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Educação inclusiva: o papel do monitor escolar frente a esta questão, um estudo realizado na escola municipal Paulo Lopes Teixeira no município de Araguainha-MT AZEVEDO Luciana Naves Marques de[footnoteRef:1] [1: * Licenciando em pedagogia. E-mail: lu_meja@hotmail.com] Resumo O presente estudo é considerado bibliográfico e traz como temática o papel do monitor como agente de inclusão de crianças com necessidades especiais no ambiente escolar. Para isso foi realizado um levantamento bibliográfico em fontes consideradas seguras no intuito de melhor embasamento do estudo. Posteriormente foi realizado uma pesquisa de campo em uma escola municipal na cidade de Araguainha-MT com alguns monitores, onde foi aplicado um questionário com relação a importância dos seus trabalhos, entre outras questões. Ao final são expostos os resultados obtidos e posteriormente as considerações finais. Palavras-chave Alunos. Inclusão. Monitores. Abstract The present study is considered bibliographic and has as its theme the role of the monitor as an agent for the inclusion of children with special needs in the school environment. For this, a bibliographical survey was carried out in sources considered safe in order to better base the study. Subsequently, a field survey was carried out in a municipal school in the city of Araguainha-MT with some monitors, where a questionnaire was applied regarding the importance of their work, among other issues. At the end, the obtained results are exposed and later the final considerations. Key-words Inclusion. Monitors. Students. Introdução É fato que a educação no Brasil vem se transformando ao longo dos anos, o que muitas vezes acontece a passos lentos. No entanto, essas transformações podem ser notadas, como por exemplo; da sala de aula de outrora onde o professor contava apenas com o quadro negro, o giz e o apagador, até a sala de aula moderna, com recursos como a lousa digital, computadores e outros dispositivos. No entanto outras vertentes também tomaram outros rumos, surgindo assim novos paradigmas. A educação inclusiva é uma destas linhas, esse assunto é base de discursões, pesquisas e projetos em diversos setores da educação. Quando se fala de educação inclusiva, surge o papel do monitor escolar, profissional que desempenha grande função para que essa modalidade de ensino possa existir. Portanto, os objetivos desta pesquisa estão voltados principalmente para o papel do monitor escolar para a inclusão de alunos considerados especiais em ambientes escolares. Para isso, inicialmente realizou-se um levantamento bibliográfico com fontes principalmente da internet, onde nos deparamos com autores como Lopes (2018), Miranda (2019), Matiskei (2004) dentre outros considerados importantes. Posteriormente foi aplicada uma pesquisa de campo onde foram selecionados para participar alguns monitores, em seguida estão expostos os resultados e por último as considerações finais. Espera-se que esse estudo possa destacar ainda mais a importante atuação do monitor escolar em sala de aula. Educação inclusiva no Brasil O Brasil assim como outros países subdesenvolvidos enfrenta várias constantes negativas, independente do setor, seja na saúde, segurança ou na educação. Essas variáveis muitas vezes impede o progresso e o desenvolvimento da nação. Em se tratando do meio educacional é perceptível barreiras que muitas vezes dificultam ou até mesmo impede crianças, jovens ou adultos de terem uma educação de qualidade. A educação inclusiva destaca-se como um tema de grande relevância, e que frequentemente faz parte de debates e pesquisas que buscam evidenciar e driblar complicações voltadas para que pessoas especiais tenham acesso a um ensino de qualidade. Corroborando Lopes (2018, p. 02) destaca: “A educação é, de forma geral, um importante alicerce da vida social. Desse modo, torna-se uma aliada valiosa na perspectiva da inclusão, especialmente pela transmissão dos valores culturais, auxiliando o desenvolvimento da cidadania e a construção