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PSICOLOGIA APLICADAS NAS ORGANIZAÇÕES Antonia Cristina Vieira Silva Bezerra Sumário INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3 A PSICOLOGIA SOCIAL COMO CONCEITO E PRÁTICA PARA O ENTENDIMENTO DOS PROCESSOS COMUNICACIONAIS E DE RELACIONAMENTO NAS ORGANIZAÇÕES ��� 6 Psicologia Social e Organizacional�������������������������������������� 7 A PSICOLOGIA POSITIVA COMO UMA NOVA ABORDAGEM PARA AS ORGANIZAÇÕES ������������������������������������������ 15 A teoria do comportamento organizacional ��������������������� 16 AS PRÁTICA E FERRAMENTAS SUGERIDAS PELA PSICOLOGIA SOCIAL/POSITIVA PARA USO NOS RELACIONAMENTOS E NOS PROCESSOS COMUNICACIONAIS DAS ORGANIZAÇÕES� ����������������������������������������� 25 Os três pilares da Psicologia Positiva ������������������������������� 26 Psicologia organizacional positiva e a comunicação ����� 29 CONSIDERAÇÕES FINAIS ���������������������������� 40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS �������������������������������������������� 42 2 INTRODUÇÃO A Psicologia Organizacional pode ser entendida como um ramo aplicado da Psicologia Social, que estuda os processos psicossociais no contexto particular das relações humanas, é responsável por avaliar, monitorar e supervisionar o comportamento dos trabalhadores, bem como, a integridade com seus colegas, resolução de conflitos e adaptabilidade. Tem como objetivo analisar o ambiente de tra- balho e proporcionar condições adequadas para trabalhar com tranquilidade, de forma assertiva e com foco no desenvolvimento profissional. Além disso, busca resolver inconvenientes que possam surgir em um ambiente de trabalho e que, se não forem negativos, podem interromper um projeto ou tarefa, colocando em risco seu sucesso� Dessa forma, a Psicologia Organizacional é muito útil, não apenas para um ambiente positivo na em- presa, mas também para contribuir com os objetivos organizacionais� Cada empresa, dependendo do tipo, tamanho e ramo de atividade, implementará suas próprias medidas e sistemas para garantir um ambiente de trabalho adequado e o bem-estar de cada um de seus funcionários� A partir disso, neste e-book, iremos tratar sobre a importância da Psicologia para as organizações, 3 realizando uma relação entre a Psicologia Social e a Positiva, muito utilizada na resolução de conflitos nas organizações, pois seu foco principal é alinhar os interesses da empresa com as necessidades dos colaboradores� Por isso, busca promover qua- lidade de vida e melhores condições para que os profissionais sejam mais produtivos e eficientes. Em um mercado cada vez mais competitivo, encontrar formas de desenvolver estratégias de negócios práticos é um dos maiores desafios do empreendedor� Entre as melhores maneiras de fa- zer isso está o uso da psicologia organizacional� A cada dia que passa, mais e mais empreendedores entendem que é fundamental conciliar a busca pelo lucro com as necessidades dos colaborado- res por um ambiente de trabalho mais adequado e relacionamentos mais saudáveis� Nesse sentido, a Psicologia Positiva auxilia na promoção da qualidade de vida dos profissionais e na exploração de oportunidades de negócios com mais facilidade. Vários fatores influenciam nisso, conforme iremos discutir, como o respeito aos intervalos e descansos, segurança no ambiente de trabalho, bom relacionamento entre colaboradores e gestores, ética profissional, entre outros. Todos esses elementos, quando devidamente respeitados, aumentam o bem-estar do trabalhador e criam 4 as condições perfeitas para que ele tenha mais produtividade� É nesse contexto que atua a Psicologia organi- zacional, que é representada nas empresas pelo setor de recursos humanos� Sua função é criar as condições necessárias para melhorar o ambiente organizacional e estimular a produtividade� 5 A PSICOLOGIA SOCIAL COMO CONCEITO E PRÁTICA PARA O ENTENDIMENTO DOS PROCESSOS COMUNICACIONAIS E DE RELACIONAMENTO NAS ORGANIZAÇÕES O trabalho da psicologia social nas organizações vai muito além da simples resolução de conflitos internos na empresa� Na verdade, refere-se a várias áreas diferentes� Uma das ferramentas estratégicas mais importantes para melhorar a gestão de uma empresa é identificar o clima organizacional. Esse processo permite revelar pontos de dificuldade ou insatisfação da equipe, além do alinhamento entre a cultura definida pela empresa e as ações realizadas diariamente� Neste tópico, será possível conhecer mais sobre esse contexto e sobre os elementos que, quando devidamente respeitados, aumentam o bem-estar do trabalhador e criam as condições perfeitas para que ele tenha maior produtividade� 6 PSICOLOGIA SOCIAL E ORGANIZACIONAL A Psicologia Social estuda basicamente o compor- tamento e os processos psicológicos que adquirem significado e razão de ser a partir da presença real ou imaginada de outras pessoas� Processos básicos como influência, estereótipos, identidade, preconceito, atitudes ou relações entre grupos são exemplos, entre muitos outros, do objeto de estudo da Psicologia Social� A Psicologia Organizacional está inserida nos pila- res da Psicologia Social e dentro das organizações trabalha com fenômenos como liderança, compor- tamento empreendedor, relações intergrupais ou conhecimentos mais técnicos, como seleção e de- senvolvimento de pessoal, organização do trabalho ou gestão de conflitos dentro das organizações. Além