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OS TRANSTORNOS DA DISLEXIA NA ALFABETIZAÇÃO 
 Odília Aparecida Sales Moreira Maia 
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo elucidar o tema dislexia e seus transtornos na alfabetização. Entre várias dificuldades de aprendizagem associadas ao insucesso da vida estudantil, a dislexia se destaca por estar relacionada à leitura e à escrita. Além de hereditária e congênita, a dislexia não advém de causas culturais, intelectuais e emocionais. Geralmente a criança falha no processo de aquisição da linguagem.
No estudo bem como no tratamento desse transtorno, não podemos deixar de citar a importância do psicopedagogo como um dos profissionais que deve compor o grupo multidisciplinar de avaliação dele. Seu trabalho consiste em estudar o processo de aprendizagem, suas dificuldades e contribuir na recuperação das habilidades cognitivas, emocionais, sociais, visando o sucesso nos diversos contextos em que atua. 
PALAVRAS-CHAVE: Dislexia; Reeducação; Alfabetização; Diagnóstico.
ABSTRACT 
This work aims to elucidate the topic of dyslexia and its literacy disorders. Among several learning difficulties associated with failure in student life, dyslexia stands out for being related to reading and writing. In addition to being hereditary and congenital, dyslexia do not arise from cultural, intellectual or emotional causes. Generally, the child fails in the language acquisition process.
In the study as well as in the treatment of this disorder, we cannot fail to mention the importance of the psych pedagogue as one of the professionals who must form part of the multidisciplinary group to evaluate it. Its work consists of studying the learning process, its difficulties and contributing to the recovery of cognitive, emotional and social skills, aiming for success in the different contexts in which it operates. 
KEYWORDS: Dyslexia; Reeducation; Literacy; Diagnosis.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem o objetivo de demonstrar o quanto a dislexia e os seus transtornos na alfabetização atrapalham a vida escolar do aluno, ocasionando ansiedade e descontentamento para a criança que não consegue focar seu olhar e ler, preocupação para os professores, que necessitam tratar tal criança de forma diferenciada, e para os pais, que muitas vezes se deparam com a difícil situação de não entender por que o filho não aprende. 
Ler e escrever, que aparentemente pode ser tão simples e natural na fase de alfabetização, torna-se uma dificuldade imensa para os disléxicos, podendo inclusive causar implicações emocionais e problemas na personalidade. Por este motivo, caso haja suspeitas fundadas, o diagnóstico e acompanhamento são de suma importância, não devendo ser descartados, na esperança de que com o tempo e a maturidade a criança supere as suas dificuldades sozinha.
Uma das primeiras manifestações dessa dificuldade aparece na alfabetização, fase em que a aprendizagem acontece através da decodificação das palavras. Os disléxicos apresentam dificuldades na associação do som à letra (o princípio do alfabeto).
A dislexia é um problema que envolve o processamento da escrita no cérebro e o disléxico comumente confunde o posicionamento das letras e esquerda com direita no sentido espacial. Então o disléxico enxerga de forma diferente.
As causas da dislexia são neurobiológicas e genéticas. Sendo considerada uma herança genética, uma criança disléxica com certeza tem pais, avôs, tios ou primos também portadores de tal transtorno, mesmo que não o saiba.
É importante enfatizar que a dislexia é de difícil e por vezes demorado diagnóstico, uma vez que se torna necessário o descarte de deficiências visuais e auditivas; déficit de atenção; problemas psicológicos e ou fisiológicos que afetem o aprendizado.
Diagnosticado o distúrbio, o tratamento é longo exigindo persistência, para que a criança aprenda não somente a conviver como a superar tal dificuldade.
É interessante citar exemplos de algumas pessoas famosas que alcançaram grande sucesso profissional, como Thomas Edison (inventor), Tom Cruise (ator), Walt Disney (fundador dos personagens e estúdios Disney), Agatha Christie (escritora), Robin Williams (ator), Pablo Picasso (pintor) e Whoopi Goldberg (atriz), entre outros.
Assim, ao contrário do que muitos pensam, ter dislexia não significa ser ignorante ou ter dificuldade em absolutamente tudo, como é o caso destes artistas mundialmente reconhecidos. Muitas vezes, disléxicos têm mais facilidade que a maioria das pessoas em áreas de criatividade e solução de problemas que não exijam leitura e escrita.
