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resumo Psicologia Escolar (ava)
MÓDULO 1 - Visão crítica em psicologia escolar
A escola tradicional (séc. VIII até o início do séc. XX), de base religiosa, não
precisava da Psicologia para acompanhar a prática educativa, acreditava que o ser humano
era dotado de duas naturezas: uma essencialmente boa e construtiva e outra corrompida
pelo pecado original;
No séc. XX, com o advento da Escola Nova, assistimos a uma nova maneira de
compreender a infância, embora continuasse a ser pensada como possuidora de uma dupla
natureza, a criança passou a ser vista como naturalmente boa, desde o nascimento, mas
era preciso evitar que pudesse vir a ser corrompida;
Em seu trabalho o psicólogo educacional deve atuar como um agente de
promoção da saúde mental, para tanto é necessário considerar as dimensões ética e
política da nossa prática. A dimensão ética se compõe pela solidariedade ao outro e a
dimensão política pelo compromisso com a transformação social;
Uma psicóloga escolar, Após um grupo de professores se queixarem sobre os
comportamentos de um aluno e os problemas de aprendizagem decorrentes, ela
provavelmente: Após um grupo de professores se queixarem sobre os comportamentos de
um aluno e os problemas de aprendizagem decorrentes, ela provavelmente e Após um
grupo de professores se queixarem sobre os comportamentos de um aluno e os problemas
de aprendizagem decorrentes, ela provavelmente, pois apontam para uma perspectiva mais
crítica que considera os fatores sociais, culturais, políticos e pedagógicos na análise do jogo
de forças que produz o fenômeno. Essa é uma perspectiva que vai além do olhar apenas
para o aluno que não aprende.
Para a perspectiva crítica as explicações para o fracasso escolar não podem ser
encontradas apenas no indivíduo encaminhado para a avaliação psicológica, portanto, para
compreendermos o fracasso escolar é necessário estar atento ao campo de forças no qual
esse fenômeno se manifesta.
MÓDULO 2 - Revisão histórica das principais teorias da educação
Saviani classifica as teorias educacionais em dois grandes grupos: as teorias não
críticas e as teorias crítico-reprodutivistas:
Para as teorias não críticas a sociedade é harmoniosa, busca a integração dos
indivíduos, a igualdade entre eles. Assim sendo, a marginalidade é um fenômeno acidental,
individual, um desvio a ser corrigido. A educação é um instrumento capaz de corrigir tal
desvio, de auxiliar na superação da marginalidade garantindo a construção de uma
sociedade igualitária.
As teorias crítico reprodutivistas concebem a sociedade como sendo composta
por classes sociais antagônicas, que disputam o poder, possuem interesses e visões de
mundo diferentes. A marginalidade é compreendida como um fenômeno inerente á própria
estrutura social. Pensa a educação como um instrumento a favor da manutenção da
estratificação social.
Segundo as teorias não críticas, a marginalidade é um desvio a ser corrigido pela
educação. As teorias crítico-reprodutivistas defendem que a função da educação é a
reprodução das desigualdades sociais.
No grupo das teorias não críticas encontramos a pedagogia tradicional, a
pedagogia nova e a pedagogia tecnicista.TRADICIONAL; papel da escola, no sentido de
superar a marginalização, é transmitir informação que deve ser acumulada, armazenada
pelo aluno. O professor é o centro do processo de ensino, o aluno deve assimilar o
conhecimento selecionado e transmitido pelo profes. PEDAGOGIA NOVA; É uma teoria
pedagógica baseada nos princípios da biologia e da psicologia. Acredita-se que os homens
são essencialmente diferentes, cada indivíduo é único, não se repete. Portanto,
marginalizado é o rejeitado, aquele que pelas suas diferenças não é aceito pelo grupo.
PEDAGOGIA TECNICISTA; Considerando os pressupostos da neutralidade científica,
racionalidade, eficiência e produtividade, prega a necessidade de tornar o processo
educativo objetivo e operacional. Isso deve ser feito através do planejamento cuidadoso das
condições de aprendizagem. Nesse contexto marginalizado é o incompetente, o
improdutivo.
No grupo das teorias crítico-reprodutivistas encontramos a teoria da violência
simbólica, a teoria do aparelho ideológico do estado e a teoria da escola dualista. Vejamos
algumas das principais ideias de cada uma das teorias. Todas as sociedades organizam-se
como um sistema de relações de força material entre grupos e classes. À violência material
(dominação econômica) corresponde a violência simbólica (dominação cultural). A escola
não é espaço de luta pela transformação social. Nesse sentido, marginalizados são os
grupos dominados.
