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Seminário com questões e respostas sobre regra‑matriz de incidência tributária: definição e função, hipótese (critérios material, temporal e espacial) e critério pessoal; distinção entre incidência e aplicação do direito; estudo de caso sobre pintor que recebeu R$15.000 com questões sobre evento, fato, fato jurídico, infração e provas.

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Módulo Tributo e Segurança Jurídica 
 
 
SEMINÁRIO VI - REGRA-MATRIZ DE INCIDÊNCIA – HIPÓTESE 
TRIBUTÁRIA 
 
 
Aluno: Lucas Maciel Bernardes 
Turma: Professor Antônio. 
 
Questões 
1. Que é regra-matriz de incidência tributária? Qual sua funcionalidade 
operacional no direito positivo? 
Resposta: A regra matriz de incidência tributária pode ser entendida como uma 
fórmula para construção de um tipo de norma, ou o produto de aplicação desta 
técnica1. Galvão leciona que na primeira hipótese será uma categoria científica 
e na segunda o objeto de estudo isolado pela aplicação da categoria. Ela é 
importante para o direito positivo pois tem a função de ligar o antecedente ao 
consequente. É a construção desta norma que apresentará o que se denomina 
de expressão mínima e irredutível de manifestação do deôntico.2 
Isso significa que, na hipótese de faltar algum dos elementos da norma, não se 
conhecerá o comando prescritivo por completo, razão pela qual não se saberá 
quando cabe a norma, quem está obrigado a cumprí-la ou o que deve ser feito. 
Ademais, a norma é deve ser construída, razão pela qual só será norma quando 
for exteriorizada como preposição. 
 
 
 
2. Que é hipótese de incidência tributária? Qual sua função na composição 
da regra-matriz de incidência tributária? Há necessidade de um critério 
pessoal compor a hipótese da regra-matriz de incidência tributária? Por 
quê? 
Resposta: A hipótese de incidência tributária opera no antecedente 
normativo, prevendo as situações fáticas que ocorrerão e sustentarão a 
incidência e e vinculo do sujeito passivo. 
Segundo Paulo de barros, “a descrição normativa de um evento que 
concretizado no nível das realidades materiais e relatado no antecedente 
de norma individual e concreta, fará irromper o vínculo abstrato que o 
legislador estipulou na consequência”3. Dessa forma, ocorrendo no 
mundo fenomenico a previsão descrita na hipótese de incidência, teremos 
a subsunção do fato à norma. Importante destacar, ainda, que a hipótese 
 
1 Britto, Lucas Galvão de. O lugar e o Tributo – São Paulo: Noeses, 2014. P 45. 
2 Idem. P. 46 
3 Carvalho. Paulo de Barros Curso de direito tributário. São Paulo: Noeses, Capítulo IX. P. 
327. 
Módulo Tributo e Segurança Jurídica 
 
de incidência é composta pelos critérios material, temporal e espacial. 
Paulo de barros ainda leciona que a hipótese é “construída pela vontade 
do legislador, que recolhe os dados de fato da realidade que deseja 
disciplinar (realidade social) qualificando-os, normativamente, como fatos 
jurídicos”4. 
E sua função na regra matriz é justamente esta de disciplinar 
(antecedneto normativo) os fatos quepermitirão a incidência e/ou 
ocorrência do prescritor. São essenciais, portanto, justamente por 
fornecer a identificação do fato descrito. 
O critério pessoal é importante para compor a regra matriz de incidência 
tributária, pois, ele se encontra no prescritor, ou consequente da regra 
matriz, de modo que definirá quem é o sujeito que foi cometido do dever 
jurídico de cumprir certa prestação. 
 
3. Que é incidência? Descrever, com suas palavras, a fenomenologia da 
incidência tributária, diferenciando, se possível, incidência de aplicação 
do direito. 
Resposta: A incidência é definida por Paulo de Barros Carvalho como o 
momento em que ocorre a subsunção, ou seja, quando o fato descrito em 
liguagem guardar absoluta identidade com o desenho normativo da 
hipótese.5 
Sendo assim, a incidência se quando da prática do fato descrito na norma, 
entretanto, a aplicação da norma, apenas ocorrerá quando o sujeito 
competente traduzir o fato em linguagem por meio do método definido 
como apropriado. Portanto, a incidência ocorre de modo automático e 
perfeito, enquanto a aplicação ocorre por meio de um ato humano e 
passível de equívoco. 
 
