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MEDICINA DO
editora
científica digital
MEDICINA DO
2022 - GUARUJÁ - SP
1ª EDIÇÃO
editora
científica digital
Diagramação e arte
Equipe editorial
Imagens da capa
Adobe Stock - licensed by Editora Científica Digital - 2022
Revisão
Autores e Autoras
2022 by Editora Científica Digital 
Copyright© 2022 Editora Científica Digital 
Copyright do Texto © 2022 Autores e Autoras
Copyright da Edição © 2022 Editora Científica Digital
Acesso Livre - Open Access
EDITORA CIENTÍFICA DIGITAL LTDA
Guarujá - São Paulo - Brasil
www.editoracientifica.org - contato@editoracientifica.org
Parecer e revisão por pares
Os textos que compõem esta obra foram submetidos para avaliação do Conselho Editorial da Editora 
Científica Digital, bem como revisados por pares, sendo indicados para a publicação.
O conteúdo dos capítulos e seus dados e sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade 
exclusiva dos autores e autoras.
É permitido o download e compartilhamento desta obra desde que pela origem da publicação e no formato 
Acesso Livre (Open Access), com os créditos atribuídos aos autores e autoras, mas sem a possibilidade 
de alteração de nenhuma forma, catalogação em plataformas de acesso restrito e utilização para fins 
comerciais.
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Sem Derivações 4.0 
Internacional (CC BY-NC-ND 4.0).
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
M489 Medicina do exercício e do esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional / José Martins Juliano 
Eustaquio (Organizador), Octávio Barbosa Neto (Organizador). – Guarujá-SP: Científica Digital, 2022.
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DAFormato: PDF
Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader
Modo de acesso: World Wide Web
Inclui bibliografia
ISBN 978-65-5360-126-0
DOI 10.37885/978-65-5360-126-0
1. Medicina. 2. Saúde. I. Eustaquio, José Martins Juliano (Organizador). II. Barbosa Neto, Octávio (Organizador). III. 
Título.
 
CDD 610
Índice para catálogo sistemático: I. Medicina 2 0 2 2
Elaborado por Janaina Ramos – CRB-8/9166
editora
científica digital
editora
científica digital
Direção Editorial
Reinaldo Cardoso
João Batista Quintela
Assistentes Editoriais
Erick Braga Freire
Bianca Moreira
Sandra Cardoso
Bibliotecários
Maurício Amormino Júnior - CRB-6/2422
Janaina Ramos - CRB-8/9166
Jurídico
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Profª. Ma. Livia Fernandes dos Santos
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do 
Acre, Brasil
Profª. Dra. Sonia Aparecida Cabral
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Profª. Dra. Camila de Moura Vogt
Universidade Federal do Pará, Brasil
Prof. Me. José Martins Juliano Eustaquio
Universidade de Uberaba, Brasil
Prof. Esp. Walmir Fernandes Pereira
Miami University of Science and Technology, USA
Profª. Dra. Liege Coutinho- Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022
where Mean 1 = biceps brachii mean EMG values of WBV values during the 1RM test, 
and the Mean 2 = biceps brachii mean EMG values of NV values during the 1RM test, and 
the . The result of Cohen’s d equation (effect size = 0.25) was inser-
ted in the GPower 3.1 software. Thus, an effect size of 0.25, power of 80%, α = 0.05, the 
correlation between repeated measurements of 0.75, three groups (NV, WBV, and LV), six 
measurements (1RM test, MIVC, EMG in these two tests for two muscles) were adopted for 
the sample size calculation.
All volunteers were regularly enrolled in a strength training program for at least six 
uninterrupted months, being considered as recreationally trained27. Exclusion criteria were 
the incidence of lesions, musculoskeletal diseases in either lower and upper limbs for the 
last 12 months, or any heart disease. All volunteers received complete information about 
the objectives and methodological procedures and signed a consent term. The local ethics 
committee approved this study (under the number: 240.834, year: 2013, process number: 
13683413.6.0000.5149), which complied with international standards.
PROCEDURES
Materials
In this study, a cable crossover machine was used (Pedalar®, Brazil), containing on 
each side 16 plates of 5 kg. For LV application, a three-phase induction motor (WEG W22 
PLUS, 2 cv, 3385 rpm, 220-380 V - Siemens®) was used. An eccentric shaft with a pulley at 
the end was attached to the motor, in which the crossover cable passed around this pulley 
allowing performing the exercise. The motor was fixed to the ground, facing one side of the 
crossover, making the cable assuming a vertical trajectory between the crossover sheave 
and the motor. Figure 1 shows the equipment.
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Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022
Figure 1. Motor positioning for localized location application.
For the WBV application, a vibrating platform (Planet for Fitness®, model PT 004 
Professional - USA), adapted with a motor identical to the one used in LV was used. Both 
the platform and the LV motor were connected to a frequency inverter (WEG, model CFW 
09). The vibratory platform was positioned close to the motor at a distance that allowed the 
cable goes to a vertical trajectory and parallel to the volunteer body. Figure 2 shows how 
WBV was performed.
Figure 2. Platform positioning for whole-body vibration application.
The motors from LV and the vibratory platform were only switched on under LV and 
WBV conditions, respectively. The vibration frequency and amplitude for both cases were 
26 Hz and 6 mm, respectively21,28. The time of exposure to vibration was restricted to the time 
needed to perform the exercise. The frequency inverter was used to control the vibration 
frequency. The LV amplitude was determinate by the eccentric shaft, which was connected to 
the cable and in the WBV platform. Subjects were instructed to keep their knees flexed (10°), 
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Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022
feet parallel, and positioned at a predetermined location to ensure a peak-to-peak amplitude 
of 6 mm. To verify the severity of human body exposure to vibration, the estimated vibration 
dose value (eVDV) was calculated from the head acceleration. The eVDV was 10.77 and 9.93 
for the WBV and LV respectively. Values of eVDV greater than 17 are considered harmful 
to the human organism29.
To collect EMG data, surface electrodes of the 3M brand (3M, Brazil) were used, fixed 
in the biceps brachii muscle, according to SENIAM project guidelines, and in the brachiora-
dialis at the greater portion of the muscle belly (right arm), located after a voluntary contrac-
tion31. The range of motion was controlled by an electrogoniometer (Mega Electronics Ltda, 
Finland) with its axis of rotation fixed on the lateral epicondyle of the humerus of the left arm. 
All devices were connected to a biomonitor (Mega Electronics Ltda, Finland - model ME6000) 
responsible for amplification, analog-to-digital conversion (1000 Hz), and signal transmission 
to a portable computer, with a sampling rate of 1000 Hz. The EMG and the electrogoniometry 
data were recorded and analyzed using MegaWin software version 3.0 (Mega Electronics 
Ltda, Finland). To record the peak force during the MVIC, a load cell (Zb Staniak, Poland) 
with 1000 Newtons capacity, calibrated, connected to a signal amplifier and decoder (WTM 
005-2T / 2P, Jaroslaw Doliriski Systemy Mikroprocesorowe, Poland) was used. The amplifier 
was connected to a computer interface with the program MAX5 (version 5.1, JBA, ZbStaniak, 
Poland), which allows analysis of the force curve as a function of time with a sampling fre-
quency of 1000 Hz. For both the EMG, and the electrogoniometer data, a bandpass filter with 
a lower limit of 26 Hz and an upper limit of 450 Hz, and a 60 Hz band-reject filter were used.
Familiarization
The volunteers came to the laboratory on 7 different days, with, at least, 48 h of rest 
between days. On the first day, before familiarization begins, subjects performed a single 
set of 10 maximum repetitions in the barbell curl exercise. The weight lifted was based on 
the subjects experience and it was used to estimate the value for one maximum repetition 
(1RM), by using the equation adopted by Shaw et al.30, presented below:
 (2)
After five minutes of resting, the familiarization protocol for each experimental condition 
(WBV, LV, and NV) was started. The familiarization protocol was composed of 2 sets with 2 
repetitions at 95% of the estimated 1RM value. Three minutes rest between sets, and five 
minutes between each experimental condition were respected.
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Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022
The barbell curl exercise constituted the bilateral flexion of the elbow, starting from the 
full elbow extension position, going to maximum elbow flexion, and returning to the initial 
position. To control the elbow´s range of motion, a rope passing just above and close to 
the left shoulder of the volunteer was used, in the sagittal plane. The end of the concentric 
action was considered maximal when the volunteer’s left fist touched the rope. Shoulder 
flexion was not allowed and was controlled by the evaluator’s observation. The hands held 
a straight bar, in the supinated position, at the width of the shoulders. In all day’s tests, the 
subjects respected the initial position, in which they remained standing on a platform, keeping 
the knees semi-flexed (10° degrees of knee flexion - 0° = knees fully extended) and the feet 
parallel and positioned in a predetermined place.
Experimental sessions
The other six days were reserved for experimental sessions, consisting of the 1RM 
test and the MVIC test with the same exercises of familiarization for the following conditions: 
WBV, LV, and NV. Each condition was performed in two subsequent days, separated by an 
interval of exactly 48 h. The order of conditions in the test sessions was randomized. In all test 
procedures, data of the surface electromyography (EMG) activity were collected. The mean 
values of isometric force (MVIC), 1RM, and EMG from the two days tests (each condition) 
were used for analysis. An interval of exactly 120 h between pairs of sessions of the same 
experimental condition was respected.
At the beginning of all experimental sessions, the maximum voluntary isometric contrac-
tion normalization test (MVICn) was performed with and without vibration. The MVICn consis-
ted of three maximalisometric contractions lasting six seconds with five-minute rest between 
attempts17. During this test, the root means square electromyographic activity (EMGRMS) of 
the biceps brachii and brachioradialis muscles of the right arm, and the maximum peak force 
was recorded (window of 250 ms). The highest value of the EMGRMS was used to normalize 
the electromyographic data, recorded during the 1RM and MVIC tests (window of 250 ms). 
For the accomplishment of MVICn, the volunteers adopted the initial position (same as the 
familiarization), keeping the elbows flexed at 90° (0° = elbow fully extended), gauged using 
the electrogoniometer.
Respecting a 10 min resting after the MVICn, volunteers started the 1RM test in one of 
the study conditions (WBV, LV, or NV), adopting the same positioning and execution used 
during familiarization. The test consisted of five maximum attempts, with five-minute rest 
between each attempt17. The initial weight was 5% lower than the estimated 1RM value32. 
The progression of the weight was gradual in the function of the subjective perception of 
the volunteers and evaluators. Each volunteer was instructed to perform only one repetition 
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Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022
per attempt. Whenever the movement was performed improperly, or if the volunteer used 
accessory movements, the weight lifted in the previous attempt was considered the maxi-
mum weight (1RM).
After the 1RM test, respecting a 30-min interval, the MVIC test was performed in one of 
the study conditions (WBV, LV, or NV), and its data was used to verify the effects of MV on 
electromyographic activity and peak force. The procedures and positioning of the volunteers 
were the same as used in the MVICn tests.
STATISTICAL ANALYSIS
Initially, the analyses of descriptive data were performed, and Shapiro Wilk tested the 
normality of data. The interclass coefficient correlation (ICC3,1) and the normalized stan-
dard error of measurement (% SEM- SEM/mean data multiplied by 100) were calculated 
with data collected in sessions with the same experimental condition for EMG, MVIC, and 
1RM. To analyze the ICC and SEM, the highest value of EMG, the force peak during the 
MVIC, and the 1RM test result, found in each of the two sessions for the same condition, 
were considered. One-way ANOVAs with repeated measures with post hoc of Scott-Knott 
(when necessary) were used to compare the conditions. The significance level adopted as 
α 0.14 = large32. All statis-
tical procedures were performed using the software SISVAR 5.7.
RESULTS
ICC and SEM for 1RM test, MVIC, and EMGRMS
Regarding the data collection reliability between day 1 and 2 for each condition (NV, 
LV, WBV), the ICC3,1 and normalized SEM values were, respectively, for 1RM test = 0.999 
and 1.17-1.18%; for MVIC = 0.996-0.997 and 1.00-1.40%; for EMGRMS (biceps brachi and 
brachioradialisis) = 0.991-0.999 and 0.7-2.6%.
RM EMG values
The normalized EMGRMS values of biceps brachii during the 1RM test were 98.04 + 
5.68%, 116.79 ± 11.76%, and 106.07 ± 7.67% for NV, LV and WBV, respectively. According 
to ANOVA these values are different between conditions (F2,42 = 17.362; pMV did not improve the strength performance.
However, the results showed a significant increase in the EMGRMS in either muscle 
when the MV was applied. Some studies have also demonstrated an increase in EMG du-
ring MV application compared to exercises performed without vibration34,35. Cardinale and 
Bosco36 found that four sets of 60 s of WBV, with the frequency of 30 Hz and amplitude of 
10 mm, were able to significantly increase the EMGRMS in the muscles of the upper limbs 
during the elbow flexion exercise performed dynamically. Hazzel, Jakobi, and Kenno37 found 
an increase in EMG in the muscles of the lower and upper limbs. In this study, squat and 
elbow flexion exercises were performed, both isometric and dynamic, with frequencies of 
25, 30, 35, 40, and 45 Hz. The presence of tonic vibration reflex may justify the higher EMG 
activity of the muscles exposed to vibration13,36. Thus, perhaps the MV may have interfered 
with the EMG values and consequently the interpretation of the results. Notwithstanding, 
no study that compared the EMG response in activities performed with LV, and WBV were 
found. We suggest that new studies investigate this possibility.
During the WBV, the vibration impulse may have dissipated during its transmission 
through the body tissues12. The oscillation amplitude of the elbow joint in the WBV condition 
may have been smaller in comparison to the LV, generating smaller accelerations. Greater 
amplitude of displacement is associated with greater tonic vibration reflex and consequently, 
activation of several muscle spindles11. This phenomenon may explain the lower values 
of EMGRMS found during the WBV when compared to the LV that received the same fre-
quency of vibration.
The MVIC tests did not show significant differences between the experimental condi-
tions. Oliveira et al.38 corroborate these results, as they verified that the application of MV, in 
the frequencies of 10, 20, 30, and 40 Hz was not able to increase the strength production in 
trained individuals. According to Oliveira et al.38, the fact that MV does not increase strength 
in MVIC tests may be related to individual characteristics, such as the level of experience 
in training with vibration and the MV settings. Still, Warman, Humphrtes, and Purton39 also 
did not find significant differences in the isometric strength with or without the MV. The 
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non-increase in the MVIC indicates that the higher EMG generated by the vibratory stimulus 
was not sufficient to recruit additional motor units that promoted greater force production in the 
specific task evaluated. The angle at which the MVIC test is performed can also influence the 
transmissibility of the vibratory impulse since changes in the angle interfere with the tension 
present in the target muscle39. In the present study, only the 90° angle of elbow flexion was 
used during the test, and future studies are needed to assess the effect of MV application at 
different angles during the MVIC.
No significant differences were found in the 1RM tests between conditions. Hammer, 
Joshua, and Linton40 also found no significant differences in the 1RM test with and wi-
thout MV application. According to these authors, the vibratory stimulus may not have been 
specific enough to promote increases in strength in trained individuals. Cochrane41 also did 
not find an increase in the concentric strength in the elbow flexion exercise with MV applica-
tion. However, the findings of the present study oppose the result presented by the previous 
studies18,19,35, which found a positive effect of MV application in the 1RM tests in upper and 
lower limb exercises. Such divergence may be since the response to the vibratory stimulus 
depends on aspects such as the time of exposure to vibration42, the frequency of vibration9,10, 
the range of displacement11, and/or type of muscle action10.
It was expected a greater strength performance during MVIC and 1RM tests with MV appli-
cation because of the presence of tonic vibratory reflex due to muscle stretches that occurred 
throughout contractions with MV 43. According to Issurin et al.7, Torniven et al.43, and Mileva 
et al.18, the tonic vibratory reflex may improve the synchronization firing discharges and 
causing a larger number of motor-units recruitment, leading to greater strength production. 
However, the result of this study does not corroborate this reasoning. Perhaps, the higher 
EMG response for MV application was not sufficient to promote significantly higher strength 
production. Other MV configurations can be effective to generate higher strength performance. 
This suggests that other studies with different MV parameters could be conducted to respond 
to this literature gap.
Some studies adopt the result of the 1RM test, performed without the application of 
vibrations, as a reference for the prescription of training intensity with and without the applica-
tion of mechanical vibrations7,25, therefore the results of the study may contribute to decisions 
regarding of application of VM or the type of VM in future works or the physical training. The 
limitations of the study, we can mention the need of using filters in the EMG signal, aiming to 
exclude the noise from cable vibrations; and the non-measurement of the cross-talks effect. 
Additionally, the results found in the present study should be limited to the vibration para-
meters. Further studies are required using different vibration parameters to verify the effects 
of MV on strength development.
40
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CONCLUSION
The MV application resulted in higher EMG activity in the 1RM and MVIC tests, 
The LV promotes higher EMG than WBV. However, the MV application was not able to increa-
se the strength production compared to the non-application of MV in the 1RM and MVIC tests.
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03
'10.37885/220508957
03
Dor na virilha do atleta: porque preferir o 
termo inguinomalacia em substituição a 
hérnia do atleta?
José Martins Juliano Eustaquio
Universidade de Uberaba - UNIUBE
https://dx.doi.org/10.37885/220508957
RESUMO
A síndrome de dor na virilha do atleta acomete com alta incidência os esportistas e, devido 
principalmente à complexidade anatômica da região pélvica e ao difícil manejo de suas pa-
tologias, é motivo de grande debate na comunidade científica. Uma dessas discordâncias 
é em relação à nomenclatura empregada na hérnia do atleta, pois não traduz a realidade 
quanto aos seus achados fisiopatológicos. Na prática, não há um saco herniário nessa afec-
ção, mas uma fraqueza da parede posterior do canal inguinal e, com isso, a protusão da 
gordura do omento (pré-peritoneal). Nesse artigo, propõe-se a criação e utilização do termo 
“inguinomalacia” em substituição à “hérnia do atleta.”
Palavras-chave: Atleta, Virilha, Hérnia.
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INTRODUÇÃO
A síndrome de dor na virilha (ZUCKERBRAUN; CYR; MAURO, 2020), apesar de ser 
um termo inespecífico e muito discutido na literatura, é um diagnóstico sindrômico válido 
na propedêutica dos atletas com uma desordem neste segmento anatômico. Em geral, 
inclui patologias que são de difíceis diagnóstico e tratamento, bem como muitos diagnós-
ticos diferenciais que apresentam características fisiopatológicas e clínicas semelhantes 
(WEIR et al., 2015).
Além disso, algumas dessas patologias podem coexistir, com destaque para os casos de 
osteíte púbica (pubalgia do atleta) e hérnia do atleta (ELATTAR et al., 2015). Na comunidade 
científica, ambas patologias são muito discutidas, principalmente em referência aos seus tra-
tamentos e à nomenclatura da hérnia do atleta (KINGSTON et al., 2014; WEIR et al., 2015).
DESENVOLVIMENTO
Por que preferir o termo Inguinomalacia no lugar de hérnia do atleta?
A nomenclatura hérnia do atleta é motivo de debate entre diferentes autores (WEIR 
et al., 2015; KINGSTON et al., 2014; WEIR et al., 2015), uma vez que a condição patológi-
ca não envolve a protrusão de um saco herniário com vísceras abdominais, característica 
da hérnia clássica, mas a protrusão de gordura omental na região inguinal (Figura 1). Esta 
protrusão ocorre devido ao enfraquecimento multifocal da parede posterior do canal inguinal 
(MATSUDA et al., 2011; VAN VEEN et al., 2007), com a consequente compressão de nervos 
sensoriais inguinais (COMIN et al., 2013).
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Figura 1. Imagem ilustrativa das camadas anatômicas do canal inguinal e dos pontos de fragilidade da parede posterior 
do canal inguinal, que caracteriza a inguinomalacia.
Fonte: Arquivo próprio do autor.
Além disso, alguns autores consideram que hérnia do atleta e osteíte púbica são sinô-
nimos da mesma patologia (ELATTAR et al., 2015; ZUCKERBRAUN; CYR; MAURO, 2020), 
uma vez que podem compartilhar sinais e sintomas e até ocorrer em conjunto no mesmo 
paciente. No entanto, observa-se na prática clínica que são patologias distintas e, como tal, 
devem ser abordadas de formas diferentes.
Apesar das recentes recomendações de Consensos sobre as expressões apropriadas 
em referência à hérnia do atleta (SHEEN et al., 2014; WEIR et al., 2015), não se observa o uso 
rotineiro na prática clínica. Como exemplos, o Consenso da Sociedade Britânica de Hérnia, 
publicado em 2014, sugeriu a utilização do termo “Inguinal disruption” (SHEEN et al., 2014), 
ao passo que a Conferência Mundial sobre Dor na Virilha em Atletas, realizada em Doha, 
em 2014, sugeriu a adoção da expressão “Inguinal-related groin pain” (WEIR et al., 2015).
Devido a esses fatores, a utilização de um termo alternativo à hérnia do atleta torna-se 
válida pois a terminologia atual não exprime, de forma clara, a sua fisiopatologia e ainda 
causa confusão entre os profissionais de saúde. Nesse sentido, como a patologia é carac-
terizada por uma fraqueza anatômica do assoalho do canal inguinal, propõe-se a utilização 
do termo inguinomalacia no lugar de hérnia do atleta.
O sufixo “malacia” é normalmente empregado na literatura médica para expressar altera-
ções patológicas semelhantes às encontradas neste distúrbio (HYSINGER, 2021; KIM et al., 
2021). Assim, com esta nomenclatura, é permitida uma noção mais objetiva da patologia, 
sem referência a expressões mais genéricas, além de evitar a confusão com o termo hérnia.
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Investigação diagnóstica e conduta terapêutica da Inguinomalacia
A dor na região inguinal, que é uma das alterações que caracterizam a síndrome da dor 
na virilha do atleta, é comumente encontrada em atletas que praticam exercícios relaciona-
dos com movimentos pliométricos e rotacionais, especialmente no futebol (CANDELA et al., 
2021). Em grande proporção das pessoas afetadas, esta condição evolui com limitações 
significativas do desempenho esportivo.
As principais patologias que apresentam diagnóstico diferencial dessa síndrome, nos 
atletas, são a osteíte púbica, a lesão proximal dos músculos adutores, as patologias intra- 
articulares do quadril e as hérnias inguinais (KRAEUTLER et al., 2021). Essas patologias 
compartilham frequentemente alterações clínicas semelhantes, o que torna o diagnóstico 
clínico difícil de ser realizado.
A principal queixa em comum é dor nas regiões da virilha e dos adutores, que se agrava 
com movimentos de rotação e adução ativa do quadril contra a resistência (ZUCKERBRAUN; 
CYR; MAURO, 2020). O cenário clássico do atleta quando procura cuidados médicos é de 
uma patologia crônica com agudizações rotineiras e, muito comumente, baseada em diag-
nósticos prévios equivocados, o que torna o tratamento cada vez mais complexo.
Além disso, a presença concomitante de algumas dessas patologias é frequente, prin-
cipalmente porque compartilham mecanismos fisiopatológicos semelhantes (KRAEUTLER 
et al., 2021). Nestes casos, além do estresse mecânico suprafisiológico na região pélvica, 
típico de algumas modalidades, observam-se também desequilíbrios musculares entre o 
segmento abdominal e a região proximal dos membros inferiores, geralmente com um maior 
predomínio relativo dos músculos adutores (ZUCKERBRAUN; CYR; MAURO, 2020). A asso-
ciação mais observada é a do atleta com inguinomalacia e também osteíte púbica (CANDELA 
et al., 2021; ELATTAR et al., 2015; KRAEUTLER et al., 2021).
Quanto à inguinomalácia, o seu diagnóstico é possível através de exames de imagem 
dinâmicos, especialmentea ultrassonografia inguinal (Figura 2) (VASILEFF et al., 2017). 
Neste exame, o radiologista solicita que o paciente realize a manobra de Valsalva, de di-
ferentes maneiras, a fim de aumentar a pressão no canal inguinal e permitir a protusão do 
tecido adiposo. Os exames estáticos não são capazes de diagnosticar essa patologia. Outros 
exames de imagem da pelve, como a radiografia panorâmica e a ressonância magnética, 
ajudam na investigação do diagnóstico diferencial (BOU ANTOUN et al., 2018).
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Figura 2. Imagens ultrassonográficas dinâmicas da região inguinal de atleta com diagnóstico de inguinomalacia, sem (A) 
e com (B) esforço pela manobra de Valsalva.
Fonte: Arquivo próprio do autor.
Com base nos conhecimentos atuais (CASTLE et al., 2021; CHOI et al., 2016; DRAGER; 
RASIO; NEWHOUSE, 2020), propõe-se um algoritmo prático como opção de tratamento 
prioritário para casos de osteíte púbica, inguinomalacia e suas associações, de acordo 
com o nível de desempenho do atleta (Figura 3). Além disso, uma vez feito o diagnóstico 
da inguinomalácia, o seu tratamento deve ser priorizado em relação a outras patologias da 
região inguinal.
Figura 3. Tratamentos recomendados para osteíte púbica, inguinomalacia e associação de ambos, em atletas amadores 
e profissionais.
Fonte: Arquivo próprio do autor.
Assim, para o atleta recreativo, na presença isolada dessa patologia, é indicada uma ten-
tativa de tratamento conservador durante três a seis meses. Se o mesmo falhar, o tratamento 
cirúrgico é indicado. No entanto, na presença conjunta com osteíte púbica, está indicado 
o tratamento cirúrgico da inguinomalacia e o tratamento conservador da osteíte (Figura 3).
Em relação aos atletas profissionais, mais precisamente nas modalidades que envol-
vem movimentos pliométricos e rotacionais, o tratamento cirúrgico é indicado sempre que 
a inguinomalacia estiver presente, independente da presença associada de osteíte púbica 
(Figura 3). A dinâmica destas modalidades envolve o aumento das pressões abdominal 
e inguinal, que é precisamente o mecanismo precursor da dor. Portanto, devido a essa 
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fisiopatologia, à exigência profissional e também para encurtar o tempo de afastamento no 
esporte, é indicado o tratamento cirúrgico.
A cirurgia de correção da inguinomalacia baseia-se na estabilização mecânica da pa-
rede do canal inguinal, através do procedimento de herniorrafia, com ou sem a colocação 
de tela cirúrgica, e isso inclui tanto abordagens cirúrgicas abertas quanto minimamente 
invasivas (HATEM; MARTIN; BHARAM, 2021; MINNICH et al. , 2021; ZUCKERBRAUN; 
CYR; MAURO, 2020). Esse procedimento é realizado pelo cirurgião geral. Se for indicado 
o tratamento cirúrgico em conjunto com o da osteíte púbica, é necessária a presença tanto 
do cirurgião geral quanto do cirurgião ortopédico (KRAEUTLER et al., 2021).
CONCLUSÃO
Inguinomalacia é um termo que traduz com maior acurácica a fisiopatologia da hérnia 
do atleta, patologia que apresenta alta morbidade entre atletas amadores e profissionais.
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'10.37885/220609063
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Efeitos da suplementação da creatina 
sobre a função renal: revisão da literatura
Álvaro Emilio Baldin
Centro Universitário da Fundação Assis Gurgacz
Cristiane Pinheiro Fucolo Zuliani
Centro Universitário da Fundação Assis Gurgacz
Suzana Bender
Centro Universitário da Fundação Assis Gurgacz
Vagner Fagnani Linartevichi
Centro Universitário da Fundação Assis Gurgacz
https://dx.doi.org/10.37885/220609063
RESUMO
Introdução: a suplementação da creatina tem sido amplamente utilizada para melhorar o 
desempenho atlético, no entanto, alguns aspectos relacionados à sua segurança e efetividade 
não estão claros na literatura. Objetivo: analisar por meio de uma revisão os efeitos do uso 
crônico da creatina sobre a função renal. Metodologia: trata-se de uma revisão argumen-
tativa, de base técnica quantitativa descritivo-exploratória. As amostras pesquisadas foram 
advindas de periódicos, disponíveis no Scielo e PubMed, nacionais e internacionais, publica-
dos entre os anos de 2011 e 2021. Resultados: A suplementação da creatina tem mostrado 
vários benefícios como o aumento da massa muscular e seu conteúdo nos músculos, nodesenvolvimento de maior potência, aumento de força durante o exercício e menos fadiga 
durante os treinos. Os atletas que mais se beneficiam são os praticantes de alta performan-
ce e curta duração. Nesta revisão, dos trabalhos coletados, oito realizaram testes clínicos 
comparando a suplementação ou não de creatinina diária por até 8 semanas. Marcadores 
da função renal e outros metabólitos foram dosados e nenhum parâmetro bioquímico, exceto 
creatinina, obteve uma diferença superior a 4,5% comparado com o grupo controle. De modo 
que, nestes trabalhos não foram encontradas evidências de dano fisiológico, incluindo re-
nal. Dois estudos mostraram que, em indivíduos saudáveis, a suplementação crônica com 
creatinina produziu um aumento reversível de aproximadamente 30% da creatinina sérica e 
concomitante aumento da creatinina urinária. Nenhuma alteração foi vista na taxa de filtração 
glomerular. Todos os participantes do referido estudo tiveram a diminuição dos valores de 
creatinina após a suspensão do uso. Além disso, a suplementação diária de baixas doses 
por até 5 anos não produziu efeito deletério sobre a função renal, comparado com o grupo 
controle. Neste contexto, o presente estudo não encontrou evidências científicas de que a 
suplementação da creatina prejudique a saúde de indivíduos saudáveis.
