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Curso de Graduação em Enfermagem – Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) Pedro Henrique Almeda Rodrigues – 19102051 MÓDULO 301 – GESTÃO DE UNIDADES DE SAÚDE Problema 2 – O enfermeiro na organização dos serviços de saúde com foco na qualidade Problema 2 – Objetivos de Aprendizagem OBJETIVO 1: Conceituar qualidade e seus pilares na saúde. Introdução Os conceitos de qualidade e as estratégias para obtê-la sofreram e sofrem transformações constantes e, de maneira gradativa, são incorporados novos parâmetros a esse conceito. Dessa forma, acredita-se que a busca pela qualidade é uma constante nas diferentes formas de produzir serviços. Na trajetória da evolução do conceito de qualidade, verifica-se algumas mudanças: · Fase inicial: ressaltava-se a inspeção, tendo como eixo o produto; · Posteriormente: na fase de controle da qualidade, ao mesmo tempo em que havia uma preocupação com o conhecimento dos custos, antecipava-se a detecção dos defeitos, procurando-se evitar as reclamações potenciais por meio da implementação de medidas necessárias e eficazes para atingir padrões almejados, tendo então uma ênfase no processo; · Depois: surge a garantia de qualidade, na qual não era suficiente que o produto estivesse em conformidade com o projeto, mas também deveria atender às necessidades do usuário. Com isso, as ações corretivas (prevenção) atingiam a causa do problema, e não as suas consequências; · Finalmente: surge então a qualidade total, momento em que a responsabilidade passa a ser partilhada por todos os envolvidos no trabalho, tendo como foco central as pessoas (usuários), atendendo à questão da qualidade na área de serviços, intensificando-se a busca de mudanças, tanto comportamental como cultural, dos indivíduos envolvidos no processo, objetivando, assim, a satisfação do usuário. NOTA: Nesse contexto de qualidade total, é importante perceber a importância que o trabalhador tem no processo de garantir um cuidado de qualidade. Isso quer dizer que é necessário considerar a satisfação pessoal do profissional, condições de serviço (estimulando a realização profissional e satisfação pessoal do trabalhador). Conceito Na saúde, decorrente da característica do processo de trabalho, a qualidade adquiriu um significado particular e diferenciando das demais atividades envolvias na produção dos bens. Verifica-se que a prestação da assistência à saúde é realizada por grupos heterogêneos de profissionais, com formação educacional distinta, dificultando o trabalho em equipe, no que se refere à qualidade dos serviços prestados. Além disso, o conceito ganha definições diferentes de acordo com os autores. Na saúde, a qualidade é definida como um conjunto de atributos que inclui um nível de excelência profissional, o uso eficiente de recursos, um mínimo de risco ao usuário, um alto grau de satisfação por parte dos mesmos, considerando-se essencialmente os valores sociais existentes, segundo Donabedian. Para Berwick, a qualidade da assistência é definida como a satisfação das necessidades dos usuários, considerando que este deverá ser o objeto central das estratégias em busca da qualidade, bem como participar ativamente desse processo, no papel de avaliador das atitudes dos profissionais de saúde e dos resultados alcançados com o tratamento recebido. A qualidade pode se manifestar de modos objetivamente diferentes: · Intenção em criar e manter consciência quanto às propriedades dos produtos (bens e serviços) que estão sendo gerados, diminuindo sua variabilidade ao serem adotados determinados padrões ou especificações técnicas; · A preocupação em satisfazer demandas explicitas dos usuários e necessidades não declaradas, porém previsíveis dos mesmos; · A orientação para a qualidade envolvendo a gerência, os profissionais e os demais trabalhadores. Em síntese, a qualidade é algo que os envolvidos nos atos de saúde estarão constantemente preocupados em auferir e aperfeiçoar para dar maior satisfação aos que necessitam desses serviços. A qualidade transforma-se em uma filosofia de gerência, uma atitude face à produção, que pode ser mais