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Matemática Financeira Clique na imagem para visualizar o vídeo. Bem-vindo(a) à disciplina Matemática Financeira! Este conteúdo foi elaborado para ajudar você, estudante, a compreender as ferramentas e aplicar a matemática financeira às situações do seu dia a dia, tanto na vida pessoal, como na profissional. O campo de aplicação desta disciplina é bastante amplo, sendo suas técnicas necessárias em operações de financiamento de quaisquer naturezas: crédito a pessoas físicas e a empresas, financiamentos habitacionais e de equipamento, e crédito direto ao consumidor. Aplica-se também na área de investimentos, como por exemplo, avaliar o retorno de um investimento em uma nova unidade de produção. Inicialmente estudaremos os conceitos básicos da disciplina que acompanharão você por todo o curso. A seguir veremos o mais simples dos conceitos de capitalização, chamado de “capitalização simples”. Um ponto muito importante do curso é o conceito de “capitalização composta” (juros sobre juros), o qual é largamente utilizado no sistema financeiro e sobre o qual se apoiam os principais métodos de análise de investimento. Para esses dois regimes de capitalização, estudamos as relações fundamentais entre suas variáveis, questões relativas às taxas de juros, operações de descontos e equivalência de capitais. Na sequência, estudaremos as séries de pagamentos e os sistemas de amortização, largamente utilizados, nos sistemas de financiamento de longo prazo, como o habitacional. https://player.vimeo.com/video/344578280?badge=0&autopause=0&player_id=0&app_id=58479 Por fim, trataremos dos principais métodos de análise de investimentos, os quais possibilitarão uma opinião precisa sobre a viabilidade econômica de projetos. Objetivos Ao final desta disciplina, você deverá ser capaz de: • Aplicar ferramentas para a avaliação dos problemas práticos que envolvem questões de matemática financeira e finanças. Conteúdo Programático Esta disciplina está organizada de acordo com as seguintes unidades: • Unidade 1 – Fundamentos da Matemática Financeira e Regime de Capitalização Simples. • Unidade 2 – Regimes de capitalização compostos e taxa de juros. • Unidade 3 – Séries de pagamentos e sistemas de amortização. • Unidade 4 – Análise de fluxo de caixa e equivalência de capital. Autoria Professor João Luís Barbosa Carvalho Mestre em Administração pela COPPEAD / UFRJ e Engenharia de Produção pela UFF. Graduado em Engenharia Aeronáutica pelo ITA. Professor André Ladeira Engenheiro Elétrico-Eletrônico (FRNL – RJ) - Mestre em Educação (UCP-RJ) - MBA em Administração Acadêmica & Universitária (UniPEL) - Professor universitário há 30 anos - Professor do Programa de Educação a Distância da Fundação Getúlio Vargas (FGV OnLine) - Coordenador Acadêmico, Professor-Tutor e Professor-Conteudista do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Financeira da Universidade Veiga de Almeida (UVA-RJ) - Consultor e palestrante sobre Tecnologias Educacionais - Sócio- Diretor da GeoConhecimento Consultoria. Karina Lima Oliveira Graduação em Ciências Econômicas (UFBA), Mestre em Economia (UFBA) e Doutoranda em Economia/ Desenvolvimento Econômico (UFBA). Docente no Ensino Superior há 13 anos – Professora na Unijorge nos cursos de Administração, Relações Internacionais, Curso Superior de Tecnologia em Logística, dentre outros. Coordenação nos Cursos MBA em Controladoria e Finanças e Gestão de Condomínios na F2J. Coordenação de Análise e Acompanhamento de Projetos Sociais, Casa Civil, Governo do Estado da Bahia. Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples Nesta unidade estudaremos os conceitos e a terminologia que serão utilizados durante toda a disciplina. Adicionalmente veremos como representar operações financeiras por meio de diagramas. Finalmente estudaremos o regime de capitalização simples, fundamental ponto de partida da matemática financeira, assim como, os dois tipos de taxas de juros. Objetivo Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: • Construir, de forma clara e objetiva, um entendimento sólido sobre os principais conceitos e métodos de cálculo da matemática financeira. Conteúdo Programático Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas: • Tema 1 - Conceitos fundamentais • Tema 2 - Regime de Capitalização Simples • Tema 3 - Taxas de juros nominais e taxa proporcional Frequentemente somos chamados a tomar decisões financeiras, seja para resolver problemas particulares, seja para analisar situações profissionais. Deste modo, é importante que saibamos com precisão as consequências das nossas ações. As três aulas desta unidade são o início de uma jornada que nos levará a descobrir como a matemática pode ajudar no tratamento dos assuntos monetários ao longo do tempo, ou seja, compreender o valor do dinheiro no tempo. Tema 1 Conceitos fundamentais O que se entende por “valor do dinheiro no tempo”? O que é a Matemática Financeira? A matemática financeira possui no dinheiro e no tempo os seus objetos de trabalho e estudo. Ela se dedica, dentre outras questões, ao estudo da relação que existe entre essas duas quantidades. Podemos citar ainda o estudo dos regimes de capitalização (simples ou composto), séries de pagamento e amortização e avaliação de investimentos, como outros assuntos tratados por esse ramo da matemática. Origens da Matemática Financeira Tanto a moeda quanto o dinheiro são o resultado de uma evolução que começou ainda nos tempos antigos. Existem registros informando que os Babilônios cediam