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Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística Celio Mauro Placer Rodrigues de Almeida Objetivo Ao longo da história da administração, gestão de transportes, de esto- ques e da informação foram paulatinamente ganhando relevância e a im- portância da função informação na logística somente ganhou destaque neste milênio. Este capítulo tem por objetivo realizar uma análise crítica de alguns modelos de estratégia logística, destacar a importância da sua apli- cação tático-operacional e apresentar um novo modelo estrutural de estra- tégia para a logística, que considera a importância das novas tecnologias de transportes, estoques e informação e sua utilidade junto aos componentes funcionais (tático-operacionais) da logística. Introdução Os estudos da logística e sua história demonstram que, desde a Segunda Guerra Mundial, a logística tem passado por uma evolução intensiva que apre- senta várias fases (ALMEIDA, 2000). Assim, é possível observar que ao longo das últimas décadas a logística tem sido otimizada e seus diversos compo- nentes, antes considerados triviais, se tornaram essenciais. Observar como a estratégia pode utilizar a logística em seus objetivos, bem como, de que forma a logística pode se comportar estrategicamente contribuindo para o cresci- mento das organizações envolvidas tornou-se uma exigência nesses dias. E por fim, refletir como a estratégia se traduz na prática cotidiana das atividades tático-operacionais na gestão de transportes, estoques e informação. A economia, o espaço e o tempo na logística A logística se incumbe de enfrentar problemas relacionados às condicio- nantes espaciais e temporais. A logística, em seu enfoque atual, dedica im- 68 Estratégia Logística portância igual às condicionantes espaciais, resolvendo questões inerentes a “onde”, “quanto” e “como”, bem como às condicionantes temporais que buscam resolver os problemas do “quando”. Basicamente, a logística pressupõe que o objetivo final dos sistemas planejados e implementados, segundo esses prin- cípios, se organiza cientificamente a fim de conseguir soluções econômicas ótimas, onde a preocupação com o equilíbrio dos custos versus o nível de ser- viços, embora não sendo o critério único, tenha papel de destaque. Muitos aspectos estão ligados à funcionalidade da logística como ferra- menta responsável pelos avanços de uma empresa. Pode-se observar, como exemplo, um problema de marketing: a imagem dos produtos de uma em- presa poderá ficar extremamente prejudicada se os serviços de entrega, re- posição de peças, manutenção e assistência técnica não forem satisfatórios para os seus clientes. A entrega dos suprimentos (peças e componentes) no tempo certo assume então um papel de prioridade alta para o sistema como um todo. É óbvio que as questões relacionadas aos custos (transporte, ar- mazenagem, distribuição, controle, processamento etc.) são fundamentais e constituem o ponto principal da avaliação de soluções alternativas. A logística e a estratégia empresarial A literatura apresenta um grande número de modelos para a logística e sua abordagem estratégica. O desenvolvimento de uma estratégia formal para a cadeia de organizações é um passo importante a ser empreendido por toda a organização. Deixar de fazê-lo pode implicar em desperdícios de recursos e as vantagens potenciais do gerenciamento da cadeia de organi- zações talvez nunca sejam realizadas. Uma série de elementos que são rele- vantes para serem incorporados à logística: exigências do atendimento ao cliente; projeto de rede (das vias, das plantas de produção e dos centros de distribuição); gerenciamento de estoques; terceirização e relacionamentos logísticos com terceiros; processos de negócios; projeto organizacional e exi- gências de treinamento; medidas e metas de desempenho. Harrison e Van Hoek (2003) afirmam que, para a estratégia da cadeia de organizações ser eficaz, deve estar vinculada à estratégia geral de negócios das organizações, alinhando de maneira eficaz a cadeia de suprimento para tornar real a visão de entregar valor ao cliente. Coincidindo em ações em direção ao melhor atendimento aos clientes e ao melhor custo total. A gestão estratégica da cadeia de organizações inclui as diversas ativi- dades da organização, desde o nível estratégico, passando pelo tático, até o Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 69 nível operacional. O nível estratégico é responsável pelas decisões que apre- sentam efeitos duradouros e de longo prazo sobre a empresa. Incluem deci- sões quanto ao número, à localização e à capacidade dos depósitos, centros de distribuição (CD’s) e das plantas de produção, e ao fluxo de materiais atra- vés da rede logística. O nível tático inclui decisões que são de curto e médio prazo, normalmente atualizadas em algum período, sistematicamente, entre uma vez a cada mês ou uma vez a cada ano. Estas incluem decisões de produ- ção e de compras, recursos necessários, políticas de estoques e estratégias de transporte, incluindo a frequência com que os clientes são visitados. O nível operacional se refere às decisões do dia a dia, tais como sequenciamento, lead times, alocação de estoques, roteamento, carregamento do caminhão. Michael Porter (1992) considerava a logística interna (de suprimentos e processamento) e a logística externa (de distribuição) como atividades fun- damentalmente primárias para a obtenção dos objetivos estratégicos. Con- siderar estas duas fases da logística como essenciais ao processo estratégico foi um dos pilares do modelo estratégico desenvolvido por Michael Porter, conforme se pode observar na figura 1. Infraestrutura Desenvolvimento de tecnologia Administração de recursos humanos Aquisição A tiv id ad es de a po io A tiv id ad es pr im ár ia s Logística interna Logística externa Operação Marketing e vendas Serviços Margem Margem (P O RT ER , 1 99 2, p . 3 5- 42 ) Figura 1 – O papel da logística na estratégia competitiva. A estratégia competitiva de uma organização exerce um forte impacto nas decisões logísticas, um exemplo típico é o projeto de rede de distribui- ção em que as decisões sobre instalações se referem à localização de instala- ções para produção, armazenagem e/ou instalações ligadas a transporte e à alocação de capacidade e funções de apoio para cada instalação. As decisões estratégicas sobre um Projeto de Rede de Cadeia de Suprimento podem ser elaboradas a partir do papel e da localização das instalações, alocação de 70 Estratégia Logística capacidade e atendimento de mercados e suprimentos e irão interferir no desempenho da empresa como um todo. Porter (1992) apresenta as características da vantagem competitiva na- cional e, dentro do que ele apresenta como aprimoramento dos fatores para a organização, fica evidente que a logística é um elemento preponderan- te de diferenciação em uma nação e o aumento dos custos dos fatores de produção é uma ameaça contínua à vantagem competitiva nacional. Esta concepção pode levar a esforços para inovar e também dar maior enfoque à melhoria logística em segmentos mais avançados da indústria. Com uma reação adequada, a pressão pela redução dos aumentos dos custos dos fato- res e a manutenção do nível de serviços adequado pode levar a uma vanta- gem competitiva diferencial e sustentável. Os estudos da logística e sua história demonstram que, desde a II Guerra Mundial, a logística está passando por uma forte evolução que apresenta várias fases (ALMEIDA, 2000; BALLOU, 1993; BOWERSOX, 1986; HESKETT, 1977; LAMBERT; STOCK, 1992; MAGEE, 1977). Assim, é possível compreender por que ao longo das últimas décadas, a logística tem ampliado e melhorado seus processos e muitos de seus componentes que, embora recentemente implementados, são de grande valia. Assim, a informação com o advento da Era do Conhecimento, a partir da década de 1990, ganhou relevância e hoje substitui com ganhos inestimáveis o transporte e a manutençãode estoques de bens. Desta forma, é necessário ser flexível e acompanhar a evolução dos métodos e processos que se originam nas sociedades modernas em uma velocidade cada vez maior. Harrison e van Hoek (2003) apresentam cinco maneiras de ampliar a com- petitividade por meio da logística: Qualidade – o objetivo básico é realizar processos em toda a cadeia de � suprimento de modo que o produto final cumpra o seu papel em seus mercados, buscando a redução das “não conformidades”, levando-as a zero. A qualidade é o aspecto mais visível da cadeia de suprimento. A indisponibilidade do produto, defeitos e entregas atrasadas são sin- tomas de problemas de qualidade nos processos da cadeia de supri- mento. Tais problemas são visíveis para o cliente final e influenciam de maneira negativa na fidelidade do cliente. Velocidade – atingir o tempo adequado