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https://t.me/concurso_aqui Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 Índice ..............................................................................................................................................................................................1) Princípios Gerais da Atividade Econômica (art. 170 - art. 181, CF/88) 3 ..............................................................................................................................................................................................2) Política Urbana (art. 182 e art. 183, CF/88) 23 ..............................................................................................................................................................................................3) Política Agrícola, Fundiária e Reforma Agrária (art. 184 - art. 191, CF/88) 27 ..............................................................................................................................................................................................4) Sistema Financeiro Nacional (art. 192, CF/88) 32 ..............................................................................................................................................................................................5) Questões Comentadas - Ordem Econômica e Financeira - CEBRASPE 33 ..............................................................................................................................................................................................6) Lista de Questões - Ordem Econômica e Financeira - CEBRASPE 57 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 2 66 1 ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA Introdução A ordem econômica consiste em um conjunto de normas que regulam o sistema econômico do País, definindo, dentre outros pontos, a forma de intervenção do Estado na economia. A disciplina constitucional da ordem econômica forma aquilo que a doutrina denomina “Constituição econômica”, que, nas palavras do Prof. Uadi Lammêgo Bulos, “consiste em um microssistema normativo, integrado à própria carta constitucional positiva, em cujo esteio erigem-se normas e diretrizes constitucionais que disciplinam, juridicamente, a macroeconomia”.1 Há que se destacar, ainda, que a “Constituição econômica” não se esgota no texto constitucional: ela também se manifesta por meio de normas infraconstitucionais. É a partir disso que se pode fazer a distinção entre Constituição econômica material (núcleo essencial de normas que regem o sistema econômico, quer constem ou não do texto constitucional) e Constituição econômica formal (normas que regem o sistema econômico e que estão positivadas no texto constitucional, ainda que não dotadas de relevância material).2 A constitucionalização da ordem econômica foi um movimento que ganhou força com a Primeira Guerra Mundial. Em virtude daquele conflito, o Estado teve que assumir um papel mais ativo na regulação da economia, o que se acentuou ainda mais com a Crise da Bolsa de Nova York (1929) e com a Segunda Guerra Mundial. Constata-se que a inserção da ordem econômica nos textos constitucionais foi uma das características da transição do Estado liberal para o Estado social. O Estado liberal era eminentemente não intervencionista; o Estado social, por sua vez, é marcado pela maior atuação governamental, seja intervindo na economia, seja ofertando prestações positivas em favor dos indivíduos. Dessa forma, a constitucionalização da ordem econômica é resultado do aparecimento da ideia de Estado de bem-estar social. No Brasil, a Constituição de 1934 foi a primeira a trazer em seu texto a disciplina da ordem econômica, o que se deveu à forte influência da Constituição alemã de Weimar (1919). Destaque-se que a Carta de 1934 também tratou com pioneirismo a disciplina da ordem social, que está intimamente relacionada à ordem econômica. Na CF/88, a ordem econômica e financeira é dividida da seguinte forma: - Princípios Gerais da Ordem econômica (art. 170 – art. 181) - Política Urbana (art. 182 – art. 183) - Política agrícola e fundiária e a reforma agrária (art. 184 – art. 191) - Sistema Financeiro Nacional (art. 192) Essas normas, que consubstanciam a chamada “Constituição econômica”, podem ser classificadas, segundo a doutrina do Prof. José Afonso da Silva, como elementos 2 CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional, 6ª edição. Ed. Juspodium. Salvador: 2012, p. 1276 – 1277. 1 BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional, 6a edição. Ed. Saraiva. São Paulo: 2011, pp. 1490. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 3 66 2 socioideológicos. São elementos socioideológicos o conjunto de normas que refletem a existência do Estado social, intervencionista, prestacionista. Fundamentos e Princípios Gerais da Ordem Econômica Princípios constitucionais da ordem econômica A doutrina considera que a Constituição Federal de 1988, ao tratar da ordem econômica, estabeleceu princípios e soluções um tanto quanto contraditórios. Ao mesmo tempo em que consagra a liberdade de iniciativa, a CF/88 busca, em diversos momentos, regulamentar a atividade econômica. Assim, liberalismo e intervencionismo se alternam na formulação dos princípios da ordem econômica, o que demonstra o resultado consensual de um debate entre as diversas correntes que participaram da formulação da CF/88.3 Segundo o art. 170, CF/88, a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social. Por meio desse dispositivo, a CF/88 consagra a existência de uma economia de mercado, de índole capitalista. Isso fica claro ao estabelecer-se que o fundamento da ordem econômica é a livre iniciativa; com efeito, a livre iniciativa é característica central do sistema capitalista. Ao mesmo tempo, percebe-se que o art. 170, CF/88, estabeleceu que a finalidade da ordem econômica é promover a existência digna de todos, conforme os ditames da justiça social. Nesse sentido, busca-se compatibilizar o desenvolvimento econômico com o princípio da dignidade da pessoa humana. Os princípios constitucionais da ordem econômica são os seguintes: a) Soberania nacional. A soberania é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil (art. 1º, I). Aqui, ela aparece no sentido de “soberania econômica”. Com isso, o legislador constituinte quis deixar claro que o Brasil deve buscar o seu desenvolvimento e evitar a situação de dependência em relação aos países industrializados. b) Propriedade privada. A propriedade privada dos meios de produção é a grande característica do sistema econômico capitalista. c) Função social da propriedade. O direito à propriedade não é absoluto; em outras palavras, a propriedade é garantida, desde que cumpra sua função social. Nos termos do art. 5º, XXIII, “a propriedade atenderá a sua função social”. d) Livre concorrência. A livre concorrência é um princípio que deriva do princípio da livre iniciativa. Ao estabelecer a livre concorrência como um princípio geral da ordem econômica, a CF/88 reconhece, implicitamente, a tese de que mercados competitivos geram maior eficiência econômica, possibilitando maior bem-estar e qualidade de vida aos cidadãos. Destaque-se, entretanto, que, embora o legislador constituinte tenha optado pela livre concorrência, esta não é absoluta. O Estado possui diversas formas de intervenção na economia. A intervenção estatal pode ser direta (como no caso de monopólios em setores estratégicos) ou indireta (através da regulação econômica). 3 MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil Interpretada e Legislação Constitucional, 9ª edição. São Paulo Editora Atlas: 2010, pp. 1875-1877. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 4 66 3A média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra, é insuscetível de desapropriação para fins de reforma agrária. Comentários: Segundo o art. 185, I, CF/88, são insuscetíveis de desapropriação, para fins de reforma agrária, a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra. Questão correta. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 31 66 30 ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA Sistema Financeiro Nacional A Emenda Constitucional no 40 de 29 de maio de 2003 suprimiu todos os incisos, alíneas e parágrafos constantes da redação original do art. 182, CF, mas não lhe alterou o conteúdo de maneira substancial. Após a redação dada pela referida emenda, o capítulo da Constituição referente ao Sistema Financeiro Nacional passou a se resumir ao seguinte dispositivo: Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram. A Constituição reserva a leis complementares a disciplina da matéria. Atente para o fato de que várias leis complementares poderão dispor sobre a matéria, não havendo restrição a uma só lei. A regulação do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) e do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Embarcações ou por sua Carga exige, nos termos do art. 192 da Constituição Federal, lei complementar1. 1 ADI 6.262 MC, Rel. Min. Edson Fachin, j. 20-12-2019. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 32 66 31 QUESTÕES COMENTADAS 1. CEBRASPE/PC-PE/2024 No que se refere à política urbana, agrícola e fundiária e à reforma agrária, assinale a opção correta. a) Na execução da política fundiária, todos os imóveis classificados como latifúndios se sujeitam, em princípio, a desapropriação para fins de reforma agrária. b) Aspectos ligados ao cumprimento da legislação trabalhista não são juridicamente apropriados para definição de imóveis aptos a desapropriação para fins de reforma agrária. c) Em respeito à autonomia municipal, a CF preconiza a adoção de plano diretor como recomendação para os municípios, sem caráter vinculante. d) Um imóvel pode ser produtivo e, ao mesmo tempo, não cumprir sua função social, caso em que poderá ser objeto de desapropriação para fins de reforma agrária. d) Devido à proteção do direito de propriedade como direito fundamental, são limitados os meios de execução da política urbana, sendo proibido ao poder público, por exemplo, exigir edificação compulsória em imóvel. Comentários: Questão interessante sobre a Função Social do Bem Imóvel. Sobre o tema, a nossa Magna Carta entende que a função social da propriedade é um princípio basilar da política urbana, da política fundiária, bem como da reforma agrária. Tal princípio determina que para ser assegurado a proteção constitucional do direito de propriedade, deve ser cumpridos uma série de requisitos dispostos no art. 186 da CRFB/88, vejamos: Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I - aproveitamento racional e adequado; II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho; IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 33 66 32 Portanto, um imóvel pode ser produtivo e, ao mesmo tempo, não cumprir sua função social, caso em que poderá ser objeto de desapropriação para fins de reforma agrária, já que os requisitos indicados no art. 186 são cumulativos. Nesse sentido, confira o art. 184 da CRFB/88: Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. Diante de todo o exposto, o nosso gabarito é a LETRA D! (...) LETRA A. INCORRETA. A alternativa está errada, tendo em vista que não são todos os imóveis classificados como latifúndios que se sujeitam a desapropriação para fins de reforma agrária, apenas aqueles que não estão cumprindo com os critérios estabelecidos no art. 186 da CRFB/88. LETRA B. INCORRETA. O cumprimento da legislação trabalhista é requisito da função social da propriedade, devendo ser observado para que não ocorra a desapropriação para fins de reforma agrária, conforme art. 186, inciso III da CRFB/88. LETRA C. INCORRETA. A alternativa está errada, porque o plano diretor é obrigatório para cidades com mais de 20 mil habitantes, ou seja, não é uma mera recomendação, é obrigação a ser seguida pelos Municípios que tenham mais de 20 mil habitantes, vejamos: Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. § 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana. LETRA D. CORRETA. De fato, um imóvel pode ser produtivo e, ao mesmo tempo, não cumprir sua função social, caso em que poderá ser objeto de desapropriação para fins de reforma agrária, já que os requisitos indicados no art. 186 da CRFB/88 são cumulativos. LETRA E. INCORRETA. A alternativa está errada, porque é possível que o Poder Público, exija a edificação compulsória de um imóvel não utilizado, subutilizado ou não edificado, conforme art. 182, em seu § 4º da CRFB/88: § 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 34 66 33 I - parcelamento ou edificação compulsórios; II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo; III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais. Gabarito: Letra D 2. CEBRASPE/MMA/2024 Considerando as disposições da Constituição Federal, julgue o item a seguir. São princípios gerais da atividade econômica do Estado a propriedade privada, a livre concorrência e a defesa do meio ambiente. Comentários: A questão cobra o conhecimento sobre os Princípios Gerais da Atividade Econômica, dispostos no art. 170 da CRFB/88. O referido dispositivo estabeleceu que a finalidade da ordem econômica é promover a existência digna de todos, conforme os ditames da justiça social. O objetivo é justamente compatibilizar o desenvolvimento econômico com o princípio da dignidade da pessoa humana. Os princípios constitucionais da ordem econômica estão dispostos nos incisos do art. 170 da CRFB/88,vejamos: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I - soberania nacional; II - propriedade privada; III - função social da propriedade; IV - livre concorrência; V - defesa do consumidor; VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; VII - redução das desigualdades regionais e sociais; VIII - busca do pleno emprego; Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 35 66 34 IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. Percebam que a assertiva reproduz os incisos II, IV e VI do art. 170 da CRFB/88. Assim, podemos afirmar que o item está correto. Gabarito: Item correto 3. CEBRASPE/ANTT/2024 Acerca dos princípios constitucionais que norteiam a ordem econômica no Brasil, julgue o item subsequente. A repressão ao abuso do poder econômico constitui mecanismo jurídico que visa assegurar a realização do princípio constitucional da livre concorrência e combater a formação de monopólios e cartéis. Comentários: A questão aborda os Princípios Constitucionais que regem a Ordem Econômica, notadamente, a Livre Concorrência. A CRFB/88, em seu art. 170, IV estabelece a livre concorrência como princípio da ordem econômica, vejamos: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: IV - livre concorrência. A Lei nº 12.529/2011 cria e organiza o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC), com o propósito de prevenir e reprimir infrações contra a ordem econômica. Essa legislação visa fortalecer a importância de coibir o