sementes a agricultores com a condição de receberem de volta as sementes emprestadas acrescidas de uma parte da colheita. Troca → Primeiras Moedas → Juros Tudo começou com a necessidade que as pessoas tiveram de trocar mercadorias para poder viver melhor. Nascia assim o escambo. Durante um longo tempo, este foi o modo como o comércio e a economia evoluíam. Observou-se, no entanto, que algumas mercadorias eram mais utilizadas que outras para essa finalidade, assumindo, ainda que de modo precário, a finalidade da moeda. Embora existam divergências entre os historiadores, geralmente considera-se que as primeiras moedas feitas de metal surgiram no século VII a.C. Podiam ser ouro, prata ou cobre, sendo o seu valor associado à quantidade do metal nela usado. Com a aparição do papel- moeda, a cunhagem de moedas feitas de metal ficou relegada a pequenos valores, necessários para o troco. Os juros surgiram quando o homem verificou que existia uma associação entre o dinheiro e o tempo e que isso provocava reflexos nas suas riquezas. Achados arqueológicos descobriram que os Sumérios, há cerca de 5000 anos, utilizavam os rudimentos da matemática financeira. Foram descobertas inúmeras tábuas com registros de faturas, juros (simples e compostos), contratos, escrituras etc. É curioso observar o surgimento de outra instituição muito relacionada à matemática financeira: os bancos. Com o desenvolvimento da economia do mundo antigo, os impérios da época criaram suas próprias moedas. Como estas eram de circulação restrita ao seu local de origem, surgiu o problema de como relacionar o valor da moeda de diferentes lugares. Começaram então a aparecer pessoas que se responsabilizavam pela troca (câmbio) entre moedas de países diferentes. Com o tempo, além de realizarem a troca de moedas, os cambistas passaram a guardar e emprestar dinheiro. Pelo que sabemos, os fenícios foram os primeiros a realizar operações bancárias. O nome “banco”, no entanto, foi dado pelos romanos, significando a mesa onde eram realizadas as operações com moedas. Os banqueiros setornaram muito comuns ao término da Idade Média. Eles guardavam e protegiam as moedas que estavam sob sua custódia. Perceberam então que poderiam fazer duas coisas: emprestar o dinheiro a juros e emitir papel que representasse a quantidade de moeda de terceiros depositados sob sua guarda, dando direito ao seu dono de sacá-lo se assim o desejasse. Passaram, deste modo, a gerir e financiar o dinheiro de terceiros, enriquecendo muito nesse processo. No início da Idade Moderna, esses papéis de depósito passaram a ter valores variáveis, dando direito ao seu detentor de sacar uma determinada quantia do banco. Surgia então o cheque. Desde então, as técnicas financeiras foram se aprimorando cada vez mais, procurando resolver os novos problemas que apareciam (como: organização de uma balança comercial, determinação do produto interno bruto de um país, estruturação de financiamento de grandes projetos etc.). No entanto, apesar da sua evolução e do uso de ferramentas mais sofisticadas, cabe ressaltar que, no interior da matemática financeira, ainda “bate o coração” da questão central que lhe deu origem: a relação entre o dinheiro e o tempo. O Sistema Financeiro Mundial Hotel Mount Washington, em Bretton Woods, New Hampshire, local da histórica Conferência de 1944 O Sistema Financeiro Internacional é composto por agentes financeiros internacionais, dentre os quais podemos destacar o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, o Banco de Compensações Internacionais (BIS), os bancos centrais e ministérios de finanças dos diversos países e as instituições financeiras privadas internacionais. O objetivo desse sistema, criado em 1944 pela Conferência de Bretton Woods, é viabilizar e disciplinar o comércio e o investimento internacional entre governos e as instituições privadas, assim como, promover o crescimento econômico das nações, em especial, os países em desenvolvimento. Fundo Monetário Internacional Banco Mundial Banco de Compensações Internacionais Organização criada em 1945 a partir dos acordos firmados na Conferência de Bretton Woods. Seu objetivo principal é prevenir que desequilíbrios no setor financeiro e nos sistemas de câmbio atrapalhem o crescimento do comércio entre os diversos países. Sua sede fica em Washington, D.C., Estados Unidos. Organização criada em 1945 a partir dos acordos firmados na Conferência de Bretton Woods. Seu objetivo principal é o financiamento de projetos de crescimento econômico e a ajuda financeira a países em desenvolvimento. Sua sede fica em Washington, D.C., Estados Unidos. Organização criada em 1930 com o objetivo de promover a cooperação monetária e financeira internacional e agir como o banco central dos bancos centrais. Sua sede fica em Basileia, Suíça. O Sistema Financeiro Brasileiro Segundo o Art. 192 da Constituição Brasileira: “ O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram. ” Ele é composto de diversas instituições (públicas e privadas) que têm por finalidade controlar, fiscalizar e gerir a moeda e o crédito no Brasil. Podemos dividir o sistema financeiro brasileiro em três partes: SISTEMA FINANCEIRO BRASILEIRO 1 Entidades normativas, as quais definem as políticas e diretrizes mais amplas do sistema financeiro. • Conselho Monetário Nacional (CMN) • Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) • Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) 2 Entidades supervisoras, as quais são as responsáveis por fiscalizar e normatizar as instituições financeiras sob