bem aprendida quando se exame o modo como se relacionam os polos produção-consumo, em que a produção parte de uma consideração minuciosa das características do processo de consumo, da opinião e da sugestão dos usuários. NOTA: Avaliar é expor um valor assumido a partir do julgamento realizado com base em critérios previamente definidos. Na saúde, a avaliação é compreendida como uma estratégia técnico-administrativa destinada à tomada de decisão, na qual o exercício dessa capacidade é dado pelo contexto e pela organização do processo de trabalho. Pilares na saúde Surgem com Donabedian (1988). A parte assertiva da qualidade é a obtenção de maiores benefícios em detrimento de menores riscos para o usuário, benefícios estes que, por sua vez, se definem em função do alcançável de acordo com os recursos disponíveis e os valores sociais existentes. Esse conceito pode ser ampliado considerando-se os sete pilares da qualidade, a seguir: 1. Eficácia: capacidade de produzir melhorias no setor de saúde. Significa o melhor que se pode fazer nas condições mais favoráveis dado o estado do paciente; 2. Efetividade: é o grau em que o cuidado, cuja qualidade que está sendo avaliada, alcança o nível de melhoria da saúde, cujos estudos de eficácia tenham estabelecido como alcançáveis; 3. Eficiência: é a medida do custo com o qual uma dada melhoria na saúde é alcançada. Se duas estratégias de cuidado são igualmente eficazes e efetivas, a mais eficiente é a de menor custo; 4. Otimização: emprego da relação custo-benefício na assistência à saúde. Numa curva ideal, o processo de adicionar benefícios pode ser tão desproporcional aos custos acrescidos, que tais adições úteis perdem a razão de ser; 5. Aceitabilidade: sinônimo de adaptação do cuidado aos desejos, expectativas e valores dos clientes e familiares. Depende da efetividade, da eficiência e da otimização, além da acessibilidade do cuidado e das características da relação profissional de saúde-cliente; 6. Legitimidade: aceitabilidade do cuidado da forma como é visto pela sociedade em geral; 7. Equidade: principio pelo qual se determina o que é justo ou razoável na distribuição do cuidado e de seus benefícios entre os membros de uma população. A equidade é parte daquilo que torna o cuidado aceitável para os indivíduos e legítimo para a sociedade. As características para um bom indicador são: · Validade: capacidade de medir aquilo que pretende medir. O indicador identifica situações/circunstâncias em que a qualidade dos cuidados deve ser melhorada? ↦ SENSIBILIDADE - Capacidade de detectar o fenômeno analisado. O indicador identifica todas as situações/ circunstâncias com problemas na qualidade? ↦ ESPECIFICIDADE - Capacidade de detectar somente o fenômeno analisado. O indicador identifica somente as situações/circunstâncias com problemas na qualidade? · Confiabilidade: reproduz os mesmos resultados quando aplicado em condições similares; · Viabilidade: os dados estão disponíveis ou são fáceis de conseguir; · Relevância: responde às prioridades de saúde; · Custo-efetividade: os resultados justificam o investimento de tempo e recursos. O monitoramento dos cuidados prestados aos pacientes através de indicadores, permite: orientar a formulação e a hierarquização de políticas; monitorar a melhoria de cuidados de saúde; promover maior transparência das organizações de saúde e que os usuários façam escolhas mais informadas. OBJETIVO 2: Discutir quais os aspectos da gestão da qualidade relacionam-se com a administração das Unidades de Saúde. Introdução A gestão de qualidade refere-se ao processo ativo de determinar e orientar o caminho a ser seguido para atingirmos os objetivos, empregando todos os recursos contidos na produção de um bem ou de um serviço. Para o alcance dessa meta, é fundamental a implementação de medidas visando à qualidade desses serviços. Atualmente, constata-se que a gestão da qualidade tem sido abordada das mais diferentesformas e situações, destacando-se na esfera empresarial, nos modelos gerenciais, na política de recursos humanos e na organização dos processos de trabalho. Nos serviços de saúde, a qualidade deve ser enfatizada, principalmente