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www.legale.com.br ESCRITURAS PÚBLICAS Prof. Gustavo Casagrande Canheu Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br DAS ESCRITURAS PÚBLICAS • Pode-se conceituar escritura pública como o instrumento público redigido por um Tabelião de Notas que, observadas as formalidades legais, destina-se a dar a forma legal às declarações de vontade que consubstanciam atos ou negócios jurídicos. Portanto, a exteriorização de manifestações de vontade voltadas à prática de um negócio jurídico é o que caracteriza, como regra, as escrituras públicas. • O principal elemento de distinção entre as escrituras públicas e as atas notariais consiste na existência ou não de manifestação de vontade a ser captada e moldada juridicamente pelo notário. Na escritura, o tabelião recebe a manifestação de vontade das partes, voltadas para a concreção do suporte fático de um ato jurídico lato sensu, e a qualifica juridicamente, assessorando juridicamente as partes; na ata, não há manifestação de vontade, mas tão-somente a narração de um fato presenciado e apreendido pelos sentidos, sem qualificação jurídica do fato, sem moldá-lo juridicamente, sem juízo de valor (BRANDELLI, Leonardo. Atas Notariais. Trecho extraído de artigo apresentado pelo autor como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em Direito Privado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br DA QUALIFICAÇÃO NOTARIAL • O Tabelião de Notas, antes da lavratura de suas escrituras, deve: verificar se as partes e os demais interessados acham-se munidos dos documentos necessários deidentificação, nos respectivos originais, em especial cédula de identidade ou equivalente, CPF ou CNPJ e, se for o caso, certidão de casamento ou documento comprobatório de união estável, se houver (letra “a” do item 42 do Capítulo XIV das NSCGJSP). • Em se tratando de pessoas jurídicas, deverá exigir cópias de seus atos constitutivos, de eventuais alterações contratuais ou da respectiva consolidação societária, acompanhadas, conforme o caso, de certidão do Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoas Jurídicas, cujo prazo não poderá ser superior a um ano, ou por ficha cadastral da Junta Comercial, a ser obtida via internet; cujo prazo de emissão não poderá ser superior a 90 (noventa) dias (letra “b” do item 42 do Capítulo XIV das NSCGJSP). Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br ▪ Nos atos praticados eletronicamente, por meio do e-Notariado, a identificação, o reconhecimento e a qualificação das partes, de forma remota, será feita pela apresentação da via original de identidade eletrônica e pelo conjunto de informações a que o Tabelião teve acesso, podendo utilizar-se, em especial, do sistema de identificação do e-Notariado, de documentos digitalizados, cartões de assinatura abertos por outros notários, bases biométricas públicas ou próprias, bem como, a seu critério, de outros instrumentos de segurança (art. 18 do Provimento 100, CNJ). ▪ Os Tabeliães de Notas poderão consultar os Titulares da serventia onde a firma da parte interessada esteja depositada, que deverão atender ao pedido de pronto, enviando cópia digitalizada do cartão de assinatura e dos documentos via correio eletrônico. A mesma consulta é possível no próprio e-Notariado, em razão do compartilhamento obrigatório de cartões de firma de todos os cartórios usuários do sistema (§§ 1º e 2º do art. 18 do Provimento 100, CNJ). Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br DA CAPACIDADE DAS PARTES • A capacidade das partes e comparecentes deverá ser auferida pelo Tabelião de Notas no momento da prática dos atos, conforme seu prudente arbítrio. Não se exige apresentação de atestados médicos ou laudos que comprovem a sanidade dos comparecentes. • Em resumo, a qualificação notarial acerca da capacidade das partes (aqui considerada no sentido amplo da palavra) pelo Tabelião de Notas se divide em três etapas: a) análise da capacidade civil; b) análise da legitimação para a prática do ato desejado; c) análise da condição mental momentânea. Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • Em relação à capacidade civil stricto sensu, vale lembrar que as regras e hipóteses de incapacidade foram sensivelmente modificadas após a entrada em vigor da Lei 13.146/2015 (Estatuto das Pessoas com Deficiência); passaram a ser considerados absolutamente incapazes apenas os menores de 16 anos de idade (art. 3º, CC); e relativamente incapazes os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade, e os pródigos (art. 4º CC). • Nesse sentido, merecem especial atenção as pessoas com deficiência declarada ou aparente, seja qual for o seu tipo ou grau, uma vez que o art. 6º do EPD estabelece que toda pessoa com deficiência tem capacidade plena, e o art. 83 do mesmo diploma legal impede que os serviços notariais e de registro neguem ou criem óbices ou condições diferenciadas à prestação de seus serviços em razão de deficiência do solicitante, devendo reconhecer sua capacidade legal plena. Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • Ocorre que o intuito da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (de Nova York, março de 2007), incorporada pelo direito brasileiro por meio do Decreto 6.949/2009 foi apenas o de garantir que as pessoas com deficiência não sejam discriminadas pela sua condição, nem impedidos de contrair matrimônio apenas porque possuem alguma deficiência, quando esta não lhes afeta o pleno poder de consentimento. • Dessa forma, se um dos comparecentes tem o seu poder de consentimento afetado, em razão de uma deficiência, seja ela qual for, ou por qualquer outro motivo (estar sob o efeito de drogas ilícitas ou álcool) não deve o Tabelião praticar o ato, ainda que não seja profissional da área médica para atestar a real condição daquele. O que defendemos é que os artigos 4º, 6º e principalmente o artigo 83 do EPD sejam interpretados de forma sistemática, ou seja, em conjunto com o próprio Código Civil (que estabelece as regras de incapacidade civil) e com a Lei 8.935/94 (que estabelece os deveres do Tabelião). Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • Não se trata aqui de discriminar quem quer que seja, mas de proteger a pessoa que não consiga exprimir sua vontade de maneira inequívoca. Em qualquer caso entendemos que deve o Tabelião ter inteligência e perspicácia para aquilatar se o comparecente está ou não apto a reger sua pessoa e praticar atos da vida civil por si mesmo; se sabe perfeitamente o ato notarial que está prestes a praticar ou não. Se sua percepção for negativa, nenhum ato ou negócio jurídico deve ser levado a efeito. • Em nosso sentir, a qualificação notarial, não só do negócio jurídico a ser praticado, mas também da perfeita e ampla capacidade das partes, se sobrepõe à presunção de capacidade plena das pessoas com deficiência, sendo descabida qualquer punição (administrativa, civil ou criminal) ao Tabelião, em caso de recusa devida e juridicamente justificada. Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • Por fim, se a pessoa com deficiência não estiver sujeita à curatela mas estiver com sua vulnerabilidade declarada pela necessidade de tomada de decisão apoiada, consubstanciada em sentença judicial nomeando seus apoiadores, entendemos que perfeitamente lícita será a lavratura de qualquer escritura pública para a mesma (§§4º e 5º, art. 1.783-A, CC). A nomeação de apoiadores não significa limitação alguma à capacidade civil da pessoa com deficiência, devendo o Tabelião apenas, pelo que cremos, esclarecer devidamente o fato no corpo da escritura, colhendo também a assinatura dos apoiadores devidamente nomeados. Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br DA LEGITIMAÇÃO • Já a legitimaçãopara a prática do ato em si refere-se não à capacidade da parte para praticar todo e qualquer negócio jurídico, mas a uma possível impossibilidade que atinja especificamente o negócio pretendido. Nesse sentido, cabe lembrar que os pais, embora legalmente representem os filhos menores ou incapazes (art. 1.634, CC), não estão autorizados a vender bens destes últimos sem a devida autorização judicial (art. 1691, Código Civil e letra “e” do item 42 do Capítulo XIV, NSCGJSP). Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • Quando as partes estiverem representadas por REPRESENTANTES o Tabelião de Notas, deverá sempre ter cautela quanto a validade da procuração ou substabelecimento a ser utilizado, principalmente se lavrado em serventia distinta, casos em que deverá exigir certidão atualizada e no original. • Se o ato envolver pessoa jurídica o Tabelião deve analisar o ato constitutivo da mesma ou estatuto, bem como sua última alteração consolidada, comprovado seu registro no órgão competente (JUCESP ou RCPJ), bem como quais sócios podem, nos termos do contrato, outorgar procurações a terceiros e para quais finalidades (art. 1.105, Código Civil). Não raro, para alienação de bens imóveis, deve ser exigido, ainda, ata de assembleia de sócios com a aprovação do valor da compra ou venda ou da avaliação. Nas escrituras de interesse de FUNDAÇÕES deve-se exigir, ainda, para alienação ou aquisição de patrimônio imobiliário, a anuência do MP. Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br DA ESCRITURAÇÃO • REQUISITOS FORMAIS: a) dia, mês, ano e local em que lavrada, lida e assinada; b) identificação das partes e suas manifestações de vontade; c) indicação clara e precisa do negócio jurídico a que se refere; d) identificação dos bens a que se refere; d) referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais; e) a declaração de ter sido lida na presença de todos (ou de que todos a leram); f) assinatura das partes e comparecentes (ou suas impressões digitais a assinatura de terceiro a rogo); g) assinatura do Tabelião de Notas; h) menção à data, livro e folha da serventia em que foi lavrada eventual procuração utilizada, bem como qualquer outra certidão; i) nas escrituras de doação, o grau de parentesco entre doador e donatário; j) menção a eventuais alvarás ou autorizações prévias apresentadas; k) declaração da forma de pagamento e se é dada a quitação. Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • DADOS PARA IDENTIFICAÇÃO DE PESSOAS NATURAIS (art. 33 do Provimento 134/2022, CNJ): nome completo de todas as partes; documento de identificação, ou, na sua falta, a filiação; o número do CPF; a nacionalidade; o estado civil; a existência de união estável (no caso de pessoas solteiras, separadas, divorciadas ou viúvas); a profissão e o domicílio, sendo dispensada a inserção de endereço eletrônico e número de telefone. • DADOS PARA IDENTIFICAÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS: razão social completa; número de inscrição CNPJ; sede; data do contrato social ou de outro ato constitutivo; seu número na Junta Comercial ou Registro Civil de Pessoas Jurídicas; referência à cláusula do contrato ou estatuto social que versa sobre as pessoas incumbidas de sua administração, seus poderes e atribuições; autorização para a prática do ato (se o caso, ata de assembleia). Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • Se qualquer dos comparecentes não souber ou puder assinar, o Tabelião colherá a assinatura de outra pessoa capaz, que assinará a rogo e no lugar daqueles, cujas impressões digitais, no entanto, deverão ser colhidas mediante emprego de coletores respectivos, vedada a utilização de tinta de carimbo. • Se qualquer dos comparecentes não souber a língua nacional e o Tabelião não entender o idioma em que se expressa, deverá comparecer tradutor público para servir de intérprete ou, não havendo na localidade, outra pessoa capaz que, a juízo do Tabelião, tenha idoneidade e conhecimento bastantes. O tradutor deve ser identificado, com referência ao registro na Junta Comercial, se tradutor público, e ao compromisso tomado, se não matriculado na Junta Comercial. Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • Nas escrituras que envolvam alienação de bens móveis ou imóveis deve o Tabelião de Notas deve cientificar as partes envolvidas de que é possível obter, nos termos do art 642-A da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, a CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS TRABALHISTAS – CNDT, nas alienações ou onerações, a qualquer título, de bem imóvel ou direito a ele relativo e nas partilhas de bens imóveis em razão de separação, divórcio ou união estável (item 43, capítulo XVI, NSCGJSP). • É, ainda, obrigatória, antes da prática de qualquer ato notarial que tenho por objeto bens imóveis, direitos a eles relativos ou quotas de participação no capital de sociedades simples, deve promover prévia consulta à base de dados da CENTRAL NACIONAL DE INDISPONIBILIDADE DE BENS (CNIB), consignando no ato notarial o resultado da pesquisa e o respectivo código gerado (hash), dispensado o arquivamento do resultado da pesquisa em meio físico ou digital (item 44, capítulo XVI, NSCGJSP). Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • Na escrituração dos livros, os números relativos à data da escritura e ao preço devem ser escritos por extenso (item 48, capítulo XVI, NSCGJSP). A escrituração far-se-á apenas em cor azul ou preta indelével (item 49, capítulo XVI, NSCGJSP). • O espaçamento entre as linhas e as tabulações serão rigorosamente iguais, até o encerramento do ato, salvo quanto às tabelas nele eventualmente contidas; as atas notariais poderão ainda conter imagens coloridas e expressões em outras línguas ou alfabetos (item 50, capítulo XVI, NSCGJSP). • Eventuais, entrelinhas e notas marginais são vedadas, mesmo para correção de erros, inexatidões materiais e irregularidades sanáveis (item 51, capítulo XVI, NSCGJSP). É admitida, no entanto se exarada antes da assinatura das partes e demais comparecentes e da subscrição da escritura pública pelo Tabelião ou pelo seu substituto, a CLÁUSULA “EM TEMPO” e desde que não afete elementos essenciais do ato, como o preço, o objeto e a forma de pagamento (item 51.1, capítulo XVI, NSCGJSP). Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • Os erros, inexatidões materiais ou irregularidades constatáveis documentalmente e que não modificam a declaração de vontade das partes nem a substância do negócio jurídico, que podem ser corrigidos de ofício pelo Tabelião mediante ATA RETIFICATIVA, que será assinada apenas pelo Tabelião (item 54, capítulo XVI, NSCGJSP). • Consideram-se erros passíveis de correção por ata: a) omissões e erros cometidos na transposição de dados constantes dos documentos exibidos para lavratura do ato notarial, desde que arquivados no cartório, em papel, microfilme ou documento eletrônico; b) erros de cálculo matemático; c) omissões ou erros referentes à descrição e à caracterização de bens individuados no ato notarial; d) omissões e erros relativos aos dados de qualificação pessoal das partes e das demais pessoas que compareceram ao ato notarial, se provados por documentos oficiais. Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • Os erros e as inexatidões que não puderem ser corrigidas por meio de ata notarial, deverão ser remediados por meio de escritura de rerratificação, que deve ser assinada pelas partes e pelos demais comparecentes do ato rerratificado e subscrita pelo Tabelião de Notas (item 55, capítulo XVI, NSCGJSP). Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • Se a escritura a ser retificada foi lavrada em outra serventia, o Tabelião de Notas que lavrou a escritura de retificação-ratificação comunicará o evento, para a remissão devida, ao que realizou o ato rerratificado (item 55.2, capítulo XVI, NSCGJSP). • Antes da assinaturadas partes, pode o Tabelião tornar SEM EFEITO escritura já impressa, em decorrência de erros a ele imputáveis (erros de digitação ou de impressão, por exemplo), desde que certifique os motivos no ato (item 56, capítulo XVI, NSCGJSP). O Tabelião de Notas poderá NÃO SUBSCREVER o ato notarial, embora já assinado pelas partes e pelos demais comparecentes, expondo, por escrito e de modo fundamentado, as suas razões (item 52, capítulo XVI, NSCGJSP). Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br • Se, depois de impressa a escritura, houver recusa de alguma das partes em assiná-la, será o ato notarial declarado INCOMPLETO, sendo devidos emolumentos e proibido o fornecimento de certidão ou traslado, salvo ordem judicial (item 53.3, capítulo XVI, NSCGJSP). • Pela escritura de rerratificação, quando lavrada pelo mesmo Tabelião responsável pela lavratura do ato retificado, destinada a sanear os erros, as inexatidões materiais e as irregularidades imputáveis ao Tabelião de Notas, nada será devido a título de emolumentos e custas (item 55.3, capítulo XVI, NSCGJSP). Sergio Fazollo Naves - 01215021127 www.legale.com.br Sergio Fazollo Naves - 01215021127