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<p>UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA</p><p>DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E MECÂNICA</p><p>CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA</p><p>Bruno de Almeida Regina</p><p>Projeto e Análise Aeronáutica de Veículo Autônomo Aéreo Não Tripulado de</p><p>Pouso e Decolagem Vertical com Foco em Alcance</p><p>Juiz de Fora</p><p>2018</p><p>Bruno de Almeida Regina</p><p>Projeto e Análise Aeronáutica de Veículo Autônomo Aéreo Não Tripulado de</p><p>Pouso e Decolagem Vertical com Foco em Alcance</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso apresentado</p><p>à Faculdade de Engenharia da Universidade</p><p>Federal de Juiz de Fora, como requisito par-</p><p>cial para a obtenção do título de Bacharel em</p><p>Engenharia Mecânica.</p><p>Orientador: Vitor Mainenti Leal Lopes</p><p>Juiz de Fora</p><p>2018</p><p>Ficha catalográfica elaborada através do Modelo Latex do CDC da UFJF</p><p>com os dados fornecidos pelo(a) autor(a)</p><p>.</p><p>Projeto e Análise Aeronáutica de Veículo Autônomo Aéreo Não Tripulado</p><p>de Pouso e Decolagem Vertical com Foco em Alcance / Bruno de Almeida</p><p>Regina. – 2018.</p><p>124 f. : il.</p><p>Orientador: Vitor Mainenti Leal Lopes</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – UNIVERSIDADE FE-</p><p>DERAL DE JUIZ DE FORA, DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE</p><p>PRODUÇÃO E MECÂNICA. CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHA-</p><p>RIA MECÂNICA, 2018.</p><p>1. Projeto aeronáutico. 2. VANT. 3. Aerodinâmica. 4. Desempenho 5.</p><p>Método dos painéis. I. Lopes, Vitor Mainenti Leal, orient. II. Título.</p><p>Bruno de Almeida Regina</p><p>Projeto e Análise Aeronáutica de Veículo Autônomo Aéreo Não Tripulado de</p><p>Pouso e Decolagem Vertical com Foco em Alcance</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso apresentado</p><p>à Faculdade de Engenharia da Universidade</p><p>Federal de Juiz de Fora, como requisito par-</p><p>cial para a obtenção do título de Bacharel em</p><p>Engenharia Mecânica.</p><p>Aprovada em 20 de Junho de 2018.</p><p>BANCA EXAMINADORA</p><p>Vitor Mainenti Leal Lopes - Orientador</p><p>Universidade Federal de Juiz de Fora</p><p>Marco Aurélio da Cunha Alves</p><p>Universidade Federal de Juiz de Fora</p><p>Alexandre da Silva Scari</p><p>Universidade Federal de Juiz de Fora</p><p>AGRADECIMENTOS</p><p>Agradeço à minha família pelo apoio e por entender as ausências em viagens e</p><p>refeições ao longo desse trabalho. Amo vocês.</p><p>Agradeço aos amigos do CMNFAFBULAC, verdadeiros portos seguros de sensatez</p><p>e de loucuras na minha vida. Por todas as reflexões, todas as distrações, todo o com-</p><p>panheirismo, são pessoas essenciais ao longo da minha trajetória. Agradeço também à</p><p>amiga Angélica, sempre disposta a servir de ouvido e sempre me incentivando ao longo</p><p>das encruzilhadas da vida.</p><p>Sou muito grato à equipe Microraptor de Aerodesign por todo o aprendizado, todo</p><p>o acolhimento, todas as amizades. Agradeço aos membros da equipe pelos cargos de</p><p>liderança confiados a mim e pelos bons momentos compartilhados juntos. Os mais de 3</p><p>anos correndo atrás de conhecimento e de oportunidades, seja alcançando derrotas ou</p><p>conquistas, jamais serão esquecidos.</p><p>Agradeço aos professores e colegas do Laboratório GRIn pelas oportunidades</p><p>abertas e pelo apoio ao longo deste trabalho. Ter feito parte desse projeto se mostrou</p><p>essencial na minha formação.</p><p>Agradeço à UFJF, seus professores e seus alunos pelo maravilhoso ambiente de</p><p>ensino no qual fui inserido e pelos conhecimentos transmitidos. Em especial eu agradeço</p><p>ao professor Vitor Mainenti, orientador do Aero, da bolsa e deste trabalho. Obrigado pela</p><p>paciência, pelos imensuráveis ensinamentos e pela confiança.</p><p>Também deixo um agradecimento especial para todos aqueles que de certa forma</p><p>colaboraram com esse trabalho: Antônio pelos testes dos motores realizados, sem os</p><p>quais não seria possível refinar os resultados obtidos; Nícolas e Pedro, que ajudaram nas</p><p>divagações a respeito do algoritmo elaborado; Pedro novamente, por me salvar com o</p><p>software Mission Planner mais de uma vez; Mathaus e Vinícius, pelos logs de voo e pelas</p><p>discussões produtivas a respeito do projeto; Gabriel e Angélica, pelo incentivo e revisões</p><p>ao longo da etapa final.</p><p>"Olhe para as estrelas, e não para seus pés. Tente</p><p>dar sentido ao que vê, e pergunte-se o porquê da</p><p>existência do universo. Seja curioso."</p><p>Stephen Hawking</p><p>RESUMO</p><p>O presente estudo busca realizar um projeto de um Veículo Autônomo Aéreo Não Tripulado</p><p>(VAANT) capaz de realizar decolagens e pousos verticais (Vertical Take-Off and Landing</p><p>- VTOL) e com propulsão elétrica. A concepção de um projeto aeronáutico inicia-se a</p><p>partir de uma série de requisitos de missão. A partir desses parâmetros, com o objetivo de</p><p>atender à missão, correlaciona-se análises aerodinâmicas, de estabilidade e de desempenho</p><p>utilizando ferramentas computacionais. As análises aerodinâmicas e de estabilidade buscam</p><p>encontrar aerofólios e configurações de asa e empenagem que estejam de acordo com as</p><p>características definidas na missão da aeronave e que priorizem maior sustentação para</p><p>menor arrasto possível, possibilitando assim um maior alcance do VAANT. As análises</p><p>computacionais da aeronave projetada basearam-se no método dos painéis, com correções</p><p>aplicadas após comparação de seus resultados com ensaios de túnel de vento encontrados</p><p>na literatura. A polar de arrasto da aeronave final foi correlacionada com parâmetros do</p><p>grupo motopropulsor em um algoritmo desenvolvido para o trabalho, que busca quantizar</p><p>medidas de autonomia e alcance do veículo. O modelo foi refinado após testes de voo de</p><p>um protótipo da aeronave serem realizados.</p><p>Palavras-chave: Projeto aeronáutico. VANT. Aerodinâmica. Desempenho. Método dos</p><p>painéis.</p><p>ABSTRACT</p><p>The present study aims to execute the project of an Autonomous Unmanned Aerial Vehicle</p><p>(AUAV) capable of Vertical Take-Off and Landing (VTOL) and with electric propulsion. An</p><p>aeronautical project starts from a series of mission requirements. From these parameters, in</p><p>order to meet the mission, aerodynamic, stability and performance analyzes are correlated</p><p>using computational tools. The aerodynamic and stability analyzes seek to find airfoils</p><p>and configurations for the wing and the tail that meet the characteristics defined in the</p><p>mission of the aircraft and that prioritize greater lift for the lowest possible drag, thus</p><p>allowing a greater range for the AUAV. The computational analyzes of the projected</p><p>aircraft were based on the panel method, with corrections applied after comparing its</p><p>results with wind tunnel tests found in the literature. The drag polar of the final aircraft</p><p>was correlated with parameters of its propulsion system in an algorithm developed for the</p><p>study, which seeks to quantify measures of endurance and range of the vehicle. The model</p><p>was refined after flight tests of an aircraft prototype were performed.</p><p>Key-words: Aeronautic project. UAV. Aerodynamics. Performance. Panel method.</p><p>LISTA DE ILUSTRAÇÕES</p><p>Figura 1.1 – Sistema de Transmissão em 2015. Fonte: (ANEEL, 2016). . . . . . . . 21</p><p>Figura 1.2 – Estratificação do número de desligamentos forçados. Fonte: (ANEEL,</p><p>2016). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22</p><p>Figura 1.3 – Estratificação do número de desligamentos forçados. Fonte: (ANEEL,</p><p>2016). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22</p><p>Figura 1.4 – Inspeção em linha de transmissão. Fonte: (WRIGHT, 2012) . . . . . . 24</p><p>Figura 1.5 – Exemplo de câmera utilizada para inspeção em linhas de transmissão.</p><p>Fonte: (NASA, 1998). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24</p><p>Figura 2.1 – Exemplo de VANT em topologia multirotor. Fonte: (LYNCH, 2010). . 26</p><p>Figura 2.2 – Exemplo de VANT em topologia de avião. Fonte: (EVGENIY, 2016). 27</p><p>Figura 2.3 – Nomenclatura dos parâmetros geométricos dos aerofólios. Fonte: adap-</p><p>tado de Anderson (2010). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28</p><p>Figura 2.4 – Força e momento resultantes no corpo, devido à ação do escoamento.</p><p>Fonte: adaptado de Anderson (2010). . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29</p><p>Figura 2.5 – Perfil de velocidade ao longo da camada limite. Fonte: adaptado de</p><p>Anderson (2010). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30</p><p>Figura 2.6 – Comportamento típico do Cl de um perfil em função do ângulo de</p><p>ataque. Fonte: adaptado de</p><p>(2.20)), levando em conta as perdas da potência entregue pela bateria ao motor e à hélice.</p><p>ηtot = ηmotor.ηhélice (2.20)</p><p>Para uma hélice livre, como é o caso em aeronaves, a eficiência e coeficientes</p><p>adimensionais de potência e de empuxo variam com relação à velocidade de avanço como</p><p>mostrado na Figura 2.32. Após um pico de máximo, a eficiência tende a diminuir com o</p><p>aumento da velocidade de avanço da aeronave até atingir a eficiência nula.</p><p>49</p><p>Figura 2.32 – Coeficientes de tração, potência e eficiência para uma hélice livre com relação ao</p><p>parâmetro de velocidade de avanço adimensional. Fonte: (WHITE, 2010).</p><p>Com base no parâmetro de tempo de voo encontrado na Equação (2.21), pode-se</p><p>calcular o alcance como sendo o tempo de voo multiplicado pela velocidade da aeronave:</p><p>R = E.V∞ (2.21)</p><p>Para atingir o maior alcance é necessário que a aeronave voe em velocidade que</p><p>garanta a relação CL/CD máxima, sendo essa denominada velocidade de cruzeiro.</p><p>Uma condição de operação da aeronave de grande importância é a subida não-</p><p>acelerada (Figura 2.33), em que a aeronave se desloca a um ângulo γ da horizontal (ângulo</p><p>de trajetória). Na maioria das aeronaves a tração do motor T tem pouca incidência com</p><p>relação ao eixo do vento, podendo seu diagrama de forças ser representado pelas Equações</p><p>(2.22) e (2.23) (RAYMER, 1992).</p><p>50</p><p>Figura 2.33 – Representação de uma aeronave em condição de subida uniforme. Fonte: adaptado</p><p>de Raymer (1992).</p><p>ΣFx = 0 = T −D −W.sen(γ) (2.22)</p><p>ΣFz = 0 = L−W.cos(γ) (2.23)</p><p>Como o seno de γ também representa a componente de velocidade vertical (Vv) que</p><p>a aeronave possui (conhecida como razão de subida), a Equação (2.22) pode ser rearranjada</p><p>como mostra a Equação (2.24):</p><p>Vv = V∞.</p><p>(T −D)</p><p>W</p><p>(2.24)</p><p>Durante a condição de subida, a aeronave apresenta sustentação um pouco inferior</p><p>ao seu peso (Equação (2.23)), visto que parte dele é compensado pela tração do motor</p><p>(ANDERSON, 1999).</p><p>2.3 Método Computacional</p><p>Ferramentas computacionais do tipo CAD são de grande utilidade durante um</p><p>projeto de engenharia. A modelagem prévia de componentes ajuda a se ter uma maior</p><p>noção dos requisitos do projeto e de dificuldades que possam vir a ocorrer em fases</p><p>posteriores de montagem e fabricação. Com isso, é possível realizar alterações no projeto</p><p>sem que haja perda de recursos e materiais.</p><p>Os métodos computacionais atuais são maneiras extremamente eficazes de calcular</p><p>parâmetros aerodinâmicos de aeronaves, sendo praticamente imprescindíveis na ausência</p><p>51</p><p>de túnel de vento a que se possa recorrer. Tais métodos podem simular bem não só análises</p><p>aerodinâmicas simples para estimativas iniciais de um projeto aeronáutico, como também</p><p>fazer análises finais detalhadas com grande precisão.</p><p>2.3.1 Dinâmica dos Fluidos Computacional (CFD)</p><p>Como possíveis métodos, pode-se utilizar softwares com análises CFD (Computati-</p><p>onal Fluid Dynamics). Esses se baseiam nas equações de Navier-Stokes, com as quais se</p><p>descreve os modelos de turbulência, como o Reynolds-averaged Navier–Stokes (RANS), o</p><p>Large eddy simulation (LES), entre outros. As equações são computadas numericamente de</p><p>acordo com o método de discretização utilizado (entre eles o método dos volumes finitos, o</p><p>método dos elementos finitos e o método das diferenças finitas). Permite a importação da</p><p>geometria do modelo diretamente de um software do tipo CAD. É um método robusto que</p><p>permite prever fenômenos aerodinâmicos complexos e calcular coeficientes aerodinâmicos</p><p>com boa precisão, desde que os parâmetros utilizados estejam bem ajustados.</p><p>Como pontos negativos do uso de CFD, pode-se citar a complexidade de se gerar</p><p>uma malha e a escolha do modelo de turbulência que representem bem o modelo a ser</p><p>estudado. Para que os resultados obtidos sejam coerentes, é necessário simular no software</p><p>com uma malha refinada, principalmente na região em que estará atuando a camada limite,</p><p>que terá grande impacto nas características viscosas do escoamento. Isso exige um alto</p><p>custo computacional, e assim análises fluido-dinâmicas podem chegar a demorar várias</p><p>horas mesmo em computadores potentes atuais.</p><p>2.3.2 Método dos Painéis</p><p>Uma alternativa ao uso de CFD para análises aerodinâmicas é o uso de softwares</p><p>que utilizem a teoria dos escoamentos potenciais, através do método dos painéis. Estes</p><p>se baseiam em encontrar as velocidades ao redor de um corpo com base no gradiente do</p><p>potencial de velocidade.</p><p>Para escoamentos sem vorticidade, ou seja, irrotacionais, é possível determinar uma</p><p>função escalar cujo gradiente seja a velocidade do escoamento (ANDERSON, 2010). Ou</p><p>seja, se a Equação (2.25) é satisfeita, então existe uma função escalar φ chamada Potencial</p><p>de Velocidade que atende a Equação (2.26).</p><p>∇× ~V = 0 (2.25)</p><p>∇φ = ~V (2.26)</p><p>52</p><p>As linhas equipotenciais ao longo de um escoamento são perpendiculares às linhas</p><p>de corrente. Existe também uma função escalar cujas isolinhas definem as linhas de</p><p>corrente, chamada Função de Corrente ψ. Se o escoamento estudado também pode ser</p><p>considerado incompressível, tem-se pela equação da continuidade em sua forma diferencial</p><p>que:</p><p>∇.~V = 0 (2.27)</p><p>Unindo as Equações (2.26) e (2.27), tem-se:</p><p>∇.(∇φ) = 0 (2.28)</p><p>∇2φ = 0 (2.29)</p><p>Ou seja, para fluidos em escoamento irrotacional e incompressível, a equação de</p><p>Laplace é atendida. Para resolver a equação, é usual que se utilize a condição de contorno</p><p>de Neumann, que especifica que a velocidade normal à superfície analisada é nula. Outra</p><p>possibilidade é a condição de contorno de Dirichlet, com a determinação do potencial de</p><p>velocidade nulo na superfície interna do painel.</p><p>Para análises em software, o contorno do perfil é armazenado em um conjunto de</p><p>coordenadas que descrevem os pontos discretos de suas faces inferior e superior, sendo tais</p><p>pontos ligados por segmentos de retas, chamados painéis, para gerar uma única geometria</p><p>(Figura 2.34). No centro de cada painel são definidos pontos de controle, onde são aplicadas</p><p>as condições de contorno e calculadas as velocidades (e, portanto, as pressões ao longo</p><p>da superfície). As condições de velocidade de qualquer ponto P no escoamento, a uma</p><p>distância r e angulação θ dos painéis, podem ser calculadas com base no somatório de</p><p>contribuição de todos os painéis.</p><p>53</p><p>Figura 2.34 – Distribuição de painéis ao longo de uma superfície de formato arbitrário. Fonte:</p><p>adaptado de Anderson (2010).</p><p>O escoamento é computado com base em distribuições de fonte (source sheets, λ(s))</p><p>e de vórtice (vortex sheets, γ(s)), que são aplicadas em cada painel (Figuras 2.35 e 2.36).</p><p>As distribuições de fonte determinam o contorno correto do corpo que se está analisando.</p><p>A força de cada fonte equivale à velocidade normal à superfície necessária para que o</p><p>escoamento externo não adentre o corpo sólido analisado, de forma que sua superfície</p><p>acaba por se tornar uma linha de corrente do escoamento.</p><p>Figura 2.35 – Vista lateral da distribuição de fonte aplicada nos painéis de uma superfície s.</p><p>Fonte: adaptado de Anderson (2010).</p><p>A distribuição de vórtice está mais relacionadas à circulação e, portanto, à susten-</p><p>tação do corpo. Cada vórtice apresenta magnitude de força diferente, baseado no salto de</p><p>velocidade tangencial do escoamento ao longo do painel correspondente.</p><p>54</p><p>Figura 2.36 – Vista lateral da distribuição de vórtice aplicada nos painéis de uma superfície s.</p><p>Fonte: adaptado de Anderson (2010).</p><p>A soma de toda a distribuição de vórtice ao longo da superfície s corresponde à</p><p>circulação ao redor do aerofólio (Equação (2.4)).</p><p>Γ =</p><p>∫</p><p>γds (2.30)</p><p>A circulação pode ser então utilizada para encontrar a sustentação na seção</p><p>bidimensional analisada, de forma análoga à Equação (2.9):</p><p>L′ = ρ∞.V∞.Γ (2.31)</p><p>Quanto maior o número de painéis, mais fielmente a geometria e as forças do</p><p>escoamento poderão ser representadas, por evitar descontinuidades bruscas na forma e nos</p><p>valores de pressão ao longo do aerofólio.</p><p>55</p><p>3 METODOLOGIA</p><p>A Figura 3.1 exibe um fluxograma mostrando como foram organizadas as etapas</p><p>do trabalho. A coloração vinho é utilizada para indicar análises numéricas</p><p>asa afilada Maior eficiência da asa.</p><p>Fuselagem aerodinâmica</p><p>e compacta Menor arrasto.</p><p>Asa alta Maior estabilidade lateral</p><p>Trem de pouso modelo drone Fácil aquisição e bom amortecimento.</p><p>Empenagem convencional Facilidade na fabricação e montagem.</p><p>Sustentação de 2,4 kg Combater o peso elétrico e estrutural do VANT.</p><p>Faixa de velocidades Pequena área de asa.</p><p>Figura 3.4 – Esboço inicial da vista superior do VANT. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>61</p><p>3.2 Aerodinâmica e Estabilidade</p><p>Para os cálculos aerodinâmicos é importante conhecer os valores da densidade e</p><p>viscosidade do ar, pois estes afetarão diretamente o número de Reynolds do escoamento</p><p>ao qual a aeronave estará exposta, além de valores de sustentação e arrasto. Os dados</p><p>foram obtidos através de interpolação de tabela de atmosfera padrão (WHITE, 2010), e os</p><p>valores de temperatura utilizados como referência foram baseados na temperatura média</p><p>do estado de Mato Grosso, um dos locais em que a aeronave terá sua aplicação.</p><p>Tabela 3.3 – Dados da atmosfera</p><p>Temperatura média ( ◦C ) Densidade do ar (kg/m3) Viscosidade absoluta (Pa.s)</p><p>27 1,174 1, 835.10−5</p><p>Com base na densidade e viscosidade encontrados, na faixa de velocidades estipulada</p><p>e em um comprimento de corda de 15 cm a 25 cm (estimativa das cordas da região afilada</p><p>e não-afilada, respectivamente), verifica-se que o Reynolds dos aerofólios da asa será na</p><p>ordem de grandeza dos 190.000 a 320.000 (Equação (2.1)). Reynolds dessa magnitude</p><p>apresentam bolhas de separação laminares pequenas, com pouco efeito de arrasto parasita,</p><p>segundo Mueller e Delaurier (2003).</p><p>3.2.1 XFLR5 / Xfoil</p><p>Optou-se por utilizar o software XFLR5 no projeto, por ele ser próprio para análises</p><p>aerodinâmicas e de estabilidade para aeronaves em regime de baixo Reynolds (Re inferior a</p><p>106), em escoamento bi ou tridimensional. É um software de código aberto, com interface</p><p>gráfica criada por André Deperrois (DEPERROIS, 2009) e baseado no código XFOIL,</p><p>desenvolvido por Mark Drela (DRELA, 1989) (DRELA, 2000).</p><p>O algoritmo XFOIL é uma ferramenta computacional eficiente para o cálculo</p><p>de escoamento de fluido ao redor de perfis bidimensionais. O código utiliza o método</p><p>dos painéis de primeira ordem, baseado em painéis achatados com força de fonte (σ, na</p><p>nomenclatura adotada por Drela) constante e uma distribuição linear de vorticidade entre</p><p>os painéis (Figura 3.5).