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Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos
Aula 15
Índice
..............................................................................................................................................................................................1) Princípios Gerais da Atividade Econômica (art. 170 - art. 181, CF/88) 3
..............................................................................................................................................................................................2) Política Urbana (art. 182 e art. 183, CF/88) 23
..............................................................................................................................................................................................3) Política Agrícola, Fundiária e Reforma Agrária (art. 184 - art. 191, CF/88) 27
..............................................................................................................................................................................................4) Sistema Financeiro Nacional (art. 192, CF/88) 32
..............................................................................................................................................................................................5) Questões Comentadas - Ordem Econômica e Financeira - CEBRASPE 33
..............................................................................................................................................................................................6) Lista de Questões - Ordem Econômica e Financeira - CEBRASPE 57
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ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA
Introdução
A ordem econômica consiste em um conjunto de normas que regulam o sistema econômico do
País, definindo, dentre outros pontos, a forma de intervenção do Estado na economia.
A disciplina constitucional da ordem econômica forma aquilo que a doutrina denomina
“Constituição econômica”, que, nas palavras do Prof. Uadi Lammêgo Bulos, “consiste em um
microssistema normativo, integrado à própria carta constitucional positiva, em cujo esteio
erigem-se normas e diretrizes constitucionais que disciplinam, juridicamente, a macroeconomia”.1
Há que se destacar, ainda, que a “Constituição econômica” não se esgota no texto
constitucional: ela também se manifesta por meio de normas infraconstitucionais. É a partir disso
que se pode fazer a distinção entre Constituição econômica material (núcleo essencial de normas
que regem o sistema econômico, quer constem ou não do texto constitucional) e Constituição
econômica formal (normas que regem o sistema econômico e que estão positivadas no texto
constitucional, ainda que não dotadas de relevância material).2
A constitucionalização da ordem econômica foi um movimento que ganhou força com a Primeira
Guerra Mundial. Em virtude daquele conflito, o Estado teve que assumir um papel mais ativo na
regulação da economia, o que se acentuou ainda mais com a Crise da Bolsa de Nova York (1929)
e com a Segunda Guerra Mundial.
Constata-se que a inserção da ordem econômica nos textos constitucionais foi uma das
características da transição do Estado liberal para o Estado social. O Estado liberal era
eminentemente não intervencionista; o Estado social, por sua vez, é marcado pela maior atuação
governamental, seja intervindo na economia, seja ofertando prestações positivas em favor dos
indivíduos. Dessa forma, a constitucionalização da ordem econômica é resultado do
aparecimento da ideia de Estado de bem-estar social.
No Brasil, a Constituição de 1934 foi a primeira a trazer em seu texto a disciplina da ordem
econômica, o que se deveu à forte influência da Constituição alemã de Weimar (1919).
Destaque-se que a Carta de 1934 também tratou com pioneirismo a disciplina da ordem social,
que está intimamente relacionada à ordem econômica.
Na CF/88, a ordem econômica e financeira é dividida da seguinte forma:
- Princípios Gerais da Ordem econômica (art. 170 – art. 181)
- Política Urbana (art. 182 – art. 183)
- Política agrícola e fundiária e a reforma agrária (art. 184 – art. 191)
- Sistema Financeiro Nacional (art. 192)
Essas normas, que consubstanciam a chamada “Constituição econômica”, podem ser
classificadas, segundo a doutrina do Prof. José Afonso da Silva, como elementos
2 CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional, 6ª edição. Ed. Juspodium. Salvador: 2012, p.
1276 – 1277.
1 BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional, 6a edição. Ed. Saraiva. São Paulo: 2011, pp. 1490.
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socioideológicos. São elementos socioideológicos o conjunto de normas que refletem a
existência do Estado social, intervencionista, prestacionista.
Fundamentos e Princípios Gerais da Ordem Econômica
Princípios constitucionais da ordem econômica
A doutrina considera que a Constituição Federal de 1988, ao tratar da ordem econômica,
estabeleceu princípios e soluções um tanto quanto contraditórios. Ao mesmo tempo em que
consagra a liberdade de iniciativa, a CF/88 busca, em diversos momentos, regulamentar a
atividade econômica. Assim, liberalismo e intervencionismo se alternam na formulação dos
princípios da ordem econômica, o que demonstra o resultado consensual de um debate entre as
diversas correntes que participaram da formulação da CF/88.3
Segundo o art. 170, CF/88, a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e
na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça
social. Por meio desse dispositivo, a CF/88 consagra a existência de uma economia de mercado,
de índole capitalista. Isso fica claro ao estabelecer-se que o fundamento da ordem econômica é a
livre iniciativa; com efeito, a livre iniciativa é característica central do sistema capitalista.
Ao mesmo tempo, percebe-se que o art. 170, CF/88, estabeleceu que a finalidade da ordem
econômica é promover a existência digna de todos, conforme os ditames da justiça social. Nesse
sentido, busca-se compatibilizar o desenvolvimento econômico com o princípio da dignidade da
pessoa humana.
Os princípios constitucionais da ordem econômica são os seguintes:
a) Soberania nacional. A soberania é um dos fundamentos da República Federativa do
Brasil (art. 1º, I). Aqui, ela aparece no sentido de “soberania econômica”. Com isso, o
legislador constituinte quis deixar claro que o Brasil deve buscar o seu desenvolvimento e
evitar a situação de dependência em relação aos países industrializados.
b) Propriedade privada. A propriedade privada dos meios de produção é a grande
característica do sistema econômico capitalista.
c) Função social da propriedade. O direito à propriedade não é absoluto; em outras
palavras, a propriedade é garantida, desde que cumpra sua função social. Nos termos do
art. 5º, XXIII, “a propriedade atenderá a sua função social”.
d) Livre concorrência. A livre concorrência é um princípio que deriva do princípio da livre
iniciativa. Ao estabelecer a livre concorrência como um princípio geral da ordem
econômica, a CF/88 reconhece, implicitamente, a tese de que mercados competitivos
geram maior eficiência econômica, possibilitando maior bem-estar e qualidade de vida aos
cidadãos.
Destaque-se, entretanto, que, embora o legislador constituinte tenha optado pela livre
concorrência, esta não é absoluta. O Estado possui diversas formas de intervenção na
economia. A intervenção estatal pode ser direta (como no caso de monopólios em setores
estratégicos) ou indireta (através da regulação econômica).
3 MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil Interpretada e Legislação Constitucional, 9ª edição. São Paulo
Editora Atlas: 2010, pp. 1875-1877.
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3A média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário
não possua outra, é insuscetível de desapropriação para fins de reforma agrária.
Comentários: 
Segundo o art. 185, I, CF/88, são insuscetíveis de desapropriação, para fins de reforma agrária, a
pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não
possua outra. Questão correta.
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ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA
Sistema Financeiro Nacional
A Emenda Constitucional no 40 de 29 de maio de 2003 suprimiu todos os incisos, alíneas e
parágrafos constantes da redação original do art. 182, CF, mas não lhe alterou o conteúdo de
maneira substancial. Após a redação dada pela referida emenda, o capítulo da Constituição
referente ao Sistema Financeiro Nacional passou a se resumir ao seguinte dispositivo:
Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o
desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em
todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será
regulado por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação
do capital estrangeiro nas instituições que o integram.
A Constituição reserva a leis complementares a disciplina da matéria. Atente para o fato de que
várias leis complementares poderão dispor sobre a matéria, não havendo restrição a uma só lei.
A regulação do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos
Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) e do Seguro Obrigatório de Danos
Pessoais Causados por Embarcações ou por sua Carga exige, nos termos do art.
192 da Constituição Federal, lei complementar1.
1 ADI 6.262 MC, Rel. Min. Edson Fachin, j. 20-12-2019.
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QUESTÕES COMENTADAS
1. CEBRASPE/PC-PE/2024
No que se refere à política urbana, agrícola e fundiária e à reforma agrária, assinale a opção
correta.
a) Na execução da política fundiária, todos os imóveis classificados como latifúndios se sujeitam,
em princípio, a desapropriação para fins de reforma agrária.
b) Aspectos ligados ao cumprimento da legislação trabalhista não são juridicamente apropriados
para definição de imóveis aptos a desapropriação para fins de reforma agrária.
c) Em respeito à autonomia municipal, a CF preconiza a adoção de plano diretor como
recomendação para os municípios, sem caráter vinculante.
d) Um imóvel pode ser produtivo e, ao mesmo tempo, não cumprir sua função social, caso em
que poderá ser objeto de desapropriação para fins de reforma agrária.
d) Devido à proteção do direito de propriedade como direito fundamental, são limitados os
meios de execução da política urbana, sendo proibido ao poder público, por exemplo, exigir
edificação compulsória em imóvel.
Comentários:
Questão interessante sobre a Função Social do Bem Imóvel. Sobre o tema, a nossa Magna Carta
entende que a função social da propriedade é um princípio basilar da política urbana, da política
fundiária, bem como da reforma agrária.
Tal princípio determina que para ser assegurado a proteção constitucional do direito de
propriedade, deve ser cumpridos uma série de requisitos dispostos no art. 186 da CRFB/88,
vejamos:
Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende,
simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em
lei, aos seguintes requisitos:
I - aproveitamento racional e adequado;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do
meio ambiente;
III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos
trabalhadores.
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Portanto, um imóvel pode ser produtivo e, ao mesmo tempo, não cumprir sua função social, caso
em que poderá ser objeto de desapropriação para fins de reforma agrária, já que os requisitos
indicados no art. 186 são cumulativos.
Nesse sentido, confira o art. 184 da CRFB/88:
Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de
reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social,
mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com
cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte
anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida
em lei.
Diante de todo o exposto, o nosso gabarito é a LETRA D!
(...)
LETRA A. INCORRETA. A alternativa está errada, tendo em vista que não são todos os imóveis
classificados como latifúndios que se sujeitam a desapropriação para fins de reforma agrária,
apenas aqueles que não estão cumprindo com os critérios estabelecidos no art. 186 da CRFB/88.
LETRA B. INCORRETA. O cumprimento da legislação trabalhista é requisito da função social da
propriedade, devendo ser observado para que não ocorra a desapropriação para fins de reforma
agrária, conforme art. 186, inciso III da CRFB/88.
LETRA C. INCORRETA. A alternativa está errada, porque o plano diretor é obrigatório para
cidades com mais de 20 mil habitantes, ou seja, não é uma mera recomendação, é obrigação a
ser seguida pelos Municípios que tenham mais de 20 mil habitantes, vejamos:
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder
Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por
objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e
garantir o bem-estar de seus habitantes.
§ 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para
cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política
de desenvolvimento e de expansão urbana.
LETRA D. CORRETA. De fato, um imóvel pode ser produtivo e, ao mesmo tempo, não cumprir
sua função social, caso em que poderá ser objeto de desapropriação para fins de reforma agrária,
já que os requisitos indicados no art. 186 da CRFB/88 são cumulativos.
LETRA E. INCORRETA. A alternativa está errada, porque é possível que o Poder Público, exija a
edificação compulsória de um imóvel não utilizado, subutilizado ou não edificado, conforme art.
182, em seu § 4º da CRFB/88:
§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para
área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do
proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado,
que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:
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I - parcelamento ou edificação compulsórios;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no
tempo;
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de
emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate
de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o
valor real da indenização e os juros legais.
Gabarito: Letra D
2. CEBRASPE/MMA/2024
Considerando as disposições da Constituição Federal, julgue o item a seguir.
São princípios gerais da atividade econômica do Estado a propriedade privada, a livre
concorrência e a defesa do meio ambiente.
Comentários:
A questão cobra o conhecimento sobre os Princípios Gerais da Atividade Econômica, dispostos
no art. 170 da CRFB/88. O referido dispositivo estabeleceu que a finalidade da ordem econômica
é promover a existência digna de todos, conforme os ditames da justiça social.
O objetivo é justamente compatibilizar o desenvolvimento econômico com o princípio da
dignidade da pessoa humana. Os princípios constitucionais da ordem econômica estão dispostos
nos incisos do art. 170 da CRFB/88,vejamos:
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,
tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social,
observados os seguintes princípios:
I - soberania nacional;
II - propriedade privada;
III - função social da propriedade;
IV - livre concorrência;
V - defesa do consumidor;
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto
ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação;
VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII - busca do pleno emprego;
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IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras
e que tenham sua sede e administração no País.
Percebam que a assertiva reproduz os incisos II, IV e VI do art. 170 da CRFB/88. Assim, podemos
afirmar que o item está correto.
Gabarito: Item correto
3. CEBRASPE/ANTT/2024
Acerca dos princípios constitucionais que norteiam a ordem econômica no Brasil, julgue o item
subsequente. 
A repressão ao abuso do poder econômico constitui mecanismo jurídico que visa assegurar a
realização do princípio constitucional da livre concorrência e combater a formação de
monopólios e cartéis. 
Comentários:
A questão aborda os Princípios Constitucionais que regem a Ordem Econômica, notadamente, a
Livre Concorrência.
A CRFB/88, em seu art. 170, IV estabelece a livre concorrência como princípio da ordem
econômica, vejamos:
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,
tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social,
observados os seguintes princípios:
IV - livre concorrência.
A Lei nº 12.529/2011 cria e organiza o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC), com
o propósito de prevenir e reprimir infrações contra a ordem econômica. Essa legislação visa
fortalecer a importância de coibir o abuso do poder econômico como forma de garantir a livre
concorrência e combater práticas anticompetitivas, como monopólios e cartéis.
Confira a referida legislação:
Art. 1º. Esta Lei estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) e dispõe sobre
a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica, orientada pelos ditames
constitucionais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade,
defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico.
Essa atuação é fundamental para promover um ambiente empresarial saudável, estimular a
competição e proteger os interesses dos consumidores.
Perceba que a disposição contida no enunciado está CERTA!
