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MEDICINA DO editora científica digital MEDICINA DO 2022 - GUARUJÁ - SP 1ª EDIÇÃO editora científica digital Diagramação e arte Equipe editorial Imagens da capa Adobe Stock - licensed by Editora Científica Digital - 2022 Revisão Autores e Autoras 2022 by Editora Científica Digital Copyright© 2022 Editora Científica Digital Copyright do Texto © 2022 Autores e Autoras Copyright da Edição © 2022 Editora Científica Digital Acesso Livre - Open Access EDITORA CIENTÍFICA DIGITAL LTDA Guarujá - São Paulo - Brasil www.editoracientifica.org - contato@editoracientifica.org Parecer e revisão por pares Os textos que compõem esta obra foram submetidos para avaliação do Conselho Editorial da Editora Científica Digital, bem como revisados por pares, sendo indicados para a publicação. O conteúdo dos capítulos e seus dados e sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e autoras. É permitido o download e compartilhamento desta obra desde que pela origem da publicação e no formato Acesso Livre (Open Access), com os créditos atribuídos aos autores e autoras, mas sem a possibilidade de alteração de nenhuma forma, catalogação em plataformas de acesso restrito e utilização para fins comerciais. Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Sem Derivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) M489 Medicina do exercício e do esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional / José Martins Juliano Eustaquio (Organizador), Octávio Barbosa Neto (Organizador). – Guarujá-SP: Científica Digital, 2022. E- BO OK AC ES SO LI VR E O N L INE - IM PR ES SÃ O P RO IBI DAFormato: PDF Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader Modo de acesso: World Wide Web Inclui bibliografia ISBN 978-65-5360-126-0 DOI 10.37885/978-65-5360-126-0 1. Medicina. 2. Saúde. I. Eustaquio, José Martins Juliano (Organizador). II. Barbosa Neto, Octávio (Organizador). III. Título. CDD 610 Índice para catálogo sistemático: I. Medicina 2 0 2 2 Elaborado por Janaina Ramos – CRB-8/9166 editora científica digital editora científica digital Direção Editorial Reinaldo Cardoso João Batista Quintela Assistentes Editoriais Erick Braga Freire Bianca Moreira Sandra Cardoso Bibliotecários Maurício Amormino Júnior - CRB-6/2422 Janaina Ramos - CRB-8/9166 Jurídico Dr. Alandelon Cardoso Lima - OAB/SP-307852 C O N SE LH O E D IT O R IA L M es tr es , M es tr as , D ou to re s e D ou to ra s C O R P O E D IT O R IA L Prof. Dr. Carlos Alberto Martins Cordeiro Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Dr. Rogério de Melo Grillo Universidade Estadual de Campinas, Brasil Profª. Ma. Eloisa Rosotti Navarro Universidade Federal de São Carlos, Brasil Prof. Dr. Ernane Rosa Martins Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, Brasil Prof. Dr. Rossano Sartori Dal Molin FSG Centro Universitário, Brasil Prof. Dr. Carlos Alexandre Oelke Universidade Federal do Pampa, Brasil Prof. Esp. Domingos Bombo Damião Universidade Agostinho Neto, Angola Prof. Me. Reinaldo Eduardo da Silva Sales Instituto Federal do Pará, Brasil Profª. Ma. Auristela Correa Castro Universidade Federal do Pará, Brasil Profª. Dra. Dalízia Amaral Cruz Universidade Federal do Pará, Brasil Profª. Ma. Susana Jorge Ferreira Universidade de Évora, Portugal Prof. Dr. Fabricio Gomes Gonçalves Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil Prof. Me. Erival Gonçalves Prata Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Me Gevair Campos Faculdade CNEC Unaí, Brasil Prof. Me. Flávio Aparecido De Almeida Faculdade Unida de Vitória, Brasil Prof. Me. Mauro Vinicius Dutra Girão Centro Universitário Inta, Brasil Prof. Esp. Clóvis Luciano Giacomet Universidade Federal do Amapá, Brasil Profª. Dra. Giovanna Faria de Moraes Universidade Federal de Uberlândia, Brasil Prof. Dr. André Cutrim Carvalho Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Esp. Dennis Soares Leite Universidade de São Paulo, Brasil Profª. Dra. Silvani Verruck Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil Prof. Me. Osvaldo Contador Junior Faculdade de Tecnologia de Jahu, Brasil Profª. Dra. Claudia Maria Rinhel-Silva Universidade Paulista, Brasil Profª. Dra. Silvana Lima Vieira Universidade do Estado da Bahia, Brasil Profª. Dra. Cristina Berger Fadel Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil Profª. Ma. Graciete Barros Silva Universidade Estadual de Roraima, Brasil Prof. Dr. Carlos Roberto de Lima Universidade Federal de Campina Grande, Brasil Prof. Dr. Wescley Viana Evangelista Universidade do Estado de Mato Grosso, Brasil Prof. Dr. Cristiano Marins Universidade Federal Fluminense, Brasil Prof. Me. Marcelo da Fonseca Ferreira da Silva Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, Brasil Prof. Dr. Daniel Luciano Gevehr Faculdades Integradas de Taquara, Brasil Prof. Me. Silvio Almeida Junior Universidade de Franca, Brasil Profª. Ma. Juliana Campos Pinheiro Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Prof. Dr. Raimundo Nonato Ferreira do Nascimento Universidade Federal do Piaui, Brasil Prof. Dr. Antônio Marcos Mota Miranda Instituto Evandro Chagas, Brasil Profª. Dra. Maria Cristina Zago Centro Universitário UNIFAAT, Brasil Profª. Dra. Samylla Maira Costa Siqueira Universidade Federal da Bahia, Brasil Profª. Ma. Gloria Maria de Franca Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Profª. Dra. Carla da Silva Sousa Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil Prof. Me. Dennys Ramon de Melo Fernandes Almeida Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Prof. Me. Mário Celso Neves de Andrade Universidade de São Paulo, Brasil Prof. Me. Julianno Pizzano Ayoub Universidade Estadual do Centro-Oeste, Brasil Prof. Dr. Ricardo Pereira Sepini Universidade Federal de São João Del-Rei, Brasil Profª. Dra. Maria do Carmo de Sousa Universidade Federal de São Carlos, Brasil Prof. Me. Flávio Campos de Morais Universidade Federal de Pernambuco, Brasil Prof. Me. Jonatas Brito de Alencar Neto Universidade Federal do Ceará, Brasil Prof. Me. Reginaldo da Silva Sales Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil Prof. Me. Moisés de Souza Mendonça Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil Prof. Me. Patrício Francisco da Silva Universidade de Taubaté, Brasil Profª. Esp. Bianca Anacleto Araújo de Sousa Universidade Federal Rural de Pernambuco, Brasil Prof. Dr. Pedro Afonso Cortez Universidade Metodista de São Paulo, Brasil Profª. Ma. Bianca Cerqueira Martins Universidade Federal do Acre, Brasil Prof. Dr. Vitor Afonso Hoeflich Universidade Federal do Paraná, Brasil Prof. Dr. Francisco de Sousa Lima Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil Profª. Dra. Sayonara Cotrim Sabioni Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil Profª. Dra. Thais Ranielle Souza de Oliveira Centro Universitário Euroamericano, Brasil Profª. Dra. Rosemary Laís Galati Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil Profª. Dra. Maria Fernanda Soares Queiroz Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil Prof. Dr. Dioniso de Souza Sampaio Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Dr. Leonardo Augusto Couto Finelli Universidade Estadual de Montes Claros, Brasil Profª. Ma. Danielly de Sousa Nóbrega Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre, Brasil Prof. Me. Mauro Luiz Costa Campello Universidade Paulista, Brasil Profª. Ma. Livia Fernandes dos Santos Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre, Brasil Profª. Dra. Sonia Aparecida Cabral Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, Brasil Profª. Dra. Camila de Moura Vogt Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Me. José Martins Juliano Eustaquio Universidade de Uberaba, Brasil Prof. Esp. Walmir Fernandes Pereira Miami University of Science and Technology, USA Profª. Dra. Liege Coutinho- Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 where Mean 1 = biceps brachii mean EMG values of WBV values during the 1RM test, and the Mean 2 = biceps brachii mean EMG values of NV values during the 1RM test, and the . The result of Cohen’s d equation (effect size = 0.25) was inser- ted in the GPower 3.1 software. Thus, an effect size of 0.25, power of 80%, α = 0.05, the correlation between repeated measurements of 0.75, three groups (NV, WBV, and LV), six measurements (1RM test, MIVC, EMG in these two tests for two muscles) were adopted for the sample size calculation. All volunteers were regularly enrolled in a strength training program for at least six uninterrupted months, being considered as recreationally trained27. Exclusion criteria were the incidence of lesions, musculoskeletal diseases in either lower and upper limbs for the last 12 months, or any heart disease. All volunteers received complete information about the objectives and methodological procedures and signed a consent term. The local ethics committee approved this study (under the number: 240.834, year: 2013, process number: 13683413.6.0000.5149), which complied with international standards. PROCEDURES Materials In this study, a cable crossover machine was used (Pedalar®, Brazil), containing on each side 16 plates of 5 kg. For LV application, a three-phase induction motor (WEG W22 PLUS, 2 cv, 3385 rpm, 220-380 V - Siemens®) was used. An eccentric shaft with a pulley at the end was attached to the motor, in which the crossover cable passed around this pulley allowing performing the exercise. The motor was fixed to the ground, facing one side of the crossover, making the cable assuming a vertical trajectory between the crossover sheave and the motor. Figure 1 shows the equipment. 31 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Figure 1. Motor positioning for localized location application. For the WBV application, a vibrating platform (Planet for Fitness®, model PT 004 Professional - USA), adapted with a motor identical to the one used in LV was used. Both the platform and the LV motor were connected to a frequency inverter (WEG, model CFW 09). The vibratory platform was positioned close to the motor at a distance that allowed the cable goes to a vertical trajectory and parallel to the volunteer body. Figure 2 shows how WBV was performed. Figure 2. Platform positioning for whole-body vibration application. The motors from LV and the vibratory platform were only switched on under LV and WBV conditions, respectively. The vibration frequency and amplitude for both cases were 26 Hz and 6 mm, respectively21,28. The time of exposure to vibration was restricted to the time needed to perform the exercise. The frequency inverter was used to control the vibration frequency. The LV amplitude was determinate by the eccentric shaft, which was connected to the cable and in the WBV platform. Subjects were instructed to keep their knees flexed (10°), 32 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 feet parallel, and positioned at a predetermined location to ensure a peak-to-peak amplitude of 6 mm. To verify the severity of human body exposure to vibration, the estimated vibration dose value (eVDV) was calculated from the head acceleration. The eVDV was 10.77 and 9.93 for the WBV and LV respectively. Values of eVDV greater than 17 are considered harmful to the human organism29. To collect EMG data, surface electrodes of the 3M brand (3M, Brazil) were used, fixed in the biceps brachii muscle, according to SENIAM project guidelines, and in the brachiora- dialis at the greater portion of the muscle belly (right arm), located after a voluntary contrac- tion31. The range of motion was controlled by an electrogoniometer (Mega Electronics Ltda, Finland) with its axis of rotation fixed on the lateral epicondyle of the humerus of the left arm. All devices were connected to a biomonitor (Mega Electronics Ltda, Finland - model ME6000) responsible for amplification, analog-to-digital conversion (1000 Hz), and signal transmission to a portable computer, with a sampling rate of 1000 Hz. The EMG and the electrogoniometry data were recorded and analyzed using MegaWin software version 3.0 (Mega Electronics Ltda, Finland). To record the peak force during the MVIC, a load cell (Zb Staniak, Poland) with 1000 Newtons capacity, calibrated, connected to a signal amplifier and decoder (WTM 005-2T / 2P, Jaroslaw Doliriski Systemy Mikroprocesorowe, Poland) was used. The amplifier was connected to a computer interface with the program MAX5 (version 5.1, JBA, ZbStaniak, Poland), which allows analysis of the force curve as a function of time with a sampling fre- quency of 1000 Hz. For both the EMG, and the electrogoniometer data, a bandpass filter with a lower limit of 26 Hz and an upper limit of 450 Hz, and a 60 Hz band-reject filter were used. Familiarization The volunteers came to the laboratory on 7 different days, with, at least, 48 h of rest between days. On the first day, before familiarization begins, subjects performed a single set of 10 maximum repetitions in the barbell curl exercise. The weight lifted was based on the subjects experience and it was used to estimate the value for one maximum repetition (1RM), by using the equation adopted by Shaw et al.30, presented below: (2) After five minutes of resting, the familiarization protocol for each experimental condition (WBV, LV, and NV) was started. The familiarization protocol was composed of 2 sets with 2 repetitions at 95% of the estimated 1RM value. Three minutes rest between sets, and five minutes between each experimental condition were respected. 33 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 The barbell curl exercise constituted the bilateral flexion of the elbow, starting from the full elbow extension position, going to maximum elbow flexion, and returning to the initial position. To control the elbow´s range of motion, a rope passing just above and close to the left shoulder of the volunteer was used, in the sagittal plane. The end of the concentric action was considered maximal when the volunteer’s left fist touched the rope. Shoulder flexion was not allowed and was controlled by the evaluator’s observation. The hands held a straight bar, in the supinated position, at the width of the shoulders. In all day’s tests, the subjects respected the initial position, in which they remained standing on a platform, keeping the knees semi-flexed (10° degrees of knee flexion - 0° = knees fully extended) and the feet parallel and positioned in a predetermined place. Experimental sessions The other six days were reserved for experimental sessions, consisting of the 1RM test and the MVIC test with the same exercises of familiarization for the following conditions: WBV, LV, and NV. Each condition was performed in two subsequent days, separated by an interval of exactly 48 h. The order of conditions in the test sessions was randomized. In all test procedures, data of the surface electromyography (EMG) activity were collected. The mean values of isometric force (MVIC), 1RM, and EMG from the two days tests (each condition) were used for analysis. An interval of exactly 120 h between pairs of sessions of the same experimental condition was respected. At the beginning of all experimental sessions, the maximum voluntary isometric contrac- tion normalization test (MVICn) was performed with and without vibration. The MVICn consis- ted of three maximalisometric contractions lasting six seconds with five-minute rest between attempts17. During this test, the root means square electromyographic activity (EMGRMS) of the biceps brachii and brachioradialis muscles of the right arm, and the maximum peak force was recorded (window of 250 ms). The highest value of the EMGRMS was used to normalize the electromyographic data, recorded during the 1RM and MVIC tests (window of 250 ms). For the accomplishment of MVICn, the volunteers adopted the initial position (same as the familiarization), keeping the elbows flexed at 90° (0° = elbow fully extended), gauged using the electrogoniometer. Respecting a 10 min resting after the MVICn, volunteers started the 1RM test in one of the study conditions (WBV, LV, or NV), adopting the same positioning and execution used during familiarization. The test consisted of five maximum attempts, with five-minute rest between each attempt17. The initial weight was 5% lower than the estimated 1RM value32. The progression of the weight was gradual in the function of the subjective perception of the volunteers and evaluators. Each volunteer was instructed to perform only one repetition 34 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 per attempt. Whenever the movement was performed improperly, or if the volunteer used accessory movements, the weight lifted in the previous attempt was considered the maxi- mum weight (1RM). After the 1RM test, respecting a 30-min interval, the MVIC test was performed in one of the study conditions (WBV, LV, or NV), and its data was used to verify the effects of MV on electromyographic activity and peak force. The procedures and positioning of the volunteers were the same as used in the MVICn tests. STATISTICAL ANALYSIS Initially, the analyses of descriptive data were performed, and Shapiro Wilk tested the normality of data. The interclass coefficient correlation (ICC3,1) and the normalized stan- dard error of measurement (% SEM- SEM/mean data multiplied by 100) were calculated with data collected in sessions with the same experimental condition for EMG, MVIC, and 1RM. To analyze the ICC and SEM, the highest value of EMG, the force peak during the MVIC, and the 1RM test result, found in each of the two sessions for the same condition, were considered. One-way ANOVAs with repeated measures with post hoc of Scott-Knott (when necessary) were used to compare the conditions. The significance level adopted as α 0.14 = large32. All statis- tical procedures were performed using the software SISVAR 5.7. RESULTS ICC and SEM for 1RM test, MVIC, and EMGRMS Regarding the data collection reliability between day 1 and 2 for each condition (NV, LV, WBV), the ICC3,1 and normalized SEM values were, respectively, for 1RM test = 0.999 and 1.17-1.18%; for MVIC = 0.996-0.997 and 1.00-1.40%; for EMGRMS (biceps brachi and brachioradialisis) = 0.991-0.999 and 0.7-2.6%. RM EMG values The normalized EMGRMS values of biceps brachii during the 1RM test were 98.04 + 5.68%, 116.79 ± 11.76%, and 106.07 ± 7.67% for NV, LV and WBV, respectively. According to ANOVA these values are different between conditions (F2,42 = 17.362; pMV did not improve the strength performance. However, the results showed a significant increase in the EMGRMS in either muscle when the MV was applied. Some studies have also demonstrated an increase in EMG du- ring MV application compared to exercises performed without vibration34,35. Cardinale and Bosco36 found that four sets of 60 s of WBV, with the frequency of 30 Hz and amplitude of 10 mm, were able to significantly increase the EMGRMS in the muscles of the upper limbs during the elbow flexion exercise performed dynamically. Hazzel, Jakobi, and Kenno37 found an increase in EMG in the muscles of the lower and upper limbs. In this study, squat and elbow flexion exercises were performed, both isometric and dynamic, with frequencies of 25, 30, 35, 40, and 45 Hz. The presence of tonic vibration reflex may justify the higher EMG activity of the muscles exposed to vibration13,36. Thus, perhaps the MV may have interfered with the EMG values and consequently the interpretation of the results. Notwithstanding, no study that compared the EMG response in activities performed with LV, and WBV were found. We suggest that new studies investigate this possibility. During the WBV, the vibration impulse may have dissipated during its transmission through the body tissues12. The oscillation amplitude of the elbow joint in the WBV condition may have been smaller in comparison to the LV, generating smaller accelerations. Greater amplitude of displacement is associated with greater tonic vibration reflex and consequently, activation of several muscle spindles11. This phenomenon may explain the lower values of EMGRMS found during the WBV when compared to the LV that received the same fre- quency of vibration. The MVIC tests did not show significant differences between the experimental condi- tions. Oliveira et al.38 corroborate these results, as they verified that the application of MV, in the frequencies of 10, 20, 30, and 40 Hz was not able to increase the strength production in trained individuals. According to Oliveira et al.38, the fact that MV does not increase strength in MVIC tests may be related to individual characteristics, such as the level of experience in training with vibration and the MV settings. Still, Warman, Humphrtes, and Purton39 also did not find significant differences in the isometric strength with or without the MV. The 39 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 non-increase in the MVIC indicates that the higher EMG generated by the vibratory stimulus was not sufficient to recruit additional motor units that promoted greater force production in the specific task evaluated. The angle at which the MVIC test is performed can also influence the transmissibility of the vibratory impulse since changes in the angle interfere with the tension present in the target muscle39. In the present study, only the 90° angle of elbow flexion was used during the test, and future studies are needed to assess the effect of MV application at different angles during the MVIC. No significant differences were found in the 1RM tests between conditions. Hammer, Joshua, and Linton40 also found no significant differences in the 1RM test with and wi- thout MV application. According to these authors, the vibratory stimulus may not have been specific enough to promote increases in strength in trained individuals. Cochrane41 also did not find an increase in the concentric strength in the elbow flexion exercise with MV applica- tion. However, the findings of the present study oppose the result presented by the previous studies18,19,35, which found a positive effect of MV application in the 1RM tests in upper and lower limb exercises. Such divergence may be since the response to the vibratory stimulus depends on aspects such as the time of exposure to vibration42, the frequency of vibration9,10, the range of displacement11, and/or type of muscle action10. It was expected a greater strength performance during MVIC and 1RM tests with MV appli- cation because of the presence of tonic vibratory reflex due to muscle stretches that occurred throughout contractions with MV 43. According to Issurin et al.7, Torniven et al.43, and Mileva et al.18, the tonic vibratory reflex may improve the synchronization firing discharges and causing a larger number of motor-units recruitment, leading to greater strength production. However, the result of this study does not corroborate this reasoning. Perhaps, the higher EMG response for MV application was not sufficient to promote significantly higher strength production. Other MV configurations can be effective to generate higher strength performance. This suggests that other studies with different MV parameters could be conducted to respond to this literature gap. Some studies adopt the result of the 1RM test, performed without the application of vibrations, as a reference for the prescription of training intensity with and without the applica- tion of mechanical vibrations7,25, therefore the results of the study may contribute to decisions regarding of application of VM or the type of VM in future works or the physical training. The limitations of the study, we can mention the need of using filters in the EMG signal, aiming to exclude the noise from cable vibrations; and the non-measurement of the cross-talks effect. Additionally, the results found in the present study should be limited to the vibration para- meters. Further studies are required using different vibration parameters to verify the effects of MV on strength development. 40 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 CONCLUSION The MV application resulted in higher EMG activity in the 1RM and MVIC tests, The LV promotes higher EMG than WBV. However, the MV application was not able to increa- se the strength production compared to the non-application of MV in the 1RM and MVIC tests. REFERENCES 1. Bosco C, Cardinale MC, Tsarpela O, Madella A, Tihanvi J, Viru A. Adaptive responses of human skeletal muscle to vibration exposure. Clin Physiol. 1999;19(2):183-7. 2. Jordan MJ, Norris SR, Smith DJ, Herzog W. Vibration training: an overview of the area, training consequences, and future considerations. J Strength Cond Res. 2005;19(2):459- 66. doi: 10.1519/132931. 3. Marín PJ, Rhea MR. 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José Martins Juliano Eustaquio Universidade de Uberaba - UNIUBE https://dx.doi.org/10.37885/220508957 RESUMO A síndrome de dor na virilha do atleta acomete com alta incidência os esportistas e, devido principalmente à complexidade anatômica da região pélvica e ao difícil manejo de suas pa- tologias, é motivo de grande debate na comunidade científica. Uma dessas discordâncias é em relação à nomenclatura empregada na hérnia do atleta, pois não traduz a realidade quanto aos seus achados fisiopatológicos. Na prática, não há um saco herniário nessa afec- ção, mas uma fraqueza da parede posterior do canal inguinal e, com isso, a protusão da gordura do omento (pré-peritoneal). Nesse artigo, propõe-se a criação e utilização do termo “inguinomalacia” em substituição à “hérnia do atleta.” Palavras-chave: Atleta, Virilha, Hérnia. 46 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 INTRODUÇÃO A síndrome de dor na virilha (ZUCKERBRAUN; CYR; MAURO, 2020), apesar de ser um termo inespecífico e muito discutido na literatura, é um diagnóstico sindrômico válido na propedêutica dos atletas com uma desordem neste segmento anatômico. Em geral, inclui patologias que são de difíceis diagnóstico e tratamento, bem como muitos diagnós- ticos diferenciais que apresentam características fisiopatológicas e clínicas semelhantes (WEIR et al., 2015). Além disso, algumas dessas patologias podem coexistir, com destaque para os casos de osteíte púbica (pubalgia do atleta) e hérnia do atleta (ELATTAR et al., 2015). Na comunidade científica, ambas patologias são muito discutidas, principalmente em referência aos seus tra- tamentos e à nomenclatura da hérnia do atleta (KINGSTON et al., 2014; WEIR et al., 2015). DESENVOLVIMENTO Por que preferir o termo Inguinomalacia no lugar de hérnia do atleta? A nomenclatura hérnia do atleta é motivo de debate entre diferentes autores (WEIR et al., 2015; KINGSTON et al., 2014; WEIR et al., 2015), uma vez que a condição patológi- ca não envolve a protrusão de um saco herniário com vísceras abdominais, característica da hérnia clássica, mas a protrusão de gordura omental na região inguinal (Figura 1). Esta protrusão ocorre devido ao enfraquecimento multifocal da parede posterior do canal inguinal (MATSUDA et al., 2011; VAN VEEN et al., 2007), com a consequente compressão de nervos sensoriais inguinais (COMIN et al., 2013). 46 47 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Figura 1. Imagem ilustrativa das camadas anatômicas do canal inguinal e dos pontos de fragilidade da parede posterior do canal inguinal, que caracteriza a inguinomalacia. Fonte: Arquivo próprio do autor. Além disso, alguns autores consideram que hérnia do atleta e osteíte púbica são sinô- nimos da mesma patologia (ELATTAR et al., 2015; ZUCKERBRAUN; CYR; MAURO, 2020), uma vez que podem compartilhar sinais e sintomas e até ocorrer em conjunto no mesmo paciente. No entanto, observa-se na prática clínica que são patologias distintas e, como tal, devem ser abordadas de formas diferentes. Apesar das recentes recomendações de Consensos sobre as expressões apropriadas em referência à hérnia do atleta (SHEEN et al., 2014; WEIR et al., 2015), não se observa o uso rotineiro na prática clínica. Como exemplos, o Consenso da Sociedade Britânica de Hérnia, publicado em 2014, sugeriu a utilização do termo “Inguinal disruption” (SHEEN et al., 2014), ao passo que a Conferência Mundial sobre Dor na Virilha em Atletas, realizada em Doha, em 2014, sugeriu a adoção da expressão “Inguinal-related groin pain” (WEIR et al., 2015). Devido a esses fatores, a utilização de um termo alternativo à hérnia do atleta torna-se válida pois a terminologia atual não exprime, de forma clara, a sua fisiopatologia e ainda causa confusão entre os profissionais de saúde. Nesse sentido, como a patologia é carac- terizada por uma fraqueza anatômica do assoalho do canal inguinal, propõe-se a utilização do termo inguinomalacia no lugar de hérnia do atleta. O sufixo “malacia” é normalmente empregado na literatura médica para expressar altera- ções patológicas semelhantes às encontradas neste distúrbio (HYSINGER, 2021; KIM et al., 2021). Assim, com esta nomenclatura, é permitida uma noção mais objetiva da patologia, sem referência a expressões mais genéricas, além de evitar a confusão com o termo hérnia. 48 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Investigação diagnóstica e conduta terapêutica da Inguinomalacia A dor na região inguinal, que é uma das alterações que caracterizam a síndrome da dor na virilha do atleta, é comumente encontrada em atletas que praticam exercícios relaciona- dos com movimentos pliométricos e rotacionais, especialmente no futebol (CANDELA et al., 2021). Em grande proporção das pessoas afetadas, esta condição evolui com limitações significativas do desempenho esportivo. As principais patologias que apresentam diagnóstico diferencial dessa síndrome, nos atletas, são a osteíte púbica, a lesão proximal dos músculos adutores, as patologias intra- articulares do quadril e as hérnias inguinais (KRAEUTLER et al., 2021). Essas patologias compartilham frequentemente alterações clínicas semelhantes, o que torna o diagnóstico clínico difícil de ser realizado. A principal queixa em comum é dor nas regiões da virilha e dos adutores, que se agrava com movimentos de rotação e adução ativa do quadril contra a resistência (ZUCKERBRAUN; CYR; MAURO, 2020). O cenário clássico do atleta quando procura cuidados médicos é de uma patologia crônica com agudizações rotineiras e, muito comumente, baseada em diag- nósticos prévios equivocados, o que torna o tratamento cada vez mais complexo. Além disso, a presença concomitante de algumas dessas patologias é frequente, prin- cipalmente porque compartilham mecanismos fisiopatológicos semelhantes (KRAEUTLER et al., 2021). Nestes casos, além do estresse mecânico suprafisiológico na região pélvica, típico de algumas modalidades, observam-se também desequilíbrios musculares entre o segmento abdominal e a região proximal dos membros inferiores, geralmente com um maior predomínio relativo dos músculos adutores (ZUCKERBRAUN; CYR; MAURO, 2020). A asso- ciação mais observada é a do atleta com inguinomalacia e também osteíte púbica (CANDELA et al., 2021; ELATTAR et al., 2015; KRAEUTLER et al., 2021). Quanto à inguinomalácia, o seu diagnóstico é possível através de exames de imagem dinâmicos, especialmentea ultrassonografia inguinal (Figura 2) (VASILEFF et al., 2017). Neste exame, o radiologista solicita que o paciente realize a manobra de Valsalva, de di- ferentes maneiras, a fim de aumentar a pressão no canal inguinal e permitir a protusão do tecido adiposo. Os exames estáticos não são capazes de diagnosticar essa patologia. Outros exames de imagem da pelve, como a radiografia panorâmica e a ressonância magnética, ajudam na investigação do diagnóstico diferencial (BOU ANTOUN et al., 2018). 