O filme “Somos Todos Diferentes” (Taare Zameen Par, Índia, 2007), é uma gratificante pesquisa de campo. Conta a história de uma criança de 9 anos que sofre com dislexia e custa a ser compreendida, já repetiu uma vez o terceiro período (no sistema educacional indiano) e corre o risco de repetir de novo. As letras dançam em sua frente, como diz, e não consegue acompanhar as aulas nem focar sua atenção. Seu pai acredita apenas na hipótese de falta de disciplina e trata o menino com muita rudez e falta de sensibilidade. Inesperadamente, um professor substituto de artes entra em cena e logo percebe que algo de errado estava pairando sobre a criança e não demorou que o diagnóstico de dislexia ficasse claro para ele, o que o leva a por em prática um ambicioso plano de resgatar aquele garoto que havia perdido sua réstia de luz e vontade de viver.
DESENVOLVIMENTO 
Entre tantas definições, é uma dificuldade na área da leitura, escrita e soletração, que pode também ser acompanhada de outras dificuldades, como, por exemplo, na distinção entre esquerda e direita, na percepção de dimensões, na realização de operações aritméticas e no funcionamento da memória de curta duração.
Para iniciar a abordagem do presente tema, cabe esclarecer que o significado de dislexia se deriva do grego, em que “dis” se refere a um “distúrbio ou disfunção”, e “lexia” representa “linguagem”, e no latim refere-se a “leitura”, sendo assim, a palavra dislexia quer dizer um distúrbio de linguagem ou de leitura.
Neste contexto, sem entender o real significado do distúrbio e, sim, levando em conta somente o significado da palavra muitos rotulam o aluno como um mau leitor, ou seja, alguém que tem capacidade de leitura, porém não se faz capaz de entender de maneira eficiente o que está lendo, de realizar uma interpretação.
Somente no início do século XX, psicólogos e educadores começaram a se importar com os transtornos específicos da linguagem, antes se concentravam apenas no aspecto pedagógico do problema. Ao mesmo tempo, a classe médica negligenciava o problema na sala de aula, o que contribuía para estabelecer uma grande lacuna entre o diagnóstico das crianças e sua recuperação.
São levantadas algumas teorias que visam explicar a origem da dislexia, no entanto não existe um consenso no que tange a sua causa.
A dislexia tem sido relacionada a fatores genéticos, acometendo pacientes que tenham familiares com problemas fonológicos, mesmo que não apresentem dislexia. As alterações ocorreriam em um gene do cromossomo 6. A dislexia, em nível cognitivo-linguístico, reflete um déficit no componente específico da linguagem, o módulo fonológico, implicado no processamento dos sons da fala. Uma criança que tenha um genitor disléxico apresenta um risco importante de apresentar dislexia, sendo que 23 a 65 % delas apresenta o distúrbio.
Um gene recentemente relacionado com a dislexia é chamado de DCDC2. Segundo o Dr. Jeffrey R. Gruen, geneticista da Universidade de Yale, Estados Unidos, tal gene é ativo nos centros da leitura do cérebro humano.
Outro gene, chamado Robo1, descoberto por Juha Kere, professor de genética molecular do Instituto Karolinska de Estocolmo, é um gene de desenvolvimento que guia conexões, chamadas axônios, entre os dois hemisférios do cérebro.
Pesquisadores dizem que um teste genético para a dislexia pode estar disponível dentro de curtíssimo espaço de tempo. Crianças de famílias que têm história da dislexiapoderão ser testadas. Se as crianças tiverem o risco genético, elas podem ser colocadas em programas precoces de intervenção.
A psicopedagoga Mara Dias explica que esses distúrbios não afetam o desenvolvimento intelectual das crianças e adolescentes. “Algumas pessoas erroneamente classificam as crianças que possuem alguma dificuldade em aprender, motora ou não, como sujeitos com desenvolvimento intelectual comprometido. Na verdade, essas crianças podem ser muito inteligentes, mas detêm uma forma de aprender diferenciada, e alguns conhecimentos precisarão respeitar as limitações por elas apresentadas”.
É um pensamento que, apesar de ainda existir por parte de muitas pessoas, tende a desaparecer, talvez a médio prazo. Dentro de uma ainda nova pedagogia o repeito à individualidade de cada criança permite não exigir que ela seja, aja ou aprenda no mesmo tempo e da mesma forma que os seus pares. 