Gabarito: Certo
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4. CEBRASPE/ANTT/2024
Acerca dos princípios constitucionais que norteiam a ordem econômica no Brasil, julgue o item
subsequente. 
Dispositivo do texto constitucional em vigor prevê tratamento diferenciado entre empresas
brasileiras e empresas brasileiras de capital nacional, conferindo a estas últimas proteção e
benefícios especiais para desenvolver suas atividades consideradas estratégicas ou
imprescindíveis ao desenvolvimento do país. 
Comentários:
Questão bem interessante sobre a Ordem Econômica.
Na Constituição Brasileira, não há disposições claras que estabeleçam um tratamento
diferenciado entre empresas brasileiras e empresas brasileiras de capital nacional. O documento
constitucional enfatiza princípios de igualdade e não discriminação entre empresas nacionais,
independentemente da origem do capital investido.
No mais, a Carta Magna estabelece orientações para proteger e fomentar o desenvolvimento
econômico do país, sem distinguir entre empresas com base na nacionalidade do capital.
Qualquer benefício ou proteção concedido a empresas específicas deve respeitar os princípios
constitucionais de igualdade e justiça, sem discriminação em relação à origem do capital.
Dessa forma, resta equivocada a afirmação que a Constituição prevê um tratamento diferenciado
entre empresas brasileiras e empresas brasileiras de capital nacional.
Assim, o disposto no enunciado está ERRADO.
Gabarito: Errado
5. CEBRASPE/ANTT/2024
Acerca dos princípios constitucionais que norteiam a ordem econômica no Brasil, julgue o item
subsequente. 
A democracia econômica é princípio implícito da ordem econômica constitucional segundo o
qual o planejamento estatal deve orientar-se pela garantia da igualdade na oferta de
oportunidades de iniciativa e de emprego, consideradas a valorização do trabalho humano, a
busca do pleno emprego e a defesa do consumidor, bem como da liberdade de concorrência e
da livre iniciativa. 
Comentários:
A questão exige conhecimento sobre os Princípios Gerais da Ordem Econômica.
A ordem econômica consiste em um conjunto de normas que regulam o sistema econômico do
País, definindo a forma de intervenção do Estado na economia.
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Nesse sentido, confira o texto constitucional:
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,
tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social,
observados os seguintes princípios:
I - soberania nacional;
II - propriedade privada;
III - função social da propriedade;
IV - livre concorrência;
V - defesa do consumidor;
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto
ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação;
VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII - busca do pleno emprego;
IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras
e que tenham sua sede e administração no País.
Portanto, é correto afirmar que a democracia econômica é um princípio implícito da ordem
econômica constitucional no Brasil. Embora o termo "democracia econômica" não esteja
explicitamente mencionado na Constituição Federal, diversos dispositivos e princípios presentes
no texto constitucional refletem a preocupação em garantir uma participação democrática e justa
na atividade econômica do país.
A Constituição de 1988 estabelece bases para uma ordem econômica que visa assegurar a todos
uma existência digna, conforme os ditames da justiça social. Isso inclui a defesa do consumidor, a
redução das desigualdades regionais e sociais, a busca pelo pleno emprego e a valorização do
trabalho humano.
Além disso, a própria estrutura de proteção à livre concorrência e à repressão ao abuso do poder
econômico busca garantir um ambiente econômico mais equitativo e democrático, permitindo
que diferentes agentes econômicos participem do mercado em condições justas.
Diante de todo o exposto, o disposto no enunciado está CERTO.
Gabarito: Certo
6. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da
atividade econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF).
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O princípio da soberania nacional, aplicado à esfera da ordem econômica, está atrelado à noção
de liberdade que o Estado detém de implementar sua política econômica, independentemente
da interferência de outros países.
C) Certo.
E) Errado.
Comentários:
A questão cobrou o Princípio da Soberania Nacional, atrelado à Ordem Econômica. Antes de
qualquer coisa, confira o texto constitucional:
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,
tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme osditames da justiça social,
observados os seguintes princípios:
I - soberania nacional.
No tocante ao princípio da soberania nacional, ao ser aplicado na ordem econômica, o legislador
constituinte quis deixar claro que o Brasil deve buscar o seu desenvolvimento e evitar situações
de dependência em relação aos países industrializados.
A doutrina entende que o referido princípio possui dois aspectos: supremacia (no plano interno)
e a independência (no plano internacional).
No plano interno, apenas o Estado detém o poder de regular a atividade econômica, ou seja, o
Estado Brasileiro, não se submete, de forma superveniente, à orientação de outro Estado
soberano (liberdade).
Destarte, a soberania nacional relacionada à ordem econômica está ligada à liberdade que o
próprio Estado tem de implantar sua política econômica, sem interferência de outros Estados.
Logo, podemos concluir que a disposição do enunciado está CERTA!
Gabarito: Certo
7. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da
atividade econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF).
A aplicação do princípio do tratamento favorecido às empresas de pequeno porte é extensível
às empresas estrangeiras situadas no Brasil, como forma de legitimar a intervenção estatal na
economia, com a finalidade de nivelar o campo de jogo concorrencial.
C) Certo.
E) Errado.
Comentários:
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Olha que questão interessante sobre os Princípios Gerais da Atividade Econômica,
especificamente, sobre o estabelecido no art. 170, IX da CRFB/88. Vale a leitura do caput do
dispositivo na íntegra:
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,
tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social,
observados os seguintes princípios:
Dentre os princípios, podemos encontrar o do tratamento favorecido para as empresas de
pequeno porte que foram constituídas pelas leis brasileiras, tendo sede no país, vejamos:
IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras
e que tenham sua sede e administração no País.
Com base em toda explanação feita, não é possível que tal princípio seja aplicado às empresas
estrangeiras situadas no Brasil.
Por essa razão, o disposto no enunciado está ERRADO!
Gabarito: Errado
8. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da
atividade econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF).
O princípio da busca pelo pleno emprego tem como premissa a intervenção do Estado na
atividade econômica, de forma a promover a valorização do trabalho em sentido amplo,
considerado o trabalho como a atividade cujo objetivo é um resultado que impacte a atividade
econômica.
C) Certo.
E) Errado.
Comentários:
Vamos testar os conhecimentos sobre os Princípios Gerais da Ordem Econômica. O art. 170 da
CRFB/88, estabeleceu que a finalidade da ordem econômica é promover a existência digna de
todos, conforme os ditames da justiça social.
Com isso, indicou um rol de princípios para nortear as relações. Dentre os princípios
estabelecidos no referido dispositivo, podemos encontrar o da busca pelo pleno emprego (inciso
VIII), que consiste em uma diretriz constitucional que tem como objetivo assegurar que toda a
força de trabalho disponível seja utilizada na atividade econômica.
Portanto, podemos afirmar que o enunciado está CERTO.
Gabarito: Correto
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9. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da
atividade econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF).
O princípio do livre exercício da atividade econômica pressupõe o exercício da livre iniciativa e
da livre concorrência pelos agentes econômicos, independentemente de autorização de órgãos
públicos, salvo nos casos previstos em lei.
C) Certo.
E) Errado.
Comentários:
A questão versa sobre os Princípios Gerais da Ordem Econômica. Segundo o art. 170 da
CRFB/88, a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,
tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social.
Consagra-se a existência de uma economia de mercado, de índole capitalista.
Nesse sentido, o parágrafo único do referido dispositivo prevê que é assegurado a todos o livre
exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos
públicos, salvo nos casos previstos em lei. Olha só:
Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica,
independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.
É o chamado princípio da liberdade de exercício de atividade econômica! Logo, podemos
afirmar que a disposição do enunciado se coaduna com o art. 170, parágrafo único da CRFB/88.
O item está CERTO!
Gabarito: Correto
10. (CEBRASPE/ANAC/2024) Com relação às modalidades de intervenção do Estado na
atividade econômica, julgue o item seguinte.
Em sua atividade planificadora, o Estado deve estabelecer, por meio de lei, as diretrizes e bases
para um desenvolvimento nacional equilibrado, compatibilizando planos regionais e nacionais de
desenvolvimento.
C) Certo.
E) Errado.
Comentários:
A Intervenção Indireta do Estado na Economia fica caracterizada quando o Estado assume o
papel de agente normativo e regulador da atividade econômica. O fundamento da intervenção
indireta é o art. 174 da CRFB/88.
Para respondermos à questão devemos nos concentrar no §1º do art. 174 da CRFB/88, vejamos:
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Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na
forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para
o setor público e indicativo para o setor privado.
§ 1º - A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do desenvolvimento nacional
equilibrado, o qual incorporará e compatibilizará os planos nacionais e regionais de
desenvolvimento.
Portanto, o disposto no enunciado está CERTO.
Gabarito: Correto
11. (CEBRASPE/ANAC/2024) Com relação às modalidades de intervenção do Estado na
atividade econômica, julgue o item seguinte.
A CF autoriza o Estado a explorar diretamente a atividade econômica em sentido estrito,
quando for necessário aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo,
conforme definição legal.
C) Certo.
E) Errado.
Comentários:
A questão aborda a Intervenção do Estado na Atividade Econômica, especialmente a chamada
intervenção direta! Esta fica caracterizada quando o Estado explora diretamente uma atividade
econômica. Trata-se de situação excepcional, regulada no art. 173 da CRFB/88.
Nesse sentido, confira a redação do dispositivo:
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade
econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança
nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.
O art. 173 consagra, assim, o princípio da subsidiariedade na atuação direta do Estado na
economia, ou seja, este somente atuará quando o setor privado não tiver capacidade ou
interesse de atuar em determinado setor econômico ou, ainda, por imperativos de segurança
nacional ou relevante interesse coletivo.
É bastante comum afirmar que o Estado somente pode explorar diretamente atividade
econômica em caso de imperativo de segurança nacional ou de relevante interesse público. Isso
está equivocado!
Com base no art. 173, que ressalva “os casos previstos na Constituição”, é possível afirmar que
os imperativos da segurançanacional e o relevante interesse coletivo não são os únicos casos em
que o Estado poderá explorar diretamente atividade econômica.
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Essa atuação direta do Estado no domínio econômico é feita por meio das empresas públicas e
das sociedades de economia mista exploradoras de atividades econômicas. Cabe destacar que,
nos termos do art. 173, § 2º, “as empresas públicas e as sociedades de economia mista não
poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”.
Portanto, a disposição prevista no enunciado está CERTA!
Gabarito: Correto
12. (CEBRASPE/ANAC/2024) Com relação às modalidades de intervenção do Estado na
atividade econômica, julgue o item seguinte.
A CF prescreve que o Estado, como agente normativo e regulador da atividade econômica,
deve estabelecer política de incentivo e fomento às empresas de pequeno porte que compõem
o mercado interno brasileiro.
c) Certo.
e) Errado.
Comentários:
Vamos resolver uma questão sobre a Ordem Econômica e Financeira. O tema está contemplado
no art. 174 da CRFB/88, vejamos:
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na
forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para
o setor público e indicativo para o setor privado.
§ 1º - A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do desenvolvimento nacional
equilibrado, o qual incorporará e compatibilizará os planos nacionais e regionais de
desenvolvimento.
§ 2º - A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo.
§ 3º - O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em
conta a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros.
§ 4º - As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão prioridade na autorização ou
concessão para pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas onde
estejam atuando, e naquelas fixadas de acordo com o art. 21, XXV, na forma da lei.
Isto posto, podemos afirmar que o enunciado está equivocado, porque a nossa CRFB/88 não
prevê expressamente que o Estado tem o dever de estabelecer política de incentivo e fomento
às empresas de pequeno porte que fazem parte do mercado interno brasileiro.
O que o art. 174 previu foi a atuação do Estado, como agente normativo e regulador da
atividade econômica, exercerá as funções de fiscalização, incentivo e planejamento.
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Logo, a disposição do enunciado está ERRADA.
Gabarito: Errado
13. (CEBRASPE/TCDF-Analista/2023) Em relação à disciplina atinente à prestação de serviços
públicos, julgue o item seguinte, com base na Constituição Federal de 1988 (CF) e na
jurisprudência dos tribunais superiores.
Segundo a regência do texto constitucional, a prestação de serviços públicos deve ser realizada
pelo poder público diretamente, ou indiretamente, e, neste último caso, desde que por meio de
concessão ou autorização, sempre precedida de procedimento licitatório.
Comentários:
Pessoal, a questão trata sobre os Princípios Gerais e da Atividade Econômica.
A prestação do serviço público pode ocorrer de maneira direta ou indireta. No caso da prestação
de serviço de forma indireta, deverá ser realizada através da concessão ou permissão, mediante
processo licitatório. Olha só o que diz o art. 175 da CRFB/88:
Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão
ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.
Convém esclarecer que a concessão é um contrato bilateral da administração pública com uma
empresa particular, através de prévia licitação. Já a permissão é um ato discricionário e precário,
no qual a administração pública concede ao particular alguma conduta que exista interesse da
coletividade. É um contrato de adesão que exige licitação.
Assim, após breve explanação, podemos afirmar que a assertiva está ERRADA.
Gabarito: Errado
14. (CEBRASPE/Conselho Nacional do Ministério Público/2023) A respeito do Estado federal
brasileiro, dos direitos sociais, dos servidores públicos, do processo legislativo, do Ministério
Público e da ordem econômica e financeira, julgue o próximo item.
No que se refere à política urbana, especificamente à usucapião urbana, o título de domínio da
propriedade será concedido ao homem ou à mulher, ou ao primeiro, se ambos forem casados.
Comentários:
Questão bem interessante sobre Política Urbana. Nem é tão usual assim em provas de concursos.
De acordo com a Constituição Federal em seu art. 183, § 1º:
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros
quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou
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de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano
ou rural.
§ 1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a
ambos, independentemente do estado civil.