</p><p>62</p><p>Figura 3.5 – Distribuição de vórtice e de fonte aplicadas nos painéis de um aerofólio no XFOIL</p><p>(DRELA, 1989).</p><p>Os parâmetros não são calculados através da função potencial de velocidade, mas</p><p>através da função de corrente (Equação (3.1)). São funções perpendiculares entre si,</p><p>de forma que há pouca alteração no cálculo dos coeficientes. Os parâmetros u∞ e v∞</p><p>correspondem às componentes da velocidade nos eixos x e y, respectivamente.</p><p>Ψ(x, y) = u∞y − v∞x+ 1</p><p>2π</p><p>∫</p><p>γ(s).lnr(s;x, y)ds+ 1</p><p>2π</p><p>∫</p><p>σ(s).θ(s;x, y)ds (3.1)</p><p>No algoritmo, um método integral é utilizado para representar a camada limite e a</p><p>esteira de turbulência. Os escoamentos viscosos e invíscidos são totalmente acoplados e</p><p>esse sistema de equações não-lineares é solucionado simultaneamente através do uso de</p><p>um método de Newton-Raphson global (DRELA, 1989).</p><p>O XFOIL apresenta melhores resultados para casos de escoamentos incompressíveis.</p><p>Pode-se tratar um escoamento como incompressível para valores de número de Mach de</p><p>até 0,3, muito superiores aos que um VANT para tal finalidade deve atingir. As simulações</p><p>efetuadas no software, portanto, estarão dentro de sua faixa ótima de operação.</p><p>Os resultados obtidos para sustentação e momento no software apresentam boa</p><p>precisão quando comparadas com dados experimentais de túnel de vento (COMMUNIER et</p><p>al., 2015). Já valores de arrasto, muito ligados a forças viscosas relacionadas à turbulência e</p><p>à separação do escoamento do corpo, de difícil implementação numérica, podem apresentar</p><p>resultados levemente discrepantes dos reais.</p><p>Para análise tridimensional, o software XFLR5 calcula de maneira rápida os</p><p>coeficientes aerodinâmicos de asas ou aeronaves com base na interpolação dos resultados de</p><p>análise bidimensional de aerofólios feita pelo algoritmo XFOIL acoplado ao software. As</p><p>características tridimensionais podem ser calculadas pelos 3 métodos numéricos a seguir:</p><p>um modelo não-linear da Teoria da Linha Sustentadora (LLT), que leva em consideração</p><p>efeitos viscosos; Método Vortex Lattice (VLM); ou Método dos Painéis tridimensionais.</p><p>Por ser um software próprio para cálculo de asas e aeronaves, possui funções</p><p>bastante otimizadas para tal e pode ser preferível ao uso de análises CFD, dependendo</p><p>63</p><p>da metodologia adotada (COMMUNIER et al., 2015). Possui ferramentas automatiza-</p><p>das, rápidas e práticas para o design de asas, com funções próprias para inserção de</p><p>estabilizadores e até mesmo fuselagem na aeronave.</p><p>O XFLR5 pode ser também utilizado para cálculo de parâmetros de estabilidade</p><p>estática e dinâmica de aeronaves, mostrando, inclusive, a resposta no tempo do veículo</p><p>com base em perturbações externas ou geradas por comando e também a alocação dos</p><p>pólos de estabilidade da aeronave.</p><p>Por se tratar de um software mais rápido e prático que o uso de CFD, e que obtém</p><p>bons resultados para Reynolds baixo e escoamento incompressível, como é o caso, o XFLR5</p><p>foi escolhido para realizar as análises aerodinâmicas e de estabilidade da aeronave durante</p><p>o projeto.</p><p>Como desvantagens, o software pode não captar da maneira mais eficiente fenômenos</p><p>aerodinâmicos como a bolha laminar. Além disso, não computa corretamente parâmetros</p><p>relativos à fuselagem, sendo estes uma enorme fonte de erro. Portanto, a fuselagem não</p><p>será considerada no software e seus parâmetros serão calculados separadamente depois,</p><p>com cálculos teóricos.</p><p>3.2.1.1 Método Vortex Lattice - VLM</p><p>O método numérico a ser utilizado nas análises aerodinâmicas tridimensionais é</p><p>o Vortex Lattice, pois os outros métodos disponíveis no software XFLR5 são capazes</p><p>de realizar análises de asas principais, apenas. Análises do conjunto asa-empenagem</p><p>são importantes para verificar a estabilidade da aeronave, de modo que o método VLM</p><p>atende de maneira mais eficaz ao projeto. As análises da asa isolada serão realizadas pelo</p><p>mesmo método, para manter idêntico o critério ao se comparar com a situação de aeronave</p><p>completa com empenagem.</p><p>Além disso, o VLM possui vantagens com relação ao LLT, que se baseia na Teoria</p><p>da Linha Sustentadora. Esse último apresenta resultados razoáveis para asas retas de</p><p>média a longa relação de alongamento, porém se mostra inapropriado para asas com baixo</p><p>valor de AR ou que possuam enflechamento (Anderson, 2010).</p><p>No método, a asa é vista como uma superfície plana, chamada superfície sustenta-</p><p>dora e é dividida em um sistema de vórtices em seus eixos x e y (Figura 3.6). A força dos</p><p>vórtices se altera com relação ao eixo y, o que fisicamente representa a perda de sustentação</p><p>perto da região das pontas de asa. Sua magnitude também varia com o eixo x, mostrando</p><p>como a pressão atua ao longo da corda do aerofólio.</p><p>Como na análise bidimensional do método dos painéis, as equações são resolvidas</p><p>no ponto central de cada painel, no chamado Ponto de Controle (Figura 3.7).</p><p>64</p><p>Figura 3.6 – Esquema de uma superfície sustentadora. Fonte: adaptado de Anderson (2010).</p><p>Figura 3.7 – Esquema de um único vórtice, parte do sistema de vórtices de uma asa. Fonte:</p><p>adaptado de Anderson (2010).</p><p>O somatório da vorticidade ao longo da asa resultará em sua circulação (Equação</p><p>(2.4)), diretamente ligada à sustentação do corpo (Equação (2.9)).</p><p>3.2.2 Aerofólio</p><p>Como efeitos de bolhas laminares tridimensionais e parâmetros de viscosidade na</p><p>camada limite não são mensurados de maneira completamente eficaz pelo método dos</p><p>painéis do software XFLR5, optou-se por utilizar no projeto um perfil aerodinâmico que</p><p>possua estudos extensos de túnel de vento na literatura. Dessa forma, é possível comparar</p><p>65</p><p>os dados obtidos em simulação com os experimentais, verificando as variações do modelo</p><p>com os dados reais.</p><p>Para VANTs com foco em alcance,</p><p>como é o caso, é importante buscar uma maior</p><p>eficiência aerodinâmica, trabalhando com perfis que tenham alta relação de sustentação</p><p>por arrasto (Cl/Cd). Também é interessante para o projeto que o aerofólio possua um</p><p>Cl relativamente alto para garantir a sustentação definida previamente, visto que a área</p><p>da asa é limitada pela estrutura do frame H. Outros pontos que devem ser levados em</p><p>consideração na escolha do aerofólio são: uma espessura relativa que permita boa eficiência</p><p>estrutural (devido ao maior momento de inércia), com espaço para se alocar longarinas</p><p>dentro da estrutura da asa; condição de estol suave, em que não haja queda abrupta</p><p>demais de sustentação; ausência de bolha de separação laminar; forma de fácil fabricação;</p><p>bom comportamento em baixos números de Reynolds.</p><p>Diversos aerofólios de baixo número de Reynolds foram analisados para esse trabalho.</p><p>Por uma questão de organização e melhor visualização dos gráficos, apenas aqueles que se</p><p>mostraram mais interessantes para o projeto serão aqui apresentados, nas Figuras 3.8 a</p><p>3.11.</p><p>Figura 3.8 – Geometria do perfil Eppler 210 (E210). Fonte: Autor.</p><p>Figura 3.9 – Geometria do perfil Eppler 387 (E387). Fonte: Autor.</p><p>Figura 3.10 – Geometria do perfil FX63-137. Fonte: Autor.</p><p>66</p><p>Figura 3.11 – Geometria do perfil Selig 1223 (S1223). Fonte: Autor.</p><p>As geometrias dos aerofólios utilizados foram obtidas em websites como o UIUC</p><p>Airfoil Database, que disponibilizam as coordenadas dos seus painéis em x e y. O número</p><p>de painéis em cada aerofólio na página depende de quantas coordenadas cada arquivo</p><p>possui, portanto. Como um número elevado de painéis torna a representação da geometria</p><p>e das forças mais fiel à realidade, apesar de aumentar o custo computacional, optou-se</p><p>por aumentar o número de painéis em todos os aerofólios utilizados para 140, como é</p><p>exemplificado com o Eppler 210 na Figura 3.12.</p><p>Figura 3.12 – Alteração do número de painéis do Eppler 210 de 61 para 140. Fonte: Autor.</p><p>A região do bordo de ataque do aerofólio possui uma quantidade de painéis</p><p>extremamente refinada, devido à forma com pequeno raio de curvatura e à grande alteração</p><p>dos parâmetros aerodinâmicos na região.</p><p>Para que seja possível comparar os perfis sob os mesmos critérios e condições, o</p><p>mesmo valor de Reynolds foi utilizado em suas análises, de 250.000. Esse valor foi escolhido</p><p>baseado nas estimativas iniciais de dimensões e velocidade da aeronave, como visto no</p><p>começo da seção 3.2, para um valor médio representativo das regiões afiladas e não afiladas.</p><p>O valor de Mach utilizado na simulação foi 0, visto que as velocidades estipuladas se</p><p>encontram na faixa dos escoamentos incompressíveis (Ma</p><p>Já os parâmetros relacionados à sustentação possuem menor erro, visto que as pressões</p><p>normais à superfície dos aerofólios, principais geradoras da sustentação, são computadas</p><p>pelo software com razoável precisão. No ensaio de túnel de vento para Reynolds 200.000 é</p><p>72</p><p>possível verificar uma proeminência no arrasto na região próxima a Cl igual a 1, efeito</p><p>típico do fenômeno de bolha laminar. Percebe-se que tal efeito não é computado pelo</p><p>software, entretanto. A proeminência desaparece com o aumento do número de Reynolds</p><p>de 200.000 para 350.000.</p><p>Na tentativa de compensar o erro vindo do software, foi proposto aplicar fatores</p><p>de correção nos coeficientes, multiplicando-os por constantes que aproximem os valores</p><p>obtidos no programa com aqueles encontrados na bibliografia através de ensaios reais.</p><p>Após processo iterativo feito manualmente, foi possível alcançar valores para os fatores de</p><p>correção de sustentação (FCL) e de arrasto (FCD) de 0,99 e 1,16, respectivamente, como</p><p>mostra as Figuras 3.19 e 3.20.</p><p>Figura 3.19 – Correção dos valores encontrados pelo software XFLR5 com FCD = 1,16 e FCL =</p><p>0,99 para o perfil FX63-137 em Reynolds 200.000. Fonte: Autor.</p><p>Figura 3.20 – Correção dos valores encontrados pelo software XFLR5 com FCD = 1,16 e FCL =</p><p>0,99 para o perfil FX63-137 em Reynolds 350.000. Fonte: Autor.</p><p>73</p><p>É possível perceber com as figuras 3.19 e 3.20 que, com o fator FCD aumentando em</p><p>16% o arrasto obtido pelo software, suas polares de arrasto se aproximam consideravelmente</p><p>daquelas encontradas na literatura. Para as regiões em que há leves divergências, tomou-</p><p>se o cuidado de garantir que o arrasto corrigido não é menor do que o encontrado em</p><p>testes práticos, e a diferença das curvas é considerada uma margem de segurança. A</p><p>sustentação não apresentou tamanha divergência de resultados, sendo a redução de 1% do</p><p>valor encontrado pelo software suficiente para corrigir as duas situações analisadas.</p><p>A comparação que levou aos fatores de correção foi feita para análises dos aerofólios</p><p>mas, como o software realiza as análises tridimensionais com base em interpolações das</p><p>características bidimensionais dos perfis ao longo da asa, a relação encontrada se mantém</p><p>válida. Resultados similares foram encontrados por Communier (2015) em comparação</p><p>de dados inicialmente obtidos no XFLR5 e depois comparados com ensaio de túnel de</p><p>vento de asa finita com aerofólio simétrico. Na análise de Communier, os resultados da</p><p>asa real tiveram diferença de 0,5% na sustentação e 19,7% no arrasto para um Reynolds</p><p>do escoamento de 400.000, aproximadamente. Já os valores de momento de arfagem se</p><p>mantiveram praticamente os mesmos na comparação dos dois métodos.</p><p>Assim, é possível ver que os fatores de correção encontrados pela análise bidimensio-</p><p>nal também se mantêm aplicáveis para asas finitas, apesar de que o valor exato da correção</p><p>pode depender do número de Reynolds trabalhado e das características do aerofólio (se é</p><p>simétrico ou se possui curvatura elevada, por exemplo). Todos os valores de sustentação e</p><p>arrasto encontrados pelo software foram devidamente corrigidos para as demais etapas do</p><p>projeto, com os fatores de 0,99 e de 1,16 encontrados.</p><p>3.2.3 Asa</p><p>A geometria proposta para a asa nas definições iniciais do projeto é de asa reto-</p><p>trapezoidal. Sua ponta afilada possui a função tanto de reduzir a sustentação da asa</p><p>nessa região quanto de aumentar sutilmente a envergadura (e portanto o alongamento da</p><p>asa, Equação (2.10)), melhorando sua eficiência ao diminuir o efeito de arrasto induzido</p><p>causado pelo vórtice de ponta de asa.</p><p>A área de asa fica de certa forma limitada com as definições iniciais, que estabelecem</p><p>envergadura de tamanho similar ao frame H. Porém, para que a aeronave consiga sustentar</p><p>os 2,4 kg pretendidos na faixa de velocidades definida, próxima a 20 m/s, a área de asa deve</p><p>ser a maior possível, como mostra a Equação (2.6). Dessa forma, optou-se pela geometria</p><p>de asa reta, sem afilamento, na região central do frame para aproveitar da melhor forma</p><p>o espaço disponível. Não foram utilizados recursos de enflechamento nessa região, para</p><p>manter maior facilidade e praticidade na fabricação. Devido à geometria do frame, a asa</p><p>teve a envergadura de sua parte reta fixada em 546 mm. Esse valor foi definido com base</p><p>na distância de 580 mm entre os motores, dando uma folga para que essa seção da asa</p><p>74</p><p>não ficasse completamente rente aos tubos laterais da estrutura e facilitasse o encaixe da</p><p>região que possui afilamento.</p><p>Para maximizar a área de uma asa retangular, já tendo fixada a envergadura,</p><p>basta aumentar o comprimento de sua corda. Porém, tal decisão acarreta em algumas</p><p>consequências negativas: quanto maior a corda, menor a relação de alongamento da asa</p><p>(Equação (2.10)), reduzindo consequentemente a eficiência aerodinâmica da aeronave;</p><p>uma corda grande pode “sombrear” de maneira excessiva as hélices traseiras (Figura</p><p>3.4), servindo de obstáculo para o ar escoando por elas, reduzindo assim a eficiência dos</p><p>motores de propulsão vertical e prejudicando a controlabilidade do VANT. Dessa forma, a</p><p>corda de seção retangular foi limitada em 300 mm, visando minimizar os efeitos negativos</p><p>supracitados.</p><p>Com a seção central totalmente definida, iniciou-se o projeto da ponta da asa. Para</p><p>manter a asa compacta e a similaridade de inércia com o frame H, optou-se por utilizar</p><p>uma envergadura apenas 20% maior que a distância entre os motores na estrutura (580</p><p>mm). Dessa forma, cada extremidade de asa possui envergadura de 77 mm, totalizando</p><p>um comprimento da asa de 700 mm. A corda na ponta da asa foi limitada pelo número</p><p>de Reynolds. Para evitar que este ficasse demasiadamente abaixo dos 200.000 nas seções</p><p>da asa, a corda mínima foi definida como 15 cm, dando uma relação de afilamento de</p><p>0,5. Foi aplicado um diedro de 15◦ na ponta da asa por questões estéticas e para que o</p><p>extradorso da asa se mantivesse aproximadamente nivelado ao longo de toda a envergadura,</p><p>facilitando a confecção e a montagem.</p><p>Foi aplicado pequeno enflechamento na ponta da asa, visando aproximar a circulação</p><p>da curva elíptica. O bordo de ataque foi deslocado 20 mm para trás, resultando em uma</p><p>angulação de enflechamento positivo de bordo de ataque de 14, 5◦ e em um enflechamento</p><p>negativo de quarto de corda de 11◦. Este tem função de reduzir o carregamento da</p><p>sustentação na extremidade da asa, como será evidenciado na análise da Figura 3.33. A</p><p>proximidade da distribuição de circulação encontrada com a curva elíptica foi considerada</p><p>suficiente, sendo desnecessária a aplicação de torção na seção final, visto que essa dificultaria</p><p>o processo de fabricação sem trazer ganhos efetivos para o projeto.</p><p>A corda média aerodinâmica pode ser obtida por uma média ponderada pela área</p><p>das suas seções de asa reta e trapezoidal. Seu valor total encontrado foi de 288 mm. A</p><p>área da asa final é de 0,2 m2 e sua relação de alongamento AR é de 2,495. As Figuras 3.21</p><p>a 3.23 mostram sua modelagem no software XFLR5:</p><p>75</p><p>Figura 3.21 – Vista superior da asa projetada no software XFLR5. Fonte: Autor.</p><p>Figura 3.22 – Vista frontal da asa projetada no software XFLR5. Fonte: Autor.</p><p>Figura 3.23 – Vista isométrica da asa projetada no software XFLR5. Fonte: Autor.</p><p>Para realizar as análises, torna-se necessário definir os painéis ao longo da asa. Na</p><p>busca de uma representação fiel das forças do escoamento aliado a um custo computacional</p><p>aceitável, optou-se por discretizar a asa como é mostrado nas Figuras 3.24 e 3.25. Cada</p><p>semi-asa possui 25 divisões ao longo da envergadura de sua parte reta, distribuídos de</p><p>forma uniforme, e 10 divisões ao longo de sua parte afilada, mais refinados próximo das</p><p>pontas da asa e menos em sua parte central. Dessa forma, é possível captar com maior</p><p>76</p><p>precisão os efeitos tridimensionais em forma de vórtice que ocorrem nas extremidades.</p><p>Também há 25 divisões ao longo de sua corda, com maior refinamento nas regiões do</p><p>bordo de ataque e de fuga. O número total de painéis (1750) é a multiplicação das divisões</p><p>em x e y, somando-se a contribuição</p><p>das duas semi-asas. Tomou-se o cuidado de não</p><p>permitir mudanças bruscas na dimensão de painéis adjacentes entre si, de forma a evitar</p><p>descontinuidades abruptas nos resultados das análises.</p><p>Figura 3.24 – Vista isométrica da asa com sua divisão de painéis. Fonte: Autor.</p><p>Figura 3.25 – Vista superior da asa com sua divisão de painéis. Fonte: Autor.</p><p>Com base na asa modelada com essas divisões de painéis, realizou-se uma Análise de</p><p>Sustentação Fixa, na qual um valor de peso da aeronave é definido e o software computa os</p><p>coeficientes aerodinâmicos e as velocidades necessárias para manter a sustentação almejada.</p><p>Foram inseridos também os parâmetros atmosféricos de densidade e viscosidade do ar. A</p><p>posição do CG, ponto ao redor do qual a aeronave rotaciona em movimento de arfagem,</p><p>foi definida a um quarto da corda, a 75 mm do bordo de ataque.</p><p>77</p><p>A análise computa os coeficientes para cada ângulo de ataque até que a asa (ou</p><p>aeronave) simulada comece o processo de estol. Ou seja, no momento em que o coeficiente</p><p>Cl de alguma seção da asa é interpolada pelo software e obtém como resultado um valor</p><p>maior que o ClMáx do aerofólio, a análise é encerrada. Tal situação é evidenciada na</p><p>condição limite do estol encontrada na Figura 3.26, com resultados da análise para um</p><p>ângulo de ataque de 23, 2◦. Devido à relação linear entre Coeficiente de sustentação e</p><p>ângulo de ataque, caso α fosse maior seria impossível para o software interpolar os valores</p><p>necessários de Cl de acordo com as análises bidimensionais realizadas previamente.</p><p>Figura 3.26 – Gráfico do coeficiente de sustentação local (Cl) em função da envergadura, na</p><p>condição limite do estol. Fonte: Autor.</p><p>A descontinuidade na derivada da curva de Cl em função da envergadura ocorre</p><p>nas transições entre a parte reta e afilada da asa, causada pela modificação do escoamento</p><p>tridimensional nessa região.</p><p>Assim como o ângulo de estol da asa finita é diferente do obtido para a análise</p><p>bidimensional do aerofólio utilizado, o coeficiente global de sustentação da asa CL também</p><p>se altera devido ao baixo alongamento da asa, como esperado teoricamente (Figura 2.12).