Os professores precisam estar preparados para lidar com esses alunos, cuidar para não os excluir das atividades e, sim, aplicar as mesmas de forma diferenciada.
Mesmo com todo o desenvolvimento de pesquisas ainda há muito a se desvendar sobre o distúrbio.
 Além de ser um problema de ordem genética, observa-se ser mais comum entre as crianças do sexo masculino.
Um importante passo foi dado em 1983, quando se fundou a Associação Brasileira de Dislexia – ABD, que inicialmente era apenas um ponto de estudos, encontros e trocas de informações, bem como divulgação do distúrbio com apoio de entidades internacionais. 
Em 1988, iniciavam-se as atividades do Centro de Avaliação e Encaminhamento (CAE), para atender, a pedido dos pais, a demanda criada pela divulgação e os profissionais em busca de respostas e orientações mais concretas, visando aumentar os conhecimentos para poder ajudar as crianças disléxicas em suas dificuldades e descobrir o tratamento mais adequado. Desta forma, calcula-se que o paciente provavelmente terá melhora de até 80%. 
Intenciona-se saber sua origem, em que momento começa a se estabelecer durante o processo de formação cerebral. Ainda na gestação, entre a 20ª e 23ª semana, os neurônios migram do núcleo para a periferia do cérebro do feto. Nos disléxicos, alguns neurônios se perderiam no caminho, comprometendo as áreas cerebrais envolvidas no processamento da linguagem. Por isso, o cérebro dos disléxicos seria menos especializado para decifrar e ordenar letras e números para a orientação espacial e para capacidades motoras finas e grossas, como desenhar e chutar bola. 
Pesquisas precisam ser feitas, pois até o presente momento não são conhecidos autores que tenham conseguido descobrir algo capaz de recuperar essas funções.
Acredita-se que os sintomas da dislexia sejam minimizados com um trabalho que possa melhorar a ativação específica da área cerebral. Para entender melhor e ter um diagnóstico mais preciso, foi usada a técnica de Imagem Funcional de Ressonância Magnética, porque só assim é possível revelar como diferentes áreas cerebrais são estimuladas durante atividades específicas.
Tal descoberta enfatizou que esta região cerebral é a chave para a habilidade de leitura. Atrás do ouvido esquerdo, está localizada a área que é chamada região ocipto-temporal esquerda. Encontram-se casos de algumas crianças disléxicas com mais idade que mostram mais ação em uma diferente região cerebral do que os disléxicos com menos idade, isso mostra que outra área abriu esse comando cerebral de modo compensatório.
 Martins (2005) esclarece que a descoberta do gene e de seu funcionamento é de extrema importância para a pedagogia da leitura e da escrita. 
Os professores de crianças disléxicas devem fazer a intervenção pedagógica, de forma individual e eficaz. O autor espera que a linguística se transforme em uma biotecnolinguística para que assim esta dificuldade passe a ser chamada de “desordem genética”. Em síntese, a dislexia provoca uma desordem da linguagem porque impede as relações entre a linguagem auditiva e a linguagem visual, ou seja, a linguagem receptiva e expressiva.
Capovilla (1998) ressalta que muito mais importante do que definir a dislexia e sua etiologia, no sentido de uma rotulação, é diagnosticá-la e tratá-la de modo adequado, a partir de seus sintomas, direcionando a intervenção de forma particular e procurando investigar o seu significado, em cada caso.
Por esta razão, a observação e a percepção do educador precisam estar apuradas. É necessário estar preparado para poder identificar uma criança com deficiência e desta forma ter condições para detectar os graus de dificuldades e programar seu trabalho para o aprendizado eficaz da mesma. 
A criança portadora de dislexia não deve se sentir envergonhada, nem diminuída. Os pais também precisam passar segurança para o filho e para isso convém que sejam orientados corretamente por uma equipe multidisciplinar tanto na forma de tratar o problema como de ajudar seu filho na superação das dificuldades.
Dislexia não é, portanto, falta de inteligência. Apenas os processos neurológicos de recebimento de informações, estão em uma área diferente do cérebro. Assim, saber lidar com tal dificuldade é a melhor forma de conviver com ela e superá-la. Precisamos ter em mente que a segurança transmitida a uma criança diante de situações difíceis em quaisquer circunstâncias a ajudará no seu presente e a preparará para sua vida futura.
