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<p>1</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DO NORTE</p><p>CURSO DE ENFERMAGEM</p><p>VARICELA</p><p>MANAUS</p><p>2024</p><p>ADRIANA COELHO DA SILVA - 03144347</p><p>DAVID DA CONCEIÇÃO SANTOS - 03344932</p><p>GUILHERME RAYANDERSON DA SILVA OLIVEIRA - 03350072</p><p>MARIA ANTÔNIA DE SOUZA - 03350328</p><p>THAYARA SILVA - 03102263</p><p>VARICELA</p><p>Trabalho apresentado à disciplina de Vigilância em Saúde do Curso de Enfermagem, ministrada pela Professora Maria Salaba Pereira Belém, para obtenção de Nota Parcial do 4º Período.</p><p>MANAUS</p><p>2024</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO	4</p><p>2 VARICELA	5</p><p>2.1 Histórico da Varicela	5</p><p>2.2 Sintomas	6</p><p>2.2.1 Etapas	7</p><p>2.3 Transmissão	8</p><p>2.4 Diagnóstico	8</p><p>2.4.1 Diagnóstico diferencial	9</p><p>2.5 Tratamento	9</p><p>2.6 Prevenção	10</p><p>2.7 Complicações	11</p><p>2.8 Situações Epidemiológicas no Brasil	12</p><p>2.8.1 Cenário de internações por varicela e herpes-zóster Brasil	13</p><p>2.8.2 Cenário das internações que evoluíram para óbitos	14</p><p>3 CONCLUSÃO	15</p><p>4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS	16</p><p>ANEXO – Panfleto sobre a Catapora	17</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>A varicela é causada pelo vírus da varicela-zóster (VVZ). A doença acomete apenas humanos e alguns primatas superiores. A infecção primária resulta no surgimento de lesões exantemáticas pápulo-vesiculares, polimórficas, de distribuição central, enquanto a reativação do vírus, resulta no herpes zóster. A doença tem distribuição global e a maioria dos casos ocorre na infância. Em crianças previamente saudáveis, a varicela é aguda, auto-limitada e raramente causa à morte, entretanto, a morbidade é significativa e pode estar associada a diversas complicações (BRASIL, Ministério da Saúde).</p><p>Proporcionalmente, as complicações são mais comuns em adultos e pessoas que apresentam patologias de base, porém, em números absolutos a maioria das complicações, hospitalizações e óbitos ocorrem em crianças saudáveis. Estudos recentes indicam que as crianças que freqüentam creches apresentam risco elevado para complicações (LAURENTI R, VICO ESR, 2004).</p><p>Após o licenciamento da vacina contra varicela, tornou-se necessário investigar o impacto da doença na comunidade, para que sejam estabelecidas políticas públicas de vacinação. Da mesma forma, é essencial investigar os conhecimentos da população leiga sobre a doença, para esclarecer falsos conceitos sobre a doença e a vacina (BRASIL, Ministério da Saúde).</p><p>2 VARICELA</p><p>A Varicela (catapora) é uma doença infecciosa, altamente contagiosa, mas geralmente benigna causada pelo vírus Varicela-Zoster, que se manifesta com maior frequência em crianças e com incidência no fim do inverno e início da primavera. A principal característica clínica é o polimorfismo das lesões cutâneas (na pele) que se apresentam nas diversas formas evolutivas (máculas, pápulas, vesículas, pústulas e crostas), acompanhadas de prurido (coceira). Em crianças, geralmente é benigna e autolimitada. Em adolescentes e adultos, em geral, o quadro clínico é mais exuberante. A Catapora (varicela) é uma doença infecciosa e altamente contagiosa causada pelo vírus Varicela-Zoster que se manifesta com maior frequência em crianças. A principal característica clínica são lesões na pele acompanhadas de coceira (BRASIL, Ministério da Saúde).</p><p>2.1 Histórico da Varicela</p><p>A varicela, popularmente conhecida como catapora, foi originalmente descrita por Fernel, em 1538, e até 1767, quando Heberden estabeleceu as diferenças entre varicela e outras doenças eruptivas. A varicela era confundida com a varíola . A palavra varicela tem origem latina e significa “varíola leve”, e catapora tem origem na língua tupi (“tatapor”), que significa “fogo que salta”( BRASIL, Ministério da Saúde).