Palavras-chave: Creatina, Aumento do Músculo Esquelético, Suplementação Alimentar.
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INTRODUÇÃO
O suplemento de creatina tem sido amplamente utilizado para melhorar o desempenho 
atlético. Além disso, recentes descobertas indicam que este suplemento tem um importante 
efeito terapêutico em muitas doenças caracterizadas por atrofia, fraqueza muscular e doenças 
metabólicas (músculos, ossos, pulmão e cérebro) (BALDIN et al., 2021; MELO et al., 2016).
A creatina (ácido metilguanidinoacético) é um aminoácido que pode ser produzido 
endogenamente além de ser encontrado em certos alimentos, esse processo envolve ór-
gãos como rins, pâncreas e fígado e usa outros aminoácidos (glicina, metionina e arginina) 
como substratos. A creatina existe nas formas livre (C) e fosforilada (CP), e 95% de toda 
a creatina humana é armazenada no músculo esquelético. Quando a creatina é produzida 
pelo próprio corpo, ela passa por dois tipos processos: primeiro, o grupo amino da argini-
na se combina com o aminoácido glicina por meio da ação da glicina transaminase para 
formar o ácido guanidinoacético. Na segunda, a metiltransferase de guanidinoacetato de 
metila catalisa a metilação do grupo produzido pela primeira reação, ou seja, o grupo. O gru-
po metil em S-adenosilmetionina é adicionado ao grupo anterior para formar creatina (DE 
OLIVEIRA et al., 2018).
Pessoas que iniciam a manipulação da creatina com o propósito de melhorar o de-
sempenho, rápido desenvolvimento muscular e encurtamento do tempo de recuperação, na 
maioria das vezes buscam benefícios por impulso, Sem prestar atenção aos suplementos 
e seus efeitos colaterais, alguns estudos mostraram que até 20 gramas de creatina por dia 
não são prejudiciais à saúde, entretanto, ainda não há evidências de que tenha segurança 
em longo prazo. Antes de iniciar a suplementação com creatina, é melhor buscar um pro-
fessional porque você pode prejudicar sua saúde ou até mesmo o desempenho esportivo. 
Está cientificamente comprovado que quantidades excessivas de aminoácidos e proteínas 
aceleram a perda de função renal em pacientes que já tenham insuficiência renal crônica, 
portanto, o uso de creatina nesses pacientes é proibido (OLIVEIRA et al., 2017).
A creatina é um produto da decomposição do pool de creatina, incluindo creatina livre 
e creatina fosfato. O pool é principalmente limitado ao músculo esquelético, que represen-
ta 95% de toda a piscina de creatina e os 5% restantes são órgãos, como rins e cérebro. 
Tanto a creatina quanto o fosfato de creatina ciclam espontaneamente em creatinina em um 
processo constante, irreversível e não enzimático com cerca de 1,1% da creatina do corpo 
e 2,6% do fosfato de creatina do corpo ciclando em creatinina. Esses estoques de creatina 
cíclicos são reabastecidos diariamente a partir da creatina da dieta proveniente da carne 
ou da síntese de novo usando um processo de duas etapas envolvendo o rim e o fígado 
(FEIGENBAUM et al.,2017).
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Por muito tempo, acreditou-se que o aumento da massa magra obtida com a suplemen-
tação com creatina se devia à retenção de água causada pela creatina, mas alguns estudos 
mostraram que a proteína contrátil é afetada por mudanças no conteúdo de água intracelular. 
Uma explicação para o aumento da massa muscular é a diminuição da degradação que 
causa um aumento da síntese de proteínas. O edema celular causado pela retenção de água 
reduz a taxa de degradação de proteínas ao reduzir a liberação de aminoácidos de cadeia 
ramificada (leucina, valina, isoleucina) e retorna ao normal quando as células voltarem ao 
normal, indicando que a creatina diminui a proteólise muscular (CONFORTIN et al., 2016).
Embora existam vários relatos sobre os efeitos nocivos da suplementação de creatina, 
incluindo cãibras, disfunções renais e hepáticas, hipertermia e desidratação, não existem 
evidências científicas que comprovem essas informações, talvez o único efeito adverso que a 
creatina causa seja a retenção hídrica, que possui algumas repercussões negativas sobre o 
desempenho físico, isso também vai depender da modalidade esportiva que a pessoa pratica. 
Não há nenhuma evidência específica na literatura de que a creatina possa ter quaisquer 
sinais de riscos à saúde ou efeitos colaterais óbvios para homens saudáveis (STABILE et al., 
2017). O presente trabalho, teve como principal objetivo, analisar por meio de uma revisão 
da literatura os efeitos do uso crônico da creatina sobre a função renal.
Trata-se de uma revisão argumentativa da literatura, de base técnica quantitativa des-
critivo-exploratória (conforme caracterizado por PEREIRA, 2018). As amostras pesquisa-
das foram advindas de periódicos, nacionais e internacionais, publicados entre os anos 
de 2011 e 2021. Os artigos foram adquiridos dos bancos de dados eletrônicos Scielo e 
PubMed. As palavras-chave utilizadas foram “creatinina” AND/OR “uso crônico” AND/OR 
“função renal”. A pesquisa se utilizou da análise de conteúdo como técnica de instrumento 
de coleta de dados, seguida de uma pré-seleção de periódicos, nacionais e internacionais, 
sendo utilizados os seguintes critérios de inclusão aos mesmos: (1) conteúdos publicados 
entre os anos de 2011 e 2021, (2) bases textuais que detenham de entendimentos relacio-
nados a, uso crônico da creatina e função renal, e (3) periódicos que seguiram indexados 
no banco de dados selecionado ou estivessem junto a esse disponíveis a pesquisa. Foram 
incluídos na pesquisa artigos com publicações a partir de 2011, a fim de ter informações 
mais atuais sobre o tema e trazer clareza sobre o tema proposto. Os critérios de exclusão 
foram: artigos data anterior a 2011 e que não trouxessem lucidez para o tema explorado. 
Apenas artigos publicados no idioma português ou inglês foram considerados. Artigos com 
testes in vitro ou animal foram descartados. Os artigos pré-selecionados, após empregados 
os critérios para coleta de dados (conforme organizado por MINELLA & LINARTEVICHI, 
2021), passaram por uma nova seleção, com base na leitura de seus resumos, sumários e 
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prefácios, mantendo como fontes,somente, os que se mostraram mais fielmente adequados 
ao desenvolvimento pretendido.
DESENVOLVIMENTO
A creatina foi descoberta pelo francês Michel Chevreu em 1835, quando ele relatou 
que um novo ingrediente orgânico foi extraído da carne. Justus Liebig em 1847, confirmou 
a existência da creatina como um componente regular da carne. O pesquisador destacou 
ainda que raposas selvagens que sobreviveram à caça têm 10 vezes mais creatina em sua 
carne do que raposas presas, sugerindo que o trabalho muscular pode levar ao acúmulo 
dessa substância (FARIA, 2018).
A função básica da creatina no corpo humano está diretamente ligada ao metabolismo 
energético, portanto, reservas corporais insuficientes podem limitar a função física, especial-
mente em atletas com formas explosivas de esportes, como levantamento de peso olímpico, 
futebol e basquete, ou aumentar a massa muscular como a musculação (BOUZAS et al., 
2015). Atualmente, a creatina existe na forma de monohidrato, micronizado, básico, etílico, 
fosfato e éster, e pode existir na forma de pós, géis, líquidos, barras. O fosfato de creatina é 
menos utilizado devido ao seu custo de produção ser mais elevado, mas ela tem o mesmo 
efeito sensibilizante na massa muscular (OLIVEIRA et al, 2017).
A creatina pode ser encontrada em alimentos especialmente carnes e peixes. No en-
tanto, é impraticável obter altas doses de creatina desses alimentos, cada 250 gramas de 
carne crua contêm apenas 1 grama de creatina, então a procura por esse suplemento é alta 
(TEIXEIRA et al., 2020).
A figura 1 mostra os inúmeros os fatores que a creatina influencia para a formação de 
massa muscular. A creatina funcionará de várias maneiras durante o processo de hipertro-
fia, começando com a inibição da miostatina, um fator que regula o crescimento muscular, 
que promove o ambiente de reforço muscular. A inibição da miostatina irá ativar as células 
satélites, o que promoverá o aumento de mionúcleos, aumentando a transcrição. 
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Figura 1. Influência da creatina na hipertrofia muscular e mediadores moleculares envolvidos.
Abreviações: IGF-1(fator de crescimento semelhante à insulina); FRM (fator regulador miogênico); mTOR (alvo de 
rapamicina em mamíferos); PCr (fosfocreatina); RO (reativas ao O2); CS (células satélites); AKT (gene); FOX O3(gene 
responsável por proteólise muscular). 
Adaptado (CHILIBECK et al. 2017).
A creatina ativará o fator regulatório miogênico (FRM) que estimulará as células saté-
lites. Ela será também responsável conforme podemos observar na figura 1 pelo aumento 
de fator de crescimento semelhante à insulina IGF-1 que estimulará a produção de FRM, 
também ativa o gene AKT que ativa o gene (alvo de rapamicina em mamíferos mTOR 
que é responsável pelo aumento da transdução proteica. Além disso o gene AKT, age 
inibindo o FOXO3 que é responsável pela proteólise muscular. Finalmente, o efeito mais 
conhecido da creatina que é o aumento de fosfocreatina PCR e glicogênio no músculo que 
permite a pessoa uma maior capacidade e força durante o exercício, que leva à hipertrofia 
(CHILIBECK et al., 2017).
Estudos têm mostrado que os suplemento de creatina deve ser usado em combinação 
com carboidratos simples, porque essa combinação vai aumentar o transporte da creatina 
para os músculos. Esse processo é mediado pela insulina, que estimula a enzima ATPase 
na bomba Na + / K +, que por sua vez promove o transporte simultâneo de Na + / creatina 
(cada creatina possui duas moléculas de sódio) para manutenção ou recuperação gradiente 
normal de Na+ e potencial de membrana (PRESTES et al., 2016).
Além disso, a suplementação da creatina ajuda a manter altos níveis de ATP durante a 
atividade física. Alguns autores acreditam que a suplementação da creatina pelos praticantes 
não tem efeito porque suas reservas estão cheias antes do uso, pois a absorção da creatina 
pelas fibras musculares é limitada, então o efeito ergogênico é ocorrido pelo aumento da 
concentração da creatina, quando seus estoques estão reduzidos (SANTOS et al., 2021b). 
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 No início do século 20, vários estudos mostraram que nem toda a creatina que é 
ingerida é excretada na urina, levando à descoberta de que parte dela é armazenada pelo 
corpo. A partir disso, surgiram novas descobertas, como a influência da ingestão da Creatina 
sobre a composição muscular, conteúdo total no organismo humano e existência de outras 
formas deste composto, como, por exemplo, a fosfocreatina (PCr). Mais recentemente, es-
tudos investigam sobre o seu potencial uso como recurso ergogênico (ASSIS et al., 2021; 
BOUZAS et al., 2015).
Apesar de algumas alegações não comprovadas, as funções do fígado (enzimas, 
ureia) e rins (filtração de ureia glomerular e taxa de excreção de albumina) não tiveram 
nenhuma alteração significativa em pessoas saudáveis que suplementavam com creatina, 
mesmo durante vários meses e até anos, em populações jovens e idosas. Os efeitos po-
tenciais (produção de aminas heterocíclicas) de mutagenicidade e carcinogenicidade que 
foram induzidas pela suplementação de creatina foram reivindicados pela Agência Sanitária 
Francesa (AFSSA), o que pode colocar os consumidores em risco. Mesmo que haja um li-
geiro aumento (dentro da faixa normal) da excreção pela urina de metilamina e formaldeído 
após uma carga pesada de creatina (20 g / dia), isso não afeta a função renal. A busca pela 
excreção de aminas heterocíclicas ainda é uma tarefa no futuro, a fim de excluir claramente 
as reivindicações não comprovadas de certas instituições nacionais. Aconselhamos que a 
suplementação de creatina em altas doses (> 3-5 g / dia) não deve ser usada por indivíduos 
com doença renal preexistente ou aqueles com risco potencial de disfunção renal (diabetes, 
hipertensão, taxa de filtração glomerular reduzida (KIM et al., 2011).
A falta de provas bioquímicas sobre uma eventual perda da função renal em estudos 
controlados em humanos depende, pelo menos em parte, das dificuldades relacionadas à 
medição da taxa de filtração glomerular (TFG). Como a creatina é transformada em creati-
nina, a suplementação da creatina pode interferir na determinação do valor da creatinina e, 
consequentemente, superestimar o valor do clearance de creatinina, uma estimativa clás-
sica da TFG. Para evitar o viés da interferência analítica pela creatinina secretada tubular, 
métodos padrão-ouro, como a depuração de inulina, devem ser usados. Com tudo, estudos 
em humanos são difíceis de realizar porque a inulina precisa ser injetada e o procedimento 
é demorado (FERREIRA et al., 2015).
 A creatina monohidratada é um dos poucos suplementos nutricionais para os quais 
as pesquisas têm demonstrado vários benefícios ergogênicos. Além disso, vários benefí-
cios potenciais para a saúde foram relatados com a suplementação da creatina. As opiniões 
públicas e as políticas relacionadas à suplementação da creatina devem ser baseadas na 
avaliação cautelosa das evidências científicas dos ensaios clínicos bem controlados; não 
relatos anedóticos infundados, desinformação publicada na Internet e / ou pesquisas mal 
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elaboradas que apenas divulgam mitos sobre a suplementação de creatina. Dados todas 
as vantagens bem conhecidas e perfis de segurança favoráveis de suplemento de creatina 
relatados na literatura científica e médica, é a visão do ISSN que legislaturas governamentais 
e organizações esportivas que restringem e / oudesencorajam o uso de creatina podem estar 
colocando os atletas em maior risco - particularmente em esportes de contato que apresentam 
risco de traumatismo craniano e / ou lesão neurológica, abrindo-se assim para responsabi-
lidade. Isso inclui adolescentes e crianças atletas envolvidos em eventos esportivos que os 
colocam em risco de lesão na cabeça e / ou medula espinhal (KREIDER et al., 2017).
O conteúdo de reservatório de creatina de um adulto de 70 kg é de aproximadamente 
120-140g. A produção diária de fígado é de cerca de 2g a ingestão diária com uma dieta 
normal de carne é de 1 g. 95% são encontrados nos músculos e o restante nos rins, fíga-
do, cérebro e testículos. O CR armazenado no músculo é de 40% como CR e 60% como 
fosfocreatina. Diariamente entre 1 e 3% do conteúdo total de creatina (ambas as formas) é 
transformado espontaneamente (sem participação enzimática) de forma constante e irre-
versível em creatinina (CRN), conforme figura 2, que passa para o sangue, é filtrado pelos 
glomérulos e excretado na urina. Uma proporção variável de CRN é secretada pelo túbulo 
proximal por meio da secreção de ânions orgânicos (BOUZAS et al., 2015).
Figura 2. Conversão reversível de creatina em fosfocreatina pelo fosfato inorgânico.
A conversão reversível de creatina em fosfocreatina pelo fosfato inorgânico por ação 
da enzima creatinase. A reação reversa produz ATP do ADP e creatinina como um pro-
duto residual, que é excretado na urina. Pi = fosfato inorgânico; H2O = água. Adaptado 
(BOUZAS et al., 2015).
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Uma vez que doses supra fisiológicas de suplementação de creatina poderiam facilitar 
a demonstração de seu potencial para efeitos colaterais em nível de tecido, neste estudo 
foram usadas análises histopatológicas e enzimáticas para esclarecer o possível efeito pro-
tetor do exercício durante a suplementação de altas doses de Cr. Em geral, a doença renal 
é caracterizada por qualquer grau de dano morfológico e também por qualquer anomalia 
bioquímica, embora possa haver uma doença renal séria sem sinais clínicos ou mudanças 
laboratoriais que indicam insuficiência renal. Portanto, os níveis plasmáticos de ureia e crea-
tinina são marcadores clássicos da função renal, pois representam um marcador simples de 
filtração glomerular (TEIXEIRA et al., 2020).
O uso de suplementos nutricionais de creatina pode elevar temporariamente os níveis 
de creatinina sérica e simular a existência de uma nefropatia. Quando o uso de creatina 
está associado a uma dieta rica em proteínas, a elevação resultante do nitrogênio da ureia 
pode aumentar essa suspeita. Dada a prática atual dos laboratórios clínicos de relatar a 
taxa de filtração glomerular estimada, usando fórmulas que incluem creatinina, uma eleva-
ção da creatinina por essa causa pode levar a um sobre um diagnóstico de uma possível 
insuficiência renal crônica, com consequências importantes para pacientes e pacientes 
(SANTOS et al., 2021a).
Após a ciclagem, a creatinina deixa o tecido muscular para se difundir na corrente 
sanguínea e, finalmente, é filtrada através do glomérulo do rim para excreção. O processo 
de ciclagem não enzimática da creatina em creatinina é razoavelmente constante, de modo 
que a creatinina pode ser usada como um indicador da massa muscular existente. Por 
exemplo, um homem de 70kg com ~ 120 g de creatina corporal total produz cerca de 2g / 
dia de creatinina a partir dessas reservas (CARVALHO et al., 2011).
A creatina é frequentemente utilizada por pessoas que tem a pratica de exercícios 
físicos regularmente, fisiculturistas e por atletas profissionais como uma substância ergo-
gênica. Seu uso se popularizou nas Olimpíadas de Barcelona em 1992 e é aceito como 
produto legal pela agência mundial antidoping. A suplementação da creatina tem mostrado 
vários benefícios como o aumento da massa muscular e seu conteúdo nos músculos, no 
desenvolvimento de maior potência e aumento de forças durante o exercício e menos fa-
diga durante os treinos. Os atletas que mais se beneficiam são aqueles que tem a pratica 
exercícios de alta performance e curta duração (por exemplo, corrida, salto). Desde que seu 
uso se tornou massivo entre os atletas (mais de 400 milhões de dólares em suplementos 
de RC são vendidos anualmente), foi sugerido que sua suplementação poderia ter efeitos 
deletérios sobre a função renal (BALDIN et al., 2021).
Um protocolo de 20g / 7 dias pode simular doença renal porque aumentará os níveis de 
creatinina sérica e portanto, mudará sua TFG (Taxa de Filtração Glomerular), que depende 
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do valor da creatina sérica a ser calculada, resultando em danos aos rins. Isso porque, 
por não ser considerado um medicamento, o paciente não informará ao médico seu uso 
durante o exame. Nesta área, existem poucos estudos em pacientes que já apresentam 
doença renal, por isso é recomendado não usar este suplemento. Já que o armazenamen-
to da creatina ocorre basicamente no início da suplementação, o excesso de creatina será 
excretado na urina nos dias seguintes, portanto, uma das possíveis reações adversas mais 
discutidas na comunidade científica é a suspeita de suplementação da creatina pode causar 
um estresse renal, no entanto, diversos estudos indicam que o uso agudo ou crônico em até 
10 semanas deste composto até 30 gramas por dia não altera a função renal em pessoas 
saudáveis. Além disso, a suplementação diária de baixas doses (1,5 gramas) por até 5 
anos não tem efeito sobre a função renal. Portanto, até o momento, não existem evidências 
científicas de que a suplementação da creatina prejudique a saúde de indivíduos saudáveis 
(BOUZAS et al., 2015). 
Em um estudo foi investigado os possíveis malefícios da suplementação da creatina 
em mulheres e homens, onde se utilizou de 26 parâmetros clínicos. Um estudo composto 
por 48 pessoas fisicamente ativos, em 7 grupos, com o objetivo de avaliar os protocolos de 
“saturação” de creatina (20g/ao dia durante 5 dias) e “manutenção” (3g ao dia ao durante 8 
semanas). As pessoas que foram submetidas ao protocolo de “saturação” foram avaliadas 
após 1 dia e 6 semanas após o termino da suplementação. Já os indivíduos que foram sub-
metidas ao protocolo de “manutenção” foram divididos em grupos que realizavam ou não 
treinamento de força (ASSIS et al., 2021). 
Os pesquisadores acreditam que a suplementação com creatina não apresenta nenhum 
risco. No entanto, concentrações elevadas de creatinina e uréia foram registradas no grupo 
de suplementação de creatina por 5 dias e 8 semanas, respectivamente. Essas alterações 
foram interpretadas como de “baixa relevância clínica”, citando primeiro as limitações da 
creatinina como marcador da taxa de filtração glomerular. Curiosamente, os pesquisadores 
só usaram os níveis plasmáticos de creatinina, potássio, sódio e ureia para avaliar a função 
renal. Embora esses métodos (a própria equipe de pesquisa) sejam geralmente reconheci-
dos como imprecisos, eles concluíram que a suplementação de creatina não afeta a função 
renal, não causa qualquer risco óbvio na função renal (de OLIVEIRA et al., 2020).
Em um relato de um caso clinico, em que um paciente procura um hospital relatando 
de um edema na perna, ele tinha uma creatinina sérica de 2,2 mg / dl e um eVFG de 33 
ml / min. Uma semana depois, sua creatinina sérica era de 2,56 mg / dl e eVFG de 28 ml / 
min. A avaliação por especialista não revelou outras alterações renais. O paciente relatou 
treinar 5 vezes por semana e ingerir 8 comprimidos diários de CR-EE (32 g) por 4 meses. 
Ele foi instruído a descontinuar os suplementos de CR-EE e 2 semanas depois seu CRN 
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era 1,17 mg / dl e eVFG era 70 ml / min. Concluiu-se que a ingestão de CR-EE foi respon-
sável pelo aumento do CRN e pelo diagnóstico equivocado de insuficiência renal aguda 
(WILLIAMSON & NEW, 2014).
Willis et al., (2011) relataram o caso de um homem que consultou por causa de um 
quadro viral prolongado e diagnosticou infecção por HIV. Sua função renal estava nor-
mal. Um mês após o início da terapia antirretroviral, seu CRN era de 1,88 mg / dl e eVFG 
(valor de filtração glomerular) era de 41 ml / min. Suspeitou-se de a nefropatia estava rela-
cionada ao HIV ou efeito colateral do medicamento. A avaliação renal estava normal. O pa-
ciente relatou que frequentava uma academia e consumia 24-30 g de suplemento proteico 
e 5-10 g de creatina monohidratada. Ele foi orientado a descontinuar os suplementos e o 
CRN diminuiu para 1,33 mg / dl e o eVFG aumentou para 61 ml / min. Concluiu-se que os 
suplementos foram os responsáveis pela alteração. 
Em um caso de um jovem de 18 anos, saudável, que iniciou um quadro de vômitos, 
náuseas e dor epigástrica após a ingestão de 20 g de Creatina durante 5 seguidos de 1 g por 
dia durante 6 semanas. Sua pressão arterial era 150/90 mmHg e sua creatinina sérica era 
de 2,28 mg / dL, que subiu para 4,55 mg / dL durante a internação. A biópsia renal revelou 
necrose tubular aguda. Após suspensão do suplemento por 25 dias, a pressão arterial voltou 
ao normal e os indicadores de função renal voltaram aos valores anteriores ao suplemento. 
Este é o único caso de lesão renal aguda conhecida na literatura que ocorreu quando uma 
dose convencional de creatina foi suplementada em um paciente sem qualquer patologia 
prévia (SANTOS et al., 2021a).
Com o objetivo de avaliar os efeitos da suplementação nas funções, 35 homens sau-
dáveis, foram divididos em três grupos (denominados de placebo, CRE1 e CRE2), durante 
um período de 8 semanas de treinamento especifico de musculação. Os grupos placebo 
e CRE1 fizeram o consumo de 0,03g/Kg de seus suplementos (maltodextrina e creatina, 
respectivamente), enquanto o grupo CRE2 fez o consumo de 5g/Kg. O grupo de controle 
(PLA) teve diminuição de 4,7% da atividade renal, já nos grupos CRE1 e CRE2 foi observado 
aumento na atividade renal, porém, esses valores estiveram dentro dos limites de normali-
dades considerados de relevância clínica. Este estudo demonstrou que a suplementação da 
creatina em associação ao treinamento não altera a função renal, sendo assim totalmente 
segura para a sua suplementação (CARVALHO et al., 2011).
Dezoito homens realizando treinamento de resistência três vezes por semana foram 
suplementados com creatina monohidratada 0,3 g / kg por dia por 7 dias e comparados 
com controles pareados suplementados com dextrosol. Amostras de urina e sangue foram 
coletadas antes e 30 dias após a suplementação para avaliar 41 parâmetros bioquímicos 
e da sua função renal. A suplementação da creatina monohidratada não causou eventos 
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adversos e, como esperado, promoveu aumento do desempenho e do peso corporal. Não 
foram encontradas nenhuma modificação dos parâmetros de glóbulos vermelhos, perfil de 
glóbulos brancos, perfil de lipídios do sangue, marcadores metabólicos e urinários, função 
hepática e renal foram observados no grupo suplementado (ALMEIDA et al., 2020).
Um dos efeitos esperados dos suplementos orais de creatina é o crescimento da massa 
muscular. O peso corporal aumentou de 1,0% a 2,3%, o que é atribuído à massa corporal 
magra e, mais especificamente, à massa muscular esquelética. Embora seja improvável 
que a retenção de água possa explicar completamente essas mudanças, nunca foi observado 
uma elevação na síntese de proteína muscular após suplementar com creatina. Evidências 
indiretas baseadas em análises de mRNA sugerem que a transcrição de certos genes é 
aumentada. Embora o efeito da creatina na síntese de proteína muscular pareça irrefutável 
de acordo com a publicidade, essa alegação permanece em debate na literatura científi-
ca. Os rins parecem manter sua funcionalidade em indivíduos saudáveis que suplementam 
com creatina, mesmo ao longo período (ANTONIO et al., 2021).
Não existem evidências na literatura que sustentem que a creatina pode representar 
um risco para a saúde de homens saudáveis, mas há muitos casos na literatura que mos-
tram que a creatina possa prejudicar a função renal com o uso indiscriminado, para não 
trazer riscos à saúde, recomenda-se que indivíduos saudáveis que fazem uso regular desse 
suplemento não ultrapassem 5g ao dia, pois não existem evidências científicas suficientes 
para garantir a ingestão segura acima dessa dose por muito tempo. É comum observar 
vários especialistas em saúde condenarem o consumo de creatina, especialmente com a 
afirmação de que esse suplemento é prejudicial à função renal. A dedução é simples e até 
mesmo lógica: a creatina é convertida espontaneamente a creatinina, a qual é excretada 
pelos rins. O excesso de creatina obtida pela suplementação geraria uma sobrecarga renal 
ao ser excretada, assim aumentando a creatinina, exame utilizado como marcador renal 
(VEIRA JUNIOR et al., 2021; FALCÃO, 2016).
As alterações na função renal continuam sendo a principal preocupação entre os médi-
cos. Há varias evidências conflitantes sobre se o consumo de creatina em usuários saudáveis 
tem efeito sobre os níveis de creatinina sérica ou urinária (MARESE et al., 2019; SILVA & 
LINARTEVICHI, 2021). Várias evidências sugerem que o efeito é mínimo em indivíduos 
saudáveis, com aumento reversível de aproximadamente 30% da creatinina sérica e con-
comitante aumento da creatinina urinária, não tem evidencias que altera a taxa de filtração 
glomerular (AMARAL & NASCIMENTO, 2020).
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diversos estudos, a maioria realizado em homens realizando treinamento resistido 
três vezes por semana foram suplementados com monohidrato de creatina em diferentes 
concentrações, por 7 dias e comparados com controles pareados suplementados com dex-
trosol. Vários testes foram realizados, em alguns deles, amostras de sangue e urina foram 
coletadas antes e 30 dias após a suplementação no qual inúmeros parâmetros bioquímicos 
e função renal foram avaliados. A suplementação de creatina monohidratada não causou 
eventos adversos e, como esperado, promoveu aumento do desempenho e do peso corporal. 
Conclusões: o presente estudo não encontrou na literatura, evidências que sustentem que a 
creatina pode representar um risco para a saúde de homens saudáveis. No entanto, casos 
na literatura sugerem que a creatina pode prejudicar a função renal com o uso indiscrimina-
do, para não trazer riscos à saúde, recomenda-se que indivíduos saudáveis que fazem uso 
regular desse suplemento não ultrapassem 5g/dia.
O farmacêutico tem como papel orientar esses pacientes ao uso correto da creatina, 
que se usado da maneira correta possui vários benefícios como citado acima. Pode também 
orientar a fazer a monitorização de exames laboratoriais para controle, orientar também ao 
possível efeito sobre a creatinina, que como citado a cima pode vir alterada causando um 
falso diagnostico de função renal, ao qual se acontecer, fazer as orientações corretas. Com 
base nessa revisão de literatura, sugere-se que, o uso de suplementos da creatina em indi-
víduos saudáveis por longos períodos é seguro para a saúde e não há evidências clínicas 
de que cause danos renais crônicos.Goulart Dornellas
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Universidade da Integração InternacionalNovos estudos, sejam eles clínicos, ou revisões sistemáticas devem ser realizados 
para que outras populações sejam avaliadas e novos parâmetros sejam estudados, uma 
vez que, o uso indiscriminado da creatina é um fato e estudos que busquem traçar limites 
seguros para utilização da mesma devem ser estimulados. 
