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ARQUITETURA DA CIDADE, GESTÃO E PLANEJAMENTO URBANO 2 Faculdade de Minas SUMÁRIO CENTRO DE GERENCIAMENTO E OPERAÇÃO DE TRANSPORTE ...................... 4 MOBILIDADE URBANA ............................................................................................. 6 ESTATUTO DA CIDADE ............................................................................................ 9 O MINISTÉRIO DAS CIDADES ............................................................................... 10 SECRETARIA NACIONAL DE TRANSPORTE E DA MOBILIDADE URBANA ....... 10 POLÍTICA NACIONAL DE MOBILIDADE URBANA ................................................. 11 PLANOS DE MOBILIDADE URBANA ...................................................................... 12 COMPONENTES DO SISTEMA DE MOBILIDADE URBANA ................................. 13 MODOS NÃO MOTORIZADOS ............................................................................... 14 PEDESTRES ........................................................................................................... 14 BICICLETA ............................................................................................................... 16 MODO MOTORIZADO PRIVADO: AUTOMÓVEL ................................................... 18 MOTOS .................................................................................................................... 19 MODO MOTORIZADO COLETIVO: ÔNIBUS .......................................................... 20 BRS (CORREDORES DE ÔNIBUS) ........................................................................ 21 CIDADES INTELIGENTES ...................................................................................... 23 SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MOBILIDADE URBANA ................................. 25 GESTÃO DE INFRAESTRUTURA ........................................................................... 29 GESTÃO DE TRÁFEGO .......................................................................................... 29 GESTÃO DE INCIDENTES ...................................................................................... 30 GESTÃO DE INTERVENÇÃO ................................................................................. 32 GESTÃO DE MANUTENÇÃO .................................................................................. 32 SISTEMAS INTELIGENTES DE TRANSPORTE ..................................................... 33 REFERENCIAS ........................................................................................................ 41 3 Faculdade de Minas NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras normas de comunicação. Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 4 Faculdade de Minas CENTRO DE GERENCIAMENTO E OPERAÇÃO DE TRANSPORTE Pelo FHWA (1999), o centro de gerenciamento e operação de transporte é o núcleo do sistema de gestão de transportes. É onde as informações sobre a rede de transporte (malha rodoviária, sistema de sinalização de trânsito ou rede de veículos) são coletadas, processadas e combinadas com outros dados operacionais e de controle para produzir informações. A informação é então utilizada pelos operadores do sistema para monitorar as operações do sistema de transporte e iniciar estratégias de controle para efetuar possíveis intervenções na operação. É também onde os órgãos intervenientes podem coordenar suas respostas às situações e às condições do transporte. Além de ser o ponto focal para a comunicação de informações relacionadas com o transporte para a mídia e para os usuários da via. A Figura 1 traz a representação esquemática do centro com a coleta de dados seu processamento, as ações decorrentes e as informações produzidas. Figura 1 - Representação esquemática do Centro de Gerenciamento de Transporte Fonte: Adaptado pelo autor de FHWA (1999) De acordo com KDOT (2005), conceitualmente os centros podem ser implantados de forma centralizada, distribuída, virtual ou de forma híbrida, que é a combinação delas. No modelo centralizado, o controle e gerenciamento é realizado a partir de um ponto central e único. No modelo distribuído o controle é realizado no âmbito de cada superintendência regional, por exemplo. 5 Faculdade de Minas Através da operação remota, cria-se o conceito de centros virtuais, acessados a partir de estações de trabalho com o software adequado e permissões necessárias. A vantagem da abordagem virtual é evitar maiores investimentos para projetar, construir e operar várias instalações, além de reduzir a necessidade de criação de postos de trabalho em tempo integral dedicados à gestão dos transportes. A principal desvantagem de tal abordagem é que ela está baseada em linhas de comunicação mais robustas. Quanto ao modelo de operações, todas desempenham as mesmas funções e realizam as mesmas interações e movimentos de informação, variando apenas os métodos de comunicação. Como aponta Kluger (2013), os centros de gerenciamento de tráfego foram criados com os propósitos principais de melhorar a segurança dos usuários da rodovia e de reduzir o atraso no tempo de viagem. Estes podem variar de alertar as autoridades competentes de um acidente em tempo hábil, como alertar os motoristas sobre congestionamento ao longo do percurso. Outras funções incluem a coleta e o gerenciamento de dados. Segundo FHWA (1999), ao desempenhar suas funções o centro proporciona uma melhor comunicação em todos os aspectos da gestão do transporte (planejamento, projeto, implementação, operação e manutenção). Ele coordena o compartilhamento de informações entre os atores envolvidos, que pode ocorrer a qualquer momento da operação, isto é, como parte do planejamento de eventos, durante um evento ou após o evento, neste caso funcionando como uma avaliação. No planejamento de eventos, os órgãos intervenientes precisam ajustar as ações a serem executadas, identificando quem é responsável por cada ação e como a informação fluirá durante o evento. Durante o evento em si, precisam compartilhar informações sobre o que está acontecendo e como. Em uma análise pós-evento, um relato detalhado de como o evento transcorreu, identificando possíveis melhorias a serem alcançadas. Isso inclui eventos planejados, como desfiles por exemplo, e eventos não planejados como incidentes de trânsito. Suas principais funções podem ser agrupadas para facilitar o gerenciamento das atividades e seu inter- relacionamento, conforme representado na Figura 2. 6 Faculdade de Minas Figura 2 – Funções do Centro de Gerenciamento Fonte: Adaptado pelo autor de URS-The Traffic Management Center (TMC) of the future (2015) MOBILIDADE URBANA Um estudo do IBAM – Instituto Brasileirohttp://www.mobilize.org.br/estatisticas/40/tempo-de- deslocamentonas-regioes-metropolitanas.html. Acesso em: 22 de outubro de 2015. NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. Uso do transporte coletivo urbano no Brasil. Acesso em: 20 de Agosto de 2017. OMS, Organização Mundial da Saúde. Relatório Global sobre o Estado da Segurança Viária 2015. Genebra, 2015. Disponível em: 43 Faculdade de Minas http://www.who.int/violence_injury_prevention/road_safety_status/2015/en/. Acesso em: 22 de outubro de 2015. O MERCADO DA BICICLETA NO BRASIL. Balanço de venda de bicicletas em 2015. Acesso em: 21 de Setembro de 2017. PARAENSE, A. L. A Harmonia Triádica das Soluções de Mobilidade Urbana para Cidades Inteligentes. 