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NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
19
§ 14. A aposentadoria concedida com a utilização de tempo 
de contribuição decorrente de cargo, emprego ou função pública, 
inclusive do Regime Geral de Previdência Social, acarretará o rom-
pimento do vínculo que gerou o referido tempo de contribuição. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 15. É vedada a complementação de aposentadorias de ser-
vidores públicos e de pensões por morte a seus dependentes que 
não seja decorrente do disposto nos §§ 14 a 16 do art. 40 ou que 
não seja prevista em lei que extinga regime próprio de previdência 
social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica 
e fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as se-
guintes disposições: 
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, 
ficará afastado de seu cargo, emprego ou função;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, 
emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remunera-
ção;
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibili-
dade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego 
ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não 
havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício 
de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos 
os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
V - na hipótese de ser segurado de regime próprio de previ-
dência social, permanecerá filiado a esse regime, no ente federativo 
de origem. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 
2019)
SEÇÃO II
DOS SERVIDORES PÚBLICOS
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e 
planos de carreira para os servidores da administração pública di-
reta, das autarquias e das fundações públicas. (Vide ADIN nº 
2.135-4)
 Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
instituirão conselho de política de administração e remuneração de 
pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Po-
deres. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) (Vide ADIN nº 2.135-4)
§ 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais compo-
nentes do sistema remuneratório observará: 
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos 
cargos componentes de cada carreira; 
II - os requisitos para a investidura; 
III - as peculiaridades dos cargos. 
§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas 
de governo para a formação e o aperfeiçoamento dos servidores 
públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos requisi-
tos para a promoção na carreira, facultada, para isso, a celebração 
de convênios ou contratos entre os entes federados. 
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o dis-
posto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, 
XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de 
admissão quando a natureza do cargo o exigir. 
§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os 
Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão 
remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela úni-
ca, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, 
prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, 
obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI. 
§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni-
cípios poderá estabelecer a relação entre a maior e a menor remu-
neração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o 
disposto no art. 37, XI. 
§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão 
anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos e 
empregos públicos. 
§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni-
cípios disciplinará a aplicação de recursos orçamentários provenien-
tes da economia com despesas correntes em cada órgão, autarquia 
e fundação, para aplicação no desenvolvimento de programas de 
qualidade e produtividade, treinamento e desenvolvimento, mo-
dernização, reaparelhamento e racionalização do serviço público, 
inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de produtividade. 
§ 8º A remuneração dos servidores públicos organizados em 
carreira poderá ser fixada nos termos do § 4º. 
§ 9º É vedada a incorporação de vantagens de caráter tempo-
rário ou vinculadas ao exercício de função de confiança ou de cargo 
em comissão à remuneração do cargo efetivo. (Incluído pela Emen-
da Constitucional nº 103, de 2019)
Art. 40. O regime próprio de previdência social dos servidores 
titulares de cargos efetivos terá caráter contributivo e solidário, 
mediante contribuição do respectivo ente federativo, de servidores 
ativos, de aposentados e de pensionistas, observados critérios que 
preservem o equilíbrio financeiro e atuarial. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 1º O servidor abrangido por regime próprio de previdência 
social será aposentado: (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 103, de 2019)
I - por incapacidade permanente para o trabalho, no cargo em 
que estiver investido, quando insuscetível de readaptação, hipótese 
em que será obrigatória a realização de avaliações periódicas para 
verificação da continuidade das condições que ensejaram a conces-
são da aposentadoria, na forma de lei do respectivo ente federativo; 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo 
de contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade, ou aos 75 (setenta 
e cinco) anos de idade, na forma de lei complementar; 
III - no âmbito da União, aos 62 (sessenta e dois) anos de ida-
de, se mulher, e aos 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e, 
no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na idade 
mínima estabelecida mediante emenda às respectivas Constituições e 
Leis Orgânicas, observados o tempo de contribuição e os demais requi-
sitos estabelecidos em lei complementar do respectivo ente federativo. 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 2º Os proventos de aposentadoria não poderão ser inferiores 
ao valor mínimo a que se refere o § 2º do art. 201 ou superiores 
ao limite máximo estabelecido para o Regime Geral de Previdência 
Social, obser vado o disposto nos §§ 14 a 16. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 3º As regras para cálculo de proventos de aposentadoria se-
rão disciplinadas em lei do respectivo ente federativo. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 4º É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados 
para concessão de benefícios em regime próprio de previdência so-
cial, ressalvado o disposto nos §§ 4º-A, 4º-B, 4º-C e 5º. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 4º-A. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do res-
pectivo ente federativo idade e tempo de contribuição diferencia-
dos para aposentadoria de servidores com deficiência, previamente 
submetidos a avaliação biopsicossocial realizada por equipe multi-
profissional e interdisciplinar. (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 103, de 2019)
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
20
§ 4º-B. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do res-
pectivo ente federativo idade e tempo de contribuição diferencia-
dos para aposentadoria de ocupantes do cargo de agente peniten-
ciário, de agente socioeducativo ou de policial dos órgãos de que 
tratam o inciso IV do caput do art. 51, o inciso XIII do caput do art. 