Conflito de interesse
Os autores declaram não haver conflito de interesse.
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and misdiagnosis of kidney disease. BMJ Clinical Research, v.340, p.b5027, 2010. 
https://doi.org/10.1136/bmj.b5027
05
'10.37885/220508956
05
Exercício físico para o portador de 
osteoartrose
José Martins Juliano Eustaquio
Universidade de Uberaba - Uniube
Octávio Barbosa Neto
Universidade Federal do Ceará - UFC
https://dx.doi.org/10.37885/220508956
RESUMO
O treinamento físico é a medida não farmacológica mais eficaz no tratamento conservador 
da osteoartrose. Porém, o portador de doença articular degenerativa apresenta algumas 
particularidades clínicas e ortopédicas que demandam cuidados no momento da prescrição 
de exercício físico. Além disso, pelo próprio período de adaptação fisiológica ao treinamento, 
é esperada uma agudização da dor durante os primeiros três meses, fato que deve ser bem 
manejado pelo profissional da saúde. Em suma, devido aos seus benefícios, essa prescri-
ção deve ser individualizada e incentivada de forma global aos portadores de osteoartrose.
Palavras-chave: Exercício Físico, Osteoartrose, Articulação.
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INTRODUÇÃO
A osteoartrose é uma doença crônica degenerativa das articulações, caracterizada 
por alta prevalência em ambos os sexos, além de consideráveis gastos demandados em 
seu tratamento, o que caracteriza na prática um problema de saúde pública (QUICKE et al., 
2022). Por isso, há uma necessidade crescente de estudo e aperfeiçoamento das aborda-
gens tanto preventiva quanto terapêutica. 
Quanto aos fatores etiológicos, sabe-se que alguns deles, como a obesidade, a síndro-
me metabólica, a sarcopenia e as microlesões condrais, são fatores direta e indiretamente 
preveníveis através do exercício físico (ABRAMOFF; CALDERA, 2020). Destaca-se, assim, 
que o exercício físico atua não apenas como uma medida terapêutica, mas também preven-
tiva às alterações articulares degenerativas.
A osteoartrose cursa, em sua fisiopatologia, com alterações biológicas e mecânicas 
(COLLINS et al., 2018). Para que se tenha sucesso em seu tratamento, é necessário a abor-
dagem de ambas alterações. Nesse sentido, em atuação direta sobre os fatores biológicos, 
tem-se os condroprotetores (ou nutracêuticos), a viscussuplementação e o exercício físico. 
Sobre os fatores mecânicos destacam-se os dispositivos externos, como os braces e as 
palmilhas, e também o exercício físico.
Percebe-se, portanto, que o fator comum de ambos é o exercício físico, motivo 
pelo qual destaca-se a importância dessa medida no tratamento conservador e cirúrgico 
da osteoartrose.
DESENVOLVIMENTO
Importância do exercício físico na fisiopatologia da osteoartrose
Em linhas gerais, a osteoartrose está associada a um quadro fisiopatológico mais amplo 
, e não apenas a um acometimento articular isolado. Está, portanto, relacionada a diferentes 
patologias metabólicas e alterações inflamatórias sistêmicas, que vão colaborar no surgimento 
e principalmente na perpetuação do quadro articular degenerativo (PAGNOTTI et al., 2019).
Esse é um dos motivos que justifica os benefícios do exercício físico ao portador de 
osteoartrose. Sabe-se que, com o avançar da idade, ocorre naturalmente um aumento do 
comportamento sedentário, com consequente diminuição do gasto energético e surgimento 
da obesidade. Além disso, de forma direta, tanto a idade quanto a obesidade vão desenca-
dear, por razões metabólicas e mecânicas, o surgimento da osteoartrose. 
Todos esses fatores associados estão envolvidos em um quadro mais abrangente 
de diminuição de força muscular, inflamação crônica e doenças metabólicas, conhecido 
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como obesidade osteosarcopênica (COLLINS et al., 2018; PAGNOTTI et al., 2019). Nota-
se, portanto, essa importante interação entre fatores metabólicos e mecânicos na gênese 
da osteoartrose, cujo fator essencial para desencadear toda essa cascata de eventos é a 
inatividade física. 
Portanto, o exercício físico promove respostas anabólicas tanto para o tecido ósseo 
quanto para o tecido muscular, além de frear os fatores de desgaste cartilaginoso naturais 
da idade e prevenir o surgimento da obesidade, o que naturalmente vai inibir o processo 
inflamatório que culmina no surgimento e na perpetuação das alterações articulares dege-
nerativas (GODZIUK et al., 2018). 
Abordagem do treinamento físico para o portador de osteoartrose: visão geral
Os dados da literatura (LIAO et al., 2020; ZHU et al., 2020) evidenciam que, para o 
paciente portador de osteoartrose, os exercícios físicos resistidos (musculação) são os mais 
efetivos para se tratar a sarcopenia (ou mais precisamente a dinapenia), patologia essa muito 
relacionada com a gênese da osteoartrose.
Porém, é sempre importante explicar ao paciente que, diante de qualquer programa 
de treinamento físico, os efeitos benéficos ocorrerão a longo prazo, após um período médio 
de três meses, e que inicialmente a dor será exacerbada. Essa informação ao paciente é 
essencial mesmo de forma preventiva, pois é muito comum a interrupção dos exercícios já 
no primeiro quadro de intensificação da dor. Destaca-se, portanto, a necessidade da par-
ticipação ativa do profissional da saúde em educar o paciente sobre essa neurociência da 
dor e explicar, de forma clara, sobre a evolução natural do processo.
Além disso, o paciente com artrose geralmente é um paciente idoso, com diferentes 
limitações tanto físicas quanto psicológicas, além de muitas vezes ter sido sedentário a vida 
inteira, o que desencadeia um quadro de cinesiofobia, ou seja, medo de realizar exercício 
físico. Logo, o profissional que atua com esse paciente deve compreender que a complexa 
interação entre fatores físicos, sociais e psicológicos pode ser uma das causas de insuces-
so no tratamento.
Porém, é importante considerar também que o envelhecimento está associado a umamaior resistência ao anabolismo (LIAO et al., 2020), motivada por um maior catabolismo 
protéico, uma menor perfusão sanguínea da musculatura esquelética e uma menor sensi-
bilidade das enzimas responsáveis pela hipertrofia muscular. 
Assim, com o objetivo de ganho de massa muscular, será necessária uma preocupação 
maior com o aspecto nutricional, baseado por exemplo em uma suplementação protéica (ou 
de aminoácidos) para estimular o anabolismo. Essa suplementação deve ser individualizada 
de acordo com o estilo de vida e as patologias de base do portador de osteoartrose. 
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Abordagem do treinamento físico para o portador de osteoartrose: especificidades 
de cada segmento corporal
Com relação à osteoartrose da coluna vertebral, sabe-se que o treinamento físico 
é fundamental para o alívio da dor e deve ser focado em uma abordagem multiprofissio-
nal. As principais opções de modalidades são a yoga, o pilates, a hidroterapia e os exercícios 
resistidos (ZHU et al., 2020).
Para os portadores de artrose dos membros superiores, observa-se na literatura uma 
maior escassez de estudos relacionados ao treinamento físico (BOBOS et al., 2019; MAGNI; 
MCNAIR; RICE, 2017), sendo que os estudos disponíveis focam principalmente nos exer-
cícios resistidos, que mostram uma baixa evidência de melhora da função e da dor a curto 
prazo e moderada evidência de melhora da função a médio e longo prazos. 
Já para a artrose dos segmentos do membro inferior, sobre a qual a literatura apre-
senta resultados mais robustos (IMOTO et al., 2019; HISLOP et al., 2020; PEREZ-HUERTA 
et al., 2020), observa-se que os melhores desfechos ocorrem através da associação de 
treinamentos de flexibilidade, força e aeróbio de baixo impacto. Além disso, conforme já 
dito, a melhora ocorre a médio e longo prazos, ao redor do terceiro mês após o início do 
treinamento, desde de que seja prescrito em intensidade moderada e em frequência de três 
vezes por semana, no mínimo.
Porém, de todos esses exercícios, aquele que de forma isolada traz melhores benefí-
cios são os resistidos, que também devem ser prescritos em intensidade moderada e com 
atenção especial ao complexo lombo-pélvico-quadril (HISLOP et al., 2020). Sabe-se que 
não há benefícios desse treinamento em alta intensidade, como ocorre por exemplo nos 
programas de treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT), cujo exemplo mais comum 
atualmente é o CrossFit (MESSIER et al., 2021).
Para os pacientes com quadros mais graves de osteoartrose, sem condições ou in-
dicações cirúrgicas, a literatura é mais escassa, mas mostra evidência de bons resultados 
com o treinamento de Tai Chi Chuan, o qual ajuda na melhora dos parâmetros funcionais 
(YOU et al., 2021). Outra opção são os exercícios resistidos com restrição de fluxo sanguí-
neo, conhecidos também como pré-condicionamento isquêmicos, os quais são baseados na 
realização de exercícios com baixa carga e que, devido à restrição de fluxo sanguíneo, há 
a formação de um ambiente bioquímico propício para o anabolismo (FERLITO et al., 2020).
Para os casos em que há indicação de tratamento cirúrgico, o exercício físico também 
está indicado como medida de preparo pré-operatório, através de fisioterapia ou de treina-
mento físico, pois leva a melhores resultados funcionais após a cirurgia (WANG et al., 2016).
No pós-operatório, os exercícios também devem ser prescritos, mas de acordo com 
o procedimento realizado. De uma forma geral, as cirurgias de substituição articular levam 
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à melhor satisfação quanto aos níveis de dor, porém, limitam mais o paciente quanto aos 
exercícios, ao contrário do paciente submetido a uma cirurgia sem substituição articular, 
como as osteotomias, que permitem uma variedade maior de exercícios após a fase de 
reabilitação (BELSEY et al., 2021).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A osteoartrose é uma patologia com alta morbidade em suas fases intermediária e 
avançada, cuja evolução pode ser amenizada através da prática de exercício físico específico 
para o segmento corporal acometido. De uma forma geral, o treinamento resistido em inten-
sidade moderada traz uma série de benefícios ao portador de doença articular degenerativa.
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systematic review and meta-analysis. Br J Sports Med., v. 54, n. 5, p. 263-271, Mar. 
2020. 
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10. LIAO, C. D. et al. Effects of Muscle Strength Training on Muscle Mass Gain and Hyper-
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replacement surgery improve outcomes? A systematic review and meta-analysis of 
randomised controlled trials. BMJ Open., v. 6, n. 2, p. e009857, Feb. 2016. 
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and meta-analysis of randomized controlled trials. PLoS One., v. 15, n. 9, p. e0238544, 
Sep. 2020. 
06
'10.37885/220509018
06
E x e r c í c i o s , C a t e c o l a m i n a s e 
Imunossenescência: uma revisão narrativa 
de literatura
Anne Sulivan Lopes da Silva Reis
Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC
Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB 
Grasiely Faccin Borges
Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB
Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC
Ana Clara Silva dos Santos 
 Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB 
Adryane Gomes Mascarenhas 
Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB 
Iulas de Souza Ramos
Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB 
https://dx.doi.org/10.37885/220509018
RESUMO 
Com o envelhecimento aumentam os riscos para o desenvolvimento de doenças crônicas 
inflamatórias e infecciosas, processo este conhecido como imunossenescência. Os siste-
mas imunológico, endócrino e nervoso central são altamente integrados, responsáveis por 
desencadear e influenciar uma série de respostas imunes e hormonais. O exercício físico 
configura-se como importante intervenção terapêutica de ampla eficácia e magnitude, com 
efeitos nas respostas imunes/inflamatórias mediadas por catecolaminas e adrenorrecepto-
res. Com o prolongamento da prática de exercícios, há a adequação às respostas do eixo 
simpático-adrenal, acréscimo de hormônios e a liberação de citocinas na circulação, agentes 
esses capazes de regular respostas globais no organismo, em que a repetição da estimu-
lação simpática induz a liberação de catecolaminas.
Palavras-chave: Imunossenescência, Exercício Físico, Catecolaminas.
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INTRODUÇÃO
Os tecidos do organismo humano são formados por uma complexidade de hormônios 
e substâncias de igual semelhança, as quais atuam de formas endócrinas, parácrinas e 
autócrinas (HACKNEY; LANE, 2015; GIUDICE; TAYLOR, 2017; HACKNEY, 2020). Estes 
elementos estão envolvidos em uma profunda relação fisiológica, com diversas funções res-
ponsáveis pela modulação de sistemas e mecanismos como crescimento, desenvolvimento, 
hidratação, metabolismo, reprodução, regulações cardiovasculares, respostas imunológicas 
e reação ao estresse (ZOUHAL et al., 2008; KRAEMER et al., 2020; KRUK; KOTARSKA; 
ABOUL-ENEIN, 2020).
A prática de exercícios e atividades físicas são potentes estimuladores hormo-
nais. Os efeitos dessa conexão incidem também, nos processos gerenciados por es-
tas substâncias para manutenção da homeostase (ELIAKIM, 2016; HACKNEY, 2020). 
Predominantemente, as reações endócrinas do organismo ao dispositivo estressor do exer-
cício são positivas, contribuindo para o aprimoramento dos aspectos funcionais dos órgãos 
e tecidos e corroborando tanto para a saúde como para o desempenho (DI LIEGRO et al., 
2019; HACKNEY, 2020).
Somado a isso, a ativação da resposta biológica ao estresse estimula o Sistema Nervoso 
Simpático, liberador de catecolaminas, e o eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal, causando 
neste primeiro dessensibilização de β-AR, inflamação e redução da vigilância imunológica, 
com consequente aumento do risco de doenças e enfermidades (PADRO; SANDERS, 2014; 
KOOPMAN et al., 2017).
Com a idade, o sistema imunológico passa por uma série de remodelações nomeadas 
imunossenescência. Tais modificações ocorrem em níveis distintos na imunidade inata e 
adaptativa, e estão associadas ao envelhecimento de suas respectivas células, em órgãos 
linfoides e fatores circulantes (NIKOLICH-ZUGICH, 2018). Profundas alterações hormo-
nais também marcam esses processos, já que o sistema imunológico, endócrino e nervoso 
central são indissociáveis e frente ao avanço da imunossenescência, atesta-se acréscimo 
tanto na fragilidade à autoimunidade e infecções, quanto na diminuição da resposta vacinal 
(ALVES; BUENO, 2019).
A regularidade de atividade física é um importante imunomodulador desse processo, 
promovendo melhora dos processos inflamatórios/imunológicos. A prática crônica de exer-
cícios é uma indutora de adaptações neuroendócrinas, capaz de ampliar a sensibilidade 
adrenérgica, postulando a probabilidade do exercício físico promover a ressensibilização 
de β-ARs nas células do sistema imunológico (DE MOOR et al., 2006).
A secreção hormonal é modulada por vários contextos, como genética, estilo de vida, 
meio ambiente, dieta e exercícios. Os hormônios influenciam o crescimento dos músculos, 
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ossos e a regulação do metabolismo. O exercício físico altera a secreção hormonal, conforme 
a frequência, duração, intensidade e modo de treinamento (KRÜGER et al., 2016; SELLAMI 
et al., 2019) bem como nos marcadores da senescência imunológica MATHOT et al., 2021). 
Neste sentido, por meio de uma revisão narrativa, este estudo versará sobre as relações de 
exercícios físicos, catecolaminas e imunossenescência.
DESENVOLVIMENTO
Resposta Hormonal ao Exercício Físico
Uma única sessão de exercícios pode perfazer inúmeras modificações hormonais, sen-
do que a maior parte dessas respostas estão estreitamente inter-relacionadas. O Modelo de 
Resposta Hormonal ao Exercício - Hormonal Exercise Response Model (HERM), que busca 
explicar como ocorrem essas modificações, apresenta três fases interativas (HACKNEY; 
LANE, 2015; HACKNEY, 2020). 
A partir da fase primária, logo após alguns segundos do início do exercício, a resposta 
hormonal se faz presente, devido à gradação no estímulo do Sistema Nervoso Simpático. 
Neste contexto, os tecidos alvos são atingidos de modo direto pela liberação de noradre-
nalina, além da ascensão do fluxo de adrenalina e dopamina em seu efeito denominado 
“transbordamento” simpático. Essa intensificação é observada antes mesmo da efetivação do 
movimento corporal, como uma espécie de antecipação da atividade, notada principalmente 
em competições (ZOUHAL et al., 2008; HACKNEY, 2020).
A conexão simpática com a glândula adrenal potencializa este efeito, contribuindo assim, 
para o circuito resposta à catecolamina (adrenalina). Em paralelo a essas ações simpático-a-
drenais, ocorre a inibição da secreção pancreática de insulina, ao passo da estimulação da 
secreção de glucagon. Essas respostas iniciais são comandadas pelo recurso de feed-forward 
(regulação antecipatória) do Sistema Nervoso Central, e por alterações da entrada neural 
periférica aferente de receptores sensoriais. Essa sequência é identificada especialmente no 
músculo esquelético logo no prelúdio do movimento (VIRU; VIRU, 2001; HACKNEY, 2020).
A segunda fase, também está marcada pela agilidade no desfecho do processo. Antes 
do primeiro minuto do começo do exercício, o desencadeamento de liberação de hormônios 
pelo hipotálamo é acionado. Na tentativa de provocar mudanças na hipófiseanterior, com 
vistas a estimular a liberação de hormônios específicos, o fator liberador de tireotropina, o 
fator liberador de corticotropina e o fator liberador de hormônio de crescimento são ativa-
dos. O estímulo hipotalâmico induz uma resposta da hipófise, secretando muitos de seus 
“hormônios tróficos” na circulação, afetando especificamente as glândulas endócrinas perifé-
ricas, intensificando a liberação hormonal extra (DI LIEGRO et al., 2019; HACKNEY, 2020).
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A terceira fase de resposta hormonal ocorre mediante a continuação da execução dos 
exercícios. Conforme o prolongamento da prática, há uma espécie de adequação às respos-
tas do eixo simpático-adrenal, o qual experimenta um acréscimo de outros hormônios como 
do crescimento, prolactina e antidiurético, provenientes da hipófise anterior e posterior, bem 
como a testosterona, a tiroxina, a triiodotironina, o fator de crescimento semelhante à insu-
lina-1, todos oriundos das glândulas endócrinas periféricas, vinculada a hipófise (KRÜGER 
et al., 2016; HACKNEY, 2020).
Conforme o trânsito fluídico perpassa o ambiente vascular, e as reservas de água do 
organismo encontram-se em decréscimos importantes, haja vista a produção do suor ten-
sionado pela dispersão de calor, o sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona é acionado, 
impelindo assim as ações vasoconstritoras e de reabsorção da água nos rins. Nesta etapa, 
igualmente incorre a liberação de citocinas estimuladas pelo músculo esquelético, na circu-
lação, tal como a IL-6, propulsores cômpares aos hormônios. Esses agentes conseguem 
interferir na emissão de outros hormônios, como o cortisol, sendo passíveis de intervenções, 
capazes de sinalizar e impulsionar substratos energéticos, bem como reações do sistema 
imunológico (HACKNEY, 2008, 2020).
Posto o modelo apresentado em três fases, os elementos neurais tidos como estí-
mulos primários, regulam as respostas hormonais iniciais ao exercício, ou seja, a primeira 
e a segunda fase. Devido às mudanças no “ambiente interno”, a terceira fase sofre maior 
influência dos fatores humorais e hormonais, que são responsáveis por regular as respostas 
globais no organismo. Para determinar a magnitude da resposta hormonal, há sobrepujança 
da confiança crescente no feedback, como mudança de fatores regulatórios primários, em 
detrimento do mecanismo de controle feed-forward (regulação antecipatória) (KARSENTY; 
MERA, 2018; HACKNEY, 2020).
A amplitude da variação dos níveis hormonais, associada, em via direta, à extensão da 
duração do exercício, desencadeia limitação na disponibilidade de substratos energéticos, 
incorrendo em alterações na utilização das reservas de energia. Tal fato induz no decréscimo 
de carboidratos verso o acréscimo de lipídios, concomitantemente, com reveses do nível de 
hidratação (hemoconcentração e/ou desidratação). Essas adversidades na competência 
termorregulatória, elevam o acúmulo interno de calor no organismo, impactando as respos-
tas hormonais, como nos casos da noradrenalina e adrenalina. Portanto, as alternâncias 
de temperatura de modo geral, sendo por exercícios ou pelo ambiente, perpetram em uma 
resposta hormonal demasiadamente alta, para numerosos dispositivos endócrinos primordiais 
(VON AH MORANO et al., 2020; HACKNEY, 2020; TSCHAKERT et al., 2022).
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 Catecolaminas, Exercício Físico e Imunossenescência
O sistema endócrino sofre alterações importantes durante o envelhecimento. Neste 
processo observa-se um considerável declínio nos hormônios do crescimento (GH), hor-
mônios sexuais e de Dehidroepiandrosterona (DHEA) (LUU; PALCZEWSKI, 2018). Como 
produto secretor essencial da adrenal humana, o DHEA é sintetizado através dos depósi-
tos de colesterol e antes mesmo de entrar no plasma, o hormônio é unicamente sulfatado 
(DHEAS). Esse pró-hormônio é transformado em DHEA e seus metabólitos em diversos 
tecidos periféricos (CANNING et al., 2000).
Posteriormente à secreção, o percentual desse hormônio total na circulação constitui-se, 
especialmente de DHEAS - a concentração sérica de DHEA livre é inferior a 1%. No segundo 
decênio da vida, os níveis séricos deste reduzem chegando atingir cerca de 5% do nível 
original (BAUER; DE LA FUENTE, 2008).
Os DHEAS/DHEA podem contrapor diversas variações fisiológicas de glicocorticóides 
endógenos, englobando o acréscimo das propriedades imunomoduladoras. Evidências su-
gerem que o envelhecimento está intimamente relacionado à ativação expressiva do eixo 
Hipotálamo-Hipófise-Adrenal na elevação da produção de cortisol no organismo (LUZ et al., 
2003; BAUER; JECKEL; LUZ, 2009).
Para a homeostase do sistema imunológico, o eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal é 
elementar para um bom funcionamento, portanto qualquer desregulação deste mecanismo 
correlaciona-se a várias patologias imunomediadas. É possível exemplificar por intermédio 
da superativação do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal, decorrente do estresse crônico, a 
suscetibilidade ou a gravidade de doença infecciosa através do efeito imunossupressor dos 
glicocorticóides (BAUER; JECKEL; LUZ, 2009). Em disparidade, as respostas embotadas 
do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal estão relacionadas a suscetibilidade de disfunção in-
flamatória autoimune (CIOLAC; RODRIGUES; VIEIRA, 2020). 
O risco de doenças crônicas inflamatórias e infecciosas aumenta, sobretudo, em pes-
soas idosas. Ademais, essas enfermidades podem estar ligadas ao envelhecimento precoce 
do sistema imunológico, exibindo ampla equivalência à imunossenescência, abarcando 
encurtamento dos telômeros celulares, subtração das especificidades de TCR, diminuição 
de células T Naïve e o crescimento da produção de citocinas pró-inflamatórias (BAUER; 
JECKEL; LUZ, 2009; CAÑAS-GONZÁLEZ et al., 2020).
As alterações do sistema imunológico associados à idade, atuam de forma crucial na 
fisiopatologia da aterosclerose, artrite, insuficiência cardíaca crônica, resistência à insulina, 
obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, doença hepática gordurosa não alcoólica, doença 
pulmonar crônica obstrutiva e tipos específicos de câncer (LANCASTER; FEBBRAIO, 2014; 
LUU; PALCZEWSKI, 2018).
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Em contrapartida, a prática regular de atividade física parece promover melhora, em 
grande parte, dos processos inflamatórios/imunológicos imbuídos nessas disfunções. Desta 
forma, variados estudos como epidemiológicos, experimentais e clínicos, atestam o benefício 
da atividade física regular na imunomodulação (LANCASTER; FEBBRAIO, 2014; CIOLAC; 
RODRIGUES; VIEIRA, 2020).
Similarmente é sugerido que a constância da prática de atividade física exerce função 
fundamental tanto na prevenção, quanto no tratamento de várias doenças crônicas, estabe-
lecendo a regularidade do exercício físico, como potente mecanismo de efeitos “antienvelhe-
cimento” em diversos sistemas fisiológicos (CIOLAC; RODRIGUES; VIEIRA, 2020; MATHOT 
et al., 2021). A aptidão física e o treinamento físico estão associados a um melhor controle 
dos herpes vírus latentes e a um risco reduzido de reativação viral durante o isolamento e 
confinamento (AGHA et al., 2020).
Neste sentido, o exercício físico configura-se como importante intervenção terapêutica 
de ampla eficácia e magnitude, chegando a ser comparada a prescrição medicamentosa 
nos casos de patologias metabólicas, já que promove diversas alterações moleculares e 
celulares em vários tecidos, sustentando profusas ações homeostáticas (HANDSCHIN;SPIEGELMAN, 2008; REIS et al., 2022).
Os efeitos da prática de exercício nas respostas imunes inatas/inflamatórias são me-
diados crucialmente por catecolaminas e adrenorreceptores. Ainda, que a maioria dos efei-
tos anti-inflamatórios das catecolaminassejam realizadas por intermédio dos receptores 
β adrenérgicos (especialmente β2), é desconhecido se em circunstâncias homeostáticas 
modificadas, como obesidade e no decurso do exercício, as respostas inatas/inflamatórias 
dos macrófagos à estimulação adrenérgica β2 são similares às das células de organismos 
saudáveis (ORTEGA; GÁLVEZ; MARTÍN-CORDERO, 2019).
O perfil de citocinas induzidas pelo exercício é classicamente anti-inflamatório, com-
preendendo aumentos nos níveis de IL-10, antagonista do receptor de IL-1 (IL-1ra), e IL-6 
(LANCASTER; FEBBRAIO, 2014). Uma demonstração desse efeito foi observada na prática 
de ciclismo prolongado, o qual reduziu a indução de endotoxina, produção de TNF-a nos 
participantes, agindo assim na prevenção e atenuação do desenvolvimento de doenças 
metabólicas crônicas (GLEESON et al., 2011).
Um dos principais efeitos do exercício físico está na limitação da concentração de lipí-
dios pró-inflamatórios, seja por restringir a expansão do tecido adiposo ou pela subtração do 
acúmulo de lipídios no músculo esquelético e no fígado. Ademais, ao impedir o aumento do 
tecido adiposo, o exercício restringe o recrutamento de macrófagos M1 pró-inflamatórios e 
linfócitos T CD8+, células responsáveis por proporcionar resistência à insulina (LANCASTER; 
FEBBRAIO, 2014).
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Desse modo, os exercícios físicos liberam mioquinas/miocinas, que são definidas como 
citocinas e outros peptídeos produzidos, expressos e liberados pelas fibras musculares 
no organismo (SEVERINSEN; PEDERSEN, 2020). A liberação de interleucina-6 (IL-6) do 
músculo esquelético e a consecutiva produção do antagonista do receptor de IL-1 (IL-1ra) 
por monócitos e macrófagos pode retratar uma relevante ação anti-inflamatória do exercício 
(CAO DINH et al. 2017; MATHOT et al., 2021).
A repetição da estimulação simpática induz a liberação de catecolaminas que podem 
induzir alterações nas relações adesivas entre as paredes dos vasos e os linfócitos, con-
tribuindo para a movimentação do sangue periférico (JOUDA et al., 2012). Visto isso, os 
níveis plasmáticos de noradrenalina foram significativamente associados à porcentagem 
de células T (e T reguladoras) mobilizadas, passíveis de senescência. Ademais, adrenalina 
também foi correlacionada às células com propensão à senescência (CAO DINH et al. 2017; 
MATHOT et al., 2021).
As células T são consideradas biomarcadores de imunossenescência. Em idosos, 
a perda progressiva da capacidade de renovação dos linfócitos via involução tímica ou 
hematopoiese reduzida, impedem a renovação de células T Naïve e contribuem para um 
compartimento de células T, onde predominam menos clones de células T diferenciadas 
tardiamente. Produções reduzidas de IL-2 em células T Naïve é um dos exemplos que tornam 
o compartimento de células T disfuncional em idosos (VENTURA et al., 2017), resultando 
em menor variabilidade de receptor de células T, maior vulnerabilidade a infecções e menor 
eficácia na imunização (SALMINEN; KAARNIRANTA; KAUPPINEN, 2019; ALVES; BUENO, 
2019; ZHAO; SHAO; PENG, 2020).
As células T senescentes são produtoras prolíficas de IL-6, IL-8, TNF, IFNγ, IL-10 
e TGF-β, mas incapazes de proliferar eficazmente quando estimuladas. Além disso, cau-
sam repercussões negativas à saúde por possuírem um fenótipo secretor associado à se-
nescência que acarreta um estado pró-inflamatório de baixo grau responsável por influen-
ciar no surgimento de diversas doenças advindas com a idade (PAWELEC; GOLDECK; 
DERHOVANESSIAN, 2014).