2011. Disponível em: http://cidadesinteligentes.blogspot.com.br/2011/01/mobilidade-urbana- ecidades.html. Acesso em: 27 de novembro 2015. PORTAL BRASIL. Economia e emprego. SINIAV. Disponível em Acesso: 10/07/2017. TOPPETA, D. The Smart City Vision: How Innovation and ICT Can Build Smart, “Livable”, Sustainable Cities. The Innovation Knowledge Foundation, 2010. Disponível em: http://www.thinkinnovation.org/file/research/23/en/Toppeta_Report_005_2010.pdf. VASCONCELLOS, E. A. Mobilidade Urbana e Cidadania. Rio de Janeiro: SENAC NACIONAL, 2012.de Administração Municipal (2005), intitulado “Mobilidade e política urbana: subsídios para uma gestão integrada”, conceitua o sistema mobilidade urbana como: Um conjunto estruturado de modos, redes e infraestruturas que garante o deslocamento das pessoas na cidade e que mantém fortes interações com as demais políticas urbanas. Considerando que a característica essencial de um sistema é a interação de suas partes e não as performances dos seus componentes tomadas em separado, um fator determinante na performance de todo o sistema é exatamente como as suas partes se encaixam, o que é diretamente relacionado com o nível de interação e compatibilidade entre agentes e processos intervenientes no sistema (MACÁRIO, apud IBAM, 2005). Quando o ser humano começou a conviver, sentiu a necessidade de explorar o espaço que o mundo proporcionava. Caminhar já não era mais suficiente para um 7 Faculdade de Minas objetivo maior, então passou a criar inovações que facilitassem a sobrevivência e isso incluía formas mais eficientes de se locomover e transportar bens de um lugar para outro. Marconi e Presotto (1986) nos contam acerca dos primeiros vestígios de evolução da mobilidade: trenós no período Mesolítico, canoas e pirogas no período Neolítico, barcos maiores na Idade do Cobre, além do uso do transporte de carga movido por tração animal. Entretanto, foi a invenção da roda, na Mesopotâmia, que fez com que os meios de transporte começassem a ganhar melhor performance. A partir disso, o transporte rodoviário se desenvolveu consideravelmente e, atualmente, é o principal meio de transporte de passageiros e cargas utilizado no Brasil. Duarte, Sánchez e Libardi (2008) classificam os caminhos de uma cidade em seis modos: do pedestre, sobre bicicleta, sobre motocicleta, do automóvel, do transporte coletivo e sobre trilhos. Os autores dizem que vivemos em disputa por espaço, de modo que a mobilidade urbana é uma das principais armas no desenvolvimento da cidade. Além de ter o objetivo de acabar com grandes engarrafamentos e ter uma fluidez aceitável de veículos nas vias urbanas, esses privilégios buscam reviver e dar um ar mais humano aos espaços urbanos. A mobilidade urbana é um dos maiores desafios para o governo e em muitos países representa uma das faces da crise que os atinge. De acordo com Vasconcellos (2012), “a liberdade de ir e vir nas metrópoles é diretamente proporcional ao acesso que cada indivíduo tem aos meios de transporte e circulação”. Os menos favorecidos encontram péssimas condições de transporte nas áreas periféricas, tornando difícil a locomoção até local de trabalho, escolas e postos de saúde. Jovens e crianças enfrentam problemas para se locomoverem a pé ou com bicicletas. Idosos e pessoas com deficiências físicas têm que superar problemas de uma cidade despreparada para atender às suas necessidades. Glaeser (2011) mostra a dificuldade que é a luta contra a segregação existente nas cidades e ressalta o poder dos transportes em moldar as cidades. Segundo Vasconcellos (2012), a mobilidade é cercada por consumos e problemas. O consumo do espaço no Brasil, por exemplo, é de 1.720.643 quilômetros de extensão da rede rodoviária (DNIT, 2015), cerca de 2.090 quilômetros de estrutura 8 Faculdade de Minas cicloviária (MOBILIZE, 2015), além de trens metropolitanos, metrôs e calçadas. O consumo de tempo também é alto. É comum, nas cidades grandes, com alta densidade populacional, que os centros habitacionais fiquem distantes do centro urbano, o que sobrecarrega o transporte público e evidencia não apenas sua precariedade, mas a insuficiência de vias, que ficam frequentemente engarrafadas. Com isso, a qualidade de vida dos habitantes destas cidades é diminuída e prejudicada. Como exemplo, o tempo médio de deslocamento casa trabalho nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de São Paulo é de, respectivamente, 49 e 45 minutos (MOBILIZE, 2015). Vasconcellos (2012) também cita o consumo de recursos naturais para construção de vias e calçadas, carros, bicicletas, complementos da infraestrutura de mobilidade, produção de gasolina, entre outros. Além disso, é alto o custo do transporte, bem como o valor do carro e da tarifa de transporte público e tributos. Junto com todos os custos e consumos vêm outros problemas. A poluição atmosférica e sonora, além da visual, trazem muitos problemas para a saúde da população, para o desenvolvimento da cidade e do país e, principalmente, para o futuro do planeta. Outros problemas são os acidentes, que no Brasil representam altos índices, se comparado aos outros países em desenvolvimento (VASCONCELLOS, 2012). Em 2013 foram mais de 42 mil mortes em acidentes de trânsito nas ruas e estradas brasileiras (OMS, 2015). Uma pesquisa da empresa multinacional de tecnologia da informação, IBM – International Business Machines, feita em 20 cidades do mundo, relatou que o trânsito é uma das principais preocupações da população e a tendência, na medida em que a urbanização vai se intensificando, é piorar se o desenvolvimento da infraestrutura urbana não acompanhar o crescimento econômico (CHEDE, 2011). A mobilidade urbana, se bem planejada, traz benefícios socioeconômicos, de modo que o espaço urbano apresentará melhor qualidade e será utilizado de forma menos agressiva, tornando o ambiente urbano mais propício para convívio humano. 9 Faculdade de Minas ESTATUTO DA CIDADE A Lei n. 10.257/2001, comumente conhecida como “Estatuto da Cidade”, regulamenta o capítulo de “Política Urbana” da Constituição Federal, detalhando os artigos 182 e 183. O seu objetivo é garantir à cidade o direito de acesso às oportunidades que a vida urbana proporciona. O Estatuto estabelece que a política urbana deve englobar um planejamento extensivo, em escalas nacional, estaduais, regionais, metropolitanas e, principalmente, municipais e intermunicipais, onde deve haver o envolvimento urbano, ambiental, orçamentário, setorial, econômico e social. O principal instrumento do Estatuto da Cidade é o Plano Diretor, responsável por reger cada porção do território municipal, de forma a obter o desenvolvimento urbano do município. Ele serve para mapear a totalidade territorial de um município, envolvendo áreas urbanas, áreas rurais, áreas de preservação ambiental, recursos hídricos, floretas, enfim, tudo que esteja presente em sua área. Em contrapartida, o Estatuto da Cidade não dispõe sobre mobilidade urbana, estabelecendo apenas que, em cidades com mais de 500 mil habitantes, deve-se elaborar um plano de transporte urbano compatível com o Plano Diretor. 10 Faculdade de Minas O MINISTÉRIO DAS CIDADES O Ministério das Cidades foi criado em 2003 para interligar a política urbana e o destino das cidades. É o governo federal, por meio do Ministério das Cidades, que define as diretrizes gerais da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano, entretanto, cabe ao município o planejamento e a gestão urbana. O Ministério atua no fortalecimento dessa gestão não apenas por meio financeiro, mas principalmente oferecendo capacitação técnica de quadros da administração pública (seja ela municipal ou estadual), além de fornecer agentes sociais locais. SECRETARIA NACIONAL DE TRANSPORTE E DA MOBILIDADE URBANA A SeMob – Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana foi instituída no Ministério das Cidades com a finalidade de formular e implementar a Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável. A Secretaria tem a missão de criar políticas públicas que garantam o acesso das pessoas às cidades, respeitando os princípios de desenvolvimento sustentável nas dimensões socioeconômicas e ambientais. Em 3 de janeiro de 2012, após 17 11 Faculdade de Minas anos de tramitação no Congresso Nacional, a Presidênciada República sancionou a Lei n. 12.587, que estabelece as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana. POLÍTICA NACIONAL DE MOBILIDADE URBANA A PNMU – Política Nacional de Mobilidade Urbana, orienta no sentido de fomentar o planejamento urbano, tornando a cidade mais humana e acessível aos seus cidadãos, indistintamente. As esferas do poder público tem hoje como grande desafio integrar as políticas urbanas que por décadas foram tratadas de maneira segmentada. A qualidade do deslocamento depende de que o sistema urbano tenha seus elementos urbanos planejados com o intuito de minimizar os deslocamentos, otimizando o espaço e o tempo, promovendo um bom padrão de vida urbano. Assim, a Lei privilegia o transporte não motorizado em detrimento do motorizado e o público coletivo em detrimento do individual motorizado (art. 6, II). Ao se locomover a pé ou por meio de bicicleta, o cidadão interage bem mais com o espaço urbano, colaborando para a redução de gases nocivos à atmosfera. Por serem os meios mais baratos de locomoção, representam menor custo para os usuários, para o meio ambiente e para a sociedade. 