Podemos concluir que, o título de domínio da propriedade será concedido ao homem ou à
mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. A pegadinha está no fim do item, ao
afirmar que será concedido ao homem ou à mulher, ou ao primeiro, se ambos forem casados.
Guarde a seguinte informação: independe do estado civil!!!
Dessa forma, o item está ERRADO.
Gabarito: Errado
15. (CEBRASPE - ATT (SEFAZ SE)/SEFAZ SE/2022) Considerando que o Brasil, desde a
redemocratização e com a promulgação da Constituição de 1988, é um país em que se busca
compatibilizar valores e direitos individuais com valores e direitos coletivos, em que a ordem
econômica deve observar como princípios, entre outros, a propriedade privada e a sua função
social, a livre concorrência, a redução das desigualdades regionais e sociais e, ainda, a defesa do
consumidor e do meio ambiente, assinale a opção correta.
a) Há, na Constituição Federal, um compromisso ético-social de assegurar a todos existência
digna.
b) A redução das desigualdades regionais é um valor supremo constitucionalmente previsto.
c) O desenvolvimento do País deve ser considerado exclusivamente a partir de uma perspectiva
econômica.
d) Existe, no Brasil, uma hipertrofia da livre iniciativa frente a deveres e valores sociais.
e) A defesa do consumidor é valor que está acima da ordem econômica brasileira.
Comentários:
De fato na Constituição Federal, há um compromisso ético-social de assegurar a todos existência
digna, vejamos:
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,
tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social,
observados os seguintes princípios (...)
Gabarito: A
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16. (CEBRASPE/ SEFAZ-DF – 2020) A União detém o monopólio da pesquisa e lavra das
jazidas de petróleo e gás natural, sendo-lhe permitida a contratação de empresas estatais e
privadas para a realização dessas atividades, desde que observadas as condições estabelecidas
em lei.
Comentários:
Segundo o art. 177, I, da Carta Magna, é monopólio da União a pesquisa e a lavra das jazidas de
petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos. O § 1º do mesmo dispositivo permite
que a União contrate empresas estatais ou privadas para a realização dessa atividade, observadas
as condições estabelecidas em lei.
Gabarito: Questão correta
17. (CEBRASPE/ SEFAZ-DF – 2020) As empresas públicas e as sociedades de economia mistagozam de privilégios fiscais não extensivos às sociedades comerciais do setor privado.
Comentários:
As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios
fiscais não extensivos às do setor privado (art. 173, § 2º, CF).
Gabarito: Questão errada
18. (CEBRASPE/ TJ-PA – 2019) De acordo com a Constituição Federal de 1988, as jazidas em
lavra e demais recursos minerais e potenciais de energia hidráulica constituem, para efeito de
exploração e aproveitamento, propriedade
a) distinta da do solo e pertencem à União e aos estados onde estejam localizados, garantida
ao concessionário a propriedade do produto da lavra.
b) distinta da do solo e pertencem ao estado onde estejam localizados, garantida ao
permissionário ou concessionário a propriedade da lavra.
c) conjunta à do solo e pertencem à União, garantida ao permissionário ou concessionário a
propriedade do produto da lavra.
d) conjunta à do solo e pertencem à União e aos estados onde estejam localizados, garantida
ao concessionário a propriedade do produto da lavra.
e) distinta da do solo e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do
produto da lavra.
Comentários:
As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica
constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e
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pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra (art. 176,
CF).
Gabarito: letra E
19. (CEBRASPE/ Prefeitura de Boa Vista - 2019) Estados federados podem, sob o fundamento
de interesse social, desapropriar imóveis rurais improdutivos para fins de reforma agrária.
Comentários:
Trata-se de competência da União. Nos termos do art. 184 da Constituição, compete à União
desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja
cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária,
com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do
segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.
Gabarito: Questão errada
20. (CEBRASPE/ EMAP – 2018) Lei pode estabelecer condições para o exercício de certas
atividades econômicas.
Comentários
Em regra, o exercício da atividade econômica é livre, independentemente de autorização pelo
Estado. Entretanto, excepcionalmente, a Carta Magna admite que lei estabeleça condições para
o exercício de certas atividades econômicas (art. 170, parágrafo único, CF).
Gabarito: Questão correta
21. (CEBRASPE/ STJ – 2018) A defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento
diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de
elaboração e prestação, é princípio de índole constitucional que pauta a ordem econômica
brasileira.
Comentários:
Trata-se, de fato, de princípio da ordem econômica, previsto no art. 170, VI, da Carta Magna.
Relembremos o que dispõe o art. 170 da CF/88:
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,
tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social,
observados os seguintes princípios:
·- soberania nacional;
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·- propriedade privada;
·- função social da propriedade;
·- livre concorrência;
·- defesa do consumidor;
·- defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto
ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação;
·- redução das desigualdades regionais e sociais;
·- busca do pleno emprego;
·- tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e
que tenham sua sede e administração no País.
Gabarito: Questão correta
22. (CEBRASPE / TRT 8ª Região – 2016) Acerca das finanças públicas, da ordem econômica e
financeira, da reforma agrária, do sistema financeiro nacional e da ordem social, assinale a opção
correta de acordo com a CF.
a) O sistema financeiro nacional regula-se por leis complementares, salvo no que se refere à
participação de capital estrangeiro nas instituições financeiras, que será regulada por tratados
internacionais.
b) É direito fundamental da pessoa humana o direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, cabendo ao Estado e à coletividade a garantia desse direito.
c) O texto constitucional atribui ao Congresso Nacional a competência para fiscalizar a
emissão de moeda no país, exclusivamente pelo Banco Central, nos termos de lei complementar.
d) O concessionário dependerá de autorização ou concessão do proprietário do solo para a
exploração de jazidas e demais recursos minerais, cabendo ao proprietário participação nos
resultados da lavra.
e) A alienação ou a concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos
hectares para fins de reforma agrária dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional.
Comentários:
Letra A: errada. O sistema financeiro nacional regula-se por leis complementares que dispõem,
inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram (art. 192,
“caput”, CF).
Letra B: correta. Segundo o art. 225 da Constituição, “todos têm direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
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impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações”.
Letra C: errada. Compete ao Congresso Nacional legislar sobre a emissão de moeda, não
fiscalizá-la (art. 48, XIV, CF).
Letra D: errada. Para exploração de jazidas e demais recursos naturais, é necessária a autorização
da União (art. 176, § 1o, CF), cabendo ao proprietário participação nos resultados da lavra.
Letra E: errada. Caso a alienação ou concessão de terras públicas destine-se a reforma agrária,
não há necessidade de aprovação do Congresso Nacional (art. 188, §§ 1o e 2o, CF).
Gabarito: letra B
23. (CEBRASPE / TJ-PB – 2015) Será materialmente inconstitucional, por ofender o princípio
da livre concorrência, lei municipal que, a pretexto de realizar zoneamento urbano, estabeleça
distância mínima de quinhentos metros entre uma farmácia e outra.
Comentários:
A Súmula Vinculante nº 49 estabelece que “ofende o princípio da livre concorrência lei municipal
que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada
área”. Assim, será inconstitucional a lei municipal que estabeleça distância mínima de 500 metros
entre uma farmácia e outra.
Gabarito: Questão correta
24. (CEBRASPE / TJDFT – 2014) Constitui princípio constitucional da ordem econômica o
tratamento favorecido para todas as empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e
administração no Brasil.
Comentários:
É princípio constitucional da ordem econômica o “tratamento favorecido para as empresas de
pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no
País”.
Gabarito: Questão errada
25. (CEBRASPE / CADE – 2014) Os valores sociais da livre iniciativa e a livre iniciativa são
princípios da República Federativa do Brasil; o primeiro é um fundamento, e o segundo, um
princípio geral da atividade econômica.
Comentários:
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É isso mesmo! Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa são um fundamento da
República Federativa do Brasil. Por sua vez, a livre iniciativa (livre concorrência) é princípiogeral
da ordem econômica (art. 170, IV).
Gabarito: Questão correta
26. (CEBRASPE / TJ-SE – 2014) A CF prevê a possibilidade de exploração direta de atividade
econômica pelo Estado somente no caso de imprescindibilidade à segurança nacional.
Comentários:
O Estado pode explorar diretamente atividade econômica quando for necessário aos imperativos
de segurança nacional ou a relevante interesse coletivo. Também é admitida a exploração direta
de atividade econômica pelo Estado em outros casos previstos na Constituição. Dessa forma, a
imprescindibilidade à segurança nacional não é a única hipótese em que se autoriza a atuação
direta do Estado na atividade econômica.
Gabarito: Questão errada
27. (CEBRASPE / MPE-AC – 2014) Em razão do regime de livre mercado estabelecido na CF, é
vedado ao Estado explorar diretamente atividade econômica.
Comentários:
Segundo o art. 173, “ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de
atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da
segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei”. Assim, é
possível, em alguns casos, que o Estado explore diretamente atividade econômica.
Gabarito: Questão errada
28. (CEBRASPE / TRF 2ª Região – 2013) A proteção à livre concorrência é um dos princípios
orientadores da ordem econômica, e, segundo entendimento do STF o privilégio de entrega de
correspondência da ECT — empresa pública — viola tal princípio.
Comentários:
É o contrário! Para o STF, por se tratar de um serviço público, a atividade de entrega de
correspondência pode, sim, ser desenvolvida com exclusividade pela ECT. Não há violação á livre
concorrência.
Gabarito: Questão errada
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29. (CEBRASPE / Banco da Amazônia – 2012) Conforme previsto na CF, o Estado, quando
atua como agente normativo e regulador, exerce as funções de fiscalização, planejamento e
participação no mercado.
Comentários:
Segundo o art. 174, “caput”, da CF/88, quando o Estado atua como agente normativo e
regulador, exerce as
funções de fiscalização, incentivo e planejamento.
Gabarito: Questão errada
30. (CEBRASPE / Banco da Amazônia – 2012) O princípio da livre concorrência garante aos
agentes econômicos a segurança de que o Estado não poderá impedi-los de atuar livremente no
mercado.
Comentários:
O Estado pode, sim, impedir que agentes econômicos atuem livremente no mercado, para coibir
o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência
e ao aumento arbitrário dos lucros. Nesse sentido, foi criado o CADE, a fim de exercer o controle
sobre a atuação econômica das pessoas jurídicas.
Gabarito: Questão errada
31. (CEBRASPE / Banco da Amazônia – 2012) Ao planejar a atividade econômica, o Estado
deve, conforme previsão constitucional, observar o princípio da livre iniciativa, atuando apenas
de forma indicativa para o setor privado.
Comentários:
De fato, a livre iniciativa é um dos fundamentos da RFB, que deve ser observado pelo Estado ao
planejar a atividade econômica (art. 1º, IV, CF). Esse planejamento é determinante para o setor
público e indicativo para o setor privado (art. 174, “caput”, CF).
Gabarito: Questão correta
32. (CEBRASPE / AGU – 2012) A atuação do Estado como agente normativo e regulador da
atividade econômica compreende, entre outras funções, a de planejamento, que é determinante
tanto para o setor público quanto para o setor privado.
Comentários:
O planejamento é determinante para o setor público e indicativo para o privado (art. 174,
“caput”, CF).
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Gabarito: Questão errada
33. (CEBRASPE / AGU – 2012) As empresas públicas e as sociedades de economia mista,
dadas as suas especificidades, beneficiam-se de determinados privilégios fiscais não atribuídos
às empresas privadas.
Comentários:
Determina o art. 173, § 2º, CF/88, que as empresas públicas e as sociedades de economia mista
não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado.
Gabarito: Questão errada
34. (CEBRASPE / AGU – 2012) Como forma de estímulo à atração de investimentos de capital
estrangeiro, a CF veda a regulação da remessa de lucros.
Comentários:
Não há vedação à remessa de lucros. A Constituição apenas determina que esta deverá ser
regulada por lei (art. 172).
Gabarito: Questão errada
35. (CEBRASPE / AGU – 2012) A CF prevê áreas em que a exploração direta de atividade
econômica pela União é feita por meio de monopólio.
Comentários:
Isso ocorre, de fato, na Constituição, em seu art. 177.
Gabarito: Questão correta
36. (CEBRASPE / TJ-AC – 2012) Estão sujeitas ao regime jurídico próprio das empresas
privadas, quanto aos direitos e obrigações trabalhistas e tributários, as empresas públicas e as
sociedades de economia mista que explorem atividade econômica de produção ou
comercialização de bens, mas não as que prestam serviços.
Comentários:
Determina o art. 173, § 1º, CF/88, que a lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública,
da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de
produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre a sujeição ao
regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis,
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comerciais, trabalhistas e tributários. O erro do enunciado é dizer que não se sujeitam a esse
regime as prestadoras de serviços.
Gabarito: Questão errada
37. (CEBRASPE / TJ-AC – 2012) A CF estabelece o monopólio da União na pesquisa e lavra
das jazidas de petróleo e gás natural, permitindo, entretanto, a contratação de empresas estatais
e privadas para a realização dessas atividades, observadas as condições estabelecidas em lei.
Comentários:
É o que determina o art. 177, I c/c § 1o, da CF.
Gabarito: Questão correta
38. (CEBRASPE / TCU – 2011) De acordo com a CF, constituem monopólio da União a
pesquisa, a comercialização e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural.
Comentários:
Isso se aplica à pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural (art. 177, I, CF), mas não à
sua comercialização.
Gabarito: Questão errada
39. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) Ao prever o princípio do pleno emprego na CF, o
legislador pretendeu defender a absorção da força de trabalho a qualquer custo, sem se
preocupar com a dignidade da pessoa humana.
Comentários:
A busca do pleno emprego deve estar em consonância com a dignidade da pessoa humana,
fundamento da RFB (art. 1º, III, CF).
