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FACULDADE MULTIVIX CURSO DE PSICOLOGIA ALINE HELENA AUGUSTO SCARDINI ANDRESSA INÊS DE MELLO SANTOS GLEICYANE FERREIRA BARCELLOS RELATO DE EXPERIÊNCIA: ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DO RATO ALBINO VIRTUAL “SNIFFY” VILA VELHA 2024 FACULDADE MULTIVIX CURSO DE PSICOLOGIA ALINE HELENA AUGUSTO SCARDINI ANDRESSA INÊS DE MELLO SANTOS GLEICYANE FERREIRA BARCELLOS RELATO DE EXPERIÊNCIA: ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DO RATO ALBINO VIRTUAL “SNIFFY” Relatório do Curso de Graduação em Psicologia apresentado a Faculdade Multivix Vila Velha como requisito da disciplina de Análise Experimental do Comportamento. Prof ª: Carlos Alberto de Castro Fagundes Rodrigues. VILA VELHA 2024 SUMÁRIO RESUMO ................................................................................................................ 03 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 04 2 METODOLOGIA .................................................................................................. 05 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS ........................................................ 06 3.1 REGISTRO DO NÍVEL OPERANTE ................................................................ 06 3.2 REGISTRO DO CRF ........................................................................................ 08 3.2.1 ANÁLISE FUNCIONAL DOS COMPORTAMENTOS REGISTRADOS ................................................................................................................................. 09 3.3 REGISTRO DA EXTINÇÃO ............................................................................... 10 3.3.1 ANÁLISE FUNCIONAL DOS COMPORTAMENTOS REGISTRADOS ................................................................................................................................. 11 3.4 REGISTRO DOS ESQUEMAS INTERMITENTES ............................................ 12 3.5 REGISTRO DO TREINO DISCRIMINATIVO ....................................................14 4 CONCLUSÃO ...................................................................................................... 15 5 REFERÊNCIAS ................................................................................................... 17 APÊNDICE ............................................................................................................. 18 RESUMO Esta análise abordará relatos de atividades de laboratório com animais não humanos, utilizando um programa de computador denominado Sniffy, onde aprenderemos sobre o comportamento de um rato albino virtual e a relevância destes estudos para a psicologia, não como forma de equivalência do ser humano homo sapiens sapiens ao animais, mas, como metologia experimental, visto que vários teóricos utilizaram alguns métodos com animais não humanos reais a fim de entender as interações ambiente e comportamento ou genética e comportamento, para depois evoluir a observação e análise humana de fato. Explicaremos de maneira funcional alguns dos processos envolvidos na análise experimental do comportamento como: modelagem, reforçamento contínuo, extinção, treino discriminativo e outros esquemas de reforçamento. Palavras-chave: Rato virtual, Behaviorismo, Análise do Comportamento, Modelagem. ABSTRACT This analysis will address reports of laboratory activities with non-human animals, using a computer program called Sniffy, where we will learn about the behavior of a virtual albino rat and the relevance of these studies for psychology, not as a form of equivalence of the human being homo sapiens sapiens to animals, but as an experimental methodology, since several theorists have used some methods with real non-human animals in order to understand the interactions between environment and behavior or genetics and behavior, and then evolve actual human observation and analysis. We will explain in a functional way some of the processes involved in the experimental analysis of behavior such as: modeling, continuous reinforcement, extinction, discriminative training and other reinforcement schemes. Keywords: Virtual mouse, Behaviorism, Behavior Analysis, Modeling. 