12 Faculdade de Minas O uso de transporte público coletivo reduz a ocupação do espaço das vias, já que transporta uma quantidade de pessoas maior quando comparada ao transporte individual motorizado. Ainda em comparação com o transporte individual, o transporte coletivo reduz os custos com a emissão de gases na atmosfera. Para discutir a utilização isonômica do Sistema de Mobilidade Urbana pelos usuários de uma determinada cidade, é necessário que sejam revistas as políticas de custeio para compensar as isenções tarifárias, não apenas para aqueles que já utilizam o transporte público, mas para toda a sociedade, incluindo ciclistas, pedestres e usuários de veículos individuais, impactando todos que ali habitam. Afim de garantir a equidade ao acesso dos cidadãos ao Sistema de Mobilidade Urbana, deve-se garantir a facilidade de acesso principalmente aos que possuem mobilidade reduzida, implementando medidas que reduzam acidentes e melhorem a ocupação e circulação aos espaços urbanos. Os objetivos da PNMU visam definir um panorama para todo o país. A participação social é imprescindível em todo o processo e, juntamente com o poder público, devem compartilhar de uma mudança comportamental no que diz respeito a cada um, promovendo a acessibilidade e reduzindo as desigualdades sociais. PLANOS DE MOBILIDADE URBANA Segundo o artigo 24 da Lei n. 12.587/2012, os municípios com mais de 20 mil habitantes são obrigados por lei a elaborarem seus Planos de Mobilidade Urbana como requisito para que acessem recursos federais para investimento no setor. Entretanto, alguns municípios são obrigados por lei a elaborarem o Plano de Mobilidade mesmo tendo menos que 20 mil habitantes, como é o caso, por exemplo, de cidades históricas. 13 Faculdade de Minas As diretrizes para a elaboração do Plano Municipal de Mobilidade Urbana são as mesmas para a elaboração de Planos Regionais de Mobilidade Urbana, ou seja, deve-se atentar para as necessidades de uma determinada região e aplicar o que couber. Todo Plano de Mobilidade é único, seja ele municipal ou regional. COMPONENTES DO SISTEMA DE MOBILIDADE URBANA O conjunto coordenado e organizado dos meios de transporte, serviços e infraestruturas que garantem o deslocamento das pessoas e cargas na área de um munícipio formam o Sistema Nacional de Mobilidade Urbana. Os modos de transporte são divididos em modos motorizados e não motorizados, cada um com suas características. 14 Faculdade de Minas MODOS NÃO MOTORIZADOS A Lei n. 12.587/2012 garante a prioridade do transporte não motorizado face o transporte individual motorizado, independentemente do tamanho das cidades. Afim de se planejar com foco no pedestre e no ciclista, é necessário entender alguns conceitos presentes no Código de Trânsito Brasileiro (CTB): ▪ Via: superfície por onde transitam veículos, pessoas e animais. Composta por pista, calçada, acostamento, ilha e canteiro central; ▪ Logradouro público: espaço livre destinado à circulação, parada ou estacionamento de veículos, bem como a circulação de pessoas; ▪ Calçada: reservada exclusivamente ao trânsito de pedestres, podendo ser utilizada para sinalização, vegetação e outros afins; ▪ Passeio: parte da calçada destinada exclusivamente para a circulação de pessoas; ▪ Pedestre: aquele que anda ou está a pé; ▪ Pessoa com mobilidade reduzida: aquela que possui, temporária ou permanentemente, limitações quanto a sua capacidade de relacionar- se com o meio e utilizá-lo. Dentre os modos não motorizados, merece destaque os pedestres e as bicicletas. PEDESTRES Segundo a pesquisa realizada pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), em 2011, as viagens a pé correspondem ao maior número de deslocamentos realizados em municípios brasileiros entre 100 e 250 mil habitantes, 45%. Com isso, é necessário projetar, planejar e manter os locais destinados ao tráfego de pessoas, sejam elas pedestres, cadeirantes, gestantes, idosos ou pessoas com deficiência, com condições adequadas de segurança e conforto. 15 Faculdade de Minas Pesquisas e estatísticas de acidentes no trânsito indicam a segurança como um grave problema para os pedestres. Contudo, é necessário a melhoria da infraestrutura urbana (condições da via, das calçadas, das rotas dos pedestres, entre outros) e a redução dos conflitos com os tipos de veículos, inclusive com as bicicletas. A iluminação pública tem papel importante já que contribui para reduzir o risco de acidentes, além de fornecer maior segurança pessoal. Os municípios normalmente possuem legislações específicas que determinam diretrizes para a construção e manutenção das calçadas, no qual a competência geralmente é do proprietário do terreno lindeiro. Contudo, não exclui a participação do Poder Público na determinação de padrões construtivos, bem como da fiscalização na construção dos mesmos. Segundo o Guia Prático para a Construção de Calçadas (ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland), a calçada ideal considera os seguintes requisitos: - Acessibilidade; - Largura adequada, atendendo as dimensões mínimas; - Fluidez, garantindo velocidade constante ao pedestre; - Continuidade: piso liso e antiderrapante; - Segurança, não havendo obstáculos; - Espaço de socialização; - Desenho da paisagem. 16 Faculdade de Minas Além do tratamento adequado das calçadas, o planejamento como um todo da cidade precisa priorizar os pedestres, principalmente em situações onde há conflito com os veículos motorizados. Para se criar uma cidade sustentável é necessária a construção de uma infraestrutura inclusiva, na qual o pedestre tem prioridade sobre veículos motorizados. O adequado tratamento da circulação a pé pode influenciar no comportamento da população, influenciando à substituição do uso do automóvel particular frente à caminhada. BICICLETA Segundo dados de 2016 da Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares – ABRACICLO, o Brasil é o quarto maior produtor mundial de bicicletas, com uma produção anual de 2,5 milhões de unidades. De acordo com uma pesquisa feita pelas organizações-não governamentais “Observatório das Metrópoles” e “Transporte Ativo”, em 2015, a maioria dos ciclistas das dez maiores regiões metropolitanas do Brasil usa a bicicleta como transporte, sendo 88,1% para ir ao trabalho e 71,6% pedalam cinco dias ou mais por semana. Entre as capitais com maior índice de utilização da bicicleta como transporte está Recife, com 89,6%, seguidas por Manaus, 77,8% e Rio de Janeiro, 42,9%. Ainda segundo a pesquisa, metade dos entrevistadosafirmou que se houvesse mais infraestrutura cicloviária, haveria maior motivação para usar a bicicleta. Foram ouvidos 5000 ciclistas em 10 cidades brasileiras, destacando que a faixa etária que mais utiliza a bicicleta são pessoas entre 25 e 34 anos. A bicicleta é um dos meios de transporte mais eficientes já criados: a tecnologia mais apropriada para distâncias curtas, com pequeno custo operacional, não emite poluentes e contribui para fazer da cidade um espaço livre de congestionamentos. Do ponto de vista urbanístico, a utilização da bicicleta reduz o nível de ruído no sistema viário das cidades; propicia maior equidade na apropriação do espaço urbano, entre 17 Faculdade de Minas outros, aumentando a qualidade de vida dos cidadãos e beneficiando a saúde dos usuários. A integração entre o sistema de transporte coletivo e a malha cicloviária da cidade é fundamental para promover o uso da bicicleta aos habitantes de um município. Todavia, é preciso garantir a segurança dos ciclistas além de oferecer espaços para estacionamento das bicicletas. A bicicleta proporciona grandes benefícios para a saúde, tais como: - Redução no risco de desenvolver diabetes; - Redução da osteoporose; - Melhora o condicionamento físico; - Redução no risco de desenvolver hipertensão; - Alívio dos sintomas de depressão e ansiedade; - Diminuição do mau colesterol e da obesidade; - Estímulo ao sistema imunológico; - Fortalece o músculo das pernas; - Prevenção de quedas na terceira idade; - Emagrece, entre outros. 