52 e os incisos I a IV do caput do art. 144. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 103, de 2019)
§ 4º-C. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do 
respectivo ente federativo idade e tempo de contribuição diferen-
ciados para aposentadoria de servidorescujas atividades sejam 
exercidas com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e bio-
lógicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada 
a caracterização por categoria profissional ou ocupação. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 5º Os ocupantes do cargo de professor terão idade mínima 
reduzida em 5 (cinco) anos em relação às idades decorrentes da 
aplicação do disposto no inciso III do § 1º, desde que comprovem 
tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação 
infantil e no ensino fundamental e médio fixado em lei comple-
mentar do respectivo ente federativo. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 103, de 2019)
§ 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos 
acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada a percepção de 
mais de uma aposentadoria à conta de regime próprio de previdên-
cia social, aplicando-se outras vedações, regras e condições para a 
acumulação de benefícios previdenciários estabelecidas no Regime 
Geral de Previdência Social. (Redação dada pela Emenda Constitu-
cional nº 103, de 2019)
§ 7º Observado o disposto no § 2º do art. 201, quando se tratar 
da única fonte de renda formal auferida pelo dependente, o be-
nefício de pensão por morte será concedido nos termos de lei do 
respectivo ente federativo, a qual tratará de forma diferenciada a 
hipótese de morte dos servidores de que trata o § 4º-B decorrente 
de agressão sofrida no exercício ou em razão da função. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preser-
var-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios 
estabelecidos em lei. 
§ 9º O tempo de contribuição federal, estadual, distrital ou 
municipal será contado para fins de aposentadoria, observado o 
disposto nos §§ 9º e 9º-A do art. 201, e o tempo de serviço corres-
pondente será contado para fins de disponibilidade. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 10 - A lei não poderá estabelecer qualquer forma de conta-
gem de tempo de contribuição fictício. 
§ 11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos 
proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes da acumu-
lação de cargos ou empregos públicos, bem como de outras ativi-
dades sujeitas a contribuição para o regime geral de previdência 
social, e ao montante resultante da adição de proventos de inativi-
dade com remuneração de cargo acumulável na forma desta Cons-
tituição, cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e 
exoneração, e de cargo eletivo. 