disso, as empresas e organizações com acompanhamento psicológico podem lidar com a vida laboral dos colaboradores de maneira mais eficiente. Embora muitas empresas comecem a optar por processos mais automatizados, é importante para o bem-estar da sociedade que as pessoas continuem sendo parte ativa do desenvolvimento� Existe uma forte ligação entre o sucesso profis- sional e pessoal e, por isso, as empresas devem 7 estar atentas a isso e cuidar ao máximo dos seus colaboradores� Tanto o indivíduo quanto sua relação com o ambiente de trabalho, tornaram-se centrais nas discussões da Psicologia Organizacional� Cada vez se desen- volvendo uma maior sensibilidade para o reconhe- cimento da pessoa como algo essencial e básico em qualquer projeto empresarial� Mantendo essa perspectiva em mente, não é incomum que termos como motivação, trabalho em equipe, liderança e comunicação assertivas nos sejam tão familiares ou que algumas organizações se esforcem para oferecer alternativas antes inimagináveis� Costuma-se dizer que a Psicologia tem uma história curta, mas um passado longo� Embora por muitos séculos existam pessoas interagindo em grupos e organizações, foi no início do século 20 que os princípios psicológicos estiveram relacionados ao mundo profissional. Mas por que surgiu o interesse pela Psicologia nessa época? Foi no início do século passado que se passou a solicitar a colaboração dos psicólogos para resolver algumas questões� Por exemplo, como selecionar oficiais para a marinha mercante após o desastre do Titanic? Como recrutar pessoal, com certa probabilidade de sucesso, para classi- ficar adequadamente a tropa? Ou como desenhar 8 situações adequadas para realização da atividade laboral eficiente e produtiva? Nesse sentido, a Psicologia não era aplicada di- retamente ao ambiente das organizações� Assim, o primeiro uso do termo Psicologia Industrial foi feito em uma publicação de 1904 e foi resultado de um erro tipográfico na transcrição. Um psicólogo chamado W� Bryan escreveu um artigo no qual falava sobre a necessidade de mais pesquisas em “Psicologia Individual”, mas por conta de um erro, escreveu “industrial”� Talvez o inconsciente o tenha pregado uma peça, pois o mesmo autor foi um dos primeiros que ten- tou abordar o exame das habilidades cotidianas para realizar pesquisas psicológicas sobre elas, pois seus estudos tratavam sobre como os ope- radores de telégrafo profissionais desenvolviam suas habilidades no manuseio do código Morse� Osnovos tempos permitiram uma abordagem diferente da relação da psicologia com o contexto de trabalho� Não esqueçamos que durante muitos séculos “pessoas boas” não trabalhavam, mas se dedicavam ao cuidado das artes ou da virtude� Em suma, seu trabalho estava voltado para o cultivo e ocupação do “lazer”� Precisamente, é com a bur- guesia que o “negócio” surgir como “não-lazer” ou um conjunto de tarefas que o negam� 9 Ao longo da história, a experiência humana na relação com o mundo do trabalho mudou signi- ficativamente. Assim, o trabalho deixou de ser, exclusivamente, concebido como um fardo, para ser vivenciado como um certo castigo não poder acessá-lo, com os problemas que acarretam si- tuações de instabilidade ou desemprego� Hoje o trabalho ocupa um lugar fundamental na existência humana� É uma realidade que em nosso tempo dedicamos uma parte muito importante ao trabalho� Assim, não é de estranhar que desde as primeiras inves- tigações sobre o mundo do trabalho, por exemplo as realizadas por E� Mayo, tenham sido destacadas as implicações dos diferentes estados e situações pessoais na execução das tarefas e vice-versa� Construindo, portanto, uma relação de quanto melhor desenvolvermos essa atividade, maior será nossa atuação profissional e mais satisfeitos e felizes estaremos pessoalmente� 10 O trabalho constitui um fenômeno psicossocial funda- mental à existência humana, sobretudo nas organizações� Tal condição se explica pelo fato de que, por meio de esforços físicos e psíquicos, mediamos nossas relações com as pessoas com as quais nos relacionamos� Para entender melhor esse contexto, acesse o artigo “Trabalho significativo e felicidade humana: explorando aproxima- ções”, disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1984-66572012000300008� Ao abordarmos estudos relacionados ao ambiente de negócios, não é incomum encontrarmos termos como motivação, empatia, cooperação, comunica- ção, trabalho em equipe ou liderança� Ao lermos uma entrevista com gestores de diferentes organi- zações, é fácil descobrir expressões que destacam a importância das pessoas para a realização de qualquer projeto empresarial� Tal discurso já é muito propagado, inclusive, em qualquer livraria já é normal encontrarmos secções específicas sobre estes temas, existem jornais e revistas especiali- zadas, não faltam cursos ou seminários� Aos poucos, os conceitos psicológicos estão “en- charcando” o ambiente de negócios e começando a “furar” o muro grosso de arquiteturas organiza- cionais excessivamente técnicas ou abordagens econômicas muito reducionistas� Gostemos ou SAIBA MAIS 11 http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-66572012000300008 http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-66572012000300008 não, uma realidade prevalece: somos pessoas, temos que trabalhar com pessoas e o resultado de nossas decisões afetará as pessoas� Assim, atentar-nos para as contribuições