ou quanto tempo um cliente � se dispõe a esperar para receber determinado produto ou serviço. É Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 71 o tempo que leva do momento em que um cliente faz um pedido até o momento em que ele recebe o produto solicitado. Esses tempos de investida podem variar de zero (o produto está disponível de imediato, como nas prateleiras de um supermercado) há meses ou anos (cons- trução de um novo navio). Tempestividade – envolve o cumprimento daquilo que foi prometido. � Como exemplo: o estrito controle dos horários dos transportes ferro- viários e aéreos para monitorar quanto dos horários publicados é de fato cumprido. Flexibilidade – uma cadeia de suprimento precisa ser flexível aos no- � vos produtos e mercados e mudar em função das mudanças na de- manda do cliente, isto é, precisa ser capaz de modificar rapidamente a forma como está fazendo. A flexibilidade assume quatro formas. Em primeiro lugar, a flexibilidade do produto mede a rapidez com que um novo produto pode ser lançado. Em segundo lugar, a flexibilidade do mix mede o tempo que leva para trocar entre diferentes produtos uma determinada variedade. Em terceiro, a flexibilidade de volume mede o tempo que leva para responder a aumentos ou diminuições na deman- da geral. E em quarto lugar, a flexibilidade da entrega mede a capaci- dade de modificar as entregas, seja aumentando-as, seja retendo-as. Custo – baixos custos se traduzem em vantagens no mercado em ter- � mos de preços baixos ou margens altas, ou um pouco de cada. Muitos produtos competem especificamente com base nos preços baixos. Isso é sustentado do ponto de vista de uma cadeia de suprimento pela fabricação, distribuição e atendimento de baixo custo. Para Bowersox e Closs (1986), quanto mais eficiente for o processo do sis- tema logístico de uma organização, maior precisão será requerida do siste- ma de gestão. Da mesma forma, Magee (1977) afirmava na década de 1980 que as tendências no desenvolvimento da logística não identificavam a re- levância da evolução da informação com a capacidade logística, os desen- volvimentos mais notáveis da logística foram àqueles relacionados com o transporte. O desenvolvimento de novas técnicas de transporte e a abertura de novas rotas se situam entre as mais dramáticas conquistas do homem. O desenvolvimento dos sistemas de comunicação – desde o serviço de cor- reios e telégrafos, telefone, até a internet sem fio etc. – tem sido enorme; é interessante notar que estes não têm sido estreitamente identificados com a capacidade logística. 72 Estratégia Logística Novaes (2001), ao relatar a evolução da logística, destaca que a Logística Empresarial evoluiu muito desde seus primórdios. Agrega valor de lugar, de tempo, de qualidade e de informação à cadeia produtiva. Assim, a logística se insere no contexto da administração científica e pragmática como sendo um importante elemento catalisador de soluções apropriadas à consecução dos objetivos táticos e estratégicos. É possível observar o surgimento de uma nova concepção no tratamento de problemas logísticos, a gestão de cadeias de organizações em que a integração entre os processos ao longo da cadeia continua a ser feita em termos de fluxo de materiais, de informação e de di- nheiro, configurando a informação como um dos elementos fundamentais à obtenção dos objetivos estratégicos e funcionais da logística. Um modelo pioneiro de estratégia logística foi apresentado por O’Laughlin, Kevin A. e Copacino, William C. (in The Logistics Handbook, Ro- beson, J. F. e Copacino W. C., 1994: 61) e Christopher (1997) e descreve uma estrutura piramidal (figura 2) formulada pela Arthur Andersen & Co., S.C., que apresenta uma conceituação da gestão estratégica da logística apoiada em quatro níveis: estratégico, estrutural, funcional e de implementação. Ao des- crever o nível funcional, os autores definem os seus componentes: gestão de transportes, gestão de operações de armazém, gestão de materiais. Inade- quado para uma conceituação mais apropriada, pois não se sustenta diante das argumentações científicas de que as verdadeiras atividades funcionais da logística se constituem por gestão da informação, gestão de transportes e movimentação e gestão de estoques. A informação juntamente com a movimentação e transportes e a gestão de estoques é que realizam a função logística. Este modelo apresenta duas falhas importantes: primeiramente, não considera a Gestão da Informação no nível funcional. Ora, sem este elemento, a logística – técnica e operacio- nalmente, não pode funcionar. O autor denomina os “Sistemas de Informa- ção” apenas como elemento do nível de implementação e não do funcional. Como poderia a logística existir ou funcionar sem informação? A gestão da informação é elemento crucial para realização da logística, desde o conhe- cimento das necessidades do cliente/consumidor no nível estratégico até a identificação da carga e seu destino final no nível de implementação, consti- tuindo-se, portanto, elemento funcional e fundamental. Em segundo lugar, é errônea ao alocar em nível funcional o design de operações dos armazéns, que por definição estrutural se apresenta mais como de implementação da “gestão de estoques”, pois a armazenagem ou o design de operações dos Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 73 armazéns é uma das formas de se suportar a Gestão de Estoques, na medida em que muitas vezes não há necessidade de se armazenar nenhum insumo (como no caso dos processos de manufatura em Just-in-Time (JIT) ou entrega no horário ajustado) até casos em que são alugados diversos CDs e galpões para suporte de um aumento de estoques. Desta forma, o mais apropriado é posicionar a gestão de materiais e o design de operações de armazéns no nível de implementação para suportar a gestão de estoques. Estrutural Estratégico Funcional Implementação Serviço ao consumidor Design de operações do armazém Sistemas de informação Políticas e procedimentos Equipamentos e instalações Organização e gerenciamento das mudanças Gestão de Transportes Gestão de materiais Design de canal Estratégia de rede (R O BE SO N ; C O PA CI N O , 1 99 4, p . 6 1) Figura 2 – O modelo pioneiro da estratégia logística. Em termos funcionais, a gestão da informação aliada à gestão da movi- mentação (que tem a gestão de transportes como ferramental) e a gestão de estoques (que inclui armazenagem), é que se constituem de fato em um nível funcional, pois sem esses três elementos a logística não se con- cretiza, não pode funcionar! É possível realizar um processo logístico sem armazenagem, basta se observar o sistema Just-in-Time (JIT) da Toyota, em que não há estoques armazenados, mas sim um processo dinâmico em que cada fornecedor se prepara para produzir o bem que a empresa precisa, na hora exata em que vai utilizá-lo em sua operação industrial de montagem. Assim, a gestão de materiais, deve ser vista como uma atividade de suporte à gestão de estoques e esta juntamente com a gestão da informação aliada à gestão de estoques se constituemnas verdadeiras funcionalidades que se caracterizam como o âmago da logística. 74 Estratégia Logística É importante destacar que a logística, ao entregar o produto ou o serviço, torna a tarefa de marketing completa, fazendo a ligação final entre a organiza- ção e os seus mercados e consumidores. Ela realiza a última etapa do processo de compra por parte do consumidor, ao tornar disponíveis as ofertas das orga- nizações. Assim, para funcionar adequadamente, a logística precisa deter infor- mações sobre seus clientes e consumidores, e sobre as relações entre eles e a organização e domínio das operações de gestão e transferência de estoques. Um novo modelo de estratégia logística Diante da atual situação da tecnologia de informação disponível e diante da necessidade de situar a informação como um importante elemento no nível funcional, propõe-se um novo modelo estratégico para a logística, mais ade- quado e mantendo a sua divisão em quatro níveis (figura 3). No primeiro nível, denominado estratégico, situa-se o cliente/consumidor. No segundo nível, de- nominado estrutural, encontra-se o design do canal e a estrutura de rede. No terceiro nível, aqui denominado de nível funcional, encontram-se a Gestão da Informação, Gestão da Armazenagem e Gestão da Movimentação. No quarto e último nível, denominado nível de implementação, se encontram os elementos básicos para se operar o cotidiano da estratégia empresarial e da logística. Cliente/ Consumidor ESTRATÉGICO REDE E CANAIS ESTRUTURAL GESTÃO DE ESTOQUES (design e operação da infraestrutura de armazenagem) GESTÃO DA MOVIMENTAÇÃO (design e operação da infraestrutura de transportes) FUNCIONAL POLÍTICA E PROCEDIMENTOS (gestão da cultura, da organização e da mudança) IMPLEMENTAÇÃO DESIGN DE SERVIÇOS (armazenagem, transportes e informação) INSTALAÇÃO E EQUIPAMENTOS RECURSOS (matérias-primas, pessoas, conhecimento, capital etc.) GESTÃO DA INFORMAÇÃO (design e operação da infraestrutura de informação) O a ut or . Figura 3 – Modelo de estratégia logística revisto em detalhes. Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 75 Ao sugerir um novo modelo de estratégia logística, o objetivo principal é propor elementos que apresentem real funcionalidade. Adequar os verdadei- ros componentes funcionais ao seu papel na estratégia logística atual. A figura 3 apresenta a revisão do modelo em detalhes e posiciona como elementos participantes no nível funcional a Gestão de Estoques (que incluí a armazena- gem), Gestão da Movimentação (que inclui transportes) e a Gestão da Infor- mação (que inclui comunicação). Estas três funções de gestão respondem, na verdade, pelo funcionamento da logística; portanto, propõe-se nesse capítulo que seja admitido este nível como naturalmente pertencendo à funcionalida- de da logística para um dimensionamento mais apropriado sob a óptica con- ceitual da logística estratégica. A partir das alterações realizadas no modelo pioneiro, torna-se importante detalhar as atividades dos elementos em cada nível do modelo (figura 3). Sem deixar de destacar que sem a integração verti- cal entre os níveis não é possível se avançar nos objetivos estratégicos. O nível estratégico Christopher (1997) afirma categoricamente que o serviço ao cliente é a prin- cipal fonte da vantagem competitiva. Assim, o objetivo do gerenciamento da logística é projetar estratégias que possibilitem a realização de um serviço de qualidade superior e com o menor custo possível. Os requisitos de serviço, for- mulados pelo cliente e pelo consumidor, devem orientar toda a cadeia de or- ganizações, incluindo manufatura, marketing e logística. Caracteriza-se então como absolutamente essencial, um claro entendimento de “como”, “quando”, “onde”, “quanto” e “o quê” os clientes e seus diferentes segmentos necessitam e, consequentemente, desenvolver uma estratégia de serviços aos clientes que possa atender suas expectativas e satisfazer suas necessidades. Para se conhecer claramente o que os clientes necessitam é importante que se realize uma segmentação criativa com pesquisas mercadológicas con- fiáveis. Este é um ponto essencial para que as organizações conheçam seus mercados mais detalhadamente e venham a obter uma posição diferenciada em seus mercados. Em geral, há diferenças estruturais nos compradores e nas variedades de produtos nas indústrias, resultando em segmentos que consistem em um mix de produtos vendidos para um subconjunto de com- pradores. O que se observa na prática é que muitas empresas simplesmente não fazem segmentação de seus mercados, e quando fazem, é apenas geo- gráfica, excluindo a possibilidade de segmentar os mercados por indicado- 76 Estratégia Logística res mais explícitos para a caracterização do serviço logístico mais adequado, um exemplo é o segmento hospitalar em que a urgência e a disponibilidade de estoques são as características mais desejadas, ao passo que no segmen- to de mineração é a capacidade e a regularidade. Uma vantagem que as organizações voltadas para o cliente possuem ao elaborar, a partir da segmentação, o design estratégico de seus serviços lo- gísticos, é que os clientes frequentemente expõem suas necessidades de ser- viços pela descrição franca e detalhada do que necessitam. Diferentemente do mercado de consumo, em que nem sempre os consumidores sabem com clareza o que desejam adquirir para satisfazer uma determinada necessida- de. Assim, para se operar com qualidade superior e atender adequadamente as expectativas de serviço por parte dos clientes, torna-se importante co- nhecer os fatores que distinguem uns dos outros (através da segmentação) e perguntar a estes clientes o que esperam dos serviços logísticos (através da pesquisa sistemática e ad hoc). O nível estrutural Originalmente O’Laughlin, Kevin A. e Copacino, William C. (in ROBESON; COPACINO, 1994), demonstraram ser o nível estrutural composto pelo design de canal e estrutura de rede. Atualmente, pode-se afirmar que o design do canal determina quais atividades e funções necessitam ser estruturadas para um determinado nível de serviços e quais organizações participarão deles. Em outras palavras, define a extensão e o grau de participação de cada um dos membros da cadeia de organizações no design dos serviços logísticos. Muitos fatores influenciam a estratégia para o design de canal, incluindo o nível e a qualidade da demanda dos consumidores, a economia de canal, o papel dos participantes e a força e poder de barganha dos participantes do canal. Nesta etapa, a decisão sobre distribuir diretamente ou adquirir o serviço de terceiros é bastante relevante. A análise detalhada e cuidadosa deve ser feita antecipadamente, pois após a constituição de uma estrutura de canal de distribuição, qualquer alteração na sua configuração original não pode ser obtida no curto prazo. Os canais de distribuição permitem a construção de vantagens compe- titivas sustentáveis por suas características de longo prazo, tanto no pla- nejamento como na implementação, pois propiciam a formatação de uma Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 77 estrutura de organizações e tem por base central os relacionamentos. Sua importância é fundamental e seu custo pode representar uma parcela consi- derável do preço final do produto vendido ao consumidor. O canal é um meio pelo qual um sistema de livre mercado realiza a trans- ferência de propriedade de produtos e serviços. É a arena de batalha onde se irá determinar o sucesso ou o fracasso final de uma organização comer- cial. Para Bowersox (2001), dentre as áreas menos compreendidas no mundo empresarial está o complexo agrupamento de organizações denominadas como canal de distribuição ou canal de marketing. A diversidade e a com- plexidade das relações no canal dificultam a descrição e a generalização dos desafios enfrentados no desenvolvimento de uma estratégia para uma de- terminada cadeia dedistribuição. Assim, os canais não satisfazem apenas a demanda por meio de produtos e serviços no local em quantidade, qualida- de e preço corretos, mas também podem apresentar um papel fundamental no estímulo à demanda, através das atividades promocionais dos compo- nentes ou equipamentos atacadistas, varejistas, representantes e outros. É uma rede orquestrada que cria valor aos usuários finais através da geração das utilidades de tempo, de lugar, de posse e de forma. Os objetivos e funções gerais dos canais de distribuição para Novaes (2001) incluem: garantir a rápida disponibilidade do produto nos segmen- tos dos mercados identificados como prioritários, intensificar ao máximo o potencial de vendas do produto em questão, buscar a cooperação entre os participantes da cadeia de suprimento no que se refere principalmente aos fatores relacionados com a distribuição, assegurar o nível de serviço preesta- belecido pelos parceiros da cadeia de organizações, manter um fluxo seguro de informações rápido e preciso entre os elementos participantes e buscar de forma integrada e permanente a redução de custos atuando, não isolada- mente, mas em uníssono, ao analisar a cadeia de valor como um todo. A constituição da rede física se torna relevante, pois define quais são as instalações necessárias, qual é a missão de cada uma delas e onde poderiam ser alocadas as plantas de produção, almoxarifados, centros de distribuição e outras estruturas necessárias para se operar plenamente o processo pro- dutivo, deixando claro quais clientes e/ou linhas de produtos deverão ser servidos a partir de cada instalação e qual tamanho de cada estoque será necessário manter para satisfazer os níveis especificados de serviço. Também implica em se definir quais destas estruturas poderão ser terceirizadas e quais devem obrigatoriamente ser próprias. 