurais e subserosos (CARRI-
JO & SILVA, 2023). 
Os miomas submucosos são os menos fre-
quentes, no entanto, são os mais sintomáticos e 
os passíveis de desenvolverem degeneração sar-
comatosa. Podem ser sésseis ou pediculados, 
crescem em direção à cavidade uterina, empur-
rando o endométrio, aumentando sua superfície, 
assim pode provocar sangramentos. 
Os miomas intramurais são os mais comuns, 
sendo 50 a 55% dos miomas e localizam-se na 
espessura do miométrio, produzindo irregula-
ridade de contorno e aumento do tamanho ute-
rino. 
Os miomas subserosos estão localizados na 
porção mais externa da parede uterina, chamada 
de serosa. Podem ser pediculados e, algumas 
vezes crescem inserindo-se entre o ligamento 
largo (miomas intraligamentares) e, mais rara-
mente, aderem a órgãos vizinhos desenvolvendo 
uma vascularização independente (miomas pa-
rasitários). Geralmente assintomáticos, apenas 
se atingirem um tamanho considerável, podem 
 
79 | P á g i n a 
causar sintomas compressivos (DÍAZ et al., 
2022). 
Estima-se que 20 a 50% das mulheres com 
um ou mais miomas apresentam sintomas que 
possam estar diretamente relacionados ao tu-
mor. Aproximadamente 62% das mulheres 
sintomáticas têm miomas múltiplos e os 
sintomas relacionam-se com a localização, nú-
mero, tamanho ou alterações degenerativas as-
sociadas (FARIA et al., 2008). 
As manifestações clínicas mais comuns são 
aumento do fluxo menstrual, dor pélvica, infer-
tilidade, aumento do volume abdominal e com-
pressão do trato intestinal, urinário e venoso. 
A hemorragia menstrual presente em 30 a 
60% dos casos apresenta-se como menorragia 
(aumento do volume menstrual) ou hiperme-
norreia (aumento da duração do fluxo mens-
trual). Nos miomas intramurais o sangramento 
foi relacionado com o aumento do tamanho da 
cavidade uterina e da área do endométrio e com 
as alterações vasculares do endométrio, já os 
miomas submucosos, devido sua localização 
são mais propensos a causar menorragia. Como 
possível complicação do sangramento exces-
sivo durante a menstruação, tem-se a anemia por 
deficiência de ferro. 
A dor pélvica ocorre em 30 a 50% dos casos 
e está diretamente relacionada ao número, loca-
lização e dimensão do mioma e pode ser uma 
dor em cólica, pressão ou sensação de peso no 
hipogástrio com irradiação para a região lombar 
e membros inferiores. Além disso, miomas 
grandes ou torção de miomas pediculados po-
dem provocar dor aguda, sendo necessário o 
diagnóstico diferencial para excluir outras situa-
ções (BOZZINI, 2004). 
O fator mais importante na infertilidade as-
sociada ao leiomioma é a localização, sendo a 
variedade submucosa a principal responsável. A 
causa isolada de infertilidade em pacientes com 
mioma está associada a 0,1% a 4,3% dos casos 
(CARRIJO & SILVA, 2023). 
Ademais, como consequência do efeito de 
massa, podem aparecer sintomas urinários (po-
laciúria ou retenção urinária), retais (obstipação, 
tenesmo, pressão retal e oclusão intestinal) ou 
venosos (hemorróidas, aumento da estase veno-
sa ou edema dos membros inferiores) em conse-
quência da compressão das veias pélvicas 
(BOZZINI, 2004). 
Diagnóstico 
O diagnóstico do leiomioma uterino é ba-
seado primordialmente na sintomatologia apre-
sentada pela paciente, a qual deve ser associada 
ao exame físico geral e ginecológico e aos acha-
dos nos exames de imagem (LOPES, 2007). 
As principais afecções ginecológicas que 
devem ser levadas em consideração como diag-
nóstico diferencial são o leiomioma, adeno-
mioma, pólipo endometrial, tumor anexial, 
endometriose, câncer de endométrio e gravidez 
(OLIVEIRA et al., 2019). 
Ultrassonografia (US) 
Consiste no exame de imagem mais util-
izado na avaliação inicial do leiomioma uterino. 
Através da US é possível avaliar a morfologia e 
dimensões do útero e endométrio, caracterizar 
nódulos, padrão de vascularização tecidual pelo 
estudo Doppler colorido e análise espectral das 
artérias uterinas (OLIVEIRA et al., 2019). 
A técnica pode ser realizada por via abdo-
minal ou transvaginal, sendo que a primeira tem 
maior acurácia para miomas subserosos, sobre-
tudo quando volumosos, e a segunda maior acu-
rácia para os intramurais e submucosos (CAR-
DOSO, 2004). 
Na avaliação ultrassonográfica o mioma 
classicamente será observado como nódulo 
hipoecogênico com contornos bem ou mal de-
finidos, podendo apresentar calcificações ou 
 
80 | P á g i n a 
tênues reforços acústicos. Os leiomiomas apre-
sentam vascularização predominantemente pe-
riférica, por serem compostos por musculatura 
lisa, o que os diferencia dos adenomiomas (UM-
RASE et al., 1999). 
Histeroscopia 
Consiste na inserção de uma pequena câ-
mera pelo canal cervical da paciente com o ob-
jetivo de visualizar diretamente a cavidade ute-
rina, de forma que possibilita avaliação de mio-
mas submucosos. Possui elevada acurácia quan-
do realizada na primeira fase do ciclo menstrual. 
Por ser incapaz de avaliar o componente 
intramural do mioma, seus achados devem 
somar-se aos outros exames, sobretudo a ultras-
sonografia, para que a conduta adequada possa 
ser estabelecida (OLIVEIRA et al., 2019). 
Ressonância nuclearmagnética 
Embora seja o método com melhor reso-
lução, tem sua utilização limitada, sobretudo, 
em razão do alto custo para sua execução. 
A ressonância nuclear magnética (RNM) 
tem grande importância na avaliação em úteros 
volumosos (maiores que 250 cm3) e naqueles 
com mais de 4 miomas, devido a dificuldade de 
avaliação ultrassonográfica nessas situações 
(DUEHOLM et al., 2002). Ademais, é indicada 
para diferenciação de tumores pélvicos e para 
avaliação da paciente pré-miomectomia ou 
embolização das artérias uterinas (HOFFMAN 
et al., 2014). 
Através da RNM é possível distinguir o 
mioma de outras afecções ginecológicas, como 
adenomiose e endometriose, além de topogra-
far, dimensionar e mesmo sugerir informações 
histológicas com acurácia de até 69% (ZAWIN 
et al., 1990). 
Tratamento 
Existem diferentes condutas terapêuticas 
para os miomas uterinos. Estas devem ser 
individualizadas de acordo com: sintomas, ida-
de, desejo de futuro reprodutivo e de preser-
vação uterina, tratamentos prévios e comor-
bidades, além do número, tamanho e localização 
dos miomas. 
Observação 
A observação pode ser uma opção em um-
lheres perimenopausa, pela redução do sangra-
mento e do volume do mioma que ocorre com a 
menopausa (PARKER, 2007). Ademais, paci-
entes assintomáticas não necessitam de inter-
venção e podem ser acompanhadas clinica-
mente e ultrassonograficamente. 
Tratamento Clínico 
A finalidade do tratamento clínico é o 
controle do sangramento e da dor pélvica. Pode 
ser utilizado de forma inicial ou a longo prazo. 
A terapêutica pode ser hormonal ou não 
hormonal, sendo esta representada pelos anti-
inflamatórios não esteroidais (AINEs) e pelos 
antifibrinolíticos, ambos úteis no controle do 
sangramento menstrual (CORLETA et al., 
2007). O principal antifibrinolítico é o Ácido 
Tranexâmico, cuja ação envolve a indução de 
fibrinólise na superfície endometrial, com com-
sequente redução do fluxo menstrual. O trata-
mento hormonal é feito de diferentes formas, 
incluindo progestagênios isolados e anticon-
cepcionais combinados (OLIVEIRA et al., 
2019). 
O DIU liberador de Levonorgestrel (LNG-
IUS) pode ser implantado em mulheres com 
 
81 | P á g i n a 
tamanho uterino de 12 semanas e sem defor-
midade da cavidade uterina (OLIVEIRA et al., 
2019). Sua ação sobre o endométrio reduz subs-
tancialmente o sangramento menstrual, entre-
tanto, há risco de mal posicionamento ou des-
locamento. 
Os análogos agonistas do hormônio libe-
rador de gonadotrofina (GnRH-a) reduzem a 
concentração dos esteroides circulantes, o que 
induz amenorreia e reduz temporariamente o 
volume dos miomas, de modo que, com a 
suspensão da medicação, eles voltam aos pa-
drões volumétricos prévios (OLIVEIRA et al, 
2019). Seus benefícios são limitados pelos efei-
tos adversos e pelos riscos a longo prazo. Em 
decorrência do hipoestrogenismo, as pacientes 
podem cursar com alterações humorais, sinto-
mas vasomotores, ressecamento vaginal e redu-
ção da densidade mineral óssea. 
O GnRH-a pode ser associado a baixas 
doses de estrogênio e de progestágenos, a fim de 
reduzir os efeitos adversos e permitir o uso a 
longo prazo do medicamento, principalmente 
em decorrência da perda óssea induzida por ele 
(PARKER, 2007). O Raloxifeno, modulador 
seletivo do receptor de estrogênio, também pode 
ser associado ao GnRH-a. Seu uso combinado 
evidenciou diminuição significativa de volume 
uterino, mas sem alterações de densidade mine-
ral óssea ou dos marcadores metabólicos ósseos 
(PARKER, 2007). 
Os moduladores seletivos dos receptores de 
progesterona (SPRMs) podem ser utilizados em 
decorrência do efeito da progesterona no cres-
cimento dos miomas. O Acetato de Ulipristal 
age nos receptores miometriais e endometriais, 
além de inibir a ovulação, de modo a reduzir o 
tamanho do mioma e controlar o sangramento, 
sem gerar efeitos significativos nos níveis de 
estradiol. Contudo, está sob investigação por 
hepatotoxicidade grave (OLIVEIRA et al., 
2019). 
Quanto ao futuro terapêutico, espera-se a 
inclusão de compostos que bloqueiam a ação de 
fatores de crescimento que regulam a prolife-
ração celular ou a produção de colágeno, além 
de novos inibidores da aromatase, enzima alta-
mente expressa nos miomas que converte o 
andrógeno circulante em estrogênio (PARKER, 
2007). 
Tratamento Cirúrgico 
O tratamento cirúrgico conservador é feito 
por meio da miomectomia e o definitivo via 
histerectomia. Pode ser indicado em mulheres 
com sangramento intenso, anemia, dismenor-
reia, obstrução ureteral ou alterações de fre-
quência urinária que comprometam a qualidade 
de vida. 
Histerectomia 
A histerectomia tem eficácia estabelecida e 
resultados favoráveis à qualidade de vida. É re-
comendada a mulheres com grandes miomas 
sintomáticos sem desejo futuro de gestação, 
além de pacientes que não responderam a outras 
terapias. 
Preconiza-se a histerectomia associada a 
salpingectomia bilateral a fim de reduzir o risco 
de câncer de ovário, mesmo com a manutenção 
das gônadas. A ooforectomia é indicada em 
pacientes com doença ovariana ou diante de 
situações claras de risco (OLIVEIRA et al., 
2019). De acordo com a idade da paciente, 
hábitos sexuais e histórico de rastreamento de 
lesões cervicais, pode-se optar pela histerec-
tomia total ou subtotal, sendo essa mais indicada 
diante de dificuldade intraoperatória pela pre-
sença de aderências. 
As vias indicadas são a vaginal ou a abdo-
minal (laparotômica, laparoscópica ou robó-
tica). Sempre que possível, deve-se indicar a via 
menos invasiva. Se a vaginal é possível para 
uma paciente, ela deve ser escolhida, mesmo em 
 
82 | P á g i n a 
relação à laparoscopia, pois seus desfechos são 
semelhantes e envolve menor tempo cirúrgico, 
com consequente redução de custos (PARKER, 
2007). Em comparação com a cirurgia abdo-
minal, a via laparoscópica reduz o risco de com-
plicações, com diminuição da perda sanguínea, 
dos níveis de hemoglobina, da dor e do tempo 
de internação pós-operatórios (CORLETA et 
al., 2007). 
As complicações, principalmente o sangra-
mento excessivo, aumentam na mesma pro-
porção em que o volume uterino. Porém, tal 
perda pode ser reduzida pelo pré-tratamento 
com GnRH-a (OLIVEIRA et al., 2019). 
Miomectomia 
A miomectomia é a exérese dos miomas, de 
modo a preservar o útero, a função menstrual e, 
muitas vezes, a possibilidade de gestação futura. 
É um procedimento de maior tempo cirúrgico 
do que a histerectomia e é considerado mais 
complexo, pelo maior risco de complicações 
(PARKER, 2007). 
Em termos de morbidade, não foi detectada 
diferença clínica minimamente importante entre 
a histerectomia e a miomectomia, dessa forma, 
essa pode ser considerada uma alternativa 
segura, apesar de possuir uma taxa de recor-
rência estimada de 15-30% em um período de 
10 anos (CORLETA et al., 2007). 
A via laparoscópica tem limitação rela-
cionada ao volume e número dos miomas, sendo 
mais indicada para tumores com diâmetro de 7 
a 10 centímetros, únicos ou associados a até 4 a 
6 nódulos menores (OLIVEIRA et al., 2019). 
Apresenta menor morbidade, reduz a perda a 
sanguínea, a dor operatória e o tempo de inter-
nação, com maior taxa de gravidez pós cirúrgica 
em relação a outras vias. Entretanto, o tempo 
cirúrgico é maior do que na laparotomia e o 
índice de complicações é semelhante. 
A laparotomia possui como principal indi-
cação a presença de nódulos muito grandes ou 
numerosos. Em oposição, existe maior risco de 
sangramento excessivo e de sutura inadequada 
(OLIVEIRA et al., 2019). 
A via histeroscópica é a mais importante 
para tratamento de nódulos submucosos, princi-
palmente devido à melhora da infertilidade que 
ocorre com sua ressecção (PARKER, 2007). Há 
redução dos sintomas em mais de 90% das um-
lheres, com baixo risco de sangramento e de 
recidiva.Contudo, nem sempre é possível a 
realização da miomectomia completa, sobre-
tudo nos casos de sangramento em excesso, de 
sobrecarga hídrica e de proximidade dos nódu-
los à serosa (risco de perfuração). Diante de 
miomectomia incompleta, a paciente pode ser 
submetida a nova histeroscopia em dois a três 
meses (OLIVEIRA et al., 2019). 
Embolização das Artérias Uterinas 
(EAU) 
A embolização das artérias uterinas (EAU) 
é uma opção de tratamento conservador de leio-
miomas sintomáticos e consiste em uma técnica 
radiointervencionista endovascular, na qual a 
irrigação sanguínea para o mioma é ocluída, de 
modo a induzir necrose e reduzir seu volume 
(OLIVEIRA et al., 2019). Os desfechos são 
positivos, com melhora dos sangramentos, da 
dismenorreia e da frequência urinária. Todavia, 
o grau de reintervenção por recorrência é impor-
tante (PARKER, 2007). 
É indicada diante da falha de tratamentos 
prévios e de recidivas. As principais contrain-
dicações envolvem processos patológicos no 
trato genital, imunossupressão, queda de função 
renal e alergia ao contraste. Em pacientes com 
desejo reprodutivo e impossibilidade de mio-
mectomia, a EAU pode ser recomendada, mas 
deve-se ter em consideração que, apesar de 
raras, suas complicações podem necessitar de 
 
83 | P á g i n a 
histerectomia como terapêutica (PARKER, 
2007). Assim, pacientes que não admitem a 
histerectomia não devem ser submetidas a tal 
intervenção. 
A falha do tratamento é mais importante 
quando associada a adenomiose, mas pode ocor-
rer também em miomas submucosos ou subse-
rosos pelo risco de expulsão ou desprendimento 
uterino (OLIVEIRA et al., 2019;). 
Alguns estudos apontam risco de ame-
norreia e de falência ovariana prematura, dessa 
forma, é desaconselhada a mulheres com desejo 
reprodutivo, podendo comprometer também a 
irrigação do endométrio e o desenvolvimento da 
gestação (CORLETA et al., 2007). 
Miólise por ultrassom focalizado de 
alta intensidade (HIFU) guiado por 
ressonância magnética 
O método usa a energia focalizada do 
ultrassom para criar calor em um ponto espe-
cífico, com consequente desnaturação proteica e 
morte celular. Apresenta baixa morbidade e 
rápida recuperação, porém não é recomendado 
para mulheres com desejo fértil pela presença de 
estudos patológicos que demonstraram necrose 
em uma área três vezes maior do que a área alvo 
(PARKER, 2007). 
Considerações para o Tratamento dos 
Miomas Uterinos 
Em pacientes assintomáticas que não dese-
jam gestar, a conduta conservadora com acom-
panhamento é indicada. Já as mulheres assim-
tomáticas que desejam gestar recebem indica-
ção de miomectomia histeroscópica quando o 
mioma é submucoso ou intramural e se houver 
deformidade de cavidade. 
Pacientes sintomáticas sem desejo de ferti-
lidade e sem alteração de cavidade podem ser 
tratadas com LNG-IUS, progestagênios isola-
dos, anticoncepcionais combinados, EAU, mio-
mectomia ou histerectomia. Mulheres sinto-
máticas sem desejo reprodutivo e com defor-
midade de cavidade devem ser avaliadas quanto 
à necessidade de miomectomia ou de histerec-
tomia. 
No caso de mulheres sintomáticas com 
desejo fértil, a miomectomia ainda é consi-
derada padrão-ouro diante de distorção uterina. 
A EAU também pode ser uma alternativa para 
casos complexos, de difícil execução e com 
comprometimento anatômico. 
 
