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FUNDAMENTOS DA CINESIOLOGIA 
E BIOMECÂNICA
2
Rodrigo Martins Pereira
Londrina
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
2024
FUNDAMENTOS DA CINESIOLOGIA E 
BIOMECÂNICA
1ª edição
3
2024
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
Homepage: https://www.cogna.com.br/
Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM
Silvia Rodrigues Cima Bizatto
Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl
Ana Carolina Gulelmo Staut
Camila Braga de Oliveira Higa
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Juliana Schiavetto Dauricio
Juliane Raniro Hehl
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Coordenador
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Revisor
André Victor Cordeiro
Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Rosana Silverio Siqueira
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ 
Pereira, Rodrigo Martins
Fundamentos de cinesiologia e biomecânica/Rodrigo Martins 
Pereira, – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2024.
32 p.
ISBN 978-65-5903-664-6 
 1. Cinesiologia. 2. Biomecânica. 3. Movimento. I. Título.
CDU 531.76 
_____________________________________________________________________________ 
 Raquel Torres – CRB 8/10534
P436f 
© 2024 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer 
modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo 
de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e 
Distribuidora Educacional S.A.
https://www.cogna.com.br/
4
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina __________________________________ 05
Introdução à Cinesiologia e Biomecânica ____________________ 07
Cinesiologia e Biomecânica em diferentes tipos de 
treinamento _________________________________________________ 18
Análise do movimento humano _____________________________ 30
Mecânica articular e Métodos para prevenção de lesões ____ 43
FUNDAMENTOS DE CINESIOLOGIA E BIOMECÂNICA
5
Apresentação da disciplina
Bem-vindo à disciplina Fundamentos da Cinesiologia e Biomecânica. 
Esta disciplina é essencial para quem deseja aprofundar seus 
conhecimentos no movimento humano e na interação dos componentes 
musculoesqueléticos durante o treinamento físico. Ao longo desta 
jornada, você desenvolverá competências e habilidades cruciais para 
sua vida profissional, especialmente se você atua ou pretende atuar nas 
áreas de educação física, fisioterapia, treinamento esportivo ou personal 
training.
Nosso objetivo é proporcionar uma compreensão das diferentes 
estruturas e dos movimentos relacionados ao treinamento focado nas 
diferentes capacidades físicas.
A disciplina está estruturada em quatro módulos principais:
Introdução à Cinesiologia e Biomecânica:
Aqui, você será introduzido às definições e aos conceitos fundamentais 
da Cinesiologia e Biomecânica. Exploraremos a importância 
de compreender a mecânica do corpo humano e como esses 
conhecimentos se aplicam à prática profissional.
Cinesiologia e Biomecânica em Diferentes Tipos de Treinamento:
Este módulo aborda o treinamento de força, treinamento funcional e 
treinamento esportivo. Analisaremos a incidência de lesões e a interação 
dos componentes musculoesqueléticos com a mecânica articular. Você 
aprenderá a aplicar a análise biomecânica qualitativa para melhorar 
técnicas e treinamentos específicos.
6
Análise do Movimento Humano:
Focaremos na análise biomecânica e eletromiográfica de exercícios, 
considerando as especificidades de diferentes grupos musculares e 
como adaptar exercícios às necessidades do aparelho locomotor, além 
de discutir sua aplicação na pesquisa, na clínica e no esporte.
Mecânica Articular e Prevenção de Lesões:
Este módulo explora a arquitetura e estabilidade articular, os 
movimentos de várias articulações do corpo e as principais lesões.
Estudar cinesiologia e biomecânica é vital para uma prática profissional 
segura e eficiente, prevenindo lesões e otimizando o desempenho 
físico. Esta disciplina não só ampliará seu conhecimento teórico, mas 
também fornecerá ferramentas práticas para aplicar no dia a dia 
de sua profissão. Prepare-se para uma experiência de aprendizado 
enriquecedora e transformadora!
Esperamos que você aproveite ao máximo esta oportunidade e se 
inspire a explorar profundamente os movimentos do corpo humano. 
Seja bem-vindo e bons estudos!
7
Introdução à Cinesiologia e 
Biomecânica
Autoria: Rodrigo Martins Pereira
Leitura crítica: André Victor Cordeiro
Objetivos
• Definir os conceitos fundamentais em cinesiologia e 
biomecânica.
• Discutir a importância da compreensão da mecânica 
do corpo humano para o treinamento esportivo e 
personal training. 
• Trazer uma abordagem histórica e a evolução dos 
estudos de cinesiologia e biomecânica. 
8
1. Introdução ao estudo do movimento 
humano
Durante nossas rotinas diárias, constantemente observamos os 
movimentos humanos ao nosso redor. Desde os primeiros passos de 
um bebê até os saltos impressionantes de atletas, o movimento é uma 
parte intrínseca da nossa experiência. Você já se perguntou como um 
atleta de ginástica artística é capaz de saltar muito acima da sua própria 
altura? Ou como uma patinadora no gelo é capaz de controlar com tanta 
precisão os movimentos ao redor do seu próprio eixo corporal? Ou 
como movimentos aparentemente simples que fazemos na academia de 
musculação exigem um profundo conhecimento para que alcancemos 
nossos resultados de modo seguro? Quando nos atentamos a isso, 
estamos contemplando aplicações práticas dos conhecimentos em 
Cinesiologia e Biomecânica.
De acordo com Hall (2000), a Cinesiologia é considerada o estudo do 
movimento humano. Este campo de estudo abrange um espectro 
vasto de atividades físicas, o que frequentemente leva a ambiguidades 
entre os termos Cinesiologia e Biomecânica. Para esclarecer, podemos 
associar a análise cinesiológica à observação detalhada dos movimentos, 
identificando e detalhando as contribuições anatômicas e fisiológicas 
para tais movimentos. A Cinesiologia envolve a descrição dos 
movimentos humanos em termos de músculos, ossos, articulações e a 
função destes componentes durante a atividade física. Por outro lado, 
a Biomecânica relaciona-se com a aplicação de princípios mecânicos no 
estudo de organismos vivos. Ela baseia-se na mecânica, uma ramificação 
da física que analisa as ações das forças sobre partículas e sistemas 
mecânicos. A mecânica, por sua vez, se divide em dois ramos principais: 
a estática, que trata de sistemas em equilíbrio ou movimento constante, 
e a dinâmica, que aborda sistemas sujeitos a acelerações.
9
Resumindo:
Cinesiologia: explora a anatomia e a fisiologia para analisar os 
movimentos realizados pelo corpo humano, investigando a ação 
muscular e a estrutura esquelética envolvidas nos movimentos.
Biomecânica: estuda as forças internas e externas que atuam sobre 
estruturas biológicas e seus efeitos. Ela analisa como o corpo responde 
à aplicação de cargas mecânicas e como as forças afetam o movimento 
humano. 
Essas áreas de estudo, embora distintas, são complementares e 
visam uma compreensão aprofundada dos aspectos relacionados ao 
movimento humano. A análise cinesiológica e biomecânica é aplicada 
em diversos contextos, como hospitais, clínicas, escolas, clubes 
esportivos e espaços públicos. A seguir, você pode ver algumas áreas de 
aplicação, que podem ir além do esporte e da performance:
• Hospitais e clínicas: profissionais utilizam a análise cinesiológica 
e biomecânica para avaliar pacientes com lesões, distúrbios 
musculoesqueléticos ou deficiências funcionais.lateral (ou radial) e, especialmente, o ligamento colateral medial (ou 
ulnar). O ligamento colateral ulnar é crucial para o suporte medial, 
evitando a abdução do cotovelo, um movimento anormal, durante 
atividades físicas que colocam o cotovelo sob tensão. Muitos esportes de 
contato, especialmente aqueles que envolvem arremessos, estressam a 
face medial da articulação, levando a lesões que geralmente envolvem a 
tensão aguda ou crônica do ligamento colateral ulnar (LCU), resultando 
em rupturas parciais ou totais. Outro problema comum relacionado aos 
músculos do cotovelo é o cotovelo de tenista, que normalmente afeta o 
músculo extensor dos dedos próximo à sua origem no epicôndilo lateral. 
A epicondilite medial, menos comum e frequentemente chamada de 
cotovelo de golfista, afeta o grupo flexor e pronador do punho próximo 
à sua origem no epicôndilo medial. Ambas as condições envolvem 
músculos que cruzam o cotovelo, mas atuam principalmente no punho e 
na mão.
Lesão no joelho: a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) é 
uma das lesões graves mais frequentes no joelho, sendo mais comum 
em mulheres do que em homens, especialmente em esportes como 
basquete e futebol. Essa lesão geralmente ocorre devido a forças 
rotacionais durante movimentos de preparo para o chute ou mudança 
de direção. Além disso, pode ocorrer por hiperextensão ou contração 
violenta do quadríceps, puxando a tíbia para frente em relação ao 
fêmur. Por outro lado, as lesões do ligamento cruzado posterior (LCP) 
são menos comuns e geralmente ocorrem devido ao contato direto 
com adversários ou superfícies de jogo. Ainda na parte medial do joelho 
encontra-se o ligamento colateral tibial, que proporciona estabilidade 
medial ao resistir às forças de valgo ou impedir a abdução da articulação 
54
do joelho. Lesões neste ligamento são frequentes em esportes de 
contato, em que colisões laterais podem resultar na abertura excessiva 
da articulação do joelho, sobrecarregando as estruturas ligamentares. As 
fibras mais profundas deste ligamento estão ligadas ao menisco medial, 
o qual pode ser afetado por lesões no ligamento.
Referências
FLOYD, R. T. Manual de cinesiologia estrutural. 19. ed. São Paulo: Manole, 2016.
HALL, S. Biomecânica Básica. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
SILVA, V. R. Cinesiologia e Biomecânica. Rio de Janeiro: Sprint, 2000.
55
	Sumário• Escolas: professores de Educação Física aplicam esses conceitos 
para melhorar o desempenho e desenvolvimento dos alunos em 
atividades esportivas e recreativas. 
• Clubes esportivos: treinadores e profissionais do esporte utilizam 
a análise cinesiológica e biomecânica para otimizar o desempenho, 
desenvolver programas de treinamento e minimizar riscos.
