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Hemostasia Normal Parte 14 Resumo dos capítulos Capítulo 58 Estrutura e funções das Células Endoteliais e das Plaquetas Capítulo 59 Fisiologia da Coagulação, Fibrinólise e Controle da Coagulação Capítulo 60 Avaliação Laboratorial da Hemostasia Estrutura e Funções das Células Endoteliais e das Plaquetas Vânia Maris Morelli c a p í t u l o 58 INTRODUÇÃO A hemostasia é composta por uma sequência de even- tos integrados que englobam vasos sanguíneos, plaquetas, fatores de coagulação, anticoagulantes naturais, proteínas da fi rin lise e seus ini idores. o etivo da emostasia é interromper sangramentos provenientes de lesão vascular. p s lesão vascular a resposta prim ria da emostasia a qual envolve o endotélio vascular e plaquetas, resulta na formação de um trom o pla uet rio cu o efeito emos- t tico é transit rio. ativação dos fatores de coagulação culminar na geração de trom ina e su se uentemente de uma rede de fi rina ue reforçar e esta ili ar o trom o. s anticoagulantes naturais controlarão a ação dos fatores de coagulação, impedindo que a geração de trombina e de fi rina se a e cessiva. Finalmente a fi rin lise dissolver gradualmente a rede de fi rina garantindo um u o san- guíneo normal ao longo do leito vascular. s células endo- teliais e as pla uetas são o o eto deste capítulo. CÉLULAS ENDOTELIAIS Estrutura das células endoteliais s principais tipos celulares que constituem a parede de um vaso sanguíneo normal são as células endoteliais, as cé- lulas musculares lisas (camada média) e elementos do tecido conectivo como os fi ro lastos (camada adventícia).1 As células endoteliais constituem a superfície interna dos vasos sanguíneos e estão em contato com o subendotélio, que é uma matri e tracelular composta por uma série de proteínas de adesão como col geno laminina fi ronectina vitronec- tina e trom ospondina. As células endoteliais contêm estruturas intracelulares es- pecíficas denominadas corpúsculos de Weibel-Palade, que são organelas que arma enam proteínas, contendo caracteristica- mente o Fator de on ille rand (F ) e a P-selectina.1,2 Funções das células endoteliais endotélio vascular é uma estrutura meta olicamente ativa, que permite o intercâmbio entre os constituintes do sangue e o e travascular. s células endoteliais regulam o t nus vascular e garantem uma superfície antitrom tica para o u o sanguíneo.1 Entretanto ap s lesão vascular ou frente a determinados estímulos como citocinas in amat - rias as células endoteliais passam a e pressar propriedades procoagulantes. endotélio vascular é um elemento central da emos- tasia medida ue produ diversos fatores ue modulam a função pla uet ria a coagulação e a fi rin lise. seguir são descritas as principais funções das células endoteliais, as uais estão resumidas na Figura . . Papel do endotélio na regulação do tônus vascular e na função plaquetária endotélio in uencia o t nus vascular e a função pla- uet ria pela li eração de su st ncias como ido nítrico prostaciclina fator de ativação pla uet ria e endotelina.1,2 � Óxido nítrico. o mais importante vasodilatador proveniente do endotélio vascular; é também um ini idor da função pla uet ria. síntese de ido nítrico ocorre por ação de uma en ima o ido ní- trico sintetase, a partir da L-arginina. síntese do ido nítrico é estimulada por agentes como ade- nosina difosfato, bradicinina, substância P, agonistas muscarínicos e pelas condições de shear stress.1,2 � Prostaciclina (PGI2). um potente vasodilatador além de ini ir a função pla uet ria. P é um eicosanoide derivado do cido ara uid nico sinte- ti ado nas células endoteliais. Trom ina istamina e radicinina são e emplos de agonistas fisiol gicos da síntese da P .1,2 571 572 Tratado de Hematologia � Fator de ativação plaquetária (Platelet Activa- ting Factor – PAF). Molécula de estrutura fosfoli- pídica que promove a vasoconstrição e a adesão de leuc citos no endotélio.2 � Endotelina. As endotelinas compreendem uma famí- lia de peptídeos produ idos por diversos tipos celula- res. endotélio sinteti a a endotelina- ue promove a elevação do c lcio intracelular aumento do t nus da musculatura lisa resultando em vasoconstrição.2 Papel do endotélio na coagulação Propriedades anticoagulantes célula endotelial íntegra est envolvida em v rios mecanismos reguladores da geração de trombina e, conse- uentemente da formação do co gulo de fi rina. � Glicosaminoglicanos: As células endoteliais sin- teti am e e pressam glicosaminoglicanos como Heparan sulfato e Dermatan sulfato, os quais poten- ciali am a atividade de ini idores de serino protea- ses como antitrom ina e cofator da eparina.1,2 A antitrombina é um potente inibidor de serino pro- teases como a trom ina e o fator a. � Componentes da via da proteína C: As células endoteliais sinteti am e e pressam componentes essenciais para ativação e função da proteína C, um anticoagulante natural sinteti ado no fígado. Trom- omodulina (TM) é uma proteína sinteti ada pelas células endoteliais ue ao formar um comple o com a trom ina ativa a proteína C.3 A proteína C ativada promove a prote lise dos cofatores a e a inati- vando-os e, consequentemente, inibindo a formação de trom ina. proteína S sinteti ada pelo fígado e tam ém pelas células endoteliais e erce a função de cofator da proteína C na inativação dos cofatores a e a.3 célula endotelial e pressa outro elemen- to envolvido na ativação da proteína C, o chamado receptor endotelial da proteína C. receptor endo- telial ao se ligar na proteína C potenciali a a ativação da mesma pelo comple o trom ina-TM.3 � Inibidor da via do fator tecidual (Tissue Factor Pathway Inhibitor – TFPI): TFPI inibe a ativa- ção da coagulação dependente do fator tecidual ao interagir inicialmente com o fator a. comple o TFPI-fator a liga-se então ao fator a-fator te- Figura 58.1 Inter-relações das células endoteliais na hemostasia. AT (Antitrombina), PC (Proteína C), TM (Trombomodulina), EPCR (Endo- thelial Protein C Receptor – Receptor Endotelial da Proteína C), TFPI (Tissue Factor Pathway Inhibitor – Inibidor da Via do Fator Tecidual), FT (Fator Tecidual), ON (Óxido Nítrico), PGI2 (Prostaciclina), PAI-1 (Plasminogen Activator Inhibitor – Inibidor do Ativador de Plasminogênio), t-PA (tissue Plasminogen Activator – Ativador tecidual do Plasminogênio), PAF (Platelet Activating Factor – Fator de Ativação Plaquetária). 573Capítulo 58 y Estrutura e Funções das Células Endoteliais e das Plaquetas cidual, resultando na geração de um comple o ua- tern rio (TFPI fator a-fator a-fator tecidual) o ual não possui atividade catalítica.4 Propriedades procoagulantes Em circunstâncias normais, as plaquetas circulantes não interagem com o endotélio vascular. Da mesma forma em condiç es de integridade vascular o fator tecidual locali a- -se nas camadas média e adventícia da parede do vaso, e, portanto não est em contato com o sangue circulante. uando ocorre lesão vascular elementos da matri e - tracelular que compõem o subendotélio e o fator tecidual são e postos ao sangue circulante iniciando a formação de um trom o na parede do vaso. esse processo as pla- quetas aderem-se ao subendotélio, são ativadas e agregam- -se umas às outras, através de proteínas de adesão, como o F e o fi rinog nio. fator tecidual ao ser e presso inicia a ativação da coagulação por meio da formação de um comple o com o fator a culminando na geração de trom ina e de fi rina. Além da lesão vascular, estímulos como citocinas in- amat rias e lipopolissacarídeos indu em a e pressão do fator tecidual na célula endotelial, resultando na ativação da coagulação. Papel do endotélio na fibrinólise s células endoteliais sinteti am componentes do sis- tema fi rinolítico como o ativador tecidual do plasmino- gênio (Tissue Plasminogen Activator – t-PA).1,2 t-PA forma um comple o com o plasminog nio na superfície do co- gulo de fi rina ativando o plasminog nio em plasmina ue então degrada a rede fi rina. Por outro lado a célula endotelial também secreta o inibidor do ativador