sua responsabilidade. • Banco Central do Brasil (BCB) • Comissão de Valores Mobiliários (CVM) • Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) • Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) 3 Entidades operadoras, responsáveis pela intermediação financeira entre os agentes do mercado (empresas e pessoas físicas). São elas, dentre outras: • Bancos comerciais • Bancos de investimento • Financeiras etc. As decisões tomadas pelos componentes do sistema financeiro nacional (tais como metas de inflação, taxas básicas de juros, níveis mínimos de reservas dos bancos etc.), refletem diretamente na atividade econômica brasileira. ESTUDO DE CASO Vamos supor que Pedro tenha R$ 16.000,00 aplicados em um fundo de investimentos que renda 1% ao mês. Ele deseja comprar um carro com esse dinheiro. Foi a uma pequena revendedora e está diante das duas propostas abaixo listadas: Comprar o carro à vista por R$ 15.500,00; ou Comprar o carro financiado da seguinte forma: dar uma entrada de R$ 1.500,00 e financiar o restante em dez parcelas de R$ 1.500,00. E agora? Como avaliar qual das propostas é mais vantajosa? Note que: • Pagando à vista, sobram ainda R$ 500,00, que continuarão a render 1% ao mês na aplicação financeira. • A soma do valor das onze parcelas é R$ 16.500,00, portanto, maior que o valor do carro. • No entanto, se optar por comprar financiado, ele desembolsará R$ 1.500,00 de imediato e ficará com o que sobra aplicado rendendo 1% ao mês. Será que com o dinheiro que sobrou ele conseguirá pagar todas as demais parcelas? Sobrará algo no fundo de investimento ou Pedro terá que complementar esse dinheiro? Decisão difícil esta do Pedro se ele não participar desta disciplina! Se participar do curso, ler os livros, fizer os exercícios, resolver as questões, assistir às videoaulas e cumprir todas as atividades propostas, ele verá que a matemática financeira possui uma série de ferramentas que lhe possibilitarão resolver o dilema acima de forma correta e desfrutar o seu carro novo com mais prazer. Note que o problema acima está relacionado ao problema central da matemática financeira: o valor do dinheiro no tempo. É melhor que Pedro compre o seu carro à vista ou a prazo? Caso Pedro tivesse conhecimentos de matemática financeira, ele poderia verificar o seguinte: • Pagamento à vista: sobrariam R$ 500,00 na sua aplicação financeira que, corrigidos a taxa de 1% a.m., se transformariam em R$ 552,31 ao final de 10 meses. • Pagamento financiado: mesmo que continue a aplicar o saldo que permanece no seu fundo de investimento após o pagamento da entrada e de cada uma das parcelas do financiamento, ao final de 10 meses sobrarão apenas R$ 323,70. Importante A matemática financeira utiliza uma terminologia própria para facilitar e padronizar os seus cálculos. Termos como: valor presente, valor futuro, tempo, juros e taxa de juros possuem uma definição precisa, a qual deve ser corretamente compreendida para o bom andamento dos estudos. Veja o capítulo 1 “Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples” (Conceitos Fundamentais p. 10) do livro Matemática Financeira, de Vicente E. V. da Silva. E-book disponível da página inicial da disciplina. Deste modo, do ponto de vista financeiro para essa situação específica, é mais adequado que o carro seja comprado à vista. Mas o que de fato se entende por “valor do dinheiro no tempo”? Podemos entender a expressão acima de duas maneiras: Em teoria, a expressão “valor do dinheiro no tempo” está relacionada ao entendimento de que um real na mão no presente é mais vantajoso que um real a receber no futuro (lembrem-se do ditado que diz: “Um passarinho na mão é melhor que dois voando.”). Isso pode ser facilmente percebido quando levamos em consideração as taxas de inflação esperadas para o futuro, osriscos de recebimento do dinheiro, as preferências temporais de consumo atual versus consumo futuro etc. No entanto, se não precisamos consumir agora, e podemos deixar para o futuro, não podemos deixar o dinheiro “parado”, ou até mesmo desvalorizado pela inflação (perda do poder de compra). E essa escolha de renunciar ao “agora” deve ser premiada ou remunerada. E isso se dá por meio dos juros! Na prática, a expressão “valor do dinheiro no tempo” significa que você pode ganhar juros investindo o seu real em uma aplicação financeira, por exemplo. Deste modo, ao final de algum tempo (que podem ser dias, meses ou anos), você terá mais de um real, ou seja, seu dinheiro foi remunerado. Veja os dois gráficos abaixo para ter uma ideia de como varia o valor de R$ 1.000,00 por um longo período de tempo capitalizado a 6% a.a. a juros simples e juros compostos. Observe que em 35 anos o valor de R$ 1.000,00 varia até R$ 3.100,00 a juros simples e a R$ 7.700,00 a juros compostos. Não é à toa que o sistema financeiro prefira juros compostos. R$ 1.000,00 em 35 anos (6% a.a.) → R$ 3.100,00 → Juros Simples → R$ 7.700,00 → Juros Composto Caso esses R$ 1.000,00 sejam mantidos por 200 anos rendendo os mesmos 6% a.a., teríamos ao final a bagatela de R$ 115.125.903,88. Isso daria uma bela herança aos bisnetos dos seus bisnetos! Para você ter uma ideia do poder dos juros compostos, veja na figura abaixo o que ocorre se aumentarmos a taxa em 1% (isto é, passaremos a remuneração do capital de 6% para 7% ao ano). Compare os dois valores finais: • Valor final de R$ 1.000,00 com juros de 6% a.a. durante 200 anos: R$ 115.125.903,88 • Valor final de R$ 1.000,00 com juros de 7% a.a. durante 200 anos: R$ 752.931.621,65 Em outras palavras, um aumento de 1% na