• Ambientes públicos para a prática de atividades físicas: 
observações em ambientes reais com pessoas em movimento 
permitem identificar padrões de movimento em diferentes 
populações.
10
Portanto, a Cinesiologia e a Biomecânica, embora diferentes em 
enfoque, são interdependentes e fundamentais para a compreensão 
e aprimoramento do movimento humano. Vamos discutir um bom 
exemplo prático da sua aplicação. Nas academias de musculação você já 
deve ter visto esses dois exercícios representados na Figura 1:
Figura 1 – Exercícios para o tríceps sural
Fonte: adaptada de Kinoshita et al. (2023).
Esses dois exercícios são comumente utilizados para o trabalho dos 
músculos que compõem o tríceps sural, o gastrocnêmio e o sóleo. 
Sabendo que esses dois músculos realizam a mesma ação (de flexão 
do tornozelo, como o movimento de acelerar um carro), será que existe 
diferença entre esses dois exercícios apresentados na Figura 1?
Em seu estudo, Kinoshita et al. (2023) avaliaram exatamente isso. 
Resumidamente, os autores observaram que o exercício realizado 
sentado coloca as cabeças dos gastrocnêmios em uma posição 
encurtada, uma vez que essas estruturas cruzam a articulação do joelho. 
Esse fenômeno compromete a participação desse grupo muscular 
no movimento e, consequentemente, o estímulo hipertrófico. Dessa 
forma, somente o músculo sóleo apresentou hipertrofia com o exercício 
realizado sentado, após 12 semanas de estudo, uma vez que este 
11
não cruza o joelho e é plenamente exigido no movimento descrito. 
Assim, vemos que o conhecimento da Cinesiologia e da Biomecânica é 
fundamental para o profissional do exercício estruturar um programa 
eficiente para o alcance dos seus objetivos.
1. Princípios e conceitos da cinesiologia e da 
biomecânica
Para iniciarmos nossos estudos em cinesiologia é fundamental 
começarmos com um ponto de referência, para que assim possamos 
compreender o sistema musculoesquelético, os seus planos e eixos 
de movimento, a classificação das articulações e a terminologia dos 
movimentos. Para isso, utilizamos principalmente duas posições de 
referência. A mais utilizada é a posição anatômica, apresentada na 
Figura 2. Nela, o indivíduo mantém-se na posição ereta, com o olhar para 
o horizonte, pés próximos e paralelos um ao outro e palmas das mãos 
voltadas para frente. É a partir da posição anatômica que descrevemos 
as posições do corpo, utilizando os termos apresentados na Figura 2.
Figura 2 – Posição anatômica e direções anatômicas
Fonte: Floyd (2016).
12
Quando estudamos os movimentos realizados pelas articulações, os 
classificamos conforme os planos de movimento. Definimos um plano 
de movimento como “uma superfície bidimensional imaginária através 
da qual um membro ou segmento do corpo se movimenta” (Floyd, 
2016). Toda a gama de movimentos pode ser classificada principalmente 
em três planos cardinais, sendo: sagital, frontal e transverso, que, 
evidentemente, podem ser subdivididos em muitos outros (Figura 3). 
Porém, focaremos nossas discussões nos citados. É importante destacar 
que ainda que possamos classificar os movimentos nesses três planos, 
em geral nossos movimentos específicos não ocorrem especificamente 
em apenas um deles, mas sim de modo combinado.
Figura 3 – Planos de movimento e eixos de rotação
Fonte: Floyd (2016).
Plano sagital: também chamado de anteroposterior ou AP, divide o 
corpo em duas partes da frente para trás, originando as metades direita 
e esquerda. Movimentos de flexão e extensão costumam ocorrer nesse 
plano, como os de cotovelo e joelho, pelo eixo frontal.
13
Plano frontal: também conhecido como plano coronal ou lateral, 
divide o corpo de lado a lado, originando as metades da frente (ventral) 
e de trás (dorsal). Movimentos de abdução e adução costumam 
acontecer nesse plano, como ocorre no ombro e no quadril durante um 
movimento de polichinelo, pelo eixo anteroposterior.
Plano transverso: também conhecido como plano axial ou horizontal, 
divide o corpo nas metades superior (cefálica) e inferior (caudal). 
Movimentos de rotação costumam acontecer nesse plano, como a 
supinação e pronação do punho e rotações da coluna, pelo eixo 
vertical.
2. Importância da compreensão da mecânica 
do corpo humano para o treinamento 
esportivo e personal training
Imagine que você está trabalhando em uma sala de musculação. Você 
sabe todos os princípios do treinamento físico, conhece perfeitamente 
todos os aparelhos de musculação e quais os grupos musculares eles 
trabalham, tem um profundo conhecimento de aquisição de habilidades 
motoras e de psicologia do exercício para instruir e motivar seus alunos 
e sabe perfeitamente como controlar todas as variáveis do treinamento 
para proporcionar hipertrofia e emagrecimento para todos os seus 
alunos, de diferentes idades e sexos.
Agora observe o sujeito da esquerda na Figura 4. Imagine que ele 
acabou de chegar à academia buscando seus serviços. Você saberia 
como adaptar o treino dele para ele se tornar o sujeito da direita? 
Conseguiria proporcionar um treino seguro e eficiente para ele? Saberia 
quais escolhas fazer para não agravar ainda mais o seu quadro de 
alteração postural apresentado? Você só poderá responder sim para 
14
todas essas perguntas se você, além de dominar todos os conceitos 
apresentados no início do parágrafo, também ter pleno conhecimento 
da cinesiologia e da biomecânica. Entender a função de cada músculo, o 
estado de ativação e estiramento deles e quais estímulos proporcionar 
será fundamental para o sucesso de qualquer personal trainer que 
busque prestar um serviço de excelência.
Figura 4 – Exemplo de alterações posturais
Fonte: jm/adobe.stock.com. 
O mesmo exemplo se estende ao contexto do esporte. Caso esse 
mesmo sujeito te procurasse para aulas de luta, para a prática de 
esportes coletivos com bola ou um atleta amador buscando aumento de 
performance, você seria capaz de proporcionar a evolução dele de modo 
efetivo e seguro? Os exemplos da importância do conhecimento da 
cinesiologia e biomecânica para o sucesso do profissional da Educação 
Física são imensuráveis. 
Resumidamente:
Prevenção de lesões e reabilitação: a análise biomecânica permite 
identificar pontos de vulnerabilidades. Ao entender como diferentes 
movimentos afetam o corpo, podemos adotar medidas preventivas. 
15
Por exemplo, ao estudar a biomecânica da corrida, podemos ajustar a 
técnica para minimizar o impacto nas articulações e prevenir lesões. 
Otimização da performance: compreender como as forças atuam 
em cada movimento permite otimizar gestos técnicos. Por exemplo, 
no arremesso de uma bola, a biomecânica analisa a trajetória, a força 
aplicada e a coordenação muscular para alcançar maior precisão e 
potência.
Educação e pesquisa: a biomecânica também impulsiona a pesquisa 
científica e a educação. Estudos aprofundados revelam novas estratégias 
para melhorar o treinamento esportivo. 
3. Cinesiologia e Biomecânica: uma visão 
histórica
A análise da história da Cinesiologia e da Biomecânica revela uma 
origem compartilhada e uma trajetória fascinante. Desde os primeiros 
pensadores até os avanços tecnológicos do século XX, essas disciplinas 
têm desempenhado um papel fundamental na compreensão do 
movimento humano. Neste sentido, Silva (2000) explora os marcos 
históricos e as contribuições notáveis dessas áreas.
Aristóteles e os fundamentos da Cinesiologia: Aristóteles (384-322 
A.C.) foi um dos primeiros estudiosos a investigar o movimento humano. 
Ele descreveu a função dos músculos e ossos, bem como os padrões de 
deambulação. Além disso, Aristóteles explorou as alavancas anatômicasque permitem o movimento. Suas observações pioneiras estabeleceram 
as bases para a cinesiologia como campo de estudo.
Borelli e a Biomecânica matemática: no século XVII, Giovanni Alfonso 
Borelli (1608-1679) emergiu como uma figura central na história da 
16
biomecânica. Borelli é considerado o pai da Biomecânica por sua 
abordagem matemática no estudo do movimento. Ele aplicou princípios 
da física e da matemática para entender como as forças atuam nos 
corpos vivos. Sua obra De Motu Animalium (Sobre o Movimento dos 
Animais) foi um marco significativo na evolução da biomecânica.
Ettiénne Marey e Edward Muybridge e a revolução da filmografia: 
no século XIX, Ettiénne Marey (1830-1904), médico e inventor francês, 
colaborou com Edward Muybridge (1830-1904) para revolucionar o 
estudo do movimento. Eles desenvolveram técnicas de filmografia 
para registrar movimentos em humanos e animais. Marey publicou 
diversos trabalhos sobre a análise do movimento, contribuindo para a 
compreensão detalhada das ações musculares e articulares.
Cinesiologia e Biomecânica no Século XX: com os avanços 
tecnológicos e metodológicos do século XX, a Cinesiologia e a 
Biomecânica se consolidaram como disciplinas científicas. A Biomecânica 
se expandiu para áreas como a engenharia biomédica e a reabilitação. 
A Cinesiologia tornou-se uma das principais disciplinas de formação 
para profissionais que trabalham com o movimento humano, incluindo 
fisioterapeutas, profissionais da educação física e profissionais 
esportivos.
Século XXI: essas ciências evoluíram significativamente com o avanço 
de tecnologias como inteligência artificial e a realidade aumentada. 
Sensores vestíveis e dispositivos de monitoramento em tempo 
real permitem a coleta de dados precisos, enquanto algoritmos de 
aprendizado de máquina analisam grandes volumes de informações 
para personalizar tratamentos e programas de treinamento. A realidade 
virtual e aumentada cria ambientes simulados para reabilitação e 
treinamento, e a impressão 3D possibilita a produção de próteses 
personalizadas. A pesquisa interdisciplinar e a colaboração entre 
cientistas, engenheiros e profissionais de saúde continuam a expandir 
17
os limites do conhecimento sobre o movimento humano, com aplicações 
clínicas e esportivas que melhoram a performance e a qualidade de vida.