de plas- minogênio (Plasminogen Activator Inhibitor – PAI-1), que é o principal inibidor do t-PA.1,2 Interação do endotélio com células sanguíneas endotélio vascular possui funç es ue vão além da emostasia. s células endoteliais e pressam moléculas de adesão ue regulam a adesão e a migração de leuc citos do intravascular para os tecidos.2 São e emplos de moléculas de adesão e pressas no endotélio vascular selectinas moléculas de adesão intercelular (Intercellular Adhesion Molecule – ICAM- 1, ICAM-2), molécula de adesão vascular (Vascular Adhesion Molecule – VCAM) e moléculas de adesão celular plaqueta-en- dotélio (Platelet Endothelial Cell Adhesion Molecule – PECAM). Ademais, as células endoteliais participam da resposta imune através da apresentação antig nica aos linf citos T.2 PLAQUETAS s pla uetas são fragmentos de megacari citos anuclea- dos com forma discoide e volume de cerca de .6 Em condiç es normais as pla uetas estão em apro imadamente mil a mil µ no sangue periférico. Estima-se ue o seu período de vida na circulação se a de a dias sen- do ue aço fígado e medula ssea são os principais locais de remoção das pla uetas da circulação. pro imadamente um terço do total da massa pla uet ria encontra-se no aço.6 pesar de apar ncia morfol gica simples na microscopia p- tica as pla uetas são funcionalmente comple as permitin- do-l es r pido recon ecimento da lesão vascular. Estrutura das plaquetas mem rana pla uet ria é rica em glicoproteínas e lípi- des, sobretudo fosfolípides. Com relação distri uição fos- folipídica as formas neutras estão locali adas principalmente na parte e terna da mem rana en uanto as ani nicas como a fosfatidilserina concentram-se internamente.6 Quando as plaquetas são ativadas, os fosfolípides carregados negativa- mente são e postos oferecendo uma superfície ideal para a associação e a interação de diversos fatores da coagulação, processo ue culmina na geração de trom ina e de fi rina.7 citoes ueleto contri ui para manter a forma discoide das plaquetas não ativadas, sendo composto por um siste- ma circunferencial de microtúbulos de constituição protei- ca e por filamentos de actina. s pla uetas contam tam ém com um sistema canalicular que começa na membrana plas- m tica e ue permite o interc m io de su st ncias entre os compartimentos e tras e intracelulares. sistema tu ular denso proveniente do retículo endoplasm tico se uestra c lcio li erando-o na ativação pla uet ria.6 citoplasma das pla uetas contém organelas como mitocôndrias, lisossomos e grânulos, denominados corpús- culos densos e grânulos-α. s principais constituintes dos corpúsculos densos são Adenosina Difosfato (ADP), Ade- nosina Trifosfato ( TP) serotonina pirofosfato e c lcio.6 conte do dos gr nulos-α inclui proteínas presentes no plasma e ue não são necessariamente sinteti adas pe- los megacari citos. sto por ue as pla uetas são capa es de incorporar proteínas plasm ticas em seus gr nulos-α. São inúmeros os constituintes dos grânulos-α, como proteínas de adesão (trom ospondina F fi rinog nio fi ronec- tina, vitronectina e P-selectina), receptores de membrana (glicoproteína a) fatores de coagulação ( e ) ini idores da fi rin lise (P - e α2-antiplasmina), anticoagulantes naturais (antitrom ina e proteína S) ui- miocinas, albumina, imunoglobulinas, fatores de cresci- mento e ini idores da angiog nese. s licoproteínas ( Ps) e pressas na mem rana pla- uet ria funcionam como receptores das proteínas de adesão e estão envolvidas em diversas etapas da função pla- uet ria. São representadas principalmente pelo grupo das integrinas e das glicoproteínas ricas em leucina.9 Ta ela . mostra as principais Ps pla uet rias variaç es em suas nomenclaturas e as proteínas nas uais elas se ligam. Funções das plaquetas Formação do trombo plaquetário Em circunstâncias normais, as plaquetas circulantes não interagem com a parede do vaso porém ap s lesão vascular são capa es de responder rapidamente s propriedades trom- 574 Tratado de Hematologia og nicas das células endoteliais. Frente lesão vascular ele- mentos da matri e tracelular ue comp em o su endotélio são e postos. s pla uetas irão aderir ao su endotélio e se- rão ativadas e agregadas umas às outras, culminado com a formação de um trom o na parede do vaso. u o sanguíneo tem papel fundamental na emos- tasia sendo capa de in uenciar a din mica da formação do trom o. velocidade do sangue é menor pr imo parede do vaso uando comparada ao centro onde é maior. sto cria camadas ustapostas com diferentes velocidades de u o o ue gera uma espécie de atrito entre elas denomi- nado shear stress.11 Em regi es onde alto shear stress, como nas pequenas artérias, arteríolas e artérias estenosadas, a interação inicial entre pla uetas e o F assume e trema import ncia para garantir a adesão pla uet ria ao su endo- télio e o início da formação do trom o.7,12 p s lesão vascular e em locais de elevado shear stress, a adesão pla uet ria ao su endotélio ocorre por meio da in- teração do receptor pla uet rio P com o F . ormalmente o F não interage com as pla uetas. En- tretanto com a lesão vascular o F liga-se ao col geno e posto e so condiç es de elevado shear stress sofre mu- danças em sua conformação e pondo o seu sítio de ligação para a P . Em regi es de ai o shear stress, o col geno é capa de mediar a adesão pla uet ria atra- vés da interação com os receptores pla uet rios P a a e P .9 Fi ronectina trom ospondina e laminina são e emplos de proteínas adesivas presentes na matri e tra- celular envolvidas também na interação entre plaquetas e su endotélio. adesão desencadeia a ativação pla uet ria com o re- crutamento de mais plaquetas para o local da lesão vascu- lar. Uma ve ativadas as pla uetas passam a e pressar em sua superfície a P a.9 Em um fenômeno conhecido como agregação o F e o fi rinog nio formam pontes entre pla uetas ad acentes através da ligação com a P a culminado com a formação do trom o pla uet - rio.7,9,13 ini ição da função pla uet ria nessa etapa pode ser feita por meio de drogas que agem como antagonistas da P a como ci ima Eptifi atide e Tirofi an.7 ativação pla uet ria é modulada por agonistas ue ao se ligarem em seus receptores, desencadeiam a liberação de constituintes dos gr nulos pla uet rios e a síntese de novos agonistas amplificando o fen meno de ativação.12 s prin- cipais agonistas da ativação pla uet ria são representados pela trom ina DP trom o ano 2 serotonina col geno e epinefrina. Figura . resume as etapas da ativação pla uet ria. s receptores pla uet rios associam-se a um sistema de proteínas presentes na membrana, denominadas proteínas .9,11 Uma ve ocorrida a interação entre o agonista e o receptor o sistema de proteínas ir promover a ativação de fosfolipases.9,11 principal via de ativação pla uet ria envolve a fosfolipase C ue idrolisa o Fosfatidilinositol da mem rana pla uet ria gerando v rios compostos lipí- dicos que funcionam como segundos mensageiros, sendo os mais importantes o Diacilglicerol (D ) e o nositol- -trifosfato ( P ).9,11 D ativa a proteínocinase C o ue resulta na alte- ração da conformação da P a tornando possível a ligação com proteínas de adesão como o fi rinog nio no processo de agregação pla uet ria.9,11 P liga-se em receptores de membrana do sistema tubular denso, promovendo a mo ili ação do c lcio intracelular. c l- cio participa de diversas fases da hemostasia, envolvendo as pla uetas como a ativação do sistema contr til actina- -miosina, que resulta na mudança da forma discoide para esférica e li eração do conte do dos gr nulos pla uet rios. c lcio tam ém contri ui para a ativação da fosfolipa- se A2 li erando o cido ara uid nico da memrana fosfo- lipídica. ciclo igenase transforma o cido ara uid nico em endoper idos ue são convertidos em trom o ane 2 pela ação da trom o ane sintetase.12 ciclo igenase é o alvo da Aspirina, que promove a acetilação dos resíduos de serina inativando irreversivelmente a en ima e desta for- ma ini indo a função pla uet ria.12 s receptores de DP na superfície da pla ueta são denominados