 
4. Carlos Alexandre Salomon Hoka prestou um serviço de pintor em um 
imóvel grande localizado no bairro Abikidab da cidade de Pelotas, Rio 
Grande do Sul. Recebeu pelo serviço prestado o valor de R$ 15 mil, o 
qual foi pago em dinheiro. Ele optou por não depositar em sua conta 
bancária e nem declarar em seu imposto de renda. Não obstante, sua 
colega de trabalho Alexandra Alves Orlando Magic tomou conhecimento 
do ocorrido, pois viu com os próprios olhos a entrega do dinheiro em mãos 
ao Carlos Alexandre e contou para o outro colega de trabalho deles, Enzo 
Celticus Leikerson, o que ocorreu. Pergunta-se, na situação descrita: (i) 
Qual é o evento? (ii) E o fato? (iii) E o “fato jurídico”? (iv) Carlos Alexandre 
cometeu uma infração tributária? (v) Qual é o papel das provas para a 
aplicação do direito? 
 
4 Idem. P. 335 
5 Idem. P. 329 
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Resposta: 
(i) O evento é o recebimento de R$ 15.000,00 pelo serviço prestado. 
(ii) O Fato é relato linguistico, ou seja, deveria ser o depósito bancário. 
(iii) O Fato Jurídico, por sua vez, deveria ser a declaração de imposto 
de renda, que faria surgir a obrigação tributária. 
(iv) Carlos, ao omitir receita, acabou cometendo uma infração 
tributária, no que diz respeito as obrigações acessórias. 
(v) As provas são importantes para a aplicação do direito, pois são 
elas que servirão como pressuposto para enquadramento do fato 
no descritivo normativo e, consequentemente, aplicação da norma. 
 
5. Por que a expressão “fato gerador” é equívoca? Analisar os arts. 4º; 16, 
105, 113, §1º, 114 e 144 do CTN e o acórdão do REsp n. 1.670.521 (Vide 
anexo I), explicando o sentido em que o termo “fato gerador” foi 
empregado em cada um desses textos jurídicos. 
Resposta: A expressão “fato gerador” é equívoca pois ela remete a 
locução “fato gerador” a diversas situações, como sendo hipótese de 
incidência tributária, evento, fato jurídico tributário. Paulo de Barros 
Carvalho leciona que “vemos reiteradamente empregado fato gerador, 
quer para mencionar-se a previsão legal do fato, elaboração tipicamente 
abstrata, que se situa no âmbito das ideias, no antiplano das construções 
normativas gerais e abstratas; quer os fatos jurídicos, enquanto 
enunciados denotativos que ocupam a posição sintática de antecedente 
das normas individuais e concretas”.6 
Dessa forma, estamos diante de um uso inadequado da expressão “fato 
gerador”. 
Conforme podemos ver, o art. 4° usa o termo fato gerador como hipótese, 
enquanto os artigos 113, § 1º e 144 se referem a evento e o art. 114 a 
fato jurídico. Por sua vez, o Resp nº 1.670.521 se refere a fato gerador 
como evento, definindo a transferência como hipótese. 
 
6. Identifique nos julgados cuja ementa está transcrita abaixo qual foi o critério 
da regra matriz de incidência tributária objeto de discussão. Para melhor 
desenvolvimento de sua resposta, sugere-se a leitura integral dos acórdãos: 
 
a) EMENTA: Recurso Extraordinário. Tributário. 2. Não incide Imposto de 
Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) sobre embarcações (Art. 
155, III, CF/88 e Art. 23, III e § 13, CF/67 conforme EC 01/69 e EC 27/85). 
Precedentes. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. (RE 379572, 
Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 11-04-2007, 
DJe-018 DIVULG 31-01-2008 PUBLIC 01-02-2008 EMENT VOL-02305-
 
6 Idem. p. 326. 
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04 PP-00870) 
Resposta: Critério Material. 
 
b) EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO 
GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E 
COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL 
DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO 
PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria 
ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração 
contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, 
considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de 
débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil 
ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não 
cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 
2º, inc.I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não 
cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade 
impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se 
compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento 
aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a 
base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, 
inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas 
contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, 
deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial 
decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da 
dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base 
de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): 
CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15-03-2017, ACÓRDÃO 
ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-223 DIVULG 29-
09-2017 PUBLIC 02-10-2017) 
Resposta: Critério Quantitativo – base de cálculo. 
 
c) EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral. Direito Tributário. 
ISS. Licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de 
computação desenvolvidos para clientes de forma personalizada. Subitem 
1.05 da lista anexa à LC nº 116/03. Constitucionalidade. Precedentes do 
Tribunal Pleno. 1. Recentemente, o Tribunal Pleno, no julgamento das ADI 
nºs 1.945/MT e 5.659/MG, consignou que a tradicional distinção entre 
software de prateleira (padronizado) e por encomenda (personalizado) não 
é mais suficiente para a definição da competência para a tributação dos 
negócios jurídicos que envolvam programas de computador em suas 
diversas modalidades. 2. Na mesma oportunidade, a Corte aduziu que o 
legislador complementar, adotando critério objetivo, buscou dirimir 
conflitos de competências em matéria tributária envolvendo softwares, 
estabelecendo, no subitem 1.05 da lista anexa à LC nº 116/03, que estão 
sujeitos ao ISS o licenciamento e a cessão de direito de uso de programas 
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de computação. Pontuou-se, ademais, que, conforme a Lei nº 9.609/98, o 
uso de programa de computador no País é objeto de contrato de licença. 
3. Ainda naquela ocasião, o Tribunal consignou que, associado a isso, não 
se pode desconsiderar o fato de que é imprescindível a existência de 
esforço humano direcionado para a construção de programas de 
computação, sejam eles de qualquer tipo, configurando-se obrigação de 
fazer, a qual também se encontra presente nos demais serviços prestados 
ao usuário, como no help desk, nas atualizações etc. Outrossim, 
asseverou o Tribunal haver prestação de serviço no modelo denominado 
Software-as-a-Service (SaaS). 4. Aplica-se ao presente caso a orientação 
firmada no julgamento das citadas ações diretas. 5. Foi fixada a seguinte 
tese para o Tema nº 590 de repercussão geral: “[é] constitucional a 
incidência do ISS no licenciamento ou na cessão de direito de uso de 
programas de computação desenvolvidos para clientes de forma 
personalizada, nos termos do subitem 1.05 da lista anexa à LC nº 116/03”. 
6. Recurso extraordinário não provido. 7. Os efeitos da decisão foram 
modulados nos termos da ata do julgamento. (RE 688223, Relator(a): 
DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 06-12-2021, PROCESSO 
ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-040 DIVULG 02-
03-2022 PUBLIC 03-03-2022) 
Resposta: Critério Material. 
 
d) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS - ISS. DEFINIÇÃO DA 
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO DOS GASTOS COM MATERIAIS 
EMPREGADOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL. RECEPÇÃO DO ART. 9º, § 
2º, b, DO DECRETO-LEI 406/1968 PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. 
RATIFICAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA FIRMADA POR ESTA CORTE. 
EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 603497 RG, Relator(a): 
Min. ELLEN GRACIE, julgado em 04/02/2010, REPERCUSSÃO GERAL - 
MÉRITO DJe-081 DIVULG 06-05-2010 PUBLIC 07-05-2010 EMENT VOL-
02400-08 PP-01639) 
Resposta: Critério Quantitativo – base de cálculo. 
 
e) IMPOSTO - VINCULAÇÃO A ÓRGÃO, FUNDO OU DESPESA. A teor do 
disposto no inciso IV do artigo 167 da Constituição Federal, é vedado 
vincular receita de impostos a órgão, fundo ou despesa. A regra apanha 
situação concreta em que lei local implicou majoração do ICMS, 
destinando-se o percentual acrescido a um certo propósito - aumento de 
capital de caixa econômica, para financiamento de programa habitacional. 
Inconstitucionalidade dos artigos 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 8º e 9º da Lei nº 6.556, 
de 30 de novembro de 1989, do Estado de São Paulo. (RE 183906, 
Relator(a): MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 18-09-1997, DJ 
30-04-1998 PP-00018 EMENT VOL-01908-03 PP-00463 RTJ VOL-
00167-01 PP-00287) 
Resposta: Critério Material.

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