dos saberes. A escola pode, dessa maneira, desempenhar uma função social transformadora na vida dos indivíduos – como agente de inclusão” (LOPES, 2018, p. 02). Para complementar as palavras de Lopes (2018), pode-se acrescentar, que a escola é tida como um grande elo de ligação entre alunos e sociedade. Essa instituição desempenha um papel primordial na inclusão e formação de seus participantes. Ainda em relação a educação inclusiva, segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a educação inclusiva não se define simplesmente em tornar as escolas acessíveis, mas também em identificar barreiras, falhas e obstáculos que os estudantes enfrentam ao buscar oportunidades de educação, tão quanto a eliminação desses empecilhos que levam a exclusão destas pessoas. No entanto, tudo isso pode ser detectado de maneira proativa, o que pode facilitar na busca por soluções[footnoteRef:2]. [2: Com base no texto extraído da UNESCO Brasil. Disponível em: . Acesso em 25 de fev. de 2023.] Para Miranda (2019, p. 12): “A inclusão escolar, nos últimos anos tem se desenvolvido em uma perspectiva mundial como um movimento complexo, que inclui a luta social das pessoas com deficiência, bem como de seus familiares, por direitos básicos, e outros mais abrangentes. No decorrer dos últimos anos muitos movimentos em prol da inclusão social e escolar surgiram em função das desigualdades e preconceitos datados historicamente” (MIRANDA, 2019, p. 12). Sendo assim, no Brasil a história da educação inclusiva ou mesmo as políticas especiais voltadas a educação especial teve seus primórdios durante o império colonial, em especifico na cidade do Rio de Janeiro. Três instituições foram destaques durante a metade do século XX como sendo as primeiras organizações a pregarem a educação singular, sendo elas: o Instituto Pestalozzi, a sociedade Pestalozzi e a Sociedade de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), Brasil (2008) apud Lopes (2018). Com o passar dos anos foram criadas e desenvolvidas novas regulamentações e decretos que asseguram o direito de todos a educação. São destaques a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (o ECA). A seguir a figura 1 mostra um pouco da realidade atual em relação a inclusão de pessoas especiais na educação básica, onde a média nacional é de 79%. FIGURA 1 – Taxa de inclusão dos estudantes com deficiência na educação básica. FONTE: adaptado de OLIVEIRA (2019). Está impresso e claro que no Brasil, apenas sete estados e o Distrito Federal estão abaixo da média nacional de inclusão de portadores de deficiência na educação básica, Oliveira (2019). Visto isso temos a impressão que ainda devem ser feitas diversas melhorias no sentido de aumentar o índice de inclusão das pessoas especiais em sala de aula. Os países de primeiro mundo como a Inglaterra e Estados Unidos são modelos que podem ser seguidos. O que se pode perceber atualmente no Brasil, é que por um lado, são desenvolvidos e são implantados modelos de inclusão em sala de aula, principalmente inclusão de pessoas especiais, isso é considerado uma avanço. Mas que por outro lado essas mesmas leis políticas e documentos segregam e separam os sujeitos pela diferença, Miranda (2019). Na prática, o que se percebe são medidas adotadas no sentido de juntar, entrosar, acompanhar e proporcionar um ensino em conjunto. Essas atividades tem como objetivo unir pessoas especiais e pessoas consideradas com aprendizagem normal. O monitor escolar é considerado um profissional capaz de realizar essas funções e está presente em várias escolas do país. Seguindo essa linha de raciocínio, é necessário indagar: qual o papel deste colaborador para o aprendizado dos alunos especiais em sala de aula? Qual o seu papel inclusivo? Sabe-se que esse profissional além de colaborar no aprendizado dos alunos, também contribui com as atividades dos docentes, diminuindo a sobrecarga e contribuindo com as tarefas destes profissionais.Essas são questões que serão abordadas em linhas posteriores. Políticas públicas de inclusão Apesar dos avanços