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Alice Araújo. Doenças exantemáticas As doenças exantemáticas são comuns na infância, e definidas como manifestações cutâneas de doenças infecciosas sistêmicas, de aspecto bastante semelhante e muito comuns. Diversas condições podem cursar com exantema, sendo as causas infecciosas cerca de 70% dos episódios. A inespecificidade clínica das doenças exantemáticas exige uma abordagem sistemática para o seu diagnóstico que inclui a coleta de anamnese completa e exame físico amplo e cuidadoso. Sarampo · Doença viral aguda · Causada pelo Mobilivirus (família Paramixoviridae) · Transmitida por aerossóis > 4 dias antes e 6 dias após início do rash · Incubação de 4 a 12 dias Quadro clínico Fase prodrômica · Febre alta · Manifestações respiratórias: tosse produtiva, coriza · Conjuntivite e fotofobia · Manchas de koplik (enantema patognomônico de aspecto esbranquiçado localizado na mucosa bucal) Fase exantemática · Exantema maculopapular morbiliforme > pele sã de permeio · Início retroauricular com progressão craniocaudal · Sintomas iniciais são acentuados. Período toxêmico · Superinfecção viral facilitada pelo comprometimento da imunidade do indivíduo > complicações em crianças até 2 anos (desnutridas) Fase de convalescência · Diminuição dos sintomas · Exantema torna-se escurecido e pode haver descamação fina > furfurácea Complicações · Pneumonia > principal causa de morte · OMA > mais comum · Encefalite · Panencefalite esclerosante subaguda > tardia Diagnóstico · Diagnóstico laboratorial é padrão-ouro > detecção de anticorpos IgM específicos (Elisa) e soroconversão, ou aumento de títulos de anticorpos IgG em amostras de sangue (soro), e a detecção viral por meio de RT-PCR, com a coleta de amostras de secreção nasofaríngea, orofaríngea e urina. Tratamento Não há tratamento específico, sinais e sintomas apresentados devem ser tratados de acordo com a sintomatologia e a terapêutica adequada. OBS: ATB é contraindicado. · Muitas crianças necessitam de quatro a oito semanas para recuperar o estado nutricional. Recomenda-se a administração do palmitato de retinol (vitamina A) para redução da mortalidade e prevenção de complicações pela doença. Prevenção · Dupla viral: Protege do vírus do sarampo e da rubéola. Pode ser utilizada para o bloqueio vacinal em situação de surto; · Tríplice viral: Protege do vírus do sarampo, caxumba e rubéola > contraindicada durante a gestação. · Tetra viral: Protege do vírus do sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora). Os eventos adversos são: febre, dor e rubor no local da administração e exantema. As reações de hipersensibilidade são raras. · De 1 a 29 anos: duas doses, sendo a primeira com a tríplice viral aos 12 meses e a segunda aos 15 meses com a tetra viral ou tríplice viral + varicela; As gestantes não vacinadas ou com esquema incompleto deverão receber a vacina no puerpério. Pós-contato · Vacina: até 3 dias após o contato (a partir de 6 meses) · Imunoglobulina: até 6 dias após o contato em grávidas, imunodeprimidos e aborto, natimorto e malformações congênitas. · Transmissão por contato com secreções nasofaríngeas de pessoas infectadas ou com objetos contaminados com secreções de nasofaringe nas fezes, urina e sangue. · Período de incubação de 12-23 dias e de transmissibilidade cerca de 7 dias antes até 7 dias depois do início do exantema. Quadro clínico FASE PRODRÔMICO · Febre baixa · Cefaleia · Dores generalizadas (artralgias e mialgias) · Conjuntivite, coriza e tosse · Adenomegalia: retroauricular, occipital e cervical FASE EXANTEMÁTICA · Exantema maculopapular e puntiforme difuso de progressão craniocaudal. · Manchas de Forcheheimer Complicações · Trombocitopenia · Artrite · Encefalite pós-infecciosa · Síndrome da rubéola congênita Conduta Não há tratamento específico e a prevenção é vacinal. Exantema súbito/Roséla infantil · Doença viral de evolução benigna · Causada pelo herpes vírus humano tipo 6 e 7 > infecção latente após 6 meses. · Transmissão: Saliva de portadores crônicos. Quadro clínico Fase prodrômica · Febre alta que desaparece em crise; · Extrema irritabilidade Fase exantemática · Exantema maculopapular, com lesões discretas de 2 a 3 cm de diâmetro, não coalescentes. · Acomete inicialmente o tronco e em seguida a face, a região cervical e a raiz dos membros, sendo de curta duração (24 a 72 horas sem descamação). Diagnóstico laboratorial Captura de anticorpos IgM e IgG para HHV-6 (ensaio imuno enzimático-Elisa). Conduta Tratamento de suporte e administração de medicação sintomática, bem como a vigilância das complicações, especialmente às relacionadas ao sistema nervoso. Não existe vacina disponível. Complicação · Crise febril > epilepsia Eritema infeccioso · Doença exantemático · Causada pelo parvovírus B19 > erythrovirus · Transmissão por gotículas · Não há transmissão na fase exantemática Quadro clínico Fase prodrômica · Inespecífica ou inexistente · Intervalo assintomático Fase exantemática · 1ª fase: Eritema malar (fase esbofeteada); · 2ª fase: exantema rendilhado/reticulado > superfícies extensoras; · 3ª fase: Recidiva do exantema > calor, estresse, exercício físico. Outras manifestações · Crise aplásica transitória > doença hemolítica, acentuação da anemia + reticulocitopenia VARICELA · Doença viral primária febril, aguda · Causada pelo vírus Varicela-Zoster (VVZ) · Transmissão por aerossóis respiratórios, gotículas ou pelo contato com o líquido das lesões cutâneas. · Transmissível até todas as lesões se tornarem crosta · Pode se manifestar como Herpes-Zoster, pela reativação do vírus latente em gânglios do sistema nervoso, por diferentes motivos. · Imunidade passiva vertical > proteção até 4 a 6 meses de vida extrauterina. Quadro clínico Fase prodrômica · Febre baixa, cefaleia, anorexia e vômito · Na infância não costuma ocorrer Fase exantemática · Exantema vesicular com polimorfismo regional > surtos sucessivos de máculas que evoluem para pápulas, vesículas, pústulas e crostas > lesões em diversos estágios em uma mesma região do corpo. · Progressão centrífuga, com distribuição centrípeta > Tendem a surgir mais nas partes cobertas do corpo, podendo aparecer no couro cabeludo, na parte superior das axilas e nas membranas mucosas da boca e das vias aéreas superiores. · Prurido OBS: A varicela está associada à síndrome de Reye, que ocorre especialmente em crianças e adolescentes que fazem uso do AAS durante a fase aguda e se caracteriza por um quadro de vômitos após o pródromo viral, seguido de irritabilidade, inquietude e diminuição progressiva do nível da consciência, com edema cerebral progressivo, sendo resultado do comprometimento hepático agudo, seguido de comprometimento cerebral. OBS: Está contraindicado o uso de AAS por pacientes com varicela. COMPLICAÇÕES · Ataxia cerebelar aguda. · Trombocitopenia. · Infecção bacteriana secundária de pele · Síndrome de Reye rara · Infecção fetal, durante a gestação, pode levar à embriopatia, com síndrome da varicela congênita (malformação das extremidades dos membros, micro oftalmia, catarata, atrofia óptica e do sistema nervoso central). · Varicela disseminada ou varicela hemorrágica em pessoas com comprometimento imunológico. · Meningite asséptica e encefalite Conduta · Diagnóstico clínico · Tratamento > aciclovir em pacientes com risco aumentado (>12 anos, 2º caso no domicílio, doença pulmonar/cutânea) 20mg/kg/dose em 4 doses/dia VO por 5 dias Profilaxia Pós-exposição · Vacina: até 5 dias após exposição, a partir de 9 meses; · Imunoglobulina: até 4 dias após exposição pré-exposição A vacina varicela tem apresentação monovalente ou tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). · Aos 15 meses: a primeira dose com a vacina tetra viral, e na indisponibilidade desta, administrar tríplice viral mais varicela (atenuada) · Aos 4 anos de idade: a segunda dose, deve ser comvacina varicela (atenuada). · Crianças não vacinadas oportunamente podem receber essa vacina até 6 anos, 11 meses e 29 dias. Doença mão-pé-boca · Causada por vários vírus da família enterovírus > Coxsackie A16 · Autolimitada Quadro clínico · Vesículas e úlcera na cavidade oral · Exantema maculopapular / vesicular nas mãos, pés e nádegas · Onicomadese Escarlatina · Streptococcus pyogenes > bactéria beta hemolítica do Grupo A, produtora de toxina eritrogênica. · Transmissão por secreções Quadro Clínico Fase prodrômica · Faringoamigdalite membranosa · Febre alta e mal-estar · Língua em framboesa/morango. Fase exantemática · Exantema eritematoso puntiforme > início em pescoço · Pele áspera como uma lixa · Palidez peribucal (Sinal de Filatov) · Linhas marcadas nas dobras de flexão (Sinal de Pastia) · Descamação extensa em mãos e pés (em dedos de luva) Complicações · Glomerulonefrite aguda · Febre reumática aguda · Coreia de Sydenham · Cardiopatia reumática. O diagnóstico laboratorial pode ser realizado através de teste rápido (aglutinação de Látex) em secreção colhida de orofaringe. Conduta · Penicilina Benzatina DU IM 600.000 UI ( herpes vírus. · Transmissão por contato com saliva de pessoas infectadas. · Incubação de 30-50 dias Quadro Clínico Em 50% é subclínica ou assintomática. · Pródromo é muito discreto ou ausente. · Febre, linfadenopatia generalizada, amigdalite membranosa e esplenomegalia. · Sinal de Hoagland > edema palpebral · Pode apresentar exantema, variável e inconstante que está associado ao uso de antibióticos. Complicações · Ruptura esplênica > esporte de contato Conduta · Linfocitose com atipia linfocitária · Anticorpos heterofilos (>4anos) · Anticorpos específicos · Não há tratamento específico. · Não há vacina. Doença de kawasaki · Febre prolongada · Conjuntivite · Exantema generalizado · Linfadenomegalia Urticárias · Aspecto em placas · Causado por alérgenos · Casos graves: edema de glote, taquicardia - image4.png image5.png image1.png image2.png image3.png