da Psicologia no ambiente das organizações (com ou sem fins lucrativos) é algo básico e fundamental� Sabemos que a importância do desenvolvimento de pessoas nas organizações não é uma questão de boas palavras ou intenções� Não é apenas ne- cessário ter vontade, mas é preciso criar os meios para colocar adequadamente em prática o que está formulado na teoria� Deixaríamos um bom amigo nos operar se ele não fosse um cirurgião? A con- tabilidade de uma empresa poderia ser mantida apenas com boas intenções sem ter noções do que é um balanço? Não, não é mesmo? No entanto, o que acontece com as variáveis relacionadas ao comportamento humano em ambientes de trabalho? Observando atentamente o nosso redor, notaremos que a realidade, embora tenha havido avanços nos últimos anos, ainda deixa muito a desejar� Existem departamentos de Recursos Humanos na maioria das empresas? Qual é a sua orientação? Curiosamente, certas organizações que estão levando essas questões a sério tendem a ser as mais bem-sucedidas econômica e socialmente� Por exemplo, nas últimas pesquisas sobre as melhores empresas da Europa destacam-se aquelas que 12 possuem políticas inovadoras de desenvolvimento de pessoal� O objetivo da Psicologia Organizacional não é “surpreender com receitas mágicas”, mas sim estarmos atentos à sua presença e reconhecer o seu valor� O ser humano é o mesmo em diferentes contextos e daí a necessidade de conhecer suas características psicológicas para potencializar suas possibilidades, inclusive, no ambiente de trabalho� O que é comportamento organizacional? Para conhe- cer mais, assista ao vídeo animado sobre o conceito, principais objetos de estudo e possíveis aplicações do comportamento organizacional, disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=y7OQfzpYG1E� Se há uma coisa que fica clara na experiência no mundo dos negócios, é que gerenciar relacionamen- tos é tão importante quanto desenhar a estratégia de negócios� Devemos considerar a necessidade de conceber as pessoas como “ativos de longo prazo” e não como “recursos ou bens de consumo” que são trocados, vendidos ou comprados� Devemos deixar claro que as pessoas “são seres vivos” e não meras “entidades passivas ou partes de uma SAIBA MAIS 13 https://www.youtube.com/watch?v=y7OQfzpYG1E https://www.youtube.com/watch?v=y7OQfzpYG1E máquina”� Não podemos esquecer que “recursos” não têm direitos, mas apenas deveres� As pessoas são e podem construir outra realida- de� Por exemplo, envolver-se e fazer com que um projeto atinja o objetivo pretendido ou, em alguns casos, colaborar para que ele naufrague� O todo é mais do que a soma das partes, pois dois mais dois não são necessariamente quatro, pois quando as pessoas entram em jogo e mobilizam sinergias positivas ou negativas, os resultados aparecem� Daí a necessidade de oferecer às pessoas meios e ferramentas que facilitem seu pleno desenvolvi- mento humano, pessoal e profissional. Muitos pensarão que realizar este projeto pode ser utópico ou impossível� No entanto, não há desculpa para justificar não fazer nada sob o pretexto de dificuldades. Nossa vocação humana exige que realizemos, sem demora, formas de gestão de pessoas que criem entusiasmo e dinamizem os projetos empresariais� 14 A PSICOLOGIA POSITIVA COMO UMA NOVA ABORDAGEM PARA AS ORGANIZAÇÕES Neste tópico, conheceremos a importância dos contextos em que o comportamento organizacio- nal está presente, como vem evoluindo ao longo do tempo adaptando-se ao diferentes momentos e circunstâncias históricas e culturais, além da relação que tem hoje com outras disciplinas� Ou seja, entraremos em contato com os contextos em que o comportamento organizacional ocorre, bem como, as diferentes disciplinas com as quais ele interage� O comportamento organizacional como ciência aplicada tem seus fundamentos em uma multipli- cidade de disciplinas comportamentais, tanto na análise individual quanto na microanálise� Algumas das ciências das quais se baseia são a Psicologia Social, a Antropologia e, é claro, a Ciência Política� Desse modo, conheçamos um pouco sobre eles a seguir� 15 Os comunicadores incorporam critérios psicológicos no desenho de suas estratégias, mas de forma pou- co sistematizada e sem aproveitar ao máximo suas potencialidades� A TEORIA DO COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL Assim como as organizações não estão mais limita- das por fronteiras territoriais, a situação no trabalho também está mudando, frequentemente, algumas pessoas emigram de seus países de origem para trabalhar no exterior e, portanto, trabalham com pessoas de diferentes culturas� Nesse sentido, o comportamento organizacional pode contribuir para uma convivência adequada� Isso constitui um dos maiores desafios para o gestor: a capacidade de gerenciar uma força de trabalho diversificada, ou seja, a heterogeneidade das pessoas em termos de gênero, idade, raça, ideologia, orientação sexual, país de origem, etc� Atualmente,graças à globalização, muitas indústrias também expandiram sua capacidade de produção através da compra de equipamentos, novas insta- lações e mais funcionários, ainda que com maior concorrência� Assim, os gestores devem tomar FIQUE ATENTO 16 decisões relacionadas aos custos e qualidade dos produtos e serviços oferecidos para que o cliente se sinta satisfeito� Nesse sentido, o comportamento organizacional colabora com as ferramentas necessárias para que os gestores formem