</p><p>A natureza infecciosa da doença foi confirmada em 1875, quando Steiner conseguiu transmiti-la para voluntários, através da inoculação do líquido extraído de vesículas de pessoas com varicela. Em 1892, Von Bokay levantou a hipótese de que a varicela e o zóster seriam causados pelo mesmo agente e, em 1925, essa hipótese foi confirmada por Kundratitz, que inoculou o conteúdo das vesículas de pessoas com zóster em indivíduos que não haviam tido varicela e verificou que estes desenvolveram varicela e não zóster. O VVZ foi isolado em cultura de amostras do líquido vesicular de pacientes com varicela em 1952, porém devido às dificuldades para o cultivo, somente em 1974, na Universidade de Osaka, conseguiu-se desenvolver a vacina de vírus vivos atenuados (FIOCRUZ).</p><p>2.2 Sintomas</p><p>Surgimento de exantema de aspecto maculopapular e distribuição predominantemente na face e tronco, que, após algumas horas, torna-se vesicular, evolui rapidamente para pústulas e, posteriormente, forma crostas, conforme figura1. Pode ocorrer febre moderada e prurida (coceira), é frequente. Em crianças, geralmente, é uma doença benigna e autolimitada. Em adolescentes e adultos, o quadro clínico é mais grave e sujeita a complicações, como pneumonia. Se uma gestante adquirir varicela, existe um risco de lesão fetal grave.Figura 1 - Estágios das Lesões de Pele da Varicela (Catapora)</p><p>As infecções secundárias da pele são as complicações mais comuns associadas à catapora. A doença cria na pele uma porta de entrada para bactérias, que poderão causar infecções na pele e e até atingir a corrente sanguínea, provocando infecções sistêmicas e invasivas. A possibilidade de pneumonite viral, causada diretamente pela catapora, exige atenção. Crianças acima de 12 anos e adultos apresentam maior potencial para desenvolvimento dessa complicação grave. Além disso, pacientes imunossuprimidos podem apresentar a doença disseminada, ter acometimento do sistema nervoso central, encefalite por varicela, entre outras complicações.</p><p>Os sintomas da catapora, em geral, começam entre 10 e 21 dias após o contágio da doença. Os principais sinais e sintomas da doença são:</p><p>· manchas vermelhas e bolhas no corpo;</p><p>· mal estar;</p><p>· cansaço;</p><p>· dor de cabeça;</p><p>· perda de apetite;</p><p>· febre baixa.</p><p>2.2.1 Etapas</p><p>2.2.1.1 Período prodrômico</p><p>Inicia-se com febre baixa, cefaleia, anorexia e vômito, podendo durar de horas até 3 dias. Na infância, esses pródromos não costumam ocorrer, sendo o exantema o primeiro sinal da doença. Em crianças imunocompetentes, a varicela geralmente é benigna, com início repentino, apresentando febre moderada durante 2 a 3 dias, sintomas generalizados inespecíficos e erupção cutânea pápulo vesicular que se inicia na face, couro cabeludo ou tronco (distribuição centrípeta).</p><p>2.2.1.2 Período exantemático</p><p>As lesões comumente aparecem em surtos sucessivos de máculas que evoluem para pápulas, vesículas, pústulas e crostas. Tendem a surgir mais nas partes cobertas do corpo, podendo aparecer no couro cabeludo, na parte superior das axilas e nas membranas mucosas da boca e das vias aéreas superiores.</p><p>O aparecimento das lesões em surtos e a rápida evolução conferem ao exantema o polimorfismo característico da varicela: lesões em diversos estágios (máculas, pápulas, vesículas, pústulas e crostas), em uma mesma região do corpo.Figura 2 - Lesões</p><p>Nos adultos imunocompetentes, a doença cursa de modo mais grave do que nas crianças, apesar de ser bem menos frequente (cerca de 3% dos casos). A febre é mais elevada e prolongada, o estado geral é mais comprometido, o exantema mais pronunciado e as complicações mais comuns podem levar a óbito, principalmente devido à pneumonia primária.