18 Faculdade de Minas O estímulo ao uso da bicicleta no município propicia um aumento na qualidade de vida e saúde da população, combatendo principalmente a obesidade, o sedentarismo e as doenças cardíacas. MODO MOTORIZADO PRIVADO: AUTOMÓVEL O planejamento da maioria das cidades brasileiras foi orientado para o transporte individual motorizado. Hoje, vemos que esse modelo não se sustenta mais. Não há espaço físico nas cidades que comporte o crescente número de veículos no Brasil. Os veículos motorizados permitiram a ampliação dos espaços urbanos e a multiplicação das distâncias, em contrapartida, geraram maiores deslocamentos, maior quantidade de veículos e necessidade de maiores investimentos em infraestrutura. Um fenômeno chamado “demanda induzida” diz que, quanto mais vias se constroem, mais carros são colocados em circulação, geralmente em volume superior à capacidade da via construída, aumentando os problemas de congestionamentos, poluição e etc. Segundo GORZ (1973) – “O automóvel desperdiça mais tempo do que economiza e cria mais distâncias do que supera.”. O automóvel ocupa muito espaço público no sistema viário, sendo uma das principais causas de morte no trânsito e principal causa de congestionamentos nas grandes metrópoles. Várias cidades no Brasil continuam sendo construídas priorizando o transporte individual motorizado em detrimento ao transporte coletivo, mantendo um sistema antigo e insustentável. Os prefeitos e gestores públicos devem romper essa lógica e investir no desenvolvimento sustentável das cidades, 19 Faculdade de Minas valorizando os espaços e as pessoas que ali habitam, possibilitando que os mesmos façam as escolhas dos seus deslocamentos. MOTOS Segundo dados de 2009 da Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares – ABRACICLO, a percentagem de usuários de moto que fazem essa opção para substituir o transporte público é de 40%. Ainda com dados da ABRACICLO, de 2017, foram produzidas 652.192 motocicletas até setembro deste ano, correspondendo a um recuo de 8,5% quando comparado ao mesmo período de 2016 (712.999 motocicletas). O Brasil, em 2016, foi o oitavo maior país produtor de motocicletas, com uma produção anual de 900 mil unidades. O elevado número de motocicletas no país se deve a um conjunto de fatores, tais como: - Baixo preço quando comparado a outros veículos motorizados; - Baixo consumo de combustível; - Baixo custo de manutenção; 20 Faculdade de Minas - Bom desempenho em congestionamentos, já que possuem facilidade para trafegar entre os demais veículos. Esses fatores aliados ao crescente aumento dos custos do transporte público e sua baixa qualidade, tornaram a motocicleta uma opção viável para uma parcela da população que não possui recursos para adquirir um automóvel. MODO MOTORIZADO COLETIVO: ÔNIBUS Segundo dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), três milhões de passageiros por dia deixaram de utilizar os ônibus urbanos nos deslocamentos realizados em 2016. O estudo registra redução média de 8,2% quando comparado ao ano de 2015. Nos últimos três anos, o nível da queda de passageiros atingiu 18,1%. Os dados foram baseados em nove das principais capitais brasileiras (Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), juntas concentram 37% da demanda transportada no Brasil. O levantamento aponta a crise econômica do país e o desemprego como os principais vilões da tendência acentuada de redução de passageiros. “Certamente, são fatores que interferem na dinâmica da mobilidade urbana das cidades, mas temos que levar em conta também outras distorções do sistema de transporte urbano, como a falta de fontes de financiamento para a tarifa, hoje paga exclusivamente pelo usuário”, avalia Otávio Cunha, presidente executivo da NTU. Ainda segundo a pesquisa, quando se refere à quilometragem produzida em 2016 pelos ônibus urbanos, ela foi reduzida em 2,0% quando comparada ao ano de 2015, considerando a média dos meses de abril a outubro. Os dados permitem revelar a tendência de redução da oferta de serviços nos anos mais recentes. 21 Faculdade de Minas Com os congestionamentos cada vez mais intensos nos centros urbanos de grande e médio porte, a velocidade dos veículos diminuiu 50% nos últimos 20 anos, segundo dados da NTU (2016). Comprova-se assim a necessidade de aquisição e inserção de novos ônibus para manter a oferta. O transporte público por ônibus possui influência direta no desempenho de outros setores econômicos, pois se relaciona diretamente com processos de produção e consumo de bens e serviços. Ou seja, em cidades em que o sistema de transporte por ônibus é organizado, há uma maior circulação de pessoas, permitindo maior interação no que se refere a oferta e a procura. Quanto à capacidade de transporte dos sistemas de transporte urbano, depende-se do tipo de veículo adotado e da frequência de viagens realizadas. BRS (CORREDORES DE ÔNIBUS) Com o intuito de priorizar o transporte coletivo, outro tipo de intervenção criada, e que vem sendo cada vez mais utilizada, são as faixas exclusivas para ônibus conhecidas como BRS (Bus Rapid Service). A função do BRS é racionalizar o sistema de transporte público e, consequentemente, aumentar a velocidade das viagens do transporte coletivo, reduzindo o tempo de viagem para os usuários. Esse serviço é garantido pela presença principalmente das sinalizações verticais e horizontais no decorrer da via, além da comunicação com os usuários e da fiscalização por câmeras de monitoramento. 22 Faculdade de Minas Segundo dados da NTU (2013), a implantação dos sistemas BRS na cidade do Rio de Janeiro/RJ tornou as viagens mais rápidas, houve um melhor aproveitamento da frota de ônibus e aumentou a produtividade do sistema impulsionado pelo crescimento da demanda. Afim de racionalizar o sistema de ônibus em trajetos específicos, muitas cidades do Brasil criaram corredores ou faixas exclusivas que favorecem as linhas de ônibus em uma determinada via. Com dados da Rio Ônibus – empresa de ônibus operante no Rio de Janeiro, após a implantação dos corredoresexclusivos, os usuários tiveram ganho de tempo de até 40% devido ao aumento da velocidade dos ônibus, de 13 km/h para 24 km/h, tendo em vista que os corredores funcionam de segunda a sexta, de 6h às 21h, e aos sábados de 6h às 14h. Cidades como Belo Horizonte, Fortaleza, Manaus e Niterói implementaram sistemas de BRS recentemente. No entanto, a cidade de São Paulo já possui o sistema adotado há muitos anos. Dentre as características do sistema de corredores exclusivos para ônibus, podemos citar: - Aumento da velocidade operacional dos ônibus; - Fluidez na circulação viária para ônibus; - Sinalização de prioridade no sistema viário; - Reduz o consumo de combustíveis e emissão de poluentes; - Impacta positivamente na mobilidade da cidade. 23 Faculdade de Minas CIDADES INTELIGENTES O termo Cidade Inteligente teve origem no final da década de 1990 e, desde então, este modelo vem ganhando força e sendo adotado por grandes empresas de tecnologia (HARRISON; DONNELLY, 2011). Isso porque, dos vários conceitos que existem para o termo, a abordagem mais tecnológica se destaca: Uma cidade que combina a tecnologia de informação e comunicação e a tecnologia Web 2.0 com esforços de organização, concepção e planejamento para desmaterializar e agilizar os processos burocráticos, além de ajudar a identificar soluções novas e inovadoras para a complexidade do gerenciamento da cidade, a fim de melhorar a sustentabilidade e as condições de habitação (TOPPETA, 2010). O intuito é deixar a cidade mais inteligente, menos destruidora, conectada em vários aspectos e gerando novas formas de relações. Apesar do sistema de uma cidade inteligente depender da base tecnológica, vários outros aspectos são importantes para o perfeito funcionamento de todos os seus processos. De acordo com (CHOURABI et al., 2012), os fatores chave de sucesso das iniciativas de Cidades Inteligentes, combinados de forma positiva, são: ▪ Gestão e organização: Fundamental para o bom planejamento de todos os processos e sistemas de uma cidade inteligente, solução de problemas e alcance de objetivos; ▪ Tecnologia: Há uma dependência por tecnologias de computação inteligentes aplicadas em componentes de infraestrutura e serviços; ▪ Governo: Considera-se que um governo inteligente e a participação dos stakeholders constituem o