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FACULDADE M - EDUCAR - FAMED CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA MARIA DAS DORES RODRIGUES DOS SANTOS A ADAPTAÇÃO DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL COMO UM PROCESSO CONTÍNUO CROATÁ-CE 2023 MARIA DAS DORES RODRIGUES DOS SANTOS A ADAPTAÇÃO DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL COMO UM PROCESSO CONTÍNUO Monografia a ser apresentada ao curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade M-Educar - FAMED como requisito parcial para obtenção do título de Pedagogo(a) Orientador (a): Idaiana Ribeiro Leite Lauriano CROTÁ-CE 2023 A ADAPTAÇÃO DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL COMO UM PROCESSO CONTÍNUO Monografia a ser apresentada ao curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade M-Educar - FAMED como requisito parcial para obtenção do título de Pedagogo(a). ______________________________________ Maria das Dores Rodrigues dos Santos Monografia apresentada em: ___/___/___ BANCA EXAMINADORA __________________________________________________ Idaiana Ribeiro Leite Laureano Faculdade M-Educar – FAMED Prof.(a) Orientador(a) _________________________________________________ Nyrlly de Medeiros Faculdade M-Educar – FAMED Diretora Acadêmica ________________________________________________ Francisco Melo Sobrinho Faculdade M-Educar – FAMED Diretor Geral “Que a criança corra, se divirta, caia cem vezes por dia, tanto melhor, aprenderá mais cedo a se levantar”. Jean-Jacques Rousseau Dedico o meu trabalho primeiramente a Deus, por ser ele o principal responsável pela a conclusão e resultado do mesmo. A toda minha família, amigos e em especial ao meu esposo. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus pelo dom da vida e por me permitir passar por esse processo de forma positiva e cheio de aprendizado. Agradeço toda a minha família que seguiu junto comigo me apoiando e motivando, em especial a minha mãe, Rita Rodrigues, que sempre acreditou e mim. Ao meu esposo, Gabriel Martins, por percorrer junto comido, com paciência e companheirismo. À minha amiga, Gabriele Feitosa, pelo o apoio em meio as dúvidas. À minha professora e orientadora, Idaiana Ribeiro, que pacientemente me ajudou a realizar esse trabalho e sempre acreditou que eu faria o meu melhor. Agradeço a Instituição, gestores e professores que me ajudaram durante essa pesquisa. Enfim, agradeço a todos que direta ou indiretamente fizeram parte da minha formação. Gratidão. RESUMO O estudo que se apresenta faz referência a um trabalho de conclusão do curso de Pedagogia, que visa investigar na perspectiva docente como se contempla a adaptação da criança na Educação Infantil como um processo contínuo, buscando compreender os principais desafios enfrentados em meio a esse processo e como pode ser promovida de forma eficaz. Dentro do referencial teórico se destaca, a adaptação da criança e a importância do processo contínuo, os principais desafios, instrumentos e técnicas avaliativas. A importância do apoio familiar e a preparação de professores e instituições. A fundamentação teórica teve como principais suportes: Antunes (2010), Angotti (2008), Balaban (1988), Rossetti-Ferreira (2003) entre outros. Utilizando como método para alcança-los um estudo de casos na Escola de Educação Infantil Maria Valdeci Ribeiro Lima, em Barra do Sotero, Croatá, Ceará. Esse trabalho configura-se como pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso, que contou com aplicação de um questionário a cinco profissionais da Educação Infantil, na qual foi possível conhecer a visão e opinião de cada profissional em meio a realidade vivida. Percebendo-se por meio de suas respostas, que muitos professores ainda não estão preparados e desconhecem a adaptação como um processo contínuo. Os desafios ainda são muitos, desde a preparação da criança a disponibilidade de ambientes adequados, o tempo que cada criança leva dentro desse processo. Conclui-se que a adaptação das crianças na Educação Infantil é um período de aprendizado, é novo e dolorido, mas que precisa ser vivido. Palavras-chave: Adaptação. Educação Infantil. Processo contínuo. Dificuldades. Planejamento. ABSTRACT The study presented makes reference to a conclusion work from the Pedagogy course, which aims to investigate from a teaching perspective how children's adaptation in Early Childhood Education is considered as a continuous process, seeking to understand the main challenges faced in the midst of this process and how it can be promoted effectively. Within the theoretical framework, the child's adaptation and the importance of the continuous process, the main challenges, instruments and evaluation techniques stand out. The importance of family support and the preparation of teachers and institutions. The theoretical foundation was mainly supported by: Antunes (2010), Angotti (2008), Balaban (1988), Rossetti-Ferreira (2003) among others. Using as a method to reach them a case study at the Maria Valdeci Ribeiro Lima Early Childhood Education School, in Barra do Sotero, Croatá, Ceará. This work is configured as qualitative research of the case study type, which included the application of a questionnaire to five Early Childhood Education professionals, in which it was possible to understand the vision and opinion of each professional in the midst of their lived reality. It was clear from their responses that many teachers are not yet prepared and are unaware of adaptation as a continuous process. There are still many challenges, from preparing the child to the availability of suitable environments, to the time each child takes in this process. It is concluded that children's adaptation to Early Childhood Education is a period of learning, it is new and painful, but it needs to be experienced. Keywords: Adaptation. Child education. Continuos process. Difficulties. Planning. LISTA DE ILUSTRAÇÕES TABELA TABELA 01: Questionário aplicado na pesquisa ................................................................... 52 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BNCC – Base Nacional Comum Curricular RCNEI – Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 11 1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA ............................................................................................ 15 1.2 PROBLEMA ...................................................................................................................... 15 1.3 HIPÓTESES ...................................................................................................................... 15 1.4 OBJETIVOS ...................................................................................................................... 16 1.4.1 Objetivo Geral ........................................................................................................ 16 1.4.2 Objetivos Específicos ............................................................................................. 16 1.5 JUSTIFICATIVA .............................................................................................................. 17 1.6 METODOLOGIA .............................................................................................................. 17 1.5.1 Tipos de Pesquisa ...................................................................................................está inserida ou vai se inserir merece cuidado”. Portanto, o professor pode realizar diversas estratégias didáticas para ajudar as crianças a lidarem com a adaptação, como, por exemplo, atividades lúdicas com tintas e massinha, brincadeiras diversas, rodas de música, teatro, além das tarefas de rotina, como alimentar-se, vestir-se, escolher os brinquedos, entre outras. Estas são algumas ações que promovem ao educando vivenciar conhecimentos e sentir-se especial dentro de um novo espaço. 38 3.1 PRINCIPAIS DESAFIOS NO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO É no ambiente familiar que qualquer ser humano inicia a sua vida social, mas a educação e os valores morais das crianças não são apenas influenciados no ambiente familiar e escolar, são também pelos meios de comunicação e pela sociedade em geral. Essas crianças passam a maior parte do tempo no convívio familiar e acabam trazendo com elas particularidades pertencentes a esse grupo social. Ao se encontrar em um ambiente escolar, um ambiente repleto de novidades, pode surgir durante essa adaptação alguns embates. Através da interação com os ambientes familiares e escolares as crianças terão a sua personalidade e os valores morais atingidos e também atingirão diretamente o comportamento dos demais indivíduos do grupo. A ida para a escola representa uma crise para a criança à qual cada uma reage de maneira específica. Ir à escola significa inicialmente passar algumas horas em um novo ambiente, longe de casa e dos pais, em meio a pessoas estranhas, com novas atividades e novas rotinas de horários e de alimentação, novos hábitos de disciplina, etc. Cada criança reage de uma maneira a esse novo ambiente e um dos problemas que os pais têm é adaptá-la a essa nova realidade. É importante que o adulto compreenda o que a criança está sentindo e a ajude a superar essa fase. Algumas crianças, talvez a maioria delas, não apresentam dificuldades de adaptação à escola ou ela é tão ligeira e passageira que nem chega a ser percebida. Em outros casos, esse período constitui um grande problema para pais e professores e exige medidas especiais. A maneira como cada criança se comporta nos seus primeiros dias de ida à escola depende igualmente do padrão de convivência na família e da idade e temperamento da própria criança. Em ocasiões menos frequentes, a criança pode apresentar pouco problema ao ser deixada na escola, mas chama pela mãe no meio do horário e manifesta seu desejo de retornar para casa. A criança também pode apresentar reações comportamentais a essa crise, dificuldades com o sono e com a alimentação, irritabilidade, agitação. Com a maioria das crianças, essas reações só duram nos primeiros dias de ida à escola e muitas vezes acabam substituídas pelo seu inverso: a criança que teve dificuldades iniciais de adaptação passa a não querer ir embora ou sente falta da escola nos feriados ou nas férias. Menos comum é que a criança que já tenha cumprido um período de adaptação comece posteriormente a apresentar dificuldades de ficar na escola. 39 Segundo Reda e Ujiie (2009), é importante que a instituição e os educadores estejam preparados para receber a criança, pois o processo de adaptação não se resume em apenas adequar a criança ao ambiente novo. Todos devem ser envolvidos diretamente nesse processo. Cada criança atravessa esse processo de uma maneira peculiar e nem todas se adequam com facilidade a novas situações. De acordo com Bassedas, (1999, p.166): “Tal episódio depende de vários fatores, por exemplo, a idade e suas experiências de segurança em contextos anteriores.”. Para evitar uma permanência do choro e da insegurança nesta fase de adaptação, os educadores precisam colocar em prática suas habilidades pedagógicas, evitando um comportamento psicológico que comprometa essa criança no futuro. Para Santos (2012), os pais devem estar informados e preparados para esse difícil período de adaptação, o qual exige muito do psicológico da criança. Em muitos dos casos, será a primeira vez que os pais deixarão seus filhos aos cuidados de pessoas estranhas, nesses casos é muito importante que os educadores passem tranquilidade e segurança aos mesmos. O comprometimento cooperativo ativo entre pais e educadores faz com as dificuldades sejam superadas. É essencial manter uma comunicação eficaz entre as pessoas que se encontram envolvida no processo de adaptação, de maneira que se possa manifestar os medos, as dificuldades e os avanços. Dessa forma, o processo de adaptação exige muito de todas as partes envolvidas. Porém, algumas dicas podem tornar esse processo menos assustador. Um dos pontos mais importantes é que os pais se empenhem em tornar esse processo gradual, de forma que ela vá se adaptando aos poucos, na medida em que vai identificando suas afinidades no novo ambiente. Visitar, conhecer e fazer com que a criança se aventure pelo novo ambiente antes do início das atividades ajudará a desmistificar esse processo. Deixar que ela desbrave alguns ambientes pode lhe dar a sensação de aventura que ajudará nesse processo. Mesmo em fase de adaptação, outro ponto que assegura o sucesso do movimento é a observância da rotina, tão fundamental para o desenvolvimento saudável da criança. Ela precisa entender que algumas coisas acontecerão repetida e sistematicamente na sua vida, e que isso lhe será benéfico. Muitos pais tendem a ceder uma ou outra vez quando a criança não quer ir à escola. E isso não é recomendável. A rotina é saudável para o desenvolvimento da criança. É necessário compreender que cada criança passa por um processo individual de adaptação. Enquanto umas podem se acostumar rápido com o convívio entre outros colegas e 40 adultos, outras podem chorar para ganhar a atenção dos educadores ou simplesmente por estranhar o ambiente. O cuidado nessa fase de adaptação é essencial, porque é o momento de inserção dos pequenos à vida em comunidade. A escola precisa respeitar o tempo das famílias e orientá-las para que o processo seja saudável para as crianças. Muitas vezes, os pequenos vão permanecer pouco tempo na escola no início, até que eles se acostumem com o espaço e os profissionais. Essa passagem é crucial para as crianças perderem o medo de permanecer na escola e se sentirem seguras para aprender e conviver com os outros. As crianças precisam se adaptar ao novo, às rotinas da escola e às separações diárias da família, principalmente em relação à ausência da mãe. Isso faz parte do crescimento social e emocional dos pequenos. Além do mais, é nesse período em que se estabelece um vínculo entre as crianças, a escola e os pais. Se o processo não for adequado, poderá haver conflitos entre as três partes. Todas as crianças são capazes de superar tais dificuldades e, logo, essas reações estarão fazendo parte de sua história. É preciso lembrar-se que muitas vezes é o egoísmo dos pais que os leva a pensar que são eles que dispensam aos filhos as atenções mais adequadas. Ademais, o tempo de ir à escola inevitavelmente chegaria, mais cedo ou mais tarde. 