porque o produto/serviço é consumido durante a sua produção, tornando-se diferente da produção dos bens, em que é possível separar o produto com defeito, sem maiores consequências, exceto a perda de matéria-prima e retrabalho. A avaliação é uma função da gestão destinada a auxiliar no processo de decisão, visando torna-lo mais racional e efetivo possível. Portanto, afirmam que é necessário definir claramente a finalidade pela qual se está fazendo uma avaliação (como a de qualidade), cabendo ao avaliador analisar informações disponíveis para melhor conhecer a situação que se pretende avaliar. Avaliação em Saúde A Avaliação em Saúde pressupõe: · Seleção de problemas relevantes, e sensíveis, a medidas de ação viáveis nos níveis técnico, político e económico; · Medição de atributos pertinentes a tecnologias, programas ou serviços de saúde, que se constituem em alternativas para a solução, ou a minimização, de problemas, em uma população; · Julgamento e a comparação do comportamento desses atributos, como critérios de apreciação da adequação, dos benefícios, dos efeitos adversos e dos custos associados às alternativas, levando-se em conta a população de referência e o conhecimento, ou o arsenal tecnológico existente/disponível; · Alimentação dos processos de análise e de formulação de condutas, ou recomendações, para ação gerencial ou governamental. A qualidade é avaliada por meio de indicadores, que são variáveis, características ou atributos, capazes de sintetizar, representar e/ou dar maior significado ao que se quer avaliar. Além disso são medidas-síntese que contêm informação relevante sobre =/determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do desempenho do sistema de saúde. São exemplos de indicadores de qualidade em saúde: · ↦ o número de profissionais de saúde a atender uma população; · ↦ as condições de armazenamento de medicamentos em uma farmácia; · ↦ o percentual de prescrições realizadas em um serviço de saúde e atendidas pela farmácia do próprio serviço; · ↦ a sensibilidade (probabilidade de o exame diagnosticar a doença se o indivíduo tem a doença) e a especificidade (probabilidade de o exame ser negativo se o indivíduo não tem a doença) de um exame diagnóstico; · ↦ a taxa de infecção hospitalar em um hospital; · ↦ a existência de um sistema de referência e contra referência de pacientes dentro de uma rede de serviços de saúde. Os indicadores incluem categorias que englobam a qualidade e o desempenho de todas as áreas de atendimento dos serviços de saúde, incluindo os elementos: atendimento, recepção de pacientes, calibragem de equipamentos, capacitação e tecnologia de gestão. Um outro conceito de grande importância na Avaliação em Saúde é o de padrão. Esse conceito se refere a um valor especificado para distinguir a qualidade de práticas, ou de serviços de saúde, em aceitável ou não, à luz de um certo indicador. Além disso, é importante compreender os conceitos de acreditação (permite que a instituição busque assegurar o padrão de qualidade no atendimento, por meio de procedimentos documentados e de maneira que indique seus pontos fracos para que a busca pela excelência seja feita com esforços direcionados aos reais problemas, otimizando o tempo gasto para implementar rotinas e garantindo maior eficiência e eficácia do sistema como um todo). Há a divisão da verificação da qualidade da assistência em 3 níveis: Nível 1: observa-se requisitos básicos na qualidade de assistência oferecida ao cliente, assim como sua estrutura física e segurança, tanto para o cliente interno como externo. Nesse nível de avaliação, a enfermagem se apresenta como atuante fundamental. Observa-se a presença de responsável técnico, assistência prestada de maneira contínua e ininterrupta, registros em prontuários, capacitação dos envolvidos na assistência, bem como o dimensionamento correto frente à demanda da instituição. Nível 2: deve-se manter os requisitos do nível 1, somados ao planejamento na assistência, descrição e registros dos processos internos, manuais de procedimentos operacionais padronizados (POP’s), educação permanente como meio de capacitação constante de todos