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POR UMA CARTOGRAFIA DA CULTURA HISTÓRICA ESCOLAR: investigando o que sabem os estudantes do ensino fundamental sobre história e cultura dos povos indígenas e afro-brasileiros Juliana Alves de Andrade Não nos enganemos: a imagem que temos de outros povos, e até de nós mesmos, está associada a história que nos ensinaram quando éramos crianças. Ela nos marca para o resto da vida (FERRO, 1983, p. 11). Ao desenvolver de forma pioneira investigações sobre o ensino de his- tória através dos diferentes meios de comunicação (televisão, histórias em quadrinhos, filmes e livros didáticos), os argumentos apresentados pelo his- toriador francês Marc Ferro nos chama atenção por sua atualidade e pelos pertinentes problemas suscitados, sobretudo, os relativos à produção e difu- são do conhecimento histórico no espaço escolar e os desdobramentos desses saberes na vida prática de crianças e adolescentes, ao se tornarem adultos. Em meados da década de 1980, o autor da obra "A manipulação da História no ensino de nos meios de comunicação" faz uma reflexão sobre o modo como às crianças aprendem história a partir de múltiplos instru- mentos, reconhecendo o espaço escolar como um lugar privilegiado nesse processo de produção da "imagem que temos de outros povos, e até de nós mesmos", por protagonizar uma formação histórica extensa, participando da construção da identidade de crianças e adolescentes durante muitos anos. Tal afirmativa, não desconsidera o relevante papel dos espaços midiáticos, mas reafirma o papel estratégico desempenhado pela escola na construção de representações sobre os diferentes sujeitos, espaços e temporalidades. Enquanto Marc Ferro interessava-se pelos fenômenos dos usos das di- ferentes linguagens e os seus benefícios para o processo de ensino-aprendi- zagem de História, pesquisadores ingleses, como Peter Lee, no final dos anos de 1970, preocupavam-se com o status da disciplina de História no espaço escolar diante do contexto desafiador imposto pelos meios de comunicações. cenário composto por jovens seduzidos pelas imagens em movimento do cinema e programas de televisão, representações pejorativas sobre o Ensinoinútil e maçante) e o fim da disciplina de história que consiga capturar os elementos que compõem esse objeto. A intenção no espaço escolar, contribuiu para que os pesquisadores organizassem inves- do trabalho também é retratar a partir de dados preliminares, os saberes que tigações sobre as ideias trazidas pelas crianças para disciplina de história e os estudantes possuem sobre a história e a cultura de dois grupos sociais as imagens e conceitos produzidos pela disciplina de história nas crianças, (indígenas e afro-brasileiros) e em que medida eles se relacionam com o como estratégia de melhoria da situação do Ensino de História nas Escolas saber histórico escolar. mapeamento desses saberes permitiram que fos- Britânicas e redefinição do lugar da disciplina de história na sociedade. sem localizadas as permanências e mudanças das concepções das crianças e trabalho produziu efeitos, e hoje os ingleses reconhecem o importante papel adolescentes no interior das instituições de ensino e que se construíssem ex- da história no processo alfabetização e letramento histórico de crianças e pressões capazes de materializar em palavras as diferentes manifestações do adolescentes (LEE, 2001, p. 11). saber histórico escolar no tempo presente, como a que foi criada denominada Os desafios enfrentados pelos franceses e ingleses também foram vi- de Cultura História Escolar74. venciados em outras localidades, por exemplo, eles se manifestaram, com Para construir esse "esboço de mapa", tomamos como ponto de refe- maior intensidade na América Latina a partir década de 1990, com o advento rência a constituição do campo de investigação Educação História e Didática dos meios de comunicação de massa e a lenta desagregação do paradigma da História, os conceitos de Cultura Histórica e Cultura Escolar e os princí- hegemônico na didática da disciplina. Nota-se que desde esse momento, pro- pios da técnica Delphi e das Diretrizes Curriculares blemas relativos à empatia, apatia, aprendizagem histórica e metodologias Nacionais para a Educação das Relações e para o Ensino de de ensino serão investigados em toda a América Latina, constituindo um História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Em seguida, alguns "retratos" campo de pesquisa intitulado Ensino de História. sobre o que sabem as crianças, produzidos a partir de duas questões: Que Atualmente no Brasil encontram-se pesquisas sobre os mais diferentes histórias são contadas aos adolescentes sobre os povos africanos, afro-bra- fenômenos relacionados ao processo de ensino-aprendizagem (formação de sileiros e indígenas nas escolas da cidade do Recife? E quais marcas eles professores, avaliação de políticas públicas, currículo e materiais didáticos) levaram para o "resto da vida"? no campo da Educação Histórica e Didática da História as investigações Nesse sentido, o nosso objetivo é cartografar as diferentes manifesta- organizam-se em dois eixos: a) pesquisas sobre a aprendizagem histórica dos ções da cultura histórica escolar e os múltiplos sentidos de história, cultura estudantes e b) pesquisas referente à função social da História (SCHMIDT, e memória, por isso fizemos alusão ao ato de mapear, retratar e desenhar no 2005, p. 27). Nos últimos anos, encontramos muitos trabalhos sendo de- título do texto. A seguir