A história da Cinesiologia e da Biomecânica é uma jornada de 
descobertas, inovações e colaborações. Essas áreas continuam a moldar 
nossa compreensão do movimento humano, impulsionando a pesquisa, 
a prática clínica e o treinamento esportivo. A visão histórica nos inspira 
a explorar ainda mais os mistérios do corpo em movimento, tão 
fundamentais à qualificação e ao sucesso do profissional do movimento.
Referências
FLOYD, R. T. Manual de cinesiologia estrutural. 19. Ed. São Paulo: Manole, 2016.
HALL, S. Biomecânica Básica. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. 
KINOSHITA, M. et al. Triceps surae muscle hypertrophy is greater after standing 
versus seated calf-raise training. Frontiers in Physiology, [s.l.], v. 14, p. 1-7, dez. 
2023. 
SILVA, V. R. Cinesiologia e Biomecânica. Rio de Janeiro: Sprint, 2000.
18
Cinesiologia e Biomecânica em 
diferentes tipos de treinamento
Autoria: Rodrigo Martins Pereira
Leitura crítica: André Victor Cordeiro
Objetivos
• Treinamento de força (incidência de lesão no 
treinamento de força).
• Treinamento funcional (análise dos componentes 
musculoesqueléticos e sua interação com o 
treinamento e a mecânica articular). 
• Treinamento esportivo (análise biomecânica 
qualitativa, aplicada à melhora da técnica e do 
treinamento de diferentes movimentos comuns a 
esportes coletivos e individuais). 
19
1. Treinamento de força (incidência de lesão 
no treinamento de força
Há alguns anos o treinamento de força (também chamado de 
treinamento com pesos, treinamento resistido ou musculação) tornou-se 
uma parte integrante dos regimes de exercícios. É crescente o número 
de estudos epidemiológicos sugerindo que a inclusão do treinamento 
de força na rotina de exercícios reduz a incidência e mortalidade e seus 
fatores de riscos, além de ser capaz de reduzir ou prevenir o risco de 
lesões durante o treinamento esportivo e a competição. Coerentemente, 
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a 
prática em academia ou fitness é atualmente a segunda atividade mais 
praticada no Brasil, ficando atrás somente da caminhada (Agência de 
Notícias - IBGE, 2017).
Desde a década de 1990 já existem estudos relatando o treinamento de 
força como uma modalidade segura em relação à incidência de lesões 
(Butragueño; Benito; Maffulli, 2014). Estudos sugerem que até mesmo 
a modalidade CrossFit (prática também realizada com pesos) também 
não apresenta taxa de lesões elevada, quando comparada a outras 
modalidades. Estima-se uma taxa máxima de 3,1 lesões a cada 1.000 
horas de treinamento em CrossFit, enquanto esses números vão de 2,3 
a 33 na corrida de rua, 2,5 no handebol, 5,4 no triatlo, 5,45 na ginástica, 
9,6 no futebol e 26,7 no rúgbi, também por 1.000 horas de treinamento. 
Esses resultados podem ser atribuídos à ausência de fatores como 
contato físico e prática em solos irregulares, que são associados a lesões 
em outros esportes (Dominski et al., 2018).
E como os conhecimentos de Biomecânica e Cinesiologia vão auxiliar 
você enquanto profissional a prevenir e tratar as lesões de seus alunos? 
Relembrando, essas são ciências que aplicam os princípios da anatomia 
e mecânica para o entendimento do movimento humano. Tratando-se 
20
do treinamento de força, a cinesiologia e a biomecânica podem auxiliar 
profissionais a selecionar exercícios mais seguros e efetivos. Mas para 
isso, você precisa dominar alguns conceitos fundamentais. Dentre eles, o 
conhecimento da cinemática e da cinética.
A cinemática é o campo de estudo que descreve o movimento sem 
referência às forças causadoras. Ela avalia o deslocamento do corpo 
no tempo e espaço. Por exemplo, durante um agachamento, podemos 
analisar o tempo de cada ação muscular, o ângulo articular, a velocidade 
e a aceleração da barra em relação ao solo. Já a cinética concentra-se na 
descrição das forças que causam o movimento. O movimento humano 
resulta do controle das forças internas (como a força muscular) e das 
forças externas ao corpo (como as geradas pelos equipamentos de 
treinamento, gravidade e atrito). No caso do agachamento, podemos 
descrever as forças de reação do solo, as forças em cada músculo, os 
torques articulares, o trabalho realizado pela força e a potência da barra, 
bem como a pressão intra-abdominal. Essas grandezas têm significados 
específicos que muitas vezes são mal interpretados pelo senso comum. 
É fundamental para uma prescrição de exercício a plena capacidade do 
profissional de conhecer as forças exercidas e aplicadas em cada um dos 
exercícios escolhidos.
As grandezas podem ser classificadas em escalares e vetoriais. As 
grandezas escalares são perfeitamente definidas pelo valor numérico 
e sua respectiva unidade de medida, como a massa em quilogramas 
(kg), o tempo em segundos (s) e a área em metros quadrados (m²), por 
exemplo. Já as vetoriais exigem a representação do sentido e da direção 
em que elas atuam. Essas são indicações gráficas feitas por vetores.
Observe a Figura 1. Ela representa um sujeito realizando um exercício 
de agachamento livre, com a barra nas costas. A seta apontando para 
baixo representa o vetor da força peso promovido pelas barras e pelas 
anilhas. Novamente, a prescrição segura e eficiente do treinamento de 
21
força só será possível uma vez que o profissional do exercício conheça 
plenamente quais são os vetores de força envolvidos em cada um dos 
movimentos prescritos, para só assim conhecer quais são os músculos 
envolvidos com os movimentos selecionados e saiba quais são as 
estruturas anatômicas envolvidas na execução. 
Figura 1 – Representação gráfica de um vetor de força peso no 
agachamento livreFonte: adaptada de Murer, Braz e Lopes (2019).
Lembre-se de que força é uma grandeza física tipicamente associada a 
uma ação capaz de deformar ou alterar a velocidade de um corpo. No 
treinamento de força, as forças externas podem ser denominadas como 
aquelas que atuam fora do corpo humano (por exemplo, força peso 
dos halteres, dumbbells, barras e anilhas, gravidade, atrito, resistência 
elástica), já as forças internas são aquelas que atuam dentro do corpo 
humano (por exemplo, força de contração muscular, compressão 
nas superfícies articulares, tensão nos ligamentos). E, novamente, 
todas essas forças precisam ser consideradas para a prescrição do 
exercício seguro e eficiente. Quando as forças atuam em um sistema 
de alavancas, elas podem causar rotação de um corpo em torno 
de um eixo. Uma alavanca é uma estrutura rígida fixa em um único 
22
ponto (o eixo) onde duas forças estão aplicadas. A força muscular é 
frequentemente chamada de força potente, enquanto a outra força 
é denominada força resistente. Por sua vez, podemos classificar as 
alavancas em três diferentes classes:
• Alavancas de primeira classe ou interfixas: têm o eixo de giro 
entre as forças potente e resistente. No corpo humano, exemplos 
comuns incluem o movimento de extensão da coluna cervical, a 
extensão do cotovelo e a extensão do quadril.
• Alavancas de segunda classe ou inter-resistentes: têm a força 
resistente entre a força potente e o eixo de giro. Esses casos são 
raros no corpo humano, mas um exemplo é o movimento de 
flexão plantar do tornozelo. Nesse tipo de alavanca, sempre ocorre 
uma vantagem mecânica, pois o braço de potência é maior que o 
braço de resistência.
• Alavancas de terceira classe ou interpotentes: têm a força potente 
entre a força resistente e o eixo de giro. Alguns exemplos são a 
flexão do cotovelo e os movimentos de flexão, extensão e adução 
do ombro. Nesse tipo de alavanca, há uma desvantagem mecânica, 
pois o braço de potência é menor que o braço de resistência. No 
entanto, mesmo um encurtamento muscular mínimo pode causar 
um deslocamento significativo na extremidade dos segmentos.
O torque é o efeito de rotação causado pela força. Sua magnitude é 
calculada multiplicando o vetor força pelo braço de alavanca. O braço 
de alavanca é a distância perpendicular da linha de ação do vetor força 
até o eixo de giro da alavanca. Quando se trata de força, temos o torque 
potente (causado pela força potente) e o torque resistente (causado pela 
força resistente). As ações musculares podem ser definidas com base 
nas relações entre o torque potente e resistente em uma articulação. Na 
ação isométrica, esses torques são iguais. Na ação concêntrica, o torque 
23
potente é maior que o torque resistente. Por fim, na ação excêntrica, o 
torque resistente supera o torque potente.
2. Treinamento funcional (análise dos 
componentes músculo-esqueléticos e sua 
interação com o treinamento e a mecânica 
articular)
Definido como a aplicação de exercícios que simulam movimentos do 
dia a dia, visando melhorar capacidades físicas integradas para garantir 
autonomia em atividades cotidianas, o treinamento funcional tem 
ganhado popularidade de maneira diversificada. Pode ser também 
definido como um método que busca aprimorar sinergicamente, de 
forma integrada e equilibrada, as capacidades físicas, com o objetivo 
de garantir eficiência e segurança em tarefas cotidianas, laborais e 
esportivas, com base nos princípios biológicos e metodológicos do 
treinamento, especialmente o da especificidade. 
O treinamento funcional utiliza diversas ferramentas, sendo o 
treinamento de força uma das principais que contam na literatura. Para 
ser considerado funcional, o treinamento deve focar em padrões de 
movimento envolvendo combinações de segmentos estáveis e móveis, 
trabalhando coordenadamente para produzir movimentos eficientes. 