os profissionais envolvidos na prestação de serviço de saúde, em todas as suas esferas, indicadores de qualidade assistencial e implementação de diagnóstico de enfermagem com o objetivo de viabilizar assistência de enfermagem integral e individual. Nível 3: Grau de Excelência: observa-se a manutenção dos preceitos anteriormente descritos; mas neste momento apresentador como indicadores, forma de monitorar as ações implementadas, buscando constantemente a melhoria na qualidade e sua integração com a produtividade. A certificação é a atividade de comprovação da qualificação de itens, produtos, serviços, procedimentos, processos, pessoal ou de sistema da qualidade, no todo ou em parte. A certificação da qualidade necessariamente será executada por uma entidade especificamente designada para tal (organismo certificador), com base em requisitos previamente estabelecidos e documentados, podendo ou não resultar em emissão de certificados. Autoridades governamentais e organizações privadas, como seguradoras, grupos de empregadores ou planos de saúde, podem exigir que uma instituição de saúde atenda a algum tipo de padrão de certificação para receber reembolso pelos serviços prestados. A comprovação é feita através de uma auditoria de certificação conduzida pelo organismo de certificação contratado, via análise da documentação do sistema da qualidade (procedimentos, instruções de trabalho, documentos e registros da qualidade) e as evidências objetivas de sua implementação e funcionamento. OBJETIVO 3: Identificar o processo de organização de unidades, considerando os aspectos de estrutura, processo e resultado, segundo a Gestão em Saúde. Introdução Donabedian acrescenta, ainda, que um primeiro ponto na definição do que é qualidade da assistência é que ela não se constitui num atributo abstrato, e, sim, que é construída pela avaliação da assistência através de três dimensões: · Estrutura: implica as características relativamente estáveis das instituições. São os recursos físicos, humanos, materiais e financeiros necessários para a assistência médica, os quais correspondem às suas características mais estáveis. Para o autor, é difícil quantificar a influência ou contribuição exata desse componente na qualidade final da assistência prestada, mas é possível falar em termos de tendências, ou seja, uma estrutura mais adequada aumenta a probabilidade de a assistência prestada ser de melhor qualidade; · Processo: abrange todas as atividades envolvendo profissionais de saúde e pacientes, com base em padrões pré-estabelecidos. A partir destas relações é que se obtêm os resultados da assistência e a valoração da qualidade. A análise pode ser sob o ponto de vista técnico-assistencial e/ ou administrativo. Entre outros fatores, no processo apare- cem os aspectos éticos e da relação médico/profissional/ equipe de saúde-paciente. Em suma, tudo o que diz respeito ao tratamento diretamente e no momento em que ele está ocorrendo pode ser considerado como processo. · Resultado: é a obtenção das características desejáveis dos produtos ou serviços, retratando os efeitos da assistência na saúde do cliente da população. Dessa forma, é o produto final da assistência prestada, considerando saúde, satisfação de padrões e de expectativas. Contexto Independentemente dos tipos de programas adotados, os indicadores devem ser capazes de atender aos seguintes objetivos: melhorar a assistência ao usuário, fortalecer a confiança da clientela, atender às exigências de órgãos financiadores, reduzir custos e atrair e estimular o envolvimento dos profissionais. Nesse contexto, os estabelecimentos de saúde podem seravaliados de várias maneiras para cumprir as exigências legais, as condições de classificação segundo determinado critério ou condições de qualidade. Há pelo menos quatro categorias de avaliação no sistema de saúde brasileiro: 1. Habilitação ou Alvará: trata-se de uma avaliação executada pela autoridade sanitária jurisdicional, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária ou por entidade delegada para esse propósito. É uma pré-condição para o ingresso no processo de acreditação; 2. Categorização: refere-se