1 INTRODUÇÃO Neste trabalho descreveremos o comportamento de um rato albino virtual, “Sniffy”, que nomeamos de Mickey. Ele foi estudado segundo a Teoria do Behaviorismo do psicólogo americano B. F. Skinner. Também analisaremos os comportamentos apresentados por ele e faremos o registro, a descrição e a interpretação de acordo com a frequência e ocorrência dos mesmos, embasadas na Teoria de Análise do Comportamento, formulada pelo psicólogo americano B. F. Skinner. fortaleceremos os conceitos sobre aprendizagem e condicionamento mesmo em um ambiente virtual. Podemos entender o comportamento humano como sendo o que uma pessoa diz e/ ou faz. O que o define são as ações, suas dimensões e os efeitos que têm sobre o ambiente, o que permite que o mensuremos através da observação. Ele é influenciado pelos eventos do ambiente e, por isso, pode ser descrito e registrado tanto por outras pessoas quanto pelo próprio autor (Raymond, 2016). A análise do comportamento parte do pressuposto de que todos os comportamentos são aprendidos e podem ser alterados por intervenções específicas. Entretanto, segundo Baum (2007), os behavioristas divergiam sobre o que caracteriza ciência e sobre a própria definição do termo comportamento, embora todos concordassem que existe uma ciência do comportamento, que chamaram de análise de comportamento, o comportamento poderia ser mais uma filosofia da ciência do que ciência. Enquanto filosofia, como ela aborda o que ela considera questões importantes, que nos fazem pensar sobre nossa razão para fazer o que fazemos e a maneira como tomamos nossas decisões. e essa ciência do comportamento, iniciada por Watson, evitou os termos tradicionais e subjetivos da introspecção, e lidou apenas com o comportamento observado e, por isso, sem comparação entre animais e humanos. Além disso, o behaviorismo de Skinner teve como foco o estudo das respostas e tomou como justificativa a descrição do comportamento, ao invés da explicação deste. Embora a sua pesquisa se detivesse apenas no que ele chamava de comportamento observável e condicionado ao mesmo tempo, porque para ele a tarefa da investigação científica era estabelecer as condições para o organismo e as respostas aos estímulos controladas por ele. Este procedimento de análise experimental do comportamento proporcionou a nós, alunas 2º período do curso de Psicologia, uma oportunidade para observar, experimentar com a manipulação das variáveis e analisar o comportamento de um sujeito experimental com base em testes realizados em um laboratório de informática onde aplicamos conceitos como condicionamento operante, reforço, modelagem, extinção e reforçamento diferencial, observando as topografias de comportamento. Cujo objetivo foi condicionar o rato a pressionar a barra para receber comida (reforçador) aplicando todos os conceitos pertinentes a fim de compreendermos mais sobre a psicologia da aprendizagem e os comportamentos. 2 METODOLOGIA Observação de um rato albino do programa Sniffy: o rato virtual: versão 3.0 (Alloway et al, 2017), programa que simula as ações de um rato dentro de uma gaiola a semelhança da estrutura da Caixa de Skinner (caixa operante) composta por uma barra para o rato pressionar, situada no centro, ao fundo da caixa; um pequeno bebedouro situado ao fundo no canto inferior direito da caixa; luz situada acima da barra de pressionar; luz no canto superior esquerdo ao fundo da caixa; caixa de som situada no canto superior direito ao fundoda caixa. Foram utilizados também um cronômetro no celular do trio, as fichas de anotações dos comportamentos do rato e um pen drive para salvar o trabalho feito no computador. Para realizarmos a observação, separamos funções, uma pessoa ficou responsável por cronometrar, outra pessoa anotava os comportamentos e uma outra pessoa observava e comunicava os comportamentos apresentados. Logo ao abrirmos o programa iniciamos um sujeito experimental que salvamos com o nome de Mickey e ao finalizar cada experimento salvava-mos no computador e no pen drive. Recorremos a análise funcional como parâmetro para a aplicação da contingência de três termos: Sª R Sᶜ. Onde, Estímulo antecedente (Sᵃ): Refere-se a eventos ou condições presentes no ambiente antes do comportamento e que influenciam a probabilidade de sua ocorrência. Resposta (R): Refere-se ao comportamento do organismo, definido como a ação observável realizada após o estímulo antecedente. Consequência (Sᶜ): É o evento ou condição que ocorre após o comportamento, impactando a probabilidade de o comportamento se repetir no futuro. Os experimentos foram realizados nos computadores do laboratório de informática da Multivix Vila Velha – ES. 