considerados importantes no que diz respeito às políticas públicas de inclusão em nosso país, a articulação que envolve direitos e deveres ainda é considerada frágil e sensível. Mas o que é considerado políticas públicas? Esse termo teve suas raízes nos Estados Unidos, Silva (2018). Para Souza (2006) apud Silva (2018), não existe uma única definição para o termo políticas públicas, no entanto, essa nomenclatura está intimamente ligada ao papel do Estado e ás esferas governamentais. Porém, o termo políticas públicas voltadas a inclusão, pode ser considerado um conjunto de ações permanentes que asseguram e ampliam direitos civis, econômicos, sociais e coletivos, Silva (2018). No entanto Matiskei (2004, p. 187) considera que: “O avanço na conquista de direitos dos grupos excluídos passa pela superação da desarticulação das políticas públicas de base da área social, como a educação, a saúde, família, habitação, desenvolvimento social, a fim de que possamos resgatar a unidade nas ações, sabedores que somos de que, nessa área nenhuma ação individual consegue atingir metas globais sem o necessário respaldo de um trabalho em rede” (MATISKEI, 2004, p. 187). Ou seja, por mais que existam leis e documentos que regulamentam e impõem os direitos de inclusão, a união e o trabalho em equipe são considerados essenciais para que as medidas sejam concretizadas. Isso leva em consideração todos os ambientes supracitados por Matiskei. O autor ainda acrescenta que é responsabilidade do estado de intervir, ser o mediador entre as instâncias para que os propósitos voltados a inclusão sejam atingidos, Matiskei (2004). Se faz necessário mencionar também, que quando se fala de inclusão, o termo nos remete principalmente a inclusão de pessoas especiais, particularmente no ambiente escolar. Em nossa nação geralmente a palavra especial quando referindo-se as pessoas, está intrinsecamente ligada a portadores de algum tipo de deficiência (PcD). Essas pessoas são classificadas como “incapazes”, “invalidas” e “inúteis”, Sassaki (2005) apud Silva (2018). São grandes os desafios que as pessoas portadoras de PcD enfrentam no dia a dia. Quando se trata do ambiente escolar pode-se citar: · Prédios escolares pouco ou nada adaptados; · Falta de mesas e cadeiras adaptadas de acordo com as necessidades individuais; · Ausência de recursos e materiais; · Grande número de estudantes por sala; · Ausência de recursos humanos; · Despreparo dos docentes frente a situação. FIGURA 2 – Monitor durante uma aula realizando a inclusão. FONTE: SILVA (2018). Como visto são vários os obstáculos que as pessoas especiais enfrentam no dia a dia. Em se tratando do ambiente escolar não é diferente. Esses indivíduos estão rodeados de contratempos que dificultam principalmente a acessibilidade, seja de forma física, sentimental ou mesmo mental. No entanto, quando se trata do ambiente educacional, várias instituições contam com monitores que buscam facilitar o ensino, o compartilhamento e o trabalho em equipe entre alunos considerados especiais e alunos normais. No próximo tópico será abordado quais são as principais funções deste profissional e será apresentado um pouco da história deste colaborador(a) considerado(a) tão essencial para os dias atuais. O papel do monitor escolar para a educação inclusiva O ambiente educacional é rodeado e formado por diversos atores que são responsáveis pela colaboração e transformação da vida dos alunos. O monitor escolar é considerado uma peça fundamental neste processo. Esse profissional conhece profundamente as rotinas e trabalhos que são executados diariamente dentro de uma escola. Contribuindo Fonseca (2016, p. 24) destaca: “A presença do profissional de apoio/monitor no contexto das escolas pode ser entendida como um dos dispositivos para a efetivação da inclusão escolar. Esse profissional é mencionado em diferentes documentos e sua função vem sendo apresentada a partir do momento histórico vivido em cada época” (FONSECA, 2016, p. 24). É importante destacar que a profissão de monitor é considerada como