3.2 OS ASPECTOS FAMILIARES E PEDAGÓGICOS A família e a escola contribuem, diretamente, na formação das crianças através da transmissão de conhecimentos, cada uma com sua função. É no ambiente familiar que as crianças aprendem a se alimentar, a conceber os primeiros cuidados de higiene pessoal, a ter cuidado e aprender a distinguir o perigo. Os pais são os primeiros responsáveis pela formação social da criança, desde cedo, começam a determinar algumas regras de convivência com os grupos sociais a que estão ligados diretamente. Eles também são responsáveis por instruir os primeiros valores éticos, auxiliando na formação da personalidade da criança. Cabe aos familiares ensinar o que deve ou não ser feito, corrigir os erros e estimular os acertos através de conselhos, fazendo com que a criançavá moldando suas próprias características. Para Maranhão e Sarti (2008), os pais ou familiares, ao terem que tomar a importante decisão de matricular os filhos na creche, para serem cuidados e educados pelos profissionais, http://educacaoinfantil.aix.com.br/por-que-a-relacao-entre-escola-infantil-e-comunidade-e-importante-entenda/ http://educacaoinfantil.aix.com.br/por-que-a-relacao-entre-escola-infantil-e-comunidade-e-importante-entenda/ https://educacaoinfantil.aix.com.br/como-contratar-professor-de-educacao-infantil/ 41 tomam como partida os próprios conhecimentos sobre as instituições de Educação Infantil, seja por meio de contato direito com as mesmas, seja pela influência das concepções de pessoas conhecidas de seu meio social que já utilizaram esses serviços. Balaban (1988, p.25), aponta que a experiência da separação acontece em todas as fases da vida dos seres humanos e os afeta: “A separação afeta as crianças. Afeta os pais. Faz brotar sentimentos nos professores. O início da vida escolar pode ser uma ocasião excitante ou também uma ocasião agradável. Junto com aqueles que realmente estão encantados por estarem iniciando sua vida escolar, existem frequentemente outras crianças chorando ou pais tensos e nervosos”. A adaptação das crianças às instituições de Educação Infantil é um processo complexo, pois, de acordo com Vitória e Rossetti-Ferreira (1993), exige muito emocionalmente da criança. A criança tem que lidar com um novo ambiente, com a separação diária da mãe e dos familiares e com as novas pessoas que não pertencem à sua família, com o estresse da despedida da família na entrada, com a nova rotina da instituição, com a troca de inúmeras fraldas, a hora de dormir, de se alimentar, com os novos relacionamentos com os educadores infantis e com outras crianças As famílias, por sua vez, demonstraram inicialmente sentir insegurança com relação aos cuidados oferecidos às crianças pelos profissionais, pressupondo, em algumas situações, a incompetência dos mesmos, seja para promover a adaptação infantil, seja para cuidar e se relacionar com as crianças e as famílias (GONÇALVES; DAMKE, 2016). Os pais e educadores são diretamente responsáveis pelo desenvolvimento que a criança virá a desempenhar na primeira infância, por serem os grupos que estão mais próximos. Podemos dizer que o primeiro grupo a transmitir valores para a vida dessas crianças é o grupo familiar. Já a escola é o grupo que expande esses ensinamentos que foram iniciados no meio familiar. A tarefa de educar uma criança quando vai para a escola, está relacionada à palavra cuidar. Porém, a educação não pode se limitar a isso, já que a educação de uma criança é para a vida toda. As crianças reproduzem as atitudes dos pais e dos educadores diante de situações do cotidiano. Portanto, é muito importante que essa base família e escola estejam em total sintonia, já que as crianças seguem os exemplos dos adultos com os quais convivem. 42 Com a participação efetiva dos pais em reuniões pedagógicas e em conselhos administrativos da escola, opinando com sugestões em relação ao planejamento das atividades, sobre as questões de comportamento e ética e, até mesmo, na disposição das disciplinas, em troca a escola pode oferecer cursos, palestras e outras atividades que possibilitem essa interação entre os grupos para trocar experiências. Dessa maneira, a família traz uma grande contribuição para a organização escolar, reafirmando um elo muito importante entre a família/escola. Cada grupo tem a sua particularidade que lhe é própria, porém, ambos estão relacionados, uma vez que a criança se encontra incluída no convívio desses dois grupos ao mesmo tempo. Os aspectos familiares precisam ser analisados. É importante que os pais manifestem sua confiança nos educadores que estão responsáveis pelos seus filhos tornando mais fácil a adaptação. Quando esses pais apresentam um comportamento inadequado no momento em que deixam seus filhos na escola, dificulta ainda mais todo o processo de adaptação. Tais comportamentos geram mais insegurança nas crianças apresentando um efeito oposto ao desejado. É importante que o educador faça um relato diário de como está acontecendo à adaptação da criança aos familiares, a fim de oferecer uma comunicação constante entre todas as partes envolvidas. Bassedas, (1999, p. 166). Compreende que: É preciso buscar um funcionamento que seja positivo e que evite culpabilidade e ansiedades culturais.” Ou seja, a adaptação na educação infantil depende de regras, de estrutura física e de organização interna de cada instituição. É de suma importância que o educador conduza essa prática pedagógica na educação infantil com habilidade e muito carinho, sem assumir a função maternal, na tentativa de compreender e aliviar qualquer sofrimento por parte da criança. É, também, preciso que o professor leve em consideração a particularidade das crianças, identificando o problema de cada uma. O educador deve ter muita paciência nas situações adversas do dia-a-dia na escola. O educador exerce a função de mediador no trabalho de socialização das crianças que passam por esses processos. Santos, (2012, p.38) explica: “Quando o educador é um profissional compromissado, prontamente seus alunos darão o apoio necessário para que aquela nova criança consiga adaptar-se à nova rotina.” 43 Nessa fase da educação infantil o professor, é mediador do conhecimento, exercendo nesse ofício um papel de grande importância que é o de contribuir com o desenvolvimento moral das crianças. Com o passar dos anos as crianças entenderão que as atitudes e os valores morais são fundamentais para o desenvolvimento individual e para convivência no meio social. Logo, os educadores devem possuir atitudes exemplares, pois servem de espelho para essas crianças. A relação entre a família e a escola nem sempre é harmoniosa apesar de almejarem o mesmo objetivo, o desenvolvimento global da criança, é uma relação difícil. A família concentra as suas expectativas apenas no individual já escola considera no coletivo. Segundo Angotti, (2010, p.150): “O processo de socialização possui atuações diferentes entre pais e educadores, os pais focalizam na individualidade dos filhos e a escola concentra nos interesses gerais das crianças dentro de um ambiente educacional com regras, valores e realidades igualmente coletivas”. O ambiente familiar tem uma realidade muito diferente do ambiente coletivo proporcionado na escola. Dessa maneira, consideramos de suma importância à relação família/escola no processo de adaptação escolar. Ainda segundo Angotti (2010) mesmo com atividades diferentes a família e a escola são importantes, pois elas se completam, tornando a relação entre elas, indispensável, complexa e desafiadora. Essa parceria é indispensável para solucionar conflitos, promover uma socialização satisfatória e contribuir para o êxito das atividades pedagógicas, ocasionando na formação de indivíduos capacitados para enfrentar obstáculos futuros. As afinidades desenvolvidas entre as crianças/crianças e crianças/educadores também são diversificadas. Entre elas, os interesses são semelhantes, com os educadores essas relações tendem a ser mais conflituosas. Para que haja eficiência em todos os níveis de aprendizado o educador precisa administrar esse processo com muita habilidade. Essas relações diversificadas formam um aprendizado constante nas relações sociais, as quais serão vivenciadas ao se tornarem adultos. A infância é caracterizada por ser uma etapa de profundas transformações, sejam elas físicas, ou cognitivas. É na sala de aula, em que as emoções se expressam, principalmente, durante o processo de adaptação da criança à vida escolar. 44 Para Ujiie, (2005, p.10085): “É importante que o educador tenha uma atitude mediadora, pautada na práticado afeto cognitivo, um sujeito racional e equilibrado emocionalmente”. Pois a escola proporciona diariamente o convívio com situações de conflitos. É preciso que o professor seja capaz de conduzir a ação educativa no processo de adaptação, durante a aprendizagem, a interação e a socialização que envolve a instituição, a criança e os pais. Para Ujiie 2005, a escola e os profissionais da Educação Infantil devem recepcionar as crianças acolhendo suas particularidades, identificando-se como um lugar resguardado e motivador. É importante que a criança seja protagonista neste processo e que o professor seja um mediador motivando-as e conquistando a confiabilidade dos pais. A adaptação é um processo de grandes transformações, evolução e de uma maturidade constante para todos os envolvidos. Ujiie, (2005, 10086) ainda fala: “A instituição tem a responsabilidade de apresentar-se como um ambiente seguro, com um espaço que propicie o desenvolvimento e uma aprendizagem significativa.” A instituição de educação infantil e seus educadores tem a incumbência de proteger a criança para que isso seja possível é preciso um planejamento primoroso. Através do processo de adaptação o educador possui um contato vivo com a criança, já que ele tem vida, ele se move de acordo com o sentimento e as percepções das pessoas nelas envolvidas. Para Ujiie (2005) o educador se envolve emocionalmente com a criança durante esse processo. Mas esse contato não é tão fácil, o educador precisa ter um olhar atento e cauteloso para compreender as crianças. A empatia do educador no processo de adaptação da criança na educação infantil faz com que a socialização seja eficaz e exercita a convivência entre eles. Os educadores consideram a prática pedagógica aliada a um bom planejamento como sendo uma das concepções mais expressivas. A afetividade sozinha não garante o avanço da aprendizagem. A educação infantil é ambiente humanizado com muito aprendizado fundamental para a convivência das crianças 3.3 FATORES QUE INFLUENCIAM A ADAPTAÇÃO A adaptação da criança na educação infantil é um processo complexo e influenciado por vários fatores. Esses fatores desempenham um papel fundamental na forma como a 45 criança se ajusta ao seu novo ambiente escolar, interage com os educadores e colegas, e desenvolve suas habilidades sociais e emocionais. O ambiente familiar é um dos fatores que desempenha um papel crucial na adaptação da criança na educação infantil. Se a criança tem um ambiente familiar acolhedor, estável e seguro, ela terá uma base sólida para se adaptar à escola. O apoio dos pais ou responsáveis, a comunicação aberta e as práticas familiares positivas podem ajudar a criança a se sentir confiante e segura em explorar seu novo ambiente escolar. Ribeiro; Béssia (2015) nos indicam ainda que é cabível que o incentivo por parte da família aconteça também fora do espaço escolar. É neste momento que percebemos a importância desta relação, pois para que isso aconteça a escola e a família devem estar em sintonia, para que a educação da criança não seja afetada. Logo, ter ciência das atividades de tarefa escolar, conhecer as atividades desenvolvidas na sala de aula e buscar, sempre que possível, estimular a criança em casa constituem possibilidades de ação familiar. São intervenções que devem integrar o cotidiano das famílias, fazer parte de sua rotina. O fortalecimento, junto à criança sobre a importância de frequentar a escola também é um elemento extremamente necessário nesse construto. A idade e o nível de desenvolvimento da criança também desempenham um papel importante na adaptação à educação infantil. Crianças mais velhas e com um maior nível de desenvolvimento podem ter mais facilidade em se adaptar à nova rotina escolar, enquanto as crianças mais novas podem precisar de mais tempo e apoio para se ajustarem. A personalidade e o temperamento da criança são fatores que influenciam diretamente sua adaptação na educação infantil. Algumas crianças são naturalmente mais extrovertidas e adaptáveis, enquanto outras são mais tímidas e reservadas. É importante que os educadores estejam atentos às diferentes personalidades das crianças e adaptem suas estratégias de ensino e interação para atender às necessidades individuais de cada criança. As experiências anteriores da criança, tanto positivas quanto negativas, também podem influenciar sua adaptação na educação infantil. Se a criança teve experiências positivas em ambientes pré-escolares ou com cuidadores anteriores, isso pode facilitar a transição para a educação infantil. Por outro lado, experiências negativas, como separação traumática dos pais ou problemas de confiança, podem tornar a adaptação mais desafiadora. A qualidade da interação da criança com educadores e colegas desempenha um papel fundamental na adaptação à educação infantil. As crianças tendem a se adaptar melhor quando se sentem amadas, valorizadas e apoiadas pelos adultos ao seu redor. Além disso, ter a 46 oportunidade de interagir com outras crianças em um ambiente seguro e inclusivo promove o desenvolvimento social e emocional da criança. Rossetti-Ferreira, (2003, p.35), ainda fala: “Todo recém-nascido humano é imaturo e incompleto, sobretudo do ponto de vista motor, o que o torna extremamente dependente de outro ser humano. Seu acesso ao mundo e sua sobrevivência dependem da mediação de outros membros mais competentes da espécie. Por outro lado, nasce com uma organização comportamental e uma rica expressividade, que favorecem seu contato emocional e seu diálogo com outras pessoas humanas. Esses parceiros inserem o bebê em um mundo organizado conforme as representações e expectativas que têm sobre a criança, sobre seu desenvolvimento e sobre seu próprio papel em relação a ela, representações essas adquiridas em suas experiências de vida em um meio sócio- histórico específico”. Deste modo, acredita-se que a criança é um ser social, considerando sua atividade fundamental no processo de desenvolvimento, que possui tempo e espaço determinados. Há a possibilidade de apropriação dos mais diversos conhecimentos, através de interações sociais, desde o momento em que ela nasce. Esta criança é sujeito atuante em seu meio, é participante no diálogo com a realidade. Por conseguinte, a adaptação da criança na educação infantil é influenciada por vários fatores, como o ambiente familiar, idade e nível de desenvolvimento, personalidade e temperamento, experiências anteriores e a interação com educadores e colegas. Com o apoio adequado e a compreensão desses fatores, os educadores podem ajudar a criança a se ajustar de forma saudável ao novo ambiente escolar, promovendo o seu bem-estar e desenvolvimento global. 