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infecções do SNC 1 🐛 infecções do SNC O que é meningite? é o processo inflamatório das leptomeninges, clinicamente é uma consequência de síndrome meníngea (grupo de sinais e sintomas que caracterizam as meningites) e pleocitose. o que é pleocitose? aumento de leucócitos no líquor o que caracteriza processo inflamatório. meningite pode ser aguda ou crônica quando tem duração maior que 4 semanas. o que é meningoencefalite? quando temos inflamação também no parênquima encefálico, decorrente geralmente da infecção das leptomeninges. que por contiguidade atinge também o parênquima encefálico. o que temos de sintomas nas meningoencefalites? rebaixamento do nível de consciência; déficits neurológicos focais. o que é meningite asséptica? evidência clínica laboratorial da inflamação das meninges, porém, cultura bacteriana de líquor é negativa. punção liquórica pro diagnóstico das meningites é fundamental. como é a punção liquórica? várias técnicas de acesso ao espaço aracnóide pra coleta, mas geralmente o mais comum é a punção lombar nível L4L5 no nível da crista ilíaca. ventricular e supoccipital é mais invasivo. infecções do SNC 2 quais as indicações de punção lombar? urgência. urgentes na emergência, quando suspeita de infecção do SNC (meningite/encefalite), ou suspeita de HSA quando TC de crânio for normal ou negativa pra sangramento. quais as outras indicações não urgentes da punção lombar? hipertensão intracraniana idiopática, pesquisa de carcinomatose meníngea, hidrocefalia de pressão normal TAP teste), vasculites do SNC, síndrome de Guilain barré, síndromes paraneoplásicas, esclerose múltipla, administração de medicamentos por via intratecal. quais as contraindicações da punção lombar? hipertensão intracraniana com lesão expansiva (tem que ter lesão que desloca estruturas); se for sem lesão não é contraindicado, trombocitopenia 50.000 plaquetas) pelo risco de sangramento, discrasia sanguínea, anticoagulação em curso RNI1,5.suspeita de abscesso espinhal epidural. quais as complicações da punção lombar? cefaleia pós-punção (resolve em poucos dias, passa comprimidos de cafeína) cefaleia ocorre pois pela retirada do líquor se cria uma pressão negativa até ser produzido pelo plexo coróide isso pode ocorrer. pode ter infecção do sítio de punção; sangramento; herniação cerebral (em pacientes com lesão expansiva); dor radicular ou parestesia; dor lombar; fístula liquórica; tumor epidermóide do saco tecal de início tardio. infecções do SNC 3 quando solicitar TC de crânio antes da punção? fazer tomografia de crânio antes de puncionar justamente pra excluir uma lesão expansiva intracraniana; fazemos se paciente tem imunossupressão HIV, terapia imunossupressora, transplantados); histórico de doença prévia no SNC; crise epiléptica recente - até 1 semana do início do quadro; papiledema - sinal de PIC. rebaixamento do nível de consciência; déficit neurológico focal; não esperar o diagnóstico do líquor pra iniciar com antibiótico, se suspeita de meningite bacteriana. aqui no Brasil usamos cefitriaxona . imagem abaixo temos um exemplo de lesão expansiva, de paciente HIV positivo, neurotoxoplasmose com edema vasogênico ao redor. como é o normal? produzido pelo plexo coróide, numa frequência de 20ml/hora, cerca de 125120ml dentro do nosso espaço intraventricular. infecções do SNC 4 absorvido pelas granulações arcnóides. qual a pressão liquórica normal do adulto? de 6 a 25cm/H20. com coloração transparente (incolor), proteínorraquia de 2545mg/dL, glicorraquia 2/3 da glicemia plasmática (relação entre CSF e sérica é 0,6; celularidade menor que 5 leucócitos e menor que 5 hemácias/mm³; lactato 3,5mEq/L. glicemia elevada impacta no resultado da glicorraquia. no Brasil temos as meningites virais como as mais prevalentes, cerca de 45% dos casos depois meningites bacterianas com 33%; quais as 4 principais agentes etiológicos envolvidos na meningite bacteriana? em ordem Neisseria meningitidis; (meningococo) streptococcus pneumoniae; (pneumococo) mycobacterium tuberculosis; Haemophilus influenzae. como ocorre a meningite bacteriana aguda? patogênese passa por 4 processos: colonização dos tratos respiratórios, gastrointestinal e urinário; invasão da corrente sanguínea; sobrevivência do patógeno na corrente sanguínea; entrada no SNC; a partir dai temos a entrada na barreira hematoencefálica. bactérias capsuladas e meningite bacteriana aguda: possuem ácido teicóico e peptideoglicano, que causam inflamação LCR e dano a barreira hematoencefálica, junções