</p><p>Tal afirmação pode ser verificada ao comparar as Figuras 3.13 e 3.27.</p><p>78</p><p>Figura 3.27 – Gráfico do coeficiente de sustentação (CL) pelo ângulo de ataque (α). Fonte:</p><p>Autor.</p><p>A asa é um elemento instável, visto que apresenta derivada de Cm em função de α</p><p>positiva (Figura 3.28). Tal característica torna necessário o uso de empenagens no projeto,</p><p>como havia sido previsto em suas definições iniciais.</p><p>Figura 3.28 – Gráfico do coeficiente de momento (Cm) pelo ângulo de ataque (α), analisado em</p><p>um quarto de corda da asa. Fonte: Autor.</p><p>79</p><p>Verificando a polar de arrasto da asa obtida com o auxílio do software, presente</p><p>na Figura 3.29, é possível verificar o aumento do arrasto ao se comparar com a análise</p><p>bidimensional (Figura 3.16), proveniente do arrasto induzido que ocorre nos escoamentos</p><p>tridimensionais.</p><p>Figura 3.29 – Gráfico da polar de arrasto da asa. Fonte: Autor.</p><p>As diferenças das características de sustentação e arrasto da análise bidimensional</p><p>para a asa finita é causada pelos vórtices das pontas da asa, que possuem grande força em</p><p>asa de baixo alongamento. Uma representação desses vórtices pode ser obtida através das</p><p>linhas de corrente do escoamento, como feito nas Figuras 3.31 a 3.32, para um ângulo de</p><p>ataque da asa de 15◦. A maior concentração de painéis na extremidade da asa contribui</p><p>para uma representação mais fiel dos efeitos do vórtice.</p><p>Figura 3.30 – Vista posterior de escoamento na asa com linhas de corrente formando vórtices em</p><p>suas extremidades. Fonte: Autor.</p><p>80</p><p>Figura 3.31 – Vista superior de escoamento na asa com linhas de corrente formando vórtices em</p><p>suas extremidades. Fonte: Autor.</p><p>Figura 3.32 – Vista isométrica de escoamento na asa com linhas de corrente formando vórtices</p><p>em suas extremidades. Fonte: Autor.</p><p>A minimização da força dos vórtices de ponta de asa está ligada à curva elíptica de</p><p>sustentação. A distribuição do carregamento obtido para a asa com a geometria definida</p><p>em um ângulo de 5◦ é exibida na Figura 3.33. A distribuição de sustentação pode ser obtida</p><p>de forma normalizada multiplicando-se o coeficiente de sustentação de cada seção pela</p><p>corda local e dividindo-os pela CMA, como é o caso no gráfico em questão, obtendo-se o</p><p>coeficiente de sustentação local. O resultado da normalização é o coeficiente de sustentação</p><p>local, que possui relação direta com a circulação ao longo da asa (Figura 2.13) A maior</p><p>aproximação do carregamento à curva ideal nas seções da ponta da asa se deve tanto ao</p><p>afilamento quanto ao enflechamento de quarto de corda presente nessa região.</p><p>81</p><p>Figura 3.33 – Gráfico da distribuição de sustentação (Cl.c/CMA) em função da envergadura,</p><p>para um ângulo de ataque de 5◦. Fonte: Autor.</p><p>3.2.4 Empenagem</p><p>Como os momentos que as empenagens causam na aeronave dependem tanto da</p><p>sustentação quanto da distância entre o CP de cada superfície estabilizadora ao CG da</p><p>aeronave, o aerofólio escolhido para compor suas seções pode ser um perfil simétrico, que</p><p>possui menor valores de Cl, sendo tal fato compensado pelo comprimento do tail boom. A</p><p>vantagem dos perfis simétricos é que seus coeficientes de arrasto são consideravelmente</p><p>menores em razão da ausência de curvatura. Devido ao fato de que sua sustentação é</p><p>nula em ângulo de ataque 0◦, possuem grande importância em seu uso em estabilizadores</p><p>verticais, visto que perfis assimétricos poderiam causar momentos de guinada indesejados</p><p>na aeronave.</p><p>3.2.4.1 Aerofólio</p><p>Os perfis simétricos escolhidos para serem analisados para o projeto foram o Eppler</p><p>168, o NACA 0009 e o NACA 0012, mostrados nas Figuras 3.34 a 3.36.</p><p>Figura 3.34 – Geometria do perfil Eppler 168. Fonte: Autor.</p><p>82</p><p>Figura 3.35 – Geometria do perfil NACA 0009. Fonte: Autor.</p><p>Figura 3.36 – Geometria do perfil NACA 0012. Fonte: Autor.</p><p>O número de painéis dos aerofólios foi modificado para 140 para aumentar a</p><p>fidelidade dos resultados obtidos, de maneira similar ao que foi realizado nos perfis</p><p>analisados para a asa.</p><p>As análises dos aerofólios foram feitas com valores de Reynolds estimados em</p><p>150.000, baseando-se nos mesmos parâmetros dos perfis da asa exceto a corda do estabili-</p><p>zador, que deve ser menor que a da asa. Resultados obtidos na análise encontram-se nas</p><p>Figuras 3.37 e 3.38.</p><p>Figura 3.37 – Gráfico de Cl em função do ângulo de ataque para diversos perfis aerodinâmicos</p><p>em Reynolds de 150.000. Fonte: Autor.</p><p>O gráfico de Cl em função de alpha da Figura 3.37 mostra que as características de</p><p>sustentação do Eppler 168 e do NACA 0012 são similares, com valores de ClMáx e ângulo</p><p>de estol próximos para ambos os aerofólios. No gráfico estão presentes flutuações nos</p><p>coeficientes que estão ligadas a erros de convergência numérica de seus resultados.</p><p>83</p><p>Figura 3.38 – Gráfico da eficiência aerodinâmica em função do ângulo de ataque para diversos</p><p>perfis aerodinâmicos em Reynolds de 150.000. Fonte: Autor.</p><p>A eficiência aerodinâmica do Eppler 168 é a maior entre os aerofólios analisados</p><p>para os estabilizadores da aeronave. É possível verificar que, apesar de o NACA 0009</p><p>apresentar baixo coeficiente de sustentação, sua relação de Cl/Cd é compensada pela sua</p><p>baixa espessura, que leva a um Cd menor do que o dos outros perfis.</p><p>O perfil escolhido para as empenagens foi o Eppler 168 devido à sua eficiência aero-</p><p>dinâmica, bons valores de ClMáx e de ângulo de estol e também devido à sua alta espessura,</p><p>que garante maior momento de inércia e, portanto, uma boa resistência estrutural.</p><p>3.2.4.2 Geometria</p><p>As dimensões do estabilizador horizontal foram escolhidas de forma iterativa,</p><p>visando obter um ângulo de trimagem e uma inclinação de Cm em função de α interessantes</p><p>para o projeto, como será descrito adiante. Também é desejável que este não possua área</p><p>em planta demasiadamente grande, visto que um estabilizador com essas características</p><p>estaria sujeito a maior arrasto de fricção. Uma corda pequena nos estabilizadores pode</p><p>levar a valores de Reynolds baixos,</p><p>com características de escoamento imprevisíveis com</p><p>o método de análise adotado e com grandes flutuações dos coeficientes aerodinâmicos.</p><p>Portanto, a corda foi definida para garantir um número de Reynolds na ordem dos 150.000,</p><p>mesmo valor estimado nas análises realizadas no início da seção 3.2.4.</p><p>Já o estabilizador vertical foi dimensionado para tornar a aeronave latero-direcionalmente</p><p>estável, com derivadas de Cl e Cn em função de β negativa e positiva, respectivamente.</p><p>Assim como o estabilizador horizontal, deve possuir forma compacta, visando minimizar o</p><p>arrasto total da aeronave e o peso estrutural do componente.</p><p>84</p><p>Durante o processo iterativo para a escolha das dimensões da geometria, foram</p><p>realizadas análises aerodinâmicas e de estabilidade verificando se a configuração proposta</p><p>atendia aos requisitos supracitados. O resultado da configuração final é exposto na</p><p>seção 3.2.5. A geometria final do estabilizador horizontal foi definida como: 300 mm de</p><p>envergadura e 135 mm de corda, tendo área de 0,0405 m2 e alongamento de 2,2. Já o</p><p>estabilizador vertical possui 150 mm de envergadura e 120 mm de corda. Usualmente o</p><p>alongamento do estabilizador horizontal é consideravelmente menor do que o alongamento</p><p>da asa, para que sofra o estol depois e seja capaz de retornar a aeronave para uma condição</p><p>segura. Porém, o fato de a asa ter um ângulo de estol elevado e fora das condições de</p><p>operação normal da aeronave (como será visto na Figura 3.42) e o fato de haver uma</p><p>controladora de voo no VANT que pode restringir sua angulação máxima, o estol profundo</p><p>pode ser facilmente evitado. As Figuras 3.39 e 3.40 mostram a modelagem da empenagem</p><p>no software XFLR5:</p><p>Figura 3.39 – Vista lateral da aeronave com empenagem. Fonte: Autor.</p><p>Figura 3.40 – Vista superior da aeronave com empenagem. Fonte: Autor.</p><p>85</p><p>O número de painéis utilizado nas superfícies da cauda foram condizentes com suas</p><p>respectivas envergaduras. Ambos os estabilizadores foram divididos em 15 partições ao</p><p>longo de sua corda, com maior refinamento dos painéis próximo à seu bordo de ataque e de</p><p>fuga. Para o estabilizador horizontal foram utilizadas um total de 30 divisões na direção de</p><p>sua envergadura, enquanto 15 foram utilizadas no estabilizador vertical. Multiplicando-se</p><p>as partições em x e y obtém-se 675 painéis em toda a cauda 3.41:</p><p>Figura 3.41 – Vista lateral do estabilizador vertical e vista superior do estabilizador horizontal,</p><p>com suas divisões de painéis. Fonte: Autor.</p><p>3.2.5 Análise de Estabilidade</p><p>Com a geometria final da aeronave estabelecida, foram realizadas as análises para</p><p>obter seus coeficientes aerodinâmicos globais e verificar sua estabilidade, como mencionado</p><p>na seção 3.2.4. As análises relativas à arfagem foram feitas com base em uma sustentação</p><p>fixa de 2,4 kg, nos parâmetros de atmosfera estabelecidos no início da seção 3.2 e no CG</p><p>da aeronave alocado a um quarto da corda da asa e 3 cm abaixo de sua linha de corda</p><p>(por ser uma configuração de asa-alta).</p><p>Optou-se por um ângulo de trimagem na faixa de α que dá a maior relação de</p><p>CL/CD (região entre 1◦ e 2◦), como mostra a Figura 3.42, pois garante assim um maior</p><p>alcance da aeronave. Dessa forma, o VANT tende a retornar para sua condição ideal sem</p><p>a necessidade de os motores de propulsão vertical serem atuados todas as vezes que a</p><p>aeronave venha a sofrer um distúrbio, economizando a energia da bateria e aumentando,</p><p>consequentemente, o alcance do veículo. O ângulo de trimagem escolhido foi o de 2◦ pois,</p><p>apesar de estar em uma região em que a eficiência aerodinâmica começa a cair, possui</p><p>um CL maior, requerindo menores velocidades para sustentar a aeronave. Além disso, a</p><p>queda de eficiência com relação a seu ponto de máximo é de apenas 1%, valor considerado</p><p>inexpressivo para o resultado final de alcance.</p><p>86</p><p>Figura 3.42 – Gráfico da Eficiência Aerodinâmica da aeronave em função do ângulo de ataque.</p><p>Fonte: Autor.</p><p>Devido à controladora de voo presente no projeto, optou-se por uma derivada</p><p>de Cm em função de α de baixa magnitude. Quanto mais neutra for a estabilidade da</p><p>aeronave, maior controlabilidade os motores de propulsão vertical podem fornecer. Tal</p><p>medida visa evitar que o momento de arfagem devido à contribuição da asa tenha efeito</p><p>de feedback positivo na arfagem causada pelos motores de propulsão vertical, gerando</p><p>um movimento oscilatório divergente conhecido por Oscilação Induzida pelo Piloto (Pilot-</p><p>induced Oscillation - PIO). A função de piloto é exercida pela controladora de voo para a</p><p>aeronave em questão.</p><p>A Figura 3.43 mostra a curva de Cm em função de α obtida após o processo iterativo</p><p>que determinou as dimensões da empenagem. Pode-se perceber na figura que a aeronave</p><p>é estável, devido à sua derivada negativa de Cm por α. Esta possui um valor de -0,12</p><p>rad−1 no projeto, e valores típicos da derivada em aplicações aeronáuticas comuns são</p><p>de -0,3 a -1,5 rad−1, de acordo com Sadraey (2012). O valor obtido permite boa ação da</p><p>controladora de voo e evita ocorrência de PIO, mesmo estando fora da faixa de valores</p><p>comuns. Pode-se constatar também que o ângulo de trimagem obtido se encontra próximo</p><p>do definido no projeto, de 2◦. Após o processo iterativo que determinou a geometria da</p><p>empenagem ainda se mostrou necessária a aplicação de uma angulação de incidência de</p><p>−2, 5◦ no estabilizador horizontal para obter a angulação de trimagem escolhida.</p><p>87</p><p>Figura 3.43 – Gráfico do coeficiente de momento de arfagem (Cm) por α, analisado no CG do</p><p>VANT. Fonte: Autor.</p><p>Para a análise da estabilidade látero-direcional, optou-se por aplicar um ângulo de</p><p>diedro na asa, para simular o efeito de configuração de aeronave asa-alta. De acordo com</p><p>Raymer (1992), o efeito diedro que uma configuração asa-alta possui com relação a uma</p><p>asa-média é de 2◦, angulação que foi aplicada, portanto, no projeto (Figura 3.44).</p><p>Figura 3.44 – Vista frontal da aeronave com diedro aplicado para análise de estabilidade látero-</p><p>direcional. Fonte: Autor.</p><p>As análises variaram o ângulo de derrapagem β de 0 a 10°, mantendo uma velocidade</p><p>constante de 24 m/s e ângulo de ataque equivalente ao ângulo de trimagem previamente</p><p>estabelecido. Os resultados obtidos são os expostos nas Figuras 3.45 e 3.46. Verifica-se</p><p>que a aeronave possui estabilidade quanto aos movimentos de rolagem e guinada, por</p><p>apresentar derivada negativa de Cl em função de β e derivada positiva de Cn em função</p><p>de β, respectivamente.</p><p>88</p><p>Figura 3.45 – Gráfico do coeficiente de momento de rolagem (Cl) por β. Fonte: Autor.</p><p>Figura 3.46 – Gráfico do coeficiente de momento de guinada (Cn) por β. Fonte: Autor.</p><p>Devido à presença da controladora de voo no projeto, sempre retornando a aeronave</p><p>para seu ponto ótimo, e como medidas para evitar o PIO foram tomadas, não se achou</p><p>necessário a avaliação da estabilidade dinâmica do VANT.</p><p>3.2.6 Modelagem</p><p>Após a definição da asa e da empenagem, o restante dos componentes foi modelado</p><p>em ambiente CAD com o auxílio do software Solidworks para posteriormente se obter</p><p>estimativa do arrasto parasita que estes adicionam à aeronave.</p><p>89</p><p>A fuselagem (Figura 3.47) tem como função principal proteger os componentes</p><p>elétricos e mantê-los fora do escoamento. Foi projetada com geometria aerodinâmica</p><p>e dimensões compactas (Figura 3.48), visando minimizar efeito de arrasto parasita na</p><p>aeronave. Sua região posterior se afina com relação à sua parte frontal, em uma angulação</p><p>que tem como objetivo minimizar o descolamento do escoamento e, consequente, acréscimo</p><p>do arrasto de pressão. Sua geometria foi alcançada através do corte à laser das chapas de</p><p>poliestireno extrudado, garantindo perfeito encaixe com a asa.</p><p>Figura 3.47 – Modelagem da fuselagem. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>Figura 3.48 – Modelagem da fuselagem. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>Na Figura 3.49 é possível ver como o frame H é aproveitado como estrutura da</p><p>aeronave, servindo de longarina da asa e suporte para os motores verticais. Através de</p><p>simples encaixes se conecta ao tail boom e ao trem de pouso. O tail boom conecta a</p><p>empenagem ao restante da aeronave e atua também</p><p>como suporte ao motor de propulsão</p><p>horizontal.</p><p>90</p><p>Figura 3.49 – Estrutura interna da aeronave. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>A modelagem da aeronave em sua versão final sem a câmera é a exposta nas Figuras</p><p>3.50 a 3.53.</p><p>Figura 3.50 – Vista frontal da aeronave modelada em CAD. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>91</p><p>Figura 3.51 – Vista lateral da aeronave modelada em CAD. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>Figura 3.52 – Vista superior da aeronave modelada em CAD. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>92</p><p>Figura 3.53 – Vista isométrica da aeronave modelada em CAD. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>Com a aeronave completamente modelada foi possível encontrar a área exposta ao</p><p>escoamento de cada um dos seus componentes. Essa é a chamada área molhada, que está</p><p>sujeita à fricção do vento relativo e, portanto, à tensão cisalhante que leva ao aumento de</p><p>arrasto. Utilizou-se para o cálculo do arrasto parasita a Equação (2.13), sendo a área de</p><p>referência a área em planta da asa. Para evitar-se que o arrasto fosse subdimensionado,</p><p>optou-se por adotar como coeficiente de fricção Cf o valor máximo proposto por Raymer</p><p>(1992), de 0,0065. A Tabela 3.4 relaciona a área molhada de cada componente e sua</p><p>respectiva contribuição para o arrasto da aeronave. Como os coeficientes CD0 foram</p><p>calculados com base na mesma área de referência que os parâmetros vindos do software</p><p>XFLR5 (área em planta da asa), eles podem ser somados diretamente à polar de arrasto</p><p>da aeronave, como será melhor evidenciado na seção 3.3.</p><p>93</p><p>Tabela 3.4 – Arrasto parasita</p><p>Componente Swet (m2) CD0</p><p>Trem de Pouso 0,07456 0,0024</p><p>Fuselagem 0,10669 0,0035</p><p>GPS 0,00494 0,0002</p><p>Tail Boom 0,01709 0,0006</p><p>Frame H 0,05027 0,0016</p><p>Motores Verticais 0,0532 0,0017</p><p>Suporte Motores Verticais 0,03564 0,0012</p><p>Motor Horizontal 0,00454 0,0001</p><p>Empenagem 0,10205 0,0033</p><p>Total 0,0146</p><p>3.3 Desempenho</p><p>Os cálculos de desempenho visam encontrar o alcance da aeronave com base nas</p><p>características de sustentação e arrasto que podem ser extraídas a partir da sua polar</p><p>de arrasto. Foi elaborado um algoritmo para o trabalho, presente no Apêndice A, que</p><p>relaciona os dados obtidos da aerodinâmica com parâmetros do grupo motopropulsor do</p><p>VANT para encontrar as velocidades de operação ótimas da aeronave, o tempo máximo</p><p>de voo e a distância que a configuração de aeronave proposta pode atingir. Nessa seção</p><p>encontram-se descrições dos parâmetros e cálculos utilizados pelo algoritmo.</p><p>A polar de arrasto encontrada pelo software XFLR5 representa as contribuições de</p><p>CL e CD da asa e da empenagem. O algoritmo importa os dados obtidos por esse método</p><p>e aplica nos coeficientes a correção proposta na seção 3.2.2.1. Além disso, é acrescentada à</p><p>polar a contribuição dos componentes que não possuem sustentação, adicionando à curva</p><p>o fator de CD0 total encontrado no cálculo de arrasto parasita do VANT (Tabela 3.4). A</p><p>Figura 3.54 compara a curva da polar de arrasto encontrada pelo XFLR5 com a polar de</p><p>arrasto da aeronave completa.</p><p>Com base no coeficiente de sustentação corrigido, na densidade do ar e nos demais</p><p>parâmetros da aeronave inseridos no código (área de asa, peso), é possível utilizar as</p><p>Equações (2.5) e (2.6) para isolar a variável Velocidade e encontrar seus valores para cada</p><p>situação de CL disponível no algoritmo. Dessa forma, a faixa de velocidades analisada é</p><p>totalmente dependente dos coeficientes da polar, sendo seu valor mínimo correspondente à</p><p>situação de CLMáx (velocidade de estol).</p><p>94</p><p>Figura 3.54 – Comparação da polar de arrasto obtida no software XFLR5 e a polar de arrasto</p><p>da aeronave completa. Fonte: Autor.</p><p>A tração e a potência requeridas pela aeronave para combater o arrasto podem ser</p><p>obtidas utilizando-se as Equações (2.14) e (2.16). Relacionando essas grandezas com a</p><p>velocidade da aeronave para cada situação, obteve-se os resultados presentes nas Figuras</p><p>3.55 e 3.56.</p><p>Figura 3.55 – Gráfico da tração do motor de propulsão horizontal em função da velocidade.</p><p>Fonte: Autor.</p><p>95</p><p>Figura 3.56 – Gráfico da potência do motor de propulsão horizontal em função da velocidade.</p><p>Fonte: Autor.</p><p>Com a análise dos resultados obtidos é possível perceber que a faixa ótima de</p><p>operação da aeronave está em velocidades de 15 a 25 m/s, região em que a tração e a</p><p>potência requeridas são mínimas. Para 20 m/s o empuxo necessário pelo motor é de apenas</p><p>3,6 N, com potência de aproximadamente 70 W.