78 Estratégia Logística O desafio nesta etapa é estruturar e implementar os requisitos de serviços sem ignorar os custos (incluídos custos de operação e despesas de implantação), riscos e flexibilidade. Assim, esse processo complexo envolve vários passos: identificar as soluções em cada sistema logístico potencial; � entender os custos, serviços, benefícios, riscos e flexibilidade de cada � um deles; identificar potenciais alternativas adicionais que poderiam ser consi- � deradas. O projeto de rede é uma responsabilidade estrutural da logística, consistin- do em um projeto que envolve a estrutura das instalações da organização para fornecer produtos e materiais aos clientes. Seu objetivo é determinar a quan- tidade e a localização de todos os tipos de instalações necessárias para a exe- cução do processo logístico. Também faz parte determinar o tipo de estoque e o volume a ser armazenado em cada instalação, assim como as formas de vincular os pedidos de clientes aos locais de onde deve ser feita a expedição. A rede logística deve incorporar as capacidades relacionadas com a ca- pacidade de armazenagem, a informação e os transportes. Todas as tarefas específicas associadas ao processamento de pedidos de clientes, à manuten- ção de estoque e ao manuseio de materiais devem ser executadas também dentro da estrutura do projeto de rede que deve considerar as diferenças entre mercados geográficos. Uma organização que atua em escala estadual, por exemplo, deve desenvolver capacitações logísticas para atender a esses principais mercados, diferentemente de uma organização que tenha atua- ção internacional. Não se pode esquecer também da modificação constante da rede de ins- talações visando adaptá-la às mudanças nas infraestruturas da oferta e da demanda. Trata-se de considerar a variedade de produtos, a demanda dos clientes e as necessidades de fabricação que estão em constante mudança diante de uma ambiente dinâmico e competitivo. O nível funcional No nível funcional situam-se as atividades fundamentais, sem as quais a logística não pode funcionar: gestão da informação, gestão de estoques e gestão da movimentação (figura 4). A logística empresarial é aquela que trata Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 79 de todas as atividades de (gestão de) movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como (gestão) dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável. O a ut or . GESTÃO DA INFORMAÇÃO GESTÃO DA MOVIMENTAÇÃO GESTÃO DE ESTOQUE Figura 4 – Atividades funcionais e fundamentais da logística. A gestão de estoques A gestão de estoques se apresenta como essencial à logística, pois deter- mina a importância do nível de disponibilidade do produto. Pode-se definir estoques como sendo quaisquer unidades de bens físicos que sejam con- servados, em algum lugar físico, de forma não produtiva, por algum inter- valo de tempo. Os estoques se constituem tanto de produtos acabados que aguardam venda ou despacho, como matérias-primas e componentes que esperam ser utilizados na produção. O estoque atua como um amortecedor, como um “pulmão” entre os lotes ótimos de produção – LOP, definidos no Plano Mestre de Produção (MRP II), em função de análises racionais lógicas, buscando eficiência máxima, sobre o processo produtivo em suas linhas de produção e os lotes ótimos de con- sumo – LOC, definidos a partir de demandas que podem variar de quase ale- atoriedade total até uma aproximada sazonalidade, semanal, mensal e/ou anual. Gerenciar estoques é compatibilizar os LOPs com os LOCs de forma a manter sempre disponíveis os produtos desejados pelos mercados. A função dos estoques é impedir que os processos de produção e abastecimento dos mercados sejam interrompidos por faltas ou atrasos. Assim, a gestão de es- toques e a compatibilização entre os LOPs e os LOCs é um dos papéis fun- 80 Estratégia Logística damentais da logística e pode incluir desde pequenos armazéns localizados em pontos distantes até grandes Centrais de Distribuição – CDs, localizados junto às fábricas; pode incluir sistemas que fazem entregas diretas desde a fábrica até os grandes magazines ou hipermercados, sem passar por CDs ou armazéns, denominados estoque em trânsito ou armazenagem em instala- ções terceirizadas. Kobayashi (2000) afirma que quando se faz a programação para a produ- ção sob uma previsão da demanda estabelecida previamente, a coisa mais importante é exatamente a modalidade relativa aos estoques dos produtos. Estabelecer a programação da quantidade do nível de estoque de produtos de que se necessita é mais importante do que a programação de vendas. Assim, o gerenciamento de estoques se torna um fator preponderante para a condução da função logística e sua eficiência está condicionada à eficiência da gestão dos estoques. Por isso, a gestão de estoques deve ser considerada como de precípua e vital atuação funcional. Segundo Chopra e Meindl (2003), o nível de disponibilidade do produto é medido usando-se o nível de serviço por ciclo ou grau de atendimento. O nível de disponibilidade mede a fração de demanda do cliente que é satisfei- ta com o estoque disponível. O nível de disponibilidade do produto também pode ser denominado Nível de Serviço ao Cliente. Assim, um alto nível de ser- viço ao cliente manterá em seus estoques um elevado nível de disponibili- dade, o que aumentará os custos, embora atenda satisfatoriamente às de- mandas totais do mercado. Torna-se necessário, então, buscar um equilíbrio entre os custos de se manter os estoques e um atendimento com adequado nível de serviços aos clientes. No que concerne ao estoque, a logística agrega valor quando o estoque é corretamente posicionado para facilitar as vendas. O serviço logístico básico é medido em termos de disponibilidade, desempenho operacional e con- fiabilidade do serviço. Assim, os estoques se constituem em um elemento importante da funcionalidadeda logística. Bowersox e Closs (2001) acres- centam que a responsabilidade operacional da logística está diretamente relacionada com a disponibilidade de matérias-primas, produtos semiaca- bados e estoques de produtos acabados, no local onde são requisitados, ao menor custo possível. É por meio do processo logístico que os materiais fluem pelos sistemas de produção e os produtos são distribuídos para os consumidores pelos canais de marketing. Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 81 A gestão da armazenagem se concentra em definir a localização, o design e operação da infraestrutura de armazenagem e inclui o layout das instala- ções, tecnologia de seleção e manuseio de materiais, produtividade, segu- rança e regulamentação legal, equipamentos de operação, entre outros. A gestão da movimentação A gestão de movimentação inclui os transportes externos e as movimen- tações internas. Transferir bens de um local a outro é claramente uma das atividades funcionais da logística. Sem ela a logística não funciona, pois os produtos e materiais não chegam a outros pontos de demanda e consumo. A forma como o material ou produto será transportado depende das vanta- gens e desvantagens relacionadas aos modais disponíveis, à infraestrutura de transportes, ao volume a ser transportado, à contabilidade e aos custos de movimentação, tempo, legislação, capacidade etc. De acordo com Bowersox e Closs (1996), a funcionalidade do transporte se baseia em duas atividades: movimentação e transporte de produtos. A mo- vimentação de produtos (materiais, componentes, subconjuntos, produtos semiacabados ou produtos acabados) pode ser feita até a fase seguinte do processo de fabricação ou até um local fisicamente mais próximo ao cliente final. O transporte utiliza recursos temporais, já que o produto transportado se torna inacessível durante o processo de movimentação. Este estágio revela um novo tipo de estágio de produto chamado de estoque em trânsito, cuja impor- tância cresce à medida que várias estratégias envolvendo a cadeia de supri- mento visam reduzir os estoques das fábricas e dos centros de distribuição. O principal objetivo do transporte é movimentar produtos de um local de origem até um determinado destino, minimizando ao mesmo tempo recur- sos financeiros, temporais e ambientais. Além da movimentação, o transporte tem como função a estocagem temporária, embora esta seja menos comum. Tal função é efetivada, quando o espaço do depósito é limitado, utilizando- se veículos de transporte para a guarda de produtos através do transporte do produto por um itinerário mais longo até seu destino, com maior tempo de trânsito; ou então quando ocorre a alteração do destino da carga, durante o trânsito, desviando a rota e determinando que a armazenagem temporária seja concluída. O transporte também utiliza recursos financeiros, já que são necessários gastos internos para manter uma frota própria para o trabalho do motorista, para os custos operacionais de veículos e para os custos gerais 82 Estratégia Logística e administrativos, além das despesas decorrentes de possíveis perdas ou danos dos produtos transportados. Por outro lado, gastos externos podem advir da contratação de serviços de terceiros. Assim como utiliza recursos temporais e financeiros, o transporte depen- de de recursos ambientais, tanto direta como indiretamente. De forma direta, pode ser tratado como um dos maiores consumidores de energia (combus- tível e óleo lubrificante) em decorrência das operações globais crescentes que exigem distâncias de transporte cada vez maiores. Indiretamente, o transporte causa danos ambientais em virtude de engarrafamentos, polui- ção do ar e poluição sonora. Comparado a outras atividades empresariais, o transporte assume caráter