uma cultura de respon- sabilidade e compromisso entre a empresa e seus colaboradores, fazendo parte do desenvolvimento da empresa, projetando solidez ao cliente com base no tratamento amigável, acessibilidade, cordialidade, cortesia e boa disposição� O com- portamento organizacional auxilia empresas e gestores a realizarem essa atividade, para que os colaboradores estejam motivados e com um ambiente de trabalho positivo para desempenhar suas atividades de forma produtiva� Deve-se notar que o comportamento organizacional é uma disciplina científica e uma ciência aplica- da, pois se baseia em um conjunto de disciplinas relacionadas ao comportamento humano, como administração, psicologia, sociologia, antropologia, etc., conforme indica a figura a seguir: 17 Figura 1: Disciplinas científicas do comportamento organizacional� Administração Antropologia Psicologia Social/Positiva Sociologia Disciplinas que nutrem a teoria do comportamento organizacional Fonte: Elaboração Própria� Por meio dessas disciplinas, o estudo do comporta- mento organizacional proporciona ao gestor conhe- cimentos que lhe permitirão enfrentar os diversos desafios e oportunidades como a globalização, uma força de trabalho diversificada, desempenho no trabalho com altos padrões de qualidade e produtividade, atenção e atendimento ao cliente, liderança de trabalho, equipes com problemas, além de criar um ambiente de trabalho positivo� No caso da psicologia, o comportamento organi- zacional está interligado a ela em aspectos como aprendizado, emoções, personalidade, motivação, resolução de problemas, qualidade de vida no traba- lho e, no que diz respeito à organização, condições de trabalho, desempenho, satisfação no trabalho, treinamento, tomada de decisão, liderança, etc� 18 A Psicologia Social também se dedica no estudo e influência das pessoas umas sobre as outras, permite que o comportamento organizacional entenda o que está relacionado a atitudes, tomada de decisão em grupo, negociação e comunicação� O estudo do comportamento organizacional proporciona ao gestor conhecimentos que lhe permitirão enfrentar os diversos desafios e opor- tunidades como a globalização, uma força de trabalho diversificada, desempenho no trabalho com altos padrões de qualidade e produtividade, atenção e atendimento ao cliente, liderança de trabalho equipes com problemas equilibrando as áreas de trabalho, família e pessoal, além de criar um ambiente de trabalho positivo� De acordo com estudos realizados, o otimismo disposicional está relacionado positivamente com estratégias de enfrentamento favoráveis (planejamen- to, reinterpretação positiva e crescimento pessoal, enfrentamento focado no problema e adaptativo) e negativamente com estilos de enfrentamento con- siderados desadaptativos (focados nas emoções, negação, distanciamento comportamental, uso de substâncias e enfrentamento)� De acordo com o exposto, sujeitos otimistas tendem a ter melhores habilidades racionais de resolução de problemas� 19 Os contextos e a interdisciplinaridade do comportamento organizacional são complexos e mutáveis� Estes passaram por uma série de momentos, que foram determinados por circunstâncias históricas e culturais, até chegar ao momento atual� Da mesma forma, observou-se que pessoas com sérios problemas de saúde que apresentam uma percepção otimista da doença têm uma vida mais longa e relatam uma melhor qualidade de vida do que aquelas que assumem sua condição de forma pessimista� A orientação otimista está associada à resistência à doença e resultados mais favoráveis na avaliação de sua saúde� Pessoas felizes são mais sociáveis e há razões para pensar que sua felicidade se deve a um alto nível de socialização satisfatória� Ensinar otimis- mo às crianças pode ser eficaz na prevenção de sintomas depressivos usando treinamento cogni- tivo e terapia de resolução de problemas sociais� Contrariamente, as pessoas pessimistas têm oito vezes mais chances de ficar deprimidas quando ocorrem contratempos, têm um desempenho pior nos estudos, nos esportes e na maioria dos em- pregos, têm saúde mais precária, vida mais curta e relacionamentos interpessoais mais instáveis� FIQUE ATENTO 20 De acordo com um estudo realizado por Diener (1984), as pessoas que pontuaram alto em uma es- cala de felicidade eram mais sociáveis e mantinham relacionamentos afetivos e sociais mais estáveis do que pessoas com pontuação baixa na mesma escala� Da mesma forma, obtiveram pontuações mais altas na escala de extroversão e pontuações mais baixas na escala de neuroticismo, além de pontuações mais baixas em algumas escalas de psicopatologia de acordo com o MMPI� Inclusive, sugerindo que as pessoas mais felizes têm um sistema emocional funcional que lhes permite reagir adequadamente aos eventos da vida� Dado que o propósito da psicologia positiva tem sido contribuir para o estudo das condições e processos relacionados com o desenvolvimento ótimo de indivíduos, grupos e instituições, as suas contribuições têm tido impacto em diferentes cam- pos de intervenção em psicologia, principalmente nas áreas clínicas, de saúde e educacional, nas quais se observa maior ênfase� Ao nível clínico, um dos objetivos da psicologia positiva é mudar o quadro de intervenção para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas que favoreçam a experiência emocional positiva, orientada para a prevenção e tratamento de pro- blemas derivados ou