</p><p>Tendo conhecimento da faixa ótima de operação da aeronave, buscou-se relacioná-la</p><p>com as informações do grupo motopropulsor. A hélice utilizada no projeto é própria para</p><p>baixas velocidades (Slow Flyer) e possui 10 polegadas de diâmetro, com passo de 4,7</p><p>polegadas por revolução (hélice 10x4,7 SF da fabricante APC Propellers). A fabricante</p><p>disponibiliza em seu website tabelas com os coeficientes adimensionais da hélice (como os</p><p>da Figura 2.32), obtidas em ensaios práticos para diversas condições de rotação.</p><p>A eficiência da hélice em função da velocidade da aeronave foi encontrada para a</p><p>curva relacionada a 9000 rpm. Tal decisão foi tomada pois essa é a rotação que fornece</p><p>empuxo da hélice mais próximo da tração requerida na faixa de velocidades ótima da</p><p>aeronave (com uma pequena sobra de tração, fornece aproximadamente 5 N para 20 m/s).</p><p>Em busca de uma equação que representasse a eficiência para cada velocidade, aplicou-se</p><p>uma regressão polinomial de grau 4 na curva (Figura 3.57). Para que a equação obtida se</p><p>aproxime o máximo possível dos valores reais da eficiência da hélice, optou-se por limitar</p><p>a velocidade inicial analisada na velocidade mínima encontrada pelo algoritmo (12 m/s).</p><p>96</p><p>Figura 3.57 – Comparação da eficiência da hélice de propulsão horizontal em função da velocidade</p><p>pelos dados da fabricante e coeficientes da regressão polinomial. Fonte: Autor.</p><p>A regressão polinomial de quarto grau obteve a curva de eficiência como expresso</p><p>na Equação (3.2). Os coeficientes encontrados são os apresentados na Tabela 3.5.</p><p>ηhélice = EfiH1.V 4</p><p>∞ + EfiH2.V 3</p><p>∞ + EfiH3.V 2</p><p>∞ + EfiH4.V∞ + EfiH5 (3.2)</p><p>Tabela 3.5 – Coeficientes da Regressão Polinomial</p><p>Coeficiente Valor</p><p>EfiH1 -0,00004634</p><p>EfiH2 0,003399</p><p>EfiH3 -0,093443</p><p>EfiH4 1,155562</p><p>EfiH5 -4,783719</p><p>Para encontrar a eficiência total do grupo motopropulsor a eficiência da hélice foi</p><p>multiplicada pela do motor (Equação (2.20)), sendo esta última estimada em 0,75. Os</p><p>demais parâmetros para se calcular a autonomia (Equação (2.19)) e o alcance (Equação</p><p>(2.21)) são os da bateria. A bateria utilizada no projeto é do tipo Polímero de Lítio (LIPO)</p><p>da marca Traxxas (Figura 3.58), com capacidade de 8,4 Ah e tensão de 11,1 V (3 células</p><p>em série). Valores de Rt e n típicos para pequenos packs de baterias recarregáveis do tipo</p><p>97</p><p>LIPO são de 1 hora e 1,3, respectivamente (TRAUB, 2011). A bateria escolhida possui</p><p>tempo de recarga de aproximadamente 2 horas e meia.</p><p>Figura 3.58 – Bateria utilizada no projeto, Traxxas Power Cell LiPo 8400 mAh. Fonte: Autor.</p><p>98</p><p>4 RESULTADOS E ANÁLISES</p><p>Nessa seção encontram-se os resultados das análises obtidas pelo algoritmo (Apên-</p><p>dice A) e como este foi realimentado com base em informações coletadas em teste de voo</p><p>realizado pela aeronave projetada. Buscou-se assim tornar a modelagem matemática mais</p><p>completa, com resultados mais precisos. Com base nos dados obtidos em teste de voo,</p><p>soluções foram pensadas a fim de aumentar o alcance da aeronave testada.</p><p>4.1 Algoritmo</p><p>Com os dados da seção 3.3 inseridos no algoritmo, chegou-se aos resultados de</p><p>autonomia expostos na Figura 4.1, com valores do tempo total de voo tanto em minutos</p><p>como em segundos. A máxima autonomia é de 40 minutos, para uma velocidade de 17,6</p><p>m/s, aproximadamente.</p><p>Figura 4.1 – Autonomia do VANT para cada condição de velocidade do veículo. Fonte: Autor.</p><p>Utilizando-se a Equação (2.21) foi possível obter os valores de alcance da aeronave,</p><p>relacionando os dados de autonomia para cada velocidade de vôo (Figura 4.2). O máximo</p><p>alcance obtido para a configuração de aeronave analisada é de 46 km, para uma velocidade</p><p>de 20,6 m/s.</p><p>99</p><p>Figura 4.2 – Alcance do VANT para cada condição de velocidade do veículo.</p><p>Fonte: Autor.</p><p>A aeronave foi fabricada (Figuras 4.3 a 4.5), tendo sua versão sem a câmera de</p><p>monitoramento uma massa de 2,415 kg. Com a instalação da câmera de 118 g sua massa</p><p>total passa para 2,533 kg, valor 5,5% superior ao estimado nas definições iniciais da</p><p>aeronave (2,4kg).</p><p>Figura 4.3 – Estrutura do frame H com os motores posicionados. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>100</p><p>Figura 4.4 – Aeronave final, com asa, empenagem e trem de pouso acoplados. Fonte: Projeto</p><p>GRIn.</p><p>Figura 4.5 – Lateral do VANT. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>Ao analisar novamente a configuração de aeronave no algoritmo, utilizando-se a</p><p>massa da aeronave como o valor encontrado após sua fabricação final, obteve-se alcance</p><p>máximo de 43,4 km (queda de 7,3% com relação ao seu valor previamente calculado), a</p><p>uma velocidade de operação de 19,9 m/s.</p><p>101</p><p>4.2 Testes de Voo</p><p>Foram realizados testes de voo na aeronave sem câmera, com massa de 2,4 kg, para</p><p>verificar as suas condições de operação reais e realimentar o algoritmo com parâmetros</p><p>mais precisos. A aeronave foi acelerada em percurso retilíneo (Figura 4.6) e foram coletadas</p><p>informações a respeito de sua velocidade com relação ao solo, com controle de arfagem</p><p>ativado (Figura 4.7). Apesar desta não representar a velocidade real do veículo com relação</p><p>ao vento relativo passando por ele (visto que é possível que haja vento a favor ou contra o</p><p>VANT durante o percurso), tal valor representa uma estimativa razoável dos parâmetros a</p><p>serem analisados. Os pontos azuis na Figura 4.6 representam a posição do veículo para</p><p>cada instante coletado.</p><p>Figura 4.6 – Trajetória realizada pelo VANT em teste de voo. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>Pode-se estimar que a arfagem medida pela telemetria da aeronave corresponde</p><p>à soma de seu ângulo de ataque e de seu ângulo de trajetória (Figura 2.33). Os valores</p><p>médios da fase de voo relacionada ao trajeto retilíneo são de aproximadamente 3◦ (Figura</p><p>4.7), ângulo que foi utilizado como parâmetro de controle da aeronave (valor fixado pela</p><p>controladora para qual a aeronave deve retornar após distúrbios).</p><p>102</p><p>Figura 4.7 – Arfagem da aeronave durante o ensaio de voo realizado, para cada instante de</p><p>tempo. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>Percebe-se que a aeronave não voa de forma completamente nivelada. Na realidade,</p><p>esta apresenta uma razão de subida de aproximadamente 1,1 m/s, como é possível verificar</p><p>com auxílio da Figura 4.8, equivalente a um ângulo de trajetória de 3, 5◦.</p><p>Figura 4.8 – Altitude da aeronave durante o ensaio de voo realizado, para cada instante de tempo.</p><p>Fonte: Projeto GRIn.</p><p>103</p><p>Assim, a aeronave realizou o teste de voo em condição de ângulo de ataque de</p><p>cerca de −0, 5◦, que possui coeficiente de sustentação de aproximadamente 0,4. É de certa</p><p>importância ressaltar que, apesar de o sistema de controle estar operando com base no</p><p>ângulo de arfagem, o ângulo escolhido não é o mais eficiente, não possuindo grande valor</p><p>de CL ou eficiência aerodinâmica.</p><p>A velocidade se manteve aproximadamente constante durante um intervalo de 8</p><p>segundos do trajeto, a uma média de 16,5 m/s, como mostra a Figura 4.9.</p><p>Figura 4.9 – Velocidade da aeronave com relação ao solo durante o ensaio de voo realizado, para</p><p>cada instante de tempo. Fonte: Projeto GRIn.</p><p>Utilizando a Equação (2.6), percebe-se que a sustentação gerada pela asa é de 12,7</p><p>N (1,29 kg), não sendo suficiente para suportar o peso da aeronave inteira. Porém, por se</p><p>tratar de uma subida não-acelerada, os valores de sustentação e peso devem apresentar</p><p>grandezas semelhantes (Equação (2.23)).</p><p>Tal diferença de resultados pode ser explicada pela atuação dos motores de propulsão</p><p>vertical. Mesmo após o término da manobra de decolagem os motores permanecem ativos</p><p>em uma situação de rotação mínima (posição idle, ociosa) para que, caso necessário realizar</p><p>uma manobra de arfagem, guinada ou rolagem, os motores estejam imediatamente prontos</p><p>para serem atuados. Ao subtrair a sustentação da asa do peso da aeronave, percebe-se</p><p>que os quatro motores de propulsão vertical contribuem com 10,9 N (aproximadamente</p><p>2,75 N cada um) no somatório de forças.</p><p>104</p><p>4.3 Refinamento do Algoritmo</p><p>O fato de os motores de propulsão estarem sempre operantes, ainda que em baixa</p><p>rotação, aumenta consideravelmente o consumo de energia da bateria. Tal fato traz</p><p>consequências diretas para a autonomia e alcance da aeronave. Para refinar o modelo com</p><p>tais perdas, realizou-se teste de bancada utilizando um multímetro para aferir os valores</p><p>de tensão e corrente saindo da bateria para alimentar um motor de propulsão vertical</p><p>(Figura 4.10) sendo possível então obter a potência despendida por cada um deles ao gerar</p><p>um empuxo de aproximadamente 2,75 N.</p><p>Figura 4.10 – Teste de bancada para estimar potência gasta pelos motores verticais. Fonte:</p><p>Autor.</p><p>Verificou-se quais valores de corrente e tensão eram necessários para gerar valores</p><p>de tração pré-estabelecidos, utilizando uma célula de carga acoplada ao motor. Os valores</p><p>obtidos são os encontrados na Figura 4.11</p><p>105</p><p>Figura 4.11 – Valores de potência gastos por um motor vertical para cada condição de empuxo.</p><p>Fonte: Autor.</p><p>Obteve-se valores de 22 W de potência gastos por cada um dos motores verticais</p><p>em operação, para que haja tração de 2,75 N. A potência total que pode ser fornecida</p><p>pela bateria não é a mesma que é entregue ao motor de propulsão horizontal, visto que os</p><p>demais motores também utilizam sua energia.</p><p>A Equação (2.18) pode ser reformulada levando em consideração a potência dos</p><p>motores verticais, como mostra a Equação (4.1)</p><p>PR + 4.Pmv = PB = V.</p><p>C</p><p>RT</p><p>.(Rt</p><p>t</p><p>) 1</p><p>n (4.1)</p><p>Assim, chega-se aos valores de autonomia corrigida Ec com base nas perdas de</p><p>potência verificadas, como mostra a Equação (4.2).</p><p>E = R1−n</p><p>T .( ηtot.V.C</p><p>(PR + 4.Pmv))n (4.2)</p><p>Quando a tração dos motores verticais (Tmv) é considerada, a sustentação gerada</p><p>pela asa da aeronave deve ser menor para garantir o voo nivelado (Equação (4.3)). Isso</p><p>quer dizer que as velocidades nas quais o VANT estará operando se reduzirão. A tração</p><p>requerida (Equação (2.14)) para manter voo nivelado também se altera devido a esse fato.</p><p>L = W − 4.Tmv (4.3)</p><p>106</p><p>Com base no valor de razão de subida encontrado pela Figura 4.8 (1,1 m/s) e</p><p>na tração que o grupo motopropulsor pode fornecer (aproximadamente 5,2 N para uma</p><p>rotação próxima de 8000 rpm e velocidade de 16,5 m/s), pode-se utilizar a Equação (2.22)</p><p>para se estimar o arrasto real da aeronave. Este deveria ser de aproximadamente 3,6 N</p><p>para a velocidade supracitada. A diferença de arrasto encontrada entre o modelo utilizado</p><p>e o teste de voo pode ser explicada pelo arrasto induzido das hélices de propulsão vertical,</p><p>que cresce consideravelmente à medida que se aumenta a sustentação desses motores.</p><p>Assim, foi aplicado mais um fator de correção para contabilizar os efeitos desse arrasto</p><p>induzido nas contas realizadas pelo algoritmo. O fator de correção foi encontrado de forma</p><p>iterativa com auxílio do algoritmo, variando seu valor até encontrar uma tração requerida</p><p>equivalente a 3,6 N para 16,5 m/s, chegando a um resultado de ∆CD de 0,048.</p><p>4.4 Resultados pós-refinamento</p><p>As informações obtidas com o teste de voo foram inseridas no algoritmo refinado,</p><p>chegando em resultados como os estimados nas Figuras 4.12 e 4.13.</p><p>Figura 4.12 – Alcance do VANT para cada condição de velocidade do veículo, considerando as</p><p>perdas devido aos motores verticais. Fonte: Autor.</p><p>107</p><p>Figura 4.13 – Autonomia do VANT para cada condição de velocidade do veículo, considerando</p><p>as perdas devido aos motores verticais. Fonte: Autor.</p><p>Os resultados encontrados após serem contabilizadas as perdas relativas aos motores</p><p>de propulsão vertical operantes e o acréscimo de arrasto não foram considerados ótimos</p><p>para a missão à qual a aeronave foi projetada. O alcance máximo para as condições que a</p><p>aeronave voou durante o teste de voo é de 13,9 km, a uma velocidade de máxima eficiência</p><p>de 18,2 m/s. Sua autonomia ao voar com esses parâmetros é de aproximadamente 13</p><p>minutos. Há grande influência nos resultados devido ao gasto extra de potência</p><p>dos motores</p><p>verticais na condição idle, que podem estar desregulados. Ao invés de estes operarem com</p><p>rotação mínima, apenas para não serem desativados e poderem ser atuados imediatamente</p><p>caso uma manobra seja necessária, estes contribuíram com 46% da sustentação total da</p><p>aeronave (10,9 N dos 23,5 N de peso da aeronave). A rotação em idle desses motores é um</p><p>parâmetro que pode ser alterado na configuração da controladora de voo. Para efeito de</p><p>comparação, foram realizadas as contas do algoritmo novamente, considerando a potência</p><p>gasta por cada um dos motores verticais ao fornecer um empuxo de 1,50 N (7,2 W) e</p><p>mantendo o mesmo valor de ∆CD no código, o que por si só altera de maneira significativa</p><p>os resultados previamente obtidos (Figuras 4.14 e 4.15).</p><p>108</p><p>Figura 4.14 – Alcance do VANT para cada condição de velocidade do veículo, considerando</p><p>redução da tração dos motores verticais para 1,5 N cada. Fonte: Autor.</p><p>Figura 4.15 – Autonomia do VANT para cada condição de velocidade do veículo, considerando</p><p>redução da tração dos motores verticais para 1,5 N cada. Fonte: Autor.</p><p>Com essa alteração o alcance máximo passa para 22,8 km, acréscimo de 65% com</p><p>relação à situação previamente analisada, com uma autonomia de 22,6 minutos (valor 74%</p><p>maior ao anterior). Tais resultados são de certa forma subdimensionados, visto que os</p><p>valores de arrasto induzido das hélices verticais (∆CD) também diminuem ao se reduzir a</p><p>tração (e, consequentemente, a potência) dos motores.</p><p>109</p><p>De forma ideal, a aeronave operaria com gastos de potência nulos nos motores</p><p>verticais fora das situações de decolagem e pouso, tendo sua controlabilidade exercida por</p><p>superfícies de controle comuns (ailerons, leme e profundor). Tal situação foi analisada no</p><p>algoritmo, garantindo alcances como os expostos na Figura 4.16. É válido ressaltar que os</p><p>resultados dessa análise se diferem dos encontrados na Figura 4.2 somente pelo acréscimo</p><p>do coeficiente de arrasto ∆CD obtidos após o refinamento do algoritmo com os dados reais</p><p>do teste de voo. Reitera-se que os resultados obtidos ainda são subdimensionados, devido</p><p>à queda do arrasto induzido das hélices verticais ao diminuir sua rotação.</p><p>Figura 4.16 – Alcance do VANT para cada condição de velocidade do veículo, considerando</p><p>gastos nulos de potência nos motores verticais. Fonte: Autor.</p><p>Na condição analisada, o alcance máximo é de cerca de 26 km a 17,1 m/s, atrelado</p><p>a uma autonomia de 25 minutos.</p><p>110</p><p>Figura 4.17 – Autonomia do VANT para cada condição de velocidade do veículo, considerando</p><p>gastos nulos de potência nos motores verticais. Fonte: Autor.</p><p>111</p><p>5 CONCLUSÕES</p><p>Dada a missão e os requisitos de projeto apresentados neste trabalho, foi realizada</p><p>uma análise aeronáutica de um VANT que seja capaz de fazer inspeções em linhas de</p><p>transmissão de energia. A análise detalhada aqui apresentada passou principalmente pelas</p><p>disciplinas de aerodinâmica, estabilidade e desempenho, com o auxílio de ferramentas</p><p>computacionais para alcançar o projeto considerado ótimo dentro de suas inúmeras</p><p>possibilidades.</p><p>Foram realizadas análises aerodinâmicas de escolha de aerofólio e projeto de asa</p><p>para obter uma aeronave eficiente dentro das limitações estabelecidas. Buscou-se aproximar</p><p>ao máximo os dados utilizados no modelo com os reais, aplicando-se fatores de correção nos</p><p>dados obtidos em softwares quando necessário. Com as análises de estabilidade projetou-se</p><p>uma empenagem que garantisse voos estáveis para a aeronave mas que ainda mantivesse</p><p>uma boa controlabilidade do veículo e com as análises de desempenho foi elaborado um</p><p>algoritmo que quantizasse medidas de alcance e autonomia da aeronave de propulsão</p><p>elétrica.</p><p>Foi realizado o projeto da aeronave com as características propostas e esta se</p><p>mostrou funcional, sendo possível efetuar testes para coletar informações a respeito de</p><p>seu real funcionamento em voo. Sua compacidade e sua controladora de voo levam a</p><p>uma maior praticidade de operação, tornando fácil a realização de testes práticos para</p><p>a validação dos dados teóricos e a calibração do sistema de controle. A controlabilidade</p><p>se tornou uma das características positivas verificadas no projeto do VANT pois, mesmo</p><p>tendo a derivada de Cm por α fora da região usual em que outras aeronaves operam,</p><p>apresenta facilidade em retornar à angulação estabelecida pelo sistema de controle devido</p><p>à atuação dos motores de propulsão vertical. A alta controlabilidade reduz os riscos de</p><p>quedas e acidentes da aeronave.</p><p>Ao longo do projeto foi possível verificar medidas que auxiliam a maximizar a</p><p>eficácia do veículo e otimizar o seu alcance, sendo que algumas dessas podem ser facilmente</p><p>implementadas no projeto: um menor peso da aeronave (que pode ser obtido reduzindo o</p><p>peso estrutural de certos componentes, por exemplo); o sistema de controle tendo como</p><p>referência de angulação o ângulo de trimagem, que permita máxima relação de L/D; a</p><p>redução da rotação dos motores verticais em idle, diminuindo consideravelmente a potência</p><p>gasta pelo VANT e o acréscimo de arrasto induzido ∆CD; atrelado ao último fator citado</p><p>está um aumento das velocidades da aeronave, que permita compensar a sustentação dos</p><p>motores verticais e percorrer maiores distâncias.</p><p>Entre os citados, o parâmetro mais importante é o da redução da rotação dos</p><p>motores de propulsão vertical, como exposto na seção 4.4. Percebe-se que, mesmo com as</p><p>limitações impostas à geometria da aeronave nas suas definições iniciais, ainda é possível</p><p>112</p><p>obter valores de alcance razoáveis para o VANT ao se modificar esse parâmetro, com</p><p>resultados superiores a 20 km para cada missão realizada, com durações acima de 25</p><p>minutos cada.</p><p>O VANT possui características de velocidade similares a outras aeronaves elétricas</p><p>de pequeno porte projetadas para inspeção em linhas de transmissão (como em (RANGEL;</p><p>KIENITZ; BRANDÃO, 2009), de 16,7 m/s).</p><p>O algoritmo elaborado para o presente trabalho pode ser utilizado para cálculo de</p><p>autonomia e alcance de outras aeronaves similares de propulsão elétrica. Alterando os</p><p>valores dos inputs que o código recebe é possível encontrar resultados para aeronaves de</p><p>asa fixa convencionais ou que possuam também propulsão vertical.</p><p>5.1 Sugestões para Trabalhos Futuros</p><p>Para maior eficiência, nos próximos ensaios de voo o sistema de controle pode ser</p><p>utilizado regulando a altitude, a velocidade e o ângulo de ataque da aeronave (que, por se</p><p>manter em uma mesma altura, torna-se o próprio ângulo de arfagem da controladora),</p><p>de forma que esta opere sempre em seu ponto ótimo, garantindo maior alcance. Com o</p><p>controle aplicado dessa forma, pode-se reduzir também a atuação dos motores verticais,</p><p>mantendo seu gasto de energia em um valor mínimo e reduzindo os valores de ∆CD.