apresentaremos os desafios enfrentados pelo pro- nessa área, entre esses as nossas pesquisas desenvolvidas na cesso de composição e teste de um instrumento de pesquisa que permita JFRPE, que por ora, socializaremos alguns resultados mapear informações que respondam questões relacionadas ao contexto de São essas imagens, narrativas e marcas anunciadas por Marc Ferro, uma Educação para as Relações étnico-raciais no Brasil. ue a Linha de Pesquisa em Ensino de História: Avaliação Aprendizagem, ligado ao Núcleo de Estudos e Pesquisas em História, Entre leituras e observações: Educação e Culturas-NEPHCs tem procurado problematizar, identificar, roblematizar e sistematizar. Sob a perspectiva do encontro epistemológico caminhos percorridos por uma excursão investigativa ntre Educação Histórica e Didática da História, o Grupo de Pesquisa tem iciado suas investigações discutindo questões relativas à consciência his- Nas últimas décadas o ensino de história nas escolas brasileiras tem rica e identidade, avaliação da aprendizagem, progressão do conhecimento sido alvo de grande disputa, seja por projetos individuais capitaneados por stórico no espaço escolar, levantando as seguintes questões: que sabem? professores/gestores em busca de melhoria na aprendizagem ou projetos nde aprenderam? Como aprenderam? E qual o impacto do saber histórico colar na vida prática dessas crianças e adolescentes? 74 Expressão utilizada pelos pesquisadores do projeto, para representar modo como conjunto de ações desenvolvidas pelas instituições de ensino vem contribuindo na formação do modo de pensar historicamen- Dessa forma, o presente texto apresenta os caminhos percorridos por te dos sujeitos. o termo não está sendo utilizado como sinônimo da palavra saber histórico escolar, mas excursão investigativa a procura do que estamos chamando de Cultura como um conjunto de ações capazes de articular a formação da consciência histórica. Esse conceito está stórica Escolar e os desafios de construir um instrumento de pesquisa em fase de sistematização, por incorporar em um único termo dois conceitos estabelecidos Cultura História (Rüsen) e Cultura Escolar (Forquin).para modificar a situação da história ensinada, destaca-se Entre as propostas grupos mulheres que através da luta pela liberdade e por seus direitos civis e mendava tuído por a intelectuais, movimento indígena e movimento o projeto consti- reco- cos foram capazes de modificar os rumos da história, conforme nos apontam afro-brasileiros introdução dos estudos da história e cultura dos negro, que os estudos sobre a história indígena e história de africanos e afro-brasileiros vida paração e aproximação do saber histórico escolar estratégia re- social e indígenas nos currículos escolares, como povos africanos, de no pós-abolição no Brasil. No livro Quase Cidadão organizado por Flávio dos Santos Gomes e Olívia instituindo prática das crianças e adolescentes. Recomendação e aos interesses da Maria Gomes da Cunha, os autores no prefácio exploram esses dilemas e ressal- cultura nas escolas brasileiras a obrigatoriedade do ensino que se da tornou lei, tam a importância da problematização das experiências de liberdade para além dispositivos dos povos africanos, afro-brasileiros e indígenas, por meio história de dois e do evento de 1888, como forma de reconhecer as conquistas, os desafios e as legais 10.639/2003 e lutas travadas por grande parte da população brasileira para conquistar direito Passado o período de implantação e consolidação dos essenciais e ter a possibilidade de viver em condições socialmente dignas: retrizes estabelecidos pelos marcos legais, observa-se algumas princípios e di- incorporou engendradas por essas ações no contexto escolar, por exemplo, modificações Diante desse desafio, nossas preocupações se projetam para além da xer em sua gradativamente as temáticas sugeridas pelo documento, o currículo simples (ainda que necessária) problematização do evento e seus sig- nificados, ricos, densos e profundamente enraizados na cultura e no também estrutura; os livros didáticos/paradidáticos e a prática sem me- imaginário da nação. Imaginamos imprescindível inventar um jogo agregaram em suas narrativas e ações o debate sobre temas docente como aparentemente contraditório que nos permitisse nos desvencilhar do etc. No diáspora africana, resistência indígena, cultura evento, direcionando nossas atenções tanto para o cotidiano de margi- entanto, ao voltarmos o nosso olhar para as indígena e nalização quanto para as estratégias de sobrevivência enfrentadas pela históricos tações das crianças e dos adolescentes sobre os diferentes concepções e represen- "população de cor" nos anos que se seguiram a 1888 e, paralelamente, ricos, referentes a subordinação ou emancipação desses acontecimentos considerar as construções culturais que lhe conferiram inteligibilidade percebemos uma mudança muito tímida, sobretudo, maneira sujeitos histó- como e densidade histórica (GOMES; CUNHA, 2007, p. 8). pensam historicamente o passado dos indígenas e na modo como as crianças e os adolescentes historicizam Os diferentes sentidos atribuídos à liberdade pela população a partir do cidadania cotidiano dos afro-brasileiros e africanos no contexto do pós-emancipação a luta pela período em que legalmente se decretou o fim "da escravização de africanos dora ou o do dos povos indígenas pernambucanos no século XXI e afro-brasileiros", sobretudo, no momento em que as instituições brasilei- Os resultados tipo de consciência