3.4 INSTRUMENTOS E TÉCNICAS AVALIATIVAS DURANTE O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO Durante o processo de adaptação da criança na educação infantil, é importante utilizar instrumentos e técnicas avaliativas adequadas para compreender o desenvolvimento e o bem- estar da criança nessa fase de transição, como por exemplo: 47 Observação direta: A observação direta é uma técnica essencial para avaliar o comportamento, as interações sociais e as reações emocionais da criança durante o processo de adaptação. Os educadores podem observar como a criança interage com os colegas, como ela se envolve nas atividades e como ela lida com situações de separação dos pais. Entrevistas com os pais: Entrevistar os pais ou responsáveis pela criança pode fornecer informações valiosas sobre o histórico de desenvolvimento da criança, suas habilidades sociais, suas preferências e suas necessidades específicas durante o processo de adaptação. Os pais podem compartilhar suas observações e preocupações, oferecendo insights importantes para os educadores. Registro de incidentes: Manter um registro de incidentes durante o processode adaptação pode ajudar a identificar padrões de comportamento, desafios recorrentes e sucessos no processo de adaptação. Esses registros podem incluir incidentes relacionados à separação dos pais, interações com outras crianças, participação em atividades e expressões emocionais. Escalas de avaliação do bem-estar emocional: Existem escalas e questionários validados que podem ser utilizados para avaliar o bem-estar emocional da criança durante a adaptação na educação infantil. Essas escalas podem abordar áreas como ansiedade de separação, apego, autoestima e ajuste emocional geral. Portfólios de desenvolvimento: Os portfólios de desenvolvimento são uma forma de coletar e documentar amostras representativas do trabalho, das atividades e das conquistas da criança ao longo do processo de adaptação. Esses portfólios podem incluir desenhos, fotografias, escritos e registros de desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social. A comum comunicação: A comunicação contínua entre os educadores, os pais e a criança são fundamentais durante o processo de adaptação. Os educadores podem fornecer feedback aos pais sobre o progresso da criança, compartilhar observações e destacar os pontos fortes da criança. Da mesma forma, os pais podem compartilhar suas percepções e preocupações com os educadores, promovendo uma colaboração efetiva. (FACULDADE MULTIVIX, 2014). É importante adaptar os instrumentos e as técnicas avaliativas de acordo com a faixa etária da criança, suas necessidades individuais e a cultura da instituição de educação infantil. A combinação de diferentes abordagens avaliativas pode fornecer uma visão abrangente do processo de adaptação e auxiliar na identificação de estratégias de apoio personalizadas para promover uma transição bem-sucedida. Antunes, (2010, p. 21), ressalta: 48 “Ensinar passou então a “significar”, a estimular os alunos a confrontar-se com informações relevantes no âmbito da relação que estes estabelecem com uma realidade, capacitando-os a reconstruir os significados atribuídos a essa realidade e a essa relação. Não se aprende sem o confronto entre os saberes e o conjunto de significados que cada um constrói”. Ao utilizar instrumentos e técnicas avaliativas durante o processo de adaptação na educação infantil, é importante estar ciente da realidade e dificuldades da turma. Durante a avaliação, os educadores devem ser sensíveis às reações e emoções das crianças. É essencial observar atentamente e interpretar corretamente os comportamentos, considerando o contexto e as características individuais de cada criança. A interpretação errônea dos sinais pode levar a conclusões equivocadas e ações inadequadas. A avaliação deve adotar uma abordagem holística, considerando o desenvolvimento emocional, social, cognitivo e físico da criança. É importante não focar apenas em aspectos acadêmicos, mas também em áreas como habilidades sociais, criatividade, expressão emocional e autonomia. Utilizar uma variedade de métodos e técnicas avaliativas pode fornecer uma visão mais completa do processo de adaptação da criança. Além das observações diretas, entrevistas e registros, também podem ser aplicados questionários, escalas de avaliação, amostras de trabalho e portfólios de desenvolvimento. A combinação de diferentes métodos pode oferecer uma compreensão mais rica e abrangente da criança. Durante a avaliação, é importante considerar o estágio de desenvolvimento de cada criança. As expectativas e critérios de avaliação devem ser adequados à idade e às habilidades individuais, evitando comparações inadequadas entre as crianças. Cada criança tem seu próprio ritmo de crescimento e adaptação, e isso deve ser levado em consideração na avaliação. Ao coletar informações avaliativas, é fundamental garantir a confidencialidade e a privacidade das crianças e de suas famílias. Os dados devem ser tratados de forma ética e protegidos de acesso não autorizado. Os educadores devem se certificar de que as informações avaliativas sejam utilizadas apenas para fins educacionais e de apoio às crianças. A avaliação não deve ser apenas um processo unilateral, mas sim um meio de comunicação entre os educadores, as crianças e seus pais. É importante fornecer feedback construtivo aos pais, compartilhando informações sobre o progresso da criança, desafios identificados e estratégias de apoio. A comunicação aberta e contínua é essencial para promover a colaboração e o envolvimento dos pais no processo de adaptação. 49 Segundo Antunes (2010, p. 33), “uma nova visão sobre a aprendizagem, não apenas ajudam seus alunos a se perceberem percebendo os outros, mas, efetivamente, ao ensinar fatos, na verdade ensina seus alunos a aprenderem”. Para Antunes (2010), o professor necessita assumir três posturas: − Reconhecer o seu próprio aluno, sua história, suas diferenças, sua realidade fora das quatro paredes da sala de aula; − Conhecer com profundidade o assunto que pretende transmitir, a ponto de estabelecer associações práticas com a vida das crianças e assim estabelecer a real importância desses novos conhecimentos; − Avaliar o processo de associação de forma individual, tendo em vista que os alunos fazem associações dos novos conhecimentos. O educador deve saber se efetivamente isso aconteceu e o momento adequado para aferir tal situação. Deve-se pensar na avaliação com os olhos antenados na aprendizagem significativa, pois quando é alcançada esta almejada aprendizagem, nosso objetivo enquanto docente foi cumprido, tendo em vista que a aprendizagem significativa é a bagagem de conhecimentos que cada ser humano carrega consigo ao longo da vida. Ao considerar esses pontos importantes, os educadores podem realizar avaliações mais eficazes e significativas durante o processo de adaptação na educação infantil, promovendo um ambiente de apoio e desenvolvimento integral das crianças 50 4 CARACTERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO PESQUISADA Escola de Educação Infantil Maria Valdecir Ribeiro Lima CNPJ: n° 22695213000118 Endereço: Barra do Sotero, Rua Sotero Ribeiro, S/N- CEP 62.390-000 Cidade: Croatá CE Ramo de Atuação: A Escola oferece o Ensino Infantil, conforme a Lei n° 11.274, 6 de fevereiro de 2006, que altera a redação dos arts. 29, 30, 32, 87 de Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece as diretrizes e bases para a educação nacional. A escola faz atendimento de crianças que provêm de diversos tipos de famílias com uma diversidade de situações. A pluralidade cultural, isto é, a diversidade de etnias, crenças, costumes, valores, e outros caracterizam a população. 4.1 LOCALIZAÇÃO A Escola de Educação Infantil Maria Valdecir Ribeiro Lima, localizada na Rua Sotero Ribeiro, S/N- CEP 62.390-000, inscrita no CNPJ sob n° 22695213000118. Foi criada pela Lei Municipal n° 013/2006ª. Foi criada pela Lei Municipal n° 013/2006. Censo Escolar N° 23242396. É um estabelecimento de ensino da rede pública, mantida pela prefeitura Municipal de Croatá, CNPJ sob o n°10.462.349/0001-07, subordinada técnica e administrativamente a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Educação de Croatá, município pertencente à jurisdição da 5° CREDE (5° Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação) órgão subordinado à SEDUC. A Escola de Educação Infantil Maria Valdecir Ribeiro Lima, foi construída no ano de 1997 e foi inaugurada em 1998, começando seu funcionamento. Passou por uma ampliação no ano de 2009, sendo construída mais uma sala de aula e banheiros masculinos e femininos com lavatórios na área externa. 51 4.2 ESTRUTURA DA INSTITUIÇÃO A escola de Educação Infantil Maria Valdecir Ribeiro Lima possui três salas de aula, mais apenas duas é destinada a educação infantil, durante o período da manhã estudam as turmas de infantil II e III, e a tarde as turmas do infantilIV e V, cada sala de aula contem lousa branca, carteiras para todos alunos, três ventiladores, um armário para guardar os materiais utilizados na sala de aula, colchonetes para as crianças deitarem quando necessário ou para quando dormirem na sala, em ambas as turmas há uma professora e uma monitora, uma merendeira, uma zeladora e um porteiro, possui materiais pedagógicos para o desenvolvimento da autonomia da criança e como suporte de outras ações intencionais. O espaço físico foi projetado respeitando a capacidade e necessidades de desenvolvimento dos alunos sendo que os espaços internos e externos foram adaptados para atender diferentes funções, tais como: ventilação, temperatura, iluminação, espaço físico, mobiliário e equipamentos adequados. No entanto, ainda há necessidade de alguns investimentos para que as exigências legais sejam plenamente atendidas. Na parte externa tem o pátio coberto, cantina, depósito, uma pequena área verde, banheiros adaptados para as crianças com tudo na altura delas, há três banheiros, tanto feminino como masculinos, há também uma secretaria com um computador e uma impressora para que as professoras possam imprimir suas atividades ali mesmo, nesse espaço é guardado os brinquedos que as crianças utilizam na hora do intervalo. 52 5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS Mesmo com todos os avanços e transformações que a educação já passou até os dias atuais, pensar numa adaptação contínua ainda é um grande desafio no meio educacional. Foi pensando nisso que o objetivo principal desse estudo foi analisar e compreender as principais dificuldades de Instituições e educadores durante esse processo, como tais se preparam e enfrentam momentos desafiadores dentro da comunidade escolar. Para o desenvolvimento da pesquisa foi realizado um estudo de caso com a aplicação de um questionário direcionado as professoras da Educação Infantil. A coleta de dados foi realizada na Escola de Educação Infantil Maria Valdeci Ribeiro Lima, no distrito de Barra do Sotero, Croatá, Ceará. A escola em questão apresenta uma boa estrutura com atendimento nos turnos manhã e tarde. A pesquisa foi realizada nos turnos matutino e vespertino, nas turmas do Infantil II, III, IV e V. Durante a realização desse estudo muitos artigos estudados relataram sobre a falta de preparo das Instituições e educadores durante do processo de adaptação, diante disso esse estudo buscou fazer uma conexão entre a teoria e a prática. Grande parte dos envolvidos na pesquisa demonstraram preocupação e sabedoria mediante processo de adaptação, o que fez dessa pesquisa um valioso estudo de casos. O questionário aconteceu no segundo semestre desse ano de 2023, sendo pertinente para identificarmos as concepções dos profissionais sobre a adaptação das crianças como um processo contínuo. Levar a compreender quais os métodos, atitudes e práticas empregadas pelos educadores para promover e viabilizar uma melhor adaptação para as crianças. Nesse sentido, o estudo baseou-se nos seguintes questionamentos: PERGUNTA RESPOSTAS QUESTÃO 01: Como você descreveria o processo de adaptação da criança na educação infantil? (PROFESSORA 01): “O período de adaptação é fundamental para a aprendizagem e o desenvolvimento. Dessa forma a adaptação depende da consolidação de uma relação de confiança, um ambiente seguro e acolhedor. É um processo que exige paciência e cuidados, tanto para as crianças quanto para os familiares. E nada como um bom acolhimento para acalma-los e tranquiliza-los” (PROFESSORA 02): “A criança é um ser social, embasada nesta perspectiva, vejo a adaptação da criança na educação infantil como um processo natural e fundamental para seu desenvolvimento”. 53 (PROFESSORA 03): “O processo de adaptação da criança na educação infantil é muito sensível e requer muita atenção, paciência e cuidados, pois cada criança possui um ritmo e necessidades diferentes”. (PROFESSORA 04): “O processo de adaptação na educação infantil é muito individual e varia muito de criança para criança, enquanto algumas crianças se adaptam rapidamente outras apresentam muita resistência chorando querendo os pais ou até mesmo não interagindo nas atividades”. (PROFESSORA 05): “É um processo contínuo que requer muita paciência, pois é uma fase regada de transições com diversas situações que envolvem desafios e amadurecimentos, tanto para as crianças quanto para os familiares e educadores”. QUESTÃO 02: Quais são os principais desafios que a criança enfrenta durante esse processo? (PROFESSORA 01): “São diversos os desafios que as crianças enfrentam nesse período de adaptação, principalmente a falta dos pais, a mudança de rotina, o convívio com as outras crianças”. (PROFESSORA 02): “Muitos desafios são enfrentados, o mais difícil acredito que seja o sair da zona de conforto de casa para a socialização com outro meio que mão era habitual”. (PROFESSORA 03): “Alguns dos fatores que podem atrapalhar na fase de adaptação da criança são: a insegurança por parte dos pais, a falta ou ausência de uma rotina fora do ambiente escolar e em muitos casos a falta de envolvimento dos responsáveis”. (PROFESSORA 04): “Uma criança ao iniciar sua vida estudantil vai passar por muitos desafios, levando em consideração que eles vão passar a conviver em uma sociedade que até então não fazia parte do seu dia a dia, e fincando longe por um tempo das pessoas que estavam acostumados, nesse processo de adaptação as crianças vão ter um pouco de receio, medo e insegurança com relação ao ambiente que estão adentrando”. (PROFESSORA 05): “O momento do despego, quando os responsáveis deixam a criança na creche ou na escolinha, pois é quando a criança se vê sozinha com estranhos”. QUESTÃO 03: Quais estratégias podem ser utilizadas para facilitar a adaptação da criança na educação infantil? (PROFESSORA 01): “Preparação de um ambiente acolhedor; tentar mostrar segurança e interagir bem com a criança; proporcionar atividades prazerosas”. (PROFESSORA 02): “Primeiramente o diálogo com a criança, dar a oportunidade para ela se colocar no centro da mudança, cumprir com os combinados, observar a rotina, está sempre em diálogo com a escolar”. (PROFESSORA 03): “O acolhimento é fundamental, receber as crianças com carinho, palavras de conforto, músicas, brincadeiras e proporcionando um ambiente acolhedor”. (PROFESSORA 04): “É necessário que o professor seja afetuoso com seus alunos, os recebam bem e com entusiasmo mostrando confiança para as crianças, é importante que o professor saiba usar vários tipos de metodologias e estratégias para conseguir trazer a turma para si e conquistando eles, favorecer um ambiente de curiosidade onde as crianças se sintam instigadas a permanecerem”. 