O primeiro sinal de possível dislexia pode ser detectado quando a criança, apesar de estudar numa boa escola, possui grande dificuldade em assimilar o que é ensinado pelo professor. O melhor procedimento a ser adotado é permitir que profissionais qualificados avaliem a criança para averiguar se ela é disléxica. A dislexia não é o único distúrbio que inibe o aprendizado, mas não é incomum. 
Alguns sinais da dislexia aparecem na idade escolar, especificamente na hora da alfabetização, por isso deve-se dispensar uma atenção maior caso alguma criança venha apresentar dificuldades significativas no aprendizado. Geralmente, o professor é o profissional que primeiramente poderá suspeitar de tal distúrbio, dado as dificuldades significativas que o aprendiz apresentará no processo de aquisição da leitura e escrita. 
 A cognição é o conhecimento de si mesmo e do mundo e envolve funções, como atenção, percepção, raciocínio, memória, interpretação, pensamento e linguagem. Sua avaliação é importante, pois é sabido que uma boa cognição se associa a uma melhor performance global na vida.
Desta forma, pode-se entender que a capacidade cognitiva tem grande importância no mecanismo que o homem utiliza para entender, assimilar, relacionar e conectar-se com todo o universo ao seu redor, assim como com a sua divina essência. A mente é uma das ferramentas mais potentes, engenhosas e sublimes que permeiam o universo individual e, como qualquer outro instrumento que está disponível para o uso humano, é importante que as pessoas também possuam um amplo conhecimento sobre suas características, seus métodos de uso e suas aplicações, para que, desta maneira, elas tenham o poder pleno para utilizá-la.
Conhecer é atribuir um significado e um sentido aos objetos e acontecimentos, alinhando a capacidade cognitiva com sua representação. O estudioso Jean Piaget verifica o lado bio/lógico que desloca tal representação do âmbito social e oral. 
Nesse sentido bio/lógico, como também da consciência, constitui-se um dos pontos semelhantes, porém polêmicos, na visão piagetiana. Foucault, Pierce, entre outros, se apropriam do problema no âmbito da Psicologia do Desenvolvimento, sendo denominado como sócio-interacionismo, atualmente chama-se período histórico-cultural. Vygotsky fala que: “o pensamento e a linguagem apresentam-se num quadro explicativo radicalmente” A linguagem e o cognitivo não são recíprocos um para o outro. 
Podemos também entender a linguagem como inerente ao ser humano. Não é algo que se adiciona ao pensamento de alguém, A capacidade cognitiva de representação pode aparecer no contexto das práticas sociais como a instrumental que faz parte da psiquehumana. Se fizermos a distinção entre os homens e os animais, a psicologia e a significação serão a criação e a utilização de signos, de sinais artificiais. 
Para definir “signo”, mais especificamente, se constitui de duas espécies: uma do lado social e outra do lado individual, do público e do privado, enquanto se configura como atividade (produto e produção) humana nos níveis de superação desses limites na comunicação, interação social e instrumental (representação, cognição). Na teoria, o cognitivo e o conhecimento humano serão considerados de natureza social, na medida em que as atitudes da criança adquirirem sentido num sistema de relações sociais.
Na realidade, muitas dessas dificuldades poderiam ser resolvidas dentro da própria escola. De acordo com Martins (2004), o disléxico na idade de leitura pode vir a ser até dois anos inferior a idade cronológica e esse déficit se traduz em dificuldades e na demora para ler, geralmente observa-se também grafia ruim e erros ortográficos ao escrever, assim como omissão de letras e espelhamento.
A maioria dos tratamentos enfatiza a assimilação de fonemas, o desenvolvimento do vocabulário, a melhoria da compreensão e fluência na leitura. Esses tratamentos ajudam os disléxicos a reconhecerem sons, sílabas, palavras e, por fim, frases. Ajudar os disléxicos a melhorarem sua leitura é muito trabalhoso e exige muita dedicação, mas toda criança disléxica necessita de apoio e paciência. Segundo Pinto 2003:
“Quando a criança está sendo alfabetizada, destacamos quatro das habilidades fundamentais da linguagem falada: leitura, escrita, fala e escuta. Podemos destacar a leitura como a habilidade linguística mais difícil e complexa e diretamente é a mais relacionada com a dificuldade específica de acesso a escrita denominada ‘dislexia’”.