§ 12. Além do disposto neste artigo, serão observados, em re-
gime próprio de previdência social, no que couber, os requisitos e 
critérios fixados para o Regime Geral de Previdência Social. (Reda-
ção dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 13. Aplica-se ao agente público ocupante, exclusivamente, de 
cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exonera-
ção, de outro cargo temporário, inclusive mandato eletivo, ou de 
emprego público, o Regime Geral de Previdência Social. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 14. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ins-
tituirão, por lei de iniciativa do respectivo Poder Executivo, regime 
de previdência complementar para servidores públicos ocupantes 
de cargo efetivo, observado o limite máximo dos benefícios do Re-
gime Geral de Previdência Social para o valor das aposentadorias e 
das pensões em regime próprio de previdência social, ressalvado 
o disposto no § 16. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
103, de 2019)
§ 15. O regime de previdência complementar de que trata o § 
14 oferecerá plano de benefícios somente na modalidade contribui-
ção definida, observará o disposto no art. 202 e será efetivado por 
intermédio de entidade fechada de previdência complementar ou 
de entidade aberta de previdência complementar. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o dis-
posto nos § § 14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor que tiver in-
gressado no serviço público até a data da publicação do ato de ins-
tituição do correspondente regime de previdência complementar. 
§ 17. Todos os valores de remuneração considerados para o cál-
culo do benefício previsto no § 3° serão devidamente atualizados, 
na forma da lei. 
§ 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentado-
rias e pensões concedidas pelo regime de que trata este artigo que 
superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime 
geral de previdência social de que trata o art. 201, com percentual 
igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos. 
§ 19. Observados critérios a serem estabelecidos em lei do 
respectivo ente federativo, o servidor titular de cargo efetivo que 
tenha completado as exigências para a aposentadoria voluntária e 
que opte por permanecer em atividade poderá fazer jus a um abo-
no de permanência equivalente, no máximo, ao valor da sua con-
tribuição previdenciária, até completar a idade para aposentadoria 
compulsória. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 
2019)
§ 20. É vedada a existência de mais de um regime próprio de 
previdência social e de mais de um órgão ou entidade gestora des-
se regime em cada ente federativo, abrangidos todos os poderes, 
órgãos e entidades autárquicas e fundacionais, que serão responsá-
veis pelo seu financiamento, observados os critérios, os parâmetros 
e a natureza jurídica definidos na lei complementar de que trata o 
§ 22. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 21. A contribuição prevista no § 18 deste artigo incidirá ape-
nas sobre as parcelas de proventos de aposentadoria e de pensão 
que superem o dobro do limite máximo estabelecido para os bene-
fícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201 
desta Constituição, quando o beneficiário, na forma da lei, for por-
tador de doença incapacitante (Incluído pela Emenda Constitucio-
nal nº 47, de 2005) (Revogado pela Emenda Constitucional nº 103, 
de 2019) (Vigência) (Vide Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 22. Vedada a instituição de novos regimes próprios de previ-
dência social, lei complementar federal estabelecerá, para os que 
já existam, normas gerais de organização, de funcionamento e de 
responsabilidade em sua gestão, dispondo, entre outros aspectos, 
sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
I - requisitos para sua extinção e consequente migração para o 
Regime Geral de Previdência Social; (Incluído pela Emenda Consti-
tucional nº 103, de 2019)
II - modelo de arrecadação, de aplicação e de utilização dos re-
cursos; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
III - fiscalização pela União e controle externo e social; (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
IV - definição de equilíbrio financeiro e atuarial; (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
V - condições para instituição do fundo com finalidade previ-
denciária de que trata o art. 249 e para vinculação a ele dos recur-
sos provenientes de contribuições e dos bens, direitos e ativos de 
qualquer natureza; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 
2019)
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
21
VI - mecanismos de equacionamento do deficit atuarial; (Incluí-
do pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
VII - estruturação do órgão ou entidade gestora do regime, ob-
servados os princípios relacionados com governança, controle inter-
no e transparência; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, 
de 2019)
VIII - condições e hipóteses para responsabilização daqueles 
que desempenhem atribuições relacionadas, direta ou indiretamen-
te, com a gestão do regime; (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 103, de 2019)
IX - condições para adesão a consórcio público; (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
X - parâmetros para apuração da base de cálculo e definiçãode alíquota de contribuições ordinárias e extraordinárias. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os ser-
vidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de 
concurso público. 
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: 
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegu-
rada ampla defesa; 
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desem-
penho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. 
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor 
estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se es-
tável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, 
aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com re-
muneração proporcional ao tempo de serviço. 
