Prévia do material em texto
M403 T02 - AVEs Epidemiologia - Doenças cerebrovasculares: 2ª causa de mortalidade; 3ª causa de incapacitação funcional (Global Burden of Stroke). - Prevalência e incapacidade: homens 1,6% e 1,4% respectivamente; mulheres 29,5% e 21,5%. - As doenças cerebrovasculares podem ser divididas em assintomáticas, disfunções cerebrais focais, acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH), demência vascular e encefalopatia hipertensiva. - Sendo que as disfunções cerebrais focais incluem o Ataque Isquêmico Transitório (AIT) e o Acidente Vascular Cerebral Isquêmico. - E o acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH) inclui a Hemorragia intraparenquimatosa ou AVCH e a Hemorragia subaracnóide (HSA). Fatores de Risco a) Modificáveis: 10 explicam 90% dos AVCs - HAS, tabagismo atual, obesidade abdominal, dieta pobre em vegetais e grãos e rica em carnes, ovos e frituras, inatividade física, DM, etilismo, estresse psicossocial e depressão, doenças cardíacas e níveis elevados de apolipoproteína. b) Não modificáveis: idade; sexo, sendo o masculino mais comum; etnia, com predomínio em negros; histórico familiar, materna ou paterno. Ataque Isquêmico Transitório - A definição antiga de AIT era: déficit neurológico encefálico focal ou retiniano, súbito e reversível de causa vascular isquêmica, que durasse menos de 24h (80% dos casos duram menos de 1 hora) e sem evidência de lesão isquêmica nos exames de imagem. - A definição atual pelo guideline da AHA/ASA diz que a definição atual retira o critério de tempo, já que 30 a 50% dos pacientes com sintomas com duração inferior a 24 horas apresentavam lesão isquêmica detectável por Ressonância Magnética (RM) na sequência de difusão. - Definição atual: AIT é um déficit neurológico (encefálico, medular ou retiniano) agudo, de origem vascular, transitório, sem lesão tecidual à neuroimagem. - A maioria dos AITs é revertida em até 60 minutos, com duração de 1 a 10 minutos em 80% dos casos. - A principal causa de AIT é a oclusão do vaso por material embólico advindo de placa de ateroma proximal ao vaso ocluído ou por êmbolo de origem cardíaca. - O AIT é uma emergência médica: 10 a 20% dos pacientes podem evoluir com AVCI em 90 dias, 50% destes nas primeiras 48h e cerca de ⅓ terá um AVC dentro do período de 5 anos, por isso são necessárias medidas terapêuticas para minimizar esses riscos. Escore ABCD2: prevenção de novos eventos. - O ABCD2 ajuda a guiar a decisão de internação e também o tratamento. Diagnóstico - A maioria dos pacientes vai chegar com sintomas já resolvidos, relatando que começaram com sintomas de AVC do nada e que já passaram; - Mesmo assintomático, não manda embora, descartar diagnósticos diferenciais é importante, por isso fazer ausculta cardíaca, exame neurológico, avaliação das pupilas, nível de consciência, ausculta das carótidas; - Pedir ECG, glicemia capilar, ultra som carotídeo, exames de sangue no geral; - Neuroimagem: a ressonância magnética é o exame padrão ouro para avaliação de isquemia cerebral, conseguindo avaliar até quadros isquêmicos mais agudos, como é no caso de AIT. Tratamento - Baixo risco: Escore menor do que 4, fazer aspirina em dose de ataque de 160 a 325 mg (300 mg geralmente), seguido de 50 a 100mg (geralmente 100mg) de manutenção; - Alto risco: Escore igual ou maior do que 4 faz terapia antiplaquetária dupla, usando aspirina mais clopidogrel nos primeiros 21 dias, clopidogrel em dose de ataque de 300 a 600 mg, seguido de 75mg por dia. - É importante traçar estratégias para controle de todos os fatores de risco, como LDL, hipertensão, tabagismo e sobrepeso. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI) - A definição é: disfunção neurológica decorrente de isquemia focal cerebral ou retiniana, com sintomas típicos que duram mais de 24h e com lesão em exames de imagem, como TC ou RM de crânio. - AIT e AVCI compartilham da mesma fisiopatologia. A diferença é que a persistência dos sinais clínicos ou a presença de alterações nos exames de imagem é o que define o AVCI. - Esse conceito é importante pra prática clínica pela possibilidade de usar trombolítico no AVCI agudo e também pelo fato de o resultado desse tratamento está diretamente relacionado à precocidade da administração. - Existem diversas escalas para a avaliação do AVC: FAST, Cincinnati, LAPSS e ROSIER, por exemplo. - FAST: F (Face) - Alguma alteração na face (pedir pra sorrir); A (Arms) - Diferença entre a altura dos braços elevados; S (Speak) - Alteração na fala; T (Time) - Horário do início dos sintomas (agir rápido). Fisiopatologia - O AVCI se dá pela redução