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IMPACTOS DO TDAH NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM RESUMO Mara Dayane Rodrigues da Costa Silva 1 Francisca Vilani de Souza 2 Este artigo apresenta uma revisão bibliográfica aprofundada dos impactos do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na aprendizagem. O TDAH é uma condição neurobiológica comum que afeta crianças, adolescentes e até mesmo adultos. Exploraremos os principais efeitos do TDAH nas diferentes áreas da aprendizagem, incluindo desempenho acadêmico, habilidades cognitivas, interações sociais e bem-estar emocional. A partir disto, discutimos as possíveis estratégias de intervenção e suporte para auxiliar indivíduos com TDAH a superar os desafios educacionais com base na literatura. O objetivo foi identificar, dentre os 6 artigos coletados, as intervenções que estão sendo utilizadas e compará-las. Palavras-chave: TDAH; Rendimento escolar; Dificuldade; Intervenção; Escola. INTRODUÇÃO O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica comum que afeta crianças, adolescentes e até mesmo adultos. Caracterizado por sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade, o TDAH pode ter um impacto significativo na vida acadêmica, profissional e nas relações sociais daqueles que convivem com ele. A prevalência do TDAH tem aumentado ao longo das últimas décadas. Os estudos de Freire e Pondé (2005) sugerem que cerca de 5% a 10% das crianças em idade escolar têm TDAH, sendo mais comum em meninos do que em meninas. Além disso, estima-se que entre 2% a 5% dos adultos também apresentem sintomas persistentes do transtorno. Embora as causas exatas do TDAH não sejam completamente compreendidas, acredita-se que fatores genéticos, neuroquímicos e ambientais desempenhem um papel importante no seu desenvolvimento. A hereditariedade tem sido identificada como um fator significativo, com estudos 1 Mestrando em Ciências da Educação –World University Ecumenical vitordayane@yahoo.com.br 2 Profa. Dra. em Ciências da Educação - World University Ecumenical professoravilani@gmail.com indicando que filhos de pais com TDAH têm maior probabilidade de apresentar o transtorno. Além disso, certos fatores ambientais podem contribuir para a manifestação do TDAH. Exposição a substâncias tóxicas durante a gravidez, prematuridade, baixo peso ao nascer, complicações durante o parto e exposição a traumas precoces são alguns dos fatores que têm sido associados ao aumento do risco de desenvolvimento do transtorno. É importante destacar que o TDAH não é resultado de negligência dos pais, má educação ou falta de disciplina. Trata-se de um transtorno neurobiológico legítimo que interfere na capacidade de uma pessoa prestar atenção, controlar impulsos e regular o próprio comportamento. É fundamental que a sociedade compreenda a natureza do TDAH e ofereça suporte adequado às pessoas que vivem com essa condição. Barkley (2002) deixa claro que diagnóstico do TDAH é realizado com base na observação dos sintomas característicos, que devem estar presentes em diferentes contextos e causar prejuízo significativo no funcionamento diário. Profissionais de saúde qualificados, como médicos, psicólogos e psiquiatras, podem conduzir uma avaliação detalhada para identificar o transtorno e diferenciá-lo de outros problemas de saúde mental. Compreender a prevalência do TDAH é crucial para garantir que indivíduos afetados recebam o suporte necessário. O reconhecimento precoce do transtorno e a implementação de intervenções adequadas podem ajudar a minimizar os impactos negativos na vida acadêmica, profissional e pessoal das pessoas com TDAH, permitindo-lhes desenvolver seu potencial e alcançar sucesso em diferentes áreas da vida. Além disso, promover a conscientização e a compreensão do TDAH na sociedade é fundamental para combater o estigma e promover uma inclusão verdadeira desses indivíduos. A partir do exposto e da realidade onde cada vez mais temos alunos com TDAH no âmbito escolar, nesta pesquisa abordaremos os impactos do TDAH na capacidade de atenção e concentração dos indivíduos e como isso afeta sua aprendizagem; Discutiremos como o TDAH influencia no desempenho acadêmico dos estudantes e quais são os principais desafios enfrentados por eles no ambiente escolar, bem como discutiremos quais as estratégias