P2Y1 e P2Y12, sendo que as tienopiridinas (Ticlopidina Clopidogrel e Prasugrel) são uma classe de inibidores dos receptores P2Y12 utili ados clinicamente por sua atividade antipla uet ria.12 A trombina é um dos mais potentes agonistas da função pla uet ria e ativa a pla ueta através da ligação e clivagem dos c amados receptores ativ veis por proteases (Protease- -Activated Receptor – PAR), presentes na superfície da pla- ueta. PAR1 e PAR4 são os receptores de trombina nas pla uetas umanas.12 � Inibição da ativação plaquetária. principal me- canismo ini idor da ativação pla uet ria é represen- tado pelo MPc (adenosina monofosfato cíclico). prostaciclina liberada pelas células endoteliais ativa Ta be la 58 .1 Glicoproteínas (GP) plaquetárias e suas principais pro- teínas de adesão. Glicoproteínas Proteínas de adesão GP IIb/IIIa (αIIbβ3) Fibrinogênio, fator de von Willebrand GP Ia/IIa (α2β1) Colágeno GP Ib/V/IX Fator de von Willebrand GP Ic/IIa (α5β1) Fibronectina GP IV Trombospondina αvβ3 Vitronectina α6β1 Laminina GP VI Colágeno 575Capítulo 58 y Estrutura e Funções das Células Endoteliais e das Plaquetas a adenilciclase, que catalisa a formação do AMPc a partir do TP.6,9 aumento de MPc ir ini ir a li eração do c lcio citoplasm tico do sistema tu u- lar denso e, dessa forma, impedir a ação de diversas en imas envolvidas na ativação pla uet ria. A função plaquetária além da hemostasia A plaqueta possui propriedades que vão além da he- mostasia. s gr nulos-α são ricos não somente em fatores de coagulação mas em diversas proteínas associadas in a- mação e angiog nese. Por e emplo a P-selectina presente nos grânulos-α ao ser e pressa na superfície da mem rana pla uet ria ap s ativação ir mediar a interação das pla- uetas com diversas células como mon citos neutr filos linf citos e células endoteliais. demais os gr nulos-α são ricos em uimiocinas ue modulam a resposta in amat ria e fatores de crescimento ue participam da angiog nese. Como perspectiva, ressalta-se a necessidade de um melhor entendimento da função pla uet ria além da emostasia e de seu potencial significado clínico. Figura 58.2 Ativação plaquetária. PG (Proteína G), FLC (Fosfolipase C), DG (Diacilglicerol), IP3 (Inositol-trifosfato). 1. S ami P odgers M. Endot elium angiogenesis and t e regulation of emostasis. n reer P Foerster odgers M Paras evas F lader r er D et al. intro e s Clinical Hematolog . t ed. P iladelp ia ippincott illiams il ins . p. - . 2. it- ufella H Maur E e ou S uidet ffenstadt . T e endot elium p siological functions and role in mi- crocirculator failure during severe sepsis. ntensive Care Med. ( ) - . 3. Da l c illoutrei . T e anticoagulant protein C pat a . FE S ett. ( ) - . 4. Cra le T ane D . T e aemostatic role of tissue factor pat a in i itor. rterioscler T rom asc iol. ( ) - . R EF ERÊNC IA S B IBL IOGRÁ F ICA S 576 Tratado de Hematologia 5. Furie Furie C. Mec anisms of t rom us formation. Engl Med. ( ) - . 6. Calverle DC T ienelt CD. Platelet structure and function in emostasis and t rom osis. n reer P Foerster od- gers M Paras evas F lader r er D et al. intro e s Clinical Hematolog . t ed. P iladelp ia ippincott illiams il ins . p. - . 7. en erg EC Mei ers C evi M. Platelet-vessel all interaction in ealt and disease. et Med. ( ) - . 8. lair P Flaumen aft . Platelet alp a-granules asic iolog and clinical correlates. lood ev. ( ) - . 9. ennings . ole of platelets in at erot rom osis. m Cardiol. ( Suppl) - . 10. uggeri M. Platelet ad esion under o . Microcirculation. ( ) - . 11. arga-S a o D Pleines ies andt . Cell ad esion mec anisms in platelets. rterioscler T rom asc iol. ( ) - . 12. ngiolillo D Ueno M oto S. asic principles of platelet iolog and clinical implications. Circ . ( ) - . 13. u ttens P T i s T Dec m n H roos . Platelet ad esion to collagen. T rom es. (Suppl ) S -S . Fisiologia da Coagulação, Fibrinólise e Controle da Coagulação Suely Meireles Rezende c a p í t u l o 59 INTRODUÇÃO Coagulação refere-se ao processo que leva à formação de fi rina. Hemostasia refere-se coagulação fisiol gica ue ocorre em resposta ao dano vascular. Trombose é o processo de coagulação patol gica com formação de um co gulo loca- li ado ue pode c egar a ocluir o vaso. Fibrinólise refere-se ao processo de dissolução do co gulo e atua so re a fi rina formada.1 rios componentes participam do processo de coagu- lação dentre os uais as proteínas plasm ticas ( imog nios de serinoproteases e cofatores) células (pla uetas endotélio e outras células sanguíneas) e íons (principalmente o c lcio)2 (Ta ela . ). s serinoproteases são su st ncias similares s Tab e la 5 9 .1 Lista de proteínas envolvidas no processo da coagulação e controle da coagulação com respectivas localizações cromos- sômicas, nível hemostático, meia-vida e função. (N/A, não se aplica). Componente Localização cromossômica Nível hemostático Meia-vida Função Fator I (Fibrinogênio) 4 50 mg/dL 4-6 dias Precursor Fator II (Protrombina) 11 20% 2-3 dias Zimogênio Fator III (Fator tecidual) 1 N/A N/A Cofator Fator IV (Íon cálcio) N/A N/A N/A Cofator Fator V (Fator lábil ou Pró-acelerina) 1 25% 12-36 horas Pró-cofator Fator VII (Fator estável ou Pró-convertina) 13 20% 4-6 horas Zimogênio Fator VIII (Fator anti-hemofílico) X 30% 8-12 horas Pró-cofator Fator IX (Fator de Christmas) X 30% 1-2 dias Zimogênio Fator X (Fator de Stuart-Prower) 13 25% 30 horas Zimogênio Fator XI (Antecedente Tromboplastina Plasmática) 4 25% 2-3 dias Zimogênio Fator XIII (Fator estabilizante da fibrina) 1, 6 2-3% 7-10 dias Zimogênio Fator de von Willebrand 12 50% 30 horas Carreador Trombomodulina 20 N/A N/A Cofator Antitrombina 1 12-18 horas Inibidor Proteína C 2 4-6 horas Inibidor, zimogênio Proteína S 3 60 horas Inibidor, cofator 577 578 Tratado de Hematologia proteases digestivas (tripsina e uimiotripsina) do ponto de vis- ta funcional e estrutural ue necessitam ser convertidas de sua forma inativa ( imog nio) para sua forma en imaticamente ativa através de prote lise parcial. s células são componentes fundamentais para o processo de coagulação. Sua mem rana oferece superfície fosfolipídica para ancoramento de proteínas e amplificação da coagulação (comple os tenase e protrom i- nase) na presença dos íons c lcio.3 Dessa forma o processo da coagulação tem a potencialidade de amplificar um pe ueno estímulo inicial em um tampão emost tico composto por fi- rina e pla uetas ativadas. Esse processo é din mico e envolve tr s etapas iniciação amplificação e propagação.4 regulação da coagulação ocorre em diferentes níveis sendo classificada em tr s vias por regulação da coa- gulação ocorre em diferentes níveis e envolve tr s vias da Proteína C (PC) da ntitrom ina ( T) e do ni idor da ia do Fator Tecidual ( FT). COAGULAÇÃO Iniciação etapa ue d início coagulação ocorre em resposta ao dano vascular ue e p e o su endotélio ao sangue. s pla uetas aderem ao local danificado por meio de v rias interaç es. fator de von ille rand (Fv ) ue normal- mente circula no plasma pode ligar-se ao col geno e posto da matri e tracelular e licoproteína ( p) presente na superfície pla uet ria. Uma ve pr imas ao su endo- télio as pla uetas se ligam ao col geno pela p . Essa ligação promove uma sinali ação em cascata e ativação das integrinas pla uet rias ue mediam a ligação das pla uetas com o su endotélio (adesão pla uet ria).6 Paralelamente ao processo pla uet rioo Fator Tecidual (FT) presente no su endotélio é e posto e se liga ao F circulante no plasma. FT é uma glicoproteína transmem- rana com altos níveis de e pressão no coração cére ro pul- mão testículos placenta e rins.6 FT atua como receptor e cofator para o F . Uma ve comple ados o F é rapida- mente convertido a F ativado (F a) e o comple o FT F a resultante ativa os fatores e .7 s fatores a e a possuem distintas e separadas funç es na iniciação da coagu- lação. F a se liga ao F a e converte pe uenas uantida- des de protrom ina em trom ina. fonte do F a para essa reação parece ser proveniente dos gr nulos α das plaquetas aderidas. uantidade de trom