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Questões resolvidas

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44
Questão 1
Arte suprema
Tal como Pigmalião, a minha ideia
Visto na pedra: talho-a, domo-a, bato-a;
E ante os meus olhos e a vaidade fátua
Surge, formosa e nua, Galateia.
Mais um retoque, uns golpes... e remato-a;
Digo-lhe: “Fala!”, ao ver em cada veia
Sangue rubro, que a cora e aformoseia...
E a estátua não falou, porque era estátua.
Bem haja o verso, em cuja enorme escala
Falam todas as vozes do universo,
E ao qual também arte nenhuma iguala:
Quer mesquinho e sem cor, quer amplo e terso,
Em vão não é que eu digo ao verso: “Fala!”
E ele fala-me sempre, porque é verso.
SILVA, Júlio César. Arte de amar. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1961.
Aponte a alternativa que indica o número do verso em que aparecem dois adjetivos ligados por um
conectivo aditivo:
(A) Verso 3.
(B) Verso 4.
(C) Verso 5.
(D) Verso 7.
(E) Verso 11.
Gabarito:
B
Resolução:
No verso 4, temos dois adjetivos ligados por um conectivo aditivo: "formosa e nua". No verso 3, o
conectivo liga dois substantivos: "olhos" e "vaidade"; no verso 5, um substantivo e um verbo:
"golpes" e "remato-a"; no verso 7, dois verbos: "cora" e "aformoseia"; e em 11, o conectivo liga o
verso à oração anterior.
Questão 2
Alta ansiedade
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O jornalista americano A. J. Liebling, grande estrela da fase gloriosa da revista New Yorker, e um dos melhores e
maiores
garfos que as mesas de Paris já conheceram, dizia que pessoas que têm preocupações com a saúde não deveriam
escrever nunca
sobre comida. Que escrevessem sobre remédios, farmácias, hospitais — mas não sobre o que se deve fazer, e
principalmente
sobre o que não se deve fazer, na hora de sentar à mesa. Liebling, que passou seguidas temporadas em Paris entre os
anos 20 e
50 do século XX, era capaz de bater refeições prodigiosas; numa época em que comer ainda era uma atividade
considerada
inocente, e numa cidade que oferecia os melhores restaurantes do mundo, ele raramente deixava de tirar todo o
proveito possível
das três oportunidades que o dia lhe dava para alimentar-se. Achava que só se poderia esperar o pior do interesse que
os médicos,
então, começavam a manifestar pelo colesterol. Exercício físico, em sua opinião, era um perigo para o peso; só lhe
dava mais
vontade de comer, enquanto um belo almoço jamais lhe deu vontade de fazer exercício algum. Descreveu um curto
período em que
decidiu internar-se num spa como “um episódio de insanidade temporária”.
Sua filosofia de vida, provavelmente, não deve servir de modelo para ninguém — Liebling morreu com 59 anos de
idade, em
1963, algo que, mesmo para a época, era uma partida prematura deste mundo. Mas talvez não seja demais sugerir que
se receba
com alguma simpatia, nos dias de hoje, a recomendação que ele fez tanto tempo atrás. Num mundo onde cresce sem
parar a
compulsão para obrigar as pessoas a levar uma vida “correta” no maior número possível das atividades que formam o
seu dia a dia,
a mesa tornou-se uma das grandes áreas que mais atraem a atenção dos gendarmes empenhados em arbitrar o que é
realmente
bom para você. É uma provação permanente. Médicos, nutricionistas, personal trainers, editores e editoras de revistas
dedicadas à
forma física, ambientalistas, militantes da produção orgânica, burocratas, chefs de cozinha, críticos de restaurantes e
mais uma
multidão de diletantes prontos a dar testemunho expedem decretos cada vez mais frequentes, e cada vez mais
severos, sobre os
deveres do cidadão na hora de comer. Seria um alívio, sem dúvida, se sobrasse mais espaço para quem não está
interessado, não
o tempo todo, em receber lições sobre poli-insaturados, nutrientes minerais ou aportes adequados de fibras ao
organismo — e
gostaria, apenas, de ler ou ouvir um pouco mais sobre comida gostosa.
O fato é que toda essa gente, quase sempre com as melhores intenções, acabou construindo um crescente sistema de
ansiedade em torno do pão nosso de cada dia — e o resultado é que o prazer de comer bem vai sendo substituído pela
obrigação
de comer certo. Para começar, o apetite é denunciado, na linguagem hoje corrente, como uma doença; não se trata
mais de algo a
ser satisfeito, e sim a ser combatido. “Como eliminar seu apetite”, recomendam os títulos de reportagens dedicadas à
causa da
alimentação sadia. A linhaça, o sorgo e outras coisas alarmantes são apresentados como indispensáveis para uma vida
melhor,
junto com os iogurtes magros e os bolos secos — isso quando não se cobra a ingestão equilibrada de fitonutrientes,
compostos
fenólicos ou lipídios não graxos. É preciso, também, comer de forma a preservar a biodiversidade e a reduzir as
emissões de
carbono; desaconselha-se severamente, por exemplo, o consumo de alimentos produzidos a mais de 150 quilômetros
de distância
da sua cidade, por exigirem transporte dispendioso em combustíveis e poluidores da atmosfera.
Não se vê muita alegria em nada disso. Modelos, atrizes e outras pessoas que precisam pesar pouco para fazer sucesso
chegam aos 30 anos de idade, ou mais, praticamente sem ter feito uma única refeição decente na vida. Propõe-se,
como uma
virtude alimentar, um mundo sombrio de pastas, mingaus, poções, soros de proteína e sabe-se lá o que ainda vem pela
frente. Nem
na própria casa, com frequência, o indivíduo pode comer em sossego — arrisca-se aos olhares reprovadores dos
familiares e a
custosas discussões sobre o que ele deve fazer “pelo seu próprio bem”. Não está claro o que se ganha em toda essa
história. A
perspectiva de morrer, um dia, no peso ideal? Jamais foi provada até hoje a existência de alguma relação entre peso
baixo e
felicidade; é perfeitamente possível ser magro e infeliz ao mesmo tempo. É algo a pensar.
(GUZZO, J. R. Alta ansiedade. Veja. São Paulo, n. 2.168, 5 jun. 2010, p. 182.) 
“Não se vê muita alegria em nada disso.” (linha 31) 
A expressão destacada no fragmento acima NÃO se refere: 
a) ao consumo regular de linhaça, sorgo, iogurtes magros e bolos secos.
b) à ingestão equilibrada de fitonutrientes compostos, fenólicos ou lipídios não graxos.
c) ao consumo de alimentos produzidos a mais de 150 quilômetros de distância de sua cidade.
d) aos frequentes decretos sobre os deveres do cidadão na hora de comer.
Gabarito:
C
Resolução:
A expressão "nada disso" se refere aos hábitos alimentares saudáveis ("decretos sobre os deveres do
cidadão na hora de comer"), porém pouco prazerosos, como os mencionados nas alternativas A e B. A
única alternativa em que não aparecem tais hábitos é C.
Questão 3
Alta ansiedade
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35
 
 
O jornalista americano A. J. Liebling, grande estrela da fase gloriosa da revista New Yorker, e um dos melhores e
maiores
garfos que as mesas de Paris já conheceram, dizia que pessoas que têm preocupações com a saúde não deveriam
escrever nunca
sobre comida. Que escrevessem sobre remédios, farmácias, hospitais — mas não sobre o que se deve fazer, e
principalmente
sobre o que não se deve fazer, na hora de sentar à mesa. Liebling, que passou seguidas temporadas em Paris entre os
anos 20 e
50 do século XX, era capaz de bater refeições prodigiosas; numa época em que comer ainda era uma atividade
considerada
inocente, e numa cidade que oferecia os melhores restaurantes do mundo, ele raramente deixava de tirar todo o
proveito possível
das três oportunidades que o dia lhe dava para alimentar-se. Achava que só se poderia esperar o pior do interesse que
os médicos,
então, começavam a manifestar pelo colesterol. Exercício físico, em sua opinião, era um perigo para o peso; só lhe
dava mais
vontade de comer, enquanto um belo almoço jamais lhe deu vontade de fazer exercício algum. Descreveu um curto
período em que
decidiu internar-se num spa como “um episódio de insanidade temporária”.
