Doenças Relacionadas ao Trabalho

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a guide to their recognition. Cincinnati, Ohio:
NIOSH, 1977.

BRASIL. Ministério da Saúde; Fundação Nacional de Saúde; Centro Nacional de Epidemiologia. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de
bolso. Brasília: Ministério da Saúde, 1999.

BRASIL. Ministério da Saúde; Coordenação Nacional de DST/AIDS. Manual de diretrizes técnicas para elaboração e implantação de programa
de prevenção e assistência das DST/AIDS no local de trabalho. Brasília: Ministério da Saúde, 1998.

ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD. Zoonosis y enfermedades transmisibles comunes al hombre y a los animales. 2. ed.
Washington, D.C.: OPS/OMS, 1986. 989 p. (Publicación Científica, 503).

6.3  LISTA DE DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS RELACIONADAS AO TRABALHO, DE ACORDO COM A
PORTARIA/MS N.º 1.339/1999

• Tuberculose (A15- e A19.-)
• Carbúnculo (Antraz) (A22.-)
• Brucelose (A23.-)
• Leptospirose (A27.-)
• Tétano (A35.-)
• Psitacose, ornitose, doença dos tratadores de aves (A70.-)
• Dengue (dengue clássico) (A90.-)
• Febre amarela (A95.-)
• Hepatites virais (B15- e B19.-)
• Doença pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) (B20- e B24.-)
• Dermatofitose (B35.-) e outras micoses superficiais (B36.-)
• Candidíase (B37.-)
• Paracoccidioidomicose (blastomicose sul americana, blastomicose brasileira, Doença de Lutz) (B41.-)
• Malária  (B50- e B54.-)
• Leishmaniose cutânea (B55.1) ou leishmaniose cutâneo-mucosa  (B55.2)

6.3.1 TUBERCULOSE CID-10   A15- e A19.-

1   DEFINIÇÃO DA  DOENÇA – DESCRIÇÃO

Doença de evolução aguda, subaguda ou crônica que compromete vários órgãos e sistemas, em especial
as vias aéreas inferiores. No Brasil, resulta da infecção pelo Mycobacterium tuberculosis, transmitida geralmente por
inalação, e pelo Mycobacterium bovis, veiculada por ingestão de material infectante. É classificada em pulmonar e
extrapulmonar, nas formas serosa, miliar, úvea, meningoencefálica, linfonodal, hepática, intestinal, renal, supra-renal,
osteoarticular e da coluna vertebral.

O período de incubação é de 4 a 12 semanas após a infecção, com desenvolvimento de reação tuberculínica
positiva.  A maioria dos casos novos da doença ocorre em 6 a 12 semanas após o período de incubação. É transmissível
enquanto o doente estiver eliminando bacilos. Após o início da terapêutica, em duas semanas, os bacilos tendem a não
ser mais infectivos.

2   EPIDEMIOLOGIA  –  FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS

No mundo, estima-se que cerca de um bilhão de pessoas têm tuberculose ativa, com 8 milhões de casos
novos por ano e 3 milhões de mortes anuais. A tuberculose ocorre:

• na infecção primária, devido a número excessivo de bacilos e/ou à diminuição da capacidade de resposta
imunológica do hospedeiro. Há desequilíbrio imunológico desfavorável ao hospedeiro;

• na recrudescência, o que ocorre em cerca de 10 a 15% dos infectados, em metade deles nos primeiros 2
anos após a infecção inicial. Em geral, deve-se à redução da capacidade de resistência do hospedeiro e
secundariamente a uma nova carga de infecção por reativação endógena. Em meios de alta prevalência
do agente, novas cargas infectivas exógenas podem desempenhar papel importante na tuberculose



DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO
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62 CAPÍTULO 6
secundária. A infecção pode também ser determinada por cepas mutantes de bacilos mais virulentos com maior
capacidade multiplicativa, ou por multidrogas resistentes, associada ou não à imunodeficiência (associada ao
uso de corticosteróides, antiblásticos, radioterapia, a doenças de imunodeficiência como na AIDS).

Em determinados trabalhadores, a tuberculose pode ser considerada doença relacionada ao trabalho, do
Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as condições de trabalho podem favorecer a exposição ao M. tuberculosis
ou ao M. bovis, como no caso de trabalhadores em laboratórios de biologia e em atividades que propiciam contato
direto com produtos contaminados ou com doentes bacilíferos.