</p><p>2.3 Transmissão</p><p>A catapora é facilmente transmitida para outras pessoas. O contágio acontece por meio do contato com o líquido da bolha ou pela tosse, espirro, saliva ou por objetos contaminados pelo vírus, ou seja, contato direto ou de secreções respiratórias. Indiretamente, é transmitida por meio de objetos contaminados com secreções de vesículas e membranas mucosas de pacientes infectados.</p><p>Raramente, a catapora (varicela) é transmitida por meio de contato com lesões de pele. O período de incubação do vírus Varicela, causador da Catapora, é de 4 a 16 dias. A transmissão se dá entre 1 a 2 dias antes do aparecimento das lesões de pele e até 6 dias depois, quando todas as lesões estiverem na fase de crostas.</p><p>2.4 Diagnóstico</p><p>O diagnóstico da doença é, basicamente, clínico, embora exista a possibilidade de confirmação sorológica em casos mais graves. Aos primeiros sintomas é necessário procurar um serviço de saúde para que um profissional possa orientar o tratamento e avaliar a gravidade da doença.</p><p>Os testes sorológicos mais utilizados para confirmar o diagnóstico são:</p><p>· ensaio imunoenzimático (ELISA);</p><p>· aglutinação pelo látex (AL);</p><p>· imunofluorescência indireta (IFI), embora a reação em cadeia da polimerase (PCR) seja considerada o padrão ouro para o diagnóstico de infecção pelo VVZ (principalmente em caso de varicela grave).</p><p>O vírus pode ser isolado das lesões vesiculares durante os primeiros 3 a 4 dias de erupção ou identificado pelas células gigantes multinucleadas, em lâminas preparadas, a partir de material obtido de raspado da lesão, ou pela inoculação do líquido vesicular em culturas de tecido, porém a identificação das células gigantes multinucleadas não é específica para o VVZ. A identificação do VVZ pode ser feita pelo teste direto de anticorpo fluorescente ou por cultura em tecido, por meio de efeito citopático específico, porém esse método é de alto custo e sua disponibilidade é limitada.</p><p>2.4.1 Diagnóstico diferencial</p><p>Varíola (erradicada); coxsackioses; infecções cutâneas; dermatite herpetiforme; impetigo; erupção variceliforme de Kaposi; riquetsioses, entre outras.</p><p>2.5 Tratamento</p><p>No tratamento da catapora, em geral, são utilizados analgésicos e antitérmicos para aliviar a dor de cabeça e baixar a febre, e anti-histamínicos (antialérgicos) para aliviar a coceira. Os cuidados de higiene são muito importantes e devem ser feitos apenas com água e sabão.</p><p>Para diminuir a coceira, o ideal é fazer compressa de água fria. As vesículas não devem ser coçadas e as crostas não devem ser retiradas. Para evitar que isso aconteça, as unhas devem ser bem cortadas. A medicação a ser ministrada deve ser orientada por profissionais de saúde, pois o uso de analgésicos e antitérmicos à base de ácido acetilsalecílico é contraindicado e pode provocar problemas graves.</p><p>Para pessoas sem risco de agravamento da varicela, o tratamento deve ser sintomático. Havendo infecção secundária, recomenda-se o uso de antibióticos, em especial para combater estreptococos do grupo A e estafilococos.</p><p>O tratamento específico da catapora (varicela) é realizado por meio da administração do antiviral aciclovir, que é indicado para pessoas com risco de agravamento. Quando administrado por via endovenosa, nas primeiras 24 horas após o início dos sintomas, tem demonstrado redução de morbimortalidade em pacientes com comprometimento imunológico.</p><p>O uso de aciclovir oral para o tratamento de pessoas sem condições de risco de agravamento não está indicado até o momento, exceto para aquelas com idade inferior a 12 anos, portadoras de doença dermatológica crônica, pessoas com pneumopatias crônicas ou aquelas que estejam recebendo tratamento com AAS por longo tempo, pessoas que recebem medicamentos à base de corticoides por aerossol ou via oral ou via endovenosa.