48 49 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Figura 2. Imagens ultrassonográficas dinâmicas da região inguinal de atleta com diagnóstico de inguinomalacia, sem (A) e com (B) esforço pela manobra de Valsalva. Fonte: Arquivo próprio do autor. Com base nos conhecimentos atuais (CASTLE et al., 2021; CHOI et al., 2016; DRAGER; RASIO; NEWHOUSE, 2020), propõe-se um algoritmo prático como opção de tratamento prioritário para casos de osteíte púbica, inguinomalacia e suas associações, de acordo com o nível de desempenho do atleta (Figura 3). Além disso, uma vez feito o diagnóstico da inguinomalácia, o seu tratamento deve ser priorizado em relação a outras patologias da região inguinal. Figura 3. Tratamentos recomendados para osteíte púbica, inguinomalacia e associação de ambos, em atletas amadores e profissionais. Fonte: Arquivo próprio do autor. Assim, para o atleta recreativo, na presença isolada dessa patologia, é indicada uma ten- tativa de tratamento conservador durante três a seis meses. Se o mesmo falhar, o tratamento cirúrgico é indicado. No entanto, na presença conjunta com osteíte púbica, está indicado o tratamento cirúrgico da inguinomalacia e o tratamento conservador da osteíte (Figura 3). Em relação aos atletas profissionais, mais precisamente nas modalidades que envol- vem movimentos pliométricos e rotacionais, o tratamento cirúrgico é indicado sempre que a inguinomalacia estiver presente, independente da presença associada de osteíte púbica (Figura 3). A dinâmica destas modalidades envolve o aumento das pressões abdominal e inguinal, que é precisamente o mecanismo precursor da dor. Portanto, devido a essa 50 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 fisiopatologia, à exigência profissional e também para encurtar o tempo de afastamento no esporte, é indicado o tratamento cirúrgico. A cirurgia de correção da inguinomalacia baseia-se na estabilização mecânica da pa- rede do canal inguinal, através do procedimento de herniorrafia, com ou sem a colocação de tela cirúrgica, e isso inclui tanto abordagens cirúrgicas abertas quanto minimamente invasivas (HATEM; MARTIN; BHARAM, 2021; MINNICH et al. , 2021; ZUCKERBRAUN; CYR; MAURO, 2020). Esse procedimento é realizado pelo cirurgião geral. Se for indicado o tratamento cirúrgico em conjunto com o da osteíte púbica, é necessária a presença tanto do cirurgião geral quanto do cirurgião ortopédico (KRAEUTLER et al., 2021). CONCLUSÃO Inguinomalacia é um termo que traduz com maior acurácica a fisiopatologia da hérnia do atleta, patologia que apresenta alta morbidade entre atletas amadores e profissionais. REFERÊNCIAS 1. BOU ANTOUN, M. et al. Imaging of inguinal-related groin pain in athletes. Br J Radiol, v. 91, n. 1092, p. 20170856, 2018. 2. CANDELA, V. et al. Hip and Groin Pain in Soccer Players. Joints, v. 7, n. 4, p. 182- 187, 2021. 3. CASTLE, J. P. et al. High Return to Play Rate and Reduced Career Longevity Following Surgical Management of Athletic Pubalgia in National Basketball Association Players. Arthrosc Sports Med Rehabil, v. 3, n. 5, p. e1359-e1365, 2021. 4. CHOI, H. R. et al. Return to Play After Sports Hernia Surgery. Clin Sports Med., v. 35, n. 4, p. 621-36, 2016. 5. COMIN, J. et al. 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As amostras pesquisadas foram advindas de periódicos, disponíveis no Scielo e PubMed, nacionais e internacionais, publica- dos entre os anos de 2011 e 2021. Resultados: A suplementação da creatina tem mostrado vários benefícios como o aumento da massa muscular e seu conteúdo nos músculos, nodesenvolvimento de maior potência, aumento de força durante o exercício e menos fadiga durante os treinos. Os atletas que mais se beneficiam são os praticantes de alta performan- ce e curta duração. Nesta revisão, dos trabalhos coletados, oito realizaram testes clínicos comparando a suplementação ou não de creatinina diária por até 8 semanas. Marcadores da função renal e outros metabólitos foram dosados e nenhum parâmetro bioquímico, exceto creatinina, obteve uma diferença superior a 4,5% comparado com o grupo controle. De modo que, nestes trabalhos não foram encontradas evidências de dano fisiológico, incluindo re- nal. Dois estudos mostraram que, em indivíduos saudáveis, a suplementação crônica com creatinina produziu um aumento reversível de aproximadamente 30% da creatinina sérica e concomitante aumento da creatinina urinária. Nenhuma alteração foi vista na taxa de filtração glomerular. Todos os participantes do referido estudo tiveram a diminuição dos valores de creatinina após a suspensão do uso. Além disso, a suplementação diária de baixas doses por até 5 anos não produziu efeito deletério sobre a função renal, comparado com o grupo controle. Neste contexto, o presente estudo não encontrou evidências científicas de que a suplementação da creatina prejudique a saúde de indivíduos saudáveis. Palavras-chave: Creatina, Aumento do Músculo Esquelético, Suplementação Alimentar. 54 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 INTRODUÇÃO O suplemento de creatina tem sido amplamente utilizado para melhorar o desempenho atlético. Além disso, recentes descobertas indicam que este suplemento tem um importante efeito terapêutico em muitas doenças caracterizadas por atrofia, fraqueza muscular e doenças metabólicas (músculos, ossos, pulmão e cérebro) (BALDIN et al., 2021; MELO et al., 2016). A creatina (ácido metilguanidinoacético) é um aminoácido que pode ser produzido endogenamente além de ser encontrado em certos alimentos, esse processo envolve ór- gãos como rins, pâncreas e fígado e usa outros aminoácidos (glicina, metionina e arginina) como substratos. A creatina existe nas formas livre (C) e fosforilada (CP), e 95% de toda a creatina humana é armazenada no músculo esquelético. Quando a creatina é produzida pelo próprio corpo, ela passa por dois tipos processos: primeiro, o grupo amino da argini- na se combina com o aminoácido glicina por meio da ação da glicina transaminase para formar o ácido guanidinoacético. Na segunda, a metiltransferase de guanidinoacetato de metila catalisa a metilação do grupo produzido pela primeira reação, ou seja, o grupo. O gru- po metil em S-adenosilmetionina é adicionado ao grupo anterior para formar creatina (DE OLIVEIRA et al., 2018). Pessoas que iniciam a manipulação da creatina com o propósito de melhorar o de- sempenho, rápido desenvolvimento muscular e encurtamento do tempo de recuperação, na maioria das vezes buscam benefícios por impulso, Sem prestar atenção aos suplementos e seus efeitos colaterais, alguns estudos mostraram que até 20 gramas de creatina por dia não são prejudiciais à saúde, entretanto, ainda não há evidências de que tenha segurança em longo prazo. Antes de iniciar a suplementação com creatina, é melhor buscar um pro- fessional porque você pode prejudicar sua saúde ou até mesmo o desempenho esportivo. Está cientificamente comprovado que quantidades excessivas de aminoácidos e proteínas aceleram a perda de função renal em pacientes que já tenham insuficiência renal crônica, portanto, o uso de creatina nesses pacientes é proibido (OLIVEIRA et al., 2017). A creatina é um produto da decomposição do pool de creatina, incluindo creatina livre e creatina fosfato. O pool é principalmente limitado ao músculo esquelético, que represen- ta 95% de toda a piscina de creatina e os 5% restantes são órgãos, como rins e cérebro. Tanto a creatina quanto o fosfato de creatina ciclam espontaneamente em creatinina em um processo constante, irreversível e não enzimático com cerca de 1,1% da creatina do corpo e 2,6% do fosfato de creatina do corpo ciclando em creatinina. Esses estoques de creatina cíclicos são reabastecidos diariamente a partir da creatina da dieta proveniente da carne ou da síntese de novo usando um processo de duas etapas envolvendo o rim e o fígado (FEIGENBAUM et al.,2017). 54 55 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Por muito tempo, acreditou-se que o aumento da massa magra obtida com a suplemen- tação com creatina se devia à retenção de água causada pela creatina, mas alguns estudos mostraram que a proteína contrátil é afetada por mudanças no conteúdo de água intracelular. Uma explicação para o aumento da massa muscular é a diminuição da degradação que causa um aumento da síntese de proteínas. O edema celular causado pela retenção de água reduz a taxa de degradação de proteínas ao reduzir a liberação de aminoácidos de cadeia ramificada (leucina, valina, isoleucina) e retorna ao normal quando as células voltarem ao normal, indicando que a creatina diminui a proteólise muscular (CONFORTIN et al., 2016). Embora existam vários relatos sobre os efeitos nocivos da suplementação de creatina, incluindo cãibras, disfunções renais e hepáticas, hipertermia e desidratação, não existem evidências científicas que comprovem essas informações, talvez o único efeito adverso que a creatina causa seja a retenção hídrica, que possui algumas repercussões negativas sobre o desempenho físico, isso também vai depender da modalidade esportiva que a pessoa pratica. Não há nenhuma evidência específica na literatura de que a creatina possa ter quaisquer sinais de riscos à saúde ou efeitos colaterais óbvios para homens saudáveis (STABILE et al., 2017). O presente trabalho, teve como principal objetivo, analisar por meio de uma revisão da literatura os efeitos do uso crônico da creatina sobre a função renal. Trata-se de uma revisão argumentativa da literatura, de base técnica quantitativa des- critivo-exploratória (conforme caracterizado por PEREIRA, 2018). As amostras pesquisa- das foram advindas de periódicos, nacionais e internacionais, publicados entre os anos de 2011 e 2021. Os artigos foram adquiridos dos bancos de dados eletrônicos Scielo e PubMed. As palavras-chave utilizadas foram “creatinina” AND/OR “uso crônico” AND/OR “função renal”. A pesquisa se utilizou da análise de conteúdo como técnica de instrumento de coleta de dados, seguida de uma pré-seleção de periódicos, nacionais e internacionais, sendo utilizados os seguintes critérios de inclusão aos mesmos: (1) conteúdos publicados entre os anos de 2011 e 2021, (2) bases textuais que detenham de entendimentos relacio- nados a, uso crônico da creatina e função renal, e (3) periódicos que seguiram indexados no banco de dados selecionado ou estivessem junto a esse disponíveis a pesquisa. Foram incluídos na pesquisa artigos com publicações a partir de 2011, a fim de ter informações mais atuais sobre o tema e trazer clareza sobre o tema proposto. Os critérios de exclusão foram: artigos data anterior a 2011 e que não trouxessem lucidez para o tema explorado. Apenas artigos publicados no idioma português ou inglês foram considerados. Artigos com testes in vitro ou animal foram descartados. Os artigos pré-selecionados, após empregados os critérios para coleta de dados (conforme organizado por MINELLA & LINARTEVICHI, 2021), passaram por uma nova seleção, com base na leitura de seus resumos, sumários e 56 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 prefácios, mantendo como fontes,somente, os que se mostraram mais fielmente adequados ao desenvolvimento pretendido. DESENVOLVIMENTO A creatina foi descoberta pelo francês Michel Chevreu em 1835, quando ele relatou que um novo ingrediente orgânico foi extraído da carne. Justus Liebig em 1847, confirmou a existência da creatina como um componente regular da carne. O pesquisador destacou ainda que raposas selvagens que sobreviveram à caça têm 10 vezes mais creatina em sua carne do que raposas presas, sugerindo que o trabalho muscular pode levar ao acúmulo dessa substância (FARIA, 2018). A função básica da creatina no corpo humano está diretamente ligada ao metabolismo energético, portanto, reservas corporais insuficientes podem limitar a função física, especial- mente em atletas com formas explosivas de esportes, como levantamento de peso olímpico, futebol e basquete, ou aumentar a massa muscular como a musculação (BOUZAS et al., 2015). Atualmente, a creatina existe na forma de monohidrato, micronizado, básico, etílico, fosfato e éster, e pode existir na forma de pós, géis, líquidos, barras. O fosfato de creatina é menos utilizado devido ao seu custo de produção ser mais elevado, mas ela tem o mesmo efeito sensibilizante na massa muscular (OLIVEIRA et al, 2017). A creatina pode ser encontrada em alimentos especialmente carnes e peixes. No en- tanto, é impraticável obter altas doses de creatina desses alimentos, cada 250 gramas de carne crua contêm apenas 1 grama de creatina, então a procura por esse suplemento é alta (TEIXEIRA et al., 2020). A figura 1 mostra os inúmeros os fatores que a creatina influencia para a formação de massa muscular. A creatina funcionará de várias maneiras durante o processo de hipertro- fia, começando com a inibição da miostatina, um fator que regula o crescimento muscular, que promove o ambiente de reforço muscular. A inibição da miostatina irá ativar as células satélites, o que promoverá o aumento de mionúcleos, aumentando a transcrição. 56 57 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Figura 1. Influência da creatina na hipertrofia muscular e mediadores moleculares envolvidos. Abreviações: IGF-1(fator de crescimento semelhante à insulina); FRM (fator regulador miogênico); mTOR (alvo de rapamicina em mamíferos); PCr (fosfocreatina); RO (reativas ao O2); CS (células satélites); AKT (gene); FOX O3(gene responsável por proteólise muscular). Adaptado (CHILIBECK et al. 2017). A creatina ativará o fator regulatório miogênico (FRM) que estimulará as células saté- lites. Ela será também responsável conforme podemos observar na figura 1 pelo aumento de fator de crescimento semelhante à insulina IGF-1 que estimulará a produção de FRM, também ativa o gene AKT que ativa o gene (alvo de rapamicina em mamíferos mTOR que é responsável pelo aumento da transdução proteica. Além disso o gene AKT, age inibindo o FOXO3 que é responsável pela proteólise muscular. Finalmente, o efeito mais conhecido da creatina que é o aumento de fosfocreatina PCR e glicogênio no músculo que permite a pessoa uma maior capacidade e força durante o exercício, que leva à hipertrofia (CHILIBECK et al., 2017). Estudos têm mostrado que os suplemento de creatina deve ser usado em combinação com carboidratos simples, porque essa combinação vai aumentar o transporte da creatina para os músculos. Esse processo é mediado pela insulina, que estimula a enzima ATPase na bomba Na + / K +, que por sua vez promove o transporte simultâneo de Na + / creatina (cada creatina possui duas moléculas de sódio) para manutenção ou recuperação gradiente normal de Na+ e potencial de membrana (PRESTES et al., 2016). Além disso, a suplementação da creatina ajuda a manter altos níveis de ATP durante a atividade física. Alguns autores acreditam que a suplementação da creatina pelos praticantes não tem efeito porque suas reservas estão cheias antes do uso, pois a absorção da creatina pelas fibras musculares é limitada, então o efeito ergogênico é ocorrido pelo aumento da concentração da creatina, quando seus estoques estão reduzidos (SANTOS et al., 2021b). 58 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 No início do século 20, vários estudos mostraram que nem toda a creatina que é ingerida é excretada na urina, levando à descoberta de que parte dela é armazenada pelo corpo. A partir disso, surgiram novas descobertas, como a influência da ingestão da Creatina sobre a composição muscular, conteúdo total no organismo humano e existência de outras formas deste composto, como, por exemplo, a fosfocreatina (PCr). Mais recentemente, es- tudos investigam sobre o seu potencial uso como recurso ergogênico (ASSIS et al., 2021; BOUZAS et al., 2015). Apesar de algumas alegações não comprovadas, as funções do fígado (enzimas, ureia) e rins (filtração de ureia glomerular e taxa de excreção de albumina) não tiveram nenhuma alteração significativa em pessoas saudáveis que suplementavam com creatina, mesmo durante vários meses e até anos, em populações jovens e idosas. Os efeitos po- tenciais (produção de aminas heterocíclicas) de mutagenicidade e carcinogenicidade que foram induzidas pela suplementação de creatina foram reivindicados pela Agência Sanitária Francesa (AFSSA), o que pode colocar os consumidores em risco. Mesmo que haja um li- geiro aumento (dentro da faixa normal) da excreção pela urina de metilamina e formaldeído após uma carga pesada de creatina (20 g / dia), isso não afeta a função renal. A busca pela excreção de aminas heterocíclicas ainda é uma tarefa no futuro, a fim de excluir claramente as reivindicações não comprovadas de certas instituições nacionais. Aconselhamos que a suplementação de creatina em altas doses (> 3-5 g / dia) não deve ser usada por indivíduos com doença renal preexistente ou aqueles com risco potencial de disfunção renal (diabetes, hipertensão, taxa de filtração glomerular reduzida (KIM et al., 2011). A falta de provas bioquímicas sobre uma eventual perda da função renal em estudos controlados em humanos depende, pelo menos em parte, das dificuldades relacionadas à medição da taxa de filtração glomerular (TFG). Como a creatina é transformada em creati- nina, a suplementação da creatina pode interferir na determinação do valor da creatinina e, consequentemente, superestimar o valor do clearance de creatinina, uma estimativa clás- sica da TFG. Para evitar o viés da interferência analítica pela creatinina secretada tubular, métodos padrão-ouro, como a depuração de inulina, devem ser usados. Com tudo, estudos em humanos são difíceis de realizar porque a inulina precisa ser injetada e o procedimento é demorado (FERREIRA et al., 2015). A creatina monohidratada é um dos poucos suplementos nutricionais para os quais as pesquisas têm demonstrado vários benefícios ergogênicos. Além disso, vários benefí- cios potenciais para a saúde foram relatados com a suplementação da creatina. As opiniões públicas e as políticas relacionadas à suplementação da creatina devem ser baseadas na avaliação cautelosa das evidências científicas dos ensaios clínicos bem controlados; não relatos anedóticos infundados, desinformação publicada na Internet e / ou pesquisas mal 58 59 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 elaboradas que apenas divulgam mitos sobre a suplementação de creatina. Dados todas as vantagens bem conhecidas e perfis de segurança favoráveis de suplemento de creatina relatados na literatura científica e médica, é a visão do ISSN que legislaturas governamentais e organizações esportivas que restringem e / oudesencorajam o uso de creatina podem estar colocando os atletas em maior risco - particularmente em esportes de contato que apresentam risco de traumatismo craniano e / ou lesão neurológica, abrindo-se assim para responsabi- lidade. Isso inclui adolescentes e crianças atletas envolvidos em eventos esportivos que os colocam em risco de lesão na cabeça e / ou medula espinhal (KREIDER et al., 2017). O conteúdo de reservatório de creatina de um adulto de 70 kg é de aproximadamente 120-140g. A produção diária de fígado é de cerca de 2g a ingestão diária com uma dieta normal de carne é de 1 g. 95% são encontrados nos músculos e o restante nos rins, fíga- do, cérebro e testículos. O CR armazenado no músculo é de 40% como CR e 60% como fosfocreatina. Diariamente entre 1 e 3% do conteúdo total de creatina (ambas as formas) é transformado espontaneamente (sem participação enzimática) de forma constante e irre- versível em creatinina (CRN), conforme figura 2, que passa para o sangue, é filtrado pelos glomérulos e excretado na urina. Uma proporção variável de CRN é secretada pelo túbulo proximal por meio da secreção de ânions orgânicos (BOUZAS et al., 2015). Figura 2. Conversão reversível de creatina em fosfocreatina pelo fosfato inorgânico. A conversão reversível de creatina em fosfocreatina pelo fosfato inorgânico por ação da enzima creatinase. A reação reversa produz ATP do ADP e creatinina como um pro- duto residual, que é excretado na urina. Pi = fosfato inorgânico; H2O = água. Adaptado (BOUZAS et al., 2015). 60 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Uma vez que doses supra fisiológicas de suplementação de creatina poderiam facilitar a demonstração de seu potencial para efeitos colaterais em nível de tecido, neste estudo foram usadas análises histopatológicas e enzimáticas para esclarecer o possível efeito pro- tetor do exercício durante a suplementação de altas doses de Cr. Em geral, a doença renal é caracterizada por qualquer grau de dano morfológico e também por qualquer anomalia bioquímica, embora possa haver uma doença renal séria sem sinais clínicos ou mudanças laboratoriais que indicam insuficiência renal. Portanto, os níveis plasmáticos de ureia e crea- tinina são marcadores clássicos da função renal, pois representam um marcador simples de filtração glomerular (TEIXEIRA et al., 2020). O uso de suplementos nutricionais de creatina pode elevar temporariamente os níveis de creatinina sérica e simular a existência de uma nefropatia. Quando o uso de creatina está associado a uma dieta rica em proteínas, a elevação resultante do nitrogênio da ureia pode aumentar essa suspeita. Dada a prática atual dos laboratórios clínicos de relatar a taxa de filtração glomerular estimada, usando fórmulas que incluem creatinina, uma eleva- ção da creatinina por essa causa pode levar a um sobre um diagnóstico de uma possível insuficiência renal crônica, com consequências importantes para pacientes e pacientes (SANTOS et al., 2021a). Após a ciclagem, a creatinina deixa o tecido muscular para se difundir na corrente sanguínea e, finalmente, é filtrada através do glomérulo do rim para excreção. O processo de ciclagem não enzimática da creatina em creatinina é razoavelmente constante, de modo que a creatinina pode ser usada como um indicador da massa muscular existente. Por exemplo, um homem de 70kg com ~ 120 g de creatina corporal total produz cerca de 2g / dia de creatinina a partir dessas reservas (CARVALHO et al., 2011). A creatina é frequentemente utilizada por pessoas que tem a pratica de exercícios físicos regularmente, fisiculturistas e por atletas profissionais como uma substância ergo- gênica. Seu uso se popularizou nas Olimpíadas de Barcelona em 1992 e é aceito como produto legal pela agência mundial antidoping. A suplementação da creatina tem mostrado vários benefícios como o aumento da massa muscular e seu conteúdo nos músculos, no desenvolvimento de maior potência e aumento de forças durante o exercício e menos fa- diga durante os treinos. Os atletas que mais se beneficiam são aqueles que tem a pratica exercícios de alta performance e curta duração (por exemplo, corrida, salto). Desde que seu uso se tornou massivo entre os atletas (mais de 400 milhões de dólares em suplementos de RC são vendidos anualmente), foi sugerido que sua suplementação poderia ter efeitos deletérios sobre a função renal (BALDIN et al., 2021). Um protocolo de 20g / 7 dias pode simular doença renal porque aumentará os níveis de creatinina sérica e portanto, mudará sua TFG (Taxa de Filtração Glomerular), que depende 60 61 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 do valor da creatina sérica a ser calculada, resultando em danos aos rins. Isso porque, por não ser considerado um medicamento, o paciente não informará ao médico seu uso durante o exame. Nesta área, existem poucos estudos em pacientes que já apresentam doença renal, por isso é recomendado não usar este suplemento. Já que o armazenamen- to da creatina ocorre basicamente no início da suplementação, o excesso de creatina será excretado na urina nos dias seguintes, portanto, uma das possíveis reações adversas mais discutidas na comunidade científica é a suspeita de suplementação da creatina pode causar um estresse renal, no entanto, diversos estudos indicam que o uso agudo ou crônico em até 10 semanas deste composto até 30 gramas por dia não altera a função renal em pessoas saudáveis. Além disso, a suplementação diária de baixas doses (1,5 gramas) por até 5 anos não tem efeito sobre a função renal. Portanto, até o momento, não existem evidências científicas de que a suplementação da creatina prejudique a saúde de indivíduos saudáveis (BOUZAS et al., 2015). Em um estudo foi investigado os possíveis malefícios da suplementação da creatina em mulheres e homens, onde se utilizou de 26 parâmetros clínicos. Um estudo composto por 48 pessoas fisicamente ativos, em 7 grupos, com o objetivo de avaliar os protocolos de “saturação” de creatina (20g/ao dia durante 5 dias) e “manutenção” (3g ao dia ao durante 8 semanas). As pessoas que foram submetidas ao protocolo de “saturação” foram avaliadas após 1 dia e 6 semanas após o termino da suplementação. Já os indivíduos que foram sub- metidas ao protocolo de “manutenção” foram divididos em grupos que realizavam ou não treinamento de força (ASSIS et al., 2021). Os pesquisadores acreditam que a suplementação com creatina não apresenta nenhum risco. No entanto, concentrações elevadas de creatinina e uréia foram registradas no grupo de suplementação de creatina por 5 dias e 8 semanas, respectivamente. Essas alterações foram interpretadas como de “baixa relevância clínica”, citando primeiro as limitações da creatinina como marcador da taxa de filtração glomerular. Curiosamente, os pesquisadores só usaram os níveis plasmáticos de creatinina, potássio, sódio e ureia para avaliar a função renal. Embora esses métodos (a própria equipe de pesquisa) sejam geralmente reconheci- dos como imprecisos, eles concluíram que a suplementação de creatina não afeta a função renal, não causa qualquer risco óbvio na função renal (de OLIVEIRA et al., 2020). Em um relato de um caso clinico, em que um paciente procura um hospital relatando de um edema na perna, ele tinha uma creatinina sérica de 2,2 mg / dl e um eVFG de 33 ml / min. Uma semana depois, sua creatinina sérica era de 2,56 mg / dl e eVFG de 28 ml / min. A avaliação por especialista não revelou outras alterações renais. O paciente relatou treinar 5 vezes por semana e ingerir 8 comprimidos diários de CR-EE (32 g) por 4 meses. Ele foi instruído a descontinuar os suplementos de CR-EE e 2 semanas depois seu CRN 62Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 era 1,17 mg / dl e eVFG era 70 ml / min. Concluiu-se que a ingestão de CR-EE foi respon- sável pelo aumento do CRN e pelo diagnóstico equivocado de insuficiência renal aguda (WILLIAMSON & NEW, 2014). Willis et al., (2011) relataram o caso de um homem que consultou por causa de um quadro viral prolongado e diagnosticou infecção por HIV. Sua função renal estava nor- mal. Um mês após o início da terapia antirretroviral, seu CRN era de 1,88 mg / dl e eVFG (valor de filtração glomerular) era de 41 ml / min. Suspeitou-se de a nefropatia estava rela- cionada ao HIV ou efeito colateral do medicamento. A avaliação renal estava normal. O pa- ciente relatou que frequentava uma academia e consumia 24-30 g de suplemento proteico e 5-10 g de creatina monohidratada. Ele foi orientado a descontinuar os suplementos e o CRN diminuiu para 1,33 mg / dl e o eVFG aumentou para 61 ml / min. Concluiu-se que os suplementos foram os responsáveis pela alteração. Em um caso de um jovem de 18 anos, saudável, que iniciou um quadro de vômitos, náuseas e dor epigástrica após a ingestão de 20 g de Creatina durante 5 seguidos de 1 g por dia durante 6 semanas. Sua pressão arterial era 150/90 mmHg e sua creatinina sérica era de 2,28 mg / dL, que subiu para 4,55 mg / dL durante a internação. A biópsia renal revelou necrose tubular aguda. Após suspensão do suplemento por 25 dias, a pressão arterial voltou ao normal e os indicadores de função renal voltaram aos valores anteriores ao suplemento. Este é o único caso de lesão renal aguda conhecida na literatura que ocorreu quando uma dose convencional de creatina foi suplementada em um paciente sem qualquer patologia prévia (SANTOS et al., 2021a). Com o objetivo de avaliar os efeitos da suplementação nas funções, 35 homens sau- dáveis, foram divididos em três grupos (denominados de placebo, CRE1 e CRE2), durante um período de 8 semanas de treinamento especifico de musculação. Os grupos placebo e CRE1 fizeram o consumo de 0,03g/Kg de seus suplementos (maltodextrina e creatina, respectivamente), enquanto o grupo CRE2 fez o consumo de 5g/Kg. O grupo de controle (PLA) teve diminuição de 4,7% da atividade renal, já nos grupos CRE1 e CRE2 foi observado aumento na atividade renal, porém, esses valores estiveram dentro dos limites de normali- dades considerados de relevância clínica. Este estudo demonstrou que a suplementação da creatina em associação ao treinamento não altera a função renal, sendo assim totalmente segura para a sua suplementação (CARVALHO et al., 2011). Dezoito homens realizando treinamento de resistência três vezes por semana foram suplementados com creatina monohidratada 0,3 g / kg por dia por 7 dias e comparados com controles pareados suplementados com dextrosol. Amostras de urina e sangue foram coletadas antes e 30 dias após a suplementação para avaliar 41 parâmetros bioquímicos e da sua função renal. A suplementação da creatina monohidratada não causou eventos 62 63 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 adversos e, como esperado, promoveu aumento do desempenho e do peso corporal. Não foram encontradas nenhuma modificação dos parâmetros de glóbulos vermelhos, perfil de glóbulos brancos, perfil de lipídios do sangue, marcadores metabólicos e urinários, função hepática e renal foram observados no grupo suplementado (ALMEIDA et al., 2020). Um dos efeitos esperados dos suplementos orais de creatina é o crescimento da massa muscular. O peso corporal aumentou de 1,0% a 2,3%, o que é atribuído à massa corporal magra e, mais especificamente, à massa muscular esquelética. Embora seja improvável que a retenção de água possa explicar completamente essas mudanças, nunca foi observado uma elevação na síntese de proteína muscular após suplementar com creatina. Evidências indiretas baseadas em análises de mRNA sugerem que a transcrição de certos genes é aumentada. Embora o efeito da creatina na síntese de proteína muscular pareça irrefutável de acordo com a publicidade, essa alegação permanece em debate na literatura científi- ca. Os rins parecem manter sua funcionalidade em indivíduos saudáveis que suplementam com creatina, mesmo ao longo período (ANTONIO et al., 2021). Não existem evidências na literatura que sustentem que a creatina pode representar um risco para a saúde de homens saudáveis, mas há muitos casos na literatura que mos- tram que a creatina possa prejudicar a função renal com o uso indiscriminado, para não trazer riscos à saúde, recomenda-se que indivíduos saudáveis que fazem uso regular desse suplemento não ultrapassem 5g ao dia, pois não existem evidências científicas suficientes para garantir a ingestão segura acima dessa dose por muito tempo. É comum observar vários especialistas em saúde condenarem o consumo de creatina, especialmente com a afirmação de que esse suplemento é prejudicial à função renal. A dedução é simples e até mesmo lógica: a creatina é convertida espontaneamente a creatinina, a qual é excretada pelos rins. O excesso de creatina obtida pela suplementação geraria uma sobrecarga renal ao ser excretada, assim aumentando a creatinina, exame utilizado como marcador renal (VEIRA JUNIOR et al., 2021; FALCÃO, 2016). As alterações na função renal continuam sendo a principal preocupação entre os médi- cos. Há varias evidências conflitantes sobre se o consumo de creatina em usuários saudáveis tem efeito sobre os níveis de creatinina sérica ou urinária (MARESE et al., 2019; SILVA & LINARTEVICHI, 2021). Várias evidências sugerem que o efeito é mínimo em indivíduos saudáveis, com aumento reversível de aproximadamente 30% da creatinina sérica e con- comitante aumento da creatinina urinária, não tem evidencias que altera a taxa de filtração glomerular (AMARAL & NASCIMENTO, 2020). 