Em trabalhadores expostos a poeiras de sílica e/ou portadores de silicose, a tuberculose e a sílico-tuberculose
deverão ser consideradas como doenças relacionadas ao trabalho, do Grupo III da Classificação de Schilling, uma vez
que tem sido demonstrado, clínica e epidemiologicamente, que a exposição à sílica pode favorecer a reativação da
infecção tuberculosa latente, pois os cristais de sílica no interior dos macrófagos alveolares deprimem sua função
fagocitária e aumentam sua destruição.

3   QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO

Há grande variabilidade clínica, desde casos assintomáticos, insidiosos e oligossintomáticos, em que o
paciente não sabe determinar com precisão o início da sintomatologia, até repercussões importantes agudas, subagudas
ou crônicas. O quadro clínico caracteriza-se por tosse, inicialmente pouco produtiva com expectoração progressivamente
mais intensa e amarelada, com hemoptóicos ou hemoptise (pouco freqüente), dispnéia, dor torácica, perda ponderal,
febre e sudorese (geralmente vespertina ou noturna). A dor pleurítica pode resultar da infecção da pleura parietal
associada, freqüentemente, com a presença de derrame nesta cavidade serosa.

Critérios diagnósticos para tuberculose pulmonar:
CLÍNICA SUGESTIVA;
RADIOGRAFIA DE TÓRAX: mostra acometimento predominante dos segmentos superiores e posteriores dos pulmões,

caracterizados por infiltrados reticulonodulares, adenopatias mediastinais, cavitações de paredes espessas,
lesões acinares, miliares, pleurais, ativas e seqüelas, inclusive com retração do parênquima, com perda de
estrutura pulmonar, encarceramento;

TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA: expande a visão radiográfica e pode revelar lesões não perceptíveis à telerradiografia,
inclusive a presença de lesões suspeitas de neoplasia localizadas em áreas de neoformação conjuntiva e
fibrose;

TESTE TUBERCULÍNICO (PPD): resultado maior ou igual a 10 mm (reator forte). O teste tuberculínico é indicado como
método auxiliar no diagnóstico da tuberculose em pessoas não vacinadas com BCG. O teste positivo,
isoladamente, indica apenas infecção e não, necessariamente, a doença tuberculose;

BACTERIOLOGIA E ESTUDO ANATOMOPATOLÓGICO: de secreções pulmonares (no escarro, em pelo menos 3 amostras), outros
fluidos orgânicos (aspirado traqueobrônquico, lavados broncoalveolar e gástrico), material de biópsia, em
exame direto, cultura ou injetado em animal de experimentação, permitem o diagnóstico definitivo pelo
encontro do agente ou por intermédio de técnicas de PCR ou amplificação de cadeia de ácido nucléico.

Os critérios diagnósticos para tuberculose extrapulmonar são específicos para cada localização, por meio
da identificação do agente em exame anatomopatológico, histológico e citológico.

Critérios para confirmação do diagnóstico de tuberculose pulmonar :
POSITIVO: duas baciloscopias diretas positivas, uma baciloscopia direta positiva e cultura positiva, uma baciloscopia

direta positiva e imagem radiológica sugestiva de tuberculose ou duas ou mais baciloscopias negativas e
cultura positiva;

NEGATIVO: duas baciloscopias negativas, com imagem radiológica suspeita e achados clínicos ou outros exames
complementares (biópsia) que permitam ao médico efetuar um diagnóstico de tuberculose pulmonar ou
extrapulmonar (pleural, ganglionar periférica, osteoarticular, genitourinária, meningoencefálica e outras).

O diagnóstico diferencial deve ser feito com o abscesso pulmonar por aspiração, pneumonias, micoses
pulmonares (paracoccidioidomicose, histoplasmose), sarcoidose e carcinoma brônquico, entre outras patologias. A
adenomegalia mediastinal possui como diagnóstico diferencial principal o linfoma.



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CAPÍTULO 6 63
4   TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS

O tratamento deve perdurar por 6 meses (2 meses de doses diárias de rifampicina, isoniazida e pirazinamida,
seguida de 4 meses de doses diárias de rifampicina e isoniazida). A baciloscopia deve ser realizada mensalmente após
o início do tratamento. Nos pacientes com