Prévia do material em texto
PROCESSAMENTO DE DOCE DE LEITE Google imagens LEITES DESIDRATADOS Definição: produto resultante da desidratação parcial ou total, em condições adequadas, do leite. Desidratação parcial: leite concentrado, evaporado, condensado e doce de leite. Desidratação total: leite em pó e farinhas lácteas. DOCE DE LEITE Google imagens HISTÓRICO Origem incerta: disputada por países como Chile, Peru, Uruguai e Argentina A origem está ligada à rápida expansão na produção de sacarose de cana-de-açúcar nas ilhas ibéricas, no século XV; A versão patriótica argentina afirma que ele teria sido inventado por Juan Manuel de Rosas, um político argentino do século XIX. Ele estaria preparando um pouco de leite quente numa tarde de inverno, quando alguém bateu à porta. Ele esqueceu a panela no fogo, dando origem ao doce de leite. Brasil e América Central a partir do século XVI para melhorar a conservação, a palatabilidade, reduzindo custos com transporte, armazenamento e estocagem e tornando-o mais atraente para o consumidor. RIISPOA*: ✓ É o produto lácteo ou produto lácteo composto obtido por meio da concentração do leite ou do leite reconstituído sob ação do calor à pressão normal ou reduzida, com adição de sacarose - parcialmente substituída ou não por monossacarídeos, dissacarídeos ou ambos - com ou sem adição de sólidos de origem láctea, de creme e de outras substâncias alimentícias. *Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária dos Produtos de Origem Animal DEFINIÇÃO Decreto 9013 / 17 COMPOSIÇÃO Leite e/ou leite reconstituído; Sacarose no máximo 30kg/100 l de Leite Creme; Sólidos de origem láctea; Mono e dissacarídeos - substitua a sacarose (máx. 40% m/m); Amidos ou amidos modificados – máx. 0,5g/100ml no leite; Cacau, chocolate, coco, amêndoas, amendoim, frutas secas, cereais e/ou outros produtos alimentícios isolados ou misturados, proporção entre 5% e 30% m/m do produto final. Ingredientes obrigatórios Ingredientes opcionais Consistência: cremosa ou pastosa, sem cristais perceptíveis sensorialmente. A consistência poderá ser mais firme no caso do Doce de Leite para Confeitaria e/ou Sorveteria. Poderá ainda apresentar consistência semi-sólida ou sólida e parcialmente cristalizada quando a umidade não supere 20%m/m. Cor: castanho caramelado proveniente da reação de Maillard. No caso de doce de leite para sorveteria a cor poderá corresponder ao corante adicionado. Sabor e Odor: doce característico, sem sabores e odores estranhos. CARACTERISTICAS Características Sensoriais COMPOSIÇÃO 137/96 - MERCOSUL/GMC/RES CLASSIFICAÇÃO Doce de Leite; Doce de Leite com Creme Doce de Leite ou Doce de Leite sem adições - Quando adicionado de aditivos espessantes/estabilizantes e/ou umectantes autorizados - Doce de Leite para confeitaria. - Quando adicionado de corantes - Doce de Leite para sorveteria. Doce de Leite com adições. - Quando adicionado de substâncias alimentícias - Doce de Leite com .... Ou Doce de leite misto. De acordo com o conteúdo de matéria gorda De acordo com a adição ou não de outras substâncias alimentícias De acordo com a proporção de açúcar adicionado: Doce de leite em pasta: Obtido da concentração e caramelização da mistura de leite padronizado com açúcar, em torno de 18- 20%. Doce de leite em tabletes: semelhante ao anterior, contendo, porém, uma maior concentração de açúcar (30%) e sofrendo uma agitação mais lenta, o que lhe enseja maior consistência. FORMAS DE APRESENTAÇÃO Google imagens Outros tipos: Doce de leite com creme: adicionado ao leite 8-15% de creme com 30- 40% de matéria-graxa. + macia, textura lisa e brilhante; Doce de leite com mel: adição de 1% de mel, pouco antes do ponto