histórica, na qual os jovens estão sendo é revela- ras no período republicano começam a conviver com princípios liberais de jovens parciais das nossas pesquisas demonstram forjados. para igualdade e cidadania é um importante debate para se entender a construção esses é algo estático, sem relação com o presente que o passado da cidadania no Brasil. Os quase cidadãos no período pós-emancipação vi- impressões dos jovens sobre o passado de indígenas e afro-brasileiros ou com futuro. As venciaram, reinventaram essa condição, sem perder de vista que a liberdade sociais, mostram as marcas da violência do preconceito racial deixadas nos construída e vivida não significou e nem foi sinônimo de igualdade. Para nos demonstram culturais, religiosas e econômicas na sociedade brasileira. nas relações Os o autor, o resultado desse processo de emancipação acentuou ainda mais total desconhecimento sobre o protagonismo de homens alu- e a desigualdade entre homens brancos e homens negros agora ditos livres, acontecia com este ato uma "perpetuação" de valores escravocratas numa 5 as Os demandas dois dispositivos tanto legais foram promulgados em momentos Os documentos sociedade agora republicana: em março de do Movimento Negro Organizado, quanto do Movimento dos Povos buscaram atender estabelecendo sancionada a lei 10.639, que altera a LDB (Lei de Diretrizes e Bases Sendo Nossa intenção é refletir sobre as vicissitudes das experiências de li- África Diretrizes Curriculares que institui obrigatoriedade da Educação berdade. E por entender que liberdade não se resume a um estatuto le- verno da contribuição sancionou e dos africanos dos negros no currículo na construção escolar do e formação ensino fundamental da sociedade a e como Em forma do ensino de reconhecimento da História da gal e está longe de encontrar amparo nos textos jurídicos ao ato que a estabeleceu diretrizes a Lei 11.645/2008 alterando a Lei modificada pela Lei março de 2008 go- instituiu, imaginamos necessário nos mover nesse terreno munidos de a obrigatoriedade as da temática e bases "História da educação e cultura afro-brasileira para incluir e no currículo oficial 10.639/2003, da rede de ensino a qual ferramentas interdisciplinares. De forma simples, poderíamos dizer: o nosso desejo é especular, prospectar descobrir, investigar à maneiraCUNHA, 2007, p. 14). múltipla da liberdade sobre os "Jovens diante da História na América do Sul (Brasil, Argentina e tomando debate como exposto sobre o processo de construção da cidadania Uruguai)" desenvolvido por Fernando Cerri foram imprescindíveis nos rumos tomados pelas investigações. De modo que, o debate sobre as compe- temas foco as questões menciona no Brasil, tências necessárias para se aprender a pensar historicamente, nos chamou a zar ao sensíveis, discutirem que muitos estudantes deveriam ser capazes um de dos inúmeros atenção pela a importância exercida do domínio dos procedimentos da ope- do século os problemas sociais, políticos e problemati- currículos escolares XIX para o XX no No entanto, econômicos não o fazem na transição ração historiográfica no processo de aprendizagem histórica dos diferentes sujeitos. Segundo Lee (2001), para que as crianças e adolescentes consigam tais trução da cidadania no ao Brasil invés de debatem discutirem os problemas referentes porque à cons- os aprender pensar historicamente é preciso o domínio de procedimentos, do em Café sua narrativa com Leite" central dois temas: "Proclamação no chamado da "período República de e a como: a) Saber ler diferentes fontes; b) Saber selecionar fontes para confir- mar e refutar hipóteses; c) Entender o nós (identidade) e o outro (alteridade) retórica, e exploram os demais assuntos política e d) Saber levantar hipótese de investigação. abordada como as questões se fossem do assuntos modo a partir como de estratégia tem sido Apesar da nossa pesquisa, se debruçar sobre a formação da consciência período de desagregação da na história e a constituição de uma Cultura Histórica Escolar, reconhecemos que escola, "folclorizada" não contribuem para que sejam superadas as visões escravidão "vitimizadora" no Brasil o debate sobre competências e habilidades no campo da aprendizagem his- dos indígenas e afro-brasileiros. e tórica é fundamental para a construção de analises sobre o desenvolvimento dança aulas curricular o mas, currículo no entanto, estabelece limites quando o assunto temas é nas Sabemos de história, que, o espaço escolar até permite o debate desses da cognição histórica e o processo de progressão da aprendizagem. escolar Nesse é sentido, estudar a formação da consciência história no dá contexto relação estrutural narrativas dos alunos como se a práticas pedagógicas canônicas das contribuem ciências humanas para e currículo mu- e as identificar a partir das entre passado, presente e futuro. Para Rüsen (1993), a consciência histórica vista esse que, as mude, teremos que enfrentar uma batalha ainda p. 12). eurocêntrica, cenário não e heterossexual da história (TADEU, a construção 2000, de uma visão Caso é "a consciência humana relacionada ao tempo, analisando o tempo para ser tas vezes para vicissitudes o aumento da cultura histórica escolar vêm contribuindo maior, haja significativo, adquirindo a competência de dar sentido (significado) abordagens ao tem- po e desenvolver esta competência". Assim, segundo o autor, levar em conta que as como falei do inúmeras preconceito iniciativas. e casos de Embora, mui- haja da consciência histórica precisam