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• Outras opções: betabloqueadores (metoprolol, atenolol, propranolol, carvedilol), vasodilatadores diretos (hidralazina), alfabloqueadores (doxazosin, prazosin, tansulosin), alfa-2-agonistas centrais (clonidina, metildopa), antagonistas da aldosterona (espironolactona, eplerenona), inibidor da renina (alisquireno). • Melhor combinação: IECA + BCC. Nefropatas e diabéticos se beneficiam do uso de IECA e BRA devido à redução da proteinúria. BCC possui melhor efeito em idosos e negros, estes, por sua vez, são menos beneficiados por IECA + BRA. Portadores de insuficiência cardíaca se beneficiam do uso de betabloqueadores, IECA e BRA, bem como espironolactona. Gestantes podem utilizar metildopa e hidralazina. Pacientes com sintomas prostáticos se beneficiam de alfabloqueadores. • HAS resistente – uso adequado de três ou mais drogas, sendo uma delas um diurético, sem controle da PA, ou uso de quatro ou mais fármacos mesmo com PA controlada. Droga a ser introduzida – espironolactona 25-50 mg/dia. • HAS secundária – causa subjacente. Quando suspeitar? HAS precoce ou tardia, ou seja, em idosos e jovens (extremos de idade), HAS grave, HAS resistente, HAS lábil com sintomas compatíveis com feocromocitoma, presença de hipocalemia (hiperaldosteronismo), uso de drogas, sopro abdominal, piora da função renal com uso de IECA (estenose de artéria renal bilateral ou em rim único) e apneia do sono. HIPERTIREOIDISMO E TIREOTOXICOSE • Glândula tireoide - localizada na região cervical, responsável pela produção dos hormônios tireoidianos, que regulam o nível de metabolismo basal do nosso organismo. • Produção de T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina), através da captação do iodo e síntese hormonal. O T3 é a forma mais ativa na periferia e o T4 a forma de reserva circulante convertida nos tecidos em T3 através das desiodinases. • Estimulada pelo TSH (hormônio tireoestimulante) produzido na hipófise e esta pelo TRH (hormônio estimulador da tireotropina), compondo então o eixo hipotálamo-hipófise-tireoide, com mecanismo de feedback negativo (elevação de T4L e T3 suprime o TSH e a queda dos seus níveis estimula produção de TSH). • O excesso de hormônios tireoidianos gera o quadro de tireotoxicose e seus sintomas são taquicardia, palpitações, sudorese, perda ponderal, fome excessiva, insônia, alterações do humor, irritabilidade. • A tireotoxicose pode ser causada por excesso de produção, destruição glandular com liberação de hormônios, secreção ectópica ou uso exógeno de hormônio tireoidiano (levotiroxina). • O quadro de excesso de produção é chamado hipertireoidismo. Não podemos confundir com tireotoxicose, que é a síndrome decorrente, e que pode ser causada pelos outros quadros citados acima. • O quadro laboratorial é composto pela elevação de T4L (T4 livre) e T3. Um TSH normal ou reduzido indica causa primária, ou seja, doença da própria tireoide, enquanto TSH elevado indica causa central, ou seja, problema hipofisário. • Existe ainda o hipertireoidismo subclínico, em que ocorre supressão dos níveis de TSH, sem alteração dos níveis de T4L e T3. Ainda que ocorram sintomas, o quadro laboratorial é chamado subclínico, justamente por ser um fenômeno laboratorial. • A principal causa de hipertireoidismo é a doença de Graves, causada pela estimulação da tireoide por autoanticorpos (TRAb). A doença de Graves causa ainda quadro de oftalmopatia, com aumento de gordura retro-orbitária, podendo causar exoftalmia, mixedema pré-tibial, e se apresenta ainda como bócio (aumento do volume da glândula, que pode se tornar visível na região cervical). • O tratamento envolve uso de drogas antitireoidianas (metimazol e propiltiouracil), radioiodoterapia ou tratamento cirúrgico (tireoidectomia). • Importante