uma evolução de outros ofícios ao longo dos anos. Como por exemplo a função de cuidador. No final dos anos 80 foi criada uma lei com algumas mudanças para o atendimento às crianças. Neste período era necessário ser professor para atuar nesta área, Dorr (2018). Para Dorr (2018, p. 17): “[...] De acordo com a história, os professores antes de tudo, foram cuidadores, sendo designados para apenas cuidar das crianças que se encontravam na creche, sem preocupações pedagógicas ou processos de aprendizagem. A creche também era um lugar de depósito de crianças, onde ficavam para que os pais pudessem ir trabalhar” (DORR, 2018, p. 17). Muitos dos cuidadores nem mesmo tinham capacitação para lidar com crianças, seus conhecimentos eram superficiais. Com o passar dos anos lutas foram travadas para que as crianças pudessem ter um aprendizado de qualidade, assim surgiram vários estatutos, Dorr (2018). Com o surgimento de programas de extensão e capacitação de professores iniciaram os trabalhos que auxiliaria as crianças dos anos iniciais. No entanto, essa função passou a ser desenvolvida pelos primeiros atendentes ou auxiliares de turma, cargo considerado extinto pelo artigo 62 da LDB. É importante salientar, que muitas vezes o cargo de monitor escolar é ocupado por estudantes de estágio. O que de certa forma não é irregular, pois é uma forma de unir teoria e prática antes da formação destes indivíduos. No entanto, Carneiro (2015) apud Fonseca (2016, p. 28) destacam: “Mesmo com a orientação das políticas públicas para a contratação de um profissional de apoio/monitor que auxilie nas atividades de apoio e higiene, locomoção e alimentação; a contratação de um estagiário permite refletir que esse profissional ocupa o lugar de estudante em formação inicial e que não é possível esperar dele uma atuação profissional” (CARNEIRO, 2015 apud FONSECA, 2016 p. 28). Nos dias atuais, o processo para ingressar na carreira de monitor é realizado por meio de seletivo público, é o caso da escola campo desta pesquisa. Neste caso, o edital foi elaborado pela prefeitura municipal de Araguainha levando em consideração as normas exigidas no Projeto Político Pedagógico de cada escola. Apesar dos requisitos serem particulares de cada edital, é possível apresentar algumas atribuições deste profissional. São algumas prerrogativas do cargo de monitor: conhecer os alunos, solucionar conflitos, ser responsável pela adaptação de novos alunos dentre outras funções. Sobre as incumbências do monitor escolar Mallmann (2011, p. 22) ainda acrescenta: “[...] planejar e executar atividades diversas visando ao desenvolvimento global e harmonioso da criança em suas diversas fases do desenvolvimento cognitivo, afetivo, emocional, social e psicomotor. Participar de cursos e seminários específicos para a formação profissional na educação pré-escolar, oferecidos ou não pela secretaria de educação. Proporcionar às crianças atividades para despertar a capacidade individual respeitando suas aptidões e necessidades. Desenvolver hábitos de higiene e limpeza com a criança, visando o seu bem estar social. Estar vigilante, por meio de sua presença constante na realização das atividades orientadas ou não, para evitar acidentes que venham em prejuízo da criança. Executar outras tarefas correlatas” (MALLMANN, 2011, p. 22). É necessário destacar que as prerrogativas citadas são aplicadas para todas as crianças que frequentam o ambiente escolar, principalmente as portadoras de PcD. Nesses casos especiais outras ressalvas são adicionadas. Ferreira, Selau e Boéssio (2021, p. 03): “O monitor tem contato direto com os alunos com necessidades educacionais especiais (NEE). Ele tem a responsabilidade de mediar atividades e orientá-los em sala de aula, além dar apoio nas práticas de higiene, alimentação, locomoção e entre outras que necessitam auxílio constante dodia a dia da escola. O monitor também é importante no que se refere à esfera emocional do aluno; por isso, ele precisa transmitir confiança a ele e à família. Como o monitor é responsável por auxiliar os