 
84 | P á g i n a 
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85 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Endometriose; Dor pélvica; Tratamento 
Capítulo 10 
MARIA EDUARDA RIBEIRO DE FIGUEIREDO¹ 
MARINA HENRIQUES AMARAL¹ 
PAULA SALOMÃO LIBÂNIO¹ 
RODRIGO VELOSO SOUTO ROCHA¹ 
1. Acadêmico de Medicina da Faculdade Ciências Medicas de Minas Gerais 
ENDOMETRIOSE 
 
86 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
A endometriose é uma doença definida pela 
presença de glândulas e estroma do tecido endo-
metrial funcionante, camada interna de revesti-
mento do útero, em locais fora da cavidade ute-
rina. Essa patologia é uma condição caracteri-
zada por inflamação crônica local das regiões 
onde o tecido endometrial se implanta, sendo os 
sítios anatômicos para ocorrência desse fenô-
meno a cavidade abdominal, os ovários, bolsa 
retrouterina, saco de Douglas, ligamentos uteri-
nos e as tubas uterinas (REA, et al., 2020). 
Tal afecção pode cursar com uma grande di-
versidade de manifestações clínicas, sendo pos-
sível encontrar desde pacientes oligossintomáti-
cas ou assintomáticas, até quadros de infertili-
dade, dismenorreia, dispareunia, sangramentos 
irregulares e dores abdominais do tipo cólica. 
(NAVARRO et al., 2006). No quesito dor, a en-
dometriose é a principal causa de dor pélvica 
crônica (DPC) e, muitas vezes, não há melhora 
dessa dor com os tratamentos existentes (SA-
CHEDIN & TODD, 2020) 
A sua etiopatogenia ainda não está bem de-
finida, porém, algumas teorias foram formula-
das para explicá-la, sendo uma das mais rele-
vantes a teoria da implantação, na qual ocorreria 
um refluxo de tecido endometrial através das 
trompas de falópio durante a menstruação, com 
subsequente implantação desse tecido em outros 
sítios anatômicos (SAMPSON, 1927). No en-
tanto, ressalta-se que, embora cerca de 70 a 90% 
das mulheres apresentem menstruação retró-
grada, apenas uma pequena parcela dessas irá 
desenvolver um quadro de endometriose (BRI-
COU et al., 2008). 
Tal realidade sugere a existência de outros 
fatores que poderiam determinar uma maior sus-
cetibilidade ao desenvolvimentoda doença, po-
dendo esses serem imunológicos, genéticos, 
hormonais ou ambientais (BRICOU et al., 
2008). A hereditariedade e o histórico familiar 
de endometriose são de grande relevância para 
o desenvolvimento da condição e aumenta o seu 
risco consideravelmente. Além disso, um ensaio 
clínico envolvendo 473 mulheres de idade entre 
18 a 44 anos com diagnóstico de endometriose 
confirmado por meio de laparoscopia mostrou 
que a cafeína, o álcool, o fumo e a atividade fí-
sica alteram a síntese de esteroides sexuais, o 
que pode promover um risco aumentado para 
doenças ginecológicas dependentes de hormô-
nios, como a endometriose. (HEMMERT et al., 
2018) 
Outra teoria também aceita é a teoria de dis-
seminação linfática e hematogênica, invocada 
para explicar os implantes extrapélvicos e linfo-
nodais, na qual os fragmentos de tecido endo-
metrial seriam drenados no interior da cavidade 
uterina por meio dos vasos linfáticos e vênulas 
pélvicas e implantados em outros órgãos e teci-
dos. O sítio anatômico de mais comum implan-
tação endometrial à distância é o pulmão (AL, 
2010). 
Um dos principais fatores de risco para a en-
dometriose é a dismenorreia, uma vez que ela é 
causada por contração uterina mais vigorosa, 
que pode também predispor ao refluxo mens-
trual. Além dela, é notada também a nulipari-
dade, menarca precoce e ciclos menores que 27 
dias, os quais se explicam por serem causadores 
de uma maior quantidade de ciclos durante a 
vida reprodutiva da mulher, gerando assim 
maior possibilidade de refluxo. Por último, é no-
tada uma relação entre fluxos menstruais com 
volume aumentado, dieta rica em gorduras e his-
tória familiar com a maior ocorrência de endo-
metriose. 
Os sintomas clínicos da endometriose po-
dem ser confundíveis com outros quadros que 
acometem o andar inferior do abdômen, como a 
doença inflamatória pélvica ou infecções uriná-
 
87 | P á g i n a 
rias. Sendo assim, para confirmação do diagnós-
tico é necessário a visualização direta dos im-
plantes endometriais, seja por meio de laparoto-
mia, cistoscopia ou sigmoidoscopia. A biópsia é 
desnecessária, mas também confirmaria o qua-
dro (LIU, 2022). 
Sua sintomatologia é caracterizada por dis-
menorreia, dispareunia, dor pélvica (causada 
por aderências entre órgãos), sangramento irre-
gular e dor a evacuação (caso o implante esteja 
localizado no reto) e uma de suas principais 
complicações é a infertilidade. 
À visualização direta, são observadas lesões 
de tamanho variável de acordo com o ciclo 
menstrual, mas normalmente, as lesões iniciais 
são claras ou hemorrágicas. Essa variação 
quanto ao tamanho das lesões ocorre porque, as-
sim como o tecido endometrial, os implantes 
passam pelas fases do ciclo menstrual, possuem 
período de sangramento e podem chegar a se 
manifestar mais dolorosamente durante a "re-
gra". À medida que o sangue nas lesões se 
oxida, elas adquirem o aspecto de manchas mar-
rons azuladas, semelhante à queimaduras por 
pólvora (LIU, 2022). 
Em relação aos exames de imagem, eles não 
detectam de forma confiável a doença. Entre-
tanto, podem demonstrar a extensão da endome-
triose e, portanto, podem ser usados após o di-
agnóstico como forma de monitorização da res-
posta ao tratamento. Uma ultrassonografia 
mostrando um cisto ovariano consistente com 
um endometrioma é altamente sugestiva do di-
agnóstico. A presença e o tamanho dos endome-
triomas ovarianos são parte do sistema de esta-
diamento da endometriose e a diminuição no ta-
manho do endometrioma pode evidenciar uma 
resposta ao tratamento. 
Somado a isso, o diagnóstico de endometri-
ose pode também ser estabelecido por meio da 
detecção por polimorfismo gênico nos genes 
responsáveis pela fase de desintoxicação dos re-
ceptores de estrogênio e outros componentes 
imunomoduladores (TOCZEK et al., 2021). 
Epidemiologicamente, a endometriose é 
uma patologia de grande relevância clínica, pois 
está presente em cerca de 6 a 10% das mulheres 
em idade reprodutiva e em 25 a 38% das adoles-
centes com dor pélvica crônica. (NODLER et 
al., 2020). Ela pode ser considerada um fator 
responsável por grande impacto socioeconô-
mico e na qualidade de vida das mulheres por-
tadoras do quadro, uma vez que acomete pes-
soas profissionalmente ativas e a dor impossibi-
lita essas jovens de realizarem atividades do dia 
a dia. Além disso, existe um impacto psicoló-
gico significativo nas portadoras de endometri-
ose, devido às preocupações sobre a possível in-
fertilidade que acompanha esse quadro (SAUN-
DERS & HORNE, 2021). 
As hipóteses que podem justificar a inferti-
lidade causada pela endometriose são o ambi-
ente inflamatório, devido ao implante, que é 
hostil para o espermatozoide, ovócito e para o 
desenvolvimento adequado do embrião, a modi-
ficação do endométrio que dificulta a sua im-
plantação, além da fibrose, que é responsável 
por promover uma obstrução na luz das tubas 
uterinas. Sendo assim, é de suma importância 
buscar formas de tratamento, com o intuito de 
aliviar os sintomas e prevenir as sequelas desse 
quadro para as pacientes. 
Há muita controvérsia na literatura em rela-
ção aos tratamentos para a endometriose, po-
rém, os mais difundidos atualmente são a cirur-
gia, a terapia de supressão ovariana ou a associ-
ação de ambas (NÁCUL et al., 2010). Com o 
intuito de elucidar alguns tratamentos possíveis 
nos quadros de endometriose, tendo como moti-
vação a prevalência da doença e seu tratamento 
insatisfatório para uma expressiva parcela das 
pacientes com o quadro, a seguir serão apresen-
tadas novas propostas terapêuticas, em busca de 
 
88 | P á g i n a 
melhorar o tratamento e a qualidade de vida des-
sas pacientes. 
Dentre os novos tratamentos analisados, in-
clui-se o uso de vitamina C, vitamina E, vita-
mina D, Ômega 3, além do uso de Relugolix e 
Linzagolix. 
Uso de Linzagolix, antagonista do 
hormônio liberador de gonadotrofina 
Sendo a endometriose uma condição infla-
matória, ela cursa com uma ampla diversidade 
de sintomas, sendo as mais comuns dismenor-
reias, dor pélvica não coincidente com o período 
menstrual, dispareunia e disquezia, e os mais ra-
ros constipações intestinais e disúria (DONNEZ 
et al., 2020). Historicamente, os anticoncepcio-
nais orais sempre foram a primeira linha de tra-
tamento, uma vez que inibem a ovulação, redu-
zem o fluxo menstrual e diminuem a prolifera-
ção celular em implantes endometriais. Na in-
tenção de gerenciar os níveis de estrogênio para 
minimizar os sintomas e sequelas causados pela 
abstinência de estrogênio, e, ainda assim mantê-
los baixos o suficiente para que haja significa-
tiva redução da dor relacionada à endometriose, 
os antagonistas orais do hormônio liberador de 
gonadotrofina (GnRH) (Cetrorelix, Iturelix, Ga-
nirelix, Elagolix, Linzagolix) se mostraram uma 
potencial alternativa para um controle dose de-
pendente dos níveis de estradiol (KEAM, 2022). 
O Elagolix, antagonista GnRH, já utilizado pre-
viamente, possui uma meia vida curta, de apro-
ximadamente 4-6 horas. Dessa maneira, esse es-
tudo investigou a eficácia do uso de Linzagolix, 
outro antagonista GnRH, com uma meia vida 
maior que a do Elagolix, de 15-18 horas, no tra-
tamento de dores associadas à endometriose 
(DONNEZ, et al, 2020). 
Para o estudo em questão, foram seleciona-
das pacientes com idade entre 18 e 45 anos, que 
se encontravam na pré-menopausa e haviam 
tido diagnóstico de endometriose confirmado 
por meio da visualização direta dos implantes 
endometriais e quadros moderados a intensos de 
dor associada. Havia seis grupos de tratamento: 
placebo, dose fixa de 50 mg, 75 mg, 100 mg e 
200 mg e dose progressiva, iniciada em 75 mg. 
A randomização foi feita de acordo com uma 
lista sorteada por um software aleatoriamente, e 
as pacientes tiveram que se comprometer a res-
ponder um relato diáriotoda noite durante as 24 
semanas de tratamento. Foi pedido que as paci-
entes reportassem dor pélvica, sangramento ute-
rino, dispareunia, disquezia (semanalmente), 
uso de analgésico e dificuldade de efetuar tare-
fas diárias. O estrógeno sérico das pacientes foi 
medido em cada visita. 
Como resultados, foram observadas quedas 
significativas na intensidade da dor pélvica e 
disquezia das pacientes utilizando as doses de 
75 mg, 100 mg e 200 mg. Nas pacientes com 
doses fixas de 200 mg, houve uma menor queixa 
de dispareunia, uso de analgésicos diminuído e 
redução da dificuldade de exercer tarefas diárias 
a partir da décima segunda semana. Além disso, 
foi notada também um aumento da dose depen-
dente dos índices de amenorreia desde a quarta 
semana. Com base nos resultados do questioná-
rio respondido diariamente, o tratamento com 
Linzagolix resultou em melhorias aparentes e 
significativas na qualidade de vida social e pro-
fissional das pacientes (DONNEZ et al., 2020). 
Somado a isso, foi observado a redução dos 
níveis séricos de estradiol, que ficaram entre 11 
pg/mL e 16 pg/mL nas pacientes que fizeram 
uso de 200 mg. Pacientes que utilizaram outras 
doses apresentaram um nível maior de estradiol, 
variando entre 20 pg/mL e 60 pg/mL. Já no 
grupo que utilizou placebo, foi observado um 
aumento no nível do estrógeno, chegando até 
102 pg/mL, relacionado aos ciclos irregulares. 
(DONNEZ et al., 2020). 
Com o tratamento, foi evidenciado, como 
efeito colateral desse medicamento, a redução 
 
89 | P á g i n a 
da Densidade Mineral Óssea (DMO) na coluna 
vertebral, no quadril e no colo do fêmur, devido 
à redução dos níveis de estrógeno, hormônio 
responsável pelo remodelamento e reparação 
óssea (DONNEZ et al., 2020). 
Além disso, outros efeitos adversos do tra-
tamento foram ondas de calor, dores de cabeça, 
dores abdominais e náuseas, mais prevalentes 
em doses maiores do fármaco. Em um número 
reduzido de pacientes, foram observadas gesta-
ções com recém-nascidos saudáveis e sem ano-
malias, e gestações ectópicas tratadas com sal-
pingectomias. Ambos resultados não estão rela-
cionados ao tratamento com Linzagolix (DON-
NEZ et al., 2020). 
Dois indivíduos em uso de 100mg tiveram 
um aumento nos níveis de alanina aminotrans-
ferase (ALT) sem aumento concomitante da bi-
lirrubina total. Não foi observado aumento ex-
pressivo de gama glutamiltransferase (GGT), 
LDL, HDL e Triglicérides ao fim do tratamento 
(DONNEZ et al., 2020). 
Entre as semanas 12 e 24 do tratamento, 
houve uma redução da espessura do endométrio, 
mais perceptível em doses entre 100 a 200 mg. 
Foi feita biópsia endometrial caso a espessura 
total apresentasse uma redução maior que 5mm, 
sendo observado um caso isolado de hiperplasia 
sem atipia celulares em um indivíduo em trata-
mento com 200 mg (DONNEZ et al., 2020). 
Suplementação com vitamina D ou 
ômega 3 
A endometriose é uma condição pró-infla-
matória caracterizada por concentrações eleva-
das de citocinas e fatores de crescimento, além 
de diminuição da apoptose celular e aumento da 
angiogênese, todos os quais podem estar associ-
ados a maior dor. Sendo assim, foi avaliado 
nesse estudo o uso de vitamina D com o objetivo 
de diminuir a proliferação do fator inflamatório 
e aumentar a apoptose celular e o uso dos ácidos 
graxos ω-3 para diminuir os fatores de cresci-
mento e limitar a sobrevivência celular, o que 
possivelmente reduziria a progressão da endo-
metriose (NODLER et al., 2020). 
Foram recrutadas mulheres não grávidas 
com idades entre 12 e 25 anos com diagnóstico 
cirúrgico de endometriose da Clínica de Gine-
cologia Pediátrica do Hospital Infantil de Bos-
ton (BCH) entre outubro de 2014 e novembro de 
2015. Os participantes elegíveis deveriam ter 
uma pontuação na escala visual analógica 
(VAS) ≥ 3 em 10 para sua pior dor no mês ante-
rior à inscrição no estudo. Os participantes com 
concentração basal de 25-hidroxivitamina D 
[25(OH)D] ≥ 100 ng/mL foram excluídos. 
Os participantes foram obrigados a descon-
tinuar todas as vitaminas e suplementos nutrici-
onais de uso prévio desde o momento da inscri-
ção até a avaliação final 6 meses após o início 
do estudo. A participação começou ≥6 semanas 
após a cirurgia para endometriose. Os partici-
pantes foram aleatoriamente designados para re-
ceber 1.000 mg de óleo de peixe diariamente, 
2.000 UI de vitamina D diariamente, ou um 
comprimido de placebo tomado por via oral di-
ariamente por 6 meses. 
A medida de resultado primário foi a pior 
dor no último mês medida usando o VAS vali-
dado, que quantifica a dor em uma escala de 0 a 
10, com 0 representando nenhuma dor e 10 re-
presentando dor intensa. Além disso, uma alte-
ração “clinicamente significativa” nos escores 
de dor VAS foi definida como ≥1,6 com base 
em estudos anteriores. Os resultados secundá-
rios incluíram a qualidade de vida, medida pelo 
questionário validado Short Form 12, que tem 
componentes físicos e mentais que são pontua-
dos em uma escala de 0 a 100, com 0 indicando 
a pior qualidade de vida. O pensamento catas-
trófico, uma medida validada de sensibilidade à 
https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/programmed-cell-death
https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/neovascularization
https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/neovascularization
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https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/pediatric-gynecology
https://www.sciencedirect.com/topics/nursing-and-health-professions/nutrition-supplement
https://www.sciencedirect.com/topics/nursing-and-health-professions/nutrition-supplement
https://www.sciencedirect.com/topics/nursing-and-health-professions/placebo
https://www.sciencedirect.com/topics/nursing-and-health-professions/short-form-12
https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/nociception
 
90 | P á g i n a 
dor, realizada em uma escala de 0 a 52, com 
pontuações mais altas indicando uma maior 
quantidade de catastrofização, como “acho que 
a dor nunca vai melhorar”. Os participantes tam-
bém relataram o número médio de comprimidos 
não narcóticos para dor tomados por semana. 
Todas as medidas foram avaliadas na linha de 
base, e houve visitas de estudo aos 3 meses e 6 
meses (NODLER et al., 2020). 
Todos os 3 braços do estudo demonstraram 
melhorias na gravidade da dor , com os escores 
VAS médios de “pior dor no último mês” me-
lhorando desde o início até 6 meses no placebo 
vitamina D e óleo de peixe. No entanto, uma 
mudança estatisticamente significativa foi ob-
servada apenas no braço da vitamina D. Além 
disso, não houve diferenças estatisticamente 
significativas na mudança nos escores de dor 
VAS ao comparar vitamina D ou óleo de peixe 
com placebo. Nenhum padrão consistente de 
mudanças na qualidade de vida física ou mental 
foi observado dentro dos grupos e não houve di-
ferenças consideráveis nas mudanças relatadas 
nessas medidas de qualidade de vida ao compa-
rar vitamina D ou óleo de peixe com placebo du-
rante a intervenção de 6 meses (NODLER et al., 
2020). 
Os participantes em todos os 3 braços do es-
tudo demonstraram melhora na pontuação do 
pensamento catastrófico, com uma melhora na 
pontuação média estatisticamente significativa 
desde o início até 6 meses apenas no braço da 
vitamina D. Não foram observadas diferenças 
relevantes entre os grupos ou mudanças ao 
longo do tempo no número médio de comprimi-
dos não narcóticos para dor tomados por semana 
(NODLER et al., 2020). 
Foi concluído que a suplementação com vi-
tamina D em adolescentes com endometriose 
confirmada cirurgicamente levou a melhorias 
estatisticamente significativas na dor pélvica e 
pensamento catastrófico; no entanto, eles não 
diferiram em magnitude do efeito observado en-
tre aqueles que receberamplacebo. 
Suplementação combinada de 
vitamina C e vitamina E 
A endometriose tem como possível causa o 
estresse oxidativo, desequilíbrio entre as espé-
cies reativas de oxigênio (ROS) e os antioxidan-
tes biológicos, levando aos sintomas da doença. 
Assim, foi avaliado o papel da suplementação 
com vitaminas antioxidantes (C e E) nos índices 
de estresse oxidativo e na gravidade da dor em 
mulheres com essa condição. 
O estudo, desenvolvido por Leila Amni, Ra-
zieh Chekini e colaboradores, envolveu 60 mu-
lheres em idade reprodutiva (15 a 45 anos) com 
dor pélvica e endometriose comprovada por la-
paroscopia. As participantes foram divididas em 
dois grupos com o mesmo número de mulheres, 
A e B, pelo método de randomização simples. O 
grupo A recebeu uma combinação de vitamina 
C (1000 mg/dia) e vitamina E (800 UI/dia), en-
quanto o grupo B recebeu pílulas de placebo di-
ariamente durante um período de 8 semanas. 
Após a conclusão do estudo e com os resul-
tados analisados, foi observado que a adminis-
tração da combinação de vitamina C e vitamina 
E reduziu estatisticamente os níveis de Malon-
dialdeído (MDA) e ROS em comparação com a 
ingestão de placebo, mas não alterou os níveis 
da capacidade antioxidante total (TAC). Além 
disso, ao comparar o grupo A com o B, obser-
vou-se uma maior redução significativa de dis-
menorreia, dispareunia e de dor pélvica crônica 
no grupo A, que recebeu as vitaminas antioxi-
dantes, do que no grupo B (AMINI et al., 2021). 
Assim, o estudo confirmou que a vitamina 
C e a vitamina E podem ter efeitos interativos 
para reduzir o dano celular induzido por ROS, 
podendo ser usadas para neutralizar esse dano 
oxidativo na endometriose. Além disso, como 
https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/nociception
https://www.sciencedirect.com/topics/nursing-and-health-professions/pain-severity
https://www.sciencedirect.com/topics/nursing-and-health-professions/quality-of-life-measure
 
91 | P á g i n a 
foi observada uma redução significativa da dor 
após 8 semanas de tratamento com vitamina C e 
vitamina E em comparação com placebo, foi su-
gerido que a diminuição da inflamação pode su-
primir moléculas geradoras de dor (AMINI et 
al., 2021). 
Desse modo, após a análise dos estudos 
apresentados no decorrer deste capítulo, é im-
portante ressaltar que a endometriose, sendo 
uma condição inflamatória de caráter crônico e 
progressivo, não apresenta uma cura, tendo 
como principal abordagem terapêutica a redu-
ção dos níveis estrogênicos, com o intuito de re-
duzir a proliferação do tecido endometrial. 
Dentro desta abordagem, a primeira linha de 
tratamento envolve o uso de contraceptivos 
orais ou tratamento apenas com progesterona, 
visto que o uso constante deste hormônio leva à 
atrofia dos implantes e, da mesma forma que os 
anticoncepcionais, elimina o processo inflama-
tório causado pela doença. No caso de dores re-
fratárias à esta primeira linha de tratamento, são 
utilizados os antagonistas de GnRH, que estão 
limitados para uso por até 6 meses devido aos 
prejuízos à densidade óssea. E, por fim, o uso de 
vitaminas C, D e E, além da suplementação de 
ômega 3 mostram-se eficazes na redução dos 
sintomas provocados pelo quadro. 
Portanto, a fim de reduzir a proliferação de 
tecido endometrial nos quadros de endometriose 
e os sintomas da doença, e assim promover a 
melhoria da qualidade de vida de muitas mulhe-
res, gerando conscientização sobre a patologia, 
tornam-se necessários mais estudos que bus-
quem soluções medicamentosas e propostas te-
rapêuticas para estes casos, além da ampla di-
vulgação dos resultados promissores a serem 
encontrados (RASP et al., 2022).
 