de intervenção e apoio educacional têm sido eficazes na promoção do sucesso acadêmico de estudantes portadores do transtorno a partir de uma revisão bibliográfica dos registros na literatura. A partir do presente estudo, leva-se uma compreensão mais abrangente da condição, seus efeitos e tratamentos com o ( 10 ) objetivo de contribuir com os avanços significativos na área da saúde mental e na promoção de intervenções mais eficazes não apenas na educação, mas também em outros contextos. TDAH NA EDUCAÇÃO E NAS ENTRELINHAS DESEMPENHO ACADÊMICO A relação entre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o baixo rendimento escolar é um tema de grande relevância. Os alunos que enfrentam o TDAH podem apresentar dificuldades significativas de concentração, procrastinação e problemas de organização, o que afeta diretamente seu desempenho acadêmico. Essas dificuldades podem ser resultado dos desafios neurobiológicos associados ao transtorno e têm um impacto profundo na vida escolar desses alunos. A falta de concentração é uma das características mais comuns do TDAH. Os alunos com TDAH geralmente têm dificuldade em manter a atenção em tarefas específicas, sendo facilmente distraídos por estímulos externos. Em sala de aula, por exemplo, podem ter dificuldade em acompanhar a explicação do professor, prestar atenção aos detalhes das atividades propostas ou manter o foco por longos períodos de tempo. Essa falta de concentração prejudica sua capacidade de absorver e processar as informações, resultando em um menor aprendizado e rendimento acadêmico comprometido. (FREIRE E PONDÉ, 2005) Além disso, Silva (2009) cita a procrastinação como uma questão recorrente para os alunos com TDAH. Devido à dificuldade em iniciar tarefas ou em se manterem focados nelas, eles tendem a adiar a realização das atividades escolares. Essa procrastinação pode ser agravada pela sensação de sobrecarga diante de múltiplas demandas e pelo sentimento de que não conseguirão cumprir as expectativas. Como resultado, os alunos com TDAH podem acabar entregando trabalhos incompletos, realizando tarefas de última hora ou até mesmo perdendo prazos importantes, o que impacta diretamente seu desempenho escolar. Os problemas de organização também são uma dificuldade comum para os alunos com TDAH. A habilidade de planejamento e organização é essencial para uma rotina escolar eficiente, mas os alunos com TDAH podem ter dificuldades em gerenciar seu tempo, priorizar tarefas, manter seus materiais organizados e seguir um cronograma. A falta de organização pode levar à perda de informações importantes, à desorganização de anotações e materiais, bem como à sensação de desorientação. Esses problemas afetam diretamente a produtividade e o desempenho acadêmico, prejudicando o aproveitamento escolar. Diante dessas dificuldades, é essencial que a escola e os educadores estejam preparados para oferecer o suporte adequado aos alunos com TDAH. Estratégias como o uso de técnicas de ensino diferenciadas, a quebra de tarefas em etapas menores e mais gerenciáveis, a criação de rotinas estruturadas e o estabelecimento de metas realistas podem ser eficazes para auxiliar esses alunos. Além disso, a comunicação constante com os pais, a criação de um ambiente de aprendizagem inclusivo e a disponibilização de recursos de apoio, como profissionais especializados em educação especial, podem ser fundamentais para promover o sucesso acadêmico dos alunos com TDAH. (HAVEY et al., 2005) Em resumo, as dificuldades de concentração, procrastinação e problemas de organização estão diretamente ligadas ao baixo rendimento escolar dos alunos com TDAH. É crucial reconhecer que essas dificuldades são parte do transtorno neurobiológico e não resultam de falta de esforço ou interesse por parte do aluno. Ao adotar abordagens pedagógicas adaptadas e oferecer suporte adequado, é possível ajudar esses alunos a superar essas dificuldades e alcançar seu potencial máximo na vida acadêmica. HABILIDADES COGNITIVAS O desenvolvimento das habilidades cognitivas em pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma área de grande importância e interesse. Embora o TDAH seja frequentemente associado a dificuldades de atenção e impulsividade, é fundamental reconhecer que esses indivíduos possuem potencial cognitivo significativo e podem desenvolver