64 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 CONSIDERAÇÕES FINAIS Diversos estudos, a maioria realizado em homens realizando treinamento resistido três vezes por semana foram suplementados com monohidrato de creatina em diferentes concentrações, por 7 dias e comparados com controles pareados suplementados com dex- trosol. Vários testes foram realizados, em alguns deles, amostras de sangue e urina foram coletadas antes e 30 dias após a suplementação no qual inúmeros parâmetros bioquímicos e função renal foram avaliados. A suplementação de creatina monohidratada não causou eventos adversos e, como esperado, promoveu aumento do desempenho e do peso corporal. Conclusões: o presente estudo não encontrou na literatura, evidências que sustentem que a creatina pode representar um risco para a saúde de homens saudáveis. No entanto, casos na literatura sugerem que a creatina pode prejudicar a função renal com o uso indiscrimina- do, para não trazer riscos à saúde, recomenda-se que indivíduos saudáveis que fazem uso regular desse suplemento não ultrapassem 5g/dia. O farmacêutico tem como papel orientar esses pacientes ao uso correto da creatina, que se usado da maneira correta possui vários benefícios como citado acima. Pode também orientar a fazer a monitorização de exames laboratoriais para controle, orientar também ao possível efeito sobre a creatinina, que como citado a cima pode vir alterada causando um falso diagnostico de função renal, ao qual se acontecer, fazer as orientações corretas. Com base nessa revisão de literatura, sugere-se que, o uso de suplementos da creatina em indi- víduos saudáveis por longos períodos é seguro para a saúde e não há evidências clínicas de que cause danos renais crônicos.Goulart Dornellas Universidade Presidente Antônio Carlos, Brasil Prof. Me. Ticiano Azevedo Bastos Secretaria de Estado da Educação de MG, Brasil Prof. Dr. Jónata Ferreira De Moura Universidade Federal do Maranhão, Brasil Profª. Ma. Daniela Remião de Macedo Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Brasil Prof. Dr. Francisco Carlos Alberto Fonteles Holanda Universidade Federal do Pará, Brasil Profª. Dra. Bruna Almeida da Silva Universidade do Estado do Pará, Brasil Profª. Ma. Adriana Leite de Andrade Universidade Católica de Petrópolis, Brasil Profª. Dra. Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco Instituto Federal do Sertão Pernambucano,, Brasil Prof. Dr. Claudiomir da Silva Santos Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, Brasil Prof. Dr. Fabrício dos Santos Ritá Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, Brasil Prof. Me. Ronei Aparecido Barbosa Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, Brasil Prof. Dr. Julio Onésio Ferreira Melo Universidade Federal de São João Del Rei, Brasil Prof. Dr. Juliano José Corbi Universidade de São Paulo, Brasil Profª. Dra. Alessandra de Souza Martins Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil Prof. Dr. Francisco Sérgio Lopes Vasconcelos Filho Universidade Federal do Cariri, Brasil Prof. Dr. Thadeu Borges Souza Santos Universidade do Estado da Bahia, Brasil Profª. Dra. Francine Náthalie Ferraresi Rodriguess Queluz Universidade São Francisco, Brasil Profª. Dra. Maria Luzete Costa Cavalcante Universidade Federal do Ceará, Brasil Profª. Dra. Luciane Martins de Oliveira Matos Faculdade do Ensino Superior de Linhares, Brasil Profª. Dra. Rosenery Pimentel Nascimento Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil Profª. Esp. Lívia Silveira Duarte Aquino Universidade Federal do Cariri, Brasil C O N SE LH O E D IT O R IA L M es tr es , M es tr as , D ou to re s e D ou to ra s CONSELHO EDITORIAL Profª. Dra. Irlane Maia de Oliveira Universidade Federal do Amazonas, Brasil Profª. Dra. Xaene Maria Fernandes Mendonça Universidade Federal do Pará, Brasil Profª. Ma. Thaís de Oliveira Carvalho Granado Santos Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Me. Fábio Ferreira de Carvalho Junior Fundação Getúlio Vargas, Brasil Prof. Me. Anderson Nunes Lopes Universidade Luterana do Brasil, Brasil Profª. Dra. Iara Margolis Ribeiro Universidade do Minho, Portugal Prof. Dr. Carlos Alberto da Silva Universidade Federal do Ceara, Brasil Profª. Dra. Keila de Souza Silva Universidade Estadual de Maringá, Brasil Prof. Dr. Francisco das Chagas Alves do Nascimento Universidade Federal do Pará, Brasil Profª. Dra. Réia Sílvia Lemos da Costa e Silva Gomes Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Dr. Evaldo Martins da Silva Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Dr. António Bernardo Mendes de Seiça da Providência Santarém Universidade do Minho, Portugal Profª. Dra. Miriam Aparecida Rosa Instituto Federal do Sul de Minas, Brasil Prof. Dr. Biano Alves de Melo Neto Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil Profª. Dra. Priscyla Lima de Andrade Centro Universitário UniFBV, Brasil Prof. Dr. Gabriel Jesus Alves de Melo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Brasil Prof. Esp. Marcel Ricardo Nogueira de Oliveira Universidade Estadual do Centro Oeste, Brasil Prof. Dr. Andre Muniz Afonso Universidade Federal do Paraná, Brasil Profª. Dr. Laís Conceição Tavares Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil Prof. Me. Rayme Tiago Rodrigues Costa Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil Prof. Dr. Willian Douglas Guilherme Universidade Federal do Tocatins, Brasil Prof. Me. Valdemir Pereira de Sousa Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil Profª. Dra. Sheylla Susan Moreira da Silva de Almeida Universidade Federal do Amapá, Brasil Prof. Dr. Arinaldo Pereira Silva Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Brasil Profª. Dra. Ana Maria Aguiar Frias Universidade de Évora, Portugal, Brasil Profª. Dra. Deise Keller Cavalcante Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, Brasil Profª. Esp. Larissa Carvalho de Sousa Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal Esp. Daniel dos Reis Pedrosa Instituto Federal de Minas Gerais, Brasil Prof. Dr. Wiaslan Figueiredo Martins Instituto Federal Goiano, Brasil Prof. Dr. Lênio José Guerreiro de Faria Universidade Federal do Pará, Brasil Profª. Dra. Tamara Rocha dos Santos Universidade Federal de Goiás, Brasil Prof. Dr. Marcos Vinicius Winckler Caldeira Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil Prof. Dr. Gustavo Soares de Souza Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, Brasil Profª. Dra. Adriana Cristina Bordignon Universidade Federal do Maranhão, Brasil Profª. Dra. Norma Suely Evangelista-Barreto Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Brasil Prof. Me. Larry Oscar Chañi Paucar Universidad Nacional Autónoma Altoandina de Tarma, Peru Prof. Dr. Pedro Andrés Chira Oliva Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Dr. Daniel Augusto da Silva Fundação Educacional do Município de Assis, Brasil Profª. Dra. Aleteia Hummes Thaines Faculdades Integradas de Taquara, Brasil Profª. Dra. Elisangela Lima Andrade Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Me. Reinaldo Pacheco Santos Universidade Federal do Vale do São Francisco, Brasil Profª. Ma. Cláudia Catarina Agostinho Hospital Lusíadas Lisboa, Portugal Profª. Dra. Carla Cristina Bauermann Brasil Universidade Federal de Santa Maria, Brasil Prof. Dr. Humberto Costa Universidade Federal do Paraná, Brasil Profª. Ma. Ana Paula Felipe Ferreira da Silva Universidade Potiguar, Brasil Prof. Dr. Ernane José Xavier Costa Universidade de São Paulo, Brasil Profª. Ma. Fabricia Zanelato Bertolde Universidade Estadual de Santa Cruz, Brasil Prof. Me. Eliomar Viana Amorim Universidade Estadual de Santa Cruz, Brasil Profª. Esp. Nássarah Jabur Lot Rodrigues Universidade Estadual Paulista, Brasil Prof. Dr. José Aderval Aragão Universidade Federal de Sergipe, Brasil Profª. Ma. Caroline Muñoz Cevada Jeronymo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, Brasil Profª. Dra. Aline Silva De Aguiar Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil Prof. Dr. Renato Moreira Nunes Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil Prof. Me. Júlio Nonato Silva Nascimento Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil Profª. Dra. Cybelle Pereira de Oliveira Universidade Federal da Paraíba, Brasil Profª. Ma. Cristianne Kalinne Santos Medeiros Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Profª. Dra. Fernanda Rezende Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Estudo em Educação Ambiental, Brasil Profª. Dra. Clara Mockdece Neves Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil Profª. Ma. Danielle Galdino de Souza Universidade de Brasília, Brasil Prof. Me. Thyago José Arruda Pacheco Universidade de Brasília, Brasil Profª. Dra. Flora Magdaline Benitez Romero Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Brasil Profª. Dra. Carline Santos Borges Governo do Estado do Espírito Santo, Secretaria de Estado de Direitos Humanos., Brasil Profª. Dra. Rosana Barbosa Castro Universidade Federal de Amazonas, Brasil Prof. Dr. Wilson José Oliveira de Souza Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil Prof. Dr. Eduardo Nardini Gomes Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil Prof. Dr. José de Souza Rodrigues Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil Prof. Me. Willian Carboni Viana Universidade do Porto, Brasil Prof. Dr. Diogo da Silva Cardoso Prefeitura Municipal de Santos, Brasil Prof. Me. Guilherme Fernando Ribeiro Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Brasil Profª. Dra. Jaisa Klauss Associacao Vitoriana De Ensino Superior, Brasil Prof. Dr. Jeferson Falcão do Amaral Universidade da Integração InternacionalNovos estudos, sejam eles clínicos, ou revisões sistemáticas devem ser realizados para que outras populações sejam avaliadas e novos parâmetros sejam estudados, uma vez que, o uso indiscriminado da creatina é um fato e estudos que busquem traçar limites seguros para utilização da mesma devem ser estimulados. Conflito de interesse Os autores declaram não haver conflito de interesse. REFERÊNCIAS 1. ALMEIDA, D.; COLOMBINI, A. & MACHADO, M. Creatine supplementation improves performance, but is it safe? Double-blind placebo-controlled study. 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Palavras-chave: Exercício Físico, Osteoartrose, Articulação. 70 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 INTRODUÇÃO A osteoartrose é uma doença crônica degenerativa das articulações, caracterizada por alta prevalência em ambos os sexos, além de consideráveis gastos demandados em seu tratamento, o que caracteriza na prática um problema de saúde pública (QUICKE et al., 2022). Por isso, há uma necessidade crescente de estudo e aperfeiçoamento das aborda- gens tanto preventiva quanto terapêutica. Quanto aos fatores etiológicos, sabe-se que alguns deles, como a obesidade, a síndro- me metabólica, a sarcopenia e as microlesões condrais, são fatores direta e indiretamente preveníveis através do exercício físico (ABRAMOFF; CALDERA, 2020). Destaca-se, assim, que o exercício físico atua não apenas como uma medida terapêutica, mas também preven- tiva às alterações articulares degenerativas. A osteoartrose cursa, em sua fisiopatologia, com alterações biológicas e mecânicas (COLLINS et al., 2018). Para que se tenha sucesso em seu tratamento, é necessário a abor- dagem de ambas alterações. Nesse sentido, em atuação direta sobre os fatores biológicos, tem-se os condroprotetores (ou nutracêuticos), a viscussuplementação e o exercício físico. Sobre os fatores mecânicos destacam-se os dispositivos externos, como os braces e as palmilhas, e também o exercício físico. Percebe-se, portanto, que o fator comum de ambos é o exercício físico, motivo pelo qual destaca-se a importância dessa medida no tratamento conservador e cirúrgico da osteoartrose. DESENVOLVIMENTO Importância do exercício físico na fisiopatologia da osteoartrose Em linhas gerais, a osteoartrose está associada a um quadro fisiopatológico mais amplo , e não apenas a um acometimento articular isolado. Está, portanto, relacionada a diferentes patologias metabólicas e alterações inflamatórias sistêmicas, que vão colaborar no surgimento e principalmente na perpetuação do quadro articular degenerativo (PAGNOTTI et al., 2019). Esse é um dos motivos que justifica os benefícios do exercício físico ao portador de osteoartrose. Sabe-se que, com o avançar da idade, ocorre naturalmente um aumento do comportamento sedentário, com consequente diminuição do gasto energético e surgimento da obesidade. Além disso, de forma direta, tanto a idade quanto a obesidade vão desenca- dear, por razões metabólicas e mecânicas, o surgimento da osteoartrose. Todos esses fatores associados estão envolvidos em um quadro mais abrangente de diminuição de força muscular, inflamação crônica e doenças metabólicas, conhecido 70 71 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 como obesidade osteosarcopênica (COLLINS et al., 2018; PAGNOTTI et al., 2019). Nota- se, portanto, essa importante interação entre fatores metabólicos e mecânicos na gênese da osteoartrose, cujo fator essencial para desencadear toda essa cascata de eventos é a inatividade física. Portanto, o exercício físico promove respostas anabólicas tanto para o tecido ósseo quanto para o tecido muscular, além de frear os fatores de desgaste cartilaginoso naturais da idade e prevenir o surgimento da obesidade, o que naturalmente vai inibir o processo inflamatório que culmina no surgimento e na perpetuação das alterações articulares dege- nerativas (GODZIUK et al., 2018). Abordagem do treinamento físico para o portador de osteoartrose: visão geral Os dados da literatura (LIAO et al., 2020; ZHU et al., 2020) evidenciam que, para o paciente portador de osteoartrose, os exercícios físicos resistidos (musculação) são os mais efetivos para se tratar a sarcopenia (ou mais precisamente a dinapenia), patologia essa muito relacionada com a gênese da osteoartrose. Porém, é sempre importante explicar ao paciente que, diante de qualquer programa de treinamento físico, os efeitos benéficos ocorrerão a longo prazo, após um período médio de três meses, e que inicialmente a dor será exacerbada. Essa informação ao paciente é essencial mesmo de forma preventiva, pois é muito comum a interrupção dos exercícios já no primeiro quadro de intensificação da dor. Destaca-se, portanto, a necessidade da par- ticipação ativa do profissional da saúde em educar o paciente sobre essa neurociência da dor e explicar, de forma clara, sobre a evolução natural do processo. Além disso, o paciente com artrose geralmente é um paciente idoso, com diferentes limitações tanto físicas quanto psicológicas, além de muitas vezes ter sido sedentário a vida inteira, o que desencadeia um quadro de cinesiofobia, ou seja, medo de realizar exercício físico. Logo, o profissional que atua com esse paciente deve compreender que a complexa interação entre fatores físicos, sociais e psicológicos pode ser uma das causas de insuces- so no tratamento. Porém, é importante considerar também que o envelhecimento está associado a umamaior resistência ao anabolismo (LIAO et al., 2020), motivada por um maior catabolismo protéico, uma menor perfusão sanguínea da musculatura esquelética e uma menor sensi- bilidade das enzimas responsáveis pela hipertrofia muscular. Assim, com o objetivo de ganho de massa muscular, será necessária uma preocupação maior com o aspecto nutricional, baseado por exemplo em uma suplementação protéica (ou de aminoácidos) para estimular o anabolismo. Essa suplementação deve ser individualizada de acordo com o estilo de vida e as patologias de base do portador de osteoartrose. 72 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Abordagem do treinamento físico para o portador de osteoartrose: especificidades de cada segmento corporal Com relação à osteoartrose da coluna vertebral, sabe-se que o treinamento físico é fundamental para o alívio da dor e deve ser focado em uma abordagem multiprofissio- nal. As principais opções de modalidades são a yoga, o pilates, a hidroterapia e os exercícios resistidos (ZHU et al., 2020). Para os portadores de artrose dos membros superiores, observa-se na literatura uma maior escassez de estudos relacionados ao treinamento físico (BOBOS et al., 2019; MAGNI; MCNAIR; RICE, 2017), sendo que os estudos disponíveis focam principalmente nos exer- cícios resistidos, que mostram uma baixa evidência de melhora da função e da dor a curto prazo e moderada evidência de melhora da função a médio e longo prazos. Já para a artrose dos segmentos do membro inferior, sobre a qual a literatura apre- senta resultados mais robustos (IMOTO et al., 2019; HISLOP et al., 2020; PEREZ-HUERTA et al., 2020), observa-se que os melhores desfechos ocorrem através da associação de treinamentos de flexibilidade, força e aeróbio de baixo impacto. Além disso, conforme já dito, a melhora ocorre a médio e longo prazos, ao redor do terceiro mês após o início do treinamento, desde de que seja prescrito em intensidade moderada e em frequência de três vezes por semana, no mínimo. Porém, de todos esses exercícios, aquele que de forma isolada traz melhores benefí- cios são os resistidos, que também devem ser prescritos em intensidade moderada e com atenção especial ao complexo lombo-pélvico-quadril (HISLOP et al., 2020). Sabe-se que não há benefícios desse treinamento em alta intensidade, como ocorre por exemplo nos programas de treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT), cujo exemplo mais comum atualmente é o CrossFit (MESSIER et al., 2021). Para os pacientes com quadros mais graves de osteoartrose, sem condições ou in- dicações cirúrgicas, a literatura é mais escassa, mas mostra evidência de bons resultados com o treinamento de Tai Chi Chuan, o qual ajuda na melhora dos parâmetros funcionais (YOU et al., 2021). Outra opção são os exercícios resistidos com restrição de fluxo sanguí- neo, conhecidos também como pré-condicionamento isquêmicos, os quais são baseados na realização de exercícios com baixa carga e que, devido à restrição de fluxo sanguíneo, há a formação de um ambiente bioquímico propício para o anabolismo (FERLITO et al., 2020). Para os casos em que há indicação de tratamento cirúrgico, o exercício físico também está indicado como medida de preparo pré-operatório, através de fisioterapia ou de treina- mento físico, pois leva a melhores resultados funcionais após a cirurgia (WANG et al., 2016). No pós-operatório, os exercícios também devem ser prescritos, mas de acordo com o procedimento realizado. De uma forma geral, as cirurgias de substituição articular levam 72 73 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 à melhor satisfação quanto aos níveis de dor, porém, limitam mais o paciente quanto aos exercícios, ao contrário do paciente submetido a uma cirurgia sem substituição articular, como as osteotomias, que permitem uma variedade maior de exercícios após a fase de reabilitação (BELSEY et al., 2021). CONSIDERAÇÕES FINAIS A osteoartrose é uma patologia com alta morbidade em suas fases intermediária e avançada, cuja evolução pode ser amenizada através da prática de exercício físico específico para o segmento corporal acometido. De uma forma geral, o treinamento resistido em inten- sidade moderada traz uma série de benefícios ao portador de doença articular degenerativa. REFERÊNCIAS 1. ABRAMOFF, B.; CALDERA, F. E. Osteoarthritis: Pathology, Diagnosis, and Treatment Options. Med Clin North Am., v. 104, n. 2, p. 293-311, Mar. 2020. 2. BELSEY, J. et al. Return to Physical Activity After High Tibial Osteotomy or Unicom- partmental Knee Arthroplasty: A Systematic Review and Pooling Data Analysis. Am J Sports Med., v. 49, n. 5, p. 1372-1380, Apr. 2021. 3. BOBOS, P. et al. The effectiveness of joint-protection programs on pain, hand function, and grip strength levels in patients with hand arthritis: A systematic review and meta- -analysis. J Hand Ther., v. 32, n. 2, p. 194-211, Apr. 2019. 4. COLLINS, K. H. et al. Obesity, Metabolic Syndrome, and Musculoskeletal Disease: Common Inflammatory Pathways Suggest a Central Role for Loss of Muscle Integrity. Front Physiol., v. 9, p. 112, Feb. 2018. 5. FERLITO, J. V. et al. The blood flow restriction training effect in knee osteoarthritis people: a systematic review and meta-analysis. Clin Rehabil., v. 34, n. 11, p. 1378- 1390, Nov. 2020. 6. GODZIUK, K. et al. 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Effects of Protein Supplementation Combined with Exercise Training on Muscle Mass and Function in Older Adults with Lower-Extremity Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Trials. Nutrients., v. 12, n. 8, p. 2422, Aug. 2020. 10. LIAO, C. D. et al. Effects of Muscle Strength Training on Muscle Mass Gain and Hyper- trophy in Older Adults With Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-Analysis. Ar- thritis Care and Research, vol. 72, n. 12, p. 1703-1718, 2020. 11. MAGNI, N. E. ; MCNAIR, P.J. ; RICE, D. A. The effects of resistance training on muscle strength, joint pain, and hand function in individuals with hand osteoarthritis: a syste- matic review and meta-analysis. Arthritis Res Ther., v. 19, n. 1, p. 131, Jun. 2017. 12. MESSIER, S. P. et al. Effect of High-Intensity Strength Training on Knee Pain and Knee Joint Compressive Forces Among Adults With Knee Osteoarthritis: The START Randomized Clinical Trial. JAMA., v. 325, n. 7, p. 646-657, Feb. 2021. 13. 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PLoS One., v. 15, n. 9, p. e0238544, Sep. 2020. 06 '10.37885/220509018 06 E x e r c í c i o s , C a t e c o l a m i n a s e Imunossenescência: uma revisão narrativa de literatura Anne Sulivan Lopes da Silva Reis Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB Grasiely Faccin Borges Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC Ana Clara Silva dos Santos Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB Adryane Gomes Mascarenhas Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB Iulas de Souza Ramos Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB https://dx.doi.org/10.37885/220509018 RESUMO Com o envelhecimento aumentam os riscos para o desenvolvimento de doenças crônicas inflamatórias e infecciosas, processo este conhecido como imunossenescência. Os siste- mas imunológico, endócrino e nervoso central são altamente integrados, responsáveis por desencadear e influenciar uma série de respostas imunes e hormonais. O exercício físico configura-se como importante intervenção terapêutica de ampla eficácia e magnitude, com efeitos nas respostas imunes/inflamatórias mediadas por catecolaminas e adrenorrecepto- res. Com o prolongamento da prática de exercícios, há a adequação às respostas do eixo simpático-adrenal, acréscimo de hormônios e a liberação de citocinas na circulação, agentes esses capazes de regular respostas globais no organismo, em que a repetição da estimu- lação simpática induz a liberação de catecolaminas. Palavras-chave: Imunossenescência, Exercício Físico, Catecolaminas. 77 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 INTRODUÇÃO Os tecidos do organismo humano são formados por uma complexidade de hormônios e substâncias de igual semelhança, as quais atuam de formas endócrinas, parácrinas e autócrinas (HACKNEY; LANE, 2015; GIUDICE; TAYLOR, 2017; HACKNEY, 2020). Estes elementos estão envolvidos em uma profunda relação fisiológica, com diversas funções res- ponsáveis pela modulação de sistemas e mecanismos como crescimento, desenvolvimento, hidratação, metabolismo, reprodução, regulações cardiovasculares, respostas imunológicas e reação ao estresse (ZOUHAL et al., 2008; KRAEMER et al., 2020; KRUK; KOTARSKA; ABOUL-ENEIN, 2020). A prática de exercícios e atividades físicas são potentes estimuladores hormo- nais. Os efeitos dessa conexão incidem também, nos processos gerenciados por es- tas substâncias para manutenção da homeostase (ELIAKIM, 2016; HACKNEY, 2020). Predominantemente, as reações endócrinas do organismo ao dispositivo estressor do exer- cício são positivas, contribuindo para o aprimoramento dos aspectos funcionais dos órgãos e tecidos e corroborando tanto para a saúde como para o desempenho (DI LIEGRO et al., 2019; HACKNEY, 2020). Somado a isso, a ativação da resposta biológica ao estresse estimula o Sistema Nervoso Simpático, liberador de catecolaminas, e o eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal, causando neste primeiro dessensibilização de β-AR, inflamação e redução da vigilância imunológica, com consequente aumento do risco de doenças e enfermidades (PADRO; SANDERS, 2014; KOOPMAN et al., 2017). Com a idade, o sistema imunológico passa por uma série de remodelações nomeadas imunossenescência. Tais modificações ocorrem em níveis distintos na imunidade inata e adaptativa, e estão associadas ao envelhecimento de suas respectivas células, em órgãos linfoides e fatores circulantes (NIKOLICH-ZUGICH, 2018). Profundas alterações hormo- nais também marcam esses processos, já que o sistema imunológico, endócrino e nervoso central são indissociáveis e frente ao avanço da imunossenescência, atesta-se acréscimo tanto na fragilidade à autoimunidade e infecções, quanto na diminuição da resposta vacinal (ALVES; BUENO, 2019). A regularidade de atividade física é um importante imunomodulador desse processo, promovendo melhora dos processos inflamatórios/imunológicos. A prática crônica de exer- cícios é uma indutora de adaptações neuroendócrinas, capaz de ampliar a sensibilidade adrenérgica, postulando a probabilidade do exercício físico promover a ressensibilização de β-ARs nas células do sistema imunológico (DE MOOR et al., 2006). A secreção hormonal é modulada por vários contextos, como genética, estilo de vida, meio ambiente, dieta e exercícios. Os hormônios influenciam o crescimento dos músculos, 78 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 ossos e a regulação do metabolismo. O exercício físico altera a secreção hormonal, conforme a frequência, duração, intensidade e modo de treinamento (KRÜGER et al., 2016; SELLAMI et al., 2019) bem como nos marcadores da senescência imunológica MATHOT et al., 2021). Neste sentido, por meio de uma revisão narrativa, este estudo versará sobre as relações de exercícios físicos, catecolaminas e imunossenescência. DESENVOLVIMENTO Resposta Hormonal ao Exercício Físico Uma única sessão de exercícios pode perfazer inúmeras modificações hormonais, sen- do que a maior parte dessas respostas estão estreitamente inter-relacionadas. O Modelo de Resposta Hormonal ao Exercício - Hormonal Exercise Response Model (HERM), que busca explicar como ocorrem essas modificações, apresenta três fases interativas (HACKNEY; LANE, 2015; HACKNEY, 2020). A partir da fase primária, logo após alguns segundos do início do exercício, a resposta hormonal se faz presente, devido à gradação no estímulo do Sistema Nervoso Simpático. Neste contexto, os tecidos alvos são atingidos de modo direto pela liberação de noradre- nalina, além da ascensão do fluxo de adrenalina e dopamina em seu efeito denominado “transbordamento” simpático. Essa intensificação é observada antes mesmo da efetivação do movimento corporal, como uma espécie de antecipação da atividade, notada principalmente em competições (ZOUHAL et al., 2008; HACKNEY, 2020). A conexão simpática com a glândula adrenal potencializa este efeito, contribuindo assim, para o circuito resposta à catecolamina (adrenalina). Em paralelo a essas ações simpático-a- drenais, ocorre a inibição da secreção pancreática de insulina, ao passo da estimulação da secreção de glucagon. Essas respostas iniciais são comandadas pelo recurso de feed-forward (regulação antecipatória) do Sistema Nervoso Central, e por alterações da entrada neural periférica aferente de receptores sensoriais. Essa sequência é identificada especialmente no músculo esquelético logo no prelúdio do movimento (VIRU; VIRU, 2001; HACKNEY, 2020). A segunda fase, também está marcada pela agilidade no desfecho do processo. Antes do primeiro minuto do começo do exercício, o desencadeamento de liberação de hormônios pelo hipotálamo é acionado. Na tentativa de provocar mudanças na hipófiseanterior, com vistas a estimular a liberação de hormônios específicos, o fator liberador de tireotropina, o fator liberador de corticotropina e o fator liberador de hormônio de crescimento são ativa- dos. O estímulo hipotalâmico induz uma resposta da hipófise, secretando muitos de seus “hormônios tróficos” na circulação, afetando especificamente as glândulas endócrinas perifé- ricas, intensificando a liberação hormonal extra (DI LIEGRO et al., 2019; HACKNEY, 2020). 