núcleo das iniciativas inteligentes. Um governo capaz de gerir bem esses projetos deve apresentar, principalmente, colaboração, comunicação e transparência; ▪ Política: As barreiras políticas devem ser eliminadas para a completa implementação e execução dos projetos. Se os interesses políticos interferirem nos objetivos ideais, os resultados serão afetados; ▪ Pessoas e comunidades: Fator que foca na participação em governança e gestão da cidade, tornando-os usuários ativos; 24 Faculdade de Minas ▪ Economia: A criação de um ambiente propício ao desenvolvimento industrial e econômico é crucial para o sucesso; ▪ Infraestrutura construída: Além de apresentar-se em ótimo estado, é fundamental que se integre com toda a infraestrutura tecnológica; ▪ Ambiente natural: Visa-se a sustentabilidade e o melhor gerenciamento de consumo de recursos naturais, o que trará melhores condições de habitação. As propostas de implementação de uma cidade inteligente integram operações de infraestrutura urbana e serviços, como prédios, mobilidade, distribuição de água e energia, tratamento de lixo, segurança pública, assistência médica e rede de educação (HARRISON; DONNELLY, 2011). Informações integradas podem antecipar ações. Além disso, melhoram o funcionamento individual dos sistemas, de modo que cada área apresenta soluções específicas de desempenho mais inteligente. Para ilustrar e clarear o funcionamento desse sistema suponha suponhase que o departamento de trânsito de uma cidade recebe o comunicado da central de água que um cano estourou debaixo de uma rua específica e será necessária a perfuração do solo para resolver o problema. O departamento de trânsito envia um alerta de congestionamento para a população por meio de aplicativo de celular, propondo uma nova rota de trânsito, o uso de bicicletas ou a utilização de transporte público, para evitar que o problema identificado gere novos problemas. Se um cidadão, ao escolher se locomover de bicicleta nota um buraco na ciclovia, pode fotografar a situação e comunicar o centro de operações da cidade por meio de aplicativo e logo recebe a resposta de que o problema será resolvido no mesmo dia, já que o centro de operações recebeu um alerta da central climática de uma chuva à noite que provavelmente irá alagar o buraco e poderá causar acidentes depois. Com a ascensão das iniciativas de Cidades Inteligentes, um sistema urbano colaborativo e inovador se torna o objetivo das grandes cidades que abrigam um alto índice populacional. Desse modo, a manutenção e o desenvolvimento da cidade se apoiarão na boa condição do espaço urbano e no uso eficiente de recursos, que 25 Faculdade de Minas elevará a qualidade de vida dos habitantes e suas experiências na cidade, eliminando as barreiras à integração social (LEITE, 2012). SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MOBILIDADE URBANA Quando se trata de mobilidade urbana e sua crise, os governos quase sempre procuravam soluções pautadas em grandes investimentos para melhoria e ampliação de infraestrutura física da malha viária, devido ao uso tradicional e inegavelmente cômodo de veículos motorizados individuais, os quais crescem constantemente em quantidade em circulação. Nos últimos anos, os gestores começaram a prestar mais atenção no fato de que as pessoas não têm apenas a alternativa de usar carros e ônibus para se locomoverem e que, também, chega um momento de esgotamento do solo, onde não há mais para onde expandir, criando um ambiente caótico e poluído, onde também não há estacionamento suficiente. É por isso que planos de soluções inteligentes para mobilidade urbana surgem cada vez mais, de forma eficiente e inovadora, mas que somente revelarão seus efetivos resultados se forem implementados de forma integrada, construindo uma cidade realmente inteligente em toda a sua extensão e departamentos. Em reportagem do jornal Estadão (2016) estão estampadas palavras de Renata Marè, pesquisadora de engenharia de computação e sistemas digitais e professora convidada da Universidade de São Paulo. Ela diz: O grande equívoco é chamar de ‘cidade inteligente’ uma cidade que tem algumas ações inteligentes isoladas. Para ser considerada assim é necessário que essas ações sejam completamente integradas e com troca de informações, o que não ocorre hoje em nenhuma cidade brasileira. Em 1951, o economista William Vickrey ganhou o Prêmio Nobel por idealizar a melhor maneira de reduzir o congestionamento de veículos. Sua ideia consistia em cobrar dos motoristas, de carros, táxis e ônibus, taxas de custo de seus próprios deslocamentos e uma taxa pelo impacto que eles causam aos outros motoristas nas 26 Faculdade de Minas vias públicas, considerando fatores como: gasto de tempo, combustível, depreciação do automóvel e das vias (GLAESER, 2011). Mesmo sendo de décadas atrás, as ideias de Vickrey são pertinentes hoje. Em muitas regiões dos Estados Unidos e em Cingapura são utilizados sistemas eletrônicos de pedágio que reduziram os problemas com o tráfego. Mas a solução desta crise urbana não passa somente pela cobrança de taxas, pois é uma medida que, se for usada de forma abusiva, se torna impopular e deixa os cidadãos insatisfeitos. De acordo com Paraense (2011), um sistema harmônico de mobilidade urbana é baseado em uma tríade: ▪ Cidade: Deve estar integrada em toda sua extensão, compartilhando informações importantes, antecipando ações que reduzam congestionamentos, acompanhando o movimento dasvias e gerenciando os modais públicos; ▪ Rede de sensores: É necessário gerar e fornecer informações sobre vias e meios de transporte, além de acompanhar o tráfego e controlar o fluxo; ▪ Pessoas: Devem ser tratadas não só como usuárias anônimas, mas como clientes que querem ter suas demandas atendidas da melhor forma possível. ▪ Além de quererem receber informações, estão dispostas e prover informações em tempo real. Apesar desses fatores, o autor ainda fala que esta tríade deve ser “capaz de suportar gestores públicos e pessoas, que são os agentes que efetivamente constroem uma mobilidade urbana sustentável”. Um exemplo de empresa que tem se focado em soluções para mobilidade urbana em Cidades Inteligentes é a IBM. Uma de suas soluções é o half-car. Na apresentação desta ideia, a empresa traz como não efetivas as decisões que governos normalmente fazem, como ampliação de infraestrutura ou aumento do preço e imposto sobre os veículos. O half-car é baseado no fato de que na maioria do tempo os bancos de trás dos carros estão vazios, o que gasta muito espaço das vias e causa congestionamentos. 27 Faculdade de Minas Então, a proposta é oferecer carros menores, removendo os lugares vazios, além de reservar uma faixa das vias especialmente para esse tipo de carro. Tal situação tende a fazer com que os motoristas migrem para carros menores e aumentem a fluidez do tráfego. Na Califórnia uma solução parecida já está implementada e dando resultados, onde uma faixa da rodovia é reservada para veículos particulares que contenham duas pessoas ou mais. Quem infringe a regra, é multado em mil dólares. Unificação eletrônica de tarifas, instalação de lombadas, exclusividade de faixas, melhora na infraestrutura, incentivo ao uso de bicicletas ou transporte público, cobrança de taxas de congestionamento, painéis rastreadores de transporte público, muitas são as pontuais propostas de solução da crise de mobilidade urbana 19 das cidades, mas o que se deve sempre lembrar é que todo e qualquer modal de locomoção deve estar integrado, para não haver um sistema com rupturas. As informações devem ser passadas em tempo real e os imprevistos identificados antecipadamente para que o cidadão possa decidir sua trajetória e como se locomover sem estresse, com qualidade e rapidez. Mas, além de todos os fatores tangíveis que podem ser desenvolvidos, um fator subjetivo se demonstra bastante influente: a consciência do ser humano, seja morador da cidade, político ou governante. Mudanças exigem vontade, paciência e persistência e o cidadão deve ter na cabeça o desejo de melhorar, de respeitar regras e de ser sustentável, não só por ele, mas pelos outros e pelo planeta. No seminário Cidades em Movimento, durante o Construction Summit 2016, José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia de São Paulo, disse que "uma cidade inteligente só é