exacerbados pela presença de emoções negativas, como ansiedade, depres- 21 são, agressividade, estresse, entre outras� Essas emoções também têm a propriedade de estreitar o repertório comportamental do indivíduo, pois afetam os processos de pensamento e ação� Devido à orientação tradicional da psicologia, atualmente existe um conhecimento sólido sobre os efeitos das emoções negativas (medo, tristeza, raiva, aversão, indignação e repulsa, entre outras) sobre os chamados transtornos de saúde mental e física. Ao contrário, o objetivo específico da psicologia positiva no campo clínico e da saúde é estudar as forças e virtudes humanas, bem como, os efeitos que elas exercem sobre os indivíduos e a sociedade� Seligman (2003) considera que esse tipo de abordagem é também uma estratégia va- liosa para a prevenção de possíveis transtornos� No nível educacional, há estudos sobre motivação extrínseca, desenvolvimento juvenil, apego, moti- vação acadêmica, ambientes de aprendizagem e serviços de aconselhamento familiar, que enfatizam a geração e otimização de pontos fortes a partir de uma abordagem positiva e proativa� A partir de uma perspectiva positiva, a psicologia edu- cacional concentra sua atenção nos pontos fortes ou atributos positivos específicos de pessoas e grupos REFLITA 22 em ambientes pedagógicos� De acordo com estudos realizados nessa área, aqueles professores que enfa- tizam experiências positivas no desenvolvimento de habilidades nas crianças, tornam-nas mais propensas a experimentar altos níveis de autoeficácia e outras características de desenvolvimento psicológico positivo, quando ocorrem em conjunto com o desenvolvimento de habilidades complexas� Por se tratar de uma nova perspectiva de aborda- gem da psicologia, os pressupostos básicos da psicologia positiva são aplicáveis em todas as áreas em que a disciplina esteve presente, o que denota não apenas um amplo campo de atuação, mas também muitas alternativas de pesquisa e intervenção� Nesse sentido,um dos principais desafios da psicologia positiva supõe, em primeira instância, uma delimitação conceitual e o desen- volvimento de instrumentos válidos e confiáveis, capazes de estimar e delimitar as variáveis que estuda� Por outro lado, é aconselhável ir ao conhecimen- to disciplinar acumulado em diferentes áreas da psicologia e usá-lo na perspectiva da psicologia positiva� É o caso da psiconeuroimunologia e seus estudos sobre estresse e imunossupressão, tais conhecimentos, por exemplo, podem servir de base para estudos sobre emoções positivas e imuno- competência� Da mesma forma, espera-se que as 23 estratégias utilizadas na clínica, educação, saúde e outros campos do desenvolvimento estejam sujeitas à validade empírica e seus instrumentos sejam aprovados psicometricamente� O campo da Psicologia Positiva, a nível subjetivo, refere-se às experiências subjetivas: bem-estar, felicidade e satisfação (no passado); esperança e otimismo (para o futuro); e fluxo de felicidade (no presente)� A nível individual, refere-se aos traços individuais positivos: capacidade de amar, vocação, perseverança, perdão, originalidade, visão de futuro, espiritualidade, talento, sabedoria� Em nível de grupo, refere-se às virtudes e instituições cívicas: responsabilidade, altruísmo, moderação, tolerância e ética� 24 AS PRÁTICA E FERRAMENTAS SUGERIDAS PELA PSICOLOGIA SOCIAL/ POSITIVA PARA USO NOS RELACIONAMENTOS E NOS PROCESSOS COMUNICACIONAIS DAS ORGANIZAÇÕES. Este tópico busca explorar as contribuições da Psicologia Social/Positiva para a comunicologia. Em um primeiro momento, apresentaremos os conceitos básicos da Psicologia Social, para pos- teriormente estabelecermos relações entre eles e o espaço conceitual da comunicologia� A Psicologia Social é abordada como uma fonte histórica do pensamento comunicológico, mas não tanto como uma disciplina independente� Nesse sentido, o interesse do tópico reside na possibilidade de vincular ambas as disciplinas, relacionar conceitos comuns e, por fim, apontar algumas linhas de reflexão, tanto teóricas quanto empíricas, que levem em conta noções comuns ou próximas e aproximações entre Psicologia Social e 25 comunicologia. As reflexões apresentadas fazem parte de uma análise de âmbito organizacional para uma comunicologia possível e eficaz. OS TRÊS PILARES DA PSICOLOGIA POSITIVA Embora, muitas vezes, as pessoas reajam de forma negativa a eventos estressantes da vida, depois de um tempo elas retornam uma linha de base (set point) independentemente da intensidade do evento� Isso só é possível graças ao mecanismo de habituação, se grandes quantidades de afe- tos positivos fossem experimentadas, grandes quantidades de afetos negativos também seriam experimentadas� Há também o modo de reação relacionado com engajamento, em que o prazer deriva do compro- misso com a tarefa de forma eficaz e da capaci- dade de experimentar o fluxo, que é alcançado quando uma atividade absorve o sujeito e ele tem a sensação de que o tempo parou. Talvez o fluxo possa ser alcançado por meio de algum desafio no trabalho, lendo um livro ou tocando um instru- mento, por exemplo� Para atingir o fluxo, é necessário que a tarefa não seja muito chata nem muito estressante, caso contrário são será possível alcançar tal estado� 26 Trata-se de uma equação entre as habilidades pessoais e as características da tarefa� Se você estiver ciente de seus pontos fortes pessoais ao aplicá-los a uma tarefa