Sua filosofia de vida, provavelmente, não deve servir de modelo para ninguém — Liebling morreu com 59 anos de
idade, em
1963, algo que, mesmo para a época, era uma partida prematura deste mundo. Mas talvez não seja demaissugerir que
se receba
com alguma simpatia, nos dias de hoje, a recomendação que ele fez tanto tempo atrás. Num mundo onde cresce sem
parar a
compulsão para obrigar as pessoas a levar uma vida “correta” no maior número possível das atividades que formam o
seu dia a dia,
a mesa tornou-se uma das grandes áreas que mais atraem a atenção dos gendarmes empenhados em arbitrar o que é
realmente
bom para você. É uma provação permanente. Médicos, nutricionistas, personal trainers, editores e editoras de revistas
dedicadas à
forma física, ambientalistas, militantes da produção orgânica, burocratas, chefs de cozinha, críticos de restaurantes e
mais uma
multidão de diletantes prontos a dar testemunho expedem decretos cada vez mais frequentes, e cada vez mais
severos, sobre os
deveres do cidadão na hora de comer. Seria um alívio, sem dúvida, se sobrasse mais espaço para quem não está
interessado, não
o tempo todo, em receber lições sobre poli-insaturados, nutrientes minerais ou aportes adequados de fibras ao
organismo — e
gostaria, apenas, de ler ou ouvir um pouco mais sobre comida gostosa.
O fato é que toda essa gente, quase sempre com as melhores intenções, acabou construindo um crescente sistema de
ansiedade em torno do pão nosso de cada dia — e o resultado é que o prazer de comer bem vai sendo substituído pela
obrigação
de comer certo. Para começar, o apetite é denunciado, na linguagem hoje corrente, como uma doença; não se trata
mais de algo a
ser satisfeito, e sim a ser combatido. “Como eliminar seu apetite”, recomendam os títulos de reportagens dedicadas à
causa da
alimentação sadia. A linhaça, o sorgo e outras coisas alarmantes são apresentados como indispensáveis para uma vida
melhor,
junto com os iogurtes magros e os bolos secos — isso quando não se cobra a ingestão equilibrada de fitonutrientes,
compostos
fenólicos ou lipídios não graxos. É preciso, também, comer de forma a preservar a biodiversidade e a reduzir as
emissões de
carbono; desaconselha-se severamente, por exemplo, o consumo de alimentos produzidos a mais de 150 quilômetros
de distância
da sua cidade, por exigirem transporte dispendioso em combustíveis e poluidores da atmosfera.
Não se vê muita alegria em nada disso. Modelos, atrizes e outras pessoas que precisam pesar pouco para fazer sucesso
chegam aos 30 anos de idade, ou mais, praticamente sem ter feito uma única refeição decente na vida. Propõe-se,
como uma
virtude alimentar, um mundo sombrio de pastas, mingaus, poções, soros de proteína e sabe-se lá o que ainda vem pela
frente. Nem
na própria casa, com frequência, o indivíduo pode comer em sossego — arrisca-se aos olhares reprovadores dos
familiares e a
custosas discussões sobre o que ele deve fazer “pelo seu próprio bem”. Não está claro o que se ganha em toda essa
história. A
perspectiva de morrer, um dia, no peso ideal? Jamais foi provada até hoje a existência de alguma relação entre peso
baixo e
felicidade; é perfeitamente possível ser magro e infeliz ao mesmo tempo. É algo a pensar.
(GUZZO, J. R. Alta ansiedade. Veja. São Paulo, n. 2.168, 5 jun. 2010, p. 182.) 
Assinale a afirmativa CORRETA: 
a) Em “Que escrevessem sobre remédios, farmácias, hospitais — mas não sobre o que se deve
fazer, e principalmente sobre o que não se deve fazer, na hora de sentar à mesa.” (linhas 3-4), a
forma verbal “escrevessem” indica condição. 
b) Em “O jornalista americano A. J. Liebling (...) dizia que pessoas que têm preocupações com a
saúde não deveriam escrever nunca sobre comida.” (linhas 1-3), a forma verbal “dizia” indica uma
ação habitual. 
c) Em “Exercício físico, em sua opinião, era um perigo para o peso; só lhe dava mais vontade de
comer, enquanto um belo almoço jamais lhe deu vontade de fazer exercício algum.” (linhas 8-9), o
termo “enquanto” expressa uma relação de tempo. 
d) Em “(...) a mesa tornou-se uma das grandes áreas que mais atraem a atenção dos gendarmes
empenhados em arbitrar o que é realmente bom para você.” (linhas 15-16), a palavra “realmente”
expressa a opinião do leitor do texto.
Gabarito:
B
Resolução:
Na frase destacada em A, a forma "escrevessem" indica possibilidade (isto é, tais pessoas poderiam
escrever sobre remédios, farmácias, hospitais, mas não sobre comida). Na frase destacada em C, a
palavra "enquanto" não estabelece relação de tempo, mas de comparação. Na frase destacada em D,
a palavra "realmente" expressa a opinião dos "gendarmes", e não do leitor.
Questão 4
Alaíde (alheando-se bruscamente) – Espera, estou-me lembrando de uma coisa. Espera. Deixa eu
ver! Mamãe dizendo a papai.
(Apaga-se o plano da alucinação. Luz no plano da memória. Pai e mãe.)
Mãe – Cruz! Até pensei ter visto um vulto. – Ando tão nervosa. Também esses corredores! A alma de
madame Clessi pode andar por aí... e...
Pai – Perca essa mania de alma! A mulher está morta, enterrada!
Mãe – Pois é...
(Apaga-se o plano da memória. Luz no plano da alucinação.)
Clessi – Mas o que foi?
Alaíde – Nada. Coisa sem importância que eu me lembrei. (forte) Quero ser como a senhora. Usar
espartilho. (doce)
Acho espartilho elegante!
Clessi – Mas seu marido, seu pai, sua mãe e... Lúcia?
Homem (para Alaíde) – Assassina!
(Apaga-se o plano da alucinação. Luz no plano da realidade. Sala de operação.)
1º médico – Pulso?
2º médico – Cento e sessenta.
1º médico – Rugina.
2º médico – Como está isso!
1º médico – Tenta-se uma osteossíntese!
3º médico – Olha aqui.
1º médico – Fios de bronze.
(Pausa)
1º médico – O osso!
3º médico – Agora é ir até o fim.
1º médico – Se não der certo, faz-se a amputação. (Rumor de ferros cirúrgicos)
1º médico – Depressa!
(Apaga-se a sala de operação. Luz no plano da alucinação.)
Homem (para Alaíde, sinistro) — Assassina!
Nelson Rodrigues. Vestido de noiva. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004, p. 18-20. 
Tendo como referência o fragmento da obra Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, julgue os itens
seguintes (certo ou errado).
• Nesse fragmento, verifica-se a presença do jogo teatral, no qual é possível perceber a construção,
pelo autor, de situações psicológicas vertiginosas.
• Nesse fragmento, é possível identificar elementos expressionistas, explorados pelo emprego de
recursos cênicos por meio dos quais se justapõem o passado, as aspirações futuras e a realidade
implacável.
• Os planos de tempo apresentados nesse fragmento de Vestido de Noiva estão todos no plano do
tempo em que a peça está sendo encenada, ou seja, eles correspondem ao tempo real.
• Foi empregada a linguagem formal tanto em “Espera. Deixa eu ver!” (no início do trecho) quanto
em “Perca essa mania de alma!” (no terceiro diálogo), o que se justifica por se tratar de frases usadas
em cena que envolve muita tensão emocional dos personagens em interlocução.
Gabarito:
C C E E
Resolução:
• C – As situações psicológicas vertiginosas podem ser observadas nas rápidas mudanças de plano e
nas falas curtas.
• C – As obras expressionistas caracterizam-se por mostrar o estado psicológicos, o que pode ser
observado no fragmento da obra Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues.
• E – Nesse fragmento, observa-se a existência de três planos distintos: memória, realidade e
alucinação. A diferenciação entre os planos é indicada no trechos entre parênteses.
• E – As formas utilizadas são exemplos de linguagem formal (emprego dos verbos no imperativo
afirmativo e o emprego dos pronomes), contudo a justificativa para tal uso não está adequada.