Portanto, os exercícios de força devem incluir padrões como agachar, 
puxar, empurrar e carregar, sempre com especificidade neuromuscular 
e metabólica semelhante às ações diárias do praticante. Essa 
especificidade implica aplicar força em situações instáveis e assimétricas, 
reforçando a demanda multissistêmica. Por exemplo, uma caminhada 
simples requer força, equilíbrio dinâmico, coordenação motora, 
flexibilidade e estabilidade postural. Se a caminhada for prolongada, 
entra em jogo a resistência muscular e cardiorrespiratória. Já em uma 
24
execução rápida (como atravessar uma rua), adicionam-se potência, 
velocidade e agilidade. Dessa forma, cabe aqui um aprofundamento dos 
nossos conhecimentos sobre a biomecânica aplicada aos equipamentos 
utilizados para a seleção dos exercícios, dos treinamentos de força e do 
treinamento funcional, uma vez que esses são pontos determinantes 
para conceituarmos essas modalidades. As práticas de treinamento 
funcional costumam focar no uso de pesos livres, usando somente 
elásticos como máquinas, porém não podemos descartar o uso de 
outros recursos que veremos adiante. De fato, por serem livres no 
espaço, os exercícios que utilizam esse tipo de equipamento demandam 
maior ativação dos músculos sinergistas e antagonistas (co-contração). 
Por esse motivo, muitas vezes são considerados mais funcionais, pois 
permitem replicar os movimentos encontrados nos esportes e no 
dia a dia. Entretanto, as máquinas são uma presença constante nas 
academias. Elas oferecem várias vantagens, como segurança, facilidade 
para aprender a técnica e a conveniência de ajustar os pesos com um 
simples pino. Algumas máquinas proporcionam resistência variável, 
adaptando-se às curvas de força dos praticantes de treinamento 
funcional e geralmente não necessitam de um auxiliar. Além disso, 
máquinas pneumáticas e hidráulicas permitem realizar movimentos em 
velocidades máximas. As máquinas multiestação permitem a execução 
de diversos exercícios e também podem ser um atrativo para a venda 
de planos nas academias. Abordaremos as máquinas mais comuns nas 
academias.
• Pesos livres: a magnitude da força aplicada depende da massa e 
das acelerações do equipamento (F = ma). Quando o movimento é 
realizado em velocidade controlada, a principal aceleração é a da 
gravidade e o vetor de força é orientado para o centro da Terra. 
No entanto, exercícios mais complexos nos quais o movimento 
não ocorre necessariamente na vertical (como o kettlebell swing), o 
vetor de força pode ser variável, na direção em que o equipamento 
está sendo acelerado.
25
• Trilhos: fazem parte dessa categoria de máquinas os aparelhos leg 
press 45° (e outros ângulos), o agachamento hack e a barra guiada 
Smith. Neles, a força aplicada é calculada com a força peso (peso 
das anilhas) multiplicada pelo cosseno do ângulo entre a linha de 
ação da força peso (vertical) e o plano inclinado do trilho (Figura 2). 
Assim, quanto maior o ângulo θ formado, maior a força necessária 
para deslocar a carga. Por exemplo, um sujeito que utiliza 100 kg 
no leg press 45° está, na verdade, exercendo apenas 70 kgf. Com 
a mesma carga no leg press 60°, a força aplicada será de 86 kgf, 
devido à alteração no cosseno do ângulo θ. Importante lembrar 
que esse exemplo desconsidera o atrito entre a plataforma de 
apoio dos pés e os trilhos.
Figura 2 – Forças presentes no aparelho leg press 45°
Fonte: adaptada de Murer, Braz e Lopes (2019).
• Polias: a maioria das máquinas de academia usa sistemas de 
polias para transferir a força dos pesos para o praticante do 
exercício. Conforme comentado, quando se usa pesos livres, na 
maioria das vezes, a força é direcionada para o centro da Terra 
devido à gravidade. Com um sistema de cabos e polias, essa 
força pode ser redirecionada em várias direções, dependendo do 
ajuste da máquina, permitindo uma ampla gama de exercícios. 
Além disso, os exercícios com cabos exigem maior ativação dos 
músculos sinergistas e antagonistas, semelhante ao uso de pesos 
livres.
26
• Elásticos: elásticos são uma forma de resistência baseada na 
deformação dos materiais,seguindo a Lei de Hooke (F = k*Δl). 
Nessa fórmula, F representa a força exercida pelo elástico (N), k é 
a constante da mola (N/m), e Δl é a variação do comprimento do 
elástico (m). Resumidamente, entende-se que quanto mais esticado 
o elástico e maior a rigidez da mola, maior será a força exigida do 
praticante durante o treinamento. Devido ao aumento da resistência 
conforme o elástico é alongado, o elástico muitas vezes é usado 
em conjunto com pesos livres em exercícios que apresentam uma 
curva de força ascendente, como variações de supino, agachamento 
e levantamento terra, estratégia que tem se mostrado eficiente 
para ganhos de força. Cabe também destacar que os elásticos são 
equipamentos versáteis e fáceis de transportar.
Todas essas variáveis vão afetar significativamente a participação e 
exigência de todos os componentes músculo-esqueléticos fundamentais 
no treinamento funcional. Dentre eles, podemos destacar músculos, 
tendões, ligamentos, ossos e articulações. Cada um desses elementos 
desempenha um papel crucial na execução de movimentos funcionais:
• Músculos: são responsáveis pela geração de força e movimento. 
No treinamento funcional, exercícios são projetados para 
ativar grupos musculares maiores e múltiplos, em vez de isolar 
músculos individuais, promovendo uma melhoria mais funcional e 
equilibrada.
• Tendões: conectam os músculos aos ossos e transmitem a força 
gerada pelos músculos para mover os ossos. A saúde dos tendões 
é vital para a eficiência e segurança dos movimentos.
• Ligamentos: estabilizam as articulações, mantendo os ossos em 
alinhamento durante o movimento. O treinamento funcional 
enfatiza a estabilidade dinâmica, melhorando a resistência dos 
ligamentos ao estresse funcional.
27
• Ossos: servem como alavancas para os músculos e tendões, além 
de fornecerem estrutura e suporte ao corpo. A densidade óssea 
pode ser melhorada com exercícios de resistência e impacto 
moderado, que são frequentemente incorporados no treinamento 
funcional.
• Articulações: permitem a mobilidade e flexibilidade necessária 
para a execução de movimentos complexos. O treinamento 
funcional promove uma mecânica articular eficiente, reduzindo o 
risco de lesões e melhorando a funcionalidade geral.
Toda essa mecânica articular no treinamento funcional pode ser 
otimizada com movimentos que imitam as atividades diárias e esportivas, 
melhorando a sinergia entre músculos e articulações. Entretanto, 
alguns aspectos importantes destacam-se. Resumidamente, atenção 
ao alinhamento corporal, mantendo a integridade das articulações e 
reduzindo o risco de lesões por desgaste ou uso inadequado; distribuição 
da carga, promovendo uma distribuição equilibrada da carga entre 
diferentes articulações e músculos, prevenindo sobrecarga em áreas 
específicas; sincronização muscular, com a ativação coordenada 
de músculos agonistas, antagonistas e sinergistas, resultando em 
movimentos mais eficientes e menos propensos às lesões.
3. Treinamento Esportivo (análise 
biomecânica qualitativa aplicada à melhora 
da técnica e do treinamento de diferentes 
movimentos comuns a esportes coletivos e 
individuais)
O treinamento esportivo é uma área fundamental para o 
desenvolvimento de atletas em diferentes modalidades. A análise 
28
biomecânica qualitativa desempenha um papel crucial na otimização da 
técnica e no aprimoramento do desempenho esportivo. Uma vez que já 
discutimos algumas variáveis relevantes para as análises e discussões 
biomecânicas e cinesiológicas, é crucial entender como elas podem ser 
mensuradas e como se realizam as análises cinemáticas. Tais análises 
são conduzidas por meio do registro de imagens, utilizando técnicas 
como a fotogrametria e a cinemetria. A fotogrametria é um método que 
extrai informações das pessoas por meio da interpretação de imagens, 
sendo amplamente utilizada para detectar possíveis desvios posturais. 
Por outro lado, a cinemetria também envolve o registro de imagens, 
mas vai além das fotografias, incluindo gravações em vídeo e a 
reconstrução biomecânica dos pontos marcados no corpo, o que facilita 
a digitalização do movimento. Hoje em dia, existem diversos sistemas 
de captura de movimento, com os mais avançados operando em três 
dimensões (3D). Na cinemetria, é fundamental que a frequência das 
imagens corresponda à frequência natural do movimento observado. 
Os sistemas mais comuns são aqueles baseados no processamento 
digital, ou seja, gravações em vídeo que são posteriormente 
processadas e interpretadas por softwares de computador. Fatores 
como a quantidade e o posicionamento das câmeras, a iluminação 
do ambiente, a frequência de registro das imagens e a familiarização 
com o sistema podem influenciar os resultados das análises. Portanto, 
a análise cinemática é útil para entender movimentos específicos, 
identificar erros, realizar avaliações quantitativas ou qualitativas e 
avaliar a postura, entre outras aplicações. Trata-se de uma ferramenta 
valiosa para treinadores, atletas e profissionais da área esportiva, pois 
ao compreender os princípios biomecânicos e aplicá-los de forma 
qualitativa, podemos aprimorar a técnica, prevenir lesões e alcançar 
melhores resultados nos esportes coletivos e individuais.
29
Referências
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS – IBGE. Falta de tempo e de interesse são os principais 
motivos para não se praticar esportes no Brasil. 2017. Disponível em: https://
agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/
releases/15128-falta-de-tempo-e-de-interesse-sao-os-principais-motivos-para-nao-
se-praticar-esportes-no-brasil. Acesso em: 27 ago. 2024.
BUTRAGUEÑO, J.; BENITO, P. J.; MAFFULLI, N. Injuries in strength training: review and 
practical application. European Journal of Human Movement, [s.l.], v. 32, p. 29-47, 
fev. 2014. 
DOMINSKI, F. H. et al. Perfil de lesões em praticantes de CrossFit: revisão 
sistemática. Fisioterapia e Pesquisa, [s.l.], v. 25, n. 2, p. 229-239, jun. 2018.
 MURER, E.; BRAZ, T. V.; LOPES, C. R. Treinamento de força: saúde e performance 
humana. São Paulo: CREF4/SP, 2019.
30
Análise do movimento humano
Autoria: Rodrigo Martins Pereira
Leitura crítica: André Victor Cordeiro
Objetivos
• 	Explorar	as	especificidades	de	diferentes	exercícios	
para	os	diferentes	grupos	musculares.