à classificação de unidades ambulatoriais ou de internação, de acordo com critérios determinados como: graus de complexidade, de prevenção de riscos, de especialidades médicas e de outros serviços; 3. Programas de autoavaliação: são métodos de monitoração, como: reuniões anatomopatológicas, discussões de casos clínicos ou revisões de prontuários. Outras maneiras também podem ser utilizadas, considerando critérios explícitos e aceitáveis de desempenho, que são comparados com a atenção oferecida (controle de infecção, morbidade, grau de satisfação individual e da família, a referência e a contrarreferência entre uma rede de serviços); 4. Acreditação: é um procedimento de avaliação dos recursos institucionais, periódico e reservado para o reconhecimento da existência de padrões previamente definidos na estrutura, no processo e no resultado, com vistas a estimular e manter o desenvolvimento de uma cultura da qualidade. Constitui-se, essencialmente, em um programa de transformação da realidade, e não em uma forma de fiscalização. O Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar é o instrumento de avaliação da qualidade institucional que engloba todas as unidades do hospital, apresentando padrões de qualidade para cada uma, agrupados em três níveis de complexidade. · Requisitos de nível 1 (segurança-estrutura) e 2 (organização-processo) são aplicáveis aos serviços, setores ou unidades alocadas em uma das oito seções do instrumento de avaliação. O nível 3 (excelência na gestão-resultado) é aplicado às seções como um todo. Na enfermagem, sempre existiu uma ação informal para auferir a qualidade da assistência, representada pela preocupação dos enfermeiros em seguir rigorosamente os procedimentos executados, acreditando-se com isso que seriam assegurados os resultados almejados. Por essa ótica, entende-se que, no serviço de enfermagem, a gestão da qualidade da assistência volta-se para a prática profissional fundamentada no corpo do conhecimento da enfermagem, nas habilidades, nas crenças e valores individuais, profissionais e institucionais. Dentre os instrumentos de que o serviço de enfermagem dispõe para gestão da qualidade, os internos: comissão de avaliação interna da qualidade, constituída de elementos da equipe multidisciplinar, a comissão de auditoria em enfermagem, a comissão de ética em pesquisa, comissão de prevenção e controle de infecções hospitalares, comissão de educação permanente, comissão de gerenciamento de riscos, comissão de avaliação dos usuários e a parte externa: acreditação hospitalar. Dessa forma, validar indicadores conduz o enfermeiro encontrar respostas para diversas questões gerenciais, assistências, econômicas e legais, mostrando resultados em relação ao atendimento prestado e implementando ações de melhoria, fundamentadas em elevados padrões de qualidade. Outros aspectos a serem considerados para alcance da qualidade da assistência de enfermagem referem-se ao quantitativo de recursos humanos, à qualificação de seus profissionais, motivação de trabalho, remuneração salaria e outros. Conceitos importante Auditoria O termo auditoria tem sua origem no termo latino audite, que significa ouvir. É difícil precisar com exatidão a história do início da auditoria, que teve como raiz a área contábil para a verificação da veracidade dos dados econômico-financeiros apresentados. No Brasil, o processo de auditoria teve seu início no período colonial, quando a Colônia prestava contas à Coroa com relação ao recolhimento de tributos. O conceito de auditoria foi proposto por Lambeck, em 1956, tendo como premissa a avaliação de qualidade da atenção com base na observação direta, registros e história clínica do cliente. A Auditoria tem um papel de destaque no processo de consolidação do SUS, uma vez que contribui, de forma significativa, para alcançar as metas estabelecidas nos princípios básicos e éticos do atual sistema público de saúde. A auditoria pública procura analisar o funcionamento do SUS para evitar possíveis fraudes ou realizar correções nas distorções existentes, além de verificar a qualidade da assistência e o acesso dos usuários às ações e serviços