 
 
92 | P á g i n a 
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93 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Doença infertilidade; Infertilidade Feminina; Infertilidade Masculina. 
Capítulo 11 
ANA CLARA DOS SANTOS MATOS¹ 
PATRICK ROMANZINI PEDREIRA¹ 
TAINÁ EVANGELISTA DINIZ MORAIS¹ 
NATÁLIA MOURÃO DE PINHO TAVARES2 
1. Discente – Faculdade de Medicina da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri 
(UFVJM) - Campus Diamantina 
2. Docente - Faculdade de Medicina da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri 
(UFVJM) - Campus Diamantina. 
INFERTILIDADE 
 
94 | Página 
INTRODUÇÃO 
A infertilidade é conceituada pela Organiza-
ção Mundial da Saúde (OMS) como um pro-
blema de saúde pública de grande relevância, 
com importantes impactos individuais, familia-
res e sociais (BOIVIN et al., 2007; WHO, 
1991). Nos últimos anos, devido ao envelheci-
mento populacional e a uma maior inserção da 
mulher no mercado de trabalho,observa-se uma 
tendência crescente em postergar a maternidade 
(LAMAITA et al., 2018), e com isso aumentou-
se consideravelmente a procura por tratamentos 
com o objetivo de ampliar a fecundabilidade dos 
cônjuges. 
A definição mais aceita de infertilidade é a 
falha no estabelecimento de gestação após 12 
meses de relações sexuais regulares sem o uso 
de métodos contraceptivos (ZEGERS-HOCHS-
CHILD et al., 2017). A infertilidade também 
pode ser caracterizada como conjugal, feminina 
e masculina, além da possível distinção entre 
primária, quando não há histórico de gravidez 
prévia, e secundária, quando há gestação ante-
rior clinicamente comprovada (WHO, 2000). O 
emprego do termo subfertilidade é controverso 
na literatura, enquanto alguns autores sugerem 
que ele deva ser utilizado como sinônimo de in-
fertilidade (VANDER BORGHT & WYNS, 
2018), outros preconizam que seja reservado 
para os casos cujo quadro seja reversível (LA-
MAITA et al., 2018), ou ainda, como uma 
forma genérica de descrever qualquer redução 
da fertilidade (GNOTH et al, 2005). 
Outros conceitos relevantes são os de fecun-
didade e fecundabilidade . Fecundidade é defi-
nida como a capacidade de alcançar gestação a 
termo em um ciclo menstrual (PREFEITURA 
DE BELO HORIZONTE, 2022; ZEGERS-HO-
CHSCHILD et al., 2017). Já a fecundabilidade 
é caracterizada como a probabilidade de atingir 
uma gestação em um único ciclo menstrual, em 
mulher que não está em uso de métodos contra-
ceptivos e que pratica relações sexuais regulares 
(ZEGERS-HOCHSCHILD et al., 2017). 
Os aspectos epidemiológicos da infertili-
dade carecem de estudos robustos que possibili-
tem determinar com precisão sua incidência e 
prevalência, especialmente em relação à reali-
dade brasileira, para a qual os dados são ainda 
mais escassos. A estimativa de que a infertili-
dade esteja presente em cerca de 15% a 20% dos 
casais é a mais frequente na literatura nacional 
(PREFEITURA DE BELO HORIZONTE, 
2022; LAMAITA et al., 2018). No panorama in-
ternacional, esse número se encontra na faixa de 
8% a 12% dos casais em idade reprodutiva, 
sendo a infertilidade secundária a forma mais 
comum (VANDER BORGHT & WYNS, 
2018). 
Etiologia 
As taxas de fertilidade são afetadas por vá-
rios fatores: idade, condições agudas ou crôni-
cas, toxinas ambientais, exposições ocupacio-
nais, questões gerais de estilo de vida, doenças 
infecciosas, condições genéticas e distúrbios re-
produtivos específicos (CUNNINGHAM, 
2017). 
As causas de infertilidade podem ser dividi-
das em femininas e masculinas. No entanto, en-
fatiza-se que a abordagem deve sempre levar em 
conta o casal (FEBRASGO 2021). Estima-se 
que 35% das causas estejam ligadas ao fator fe-
minino, 30% ao fator masculino, 20% relacio-
nadas a ambos os parceiros e 15% dos casos per-
manecem sem diagnóstico etiológico, apesar de 
instituída toda a propedêutica (FEBRASGO, 
2021). 
Em uma revisão integrativa sobre as causas 
de infertilidade na população brasileira, publi-
cada recentemente, a endometriose foi consta-
tada como a causa feminina mais prevalente, en-
quanto a azoospermia foi a mais identificada em 
 
95 | Página 
homens. As demais etiologias de maior frequên-
cia descritas foram o fator tubário, a síndrome 
dos ovários policísticos, disfunções endócri-
nas/ovulatórias e a idade avançada, para a infer-
tilidade feminina. Já para a infertilidade mascu-
lina foram incluídas: as alterações seminais 
(azoospermia, oligospermia, astenozoospermia, 
teratozoospermia), a varicocele, infertilidade 
após vasectomia e condições anatômicas (MA-
RANHÃO et al., 2021). 
Fatores femininos que afetam a 
fertilidade 
Entre os fatores femininos, pode-se listar tu-
bário (35%), ovulatório (35%), incluindo dimi-
nuição da reserva ovariana, endometriose 
(20%), uterino (1%) e múltiplas causas ocor-
rendo em aproximadamente 9% das pacientes 
(FEBRASGO, 2021). 
Uma causa comum de infertilidade por fator 
feminino é a disfunção ovulatória. As mulheres 
afetadas por oligoovulação ou anovulação têm 
dificuldade em engravidar porque um oócito 
não está disponível todos os meses para fertili-
zação. 
A causa mais frequente de anovulação é a 
síndrome dos ovários policísticos (SOP) (CUN-
NINGHAM, 2017). A SOP é uma desordem ca-
racterizada por hiperandrogenismo, disfunção 
ovulatória e ovários policísticos (ACOG, 2018). 
A disfunção ovulatória também pode ocorrer 
como resultado de qualquer distúrbio no eixo hi-
potálamo-hipofisário (CUNNINGHAM, 2017). 
Um exemplo importante de distúrbio nesse eixo 
é a insuficiência ovariana prematura, condição 
caracterizada por hipogonadismo hipergonado-
trófico em mulheres com menos de 40 anos de 
idade (ZEGERS-HOCHSCHILD et al., 2017). 
Certos medicamentos também estão associados 
à disfunção ovulatória, incluindo antidepressi-
vos, antipsicóticos, corticosteroides e agentes 
quimioterápicos (CUNNINGHAM, 2017). 
Anormalidades tubárias são observadas em 
30-40% das pacientes com subfertilidade femi-
nina (EXALTO & EMANUEL, 2019). A obs-
trução das trompas de Falópio e as aderências 
pélvicas impedirão o transporte necessário do 
oócito e do esperma para a fertilização e implan-
tação. A doença inflamatória pélvica (DIP) é a 
principal causa de obstrução tubária. A gonor-
reia e a clamídia são causas evitáveis e tratáveis 
de DIP (CUNNINGHAM, 2017) 
A endometriose, uma síndrome que afeta 
principalmente os tecidos pélvicos, incluindo os 
ovários, as tubas uterinas e o peritônio de mu-
lheres em idade reprodutiva, é outra causa im-
portante de infertilidade. A condição provém de 
uma inflamação crônica dependente do estrogê-
nio que se inicia quando o tecido endometrial 
viaja de forma retrógrada para a cavidade abdo-
minal inferior (BULUN et al., 2019). 
Outras condições que podem afetar a anato-
mia tubária/pélvica são síndrome de Asherman, 
gravidez ectópica anterior, doença inflamatória 
intestinal, tuberculose pélvica e apendicite. Pa-
cientes com leiomioma uterino ou anomalias 
uterinas podem ter dificuldade com a implanta-
ção normal (CUNNINGHAM, 2017). 
Fatores masculinos que afetam a 
fertilidade 
A infertilidade masculina pode ser causada 
por uma ampla gama de condições. A disfunção 
testicular é a causa mais frequente de esperma-
togênese perturbada. A disfunção testicular 
pode ser subdividida em insuficiência testicular 
congênita, adquirida ou idiopática. 
A insuficiência congênita pode se manifestar 
como anorquia, disgenesia testicular e criptor-
quidia (VANDER BORGHT & WYNS, 2018). 
A insuficiência testicular adquirida pode re-
sultar de trauma, torção testicular, orquite, fato-
res exógenos (por exemplo, medicamentos), fa-
 
96 | Página 
tores endógenos (por exemplo, doenças sistêmi-
cas, varicocele) ou cirurgia que pode danificar a 
anatomia vascular testicular (VANDER 
BORGHT & WYNS, 2018). 
Outras causas de infertilidade masculina in-
cluem a deficiência pós-testicular, devido a dis-
função ejaculatória ou obstrução à entrega de 
espermatozoides. A obstrução pode estar locali-
zada no epidídimo, ducto deferente ou ducto 
ejaculatório e pode ser adquirida ou congênita 
(VANDER BORGHT & WYNS, 2018). 
Os médicos também devem investigar as 
condições que afetam a entrega bem-sucedida 
de esperma, como problemas de disfunção se-
xual, doença/trauma na medula espinhal, do-
ença autonômica, ejaculação retrógrada, hipos-
pádia ou anormalidades anatômicas congênitas 
(CUNNINGHAM, 2017). 
Devemos lembrar que em 30-40% dos casos 
de infertilidade masculina, nenhuma causa é 
identificada (infertilidade masculina idiopática) 
(KATZ et al., 2017). 
Fatores de ambos os sexos que afetam a 
fertilidade 
A idade é um dos fatores mais significativos 
associados à infertilidade. A fecundidade de-
monstrou diminuir à medida que as mulheres 
envelhecem. Não só o número de ovócitos dimi-
nui ao longo dos anos reprodutivos,como os 
ovócitos restantes são de qualidade inferior, o 
que leva a um aumento da incidência de anoma-
lias cromossômicas e abortos espontâneos (CU-
NNINGHAM, 2017). 
A idade também afeta a capacidade de repro-
dução do homem: o aumento da idade está asso-
ciado a uma diminuição na qualidade, quanti-
dade, motilidade e morfologia do esperma (CU-
NNINGHAM, 2017). 
Uma causa importante de infertilidade é a hi-
perprolactinemia. A prolactina inibe a secreção 
de gonadotrofina levando à anovulação em mu-
lheres. Nos homens, a hiperprolactinemia causa 
baixos níveis séricos de testosterona, infertili-
dade e disfunção sexual (VANDER BORGHT 
& WYNS, 2018). 
Os agentes infecciosos têm diferentes modos 
de comprometimento da fertilidade. Nos ho-
mens, podem causar danos nos órgãos, danos 
nas células através de mediadores da inflama-
ção, criar uma obstrução ou ligar-se aos esper-
matozóides. Nas mulheres, podem causar do-
ença inflamatória pélvica e obstrução tubária. O 
agente infeccioso mais comum que causa infer-
tilidade é a Chlamydia trachomatis (VANDER 
BORGHT & WYNS, 2018). 
Uma série de doenças crônicas como diabe-
tes instável, doença celíaca não controlada, in-
suficiência de vitamina D, condições autoimu-
nes ativas e hipotireoidismo subclínico também 
aparecem estar associado a uma chance redu-
zida de concepção (VANDER BORGHT & 
WYNS, 2018). 
A obesidade é um importante fator que in-
terfere na fertilidade. As mulheres que estão 
acima do peso são menos propensas a ovular e 
conceber espontaneamente, mesmo após cuida-
dos com a infertilidade. Após a concepção, elas 
também têm um risco aumentado de aborto es-
pontâneo e estão predispostas a um resultado 
adverso da gravidez (VANDER BORGHT & 
WYNS, 2018). 
O tabagismo tem um efeito bem conhecido 
sobre a fertilidade em homens e mulheres. Para 
uma mulher fumante, cada estágio da função re-
produtiva (foliculogênese, esteroidogênese, 
transporte embrionário, receptividade endome-
trial, etc) são prejudicados, pois a fumaça con-
tém metais pesados, hidrocarbonetos policícli-
cos, nitrosaminas e aminas aromáticas. Nos ho-
mens, fumar afeta negativamente a produção, 
motilidade e morfologia dos espermatozóides e 
está associado a um risco aumentado de danos 
 
97 | Página 
no DNA (VANDER BORGHT & WYNS, 
2018). 
Diagnóstico 
A coleta da história de ambos os parceiros é 
de extrema importância para o seguimento da 
investigação da infertilidade. Aspectos como 
idade, tempo e frequência de relações sexuais 
desprotegidas, uso de medicamentos, álcool e 
drogas devem ser levados em consideração para 
o diagnóstico (THURSTON et al., 2019). 
Avaliação feminina 
Em relação à investigação feminina, é im-
portante levantar, ainda na anamnese, a história 
ginecológica da paciente, abordando questões 
sobre o ciclo menstrual, métodos contraceptivos 
já utilizados, comorbidades (obesidade, hirsu-
tismo, diabetes, patologias autoimunes, outras) 
e cirurgias anteriores, principalmente pélvica 
(SZAMATOWICZ 2020; PREFEITURA DE 
BELO HORIZONTE, 2022). No exame físico, 
o exame pélvico deve ser realizado em todas as 
pacientes, com inspeção da genitália interna e 
externa, à procura de alterações inflamatórias, 
vulvovaginites, sinais de virilização, hímen ín-
tegro ou presença de sinais de DIP (LAMAITA 
et al., 2018). 
Existem alguns exames complementares re-
comendados que consideram as principais cau-
sas e fatores da infertilidade conjugal. 
Fator tubário 
A histerossalpingografia é um exame utili-
zado para avaliar a permeabilidade tubária e é 
considerado um teste sensível, confiável e não 
invasivo (PREFEITURA DE BELO HORI-
ZONTE, 2022). Consiste na injeção de contraste 
radiopaco através do cérvix, permitindo a visu-
alização de oclusão tubária distal e proximal, 
adesões peritubárias e salpingite ístmica nodosa 
(ACOG, 2019). Deve ser realizada na fase foli-
cular do ciclo menstrual (6° a 11° dia do ciclo) 
(LAMAITA et al., 2018) 
Outro exame capaz de verificar alterações 
tubárias é a videolaparoscopia, indicada quando 
a histerossalpingografia acusa alguma alteração 
importante, história de cirurgia pélvica anterior, 
infertilidade sem causa aparente, suspeita clí-
nica de endometriose e avaliação para reversão 
de salpingotripsia. Os achados da videolaparos-
copia são classificados como normal, oclusão 
unilateral tubária ou oclusão tubária bilateral, 
proximal ou distal, e aderências (LAMAITA et 
al., 2018). 
Fator ovulatório 
A reserva ovariana representa o número de 
oócitos disponíveis para uma potencial ovula-
ção. Os resultados dos testes devem levar em 
consideração a idade da paciente (ACOG 2019). 
A dosagem do hormônio folículo estimu-
lante (FSH) deve ser realizada nos dias 2 a 5 do 
ciclo. Valores maiores que 10 UI/L sugerem 
uma menor resposta ao estímulo ovariano 
(ACOG, 2019). A relação entre o FSH e o hor-
mônio luteinizante (LH) também é importante 
para o diagnóstico etiológico da disfunção, le-
vando-se em consideração que: 
• FSH e LH baixos, associados a baixos 
valores de estradiol (menor que 40 pg/mL), po-
dem indicar hipogonadismo hipogonadotrófico; 
• Relação aumentada, maior que 2 (LH 
aumentado e FSH baixo), pode-se suspeitar de 
SOP; 
• FSH e LH persistentemente elevados, 
associados à diminuição do estradiol sérico, po-
dem indicar hipogonadismo hipergonadotrófico 
em mulheres abaixo dos 40 anos, indicando, 
possivelmente, falência prematura ovariana 
(LAMAITA et al., 2018). 
 