esta consciência se expressa em narrativas estruturadas no passado. de danosos Promoção da lógica da do "ensino de história para minimizar A Política os Nacional efeitos Diante dessas questões, a nossa intensão é investigar como as crianças programa de Igualdade Racial estimulada e impulsionada a os adolescentes se posicionam e agem politicamente, o que pensam sobre de materiais didáticos formação diversas de profissionais da área de educação e da partir produção de um e o lugar social e cultural de indígenas, africanos e afro-brasileiros e quais ações dígenas, sobre a estética, arte, música e produção para intelectual que sejam criados novos olhares relações que essas estruturas cognitivas possuem com o que se aprende nas se aulas de história. desafio é pensar essas questões num contexto em que para as Relações africanos e afro-brasileiros na tentativa de e construir uma dos povos in- discute a proibição do debate no espaço escolar das questões relativas a gê- inclui Para Rüsen (2001), a consciência Educação nero e sexualidade (Projeto Ideologia de Gênero) ou assuntos ligados a polí- cientes), as operações mentais (emocionais e conscientes histórica incons- tica (projeto de Lei "Escola sem Partido"). Para tal, elegemos como sujeitos usado como através meio das de orientação quais o tempo na vida experienciado em forma de memória e é da pesquisa os alunos (as) matriculados (as) no 6° ano dos anos iniciais, no 9° ano dos anos finais do Ensino Fundamental e no 3° ano do ensino médio caminho progressão do por conhecimento muitas leituras sobre o conceito de consciência longo Para orientado chegarmos a essas considerações parciais, percorremos um como campo de investigação, optamos por um total de 10 Instituições e de Ensino classificadas em: Escolas (Municipais, Estaduais, Federais e ica e cultura Os trabalhos histórico desenvolvidos no espaço pelo escolar, cultura Particulares) que tiveram destaque em Exames nacionais de avaliação como ENEM, Provinha Brasil, SAEB e Escolas (Municipais, Estaduais, Federais e Histórica coordenado por Maria Auxiliadora grupo Schmidt de pesquisa e o projeto em Particulares) que tiveram um baixo desempenho no IDEB, conforme classi- ficação sugerida pelo INEP.Grupos do Delphi, Focais, num segundo momento utiliza-se da estratégia da no méto- inicialmente baseado questões socialmente vivas e o posicionamento político dos estudantes com de um instrumento tendo de como objetivo no final do projeto em 2018 metodologia a dos relação aos temas ligados os povos indígenas e afro-brasileiros. formação pesquisa que construção Para livrar-nos da referida encruzilhada, recorremos à literatura sobre nos da consciência permita verificar histórica a relação entre instituições e as saber a o ensino da temática indígena e afro-brasileira, bem como as orientações o de histórico ensino escolar, ou seja, das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico- método criar um instrumento que produzem seja capaz uma de ser cultura aplicado histórica escolar. Pretendemos como Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e os que pensam survey, os jovens que desde sobre os história, anos 1990, vêm sendo a utilizada partir da para perspectiva estudar do o documentos produzidos pela SECADI sobre a temática da História e Cultura dos povos indígenas. Com essa estratégia, conseguimos andar alguns passos and History76. num Na América projeto Latina, Europeu intitulado Youth e desenhar possibilidades de caminhos a serem trilhados. Entre tantas opções professores das na universidades intenção de essa pesquisa uruguaias vem e brasileiras sendo desenvolvida de forma inte- por escolhemos seguir em frente, organizando a caminhada investigativa a partir discutir consciência do que chamamos de eixos temáticos, conforme podemos observar abaixo: a da pliando discussão partir de um novo recorte, ao tomar como estudos, Nesse o debate a o nosso projeto buscou dialogar histórica com esses latino-americana. am- a) Eixo 1: História dos Povos Indígenas no continente Americano no cultura dos sobre povos aprendizagem histórica no Brasil as temáticas temas da centrais história período pré-colombiano; os diferentes povos indígenas no período e da desagregação do império e na consolidação do período republi- deu pelo fato afro-brasileiros de e que, últimos indígenas. nos Tal escolha anos, se canos, conquistas e desafios das populações indígenas na contem- parâmetros para a construção de diferentes esses perspectivas aspectos foram utilizados o como poraneidade; a sociodiversidade dos povos indígenas; produção questões Assim, referentes ao final do projeto em 2018, teremos para ensino de his- técnico-cientifica e artística dos indígenas e sua rede de sociabili- questões ligadas à história aos mais política, variados haja vista um questionário o aproveitaremos com 40 as dade em diferentes temporalidades. aos passado e futuro já sistematizadas sentidos e significados do presente, b) Eixo 2: História social dos africanos moradores da costa do Na a pesquisa encontrou alguns Atlântico; Relações de poder no Mundo atlântico; processo de co- sador processo Luís de ampliação do questionário traduzido modificado por exemplo, lonização e descolonização do continente africano, Africanos no no serem explorados Fernando Cerri. problema enfrentado e foi à escolha pelo dos pesqui- a Brasil no período colonial e imperial, africanos e afro-brasileiros no contexto do pós-emancipação e no período republicano, articu- dígenas e africanos na e discussão sobre história e cultura história dos povos temas in- lação política, cultura e social dos afro-brasileiros e questões re- a discussão em perguntas que se remetessem ao pela saber tentativa histórico de escolar, organizar lacionadas a ações afirmativas e a cultura afro-brasileira (religião, as produção cientifica e produção artística). 