alunos NEE no estreitamento das relações no espaço escolar, estar preparado para o desempenho de suas funções é fundamental, já que é sabido que o crescimento do ser humano se dá no coletivo” (FERREIRA, SELAU e BOÉSSIO, 2021, p. 03). Por mais que o trabalho do monitor seja primordial, é fato que sua atuação não substitui o papel do professor, esses dois colaboradores devem desempenhar suas funções em conjunto, o que facilita nas atividades e na assimilação de conhecimentos por parte dos estudantes. FIGURA 3 – Professor e monitor de libras. FONTE: disponível em: . É necessário mencionar, que assim como em outros campos do conhecimento o profissional que atua como monitor educacional deve sempre está em constante atualização. Ou seja, ele deve sempre buscar formação continuada, como assim? Realizando cursos, participando de palestras e eventos, isso permite a aplicação de abordagens e soluções inovadoras na sala de aula. Como resultado pode-se considerar que a melhora na qualidade do ensino é resultado de capacitação continuada. Isso são fatores atribuídos a aprendizagem de novas metodologias, técnicas didáticas e formas de lidar com desafios da rotina de trabalho, essencialmente na em sala de aula.[footnoteRef:3] [3: Com base no texto extraído de: a importância da capacitação de professores de maneira continuada. Disponível em: . Acesso em 27 de fev. de 2023.] Com base no visto anterior, um dos objetivos desta pesquisa está focado em saber, se os monitores da escola campo deste estudo receberam ou recebem alguma forma de qualificação, principalmente para lidar com crianças com PcD, entre outras questões pertinentes. Para isso foi realizada uma pesquisa de campo entre os dias 13 e 15 de fevereiro de 2023. Mais detalhes do estudo serão abordados no tópico posterior. Contexto da pesquisa O presente estudo é considerado do tipo bibliográfico. No entanto resolveu-se realizar uma simples pesquisa de campo para dá uma sustentação ainda mais firme as bases teóricas. Com relação à pesquisa bibliográfica Severino (2002, p. 76) corrobora: “[...] é o levantamento com documentação existente sobre o assunto. Já uma fase heurística, ciência, técnica e arte da pesquisa de documentos. Desencadeia-se uma série de procedimentos para a localização e busca metódica dos documentos que possam interessar ao tema discutido. [...] A bibliografia como técnica tem por objetivo a descrição e a classificação dos livros e documentos similares, segundo critérios, tais como autor, gênero literário, conteúdo temático, data etc” (SEVERINO, 2002, p. 76). Se faz importante mencionar que as bases estudadas são consideradas fontes seguras, extraídas principalmente da internet, em específico do endereço eletrônico do Centro Universitário de Araras e do Google Acadêmico. A pesquisa de Campo Após a documentação, aconteceu a montagem da pesquisa de campo que passou pelas seguintes etapas: 1º - Selecionou-se uma escola do município de Araguainha que conta com monitores que auxiliam os docentes; 2º - Solicitação de autorização para adentrar a instituição campo de pesquisa; 3º Seleção de monitores de forma voluntária para participar do estudo; 4º Elaboração das questões para a aplicação em uma entrevista; 5º Seleção de data para a realização da entrevistas; 6º Analise dos resultados obtidos. A escola campo do estudo A escola Paulo Lopes Teixeira é uma instituição municipal e fica localizada a Avenida Couto Magalhães, no bairro Centro, na cidade de Araguainha-MT. Código do INEP: 51047179. A instituição funciona na modalidade de ensino regular com as seguintes etapas: ensino infantil e ensino fundamental. Sua infraestrutura comporta: dependências com acessibilidade, sanitários com acessibilidade, alimentação, água filtrada, sanitários, cozinha, laboratório de informática, sala de diretoria, sala de professores, biblioteca infantil, sala de atendimento especial, pátio recreativo e sete salas de aula. O corpo docente na data do estudo contava com: (6) seis professoras pedagogas, (2) dois professores pedagogos e (5) cinco monitores, (2) dois