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Epidemiologia das Doenças Transmitidas pelos alimentos Em uma boa linha de produção de alimentos é sempre necessário atenção para as Doenças Transmitidas por Alimentos, também chamadas pela sigla DTA, porém é possível que uma pessoa seja contaminada por ingerir um produto sem procedência, fora da validade ou contaminado durante a sua manipulação. DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ÁGUA E ALIMENTOS Esse tema também é fundamental para qualquer empresa do setor alimentício que deseja ter uma linha de produção livre de contaminações. 2 Existem mais de 250 tipos de doenças transmitidas por alimentos no mundo, a grande parte causada por bactérias (e suas toxinas), vírus e parasitas – que ingerimos em comidas mal higienizadas, mal cozidas ou que são contaminadas após estarem prontas, devido à falta de refrigeração adequada ou cuidados básicos de higiene. DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ÁGUA E ALIMENTOS Ou TOXINAS LIBERADAS POR ELES. 3 Segundo a OMS cerca de 85% das doenças conhecidas são de veiculação hídrica ou alimentar relacionadas à água ou a alimentos contaminados. As doenças de veiculação hídrica e alimentar são causadas principalmente por microrganismos patogênicos de origem entérica, animal ou humana, transmitidos basicamente pela via fecal-oral: DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ÁGUA E ALIMENTOS A palavra entérica significa relacionar-se ou estar dentro do intestino. Ou seja, excretados nas fezes de indivíduos infectados e ingeridos na forma de água ou alimento contaminado com fezes. 4 A diferença entre intoxicação e infecção alimentar é a seguinte: enquanto a infecção está relacionada à presença de um agente infeccioso no alimento (vírus, bactéria, protozoário ou fungo), a intoxicação tem a ver com a ação de toxinas produzidas por esses agentes, ingestão de substâncias tóxicas presentes nos alimentos, como produtos químicos ou toxinas. Infecção x intoxicação x toxinfecção alimentar: qual a diferença? Portanto: Toda infecção é uma intoxicação, mas nem toda intoxicação é uma infecção; 5 Na infecção alimentar, o agente patogênico se instala, desenvolve e reproduz no trato gastrointestinal do hospedeiro após a ingestão de alimentos contaminados com esse agente; Na intoxicação alimentar, não necessariamente há a ingestão do agente patogênico, mas das toxinas que ele produz e estavam presentes no alimento consumido. Na toxinfecção alimentar é uma combinação dos dois, onde microorganismos presentes nos alimentos liberam toxinas prejudiciais no trato gastrointestinal ao serem consumidos. Infecção x intoxicação toxinfecção alimentar: qual a diferença? Portanto: Toda infecção é uma intoxicação, mas nem toda intoxicação é uma infecção; 6 Contaminação extrínseca: Exposição do alimento e da água ao ambiente contaminado (microrganismos patogênicos ou substâncias tóxicas); Manipulação inadequada do alimento; Doenças de transmissão fecal-oral. Ex: Salmonelose, Shigelose, Diarréia do viajante (ETEC), Febre tifóide, Cólera... Contaminação intrínseca: Em decorrência da infecção do hospedeiro; Alimento (carne) contendo formas infectantes do agente. Ex: Toxoplasmose e Teníase-Cisticercose. CONTAMINAÇÃO DO ALIMENTO AGENTES INFECCIOSOS Vírus Bactérias Parasitas Infecção do sistema gastrointestinal: Gastroenterite. Bacterianas: o Escherichia coli; Salmonella e Shigella... Virais: - Hepatite A, Rotavírus, Norovírus Parasitárias: o Giardia intestinalis, Cryptosporidium spp, Toxoplasma gondii, Taenia solium, Taenia saginata e Echinococcus granulosus. GASTROENTERITE BACTERIANA substância de que provoca origem danos à o Toxina: biológica saúde . Intoxicação alimentar X Infecção Alimento contaminado: Própria bactéria Toxina bacteriana Fontes de contaminação mais frequentes. presentes nas da nasofaringe e - Bactérias mucosas nas mãos. MANIPULADORES DE ALIMENTOS INTOXICAÇÃO ALIMENTAR Alimentos com alto teor de carboidratos: - Tortas, cremes, bolos, pudins, produtos de carne bovina, aves, salgadinhos, queijos, saladas e maionese são alimentos muito transmitidas pelas manipulados. Bactérias são mãos. Como Reconhecer Uma Intoxicação Alimentar? Período de incubação curto: - 2 a 6 horas. Os sintomas típicos são náuseas, vômitos, dor de cabeça, dor abdominal e diarréia. Não há presença de FEBRE; Alguns casos dores musculares e prostração. Como Tratar Intoxicação Alimentar Não existe tratamento específico: Não utilizar antibióticos. Ingestão de toxina pré-formada. Em caso de diarréia: – Manter-se hidratado bebendo água de boa qualidade; Prevenção Cuidados no preparo dos alimentos; Cuidado com a temperatura de armazenamento; Medidas básicas de higiene como lavar as mãos antes das refeições e depois de usar o banheiro. Intoxicação por Staphylococcus aureus INTOXICAÇÕES ALIMENTARES Laboratório de Protozoologia Toxinas bacterianas presentes em água ou alimentos. Staphylococcus aureus INTOXICAÇÕES ALIMENTARES Considerada comum no Brasil, a infecção pelo Staphylococcus aureus ocorre principalmente via embutidos como salsichas e linguiças. Entretanto, essa bactéria não é uma estranha ao corpo, porque ela geralmente está presente na nossa pele e na mucosa, sem provocar danos. ou seja, alimentos com muito sódio, que favorecem a proliferação desse microrganismo. O problema é quando ela entra em contato com o sistema gastrointestinal, pois sua toxina provoca uma inflamação na mucosa, causando náusea, vômito e diarreia. 