</p><p>É necessário a realização de mais ensaios de voo para diferentes condições de tração</p><p>exercidas pelos motores verticais, para verificar como os valores de ∆CD se alteram com</p><p>esse parâmetro. Dessa forma, é possível modificar o algoritmo para que o arrasto total</p><p>seja alterado automaticamente de acordo com o valor de potência dos motores verticais,</p><p>obtendo resultados de alcance e autonomia mais precisos com o código.</p><p>Também se torna necessária a realização de testes de voo que tenham como objetivo</p><p>testar o alcance máximo da aeronave, percorrendo a maior distância possível antes que a</p><p>bateria seja completamente exaurida. Com base em ensaios como este é possível validar</p><p>os resultados finais do trabalho realizado.</p><p>Sugere-se como trabalhos futuros realizar um estudo mais aprofundado a respeito</p><p>dos valores de Rt e n das baterias. Testes práticos podem ser realizados verificando quanto</p><p>tempo leva para que determinada corrente drene a bateria analisada por completo. Com</p><p>base nesses dados é possível aplicar propriedades de logaritmos para obter o coeficiente de</p><p>Peukert e o tempo de descarga de referência da bateria. O valor adotado para n, de 1,3, foi</p><p>tomado como uma margem de segurança, visto que baterias que não foram descarregadas</p><p>e recarregadas por muitos ciclos (até 400 ciclos) podem chegar</p><p>Anderson (2010). . . . . . . . . . . . . . . 32</p><p>Figura 2.7 – Comportamento típico do Cd de um perfil em função do ângulo de</p><p>ataque. Fonte: adaptado de Anderson (1999). . . . . . . . . . . . . . . 32</p><p>Figura 2.8 – Comportamento típico do Cm de um perfil em função do ângulo de</p><p>ataque. Fonte: adaptado de Anderson (1999). . . . . . . . . . . . . . . 33</p><p>Figura 2.9 – Representação de bolha de separação laminar em um perfil aerodinâmico.</p><p>Imagem fora de escala. Fonte: (CROMPTON, 2001 apud REZENDE,</p><p>2009). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34</p><p>Figura 2.10–Nomenclatura dos parâmetros geométricos das asas e o efeito de escoa-</p><p>mento tridimensional. Fonte: adaptado de Anderson (2010). . . . . . 34</p><p>Figura 2.11–Esquema dos vórtices de ponta de asa. Fonte: (ANDERSON, 2010). . 35</p><p>Figura 2.12–Comparação da curva do coeficiente de sustentação em função de α</p><p>para diversas relações de alongamento (A na nomenclatura de Raymer).</p><p>Fonte: (RAYMER, 1992). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36</p><p>Figura 2.13–Distribuição de sustentação ao longo da envergadura de uma asa. Fonte:</p><p>adaptado de Anderson (2010). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36</p><p>Figura 2.14–Vista superior de esboço de asa afilada. Fonte: (ANDERSON, 2010). . 37</p><p>Figura 2.15–Distribuição de sustentação em uma semi-asa para diversas condições</p><p>de afilamento. Fonte: (RAYMER, 2012). . . . . . . . . . . . . . . . . . 37</p><p>Figura 2.16–Esboço de asa com torção geométrica. Fonte: adaptado de Sadraey</p><p>(2012). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38</p><p>Figura 2.17–Esboço de asa com torção aerodinâmica. Fonte: adaptado de Sadraey</p><p>(2012). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38</p><p>Figura 2.18–Vista superior de esboço de aeronave com asa enflechada, mostrando</p><p>o enflechamento de bordo de ataque e de quarto de corda. Fonte:</p><p>adaptado de Raymer (1992). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39</p><p>Figura 2.19–Relação de afilamento e enflechamento para alcançar sustentação elíptica.</p><p>Fonte: adaptado de Raymer (1992). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39</p><p>Figura 2.20–Efeito da torção no comportamento de Cl ao longo da envergadura.</p><p>Fonte: adaptado de Sadraey (2012). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40</p><p>Figura 2.21–Polar de arrasto para uma asa de perfil simétrico e para uma asa de</p><p>perfil com curvatura. Fonte: adaptado de Raymer (1992). . . . . . . . 40</p><p>Figura 2.22–Representação das possíveis condições de estabilidade estática e dinâ-</p><p>mica longitudinal. Fonte: (HOMA, 2016). . . . . . . . . . . . . . . . . 42</p><p>Figura 2.23–Convenção de eixos adotada e nomenclatura dos momentos. Fonte:</p><p>adaptado de Sadraey (2012). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42</p><p>Figura 2.24–Comportamento do momento de arfagem no CG de uma aeronave</p><p>instável e de uma aeronave estável com relação ao ângulo de ataque.</p><p>Fonte: adaptado de Nelson (1998). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43</p><p>Figura 2.25–Esboço de Vista Lateral de aeronave com atuação da sustentação da asa</p><p>e da empenagem contribuindo para sua estabilidade. Fonte: adaptado</p><p>de Sadraey (2012). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44</p><p>Figura 2.26–Definição de ângulo de derrapagem positivo. Fonte: (NELSON, 1998). 44</p><p>Figura 2.27–Comportamento do momento de guinada uma aeronave instável e de</p><p>uma aeronave estável com relação ao ângulo de derrapagem. Fonte:</p><p>adaptado de Nelson (1998). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45</p><p>Figura 2.28–Momento de rolagem uma aeronave instável e de uma aeronave estável</p><p>com relação ao ângulo de derrapagem e esquema de aeronave estável</p><p>após ser perturbada lateralmente. Fonte: adaptado de Nelson (1998). . 45</p><p>Figura 2.29–Efeito da asa alta e da asa baixa no momento de rolagem de uma</p><p>aeronave. Fonte: adaptado de Nelson (1998). . . . . . . . . . . . . . . 46</p><p>Figura 2.30–Aeronave com ângulo de diedro positivo Γ. Fonte: (Nelson, 1998). . . . 46</p><p>Figura 2.31–Posicionamento das superfícies de controle e demais componentes da</p><p>aeronave. Fonte: adaptado de Brandt (2004). . . . . . . . . . . . . . . 47</p><p>Figura 2.32–Coeficientes de tração, potência e eficiência para uma hélice livre com</p><p>relação ao parâmetro de velocidade de avanço adimensional. Fonte:</p><p>(WHITE, 2010). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49</p><p>Figura 2.33–Representação de uma aeronave em condição de subida uniforme. Fonte:</p><p>adaptado de Raymer (1992). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50</p><p>Figura 2.34–Distribuição de painéis ao longo de uma superfície de formato arbitrário.</p><p>Fonte: adaptado de Anderson (2010). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53</p><p>Figura 2.35–Vista lateral da distribuição de fonte aplicada nos painéis de uma</p><p>superfície s. Fonte: adaptado de Anderson (2010). . . . . . . . . . . . . 53</p><p>Figura 2.36–Vista lateral da distribuição de vórtice aplicada nos painéis de uma</p><p>superfície s. Fonte: adaptado de Anderson (2010). . . . . . . . . . . . . 54</p><p>Figura 3.1 – Esquema da organização do trabalho. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . 55</p><p>Figura 3.2 – Vista renderizada do frame em H com suas dimensões em milímetros.</p><p>Fonte: Projeto GRIn. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57</p><p>Figura 3.3 – Vista renderizada do trem de pouso escolhido para o projeto. Fonte:</p><p>Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58</p><p>Figura 3.4 – Esboço inicial da vista superior do VANT. Fonte: Projeto GRIn. . . . . 60</p><p>Figura 3.5 – Distribuição de vórtice e de fonte aplicadas nos painéis de um aerofólio</p><p>no XFOIL (DRELA, 1989). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62</p><p>Figura 3.6 – Esquema de uma superfície sustentadora. Fonte: adaptado de Anderson</p><p>(2010). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64</p><p>Figura 3.7 – Esquema de um único vórtice, parte do sistema de vórtices de uma asa.</p><p>Fonte: adaptado de Anderson (2010). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64</p><p>Figura 3.8 – Geometria do perfil Eppler 210 (E210). Fonte: Autor. . . . . . . . . . . 65</p><p>Figura 3.9 – Geometria do perfil Eppler 387 (E387). Fonte: Autor. . . . . . . . . . . 65</p><p>Figura 3.10–Geometria do perfil FX63-137. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . 65</p><p>Figura 3.11–Geometria do perfil Selig 1223 (S1223). Fonte: Autor. . . . . . . . . . . 66</p><p>Figura 3.12–Alteração do número de painéis do Eppler 210 de 61 para 140. Fonte:</p><p>Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66</p><p>Figura 3.13–Gráfico de Cl em função do ângulo de ataque para diversos perfis</p><p>aerodinâmicos em Reynolds de 250.000. Fonte: Autor. . . . . . . . . . 67</p><p>Figura 3.14–Gráfico da eficiência aerodinâmica em função do ângulo de ataque para</p><p>diversos perfis aerodinâmicos em Reynolds de 250.000. Fonte: Autor. . 68</p><p>Figura 3.15–Gráfico do momento de arfagem a 1/4 da corda em função do ângulo</p><p>de ataque para diversos perfis aerodinâmicos em Reynolds de 250.000.</p><p>Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69</p><p>Figura 3.16–Gráfico da polar de arrasto para diversos perfis aerodinâmicos em</p><p>Reynolds de 250.000. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70</p><p>Figura 3.17–Comparação entre valores da bibliografia e dos encontrados pelo software</p><p>XFLR5 para os coeficientes de sustentação e arrasto do perfil FX63-137</p><p>em Reynolds 200.000 . Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71</p><p>Figura 3.18–Comparação entre valores da bibliografia e dos encontrados pelo software</p><p>XFLR5 para os coeficientes de sustentação e arrasto do perfil FX63-137</p><p>em Reynolds 350.000 . Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71</p><p>Figura 3.19–Correção dos valores encontrados pelo software XFLR5 com FCD =</p><p>1,16 e FCL = 0,99 para o perfil FX63-137 em Reynolds 200.000. Fonte:</p><p>Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72</p><p>Figura 3.20–Correção dos valores encontrados pelo software XFLR5 com FCD =</p><p>1,16 e FCL = 0,99 para o perfil FX63-137 em Reynolds 350.000. Fonte:</p><p>Autor.</p><p>a ter valores do coeficiente</p><p>de Peukert de 1,05 (DUBARRY; LIAW, 2009), o que representaria um alcance máximo do</p><p>VANT até 20% maior.</p><p>Como trabalho futuro também é possível aprimorar o algoritmo elaborado, conta-</p><p>113</p><p>bilizando as perdas de energia devido à decolagem e ao pouso utilizando os motores de</p><p>propulsão vertical. Dependendo das condições de altitude almejadas para as missões de</p><p>vistoria de linhas de transmissão, tais perdas podem representar queda significativa na</p><p>distância total percorrida pelo veículo.</p><p>Também sugere-se a realização de um projeto em que os motores de propulsão</p><p>vertical só atuem durante as condições de decolagem e pouso, visto que produzem um gasto</p><p>energético que pode ser facilmente substituído por superfícies de comando (ailerons, leme e</p><p>profundor) se o sistema de controle do VANT for baseado em um híbrido de controladora</p><p>de voo de aeronaves convencionais e de quadricóptero. Tal medida permite ainda realizar</p><p>análises comparativas de geometrias de asa consideravelmente mais eficientes, com alta</p><p>área de asa e alongamento e, consequentemente, maior alcance.</p><p>114</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDERSON, John David. Aircraft Performance and Design. McGraw-Hill</p><p>Science/Engineering/Math, 1999.</p><p>ANDERSON, John D. 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Disponível em: Acesso em: 19 Jun. 2017.</p><p>MUELLER, Thomas J.; DELAURIER, James D. AERODYNAMICS OF</p><p>SMALL VEHICLES. Em: Annual Review of Fluid Mechanics. 2003. p. 89-111. v.</p><p>35.</p><p>NARDI, Luiz Fernando; Numerical Study of Short-Shrouded Coaxial</p><p>UAV. 2008. 94f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) - Instituto Tecnoló-</p><p>gico de Aeronáutica, São José dos Campos.</p><p>NASA; Câmera infravermelho FLIR utilizada em heli-</p><p>cópteros de inspeção. Media Archive. 1998. Disponível em:</p><p>116</p><p>Acesso em 19 Jun. 2017.</p><p>NELSON, Robert C. Flight Stability and Automatic Control. 2. ed.</p><p>McGraw-Hill, 1998.</p><p>RANGEL, Rodrigo Kuntz; KIENITZ, Karl Heinz; BRANDÃO, Maurício Pa-</p><p>zini. Sistema de Inspeção de Linhas de Transmissão de Energia Elétrica</p><p>Utilizando Veículos Aéreos Não-tripulados. Brazilian Symposium on Aerospace</p><p>Eng. & Applications , São José dos Campos, SP, Brasil, p. 1-9, set.2009. Disponível</p><p>em: . Acesso em: 13</p><p>jun. 2017.</p><p>RAYMER, Daniel P. Aircraft Design: A Conceptual Approach. 5. ed. American</p><p>Institute Of Aeronautics And Astronautics, 1992.</p><p>REZENDE, André Luiz Tenório. Análise Numérica da Bolha de Separa-</p><p>ção do Escoamento Turbulento Sobre Placa Plana Fina Inclinada. 2009.</p><p>Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica) - PUC-RIO - Pontifícia Univer-</p><p>sidade Católica Do Rio De Janeiro, Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: . Acesso em: 17 Jun.</p><p>2017.</p><p>SADRAEY, Mohammad H. Aircraft design: A systems engineering appro-</p><p>ach. John Wiley & Sons, 2012.</p><p>SELIG, Michael S.; MCGRANAHAN, Bryan D. Wind tunnel aerodyna-</p><p>mic tests of six airfoils for use on small wind turbines. Journal of solar</p><p>energy engineering, v. 126, n. 4, p. 986-1001, 2004.</p><p>WHITE, Frank M. Mecânica dos Fluidos. 6. ed. McGraw-Hill, 2010.</p><p>WRIGHT, David. Inspeção de Linha de Transmissão. Horkstow, Inglaterra,</p><p>2012. Geograph. Disponível em:</p><p>Acesso em: 18 Jun. 2017.</p><p>117</p><p>APÊNDICE A – ALGORITMO MATLAB</p><p>1 %%% Codigo do Alcance e Autonomia metodo da Lista %%%</p><p>2 %%%%%%%%%%%%% Bruno de Almeida Regina %%%%%%%%%%%%%%%</p><p>3 % baseado em Range and Endurance Estimates for Battery-Powered ...</p><p>Aircraft, de</p><p>4 % Lance Traub (2011) e no livro Aircraft Performance and Design, ...</p><p>de John D.</p><p>5 % Anderson Jr. (2010)</p><p>6</p><p>7 clc</p><p>8 clear all</p><p>9 close all</p><p>10</p><p>11 %%%%%% INPUTS %%%%%%</p><p>12</p><p>13 % Nome do arquivo .txt que contem a polar (escrever entre '')</p><p>14 % TEM QUE ESTAR NA PASTA DO ARQUIVO MATLAB</p><p>15 POLAR = 'Polar Aeronave VTOL.txt';</p><p>16</p><p>17 FCD = 1.16; % Fator de Correcao do arrasto para analises feitas ...</p><p>no XFLR5</p><p>18 FCL = 0.99; % Fator de Correcao da sustentacao para analises ...</p><p>feitas no XFLR5</p><p>19 g = 9.81; % gravidade (m/s2)</p><p>20</p><p>21 % Aerodinamica</p><p>22</p><p>23 W = 2.4; % Peso da aeronave (kg)</p><p>24 rho = 1.174; % densidade do ar (kg/m3)</p><p>25 S = 0.2; % area de asa (m2)</p><p>26 CDparasita = 0.0146; % coeficiente de arrasto parasita</p><p>27 DeltaCD = 0.048; % Correcao de CD com base em teste de voo</p><p>28</p><p>29 % Grupo Motopropulsor</p><p>30</p><p>31 Eficiencia_motor = 0.75;</p><p>32 C = 8.4; % Capacidade da bateria (Ampere hora)</p><p>33 Rt = 1; % tempo para que a carga da bateria se descarregue ...</p><p>(horas)</p><p>34 V = 11.1; % Tensao Bateria (V);</p><p>35 n = 1.3; % fator de Puekert da bateria (adimensional)</p><p>36</p><p>37</p><p>38 % Caso esteja considerando a perda ligada aos motores verticais, ...</p><p>os 3 dados</p><p>118</p><p>39 % a seguir sao necessarios</p><p>40 Tmv= 0.15; % Tracao de cada motor em condicao de rotacao minima ...</p><p>(kgf)</p><p>41 Pmv = 7.2; % Potencia gasta pelos motores verticais, para empuxo ...</p><p>Tmv (W)</p><p>42</p><p>43 % Atualiza o valor de sustentacao, considerando atuacao dos motores</p><p>44 % verticais. Caso se queira desconsidera-los, basta colocar um ...</p><p>'%' na</p><p>45 % frente da linha a seguir:</p><p>46 W = W - 4*Tmv;</p><p>47</p><p>48 % Eficiencia da helice calculada com base em uma interpolacao de ...</p><p>quarto grau</p><p>49 % da curva em funcao da velocidade.</p><p>50 % Coeficientes da interpolacao</p><p>51 EfiH1 = -4.6342491378*10^(-5);</p><p>%Coef. da interpolacao relativo a ...</p><p>velocidade^4</p><p>52 EfiH2 = 0.00339858089; %Coef. da interpolacao relativo a ...</p><p>velocidade^3</p><p>53 EfiH3 = -0.0934432014; %Coef. da interpolacao relativo a ...</p><p>velocidade^2</p><p>54 EfiH4 = 1.15556292383; %Coef. da interpolacao relativo a ...</p><p>velocidade</p><p>55 EfiH5 = -4.78371967711; %Coef. da interpolacao linear</p><p>56 %%%%%%%%%%%%%%%%%%%%</p><p>57</p><p>58 %% Importa as informacoes do arquivo txt.</p><p>59</p><p>60 % Os dados numericos sao armazenados em sua 'aba' data ...</p><p>(polar.data()).</p><p>61 polar = importdata (POLAR);</p><p>62</p><p>63 % Pega o tamanho da matriz de dados vindos do .txt exportado ...</p><p>pelo XFLR5</p><p>64 [linhas, colunas] = size(polar.data());</p><p>65</p><p>66 %% Recebe valores de CL e CD e corrige-os</p><p>67</p><p>68 % Aplica a correcao do coef. de arrasto e soma o arrasto parasita</p><p>69 for i=1:1:linhas % Varia as linhas para CD do arquivo fonte</p><p>70 CD(i,1) = FCD*(polar.data(i, 1)) + CDparasita + DeltaCD;</p><p>71 end</p><p>72</p><p>73 % Aplica a correcao do coef. de sustentacao</p><p>74 for i=1:1:linhas % Varia as linhas para CL do arquivo fonte</p><p>75 CL(i,1) = FCL*(polar.data(i, 2));</p><p>119</p><p>76 end</p><p>77</p><p>78 % Plota a polar de arrasto final</p><p>79 figure(1)</p><p>80</p><p>81 % muda o fundo da figura para branco</p><p>82 fig = gcf;</p><p>83 fig.Color = [1 1 1];</p><p>84</p><p>85 plot(CD,CL,'LineWidth', 2) % Plota os dados com linha mais grossa</p><p>86 set(gca,'fontsize',12) % Aumenta a fonte do grafico</p><p>87 xlabel('CD','FontSize',15);</p><p>88 ylabel('CL','FontSize',15);</p><p>89 grid % Adiciona linhas de grade</p><p>90</p><p>91 hold on</p><p>92 plot(polar.data(:, 1),polar.data(:, 2), '--','LineWidth', 2)</p><p>93 legend('Polar de Arrasto XFLR5','Polar de Arrasto Completa')</p><p>94 legend('boxoff') % Retira a caixa ao redor da legenda</p><p>95</p><p>96 %% Computa valores de velocidade baseado em uma sustentacao fixa</p><p>97</p><p>98 for i=1:1:linhas</p><p>99 vel(i,1) = (2*g*W/(rho*S*CL(i,1)))^(1/2);</p><p>100 end</p><p>101</p><p>102 %% Calcula a eficiencia total</p><p>103</p><p>104 % Eficiencia da helice com base nos coeficientes da interpolacao da</p><p>105 % velocidade</p><p>106</p><p>107 EfiHelice = ...</p><p>EfiH1.*vel.^(4)+EfiH2.*vel.^(3)+EfiH3.*vel.^(2)+EfiH4.*vel+EfiH5;</p><p>108</p><p>109 % O ponto antes das operacoes de multiplicacao e potencia faz ...</p><p>com que</p><p>110 % seja realizada linha a linha nos vetores.</p><p>111</p><p>112 % Verifica a linha em que a eficiencia comeca a ficar negativa, ...</p><p>para nao</p><p>113 % gerar erros ao plotar os graficos.</p><p>114</p><p>115 % Comeca na linha de menor velocidade (CLmax) avanca na direcao de</p><p>116 % velocidade crescente</p><p>117 for i=linhas:-1:1</p><p>118 if EfiHelice(i,1)</p><p>artigos e/ou</p><p>parágrafos, sem citação do autor ou de sua fonte.</p><p>Declaro, por fim, ter total conhecimento e compreensão das punições decorrentes da prática</p><p>de plágio, através das sanções civis previstas na lei do direito autoral1 e criminais previstas</p><p>no Código Penal2, além das cominações administrativas e acadêmicas que poderão resultar</p><p>em reprovação no Trabalho de Conclusão de Curso.</p><p>Juiz de Fora, 20 de Junho de 2018.</p><p>Bruno de Almeida Regina – Discente</p><p>Matrícula: 201371074 – CPF:111.168.326-31</p><p>1 LEI N◦ 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre</p><p>direitos autorais e dá outras providências.</p><p>2 Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1</p><p>(um) ano, ou multa.</p><p>Folha de rosto</p><p>FOLHA DE APROVAÇÃO</p><p>AGRADECIMENTOS</p><p>Epígrafe</p><p>RESUMO</p><p>ABSTRACT</p><p>LISTA DE ILUSTRAÇÕES</p><p>LISTA DE TABELAS</p><p>LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS</p><p>LISTA DE SÍMBOLOS</p><p>SUMÁRIO</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Motivação</p><p>Objetivos</p><p>REVISÃO BIBLIOGRÁFICA</p><p>Tipos de VANT</p><p>Projeto Aeronáutico</p><p>Aerodinâmica</p><p>Aerofólios</p><p>Parâmetros de Similaridade</p><p>Forças Aerodinâmicas</p><p>Coeficientes Adimensionais</p><p>Bolha Laminar</p><p>Geometria de Asa</p><p>Estabilidade</p><p>Desempenho</p><p>Método Computacional</p><p>Dinâmica dos Fluidos Computacional (CFD)</p><p>Método dos Painéis</p><p>METODOLOGIA</p><p>Definições Iniciais</p><p>Aerodinâmica e Estabilidade</p><p>XFLR5 / Xfoil</p><p>Método Vortex Lattice - VLM</p><p>Aerofólio</p><p>Análise de erro</p><p>Asa</p><p>Empenagem</p><p>Aerofólio</p><p>Geometria</p><p>Análise de Estabilidade</p><p>Modelagem</p><p>Desempenho</p><p>RESULTADOS E ANÁLISES</p><p>Algoritmo</p><p>Testes de Voo</p><p>Refinamento do Algoritmo</p><p>Resultados pós-refinamento</p><p>CONCLUSÕES</p><p>Sugestões para Trabalhos Futuros</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALGORITMO MATLAB</p><p>TERMO DE AUTENTICIDADE</p><p>. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72</p><p>Figura 3.21–Vista superior da asa projetada no software XFLR5. Fonte: Autor. . . 75</p><p>Figura 3.22–Vista frontal da asa projetada no software XFLR5. Fonte: Autor. . . . 75</p><p>Figura 3.23–Vista isométrica da asa projetada no software XFLR5. Fonte: Autor. . 75</p><p>Figura 3.24–Vista isométrica da asa com sua divisão de painéis. Fonte: Autor. . . . 76</p><p>Figura 3.25–Vista superior da asa com sua divisão de painéis. Fonte: Autor. . . . . 76</p><p>Figura 3.26–Gráfico do coeficiente de sustentação local (Cl) em função da enverga-</p><p>dura, na condição limite do estol. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . 77</p><p>Figura 3.27–Gráfico do coeficiente de sustentação (CL) pelo ângulo de ataque (α).</p><p>Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78</p><p>Figura 3.28–Gráfico do coeficiente de momento (Cm) pelo ângulo de ataque (α),</p><p>analisado em um quarto de corda da asa. Fonte: Autor. . . . . . . . . 78</p><p>Figura 3.29–Gráfico da polar de arrasto da asa. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . 79</p><p>Figura 3.30–Vista posterior de escoamento na asa com linhas de corrente formando</p><p>vórtices em suas extremidades. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . 79</p><p>Figura 3.31–Vista superior de escoamento na asa com linhas de corrente formando</p><p>vórtices em suas extremidades. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . 80</p><p>Figura 3.32–Vista isométrica de escoamento na asa com linhas de corrente formando</p><p>vórtices em suas extremidades. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . 80</p><p>Figura 3.33–Gráfico da distribuição de sustentação (Cl.c/CMA) em função da en-</p><p>vergadura, para um ângulo de ataque de 5◦. Fonte: Autor. . . . . . . . 81</p><p>Figura 3.34–Geometria do perfil Eppler 168. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . 81</p><p>Figura 3.35–Geometria do perfil NACA 0009. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . 82</p><p>Figura 3.36–Geometria do perfil NACA 0012. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . 82</p><p>Figura 3.37–Gráfico de Cl em função do ângulo de ataque para diversos perfis</p><p>aerodinâmicos em Reynolds de 150.000. Fonte: Autor. . . . . . . . . . 82</p><p>Figura 3.38–Gráfico da eficiência aerodinâmica em função do ângulo de ataque para</p><p>diversos perfis aerodinâmicos em Reynolds de 150.000. Fonte: Autor. . 83</p><p>Figura 3.39–Vista lateral da aeronave com empenagem. Fonte: Autor. . . . . . . . 84</p><p>Figura 3.40–Vista superior da aeronave com empenagem. Fonte: Autor. . . . . . . . 84</p><p>Figura 3.41–Vista lateral do estabilizador vertical e vista superior do estabilizador</p><p>horizontal, com suas divisões de painéis. Fonte: Autor. . . . . . . . . . 85</p><p>Figura 3.42–Gráfico da Eficiência Aerodinâmica da aeronave em função do ângulo</p><p>de ataque. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86</p><p>Figura 3.43–Gráfico do coeficiente de momento de arfagem (Cm) por α, analisado</p><p>no CG do VANT. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87</p><p>Figura 3.44–Vista frontal da aeronave com diedro aplicado para análise de estabili-</p><p>dade látero-direcional. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87</p><p>Figura 3.45–Gráfico do coeficiente de momento de rolagem (Cl) por β. Fonte: Autor. 88</p><p>Figura 3.46–Gráfico do coeficiente de momento de guinada (Cn) por β. Fonte: Autor. 88</p><p>Figura 3.47–Modelagem da fuselagem. Fonte: Projeto GRIn. . . . . . . . . . . . . . 89</p><p>Figura 3.48–Modelagem da fuselagem. Fonte: Projeto GRIn. . . . . . . . . . . . . . 89</p><p>Figura 3.49–Estrutura interna da aeronave. Fonte: Projeto GRIn. . . . . . . . . . . 90</p><p>Figura 3.50–Vista frontal da aeronave modelada em CAD. Fonte: Projeto GRIn. . . 90</p><p>Figura 3.51–Vista lateral da aeronave modelada em CAD. Fonte: Projeto GRIn. . . 91</p><p>Figura 3.52–Vista superior da aeronave modelada em CAD. Fonte: Projeto GRIn. . 91</p><p>Figura 3.53–Vista isométrica da aeronave modelada em CAD. Fonte: Projeto GRIn. 92</p><p>Figura 3.54–Comparação da polar de arrasto obtida no software XFLR5 e a polar</p><p>de arrasto da aeronave completa. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . 94</p><p>Figura 3.55–Gráfico da tração do motor de propulsão horizontal em função da</p><p>velocidade. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94</p><p>Figura 3.56–Gráfico da potência do motor de propulsão horizontal em função da</p><p>velocidade. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95</p><p>Figura 3.57–Comparação da eficiência da hélice de propulsão horizontal em função</p><p>da velocidade pelos dados da fabricante e coeficientes da regressão</p><p>polinomial. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96</p><p>Figura 3.58–Bateria utilizada no projeto, Traxxas Power Cell LiPo 8400 mAh. Fonte:</p><p>Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97</p><p>Figura 4.1 – Autonomia do VANT para cada condição de velocidade do veículo.</p><p>Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98</p><p>Figura 4.2 – Alcance do VANT para cada condição de velocidade do veículo. Fonte:</p><p>Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99</p><p>Figura 4.3 – Estrutura do frame H com os motores posicionados. Fonte: Projeto GRIn. 99</p><p>Figura 4.4 – Aeronave final, com asa, empenagem e trem de pouso acoplados. Fonte:</p><p>Projeto GRIn. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100</p><p>Figura 4.5 – Lateral do VANT. Fonte: Projeto GRIn. . . . . . . . . . . . . . . . . . 100</p><p>Figura 4.6 – Trajetória realizada pelo VANT em teste de voo. Fonte: Projeto GRIn. 101</p><p>Figura 4.7 – Arfagem da aeronave durante o ensaio de voo realizado, para cada</p><p>instante de tempo. Fonte: Projeto GRIn. . . . . . . . . . . . . . . . . . 102</p><p>Figura 4.8 – Altitude da aeronave durante o ensaio de voo realizado, para cada</p><p>instante de tempo. Fonte: Projeto GRIn. . . . . . . . . . . . . . . . . . 102</p><p>Figura 4.9 – Velocidade da aeronave com relação ao solo durante o ensaio de voo</p><p>realizado, para cada instante de tempo. Fonte: Projeto GRIn. . . . . . 103</p><p>Figura 4.10–Teste de bancada para estimar potência gasta pelos motores verticais.</p><p>Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104</p><p>Figura 4.11–Valores de potência gastos por um motor vertical para cada condição</p><p>de empuxo. Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105</p><p>Figura 4.12–Alcance do VANT para cada condição de velocidade do veículo, consi-</p><p>derando as perdas devido aos motores verticais. Fonte: Autor. . . . . . 106</p><p>Figura 4.13–Autonomia do VANT para cada condição de velocidade do veículo,</p><p>considerando as perdas devido aos motores verticais. Fonte: Autor. . . 107</p><p>Figura 4.14–Alcance do VANT para cada condição de velocidade do veículo, conside-</p><p>rando redução da tração dos motores verticais para 1,5 N cada. Fonte:</p><p>Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108</p><p>Figura 4.15–Autonomia do VANT para cada condição de velocidade do veículo,</p><p>considerando redução da tração dos motores verticais para 1,5 N cada.</p><p>Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108</p><p>Figura 4.16–Alcance do VANT para cada condição de velocidade do veículo, consi-</p><p>derando gastos nulos de potência nos motores verticais. Fonte: Autor. . 109</p><p>Figura 4.17–Autonomia do VANT para cada condição de velocidade do veículo,</p><p>considerando gastos nulos de potência nos motores verticais. Fonte:</p><p>Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110</p><p>LISTA DE TABELAS</p><p>Tabela 3.1 – Tabela de Massa dos componentes do projeto . . . . . . . . . . . . . . 59</p><p>Tabela 3.2 – Resumo das Definições Iniciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60</p><p>Tabela 3.3 – Dados da atmosfera . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61</p><p>Tabela 3.4 – Arrasto parasita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93</p><p>Tabela 3.5 – Coeficientes da Regressão Polinomial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96</p><p>LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS</p><p>ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica</p><p>CA Centro aerodinâmico</p><p>CAD Projeto assistido por computador (computer aided design)</p><p>CFD Dinâmica dos fluidos computacional (computational fluid dynamics)</p><p>CG Centro de gravidade</p><p>CMA Corda média aerodinâmica</p><p>CP Centro de pressão</p><p>E210 Eppler 210</p><p>E387 Eppler 387</p><p>GPS Sistema de posicionamento global (global positioning system)</p><p>GRIn Grupo de Robótica Inteligente</p><p>LES Large eddy simulation</p><p>LIPO Lítio Polímero</p><p>LLT Teoria da linha sustentadora (lifting line theory)</p><p>NASA Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (National Aeronautics</p><p>and Space Administration)</p><p>PIO Oscilação induzida pelo piloto (pilot-indusced oscilation)</p><p>RANS Reynolds Averaged Navier-Stokes</p><p>S1223 Selig 1223</p><p>SF Hélices de baixas velocidades (Slow Flyer)</p><p>SIN Sistema Interligado Nacional</p><p>VAANT Veículo aéreo autônomo não-tripulado</p><p>VANT Veículo aéreo não-tripulado</p><p>VLM Método Vortex Lattice (Vortex Lattice Method)</p><p>VTOL Decolagem e pouso verticais (Verical take-off and landing)</p><p>LISTA DE SÍMBOLOS</p><p>AR Alongamento</p><p>b Envergadura (m)</p><p>c Corda / dimensão característica (m)</p><p>c Consumo específico de combustível (g/(s·N))</p><p>C Capacidade da bateria (Ah)</p><p>CD Coeficiente de arrasto da asa finita</p><p>Cd Coeficiente de arrasto bidimensional</p><p>CD0 Coeficiente de arrasto parasita</p><p>CDmin Coeficiente de arrasto mínimo na polar de arrasto</p><p>Cf Coeficiente de fricção</p><p>CL Coeficiente de sustentação da asa finita</p><p>Cl Coeficiente de sustentação bidimensional</p><p>Cl Coeficiente de momento de rolagem da aeronave</p><p>CLMax Coeficiente de sustentação máximo da asa finita</p><p>ClMax Coeficiente de sustentação máximo do aerofólio</p><p>CLmindrag Coeficiente de sustentação para menor arrasto</p><p>CM Coeficiente de momento de arfagem da asa/aeronave</p><p>Cm Coeficiente de momento de arfagem bidimensional</p><p>Cn Coeficiente de momento de guinada da aeronave</p><p>cr Corda na raiz (m)</p><p>Ct Corda na ponta (m)</p><p>D Arrasto (N)</p><p>E Autonomia (hrs)</p><p>FCD Fator de correção do arrasto</p><p>FCL Fator de correção da sustentação</p><p>i Corrente (A)</p><p>L Sustentação (N)</p><p>M Momento de Arfagem (N.m)</p><p>Ma Número de Mach</p><p>n Expoente de Peukert</p><p>PB Potência da bateria (W)</p><p>Pmv Potência de cada motor vertical (W)</p><p>PR Potência requerida para voo horizontal (W)</p><p>q∞ Pressão dinâmica (Pa)</p><p>R Força resultante (N)</p><p>R Alcance (km)</p><p>r Distância do ponto P ao painel analisado</p><p>Re Número de Reynolds</p><p>Rt Tempo de descarga de referência da bateria (hrs)</p><p>S Área de asa (m2)</p><p>Sref Área de referência (m2)</p><p>Swet Área molhada (m2)</p><p>t Tempo de descarga da bateria (hrs)</p><p>T Tração do motor (N)</p><p>Tmv Tração de cada motor vertical (N)</p><p>Tr Tração requerida para voo horizontal (N)</p><p>u∞ velocidade em x no plano bidimensional</p><p>V Tensão da bateria (V)</p><p>~V Vetor velocidade (m/s)</p><p>V∞ Velocidade relativa do escoamento (m/s)</p><p>v∞ Velocidade em y no plano bidimensional</p><p>Vs Velocidade do som no ar (m/s)</p><p>Vv Velocidade vertical da aeronave (Razão de subida) (m/s)</p><p>W Peso da aeronave (N)</p><p>W0 Peso total da aeronave (N)</p><p>W1 Peso da aeronave com tanques de combustível vazios (N)</p><p>α Ângulo de ataque do escoamento (◦)</p><p>αr Ângulo de ataque na raiz (◦)</p><p>αt Ângulo de ataque na ponta da asa (◦)</p><p>β Ângulo de derrapagem (◦)</p><p>Γ Circulação (m2/s)</p><p>Γ Ângulo de diedro (◦)</p><p>γ Ângulo de trajetória (◦)</p><p>γ(s) Força da distribuição de vórtice</p><p>∆CD Variação do coeficiente de arrasto encontrado em teste de voo</p><p>ηhélice Eficiência da hélice</p><p>ηmotor Eficiência do motor</p><p>θ Ângulação entre o ponto P e o painel analisado</p><p>Λ Enflechamento (◦)</p><p>ΛLE Enflechamento de bordo de ataque (◦)</p><p>Λc/4 Enflechamento de quarto de corda (◦)</p><p>λ Afilamento</p><p>λ(s) Força da distribuição de fonte</p><p>µ Viscosidade absoluta (Pa.s)</p><p>σ(s) Força da distribuição de fonte (notação Mark Drela)</p><p>τ Tensão cisalhante (Pa)</p><p>φ Potencial de velocidade</p><p>Ψ Função corrente</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20</p><p>1.1 Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20</p><p>1.2 Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25</p><p>2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26</p><p>2.1 Tipos de VANT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26</p><p>2.2 Projeto Aeronáutico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28</p><p>2.2.1 Aerodinâmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28</p><p>2.2.1.1 Aerofólios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28</p><p>2.2.1.2 Parâmetros de Similaridade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28</p><p>2.2.1.3 Forças Aerodinâmicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29</p><p>2.2.1.4 Coeficientes Adimensionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31</p><p>2.2.1.5 Bolha Laminar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33</p><p>2.2.1.6 Geometria de Asa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34</p><p>2.2.2 Estabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41</p><p>2.2.3 Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47</p><p>2.3 Método Computacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50</p><p>2.3.1 Dinâmica dos Fluidos Computacional (CFD) . . . . . . . . . . . . . . . 51</p><p>2.3.2 Método dos Painéis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51</p><p>3 METODOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55</p><p>3.1 Definições Iniciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55</p><p>3.2 Aerodinâmica e Estabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61</p><p>3.2.1 XFLR5 / Xfoil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61</p><p>3.2.1.1 Método Vortex Lattice - VLM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63</p><p>3.2.2 Aerofólio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64</p><p>3.2.2.1 Análise de erro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70</p><p>3.2.3 Asa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73</p><p>3.2.4 Empenagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81</p><p>3.2.4.1 Aerofólio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81</p><p>3.2.4.2 Geometria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83</p><p>3.2.5 Análise de Estabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85</p><p>3.2.6 Modelagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88</p><p>3.3 Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93</p><p>4 RESULTADOS E ANÁLISES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98</p><p>4.1 Algoritmo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98</p><p>4.2 Testes de Voo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101</p><p>4.3 Refinamento do Algoritmo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104</p><p>4.4 Resultados pós-refinamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106</p><p>5 CONCLUSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111</p><p>5.1 Sugestões para Trabalhos Futuros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112</p><p>REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114</p><p>APÊNDICE A – ALGORITMO MATLAB . . . . . . . . . . . 117</p><p>ANEXO A – TERMO DE AUTENTICIDADE . . . . . . . . . 124</p><p>20</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>O uso de Veículos Aéreos Não-Tripulados (VANTs) para as mais diversas aplicações</p><p>vem ganhando forças no mundo moderno, facilitado pelos avanços tecnológicos observados</p><p>na aviação. Surgindo primeiramente como uma forma de auxílio a operações militares</p><p>(CORRÊA, 2008), as aplicações desse tipo de aeronave têm se expandido cada vez mais</p><p>para outras áreas, como monitoramento ambiental e de agronegócio, além do uso crescente</p><p>por civis. No Brasil, VANTs já são utilizados em operações de vigilância de sua fronteira e</p><p>em monitoramento de usinas hidrelétricas e grandes eventos (CHAVES, 2012)).</p><p>As vantagens do uso de VANTs são diversas. Aeronaves que não necessitem</p><p>de um piloto podem ser consideravelmente menores, mais leves e mais baratas, sendo</p><p>consequentemente mais eficientes (CORRÊA, 2008). Como método de monitoramento,</p><p>podem ser ainda mais eficazes que os satélites em diversas situações: além de serem</p><p>muito</p><p>mais baratos, podem ter sua rota e, portanto, sua cobertura alterados de maneira prática.</p><p>Sua aplicação também se torna essencial quando a própria segurança do piloto</p><p>está em risco. É o caso de operações de longa duração (por exporem a tripulação à fadiga</p><p>extrema), ou quando há risco para a saúde ou vida do piloto. São as chamadas dull, dirty</p><p>and dangerous missions (missões tediosas, ‘sujas’ e perigosas) (CHAVES, 2012). Como</p><p>exemplo de missão com risco à saúde pode-se citar as que envolvem voos sobre áreas</p><p>radioativas. Já com relação às missões com risco de morte, tem-se os voos em zona de</p><p>guerra ou a baixíssimas altitudes, por exemplo.</p><p>Dentro da categoria dos VANTs, tem crescido por todo o mundo o estudo a respeito</p><p>de Veículos Aéreos Autônomos Não-Tripulados (VAANTs), aeronaves completamente</p><p>inteligentes e capazes de realizar suas missões sem intervenção de controle humano.</p><p>O presente trabalho mostra análises e resultados de um projeto de VANT elaborado</p><p>para o Grupo de Robótica Inteligente (GRIn) da Universidade Federal de Juiz de Fora.</p><p>1.1 Motivação</p><p>O uso de VANTs no Brasil, país que apresenta dimensões continentais e povoamento</p><p>esparso, ocorre de forma majoritária em zonas rurais e de certa forma afastadas da civiliza-</p><p>ção. Isso se deve tanto pelo fato de que em regiões mais ermas acidentes envolvendo pessoas</p><p>ou construções são menos plausíveis, quanto pela enorme gama aplicações existentes, como</p><p>levantamento geológico, de recursos florestais, de rebanho e plantações, detecção e controle</p><p>de queimadas, busca e salvamento, análises meteorológicas, entre outros (CORRÊA, 2008).</p><p>Uma das possibilidades de aplicação de grande relevância econômica e de alta importância</p><p>para a infraestrutura do país é a inspeção e monitoramento de linhas de transmissão de</p><p>energia.</p><p>21</p><p>Linhas de transmissão de energia são usadas para transmitir energia em alta tensão</p><p>guiada de uma fonte geradora para uma carga consumidora e são formadas por cabos</p><p>condutores de energia elétrica, torres e isoladores que sustentam esses cabos. Elas são</p><p>essenciais para o funcionamento do Sistema Interligado Nacional (SIN), que congrega a</p><p>produção e transmissão de energia elétrica pela maior parte do território brasileiro. Muitas</p><p>vezes, por razões geográficas ou de segurança, as usinas que geram energia elétrica ficam</p><p>distantes da população, sendo necessário o emprego das linhas de transmissão para que</p><p>seja corretamente distribuída para todos, de forma absolutamente ininterrupta por todo o</p><p>ano, com o menor número de perdas possível (RANGEL; KIENITZ; BRANDÃO, 2009).