suas habilidades intelectuais de maneira adequada. Uma das áreas afetadas pelo TDAH é a memória de trabalho, que é responsável por manter e manipular informações temporariamente. Alunos com TDAH podem apresentar dificuldades em reter informações por um curto período de tempo e utilizá- las para realizar tarefas complexas. No entanto, com estratégias de apoio e treinamento adequado, eles podem aprimorar sua memória de trabalho e fortalecer essa habilidade cognitiva. (SILVA, 2009) Além disso, pessoas com TDAH podem enfrentar desafios no processamento de informações e na resolução de problemas. A dificuldade em filtrar estímulos irrelevantes e manter o foco em uma tarefa específica pode levar a dificuldades em analisar informações de forma sistemática e a dificuldades na tomada de decisões. No entanto, com intervenções apropriadas, como a quebra de tarefas em etapas menores, técnicas de organização e treinamento em resolução de problemas, é possível fortalecer essas habilidades cognitivas e ajudar a pessoa com TDAH a desenvolver estratégias eficientes para enfrentar desafios intelectuais. (ROHDE, 2002) É importante ressaltar que o desenvolvimento das habilidades cognitivas em pessoas com TDAH requer uma abordagem individualizada e adaptada às suas necessidades específicas. Cada pessoa pode apresentar um perfil cognitivo único, com pontos fortes e desafios distintos. Portanto, é essencial que educadores, profissionais de saúde e familiares trabalhem em conjunto para identificar as áreas que precisam ser desenvolvidas e implementar estratégias apropriadas. Intervenções baseadas em técnicas de aprendizagem multi-sensorial, jogos cognitivos, treinamento em habilidades de resolução de problemas e estratégias de organização podem ser benéficas para promover o desenvolvimento das habilidades cognitivas em pessoas com TDAH. Além disso, o uso de tecnologias assistidas, como aplicativos de gerenciamento de tempo e lembretes, pode ajudar a melhorar o desempenho cognitivo e a organização. É importante também fornecer um ambiente de apoio e incentivo, no qual a pessoa com TDAH se sinta valorizada e encorajada a explorar e desenvolver suas habilidades cognitivas. (JOHNSTONE et al., 2012) O estímulo à criatividade, o reconhecimento dos pontos fortes individuais e a oferta de oportunidades de aprendizagem personalizadas são elementos essenciais nesse processo. Em suma, o desenvolvimento das habilidades cognitivas em pessoas com TDAH é possível e essencial. Com intervenções adequadas, suporte individualizado e estratégias adaptadas, é possível fortalecer a memória de trabalho, o processamento de informações e a resolução de problemas. Promover o desenvolvimento dessas habilidades cognitivas não apenas contribui para o sucesso acadêmico e profissional, mas também fortalece a confiança e a autoestima desses indivíduos, permitindo-lhes alcançar todo o seu potencial. É importante ressaltar que o desenvolvimento das habilidades cognitivas em pessoas com TDAH requer uma abordagem individualizada e adaptada às suas necessidades específicas. Cada pessoa pode apresentar um perfil cognitivo único, com pontos fortes e desafios distintos. Portanto, é essencial que educadores, profissionais de saúde e familiares trabalhem em conjunto para identificar as áreas que precisam ser desenvolvidas e implementar estratégias apropriadas. Intervenções baseadas em técnicas de aprendizagem multi-sensorial, jogos cognitivos, treinamento em habilidades de resolução de problemas e estratégias de organização podem ser benéficas para promover o desenvolvimento das habilidades cognitivas em pessoas com TDAH. Além disso, o uso de tecnologias assistidas, como aplicativos de gerenciamento de tempo e lembretes, pode ajudar a melhorar o desempenho cognitivo e a organização. É importante também fornecer um ambiente de apoio e incentivo, no qual a pessoa com TDAH se sinta valorizada e encorajada a explorar e desenvolver suas habilidades cognitivas. O estímulo à criatividade, o reconhecimento dos pontos fortes individuais e a oferta de oportunidades de aprendizagem personalizadas são elementos essenciais nesse processo. INTERAÇÕES SOCIAIS As interações sociais no ambiente escolar podem apresentar desafios para pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Devido às características do transtorno, como