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS O processo de observação dos comportamentos foi realizado em cinco etapas, com tabelas para a anotação dos dados coletados, como detalhado no apêndice. A observação e as coletas ocorreram em dias de aulas distintos, da seguinte maneira: estabelecimento do nível operante de respostas, no dia 17/10/24; modelagem/ reforço contínuo (CRF), no dia 24/10/24; extinção, no dia 24/10/24; esquemas intermitentes no dia 31/10/24 e treino discriminativo do dia 07/11/24. 3.1 REGISTRO DO NÍVEL OPERANTE O resultado deste estudo evidencia como o comportamento é controlado e mantido, por suas consequências. Com os dados obtidos, verificamos que o reforço (comida) afeta determinado comportamento (pressionar a barra) aumentando sua probabilidade de ocorrência. Desta maneira o objetivo da primeira etapa consistiu apenas em observar as ações do sujeito estudado (Mickey), sem nenhuma interação onde por um período de vinte minutos registramos detalhadamente e contabilizamos as cinco topografias do comportamento do Mickey como: limpar-se: (cento e cinquenta e quatro vezes) sendo toda ação de se esfregar, mãos, rosto e barriga; levantar-se: (sessenta e cinco vezes) sendo se erguer nas duas patas; farejar: (cento e trinta e duas vezes) sendo mexer o nariz; tocar a barra: (nenhuma vez) sendo não exercer força na barra com uma ou duas patas; e pressionar a barra: (duas vezes) sendo exercer pressão, mexer a barra. Na segunda etapa iniciamos o condicionamento respondente (pareou o som da barra a comida) e operante (comia em um local específico), fazendo com que o sujeito associasse o som da pressão da barra com o reforço positivo para que assim fosse modelado e pressionasse a barra. O comportamento operante foi observado como uma ação que opera sobre o ambiente gerando um determinado evento, ou seja, uma consequência. Portanto, quando o rato pressionou a barra e percebeu que ao realizar esta ação foi reforçado ele continuou pressionando a barra e deste modo o que controlou a resposta foi a consequência (Moreira; Medeiros 2019). Ainda de acordo com Medeiros (2019) a taxa de resposta é considerada uma importante medida do comportamento operante e é calculada dividindo o número de respostas, ou seja, comportamentos que ocorreram pelo intervalo de tempo, a taxa varia proporcionalmente à quantidade de respostas. O cálculo da taxa se dá mediante a seguinte fórmula: Taxa de Resposta (RPB) = número de resposta / tempo em minuto Esse cálculo nos ajuda a comparar os comportamentos, identificar os padrões e entender a frequência e a intensidade dos comportamentos. Foi possível também visualizar a modelagem através do reforçamento diferencial, selecionando os comportamentos que seriam reforçados, com a topografia de caminhar até a barra, levantar-se próximo e em frente a barra, colocar a pata na barra e em seguida pressioná-la, corroborando com o método de aprendizagem, utilizando aproximações sucessivas, com os comportamentos apresentados, reforçados aos poucos e conforme ele avançava para o comportamento alvo, não reforçamos mais os passos precedentes. Ao se levantar em frente a barra no movimento vinte e um ele já começou a apertar a barra e a partir do movimento sessenta e sete ele já estava estabelecido. Figura I: Representação gráfica do nível operante de respostas em 20 minutos. Fonte: Dados da Pesquisa 2024. 