Questão 5
Aliadas ou concorrentes
Alguns números: nos Estados Unidos, 60% dos formados em universidades são mulheres. Metade das
europeias que estão no mercado de trabalho passou por universidades. No Japão, as mulheres têm
níveis semelhantes de educação, mas deixam o mercado assim que se casam e têm filhos. A tradição
joga contra a economia. O governo credita parte da estagnação dos últimos anos à ausência de
participação feminina no mercado de trabalho. As brasileiras avançam mais rápido na educação.
Atualmente, 12% das mulheres têm diploma universitário – ante 10% dos homens. Metade das
garotas de 15 entrevistadas numa pesquisada OCDE1 disse pretender fazer carreira em engenharia e
ciências – áreas especialmente promissoras.
[...]
Agora, a condição de minoria vai caindo por terra e os padrões de comportamento começam a mudar.
Cada vez menos mulheres estão dispostas a abdicar de sua natureza em nome da carreira. Não se
trata de mudar a essência do trabalho e das obrigações que homens e mulheres têm de encarar. Não
se trata de trabalhar menos ou ter menos ambição. É só uma questão de forma. É muito provável que
legisladores e empresas tenham de ser mais flexíveis para abrigar mulheres de talento que não
desistiram do papel de mãe. Porque, de fato, essa é a grande e única questão de gênero que importa.
Mais fortalecidas e mais preparadas, as mulheres terão um lugar ao sol nas empresas do jeito que
são ou desistirão delas, porque serão capazes de ganhar dinheiro de outra forma. Há 8,3 milhões de
empresas lideradas por mulheres nos Estados Unidos – é o tipo de empreendedorismo que mais
cresce no país. De acordo com um estudo da EY2, o Brasil tem 10,4 milhões de empreendedoras, o
maior índice entre as 20 maiores economias. Um número crescente delas tem migrado das grandes
empresas para o próprio negócio. Os fatos mostram: as empresas em todo o mundo terão, mais cedo
ou mais tarde, de decidir se querem ter metade da população como aliada ou como concorrente.
Exame, out. 2013.
1 OCDE: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
2 EY: Organização global com o objetivo de auxiliar seus clientes a fortalecerem seus negócios ao
redor do mundo.
"Cada vez menos mulheres estão dispostas a abdicar de sua natureza em nome da carreira."
Considerando esse trecho, do segundo parágrafo, marque a alternativa que melhor traduz o conceito
apresentado pela autora com a expressão "abdicar de sua natureza":
a) recusar qualquer forma de trabalho mal remunerado.
b) renunciar à maternidade por causa do trabalho.
c) deixar de aperfeiçoar-se na profissão.
d) desistir de sua vocação de liderança sobre os homens.
e) abrir mão de suas ambições no empreendedorismo.
Gabarito:
B
Resolução:
A alternativa correta é a B, pois é aquela que melhor traduz o conceito apresentado pela autora no
trecho em foco. Assim, a expressão "abdicar de sua natureza" mostra-se equivalente a renunciar à
maternidade por causa do trabalho, interpretação reforçada pelo trecho, também do segundo
parágrafo, "É muito provável que legisladores e empresas tenham de ser mais flexíveis para abrigar
mulheres de talento que não desistiram do papel de mãe".
Questão 6
Aliadas ou concorrentes
Alguns números: nos Estados Unidos, 60% dos formados em universidades são mulheres. Metade das
europeias que estão no mercado de trabalho passou por universidades. No Japão, as mulheres têm
níveis semelhantes de educação, mas deixam o mercado assim que se casam e têm filhos. A tradição
joga contra a economia. O governo credita parte da estagnação dos últimos anos à ausência de
participação feminina no mercado de trabalho. As brasileiras avançam mais rápido na educação.
Atualmente, 12% das mulheres têm diploma universitário – ante 10% dos homens. Metade das
garotas de 15 entrevistadas numa pesquisa da OCDE1 disse pretender fazer carreira em engenharia e
ciências – áreas especialmente promissoras.
[...]
Agora, a condição de minoria vai caindo por terra e os padrões de comportamento começam a mudar.
Cada vez menos mulheres estão dispostas a abdicar de sua natureza em nome da carreira. Não se
trata de mudar a essência do trabalho e das obrigações que homens e mulheres têm de encarar. Não
se trata de trabalhar menos ou ter menos ambição. É só uma questão de forma. É muito provável que
legisladores e empresas tenham de ser mais flexíveis para abrigar mulheres de talento que não
desistiram do papel de mãe. Porque, de fato, essa é a grande e única questão de gênero que importa.
Mais fortalecidas e mais preparadas, as mulheres terão um lugar ao sol nas empresas do jeito que
são ou desistirão delas, porque serão capazes de ganhar dinheiro de outra forma. Há 8,3 milhões de
empresas lideradas por mulheres nos Estados Unidos – é o tipo de empreendedorismo que mais
cresce no país. De acordo com um estudo da EY2, o Brasil tem 10,4 milhões de empreendedoras, o
maior índice entre as 20 maiores economias. Um número crescente delas tem migrado das grandes
empresas para o próprio negócio. Os fatos mostram: as empresas em todo o mundo terão, mais cedo
ou mais tarde, de decidir se querem ter metade da população como aliada ou como concorrente.
Exame, out. 2013.
1 OCDE: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
2 EY: Organização global com o objetivo de auxiliar seus clientes a fortalecerem seus negócios ao
redor do mundo.
Em sua argumentação, a autora revela que a importância da presença das mulheres em atividades
empresariais se deve, entre outros, a um motivo de ordem estatística:
a) elas revelam maior sensibilidade e uma intuição aguçada para os negócios.
b) elas representam um contingente considerável de metade da população do mundo.
c) elas são capazes, em comparação com os homens, de acumular inúmeras tarefas.
d) elas se formam em média com rendimento maior que os homens nas universidades.
e) elas aumentam significativamente a produção das empresas em que atuam.
Gabarito:
B
Resolução:
Em sua argumentação, a autora revela que a importância da presença das mulheres em atividades
empresariais se deve, entre outros, a um motivo de ordem estatística: elas representam um
contingente considerável, metade da população do mundo. Segundo dados do texto, como os fatos
de que 8,3 milhões de empresas são lideradas por mulheres nos Estados Unidos e de que, no Brasil,
10,4 milhões de empreendedoras fazem o país ter o maior índice entre as 20 maiores economias,
apontam o expressivo e crescente contingente feminino em atividades empresariais, de modo que se
faz a previsão no último período do texto: "as empresas em todo o mundo terão, mais cedo ou mais
tarde, de decidir se querem ter metade da população como aliada ou como concorrente".
Questão 7
Aliadas ou concorrentes
Alguns números: nos Estados Unidos, 60% dos formados em universidades são mulheres. Metade das
europeias que estão no mercado de trabalho passou por universidades. No Japão, as mulheres têm
níveis semelhantes de educação, mas deixam o mercado assim que se casam e têm filhos. A tradição
joga contra a economia. O governo credita parte da estagnação dos últimos anos à ausência de
participação feminina no mercado de trabalho. As brasileiras avançam mais rápido na educação.
Atualmente, 12% das mulheres têm diploma universitário – ante 10% dos homens. Metade das
garotas de 15 entrevistadas numa pesquisa da OCDE1 disse pretender fazer carreira em engenharia e
ciências – áreas especialmente promissoras.
[...]
Agora, a condição de minoria vai caindo por terra e os padrões de comportamento começam a mudar.
Cada vez menos mulheres estão dispostas a abdicar de sua natureza em nome da carreira. Não se
trata de mudar a essência do trabalho e das obrigações que homens e mulheres têm de encarar. Não
se trata de trabalhar menos ou ter menos ambição. É só uma questão de forma. É muito provável que
legisladores e empresas tenham de ser mais flexíveis para abrigar mulheres de talento que não
desistiram do papel de mãe. Porque, de fato, essa é a grande e única questão de gênero que importa.
Mais fortalecidas e mais preparadas, as mulheres terão um lugar ao sol nas empresas do jeito que
são ou desistirão delas, porque serão capazes de ganhar dinheiro de outra forma. Há 8,3 milhões de
empresas lideradas por mulheres nos Estados Unidos – é o tipo de empreendedorismo que mais
cresce no país. De acordo com um estudo da EY2, o Brasil tem 10,4 milhões de empreendedoras, o
maior índice entre as 20 maiores economias. Um número crescente delas tem migrado das grandes
empresas para o próprio negócio. Os fatos mostram: as empresas em todo o mundo terão, mais cedo
ou mais tarde, de decidir se querem ter metade da população como aliada ou como concorrente.Exame, out. 2013.