Gabarito: Questão errada
40. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) A atividade normativa e reguladora do Estado
exercida por meio da intervenção na atividade econômica compreende as funções de
fiscalização, participação e incentivo.
Comentários:
Segundo o art. 174, “caput”, da Constituição, como agente normativo e regulador da atividade
econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e
planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.
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Gabarito: Questão errada
41. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) O monopólio estatal na refinação do petróleo
nacional impede a contratação, pela União, de empresa privada para a realização dessa
atividade.
Comentários:
Não há tal impedimento, conforme art. 177, § 1º, da Constituição, desde que observadas as
condições estabelecidas em lei.
Gabarito: Questão errada
42. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) O planejamento da atividade econômicapelo Estado,
na nova ordem constitucional econômica, é sempre indicativo para o setor privado, em harmonia
com o princípio da livre iniciativa.
Comentários:
É o que determina o art. 174, “caput”, da Constituição.
Gabarito: Questão correta
43. (CEBRASPE / MPS – 2010) Constitui monopólio da União a refinação de petróleo nacional
ou estrangeiro.
Comentários:
É o que versa o art. 177, II, da CF/88.
Gabarito: Questão correta
44. (CEBRASPE / MPS – 2010) As empresas públicas e as sociedades de economia mista não
podem gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado.
Comentários:
Trata-se da literalidade do art. 173, 2º, da Constituição.
Gabarito: Questão correta
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45. (CEBRASPE / OAB – 2010) O aproveitamento do potencial de energia renovável de
capacidade reduzida depende de autorização do Estado.
Comentários:
Segundo o § 4º do art. 176 da Constituição, não dependerá de autorização ou concessão o
aproveitamento do potencial de energia renovável de capacidade reduzida.
Gabarito: Questão errada
46. (CEBRASPE / TJ-SE – 2014) A desapropriação, pela União, de imóvel rural que não atenda
a sua função social, para a realização de reforma agrária, depende de prévia indenização em
dinheiro.
Comentários:
A desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, de imóvel que não esteja
atendendo a sua função social, é feita mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida
agrária. A indenização não é em dinheiro.
Gabarito: Questão errada
47. (CEBRASPE / TJ-PI – 2012) A política de desenvolvimento urbano deve ficar a cargo do
município, a partir de diretrizes comuns fixadas por lei federal.
Comentários:
É o que determina o art. 182, “caput”, da Constituição. A política de desenvolvimento urbano
será executada pelo Município. As diretrizes, por sua vez, são fixadas em lei federal, de caráter
nacional.
Gabarito: Questão correta
48. (CEBRASPE / TJ-PI – 2012) A alienação ou concessão, a qualquer título, de terras públicas
rurais, independentemente da dimensão, a pessoa física ou jurídica depende de prévia
aprovação do Congresso Nacional.
Comentários:
Isso só se aplica a terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares, excetuadas
as concessões de terras públicas para fins de reforma agrária.
Gabarito: Questão errada
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49. (CEBRASPE / BRB – 2010) Considere que a União desaproprie por interesse social, para
fins de reforma agrária, determinado imóvel rural localizado no estado do Mato Grosso, que não
esteja cumprindo sua função social. Nessa situação, todas as benfeitorias do imóvel deverão ser
indenizadas mediante títulos da dívida agrária.
Comentários:
Apenas as benfeitorias úteis e necessárias deverão ser indenizadas, o que deverá se dar em
dinheiro (art. 184, § 1º, CF).
Gabarito: Questão errada
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LISTA DE QUESTÕES
1. CEBRASPE/PC-PE/2024
No que se refere à política urbana, agrícola e fundiária e à reforma agrária, assinale a opção
correta.
a) Na execução da política fundiária, todos os imóveis classificados como latifúndios se sujeitam,
em princípio, a desapropriação para fins de reforma agrária.
b) Aspectos ligados ao cumprimento da legislação trabalhista não são juridicamente apropriados
para definição de imóveis aptos a desapropriação para fins de reforma agrária.
c) Em respeito à autonomia municipal, a CF preconiza a adoção de plano diretor como
recomendação para os municípios, sem caráter vinculante.
d) Um imóvel pode ser produtivo e, ao mesmo tempo, não cumprir sua função social, caso em
que poderá ser objeto de desapropriação para fins de reforma agrária.
d) Devido à proteção do direito de propriedade como direito fundamental, são limitados os
meios de execução da política urbana, sendo proibido ao poder público, por exemplo, exigir
edificação compulsória em imóvel.
2. CEBRASPE/MMA/2024
Considerando as disposições da Constituição Federal, julgue o item a seguir.
São princípios gerais da atividade econômica do Estado a propriedade privada, a livre
concorrência e a defesa do meio ambiente.
3. CEBRASPE/ANTT/2024
Acerca dos princípios constitucionais que norteiam a ordem econômica no Brasil, julgue o item
subsequente. 
A repressão ao abuso do poder econômico constitui mecanismo jurídico que visa assegurar a
realização do princípio constitucional da livre concorrência e combater a formação de
monopólios e cartéis.
4. CEBRASPE/ANTT/2024
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Acerca dos princípios constitucionais que norteiam a ordem econômica no Brasil, julgue o item
subsequente. 
Dispositivo do texto constitucional em vigor prevê tratamento diferenciado entre empresas
brasileiras e empresas brasileiras de capital nacional, conferindo a estas últimas proteção e
benefícios especiais para desenvolver suas atividades consideradas estratégicas ou
imprescindíveis ao desenvolvimento do país.
5. CEBRASPE/ANTT/2024
Acerca dos princípios constitucionais que norteiam a ordem econômica no Brasil, julgue o item
subsequente. 
A democracia econômica é princípio implícito da ordem econômica constitucional segundo o
qual o planejamento estatal deve orientar-se pela garantia da igualdade na oferta de
oportunidades de iniciativa e de emprego, consideradas a valorização do trabalho humano, a
busca do pleno emprego e a defesa do consumidor, bem como da liberdade de concorrência e
da livre iniciativa. 
6. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da atividade
econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF).
O princípio da soberania nacional, aplicado à esfera da ordem econômica, está atrelado à noção
de liberdade que o Estado detém de implementar sua política econômica, independentemente
da interferência de outros países.
7. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da atividade
econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF).
A aplicação do princípio do tratamento favorecido às empresas de pequeno porte é extensível
às empresas estrangeiras situadas no Brasil, como forma de legitimar a intervenção estatal na
economia, com a finalidade de nivelar o campo de jogo concorrencial.
8. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da atividade
econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF).
O princípio da busca pelo pleno emprego tem como premissa a intervenção do Estado na
atividade econômica, de forma a promover a valorização do trabalho em sentido amplo,
considerado o trabalho como a atividade cujo objetivo é um resultado que impacte a atividade
econômica.
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9. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da atividade
econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF).
O princípio do livre exercício da atividade econômica pressupõe o exercício da livre iniciativa e
da livre concorrência pelos agentes econômicos, independentemente de autorização de órgãos
públicos, salvo nos casos previstos em lei.
10. (CEBRASPE/ANAC/2024) Com relação às modalidades de intervenção do Estado na
atividade econômica, julgue o item seguinte.
Em sua atividade planificadora, o Estado deve estabelecer, por meio de lei, as diretrizes e
bases para um desenvolvimento nacional equilibrado, compatibilizando planos regionais e
nacionais de desenvolvimento.
11. (CEBRASPE/ANAC/2024)Com relação às modalidades de intervenção do Estado na
atividade econômica, julgue o item seguinte.
A CF autoriza o Estado a explorar diretamente a atividade econômica em sentido estrito,
quando for necessário aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo,
conforme definição legal.
12. (CEBRASPE/ANAC/2024) Com relação às modalidades de intervenção do Estado na
atividade econômica, julgue o item seguinte.
A CF prescreve que o Estado, como agente normativo e regulador da atividade econômica, deve
estabelecer política de incentivo e fomento às empresas de pequeno porte que compõem o
mercado interno brasileiro.
13. (CEBRASPE/TCDF-Analista/2023) Em relação à disciplina atinente à prestação de serviços
públicos, julgue o item seguinte, com base na Constituição Federal de 1988 (CF) e na
jurisprudência dos tribunais superiores.
Segundo a regência do texto constitucional, a prestação de serviços públicos deve ser realizada
pelo poder público diretamente, ou indiretamente, e, neste último caso, desde que por meio de
concessão ou autorização, sempre precedida de procedimento licitatório.
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14. (CEBRASPE/Conselho Nacional do Ministério Público/2023) A respeito do Estado federal
brasileiro, dos direitos sociais, dos servidores públicos, do processo legislativo, do Ministério
Público e da ordem econômica e financeira, julgue o próximo item.
No que se refere à política urbana, especificamente à usucapião urbana, o título de domínio da
propriedade será concedido ao homem ou à mulher, ou ao primeiro, se ambos forem casados.
15. (CEBRASPE - ATT (SEFAZ SE)/SEFAZ SE/2022) Considerando que o Brasil, desde a
redemocratização e com a promulgação da Constituição de 1988, é um país em que se busca
compatibilizar valores e direitos individuais com valores e direitos coletivos, em que a ordem
econômica deve observar como princípios, entre outros, a propriedade privada e a sua função
social, a livre concorrência, a redução das desigualdades regionais e sociais e, ainda, a defesa
do consumidor e do meio ambiente, assinale a opção correta.
a) Há, na Constituição Federal, um compromisso ético-social de assegurar a todos existência
digna.
b) A redução das desigualdades regionais é um valor supremo constitucionalmente previsto.
c) O desenvolvimento do País deve ser considerado exclusivamente a partir de uma
perspectiva econômica.
d) Existe, no Brasil, uma hipertrofia da livre iniciativa frente a deveres e valores sociais.
e) A defesa do consumidor é valor que está acima da ordem econômica brasileira.
16. (CEBRASPE/ SEFAZ-DF – 2020) A União detém o monopólio da pesquisa e lavra das
jazidas de petróleo e gás natural, sendo-lhe permitida a contratação de empresas estatais e
privadas para a realização dessas atividades, desde que observadas as condições
estabelecidas em lei.
17. (CEBRASPE/ SEFAZ-DF – 2020) As empresas públicas e as sociedades de economia mista
gozam de privilégios fiscais não extensivos às sociedades comerciais do setor privado.
18. (CEBRASPE/ TJ-PA – 2019) De acordo com a Constituição Federal de 1988, as jazidas em
lavra e demais recursos minerais e potenciais de energia hidráulica constituem, para efeito de
exploração e aproveitamento, propriedade
a) distinta da do solo e pertencem à União e aos estados onde estejam localizados, garantida
ao concessionário a propriedade do produto da lavra.
b) distinta da do solo e pertencem ao estado onde estejam localizados, garantida ao
permissionário ou concessionário a propriedade da lavra.
c) conjunta à do solo e pertencem à União, garantida ao permissionário ou concessionário a
propriedade do produto da lavra.
d) conjunta à do solo e pertencem à União e aos estados onde estejam localizados, garantida
ao concessionário a propriedade do produto da lavra.
e) distinta da do solo e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do
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produto da lavra.
19. (CEBRASPE/ Prefeitura de Boa Vista - 2019) Estados federados podem, sob o fundamento
de interesse social, desapropriar imóveis rurais improdutivos para fins de reforma agrária.
20. (CEBRASPE/ EMAP – 2018) Lei pode estabelecer condições para o exercício de certas
atividades econômicas.
21. (CEBRASPE/ STJ – 2018) A defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento
diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de
elaboração e prestação, é princípio de índole constitucional que pauta a ordem econômica
brasileira.
22. (CEBRASPE / TRT 8ª Região – 2016) Acerca das finanças públicas, da ordem econômica e
financeira, da reforma agrária, do sistema financeiro nacional e da ordem social, assinale a
opção correta de acordo com a CF.
a) O sistema financeiro nacional regula-se por leis complementares, salvo no que se refere à
participação de capital estrangeiro nas instituições financeiras, que será regulada por tratados
internacionais.
b) É direito fundamental da pessoa humana o direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, cabendo ao Estado e à coletividade a garantia desse direito.
c) O texto constitucional atribui ao Congresso Nacional a competência para fiscalizar a
emissão de moeda no país, exclusivamente pelo Banco Central, nos termos de lei complementar.
d) O concessionário dependerá de autorização ou concessão do proprietário do solo para a
exploração de jazidas e demais recursos minerais, cabendo ao proprietário participação nos
resultados da lavra.
e) A alienação ou a concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos
hectares para fins de reforma agrária dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional.
23. (CEBRASPE / TJ-PB – 2015) Será materialmente inconstitucional, por ofender o princípio
da livre concorrência, lei municipal que, a pretexto de realizar zoneamento urbano, estabeleça
distância mínima de quinhentos metros entre uma farmácia e outra.
24. (CEBRASPE / TJDFT – 2014) Constitui princípio constitucional da ordem econômica o
tratamento favorecido para todas as empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e
administração no Brasil.
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25. (CEBRASPE / CADE – 2014) Os valores sociais da livre iniciativa e a livre iniciativa são
princípios da República Federativa do Brasil; o primeiro é um fundamento, e o segundo, um
princípio geral da atividade econômica.
26. (CEBRASPE / TJ-SE – 2014) A CF prevê a possibilidade de exploração direta de atividade
econômica pelo Estado somente no caso de imprescindibilidade à segurança nacional.
27. (CEBRASPE / MPE-AC – 2014) Em razão do regime de livre mercado estabelecido na CF, é
vedado ao Estado explorar diretamente atividade econômica.
28. (CEBRASPE / TRF 2ª Região – 2013) A proteção à livre concorrência é um dos princípios
orientadores da ordem econômica, e, segundo entendimento do STF o privilégio de entrega
de correspondência da ECT — empresa pública — viola tal princípio.