</p><p>As indicações para o uso do aciclovir são:</p><p>· Crianças sem comprometimento imunológico – 20mg/kg/dose, via oral, 5 vezes ao dia, dose máxima de 800mg/dia, durante 5 dias.</p><p>· Crianças com comprometimento imunológico ou casos graves – deve-se fazer uso de aciclovir endovenoso na dosagem de 10mg/kg, a cada 8 horas, infundido durante uma hora, durante 7 a 14 dias.</p><p>· Adultos sem comprometimento imunológico – 800mg, via oral, 5 vezes ao dia, durante 7 dias. A maior efetividade ocorre quando iniciado nas primeiras 24 horas da doença, ficando a indicação a critério médico.</p><p>· Adultos com comprometimento imunológico – 10 a 15mg de aciclovir endovenoso, 3 vezes ao dia por no mínimo 7 dias.</p><p>Embora não haja evidência de teratogenicidade, não se recomenda o uso deste medicamento em gestantes. Entretanto, em casos em que a gestante desenvolve complicações como pneumonite, deve-se considerar o uso endovenoso.</p><p>Com relação à profilaxia, não há indicação do uso do aciclovir em pessoas sem risco de complicação por varicela e vacinadas. A terapia antiviral específica, iniciada em até 72 horas após o surgimento do rash, reduz a ocorrência da NPH, que é a complicação mais frequente do herpes-zóster. O uso de corticosteroides, na fase aguda da doença, não altera a incidência e a gravidade do NPH, porém reduz a neurite aguda, devendo ser adotado em pacientes sem imunocomprometimento. Uma vez instalada a NPH, o arsenal terapêutico é muito grande, porém não há uma droga eficaz para seu controle. São utilizados: creme de capsaicina, de 0,025% a 0,075%; lidocaína gel, a 5%; amitriptilina, em doses de 25 a 75mg, via oral; carbamazepina, em doses de 100 a 400mg, via oral; benzodiazepínicos, rizotomia, termocoagulação e simpatectomia.</p><p>2.6 Prevenção</p><p>As principais medidas de prevenção e controle da catapora (varicela) são:</p><p>· Vacinação.</p><p>· Lavar as mãos após tocar nas lesões.</p><p>· Isolamento: crianças com varicela não complicada só devem retornar à escola após todas as lesões terem evoluído para crostas. Crianças imunodeprimidas ou que apresentam curso clínico prolongado só deverão retornar às atividades após o término da erupção vesicular.</p><p>· Pacientes internados: isolamento de contato e respiratório até a fase de crosta.</p><p>· Desinfecção: concorrente dos objetos contaminados com secreções nasofaríngeas.</p><p>· Imunoprofilaxia em surtos de ambiente hospitalar.</p><p>Indicações para a vacinação da catapora (varicela):</p><p>· População indígena a partir de quatro anos de idade.</p><p>· Surto hospitalar da doença: vacinar, até cinco dias após o surto, crianças maiores de 9 meses de idade que tenham imunidade baixa e que estejam dentro do hospital e demais pessoas que estejam suscetíveis.</p><p>· Profissionais de saúde, cuidadores e familiares suscetíveis à doença que estejam em convívio domiciliar ou hospitalar com pacientes com maior risco de contrair a doença com consequências graves, como crianças com câncer, pessoas em geral submetidas à cirurgias, doadores de órgãos e células-tronco, entre outros.</p><p>· Pacientes com doenças renais crônicas.</p><p>· Crianças, adolescentes e adultos infectados pelo HIV.</p><p>· Doenças dermatológicas graves.</p><p>· Pessoas que fazem uso crônico de ácido acetilsalicílico (aspirina). Recomenda-se suspender o uso por seis semanas apos a vacinação.</p><p>Em 2013, o Ministério da Saúde introduziu a vacina tetra viral, que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora), na rotina de vacinação de crianças entre 15 meses e 2 anos de idade que já tenham sido vacinadas com a primeira dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola).