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<p>AO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE FORTALEZA.</p><p>Maria Oliveira, inscrito no CPF,XXXXXX, RG XXXXXXX, residente e domiciliado na XXXXXX, (Ma............gmail.com, vem à presença de Vossa Excelência, por seu procurador, propor</p><p>AÇÃO INDENIZATÓRIA – Danos Morais e Materiais.</p><p>RAZÃO SOCIAL DO FORNECEDOR DIRETO, inscrito no CNPJ XXXXXXXX com endereço na XXXXXXXXXX , N° XX, e;</p><p>RAZÃO SOCIAL DO FABRICANTE, inscrito no , com endereço na XXXXXXX , nº xx , na cidade de XXXXX , , pelas razões de fato e de direito que passa a expor:</p><p>DOS FATOS.</p><p>Maria Oliveira adquiriu um celular da marca x, através do site de uma loja varejista em 15 de agosto de 2023.</p><p>O produto foi entregue com defeito impossibilitando seu uso, Maria entrou em contato com a loja dentro do prazo de 7 dias previsto no código de Defesa do consumidor para a devolução, solicitando a troca ou estornado o valor pago.</p><p>Após inúmeras contatos sem solução efetiva, e mesmo após enviar o aparelho para análise técnica conforme solicitado pela a loja. Maria não recebeu resposta sobre a troca nem o reembolso. Além de sofrer transtornos na sua vida pessoal e profissional. Maria teve que adquirir outro celular para suprir suas necessidades, gastando mais 2.500 reais.</p><p>Assim, ela preitear na justiça indenização por danos MORAIS E MATERIAS.</p><p>DO DIREITO.</p><p>DO ENQUADRAMENTO NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR</p><p>A norma que rege a proteção dos direitos do consumidor, define, de forma cristalina, que o consumidor de produtos e serviços deve ser abrigado das condutas abusivas de todo e qualquer fornecedor, nos termos do art 3º do referido Código.</p><p>Com esse postulado, o Réu não pode eximir-se das responsabilidades inerentes à sua atividade, dentre as quais prestar a devida assistência técnica, visto que se trata de um fornecedor de produtos que, independentemente de culpa, causou danos efetivos a um de seus consumidores.</p><p>DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA</p><p>Demonstrada a relação de consumo, resta consubstanciada a configuração da necessária inversão do ônus da prova, pelo que reza o inciso VIII do artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor, tendo em vista que a narrativa dos fatos encontra respaldo nos documentos anexos, que demonstram a verossimilhança do pedido, conforme disposição legal:</p><p>Art. 6º. São direitos básicos do consumidor:</p><p>(...) VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências</p><p>Trata-se da materialização exata do Princípio da Isonomia, segundo o qual, todos devem ser tratados de forma igual perante a lei, observados os limites de sua desigualdade.</p><p>Assim, diante da inequívoca e presumida hipossuficiência, uma vez que disputa a lide com uma empresa de grande porte, indisponível concessão do direito à inversão do ônus da prova, que desde já requer.</p><p>DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO FABRICANTE</p><p>O comerciante, quando envolvido em vícios de qualidade apresentados por produtos de consumo duráveis, responde solidariamente com o fabricante, nos exatos termos do artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor:</p><p>“Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.”</p><p>A mens legis traduz a finalidade de solução do feito em amparo ao consumidor, sem espaço para disputa de responsabilidade. Assim, todos os níveis da relação entre o fabricante do produto e sua entrega ao consumidor são responsáveis pela solução do feito. Cabe ao consumidor escolher se quer acionar o comerciante ou o fabricante.</p><p>Ademais, inquestionável a responsabilidade objetiva da requerida, a qual independe do seu grau de culpabilidade, uma vez que incorreu em uma falha, gerando o dever de indenizar, nos termos do Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 14:</p><p>Art. 14. O fornecedor de serviço responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.</p><p>Imperativo, portanto, que o requerente seja indenizado pelos danos causados em decorrência do ato ilícito, em razão de ter sido vítima de completa e total negligência da demandada, assim como seja indenizado pelo abalo moral em decorrência do ato ilícito.</p><p>DA RESTITUIÇÃO DA QUANTIA PAGA</p><p>Diante da demonstração inequívoca do defeito e tentativa de sanar sem êxito junto aos réus, o Código de Defesa do Consumidor assegura, em seu artigo 18, que:</p><p>“§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:</p><p>I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;</p><p>II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;</p><p>III - o abatimento proporcional do preço.”