</p><p>Em 2015 o Sistema de Transmissão brasileiro era composto por 129.258 km de linhas de</p><p>transmissão (ANEEL, 2016), como mostra a Figura 1.1.</p><p>Figura 1.1 – Sistema de Transmissão em 2015. Fonte: (ANEEL, 2016).</p><p>No período entre Agosto de 2014 a Julho de 2015 ocorreram 3.386 desligamentos</p><p>internos em equipamentos e linhas de transmissão do SIN (Figura 1.2). Desses, 73,3%</p><p>foram em linhas de transmissão (ANEEL, 2016).</p><p>22</p><p>Figura 1.2 – Estratificação do número de desligamentos forçados. Fonte: (ANEEL, 2016).</p><p>A Figura 1.3 mostra a divisão dos desligamentos em função do motivo pelo qual</p><p>ocorreram.</p><p>Figura 1.3 – Estratificação do número de desligamentos forçados. Fonte: (ANEEL, 2016).</p><p>Nas regiões do país altamente florestadas (Mato Grosso, Amazonas, Santa Catarina</p><p>e outros) o acesso às linhas de alta tensão se torna mais difícil em razão das condições</p><p>do terreno. Rompimentos em fios de transmissão e distribuição nessas regiões podem</p><p>acontecer pelos mais diversos motivos, como raios, queda de árvores, animais selvagens</p><p>23</p><p>e até mesmo problemas técnicos relacionados a ventos de alta intensidade. Problemas</p><p>relacionados diretamente à natureza são da ordem de pelo menos 35% das causas totais</p><p>de desligamentos forçados. Desligamentos de origem indeterminada (28% do total de</p><p>desligamentos) são de grande preocupação para as concessionárias, que precisam identificar</p><p>as causas dos problemas para evitar que ocorram novamente no futuro.</p><p>A Resolução de número 24 da Agência Nacional De Energia Elétrica - ANEEL</p><p>estabelece às concessionárias de energia os limites aceitáveis de duração e frequência</p><p>(levando em consideração número de unidades consumidoras atingidas) de interrupção</p><p>da distribuição da energia elétrica. A ANEEL vem aumentando progressivamente as</p><p>exigências para que as concessionárias subam cada vez mais seus padrões de qualidade,</p><p>confiabilidade e continuidade do fornecimento de energia elétrica no Brasil (ANEEL, 2000).</p><p>Portanto, passa a ser imperativo tanto para as concessionárias quanto para a população</p><p>em geral que o número de desligamentos forçados em linhas de transmissão seja cada</p><p>vez mais controlado. Para se garantir que isso ocorra, é necessário inspeções de maneira</p><p>preventiva a respeito do estado físico das linhas de alta tensão. Geralmente são feitas</p><p>vistorias de forma visual, em busca de quaisquer tipo de danos (rupturas, corrosão, fissuras,</p><p>entre outros) que causem interrupções na transmissão da energia (RANGEL; KIENITZ;</p><p>BRANDÃO, 2009). As vistorias buscam, portanto, reduzir o número de desligamentos</p><p>forçados de origem indeterminada ou de origem técnica.</p><p>Vistorias realizadas por meio terrestre possuem aplicação consideravelmente redu-</p><p>zida, devido ao fato de que as linhas de transmissão geralmente se encontram em regiões de</p><p>difícil acesso em consequência de suas características geográficas. Portanto, o método mais</p><p>usual de verificação do estado físico das linhas de alta tensão atualmente é o realizado por</p><p>aeronaves tripuladas, como helicópteros (RANGEL; KIENITZ; BRANDÃO, 2009). O uso</p><p>de helicópteros (Figura 1.4), além de caro, envolve certo risco ao piloto, que deve sobrevoar</p><p>as linhas de transmissão a baixas altitudes para fazer a inspeção. Esta geralmente é</p><p>realizada com o auxílio de câmeras de vídeo de alta definição, câmeras de frame digitais</p><p>de alta resolução, câmera ultravioleta para captação de descarga de corona (descarga</p><p>elétrica produzida pela ionização do ar ao redor da linha de transmissão, devido a um alto</p><p>gradiente de tensão que rompa o dielétrico do ar) e câmera infravermelha radiométrica</p><p>para identificar pontos de sobreaquecimento na fiação (Figura 1.5). Segundo Weischedel</p><p>(1985, apud RANGEL; KIENITZ; BRANDÃO, 2009) um aumento de temperatura pontual</p><p>nos fios possivelmente está relacionado com aumento da resistência elétrica na linha, o</p><p>que pode vir a gerar futuros pontos de ruptura.</p><p>Para diminuir os custos e riscos, a substituição dos helicópteros pelos VANTs em</p><p>inspeções de linhas de transmissão tem se mostrado uma realidade cada vez mais frequente.</p><p>Como o terreno em que se encontram nem sempre apresenta condições necessárias para se</p><p>utilizar como pista de decolagem ou de pouso, VANTs que possuam decolagem e pouso</p><p>24</p><p>Figura 1.4 – Inspeção em linha de transmissão. Fonte: (WRIGHT, 2012)</p><p>Figura 1.5 – Exemplo de câmera utilizada para inspeção em linhas de transmissão. Fonte:</p><p>(NASA, 1998).</p><p>verticais (Vertical Take-Off and Landing - VTOL) possuem considerável vantagem de</p><p>aplicação em locais remotos onde há linhas de transmissão. Em contrapartida, VANTs de</p><p>asa fixa possuem vantagens quanto à velocidade de operação e alcance de voo. Quanto maior</p><p>o alcance e a velocidade do VANT, maior o comprimento total de linhas de transmissão</p><p>inspecionados por missão. Além disso, veículos autônomos, com os quais é possível</p><p>pré-programar uma missão que estes sejam capaz de realizar com a ajuda de sensores e</p><p>inteligência artificial, mostram-se extremamente úteis para este tipo de missão, por não</p><p>25</p><p>precisar de um piloto especializado em solo toda vez que uma inspeção for realizada.</p><p>Idealmente, portanto, um VANT de inspeção deve possuir as características citadas</p><p>acima (asa fixa, VTOL e autônomo), para cumprir de maneira eficiente e mais prática o</p><p>monitoramento. Ainda há muito espaço para pesquisa com aeronaves possuindo caracterís-</p><p>ticas como essas. Elas possuem uma enorme gama de aplicações possíveis e ainda busca-se</p><p>uma configuração que seja mais eficiente</p><p>para objetivos específicos como o apresentado.</p><p>1.2 Objetivos</p><p>O objetivo deste trabalho é realizar um projeto aeronáutico de um veículo aéreo</p><p>autônomo não-tripulado de asa fixa para aplicação em monitoramento e inspeção de linhas</p><p>de transmissão, com pouso e decolagem vertical.</p><p>Propõe-se também a elaboração de um algoritmo que, com base em análises</p><p>aerodinâmicas e de estabilidade previamente realizadas, consiga mensurar valores de</p><p>alcance e autonomia da aeronave, além de sua velocidade ótima de operação.</p><p>Além disso, tem-se como meta a realização de ensaios de voo que permitam a</p><p>validação do modelo proposto e o refinamento do algoritmo elaborado para o trabalho.</p><p>26</p><p>2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA</p><p>2.1 Tipos de VANT</p><p>VANTs podem ser divididos entre aeronaves de propulsão elétrica ou a combustível.</p><p>O uso de combustível permite duração de voo consideravelmente maior, além de grande</p><p>facilidade de abastecimento, visto que não necessita recarregar baterias. Porém, seu uso</p><p>está atrelado a ruídos, dificuldade de uso e manutenção. Além disso, apresenta vibrações</p><p>que, se não corrigidas, podem prejudicar a coleta de imagens do VANT. Quanto à propulsão</p><p>elétrica, apresenta como vantagens a maior confiabilidade, minimizando riscos de uma</p><p>queda por falha no motor, e também uma resposta mais rápida de aceleração dos motores,</p><p>o que permite maior controle de veículos multirotores em manobras, por exemplo. Apesar</p><p>do tempo de voo reduzido, devido à menor densidade de energia que as baterias têm em</p><p>relação ao combustível, a propulsão elétrica mostra-se uma opção vantajosa, portanto.</p><p>As topologias de VANT mais utilizadas são as de asas rotativas (helicópteros e</p><p>multirotores, Figura 2.1) e as de asa fixa (como aviões, Figura 2.2)</p><p>Figura 2.1 – Exemplo de VANT em topologia multirotor. Fonte: (LYNCH, 2010).</p><p>27</p><p>Figura 2.2 – Exemplo de VANT em topologia de avião. Fonte: (EVGENIY, 2016).</p><p>Como vantagens, os modelos do tipo multirotor apresentam maior manobrabilidade,</p><p>devido ao torque diferencial de seus motores, que são geralmente elétricos e com hélices de</p><p>passo constante. Podem realizar pousos e decolagens na vertical e girar em torno de seu</p><p>próprio eixo.</p><p>VANTs do tipo aeronave de asa fixa apresentam, entretanto, velocidade, alcance</p><p>e autonomia consideravelmente maiores do que multicópteros. A complexidade de seus</p><p>componentes eletrônicos é bem menor se comparadas aos drones (veículos na topologia</p><p>multicópteros, que apresentam vários motores e necessitam de controle independente para</p><p>cada um), apesar de ter uma complexidade mecânica um pouco mais elevada (estrutura da</p><p>asa e estabilizadores horizontais e verticais). Podem também transportar mais carga paga</p><p>(ou carga útil), o que garante maior facilidade de se levar sensores e câmeras essenciais às</p><p>missões do VANT.</p><p>Ambos os tipos podem possuir sistema de controle autônomo, que através de</p><p>informações de sensores realizará uma missão com base em fatores como rota, velocidade,</p><p>angulação com relação ao vento ou altitude especificados. As controladoras de voo de</p><p>modelos de drone se baseiam nas informações supracitadas para fornecer potência diferente</p><p>aos seus motores, permitindo assim as manobras do veículo necessárias para se manter</p><p>na rota. Já no caso da aeronave de asa fixa, as controladoras de voo atuam no motor de</p><p>tração principal e nos servomotores, dispositivos que alteram a angulação de superfícies de</p><p>controle (ailerons, profundor e leme) para realizar as manobras. O projeto do sistema de</p><p>controle não será o foco do trabalho.</p><p>28</p><p>2.2 Projeto Aeronáutico</p><p>2.2.1 Aerodinâmica</p><p>Os estudos necessários relativos à aerodinâmica para o desenvolvimento de um</p><p>VANT baseiam-se na escolha dos aerofólios e das suas possíveis geometrias de asa, além</p><p>das análises de arrasto dos componentes da aeronave.</p><p>2.2.1.1 Aerofólios</p><p>Aerofólios, ou perfis aerodinâmicos, são as geometrias das seções transversais da</p><p>asa e dos estabilizadores de uma aeronave. Essa geometria e sua orientação com relação ao</p><p>escoamento são parâmetros importantes para a definição das forças que estarão atuando em</p><p>um corpo, para um determinado número de Reynolds e de Mach (parâmetros adimensionais</p><p>de similaridade). Os principais termos de sua nomenclatura são expostos na Figura 2.3:</p><p>Figura 2.3 – Nomenclatura dos parâmetros geométricos dos aerofólios. Fonte: adaptado de</p><p>Anderson (2010).</p><p>A linha de corda liga diretamente o bordo de ataque ao bordo de fuga, suas regiões</p><p>frontal e posterior, respectivamente. A espessura é a distância entre pontos da superfície</p><p>superior do perfil (extradorso) e da superfície inferior (intradorso), para uma mesma seção</p><p>de corda analisada. Com base na distância média entre os pontos do intra e extradorso</p><p>do aerofólio é possível chegar na sua linha de curvatura. O Camber, ou curvatura, é a</p><p>medida entre essa linha e a linha de corda do perfil. Aerofólios que não possuem curvatura</p><p>são chamados perfis simétricos, devido à sua simetria com relação à linha da corda. A</p><p>orientação do perfil é caracterizada pela angulação entre sua linha de corda e o vento</p><p>relativo do escoamento, sendo este o chamado Ângulo de Ataque (α).</p><p>2.2.1.2 Parâmetros de Similaridade</p><p>O número de Reynolds (Equação (2.1)) se trata de uma relação entre as forças de</p><p>inércia (ρ.V∞, sendo ρ a densidade do fluido e V∞ a velocidade do escoamento) e as forças</p><p>29</p><p>viscosas de um escoamento (µ/c, sendo a viscosidade absoluta do fluido e c uma dimensão</p><p>característica).</p><p>Re = ρ∞.V∞.c</p><p>µ</p><p>(2.1)</p><p>Com base nesse número adimensional é possível distinguir o escoamento como</p><p>laminar, turbulento ou em regime de transição. Para asas e empenagens, seu comprimento</p><p>característico c é a corda dessas superfícies.</p><p>O número de Mach (Equação (2.2)) é a relação entre a velocidade do escoamento</p><p>V∞ e a velocidade do som Vs, e dá uma noção sobre a compressibilidade do fluido no</p><p>escoamento.</p><p>Ma = V∞</p><p>Vs</p><p>(2.2)</p><p>Um fluido pode ser considerado incompressível até condições de Ma</p><p>efeitos da viscosidade) apresentam boa acurácia quanto</p><p>à distribuição de pressão (e portanto à sustentação), porém não conseguem prever de</p><p>maneira eficaz valores de arrasto (ANDERSON, 2010).</p><p>Outro parâmetro aerodinâmico a ser levado em consideração é a circulação, que</p><p>é definida por uma integral de linha da velocidade ao redor de um contorno C fechado</p><p>(Equação (2.4)). Esse contorno pode ser definido englobando o aerofólio de uma seção de</p><p>asa, por exemplo. A circulação está intimamente ligada com a vorticidade do escoamento</p><p>e com a sustentação do corpo.</p><p>Γ ≡</p><p>∮</p><p>c</p><p>V.ds (2.4)</p><p>31</p><p>2.2.1.4 Coeficientes Adimensionais</p><p>A força aerodinâmica resultante R atuando em um corpo (Figura 2.4) pode ser</p><p>decomposta em uma parcela perpendicular ao escoamento, chamada força de sustentação</p><p>(L, do inglês lift), e uma outra paralela ao escoamento, denominada arrasto (D, do inglês</p><p>drag). O momento de arfagem (M) é comumente medido a partir de uma posição de</p><p>referência a aproximadamente um quarto do valor total da corda a partir do bordo de</p><p>ataque, conhecido como centro aerodinâmico (CA), ponto para o qual o coeficiente de</p><p>momento CM não varia com o ângulo de ataque. Estes podem ser calculados a partir das</p><p>seguintes equações:</p><p>q∞ = 1</p><p>2 .ρ∞.V</p><p>2</p><p>∞ (2.5)</p><p>L = q∞.S.CL (2.6)</p><p>D = q∞.S.CD (2.7)</p><p>M = q∞.S.CM .c (2.8)</p><p>Nas equações, q∞ é a pressão dinâmica do escoamento, relacionada à densidade do</p><p>fluido ρ∞ e à sua velocidade relativa com relação ao corpo V∞. S é uma área de referência</p><p>(como a área planiforme da asa ou da empenagem, por exemplo) e c é a sua corda. Os</p><p>coeficientes CL, CD e CM são coeficientes adimensionais que indicam em que proporção</p><p>a pressão dinâmica está de fato contribuindo para gerar as forças e momento no corpo,</p><p>dadas as áreas de referência.</p><p>A relação entre a sustentação e a circulação Γ (Equação (2.4)) pode ser dada por:</p><p>L = ρ∞.V∞.Γ (2.9)</p><p>Para determinada geometria, quando fixados valores dos parâmetros adimensionais</p><p>de similaridade (Re e Ma), os coeficientes aerodinâmicos CL, CD e CM são funções apenas</p><p>do ângulo de ataque. Dessa forma, é possível realizar ensaios em túnel de vento de modelos</p><p>em escala da aeronave, por exemplo, que estarão representando fielmente o modelo em</p><p>tamanho real desde que respeitados os valores Reynolds e Mach. Outra maneira de se obter</p><p>os coeficientes adimensionais é o uso de softwares que permitam análises aerodinâmicas via</p><p>dinâmica dos fluidos computacional ou métodos dos painéis. Para análises bidimensionais,</p><p>trabalha-se com um comprimento de envergadura unitário, e os coeficientes apresentam</p><p>subíndices com letras minúsculas (Cl, Cd e Cm).</p><p>32</p><p>A sustentação tende a crescer linearmente com o aumento do ângulo de ataque até</p><p>o ponto em que ocorre o estol, descolamento do escoamento no extradorso do aerofólio que</p><p>causa queda de sustentação e aumento significativo do arrasto (Figura 2.6). A curvatura</p><p>do perfil possui influência direta nas suas características de sustentação.</p><p>Figura 2.6 – Comportamento típico do Cl de um perfil em função do ângulo de ataque. Fonte:</p><p>adaptado de Anderson (2010).</p><p>O comportamento do coeficiente de arrasto em função do ângulo de ataque tem</p><p>característica similar à parabólica, com um ponto de mínimo (Figura 2.7). Perfis com</p><p>espessura ou curvatura excessivas tendem a possuir maiores valores de Cd ao se comparar</p><p>com outros aerofólios. Valores do coeficiente de arrasto são consideravelmente sensíveis</p><p>à variação do número de Reynolds, visto que eles estão ligados diretamente a fatores de</p><p>viscosidade que geram o arrasto.</p><p>Figura 2.7 – Comportamento típico do Cd de um perfil em função do ângulo de ataque. Fonte:</p><p>adaptado de Anderson (1999).</p><p>O Cm é o coeficiente que indica a tendência das forças aerodinâmicas de rotacionar</p><p>um corpo ao redor de um ponto de referência, geralmente considerado como o ponto de um</p><p>33</p><p>quarto de corda (CA). O ponto em que as forças aerodinâmicas podem ser concentradas</p><p>(centro de pressão - CP) se altera com o ângulo de ataque, causando a tendência de</p><p>rotação ao redor do ponto de referência adotado. Os valores de Cm para aerofólios estão</p><p>relacionados a sua curvatura. Perfis de alta sustentação tendem a gerar maior momento,</p><p>jogando o bordo de ataque da asa para baixo. Seu comportamento em função do ângulo</p><p>de ataque para perfis com curvatura é como o ilustrado na Figura 2.8:</p><p>Figura 2.8 – Comportamento típico do Cm de um perfil em função do ângulo de ataque. Fonte:</p><p>adaptado de Anderson (1999).</p><p>2.2.1.5 Bolha Laminar</p><p>Um dos maiores problemas da escolha de perfil aerodinâmico para VANTs está</p><p>relacionado às suas baixas velocidades e dimensões, que levam, portanto, a um baixo Re.</p><p>Escoamentos com essa característica estão ligados à aparição de fenômenos que não são</p><p>ainda muito bem conhecidos e que são difíceis de prever. Tais fenômenos podem reduzir a</p><p>performance de VANTs e tornar difícil a implementação de sistemas de controle automático</p><p>de voo (NARDI, 2008), como a bolha de separação laminar da camada limite (Figura 2.9).</p><p>A bolha de separação laminar ocorre quando, após o escoamento separar da</p><p>superfície, sua camada limite laminar entrar em regime turbulento. Com energia cinética e</p><p>taxa de mistura maiores, essa camada de mistura turbulenta atinge novamente o aerofólio,</p><p>gerando o seu recolamento. Parte do fluxo fica na camada de recirculação da bolha,</p><p>enquanto a outra parte volta a escoar ao longo da superfície do aerofólio. Com o aumento</p><p>do número de Reynolds a energia do escoamento cresce e consegue cada vez mais vencer</p><p>o gradiente de pressão adverso, o que diminui o tamanho da bolha até que não mais</p><p>ocorra o fenômeno de separação. Se o número de Reynolds for excessivamente baixo ou o</p><p>ângulo de ataque excessivamente alto, essa bolha pode se expandir rapidamente até que</p><p>ocorra o estol completo (REZENDE, 2009). Para valores de Reynolds acima de 200.000 o</p><p>desempenho dos perfis tende a melhorar, devido ao fato de que as bolhas de separação</p><p>34</p><p>Figura 2.9 – Representação de bolha de separação laminar em um perfil aerodinâmico. Imagem</p><p>fora de escala. Fonte: (CROMPTON, 2001 apud REZENDE, 2009).</p><p>ficam menores e o efeito de arrasto parasita delas diminui (MUELLER; DELAURIER,</p><p>2003).</p><p>A separação é frequentemente controlada com base na otimização da geometria</p><p>do aerofólio (REZENDE, 2009). Há vários perfis aerodinâmicos que já foram extensiva-</p><p>mente estudados e que apresentam desempenho ótimo para condições de baixo Reynolds,</p><p>minimizando os riscos de separação.</p><p>2.2.1.6 Geometria de Asa</p><p>A nomenclatura dos principais termos ligados às asas finitas é exposta na Figura</p><p>2.10:</p><p>Figura 2.10 – Nomenclatura dos parâmetros geométricos das asas e o efeito de escoamento</p><p>tridimensional. Fonte: adaptado de Anderson (2010).</p><p>35</p><p>Os coeficientes aerodinâmicos calculados nas análises bidimensionais não são os</p><p>mesmos utilizados nas análises de asa finita. Uma asa gerando sustentação apresenta baixa</p><p>pressão em seu extradorso e alta pressão em seu intradorso. Isso faz com que o ar tenha</p><p>a tendência de escapar pela lateral da ponta da asa, o que reduz a diferença de pressão</p><p>entre a parte inferior e superior e reduz a sustentação nessa região (Figura 2.11). O ar</p><p>fluindo pela lateral da asa gera um escoamento tridimensional na forma de um vórtice</p><p>que causa uma redução do ângulo de ataque efetivo dos aerofólios nas seções próximas</p><p>à extremidade da asa e, consequentemente, um aumento no arrasto (o chamado arrasto</p><p>induzido) (RAYMER, 1992).