específica, alcançará essa conexão específica chamado compromisso. O fluxo não é dado em primeira mão como nas emoções positivas, mas requer esforço e trabalho� Enquanto os dois primeiros modos estão relaciona- dos com questões individuais, independentemente, do ambiente, o terceiro caminho de acesso ou vida com sentido (vida significativa), tem a ver com a busca de sentido e que só pode ser entendido em um contexto global mais amplo� Essa terceira via é a aplicação de forças pessoais para o desenvolvimento de algo mais importante e mais amplo do que nós mesmos� É ser capaz de aplicar forças para ajudar os outros e capacitá-los a desenvolver seu potencial� Geralmente, esse processo ocorre por meio das instituições: família, trabalho, escola, comunidade� Em suma, é colocar as habilidades a serviço dos outros para obter um significado vital como resultado desse processo. Os três percursos mencionados são complementa- res e as pessoas podem alcançar uma vida plena através deles, inclusive, os que registram mais satisfação são os que utilizam conjuntamente os três percursos� 27 A psicologia positiva dá origem ao estudo das emoções positivas; a vida comprometida está re- lacionada ao estudo das forças, virtudes pessoais e estados de fluxo, além dos estudos sobre as instituições positivas, sendo este último tópico o menos desenvolvido conceitualmente� Autores do campo da psicologia positiva derivaram instrumentos para avaliar os três componentes da vida plena e afirmam que eles também são treináveis, por meio de intervenções específicas. Recentemente Seligman (2009) acrescentou um quarto pilar de estudo: laços positivos (vida social) como caminho para a felicidade, que tem sua ori- gem em pesquisas sobre bem-estar psicológico que identificam pessoas extremamente sociáveis como as mais felizes� A psicologia positiva está cada vez mais descobrindo práticas que podem ser realizadas quando se busca a verdadeira felicidade� Quando condicionamos a felicidade, inventamos condições sem as quais não nos permitimos ser felizes� Para saber mais sobre esses aspectos, leia o livro Florescer: uma nova compreensão da felicidade e do bem-estar, de Martin E� P� Seligman� SAIBA MAIS 28 O crescimento que a Psicologia Positiva teve des- de sua criação é marcante e se reflete em uma importante quantidade de produção conforme detalharemos a seguir� PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL POSITIVA E A COMUNICAÇÃO Antes de passar a definir em que consiste essa disciplina, é necessário entender que esse con- ceito surge da corrente psicológica da psicologia positiva, uma abordagem que surgiu nos anos 90 a partir da conferência do psicólogo americano Martin Seligman� Isso se baseou na necessidade da psicologia de estudar o que faz o ser humano feliz e o que lhe permite estar bem, ao invés de continuar a centrar-se no combate às doenças e ao seu tratamento� A partir daí, surgiu uma revolução no campo da psicologia que muitos cientistas e psicólogos de- senvolveram e que ainda hoje é válida� O resultado disso é sua aplicação ao contexto de trabalho, já que no campo organizacional há a análise dos problemas da empresa para tentar erradicá-los� Assim, o surgimento da psicologia organizacional positiva significou também uma mudança de foco no quadro laboral� 29 A psicologia positiva no trabalho consiste no estudo das condições de saúde de pessoas e grupos nas organizações� Além disso, tentar garantir a gestão adequada do bem-estar psicossocial no trabalho e o desenvolvimento das organizações para que sejam mais saudáveis� Portanto, seus principais objetivos são: y Prever e promover o desempenho ideal dos funcionários nas empresas; y Promover o bem-estar psicossocial; y Melhorar a qualidade de vida no trabalho� Em resumo, a psicologia organizacional positiva tenta responder à questão do que caracteriza funcionários e organizações positivas, sugerindo que uma organização positiva deve contar com três componentes que interagem entre si e se beneficiam. São os seguintes: y Recursos e práticas organizacionais saudáveis: recursos de tarefas, recursos sociais e práticas organizacionais; y Colaboradores e grupos de trabalho saudáveis: emoções positivas, crenças de eficácia, resiliência e engajamento no trabalho; y Resultados organizacionais saudáveis: com- prometimento, desempenho, bons resultados e relacionamento com o ambiente organizacional e responsabilidade social corporativa� 30 Alémdisso, vale ressaltar que a realização de prá- ticas positivas que favorecem o desenvolvimento e o crescimento dos colaboradores está relacionada a resultados favoráveis na organização, como a melhoria do desempenho� Tentar fazer com que as pessoas que compõem uma organização expe- rimentem emoções positivas, implica cultivar uma visão otimista em nível geral, mas responsável, ou seja, sem esquecer os possíveis riscos e ameaças que possam surgir� É um conjunto de medidas focadas não só na melhoria do ambiente de trabalho e na integração dos trabalhadores, mas também no aumento do seu bem-estar em conjunto, inclusive com seus familiares� Assim, os programas de psicologia or- ganizacional incluem atividades e propostas muito variadas relacionadas com a reconciliação familiar, lazer e formação, planos financeiros, assistenciais, educativos e até de apoio jurídico� Dessa forma, o vínculo afetivo com as pessoas que fazem parte da organização é fortalecido, e como consequência