abuso do poder econômico como forma de garantir a livre concorrência e combater práticas anticompetitivas, como monopólios e cartéis. Confira a referida legislação: Art. 1º. Esta Lei estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) e dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica, orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico. Essa atuação é fundamental para promover um ambiente empresarial saudável, estimular a competição e proteger os interesses dos consumidores. Perceba que a disposição contida no enunciado está CERTA! Gabarito: Certo Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 36 66 35 4. CEBRASPE/ANTT/2024 Acerca dos princípios constitucionais que norteiam a ordem econômica no Brasil, julgue o item subsequente. Dispositivo do texto constitucional em vigor prevê tratamento diferenciado entre empresas brasileiras e empresas brasileiras de capital nacional, conferindo a estas últimas proteção e benefícios especiais para desenvolver suas atividades consideradas estratégicas ou imprescindíveis ao desenvolvimento do país. Comentários: Questão bem interessante sobre a Ordem Econômica. Na Constituição Brasileira, não há disposições claras que estabeleçam um tratamento diferenciado entre empresas brasileiras e empresas brasileiras de capital nacional. O documento constitucional enfatiza princípios de igualdade e não discriminação entre empresas nacionais, independentemente da origem do capital investido. No mais, a Carta Magna estabelece orientações para proteger e fomentar o desenvolvimento econômico do país, sem distinguir entre empresas com base na nacionalidade do capital. Qualquer benefício ou proteção concedido a empresas específicas deve respeitar os princípios constitucionais de igualdade e justiça, sem discriminação em relação à origem do capital. Dessa forma, resta equivocada a afirmação que a Constituição prevê um tratamento diferenciado entre empresas brasileiras e empresas brasileiras de capital nacional. Assim, o disposto no enunciado está ERRADO. Gabarito: Errado 5. CEBRASPE/ANTT/2024 Acerca dos princípios constitucionais que norteiam a ordem econômica no Brasil, julgue o item subsequente. A democracia econômica é princípio implícito da ordem econômica constitucional segundo o qual o planejamento estatal deve orientar-se pela garantia da igualdade na oferta de oportunidades de iniciativa e de emprego, consideradas a valorização do trabalho humano, a busca do pleno emprego e a defesa do consumidor, bem como da liberdade de concorrência e da livre iniciativa. Comentários: A questão exige conhecimento sobre os Princípios Gerais da Ordem Econômica. A ordem econômica consiste em um conjunto de normas que regulam o sistema econômico do País, definindo a forma de intervenção do Estado na economia. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 37 66 36 Nesse sentido, confira o texto constitucional: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I - soberania nacional; II - propriedade privada; III - função social da propriedade; IV - livre concorrência; V - defesa do consumidor; VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; VII - redução das desigualdades regionais e sociais; VIII - busca do pleno emprego; IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. Portanto, é correto afirmar que a democracia econômica é um princípio implícito da ordem econômica constitucional no Brasil. Embora o termo "democracia econômica" não esteja explicitamente mencionado na Constituição Federal, diversos dispositivos e princípios presentes no texto constitucional refletem a preocupação em garantir uma participação democrática e justa na atividade econômica do país. A Constituição de 1988 estabelece bases para uma ordem econômica que visa assegurar a todos uma existência digna, conforme os ditames da justiça social. Isso inclui a defesa do consumidor, a redução das desigualdades regionais e sociais, a busca pelo pleno emprego e a valorização do trabalho humano. Além disso, a própria estrutura de proteção à livre concorrência e à repressão ao abuso do poder econômico busca garantir um ambiente econômico mais equitativo e democrático, permitindo que diferentes agentes econômicos participem do mercado em condições justas. Diante de todo o exposto, o disposto no enunciado está CERTO. Gabarito: Certo 6. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da atividade econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF). Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 38 66 37 O princípio da soberania nacional, aplicado à esfera da ordem econômica, está atrelado à noção de liberdade que o Estado detém de implementar sua política econômica, independentemente da interferência de outros países. C) Certo. E) Errado. Comentários: A questão cobrou o Princípio da Soberania Nacional, atrelado à Ordem Econômica. Antes de qualquer coisa, confira o texto constitucional: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme osditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I - soberania nacional. No tocante ao princípio da soberania nacional, ao ser aplicado na ordem econômica, o legislador constituinte quis deixar claro que o Brasil deve buscar o seu desenvolvimento e evitar situações de dependência em relação aos países industrializados. A doutrina entende que o referido princípio possui dois aspectos: supremacia (no plano interno) e a independência (no plano internacional). No plano interno, apenas o Estado detém o poder de regular a atividade econômica, ou seja, o Estado Brasileiro, não se submete, de forma superveniente, à orientação de outro Estado soberano (liberdade). Destarte, a soberania nacional relacionada à ordem econômica está ligada à liberdade que o próprio Estado tem de implantar sua política econômica, sem interferência de outros Estados. Logo, podemos concluir que a disposição do enunciado está CERTA! Gabarito: Certo 7. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da atividade econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF). A aplicação do princípio do tratamento favorecido às empresas de pequeno porte é extensível às empresas estrangeiras situadas no Brasil, como forma de legitimar a intervenção estatal na economia, com a finalidade de nivelar o campo de jogo concorrencial. C) Certo. E) Errado. Comentários: Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 39 66 38 Olha que questão interessante sobre os Princípios Gerais da Atividade Econômica, especificamente, sobre o estabelecido no art. 170, IX da CRFB/88. Vale a leitura do caput do dispositivo na íntegra: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: Dentre os princípios, podemos encontrar o do tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte que foram constituídas pelas leis brasileiras, tendo sede no país, vejamos: IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. Com base em toda explanação feita, não é possível que tal princípio seja aplicado às empresas estrangeiras situadas no Brasil. Por essa razão, o disposto no enunciado está ERRADO! Gabarito: Errado 8. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da atividade econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF). O princípio da busca pelo pleno emprego tem como premissa a intervenção do Estado na atividade econômica, de forma a promover a valorização do trabalho em sentido amplo, considerado o trabalho como a atividade cujo objetivo é um resultado que impacte a atividade econômica. C) Certo. E) Errado. Comentários: Vamos testar os conhecimentos sobre os Princípios Gerais da Ordem Econômica. O art. 170 da CRFB/88, estabeleceu que a finalidade da ordem econômica é promover a existência digna de todos, conforme os ditames da justiça social. Com isso, indicou um rol de princípios para nortear as relações. Dentre os princípios estabelecidos no referido dispositivo, podemos encontrar o da busca pelo pleno emprego (inciso VIII), que consiste em uma diretriz constitucional que tem como objetivo assegurar que toda a força de trabalho disponível seja utilizada na atividade econômica. Portanto, podemos afirmar que o enunciado está CERTO. Gabarito: Correto Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 40 66 39 9. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da atividade econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF). O princípio do livre exercício da atividade econômica pressupõe o exercício da livre iniciativa e da livre concorrência pelos agentes econômicos, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. C) Certo. E) Errado. Comentários: A questão versa sobre os Princípios Gerais da Ordem Econômica. Segundo o art. 170 da CRFB/88, a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social. Consagra-se a existência de uma economia de mercado, de índole capitalista. Nesse sentido, o parágrafo único do referido dispositivo prevê que é assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. Olha só: Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. É o chamado princípio da liberdade de exercício de atividade econômica! Logo, podemos afirmar que a disposição do enunciado se coaduna com o art. 170, parágrafo único da CRFB/88. O item está CERTO! Gabarito: Correto 10. (CEBRASPE/ANAC/2024) Com relação às modalidades de intervenção do Estado na atividade econômica, julgue o item seguinte. Em sua atividade planificadora, o Estado deve estabelecer, por meio de lei, as diretrizes e bases para um desenvolvimento nacional equilibrado, compatibilizando planos regionais e nacionais de desenvolvimento. C) Certo. E) Errado. Comentários: A Intervenção Indireta do Estado na Economia fica caracterizada quando o Estado assume o papel de agente normativo e regulador da atividade econômica. O fundamento da intervenção indireta é o art. 174 da CRFB/88. Para respondermos à questão devemos nos concentrar no §1º do art. 174 da CRFB/88, vejamos: Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 41 66 40 Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. § 1º - A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do desenvolvimento nacional equilibrado, o qual incorporará e compatibilizará os planos nacionais e regionais de desenvolvimento. Portanto, o disposto no enunciado está CERTO. Gabarito: Correto 11. (CEBRASPE/ANAC/2024) Com relação às modalidades de intervenção do Estado na atividade econômica, julgue o item seguinte. A CF autoriza o Estado a explorar diretamente a atividade econômica em sentido estrito, quando for necessário aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definição legal. C) Certo. E) Errado. Comentários: A questão aborda a Intervenção do Estado na Atividade Econômica, especialmente a chamada intervenção direta! Esta fica caracterizada quando o Estado explora diretamente uma atividade econômica. Trata-se de situação excepcional, regulada no art. 173 da CRFB/88. Nesse sentido, confira a redação do dispositivo: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. O art. 173 consagra, assim, o princípio da subsidiariedade na atuação direta do Estado na economia, ou seja, este somente atuará quando o setor privado não tiver capacidade ou interesse de atuar em determinado setor econômico ou, ainda, por imperativos de segurança nacional ou relevante interesse coletivo. É bastante comum afirmar que o Estado somente pode explorar diretamente atividade econômica em caso de imperativo de segurança nacional ou de relevante interesse público. Isso está equivocado! Com base no art. 173, que ressalva “os casos previstos na Constituição”, é possível afirmar que os imperativos da segurançanacional e o relevante interesse coletivo não são os únicos casos em que o Estado poderá explorar diretamente atividade econômica. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 42 66 41 Essa atuação direta do Estado no domínio econômico é feita por meio das empresas públicas e das sociedades de economia mista exploradoras de atividades econômicas. Cabe destacar que, nos termos do art. 173, § 2º, “as empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”. Portanto, a disposição prevista no enunciado está CERTA! Gabarito: Correto 12. (CEBRASPE/ANAC/2024) Com relação às modalidades de intervenção do Estado na atividade econômica, julgue o item seguinte. A CF prescreve que o Estado, como agente normativo e regulador da atividade econômica, deve estabelecer política de incentivo e fomento às empresas de pequeno porte que compõem o mercado interno brasileiro. c) Certo. e) Errado. Comentários: Vamos resolver uma questão sobre a Ordem Econômica e Financeira. O tema está contemplado no art. 174 da CRFB/88, vejamos: Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. § 1º - A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do desenvolvimento nacional equilibrado, o qual incorporará e compatibilizará os planos nacionais e regionais de desenvolvimento. § 2º - A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. § 3º - O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros. § 4º - As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão prioridade na autorização ou concessão para pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas onde estejam atuando, e naquelas fixadas de acordo com o art. 21, XXV, na forma da lei. Isto posto, podemos afirmar que o enunciado está equivocado, porque a nossa CRFB/88 não prevê expressamente que o Estado tem o dever de estabelecer política de incentivo e fomento às empresas de pequeno porte que fazem parte do mercado interno brasileiro. O que o art. 174 previu foi a atuação do Estado, como agente normativo e regulador da atividade econômica, exercerá as funções de fiscalização, incentivo e planejamento. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 43 66 42 Logo, a disposição do enunciado está ERRADA. Gabarito: Errado 13. (CEBRASPE/TCDF-Analista/2023) Em relação à disciplina atinente à prestação de serviços públicos, julgue o item seguinte, com base na Constituição Federal de 1988 (CF) e na jurisprudência dos tribunais superiores. Segundo a regência do texto constitucional, a prestação de serviços públicos deve ser realizada pelo poder público diretamente, ou indiretamente, e, neste último caso, desde que por meio de concessão ou autorização, sempre precedida de procedimento licitatório. Comentários: Pessoal, a questão trata sobre os Princípios Gerais e da Atividade Econômica. A prestação do serviço público pode ocorrer de maneira direta ou indireta. No caso da prestação de serviço de forma indireta, deverá ser realizada através da concessão ou permissão, mediante processo licitatório. Olha só o que diz o art. 175 da CRFB/88: Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. Convém esclarecer que a concessão é um contrato bilateral da administração pública com uma empresa particular, através de prévia licitação. Já a permissão é um ato discricionário e precário, no qual a administração pública concede ao particular alguma conduta que exista interesse da coletividade. É um contrato de adesão que exige licitação. Assim, após breve explanação, podemos afirmar que a assertiva está ERRADA. Gabarito: Errado 14. (CEBRASPE/Conselho Nacional do Ministério Público/2023) A respeito do Estado federal brasileiro, dos direitos sociais, dos servidores públicos, do processo legislativo, do Ministério Público e da ordem econômica e financeira, julgue o próximo item. No que se refere à política urbana, especificamente à usucapião urbana, o título de domínio da propriedade será concedido ao homem ou à mulher, ou ao primeiro, se ambos forem casados. Comentários: Questão bem interessante sobre Política Urbana. Nem é tão usual assim em provas de concursos. De acordo com a Constituição Federal em seu art. 183, § 1º: Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 44 66 43 de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. Podemos concluir que, o título de domínio da propriedade será concedido ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. A pegadinha está no fim do item, ao afirmar que será concedido ao homem ou à mulher, ou ao primeiro, se ambos forem casados. Guarde a seguinte informação: independe do estado civil!!! Dessa forma, o item está ERRADO. Gabarito: Errado 15. (CEBRASPE - ATT (SEFAZ SE)/SEFAZ SE/2022) Considerando que o Brasil, desde a redemocratização e com a promulgação da Constituição de 1988, é um país em que se busca compatibilizar valores e direitos individuais com valores e direitos coletivos, em que a ordem econômica deve observar como princípios, entre outros, a propriedade privada e a sua função social, a livre concorrência, a redução das desigualdades regionais e sociais e, ainda, a defesa do consumidor e do meio ambiente, assinale a opção correta. a) Há, na Constituição Federal, um compromisso ético-social de assegurar a todos existência digna. b) A redução das desigualdades regionais é um valor supremo constitucionalmente previsto. c) O desenvolvimento do País deve ser considerado exclusivamente a partir de uma perspectiva econômica. d) Existe, no Brasil, uma hipertrofia da livre iniciativa frente a deveres e valores sociais. e) A defesa do consumidor é valor que está acima da ordem econômica brasileira. Comentários: De fato na Constituição Federal, há um compromisso ético-social de assegurar a todos existência digna, vejamos: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios (...) Gabarito: A Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 45 66 44 16. (CEBRASPE/ SEFAZ-DF – 2020) A União detém o monopólio da pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural, sendo-lhe permitida a contratação de empresas estatais e privadas para a realização dessas atividades, desde que observadas as condições estabelecidas em lei. Comentários: Segundo o art. 177, I, da Carta Magna, é monopólio da União a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos. O § 1º do mesmo dispositivo permite que a União contrate empresas estatais ou privadas para a realização dessa atividade, observadas as condições estabelecidas em lei. Gabarito: Questão correta 17. (CEBRASPE/ SEFAZ-DF – 2020) As empresas públicas e as sociedades de economia mistagozam de privilégios fiscais não extensivos às sociedades comerciais do setor privado. Comentários: As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado (art. 173, § 2º, CF). Gabarito: Questão errada 18. (CEBRASPE/ TJ-PA – 2019) De acordo com a Constituição Federal de 1988, as jazidas em lavra e demais recursos minerais e potenciais de energia hidráulica constituem, para efeito de exploração e aproveitamento, propriedade a) distinta da do solo e pertencem à União e aos estados onde estejam localizados, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. b) distinta da do solo e pertencem ao estado onde estejam localizados, garantida ao permissionário ou concessionário a propriedade da lavra. c) conjunta à do solo e pertencem à União, garantida ao permissionário ou concessionário a propriedade do produto da lavra. d) conjunta à do solo e pertencem à União e aos estados onde estejam localizados, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. e) distinta da do solo e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. Comentários: As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 46 66 45 pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra (art. 176, CF). Gabarito: letra E 19. (CEBRASPE/ Prefeitura de Boa Vista - 2019) Estados federados podem, sob o fundamento de interesse social, desapropriar imóveis rurais improdutivos para fins de reforma agrária. Comentários: Trata-se de competência da União. Nos termos do art. 184 da Constituição, compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. Gabarito: Questão errada 20. (CEBRASPE/ EMAP – 2018) Lei pode estabelecer condições para o exercício de certas atividades econômicas. Comentários Em regra, o exercício da atividade econômica é livre, independentemente de autorização pelo Estado. Entretanto, excepcionalmente, a Carta Magna admite que lei estabeleça condições para o exercício de certas atividades econômicas (art. 170, parágrafo único, CF). Gabarito: Questão correta 21. (CEBRASPE/ STJ – 2018) A defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação, é princípio de índole constitucional que pauta a ordem econômica brasileira. Comentários: Trata-se, de fato, de princípio da ordem econômica, previsto no art. 170, VI, da Carta Magna. Relembremos o que dispõe o art. 170 da CF/88: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: ·- soberania nacional; Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 47 66 46 ·- propriedade privada; ·- função social da propriedade; ·- livre concorrência; ·- defesa do consumidor; ·- defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; ·- redução das desigualdades regionais e sociais; ·- busca do pleno emprego; ·- tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. Gabarito: Questão correta 22. (CEBRASPE / TRT 8ª Região – 2016) Acerca das finanças públicas, da ordem econômica e financeira, da reforma agrária, do sistema financeiro nacional e da ordem social, assinale a opção correta de acordo com a CF. a) O sistema financeiro nacional regula-se por leis complementares, salvo no que se refere à participação de capital estrangeiro nas instituições financeiras, que será regulada por tratados internacionais. b) É direito fundamental da pessoa humana o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, cabendo ao Estado e à coletividade a garantia desse direito. c) O texto constitucional atribui ao Congresso Nacional a competência para fiscalizar a emissão de moeda no país, exclusivamente pelo Banco Central, nos termos de lei complementar. d) O concessionário dependerá de autorização ou concessão do proprietário do solo para a exploração de jazidas e demais recursos minerais, cabendo ao proprietário participação nos resultados da lavra. e) A alienação ou a concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares para fins de reforma agrária dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional. Comentários: Letra A: errada. O sistema financeiro nacional regula-se por leis complementares que dispõem, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram (art. 192, “caput”, CF). Letra B: correta. Segundo o art. 225 da Constituição, “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 48 66 ==3744a9== 47 impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Letra C: errada. Compete ao Congresso Nacional legislar sobre a emissão de moeda, não fiscalizá-la (art. 48, XIV, CF). Letra D: errada. Para exploração de jazidas e demais recursos naturais, é necessária a autorização da União (art. 176, § 1o, CF), cabendo ao proprietário participação nos resultados da lavra. Letra E: errada. Caso a alienação ou concessão de terras públicas destine-se a reforma agrária, não há necessidade de aprovação do Congresso Nacional (art. 188, §§ 1o e 2o, CF). Gabarito: letra B 23. (CEBRASPE / TJ-PB – 2015) Será materialmente inconstitucional, por ofender o princípio da livre concorrência, lei municipal que, a pretexto de realizar zoneamento urbano, estabeleça distância mínima de quinhentos metros entre uma farmácia e outra. Comentários: A Súmula Vinculante nº 49 estabelece que “ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área”. Assim, será inconstitucional a lei municipal que estabeleça distância mínima de 500 metros entre uma farmácia e outra. Gabarito: Questão correta 24. (CEBRASPE / TJDFT – 2014) Constitui princípio constitucional da ordem econômica o tratamento favorecido para todas as empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no Brasil. Comentários: É princípio constitucional da ordem econômica o “tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País”. Gabarito: Questão errada 25. (CEBRASPE / CADE – 2014) Os valores sociais da livre iniciativa e a livre iniciativa são princípios da República Federativa do Brasil; o primeiro é um fundamento, e o segundo, um princípio geral da atividade econômica. Comentários: Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 49 66 48 É isso mesmo! Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa são um fundamento da República Federativa do Brasil. Por sua vez, a livre iniciativa (livre concorrência) é princípiogeral da ordem econômica (art. 170, IV). Gabarito: Questão correta 26. (CEBRASPE / TJ-SE – 2014) A CF prevê a possibilidade de exploração direta de atividade econômica pelo Estado somente no caso de imprescindibilidade à segurança nacional. Comentários: O Estado pode explorar diretamente atividade econômica quando for necessário aos imperativos de segurança nacional ou a relevante interesse coletivo. Também é admitida a exploração direta de atividade econômica pelo Estado em outros casos previstos na Constituição. Dessa forma, a imprescindibilidade à segurança nacional não é a única hipótese em que se autoriza a atuação direta do Estado na atividade econômica. Gabarito: Questão errada 27. (CEBRASPE / MPE-AC – 2014) Em razão do regime de livre mercado estabelecido na CF, é vedado ao Estado explorar diretamente atividade econômica. Comentários: Segundo o art. 173, “ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei”. Assim, é possível, em alguns casos, que o Estado explore diretamente atividade econômica. Gabarito: Questão errada 28. (CEBRASPE / TRF 2ª Região – 2013) A proteção à livre concorrência é um dos princípios orientadores da ordem econômica, e, segundo entendimento do STF o privilégio de entrega de correspondência da ECT — empresa pública — viola tal princípio. Comentários: É o contrário! Para o STF, por se tratar de um serviço público, a atividade de entrega de correspondência pode, sim, ser desenvolvida com exclusividade pela ECT. Não há violação á livre concorrência. Gabarito: Questão errada Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 50 66 49 29. (CEBRASPE / Banco da Amazônia – 2012) Conforme previsto na CF, o Estado, quando atua como agente normativo e regulador, exerce as funções de fiscalização, planejamento e participação no mercado. Comentários: Segundo o art. 174, “caput”, da CF/88, quando o Estado atua como agente normativo e regulador, exerce as funções de fiscalização, incentivo e planejamento. Gabarito: Questão errada 30. (CEBRASPE / Banco da Amazônia – 2012) O princípio da livre concorrência garante aos agentes econômicos a segurança de que o Estado não poderá impedi-los de atuar livremente no mercado. Comentários: O Estado pode, sim, impedir que agentes econômicos atuem livremente no mercado, para coibir o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. Nesse sentido, foi criado o CADE, a fim de exercer o controle sobre a atuação econômica das pessoas jurídicas. Gabarito: Questão errada 31. (CEBRASPE / Banco da Amazônia – 2012) Ao planejar a atividade econômica, o Estado deve, conforme previsão constitucional, observar o princípio da livre iniciativa, atuando apenas de forma indicativa para o setor privado. Comentários: De fato, a livre iniciativa é um dos fundamentos da RFB, que deve ser observado pelo Estado ao planejar a atividade econômica (art. 1º, IV, CF). Esse planejamento é determinante para o setor público e indicativo para o setor privado (art. 174, “caput”, CF). Gabarito: Questão correta 32. (CEBRASPE / AGU – 2012) A atuação do Estado como agente normativo e regulador da atividade econômica compreende, entre outras funções, a de planejamento, que é determinante tanto para o setor público quanto para o setor privado. Comentários: O planejamento é determinante para o setor público e indicativo para o privado (art. 174, “caput”, CF). Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 51 66 50 Gabarito: Questão errada 33. (CEBRASPE / AGU – 2012) As empresas públicas e as sociedades de economia mista, dadas as suas especificidades, beneficiam-se de determinados privilégios fiscais não atribuídos às empresas privadas. Comentários: Determina o art. 173, § 2º, CF/88, que as empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. Gabarito: Questão errada 34. (CEBRASPE / AGU – 2012) Como forma de estímulo à atração de investimentos de capital estrangeiro, a CF veda a regulação da remessa de lucros. Comentários: Não há vedação à remessa de lucros. A Constituição apenas determina que esta deverá ser regulada por lei (art. 172). Gabarito: Questão errada 35. (CEBRASPE / AGU – 2012) A CF prevê áreas em que a exploração direta de atividade econômica pela União é feita por meio de monopólio. Comentários: Isso ocorre, de fato, na Constituição, em seu art. 177. Gabarito: Questão correta 36. (CEBRASPE / TJ-AC – 2012) Estão sujeitas ao regime jurídico próprio das empresas privadas, quanto aos direitos e obrigações trabalhistas e tributários, as empresas públicas e as sociedades de economia mista que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens, mas não as que prestam serviços. Comentários: Determina o art. 173, § 1º, CF/88, que a lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 52 66 51 comerciais, trabalhistas e tributários. O erro do enunciado é dizer que não se sujeitam a esse regime as prestadoras de serviços. Gabarito: Questão errada 37. (CEBRASPE / TJ-AC – 2012) A CF estabelece o monopólio da União na pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural, permitindo, entretanto, a contratação de empresas estatais e privadas para a realização dessas atividades, observadas as condições estabelecidas em lei. Comentários: É o que determina o art. 177, I c/c § 1o, da CF. Gabarito: Questão correta 38. (CEBRASPE / TCU – 2011) De acordo com a CF, constituem monopólio da União a pesquisa, a comercialização e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural. Comentários: Isso se aplica à pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural (art. 177, I, CF), mas não à sua comercialização. Gabarito: Questão errada 39. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) Ao prever o princípio do pleno emprego na CF, o legislador pretendeu defender a absorção da força de trabalho a qualquer custo, sem se preocupar com a dignidade da pessoa humana. Comentários: A busca do pleno emprego deve estar em consonância com a dignidade da pessoa humana, fundamento da RFB (art. 1º, III, CF). Gabarito: Questão errada 40. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) A atividade normativa e reguladora do Estado exercida por meio da intervenção na atividade econômica compreende as funções de fiscalização, participação e incentivo. Comentários: Segundo o art. 174, “caput”, da Constituição, como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 53 66 52 Gabarito: Questão errada 41. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) O monopólio estatal na refinação do petróleo nacional impede a contratação, pela União, de empresa privada para a realização dessa atividade. Comentários: Não há tal impedimento, conforme art. 177, § 1º, da Constituição, desde que observadas as condições estabelecidas em lei. Gabarito: Questão errada 42. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) O planejamento da atividade econômicapelo Estado, na nova ordem constitucional econômica, é sempre indicativo para o setor privado, em harmonia com o princípio da livre iniciativa. Comentários: É o que determina o art. 174, “caput”, da Constituição. Gabarito: Questão correta 43. (CEBRASPE / MPS – 2010) Constitui monopólio da União a refinação de petróleo nacional ou estrangeiro. Comentários: É o que versa o art. 177, II, da CF/88. Gabarito: Questão correta 44. (CEBRASPE / MPS – 2010) As empresas públicas e as sociedades de economia mista não podem gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado. Comentários: Trata-se da literalidade do art. 173, 2º, da Constituição. Gabarito: Questão correta Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 54 66 53 45. (CEBRASPE / OAB – 2010) O aproveitamento do potencial de energia renovável de capacidade reduzida depende de autorização do Estado. Comentários: Segundo o § 4º do art. 176 da Constituição, não dependerá de autorização ou concessão o aproveitamento do potencial de energia renovável de capacidade reduzida. Gabarito: Questão errada 46. (CEBRASPE / TJ-SE – 2014) A desapropriação, pela União, de imóvel rural que não atenda a sua função social, para a realização de reforma agrária, depende de prévia indenização em dinheiro. Comentários: A desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, de imóvel que não esteja atendendo a sua função social, é feita mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária. A indenização não é em dinheiro. Gabarito: Questão errada 47. (CEBRASPE / TJ-PI – 2012) A política de desenvolvimento urbano deve ficar a cargo do município, a partir de diretrizes comuns fixadas por lei federal. Comentários: É o que determina o art. 182, “caput”, da Constituição. A política de desenvolvimento urbano será executada pelo Município. As diretrizes, por sua vez, são fixadas em lei federal, de caráter nacional. Gabarito: Questão correta 48. (CEBRASPE / TJ-PI – 2012) A alienação ou concessão, a qualquer título, de terras públicas rurais, independentemente da dimensão, a pessoa física ou jurídica depende de prévia aprovação do Congresso Nacional. Comentários: Isso só se aplica a terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares, excetuadas as concessões de terras públicas para fins de reforma agrária. Gabarito: Questão errada Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 55 66 54 49. (CEBRASPE / BRB – 2010) Considere que a União desaproprie por interesse social, para fins de reforma agrária, determinado imóvel rural localizado no estado do Mato Grosso, que não esteja cumprindo sua função social. Nessa situação, todas as benfeitorias do imóvel deverão ser indenizadas mediante títulos da dívida agrária. Comentários: Apenas as benfeitorias úteis e necessárias deverão ser indenizadas, o que deverá se dar em dinheiro (art. 184, § 1º, CF). Gabarito: Questão errada Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 56 66 55 LISTA DE QUESTÕES 1. CEBRASPE/PC-PE/2024 No que se refere à política urbana, agrícola e fundiária e à reforma agrária, assinale a opção correta. a) Na execução da política fundiária, todos os imóveis classificados como latifúndios se sujeitam, em princípio, a desapropriação para fins de reforma agrária. b) Aspectos ligados ao cumprimento da legislação trabalhista não são juridicamente apropriados para definição de imóveis aptos a desapropriação para fins de reforma agrária. c) Em respeito à autonomia municipal, a CF preconiza a adoção de plano diretor como recomendação para os municípios, sem caráter vinculante. d) Um imóvel pode ser produtivo e, ao mesmo tempo, não cumprir sua função social, caso em que poderá ser objeto de desapropriação para fins de reforma agrária. d) Devido à proteção do direito de propriedade como direito fundamental, são limitados os meios de execução da política urbana, sendo proibido ao poder público, por exemplo, exigir edificação compulsória em imóvel. 2. CEBRASPE/MMA/2024 Considerando as disposições da Constituição Federal, julgue o item a seguir. São princípios gerais da atividade econômica do Estado a propriedade privada, a livre concorrência e a defesa do meio ambiente. 3. CEBRASPE/ANTT/2024 Acerca dos princípios constitucionais que norteiam a ordem econômica no Brasil, julgue o item subsequente. A repressão ao abuso do poder econômico constitui mecanismo jurídico que visa assegurar a realização do princípio constitucional da livre concorrência e combater a formação de monopólios e cartéis. 4. CEBRASPE/ANTT/2024 Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 57 66 56 Acerca dos princípios constitucionais que norteiam a ordem econômica no Brasil, julgue o item subsequente. Dispositivo do texto constitucional em vigor prevê tratamento diferenciado entre empresas brasileiras e empresas brasileiras de capital nacional, conferindo a estas últimas proteção e benefícios especiais para desenvolver suas atividades consideradas estratégicas ou imprescindíveis ao desenvolvimento do país. 5. CEBRASPE/ANTT/2024 Acerca dos princípios constitucionais que norteiam a ordem econômica no Brasil, julgue o item subsequente. A democracia econômica é princípio implícito da ordem econômica constitucional segundo o qual o planejamento estatal deve orientar-se pela garantia da igualdade na oferta de oportunidades de iniciativa e de emprego, consideradas a valorização do trabalho humano, a busca do pleno emprego e a defesa do consumidor, bem como da liberdade de concorrência e da livre iniciativa. 6. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da atividade econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF). O princípio da soberania nacional, aplicado à esfera da ordem econômica, está atrelado à noção de liberdade que o Estado detém de implementar sua política econômica, independentemente da interferência de outros países. 7. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da atividade econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF). A aplicação do princípio do tratamento favorecido às empresas de pequeno porte é extensível às empresas estrangeiras situadas no Brasil, como forma de legitimar a intervenção estatal na economia, com a finalidade de nivelar o campo de jogo concorrencial. 8. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da atividade econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF). O princípio da busca pelo pleno emprego tem como premissa a intervenção do Estado na atividade econômica, de forma a promover a valorização do trabalho em sentido amplo, considerado o trabalho como a atividade cujo objetivo é um resultado que impacte a atividade econômica. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 58 66 57 9. (CEBRASPE/ANAC/2024) Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios gerais da atividade econômica previstos na Constituição Federal de 1988 (CF). O princípio do livre exercício da atividade econômica pressupõe o exercício da livre iniciativa e da livre concorrência pelos agentes econômicos, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. 10. (CEBRASPE/ANAC/2024) Com relação às modalidades de intervenção do Estado na atividade econômica, julgue o item seguinte. Em sua atividade planificadora, o Estado deve estabelecer, por meio de lei, as diretrizes e bases para um desenvolvimento nacional equilibrado, compatibilizando planos regionais e nacionais de desenvolvimento. 11. (CEBRASPE/ANAC/2024)Com relação às modalidades de intervenção do Estado na atividade econômica, julgue o item seguinte. A CF autoriza o Estado a explorar diretamente a atividade econômica em sentido estrito, quando for necessário aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definição legal. 12. (CEBRASPE/ANAC/2024) Com relação às modalidades de intervenção do Estado na atividade econômica, julgue o item seguinte. A CF prescreve que o Estado, como agente normativo e regulador da atividade econômica, deve estabelecer política de incentivo e fomento às empresas de pequeno porte que compõem o mercado interno brasileiro. 13. (CEBRASPE/TCDF-Analista/2023) Em relação à disciplina atinente à prestação de serviços públicos, julgue o item seguinte, com base na Constituição Federal de 1988 (CF) e na jurisprudência dos tribunais superiores. Segundo a regência do texto constitucional, a prestação de serviços públicos deve ser realizada pelo poder público diretamente, ou indiretamente, e, neste último caso, desde que por meio de concessão ou autorização, sempre precedida de procedimento licitatório. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 59 66 58 14. (CEBRASPE/Conselho Nacional do Ministério Público/2023) A respeito do Estado federal brasileiro, dos direitos sociais, dos servidores públicos, do processo legislativo, do Ministério Público e da ordem econômica e financeira, julgue o próximo item. No que se refere à política urbana, especificamente à usucapião urbana, o título de domínio da propriedade será concedido ao homem ou à mulher, ou ao primeiro, se ambos forem casados. 15. (CEBRASPE - ATT (SEFAZ SE)/SEFAZ SE/2022) Considerando que o Brasil, desde a redemocratização e com a promulgação da Constituição de 1988, é um país em que se busca compatibilizar valores e direitos individuais com valores e direitos coletivos, em que a ordem econômica deve observar como princípios, entre outros, a propriedade privada e a sua função social, a livre concorrência, a redução das desigualdades regionais e sociais e, ainda, a defesa do consumidor e do meio ambiente, assinale a opção correta. a) Há, na Constituição Federal, um compromisso ético-social de assegurar a todos existência digna. b) A redução das desigualdades regionais é um valor supremo constitucionalmente previsto. c) O desenvolvimento do País deve ser considerado exclusivamente a partir de uma perspectiva econômica. d) Existe, no Brasil, uma hipertrofia da livre iniciativa frente a deveres e valores sociais. e) A defesa do consumidor é valor que está acima da ordem econômica brasileira. 16. (CEBRASPE/ SEFAZ-DF – 2020) A União detém o monopólio da pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural, sendo-lhe permitida a contratação de empresas estatais e privadas para a realização dessas atividades, desde que observadas as condições estabelecidas em lei. 17. (CEBRASPE/ SEFAZ-DF – 2020) As empresas públicas e as sociedades de economia mista gozam de privilégios fiscais não extensivos às sociedades comerciais do setor privado. 18. (CEBRASPE/ TJ-PA – 2019) De acordo com a Constituição Federal de 1988, as jazidas em lavra e demais recursos minerais e potenciais de energia hidráulica constituem, para efeito de exploração e aproveitamento, propriedade a) distinta da do solo e pertencem à União e aos estados onde estejam localizados, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. b) distinta da do solo e pertencem ao estado onde estejam localizados, garantida ao permissionário ou concessionário a propriedade da lavra. c) conjunta à do solo e pertencem à União, garantida ao permissionário ou concessionário a propriedade do produto da lavra. d) conjunta à do solo e pertencem à União e aos estados onde estejam localizados, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. e) distinta da do solo e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 60 66 59 produto da lavra. 19. (CEBRASPE/ Prefeitura de Boa Vista - 2019) Estados federados podem, sob o fundamento de interesse social, desapropriar imóveis rurais improdutivos para fins de reforma agrária. 20. (CEBRASPE/ EMAP – 2018) Lei pode estabelecer condições para o exercício de certas atividades econômicas. 21. (CEBRASPE/ STJ – 2018) A defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação, é princípio de índole constitucional que pauta a ordem econômica brasileira. 22. (CEBRASPE / TRT 8ª Região – 2016) Acerca das finanças públicas, da ordem econômica e financeira, da reforma agrária, do sistema financeiro nacional e da ordem social, assinale a opção correta de acordo com a CF. a) O sistema financeiro nacional regula-se por leis complementares, salvo no que se refere à participação de capital estrangeiro nas instituições financeiras, que será regulada por tratados internacionais. b) É direito fundamental da pessoa humana o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, cabendo ao Estado e à coletividade a garantia desse direito. c) O texto constitucional atribui ao Congresso Nacional a competência para fiscalizar a emissão de moeda no país, exclusivamente pelo Banco Central, nos termos de lei complementar. d) O concessionário dependerá de autorização ou concessão do proprietário do solo para a exploração de jazidas e demais recursos minerais, cabendo ao proprietário participação nos resultados da lavra. e) A alienação ou a concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares para fins de reforma agrária dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional. 23. (CEBRASPE / TJ-PB – 2015) Será materialmente inconstitucional, por ofender o princípio da livre concorrência, lei municipal que, a pretexto de realizar zoneamento urbano, estabeleça distância mínima de quinhentos metros entre uma farmácia e outra. 24. (CEBRASPE / TJDFT – 2014) Constitui princípio constitucional da ordem econômica o tratamento favorecido para todas as empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no Brasil. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 61 66 60 25. (CEBRASPE / CADE – 2014) Os valores sociais da livre iniciativa e a livre iniciativa são princípios da República Federativa do Brasil; o primeiro é um fundamento, e o segundo, um princípio geral da atividade econômica. 26. (CEBRASPE / TJ-SE – 2014) A CF prevê a possibilidade de exploração direta de atividade econômica pelo Estado somente no caso de imprescindibilidade à segurança nacional. 27. (CEBRASPE / MPE-AC – 2014) Em razão do regime de livre mercado estabelecido na CF, é vedado ao Estado explorar diretamente atividade econômica. 