Lima (2002) ressalta que é função da escola é ampliar a experiência humana, a escola não pode se limitar ao que é significativo para o aluno, mas criar situações de ensino trazendo experiência e aumentando os campos de significação. O desenvolvimento da criança na sua construção de significados só pode ter sentido para a criança, aquilo do qual ela possui um mínimo de experiência e de informação. 
Segundo Fonseca (1995) retrata muito bem isso quando diz que “Uma coisa é a criança que não quer aprender a ler, outra é a criança que não pode aprender a ler com os métodos pedagógicos tradicionais”.
A atitude não deve ser modificada perante a afirmativa de que a dislexia não existe, o distúrbio é muito mais do que uma dificuldade na leitura. Normalmente não aparece isolado, surge integrado com inúmeros problemas que justificam a deficiência no processo do comportamento simbólico que trata de um efeito meramente humano. 
Deve-se saber que antes de ser dado à criança um livro para ler, elas devem aprender os sons das letras, que são os fonemas. Depois que alguns desses já foram aprendidos, se ensina a combiná-las de modo a formar palavras.
Feitelson (1988) fala do método fonético, como sendo o mais adequado na alfabetização de disléxicos e dos não disléxicos, tentando favorecer a consciência fonológica que é a capacidade de perceber que o discurso espontâneo é uma sequência de sentenças e que estas são uma sequência de palavras (consciência da palavra), que as palavras são uma sequência de sílabas (consciência silábica) e que as sílabas são uma sequência de fonemas (consciência fonêmica), o que auxilia muito nas dificuldades dos alunos disléxicos. 
Não é necessário que estejam presentes todos estes indicadores em simultâneo para que seja diagnosticado um caso de dislexia, eles são apenas indicadores para que suspeitemos de um possível caso de dislexia .
O método multissensorial de Montessori busca combinar diferentes modalidades sensoriais no ensino da linguagem escrita às crianças. Ao unir as modalidades auditiva, visual, sinestésica e tátil, esse método facilita a leitura e a escrita ao estabelecer a conexão entre aspectos visuais (a forma ortográfica da palavra), auditivos (a forma fonológica) e sinestésicos (os movimentos necessários para escrever aquela palavra). 
De acordo com Montessori (1948):
“Maria Montessori foi uma das precursoras do método multissensorial. Ela defendia a participação ativa da criança durante a aprendizagem e o movimento era visto como um dos aspectos mais importantes da alfabetização. A criança devia, por exemplo, traçar a letra enquanto o professor dizia o som correspondente”. 
A prática do método fônico exemplifica os objetivos que desenvolve as habilidades metafonológicas para ensinar o que significa as correspondências grafo-fonêmicas, na constatação da dificuldade e experiência que a criança disléxica possui, como separar e manipular, principalmente, os sons.
Esta dificuldade para ser diminuída faz-se necessário à introdução de atividades explícitas e sistemáticas da consciência fonológica, isto pode ocorrer mesmo antes da alfabetização. 
Ler, escrever e interpretar é um grande desafio para uma criança. A família precisa participar deste processo, parando e refletindo sobre o mesmo e tudo que o envolve. Professores e profissionais de educação também sempre precisam estar atentos ao que acontece com cada aluno e quais são as atividades adequadas para que todos tenham a oportunidade de aprender.
São muitas as dificuldades das crianças no início do processo de aprendizagem da língua escrita, ainda que apresentem um perfil normal de desenvolvimento. 
Segundo Ferreiro e Teberosky (1986), a escrita não reflete uma exata correspondência com a fala. Ela é representada por meio de letras e fonemas, mas nem sempre um fonema corresponde a uma letra; muitas vezes a palavra escrita tem mais letras do que os sons que pronunciamos (grafemas). Raramente usamos os fonemas isoladamente, sendo que, de início, a unidade mais facilmente aprendida pela criança é a sílaba, um dos motivos pelos quais, aliás, a criança antes de chegar à fase alfabética se utiliza da representação silábica. 
A preocupação dos educadores tem se voltado para a busca do “melhor” ou “mais eficaz”, levantando, assim, uma polêmica em torno de dois tipos fundamentais: métodos sintéticos, que partem de elementos menores que a palavra, e métodos analíticos, que partem da palavra ou de unidades maiores.