54 (PROFESSORA 05): “Os pais precisam conversar com seus filhos a respeito do momento que ele vai precisar ficar em outro ambiente com outras pessoas, a escola precisa proporcionar momentos acolhedor e pra que as crianças se sintam bem”. QUESTÃO 04: Quais são os sinais de que uma criança está adaptada na escola? (PROFESSORA 01): “Elas se sentem mais seguras, já não choram e interagem umas com as outras e com o professor”. (PROFESSORA 02): “É comum a criança chorar, ao adaptar-se ela não costuma mais chora. Ela também já entra segura na sala sem o auxílio do responsável, elas chamam para ir a escolar, se despede tranquila, acompanha a rotina sem dificuldades”. (PROFESSORA 03): “A criança mostra interesse em ir para a escola, conversa sobre o seu dia-a-dia e atividades realizadas na escola, expressa sentimentos de carinho pelos colegas e professores”. (PROFESSORA 04): “Quando já não apresenta resistência para vim ou permanecer na sala de aula, quando o aluno se sente envolvido paraparticipar das atividades brincadeiras e interagir com seus colegas e professoras”. (PROFESSORA 05): “Quando a criança brinca, conversa, participa e interage com os demais, é muito importante que os pais estejam atentos a esse momento”. QUESTÃO 05: Quanto tempo geralmente leva para uma criança se adaptar completamente à educação infantil? (PROFESSORA 01): “Geralmente é o período de no máximo um mês”. (PROFESSORA 02): “Cada criança tem seu tempo, umas se adaptam com amis dificuldades, outras demoram mais tempo. É um processo que exige muita paciência, persistência e afeto. A criança precisa se sentir segura”. (PROFESSORA 03): “O período de adaptação, geralmente duras de uma semana até um mês. No entanto há aquelas crianças que levam meses para se adaptar, apresentando dificuldade em querer permanecer na escola”. (PROFESSORA 04): “É um processo que varia muito e vai de criança para criança, pois cada uma delas tem o seu tempo, é um processo que para alguns pode ser rápido e levar menos de um mês e para outras crianças pode ser mais longo e levar vários meses”. (PROFESSORA 05): “Esse é um processo que varia muito, algumas crianças demoram mais tempo, outras se adaptam mais rápido, depende muito do apoio da família também”. QUESTÃO 06: Quais são os benefícios de um processo de adaptação gradual? (PROFESSORA 01): “É de grande importância, pois é necessário respeitar o ritmo da própria criança e não impor um tempo determinado para a adaptação”. (PROFESSORA 02): “São benefício que permitem fazer novas descobertas e aprendizagens, que contribuam para o pleno desenvolvimento emocional, físico e social”. (PROFESSORA 03): “A adaptação traz como benefícios a ampliação dos vínculos sociais criança e criança, criança e adultos, havendo então a construção de um universo mais amplo que estejam presentes duas conquistas fundamentais para a criança: independência e autonomia”. 55 (PROFESSORA 04): “É fundamental para o processo de aprendizado e desenvolvimento da criança, a consolidação da confiança que a criança vai criando em sua professora e colegas, o ambiente seguro e apropriado tudo vai favorecer para o processo de adaptação da criança”. (PROFESSORA 05): “Adaptação e construção de vínculo com outras crianças”. QUESTÃO 07: Quais são as etapas ou fases que uma criança geralmente passa durante o processo de adaptação na educação infantil? (PROFESSORA 01): “É uma fase regada de transições com diversas situações que envolvem o desafio de enfrentamento e amadurecimento do novo para as crianças”. (PROFESSORA 02): “A educação infantil é o primeiro contato da criança com vida escolar, portanto a partir desse momento irão refletir significamente com sua vida estudantil e social. As Creches e pré-escolas para o período de adaptação um momento de recepção para s crianças. Os profissionais usam da criatividade para atrair de forma lúdica, fazendo destes espaços ambientes seguros e acolhedores. Vários teóricos, como Wallon, Vygotsky, Piaget, Montessori, nos deixaram teorias de suas práticas sobre as fases e etapas de desenvolvimento das crianças no período de adaptação em seus respectivos estágios de evolução. Ressalto com muita estima que segundo Wallon a afetividade deve ser fundamento neste processo”. (PROFESSORA 03): “Para as crianças, o processo de adaptação na escola é um período em que elas passam a criar relações afetivas com a escola, conhecem o novo espaço e tornam-se familiarizadas e pertencente a ele”. (PROFESSORA 04): “Em alguns casos primeiro acontece a fase da negação, onde a criança não quer aceitar ficar no ambiente da sala de aula chora bastante, e quando os pais vão deixar na escola as crianças querem voltar, depois dessa fase de negação e insegurança a criança passa a aceitar que o ambiente da sala de aula é um ambiente interessante e começa a se envolver”. (PROFESSORA 05): “As etapas da educação infantil são berçário -maternal-jardim”. QUESTÃO 08: Como a família pode participar e ajudar no processo de adaptação da criança na educação infantil? (PROFESSORA 01): “Pode ajudar da seguinte forma: tentar demonstrar segurança; conversar com a criança; falar sobre a importância da escola”. (PROFESSORA 02): “A família é a principal colaboradora para que este processo aconteça. O vínculo família e escola formam uma parceria de sucesso para o desenvolvimento integral da criança”. (PROFESSORA 03): “É importante orientar as famílias a fazerem um preparo com os filhos antes do início das aulas; logo nos primeiros dias de aula não prolongar a despedida; evitar sair escondido e despedir-se de forma natural; se a criança chorar, explicar que voltarão para busca-la, demonstrando tranquilidade e segurança; procurar respeitar o horário de entrada e saída estabelecido”. (PROFESSORA 04): “É importante que a família tenha confiança nos profissionais que vão está em sala de aula para deixar seus filhos e entender que eles vão chorar porque é um processo novo 56 para eles, também é importante que a família converse com as crianças preparando o psicológico delas, e sempre manter o diálogo entre família e escola”. (PROFESSORA 05): “Criando uma rotina, pois, a criança precisa criar hábitos no seu cotidiano. Durante a semana é importante que ela entenda que deve cumprir horário e realizar pequenas atividades”. QUESTÃO 09: Quais são os possíveis impactos de uma adaptação malsucedida na educação infantil? (PROFESSORA 01): “Podem gerar indisciplina, agressividade, crises de choro, falta de vontade de fazer as atividades escolares, etc. Isso tudo prejudica o desenvolvimento da criança”. (PROFESSORA 02): “Acredito que a criança que não se sente segura no ambiente escola, é desestimulada, tem traumas, muitas vezes a própria escola tenta ajudar orientando e aos profissionais especializados. As consequências de uma adaptação mal sucedida gera desconforto não só na criança, mas na escola e família, atrapalhando assim sua zona de desenvolvimento”. (PROFESSORA 03): “O período de adaptação escolar é muito delicado tanto para a criança quanto também para os pais. A primeira ida a escola faz com que a criança tenha que enfrentar uma situação completamente nova, e muitas vezes gerando medo, insegurança, tendo crises de choro e com isso a criança apresenta maior dificuldade em se adaptar”. (PROFESSORA 04): “Traumas psicológicos nas crianças, receio e falta de entusiasmo de participar das propostas e atividade de sala aula”. (PROFESSORA 05): “Acriança pode até se recusar ficar na escola. Precisamos ter muito cuidado com nossas crianças”. QUESTÃO 10: Quais são as características de uma educação infantil com um processo de adaptação eficiente e contínuo? (PROFESSORA 01): “É um ambiente em que as crianças possam sentir-se seguras, um ambiente acolhedor, permitindo novas aprendizagens e descobertas, que irão contribuir para seu pleno desenvolvimento físico, emocional e social”. (PROFESSORA 02): “As características mais visíveis são os ambientes acolhedores, a participação dos profissionais, a segurança que as crianças demonstram de estarem naquele local, o desenvolvimento visível da autonomia da criança como protagonistas das suas experiências”. (PROFESSORA 03): “Para que a criança na Educação Infantil possa se adaptar com maior facilidade e eficiência é necessário que conheça a criança, qual a sua dificuldade, incentive a criança e desperte nela a curiosidade em aprender e conhecer o novo”. (PROFESSORA 04): “Entusiasmo das crianças em participarem das aulas, afeto com as professoras e coleguinhas dedicação e empenho nas atividades e brincadeiras, aprendizado e desenvolvimento das crianças”. (PROFESSORA 05): “Será uma educação de qualidade, podendo apresentar bonsresultados”. 57 Com a aplicação do questionário e realização do estudo a respeito do tema, A adaptação da criança na Educação Infantil como um processo contínuo, ficou claro por parte dos responsáveis que serviram como amostra que os mesmos tem a noção da importância desse processo para o futuro de cada criança, mas, ainda há muitos desafios a serem enfrentados, começando pela preparação do próprio professor e das Instituições, principalmente no conhecimento de realizar esse processo de forma contínua, já que alguns professores acham que essa adaptação pode acontecer em um mês ou em tempo determinado. Os envolvidos na pesquisa relatam suas experiências e demonstram interesse ao tema, até porque é algo necessário e de extrema importância para o futuro estudantil e social da criança. Todos deixam bem claro, que a adaptação da criança na Educação Infantil é indispensável e que precisa ser contínuo. Além disso, foi percebido mediante suas respostas que o apoio da família é parte crucial para um bom desenvolvimento nesse processo, sendo que muitas famílias se mantem distante e mostra pouco interesse em acompanha esse tempo da criança. Ainda, falam sobre a importância das metodologias utilizadas dentro desse processo, a importância da formação continuada dos professores, pois, os mantem sempre atualizados e preparados para cada realidade. 58 CONCLUSÃO A partir da análise e discussão dos dados e informações obtidas através da pesquisa de campo, conclui-se que a adaptação da criança na educação infantil é um processo complexo e individual, que envolve diversos fatores e etapas. Primeiramente, percebeu-se que a adaptação é influenciada pela personalidade da criança, e suas experiências anteriores. Cada criança possui características únicas, o que torna o processo de adaptação diferenciado para cada indivíduo. Além disso, foi evidenciado que a adaptação não se resume apenas ao momento de entrada na instituição de educação infantil, mas é um processo contínuo e gradual. A criança precisa de tempo para se familiarizar com o novo ambiente, as novas pessoas e as novas rotinas. Outro ponto a ser destacado é a importância do papel dos profissionais da educação infantil no processo de adaptação. A presença de educadores acolhedores, sensíveis e empáticos é fundamental para transmitir segurança e confiança às crianças, facilitando assim o processo de adaptação. Também foi constatado que a participação dos pais ou responsáveis é essencial durante a adaptação, pois eles desempenham um papel fundamental na transição da criança para a escola. O envolvimento dos pais no processo de adaptação, seja através de reuniões, visitas à escola ou comunicação constante com os educadores, contribui para o estabelecimento de uma parceria entre família e instituição de educação infantil. Ressalta-se a importância de oferecer um ambiente acolhedor, seguro e estimulante para a criança na educação infantil. Espaços físicos adequados, materiais pedagógicos diversificados e atividades lúdicas são fundamentais para promover uma adaptação positiva e facilitar a integração da criança na instituição. Dessa forma, compreende-se que a adaptação da criança na educação infantil é um processo que demanda tempo, cuidado e atenção. É necessário compreender as particularidades de cada criança, valorizar a participação dos pais e oferecer um ambiente favorável para que a adaptação ocorra de maneira tranquila e efetiva. Por fim, tendo em vista a contribuição desse estudo em conjunto com as demais pesquisas sobre a temática, foi possível atingir os objetivos, bem como resolveu a problemática sobre os maiores desafios enfrentados dentro do processo de adaptação, sobre as reflexões e vivência dos envolvidos. Esse assunto é de extrema importância para a vida das pessoas, pois a correta adaptação e inserção no ambiente escolar desenvolve o ser humano, e sua socialização reflete em valores construídos no decorrer da vida. 59 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ANTUNES, Celso. Professores e Professauros: reflexões sobre a aula e práticas pedagógicas diversas. Petrópolis: Vozes, 2010. ANGOTTI, M. Espaços de formação docente: os desafios da qualificação cotidiana em Educação Infantil. Nuances: estudos sobre Educação. Presidente Prudente, SP, ano XIII, v. 14, n. 15, p. 69-91, jan./dez. 2008. _____________. (organizadora). Educação Infantil: para que, para quem e por quê. Campinas, SP: Editora Alínea, 2010. 3ª Edição. BASSEDAS, Eulália. Aprender e ensinar na educação infantil / Eulália. BALABAN, Alessandra (1988). 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Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1979. _________________. Privação e delinquência. 1 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1987. YIN, ROBERT K.O método de estudo de casos. PUC-Rio. Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/16514/16514_5.PDF. Acesso em: 30/10/2023 às 20:16. https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2009/2496_1090.pdf https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/22/12/o-processo-de-adaptacao-da-crianca-na-educacao-infantil-a-importancia-do-acolhimento https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/22/12/o-processo-de-adaptacao-da-crianca-na-educacao-infantil-a-importancia-do-acolhimento https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/16514/16514_5.PDF 62 APÊNDICES QUESTIONÁRIO DIRECIONADO PARA AS PROFESSORAS. PERFIL DO RESPONDENTE 1. Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino. 2. Idade: ( ) De 21 a 31 anos ( ) De 31 a 40 anos ( ) De 41 a 50 anos ( ) Mais de 50 anos. 3. Escolaridade: ( ) Fund ( ) Médio ( ) Sup. Inc. ( ) Graduação ( ) Pós. Graduação 4. Vínculo empregatício: ( ) Contratado ( ) Efetivo 5. Tempo de experiência: ( ) 0 a 5 anos ( ) 5 a 10 anos ( ) Mais de 10 anos. PERGUNTAS OBJETIVAS 1. Como você descreveria o processo de adaptação da criança na educação infantil? 2. Quais são os principais desafios que a criança enfrenta durante esse processo? 3. Quais estratégias podem ser utilizadas para facilitar a adaptação da criança na educação infantil? 4. Quais são os sinais de que uma criança está adaptada na escola? 5. Quanto tempo geralmente leva para uma criança se adaptar completamente à educação infantil? 6. Quais são os benefícios de um processo de adaptação gradual? 63 7. Quais são as etapas ou fases que uma criança geralmente passa durante o processo de adaptação na educação infantil? 8. Como a família pode participar e ajudar no processo de adaptação da criança na educação infantil? 9. Quais são os possíveis impactos de uma adaptação malsucedida na educação infantil? 10. Quais são as características de uma educação infantil com um processo de adaptação eficiente e contínuo?18 1.5.2 Técnicas de Pesquisa ............................................................................................. 19 1.5.3 Instrumento e Técnica de Coleta de Dados ......................................................... 19 1.5.4 Universo da Amostra ............................................................................................. 20 2 REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................................. 22 2.1 FASES DA ADAPTAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL.............................................. 25 2.2 RELAÇÃO ENTRE FAMÍLIA E ESCOLA NA ADAPTAÇÃO..................................... 28 2.3 DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL E SOCIAL NA ADAPTAÇÃO........................ 