78 79 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 A terceira fase de resposta hormonal ocorre mediante a continuação da execução dos exercícios. Conforme o prolongamento da prática, há uma espécie de adequação às respos- tas do eixo simpático-adrenal, o qual experimenta um acréscimo de outros hormônios como do crescimento, prolactina e antidiurético, provenientes da hipófise anterior e posterior, bem como a testosterona, a tiroxina, a triiodotironina, o fator de crescimento semelhante à insu- lina-1, todos oriundos das glândulas endócrinas periféricas, vinculada a hipófise (KRÜGER et al., 2016; HACKNEY, 2020). Conforme o trânsito fluídico perpassa o ambiente vascular, e as reservas de água do organismo encontram-se em decréscimos importantes, haja vista a produção do suor ten- sionado pela dispersão de calor, o sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona é acionado, impelindo assim as ações vasoconstritoras e de reabsorção da água nos rins. Nesta etapa, igualmente incorre a liberação de citocinas estimuladas pelo músculo esquelético, na circu- lação, tal como a IL-6, propulsores cômpares aos hormônios. Esses agentes conseguem interferir na emissão de outros hormônios, como o cortisol, sendo passíveis de intervenções, capazes de sinalizar e impulsionar substratos energéticos, bem como reações do sistema imunológico (HACKNEY, 2008, 2020). Posto o modelo apresentado em três fases, os elementos neurais tidos como estí- mulos primários, regulam as respostas hormonais iniciais ao exercício, ou seja, a primeira e a segunda fase. Devido às mudanças no “ambiente interno”, a terceira fase sofre maior influência dos fatores humorais e hormonais, que são responsáveis por regular as respostas globais no organismo. Para determinar a magnitude da resposta hormonal, há sobrepujança da confiança crescente no feedback, como mudança de fatores regulatórios primários, em detrimento do mecanismo de controle feed-forward (regulação antecipatória) (KARSENTY; MERA, 2018; HACKNEY, 2020). A amplitude da variação dos níveis hormonais, associada, em via direta, à extensão da duração do exercício, desencadeia limitação na disponibilidade de substratos energéticos, incorrendo em alterações na utilização das reservas de energia. Tal fato induz no decréscimo de carboidratos verso o acréscimo de lipídios, concomitantemente, com reveses do nível de hidratação (hemoconcentração e/ou desidratação). Essas adversidades na competência termorregulatória, elevam o acúmulo interno de calor no organismo, impactando as respos- tas hormonais, como nos casos da noradrenalina e adrenalina. Portanto, as alternâncias de temperatura de modo geral, sendo por exercícios ou pelo ambiente, perpetram em uma resposta hormonal demasiadamente alta, para numerosos dispositivos endócrinos primordiais (VON AH MORANO et al., 2020; HACKNEY, 2020; TSCHAKERT et al., 2022). 80 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Catecolaminas, Exercício Físico e Imunossenescência O sistema endócrino sofre alterações importantes durante o envelhecimento. Neste processo observa-se um considerável declínio nos hormônios do crescimento (GH), hor- mônios sexuais e de Dehidroepiandrosterona (DHEA) (LUU; PALCZEWSKI, 2018). Como produto secretor essencial da adrenal humana, o DHEA é sintetizado através dos depósi- tos de colesterol e antes mesmo de entrar no plasma, o hormônio é unicamente sulfatado (DHEAS). Esse pró-hormônio é transformado em DHEA e seus metabólitos em diversos tecidos periféricos (CANNING et al., 2000). Posteriormente à secreção, o percentual desse hormônio total na circulação constitui-se, especialmente de DHEAS - a concentração sérica de DHEA livre é inferior a 1%. No segundo decênio da vida, os níveis séricos deste reduzem chegando atingir cerca de 5% do nível original (BAUER; DE LA FUENTE, 2008). Os DHEAS/DHEA podem contrapor diversas variações fisiológicas de glicocorticóides endógenos, englobando o acréscimo das propriedades imunomoduladoras. Evidências su- gerem que o envelhecimento está intimamente relacionado à ativação expressiva do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal na elevação da produção de cortisol no organismo (LUZ et al., 2003; BAUER; JECKEL; LUZ, 2009). Para a homeostase do sistema imunológico, o eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal é elementar para um bom funcionamento, portanto qualquer desregulação deste mecanismo correlaciona-se a várias patologias imunomediadas. É possível exemplificar por intermédio da superativação do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal, decorrente do estresse crônico, a suscetibilidade ou a gravidade de doença infecciosa através do efeito imunossupressor dos glicocorticóides (BAUER; JECKEL; LUZ, 2009). Em disparidade, as respostas embotadas do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal estão relacionadas a suscetibilidade de disfunção in- flamatória autoimune (CIOLAC; RODRIGUES; VIEIRA, 2020). O risco de doenças crônicas inflamatórias e infecciosas aumenta, sobretudo, em pes- soas idosas. Ademais, essas enfermidades podem estar ligadas ao envelhecimento precoce do sistema imunológico, exibindo ampla equivalência à imunossenescência, abarcando encurtamento dos telômeros celulares, subtração das especificidades de TCR, diminuição de células T Naïve e o crescimento da produção de citocinas pró-inflamatórias (BAUER; JECKEL; LUZ, 2009; CAÑAS-GONZÁLEZ et al., 2020). As alterações do sistema imunológico associados à idade, atuam de forma crucial na fisiopatologia da aterosclerose, artrite, insuficiência cardíaca crônica, resistência à insulina, obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, doença hepática gordurosa não alcoólica, doença pulmonar crônica obstrutiva e tipos específicos de câncer (LANCASTER; FEBBRAIO, 2014; LUU; PALCZEWSKI, 2018). 80 81 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Em contrapartida, a prática regular de atividade física parece promover melhora, em grande parte, dos processos inflamatórios/imunológicos imbuídos nessas disfunções. Desta forma, variados estudos como epidemiológicos, experimentais e clínicos, atestam o benefício da atividade física regular na imunomodulação (LANCASTER; FEBBRAIO, 2014; CIOLAC; RODRIGUES; VIEIRA, 2020). Similarmente é sugerido que a constância da prática de atividade física exerce função fundamental tanto na prevenção, quanto no tratamento de várias doenças crônicas, estabe- lecendo a regularidade do exercício físico, como potente mecanismo de efeitos “antienvelhe- cimento” em diversos sistemas fisiológicos (CIOLAC; RODRIGUES; VIEIRA, 2020; MATHOT et al., 2021). A aptidão física e o treinamento físico estão associados a um melhor controle dos herpes vírus latentes e a um risco reduzido de reativação viral durante o isolamento e confinamento (AGHA et al., 2020). Neste sentido, o exercício físico configura-se como importante intervenção terapêutica de ampla eficácia e magnitude, chegando a ser comparada a prescrição medicamentosa nos casos de patologias metabólicas, já que promove diversas alterações moleculares e celulares em vários tecidos, sustentando profusas ações homeostáticas (HANDSCHIN;SPIEGELMAN, 2008; REIS et al., 2022). Os efeitos da prática de exercício nas respostas imunes inatas/inflamatórias são me- diados crucialmente por catecolaminas e adrenorreceptores. Ainda, que a maioria dos efei- tos anti-inflamatórios das catecolaminassejam realizadas por intermédio dos receptores β adrenérgicos (especialmente β2), é desconhecido se em circunstâncias homeostáticas modificadas, como obesidade e no decurso do exercício, as respostas inatas/inflamatórias dos macrófagos à estimulação adrenérgica β2 são similares às das células de organismos saudáveis (ORTEGA; GÁLVEZ; MARTÍN-CORDERO, 2019). O perfil de citocinas induzidas pelo exercício é classicamente anti-inflamatório, com- preendendo aumentos nos níveis de IL-10, antagonista do receptor de IL-1 (IL-1ra), e IL-6 (LANCASTER; FEBBRAIO, 2014). Uma demonstração desse efeito foi observada na prática de ciclismo prolongado, o qual reduziu a indução de endotoxina, produção de TNF-a nos participantes, agindo assim na prevenção e atenuação do desenvolvimento de doenças metabólicas crônicas (GLEESON et al., 2011). Um dos principais efeitos do exercício físico está na limitação da concentração de lipí- dios pró-inflamatórios, seja por restringir a expansão do tecido adiposo ou pela subtração do acúmulo de lipídios no músculo esquelético e no fígado. Ademais, ao impedir o aumento do tecido adiposo, o exercício restringe o recrutamento de macrófagos M1 pró-inflamatórios e linfócitos T CD8+, células responsáveis por proporcionar resistência à insulina (LANCASTER; FEBBRAIO, 2014). 82 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Desse modo, os exercícios físicos liberam mioquinas/miocinas, que são definidas como citocinas e outros peptídeos produzidos, expressos e liberados pelas fibras musculares no organismo (SEVERINSEN; PEDERSEN, 2020). A liberação de interleucina-6 (IL-6) do músculo esquelético e a consecutiva produção do antagonista do receptor de IL-1 (IL-1ra) por monócitos e macrófagos pode retratar uma relevante ação anti-inflamatória do exercício (CAO DINH et al. 2017; MATHOT et al., 2021). A repetição da estimulação simpática induz a liberação de catecolaminas que podem induzir alterações nas relações adesivas entre as paredes dos vasos e os linfócitos, con- tribuindo para a movimentação do sangue periférico (JOUDA et al., 2012). Visto isso, os níveis plasmáticos de noradrenalina foram significativamente associados à porcentagem de células T (e T reguladoras) mobilizadas, passíveis de senescência. Ademais, adrenalina também foi correlacionada às células com propensão à senescência (CAO DINH et al. 2017; MATHOT et al., 2021). As células T são consideradas biomarcadores de imunossenescência. Em idosos, a perda progressiva da capacidade de renovação dos linfócitos via involução tímica ou hematopoiese reduzida, impedem a renovação de células T Naïve e contribuem para um compartimento de células T, onde predominam menos clones de células T diferenciadas tardiamente. Produções reduzidas de IL-2 em células T Naïve é um dos exemplos que tornam o compartimento de células T disfuncional em idosos (VENTURA et al., 2017), resultando em menor variabilidade de receptor de células T, maior vulnerabilidade a infecções e menor eficácia na imunização (SALMINEN; KAARNIRANTA; KAUPPINEN, 2019; ALVES; BUENO, 2019; ZHAO; SHAO; PENG, 2020). As células T senescentes são produtoras prolíficas de IL-6, IL-8, TNF, IFNγ, IL-10 e TGF-β, mas incapazes de proliferar eficazmente quando estimuladas. Além disso, cau- sam repercussões negativas à saúde por possuírem um fenótipo secretor associado à se- nescência que acarreta um estado pró-inflamatório de baixo grau responsável por influen- ciar no surgimento de diversas doenças advindas com a idade (PAWELEC; GOLDECK; DERHOVANESSIAN, 2014). Consideráveis mudanças ocorrem na contagem e nas funções dos leucócitos, mediante estímulo do exercício agudo. A distribuição de linfócitos T sofre alterações diferenciadas em órgãos linfoides e não linfoides, a depender do tipo e intensidade do exercício. Enquanto o pulmão, a medula óssea e as placas de Peyer servem como órgãos-alvo, foi constatado a liberação de células T do baço (KRÜGER et al., 2008). Evidenciou-se que treinamentos de alta intensidade - High Intensity Training (HIT) e exer- cícios contínuos atingem a apoptose de diversos subconjuntos de células T (KRUGER et al., 2016). Foi observada uma acentuada adição no percentual de células T Naïve apoptóticas 82 83 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 depois de três horas de exercícios contínuos. Em contrapartida, o HIT, provocou um eleva- do acréscimo no percentual de apoptose em células T com propensão a senescência, logo após a prática do exercício. A mobilização de distintos fenótipos de células T induzidas pela intervenção dos exercícios HIT e o exercícios contínuos conseguiu aumentar a porcentagem de células CD8+ Naïve, memória central e a memória efetora, imediatamente após a prática de exercícios (TURNER et al., 2016). A mobilização de células T invariantes associadas à mucosa, igualmente pode ser afetada por exercícios. Essas células não convencionais abarcam em torno de 5% do mon- tante de células T do sangue, 10% das células T CD8+ e cerca de 45% das células T do fígado (GODFREY et al., 2015). Ao exibir respostas efetoras do tipo inato, estas células demonstraram estar envolvidas em consideráveis patologias infecciosas e não infecciosas (GODFREY et al., 2019). O exercício moderado de ciclismo, foi capaz de promover o aumento das células T inva- riantes. Contudo, essa proporção foi inferior quando comparada ao aumento seguidamente ao exercício máximo. Ainda assim, uma hora após a recuperação do exercício, o percentual de células T invariantes manteve-se em alta. Uma razão provável para esta elevação con- sidera o estímulo do Sistema Nervoso Simpático, redirecionando o fluxo sanguíneo para os tecidos ativos ao invés dos tecidos residenciais de células T invariantes e a expressão de proteínas de adesão (CD44) (HANSON et al., 2017). Os níveis plasmáticos de noradrenalina foram consideravelmente relacionados com o percentual de células T reguladoras mobilizadas. Isso sugere que a movimentação dessas células em parte também depende da intensidade da realização do exercício (KRUGER et al., 2016). A elevação da porcentagem das células CD16 e das células CD56 foi consta- tada após a realização do teste incremental em cicloergômetro, com e sem restrição do fluxo sanguíneo. Para ambas as intervenções, foram encontrados valores de pico equivalentes. Porém, os valores de pico consideravelmente maiores, ocorreram durante o exercício com restrição de fluxo sanguíneo, quando comparados aqueles com carga de trabalho isotônica (TURNER et al., 2016). O aumento dos valores de pico surpreendentemente, relacionaram-se à concentração de noradrenalina e à ativação total dos músculos inspiratórios e expiratórios. Entretanto, sa- lienta-se que essas distintas intervenções foram praticadas em dias subsequentes. Portanto, a supressão dos efeitos da intervenção precedente pode não ser completamente assegurada (ROLLAND-DEBORD et al., 2017). O tipo e a intensidade do exercício são fatores primordiais para a mobilização das célu- las Natural Killer. A movimentação dessas células para o sangue periférico em resposta ao 84 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 exercício é administrada por diversos fatores, como a elevação do estresse de cisalhamento, fluxo sanguíneo periférico (EVANS, 2017; GREEN etal., 2017). A mobilização de fenótipos de células T mais diferenciados, parece ser vastamente dependente da sinalização de catecolamina, por meio dos receptores adrenérgicos β2. Isso atesta prévias inferências nos mecanismos que exercem função na mobilização de linfócitos impelida por exercícios. Imediatamente após o exercício, ocorreu um aumento na contagem das células NKG2C-CD57-, NKG2C-CD57, NKG2C CD57-, que retornaram aos níveis ba- sais após uma hora da execução do exercício. Isso ocorreu devido à mobilização prioritária movida por catecolamina de células Natural Killer, mediante sinalização do receptor β-2 adrenérgico (GRAFF et al., 2018). Os sistemas imunológico, endócrino e nervoso central estão altamente integrados e estudos recentes mostraram que a sinalização do receptor β-adrenérgico (β-AR) induzida por catecolaminas em leucócitos é um mecanismo chave pelo qual o exercício melhora a imunidade, reduz a inflamação e a progressão da doença (HONG et al., 2004). Neste senti- do, as intervenções de exercícios destinadas a melhorar a imunidade e reduzir a inflamação devem considerar o eixo de sinalização catecolamina-AR. Ademais, faz-se necessário determinar se as melhorias na imunidade induzidas pelo exercício são moduladas por mudanças na função do eixo de sinalização catecolaminas-AR e se a sinalização adrenérgica pode ou não ser ‘treinada’ com exercícios para melhorar as respostas imunológicas ao estresse, doença ou durante o processo fisiológico normal de envelhecimento (SIMPSON et al., 2021). A ativação da resposta biológica ao estresse desencadeia o Sistema Nervoso Simpático liberador de catecolaminas e o eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal, que transmitem sinais a uma variedade de subtipos de células imunológicas por meio de ARs e Receptores de Glicocorticóides expressos na célula superfície e dentro do citosol, respectivamente (STEINMAN, 2004). As fibras tirosina hidroxilase positivas inervam ambos primária (medula óssea e timo) e secundária (baço, linfa gânglios) órgãos linfoides, onde a noradrenalina e a adrenalina são liberadas dos terminais nervosos ou difundidas na corrente sanguínea para afetar a função das células imunológicas (ELENKOV et al., 2000). Noradrenalina e adrenalina são ligantes para ARs, que podem ser encontrados na maioria dos subtipos de leucócitos, incluindo células T, monócitos e células Natural Killer. Após a estimulação de seus respectivos agonistas, funções celulares importantes como proliferação, diferenciação, produção de citocinas, propriedades de migração, produção de anticorpos e/ou citotoxicidade são afetadas, implicando um papel importante para os meca- nismos de sinalização adrenérgica na regulação central de funções das células do sistema imunológico (ELENKOV et al., 2000). 84 85 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Na maior parte do sistema imunológico, o número de β2-AR é dinâmico e afetado pelo subtipo células imunes, variações genéticas, estado de ativação celular e concentração am- biental de citocinas (BRUCK et al., 2005). Sinais dos nervos adrenérgicos inibem a saída de linfócitos dos gânglios linfáticos, e a estimulação β-AR aumenta a capacidade de resposta de receptores específicos de quimiocinas (NAKAI et al., 2014). A estimulação β-AR contribui para a variação do tráfego de linfócitos através de órgãos linfoides e suprime a inflamação mediada por células T na maioria dos subtipos de linfócitos (SCHEIERMANN et al., 2012). A ativação da noradrenalina de β2-ARs demonstrou inibir a expressão de TNF-α e aumentar a secreção de IL-10 em monócitos após a estimulação de lipopolissacarídeo (DIMITROV et al., 2017). Para as células Natural Killer, a estimulação da noradrenalina e da adrenalina diminui a citotoxicidade celular via mediadores β2-AR (WHALEN; BANKHURST, 1990). O exercício agudo ativa instantaneamente os eixos Sistema Nervoso Simpático e Hipotálamo-Hipófise-Adrenal. O Sistema Nervoso Simpático libera catecolaminas dos ter- minais nervosos simpáticos e da medula adrenal (FRENCH et al., 2007). O aumento da ati- vidade do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal eleva o cortisol circulante, minutos após o início do exercício (ROJAS VEGA et al., 2006). A elevação resultante nos níveis de noradrenalina e adrenalina arterial difere de acordo com o exercício. No exercício de resistência, os níveis de adrenalina sérica continuam a aumentar com a continuidade da duração do exercício e exponencialmente com intensidade e paralelamente à resposta do lactato sanguíneo. As catecolaminas liberadas durante o exercício provocam uma mobilização rápida e preferencial de subconjuntos de linfócitos associados à função efetora aprimorada, a diferenciação e potencial de migração de tecido (DIMITROV et al., 2017; GRAFF et al., 2018); As células Natural Killer são o subconjunto dos linfócitos mais sensível às catecola- minas e responsivo ao exercício, mesmo com exercícios breves causando aumentos de 4 a 5 vezes do seu número no sangue (GRAFF et al., 2018). Embora tais células no sangue possam ser elevadas de 3 a 5 vezes acima dos valores de repouso durante o exercício, a grande maioria delas sai do compartimento sanguíneo em apenas 3 a 4 minutos após a cessação do exercício (ROONEY et al., 2018). Estudos em humanos, esplenectomizados, demonstraram uma linfocitose prejudicada, induzida por exercício. Além de evocar uma linfocitose sanguínea, as células T se acumu- laram no pulmão, medula óssea e placas de Peyer intestinais após o exercício (KRÜGER et al., 2008). A liberação de células T do baço, bem como a linfocitose e o acúmulo de cé- lulas T no pulmão foram inibidas pelo bloqueio de α-AR e β-AR. Exercício dinâmico leva a 86 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 liberação da molécula de adesão intercelular de linfócitos 1 (ICAM-1) por vias adrenérgicas (REHMAN et al., 1997). Os linfócitos mobilizados e redistribuídos com o exercício têm níveis elevados de molé- culas de adesão de superfície (SIMPSON et al., 2006). A IL-6 derivada do músculo também pode estar envolvida no recrutamento de células Natural Killer para a corrente sanguínea (BAY et al., 2020), e β-agonistas demonstraram precipitar a liberação de IL-6 do músculo esquelético (GOOSSENS et al., 2008). Além de seus efeitos na mobilização e tráfico de leucócitos, as catecolaminas liberadas durante o exercício são capazes de alterar a função das células imunológicas. A capacidade fagocítica dos monócitos sanguíneos se correlaciona positivamente com as concentrações circulantes de adrenalina ao longo de uma temporada de treinamento em ciclistas compe- titivos (ORTEGA RINCÓN et al., 2001). A ativação β2-adrenérgica reduziu a produção de TNF intracelular monocítico após o exercício agudo (DIMITROV et al., 2017). Após 1 semana de exercícios de alta intensidade, a resposta neuroendócrina e a mobilização de subconjuntos de células T CD8 + responsivas ao exercício são marcadamente reduzidas em comparação com 1 semana de treinamento normal, indicando que exercícios excessivamente árduos podem levar a deficiências na vigilância imunológica (WITARD et al., 2012). O número de células Natural Killer tende a aumentar com a idade, porém exibem mudanças fenotípicas distintas como reduções na expressão de NKp46, que diminuem sua capacidade de realizar funções citotóxicas contra células malignas (CAMPOS et al., 2014). Dentro do compartimento de células B, há uma redução associada à idade na pro- dução e afinidade de anticorpos, diversidade clonal reduzida e menor secreção de IL-10 (BULATI et al., 2017). As células dendríticas são fundamentais para a manutenção da autotolerância e modulação da resposta imune adaptativa (AGRAWALet al., 2012; MUSUMECI et al., 2019). Assim, com o envelhecimento também ocorrem diversas alterações nas células dendríticas que influência na imunidade e tolerância, sendo essas relacionadas a quantidade e distri- buição dos subconjuntos dessas células, redução ou alterações na cascata de sinalização dos receptores, produção reduzida de citocinas e ativação prejudicada de células T (WONG; GOLDSTEIN, 2013; LINTON; THOMAN, 2014). Diversos estudos vêm demonstrando como essas modificações nas células dendríticas podem levar a prejuízos no processo de imunossenescência em idosos, as quais revelaram dados variados relacionados principalmente à redução no limiar de ativação destas células (AGRAWAL et al., 2012; PANDA et al., 2010). As células dendríticas têm uma capacidade 86 87 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 prejudicada de fagocitar, ativar células T, migrar em direção aos órgãos linfoides e secretar citocinas efetoras importantes, como IFN-γ e IL-12 (STOJI´C-VUKANI´C et al., 2013). O envelhecimento também causa mudanças evidentes no eixo de sinalização cateco- lamina-AR. Os adultos mais velhos têm tolerância ao exercício reduzida e reserva inotrópica do ventrículo esquerdo diminuída (STRAIT; LAKATTA, 2012). Isso é atribuído à dessensibi- lização de β-AR, caracterizada por uma redução na densidade de β-AR e/ou deficiências no sistema β-adrenérgico-G-proteína (s) -AC para produzir cAMP e ativar a proteína quinases (WHITE et al., 2000). Adultos mais velhos ainda mobilizam um grande número de linfócitos em resposta ao exercício, mas a magnitude das respostas das células T e Natural Killer é marcadamente limitada (SIMPSON et al., 2008; SELLAMI et al., 2019), possivelmente devido a reduções no impulso simpático e alterações na sensibilidade dos β2-ARs de linfócitos (SIMPSON et al., 2021). Idosos fisicamente ativos têm uma proporção maior de células T Naïve e menor proporção de células T CD8 + senescentes em comparação com os inativos fisicamente (SPIELMANN et al., 2011). Um aumento nas células T Naïve e de memória central e a diminuição nas células CD8 + EMRA T-, foi observada em adultos mais velhos (idade: 57,0 5,2 anos), após três semanas de treinamento de resistência (PHILIPPE et al., 2019). As mudanças positivas na composição do pool de células T periféricas se correlacionam com níveis elevados de citocinas derivadas de músculo conhecidas por regular a imunidade, incluindo IL-6, IL-7 e IL-15 (DUGGAL et al., 2019). É possível que a ativação intermitente da sinalização de AR fornecida por exercícios regulares possa proteger contra doenças neurodegenerativas. Por exemplo, a produção de α-sinucleína é um provável fator causador da doença de Parkinson, e trabalhos recentes mostraram que o β2-AR é um regulador do gene α-sinucleína. A função da ativação intermi- tente, regular de catecolamina, eixo de sinalização β-AR via exercício físico, desempenhan- do alteração da resposta imunológica do envelhecimento referente a doença citada, ainda necessita de aprofundamento (MITTAL et al., 2017). A ativação crônica e intermitente de β-ARs tem efeitos divergentes sobre a função imune. Sugere-se que quando a estimulação adrenérgica é mantida, com níveis basais elevados ao longo de muitas semanas/meses, pode causar dessensibilização do receptor β-AR e suprimir aspectos críticos da imunidade como o efeito anticâncer, estimulando um ambiente propício ao tumor. Ademais, quando a estimulação adrenérgica é momentânea, mas constante (30-60 min/dia, 3-5 vezes/semana), promove bastantes efeitos positivos, como a mobilização e redistribuição de linfócitos efetores e a ativação de vias supressoras e apoptóticas tumorais (SIMPSON et al., 2021). 88 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Como a elevação de catecolaminas em cada sessão de exercício têm expressão breve, estas acabam levando à fosforilação transitória do receptor ou à internalização temporária do mesmo, resultando em reciclagem para a membrana plasmática (PAVLOS; FRIEDMAN, 2017). Assim, a repetição de exposição aguda a catecolaminas de tais episódios, mediadas por exercícios seguidos de depuração rápida, podem fomentar a manutenção de ARs emi- nentemente responsivos (HONG et al., 2004). O exercício pode induzir o aprimoramento da sinalização de catecolamina-AR da cé- lula imune tanto por mitigar o estresse (DE MOOR et al., 2006) quanto por ressensibilizar os β-ARs, possivelmente alterando a biogênese mitocondrial e o perfil metabólico da célula (MILLS; KELLY; O`NEILL, 2017). Isto impacta no tráfego de leucócitos induzido por cate- colaminas sob a prática de exercícios, contribuindo também para o aperfeiçoamento das respostas anti-inflamatórias, diante a incitação patogênica (SIMPSON et al., 2021). CONSIDERAÇÕES FINAIS Exercícios físicos podem afetar significativamente o sistema imunológico e executar inúmeras respostas hormonais, configurando-se como uma importante intervenção terapêu- tica, com efeitos nas respostas imunes mediadas por catecolaminas e adrenorreceptores. Com o prolongamento da prática, há a adequação às respostas do eixo simpático-adrenal, acréscimo de hormônios e a liberação de citocinas na circulação, agentes esses capazes de regular respostas globais no organismo, em que a repetição da estimulação simpática induz a liberação de catecolaminas. Níveis plasmáticos de noradrenalina e adrenalina estiveram associados à porcenta- gem de células T. A sinalização do receptor β-AR induzida por catecolaminas no tráfego e mobilização de leucócitos também foi um mecanismo chave pelo qual o exercício melhora a imunidade, reduz a inflamação e a progressão da doença. Contudo, faz-se necessário determinar se essas melhorias na imunidade são moduladas por mudanças na função do eixo de sinalização catecolaminas-AR e se a sinalização adrenérgica pode ser trabalhada com exercícios para melhorar as respostas imunológicas, sobretudo durante o processo de senescência. Além disso, as catecolaminas liberadas durante o exercício são capazes de alterar a função das células imunológicas, mas a ativação crônica e intermitente de β-ARs tem efeitos divergentes sobre a função imunológica. Agradecimentos À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES pelo fi- nanciamento da bolsa no Programa de Pós-Graduação em Educação Física (Mestrado 88 89 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 associado) da Universidade Estadual de Santa Cruz e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (PPGEF/UESC/UESB). À Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) pelo fi- nanciamento das bolsas de apoio à permanência e de iniciação científica. REFERÊNCIAS 1. AGHA, N. H. et al. Exercise as a countermeasure for latent viral reactivation during long duration space flight. 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Ronison Oliveira da Silva Instituto Federal do Amazonas, Brasil Prof. Dr. Alex Guimarães Sanches Universidade Estadual Paulista, Brasil Prof. Dr. Joachin Melo Azevedo Neto Universidade de Pernambuco, Brasil Esta obra constituiu-se a partir de um processo colaborativo entre professores, estudantes e pesquisadores que se destacaram e qualificaram as discussões neste espaço formativo. Resulta, também, de movimentos interinstitucionais e de ações de incentivo à pesquisa que congregam pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento e de diferentes Instituições de Educação Superior públicas e privadas de abrangência nacional e internacional. Tem como objetivo integrar ações interinstitucionais nacionais e internacionais com redes de pesquisa que tenham a finalidade de fomentar a formação continuada dos profissionais da educação, por meio da produção e socialização de conhecimentos das diversas áreas do Saberes. Agradecemos aos autores pelo empenho, disponibilidade e dedicação para o desenvolvimento e conclusão dessa obra. Esperamos também que esta obra sirva de instrumento didático-pedagógico para estudantes, professores dos diversos níveis de ensino em seus trabalhos e demais interessados pela temática. José Martins Juliano Eustaquio Octávio Barbosa NetoA P R E SE N T A Ç Ã O SUMÁRIO CAPÍTULO 01 ABORDAGEM DA MORTE SÚBITA CARDÍACA NO ATLETA Maria Laura Oliveira Morais; Sérgio Corrêa Prata ' 10.37885/220508960 ....................................................................................................................................................................... 10 CAPÍTULO 02 DIFFERENT TYPES OF MECHANICAL VIBRATION APPLICATION ON EMG RESPONSE AND STRENGTH PERFORMANCE Aler Ribeiro de Almeida; Marcos D. M. Drummond; Leszek A. Szmuchrowski; Gustavo F. Pedrosa; Bruno P. Couto ' 10.37885/220308256 ........................................................................................................................................................................ 26 CAPÍTULO 03 DOR NA VIRILHA DO ATLETA: PORQUE PREFERIR O TERMO INGUINOMALACIA EM SUBSTITUIÇÃO A HÉRNIA DO ATLETA? José Martins Juliano Eustaquio ' 10.37885/220508957 ........................................................................................................................................................................ 44 CAPÍTULO 04 EFEITOS DA SUPLEMENTAÇÃO DA CREATINA SOBRE A FUNÇÃO RENAL: REVISÃO DA LITERATURA Álvaro Emilio Baldin; Cristiane Pinheiro Fucolo Zuliani; Suzana Bender; Vagner Fagnani Linartevichi ' 10.37885/220609063 ....................................................................................................................................................................... 