 
98 | Página 
Outro marcador de reserva ovariana é o hor-
mônio anti-mülleriano, produzido pelas células 
da granulosa do folículo antral (ACOG, 2019). 
Valores inferiores ou iguais a 1,0 ng/mL de 
HAM são altamente preditivos de baixa reserva 
ovariana e, consequentemente, de menor res-
posta à estimulação ovariana (PREFEITURA 
DE BELO HORIZONTE. 2022). Pode ser co-
lhido durante qualquer fase do ciclo, já que seu 
nível permanece praticamente constante 
(ACOG, 2019). 
A contagem de folículos antrais, feita por ul-
trassonografia, se correlaciona bem com a dosa-
gem de HAM, devendo ser realizada na fase fo-
licular do ciclo e leva em consideração a quan-
tidade de folículos entre 2-10 mm (THURSTON 
et al., 2019). A baixa contagem de folículos an-
trais é definida quando existem menos de 5 a 7 
unidades e está associada a baixa resposta ova-
riana (ACOG, 2019). 
Fator cervical 
Dentro desse fator, estão compreendidas as 
más formações, lesões neoplásicas ou benignas, 
infecções e alterações anatômicas (LAMAITA 
et al., 2018). O teste pós coito tem como finali-
dade analisar a receptividade do muco cervical 
e a habilidade em permitir a sobrevivência e a 
migração dos espermatozoides em seu conteúdo 
(PREFEITURA DE BELO HORIZONTE, 
2022).] 
Fator uterino 
Prejudicam a fertilidade tanto ao interferir 
no transporte do óvulo por obstrução do óstio 
tubário quanto prejudicando os processos de im-
plantação (PREFEITURA DE BELO HORI-
ZONTE, 2022). 
A histerossonografia com infusão de solução 
salina pode ser utilizada para visualização de 
pólipos, adesões intrauterinas ou malformações 
anatômicas (CUNNINGHAM, 2017). 
A histeroscopia não é utilizada como mé-
todo inicial de avaliação, porém permite a con-
firmação de alterações encontradas em outros 
exames (LAMAITA et al., 2018). 
A videolaparoscopia e a ressonância magné-
tica também não são exames realizados rotinei-
ramente, devido ao alto custo e por serem mais 
invasivos. Entretanto, contribuem para a confir-
mação de más-formações uterinas e a localiza-
ção de miomas uterinos (LAMAITA et al., 
2018). 
Avaliação masculina 
A infertilidade masculina pode ser causada 
por anormalidades anatômicas ou genéticas, do-
enças sistêmicas ou neurológicas, infecções, 
traumas, anticorpos contra o esperma e outras 
(KATZ et al., 2017). 
A avaliação masculina começa com a coleta 
da história do paciente, focando-sena história 
sexual e reprodutiva, cirurgias prévias, estilo de 
vida, história familiar, idade, infecções sexual-
mente transmissíveis e comorbidades prévias 
(KATZ et al., 2017). 
O espermograma é o principal exame utili-
zado para averiguar infertilidade masculina. 
Consiste na avaliação de pH, concentração es-
permática, volume, total de espermatozoides no 
ejaculado, motilidade progressiva, vitalidade, 
leucócitos e morfologia ou formas anormais 
(CUNNINGHAM, 2017). Os parâmetros de re-
ferência segundo a Organização Mundial da Sa-
úde são: (PREFEITURA DE BELO HORI-
ZONTE, 2022) 
• Volume: 1,5 mL; 
• pH: 7,2; 
• Concentração espermática (número de 
espermatozoides/mL): > 15 milhões; 
• Total espermatozoides no ejaculado: > 
40 milhões; 
• Motilidade progressiva (A + B): 32%; 
• Vitalidade: 58%; 
 
99 | Página 
• Leucócitos: < 1 milhão/mL; 
• Morfologia ou formas normais: > 4% 
(critério estrito de Kruger). 
Qualquer anormalidade encontrada no es-
permograma deve ser avaliada em um segundo 
exame. Se o resultado continuar insatisfatório, o 
paciente deve ser encaminhado para um urolo-
gista ou profissional especializado em reprodu-
ção masculina para nova investigação (CUN-
NINGHAM, 2017). 
Tratamento 
O manejo terapêutico da infertilidade é dire-
cionado pelo fator etiológico definido na inves-
tigação propedêutica. A abordagem inicial com-
preende a orientação do casal quanto ao seguin-
tes fatores: tabagismo e consumo de álcool, am-
bos associados à alterações na função reprodu-
tiva masculina e feminina (CASTRO et al., 
2021; WESSELINK et al., 2019); uso de drogas 
ilícitas, relacionado na literatura à impactos ne-
gativos na fertilidade, principalmente masculina 
(FRONCZAK et al., 2012); e Índice de Massa 
Corporal (IMC), sendo associado à maior pro-
babilidade de concepção a presença de IMC me-
nor que 30 kg/m² no casal, e de IMC maior que 
19 kg/m² na mulher (THURSTON et al., 2019). 
Outro ponto essencial a ser abordado é a prática 
de relações sexuais regulares, preferencialmente 
um ou dois dias antes e após a ovulação. 
O acompanhamento da infertilidade sem 
causa aparente deve ser iniciado com aborda-
gem conservadora e medidas de maior comple-
xidade podem ser progressivamente instituídas. 
As mudanças de estilo de vida previamente 
mencionadas (cessação do tabagismo, redução 
do consumo de álcool, adequação do peso cor-
poral) estão indicadas em todos os casos. A con-
duta inicial de manejo expectante pode ser ado-
tada em mulheres com idade inferior a 32 anos, 
porém deve ser evitada acima dos 37 anos, uma 
vez que a depleção folicular e consequente re-
dução da fertilidade se tornam uma preocupação 
importante (HORNSTEIN & GIBBONS, 
2020). A combinação de inseminação intraute-
rina (IIU) com indução da ovulação pelo citrato 
de clomifeno (CC) apresenta boa eficácia, além 
de possuir como vantagens a administração de 
medicação por via oral e menor necessidade de 
monitoramento (FARQUHAR et al., 2018). A 
substituição do CC por gonadotrofina é relatada 
na literatura como método de maior efetividade, 
apresentando, porém, maior risco de gestação 
múltipla, além de custo mais elevado (DIA-
MOND et al., 2015). A fertilização in-vitro 
(FIV) é o procedimento com melhor taxa de su-
cesso, contudo devem ser analisados o risco de 
gestação múltipla e o custo, ambos considera-
velmente maiores que os métodos anteriormente 
citados, sendo essa terapêutica recomendada 
para casos em que as demais medidas não foram 
eficazes e em mulheres com idade mais avan-
çada (GOLDMAN et al., 2014). 
A melhor conduta nos casos de infertilidade 
por fator cervical é a utilização de IIU com uso 
concomitante de indutores da ovulação, seguida 
pela FIV em caso de falha terapêutica (KU-
OHUNG & HORNSTEIN, 2018). A resolução 
cirúrgica também deve ser considerada na pre-
sença de sinéquias, pólipos, miomas e estenoses 
iatrogênicas ou adquiridas (FEBRASGO, 
1997). 
Em relação ao tratamento do parceiro, em 
casos de hipogonadismo hipogonadotrófico, se-
cundário à hiperprolactinemia, o primeiro passo 
é normalizar a prolactina. Se essa tentativa não 
corrigir o nível de testosterona anaem seis me-
ses, o tratamento com gonadotrofina é indicado. 
O uso de FSH e/ou hCG pode ser feito em hipo-
fisectomizados, portadores de hipogonadismo e 
em pacientes com oligo/oligoastenozoospermia 
ou azoospermia com níveis de FSH e LH baixos 
(FEBRASGO, 1997). 
 
100 | Página 
Já quando o defeito é hipotalâmico, o ma-
nejo pode ser realizado com o uso de GnRH 
(KATZ et al., 2017). A varicocele, capaz de in-
duzir alterações na morfologia espermática e 
etiologia importante em casos de infertilidade 
masculina (FEBRASGO, 1997) pode ser corri-
gida cirurgicamente (KATZ et al., 2017). 
Mulheres portadoras de endometriose po-
dem apresentar obstrução anatômica das tubas 
e, para tratamento, é recomendada a remoção ci-
rúrgica dos endometriomas. Casos de endome-
triose com lesões mínimas e leves não possuem 
consenso na literatura quanto ao manejo. Em si-
tuações de malformações anatômicas, como a 
presença de septo ou útero didelfo, o tratamento 
pode ser expectante, endoscópico ou laparotô-
mico, dependendo da indicação médica (FE-
BRASGO, 1997). 
Em pacientes com doença tubária, a cirurgia 
de reconstrução pode ser realizada se a obstru-
ção for leve. Em casos mais graves, a FIV in vi-
tro pode ser indicada (THURSTON et al., 
2019). 
Em pacientes com problemas ovulatórios, 
dois medicamentos orais são usados para indu-
ção da ovulação: o citrato de clomifeno e o le-
trozol (CARSON & KALLEN, 2021). 
O citrato de clomifeno é um modificador se-
letivo do receptor de estrogênio que bloqueia o 
efeito de feedback negativo do estradiol circu-
lante e causa um aumento do hormônio libera-
dor de gonadotrofina (GnRH) hipotalâmico, a 
frequência de pulso e produção hipofisária de 
FSH e hormônio luteinizante (LH), promovendo 
o crescimento folicular ovariano (CARSON & 
KALLEN, 2021). 
O letrozol bloqueia a aromatase, reduzindo 
as concentrações séricas de estradiol e estimu-
lando as gonadotrofinas hipofisárias (CARSON 
& KALLEN, 2021). 
Tanto o citrato de clomifeno quanto os inibi-
dores de aromatase têm uma taxa de gravidez 
múltipla de mais ou menos 10%, a maioria das 
quais são gestações gemelares (CARSON & 
KALLEN, 2021). 
É imprescindível a monitorização ultrasso-
nográfica nos ciclos induzidos com citrato de 
clomifeno, pois só assim se poderá avaliar a res-
posta folicular, o aspecto e a espessura endome-
trial a fim de buscar os melhores resultados e, 
tão importante quanto, diminuir o risco de ges-
tação múltipla (FEBRASGO, 2021). 
Aproximadamente 75% das gestações após 
indução ocorrem nos primeiros três ciclos de 
tratamento. Por esse motivo, espera-se atingir a 
gestação em três a seis ciclos que a ovulação 
ocorra, não sendo recomendado insistir nessa te-
rapia após esse período (FEBRASGO, 2021). 
Esses agentes orais são menos úteis em mu-
lheres com hipogonadismo hipogonadotrófico, 
que podem apresentar resposta limitada ou ine-
xistente às gonadotrofinas hipofisárias endóge-
nas. Nesses pacientes, o uso de administração 
pulsátil de GnRH restaura a estimulação fisioló-
gica de FSH e LH endógenos com o objetivo de 
induzir a maturação folicular e a ovulação. A 
frequência dos pulsos é ajustada para imitar a 
variação fisiológica na variabilidade do pulso de 
GnRH (CARSON & KALLEN, 2021). 
O tratamento com GnRH pulsátil resulta em 
taxas de gravidez de 93% a 100% após até 6 me-
ses e é bem tolerado sem casos relatados de sín-
drome de hiperestimulação ovariana grave. 
Como alternativa, as gonadotrofinas exógenas 
podem ser usadas para estimular diretamente os 
folículos ovarianos (CARSON & KALLEN, 
2021).
 
 
 
101 | Página 
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103 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Histerectomia; Miomas uterinos; Cirurgia ginecológica. 
Capítulo 12 
ANA CLARA DOS SANTOS SOUZA1 
DANIELA BORGES MIELKE1 
ISADORA AMABILE LOPES FABRES1 
KAMILA JALES CORTELETI1 
1. Discente – Faculdade de Medicina MULTIVIX. 
HISTERECTOMIA 
 
104 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
A histerectomia consiste na remoção cirúr-
gica do útero e é um dos procedimentos cirúrgi-
cos ginecológicos mais comuns. E é realizado 
principalmente em casos de ciclos menstruais ir-
regulares, intensos ou dolorosos, e quando tra-
tamentos prévios menos invasivo, como ablação 
endometrial, não foram suficientes para resolu-
ção do quadro. Sendo utilizada como tratamento 
de leomiomas uterinos, dor pélvica, sangra-
mento uterino anormal, endometriose e prolapso 
uterino (BICKERSTAFF & LOUISE, 2017). 
O procedimento pode ser realizado de dife-
rentes formas, como por meio da histerectomia 
vaginal, laparoscópica e abdominal. A histerec-
tomia vaginal é realizada através da vagina, pro-
voca menos desconforto e possibilita uma recu-
peração mais rápida. A laparoscópica consiste 
na remoção do útero por meio da inserção de 
instrumentos inseridos através de pequenos cor-
tes no abdômen, enquanto o médico realiza o 
procedimento com a ajuda de uma câmera aco-
plada a um telescópio. E por fim, a histerecto-
mia abdominal consiste na remoção do útero 
feita através de uma incisão no abdômen. Este 
método é escolhido para a retirada de grandes 
tumores, pode causar mais desconforto, além de 
exigir mais tempo e cuidados na recuperação da 
paciente (PASSOS et al., 2017). 
A histerectomia abdominal pode ser total ou 
subtotal. Geralmente, a subtotal é realizada 
quando encontra-se dificuldade técnica intrao-
peratória. É importante ressaltar que menos epi-
sódios febris ocorrem na histerectomia abdomi-
nal subtotal quando comparada a histerectomia 
total (PASSOS et al., 2017). 
É importante ressaltar que a histerectomia 
por qualquer via pode acarretar algumas com-
plicações específicas, como hemorragia, trom-
bose venosa profunda, aparecimento de sinto-
mas de bexiga como bexiga hiperativa e incon-
tinência por estresse, lesão retal, tromboembo-
lismo, entre outros. Porém, alguns riscos podem 
ser minimizados pelo planejamento cirúrgico 
adequado (BICKERSTAFF & LOUISE, 2017). 
Em um estudo observacional, mulheres que 
realizaram a histerectomia tiveram melhora na 
qualidade de vida nos 10 anos subsequentes à 
cirurgia (PASSOS et al., 2017). 
Diagnóstico 
A principal indicação da histerectomia são 
os leomiomas uterinos, o que pode diferir de 
acordo com a idade do paciente. Por isso, no 
caso dos leimiomas, a decisão de se submeter a 
histerectomia é a necessidade de tratarem os sin-
tomas, os quais são sangramento uterino anor-
mal, sensação de pressão e dor pélvica (BE-
REK, 2014). 
No caso da realização da histerectomia de-
vido aos leiomiomas, a cirurgia só poderá ser re-
alizada em mulheres sintomáticas que não dese-
jamengravidar (BEREK, 2014). A cirurgia his-
teroscópica, minimamente invasiva, pode ser 
usada para eliminar um mioma submucoso ou 
pólipo fibroide, o que ajuda a resolver os sinto-
mas de sangramento anormal intenso, mesmo 
com presença de outros tipos de mioma. Outros-
sim, se o útero miomatoso provocar sintomas de 
compressão e sangramento uterino anormal re-
fratária a intervenções médicas, as opções são 
miomectomia ou histerectomia (BICKERS-
TAFF & LOUISE, 2019). 
Enquanto o sangramento uterino disfuncio-
nal é outra causa importante para realização de 
histerectomia, por estar associada síndrome de 
ovários policísticos (SOP), no qual ocorre ciclos 
anovulatórios. Antes da histerectomia há inter-
venções clínicas, como administração de pro-
gestágenos, estrogênio ou pela combinação oral 
dos dois citados. É controlado também por anti-
 
105 | P á g i n a 
inflamatórios não esteroides, intervenção hor-
monal, ácido tranexâmico ou dispositivo intrau-
terino (DIU) de levonorgestrel. E nessas pacien-
tes é necessário coletar uma amostra do endo-
métrio antes da histerectomia (BEREK, 2014). 
Ademais, o diagnóstico de miomas é usual-
mente clínico, baseado no achado de um útero 
aumentado, móvel e com contornos irregulares 
ao exame bimanual ou um achado ultrassono-
gráfico frequentemente casual. No entanto, exa-
mes de imagens são necessários para confirmar 
o diagnóstico e definir a localização do tumor 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). 
Dentre as opções de exames complementa-
res estão a histerosalpingografia, a histerosco-
pia, a ultrassonografia, a histerossonografia, a 
tomografia computadorizada e a ressonância 
magnética, sendo a ultrassonografia o exame 
mais utilizado por não ser invasivo, de baixo 
risco, com acurácia adequada e de baixo custo 
em relação aos demais, sendo o indicado no Pro-
tocolo do Ministério da Saúde (MINISTÉRIO 
DA SAÚDE, 2010). 
Portanto, especificando a ultrassonografia, 
pode ser realizada por via transabdominal ou 
transvaginal. Sendo a via transabdominal um 
meio de importante diagnóstico em centros me-
nores. Enquanto o método transvaginal apre-
senta alta sensibilidade (95%-100%) para detec-
ção de miomas em úteros com tamanho menor 
ao equivalente a 10 semanas de gestação. A lo-
calização de miomas em úteros muito grandes 
ou quando os tumores são múltiplos pode ser di-
fícil (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). 
Sintomatologia 
A decisão cirúrgica fundamenta-se no trata-
mento de sintomas, sendo esses: sangramento 
uterino disfuncional, dor pélvica ou sensação de 
pressão (BEREK, 2014). 
O sangramento uterino disfuncional refere-
se a um sangramento supostamente anormal 
sem causa anatômica aparente. Além disso, o 
sangramento uterino anovulatório está associ-
ado, em geral, à síndrome do ovário policístico 
(SOP), distúrbio no qual os ciclos anovulatórios 
são comuns. Esse sangramento é controlado por 
intervenções clínicas, as quais utilizam-se da 
administração de progestágenos, estrogênio ou 
pela combinação de progestágeno e estrogênio 
administrados como contraceptivos orais (CO); 
e pode ser controlado por anti-inflamatórios não 
esteroides, intervenção hormonal, ácido trane-
xâmico ou dispositivo intrauterino (DIU) de le-
vonorgestrel. Nesse sentido, cerca de 20% das 
histerectomias são indicadas quando há a pre-
sença desse sangramento (BEREK, 2014). 
A dor pélvica, sendo crônica, é a dor na re-
gião pélvica que persiste na mesma localização 
por mais de 6 meses e causa incapacidade fun-
cional ou requer tratamento, que pode ser a his-
terectomia. Os seguintes parâmetros devem ser 
levados em consideração para a verificação 
dessa dor: localização, irradiação, intensidade, 
fatores que agravam e aliviam, efeito do clico 
menstrual, estresse, trabalho, exercício, relação 
sexual e orgasmo, além de saber o contexto no 
qual a dor surgiu. Quando a dor é de origem gi-
necológica e não responde a tratamentos não ci-
rúrgicos, a histerectomia deve ser realizada 
(BEREK, 2014). 
A respeito da dismenorreia secundária, ela é 
a dor menstrual cíclica associada à doença pél-
vica de base. A dor costuma surgir 1 a 2 sema-
nas antes do fluxo menstrual e persiste até al-
guns dias após o fim do sangramento. Essa dor 
pode apresentar algumas causas como exem-
plos, sendo essas, a endometriose, a adenomi-
ose, a endometrite e a doença inflamatória pél-
vica. A endometriose pode ser tratada com anti-
inflamatórios não esteroides isolados ou associ-
ados a CO (ou o DIU com levonorgestrel) que 
reduzem ou interrompem o fluxo menstrual. 
 
106 | P á g i n a 
Além do mais, é necessário tratar primeiro o dis-
túrbio de base (p. ex., endometriose). Entre-
tanto, caso o tratamento clínico falhe ou a paci-
ente não possua mais o intuito de preservar a fer-
tilidade, a histerectomia é indicada (BEREK, 
2014). 
No que tange a endometriose, esta consiste 
em uma ocorrência de tecido endometrial (glân-
dulas e estroma) fora do útero. Os locais mais 
frequentes de implantação são as vísceras pélvi-
cas e o peritônio. Há uma alta prevalência em 
mulheres com dor pélvica. À vista disso, quando 
a mulher com endometriose sente dor pélvica 
persistente ou tem dismenorreia, a histerectomia 
é indicada, porque os procedimentos clínicos e 
cirúrgicos conversadores não foram bem-suce-
didos. Outras situações quando a cirurgia supra-
cita é indicada acontece quando a paciente não 
deseja mais engravidar e tem endometriose com 
acometimento de outros órgãos pélvicos, como 
o ureter ou o cólon (BEREK, 2014). 
Após a cirurgia, as mulheres apresentam 
uma melhora considerável em relação aos sinto-
mas supracitados. Entretanto, cada satisfação 
está relacionada a indicação inicial da cirurgia e 
a expectativa da paciente. Ademais, a maioria 
das mulheres não possuem modificação ou me-
lhora na função sexual, ou seja, relatam pouco 
impacto sobre a frequência da relação sexual, da 
libido e do interesse sexual (BEREK, 2014). 
Além disso, torna-se necessário a discussão 
com a paciente, pois a remoção dos ovários não 
é essencial se a histerectomia estiver sendo rea-
lizada para indicações benignas. Para uma mu-
lher que está menstruando regularmente, seria 
normal preservar os ovários e prevenir o início 
precoce dos sintomas da menopausa. Para as 
mulheres que estão no período da perimeno-
pausa e apresentam alguns sintomas precoce-
mente e certo grau de irregularidade menstrual, 
a decisão de remoção de ovários deve ser indi-
vidualizada. A relação fortalecida entre o mé-
dico e a paciente é importante pois a conversa-
ção de ovários é um assunto bastante delicado 
para a maioria das mulheres (BICKERSTAFF 
& LOUISE, 2019). 
Complicações 
Dentre as complicações pós-operatórias 
pode-se listar as infecções da ferida e complica-
ções urinárias, como retenção urinária, lesão do 
ureter, prolapso da tuba uterina e deiscência da 
cúpula vaginal (BEREK, 2014). 
A bexiga e os ureteres estão intimamente re-
lacionados com o útero, o colo do útero e os va-
sos uterinos, e existe um risco de lesão durante 
a histerectomia. A histerectomia abdominal tem 
um tempo de recuperação mais longo do que a 
histerectomia vacinal, mas facilita a remoção de 
grandes miomas e ovários. A histerectomia por 
qualquer via aumenta o risco do aparecimento 
de sintomas urinários e do prolapso. A decisão 
de remover os ovários deve considerar a idade 
do paciente, a presença de sintomas da meno-
pausa, a dor e o risco individual de câncer ova-
riano tardio (BICKERSTAFF & LOUISE, 
2017). 
As infecções de ferida ocorrem em 4 a 6% 
das histerectomias abdominais. As medidas que 
reduzem as infecções incluem banho pré-opera-
tório, não remoção de pelos ou a remoção des-
tes, caso seja necessário. Além do uso de cam-
pos adesivos e antibióticos profiláticos e fecha-
mento primário tardio (BEREK, 2014). 
A retenção urinária após histerectomia é in-
comum.No caso de a uretra estar desobstruída 
e houver retenção, normalmente é devido a dor 
ou da atonia vesical decorrente da anestesia, as 
quais tem efeitos temporários. No caso da não 
inserção de cateter após a cirurgia, a retenção 
pode ser aliviada inicialmente com a inserção de 
um cateter de Foley por 12 a 24h. A maioria das 
 