ina inicialmente gerada é in- suficiente para a formação do co gulo mas é suficiente para retroalimentar a coagulação através da ativação dos fatores e e de receptores da superfície pla uet ria. Amplificação etapa de amplificação inicia-se a partir do efeito de pe- uenas uantidades de trom ina gerada na etapa de iniciação so re os receptores pla uet rios e fatores da coagulação. ação da trom ina so re as pla uetas ocorre de diversas for- mas. trom ina liga-se avidamente a p . Mediante essa ligação a trom ina sofre uma alteração conformacional ue permite a clivagem dos receptores tivadores de Protease Pla uet ria (P ) pela trom ina. PAR são proteínas trans- mem ranas presentes nas pla uetas. interação da trom i- na com o PAR- engatil a um processo de sinali ação em cascata ue resulta na ativação pla uet ria. Essa ativação leva a v rias alteraç es tais como (i) mudança no citoes ue- leto pla uet rio com modificação da forma da pla ueta (ii) aumento da e pressão de Fosfatidilserina (FS) na superfície e terna da pla ueta fato crucial para o incremento da ativi- dade coagulante. FS é um fosfolípide normalmente pre- sente na porção interna da mem rana pla uet ria. uando as pla uetas são ativadas a FS migra para a porção e terna da mem rana permitindo a formação dos comple os de amplificação da coagulação os comple os tenase e protrom- inase (Figura . ). Esses comple os são formados pela congregação de fatores cofatores e íons na superfície das pla uetas (iii) desgranulação pla uet ria com li eração dos conte dos dos gr nulos α e denso. conte do dos gr nulos densos em especial o Difosfato de denosina ( DP) e erce uma retroalimentação positiva nas pla uetas ad acentes para promover ativação pla uet ria adicional. F parcialmente ativado presente nos gr nulos α é rapidamente convertido para a forma completamente ativa por ação da trom ina ou do F a. a etapa de amplificação a trom ina age principalmente através da ativação do F e do F pla uet rio ou F plas- m tico ligado a pla uetas. ação da trom ina so re o F ativa-o e promove sua dissociação do Fv . ssim a etapa de amplificação resulta na geração de pla uetas ativadas ue pos- suem os cofatores a e a ligados em sua superfície.2-4 Propagação s pla uetas ativadas untamente com os cofatores a e a ligados em sua superfície funcionam como plataforma para o ancoramento de proteínas e formação dos comple os tenase e protrom inase na superfície pla uet ria. F a for- mado durante a etapa de iniciação liga-se s pla uetas ativadas de duas formas dependente e independente do F a. a ação dependente do F ocorre a formação do comple o F a a (comple o tenase) ue ativa o F na superfície pla uet ria. F a ligado a pla ueta forma um comple o com o F a tam ém ligado a pla ueta (comple o protrom i- nase) ue é capa de converter protrom ina em trom ina.2-4 trom ina cliva o fi rinog nio e ao li erar dois pe- uenos radicais aminados das su unidades α e β (fi rino- péptides e ) converte o fi rinog nio em mon meros de fi rina. Esses mon meros se agregam espontaneamente em protofi rilas. Por ltimo a trom ina ativa o F ue esta ili a essas protofi rilas e torna o co gulo est vel.1 dicionalmente a trom ina ativa o F na superfície pla uet ria através de retroalimentação positiva.8 F a pode ativar o F a aumentando assim a geração de F a.8 inda a trom ina pode clivar PAR-4 contri uindo assim para mudanças na forma da pla ueta e maior esta ili ação do co gulo. 579Capítulo 59 y Fisiologia da Coagulação, Fibrinólise e Controle da Coagulação Fibrinólise fi rin lise refere-se ao processo de lise do co gulo. corre pela ação do sistema fi rinolítico ue atua so re a fi- rina formada envolvendo v rias proteínas ( ) a proen ima inativa Plasminog nio (Pg) ( ) seus respectivos ativadores o ativador do plasminog nio tecidual (t-P ) e o ativador de Plasminog nio urocinase (u-P ) ( ) os ini idores da ativação de plasminog nio ni idor do tivador de Plasminog nio- (P - ) e o ni idor do tivador de Plasminog nio- (P - ) ( ) os ini idores da plasmina a α2-antiplasmina (α2- P) e a α2-Macroglo ulina (α -M ) e ( ) o ini idor do sistema fi rinolítico denominado ini idor Fi rinolítico tivado pela Trom ina (T F ) (Figura . ). fi rin lise se inicia uando o Pg circulante se adere ao co gulo e é convertido em plasmina através da ação do tP li erado pelo endotélio vascular. fi rina uma ve formada atua como cofator para a conversão de Pg em plasmina o principal mediador da fi rin lise. plasmina cliva os resíduos de lisina das cadeias e da molécula de fi- rina resultando na formação de produtos de degradação da fi rina. Essa estrutura de fi rina alterada dei a e posta a porção car o i-terminal dos resíduos de lisina ue propi- ciam sítios adicionais para a ligação de plasmina e t-P ue contri uem para a propagação da fi rin lise. regulação da fi rin lise ocorre principalmente através da ação do P - da α - P e do T F . P - é pro- du ido pelo endotélio vascular e pla uetas e ini e o t-P e u-P . α - P ini e a ação da plasmina. a presença de Trom omodulina (TM) o T F ue é ativado pela trom- ina ini e a fi rin lise através da modificação do su strato da fi rina. ssim o T F a elimina os resíduos C-terminais de arginina e lisina da fi rina parcialmente degradada re- sultando em menor ligação e ativação do Pg na superfície da fi rina. REGULAÇÃO DA COAGULAÇÃO controle da coagulação envolve diferentes vias em níveis diversos do processo da coagulação (Figura . ) (i) FT. Essa via regula a fase inicial da etapa de iniciação da coagulação. FT se liga e ini e o F a ue se encontra ligado ao comple o FT-F a. Se ina- tivado pelo FT o F a somente pode ser produ ido Figura 59.1 Representação esquemática do processo de coagulação in vivo. A coagulação se inicia após dano vascular e exposição do fator tecidual. As setas curvas em cor cinza representam as vias de ativação; as setas em cor vermelha representam as vias de retroativação dos fatores V, VIII e IX pela trombina e da ativação do fator XIII. Abreviações: a: ativado; FT: Fator Tecidual. 580 Tratado de Hematologia via comple o F a a11 (ii) T. T é o ini idor prim rio da trom ina assim como de v rias outras pro- teases ativadas (fatores a a a a e calicreína) especialmente uando essas proteínas não estão ligadas aos seus respectivos cofatores. T é um ini idor fra- co da maioria das proteases mas sua ação é acelerada em mais de mil ve es pela eparina ou su st ncias similares presentes na superfície das células endoteliais e (iii) PC. Essa via ini e os cofatores a e a. PC é um imog nio dependente da vitamina ue tem como receptor uma proteína transmem rana a TM 14 que tam- ém interage com a trom ina. eceptor Endotelial da PC ( EPC) aumenta a ativação da PC pelo comple o trom ina TM ue ativa a PC. PC ativada (PCa) ao ser li erada do comple o inativa os cofatores a e a. Proteína S (PS) outra proteína dependente da vitamina atua como cofator da PCa acelerando a inativação dos cofatores a e a. PS livre pode ainda ini ir o comple o tenase e protrom inase independentemente da PC (Figura . ). utra proteína anticoagulante cu a ação foi recente- mente esclarecida é a Proteína(P ). Esta é um imog - nio dependente da vitamina ue atua como cofator para o ini idor de protease dependente da P ( P ) ue é um ini idor específico do fator a (Figura . ). ini ição do fator a pela P é incrementada em cerca de mil ve es pela P na presença de c lcio e F .17 Considerações sobre as vias intrínseca e extrínseca e sobre o modelo de cascata de coagulação Durante muitos anos o modelo da coagulação era com- preendido como uma se u ncia de reaç es proteolíticas em cascata com a participação somente de componentes proteicos.18 Entretanto estudos clínicos e o servaç es e perimentais recentes demonstraram ue as reaç es de coagulação ocorrem como processos simult neos nas su- perfícies celulares tal como descrito nas sess es anterio- res deste capítulo.4 s componentes das denominadas vias e trínseca e intrínseca participam da iniciação e propaga- ção da coagulação respectivamente assumindo papéis dis- tintos e