3.2 REGISTRO DO CRF De acordo com Skinner (2003), o reforço contínuo é usado para aumentar a frequência de respostas de um organismo, oferecendo um reforço cada vez que o comportamento ocorra. O reforço contínuo é utilizado para iniciar uma modelação ou mantimento de novos comportamentos, tanto em pesquisas quanto em aplicações. Para iniciar o experimento, após a abertura do arquivo, em menu Experiment, abriu uma janela e selecionamos a opção “Design Operant Conditioning Experiment”, uma tela foi aberta e selecionamos a opção “Continuous”. E então selecionamos a opção “Bar Press” no espaço “Reinforcement Action”. O processo consistiu em: primeiro reforçamos de acordo com a aproximação do Mickey à barra; em segundo momento fornecemos a comida quando ele ficava em pé nas paredes da caixa; em terceiro, o reforçamos quando ele se encontrava próximo da barra; em quarto, liberamos a comida quando ele estava de pé próximo a barra; por fim, o Mickey já estava pressionando a barra por si só. Durante o processo utilizamos a folha de registro CRF, para fazer anotações sobre o comportamento que Mickey apresentou durante 20 minutos. Na folha havia comportamentos do tipo: pressionar a barra, tocar a barra, farejar, levantar-se e limpar-se. No total, Mickey pressionou a barra 272 vezes, não apresentou o comportamento de tocar na barra, farejou 132 vezes, levantou-se 17 vezes e se limpou 29 vezes. Então, concluímos a prática. 3.2.1 Análise funcional dos comportamentos registrados Comportamento Estímulo antecedente Resposta Consequência Pressionar a barra Barra disponível na caixa experimental Pressionar a barra Comida liberada, sendo um reforço positivo Tocar a barra Barra disponível na caixa experimental Não ocorreu o comportamento Sem consequências reforçadoras Farejar Ambiente novo com estímulos relacionados à barra Farejar o ambiente e a barra Sem reforço direto Levantar-se Proximidade com a barra Levantar-se nas paredes Comida liberada Limpar-se Longos períodos sem reforço Limpar-se Sem reforço Figura II: Representação gráfica do CRF em 20 minutos. Fonte: Dados da Pesquisa 2024. 3.3 REGISTRO DA EXTINÇÃO Para Skinner (1953), extinção refere-se ao processo pelo qual uma resposta previamente reforçada deixa de ocorrer porque o reforço foi suspenso ou não recebe mais a consequência que o mantinha e enfatizou que nesse processo o comportamento não é apagado completamente, mas reduz a probabilidade de sua ocorrência. Primeiro, em menu Experiment, selecionamos “Design Classical Conditioning Experiment” para abrir a caixa de configuração do experimento de condicionamento clássico. No painel de estágios, clicamos na opção “New Stage” para criar um outro bloco de experimentação, que será o bloco de extinção. Ao fazer isso, o número "2" apareceu ao lado do "1" pois se trata de um novo estágio de experimentação. Configuramos o bloco de extinção definindo o “Interval Between Trials” para 5 minutos e “Times” para 30 tentativas, sendo a quantidade de tentativas e o intervalo médio entre elas. No painel “First Stimulus”, selecionamoso tom de intensidade média, enquanto no painel “Second Stimulus” clicamos na opção “None” para não associar nenhum reforço ao tom. Marcamos também as caixas de “Isolate Sniffy when Experiment Starts” e “Show Sniffy when Experiment Completes” para que o experimento inicie e finalize com Sniffy isolado. Por fim clicamos no botão “Run” para iniciar a extinção. Observamos que houve uma diminuição gradual nas respostas de pressão a barra. Nas primeiras tentativas, Mickey pressionava a barra esperando um reforço, mas com ausência do reforço o comportamento de pressão a barra diminuiu. Mas os comportamentos de farejar e limpar-se aumentaram. Para Mazur (2012), esses comportamentos alternativos (farejar e limpar-se) podem ser entendidos como uma busca por novas possibilidades de reforço. Fizemos o seguinte registro: Mickey pressionou a barra 74 vezes, tocou a barra 8 vezes, farejou 243 vezes, levantou-se 83 vezes e se limpou 101 vezes. 3.3.1 Análise funcional dos comportamentos registrados Comportamento Estímulo antecedente Resposta Consequência Pressionar a barra Tom de intensidade média Pressionar a barra Ausência de reforço, logo a resposta diminui com ausência de reforço. Tocar a barra Tom de intensidade média Tocar a barra Ausência de reforço, portanto o comportamento não é mantido, pois não ocorre nenhum reforço. Farejar Ambiente neutro Farejar Exploração como uma tentativa de buscar novas formas de reforço. Levantar-se Ambiente neutro Levantar-se Exploração ou frustração, como uma forma de buscar novos reforços ou a frustração devido à falta de reforço. Limpar-se Ambiente neutro Limpar-se Autorregulação ou frustração, podendo ser uma resposta à frustração pela falta de reforço ou uma até mesmo numa tentativa de autorregulação. Figura III: Representação gráfica da extinção em 20 minutos. Fonte: Dados da Pesquisa 2024. 