18 Transmissão Fecal-oral; Ingestão de água e alimentos contaminados com fezes contendo agentes infecciosos. Sintomas Principais sintomas: Diminuição da consistência das fezes; Aumento do número de evacuações (geralmente mais de 3 vezes ao dia). Outras manifestações possíveis Vômitos, febre, dor abdominal e disenteria (fezes com muco e sangue). Prevenção Lavar sempre as mãos com água e sabão Antes de manipular alimentos; Antes das refeições; Após utilizar o banheiro. Evitar alimentos de procedência duvidosa. Não consumir alimentos de vendedores ambulantes. Evitar o consumo de alimentos crus (dar preferência por alimentos cozidos). Preferir o consumo de água mineral e, se não for possível, beber: Água filtrada, fervida ou desinfetada; Bebidas feitas com água fervida (café e chá). CUIDADOS IMPORTANTES Água desinfetada Pingar 2 gotas de hipoclorito de sódio 2,5% em 1 litro de água e beber após 30 minutos. Atenção: oocistos de Cryptosporidium e Toxoplasma gondii são resistentes ao cloro. Evitar o consumo de água de origem desconhecida. Evitar cubos de gelo. Consumir alimentos cozidos ou fervidos, preparados na hora. Evitar o consumo de carnes cruas ou mal passadas, bem como peixes e frutos do mar crus. Tratamento Antibiótico (gastroenterite bacteriana). Deve-se buscar orientação médica. As infecções causadas pelas bactérias do gênero Salmonella são consideradas as causas mais importantes de DTAs. Carne de galinha e ovos crus; Carne de suínos e bovinos. Vive no trato gastrointestinal de animais (aves, mamíferos e répteis) e infecta o homem quando existe contaminação de alimentos ou água com fezes de animais. SALMONELOSE Doença mais conhecidas quando falamos em alimentos contaminados, a infecção se dá pela ingestão da bactéria Salmonella, presente em alimentos mal cozidos geralmente provenientes de animais criados em fazendas. Além disso, alimentos, como maionese, armazenados em temperaturas muito altas, por exemplo, também podem favorecer a proliferação dessa bactéria. 28 Atravessa a camada do epitélio intestinal → alcançam a lâmina própria (camada na qual as células epiteliais estão ancoradas) → proliferação → são fagocitadas pelos monócitos e macrófagos → resposta inflamatória → diarréia. - A penetração de Salmonella fica limitada à lâmina própria. Considerada uma das mais comuns no Brasil, a infecção provocada pela bactéria Escherichia coli acontece por meio do contato com alimentos contaminados por essa bactéria. Isso acontece pormeio do consumo de alimentos mal cozidos. Escherichia coli Primeira linha “diarreia dos viajantes” Último parágrafo, como carne mal passada ou salada, ou preparados com poucos cuidados de higiene. 31 Principal agente associado à “diarréia dos viajantes”; Ampla distribuição; Coloniza o TGI do homem e animais (flora normal); Cepas extremamente virulentas (quadros graves); Escherichia coli Início em maio de 2011 (PI = 3 a 4 dias); Aproximadamente 4000 pessoas foram afetadas: 800 apresentaram síndrome hemolítico - urêmica (SHU) = trombocitopenia (diminuição de plaquetas), anemia e insuficiência renal. 43 mortes (26 de julho) Alemanha, Espanha, EUA, Dinamarca, Suécia e Portugal. Alta proporção de mulheres jovens e de meia-idade (não esclarecido); Ruggenenti P, Remuzzi G. A German outbreak of haemolytic uraemic syndrome. Lancet. 2011 Sep 17;378(9796):1057-8. Surto de E.coli na Alemanha O que é? é uma doença grave que se manifesta por meio de uma tríade de sinais e sintomas: anemia hemolítica microangiopática (ruptura dos glóbulos vermelhos), trombocitopenia (redução das plaquetas) e lesão renal aguda. 33 Brotos de feijão: vegetais muito consumidos na Alemanha (salada e sanduíches). Estudo caso-controle: pessoas que comeram brotos teriam 9X mais chance de apresentar diarréia sanguinolenta ou outros sinais de infecção pela EHEC que aquelas que não consumiram (controles). Suspeita inicial Pepinos provenientes da Espanha Confirmação Broto de feijão Surto de E.coli na Alemanha Transmissão A toxina da bactéria Vibrio cholerae. O consumo de mariscos, peixes e algas mal cozidas, além da ingestão de água não tratada podem causar a doença. geralmente encontrada em ambiente aquático, causa a cólera. 37 Transmissão Fecal-oral: Ingestão de água e alimentos contaminados com fezes ou vômitos contendo o Vibrio cholerae. A bactéria invade as células do intestino e produz uma enterotoxina que provoca diarréia líquida intensa. www.bbc.co.uk/.../157_angolacolera/page2.shtml Sintomas Náusea, vômitos e diarréia aquosa de instalação súbita (horas ou em até 5 dias), potencialmente fatal, com evolução rápida (horas) para desidratação grave e diminuição acentuada da pressão sanguínea. Distribuição Geográfica Atualmente a doença ocorre em surtos. Brasil - não há registro atual de casos de cólera autóctones desde 2006 (https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de- conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/especiais/2021/boletim_especial_doencas _negligenciadas.pdf/view). Risco de reintrodução de cólera por viajantes. Mundo - continente africano (Angola e Sudão). Rara em países desenvolvidos. Medidas de higiene e saneamento. Vacina. Tratamento Antibiótico; Deve-se buscar orientação médica. http://www.anvisa.gov.br/paf/viajantes/diarreia.htm Prevenção 42 Transmissão Fecal-oral – Ingestão de água e alimentos contaminados pela Salmonella typhi. A pessoa infectada elimina a bactéria nas fezes e na urina, independente de apresentar ou não sintomas. Período de incubação de 2 semanas. É uma doença relativamente grave e rara, que pode levar a complicações sérias em órgãos como o fígado, o baço, a vesícula e a medula óssea. Ingestão de água ou alimentos contaminados, contato com as fezes e a urina de pessoas contaminadas 43 rosadas na Febre alta; Dores de cabeça; Mal estar geral; Falta de apetite; Aumento do volume do baço; Diarréia e vômito; Podem aparecer manchas pele (roséola tífica). Sintomas Brasil - Maior incidência nas regiões Norte e Nordeste. Mundo - amplamente distribuída. Maior ocorrência em países em desenvolvimento. Distribuição Geográfica Para evitar a febre tifoide, pessoas que viajam para áreas onde a doença é comum devem evitar comer verduras cruas e outros alimentos servidos ou armazenados à temperatura ambiente. Também devem supor que gelo e água não são seguros, a menos que seja fervida ou tratada com cloro antes de usar 45 Medidas de higiene e saneamento. Vacina. Tratamento Antibiótico; Deve-se buscar orientação médica. http://www.anvisa.gov.br/paf/viajantes/diarreia.htm Prevenção É um vírus capaz de causar uma série de problemas gastrointestinais. É ele o grande responsável pela DDA. O rotavírus entra no organismo de um indivíduo por meio do contato com água, utensílios, brinquedos e alimentos contaminados pelo vírus. Rotavírus , doença diarréica aguda, e pela gastroenterite aguda. A boa higiene das mãos e dos alimentos é uma boa forma de prevenir o rotavírus. 