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1 www.g7juridico.com.br SEMANA DE ATUALIZAÇÃO JURÍDICA DIREITO AMBIENTAL VANESSA FERRARI ROTEIRO DE AULA Tema: Áreas de Preservação Permanente e o tema 1010 do STJ Esse tema foi estabelecido em 2021, no entanto, tivemos a superveniência de uma norma que modificou o código florestal e que trouxe ou traria uma questão para ser dirimida, a qual veremos nesta aula. Lei do parcelamento do solo X Código Florestal Tema 1010 STJ Na vigência do novo Código Florestal (Lei n. 12.651/2012), a extensão não edificável nas Áreas de Preservação Permanente de qualquer curso d'água, perene ou intermitente, em trechos caracterizados como área urbana consolidada, deve respeitar o que disciplinado pelo seu art. 4º, caput, inciso I, alíneas a, b, c, d e e, a fim de assegurar a mais ampla garantia ambiental a esses espaços territoriais especialmente protegidos e, por conseguinte, à coletividade. Tudo se origina na discussão do que seria aplicável, considerando tratar-se de área urbana, o código florestal ou a lei de parcelamento do solo? O tema surge para dirimir essa situação. O tema estabelece que o que vai valer para isso, em área urbana consolidada, é o código florestal. Posteriormente houve embargos de declaração, consulta em relação a superveniência de uma norma e, apenas no segundo semestre de 2023, é que tivemos uma definição em relação a isso. 2 www.g7juridico.com.br A faixa marginal se refere às matas ciliares. A questão é, em relação às matas ciliares, do art. 4º, inciso I, do código florestal (que estabelece as distâncias das áreas de preservação permanente), quais são as medidas que valem? Os 15 metros da lei de parcelamento do solo ou a metragem, dependendo da largura, nos termos do inciso I, da lei 12.651? Área de Preservação Permanente (APP) O código florestal, de forma expressa, estabelece que se aplica a área de preservação permanente tanto para as áreas urbanas quanto rurais. Nós temos duas espécies de área de preservação permanente : 1º- a descrita no art. 4º - do que trata nosso tema 1010, que se estabelece em razão da localização, sendo essa última as margens do rios. As hipóteses do art. 4º, só pelo efeito da lei, já são tratadas automaticamente como APP. 2º- a tratada pelo art. 6º - em função da destinação, para que ela existe, ou seja, considerando sua finalidade. Não é de nosso interesse essa espécie de APP. Depende de declaração de interesse social por ato do Chefe do Poder Executivo. Essa não é de nosso interesse. Hipóteses do art. 4º do Código Florestal A que trata o tema, basicamente, é a do inciso I: Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei: I - as faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e intermitente, excluídos os efêmeros, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima de: (Redação dada pela Lei nº 12.727, de 2012). a) 30 (trinta) metros, para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura; b) 50 (cinquenta) metros, para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; c) 100 (cem) metros, para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; d) 200 (duzentos) metros, para os cursos d’água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; e) 500 (quinhentos) metros, para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; Conforme a largura do rio haverá alteração na largura da APP. - Exclui os cursos artificiais - Exclui rios efêmeros - Área de preservação permanente (APP): nos rios perenes e rios intermitentes. Largura https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/L12727.htm#art1 3 www.g7juridico.com.br Área rural consolidada Nós temos no código florestal a área rural consolidada. Há um regramento específico para as hipóteses dela. Área rural consolidada é aquela com ocupação antrópica anterior a 22 de julho de 2008. Significa dizer que tem aproveitamento da terra, tem moradia, enfim, a ocupação e utilização pelo homem. Quando isso ocorreu antes de 22 de julho de 2008, temos um regramento mais generoso, mais facilitado, que segue um conjunto de normas específico. 4 www.g7juridico.com.br O que originou o tema 1010? 5 www.g7juridico.com.br Quando vem a decisão, começamos a ter uma série de repercussões, consequências. Se há uma área urbana, consolidada, que está com uma atividade sendo desenvolvida, com entendimentos e imóveis construídos, não será simples a adaptação de uma distância diferente de 15 metros. Lei nº. 13.913/2019 (25/11/2019) Nós tivemos uma alteração pela lei 13.913 de 2019, em relação a isso, pois foi suprimido uma expressão na lei de parcelamento do solo e, o que se entendeu, foi que mesmo essa supressão não alterava o entendimento do tema 1010. Isso porque há uma relação de especialidade entre as normas. 