</p><p>2.7 Complicações</p><p>As principais complicações da catapora, nos casos severos ou tratados inadequadamente, são:</p><p>· encefalite;</p><p>· pneumonia;</p><p>· infecções na pele e ouvido.</p><p>A encefalite é uma inflamação aguda no sistema nervoso central, que provoca a inflamação do cérebro. Se não for tratada, pode ser fatal. Afeta principalmente bebês, crianças e adultos com o sistema imunológico comprometido.</p><p>Pessoas com catapora não devem ter contato com recém-nascidos, mulheres grávidas ou qualquer indivíduo que esteja com a imunidade baixa (como pessoas com Aids ou que estejam realizando quimioterapia), já que a doença pode ser mais grave nestes grupos.</p><p>2.8 Situações Epidemiológicas no Brasil</p><p>Não há dados consistentes sobre a incidência de varicela no Brasil, uma vez que somente os casos graves internados e óbitos são de notificação compulsória.. No período de 2015 a 2024, foram notificados 335.641 casos de varicela no Brasil. A região Sudeste notificou o maior número com 138.718 (30,9 %) casos, seguido da região Sul com 120.118 (26,8%) casos, enquanto a região Norte registrou o menor número de notificações, com 38.306 (8,5%) casos. Neste período, a média anual de casos notificados foi de 33.564 casos.</p><p>Em 2015, destaca-se com o maior registro de casos de varicela, com 137.400 (40,9%) casos, e em 2024 o menor número de registros, com 4.624 (1,4%) casos (dados parciais até o mês de junho, sujeitos a revisão). A faixa etária com a maior</p><p>frequência de casos notificados foi a de 5 a 9 anos com 108.002 (32,2%) casos, seguido pela faixa etária de 1 a 4 anos com 90.505 (27,0%) casos. O menor registro foi observado na população maior que 59 anos com 1.635 (0,5%) casos.</p><p>No início da década de 90, a varicela foi considerada a principal causa de morte dentre todas as doenças preveníveis por vacinas nos EUA, Canadá, Alemanha e Reino Unido. No Brasil, existem poucos estudos sobre as complicações da varicela em crianças saudáveis. Entretanto, no Estado de São Paulo, dentre as doenças imunopreveníveis, a varicela atualmente é uma das principais causas de morte, tendo sido responsável por 35,7 óbitos, em média, a cada ano no final da década de 90. Dados da Secretaria de Higiene e Saúde do Município de São Paulo indicam que em creches a doença acomete crianças de menor faixa etária e que apresentam maiores taxas de complicação e óbito (FIOCRUZ).</p><p>Em Taubaté, um levantamento realizado no Hospital Universitário revelou que nos últimos cinco anos, a taxa anual de hospitalizações devido à varicela e suas complicações foi de 3,7 por 100.000 crianças menores de 12 anos, semelhante a descrita nos EUA (2,7 a 4,2/100.000hab./ano) na era pré-vacinação. De todas as doenças exantemáticas, a varicela é a de mais fácil reconhecimento por leigos, tornando viável o levantamento de informações sobre a doença, através de inquéritos populacionais (BRASIL, Ministerio da Saúde).</p><p>A vacina contra varicela não faz parte do calendário básico de vacinação, mas está disponível nos serviços privados e Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIES), para alguns grupos de risco. Entretanto, existem poucas informações sobre o conhecimento da comunidade sobre a doença e sua prevenção. Acredita-se que haja subutilização da vacina devido à falta de conhecimento ou de suas indicações. Por esses motivos, considera-se oportuno descrever a morbidade da doença em crianças que freqüentam creches públicas e avaliar os conhecimentos de seus familiares sobre a doença e sua prevenção.</p><p>2.8.1 Cenário de internações por varicela e herpes-zóster Brasil</p><p>No período de 2015 a 2024, foram registradas 45.927 internações, que variou de 2.186 a 6.075 por ano no Sistema Único de Saúde (SUS). As regiões com maior número de internações foram: Sudeste e Nordeste com 21.037 (45,8%) e 9.943 (21,6%) internações, respectivamente.