• 	Descrever	as	adaptações	de	exercícios	às	diferentes	
necessidades	do	aparelho	locomotor.
• Apresentar conceitos relacionados à análise 
eletromiográfica	de	exercícios.
31
1. Especificidades de diferentes exercícios 
para os diferentes grupos musculares
Ao	abordar	a	especificidade	dos	exercícios	para	diferentes	grupos	
musculares,	é	essencial	entender	as	variáveis	que	influenciam	a	
eficácia	e	a	adequação	dos	movimentos,	como	a	cadeia	cinemática,	
o	número	de	articulações	envolvidas	e	os	equipamentos	escolhidos.	
Neste	tema,	discutiremos	esses	aspectos,	explorando	como	a	cadeia	
cinemática	aberta	e	fechada,	a	quantidade	de	articulações	envolvidas	
e	a	escolha	entre	pesos	livres	e	máquinas	podem	ser	ajustadas	para	
otimizar	o	treinamento	de	força	e	a	reabilitação.	Compreender	essas	
especificidades	é	crucial	para	desenvolver	programas	de	exercício	que	
atendam	às	necessidades	individuais,	promovam	ganhos	de	força	e	
hipertrofia	e	reduzam	o	risco	de	lesões.	
1.1 Cadeia Cinemática Aberta e Cadeia Cinemática 
Fechada
Movimentos	em	que	a	extremidade	distal	do	corpo	se	move	livremente	
são	classificados	como	cadeia	cinemática	aberta.	Esses	movimentos	são	
comuns	em	atividades	diárias	e	na	elevação	de	objetos.	Por	exemplo,	
a	flexão	do	cotovelo,	movimentando	o	antebraço	em	direção	ao	braço,	
a	extensão	dos	joelhos	em	uma	cadeira	extensora	na	academia,	a	
abdução	de	ombros	durante	o	exercício	com	pesos	são	todos	exemplos	
de	exercícios	de	cadeia	cinemática	aberta.	Nessas	situações,	a	origem	
do	músculo	permanece	estática	enquanto	a	inserção	se	move.	Esses	
exercícios	são	particularmente	úteis	para	isolar	grupos	musculares	
específicos,	focando	no	estímulo	de	músculosisolados.	Seu	uso	
pode	ser	uma	estratégia	interessante	em	contextos	de	reabilitação,	
em	que	a	ênfase	pode	estar	em	fortalecer	um	músculo	específico	
sem	sobrecarregar	articulações	ou	músculos	adjacentes.	Além	disso,	
geralmente	os	exercícios	de	cadeia	cinemática	aberta	oferecem	uma	
32
maior	amplitude	de	movimento,	podendo	contribuir	para	a	melhoria	da	
flexibilidade	e	mobilidade	articular.	
Por	outro	lado,	movimentos	em	que	a	extremidade	distal	permanece	
fixa	são	caracterizados	como	cadeia	cinemática	fechada.	Nesses	
exercícios,	o	corpo	se	move	em	relação	à	extremidade	fixa.	A	principal	
distinção	entre	os	dois	tipos	de	cadeias	é	a	função	da	extremidade	distal:	
em	cadeias	abertas,	a	extremidade	se	move	livremente,	enquanto	em	
cadeias	fechadas	ela	permanece	estática.	Exemplos	típicos	de	exercícios	
de	cadeia	cinemática	fechada	incluem	agachamentos,	flexões	de	braço	
no	solo	e	a	puxada	em	barra	fixa	(Figura	1).	Uma	vantagem	importante	
desses	exercícios	é	a	maior	ativação	dos	músculos	estabilizadores,	
proporcionando	um	treinamento	mais	próximo	aos	movimentos	
naturais	do	dia	a	dia	e	a	atividades	esportivas.	Exercícios	de	cadeia	
cinemática	fechada	também	distribuem	a	carga	por	várias	articulações	
e	músculos,	podendo	ser	útil	para	determinados	contextos,	envolvendo	
riscos	de	lesões	por	sobrecarga	em	áreas	específicas.	Contudo,	a	
complexidade	desses	exercícios	pode	ser	um	desafio,	especialmente	
para	iniciantes	ou	indivíduos	com	limitações	físicas,	pois	a	técnica	
correta	é	essencial.	Além	disso,	a	amplitude	de	movimento	pode	ser	
limitada	em	alunos	com	baixo	controle	motor	e	conhecimento	corporal.
Figura 1 – Exemplo de exercício de cadeia fechada
Fonte:	ВикторОсипенко/adobe.stock.com.
33
A	escolha	entre	exercícios	de	cadeia	cinemática	aberta	ou	fechada	deve	
considerar	os	objetivos	específicos	do	treinamento	e	as	necessidades	
individuais	do	praticante.	Em	programas	de	reabilitação,	por	exemplo,	
exercícios	de	cadeia	cinemática	aberta	podem	ser	utilizados	inicialmente	
para	fortalecer	os	músculos-alvo	sem	colocar	muita	pressão	sobre	
articulações	lesionadas.	Conforme	a	força	e	o	controle	motor	melhoram,	
incorporar	exercícios	de	cadeia	cinemática	fechada	pode	promover	uma	
recuperação	funcional	e	completa.	Ambos	os	modelos	de	exercícios	
têm	seu	lugar	em	programas	de	treinamento	bem	elaborados.	A	chave	
é	compreender	suas	características	e	aplicá-los	estrategicamente	para	
atender	às	necessidades	e	aos	objetivos	específicos	de	cada	indivíduo.
1.2 Quantidade de articulações envolvidas nos exercícios
A	quantidade	de	articulações	envolvidas	nos	exercícios	é	uma	variável	
fundamental	na	prescrição	de	programas	de	treinamento	de	força.	De	
acordo	com	o	número	de	articulações	que	participam	de	um	movimento,	
os	exercícios	de	força	podem	ser	classificados	em	multiarticulares	e	
uniarticulares.	Essa	classificação	tem	importantes	implicações	para	o	
desenvolvimento	de	força	e	hipertrofia	muscular,	bem	como	para	a	
personalização	dos	programas	de	treino	conforme	as	necessidades	e	
características	dos	praticantes.
Exercícios	multiarticulares	envolvem	o	movimento	de	várias	articulações	
simultaneamente.	Exemplos	comuns	incluem	o	agachamento,	o	
levantamento	terra	e	o	supino	(Figura	2).	Esses	exercícios	são	conhecidos	
por	serem	altamente	eficientes	no	desenvolvimento	global	da	força,	
pois	recrutam	grandes	grupos	musculares	e	permitem	o	levantamento	
de	cargas	mais	pesadas.	Além	disso,	exercícios	multiarticulares	tendem	
a	ser	mais	funcionais,	replicando	movimentos	que	realizamos	no	dia	a	
dia	ou	em	atividades	esportivas,	o	que	pode	contribuir	para	uma	melhor	
performance	atlética	e	para	a	prevenção	de	lesões.
34
Por	outro	lado,	exercícios	uniarticulares	focam	em	apenas	uma	
articulação	por	vez,	como	a	rosca	bíceps	e	a	extensão	de	joelho.	Esses	
exercícios	são	especialmente	úteis	para	isolar	músculos	específicos,	
permitindo	um	trabalho	direcionado	para	corrigir	desequilíbrios	
musculares	ou	fortalecer	áreas	que	não	são	suficientemente	trabalhadas	
com	exercícios	multiarticulares.	Em	contextos	de	reabilitação,	os	
exercícios	uniarticulares	podem	ser	essenciais	para	fortalecer	músculos	
específicos	sem	sobrecarregar	outras	articulações.
Figura 2 – Exemplo de exercício multiarticular: supino no banco 
horizontal
Fonte:	blackday/adobe.stock.com.	
A	escolha	entre	exercícios	multiarticulares	e	uniarticulares	deve	ser	guiada	
pelos	objetivos	específicos	do	treinamento	e	pelo	nível	de	experiência	do	
praticante.	Embora	saibamos	que	ambos	os	exercícios	podem	promover	
ganhos	similares	na	força	muscular,	um	modelo	de	exercícios	parece	não	
mostrar-se	superior	ao	outro	em	termos	de	adaptações	neuromusculares.	
Entretanto,	embora	a	adição	de	exercícios	uniarticulares	não	seja	
crucial	para	o	aumento	da	força,	pode	ser	benéfica	para	objetivos	de	
hipertrofia	muscular,	especialmente	em	praticantes	mais	avançados.	
A	literatura	também	destaca	a	importância	de	considerar	o	nível	de	
treinamento	do	praticante	ao	prescrever	exercícios.	Para	iniciantes,	
programas	focados	em	exercícios	multiarticulares	são	geralmente	mais	
35
eficazes	para	promover	ganhos	neuromusculares,	além	de	causarem	
menos	fadiga	e	dor	muscular	de	início	tardio	em	comparação	com	
exercícios	uniarticulares.	À	medida	que	o	praticante	avança	e	atinge	
platôs	de	desempenho,	a	inclusão	de	exercícios	uniarticulares	pode	ser	
uma	estratégia	valiosa	para	superar	esses	platôs	e	continuar	a	induzir	
adaptações	positivas.	Não	podemos	deixar	de	lado	também	que	além	
dos	benefícios	fisiológicos,	a	variação	entre	exercícios	multiarticulares	e	
uniarticulares	pode	ter	um	impacto	motivacional	importante.	Incorporar	
uma	variedade	de	exercícios	pode	manter	o	treino	interessante	e	
desafiador,	o	que	é	crucial	para	a	aderência	em	longo	prazo.
1.3 Pesos livres versus máquinas
Exercícios	livres	e	exercícios	em	máquinas	são	duas	abordagens	
distintas	no	treinamento	de	força,	cada	uma	com	suas	características,	
vantagens	e	momentos	específicos	de	aplicação.	A	escolha	entre	essas	
duas	modalidades	deve	ser	baseada	em	uma	série	de	fatores,	incluindo	
os	objetivos	do	treinamento,	o	nível	de	experiência	do	praticante	e	as	
necessidades	específicas	de	estabilização	e	segurança.