de saúde. Funciona também como um mecanismo de controle interno do Ministério da Saúde (MS); propiciando, desta forma, um aumento da credibilidade e uma melhoria na qualidade da atenção à saúde, fortalecendo a cidadania. Ouvidoria As ouvidorias são canais democráticos de comunicação, destinados a receber manifestações dos cidadãos, incluindo reclamações, denúncias, sugestões, elogios e solicitação de informações. Por meio da mediação e da busca de equilíbrio entre os entes envolvidos (cidadão, órgãos e serviços do SUS), é papel da Ouvidoria efetuar o encaminhamento, a orientação, o acompanhamento da demanda e o retorno ao usuário, com o objetivo de propiciar uma resolução adequada aos problemas apresentados, de acordo com os princípios e diretrizes do SUS. As ouvidorias fortalecem o SUS e a defesa do direito à saúde da população por meio do incentivo à participação popular e da inclusão do cidadão no controle social. As ouvidorias são ferramentas estratégicas de promoção da cidadania em saúde e produção de informações que subsidiam as tomadas de decisão. O processo de avaliação tem caráter permanente e funciona a partir da perspectiva do usuário do SUS, contribuindo efetivamente para o aperfeiçoamento gradual e constante dos serviços públicos de saúde. As experiências de ouvidorias do SUS implantadas na União, estados e municípios contribui para a construção do Sistema Nacional de Ouvidorias, com vistas à descentralização do serviço e à identificação das reais necessidades da população. É imprescindível o compromisso dos gestores na tarefa de promover e estruturar canais abertos e acessíveis de comunicação com a população. OBJETIVO 4: Explicar e entender os indicadores e sua importância na avaliação de qualidade. De acordo com Donabedian, padrão é uma medida quantitativa, capaz de definir a qualidade almejada. Critério, por sua vez, é um atributo da estrutura, de processo ou resultado, capaz de direcionar essa mensuração da qualidade. O indicador é uma unidade de medida de uma atividade com a qual está relacionado, ou, ainda, uma medida quantitativa que pode ser usada como um guia para monitorar e avaliar a qualidade assistencial e gerencial de um serviço. Constata-se que os indicadores são construídos mediante uma expressão matemática, em que o numerador representa o total de eventos predefinidos e o denominador, a população de risco selecionada, observando-se a confiabilidade, a validade, a sensibilidade, a especificidade e o valor preditivo dos dados. Dessa forma, um indicador é um sinalizador que identifica ou dirige a atenção para assuntos específicos de resultados em uma organização de saúde, devendo periodicamente ser revisto. Os indicadores de saúde, tradicionalmente, são medidos (taxas, proporções, índices, percentuais, números absolutos ou fatos) que procuram sintetizar o efeito determinantes de natureza variada (sociais, econômicos, ambientais e biológicos), acerca do estado de saúde de determinada população. Dificilmente, um indicador, de maneira estanque, é capaz de retratar a realidade; é mais provável que um grupo de indicadores possa espelhar determinada situação. Logo, para garantir o acesso a um conjunto de indicadores, é fundamental a existência de um sistema de informação capaz de propiciar maiores e melhores elementos para sua construção e para a sua aplicabilidade. REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE,Cristina Isidio Rodrigues Aguiar et al. Qualidade em saúde: evolução e desafios no contexto brasileiro. Disponível em: https://www.dnvgl.com.br/Images/Saude_QualidadeEmSaude-compressed_tcm19-103071.pdf. Acesso em 9 de abril de 2021. GALDINO, Simone Vasconcelos et al. Ferramentas de qualidade na gestão dos serviços de saúde: revisão integrativa de literatura. Revista Eletrônica Gestão & Saúde ISSN: 1982-4785 Galdino SV, Reis EMB, Santos CB, et al. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/rgs/article/view/3569. Acesso em 9 de abril de 2021. Gerenciamento em enfermagem / coordenadora Paulina Kurcgant; autoras Daisy Maria Rizatto Tronchin... [et al.]. – 2.ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. 2 image1.png image2.png