</p><p>A análise das internações por faixa etária demonstra que que os maiores números de internações se concentram na faixa etária de 60 a 69 anos de idade com 5.902 (12,9%) internações, 70 a 79 anos com 5.827 (12,7%) internações e a população dos maiores de 80 anos de idade com 5.805 (12,6%). Embora o maior número absoluto de hospitalizações seja observado entre idosos, grupo em que se espera o maior número de casos da doença, proporcionalmente, os adultos apresentam maior risco de evoluir com complicações, hospitalização e óbito.</p><p>Com a introdução da vacina tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) no Calendário Nacional de Vacinação em 2013 para crianças de 15 meses de idade, houve uma redução considerável do número de internações no SUS. Salienta-se que o número de internações notificado por meio do Sistema de Internação Hospitalar (SIH) registra casos de varicela e herpes-zóster juntos, o que impede a análise individual de cada doença.</p><p>2.8.2 Cenário das internações que evoluíram para óbitos</p><p>No Brasil, no período de 2014 a 2024, foram registradas 3.035 internações que evoluíram para óbito por varicela/herpes-zóster com ou sem outras complicações, com destaque na faixa etária da população dos maiores de 79 anos com 1.191 (39,2%). Em 2019 foi registrado o maior número de óbitos por varicela/herpes-zóster com 407 (13,4%) enquanto que nos anos de 2021 e 2024 foram registrados os menores números de óbitos com 261 (8,6%) e 154 (5,1%) respectivamente. A taxa de letalidade entre os casos hospitalizados variou de 5,2 a 8,8 no período de 2014 a 2024.</p><p>3 CONCLUSÃO</p><p>A varicela, também conhecida como catapora, é uma doença viral altamente contagiosa, causada pelo vírus Varicela-Zóster. Geralmente, afeta principalmente crianças, mas também pode ocorrer em adultos, especialmente aqueles que não foram vacinados ou não tiveram a doença anteriormente. Embora a varicela seja geralmente uma condição benigna, ela pode causar complicações graves, especialmente em indivíduos imunocomprometidos, gestantes e recém-nascidos.</p><p>O advento da vacinação trouxe uma redução significativa na incidência da varicela e suas complicações associadas. A vacina é a forma mais eficaz de prevenção e tem se mostrado segura e bem tolerada. Apesar disso, a varicela ainda persiste em populações onde a cobertura vacinal é inadequada.</p><p>É essencial continuar a promover a vacinação e a educação pública sobre a importância da imunização, além de manter uma vigilância constante para prevenir surtos. A varicela, embora uma doença comum, pode ser evitada e controlada com medidas de saúde pública adequadas, garantindo a proteção da população e minimizando o impacto da doença na sociedade.</p><p>4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Varicela. Disponível em Acesso em 12 de setembro de 2024.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Diagnostico. Disponível em Acesso em 12 de setembro de 2024.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Tratamento. Disponível em Acesso em 12 de setembro de 2024.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção. Disponível em Acesso em 12 de setembro de 2024.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Situação Epidemiológica. Disponível em Acesso em 12 de setembro de 2024.</p><p>FIOCRUZ. Varicela: sintomas, transmissão e prevenção. Disponível em Acesso em 13 de setembro de 2024.</p><p>FIOCRUZ. Catapora. Disponível em Acesso em 13 de setembro de 2024.</p><p>LAURENTI Ruy, VICO Eneida S Ramos. Mortalidade de crianças usuárias de creches no Município de São Paulo. Rev. Saúde Pública 2004; 38 (1):38-44 www.fsp.usp.br/rsp</p><p>ANEXO – Panfleto sobre a Catapora</p><p>image2.jpeg</p><p>image3.jpeg</p><p>image4.jpeg</p><p>image1.png</p>

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