48 Vírus RNA da família Reoviridae, gênero Rotavírus. ⁻ É uma das causas mais importantes de diarréia grave em crianças menores de 5 anos no mundo, particularmente nos países em desenvolvimento. Rotavírus A contaminação ocorre por via fecal-oral, quando objetos ou alimentos não higienizados e com presença de vestígios fecais com rotavírus são levados à boca. 49 Transmissão Fecal-oral Contato pessoa a pessoa Água, alimentos e objetos contaminados ⁻ Alta concentração do vírus nas fezes de crianças infectadas A forma clássica da doença, principalmente na faixa de 6 meses a 2 anos é caracterizada por: ⁻ Vômito, na maioria das vezes há diarréia e a presença de febre alta. Podem ocorrer formas leves nos adultos e formas que não apresentam sintomas na fase neonatal (recém-nascido) e durante os 4 primeiros meses de vida. Sintomas Tratamento Reidratação do paciente: ⁻ Medidas simples de combate à desidratação, como o uso de soro caseiro, reduzem drasticamente o número de mortes. A desidratação é o sintoma mais grave das infecções intestinais provocadas pelo rotavírus: ⁻ Além de reduzir as reservas de água do corpo, ela reduz os níveis de minerais importantes, como sódio e potássio. Prevenção Vacina contra rotavirus (VORH) → crianças menores de 6 meses: ⁻ Rotavírus pentavalente (VR5), composta por 5 tipos de rotavírus. Deve ser administrada em três doses: aos 2, 4 e 6 meses. ⁻ Rotavírus monovalente (VRH1), composta por 1 tipo de rotavírus e deve ser administrada em duas doses: aos 2 e 4 meses. Lavar sempre as mãos depois de utilizar o banheiro, trocar fraldas e antes de manipular/preparar os alimentos. Lavar e desinfetar as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos. Toxina botulínica (Clostridium botulinum) Neurotoxina que atua nos neurônios motores, na interface entre o sistema nervoso e o tecido muscular. Quando administrada em grandes quantidades por via oral, bloqueia os sinais nervosos do cérebro para os músculos, causando paralisia generalizada, conhecida como botulismo. O botulismo é uma doença grave que pode levar à morte, principalmente por insuficiência respiratória. Outras complicações incluem dificuldade para engolir e falar, e fraqueza prolongada. 55 Os alimentos mais comumente envolvidos são: Conservas vegetais, como palmito, picles, pequi, feijão verde, espinafre, cogumelos e beterraba Produtos cárneos cozidos, curados e defumados, como salsicha, presunto, carne frita conservada em gordura Pescados defumados, salgados e fermentados Queijos e pasta Mortadela, salsichas e outros embutidos mal conservados Alimentos fermentados mal armazenados Alho picado no óleo, pimenta Batatas assadas em papel alumínio que foram deixadas à temperatura ambiente por muito tempo Para prevenir o botulismo, não consuma alimentos em conserva que estiverem em latas estufadas, vidros embaçados, embalagens danificadas, vencidas ou com alterações no cheiro e no aspecto 56 Microrganismos patogênicos e DTA’s EXERCÍCIOS Ano: 2024 Banca: INAZ do Pará Órgão: Prefeitura de Barrolândia - TO Prova: INAZ do Pará - 2024 - Prefeitura de Barrolândia - TO - Cozinheiro 1- Várias doenças são transmitidas por alimentos contaminados. Existe uma determinada bactéria, Escherichia coli, bastante comum e conhecida no Brasil que pode ser transmitida mediante o consumo de alimentos. Verifique as respostas e escolha a opção CORRETA que informa a principal causadesta contaminação em seres humanos. Alternativas A) Verduras com terra. B) Alimentos fora da validade de consumo. C) Carne queimada. D) Alimentos que não são lavados. E) Consumo de carne mal cozida. Alternativa correta “E” 2- Sobre doenças transmitidas por alimentos, assinale a alternativa incorreta. Alternativas A) São causadas pela ingestão de alimentos ou água contaminados por microrganismos patogênicos, substâncias químicas ou por toxinas. B) A manifestação de uma doença pode ocorrer em uma das seguintes formas: toxinfecção, intoxicação e infecção. C) Um alimento seguro é aquele que contém agentes ou substâncias nocivas em quantidades que possam causar agravos à saúde ou dano ao consumidor. D) As boas práticas são procedimentos que devem ser adotados por indústrias e serviços de alimentação para garantir a qualidade higiênico-sanitária, prevenindo a ocorrência de tais doenças. Alternativa correta “C” 3- A primeira medida a tomar para minimizar os riscos de contaminação dos alimentos por parte dos funcionários é manter uma boa higiene para não transmitir microrganismos aos alimentos. Analise as perguntas e marque a opção INCORRETA quanto a estas práticas de higiene. Alternativas A) Manter cabelos protegidos com touca. B) Manter unhas curtas e limpas sem esmalte, apenas pintadas com base. C) Não utilizar maquiagem. D) Higienizar as mãos da maneira correta e na frequência indicada. E) Usar desodorante sem cheiro ou suave e não utilizar perfumes. Alternativa correta “B” 4- O botulismo é classificado como uma doença transmitida pelos alimentos, apresenta um quadro neuroparalítico grave, causado pela ação de uma potente toxina (toxina botulínica) produzida por uma bactéria. Sua