taxa de juros fez o valor final aumentar quase sete vezes! Nesta disciplina apresentaremos os juros tanto na sua forma de porcentagem quanto na sua forma decimal, como abaixo ilustrado: • Forma de porcentagem: 4% • Forma decimal: 0,04 Como passar de uma forma para outra? Basta seguir as duas regrinhas abaixo: • Para passar de porcentagem para decimal, divida o valor da porcentagem por 100. Exemplo: 3,5% = 3,5/100 = 0,035 • Para passar de Exemplo: 0,18 = 0,18 × 100 % = 18% Consumir ou investir? As pessoas e as empresas devem saber quando gastar e quando poupar o seu dinheiro. Isso é uma decisão importante e com reflexos a longo prazo. Caso decidam gastar, realizam o que os economistas chamam de “consumo” e obtêm uma satisfação imediata em relação ao dinheiro que ganharam anteriormente. Caso decidam poupar, estarão adiando o consumo para realizar um “investimento”. Deste modo, não obterão a satisfação imediata do seu dinheiro. Nesta situação os investidores esperam uma remuneração pelo adiamento do consumo e pela incerteza do investimento (Lembre-se de que o futuro é sempre incerto!). Os juros são a remuneração de um investimento, isto é, o custo do dinheiro no tempo, podendo ser influenciado por diversos fatores, tais como: inflação, risco, oportunidades de investimento etc. Mais adiante iremos estudar os juros com mais detalhes. Nomenclatura e Conceitos Importantes Na condução da Matemática Financeira, o entendimento de algumas variáveis é muito importante. Vejamos os seguintes: Juros (J) Consiste na remuneração (monetária) de um capital, em geral, capital de terceiros, e devemos considerar as seguintes óticas: • De quem recebe: rendas de aplicação, devolução de empréstimo, etc • De quem paga: perdas, custos e despesas financeiras. Em outras palavras, podemos definir juros como a remuneração pela escolha de se adiar o consumo, pela concessão de um empréstimo do dinheiro ou financiamento. Por exemplo, compras a prazo e pagamentos após a data de vencimento. Os juros também compensam a perda financeira para a inflação, como é o caso da caderneta de poupança. Capital C, ou Valor Presente (P ou VP) Present Value (PV) É o valor inicial de uma aplicação, investimento ou financiamento. Ou seja, trata- se do recurso monetário, operacionalizado na data zero (0) em determinada situação financeira. Em diferentes bibliografias pode aparecer com as seguintes denominações: Principal, Valor Atual, Investimento Inicial, Valor Presente ou Valor Aplicado. Taxa (i) Representa o coeficiente obtido a partir da razão Juros (J) com capital (C), normalmente representado em forma percentual. A expressão“ i ” vem do inglês interest que que pode ser traduzido como juro. Prazo ou Tempo ou Período (n) É o tempo que um determinado capital, aplicado a uma dada taxa de juros (i), necessita para formar um montante. Os períodos podem ser inteiros ou fracionários (“quebrados”). • Inteiros: 1 dia, 1 mês comercial (30 dias), 1 ano comercial (360 dias), etc. • Fracionários: 1,25 mês; 2,75 anos. Montante (M) ou Valor Futuro (Fn ou VF) ou Future Value (FV) Consiste da acumulação do capital aplicado com a sua remuneração ou juros. Diagrama de Fluxo de Caixa Podemos definir o Fluxo de Caixa como a movimentação de recursos financeiros (entradas e saídas de caixa) ao longo de um período, conforme figura a seguir. Utilização de calculadoras financeiras e planilhas eletrônicas na matemática financeira Calculadoras financeiras e planilhas eletrônicas não são essenciais ao estudo da matemática financeira, porém facilitam muito o aprendizado! Rapidez na realização de cálculos, elaboração de gráficos e estudo de cenários são algumas das vantagens que obtemos com a correta utilização dessas ferramentas. Neste curso, é essencial que o aluno se familiarize com a HP-12C e o Excel, pois iremos utilizá-los como ferramentas eletrônicas para nos auxiliar a entender a teoria. A sua escolha se deu pela popularidade e aceitação no mercado. Saiba mais Recomendamos a leitura dos capítulos 3 (A Calculadora Financeira HP- 12C) e 4 (Noções Básicas sobre o Excel) do livro “Matemática Financeira com HP-12C e Excel – Uma Abordagem Descomplicada”, de Cristiano Marchi Gimenes, Editora Pearson, que está disponível em formato eletrônico na Biblioteca Virtual Pearson, ISBN: 9788576055662. Nesses capítulos, o autor apresenta os principais tópicos sobre HP-12C e Excel, que possibilitarão a você entender essas duas ferramentas e utilizá- las com maior rapidez e precisão. Nota Final Os assuntos que desenvolveremos em matemática financeira terão um enfoque prático. Utilizaremos conceitos matemáticos que você aprendeu no Ensino Médio e na disciplina de Matemática Aplicada. Em caso de dúvida, procure o seu tutor(a)! Estará disponível para ajudar você! Tema 2 Regime de Capitalização Simples Qual a relação entre valor presente, valor futuro, taxa de juros e períodos de capitalização? Na aula anterior, estudamos os conceitos básicos de matemática financeira. Aprendemos o que são valor presente (P), valor futuro (Fn), juros (j), taxa de juros (i) e tempo (n) e como é o inter-relacionamento dessas variáveis. Adicionalmente vimos como representar operações financeiras por meio de um diagrama. Com a teoria da Aula 1, conseguimos resolver problemas como o abaixo exemplificado: Uma pessoa aplicou um capital de R$ 1.000,00 a uma taxa de juros de 5% ao mês. Quanto ela receberia após UM mês? No problema acima, temos P = 1000, i = 5% = 0,05, n = 1. Queremos calcular F1 = P × (1 + i × n). Nesta situação: F1 = 1000 × (1 + 0,05 × 1) = 1050 → F1 = R$ 1.050,00. Vamos montar o diagrama dessa operação do ponto de vista da pessoa que fez a aplicação (financiador): Uma pessoa aplicou um capital de R$ 1.000,00 a uma taxa de juros de 5% ao mês. Quanto ela teria após DEZmeses? O que aprendemos anteriormente, por si só, não dá a resposta a esta situação, pois teríamos as seguintes dúvidas: • O que faremos com os juros ganhos ao final de cada mês? • Como será o diagrama que representa esta nova operação financeira? Para resolver tais dúvidas, devemos lançar mão de uma nova teoria, a dos regimes de capitalização. Qual a relação entre valor presente, valor futuro, taxa de juros e períodos de capitalização? A relação entre valor presente, valor futuro, taxas de juros e períodos de capitalização dependem de como tratamos os juros em uma operação financeira. Existem duas formas como tratamos os juros ganhos em uma operação financeira. Tais formas são chamadas de “regimes de capitalização”: • Regime de capitalização simples • Regime de capitalização composto Estudaremos a capitalização simples nesta e na próxima aula, e a capitalização composta estudaremos na próxima unidade. O regime de capitalização simples Segundo Samanez (2010), no regime de capitalização simples, “os juros de cada período são calculados sempre sobre o mesmo principal”. Em outras palavras, os juros são aplicados apenas sobre o valor inicialmente aplicado (P). Não existe a figura de “juros sobre juros”. No regime de capitalização de juros simples, a relação entre valor presente, valor futuro, taxas de juros e períodos de capitalização é dada pela seguinte fórmula: Fn = P (1 + i × n) ou FV = PV . (1 + i . n) Saiba mais Leia o capítulo 1 “Fundamentos da matemática financeira e regime de capitalização simples” (Regime de capitalização simples p.21) do livro Matemática Financeira, de Vicente E. V. da Silva. E-book disponível da página inicial da disciplina. Um bom modo de ilustrar este tipo de capitalização é por meio de um exemplo. Voltemos, portanto, à situação descrita no início desta Aula. A pessoa aplicou o seu capital de R$ 1.000,00 a uma taxa de 5% a.m. (i = 0,05 a.m.) durante dez meses. Vamos montar uma planilha detalhando o que ocorreu em cada mês: Mês [n] Valor Presente [P] Juros [J = P1 × i] Montante [Fn = P (1 + J)] 1 1.000,00 1.000,00 × 0,05 = 50,00 1.050,00 2 1.050,00 1.000,00 × 0,05 = 50,00 1.100,00 3 1.100,00 1.000,00 × 0,05 = 50,00 1.150,00 4 1.150,00 1.000,00 × 0,05 = 50,00 1.200,00 5 1.200,00 1.000,00 × 0,05 = 50,00 1.250,00 6 1.250,00 1.000,00 × 0,05 = 50,00 1.300,00 7 1.300,00 1.000,00 × 0,05 = 50,00 1.350,00 8 1.350,00 1.000,00 × 0,05 = 50,00 1.400,00 9 1.400,00 1.000,00 × 0,05 = 50,00 1.450,00 10 1.450,00 1.000,00 × 0,05 = 50,00 1.500,00 Note que os juros sempre são determinados com base no valor inicialmente aplicado (P1). No total, foram recebidos R$ 500,00 de juros pelo aplicador. O diagrama dessa operação financeira (do ponto de vista do financiador, isto é, a pessoa que fez a aplicação financeira) está demonstrado abaixo: Atualmente, a aplicação do conceito de juros simples é pouco utilizada, por ser desvantajosa ao detentor do capital. Em geral, o sistema financeiro utiliza o conceito de juros compostos, o qual será visto na próxima unidade. Períodos não inteiros Um problema recorrente da matemática financeira é o cálculo de juros em períodos não inteiros. Por exemplo: • Conhecemos a taxa de juros anual, mas necessitamos determinar os juros de um investimento financeiro que durou apenas 8 meses. • O banco publica uma taxa de juros mensal do cartão de crédito, mas deve calcular os juros de uma conta corrente que permaneceu apenas 5 dias com saldo negativo. O que fazer neste caso para harmonizar a unidade de tempo da taxa de juros com a unidade de tempo na qual os juros são cobrados? Observe como se ajusta uma taxa de juros de acordo com o período necessário. Veja ainda as diferenças entre ano comercial e ano civil e as implicações desse fato para o ajuste da taxa de juros. Importante Nunca é demais relembrar o cuidado que se deve ter com as medidas de tempo na matemática financeira. Taxas de juros e períodos nos quais os juros são calculados devem ser homogêneos. Por exemplo: • Juros calculados sobre dias → taxas de juros. • Juros calculados sobre meses → taxas de juros apresentadas em meses. • Juros calculados sobre anos → taxas de juros apresentadas em anos. A fórmula abaixo pode ser utilizada para a conversão de taxas de juros para períodos não inteiros: Onde: • J = valor dos juros no período • P = valor presente • i = taxa de juros • A = fator de ajuste da taxa de juros • n = prazo da aplicação Período da taxa de juros (i) Prazo da aplicação (n) Valor de A Mensal Dias 30 Anual Meses 12 Anual Dias (ano comercial – 360 dias) 360 Anual Dias (ano civil – 365 dias) 365 Vá ao site “Cálculo Exato” e simule a seguinte situação de cálculo: 1. Valor a ser atualizado: R$ 7.000,00. 2. Data a partir da qual o valor será atualizado: 15/02/2021. 3. Data para a qual o valor será atualizado: 25/02/2021. 4. Juros: 2,0% ao mês. 5. Tipo de Juros: simples. 