impulsividade, dificuldade de concentração e hiperatividade, os alunos com TDAH podem enfrentar dificuldades em estabelecer e manter relacionamentos saudáveis com colegas e professores. Um dos aspectos que pode afetar as interações sociais de pessoas com TDAH é a impulsividade. Esses indivíduos tendem a agir sem pensar nas consequências, interrompendo conversas, falando em momentos inadequados ou respondendo impulsivamente a estímulos. Esses comportamentos podem causar estranhamento e incompreensão por parte dos colegas, levando a uma possível rejeição ou isolamento social. Para que isso seja evitado Jou (2010, p. 29-36) sugere que: É importante investigar as possíveis causas do TDAH, mas é importante também investigar as medidas educacionais preventivas e protetoras de comorbidades. Mais importante ainda é capacitar o quadro docente para melhor compreender e diferenciar as características dos alunos, evitando enquadrá-los em falsos rótulos. (JOU 2010, p. 29-36) Dessa forma, fica claro o quão é importante que os educadores estejam cientes dessas dificuldades e incentivem estratégias que promovam a autorregulação e o controle impulsivo. Outro aspecto relevante é a dificuldade de atenção durante as interações sociais. Alunos com TDAH podem ter dificuldade em manter o foco nas conversas, perdendo detalhes importantes e demonstrando desinteresse. Isso pode ser interpretado pelos colegas como falta de interesse ou desrespeito, afetando negativamente a dinâmica dos relacionamentos. Para Silva (2009), caso não receba o tratamento adequado, é altamente provável que indivíduos com TDAH enfrentem uma série de desafios em diferentes áreas de suas vidas. Esses desafios incluem possíveis problemas de autoestima, traumas oriundos da infância, dificuldades nos relacionamentos com figuras de autoridade, dificuldade em seguir regras, colaborar em equipe e apresentar desempenho profissional abaixo das expectativas. RESULTDOS E DISCUSSÃO Os resultados foram obtidos a partir de uma pesquisa por artigos presentes na plataforma do Google acadêmico ao utilizar “TDAH e aprendizagem”, “TDAH desafios na escola” como descritores na busca. Foram levados em consideração os artigos publicados a partir do ano de 2019, sendo possível selecioná-los a partir do filtro de pesquisa. Com isso, obteve-se um quantitativo de 7.690 resultados e 8.670 resultados, respectivamente para os termos utilizados para pesquisa. Dentre tantos, foram selecionados os trabalhos que serviram como embasamento para a discussão posterior dos questionamentos levantados previamente, os mesmos encontram-se listados na Tabela 1 a seguir: Tabela 1 – Relação dos artigos selecionados. Ano de publicação Título Autores 2019 Contribuição da educação física para alunos com tdah: uma revisão integrativa. De Oliveira e Machado 2019 TDAH em crianças e adolescentes: estudo com professores em uma escola pública do sul do Brasil. Martinhago e Caponi 2019 Contribuições psicopedagógicas: tdah e o baixo rendimento escolar Pereira 2022 Judô na Educação Física para estudantes com TDAH: uma proposta de intervenção. Galdino Com a escolha dos descritores, delimitam-se as estratégias de busca de dados que forneçam embasamento para uma discussão acerca dos seguintes questionamentos: · Quais estratégias de intervenção e apoio educacional têm sido eficazes na promoção do sucesso acadêmico de estudantes com TDAH ? · De que maneira o TDAH influencia o desempenho acadêmico dos estudantes e quais são os principais desafios enfrentados por eles no ambiente escolar? · Qual é o impacto do TDAH na capacidade de atenção e concentração dos indivíduos e como isso afeta sua aprendizagem? Para avaliação dos artigos levantados foram considerados os seguintes critérios de inclusão: a) estudos de delineamento transversal ou longitudinal; b) artigos publicados a partir do ano de 2019; c) artigos que forneçam estratégias de intervenção. E como critério de exclusão: a) artigos com amostras de adultos; b) estudos que não descreviam estratégia de intervenção. De acordo com os estudos de De Oliveira e Machado (2019), a atividade física apresenta-se como uma proposta de intervenção que diminui os sintomas de TDAH, porém reforçam que para que os benefícios aos alunos com TDAH sejam efetivos, é fundamental que professores de educação física e psicólogos reforcem a