complementares. Situaç es ue reforçam o modelo celular são (i) a ine ist ncia de tend ncia emorr gica nas defici ncias dos fatores pré-calicreína e cininog nio de alto peso molecular (ainda ue esses componentes alterem significativamente os ensaios de coagulação in vitro em es- pecial o tempo de trom oplastina ativado TPP ) (ii) a tend ncia emorr gica nas defici ncias de fatores e considerando ue a via e trínseca intacta poderia ser um camin o alternativo mediante um desvio e (iii) a ocor- r ncia de emorragia em pacientes com defici ncia de fator apesar de a via intrínseca estar preservada. Essas o - servaç es demonstram ue é pouco prov vel ue as vias in- trínseca e e trínseca operem de modo independente in vivo.4 Figura 59.2 Representação esquemática da degradação da fibrina pelo sistema fibrinolítico. O plasminogênio é ativado pelo t-PA ou pelo u-PA, que são regulados pelo PAI-1. A plasmina degrada fibrina e é regulada pela α2-AP. A trombina converte fibrinogênio em fibrina, ativa TAFI, que inibe a fibrinólise. A ativação do TAFI é acelerada pela trombomodulina. As linhas pontilhadas indicam inibição e as linhas cheias ativação das vias. Abreviações: t-PA, ativador de plasminogênio tecidual; u-PA: ativador de Plasminogênio urocinase; PAI-1: inibidor do ativador de Plasminogênio 1; α2-AP: α2-Antiplasmina; PDF: Produto de Degradação da Fibrina; TAFI: Inibidor Fibrinolítico Ativado pela Trombina; TM: Trombomodulina.1 581Capítulo 59 y Fisiologia da Coagulação, Fibrinólise e Controle da Coagulação Considerações sobre o endotélio vascular e plaquetas endotélio apresenta um papel crucial na emostasia. superfície luminar do endotélio normal e i e proprieda- des antitrom ticas em função da (i) e posição de glicosa- minas semel antes a eparina carregadas negativamente e fosfolípides neutros na camada e terna das mem ranas das células (ii) secreção de ini idores de pla uetas incluindo prostaciclinas e ido nítrico (iii) secreção de ini idores da coagulação como TM PS e FT e (iv) secreção de ativa- dores da fi rin lise como o u-P e t-P . uando ativa- das por lesão tecidual ou estímulo agressivo como citocinas in amat rias endoto inas ou ip ia as propriedades an- titrom ticas das células endoteliais convertem-se em pro- priedades protrom ticas caracteri adas pela e posição de FT fosfolípides ani nicos na superfície e terna da mem- rana celular secreção de ativadores de pla uetas e posi- ção de receptores para fatores de coagulação e cofatores e secreção de ini idores da fi rin lise. Por outro lado o su- endotélio possui componentes altamente trom og nicos tais como col geno Fv e outras moléculas envolvidas na adesão agregação pla uet ria. s pla uetas são células discoides anucleadas com mem- rana citoplasm tica trilaminar constituída por icamada fosfolipídica enri uecida de colesterol glicolipídeos e gli- coproteínas ue atuam como receptores. nternamente as pla uetas são constituídas por um comple o sistema de mem ranas organelas e gr nulos denso e α que possuem papel crítico na função pla uet ria. Mais de tre entas proteí- nas são integrantes dos gr nulos pla uet rios. s gr nulos densos cont m principalmente DP Trifosfato de denosi- na ( TP) serotonina e c lcio. s gr nulos α cont m dentre outros componentes Fv fator pla uet rio o fator de crescimento derivado de pla ueta fi rinog nio fi ronecti- na vitronectina trom ospondina fator e P-selectina. Figura 59.3 Representação esquemática do controle da coagulação. As três principais vias de controle da coagulação são: a da proteína C/proteína S, antitrombina e do inibidor da via do fator tecidual. As linhas pontilhadas indicam inibição e as linhas cheias e curvas ativação das vias. Abreviações: a: ativado; FT: Fator Tecidual; IVFT: Inibidor da Via do Fator Tecidual; PC: Proteína C; PS: Proteína S; AT: Antitrombina; PZ: Proteína Z; REPC: Receptor Endotelial da Proteína C; TM: Trombomodulina. 582 Tratado de Hematologia 1. i en DC i nen H . e insig ts into t e molecular mec anisms of t e fi rinol tic s stem. T rom Haemost. - . 2. Mann rummel- iedins rfeo T utenas S. Models of lood coagulation. lood Cells Mol Dis. - . 3. Da l c . lood coagulation. ancet. - . 4. Monroe DM Hoffman M. at does it ta e to ma e t e perfect clot rterioscler T rom asc iol. - . 5. Da l c . lood coagulation and its regulation anticoagulant pat a s genetic pat ogenesis of leeding and t rom otic diseases. ntern Med. - . 6. Mann van t eer C Ca t ern utenas S. T e role of t e tissue factor pat a in initiation of coagulation. lood Coagul Fi rinol sis. S - . 7. anner D D rc C ene C in ler F u a onigs erg H et al. T e cr stal structure of t e comple of lood coagulation factor a it solu le tissue factor. ature. - . 8. ailani D ro e . Factor activation in a revised model of lood coagulation. Science - . 9. Collen D. T e plasminogen (fi rinol tic) s stem. T rom Haemost. - . 10. a ar Morser es eim M. T F or plasma procar o peptidase couples t e coagulation and fi rinol tic cas- cades t roug t e t rom in-t rom omodulin comple . iol C em. - . 11. ro e . Tissue factor pat a in i itor. T rom Haemost. - . 12. oedam Mei ers C Si ma ouma . nactivation of uman factor activated protein C. Cofactor acti- vit of protein S and protective effect of von ille rand factor. Clin nvest. - . 13. Su u i Sten o Da l c Teodorsson . nactivation of uman coagulation factor activated protein C. iol C em. - . 14. Dittman Ma erus P . Structure and function of t rom omodulin a natural anticoagulant. lood. - . 15. ardiner E Mc ann M erridge C Fulc er C immerman TS riffin H. Protein S as a cofactor for activated protein C in plasma and in t e inactivation of purified factor c. Circulation. . 16. e ende SM Simmonds E ane D . Coagulation in ammation and apoptosis different roles for protein S and t e protein S C inding protein comple . lood. - . 17. E . Protein -dependent regulation of coagulation. T rom Haemost. - . 18. Davie E Fu i a a isiel . T e coagulation cascade initiation maintenance and regulation. ioc emistr . - . 19. om eli T Mueller M Hae erli . nticoagulant properties of t e vascular endot elium. T rom Haemost. - . 20. Furie Furie C. Mec anisms of t rom us formation. Engl Med. - . RE FERÊNC IA S B IBL IOGRÁF ICA S Avaliação Laboratorial da Hemostasia Dayse Maria Lourenço c a p í t u l o 60 INTRODUÇÃO O objetivo da avaliação laboratorial da coagulação san- guínea é identificar as causas e definir a intensidade do defeito da hemostasia responsável tanto por doenças he- morrágicas como trombóticas, além de ser útil na moni- torização de terapêutica antitrombótica. Ela é realizada in vitro o ue a torna distante do processo fisiol gico mas útil do ponto de vista prático. A exatidão do diagnóstico depende da qualidade do laboratório que realiza os exames e é recomendável que seja um laboratório especializado em hemostasia, onde existam pessoal e rotinavoltados para o diagnóstico de monitorização de doenças hemorrágicas ou trombóticas. A evolução tecnológica vem proporcionando o desenvolvimento de novas metodologias e, principalmen- te, assegurando melhor qualidade dos testes, com aparelhos automatizados que eliminam muitos erros devidos à mani- pulação da amostra ou mesmo interpretação do resultado. É importante que se oriente o diagnóstico, evitando-se so- licitar “coagulograma completo”, mas escolhendo sim os testes para avaliar com precisão o tipo de doença hemor- rágica ou trombótica que o paciente apresenta. As técnicas que podem ser divididas de acordo com o processo que avaliam: a hemostasia primária, a coagulação propriamente dita os sistemas reguladores da coagulação e a fi rin lise. Os testes usados na avaliação da hemostasia podem ser classificados em funcionais ou imunol gicos. s funcio- nais levam em conta a atividade da proteína a ser testada, enquanto os imunológicos detectam sua presença com ase em anticorpos específicos independentemente de sua função. Entre os métodos funcionais citam-se os métodos coagulométricos e os métodos amidolíticos que usam subs- tratos cromogênicos. Os métodos imunológicos