76 Os eixos mencionados ajudaram a articular as perguntas elaboradas inicial- projeto "Youth and European desenvolvido Standing nos Conference países europeus a partir de mente no questionário-teste, sobretudo, aquelas ligadas ao debate sobre história de geral bre amplo a da consciência as características histórica dos of jovens e History os resultados europeus. Teachers do Isso Associations ensino foi feito de a História, procurou partir de bem dar como respostas sobre com às a base configuração questões na rede so- e cultura dos povos africanos e afro-brasileiros, uma vez que, às questões norte- adoras do questionário referente à temática indígena, não foram concluídas até através de um questionário um levantamento respondido comparativo de mais História Israel e e Palestina e com seus sustentação professores de História, versando por jovens sobre de 15 anos métodos de 25 países e europeus o presente momento, dada a complexidade que o tema sugere. Esses problemas conseguiu no conceito de concepções contribuíram para a reorganização da metodologia da pesquisa, pois para supera- consciência A questionário pesquisa o constituiu-se levantamento da europeu -los adotamos a Técnica de Pesquisa Delphi, uma metodologia muito utilizada quisadores de para toda alunos a Europa, e outro liderados para professores, por Magne definido após várias reuniões aplicação entre as e tabulação dezenas de de um nas áreas de Administração, Econômica e Computação como instrumento de 6, consciência n. p. histórica 2001. e os desafios da Didática da Angvik Revista e Bodo de von História Borries". Os conceitos de pes- Há uma descrição sumária do e seus resultados Regional. em:de cenarios desconhecidos". uma estratégia de pesquisa voltada Já fizemos um teste do questionário com temática da história e cultu- para a produção de novos dados ou "criação de novas Tomando os devidos cuidados, adaptamos essa técnica a nossas ra dos povos africanos e afro-brasileiros, estamos no exato momento, re- desenhando as questões que não foram compreendidas pelos adolescentes. projeto segue o percurso metodológico sugerido pela metodologia neces- Delphi, que consiste em organizar as investigações em 03 ou 05 fases (roun- Enquanto que, para pesquisar a temática indígena, aplicamos uma atividade ds), tendo como objetivo identificar temas e temáticas consideradas relevantes de produção textual, instrumento capaz de permitir a identificação do tipo de informação histórica ou representações que os adolescentes possuem sobre para a formação da consciência histórica de crianças e adolescentes no Brasil sobre os povos indígenas. Na etapa 03, fizemos um pequeno desvio na os indígenas. teste foi realizado em três escolas, sendo duas de iniciativa minhada, abandonamos o objetivo original da técnica Delphi que propõe ca- o privada e uma instituição pública de ensino e contou com a participação de 136 estudantes matriculados no 9° ano do Ensino Fundamental, sendo que debate exaustivo das questões a fim de se chegar a um consenso, e seguimos 42 alunos(as) são estudantes da rede escola estadual de ensino e 94 partici- com as múltiplas possibilidades de temas a serem explorados no questionário pantes são estudantes da rede privada de ensino. Essas respostas permitiram por não nos interessarmos pela unilateralidade das questões. A partir disso, convidamos um grupo de especialistas na temática da História e Cultura dos entender parcialmente o contexto no qual as narrativas sobre os indígenas e afro-brasileiros estão sendo produzidas. Todas as questões foram transporta- Povos Indígenas para discutir os eixos temáticos, buscando construir um das manualmente para a plataforma do google formulários, onde automati- tionário-teste que contemplasse em 15 questões de múltiplas escolhas as ques- mais camente foram realizadas a tabulação dos dados. importantes Já que, com relação ao questionário da temática da his- tória e cultura dos povos africanos e afro-brasileiros está sendo redesenhado, Nessa perspectiva, apresentaremos de maneira preliminar as concepções tomando como referência a proposta da metodologia Delphi. dos (as) alunos (as) do 9° ano matriculados em instituições de ensino situadas na Zona Norte da cidade do Recife. Para isso, mostraremos como os adolescentes questionário está sendo estruturado em três grandes grupos: Grupo I-Significado do Conhecimento Histórico e Conhecimento Histórico (ques- pensam o passado a partir de temas relacionados à diáspora africana e religiosi- dade africana, bem como o que pensam sobre o cotidiano indígena. tões do questionário do projeto "Jovens diante da História"); Grupo 02-Saber Histórico Escolar e Produção Grupo 03-Formação Temas Como os grupos 02 e 03 encontram-se na fase de ampliação e Criando Mapas: Configurações da Cultura História Escolar das temáticas pesquisadas, a produção das questões de múltiplas escolhas, não obedeceu a regra da escala de Likert, ou seja, com alternativas pautadas Para definirmos os contornos da chamada Cultura Histórica Escolar em nos conceitos "discordo". "concordo "discordo Pernambuco, precisaríamos consultar um número significativo de estudan- plenamente" ou "não consigo opinar", mas numa lógica ligada aos níveis de tes matriculados nos Anos Finais. No entanto, como não atingimos ainda consciência história proposta pelo historiador alemão J. Rüsen, ou seja, cada esse percentual, caminhamos na produção de pequenos mapas. Atualmente, questão possui quatro alternativas, e cada uma delas corresponde a um nível o Estado de Pernambuco possui em torno de 1.369.500 alunos (as) matri- de consciência histórica (tradicional, exemplar, crítico e culados (as) em escolas estaduais, municipais, federais e Desse universo, teremos 1.098.78 matriculados no Ensino Fundamental, sendo que 77 Metodologia desenvolvida nos Estados Unidos na década de 1960 por Olaf Helmer e Norman eventos futuros todo modo, "Em linhas gerais, método Delphi consulta um grupo de especialistas previsão a tecno- lógica". "objetivo De era desenvolver uma técnica para aprimorar o uso da opinião de especialistas na Dalker passado. Ou seja, nesse nível de consciência histórica o sujeito não consegue problematizar tempo e as convergência através de um questionário, que é repassado continuadas vezes até que seja obtida respeito de transformações que dele advém. Ele apenas aceita o presente como consequência do passado. Exemplar: só grupo. Pressupõe-se que o julgamento ao ser bem organizado, é melhor do a das respostas, um consenso, que representa uma consolidação do julgamento intuitivo uma do Em que experiências do passado são casos que representam e personificam regras gerais de mudança temporal e da conduta humana. Dessa forma, o indivíduo que apresenta esse nível de consciência histórica o feedback o anonimato dos respondentes, a representação estatística da distribuição que dos opinião de um e percebe o passado como exemplo para o futuro. indivíduo que apresenta esse nível de consciên- ferramenta de respostas do grupa para reavaliação nas rodadas subsequentes." WRIGHT, J.T.C. cia histórica consegue formar seus próprios pontos de vistas, problematizando e negando outras posições Paulo, uma de Apoio ao Planejamento prospectivo. Cadernos de Pesquisas em Administração. Delphi São a ele imposta. Genética- No ultimo nível de consciência histórica, sujeito consegue analisar e aceitar a V. n. 12, 2. trim. 2000. existência de diversos pontos de vista, porque ele percebe toda a complexidade da mudança temporal e 78 Tradicional: Para J. Rüsen os níveis de consciência histórica podem ser classificados em quatro níveis, social no curso da História. SCHMIDT, M. A.; BARCA, I. Aprender História: perspectivas da educação Em que a totalidade do tempo é apresenta como continuidade dos modelos de vida e cultura sendo do a histórica. Ed. Unijuí, 2009, p. 36. 79 Dados fornecidos pelo censo escolar 2014 realizado pelo INEP.ao 9° ano), um pouco mais da metade do número de matriculados que inicia- sao estudantes matriculados nos Anos Finais (6° Quadro 1 valor da História no Contexto escolar Pergunta: Em sua opinião, por que se estuda História nas Escolas? ram os seus estudos no 1° ano dos Anos Número de Respostas Os dados referentes ao quantitativo de alunos (as) matriculados (as) no Alternativas 9° ano que estudam nas escolas estaduais, municipais, federais e privadas a) Para compreender com os erros do 25 da região metropolitana do Recife, ainda estão sendo sistematizados pela passado e não repeti-los no presente pesquisa. Esse quadro servirá como referência para que possamos ter uma 27 noção do que representa em percentuais a pesquisa com 136 estudantes do b) Para aprender o que aconteceu no passado 9° dos Anos Enquanto, produzimos esse panorama, nos 3 c) Para que se entenda o cotidiano das pessoas sobre alguns elementos apresentados pelos dados coletados, que nos servem 39 de base refletirmos sobre o capital cultural dos jovens, os significados atribu- d) História é uma matéria interessante ídos por esses sujeitos à disciplina de história, o conhecimento histórico de 94 Total fatos e acontecimentos da História do Brasil, os posicionamentos políticos Fonte: Acervo do NEPHECs referentes a temas sensíveis e perfil Os estudantes que participaram da pesquisa poderiam ser classificados Nota-se, que os sentidos atribuídos pelos jovens à disciplina de história, de diferentes formas, por trata-se de um grupo social com perfil são indícios de como eles veem o passado. Para o maior número, o passado mico e etário bastante heterogêneo. Embora, a maior parte dos consultados é algo que não interfere no nosso modo de ser e estar no tempo presente. Norte possuísse em média 16 anos de idade, morasse nos bairros situados na Zona Para os (as) alunos (as) do 9° ano história é apenas uma matéria escolar in- des e fossem filhos (as) de trabalhadores que atuam em ativida- do Recife teressante, que serve para nos ajudar a entender o passado e muito pouco se como: policial militar, bombeiro (a), costureira, encanador, motorista de relaciona com seu cotidiano... ônibus, diarista, frentista, atendente de consultório, autônomo, empregada do- Com relação ao debate da temática da cultura e história dos afro-brasi- méstica, mecânico, pedreiro, recepcionista e soldador. Como o nosso objetivo leiros as representações dos jovens sobre essas temáticas ainda estão carre- não é classifica-los, mas identificarmos como esses jovens, influenciados pelos gadas de concepções tradicionais sobre patrimônio, religião e história. Essa interesses pessoais e culturais, pensam historicamente e se posicionam politi- concepção tradicional, que temporariamente estamos associando