30 2.4 ESTRATÉGIAS PARA UMA ADAPTAÇÃO CONTÍNUA........................................... 32 3 ADAPTAÇÃO DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL E A IMPORTÂNCIA DO ACOLHIMENTO............................................................................................................ 35 3.1 PRINCIPAIS DESAFIOS NO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO...................................... 38 3.2 OS ASPECTOS FAMILIARES E PEDAGÓGICOS........................................................ 40 3.3 FATORES QUE INFLUENCIAM A ADAPTAÇÃO....................................................... 44 3.4 INSTRUMENTO E TECNICAS AVALIATIVAS DURANTE O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO.......................................................................................................................... 46 4 CARACTERIZAÇÃO INSTITUIÇÃO PESQUISADA ................................................. 50 4.1 LOCALIZAÇÃO ............................................................................................................... 50 4.2 ESTRUTURA DA INSTITUIÇÃO ................................................................................... 51 5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ............................................................. 52 CONCLUSÃO ........................................................................................................................ 58 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................... 59 APÊDICE I – ......................................................................................................................... 62 11 1 INTRODUÇÃO O presente estudo tem como foco principal abordar a adaptação da criança na educação infantil como um processo contínuo e de extrema importância para o seu desenvolvimento. Ela marca o início de uma nova fase na vida da criança, em que ela passa a conviver com outras crianças e adultos fora do ambiente familiar. Essa transição pode ser um desafio para a criança, pois envolve mudanças na rotina, novas regras e a necessidade de se acostumar com um novo ambiente e novas pessoas. Além disso, é necessário que a criança desenvolva habilidades como autonomia, socialização e adaptação às normas sociais. No processo de adaptação, é fundamental que os educadores e pais trabalhem em conjunto para criar um ambiente acolhedor e seguro para a criança. É importante estabelecer uma relação de confiança com os pais, para que eles se sintam confortáveis em deixar seus filhos na escola e sejam ativos no processo de adaptação. Os educadores também desempenham um papel fundamental nesse processo, tendo como objetivo principal criar um ambiente propício para a aprendizagem e o desenvolvimento da criança. Eles devem estar preparados para lidar com as emoções da criança, oferecer atividades lúdicas e estimulantes, proporcionar momentos de integração entre as crianças e estabelecer limites e regras claras. A adaptação da criança na educação infantil não acontece da noite para o dia. É um processo gradual, que pode levar algumas semanas ou até meses para se concretizar. Cada criança possui um ritmo próprio de adaptação, alguns se adaptam rapidamente, enquanto outros necessitam de mais tempo. É importante lembrar que a adaptação não se limita apenas à criança, os pais também precisam de apoio e orientação nesse momento de transição. A escola deve estar aberta a receber os pais, responder suas dúvidas e oferecer suporte emocional. A adaptação da criança na educação infantil é um processo contínuo que requer paciência, compreensão e empatia. É um momento de transição para todas as partes envolvidas, e quando bem conduzido, contribui para o desenvolvimento saudável da criança e estabelecimento de relações afetivas positivas que irão acompanhar ao longo de sua vida acadêmica. No início, a criança geralmente passa por uma fase de separação dos pais ou cuidadores, já que estarão em um ambiente novo e com pessoas desconhecidas. Essa 12 separação pode gerar ansiedade e desconforto, tanto na criança quanto nos pais. Ela encontra um mundo todo novo, com influências, ideias, amizades e oportunidades com as quais nunca havia se deparado antes. As reações podem variar muito, tanto em relação às manifestações emocionais quanto ao tempo necessário para se efetivar o processo de adaptação. Toda criança, seja qual for sua história e sua idade, terá que enfrentar o primeiro dia de aula e esta experiência acarreta ansiedade e insegurança. Afastar-se do aconchego do lar e enfrentar o desconhecido significa um grande salto na vida de qualquer criança. O ingresso na Educação Infantil e na vida escolar representa um passo muito grande em direção à independência. Esta é uma fase que exigirá um período de adaptação. Quando falamos em adaptação devemos considerar que sempre que enfrentamos uma situação nova, esse processo se desencadeia. O processo de adaptação, portanto, inicia com o nascimento, nos acompanha no decorrer de toda a vida e ressurge a cada nova situação que vivenciamos. Para que a adaptação ocorra de forma adequada, é importante que a escola ofereça um ambiente acolhedor e seguro, com profissionais capacitados para lidar com esse processo. É essencial que os educadores estejam preparados para acolher e estabelecer vínculos afetivos com as crianças, para que estas se sintam seguras e confortáveis. É fundamental que estabeleçam uma rotina clara e previsível, pois isso ajuda a criança a se sentir segura e confiante no ambiente escolar. Além disso, é importante permitir que a criança explore e experimente o espaço e os materiais disponíveis, para que ela possa se familiarizar com o ambiente e se sentir mais à vontade. Ao longo desse processo, é essencial que os pais estejam presentes e participem ativamente, tanto na fase inicial de separação quanto no acompanhamento do desenvolvimento da criança na educação infantil. É fundamental manter uma comunicação aberta e constante com os educadores, para acompanhar o progresso da criança e oferecer suporte quando necessário. De acordo com Balaban (1988), ao separar a criança de seu ambiente familiar, todos os envolvidos são afetados, não só as crianças, mas também os pais e professores. É um começo revelador para os envolvidos, podendo ser uma situação animadora ou desanimadora para os pequenos, fazendo manifestar choros e outros inúmeros sentimentos como medo, ansiedade e tristeza. É importante ressaltar que a adaptação é um processo individual, ou seja, cada criança tem seu próprio tempo e maneira de lidar com a transição para a educação infantil. Por isso, é fundamental ter paciência e respeitar o ritmo de cada criança, oferecendo o apoio necessário para que elas se sintam cada vez mais confortáveis e seguras nesse novo ambiente. 13 Sendo assim, visando abordar a problemática sobre os principais desafios enfrentados pelas as crianças no processo de adaptação na educação infantil, esse trabalho se justifica pela necessidade de conhecer e analisar esses desafios, bem como as relações interpessoais entre docentes, pais, escola e alunos. Sendo fundamental compreender oprocesso de adaptação na Educação infantil como um mecanismo de crescimento da criança, analisando como ocorre o processo e se acontece de forma contínua, evidenciar a importância da família e o papel do educador junto a criança no ambiente escolar. De acordo com Rapport; Piccinini, (2001, p. 93). “A adaptação à creche é um processo gradual em que cada criança precisa de um período de tempo diferente para se adaptar, sendo importante respeitar o ritmo da própria criança e não impor um período pré-determinado para a adaptação. O período de adaptação pode ser mais longo para bebês recebendo cuidados alternativos de má qualidade ou vindo de famílias com problemas. Além disso, faltas frequentes ou irregularidades nos horários de entrada e saída dificultam a adaptação, que pode se estender por mais tempo”. Dessa forma, nesse tempo em que a criança está atravessando uma fase de transição entre o seu meio familiar e a instituição escolar, ou seja, entre o conhecido e o desconhecido, cabe às creches e às pré-escolas, respeitarem o período de adaptação da criança, oferecendo assistência acolhedora aos alunos e a seus familiares. A forma como as crianças são acolhidas ao chegarem à escola é fundamental para sua adaptação. Em outras palavras, quando os pequenos são recebidos pelos educadores, gestores e auxiliares de turma com carinho e atenção, em um ambiente escolar preparado para o acolhimento, com calor humano, transmitindo conforto e segurança física e emocional ao aluno, isso favorece a obtenção de resultados positivos no processo adaptativo. Nesse sentido, o objetivo dessa pesquisa é abordar os principais desafios enfrentados pelas crianças no processo de adaptação na Escola de Educação Infantil Maria Valdeci Ribeiro Lima em Barra do Sotero, Croatá, Ceará. De forma mais específica, buscou-se analisar como a adaptação da criança na educação infantil é vista e entendida como um processo contínuo; abordar como a Instituição se prepara para acolher pela a primeira vez a criança; avaliar como acontece o planejamento dos professores mediante a adaptação da criança; investigar como a Instituição e professores se preparam para agir em momentos de dificuldades na adaptação das crianças; explorar o papel dos educadores e das famílias durante o processo de adaptação, destacando as estratégias e práticas que adotam para facilita 14 a transi1ção; investigar os maiores fatores que podem gerar maior dificuldade de adaptação para s crianças e entender como as crianças se ajustam e se adaptam às mudanças de ambiente, relacionamentos sociais e demandas cognitivas, afetivas e físicas. A metodologia utilizada para o desenvolvimento e elaboração do trabalho, foi um estudo de casos, utilizando como ferramenta para a coleta de dados um questionário direcionado a profissionais da Educação Infantil visando investigar na perspectiva docente como se dá o processo de adaptação da criança na educação infantil. Diante disso o trabalho se apresenta em capítulos, divididos da seguinte forma: O primeiro capítulo aborda a introdução, os objetivos gerais e específicos do trabalho, onde se objetiva analisar aos principais desafios enfrentados palas crianças no processo de adaptação na Escola de Educação Infantil Maria Valdeci Lima em Barra do Sotero, Croatá, Ceará. A problemática sobre os principais desafios dentro do processo de adaptação das crianças na Educação Infantil. A metodologia utilizada para o desenvolvimento e elaboração do estudo, onde foi feita em forma de questionário direcionado a profissionais da Educação Infantil e pesquisas bibliográficas visando investigar na perspectiva docente como se dá o processo de adaptação da criança na educação infantil, além dos tipos de pesquisa, onde as principais foram as pesquisas bibliográficas e pesquisa de campo, bem como as descrições das pesquisas, o instrumento utilizado e a técnica para a coleta de dados. O segundo capítulo apresenta o referencial teórico, onde se divide em tópicos que abordam, A adaptação da criança na educação infantil e a importância do processo contínuo; Fases da adaptação na educação infantil; Relação entre família e escola na adaptação; Estratégias para uma adaptação contínua; Adaptação da criança na educação infantil e a importância do acolhimento; Principais desafios no processo de adaptação; Os aspectos familiares e pedagógicos; Fatores que influenciam a adaptação; Instrumentos e técnicas avaliativas durante o processo de adaptação. O terceiro capítulo detém-se a conhecer o ambiente onde foi aplicado a pesquisa, a caracterização da instituição, juntamente com sua localização, história e estruturação da própria. Seguido da Análise e interpretação dos resultados e a Conclusão. 15 1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA A pesquisa que se apresenta faz referência a adaptação da criança na educação infantil como um processo contínuo. A mesma busca investigar quais os principais desafios enfrentados pelas crianças na Educação Infantil na perspectiva docente, buscando compreender suas opiniões sobre a adaptação e entender como promove-la de forma contínua. Entender a adaptação como um processo contínuo é fundamental para que os profissionais da educação infantil possam proporcionar um ambiente acolhedor e seguro, garantindo uma transição suave e favorável para as crianças. Além disso, essa perspectiva também permite uma compreensão mais abrangente dos fatores que influenciam a adaptação, como as características individuais de cada criança, o ambiente familiar, as práticas pedagógicas adotadas e a qualidade do vínculo estabelecido entre a escola e a família. 1.2 PROBLEMA Quais os principais desafios enfrentados pelas crianças durante o processo de adaptação na Educação Infantil? 1.3 HIPÓTESES ● Promover visitas prévias à instituição, para que a criança possa conhecer o ambiente e se familiarizar com os professores; ● Proporcionar a criança um ambiente de acolhimento, amor e segurança, valorizando a socialização e interação entre aluno e professor; ● Estabelecer uma rotina flexível, que permita uma adaptação gradual da criança. ● Desenvolver atividades articuladas onde tenha como foco principal desenvolver e integrar o estudante no ambiente escolar de uma forma harmoniosa e prazerosa; ● Organizar atividades já conhecidas das crianças, despertando assim a memória afetiva e a relação com algo positivo já vivenciado na escola; 16 ● Valorizar a formação e planejamento de metodologias de ensino que desperte no aluno a curiosidade, um bom convívio social e o desenvolvimento de sua aprendizagem; ● Estabelecer um plano de adaptação individual para cada criança, de acordo com suas necessidades e características; ● Valorizar as contribuições da família, buscando estabelecer uma parceria para o desenvolvimento da criança; ● Manter uma comunicação aberta e regular com os pais, informando-os sobre as atividades, progresso e adaptação da criança. 1.4 OBJETIVOS 1.4.1 Objetivo Geral Abordar os principais desafios enfrentados pelas crianças no processo de adaptação na Escola de Educação Infantil Maria Valdeci Ribeiro Lima em Barra do Sotero, Croatá, Ceará. 1.4.2 Objetivos Específicos ● Analisar como a adaptação da criança na educação infantil é vista e entendida como um processo contínuo; ● Abordar como a Instituição se prepara para acolher pela a primeira vez a criança; ● Avaliar como acontece o planejamento dos professores mediante a adaptação da criança; ● Investigar como a Instituição e professores se preparam para agir em momentos de dificuldades na adaptação das crianças; ● Explorar o papel dos educadores e das famílias durante o processo de adaptação, destacando as estratégias e práticas que adotam para facilita a transição; 17 ● Investigar os maiores fatoresque podem gerar maior dificuldade de adaptação para as crianças; ● Entender como as crianças se ajustam e se adaptam às mudanças de ambiente, relacionamentos sociais e demandas cognitivas, afetivas e físicas. 