são a imu- noeletroforese e o Imuno-Enzima-Ensaio (ELISA). HEMOSTASIA PRIMÁRIA A hemostasia primária envolve a interação das pla- quetas com componentes do endotélio vascular e com proteínas plasmáticas como o fator de von Willebrand. Os testes relacionados à hemostasia primária são: tempo de sangramento, contagem de plaquetas e avaliação da função plaquetária (Tabela 60.1). A contagem de plaquetas é geralmente feita em san- gue total anticoagulado com EDTA, usando-se contadores automáticos de células. Esses aparelhos são capazes ainda de avaliar a distribuição do volume plaquetário, observando a presença de plaquetas grandes, regenerativas. A enumera- ção das plaquetas pode ser feita também em lâmina, pelo método de Fonio, cuja precisão é menor, mas permite a análise da morfologia plaquetária. A observação da lâmina também permite descartar a falsa trombocitopenia, uma aglutinação plaquetária que ocorre in vitro e que é induzida pela presença do EDTA, com a participação de proteínas plasmáticas.1,2 O tempo de sangramento é a medida da função pla- quetária in vivo. Consiste na realização de uma perfuração com cerca de 1 mm de profundidade, de modo a lesar ape- nas pequenos vasos, onde atuam os processos envolvidos na hemostasia primária. O tempo de sangramento de Duke é realizado preferencialmente no lóbulo da orelha, pois a polpa digital é mais sujeita a variações determinadas pelo tônus vascular. É um teste pouco sensível, sendo pro- longado em alterações importantes da função plaquetária ou em trombocitopenias graves. Para melhorar a sensibili- dade do tempo de sangramento, desenvolveu-se a técnica de Ivy ue é feita no ante raço com o manguito de esfig- moman metro insu ado a mm de merc rio reali ando um corte padronizado com lâmina especial. O objetivo é tornar o método mais sensível e útil nos estudos de altera- ção da função plaquetária como trombopatias e doença de von Willebrand.3 O tempo de sangramento estará prolongado em casos de trombocitopenia. Habitualmente esse prolongamento é proporcional à redução do número de plaquetas. Entretan- to, em pacientes com trombocitopenia autoimune, o tempo de sangramento é desproporcionalmente curto re etindo 583 584 Tratado de Hematologia tes vias de ativação plaquetária in vitro. O método é baseado na medida da formação de agregados de plaquetas após sua exposição a um agente agregante. Essa medida é realizada em um agregômetro, que é um aparelho espectrofotométri- co capaz de medir a variação da transmissão de luz através de uma suspensão de plaquetas, quando estas se agregam na presença de agonistas. Há vários agonistas usados na práti- ca: o colágeno, o ADP, a adrenalina, o ácido araquidônico e a trombina. O resultado do teste é habitualmente expresso em porcentagem de agregação, que traduz a quantidade de transmissão de luz e, portanto, da formação de agregados. A ristocetina não é agente agregante plaquetário, pois pro- duz apenas aglutinação das plaquetas na presença de fator de von Willebrand e da glicoproteína Ib da membrana pla- quetária, sendo útil na investigação da doença de von Wille- brand e na púrpura de Bernard-Soulier. A utilidade do teste de agregação pla uet ria é identificar o local do defeito da hemostasia primária, já detectado através de história clínica Tabe la 60 .1 Testes que avaliam a hemostasia primária e a coagulação. Teste O que avalia Hemostasia primária Tempo de sangramento Avaliação global da hemostasia primária Contagem de plaquetas Número de plaquetas e volume plaquetário Testes automatizados Avaliação global da hemostasia primária Resposta a antiagregantes plaquetários Agregação plaquetária Resposta plaquetária a agentes agonistas Citometria de fluxo Trombopatias congênitas Agregação plaquetária Fator de von Willebrand Diagnóstico da doença de von Willebrand Coagulação – Métodos coagulométricos Tempo de Protrombina (TP) Fatores VII, X, II e Fibrinogênio Tempo da Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA) Fatores XII, XI, IX, VIII, X, II e Fibrinogênio Calicreína e cininogênio de alto peso molecular Tempo de Trombina (TT) Fibrinogênio e polimerização da fibrina Dosagem de fibrinogênio Fibrinogênio Dosagem de fatores Atividade plasmática de fatores específicos Pesquisa de anticoagulante circulante Distingue deficiência de fator da presença de inibidor Fragmento 1+2 da protrombina Fibrinopeptídeo A Detecta ativação da coagulação Testes globais da coagulação Tromboelastografia Tromboelastometria Avaliação global da coagulação e da fibrinólise Teste da geração da trombina Avalia capacidade de gerar trombina a função exacerbada das plaquetas jovens em circulação. O tempo de sangramento é um teste usado no screening pré- -operatório em muitos centros. É importante lembrar que a sensibilidade da técnica de Duke é baixa, podendo dei- xar de detectar alterações da hemostasia primária capazes de provocar sangramento intraoperatório. Em caso de pa- cientes com história de sangramento anormal, é imperativo a realização do tempo de sangramento de Ivy, caso o de Duke seja normal. Atualmente estão disponíveis equipamentos capazes de reproduzir as condições avaliadas pelo tempo de sangra- mento, com maior reprodutibilidade e sensibilidade, subs- tituindo-o com vantagem. Eles utilizam pequeno volume de sangue total citratado, o que facilita a automação. Esses analisadores de função plaquetária estão disponíveis em um número ainda pequeno de laboratórios.5,6 O estudo da agregação plaquetária é útil na avaliação da função das plaquetas, através da exploração de diferen- 585Capítulo 60 y Avaliação Laboratorial da Hemostasia e prolongamento do tempo de sangramento. Embora mui- to pesquisado, o papel da hiperagregação plaquetária no diagnóstico de doenças trombóticas é precário.7 O aparecimento da citometria de flu o permitiu apro- fundar o estudo das plaquetas, usando-se anticorpos contra glicoproteínas que são expostas apenas na plaqueta ativa- da, como a P-selectina, além de permitir o diagnóstico das trom opatias por defici ncia de determinadas glicoproteí- nas da membrana plaquetária, como a IIbIIa na púrpura de Glanzmann e o complexo IbIX na púrpura de Bernard- -Soulier. citometria de u o permite ainda a numeração de plaquetas recém-lançadas na circulação, as plaquetas re- ticuladas usando corante específico o ue possi ilita esti- mar o ritmo de produção das plaquetas.8 COAGULAÇÃO SANGUÍNEA Para o estudo dos componentes plasmáticos, utiliza-se o plasma livre de hemácias, glóbulos brancos e plaquetas, ou o chamado plasma pobre em plaquetas, obtido a partir do san- gue total colhido na presença de um anticoagulante. A cole- ta de sangue para o estudo da coagulação deve ser a menos traumática possível, com o mínimo de estase venosa, pois aprópria punção venosa leva à exposição de fator tecidual, capaz de ativar a coagulação. O anticoagulante é o citrato de sódio e a proporção entre o volume de anticoagulante e o volume de sangue total é padronizada, pois os testes coagu- lométricos são baseados no tempo que o plasma leva para coagular, a partir do momento em que se adiciona o cloreto de cálcio, o qual vai repor esse íon que é quelado pelo anti- coagulante. A proporção padronizada entre o sangue e o anticoagulante é de 9:1, ou seja, 4,5 mL de sangue total para 0,5 mL de citrato. Essa proporção é válida para indi- víduos com emat crito normal isto é por volta de . Se o paciente tiver emat crito de por e emplo o vo- lume de citrato deve ser proporcionalmente reduzido, para que se mantenha a mesma proporção de anticoagulante. O sangue citratado é centrifugado para obtenção do plasma pobre em plaquetas, a 3000 rpm durante 15 minutos. A de- mora no processamento da amostra de sangue total ou na realização dos testes com o plasma é sempre prejudicial à boa qualidade do exame, especialmente naqueles pacientes que estejam recebendo heparina, pois a ativação in vitro das pla uetas leva li eração do fator pla uet rio ue tem ação anti-heparina e que pode falsear os resultados dos tes- tes, levando a erros no controle do tratamento. inda ue fisiologicamente a ativação da coagulação não se dê pelas vias intrínseca ou extrínseca, essa designação ainda é útil na avaliação laboratorial da hemostasia, pois os testes coagulométricos são sensíveis a determinados fatores apenas, o que os torna úteis na detecção das doenças hemor- rágicas e na monitorização de tratamento antitrombótico.9 Os métodos coagulométricos baseiam-se na formação do co gulo de fi rina ue pode ser visuali ado no tu o nas téc- nicas manuais, ou detectado fotometricamente, através dos aparelhos denominados coagulômetros. Os métodos coa- gulométricos são: Tempo de Protrombina (TP), tempo de Tromboplastina Parcial Ativado (TTPA), Tempo de Trombi- na (TT), pesquisa de anticoagulante circulante, dosagem de fi rinog nio e dosagem de fatores (Figura . ). Figura 60.1 Fatores da coagulação avaliados pelo Tempo de Protrombina (TP), Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado (TTPA) e pelo Tempo de Trombina (TT). 