notificação é compulsória para que as ações de vigilância sejam realizadas a tempo de prevenir outros casos. A doença pode levar à morte por paralisia da musculatura respiratória. O agente etiológico do botulismo é um microrganismo da espécie: Alternativas A) Staphylococcus. B) Salmonella. C) Shigella. D) Clostridium. Alternativa correta “D” Giardia duodenalis 2 sinônimos: Giardia intestinalis Giardia lamblia Distribuição mundial; Parasita intestinal mais comum em países desenvolvidos; Ásia, África e América Latina: 200 milhões de indivíduos sintomáticos 500.000 casos novos por ano GIARDÍASE Infecta o homem e animais domésticos: - Cães, gatos e bovinos. Parasitismo: Aderem à mucosa intestinal (disco adesivo); Não há invasão das células; Barreira mecânica para absorção de alimentos; Adesão provoca lesões com inflamação; GIARDÍASE Transmissão Fecal – oral; Ingestão de alimentos e água contaminados com cistos. Sintomas Diarréia duração (fezes amolecidas) com entre 2 a 4 semanas (autolimitada); Esteatorréia, desconforto abdominal, náuseas, vômitos, flatulência e perda de peso; Período de incubação: 1 a 4 semanas (média 7 a 10 dias). Diagnóstico Exame de fezes (coproparasitológico); Pesquisa de cistos e trofozoítos; em dias Exame de 03 amostras colhidas alternados; Eliminação de cistos é intermitente. Tratamento Derivados imidazólicos Metronidazol; Secnidazol; Tinidazol. Orientação médica Controle Difícil - Grupos A e B circulam entre seres humanos e animais. o Austrália: alta proporção de cães infectados com os grupos A e B. surto no Canadá (veiculação = esquilos como fonte de o 1993: hídrica) infecção. Saneamento básico; Educação sanitária; Filtração da água; Lavar bem frutas e verduras. Cryptosporidium sp Cryptosporidium parvum (potencial zoonótico) Cryptosporidium hominis Distribuição mundial: Freqüente em países em desenvolvimento. Protozoário intracelular obrigatório Células epiteliais do intestino delgado; Formas graves em pacientes aidéticos. CRYPTOSPORIDÍASE Transmissão Fecal – oral; Ingestão de água e alimentos contaminados com oocistos; Água recreacional contaminada. Surtos ligados à transmissão por água: - 1993 Milwaukee (EUA): 400 mil pessoas infectadas. meses no Parasita permanece viável por ambiente: Resistentes ao cloro; Inativação: Altas temperaturas (60°C); Congelamento. Sintomas Imunocompetentes: - Diarréia aquosa, intermitente ou contínua, dores abdominais e perda de peso. Imunodeprimidos: Diarréia severa, com várias evacuações; Perda de +20L de líquido/dia. Diagnóstico Laboratorial: pesquisa do parasita em fezes. Tratamento Não há nenhuma droga específica de eficácia; Hidratação; Pacientes com AIDS (anti-viral). Controle Saneamento Básico e Educação sanitária; Filtração da água; Lavar muito bem frutas e verduras; EQUINOCOCOSE - HIDATIDOSE Epidemiologia No Brasil: Echinococcus granulosus: circula entre ovelhas e cães (Região Sul). » Rio Grande do Sul: 5 casos/100 mil habitantes ; – Ocorre nos campos do Rio Grande do Sul, junto à fronteira com o Uruguai. » Hemisfério Norte: Canadá, EUA, Europa, Ásia, África do Norte e Oriental. » Hemisfério Sul: Chile, Argentina, Uruguai, sul da África e da Austrália etc. Echinococcus vogeli: circula entre ovelhas e pacas (Amazônia Brasileira). Causa a hidatidose policística (múltiplos cistos em vários órgãos). Echinococcus multilocularis: espécie própria de canídeos silvestres. Causa a hidatidose alveolar Epidemiologia ovo Echinococcus granulosus: Hospedeiros definitivos: Cão e canídeos silvestres. Verme adulto (ID) EQUINOCOCOSE Hospedeiros intermediários: Ruminantes domésticos (ovino) e silvestres, suínos, primatas e o homem. Ingestão de ovos cisto hidático (vísceras) HIDATIDOSE A hidatidose humana está na dependência direta da prevalência da equinococose nos cães, em cujo intestino os parasitos chegam a ser muito numerosos. Morfologia e Ciclo Biológico Echinococcus granulosus: Na fase sexuada ou adulta, mede 4 a 8 mm de comprimento. Possui um escólex com 4 ventosas e um rostro armado de acúleos (30 a 36) que ficam inseridos entre as vilosidades intestinais do cão. O colo é muito curto e seguido de apenas 3 a 6 proglotes: 1 ou 2 jovens, outras maduras (hermafroditas) e a última grávida. Eliminação com as fezes do cão: Contém 500 a 800 ovos que irão poluir as pastagens e o solo do peridomicílio. O aspecto do ovo é semelhante ao de outros tenídeos, medindo 23-38µm de diâmetro. Escólex de E. granulosus inserido entre vilosidades, na luz de uma glândula de Lieberkühn (ID). Fonte: Rey et al.,2010. A Epidemiologia Transmissão humana: Via oral; Ingestão de água e alimentos contaminados com ovos liberados nas fezes do cão. Inspeção sanitária em matadouros: 5 a 40% dos ovinos infectados (Rey et al., 2010). Manejo: em locais onde a criação do gado é feita em campos cercados e sem a participação dos cães, a doença no homem torna-se rara ou não existe. oncosfera embrióforo Morfologia e Ciclo Biológico Resistência dos ovos: Solo úmido ou na água, resistem 3 semanas; 11 dias ao ar seco; 1 hora aos desinfetantes comuns. No interior já se encontra formado o embrião hexacanto ou oncosfera, com 3 pares de acúleos e protegido por envoltório espesso, o embrióforo. Ingeridos com o pasto, pelos carneiros (hospedeiros intermediários), os embrióforos eclodem sob a ação dos sucos digestivos e da bile e liberam as oncosferas. Essas oncosferas invadem a mucosa, com ajuda dos acúleos e ganham a circulação sanguínea vísceras. As pessoas infectam-se acidentalmente ao ingerir ovos do helminto disseminados pelos cães no domicílio ou no peridomicílio. Morfologia e Ciclo Biológico As oncosferas são retidas em geral no fígado (onde chegam depois de 3 a 5 horas) ou no pulmão, lugares onde vão dar origem às hidátides. Em torno, desenvolve-se a reação inflamatória que acabará por formar uma cápsula fibrosa envolvendo