importância das práticas e criem um ambiente propício para o aprendizado, logo, previamente os professores precisam saber identificar aqueles alunos que sofrem do transtorno para que possam traçar a melhor proposta inclusiva. O mesmo estudo identificou dois pontos críticos: o primeiro é a falta de conhecimento dos professores sobre os sintomas do TDAH, o que pode levar a confusão entre os sintomas do transtorno e indisciplina, embora seja importante lembrar que a falta de autocontrole dos alunos com TDAH pode resultar em comportamentos espontâneos. O segundo ponto de preocupação refere-se aos comportamentos visíveis associados à hiperatividade do TDAH, possivelmente devido à percepção de que as crianças hiperativas demandam mais atenção e esforço durante as aulas. Através desse obstáculo, somos levados a refletir se já está na hora de intensificar capacitações para professores e diálogos dentro da comunidade escolar sobre o transtorno e seus sintomas, levando a uma identificação mais imediata de alunos que precisam desse suporte. Todavia, o estudo não comprovou através de dados, a existência de evolução significativa no desempenho motor a partir das aulas de educação física escolar. Outro estudo foi traçado na mesma perspectiva, de avaliar uma atividade física específica, no caso a modalidade judô, como uma proposta de intervenção nas escolas. Galdino (2022) traz o judô como proposta de intervenção dentro das aulas de educação física e enfatiza que a prática do Judô Pedagógico oferece aos alunos com TDAH não apenas benefícios físicos, mas também um aprendizado global, fortalecendo seu conhecimento, formação moral e intelectual. O processo de ensino-aprendizado do judô transmite valores como disciplina, respeito, paciência, competitividade saudável e aborda aspectos físicos, filosofia e prática da modalidade. O trabalho apresenta um plano de aula para ser aplicado em turma do ensino fundamental apresentando-se como uma ferramenta auxiliar no ensino de crianças com TDAH, pois promove disciplina e autoconhecimento, contribuindo positivamente para o crescimento socioeducacional desses estudantes. Por outro lado, não apresentou resultados da aplicação da metodologia, com isso não temos dados sobre a eficácia da proposta. Assim como o estudo citado anteriormente, este também expõe os sintomas de TDAH como principais dificuldades a serem enfrentadas no dia a dia do estudante. Saindo das intervenções de competência direta dos professores, podemos citar o estudo realizado no sul do Brasil por Martinhago e Caponi (2019), no qual relata que a proposta de intervenção para buscar melhorias na vida de alunos identificados com TDAH consiste em avaliar o contexto através de entrevistas com a equipe pedagógica e de professores. Mediante os resultados, foi importante destacar que a equipe não se vê apta para intervir na situação, uma vez que a instituição não dispõe de recursos. Nesse caso os pais são chamados em reuniões para orientá-los sobre a situação identificada e abordam que a melhor solução seria através de serviços especializados, mais precisamente de saúde mental. Este estudo destaca a escola como uma porta para o TDAH em virtude da realidade dos alunos, moradores de comunidades carentes, e do trabalho de professores insatisfeitos com baixos salários e más condições de trabalho seguidas de reclamações dos mesmos sobre os alunos não prestarem atenção e estarem inquietos. Tal posicionamento resulta em grande quantidade de encaminhamento para atendimento psicológico com longa espera, mas da escola não tem um suporte ou intervenção para efetivar a aprendizagem dessas crianças. Muitas escolas oferecem suporte psicopedagógico e a importância desse serviço pode ser apreciada através do estudo de caso realizado por Pereira (2020). Nesse trabalho, a autora acompanhou uma criança em idade escolar que apresentava laudo psicológico com o diagnóstico de TDAH. Realizou anamnese, sessões e acompanhamento dentro e fora de sala de aula. Percebeu que o aluno apresentava inquietação desde bebê e esse comportamento se mantém ate então. Nas aulas o aluno tem dificuldade de se concentrar, ficar sentado, seguir orientações e até mesmo de gerenciar seus materiais conforme as suas necessidades, fatores que resultam em um caderno com atividades incompletas. Fora de sala de aula o aluno não