TEORIA DO APARELHO IDEOLÓGICO DO ESTADO (Althusser); Para a
manutenção do poder e da estrutura social o Estado conta com aparelhos repressivos
(Governo, Polícia, Exército, Prisões, etc.) e ideológicos (religioso, escolar, familiar, sindical,
informativo, cultural). A escola pode vir a ser um espaço para a luta de classes, no entanto
Althusser acredita que essa será uma luta heroica e inglória. Para essa teoria marginalizada
é a classe trabalhadora, cuja força de trabalho é explorada pelos capitalistas.
TEORIA DA ESCOLA DUALISTA (Establet); Establet também acredita que a escola
é Aparelho Ideológico do Estado. Para essa teoria a escola está dividida em duas grandes
redes que correspondem á classe social da burguesia e do proletariado.
MÓDULO 3 - Análise crítica de algumas políticas públicas na educação
PROGRESSÃO CONTINUADA; Proposta desenvolvida originalmente com a
intenção de, ao eliminar a repetência, possibilitar condições de igualdade, em hipótese o
aluno teria mais tempo para dominar os conteúdos.
PROGRAMAS DE INCLUSÃO; Camuflado pelo discurso oficial que proclamava o
direito universal à educação, os alunos com necessidades especiais foram colocados em
sala de aula regular, isto sem o devido cuidado e preparo da comunidade e dos
profissionais que trabalhavam com estas crianças.
CLASSES DE ACELERAÇÃO; Foram criadas como o intuito de resolver o problema
de defasagem idade-série. Afinal, a reprovação aumentou o custo da educação para o
Estado… o modo como aconteceu o processo contribuiu para a diminuição da qualidade do
ensino e ao reunir na mesma classe todos os “alunos indesejáveis”
OS MITOS E PRECONCEITOS ACERCA DA CRIANÇA QUE NÃO APRENDE.
As autoras nos mostram como determinados mitos e preconceitos acerca das
causas das dificuldades de aprendizagem acabam por interferir de forma negativa na
compreensão que se pode produzir sobre o não aprender. Desvelam a ideologia presente
no modo pelo qual alguns segmentos da sociedade compreendem a questão do fracasso
escolar;
O processo de transformar questões sociais em questões biológicas é chamado de
biologização.
O preconceito da desnutrição- As consequências da desnutrição sobre o cérebro
é um tema controverso, não conclusivo e bastante estudado na área médica. Convêm
lembrar que nenhum dos principais pesquisadores desse tema relacionou a desnutrição
com o fracasso escolar.Em linhas gerais as pesquisas mostram que a desnutrição grave, no
início da vida e de longa duração pode vir a comprometer o raciocínio abstrato superior.
O preconceito das “disfunções neurológicas”. Considera-se como disfunções
neurológicas a disfunção cerebral mínima, o distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade,
o distúrbio de aprendizagem, a dislexia, etc.
MÓDULO 4 - O papel do psicólogo escolar
O PAPEL DO PSICÓLOGO NA ESCOLA, NO SENTIDO DE PROMOVER
REFLEXÃO SOBRE AS PRÁTICAS E FAVORECER TRANSFORMAÇÕES. REFLEXÃO
CRÍTICA ACERCA DOS INSTRUMENTOS DE INTERVENÇÃO.
Qual deve ser o papel do psicólogo no contexto escolar? A autora do texto inicia
suas reflexões a esse respeito estabelecendo uma crítica ás atuações profissionais que se
pautam pelo modelo clínico tradicional. O modelo clínico tradicional busca no indivíduo, no
seu mundo interno, nas suas relações familiares as causas para as dificuldades de
aprendizagem.
Segundo Kupfer, tal modelo é ultrapassado, sem funcionalidade e visa à
manutenção do sistema que produz o fracasso escolar.Assim, torna-se necessário pensar
em outras e diferentes formas de intervenção. À partir de uma perspectiva crítica de
atuação profissional, que leva em conta a realidade social dos indivíduos, quais teorias
poderiam contribuir para uma ação compromissada com a transformação social, que
rompesse como o processo de alienação?
Para a psicanálise todo trabalho psicológico tem como alvo o eu, esse eu que é
constituído por identificações, que se molda a papéis sociais e varia com as condições
históricas. “ Os problemas de aprendizagem são na sua maioria problemas no
funcionamento egóico, e portanto amplamente determinados pelas relações vividas pelas
crianças no interior da instituição escolar.” (p.54)
Outra forma de contribuição da psicanálise está relacionada com a possibilidade de
leitura dos discursos institucionais. Tais discursos tendem a produzir repetições,
cristalizações, é como se todos pensassem e falassem sempre as mesmas coisas. Desta
forma, não há lugar para o diferente, para se pensar os mesmos e velhos problemas à partir
de um outro lugar, para buscar novas possibilidades de olhar, compreender e
conseqüentemente agir diante dos desafios.