o parasito. A velocidade de crescimento da hidátide depende do hospedeiro e do tecido, levando meses para chegar a 1 cm de diâmetro. No homem, seguirá crescendo ao longo dos anos. Formação de uma hidátide primitiva no fígado (no7º dia após a infecção experimental) cercada por uma reação inflamatória, com macrófagos, gigantócitos e eosinófilos. Fonte: Rey et al.,2010. O cisto hidático ou hidátide Face externa = membrana cuticular anista (ou laminada) que, ao microscópio, mostra-se refringente e finamente estratificada. Seu principal constituinte é um mucopolissacarídio, contendo glicosamina e galactose. A membrana anista é tensa e elástica e espessura aumenta com o tempo. material infectante. Representação esquemática da parede de um cisto hidático. Membrana Anista Membrana germinativa A parede do cisto mede 12 a 15 µm de espessura. Face interna = membrana germinativa ou prolígera do cisto . Vesícula prolígera sua Líquido Na face interna, a membrana germinativa forma, hidático por brotamento, numerosas vesículas prolígeras, que crescem e formam por sua vez os protoescólex, a partir dos quais novas tênias adultas terão origem, se ingeridas pelos cães. Tanto as vesículas prolígeras íntegras como os escólex que ficam livres no líquido hidático formam o que se chama de “areia hidática” e constitui o Fígado-Cisto hidático Fígado-Cisto hidático Protoescólex invaginado Protoescólex desinvaginado Patologia da Hidatidose Humana A infecção tem início por via digestiva e as hidátides vão localizar-se: Fígado: 75 a 80% dos casos; Pulmões:10 a 20% deles. Músculos: 4,7% de cistos, Baço: 2,3%, Rim: 2,1% e Cérebro: 1,4% Os cistos são múltiplos em 1/3 dos casos. Parede íntegra dos cistos permite substâncias antigênicas que levam anticorpos. a passagem de à produção de Diagnóstico da Hidatidose A hidatidose é diagnosticada com base: Aspectos clínicos e epidemiológicos. Exames de imagem (raio-X, ultrassonografia ou tomografia computadorizada). Testes sorológicos e moleculares. Testes sorológicos*: Hemaglutinação indireta ELISA Imunodifusão e Immunoblotting * Ainda que muito específicos, esses testes não têm sensibilidade satisfatória, podendo dar resultados falso-negativos. Sintomatologia clínica Na maioria dos casos de infecção humana, o desenvolvimento do cisto hidático é assintomático. Os indivíduos podem ser portadores do cisto durante toda a vida sem necessitar de assistência médica e poucos são os que desenvolvem alterações graves. As manifestações clínicas estarão relacionadas com a localização e tamanho do cisto. Localização abdominal: dor, massas palpáveis, icterícia, hepatomegalia ou esplenomegalia (o fígado é preferencialmente atingido); Localização pulmonar: tosse, dor torácica, hemoptise (tosse com sangue) ou dispnéia (dificuldade respiratória); Localização óssea: destruição de trabéculas, necrose e fratura espontânea. Tratamento O tratamento ideal é a retirada completa do parasito (cisto) do organismo. Cirúrgico Para evitar recidivas, administrar ao paciente, no pós-operatório, albendazol durante 4 semanas. Fígado e Pulmão de ovino Controle Impedir que os cães se alimentem de vísceras cruas do gado para cessar a transmissão; Interdição do abate clandestino; Evitar acesso de cães em matadouros para que não tenham contato com vísceras condenadas pela presença do cisto hidático; Controle sanitário do gado abatido e estudo epidemiológico que identifique áreas endêmicas que necessitem de atenção; Tratamento anti-helmíntico dos cães domésticos parasitados, com praziquantel, mebendazol micronizado, nitroscanato ou fospirato, feito periodicamente; Adoção de técnicas de criação de gado ovino que dispensem o emprego de cães (como as pastagens cercadas). Transmissão pela carne de animais domésticos: Protozooses Toxoplasmose Helmintíases: Teníase – Cisticercose CONTAMINAÇÃO INTRÍNSECA DE CARNES Carne contendo formas parasitárias dos agentes no seu interior TOXOPLASMOSE Bradizoítos Toxoplasmose: antropozoonose Toxoplasma gondii: Hospedeiro definitivo: Felídeos (gato doméstico) Hospedeiros intermediários: Animais de sangue quente, incluindo o HOMEM. Implicações: Saúde pública Biodiversidade Pets Animais produção Animais silvestres Animais aquáticos Zoonose de importância médica e veterinária. Toxoplasma gondii: Altamente imunogênico Prevalência: Região geográfica (↓ clima frio) Padrões culturais (alimentação) > 1 bilhão de infectados Brasil: 70% população adulta Grande São Paulo: 60% INFECÇÃO COMUM DOENÇA RARA TOXOPLASMOSE DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL TOXOPLASMOSE Toxoplasma gondii: Intracelular obrigatório; Filo Apicomplexa; Penetra ativamente na célula hospedeira; Parasita qualquer célula de animal de sangue quente. Micronemas Roptrias Forma de arco ou crescente IFN- Variações pH Aumento temperatura From M. Torbenson O Cisto é imune a terapia e fica residente nos tecidos por anos, numa localização intracelular, com uma cápsula glicoproteica, o que o torna inatingível a resposta imune. Aspectos Clínicos Imunocompetente: Assintomática 90% casos; Caráter benigno e autolimitado: Imunidade celular e humoral. Sintomáticos: Linfoadenopatia (cadeia cervical): Febre, dor de garganta, mialgia e cefaléia Quadros mais graves (sistêmicos): Pneumonite, hepatite e miocardite 2 a 3% desenvolvem a forma ocular: Retinocoroidite (retina coróide) Formas císticas na retina; Erechim (RS): - 17,7% (Glasner et al., 1992) Retinocoroidite lesão satélite por T.gondii com ativa, com espessamento focal devido acúmulo de células inflamatórias (A). Processo de cicatrização após 1 mês de tratamento (B). Aspectos Clínicos Imunocomprometido: Síndrome da Imunodeficiência adquirida: Encefalite (Luft & Remington, 1988); 20% de óbitos em pacientes com AIDS (Passos et al., 2000). Imunossupressões medicamentosas; Transplantes (coração, fígado e medula óssea); Imunologicamente imaturos (feto e recém nascido): Toxoplasmose congênita Parasita invade órgãos e tecidos causando formas graves Encefalite necrotizante Toxoplasmose Congênita Infecção aguda durante a gestação: EUA: 3000 (Roberts & Frenkel, 1990). Brasil: - 6000 (Silveira et al., 2001). São Paulo : 230 a 300 crianças (Guimarães et al., 1993). Minas Gerais: - 15,2% positivo para amostras de sangue recém – nascidos infectados: bioensaio periférico (Carneiro et al., 2010). 