os níveis camente sobre temas ligados aos povos indígenas e afro-brasileiros. de consciência histórica tradicional e exemplar, também nos mostrou uma Para observemos as respostas que foram dadas por 94 estudantes outra face que precisa ser melhor classificada, já que a intolerância religiosa nos questionário-teste sobre a importância de se estudar história, o processo tem sido um problema vivenciado em diferentes partes do mundo. Vejamos de reconhecimento de patrimônios vivos e conhecimento histórico referente as respostas e imagens a seguir: à colonização do continente africano. Chamamos a atenção também para os elementos apresentados na narrativa construída por um aluno (a) do sobre o cotidiano dos povos indígenas. Na ocasião não estabelecemos ano um recorte temporal, sugerimos apenas que eles comentassem o que eles sabiam sobre os povos indígenas brasileiros. No primeiro, tentamos sistematizar impressões dos jovens sobre a disciplina de história no contexto escolar; as num segundo momento sobre cultura histórica escolar e a intolerância ligiosa; no terceiro momento tratamos sobre os conhecimentos re- ficos que os jovens possuem sobre um fato importante para a história dos afro-brasileiros e por fim as representações sobre os indígenas brasi- Vejamos os quadros:Quadro 2 - Patrimônio Vivo e a história dos afro-brasileiros Quadro 3 Conhecimento Histórico sobre fatos da História dos Afro-Brasileiros Pergunta: A ministra religiosa Carmen Prisco, defende a Pergunta: o que significa a Diáspora Africana? ideia que o candomblé deveria ser tombado como Patrimônio Cultural Número de Respostas da Para você o que essa ação significa? Alternativas Alternativas a) foi um processo de dispersão dos povos 07 Número de Respostas africanos em diferentes lugares do mundo a) Deveria se tornar Patrimônio 18 b) os africanos foram trazidos para 00 b) Não sei o que é 01 o Brasil por conta própria c) o não precisa ser tombado 51 c) o trabalho africano foi de grande importância 75 para a construção da cultura brasileira d) Não tenho opinião sobre 24 Total 94 d) o trabalho desenvolvido pelos africanos no 11 Brasil foi compulsório e modificou praticamente Fonte: NEPHECs todos os costumes dos que viviam na África Imagem 1 Intolerância Religiosa e a Cultura Histórica Escolar 93 Total Fonte: NEPHECs A ministra religiosa Carmen defende a ideia que Nesse quadro, teremos uma pequena diferente na soma total, por que ser tombado como Patrimônio Cultural da humanidade. Para que essa ação o mesmo questionário-teste que foi modificado pela palavra macumba, o significa? a) se tornar Cultural da pois representa pesquisado, considerou importante escrever um nova alternativa, intitulada marcantes de alguns dos povos pela letra E, onde indicava que "não sei o que diáspora africana", ao mesmo b) Não sei o que é tempo também que marcou a letra B. Esses primeiros indicadores nos reve- não precisa tornado Cultural da pois reconhecido no Brasil como uma grande lam o quanto que as concepções sobre o passado das crianças estão atreladas d) tenho sobre a uma interpretação da história eurocêntrica e tradicional. Do mesmo modo, podemos afirmar para com os povos indígenas. Os Legenda: Pequeno Fragmento do questionário-teste usado pelo projeto de sobre a formação da consciência história e as aulas de história. Fonte: NEPHECs pesquisa textos sobre o cotidiano indígena no Brasil. Vejamos a produção textual de um menino do 9° ano estudante da rede privada: Com relação a essa questão nota-se o grande número de pessoas que op- taram pela alternativa C. Olhando para os indicadores, poderíamos afirmar que essa opção se dá pelo olhar tradicional que a sociedade brasileira tem para o conceito de No entanto, os documentos nos permitiram ir além dessas primeiras impressões. Encontramos um questionário em que a candomblé é desconsiderada por um traço de caneta, e sob essa palavra encontra o termo manuscrita Macumba, como forma de menosprezar a reli- giosidade africana.e Usos do Passado REFERÊNCIAS ATIVIDADE TIPO Todos escreva nos sabemos um da importância dos povos indigenas para a Historia do Brasil". Se pequeno texto sobre cotidiano e a cultura dos povos Brasil. indigenas Diante ABUD, K. M. História que não muda. Nossa História. Rio de Janeiro, p. 19-20, desejar você também pode fazer um desenho sobre no 01 jul. 2004. eles AMÉZOLA, G. de. Tirando el niño con el agua sucia. Clio & Asociados. Santa Fé, n. 6, p. 133- 154, 2002. ANGVIK, M.; BORRIES, B. von (eds.) Youth and History. A comparative european survey on historical consciousness and political attitudes among adolescents. Hamburg: Edition Körber-Stiftung, 1997. Fonte: NEPHECs BARSCHDORFF, S. Is history teaching up to date? In: LEEUW-ROORD, Para o essa finalidade, foi elaborado um instrumento de J. van der. The state of History Education in Europe. Challenges and nas, mitiu através reconhecimento de uma inicial das concepções da cultura dos pesquisa povos que per- implications of the "Youth and History" Survey. Hamburg: Ed Körber- questão sobre conhecimentos gerais da indíge- Stiftung, 1998, p. 77-102. vos indígenas. Esse formato possibilitou uma liberdade maior cultura dos po- coletado expressar seus conhecimentos sobre o Diante do do aluno em BORRIES, B. von. Bodo von Borries, "Exploring the construction of his- dos como: na primeira fase do projeto de pesquisa, obtivemos corpus documental torical meaning: Cross-Cultural Studies of Historical Consciousness among histórico identificamos que a representação preponderante