1 OCDE: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
2 EY: Organização global com o objetivo de auxiliar seus clientes a fortalecerem seus negócios ao
redor do mundo.
Desde o título do artigo, que é retomado no último parágrafo, os argumentos da autora são
motivados por um fato não referido de modo ostensivo, ou seja,
a) a boa empresária dificilmente conseguirá se tornar uma boa mãe.
b) as mulheres mostram melhor desempenho nas atividades domésticas.
c) as atividades empresariais ainda são dominadas por homens.
d) as empresas fazem grande esforço pela participação de mulheres.
e) o mercado ainda trata as mulheres mais como consumidoras do que empreendedoras.
Gabarito:
 C
Resolução:
Desde o título do artigo, que é retomado no último parágrafo, os argumentos da autora são
motivados por um fato não referido de modo ostensivo: que as atividades empresariais ainda são
dominadas por homens, os quais tradicionalmente dominam o meio empresarial e que, a partir da
inserção feminina crescente no mercado, terão de encará-las como "aliadas ou concorrentes".
Questão 8
Aliadas ou concorrentes
Alguns números: nos Estados Unidos, 60% dos formados em universidades são mulheres. Metade das
europeias que estão no mercado de trabalho passou por universidades. No Japão, as mulheres têm
níveis semelhantes de educação, mas deixam o mercado assim que se casam e têm filhos. A tradição
joga contra a economia. O governo credita parte da estagnação dos últimos anos à ausência de
participação feminina no mercado de trabalho. As brasileiras avançam mais rápido na educação.
Atualmente, 12% das mulheres têm diploma universitário – ante 10% dos homens. Metade das
garotas de 15 entrevistadas numa pesquisa da OCDE1 disse pretender fazer carreira em engenharia e
ciências – áreas especialmente promissoras.
[...]
Agora, a condição de minoria vai caindo por terra e os padrões de comportamento começam a mudar.
Cada vez menos mulheres estão dispostas a abdicar de sua natureza em nome da carreira. Não se
trata de mudar a essência do trabalho e das obrigações que homens e mulheres têm de encarar. Não
se trata de trabalhar menos ou ter menos ambição. É só uma questão de forma. É muito provável que
legisladores e empresas tenham de ser mais flexíveis para abrigar mulheres de talento que não
desistiram do papel de mãe. Porque, de fato, essa é a grande e única questão de gênero que importa.
Mais fortalecidas e mais preparadas, as mulheres terão um lugar ao sol nas empresas do jeito que
são ou desistirão delas, porque serão capazes de ganhar dinheiro de outra forma. Há 8,3 milhões de
empresas lideradas por mulheres nos Estados Unidos – é o tipo de empreendedorismo que mais
cresce no país. De acordo com um estudo da EY2, o Brasil tem 10,4 milhões de empreendedoras, o
maior índice entre as 20 maiores economias. Um número crescente delas tem migrado das grandes
empresas para o próprio negócio. Os fatos mostram: as empresas em todo o mundo terão, mais cedo
ou mais tarde, de decidir se querem ter metade da população como aliada ou como concorrente.
Exame, out. 2013.
1 OCDE: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
2 EY: Organização global com o objetivo de auxiliar seus clientes a fortalecerem seus negócios ao
redor do mundo.
No último parágrafo, focalizando o mercado de trabalho mundial, a autora sugere que as grandes
empresas atuais
a) correm o risco de privilegiar o mercado feminino, se começarem a ser lideradas por mulheres.
b) não admitem, em todo o mundo, a liderança de mulheres.
c) precisam muito da liderança de mulheres, pois estas são atualmente mais capacitadas que os
homens.
d) não precisam se preocupar com as mulheres, pois o empreendedorismo destas é um fenômeno
passageiro.
e) poderão ter de enfrentar no futuro a concorrência de empresas lideradas por mulheres.
Gabarito:
E
Resolução:
No último parágrafo, focalizando o mercado de trabalho mundial, a autora sugere que as grandes
empresas atuais poderão ter de enfrentar no futuro a concorrência de empresas lideradas por
mulheres. Confirma-se tal verdade na afirmação final do texto, na qual lemos que "as empresas em
todo o mundo terão, mais cedo ou mais tarde, de decidir se querem ter metade da população como
aliada ou como concorrente".
Questão 9
As palavras e o tempo
Ao chegar criança em Curitiba, em 1961, meu primeiro choque foi linguístico: um vendedor de rua
oferecia “dolé”. Para quem não sabe, era picolé. O nome “dolé” soava-me tão estranho que só a
custo parecia se encaixar naquele objeto que eu sempre conhecera como “picolé”. Os anos passaram
e os dolés sumiram. A última vez que os vi foi nas ruínas de uma parede no litoral, onde se podia ler
em letras igualmente arruinadas pelo tempo: “Fábrica de dolés”.
Com o tempo, as estranhezas linguísticas vão ganhando outro contorno, mas sempre com a marca
que o tempo vai deixando nas formas da língua. Lembro que, pouco a pouco, comecei a ouvir pessoas
dizendo “emprestei do Fulano”, quando para meus ouvidos o normal seria “peguei emprestado do
Fulano”; ou então emprestamos a ele. “Emprestar” só poderia ser “para alguém”; o contrário seria
“pedir emprestado”. Mas em poucos anos o estranho passou a ser “pedir emprestado”, e a nova
forma foi para o Houaiss. Um linguista diria que se trata de uma passagem sutil de formas analíticas
para formas sintéticas. […]
A língua não para, mas seus movimentos nunca são claramente visíveis, assim como jamais
conseguimos ver a grama crescer – súbito, parece que ela já foi trocada por outra. O advento da
informática e dos computadores é um manancial sem fim de palavras e expressões novas, ou
expressões velhas transmudadas em outras. Um dos fenômenos mais interessantes, e de
rápida consolidação, foi também a criação de verbos para substituir expressões analíticas. “Priorizar”
ou “disponibilizar”, que parecem tão comuns, com um jeitão de que vieram lá do tempo de Camões,
na verdade não terão mais de 20 anos – e também já estão no Houaiss. Na antiquíssima década de
1980, dizíamos “dar prioridade a” e “tornar disponível”. Bem, as novas formas ainda têm uma aura
tecnocrática. Em vez de “disponibilizar os sentimentos”, preferimos ainda “abrir o coração”. Mas
outras novidades acertam na veia: “deletar” entrou definitivamente no dia a dia das pessoas. Já ouvi
alguém confessar: “Deletei ela da minha vida”.
Piorou a língua? De modo algum. A língua continua inculta e bela como sempre, como queria o poeta.
Ela segue adiante – nós é que envelhecemos, e, às vezes, pela fala, parecemos pergaminhos de um
tempo que passou.
Cristóvão Tezza, Gazeta do Povo, 20 set. 2011.
“Um dos fenômenos mais interessantes, e de rápida consolidação, foi também a criação de verbos
para substituir expressões analíticas. 'Priorizar' ou 'disponibilizar', que parecem tão comuns, com um
jeitão de que vieram lá do tempo de Camões, na verdade não terão mais de 20 anos – e também já
estão no Houaiss.” A partir desse trecho, é correto afirmar:
a) “Priorizar” e “disponibilizar” são formas antigas, do tempo de Camões.
b) As formas analíticas são mais interessantes.
c) “Priorizar” é uma forma sintética que veio substituir a forma analítica “dar prioridade”.
d) Palavras com mais de 20 anos já são consideradas arcaicas.
e) O desaparecimento de “priorizar” e “disponibilizar” é iminente.
Gabarito:
C
Resolução:
A partir do trecho destacado, é correto afirmar que a forma sintética "priorizar" substitui "dar
prioridade".
Trata-se de uma forma sintética porque é uma síntese de "dar prioridade" (forma analítica), e por isso
é mais interessante (pois simplifica a expressão). Tal forma, como "disponibilizar", não é antiga, nem
arcaica, mas sinal de renovação da língua nos últimos 20 anos. 