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o ser-
vidor estável ficará em disponibilidade, com remuneração propor-
cional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em 
outro cargo. 
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obriga-
tória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída 
para essa finalidade. 
EXERCÍCIO DO PODER DE POLÍCIA POR SERVIDORES CELETISTA
A Polícia Administrativa é manifestada por meio de atos norma-
tivos e de alcance geral, bem como de atos concretos e específicos.
Além disso, outra característica marcante dos atos expedidos 
por força da Polícia Administrativa são os atos revestidos de contro-
le e fiscalização.
A atividade administrativa que envolve atos fiscalizadores e de 
controle , os quais a Administração Pública pretende a prevenção 
de atos lesivos ao bem estar social ou saúde pública não podem ser 
proferidos por servidores com regime contratual – CLT.
Esta é a grande polêmica envolvendo a prática de atos admi-
nistrativos revestidos de Poder de Polícia quando praticados por 
servidores celetistas.
Conforme ressaltado pela melhor doutrina, Celso António Ban-
deira de Mello afirma que “o regime normal dos servidores públicos 
teria mesmo de ser o estatutário, pois este (ao contrário do regime 
trabalhista) é o concebido para atender a peculiaridades de um vín-
culo no qual não estão em causa tão-só interesses empregatícios, 
mas onde avultam interesses públicos são os próprios instrumentos 
de atuacão do Estado”.
A jurisprudência já se manifestou neste sentido no julgamento 
da cautelar da ADin no 2.310, o Supremo examinou a lei que trata 
dos agentes públicos de agências reguladoras (Lei no 9.985/2000), 
e ali se posicionou contrário à contratação de servidores em regime 
celetista para a execução de atos revestidos com o Poder de Polícia 
no ato de fiscalização. De acordo com o ministro Marco Aurélio, re-
lator:
“...prescindir, no caso, da ocupação de cargos públicos, com os 
direitos e garantias a eles inerentes, é adotar flexibilidade incompa-
tível com a natureza dos serviços a serem prestados, igualizando os 
servidores das agências a prestadores de serviços subalternos, dos 
quais não se exige, até mesmo, escolaridade maior, como são ser-
ventes, artífices, mecanógrafos, entre outros. Atente-se para as es-
pécies. Está-se diante de atividade na qual o poder de fiscalização, 
o poder de polícia fazem- se com envergadura ímpar, exigindo, por 
isso mesmo, que aquele que a desempenhe sinta-se seguro, atue 
sem receios outros, e isso pressupõe a ocupação de cargo público 
(…). Em suma, não se coaduna com os objetivos precípuos das agên-
cias reguladoras, verdadeiras autarquias, embora de caráter espe-
cial, a flexibilidade inerente aos empregos públicos, impondo-se a 
adoção da regra que é revelada pelo regime de cargo público, tal 
como ocorre em relação a outras atividades fiscalizadoras — fiscais 
do trabalho, de renda, servidores do Banco Central, dos Tribunais 
de Contas etc.”
Portanto, muito embora não tenha previsão legal, o entendi-
mento construído pela doutrina e jurisprudência entende que o 
emprego público, de natureza contratual (CLT) é incompatível com 
a atividade a ser desenvolvida quando se exige a incidência de ato 
com poder de polícia. O cargo público, sim, é cercado de garantias 
institucionais, destinadas a dar proteção e independência ao servi-
dor para prestar a manifestação do Estado quando no exercício do 
Poder de Polícia.
REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES – LEI Nº 8.112, DE 11 DE 
DEZEMBRO DE 1990
LEI Nº 8.112, DE 11 DE DEZEMBRO DE 19902
Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da 
União, das autarquias e das fundações públicas federais.
TÍTULO I
CAPÍTULO ÚNICO
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1º Esta Lei institui o Regime Jurídico dos Servidores Públi-
cos Civis da União, das autarquias, inclusive as em regime especial, 
e das fundações públicas federais.