Consideráveis mudanças ocorrem na contagem e nas funções dos leucócitos, mediante 
estímulo do exercício agudo. A distribuição de linfócitos T sofre alterações diferenciadas em 
órgãos linfoides e não linfoides, a depender do tipo e intensidade do exercício. Enquanto o 
pulmão, a medula óssea e as placas de Peyer servem como órgãos-alvo, foi constatado a 
liberação de células T do baço (KRÜGER et al., 2008).
Evidenciou-se que treinamentos de alta intensidade - High Intensity Training (HIT) e exer-
cícios contínuos atingem a apoptose de diversos subconjuntos de células T (KRUGER et al., 
2016). Foi observada uma acentuada adição no percentual de células T Naïve apoptóticas 
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depois de três horas de exercícios contínuos. Em contrapartida, o HIT, provocou um eleva-
do acréscimo no percentual de apoptose em células T com propensão a senescência, logo 
após a prática do exercício. A mobilização de distintos fenótipos de células T induzidas pela 
intervenção dos exercícios HIT e o exercícios contínuos conseguiu aumentar a porcentagem 
de células CD8+ Naïve, memória central e a memória efetora, imediatamente após a prática 
de exercícios (TURNER et al., 2016).
A mobilização de células T invariantes associadas à mucosa, igualmente pode ser 
afetada por exercícios. Essas células não convencionais abarcam em torno de 5% do mon-
tante de células T do sangue, 10% das células T CD8+ e cerca de 45% das células T do 
fígado (GODFREY et al., 2015). Ao exibir respostas efetoras do tipo inato, estas células 
demonstraram estar envolvidas em consideráveis patologias infecciosas e não infecciosas 
(GODFREY et al., 2019).
O exercício moderado de ciclismo, foi capaz de promover o aumento das células T inva-
riantes. Contudo, essa proporção foi inferior quando comparada ao aumento seguidamente 
ao exercício máximo. Ainda assim, uma hora após a recuperação do exercício, o percentual 
de células T invariantes manteve-se em alta. Uma razão provável para esta elevação con-
sidera o estímulo do Sistema Nervoso Simpático, redirecionando o fluxo sanguíneo para os 
tecidos ativos ao invés dos tecidos residenciais de células T invariantes e a expressão de 
proteínas de adesão (CD44) (HANSON et al., 2017).
Os níveis plasmáticos de noradrenalina foram consideravelmente relacionados com o 
percentual de células T reguladoras mobilizadas. Isso sugere que a movimentação dessas 
células em parte também depende da intensidade da realização do exercício (KRUGER 
et al., 2016). A elevação da porcentagem das células CD16 e das células CD56 foi consta-
tada após a realização do teste incremental em cicloergômetro, com e sem restrição do fluxo 
sanguíneo. Para ambas as intervenções, foram encontrados valores de pico equivalentes. 
Porém, os valores de pico consideravelmente maiores, ocorreram durante o exercício com 
restrição de fluxo sanguíneo, quando comparados aqueles com carga de trabalho isotônica 
(TURNER et al., 2016).
O aumento dos valores de pico surpreendentemente, relacionaram-se à concentração 
de noradrenalina e à ativação total dos músculos inspiratórios e expiratórios. Entretanto, sa-
lienta-se que essas distintas intervenções foram praticadas em dias subsequentes. Portanto, 
a supressão dos efeitos da intervenção precedente pode não ser completamente assegurada 
(ROLLAND-DEBORD et al., 2017). 
O tipo e a intensidade do exercício são fatores primordiais para a mobilização das célu-
las Natural Killer. A movimentação dessas células para o sangue periférico em resposta ao 
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exercício é administrada por diversos fatores, como a elevação do estresse de cisalhamento, 
fluxo sanguíneo periférico (EVANS, 2017; GREEN etal., 2017).
A mobilização de fenótipos de células T mais diferenciados, parece ser vastamente 
dependente da sinalização de catecolamina, por meio dos receptores adrenérgicos β2. Isso 
atesta prévias inferências nos mecanismos que exercem função na mobilização de linfócitos 
impelida por exercícios. Imediatamente após o exercício, ocorreu um aumento na contagem 
das células NKG2C-CD57-, NKG2C-CD57, NKG2C CD57-, que retornaram aos níveis ba-
sais após uma hora da execução do exercício. Isso ocorreu devido à mobilização prioritária 
movida por catecolamina de células Natural Killer, mediante sinalização do receptor β-2 
adrenérgico (GRAFF et al., 2018). 
Os sistemas imunológico, endócrino e nervoso central estão altamente integrados e 
estudos recentes mostraram que a sinalização do receptor β-adrenérgico (β-AR) induzida 
por catecolaminas em leucócitos é um mecanismo chave pelo qual o exercício melhora a 
imunidade, reduz a inflamação e a progressão da doença (HONG et al., 2004). Neste senti-
do, as intervenções de exercícios destinadas a melhorar a imunidade e reduzir a inflamação 
devem considerar o eixo de sinalização catecolamina-AR. 
Ademais, faz-se necessário determinar se as melhorias na imunidade induzidas pelo 
exercício são moduladas por mudanças na função do eixo de sinalização catecolaminas-AR 
e se a sinalização adrenérgica pode ou não ser ‘treinada’ com exercícios para melhorar as 
respostas imunológicas ao estresse, doença ou durante o processo fisiológico normal de 
envelhecimento (SIMPSON et al., 2021).
A ativação da resposta biológica ao estresse desencadeia o Sistema Nervoso Simpático 
liberador de catecolaminas e o eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal, que transmitem sinais 
a uma variedade de subtipos de células imunológicas por meio de ARs e Receptores 
de Glicocorticóides expressos na célula superfície e dentro do citosol, respectivamente 
(STEINMAN, 2004). As fibras tirosina hidroxilase positivas inervam ambos primária (medula 
óssea e timo) e secundária (baço, linfa gânglios) órgãos linfoides, onde a noradrenalina e a 
adrenalina são liberadas dos terminais nervosos ou difundidas na corrente sanguínea para 
afetar a função das células imunológicas (ELENKOV et al., 2000).
Noradrenalina e adrenalina são ligantes para ARs, que podem ser encontrados na 
maioria dos subtipos de leucócitos, incluindo células T, monócitos e células Natural Killer. 
Após a estimulação de seus respectivos agonistas, funções celulares importantes como 
proliferação, diferenciação, produção de citocinas, propriedades de migração, produção de 
anticorpos e/ou citotoxicidade são afetadas, implicando um papel importante para os meca-
nismos de sinalização adrenérgica na regulação central de funções das células do sistema 
imunológico (ELENKOV et al., 2000).
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Na maior parte do sistema imunológico, o número de β2-AR é dinâmico e afetado pelo 
subtipo células imunes, variações genéticas, estado de ativação celular e concentração am-
biental de citocinas (BRUCK et al., 2005). Sinais dos nervos adrenérgicos inibem a saída de 
linfócitos dos gânglios linfáticos, e a estimulação β-AR aumenta a capacidade de resposta 
de receptores específicos de quimiocinas (NAKAI et al., 2014). 
A estimulação β-AR contribui para a variação do tráfego de linfócitos através de órgãos 
linfoides e suprime a inflamação mediada por células T na maioria dos subtipos de linfócitos 
(SCHEIERMANN et al., 2012). A ativação da noradrenalina de β2-ARs demonstrou inibir a 
expressão de TNF-α e aumentar a secreção de IL-10 em monócitos após a estimulação de 
lipopolissacarídeo (DIMITROV et al., 2017). Para as células Natural Killer, a estimulação 
da noradrenalina e da adrenalina diminui a citotoxicidade celular via mediadores β2-AR 
(WHALEN; BANKHURST, 1990).
O exercício agudo ativa instantaneamente os eixos Sistema Nervoso Simpático e 
Hipotálamo-Hipófise-Adrenal. O Sistema Nervoso Simpático libera catecolaminas dos ter-
minais nervosos simpáticos e da medula adrenal (FRENCH et al., 2007). O aumento da ati-
vidade do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal eleva o cortisol circulante, minutos após o início 
do exercício (ROJAS VEGA et al., 2006). A elevação resultante nos níveis de noradrenalina 
e adrenalina arterial difere de acordo com o exercício.
 No exercício de resistência, os níveis de adrenalina sérica continuam a aumentar com a 
continuidade da duração do exercício e exponencialmente com intensidade e paralelamente 
à resposta do lactato sanguíneo. As catecolaminas liberadas durante o exercício provocam 
uma mobilização rápida e preferencial de subconjuntos de linfócitos associados à função 
efetora aprimorada, a diferenciação e potencial de migração de tecido (DIMITROV et al., 
2017; GRAFF et al., 2018);
As células Natural Killer são o subconjunto dos linfócitos mais sensível às catecola-
minas e responsivo ao exercício, mesmo com exercícios breves causando aumentos de 4 
a 5 vezes do seu número no sangue (GRAFF et al., 2018). Embora tais células no sangue 
possam ser elevadas de 3 a 5 vezes acima dos valores de repouso durante o exercício, a 
grande maioria delas sai do compartimento sanguíneo em apenas 3 a 4 minutos após a 
cessação do exercício (ROONEY et al., 2018).
Estudos em humanos, esplenectomizados, demonstraram uma linfocitose prejudicada, 
induzida por exercício. Além de evocar uma linfocitose sanguínea, as células T se acumu-
laram no pulmão, medula óssea e placas de Peyer intestinais após o exercício (KRÜGER 
et al., 2008). A liberação de células T do baço, bem como a linfocitose e o acúmulo de cé-
lulas T no pulmão foram inibidas pelo bloqueio de α-AR e β-AR. Exercício dinâmico leva a 
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liberação da molécula de adesão intercelular de linfócitos 1 (ICAM-1) por vias adrenérgicas 
(REHMAN et al., 1997).
Os linfócitos mobilizados e redistribuídos com o exercício têm níveis elevados de molé-
culas de adesão de superfície (SIMPSON et al., 2006). A IL-6 derivada do músculo também 
pode estar envolvida no recrutamento de células Natural Killer para a corrente sanguínea 
(BAY et al., 2020), e β-agonistas demonstraram precipitar a liberação de IL-6 do músculo 
esquelético (GOOSSENS et al., 2008).
Além de seus efeitos na mobilização e tráfico de leucócitos, as catecolaminas liberadas 
durante o exercício são capazes de alterar a função das células imunológicas. A capacidade 
fagocítica dos monócitos sanguíneos se correlaciona positivamente com as concentrações 
circulantes de adrenalina ao longo de uma temporada de treinamento em ciclistas compe-
titivos (ORTEGA RINCÓN et al., 2001).
 A ativação β2-adrenérgica reduziu a produção de TNF intracelular monocítico após o 
exercício agudo (DIMITROV et al., 2017). Após 1 semana de exercícios de alta intensidade, 
a resposta neuroendócrina e a mobilização de subconjuntos de células T CD8 + responsivas 
ao exercício são marcadamente reduzidas em comparação com 1 semana de treinamento 
normal, indicando que exercícios excessivamente árduos podem levar a deficiências na 
vigilância imunológica (WITARD et al., 2012).
O número de células Natural Killer tende a aumentar com a idade, porém exibem 
mudanças fenotípicas distintas como reduções na expressão de NKp46, que diminuem 
sua capacidade de realizar funções citotóxicas contra células malignas (CAMPOS et al., 
2014). Dentro do compartimento de células B, há uma redução associada à idade na pro-
dução e afinidade de anticorpos, diversidade clonal reduzida e menor secreção de IL-10 
(BULATI et al., 2017).
 As células dendríticas são fundamentais para a manutenção da autotolerância e 
modulação da resposta imune adaptativa (AGRAWALet al., 2012; MUSUMECI et al., 2019). 
Assim, com o envelhecimento também ocorrem diversas alterações nas células dendríticas 
que influência na imunidade e tolerância, sendo essas relacionadas a quantidade e distri-
buição dos subconjuntos dessas células, redução ou alterações na cascata de sinalização 
dos receptores, produção reduzida de citocinas e ativação prejudicada de células T (WONG; 
GOLDSTEIN, 2013; LINTON; THOMAN, 2014). 
Diversos estudos vêm demonstrando como essas modificações nas células dendríticas 
podem levar a prejuízos no processo de imunossenescência em idosos, as quais revelaram 
dados variados relacionados principalmente à redução no limiar de ativação destas células 
(AGRAWAL et al., 2012; PANDA et al., 2010). As células dendríticas têm uma capacidade 
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prejudicada de fagocitar, ativar células T, migrar em direção aos órgãos linfoides e secretar 
citocinas efetoras importantes, como IFN-γ e IL-12 (STOJI´C-VUKANI´C et al., 2013).
O envelhecimento também causa mudanças evidentes no eixo de sinalização cateco-
lamina-AR. Os adultos mais velhos têm tolerância ao exercício reduzida e reserva inotrópica 
do ventrículo esquerdo diminuída (STRAIT; LAKATTA, 2012). Isso é atribuído à dessensibi-
lização de β-AR, caracterizada por uma redução na densidade de β-AR e/ou deficiências no 
sistema β-adrenérgico-G-proteína (s) -AC para produzir cAMP e ativar a proteína quinases 
(WHITE et al., 2000).
 Adultos mais velhos ainda mobilizam um grande número de linfócitos em resposta ao 
exercício, mas a magnitude das respostas das células T e Natural Killer é marcadamente 
limitada (SIMPSON et al., 2008; SELLAMI et al., 2019), possivelmente devido a reduções no 
impulso simpático e alterações na sensibilidade dos β2-ARs de linfócitos (SIMPSON et al., 
2021). Idosos fisicamente ativos têm uma proporção maior de células T Naïve e menor 
proporção de células T CD8 + senescentes em comparação com os inativos fisicamente 
(SPIELMANN et al., 2011).
Um aumento nas células T Naïve e de memória central e a diminuição nas células 
CD8 + EMRA T-, foi observada em adultos mais velhos (idade: 57,0 5,2 anos), após três 
semanas de treinamento de resistência (PHILIPPE et al., 2019). As mudanças positivas 
na composição do pool de células T periféricas se correlacionam com níveis elevados de 
citocinas derivadas de músculo conhecidas por regular a imunidade, incluindo IL-6, IL-7 e 
IL-15 (DUGGAL et al., 2019).
 É possível que a ativação intermitente da sinalização de AR fornecida por exercícios 
regulares possa proteger contra doenças neurodegenerativas. Por exemplo, a produção de 
α-sinucleína é um provável fator causador da doença de Parkinson, e trabalhos recentes 
mostraram que o β2-AR é um regulador do gene α-sinucleína. A função da ativação intermi-
tente, regular de catecolamina, eixo de sinalização β-AR via exercício físico, desempenhan-
do alteração da resposta imunológica do envelhecimento referente a doença citada, ainda 
necessita de aprofundamento (MITTAL et al., 2017).
A ativação crônica e intermitente de β-ARs tem efeitos divergentes sobre a função 
imune. Sugere-se que quando a estimulação adrenérgica é mantida, com níveis basais 
elevados ao longo de muitas semanas/meses, pode causar dessensibilização do receptor 
β-AR e suprimir aspectos críticos da imunidade como o efeito anticâncer, estimulando um 
ambiente propício ao tumor. Ademais, quando a estimulação adrenérgica é momentânea, 
mas constante (30-60 min/dia, 3-5 vezes/semana), promove bastantes efeitos positivos, 
como a mobilização e redistribuição de linfócitos efetores e a ativação de vias supressoras 
e apoptóticas tumorais (SIMPSON et al., 2021).
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Como a elevação de catecolaminas em cada sessão de exercício têm expressão breve, 
estas acabam levando à fosforilação transitória do receptor ou à internalização temporária 
do mesmo, resultando em reciclagem para a membrana plasmática (PAVLOS; FRIEDMAN, 
2017). Assim, a repetição de exposição aguda a catecolaminas de tais episódios, mediadas 
por exercícios seguidos de depuração rápida, podem fomentar a manutenção de ARs emi-
nentemente responsivos (HONG et al., 2004).
O exercício pode induzir o aprimoramento da sinalização de catecolamina-AR da cé-
lula imune tanto por mitigar o estresse (DE MOOR et al., 2006) quanto por ressensibilizar 
os β-ARs, possivelmente alterando a biogênese mitocondrial e o perfil metabólico da célula 
(MILLS; KELLY; O`NEILL, 2017). Isto impacta no tráfego de leucócitos induzido por cate-
colaminas sob a prática de exercícios, contribuindo também para o aperfeiçoamento das 
respostas anti-inflamatórias, diante a incitação patogênica (SIMPSON et al., 2021).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Exercícios físicos podem afetar significativamente o sistema imunológico e executar 
inúmeras respostas hormonais, configurando-se como uma importante intervenção terapêu-
tica, com efeitos nas respostas imunes mediadas por catecolaminas e adrenorreceptores. 
Com o prolongamento da prática, há a adequação às respostas do eixo simpático-adrenal, 
acréscimo de hormônios e a liberação de citocinas na circulação, agentes esses capazes 
de regular respostas globais no organismo, em que a repetição da estimulação simpática 
induz a liberação de catecolaminas. 
Níveis plasmáticos de noradrenalina e adrenalina estiveram associados à porcenta-
gem de células T. A sinalização do receptor β-AR induzida por catecolaminas no tráfego e 
mobilização de leucócitos também foi um mecanismo chave pelo qual o exercício melhora 
a imunidade, reduz a inflamação e a progressão da doença. Contudo, faz-se necessário 
determinar se essas melhorias na imunidade são moduladas por mudanças na função do 
eixo de sinalização catecolaminas-AR e se a sinalização adrenérgica pode ser trabalhada 
com exercícios para melhorar as respostas imunológicas, sobretudo durante o processo de 
senescência. Além disso, as catecolaminas liberadas durante o exercício são capazes de 
alterar a função das células imunológicas, mas a ativação crônica e intermitente de β-ARs 
tem efeitos divergentes sobre a função imunológica. 
Agradecimentos 
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES pelo fi-
nanciamento da bolsa no Programa de Pós-Graduação em Educação Física (Mestrado 
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associado) da Universidade Estadual de Santa Cruz e da Universidade Estadual do Sudoeste 
da Bahia (PPGEF/UESC/UESB). À Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) pelo fi-
nanciamento das bolsas de apoio à permanência e de iniciação científica.
REFERÊNCIAS 
1. AGHA, N. H. et al. Exercise as a countermeasure for latent viral reactivation during long 
duration space flight. Federation of American Societies for Experimental Biology, v. 
34, n. 2, p. 2869-2881, 2020.
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07
'10.37885/220408530
07
Leisure-time physical activity as a 
protective factor for functional capacity 
loss in community dwelling elders
Maria Claudia Martins Ribeiro
Departamento de Medicina Preventiva - EPM
Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
Adriana Sañudo
Departamento de Medicina Preventiva - EPM
Universidade Federal de Sãoda Lusofonia Afro- 
Brasileira, Brasil
Profª. Ma. Ana Carla Mendes Coelho 
Universidade Federal do Vale do São Francisco, Brasil
Prof. Dr. Octávio Barbosa Neto 
Universidade Federal do Ceará, Brasil
Profª. Dra. Carolina de Moraes da Trindade
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil
Prof. Me. Ronison Oliveira da Silva
Instituto Federal do Amazonas, Brasil
Prof. Dr. Alex Guimarães Sanches
Universidade Estadual Paulista, Brasil
Prof. Dr. Joachin Melo Azevedo Neto
Universidade de Pernambuco, Brasil
Esta obra constituiu-se a partir de um processo colaborativo entre professores, 
estudantes e pesquisadores que se destacaram e qualificaram as discussões neste 
espaço formativo. Resulta, também, de movimentos interinstitucionais e de ações 
de incentivo à pesquisa que congregam pesquisadores das mais diversas áreas do 
conhecimento e de diferentes Instituições de Educação Superior públicas e privadas de 
abrangência nacional e internacional. Tem como objetivo integrar ações interinstitucionais 
nacionais e internacionais com redes de pesquisa que tenham a finalidade de fomentar a 
formação continuada dos profissionais da educação, por meio da produção e socialização 
de conhecimentos das diversas áreas do Saberes.
Agradecemos aos autores pelo empenho, disponibilidade e dedicação para o 
desenvolvimento e conclusão dessa obra. Esperamos também que esta obra sirva de 
instrumento didático-pedagógico para estudantes, professores dos diversos níveis de 
ensino em seus trabalhos e demais interessados pela temática. 
José Martins Juliano Eustaquio
Octávio Barbosa NetoA
P
R
E
SE
N
T
A
Ç
Ã
O
SUMÁRIO
CAPÍTULO 01
ABORDAGEM DA MORTE SÚBITA CARDÍACA NO ATLETA
Maria Laura Oliveira Morais; Sérgio Corrêa Prata
 ' 10.37885/220508960 ....................................................................................................................................................................... 10
CAPÍTULO 02
DIFFERENT TYPES OF MECHANICAL VIBRATION APPLICATION ON EMG RESPONSE AND STRENGTH PERFORMANCE
Aler Ribeiro de Almeida; Marcos D. M. Drummond; Leszek A. Szmuchrowski; Gustavo F. Pedrosa; Bruno P. Couto
 ' 10.37885/220308256 ........................................................................................................................................................................ 26
CAPÍTULO 03
DOR NA VIRILHA DO ATLETA: PORQUE PREFERIR O TERMO INGUINOMALACIA EM SUBSTITUIÇÃO A HÉRNIA DO 
ATLETA?
José Martins Juliano Eustaquio
 ' 10.37885/220508957 ........................................................................................................................................................................ 44
CAPÍTULO 04
EFEITOS DA SUPLEMENTAÇÃO DA CREATINA SOBRE A FUNÇÃO RENAL: REVISÃO DA LITERATURA
Álvaro Emilio Baldin; Cristiane Pinheiro Fucolo Zuliani; Suzana Bender; Vagner Fagnani Linartevichi
 ' 10.37885/220609063 ....................................................................................................................................................................... 52
CAPÍTULO 05
EXERCÍCIO FÍSICO PARA O PORTADOR DE OSTEOARTROSE
José Martins Juliano Eustaquio; Octávio Barbosa Neto
 ' 10.37885/220508956 ........................................................................................................................................................................ 68
CAPÍTULO 06
EXERCÍCIOS, CATECOLAMINAS E IMUNOSSENESCÊNCIA: UMA REVISÃO NARRATIVA DE LITERATURA
Anne Sulivan Lopes da Silva Reis; Grasiely Faccin Borges; Ana Clara Silva dos Santos ; Adryane Gomes Mascarenhas ; 
Iulas de Souza Ramos
 ' 10.37885/220509018 ........................................................................................................................................................................ 75
SUMÁRIOSUMÁRIO
CAPÍTULO 07
LEISURE-TIME PHYSICAL ACTIVITY AS A PROTECTIVE FACTOR FOR FUNCTIONAL CAPACITY LOSS IN COMMUNITY 
DWELLING ELDERS
Maria Claudia Martins Ribeiro; Adriana Sañudo; Luiz Roberto Ramos
 ' 10.37885/220408530 ........................................................................................................................................................................ 95
CAPÍTULO 08
LESÕES DO JOELHO NO CORREDOR
José Martins Juliano Eustaquio ; Octávio Barbosa Neto
 ' 10.37885/220508955 ........................................................................................................................................................................ 107
CAPÍTULO 09
NOVA PRÁTICA RECREATIVA ASSOCIADA À TRANSMISSÃO DE VERRUGAS VULGARES
Felipe Cupertino; Felipe Nazareth de Matos Pinto de Carvalho; Bernardo Lofiego Caffaro
 ' 10.37885/220508923 ........................................................................................................................................................................ 117
CAPÍTULO 10
TREINADORES DE HANDEBOL BRASILEIROS E SEU CONHECIMENTO SOBRE OS MÉTODOS DE ENSINO DOS ESPORTES 
COLETIVOS
Lucas de Castro Ribeiro; Lucas Savassi Figueiredo; Rafael Pombo Menezes; Pedro Weldes da Silva Cruz; Gustavo Ferreira Pedrosa; 
Henrique De Oliveira Castro; Lidiane Aparecida Fernandes; Rodrigo Fabio Bezerra da Silva; Fabiano de Souza Fonseca
 ' 10.37885/220509031 ........................................................................................................................................................................ 125
CAPÍTULO 11
UTILIZAÇÃO DO TREINAMENTO MUSCULAR INSPIRATÓRIO ASSOCIADO A EXERCÍCIOS RESISTIDOS EM INDIVÍDUOS 
TABAGISTASC
Rodrigo Boff Daitx; Letícia Müller da Silva; Jaqueline de Oliveira Germann; Verônica Farias de Vargas; Taís Espíndula Brehm; Marcelo 
Baptista Dohnert
 ' 10.37885/220308217 ......................................................................................................................................................................... 142
CAPÍTULO 12
VELOCIDADE DE ONDA DE PULSO E RESISTÊNCIA VASCULAR EM IDOSOS HIPERTENSOS PRATICANTES DE 
CAMINHADA
Elohim Lima de Sousa; Carlos Eduardo Urbano da Silva; Pedro Lucas Ferreira das Chagas; Regina Brena de Lima Costa; Francisco 
Saullo Xavier Ribeiro; José Rian Rodrigues Camelo; Lucas Gabriel de Fontes Sousa; Lara Cristine Ribeiro dos Santos; Marcos Antônio 
Tenório Machado Oliveira; Carla Cristina de Sordi
 ' 10.37885/220609099 ....................................................................................................................................................................... 158
SOBRE OS ORGANIZADORES ............................................................................................................................. 172
ÍNDICE REMISSIVO ............................................................................................................................................. 173
01
'10.37885/220508960
01
Abordagem da morte súbita cardíaca no 
atleta
Maria Laura Oliveira Morais
Universidade de Uberaba - Uniube
Sérgio Corrêa Prata
Universidade de Uberaba - Uniube
https://dx.doi.org/10.37885/220508960
RESUMO
Os benefícios da atividade esportiva regular para prevenção de eventos cardiovasculares 
são bem reconhecidos na literatura médica. No entanto, em pessoas com distúrbios cardio-
vasculares ocultos, o risco de morte súbita cardíaca (MSC) durante o esforço é aumentado. 
Estudos sugerem que a participação em esportes competitivos pode conferir um risco au-
mentado de evento cardíaco devido à natureza da doença cardíaca subjacente e ao efeito 
do exercício no coração. A detecção precoce de distúrbios potencialmente letais em atletas 
pode diminuir a morbidade e mortalidade cardiovascular por meio da estratificação de risco, 
das intervenções específicas da doença e, também, das modificações impostas pelo exer-
cício. A avaliação cardiovascular precedente à participação esportiva para indivíduos de 
todas as faixas etárias é imperativa para minimizar estes episódios, tornando-se um objetivo 
comum entre as organizações médicas e desportivas.Paulo - UNIFESP
Luiz Roberto Ramos
Departamento de Medicina Preventiva - EPM
Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
https://dx.doi.org/10.37885/220408530
SUMARY
Objective: to analyze the association of leisure-time physical activity with the functional 
capacity of older people living in a large urban center in Brazil, controlling for sociodemogra-
phic, behavioral and health-related variables. Populational aging led to the emergence of 
chronic diseases, all potentially incapacitating, thus affecting functional capacity of elders. 
Despite health evidences in favour of having regular physical activity, the majority of elders 
are not sufficiently active. Baseline data of an urban elder cohort in Brazil showed that only 
28% were active and 68% had some functional loss, a figure that went up to 73% among the 
inactives. FC was associated with a network of sociodemographic, health and behavioral 
factors. In a multivariate analysis, the inactives showed twice the odds of being severely 
dependent when compared to the actives. Noteworthy that inactivity is as a modifiable factor 
that might prevent FC loss. Longitudinal studies are needed to verify.
Keywords: Aging, Cross-Sectional Study, Exercise, Independent Living.
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INTRODUCTION
Population aging is a worldwide phenomenon and the Brazilian population is aging faster 
than the world average (UNDESA, 2017), (Simões, 2016). The demographic transition has 
led to the emergence of chronic non-communicable diseases (CNCD), all potentially inca-
pacitating, thus affecting functional capacity (FC) of elders that usually present polimorbidity 
(Ramos 2003; Ramos et al, 2016; Nunes et al, 2018). Loss of independence in daily life has 
been shown to significantly increase mortality risk among elders, after controlling for all rela-
ted variables (Ramos et al, 2001). Good FC represents a new concept of good health status 
and is indicative of healthy aging (Ramos 2003). In fact, is the degree of independence and 
autonomy in daily life that will indicate who is at risk for hospitalization, institutionalization and 
death (Ramos et al, 1993, 2001, 2013; Santos et al, 2008; Lima-Costa et al, 2011). Although 
being influenced by CNCD, FC is mainly associated with lifestyle factors like smoking, drin-
king, eating habits, having social relations and exercising (Santos et al, 2008; Cortéz-Muñoz 
et al 2016; Zang&Feldman 2019).