107 | P á g i n a 
pacientes é capaz de urinar após a retirada do 
cateter no dia seguinte (BEREK, 2014). 
Enquanto na lesão do ureter deve-se suspei-
tar de obstrução ureteral em pacientes com dor 
no flanco após a histerectomia. A ocorrência de 
lesão ureteral é menor na histerectomia vaginal 
que na histerectomia abdominal e maior na his-
terectomia laparoscópica. Nessas pacientes 
deve-se realizar urografia por tomografia com-
putadorizada e exame de urina (BEREK, 2014). 
Outrossim, o prolapso da tuba uterina pós-
histerectomia é raro e pode ser confundido com 
tecido de granulação no ápice da vagina. Os fa-
tores predisponentes são hematoma e abcesso 
no ápice da vagina. Deve-se suspeitar de pro-
lapso da tuba uterina nas pacientes em que o te-
cido de granulação persiste após tentativas de 
cauterização ou que sentem dor quando se pro-
cura removê-lo (BEREK, 2014). 
Do mesmo modo, em pacientes com deis-
cência da cúpula vaginal há a presença de dor, 
sangramento vaginal, corrimento vaginal ou sa-
ída de líquido de 2 a 5 meses após a cirurgia, o 
que ocorre mais casualmente durante o coito 
(BEREK, 2014). 
Tratamento 
A cirurgia de histerectomia pode ser feita 
por três técnicas diferentes, sendo elas, cirurgia 
abdominal, vaginal (Imagem 12.1) ou 
laparoscópica. Dentre elas, a histerectomia 
abdominal é a técnica mais invasiva, onde é 
realizado uma incisão na parte inferior do 
abdome. Nos últimos anos, muitos esforços 
foram feitos para reduzir o número de 
histerectomias abdominais, como o desenvolvi-
mento da tecnologia para cirurgias minima-
mente invasivas. As vantagens da abordagem 
minimamente invasiva são amplamente conhe-
cidas e consistem em incisões menores, levando 
a menos dor pós-operatória, rápida recuperação 
retorno às atividades e menor morbidade cirúr-
gica (BEREK, 2014). 
Imagem 12.1 Retirada do útero por transecção da vagina 
Fonte: BEREK, 2014. 
Na técnica da histerectomia vaginal, é feito uma 
incisão circunferencial no epitélio vaginal ao re-
dor do colo uterino, após isso, uma dissecção 
romba ou cortante de toda a espessura do epité-
lio vaginal, abre-se o fundo de saco posterior, a 
cavidade pélvica posterior é examinada à pro-
cura de alterações patológicas do útero ou de 
aderências no fundo de saco. Se a reflexão peri-
toneal vesicovaginal não for facilmente identifi-
 
108 | P á g i n a 
cada, é preferível não abrir o espaço vesicovagi-
nal (fundo de saco). Uma revisão Cochrane va-
lidou a ideia de que o acesso vaginal é a via ci-
rúrgica de escolha para histerectomia (Imagem 
12.2) (BEREK, 2014). 
Imagem 11.2 Bácula posterior do útero. 
Fonte: BEREK, 2014. 
A histerectomia laparoscópica, tem uma 
abordagem menos invasiva, podendo também 
ser realizada por mecanismo robótico. Vários 
estudos apontam que essa abordagem é terapeu-
ticamente satisfatória para muitas condições gi-
necológicas, além de melhorarem a qualidade 
de vida das pacientes. Pode ser feita por duas 
vias, umbilical ou laparoscopia aberta, a região 
umbilical é rotineiramente usada em pacientes 
sem história pregressa de cirurgias ou infecções 
intra-abdominais (SANTIAGO et al., 2020). 
Na histerectomia laparoscópica robótica, o 
cirurgião manipula um console responsável pelo 
movimento de instrumentos e da tela. Esta téc-
nica possui vantagens em relação a laparoscó-
pica, sendo elas, visão tridimensional e instru-
mentos com extremidades articuladas que con-
ferem mais ergonomia ao movimento (SANTI-
AGO et al., 2020). 
A escolha da via de cirurgia é influenciada 
por diversos fatores, como o tamanho e formato 
da vagina e do útero, acessibilidade, doenças ex-
trauterinas, necessidade de intervenções conco-
mitantes a cirurgia, experiencia do médico, tec-
nologia e recursos disponíveis no hospital e a 
preferência da paciente (BEREK, 2014). 
É de extrema importância ressaltar que a 
perda do momento certo para conversão de ci-
rurgia vaginal para abdominal, é o fator predi-
tivo mais importante para complicações, princi-
palmente as hemorrágicas (PACE et al., 2022). 
Por mais volumoso que o corpo uterino 
possa ser, mais firme sua aderência a parede ab-
dominal ou ante a presença de fatores que impe-
çam seu descenso, a inelasticidade da cérvice, 
bem como a proximidade constante do com-
plexo ligamentar cardinal-útero-sacro e do pedí-
culo uterino em relação a vagina, fará que na 
maioria dos casos, a decisão de converter para 
via abdominal já encontre o útero relativamente 
avascular e com complexo ligamentar seccio-
nado. Em muitas situações já ocorreu o com-
pleto descolamento cérvice-bexiga ou mesmo a 
cérvice pode ter sido amputada (PACE et al., 
2022). 
A histerectomia vaginal difícil é aquela que 
requer algo mais do que a habitual habilidade da 
maioria dos cirurgiões, ela exige perspicácia e 
avaliação pré-operatória cuidadosa, o que so-
mente se consegue com uma firme base teórica 
e muita prática (PACE et al., 2022). 
A pré-avaliação cirúrgica é uma parte im-
portante do atendimento ao paciente e permite 
que planos personalizados de cuidado sejam fei-
tos para aqueles com comorbidades específicas. 
Revisão multidisciplinar de casos planejados 
 
109 | P á g i n a 
pode ser útil para decidir sobre a abordagem se-
gura para pacientes de maior complexidade. A 
decisão sobre o tipo de incisão cirúrgica deve 
ser feita após consideração dos requisitos bási-
cos de acesso cirúrgicos e de dificuldades poten-
ciais e devem ser considerados a resistência do 
fechamento e o tempo de recuperação para cada 
tipo de incisão. Muitos procedimentos ginecoló-
gicos são realizados por técnicas minimamente 
invasivas, reduzindo a dor associada à incisão e 
otimizando a recuperação (PASSOS et al., 
2017). 
 
 
110 | P á g i n a 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
SANTIAGO, W.S. et al (2020). Abnormal uterine blee-
ding: hysterectomy versus resection. Revista Da Associa-
ção Médica Brasileira, 66(12), 1731–1735. 
BEREK, J.S. Histerectomia. In: Grupo GEN, editora. 
Tratado de Ginecologia. Rio de Janeiro, 2014. 
BICKERSTAFF, H. & LOUISE C. K. Condições benig-
nas do útero, cérvice uterina e endométrio. In: Thieme 
Brazil, editora. Ginecologia: by TenTeachers (20th edi-
ção). Thieme Brazil, 2019. 
PACE, W.A.P. et al. Ginecologia Minimamente Invasiva: 
Cirurgia Vaginal e Uroginecologia. MedBook Editora. 
Texto e Atlas, 2022. 
PASSOS, E.P. In: Rotinas em ginecologia (7th ed.). 
Grupo A, 2017. 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. LEIOMIOMA DE ÚTERO. 
Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudele-
gis/sas/2010/prt0495_23_09_2010.html> Acesso em: 24 
mai. 2023.
 
 
 
111 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Climatério; Sintomas da menopausa; Menopausa 
Capítulo 13 
JÚLIA BENEVENUTO MOREIRA¹ 
MARIANA BARINO MELO¹ 
GABRIELA NEVES DE SOUZA¹ 
MARIA GUIMARÃES PETRY¹ 
1. Discente – Medicina da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora – Suprema. 
CLIMATÉRIO 
 
112 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
Ao longo da vida a mulher apresenta dife-
rentes ciclos hormonais que têm início com a 
menarca e se estendem até a menopausa, quando 
termina a ciclicidade. A liberação dos hormô-
nios femininos pelos ovários, sob estímulo hi-
pofisário, estabelece os diferentes períodos do 
ciclo hormonal feminino. O estrogênio e a pro-
gesterona são hormônios importantes no ciclo 
biológico feminino e determinam as caracterís-
ticas sexuais secundárias, a liberação do óvulo, 
manutenção da gestação e do comportamentofeminino. (SELBAC et al., 2018) 
A perimenopausa refere-se aos sinais de de-
clínio ovariano até 1 ano após a última menstru-
ação da mulher. A menopausa é a data da última 
menstruação (constitui apenas um marco dentro 
do climatério). Já o climatério é caracterizado 
por uma diminuição significativa da produção 
de estrogênio e progesterona e pelo aumento dos 
níveis de hormônio folículo-estimulante (FSH) 
(HAO et al., 2022; UFJF, 2009). Ele consiste 
em uma fase biológica e não um processo pato-
lógico que compreende a transição entre o perí-
odo reprodutivo e o não reprodutivo da mulher 
(pós-menopausa) (MS, 2008). 
Durante o climatério, há algumas mudanças 
decorrentes do declínio da função ovariana. Es-
sas mudanças podem ocorrer em maior ou me-
nor intensidade e são diretamente relacionadas à 
diminuição dos níveis de estrogênio. No entanto 
é fundamental que haja, nessa fase da vida, um 
acompanhamento sistemático visando à promo-
ção da saúde, o diagnóstico precoce, o trata-
mento imediato dos agravos e a prevenção de 
danos (MS, 2008). 
Epidemiologia 
A idade em que ocorre a menopausa parece 
estar geneticamente programada para cada mu-
lher, pelo número de folículos ovarianos, mas 
pode ser influenciada por diversos fatores, 
como: fatores socioeconômicos e culturais, pa-
ridade, tabagismo, altitude e nutrição. Mulheres 
que apresentam longa jornada de trabalho e 
exercem atividades estressantes têm mais 
chance de entrar na menopausa mais cedo (FE-
BRASGO, 2010). 
Há diferenças culturais como na Índia, onde 
as mulheres anseiam pela menopausa, visto que 
esse período as coloca em posição mais elevada 
socialmente. Além disso, sabe-se que mulheres 
nulíparas têm menopausa mais precocemente, 
enquanto multíparas apresentam menopausa 
mais tardia (FEBRASGO, 2010). 
Estudos demonstram que o tabaco antecipa 
a menopausa em 12 a 18 meses. Essa antecipa-
ção em fumantes tem sido explicada pela defici-
ência estrogênica causada diretamente pelo ta-
baco. Assim como mulheres com nutrição defi-
ciente e baixo peso apresentam precocemente a 
idade da menopausa (FEBRASGO, 2010). 
Esses fatores explicam a variação da idade 
da menopausa nos diferentes países: México – 
44,3 anos; África do Sul – 46,7 anos; China – 
48,9 anos; Arábia Saudita – 48,9 anos; Bélgica 
– 50,0 anos; Inglaterra – 50,7 anos; Estados Uni-
dos – 51,4 anos e Holanda – 51,4 anos. No Bra-
sil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Ge-
ografia e Estatística, a média etária da ocorrên-
cia da menopausa é de 48 anos (FEBRASGO, 
2010). 
 
 
113 | P á g i n a 
Fisiopatologia 
A senescência ovariana é um processo que 
se inicia efetivamente na vida intrauterina, no 
interior do ovário embrionário, em razão da 
atresia de oócitos programada. Há uma diminui-
ção progressiva do número de folículos primor-
diais desde a vida fetal até a menopausa. O nú-
mero de folículos passa de 7 milhões na vigé-
sima semana de vida intrauterina, aproximada-
mente 2 milhões de folículos primordiais ovari-
anos que nascem com a menina e dos quais exis-
tem em média quatrocentos mil na ocasião da 
puberdade para 10 mil na idade de 40 anos e so-
mente algumas centenas ainda a acompanham 
no climatério e os demais evoluem contínua e 
permanentemente para a atresia na evolução do 
ovário pré-menopáusico. (FILHO et al., 2017; 
MS, 2008; HOFFMAN, et al., 2014). 
Há, também, uma diminuição do tamanho 
dos ovários. O volume médio dos ovários na 
menacme é de 8 a 9 centímetros e passa para 
aproximadamente 2 a 3 centímetros alguns anos 
após a menopausa. A redução mais proeminente 
ocorre no córtex devido à intensa diminuição do 
número e das dimensões dos folículos. Pode-se 
ainda observar fibrose intensa e esclerose arteri-
olar obliterante, fenômenos que contribuem 
para o aspecto irregular do ovário na pós-meno-
pausa. Ocorre ainda a deposição de pigmentos e 
aumento da espessura da túnica albugínea (FI-
LHO et al., 2017; MS, 2008). 
A produção hormonal de estrogênios e de 
androgênios, com predomínio do estradiol du-
rante todo o período reprodutivo, tende a oscilar 
significativamente durante os anos que antece-
dem a cessação dos ciclos, diminuindo gradati-
vamente com a instalação da menopausa. Isso 
ocorre devido às mudanças no eixo hipotálamo-
hipofisário-ovariano, e que são responsáveis 
pela irregularidade menstrual associada com 
esse período (FILHO et al., 2017; MS, 2008). 
Durante os anos reprodutivos, o estrogênio e a 
progesterona exercem feedback positivo e nega-
tivo sobre a produção das gonadotrofinas hipo-
fisárias e sobre a amplitude e a frequência da li-
beração de Hormônio liberador de 
gonadotrofina (GnRH). Por sua vez, a Inibina 
que é produzida nas células da granulosa exerce 
uma importante influência no feedback negativo 
sobre a secreção de FSH pela adeno-hipófise 
(HOFFMAN et al., 2014). 
Os ciclos, inicialmente, tendem a encurtar. 
Paralelamente, observa-se um aumento progres-
sivo de FSH (o hormônio luteinizante – LH - 
ainda permanecendo normal) que leva o au-
mento da resposta folicular ovariana. Esse au-
mento, por sua vez, produz elevação global nos 
níveis de estrogênios. O FSH eleva-se isolada-
mente no início, gerando uma diminuição da 
sensibilidade hipotálamo-hipofisária ao feed-
back do estradiol, que está em níveis normais 
ainda, e diminuição da inibina, que exercia feed-
back negativo sobre a secreção de FSH. Após 
isso, o LH eleva-se também: um ano antes da 
menopausa a taxa de FSH já se encontra 10 a 15 
vezes aumentada e o LH, 3 vezes mais alto, em 
comparação com os níveis de uma fase folicular 
normal. Essa hipersecreção gonadotrófica per-
manece por toda a vida. No final da transição 
menopáusica, a mulher apresenta redução da fo-
liculogênese e maior incidência de ciclos ano-
vulatórios (alternando ciclos curtos com ciclos 
longos) e a ovulação torna-se mais rara até de-
saparecer (MS, 2008; HOFFMAN, et al., 2014). 
As hemorragias de privação ocorrem irregular-
mente, já que não existe mais a ciclicidade. Ape-
sar disso, após a menopausa permanece uma 
produção basal de estrona, androstenediona, tes-
tosterona e mínima de estradiol e progesterona 
(MS, 2008).
 
 
114 | P á g i n a 
Manifestações clínicas 
Os níveis estrogênicos exercem papel coad-
juvante de maior ou menor importância sobre a 
maioria das manifestações clínicas no período 
climatérico, mas de fato estarão implicados inú-
meros outros fatores, como perfil psicológico, 
de sua vida sexual e social e, sobretudo, da 
forma como ela encara o climatério e o envelhe-
cimento (FILHO et al., 2017). 
As primeiras manifestações clínicas na peri-
menopausa são as alterações menstruais (FI-
LHO et al., 2017). Durante a fase da transição 
menopausal, os ciclos menstruais apresentam 
variações na regularidade e nas características 
do fluxo. Inicialmente pode ocorrer encurta-
mento gradativo da periodicidade, devido à ma-
turação folicular acelerada e consequente ovula-
ção precoce, o que pode ser seguido por uma 
fase lútea com baixa produção de progesterona 
e instalação de fluxo diminuído ou aumentado 
(MS, 2008). Com o evoluir da insuficiência ova-
riana se constatam ciclos com fluxo escasso e, 
finalmente, instala-se a menopausa (FILHO et 
al., 2017). 
Os mais comuns sintomas da menopausa ca-
pazes de afetar a qualidade de vida são os rela-
cionados com a termorregulação, que podem ser 
descritos como ondas de calor, fogachos e suo-
res noturnos (HOFFMAN, et al., 2014). Sua in-
tensidade varia desde muito leves a intensos, 
ocorrendo esporadicamente ou várias vezes ao 
dia e durando alguns segundos a 30 minutos 
(MS, 2008). O período de duração dos fogachos 
é de 3 a 5 anos, se encerrando, na maioria das 
vezes, sem que qualquer tratamento seja feito. 
Entretanto, algumas mulheres irão permanecer 
por vários anos após a menopausa (FILHO et 
al., 2017). 
Os sintomasneuropsíquicos compreendem 
a labilidade emocional, ansiedade, irritabili-
dade, melancolia, baixa de autoestima, tristeza e 
depressão, podendo apresentar-se isoladamente 
ou em conjunto em algum período do climatério 
em intensidade variável (MS, 2008). 
Além disso, alguns sintomas e sinais clíni-
cos relacionados ao processo de envelhecimento 
podem ocorrer durante o climatério (MS, 2008). 
São comuns as queixas de disfunções sexuais, 
muitas vezes associadas à atrofia urogenital, 
como secura vaginal, dispareunia, poliúria, ur-
gência e incontinência urinária. Essas queixas, 
ao contrário da sintomatologia vasomotora, têm 
manifestação mais tardia, com incidência variá-
vel (FEBRASGO, 2016). 
A osteoporose é um distúrbio ósseo metabó-
lico que tem uma etiologia multifatorial, mas o 
papel dos estrógenos tem sido estudado, mos-
trando que atuam tanto antagonizando os efeitos 
do paratormônio que estimula a reabsorção ós-
sea como também ao nível de receptores estro-
gênicos nas células do osso. As principais mani-
festações são as fraturas que ocorrem mais fre-
quentemente nas vértebras, terço distal do rádio, 
fêmur, úmero e pequenos ossos periféricos (FI-
LHO et al., 2017). 
Propedêutica 
Durante o climatério, é essencial que a mu-
lher seja avaliada de forma individualizada para 
que suas necessidades de prevenção de doenças 
e promoção de saúde sejam supridas, detectando 
tão cedo quanto possível doenças como hiper-
tensão, cardiopatia, diabetes mellitus e câncer. 
Deve-se ainda avaliar no geral aspectos da audi-
ção, visão, dentição e metabolismo ósseo. A 
anamnese e o exame físico completos são fun-
damentais e deverão ser realizados periodica-
mente (FILHO et al., 2017; BACCARO et al., 
2022). 
Para rastreio do câncer de mama, a Febrasgo 
sugere que, para mulheres com risco habitual, 
seja iniciado aos 40 anos e a mamografia é o 
exame recomendado, com periodicidade anual 
 