possível se formada por pessoas inteligentes, civilizadas. A melhor tecnologia, o melhor software, o melhor hardware não servirá de nada sem o 'humanware', que é o lado humano, a interação das pessoas" (JCRS, 2016). A ideia de pessoas civilizadas se refere ao comprometimento com o modelo, dentro do que lhes esperam um posicionamento e em aspectos em que podem fazer a diferença. Além de todos esses exemplos, outras soluções são observadas. Todas funcionam integradas e apresentam o melhor desempenho de frequência, tempo, 28 Faculdade de Minas segurança, confiabilidade, conforto e acessibilidade para os cidadãos. Nesse sentido, a mobilidade urbana de Londres surge como um exemplo de sustentabilidade e integração entre metrô, trem, táxi, bicicleta, ônibus, barco e bonde. Milman (2012) descreve, em Londres, um painel eletrônico que avisa quando tempo falta para o ônibus chegar ao ponto. Com pontualidade, que é prérequisito, suas portas se abrem para passageiros entrarem, passarem os cartões de cobrança em um leitor digital e, rapidamente, sentarem. Lá, todas as tarifas de transportes públicos são unificadas em um cartão magnético para que a cobrança aconteça da forma mais rápida e cômoda possível. Os preços para locomoção são bem acessíveis. As ruas do centro da cidade possuem pedágios que cobram taxas de congestionamento, além de os estacionamentos serem caros, para estimular o uso de transporte coletivo. O metrô de Londres tem 80% de aprovação por parte de seus usuários e cerca de 90% dos londrinos moram a menos de 400 metros de uma estação. Se escolher ir até a estação de bicicleta, há onde deixá-la segura até voltar. Boris Johnson, prefeito de Londres desde 2008, trouxe a ideia de uma mobilidade urbana sustentável. Ônibus e táxis se tornaram mais híbridos, mas sem perderem a estética clássica. Implantou o sistema de aluguel de bicicletas com acesso 24 horas. As bicicletas se tornaram uma boa alternativa de transporte pela cidade, que conta com uma vasta rota de ciclovias, com sinalização adequada. Chede (2011) afirma que, embora os problemas de transporte sejam parecidos, não se pode aplicar uma solução eficaz de uma cidade em todas as outras, pois cada uma tem seus modos mais específicos de mobilidade, ou seja, a solução bem-sucedida de uma cidade que se baseia em transporte por carros particulares não seria boa em uma em que bicicletas ou pedestres prevalecem. É nesse sentido que o planejamento, e todos os fatores vistos no referencial teórico deste trabalho, se tornam imprescindíveis para a criação de uma cidade inteligente. 29 Faculdade de Minas GESTÃO DE INFRAESTRUTURA É o monitoramento, com a periocidade adequada, dos parâmetros da infraestrutura rodoviária. De forma a avaliar, preferencialmente em tempo real, seu estado de conservação, a qualidade do serviço entregue aos usuários da via e a correta utilização da infraestrutura pelos usuários, fornecendo elementos para a tomada de decisão tanto de investimentos de ampliação e manutenção da infraestrutura quanto autuação de usuários em condições não permitidas. Para tanto, através do monitoramento do volume de tráfego, com classificação veicular, determina o nível de serviço e demais parâmetros necessários para modelar a malha, assim como o serviço de monitoramento de peso veicular com a finalidade de reduzir risco aos usuários, bem como avaliar e proteger a vida útil da infraestrutura viária. Suas principais ações são identificar a utilização inadequada do ativo rodoviário e acionar ações de campo para restringir, punir e coibir as práticas inadequadas. Conforme Marte (2012), o pavimento é um dos principais insumos, em termos de custos, para o responsável pela rodovia. A operação de pesagem de veículos comerciais (por exemplo caminhões) está inserida dentro de conceitos mais amplos de gerência e controle da deterioração de pavimento e de receita. GESTÃO DE TRÁFEGO É o monitoramento e controle do fluxo de tráfego pelo centro de gerenciamento. Atua na otimização da capacidade da via através de estratégias ativas de controle de tráfego. Conforme aponta Marte (2012), essa é a função primordial na operação, pois visa garantir fluidez de tráfego, segurança e controle de situações de emergência, em qualquer ponto ao longo da rodovia. Entre as suas atribuições básicas destacam-se: supervisão contínua do tráfego, ações de engenharia, operacionais e educativas. Contempla o conjunto de equipamentos, produtos e serviços seja em campo ou no centro de gerenciamento responsáveis por controlar de forma mandatória o 30 Faculdade de Minas tráfego nas vias. Este módulo do centro é responsável por adicionar restrições ao comportamento dos usuários da via. Segundo FHWA (1999), a gestão de tráfego realiza o controle e operação da rede semafórica, monitorando e controlando o fluxo de tráfego nas vias sinalizadas, e suas condiçõesoperacionais. O centro de gerenciamento pode ajustar os planos de temporização dos semáforos ou alterar o modo de operação de um ou mais semáforos. Utiliza os recursos de modulação de velocidade, para induzir, por exemplo, a aplicação de uma determinada velocidade, seja de forma coercitiva com a aplicação de radar, ou através de sugestão com utilização de painel de mensagem variável ou outro sistema de disseminação de informação, ou restringindo fluxo, como é o caso do controle semafórico quando aplicado em malha rodoviária. Também pode na comunicação com a gestão de manutenção, disparar recursos de manutenção para resolver problemas na rede semafórica ou através da gestão de intervenção e/ou gestão de incidentes solicitar o apoio dos agentes de trânsito para direcionar o tráfego no caso de um cruzamento semaforizado tornar-se inoperável. Suas principais ações são aplicar o controle de tráfego para promover a segurança, manter a fluidez de tráfego em pontos críticos e forçar respeito aos parâmetros de velocidade de vias em trechos críticos para aumentar a segurança e fluidez. GESTÃO DE INCIDENTES De acordo com FHWA (1999), o centro de gerenciamento trabalha na prevenção e na resposta a incidentes. Através da gestão de incidentes atua na detecção, verificação e gestão ativa dos incidentes que possam implicar na redução da capacidade da via. De forma preventiva, o centro trabalha para evitar situações que potencializem a ocorrência de incidentes. As abordagens comuns incluem: Monitoramento das condições da via, controle das situações de risco, retenções e congestionamentos, acionamento de veículo de assistência (guincho), gestão da interrupção de tráfego com fechamento de pista e 31 Faculdade de Minas envio de recursos para reparar danos rodoviários ou remover detritos e no fornecimento de elementos para investigação de acidentes. Na resposta a incidentes, o centro atua para reduzir o impacto de um incidente já ocorrido. O principal componente é o rápido restabelecimento das condições normais de trafegabilidade da via e mitigação do impacto do incidente ao tráfego (redução do número de faixas fechadas e criação de rotas alternativas), liberação da via por afastamento do incidente com a remoção, se possível, e limpeza da via. O gerenciamento de incidentes também inclui o fornecimento de informações aos viajantes sobre o incidente, visando reduzir o número de veículos atrasados pelo incidente e minimizar a possibilidade de ocorrência de incidentes secundários (FHWA, 1999). Contempla o conjunto de equipamentos, produtos e serviços seja em campo ou no centro de gerenciamento responsáveis pelo monitoramento extensivo da malha viária visando identificar no menor tempo possível incidentes viários que impliquem em algum tipo de ação de operação rodoviária imediata seja para manutenção da segurança viária (acidentes, problemas não previstos na infraestrutura, condições climáticas e outros), ou questões de segurança pública (suporte a operações policiais e monitoramento com identificação de veículos para operações coordenadas de segurança na rodovia), ou qualidade de serviço oferecida ao usuário das vias (suporte operacional a problemas individuais de usuários que não impliquem em grande aumento do risco aos demais usuários ou ao ativo público, como problemas mecânicos de veículos fora das faixas de rolamento ou outro tipo de suporte humanitário). Suas principais ações são o envio, com alto desempenho de tempo de