29. (CEBRASPE / Banco da Amazônia – 2012) Conforme previsto na CF, o Estado, quando
atua como agente normativo e regulador, exerce as funções de fiscalização, planejamento e
participação no mercado.
30. (CEBRASPE / Banco da Amazônia – 2012) O princípio da livre concorrência garante aos
agentes econômicos a segurança de que o Estado não poderá impedi-los de atuar livremente
no mercado.
31. (CEBRASPE / Banco da Amazônia – 2012) Ao planejar a atividade econômica, o Estado
deve, conforme previsão constitucional, observar o princípio da livre iniciativa, atuando apenas
de forma indicativa para o setor privado.
32. (CEBRASPE / AGU – 2012) A atuação do Estado como agente normativo e regulador da
atividade econômica compreende,entre outras funções, a de planejamento, que é
determinante tanto para o setor público quanto para o setor privado.
33. (CEBRASPE / AGU – 2012) As empresas públicas e as sociedades de economia mista,
dadas as suas especificidades, beneficiam-se de determinados privilégios fiscais não atribuídos
às empresas privadas.
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34. (CEBRASPE / AGU – 2012) Como forma de estímulo à atração de investimentos de capital
estrangeiro, a CF veda a regulação da remessa de lucros.
35. (CEBRASPE / AGU – 2012) A CF prevê áreas em que a exploração direta de atividade
econômica pela União é feita por meio de monopólio.
36. (CEBRASPE / TJ-AC – 2012) Estão sujeitas ao regime jurídico próprio das empresas
privadas, quanto aos direitos e obrigações trabalhistas e tributários, as empresas públicas e as
sociedades de economia mista que explorem atividade econômica de produção ou
comercialização de bens, mas não as que prestam serviços.
37. (CEBRASPE / TJ-AC – 2012) A CF estabelece o monopólio da União na pesquisa e lavra
das jazidas de petróleo e gás natural, permitindo, entretanto, a contratação de empresas
estatais e privadas para a realização dessas atividades, observadas as condições estabelecidas
em lei.
38. (CEBRASPE / TCU – 2011) De acordo com a CF, constituem monopólio da União a
pesquisa, a comercialização e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural.
39. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) Ao prever o princípio do pleno emprego na CF, o
legislador pretendeu defender a absorção da força de trabalho a qualquer custo, sem se
preocupar com a dignidade da pessoa humana.
40. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) A atividade normativa e reguladora do Estado
exercida por meio da intervenção na atividade econômica compreende as funções de
fiscalização, participação e incentivo.
41. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) O monopólio estatal na refinação do petróleo
nacional impede a contratação, pela União, de empresa privada para a realização dessa
atividade.
42. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) O planejamento da atividade econômica pelo Estado,
na nova ordem constitucional econômica, é sempre indicativo para o setor privado, em
harmonia com o princípio da livre iniciativa.
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43. (CEBRASPE / MPS – 2010) Constitui monopólio da União a refinação de petróleo nacional
ou estrangeiro.
44. (CEBRASPE / MPS – 2010) As empresas públicas e as sociedades de economia mista não
podem gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado.
45. (CEBRASPE / OAB – 2010) O aproveitamento do potencial de energia renovável de
capacidade reduzida depende de autorização do Estado.
46. (CEBRASPE / TJ-SE – 2014) A desapropriação, pela União, de imóvel rural que não atenda
a sua função social, para a realização de reforma agrária, depende de prévia indenização em
dinheiro.
47. (CEBRASPE / TJ-PI – 2012) A política de desenvolvimento urbano deve ficar a cargo do
município, a partir de diretrizes comuns fixadas por lei federal.
48. (CEBRASPE / TJ-PI – 2012) A alienação ou concessão, a qualquer título, de terras públicas
rurais, independentemente da dimensão, a pessoa física ou jurídica depende de prévia
aprovação do Congresso Nacional.
49. (CEBRASPE / BRB – 2010) Considere que a União desaproprie por interesse social, para
fins de reforma agrária, determinado imóvel rural localizado no estado do Mato Grosso, que
não esteja cumprindo sua função social. Nessa situação, todas as benfeitorias do imóvel
deverão ser indenizadas mediante títulos da dívida agrária.
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==3744a9==
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GABARITO
1. D
2. CORRETA
3. CORRETA
4. ERRADA
5. CORRETA
6. CORRETA
7. ERRADA
8. CORRETA
9. CORRETA
10.CORRETA
11.CORRETA
12.ERRADA
13.ERRADA
14.ERRADA
15.A
16.CORRETA
17.ERRADA
18.E
19.ERRADA
20.CORRETA
21.CORRETA
22.B
23.CORRETA
24.ERRADA
25.CORRETA
26.ERRADA
27.ERRADA
28.ERRADA
29.ERRADA
30.ERRADA
31.CORRETA
32.ERRADA
33.ERRADA
34.ERRADA
35.CORRETA
36.ERRADA
37.CORRETA
38.ERRADA
39.ERRADA
40.ERRADA
41.ERRADA
42.CORRETA
43.CORRETA
44.CORRETA
45.ERRADA
46.ERRADA
47.CORRETA
48.ERRADA
49.ERRADA
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	CAPAS TRAFEGO DIRETO ( telegram ) ( generico )
	LINK DE MARKETING DIRETO ( TELEGRAM )_compressed.pdf
	CAPA TRAFEGO DIRETO ( generico )
	CAPAS TRAFEGO DIRETO ( telegram ) ( generico )Em consonância com o princípio da livre concorrência, o art. 173, § 4º, dispõe que “a lei
reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação
da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros.” Perceba que a livre concorrência é a
regra geral na ordem econômica do Estado brasileiro, admitindo-se a intervenção estatal
para reprimir condutas anticoncorrenciais, caracterizadas pelo abuso do poder econômico.
Segundo o STF, os regimes jurídicos sob os quais, em regra, são prestados os serviços
públicos importam em que essa atividade seja desenvolvida sob privilégio, inclusive o da
exclusividade. Por esse motivo, o privilégio de entrega de correspondência da ECT
(Empresa de Correios e Telégrafos) não violaria a proteção à livre concorrência4.
A jurisprudência do STF nos traz alguns entendimentos importantes relacionados
à proteção da livre concorrência. Destacamos os seguintes:
1) Súmula Vinculante nº 49: Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal
que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em
determinada área.
Dessa forma, será inconstitucional lei municipal que proíba dois estabelecimentos
comerciais do mesmo ramo de se instalarem em uma determinada área.
Ao debater a aprovação da Súmula Vinculante nº 49, os Ministros do STF
deixaram claro que esta deveria ser encarada como um princípio geral, não
devendo se aplicar a todos os casos.
Nesse sentido, o STF reconhece a constitucionalidade de lei municipal que fixa
distanciamento mínimo entre postos de revenda de combustíveis, por motivo de
segurança.5
2) Segundo o STF, a proibição ou restrição da atividade de transporte privado
individual por motorista cadastrado em aplicativo é inconstitucional, por violação
aos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência.
Assim, leis municipais que proíbam o transporte privado de passageiros por
aplicativos móveis (ex: Uber, Cabify, etc) são inconstitucionais. Segundo a Corte,
qualquer restrição à atividade econômica deve passar pelo teste da
proporcionalidade.
3) “O princípio da livre iniciativa não pode ser invocado para afastar regras de
regulamentação do mercado e de defesa do consumidor."6 Esse entendimento
deriva da lógica de que não há princípios absolutos em nosso ordenamento
6 RE 349.686, Rel. Min. Ellen Gracie, 14.06.2005.
5 RE 566.836, Rel. Min. Carmen Lúcia. 27.11.2008.
4 ADPF 46, Rel. Min. Marco Aurélio, 05.08.2009.
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jurídico. Assim, regras de regulamentação do mercado e de defesa do
consumidor não violam a livre iniciativa.
4) Ainda sobre a livre iniciativa, há um importante precedente do STF, o qual
legitima a terceirização das atividades-fim de uma empresa. "A Constituição não
impõe uma única forma de estruturar a produção. Ao contrário, o princípio
constitucional da livre iniciativa garante aos agentes econômicos liberdade para
eleger suas estratégias empresariais dentro do marco vigente"7.
e) Defesa do consumidor. A ordem econômica tem como finalidade assegurar a todos uma
existência digna; dito de outra maneira, ela visa garantir a dignidade da pessoa humana. É
justamente nesse contexto que se busca assegurar a defesa do consumidor, que é a parte
hipossuficiente em uma relação de consumo.
O STF julgou inconstitucional a cobrança de tarifa por disponibilizar limite de
cheque especial ao cliente. Trata-se de cobrança que coloca o consumidor em
situação de vulnerabilidade econômico-jurídica. Desproporcionalidade da
medida adotada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para correção de
falha de mercado8.
f) Busca do pleno emprego. Conforme já comentamos, a ordem econômica tem como um
de seus fundamentos a valorização do trabalho humano. Nesse sentido, a busca do pleno
emprego é diretriz constitucional que tem como objetivo assegurar que toda a força de
trabalho disponível seja utilizada na atividade econômica.
g) Redução das desigualdades sociais e regionais. Nos termos do art. 3º, III, um dos
objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é “erradicar a pobreza e a
marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”.
h) Defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o
impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação.
i) Tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis
brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. Esse tratamento diferenciado se
materializa no art. 179, CF/88:
Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às
microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei,
tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de
8 ADI 6.407, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 3-5-2021.
7 ADC 48, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 15.04.2020.
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suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela
eliminação ou redução destas por meio de lei.
O Prof. José Afonso da Silva chama de princípios de integração os seguintes
princípios da ordem econômica:
a) defesa do consumidor;
b) defesa do meio ambiente;
c) redução das desigualdades sociais e regionais;
d) busca do pleno emprego.
Essa denominação se deve ao fato de que esses 4 (quatro) princípios têm como
objetivo resolver os problemas da marginalização regional ou social.
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Há que se mencionar também o que estabelece o art. 170, parágrafo único, CF/88. Segundo
esse dispositivo, é assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica,
independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. Esse
dispositivo, aliado ao art. 5º, XIII, da CF/88, consagram o princípio da liberdade de exercício de
atividade econômica.
A Lei Federal nº 13.874/2019, conhecida como Lei de Liberdade Econômica,
estabelece garantias de livre mercado e dispõe sobre a atuação do Estado como
agente normativo e regulador. A intenção é propiciar maior simplificação
administrativa para um ambiente de regras claras e estímulo à competitividade.
Todos os princípios mencionados devem ser interpretados em conjunto, em harmonia, evitando
contradições aparentes entre si. Neles, verifica-se que o constituinte adotou o modelo capitalista,
porém não se esqueceu da finalidade da ordem econômica: assegurar a todos a existência digna,
conforme os ditames da justiça social.
(Pref. Fortaleza – 2023) Segundo o STF, eventual lei que proíba ou restrinja a atividade de
transporte privado individual por motorista cadastrado em aplicativo seria inconstitucional, por
violação aos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência.
Comentários:
De acordo com o STF, são inconstitucionais leis que proíbam ou restrinjam a atividade de
transporte privado individual por motorista cadastrado em aplicativo, por violar os princípios da
livre iniciativa e da livre concorrência. Questão correta.
(COREN-CE – 2021) Um dos princípios gerais da atividade econômica expressamente previsto na
Constituição Federal de 1988 (CF), que deve ser observado pela ordem econômica, fundada na
valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, é o da dignidade da pessoa humana.
Comentários:
Apesar de a dignidade da pessoa humana ser um fundamento da República Federativa do Brasil,
esse princípio não foi expressamente mencionado pelo art. 170 da CF/88, que dispõe sobre os
princípios gerais da atividade econômica. Questão errada.
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(TRE-MA – 2015) A defesado meio ambiente, inclusive com tratamento diferenciado conforme o
impacto ambiental dos produtos e serviços, constitui princípio que orienta a atividade
econômica. 
Comentários:
O art. 170, VI, CF/88, prevê que é princípio da ordem econômica a defesa do meio ambiente,
inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e
serviços e de seus processos de elaboração e prestação. Questão correta.
(TRT 8ª Região – 2015) Não poderá a lei dispensar às microempresas e às empresas de pequeno
porte tratamento jurídico diferenciado, sob pena de violar o princípio da igualdade, exceto se,
em se tratando de empresas de pequeno porte, estas forem constituídas sob as leis brasileiras.
Comentários:
O art. 179, CF/88, prevê que os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios)
poderão dispensar tratamento jurídico diferenciado às microempresas e às empresas de pequeno
porte. Não há que se falar em violação ao princípio da igualdade. Questão errada.
(MPE-SP – 2015) A ordem econômica nacional tem por finalidade assegurar a todos existência
digna, conforme os ditames da justiça social. 
Comentários:
A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho e da livre iniciativa, tem por fim
assegurar a todos uma existência digna. Questão correta.
Investimentos estrangeiros no Brasil
A disciplina dos investimentos estrangeiros no Brasil está prevista no art. 172, CF/88:
Art. 172. A lei disciplinará, com base no interesse nacional, os investimentos de
capital estrangeiro, incentivará os reinvestimentos e regulará a remessa de lucros.
A regulação do investimento estrangeiro é corolário do princípio da soberania nacional. Note
que a CF/88 não impede o ingresso de capital estrangeiro no País; ao contrário, ela permite que
sejam feitos investimentos estrangeiros, uma vez que estes podem funcionar como importante
instrumento para o desenvolvimento econômico nacional.
A legislação ordinária irá, portanto, disciplinar os investimentos de capital estrangeiro, incentivar
os reinvestimentos e regular a remessa de lucros para o exterior.
(TRE-MA – 2015) São livres os investimentos de capital estrangeiro no país, bem como a remessa
de lucros ao exterior. 
Comentários:
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==3744a9==
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Não se pode dizer que são livres os investimentos de capital estrangeiro no país e a remessa de
lucros ao exterior. A lei regulamentará essas matérias. Questão errada.