Exercícios	livres,	que	envolvem	o	uso	de	pesos	livres	como	halteres	e	
barras,	exigem	uma	maior	estabilização	das	articulações	envolvidas	
no	movimento.	Por	exemplo,	ao	realizar	um	supino	com	barra	livre,	os	
músculos	da	articulação	do	ombro	(incluindo	o	deltoide	parte	acromial)	
são	mais	ativados	devido	à	necessidade	de	estabilizar	o	peso	em	três	
dimensões.	Essa	maior	demanda	de	estabilização	não	apenas	recruta	
mais	músculos,	mas	também	melhora	a	coordenação	intermuscular	e	
a	propriocepção,	tornando	os	exercícios	livres	altamente	funcionais	e	
benéficos	para	o	desenvolvimento	de	força	geral	e	equilíbrio.
Por	outro	lado,	exercícios	em	máquinas,	como	o	supino	na	máquina	
Smith,	oferecem	maior	estabilidade	e	segurança	durante	a	execução	dos	
36
movimentos.	As	máquinas	guiam	o	trajeto	do	movimento,	eliminando	
a	necessidade	de	equilibrar	o	peso,	o	que	pode	ser	particularmente	
vantajoso	para	iniciantes	ou	para	aqueles	que	se	recuperam	de	lesões.	
Esse	ambiente	controlado	permite	que	os	praticantes	se	concentrem	mais	
na	força	e	na	técnica	específica	do	músculo-alvo	sem	a	preocupação	de	
manter	a	estabilidade	articular.	Entretanto,	parece	não	haver	diferenças	
significativas	nos	ganhos	de	força	máxima	entre	os	exercícios	livres	
e	em	máquinas,	sugerindo	que	ambos	são	eficazes	para	desenvolver	
essa	capacidade	física.	A	escolha	entre	exercícios	livres	e	em	máquinas	
deve	considerar	também	o	nível	de	experiência	do	praticante.	Para	
iniciantes,	as	máquinas	oferecem	uma	introdução	segura	e	controlada	
ao	treinamento	de	força,	permitindo	que	os	indivíduos	desenvolvam	a	
técnica	adequada	antes	de	progredirem	para	pesos	livres.	À	medida	que	
os	praticantes	ganham	experiência	e	força,	a	incorporação	de	pesos	livres	
pode	ajudar	a	superar	platôs	de	desempenho,	promovendo	diferentesestímulos	e	exigências,	proporcionando	coordenação	e	equilíbrio.
2. Adaptação de exercícios às diferentes 
necessidades do aparelho locomotor
Ao	abordar	a	adaptação	de	exercícios	às	diferentes	necessidades	
do	aparelho	locomotor,	é	possível	considerar	uma	ampla	variedade	
de	populações,	cada	uma	com	suas	especificidades	e	demandas	
únicas.	No	entanto,	neste	tópico,	focaremos	especificamente	em	duas	
populações:	crianças	e	adolescentes,	reconhecendo	a	importância	
crucial	do	desenvolvimento	motor	e	físico	durante	essa	etapa	da	vida,	
que	estabelece	as	bases	para	uma	vida	adulta	saudável	e	ativa;	e	idosos,	
uma	vez	que	o	envelhecimento	traz	consigo	uma	série	de	mudanças	
fisiológicas	que	podem	comprometer	a	funcionalidade	e	a	qualidade	
de	vida,	tornando	essencial	a	adaptação	de	exercícios	para	preservar	
a	mobilidade,	força	e	independência	dos	idosos.	Assim,	entender	as	
37
necessidades	e	adaptações	adequadas	para	esses	dois	públicos	é	
fundamental	para	promover	a	saúde	e	o	bem-estar	ao	longo	de	toda	a	
vida.
2.1 Adaptações às necessidades da criança e do 
adolescente
O	desenvolvimento	do	aparelho	locomotor	em	crianças	e	adolescentes	
é	um	processo	complexo	que	envolve	mudanças	significativas	na	
estrutura	e	função	dos	ossos,	músculos	e	articulações.	Durante	esse	
período	crucial	de	crescimento,	as	necessidades	do	aparelho	locomotor	
são	específicas	e	requerem	atenção	cuidadosa	para	promover	um	
desenvolvimento	saudável,	prevenir	lesões	e	estabelecer	uma	base	
sólida	para	a	atividade	física	ao	longo	da	vida.	Os	ossos	crescem	em	
comprimento	e	espessura,	e	a	mineralização	óssea	aumenta,	tornando-
os	mais	fortes	e	resistentes.	No	entanto,	esse	crescimento	acelerado	
pode	tornar	os	ossos	mais	suscetíveis	a	lesões,	especialmente	nas	áreas	
de	crescimento,	como	as	placas	epifisárias.	Portanto,	é	fundamental	que	
os	programas	de	exercícios	para	essa	faixa	etária	incluam	atividades	
que	promovam	a	saúde	óssea,	como	exercícios	de	impacto	controlado	e	
atividades	que	envolvam	a	sustentação	de	peso,	como	saltar	e	correr.
Mas	crianças	e	adolescentes	podem	praticar	exercícios?	Ainda	existe	
um	grande	mito	social	relacionado	à	prática	sistematizada	de	exercícios	
pela	população	mais	jovem,	com	o	argumento	de	que	o	uso	de	cargas	
pode	prejudicar,	dentre	outros	aspectos,	o	crescimento.	Porém,	tal	
afirmação	não	encontra	respaldo	na	literatura	científica.	Nesse	sentido,	
Dahab	e	McCambridge	(2009),	em	uma	revisão	da	literatura,	mostraram	
que	se	um	programa	com	pesos	for	bem	estruturado	e	devidamente	
supervisionado,	essa	prática	não	oferece	risco	superior	a	danos	
nas	estruturas	epifisárias	em	relação	a	outros	esportes	ou	práticas	
esportivas.	
38
O	Ministério	da	Saúde	estimula	não	somente	a	prática	de	exercício,	mas	
também	o	aumento	dos	níveis	de	atividade	física	por	essa	população.	
Resumidamente,	recomenda-se	ao	menos	3	dias	semanais,	acumulando	
ao	menos	60	minutos	de	atividades	que	promovam	considerada	
elevação	da	frequência	cardíaca,	envolvendo	movimentos	de	puxar,	
empurrar	e	saltar	(Brasil,	2021).	Entretanto,	é	sempre	necessário	
considerar	toda	a	complexidade	da	realidade	do	indivíduo	mais	jovem.	
Qualquer	intervenção	com	essa	população	deve	embasar-se	também	
na	promoção	de	prazer	ao	praticante,	proporcionando	assim	boas	
experiências	que	podem	ser	incorporadas	ao	longo	de	toda	a	sua	vida.	
Por	isso,	é	importante	ir	além	da	prática	sistematizada	de	movimentos,	
mas	também	explorar	variadas	atividades	e	modalidades,	envolvendo	
jogos	e	práticas	esportivas.	Recomenda-se	ainda	a	comunicação	próxima	
com	os	pais	ou	responsáveis	desses	jovens,	além	de	manter	atitudes	
que	possam	ser	tomadas	como	exemplares	para	essa	população.
No	entanto,	ao	contrário	do	ombro,	a	arquitetura	óssea	do	quadril	
oferece	maior	estabilidade,	resultando	em	menores	propensões	a	
luxações
2.2 Adaptações às necessidades do idoso
O	envelhecimento	é	um	processo	natural	do	organismo,	acompanhado	
de	modificações	físicas,	estruturais	e	orgânicas	que	afetam	a	capacidade	
funcional	do	indivíduo.	Antigamente,	os	idosos	eram	aconselhados	
a	evitar	esforços	físicos,	devido	à	crença	de	que	poderiam	causar	ou	
agravar	lesões.	No	entanto,	pesquisas	voltadas	para	essa	faixa	etária	
demonstraram	que	a	atividade	física	regular	é	benéfica,	promovendo	
longevidade	e	maior	independência	nas	atividades	cotidianas.
Durante	o	envelhecimento,	há	uma	diminuição	progressiva	da	reserva	
funcional	dos	indivíduos,	conhecida	como	senescência.	Em	condições	
39
normais,	essa	redução	não	costuma	causar	problemas	significativos.	
Porém,	em	situações	de	sobrecarga,	como	doenças,	acidentes	ou	
estresse	emocional,	pode	levar	a	uma	condição	patológica	que	
requer	assistência,	chamada	senilidade.	Em	uma	sociedade	em	que	
a	expectativa	de	vida	está	cada	vez	maior,	é	crucial	adotar	um	estilo	
de	vida	ativo	para	minimizar	os	efeitos	da	senescência	e	melhorar	a	
qualidade	de	vida	na	velhice.
A	promoção	da	saúde	ao	longo	da	vida,	tanto	de	forma	individual	quanto	
coletiva,	visa	alcançar	a	velhice	com	menos	doenças	e	incapacidades.	
Isso	não	só	melhora	a	qualidade	de	vida	na	idade	avançada,	mas	
também	alivia	os	custos	e	o	impacto	da	longevidade	sobre	os	indivíduos	
e	a	sociedade.	A	qualidade	da	alimentação	e	a	atividade	física	desde	
a	infância	podem	influenciar	positivamente	a	saúde	óssea	e	prevenir	
condições	como	a	osteoporose,	que	aumenta	a	incidência	de	fraturas	
em	idades	avançadas.
Mudanças	significativas	na	composição	corporal	ocorrem	com	o	avanço	
da	idade,	levando	a	danos	funcionais	e	físicos.	A	partir	dos	40	anos,	
há	uma	perda	de	cerca	de	5%	da	massa	muscular	por	década,	que	se	
acentua	após	os	65	anos.	Essa	perda	pode	resultar	em	dificuldades	
para	realizar	tarefas	simples,	aumento	do	risco	de	quedas	e	fraturas	e	
incapacidades	funcionais.