Questão 10
Argumento
Tá legal
Eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro
Ou de um tamborim.
Sem preconceito
Ou mania de passado
Sem querer ficar do lado
De quem não quer navegar
Faça como um velho marinheiro
Quedurante o nevoeiro
Leva o barco devagar.
(Paulinho da Viola)
No verso “Mas não me altere o samba tanto assim”, o pronome “me” não exerce função
sintática alguma. Segundo a gramática da língua portuguesa, trata-se de um recurso expressivo de
que se serve a pessoa que fala para mostrar que está vivamente interessada no cumprimento
da exortação feita. Constitui uso mais comum na linguagem coloquial.
Nas citações abaixo, todas extraídas de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis,
esse recurso ocorre em:
a) Mano Brás, que é que você vai fazer? perguntou-me aflita.
b) [...] estou farto de filosofias que me não levam a coisa nenhuma.
c) Mostrou que eu ia colocar-me numa situação difícil.
d) [...] achou que devia, como amigo e parente, dissuadir-me de semelhante ideia.
e) Ânimo, Brás Cubas; não me sejas palerma.
Gabarito:
E
Resolução:
Em E, o pronome “me” exerce a mesma função expressiva do trecho citado na questão, ressaltar o
interesse do interlocutor no cumprimento da exortação, ou seja, que Brás Cubas se anime e não aja
como palerma. 
Questão 11
Aqueles tempos
No meio da conversa, ela disse: “Eu gostava do Lacerda.” Ele ficou quieto, mas quem prestasse
atenção notaria que suas pupilas chegaram a dilatar. E ele quase se engasgou com o gelo. Só quando
já estavam no carro, voltando para casa, ele disse:
– Que história é essa de “eu gostava do Lacerda”?
– Gostava, uai.
– Cicinha, nós fizemos comício contra o Lacerda.
– E daí?
– Eu me lembro de você gritando “Corvo! Corvo!”
– Para agradar a você.
Ele quase perdeu a direção do carro. Ela teve que gritar:
– Almiro!
Ele só conseguiu falar de novo dentro do quarto, quando ela saiu do banheiro depois de escovar
os dentes e perguntou se ele tinha alimentado o gato. Ele disse:
– Não muda de assunto.
– Almiro, eu não entendo por que você ficou desse jeito só porque eu...
– Não entende? Não entende? Você se dá conta da revelação que me fez esta noite? Do significado
da sua confissão, da sua duplicidade, da sua...
– Almiro, faz 40 anos!
– Exatamente! Durante 40 anos vivi com uma mulher que eu não conheço. Que só fui conhecer agora.
Há 40 anos durmo com uma estranha. Durmo com o inimigo!
– Você quer...
Mas o Almiro já tinha dado as costas. Ia dormir na sala.
No dia seguinte, a filha mais velha foi convocada. Sua missão: dissuadir o pai de sair de casa e pedir
o divórcio. Não tinham adiantado os argumentos da mãe, de que sua duplicidade era, na verdade,
uma prova de amor, pois disfarçara sua admiração pelo Lacerda para ficar com ele, sacrificara todas
as suas convicções por um casamento feliz. E era um casamento feliz. Tinham filhos maravilhosos,
netos maravilhosos, uma vida organizada, um gato que os amava... Se ele quisesse, ela renunciaria à
sua admiração pelo Lacerda. Se ele
quisesse, iria até a janela e gritaria “Corvo! Corvo!” para o céu. “Pensa no que você vai destruir,
Almiro!” Ele só pediu à filha, que era advogada, que recomendasse alguém para cuidar do divórcio.
Não falava com traidores.
Em casa, a filha comentou com o marido:
– Coisa forte aqueles tempos, né?
O marido só conhecia aqueles tempos de ouvir contar, mas concordou. Muito forte. 
VERISSIMO, Luis Fernando. O melhor das comédias da vida privada. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.
Qual foi a motivação para que Almiro pedisse o divórcio a Cicinha?
Gabarito:
A motivação para que Almiro pedisse o divórcio a Cicinha foi a revelação, por parte da esposa, de que
ela mentira ao marido sobre suas convicções políticas relativas ao político brasileiro Carlos Lacerda,
dissimulando ser contra este quando ela e Almiro eram um jovem casal.
Resolução:
 
Questão 12
Amazônia, a cobiça inteligente
Nos manuais de História da Ciência, a Teoria da Evolução é atribuída ao inglês Charles Darwin. Mas a
lupa da memória britânica revela que outro inglês, Alfred Russel Wallace, sistematizou, em suas
andanças amazônicas, paradigmas mais robustos para a teoria da origem e mutação das espécies.
Alfred veio para o rio Negro, em 1948, coletar espécies da fauna e da flora para vender
a colecionadores e instituições europeias de História Natural. Coletou milhares de espécies e
cartografou a etnobiogeografia regional.
O acervo sequestrado foi monumental, somando com a investida de seus conterrâneos Henry Bates e
Richard Spruce. Após a divulgação desses tesouros, os empreendedores ingleses incrementaram
investimentos na região, com soluções logísticas de transporte, na inovação tecnológica da
defumação do látex, na intervenção diplomática, e na legislação internacional. Tem início, a partir daí,
a movimentação para o ciclo da borracha, que agregou, em 30 anos, 60% de valor ao PIB da rainha.
É emblemático recordar que o Museu Botânico de Kew Gardens, do Reino Unido, possui um dos
maiores acervos de informações sobre a Amazônia. Ali os britânicos chegaram a recriar uma floresta
tropical, num espaço de 20 mil metros quadrados de aço e cristal, para ilustrar o apreço científico e
empresarial que a Amazônia representa.
Multiplicam-se, no Brasil de hoje, ações para adensar e estreitar o relacionamento da academia
brasileira com a Amazônia, sua história, possibilidades e promessas. Há centenas de pesquisas em
andamento sobre temas amazônicos. USP, Universidade de São Paulo, e UEA, Universidade do Estado
do Amazonas, estreitam colaboração com esse fim e muitos frutos começam a brotar.
O curso Pioneirismo Empresarial Brasileiro e o Estado do Amazonas, realizado na FEA/USP, revela
uma curiosidade promissora e fecunda do meio científico pela bioecologia e biogeografia e negócios
da Amazônia. A biodiversidade da Hileia deixa de ser apologia da poesia natural para ser economia de
oportunidades.
Do extrativismo do látex, da castanha, de resinas, de oleaginosas, sairão fármacos e fitoterápicos de
que o mundo precisa para se manter saudável e perenizar sua juventude com a indústria da
nutracêutica*. Emerge, pois, fortemente a necessidade de disseminar e regionalizar essa consciência,
para integrar o País das Amazonas que o olhar estrangeiro, e sua a cobiça inteligente, há
séculos, está a desejar.
LOPES, Alfredo R. M. Disponível em: . Acesso em: 5 ago. 2014. Adaptado.
* nutracêutica: combinação dos termos “nutrição” e “farmacêutica”.
“Alfred veio para o rio Negro, em 1948, coletar espécies da fauna e da flora para vender a
colecionadores e instituições europeias de História Natural.”
O termo “para” expressa, na primeira e na segunda ocorrências, respectivamente, sentidos de
(A) duração e conformidade.
(B) intenção e conformidade.
(C) direção e finalidade.
(D) intenção e finalidade.
(E) direção e condição.
Gabarito:
C
Resolução:
O termo “para”, no trecho em foco, expressa, na primeira e na segunda ocorrências,
respectivamente, sentidos de direção, ligando o verbo "vir" ao local "rio Negro", e finalidade, ligando
a ação de "coletar espécies da fauna e da flora" ao seu fim, seu objetivo de "vender". 
Questão 13
Amazônia, a cobiça inteligente
Nos manuais de História da Ciência, a Teoria da Evolução é atribuída ao inglês Charles Darwin. Mas a
lupa da memória britânica revela que outro inglês, Alfred Russel Wallace, sistematizou, em suas
andanças amazônicas, paradigmas mais robustos para a teoria da origem e mutação das espécies.
Alfred veio para o rio Negro, em 1948, coletar espécies da fauna e da flora para vender
a colecionadores e instituições europeias de História Natural. Coletou milhares de espécies e
cartografou a etnobiogeografia regional.