Empresa nacional x Empresa estrangeira
A Emenda Constitucional nº 06/1995, a fim de incentivar a realização de investimentos
estrangeiros no País, acabou com a distinção entre empresa brasileira de capital nacional e
empresa brasileira de capital estrangeiro. Agora, só há que se diferençar a empresa brasileira da
empresa estrangeira.
E qual o conceito de empresa brasileira?
Empresa brasileira é aquela constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e
administração no País. Assim, não interessa se o capital é nacional ou estrangeiro; caso a
empresa seja constituída sob as leis brasileiras e tenha sede e administração em nosso território,
ela será considerada uma empresa brasileira.
Atuação estatal no domínio econômico
Segundo o Prof. José Afonso da Silva9[1], a CF/88 não é muito clara quanto aos modos de
atuação do Estado na economia. Ela fala em exploração direta da atividade econômica pelo
Estado e do Estado como agente normativo e regulador da atividade econômica. Em outras
palavras: o Estado pode ser um agente econômico e um agente disciplinador da economia.
Pode-se manter, à luz da Constituição atual, a mesma distinção que surtia das Constituições
anteriores, qual seja, a de que ela reconhece duas formas de ingerência do Estado na ordem
econômica: a participação e a intervenção.
Ambas as formas de ingerência estatal na ordem econômica são instrumentos por meio dos
quais o Poder Público ordena, coordena e atua a observância dos princípios da ordem
econômica tendo em vista a realização de seus fundamentos e de seu fim. Ainda para José
Afonso da Silva, "é importante ter em vista essas razões que fundamentam a atuação do Estado
brasileiro no domínio econômico porque, se essa atuação não é princípio da ordem econômica,
não pode também ser vista como simples exceção, na medida em que tanto a iniciativa privada
como a estatal se destinam ao mesmo objetivo de realização daqueles fins, princípios e
fundamentos".
Embora a Constituição Federal de 1988 tenha estabelecido que a livre iniciativa é um princípio
geral da ordem econômica, desenhou-se, paralelo a isso, um modelo de Estado intervencionista.
A doutrina considera que há 3 (três) formas de intervenção estatal na economia:10
a) Intervenção direta.
A intervenção direta do Estado fica caracterizada quando o Estado explora diretamente uma
atividade econômica. Trata-se de situação excepcional, regulada no art. 173, CF/88:
10 CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional, 6ª edição. Ed. Juspodium. Salvador: 2012, p.
1280.
9 SILVA, José Afonso. Curso de Direito Constitucional Positivo. 40. ed. São Paulo: Malheiros,
2017.
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Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta
de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos
imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme
definidos em lei.
O art. 173 consagra, assim, o princípio da subsidiariedade na atuação direta do Estado na
economia, ou seja, este somente atuará quando o setor privado não tiver capacidade ou
interesse de atuar em determinado setor econômico ou, ainda, por imperativos de segurança
nacional ou relevante interesse coletivo.
É bastante comum que as bancas examinadoras digam que o Estado somente
pode explorar diretamente atividade econômica em caso de imperativo de
segurança nacional ou de relevante interesse coletivo. Esse entendimento é
encontrado nas questões da banca Cebraspe.
Todavia, com base no art. 173, que ressalva “os casos previstos na Constituição”,
é possível afirmar que os imperativos da segurança nacional e o relevante
interesse coletivo não são os únicos casos em que o Estado poderá explorar
diretamente atividade econômica. Há outros casos previstos na CF/88, como as
atividades submetidas ao regime de monopólio da União (art. 177).
Essa atuação direta do Estado no domínio econômico é feita por meio das empresas públicas e
das sociedades de economia mista exploradoras de atividades econômicas. Cabe destacar que,
nos termos do art. 173, § 2º, “as empresas públicas e as sociedades de economia mista não
poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”. Observe que essa é
uma regra válida apenas para as empresas públicas e sociedades de economia mista
exploradoras de atividades econômicas. Não alcança, portanto, as empresas públicas e
sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos.
Os arts. 170, parágrafo único, e 173, caput, da CF autorizam o legislador a
restringir o livre exercício de atividade econômica para preservar outros direitos e
valores constitucionais, destacando-se, no caso de serviços estratégicos de
tecnologia da informação contratados pela União, os imperativos da soberania,
da segurança nacional e da proteção da privacidade de contribuintes e
destinatários de programas governamentais. Interesse público a legitimar
decisão do legislador no sentido da prestação de serviços estratégicos de
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tecnologia da informação com exclusividade por empresa pública federal criada
para esse fim.11
A CF/88 prevê a elaboração de um estatuto jurídico para as empresas públicase sociedades de
economia mista exploradoras de atividade econômica:
§ 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de
economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de
produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo
sobre:
I - sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade;
II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto
aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários;
III - licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações, observados
os princípios da administração pública;
IV - a constituição e o funcionamento dos conselhos de administração e fiscal,
com a participação de acionistas minoritários;
V - os mandatos, a avaliação de desempenho e a responsabilidade dos
administradores.
Note que esse dispositivo se refere às empresas públicas e sociedades de economia mista
exploradoras de atividades econômicas em sentido estrito. Não trata das empresas públicas e
sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos. Destaque-se que essas pessoas
jurídicas em regra são alcançadas por todas as normas constitucionais aplicáveis à Administração
Pública. Entretanto, possuem algumas características próprias do setor privado, devido à
“sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas”, conforme previsto pela Carta
Magna.
O Supremo Tribunal Federal distingue empresas estatais prestadoras de serviço
público e empresas estatais que desenvolvem atividade econômica em sentido
estrito. As sociedades de economia mista e as empresas públicas que explorem
atividade econômica em sentido estrito estão sujeitas, nos termos do disposto no
§ 1º do art. 173 da Constituição, ao regime jurídico próprio das empresas
privadas. Logo, o § 1º do art. 173 da Constituição do Brasil não se aplica às
empresas públicas, sociedades de economia mista e entidades (estatais) que
11 ADI 4.829, Rel. Min. Rosa Weber, j. 22.03.2021.
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prestam serviço público. (STF, ARE 689.588 AgR, rel. min. Luiz Fux, j. 27-11-2012,
1ª T, DJE de 13-2-2012).
(AGU – 2023) O regime de licitação estabelecido na Lei n.º 8.666/1993 é inaplicável às
sociedades de economia mista que exploram atividade econômica própria das empresas
privadas.
Comentários:
Nos termos do art. 173, § 1º, inciso III, da CF/88, uma lei específica estabelecerá o estatuto
jurídico da empresa pública, da sociedade de economista e de suas subsidiárias, dispondo sobre
licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações, observados os princípios da
administração pública. Além disso, segundo o STF, não é possível conciliar o regime previsto na
Lei nº 8.666/93 com a agilidade própria desse tipo de mercado que é movido por intensa
concorrência entre as empresas que nele atuam (RE 441.280/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, j.
06.03.2021). Questão errada.
(COREN-CE – 2021) Segundo a Constituição Federal de 1988, a exploração direta de atividade
econômica pelo Estado poderá ocorrer somente se for imperativa para a segurança nacional ou
de relevante interesse coletivo, conforme definido em lei.
Comentários:
A questão vai ao encontro da literalidade do art. 173 da CF/88. Esse entendimento é bastante
comum de ser encontrado nas questões da banca Cebraspe. O gabarito é certo. No entanto,
ressalvamos que os casos de atuação do Estado em regime de monopólio, a exemplo do art.
177, também abrangem exploração direta de atividade econômica pelo Estado.
(TRT 21ª Região – 2015) É possível afirmar que as empresas públicas e sociedades de economia
mista poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos ao setor privado.
Comentários:
Pegadinha! As sociedades de economia mista e empresas públicas prestadoras de serviço
público poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos ao setor privado. Questão correta.
(TRE-MA – 2015) A exploração direta de atividade econômica pelo Estado será permitida em
casos de interesse financeiro que justifique a concessão de privilégios fiscais não extensivos ao
mercado. 
Comentários:
A exploração direta de atividade econômica pelo Estado será permitida apenas em razão de
imperativos de segurança nacional ou relevante interesse coletivo. Questão errada.
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(TRF 1ª Região – 2015) O Estado não pode explorar, de forma direta ou indireta, atividade
econômica, salvo em caso de necessidade relativa à segurança nacional, mediante prévia
autorização do Congresso Nacional.
Comentários:
Dois erros:
1) Não há necessidade de autorização do Congresso Nacional para que possa ocorrer a
exploração direta de atividade econômica pelo Estado.
2) A exploração direta de atividade econômica pelo Estado também poderá ocorrer em razão de
relevante interesse coletivo.
Questão errada.
(MPDFT – 2015) O art. 173 da Constituição dispõe que “ressalvados os casos previstos nesta
Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando
necessária aos imperativos de segurança nacional ou relevante interesse coletivo, conforme
definidos em lei". Esse dispositivo constitucional consagra o princípio da subsidiariedade.
Comentários:
É isso mesmo! O art. 173, CF/88, consagra o princípio da subsidiariedade. Questão correta.
b) Intervenção indireta.
A intervenção indireta na economia fica caracterizada quando o Estado assume o papel de
agente normativo e regulador da atividade econômica. O fundamento da intervenção indireta é
o art. 174, CF/88:
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado
exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento,
sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.
§ 1º - A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do
desenvolvimento nacional equilibrado, o qual incorporará e compatibilizará os
planos nacionais e regionais de desenvolvimento.
§ 2º - A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de
associativismo.
§ 3º - O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em
cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a promoção
econômico-social dos garimpeiros.
§ 4º - As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão prioridade na
autorização ou concessão para pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais
garimpáveis, nas áreas onde estejam atuando, e naquelas fixadas de acordo com
o art. 21, XXV, na forma da lei.
Quando o Estado intervém indiretamente na economia, ele exerce três funções: i) fiscalização; ii)
incentivo e; iii) planejamento.
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A fiscalização é atividade tipicamente estatal, que engloba o poder regulamentar, a investigação
e aplicação de sanções. Como exemplo da atividade de fiscalização estatal, podemos citar o art.
173, § 4º e § 5º:
§ 4º - A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos
mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros.
§ 5º - A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa
jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às punições
compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e
financeira e contra a economia popular.
Como se pode perceber, esses dois dispositivos são normas de eficácia limitada, dependentes de
regulamentação por lei para que produzam todos os seus efeitos.
Para dar efetividade a esses dispositivos constitucionais, foi editada a Lei nº 12.529/2011, que
estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) e dispõe sobre a prevenção e a
repressãoàs infrações contra a ordem econômica, orientada pelos ditames constitucionais de
liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa dos consumidores
e repressão ao abuso do poder econômico. A Lei nº 12.529/2011 também prevê a atuação do
CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no controle das práticas
anticoncorrenciais.
O incentivo, por sua vez, é a atuação estatal no sentido de estimular determinados setores da
economia. É a atividade de fomento estatal, que se evidencia no art. 174, §§ 2º, 3º e 4º (estímulo
ao cooperativismo) e art. 179 (estímulo às microempresas e empresas de pequeno porte).
Por último, cabe tratar sobre a função de planejamento, que é determinante para o setor público
e indicativo para o setor privado. Segundo o art. 174, § 1º, CF/88, “a lei estabelecerá as
diretrizes e bases do planejamento do desenvolvimento nacional equilibrado, o qual incorporará
e compatibilizará os planos nacionais e regionais de desenvolvimento”.
Segundo Eros Grau12, planejamento é a forma de ação estatal caracterizada pela previsão de
comportamentos econômicos e sociais futuros, pela formulação explícita de objetivos e pela
definição de meios de ação coordenadamente dispostos, mediante a qual se procura ordenar,
sob o ângulo macroeconômico, o processo econômico, para melhor funcionamento da ordem
social, em condições de mercado.
Para José Afonso da Silva, o planejamento se instrumenta por meio da elaboração de plano ou
planos. Isso está presente na Constituição em vários momentos, ao dizer que o planejamento
incorporará e compatibilizar os planos nacionais e regionais (art. 174, § 1º), ao estatuir que é
função da lei dispor sobre planos e programas nacionais, regionais e setoriais de
desenvolvimento (art. 48, IV) e que estes devam ser elaborados em consonância com o plano
plurianual (arts. 48, II e 165, § 4º), consubstanciando aí os princípios do planejamento estrutural.
12 GRAU, Eros Roberto. Planejamento econômico e regra jurídica. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1978.
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É bastante comum que as bancas examinadoras invertam o planejamento. O
correto é que o planejamento é determinante para o setor público e indicativo
para o setor privado.
(MPE-AM – 2023) O Estado, como agente normativo e regulador da atividade econômica, exerce
as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este último determinante para o
setor privado.
Comentários:
De acordo com o art. 174 da CF/88, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de
fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo
para o setor privado. Questão errada.
(TRF 1ª Região – 2015) A CF prevê expressamente a edição de lei que reprima o abuso do poder
econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento
arbitrário dos lucros.
Comentários:
O art. 173, § 4º, CF/88, prevê que “a lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à
dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros”.
Questão correta.
c) Intervenção mediante a instituição de monopólios.
O art. 177, CF/88, prevê que determinadas atividades serão exploradas sob o regime de
monopólio. Veja sua redação:
Art. 177. Constituem monopólio da União:
I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros
hidrocarbonetos fluidos;
II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;
III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das
atividades previstas nos incisos anteriores;
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IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados
básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o transporte, por meio de
conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás natural de qualquer origem;
V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e
o comércio de minérios e minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos
radioisótopos cuja produção, comercialização e utilização poderão ser
autorizadas sob regime de permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII
do caput do art. 21 desta Constituição Federal.
§ 1º A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a realização das
atividades previstas nos incisos I a IV deste artigo observadas as condições
estabelecidas em lei.