6 www.g7juridico.com.br Logo após esse tema (1010), nós temos a edição da lei 14.285 de 2021 que acabou gerando um embargos de declaração e um despacho para manifestação das partes e amicus curiae: 7 www.g7juridico.com.br Essa lei traz duas importantes alterações: Além disso, o art. 4º foi modificado. Vejamos seu §10: 8 www.g7juridico.com.br Já temos um ADI (7.146) em relação a essas alterações, questionando a inconstitucionalidade dessa previsão ao permitir que lei municipal traga normas diferentes, com menor proteção, do que a lei federal que é o código florestal. Além disso também houve alteração da lei de parcelamento do solo: Essa alteração veio na mesma linha, permitindo que haja alteração por meio de lei municipal ou distrital. Temos aqui uma alteração do código florestal dizendo que, o que está lá no caput do art. 1º, que vai estabelecer as áreas de APP, isso pode ser diminuído por lei municipal. Mas o que nós temos aqui, considerando as regras de repartição de competência em termos ambientais, é que a norma federal estabelece a norma geral, o mínimo de proteção ambiental. De modo que os estados, municípios e o DF podem legislar, mas sempre com a proteção mínima trazida pela lei federal. Em outras palavras, não é possível que município, DF ou estado, protejam menos que a união federal. 9 www.g7juridico.com.br E o que foi feito é a inserção no código florestal desse §10, do art. 4º, dizendo que pode, em determinada situação, área urbana consolidada, respeitados alguns limites, a lei municipal ou distrital estabelecer distâncias menores do que aquelas estabelecidas pelo caput. Essa norma veio exatamente para driblar o tema 1010 do STJ (que diz que o que deve ser respeitado é sim, para as áreas urbanas consolidadas, essa distância do art. 4º, inciso I). Há um dilema aqui em que dependeremos do caminhar dessa ADI para dizer, de fato, como a situação vai se estabelecer. No julgamento há indícios, em especial no voto do ministro Herman Benjamin, de que não caberia ao STJ fazer essa análise porque, primeiro, não está delimitada no objeto do que se propôs nesta ação; segundo, porque ficaria para o STF essa análise de constitucionalidade; mas dá indicativos de que sugerindo a inconstitucionalidade desse §10 do art. 4º. O que vem com o julgamento desses embargos de declaração? E da consulta realizada quando a lei 14.285 de 2021? 10 www.g7juridico.com.br Com os embargos de declaração e a consulta há definição em relação ao tema 1010 e a lei 14.285 de 2021. Ficou estabelecido que não seria possível tratar da análise desta norma quanto ao tema porque não teríamos a questão do princípio da adstrição do julgamento ao pedido, estando fora disso, e, além disso, há indicativo de desrespeito ao princípio da vedação aoretrocesso, já que com isso haveria uma diminuição da proteção ambiental. Em seu voto, o Ministro Herman Benjamin é ainda mais enfático em relação a esse aspecto, trazendo um assunto importante para lembrar de que não existem na Constituição o assunto “águas municipais”. Quando verificamos os bens da União e dos estados, temos as questões dos bens e das águas, e não sobra nada para os municípios. O que se estabelece a partir disso é reconhecer algo que a Constituição também não reconhece, temos o elemento da proibição do retrocesso, a questão da inconstitucionalidade da repartição de competências e o fato de trazer para os municípios algo que a Constituição não deu, que são as “águas municipais”. 11 www.g7juridico.com.br O tema 1010 do STJ é válido, não teve alteração no que diz respeito à superveniência desta lei 14.285 de 2021. No entanto, é verdade que não há nenhuma medida que afaste a constitucionalidade dessa norma havendo, na questão prática, dificuldades porque não se sabe como isso será tratada a curto, médio e longo prazo. Houve o fechamento quanto ao enfrentamento dessa norma, que veio para modificar o entendimento 1010 do STJ, quando ao embate do código florestal e a lei do parcelamento do solo, em que se determinou a prevalência do código florestal, pela questão de ser uma norma especial, e essa modificação para inserir no código florestal e na lei do parcelamento do solo modificação que autorizasse medidas diferentes. Atenção, então, com alguns assuntos que valem para nosso estudo como a forma como se dá a repartição de competências, a inexistência de águas municipais e a alteração trazida pela lei 14.285.