1.5 JUSTIFICATIVA O referente trabalho se justifica através da necessidade de conhecer e analisar os principais desafios enfrentados pelas crianças mediante adaptação na Educação Infantil. Quais as maiores dificuldades no primeiro contato da criança com o ambiente escolar e fora do seu berço familiar. Diante disso, surge a necessidade de conhecer as dificuldades e desafios hoje encontrados dentro desse processo de adaptação para que se possa preparar o ambiente e a escola para receber de forma positiva esses novos alunos. A justificativa baseia-se na importância de compreender e estudar o processo de adaptação das crianças na educação infantil, que está diretamente relacionado ao desenvolvimento integral e saudável desses indivíduos. Além disso, esse estudo também pode auxiliar pais e responsáveis a compreenderem melhor o processo de adaptação dos seus filhos, podendo oferecer apoio e suporte adequados durante essa fase de transição. Portanto, justifica-se a realização desse trabalho sobre o tema da adaptação da criança na educação infantil como um processo contínuo, devido à sua relevância tanto para a formação e atuação dos profissionais da educação infantil, quanto para o bem-estar e qualidade de vida das crianças durante essa fase crucial de seu desenvolvimento. Diante disso, sabendo da relevância e responsabilidade das Instituições, surgiu a necessidade de investigar o tema através de um estudo de casos na Escola de Educação Infantil Maria Valdeci Ribeiro Lima. 1.6 METODOLOGIA A Metodologia da pesquisa intitulada como A adaptação da criança na educação infantil como um processo contínuo. Foi feita através de um questionário direcionado a profissionais da Educação Infantil na Escola de Educação Infantil Maria Valdeci Ribeiro 18 Lima e pesquisas bibliográficas visando investigar na perspectiva docente como se dá o processo de adaptação da criança na Educação infantil de forma contínua. A Metodologia auxilia e orienta o universitário nas normas de investigação para tomar decisões oportunas na busca do saber e na formação crítica e hábitos necessários a investigação científica. O uso de processos metodológicos permitirá ao estudante desenvolver o silogismo e criatividade (CERVO & BERVIAN, 2002). Sendo assim, podemos afirmar que a metodologia fornece aos discentes um instrumental indispensável para que sejam capazes de atingir os objetivos da academia, que são o estudo e a pesquisa em qualquer área. 1.6.1 Tipos de Pesquisa A metodologia utilizada para a elaboração do trabalho foi de pesquisas bibliográficas para fins de aprofundamento e resolução da problemática. Objetivando traçar um caminho metodológico, tendo como ações a coleta de dados através de entrevistas e questões relacionadas a adaptação criança na Educação Infantil de forma contínua. Visando investigar na perspectiva docente como se dá o processo de adaptação da criança na educação infantil de forma contínua, esse trabalho configura-se como pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso. Godoy, (1995, p.26) “No estudo de caso, o pesquisador geralmente utiliza uma variedade de dados coletados em diferentes momentos, por meio de variadas fontes de informação. Tem como técnicas fundamentais de pesquisa a observação e a entrevista. Produz relatórios que apresentam um estilo mais informal, narrativo, ilustrado com citações, exemplos e descrições fornecidos pelos sujeitos, podendo ainda utilizar fotos, desenhos, colagens ou qualquer outro tipo de material que o auxilie na transmissão do caso”. Este tipo de pesquisa possibilita uma interação entre a prática e a teoria, de forma a investigar o quanto o processo de adaptação infantil da criança é importante na concepção do docente. 19 1.6.2 Técnicas de Pesquisa A pesquisa é um estudo de casos, com aprofundamento prático, ou seja, uma pesquisa de campo utilizando um questionário direcionado para profissionais da Educação Infantil, onde foram analisados os principais desafios enfrentados pelas crianças mediante adaptação na Educação Infantil e pesquisas bibliográficas para enriquecimento e soluções do problema. Segundo Yin (2001, p.32): “o estudo de caso é uma investigação empírica de um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, sendo que os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”. Portanto, o estudo de caso não busca a generalização de seus resultados, mas sim a compreensão e interpretação mais profunda dos fatos e fenômenos específicos. Embora não possam ser generalizados, os resultados obtidos devem possibilitar a disseminação do conhecimento, por meio de possíveis generalizações ou proposições teóricas que podem surgir do estudo. (YIN, 2001). 1.6.3 Instrumento e Técnica de Coleta de Dados Para o desenvolvimento dessa investigação, foi utilizado para a coleta de dados um questionário aberto direcionado para pelo menos cinco profissionais da Educação Infantil de forma aleatória, para que através de suas respostas possam compartilhar suas opiniões e conhecimentos sobre os principais desafios da adaptação das crianças na Educação Infantil, como se preparam e agem mediante conflitos. Segundo Gil (1999, p.128), o questionário pode ser definido: “Como a técnica de investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas etc.”. 20 O questionário é um instrumento útil para coletar informações de pesquisa, os quais podem fornecer dados estruturados, podendo ser administrado muitas vezes sem a presença do pesquisador. (COHEN et al., 2013) Ou seja, o questionário consiste em uma série de perguntas estruturadas que são respondidas pelos participantes, no qual os resultados são analisados e interpretados para gerar conclusões sobre o assunto da pesquisa. 1.6.4 Universo da Amostra A pesquisa foi realizada na Escola de Educação Infantil Maria Valdeci Ribeiro Lima, localizada em Barra do Sotero Croatá, Ceará, nas turmas do Infantil II, III, IV e IV. O questionário foi composto por dez perguntas aleatórias, buscando conhecer os principais desafios dentro do processo de adaptação e quais as práticas utilizadas dentro desse processo. Tais perguntas foram direcionadas exclusivamente para a professora de cada turma e Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil, visando entender as diferenças que cada ambiente traz e o contexto de adaptação particular de cada um. A pesquisa possibilitou conhecer e compreender os maiores desafios enfrentadas pelas crianças no processo de adaptação das crianças no Infantil e quais métodos utilizados para soluções de problemas. Segundo (ANGOTTI, 2008, p.25). “Olhar a Educação Infantil, enxergá-la em sua complexidade e sua singularidade significa buscar entendê-la em sua característica de formação de crianças entre o 0 e os 6 anos de idade, constituindo espaços e tempos, procedimentos e instrumentos, atividades e jogos, experiências e vivências...em que o cuidar possa oferecer condições para que o educar possa acontecer e o educar possa prover condições de cuidado, respeitando a criança em suas inúmeras linguagens e no seu vínculo estreito com a ludicidade”. Esse processo possibilitou a articulação entre a universidade e a sociedade, proporcionando uma integração à realidade escolar e o exercício da futura profissão, bem como e ampliação de conhecimentos e habilidades construídos na universidade e na escola- campo. É assim fundamental paraa formação do pedagogo conhecer e fazer a união da teoria https://www.redalyc.org/journal/5606/560662194041/html/#redalyc_560662194041_ref1 21 aprendida no decorrer do curso com a prática realizada nas escolas, possibilitando desta forma, a compreensão real do trabalho do pedagogo/docente. 22 2 A ADAPTAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL E A IMPORTÂNCIA DO PROCESSO CONTÍNUO A adaptação na educação infantil é um processo fundamental para garantir a qualidade da experiência educacional das crianças nessa etapa, pois é um momento de transição de um ambiente familiar para um ambiente escolar. A adaptação envolve a inserção gradativa da criança na instituição de ensino, considerando suas necessidades individuais e respeitando seu tempo de adaptação. Essa transição deve ser cuidadosamente planejada e acompanhada pelos profissionais da educação, envolvendo os pais e responsáveis. Para Oliveira (2002, p.38), as crianças estão em constante processo de desenvolvimento. Desse modo, “quem trabalha com crianças pequenas sabe o quanto elas mudam e progridem mês a mês e como muitas vezes é difícil adaptar-se a essas mudanças tão rápidas e repentinas”. O educador é figura essencial na adaptação dos pequenos. Ele deve conquistar a confiança dos alunos e dos familiares, receber e assegurar à criança um espaço seguro e tranquilo, propondo atividades dinâmicas para o seu desenvolvimento. Para Reda e Ujiie, "o professor deve ser o mediador principal no contexto da adaptação escolar, não deixando a sala de aula cair na rotina ao mesmo tempo em que ganha a confiança das crianças e familiares” (REDA; UJIIE, 2009, p. 10.058). Por isso, é tão importante que o educador esteja preparado para oferecer esse processo de maneira significativa, objetiva e continuada. O processo contínuo de adaptação infantil refere-se às mudanças e ajustes contínuos pelos quais as crianças passam à medida que crescem e se desenvolvem. Da infância à adolescência, as crianças estão constantemente se adaptando a novas experiências, ambientes e relacionamentos. Este processo é crucial para o seu desenvolvimento e bem-estar geral. Um aspecto do processo contínuo de adaptação infantil é a adaptação física. À medida que as crianças crescem, seus corpos passam por mudanças significativas. Eles desenvolvem habilidades motoras, como engatinhar, andar e correr, que lhes permitem explorar o ambiente ao seu redor e interagir com outras pessoas. A adaptação física também inclui mudanças no tamanho, forma e força do corpo. Por exemplo, à medida que as crianças entram na puberdade, elas experimentam surtos de crescimento e o desenvolvimento de características sexuais secundárias. Essas mudanças físicas não afetam apenas sua aparência, mas também influenciam sua autoestima e imagem 23 corporal. Outro aspecto da adaptação infantil é a adaptação cognitiva. As capacidades cognitivas das crianças evoluem à medida que envelhecem, permitindo-lhes compreender e processar informações de formas cada vez mais complexas. Eles desenvolvem habilidades linguísticas, habilidades de resolução de problemas e capacidade de pensamento abstrato. A adaptação cognitiva também envolve o desenvolvimento da memória, da atenção e das funções executivas, essenciais para a aprendizagem e o sucesso acadêmico. À medida que as crianças se adaptam cognitivamente, tornam-se mais capazes de compreender e navegar no mundo que as rodeia. Por último, a adaptação social e emocional é um aspecto fundamental do processo contínuo de adaptação infantil. As crianças aprendem a formar relacionamentos, regular suas emoções, e navegar em situações sociais por meio da adaptação. Eles desenvolvem habilidades sociais, empatia e autoconsciência, que lhes permitem estabelecer e manter relacionamentos positivos com colegas, familiares e outros adultos. A adaptação social e emocional também envolve o desenvolvimento de um sentido de identidade e a capacidade de lidar com o stress e a adversidade. Este aspecto da adaptação da criança desempenha um papel crucial no seu bem-estar emocional geral e na sua capacidade de prosperar em vários contextos sociais. A segurança emocional, faz com que a criança ao passar por uma mudança tão significativa, possa sentir-se mais segura e preparada. Um processo de adaptação gradual e acolhedor ajuda a construir uma base de segurança emocional, estabelecendo confiança na escola e nos adultos responsáveis por cuidar dela. O desenvolvimento socioemocional também envolve a integração da criança com seus colegas e o desenvolvimento de habilidades sociais importantes, como compartilhar, negociar, resolver conflitos e trabalhar em grupo. Esse processo contínuo permite que a criança desenvolva relações saudáveis e aprenda a lidar com diferentes situações sociais. A construção de vínculos afetivos dentro do período de adaptação, as crianças têm a oportunidade de estabelecer afetividade com os professores e demais profissionais da escola. Esses laços são fundamentais para o desenvolvimento emocional e cognitivo, uma vez que proporcionam segurança, apoio e estímulo na jornada educacional. Nesse sentido, Maranhão; Sarti (2008, p.172), ressalta: “Apesar dos esforços de muitos profissionais de creche de interagir com as famílias, visando compartilhar a educação infantil, ainda há evidentes dificuldades de se lidar com o aspecto relacional do confronto entre os indivíduos envolvidos no cuidado da criança, dados seus pontos de vista diversos”. 24 Assim, o processo de adaptação das crianças às instituições de Educação Infantil pode ser muito doloroso, não só para a criança, como para seus familiares, principalmente para a mãe, educada socialmente para cuidar de seu filho e que tem um vínculo muito forte com a criança, pois implica a separação da criança de seus familiares, mesmo que apenas por um período do dia, porém, enquanto os pais trabalham ou desempenham outras funções sociais, é preciso escolher sob a cargo de quem ficará a educação das crianças. Através da adaptação contínua, a criança desenvolve habilidades emocionais, cognitivas e sociais. Ela aprende a lidar com a separação dos pais, a se integrar em novos ambientes, a fazer novas amizades e a se ajustar a novas rotinas e regras. Isso contribui para o seu desenvolvimento pessoal e a construção de uma base sólida para seu futuro. Além disso, a adaptação contínua também auxilia na construção da autonomia da criança. Ela aprende a enfrentar desafios, resolver problemas e tomar decisões por si mesma. Isso é essencial no processo de tornar-se um adulto responsável e independente. O processo contínuo de adaptação também promove o desenvolvimento de habilidades de resiliência. A criança aprende a se adaptar às adversidades e a superar obstáculos. Isso fortalece a sua capacidade de lidar com situações difíceis ao longo da vida. Durante o processo de adaptação, as crianças têm a oportunidade de conhecer o ambiente escolar, seus espaços, recursos e rotinas. Esse conhecimento gradual facilita a transição e permite que elas se sintam mais familiarizadas e confiantes no contexto escolar. Ao estabelecer um processo contínuo de adaptação, é possível observar de perto o desenvolvimento da mesma, suas necessidades e características individuais. Essa observação cuidadosa permite que os profissionais da educação avaliem e planejem estratégias de ensino adequadas a cada criança, garantindo uma educação personalizada e efetiva. Seabra e Sousa, (2010, p.54), ainda fala: [...] “a infância é ao mesmo tempo objeto e sujeito em contínua construção e inacabamento. E para isso temos que considerar que as interações globais contribuem para um pensar a infância em âmbito mundial, mesmo que se mantenham ou aumentem as diferenças e desigualdades”. Portanto, a adaptação na educação infantil e seu processo contínuo são cruciais parao desenvolvimento global da criança, fornecendo bases sólidas para o seu desenvolvimento socioemocional, cognitivo e físico, além de contribuir para uma transição tranquila e 25 prazerosa para a vida escolar. O processo contínuo na adaptação da criança é fundamental para o seu desenvolvimento e bem-estar. É através desse processo que ela adquire habilidades essenciais para enfrentar os desafios da vida e construir relacionamentos saudáveis. 