singular, já que as tomadas de decisão respectivas envolvem e são normalmente influenciadas por cinco componentes: o em- barcador (ponto de origem), o destinatário ou receptor (ponto de destino), a transportadora, o governo e o público, os quais podem estar relacionados em termos de propriedade, ou podem operar de forma independente e re- presentar interesses diferentes. O transporte pode apresentar diferentes formas de realização denomi- nadas “modais” e revela cinco tipos básicos: o ferroviário, o rodoviário, o hi- droviário (também conhecido como aquaviário), o dutoviário e o aeroviário. A importância relativa de cada tipo pode ser medida pela distância coberta pelo sistema, pelo volume do tráfego, pela receita e pela natureza da com- posição do tráfego, e pelos horários de escalas de partida e chegada nos destinos. Assim, a gestão da movimentação se apresenta como de grande importância e o seu papel junto ao nível funcional deve se revestir de cuida- dos e atenção. A gestão da movimentação define o design e operação da infraestrutura de transportes, podendo incluir considerações sobre escolha de modais, seleção de transportadores, racionalização dos transportes, consolidação de cargas, roteirização, agendamento, gerenciamento de frotas, medição de performan- ce de transportes etc. Estas atividades são consideradas primárias porque elas são essenciais para a coordenação e o cumprimento da função logística. A gestão da informação A gestão da informação se incumbe de definir o design e operação da in- fraestrutura de informação, incluindo a definição do ciclo de processamento de pedidos, escolha de software, hardware e sistemas integrados de comu- Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 83 nicação, rastreamento e segurança. Hooley et al. (2001) definem as informa- ções como ativos organizacionais, consideram os sistemas de informação re- levantes à estratégia organizacional e como capacidades funcionais àquelas que incluem as de marketing, gestão financeira e gestão de operações. A logística realiza a tarefa crucial de marketing ao tornar o produto espe- rado um produto recebido e também realiza a entrega do serviço/produto, permitindo que os clientes e/ou consumidores possam satisfazer suas ne- cessidades. Porter (1992) considerou como funções importantes da logística externa, a tecnologia de transporte, a tecnologia de manuseio de material, tecnologias de embalagem, tecnologia de sistemas de comunicação e a tec- nologia de sistemas de informação. Considerou as tecnologias empregadas em logística como atividades de valor e a crescente proliferação dos sistemas de informação como uma poderosa força na abertura de possibilidades para inter-relações. Com a crescente capacidade para manipular dados comple- xos em linha, a tecnologia da informação está possibilitando o desenvolvi- mento de sistemas automatizados de processamento e controle de pedidos, roteirização, sistemas automatizados de manuseio de materiais e depósitos automatizados. A tecnologia de informação também está reestruturando os canais de distribuição, a tecnologia de processamento de informações per- mitiu o estabelecimento de sistemas de informações gerenciais em áreas como logística, gerenciamento de estoque, programação da produção e programação da força de vendas. Para Almeida e Toledo (2004), três décadas atrás o instrumental de comu- nicação e informática não apresentava a flexibilidade, o alcance e a capaci- dade que apresenta hoje, daí a relevância da informação, que antes poderia estar obscurecida pelas restrições inerentes a este sistema, mas que nos dias atuais se torna clara e precisa, podendo ocupar o papel relevante que sua fun- cionalidade determina. Sem informação não há possibilidade de se realizar a logística, sendo então seu papel funcional na estratégia logística essencial. Christopher (1999) considera que o que distingue a verdadeira integra- ção da cadeia de abastecimento de acordos mais efêmeros e vagos é a dis- posição dos participantes em compartilhar informações, sobretudo aquelas relativas à demanda, disponibilidade de estoque e programação da produ- ção. Considera que o objetivo é criar uma“via de informações” que ligue o mercado final a todos os participantes. Esta afirmação por si só denota a rele- vância da função informação na estratégia logística, pois possibilita a todos os participantes da cadeia de abastecimento administrarem suas operações 84 Estratégia Logística visando à obtenção de melhores resultados, com custos mais baixos e com melhor capacidade de resposta. Desta maneira, o autor afirma que há sinais de que, à medida que as organizações reconhecem que competir no desa- fiante mercado de hoje requer uma agilidade cada vez maior, a custos mais baixos, as empresas estão sendo forçadas a criar canais com maior capaci- dade de resposta. O segredo para a realização desses canais mais flexíveis, rápidos e baratos é a troca de informações. Sem ela, é pouco provável que esses novos desafios competitivos possam ser enfrentados. Dornier et al. (2000), em relação a uma gestão eficaz das operações e lo- gística globais, afirmam que o sistema de informações logísticas se tornou um fator crítico de sucesso na estratégia logística. Ele engloba a monitora- ção de fluxo ao longo de toda a cadeia de atividades logísticas, capturan- do dados básicos, transferindo dados para outros centros de tratamento e processamento, armazenando os dados básicos conforme seja necessário, processando dados em informações úteis, armazenando as informações conforme seja necessário e transferindo informações aos usuários e clientes. Assim, fortalecem a percepção de que a gestão da informação na logística é um elemento de grande importância funcional ao afirmarem que, mais que apenas o fluxo de produtos, o sistema logístico está diretamente envolvido com o fluxo de informações (e. g., disponibilidade de produtos, prazo de en- trega, necessidades dos clientes). Dornier et al. (2000), apresentam um modelo em que descrevem as forças dinâmicas da logística global, considerando como fundamentais a logística da informação, logística de recurso e logística do usuário (figura 6): (D O RN IE R; E RN ST ; F EN D ER ; K O U VE LI S, 2 00 0, p . 8 9. A da pt ad o) LOGÍSTICA GLOBAL LO G ÍS TI CA D E IN FO RM AÇÃO LOGÍSTICA DO USUÁRIO LOGÍSTICA DE RECURSO S Figura 6 – Força dinâmicas da logística global. Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 85 As atividades de comunicação e informação se encontram em toda a parte dentro das organizações, mas é no planejamento e implantação de um plano estratégico que sua funcionalidade e controle se apresentam como essen- ciais. Como um avanço natural, é apresentado um modelo onde o gerencia- mento estratégico está fortemente interligado com o sistema de informação e comunicação (figura 7). Na evolução do pensamento estratégico, a integra- ção entre o planejamento e o controle gerencial passa necessariamente por procedimentos de análise, controle das atividades e monitoração, este pro- cedimento se torna crucial para a mensuração da performance da execução de um plano estratégico. Desta forma, parece lógico que um sistema efetivo de informação e comunicação não deve atuar de forma independente do planejamento, de controle gerencial e da estrutura organizacional. Assim, a gestão da informação é um processo formal de identificar a fonte de origem, a forma de obtenção, o tratamento, filtragem e a distribuição das informações relevantes aos gerentes em todos os níveis hierárquicos, o que caracteriza sua funcionalidade como essencial ao andamento de qualquer área de negócio, incluindo as atividades logísticas. Sistema de planejamento Sistema de controle gerenciamento Estrutura organizacional Sistema de motivação e recompensa Sistema de comunicação e informática (H AX ; M A JL U F, 19 84 . A da pt ad o) Figura 7 – Gerenciamento estratégico: integração entre sistemas adminis- trativos, estruturas e cultura em sistemas estratégicos e operacionais. Ao entregar o produto/serviço, a logística torna a tarefa de marketing completa, fazendo a ligação final entre a organização e os seus mercados. Ela realiza a última etapa do processo de aquisição por parte do consumidor, ao tornar disponíveis as ofertas das organizações. Assim, para funcionar ade- quadamente, a logística precisa deter informações sobre seus clientes e con- sumidores, e sobre as relações entre eles e a organização. Hooley et al (2001) definem as informações como ativos organizacionais, consideram os siste- 86 Estratégia Logística mas de informação relevantes à estratégia organizacional e consideram as capacidades funcionais aquelas que incluem as capacidades de marketing, capacidades de gestão financeira e capacidades de gestão de operações. Nível de Implementação Neste nível, se incluem as