Art. 2º Para os efeitos desta Lei, servidor é a pessoa legalmente 
investida em cargo público.
Art. 3º Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabi-
lidades previstas na estrutura organizacional que devem ser come-
tidas a um servidor.
Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasi-
leiros, são criados por lei, com denominação própria e vencimento 
pago pelos cofres públicos, para provimento em caráter efetivo ou 
em comissão.
Art. 4º É proibida a prestação de serviços gratuitos, salvo os 
casos previstos em lei.
2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8112cons.htm. Acesso em 
20.01.2020
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
22
TÍTULO II
DO PROVIMENTO, VACÂNCIA, REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E 
SUBSTITUIÇÃO
CAPÍTULO I
DO PROVIMENTO
SEÇÃO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 5º São requisitos básicos para investidura em cargo público:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o gozo dos direitos políticos;
III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais;
IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;
V - a idade mínima de dezoito anos;
VI - aptidão física e mental.
§ 1º As atribuições do cargo podem justificar a exigência de 
outros requisitos estabelecidos em lei.
§ 2º Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direi-
to de se inscrever em concurso público para provimento de cargo 
cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são 
portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por 
cento) das vagas oferecidas no concurso.
§ 3º As universidades e instituições de pesquisa científica e 
tecnológica federais poderão prover seus cargos com professores, 
técnicos e cientistas estrangeiros, de acordo com as normas e os 
procedimentos desta Lei. 
Art. 6º O provimento dos cargos públicos far-se-á mediante ato 
da autoridade competente de cada Poder.
Art.7º A investidura em cargo público ocorrerá com a posse.
Art.8º São formas de provimento de cargo público:
I - nomeação;
II - promoção;
III - (Revogado);
IV - (Revogado);
V - readaptação;
VI - reversão;
VII - aproveitamento;
VIII - reintegração;
IX - recondução.
SEÇÃO II
DA NOMEAÇÃO
Art.9º A nomeação far-se-á:
I - em caráter efetivo, quando se tratar de cargo isolado de pro-
vimento efetivo ou de carreira;
II - em comissão, inclusive na condição de interino, para cargos 
de confiança vagos. 
Parágrafo único. O servidor ocupante de cargo em comissão ou 
de natureza especial poderá ser nomeado para ter exercício, inte-
rinamente, em outro cargo de confiança, sem prejuízo das atribui-
ções do que atualmente ocupa, hipótese em que deverá optar pela 
remuneração de um deles durante o período da interinidade.
Art. 10. A nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado 
de provimento efetivo depende de prévia habilitação em concurso 
público de provas ou de provas e títulos, obedecidos a ordem de 
classificação e o prazo de sua validade.
Parágrafo único. Os demais requisitos para o ingresso e o de-
senvolvimento do servidor na carreira, mediante promoção, serão 
estabelecidos pela lei que fixar as diretrizes do sistema de carreira 
na Administração Pública Federal e seus regulamentos. 
SEÇÃOIII
DO CONCURSO PÚBLICO
Art. 11. O concurso será de provas ou de provas e títulos, po-
dendo ser realizado em duas etapas, conforme dispuserem a lei e o 
regulamento do respectivo plano de carreira, condicionada a inscri-
ção do candidato ao pagamento do valor fixado no edital, quando 
indispensável ao seu custeio, e ressalvadas as hipóteses de isenção 
nele expressamente previstas. 
Art. 12. O concurso público terá validade de até 2 (dois) anos, 
podendo ser prorrogado uma única vez, por igual período.
§ 1º O prazo de validade do concurso e as condições de sua rea-
lização serão fixados em edital, que será publicado no Diário Oficial 
da União e em jornal diário de grande circulação.
§ 2º Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato 
aprovado em concurso anterior com prazo de validade não expira-
do.
SEÇÃO IV
DA POSSE E DO EXERCÍCIO
Art. 13. A posse dar-se-á pela assinatura do respectivo termo, 
no qual deverão constar as atribuições, os deveres, as responsabi-
lidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado, que não poderão 
ser alterados unilateralmente, por qualquer das partes, ressalvados 
os atos de ofício previstos em lei.