115 | P á g i n a 
(se estiver normal) (BACCARO et al., 2022). Já 
a Organização Mundial da Saúde (OMS) reco-
menda mamografias de triagem a cada 2 anos 
para mulheres entre 50 e 69 anos. Avaliações 
clínicas das mamas e autoexame não são reco-
mendados (FILHO et al., 2017). 
Já para rastreio do câncer de colo uterino, o 
Ministério da Saúde do Brasil recomenda o 
exame citopatológico como método de escolha 
para o rastreamento de lesões precursoras, inici-
ando aos 25 anos de idade para mulheres que já 
iniciaram atividade sexual, com intervalo anual 
entre os dois primeiros exames. Se os dois pri-
meiros resultados forem normais, a coleta passa 
a ser realizada com intervalo trienal (INCA, 
2016). 
Para rastreio de câncer colorretal no Brasil, 
o Ministério da Saúde considera que pessoas 
com risco habitual devem realizar pesquisa de 
sangue oculto nas fezes, anualmente, ou colo-
noscopia, a partir dos 50 anos (BACCARO et 
al., 2022). 
Após a menopausa, o efeito benéfico do es-
trogênio endógeno no sistema cardiovascular é 
mitigado, e o número de eventos cardiovascula-
res aumenta, devendo-se rastrear fatores de 
risco como diabetes mellitus, hipertensão arte-
rial, dislipidemia, tabagismo e obesidade (BAC-
CARO et al., 2022). Os exames laboratoriais 
obrigatórios são triglicérides, colesterol total e 
frações, glicemia de jejum e os facultativos (a 
critério clínico), FSH, Hormônio Tireo-
estimulante (TSH), entre outros (FEBRASGO, 
2016). 
A identificação das pacientes de risco para 
osteoporose é também considerada fundamental 
na assistência à mulher climatérica (FE-
BRASGO, 2016). Recomenda-se que a densi-
tometria óssea seja realizada em todas as mulhe-
res acima dos 65 anos de idade e inferior a 65 
anos que apresentem algum fator de risco para 
baixa massa óssea (BACCARO et al., 2022). 
A ultrassonografia pélvica no climatério 
está indicada nas seguintes situações: diagnós-
tico de doenças endometriais e ovarianas; san-
gramento genital; massa pélvica a esclarecer 
(FILHO et al., 2017). Já o rastreamento de In-
fecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) 
deve ser realizado com base nos dados da histó-
ria clínica de cada paciente (BACCARO et al., 
2022). 
Terapia hormonal 
No período do climatério, durante a transi-
ção menopáusica, ocorre diminuição dos níveis 
de estrogênio ocasionada pelo declínio da fun-
ção ovariana. Em média, 60% das mulheres so-
frem com os sintomas próprios desse período, 
dos quais os mais característicos e denunciati-
vos do déficit hormonal subjacente são os sinto-
mas vasomotores, que são ondas de calor e su-
dorese noturna, conhecidos como “fogachos” e 
os sintomas urogenitais. A terapêutica hormonal 
(TH) é considerada o melhor tratamento para es-
ses sintomas e é indicada com grande frequência 
como medida terapêutica para aliviá-los nessa 
etapa da vida, com benefícios consideráveis 
para a qualidade de vida das pacientes que rece-
bem esse tratamento (FEBRASGO, 2016). 
A TH não é uma medida isolada e única, por 
isso deve ser parte de uma estratégia global que 
inclui, entre outras ações, recomendações sobre 
o estilo de vida relativas à dieta, exercícios, ta-
bagismo e álcool com o objetivo de manter a sa-
úde das mulheres na pós-menopausa. A terapêu-
tica deve ser individualizada e ajustada de 
acordo com os sintomas, as necessidades de pre-
venção, a história pessoal e familiar, os resulta-
dos de investigações pertinentes, as preferências 
da mulher e suas expectativas (FEBRASGO, 
2016).
 
 
116 | P á g i n a 
Critérios para indicação da TH: 
A TH tem indicação não contestada para as 
seguintes situações clínicas: 
1. Tratamento dos sintomas vasomotores 
graves e moderados: a TH é o tratamento mais 
efetivo para os sintomas vasomotores na peri e 
na pós-menopausa, sendo especialmente indi-
cada para mulheres sintomáticas, abaixo dos 60 
anos e com menos de 10 anos de menopausa 
(FEBRASGO, 2016); 
2. Tratamento dos sintomas relacionados à 
atrofia urogenital: a terapia estrogênica vaginal 
é efetiva e preferível para tratamento de sinto-
mas isolados da atrofia vaginal e dispareunia 
(FEBRASGO, 2016); 
3. Tratamento e prevenção de fraturas oste-
oporóticas em mulheres na pós-menopausa (FE-
BRASGO, 2016). 
Critérios de contraindicação da TH: 
São consideradas contraindicações absolu-
tas para TH: 
4. Doença trombótica ou tromboembólica 
venosa atual; 
5. Doença hepática descompensada; 
6. Câncer de mama aguardando trata-
mento. 
Janela de oportunidade: 
A observação de que quanto mais precoce o 
início da TH maior o benefício alcançado origi-
nou o conceito de janela de oportunidade. O ra-
ciocínio baseia-se na prevenção dos efeitos de-
letérios do hipoestrogenismo nos tecidos-alvo, 
quando a TH é iniciada precocemente. No des-
fecho clínico relacionado à doença coronariana, 
por exemplo, há: início precoce, menor dano in-
flamatório no endotélio vascular, menor proba-
bilidade de desenvolvimento de aterosclerose e 
menor chance de infarto do miocárdio (FE-
BRASGO, 2016). 
Por quanto tempo manter a TH: 
A duração do tratamento da sintomatologia 
climatérica com a TH na pós-menopausa conti-
nua sendo um assunto controverso. A controvér-
sia baseia-se na avaliação do tempo de trata-
mento em que a TH é benéfica e supera a ocor-
rência de eventuais riscos. Entre os riscos que 
podem ser motivo de limitar o tempo de utiliza-
ção da TH, o câncer de mama é o mais impor-
tante (FEBRASGO, 2016). 
Desse modo, deve-se ressaltar que o tempo 
de manutenção da TH deve ser considerado de 
acordo com os objetivos da prescrição e com os 
critérios de segurança na utilização. O uso da 
TH é uma decisão individualizada para a qual a 
qualidade de vida e os fatores de risco como 
idade, tempo de pós-menopausa, risco indivi-
dual de tromboembolismo, doença cardiovascu-
lar e câncer de mama devem sempre ser avalia-
dos (FEBRASGO, 2016). 
Vias de administração: 
O estradiol e o progestógeno, quandoadmi-
nistrados por via não oral, impedem o metabo-
lismo de primeira passagem pelo fígado, ocasi-
onando, assim, menor potencial para estímulo 
das proteínas hepáticas, fatores de coagulação e 
perfil metabólico neutro, o que pode ser mais fa-
vorável em termos de risco cardiovascular e fe-
nômenos tromboembólicos. O risco de trom-
boembolismo venoso se mostrou menor quando 
usado o estradiol por via transdérmica compa-
rado com o estradiol por via oral. A primeira 
passagem uterina da administração vaginal de 
progestógenos acarreta concentrações locais 
adequadas e boa proteção endometrial com ní-
veis sistêmicos do progestógeno menores 
(PARDINI, 2014). 
Segundo a Tabela 13.1, há vantagens e des-
vantagens em relação às vias de administração 
dos hormônios. 
 
 
117 | P á g i n a 
Tabela 13.1 Vias de administração do estrógeno. 
 Via oral Via não oral 
Vantagens 
Mais difundida 
Custo menor 
Menos alérgica 
Aumento de HDL 
Diminuicao do LDL 
Relacao E2/E1 > 1 
Queda do triglicerides 
Evita os efeitos da passagem hepatica. 
Desvantagens 
Angiotensinogênio 
Aumento de SBGH, TBG e CBG. 
Aumento do triglicerides 
Relacao E2/E1 < 1 
Custo maior 
Alergia cutânea local 2-24% 
Impacto discreto no HDL e LDL 
Fonte: Adaptado de Pardini, 2014. 
Classificação dos estrógenos: 
 Sintéticos: os principais são o etiniles-
tradiol, mestranol, quinestrol e dietilestilbestrol. 
Devido ao fato de não serem oxidados pela de-
sidrogenase que oxida o 17-β estradiol, seu 
efeito no fígado é acentuado, levando-o à pro-
dução de proteínas como SHBG, substrato de 
renina e outras, às vezes indesejáveis, indepen-
dentemente da via de administração. Por esse 
motivo, embora exerça efeito no osso, seu uso é 
restrito aos anticoncepcionais orais (PARDINI, 
2014). 
 Naturais: os mais frequentemente utili-
zados na TH são os estrogênios conjugados e o 
estradiol transdérmico ou percutâneo, seguidos 
pelo valerianato de estradiol e o estradiol micro-
nizado. Quando administrados por via oral, to-
dos resultam em níveis mais elevados de estrona 
e seus conjugados do que de estradiol, sendo 
que essa transformação se processa na mucosa 
gastrintestinal e no fígado. O estriol, apesar de 
provocar poucos efeitos colaterais, não previne 
a perda de massa óssea. Tanto os estrogênios 
sintéticos como os naturais têm se mostrado 
úteis na preservação da massa óssea e na me-
lhora da sintomatologia, entretanto na terapia de 
reposição hormonal do climatério e menopausa 
os naturais estão mais indicados (PARDINI, 
2014). 
 Progestágenos: a associação do proges-
tágeno ao estrógeno é obrigatória em pacientes 
com útero intacto ou em pacientes com histerec-
tomia parcial em que existe resíduo de cavidade 
endometrial. A indicação primária da adição do 
progestágeno à estrogenoterapia refere-se à pro-
teção endometrial contra a hiperplasia e o ade-
nocarcinoma associados à reposição isolada de 
estrógeno. Não está recomendada quando bai-
xas doses de estrógeno são administradas por 
via vaginal no tratamento da atrofia vaginal iso-
ladamente (PARDINI, 2014). 
Esquemas terapêuticos: 
São inúmeras as formas de administrar a 
TH, visando ao alívio dos sintomas e, acima de 
tudo, à proteção endometrial quando associa-
mos a progesterona e estrógeno. Os consensos 
atuais recomendam minimizar a exposição ao 
progestágeno. Os esquemas combinados podem 
ser cíclicos ou contínuos. No primeiro o estró-
geno é dado de forma contínua e o progestágeno 
é dado 10-12 dias por mês e, no segundo, ambos 
são administrados conjuntamente de forma inin-
terrupta. No esquema cíclico, a mulher apre-
 
118 | P á g i n a 
senta sangramento ao final de cada ciclo de pro-
gesterona e, no contínuo, a grande maioria entra 
em amenorreia. Quando isso não ocorre, deve-
mos investigar as condições do endométrio. De 
qualquer forma, a escolha do esquema é sempre 
individualizada, priorizando-se a vontade da pa-
ciente e o tempo de menopausa (PARDINI, 
2014). 
Terapias alternativas: 
a) Tibolona: é um esteroide sintético apro-
vado em 90 países para tratar os sintomas me-
nopausais e, em 45 países, está aprovado para 
prevenção de osteoporose. A tibolona também 
diminui os níveis circulantes de SHBG aumen-
tando a testosterona livre e contribuindo para a 
androgenicidade da droga. A tibolona alivia os 
sintomas vasomotores, melhora a atrofia uroge-
nital, previne a perda de massa óssea e acarreta 
aumento da densidade óssea. Devido ao seu per-
fil androgênico, pode melhorar a libido e elevar 
os níveis de Lipoproteína de Baixa Densidade 
(LDL) circulantes. Prescreve-se a tibolona de 
forma contínua acarretando atrofia endometrial 
com consequente amenorreia (PARDINI, 
2014). 
b) Raloxifeno: exerce efeitos estrogênicos 
no osso e lípides e antiestrogênicos na mama, no 
útero, no epitélio vaginal e em centros cerebrais 
promotores dos fogachos. Como resultado de 
suas ações antiestrogênicas, o raloxifeno reduz 
a incidência de câncer de mama e endométrio, 
entretanto piora os sintomas vasomotores 
(PARDINI, 2014). 
Riscos e benefícios: 
Com base na literatura disponível, atual-
mente o TH é indicado apenas para tratamento 
de sintomas vasomotores e atrofia vaginal, bem 
como para prevenção ou tratamento de osteopo-
rose. O padrão atual de atenção à saúde reco-
menda reavaliar a necessidade de manter a tera-
pia em intervalos de 6 a 12 meses. Portanto, em 
mulheres que necessitem de prevenção ou trata-
mento em longo prazo de osteoporose, a melhor 
opção provavelmente é o uso de agentes com 
ação específica sobre os ossos (HOFFMAN, et 
al., 2014). 
Benefício definido em: 
- Sintomas vasomotores: os sintomas vaso-
motores (fogachos) sem tratamento, podem de-
saparecer em um a dois anos, o que justifica te-
rapia por curto prazo. Tratamentos combinados 
não diferiram significativamente do uso de es-
trógenos isolados, demonstrando que a associa-
ção desses a progestógenos não conferiu maior 
alívio dos sintomas vasomotores. Desse modo, 
é importante considerar que progestógenos rara-
mente são empregados de forma isolada para 
manejo dos sintomas e, quando o são, necessi-
tam de doses elevadas (de 20 a 400 mg/dia de 
acetato de medroxiprogesterona, por via oral), 
frequentemente determinando ocorrência de 
efeitos indesejáveis (WANNMAHER & LUBI-
ANCA, 2004). 
- Sintomas urogenitais: estrógenos têm-se 
mostrado úteis no controle de ressecamento da 
mucosa vaginal e dispareunia associados à defi-
ciência hormonal na menopausa. Ensaios clíni-
cos randomizados evidenciaram melhora signi-
ficativa da lubrificação vaginal com a adminis-
tração de estrógenos, independentemente da via 
empregada. A administração vaginal de estró-
geno é eficaz e acarreta menos efeitos adversos 
(WANNMAHER & LUBIANCA, 2004). 
Benefício provável em: 
- Redução de fraturas por osteoporose: 
estudos mostram que usuárias correntes de TH, 
quando comparadas às não usuárias, tiveram di-
minuição de risco de cerca de 6% para cada ano 
de terapia. O benefício perdurou por cinco anos 
 
119 | P á g i n a 
após a suspensão do uso continuado, além dos 
quais grande parte do efeito protetor foi perdido. 
Dez anos após a suspensão, densidade óssea e 
risco de fratura mostraram-se similares entre 
usuárias e não-usuárias de estrógenos (WANN-
MAHER & LUBIANCA, 2004). 
Risco definido ou ineficácia em: 
- Tromboembolismo venoso: TH aumenta 
o risco de fenômenos tromboembólicos em duas 
vezes aproximadamente, risco esse incremen-
tado pela obesidade, trombofilia, idade superior 
a 60 anos, cirurgia e imobilização. A via de ad-
ministração do estrógeno, a dosagem e o tipo de 
progestágeno associado ao estrógeno podem 
afetar o risco do evento tromboembólico. A te-
rapia combinada com estrógeno mais progeste-
rona aumenta o risco de tromboembolismo 
quando comparado com a monoterapia estrogê-
nica. A reposição estrogênicapor via transdér-
mica tem se mostrado mais segura quanto aos 
fenômenos tromboembólicos que a via oral 
(WANNMAHER & LUBIANCA, 2004). 
- Endométrio: a administração de estró-
geno sem oposição induz a estímulo do endomé-
trio, aumentando risco de hiperplasia endome-
trial. A associação estroprogestativa confere 
proteção endometrial e, por isso, as mulheres 
com útero devem receber a associação com 
prostágeno por, no mínimo, 12 dias por mês nos 
esquemas sequenciais. Por outro lado, os esque-
mas combinados contínuos conferem uma pro-
teção endometrial maior quando comparados 
aos esquemas cíclicos (WANNMAHER & LU-
BIANCA, 2004). 
- Acidente vascular cerebral: o risco de 
acidente vascular cerebral (AVC) aumenta ex-
ponencialmente com o avançar da idade e a TH 
não reduz a incidência de AVC em mulheres 
idosas com doença vascular pré-existente. O 
risco de AVC, além da idade, também pode ser 
dependente da dose, da via de administração do 
estrógeno e da associação com progestágenos. 
A via não oral em alguns estudos está associada 
a um menor risco de AVC (PARDINI, 2014). 
- Cognição: diversos estudos sugerem que 
se o estrógeno for prescrito na mulher jovem em 
perimenopausa acarreta uma diminuição do 
risco de doença de Alzheimer ou retarda seu 
aparecimento. Contudo, a TH não está indicada 
para a prevenção primária ou secundária de de-
mência, uma vez que o estrógeno parece possuir 
diferentes efeitos no cérebro dependentes da 
idade da paciente, idade no início da reposição, 
tipo de menopausa (natural ou induzida) e tipo 
de reposição utilizada (PARDINI, 2014). 
-- Mama: o grau de associação entre o cân-
cer de mama e a TH continua controverso. En-
tretanto, o único dado considerado com grau de 
evidência A é que a administração de estrógeno 
isolado ou associado à progesterona aumenta a 
percentagem de densidade mamária (PMD) e o 
raloxifeno diminui o risco de câncer de mama 
(PARDINI, 2014). 
- Doença cardiovascular: o consenso da 
sociedade internacional de menopausa afirmou 
que a TH não está contraindicada a mulheres hi-
pertensas e, em alguns casos, a TH pode reduzir 
a pressão arterial. Por outro lado, a TH está con-
traindicada a mulheres com história de infarto 
do miocárdio, acidente vascular cerebral e em-
bolia pulmonar (PARDINI, 2014). 
Terapia não hormonal: 
A terapia com estrogênios permanece como 
a mais efetiva para os sintomas vasomotores. No 
entanto, em decorrência de contraindicações ou 
pelos conceitos próprios do que seja seguro, 
muitas mulheres relutam em utilizá-la. Alguns 
tratamentos farmacológicos não hormonais têm 
sido avaliados em estudos randomizados, clíni-
cos e prospectivos para alívio destes sintomas. 
(FÉLIX LMC, et al., 2009) 
 
120 | P á g i n a 
Atualmente, os inibidores de recaptação se-
letiva da serotonina (SSRIs) e os inibidores de 
recaptação da serotonina e norepinefrina 
(SNRIs) são os agentes mais estudados para mu-
lheres sintomáticas com ou sem história prévia 
de câncer de mama. Contudo, há outros medica-
mentos que vem se mostrando eficazes no trata-
mento para mulheres que não desejam ou não 
podem tratar com estrogênio, os veremos a se-
guir (FÉLIX LMC, et al., 2009). 
Antidepressivos 
Os agentes da família dos inibidores seleti-
vos de recaptação da serotonina e os inibidores 
de recaptação de serotonina e norepinefrina 
(SSRI/ SNRI) reduzem os fogachos de 50 a 60% 
segundo estudos clínicos placebo-controlados 
(FÉLIX LMC, et al., 2009). 
Para o tratamento de sintomas vasomotores, 
foi evidenciado que a utilização de Venlafaxina 
75mg/dia tem sido efetiva na redução significa-
tiva na percepção dos fogachos (FÉLIX LMC, 
et al., 2009). 
Investigadores avaliaram a eficácia do cita-
lopram (SSRI) em nove meses de estudo pla-
cebo-controlado, que incluiu 150 mulheres na 
pós-menopausa. Nos seis meses de terapia, fo-
gachos foram reduzidos em 58, 62 e 64% nos 
grupos de placebo, fluoxetina e citalopram, res-
pectivamente (FÉLIX LMC, et al., 2009). 
Isoflavonas 
As isoflavonas são as formas mais comuns 
de fitoestrógenos e são encontradas na soja, pro-
dutos de soja (leite de soja, tofu, bebidas de soja 
e farinhas de soja), lentilhas, ervilhas verdes e 
alfafa e brotos de feijão (CARBONEL et al., 
2018). 
Uma capacidade de ligação seletiva de alta 
afinidade aos receptores de estrogênio, permite 
que esses compostos químicos se envolvam em 
atividade estrogênica em tecidos humanos 
(CARBONEL et al., 2018). 
As isoflavonas desempenham muitos papéis 
na compensação de diversos sintomas da meno-
pausa, entretanto ainda persistem dúvidas sobre 
os efeitos benéficos das isoflavonas no sistema 
reprodutor feminino e seus apêndices, principal-
mente nos seios. Portanto, há uma demanda por 
estudos baseados em evidências do consumo de 
isoflavonas na prevenção e tratamento dos efei-
tos indesejáveis do hipoestrogenismo. A exigên-
cia está sendo atendida por meio de estudos ex-
perimentais e epidemiológicos (CARBONEL et 
al., 2018). 
Anticonvulsivantes 
A gabapentina é um anticonvulsivante apro-
vado pela Food and Drug Administration dos 
Estados Unidos como terapia adjuvante para 
convulsões parciais e neuralgia pós-herpé-
tica.Estudos mostraram que a gabapentina é se-
gura e eficaz no tratamento de fogachos (AL-
LAMEH et al., 2013). 
Seu mecanismo de ação para aliviar os fo-
gachos é desconhecido. A droga possivelmente 
afeta os centros termorreguladores no hipotá-
lamo e pode possuir propriedades nociceptivas 
devido aos seus sítios de ligação de alta afini-
dade nos canais de cálcio. A Sociedade Norte-
Americana de Menopausa e o Colégio Ameri-
cano de Obstetras e Ginecologistas recomen-
dam o uso de gabapentina como uma opção para 
controlar os fogachos em mulheres que não de-
sejam tomar suplementos contendo estrogênio 
(ALLAMEH et al., 2013).
 