final; Doce de leite com chocolate: adição de 0,5-1% de chocolate diluído em água Doce de leite com coco, com ameixa, amêndoas... Doce de leite batido: é o doce em tablete triturado em máquinas especiais; Doce tipo “pingo-de-leite”: apresentado em pequenos pedaços. FORMAS DE APRESENTAÇÃO Adição de outros produtos alimentícios isolados ou mistura na proporção de 5% a 30% do produto final Google imagens FLUXOGRAMA GERAL Google imagens MATÉRIA-PRIMA (SELEÇÃO E PESAGEM) PADRONIZAÇÃO ADIÇÃO DE NaHCO3 (NEUTRALIZAÇÃO) AQUECIMENTO ADIÇÃO DO AÇÚCAR CONCENTRAÇÃO PONTO DO DOCE RESFRIAMENTO ENVASE(ENCHIMENTO) ARMAZENAMENTO DISTRIBUIÇÃO FLUXOGRAMA DE PRODUÇÃO DOCE DE LEITE Qualidade da matéria-prima O leite deverá ser fresco e de boa qualidade; São feitas as análises do leite; Acidez de no máximo 18ºD, pois um leite com acidez elevada produzirá um doce de textura esfarinhada ou talhada; Padronização da Gordura O leite deve ser padronizado com no mínimo 1,5 a 2% de gordura; A % de gordura influencia na quantidade de açúcar a ser usada (quanto > a % de gordura, > a quantidade de açúcar); DESCRIÇÃO DO FLUXOGRAMA Redução da acidez: Adição do NaHCO3 (agente neutralizante) A desacidificação do leite evita a desnaturação protéica e o escurecimento do produto. Deve-se reduzir a acidez do leite até 13ºD; A quantidade de NaHCO3 a ser adicionada deve ser calculada de acordo com a acidez inicial do leite; DESCRIÇÃO DO FLUXOGRAMA Google imagens Cálculo do NaHCO3 (agente neutralizante) Como? Em 100 L de leite com acidez de 180D, quanto de bicarbonato de sódio coloco no leite para reduzir acidez para 13ºD. Sabe-se que para cada 1ºD, corresponde 0,1g de ácido lático. Peso do NaHCO3 = 84 Peso do ác. Lático = 90 DESCRIÇÃO DO FLUXOGRAMA 18º - 13º = 5ºD a reduzir por litro de leite, o que corresponde a 5 x 0,1 = 0,5g de ácido lático por litro 100 litros de leite teremos que neutralizar 100 x 0,5g = 50g de ácido lático. 84-------------90 X--------------50 X = 46,6g NaHCO3 46,6g NaHCO3 ------------- 100% X-------------------------------- 80% 100 x 46,6 X = ---------------------- = 4660 => X = 58,29 NaHCO3 80 Como? Em 550 L de leite com acidez de 180D, quanto de bicarbonato de sódio coloco no leite para reduzir acidez para 13ºD. Fórmulas: N = D x V x 0,093 N=quantidade aproximada, em gramas, do NaHCO3 a ser adicionado; D= acidez, em graus Dornic, a ser neutralizada; V= volume total de leite, em litros; 0,093= constante. DESCRIÇÃO DO FLUXOGRAMA Aquecimento ou Evaporação É realizado em tacho a vapor sob agitação constante; Adição do açúcar A sacarose deve ser de boa qualidade e sem acidez, sendo preferível o açúcar refinado (cristais menores, sem impurezas). Quantidade: 20 a 25% - doce em pasta; 30 a 35% - doce em tablete; Adiciona-se o açúcar quando o leite se apresentar parcialmente concentrado (perda de 25% H2O); Colocar com cuidado para não grudar nas paredes - caramelização A glicose pode também ser utilizada substituindo-se uma parte de sacarose (40%). A glicose evita a cristalização, açucaramento, melhora a textura e o brilho do doce; DESCRIÇÃO DO FLUXOGRAMA Google imagens Concentração Em tacho a vapor sob agitação constante, para aquecimento homogêneo e evitar sobreaquecimento; Aquecimento a 950C por 2 a 2,5h, consistência desejada; Concentrado a uma temperatura suficiente para deixar o leite sempre em ebulição, evitando as temperaturas elevadas demais - escurecimento excessivo; Nesta etapa ocorre os processo de caramelização e Reação de Maillard que conferem a coloração escura ao doce. DESCRIÇÃO DO FLUXOGRAMA Ponto do doce Feito de diversos modos: 1. Retirar uma gota do doce e colocá-la sobre o mármore, verificar a consistência do doce quando resfriar; 