§ 1º A posse ocorrerá no prazo de trinta dias contados da publi-
cação do ato de provimento. 
§ 2º Em se tratando de servidor, que esteja na data de publica-
ção do ato de provimento, em licença prevista nos incisos I, III e V 
do art. 81, ou afastado nas hipóteses dos incisos I, IV, VI, VIII, alíneas 
«a», «b», «d», «e» e «f», IX e X do art. 102, o prazo será contado do 
término do impedimento. 
§ 3º A posse poderá dar-se mediante procuração específica.
§ 4º Só haverá posse nos casos de provimento de cargo por 
nomeação. 
§ 5º No ato da posse, o servidor apresentará declaração de 
bens e valores que constituem seu patrimônio e declaração quanto 
ao exercício ou não de outro cargo, emprego ou função pública.
§ 6º Será tornado sem efeito o ato de provimento se a posse 
não ocorrer no prazo previsto no § 1º deste artigo.
Art. 14. A posse em cargo público dependerá de prévia inspe-
ção médica oficial.
Parágrafo único. Só poderá ser empossado aquele que for jul-
gado apto física e mentalmente para o exercício do cargo.
Art. 15. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do 
cargo público ou da função de confiança. 
§ 1º É de quinze dias o prazo para o servidor empossado em 
cargo público entrar em exercício, contados da data da posse. 
§ 2º O servidor será exonerado do cargo ou será tornado sem 
efeito o ato de sua designação para função de confiança, se não 
entrar em exercício nos prazos previstos neste artigo, observado o 
disposto no art. 18. 
§ 3º À autoridade competente do órgão ou entidade para onde 
for nomeado ou designado o servidor compete dar-lhe exercício. 
§ 4º O início do exercício de função de confiança coincidirá com 
a data de publicação do ato de designação, salvo quando o servidor 
estiver em licença ou afastado por qualquer outro motivo legal, hi-
pótese em que recairá no primeiro dia útil após o término do impe-
dimento, que não poderá exceder a trinta dias da publicação. 
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
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Art. 16. O início, a suspensão, a interrupção e o reinício do exer-
cício serão registrados no assentamento individual do servidor.
Parágrafo único. Ao entrar em exercício, o servidor apresenta-
rá ao órgão competente os elementos necessários ao seu assenta-
mento individual.
Art. 17. A promoção não interrompe o tempo de exercício, que 
é contado no novo posicionamento na carreira a partir da data de 
publicação do ato que promover o servidor. 
Art. 18. O servidor que deva ter exercício em outro município 
em razão de ter sido removido, redistribuído, requisitado, cedido ou 
posto em exercício provisório terá, no mínimo, dez e, no máximo, 
trinta dias de prazo, contados da publicação do ato, para a retoma-
da do efetivo desempenho das atribuições do cargo, incluído nesse 
prazo o tempo necessário para o deslocamento para a nova sede. 
§ 1º Na hipótese de o servidor encontrar-se em licença ou afas-
tado legalmente, o prazo a que se refere este artigo será contado a 
partir do término do impedimento. 
§ 2º É facultado ao servidor declinar dos prazos estabelecidos 
no caput. 
Art. 19. Os servidores cumprirão jornada de trabalho fixada em 
razão das atribuições pertinentes aos respectivos cargos, respei-
tada a duração máxima do trabalho semanal de quarenta horas e 
observados os limites mínimo e máximo de seis horas e oito horas 
diárias, respectivamente. 
§ 1º O ocupante de cargo em comissão ou função de confiança 
submete-se a regime de integral dedicação ao serviço, observado o 
disposto no art. 120, podendo ser convocado sempre que houver 
interesse da Administração. 
§ 2º O disposto neste artigo não se aplica a duração de trabalho 
estabelecida em leis especiais. 