de oclusão da barreira se rompem, além de dano vascular e produção de citocinas inflamatórias TNF-alfa, IL6 e IL1b, macrófagos e leucócitos que invadem a região. agentes infecciosos da meningite bacteriana aguda? depende da faixa etária! adultos - Neisseria meningitidis (meningococo); infecções do SNC 5 segundo lugar o Streptococcus Pneumoniae (mais comum do mundo); outras bactérias em idosos (+ de 50 anos), devemos suspeitar de Listeria monocytogenes. qual o quadro clínico da meningite? tríade clássica - febre + rigidez de nuca + alteração do estado de consciência; presentes em 44% dos casos. tétrade - febre + rigidez de nuca + alteração do estado de consciência CEFALEIA. 95% VAI TER AO MENOS 2 DESSES 4 SINTOMAS. sensibilidade de quase 100% pra presença de pelo menos 1 dos 4 sintomas. quais os outros sintomas de meningite? sinais neurológicos focais (exame físico neurológico) rombencefalite - encefalite da fossa posterior, com ataxia (perda coordenação motora), perda nível de consciência, nistagmo, crise epiléptica Listéria). exantema RASH maculopapular por meningococo (petéquias). quais os sinais importantes a serem avaliados em meningite? rigidez de nuca, temos o sinal de Brudzinski, vamos fletir a nuca do paciente que pela irritação meníngea vai fletir os quadris. e Sinal de Kernig - paciente deitado com quadril a 90º, vamos estender a perna e ele vai relatar dor cervical. infecções do SNC 6 meningite bacteriana aguda por meningococo? mais comum no Brasil, é um diplococo gram -. 12 sorotipos diferentes, sendo que os que causam doença em humanos são A,B,CY,W e X. BRASIL B e C. transmissão por via aérea. período de incubação de 2 a 10 dias. quanto tempo depois do início da terapia antimicrobiana que o meningococo não vai ser mais transmitido? meningococo é eliminado pela nasofaringe dos pacientes com MBA 24h após inicio da terapia com antimicrobiano, ele não está mais presente na nasofaringe, sem risco de transmissão. faixa etária da MBA por N. meningitidis? meningococo acomete todas as faixas etárias, 50% dos casos notificados ocorre em crianças comem 60 e 90% dos casos; cultura de líquor - lembra de começar antibiótico antes; prova de aglutinação do látex. o que fazemos na suspeita de MBA? coletamos o líquor, iniciamos antibioticoterapia empírica com dexametasona, exames laboratoriais, pensar se indicação de neuroimagem fazer TC e RM, se sem indicação de imagem vai direto pra punção. qual o tratamento empírico da MBA? não atrasar antibiótico, ceftriaxona - adultos 2g IV 12/12 por 7 dias. infecções do SNC 8 Corticóides: dexametasona 0,15mg/kg de 6 em 6 começar junto com antibiótico terapia, isso reduz o risco de sequelas neurológicas. qual o tratamento profilático da MBA? se meningococo fazer profilaxia pras pessoas que entraram em contato próximo com o paciente infectado, em até 48h de exposição a fonte infectante. os contactantes próximos são - morador do mesmo domicílio ou dormitório, comunicantes de creches ou escolas, pessoas diretamente expostas as secreções do paciente, profissionais de saúde que realizam procedimentos invasivos sem equipamento adequado. qual antibiótico profilático da MBA? RIFAMPICINA 12/12 por 2 dias, primeira escolha; esquemas alternativos como ceftriaxona e cirpofloxacino. vacinação pra MBA? meningocócica C (conjugada), são duas doses 1ª com 3 meses, 2ª com 5 meses. + reforço. vacina pro Haemophilus influenzae reduziu em mais de 90% dos casos de meningite. infecções do SNC 9 quais as complicações neurológicas da MBA? Hidrocefalia, abscesso, cerebrite/lesão de NC, trombose de Seio venoso, infarto cerebral AVC, ventriculite, extra axial; sequelas cognitivas, crises epilépticas, déficits neurológicos focais, perda auditiva MBA Pneumoccocia), hipertensão intracraniana. meningites virais características? mais benignas, curso geralmente benigno autolimitado, sem sequelas, quadro clínico brando, não fazemos pesquisa do agente etiológico de rotina por ser + brando, mas podemos fazer PCR em alguns casos, como em imunocomprometidos, suspeita de encefalite, surtos virais, meningite linfocítica crônica. o que esperamos encontrar no LCR de meningites virais? pressão de abertura normal, sem hipertensão. aumento de leucócitos com predomínio de Monomorfonucleares, com elevação menor quando comparada com bacteriana, leucócitos 250 células por ml. linfócitos predominam. importante que no início do quadro clínico 2/3 dos pacientes apresentam predomínio de polimorfo, ai começa antibiótico terapia e repete a coleta em 12 a 24 horas o LCR ai temos