A atividades a serem exploradas sob o regime de monopólio são apresentadas, no dispositivo
supratranscrito, em rol exaustivo (lista “numerus clausus”). Todas elas foram atribuídas
exclusivamente à União.
É necessário enfatizar, todavia, o seguinte:
a) As atividades descritas nos incisos I a IV podem ter seu exercício contratado, pela União, com
empresas estatais ou privadas, observadas as condições estabelecidas em lei.
b) As atividades previstas no inciso V, relacionadas aos radioisótopos, poderão ser autorizadas
sob o regime de permissão, segundo as regras do art. 21, XXIII:
- sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a utilização de
radioisótopos para a pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais;
- sob regime de permissão, são autorizadas a produção, comercialização e utilização de
radioisótopos de meia-vida igual ou inferior a duas horas.
Trata-se de regra que visa flexibilizar o controle da União, que passa a se limitar a casos muito
específicos, de modo a permitir o avanço das pesquisas em medicina nuclear. A submissão ao
regime de permissão garantirá o necessário controle da referida atividade pelo Poder Público.
Serviços Públicos
Inicialmente, é importante destacar que a Constituição Federal e a legislação infraconstitucional
não estabelecem o conceito de serviço público. No entanto, é possível afirmar que o Estado é o
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titular exclusivo dos serviços públicos. Assim, nenhum serviço público será livre à iniciativa
privada.
O art. 175 versa sobre a prestação de serviços públicos pelo Estado, que pode ser feita direta ou
indiretamente (sob o regime de concessão ou permissão).
Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime
de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços
públicos.
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos,
o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições
de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão;
II - os direitos dos usuários;
III - política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.
A prestação direta de um serviço público é aquela realizada pelo próprio Estado, por meio de
seus órgãos ou entidades da administração indireta. Já a prestação indireta é a realizada por
particulares, mediante delegação estatal, sob o regime de concessão ou permissão.
A titularidade do serviço público será sempre do Poder Público. A execução do
serviço público é que poderá ser delegada a um particular, sob o regime de
concessão ou permissão.
Os conceitos de “concessão” e de “permissão” estão previstos no art. 2º, da Lei nº 8.987/1995:
a) Concessão de serviço público: delegação de sua prestação, feita pelo poder
concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência ou diálogo competitivo, à
pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu
desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado.
b) Permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da
prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que
demonstre capacidade para seu desempenho,por sua conta e risco.
Na concessão, a delegação do serviço público não poderá ser feita a pessoa física, mas somente
a pessoa jurídica ou consórcio de empresas, devendo ser precedida de licitação na modalidade
de concorrência. Além disso, a concessão é feita por prazo determinado e não possui caráter
precário.
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Na permissão, a delegação do serviço público poderá ser feita tanto a pessoa física quanto a
pessoa jurídica. Também é precedida de licitação, mas não há previsão de qual modalidade
deverá ser usada. Além disso, possui caráter precário, podendo ser revogada a qualquer tempo.
Em ambos os casos (concessão e permissão), o particular será responsável pela execução do
serviço público por sua conta e risco, sendo remunerado por tarifas cobradas diretamente dos
usuários do serviço.
A delegação de serviço público, seja por concessão ou permissão, deverá ser sempre precedida
de licitação, nos termos do art. 175, caput. Nesse sentido, o STF declarou a inconstitucionalidade
de lei estadual que pretendia prorrogar contratos administrativos indefinidamente (ADI nº 3521).
Há previsão constitucional (art. 175, parágrafo único) para a edição de lei que disponha sobre o
regime das concessionárias e permissionárias de serviços públicos, os direitos dos usuários, a
política tarifaria e a obrigação de manter serviço adequado. Trata-se de lei de normas gerais de
caráter nacional (aplicável à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios), já editada:
a Lei 8.987/1995. Destaque-se, ainda, que há outras leis de abrangência nacional que também
tratam de serviços públicos, a exemplo da Lei 9.074/1995 e da Lei 11.079/2004.
Aprofundando no tema, é importante que você saiba que, além da permissão e da concessão,
também é possível a prestação indireta de serviços públicos por meio de autorização (art. 21, XII,
CF). Esta, ao contrario da permissão e da concessão, dispensa procedimento de licitação, de
forma geral.
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(AGU – 2023) O monopólio da União concernente a atividade econômica relacionada ao petróleo
impede a contratação de empresas privadas para a realização de serviços inerentes à exploração
desse recurso natural.
Comentários:
Conforme o art. 177, § 1º, a União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a
realização das atividades previstas nos incisos I a IV do art. 177, desde que observadas as
condições estabelecidas em lei, o que abrange, por exemplo, as atividades de pesquisa e lavra
das jazidas de petróleo, bem como a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro. Questão
errada.
(TCE-RJ - 2023) A prestação de serviços públicos pode ser realizada de três formas: diretamente
pelo Estado; em regime de concessão; ou em regime de permissão.
Comentários:
Nos termos do art. 175, CF/88, incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob
regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços
públicos. Questão correta.
Exploração de recursos minerais e potenciais de energia hidráulica
A exploração de recursos minerais e de potenciais de energia hidráulica é regulada pelo art. 176,
CF/88. Esse dispositivo deixa bastante claro que a propriedade do solo não se confunde com a
propriedade dos recursos minerais e dos potenciais de energia hidráulica.
A propriedade dos recursos minerais e dos potenciais de energia hidráulica será sempre da
União, por força do que determina o art. 20, VIII e IX, CF/88. A propriedade do solo, por sua vez,
pode ser de um particular ou mesmo do Poder Público. Isso é exatamente o que dispõe o art.
176, caput:
Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais
de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de
exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao
concessionário a propriedade do produto da lavra.
A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais de energia
hidráulica somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no
interesse nacional, por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua
sede e administração no País, na forma da lei. Assim, a União delega essas atividades a um
particular (minerador), o qual é denominado de concessionário.
O concessionário realizará a pesquisa e a lavra dos recursos minerais e ficará com a propriedade
do produto da lavra. Nada mais natural! Segundo o Ministro Eros Grau, “a concessão seria
materialmente impossível sem que o proprietário se apropriasse do produto da exploração da
jazida”.13 Como contrapartida, o concessionário (mineradora) deverá recolher uma compensação
financeira, nos termos do art. 20, § 1º:
13 In: CANOTILHO, J.J. Gomes; MENDES, Gilmar Ferreira; SARLET, Ingo Wolfgang; STRECK, Lenio Luiz.
Comentários à Constituição do Brasil. Ed. Saraiva, São Paulo: 2013, pp. 1850.
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Art. 20. (...)
§ 1º - É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação
no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para
fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo
território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou
compensação financeira por essa exploração.
A CF/88 também assegura ao proprietário do solo participação nos resultados da lavra, na forma
e nos valor que dispuser a lei. É o que dispõe o art. 176, § 2º, CF/88:
Art. 176 (...)
§ 2º - É assegurada participação ao proprietário do solo nos resultados da lavra,
na forma e no valor que dispuser a lei.
Para finalizar, vejamos o que dispõem os § 3º e § 4º, do art. 176:
§ 3º - A autorização de pesquisa será sempre por prazo determinado, e as
autorizações e concessões previstas neste artigo não poderão ser cedidas ou
transferidas, total ou parcialmente, sem prévia anuência do poder concedente.
§ 4º - Não dependerá de autorização ou concessão o aproveitamento do
potencial de energia renovável de capacidade reduzida.
Suponha que em um sítio exista uma pequena cachoeira com capacidade para gerar energia
elétrica suficiente para atender a família que ali vive. Nesse caso, por se tratar de aproveitamento
de potencial de energia renovável de capacidade reduzida, não será necessária concessão ou
autorização.
(MPE-PA – 2023) A pesquisa e a lavra de recursos minerais podem ser concedidas pela União a
empresa brasileira sediada no exterior, desde que esta esteja constituída sob as leis brasileiras.
Comentários:
Segundo o art. 176, § 1º, da CF/88, a pesquisa e a lavra de recursos minerais somente poderão
ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros
ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País.
Questão errada.
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Ordenação dos Transportes / Incentivo ao Turismo / Requisição de
documentos
Segundo o art. 178, a lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e terrestre,
devendo, quanto à ordenação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela
União, atendido o princípio da reciprocidade.
Cabe destacar que a atual redação do art. 178 é fruto da EC nº 07/1995, que realizou mudanças
substanciais nesse dispositivo. Uma das alterações de maior destaque foi a extinção da
exclusividade das embarcações brasileiras na navegação de cabotagem.
Oart. 180, CF/88, por sua vez, dispõe que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
promoverão e incentivarão o turismo como fator de desenvolvimento social e econômico.
Trata-se de norma programática, que estabelece uma diretriz para todos os entes federativos.
Por fim, mencionamos o art. 181, CF/88, que trata da requisição de documentos por autoridades
estrangeiras. Segundo esse dispositivo, o atendimento de requisição de documento ou
informação de natureza comercial, feita por autoridade administrativa ou judiciária estrangeira, a
pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País dependerá de autorização do Poder
competente.
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ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA
Política Urbana
Segundo o art. 182, “caput”, da Carta Magna, a política de desenvolvimento urbano será
executada pelo Poder Público municipal, devendo obedecer diretrizes gerais fixadas em lei
federal, de caráter nacional1. O objetivo da política de desenvolvimento urbano é ordenar o
pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.
O instrumento básico da política de desenvolvimento urbano é o Plano Diretor, que deve ser
aprovado pela Câmara Municipal. Cabe destacar que, segundo a CF/88, o Plano Diretor é
obrigatório para cidades com mais de 20.000 habitantes.
A política de desenvolvimento urbano também se apoia na exigência de que a propriedade
cumpra a sua função social. É o que dispõe o art. 182, § 2º, segundo o qual “a propriedade
urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da
cidade expressas no plano diretor”. Recorde-se que o direito de propriedade, garantido pelo art.
5º, XXII, é norma constitucional de eficácia contida e, portanto, está sujeito à atuação restritiva,
por parte do Poder Público. Assim como todos os direitos fundamentais, não é absoluto: a
Constituição exige que a propriedade cumpra sua função social (art. 5º, XXIII).
A Constituição Federal abre a possibilidade para que seja realizada a desapropriação de imóveis
urbanos. Segundo o art. 182, § 3º, as desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com
prévia e justa indenização em dinheiro. Essa é a regra geral!
No entanto, existem casos em que a desapropriação não ocorrerá com indenização em dinheiro:
a) O art. 182, § 4º, CF/88 estabelece que o Poder Público Municipal poderá exigir que o
proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado promova seu adequado
aproveitamento, sob pena de sanções sucessivas.
§ 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área
incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo
urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado
aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:
I - parcelamento ou edificação compulsórios;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no
tempo;
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de
emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de
até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da
indenização e os juros legais.
O inciso III prevê a chamada desapropriação-sanção, que é uma clara consequência do
descumprimento da função social da propriedade. A indenização não será em dinheiro, mas em
1 As diretrizes gerais sobre a política de desenvolvimento urbano estão previstas no Estatuto das Cidades (Lei
nº 10.527/2011).
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títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado, com prazo de resgate
de até 10 (dez) anos.
b) O art. 243, CF/88 estabelece a chamada “desapropriação confiscatória”, que foi objeto de
relevante alteração promovida pela EC nº 81/2014. Segundo esse dispositivo, “as propriedades
rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas
psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e
destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao
proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o
disposto no art. 5º”.  
Como se pode verificar, no caso da “desapropriação confiscatória”, não haverá qualquer
indenização ao proprietário. A propriedade, seja ela urbana ou rural, será expropriada e
destinada à reforma agrária e a programas de habitação popular. Destaque-se que são dois os
motivos que levam à desapropriação confiscatória:
i) culturas ilegais de plantas psicotrópicas e;
ii) exploração de trabalho escravo.
A expropriação é aplicada como uma verdadeira penalidade contra aquele que incorrer em
qualquer dessas condutas. Na condição de penalidade, há que se exigir algum grau de culpa do
proprietário para que seja imposta. Nesse sentido, decidiu o STF que ficará afastada a
expropriação prevista no art. 243 se o proprietário do imóvel comprovar que não incorreu em
culpa, ainda que “in vigilando” ou “in eligendo”. 2
Culpa “in vigilando” é aquela que decorre da falta de atenção, falta de fiscalização dos atos de
outras pessoas sob a sua responsabilidade. A culpa “in eligendo”, por sua vez, decorre de uma
má escolha daquele que confia a prática de um ato a outra pessoa.
Observe que o proprietário tem o dever de zelar para que atividades ilícitas (cultivo ilegal de
plantas psicotrópicas e exploração de trabalho escravo) não ocorram no seu imóvel. Assim, se ele
tiver incorrido em culpa “in vigilando” ou “in eligendo”, sofrerá a responsabilização, com o
consequente confisco do imóvel. Por outro lado, se ele puder provar que não teve nenhuma
culpa no ocorrido (o proprietário possui o ônus da prova!), ficará afastada sua responsabilidade.
O fato de não ter participado diretamente das atividades ilícitas não afasta a expropriação.
Segundo o STF, a responsabilidade do proprietário é subjetiva, mas próxima da objetiva. Há que
se conferir, afinal, uma proteção mínima ao proprietário não culpado pelas atividades ilícitas.
Ainda sobre a política urbana, temos que mencionar o art. 183, CF/88, que trata da chamada
usucapião constitucional do imóvel urbano.
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta
metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição,
utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde
que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
1º - O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à
mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil.
§ 2º - Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez.