há o aumento do engajamento no trabalho� 31 O bem-estar no local de trabalho é fundamental para ter uma equipe motivada e comprometida� Assim, é altamente recomendável considerar a possibilidade de incluir programas de bem-estar e saúde� Empresas como Google, Facebook, Nike ou Netflix realizam e têm resultados muito bons� A comunicação organizacional é um conceito que tem estado em constante construção acadêmica e profissional a partir de duas vertentes: a comu- nicação propriamente dita e os diferentes estudos organizacionais� A comunicação é um processo dinâmico, mutável e interminável que acompanha o ser humano desde suas origens� O assunto evo- luiu e se integrou a diferentes grupos sociais e a própria comunicação – como processo – e como ferramenta indispensável para as trocas humanas também passou por transformações em todos os seus campos de estudo e desenvolvimento tecnológico� Nesse quadro, o campo organizacional tem refletido sobre o uso efetivo da comunicação tanto para o avanço dos setores produtivos quanto trabalhis- tas� Essa fusão entre comunicação e organização contribui para a formulação de objetivos, tomada de decisões e estabelecimento de linhas de ação, FIQUE ATENTO 32 entre outras atividades que entram em jogo em ambientes corporativos cada vez mais complexos� No início, o comunicador organizacional apareceu vinculado às tarefas de nível operacional, técnico ou instrumental, limitando-se a desenvolver as ações solicitadas pela gestão para atender aos objetivos e programas de curto prazo� Desenvolveu metodologias de trabalho e teorias que ao longo do tempo lhe permitiram ser reconhecido como profissional, componente integral, estratégico e essencial para as organizações de qualquer setor alcançarem o sucesso a longo prazo� Essa construção teórico-metodológica, por um lado, foi de tipo técnico-operacional, por outro, tem sido um processo constante devido à permanente transformação nos paradigmas conceituais sobre comunicação, organização, negócios e, obviamen- te, como resultado das mudanças tecnológicas, mundo social, econômico e político� Os componentes da chamada comunicação corporativa são categorizados com base em três elementos comunicacionais básicos, como veri- ficamos a seguir: y Comunicação gerencial: suporte e ferramenta indispensável para que cada membro da organização esteja convencido de que os objetivos da organi- zação são desejáveis� Esse tipo de comunicação 33 deve transmitir cooperação e não apenas autoridade em todos os níveis hierárquicos da organização� Deve servir para que os membros da organização compartilhem a visão de sua empresa; y Comunicação organizacional: inclui relações públicas, relações com administrações públicas (órgãos governamentais), relações com investi- dores, comunicação com o mercado de trabalho, publicidade corporativa, comunicação ambiental e comunicação interna� Destina-se aos públicos com os quais a organização mantém uma relação de interdependência; y Comunicação mercadológica� inclui as ati- vidades de publicidade, promoção de vendas, marketing direto, patrocínio, venda pessoal e outros elementos de comunicação externa, geralmente para fins comerciais. Daí surge também o conceito de comunicação abrangente para as organizações, como uma das alternativas que busca integrar os diferentes tipos de ação ou atividade comunicativa e amplia seu alcance para além do aspecto interno� Considerando tais aspectos, a comunicação nas organizações é identificada a partir de três pers- pectivas integradas: y Comunicação institucional/corporativa (ima- gem): que busca alcançar a identificação de co- 34 laboradores e líderes com visão, valores e cultura organizacional; y Comunicação interna (gestão): visa melhorar a qualidade do ambiente de trabalho e a inter-relação entre seus integrantes, elevando a dignidade de cada um deles; y Comunicação de marketing (vendas): propõe a orientar a organização para oportunidades econô- micas e sociais em congruência com seu coração ideológico, oferecendo-lhe melhor potencial de crescimento ou lucratividade� A dimensão humana otimiza a comunicação interpessoal e busca o respeito e a compreensão entre as pessoas, tanto interna quanto externamente à organização, pois a comunicação deve contribuir para a humanização das organizações em um mundo complexo e desigual como o atual� A comunicação nas organizações, no campo mais amplo da comunicação, é considerada parte das relações humanas, do desenvolvimento organiza- cional, da psicologia social, da sociologia e da admi- nistração� Esta perspectiva inscreve-se, por um lado, na ideia de que a comunicação supõe um recurso técnico, e, por outro, reconhece uma marca voltada FIQUE ATENTO 35 para a racionalidade, preferencialmente crítica, que estuda as dimensões significativas das práticas comunicativas� A comunicação contemporânea nas organizações teve uma influência importante nas escolas administrativas norte-americanas e nas escolas asiáticas, com o desenvolvimento de práticas de Qualidade Total e Kaizen� Os avanços tecnológicos, organizacionais e sociais produzidos implicam um avanço na concepção e estudo da comunicação� Desde os chamados modelos lineares (informativos), passando por processos dinâmicos (feedback), até a proposta de comunicação produtiva de Abraham Nosnik (2001)� Esta última perspectiva procura dar continuidade ao desenvolvimento dos estudos de comunicação para além do