conversão pra meningite linfocítica. Meningite viral NÃO consome glicose, ela se apresenta normal, lactato normal. infecções do SNC 10 qual agente etiológico mais comum da meningite viral? enterovírus PCR sensibilidade 86100% especificidade 92100%. quais as características dos enterovírus? são da família dos picornavírus; e gênero enterovírus onde dentro deles temos o enterovírus, ecovírus, rinovírus e póliovírus. transmissão fecal-oral com replicação pro TGI e disseminação hematogênica, maioria das infecções são assintomáticas. quadro clínico da meningite viral? paciente inicia com sintomas no TGI, respiratório, é benigna e autolimitada, diarréia, coriza, sonolência, rigidez de nuca. o que é encefalite herpética? infecção viral que causa acometimento do encéfalo só que muito grave, pelo herpes vírus ser muito agressivo. família do herpes vírus? tem tipo I, 2 E zóster, fazem infecção grave, HSV 1 faz encefalite e tipo 2 meningite; epidemiologia 1020% das meningoencefalites nos EUA. acometem todas as faixas etárias, com alta mortalidade e morbidade. qual a fisiopatologia da encefalite herpética? portas de entrada geralmente são os nervos cranianos como trigêmeo, trato olfatório, infecção prévia em orofaringe. invasão após episódios de infecção recorrente; invasão da barreira hematoencefálica e replicação do vírus (viremia), preferência pelo lobo temporal e sistema límbico. quadro clínico de encefalite herpética? infecções do SNC 11 sintomas sistêmicos - febre, cefaleia e sintomas neurológicos, subagudo com evolução em menos de uma semana. temos alteração do comportamento, crise epiléptica, confusão mental, agressividade, desorientação, disfunção autonômica, e déficits focais dos nervos cranianos (afasia, ataxia, hemiparesia) além de disfagia. como é o líquor da encefalite herpética? temos predomínios de leucócitos monomorfos. não muito elevado, temos muita proteína no líquor e glicose é normal ou discretamente reduzida. temos hemácias elevadas no líquor, aqui precisa fazer PCR que fecha o diagnóstico. no início podemos ter ausência de pleocitose e PCR falso-negativo, temos que continuar tratamento e depois repetir. exames de imagem na encefalite herpética? temos alteração de exames de imagem nesse caso, coisa que não temos na meningite viral convencional. aqui temos na RM hipersinal no lobo temporal mais medial. pois o vírus faz um edema na região. tropismo pelo lobo temporal isso explica também crises epiléticas. infecções do SNC 12 EEG na encefalite herpética? Temos alterações no eletroencefalograma, padrão de disparos chamadas de PLEDS, pois é perto da insula e lobo temporal medial, são ondas lentas de alta amplitude do tipo delta e teta. tratamento na encefalite herpética? aciclovir 10mg/kg de 8 em 8 horas por 14 a 21 dias, fazer endovenoso, não atrasar hipótese diagnostica, já começa o tratamento qualquer coisa suspende após líquor. não há indicação de uso de corticoides. características da neurotuberculose? mycobacterium tuberculosis - transmissão aérea infecção oportunista em paciente imunocomprometido, principal em paciente com HIV. pode ocorrer em imunocompetente també. infecções do SNC 13 formas meníngea e encefálica. qual o quadro clínico da neurotuberculose? subagudo insidioso, dias a semanas de evolução, mais arrastado, onde paciente tem febre, cefaleia, alteração progressiva do nível de consciência e comprometimento de pares cranianos especialmente III, IV, VI, VII pois faz espessamento das leptomeninges principalmente a dura), hidrocefalia é frequente. como é o LCR da neurotuberculose? predomínio de monomorfonucleares, leucócitos de 100 a 150 células, hiperproteínorraquia 200 podendo chegar até 500mg/dL. hipoglicorraquia - consumo de glicose menor que meningite bacteriana aguda. Pesquisa de BAAR baixa sensibilidade, fazer PCR que tem boa sensibilidade. se der negativo não exclui, teste da ADA que é secretada pela bactéria mais que 8 U/L sugestivo de meningite tuberculosa. exames de imagem da neurotuberculose? pequenos tuberculomas espalhados por todo córtex, podemos ter hidrocefalia comunicante ou não comunicante, espessamento meningeo, tumorações como abscessos e tuberculomas, mas frequentemente RM normal. infecções do SNC 14 qual o tratamento da neurotuberculose? RIPE na fase intensiva por 2 meses, depois mantemos esquema com rifampicina e isomiazida por mais 10 meses. se HIV positivo precisamos começas esquema RIPE e aguardar duas semanas pra iniciar TARV. nunca começar junto pois tratando a bactéria pode reconstituir a imunidade do paciente mais rápido.