2 STF. Plenário. RE 635336/PE, Rel. Min. Gilmar Mendes, 14.12.2016.
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§ 3º - Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
A usucapião constitucional do imóvel urbano, também chamada de usucapião pró-moradia,
consiste na aquisição do domínio de área urbana por aquele que tenha tido sua posse durante
um certo período de tempo. Os requisitos para que o usucapião pró-moradia se efetive são os
seguintes:
a) Área urbana de até 250 metros quadrados;
b) Posse ininterrupta durante 5 anos, sem qualquer oposição. Segundo o STF, o tempo de
posse anterior à promulgação da Constituição de 1988 não se inclui na contagem desse
prazo quinquenal.3
c) Utilização para moradia própria ou da família.
Cabe destacar que, para usufruir desse direito, o indivíduo não poderá ser proprietário de
nenhum outro imóvel urbano ou rural. Além disso, não é possível a usucapião de imóveis
públicos.
Suponha que um indivíduo tenha aposse ininterrupta por 5 anos de área urbana
de 250 metros quadrados, utilizando-a para moradia própria ou de sua família.
Além disso, não é proprietário de nenhum outro imóvel urbano ou rural.
Nessa situação, como se vê, foram preenchidos todos os requisitos para que o
indivíduo usufrua da usucapião especial urbana.
Todavia, lei municipal estabelece que a metragem mínima para lotes urbanos é
de 300 metros quadrados. Considerando que o imóvel de posse do indivíduo
tem somente 250 metros quadrados, poderia lhe ser negado o direito à
usucapião desse imóvel?
No RE 422.349/RS, o STF fixou o entendimento de que, uma vez cumpridos os
requisitos do art. 183, CF/88, o reconhecimento do direito à usucapião especial
urbana não pode ser obstado por legislação infraconstitucional que estabeleça
módulos urbanos na área em que situado o imóvel.
3 RE 206.659, Min. Rel. Galvão, DJ de 6.2.1998; RE 191.603, Min. Rel. Marco Aurélio, DJ de 28.8.1998; RE
187.913, Min. Rel. Néri, DJ de 22.5.1998; RE 214.851, Min. Rel. Moreira Alves, DJ de 8.5.1998; RE 217.414,
Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 11.12.1998, DJ de 26.3.1999.
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(MPE-SE - 2023) No que diz respeito a Constituição Federal de 1988, o plano diretor, que contém
a política de desenvolvimento e de expansão urbana, é obrigatório para municípios com mais de
quinze mil habitantes.
Comentários:
O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, é obrigatório para cidades com mais de 20 mil
habitantes (art. 182, § 1º, CF/88). Questão errada.
(TJ-PE – 2022) João, proprietário de terreno no centro da cidade de Pouso Feliz, subutiliza-o, sem
edificar ou parcelar, mantendo-o abandonado, com vegetação aleatória, acúmulo de água, entre
outras situações que deixam claro o não cumprimento do princípio da função social. Nesse caso,
a melhor conduta a ser tomada é o Município onde está localizado o terreno deverá intimar João
a edificar, parcelar ou utilizar o bem, sob pena de estipulação de alíquotas progressivas de IPTU.
Comentários:
Conforme o art. 182, § 4º, CF/88, há uma escala progressiva quanto às medidas cabíveis ao
Poder Público municipal para exigir do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou
não utilizado o seu adequado aproveitamento. Primeiramente cabe ao Município exigir o
parcelamento ou edificação compulsórios. No caso de não surtir efeito, cabe o IPTU progressivo
no tempo. Em última medida, é possível a desapropriação com pagamento mediante títulos da
dívida pública. Questão correta.
(Procurador de Salvador – 2015) A política de desenvolvimento urbano, executada pelo
município, deve obedecer às diretrizes gerais fixadas em lei nacional, sem prejuízo da
competência das câmaras municipais para editar o plano diretor do município.
Comentários:
É isso mesmo! A política de desenvolvimento urbano é conduzida pelo Município, devendo
obedecer às diretrizes gerais fixadas em lei nacional. A competência para editar o Plano Diretor é
das Câmaras Municipais. Questão correta.
(MPE-SP – 2015) Os imóveis públicos não podem ser adquiridos por usucapião, salvo quando
não atenderem às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor. 
Comentários:
Segundo o art. 183, § 3º, “os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião”. Não há
qualquer ressalva a isso. Questão errada.
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ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA
Política agrícola, fundiária e a reforma agrária
Esse assunto foi resultado de grandes confrontos à época da elaboração da Constituição Federal
de 1988. De um lado, havia os “sem terra”; do outro, os grandes proprietários de terra (os
ruralistas). Como resultado, os dispositivos constitucionais que tratam da política agrícola e
fundiária e da reforma agrária refletem interesses variados.1
A política agrícola, fundiária e a reforma agrária são tratadas nos arts. 184 a 191 da Carta Magna.
Em essência, todos esses dispositivos têm como fim último garantir que a propriedade atenda a
sua função social.
Para sistematizar o nosso estudo, vamos falar, separadamente, sobre cada um desses três temas:
i) política agrícola; ii) política fundiária e; iii) reforma agrária.
a) A política agrícola está intimamente relacionada à política econômica. Trata-se, na verdade, de
importante vertente desta, buscando orientar as atividades agropecuárias com o objetivo de
promover o desenvolvimento e o bem-estar da comunidade rural.
Segundo o art. 187, CF/88, a política agrícola será planejada e executada na forma da lei, com a
participação efetiva do setor de produção, envolvendo produtores e trabalhadores rurais, bem
como dos setores de comercialização, de armazenamento e de transportes, levando em conta,
especialmente:
- Os instrumentos creditícios e fiscais;
- Os preços compatíveis com os custos de produção e a garantia de comercialização;
- O incentivo à pesquisa e à tecnologia;
- A assistência técnica e extensão rural;
- O seguro agrícola;
- O cooperativismo;
- A eletrificação rural e irrigação;
- A habitação para o trabalhador rural.
Incluem-se no planejamento agrícola as atividades agroindustriais, agropecuárias, pesqueiras e
florestais (art. 187, § 1º, CF). Além disso, serão compatibilizadas as ações de política agrícola e de
reforma agrária (art. 187, § 2º, CF).
b) A política fundiária, por sua vez, é o que determina o destino das terras públicas e devolutas
no Brasil. Essa destinação deve ser compatível com a política agrícola e com o plano nacional de
reforma agrária (art. 188, “caput”, CF). Por terras devolutas entende-se aquelas que, não sendo
próprias nem aplicadas a algum uso público federal, estadual territorial ou municipal, não se
incorporaram ao domínio privado (art. 5º, Decreto-Lei 9.760 de 1946). Trata-se de terras
pertencentes ao Estado brasileiro, mesmo não estando destinadas a nenhum uso público.
1 BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional, 6a edição. Ed. Saraiva. São Paulo: 2011, pp. 1511.
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Dispõe a Constituição (art. 188, § 1º, CF) que a alienação ou a concessão, a qualquer título, de
terras públicas com área superior a 2.500 hectares a pessoa física ou jurídica, ainda que por
interposta pessoa, dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional. Excetuam-se dessa
regra (art. 188, § 2º, CF) as alienações ou as concessões de terras públicas para fins de reforma
agrária.
Segundo o art. 190, CF/88, a lei regulará e limitará a aquisição ou o arrendamento de
propriedade rural por pessoa física ou jurídica estrangeira e estabelecerá os casos que
dependerão de autorização do Congresso Nacional.
Ainda no que tange à política fundiária, cabe fazer menção à usucapião constitucional rural,
também denominado usucapião pro labore.
Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua
como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona
rural, não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho
ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade.
Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
Esse instituto é chamado “usucapião pro labore” porque seu título deriva do fato de a área ter
adquirido produtividade em virtude do trabalho do usucapiente ou de seus familiares. Aplica-se
exclusivamente às áreas rurais não superiores a 50 hectares.
Cabe enfatizar que a Carta Magna exige que o beneficiário não seja proprietário nem de imóvel
rural, nem de imóvel urbano. Busca-se, com isso, que apenas os hipossuficientes sejam
beneficiados por esse tipo de usucapião. Um importante requisito para que seja usufruída a
usucapião constitucionalrural é a posse da área rural durante 5 (cinco) anos ininterruptos, sem
oposição. Por fim, os imóveis públicos não podem ser adquiridos por usucapião.
O STF entende ser impenhorável a pequena propriedade rural familiar constituída de mais de 01
(um) terreno, desde que contínuos e com área total inferior a 04 (quatro) módulos fiscais do
município de localização2. A título informativo, módulo fiscal é uma unidade de medida, em
hectares, cujo valor é fixado pelo INCRA para cada município levando-se em conta: (a) o tipo de
exploração predominante no município (hortifrutigranjeira, cultura permanente, cultura
temporária, pecuária ou florestal); (b) a renda obtida no tipo de exploração predominante; (c)
outras explorações existentes no município que, embora não predominantes, sejam expressivas
em função da renda ou da área utilizada; (d) o conceito de "propriedade familiar". A dimensão
de um módulo fiscal varia de acordo com o município onde está localizada a propriedade. O
valor do módulo fiscal no Brasil varia de 5 a 110 hectares3.
3 Disponível em: https://www.embrapa.br/codigo-florestal/area-de-reserva-legal-arl/modulo-fiscal
2 ARE 1038507 (Tema 961). Rel. Min. Edson Fachin, julgamento em 18.12.2020
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Segundo o Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.591.298/RJ), a pequena
propriedade rural trabalhada pela família não pode ser objeto de penhora para
pagamento, mesmo no caso de débitos estranhos à sua atividade produtiva.
c) A reforma agrária, a seu turno, é um instrumento da política agrícola e fundiária por meio do
qual o Estado intervém na economia agrícola a fim de promover a repartição da propriedade
fundiária. Nesse sentido, o art. 184, CF/88 determina que a União poderá realizar desapropriação
por interesse social, para fins de reforma agrária, do imóvel rural que não estiver cumprindo a sua
função social.
Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma
agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante
prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de
preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do
segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.
§ 1º - As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro.
§ 2º - O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de
reforma agrária, autoriza a União a propor a ação de desapropriação.
§ 3º - Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial,
de rito sumário, para o processo judicial de desapropriação.
§ 4º - O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária,
assim como o montante de recursos para atender ao programa de reforma
agrária no exercício.
§ 5º - São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de
transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.
A desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, não será feita mediante
indenização em dinheiro. A indenização ao proprietário será em títulos da dívida agrária, com
cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até 20 (vinte) anos, a partir do
segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. Por outro lado, as benfeitorias
úteis e necessárias feitas no imóvel rural serão indenizadas em dinheiro.
A desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, é
competência da União. Já a desapropriação de imóvel urbano é competência
dos Municípios.
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Conforme comentamos, a desapropriação para fins de reforma agrária ocorrerá quando o imóvel
rural não estiver cumprindo a sua função social. É aí que vem uma importante pergunta: quando
é que se considera que a função social foi cumprida?
A resposta está no art. 186, CF/88. Segundo esse dispositivo, a função social é cumprida quando
a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência
estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:
- aproveitamento racional e adequado;
- utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente;
- observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
- exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
Uma vez atendidos esses requisitos, a propriedade rural estará cumprindo sua função social e,
portanto, não poderá ser objeto de desapropriação.
A Constituição Federal também protegeu outros imóveis rurais da desapropriação. Vejamos o
art. 185, CF/88:
Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:
I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu
proprietário não possua outra;
II - a propriedade produtiva.
Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e
fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social.
Note que a pequena e a média propriedade rural são insuscetíveis de desapropriação para fins
de reforma agrária, desde que o seu proprietário não possua outra. Caso ele possua outra, será
possível a desapropriação.
Também é insuscetível de desapropriação para fins de reforma agrária a propriedade produtiva.
Perceba que o grande foco das desapropriações para reforma agrária são as grandes
propriedades e as propriedades improdutivas.
Para fecharmos o estudo deste tema à luz da Constituição Federal, observe o art. 189:
Art. 189. Os beneficiários da distribuição de imóveis rurais pela reforma agrária
receberão títulos de domínio ou de concessão de uso, inegociáveis pelo prazo de
dez anos.
Parágrafo único. O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao
homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil, nos
termos e condições previstos em lei.
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(Pref. São Paulo/SP – 2023) Considere que Francisco foi beneficiado com a distribuição de um
imóvel pela reforma agrária e recebeu o devido título de domínio. Com base na situação
hipotética e no disposto na Constituição Federal, é correto afirmar que o título de domínio é
inegociável pelo prazo de dez anos.
Comentários:
Conforme o caput do art. 189 da CF/88, tem-se que as pessoas beneficiárias da distribuição de
imóveis por reforma agrária não podem negociar os respectivos títulos de domínio ou de
concessão de uso pelo prazo de 10 anos. Questão correta.
(MPE-PA – 2023) A alienação ou a concessão, a qualquer título, de terras públicas com área
superior a mil e quinhentos hectares a pessoa física ou jurídica dependerá de prévia aprovação
do Congresso Nacional.
Comentários:
A alienação ou a concessão, a qualquer título, de terras públicas com área superior a dois mil e
quinhentos hectares a pessoa física ou jurídica, ainda que por interposta pessoa, dependerá de
prévia aprovação do Congresso Nacional. Questão errada.
(TRF 1ª Região – 2015) A CF prevê que tanto a desapropriação por interesse social quanto a
desapropriação por necessidade ou utilidade pública seja feita somente mediante justa e prévia
indenização em dinheiro.
Comentários:
Há casos previstos na CF/88 nos quais a desapropriação não será feita mediante indenização em
dinheiro. É o caso da desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária. Nessa
situação, a indenização em títulos da dívida agrária. Questão errada.
(TRT 21ª Região – 2015) A propriedade produtiva é insuscetível de desapropriação, desde que
seu proprietário não possua outra.
Comentários:
As propriedades produtivas são insuscetíveis de desapropriação, sem qualquer ressalva. Questão
errada.
(MPE-SP – 2015)

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