52 CAPÍTULO 05 EXERCÍCIO FÍSICO PARA O PORTADOR DE OSTEOARTROSE José Martins Juliano Eustaquio; Octávio Barbosa Neto ' 10.37885/220508956 ........................................................................................................................................................................ 68 CAPÍTULO 06 EXERCÍCIOS, CATECOLAMINAS E IMUNOSSENESCÊNCIA: UMA REVISÃO NARRATIVA DE LITERATURA Anne Sulivan Lopes da Silva Reis; Grasiely Faccin Borges; Ana Clara Silva dos Santos ; Adryane Gomes Mascarenhas ; Iulas de Souza Ramos ' 10.37885/220509018 ........................................................................................................................................................................ 75 SUMÁRIOSUMÁRIO CAPÍTULO 07 LEISURE-TIME PHYSICAL ACTIVITY AS A PROTECTIVE FACTOR FOR FUNCTIONAL CAPACITY LOSS IN COMMUNITY DWELLING ELDERS Maria Claudia Martins Ribeiro; Adriana Sañudo; Luiz Roberto Ramos ' 10.37885/220408530 ........................................................................................................................................................................ 95 CAPÍTULO 08 LESÕES DO JOELHO NO CORREDOR José Martins Juliano Eustaquio ; Octávio Barbosa Neto ' 10.37885/220508955 ........................................................................................................................................................................ 107 CAPÍTULO 09 NOVA PRÁTICA RECREATIVA ASSOCIADA À TRANSMISSÃO DE VERRUGAS VULGARES Felipe Cupertino; Felipe Nazareth de Matos Pinto de Carvalho; Bernardo Lofiego Caffaro ' 10.37885/220508923 ........................................................................................................................................................................ 117 CAPÍTULO 10 TREINADORES DE HANDEBOL BRASILEIROS E SEU CONHECIMENTO SOBRE OS MÉTODOS DE ENSINO DOS ESPORTES COLETIVOS Lucas de Castro Ribeiro; Lucas Savassi Figueiredo; Rafael Pombo Menezes; Pedro Weldes da Silva Cruz; Gustavo Ferreira Pedrosa; Henrique De Oliveira Castro; Lidiane Aparecida Fernandes; Rodrigo Fabio Bezerra da Silva; Fabiano de Souza Fonseca ' 10.37885/220509031 ........................................................................................................................................................................ 125 CAPÍTULO 11 UTILIZAÇÃO DO TREINAMENTO MUSCULAR INSPIRATÓRIO ASSOCIADO A EXERCÍCIOS RESISTIDOS EM INDIVÍDUOS TABAGISTASC Rodrigo Boff Daitx; Letícia Müller da Silva; Jaqueline de Oliveira Germann; Verônica Farias de Vargas; Taís Espíndula Brehm; Marcelo Baptista Dohnert ' 10.37885/220308217 ......................................................................................................................................................................... 142 CAPÍTULO 12 VELOCIDADE DE ONDA DE PULSO E RESISTÊNCIA VASCULAR EM IDOSOS HIPERTENSOS PRATICANTES DE CAMINHADA Elohim Lima de Sousa; Carlos Eduardo Urbano da Silva; Pedro Lucas Ferreira das Chagas; Regina Brena de Lima Costa; Francisco Saullo Xavier Ribeiro; José Rian Rodrigues Camelo; Lucas Gabriel de Fontes Sousa; Lara Cristine Ribeiro dos Santos; Marcos Antônio Tenório Machado Oliveira; Carla Cristina de Sordi ' 10.37885/220609099 ....................................................................................................................................................................... 158 SOBRE OS ORGANIZADORES ............................................................................................................................. 172 ÍNDICE REMISSIVO ............................................................................................................................................. 173 01 '10.37885/220508960 01 Abordagem da morte súbita cardíaca no atleta Maria Laura Oliveira Morais Universidade de Uberaba - Uniube Sérgio Corrêa Prata Universidade de Uberaba - Uniube https://dx.doi.org/10.37885/220508960 RESUMO Os benefícios da atividade esportiva regular para prevenção de eventos cardiovasculares são bem reconhecidos na literatura médica. No entanto, em pessoas com distúrbios cardio- vasculares ocultos, o risco de morte súbita cardíaca (MSC) durante o esforço é aumentado. Estudos sugerem que a participação em esportes competitivos pode conferir um risco au- mentado de evento cardíaco devido à natureza da doença cardíaca subjacente e ao efeito do exercício no coração. A detecção precoce de distúrbios potencialmente letais em atletas pode diminuir a morbidade e mortalidade cardiovascular por meio da estratificação de risco, das intervenções específicas da doença e, também, das modificações impostas pelo exer- cício. A avaliação cardiovascular precedente à participação esportiva para indivíduos de todas as faixas etárias é imperativa para minimizar estes episódios, tornando-se um objetivo comum entre as organizações médicas e desportivas.Paulo - UNIFESP Luiz Roberto Ramos Departamento de Medicina Preventiva - EPM Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP https://dx.doi.org/10.37885/220408530 SUMARY Objective: to analyze the association of leisure-time physical activity with the functional capacity of older people living in a large urban center in Brazil, controlling for sociodemogra- phic, behavioral and health-related variables. Populational aging led to the emergence of chronic diseases, all potentially incapacitating, thus affecting functional capacity of elders. Despite health evidences in favour of having regular physical activity, the majority of elders are not sufficiently active. Baseline data of an urban elder cohort in Brazil showed that only 28% were active and 68% had some functional loss, a figure that went up to 73% among the inactives. FC was associated with a network of sociodemographic, health and behavioral factors. In a multivariate analysis, the inactives showed twice the odds of being severely dependent when compared to the actives. Noteworthy that inactivity is as a modifiable factor that might prevent FC loss. Longitudinal studies are needed to verify. Keywords: Aging, Cross-Sectional Study, Exercise, Independent Living. 97 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 INTRODUCTION Population aging is a worldwide phenomenon and the Brazilian population is aging faster than the world average (UNDESA, 2017), (Simões, 2016). The demographic transition has led to the emergence of chronic non-communicable diseases (CNCD), all potentially inca- pacitating, thus affecting functional capacity (FC) of elders that usually present polimorbidity (Ramos 2003; Ramos et al, 2016; Nunes et al, 2018). Loss of independence in daily life has been shown to significantly increase mortality risk among elders, after controlling for all rela- ted variables (Ramos et al, 2001). Good FC represents a new concept of good health status and is indicative of healthy aging (Ramos 2003). In fact, is the degree of independence and autonomy in daily life that will indicate who is at risk for hospitalization, institutionalization and death (Ramos et al, 1993, 2001, 2013; Santos et al, 2008; Lima-Costa et al, 2011). Although being influenced by CNCD, FC is mainly associated with lifestyle factors like smoking, drin- king, eating habits, having social relations and exercising (Santos et al, 2008; Cortéz-Muñoz et al 2016; Zang&Feldman 2019). The World Health Organization (WHO) points to physical inactivity as the fourth major risk factor for mortality and to regular physical activity (PA) as one of the main determinants of active and healthy aging with evidences that it improves quality of life, reduces disability and maintain FC (WHO, 2005; WHO, 2015; US, 2018). The linear relationship between the PA and the health of the aged is consolidated and has been presented by numerous studies that demonstrate its physical, psychological, social and functional benefits for the elders (Paterson&Warburton, 2010; Tak et al, 2013; Bauman et al,2016). Several authors have found positive associations of an active lifestyle and good FC during the aging process (Bauman et al 2016; Rennemark et al, 2018; Alonso, 2019). Despite the evidence in favor of PA, older people are still mostly inactive (Fonta et al, 2017; Rennemark et al, 2018; Guthold et al, 2018). In Brazil, only 22% of those aged 65y or more referred adequate levels of leisu- re-time physical activity (MS, 2017). Several intervention studies promoting leisure-time physical activity (LTPA) have found that regular physical activity is a health protective factor (Valério et al, 2014; Novais et al, 2019). However, few studies have evaluated the impact of LTPA on the degree of indepen- dence in the activities of daily living (ADL) (Ferreira et al, 2010; Dos Santos et al, 2018). Thus, understanding the factors related to a good FC of the elderly can help the planning of public policies aiming at the manteinance of functional independence of the elderly in the community for as long as possible. The objective of this study is to analyze the association of LTPA with the FC of older people living in a large urban center in Brazil, controlling for sociodemographic, behavioral and health-related variables. 98 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 METHODS We analyzed secondary data from a cohort of people aged 60 years or more, highly educated, living in a middle-class neighborhood in the city of São Paulo. The cohort was established after a census that served as the basis for a household survey in 2008 (Ramos et al., 2013). After the home interview all respondents (n=1,799) were invited to participate in the cohort baseline. A total 1,155 elders attended the invitation and had a complete geriatric and gerontological evaluation. Of this total, only 907 elders answered the questionnaire to assess PA level and constituted the study population. The outcome variable was FC, measured by a validated questionnaire (Brazilian version of OARS Multidimensional Functional Assessment Questionnaire - BOMFAQ) with ques- tions about the limitations to perform 15 activities of daily living (ADL) (Ramos&Goihman, 1989). A continuous variable from 0-15 limitations was categorized as: zero limitation (inde- pendent), 1–3 limitations (mild dependence), 4–6 (moderate) and ≥7 (severe). The main variable of interest was minutes per week of LTPA measured by the International Physical Activity Questionnaire (IPAQ), validated in 12 countries, including Brazil (Craig et al, 2003; Hallal&Victora, 2004). This study classified the elders in inactive (0.05) in initial multivariate model, were excluded to obtain the final model. The results were presented as odds ratios (OR) and confidence intervals of 95% (95%CI). In all multivariate analyzes, the gender variable remained in the model as an adjustment variable. All statistical analysis was performed in STATA/SE v.15.1 and a significance level of 5% was adopted. The study was approved by the Ethics Committee of the Universidade Federal de São Paulo/Hospital São Paulo (no 2.381.375, on 11/14/2017). RESULTS Among the respondentes, the majority consisted of women (67%) and people over 70y (65%). More than 65% of them had 8 or more years of schooling and 52% had income 99 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 between 4 and 10 minimum wages. Among the variables related to health, the majority took 5 or more medications (51%) and 30% present dysthymia. Regarding the LTPA, 28% were active, 17% insufficiently active and 55% inactive. The FC assessment showed that 32% were independent, 42% mild, 13% moderately, and 14% severely dependent. Tables 1a and 1b show that all sociodemographics and health related variables were associated with FC. Table 1c shows LTPA as a protective factor of FC. Among the Table 1a. Distribution of sociodemographicdata, according to ADL in population sample of elders living in the community in Sao Paulo. Variables Total N=907 ADL Score p Crammer´s VIndependent N=288 (31.7%) Mild depen- dence N=376 (41.5%) Moderate N=114 (12.6%) Severe N=129 (14.2%) N % N % N % N % N % Sex 0.001 0.138 Male 297 32.8 104 36.1 139 37.0 28 24.6 26 20.2 Female 610 67.2 184 63.9 237 63.0 86 75.4 103 79.8 Age (years) 10 132 14.5 41 14.2 68 18.1 13 11.4 10 7.8 MW: Minimum wage; ADL: Activities of daily living. 100 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Table 1b. Distribution of health data, according to ADL in population sample of elders living in the community in Sao Paulo. Variables Total N=907 ADL Score p Crammer´sVIndependent N=288 (31.7%) Mild depen- dence N=376 (41.5%) Moderate N=114 (12.6%) Severe N=129 (14.2%) N % N % N % N % N % Number Diagnosesincreasing muscle mass (Paterson&Warburton, 2010), reducing the risk of developing functional limitations, favoring social interaction, increasing longevity (Bauman et al, 2015), and benefiting mental health (Windle et al, 2010). In the multivariate analysis the results of this study reinforce the notion that a net- work of socio-demographic (age), behavioral (LTPA) and health factors (obesity and dysthi- mia) determine FC. Advancing age increased the chance of the elderly presenting more limitation. Elders aged 80 and over in our study, showed more than 20 times the chance of exhibiting severe dependence compared with those aged 60 to 69y. Other studies also point to this association that can be understood as a consequence of discrete and continuous losses in vigor, strength, readiness, reaction speed and other functions, characteristics of the aging process (Santos et al, 2008; Artaud et al, 2016; Ballesteros&Moreno-Montoya, 2018). There is evidence that, in advanced age, older people will experience more limitations and less independence and autonomy in everyday life (Ramos, 2009). This study found that the obese and overweight elder had a higher chance of having limitations in the ADL than the eutrophic ones, results also found by other studies (Dos Santos et al, 2018; Palacios-Ceña et al, 2012). This relationship can be explained because obesity is related to low PA on the part of obese and because excess body fat is associated with the development of CNCD (Jensen&Hsiao, 2010), contributing to the functional loss. The results indicated dysthymia as the variable with the highest strength of associa- tion. The elderly with depressive symptoms were 7 times more likely to have severe de- pendence than the elderly without the symptoms. This association was also pointed out by 103 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Ballesteros&Moreno-Montoya (2018). Bauman et al (2016) pointed that there is evidence that PA can reduce symptoms of depression and improve the mental health among older people. Indeed, depression has been considered one of the leading causes of years lived with disability in the world, compromising the individual’s ability to manage their lives inde- pendently and autonomously (Murray&Lopez, 2013). Despite the strong evidence in favor of the PA in the health of the elder, most of this population is inactive. Among the participants in this study, 72% were classified as insuffi- ciently active or inactive and they had a higher chance of compromising their FC. High rates of physical inactivity among the elder were also verified in Brazil (78%) (MS, 2017) and in the world (73%) (Guthold et al, 2018). It is important to consider the uniqueness of this sample. It is an elder population with high income and education levels (more than 65% with 8 or more years of schooling and more than half with income between four and 10 minimum wages). They live in a region with a very high Human Development Index (HDI) (0.970) (PMSP, 2007), even higher than the HDI of Norway, the country leading the human development ranking of the United Nations (0.953) (UNDP, 2018). Despite such high social, educational and economic data, the elder in the neighborhood presented physical inactivity rates similar to the rest of the country (MS, 2017). The present study has limitations. First, the IPAQ and BOMFAQ evaluate information obtained through self-report that can be influenced by cognitive and emotional alterations or depend on the individual’s ability to recall the activities performed in a given period. Another limitation refers to the fact that it is a cross-sectional study associates FC with the LTPA but does not establish a cause-and-effect relationship. The identification of factors associated with FC of the elderly provides elements for prevention, promotion and health intervention for this population. The data observed by this research suggest that actions focused on reducing obesity, treating depression, and increa- sing the time spent on LTPA should be encouraged. CONCLUSION Our results suggest that it is worth investing in the promotion of more LTPA time to improve FC of the elderly. As shown, LTPA is associated with FC, which is also influenced by a network of sociodemographic, behavioral and health related factors. It is important to emphasize the relevance of LTPA as a behavioral factor that can possibly be changed. The engagement in LTPA programs is an independent way to reduce and prevent a series of functional losses associated with aging and can contribute to an active and healthy aging. 104 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 REFERENCES 1. ALONSO SL. Analysis of physical activity as an integral element of active aging. Inter- national Journal of Development Research, 2019; 9(01):25330-25336. 2. ARTAUD F, Sabia S, Dugravot A, Kivimaki M, Singh-Manoux A, Elbaz A. Trajectories of unhealthy behaviors in midlife and risk of disability at older ages in the Whitehall II cohort study. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2016;71(11):1500-6. 3. BALLESTEROS SM, MORENO-MONTOYA J. 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Nesse sentido, para que o indivíduo possa realizar a modalidade de forma segura quanto ao sistema musculoesquelético, ele deve se preparar para a execução da corrida ao invés de utilizar essa modalidade de forma primária e única para a mudança de seu estilo de vida. Palavras-chave: Corredor, Joelho, Lesões Musculoesqueléticas. 109 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 INTRODUÇÃO Um dos grandes objetivos de quem realiza corrida é a busca por hábitos de vida mais saudáveis através de uma modalidade de baixo custo e de fácil execução, o que a torna muito atrativa. Porém, apesar dessa suposta simplicidade de execução, fatores biomecânicos e ana- tômicos dos praticantes estão envolvidos na alta incidência de lesões (SPIKER et al., 2020). Como exemplo, quando se observa um evento de corrida, principalmente amador, no- ta-se o quanto seus participantes apresentam biotipos heterogêneos, apesar de praticarem a mesma modalidade, e isso naturalmente vai repercutir nos cuidados médicos a serem adotados, tanto em relação à terapêutica quanto na prevenção de lesões. Outro fato relevante dessa modalidade na atualidade está relacionado ao aumento do nú- mero de praticantes principalmente após a pandemia pela COVID-19, pelos motivos já expos- tos e também por ser praticada em ambientes abertos (ALAWNA; AMRO; MOHAMED, 2020). A literatura atual evidencia, além da alta incidência de lesões musculoesqueléticas nos corredores, que essas lesões ocorrem principalmente no joelho e, das cinco lesões mais frequentes dos corredores, quatro estão localizadas ao redor dessa articulação (SPIKER et al., 2020). Diante desse cenário, nota-se a importância do conhecimento dos fatores re- lacionados às lesõesdo joelho nessa modalidade. DESENVOLVIMENTO Corrida x osteoartrose do joelho Um dos temas mais polêmicos e debatidos no estudo da corrida é se essa modalidade seria um evento causador da osteoartrose de joelho. O que a literatura nos mostra atualmente, por meio de estudos com alto nível de evidência, é que não foi demonstrada a associação entre essas variáveis (ALENTORN-GELI et al., 2017; TIMMINS et al., 2017). Além disso, nota-se que os corredores recreacionais têm menores índices de osteoar- trose de joelho em relação aos corredores profissionais e aos sedentários ALENTORN-GELI et al., 2017). Isso mostra que esse esporte é realmente benéfico para a homeostase articular, porém, desde que seja realizado em níveis fisiológicos. Em situações em que os praticantes realizam a prática esportiva em níveis supra- fisiológicos por um tempo prolongado, ou quando apresentam algum tipo de sobrecarga biomecânica, como nos casos de obesidade, lesão ligamentar, dentre outros, a articulação ficará mais sensível à carga executada na corrida e isso naturalmente será deletério para a saúde articular (GESSEL; HARRAST, 2019). 110 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Incidência de lesões musculoesqueléticas na corrida Quanto à incidência das lesões musculoesqueléticas na corrida, de uma forma geral, sabe-se que são muito comuns, com incidência e prevalência altas (VAN GENT et al., 2007; VAN MIDDELKOOP et al., 2008), porém discrepantes na literatura, o que é comum em qual- quer estudo que avalie lesões dentro do campo da traumatologia esportiva, pois até mesmo o conceito de lesão varia entre os estudos. Além disso, um dos grandes problemas relacionados à incidência das lesões muscu- loesqueléticas na corrida é o alto índice de recidiva dessas lesões, motivo pelo qual ganham destaque os protocolos de prevenção de lesões (DESAI et al., 2021), que são baseados nos fatores de risco. Atualmente, sabe-se que esses fatores de risco não interagem de forma isolada, mas através de uma complexa rede na qual atuam como variáveis de diferentes pesos (BITTENCOURT et al., 2016). Isso explica a chamada Teoria da Complexidade da origem da lesões, na qual os fatores extrínsecos e intrínsecos atuam através de diferentes formas e diferentes intensidades. Essa teoria surgiu como uma evolução da clássica teoria do re- ducionismo, que afirmava que as lesões surgiam através de fatores isolados, fora de um contexto relacionado ao ambiente esportivo. E, na corrida, tanto os fatores extrínsecos quanto os intrínsecos são muito importantes para justificar o surgimento das lesões. Nesse sentido, um dos destaques que devem ser investigados em qualquer praticante da modalidade é o controle de carga. Tanto o volume quanto a intensidade dos treinos são muitas vezes subestimados pelo corredor. Porém, são parâmetros funcionais que devem ser estritamente monitorados, pois a distância entre o estímulo que vai promover o ganho de performance e aquele que vai desencadear um quadro de overtrainning é muito pequena. Biomecânica da corrida x lesões musculoesqueléticas Quanto à biomecânica da corrida, outro fator associado ao surgimento das lesões musculoesqueléticas, procura-se fazer uma associação entre tais lesões e o mecanismo de aterrissagem, que pode ocorrer com o retropé ou com o antepé. Essa associação é justificada pela alta incidência de lesões na corrida e pelo fato da grande maioria dos corredores aterrissarem com o retropé (ALMEIDA; DAVIS; LOPES, 2015; DAOUD et al., 2012). Os trabalhos científicos evidenciam que, de fato, aterrissar com o retropé causa uma força de impacto vertical que corresponde à aproximadamente 189% do peso corporal e, além disso, desencadeia maiores descargas de peso em relação ao contato com o antepé (MULLEN; TOBY, 2013). 110 111 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Comparativamente, a força do impacto vertical ao correr com o antepé é de aproxi- madamente 58% do peso corporal. Outro fato relevante é que essa forma de corrida está associada a uma maior cadência (número de passos por minuto), o que também está rela- cionado à menor incidência de lesões (MULLEN; TOBY, 2013). O grande questionamento a ser feito é se, diante de todos esses dados, deveria ser estimulado a prática da corrida através da aterrissagem com o antepé. A melhor resposta é que depende do objetivo do atleta. Se esse objetivo for diminuir a incidência de lesões no joelho, certamente deve ser priorizado o mecanismo de aterrissagem com o antepé. Porém, para isso, deve ser feito um treinamento específico de transição (retropé para antepé), uma vez que, se a transição for súbita, aumentará a chance do surgimento de outras lesões, como tendinopatia de Aquiles, fasceíte plantar e lesão muscular da panturrilha (ROTH; NEUMANN; TAO, 2016). Principais lesões de joelho no corredor 1. Síndrome dolorosa femoropatelar (SDFP) A patologia mais comum do joelho do corredor é a SDFP (SPIKER et al., 2020), que apresenta na literatura outros termos considerados sinônimos, como dor femoropatelar, condromalácia e síndrome femoropatelar. Ela é mais comum no sexo feminino e, devido à alta prevalência, torna-se essencial a abordagem preventiva. Porém, dentre os corredores, devemos incialmente considerar dois grupos portadores dessa patologia. O primeiro grupo é do atleta que já apresenta SDFP e inicia a corrida. Nesse caso, sabemos que a corrida, assim como movimentos de subir e descer escadas, por exemplo, é uma atividade que exacerba a dor femoropatelar. Por isso, se o indivíduo apresenta SDFP e deseja iniciar a corrida, obrigatoriamente terá que passar por uma fase de preparação tanto técnica como física. O segundo grupo é composto pela pessoa que não apresenta SDFP, porém, ao iniciar a corrida, passa a apresentar os sintomas da patologia, que geralmente são limitantes. Isso pode causar um círculo vicioso de medo e restrição da prática esportiva (cinesiofobia), motivo pelo qual é essencial a adoção de medidas de pre- venção de recidivas por este grupo. Na programação terapêutica dos quadros da SDFP, se o foco for isolado na articulação do joelho, certamente não haverá sucesso em seu tratamento. Os principais fatores envol- vidos no surgimento da dor no joelho são as alterações biomecânicas ou anatômicas nos segmentos proximal (complexo lombopélvico) e distal (complexo tornozelo e pé) ao joelho (PETERSEN; REMBITZKI; LIEBAU, 2017). 112 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Nesse sentido, uma das alterações mais encontradas é o desvio funcional conhecido como valgismo dinâmico (LACK et al., 2015), que apesar de tratar-se de uma nomenclatura muito questionada por diferentes pesquisadores, é caracterizada por uma perda de controle postural, principalmente dos segmentos lombar e pélvico, com um claro prejuízo principal- mente para a articulação do joelho. E, não menos importante, alterações mecânicas no alinhamento axial da coluna lombar e até mesmo problemas psiquiátricos ajudam a cronificar cada vez mais a SDFP, natural- mente dificultando o sucesso do tratamento (PETERSEN; REMBITZKI; LIEBAU, 2017). Para esse fim, devemos abordar basicamente 3 pilares, que são as alterações biome- cânicas, os erros de treinamento e as desordens psicológicas. Quanto a essa abordagem, a literatura traz resultados bastante robustos sobre a importância do tratamento das alterações musculares proximais, compreendendo a região do CORE (LACK et al., 2015; PETERSEN; REMBITZKI; LIEBAU, 2017). Além disso, sabe-se que a correção dos erros de treinamentoé fundamental no grupo dos corredores, sempre com atenção especial aos segmentos ao redor do joelho (SPIKER et al., 2020). Um dos fatores que diminuem a incidência de dores e patologias no joelho é justamente o aumento da cadência, conforme comentado anteriormente. Por fim, ao considerar a necessidade de uma abordagem multifatorial para o sucesso do tratamento, devemos sempre lembrar da característica crônica da SDFP e que, portanto, pode associar-se a um quadro de cinesiofobia, o que vai limitar a prática esportiva. Por isso, a preocupação com os fatores psicológicos é fundamental para esse sucesso. 2. Síndrome do trato iliotibial (STIT) A segunda causa mais comum de dor no joelho do corredor é a STIT (SPIKER et al., 2020), patologia essa também conhecida como joelho do corredor. Ela surge principalmente na faixa de flexão do joelho em torno de 20 a 30 graus, posição essa presente logo após o impacto inicial ao solo. Caracteristicamente, as corridas com velocidades mais intensas cursam com menor incidência da síndrome, porque nesses casos o movimento ocorre com menores angulações de flexão do joelho. Além disso, a STIT surge principalmente em atividades em declives e piora quando há aumento do comprimento das passadas e também nas mudanças repen- tinas de terreno de corrida (ORCHARD et al., 1996). Vários fatores etiológicos estão relacionados ao surgimento da STIT. Dentre esses, há aqueles que vão desencadear o aumento do vetor de reação do trato iliotibial próximo ao epi- côndilo lateral, como menor largura pélvica, adução excessiva do quadril, genu varo, eversão 112 113 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 do retropé, dentre outros, e aqueles que vão atuar de forma direta em uma maior compressão do trato, como a sua rigidez e a proeminência do epicôndilo lateral (FRIEDE et al., 2022). Duas teorias explicam a fisiopatologia da STIT. A mais tradicional explica que ocorre uma maior fricção do trato sobre o epicôndilo lateral durante a flexão e extensão do joelho, principalmente da sua porção posterior. A outra, um pouco mais recente, explica a STIT como consequência da compressão do tecido gorduroso altamente inervado presente entre o trato iliotibial e o epicôndilo lateral (FAIRCLOUGH et al., 2006). Quanto ao diagnóstico, a avaliação clínica é mandatória, com alto grau de sensibilidade e de especificidade para a dor durante a compressão do trato iliotibial, principalmente com o joelho semifletido. Exames de imagem, como radiografia, ultrassonografia e ressonância magnética, também são importantes para a investigação da patologia e de potenciais diag- nósticos diferenciais. O tratamento conservador tem bons resultados na grande maioria dos casos, baseado em analgesia e fisioterapia, com focos na correção dos fatores de risco e na diminuição do volume e intensidade de treino. O tratamento cirúrgico é indicado nos casos em que não há melhora durante três a seis meses de tratamento conservador. O procedimento cirúrgico pode ser feito por via aberta ou por via artroscópica. Nessa última, realiza-se um desbridamento artroscópico do recesso lateral e pequenas perfurações do trato iliotibial ao nível do epicôndilo lateral, semelhante à técnica do pie-crust realizada durante o balanço ligamentar nas artroplastias de joelho. 3. Tendinopatia patelar A tendinopatia patelar é, como a própria nomenclatura sugere, uma patologia de carac- terística crônica, muito comumente associado a alterações degenerativas no tendão. Além disso, é um importante diagnóstico diferencial da SDFP e pode coexistir no mesmo paciente, dificultando naturalmente a adoção da abordagem conservadora (TAYFUR et al., 2022). Essa patologia também é conhecida como joelho do saltador, devido à sobrecarga exercida sobre o tendão durante o mecanismo do salto, com a força de reação do solo na aterrisagem em torno de 3 vezes o peso corporal durante a corrida e quase 6 a 10 vezes durante os saltos. Uma série de fatores biomecânicos estão relacionados a essa patologia, com destaque principalmente para as alterações funcionais, como maior velocidade de flexão do joelho na corrida, menor velocidade de extensão do quadril e maior velocidade de pronação do pé, o que demonstra claramente a ação dos erros do gesto esportivo como causa da patologia (GRAU et al., 2008). 