zeladores, (2) duas cozinheiras, (3) três administrativos e (1) guarda. A instituição oferece dois turnos, sendo eles matutino e vespertino. Na data da pesquisa a escola contava com (98) noventa e oito alunos distribuídos entre os dois turnos. Destes noventa e oito (9) nove necessitavam de acompanhamento especial. Questionário O questionário contou com (06) perguntas referente aos trabalhos dos monitores, sendo elas: Questão 01- Há quanto tempo você desempenha a função de monitor? Questão 02- Quais as principais dificuldades que você enfrenta no seu dia a dia de trabalho como monitora? Questão 03- A gestão despolitiza recursos para que você possa desempenhar as suas funções? Questão 04- A gestão ou o poder público oferece algum curso de capacitação para lidar com as crianças? Questão 05- Você costuma trabalhar com crianças consideradas especiais? Se sim, quantas? Questão 06- Você considera o trabalho do monitor importante? Justifique. A entrevista Para as entrevistas foram selecionadas (3) três das (5) cinco monitoras que se disponibilizaram para o estudo. É importante destacar que todas as participantes trabalham com crianças especiais, seja com algum grau de autismo ou portadoras de necessidades físicas. As entrevistas aconteceram entre as datas 13 e 15 de fevereiro de 2023, e foram realizadas em uma sala da escola campo, isso durante o intervalo das aulas e sob autorização da diretora vigente. As participantes eram todos do sexo feminino com idades de 22, 27 e 31 anos. Para preservar a identidade das voluntárias utilizaremos as seguintes abreviaturas: M1 (Monitora 1), M2 (Monitora 2) e M3 (Monitora 3). Resultado das entrevistas As entrevistas aconteceram de forma simples e direta, com a realização das perguntas e anotações das respostas. Questão 01- Há quanto tempo você desempenha a função de monitor? Respostas: M1: Desempenho essa função a aproximadamente seis anos. M2: Já faz dois anos que trabalho como monitora. M3: Aproximadamente 1 ano e meio. Questão 02- Quais as principais dificuldades que você enfrenta no seu dia a dia de trabalho como monitora? Respostas: M1: Quando a criança é nova na escola tenho um pouco de dificuldades em conquistar a atenção do pequeno, principalmente se a mesma for portadora de necessidades especiais. M2: Muitas vezes falta material para a execução de certas tarefas, principalmente as que envolvem as crianças especiais. M3: A ausência de ferramentas adequadas para realizar certas atividades. Principalmente ferramentas tecnológicas. Questão 03- A gestão despolitiza recursos para que você possa desempenhar as suas funções? Respostas: M1: Na medida do possível sim. Algumas vezes temos que pesquisar na internet por atividades que podem ser montadas com baixo custo, assim compro o material e eu mesmo monto. M2: Às vezes. A queixa é sempre falta de orçamento suficiente. M3: Sim. Questão 04- A gestão ou o poder público oferece algum curso de capacitação para lidar com as crianças? Respostas: M1: Sim. A secretaria de educação contrata palestras e alguns cursos pelo menos uma vez ao ano. M2: Sim. M3: Sim. Mas eu sempre procuro me atualizar com novidades pela internet. Questão 05- Você costuma trabalhar com crianças consideradas especiais? Se sim, quantas? Respostas: M1: Sim. Às vezes divido as atividades com até três crianças especiais. M2: Sim. No máximo duas especiais. M3: Sim. Às vezes dependendo a ocasião até quatro crianças. Todas especiais. GRÁFICO 1 – Quantidade de crianças que chegam a participar de atividades de forma simultânea com um único monitor. FONTE: esta pesquisa (2023). Questão 06- Você considera o trabalho do monitorimportante? Justifique. Respostas: M1: O nosso trabalho é muito importante, principalmente quando voltados a inclusão dos alunos especiais. Sentimos a garra que eles sentem em realizar as atividades. E a cada dia que passa melhoram o desempenho. M2: Importantíssimo. Além de colaborar com os professores e pais, acrescenta positivamente na vida das crianças, as motivam, faz com que elas se sintam amadas e capazes. M3: Além de importante é prestativo e humano. Me sinto muito bem quando estou com os pequenos. Sinto que estou contribuindo para uma sociedade mais humana e justa. Algumas pontuações Durante os dias de pesquisa na escola campo, indagou-se também sobre como é o convívio e a relação das monitoras com os professores líderes de turma, a direção da escola e os pais dos alunos especiais. Respostas: M1: Inicialmente, com relação as experiências em sala de aula em conjunto com o professor, considero positivas, ele sempre busca me ajudar com os alunos, tira minhas dúvidas e está sempre presente durante as atividades. A direção também busca sempre me auxiliar e acompanhar as atividades na medida do possível. O convívio e a relação com os pais dos alunos, em especial com os pais dos alunos portadores de necessidades especiais é positiva, posso dizer que eles me consideram como parte da família, fico satisfeita por isso. M2: Mantenho uma grande amizade e vínculo com todos os pais dos alunos, sempre procuro saber como vai a vida das crianças fora do ambiente escolar, as vezes até consigo contribuir para sanar alguns problemas e necessidades que às famílias passam fora da escola. Minha relação é positiva com todos os colaboradores da escola, principalmente com os professores, eles nos ajudam bastante com as crianças. A direção sempre está presente e faz o melhor possível para me ajudar com as crianças. M3: Os professores já são parte de nossas vidas, são familiares (risada). Eles são atenciosos e sempre procuram se unir para contribuir com as tarefas, seja em sala de aula ou fora dela, dentre outras necessidades. A família dos alunos, digo que também é minha família. Criamos um vínculo muito forte, sempre que acontece algo comunicamos para estes, trabalhamos em conjunto para uma melhor vida das crianças e também para um melhor aprendizado. Quando foi indagado aos monitores o que poderia ser feito para melhorar seus trabalhos, principalmente os que envolve crianças especiais, obtemos as seguintes respostas: Respostas: M1: Creio que é necessário contratar mais monitores, assim podemos atender de forma mais centralizada e mais eficiente cada criança em particular. Outro ponto seria a contratação permanente de um psicólogo para trabalhar em conjunto com a gente. A capacitação é outra vertente que precisa ser implantada ao menos três vezes ao ano. M2: É necessário a contratação de mais monitores. No caso da nossa escola, no mínimo mais uns seis. As vezes ficamos sobrecarregados, isso influencia no atendimento. Deveriam investir também em infraestrutura e acessibilidade. Embora tenham realizado algumas adaptações na nossa escola, ainda necessita de mais ampliações. M3: Tem que investir na parte de recreação da escola, pois esse é um setor bastante utilizado, e um dos lugares preferidos das crianças. Também devem contratar mais monitores, as vezes chega no meio da semana e já estamos saturados. Outra coisa, investimento em tecnologias digitais que podem ser utilizadas no ensino e no aprendizado dos pequenos, eles adoram jogos digitais e atividades digitais, sem falar que esses recursos desenvolve o raciocínio, dentre outros sentidos considerados importantes. O que se percebe, com base nas respostas dos participantes, é que a função do monitor escolar é primordial para o bem estar nas escolas, e principalmente para a inclusão, seja de crianças especiais ou não. O que muitas vezes falta é apoio e incentivo por parte do poder público para a sua capacitação e melhor atuação deste profissional. Como acrescenta Nascimento et al (2014, p. 7): “O monitor é um agente importante nas escolas especiais e nas escolas regulares, porém fica evidente que o monitor deve estar devidamente capacitado para atuar nas escolas, conhecer sobre as deficiências dos alunos que atenderá e entender o exercício de ensinar, estudar e se apropriar de métodos pedagógicos para desenvolver junto aos alunos, precisa saber planejar, elaborar junto aos professores formas de abordar conteúdos” (NASCIMENTO, 2014, p. 7). É notório que o profissional