Essas	mudanças	que	ocorrem	em	diferentes	níveis	com	o	
envelhecimento	incluem:	mudanças	antropométricas,	com	diminuição	
da	estatura,	diminuição	da	massa	livre	de	gordura	e	aumento	da	
gordura	corporal	(com	uma	redistribuição	da	gordura	subcutânea	
para	gordura	central	e	visceral)	e	declínio	da	massa	mineral	óssea;	
mudanças	neuromusculares,	com	perda	de	10	a	20%	da	força	
muscular,	diminuição	da	habilidade	de	manter	força	estática,	aumento	
da	fadiga	muscular	e	menor	capacidade	para	hipertrofia;	mudanças	
cardiovasculares,	com	redução	do	débito	cardíaco,	frequência	
40
cardíaca,	volume	sistólico	e	VO2	máximo;	mudanças	pulmonares,	
com	diminuição	da	capacidade	vital,	frequência	e	volume	respiratório,	
com	aumento	do	volume	residual;	e	mudanças	neurais,	diminuindo	
o	número	e	tamanho	dos	neurônios	e	reduzindo	a	velocidade	de	
condução	nervosa.	Portanto,	o	envelhecimento	traz	diversas	alterações	
que	afetam	a	capacidade	funcional	dos	idosos,	que	precisam	ser	
consideradas	na	prescrição	do	exercício.
Recomenda-se	um	volume	mínimo	semanal	para	benefícios	de	saúde	
importantes	de	150	minutos	de	atividade	aeróbica	de	intensidade	
moderada	(ex.:	caminhada	rápida)	e	atividades	de	fortalecimento	
muscular	pelo	menos	dois	dias	por	semana	OU	75	minutos	de	atividade	
aeróbica	de	alta	intensidade	(ex.:	corrida)	e	atividades	de	fortalecimento	
muscular	pelo	menos	dois	dias	por	semana	OU	uma	combinação	de	
atividades	aeróbicas	de	intensidade	moderada	e	alta,	equivalente	às	
recomendações	acima,	mais	atividades	de	fortalecimento	muscular	pelo	
menos	dois	dias	por	semana.	Recomenda-se	ainda	que	idosos	em	risco	
de	quedas	devem	realizar	treinamento	de	equilíbrio	pelo	menos	três	
dias	por	semana	(Chodzko-Zajko	et al.,	2009;	Lee;	Jackson;	Richardson,	
2017).
3. Análise eletromiográfica de exercícios
A	eletromiografia	(EMG)	é	uma	técnica	fundamental	no	estudo	da	
função	muscular,	permitindo	a	análise	do	sinal	elétrico	proveniente	
dos	músculos.	Esse	sinal	resulta	do	somatório	dos	potenciais	de	
ação	das	unidades	motoras	ativas,	é	captado	na	superfície	da	pele	
e	oferece	uma	visão	da	atividade	neuromuscular	tanto	em	repouso	
quanto	durante	padrões	específicos	de	movimento.	A	EMG	tem	se	
mostrado	uma	ferramenta	valiosapara	quantificar	a	atividade	muscular,	
fornecendo	informações	cruciais	sobre	recrutamento	e	sincronização	de	
41
unidades	motoras,	fadiga	neuromuscular	e	alterações	na	velocidade	de	
propagação	dos	potenciais	de	ação.
A	EMG	de	superfície	fornece	dois	principais	parâmetros:	amplitude 
e frequência do sinal.	A	amplitude	do	sinal	eletromiográfico	está	
relacionada	ao	recrutamento	das	unidades	motoras	(UM).	Representada	
por	uma	onda	de	sinais	positivos	e	negativos,	a	amplitude	é	geralmente	
estimada	como	o	desvio	padrão	do	sinal.	A	frequência	do	sinal	
eletromiográfico,	expressa	por	seu	valor	médio	e/ou	mediano,	é	um	
indicativo	da	velocidade	de	condução	dos	potenciais	de	ação	das	UM	
ativas.	As	variações	na	velocidade	de	condução	refletem	o	recrutamento	
progressivo	das	UM	de	acordo	com	o	princípio do tamanho de 
Henneman.	As	UM	do	tipo	II	apresentam	maiores	frequências	e	uma	
maior	taxa	de	queda	da	frequência	em	comparação	com	as	UM	do	tipo	
I,	devido	à	sua	maior	velocidade	de	condução	dos	potenciais	de	ação.	
Alterações	na	frequência	do	sinal	são	utilizadas	como	um	indicador	não	
invasivo	de	fadiga,	velocidade	de	propagação	dos	potenciais	de	ação	e	
recrutamento	das	UM.
A	análise	eletromiográfica	é	amplamente	utilizada	na	pesquisa	e	na	
prática	clínica	para	avaliar	a	função	muscular	durante	o	exercício.	Na	
reabilitação,	por	exemplo,	a	EMG	pode	ajudar	a	identificar	padrões	
anômalos	de	ativação	muscular	que	podem	estar	associados	a	lesões	ou	
disfunções.	Além	disso,	a	EMG	é	empregada	para	monitorar	o	progresso	
de	um	programa	de	reabilitação,	permitindo	ajustes	no	protocolo	de	
exercícios	para	otimizar	a	recuperação.	Na	área	esportiva,	a	EMG	é	
usada	para	avaliar	a	eficiência	dos	programas	de	treinamento,	identificar	
desequilíbrios	musculares	e	otimizar	a	técnica	de	execução	dos	
exercícios.	Atletas	podem	se	beneficiar	da	análise	EMG	para	melhorar	
a	performance	e	prevenir	lesões,	ajustando	a	intensidade	e	a	natureza	
dos	exercícios	de	acordo	com	os	padrões	de	recrutamento	muscular	
observados.
42
Embora	a	EMG	de	superfície	ofereça	muitas	vantagens,	como	ser	não	
invasiva	e	fornecer	informações	detalhadas	sobre	a	atividade	muscular,	
existem	limitações	que	devem	ser	consideradas.	A	localização	da	placa	
motora,	o	ângulo	de	penação	e	o	sentido	das	fibras	musculares	podem	
afetar	a	precisão	dos	sinais	captados.	Além	disso,	a	colocação	dos	
eletrodos	e	o	tipo	de	eletrodo	utilizado	são	fatores	críticos	que	podem	
influenciar	os	resultados	(Ide	et al.,	2012).
Referências
BRASIL.	Ministério	da	Saúde.	Secretaria	de	Atenção	Primária	à	Saúde.	Departamento	
de	Promoção	da	Saúde.	Guia de Atividade Física para a População Brasileira.	
Brasília:	Ministério	da	Saúde,	2021.
CHODZKO-ZAJKO,	W.	J.	et al.	Exercise	and	physical	activity	for	older	adults.	Medicine 
and Science in Sports and Exercise,	[s.l.],	v.	41,	n.	7,	p.	1510-1530,	2009.
DAHAB,	K.	S.;	MCCAMBRIDGE,	T.	M.	Strength	Training	in	Children	and	Adolescents:	
Raising	the	Bar	for	Young	Athletes?	Sports Health: A Multidisciplinary Approach,	
[s.l.],	v.	1,	n.	3,	p.	223-226,	maio	2009.	
IDE,	B.	N.	et al.	Eletromiografia	de	superfície:	aplicações	na	fisiologia	do	exercício.	
Acta Brasileira do Movimento Humano,	[s.l.],	v.	2,	p.	60-78,	2012.
LEE,	P.	G.;	JACKSON,	E.	A.;	RICHARDSON,	C.	R.	Exercise	prescriptions	in	older	adults.	
American Family Physician,	[s.l.],	v.	95,	n.	7,	p.	425-432,	2017.	
43
Mecânica articular e Métodos 
para prevenção de lesões 
Autoria: Rodrigo Martins Pereira
Leitura crítica: André Victor Cordeiro
Objetivos
• Descrever a arquitetura, estabilidade articular e os 
movimentos articulares das principais articulações 
da porção superior do corpo.
• Descrever a arquitetura, estabilidade articular e os 
movimentos articulares das principais articulações 
da porção inferior do corpo.
• Conhecer as principais lesões articulares 
relacionadas ao esporte e exercício.
44
1. Arquitetura, estabilidade articular e 
movimentos articulares do ombro, cotovelo e 
punho
Nesse primeiro momento, focaremos nossas discussões nas principais 
características e nos movimentos desempenhados pelas articulações 
encontradas na parte superior do corpo humano:
1.1 Ombro
Também conhecida como articulação glenoumeral, a articulação do 
ombro é uma articulação de tipo bola e soquete, classificada como 
enartrodial. Essa articulação se move em todos os planos e eixos e é 
a mais móvel do corpo humano, sendo comparável à articulação do 
quadril. Entretanto, a cavidade glenoidal, que forma o soquete, é muito 
mais rasa e menor em relação à grande cabeça do úmero, sendo a fossa 
do acetábulo muito maior. O lábio glenoidal, um anel de cartilagem 
que circunda a borda interna da cavidade glenoidal, contribui para 
aumentar a estabilidade da articulação. Os ligamentos glenoumerais 
também auxiliam na estabilização, especialmente nos planos anterior 
e inferior. No entanto, devido à ampla faixa de movimento do ombro, 
esses ligamentos permanecem bastante frouxos até que movimentos 
extremos sejam atingidos. Essa falta relativa de estabilidade estática 
proporcionada pelos ligamentos ressalta a importância da estabilidade 
dinâmica fornecida pelos músculos, como o grupo do manguito rotador. 
Em essência, a mobilidade é priorizada em detrimento da estabilidade.
Para facilitar o aprendizado e a identificação dos músculos da 
articulação do ombro, pode ser útil classificá-los com base na localização 
e função. Os músculos que se originam na escápula e na clavícula e se 
inserem no úmero são considerados intrínsecos à articulação do ombro, 
enquanto aqueles que se originam no tronco e se inserem no úmero 
45
são classificados como extrínsecos. Os músculos intrínsecos incluem 
o deltoide, o coracobraquial, o redondo maior e o grupo do manguito 
rotador, que é composto pelos músculos subescapular, supraespinal, 
infraespinal e redondo menor. Já os músculos extrínsecos glenoumerais 
são o latíssimo do dorso e o peitoral maior. Outra forma de organizar 
esses músculos é de acordo com sua localização geral. Na parte 
anterior do ombro, encontramos o peitoral maior, o coracobraquial e 
o subescapular. Na região superior, estão o deltoide e o supraespinal. 