atendimento, de equipes ao campo para intervir sobre o incidente. Por exemplo, enviando equipes de operação rodoviária, com ou sem operação de guincho, para isolar o efeito do incidente e sinaliza-lo com eficiência ou enviando equipe de bombeiros, ou paramédico para atendimento de saúde, ou enviando equipe policial, etc. 32 Faculdade de Minas GESTÃO DE INTERVENÇÃO Compreende o conjunto de equipamentos, produtos e serviços seja em campo ou no centro de gerenciamento, responsáveis por auxiliar com segurança, qualquer tipo de intervenção na via, tanto intervenções de longa quanto de curta duração, planejadas ou não. Este módulo tem alta interação com a gestão de incidentes, mas se diferencia dele por ser responsável também no tratamento das intervenções planejadas. O seu principal objetivo é realizar a sinalização de emergência com eficiência, de forma que a infraestrutura de ITS e os equipamentos da rodovia estejam adaptados às consequências da intervenção para minimizar os efeitos não planejados que possam comprometer a segurança e a fluidez do tráfego. Os principais elementos deste módulo são a sinalização variável, como painéis de mensagem variável móveis, e demais elementos de sinalização, juntamente com a mobilização da equipe de campo responsável por sua operação. Sua principal ação é gerenciar as equipes de operação rodoviária (com ou sem operação de guincho) para sinalizar adequadamente o incidente/intervenção isolando-o com eficiência. De forma que cada obra ou intervenção possa ser acompanhada de uma operação paralela de gestão de intervenção responsável por realizar a disseminação de informação sobre a intervenção tanto a nível local, através de painel de mensagens variáveis e elementos de sinalização vertical, quanto nos demais meios de comunicação ao usuário, além de isolar fisicamente a intervenção/incidente dos usuários da malha. GESTÃO DE MANUTENÇÃO Compreende o conjunto de equipamentos, produtos e serviços relacionados à manutenção dos equipamentos e dos demais módulos do centro de gerenciamento. Tem como característica a intenção administrativa de separar a operação da malha 33 Faculdade de Minas viária, em termos de processos e equipes, da manutenção propriamente dita. Isso separa as competências necessárias em engenharia de tráfego para o correto controle e operação da malha, da manutenção física dos elementos constituintes do sistema inteligente de tráfego. Utiliza software de monitoramento dedicado para cada tipo de equipamento permitindo a geração de relatórios detalhados e a alteração de configurações e parâmetros de execução, para assim otimizar a manutenção corretiva, preventiva e preditiva. Sua principal ação é detectar em tempo real qualquer problema ou falha nos equipamentos, e disponibilizar a equipe de manutenção para solucionar a falha com baixo tempo de atendimento, trabalhando em conjunto com a equipe responsável pela gestão de intervenção nos casos em que a falha possa comprometer a segurança dos usuários da via. SISTEMAS INTELIGENTES DE TRANSPORTE De acordo com Marte (2012), no Brasil, ITS são normalmente denominados de Sistemas Inteligentes de Transportes. É um conjunto de equipamentos e sistemas de monitoramento de tráfego utilizados nas rodovias. A implantação de ITS em rodovias é o ato de dotá-las de equipamentos e sistemas que ajudam e agilizam a operação da mesma e o atendimento dos usuários, permitem a comunicação entre o operador da rodovia e seus usuários e fornecem informações gerenciais para os gestores. Estes equipamentos são instalados ao longo da rodovia, em postos de operação e fiscalização, e os sistemas que coletam os dados e controlam estes equipamentos ficam localizados no CCO. O centro de gerenciamento e operação de transportes depende dos recursos do sistema inteligente de transporte para executar as tarefas para as quais foram criados. A arquitetura ITS irá definir a infraestrutura necessária, podendo ser implementada tanto em zonas urbanas como rurais. 34 Faculdade de Minas Conforme aponta Kluger (2013), os dispositivos gerenciados incluem painéis de mensagem variável (PMV), câmeras de circuito fechado de televisão (CFTV), detectores Bluetooth, câmeras de detecção de vídeo (VIDS), veículos conectados (TAG-SINIAV), dentre outros.Todas estas tecnologias ajudam o centro de gerenciamento a realizar as suas tarefas de forma eficiente e com o melhor de sua capacidade. A Figura 4 traz uma representação esquemática do gerenciamento dos dispositivos ITS como câmeras, CFTV, TAG-SINIAV, central semafórica, smart phone, PMV fixo e portátil, equipe de operação e sítios eletrônicos. Apresenta os fluxos de informação gerenciados pelo centro, na cor amarela as informações que chegam do campo para o centro e na cor verde o fluxo de informação que sai do centro. Figura 4 – Gerenciamento dos Dispositivos ITS Fonte: Adaptado pelo autor de http://www.trafikstockholm.com (2017) Segundo KDOT (2005), a implantação da infraestrutura ITS é priorizada ao longo das principais rotas de viagem e das principais rotas de veículos de carga, bem como nas áreas críticas com altas taxas de acidentes ou com necessidade de reforço na segurança viária. 35 Faculdade de Minas De acordo com FHWA (1999), vários fatores são determinantes para definição do local mais apropriado para instalação dos dispositivos ITS. Precisam ser considerados: O volume de tráfego, o volume de veículos de carga, os locais concentradores de acidentes, a disponibilidade de fonte de energia e de infraestrutura de comunicação, a segurança e a necessidades extra de pessoal no local. Nas obras de manutenção e nos projetos de reconstrução, recomenda-se que os dispositivos possam ser instalados em locais temporários à medida que a construção progride, e sejam instalados em locais permanentes, uma vez concluída a construção. A ANTT (2009), através da Resolução nº 3.323, de 18 de novembro de 2009, define ITS como: Os principais tipos de recursos da infraestrutura ITS disponíveis no mercado, e suas funcionalidades são descritos a seguir. Painéis de Mensagem Variável (PMV) Como indica Kluger (2013), os painéis de mensagem variável são utilizados para exibir mensagens para os condutores que passam em determinado ponto da rodovia, podem ser do tipo fixo ou móvel. Os fixos são os mais comuns ao longo das rodovias. Eles exibem frequentemente tempos de viagem para certos destinos e saídas, avisos sobre condições meteorológicas ou notificação de acidente, incluindo tempo de retenção ou de atraso. Os painéis de mensagem variável do tipo móvel são normalmente utilizados nos trechos em obra ou nas interdições programadas de pista, com informações que alertam os condutores das mudanças na rodovia. O móvel é mais utilizado em situações temporárias. Segundo KDOT (2005), os painéis de mensagem variável devem estar localizados ao longo dos principais corredores rodoviários, antes de grandes cruzamentos e de pontos de decisão para 36 Faculdade de Minas desvio por rotas alternativas. Os locais para instalação devem ser cuidadosamente selecionados para garantir a máxima visibilidade da mensagem. Por exemplo, locais em curvas horizontais ou verticais devem, se possível, serem evitados. A instalação aérea deve ser considerada nas rodovias com várias faixas de tráfego e com altos volumes de caminhões. A Figura 5 traz um exemplo de utilização de painel de mensagem variável do tipo fixo. Figura 5 – Painel de Mensagem Variável Fonte: http://www.douradosagora.com.br (2016). Câmeras (CFTV) Como aponta Kluger (2013), as câmeras de CFTV retransmitem imagens dos segmentos monitorados da rodovia para o centro de gerenciamento, permitindo que os operadores possam observar manualmente o tráfego. Dentro do centro, existem monitores que exibem essas imagens. As câmeras podem ser giradas ou terem suas imagens ampliadas manualmente, para que os operadores consigam ver grandes segmentos sem a necessidade de um maior número de câmeras. Elas são utilizadas para ajudar a relatar acidentes e monitorar os atrasos decorrentes. Informes de acidentes são verificados com ajuda das câmeras CFTV e, em seguida, as informações são passadas para os condutores através dos painéis de mensagem variável e dos sistemas de informação ao usuário. 