sobre alguns resulta- Adolescents". Disponível em: .Acess bate sobre indígena está associada ao ser homogêneo e um o sujeito em: 24 jun. 2006. Brasília: Editora da UnB, 2001. XIX, os indígenas no universo escolar está associado ser século de- os indígenas representados são indígenas que vivem ao no XVIII e CERRI, L. F. Didática da História no Brasil: Um panorama. Trabajos y co- municaciones época), n. 28-29, p. 125-141, 2002-2003. Considerações finais em Os conceitos de consciência histórica e os desafios da Didática história gumas sobre os caminhos que devem ser trilhados Os reflexões desafios postos pela cultura histórica escolar têm movimentado al- da História. Revista de História Regional. Ponta Grossa, V. 6, n. 2, p. 93- 112,2001. tem no espaço escolar, sobretudo, para que as aulas de história pelo ensino de povos No presente momento, podemos afirmar que, o debate sobre a sujeitos. um espaço de produção do conhecimento e humanização dos represen- FERREIRA, A. R. Representação da História das Mulheres no Brasil em Livros Didáticos de História. Ponta Grossa, 2005. Dissertação (Mestrado indígenas e afro-brasileiros nas escolas temática dos em Educação) - Universidade Estadual de Ponta Grossa. Recife, tem contribuído de modo aleatório para da a Zona Norte da Cidade do dos ciência histórica distante dos princípios dos direitos formação de uma cons- FERRO, M. A manipulação da história no ensino e nos meios de comuni- tradicional, adolescentes sobre o passado além de revelar uma consciência Os olhares cação. São Paulo: Ibasa, 1983. democracia nos mostrar uma face encoberta pelo mito da cordialidade histórica racial, que a escolar ao tratar a história do Brasil de modo euro- e da contribui muito pouco para essa mudança.in fqs>. 2, n. Acesso 3, sept. em: 2001. 24 jun. Disponível Analyses. Forum em: of Qualitative Youth Social Theoretical Research and V. LEI 10.639/03: dez anos depois entre pressões e efetivações trumento KÜNZLE, de M. pesquisa. R. C. ensino de História e o conceito de Lúcia Helena Oliveira Silva Universidade Curitiba, 2003. Dissertação (Mestrado nação: em Educação) um ins- Mirian Cristina de Moura Garrido Federal do PAIS, M. histórica e Oeiras: Celta, Depois de décadas de luta para o reconhecimento e inclusão da história africana e afro-brasileira nos currículos escolares, em 2003, logo nos primei- HERRERA, ROCHE, F. M. L. de la. Aproximaciones al concepto de ros dias do governo Lula em sua primeira gestão (2003-2007) foi sancionada mirada C.; Bogotá: C.J. (comps.) Plaza & Editores, y Cultura cultura 2001, política: p. política. 29-58. una In: a Lei 10.639/03, posteriormente atualizada para Lei 11.645/08 que incluiu o ensino da história e cultura indígena. Conquista dos movimentos negros con- caso J. Didática da história: passado, temporâneos, que atribuem ao ensino desse conteúdo a via para a construção de uma identificação positiva no alunado negro e uma forma de combater dez. 2006. Práxis Educativa. Ponta Grossa, presente PR, e perspectivas V. 1, n. 2, p. a 7-16, partir jul./ do preconceitos entre o alunado branco, a Lei Federal foi comemorada. Nossa intenção neste artigo é refletir sobre os caminhos traçados para a efetivação desta lei a partir de dois pontos. Em primeiro lugar um levan- The ness 1987. of historical History Didactis History in West and Germany: Theory, V. towards XXVI, a n. new 3, tamento dos estudos que buscaram aferir a efetivação da Lei 10.639/03 em diferentes regiões do país, em um segundo momento, uma análise sistemá- p. 275-283, tica dos Guias de Livros Didáticos que indicam a incorporação ou não dos conteúdos relacionados à Lei em questão. Este texto ainda que pareça pre- in Empirical an International Context: Paper presented Theoretical at Canadian Historical Consciousness Approach to What is Historical Consciousness? A Theoretical tencioso se encaminha para contribuir em um debate sobre os resultados da lei passados mais de dez anos de sua implementação. A questão da diversidade surge na história do Brasil nas Columbia, BC, 2001. Disponível Frameworks. Acesso em: 20 abr. em: e Geográfico em 1838 e o concurso para a criação de um livro que contasse a história do Brasil. Segundo Manoel S. (1988), Francisco Adolfo Razão Histórica Teoria da História: os fundamentos da ciência Varnhagen em carta ao imperador dom Pedro II, explicou os fundamentos definidores da identidade nacional brasileira que estariam presentes em sua obra afirmando que suas "inspirações". trabalho do historiador realizado de SCHMIDT, alunos e professores M. A.; GARCIA, T. B. A formação da consciência dentro do IHGB tinha como missão fazer a "gênese" da Nação brasileira, Campinas, SP, V. e 25, o cotidiano n. 67, p. em aulas set./dez. de Cadernos histórica do que fazia parte do desdobramento, nos trópicos, de uma civilização branca e europeia 1988, p. 6). Em 1843 foi criado um concurso para se premiar o melhor plano para se SCOTTI, ZAVALA, A. Enseñamos, narramos, A.; escrever a história do Brasil vencido pelo alemão Von Martius. Na publica- Relatos que M.; son... M. Historias de la enseñanza In: de ZAVALA. la historia. ção se definiam as linhas mestras do projeto que objetivava a criação de uma Montevideo: CLAEH, 2005. identidade para a jovem nação. Tal identidade apontava a missão reservada foi ao Brasil que seria realizar a ideia da mescla das três raças. Este modelo perseguido pelos demais historiadores nos livros de História do Brasil e nas

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