28. (CEBRASPE / TRF 2ª Região – 2013) A proteção à livre concorrência é um dos princípios orientadores da ordem econômica, e, segundo entendimento do STF o privilégio de entrega de correspondência da ECT — empresa pública — viola tal princípio. 29. (CEBRASPE / Banco da Amazônia – 2012) Conforme previsto na CF, o Estado, quando atua como agente normativo e regulador, exerce as funções de fiscalização, planejamento e participação no mercado. 30. (CEBRASPE / Banco da Amazônia – 2012) O princípio da livre concorrência garante aos agentes econômicos a segurança de que o Estado não poderá impedi-los de atuar livremente no mercado. 31. (CEBRASPE / Banco da Amazônia – 2012) Ao planejar a atividade econômica, o Estado deve, conforme previsão constitucional, observar o princípio da livre iniciativa, atuando apenas de forma indicativa para o setor privado. 32. (CEBRASPE / AGU – 2012) A atuação do Estado como agente normativo e regulador da atividade econômica compreende,entre outras funções, a de planejamento, que é determinante tanto para o setor público quanto para o setor privado. 33. (CEBRASPE / AGU – 2012) As empresas públicas e as sociedades de economia mista, dadas as suas especificidades, beneficiam-se de determinados privilégios fiscais não atribuídos às empresas privadas. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 62 66 61 34. (CEBRASPE / AGU – 2012) Como forma de estímulo à atração de investimentos de capital estrangeiro, a CF veda a regulação da remessa de lucros. 35. (CEBRASPE / AGU – 2012) A CF prevê áreas em que a exploração direta de atividade econômica pela União é feita por meio de monopólio. 36. (CEBRASPE / TJ-AC – 2012) Estão sujeitas ao regime jurídico próprio das empresas privadas, quanto aos direitos e obrigações trabalhistas e tributários, as empresas públicas e as sociedades de economia mista que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens, mas não as que prestam serviços. 37. (CEBRASPE / TJ-AC – 2012) A CF estabelece o monopólio da União na pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural, permitindo, entretanto, a contratação de empresas estatais e privadas para a realização dessas atividades, observadas as condições estabelecidas em lei. 38. (CEBRASPE / TCU – 2011) De acordo com a CF, constituem monopólio da União a pesquisa, a comercialização e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural. 39. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) Ao prever o princípio do pleno emprego na CF, o legislador pretendeu defender a absorção da força de trabalho a qualquer custo, sem se preocupar com a dignidade da pessoa humana. 40. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) A atividade normativa e reguladora do Estado exercida por meio da intervenção na atividade econômica compreende as funções de fiscalização, participação e incentivo. 41. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) O monopólio estatal na refinação do petróleo nacional impede a contratação, pela União, de empresa privada para a realização dessa atividade. 42. (CEBRASPE / TRF 5ª Região – 2011) O planejamento da atividade econômica pelo Estado, na nova ordem constitucional econômica, é sempre indicativo para o setor privado, em harmonia com o princípio da livre iniciativa. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 63 66 62 43. (CEBRASPE / MPS – 2010) Constitui monopólio da União a refinação de petróleo nacional ou estrangeiro. 44. (CEBRASPE / MPS – 2010) As empresas públicas e as sociedades de economia mista não podem gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado. 45. (CEBRASPE / OAB – 2010) O aproveitamento do potencial de energia renovável de capacidade reduzida depende de autorização do Estado. 46. (CEBRASPE / TJ-SE – 2014) A desapropriação, pela União, de imóvel rural que não atenda a sua função social, para a realização de reforma agrária, depende de prévia indenização em dinheiro. 47. (CEBRASPE / TJ-PI – 2012) A política de desenvolvimento urbano deve ficar a cargo do município, a partir de diretrizes comuns fixadas por lei federal. 48. (CEBRASPE / TJ-PI – 2012) A alienação ou concessão, a qualquer título, de terras públicas rurais, independentemente da dimensão, a pessoa física ou jurídica depende de prévia aprovação do Congresso Nacional. 49. (CEBRASPE / BRB – 2010) Considere que a União desaproprie por interesse social, para fins de reforma agrária, determinado imóvel rural localizado no estado do Mato Grosso, que não esteja cumprindo sua função social. Nessa situação, todas as benfeitorias do imóvel deverão ser indenizadas mediante títulos da dívida agrária. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 64 66 ==3744a9== 63 GABARITO 1. D 2. CORRETA 3. CORRETA 4. ERRADA 5. CORRETA 6. CORRETA 7. ERRADA 8. CORRETA 9. CORRETA 10.CORRETA 11.CORRETA 12.ERRADA 13.ERRADA 14.ERRADA 15.A 16.CORRETA 17.ERRADA 18.E 19.ERRADA 20.CORRETA 21.CORRETA 22.B 23.CORRETA 24.ERRADA 25.CORRETA 26.ERRADA 27.ERRADA 28.ERRADA 29.ERRADA 30.ERRADA 31.CORRETA 32.ERRADA 33.ERRADA 34.ERRADA 35.CORRETA 36.ERRADA 37.CORRETA 38.ERRADA 39.ERRADA 40.ERRADA 41.ERRADA 42.CORRETA 43.CORRETA 44.CORRETA 45.ERRADA 46.ERRADA 47.CORRETA 48.ERRADA 49.ERRADA Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 65 66 64 65 LINK DE MARKETING DIRETO ( TELEGRAM )_compressed.pdf CAPA TRAFEGO DIRETO ( generico ) CAPAS TRAFEGO DIRETO ( telegram ) ( generico ) LINK DE MARKETING DIRETO ( TELEGRAM )_compressed.pdf CAPA TRAFEGO DIRETO ( generico ) CAPAS TRAFEGO DIRETO ( telegram ) ( generico ) LINK DE MARKETING DIRETO ( TELEGRAM )_compressed.pdf CAPA TRAFEGO DIRETO ( generico ) CAPAS TRAFEGO DIRETO ( telegram ) ( generico )Em consonância com o princípio da livre concorrência, o art. 173, § 4º, dispõe que “a lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros.” Perceba que a livre concorrência é a regra geral na ordem econômica do Estado brasileiro, admitindo-se a intervenção estatal para reprimir condutas anticoncorrenciais, caracterizadas pelo abuso do poder econômico. Segundo o STF, os regimes jurídicos sob os quais, em regra, são prestados os serviços públicos importam em que essa atividade seja desenvolvida sob privilégio, inclusive o da exclusividade. Por esse motivo, o privilégio de entrega de correspondência da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) não violaria a proteção à livre concorrência4. A jurisprudência do STF nos traz alguns entendimentos importantes relacionados à proteção da livre concorrência. Destacamos os seguintes: 1) Súmula Vinculante nº 49: Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área. Dessa forma, será inconstitucional lei municipal que proíba dois estabelecimentos comerciais do mesmo ramo de se instalarem em uma determinada área. Ao debater a aprovação da Súmula Vinculante nº 49, os Ministros do STF deixaram claro que esta deveria ser encarada como um princípio geral, não devendo se aplicar a todos os casos. Nesse sentido, o STF reconhece a constitucionalidade de lei municipal que fixa distanciamento mínimo entre postos de revenda de combustíveis, por motivo de segurança.5 2) Segundo o STF, a proibição ou restrição da atividade de transporte privado individual por motorista cadastrado em aplicativo é inconstitucional, por violação aos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência. Assim, leis municipais que proíbam o transporte privado de passageiros por aplicativos móveis (ex: Uber, Cabify, etc) são inconstitucionais. Segundo a Corte, qualquer restrição à atividade econômica deve passar pelo teste da proporcionalidade. 3) “O princípio da livre iniciativa não pode ser invocado para afastar regras de regulamentação do mercado e de defesa do consumidor."6 Esse entendimento deriva da lógica de que não há princípios absolutos em nosso ordenamento 6 RE 349.686, Rel. Min. Ellen Gracie, 14.06.2005. 5 RE 566.836, Rel. Min. Carmen Lúcia. 27.11.2008. 4 ADPF 46, Rel. Min. Marco Aurélio, 05.08.2009. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 5 66 4 jurídico. Assim, regras de regulamentação do mercado e de defesa do consumidor não violam a livre iniciativa. 4) Ainda sobre a livre iniciativa, há um importante precedente do STF, o qual legitima a terceirização das atividades-fim de uma empresa. "A Constituição não impõe uma única forma de estruturar a produção. Ao contrário, o princípio constitucional da livre iniciativa garante aos agentes econômicos liberdade para eleger suas estratégias empresariais dentro do marco vigente"7. e) Defesa do consumidor. A ordem econômica tem como finalidade assegurar a todos uma existência digna; dito de outra maneira, ela visa garantir a dignidade da pessoa humana. É justamente nesse contexto que se busca assegurar a defesa do consumidor, que é a parte hipossuficiente em uma relação de consumo. O STF julgou inconstitucional a cobrança de tarifa por disponibilizar limite de cheque especial ao cliente. Trata-se de cobrança que coloca o consumidor em situação de vulnerabilidade econômico-jurídica. Desproporcionalidade da medida adotada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para correção de falha de mercado8. f) Busca do pleno emprego. Conforme já comentamos, a ordem econômica tem como um de seus fundamentos a valorização do trabalho humano. Nesse sentido, a busca do pleno emprego é diretriz constitucional que tem como objetivo assegurar que toda a força de trabalho disponível seja utilizada na atividade econômica. g) Redução das desigualdades sociais e regionais. Nos termos do art. 3º, III, um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”. h) Defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação. i) Tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. Esse tratamento diferenciado se materializa no art. 179, CF/88: Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de 8 ADI 6.407, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 3-5-2021. 7 ADC 48, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 15.04.2020. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 6 66 5 suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei. O Prof. José Afonso da Silva chama de princípios de integração os seguintes princípios da ordem econômica: a) defesa do consumidor; b) defesa do meio ambiente; c) redução das desigualdades sociais e regionais; d) busca do pleno emprego. Essa denominação se deve ao fato de que esses 4 (quatro) princípios têm como objetivo resolver os problemas da marginalização regional ou social. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 7 66 6 Há que se mencionar também o que estabelece o art. 170, parágrafo único, CF/88. Segundo esse dispositivo, é assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. Esse dispositivo, aliado ao art. 5º, XIII, da CF/88, consagram o princípio da liberdade de exercício de atividade econômica. A Lei Federal nº 13.874/2019, conhecida como Lei de Liberdade Econômica, estabelece garantias de livre mercado e dispõe sobre a atuação do Estado como agente normativo e regulador. A intenção é propiciar maior simplificação administrativa para um ambiente de regras claras e estímulo à competitividade. Todos os princípios mencionados devem ser interpretados em conjunto, em harmonia, evitando contradições aparentes entre si. Neles, verifica-se que o constituinte adotou o modelo capitalista, porém não se esqueceu da finalidade da ordem econômica: assegurar a todos a existência digna, conforme os ditames da justiça social. (Pref. Fortaleza – 2023) Segundo o STF, eventual lei que proíba ou restrinja a atividade de transporte privado individual por motorista cadastrado em aplicativo seria inconstitucional, por violação aos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência. Comentários: De acordo com o STF, são inconstitucionais leis que proíbam ou restrinjam a atividade de transporte privado individual por motorista cadastrado em aplicativo, por violar os princípios da livre iniciativa e da livre concorrência. Questão correta. (COREN-CE – 2021) Um dos princípios gerais da atividade econômica expressamente previsto na Constituição Federal de 1988 (CF), que deve ser observado pela ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, é o da dignidade da pessoa humana. Comentários: Apesar de a dignidade da pessoa humana ser um fundamento da República Federativa do Brasil, esse princípio não foi expressamente mencionado pelo art. 170 da CF/88, que dispõe sobre os princípios gerais da atividade econômica. Questão errada. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 8 66 7 (TRE-MA – 2015) A defesado meio ambiente, inclusive com tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços, constitui princípio que orienta a atividade econômica. Comentários: O art. 170, VI, CF/88, prevê que é princípio da ordem econômica a defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação. Questão correta. (TRT 8ª Região – 2015) Não poderá a lei dispensar às microempresas e às empresas de pequeno porte tratamento jurídico diferenciado, sob pena de violar o princípio da igualdade, exceto se, em se tratando de empresas de pequeno porte, estas forem constituídas sob as leis brasileiras. Comentários: O art. 179, CF/88, prevê que os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) poderão dispensar tratamento jurídico diferenciado às microempresas e às empresas de pequeno porte. Não há que se falar em violação ao princípio da igualdade. Questão errada. (MPE-SP – 2015) A ordem econômica nacional tem por finalidade assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social. Comentários: A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho e da livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos uma existência digna. Questão correta. Investimentos estrangeiros no Brasil A disciplina dos investimentos estrangeiros no Brasil está prevista no art. 172, CF/88: Art. 172. A lei disciplinará, com base no interesse nacional, os investimentos de capital estrangeiro, incentivará os reinvestimentos e regulará a remessa de lucros. A regulação do investimento estrangeiro é corolário do princípio da soberania nacional. Note que a CF/88 não impede o ingresso de capital estrangeiro no País; ao contrário, ela permite que sejam feitos investimentos estrangeiros, uma vez que estes podem funcionar como importante instrumento para o desenvolvimento econômico nacional. A legislação ordinária irá, portanto, disciplinar os investimentos de capital estrangeiro, incentivar os reinvestimentos e regular a remessa de lucros para o exterior. (TRE-MA – 2015) São livres os investimentos de capital estrangeiro no país, bem como a remessa de lucros ao exterior. Comentários: Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 9 66 ==3744a9== 8 Não se pode dizer que são livres os investimentos de capital estrangeiro no país e a remessa de lucros ao exterior. A lei regulamentará essas matérias. Questão errada. Empresa nacional x Empresa estrangeira A Emenda Constitucional nº 06/1995, a fim de incentivar a realização de investimentos estrangeiros no País, acabou com a distinção entre empresa brasileira de capital nacional e empresa brasileira de capital estrangeiro. Agora, só