reconhecer o quadro de tireotoxicose e a crise tireoidiana (ou tempestade tireoidiana), que é grave e pode levar à morte. Ocorre febre alta, taquicardia (risco de fibrilação atrial), agitação, vômitos, diarreia, podendo ocorrer insuficiência cardíaca de alto débito e infarto agudo do miocárdio. • O tratamento da crise envolve uso de antitireoidianos (preferencialmente propiltiouracil devido ao efeito inibidor da conversão de T4 em T3), iodo (lugol) para desencadear o efeito Wolff-Chaikoff (sobrecarga de iodo gerando hipofunção glandular), betabloqueador (propranolol também tem efeito inibidor de conversão), corticoterapia (para insuficiência adrenal relativa), antitérmicos, reposição de fluidos e suporte. • Outras causas de tireotoxicose: adenoma produtor de hormônio (nódulo quente = adenoma de Plummer), bócio multinodular tóxico, tireoidites (dolorosa granulomatosa subaguda = DeQuervain, linfocítica = Hashimoto, supurativa = bacteriana), struma ovarii (tumor ovariano com secreção ectópica devido presença de tecido tireoidiano), factícia (uso exógeno de levotiroxina). HIPOTIREOIDISMO • Ocorre quando há redução dos níveis de hormônio tireoidiano secundário à hipofunção da glândula tireoide. • O quadro clínico esperado denota redução do metabolismo basal, com sonolência, ganho ponderal, queda de cabelo, dificuldade de concentração, redução da produtividade, pele ressecada, edema, lentificação do trânsito intestinal, além de risco de depressão. • O quadro laboratorial esperado envolve níveis séricos reduzidos de T4L e T3. A presença de TSH normal ou elevado indica problema primário da glândula tireoide enquanto TSH suprimido indica problema central, hipofisário. • No hipotireoidismo subclínico, ocorrem níveis normais de T4L e T3, com TSH elevado. Esse quadro é um fenômeno laboratorial, na presença ou não de sintomas. Porém, está indicada reposição de hormônio em alguns subgrupos, como pacientes com TSH ≥ 10 um/l e gestantes, devendo ser considerado em casos com anticorpo anti-TPO positivo, elevação progressiva do TSH ou risco cardiovascular elevado. • A principal causa de hipotireoidismo é a tireoidite de Hashimoto, entidade autoimune que envolve destruição da glândula mediada por autoanticorpos. O anti-TPO (anti-tireoperoxidase) é o principal autoanticorpo envolvido, presente na grande maioria dos casos. O anti- TG (antitireoglobulina) também pode estar positivo e até mesmo o TRAb (típico da doença de Graves). • Na fase inicial da doença, pode ocorrer tireotoxicose devido à liberação de hormônios secundária à destruição dos folículos glandulares, com posterior evolução para a fase de hipotireoidismo. Geralmente ocorre redução do volume glandular, dificultando sua palpação ao exame físico e que pode ser verificado em exames de imagem, como ultrassonografia. • O tratamento na fase de tireotoxicose é baseado no uso dos antitireoidianos, em caso de necessidade devido às manifestações clínicas. Na fase hipotireoideana, o tratamento é baseado na reposição de hormônio tireoidiano (levotiroxina). • Alguns pacientes podem desenvolver quadro de mixedema (ou coma mixedematoso). É uma forma grave de hipotireoidismo, mais comum em pacientes que não realizam reposição adequada do hormônio tireoidiano. Nesse quadro, ocorre rebaixamento do nível de consciência, bradicardia, hipotermia, bradipneia e hipoventilação, ou seja, acometimento de funções neurológicas, musculares, cardiovasculares e respiratórias. Podem ocorrer hipoglicemia, hiponatremia e elevação da CPK. • O tratamento do mixedema é baseado em reposição de levotiroxina em altas doses¸ com suporte para correção dos níveis glicêmicos e distúrbios hidroeletrolíticos, suporte ventilatório, aquecimento lento e reposição de corticoides (para evitar crise adrenérgica com a indução do aumento do metabolismo).