O método sintético consiste, fundamentalmente, na correspondência entre o oral e escrito, entre o som e a grafia. Outro ponto chave para esse método é estabelecer a correspondência a partir dos elementos mínimos, num processo que consiste em ir das partes ao todo. Os elementos mínimos da escrita são as letras. Durante muito tempo se ensinou a pronunciar as letras, estabelecendo-se as regras de sonorização da escrita. 
A escolha dos métodos depende da gravidade da dislexia e das características peculiares do disléxico. Inclusive, haverá variações de métodos, pois é dessa forma que o reeducador vai analisar as possibilidades de combinações e variações de métodos, de acordo com as deficiências que o disléxico apresentar na sala de aula.
De acordo com a Constituição Federal, toda criança disléxica tem direito de receber ajuda nas leituras e de não fazer nada por escrito. As escolas são autorizadas legalmente a avaliar esses alunos apenas oralmente.
Todos devem ter a ciência de que a criança disléxica possui uma dificuldade de caráter permanente e duradouro, o que não a impede de aprender a ler e escrever, mesmo sendo com algumas dificuldades.
A criança disléxica precisa de cuidados especiais para que isso não atrapalhe seu futuro e para que possa obter sucesso escolar. É necessário que a escola e os pais possam dar apoiar ao aluno. Aos pais que notarem que seu filho tem dificuldades, mesmo antes da idade escolar, não devem deixar de matriculá-lo na escola na idade certa, pois quanto antes a criança tiver apoio de profissionais especializados, antes ela aprende a conviver e superar suas dificuldades. O professor é um dos profissionais que estão indicados para ajudá-la com apoio de uma equipe multidisciplinar.
A escola foi feita para todos. O acesso àescola foi uma reivindicação e conquista dos trabalhadores, esse direito está garantido pela Constituição Federal de 1988, reafirmado e regulamentado pela LDB 9394/96 e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990), e as mudanças na lei garantem que todos, tenham eles dificuldades ou não, possam dar continuidade ao estudo.
Apesar disso, ainda temos um alto índice de evasão e repetência nas escolas públicas do Brasil, principalmente em regiões que não sejam pertencentes aos estados mais ricos do país. Este ainda é um desafio a ser superado pelo sistema educacional, pois temos interesse e lutamos por uma escola de qualidade para todos.
Além do acesso à escola, a continuidade garante a essas crianças a permanência e sucesso nos estudos para que aprendam e sejam capazes de aplicar no seu cotidiano todo o conhecimento adquirido de tal maneira que possa contribuir com a melhoria de sua qualidade de vida e dos que com elas convivem, sabendo atuar como alguém que consegue ser crítico perante a sociedade. Nas crianças que apresentam Necessidades Especiais a modificação e adaptação das práticas educativas e/ou o apoio de estruturas de Educação Especial, permitem o pleno desenvolvimento de suas capacidades.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao pesquisar sobre dislexia na alfabetização, foi possível compreender e considerar a história dos métodos de aprendizagem da leitura e da escrita, bem como a concepção de alfabetização que constituem elementos de muita polêmica entre os estudiosos do assunto.
O professor precisa estar aberto às mudanças que ocorrem em seu tempo. O acompanhamento das mudanças exige do professor, principalmente do que trabalha com alfabetização, novas formas de tornar eficaz e prazeroso tal processo que é longo e desafiador.
Para o diagnóstico da dislexia, bem como vários outros transtornos, é necessário muito estudo e pesquisa tanto com a família quanto com a criança. Tal transtorno é de difícil diagnóstico, sendo comumente percebido na fase de alfabetização. Até que o professor conheça a criança, suspeite do distúrbio e convença os pais da necessidade de procurar ajuda pode-se levar um período de considerável espaço de tempo. 
Não é necessário que qualquer dificuldade de aprendizado leve um docente a encaminhar o aluno para profissionais especializados. Se assim acontecesse, os consultórios psicológicos estariam lotados de crianças. É necessário o cuidado em obsevar as crianças e estar sempre se atualizando antes de tomar qualquer atitude, pois muitas dificuldades estão relacionadas a problemas, perfeitamente superáveis, com o tempo e a maturidade do aluno, dentro da própria sala de aula.