O acervo sequestrado foi monumental, somando com a investida de seus conterrâneos Henry Bates e
Richard Spruce. Após a divulgação desses tesouros, os empreendedores ingleses incrementaram
investimentos na região, com soluções logísticas de transporte, na inovação tecnológica da
defumação do látex, na intervenção diplomática, e na legislação internacional. Tem início, a partir daí,
a movimentação para o ciclo da borracha, que agregou, em 30 anos, 60% de valor ao PIB da rainha.
É emblemático recordar que o Museu Botânico de Kew Gardens, do Reino Unido,possui um dos
maiores acervos de informações sobre a Amazônia. Ali os britânicos chegaram a recriar uma floresta
tropical, num espaço de 20 mil metros quadrados de aço e cristal, para ilustrar o apreço científico e
empresarial que a Amazônia representa.
Multiplicam-se, no Brasil de hoje, ações para adensar e estreitar o relacionamento da academia
brasileira com a Amazônia, sua história, possibilidades e promessas. Há centenas de pesquisas em
andamento sobre temas amazônicos. USP, Universidade de São Paulo, e UEA, Universidade do Estado
do Amazonas, estreitam colaboração com esse fim e muitos frutos começam a brotar.
O curso Pioneirismo Empresarial Brasileiro e o Estado do Amazonas, realizado na FEA/USP, revela
uma curiosidade promissora e fecunda do meio científico pela bioecologia e biogeografia e negócios
da Amazônia. A biodiversidade da Hileia deixa de ser apologia da poesia natural para ser economia de
oportunidades.
Do extrativismo do látex, da castanha, de resinas, de oleaginosas, sairão fármacos e fitoterápicos de
que o mundo precisa para se manter saudável e perenizar sua juventude com a indústria da
nutracêutica*. Emerge, pois, fortemente a necessidade de disseminar e regionalizar essa consciência,
para integrar o País das Amazonas que o olhar estrangeiro, e sua a cobiça inteligente, há
séculos, está a desejar.
LOPES, Alfredo R. M. Disponível em:. Acesso em: 5 ago. 2014. Adaptado.
* nutracêutica: combinação dos termos “nutrição” e “farmacêutica”. 
O termo “academia”, em destaque no quarto parágrafo, refere-se
(A) ao poder público.
(B) ao meio científico.
(C) à população em geral.
(D) à iniciativa privada.
(E) à elite econômica.
Gabarito:
B
Resolução:
O termo “academia”, em destaque no quarto parágrafo, refere-se ao meio científico, de
pesquisadores dedicados ao tema em foco, como confirmam os períodos seguintes, nos quais lemos
sobre as centenas de pesquisas em andamento sobre temas amazônicos e sobre duas universidades
que desempenham, juntas, esse papel acadêmico, como a USP, Universidade de São Paulo, e UEA,
Universidade do Estado do Amazonas. 
Questão 14
Aqueles tempos
No meio da conversa, ela disse: “Eu gostava do Lacerda.” Ele ficou quieto, mas quem prestasse
atenção notaria que suas pupilas chegaram a dilatar. E ele quase se engasgou com o gelo. Só quando
já estavam no carro, voltando para casa, ele disse:
– Que história é essa de “eu gostava do Lacerda”?
– Gostava, uai.
– Cicinha, nós fizemos comício contra o Lacerda.
– E daí?
– Eu me lembro de você gritando “Corvo! Corvo!”
– Para agradar a você.
Ele quase perdeu a direção do carro. Ela teve que gritar:
– Almiro!
Ele só conseguiu falar de novo dentro do quarto, quando ela saiu do banheiro depois de escovar
os dentes e perguntou se ele tinha alimentado o gato. Ele disse:
– Não muda de assunto.
– Almiro, eu não entendo por que você ficou desse jeito só porque eu...
– Não entende? Não entende? Você se dá conta da revelação que me fez esta noite? Do significado
da sua confissão, da sua duplicidade, da sua...
– Almiro, faz 40 anos!
– Exatamente! Durante 40 anos vivi com uma mulher que eu não conheço. Que só fui conhecer agora.
Há 40 anos durmo com uma estranha. Durmo com o inimigo!
– Você quer...
Mas o Almiro já tinha dado as costas. Ia dormir na sala.
No dia seguinte, a filha mais velha foi convocada. Sua missão: dissuadir o pai de sair de casa e pedir
o divórcio. Não tinham adiantado os argumentos da mãe, de que sua duplicidade era, na verdade,
uma prova de amor, pois disfarçara sua admiração pelo Lacerda para ficar com ele, sacrificara todas
as suas convicções por um casamento feliz. E era um casamento feliz. Tinham filhos maravilhosos,
netos maravilhosos, uma vida organizada, um gato que os amava... Se ele quisesse, ela renunciaria à
sua admiração pelo Lacerda. Se ele
quisesse, iria até a janela e gritaria “Corvo! Corvo!” para o céu. “Pensa no que você vai destruir,
Almiro!” Ele só pediu à filha, que era advogada, que recomendasse alguém para cuidar do divórcio.
Não falava com traidores.
Em casa, a filha comentou com o marido:
– Coisa forte aqueles tempos, né?
O marido só conhecia aqueles tempos de ouvir contar, mas concordou. Muito forte. 
VERISSIMO, Luis Fernando. O melhor das comédias da vida privada. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.
Releia o trecho:
"Ele só pediu à filha, que era advogada, que recomendasse alguém para cuidar do divórcio. Não
falava com traidores."
Qual é a relação de sentido que se estabelece entre as duas frases?
Reescreva o trecho, em uma só frase, escolhendo o conector que melhor estabeleça a relação entre
elas.
Gabarito:
A relação de sentido que se estabelece entre as duas frases é de explicação; "Não falava com
traidores" explica por que Almiro pediu para a filha, especialista na área, recomendação de um
advogado para cuidar do divórcio, evitando, assim contato com a mulher, que considerava uma
traidora.
Reescreendo o trecho, em uma só frase, escolhendo um conector que melhor estabeleça a relação
entre elas, teríamos:
"Ele só pediu à filha, que era advogada, que recomendasse alguém para cuidar do divórcio, pois não
falava com traidores."
Resolução:
 
Questão 15
Amor perfeito
Composição: Michael Sullivan, Paulo Massadas, Robson Jorge e Lincoln Olivetti
Fecho os olhos pra não ver passar o tempo
Sinto falta de você...
Anjo bom, amor perfeito no meu peito
Sem você não sei viver
Vem
Que eu conto os dias, conto as horas pra te ver
Que eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você...
Os segundos vão passando lentamente
Não tem hora pra chegar
Até quando te querendo, te amando
Coração quer te encontrar
[...]
Eu não vou saber me acostumar
Sem sua mão pra me acalmar
Sem seu olhar pra entender
Sem seu carinho, amor, sem você
Vem me tirar da solidão,
Fazer feliz meu coração
Já não importa quem errou
O que passou, passou. [...]
Disponível em: . Acesso em: 4 dez.
2014.
"[...] Vem / Que eu conto os dias, conto as horas pra te ver / Que eu não consigo te esquecer / Cada
minuto é muito tempo sem você, sem você... [...]"
No português do Brasil, no caso dos pronomes pessoais, há uma série de repercussões gramaticais
em diferentes níveis da língua. Nos versos apresentados, uma canção da música popular, há uma
certa despreocupação com a elaboração formal. Com relação ao uso das formas pronominais "te" e
"você" no mesmo contexto, se considerarmos a norma padrão da língua, esse uso é inadequado, pois
a) contraria o uso previsto para o registro oral da língua.
b) não corresponde à realidade falada pelos seus usuários e o caráter politicamente engajado do
texto.
c) provoca ambiguidade na leitura do texto.
d) gera a condenada "mistura de tratamento" pela gramática tradicional.
Gabarito:
D
Resolução:
O uso do "te" e "você" como formas de tratamento para a segunda pessoa do singular, segundo a
norma padrão, é inadequado, pois mistura os pronomes pessoais relativos ao "tu" com o pronome de
tratamento "você". Esta mesma norma condena o emprego de "você" como pronome pessoal, não
obstante esse uso seja comum no registro da língua culta em diversas regiões do Brasil.
Questão 16
Amor perfeito
Composição: Michael Sullivan, Paulo Massadas, Robson Jorge e Lincoln Olivetti
Fecho os olhos pra não ver passar o tempo
Sinto falta de você...