114 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Quanto à fisiopatologia, sabe-se que há poucos agentes inflamatórios, sendo uma característica do quadro degenerativo preponderanteee que caracteriza uma tendinose. Nesse quadro, observa-se um desbalanço entre a síntese e a degradação do colágeno, o que pode levar à rupturas parciais ou totais do tendão patelar a longo prazo. Clinicamente, o local mais comum de acometimento é na porção posterior proximal do tendão patelar. Baseado nisso, a presença de dor à palpação nesse local apresenta um alto grau de acurácica no diagnóstico dessa patologia. Esse teste pode ser sensibilizado com o auxílio da distalização passiva da patela. Dentre os exames de imagens auxiliares para o diagnóstico, temos a radiografia, a ultrassonografia, a ultrassonografia com doppler e a ressonância magnética. Dentre esses exames, pelo menos a radiografia é necessária para a realização do diagnóstico diferencial e também para a pesquisa de eventuais calcificações na topografia do tendão. O tratamento conservador é de sucesso na maioria das vezes, muito parecido com o tratamento da STIT, porém, com um destaque para a execução de exercícios excêntricos, que é um tipo de valência física muito requisitada durante a corrida (CHALLOUMAS et al., 2021). A ênfase no trabalho excêntrico vai envolver tanto uma ação mecânica, pra melhorar a resistência e a elasticidade do tendão, quanto metabólica, através de modulação inflama- tória e melhor organização das fibras colágenas. Os dados científicos atuais (CHALLOUMAS et al., 2021) concluem que, dentre todas as formas de tratamento conservador, não há evidências até o momento de benefícios da terapia por ondas de choque. Entretanto, há evidências mais elaboradas sobre os benefícios do treinamento excêntrico, do treinamento isométrico e dos exercícios resistidos em alta carga. Além disso, são inconclusivos os eventuais benefícios do plasma rico em plaquetas (PRP), do infiltrado medular autólogo e do agulhamento a seco. Para os casos com difícil resolução clínica, evidencia-se benefícios da utilização do óxido nítrico tópico, que estimula a síntese tecidual e do colágeno, associada ao treinamento focado nos exercícios excêntricos (CHALLOUMAS et al., 2021). Já para os casos de insucesso com o tratamento conservador, após três a seis meses de tratamento, indica-se o tratamento cirúrgico, que baseia-se no desbridamento e na esti- mulação do processo inflamatório reparativo. A cirurgia pode ser realizada por via aberta ou artroscópica, sem evidências de superioridade entre os dois procedimentos (DAN et al., 2019). CONSIDERAÇÕES FINAIS O joelho é a articulação mais lesionada dentre os corredores. Nesse público, com ob- jetivo de se diminuir a incidência dessas lesões, preconizam-se a adoção de protocolos de prevenção de lesões e também a atenção com fatores relacionados à biomecânica da corrida. 114 115 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 REFERÊNCIAS 1. ALAWNA, M.; AMRO, M.; MOHAMED, A. A. 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Os autores re- latam seis casos de pacientes diagnosticados com verruga vulgar, buscando correlacionar o desenvolvimento dessas lesões com a prática da “altinha”. Caso Clínico: Seis pacientes, adultos jovens, naturais do Rio de Janeiro e praticantes da “altinha” em praias cariocas, queixando-se de lesões cutâneas verrucosas indolores. Ao exame, apresentavam pápulas normocrômicas, ceratósicas, fissuradas, que acometiam principalmente os pés e pernas de membros dominantes. Diante da anamnese direcionada e exame físico, foi feito o diagnóstico de verruga vulgar. Os pacientes foram tratados com criocirurgia, obtendo resultados satis- fatórios. Discussão: O esporte e as condições externas do ambiente da prática esportiva favorecem a transmissão do papiloma vírus humano devido à exposição a fatores como umi- dade, sudorese e trauma, além do contato direto com a pele infectada de outros esportistas e com superfícies colonizadas. Os participantes praticam a “altinha” descalços e utilizam como equipamento uma bola de futebol, que é constantemente compartilhada pelos jogadores, resultando em trauma tanto da bola quanto da areia. Além disso, a atividade exige esforço físico dos participantes, gerando sudorese e eventual contato físico entre eles. Conclusão: Com a prática cada vez mais frequente da “altinha” entre os frequentadores de praias, o dermatologista deve estar atento não só aos hábitos de proteção solar desses indivíduos, como também ao exame da pele em busca de dermatoses relacionadas à prática, assim como alertar para o risco de infecção pelo Papiloma Vírus Humano nesta nova modalidade. Palavras-chave: HPV, Verrugas, Futebol de Areia. 119 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 INTRODUÇÃO As verrugas correspondem a hiperplasias epiteliais da pele e/ou mucosas causadas por diferentes tipos de papiloma vírus humano (HPV). A verruga vulgar é a variante mais comum, caracterizada por pápulas ceratósicas firmes e assintomáticas. As lesões geralmente estão localizadas nos quirodáctilos e dorso das mãos. Quando observadas nos quirodáctilos, acometem principalmente as regiões peri ou subungueais1. A transmissão do vírus da verruga vulgar pode ocorrer de maneira direta (autoinocu- lação) ou indiretamente pela exposição ambiental, que pode ocorrer em praias, locais de práticas esportivas e piscinas, entre outros2. A atividade física, apesar de conferir inúmeros benefícios à saúde humana, pode causar o desenvolvimento de dermatoses infecciosas ou inflamatórias em decorrência do contato direto através da pele ou por materiais compartilhados e pela sudorese excessi- va3,4. O comprometimento da barreira cutânea propicia a transmissão de doenças virais, bacterianas e fúngicas5. Em diferentes grupos de atletas já foram registrados casos de dermatoses transmitidas por vírus, tais como herpes simples, molusco contagioso e verruga vulgar3. No Brasil, o futebol de areia (beach soccer) é uma atividade física bastante difundida, especialmente nosúltimos dez anos6. No Rio de Janeiro, uma variante do futebol de areia chamada “altinha” se tornou bastante popular. Essa atividade recreativa adapta os funda- mentos do futebol de areia para a prática em círculo, com a participação de um número indeterminado de jogadores, cujo objetivo é manter a bola no ar. Dessa forma, para manter o domínio sobre este movimento durante o maior tempo possível, utiliza-se principalmente os seguintes segmentos: os pés, a cabeça, pernas (região pré-tibial), joelhos, coxas e tórax. O trauma produzido pelo impacto da bola com os pés e dos pés com o solo, bem como o contato direto eventual entre os praticantes pode produzir lesões traumáticas nos pés, tais como distrofias ungueais, calos e bolhas, além de viroses ou outras dermatoses7. Os autores relatam seis casos de pacientes diagnosticados com verruga vulgar, bus- cando correlacionar o desenvolvimento dessas lesões com a prática recreativa da “altinha” nas praias cariocas. Relato dos casos: Seis pacientes, sendo três do sexo feminino e três do sexo masculino, adultos jo- vens (idade média de 24 anos), residentes de bairros da zona sul da cidade do Rio de Janeiro e praticantes da “altinha” no mesmo local, praia de Ipanema (Tabela 1). Esses pa- cientes queixavam-se de lesões cutâneas verrucosas indolores, localizadas nos membros 120 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 inferiores. Ao exame dermatológico, apresentavam pápulas normocrômicas, ceratósicas, menores que um centímetro de diâmetro, com fissuras na superfície, que acometiam principal- mente os pés e pernas de membros dominantes (Figuras 1 e 2). O exame com dermatoscópio, aparelho auxiliar que amplia a imagem em 10 vezes, evidenciou glóbulos vermelho-violáceos circundados por halo branco, compatível com verruga vulgar (Figura 3). Diante da anamne- se dirigida e exame físico, foi feito o diagnóstico clínico de verruga vulgar. O tratamento de escolha foi a criocirurgia devido a boa resposta e tolerabilidade e baixo tempo de recupe- ração. Os pacientes foram tratados com uma a três sessões mensais, obtendo cura clínica (desaparecimento das lesões). DISCUSSÃO Até o século XIX, as verrugas cutâneas eram consideradas uma manifestação clínica da sífilis ou gonorreia. Após a identificação de sua etiologia viral, atribuiu-se a causa da doença a um único vírus, o Papiloma Vírus Humano (HPV)8. Uma das mais distintas características do grupo do papiloma vírus é a sua restrição genotípica específica ao hospedeiro, e a prefe- rência de certos tipos de papiloma vírus por sítios anatômicos distintos2. Com os adventos tecnológicos, foi possível identificar pelo menos 150 genótipos do vírus HPV9. A verruga vulgar está mais associada aos tipos 1, 2, 4, 7, 27 e 57 do HPV1. As lesões são caracterizadas por pápulas firmes, de superfície ceratósica, podendo apresentar fissuras e apresentam-se em número variável, dispersas ou agrupadas. O fe- nômeno de Koebner, embora seja um achado mais comum nos casos de verrugas planas, pode estar presente nos locais de trauma9. Essa reação isomórfica corresponde ao sur- gimento de novas verrugas após uma agressão externa, como queimaduras, arranhões e atrito. Geralmente limita-se à topografia do trauma10. A localização e a virulência das lesões, assim como a competência imunológica do indivíduo exposto são fatores que in- fluenciam a transmissão8. A prática esportiva, mesmo que recreativa, pode gerar lesões cutâneas de caráter infeccioso em decorrência do contato físico entre os participantes, da higienização inade- quada dos equipamentos, além dos traumas e condições ambientais externas3. Agentes bacterianos, fúngicos e virais são os principais responsáveis pelas infecções cutâneas que acometem os praticantes de esportes coletivos, podendo resultar em morbidade individual e desorganização do time, pois embora caracteristicamente assintomáticas, as verrugas podem ser fonte de incômodo pessoal11. Os praticantes de atividades físicas coletivas são mais suscetíveis às infecções de pele e anexos devido à exposição a fatores como umidade, sudorese, trauma e atrito, além do contato direto com a pele infectada de outros participantes, com superfícies colonizadas 120 121 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 (piscinas, duchas e vestiários) e uso de equipamentos oclusivos que lesam o estrato córneo, gerando uma porta de entrada12,13. A umidade dilata os poros, facilitando a penetração do HPV. Por ser uma doença autoinoculável, pode se disseminar para outros sítios da pele11. Existem várias formas de tratamento das verrugas, desde técnicas cirúrgicas como a curetagem seguida de eletrocoagulação, cauterização química com o uso de ácidos ou apli- cação de nitrogênio líquido9. Entretanto, esses procedimentos podem afastar o praticante de suas atividades físicas por um período prolongado. A terapia com o imunomodulador tópico Imiquimode tem se mostrado vantajosa, uma vez que o tratamento é não ablativo e indolor, permitindo que retornem mais rapidamente às suas atividade11. Um estudo com atletas de natação, handebol e futebol realizado na Turquia mostrou uma maior prevalência de verrugas vulgares nos nadadores, seguidos dos praticantes de handebol e futebol. Nos nadadores, os locais mais acometidos por dermatoses virais, in- cluindo verruga vulgar, foram o tronco e os pés, nesta ordem. Já nos atletas de futebol, os pés correspondem à região mais afetada, particularmente a região periungueal14. A prática da “altinha”, variante do futebol de areia que associa o lazer ao exercício fí- sico, é amplamente difundida nas praias cariocas, sendo praticada ao ar livre e geralmente próximo da água do mar, de forma que os praticantes são expostos às condições ambientais como calor e umidade durante a maior parte do tempo. Os participantes praticam a “altinha” descalços e utilizam como equipamento uma bola de futebol que é constantemente com- partilhada, resultando em trauma tanto da bola quanto da areia. Eles visam manter a bola no ar e partem de movimentos corporais variados para cumprir com esse objetivo, podendo ocasionar não somente lesões traumáticas músculo-esqueléticas, mas também danos à superfície cutânea. Além disso, a atividade exige esforço físico dos participantes, gerando sudorese e eventual contato físico entre eles. Observa-se que as verrugas vulgares dos praticantes de “altinha” do presente estudo estão localizadas nas pernas e pés de membros dominantes, os quais são exercitados constantemente durante a atividade. Esses segmentos estão mais expostos ao trauma e ao contato direto com a bola de futebol. Inclusive, os pacientes não desenvolveram mais lesões após trocar a bola utilizada durante a prática. Como propostas preventivas, sugerimos a restrição do contato físico durante a atividade, limitar o número de participantes, utilizar calçados para proteger os pés (segmento que tem maior contato com a bola) e higienização da bola e das partes do corpo mais expostas ao final da atividade. O afastamento temporário do jogador, caso ele apresente lesões sugestivas de verruga vulgar, é essencial. A “altinha” abrange um público diversificado de jogadores, recrutando jovens de ambos os sexos. Participantes do sexo feminino representam uma grande parcela dos interessados pela atividade. Dentre os casos registrados nesta série, metade dos pacientes correspondeu 122 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 a mulheres. Ao serem indagados, os participantes deste estudo também relataram que os outros integrantesda prática apresentavam lesões semelhantes, motivo pelo qual estudos clínicos mais abrangentes devem ser estimulados. CONCLUSÃO Com a prática cada vez mais frequente da “altinha” entre os frequentadores de praias, principalmente adolescentes e adultos jovens do sexo masculino, o dermatologista deve estar atento não só aos hábitos de proteção solar desses indivíduos, como também ao exame da pele em busca de possíveis dermatoses relacionadas à atividade física, assim como alertar para o risco de contágio de verrugas vulgares. Tabela 1. Relação dos pacientes de acordo com o sexo, idade, local de transmissão, localização das lesões e manejo terapêutico. Paciente Sexo Idade Praia Frequência mensal da prática “altinha” Local e número de lesões Tratamento e número de sessões Paciente 1 Feminino 25 anos Ipanema 8 dias/mês Pé direito (1) e perna direita (3) Criocirurgia (1) Paciente 2 Masculino 26 anos Ipanema 4 dias/mês Pé direito (1) e perna direita (3) Criocirurgia (1) Paciente 3 Masculino 22 anos Ipanema 15 dias/mês Perna direira (1) Criocirurgia (3) Paciente 4 Masculino 24 anos Ipanema 12 dias/mês Perna esquerda (1) Criocirurgia (1) Paciente 5 Feminino 24 anos Ipanema 10 dias/mês Pé direito (6) Criocirurgia (2) Paciente 6 Feminino 24 anos Ipanema 14 dias/mês Perna direita (4) Criocirurgia (2) Figura 1. Verruga vulgar, pápula normocrômica, ceratósica, com fissuras na superfície, localizada no dorso do pé. 122 123 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Figura 2. Verrugas vulgares localizadas em área de trauma com bola de futebol. Figura 3. Dermatoscopia (aumento 10x): glóbulos avermelhados circundados por halo branco. REFERÊNCIAS 1. Breznik V, Fujs KK, Hošnjak L, Luzar B, Kavalar R, Miljković J, et al. Determination of Causative Human Papillomavirus Type in Tissue Specimens of Common Warts Based on Estimated Viral Loads. Frontiers in Cellular and Infection Microbiology. 2020 Jan 24;10(4) 2. Awadhi R, Mutairi N, Chehadeh W. Prevalence of HPV Genotypes in Adult Male Pa- tients with Cutaneous Warts: A Cross-Sectional Study. Med Princ Prac. 2019 dez 25. 3. Carr PC, Cropley TG. 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Objetivo: O presente capítulo objetivou verificar o nível de conhecimento de treinadores brasileiros de handebol em relação aos métodos de ensino. Métodos: Participaram 135 profissionais de Educação Física, de ambos os sexos, com média de idade de 34,5 ± 8,9 anos, que atuam ou atuaram diretamente no processo de ensino-aprendizagem-treinamento de handebol, em diversos segmentos. Os profissionais responderam, baseados unicamente em suas lembranças, a um questionário sobre elementos essenciais e aplicações práticas dos métodos de ensino dos esportes coletivos. Resultados: Os resultados mostraram que os treinadores obtiveram 61,1% de acerto nas questões sobre os métodos de ensino. Os trei- nadores que atuam na educação física escolar/lazer obtiveram menor percentual de acerto que treinadores que atuam no ensino superior e no alto nível de rendimento, e os que atuam em equipes escolares obtiveram menor desempenho que treinadores que atuam no ensino superior. Em relação à formação acadêmica, os treinadores graduados obtiveram menor desempenho que os treinadores com mestrado e/ou doutorado e os que possuíam espe- cialização tiveram desempenho inferior àqueles com doutorado. Conclusão: A formação continuada pode ser uma ferramenta importante no aprimoramento do conhecimento de treinadores de handebol brasileiros. Palavras Chave: Formação Continuada, Treinadores, Handebol, Métodos de Ensino. 127 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 INTRODUÇÃO O processo de ensino-aprendizagem-treinamento (EAT) dos esportes coletivos é com- plexo, composto por diversas etapas que interagem para fomentar a melhora do desempenho dos jogadores, nas diversas formas de expressão do esporte. Um dos desafios do professor/ treinador nesse processo é sistematizar suas ações para proporcionar situações adequadas de aprendizagem tático-técnica aos jogadores (TANI et al., 2012; MENEZES et al., 2018; PAULA et al., 2018; SILVA, 2018; FONSECA et al., 2021). A fim de atingir esse e outros objetivos, treinadores recorrem a diferentes modelos/métodos de ensino. Um modelo de ensino é semelhante a um plano mestre do processo de EAT, e contém diretrizes para organizar os elementos interdependentes desse processo (HASTIE; CASEY, 2014). De acordo com Metzler (2011b), um modelo oferece um plano geral para o ensino- -aprendizagem, fornece uma estrutura teórica que norteia as ações dos treinadores, permite que os treinadores e os alunos entendam os eventos atuais e futuros e permite avaliações de aprendizagem, entre outros. Cada modelo de EAT tem uma estrutura ampla e é flexível para que treinadores adaptem seus planejamentos aos contextos que vivenciam (HASTIE; CASEY, 2014; KIRK, 2013), além dos desafios diários, que muitas vezes impõem mudanças nas perspectivas do professor/treinador. Utilizar um modelo de EAT facilita o planejamento das sessões de treino, uma vez que os modelos possuem diretrizes que orientam as decisões dos treinadores (METZLER,2011a; O’ DONOVAN, 2013). Consequentemente, um modelo de ensino abrange as funções de organização, sistematização, implementação e avaliação do processo de EAT (METZLER, 2011b; O’ DONOVAN, 2013). Ao longo dos anos, especialmente a partir do final da década de 1970, uma série de modelos de EAT foram propostos em âmbito mundial. Eles têm sido discutidos por meio de trabalhos teóricos, de intervenções, de revisões sistemáticas, entre outros (BUNKER; THORPE, 1986; HOLT; STREAN; BENGOECHEA, 2002, MILLER et al., 2015). Nesse pe- ríodo, ganhou-se destaque a importância de os jogadores selecionarem respostas motoras adequadas às situações-problema do jogo e, consequentemente, o processo de EAT se pauta em proporcionar situações que colaborem para melhora da percepção e da tomada de decisão (TAVARES; GRECO; GARGANTA, 2006). Essa concepção contrapunha os métodos tradicionais da época, centrados no ensino das técnicas do esporte e na repetição dessas técnicas fora do contexto do jogo (GRECO, 2001). Consequentemente, os modelos emergentes enfatizaram o conhecimento tático e a capacidade técnica, a fim de potencializar a tomada de decisão e o entendimento da lógica do jogo (GRECO, 1998), caracterizada por situações de imprevisibilidade e a aleatoriedade, que condicionam os jogadores durante a partida (GALATTI et al., 2017). 128 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Diversos modelos foram propostos ao longo dos últimos 40 anos, com destaque para o Teaching Games for Understanding – TGfU (BUNKER; THORPE, 1982; THORPE; BUNKER; ALLMOND, 1986), o Tactical Games Approach (MITCHELL et al., 2006), o Sport Education (SIEDENTOP, 1998; 2011), o Non Linear Pedagogy (CHOW; ATENCIO, 2014), o Escola da Bola (KRÖGER; ROTH, 2002) e a Iniciação Esportiva Universal - IEU (GRECO; BENDA, 1998, GRECO, 1998; RIBEIRO et al., 2023). Dentre esses modelos, o TGfU e a IEU estão entre os mais conhecidos e divulgados no Brasil. Contudo, observa-se na prática do ensi- no dos esportes coletivos o uso de métodos de ensino de forma recorrente. Um método é menos amplo do que um modelo de ensino e possibilita menor adaptação ao contexto do processo de EAT. Utiliza-se um método para atingir objetivos de aprendizagem de curto prazo (METZLER, 2000), e esse pode estar contido em uma etapa do processo de EAT, para atingir um fim específico nesta etapa, enquanto o modelo orientará essa e as demais etapas do processo de EAT. Aproximadamente até meados dos anos 70, um método era comumente caracterizado por comandos dados pelos treinadores, assim como focado em “o que” ensinar e “como” se ensinar. Os treinadores eram a referência central do processo de EAT e recorriam a uma sequência de exercícios previamente estabelecidos, na qual a participação do aluno/ jogador se resumia à execução das tarefas solicitadas. Os alunos/jogadores tinham o papel de executores ou reprodutores de movimentos considerados “ideais”, com pouco estímulo à tomada de decisão e à criatividade (GRECO; BENDA, 1998). A partir dos métodos, en- sinava-se determinada modalidade da mesma maneira, independentemente do nível de rendimento do aluno (METZLER, 2011a). Essa forma de pensamento se origina da suposi- ção de que há uma maneira ideal de ensinar esportes e que ela é adequada para todos os tipos de alunos de todos os níveis de rendimento (METZLER, 2011a), a partir de uma visão fragmentada que considera o jogo como a soma de suas pequenas partes (neste caso, do conjunto de técnicas). Um exemplo de método conhecido como tradicional é o analítico (GRECO; BENDA, 1998; GRECO, 2001), que é reportado na literatura nacional como um método utilizado no ensino dos esportes coletivos (COSTA; NASCIMENTO, 2004; COUTINHO; SANTOS SILVA, 2009; CASAGRANDE; CAMPOS, 2014, FONSECA et al., 2021). O método analítico é ca- racterizado pela aprendizagem direcionada prioritariamente à técnica, de forma segmentada (COUTINHO; SILVA, 2009; GALATTI et al., 2017) e propõe o ensino a partir da execução de habilidades isoladas, antes do jogo formal (DIETRICH; DÜRRWÄCHTER; SCHALLER, 1984; FERREIRA; GALATTI; PAES, 2005; GALATTI et al., 2012). O método analítico está relacionado às teorias associacionistas de aprendizagem, uma vez que considera que o jogo é a soma de suas partes (RICCI et al., 2011). Conforme Galatti et al. (2014), no método 128 129 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 analítico há uma relação de causa-efeito entre as etapas do jogo, de maneira que os ele- mentos técnicos sejam requisitos para se jogar handebol. Nesse método, o professor tem o papel principal, o que salienta um ensino rígido e de caráter imitativo (COUTINHO; SILVA, 2009), no qual busca-se replicar as ações do jogador de alto nível (GALATTI et al., 2014, MENEZES; MARQUES; NUNOMURA, 2014). Esse método de ensino foi adotado por muitos anos na maioria dos cursos de formação de professores/profissionais de Educação Física, tornando-se hegemônico (COUTINHO; SILVA, 2009). Por outro lado, de forma alternativa ao método analítico, surgiram os métodos global e situacional, também destacados na literatura da pedagogia do esporte nacional (GRECO, 2001; MENEZES, 2012; MENEZES et al., 2014; MENEZES et al., 2015). O método global é di- ferente do método analítico, pois enfatiza que o jogo é mais que a soma de suas partes (RICCI et al., 2011) e extrapola o domínio puramente de suas técnicas. Entende-se a partir desse método, que se aprende a jogar por meio do deixar jogar (DIETRICH; DÜRRWÄACHTER; SCHALLER, 1984). No método global defende-se que o processo de EAT não se restrinja à maestria dos elementos técnicos, mas que se enfatize a inteligência dos alunos para resolver tarefas cognitivas e motoras (MENEZES; MARQUES; NUNOMOURA, 2014; MEMMERT; HARVEY 2010). Este método sugere a apresentação do jogo de forma direta, replicando a quantidade de informações presentes no jogo formal (RICCI et al., 2011). Já o método situacional é caracterizado pela prática de situações de jogo que en- volvem comportamentos individuais e coletivos (GRECO, 1998). Esse método enfatiza a compreensão tática e dos processos cognitivos subjacentes à tomada de decisão, como atenção, percepção e antecipação (MATIAS; GRECO, 2010), podendo ser eficaz para que os aprendizes entendam as razões de suas ações (MEMMERT; HARVEY, 2010; RICCI et al., 2011). Ele propõe a aplicação de situações reais do jogo (LANES; OLIVEIRA; RIBAS, 2020) como 1x1, 2x1, 3x2, entre outras (MENEZES; MARQUES; NUNOMURA, 2014). A partir da utilização dessas situações, busca-se reduzir a complexidade que o esporte formal apresenta, com muitos jogadores e interações entre eles (GRECO et al., 2015) e, com isso, reduzir a exigência tática, sem deixar de lado a natureza do ciclo do jogo (ataque-defesa-transições) (GRECO; BENDA, 1998). Sugere-se que apenas um método de ensino não seja capaz de atender a todas as necessidades de um processo de EAT (GRECO et al., 1998). Desse modo, a utilização de diferentes modelos/métodos, de acordo com suas potencialidades e limitações (SILVA JUNIOR et al., 2016), poderia proporcionar uma formação ampla aos alunos/atletas. A literatura da pedagogia do esporte tem discutido que uma prática baseada em mo- delos de ensino tem um potencial promissor na educação física, ainda que muitos esfor- ços precisem ser realizados para atingi-lo (CASEY, 2014). Esses fatores sugerem que o 130 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 conhecimento sobre os diversos modelos/métodos de ensino seja fundamental para a to- mada de decisão dosPalavras-chave: Morte, Súbita, Atleta. 12 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 INTRODUÇÃO Os benefícios da atividade esportiva regular para prevenção de eventos cardiovascu- lares são bem reconhecidos na literatura médica. No entanto, em pessoas com distúrbios cardiovasculares ocultos, o risco de morte súbita cardíaca (MSC) durante o esforço é au- mentado (Morentin, 2019). Diante deste contexto controverso, tornam-se imprescindíveis a realização aprimorada da triagem cardiovascular, a avaliação inicial e o manejo dos pa- cientes, com pequenas variações de acordo com as especificidades dos esportistas, a fim de promover a saúde cardiovascular (Sierbert, et al., 2020). A morte súbita cardíaca é definida como uma morte inesperada devido a uma causa cardíaca, ou uma morte repentina em um coração estruturalmente normal sem outra explica- ção e com uma história relacionada ao coração, ocorrendo geralmente dentro de uma hora do início dos sintomas (Peterson, 2020). Embora rara, a morte súbita cardíaca em atletas é importante devido ao seu impacto na comunidade desportiva e a comunidade geral. A doença cardiovascular (DCV) continua sendo a principal causa de morte nos Estados Unidos (Heron, 2018). Embora essa estatística talvez não cause grande impacto quando diz respeito a pacientes idosos com fatores de risco clássicos, como hipertensão ou dislipidemia, o evento cardíaco súbito também é responsável pela maioria das mortes relacionadas ao exercício em jovens atletas (Harmon, 2015). De fato, a MSC é a principal causa de mortalidade relacionada ao esporte e ao exercício em atletas (Harmon, 2015). A avaliação cardiovascular precedente à participação esportiva para indivíduos de todas as faixas etárias é imperativa para minimizar estes episódios, tor- nando-se um objetivo comum entre as organizações médicas e desportivas (Drezner, 2017). EPIDEMIOLOGIA As doenças cardiovasculares são responsáveis por aproximadamente 17 milhões de mortes a cada ano no mundo, com aproximadamente 25% delas por morte súbita cardíaca (World Health Organization, 2011). A morte súbita cardíaca em atletas é a principal causa de morte médica neste subgru- po. Os primeiros estudos citam a incidência de morte súbita cardíaca como aproximadamente 1:200.000 atletas por ano nos EUA, com cardiomiopatia hipertrófica (CMH) representando um terço dos casos (Maron, et al., 2016). Estudos mais recentes estimaram a incidência de MSC na faixa de 1:50.000 a 1:80.000 atletas por ano. Estes números se comparam com um risco da população geral de 1,0 a 1,9:100 000 em adolescentes e adultos jovens (Meyer, et al., 2012). Uma incidência semelhante de 1,8 por 100.000 por ano foi encontrada após uma revisão de certidões de óbito na Inglaterra e no País de Gales (Papadakis, et al., 2009). 12 13 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 As evidências atuais mostram que há um risco relativo maior estratificados por sexo, raça e modalidade esportiva. As taxas de incidência, em atletas jovens, são consistentemente mais altas em atletas do sexo masculino, atletas negros de ascendência afro-americana e atletas de basquete (EUA) e futebol (Europa) (Harmon, et al., 2016). Há um risco um pouco maior de MSC na faixa etária mais jovem, entre os 20 a 40 anos, caracterizado por um aumento acentuado do risco do grupo adolescente para o grupo de adul- tos jovens, correspondendo ao surgimento de cardiopatia isquêmica (Myerburg, et al., 2001). ETIOLOGIAS Em pessoas com uma doença cardíaca genética ou outra anormalidade cardíaca, o exercício pode predispor a um risco aumentado de óbito de causa cardíaca (Corrado, et al., 2006). Estudos sugerem que a participação em esportes competitivos pode conferir um risco aumentado de evento cardíaco devido à natureza da doença cardíaca subjacente e efeito do exercício no coração. Esta condição prévia fornece um substrato, como hipertrofia ou fibrose no coração, e o exercício proporciona um estímulo para geração de arritmias atra- vés de alterações fisiológicas induzidas, como aumento de catecolaminas níveis, acidose e desidratação (Corrado, et al., 2006). O treinamento intenso e sistemático realizado por atletas, particularmente exercícios de resistência, induz remodelação funcional e elétrica do coração, que pode manifestar-se como aumento cardíaco e padrões anormais no eletrocardiograma (ECG), como bradicardia e anormalidades de repolarização, dentre outras, sendo chamado de “coração de atleta” (Prior, et al., 2012). Essas mudanças geralmente não são prejudiciais e representam adaptações fisiológicas que auxiliam o desempenho dos atletas. No entanto, existem alguns problemas cardiovas- culares, como as cardiomiopatias, que podem sobrepor-se ao fenótipo do coração do atleta, sendo importante distinguir estas duas condições (Prior, et al., 2012). Alterações estruturais sugestivas de “coração de atleta” dependem da forma de ativi- dade realizada e incluem hipertrofia excêntrica, com maior tamanho da cavidade ventricular esquerda naqueles envolvidos em exercícios dinâmicos (como corrida de longa distância) e hipertrofia concêntrica com dimensões da cavidade mais próximas da faixa normal em atletas que praticam exercício estático (como levantadores de peso). Muitas destas altera- ções conseguimos encontrar no ECG convencional, auxiliando no diagnóstico diferencial com algumas patologias e/ou alertando ao médico a necessidade de uma investigação mais detalhada (Prior, et al., 2012). 