</p><p>Figura 2.11 – Esquema dos vórtices de ponta de asa. Fonte: (ANDERSON, 2010).</p><p>O alongamento (Aspect Ratio - AR) é um parâmetro adimensional definido como:</p><p>AR = b2</p><p>S</p><p>(2.10)</p><p>Asas com maior alongamento para uma mesma área possuem as extremidades mais</p><p>distantes umas das outras, e portanto a parcela de asa afetada pelo vórtice das pontas é</p><p>menor, diminuindo sua força. Dessa forma, o efeito da perda de sustentação e aumento</p><p>de arrasto é inferior ao se comparar com uma asa de alongamento menor de mesma</p><p>área (RAYMER, 1992). Uma asa com alongamento próximo do infinito teria os vórtices</p><p>afastados de tal forma que o escoamento</p><p>ao longo da asa seria quase completamente</p><p>bidimensional, com seu coeficiente de sustentação tendendo àquele encontrado na análise</p><p>2D (Figura 2.12).</p><p>Para análises da asa finita de um VANT, deve-se escolher uma geometria que</p><p>garanta a melhor eficiência aerodinâmica possível. A área de asa de referência utilizada</p><p>nas análises é a sua área em planta, incluindo região sombreada pela fuselagem. Ela deve</p><p>ser suficiente para garantir a sustentação da aeronave, dado um perfil aerodinâmico já</p><p>escolhido, a faixa de velocidades que se pretende trabalhar e o peso estimado da aeronave.</p><p>O formato da asa deve ser estudado de forma a aproximar a circulação nas seções ao longo</p><p>da envergadura a uma curva elíptica (Figura 2.13).</p><p>36</p><p>Figura 2.12 – Comparação da curva do coeficiente de sustentação em função de α para diversas</p><p>relações de alongamento (A na nomenclatura de Raymer). Fonte: (RAYMER,</p><p>1992).</p><p>Figura 2.13 – Distribuição de sustentação ao longo da envergadura de uma asa. Fonte: adaptado</p><p>de Anderson (2010).</p><p>A distribuição elíptica de sustentação garante que a asa estará sujeita a um menor</p><p>arrasto induzido e será, portanto, mais eficiente (ANDERSON, 2010). Para alcançá-la, é</p><p>necessário aumentar a sustentação na raíz da asa e reduzir nas suas extremidades, para</p><p>que a força do vórtice de ponta de asa seja menor.</p><p>É possível obter uma curva perfeitamente elíptica de sustentação com uma asa de</p><p>geometria em planta elíptica, porém sua fabricação é complexa e muitas vezes inviável.</p><p>No entanto, há outras alternativas comumente utilizadas para aproximar a curva de</p><p>sustentação da ideal, através de artifícios como a torção da asa, afilamento da asa ou</p><p>enflechamento da asa.</p><p>37</p><p>O afilamento é a redução do comprimento da corda para diferentes seções da</p><p>envergadura da asa, como esboçado na Figura 2.14. A curva de sustentação ao longo</p><p>da envergadura para uma asa afilada vai depender da relação de afilamento λ (Equação</p><p>(2.11)) adotada (Figura 2.15).</p><p>Figura 2.14 – Vista superior de esboço de asa afilada. Fonte: (ANDERSON, 2010).</p><p>λ = ct</p><p>cr</p><p>(2.11)</p><p>Figura 2.15 – Distribuição de sustentação em uma semi-asa para diversas condições de afilamento.</p><p>Fonte: (RAYMER, 2012).</p><p>Ao se afilar a asa, seu centro aerodinâmico CA é alterado. Para uma asa com</p><p>afilamento, a corda média aerodinâmica (CMA) pode ser calculada pela Equação (2.12),</p><p>enquanto para uma asa reta a CMA é a própria corda. O CA da aeronave se encontra na</p><p>posição de aproximadamente um quarto da corda média aerodinâmica.</p><p>CMA = (2</p><p>3).cr.</p><p>1 + λ+ λ2</p><p>1 + λ</p><p>(2.12)</p><p>38</p><p>A torção da asa pode ser geométrica (quando um mesmo perfil aerodinâmico é</p><p>utilizado em ângulos de incidência diferentes ao longo das seções de envergadura, como</p><p>mostra a Figura 2.16) ou aerodinâmica (quando perfis com curvaturas diferentes são</p><p>utilizados ao longo das seções de envergadura, como mostra a Figura 2.17).</p><p>Figura 2.16 – Esboço de asa com torção geométrica. Fonte: adaptado de Sadraey (2012).</p><p>Figura 2.17 – Esboço de asa com torção aerodinâmica. Fonte: adaptado de Sadraey (2012).</p><p>O enflechamento Λ é o ângulo da asa com relação à direção de sua envergadura</p><p>(Figura 2.18). O enflechamento de quarto de corda se difere do enflechamento de bordo</p><p>de ataque por também levar em consideração o afilamento da asa. Quando há ângulo de</p><p>enflechamento a um quarto de corda, as características aerodinâmicas e de estabilidade da</p><p>aeronave se alteram com relação à asa reta. Em aeronaves subsônicas esse efeito pode ser</p><p>utilizado para aproximar a asa da curva elíptica, como mostra a Figura 2.19.</p><p>39</p><p>Figura 2.18 – Vista superior de esboço de aeronave com asa enflechada, mostrando o enflecha-</p><p>mento de bordo de ataque e de quarto de corda. Fonte: adaptado de Raymer</p><p>(1992).</p><p>Figura 2.19 – Relação de afilamento e enflechamento para alcançar sustentação elíptica. Fonte:</p><p>adaptado de Raymer (1992).</p><p>A redução de λ (afilamento) e o aumento do enflechamento alteram as características</p><p>do coeficiente de sustentação ao longo da envergadura, levando para a região da ponta</p><p>da asa o máximo da distribuição de Cl. É necessário ter cautela para que o Cl não</p><p>ultrapasse o valor do coeficiente máximo da análise bidimensional do aerofólio nas seções</p><p>mais próximas à extremidade da asa. Caso contrário, pode ocorrer nessas regiões o estol,</p><p>40</p><p>que preferencialmente deveria ocorrer na raíz da aeronave para evitar problemas em sua</p><p>controlabilidade. Para evitar que isso ocorra, pode-se utilizar a torção para tornar a</p><p>reduzir os valores de Cl nas proximidades da ponta da asa (Figura 2.20).</p><p>Figura 2.20 – Efeito da torção no comportamento de Cl ao longo da envergadura. Fonte: adaptado</p><p>de Sadraey (2012).</p><p>Após ter o projeto de asa pronto, é importante fazer análises para encontrar a</p><p>polar de arrasto da aeronave, gráfico que relaciona os seus valores de CL e CD para cada</p><p>ângulo de ataque de maneira aproximadamente parabólica (Figura 2.21). Uma asa de</p><p>aerofólio sem curvatura possui a polar de arrasto simétrica com relação ao eixo de CD. O</p><p>ponto que apresenta a maior tangente com relação à origem representa o ângulo de ataque</p><p>que possui melhor relação de L/D (parâmetro conhecido como eficiência aerodinâmica).</p><p>Figura 2.21 – Polar de arrasto para uma asa de perfil simétrico e para uma asa de perfil com</p><p>curvatura. Fonte: adaptado de Raymer (1992).</p><p>Além da contribuição da asa, deve-se somar à polar de arrasto também a contri-</p><p>buição dos coeficientes de sustentação e arrasto da empenagem e do arrasto parasita de</p><p>41</p><p>componentes que não geram sustentação como fuselagem e trem de pouso. Esse arrasto</p><p>parasita pode ser contabilizado em função da área exposta ao escoamento, e que portanto</p><p>gera fricção com as partículas de ar em movimento (Equação (2.13)).</p><p>CD0 = Cf .(</p><p>Swet</p><p>Sref</p><p>) (2.13)</p><p>Na Equação (2.13), Cf representa o coeficiente de fricção, Swet representa a área</p><p>exposta ao escoamento (“área molhada”) e Sref é a área de referência adotada. A área</p><p>de referência é a área em planta da asa, incluindo a parte que pode estar encoberta pela</p><p>fuselagem.</p><p>2.2.2 Estabilidade</p><p>Após sofrer alguma perturbação, espera-se que uma aeronave retorne sozinha para</p><p>sua condição de equilíbrio, sem a necessidade de comandos do piloto ou de um sistema</p><p>autônomo.</p><p>A estabilidade de um VANT pode se dividir em 2 categorias: estabilidade estática</p><p>e dinâmica. Estabilidade estática é a tendência inicial da aeronave voltar ao seu ponto</p><p>de equilíbrio depois de uma perturbação, através do surgimento de forças aerodinâmicas</p><p>restauradoras na mesma. Mesmo sendo estável estaticamente não se pode garantir que</p><p>o veículo será estável dinamicamente. No estudo da estabilidade dinâmica preocupa-se</p><p>com o histórico temporal do movimento. A redução do distúrbio com o tempo indica</p><p>um amortecimento positivo, com energia do sistema sendo dissipada. No caso em que</p><p>os distúrbios são amplificados, tem-se energia sendo adicionada ao sistema e, portanto,</p><p>instabilidade aerodinâmica da aeronave (NELSON, 1998). As possíveis respostas da</p><p>aeronave a uma perturbação são esboçadas na Figura 2.22:</p><p>42</p><p>Figura 2.22 – Representação das possíveis condições de estabilidade estática e dinâmica longitu-</p><p>dinal. Fonte: (HOMA, 2016).</p><p>A estabilidade também se divide entre estabilidade longitudinal, que lida com a</p><p>arfagem da aeronave, e a látero-direcional, que envolve a guinada e a rolagem do veículo,</p><p>em movimentos acoplados. Os movimentos de rotação de corpo rígido se dão em torno do</p><p>Centro de Gravidade (CG) da aeronave. Usualmente aloca-se o CG da aeronave próximo</p><p>do seu Centro Aerodinâmico, na região da ordem de 25% da corda média aerodinâmica da</p><p>aeronave, na busca de uma maior estabilidade.</p><p>Os eixos de referência adotados para a aeronave, assim como a nomenclatura dos</p><p>movimentos a eles associados, estão expostos na Figura 2.23.</p><p>Figura 2.23 – Convenção de eixos adotada e nomenclatura dos momentos. Fonte: adaptado de</p><p>Sadraey (2012).</p><p>43</p><p>Para que a aeronave esteja longitudinalmente estável, a curva de CM em função</p><p>do ângulo de ataque global da aeronave deve ter derivada negativa e passar pelo eixo das</p><p>abscissas em um ângulo positivo que melhor se adeque ao projeto (Figura 2.24). Esse</p><p>ângulo é denominado ângulo de trimagem e representa o ângulo de ataque para qual a</p><p>aeronave retornará após sofrer um distúrbio.</p><p>Figura 2.24 – Comportamento do momento de arfagem no CG de uma aeronave instável e de</p><p>uma aeronave estável com relação ao ângulo de ataque. Fonte: adaptado de Nelson</p><p>(1998).</p><p>O aerofólio (e portanto a asa) por si só é um elemento desestabilizante da aeronave,</p><p>como mostra a Figura 2.8. Ela geralmente possui momento de forma a jogar o “nariz” da</p><p>aeronave para baixo. Esse momento deve ser compensado pela empenagem horizontal,</p><p>uma superfície com perfil aerodinâmico que fica na cauda do avião.</p><p>A função da empenagem é garantir a estabilidade da aeronave. O estabilizador</p><p>horizontal gera um momento total na aeronave que contrabalanceia o momento de arfagem</p><p>da asa. Porém, enquanto o momento da asa é causado pela diferença de pressão ao longo</p><p>da linha da corda da aeronave com relação ao seu centro aerodinâmico, o momento do</p><p>estabilizador horizontal que causa maior influência no comportamento do veículo é ligado</p><p>à sua sustentação negativa e seu braço de alavanca (distância entre o CP do estabilizador</p><p>e o CG da aeronave). Na Figura 2.25 tal situação é esboçada.</p><p>44</p><p>Figura 2.25 – Esboço de Vista Lateral de aeronave com atuação da sustentação da asa e da</p><p>empenagem contribuindo para sua estabilidade. Fonte: adaptado de Sadraey</p><p>(2012).</p><p>Para os movimentos látero-direcionais torna-se importante o ângulo de derrapagem</p><p>β, que relaciona a componente de velocidade no eixo longitudinal da aeronave com o vetor</p><p>que representa a velocidade real da aeronave, como ilustrado na Figura 2.26.</p><p>Figura 2.26 – Definição de ângulo de derrapagem positivo. Fonte: (NELSON, 1998).</p><p>A estabilidade direcional da aeronave é atendida se esta possui coeficiente de</p><p>guinada Cn com derivada positiva com relação ao ângulo de derrapagem (Figura 2.27). O</p><p>componente da aeronave que mais contribui para a estabilidade direcional é a empenagem</p><p>vertical, que possui aerofólios simétricos para não gerar momento indesejado de guinada.</p><p>45</p><p>Figura 2.27 – Comportamento do momento de guinada uma aeronave instável e de uma aeronave</p><p>estável com relação ao ângulo de derrapagem. Fonte: adaptado de Nelson (1998).</p><p>Já a estabilidade lateral da aeronave é atendida se esta possui coeficiente de</p><p>rolamento Cl com derivada negativa com relação ao ângulo de derrapagem (Figura 2.28).</p><p>Figura 2.28 – Momento de rolagem uma aeronave instável e de uma aeronave estável com relação</p><p>ao ângulo de derrapagem e esquema de aeronave estável após ser perturbada</p><p>lateralmente. Fonte: adaptado de Nelson (1998).</p><p>Alguns dos fatores que contribuem com a estabilidade lateral de uma aeronave são</p><p>a fuselagem, a geometria da asa, que pode possuir diedro e enflechamento, além de sua</p><p>empenagem vertical. O fluxo de ar ao redor de uma fuselagem em uma aeronave de asa alta</p><p>(asa acoplada à fuselagem em sua parte superior) gera um momento restaurador quanto</p><p>à rolagem, devido ao fato de que o ângulo de ataque da semi-asa a favor do escoamento</p><p>aumenta, enquanto o da semi-asa contrária ao vento diminui (Figura 2.29) A diferença</p><p>de α leva a valores diferentes de Cl para as seções de cada semi-asa, gerando o momento</p><p>restaurador que tende a voltar a aeronave para sua condição de equilíbrio. O oposto</p><p>acontece em aeronaves de asa baixa, que possuem um momento desestabilizante gerado</p><p>pelo fluxo de ar ao redor da fuselagem.</p><p>46</p><p>Figura 2.29 – Efeito da asa alta e da asa baixa no momento de rolagem de uma aeronave. Fonte:</p><p>adaptado de Nelson (1998).</p><p>O Diedro, angulação da asa no sentido da sua envergadura com relação à horizontal</p><p>(Figura 2.30), contribui com o efeito de estabilidade de rolagem. De maneira semelhante ao</p><p>do fluxo de ar ao redor da fuselagem, a inclinação das semi-asas altera o ângulo de ataque</p><p>a que elas estão sujeitas quando expostas a um vento lateral, aumentando a sustentação da</p><p>parcela localizada a favor do escoamento e reduzindo a da parcela contrária a ele, gerando</p><p>um momento estabilizante. O enflechamento da asa para trás contribui para a estabilidade</p><p>látero-direcional com um efeito de diedro positivo.</p><p>Figura 2.30 – Aeronave com ângulo de diedro positivo Γ. Fonte: (Nelson, 1998).</p><p>Uma aeronave com demasiada estabilidade pode ser de difícil controlabilidade, já</p><p>que os comandos estarão atuando contra as forças restauradoras da própria aeronave.</p><p>Em aeronaves do tipo multirotor essa controlabilidade é alcançada através dos empuxos</p><p>com diferentes magnitudes exercidos pelos motores, dependendo da manobra desejada.</p><p>Em aeronaves de asa fixa comuns, a controlabilidade é exercida com base em superfícies</p><p>de controle, partes móveis situadas nas empenagens, o profundor e o leme, e na asa, os</p><p>ailerons (Figura 2.31). As superfícies atuam com base no comando de servomotores.</p><p>A deflexão das superfícies de controle para baixo aumenta a curvatura do perfil e,</p><p>portanto, sua sustentação na região em que está atuando. A deflexão para cima tem o</p><p>efeito contrário. Nos ailerons as superfícies são defletidas de maneira assimétrica (uma para</p><p>cima e a outra para baixo), causando uma diferença de sustentação que gera o movimento</p><p>de rolagem. A arfagem é controlada pela atuação do profundor, enquanto a guinada está</p><p>relacionada ao movimento do leme.</p><p>47</p><p>Figura 2.31 – Posicionamento das superfícies de controle e demais componentes da aeronave.</p><p>Fonte: adaptado de Brandt (2004).</p><p>2.2.3 Desempenho</p><p>Uma aeronave em voo não-acelerado e nivelado, como em condição de cruzeiro,</p><p>apresenta as componentes de Tração requerida dos motores (TR) equivalente a sua parcela</p><p>de arrasto (TR = D) e o seu peso completamente contrabalanceado pela sustentação</p><p>(W = L).</p><p>TR = D</p><p>L</p><p>.W (2.14)</p><p>Assim, quanto maior sua relação de L/D, menor será o empuxo requerido dos</p><p>motores. Como fica evidente ao se comparar as Equações (2.6) e (2.7), a relação de L/D</p><p>pode ser simplesmente reduzida a CL/CD.</p><p>As equações clássicas de Breguet para aeronaves com motor a hélice mostram que</p><p>o alcance dessas aeronaves pode ser descrito por (ANDERSON, 1999):</p><p>R = ηhélice</p><p>c</p><p>.</p><p>L</p><p>D</p><p>.ln</p><p>W0</p><p>W1</p><p>(2.15)</p><p>R representa o alcance, distância que a aeronave pode percorrer consumindo um</p><p>tanque de combustível completo. ηhélice é a eficiência da hélice utilizada, c é o consumo</p><p>específico de combustível, W0 é o peso total da aeronave e W1 é o peso da aeronave com</p><p>tanques de combustível vazios. A equação mostra a influência direta do parâmetro de</p><p>eficiência aerodinâmica para um máximo alcance da aeronave. As equações de Breguet</p><p>48</p><p>descrevem o alcance de aeronaves a combustível, porém é possível adaptá-las com base em</p><p>um consumo de bateria e utilizá-las também para aeronaves elétricas.</p><p>A potência requerida pela aeronave pode ser obtida pela multiplicação da tração</p><p>do motor pela sua velocidade de avanço.</p><p>PR = TR.V∞ (2.16)</p><p>Em uma aeronave elétrica, essa potência deve ser suprida pelo grupo motopropulsor</p><p>levando em consideração a voltagem da bateria e sua corrente, como mostra a Equação (17).</p><p>Um modelo mais rebuscado pode ser feito, levando em consideração o efeito Peukert, como</p><p>adotado por Traub (2011) (Equação (2.18)). O efeito Peukert mostra que a capacidade das</p><p>baterias, em Ampere-hora, não é constante para baterias reais, visto que, quanto maior a</p><p>corrente de descarga, menor a capacidade efetiva da bateria.</p><p>PB = V.i (2.17)</p><p>PR = PB = V.</p><p>C</p><p>RT</p><p>.(Rt</p><p>t</p><p>) 1</p><p>n (2.18)</p><p>Na Equação (2.18), C é a capacidade da bateria em Ampéres-hora, Rt equivale ao</p><p>tempo de descarga de referência (em horas), com base na qual a capacidade da bateria</p><p>foi estabelecida. n é o expoente de Peukert, um parâmetro adimensional de descarga</p><p>dependente do tipo de bateria utilizada. V é a voltagem e t é o tempo de descarga. A</p><p>equação pode ser resolvida para t, representando assim a autonomia da aeronave (tempo</p><p>de voo da aeronave até que a bateria acabe por completo).</p><p>t = E = R1−n</p><p>T .(ηtot.V.C</p><p>PR</p><p>)n (2.19)</p><p>O parâmetro ηtot representa a eficiência total do grupo motopropulsor (Equação</p>artigos e/ou
parágrafos, sem citação do autor ou de sua fonte.
Declaro, por fim, ter total conhecimento e compreensão das punições decorrentes da prática
de plágio, através das sanções civis previstas na lei do direito autoral1 e criminais previstas
no Código Penal2, além das cominações administrativas e acadêmicas que poderão resultar
em reprovação no Trabalho de Conclusão de Curso.
Juiz de Fora, 20 de Junho de 2018.
Bruno de Almeida Regina – Discente
Matrícula: 201371074 – CPF:111.168.326-31
1 LEI N◦ 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre
direitos autorais e dá outras providências.
2 Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1
(um) ano, ou multa.
Folha de rosto
FOLHA DE APROVAÇÃO
AGRADECIMENTOS
Epígrafe
RESUMO
ABSTRACT
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
LISTA DE TABELAS
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
LISTA DE SÍMBOLOS
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
Motivação
Objetivos
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Tipos de VANT
Projeto Aeronáutico
Aerodinâmica
Aerofólios
Parâmetros de Similaridade
Forças Aerodinâmicas
Coeficientes Adimensionais
Bolha Laminar
Geometria de Asa
Estabilidade
Desempenho
Método Computacional
Dinâmica dos Fluidos Computacional (CFD)
Método dos Painéis
METODOLOGIA
Definições Iniciais
Aerodinâmica e Estabilidade
XFLR5 / Xfoil
Método Vortex Lattice - VLM
Aerofólio
Análise de erro
Asa
Empenagem
Aerofólio
Geometria
Análise de Estabilidade
Modelagem
Desempenho
RESULTADOS E ANÁLISES
Algoritmo
Testes de Voo
Refinamento do Algoritmo
Resultados pós-refinamento
CONCLUSÕES
Sugestões para Trabalhos Futuros
REFERÊNCIAS
ALGORITMO MATLAB
TERMO DE AUTENTICIDADE