do fluxo sanguíneo para alguma área do encéfalo, o que gera isquemia com necrose e perda de tecido. - A redução do fluxo sanguíneo pode se dar por redução global de sangue ao encéfalo ou por obstrução de uma artéria cerebral causada por um êmbolo (arterioarterial ou cardíaco), uma trombose arterial ou uma inflamação nos vasos (vasculite). Etiologia e Investigação - Os principais mecanismos estão relatados na escala de classificação etiológica da TOAST: - Aterosclerose de grandes artérias; - Oclusão de pequenas artérias (lacunar); - Embolia cardíaca; - Outras etiologias de AVCI; - AVCI de causa indeterminada. Aterosclerose de Grandes Artérias - Aterosclerose de grandes artérias e cervicais é responsável por 15% dos acidentes vasculares isquêmicos. - A culpa é das patologias das artérias de grande calibre extracranianas e intracranianas que irrigam o cérebro. - A aterosclerose de grandes vasos pode levar a infarto encefálico por embolia vaso-vaso, que é a principal causa, ou hipofluxo. - A principal artéria extracraniana a ser acometida na circulação anterior é a carótida interna, principalmente por aterosclerose na sua origem, na região cervical. - Na investigação de grandes vasos, é indispensável algum estudo vascular, como Doppler de carótidas, angiotomografia, angiorressonância ou arteriografia. - Nos casos de doença aterosclerótica com estenose de lúmen da artéria carótida interna igual ou maior do que 70% do lado sintomático, os estudos demonstram benefício da endarterectomia ou implante de stent como profilaxia secundária; MOVE + ABCD2 + História Clínica - Monitorizar: é importante colocar um monitor cardioscópio, medir a PAM de forma não invasiva (inicialmente), coletar FC e FR; - Oxigenoterapia: ofertar O2 para manter saturação > 94%; - Venóclise: pegar um acesso periférico com jelco 18; - Exames: realizar glicemia capilar, hemograma, TP, TTPa, B-hCG (se mulher em idade fértil). Realizar ECG. E o principal: REALIZAR TC DE CRÂNIO SEM CONTRASTE! (a gente fala mais disso já já). - Importante calcular o NIHSS pra calcular gravidade no AVCi e pior prognóstico. - A escala de rankin mensura o grau de incapacidade e de dependência dos pacientes acometidos por AVC; - O Escore ASPECTS avalia a extensão do comprometimento da ACM e do risco de sangramento com o tratamento trombolítico; - Divide o território da ACM em 10 regiões padronizadas, avaliadas em dois cortes da TC de crânio, na altura do tálamo e nos núcleos da base e o próximo corte logo acima dos núcleos da base; - Cada uma das áreas em vermelho, com hipodensidade precoce na TC sem contraste, diminui 1 ponto no escore. Assim uma TC normal tem escore 10, e um escore 0 indica isquemia difusa em todo o território da ACM. - A interpretação é: 7 a 10 baixo risco de hemorragia; 5 a 8 risco alto de hemorragia. Tratamento 1. Cuidados pós-trombolíticos: O paciente trombolisado deve ser transferido para unidade de tratamento intensivo ou de AVC. Não dar heparina, antiagregantes plaquetários ou anticoagulantes orais nas primeiras 24h. Verificar escore de AVC do NIH a cada 15 minutos durante a infusão, a cada 30 minutos nas próximas 6h e depois a cada hora até completar 24h. Monitorar PA com frequência. Controlar a pressão arterial. 2. Antiplaquetários e estatinas: O uso de AAS nas primeiras 24 a 48h em não candidatos a trombólise nas doses de 160 a 300mg mostrou diminuição no risco de recorrência de novo AVC precoce,sem aumento de risco de hemorragia. Caso tenha sido feita trombólise, aguardar 24h para início do antiagregante plaquetário. 3. Controle de pressão, glicemia e temperatura: É preciso ter cuidado no controle da pressão, a PA deve ser diminuída em até 15% do valor inicial nas primeiras 24h, mas deve-se reconsiderar caso haja deterioração neurológica. A redução excessiva da PA pode piorar a isquemia cerebral. O controle glicêmico é recomendável manter entre 140 a 180 mg/dL, a hiperglicemia no AVCi agudo está relacionada a pior prognóstico, pior recanalização e transformação hemorrágica, principalmente nos pacientes submetidos a trombólise. Febre e hipertermia são fatores de pior prognóstico em pacientes neurológicos e vítimas de AVCi. 4. Elevação de cabeceira: Eleva-se a cabeceira a 30º somente nos casos de hipoxemia crônica, risco de disfagia, hipertensão intracraniana ou sem exame de imagem. De resto não se notou diferença. Hemorragia Intraparenquimatosa - Etiologias primárias: Hipertensão arterial sistêmica e Angiopatia amiloide; - Etiologias Secundárias: Malformações vasculares, neoplasias intracranianas, coagulopatias, anticoagulantes, transformação isquêmico-hemorrágicas.