The World Health Organization (WHO) points to physical inactivity as the fourth major 
risk factor for mortality and to regular physical activity (PA) as one of the main determinants 
of active and healthy aging with evidences that it improves quality of life, reduces disability 
and maintain FC (WHO, 2005; WHO, 2015; US, 2018). The linear relationship between 
the PA and the health of the aged is consolidated and has been presented by numerous 
studies that demonstrate its physical, psychological, social and functional benefits for the 
elders (Paterson&Warburton, 2010; Tak et al, 2013; Bauman et al,2016). Several authors 
have found positive associations of an active lifestyle and good FC during the aging process 
(Bauman et al 2016; Rennemark et al, 2018; Alonso, 2019). Despite the evidence in favor of 
PA, older people are still mostly inactive (Fonta et al, 2017; Rennemark et al, 2018; Guthold 
et al, 2018). In Brazil, only 22% of those aged 65y or more referred adequate levels of leisu-
re-time physical activity (MS, 2017).
Several intervention studies promoting leisure-time physical activity (LTPA) have found 
that regular physical activity is a health protective factor (Valério et al, 2014; Novais et al, 
2019). However, few studies have evaluated the impact of LTPA on the degree of indepen-
dence in the activities of daily living (ADL) (Ferreira et al, 2010; Dos Santos et al, 2018). 
Thus, understanding the factors related to a good FC of the elderly can help the planning 
of public policies aiming at the manteinance of functional independence of the elderly in the 
community for as long as possible.
The objective of this study is to analyze the association of LTPA with the FC of older 
people living in a large urban center in Brazil, controlling for sociodemographic, behavioral 
and health-related variables.
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METHODS
We analyzed secondary data from a cohort of people aged 60 years or more, highly 
educated, living in a middle-class neighborhood in the city of São Paulo. The cohort was 
established after a census that served as the basis for a household survey in 2008 (Ramos 
et al., 2013). After the home interview all respondents (n=1,799) were invited to participate in 
the cohort baseline. A total 1,155 elders attended the invitation and had a complete geriatric 
and gerontological evaluation. Of this total, only 907 elders answered the questionnaire to 
assess PA level and constituted the study population.
The outcome variable was FC, measured by a validated questionnaire (Brazilian version 
of OARS Multidimensional Functional Assessment Questionnaire - BOMFAQ) with ques-
tions about the limitations to perform 15 activities of daily living (ADL) (Ramos&Goihman, 
1989). A continuous variable from 0-15 limitations was categorized as: zero limitation (inde-
pendent), 1–3 limitations (mild dependence), 4–6 (moderate) and ≥7 (severe).
The main variable of interest was minutes per week of LTPA measured by the 
International Physical Activity Questionnaire (IPAQ), validated in 12 countries, including Brazil 
(Craig et al, 2003; Hallal&Victora, 2004). This study classified the elders in inactive (0.05) in initial 
multivariate model, were excluded to obtain the final model. The results were presented as 
odds ratios (OR) and confidence intervals of 95% (95%CI). In all multivariate analyzes, the 
gender variable remained in the model as an adjustment variable.
All statistical analysis was performed in STATA/SE v.15.1 and a significance level 
of 5% was adopted.
The study was approved by the Ethics Committee of the Universidade Federal de São 
Paulo/Hospital São Paulo (no 2.381.375, on 11/14/2017).
RESULTS
Among the respondentes, the majority consisted of women (67%) and people over 
70y (65%). More than 65% of them had 8 or more years of schooling and 52% had income 
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between 4 and 10 minimum wages. Among the variables related to health, the majority took 
5 or more medications (51%) and 30% present dysthymia. Regarding the LTPA, 28% were 
active, 17% insufficiently active and 55% inactive. The FC assessment showed that 32% 
were independent, 42% mild, 13% moderately, and 14% severely dependent.
Tables 1a and 1b show that all sociodemographics and health related variables were 
associated with FC. Table 1c shows LTPA as a protective factor of FC. Among the
Table 1a. Distribution of sociodemographicdata, according to ADL in population sample of elders living in the community 
in Sao Paulo.
Variables
Total
N=907
ADL Score
p Crammer´s VIndependent
N=288 (31.7%)
Mild depen-
dence
N=376 (41.5%)
Moderate
N=114 (12.6%)
Severe
N=129 (14.2%)
N % N % N % N % N %
Sex 0.001 0.138
Male 297 32.8 104 36.1 139 37.0 28 24.6 26 20.2
Female 610 67.2 184 63.9 237 63.0 86 75.4 103 79.8
Age (years) 10 132 14.5 41 14.2 68 18.1 13 11.4 10 7.8
MW: Minimum wage; ADL: Activities of daily living.
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Table 1b. Distribution of health data, according to ADL in population sample of elders living in the community in Sao Paulo.
Variables
Total
N=907
ADL Score
p Crammer´sVIndependent
N=288 (31.7%)
Mild depen-
dence
N=376 (41.5%)
Moderate
N=114 (12.6%)
Severe
N=129 (14.2%)
N % N % N % N % N %
Number Diagnosesincreasing muscle mass 
(Paterson&Warburton, 2010), reducing the risk of developing functional limitations, favoring 
social interaction, increasing longevity (Bauman et al, 2015), and benefiting mental health 
(Windle et al, 2010).
In the multivariate analysis the results of this study reinforce the notion that a net-
work of socio-demographic (age), behavioral (LTPA) and health factors (obesity and dysthi-
mia) determine FC.
Advancing age increased the chance of the elderly presenting more limitation. Elders 
aged 80 and over in our study, showed more than 20 times the chance of exhibiting severe 
dependence compared with those aged 60 to 69y. Other studies also point to this association 
that can be understood as a consequence of discrete and continuous losses in vigor, strength, 
readiness, reaction speed and other functions, characteristics of the aging process (Santos 
et al, 2008; Artaud et al, 2016; Ballesteros&Moreno-Montoya, 2018). There is evidence that, 
in advanced age, older people will experience more limitations and less independence and 
autonomy in everyday life (Ramos, 2009).
This study found that the obese and overweight elder had a higher chance of having 
limitations in the ADL than the eutrophic ones, results also found by other studies (Dos Santos 
et al, 2018; Palacios-Ceña et al, 2012). This relationship can be explained because obesity 
is related to low PA on the part of obese and because excess body fat is associated with the 
development of CNCD (Jensen&Hsiao, 2010), contributing to the functional loss.
The results indicated dysthymia as the variable with the highest strength of associa-
tion. The elderly with depressive symptoms were 7 times more likely to have severe de-
pendence than the elderly without the symptoms. This association was also pointed out by 
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Ballesteros&Moreno-Montoya (2018). Bauman et al (2016) pointed that there is evidence 
that PA can reduce symptoms of depression and improve the mental health among older 
people. Indeed, depression has been considered one of the leading causes of years lived 
with disability in the world, compromising the individual’s ability to manage their lives inde-
pendently and autonomously (Murray&Lopez, 2013).
Despite the strong evidence in favor of the PA in the health of the elder, most of this 
population is inactive. Among the participants in this study, 72% were classified as insuffi-
ciently active or inactive and they had a higher chance of compromising their FC. High rates 
of physical inactivity among the elder were also verified in Brazil (78%) (MS, 2017) and in 
the world (73%) (Guthold et al, 2018).
It is important to consider the uniqueness of this sample. It is an elder population with 
high income and education levels (more than 65% with 8 or more years of schooling and more 
than half with income between four and 10 minimum wages). They live in a region with a very 
high Human Development Index (HDI) (0.970) (PMSP, 2007), even higher than the HDI of 
Norway, the country leading the human development ranking of the United Nations (0.953) 
(UNDP, 2018). Despite such high social, educational and economic data, the elder in the 
neighborhood presented physical inactivity rates similar to the rest of the country (MS, 2017).
The present study has limitations. First, the IPAQ and BOMFAQ evaluate information 
obtained through self-report that can be influenced by cognitive and emotional alterations or 
depend on the individual’s ability to recall the activities performed in a given period. Another 
limitation refers to the fact that it is a cross-sectional study associates FC with the LTPA but 
does not establish a cause-and-effect relationship.
The identification of factors associated with FC of the elderly provides elements for 
prevention, promotion and health intervention for this population. The data observed by this 
research suggest that actions focused on reducing obesity, treating depression, and increa-
sing the time spent on LTPA should be encouraged.
CONCLUSION
Our results suggest that it is worth investing in the promotion of more LTPA time to 
improve FC of the elderly. As shown, LTPA is associated with FC, which is also influenced 
by a network of sociodemographic, behavioral and health related factors. It is important to 
emphasize the relevance of LTPA as a behavioral factor that can possibly be changed. The 
engagement in LTPA programs is an independent way to reduce and prevent a series of 
functional losses associated with aging and can contribute to an active and healthy aging.
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08
'10.37885/220508955
08
Lesões do joelho no corredor
José Martins Juliano Eustaquio 
Universidade de Uberaba - Uniube
Octávio Barbosa Neto
Universidade Federal do Ceará - UFC
https://dx.doi.org/10.37885/220508955
RESUMO
O número de praticantes de corrida cresceu de forma considerável durante e após o período 
de pandemia pela COVID-19. Diante desse aumento e dos altos índices de lesões muscu-
loesqueléticas nesse público, principalmente da articulação do joelho, torna-se necessária 
no mínimo a execução de protocolos de prevenção de lesões nos praticantes de corrida. 
Nesse sentido, para que o indivíduo possa realizar a modalidade de forma segura quanto 
ao sistema musculoesquelético, ele deve se preparar para a execução da corrida ao invés 
de utilizar essa modalidade de forma primária e única para a mudança de seu estilo de vida.
Palavras-chave: Corredor, Joelho, Lesões Musculoesqueléticas.
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Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022
INTRODUÇÃO
Um dos grandes objetivos de quem realiza corrida é a busca por hábitos de vida mais 
saudáveis através de uma modalidade de baixo custo e de fácil execução, o que a torna muito 
atrativa. Porém, apesar dessa suposta simplicidade de execução, fatores biomecânicos e ana-
tômicos dos praticantes estão envolvidos na alta incidência de lesões (SPIKER et al., 2020).
Como exemplo, quando se observa um evento de corrida, principalmente amador, no-
ta-se o quanto seus participantes apresentam biotipos heterogêneos, apesar de praticarem 
a mesma modalidade, e isso naturalmente vai repercutir nos cuidados médicos a serem 
adotados, tanto em relação à terapêutica quanto na prevenção de lesões.
Outro fato relevante dessa modalidade na atualidade está relacionado ao aumento do nú-
mero de praticantes principalmente após a pandemia pela COVID-19, pelos motivos já expos-
tos e também por ser praticada em ambientes abertos (ALAWNA; AMRO; MOHAMED, 2020).
A literatura atual evidencia, além da alta incidência de lesões musculoesqueléticas nos 
corredores, que essas lesões ocorrem principalmente no joelho e, das cinco lesões mais 
frequentes dos corredores, quatro estão localizadas ao redor dessa articulação (SPIKER 
et al., 2020). Diante desse cenário, nota-se a importância do conhecimento dos fatores re-
lacionados às lesõesdo joelho nessa modalidade.
DESENVOLVIMENTO
Corrida x osteoartrose do joelho
Um dos temas mais polêmicos e debatidos no estudo da corrida é se essa modalidade 
seria um evento causador da osteoartrose de joelho. O que a literatura nos mostra atualmente, 
por meio de estudos com alto nível de evidência, é que não foi demonstrada a associação 
entre essas variáveis (ALENTORN-GELI et al., 2017; TIMMINS et al., 2017).
Além disso, nota-se que os corredores recreacionais têm menores índices de osteoar-
trose de joelho em relação aos corredores profissionais e aos sedentários ALENTORN-GELI 
et al., 2017). Isso mostra que esse esporte é realmente benéfico para a homeostase articular, 
porém, desde que seja realizado em níveis fisiológicos.
Em situações em que os praticantes realizam a prática esportiva em níveis supra-
fisiológicos por um tempo prolongado, ou quando apresentam algum tipo de sobrecarga 
biomecânica, como nos casos de obesidade, lesão ligamentar, dentre outros, a articulação 
ficará mais sensível à carga executada na corrida e isso naturalmente será deletério para a 
saúde articular (GESSEL; HARRAST, 2019).
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Incidência de lesões musculoesqueléticas na corrida
Quanto à incidência das lesões musculoesqueléticas na corrida, de uma forma geral, 
sabe-se que são muito comuns, com incidência e prevalência altas (VAN GENT et al., 2007; 
VAN MIDDELKOOP et al., 2008), porém discrepantes na literatura, o que é comum em qual-
quer estudo que avalie lesões dentro do campo da traumatologia esportiva, pois até mesmo 
o conceito de lesão varia entre os estudos.
Além disso, um dos grandes problemas relacionados à incidência das lesões muscu-
loesqueléticas na corrida é o alto índice de recidiva dessas lesões, motivo pelo qual ganham 
destaque os protocolos de prevenção de lesões (DESAI et al., 2021), que são baseados 
nos fatores de risco.
Atualmente, sabe-se que esses fatores de risco não interagem de forma isolada, 
mas através de uma complexa rede na qual atuam como variáveis de diferentes pesos 
(BITTENCOURT et al., 2016). Isso explica a chamada Teoria da Complexidade da origem 
da lesões, na qual os fatores extrínsecos e intrínsecos atuam através de diferentes formas 
e diferentes intensidades. Essa teoria surgiu como uma evolução da clássica teoria do re-
ducionismo, que afirmava que as lesões surgiam através de fatores isolados, fora de um 
contexto relacionado ao ambiente esportivo. 
E, na corrida, tanto os fatores extrínsecos quanto os intrínsecos são muito importantes 
para justificar o surgimento das lesões. Nesse sentido, um dos destaques que devem ser 
investigados em qualquer praticante da modalidade é o controle de carga. Tanto o volume 
quanto a intensidade dos treinos são muitas vezes subestimados pelo corredor. Porém, 
são parâmetros funcionais que devem ser estritamente monitorados, pois a distância entre 
o estímulo que vai promover o ganho de performance e aquele que vai desencadear um 
quadro de overtrainning é muito pequena. 
Biomecânica da corrida x lesões musculoesqueléticas
Quanto à biomecânica da corrida, outro fator associado ao surgimento das lesões 
musculoesqueléticas, procura-se fazer uma associação entre tais lesões e o mecanismo de 
aterrissagem, que pode ocorrer com o retropé ou com o antepé. 
Essa associação é justificada pela alta incidência de lesões na corrida e pelo fato da 
grande maioria dos corredores aterrissarem com o retropé (ALMEIDA; DAVIS; LOPES, 
2015; DAOUD et al., 2012). Os trabalhos científicos evidenciam que, de fato, aterrissar com 
o retropé causa uma força de impacto vertical que corresponde à aproximadamente 189% 
do peso corporal e, além disso, desencadeia maiores descargas de peso em relação ao 
contato com o antepé (MULLEN; TOBY, 2013).
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Comparativamente, a força do impacto vertical ao correr com o antepé é de aproxi-
madamente 58% do peso corporal. Outro fato relevante é que essa forma de corrida está 
associada a uma maior cadência (número de passos por minuto), o que também está rela-
cionado à menor incidência de lesões (MULLEN; TOBY, 2013).
O grande questionamento a ser feito é se, diante de todos esses dados, deveria ser 
estimulado a prática da corrida através da aterrissagem com o antepé. A melhor resposta é 
que depende do objetivo do atleta. Se esse objetivo for diminuir a incidência de lesões no 
joelho, certamente deve ser priorizado o mecanismo de aterrissagem com o antepé. Porém, 
para isso, deve ser feito um treinamento específico de transição (retropé para antepé), uma 
vez que, se a transição for súbita, aumentará a chance do surgimento de outras lesões, 
como tendinopatia de Aquiles, fasceíte plantar e lesão muscular da panturrilha (ROTH; 
NEUMANN; TAO, 2016).
Principais lesões de joelho no corredor
1. Síndrome dolorosa femoropatelar (SDFP)
A patologia mais comum do joelho do corredor é a SDFP (SPIKER et al., 2020), que 
apresenta na literatura outros termos considerados sinônimos, como dor femoropatelar, 
condromalácia e síndrome femoropatelar. Ela é mais comum no sexo feminino e, devido à 
alta prevalência, torna-se essencial a abordagem preventiva.
Porém, dentre os corredores, devemos incialmente considerar dois grupos portadores 
dessa patologia. O primeiro grupo é do atleta que já apresenta SDFP e inicia a corrida. 
Nesse caso, sabemos que a corrida, assim como movimentos de subir e descer escadas, 
por exemplo, é uma atividade que exacerba a dor femoropatelar. Por isso, se o indivíduo 
apresenta SDFP e deseja iniciar a corrida, obrigatoriamente terá que passar por uma fase 
de preparação tanto técnica como física. O segundo grupo é composto pela pessoa que não 
apresenta SDFP, porém, ao iniciar a corrida, passa a apresentar os sintomas da patologia, 
que geralmente são limitantes. Isso pode causar um círculo vicioso de medo e restrição da 
prática esportiva (cinesiofobia), motivo pelo qual é essencial a adoção de medidas de pre-
venção de recidivas por este grupo.
Na programação terapêutica dos quadros da SDFP, se o foco for isolado na articulação 
do joelho, certamente não haverá sucesso em seu tratamento. Os principais fatores envol-
vidos no surgimento da dor no joelho são as alterações biomecânicas ou anatômicas nos 
segmentos proximal (complexo lombopélvico) e distal (complexo tornozelo e pé) ao joelho 
(PETERSEN; REMBITZKI; LIEBAU, 2017).
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Nesse sentido, uma das alterações mais encontradas é o desvio funcional conhecido 
como valgismo dinâmico (LACK et al., 2015), que apesar de tratar-se de uma nomenclatura 
muito questionada por diferentes pesquisadores, é caracterizada por uma perda de controle 
postural, principalmente dos segmentos lombar e pélvico, com um claro prejuízo principal-
mente para a articulação do joelho.
E, não menos importante, alterações mecânicas no alinhamento axial da coluna lombar 
e até mesmo problemas psiquiátricos ajudam a cronificar cada vez mais a SDFP, natural-
mente dificultando o sucesso do tratamento (PETERSEN; REMBITZKI; LIEBAU, 2017).
Para esse fim, devemos abordar basicamente 3 pilares, que são as alterações biome-
cânicas, os erros de treinamento e as desordens psicológicas. Quanto a essa abordagem, a 
literatura traz resultados bastante robustos sobre a importância do tratamento das alterações 
musculares proximais, compreendendo a região do CORE (LACK et al., 2015; PETERSEN; 
REMBITZKI; LIEBAU, 2017).
Além disso, sabe-se que a correção dos erros de treinamentoé fundamental no grupo 
dos corredores, sempre com atenção especial aos segmentos ao redor do joelho (SPIKER 
et al., 2020). Um dos fatores que diminuem a incidência de dores e patologias no joelho é 
justamente o aumento da cadência, conforme comentado anteriormente.
Por fim, ao considerar a necessidade de uma abordagem multifatorial para o sucesso 
do tratamento, devemos sempre lembrar da característica crônica da SDFP e que, portanto, 
pode associar-se a um quadro de cinesiofobia, o que vai limitar a prática esportiva. Por isso, 
a preocupação com os fatores psicológicos é fundamental para esse sucesso.
2. Síndrome do trato iliotibial (STIT)
A segunda causa mais comum de dor no joelho do corredor é a STIT (SPIKER et al., 
2020), patologia essa também conhecida como joelho do corredor. Ela surge principalmente 
na faixa de flexão do joelho em torno de 20 a 30 graus, posição essa presente logo após o 
impacto inicial ao solo. 
Caracteristicamente, as corridas com velocidades mais intensas cursam com menor 
incidência da síndrome, porque nesses casos o movimento ocorre com menores angulações 
de flexão do joelho. Além disso, a STIT surge principalmente em atividades em declives e 
piora quando há aumento do comprimento das passadas e também nas mudanças repen-
tinas de terreno de corrida (ORCHARD et al., 1996).
Vários fatores etiológicos estão relacionados ao surgimento da STIT. Dentre esses, há 
aqueles que vão desencadear o aumento do vetor de reação do trato iliotibial próximo ao epi-
côndilo lateral, como menor largura pélvica, adução excessiva do quadril, genu varo, eversão 
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do retropé, dentre outros, e aqueles que vão atuar de forma direta em uma maior compressão 
do trato, como a sua rigidez e a proeminência do epicôndilo lateral (FRIEDE et al., 2022).
Duas teorias explicam a fisiopatologia da STIT. A mais tradicional explica que ocorre 
uma maior fricção do trato sobre o epicôndilo lateral durante a flexão e extensão do joelho, 
principalmente da sua porção posterior. A outra, um pouco mais recente, explica a STIT 
como consequência da compressão do tecido gorduroso altamente inervado presente entre 
o trato iliotibial e o epicôndilo lateral (FAIRCLOUGH et al., 2006). 
Quanto ao diagnóstico, a avaliação clínica é mandatória, com alto grau de sensibilidade 
e de especificidade para a dor durante a compressão do trato iliotibial, principalmente com 
o joelho semifletido. Exames de imagem, como radiografia, ultrassonografia e ressonância 
magnética, também são importantes para a investigação da patologia e de potenciais diag-
nósticos diferenciais. 
O tratamento conservador tem bons resultados na grande maioria dos casos, baseado 
em analgesia e fisioterapia, com focos na correção dos fatores de risco e na diminuição do 
volume e intensidade de treino. O tratamento cirúrgico é indicado nos casos em que não há 
melhora durante três a seis meses de tratamento conservador. 
O procedimento cirúrgico pode ser feito por via aberta ou por via artroscópica. Nessa 
última, realiza-se um desbridamento artroscópico do recesso lateral e pequenas perfurações 
do trato iliotibial ao nível do epicôndilo lateral, semelhante à técnica do pie-crust realizada 
durante o balanço ligamentar nas artroplastias de joelho.
3. Tendinopatia patelar
A tendinopatia patelar é, como a própria nomenclatura sugere, uma patologia de carac-
terística crônica, muito comumente associado a alterações degenerativas no tendão. Além 
disso, é um importante diagnóstico diferencial da SDFP e pode coexistir no mesmo paciente, 
dificultando naturalmente a adoção da abordagem conservadora (TAYFUR et al., 2022).
Essa patologia também é conhecida como joelho do saltador, devido à sobrecarga 
exercida sobre o tendão durante o mecanismo do salto, com a força de reação do solo na 
aterrisagem em torno de 3 vezes o peso corporal durante a corrida e quase 6 a 10 vezes 
durante os saltos.
Uma série de fatores biomecânicos estão relacionados a essa patologia, com destaque 
principalmente para as alterações funcionais, como maior velocidade de flexão do joelho na 
corrida, menor velocidade de extensão do quadril e maior velocidade de pronação do pé, 
o que demonstra claramente a ação dos erros do gesto esportivo como causa da patologia 
(GRAU et al., 2008).
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Quanto à fisiopatologia, sabe-se que há poucos agentes inflamatórios, sendo uma 
característica do quadro degenerativo preponderanteee que caracteriza uma tendinose. 
Nesse quadro, observa-se um desbalanço entre a síntese e a degradação do colágeno, o 
que pode levar à rupturas parciais ou totais do tendão patelar a longo prazo.
Clinicamente, o local mais comum de acometimento é na porção posterior proximal do 
tendão patelar. Baseado nisso, a presença de dor à palpação nesse local apresenta um alto 
grau de acurácica no diagnóstico dessa patologia. Esse teste pode ser sensibilizado com o 
auxílio da distalização passiva da patela.
Dentre os exames de imagens auxiliares para o diagnóstico, temos a radiografia, a 
ultrassonografia, a ultrassonografia com doppler e a ressonância magnética. Dentre esses 
exames, pelo menos a radiografia é necessária para a realização do diagnóstico diferencial 
e também para a pesquisa de eventuais calcificações na topografia do tendão. 
O tratamento conservador é de sucesso na maioria das vezes, muito parecido com o 
tratamento da STIT, porém, com um destaque para a execução de exercícios excêntricos, 
que é um tipo de valência física muito requisitada durante a corrida (CHALLOUMAS et al., 
2021). A ênfase no trabalho excêntrico vai envolver tanto uma ação mecânica, pra melhorar 
a resistência e a elasticidade do tendão, quanto metabólica, através de modulação inflama-
tória e melhor organização das fibras colágenas.
Os dados científicos atuais (CHALLOUMAS et al., 2021) concluem que, dentre todas 
as formas de tratamento conservador, não há evidências até o momento de benefícios da 
terapia por ondas de choque. Entretanto, há evidências mais elaboradas sobre os benefícios 
do treinamento excêntrico, do treinamento isométrico e dos exercícios resistidos em alta 
carga. Além disso, são inconclusivos os eventuais benefícios do plasma rico em plaquetas 
(PRP), do infiltrado medular autólogo e do agulhamento a seco. 
Para os casos com difícil resolução clínica, evidencia-se benefícios da utilização do 
óxido nítrico tópico, que estimula a síntese tecidual e do colágeno, associada ao treinamento 
focado nos exercícios excêntricos (CHALLOUMAS et al., 2021).
Já para os casos de insucesso com o tratamento conservador, após três a seis meses 
de tratamento, indica-se o tratamento cirúrgico, que baseia-se no desbridamento e na esti-
mulação do processo inflamatório reparativo. A cirurgia pode ser realizada por via aberta ou 
artroscópica, sem evidências de superioridade entre os dois procedimentos (DAN et al., 2019).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O joelho é a articulação mais lesionada dentre os corredores. Nesse público, com ob-
jetivo de se diminuir a incidência dessas lesões, preconizam-se a adoção de protocolos de 
prevenção de lesões e também a atenção com fatores relacionados à biomecânica da corrida. 
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male marathon runners. Scand J Med Sci Sports., v. 18, n. 2, p. 140-4, Apr. 2008.
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'10.37885/220508923
09
Nova prática recreativa associada à 
transmissão de verrugas vulgares
Felipe Cupertino
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
Felipe Nazareth de Matos Pinto de 
Carvalho
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
Bernardo Lofiego Caffaro
Universidade Estácio de Sá - UNESA
https://dx.doi.org/10.37885/220508923
RESUMO
Introdução: A “altinha”, variante do futebol de areia amplamente difundida nas praias cario-
cas, é uma atividade recreativa que adapta fundamentos do futebol de areia para a prática 
em círculo, com a participação de vários jogadores, que utilizam principalmente os seguintes 
segmentos: pés, pernas, cabeça, joelhos e tronco. Por ser uma prática caracteristicamente 
brasileira, a relação entre a “altinha” e infecções cutâneas é pouco descrita. Os autores re-
latam seis casos de pacientes diagnosticados com verruga vulgar, buscando correlacionar 
o desenvolvimento dessas lesões com a prática da “altinha”. Caso Clínico: Seis pacientes, 
adultos jovens, naturais do Rio de Janeiro e praticantes da “altinha” em praias cariocas, 
queixando-se de lesões cutâneas verrucosas indolores. Ao exame, apresentavam pápulas 
normocrômicas, ceratósicas, fissuradas, que acometiam principalmente os pés e pernas de 
membros dominantes. Diante da anamnese direcionada e exame físico, foi feito o diagnóstico 
de verruga vulgar. Os pacientes foram tratados com criocirurgia, obtendo resultados satis-
fatórios. Discussão: O esporte e as condições externas do ambiente da prática esportiva 
favorecem a transmissão do papiloma vírus humano devido à exposição a fatores como umi-
dade, sudorese e trauma, além do contato direto com a pele infectada de outros esportistas e 
com superfícies colonizadas. Os participantes praticam a “altinha” descalços e utilizam como 
equipamento uma bola de futebol, que é constantemente compartilhada pelos jogadores, 
resultando em trauma tanto da bola quanto da areia. Além disso, a atividade exige esforço 
físico dos participantes, gerando sudorese e eventual contato físico entre eles. Conclusão: 
Com a prática cada vez mais frequente da “altinha” entre os frequentadores de praias, o 
dermatologista deve estar atento não só aos hábitos de proteção solar desses indivíduos, 
como também ao exame da pele em busca de dermatoses relacionadas à prática, assim 
como alertar para o risco de infecção pelo Papiloma Vírus Humano nesta nova modalidade.
Palavras-chave: HPV, Verrugas, Futebol de Areia.
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INTRODUÇÃO
 As verrugas correspondem a hiperplasias epiteliais da pele e/ou mucosas causadas 
por diferentes tipos de papiloma vírus humano (HPV). A verruga vulgar é a variante mais 
comum, caracterizada por pápulas ceratósicas firmes e assintomáticas. As lesões geralmente 
estão localizadas nos quirodáctilos e dorso das mãos. Quando observadas nos quirodáctilos, 
acometem principalmente as regiões peri ou subungueais1.
A transmissão do vírus da verruga vulgar pode ocorrer de maneira direta (autoinocu-
lação) ou indiretamente pela exposição ambiental, que pode ocorrer em praias, locais de 
práticas esportivas e piscinas, entre outros2. 
A atividade física, apesar de conferir inúmeros benefícios à saúde humana, pode 
causar o desenvolvimento de dermatoses infecciosas ou inflamatórias em decorrência do 
contato direto através da pele ou por materiais compartilhados e pela sudorese excessi-
va3,4. O comprometimento da barreira cutânea propicia a transmissão de doenças virais, 
bacterianas e fúngicas5.