37 Faculdade de Minas De acordo com KDOT (2005), a instalação das câmeras de CFTV deve ocorrer preferencialmente nos principais cruzamentos, nos locais concentradores de acidentes e em locais que operam com infraestrutura crítica, para possibilitar o monitoramento do tráfego e os impactos associados a incidentes e eventos. O CFTV também pode ser instalado em zonas de trabalho para observar os impactos no tráfego em determinados horários e informar ao centro de gerenciamento. Nas áreas urbanas, o CFTV deve ser implementado de forma a possibilitar a cobertura contínua da rodovia. Segundo Kluger (2013), com o avanço da tecnologia e dos recursos de comunicação sem fio, o CFTV também pode ser disponibilizado em veículos, ou mesmo em drones ou ARPs (Aeronaves remotamente pilotadas), enviados para áreas de incidentes e eventos para gerenciar os impactos no tráfego. Nas áreas urbanas, CFTV deve ser colocado entre nas interseções e cruzamentos para fornecer cobertura contínua da rodovia. A Figura 6 traz um exemplo de imagem CFTV com sistema de detecção de imagem de vídeo (VIDS). Figura 6 – Sistema de detecção de imagem de vídeo Fonte: http://www.dataprom.com (2016). Detectores de tráfego Como aponta KDOT (2005), os detectores de tráfego atuam na detecção de incidentes e na coleta de dados para informação ao usuário, como velocidade, tempo de viagem e nível de congestionamento. Recomenda-se que esses dispositivos sejam 38 Faculdade de Minas alterados para dispositivos em tempo real e que sejam implementados nas rotas prioritárias. Segundo Kluger (2013), a tecnologia de detecção automática é crucial para as operações do centro de gerenciamento. Os dois principais tipos de detectores são os sensores e os rastreadores. Os sensores são mais comuns, e geralmente são menos precisos do que os rastreadores. Os rastreadores podem receber informações mais detalhadas, mas exigem algo para rastrear, como um celular. Os detectores de laço, as câmeras e os dispositivos bluetooth são os principais sistemas de detecção atualmente em uso. Os detectores são normalmente utilizados para a coleta de dados e para o controle de semáforos atuados em tempo real. Os detectores de laço são sensores utilizados para coletar dados de velocidade e ocupação. São circuitos fechados que criam campos magnéticos sobre o local de detecção. Quando objetos metálicos passam sobre o laço, eles são detectados por mudanças no campo magnético. São precisos, mas por estarem instalados no pavimento, a cada instalação ou manutenção do laço, o pavimento precisará ser recuperado. Ainda de acordo com Kluger (2013), os detectores Bluetooth são receptores instalados na rodovia que detectam a presença de telefones e outros dispositivos portáteis com recurso Bluetooth ativado. Eles podem ser usados para determinar a velocidade e a localização. Os dispositivos atribuem um endereço MAC, endereço físico associado à interface de comunicação para conectar um dispositivo à rede, completamente anônimo ao dispositivo Bluetooth que ele lê. O endereço MAC é rastreado à medida que passa pelos vários receptores e os tempos de viagem permitem que se obtenham as velocidades. Em média, ele lê cerca de 1 em cada 20 veículos que passam pelo dispositivo. Com estas informações os operadores no centro de gerenciamento podem monitorar a velocidade e procurar alterações nos padrões de tráfego. Sistemas de detecção de imagens de vídeo (VIDS), ou câmeras de detecção de vídeo, são tecnologias de detecção de sensores, colocados ao longo de rotas monitoradas que coletam automaticamente dados dos veículos que passam. As imagens geralmente não são gravadas, mas os dados de volume e velocidade são 39 Faculdade de Minas transmitidos de volta para utilização pelo centro de gerenciamento.Os dados coletados são processados e utilizados como entrada para os painéis de mensagem variável, ou outras fontes de dados da informação ao usuário. VIDS também pode alertar automaticamente os centros de gerenciamento sobre veículos parados na via, para que possam ser verificados com as câmeras CFTV (KLUGER, 2013). SINIAV O CONTRAN (2006), através da Resolução Nº 212, instituiu em todo o território Nacional o Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos – SINIAV. O SINIAV, baseado em tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID), é composto por placas eletrônicas instaladas nos veículos (TAG), antenas que recebem e transmitem dados às placas eletrônicas instaladas nos veículos no momento da passagem dos mesmos pela área de abrangência das antenas e por centrais de processamento com sistemas de apoio para a transmissão e processamento de dados. As placas eletrônicas irão armazenar as informações de identificação dos veículos, como: Número serial único, número da placa do veículo, número do chassi e o Código RENAVAM (CONTRAN, 2006). De acordo com o site governamental PORTAL BRASIL (2012), o objetivo do SINIAV é facilitar o controle e a fiscalização do tráfego no território brasileiro por meio de monitoramento em tempo real. O sistema abrangerá todos os veículos em circulação, e permitirá a conectividade das informações contidas na placa eletrônica instalada entre diversos órgãos públicos e entidades privadas. De acordo com a AUTOFIND (2017), fabricante de equipamentos homologada pelo DENATRAN, os principais resultados do SINIAV nas áreas de gerenciamento de trânsito, fiscalização de trânsito, segurança pública e receitas acessórias, compreendem: A) Gerenciamento de Trânsito Disponibilização de informações on-line sobre as condições de tráfego das vias monitoradas; Detecção automática de anomalias de tráfego; Controle de velocidade e tempos de percurso nas vias estratégicas; Contagem classificada de veículos; Matriz de origem e destino de viagens motorizadas; 40 Faculdade de Minas Identificação e rastreamento de veículos cujo tráfego requeira tratamento especial (cargas perigosas, superpesadas, veículos especiais, ambulâncias,...); Disponibilização de relatórios e estatísticas para gestão de trânsito. B) Fiscalização de Trânsito Identificação de irregularidades administrativas e/ou fiscais com processamento on-line das informações, análise de consistência e validação de dados de infrações de trânsito com possível emissão dos respectivos autos de infração; Identificação dos veículos que passam pelos Subsistemas de Leitura de Placas possibilitando a fiscalização de rodízios, zonas de restrição de circulação, faixas exclusivas, etc.; Disponibilização de relatórios e estatísticas de autuação; informações on-line sobre as condições de tráfego das vias monitoradas. C) Segurança Pública Identificação on-line de veículos com registros de ocorrências como roubo, sequestro e sinistros com processamento on-line das informações, análise de consistência e envio para central de monitoramento; Identificação e prevenção de clonagem de veículos; Geração e distribuição automática de lista de exceções para todos os Subsistemas de Leitura de Placas instalados; Acionamento automático de apoio tático policial através de alertas eletrônicos emitidos; Disponibilização de relatórios e estatísticas de registro de passagens com ocorrência. D) Receitas Acessórias Utilização das posições do mapa de memória destinadas à área privada; Utilização da Placa de Identificação Veicular Eletrônica como meio de pagamento; Integração com sistemas de logística e transporte de cargas; Utilização da Placa de Identificação Veicular Eletrônica para cobrança de pedágios urbanos ou em rodovias. Apesar da previsão inicial de implantação do SINIAV não ter se concretizado nos prazos inicialmente previstos, trata-se de uma aplicação nacional da tecnologia dos veículos conectados de grande importância para o controle e monitoramento de tráfego. 41 Faculdade de Minas REFERENCIAS ABRACICLO – Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares. Produção de janeiro a agosto de 2017. Acesso em: 29 de Setembro de 2017. AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES (ANTT). Resolução Nº 3.323, de 18 de Novembro de 2009. Diário Oficial da União (DOU), 1 dez. 2009. Disponível em: http://appweb2.antt.gov.br/resolucoes/05000/resolucao3323_2009.html. Acesso em: 16 mar. 2017. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, RJ, 2004. PNMU – Política Nacional de Mobilidade Urbana. Lei N. 12.587. Brasília, 3 de Janeiro de 2012. CHEDE, C. T. 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