Esse é um papel importante para o psicólogo escolar : auxiliar no sentido de que
o grupo possa romper com os discursos e relações cristalizadas. Assim, a psicanálise que
irá nos ajudar não é a que se preocupa com as determinações inconscientes ou que
descreve as fases psicossexuais.
Em quais espaços o psicólogo escolar pode atuar? Atua junto aos vários
segmentos envolvidos no processo educacional : professores, diretores, funcionários, pais e
alunos. Com os professores e diretores pode, por exemplo, trabalhar nos programas de
formação continuada, montar grupos de estudo, auxiliar na avaliação e implantação de
programas de ensino. Com os pais pode fazer orientações, estimular a participação na vida
escolar, etc. Desenvolve ações voltadas aos alunos com defasagem escolar, problemas de
relacionamento, orientação profissional, entre outros. Também pode trabalhar com
educação especial, assessoria e consultoria para as escolas. Em linhas gerais o objetivo
final de seu trabalho é a garantia do desenvolvimento das habilidades da criança.
MÓDULO 5 - Problemas de ensino e aprendizagem
OS PROBLEMAS DE ENSINO E APRENDIZAGEM: AS IMPLICAÇÕES
PEDAGÓGICAS; O PAPEL DO PSICÓLOGO FRENTE À QUEIXA ESCOLAR
Em relação às possibilidades de compreensão do fracasso escolar as autoras
criticam a visão tradicional. Acreditam que tal perspectiva demonstra um descompromisso
da Psicologia com as questões políticas, econômicas e sociais. A visão tradicional centra no
indivíduo, em sua família ou no seu meio sociocultural as causas do não aprender. Assim,
buscam em Marx, Leontiev, Giroux e Vigotski, entre outros autores, o referencial teórico
crítico para pensar o papel da escola na constituição do indivíduo e da sociedade.
Em relação às possibilidades de compreensão do fracasso escolar as
autoras criticam a visão tradicional. Acreditam que tal perspectiva demonstra um
descompromisso da Psicologia com as questões políticas, econômicas e sociais. A visão
tradicional centra no indivíduo, em sua família ou no seu meio sociocultural as causas do
não aprender. Assim, buscam em Marx, Leontiev, Giroux e Vigotski, entre outros autores, o
referencial teórico crítico para pensar o papel da escola na constituição do indivíduo e da
sociedade.
Á partir de uma perspectiva crítica, as autoras consideram o jogo de forças e
interesses políticos presentes em uma determinada sociedade como aspectos significativos
para se compreender o processo de produção do fracasso escolar. Tal processo é pensado
como sendo multideterminado, ou seja, sofre a ação das forças sociais, políticas,
econômicas e culturais presentes num determinado grupo social, é, portanto, produzido,
constituído no tecido de relações que envolvem os sujeitos.
Tendo em conta o referencial teórico crítico, as autoras apresentam possibilidades
de ação para o psicólogo escolar junto á demanda de queixa escolar e também em relação
à sua atuação em instituições de ensino.
O melhor lugar para um psicólogo escolar é o lugar possível, dentro ou fora da
instituição, desde que ele se coloque dentro da educação e assuma um compromisso
teórico e prático com as questões da escola, já que independentemente do espaço
profissional que possa estar ocupando, ela deve se constituir no foco principal de sua
reflexão, ou seja, é do trabalho que se desenvolve em seu interior que emergem as grandes
questões para as quais deve buscar tanto os recursos explicativos quanto os recursos
metodológicos que possam orientar sua ação. (Meira,2000,p.36)
Apresentamos a seguir as principais idéias apresentadas pelas autoras do
texto em relação ao trabalho do psicólogo escolar, seu papel, objeto de estudo, modo de
compreender a demanda escolar e possibilidades de ação.
AÇÃO JUNTO Á DEMANDA DE QUEIXA ESCOLAR
Papel do Psicólogo Escolar
Seu papel deve ser o de mediador no processo de elaboração das condições para
que a queixa possa vir a se superada. Tal processo deve ser realizado junto com todos os
segmentos envolvidos: família, escola, criança.
Objeto de Estudo
O objeto de estudo é o modo como o comportamento de uma criança (alvo da
queixa) é influenciado pela educação em geral e pela educação oferecida na escola, ou
seja, é o processo de produção da queixa e seus efeitos nos indivíduos envolvidos nesse
processo.