Em diferentes grupos de atletas já foram registrados casos de dermatoses transmitidas 
por vírus, tais como herpes simples, molusco contagioso e verruga vulgar3.
No Brasil, o futebol de areia (beach soccer) é uma atividade física bastante difundida, 
especialmente nosúltimos dez anos6. No Rio de Janeiro, uma variante do futebol de areia 
chamada “altinha” se tornou bastante popular. Essa atividade recreativa adapta os funda-
mentos do futebol de areia para a prática em círculo, com a participação de um número 
indeterminado de jogadores, cujo objetivo é manter a bola no ar. Dessa forma, para manter 
o domínio sobre este movimento durante o maior tempo possível, utiliza-se principalmente 
os seguintes segmentos: os pés, a cabeça, pernas (região pré-tibial), joelhos, coxas e tórax.
O trauma produzido pelo impacto da bola com os pés e dos pés com o solo, bem como 
o contato direto eventual entre os praticantes pode produzir lesões traumáticas nos pés, tais 
como distrofias ungueais, calos e bolhas, além de viroses ou outras dermatoses7.
Os autores relatam seis casos de pacientes diagnosticados com verruga vulgar, bus-
cando correlacionar o desenvolvimento dessas lesões com a prática recreativa da “altinha” 
nas praias cariocas.
Relato dos casos:
Seis pacientes, sendo três do sexo feminino e três do sexo masculino, adultos jo-
vens (idade média de 24 anos), residentes de bairros da zona sul da cidade do Rio de 
Janeiro e praticantes da “altinha” no mesmo local, praia de Ipanema (Tabela 1). Esses pa-
cientes queixavam-se de lesões cutâneas verrucosas indolores, localizadas nos membros 
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inferiores. Ao exame dermatológico, apresentavam pápulas normocrômicas, ceratósicas, 
menores que um centímetro de diâmetro, com fissuras na superfície, que acometiam principal-
mente os pés e pernas de membros dominantes (Figuras 1 e 2). O exame com dermatoscópio, 
aparelho auxiliar que amplia a imagem em 10 vezes, evidenciou glóbulos vermelho-violáceos 
circundados por halo branco, compatível com verruga vulgar (Figura 3). Diante da anamne-
se dirigida e exame físico, foi feito o diagnóstico clínico de verruga vulgar. O tratamento de 
escolha foi a criocirurgia devido a boa resposta e tolerabilidade e baixo tempo de recupe-
ração. Os pacientes foram tratados com uma a três sessões mensais, obtendo cura clínica 
(desaparecimento das lesões).
DISCUSSÃO
Até o século XIX, as verrugas cutâneas eram consideradas uma manifestação clínica da 
sífilis ou gonorreia. Após a identificação de sua etiologia viral, atribuiu-se a causa da doença 
a um único vírus, o Papiloma Vírus Humano (HPV)8. Uma das mais distintas características 
do grupo do papiloma vírus é a sua restrição genotípica específica ao hospedeiro, e a prefe-
rência de certos tipos de papiloma vírus por sítios anatômicos distintos2. Com os adventos 
tecnológicos, foi possível identificar pelo menos 150 genótipos do vírus HPV9. A verruga 
vulgar está mais associada aos tipos 1, 2, 4, 7, 27 e 57 do HPV1.
As lesões são caracterizadas por pápulas firmes, de superfície ceratósica, podendo 
apresentar fissuras e apresentam-se em número variável, dispersas ou agrupadas. O fe-
nômeno de Koebner, embora seja um achado mais comum nos casos de verrugas planas, 
pode estar presente nos locais de trauma9. Essa reação isomórfica corresponde ao sur-
gimento de novas verrugas após uma agressão externa, como queimaduras, arranhões 
e atrito. Geralmente limita-se à topografia do trauma10. A localização e a virulência das 
lesões, assim como a competência imunológica do indivíduo exposto são fatores que in-
fluenciam a transmissão8.
A prática esportiva, mesmo que recreativa, pode gerar lesões cutâneas de caráter 
infeccioso em decorrência do contato físico entre os participantes, da higienização inade-
quada dos equipamentos, além dos traumas e condições ambientais externas3. Agentes 
bacterianos, fúngicos e virais são os principais responsáveis pelas infecções cutâneas que 
acometem os praticantes de esportes coletivos, podendo resultar em morbidade individual 
e desorganização do time, pois embora caracteristicamente assintomáticas, as verrugas 
podem ser fonte de incômodo pessoal11.
Os praticantes de atividades físicas coletivas são mais suscetíveis às infecções de 
pele e anexos devido à exposição a fatores como umidade, sudorese, trauma e atrito, além 
do contato direto com a pele infectada de outros participantes, com superfícies colonizadas 
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(piscinas, duchas e vestiários) e uso de equipamentos oclusivos que lesam o estrato córneo, 
gerando uma porta de entrada12,13. A umidade dilata os poros, facilitando a penetração do 
HPV. Por ser uma doença autoinoculável, pode se disseminar para outros sítios da pele11.
Existem várias formas de tratamento das verrugas, desde técnicas cirúrgicas como a 
curetagem seguida de eletrocoagulação, cauterização química com o uso de ácidos ou apli-
cação de nitrogênio líquido9. Entretanto, esses procedimentos podem afastar o praticante de 
suas atividades físicas por um período prolongado. A terapia com o imunomodulador tópico 
Imiquimode tem se mostrado vantajosa, uma vez que o tratamento é não ablativo e indolor, 
permitindo que retornem mais rapidamente às suas atividade11. 
Um estudo com atletas de natação, handebol e futebol realizado na Turquia mostrou 
uma maior prevalência de verrugas vulgares nos nadadores, seguidos dos praticantes de 
handebol e futebol. Nos nadadores, os locais mais acometidos por dermatoses virais, in-
cluindo verruga vulgar, foram o tronco e os pés, nesta ordem. Já nos atletas de futebol, os 
pés correspondem à região mais afetada, particularmente a região periungueal14.
A prática da “altinha”, variante do futebol de areia que associa o lazer ao exercício fí-
sico, é amplamente difundida nas praias cariocas, sendo praticada ao ar livre e geralmente 
próximo da água do mar, de forma que os praticantes são expostos às condições ambientais 
como calor e umidade durante a maior parte do tempo. Os participantes praticam a “altinha” 
descalços e utilizam como equipamento uma bola de futebol que é constantemente com-
partilhada, resultando em trauma tanto da bola quanto da areia. Eles visam manter a bola 
no ar e partem de movimentos corporais variados para cumprir com esse objetivo, podendo 
ocasionar não somente lesões traumáticas músculo-esqueléticas, mas também danos à 
superfície cutânea. Além disso, a atividade exige esforço físico dos participantes, gerando 
sudorese e eventual contato físico entre eles. 
Observa-se que as verrugas vulgares dos praticantes de “altinha” do presente estudo 
estão localizadas nas pernas e pés de membros dominantes, os quais são exercitados 
constantemente durante a atividade. Esses segmentos estão mais expostos ao trauma e 
ao contato direto com a bola de futebol. Inclusive, os pacientes não desenvolveram mais 
lesões após trocar a bola utilizada durante a prática. Como propostas preventivas, sugerimos 
a restrição do contato físico durante a atividade, limitar o número de participantes, utilizar 
calçados para proteger os pés (segmento que tem maior contato com a bola) e higienização 
da bola e das partes do corpo mais expostas ao final da atividade. O afastamento temporário 
do jogador, caso ele apresente lesões sugestivas de verruga vulgar, é essencial. 
A “altinha” abrange um público diversificado de jogadores, recrutando jovens de ambos 
os sexos. Participantes do sexo feminino representam uma grande parcela dos interessados 
pela atividade. Dentre os casos registrados nesta série, metade dos pacientes correspondeu 
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a mulheres. Ao serem indagados, os participantes deste estudo também relataram que os 
outros integrantesda prática apresentavam lesões semelhantes, motivo pelo qual estudos 
clínicos mais abrangentes devem ser estimulados.
CONCLUSÃO
Com a prática cada vez mais frequente da “altinha” entre os frequentadores de praias, 
principalmente adolescentes e adultos jovens do sexo masculino, o dermatologista deve estar 
atento não só aos hábitos de proteção solar desses indivíduos, como também ao exame da 
pele em busca de possíveis dermatoses relacionadas à atividade física, assim como alertar 
para o risco de contágio de verrugas vulgares.
 Tabela 1. Relação dos pacientes de acordo com o sexo, idade, local de transmissão, localização das lesões e manejo 
terapêutico.
Paciente Sexo Idade Praia Frequência mensal da 
prática “altinha”
Local e número de 
lesões
Tratamento e número 
de sessões
Paciente 1 Feminino 25 anos Ipanema 8 dias/mês Pé direito (1) e perna 
direita (3) Criocirurgia (1)
Paciente 2 Masculino 26 anos Ipanema 4 dias/mês Pé direito (1) e perna 
direita (3) Criocirurgia (1)
Paciente 3 Masculino 22 anos Ipanema 15 dias/mês Perna direira (1) Criocirurgia (3)
Paciente 4 Masculino 24 anos Ipanema 12 dias/mês Perna esquerda (1) Criocirurgia (1)
Paciente 5 Feminino 24 anos Ipanema 10 dias/mês Pé direito (6) Criocirurgia (2)
Paciente 6 Feminino 24 anos Ipanema 14 dias/mês Perna direita (4) Criocirurgia (2)
Figura 1. Verruga vulgar, pápula normocrômica, ceratósica, com fissuras na superfície, localizada no dorso do pé.
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Figura 2. Verrugas vulgares localizadas em área de trauma com bola de futebol.
Figura 3. Dermatoscopia (aumento 10x): glóbulos avermelhados circundados por halo branco.
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10
'10.37885/220509031
10
Treinadores de handebol brasileiros e seu 
conhecimento sobre os métodos de ensino 
dos esportes coletivos
Lucas de Castro Ribeiro
UFMG
Lucas Savassi Figueiredo
CIAAR
Rafael Pombo Menezes
USP
Pedro Weldes da Silva Cruz
CIAAR
Gustavo Ferreira Pedrosa
CIAAR
Henrique De Oliveira Castro
UFMT 
Lidiane Aparecida Fernandes
UFJF-GV
Rodrigo Fabio Bezerra da Silva
UFPE
Fabiano de Souza Fonseca
UFRPE
https://dx.doi.org/10.37885/220509031
RESUMO
O conhecimento de profissionais acerca dos métodos de ensino dos esportes coletivos é 
importante para a adequação das ações de ensino-aprendizagem-treinamento tático-técnico. 
Objetivo: O presente capítulo objetivou verificar o nível de conhecimento de treinadores 
brasileiros de handebol em relação aos métodos de ensino. Métodos: Participaram 135 
profissionais de Educação Física, de ambos os sexos, com média de idade de 34,5 ± 8,9 
anos, que atuam ou atuaram diretamente no processo de ensino-aprendizagem-treinamento 
de handebol, em diversos segmentos. Os profissionais responderam, baseados unicamente 
em suas lembranças, a um questionário sobre elementos essenciais e aplicações práticas 
dos métodos de ensino dos esportes coletivos. Resultados: Os resultados mostraram que 
os treinadores obtiveram 61,1% de acerto nas questões sobre os métodos de ensino. Os trei-
nadores que atuam na educação física escolar/lazer obtiveram menor percentual de acerto 
que treinadores que atuam no ensino superior e no alto nível de rendimento, e os que atuam 
em equipes escolares obtiveram menor desempenho que treinadores que atuam no ensino 
superior. Em relação à formação acadêmica, os treinadores graduados obtiveram menor 
desempenho que os treinadores com mestrado e/ou doutorado e os que possuíam espe-
cialização tiveram desempenho inferior àqueles com doutorado. Conclusão: A formação 
continuada pode ser uma ferramenta importante no aprimoramento do conhecimento de 
treinadores de handebol brasileiros.
Palavras Chave: Formação Continuada, Treinadores, Handebol, Métodos de Ensino.
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INTRODUÇÃO
O processo de ensino-aprendizagem-treinamento (EAT) dos esportes coletivos é com-
plexo, composto por diversas etapas que interagem para fomentar a melhora do desempenho 
dos jogadores, nas diversas formas de expressão do esporte. Um dos desafios do professor/
treinador nesse processo é sistematizar suas ações para proporcionar situações adequadas 
de aprendizagem tático-técnica aos jogadores (TANI et al., 2012; MENEZES et al., 2018; 
PAULA et al., 2018; SILVA, 2018; FONSECA et al., 2021). A fim de atingir esse e outros 
objetivos, treinadores recorrem a diferentes modelos/métodos de ensino.
Um modelo de ensino é semelhante a um plano mestre do processo de EAT, e contém 
diretrizes para organizar os elementos interdependentes desse processo (HASTIE; CASEY, 
2014). De acordo com Metzler (2011b), um modelo oferece um plano geral para o ensino-
-aprendizagem, fornece uma estrutura teórica que norteia as ações dos treinadores, permite 
que os treinadores e os alunos entendam os eventos atuais e futuros e permite avaliações 
de aprendizagem, entre outros. Cada modelo de EAT tem uma estrutura ampla e é flexível 
para que treinadores adaptem seus planejamentos aos contextos que vivenciam (HASTIE; 
CASEY, 2014; KIRK, 2013), além dos desafios diários, que muitas vezes impõem mudanças 
nas perspectivas do professor/treinador. Utilizar um modelo de EAT facilita o planejamento 
das sessões de treino, uma vez que os modelos possuem diretrizes que orientam as decisões 
dos treinadores (METZLER,2011a; O’ DONOVAN, 2013). Consequentemente, um modelo 
de ensino abrange as funções de organização, sistematização, implementação e avaliação 
do processo de EAT (METZLER, 2011b; O’ DONOVAN, 2013).
Ao longo dos anos, especialmente a partir do final da década de 1970, uma série de 
modelos de EAT foram propostos em âmbito mundial. Eles têm sido discutidos por meio 
de trabalhos teóricos, de intervenções, de revisões sistemáticas, entre outros (BUNKER; 
THORPE, 1986; HOLT; STREAN; BENGOECHEA, 2002, MILLER et al., 2015). Nesse pe-
ríodo, ganhou-se destaque a importância de os jogadores selecionarem respostas motoras 
adequadas às situações-problema do jogo e, consequentemente, o processo de EAT se 
pauta em proporcionar situações que colaborem para melhora da percepção e da tomada 
de decisão (TAVARES; GRECO; GARGANTA, 2006). Essa concepção contrapunha os 
métodos tradicionais da época, centrados no ensino das técnicas do esporte e na repetição 
dessas técnicas fora do contexto do jogo (GRECO, 2001). Consequentemente, os modelos 
emergentes enfatizaram o conhecimento tático e a capacidade técnica, a fim de potencializar 
a tomada de decisão e o entendimento da lógica do jogo (GRECO, 1998), caracterizada por 
situações de imprevisibilidade e a aleatoriedade, que condicionam os jogadores durante a 
partida (GALATTI et al., 2017). 
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Diversos modelos foram propostos ao longo dos últimos 40 anos, com destaque para o 
Teaching Games for Understanding – TGfU (BUNKER; THORPE, 1982; THORPE; BUNKER; 
ALLMOND, 1986), o Tactical Games Approach (MITCHELL et al., 2006), o Sport Education 
(SIEDENTOP, 1998; 2011), o Non Linear Pedagogy (CHOW; ATENCIO, 2014), o Escola 
da Bola (KRÖGER; ROTH, 2002) e a Iniciação Esportiva Universal - IEU (GRECO; BENDA, 
1998, GRECO, 1998; RIBEIRO et al., 2023). Dentre esses modelos, o TGfU e a IEU estão 
entre os mais conhecidos e divulgados no Brasil. Contudo, observa-se na prática do ensi-
no dos esportes coletivos o uso de métodos de ensino de forma recorrente. Um método é 
menos amplo do que um modelo de ensino e possibilita menor adaptação ao contexto do 
processo de EAT. Utiliza-se um método para atingir objetivos de aprendizagem de curto 
prazo (METZLER, 2000), e esse pode estar contido em uma etapa do processo de EAT, 
para atingir um fim específico nesta etapa, enquanto o modelo orientará essa e as demais 
etapas do processo de EAT.
Aproximadamente até meados dos anos 70, um método era comumente caracterizado 
por comandos dados pelos treinadores, assim como focado em “o que” ensinar e “como” 
se ensinar. Os treinadores eram a referência central do processo de EAT e recorriam a 
uma sequência de exercícios previamente estabelecidos, na qual a participação do aluno/
jogador se resumia à execução das tarefas solicitadas. Os alunos/jogadores tinham o papel 
de executores ou reprodutores de movimentos considerados “ideais”, com pouco estímulo 
à tomada de decisão e à criatividade (GRECO; BENDA, 1998). A partir dos métodos, en-
sinava-se determinada modalidade da mesma maneira, independentemente do nível de 
rendimento do aluno (METZLER, 2011a). Essa forma de pensamento se origina da suposi-
ção de que há uma maneira ideal de ensinar esportes e que ela é adequada para todos os 
tipos de alunos de todos os níveis de rendimento (METZLER, 2011a), a partir de uma visão 
fragmentada que considera o jogo como a soma de suas pequenas partes (neste caso, do 
conjunto de técnicas). 
Um exemplo de método conhecido como tradicional é o analítico (GRECO; BENDA, 
1998; GRECO, 2001), que é reportado na literatura nacional como um método utilizado no 
ensino dos esportes coletivos (COSTA; NASCIMENTO, 2004; COUTINHO; SANTOS SILVA, 
2009; CASAGRANDE; CAMPOS, 2014, FONSECA et al., 2021). O método analítico é ca-
racterizado pela aprendizagem direcionada prioritariamente à técnica, de forma segmentada 
(COUTINHO; SILVA, 2009; GALATTI et al., 2017) e propõe o ensino a partir da execução 
de habilidades isoladas, antes do jogo formal (DIETRICH; DÜRRWÄCHTER; SCHALLER, 
1984; FERREIRA; GALATTI; PAES, 2005; GALATTI et al., 2012). O método analítico está 
relacionado às teorias associacionistas de aprendizagem, uma vez que considera que o 
jogo é a soma de suas partes (RICCI et al., 2011). Conforme Galatti et al. (2014), no método 
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analítico há uma relação de causa-efeito entre as etapas do jogo, de maneira que os ele-
mentos técnicos sejam requisitos para se jogar handebol. Nesse método, o professor tem o 
papel principal, o que salienta um ensino rígido e de caráter imitativo (COUTINHO; SILVA, 
2009), no qual busca-se replicar as ações do jogador de alto nível (GALATTI et al., 2014, 
MENEZES; MARQUES; NUNOMURA, 2014). Esse método de ensino foi adotado por muitos 
anos na maioria dos cursos de formação de professores/profissionais de Educação Física, 
tornando-se hegemônico (COUTINHO; SILVA, 2009). 
Por outro lado, de forma alternativa ao método analítico, surgiram os métodos global 
e situacional, também destacados na literatura da pedagogia do esporte nacional (GRECO, 
2001; MENEZES, 2012; MENEZES et al., 2014; MENEZES et al., 2015). O método global é di-
ferente do método analítico, pois enfatiza que o jogo é mais que a soma de suas partes (RICCI 
et al., 2011) e extrapola o domínio puramente de suas técnicas. Entende-se a partir desse 
método, que se aprende a jogar por meio do deixar jogar (DIETRICH; DÜRRWÄACHTER; 
SCHALLER, 1984). No método global defende-se que o processo de EAT não se restrinja à 
maestria dos elementos técnicos, mas que se enfatize a inteligência dos alunos para resolver 
tarefas cognitivas e motoras (MENEZES; MARQUES; NUNOMOURA, 2014; MEMMERT; 
HARVEY 2010). Este método sugere a apresentação do jogo de forma direta, replicando a 
quantidade de informações presentes no jogo formal (RICCI et al., 2011). 
Já o método situacional é caracterizado pela prática de situações de jogo que en-
volvem comportamentos individuais e coletivos (GRECO, 1998). Esse método enfatiza a 
compreensão tática e dos processos cognitivos subjacentes à tomada de decisão, como 
atenção, percepção e antecipação (MATIAS; GRECO, 2010), podendo ser eficaz para que 
os aprendizes entendam as razões de suas ações (MEMMERT; HARVEY, 2010; RICCI et al., 
2011). Ele propõe a aplicação de situações reais do jogo (LANES; OLIVEIRA; RIBAS, 2020) 
como 1x1, 2x1, 3x2, entre outras (MENEZES; MARQUES; NUNOMURA, 2014). A partir da 
utilização dessas situações, busca-se reduzir a complexidade que o esporte formal apresenta, 
com muitos jogadores e interações entre eles (GRECO et al., 2015) e, com isso, reduzir a 
exigência tática, sem deixar de lado a natureza do ciclo do jogo (ataque-defesa-transições) 
(GRECO; BENDA, 1998). 
Sugere-se que apenas um método de ensino não seja capaz de atender a todas as 
necessidades de um processo de EAT (GRECO et al., 1998). Desse modo, a utilização 
de diferentes modelos/métodos, de acordo com suas potencialidades e limitações (SILVA 
JUNIOR et al., 2016), poderia proporcionar uma formação ampla aos alunos/atletas. 
A literatura da pedagogia do esporte tem discutido que uma prática baseada em mo-
delos de ensino tem um potencial promissor na educação física, ainda que muitos esfor-
ços precisem ser realizados para atingi-lo (CASEY, 2014). Esses fatores sugerem que o 
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conhecimento sobre os diversos modelos/métodos de ensino seja fundamental para a to-
mada de decisão dosPalavras-chave: Morte, Súbita, Atleta.
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INTRODUÇÃO
Os benefícios da atividade esportiva regular para prevenção de eventos cardiovascu-
lares são bem reconhecidos na literatura médica. No entanto, em pessoas com distúrbios 
cardiovasculares ocultos, o risco de morte súbita cardíaca (MSC) durante o esforço é au-
mentado (Morentin, 2019). Diante deste contexto controverso, tornam-se imprescindíveis 
a realização aprimorada da triagem cardiovascular, a avaliação inicial e o manejo dos pa-
cientes, com pequenas variações de acordo com as especificidades dos esportistas, a fim 
de promover a saúde cardiovascular (Sierbert, et al., 2020).
A morte súbita cardíaca é definida como uma morte inesperada devido a uma causa 
cardíaca, ou uma morte repentina em um coração estruturalmente normal sem outra explica-
ção e com uma história relacionada ao coração, ocorrendo geralmente dentro de uma hora 
do início dos sintomas (Peterson, 2020). Embora rara, a morte súbita cardíaca em atletas é 
importante devido ao seu impacto na comunidade desportiva e a comunidade geral.
A doença cardiovascular (DCV) continua sendo a principal causa de morte nos Estados 
Unidos (Heron, 2018). Embora essa estatística talvez não cause grande impacto quando diz 
respeito a pacientes idosos com fatores de risco clássicos, como hipertensão ou dislipidemia, 
o evento cardíaco súbito também é responsável pela maioria das mortes relacionadas ao 
exercício em jovens atletas (Harmon, 2015).
De fato, a MSC é a principal causa de mortalidade relacionada ao esporte e ao exercício 
em atletas (Harmon, 2015). A avaliação cardiovascular precedente à participação esportiva 
para indivíduos de todas as faixas etárias é imperativa para minimizar estes episódios, tor-
nando-se um objetivo comum entre as organizações médicas e desportivas (Drezner, 2017).
EPIDEMIOLOGIA
As doenças cardiovasculares são responsáveis por aproximadamente 17 milhões de 
mortes a cada ano no mundo, com aproximadamente 25% delas por morte súbita cardíaca 
(World Health Organization, 2011).
A morte súbita cardíaca em atletas é a principal causa de morte médica neste subgru-
po. Os primeiros estudos citam a incidência de morte súbita cardíaca como aproximadamente 
1:200.000 atletas por ano nos EUA, com cardiomiopatia hipertrófica (CMH) representando 
um terço dos casos (Maron, et al., 2016). Estudos mais recentes estimaram a incidência de 
MSC na faixa de 1:50.000 a 1:80.000 atletas por ano. Estes números se comparam com 
um risco da população geral de 1,0 a 1,9:100 000 em adolescentes e adultos jovens (Meyer, 
et al., 2012). Uma incidência semelhante de 1,8 por 100.000 por ano foi encontrada após 
uma revisão de certidões de óbito na Inglaterra e no País de Gales (Papadakis, et al., 2009).
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As evidências atuais mostram que há um risco relativo maior estratificados por sexo, 
raça e modalidade esportiva. As taxas de incidência, em atletas jovens, são consistentemente 
mais altas em atletas do sexo masculino, atletas negros de ascendência afro-americana e 
atletas de basquete (EUA) e futebol (Europa) (Harmon, et al., 2016).
Há um risco um pouco maior de MSC na faixa etária mais jovem, entre os 20 a 40 anos, 
caracterizado por um aumento acentuado do risco do grupo adolescente para o grupo de adul-
tos jovens, correspondendo ao surgimento de cardiopatia isquêmica (Myerburg, et al., 2001).
ETIOLOGIAS
Em pessoas com uma doença cardíaca genética ou outra anormalidade cardíaca, o 
exercício pode predispor a um risco aumentado de óbito de causa cardíaca (Corrado, et al., 
2006). Estudos sugerem que a participação em esportes competitivos pode conferir um risco 
aumentado de evento cardíaco devido à natureza da doença cardíaca subjacente e efeito 
do exercício no coração. Esta condição prévia fornece um substrato, como hipertrofia ou 
fibrose no coração, e o exercício proporciona um estímulo para geração de arritmias atra-
vés de alterações fisiológicas induzidas, como aumento de catecolaminas níveis, acidose e 
desidratação (Corrado, et al., 2006).
O treinamento intenso e sistemático realizado por atletas, particularmente exercícios 
de resistência, induz remodelação funcional e elétrica do coração, que pode manifestar-se 
como aumento cardíaco e padrões anormais no eletrocardiograma (ECG), como bradicardia 
e anormalidades de repolarização, dentre outras, sendo chamado de “coração de atleta” 
(Prior, et al., 2012).
Essas mudanças geralmente não são prejudiciais e representam adaptações fisiológicas 
que auxiliam o desempenho dos atletas. No entanto, existem alguns problemas cardiovas-
culares, como as cardiomiopatias, que podem sobrepor-se ao fenótipo do coração do atleta, 
sendo importante distinguir estas duas condições (Prior, et al., 2012).
Alterações estruturais sugestivas de “coração de atleta” dependem da forma de ativi-
dade realizada e incluem hipertrofia excêntrica, com maior tamanho da cavidade ventricular 
esquerda naqueles envolvidos em exercícios dinâmicos (como corrida de longa distância) 
e hipertrofia concêntrica com dimensões da cavidade mais próximas da faixa normal em 
atletas que praticam exercício estático (como levantadores de peso). Muitas destas altera-
ções conseguimos encontrar no ECG convencional, auxiliando no diagnóstico diferencial 
com algumas patologias e/ou alertando ao médico a necessidade de uma investigação mais 
detalhada (Prior, et al., 2012).
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Causas cardíacas em atletas abaixo de 35 anos
Em atletas com idade abaixo de 35 anos, as principais causas se relacionam com 
doença estrutural congênita ou adquirida e desordens elétricas, dentre elas cardiomiopatia 
hipertrófica, anomalias coronarianas, cardiomiopatia dilatada, cardiomiopatia arritmogênica 
do ventrículo direito, miocardite e distúrbios arritmogênicos primários (como a síndrome 
congênita do QT longo e a síndrome de Brugada). Outras causas menos comuns incluem 
síndrome de Marfan e espasmo coronariano em jovens (Doolan, et al., 2019).
Muitas dessas causas cardíacas de morte súbita cardíaca em crianças e adultos jovens 
têm um base genética (Wilde, et al., 2013). Para algumas dessas condições, certos atletas 
podem ter apresentado um quadro prévio ao episódio, como dores no peito, síncope ou arrit-
mias ventriculares, enquanto outros não apresentam sintomas anteriores (Patel, et al., 2012).
Cardiomiopatia hipertrófica
A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é uma condição caracterizada pelo aumento da 
espessura (> 15mm) em um ou mais segmentos da parede ventricular esquerda, geralmente 
assimétrica e envolve o septo interventricular. Espessura anormal da parede combinada 
com movimento sistólico anterior do válvula mitral pode levar à obstrução da via de saída do 
ventrículo esquerdo e sintomas potenciais de dispneia de esforço, dor torácica ou síncope, 
mas a maioria dos casos em jovens são assintomáticos antes do evento sentinela da MSC. 
Esta síndrome decorre de uma arquitetura miocárdica desorganizada e focos arritmogênicos 
de fibrose intersticial (Maron, et al., 2015).
A CMH é a primeira causa de MSC em atletas jovens. Até recentemente, um diagnós-
tico desta cardiopatia implicava em contraindicação absoluta à prática esportiva competitiva. 