feedback, tendo em conta o global e a exploração de novas formas de organização e processos de produção� A comunicação produtiva, segundo Nosnik (2001), coloca: Um conjunto de esforços concretizados em pro- cessos de geração ou transmissão, disseminação ou distribuição e uso de informações realizadas coletivamente por um grupo humano que busca gerar riqueza e benefícios a partir do cumprimento de uma série de propósitos, objetivos ou tarefas que são, de fato, aqueles que os definem como 36 um grupo em primeira instância� Esses grupos podem ser formais ou informais; pequeno, médio ou grande; comunidades ou sociedades inteiras, e até mesmo organizações internacionais, transnacio- nais ou globais� Ou seja, a comunicação produtiva visa criar plataformas de produtividade, daí o seu nome, em benefício de todo o tipo de grupos que procuram atingir todo o tipo de objetivos (NOSNIK, 2001, p� 147)� Assim, a comunicação produtiva é entendida, ba- sicamente, como a transformação e melhoria de qualquer sistema em benefício de todas as partes que o compõem (emissores e receptores) a partir do feedback do público ou audiências (conjunto de receptores) ao próprio sistema (emissor ou grupo de emissores atuando como representantes de do sistema porque possuem a necessária autoridade formal e poder que o credenciam) e da evidência empírica disponível de que a mudança feita pelo e no sistema beneficia todos aqueles que o integram (NOSNIK, 2001, p� 32)� Paralelamentea esse percurso histórico, também são identificadas matrizes teóricas ou correntes filosóficas para o estudo do processo de comuni- cação nas organizações a partir de arcabouços conceituais de diferentes disciplinas� 37 Tais como a posição funcionalista (empírico-ana- lítica, que estuda a função da comunicação dentro da organização, que é vista como uma variável que influencia a produtividade da organização ou sistema social, a partir de sua relação com a motivação dos indivíduos� A posição interpretativa, por sua vez, enfatiza que o papel da construção simbólica e suas matrizes teóricas encontram-se na Antropologia Sociocultural e na Psicologia Social, que veem a cultura como característica básica de uma sociedade, pois argu- menta-se que as pessoas constroem suas ideias no meio físico, cultural ou social e que o compor- tamento humano é simbólico e autorreflexivo. As organizações são vistas como “culturas” que possuem crenças, linguagem e valores refletidos em rituais, metáforas, símbolos, histórias, sistemas de relacionamentos e conteúdo de conversas� Já a posição teórica crítica estuda a forma como as práticas de comunicação na organização podem ser sistematicamente distorcidas para atender aos interesses daqueles que detêm uma posição de poder dentro dela� A vida organizacional tem o interesse político como seu principal componente� O poder desempenha um papel importante, a partir de sua centralidade assumida por uma pessoa ou grupo� 38 Em suma, a relação entre comunicação e produ- tividade articula-se com a posição funcionalista, enquanto o interpretativismo acrescenta a questão cultural e a posição crítica acrescenta o estudo do poder� Por sua vez, a perspectiva pós-crítica defende a comunicação como forma de transfor- mação social� Existem nuances entre posições gerenciais ou administrativas, antropológicas ou simbólicas, embora a comunicação esteja, sem dúvida, se tornando cada vez mais importante para o estudo das organizações em um mundo em mudança� Seu corpo teórico é construído para utilizar metodologias de diagnóstico e intervenção que possam tornar mais eficiente a vida social e produtiva� 39 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesse e-book, conhecemos as primeiras etapas históricas ligadas à produção de teorias na área da comunicação para a comunicação interna e clima organizacional nas organizações� Atualmente, a área disciplinar, juntamente com as mudanças epistemológicas, organizacionais, culturais e tecnológicas, trabalhadas pela Psicologia social/ positiva, permite a ampliação de seu campo de atuação e da dinâmica integral e estratégica dentro da lógica nas organizações� Por isso, é fundamental conhecermos o desenvolvimento histórico e, fundamentalmente, as abordagens da comunicação nas organizações para podermos desenhar propostas de investigação adequadas aos diferentes tipos de organizações e espaços de funcionamento social� Reconhecemos a natureza interdisciplinar da comunicação nas organizações, que conver- gem em diferentes abordagens mercadológicas, antropológicas ou administrativas e diferentes perspectivas comunicativas ou comunicológicas que buscam teorizar, diagnosticar, intervir e pre- ver o funcionamento da área, sempre com uma abordagem normativa e ética, que leva em conta a responsabilidade social exigida pela disciplina 40 (ou subdisciplina, como geralmente é acordado no quadro geral da comunicação)� Tal aspecto contribui para o reconhecimento e especialização teórica da área para gerar condi- ções ideais para a obtenção dos objetivos organi- zacionais com um sentido mais humano� Assim, compreendemos que as constantes mudanças no mundo sociocultural exigem adaptações teó- ricas permanentes na área da comunicação das organizações� 41 Referências Bibliográficas & Consultadas CHIAVENATO, I� Comportamento organizacional: a dinâmica do sucesso das organizações� 3 ed� Barueri: Manole, 2014. 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