6. Cálculo dos juros nos períodos fracionados: pro-rata die. Pressione o botão “continuar” e obtenha o resultado abaixo: Aplicação de juros compostos de 2,0000% ao mês, pro-rata die, entre 15 de fevereiro de 2021 e 25 de fevereiro de 2021 sobre o valor de R$ 7.000,00. • Valor original: R$ 7.000,00 • Valor atualizado: R$ 7.000,00 • Valor atualizado, com juros: R$ 7.049,99 http://calculoexato.com.br/parprima.aspx?codMenu=FinanJurosSobreValor Memória do Cálculo • Juros • Juros percentuais (JP) = 0,71420 % • Valor dos juros (VJ) = VA * JP = 49,9940 • Valor total com juros = VA + VJ = R$7.049,99 • Observações sobre os juros: • Fórmula dos juros simples: Juros = (taxa / 100) * períodos • períodos = 14/28 (prop. fevereiro-2021) + -1 (de março-2021 a janeiro- 2021) + 24/28 (prop. fevereiro-2021) = 0.3571 • Juros = (2,00000 / 100) * 0.3571 = 0,71420 % • J = P.i.n = 7000*0,02*0,3571 = R$ 49,99 • Montante = Fn = 7000 + 49,99 = R$7.049,99 Você pode aprofundar seu conhecimento sobre este conteúdo em: CASTELO BRANCO, Anísio Costa. Matemática financeira aplicada: método algébrico, HP-12C: Microsoft Excel® / Anísio Costa Castelo Branco – 4. ed. – São Paulo: Cengange Learning, 2015. ISBN 978-85-221- 2272-1. Minha Biblioteca Virtual, capítulo 2. Descontos Suponhamos que você seja detentor de uma nota promissória ou de uma duplicata no valor de R$ 10.000,00 com vencimento para daqui a seis meses. No entanto, por qualquer motivo, você necessita descontar esse título imediatamente e recorre a um banco para isso. Evidentemente, o banco não irá antecipar o valor total do título, mas sim um valor menor, o qual dependerá das taxas de juros atuais do mercado. Chamamos de desconto (D) a diferença entre o valor nominal (N) da sua nota promissória e o valor antecipado (V) pelo banco. Veja o diagrama abaixo para ter uma ideia gráfica do que é um desconto: Saiba Mais Você sabe o que é uma nota promissória e uma duplicata? • A nota promissória é um título que comprova que um capital foi aplicado com um determinado vencimento. Pelo menos uma das partes do documento deve ser uma pessoa física. • Duplicata é um título que uma pessoa jurídica emite contra outra pessoa jurídica ou uma pessoa física. Observe que existem dois tipos diferentes de desconto e procure compreender a diferença entre eles. Seguem equivalências de Nomenclatura: Valor Nominal ➔ VN ou N ➔ FV Valor Líquido ou Atual ➔ VL OU V ➔ PV Vamos ver um exemplo para fixar bem o conceito do desconto. Uma pessoa descontou uma nota promissória com valor nominal de R$ 10.000,00 e vencimento em 6 meses, recebendo um total de R$ 8.000,00. Determine a taxa de descontosimples nas duas modalidades que aprendemos nesta unidade: desconto racional simples (chamado de desconto por dentro) e desconto comercial simples (chamado de desconto por fora). Você pode aprofundar este conteúdo em: CASTELO BRANCO, Anísio Costa. Matemática financeira aplicada: método algébrico, HP-12C: Microsoft Excel® / Anísio Costa Castelo Branco – 4. ed. – São Paulo: Cengange Learning, 2015. ISBN 978-85-221-2272-1. Minha Biblioteca Virtual – Capítulo 5. Vamos inicialmente ver um diagrama dessa operação: Adotaremos a seguinte nomenclatura para as taxas de juros solicitadas: • i = taxa de desconto no desconto racional simples (por dentro); • d = taxa de desconto no desconto comercial simples (por fora). Entenda bem o que iremos calcular: • A taxa i será aquela que aplicada ao valor V = 8.000 irá produzir o valor N = 10.000; • A taxa d será aquela que aplicada ao valor N = 10.000 irá produzir o valor V = 8.000. Visualize as taxas i e d nos diagramas abaixo: Desconto racional simples (por dentro) Desconto comercial simples (por fora) Deste modo, teremos para o cálculo da taxa de desconto na modalidade de desconto racional simples (por dentro): V (1 + i × n) = N → 8.000 × (1 + i × 6) = 10.000 → i = 0,0417 = 4,17 % a.m. Já para a taxa de desconto na modalidade de desconto comercial (por fora), o cálculo é ligeiramente diferente: V = N (1 – d × n) → 8.000 = 10.000 (1 – d × 6) → d = 0,0333 = 3,33 % a.m. Note que as duas taxas são necessariamente diferentes, uma vez que correspondem a duas formas diferentes de determinar o desconto. Tema 3 Taxas de juros nominais e taxa proporcional Qual a diferença entre juros e taxa de juros? Nas aulas anteriores, conversamos sobre diversos assuntos, dentre eles como calcular a taxa de juros em diversas operações financeiras. Taxas de juros podem assumir diversas formas: • Taxas nominais. • Taxas proporcionais. • Taxas equivalentes. • Taxas brutas e líquidas etc. Nesta aula, inicialmente vamos ver um pouco mais profundamente o que são juros e o motivo pelo qual são cobrados. Depois vamos voltar a nossa atenção para estudar com mais detalhes as taxas de juros nominais e as taxas proporcionais. O que são juros? Qual a diferença entre juros e taxa de juros? Frequentemente encontramos expressões que se referem a juros: Necessitamos, então, saber a definição correta de juros antes de prosseguir nesta aula. Vejamos inicialmente alguns conceitos que balizam o que se entende por juros: • É o custo do capital que se pede emprestado. • É a remuneração de um capital aplicado em uma atividade de produção. • É o dinheiro pago por um banco quando aplicamos o nosso capital em um investimento financeiro. Observe que o conceito de juros sempre está ligado ao conceito de capital. Este pode ser definido como qualquer valor financeiro (isto é, que pode ser expresso em moeda corrente). Deste modo, juros são a remuneração de um capital que foi aplicado. Deve ser expresso em unidades monetárias. Por exemplo: um investidor aplicou R$ 200,00 na poupança e um ano depois resgatou R$ 220,00. Os juros, nesta situação, foram de R$ 20,00. Importante Taxa de juros é a relação entre os juros (recebidos ou pagos) em um período de tempo e o capital aplicado. Pode ser expressa tanto em forma percentual (3%) quanto em forma decimal (0,03). Por exemplo: no caso anterior, a taxa de juros foi de 10% ao ano (o qual também pode ser expresso em formato decimal como 0,10). Como vimos na aula anterior, os juros podem ser capitalizados tanto no regime de juros simples quanto no regime de juros compostos. Como surgem os juros na nossa vida? Suponha que você deseje comprar um liquidificador. Caso tenha dinheiro suficiente, você vai a uma loja, escolhe o modelo, paga e leva. Pronto, acabou a transação e não se ouve falar em juros. No entanto, nem sempre temos dinheiro suficiente para comprar um bem à vista. Nesta situação enfrentamos duas opções: 1) Poupamos dinheiro todo mês, até termos o suficiente para comprarmos o bem desejado. 