apresentou interação com os colegas, corre e desobedece as regras da escola durante o intervalo e percebe-se que as punições lhe causam complexo de inferioridade. Tais fatores colaboram parra um baixo rendimento escolar. Durante algumas sessões, lhes foram apresentados alguns jogos que possibilitariam trabalhar sua cognição. Como resultado, o aluno apresentou uma resistência aos jogos que requerem mais raciocínio e concentração e apresenta-se sempre inquieto. Através dos estudos foi possível constatar que o aluno realmente tem o transtorno e que o mesmo possui questões emocionais que dificultam o bom rendimento como, por exemplo, vínculo negativo com a professora. A partir desse e de outros aspectos foi constatada a necessidade de uma consulta psiquiátrica que possivelmente indicará o uso de uma medicação, bem como a continuação das sessões no acompanhamento psicopedagógico a fim de detectar formas de amenizar e conviver melhor com suas limitações. Além disso, algumas orientações foram passadas a professora para que o processo de aprendizagem pudesse fluir da melhor forma possível dentro de sua condição, proposta de interações sociais e adaptações curriculares individuais, esta última de competência da escola. Portanto, este último estudo apresentado obteve resultados satisfatórios mediante ao andamento do acompanhamento psicopedagógico através de sessões. A partir de então, o acompanhamento terapêutico aparenta ser o mais indicado para contornar as dificuldades que possam surgir provenientes ao TDAH. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente artigo buscou realizar um levantamento dos estudos sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e discutir as propostas de intervenção para crianças com TDAH em idade escolar, além de abordar as dificuldades enfrentadas pelos alunos que sofrem com esse transtorno. As interações sociais no ambiente escolar podem apresentar desafios para pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Ao longo da análise dos estudos, foi possível constatar que o TDAH é uma condição neurobiológica que afeta significativamente o desempenho acadêmico e as interações sociais das crianças. As dificuldades de concentração, impulsividade e hiperatividade podem gerar um impacto negativo na aprendizagem e no comportamento desses alunos, resultando em baixo rendimento escolar e dificuldades no convívio com colegas e professores. Diante desse cenário, as propostas de intervenção para crianças com TDAH em idade escolar são fundamentais para promover uma abordagem mais eficaz e inclusiva. Estratégias como o uso de técnicas de ensino diferenciadas, o estabelecimento de rotinas estruturadas, a implementação de apoio individualizado e o envolvimento da família no processo de educação são aspectos-chave para auxiliar esses alunos a superarem as dificuldades e alcançarem um melhor desempenho acadêmico. Além disso, a compreensão e o suporte por parte dos educadores, colegas e familiares desempenham um papel crucial no processo de intervenção. Apesar de todos buscarem uma intervenção, apenas um dos estudos apresentou claramente um resultado satisfatório, enquanto os demais deixaram apenas perpectivas, mas mostraram que cada criança com TDAH é única, e as intervenções devem ser adaptadas às suas necessidades individuais. É necessário um acompanhamento constante por profissionais qualificados, como médicos, psicólogos e educadores especializados, para avaliar o progresso e ajustar as estratégias conforme necessário. Contudo, a busca por soluções não pode parar e envolve tanto a investigação de abordagens pedagógicas adaptadas quanto a exploração de intervenções complementares, como terapias comportamentais e o uso de tecnologias assistivas. Além disso, a cooperação entre profissionais da área de saúde, educadores, familiares e alunos é essencial para criar um ambiente de aprendizagem inclusivo e capacitador. REFERÊNCIAS ALVARES, Vívian Almeida; MURAD, Carla Regina Rachid Otavio. Alfabetização compartilhada: relato de planejamento de protocolo de intervenção para um aluno com TDAH. Iniciação & Formação Docente, v. 7, n. 3, p. 757 a 782-757 a 782, 2020. BARKLEY, R. A. (2002). Transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade – TDA-H. Porto Alegre, RS: Artes Médicas. 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