quando capacitado e valorizado, em especial o profissional do setor educacional, ele trabalha com eficiência e eficácia, rende frutos positivos, contribui para o crescimento dos assistidos, forma cidadãos honestos e colaborativos. Com relação ao convívio dos monitores com professores e pais, os resultados da pesquisa deixa claro que essa é uma parte essencial dos trabalhos dos participantes, fica evidente que eles mantém uma boa relação e comunicação. Isso é primordial para a resolução de problemas e situações difíceis que os estudantes enfrentam em suas residências ou no ambiente escolar. Isso é considerado um trabalho em equipe, e beneficia famílias, professores, monitores e principalmente os alunos. Considerações finais Pode-se afirmar que os objetivos propostos para esta pesquisa foram alcançados. Principalmente no que se diz respeito ao de unir teoria e prática. Isso foi capaz principalmente em virtude da pesquisa de campo. Fica difícil elencar dificuldades encontradas, principalmente no que diz respeito à aplicação dos estudos de campo, pois em nenhum momento foi encontrado barreiras, principalmente por parte da escola campo e seus colaboradores. Com relação ao papel do monitor escolar, percebeu-se que esta profissão tem evoluído ao longo dos anos, o levantamento bibliográfico deixou isso claro. São destaques a sua importância e sua colaboração para a inclusão dos alunos, principalmente os estudantes portadores de necessidades especiais. No entanto, é necessário que o poder público invista em capacitação e materiais para estes colaboradores. Sem falar que muitas vezes a sobrecarga de trabalho impossibilita que suas atividades sejam aplicadas com eficiência, se faz necessário a contração de mais profissionais. Outro ponto importante e destaque nos resultados obtidos durante este estudo é a reestruturação dos ambientes escolares. Os espaços devem ser adaptados e estruturados, de maneira a proporcionar um ambiente que possa ser explorado e utilizado pelos alunos especiais. A utilização de tecnologias digitais para o ensino e o aprendizado dos alunos também é outra reivindicação clara, essas ferramentas são consideras essenciais para o desenvolvimento cognitivo dos estudantes. Em suma, essa pesquisa foi primordial para explorar e reconhecer os trabalhos dos monitores, não apenas nos anos iniciais, mas também em todas os graus de escolaridade. Espera-se que essa profissão seja ainda mais digna de destaque e congratulação. Seus trabalhos são considerados de grande valia para inclusão, capacitação e educação de todos os estudantes. Tudo isso contribui para um mundo mais justo, integrado e compartilhado. Espera-se que este estudo possa alcançar estudantes e pesquisadores que se interessam pelos temas voltados à educação. Fica como dica, a sugestão de pesquisas voltadas a utilização de tecnologias digitais como auxilio as crianças com necessidades especiais em sala de aula. Considera-se um tema relevante, de vasto conteúdo digital e que propõe novas descobertas. Referencial bibliográfico DORR, B. C. "Quebra-galho?" O trabalho do monitor na educação infantil. Trabalho de conclusão de curso (licenciatura em pedagogia) - Faculdade de pedagogia, Universidade do vale do Taquari - UNIVATES. Lajeado, p. 56. 2018. FERREIRA, C. B. Selau, B., & Boéssio, C. (2021). Formação de monitores de alunos com necessidades educacionais especiais. Plurais Revista Multidisciplinar, 6(2), 179-196. FONSECA, M da. Das políticas públicas de inclusão escolar à atuação profissional de apoio/monitor. Dissertação de mestrado(mestrado em educação). Universidade federal de Santa Maria, centro de educação, programa de pós-graduação em educação. Santa Maria-RS. 2016. LOPES, D. D. Psicologia e a pessoa com deficiência. In: Diretrizes para a educação inclusiva no Brasil. 1. ed. Porto Alegre: Sagah, 2018. 276p. Disponível em: . Acesso em 26 de fev. de 2023. UNESCO BRASIL. Educação inclusiva no Brasil. Não deixe ninguém para trás. Disponível em: . Acesso em 25. de fev de 2023. image3.png image4.png image1.png image2.png