2) Fazemos um empréstimo (ou financiamento) para poder comprar o bem imediatamente. Na primeira situação, em geral, é feito um investimento em uma instituição financeira. Esta irá remunerar o nosso capital com juros. Na segunda situação, podemos solicitar um empréstimo bancário ou obter um financiamento do vendedor do bem que desejamos comprar. Nos dois casos, serão cobrados juros pela utilização do crédito que nos foi disponibilizado. Por qual motivo juros são tão elevados? Em geral as pessoas não gostam de pagar juros (embora tenham satisfação em recebê-los!). Mais ainda, costumam se queixar das altas taxas de juros cobradas nas operações financeiras. Por que isso ocorre? Pode-se dizer que os juros medem o risco que um investidor de capital está disposto a correr quando empresta o seu dinheiro para alguém. Obviamente, quanto maior o risco, maior a taxa de juros. O problema é que, do ponto de vista do investidor, existem diversos tipos de risco, como: Risco de crédito Risco de liquidez Risco de mercado É aquele associado à dificuldade do tomador do empréstimo em pagá- lo. É aquele associado ao atraso no pagamento de uma dívida. É aquele associado ao impacto que a inflação tem no capital emprestado (a inflação desvaloriza a moeda e, portanto, traz perda para o investidor). Risco operacional Risco país Risco cambial É aquele associado a perdas determinadas por erros operacionais (por exemplo: erros humanos, falhas nos sistemas de informação, fraudes etc.) cometidos pelo tomador do empréstimo. É aquele associado à situação econômica de um país. É aquele associado à variação cambial (somente é importante em operações que envolvem transações internacionais). Risco legal É aquele associado a problemas ou limitações da legislação. Adicionalmente, existem dois componentes que afetam a taxa de juros cobrada nos empréstimos: • O lucro que o investidor de capital deseja ter em função do empréstimo. Note que este é um componente diferente dos anteriores (os quais representam apenas uma proteção contra os riscos do negócio). • Despesas com impostos, com a elaboração dos contratos e com as operações do emprestador, as quais devem ser pagas pelo tomador do empréstimo. Taxas nominais Importante Capitalização dos juros é a incorporação destes no valor principal do empréstimo. No nosso caso, como a taxa é de 36% a.a., significa que mensalmente serão incorporados ao valor principal do empréstimo juros correspondentes a 3%. Isso ocorre porque 12 × 3% = 36%. Note que, embora a taxa de 36% se refira a “um ano”, na realidade ela é composta por 12 taxas de 3% “ao mês”. Em outras palavras: taxas nominais são aquelas em que o período de formação e incorporação dos juros ao capital é diferente daquele a que a taxa se refere. Exemplos: • 10% ao ano, capitalizados semestralmente. • 4% ao trimestre, capitalizado anualmente. • 12% ao semestre, capitalizado trimestralmente Faça uma experiência e vá a uma agência bancária perguntar ao gerente qual a taxa em vigor para um empréstimo pessoal. A resposta que você irá obter é o que chamamos de taxa nominal e será do tipo: 36% a.a. capitalizada mensalmente. O que isso quer dizer? Para desvendar esse mistério, a palavra-chave é “capitalizada”. Como calcular o valor dos juros e do valor futuro utilizando taxas nominais determinadas a juros simples? Considere um capital de R$ 1.000,00 que seja aplicado a juros simples com uma taxa de 6% ao semestre, capitalizados semestralmente. Qual o valor dos juros e o valor futuro após um semestre?Neste caso: J = P × j → J = 1000 × 0,06 = 60 F = P (1 + j) → F = 1000 (1 + 0,06) = 1060 Vamos representar a taxa de juros nominal pela letra j (minúscula). Agora vejamos a situação em que o mesmo capital anterior é aplicado a uma taxa de 6% ao semestre, capitalizados mensalmente. Qual o valor dos juros e o valor final após um semestre? Neste caso: J = P × (j / 6) x 6 → J = 1000 × (0,06 / 6) x 6 = 60 F = P (1 + (j / 6) x 6) → F = 1000 (1 + (0,06 / 6) x 6) = 1060 Ops! Os dois resultados são iguais. Você saberia dizer o motivo? Ganhou quem pensou no regime de capitalização de juros simples. Note que, no segundo caso, as taxas mensais são obtidas dividindo-se o valor da taxa nominal (6% ao semestre) pelo número de meses correspondente ao período de capitalização (isto é, a taxa mensal é 0,06/6 = 0,01). Como estamos no regime de capitalização simples, os juros são calculados a cada um dos 6 meses da operação somente com base no valor principal de R$ 1.000,00. Deste modo, como as operações têm duração de 6 meses nos dois casos, o valor dos juros totais será o mesmo, isto é, R$ 60,00. Em consequência, o valor futuro nas duas situações será idêntico. Deste modo, caso se deseje calcular o valor futuro de uma aplicação a juros nominais simples, podemos aplicar diretamente a fórmula abaixo: J = P x (j / k) x n Fn = P ( 1+ (j / k) x n) Onde: P = capital aplicado Fn = valor futuro do capital após n períodos de aplicação n = número de