5-15% das infecções resultam em aborto 8-10% em lesões graves oculares ou do SNC Toxoplasmose Congênita Infecção fetal: 1o trimestre de gestação 3o trimestre da gestação Dano fetal: 1o trimestre da gestação 3o trimestre de gestação Tétrade de Sabin0 20 40 60 80 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 Gilbert et al. 1999 Idade gestacional (semana) Dano Fetal Infecção Fetal Toxoplasmose Congênita - Hidrocefalia Diagnóstico Clínico: Limitado Laboratorial: Diagnóstico Parasitológico: Isolamento do agente: Inoculação em camundongos Cultivo celular Detecção morfológica do agente: Microscopia Colorações específicas Detecção de ácidos nucleicos: PCR Diagnóstico Histológico Diagnóstico Sorológico Diagnóstico Parasitológico Inoculação em camundongos: Sangue (camada leucocitária); Sedimento da centrifugação: Líquido cefalorraquidiano; Líquido amniótico; Lavado brônquico-alveolar; Amostras de carne previamente digeridas. Inoculação intraperitoneal em camundongos soronegativos: Soroconversão do animal; Achado de taquizoítos no líquido peritoneal; Cistos em cérebro. Método de centrífugo - flutuação em sacarose (A) Coloração de Kinyoun (B) Esfregaço das fezes filtradas Pesquisa de oocistos Pesquisa de Ácidos Nucleicos Reação em cadeia pela polimerase (PCR): Detecção de segmentos específicos de ácidos nucléicos após amplificação pela PCR: Técnica sensível; Rotina em muitos laboratórios de diagnóstico; Resultado em menos de 48 horas; Cuidados especiais para contaminação; Amplificação de vários segmentos de DNA de diferentes genes: SAG1, B1, DNA ribossomal 115 bp A B A = Padrão 50 bp B = Controle positivo Aplicação em diferentes materiais: Líquido amniótico; Sangue venoso; Líquido cefalorraquidiano; Amostras de carne previamente digeridas pela pepsina ou tripsina. DIAGNÓSTICO HISTOLÓGICO Mais utilizado em biopsias de gânglios linfáticos e em placenta. Gânglios linfáticos: Intensa ativação imunológica. Cistos teciduais não são doença: Presença de infiltrado e da lesão é essencial. Imunohistoquímica: Visualização do agente e de seus antígenos. Cisto de T.gondii em meio a substância cinzenta. Infecção, mas não doença . Toxoplasmose - córtex cerebral Toxoplasmose - Sistema nervoso central reação imunohistoquímica Placenta Placenta - Reação Imuno-histoquímica Toxoplasmose congênita Vários testes: Reação de neutralização; Reação de Sabin & Feldman; Reação de fixação do complemento; Reações de aglutinação: Hemaglutinação Aglutinação em látex Aglutinação direta (taquizoítos fixados em formaldeído ou acetona): MAT Reação de imunofluorescência indireta; Reações imunoenzimáticas (ELISA): - Exsudato cárneo como material biológico. IgG do soro Conjugado anti- IgG Cromógeno Antígeno T.gondii Testes Sorológicos Toxoplasmose: transmissão FECAL - ORAL CARNIVORISMO CONGÊNITA OOCISTOS Alimentos Água TAQUIZOÍTOS Infecção Transplacentária CISTOS Carne crua Embutidos frescos Surtos de Transmissão Hídrica no Brasil 2001: Santa Isabel do Ivaí, Paraná (de Moura et al., 2006): 155 casos confirmados; Ingestão de água não filtrada do reservatório municipal de água; Amostra de água: bioensaio e PCR; Resultado da investigação: Reservatório foi fechado e um novo reservatório foi construído; Toxoplasmose felina endêmica (Dubey et al., 2004): 58 gatos: 49/58 (84,4% ) de soropositividade; Bioensaio em gatos: isolamento de T.gondii; Cepas do tipo I e tipo III (1ª descrição de genotipagem em gatos domésticos). Surtos de Transmissão Hídrica no Brasil 0,01 – 0,74 0,75 – 1,48 1,49 – 2,22 2,23 – 2,97 Served by reservoir A Cases 1 Case Density of cases Concentração de casos na área central abastecida por um dos reservatórios de água municipal. Surto de Toxoplasmose em Santa Maria - RS Investigação de surto de toxoplasmose em Santa Maria/RS, 2018 IV Simpósio Brasileiro de Toxoplasmose - RBPT - Brasília-DF, outubro de 2018 Início: abril/2018 Até o final de agosto: 1343 casos suspeitos: 748 confirmados para toxoplasmose aguda 32 casos apresentaram lesão oftalmológica 85 gestantes toxoplasmose aguda (3 óbitos fetais, 4 abortos) e 21 toxoplasmose congênita. Amostras de 09 placentas foram positivas na PCR e bioensaio para T. gondii Detecção do marcador CCp5A, encontrado em infecção por oocisto, em 78% das amostras testadas (28/36). Causa provável do surto: ingestão de oocistos em água. Pinto-Ferreira F, Nino BSL, Martins FDC, Monica TC, Britto IC, Signori A, Medici KC, Freire RL, Navarro IT, Garcia JL, Headley SA, Vogel FSF, Minuzzi CE, Portella LP, Bräunig P, Sangioni LA, Ludwig A, Ramos LS, Pacheco L, Silva CR, Pacheco FC, Menegolla IA, Farinha LB, Haas S, Canal N, Mineo JR, Difante CM, Mitsuka-Breganó R. Isolation, genetic and immunohistochemical identification of Toxoplasma gondii from human placenta in a large toxoplasmosis outbreak in southern Brazil, 2018. Infect Genet Evol. 2020 Nov;85:104589. doi: 10.1016/j.meegid.2020.104589. Epub 2020 Oct 8. PMID: 33039602. CARNE como Fonte de Infecção Toxoplasma gondii em animais de produção: Perdas econômicas aborto ovelhas e cabras (Buxton,1990; Dubey & Adams,1990); Implicação em Saúde Pública CARNE. Nos EUA é considerada uma das principais doenças transmitidas por alimentos, atingindo o mesmo nível da Salmonelose e Campilobacteriose (Kijlstra & Jongert, 2008) Cistos podem se desenvolver em 6-7 dias após a infecção do hospedeiro intermediário (Dubey et al., 