Há algumas características específicas dos disléxicos, mas de difícil percepção para aqueles que muitas vezes não são especializados.
Devido à incompreensão do problema, a criança pode ser considerada como problemática e não como uma criança com dificuldade que necessita de auxílio para superar o obstáculo. A criança com dificuldades significativas no aprendizado da leitura e escrita tende a ter outros problemas, inclusive comportamentais, sendo muitas vezes considerada desatenta e preguiçosa, quando na verdade o problema é que por mais que tente, não consegue realmente aprender pelos métodos convencionais. Sendo assim tratada, se sentirá incapaz de realizar suas tarefas ao se comparar com os colegas, que são competentes.
É aconselhável que os professores e demais envolvidos compreendam as dificuldades dessa criança, entendam os processos de leitura, métodos e estratégias para que se providenciem intervenções adequadas.
É necessário que a relação afetiva seja fortalecida, para que as práticas educativas tenham efeito, respeitando e aceitando a criança como ser em construção que, por alguma razão, necessita de uma atenção mais centrada. Nessa interação, deve se sobrepor o respeito, o carisma e a empatia para que o vínculo de confiança seja construído, visando à integração da criança na sociedade.
Durante processo de aquisição do sistema de escrita, o professor precisa compreender que é fundamental promover práticas de alfabetização, tratando o educando de forma que ele consiga aprender, utilizando a seu favor o processo de construção da base alfabética através do som. Caso isso não ocorra, o disléxico irá continuar escrevendo errado já que ele troca letra e sílabas.
Na chamada rota lexical, a pronúncia não é construída segmento a segmento, mas resgatada como um todo a partir do léxico. Contudo, ela pode ser usada somente quando o item a ser lido tem sua representação ortográfica pré-armazenada no léxico mental ortográfico. Na leitura por esta rota, o item é reconhecido ortograficamente e suas formas ortográficas (isto é, morfemas e palavras) são ativadas.
A forma ortográfica ativa sua representação semântica antes de ativar a forma fonológica. Nesta rota, a pronúncia é obtida a partir do reconhecimento visual do item escrito e o leitor tem acesso ao significado daquilo que está sendo lido antes de emitir a pronúncia propriamente dita. É fundamental conhecer as estratégias e as rotas de leitura para que o aprendizado seja eficaz para a criança disléxica. 
Intervenções certas e tratamento adequado permitirão que o aluno obtenha êxito nos estudos.
Não é por ser um problema de leitura e escrita que o mesmo deve ser resolvido apenas no âmbito escolar. Cabe a todos os envolvidos (pais, família, professores, especialistas) acompanhar adequadamente a criança. O apoio e acompanhamento fora da escola são primordiais, caso contrário, os sintomas persistirão e irão permear a fase adulta, com possíveis prejuízos emocionais e consequentemente sociais e profissionais.
O desprezo com tal criança e a falta de empenho em ajudá-la na superação do transtorno poderá trazer, como consequência, outros problemas, como depressão, ansiedade, baixa autoestima e algumas vezes o ingresso para as drogas e o álcool.
O professor deve ter o compromisso de, após suspeitar da dislexia ou qualquer outro distúrbio em seu aluno, encaminhá-lo para averiguação de profissionais especializados. Também acaba sendo de sua responsabilidade a orientação aos pais/responsáveis sobre a importância de procurarem tal ajuda. Obviamente, ao professor cabe a maior parte da responsabilidade de alfabetizar a criança.
Pode ele orientar os pais quanto ao modo de ajudar seu filho dentro do que ele espera que o aluno aprenda. Respeitar o ritmo de aprendizado de um aluno, não significa deixar por conta dele, mas sim entender o porquê de seu avanço mais lento.
Cabe ao psicopedagogo clínico pesquisar e descobrir os fatores que impedem ou atrapalham o aluno no aprendizado, juntamente com uma equipe multidisciplinar (fonoaudiólogos, psicólogos e médicos) bem como em sua clínica observar e diagnosticar o aluno, utilizando técnicas apropriadas com atendimento individualizado para que a criança alcance o sucesso na sua trajetória do processo ensino-aprendizagem. É importante ressaltar que ao psicopedagogo também cabe a prevenção para que seus pacientes não sofram outras dificuldades pessoais decorrentes de tal transtorno tais quais as já acima citadas.
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