586 Tratado de Hematologia O tempo de protrombina, ou TP, consiste na de- terminação do tempo de formação do co gulo de fi rina após a adição de tromboplastina tecidual (fator III) e de cálcio, o que promove a ativação do fator VII, seguida da ativação do fator X, iniciando a via comum da coagula- ção. Dessa forma, o TP mede os fatores envolvidos na via extrínseca e na via comum, sendo independente da via intrínseca. O TP depende do nível dos fatores vitami- na K dependentes (II, VII e X), sendo o teste usado no controle de pacientes em uso de anticoagulantes orais. O TP pode ser expresso pela Relação (R) do tempo obtido com o plasma do doente e o tempo de um pool de plasmas de indivíduos normais. O TP pode ainda ser expresso em Atividade de Protrombina (AP). Em pacientes recebendo drogas antivitamina K, o nível de anticoagulação é medi- do de forma diversa por diferentes reagentes e precisou-se padronizar os resultados, de modo a se estabelecer uma zona terapêutica comum e utilizável por todo o mundo. Essa padronização é feita por meio da determinação do Índice de Sensibilidade Internacional de cada trom- boplastina, chamado ISI, com o qual pode-se calcular o c amado ( ue significa Razão Normatizada Inter- nacional) e corresponde à relação do TP do dente com o TP do normal, caso se houvesse utilizado a tromboplasti- na de referência. Assim, qualquer que seja a sensibilidade do reagente utilizado, o nível de anticoagulação, avaliado pelo RNI, é sempre o mesmo.10 O Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado (TTPA) consiste na determinação do tempo de coagulação do plasma após adição de um ativador da fase de conta- to da coagulação e de cefalina, que substitui o fosfolipídeo da membrana plaquetária. O TTPA é sensível ao nível dos fatores da via intrínseca e da via comum. Ele é bastante sensível à presença de heparina, sendo o teste de escolha para a sua monitorização. O resultado deve ser expresso pela relação entre o tempo obtido para o doente e o tempo do normal do dia. Os valores em segundos variam com o ativador e a cefalina utilizados, de modo que a expressão dos resultados em segundos não é recomendada.11 O tempo de trombina é obtido após adição de trombi- na em baixa concentração ao plasma puro, de maneira que o tempo de coagulação é in uenciado pela concentração de fi rinog nio e pela presença de ini idores da formação de fi rina tais como a eparina. Na presença de um teste de coagulação prolongado, de- ve-se repetir o teste em questão (TP, TTPA ou TT) usando- -se mistura em partes iguais do plasma do doente com o plasma normal. O prolongamento do tempo de coagulação causado pela presença do inibidor não é corrigido pela adi- ção de plasma normal o ue o diferencia da defici ncia de fator, quando o tempo é corrigido pela adição de plasma normal. o caso de defici ncia de fator o tempo de coagu- lação da mistura deve ser totalmente corrigido, caindo para um valor dentro da faixa normal para o teste. Na presença de um inibidor ou anticoagulante circulante, o tempo de coagulação da mistura permanecerá prolongado, além da faixa considerada normal no laboratório. Alguns inibidores, como o inibidor do fator VIII, que ocorre em hemofílicos, têm ação lenta e progressiva e, nesses casos, pode ocorrer a correção imediata do TTPA a despeito da presença do ini- bidor. Por esse motivo é importante a realização do TTPA da mistura também após a incubação dessa mistura por 2 horas a 37 C, o que permitirá que a ação inibidora seja evi- denciada.12,13 O anticoagulante lúpico é um anticorpo dirigido con- tra proteínas que se ligam a fosfolipídeos e interfere com o reagente utilizado nos testes in vitro, como a cefalina, pro- longando o TTPA, embora não haja inibição da coagulação in vivo. Existem algumas técnicas que visam aumentar a sen- sibilidade do teste para a pesquisa de anticoagulante lúpico, usando-se fosfolipídeos especialmente desenhados para melhorar o reconhecimento pelo anticorpo. Assim, alguns reagentes para TTPA são mais sensíveis à sua presença. O TTPA com o veneno da víbora Russel diluído contém um ativador de fator X, sendo bastante sensível à presença de anticoagulante lúpico, mas não detecta inibidores de fatores VIII e IX. O fi rinogênio pode ser medido por teste baseado no tempo de coagulação do plasma por alta concentração de trombina, ou método de Clauss, e por avaliação da densi- dade óptica do coágulo. Os valores da medida pelo método coagulométrico são em geral menores que aqueles obtidos pela avaliação da densidade óptica, mas ambos os métodos correlacionam-se bem.16 A dosagem de fatores pode ser feita individualmen- te utili ando-se um plasma deficiente apenas no fator que se quer determinar. Esse plasma tem um tempo de coagulação (TP ou TTPA) bastante prolongado por cau- sa da ausência de um único fator, mas ele contém níveis normais dos demais fatores, de modo que a adição de um plasma normal vai encurtar o tempo proporcionalmente à concentração do fator presente no plasma normal. O plasma deficiente no fator em uestão pode ser o tido de indivíduo congenitamente deficiente ou artificialmente pela imunoadsorção. s plasmas deficientes disponíveis no mercado, em sua maioria, são obtidos pela depleção artificial do fator a ser dosado.13 identificação do estado de ativação in vivo da coa- gulação permite identificar indivíduos e postos a maior risco de trom ose e mel or aplicar medidas profil ticas. Desse modo, foi necessário desenvolver métodos alta- mente específicos e sensíveis para detecção de peptídeos que são liberados durante o processo de ativação dos zimogênios. Assim foram desenvolvidos métodos imu- nol gicos para a uantificação defragmento da protrombina (F ), resultante da ação do fator Xa sobre a molécula de protrom ina fi rinopeptídeo resultan- te da ação da trom ina so re a molécula do fi rinog nio. Em condições como coagulação intravascular dissemi- nada e trombose, grandes quantidades desses “marcado- res” são formadas e seus níveis estão substancialmente elevados.17,18 587Capítulo 60 y Avaliação Laboratorial da Hemostasia SISTEMAS REGULADORES DA COAGULAÇÃO A dosagem das proteínas envolvidas nos sistemas de inibidores que regulam a ativação da coagulação, a saber, antitrombina, proteína C e proteína S, é útil na avaliação de pacientes com uadro de trom ose venosa para identifica- ção de trom ofilia (Ta ela . ). nível dessas proteínas também está reduzido por consumo em outras condições, como a coagulação intravascular.19 A determinação de antitrombina no plasma pode ser feita por método funcional, usando substrato cromogênico, ou por método imunológico, geralmente por nefelometria. O método funcional deve ser preferido na investigação de trom ofilia pois o método imunol gico não detecta defi- ciência funcional da proteína. O nível de antitrombina está reduzido em pacientes em uso de heparina, de modo que o diagn stico de defici ncia cong nita não pode ser firmado nessa situação.19,20 A dosagem de proteína C pode ser feita por método imunológico ou por métodos funcionais, que