Atualmente, dada a prevalência considerável desta condição e ao fato de que o risco de 
MSC durante a atividade esportiva não ser tão alto quanto o esperado, a estratificação de 
risco se torna necessária. O ecocardiogramatreinadores em relação ao planejamento e execução do processo de 
EAT. No Brasil, como o uso dos métodos de ensino ainda parece predominar em relação 
ao dos modelos de ensino, torna-se necessário investigar o conhecimento dos treinadores 
a respeito desses métodos, pois há relação direta desse conhecimento com sua aplicação 
apropriada (FONSECA et al., 2021).
O handebol é uma das modalidades mais praticadas em âmbito escolar no Brasil, tanto 
na educação física quanto em competições escolares. Assim como em outras modalidades, 
o conhecimento sobre os modelos/métodos de EAT e sua aplicação adequada são requi-
sitos para a ação dos treinadores (GRAÇA; OLIVEIRA, 1994; GARGANTA, 1998; GRECO; 
BENDA, 1998), e, consequentemente, determinantes para a efetividade de um processo de 
EAT no handebol. Diante disso, o objetivo deste capítulo foi verificar o nível de conhecimento 
de treinadores brasileiros de handebol que atuam em diferentes segmentos em relação aos 
métodos de ensino. 
MATERIAIS E MÉTODOS
Participantes
Participaram da pesquisa 135 profissionais de Educação Física de todo Brasil, sendo 
100 do sexo masculino e 35 do sexo feminino, com faixa etária entre 21 e 65 anos (34.5 ± 
8.9 anos). Todos os participantes atuavam diretamente no processo de EAT de handebol 
em escolas de esportes, projetos sociais, clubes ou em equipes escolares, ou atuaram nes-
te processo anteriormente. Os participantes assinaram um termo de consentimento livre e 
esclarecido (TCLE) para participação na pesquisa, que foi aprovada pelo Comitê de Ética 
local sob parecer (56411516.2.0000.0039).
Instrumento e procedimentos para a coleta dos dados
Elaborou-se um questionário baseado no estudo de Zenko e Ekkekakis (2015), que foi 
utilizado como instrumento para coleta de dados deste estudo. O questionário foi validado 
por 10 docentes universitários, pesquisadores e especialistas na área de metodologia do 
ensino dos esportes, os quais fizeram uma avaliação para validação de conteúdo e ajustes 
das questões para garantir a compreensão e clareza do questionário. A confiabilidade das 
medidas do questionário foi testada por meio da análise da reprodutibilidade (consistência de 
medidas teste-reteste). A reprodutibilidade foi acessada por meio de teste e reteste aplicados 
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com 37 sujeitos. A análise do desempenho geral entre os testes apresentou indicadores de 
reprodutibilidade com coeficiente de correlação intraclasse (CCI = 0.91; IC95%; 0.85 - 0.95).
A elaboração do questionário teve como objetivo central a seleção de questões com 
elementos essenciais e aplicações práticas sobre os métodos de ensino dos esportes coleti-
vos. Os participantes foram solicitados a responder o questionário baseados unicamente em 
suas lembranças, sem o uso de outros materiais de consulta. O questionário foi organizado 
em três seções com objetivos distintos.
A primeira seção consistiu em 11 perguntas de múltipla escolha, relacionadas às infor-
mações para caracterização da amostra. A segunda seção envolveu 10 questões de múltipla 
escolha relacionadas aos métodos de ensino dos esportes coletivos, considerando suas 
características, propósitos e aplicações. Um exemplo de questão dessa seção é: “Consiste 
em desenvolver destrezas motoras isoladamente para, posteriormente, utilizá-las no contexto 
do jogo propriamente dito. Esse conceito refere-se a qual método de ensino?”. As questões 
dessa seção foram distribuídas da seguinte forma: três questões sobre as características 
dos métodos de ensino; três questões sobre as vantagens e desvantagens dos métodos de 
ensino; quatro questões sobre a aplicação e utilização dos métodos de ensino para diferen-
tes objetivos e situações de aprendizagem. Todas as questões da segunda seção tinham o 
mesmo valor para a pontuação final, que foi calculada em função do percentual de acerto 
dos participantes. O objetivo dessas questões foi verificar o nível de conhecimento dos 
profissionais sobre os métodos de ensino dos esportes. Por fim, a terceira seção teve como 
propósito acessar informações sobre a frequência de utilização dos diferentes métodos de 
ensino pelos profissionais em suas aulas.
Disponibilizou-se o questionário em comunidades do Centro Esportivo Virtual (CEV), 
redes sociais e também enviado por correio eletrônico. No convite para a participação na 
pesquisa foram disponibilizadas as informações gerais, os critérios para a participação e o 
link que direcionava os participantes ao questionário eletrônico. 
Ao acessar o link, os participantes tinham acesso ao TCLE, o qual deveriam ler e 
concordar para efetivar a sua participação na pesquisa. Após esse procedimento, os parti-
cipantes eram direcionados para uma segunda página para responder as questões espe-
cíficas do estudo.
Análise dos dados
Os dados foram analisados quanto sua normalidade e homogeneidade de variância por 
meio dos testes Kolmogorov-Smirnov e Levene, respectivamente. O teste de Friedman foi 
utilizado para comparar o nível de conhecimento dos sujeitos, seguido pelo teste de Wilcoxon, 
quando detectadas diferenças significativas. Para comparação do nível de conhecimento com 
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as variáveis independentes foi utilizado o Teste U de Mann-Whitney (sexo e faixa etária). 
Para as variáveis relacionadas à formação acadêmica, ao tempo de atuação e ao tempo 
de formação, o nível de conhecimento foi analisado pelo teste Kruskal-Wallis, seguido pelo 
Teste U de Mann-Whitney para apontar as possíveis diferenças significativas. 
Todas as análises foram realizadas no Statistical Package for the Social Sciences (IBM 
SPSS 19.0), considerando o valor de p 5 anos 84 62,4 ± 30,7 55,8 – 69
Tempo de atuação 0,645
± 26,0 49,3 – 68,5
> 5 anos 88 61,5 ± 30,7 55,1 – 67,9
Legenda: DP – desvio-padrão; IC95% - intervalo de confiança de 95%. a = Diferente do Ensino Superior (pExercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022
Já em relação ao desempenho inferior obtido pelos treinadores do segmento educa-
ção física escolar/lazer quando comparados aos treinadores do alto nível de rendimento, 
acreditamos que os treinadores do esporte de alto nível vivenciam com maior frequência o 
treinamento no handebol e consequentemente a aplicação de métodos de ensino. Esses 
treinadores são avaliados de acordo com o desempenho de suas equipes, o que requer 
maior controle no planejamento e na realização dos treinamentos, se comparados a trei-
namentos/aulas que tem finalidade de lazer. Além disso, professores de educação física 
necessitam abordar diversos conteúdos de acordo com as diretrizes nacionais estabelecidas 
pela Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018), o que pode colaborar para reduzir 
carga horaria direcionada especificamente ao ensino dos esportes coletivos. Desse modo, é 
possível que esses professores ensinem diversos conteúdos, mas sem terem condições para 
aprofundar em cada um deles. Esse requisito do segmento de atuação pode colaborar para 
que os professores acumulem uma série de conhecimento, mas com pouca profundidade. 
Corroborando esta noção, a pesquisa de Modolo et al. (2017) demonstrou que o contexto 
formal de ensino não foi suficiente para o domínio das questões específicas do handebol, 
de acordo com treinadores que atuam no contexto escolar.
Apesar disso, não buscamos taxar como boa ou ruim a atuação profissional dos par-
ticipantes dessa pesquisa, mas buscamos descrever os resultados deste trabalho, a fim 
de promover uma reflexão sobre os possíveis motivos que possam explicá-los. Ademais, 
ampliamos em certa medida os resultados obtidos por Fonseca et al. (2021), o que colabora 
para tentarmos entender o cenário atual dos professores/treinadores brasileiros, a fim de 
colaborar para o do ensino do handebol.
Este trabalho apresenta algumas limitações. A primeira delas é a prevalência maior de 
treinadores da região sudeste do Brasil na amostra, embora tenhamos convidado uma amos-
tra de participantes de diferentes regiões, o que limita nossa reflexão em âmbito nacional. 
Além disso, o questionário relacionado aos métodos de ensino ser composto por questões 
de múltipla escolha pode superestimar nossos resultados, especialmente se algum partici-
pante que não soubesse a resposta correta para alguma das perguntas selecionasse uma 
das opções aleatoriamente (e escolhesse a opção correta). Para estudos futuros, propõe-se 
o uso de ferramentas que permitam descrever com maior profundidade o conhecimento dos 
treinadores a respeito dos modelos/métodos por meio de questões discursivas, entrevis-
tas, entre outros. 
Por fim, a literatura tem discutido uma prática baseada em modelos de ensino atual-
mente (CASEY; MACPHAIL, 2018), que é descrita como uma abordagem baseada no uso 
diversos modelos de ensino, cada um com seus resultados de aprendizagem únicos, distintos 
e com alinhamento dos seus resultados de aprendizagem com suas estratégias de ensino, 
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de acordo com suas diretrizes para fiel implementação pelos professores (KIRK, 2013). Essa 
prática tem sido sugerida como possível forma de revolucionar a educação física (KIRK, 
2013; QUAY; PETERS, 2008) e permite alcançar um escopo de aprendizagem ainda mais 
amplo e profundo do que aquele que um único modelo pode oferecer (LUND; TANNEHILL, 
2015). Ainda assim, se aplicar um único modelo é um processo complexo, aplicar múltiplos 
modelos em um processo de ensino torna-se ainda mais desafiador (CASEY; MACPHAIL, 
2018) mesmo em longo prazo. Por isso, esse é um tópico que ainda merece discussão e 
que acreditamos não estarmos próximos de observar sua aplicação prática com frequência 
nacionalmente, pois o contexto do processo de EAT no Brasil ainda aparenta ser pautado na 
utilização de métodos de ensino, o que pode ser justificado por aspectos históricos (GALATTI 
et al., 2014). É possível que como caminho a percorrer inicialmente, o conhecimento sobre os 
modelos de ensino possa ser aprofundado e difundido no Brasil, mesmo que paulatinamente, 
de forma a aprimorar o as práticas de treinadores de handebol, de outras modalidades e na 
educação física escolar, bem como colaborar para um entendimento mais amplo processo 
de EAT e até mesmo uma auto avaliação das práticas profissionais dos professores/trei-
nadores. Recomenda-se então que trabalhos futuros no campo da pedagogia do esporte 
continuem descrevendo o que são, sua utilidade e a importância dos modelos de ensino 
para organizar, sistematizar, implementar e avaliar o processo de EAT, assim como suas 
principais vantagens e limitações.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados do presente trabalho sugerem que a formação continuada pode ser uma 
ferramenta aprimorar o conhecimento de treinadores de handebol brasileiros, de forma a 
reduzir possíveis carências contidas no contexto dos cursos de graduação em educação 
física. Além disso, os treinadores de handebol participantes dessa pesquisa apresentaram 
conhecimento similar em relação aos métodos analítico, global e situacional, o que pode 
colaborar para um possível rompimento com práticas tradicionais tecnicistas que caracteri-
zam o contexto nacional do processo de EAT no Brasil. 
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inspiratório associado a exercícios 
resistidos em indivíduos tabagistasc
Rodrigo Boff Daitx
Universidade Luterana do Brasil - Ulbra
Letícia Müller da Silva
Universidade Luterana do Brasil - Ulbra
Jaqueline de Oliveira Germann
Universidade Luterana do Brasil - Ulbra
Verônica Farias de Vargas
Centro Universitário Cenecista de Osório - UNICNEC
Taís Espíndula Brehm
Universidade Luterana do Brasil - Ulbra
Marcelo Baptista Dohnert
Universidade Luterana do Brasil - Ulbra
https://dx.doi.org/10.37885/220308217
RESUMO
Objetivo: avaliar as repercussões de um TMI com Powerbreathe® associado a exercícios 
resistidos, comparado à exercícios resistidos de forma isolada em relação a capacidade 
respiratória, funcional e qualidade de vida de indivíduos tabagistas. Métodos: Trata-se de 
um ensaio clínico randomizado cego, no qual 22 indivíduos tabagistas foram distribuídos 
aleatoriamente em dois grupos: Grupo exercícios resistidos associado ao Powerbreathe® 
(GERP) e Grupos exercícios resistidos isolado (GER). Foram avaliados pré e pós interven-
ção o nível de dispneia, capacidade respiratória, pico de fluxo expiratório (PFE), capacidade 
funcional e qualidade de vida (QV). Resultados: A pressão inspiratória máxima (PImáx) e 
a pressão expiratória máxima (PEmáx) melhoraram significativamente no GERP. Já o teste 
de caminhada de seis minutos (TC6’) e a QV obtiveram uma melhora estatisticamente sig-
nificativa no GER. Por fim, o PFE e o grau de dispneia não mostraram diferença significativa 
em nenhum grupo. Conclusão: Concluiu-se que o GERP foi superior ao GER, em relação 
a capacidade respiratória, porém o GER foi melhor na capacidade funcional e na QV.
Palavras-chave: Exercícios Respiratórios, Tabagismo, Fisioterapia.
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INTRODUÇÃO
O consumo de tabaco é uma das principais causas de morte evitável no mundo e esti-
ma-se que se a tendência no uso do tabaco for mantida, até 2030 haverá mais de 8 milhões 
de mortes por ano, sendo a maioria em países de baixa e média renda.1,2 Além disso, a cada 
ano, o consumo causa sobrecarga na economia com cerca de US$ 1,4 trilhão em custos de 
saúde no mundo.3 No Brasil, o consumo de cigarros e outros derivados causou um prejuízo 
de R$ 56,9 bilhões ao país em 2015, sendo R$ 39,4 bilhões em custos médicos e R$ 17,5 
bilhões em custos decorrentes da perda de produtividade e incapacitação de trabalhadores.4
O tabagismo está bem estabelecido como um importante fator de risco para o desen-
volvimento de câncer, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias como a doença 
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Caracterizada por uma obstrução progressiva das 
vias aéreas, hiperinsuflação pulmonar, aumento da frequência e gravidade das exacerba-
ções, além de manifestações sistêmicas causando o comprometimento do desempenho nas 
atividades de vida diária (AVD) e a diminuição da qualidade de vida.5,7 Em indivíduos com 
DPOC, a força muscular periférica é significativamente reduzida, gerando uma diminuição 
da funcionalidade, podendo resultar, até mesmo, em um número elevado de depressão e 
isolamento social.8
Assim, para auxiliar ao tratamento de indivíduos tabagistas, o Treinamento Muscular 
Inspiratório (TMI) exerce uma carga significativa nos músculos inspiratórios promovendo o 
aumento da força e endurance dos músculos inspiratórios, diminui os sintomas de dispneia, 
aumenta o volume pulmonar e melhora a capacidade funcional.9,10 Consequentemente, 
permite uma maior tolerância às AVD’s.9,10 O exercício físico também está associado a rea-
bilitação deste público, pois o exercício resistido aumenta a tolerância as atividades físicas 
provocando menos dispneia, permitindo que os indivíduos atinjam a intensidade direciona-
da e otimizem o efeito do exercício executado.11 Além disso, possui efeitos na melhora da 
capacidade oxidativa e na eficiência do sistema musculoesquelético.11
MÉTODOS
Delineamento
Ensaio clínico randomizado cego. O estudo fez parte do Grupo de Evidências Científicas 
em Fisioterapia (GECIF) da Universidade Luterana do Brasil, campus Torres/RS, Brasil. O pro-
jeto de pesquisa foi submetido e aprovado junto ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres 
Humanos da Universidade Luterana do Brasil com parecer 3.087.675.
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Critérios de Elegibilidade
Foram incluídos no estudo indivíduos tabagistas, de ambos os gêneros com idade 
de 20 a 70 anos, que assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), que 
fumavam no mínimo vinte maços de cigarro/ano por, pelo menos, três anos e que fizessem 
uso somente de cigarro.
Foram excluídos indivíduos que tinham por hábito consumir produtos além do cigarro, 
portadores de doenças neuromusculares, histórico de luxação articular em membros supe-
riores e inferiores, indivíduos com hipertensão arterial sistêmica (HAS) não controlada, os 
que realizavam tratamento para exacerbação da DPOC com utilização de antibioticoterapia, 
que tivessem histórico de fibrose cística, fibrose pulmonar ou outra patologia de caráter res-
tritivo, além de câncer de pulmão e sintomas agudos de trombose venosa profunda (TVP), 
indivíduos que apresentaram déficit cognitivo que os impedissem do entendimento da reali-
zação dos exercícios, ou até mesmo se realizassem algum tipo de programa de reabilitação 
pulmonar nos últimos dois meses ou atividades físicas regularmente, além disso, foram 
excluídos participantes que tiveram duas faltas consecutivas ou três alternadas durante a 
aplicação do protocolo.
Protocolo de Avaliação
Realizado em dois momentos do estudo. A avaliação inicial foi realizada previamente 
à randomização e a avaliação final após o término da intervenção. As avaliações foram 
realizadas por um avaliador independente cego, previamente treinado e que não tinha a 
informação de qual o grupo o participante pertencia.
A mensuração da pressão inspiração máxima (PImáx) e pressão expiratória máxima 
(PEmáx), foi mensurada através do manovacuômetro da marca Murenas® modelo MV300. 
Para realizar a manovacuometria era solicitado que o indivíduo realizasse uma inspiração 
e expiração máxima contra a via aérea ocluída, mantendo esta pressão por no mínimo um 
segundo. Este teste foi realizado três vezes com intervalo de um minuto, sendo anotada a 
medida de maior valor.
Para a avaliação do pico de fluxo expiratório (PFE) foi utilizado o Peak Flow da marca 
Microlife modelo Meter, no qual foi solicitado que o participante realizasse uma expiração 
rápida e forçada no bocal do aparelho. Este teste também foi realizado três vezes com in-
tervalo de um minuto, sendo anotada a medida de maior valor.
O grau de dispneia foi realizada através da Escala Modificada Medical Research Council 
(mMRC). Para utilização da mMRC, o paciente foi questionado quanto ao seu grau de 
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dispneia numa escala de zero a quatro, sendo que uma maior pontuação indicava uma grave 
limitação as atividades de vida diária.
Para a avaliação da capacidade funcional foi realizado o Teste de Caminhada de 6 
minutos (TC6’), sendo instruídoao participante que caminhasse num ritmo rápido, porém 
sem correr. O teste era realizado em um corredor de 30 metros durante seis minutos.
A avaliação da qualidade de vida foi coletada através do Questionário do Hospital Saint 
George na Doença Respiratória (SGRQ), no qual avalia sintomas, atividade e impactos 
psicossociais que a doença respiratória inflige ao indivíduo.
Foi utilizada ainda a escala de Borg modificada a fim de manter o grau de esforço ao 
realizar os exercícios.
E por fim foi realizado o teste de Uma Repetição Máxima (1RM) que foi utilizado para 
medir a intensidade dos exercícios, no qual os voluntários tinham que realizar os movimen-
tos de flexão de cotovelo e extensão de joelho com diversas resistências até alcançar sua 
capacidade máxima de levantamento.
Randomização da Amostra
Realizada através de envelope lacrado, por um pesquisador colaborador, posteriormente 
a avaliação inicial. Dentro de um envelope, contendo 24 papéis dobrados com o número do 
grupo no qual o participante pertenceu, sendo divididos em: Grupo exercícios resistidos + 
Powerbreathe® (GERP) e Grupo exercícios resistidos isolado (GER).
Protocolo de Intervenção
O protocolo de intervenção de todos os grupos foi realizado duas vezes por semana, 
durante oito semanas, totalizando 16 atendimentos, com média de duração de 50 minutos 
cada sessão. Os participantes do GERP realizaram o protocolo proposto que consistia em 
exercícios resistidos (Tabela 1) e Powerbreathe®. Cada voluntário do estudo teve sua pró-
pria intensidade de exercício definida através do 1RM, e para a carga foi utilizado 60% da 
sua repetição máxima.
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Tabela 1. Protocolo de exercícios resistidos.
Exercício proposto Descrição dos Exercícios Séries/ repetições/tempo
Aquecimento Pedalada em bicicleta estacionária 5 minutos em ritmo leve. Mantendo os 
níveis de 1 à 2 na escala de Borg
Abdução do ombro
Em sedestação, realiza o movimento de abdução de 
ombro até 90º, partindo da posição neutra do membro 
superior
2 séries de 10 repetições em cada 
membro
Flexão de cotovelo
Em sedestação, realiza o movimento de flexão de cotove-
lo partindo da posição neutra do
membro superior
2 séries de 10 repetições em cada 
membro
Extensão de quadril Em ortostase, realiza o movimento de extensão de quadril 
partindo da posição neutra
2 séries de 10 repetições em cada 
membro
Flexão de quadril
Em ortostase, realiza o movimento de flexão de quadril, 
partindo da posição neutra do quadril e com o joelho em 
flexão de 90º
2 séries de 10 repetições em cada 
membro
Flexão de joelho
Em ortostase, realiza o movimento de flexão de joelho 
partindo da
extensão de joelho
2 séries de 10 repetições em cada 
membro
Extensão de joelho Em sedestação, realiza movimento de extensão de joelho 
partindo de flexão de joelho
2 séries de 10 repetições em cada 
membro
Fonte: autores, 2022.
Observação: Caso o participante apresentasse sinais de fadiga muscular, pode-
ria realizar os exercícios de flexão e extensão de quadril em decúbito dorsal e ventral, 
respectivamente.
No GERP os participantes realizaram os exercícios e após utilizaram o Powerbreathe® 
que teve uma carga de 20% da PImáx, avaliado através da manovacuômetria (avaliação inicial).
Para a intervenção o terapeuta solicitou uma expiração completa do participante, colo-
cando neste momento um clipe nasal no mesmo, assim como o auxiliou na colocação do bocal 
do Powerbreathe®, e em seguida solicitou uma inspiração máxima, na qual foi realizado três 
ciclos de 30 respirações cada um seguido por um minuto de descanso. A carga utilizada foi 
reajustada quinzenalmente conforme evolução da força inspiratória mantendo sempre 20% 
da PImáx, assim como o teste de 1RM que foi mantido 60% do seu levantamento máximo.
O GER recebeu o mesmo protocolo supracitado na tabela 1, porém sem associação 
do Powerbreathe®.
Analise de Dados
Foi utilizado o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 23.0 como 
pacote estatístico. Inicialmente, procedeu-se uma análise descritiva das variáveis apre-
sentando-as em forma de frequência (média, mediana e desvio padrão para as variáveis 
numéricas e n absoluto e percentual para as variáveis categóricas). Após, foi analisado a 
normalidade de distribuição das variáveis através do teste de Levene. Para as variáveis 
com distribuição normal foi realizado o Teste t de Student não pareado para as análises 
entre grupos. As variáveis com distribuição anormal foram analisadas através do teste de 
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Mann-Whitney. E finalmente, para as análises intragrupo foram utilizados o teste t de Student 
pareado. O nível de confiabilidade foi de 95% (p(cmH2O) nos grupos de intervenção.
Legenda: GERP: grupo exercícios resistidos + Powerbreathe®; 
GER: grupo exercícios resistidos; PImáx (cmH2O): pressão 
inspiratória máxima em centímetros de água. # pdurante quatros 
semanas, sete dias por semana e a amostra incluiu 42 indivíduos do gênero masculino que 
foram distribuídos em três grupos: intervenção não fumantes (n=16), intervenção fumantes 
(n=16) e placebo fumantes (n=10). O protocolo incluiu dois ciclos de 30 inspirações com 
intervalo de um minuto entre eles e os participantes dos grupos intervenções realizaram o 
TMI, com o Powerbreathe® ajustado a uma intensidade inicial de 50% da PImáx e a intensi-
dade foi aumentada 5% a cada semana, já o grupo placebo teve uma intensidade ajustada 
a 15% de PImáx. A análise intergrupos mostrou que tanto a PImáx quanto PEmáx foram 
significativamente maiores no grupo de fumantes com intervenção, melhorando desta forma 
a função pulmonar.
Outra característica da DPOC é que os indivíduos apresentam limitação do fluxo ex-
piratório, desta forma prejudicando a capacidade do sistema respiratório ventilar adequa-
damente.15 Esta limitação é causada pela perda da elastância pulmonar fornecida pelas 
ligações alveolares ao redor das pequenas vias aéreas, pela inflamação e acúmulo de muco 
nas vias aéreas.15 Bausek et al.17, em seu estudo piloto investigaram o impacto do uso do 
TMI na função pulmonar e da fala em pacientes com DPOC e ainda a viabilidade e eficácia 
do treinamento como parte do programa de capacitação de indivíduos com DPOC, que é o 
padrão atual de atendimento. Foram recrutados 17 indivíduos para participar do estudo e a 
intervenção consistiu em um treinamento muscular respiratório seguido de aquecimento, exer-
cícios de fortalecimento dos membros superiores e inferiores, exercícios de apoio à aptidão 
cardiorrespiratória, além da educação do paciente sobre a DPOC e seu manejo. Todos os 
indivíduos foram submetidos ao TMI, com um dispositivo de carga com intensidade de 50% 
a 70% da PImáx, incluindo dois ciclos de dez respirações e a intensidade dos exercícios de 
fortalecimento variou de 40% a 60% de 1RM. O protocolo foi realizado duas vezes por dia, 
todos os dias da semana, durante quatro semanas. Como resultados finais, o PFE obteve 
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um aumento estatisticamente significativo, vindo de encontro com os resultados apresenta-
dos na presente pesquisa, onde acredita-se que o GERP obteve uma pequena melhora do 
fluxo expiratório devido ao aumento da PEmáx, causado pela expiração contra resistência 
do Powerbreathe®, porém este resultado não foi estatisticamente significativo. Já o GER 
obteve uma piora do PFE, pois acredita-se que ele esteja diretamente relacionado a PEmáx 
que também não mostrou diferença significativa neste grupo.
A dispneia é a principal queixa dos pacientes com DPOC.18 Ela pode limitar a capa-
cidade de exercício e prejudicar a função muscular esquelética, agravando ainda mais os 
sintomas.18 Silva et al.19, em sua pesquisa investigaram os efeitos do exercício resistido dos 
membros superiores na capacidade funcional, na função muscular e na QV em pacientes 
com DPOC. Foram recrutados 51 indivíduos, alocados em dois grupos: grupo intervenção 
e grupo controle. Todos os protocolos foram realizados três vezes por semana, durante 
oito semanas, sendo que grupo controle realizou movimentos diagonais funcionais para os 
membros superiores e inferiores por cerca de dez minutos, fortalecimento da musculatura 
respiratória através de um dispositivo de carga com intensidade de 50% da PImáx durante 
15 minutos, e no final da sessão foram realizados alongamentos e massagem terapêutica 
por dez minutos. Já o grupo intervenção realizou o mesmo protocolo, porém com adição de 
exercícios resistidos para os membros superiores com carga de 50% de 1RM. Na análise 
dos resultados, não demonstrou efeito dos exercícios em relação ao grau de dispneia, cor-
roborando com o presente estudo que não obteve melhora estatisticamente significativa em 
ambos os grupos. Desta forma, sugere-se que não houve alterações significativas devido a 
maioria dos participantes apresentarem um grau de dispneia leve.
A DPOC não se limita somente em alterações pulmonares, mas também está relacio-
nada ao comprometimento do sistema musculoesquelético.20 Desta forma, intervenções com 
exercícios voltados à melhora da função muscular esquelética têm o potencial de melhorar a 
função física e a QV de pessoas com DPOC.20 O resultado do presente estudo em relação 
ao TC6’ obteve um aumento estatisticamente significativo no GER. Corroborando com o 
estudo de Zambom-Ferraresi et al.21 no qual tiveram por objetivo comparar os efeitos de um 
treinamento de resistência isolado em relação ao treinamento combinado de resistência e 
endurance sobre a força máxima, a potência muscular, a capacidade de exercício e a quali-
dade de vida em pacientes com DPOC. A amostra foi constituída por 40 indivíduos do gênero 
masculino, que foram alocados em três grupos: treinamento de resistência isolado (GR), 
treinamento combinado de resistência e endurance (GCRE) e grupo controle (GC). O proto-
colo foi realizado dois dias por semana, durante doze semanas, e incluiu no GR exercícios 
em equipamentos de resistência para os membros superiores e inferiores com uma carga de 
50% a 70% de 1RM. O GCRE realizou um dia da semana o mesmo protocolo do GR, e no 
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outro dia treinamento de endurance em cicloergômetro por durante 30 minutos. Já o GC foi 
orientado a realizar suas atividades normalmente. Na análise dos resultados, após o período 
de doze semanas, houve um aumento significativo no TC6’ tanto no GR quanto GCRE. Este 
resultado justifica-se, pois, os exercícios resistidos requerem maiores esforços metabólico 
e ventilatório para os pacientes, gerando maior carga cardíaca e respiratória, aumentando 
a capacidade de exercícios, justificando a melhora no TC6’.19
Os questionários de qualidade de vida foram desenvolvidos para quantificar o impacto 
que a doença afeta as atividades de vida de diária e sua aplicação pode ser útil na escolha 
do tratamento e, por isso, este instrumento de avaliação vem sendo bastante utilizado.22 O re-
sultado do presente estudo em relação à QV, obteve apenas um aumento estatisticamente 
significativo no GER quando analisado no escore total e de atividades. Corroborando com 
o estudo de Vonbank et al.23, no qual tiveram como objetivo comparar os efeitos de três 
modalidades diferentes de exercícios em pacientes com DPOC. A amostra foi constituída 
por 36 indivíduos, distribuídos aleatoriamente em três grupos: treinamento progressivo de 
força (TF), treinamento de resistência (TR) e a combinação de treinamento de força e treina-
mento de resistência (TFR). O protocolo foi realizado duas vezes por semana durante doze 
semanas, e a intervenção no grupo TF consistia em exercícios para os membros superiores 
e inferiores que inicialmente foram realizados com cargas mínimas, porém a cada semana 
foram aumentadas realizando até 15 repetições. O grupo TR realizou cicloergômetro por 20 
minutos durante as primeiras quatro semanas, após foram acrescentados cinco minutos a 
cada semana até ao final da intervenção. Já o grupo TFR realizou o protocolo combinado já 
citado anteriormente. Na análise dos resultados, a QV, avaliada através do SGRQ aumen-
tou significativamente em todos os três grupos de treinamento, com uma maior melhoria 
no escore de atividade no grupo de treinamento combinado. Desta forma, corroborando 
com os achados da presente pesquisa, que assim como no TC6’ os exercícios melhoram 
a QV podendo auxiliar no entendimento dos mecanismos que a DPOC causa no indivíduo.19
CONCLUSÃO
Neste estudo, concluiu-se que em indivíduos tabagistas, o protocolo de exercícios 
resistidos + Powerbreathe® foi superior aoprotocolo de exercícios resistidos isolados, em 
relação a capacidade respiratória (PImáx, PEmáx), no entanto o protocolo de exercícios 
resistidos isolado demonstrou superioridade significativa na capacidade funcional (TC6’) e 
na qualidade de vida (SGRQ).