2.1 FASES DA ADAPTAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL A educação infantil é uma etapa fundamental no desenvolvimento das crianças, pois é nessa fase que se inicia uma jornada de adaptação e construção de aprendizado ao longo da vida. (REVISTA EDUCAÇÃO PÚBLICA, 2023). A importância da educação infantil é indiscutível, pois é nesse período que ocorre a formação da personalidade, do caráter e do intelecto das crianças. A adaptação na educação infantil geralmente ocorre em três fases: • Fase de Pré-Adaptação: Essa fase acontece antes do início das aulas. É o momento em que a família e a criança visitam o ambiente escolar, conhecem a equipe pedagógica e se familiarizam com a rotina e o espaço físico da escola. É importante para que a criança se sinta segura e familiarizada com o local antes do início das aulas. • Fase de Adaptação Inicial: É o período em que a criança começa a frequentar a escola de forma mais regular. Nessa fase, é comum que a criança se sinta insegura e ansiosa por estar em um ambiente desconhecido e longe dos pais. A equipe pedagógica desempenha um papel fundamental nesse processo, oferecendo cuidado, atenção e acolhimento. É importante que a criança crie vínculos afetivos com os educadores e colegas, além de se familiarizar com a rotina e as atividades da escola. • Fase de Adaptação final: Nessa fase, a criança já está mais adaptada à rotina escolar e aos colegas. Ela se sente mais segura e confiante para explorar o ambiente, interagir com os colegas, participar das atividades propostas e se separar dos pais. No entanto, é importante ressaltar que cada criança tem o seu próprio tempo de adaptação, e algumas podem levar mais tempo para se sentir completamente confortáveis na escola. (REVISTA EDUCAÇÃO PÚBLICA, 2023). 26 É aí onde se conclui que a adaptação é um processo contínuo, uma criança pode levar muito tempo para se adaptar e sentir-se preparada para uma próxima fase. É fundamental que durante essa adaptação, a escola e a família estejam em constante contato e diálogo, compartilhando informações sobre o desenvolvimento e adaptação da criança. Isso auxilia no ajuste e na construção de um ambiente escolar seguro e acolhedor para a criança. Além disso, é nessa fase que elas desenvolvem habilidades sociais, emocionais e cognitivas que serão essenciais para o seu futuro. A educação infantil proporciona às crianças um ambiente seguro e acolhedor, onde elas podem explorar, experimentar e descobrir o mundo ao seu redor. É nesse momento que elas começam a desenvolver habilidades motoras, cognitivas e sociais, como a cooperação motora, a linguagem e a interação com os outros. Além disso, a introdução à educação infantil também é importante para o desenvolvimento socioemocional das crianças. É no processo de adaptação contínuo que elas aprendem a lidar com suas emoções, a se expressar e a se relacionar com os outros. A interação com os colegas e com os professores também é fundamental para o desenvolvimento da empatia, da cooperação e da autonomia. Essas habilidades socioemocionais são essenciais para que uma criança possa se adaptar e se relacionar de forma saudável com o mundo ao seu redor. A interação com os colegas e com os professores também é fundamental para o desenvolvimento da empatia, da cooperação e da autonomia. Essas habilidades socioemocionais são essenciais para que uma criança possa se adaptar e se relacionar de forma saudável com o mundo ao seu redor. A interação com os colegas e com os professores também é fundamental para o desenvolvimento da empatia, da cooperação e da autonomia. Essas habilidades socioemocionais são essenciais para que uma criança possa se adaptar e se relacionar de forma saudável com o mundo ao seu redor. Compreender as fases de adaptação infantil é um aspecto crucial do desenvolvimento infantil. A adaptação infantil refere-se ao processo através do qual as crianças aprendem a ajustar-se e a lidar com novas situações, ambientes e mudanças nas suas vidas. Envolve uma série de ajustes cognitivos, emocionais e comportamentais que permitem às crianças navegar por vários desafios e transições. É reconhecer os fatores que influenciam nesse processo, como diferenças individuais, interações sociais e fatores ambientais. Um fator chave para compreender essas fases é reconhecer o papel das diferenças individuais. Cada criança possui características, pontos fortes e fracos únicos que influenciam sua capacidade de adaptação a 27 novas situações. Algumas crianças podem ter uma reação natural para a adaptabilidade, enquanto outros podem ter mais dificuldades com a mudança. Compreender as diferenças individuais ajuda educadores, pais e cuidadores a fornecer apoio e orientação adequados para ajudar as crianças a enfrentar os desafios e promover o seu bem-estar geral. Outro aspecto importante nesse processo é a influência das interações sociais. As crianças aprendem e se desenvolvem por meio de suas interações com outras pessoas, como familiares, colegas e professores. As interações sociais proporcionam às crianças oportunidades de praticar e refinar suas habilidades adaptativas, como resolução de problemas, comunicação e regulação emocional. Ao observar e imitar os outros, as crianças adquirem gradualmente as competências necessárias para se adaptarem a novas situações e navegarem eficazmente na dinâmica social. Fatores ambientais desempenham um papel significativo na adaptação da criança. O ambiente físico, como a casa, a escola e a comunidade, pode facilitar ou dificultar o processo de adaptação da criança. Um ambiente de apoio e carinho proporciona às crianças uma sensação de segurança e estabilidade, o que aumenta a sua capacidade de adaptação a novos desafios. Por outro lado, um ambiente caótico ou estressante pode impedir as habilidades adaptativas de uma criança e prejudicar o seu desenvolvimento global. Martins (2020, p.72), ainda ressalta: “para que a adaptação na educação infantil seja efetiva, é necessário estabelecer uma comunicação clara e contente com os pais, para troca de informações e apoio mútuo nesse processo”. É fundamental que durante todas essas fases, a escola e a família estejam em constante contato e diálogo, compartilhando informações sobre o desenvolvimento e adaptação da criança. Isso auxilia no ajuste e na construção de um ambiente escolar seguro e acolhedor para a criança. Em conclusão, compreender e conhecer as fases da adaptação infantil é crucial para apoiar o desenvolvimento e o bem-estar geral das crianças. Reconhecendo as diferenças individuais, a influência das interações sociais, e os fatores ambientais podem ajudar educadores, pais e cuidadores a fornecer apoio e orientação adequados para ajudar as crianças a enfrentar os desafios. Ao promover um ambiente estimulante e de apoio, as crianças podem desenvolver as competências necessárias para se adaptarem a novas situações e prosperarem nas suas vidas pessoais e acadêmicas 28 2.2 RELAÇÃO ENTRE FAMÍLIA E ESCOLA NA ADAPTAÇÃO A relação entre família e escola é fundamental para facilitar a adaptação das crianças no ambiente escolar. A família desempenha um papel crucial nesse processo, pois é responsável por transmitir valores, orientações e cuidados que irão influenciar diretamente a forma como a criança irá se adaptar à escola. A relação entre família e escola se torna dentro desse processo agrande responsável por preparar o cidadão, capaz de exercer suas funções e ir ao encontro das expectativas sociais. Segundo Szymanski (1997), a escola e a família formam a identidade dos indivíduos, dizendo a eles quem são, transmitindo cultura, regras, valores e até como se deve expressar os sentimentos. Szimanski (1997, p.216), ainda ressalta: “São elas os primeiros espelhos nos quais nos vemos e nos descobrimos como sendo bonitos ou feios, inteligentes ou burros, bons para Matemática ou bons para nada, simpáticos ou desengonçados, com futuro ou sem futuro etc. São elas, também, os primeiros mundos em que habitamos, podendo nos aparecer como acolhedores ou hostis, com tais e tais regras, costumes, linguagens. Ensinam desde o que é homem e o que é mulher até como devemos expressar os sentimentos, quais sentimentos são "bons" e podem ser sentidos (sem culpas) e quais são "maus" (e devem ser disfarçados o melhor possível, porque sentir, sentimos mesmo). Aprendemos o que é belo e o que é feio, o que tem graça e o que não tem. Aprendemos posturas, jeitos de olhar (direto ou enviesado)”. As instituições de educação se diferenciam da família, por terem a função específica de transmitir os conhecimentos historicamente construídos pela humanidade. A aprendizagem dos alunos é uma conquista da escola, entretanto, o professor não realiza o seu trabalho sem afeto e respeito por seus alunos, os quais devem se sentir seguros com ele. Já a família é responsável por transmitir amor, carinho, proteção aos seus membros, principalmente as crianças, nesse sentido, é importante que, ao se constituir uma família, possa se contar com maturidade e o desejo de ser pai e mãe. Todavia, o sonho de cuidar dos filhos, ser presentes no desenvolvimento e atividades dos mesmos, expressar sentimentos, suprir suas necessidades básicas, oferecer atenção, uma educação de qualidade, lazer e cultura é ameaçado pelas desigualdades sociais, de sorte que muitas famílias lutam diariamente pela sobrevivência e os sonhos são apenas isso: sonhos. Mesmo nas famílias de classe alta, os seus 29 membros desempenham tantas funções que é difícil cumprir com todas as obrigações que atribuímos à família. Como fala Szymanski, (1997, p.216): “As famílias têm de dar acolhimento a seus filhos: um ambiente estável, provedor, amoroso. Muitas, infelizmente, não conseguem. Por questões econômicas - a miséria é cruel. Muitas vezes por questões pessoais. Relacionamento com filhos e de casal não é coisa assim tão fácil para muitas pessoas. Mais fácil é cobrar dos outros que sejam maduros, emocionalmente estáveis, que convivam meiga e amorosamente com um alcoólatra, ou que deixem de ser alcoólatras, que tenham sempre uma palavra sábia para os filhos e filhas desobedientes, que superem, altaneiros, as dificuldades de trabalho, que desconsiderem a violência (a social e as outras), que exerçam uma crítica à comunicação de massas e cerquem suas famílias contra as ameaças da sociedade de consumo”. Ao estabelecer uma relação de confiança e apoio emocional, a família contribui para que a criança se sinta segura e confiante ao enfrentar os desafios escolares, participando ativamente da vida escolar, reuniões, eventos e atividades, demonstra para a criança a importância que a família dá à educação. Isso incentiva a criança a se envolver e valorizar os estudos. A família pode ajudar a criança a se adaptar à nova rotina escolar, estabelecendo horários para estudo, sono, alimentação e lazer. Isso proporciona uma sensação de segurança e organização para a criança. Manter uma comunicação constante com a escola, conversando com os professores e coordenadores, ajuda a família a acompanhar o desenvolvimento da criança, identificar dificuldades e buscar soluções em conjunto. Valorizando a educação a família pode estimular e valorizar a importância dos estudos e do aprendizado, mostrando interesse pelas atividades escolares da criança, elogiando suas conquistas e incentivando-a a se esforçar. No entanto, é importante ressaltar que a escola também desempenha um papel fundamental na adaptação da criança. A equipe escolar deve estar preparada para acolher e apoiar os alunos em sua transição para o ambiente escolar, criando um ambiente seguro e acolhedor. Além disso, é importante que a escola estabeleça uma boa comunicação e parceria com as famílias, compartilhando informações relevantes sobre o desempenho e desenvolvimento da criança. Di Giorgi (2004), ao abordar o papel da escola e da família nos dias de hoje, afirma que a escola assim como a família se tornou parte de instituições-cascas: na verdade, continuamos tratando delas como se as mesmas não tivessem mudado, porém, isso não é 30 verdade. Para esse autor, elas não só mudaram como não conseguem mais dar conta de desempenhar as suas funções, o que é muito grave, pois, mais do que em qualquer outra época histórica, é necessário a atuação dessas instituições parceiras para a construção de uma sociedade democrática e solidária, por meio da educação. Campos (2009a) concorda que as instituições devem auxiliar as famílias a educarem e cuidarem de suas crianças, sobretudo, as mais carentes, é ainda mais importante para as famílias de baixa renda, fazendo uma grande diferença para que suas crianças inclusive tenham sucesso na sua carreira profissional. Deve se considerar a escola como a detentora dos saberes científicos necessários para educar as crianças, o que torna a instituição adequada para normalizar e disciplinar as famílias, a fim de que passem a agir corretamente, na educação e desenvolvimento educacional das crianças. Em resumo, a adaptação da criança na escola é um processo que envolve a colaboração da família e da escola. Uma relação harmoniosa e colaborativa entre essas duas instituições pode facilitar a adaptação e o desenvolvimento dos alunos. 2.3 DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL E SOCIAL NA ADAPTAÇÃO O desenvolvimento emocional desempenha um papel crucial no processo de adaptação de um indivíduo a um novo ambiente. Durante essa fase de transição, é comum experimentar uma ampla gama de emoções, que variam desde a ansiedade e o medo até a excitação e a curiosidade. Quando se inicia o processo de adaptação, um dos fatores que a família precisa observar é a sua própria estabilidade emocional. Por meio desta estabilidade a criança terá sentimentos positivos, dotados de confiança e felicidade pelos primeiros passos de independência, ainda que possa haver sensações negativas. Para Winnicott: (1979, p.117), as crianças necessitam de "[...] um lar estável e de um ambiente emocional estável em que possam ter a oportunidade de realizar firmes e fortes progressos, no devido tempo, no decorrer das fases iniciais do desenvolvimento". Ainda o autor evidencia o quanto essa parte dos pais é importante para o desenvolvimento dos fins da educação escolar. Assim, uma forma de perceber o que a criança precisa consiste em se colocar no lugar dela e imaginar o que, como pessoa, gostaria de receber naquele momento. 