14 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Causas cardíacas em atletas abaixo de 35 anos Em atletas com idade abaixo de 35 anos, as principais causas se relacionam com doença estrutural congênita ou adquirida e desordens elétricas, dentre elas cardiomiopatia hipertrófica, anomalias coronarianas, cardiomiopatia dilatada, cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito, miocardite e distúrbios arritmogênicos primários (como a síndrome congênita do QT longo e a síndrome de Brugada). Outras causas menos comuns incluem síndrome de Marfan e espasmo coronariano em jovens (Doolan, et al., 2019). Muitas dessas causas cardíacas de morte súbita cardíaca em crianças e adultos jovens têm um base genética (Wilde, et al., 2013). Para algumas dessas condições, certos atletas podem ter apresentado um quadro prévio ao episódio, como dores no peito, síncope ou arrit- mias ventriculares, enquanto outros não apresentam sintomas anteriores (Patel, et al., 2012). Cardiomiopatia hipertrófica A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é uma condição caracterizada pelo aumento da espessura (> 15mm) em um ou mais segmentos da parede ventricular esquerda, geralmente assimétrica e envolve o septo interventricular. Espessura anormal da parede combinada com movimento sistólico anterior do válvula mitral pode levar à obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo e sintomas potenciais de dispneia de esforço, dor torácica ou síncope, mas a maioria dos casos em jovens são assintomáticos antes do evento sentinela da MSC. Esta síndrome decorre de uma arquitetura miocárdica desorganizada e focos arritmogênicos de fibrose intersticial (Maron, et al., 2015). A CMH é a primeira causa de MSC em atletas jovens. Até recentemente, um diagnós- tico desta cardiopatia implicava em contraindicação absoluta à prática esportiva competitiva. Atualmente, dada a prevalência considerável desta condição e ao fato de que o risco de MSC durante a atividade esportiva não ser tão alto quanto o esperado, a estratificação de risco se torna necessária. O ecocardiogramatreinadores em relação ao planejamento e execução do processo de EAT. No Brasil, como o uso dos métodos de ensino ainda parece predominar em relação ao dos modelos de ensino, torna-se necessário investigar o conhecimento dos treinadores a respeito desses métodos, pois há relação direta desse conhecimento com sua aplicação apropriada (FONSECA et al., 2021). O handebol é uma das modalidades mais praticadas em âmbito escolar no Brasil, tanto na educação física quanto em competições escolares. Assim como em outras modalidades, o conhecimento sobre os modelos/métodos de EAT e sua aplicação adequada são requi- sitos para a ação dos treinadores (GRAÇA; OLIVEIRA, 1994; GARGANTA, 1998; GRECO; BENDA, 1998), e, consequentemente, determinantes para a efetividade de um processo de EAT no handebol. Diante disso, o objetivo deste capítulo foi verificar o nível de conhecimento de treinadores brasileiros de handebol que atuam em diferentes segmentos em relação aos métodos de ensino. MATERIAIS E MÉTODOS Participantes Participaram da pesquisa 135 profissionais de Educação Física de todo Brasil, sendo 100 do sexo masculino e 35 do sexo feminino, com faixa etária entre 21 e 65 anos (34.5 ± 8.9 anos). Todos os participantes atuavam diretamente no processo de EAT de handebol em escolas de esportes, projetos sociais, clubes ou em equipes escolares, ou atuaram nes- te processo anteriormente. Os participantes assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) para participação na pesquisa, que foi aprovada pelo Comitê de Ética local sob parecer (56411516.2.0000.0039). Instrumento e procedimentos para a coleta dos dados Elaborou-se um questionário baseado no estudo de Zenko e Ekkekakis (2015), que foi utilizado como instrumento para coleta de dados deste estudo. O questionário foi validado por 10 docentes universitários, pesquisadores e especialistas na área de metodologia do ensino dos esportes, os quais fizeram uma avaliação para validação de conteúdo e ajustes das questões para garantir a compreensão e clareza do questionário. A confiabilidade das medidas do questionário foi testada por meio da análise da reprodutibilidade (consistência de medidas teste-reteste). A reprodutibilidade foi acessada por meio de teste e reteste aplicados 130 131 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 com 37 sujeitos. A análise do desempenho geral entre os testes apresentou indicadores de reprodutibilidade com coeficiente de correlação intraclasse (CCI = 0.91; IC95%; 0.85 - 0.95). A elaboração do questionário teve como objetivo central a seleção de questões com elementos essenciais e aplicações práticas sobre os métodos de ensino dos esportes coleti- vos. Os participantes foram solicitados a responder o questionário baseados unicamente em suas lembranças, sem o uso de outros materiais de consulta. O questionário foi organizado em três seções com objetivos distintos. A primeira seção consistiu em 11 perguntas de múltipla escolha, relacionadas às infor- mações para caracterização da amostra. A segunda seção envolveu 10 questões de múltipla escolha relacionadas aos métodos de ensino dos esportes coletivos, considerando suas características, propósitos e aplicações. Um exemplo de questão dessa seção é: “Consiste em desenvolver destrezas motoras isoladamente para, posteriormente, utilizá-las no contexto do jogo propriamente dito. Esse conceito refere-se a qual método de ensino?”. As questões dessa seção foram distribuídas da seguinte forma: três questões sobre as características dos métodos de ensino; três questões sobre as vantagens e desvantagens dos métodos de ensino; quatro questões sobre a aplicação e utilização dos métodos de ensino para diferen- tes objetivos e situações de aprendizagem. Todas as questões da segunda seção tinham o mesmo valor para a pontuação final, que foi calculada em função do percentual de acerto dos participantes. O objetivo dessas questões foi verificar o nível de conhecimento dos profissionais sobre os métodos de ensino dos esportes. Por fim, a terceira seção teve como propósito acessar informações sobre a frequência de utilização dos diferentes métodos de ensino pelos profissionais em suas aulas. Disponibilizou-se o questionário em comunidades do Centro Esportivo Virtual (CEV), redes sociais e também enviado por correio eletrônico. No convite para a participação na pesquisa foram disponibilizadas as informações gerais, os critérios para a participação e o link que direcionava os participantes ao questionário eletrônico. Ao acessar o link, os participantes tinham acesso ao TCLE, o qual deveriam ler e concordar para efetivar a sua participação na pesquisa. Após esse procedimento, os parti- cipantes eram direcionados para uma segunda página para responder as questões espe- cíficas do estudo. Análise dos dados Os dados foram analisados quanto sua normalidade e homogeneidade de variância por meio dos testes Kolmogorov-Smirnov e Levene, respectivamente. O teste de Friedman foi utilizado para comparar o nível de conhecimento dos sujeitos, seguido pelo teste de Wilcoxon, quando detectadas diferenças significativas. Para comparação do nível de conhecimento com 132 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 as variáveis independentes foi utilizado o Teste U de Mann-Whitney (sexo e faixa etária). Para as variáveis relacionadas à formação acadêmica, ao tempo de atuação e ao tempo de formação, o nível de conhecimento foi analisado pelo teste Kruskal-Wallis, seguido pelo Teste U de Mann-Whitney para apontar as possíveis diferenças significativas. Todas as análises foram realizadas no Statistical Package for the Social Sciences (IBM SPSS 19.0), considerando o valor de p 5 anos 84 62,4 ± 30,7 55,8 – 69 Tempo de atuação 0,645 ± 26,0 49,3 – 68,5 > 5 anos 88 61,5 ± 30,7 55,1 – 67,9 Legenda: DP – desvio-padrão; IC95% - intervalo de confiança de 95%. a = Diferente do Ensino Superior (pExercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Já em relação ao desempenho inferior obtido pelos treinadores do segmento educa- ção física escolar/lazer quando comparados aos treinadores do alto nível de rendimento, acreditamos que os treinadores do esporte de alto nível vivenciam com maior frequência o treinamento no handebol e consequentemente a aplicação de métodos de ensino. Esses treinadores são avaliados de acordo com o desempenho de suas equipes, o que requer maior controle no planejamento e na realização dos treinamentos, se comparados a trei- namentos/aulas que tem finalidade de lazer. Além disso, professores de educação física necessitam abordar diversos conteúdos de acordo com as diretrizes nacionais estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018), o que pode colaborar para reduzir carga horaria direcionada especificamente ao ensino dos esportes coletivos. Desse modo, é possível que esses professores ensinem diversos conteúdos, mas sem terem condições para aprofundar em cada um deles. Esse requisito do segmento de atuação pode colaborar para que os professores acumulem uma série de conhecimento, mas com pouca profundidade. Corroborando esta noção, a pesquisa de Modolo et al. (2017) demonstrou que o contexto formal de ensino não foi suficiente para o domínio das questões específicas do handebol, de acordo com treinadores que atuam no contexto escolar. Apesar disso, não buscamos taxar como boa ou ruim a atuação profissional dos par- ticipantes dessa pesquisa, mas buscamos descrever os resultados deste trabalho, a fim de promover uma reflexão sobre os possíveis motivos que possam explicá-los. Ademais, ampliamos em certa medida os resultados obtidos por Fonseca et al. (2021), o que colabora para tentarmos entender o cenário atual dos professores/treinadores brasileiros, a fim de colaborar para o do ensino do handebol. Este trabalho apresenta algumas limitações. A primeira delas é a prevalência maior de treinadores da região sudeste do Brasil na amostra, embora tenhamos convidado uma amos- tra de participantes de diferentes regiões, o que limita nossa reflexão em âmbito nacional. Além disso, o questionário relacionado aos métodos de ensino ser composto por questões de múltipla escolha pode superestimar nossos resultados, especialmente se algum partici- pante que não soubesse a resposta correta para alguma das perguntas selecionasse uma das opções aleatoriamente (e escolhesse a opção correta). Para estudos futuros, propõe-se o uso de ferramentas que permitam descrever com maior profundidade o conhecimento dos treinadores a respeito dos modelos/métodos por meio de questões discursivas, entrevis- tas, entre outros. Por fim, a literatura tem discutido uma prática baseada em modelos de ensino atual- mente (CASEY; MACPHAIL, 2018), que é descrita como uma abordagem baseada no uso diversos modelos de ensino, cada um com seus resultados de aprendizagem únicos, distintos e com alinhamento dos seus resultados de aprendizagem com suas estratégias de ensino, 136 137 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 de acordo com suas diretrizes para fiel implementação pelos professores (KIRK, 2013). Essa prática tem sido sugerida como possível forma de revolucionar a educação física (KIRK, 2013; QUAY; PETERS, 2008) e permite alcançar um escopo de aprendizagem ainda mais amplo e profundo do que aquele que um único modelo pode oferecer (LUND; TANNEHILL, 2015). Ainda assim, se aplicar um único modelo é um processo complexo, aplicar múltiplos modelos em um processo de ensino torna-se ainda mais desafiador (CASEY; MACPHAIL, 2018) mesmo em longo prazo. Por isso, esse é um tópico que ainda merece discussão e que acreditamos não estarmos próximos de observar sua aplicação prática com frequência nacionalmente, pois o contexto do processo de EAT no Brasil ainda aparenta ser pautado na utilização de métodos de ensino, o que pode ser justificado por aspectos históricos (GALATTI et al., 2014). É possível que como caminho a percorrer inicialmente, o conhecimento sobre os modelos de ensino possa ser aprofundado e difundido no Brasil, mesmo que paulatinamente, de forma a aprimorar o as práticas de treinadores de handebol, de outras modalidades e na educação física escolar, bem como colaborar para um entendimento mais amplo processo de EAT e até mesmo uma auto avaliação das práticas profissionais dos professores/trei- nadores. Recomenda-se então que trabalhos futuros no campo da pedagogia do esporte continuem descrevendo o que são, sua utilidade e a importância dos modelos de ensino para organizar, sistematizar, implementar e avaliar o processo de EAT, assim como suas principais vantagens e limitações. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados do presente trabalho sugerem que a formação continuada pode ser uma ferramenta aprimorar o conhecimento de treinadores de handebol brasileiros, de forma a reduzir possíveis carências contidas no contexto dos cursos de graduação em educação física. Além disso, os treinadores de handebol participantes dessa pesquisa apresentaram conhecimento similar em relação aos métodos analítico, global e situacional, o que pode colaborar para um possível rompimento com práticas tradicionais tecnicistas que caracteri- zam o contexto nacional do processo de EAT no Brasil. REFERÊNCIAS 1. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. 2. BUNKER, D.; THORPE, R. 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Métodos: Trata-se de um ensaio clínico randomizado cego, no qual 22 indivíduos tabagistas foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: Grupo exercícios resistidos associado ao Powerbreathe® (GERP) e Grupos exercícios resistidos isolado (GER). Foram avaliados pré e pós interven- ção o nível de dispneia, capacidade respiratória, pico de fluxo expiratório (PFE), capacidade funcional e qualidade de vida (QV). Resultados: A pressão inspiratória máxima (PImáx) e a pressão expiratória máxima (PEmáx) melhoraram significativamente no GERP. Já o teste de caminhada de seis minutos (TC6’) e a QV obtiveram uma melhora estatisticamente sig- nificativa no GER. Por fim, o PFE e o grau de dispneia não mostraram diferença significativa em nenhum grupo. Conclusão: Concluiu-se que o GERP foi superior ao GER, em relação a capacidade respiratória, porém o GER foi melhor na capacidade funcional e na QV. Palavras-chave: Exercícios Respiratórios, Tabagismo, Fisioterapia. 144 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 INTRODUÇÃO O consumo de tabaco é uma das principais causas de morte evitável no mundo e esti- ma-se que se a tendência no uso do tabaco for mantida, até 2030 haverá mais de 8 milhões de mortes por ano, sendo a maioria em países de baixa e média renda.1,2 Além disso, a cada ano, o consumo causa sobrecarga na economia com cerca de US$ 1,4 trilhão em custos de saúde no mundo.3 No Brasil, o consumo de cigarros e outros derivados causou um prejuízo de R$ 56,9 bilhões ao país em 2015, sendo R$ 39,4 bilhões em custos médicos e R$ 17,5 bilhões em custos decorrentes da perda de produtividade e incapacitação de trabalhadores.4 O tabagismo está bem estabelecido como um importante fator de risco para o desen- volvimento de câncer, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Caracterizada por uma obstrução progressiva das vias aéreas, hiperinsuflação pulmonar, aumento da frequência e gravidade das exacerba- ções, além de manifestações sistêmicas causando o comprometimento do desempenho nas atividades de vida diária (AVD) e a diminuição da qualidade de vida.5,7 Em indivíduos com DPOC, a força muscular periférica é significativamente reduzida, gerando uma diminuição da funcionalidade, podendo resultar, até mesmo, em um número elevado de depressão e isolamento social.8 Assim, para auxiliar ao tratamento de indivíduos tabagistas, o Treinamento Muscular Inspiratório (TMI) exerce uma carga significativa nos músculos inspiratórios promovendo o aumento da força e endurance dos músculos inspiratórios, diminui os sintomas de dispneia, aumenta o volume pulmonar e melhora a capacidade funcional.9,10 Consequentemente, permite uma maior tolerância às AVD’s.9,10 O exercício físico também está associado a rea- bilitação deste público, pois o exercício resistido aumenta a tolerância as atividades físicas provocando menos dispneia, permitindo que os indivíduos atinjam a intensidade direciona- da e otimizem o efeito do exercício executado.11 Além disso, possui efeitos na melhora da capacidade oxidativa e na eficiência do sistema musculoesquelético.11 MÉTODOS Delineamento Ensaio clínico randomizado cego. O estudo fez parte do Grupo de Evidências Científicas em Fisioterapia (GECIF) da Universidade Luterana do Brasil, campus Torres/RS, Brasil. O pro- jeto de pesquisa foi submetido e aprovado junto ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Luterana do Brasil com parecer 3.087.675. 145 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Critérios de Elegibilidade Foram incluídos no estudo indivíduos tabagistas, de ambos os gêneros com idade de 20 a 70 anos, que assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), que fumavam no mínimo vinte maços de cigarro/ano por, pelo menos, três anos e que fizessem uso somente de cigarro. Foram excluídos indivíduos que tinham por hábito consumir produtos além do cigarro, portadores de doenças neuromusculares, histórico de luxação articular em membros supe- riores e inferiores, indivíduos com hipertensão arterial sistêmica (HAS) não controlada, os que realizavam tratamento para exacerbação da DPOC com utilização de antibioticoterapia, que tivessem histórico de fibrose cística, fibrose pulmonar ou outra patologia de caráter res- tritivo, além de câncer de pulmão e sintomas agudos de trombose venosa profunda (TVP), indivíduos que apresentaram déficit cognitivo que os impedissem do entendimento da reali- zação dos exercícios, ou até mesmo se realizassem algum tipo de programa de reabilitação pulmonar nos últimos dois meses ou atividades físicas regularmente, além disso, foram excluídos participantes que tiveram duas faltas consecutivas ou três alternadas durante a aplicação do protocolo. Protocolo de Avaliação Realizado em dois momentos do estudo. A avaliação inicial foi realizada previamente à randomização e a avaliação final após o término da intervenção. As avaliações foram realizadas por um avaliador independente cego, previamente treinado e que não tinha a informação de qual o grupo o participante pertencia. A mensuração da pressão inspiração máxima (PImáx) e pressão expiratória máxima (PEmáx), foi mensurada através do manovacuômetro da marca Murenas® modelo MV300. Para realizar a manovacuometria era solicitado que o indivíduo realizasse uma inspiração e expiração máxima contra a via aérea ocluída, mantendo esta pressão por no mínimo um segundo. Este teste foi realizado três vezes com intervalo de um minuto, sendo anotada a medida de maior valor. Para a avaliação do pico de fluxo expiratório (PFE) foi utilizado o Peak Flow da marca Microlife modelo Meter, no qual foi solicitado que o participante realizasse uma expiração rápida e forçada no bocal do aparelho. Este teste também foi realizado três vezes com in- tervalo de um minuto, sendo anotada a medida de maior valor. O grau de dispneia foi realizada através da Escala Modificada Medical Research Council (mMRC). Para utilização da mMRC, o paciente foi questionado quanto ao seu grau de 146 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 dispneia numa escala de zero a quatro, sendo que uma maior pontuação indicava uma grave limitação as atividades de vida diária. Para a avaliação da capacidade funcional foi realizado o Teste de Caminhada de 6 minutos (TC6’), sendo instruídoao participante que caminhasse num ritmo rápido, porém sem correr. O teste era realizado em um corredor de 30 metros durante seis minutos. A avaliação da qualidade de vida foi coletada através do Questionário do Hospital Saint George na Doença Respiratória (SGRQ), no qual avalia sintomas, atividade e impactos psicossociais que a doença respiratória inflige ao indivíduo. Foi utilizada ainda a escala de Borg modificada a fim de manter o grau de esforço ao realizar os exercícios. E por fim foi realizado o teste de Uma Repetição Máxima (1RM) que foi utilizado para medir a intensidade dos exercícios, no qual os voluntários tinham que realizar os movimen- tos de flexão de cotovelo e extensão de joelho com diversas resistências até alcançar sua capacidade máxima de levantamento. Randomização da Amostra Realizada através de envelope lacrado, por um pesquisador colaborador, posteriormente a avaliação inicial. Dentro de um envelope, contendo 24 papéis dobrados com o número do grupo no qual o participante pertenceu, sendo divididos em: Grupo exercícios resistidos + Powerbreathe® (GERP) e Grupo exercícios resistidos isolado (GER). Protocolo de Intervenção O protocolo de intervenção de todos os grupos foi realizado duas vezes por semana, durante oito semanas, totalizando 16 atendimentos, com média de duração de 50 minutos cada sessão. Os participantes do GERP realizaram o protocolo proposto que consistia em exercícios resistidos (Tabela 1) e Powerbreathe®. Cada voluntário do estudo teve sua pró- pria intensidade de exercício definida através do 1RM, e para a carga foi utilizado 60% da sua repetição máxima. 147 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Tabela 1. Protocolo de exercícios resistidos. Exercício proposto Descrição dos Exercícios Séries/ repetições/tempo Aquecimento Pedalada em bicicleta estacionária 5 minutos em ritmo leve. Mantendo os níveis de 1 à 2 na escala de Borg Abdução do ombro Em sedestação, realiza o movimento de abdução de ombro até 90º, partindo da posição neutra do membro superior 2 séries de 10 repetições em cada membro Flexão de cotovelo Em sedestação, realiza o movimento de flexão de cotove- lo partindo da posição neutra do membro superior 2 séries de 10 repetições em cada membro Extensão de quadril Em ortostase, realiza o movimento de extensão de quadril partindo da posição neutra 2 séries de 10 repetições em cada membro Flexão de quadril Em ortostase, realiza o movimento de flexão de quadril, partindo da posição neutra do quadril e com o joelho em flexão de 90º 2 séries de 10 repetições em cada membro Flexão de joelho Em ortostase, realiza o movimento de flexão de joelho partindo da extensão de joelho 2 séries de 10 repetições em cada membro Extensão de joelho Em sedestação, realiza movimento de extensão de joelho partindo de flexão de joelho 2 séries de 10 repetições em cada membro Fonte: autores, 2022. Observação: Caso o participante apresentasse sinais de fadiga muscular, pode- ria realizar os exercícios de flexão e extensão de quadril em decúbito dorsal e ventral, respectivamente. No GERP os participantes realizaram os exercícios e após utilizaram o Powerbreathe® que teve uma carga de 20% da PImáx, avaliado através da manovacuômetria (avaliação inicial). Para a intervenção o terapeuta solicitou uma expiração completa do participante, colo- cando neste momento um clipe nasal no mesmo, assim como o auxiliou na colocação do bocal do Powerbreathe®, e em seguida solicitou uma inspiração máxima, na qual foi realizado três ciclos de 30 respirações cada um seguido por um minuto de descanso. A carga utilizada foi reajustada quinzenalmente conforme evolução da força inspiratória mantendo sempre 20% da PImáx, assim como o teste de 1RM que foi mantido 60% do seu levantamento máximo. O GER recebeu o mesmo protocolo supracitado na tabela 1, porém sem associação do Powerbreathe®. Analise de Dados Foi utilizado o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 23.0 como pacote estatístico. Inicialmente, procedeu-se uma análise descritiva das variáveis apre- sentando-as em forma de frequência (média, mediana e desvio padrão para as variáveis numéricas e n absoluto e percentual para as variáveis categóricas). Após, foi analisado a normalidade de distribuição das variáveis através do teste de Levene. Para as variáveis com distribuição normal foi realizado o Teste t de Student não pareado para as análises entre grupos. As variáveis com distribuição anormal foram analisadas através do teste de 148 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Mann-Whitney. E finalmente, para as análises intragrupo foram utilizados o teste t de Student pareado. O nível de confiabilidade foi de 95% (p(cmH2O) nos grupos de intervenção. Legenda: GERP: grupo exercícios resistidos + Powerbreathe®; GER: grupo exercícios resistidos; PImáx (cmH2O): pressão inspiratória máxima em centímetros de água. # pdurante quatros semanas, sete dias por semana e a amostra incluiu 42 indivíduos do gênero masculino que foram distribuídos em três grupos: intervenção não fumantes (n=16), intervenção fumantes (n=16) e placebo fumantes (n=10). O protocolo incluiu dois ciclos de 30 inspirações com intervalo de um minuto entre eles e os participantes dos grupos intervenções realizaram o TMI, com o Powerbreathe® ajustado a uma intensidade inicial de 50% da PImáx e a intensi- dade foi aumentada 5% a cada semana, já o grupo placebo teve uma intensidade ajustada a 15% de PImáx. A análise intergrupos mostrou que tanto a PImáx quanto PEmáx foram significativamente maiores no grupo de fumantes com intervenção, melhorando desta forma a função pulmonar. Outra característica da DPOC é que os indivíduos apresentam limitação do fluxo ex- piratório, desta forma prejudicando a capacidade do sistema respiratório ventilar adequa- damente.15 Esta limitação é causada pela perda da elastância pulmonar fornecida pelas ligações alveolares ao redor das pequenas vias aéreas, pela inflamação e acúmulo de muco nas vias aéreas.15 Bausek et al.17, em seu estudo piloto investigaram o impacto do uso do TMI na função pulmonar e da fala em pacientes com DPOC e ainda a viabilidade e eficácia do treinamento como parte do programa de capacitação de indivíduos com DPOC, que é o padrão atual de atendimento. Foram recrutados 17 indivíduos para participar do estudo e a intervenção consistiu em um treinamento muscular respiratório seguido de aquecimento, exer- cícios de fortalecimento dos membros superiores e inferiores, exercícios de apoio à aptidão cardiorrespiratória, além da educação do paciente sobre a DPOC e seu manejo. Todos os indivíduos foram submetidos ao TMI, com um dispositivo de carga com intensidade de 50% a 70% da PImáx, incluindo dois ciclos de dez respirações e a intensidade dos exercícios de fortalecimento variou de 40% a 60% de 1RM. O protocolo foi realizado duas vezes por dia, todos os dias da semana, durante quatro semanas. Como resultados finais, o PFE obteve 154 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 um aumento estatisticamente significativo, vindo de encontro com os resultados apresenta- dos na presente pesquisa, onde acredita-se que o GERP obteve uma pequena melhora do fluxo expiratório devido ao aumento da PEmáx, causado pela expiração contra resistência do Powerbreathe®, porém este resultado não foi estatisticamente significativo. Já o GER obteve uma piora do PFE, pois acredita-se que ele esteja diretamente relacionado a PEmáx que também não mostrou diferença significativa neste grupo. A dispneia é a principal queixa dos pacientes com DPOC.18 Ela pode limitar a capa- cidade de exercício e prejudicar a função muscular esquelética, agravando ainda mais os sintomas.18 Silva et al.19, em sua pesquisa investigaram os efeitos do exercício resistido dos membros superiores na capacidade funcional, na função muscular e na QV em pacientes com DPOC. Foram recrutados 51 indivíduos, alocados em dois grupos: grupo intervenção e grupo controle. Todos os protocolos foram realizados três vezes por semana, durante oito semanas, sendo que grupo controle realizou movimentos diagonais funcionais para os membros superiores e inferiores por cerca de dez minutos, fortalecimento da musculatura respiratória através de um dispositivo de carga com intensidade de 50% da PImáx durante 15 minutos, e no final da sessão foram realizados alongamentos e massagem terapêutica por dez minutos. Já o grupo intervenção realizou o mesmo protocolo, porém com adição de exercícios resistidos para os membros superiores com carga de 50% de 1RM. Na análise dos resultados, não demonstrou efeito dos exercícios em relação ao grau de dispneia, cor- roborando com o presente estudo que não obteve melhora estatisticamente significativa em ambos os grupos. Desta forma, sugere-se que não houve alterações significativas devido a maioria dos participantes apresentarem um grau de dispneia leve. A DPOC não se limita somente em alterações pulmonares, mas também está relacio- nada ao comprometimento do sistema musculoesquelético.20 Desta forma, intervenções com exercícios voltados à melhora da função muscular esquelética têm o potencial de melhorar a função física e a QV de pessoas com DPOC.20 O resultado do presente estudo em relação ao TC6’ obteve um aumento estatisticamente significativo no GER. Corroborando com o estudo de Zambom-Ferraresi et al.21 no qual tiveram por objetivo comparar os efeitos de um treinamento de resistência isolado em relação ao treinamento combinado de resistência e endurance sobre a força máxima, a potência muscular, a capacidade de exercício e a quali- dade de vida em pacientes com DPOC. A amostra foi constituída por 40 indivíduos do gênero masculino, que foram alocados em três grupos: treinamento de resistência isolado (GR), treinamento combinado de resistência e endurance (GCRE) e grupo controle (GC). O proto- colo foi realizado dois dias por semana, durante doze semanas, e incluiu no GR exercícios em equipamentos de resistência para os membros superiores e inferiores com uma carga de 50% a 70% de 1RM. O GCRE realizou um dia da semana o mesmo protocolo do GR, e no 155 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 outro dia treinamento de endurance em cicloergômetro por durante 30 minutos. Já o GC foi orientado a realizar suas atividades normalmente. Na análise dos resultados, após o período de doze semanas, houve um aumento significativo no TC6’ tanto no GR quanto GCRE. Este resultado justifica-se, pois, os exercícios resistidos requerem maiores esforços metabólico e ventilatório para os pacientes, gerando maior carga cardíaca e respiratória, aumentando a capacidade de exercícios, justificando a melhora no TC6’.19 Os questionários de qualidade de vida foram desenvolvidos para quantificar o impacto que a doença afeta as atividades de vida de diária e sua aplicação pode ser útil na escolha do tratamento e, por isso, este instrumento de avaliação vem sendo bastante utilizado.22 O re- sultado do presente estudo em relação à QV, obteve apenas um aumento estatisticamente significativo no GER quando analisado no escore total e de atividades. Corroborando com o estudo de Vonbank et al.23, no qual tiveram como objetivo comparar os efeitos de três modalidades diferentes de exercícios em pacientes com DPOC. A amostra foi constituída por 36 indivíduos, distribuídos aleatoriamente em três grupos: treinamento progressivo de força (TF), treinamento de resistência (TR) e a combinação de treinamento de força e treina- mento de resistência (TFR). O protocolo foi realizado duas vezes por semana durante doze semanas, e a intervenção no grupo TF consistia em exercícios para os membros superiores e inferiores que inicialmente foram realizados com cargas mínimas, porém a cada semana foram aumentadas realizando até 15 repetições. O grupo TR realizou cicloergômetro por 20 minutos durante as primeiras quatro semanas, após foram acrescentados cinco minutos a cada semana até ao final da intervenção. Já o grupo TFR realizou o protocolo combinado já citado anteriormente. Na análise dos resultados, a QV, avaliada através do SGRQ aumen- tou significativamente em todos os três grupos de treinamento, com uma maior melhoria no escore de atividade no grupo de treinamento combinado. Desta forma, corroborando com os achados da presente pesquisa, que assim como no TC6’ os exercícios melhoram a QV podendo auxiliar no entendimento dos mecanismos que a DPOC causa no indivíduo.19 CONCLUSÃO Neste estudo, concluiu-se que em indivíduos tabagistas, o protocolo de exercícios resistidos + Powerbreathe® foi superior aoprotocolo de exercícios resistidos isolados, em relação a capacidade respiratória (PImáx, PEmáx), no entanto o protocolo de exercícios resistidos isolado demonstrou superioridade significativa na capacidade funcional (TC6’) e na qualidade de vida (SGRQ). 