se baseiam na ativação da proteína C pelo veneno de víbora Agkidostrom contorcilium. A ação da proteína C ativada é medida sobre um su strato cromog nico específico ou so re a coagulação do plasma, uma vez que ela prolonga o TTPA por inativar os fatores Va e VIIIa.20 A proteína S circula no plasma livre ou formando um comple o com a proteína carregadora da fração C do sistema complemento (C p) e é a forma livre ue fun- ciona como cofator da proteína C ativada. Os primeiros ensaios imunológicos usavam anticorpos que reconheciam ambas as frações da proteína S e era necessário precipitar a proteína ligada C p com polietilenoglicol antes de se determinar a proteína S livre. Atualmente está disponível um enzimo-imuno-ensaio que emprega um anticorpo mo- noclonal que só reconhece a proteína S livre, sendo este o método de escol a para identificação da defici ncia de pro- teína S. Há também métodos funcionais, em que a atividade de cofator da proteína S presente na amostra de plasma é testada na presença de proteína C ativada e fator V bovino purificados em um sistema de coagulação. Entretanto sua reprodutibilidade é muito baixa.21,22 A resistência à proteína C ativada é causada pela presença de uma molécula anormal do fator V, com a substituição da arginina pela glutamina na posição 506, que está associada a trombose. A sua medida é feita adicionando-se proteína C pu- rificada ao plasma o ue provoca prolongamento do TTP em indivíduos normais, mas não naqueles com a alteração. A quase totalidade de pacientes com resistência à proteína C ati- vada apresenta a mutação do fator V. Não há relação entre essa mutação e a atividade coagulante do fator V.19,20 AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE FIBRINOLÍTICA H v rios métodos para estudo da atividade fi rinolítica tais como técnicas globais da atividade basal e do potencial fi rinolítico ap s estímulo ade uado dosagem funcional e imunológica das moléculas livres e em complexo (Tabela 60.3). A ati idade fi rinol tica plasm tica global pode ser medida por meio do tempo de lise do coágulo de sangue to- tal ou da Fração Euglobulina (TLE). A euglobulina é obtida após precipitação de algumas proteínas plasmáticas em meio cido entre elas o plasminog nio o fi rinog nio e o ativador tecidual do Plasminog nio (t-P ) ue ficam relativamente livres dos inibidores, o inibidor do ativador tecidual do Plas- minogênio (PAI-1) e a α2-antiplasmina. A atividade da fra- ção euglobulina pode ser medida através da determinação do tempo de lise após sua coagulação pela trombina. Tab e la 6 0 . 2 Testes que avaliam os sistemas reguladores da coagulação. Sistemas reguladores da coagulação Teste Princípio O que avalia Antitrombina Imunológico-nefelometria Quantificação da proteína Amidolítico (cromogênico) Atividade plasmática da antitrombina Proteína C Amidolítico (cromogênico) Coagulométrico Atividade plasmática da proteína C Imunológico (ELISA) Quantificação da proteína Proteína S Imunológico (ELISA) Quantificação da proteína Proteína S total e livre Coagulométrico Atividade plasmática da proteína S Resistência à proteína C ativada Coagulométrico Efeito da proteína C no fator V 588 Tratado de Hematologia A determinação do potencial fi rinol tico consiste em se avaliar a capacidade de resposta do indivíduo em libe- rar ativadores do plasminogênio, diante de estímulos como exercício físico, oclusão venosa e administração de drogas como o DDAVP. Todos esses estímulos atuam de maneira similar, isto é, promovendo a liberação de t-PA e o PAI-1 armazenados nas células endoteliais. Podem-se dosar os componentes isolados do sistema fi rinolítico como o plasminog nio o t-P o P - e a α2- antiplasmina por métodos funcionais, usando-se substratos cromog nicos específicos ou por métodos imunol gicos que não estimam sua função.23 A medida da concentração de produtos de degrada- o de fi rina é um timo marcador de atividade fi rino- lítica, sendo útil em situações clínicas como a coagulação intravascular disseminada e trombose venosa. Os métodos são imunológicos e usam anticorpos com diferentes especi- ficidades de modo ue podem detectar diferentes fragmen- tos de fi rina ou de fi rinog nio degradados pela plasmina. D-dímero é o nico ue deriva e clusivamente da fi rina e não do fi rinog nio sendo então específico para mostrar a atividade fi rinolítica secund ria formação de fi rina que ocorre em situações como a trombose e a coagulação intravascular disseminada. Nos pacientes com tratamento trombolítico, a quantidade de D-dímero é muito pequena, predominando os produtos de degradação do fi rinog nio. Há vários métodos disponíveis para dosagem de PDF, al- guns quantitativos, os melhores, e outros semiquantitativos ou qualitativos. TESTES GLOBAIS DA COAGULAÇÃO Os testes que permitem avaliar a coagulação de sangue total e que mostram uma visão global do processo da coa- gulação são muito úteis em ambientes clínicos ou cirúrgicos onde se fazem necessárias presteza e precisão de resultados para conduta imediata, como nas salas de emergência e cen- tro cirúrgico.26 trom oelastografia mais antiga e a trom oelastome- tria ue representa modificaç es na técnica inicial alcan- çam esses objetivos. 27 Tab e la 60 .3 Testes que avaliam o sistema fibrinolítico. Teste Princípio O que avalia Tempo de lise da euglobulina Imunológico-nefelometria Avaliação global da fibrinólise Plasminogênio Amidolítico (cromogênico) Atividade plasmática do plasminogênio Ativador tecidual do plasminogênio: t-PA Amidolítico (cromogênico) Atividade plasmática do t-PA Resistência à proteína C ativada Coagulométrico Efeito da proteína C no fator V Inibidor do ativador tecidual do plasminogênio: PAI-1 Imunológico ELISA Quantificação da proteína 2-antiplasmina Amidolítico (cromogênico) Atividade plasmática da 2-antiplasmina Produtos de degradação da fibrina D-dímero Imunológico ELISA Quantificação da proteína Figura 60.2 Curva de agregação plaquetária, obtida com plasma rico em plaqueta exposto a adrenalina 2,2 µM e a duas concen- trações de ristocetina (1,25 e 2 mg/mL). Observar que o paciente apresenta agregação normal com adrenalina e não apresenta agre- gação com ristocetina em ambas as concentrações, sugerindo o diagnóstico de doença de von Willebrand. 589Capítulo 60 y Avaliação Laboratorial da Hemostasia O princípio do método é o monitoramento da tensão da rede de fi rina ue se forma em sangue total medida ue a coagulação se processa o ue é e presso em gr ficos cu a forma depende do desempenho dos componentes da coagulação.28TESTE DE GERAÇÃO DE TROMBINA O potencial de plasma em gerar pequenas quantidades de trombina pode ser medido apenas por métodos muito sensíveis, como a emissão de luz após quebra de substra- tos uorog nicos. Essa técnica utili a então uorímetros especialmente adaptados que medem o pico de geração de trombina em amostra de plasma, o que pode ser útil na detecção de estados de hipercoagulabilidade ou na medida do efeito de agentes anticoagulantes. Entretanto, ainda não é teste adaptado à rotina e estudos são necessários para em- basar seu uso clínico.29,30 1. Briggs C, Harrison P, Machin SJ. Continuing developments with the automated platelet count. Int J Lab Hem. 2007; 29:77-91. 2. Berkman N, Michaeli Y, Or R, Eldor A. EDTA-dependent pseudothrombocytopenia: a clinical study of 18 patients and a review of the literature. Am J Hematol. 1991;36(3):195-201. 3. odgers P evin . leeding time revisited. lood. ( ) - . 4. Rodgers RP, Levin J. A critical reappraisal of the bleeding time. Semin Thromb Hemost. 1990;16(1):1-20. 5. Perry DJ, Fitzmaurice DA, Kitchen S, Mackie IJ, Mallett S. Point-of-care testing in haemostasis. Br J Haematol. 2010; ( ) - . 6. Podda GM, Bucciarelli P, Lussana F, Lecchi A, Cattaneo M. Usefulness of PFA-100 testing in the diagnostic screening of patients with suspected abnormalities of hemostasis: comparison with the bleeding time. J Thromb Haemost. 2007; 5(12):2393-8. 7. Harrison P. Platelet function analysis. 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