1998). Cistos persistem por toda a vida do hospedeiro: - Variação no número de cistos. CARNE como Fonte de Infecção Fonte: Tenter et al., 2000 Produtos Cárneos Presença de cistos viáveis de T. gondii foram detectados em lingüiças frescas de porco comercializadas em Londrina, PR (Dias et al., 2005): 13/149 (8,7%): linguiças positivas (bioensaio); 36/47 (76,6%): amostras de soro de trabalhadores do Serviço de Inspeção Municipal de Londrina. Carne e leite de cabra Soroprevalência: Maior: França = 77% (Chartier et al., 1997) Brasil: São Paulo: 17% (Meireles et al., 2003); Minas Gerais: 18,4% (Figueiredo et al., 2001); Consumo de leite crú e produtos lácteos foram descritos como fonte de transmissão de surtos epidêmicos no homem e em porcos (Riemann et al., 1975; Sacks et al., 1982; Skinner et al., 1990; Meerburg et al., 2006). Inativação de cistos de T.gondii Cistos de T.gondii podem ser inativados por diferentes processos: Calor Congelamento Irradiação Alta pressão Acidificação NaCl O tratamento pelo calor é o método mais seguro (Kijlstra & Jongert, 2008). Inativação por congelamento Fonte: Kijlstra A, Jongert E. 2008. Control of the risk of human toxoplasmosis transmitted by meat. Int J Parasitol, 38:1359-1370. O cozimento da carne no microondas NÃO garante a inativação dos cistos aquecimento não é uniforme (Lunden & Uggla,1992). Inativação pelo calor Vacinas para Toxoplasmose Prevenção de toxoplasmose congênita Prevenção de cistos teciduais Prevenção da eliminação de oocistos Elisabeth A Innes, Paul M Bartley, Stephen Maley, Frank Katzer, David Buxton. Veterinary vaccines against Toxoplasma gondii. Mem Inst Oswaldo Cruz, 104(2): 246-251, 2009. *** Não há vacina para uso humano Evitar o consumo de carne crua ou mal cozida; Cuidado ao manipular as fezes de gatos (usar luvas); Proteger os tanques de areia, lavar as mãos antes de manipular os alimentos; Filtrar a água; Lavar muito bem frutas e verduras. PREVENÇÃO TENÍASE - CISTICERCOSE Teníases Vermes de corpo achatado (“fita”); Conhecidos como “solitária” Cabeça: escólex Corpo: estróbilo Segmentos = proglotes Proglotes grávidas são ou eliminadas nas fezes ativamente pelo ânus. Escólex Estróbilo Teníase - Cisticercose Endêmica nos países latino-americanos, asiáticos e africanos. Brasil: endêmico em 16 estados brasileiros Maiores notificações no Sul e Sudeste ; Procedentes de outros estados (Norte e Nordeste). EUA (Nova York, Chicago, Los Angeles): casos importados. Países islâmicos: Proibição do consumo de carne suínaDoença é inexistente. Teníase Tênia da carne de porco: Taenia solium Tênia da carne bovina: Taenia saginata Ingestão de carne contendo larvas; Verme adulto no intestino do homem. ovos de Taenia Cisticercose Ingestão de solium Salada, frutas e verduras. Larvas nos tecidos (cérebro) Taenia saginata 4 a 12 metros de comprimento; 1000 a 2000 proglotes; 40.000 a 80.000 ovos por proglote; Proglote grávida: ramificações uterinas numerosas; Ovo embrionado = embrião hexacanto com casca espessa. Taenia solium 1,5 a 4 metros de comprimento; 700 a 900 proglotes; Escólex com coroa dupla (acúleos); Proglote grávida: ramificações uterinas pouco numerosas; Ovo embrionado = embrião hexacanto com casca espessa. Sintomas . Teníase (parasitose intestinal): Maioria dos casos assintomática; Dores abdominais, náuseas, debilidade, perda de peso, flatulência, diarréia ou constipação. Retardo no crescimento e desenvolvimento das crianças e baixa produtividade no adulto. Período de incubação: cerca de 3 meses após a ingestão da carne contendo larvas. Longevidade: 25 a 30 anos. Complicações: Obstrução do apêndice, colédoco, ducto pancreático: - Intervenção cirúrgica Cisticercose Período de incubação: 15 dias a anos. Sistema nervoso central: Sintomas neuropsiquiátricos: Convulsões Hipertensão intracraniana Distúrbio de comportamento (sistema límbico) Globo Ocular: Turvação visual até cegueira; Cisticerco causa inflamação intensa, com eventual destruição do olho. Tratamento Teníase: Mebendazol Praziquantel Albendazol Neurocisticercose : Terapia de suporte (uso de anticonvulsivantes). Em casos específicos: Hospitalização; Praziquantel associado à Dexametasona para reduzir a resposta inflamatória, consequente à morte dos cisticercos; Albendazol associado a Metilpredinisolona. Orientação médica. Controle Educação sanitária: Medidas de higiene pessoal; Ingestão de carne bem cozida. Inspeção sanitária da carne: Reduzir a comercialização ou o consumo de carne contaminada por cisticercos. Fiscalização de produtos de origem vegetal: Proibir a irrigação de hortas e pomares com água de rios e córregos, que recebam esgoto ou outras fontes de águas contaminadas com ovos de Taenia sp. Cuidados na suinocultura: Impedir o acesso do suíno às fezes humanas e a água e alimentos contaminados com material fecal. image9.jpg image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.jpg image8.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.jpg image18.png image19.png image20.png image21.jpg image22.png image23.jpg image24.jpg image25.jpg image26.png image27.png image28.png image29.png image38.