períodos de aplicação do capital k = quantidade de períodos de capitalização no prazo referenciado na taxa nominal j = taxa de juros nominal J = juros ganhos em n períodos de aplicação Qual o valor futuro e os juros pagos a um capital de R$ 5.000,00 aplicado durante 18 meses a uma taxa de 24% a.a.? Do enunciado do exemplo temos: P = 5.000 F18 = ? n = 18 (número de períodos de capitalização) k = 12 (quantidade de períodos de capitalização no prazo referenciado na taxa nominal) j = 24% a.a. = 0,24 J = ? Calculando o solicitado: J = P x (j / k) x n = 5000 x (0,24 / 12) x 18 = 1800 F18 = P (1 + (j / k) x n = 5000 (1+ (0,24 / 12) x 18) = 6800 Deste modo, teremos que F18 = R$ 6.800,00 e J = R$ 1.800,00. A situação acima é específica para juros simples. Isso irá se alterar drasticamente quando conversarmos sobre juros compostos na próxima unidade. Taxas proporcionais Vimos no tópico anterior que, embora a taxa nominal de 36% se refira a “um ano”, na realidade ela é composta por 12 taxas de 3% “ao mês”. Estas últimas são chamadas de “taxas proporcionais”. Veja a figura abaixo para entender melhor: Observe que as taxas proporcionais são apresentadas em unidades de tempo diferentes que, uma vez aplicadas a um determinado valor presente em um prazo idêntico, levam ao mesmo valor final ao término daquele prazo, no regime de juros simples. Por exemplo: • 24% ao ano (a.a.) é proporcional a 6% ao trimestre (a.t.). • 12% ao semestre (a.s.) é proporcional a 2% ao mês (a.m.). A conversão de taxas de juros nominais em taxas de juros proporcionais é feita pela divisão do valor nominal da taxa pela fração do tempo na qual se deseja expressar a taxa proporcional. Podemos aplicar essa regra nos dois exemplos acima: Taxa nominal Fração do tempo na qual se deseja expressar a taxa proporcional Taxa proporcional 24% a.a. 4 (a taxa nominal é anual e queremos saber a taxa trimestral, isto é, ¼ do ano). 6% a.t. = 24 / 4 12% a.s. 6 (a taxa nominal é semestral e queremos saber a taxa mensal, isto é, 1/6 do semestre). 2% a.m. = 12 / 6 Vídeo Para saber mais sobre tipos e conversão de taxas de juros, assista agora ao vídeo: Taxas de juros e sua expressão através das formas de porcentagem e decimal. Clique na imagem para visualizar o vídeo. https://player.vimeo.com/video/344577170?badge=0&autopause=0&player_id=0&app_id=58479 Encerramento O que se entende por “valor do dinheiro no tempo”? Em teoria, a expressão “valor do dinheiro no tempo” está relacionada ao entendimento de que um real na mão no presente é mais vantajoso que um real a receber no futuro. Na prática, a expressão “valor do dinheiro no tempo” significa que você pode ganhar juros investindo o seu real em uma aplicação financeira. Qual a relação entre valor presente, valor futuro, taxa de juros e períodos de capitalização? A relação entre valor presente, valor futuro, taxas de juros e períodos de capitalização depende de como tratamos os juros em uma operação financeira. Existem duas formas como tratamos os juros ganhos em uma operação financeira. Tais formas são chamadas de “regimes de capitalização”: • Regime de capitalização simples. • Regime de capitalização composto. No regime de capitalização simples que estudamos na Aula 2, a relação é dada por: Fn = P ( 1 + i × n) Onde: P = valor presente (isto é, valor inicial do capital que será aplicado); i = taxa de juros; n = número de períodos que o valor presente ficou aplicado; Fn = valor futuro (isto é, valor final do capital que foi aplicado). Qual a diferença entre juros e taxa de juros? Juros são a remuneração de um capital que foi aplicado ou financiado. Devem ser expressos em unidades monetárias. Por exemplo: um investidor aplicou R$ 200,00 na poupança e um ano depois resgatou R$ 220,00. Os juros, nesta situação, foram de R$ 20,00. Taxa de juros é a relação entre os juros (recebidos ou pagos) em um período de tempo e o capital aplicado. Pode ser expressa tanto em forma percentual (3%) quanto em forma decimal (0,03). Por exemplo: no caso anterior, a taxa de juros foi de 10% ao ano (a qual também pode ser expressa em formato decimal como 0,10). Resumo da Unidade Nesta unidade, tratamos de três temas muito importantes para a matemática financeira: os conceitos fundamentais, o regime de capitalização simples e taxas de juros. Iniciamos a Unidade examinando os conceitos básicos da disciplina: valor presente, valor futuro, tempo, juros e taxa de juros. Aprendemos como representar operações financeiras de forma gráfica e o valor do dinheiro no tempo. Passamos rapidamente ainda pelas origens da matemática financeira e como se constitui atualmente o sistema financeiro. Em seguida estudamos em detalhes o regime de capitalização simples, no qual os juros são sempre aplicados sobre o mesmo capital inicial. Adicionalmente vimos como os conceitos básicos aprendidos na aula anterior se inter-relacionam neste regime. Ainda na Aula 2, compreendemos como os juros dependem da unidade de tempo na qual são aplicados e vimos como podemos converter taxas de juros para diferentes unidades de tempo. Fechamos a aula explicando o que são descontos e como utilizá-los. Finalmente, na Aula 3, conversamos em profundidade sobre as taxas de juros. Observamos como elas surgem e os motivos que as fazem variar. Examinamos ainda as taxas de juros nominais e proporcionais e vimos como calculá-las. Com isso, damos por encerrada esta unidade. Na próxima unidade, vamos utilizar os conhecimentos que aprendemos para entender o regime de capitalização composto, que é o mais largamente empregado nas finanças.