3.4 REGISTRO DOS ESQUEMAS INTERMITENTES De acordo com Chance (2006), os métodos intermitentes de reforço contribuem para tornar o comportamento de um indivíduo ou animal mais resistente à extinção. Isso ocorre porque, se o estímulo (a recompensa) não é constante, o indivíduo ou o animal persiste em tentar, mesmo sem ter certeza de que será recompensado. Em outras palavras, a recompensa não ocorre sempre que o comportamento desejado é realizado, mas sim de maneira intercalada, com períodos de tempo ou interrupções entre elas. Este modelo é eficaz quando desejamos prolongar o comportamento, mesmo que a recompensa não seja constante. Miltenberger (2011) discute dois tipos fundamentais de esquemas de reforço intermitentes. No sistema de razão fixa, o estímulo ocorre quando a pessoa executa um número específico e constante de respostas. Por exemplo, se um indivíduo precisa realizar dez tarefas (como pressionar um botão) para obter um prêmio, ele sempre terá que realizar exatamente dez tarefas, independentemente do tempo que demore para realizar essas tarefas. No sistema de intervalo fixo, o reforço é fornecido após um intervalo de tempo determinado, sem levar em conta a quantidade de respostas que a pessoa fez durante esse intervalo. Em outras palavras, a gratificação virá após, por exemplo, cinco minutos, independentemente de a pessoa ter dado várias ou poucas respostas durante esse período. No nosso estudo com o rato na caixa, que denominamos Mickey, empregamos um método de reforço intermitente para ensinar o roedor a pressionar a barra. Inicialmente, adotamos uma estratégia mais básica: quando Mickey pressionava a barra duas vezes seguidas, ele recebia comida. Posteriormente, aumentamos progressivamente a quantidade de vezes que ele precisava pressionar a barra para obter a comida, de quatro para seis, e assim sucessivamente. No entanto, quando Mickey alcançou o comportamento de pressionar a barra doze vezes seguidas, ele apresentou uma diminuição no comportamento, isto é, começou a pressionar a barra menos vezes. Assim, optamos por voltar a um número reduzido de apertos, ajustando para dez vezes. Com o passar do tempo, conseguimos elevar novamente, até que ele conseguiu pressionar a barra por vinte vezes consecutivas, obtendo a recompensa que ele esperava. Este processo progressivo de ampliar a quantidade de respostas requeridas para a obtenção do reforço, além de ajustar o reforço sempre que o comportamento mostrar uma redução, é uma estratégia eficiente para implementar o reforço intermitente. A técnica de reforço intermitente é frequentemente empregada no ensino de comportamentos, uma vez que, quando bem aplicada, faz com que o comportamento se torne mais duradouro e, simultaneamente, mais resistente à sua perda com o passar do tempo. O segredo deste processo reside na mudança na frequência com que o reforço é fornecido, gerando um padrão imprevisível que reforça o comportamento em períodos curtos. Assim, o indivíduo não consegue prever quando receberá o reforço, o que leva a uma persistência maior no comportamento, mesmo com uma diminuição no estímulo. Figura IV: Representação gráfica dos Esquemas Intermitentes. Fonte: Dados da Pesquisa 2024. 3.5 REGISTRO DO TREINO DISCRIMINATIVO Segundo Matos (2002), o treino discriminativo resulta na apresentação de estímulos diferentes que sinalizam a responsabilidade ou não de um reforço, para que haja aprendizagem de uma resposta diferenciada a cada estímulo proposto, o que condiciona comportamentos e desenvolve a habilidade de discriminação das respostas e apenas durante as repostas que se deseja ter, são emitidos alguns reforçadores que auxiliam no processo. Já Skinner (1953) relata que um organismo após um período de treinamento tem o comportamento discriminativo quando este passa a reagir de maneira diferente na presença dos estímulos, o que ajuda na adaptação com comportamentos variados. Sendo assim, após diversas observações do nosso ratinho Mickey (ratinho virtual Sniffy), começamos a notar como Mickey estaria respondendo de acordo com os estímulos apresentados. Durante nossa observação, pudemos analisar e registrar o comportamento de