Anjo bom, amor perfeito no meu peito
Sem você não sei viver
Vem
Que eu conto os dias, conto as horas pra te ver
Que eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você...
Os segundos vão passando lentamente
Não tem hora pra chegar
Até quando te querendo, te amando
Coração quer te encontrar
[...]
Eu não vou saber me acostumar
Sem sua mão pra me acalmar
Sem seu olhar pra entender
Sem seu carinho, amor, sem você
Vem me tirar da solidão,
Fazer feliz meu coração
Já não importa quem errou
O que passou, passou. [...]
Disponível em: . Acesso em: 4 dez.
2014.
Avalie as afirmativas a seguir, considerandoos recursos linguísticos presentes nos versos da canção.
I. Na passagem "Vem", o emprego do imperativo afirmativo na segunda pessoa do singular sugere
um diálogo com um possível interlocutor.
II. Em: "Vem / Que eu conto os dias..." e "Que eu não consigo te esquecer...", nas duas ocorrências, o
"que" é usado com sentido explicativo.
III. Em: "Os segundos vão passando..." e "Até quando te querendo, te amando" as formas de gerúndio
aí empregadas captam a ação dinâmica e a progressividade que há no discurso do falante.
IV. Nas passagens: "Sem seu carinho, amor, sem você" e "Vem me tirar da solidão", o uso,
respectivamente, do vocativo e da forma verbal no imperativo, procurando persuadir o interlocutor,
são marcas da função de linguagem apelativa predominante nestes versos da canção.
O correto está em
a) I, II, III e IV.
b) I, III e IV, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, apenas.
Gabarito:
A
Resolução:
I. Correta. O uso do verbo no imperativo é um recurso para se interpelar diretamente a pessoa
amada.
II. Correta. "Eu conto os dias" e "não consigo te esquecer" são explicações, introduzidas pelo "que",
que justificam o pedido feito à pessoa amada.
III. Correta. O gerúndio expessa o aspecto durativo dos verbos empregados.
IV. Correta. Os recursos mencionados (vocativo, imperativo) caracterizam o aspecto apelativo do
discurso amoroso que visa convencer a pessoa amada a voltar.
Questão 17
Articulista da Forbes ironiza o status que o brasileiro dá para o automóvel
1 Até a americana revista Forbes anda rindo da obsessão do
brasileiro em encarar o automóvel como símbolo de status.
No último sábado, o blog do colaborador Kenneth Rapoza,
especialista nos chamados Bric's (Brasil, Rússia, Índia e
China), trouxe um artigo intitulado "O Jeep Grand Cherokee
de ridículos 80 mil dólares do Brasil". A tese do artigo: os
brasileiros confundem qualidade com preço alto e se
dispõem a pagar 189 mil reais (89.500 dólares) por um
carro desses que, nos Estados Unidos, é só mais um carro
comum. Por esse preço, ironiza Rapoza, "seria possível
comprar três Grand Cherokees se esses brasileiros
vivessem em Miami junto de seus amigos."
2 O articulista lembra que a Chrysler lançará o Dodge
Durango SUV, que nos Estados Unidos custa 54 mil reais,
no Salão do Automóvel de São Paulo por 190 mil reais. "Um
professor de escola primária do Bronx pode comprar um
Durango. Ok, não um zero-quilômetro, mas um de dois ou
três anos, absolutamente bem conservado", exemplifica,
para mostrar que o carro supostamente não vale o quanto
custa no país.
3 O autor salienta que o alto custo ocorre por conta da
taxação de 50% em produtos importados e da ingenuidade
do consumidor que acredita que um Cherokee tem o
mesmo valor que um BMW X5 só porque tem o mesmo
preço. "Desculpem, 'Brazukas', mas não há nenhum status
em um Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Grand ou Dodge
Durango. Não sejam enganados pelo preço de etiqueta.
Vocês definitivamente estão sendo roubados."
4 E conclui o artigo: "Pensando dessa maneira, imagine que
um amigo americano contasse que acabou de comprar um
par de Havaianas de 150 dólares. Você diria que ele pagou
demais. É claro que esses chinelos são sexy e chic, mas
não valem 150 dólares. Quando o assunto é carro e seu
status no Brasil, as camadas mais altas estão servindo Pitu
e 51 em suas caipirinhas e pensando que é bebida de alta
qualidade."
Disponível em: . Adaptado.
No trecho "Pensando dessa maneira" (par. 4), a "maneira" à qual o autor se refere aparece transcrita
no trecho:
a) "não há nenhum status em um Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Grand ou Dodge Durango". (par.
3)
b) "um Cherokee tem o mesmo valor que um BMW X5 só porque tem o mesmo preço". (par. 3)
c) "o alto custo ocorre por conta da taxação de 50% em produtos importados". (par. 3)
d) "um professor de escola primária do Bronx pode comprar um Durango usado". (par. 2)
e) "a Chrysler lançará o Dodge Durango SUV [...] no Salão do Automóvel de São Paulo por 190 mil
reais". (par. 2)
Gabarito:
 B
Resolução:
"Maneira", no quarto parágrafo, retoma uma informação presente no primeiro período do parágrafo
anterior: o fato de o consumidor brasileiro acreditar que carros de qualidades distintas são
equivalentes porque, no Brasil, têm o mesmo preço.
Questão 18
Articulista da Forbes ironiza o status que o brasileiro dá para o automóvel
1 Até a americana revista Forbes anda rindo da obsessão do
brasileiro em encarar o automóvel como símbolo de status.
No último sábado, o blog do colaborador Kenneth Rapoza,
especialista nos chamados Bric's (Brasil, Rússia, Índia e
China), trouxe um artigo intitulado "O Jeep Grand Cherokee
de ridículos 80 mil dólares do Brasil". A tese do artigo: os
brasileiros confundem qualidade com preço alto e se
dispõem a pagar 189 mil reais (89.500 dólares) por um
carro desses que, nos Estados Unidos, é só mais um carro
comum. Por esse preço, ironiza Rapoza, "seria possível
comprar três Grand Cherokees se esses brasileiros
vivessem em Miami junto de seus amigos."
2 O articulista lembra que a Chrysler lançará o Dodge
Durango SUV, que nos Estados Unidos custa 54 mil reais,
no Salão do Automóvel de São Paulo por 190 mil reais. "Um
professor de escola primária do Bronx pode comprar um
Durango. Ok, não um zero-quilômetro, mas um de dois ou
três anos, absolutamente bem conservado", exemplifica,
para mostrar que o carro supostamente não vale o quanto
custa no país.
3 O autor salienta que o alto custo ocorre por conta da
taxação de 50% em produtos importados e da ingenuidade
do consumidor que acredita que um Cherokee tem o
mesmo valor que um BMW X5 só porque tem o mesmo
preço. "Desculpem, 'Brazukas', mas não há nenhum status
em um Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Grand ou Dodge
Durango. Não sejam enganados pelo preço de etiqueta.
Vocês definitivamente estão sendo roubados."
4 E conclui o artigo: "Pensando dessa maneira, imagine que
um amigo americano contasse que acabou de comprar um
par de Havaianas de 150 dólares. Você diria que ele pagou
demais. É claro que esses chinelos são sexy e chic, mas
não valem 150 dólares. Quando o assunto é carro e seu
status no Brasil, as camadas mais altas estão servindo Pitu
e 51 em suas caipirinhas e pensando que é bebida de alta
qualidade."
Disponível em: . Adaptado.
Ao longo do texto, relações semânticas e coesivas são construídas por diferentes tipos de expressões
conectivas e sequenciadoras. Sobre esse aspecto, analise as proposições a seguir.
I. A preposição "Até" (par. 1) sugere exclusividade no que tange ao posicionamento da revista Forbes
sobre o status do automóvel para o brasileiro.
II. A preposição "para" (par. 2) introduz o propósito, a finalidade do exemplo trazido pelo articulista
Kenneth Rapoza.
III. A expressão "só porque" (par. 3) estabelece uma relação de causa e consequência entre as partes
do texto que conecta.
IV. A conjunção "mas" (par. 3) explicita uma oposição a um fato do senso comum brasileiro,
ironicamente desacreditado pelo articulista da Forbes.