Ação do Psicólogo Escolar
Deve estar voltada para a descrição e análise da relação entre o processo
de produção da queixa escolar e os processos de subjetivação/objetivação dos indivíduos
nele envolvidos, como uma condição necessária á superação das histórias de fracasso
escolar. (p.29)
Compreensão da Queixa
A queixa é apenas a aparência, é preciso olhar o entorno, o que a envolve e
a possibilita. A queixa deve ser compreendida como sendo constituída por múltiplas
determinações. Devemos buscar com todos os envolvidos as ações, os acontecimentos, as
concepções que produziram e motivaram o encaminhamento de tal criança.
Intervenção
Desenvolver ações voltadas aos vários segmentos envolvidos no processo
(professores, alunos, familiares) no sentido de tornar pensável o processo de produção da
queixa e conseqüentemente as estratégias necessárias para que a mesma possa ser
superada.
ATUAÇÃO EM INSTITUIÇÕES DE ENSINO
Papel do Psicólogo Escolar
Auxiliar a escola a remover os obstáculos que se interpõem entre os sujeitos e o
conhecimento e a formar cidadãos por meio da construção de práticas educativas que
favoreçam os processos de humanização e reapropriação da capacidade de pensamento
crítico. (p.43)
Objeto de estudo
É o encontro entre os sujeitos e a educação.
Ações do Psicólogo Escolar
Refletir sobre os diferentes aspectos que compõem o cotidiano escolar.
Analisar criticamente essa realidade concebendo-a como construção social e,
portanto, possível de transformação pela ação humana.
Planejar ações que contribuam para as transformações necessárias.
Implantar projetos que traduzam o compromisso ético, político e profissional com a
construção dos processos educacionais.
Etapas do Processo de Intervenção
Avaliação da realidade escolar; discussão com os vários segmentos envolvidos;
elaboração e execução do plano de intervenção.
PROCESSO DE AVALIAÇÃO DA REALIDADE ESCOLAR.
Veja alguns exemplos de dados que são interessantes de se obter nesse processo
de avaliação e onde buscá-los.
Na organização da escola
Verificar por exemplo quantas classes, turmas, funcionários, existem e se isso é
adequado para a demanda. Há reuniões com professores, com a comunidade escolar, quais
atividades a escola oferece?
Recursos físicos
Quais são esses recursos?São adequados ás necessidades da comunidade?
Corpo docente
Qual a formação dos professores, a experiência profissional, as condições de
trabalho?
Proposta pedagógica
A proposta pedagógica é algo concreto, acontece na realidade ou é apenas algo que
está escrito no plano escolar? Ela é compartilhadapor todos? Como é o sistema de
progressão?
Equipe que dirige a escola
Como foi formada? Qual a experiência desses profissinais?
Organização dos segmentos que compõe a escola
Há Grêmio Estudantil, Associação de Pais, etc. Como funcionam esses segmentos?
Quais as condições sócio-econômicas da clientela.
Como foi formado esse bairro? Qual a história dessa escola?
Como os diferentes segmentos compreendem seus problemas?
Quais as expectativas em relação ao trabalho do psicólogo escolar? Qual as
possibilidades e limites para a implantação de projetos? Quais os parceiros em potencial?
O RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO
Sintetiza os principais procedimentos utilizados, contém uma apresentação
geral dos dados, indica de forma clara as questões que devem ser trabalhadas e como isso
pode ser feito.
Deve ser apresentado aos vários segmentos envolvidos para discussão, reflexão
sobre o que foi compreendido e o que está sendo proposto enquanto estratégia de trabalho.
PLANO DE INTERVENÇÃO
Responde ao que foi percebido na avaliação, é composto por um conjunto de
estratégias de ação, deve ser implementado pelos vários autores do processo, contém
ações que poderão ser realizadas a curto, médio e longo prazo.
Veja alguns dos itens que compõe o plano de intervenção: Objetivo Geral. Objetivo
Específico, Estratégias, Condições objetivas para a realização das intervenções: recursos
físicos, humanos, horários, etc.
Em linhas gerais a ação do psicólogo escolar deve contribuir para: gestão
democrática da escola; resgate da autonomia dos sujeitos; formação de vínculos; ampliação
da participação popular; planejamento condizente com o desenvolvimento, o interesse e as
necessidades dos alunos; identificação e remoção dos obstáculos que possam impedir os
alunos de construir conhecimento. Cabe lembrar que no processo de intervenção devemos
considerar a especificidade de cada caso.

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