atividades de suporte e apoio, aquelas que funcionam como instalações e/ou instrumentos para se executar as tarefas que suprirão as operações logísticas. Este é o nível tático-operacional, onde se dão as atividades cotidianas e consiste nos sistemas de suporte, como políticas e procedimentos, operação e manutenção das instalações e equi- pamentos, gerenciamento e mudança da cultura organizacional. Incluem ainda organização racional dos serviços, planejamento e controle das opera- ções, política de serviço ao cliente, gestão da força de trabalho, operação e manutenção de equipamentos e instalações, gerenciamento da qualidade, segurança e responsabilidade social e ambiental além de outras atividades de suporte e apoio à logística operacional e estratégica. Assim, os novos avanços técnicos em comunicações observados em nosso tempo, bem como o processamento de dados e os transportes, podem ace- lerar o reabastecimento, reduzindo o tempo de espera. A substituição do correio por comunicações telefônicas e digitais, do processamento manual de dados pelo eletrônico, permite uma redução direta dos custos, e ainda pode, também, reduzir o tempo de espera e, portanto, o investimento, forta- lecendo assim a importância essencial da gestão da informação como com- ponente crucial na obtenção de uma funcionalidade mais eficiente de sua aplicação. Conclusão A estratégia logística torna-se um importante elemento de posiciona- mento e diferenciação no mercado concorrencial, desempenhando um papel de destaque perante seus mercados e clientes. O desenvolvimento de práticas que privilegiem e excelência em gerenciar os transportes, os esto- ques e as informações podem elevar a organização a um patamar de distin- ção junto aos seus mercados propiciando o desenvolvimento de domínio de conhecimento que permitira a organização crescer e caminhar em direção ao sucesso. Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 87 Com o desenvolvimento de novas tecnologias, as práticas de gestão e estratégia podem se alterar, e o seu aprimoramento se comporta como uma poderosa ferramenta para se buscar o incremento destas práticas e teorias. Os modais de transporte, a utilização de centros de distribuição e o ferra- mental de comunicação e informática passaram a apresentar uma velocida- de, a flexibilidade, o alcance e a capacidade maior até atingir os índices que apresentam hoje, daí a relevância da gestão estratégica aliada às práticas tático-operacionais, que antes poderiam estar obscurecidas pelas restrições inerentes a este sistema, mas que se tornam nos dias atuais claras e precisas, podendo ocupar o papel relevante que sua funcionalidade determina. Sem o uso adequado da tecnologia não há possibilidade de se realizar a logística, sendo então seu papel funcional na estratégia logística essencial e absoluta- mente necessário. Ampliando seus conhecimentos Estratégias logísticas inovadoras Ter uma logística bem conduzida é visto como atividade estratégica para a maioria das empresas de distribuição. Mas é preciso buscar o equilíbrio para manter o foco na natureza comercial (AFTERMARKET, 2004) O que significa a logística para o seu negócio? Ela chega a ser tão impor- tante quanto o relacionamento nasoperações comerciais? Respondem pela exigência de seus clientes de A a Z? Para muitas empresas de distribuição, e também para a área produtiva, o sistema logístico faz parte de um pacote de benefícios que caminha de mãos dadas com a área comercial e pesa na prefe- rência de seus respectivos clientes. Mas cada um tem a sua forma de operar a logística, e poucos pensam em usá-la de outra forma senão a estratégica. A possibilidade de terceirizar o sistema logístico no setor da distribuição de autopeças é visto, por muitos empresários da área, como tão possível quanto haver vida em Marte – ou seja, parece mais uma questão de crença que a falta de evidências positivas leva à negação. No entanto, salvando-se a estratégia comercial de cada empresa, a questão – que já é levada a sério por alguns fabricantes – também poderá ser uma realidade para os distribuidores no futuro. Segundo asseguram grandes grupos de operadores de logística, a 88 Estratégia Logística terceirização é uma possibilidade capaz de trazer vantagens para todo o seg- mento – e significa uma tendência mundial pela profissionalização dos mer- cados em expansão. Será que alguém viu um marciano andando por aí? Indústrias – um início real A logística possui vários conceitos, como aumentar a agilidade e reduzir custos das empresas. Ela começa com uma boa estratégia de negócio e passa por diversas etapas, como descobrir seguras fontes de fornecimento, localizar estrategicamente centros de distribuição, adquirir sistemas informatizados para uma completa gestão de estoque, de transporte, de risco, além de pessoas especializadas e mais uma série de outras atividades e materiais necessários. No Brasil, no entanto – diferentemente de países mais evoluídos comer- cialmente –, para desempenhar qualquer atividade é necessário considerar os impostos que acompanharão cada transação – e que, certamente, terão impactos diretos na localização de fornecedores e nas estratégias dos canais de distribuição. “Infelizmente, a logística fiscal do Brasil ainda desempenha um papel muito importante em termos de resultado no custo final. Existem incentivos no Centro-Oeste que fazem com que não só os aspectos geográfi- cos ou a distância sejam os únicos fatores a serem considerados”, argumenta Francisco Tabajara de Brito, diretor geral de logística da DHL-Danzas. A partir daí, a empresa decide o que vale mais a pena para o seu negócio: assumir a logística ou designar o papel a especialistas. “Os grandes grupos, os mais modernos em todos os segmentos, tendem a ter o foco em seu negócio principal e a terceirizar as atividades que não são de sua natureza. As gran- des indústrias de autopeças fazem isso, delegam a tarefa de operar a logística tanto em termos de armazenagem e manuseio quanto em organização do transporte com especialistas”, expõe Tabajara. Esta é uma tendência real e já praticada por alguns dos grandes fabricantes no Brasil que buscam reduzir o que ele chama de “promiscuidade empresa- rial” – ou seja, o negócio do futuro é ter menos parceiros para efetivar a alta eficiência, produtividade, tecnologia, investimento e facilitar a cobrança de tudo isso. Entretanto, para Carlos Tanaka, gerente de logística da Exata Logística, o potencial tecnológico que as empresas especializadas oferecem poderia ser mais bem explorado pelas indústrias de autopeças. “Existem distribuidores Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 89 muito avançados nessa área e indústrias que têm muito a desenvolver. O mer- cado de autopeças, como um todo, ainda não utiliza o que está disponível”, observa Tanaka. Segundo ele, a logística também tem o conceito de criar faci- lidade para as empresas atingirem novos mercados, e isso aumenta as justifi- cativas em prol da terceirização. Outro ponto apontado por Tabajara é a concentração das indústrias de au- topeças, com grupos maiores abocanhando grupos menores – fato que torna a especialização do setor inevitável. No entanto, vale registrar um alerta especial para os fabricantes. A logística terceirizada, que de fato tem eficiência para fazer chegar uma mercadoria a qualquer parte do mundo em curto tempo, pode representar um problema de relacionamento no mercado de reposição quando não feita com todos os cuidados e critérios. “Se uma indústria deixar seu distribuidor e tiver proble- mas com um operador logístico, o caminho de volta será muito penoso”, co- menta Tabajara. Distribuidor, um meio difícil Mas e quanto ao distribuidor, que também passa por constantes proces- sos de fusões e aquisições em seu mercado e precisa contar com uma logísti- ca tão eficiente quanto seus processos comerciais? O diretor da Danzas-DHL acredita que o distribuidor de autopeças assume uma importante função de operador logístico no mercado de reposição, mas ele recorda que o seu papel, especialmente no Brasil, se justifica muito mais pelos aspectos comerciais e financeiros. “É ele quem dá o crédito, que faz a cobrança, faz a gestão do pedido e tudo mais. Essa é a essência, a vocação da distribuição. A parte logística pode ser terceirizada pelo próprio distribuidor, embora ainda não seja uma prática tão comum assim”, considera Tabajara. A DHL já teve, segundo ele, distribuidores como clientes. Um exemplo recente é de um distribuidor de medicamentos na América Latina – mercado muito parecido com o da reposição automotiva. Embora entenda que a logística dos distribuidores seja fundamental para a atual situação do mercado de reposição, especialmente por serem parceiros estratégicos dos fabricantes, atingirem lugares distantes com rapidez e preços competitivos, e