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.jpg image35.png image36.png image37.png image39.png image40.jpg image41.png image42.png image43.png image44.jpg image45.jpg image46.png image47.png image48.jpg image49.jpg image50.png image51.jpg image52.png image53.png image54.png image55.png image56.png image57.png image58.png image59.jpg image60.png image61.png image62.png image63.png image64.png image65.png image74.png image75.png image66.png image67.png image68.png image69.png image70.png image71.png image72.png image73.png image76.png image77.png image78.jpg image79.jpg image80.jpg image81.png image82.png image83.jpg image84.png image85.png image86.png image87.png image88.png image89.png image90.png image91.png image92.png image93.png image94.png image95.jpg image96.jpg image97.png image98.png image99.png image100.png image101.jpg image102.jpg image103.png image104.png image105.png image106.png image107.jpg image108.jpg image109.png image110.png image111.png image112.png image113.png image114.jpg image115.jpg image116.png image117.jpg image118.jpg image119.png image120.jpg image121.jpg image122.png image123.png image124.png image125.png image126.png image127.png image128.png image129.png image130.png image131.png image132.png image133.png image134.png image135.png image136.png image137.png image138.jpg image139.png image140.png image141.png image142.jpg image143.png image144.png image145.png image146.png image147.png image148.png image149.png image150.png image151.jpg image152.png image153.jpg image154.jpg image155.jpg image156.jpg image157.png image158.jpg image159.png image160.png image161.png image162.png image163.png image164.png image165.png image166.png image167.png image168.jpg image169.png image170.png image171.jpg image172.jpg image173.png image174.png image175.png image176.png image177.png image178.png image179.png image180.png image186.png image187.png image181.png image182.png image183.png image184.png image185.png image188.png image189.png image190.png image191.jpg image192.png image193.jpg image194.png image195.png image196.png image197.jpg image198.png image199.jpg image200.jpg image201.jpg image202.png image203.png image204.jpg image205.jpg image206.png image207.png image208.png image209.png image210.png image211.png image212.png image213.png image214.jpg image215.jpg image216.jpg image217.png image218.png image219.jpg image220.png image221.png image222.png image223.png image224.png image225.png image226.png image227.png image228.png image229.png image230.jpg image231.png image240.png image241.png image242.png image243.png image244.png image245.png image246.png image232.png image247.png image248.png image233.png image234.png image235.png image236.png image237.png image238.png image239.png image249.png image250.png image251.png image252.png image253.png image254.jpg image255.png image261.png image262.jpg image263.png image264.jpg image265.png image266.jpg image256.png image257.png image258.png image259.png image260.png image267.png image268.png image269.png image270.png image271.png image272.png image273.jpg image274.png image275.png image284.png image374.png image375.png image376.png image377.png image378.png image379.png image380.png image381.png image382.png image383.png image285.png image384.png image385.png image386.png image387.png image388.png image389.png image390.png image391.png image392.png image393.png image286.png image394.png image395.png image396.png image397.png image398.png image399.png image400.png image401.png image402.png image403.png image287.png image404.png image405.png image406.png image407.png image408.png image409.png image410.png image411.png image412.png image413.png image288.png image414.png image415.png image416.png image417.png image418.png image419.png image420.png image421.png image422.png image423.png image289.png image424.png image425.png image426.png image427.png image428.png image429.png image430.png image290.png image291.png image292.png image293.png image276.png image294.png image295.png image296.png image297.png image298.png image299.png image300.png image301.png image302.png image303.png image277.png image304.png image305.png image306.png image307.png image308.png image309.png image310.png image311.png image312.png image313.png image278.png image314.png image315.png image316.png image317.png image318.png image319.png image320.png image321.png image322.png image323.png image279.png image324.png image325.png image326.png image327.png image328.png image329.png image330.png image331.png image332.png image333.png image280.png image334.png image335.png image336.png image337.png image338.png image339.png image340.png image341.png image342.png image343.png image281.png image344.png image345.png image346.png image347.png image348.png image349.png image350.png image351.png image352.png image353.png image282.png image354.png image355.pngimage356.png image357.png image358.png image359.png image360.png image361.png image362.png image363.png image283.png image364.png image365.png image366.png image367.png image368.png image369.png image370.png image371.png image372.png image373.png image431.jpg image432.png image433.png image442.png image443.png image444.png image445.png image446.png image447.png image448.png image449.png image450.png image451.png image434.png image452.png image453.png image454.png image455.png image456.png image457.png image458.png image459.png image460.png image435.png image436.png image437.png image438.png image439.png image440.png image441.png image461.png image462.jpg image463.jpg image464.jpg image465.png image466.jpg image467.png image468.jpg image469.png image470.jpg image471.png image472.png image473.jpg image474.png image475.png image476.png image477.jpg image478.png image479.jpg image480.jpg image481.png image482.png image483.png image484.png image485.png image486.png image487.png image488.png image489.jpg image490.jpg image491.jpg image492.jpg image493.jpg image494.jpg image495.png image496.jpg image497.png image498.png image499.jpg image500.png image501.jpg image502.png image503.jpg image504.png image505.jpg image506.png image507.jpg image508.png image509.jpg image510.png image511.png image512.png image513.png image514.png image515.png image516.png image517.png image518.jpg image519.jpg image520.jpg image521.png image522.png image523.png image524.png image525.png image526.png image527.png image528.jpg image529.jpg image530.png image531.jpg image532.jpg image533.png image534.png image535.jpg image536.png image537.png 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