há que se diferençar a empresa brasileira da empresa estrangeira. E qual o conceito de empresa brasileira? Empresa brasileira é aquela constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País. Assim, não interessa se o capital é nacional ou estrangeiro; caso a empresa seja constituída sob as leis brasileiras e tenha sede e administração em nosso território, ela será considerada uma empresa brasileira. Atuação estatal no domínio econômico Segundo o Prof. José Afonso da Silva9[1], a CF/88 não é muito clara quanto aos modos de atuação do Estado na economia. Ela fala em exploração direta da atividade econômica pelo Estado e do Estado como agente normativo e regulador da atividade econômica. Em outras palavras: o Estado pode ser um agente econômico e um agente disciplinador da economia. Pode-se manter, à luz da Constituição atual, a mesma distinção que surtia das Constituições anteriores, qual seja, a de que ela reconhece duas formas de ingerência do Estado na ordem econômica: a participação e a intervenção. Ambas as formas de ingerência estatal na ordem econômica são instrumentos por meio dos quais o Poder Público ordena, coordena e atua a observância dos princípios da ordem econômica tendo em vista a realização de seus fundamentos e de seu fim. Ainda para José Afonso da Silva, "é importante ter em vista essas razões que fundamentam a atuação do Estado brasileiro no domínio econômico porque, se essa atuação não é princípio da ordem econômica, não pode também ser vista como simples exceção, na medida em que tanto a iniciativa privada como a estatal se destinam ao mesmo objetivo de realização daqueles fins, princípios e fundamentos". Embora a Constituição Federal de 1988 tenha estabelecido que a livre iniciativa é um princípio geral da ordem econômica, desenhou-se, paralelo a isso, um modelo de Estado intervencionista. A doutrina considera que há 3 (três) formas de intervenção estatal na economia:10 a) Intervenção direta. A intervenção direta do Estado fica caracterizada quando o Estado explora diretamente uma atividade econômica. Trata-se de situação excepcional, regulada no art. 173, CF/88: 10 CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional, 6ª edição. Ed. Juspodium. Salvador: 2012, p. 1280. 9 SILVA, José Afonso. Curso de Direito Constitucional Positivo. 40. ed. São Paulo: Malheiros, 2017. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 10 66 9 Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. O art. 173 consagra, assim, o princípio da subsidiariedade na atuação direta do Estado na economia, ou seja, este somente atuará quando o setor privado não tiver capacidade ou interesse de atuar em determinado setor econômico ou, ainda, por imperativos de segurança nacional ou relevante interesse coletivo. É bastante comum que as bancas examinadoras digam que o Estado somente pode explorar diretamente atividade econômica em caso de imperativo de segurança nacional ou de relevante interesse coletivo. Esse entendimento é encontrado nas questões da banca Cebraspe. Todavia, com base no art. 173, que ressalva “os casos previstos na Constituição”, é possível afirmar que os imperativos da segurança nacional e o relevante interesse coletivo não são os únicos casos em que o Estado poderá explorar diretamente atividade econômica. Há outros casos previstos na CF/88, como as atividades submetidas ao regime de monopólio da União (art. 177). Essa atuação direta do Estado no domínio econômico é feita por meio das empresas públicas e das sociedades de economia mista exploradoras de atividades econômicas. Cabe destacar que, nos termos do art. 173, § 2º, “as empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”. Observe que essa é uma regra válida apenas para as empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividades econômicas. Não alcança, portanto, as empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos. Os arts. 170, parágrafo único, e 173, caput, da CF autorizam o legislador a restringir o livre exercício de atividade econômica para preservar outros direitos e valores constitucionais, destacando-se, no caso de serviços estratégicos de tecnologia da informação contratados pela União, os imperativos da soberania, da segurança nacional e da proteção da privacidade de contribuintes e destinatários de programas governamentais. Interesse público a legitimar decisão do legislador no sentido da prestação de serviços estratégicos de Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 11 66 10 https://t.me/concurso_aqui tecnologia da informação com exclusividade por empresa pública federal criada para esse fim.11 A CF/88 prevê a elaboração de um estatuto jurídico para as empresas públicase sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica: § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: I - sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade; II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; III - licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações, observados os princípios da administração pública; IV - a constituição e o funcionamento dos conselhos de administração e fiscal, com a participação de acionistas minoritários; V - os mandatos, a avaliação de desempenho e a responsabilidade dos administradores. Note que esse dispositivo se refere às empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividades econômicas em sentido estrito. Não trata das empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos. Destaque-se que essas pessoas jurídicas em regra são alcançadas por todas as normas constitucionais aplicáveis à Administração Pública. Entretanto, possuem algumas características próprias do setor privado, devido à “sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas”, conforme previsto pela Carta Magna. O Supremo Tribunal Federal distingue empresas estatais prestadoras de serviço público e empresas estatais que desenvolvem atividade econômica em sentido estrito. As sociedades de economia mista e as empresas públicas que explorem atividade econômica em sentido estrito estão sujeitas, nos termos do disposto no § 1º do art. 173 da Constituição, ao regime jurídico próprio das empresas privadas. Logo, o § 1º do art. 173 da Constituição do Brasil não se aplica às empresas públicas, sociedades de economia mista e entidades (estatais) que 11 ADI 4.829, Rel. Min. Rosa Weber, j. 22.03.2021. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 12 66 11 prestam serviço público. (STF, ARE 689.588 AgR, rel. min. Luiz Fux, j. 27-11-2012, 1ª T, DJE de 13-2-2012). (AGU – 2023) O regime de licitação estabelecido na Lei n.º 8.666/1993 é inaplicável às sociedades de economia mista que exploram atividade econômica própria das empresas privadas. Comentários: Nos termos do art. 173, § 1º, inciso III, da CF/88, uma lei específica estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economista e de suas subsidiárias, dispondo sobre licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações, observados os princípios da administração pública. Além disso, segundo o STF, não é possível conciliar o regime previsto na Lei nº 8.666/93 com a agilidade própria desse tipo de mercado que é movido por intensa concorrência entre as empresas que nele atuam (RE 441.280/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 06.03.2021). Questão errada. (COREN-CE – 2021) Segundo a Constituição Federal de 1988, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado poderá ocorrer somente se for imperativa para a segurança nacional ou de relevante interesse coletivo, conforme definido em lei. Comentários: A questão vai ao encontro da literalidade do art. 173 da CF/88. Esse entendimento é bastante comum de ser encontrado nas questões da banca Cebraspe. O gabarito é certo. No entanto, ressalvamos que os casos de atuação do Estado em regime de monopólio, a exemplo do art. 177, também abrangem exploração direta de atividade econômica pelo Estado. (TRT 21ª Região – 2015) É possível afirmar que as empresas públicas e sociedades de economia mista poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos ao setor privado. Comentários: Pegadinha! As sociedades de economia mista e empresas públicas prestadoras de serviço público poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos ao setor privado. Questão correta. (TRE-MA – 2015) A exploração direta de atividade econômica pelo Estado será permitida em casos de interesse financeiro que justifique a concessão de privilégios fiscais não extensivos ao mercado. Comentários: A exploração direta de atividade econômica pelo Estado será permitida apenas em razão de imperativos de segurança nacional ou relevante interesse coletivo. Questão errada. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 13 66 12 (TRF 1ª Região – 2015) O Estado não pode explorar, de forma direta ou indireta, atividade econômica, salvo em caso de necessidade relativa à segurança nacional, mediante prévia autorização do Congresso Nacional. Comentários: Dois erros: 1) Não há necessidade de autorização do Congresso Nacional para que possa ocorrer a exploração direta de atividade econômica pelo Estado. 2) A exploração direta de atividade econômica pelo Estado também poderá ocorrer em razão de relevante interesse coletivo. Questão errada. (MPDFT – 2015) O art. 173 da Constituição dispõe que “ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos de segurança nacional ou relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei". Esse dispositivo constitucional consagra o princípio da subsidiariedade. Comentários: É isso mesmo! O art. 173, CF/88, consagra o princípio da subsidiariedade. Questão correta. b) Intervenção indireta. A intervenção indireta na economia fica caracterizada quando o Estado assume o papel de agente normativo e regulador da atividade econômica. O fundamento da intervenção indireta é o art. 174, CF/88: Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. § 1º - A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do desenvolvimento nacional equilibrado, o qual incorporará e compatibilizará os planos nacionais e regionais de desenvolvimento. § 2º - A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. § 3º - O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros. § 4º - As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão prioridade na autorização ou concessão para pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas onde estejam atuando, e naquelas fixadas de acordo com o art. 21, XXV, na forma da lei. Quando o Estado intervém indiretamente na economia, ele exerce três funções: i) fiscalização; ii) incentivo e; iii) planejamento. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 14 66 13 A fiscalização é atividade tipicamente estatal, que engloba o poder regulamentar, a investigação e aplicação de sanções. Como exemplo da atividade de fiscalização estatal, podemos citar o art. 173, § 4º e § 5º: § 4º - A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. § 5º - A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular. Como se pode perceber, esses dois dispositivos são normas de eficácia limitada, dependentes de regulamentação por lei para que produzam todos os seus efeitos. Para dar efetividade a esses dispositivos constitucionais, foi editada a Lei nº 12.529/2011, que estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) e dispõe sobre a prevenção e a repressãoàs infrações contra a ordem econômica, orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico. A Lei nº 12.529/2011 também prevê a atuação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no controle das práticas anticoncorrenciais. O incentivo, por sua vez, é a atuação estatal no sentido de estimular determinados setores da economia. É a atividade de fomento estatal, que se evidencia no art. 174, §§ 2º, 3º e 4º (estímulo ao cooperativismo) e art. 179 (estímulo às microempresas e empresas de pequeno porte). Por último, cabe tratar sobre a função de planejamento, que é determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. Segundo o art. 174, § 1º, CF/88, “a lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do desenvolvimento nacional equilibrado, o qual incorporará e compatibilizará os planos nacionais e regionais de desenvolvimento”. Segundo Eros Grau12, planejamento é a forma de ação estatal caracterizada pela previsão de comportamentos econômicos e sociais futuros, pela formulação explícita de objetivos e pela definição de meios de ação coordenadamente dispostos, mediante a qual se procura ordenar, sob o ângulo macroeconômico, o processo econômico, para melhor funcionamento da ordem social, em condições de mercado. Para José Afonso da Silva, o planejamento se instrumenta por meio da elaboração de plano ou planos. Isso está presente na Constituição em vários momentos, ao dizer que o planejamento incorporará e compatibilizar os planos nacionais e regionais (art. 174, § 1º), ao estatuir que é função da lei dispor sobre planos e programas nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento (art. 48, IV) e que estes devam ser elaborados em consonância com o plano plurianual (arts. 48, II e 165, § 4º), consubstanciando aí os princípios do planejamento estrutural. 12 GRAU, Eros Roberto. Planejamento econômico e regra jurídica. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1978. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 15 66 14 É bastante comum que as bancas examinadoras invertam o planejamento. O correto é que o planejamento é determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. (MPE-AM – 2023) O Estado, como agente normativo e regulador da atividade econômica, exerce as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este último determinante para o setor privado. Comentários: De acordo com o art. 174 da CF/88, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. Questão errada. (TRF 1ª Região – 2015) A CF prevê expressamente a edição de lei que reprima o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. Comentários: O art. 173, § 4º, CF/88, prevê que “a lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros”. Questão correta. c) Intervenção mediante a instituição de monopólios. O art. 177, CF/88, prevê que determinadas atividades serão exploradas sob o regime de monopólio. Veja sua redação: Art. 177. Constituem monopólio da União: I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos; II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro; III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das atividades previstas nos incisos anteriores; Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 16 66 15 IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás natural de qualquer origem; V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção, comercialização e utilização poderão ser autorizadas sob regime de permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII do caput do art. 21 desta Constituição Federal. § 1º A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a realização das atividades previstas nos incisos I a IV deste artigo observadas as condições estabelecidas em lei. A atividades a serem exploradas sob o regime de monopólio são apresentadas, no dispositivo supratranscrito, em rol exaustivo (lista “numerus clausus”). Todas elas foram atribuídas exclusivamente à União. É necessário enfatizar, todavia, o seguinte: a) As atividades descritas nos incisos I a IV podem ter seu exercício contratado, pela União, com empresas estatais ou privadas, observadas as condições estabelecidas em lei. b) As atividades previstas no inciso V, relacionadas aos radioisótopos, poderão ser autorizadas sob o regime de permissão, segundo as regras do art. 21, XXIII: - sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a utilização de radioisótopos para a pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais; - sob regime de permissão, são autorizadas a produção, comercialização e utilização de radioisótopos de meia-vida igual ou inferior a duas horas. Trata-se de regra que visa flexibilizar o controle da União, que passa a se limitar a casos muito específicos, de modo a permitir o avanço das pesquisas em medicina nuclear. A submissão ao regime de permissão garantirá o necessário controle da referida atividade pelo Poder Público. Serviços Públicos Inicialmente, é importante destacar que a Constituição Federal e a legislação infraconstitucional não estabelecem o conceito de serviço público. No entanto, é possível afirmar que o Estado é o Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 17 66 16 titular exclusivo dos serviços públicos. Assim, nenhum serviço público será livre à iniciativa privada. O art. 175 versa sobre a prestação de serviços públicos pelo Estado, que pode ser feita direta ou indiretamente (sob o regime de concessão ou permissão). Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. Parágrafo único. A lei disporá sobre: I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; II - os direitos dos usuários; III - política tarifária; IV - a obrigação de manter serviço adequado. A prestação direta de um serviço público é aquela realizada pelo próprio Estado, por meio de seus órgãos ou entidades da administração indireta. Já a prestação indireta é a realizada por particulares, mediante delegação estatal, sob o regime de concessão ou permissão. A titularidade do serviço público será sempre do Poder Público. A execução do serviço público é que poderá ser delegada a um particular, sob o regime de concessão ou permissão. Os conceitos de “concessão” e de “permissão” estão previstos no art. 2º, da Lei nº 8.987/1995: a) Concessão de serviço público: delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência ou diálogo competitivo, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado. b) Permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho,por sua conta e risco. Na concessão, a delegação do serviço público não poderá ser feita a pessoa física, mas somente a pessoa jurídica ou consórcio de empresas, devendo ser precedida de licitação na modalidade de concorrência. Além disso, a concessão é feita por prazo determinado e não possui caráter precário. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 18 66 17 Na permissão, a delegação do serviço público poderá ser feita tanto a pessoa física quanto a pessoa jurídica. Também é precedida de licitação, mas não há previsão de qual modalidade deverá ser usada. Além disso, possui caráter precário, podendo ser revogada a qualquer tempo. Em ambos os casos (concessão e permissão), o particular será responsável pela execução do serviço público por sua conta e risco, sendo remunerado por tarifas cobradas diretamente dos usuários do serviço. A delegação de serviço público, seja por concessão ou permissão, deverá ser sempre precedida de licitação, nos termos do art. 175, caput. Nesse sentido, o STF declarou a inconstitucionalidade de lei estadual que pretendia prorrogar contratos administrativos indefinidamente (ADI nº 3521). Há previsão constitucional (art. 175, parágrafo único) para a edição de lei que disponha sobre o regime das concessionárias e permissionárias de serviços públicos, os direitos dos usuários, a política tarifaria e a obrigação de manter serviço adequado. Trata-se de lei de normas gerais de caráter nacional (aplicável à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios), já editada: a Lei 8.987/1995. Destaque-se, ainda, que há outras leis de abrangência nacional que também tratam de serviços públicos, a exemplo da Lei 9.074/1995 e da Lei 11.079/2004. Aprofundando no tema, é importante que você saiba que, além da permissão e da concessão, também é possível a prestação indireta de serviços públicos por meio de autorização (art. 21, XII, CF). Esta, ao contrario da permissão e da concessão, dispensa procedimento de licitação, de forma geral. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 19 66 18 (AGU – 2023) O monopólio da União concernente a atividade econômica relacionada ao petróleo impede a contratação de empresas privadas para a realização de serviços inerentes à exploração desse recurso natural. Comentários: Conforme o art. 177, § 1º, a União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a realização das atividades previstas nos incisos I a IV do art. 177, desde que observadas as condições estabelecidas em lei, o que abrange, por exemplo, as atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo, bem como a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro. Questão errada. (TCE-RJ - 2023) A prestação de serviços públicos pode ser realizada de três formas: diretamente pelo Estado; em regime de concessão; ou em regime de permissão. Comentários: Nos termos do art. 175, CF/88, incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. Questão correta. Exploração de recursos minerais e potenciais de energia hidráulica A exploração de recursos minerais e de potenciais de energia hidráulica é regulada pelo art. 176, CF/88. Esse dispositivo deixa bastante claro que a propriedade do solo não se confunde com a propriedade dos recursos minerais e dos potenciais de energia hidráulica. A propriedade dos recursos minerais e dos potenciais de energia hidráulica será sempre da União, por força do que determina o art. 20, VIII e IX, CF/88. A propriedade do solo, por sua vez, pode ser de um particular ou mesmo do Poder Público. Isso é exatamente o que dispõe o art. 176, caput: Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais de energia hidráulica somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País, na forma da lei. Assim, a União delega essas atividades a um particular (minerador), o qual é denominado de concessionário. O concessionário realizará a pesquisa e a lavra dos recursos minerais e ficará com a propriedade do produto da lavra. Nada mais natural! Segundo o Ministro Eros Grau, “a concessão seria materialmente impossível sem que o proprietário se apropriasse do produto da exploração da jazida”.13 Como contrapartida, o concessionário (mineradora) deverá recolher uma compensação financeira, nos termos do art. 20, § 1º: 13 In: CANOTILHO, J.J. Gomes; MENDES, Gilmar Ferreira; SARLET, Ingo Wolfgang; STRECK, Lenio Luiz. Comentários à Constituição do Brasil. Ed. Saraiva, São Paulo: 2013, pp. 1850. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 20 66 19 Art. 20. (...) § 1º - É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. A CF/88 também assegura ao proprietário do solo participação nos resultados da lavra, na forma e nos valor que dispuser a lei. É o que dispõe o art. 176, § 2º, CF/88: Art. 176 (...) § 2º - É assegurada participação ao proprietário do solo nos resultados da lavra, na forma e no valor que dispuser a lei. Para finalizar, vejamos o que dispõem os § 3º e § 4º, do art. 176: § 3º - A autorização de pesquisa será sempre por prazo determinado, e as autorizações e concessões previstas neste artigo não poderão ser cedidas ou transferidas, total ou parcialmente, sem prévia anuência do poder concedente. § 4º - Não dependerá de autorização ou concessão o aproveitamento do potencial de energia renovável de capacidade reduzida. Suponha que em um sítio exista uma pequena cachoeira com capacidade para gerar energia elétrica suficiente para atender a família que ali vive. Nesse caso, por se tratar de aproveitamento de potencial de energia renovável de capacidade reduzida, não será necessária concessão ou autorização. (MPE-PA – 2023) A pesquisa e a lavra de recursos minerais podem ser concedidas pela União a empresa brasileira sediada no exterior, desde que esta esteja constituída sob as leis brasileiras. Comentários: Segundo o art. 176, § 1º, da CF/88, a pesquisa e a lavra de recursos minerais somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País. Questão errada. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 21 66 20 https://t.me/concurso_aqui Ordenação dos Transportes / Incentivo ao Turismo / Requisição de documentos Segundo o art. 178, a lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e terrestre, devendo, quanto à ordenação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciprocidade. Cabe destacar que a atual redação do art. 178 é fruto da EC nº 07/1995, que realizou mudanças substanciais nesse dispositivo. Uma das alterações de maior destaque foi a extinção da exclusividade das embarcações brasileiras na navegação de cabotagem. Oart. 180, CF/88, por sua vez, dispõe que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios promoverão e incentivarão o turismo como fator de desenvolvimento social e econômico. Trata-se de norma programática, que estabelece uma diretriz para todos os entes federativos. Por fim, mencionamos o art. 181, CF/88, que trata da requisição de documentos por autoridades estrangeiras. Segundo esse dispositivo, o atendimento de requisição de documento ou informação de natureza comercial, feita por autoridade administrativa ou judiciária estrangeira, a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País dependerá de autorização do Poder competente. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 22 66 21 ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA Política Urbana Segundo o art. 182, “caput”, da Carta Magna, a política de desenvolvimento urbano será executada pelo Poder Público municipal, devendo obedecer diretrizes gerais fixadas em lei federal, de caráter nacional1. O objetivo da política de desenvolvimento urbano é ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. O instrumento básico da política de desenvolvimento urbano é o Plano Diretor, que deve ser aprovado pela Câmara Municipal. Cabe destacar que, segundo a CF/88, o Plano Diretor é obrigatório para cidades com mais de 20.000 habitantes. A política de desenvolvimento urbano também se apoia na exigência de que a propriedade cumpra a sua função social. É o que dispõe o art. 182, § 2º, segundo o qual “a propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor”. Recorde-se que o direito de propriedade, garantido pelo art. 5º, XXII, é norma constitucional de eficácia contida e, portanto, está sujeito à atuação restritiva, por parte do Poder Público. Assim como todos os direitos fundamentais, não é absoluto: a Constituição exige que a propriedade cumpra sua função social (art. 5º, XXIII). A Constituição Federal abre a possibilidade para que seja realizada a desapropriação de imóveis urbanos. Segundo o art. 182, § 3º, as desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro. Essa é a regra geral! No entanto, existem casos em que a desapropriação não ocorrerá com indenização em dinheiro: a) O art. 182, § 4º, CF/88 estabelece que o Poder Público Municipal poderá exigir que o proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado promova seu adequado aproveitamento, sob pena de sanções sucessivas. § 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: I - parcelamento ou edificação compulsórios; II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo; III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais. O inciso III prevê a chamada desapropriação-sanção, que é uma clara consequência do descumprimento da função social da propriedade. A indenização não será em dinheiro, mas em 1 As diretrizes gerais sobre a política de desenvolvimento urbano estão previstas no Estatuto das Cidades (Lei nº 10.527/2011). Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 23 66 22 títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado, com prazo de resgate de até 10 (dez) anos. b) O art. 243, CF/88 estabelece a chamada “desapropriação confiscatória”, que foi objeto de relevante alteração promovida pela EC nº 81/2014. Segundo esse dispositivo, “as propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º”. Como se pode verificar, no caso da “desapropriação confiscatória”, não haverá qualquer indenização ao proprietário. A propriedade, seja ela urbana ou rural, será expropriada e destinada à reforma agrária e a programas de habitação popular. Destaque-se que são dois os motivos que levam à desapropriação confiscatória: i) culturas ilegais de plantas psicotrópicas e; ii) exploração de trabalho escravo. A expropriação é aplicada como uma verdadeira penalidade contra aquele que incorrer em qualquer dessas condutas. Na condição de penalidade, há que se exigir algum grau de culpa do proprietário para que seja imposta. Nesse sentido, decidiu o STF que ficará afastada a expropriação prevista no art. 243 se o proprietário do imóvel comprovar que não incorreu em culpa, ainda que “in vigilando” ou “in eligendo”. 2 Culpa “in vigilando” é aquela que decorre da falta de atenção, falta de fiscalização dos atos de outras pessoas sob a sua responsabilidade. A culpa “in eligendo”, por sua vez, decorre de uma má escolha daquele que confia a prática de um ato a outra pessoa. Observe que o proprietário tem o dever de zelar para que atividades ilícitas (cultivo ilegal de plantas psicotrópicas e exploração de trabalho escravo) não ocorram no seu imóvel. Assim, se ele tiver incorrido em culpa “in vigilando” ou “in eligendo”, sofrerá a responsabilização, com o consequente confisco do imóvel. Por outro lado, se ele puder provar que não teve nenhuma culpa no ocorrido (o proprietário possui o ônus da prova!), ficará afastada sua responsabilidade. O fato de não ter participado diretamente das atividades ilícitas não afasta a expropriação. Segundo o STF, a responsabilidade do proprietário é subjetiva, mas próxima da objetiva. Há que se conferir, afinal, uma proteção mínima ao proprietário não culpado pelas atividades ilícitas. Ainda sobre a política urbana, temos que mencionar o art. 183, CF/88, que trata da chamada usucapião constitucional do imóvel urbano. Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 1º - O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. § 2º - Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. 2 STF. Plenário. RE 635336/PE, Rel. Min. Gilmar Mendes, 14.12.2016. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 24 66 23 § 3º - Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. A usucapião constitucional do imóvel urbano, também chamada de usucapião pró-moradia, consiste na aquisição do domínio de área urbana por aquele que tenha tido sua posse durante um certo período de tempo. Os requisitos para que o usucapião pró-moradia se efetive são os seguintes: a) Área urbana de até 250 metros quadrados; b) Posse ininterrupta durante 5 anos, sem qualquer oposição. Segundo o STF, o tempo de posse anterior à promulgação da Constituição de 1988 não se inclui na contagem desse prazo quinquenal.3 c) Utilização para moradia própria ou da família. Cabe destacar que, para usufruir desse direito, o indivíduo não poderá ser proprietário de nenhum outro imóvel urbano ou rural. Além disso, não é possível a usucapião de imóveis públicos. Suponha que um indivíduo tenha aposse ininterrupta por 5 anos de área urbana de 250 metros quadrados, utilizando-a para moradia própria ou de sua família. Além disso, não é proprietário de nenhum outro imóvel urbano ou rural. Nessa situação, como se vê, foram preenchidos todos os requisitos para que o indivíduo usufrua da usucapião especial urbana. Todavia, lei municipal estabelece que a metragem mínima para lotes urbanos é de 300 metros quadrados. Considerando que o imóvel de posse do indivíduo tem somente 250 metros quadrados, poderia lhe ser negado o direito à usucapião desse imóvel? No RE 422.349/RS, o STF fixou o entendimento de que, uma vez cumpridos os requisitos do art. 183, CF/88, o reconhecimento do direito à usucapião especial urbana não pode ser obstado por legislação infraconstitucional que estabeleça módulos urbanos na área em que situado o imóvel. 3 RE 206.659, Min. Rel. Galvão, DJ de 6.2.1998; RE 191.603, Min. Rel. Marco Aurélio, DJ de 28.8.1998; RE 187.913, Min. Rel. Néri, DJ de 22.5.1998; RE 214.851, Min. Rel. Moreira Alves, DJ de 8.5.1998; RE 217.414, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 11.12.1998, DJ de 26.3.1999. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 25 66 ==3744a9== 24 (MPE-SE - 2023) No que diz respeito a Constituição Federal de 1988, o plano diretor, que contém a política de desenvolvimento e de expansão urbana, é obrigatório para municípios com mais de quinze mil habitantes. Comentários: O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, é obrigatório para cidades com mais de 20 mil habitantes (art. 182, § 1º, CF/88). Questão errada. (TJ-PE – 2022) João, proprietário de terreno no centro da cidade de Pouso Feliz, subutiliza-o, sem edificar ou parcelar, mantendo-o abandonado, com vegetação aleatória, acúmulo de água, entre outras situações que deixam claro o não cumprimento do princípio da função social. Nesse caso, a melhor conduta a ser tomada é o Município onde está localizado o terreno deverá intimar João a edificar, parcelar ou utilizar o bem, sob pena de estipulação de alíquotas progressivas de IPTU. Comentários: Conforme o art. 182, § 4º, CF/88, há uma escala progressiva quanto às medidas cabíveis ao Poder Público municipal para exigir do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado o seu adequado aproveitamento. Primeiramente cabe ao Município exigir o parcelamento ou edificação compulsórios. No caso de não surtir efeito, cabe o IPTU progressivo no tempo. Em última medida, é possível a desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública. Questão correta. (Procurador de Salvador – 2015) A política de desenvolvimento urbano, executada pelo município, deve obedecer às diretrizes gerais fixadas em lei nacional, sem prejuízo da competência das câmaras municipais para editar o plano diretor do município. Comentários: É isso mesmo! A política de desenvolvimento urbano é conduzida pelo Município, devendo obedecer às diretrizes gerais fixadas em lei nacional. A competência para editar o Plano Diretor é das Câmaras Municipais. Questão correta. (MPE-SP – 2015) Os imóveis públicos não podem ser adquiridos por usucapião, salvo quando não atenderem às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor. Comentários: Segundo o art. 183, § 3º, “os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião”. Não há qualquer ressalva a isso. Questão errada. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 26 66 25 ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA Política agrícola, fundiária e a reforma agrária Esse assunto foi resultado de grandes confrontos à época da elaboração da Constituição Federal de 1988. De um lado, havia os “sem terra”; do outro, os grandes proprietários de terra (os ruralistas). Como resultado, os dispositivos constitucionais que tratam da política agrícola e fundiária e da reforma agrária refletem interesses variados.1 A política agrícola, fundiária e a reforma agrária são tratadas nos arts. 184 a 191 da Carta Magna. Em essência, todos esses dispositivos têm como fim último garantir que a propriedade atenda a sua função social. Para sistematizar o nosso estudo, vamos falar, separadamente, sobre cada um desses três temas: i) política agrícola; ii) política fundiária e; iii) reforma agrária. a) A política agrícola está intimamente relacionada à política econômica. Trata-se, na verdade, de importante vertente desta, buscando orientar as atividades agropecuárias com o objetivo de promover o desenvolvimento e o bem-estar da comunidade rural. Segundo o art. 187, CF/88, a política agrícola será planejada e executada na forma da lei, com a participação efetiva do setor de produção, envolvendo produtores e trabalhadores rurais, bem como dos setores de comercialização, de armazenamento e de transportes, levando em conta, especialmente: - Os instrumentos creditícios e fiscais; - Os preços compatíveis com os custos de produção e a garantia de comercialização; - O incentivo à pesquisa e à tecnologia; - A assistência técnica e extensão rural; - O seguro agrícola; - O cooperativismo; - A eletrificação rural e irrigação; - A habitação para o trabalhador rural. Incluem-se no planejamento agrícola as atividades agroindustriais, agropecuárias, pesqueiras e florestais (art. 187, § 1º, CF). Além disso, serão compatibilizadas as ações de política agrícola e de reforma agrária (art. 187, § 2º, CF). b) A política fundiária, por sua vez, é o que determina o destino das terras públicas e devolutas no Brasil. Essa destinação deve ser compatível com a política agrícola e com o plano nacional de reforma agrária (art. 188, “caput”, CF). Por terras devolutas entende-se aquelas que, não sendo próprias nem aplicadas a algum uso público federal, estadual territorial ou municipal, não se incorporaram ao domínio privado (art. 5º, Decreto-Lei 9.760 de 1946). Trata-se de terras pertencentes ao Estado brasileiro, mesmo não estando destinadas a nenhum uso público. 1 BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional, 6a edição. Ed. Saraiva. São Paulo: 2011, pp. 1511. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 27 66 26 Dispõe a Constituição (art. 188, § 1º, CF) que a alienação ou a concessão, a qualquer título, de terras públicas com área superior a 2.500 hectares a pessoa física ou jurídica, ainda que por interposta pessoa, dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional. Excetuam-se dessa regra (art. 188, § 2º, CF) as alienações ou as concessões de terras públicas para fins de reforma agrária. Segundo o art. 190, CF/88, a lei regulará e limitará a aquisição ou o arrendamento de propriedade rural por pessoa física ou jurídica estrangeira e estabelecerá os casos que dependerão de autorização do Congresso Nacional. Ainda no que tange à política fundiária, cabe fazer menção à usucapião constitucional rural, também denominado usucapião pro labore. Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. Esse instituto é chamado “usucapião pro labore” porque seu título deriva do fato de a área ter adquirido produtividade em virtude do trabalho do usucapiente ou de seus familiares. Aplica-se exclusivamente às áreas rurais não superiores a 50 hectares. Cabe enfatizar que a Carta Magna exige que o beneficiário não seja proprietário nem de imóvel rural, nem de imóvel urbano. Busca-se, com isso, que apenas os hipossuficientes sejam beneficiados por esse tipo de usucapião. Um importante requisito para que seja usufruída a usucapião constitucionalrural é a posse da área rural durante 5 (cinco) anos ininterruptos, sem oposição. Por fim, os imóveis públicos não podem ser adquiridos por usucapião. O STF entende ser impenhorável a pequena propriedade rural familiar constituída de mais de 01 (um) terreno, desde que contínuos e com área total inferior a 04 (quatro) módulos fiscais do município de localização2. A título informativo, módulo fiscal é uma unidade de medida, em hectares, cujo valor é fixado pelo INCRA para cada município levando-se em conta: (a) o tipo de exploração predominante no município (hortifrutigranjeira, cultura permanente, cultura temporária, pecuária ou florestal); (b) a renda obtida no tipo de exploração predominante; (c) outras explorações existentes no município que, embora não predominantes, sejam expressivas em função da renda ou da área utilizada; (d) o conceito de "propriedade familiar". A dimensão de um módulo fiscal varia de acordo com o município onde está localizada a propriedade. O valor do módulo fiscal no Brasil varia de 5 a 110 hectares3. 3 Disponível em: https://www.embrapa.br/codigo-florestal/area-de-reserva-legal-arl/modulo-fiscal 2 ARE 1038507 (Tema 961). Rel. Min. Edson Fachin, julgamento em 18.12.2020 Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 28 66 27 Segundo o Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.591.298/RJ), a pequena propriedade rural trabalhada pela família não pode ser objeto de penhora para pagamento, mesmo no caso de débitos estranhos à sua atividade produtiva. c) A reforma agrária, a seu turno, é um instrumento da política agrícola e fundiária por meio do qual o Estado intervém na economia agrícola a fim de promover a repartição da propriedade fundiária. Nesse sentido, o art. 184, CF/88 determina que a União poderá realizar desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, do imóvel rural que não estiver cumprindo a sua função social. Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. § 1º - As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro. § 2º - O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária, autoriza a União a propor a ação de desapropriação. § 3º - Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo judicial de desapropriação. § 4º - O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária, assim como o montante de recursos para atender ao programa de reforma agrária no exercício. § 5º - São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. A desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, não será feita mediante indenização em dinheiro. A indenização ao proprietário será em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até 20 (vinte) anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. Por outro lado, as benfeitorias úteis e necessárias feitas no imóvel rural serão indenizadas em dinheiro. A desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, é competência da União. Já a desapropriação de imóvel urbano é competência dos Municípios. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 29 66 28 Conforme comentamos, a desapropriação para fins de reforma agrária ocorrerá quando o imóvel rural não estiver cumprindo a sua função social. É aí que vem uma importante pergunta: quando é que se considera que a função social foi cumprida? A resposta está no art. 186, CF/88. Segundo esse dispositivo, a função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: - aproveitamento racional e adequado; - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; - observância das disposições que regulam as relações de trabalho; - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. Uma vez atendidos esses requisitos, a propriedade rural estará cumprindo sua função social e, portanto, não poderá ser objeto de desapropriação. A Constituição Federal também protegeu outros imóveis rurais da desapropriação. Vejamos o art. 185, CF/88: Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária: I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra; II - a propriedade produtiva. Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social. Note que a pequena e a média propriedade rural são insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária, desde que o seu proprietário não possua outra. Caso ele possua outra, será possível a desapropriação. Também é insuscetível de desapropriação para fins de reforma agrária a propriedade produtiva. Perceba que o grande foco das desapropriações para reforma agrária são as grandes propriedades e as propriedades improdutivas. Para fecharmos o estudo deste tema à luz da Constituição Federal, observe o art. 189: Art. 189. Os beneficiários da distribuição de imóveis rurais pela reforma agrária receberão títulos de domínio ou de concessão de uso, inegociáveis pelo prazo de dez anos. Parágrafo único. O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil, nos termos e condições previstos em lei. Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos Aula 15 IBAMA (Nível Superior) Direito Constitucional www.estrategiaconcursos.com.br 30 66 ==3744a9== 29 (Pref. São Paulo/SP – 2023) Considere que Francisco foi beneficiado com a distribuição de um imóvel pela reforma agrária e recebeu o devido título de domínio. Com base na situação hipotética e no disposto na Constituição Federal, é correto afirmar que o título de domínio é inegociável pelo prazo de dez anos. Comentários: Conforme o caput do art. 189 da CF/88, tem-se que as pessoas beneficiárias da distribuição de imóveis por reforma agrária não podem negociar os respectivos títulos de domínio ou de concessão de uso pelo prazo de 10 anos. Questão correta. (MPE-PA – 2023) A alienação ou a concessão, a qualquer título, de terras públicas com área superior a mil e quinhentos hectares a pessoa física ou jurídica dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional. Comentários: A alienação ou a concessão, a qualquer título, de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares a pessoa física ou jurídica, ainda que por interposta pessoa, dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional. Questão errada. (TRF 1ª Região – 2015) A CF prevê que tanto a desapropriação por interesse social quanto a desapropriação por necessidade ou utilidade pública seja feita somente mediante justa e prévia indenização em dinheiro. Comentários: Há casos previstos na CF/88 nos quais a desapropriação não será feita mediante indenização em dinheiro. É o caso da desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária. Nessa situação, a indenização em títulos da dívida agrária. Questão errada. (TRT 21ª Região – 2015) A propriedade produtiva é insuscetível de desapropriação, desde que seu proprietário não possua outra. Comentários: As propriedades produtivas são insuscetíveis de desapropriação, sem qualquer ressalva. Questão errada. (MPE-SP – 2015)