31 Rapoport e Piccinini, (2001, p.86), ainda falam: “O ambiente desconhecido, as novas rotinas, a alimentação, as pessoas não familiares, as separações diárias e a ausência da mãe colocam-lhes uma significativa exigência social e emocional”. Diante disto, a escola precisa estar organizada quanto ao processo de adaptação, oportunizando um planejamento acolhedor, com uma rotina adequada para este momento. Uma postura acolhedora auxilia a criança e sua família a enfrentarem as dificuldades da adaptação, pois, por meio do suporte da equipe pedagógica, se sentem mais seguras para começarem a criar laços de confiança com a escola. Rapoport e Piccinini (2001) definem a adaptação escolar como o ingresso no ambiente de estudos, afirmando que este é um período no qual as crianças enfrentamdesafios. Winnicott (1979) destaca que, para crianças, a vida constitui uma série de experiências difíceis, o que justifica a dificuldade e sofrimento que passam diante das mudanças. As novidades são dolorosas para crianças pequenas, pois ainda não possuem mecanismos para entender as mudanças. É importante ter em mente que o desenvolvimento emocional é um processo contínuo. À medida que o indivíduo se adapta a um novo ambiente, suas emoções podem evoluir e mudar. É fundamental que o indivíduo esteja aberto a essas mudanças e seja flexível em sua abordagem para lidar com elas. Winnicott, 1979, p.216), ainda ressalta: “[...] o fornecimento, durante algumas horas diárias, de uma atmosfera emocional que não é tão densamente carregada do lar [...] propicia à criança uma pausa para o desenvolvimento pessoal. Também novas relações triangulares menos intensamente carregadas do que os familiares podem ser formados e expressos entre as próprias crianças”. Como os adultos, cada criança tem seu tempo de associação ao novo e um ritmo para compreender as mudanças em sua vida. Diante de mudanças que envolve a adaptação escolar, as reações das crianças são muito importantes para sinalizar o êxito ou não das ações que envolvem a adaptação. Para além da simples observação das reações das crianças, é necessário um olhar para a reação dos pais e professores também, pois, todos esses elementos se influenciam mutuamente. O desenvolvimento social desempenha um papel fundamental na adaptação a um novo ambiente. Durante esse processo de transição, é importante estabelecer conexões e relacionamentos saudáveis com os outros. Essas interações sociais podem ter um impacto 32 significativo no bem-estar emocional e na capacidade de se ajustar a novos contextos. Durante a adaptação é a construção de redes de apoio. Buscar a ajuda de colegas de trabalho, colegas de classe ou vizinhos pode facilitar a transição para um novo ambiente. Essas conexões sociais também podem fornecer suporte emocional, conselhos práticos e um senso de pertencimento. Bowlby (2006) aponta que as experiências da infância irão influenciar o futuro das crianças, sendo possível que elas encontrem uma base segura ou não e tenham relacionamentos gratificantes ou não. É necessário, para que haja maiores possibilidades de desenvolvimento de base segura, destinar atenção à criança e cuidados durante toda a infância e adolescência. Uma educação humanizada, provida de um ambiente saudável, acolhedor, estável emocionalmente e atencioso para com a construção de um ser humano autônomo, seguro, interessado será de valor inestimável ao desenvolvimento da criança. Além disso, é importante estar disposto a se envolver em atividades sociais e buscar oportunidades para conhecer novas pessoas. Isso pode envolver a participação em grupos de interesse, atividades esportivas ou eventos culturais. Participar dessas atividades pode ajudar o indivíduo a se integrar à comunidade e a construir relacionamentos significativos. No entanto, é essencial lembrar que o desenvolvimento social requer tempo e paciência. Não é incomum que a adaptação social leve algum tempo, e é normal se sentir deslocado ou desconfortável em um novo ambiente social. É fundamental ser gentil consigo mesmo e estabelecer expectativas realistas durante esse processo. Por fim, é importante lembrar que cada pessoa tem um ritmo único de adaptação. O mais importante é estar aberto a novas experiências e relações. O desenvolvimento social na adaptação é um processo em constante evolução e, com o tempo e a prática, pode resultar em relacionamentos significativos e gratificantes no novo ambiente. 2.4 ESTRATÉGIAS PARA UMA ADAPTÇÃO CONTÍNUA A adaptação contínua na educação infantil é uma necessidade atual, especialmente em um mundo em constante evolução. É fundamental que as instituições educacionais estejam preparadas para se adaptarem de forma contínua, garantindo que as crianças recebam uma educação de qualidade e estejam preparadas para enfrentar os desafios do futuro. 33 Uma estratégia importante para a adaptação contínua na educação infantil é a capacitação constante dos educadores. Os professores devem estar atualizados sobre as tendências educacionais, métodos de ensino inovadores e recursos tecnológicos que possam apoiar o aprendizado das crianças. Programas de formação contínua são formas de manter os educadores atualizados e preparados para lidar com as mudanças. Outra estratégia crucial é a adoção de abordagens pedagógicas flexíveis e individualizadas. Cada criança é única e possui seu próprio ritmo de aprendizagem e interesses. É essencial que as instituições de educação infantil ofereçam um currículo adaptável, que permita personalizar o ensino de acordo com as necessidades e características de cada aluno. Isso pode ser feito através do uso de avaliações formativas, observação atenta dos educadores e uso de tecnologia educacional para apoiar o aprendizado personalizado. A contação de histórias também é uma estratégica pedagógica que pode favorecer de maneira significativa a prática docente e adaptação da criança na educação infantil. A escuta de histórias estimula a imaginação, educa, instrui, desenvolve habilidades cognitivas, dinamiza o processo de leitura e escrita, além de ser uma atividade interativa que potencializa a linguagem infantil. A ludicidade com jogos, danças, brincadeiras e contação de histórias no processo de ensino e aprendizagem desenvolvem a responsabilidade e a autoexpressão, assim a criança sente-se estimulada e, sem perceber desenvolve e constrói seu conhecimento sobre o mundo. Em meio ao prazer, à maravilha e ao divertimento que as narrativas criam, vários tipos de aprendizagem acontecem. De acordo com Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil - RCNEI, (VOL. 3, p.143): “Quem convive com crianças sabe o quanto elas gostam de escutar a mesma história várias vezes, pelo prazer de reconhecê-la, de apreendê-la em seus detalhes, de cobrar a mesma sequência e de antecipar as emoções que teve da primeira vez. Isso evidencia que a criança que escuta muitas histórias pode construir um saber sobre a linguagem escrita”. A relação da escuta da leitura pela criança é afetiva. Este sentimento se manifesta pela identificação com a história, com os temas tratados e com os personagens. Esta identificação consiste em afirmar a sua personalidade graças ao livro, formulando parâmetros éticos com relação aos personagens e de experiências e questionamentos pessoais. Sendo assim a escuta de histórias tem um caráter formador ou ético. 34 Além disso, é imprescindível que as instituições de educação infantil estejam atentas às mudanças sociais e tecnológicas. As crianças estão imersas em um mundo digital, e é importante que a escola acompanhe essa realidade. A integração de recursos tecnológicos, jogos educacionais e aplicativos interativos, são uma forma de enriquecer o processo de aprendizagem e torná-lo mais atrativo para as crianças. Outra estratégia importante e que pode impulsionar muito a adaptação contínua na educação infantil é a parceria com as famílias. Os pais são os primeiros educadores das crianças e sua colaboração é fundamental para o processo educativo. Estabelecer uma comunicação aberta e constante com as famílias, promover reuniões, compartilhar informações sobre o desenvolvimento e comportamento das crianças, e envolvê-los nas atividades escolares são formas de fortalecer essa parceria e garantir que a educação seja abrangente e contínua. Para o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), “a maneira como a família vê a entrada da criança na instituição de educação infantil tem uma influência marcante nas reações e emoções da criança durante o processo inicial” (Brasil, 1998, p. 80). Assim, para o RCNEI,estabelecer vínculos entre os pais e responsáveis com a instituição escolar é uma forma de conhecer melhor os hábitos dos novos alunos, sua cultura e suas preferências. A trajetória na educação infantil marca a vida de uma criança para sempre, pois tudo que é vivido nesse período influenciará nas etapas seguintes de ensino. Portanto, para se obter êxito na adaptação da criança é primordial construir uma relação pautada no diálogo, no carinho e na segurança junto à família, para que o aluno consiga desenvolver-se de forma satisfatória. Portanto, a adaptação contínua na educação infantil é essencial para oferecer uma educação de qualidade para as crianças. Para isso, é necessário capacitar os educadores, adotar abordagens pedagógicas flexíveis e individualizadas, estar atento às mudanças sociais e tecnológicas, e fortalecer a parceria com as famílias. Ao implementar essas estratégias, as instituições de educação infantil estarão preparadas para enfrentar os desafios e proporcionar uma educação adaptada às necessidades e realidades das crianças. 35 3 ADAPTAÇÃO DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL E A IMPORTÂNCIA DO ACOLHIMENTO A adaptação é caracterizada como forma de se ajustar ou se adequar a determinadas circunstâncias. O acolhimento é o ato de acolher, expressar em suas várias definições, uma ação de aproximação, ou seja, uma atitude de inclusão. Essa atitude implica, por sua vez, estar em relação com algo ou alguém. Os seres humanos são indivíduos incrivelmente adaptáveis, pois interagem entre si e são capazes de conviver por um determinado tempo em ambientes e situações adversas que possam ser submetidos. Para Bassedas (1999), os indivíduos se relacionam em um determinado espaço e em um determinado tempo com outros indivíduos, em um meio constituído por regras de conduta social e, também, por situações condicionadas pelo ambiente. Apesar de serem indivíduos adaptáveis, a adaptação para alguns pode ser um processo difícil e movimentado. Normalmente, durante este período que acontece a mudança é indispensável que se realize reconhecimento do novo ambiente. Por ser um processo que pode influenciar a formação da criança, a adaptação infantil pede uma atenção diferenciada. Bassedas, (1999, p.70) afirma: “A adaptação não é apenas apática, ela implica a capacidade de poder atuar, modificar e produzir alterações no seu meio”. Portanto, a criança tem total condição de atuar nesse processo com um caráter ativo. A adaptação se configura em uma fase de grande importância na construção da identidade das crianças, sendo por meio desse processo que se inicia a exploração e interação com pessoas e ambientes distintos ao grupo familiar em que a criança se encontra inserida. Ou seja, existem várias possiblidades de amplificar tanto os seus conhecimentos quanto a sua maturação emocional. O período de adaptação da criança na educação infantil exige dos educadores, pais e familiares um olhar muito cauteloso. Para Santos (2012), as crianças são submetidas a várias situações cotidianas diferentes dos familiares, a separação dos pais, a ambiente diversificados, a pessoas que nunca viram antes, todas essas ocorrências trazem mudanças expressivas que afetam o comportamento social e emocional das crianças que passam por este processo. A família educa essas crianças com valores que as seguirão por um longo período. Segundo Angotti (2010, p.141): 36 “Na sociedade em geral, a família determina as dimensões das práticas educativas direcionadas às crianças e, antes disso, é o primeiro ambiente no qual se desenvolve a personalidade do ser humano e o primeiro contexto de aprendizagem para as pessoas”. O primeiro grupo social ao qual a criança tem contato é a família, portanto ela exerce um papel de grande importância na adaptação escolar da criança, que precisa participar ativamente nesse processo tornando-o mais sereno. A escola neste caso será o segundo grupo social ao qual a criança é exposta, sendo que este envolve os educadores e os colegas de turma, os quais têm seus próprios valores e padrões, influenciados individualmente por seu grupo familiar. O acolhimento funciona como um dos grandes pilares para a construção de uma relação de parceria entre família e escola, além de constituir-se como elemento fundamental no processo de adaptação da criança. Ao acolher a criança em seus primeiros momentos na escola é necessário fazer com que se sintam cuidados, confortáveis e, acima de tudo, seguros. A forma como cada escola planeja o período de adaptação demonstra qual a concepção de educação e de aluno direcionam sua prática. A adaptação é necessária, porém não precisa acontecer de forma passiva e o acolhimento é que garantirá a qualidade dessa adaptação. Cada criança possui um comportamento. É difícil padronizar esse processo. Sendo assim, o acolhimento deve ter um olhar mais específico para cada estudante. Há os que possuem rituais para comer, dormir e executar atividades, e todo esse comportamento deve ser compreendido e levado em consideração, adaptando a criança à nova rotina e respeitando seu tempo e seus limites. Afinal, a introdução na Educação Infantil pode ser assustadora, visto que tudo é novo, incluindo para a família, que também precisa se integrar na nova fase. Não se deve rotular o estudante por suas características rotineiras, mas, sim, acolher essas manifestações e entender as reações possíveis. Um exemplo clássico são crianças que possuem dificuldade em se despedir dos pais: não forçar a separação e dar uns minutinhos a mais pode ser uma forma efetiva de acolhimento. Outro exemplo é conversar com os pequenos, acolher seus sentimentos, explicar o motivo de eles estarem ali, o quão benéfico aquela experiência vai ser e quantas coisas legais farão durante o dia. Esse diálogo é de extrema importância e faz diferença. No que diz 37 respeito ao projeto pedagógico para a Educação Infantil, é preciso que ele atue para garantir uma boa segurança emocional às crianças. As escolas podem se apoiar nas orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que afirma que as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças têm como eixos estruturantes as interações e as brincadeiras. Estes dois pilares são o foco que a escola precisa para cumprir seu dever de assegurar aos estudantes os direitos de conviver, brincar, participar, explorar, se expressar e se conhecer. Considerar a adaptação sob o aspecto de acolher, aconchegar, procurar oferecer bem estar, conforto físico e emocional, amparar, amplia significativamente o papel e a responsabilidade da instituição de educação neste processo. A qualidade do acolhimento deve garantir a qualidade da adaptação; portanto trata-se de uma decisão institucional, pois há uma interrelação entre os movimentos da criança e da instituição fazendo parte do mesmo processo. É preciso considerar todos os aspectos do período de adaptação e todas as suas variáveis, para que ele não seja feito de forma espontaneísta ou sem reflexão. Traçar um roteiro de como se dará a chegada dos alunos novos nos primeiros dias, pensar em tempos, espaços, materiais e atribuições de cada profissional da escola são aspectos fundamentais para garantir a qualidade da adaptação. É importante que a escola planeje atividades adequadas para esse período, não se distanciando do que o aluno vivenciará no dia a dia, para que não sejam criadas falsas expectativas. Um bom planejamento do período de acolhimento garante um processo mais tranquilo para as crianças, suas famílias, os educadores e todos os demais que acompanham essa fase tão importante na vida da criança. Segundo Reda e Ujiie, (2009, p. 10.086): “o planejamento, desde o conhecer dessa criança, através de entrevistas e questionários destinados às famílias, à organização de atividades e do próprio espaço pelo qual a criança