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Agradecimentos
Agradecimento especial ao grupo de pesquisas GECIF, pela colaboração e dedi-
cação a pesquisa.
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12
'10.37885/220609099
12
Velocidade de onda de pulso e resistência 
vascular em idosos hipertensos praticantes 
de caminhada
Elohim Lima de Sousa
Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES
Universidade Federal do Ceará - UFC
Carlos Eduardo Urbano da Silva
Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES
Universidade Federal do Ceará - UFC
Pedro Lucas Ferreira das Chagas
Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES
Universidade Federal do Ceará - UFC
Regina Brena de Lima Costa
Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES
Universidade Federal do Ceará - UFC
Francisco Saullo Xavier Ribeiro
Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES
Universidade Federal do Ceará - UFC
José Rian Rodrigues Camelo
Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES
Universidade Federal do Ceará - UFC
Lucas Gabriel de Fontes Sousa
Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES
Universidade Federal do Ceará - UFC
Lara Cristine Ribeiro dos Santos
Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES
Universidade Federal do Ceará - UFC
Marcos Antônio Tenório Machado 
Oliveira
Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES
Universidade Federal do Ceará - UFC
Carla Cristina de Sordi
CCS/Universidade Estadual do Ceará - UECE
https://dx.doi.org/10.37885/220609099
RESUMO
Objetivo: Analisar os efeitos do volume de caminhada semanal sobre a Velocidade de 
Onda de Pulso (VOP) e Resistência Vascular Total (RVT) em idosos hipertensos. Métodos: 
Idosos hipertensos de ambos os sexos foram alocados em grupo fisicamente inativo (FI) e 
ativo (FA). Foram analisadas medidas antropométricas, parâmetros hemodinâmicos basais 
e os métodos da VOP, índice de aumento (AIx) e RVT. Resultados: A média de caminhada 
semanal no grupo FA foi de 306,15 ± 42,3 min. vs. 39,4 ± 49,9 min. em FI (pConclusão: Nossos dados sugerem que um maior volume de caminhada 
semanal é eficiente na diminuição da VOP e RVT em idosos hipertensos. 
Palavras-chave: Idoso, Hipertenso, Rigidez Arterial, Atividade Física, Caminhada, VOP.
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INTRODUÇÃO
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um determinante preditivo para o surgimento 
de eventos cardiovasculares e morte prematura,1 assim como um fator de risco para as 
principais doenças cardiovasculares (DCV). O aumento da rigidez arterial é um fenômeno 
complexo caracterizado pela diminuição da complacência das grandes artérias, sendo o 
principal fator biológico associado ao envelhecimento,2 bem como a presença de doenças 
associadas ao sistema cardiovascular, como a hipertensão arterial.3
O método oscilométrico vem sendo utilizado para compor os exames de risco de eventos 
cardiovasculares, tornando possível obter através dele medidas de diferentes parâmetros 
de rigidez arterial.4 A velocidade de onda de pulso (VOP), constitui o padrão-ouro para a 
avaliação da rigidez arterial, por conta de sua associação com o risco cardiovascular em 
diferentes populações.5
É consenso geral que a exercício físico regular é um fator fundamental para assegurar 
uma maior longevidade e melhor saúde sistêmica, uma vez que o aumento do dispêndio 
energético associado ao exercício evidencia benefícios na redução da inflamação, na me-
lhoria da função endotelial,6 assim como na atenuação da rigidez arterial.7 O protocolo ideal 
de atividade física que promove melhor benefício à saúde cardiovascular ainda é discuti-
do na literatura.
A caminhada é uma atividade física popularmente recomendada por diversos profissio-
nais da saúde.8,9 Além de ser popular e de baixo custo, não requer local específico de prática 
e a maioria da população pode se exercitar, sendo a forma de atividade física de mais fácil 
acesso. A prática crônica de caminhada pode ser uma alternativa para tirar as pessoas da 
inatividade física e ser um coadjuvante importante para o combate e profilaxia do leito arterial, 
particularmente em idosos hipertensos. Entretanto, ainda não está totalmente claro qual a 
“dose resposta” mais indicada para se alcançar benefícios cardiovasculares nessa população. 
Portanto, o presente estudo teve como objetivo analisar o comportamento da rigidez arterial 
mediante ao tempo de caminhada semanal de idosos hipertensos. Nossa hipótese é que 
idosos hipertensos fisicamente ativos com maior volume de caminhada semanal vão obter 
menores níveis de rigidez arterial em relação aos idosos hipertensos fisicamente inativos 
com menor volume de caminhada semanal.
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MÉTODOS
População do estudo
Um total de 33 idosos hipertensos de ambos os sexos, atendidos rotineiramente na Liga 
de Hipertensão Arterial (LHA) do Hospital de Clínicas Universitário da Universidade Federal 
do Triângulo Mineiro (HC-UFTM) e no programa Hiperdia da Unidade Básica de Saúde 
Dona Aparecida Conceição Ferreira (UBS-DACF) no Município de Uberaba-MG, participa-
ram voluntariamente deste estudo onde foram alocados em dois grupos experimentais de 
acordo com os critérios estabelecidos pela World Health Organization:10 fisicamente inativo 
(FI, n=18), composto por idosos hipertensos que caminhavampode ser suficiente para diagnóstico inicial, 
porém, caso ele seja negativo, não se exclui CMH nos pacientes que apresentem alterações 
eletrocardiográficas sugestivas. A ressonância nuclear magnética, nestes casos, deve ser 
feita de rotina (Finocchiaro, et al., 2019).
Anomalias coronarianas
As anomalias das artérias coronárias são uma das principais causas de MSC em atletas 
jovens. As anomalias incluem a artéria coronária esquerda que surge do seio de Valsalva 
direito ou a artéria coronária direita que surge do seio de Valsalva esquerdo. Estudos suge-
rem que menos de 50% dos atletas com AF de uma artéria coronária anômala apresentavam 
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sintomas de alerta preexistentes de sua condição, como dor torácica ao esforço ou síncope 
(Basso, et al., 2000).
Anomalias das artérias coronárias parecem precipitar MSC como consequência de 
alterações isquêmicas decorrentes do posicionamento ou formação anormal da artéria, 
promovendo fibrose miocárdica, que pode predispor a arritmias ventriculares. As artérias 
coronárias anômalas estão entre as condições mais difíceis de detectar em seu estado pré-
-clínico. Uma alta suspeita clínica deve ser mantida no atleta com dor torácica ao esforço 
ou síncope. As artérias coronárias podem ser avaliadas satisfatoriamente em mais de 90% 
dos atletas com ecocardiografia transtorácica focalizada, sugerindo que, se não puderem 
ser visualizadas em um atleta com sintomas cardiovasculares inexplicáveis, a angiotomo-
grafia computadorizada (TC) ou ressonância magnética cardíaca deve ser considerada 
(Edwards, et al., 2010).
Cardiomiopatia dilatada
A cardiomiopatia dilatada (CMD) é caracterizada por disfunção sistólica do ventrículo 
esquerdo ou biventricular, com ou sem dilatação, que não é explicada por condições anor-
mais de carga ou doença arterial coronariana. As possíveis causas incluem predisposição 
genética, miocardite, drogas, toxinas (Pinto, et al., 2016).
O diagnóstico de cardiomiopatia dilatada é desafiador devido à adaptação do VE em 
atletas, pois não é incomum observar dilatação do VE e disfunção leve em atletas de espor-
tes de resistência. A avaliação da função diastólica (normal no caso de coração de atleta), 
ecocardiografia de estresse (aumento da contratilidade no caso de coração de atleta) e ava-
liação funcional durante o teste de esforço cardiopulmonar podem ser úteis para distinguir 
essas condições (Galderisi, et al., 2015).
A avaliação genética tem um papel importante, pois ambas as mutações da lâmina A/C 
e da filamina C estão relacionadas a um maior risco de MSC. A avaliação da elegibilidade 
esportiva deve incluir história de síncope inexplicada, palpitação, arritmias ventriculares 
durante o teste ergométrico e função/morfologia do ventrículo esquerdo por ecocardiografia 
e, às vezes, ressonância magnética. Exercícios de alta intensidade e esportes competitivos 
devem ser evitados em pacientes com essas características (Sinagra, et al., 2016).
Displasia arritmogênica do ventrículo direito
A displasia arritmogênica do ventrículo direito (DAVD) é definida patologicamente pela 
presença de substituição fibrogordurosa do ventrículo direito ventrículo e clinicamente por 
arritmias ventriculares com risco de vida. O genótipo, neste caso, pode ter valor prognóstico. 
Nesta patologia, vários estudos relataram que portadores de múltiplas variantes patogênicas 
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no mesmo gene desmossômico ou mutações em dois ou mais genes podem ter um risco arrít-
mico quase quatro vezes maior do que aqueles com uma única mutação (Rigato, et al., 2013).
A influência da atividade esportiva é particularmente marcante em pacientes com esta 
patologia, nos quais o exercício físico intenso pode levar à progressão da doença (Calkins, 
et al., 2017). Independentemente do risco estimado de MSC, existem evidências científicas 
que sustentam o conceito de que exercícios de alta intensidade e esportes competitivos de-
vem ser evitados. Uma história de síncope inexplicável e sintomas induzidos por exercício 
são os marcadores de risco mais relevantes de MSC. O paciente pode apresentar alterações 
eletrocardiográficas que auxiliam no diagnóstico, porém, a confirmação será dada pela eco-
cardiografia e, principalmente, a ressonância magnética (Towbin, et al., 2019).
Causas arritmogênicas 
Dentre as arritmias mais comumente relacionadas à morte súbita cardíaca, estão a 
síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW), a síndrome do QT Longo (SQTL), a taquicardia 
ventricular polimórfica catecolaminérgicas e a síndrome de Brugada (Priori, et al., 2015).
A Síndrome de Wolff-Parkinson-White é definida como a presença de arritmias supra-
ventriculares em pacientes com pré-excitação ventricular (durante o ritmo sinusal) devido a 
uma via AV acessória com condução anterógrada. A maioria dos pacientas são assintomá-
tico, mas podem desencadear sintomas, como arritmias e palpitações. O risco de MSC em 
pacientes com síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW) varia em torno de 6,8% (Peterson, 
et al., 2020) e, geralmente, ocorre durante o exercício ou estresse emocional, quando o 
aumento da atividade simpática pode levar à fibrilação atrial com rápida ativação ventricular 
pela via acessória, potencialmente precipitante de fibrilação (Obeyesekere, et al., 2012).
A síndrome do QT longo é uma canalopatia complexa e multifatorial que predispõe 
os indivíduos a arritmias ventriculares potencialmente fatais, geralmente precipitadas por 
estresse emocional ou físico. A última diretriz da Sociedade Europeia de Cardiologia sugere 
limites superiores de 480ms no eletrocardiograma, tanto para homens quanto para mulhe-
res (Priori, et al., 2015). Mais de 11 anormalidades genéticas envolvendo canais cardíacos 
de potássio e sódio que dão origem à SQTL foram identificadas e desempenham papéis 
importantes na repolarização cardíaca. Atletas sintomáticos com suspeita ou diagnóstico 
de canalopatia cardíaca devem ser totalmente informados sobre sua condição e abster-se 
de todos os esportes competitivos até que uma avaliação abrangente seja concluída e o 
tratamento iniciado (Maron, et al., 2015).
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Miocardite
A miocardite é uma doença inflamatória não isquêmica do miocárdio, que pode cau-
sar disfunção cardíaca e arritmias. A miopericardite é definida como uma pericardite pri-
mária com inflamação miocárdica e evidência de biomarcadores de necrose de miócitos 
(Sinagra, et al., 2016).
A miocardite é uma importante causa de MSC em atletas (Pelliccia, et al., 2020). Esta 
patologia se enquadra na categoria de cardiomiopatias inflamatórias e pode causar disfun-
ção do VE com subsequente arritmias fatais. As cardiomiopatias inflamatórias podem ter 
causas infecciosas (virais, bacterianas, fúngicas e parasitárias) e químicas (farmacológicas 
inclusive drogas e tóxicas), e incluem várias formas, como sarcoidose cardíaca, miocardite 
autoimune no contexto de doença do tecido conjuntivo, miocardite de células gigantes ou 
cardiomiopatias eosinofílicas (Greulich, et al., 2020).
A miocardite viral relacionada ao COVID-19 foi relatada em vários relatos de casos e 
artigos de revisão. Apesar do mecanismo de lesão cardíaca nesta patologia ainda permane-
cer pouco compreendido, foram levantadas várias hipóteses potenciais sobre a patogênese 
da miocardite nesse caso incluindo dano direto aos cardiomiócitos pelo vírus circulante 
(Gheblawi, et al., 2020); síndrome grave de liberação de citocinas por respostaFreescale Inc., Tempe, AZ). O sensor é conectado a um conversor A / D de 
12 bits por meio de um filtro ativo de graves analógicos ( 25 Hz). Após a digitalização, 
o processamento do sinal foi realizado usando um algoritmo de três níveis. Num primeiro 
passo, as ondas de pressão únicas foram verificadas quanto à sua plausibilidade, testando 
a posição dos mínimos e os correspondentes comprimentos de onda. Durante o segundo 
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estágio, todas as ondas de pressão individuais foram comparadas entre si para reconhecer 
os artefatos. Depois disso, uma onda de pulso aórtica é gerada por meio de uma função de 
transferência generalizada.
A ideia por trás de uma função de transferência é a modificação de uma determinada 
faixa de frequência dentro do sinal de pulso adquirido para obter a onda de pressão aórti-
ca.11 O primeiro cruzamento de zero positivo da derivada de tempo de quarta ordem da onda 
de pulso aórtica gerada representa o ponto de inflexão desejado. Na última etapa, a coerência 
dos parâmetros medidos foi verificada. Portanto, o ponto de inflexão de cada onda de pulso 
foi comparado com o ponto médio de inflexão. O tempo de registro do sinal oscilométrico 
no nível diastólico permite a derivação de parâmetros hemodinâmicos centrais, como PAs 
centrais, Aix, débito cardíaco (DC) e RPT da forma de onda de pulso por meio de uma fun-
ção de transferência. Para o cálculo do DC, os pacientes foram medidos automaticamente 
usando software usando fator de calibração específico do paciente, FC, complacência, área 
da curva de pressão e conformidade, conforme descrito previamente.11
Análise estatística
Os dados foram analisados com SigmaStat 2.3.0 (Software Científico Jandel, SPSS, 
Chicago, IL, EUA). A normalidade da distribuição dos dados foi analisada pelo teste de 
Shapiro-Wilk. As variáveis contínuas foram apresentadas como média ± desvio padrão (DP) 
e variáveis categóricas como porcentagens. As comparações entre os grupos foram feitas 
usando o teste t de Student não pareado (bicaudal) ou o teste U de Mann-Whitney para dados 
não paramétricos e qui-quadrado para as variáveis qualitativas. Valores de probabilidadeimune des-
regulada, com uma resposta inflamatória sistemática grave resultando na hipóxia e apoptose 
dos cardiomiócitos; e superativação do sistema autoimune com possível hiperativação me-
diada por interferon de sistemas imunes inatos e adaptativos (Channappanavar, et al., 2020).
Além disso, o abuso de drogas que melhoram o desempenho, como cocaína, me-
tanfetamina ou efedrina, pode incitar a inflamação do miocárdio. A apresentação clínica é 
altamente variável e inclui arritmias supraventriculares ou ventriculares, bloqueio atrioven-
tricular avançado, insuficiência cardíaca, choque cardiogênico ou morte súbita cardíaca 
(Greulich, et al., 2020).
Prolapso valvar mitral
O prolapso valvar mitral (PVM) é uma condição genética resultante do espessamento e 
da redundância dos folhetos e cordas valvares, gerando flacidez dos folhetos e consequente 
regurgitação mitral (RM). As complicações da insuficiência mitral por PVM incluem hiperten-
são pulmonar, doença cardíaca direita e aumento da probabilidade de fibrilação atrial (FA), 
com consequente risco aumentado de eventos tromboembólicos (Baumgartner, et al., 2017).
O prolapso valvar mitral pode estar associada a um risco aumentado de MSC, embora 
ainda não esteja claro se esse risco se deve aos efeitos hemodinâmicos da RM grave ou 
se há uma predisposição genética subjacente (Drezner, et al., 2017). Os fatores de risco 
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para desenvolvimento de morte súbita incluem cicatriz miocárdica, disjunção anular da valva 
mitral, inversão da onda T nas derivações inferiores e arritmias ventriculares provenientes 
do ventrículo esquerdo (Dejgaard, et al., 2018). Além disso, os sinais clínicos sugestivos da 
patologia incluem história de síncope com arritmia documentada, história familiar de morte 
súbita, insuficiência mitral grave, disfunção sistólica do ventrículo esquerdo, evento tromboem-
bólico prévio e ECG ambulatorial mostrando arritmias significativas (Drezner, et al., 2017).
Devido à natureza relativamente benigna do PVM, pacientes assintomáticos com re-
gurgitação leve ou moderada, na ausência dos fatores de risco mencionados, estão aptos a 
participarem de esportes competitivos e de lazer. Pacientes assintomáticos com RM grave, 
mas nenhum dos marcadores de alto risco podem competir em esportes de intensidade baixa 
a moderada, após discussão prévia com seu especialista. Por fim, pacientes sintomáticos 
com PVM e qualquer uma das características de alto risco mencionadas não devem par-
ticipar de esportes recreativos ou competitivos. No entanto, o exercício aeróbico de baixa 
intensidade deve ser incentivado para melhorar a capacidade funcional e o bem-estar geral 
(Pellicia, et al., 2020).
Causas cardíacas em atletas acima de 35 anos
A doença arterial coronariana aterosclerótica é a causa predominante de morte súbita 
cardíaca em atletas com mais de 35 anos de idade, e o esforço físico vigoroso está asso-
ciado a um risco aumentado de IAM e MSC (Marijon, et al., 2015).
Doença arterial coronariana 
Em atletas com idade mais avançada, superior a 35 anos, o cuidado cardiovascular 
deve ser centrado na maior prevalência de doença arterial coronariana (DAC) aterosclerótica 
e no potencial de síndromes coronarianas agudas induzidas pelo exercício decorrentes de 
ruptura da placa aterosclerótica com trombose ou estenose fixa. Em atletas de endurance o 
balanço entre oferta e consumo de oxigênio pode levar a uma isquemia resultante de placa 
calcificada estável e estenose fixa (Thompson, et al. 2005).
A apresentação clínica dessas síndromes inclui infarto agudo do miocárdio e morte 
súbita cardíaca, sem sintomas anteriores ou sinais de alerta em aproximadamente 50% dos 
casos (Marijon, et al., 2016).
O teste de esforço em adultos assintomáticos e de baixo risco não é recomendado 
pela American Heart Association devido aos baixos valores preditivos. Teste de esforço 
em adultos com 1 ou mais fatores de risco para DAC, no entanto , demonstrou ter melhor 
valor preditivo e pode ajudar a informar a modificação e as intervenções do fator de risco 
(Fletcher, et al., 2013).
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A pontuação de cálcio da artéria coronária (CAC) por tomografia computadorizada re-
presenta uma promessa significativa na identificação de DAC subclínica. Escores elevados de 
CAC estão fortemente associados ao risco futuro de um evento cardiovascular, independente 
dos fatores de risco ou sintomas clássicos de DAC (Budoff, et al., 2018; Mitchell, et al., 2018).
O risco de MSC e IAM aumentam de 3 a 17 vezes durante a prática de exercícios 
vigorosos e se mantém elevados até 30 minutos após seu término, porém a prática regular 
em atividades vigorosas reduz o risco quando comparados a indivíduos com o mesmo score 
de cálcio e níveis de atividades menores (Arnson, et al., 2017).
Causas não-cardíacas
Outra limitação da análise de dados de MSC em atletas centra-se em causas não car-
díacas, algumas das quais mimetizam eventos cardíacos. Dentre estas causas, incluem-se 
acidente vascular cerebral (AVC), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), tromboembo-
lismo pulmonar (TEP), hipernatremia/hiponatremia e anemia falciforme (Maron, et al., 2016).
Algumas substâncias utilizadas como doping são capazes de provocar repercussões 
deletérias, especialmente no aparelho cardiovascular, inclusive a MSC. Dentre as substâncias 
mais usadas, destacam-se os esteroides anabolizantes, a efedrina e as anfetaminas. Dentre 
as drogas sociais, o destacam-se o uso da cocaína, e da 3,4-metilenodioximetanfetamina 
(MDMA), conhecida como ecstasy (Ghorayeb, et al., 2019).
CONDUTAS
A detecção precoce de distúrbios potencialmente letais em atletas pode diminuir a 
morbidade e mortalidade cardiovascular por meio da estratificação de risco, intervenções 
específicas da doença e modificações no exercício (Malhotra, et al., 2018). A triagem car-
diovascular composta por história e exame físico e/ou por eletrocardiograma (ECG) apre-
senta desafios e limitações, como a baixa sensibilidade e alta taxa de resposta positiva dos 
questionários de história pré-participação (Williams, et al., 2019).
A triagem pré-participação visa identificar atletas portadores de doenças cardiovas-
culares, que podem apresentar um maior risco de morte súbita cardíaca durante o espor-
te. Os programas de triagem incluem alguns fatores relevantes para o diagnóstico, como 
história familiar e pessoal, exame físico e ECG de 12 derivações (com achados positivos 
desencadeando exames adicionais, como ecocardiograma, teste de esforço, Holter de 24 
horas e ressonância magnética cardíaca) (Ghorayeb, et al., 2019). Considerando-se que, 
na maioria dos casos, a MSC relacionada com o esporte é provocada por cardiopatias 
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conhecidas ou não diagnosticadas, todo candidato à prática de atividade física necessita se 
submeter ao exame clínico prévio, independentemente da faixa etária (Mont, et al., 2016).
Na história clínica básica, é essencial a inclusão de questionamentos sobre síncope 
prévia, sintomas durante o exercício, como palpitações e pré-síncope, e história familiar 
de doença cardíaca ou morte súbita cardíaca em jovem (abaixo de 40 anos). O exame 
físico deve incluir a medição da frequência cardíaca e da pressão arterial, podendo indi-
car um aumento da área cardíaca, representado por um batimento apical deslocado no 
tórax. Além disso, a ausculta visa a identificação de sopros ou sons cardíacos incomuns. 
Investigações posteriores,como ecocardiograma, teste de esforço, ECG de 24 horas (Holter), 
e demais exames cardiológicos, podem então serem analisados e requeridos se necessário 
(Semsarian, et al., 2015).
O acompanhamento do atleta deve ser feito de forma integral e multidisciplinar, sendo 
importantes medidas preventivas básicas, como nutrição e hidratação adequadas, respei-
tar os períodos de repouso, além de evitar treinamentos e competições nos horários mais 
quentes do dia. O acompanhamento e a observação dos atletas nos locais de treinos e 
competições por profissionais qualificados da equipe médica é de extrema importância, em 
casos de situações emergenciais, visto que a morte súbita cardíaca pode ocorrer durante a 
prática do exercício, na primeira hora após e nas 23 horas seguintes (Ghorayeb, et al., 2019).
Além de todo o material necessário ao atendimento de uma parada cardiorrespira-
tória, o treinamento efetivo voltado à reanimação cardiorrespiratória é essencial, devendo 
ser elaborado um plano de contingência médica nos locais de treinos e competições, para 
a situações de emergência clínica ou cardiovascular, otimizando o transporte dos atletas 
para unidade hospitalar de maior complexidade, quando necessário (Siebert, et al., 2018).
O Desfibrilador Externo Automático (DEA) é um equipamento computadorizado que 
tem a capacidade de identificar a ocorrência de fibrilação e taquicardia ventricular, ritmos 
cardíacos passíveis de choque. Ele deve estar disponível para sua utilização em menos 
de 5 minutos nos locais de treinos e competições, com equipe treinada em reanimação 
cardiopulmonar (Herdy, et al., 2014). Entre atletas jovens, as paradas cardiorrespiratórias 
ocorrem, geralmente, após sessões de treinamento intenso ou durante uma competição. 
Embora a ocorrência destes eventos não seja tão comum, um pronto atendimento efetivo e 
uma reanimação bem sucedida aumenta a sobrevida em longo prazo (Capucci, et al., 2016).
Portanto, uma sequência de ações interdependentes é necessária para o tratamento 
efetivo de um atleta que sofre uma parada cardiorrespiratória súbita, aumentando a sobrevida 
das vítimas, o que é denominado pela American Heart Association (AHA) de “corrente da 
sobrevivência”, formada por: acesso rápido, reanimação cardiopulmonar precoce, desfibri-
lação precoce e Suporte Avançado de Vida Cardiovascular (SAVC) precoce. A maior parte 
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das paradas cardiorrespiratórias súbitas em atletas ocorre devido à fibrilação ventricular, 
(Panhuyezen-Goedkoop, et al., 2017) a qual é tratada com desfibrilação e reanimação car-
diopulmonar imediata. A redução da mortalidade dos atletas vítimas de MSC depende de 
socorristas equipados e treinados para reconhecer emergências, ativar o sistema de emergên-
cia, prover reanimação cardiopulmonar de qualidade e usar o DEA (Ghorayeb, et al., 2019).
Importante marcador de risco, a APP deve ser obrigatória para praticantes de ativi-
dades esportivas, visando detectar alterações cardiovasculares que predisponham à MSC. 
Apesar das divergências internacionais, existe um consenso no que diz respeito à realização 
de história clínica, exame físico e ECG de 12 derivações em todos os atletas, complemen-
tando a investigação com outros exames, quando necessário. Esportistas vítimas de MSC 
devem ser prontamente atendidos e necessitam de reanimação cardiopulmonar imediata, 
realizando a desfibrilação de 3 a 5 minutos após o início do colapso. Como na maioria dos 
casos o ritmo pós-desfibrilação não é capaz de atingir uma perfusão efetiva, a reanimação 
cardiopulmonar deve ser reiniciada imediatamente após o choque (Ghorayeb, et al., 2019).
Portanto, a diminuição do número de casos de MSC em atletas e o aumento da sobre-
vida das vítimas dependem de alguns fatores como a avaliação médica periódica, um efetivo 
protocolo local para emergências e socorristas treinados em Suporte Básico de Vida (SBV), 
capazes de prover ressuscitação cardiopulmonar de qualidade e desfibrilação precoce, e 
com contato rápido com centros habilitados em SAVC (Ghorayeb, et al., 2019).
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Aler Ribeiro de Almeida
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
Marcos D. M. Drummond
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
Leszek A. Szmuchrowski
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
Gustavo F. Pedrosa
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
Bruno P. Couto
UniversidadeFederal de Minas Gerais - UFMG
https://dx.doi.org/10.37885/220308256
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ABSTRACT
The present study aimed to compare the strength performance and the neuromuscular activity 
during one maximum repetition test (1RM), and the maximum voluntary isometric contractions 
(MVIC) performed with whole-body vibration (WBV), local vibration (LV), and no vibration (NV). 
Methods: The sample consisted of 15 males, experienced in strength training for at least 6 
months, which performed all strength tests in the barbell curl exercise across randomized 
trials on the following conditions: NV, WBV, and LV. During all tests, the normalized root 
means square values of the electromyographic signals (EMGRMS) of the biceps brachii and 
brachioradialis were recorded and compared between the conditions. The one-way ANOVAs 
with repeated measures were used to compare the results of 1RM and MVIC tests and the 
normalized EMGRMS between the conditions. When necessary, a post hoc Scott-Knott test 
was used to identify the differences reported in the ANOVAs. The significance level adopted 
was α

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