Mickey no ambiente controlado, ao logo de cerca de trinta minutos. Para realizar nosso experimento de treino discriminativo, uma luz vermelha, na parte inferior da caixa de som, na caixa de observação, seguida de som, era acesa de tempos em tempos por cerca de um minuto corrente, de forma intermitente. Quando a luz estivesse acesa, Mickey apertaria a barra e ganharia a comida. Quando a luz apagasse, mesmo que apertasse a barrinha, não receberia a comida. Mickey precisava distinguir entre a resposta adequada (Sd = estímulo discriminativo) e a pressão da barra sem resposta (Sdelta = estímulo delta). Dessa forma, observamos ao longo do tempo e conseguimos ter os seguintes resultados: Figura IV: Representação gráfica do Treino Discriminativo. Fonte: Dados da Pesquisa 2024. 4 CONCLUSÃO Em suma, o experimento com o rato virtual Sniffy proporcionou uma associação do conteúdo de análise experimental do comportamento estudado em sala, com o as aulas práticas realizadas no laboratório. Durante as etapas de estudo com o nível operante, reforço contínuo, extinção, esquemas intermitentes e o treino discriminativo, foi possível observar como cada um dos estímulos específicos moldam o comportamento do rato, interagem com o ambiente e exercem um controle sobre as respostas. Através das análises dos resultados obtidos nesse experimento, mesmo que de forma virtual, nos ajudou a fixar e fortalecer os conceitos aprendidos e também demonstrou a utilidade destas técnicas para a aplicação em contextos humanos como por exemplo a educação e a terapia, contribuindode forma graciosa para nossa formaçao academica e profissional. 5 REFERÊNCIAS ALLOWAY, Tom; WILSON, Greg; GRAHAM, Jeff. Sniffy, o rato virtual: versão pro- 3.0. Traduzido por: Solange Aparecida Visconte. 3. ed. Sau Paulo – SP. Cengage Learning, 2017. Tradução de: Sniffy: the virtual rat Pro version 3.0 BAUM, William M. Compreender o Behaviorismo: comportamento, cultura e evolução. 2. Ed. Ver. e Ampl. Porto Alegre: Artmed, 2007. 311p. CHANCE, P. Aprendizagem e Comportamento. Tradução de Claudio G. D. K. de Lima. 6 ed. São Paulo: Cengage Learning. 2006. MATOS, M. A.; TOMANARI, G. Y. A análise do comportamento no laboratório didático. Barueri: Manole, 2002. MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. Princípios básicos de análise do comportamento. 1ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano. Tradução de J. C. Todorov e R. Azzi. São Paulo: Martins Fontes, 2003. APÊNDICE Nível Operante Tempo (minutos) Pressionar a barra Tocar a barra Farejar Levantar- se Limpar-se 01 0 0 8 4 8 02 0 0 7 2 7 03 0 0 9 6 5 04 1 0 5 4 6 05 0 0 6 1 8 06 1 0 7 1 9 07 0 0 12 3 11 08 0 0 6 7 7 09 0 0 9 2 9 10 0 0 5 2 9 11 0 0 5 5 9 12 0 0 5 4 8 13 0 0 6 2 9 14 0 0 6 8 6 15 0 0 8 3 2 16 0 0 4 2 9 17 0 0 6 3 3 18 0 0 5 4 6 19 0 0 10 1 8 20 0 0 3 1 15 Total 2 0 132 65 154 Tabela I: Estabelecimento do nível operante de respostas. Fonte: As autoras. CRF Tempo (minutos) Pressionar a barra Tocar a barra Farejar Levantar- se Limpar-se 01 12 0 3 0 2 02 13 0 6 0 3 03 16 0 4 0 0 04 13 0 8 0 2 05 13 0 6 0 2 06 15 0 7 3 1 07 14 0 6 0 1 08 12 0 8 1 0 09 15 0 7 1 1 10 15 0 6 2 1 11 16 0 5 0 0 12 6 0 12 3 4 13 18 0 3 2 14 15 0 10 1 0 15 12 0 14 0 3 16 15 0 4 0 2 17 14 0 5 1 0 18 12 0 5 1 0 19 15 0 5 1 3 20 11 0 8 3 2 Total 272 0 132 17 29 Tabela II: CRF. Fonte: As autoras. Extinção Tempo (minutos) Pressionar a barra Tocar a barra Farejar Levantar- se Limpar-se 01 19 0 5 1 3 02 22 0 10 1 2 03 14 0 12 0 1 04 7 0 12 1 0 05 10 5 17 3 13 06 0 0 9 4 6 07 0 0 8 7 7 08 0 0 13 3 6 09 1 1 12 4 9 10 0 0 13 6 6 11 0 0 16 8 2 12 0 0 15 7 8 13 0 1 14 5 8 14 0 0 16 7 5 15 0 0 15 5 5 16 0 0 14 6 2 17 0 1 12 7 2 18 1 0 9 3 5 19 0 0 15 5 4 20 0 0 6 0 7 Total 74 8 243 83 101 Tabela III: Extinção Fonte: As autoras. Esquemas Intermitentes Bloco de 60” FR 20 FI 20” 1 47 3 2 44 3 3 46 3 4 47 3 5 42 2 6 45 2 7 29 4 8 47 2 9 46 2 10 52 3 11 49 2 12 73 3 13 54 5 14 58 3 15 45 7 16 34 2 17 38 5 18 54 8 19 33 5 Tabela IV: Esquemas Intermitentes Fonte: As autoras. Treino Discriminativo Bloco de 60” FR 20 FI 20” 1 47 3 2 44 3 3 46 3 4 47 3 5 42 2 6 45 2 7 29 4 8 47 2 9 46 2 10 52 3 11 49 2 12 73 3 13 54 5 14 58 3 15 45 7 16 34 2 17 38 5 18 54 8 19 33 5 Tabela V: Treino discriminativo. Fonte: As autoras.