</p><p>Portanto, demonstrado que findo o referido prazo, sem que o fornecedor tenha efetuado o reparo, dever que foi negado, cabe ao consumidor a escolha de qualquer das alternativas acima mencionadas.</p><p>Desta forma, diante do desgaste ocasionado na relação de consumo com os réus, o reclamante não tem qualquer interesse na manutenção do contrato, pleiteando a restituição imediata da quantia despendida, corrigida e atualizada monetariamente, com fulcro no disposto no inciso II do § 1º do artigo 18, do diploma consumerista.</p><p>DO DANO MORAL</p><p>Conforme demonstrado pelos fatos narrados e prova que junta no presente processo, a empresa ré deixou de cumprir com sua obrigação primária de assistência, obrigando o Autor a buscar inúmeras formas de sanar a ausência do produto .</p><p>Inobstante a isto, as reiteradas tentativas de resolver a necessidade do Autor ultrapassa a esfera dos aborrecimentos aceitáveis do cotidiano.</p><p>Assim, diante da evidência do descaso, resta configurado o dano moral que os Autores foram acometidos, restando inequívoco o direito à indenização, conforme entendimento do TJRS:</p><p>CONSUMIDOR. VÍCIO NO PRODUTO AÇÃO INDENIZATÓRIA. geladeira com defeito. vício não solucionado. devolução do valor pago na forma do art. 18, § 1º, INCISO II, do cdc já OCORRIDA. hipótese de descumprimento contratual. DANOS MORAIS EXCEPCIONALMENTE CONFIGURADOS PELO DESCASO E DESCONSIDERAÇÃO DO FABRICANTE Para com o CONSUMIDOR e pela privação de uso de bem essencial. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (Nº 71005435326 - Nº CNJ: 0014634-83.2015.8.21.9000)</p><p>James Marins, em sua obra Responsabilidade da empresa pelo fato do produto: os acidentes de consumo no Código de Proteção e Defesa do Consumidor, ed. RT, 1993, p. 143, ao disciplinar sobre o tema salienta que:</p><p>"A par de restar cediçamente consagrado, quer na doutrina quer na jurisprudência a indenizabilidade do dano moral e da expressa menção constitucional a sua reparabilidade, o art. 6º, do Código de Proteção e Defesa do Consumidor, assegura como direito básico do consumidor 'a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais'. Segundo observa com propriedade Nélson Nery Júnior, neste dispositivo quer o legislador assegurar não só o critério genérico - que, segundo pensamos, poderá comportar mitigações - de observância da responsabilidade objetiva, ao utilizar-se da expressão 'efetiva prevenção e reparação', como também deixar imbúbite a possi</p><p>O quantum indenizatório deve ser fixado de modo a não só garantir à parte que o postula a recomposição do dano em face da lesão experimentada, e, de igual modo, servir de reprimenda àquele que efetuou a conduta reprovável, de tal forma que o impacto se mostre hábil - em face da</p><p>suficiência - a dissuadi-lo da repetição de procedimento análogo.</p><p>Os fatos evidenciam invulgar resistência da ré na concretização da troca do produto, tanto que</p><p>Portanto, cabível a indenização por danos morais, E nesse sentido, a indenização por dano moral deve representar para a vítima uma satisfação capaz de amenizar de alguma forma o abalo sofrido e de infligir ao causador sanção e alerta para que não volte a repetir o ato, uma vez que fica evidenciado completo descaso aos transtornos causados.</p><p>DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>1. A concessão da Assistência Judiciária Gratuita, nos termos do art. 98 do Código de Processo Civil;</p><p>2. A citação do réu, na pessoa de seu representante legal, para, querendo responder a presente demanda,</p><p>3. A procedência do pedido, com a condenação do requerido ao ressarcimento imediato das quantias pagas, no valor de R$ , acrescidas ainda de juros e correção monetária,</p><p>4. Seja o requerido condenada a pagar ao requerente um quantum a título de danos morais a ser arbitrado por este juízo, considerando as condições das partes, principalmente o potencial econômico-social da lesante, a gravidade da lesão, sua repercussão e as circunstâncias fáticas;</p><p>5. A condenação do requerido em custas judiciais e honorários advocatícios,</p><p>6. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas e cabíveis à espécie, especialmente pelos documentos acostados. Dá-se à presente o valor de R$ 10.000,00</p><p>Termos em que, pede deferimento.</p><p>Fortaleza/CE 30 de setembro de 2024</p><p>Advogado</p><p>OAB</p><p>ANEXOS</p><p>1. Documentos de identidade do Autor</p><p>2. Procuração</p><p>3. Declaração de Pobreza</p><p>4. Prova da compra</p><p>5. Prova dos defeitos</p><p>6. Provas da solicitação do consumidor</p><p>7. Provas da negativa de solução</p>