2. Teste com “copo com água” → Gotejar algumas gotas de doce num copo c/ água. Se o doce estiver no ponto, as gotas irão até o fundo do copo sem dissolver; 3. Tomar uma gota de doce entre o polegar e o indicador e verificar a formação do fio. 4. Teste com um refratômetro → faixa de 65 a 68°Brix, o que representa cercade 70% de sólidos totais DESCRIÇÃO DO FLUXOGRAMA Resfriamento Doce em pasta: após atingir o ponto, resfriar o doce até 70 a 75 ºC no próprio tacho (sem vapor), sob agitação (5 a 10 min.), com circulação de água refrigerada para atingir a temperatura desejada; Doce em tablete: após o doce tomar corpo, desliga- se o vapor deixa sob agitação por 10 min. Depois bate-se vigorosamente com pá por mais 10min. Dando ao doce um resfriamento até 40 ºC. DESCRIÇÃO DO FLUXOGRAMA Google imagens Envase (Enchimento) Doce em pasta: realizado a quente, o doce é colocado nas embalagens (lata ou vidro) o mais rápido possível, estas são fechadas e viradas de cabeça para baixo (esterilização da tampa). Doce em tablete: realizado em formas de madeira com fundo retangular, coberta com papel celofane; Armazenamento Em lugar limpo e arejado com temperatura de 20 a 30ºC; Validade: média de 3 meses. DESCRIÇÃO DO FLUXOGRAMA Google imagens As embalagens de doce de leite devem proteger contra a perda de umidade e dificultar a passagem de oxigênio (ranço), além de impedir a contaminação microbiológica (fungos); As embalagens rígidas mais comuns são: os copos e potes de vidro e as latas, que apresentam como vantagem o fechamento hermético; + utilizadas em doce pastoso As embalagens semi-rígidas, termoformadas, principalmente de polipropileno, apresentam como vantagens o baixo peso, a resistência e razoável proteção ao oxigênio e à perda de umidade; Flexíveis:mais utilizado é o celofane, para doce em tablete. EMBALAGENS EMBALAGENS Google imagens CÁLCULO DO RENDIMENTO R = Rendimento em kg; SM = Matéria seca da mistura; SD = Matéria seca do doce. SM x 100 R = SD Rendimento é em torno de 40% a 50% em peso. Coloração muito escura: - Uso excessivo de NaHCO3, com redução exagerada da acidez; - Uso do leite muito ácido; - Aquecimento muito prolongado do leite. Coloração muito clara: - Período de cocção (concentração) muito curto. - Baixa temperatura; - Erro na redução da acidez (falta bicarbonato) Aspecto talhado: - Uso de leite com acidez elevada ou de açúcar. Textura quebradiça: - Concentração excessiva de sólidos, ligada a gordura; - Embalagem com permeabilidade excessiva vapor d´água - UR do ambiente muito baixa em relação ao doce. DEFEITOS Google imagens Textura açucarada: - Excessivo uso de sacarose. Sabor e aroma de fermentados: - Desenvolvimento de leveduras osmofílicas ( açúcar) Doce decantado: - Presença de água de baixo do doce (uso errado da glicose); Crescimento de mofo na superfície: - Umidade do doce (pouco concentrado); - UR no armazenamento; - Material da embalagem Cristalização: - Presença de cristais de lactose – tato e paladar; - Maior ocorrência e + difícil controle; DEFEITOS PLANTA BAIXA Google imagens RIC Rural ensina a receita de Doce de Leite Pastoso – YouTube https://www.youtube.com/watch?v=C77dysz4xqM BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Portaria 146 de 07 de Março de 1996. EVANGELISTA, J., Tecnologia de Alimentos. São Paulo, Atheneu, 2008. FELLOWS, P. J., Tecnologia do Processamento de Alimentos: princípios e prática, Porto Alegre, Artmed, 2006. ORDONEZ, J. A., Tecnologia dos Alimentos: Alimentos de Origem Animal, Porto Alegre, Artmed, 2005. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA OBRIGADA https://www.youtube.com/watch?v=iOmh29mYz7k Google imagens https://www.youtube.com/watch?v=iOmh29mYz7k