manterem um contato próximo aos seus clientes com regio- nais espalhadas por diversos estados, Tabajara prefere ter a visão de que este 90 Estratégia Logística segmento, assim como qualquer outro que está em amadurecimento, pode chegar muito mais longe. Ele ainda vai além, ao falar na possibilidade de distribuidores que traba- lham com diferentes linhas de produtos se associarem e contratarem um ope- rador logístico único para cuidar desse setor de forma integrada – algo pare- cido com o que fez os jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo ao criarem uma empresa em conjunto para distribuir as publicações em todo o país. “Isso poderia gerar uma grande economia de escala e mais investimentos nos negócios internos”, ressalta Tabajara. Para quem tem filiais Tais ideias, no entanto, não são digeridas tão facilmente por todos os dis- tribuidores. A Pellegrino, por exemplo, que tem como estratégia marcante a presença de filiais em todo o país, acredita que nada substitui a eficiência e a confiança gerada pela proximidade ao cliente. “Nossa política comercial e nossa estratégia logística partem do cliente para dentro da empresa. A logís- tica só vai ser boa se atender as necessidades dele, por isso tenho que estar próximo”, opina Nilton Rocha, diretor comercial da Pellegrino. Um distribuidor que possui muitas filiais – como no caso da Pellegrino que só não cobre os estados do Amazonas, Pará, Roraima e Acre – tem seu traba- lho de logística voltado para duas vertentes: a logística de suprimentos, para repor o estoque das filiais, e a logística de vendas, para fazer chegar ao clien- te os pedidos rapidamente. Quando um pedido que não pode ser atendido totalmente pelo Centro de Distribuição local da Pellegrino, ele é suprido no dia seguinte por meio dos outros CDs. E como não é possível programar ou prever as solicitações dos clientes devido à grande diversidade de itens neste mercado, o trabalho do distribuidor chega a ser “quase artesanal” – apesar de todo o aparato tecnológico embutido em cada processo interno – e, portanto, indispensável. Isso responde, em parte, pela visão do diretor da Pellegrino em não con- siderar o operador logístico como ideal para cuidar do sistema logístico da distribuição de autopeças – apesar de ele também entender que o papel do distribuidor é muito mais comercialdo que um especialista em logística e que, no futuro, pode até haver quem faça esse tipo de parceria. “Mas as parcerias só ocorrem quando, economicamente, são viáveis”, sugere. Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 91 Nilton Rocha emenda outras características do segmento da distribuição para mostrar que os operadores logísticos não os substituem. “Eu banco o meu estoque, coisa que nem a fábrica, nem varejo e tampouco o operador lo- gístico querem fazer”. E ainda brinca: “Se o operador logístico agregasse todos esses serviços, ele se tornaria um distribuidor como nós”. O Know-how do distribuidor é, atualmente, imbatível no mercado segundo a visão de Rocha. “Ele tem uma flexibilidade ímpar, mas que outros operado- res também podem ter. Mas a questão maior é o conhecimento do mercado, o estabelecimento de competências para lidar com suas particularidades”, afirma. Além disso, não lhe agrada a ideia de um operador logístico trabalhar para mais de um distribuidor e saber, de cada um, o seu histórico de vendas. Para quem não tem filiais A logísticas dos distribuidores que não possuem filiais espalhadas pelo país, mas que atendem todo o território nacional, precisa ser muito aprimora- da para conseguir ficar frente a frente com a concorrência e manter a compe- titividade. Para eles, é mais possível imaginar que a terceirização do sistema de logística traga problemas a menos e vantagens a mais para seus negócios. “A terceirização é um passo importante que ainda não chegou ao nosso segmento, mas seria muito interessante se chegasse”, opina Delci Cruvinel, di- retor comercial de Barros – um exemplo de distribuidor que teve que criar uma estrutura interna para abrigar um completo sistema de logística em sua matriz, em Mogi Mirim (SP), e levar todo o seu portfólio de vendas a qualquer ponto do país. “O processo de logística começa antes da empresa e termina depois dela”, observa Cruvinel, ao comentar que seu sistema permite visualizar a situa- ção das mercadorias desde a saída das fábricas até a chegada ao cliente. Foram altas cifras de investimentos em produtos, tecnologia de informa- ção e pessoas especializadas a fim de garantir uma movimentação interna co- erente entre a armazenagem e distribuição, incluindo um departamento de transporte no qual toda a administração é gerenciada, exceto a operaciona- lização. “Nossa estratégia é voltada para ter o máximo de produtos e atender qualquer necessidade dos clientes em todo o Brasil. Temos todos os produtos disponíveis em estoque, e não uma lista de vendas com estoque indisponível”, explica Cruvinel. Ele afirma que está bem atento ao mercado e que se chegar o momento de precisar abrir filiais, a questão será considerada, desde que a estratégia seja mantida em cada filial. 92 Estratégia Logística Estar atento ao mercado, para ele, também significa considerar tendências como a terceirização. “Isso já não é sonho, é uma realidade que só depende do amadurecimento do mercado para ser viável. A regra número um hoje é preço. O operador logístico tem um custo, e nosso mercado ainda não aceita esse adicional. Se a capacidade do mercado hoje em dia não suporta mais custos, é porque ele é regido puramente por preços”. Na visão do diretor da Barros, mercados maduros costumam colocar a questão “preço” por volta do quarto lugar na ordem de importância para seus negócios. Estes mercados privilegiam itens como serviço, logística, disponibi- lidade da mercadoria, qualidade, rede de informações e uma série de outros fatores que, no caso da distribuição independente, poderiam estar voltados para ajudar o cliente varejista a escoar seus produtos e dar mais qualidade aos serviços. “A terceirização iria realmente trazer benefícios mesmo para quem já tem vários centros de distribuição, desde que feita com quem tem expertise”. O foco total na área comercial seria otimizada com a logística nas mãos de um confiável operador, segundo Cruvinel. “Se chegarmos em um momento de maturidade de deixarmos a logística para outros, teremos mais tempo para sentar com o cliente e ajudá-lo a vender mais”. Para ele, a maturidade necessária para o mercado sustentar um novo tipo de crescimento não se deve aos empresários do setor, e sim ao mercado como um todo. “O processo existe, mas ainda é lento. Haja vista a manutenção pre- ventiva que há tanto tempo está sendo discutida e ainda não se tornou re- alidade. Fazendo uma analogia, essa maturidade do mercado é para longo prazo”. A eficácia do distribuidor Independentemente de terceirização da logística, a eficácia do atendimen- to do distribuidor é algo que não pode sofrer remendos. Isso vale para qual- quer estratégia de logística aplicada, mas de forma especial para as empresas que não têm filiais. O fato de um distribuidor ter uma logística avançada e moderna o permite trabalhar com um centro de distribuição e atingir diversas localidades com eficiência. “Mas aí tem que saber combinar isso com a estra- tégia de distribuição e comercial, pois existe um tempo de atendimento que está ligado à distância”, ressalta Francisco Tabajara de Brito, diretor de logística da Danzas-DHL. Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 93 Embora a informática permita fazer fluir com bom desempenho o sistema de distribuição desde a tomada do pedido, o que conta agora é a “eficácia do atendimento, não só a eficiência”, afirma o especialista. Nesta corrida, a questão de ter ou não filiais é inevitável. “Há que se considerar, primeiro, os aspectos fiscais e, em segundo, o aumento do inventário”, informa Tabajara. Segundo ele, é necessário dobrar o valor do inventário na medida em que se vai tendo mais pontos de estoque. Por isso, a distribuição a partir de um único ponto ainda é a solução mais vantajosa do ponto de vista do valor do inventá- rio. “Este valor no Brasil é muito importante em função do custo do dinheiro. Investir em estoque tem um custo muito alto de oportunidades. Com estoque centralizado, consigo racionalizá-lo e ter menos risco de faltas”. Mas há diversas empresas que não possuem filiais e que enfrentam pro- blemas de distribuição. No caso da Jahu, que atende todo o Brasil e possui uma logística interna considerada complexa devido a grande quantidade de linhas de produtos com as quais trabalha, a logística é encerrada na saída do pedido e todo o transporte é terceirizado, com fretes pagos pelo próprio cliente. Isso faz com que ela perca a preferência nos pedidos urgentes. “Temos preços muito competitivos, mas quando as lojas precisam de algo urgente, elas pagam mais caro o frete ou compram de um distribuidor regional”, conta Alcides Acerbi Neto, diretor da Jahu. Nesse ponto, Tabajara diz que deve ser levado em conta no planejamento de logística da empresa muita organização, um excelente gerenciamento do transporte e parcerias estratégicas. “Para atender um cliente distante, que faz pedidos pequenos e fracionados, os custos de transporte, manuseio e tudo mais vai crescer de forma exponencial, e o próprio cliente vai ter problema para receber todo dia”, diz Tabajara. Seria preciso alguém que trabalhasse junto com o cliente para fazer a organização e consolidação dos pedidos, atendendo de forma racional. Como isso seria possível? “Gerando relatórios, trabalhando com o cliente e cuidando do gerenciamento de transporte para que o distribuidor verifi- que como adequar suas estratégias de canais para atingir eficácia no custo do transporte, do atendimento e do pedido”. O especialista assegura que é uma questão de tempo para o cliente organizar os pedidos de acordo com o estabelecido. No entanto, nenhuma organização é possível sem investimento em pessoal qualificado e em tecnologia. 