Art. 20. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo 
de provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório por pe-
ríodo de 24 (vinte e quatro) meses, durante o qual a sua aptidão e 
capacidade serão objeto de avaliação para o desempenho do cargo, 
observados os seguinte fatores: (Vide EMC nº 19).
I - assiduidade; 
II - disciplina; 
III - capacidade de iniciativa; 
IV - produtividade; 
V- responsabilidade. 
§ 1º 4 (quatro) meses antes de findo o período do estágio pro-
batório, será submetida à homologação da autoridade competen-
te a avaliação do desempenho do servidor, realizada por comissão 
constituída para essa finalidade, de acordo com o que dispuser a lei 
ou o regulamento da respectiva carreira ou cargo, sem prejuízo da 
continuidade de apuração dos fatores enumerados nos incisos I a V 
do caput deste artigo. 
§ 2º O servidor não aprovado no estágio probatório será exone-
rado ou, se estável, reconduzido ao cargo anteriormente ocupado, 
observado o disposto no parágrafo único do art. 29. 
§ 3º O servidor em estágio probatório poderá exercer quaisquer car-
gos de provimento em comissão ou funções de direção, chefia ou asses-
soramento no órgão ou entidade de lotação, e somente poderá ser cedi-
do a outro órgão ou entidade para ocupar cargos de Natureza Especial, 
cargos de provimento em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento 
Superiores - DAS, de níveis 6, 5 e 4, ou equivalentes. 
§ 4º Ao servidor em estágio probatório somente poderão ser 
concedidas as licenças e os afastamentos previstos nos arts. 81, 
incisos I a IV, 94, 95 e 96, bem assim afastamento para participar 
de curso de formação decorrente de aprovação em concurso para 
outro cargo na Administração Pública Federal. 
§ 5º O estágio probatório ficará suspenso durante as licenças e 
os afastamentos previstos nos arts. 83, 84, § 1º, 86 e 96, bem assim 
na hipótese de participação em curso de formação, e será retoma-
do a partir do término do impedimento. 
SEÇÃO V
DA ESTABILIDADE
Art. 21. O servidor habilitado em concurso público e empossa-
do em cargo de provimento efetivo adquirirá estabilidade no servi-
ço público ao completar 2 (dois) anos de efetivo exercício. (prazo 3 
anos - vide EMC nº 19).
Art. 22. O servidor estável só perderá o cargo em virtude de 
sentença judicial transitada em julgado ou de processo administra-
tivo disciplinar no qual lhe seja assegurada ampla defesa.
SEÇÃO VI
DA TRANSFERÊNCIA
Art. 23. (Revogado).
SEÇÃO VII
DA READAPTAÇÃO
Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de 
atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que 
tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em ins-
peção médica.
§ 1º Se julgado incapaz para o serviço público, o readaptando 
será aposentado.
§ 2º A readaptação será efetivada em cargo de atribuições 
afins, respeitada a habilitação exigida, nível de escolaridade e equi-
valência de vencimentos e, na hipótese de inexistência de cargo 
vago, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a 
ocorrência de vaga. 
SEÇÃO VIII
DA REVERSÃO
Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposen-
tado: 
I - por invalidez, quando junta médicaoficial declarar insubsis-
tentes os motivos da aposentadoria; ou 
II - no interesse da administração, desde que: 
a) tenha solicitado a reversão; 
b) a aposentadoria tenha sido voluntária; 
c) estável quando na atividade; 
d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à 
solicitação; 
e) haja cargo vago. 
§ 1º A reversão far-se-á no mesmo cargo ou no cargo resultante 
de sua transformação. 
§ 2º O tempo em que o servidor estiver em exercício será con-
siderado para concessão da aposentadoria. 
§ 3º No caso do inciso I, encontrando-se provido o cargo, o ser-
vidor exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência 
de vaga. 
§ 4º O servidor que retornar à atividade por interesse da admi-
nistração perceberá, em substituição aos proventos da aposenta-
doria, a remuneração do cargo que voltar a exercer, inclusive com 
as vantagens de natureza pessoal que percebia anteriormente à 
aposentadoria.

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