V. Embora resida na conjunção "Quando" (par. 4) um sentido temporal, nesse contexto, a relação
configurada é espacial, pois se compara o Brasil a outros países.
Estão corretas, apenas,
a) I, II e III.
b) I, III e IV.
c) I e V.
d) II, III e IV.
e) II, IV e V.
Gabarito:
D
Resolução:
I. Incorreta. A expressão "até" é inclusiva, ou seja, o autor pressupõe que seja consenso que os
brasileiros têm a obsessão de encarar o carro como símbolo de status. O emprego de tal expressão
inclui a revista Forbes nesse consenso.
II. Correta. O exemplo mencionado justifica a tese de que o Durango não vale o quanto custa no
Brasil.
III. Correta. O consumidor brasileiro acredita que um Cherokee tem o mesmo valor que um BMWX5
(consequência) só porque ambos os automóveis têm o mesmo preço (causa).
IV. Correta. A conjunção"mas" desconstrói a crença dos brasileiros de que determinadas marcas de
carro conferem algum tipo de status.
V. Incorreta. No contexto, o sentido de "Quando" não é espacial, pois alude a um situação ("Quando o
assunto é carro") e, assim, mantém uma ideia de tempo.
Questão 19
Articulista da Forbes ironiza o status que o brasileiro dá para o automóvel
1 Até a americana revista Forbes anda rindo da obsessão do
brasileiro em encarar o automóvel como símbolo de status.
No último sábado, o blog do colaborador Kenneth Rapoza,
especialista nos chamados Bric's (Brasil, Rússia, Índia e
China), trouxe um artigo intitulado "O Jeep Grand Cherokee
de ridículos 80 mil dólares do Brasil". A tese do artigo: os
brasileiros confundem qualidade com preço alto e se
dispõem a pagar 189 mil reais (89.500 dólares) por um
carro desses que, nos Estados Unidos, é só mais um carro
comum. Por esse preço, ironiza Rapoza, "seria possível
comprar três Grand Cherokees se esses brasileiros
vivessem em Miami junto de seus amigos."
2 O articulista lembra que a Chrysler lançará o Dodge
Durango SUV, que nos Estados Unidos custa 54 mil reais,
no Salão do Automóvel de São Paulo por 190 mil reais. "Um
professor de escola primária do Bronx pode comprar um
Durango. Ok, não um zero-quilômetro, mas um de dois ou
três anos, absolutamente bem conservado", exemplifica,
para mostrar que o carro supostamente não vale o quanto
custa no país.
3 O autor salienta que o alto custo ocorre por conta da
taxação de 50% em produtos importados e da ingenuidade
do consumidor que acredita que um Cherokee tem o
mesmo valor que um BMW X5 só porque tem o mesmo
preço. "Desculpem, 'Brazukas', mas não há nenhum status
em um Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Grand ou Dodge
Durango. Não sejam enganados pelo preço de etiqueta.
Vocês definitivamente estão sendo roubados."
4 E conclui o artigo: "Pensando dessa maneira, imagine que
um amigo americano contasse que acabou de comprar um
par de Havaianas de 150 dólares. Você diria que ele pagou
demais. É claro que esses chinelos são sexy e chic, mas
não valem 150 dólares. Quando o assunto é carro e seu
status no Brasil, as camadas mais altas estão servindo Pitu
e 51 em suas caipirinhas e pensando que é bebida de alta
qualidade."
Disponível em: . Adaptado.
Quanto aos aspectos morfológicos e semânticos do vocabulário empregado no texto, analise as
proposições a seguir.
I. O sufixo utilizado na formação da palavra "articulista" (par. 2) tem o mesmo valor semântico
daqueles presentes em palavras como "motorista" e "equilibrista".
II. O emprego do advérbio "supostamente" (par. 2) invalida o argumento contido no trecho entre
aspas no parágrafo.
III. A forma verbal "salienta" (par. 3), que serve para introduzir mais um comentário da revista Forbes,
poderia ser substituída por "diz" sem nenhum prejuízo semântico ao trecho.
IV. A formalidade da expressão "Brazukas" (par. 3), em referência aos brasileiros, é legítima, tendo
em vista se tratar de um texto da mídia impressa que prima pelo padrão formal da língua.
V. A palavra "camadas" (par. 4), no contexto em que aparece no texto, poderia ser substituída por
"classes" ou "grupos", sem substanciais mudanças de sentido.
Estão corretas apenas,
a) I, II e IV.
b) I e V.
c) II e IV.
d) II, III e V.
e) III, IV e V.
Gabarito:
B
Resolução:
I. Correta. O sufixo "-ista", nos casos mencionados, refere-se à profissão ou ainda ao indivíduo que
exerce determinada atividade. No caso, articulista alude àquele que escreve artigos na mídia e na
imprensa.
II. Incorreta. "Supostamente" é um modalizador utilizado pelo autor do texto para evitar emitir uma
opinião categórica. Em vez de invalidar o argumento, este modalizador o torna mais verossímil para o
leitor.
III. Incorreta. O emprego da forma verbal "diz" não provocaria grandes alterações no argumento, mas
prejudicaria o sentido original pretendido pelo autor, já que "salienta" equivale a "acentua",
"sublinha", "ressalta". Em outras palavras, o emprego desse verbo específico dá ênfase ao que se
pretende dizer, e sua substituição pelo verbo "diz" faria com que essa ênfase fosse perdida.
IV. Incorreta. "Brazuka" é uma expressão informal.
V. Correta. Nesse contexto, "camadas" refere-se a "classes" ou "grupos sociais".
Questão 20
Articulista da Forbes ironiza o status que o brasileiro dá para o automóvel
1 Até a americana revista Forbes anda rindo da obsessão do
brasileiro em encarar o automóvel como símbolo de status.
No último sábado, o blog do colaborador Kenneth Rapoza,
especialista nos chamados Bric's (Brasil, Rússia, Índia e
China), trouxe um artigo intitulado "O Jeep Grand Cherokee
de ridículos 80 mil dólares do Brasil". A tese do artigo: os
brasileiros confundem qualidade com preço alto e se
dispõem a pagar 189 mil reais (89.500 dólares) por um
carro desses que, nos Estados Unidos, é só mais um carro
comum. Por esse preço, ironiza Rapoza, "seria possível
comprar três Grand Cherokees se esses brasileiros
vivessem em Miami junto de seus amigos."
2 O articulista lembra que a Chrysler lançará o Dodge
Durango SUV, que nos Estados Unidos custa 54 mil reais,
no Salão do Automóvel de São Paulo por 190 mil reais. "Um
professor de escola primária do Bronx pode comprar um
Durango. Ok, não um zero-quilômetro, mas um de dois ou
três anos, absolutamente bem conservado", exemplifica,
para mostrar que o carro supostamente não vale o quanto
custa no país.
3 O autor salienta que o alto custo ocorre por conta da
taxação de 50% em produtos importados e da ingenuidade
do consumidor que acredita que um Cherokee tem o
mesmo valor que um BMW X5 só porque tem o mesmo
preço. "Desculpem, 'Brazukas', mas não há nenhum status
em um Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Grand ou Dodge
Durango. Não sejam enganados pelo preço de etiqueta.
Vocês definitivamente estão sendo roubados."
4 E conclui o artigo: "Pensando dessa maneira, imagine que
um amigo americano contasse que acabou de comprar um
par de Havaianas de 150 dólares. Você diria que ele pagou
demais. É claro que esses chinelos são sexy e chic, mas
não valem 150 dólares. Quando o assunto é carro e seu
status no Brasil, as camadas mais altas estão servindo Pitu
e 51 em suas caipirinhas e pensando que é bebida de alta
qualidade."
Disponível em: . Adaptado.
No trecho "O articulista lembra que a Chrysler lançará o Dodge Durango SUV, que nos Estados
Unidos custa 54 mil reais, no Salão do Automóvel de São Paulo por 190 mil reais." (par. 2), a
oração em destaque 
a) compara duas ideias.
b) apresenta a consequência de um fato anterior.
c) insere uma explicação.
d) opõe duas afirmações.
e) estabelece uma restrição.
Gabarito:
C
Resolução:
A frase em destaque apresenta uma explicação sobre o referente "Dodge Durango SUV",
particularizando-o. Por isso, é assinalada entre vírgulas.

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