94 Estratégia Logística Ponto positivo para o Brasil A tecnologia logística operada aqui, tanto por operadores quanto por distribuidores, não é diferente daquilo que é feito em países de primeiro mundo. Embora a afirmação dos especialistas nãoconsidere o desempenho nacional tão eficiente quanto o europeu ou americano (devido à “logística tributária”, que acaba tendo uma importância maior do que a física no Brasil), a tecnologia empregada por uma parte considerável do mercado está up to date. “Existem distribuidores muito avançados, mas também há indústrias que têm muito a desenvolver. O mercado de autopeças como um todo ainda não utiliza o que está disponível para ele”, observa Carlos Tanaka, gerente de logística da Exata Logística. Um dos sistemas mais comuns usados por diversos distribuidores nacio- nais e operadores de logística é o WMS (Warehouse Management System), um pacote diferenciado de soluções concentradas em um software, que oferece um gerenciamento otimizado de todos os recursos da logística de uma em- presa. “O WMS faz uma gestão inteligente do estoque, o rastreamento on-line do armazenamento desde o recebimento, controla docas, portarias, otimiza o processo de picking (separação) e muito mais”, conta Tanaka. Entre outras funções, o WMS pode fazer o recebimento de mercadorias por código de barras e controle cíclico do inventário, o que garante acuracidade total do estoque. “Estes sistemas permitem administrar mais de um estoque a partir de outros locais, saber quanto os clientes estão consumindo e fazer a reposição automática na medida certa”. O transporte também prevê softwares de gestão. Conhecido como TMS (Transport Management System) esse sistema gerencia as transportadoras, o nível de atendimento do cliente, auditora fretes e considera sempre o perfil da mercadoria. Há também softwares roteirizados, que aconselham a melhor rota para fazer as entregas, e os rastreadores, que fazem todo o monitoramento dos veículos. Frete é marketing ou custo? Quando se fala em logística, o frete está sempre na pauta. Hoje em dia é difícil encontrar um distribuidor que não banque o frete de seu cliente e sacri- Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 95 fique suas margens do lucro. Muitos têm saudades do tempo em que acres- centavam ao preço de compra de um produto os percentuais de despesas fixas, variáveis, taxas, custos do estoque e também o frete, a fim de estabe- lecer o preço de venda. Hoje, os distribuidores precisam vender um volume grande de mercadorias para que os pequenos lucros obtidos em cada venda cubra tantas despesas. E quando o volume de vendas não é grande, o prejuízo passa a ser. Segundo Nilton Rocha, diretor da Pellegrino, o frete era como um valor agregado ao serviço, utilizado até mesmo como marketing. “Mas quando todo mundo faz a mesma coisa, ele passa a ser uma despesa. Hoje, não consi- go colocar no preço da mercadoria o custo desse frete”. Delci Cruvinel, diretor da Barros, acredita que o frete representa de 1,5% a 3,5% do valor da venda, dependendo da negociação e volume de serviços en- tregues à transportadora. Para ele, não cobrar o frete do cliente é uma vanta- gem que ainda pode ser usada como marketing, mas sem desprezar os custos envolvidos. “Somos obrigados a adotar estratégias e investimentos para evitar influências na rentabilidade final”, conta. Com a parceria de um operador lo- gístico, a política de fretes ficaria também a cargo dele. Segundo os especia- listas, a busca é sempre por reduzir custos, otimizando entregas e negociando com transportadoras que oferecem a política de preços mais adequada a cada situação. A logística como estratégia de competitividade (RIBEIRO, 2008) A logística decidiu a guerra no Golfo! Dito desta forma para um leigo, isto pode parecer estranho. Porém nos meios militares esta afirmativa tem total coerência. Você já imaginou a coordenação logística fazendo com que nada faltasse na hora necessária, o favor preponderante a favor das forças americanas. Na guerra da competitividade a logística vai representar vantagem compe- titiva entre empresas concorrentes. Quando se fala em logística a ideia predominante é com relação à distri- buição física de produtos acabados, onde pôr sinal já existem processos bem 96 Estratégia Logística desenvolvidos. Entretanto, a abordagem pelo lado do fornecimento de ma- térias-primas e componentes, os sistemas convencionais em uso, estão total- mente ultrapassados. O maior demonstrativo desta afirmação é o ambiente nos setores de Plane- jamento e Controle da Produção ou de Logística, que mais parecem um pregão de Bolsa de Valores, com os Programadores a beira de um ataque de nervos. As solicitações frequentes de troca da programação de entrega, para suprir necessidades da falta de determinados componentes, geram tumulto no for- necimento e custos elevados. O sistema just-in-time (JIT), passa a operar de modo inverso, e na base do Jesus-is-time. A logística de abastecimento de materiais tem como princípio entregar o material certo, na hora certa, na quantidade e qualidade especificadas, evitan- do interrupções dos setores de montagem. Estudos realizados demonstram que, apesar dos níveis de estoques eleva- dos, as paralisações por falta de componentes chegam a atingir 40% das per- turbações responsáveis pelas paradas das linhas de montagem. Multiplique- -se o tempo de parada pelo número de funcionários envolvidos, e este custo, por si só, já justificará ações corretivas imediatas. Por este motivo o conceito tradicional de que estoques representam um colchão, eliminando as inefici- ências com faltas de material, ou falhas com matérias-primas, mão de obra, manutenção, qualidade e tantas outras. O sistema logístico de materiais integrando fornecedor- consumidor dentro do principio de parceria possibilita eliminar estes problemas e operar máximos inferiores há 10 dias. No entanto a operacionalização deste sistema requer metodologia e procedimentos inovadores em relação ao tradicional. A estruturação do sistema logístico passa a ser linha de produto, em con- traposição a organização convencional por fornecedor. Deste modo quando a linha de montagem para por falta de um componente até que se elimine a causa geradora do problema. É o consumo, que priorizando as necessidades de produção, controla os níveis adequados de estoques. Por outro lado o sistema “MRP” (Material Requirement Planing) que alcança ótimo desempenho no planejamento de necessidades, se mostra lento e inefi- caz para acompanhar as mudanças rápidas que ocorrem no dia a dia dos seto- res de produção. Neste particular o software “SIK” – Sistema Integrado KANBAN, Atividades estratégicas e tático-operacionais em logística 97 permite operar as funções da logística, segundo a metodologia KANBAN sim- plificando o processo, trazendo tranquilidade operacional para o setor. A estabilização da economia e a redução gradual das alíquotas de impor- tação estão obrigando as empresas a rever os conceitos de competitividade. Entretando sem um sistema logístico que elimine a desordem existente no abastecimento de materiais, elas dificilmente conseguirão adquirir um pata- mar competitivo diferenciado em relação aos concorrentes. Com esforço re- dobrado, podem até alcançar algum resultado. Entretanto, a falta de consci- ência e de continuidade se encarregará de jogar por terra, em curto prazo, os resultados alcançados. Atividades de aplicação 1. Discorra sobre o papel da logística na estratégia empresarial. 2. Apresente as cinco maneiras de ampliar a competitividade por meio da logística: 3. Qual é o papel e a função da Gestão da Informação?