Na região posterior, localizam-se o latíssimo do dorso, o redondo 
maior, o infraespinal e o redondo menor. Além disso, os movimentos 
glenoumerais também envolvem o bíceps braquial e a cabeça longa 
do tríceps braquial. O bíceps braquial é principalmente responsável 
pela flexão e adução horizontal do ombro, enquanto a cabeça longa do 
tríceps braquial auxilia na extensão e abdução horizontal. A seguir, a 
Figura 1 resume os movimentos realizados pela articulação do ombro:
Figura 1 – Movimentos da articulação ombro
Fonte: Floyd (2016).
46
1.2 Cotovelo e punho
Quase todos os movimentos do membro superior envolvem as 
articulações do cotovelo e radioulnares, que geralmente são agrupadas 
devido à sua estreita relação anatômica. A articulação do cotovelo 
está intimamente conectada à articulação radioulnar, já que os ossos 
do rádio e da ulna, que compõem a articulação radioulnar, também 
se articulam com o úmero para formar o cotovelo. Isso muitas vezes 
leva à confusão entre os movimentos do cotovelo e os da articulação 
radioulnar. Além disso, os movimentos da articulação radioulnar podem 
ser erroneamente atribuídos ao punho, devido à proximidade das 
articulações.
A articulação do cotovelo é classificada como uma articulação em 
dobradiça (gínglimo), permitindo apenas movimentos de flexão 
e extensão. Já a articulação radioulnar é uma articulação em pivô 
(trocóidea), em que a cabeça do rádio gira na porção proximal da ulna. 
Esse movimento rotacional é acompanhado pela rotação da porção 
distal do rádio ao redor da porção distal da ulna. O ligamento anular 
mantém a cabeça do rádio em sua posição durante esses movimentos. A 
articulação radioulnar permite supinação de aproximadamente 80 a 90 
graus a partir da posição neutra e pronação que varia de 70 a 90 graus. 
Todos esses movimentos podemser observados na Figura 2.
47
Figura 2 – Movimentos das articulações cotovelo e radioulnar
Fonte: Floyd (2016).
Já a articulação do punho é classificada como condilar, possibilitando 
os movimentos de flexão, extensão, abdução e adução. Os principais 
movimentos do punho ocorrem entre a porção distal do rádio e a 
fileira proximal dos ossos do carpo. Por isso, a articulação do punho é 
frequentemente referida como articulação radiocarpal. Essa articulação 
permite uma flexão de 70 a 90 graus e uma extensão de 65 a 85 graus. Em 
termos de abdução, o punho pode se mover de 15 a 25 graus, enquanto a 
adução varia de 25 a 40 graus.
48
2. Arquitetura, estabilidade articular e 
movimentos articulares do quadril, joelho, 
tornozelo e coluna vertebral
Agora, avançaremos nossa discussão para as principais características 
e nos movimentos desempenhados pelas articulações encontradas na 
parte inferior do corpo humano, juntamente à coluna vertebral:
2.1 Quadril
O quadril, também conhecido como articulação coxofemoral, é 
uma articulação altamente estável devido à sua estrutura óssea 
robusta, fortes ligamentos e músculos de suporte poderosos. Suas 
principais funções incluem o suporte do peso corporal e a facilitação 
da locomoção, aprimoradas pela ampla amplitude de movimento, 
permitindo atividades como correr, saltar e mudar de direção. Esta 
articulação é do tipo bola e soquete, composta pela cabeça do fêmur 
que se encaixa no acetábulo do cíngulo do membro inferior. O fêmur se 
estende lateralmente da cabeça em direção ao trocanter maior, depois 
se curva de volta em direção à linha mediana, descendo para formar o 
osso proximal do joelho, sendo o osso mais longo do corpo. O cíngulo 
do membro inferior é composto pelos ossos pélvicos direito e esquerdo, 
unidos posteriormente pelo sacro, que é uma extensão da coluna 
vertebral com cinco vértebras fundidas e pelo cóccix que se estende 
inferiormente ao sacro. Os ossos pélvicos são formados por três partes: 
ílio, ísquio e púbis, que durante o crescimento são ossos distintos, mas 
se fundem na maturidade para formar um único osso pélvico conhecido 
como osso do quadril.
Além do ombro, o quadril é uma das articulações mais móveis do corpo 
devido à sua configuração multiaxial, como pode ser visto na Figura 3.
49
Figura 3 – Movimentos do quadril
Fonte: Floyd (2016).
No entanto, ao contrário do ombro, a arquitetura óssea do quadril 
oferecer maior estabilidade, resultado em menores propensões a 
luxações.
2.2 Joelho e tornozelo
A articulação do joelho é bastante complexa, funcionando 
principalmente como uma dobradiça. Ela suporta o peso corporal e 
facilita a locomoção, o que a submete a consideráveis forças de carga, 
tensão, compressão e torção. A robustez dos músculos extensores 
e flexores, junto com a forte estrutura ligamentar, confere ao joelho 
uma funcionalidade poderosa na maioria dos casos. Nessa articulação 
encontra-se um importante componente: a patela. Trata-se de um osso 
50
sesamoide flutuante, inserida no grupo de músculos do quadríceps e 
no tendão patelar. Sua posição permite que funcione como uma polia, 
melhorando o ângulo de tração do quadríceps e, assim, aumentando a 
eficiência mecânica na extensão do joelho.
A articulação tibiofemoral, que é a principal articulação do joelho, é 
classificada como uma articulação gínglimo, permitindo movimentos 
de flexão e extensão, mas sem movimentos laterais de abdução ou 
adução. Os ligamentos proporcionam estabilidade estática, enquanto 
as contrações dos músculos do quadríceps e da parte posterior da 
coxa garantem a estabilidade dinâmica. As superfícies articulares do 
fêmur e da tíbia são cobertas por cartilagem articular, que protege as 
extremidades dos ossos, e meniscos especializados, que atuam como 
amortecedores e aumentam a estabilidade ao se fixarem à tíbia e 
aprofundarem os platôs tibiais.
Dois ligamentos cruciais do joelho são os ligamentos cruzados anterior 
e posterior, que se cruzam entre a tíbia e o fêmur, garantindo a 
estabilidade anterior, posterior e rotacional da articulação. A articulação 
do joelho é bem lubrificada pelo líquido sinovial, produzido pela 
cavidade sinovial situada sob a patela e entre as superfícies da tíbia e do 
fêmur. Esta cavidade é comumente referida como cápsula do joelho.
O joelho pode se estender até 180 graus e casos de hiperextensão até 
10 graus ou mais não são raros. Totalmente estendido, o joelho pode 
se mover até 150 graus de flexão. Quando flexionado em 30 graus ou 
mais, permite cerca de 30 graus de rotação medial e 45 graus de rotação 
lateral. A flexão e extensão ocorrem no plano sagital, enquanto as 
rotações medial e lateral acontecem no plano horizontal. O joelho não 
permite rotação a menos que esteja flexionado em 20 a 30 graus ou 
mais. A Figura 4 apresenta esses movimentos.
51
Figura 4 – Movimentos do joelho
Fonte: Floyd (2016).
A articulação do tornozelo, conhecida tecnicamente como articulação 
talocrural, é uma articulação dobradiça. Ela é formada pela união do 
tálus com as partes distais da tíbia e da fíbula. Essa articulação permite 
cerca de 50 graus de flexão plantar e de 15 a 20 graus de dorsiflexão. 
Embora inversão e eversão sejam geralmente consideradas movimentos 
do tornozelo, esses movimentos na verdade ocorrem nas articulações 
talocalcânea e transversa do tarso.
2. 3 Coluna vertebral
O tronco e a coluna vertebral apresentam desafios únicos no campo da 
cinesiologia. A coluna vertebral é uma estrutura sofisticada composta 
por 24 vértebras móveis e 9 vértebras imóveis, abrigando a medula 
espinhal e seus 31 pares de nervos espinais. Reconhecida como uma 
das partes mais complexas do corpo humano, a coluna é dividida em 
três regiões: 7 vértebras cervicais (pescoço), 12 vértebras torácicas 
(tórax) e 5 vértebras lombares (parte inferior das costas). O sacro, que 
forma a parte posterior do cíngulo do membro inferior, é composto 
por 5 vértebras fundidas, e o cóccix, na base da coluna, por 4 vértebras 
fundidas.
52
Os termos que descrevem os movimentos da coluna vertebral 
são frequentemente acompanhados pela região específica onde o 
movimento ocorre. Por exemplo, a flexão do tronco na região lombar é 
chamada de flexão lombar, enquanto a extensão do pescoço é chamada 
de extensão cervical. Movimentos específicos da cabeça e do pescoço 
na articulação atlanto-occipital, embora geralmente considerados parte 
da flexão e extensão cervical, são tecnicamente referidos como flexão 
e extensão da cabeça. Resumidamente, os movimentos da coluna são: 
flexão da coluna, extensão da coluna, flexão lateral (lado esquerdo ou 
direito), rotação da coluna (lado esquerdo ou direito) e redução (retorno 
da flexão lateral para a posição neutra).
3. Incidência das principais lesões
Vejamos agora as principais causas de lesões associadas ao esporte e ao 
exercício:
Lesões no ombro: a articulação do ombro é particularmente suscetível 
a lesões devido à sua estrutura anatômica. Vários fatores contribuem 
para a alta incidência de lesões, incluindo a superficialidade da cavidade 
glenoidal, a frouxidão das estruturas ligamentares necessárias para 
permitir sua ampla amplitude de movimento e a insuficiência de 
força e resistência nos músculos, que são cruciais para proporcionar 
estabilidade dinâmica à articulação. Embora as luxações posteriores 
sejam raras, problemas relacionados à instabilidade posterior do 
ombro são relativamente comuns. Outro tipo frequente de lesão é a do 
manguito rotador, que desempenha um papel vital em manter a cabeça 
do úmero corretamente posicionada dentro da cavidade glenoidal, 
enquanto os músculos maiores da articulação movimentam o úmero 
dentro de sua ampla gama de movimentos.
53
Lesão no cotovelo: ao flexionar o cotovelo em aproximadamente 20 
graus ou mais, sua estabilidade óssea é reduzida, resultando em maior 
frouxidão lateral. A estabilidade do cotovelo durante a flexão depende 
em grande parte dos ligamentos colaterais, como o ligamento colateral

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