156 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Agradecimentos Agradecimento especial ao grupo de pesquisas GECIF, pela colaboração e dedi- cação a pesquisa. REFERÊNCIAS 1. Pourtau L, Martin E, Menvielle G, et al. To smoke or not to smoke? 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Respir Med. 2012; 106(4): 557-63. 12 '10.37885/220609099 12 Velocidade de onda de pulso e resistência vascular em idosos hipertensos praticantes de caminhada Elohim Lima de Sousa Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES Universidade Federal do Ceará - UFC Carlos Eduardo Urbano da Silva Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES Universidade Federal do Ceará - UFC Pedro Lucas Ferreira das Chagas Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES Universidade Federal do Ceará - UFC Regina Brena de Lima Costa Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES Universidade Federal do Ceará - UFC Francisco Saullo Xavier Ribeiro Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES Universidade Federal do Ceará - UFC José Rian Rodrigues Camelo Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES Universidade Federal do Ceará - UFC Lucas Gabriel de Fontes Sousa Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES Universidade Federal do Ceará - UFC Lara Cristine Ribeiro dos Santos Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES Universidade Federal do Ceará - UFC Marcos Antônio Tenório Machado Oliveira Instituto de Educação Física e Esportes - IEFES Universidade Federal do Ceará - UFC Carla Cristina de Sordi CCS/Universidade Estadual do Ceará - UECE https://dx.doi.org/10.37885/220609099 RESUMO Objetivo: Analisar os efeitos do volume de caminhada semanal sobre a Velocidade de Onda de Pulso (VOP) e Resistência Vascular Total (RVT) em idosos hipertensos. Métodos: Idosos hipertensos de ambos os sexos foram alocados em grupo fisicamente inativo (FI) e ativo (FA). Foram analisadas medidas antropométricas, parâmetros hemodinâmicos basais e os métodos da VOP, índice de aumento (AIx) e RVT. Resultados: A média de caminhada semanal no grupo FA foi de 306,15 ± 42,3 min. vs. 39,4 ± 49,9 min. em FI (pConclusão: Nossos dados sugerem que um maior volume de caminhada semanal é eficiente na diminuição da VOP e RVT em idosos hipertensos. Palavras-chave: Idoso, Hipertenso, Rigidez Arterial, Atividade Física, Caminhada, VOP. 160 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 INTRODUÇÃO A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um determinante preditivo para o surgimento de eventos cardiovasculares e morte prematura,1 assim como um fator de risco para as principais doenças cardiovasculares (DCV). O aumento da rigidez arterial é um fenômeno complexo caracterizado pela diminuição da complacência das grandes artérias, sendo o principal fator biológico associado ao envelhecimento,2 bem como a presença de doenças associadas ao sistema cardiovascular, como a hipertensão arterial.3 O método oscilométrico vem sendo utilizado para compor os exames de risco de eventos cardiovasculares, tornando possível obter através dele medidas de diferentes parâmetros de rigidez arterial.4 A velocidade de onda de pulso (VOP), constitui o padrão-ouro para a avaliação da rigidez arterial, por conta de sua associação com o risco cardiovascular em diferentes populações.5 É consenso geral que a exercício físico regular é um fator fundamental para assegurar uma maior longevidade e melhor saúde sistêmica, uma vez que o aumento do dispêndio energético associado ao exercício evidencia benefícios na redução da inflamação, na me- lhoria da função endotelial,6 assim como na atenuação da rigidez arterial.7 O protocolo ideal de atividade física que promove melhor benefício à saúde cardiovascular ainda é discuti- do na literatura. A caminhada é uma atividade física popularmente recomendada por diversos profissio- nais da saúde.8,9 Além de ser popular e de baixo custo, não requer local específico de prática e a maioria da população pode se exercitar, sendo a forma de atividade física de mais fácil acesso. A prática crônica de caminhada pode ser uma alternativa para tirar as pessoas da inatividade física e ser um coadjuvante importante para o combate e profilaxia do leito arterial, particularmente em idosos hipertensos. Entretanto, ainda não está totalmente claro qual a “dose resposta” mais indicada para se alcançar benefícios cardiovasculares nessa população. Portanto, o presente estudo teve como objetivo analisar o comportamento da rigidez arterial mediante ao tempo de caminhada semanal de idosos hipertensos. Nossa hipótese é que idosos hipertensos fisicamente ativos com maior volume de caminhada semanal vão obter menores níveis de rigidez arterial em relação aos idosos hipertensos fisicamente inativos com menor volume de caminhada semanal. 160 161 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 MÉTODOS População do estudo Um total de 33 idosos hipertensos de ambos os sexos, atendidos rotineiramente na Liga de Hipertensão Arterial (LHA) do Hospital de Clínicas Universitário da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM) e no programa Hiperdia da Unidade Básica de Saúde Dona Aparecida Conceição Ferreira (UBS-DACF) no Município de Uberaba-MG, participa- ram voluntariamente deste estudo onde foram alocados em dois grupos experimentais de acordo com os critérios estabelecidos pela World Health Organization:10 fisicamente inativo (FI, n=18), composto por idosos hipertensos que caminhavampode ser suficiente para diagnóstico inicial, porém, caso ele seja negativo, não se exclui CMH nos pacientes que apresentem alterações eletrocardiográficas sugestivas. A ressonância nuclear magnética, nestes casos, deve ser feita de rotina (Finocchiaro, et al., 2019). Anomalias coronarianas As anomalias das artérias coronárias são uma das principais causas de MSC em atletas jovens. As anomalias incluem a artéria coronária esquerda que surge do seio de Valsalva direito ou a artéria coronária direita que surge do seio de Valsalva esquerdo. Estudos suge- rem que menos de 50% dos atletas com AF de uma artéria coronária anômala apresentavam 14 15 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 sintomas de alerta preexistentes de sua condição, como dor torácica ao esforço ou síncope (Basso, et al., 2000). Anomalias das artérias coronárias parecem precipitar MSC como consequência de alterações isquêmicas decorrentes do posicionamento ou formação anormal da artéria, promovendo fibrose miocárdica, que pode predispor a arritmias ventriculares. As artérias coronárias anômalas estão entre as condições mais difíceis de detectar em seu estado pré- -clínico. Uma alta suspeita clínica deve ser mantida no atleta com dor torácica ao esforço ou síncope. As artérias coronárias podem ser avaliadas satisfatoriamente em mais de 90% dos atletas com ecocardiografia transtorácica focalizada, sugerindo que, se não puderem ser visualizadas em um atleta com sintomas cardiovasculares inexplicáveis, a angiotomo- grafia computadorizada (TC) ou ressonância magnética cardíaca deve ser considerada (Edwards, et al., 2010). Cardiomiopatia dilatada A cardiomiopatia dilatada (CMD) é caracterizada por disfunção sistólica do ventrículo esquerdo ou biventricular, com ou sem dilatação, que não é explicada por condições anor- mais de carga ou doença arterial coronariana. As possíveis causas incluem predisposição genética, miocardite, drogas, toxinas (Pinto, et al., 2016). O diagnóstico de cardiomiopatia dilatada é desafiador devido à adaptação do VE em atletas, pois não é incomum observar dilatação do VE e disfunção leve em atletas de espor- tes de resistência. A avaliação da função diastólica (normal no caso de coração de atleta), ecocardiografia de estresse (aumento da contratilidade no caso de coração de atleta) e ava- liação funcional durante o teste de esforço cardiopulmonar podem ser úteis para distinguir essas condições (Galderisi, et al., 2015). A avaliação genética tem um papel importante, pois ambas as mutações da lâmina A/C e da filamina C estão relacionadas a um maior risco de MSC. A avaliação da elegibilidade esportiva deve incluir história de síncope inexplicada, palpitação, arritmias ventriculares durante o teste ergométrico e função/morfologia do ventrículo esquerdo por ecocardiografia e, às vezes, ressonância magnética. Exercícios de alta intensidade e esportes competitivos devem ser evitados em pacientes com essas características (Sinagra, et al., 2016). Displasia arritmogênica do ventrículo direito A displasia arritmogênica do ventrículo direito (DAVD) é definida patologicamente pela presença de substituição fibrogordurosa do ventrículo direito ventrículo e clinicamente por arritmias ventriculares com risco de vida. O genótipo, neste caso, pode ter valor prognóstico. Nesta patologia, vários estudos relataram que portadores de múltiplas variantes patogênicas 16 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 no mesmo gene desmossômico ou mutações em dois ou mais genes podem ter um risco arrít- mico quase quatro vezes maior do que aqueles com uma única mutação (Rigato, et al., 2013). A influência da atividade esportiva é particularmente marcante em pacientes com esta patologia, nos quais o exercício físico intenso pode levar à progressão da doença (Calkins, et al., 2017). Independentemente do risco estimado de MSC, existem evidências científicas que sustentam o conceito de que exercícios de alta intensidade e esportes competitivos de- vem ser evitados. Uma história de síncope inexplicável e sintomas induzidos por exercício são os marcadores de risco mais relevantes de MSC. O paciente pode apresentar alterações eletrocardiográficas que auxiliam no diagnóstico, porém, a confirmação será dada pela eco- cardiografia e, principalmente, a ressonância magnética (Towbin, et al., 2019). Causas arritmogênicas Dentre as arritmias mais comumente relacionadas à morte súbita cardíaca, estão a síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW), a síndrome do QT Longo (SQTL), a taquicardia ventricular polimórfica catecolaminérgicas e a síndrome de Brugada (Priori, et al., 2015). A Síndrome de Wolff-Parkinson-White é definida como a presença de arritmias supra- ventriculares em pacientes com pré-excitação ventricular (durante o ritmo sinusal) devido a uma via AV acessória com condução anterógrada. A maioria dos pacientas são assintomá- tico, mas podem desencadear sintomas, como arritmias e palpitações. O risco de MSC em pacientes com síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW) varia em torno de 6,8% (Peterson, et al., 2020) e, geralmente, ocorre durante o exercício ou estresse emocional, quando o aumento da atividade simpática pode levar à fibrilação atrial com rápida ativação ventricular pela via acessória, potencialmente precipitante de fibrilação (Obeyesekere, et al., 2012). A síndrome do QT longo é uma canalopatia complexa e multifatorial que predispõe os indivíduos a arritmias ventriculares potencialmente fatais, geralmente precipitadas por estresse emocional ou físico. A última diretriz da Sociedade Europeia de Cardiologia sugere limites superiores de 480ms no eletrocardiograma, tanto para homens quanto para mulhe- res (Priori, et al., 2015). Mais de 11 anormalidades genéticas envolvendo canais cardíacos de potássio e sódio que dão origem à SQTL foram identificadas e desempenham papéis importantes na repolarização cardíaca. Atletas sintomáticos com suspeita ou diagnóstico de canalopatia cardíaca devem ser totalmente informados sobre sua condição e abster-se de todos os esportes competitivos até que uma avaliação abrangente seja concluída e o tratamento iniciado (Maron, et al., 2015). 16 17 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 Miocardite A miocardite é uma doença inflamatória não isquêmica do miocárdio, que pode cau- sar disfunção cardíaca e arritmias. A miopericardite é definida como uma pericardite pri- mária com inflamação miocárdica e evidência de biomarcadores de necrose de miócitos (Sinagra, et al., 2016). A miocardite é uma importante causa de MSC em atletas (Pelliccia, et al., 2020). Esta patologia se enquadra na categoria de cardiomiopatias inflamatórias e pode causar disfun- ção do VE com subsequente arritmias fatais. As cardiomiopatias inflamatórias podem ter causas infecciosas (virais, bacterianas, fúngicas e parasitárias) e químicas (farmacológicas inclusive drogas e tóxicas), e incluem várias formas, como sarcoidose cardíaca, miocardite autoimune no contexto de doença do tecido conjuntivo, miocardite de células gigantes ou cardiomiopatias eosinofílicas (Greulich, et al., 2020). A miocardite viral relacionada ao COVID-19 foi relatada em vários relatos de casos e artigos de revisão. Apesar do mecanismo de lesão cardíaca nesta patologia ainda permane- cer pouco compreendido, foram levantadas várias hipóteses potenciais sobre a patogênese da miocardite nesse caso incluindo dano direto aos cardiomiócitos pelo vírus circulante (Gheblawi, et al., 2020); síndrome grave de liberação de citocinas por respostaFreescale Inc., Tempe, AZ). O sensor é conectado a um conversor A / D de 12 bits por meio de um filtro ativo de graves analógicos ( 25 Hz). Após a digitalização, o processamento do sinal foi realizado usando um algoritmo de três níveis. Num primeiro passo, as ondas de pressão únicas foram verificadas quanto à sua plausibilidade, testando a posição dos mínimos e os correspondentes comprimentos de onda. Durante o segundo 162 163 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 estágio, todas as ondas de pressão individuais foram comparadas entre si para reconhecer os artefatos. Depois disso, uma onda de pulso aórtica é gerada por meio de uma função de transferência generalizada. A ideia por trás de uma função de transferência é a modificação de uma determinada faixa de frequência dentro do sinal de pulso adquirido para obter a onda de pressão aórti- ca.11 O primeiro cruzamento de zero positivo da derivada de tempo de quarta ordem da onda de pulso aórtica gerada representa o ponto de inflexão desejado. Na última etapa, a coerência dos parâmetros medidos foi verificada. Portanto, o ponto de inflexão de cada onda de pulso foi comparado com o ponto médio de inflexão. O tempo de registro do sinal oscilométrico no nível diastólico permite a derivação de parâmetros hemodinâmicos centrais, como PAs centrais, Aix, débito cardíaco (DC) e RPT da forma de onda de pulso por meio de uma fun- ção de transferência. Para o cálculo do DC, os pacientes foram medidos automaticamente usando software usando fator de calibração específico do paciente, FC, complacência, área da curva de pressão e conformidade, conforme descrito previamente.11 Análise estatística Os dados foram analisados com SigmaStat 2.3.0 (Software Científico Jandel, SPSS, Chicago, IL, EUA). A normalidade da distribuição dos dados foi analisada pelo teste de Shapiro-Wilk. As variáveis contínuas foram apresentadas como média ± desvio padrão (DP) e variáveis categóricas como porcentagens. As comparações entre os grupos foram feitas usando o teste t de Student não pareado (bicaudal) ou o teste U de Mann-Whitney para dados não paramétricos e qui-quadrado para as variáveis qualitativas. Valores de probabilidadeimune des- regulada, com uma resposta inflamatória sistemática grave resultando na hipóxia e apoptose dos cardiomiócitos; e superativação do sistema autoimune com possível hiperativação me- diada por interferon de sistemas imunes inatos e adaptativos (Channappanavar, et al., 2020). Além disso, o abuso de drogas que melhoram o desempenho, como cocaína, me- tanfetamina ou efedrina, pode incitar a inflamação do miocárdio. A apresentação clínica é altamente variável e inclui arritmias supraventriculares ou ventriculares, bloqueio atrioven- tricular avançado, insuficiência cardíaca, choque cardiogênico ou morte súbita cardíaca (Greulich, et al., 2020). Prolapso valvar mitral O prolapso valvar mitral (PVM) é uma condição genética resultante do espessamento e da redundância dos folhetos e cordas valvares, gerando flacidez dos folhetos e consequente regurgitação mitral (RM). As complicações da insuficiência mitral por PVM incluem hiperten- são pulmonar, doença cardíaca direita e aumento da probabilidade de fibrilação atrial (FA), com consequente risco aumentado de eventos tromboembólicos (Baumgartner, et al., 2017). O prolapso valvar mitral pode estar associada a um risco aumentado de MSC, embora ainda não esteja claro se esse risco se deve aos efeitos hemodinâmicos da RM grave ou se há uma predisposição genética subjacente (Drezner, et al., 2017). Os fatores de risco 18 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 para desenvolvimento de morte súbita incluem cicatriz miocárdica, disjunção anular da valva mitral, inversão da onda T nas derivações inferiores e arritmias ventriculares provenientes do ventrículo esquerdo (Dejgaard, et al., 2018). Além disso, os sinais clínicos sugestivos da patologia incluem história de síncope com arritmia documentada, história familiar de morte súbita, insuficiência mitral grave, disfunção sistólica do ventrículo esquerdo, evento tromboem- bólico prévio e ECG ambulatorial mostrando arritmias significativas (Drezner, et al., 2017). Devido à natureza relativamente benigna do PVM, pacientes assintomáticos com re- gurgitação leve ou moderada, na ausência dos fatores de risco mencionados, estão aptos a participarem de esportes competitivos e de lazer. Pacientes assintomáticos com RM grave, mas nenhum dos marcadores de alto risco podem competir em esportes de intensidade baixa a moderada, após discussão prévia com seu especialista. Por fim, pacientes sintomáticos com PVM e qualquer uma das características de alto risco mencionadas não devem par- ticipar de esportes recreativos ou competitivos. No entanto, o exercício aeróbico de baixa intensidade deve ser incentivado para melhorar a capacidade funcional e o bem-estar geral (Pellicia, et al., 2020). Causas cardíacas em atletas acima de 35 anos A doença arterial coronariana aterosclerótica é a causa predominante de morte súbita cardíaca em atletas com mais de 35 anos de idade, e o esforço físico vigoroso está asso- ciado a um risco aumentado de IAM e MSC (Marijon, et al., 2015). Doença arterial coronariana Em atletas com idade mais avançada, superior a 35 anos, o cuidado cardiovascular deve ser centrado na maior prevalência de doença arterial coronariana (DAC) aterosclerótica e no potencial de síndromes coronarianas agudas induzidas pelo exercício decorrentes de ruptura da placa aterosclerótica com trombose ou estenose fixa. Em atletas de endurance o balanço entre oferta e consumo de oxigênio pode levar a uma isquemia resultante de placa calcificada estável e estenose fixa (Thompson, et al. 2005). A apresentação clínica dessas síndromes inclui infarto agudo do miocárdio e morte súbita cardíaca, sem sintomas anteriores ou sinais de alerta em aproximadamente 50% dos casos (Marijon, et al., 2016). O teste de esforço em adultos assintomáticos e de baixo risco não é recomendado pela American Heart Association devido aos baixos valores preditivos. Teste de esforço em adultos com 1 ou mais fatores de risco para DAC, no entanto , demonstrou ter melhor valor preditivo e pode ajudar a informar a modificação e as intervenções do fator de risco (Fletcher, et al., 2013). 18 19 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 A pontuação de cálcio da artéria coronária (CAC) por tomografia computadorizada re- presenta uma promessa significativa na identificação de DAC subclínica. Escores elevados de CAC estão fortemente associados ao risco futuro de um evento cardiovascular, independente dos fatores de risco ou sintomas clássicos de DAC (Budoff, et al., 2018; Mitchell, et al., 2018). O risco de MSC e IAM aumentam de 3 a 17 vezes durante a prática de exercícios vigorosos e se mantém elevados até 30 minutos após seu término, porém a prática regular em atividades vigorosas reduz o risco quando comparados a indivíduos com o mesmo score de cálcio e níveis de atividades menores (Arnson, et al., 2017). Causas não-cardíacas Outra limitação da análise de dados de MSC em atletas centra-se em causas não car- díacas, algumas das quais mimetizam eventos cardíacos. Dentre estas causas, incluem-se acidente vascular cerebral (AVC), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), tromboembo- lismo pulmonar (TEP), hipernatremia/hiponatremia e anemia falciforme (Maron, et al., 2016). Algumas substâncias utilizadas como doping são capazes de provocar repercussões deletérias, especialmente no aparelho cardiovascular, inclusive a MSC. Dentre as substâncias mais usadas, destacam-se os esteroides anabolizantes, a efedrina e as anfetaminas. Dentre as drogas sociais, o destacam-se o uso da cocaína, e da 3,4-metilenodioximetanfetamina (MDMA), conhecida como ecstasy (Ghorayeb, et al., 2019). CONDUTAS A detecção precoce de distúrbios potencialmente letais em atletas pode diminuir a morbidade e mortalidade cardiovascular por meio da estratificação de risco, intervenções específicas da doença e modificações no exercício (Malhotra, et al., 2018). A triagem car- diovascular composta por história e exame físico e/ou por eletrocardiograma (ECG) apre- senta desafios e limitações, como a baixa sensibilidade e alta taxa de resposta positiva dos questionários de história pré-participação (Williams, et al., 2019). A triagem pré-participação visa identificar atletas portadores de doenças cardiovas- culares, que podem apresentar um maior risco de morte súbita cardíaca durante o espor- te. Os programas de triagem incluem alguns fatores relevantes para o diagnóstico, como história familiar e pessoal, exame físico e ECG de 12 derivações (com achados positivos desencadeando exames adicionais, como ecocardiograma, teste de esforço, Holter de 24 horas e ressonância magnética cardíaca) (Ghorayeb, et al., 2019). Considerando-se que, na maioria dos casos, a MSC relacionada com o esporte é provocada por cardiopatias 20 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 conhecidas ou não diagnosticadas, todo candidato à prática de atividade física necessita se submeter ao exame clínico prévio, independentemente da faixa etária (Mont, et al., 2016). Na história clínica básica, é essencial a inclusão de questionamentos sobre síncope prévia, sintomas durante o exercício, como palpitações e pré-síncope, e história familiar de doença cardíaca ou morte súbita cardíaca em jovem (abaixo de 40 anos). O exame físico deve incluir a medição da frequência cardíaca e da pressão arterial, podendo indi- car um aumento da área cardíaca, representado por um batimento apical deslocado no tórax. Além disso, a ausculta visa a identificação de sopros ou sons cardíacos incomuns. Investigações posteriores,como ecocardiograma, teste de esforço, ECG de 24 horas (Holter), e demais exames cardiológicos, podem então serem analisados e requeridos se necessário (Semsarian, et al., 2015). O acompanhamento do atleta deve ser feito de forma integral e multidisciplinar, sendo importantes medidas preventivas básicas, como nutrição e hidratação adequadas, respei- tar os períodos de repouso, além de evitar treinamentos e competições nos horários mais quentes do dia. O acompanhamento e a observação dos atletas nos locais de treinos e competições por profissionais qualificados da equipe médica é de extrema importância, em casos de situações emergenciais, visto que a morte súbita cardíaca pode ocorrer durante a prática do exercício, na primeira hora após e nas 23 horas seguintes (Ghorayeb, et al., 2019). Além de todo o material necessário ao atendimento de uma parada cardiorrespira- tória, o treinamento efetivo voltado à reanimação cardiorrespiratória é essencial, devendo ser elaborado um plano de contingência médica nos locais de treinos e competições, para a situações de emergência clínica ou cardiovascular, otimizando o transporte dos atletas para unidade hospitalar de maior complexidade, quando necessário (Siebert, et al., 2018). O Desfibrilador Externo Automático (DEA) é um equipamento computadorizado que tem a capacidade de identificar a ocorrência de fibrilação e taquicardia ventricular, ritmos cardíacos passíveis de choque. Ele deve estar disponível para sua utilização em menos de 5 minutos nos locais de treinos e competições, com equipe treinada em reanimação cardiopulmonar (Herdy, et al., 2014). Entre atletas jovens, as paradas cardiorrespiratórias ocorrem, geralmente, após sessões de treinamento intenso ou durante uma competição. Embora a ocorrência destes eventos não seja tão comum, um pronto atendimento efetivo e uma reanimação bem sucedida aumenta a sobrevida em longo prazo (Capucci, et al., 2016). Portanto, uma sequência de ações interdependentes é necessária para o tratamento efetivo de um atleta que sofre uma parada cardiorrespiratória súbita, aumentando a sobrevida das vítimas, o que é denominado pela American Heart Association (AHA) de “corrente da sobrevivência”, formada por: acesso rápido, reanimação cardiopulmonar precoce, desfibri- lação precoce e Suporte Avançado de Vida Cardiovascular (SAVC) precoce. A maior parte 20 21 Medicina do Exercício e do Esporte: evidências científicas para uma abordagem multiprofissional - ISBN 978-65-5360-126-0 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 das paradas cardiorrespiratórias súbitas em atletas ocorre devido à fibrilação ventricular, (Panhuyezen-Goedkoop, et al., 2017) a qual é tratada com desfibrilação e reanimação car- diopulmonar imediata. A redução da mortalidade dos atletas vítimas de MSC depende de socorristas equipados e treinados para reconhecer emergências, ativar o sistema de emergên- cia, prover reanimação cardiopulmonar de qualidade e usar o DEA (Ghorayeb, et al., 2019). Importante marcador de risco, a APP deve ser obrigatória para praticantes de ativi- dades esportivas, visando detectar alterações cardiovasculares que predisponham à MSC. Apesar das divergências internacionais, existe um consenso no que diz respeito à realização de história clínica, exame físico e ECG de 12 derivações em todos os atletas, complemen- tando a investigação com outros exames, quando necessário. Esportistas vítimas de MSC devem ser prontamente atendidos e necessitam de reanimação cardiopulmonar imediata, realizando a desfibrilação de 3 a 5 minutos após o início do colapso. Como na maioria dos casos o ritmo pós-desfibrilação não é capaz de atingir uma perfusão efetiva, a reanimação cardiopulmonar deve ser reiniciada imediatamente após o choque (Ghorayeb, et al., 2019). Portanto, a diminuição do número de casos de MSC em atletas e o aumento da sobre- vida das vítimas dependem de alguns fatores como a avaliação médica periódica, um efetivo protocolo local para emergências e socorristas treinados em Suporte Básico de Vida (SBV), capazes de prover ressuscitação cardiopulmonar de qualidade e desfibrilação precoce, e com contato rápido com centros habilitados em SAVC (Ghorayeb, et al., 2019). REFERÊNCIA 1. ADABAG, A. S. et al. Sudden cardiac death: epidemiology and risk factors. Nature Reviews Cardiology, v. 7, n. 4, p. 216–225, 9 fev. 2010 2. ARNSON, Y. et al. Impact of Exercise on the Relationship Between CAC Scores and All-Cause Mortality. JACC: Cardiovascular Imaging, v. 10, n. 12, p. 1461–1468, 1 dez. 2017. 3. BAUMGARTNER, H. The 2017 ESC/EACTS guidelines on the management of valvular heart disease. Wiener klinische Wochenschrift, v. 130, n. 5-6, p. 168–171, 5 dez. 2017. 4. BASSO, C. et al. 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Couto UniversidadeFederal de Minas Gerais - UFMG https://dx.doi.org/10.37885/220308256 https://ufmg.br/#:~:text=UFMG %2D Universidade Federal de Minas Gerais https://ufmg.br/#:~:text=UFMG %2D Universidade Federal de Minas Gerais https://ufmg.br/#:~:text=UFMG %2D Universidade Federal de Minas Gerais https://ufmg.br/#:~:text=UFMG %2D Universidade Federal de Minas Gerais ABSTRACT The present study aimed to compare the strength performance and the neuromuscular activity during one maximum repetition test (1RM), and the maximum voluntary isometric contractions (MVIC) performed with whole-body vibration (WBV), local vibration (LV), and no vibration (NV). Methods: The sample consisted of 15 males, experienced in strength training for at least 6 months, which performed all strength tests in the barbell curl exercise across randomized trials on the following conditions: NV, WBV, and LV. During all tests, the normalized root means square values of the electromyographic signals (EMGRMS) of the biceps brachii and brachioradialis were recorded and compared between the conditions. The one-way ANOVAs with repeated measures were used to compare the results of 1RM and MVIC tests and the normalized EMGRMS between the conditions. When necessary, a post hoc Scott-Knott test was used to identify the differences reported in the ANOVAs. The significance level adopted was α