 
 
121 | P á g i n a 
Terapia não medicamentosa: 
Mente-corpo: 
Controle do estresse, relaxamento, respira-
ção profunda e ioga podem ser úteis para algu-
mas pessoas, mas os resultados do estudo foram 
inconsistentes; no entanto, essas abordagens 
provavelmente não são prejudiciais e podem ter 
outros benefícios. Outras abordagens, como 
hipnose, bloqueio do gânglio estrelado (entorpe-
cimento de um nervo no pescoço com uma inje-
ção) e acupuntura também não demonstraram 
reduzir os fogachos, embora algumas pessoas as 
considerem úteis (possivelmente devido a um 
efeito placebo) (INNES et al., 2011).
 
 
122 | P á g i n a 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA 
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trogen for treatment of hot flashes in post-menopausal 
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rio. Femina, v. 50, p. 263, 2022. 
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Revista Da Associação Médica Brasileira, v. 64, n. 6, p. 
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FILHO, A.X.F. et al. Manual de Ginecologia da Socie-
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tora Luan Comunicação. Brasília; 2017. p.109-137. 
HAO, S.M. et al. The effect of diet and exercise on cli-
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SELBAC, M.T. et al. Mudanças comportamentais e fisi-
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MS - Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. 
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. edi-
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FEBRASGO. Urbanetz AA. Ginecologia e obstetrícia Fe-
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<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4236559/mod
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gle.com/file/d/1f_THtynY_tp3Gl8_PjZ5suevu8Lc5ORJ/
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123 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras Chave: Planejamento familiar; Contracepção; Reprodução. 
Capítulo 14 
GIOVANNA MARTINS OLIVEIRA MAGALHÃES¹ 
GIULIA MESSIAS CADAVAL PESSOA¹ 
ISABELLA SOUZA ASSUNÇÃO¹ 
THAÍS VIANA DE ÁVILA OLIVEIRA¹ 
1. Docente – Acadêmica do curso de Medicina da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais 
PLANEJAMENTO 
FAMILIAR 
 
124 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
A Organização Mundial de Saúde define 
planejamento familiar como uma possibilidade 
de escolha do número desejado de filhos, do 
momento em que o casal deseja tê-los e do es-
paçamento entre as gestações, através do uso de 
métodos contraceptivos (WORLD HEALTH 
ORGANIZATION, 2012). 
Desde que os direitos reprodutivos foram in-
cluídos como Direitos Humanos na Conferência 
Internacional dos Direitos Humanos em Teerã 
em 1968, o planejamento familiar vem sendo 
amplamente discutido no mundo todo como 
uma forma de garantir às mulheres e seus par-
ceiros a decisão sobre sua vida reprodutiva 
(FERNANDES & DE SÁ, 2019) No Brasil, o 
planejamento familiar ganhou notoriedade 
quando, em 12 de janeiro de 1996, foi aprovado 
a lei n° 9263 que declarou o planejamento fami-
liar como direito de todo cidadão, além de esta-
belecer que o Sistema Único de Saúde (SUS), 
em todos os seus níveis, deve garantir à mulher, 
ao homem ou ao casal, assistência à concepção 
e contracepção. (BRASIL, 1996) 
Essa medida foi um passo fundamental na 
democratização ao acesso aos meios de contra-
cepção nos serviços públicos de saúde, que de-
vem fornecer todos os métodos anticoncepcio-
nais recomendados pelo Ministério da Saúde 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002). Neste sen-
tido, o Planejamento Familiar deve ser tratado 
dentro do contexto dos direitos reprodutivos, 
tendo, portanto, como principal objetivo garan-
tir às mulheres e aos homens o direito básico de 
ter ou não filhos/as e o momento em que deseja 
tê-los, garantindo uma maternidade e paterni-
dade responsáveis, além de promoção da saúde 
sexual e reprodutiva. 
Para o exercício pleno do direito ao planeja-
mento familiar, é necessário cuidado e avaliação 
criteriosa dos profissionais de saúde para que se 
indique o melhor método para cada paciente, de 
forma que não coloque em risco a saúde ou a 
vida de quem deseja iniciar a contracepção. Para 
isso, a Organização Mundial de Saúde desen-
volveu os critérios de elegibilidade médica para 
a seleção de métodos contraceptivos, que levam 
em consideração condições clínicas específicas 
dos pacientes, como por exemplo idade, taba-
gismo, obesidade, hipertensão arterial, doenças 
cardiovasculares, doenças neurológicas, distúr-
bios depressivos, entre outros (WORLD 
HEALTH ORGANIZATION, 2015). Os crité-
rios são divididos em quatro categorias, descri-
tos na Tabela 14.1 
Tabela 14.1 Critérios médicos de elegibilidade para o uso de métodos anticoncepcionais 
Categoria Com critério clínico Com critério clínico limitado 
1 Não há nenhuma contraindicação ao uso desse método 
contraceptivo. 
Sim (use o método) 
2 Os benefícios do uso do método contraceptivo superam os 
possíveis riscos relacionados à saúde 
Sim (use o método) 
3 Os possíveis riscos superam os benefícios do uso do método 
contraceptivo 
Não (não use o método) 
4 O uso do método contraceptivo é contraindicado devido ao 
alto risco para a saúde 
Não (não use o método) 
Fonte: World Health Organization, 2015. 
 
 
125 | P á g i n a 
Métodos comportamentais 
Os métodos comportamentais são técnicas 
de contracepção que se baseiam na identificação 
do período fértil da mulher, que pode ser identi-
ficado através de sinais e sintomas que ocorrem 
no organismo feminino durante esta fase do ci-
clo menstrual. Durante esse período os casais se 
abstêm das relações sexuais ou praticam coito 
interrompido, a fim de diminuir a chance de 
uma gravidez indesejada (FERNANDES & DE 
SÁ, 2019). 
Como todo método anticoncepcional, os 
métodos comportamentais apresentam uma taxa 
de falha que depende de seu uso correto e con-
sistente, sendo que, no primeiro ano de uso, a 
taxa de falha atinge mais de 20%, em seu uso 
habitual, comparado a 0,5 a 0,9% entre usuários 
adaptados ao método (uso correto). As limita-
ções estão relacionadas à necessidade de absti-
nência sexual periódica, o que é evidenciado pe-
las taxas de falha relativamente altas com uso 
típico. Além disso, doenças, sono interrompido 
e uso de medicamentos podem alterar ou inter-
ferir na observação e interpretação de alguns 
marcadores biológicos. Os métodos comporta-
mentais são opções alternativas de planeja-
mento familiar para as pacientes, que, motiva-
das por uma opção religiosa, sociocultural ou fi-
losófica, se interessam por um método mais “na-
tural” de anticoncepção, independentemente das 
maiores taxas de falhas em relação aos métodos 
atuais, reversíveis, disponíveis no mercado 
(FERNANDES & DE SÁ, 2019). 
Temperatura basal 
Na primeira fase do ciclo menstrual (fase fo-
licular), a temperatura corporal é mais baixa e 
permanece constante. Já na segunda fase (fase 
lútea), ocorre um aumento de pelo menos 0,2 ºC, 
decorrente da ação da progesterona na termorre-
gulação. Esse método se baseia nessa leve alte-
ração da temperatura basal durante o ciclo 
(FERNANDES & DE SÁ, 2019) 
 A mulher que desejar utilizar o método 
da temperatura basal deve: 
 Utilizar sempre o mesmo termômetro e a 
mesma via de mensuração 
 Suspender as relações sexuais desprote-
gidas a partir do 1º dia do ciclo 
 Medir sua temperatura diariamente pela 
manhã, após o primeiro dia do ciclo, sempre no 
mesmo horário, antes de alimentar ou fazer 
qualquer atividade 
 Após o aumento, de no mínimo 0,2 ºC 
por três dias consecutivos, o casal pode retomar 
as relações sexuais desprotegidas até o início da 
próxima menstruação. (O 3º dia consecutivo de 
aumento da temperatura marca o dia da ovula-
ção e o fim do período fértil) (FEBRASGO, 
2019; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SA-
ÚDE, 2007) 
Abaixo está representado um gráfico (Fi-
gura 14.1) de temperatura basal em uma mulher 
com o ciclo de 28 dias, sendo que do 1º ao 13º 
dia representa a fase proliferativa, o 14º dia 
marca o dia da ovulação, e do 18º ao 28º dia re-
presenta a fase lútea, em que a mulher está in-
fértil. 
 
 
126 | P á g i n a 
Figura 14.1 Curva de temperatura basal em um ciclo de 28 dias 
Legenda: Eixo Y - temperatura corporal basal em Celsius (ºC) - eixo X - dias do ciclo. Fonte: World Health Organiza-
tion, 2007. 
Ogino-Knaus/Tabelinha 
Esse método consiste no casal se abster de 
relações sexuais durante o período fértil da mu-
lher, que pode ser calculado através do método 
estatístico de probabilidade de Ogino-Knaus. 
Para estabelecer o período de fertilidade a 
mulher deve registrar o número de dias de cada 
ciclo menstrual durante pelo menos 6 meses. 
Tendo isso registrado, deve-se ter o conheci-
mento quea ovulação ocorre de 12 a 16 dias an-
tes da próxima menstruação, e que o espermato-
zoide possui meia-vida de até 48 horas e óvulo 
de 24 horas. Sendo assim, pode ser usada uma 
regra prática para estabelecer o período fértil 
(FERNANDES & DE SÁ, 2019) 
Para estimar a data de início do período fér-
til, deve-se subtrair 18 do número de dias do ci-
clo mais curto (16 + 2, pois 16 é o primeiro dia 
em que pode ocorrer a ovulação e 2 é o tempo 
que o espermatozoide pode permanecer vivo). E 
para estimar o último dia do período fértil pode-
mos subtrair 11 do número de dias do ciclo mais 
longo (11 + 1, pois 11 é o último dia em que 
pode ocorrer a ovulação e 1 é o tempo em que o 
óvulo permanece viável). Com isso, temos uma 
estimativa do período fértil da mulher (WORLD 
HEALTH ORGANIZATION, 2007) 
Muco cervical/Método de Billings 
Esse método se baseia nas características do 
muco cervical. O estímulo crescente do estrogê-
nio na primeira fase do ciclo menstrual possui 
ação no muco cervical, que se torna mais abun-
dante, aquoso (semelhante à clara de ovo) e fi-
lante, à medida que se aproxima do dia da ovu-
lação. A filância pode ser observada na Figura 
14.2, quando o muco cervical é colocado entre 
o dedo polegar e indicador, e esta pode chegar a 
10 cm no período ovulatório (BILLINGS & 
WESTMORE, 1993). 
Sendo assim, esse método consiste na abs-
tenção sexual durante os dias que o muco está 
mais filante, isto é, elástico. 
Figura 14.2 Representação do muco cervical durante o 
ciclo 
 
Fonte: Febrasgo: Tratado de Ginecologia, 2019. 
 
 
127 | P á g i n a 
Amenorreia lactacional 
O método contraceptivo da amenorreia lac-
tacional se baseia no fato de que o aleitamento 
materno exclusivo promove alterações na libe-
ração hormonal, consequentemente provocando 
a anovulação. Isso decorre de uma resposta ao 
estímulo da prolactina sobre o ovário, que inibe 
a secreção de estrogênio, consequentemente ini-
bindo a ovulação e mantendo a amenorreia 
(ARAÚJO et al., 2020). 
Esse método possui diversos benefícios 
como: poder ser usado imediatamente após o 
parto, não ter custos diretos, não requerer o uso 
de medicamentos, não ter efeito secundário por 
hormônios ao binômio materno-fetal e possibi-
litar que o casal tenha um tempo para discutir o 
planejamento após a parada da lactação, além de 
estimular a amamentação exclusiva. Além 
disso, todas as nutrizes podem optar pelo mé-
todo de forma segura e eficaz, a menos que: os 
ciclos menstruais tenham retornado, estejam em 
uso de suplementação regular ou com intervalo 
grande entre as mamadas, ou que tenha um 
tempo superior a 6 meses após o parto (FER-
NANDES &e DE SÁ, 2019). 
Sintotérmico 
Esse método combina os cálculos do calen-
dário, do aumento da temperatura basal na fase 
lútea e do monitoramento do muco cervical, a 
fim de melhorar a estimativa do início e do fim 
do período fértil, aumentando a eficácia do mé-
todo e diminuindo o tempo de abstinência se-
xual. Além disso, as mulheres podem usar ou-
tros sinais (consistência e posição do colo do 
útero) ou sintomas (sensibilidade mamária, dor 
ovulatória, sangramento de ovulação) para auxi-
liar na identificação do período fértil (FER-
NANDES & DE SÁ, 2019). 
Métodos de barreira 
Métodos de barreira são aqueles que consis-
tem no bloqueio da passagem dos espermatozoi-
des para o útero, de forma a impedir o encontro 
com o oócito. Os métodos podem ser mecâni-
cos, como preservativos masculino, preservati-
vos femininos e diafragma; podem ser quími-
cos, como o espermicida; e podem ser mistos, 
como a esponja e o capuz cervical, que são dis-
positivos mecânicos aliados a um espermicida. 
O diafragma, o capuz cervical e a esponja tam-
bém são considerados um grupo à parte denomi-
nado métodos de barreira cervical, por protege-
rem justamente o cérvice (FEBRASGO, 2015). 
Preservativo masculino 
O preservativo masculino, popularmente 
conhecido como camisinha, é uma capa fina, ge-
ralmente de látex, colocado na extensão do pê-
nis para barrar o esperma no momento da ejacu-
lação. Os preservativos, masculinos e femini-
nos, são os únicos métodos capazes de proteger 
contra infecções sexualmente transmissíveis 
(ISTs) e, por esse motivo, o seu uso deve ser in-
centivado mesmo quando são utilizados outros 
métodos contraceptivos. Além disso, é impor-
tante colocá-lo desde o início da relação sexual 
e de forma correta (Figura 14.3), para evitar 
rompimento do material e extravasamento de 
esperma. 
Existe uma grande variedade de preservati-
vos no mercado. Diferentes tamanhos, texturas, 
sabores e materiais. A disponibilidade de pre-
servativos feitos de borrachas sintéticas como as 
de nitrilo, poli-isopreno e poliuretano é rele-
vante, uma vez que reações alérgicas ao látex 
são comuns. No SUS, estão disponíveis as ca-
misinhas de látex para todos os usuários. 
 
 
128 | P á g i n a 
A eficácia do preservativo masculino para 
prevenção de gravidez varia de 85% a 98%. A 
taxa de falha é maior quando o método não é 
usado de forma correta pelos usuários. O uso de 
lubrificantes vaginais também pode ajudar a 
evitar rupturas no preservativo. Não é recomen-
dado o uso de dois preservativos simultanea-
mente (FERNANDES & DE SÁ, 2019). 
Figura 14.3 Como colocar a camisinha corretamente. 
 
Preservativo feminino 
O preservativo feminino é um dispositivo 
cilíndrico maleável, que reveste o canal vaginal 
no momento da relação sexual, prevenindo ISTs 
e gravidez. Ele possui uma das extremidades fe-
chada e fixa ao cérvice por um anel e a outra 
aberta e encaixada na vulva por um segundo 
anel (Figura 14.4). Existem poucos modelos 
disponíveis no mercado, entretanto, são encon-
tradas em látex, nitrilo e poliuretano. As cami-
sinhas femininas tem duas versões, FC1 e FC2. 
Os estudos sobre taxa de falha existem apenas 
na versão anterior (FC1), apontando que a falha 
é de 12,4% para uso típico e 2,6% para uso per-
feito. Todavia, pesquisas que comparam as duas 
versões do preservativo feminino revelam que a 
FC2 teve menos relatos de desconforto (CHAP-
PELL et al., 2022). 
Figura 14.4 Forma correta de colocar a camisinha femi-
nina. 
 
Diafragma 
O diafragma é um dispositivo reutilizável, 
feito de silicone ou látex, colocado no fundo do 
canal vaginal como uma barreira física que im-
pede o esperma de chegar ao colo do útero. 
Existe em diferentes tamanhos (55 a 105 mm de 
diâmetro), o que o torna acessível para um 
maior número de mulheres. Ao ser colocado na 
posição correta, o diafragma se encaixa atrás do 
púbis, recobrindo a parede anterior do canal va-
ginal e o colo uterino. Deve ser colocado antes 
da relação sexual e permanecer entre 6 e 30 ho-
ras no canal (GALLO et al., 2002). Pode ser 
usado com espermicida, o que eleva a eficácia 
para 84% a 94% (FERNANDES & DE SÁ, 
2019). 
Espermicidas 
Os espermicidas são produtos químicos, ge-
ralmente de nonoxynol-9, que promovem a 
morte ou inativação dos espermatozoides por 
 
129 | P á g i n a 
meio da dissolução de componentes lipídicos da 
membrana plasmática. Eles são encontrados na 
forma de géis, cremes, películas, espumas e su-
positórios. A forma mais comum e aceita é o gel. 
O uso consiste na aplicação do espermicida no 
fundo do canal vaginal em até trinta minutos an-
tes da relação sexual. Frequentemente, o esper-
micida é utilizado com outros métodos de bar-
reira, o que aumenta a eficácia da contracepção. 
Usado sozinho, o espermicida gel de 
nonoxynol-9 150 mg apresentou 86% de eficá-
cia na prevenção de gravidez. Os géis com doses 
menores da mesma substância apresentaram 
menor eficácia (GRIMES et al., 2013). Segundo 
a Organização Mundial de Saúde, o uso de es-
permicida é contraindicado para mulheres com 
alto risco de infecção por HIV e para mulheres 
já infectadas pelo vírus (WHO, 2010). Estudos 
apontam para o risco de alteração daflora vagi-
nal no caso de uso contínuo dos espermicidas, o 
que pode levar também ao aumento do risco de 
infecções do trato urinário (SCHOLES, 2000). 
Esponjas 
A esponja é um dispositivo macio, feito de 
poliuretano, que é preenchido com espermicida 
e colocado no fundo do canal vaginal aderido ao 
cérvice para prevenir gravidez. É um dispositivo 
barato e que pode agir por um tempo prolongado 
de 24 horas sem necessidade de espermicida 
adicional. A desvantagem está no fato de que a 
esponja é descartável, o que pode impossibilitar 
seu uso a longo prazo. Estudos comparando a 
eficácia da esponja com a do diafragma de-
monstram que a primeira tem maior taxa de fa-
lha. Para uso típico, a taxa de falha da esponja 
varia de 16% a 32% e para uso perfeito a varia-
ção é de 9% a 20% (KUYOH et al., 2002). 
Capuz cervical 
O capuz cervical é um dispositivo de bar-
reira que é colocado aderido ao colo do útero 
anteriormente ao coito (FIGURA 14.5). Ele é 
menor que o diafragma e pode ficar mais tempo 
no canal vaginal, até 72 horas. Estudos compa-
raram o capuz cervical com o diafragma no que 
diz respeito à eficácia e concluíram que ambos 
tiveram resultados similares (GALLO et al., 
2002). A taxa de gravidez com esse método va-
ria de 9% a 32% (FERNANDES e DE SÁ, 
2019). A associação do capuz cervical com es-
permicidas pode aumentar sua eficácia. 
Figura 14.5 Mecanismo de ação do capuz cervical 
Métodos hormonais 
Anticoncepcional hormonal combinado 
Os anticoncepcionais hormonais combina-
dos (AHCs) são compostos por fármacos análo-
gos aos esteroides sexuais estrógeno e progeste-
rona, e atuam no eixo hipotálamo-hipófise-ová-
rio. O componente progestagênio é responsável 
pelos principais efeitos contraceptivos, a partir 
da inibição do pico do hormônio luteinizante 
(LH) que precede a ovulação, evitando, assim, 
que ela ocorra. Outros efeitos esperados são o 
espessamento do muco cervical e a alteração da 
motilidade das trompas uterinas, que dificultam 
a movimentação e o encontro dos gametas, além 
do efeito antiproliferativo do endométrio, que 
evita a implantação no caso de uma possível fe-
cundação (FERNANDES & DE SÁ, 2019). 
 
130 | P á g i n a 
Já o estrogênio tem sua ação focada no con-
trole e na previsibilidade do sangramento mens-
trual, estabilizando o endométrio e reduzindo a 
ocorrência de episódios de sangramentos de es-
cape. Ademais, atua potencializando a eficácia 
contraceptiva do progestágeno, aumentando o 
número de receptores de progesterona intracelu-
lares (TAYLOR et al., 2019). Outro efeito pro-
duzido é a inibição do pico do hormônio folí-
culo-estimulante (FSH), evitando a seleção e o 
crescimento do folículo dominante (FERNAN-
DES & DE SÁ, 2019). 
Esses anticoncepcionais podem ser inicia-
dos em qualquer período do ciclo menstrual, 
desde que não se suspeite de gravidez, e, caso se 
inicie nos primeiros cinco dias do ciclo, não se 
faz necessária a utilização de um método de 
apoio. Porém, caso o início aconteça após os pri-
meiros cinco dias, recomenda-se o uso de um 
método complementar por sete dias (BLUMEN-
THAL & EDELMAN, 2008). 
Os AHCs podem ser classificados de acordo 
com sua forma de administração: 
 Anticoncepcional oral combinado 
Representam o método contraceptivo mais 
comum no mundo. Sua popularidade está asso-
ciada ao reduzido índice de falhas que, quando 
utilizado de maneira correta, é inferior a uma a 
cada 100 mulheres/ ano. Comumente são apre-
sentados em cartelas contendo 28 comprimidos, 
sendo que 7 desses são inativos e, geralmente, 
coincidem com o período em que ocorre a mens-
truação, de modo que não são necessárias pau-
sas entre as cartelas (FEBRASGO, 2015). 
 Anticoncepcional injetável mensal 
Semelhante ao anticoncepcional oral combi-
nado, os injetáveis mensais possuem em sua 
composição a associação de estrogênio natural e 
progestágeno, que podem estar presentes em di-
ferentes formulações (FEBRASGO, 2015). 
É um método altamente eficaz, em uso per-
feito, os índices de gravidez são inferiores a 1 
em cada 100 mulheres por ano, sendo que esse 
risco aumenta significativamente quando as in-
jeções não são retomadas no tempo adequado 
(WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2018). 
 Anel Vaginal (Nuvaring®) 
Consiste em um anel flexível, de diâmetro 
variado (54 a 58 mm), composto por silicone, 
que libera etonogestrel (120 ug/dia) e etiniles-
tradiol (15 ug/dia) quando em contato com a va-
gina (FERNANDES & DE SÁ, 2019). 
Deve ser inserido na vagina e mantido por 
de três semanas e, em seguida removido por du-
ração de uma semana. Após esse período, um 
novo anel deve ser inserido (BLUMENTHAL & 
EDELMAN, 2008) 
 Adesivo transdérmico 
O adesivo ou ‘patch’ é composto de etini-
lestradiol (20 ug/ dia) e norelgestromina (150 
ug/dia). É aplicado na superfície da pele uma 
vez na semana, durante três semanas, seguidas 
de uma semana livre de hormônio (FERNAN-
DES & DE SÁ, 2019). Possui eficácia, contra-
indicações e efeitos adversos que os anticoncep-
cionais orais combinados, no entanto, são mais 
cômodos quanto à aplicação, além de não sofrer 
interferência do metabolismo gastrointestinal 
(FEBRASGO, 2015). 
 Anticoncepcional hormonal de pro-
gestágeno 
Os anticoncepcionais orais contendo apenas 
progestágeno são uma importante alternativa 
para mulheres que apresentam contraindicação 
ou efeito adverso ao uso de estrogênios, como 
trombofilia conhecida e trombose venosa pro-
funda, lúpus eritematoso sistêmico, presença de 
múltiplos fatores de risco de doença cardiovas-
cular, enxaqueca, puerpério e amamentação 
(BLUMENTHAL & EDELMAN, 2008) (FER-
NANDES & DE SÁ, 2019). 
Os fármacos que atuam como a progeste-
rona apresentam alguns mecanismos de ação 
 
131 | P á g i n a 
que evitam tanto a fecundação, quanto a nida-
ção, como a inibição da ovulação resultante do 
bloqueio da liberação das gonadotrofinas pela 
hipófise, o espessamento do muco cervical, a re-
dução da motilidade tubária e a inibição da pro-
liferação endometrial (FEBRASGO, 2015). 
 Anticoncepcional oral de progestá-
geno 
Também conhecida como ‘minipílula’, es-
ses anticoncepcionais contêm pequenas doses 
de progestágenos, e não possuem estrógenos em 
sua composição. As pílulas anticoncepcionais 
de progesterona devem ser tomadas de maneira 
contínua, sendo um comprimido por dia sem in-
tervalo entre as cartelas e, quando utilizadas de 
maneira adequada, possuem uma eficácia de 
aproximadamente 99% (WORLD HEALTH 
ORGANIZATION, 2018). 
Nos primeiros meses é comum que ocorram 
sangramentos irregulares, porém a tendência é 
de que, após alguns meses de uso, sua frequên-
cia diminua, evoluindo, muitas vezes, para ame-
norreia (FEBRASGO, 2019). 
 Anticoncepcional injetável trimestral 
Os anticoncepcionais injetáveis trimestrais 
contêm apenas o fármaco de efeito análogo ao 
do hormônio progesterona (acetato de medroxi-
progesterona), que é liberado na corrente san-
guínea progressivamente após a injeção. No 
Brasil, está disponível na dosagem de 150mg, 
para administração intramuscular (WORLD 
HEALTH ORGANIZATION, 2018). 
Assim como os demais progestagênios, atua 
principalmente na inibição da ovulação, no es-
pessamento do muco cervical e no afinamento 
do endométrio, possuindo uma elevada eficácia, 
com taxa de falha entre 0,3 e 3%, que está asso-
ciada ao retorno para a aplicação das injeções 
regularmente (BLUMENTHAL; EDELMAN, 
2008). 
Métodos reversíveis de longa duração 
Também chamados de LARC, sigla inglesa 
para Long-acting reversible contraception, os 
Métodos Contraceptivos de Longa Duração são 
aqueles capazes de prevenir a gestação por pelo 
menos 1 ano com uma única administração. Os 
LARCs incluem implantes hormonais, disposi-
tivos intrauterinos (DIU) não hormonais e DIUs 
hormonais (BAKER & CREININ, 2022). 
Esses métodos anticoncepcionais são alta-
mente eficazes, aproximadamente20 vezes 
mais eficazes que pílulas, adesivos ou anéis va-
ginais (CURTIS & PEIPERT, 2017), e podem 
ser removidos ou interrompidos a qualquer mo-
mento, permitindo que a fertilidade da usuária 
do método seja restaurada rapidamente. 
Uma vez que os LARCs não dependem da 
adesão da usuária após a colocação, os índices 
de falha de uso ideal e uso real são semelhantes 
(CURTIS & PEIPERT, 2017). Atualmente, são 
considerados métodos de primeira opção para 
adolescentes devido a sua alta eficácia, facili-
dade de uso e tempo prolongado (FERNANDES 
& DE SÁ, 2019). 
DIU 
Constituem o método mais comum de con-
tracepção reversível utilizado no mundo (FER-
NANDES & DE SÁ, 2019). O principal efeito 
do DIU não é sistêmico, mas sim local, visto que 
todos esses dispositivos criam uma resposta in-
flamatória, como um corpo estranho na cavi-
dade endometrial, sendo espermicida e impe-
dindo a fertilização (BAKER e CREININ, 
2022). 
 Levonorgestrel 
Os sistemas intrauterinos (SIU) liberadores 
de levonorgestrel (LNG) são endoceptivos re-
versíveis que possuem reservatório de liberação 
de esteróides coberto por uma membrana limi-
tadora de velocidade sobre a haste. Esses DIUs 
 
132 | P á g i n a 
possuem meia-vida prolongada (5 anos) e são e 
altamente eficazes (índice de falha em uso ideal 
de 0,2% e índice de falha em uso real de 0,2%) 
(FERNANDES & DE SÁ, 2019). 
A liberação de levonorgestrel gera, princi-
palmente, atrofia endometrial, proporcionando 
pouco efeito sobre o eixo hipotálamo-hipófise-
ovariano. Assim, a maioria das mulheres que fa-
zem seu uso ovula. 
Mirena® e Kyleena® são algumas das op-
ções de SIU-LNG disponíveis no mercado. 
 Cobre 
O DIU-Cu é um instrumento não hormonal 
que age desencadeando reação inflamatória en-
dometrial através de seus sais de cobre e polie-
tileno e então formando uma “espuma” nociva 
para os espermatozoides e óvulos, restringindo 
a capacidade de fertilização desses gametas 
(FERNANDES & DE SÁ, 2019). 
A meia-vida desse DIU é de 10 anos e seu 
índice de falha em uso ideal é de 0,8% e em uso 
real é de 2% (FERNANDES & DE SÁ, 2019). 
Contudo, esse tipo de dispositivo está asso-
ciado ao aumento da dismenorreia, do volume e 
da duração do sangramento menstrual, especial-
mente nos primeiros ciclos após sua inserção 
(BAKER & CREININ, 2022), o que pode cau-
sar uma variação de posição do DIU, principal-
mente nos 3 primeiros meses após a inserção, 
quando a taxa de expulsão é de 3% a 5% (FER-
NANDES & DE SÁ, 2019). Esses efeitos adver-
sos decrescem com o tempo. 
Implante contraceptivo 
No Brasil, o único implante liberado pela 
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (An-
visa) é o Implanon, um implante subdérmico, 
não biodegradável, contendo etonogestrel, que é 
o metabólito biologicamente ativo do desoges-
trel, uma forma sintética da progesterona. 
Ao implantar esse dispositivo, o etonoges-
trel presente no implante se difunde rapida-
mente para a circulação sistêmica em concentra-
ções que causam supressão da ovulação, por 
meio do impedimento do aumento do hormônio 
luteinizante (BAKER & CREININ, 2022). 
Esse método contraceptivo possui grande 
eficácia (índice de falha em uso ideal de 0,05% 
e índice de falha em uso real de 0,05%), duração 
de 3 anos (FERNANDES & DE SÁ, 2019), 
sendo discreto e de fácil inserção. 
No entanto, a insatisfação em relação ao im-
plante é um dos principais motivos para a taxa 
de descontinuação desse método ser de 44%. 
Aproximadamente metade dos usuários citaram 
o sangramento intermenstrual como o motivo de 
sua remoção (BAKER & CREININ, 2022). 
Métodos cirúrgicos 
Segundo a Lei 14.443, de 2 de setembro de 
2022, alterando o texto anterior de 1996 sobre 
métodos e técnicas contraceptivas, a esteriliza-
ção voluntária é permitida em homens e mulhe-
res maiores de 21 anos de idade ou, pelo menos, 
com 2 filhos vivos, desde que observado o prazo 
mínimo de 60 dias entre a manifestação da von-
tade e o ato cirúrgico além dos casos de risco à 
vida ou à saúde da mulher ou do futuro con-
cepto. A esterilização cirúrgica em mulher du-
rante o período de parto será garantida à solici-
tante se observados o prazo mínimo de 60 dias 
entre a manifestação da vontade e o parto e as 
devidas condições médicas (BRASIL, 2022). 
Laqueadura tubária 
A principal função das tubas uterinas é 
transportar o esperma em direção ao óvulo e 
permitir que o óvulo fertilizado dirija-se nova-
mente para o útero para sua implantação. A la-
queadura tubária é um procedimento que pode 
ser feito por acesso lapatorômico, lapatoscó-
 
133 | P á g i n a 
pico, vaginal ou histeroscópico, a fim de inter-
romper a permeabilidade tubária e bloquear a 
passagem dos espermatozoides (SUNG & 
ABRAMOVITZ, 2019). 
O índice de falha desse método contracep-
tivo é de 0,5%, uma vez que há risco de recana-
lização das tubas (FERNANDES & DE SÁ, 
2019). 
Ademais, a laqueadura pode ter benefícios 
não contraceptivos, como melhora dos padrões 
de sangramento menstrual e diminuição dos ris-
cos de câncer de ovário (SUNG & ABRAMO-
VITZ, 2019). 
Vasectomia 
Trata-se de um método de esterilização mas-
culina definitiva e suas opções incluem cauteri-
zação da mucosa ou ligaduras aplicadas nos 
ductos deferentes; vasectomia aberta com cau-
terização da mucosa e interposição fascial sobre 
a extremidade abdominal e extremidade testicu-
lar não ocluída; e o método não divisional com 
eletrocautério estendido (VELEZ et al., 2021). 
O índice de falha desse método contracep-
tivo é de 0,2%. Posto isso, verifica-se que o pa-
ciente deve ser informado de que a vasectomia 
não é um método com efetividade imediata e 
que outro método de contracepção deve ser em-
pregado até que a confirmação de oclusão ductal 
seja feita com um espermograma pós-procedi-
mento. Ademais, esse procedimento não causa 
diminuição da libido, mudanças na atividade se-
xual ou ereção e nem diminui o volume do eja-
culado (FERNANDES & DE SÁ, 2019). 
Contracepção de emergência 
A contracepção de emergência (CE) diz res-
peito aos métodos utilizados após um intercurso 
sexual que apresenta risco de gestação à mulher. 
Esses métodos são fundamentais para assegurar 
os direitos reprodutivos, visto que são mais uma 
possibilidade de controlar voluntariamente o 
número de filhos e seguir um planejamento fa-
miliar. Além disso, são um pilar fundamental 
para a saúde pública, uma vez que a CE, ao evi-
tar gestações indesejadas, reduz a ocorrência de 
abortos e complicações a eles relacionadas. É 
importante ressaltar que os mecanismos de ação 
das CEs interferem antes da fecundação, de 
modo que não podem ser considerados aborti-
vos (FEBRASGO, 2015). As situações em que 
o uso da CE é indicada são relação sexual des-
protegida, falha do método contraceptivo, uso 
incorreto de anticoncepcionais ou em casos de 
agressões sexuais (OMS). Os três métodos de 
CE utilizados no Brasil e que serão abordados 
neste capítulo são: pílulas anticoncepcionais de 
emergência (PAEs), método de Yuzpe e dispo-
sitivos intrauterinos (DIU) de cobre. 
Pílulas anticoncepcionais de emergência 
As PAEs, amplamente conhecidas como pí-
lula do dia seguinte, são medicamentos orais 
que devem ser usados dentro do prazo de cinco 
dias após o intercurso sexual para prevenir a 
gravidez. A recomendação da OMS inclui a pí-
lula de levonorgestrel dose única 1,5 mg ou duas 
doses 0,75 mg com intervalo de 12h e a pílula 
de acetato de ulipristal dose única de 30 mg. Es-
tudos apontam para uma maior eficácia do ace-
tato de ulipristal (98%) comparado com o levo-
norgestrel (52 a 94%) (SHEN et al., 2019). A 
eficácia é maior se o medicamento for tomado o 
mais rápido possível após a relação sexual. 
As PAEs têm como mecanismo de ação o 
impedimento ou atraso da ovulação se tomadas 
nos primeiros 14 dias do ciclo menstrual. Após 
esse período, atuam promovendo o espessa-mento do muco cervical e limitando a capaci-
dade dos espermatozoides. Não há eficácia para 
mulheres grávidas e não existem evidências que 
as PAEs possam gerar efeitos no feto ou efeitos 
abortivos (FEBRASGO, 2015). Qualquer mu-
 
134 | P á g i n a 
lher pode fazer uso das PAEs, mas não é reco-
mendado o uso regular devido a diminuição da 
eficácia e aumento dos efeitos colaterais. 
Os efeitos colaterais das pílulas de acetato 
de ulipristal incluem cefaleia, dor abdominal, 
náusea, dismenorreia, fadiga e tontura. As pílu-
las de levonorgestrel incluem os mesmos efeitos 
colaterais e ainda existem relatos de alterações 
menstruais e êmese (TUROK, 2023). 
Método de Yuzpe 
O método de Yuzpe foi o primeiro método 
de concepção pós-coital e consiste em tomar 
duas doses de pílula anticoncepcional oral com-
binada contendo 100 mcg de etinilestradiol e 
500 mcg de levonorgestrel. As recomendações 
são que a primeira dose deve ser tomada assim 
que possível após o intercurso sexual em até 72 
horas e a segunda dose 12 horas após a primeira 
(FEBRASGO, 2015). Segundo estudos, a 
chance de gravidez utilizando o método de 
Yuzpe é maior do que a chance de gravidez uti-
lizando a PAE de levonorgestrel (SHEN et 
al.,2019). 
Dispositivos Intrauterinos de Cobre 
O DIU de cobre é um método reversível de 
longa duração que, quando inserido em até 
cinco dias após a relação sexual, pode atuar 
como contracepção de emergência. Seu meca-
nismo de ação é a alteração química do esperma 
e do óvulo, impedindo a fecundação (WORLD 
HEALTH ORGANIZATION, 2022). Atual-
mente é a forma de CE com maior eficácia e é a 
única que promove contracepção contínua de-
pois de inserido (RAMANADHAN et al., 
2023). Os efeitos colaterais são os mesmos de 
quando usado como método reversível de longa 
duração. Comparado com as PAEs, o DIU de 
cobre parece estar associado com um maior 
risco de dor abdominal (SHEN et al., 2019). 
 
 
135 | P á g i n a 
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Palavras Chave: Câncer de mama; Rastreio; Estado nutricional. 
Capítulo 15 
BRENDA MIRELLY JASTROW1 
MARIA EDUARDA PIFFER DE ALMEIDA1 
ALANA SANTA ROSA SANTOS1 
ALICE FREITAS1 
1. Discente - Faculdade Multivix. 
MASTOLOGIA 
 
138 | P á g i n a 
INTRODUÇÃO 
O câncer de mama é uma enfermidade que 
consiste na multiplicação desordenada de célu-
las anormais da mama,