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Saúde da Mulher SÍNDROMES HIPERTENSIVAS No mundo, as síndromes hipertensivas da gravidez representam a segunda principal causa de mortalidade materna perdendo apenas para as hemorragias, representa 10% de todas as mulheres grávidas. No Brasil, são a principal causa de morte. Este grupo de doenças e condições inclui a pré- eclâmpsia e a eclâmpsia, a hipertensão gestacional e hipertensão crônica. Os distúrbios hipertensivos da gravidez são causas importantes de morbidade aguda grave, incapacidade prolongada e morte entre mães e bebês. Um estudo brasileiro registra que nas áreas mais desenvolvidas a prevalência de Eclâmpsia foi estimada em 0,2%, com índice de morte materna de 0,8%. Enquanto que em regiões menos favorecidas esta prevalência se eleva para 8,1% com razão de morte materna correspondente a 22% Primigesta; Raça negra; História prévia de pré-eclâmpsia; Obesidade; Hipertensão crônica; Trombofilias; Diabetes. Gestante previamente normotensa, que apresenta hipertensão arterial após a 20 semana de gestação, porém sem proteinúria ou disfunção de orgão-alvo. Essa forma de hipertensão deve desaparecer até 12 semanas após o parto. O QUE É HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO Considera-se hipertensão arterial o valor de pressão arterial sistólico (PAS) igual ou maior que 140 mmHg e\ou de pressão arterial diastólica (PAD) igual ou maior que 90 mmHg. SÍNDROMES HIPERTENSIVAS - CLASSIFICAÇÃO Manifestação de hipertensão arterial na primeira metade da gravidez: Hipertensão arterial crônica Síndrome do avental branco HIPERTENSÃO GESTACIONAL HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA Hipertensão arterial relatada pela gestante como manifestação prévia á gravidez ou identificada antes da 20 semana. SÍNDROME DO AVENTAL BRANCO Presença de hipertensão arterial durante as consultas pré-natais em consultório, que não se mantém em avaliações domiciliares. MANIFESTAÇÃO DE HIPERTENSÃO ARTERIAL NA SEGUNDA METADE DA GRAVIDEZ: Hipertensão gestacional; Pŕe-eclãmpsia\eclâmpsia Pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial crônica PRE-ECLÂMPSIA A pré-eclâmpsia é uma doença multifatorial e multissistêmia, específica da gestação, classicamente diagnosticada pela presença de hipertensão arterial associada à proteinúria; Aparece em gestante previamente normotensa, após a 20 semana de gestação; Atualmente também se considera pré-eclâmpsia quando na ausência de proteinúria, ocorrer disfunção de órgãos alvo. PRÉ-ECLÂMPSIA - FATORES DE RISCO PRÉ-ECLÂMPSIA Atualmente, a patogênese mais importante envolve placentação deficiente, predisposição genética, quebra de tolerância imunológica, resposta inflamatória sistêmica, desequilíbrio angiogênico e deficiência do estado nutricional. Saúde da Mulher Pressão arterial: sistólica maior ou igual a 140 mmHg e diastólica maior ou igual a 90 mmHg. Nos casos graves sistólico maior ou igual a 160 mmHg e diastólica maior ou igual a 110 mmHg; Dor epigástrica; Náuseas e vômitos; Escotomas cintilantes; Proteinúria maior ou igual a 300 mg\24 horas; Oligúria: diurese inferior a 500 mL\24 horas podendo não estar relacionada diretamente com o comprometimento da função renal; Creatinina sérica igual ou maior que 1,2 mg\dL (insuficiência renal aguda); Edema em decorrência de intenso extravasamento líquido para o terceiro espaço. Hidralazina: vasodilatador periférico utilizado no tratamento agudo da hipertensão grave. O pico de ação é de 20 minutos. Sulfato de Magnésio 50%: droga de escolha no tratamento da iminência de eclampsia. A concentração terapêutica do íon magnésio varia de 4 a 7 mEq\L O reflexo patelar fica abolido com 8 a 10 mEq\L Risco de parada respiratória a partir de 12 mEq\L QUADRO CLÍNICO DE PRÉ-ECLÂMPSIA SOBREPOSTA A HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA ECLÂMPSIA QUADRO CLÍNICO - SÍNDROME HELPP Hemólise: esquizócitos e equinócitos em sangue periférico; Elevação dos níveis de desidrogenase lática (DHL) acima e 600 U\I; Bilirrubinas indiretas acima de 1,2 mg\dL Comprometimento hepático determinado pela elevação dos valores de AST e ALT acima de duas vezes o seu valor de normalidade. Plaquetopenia: valores inferiores a 100.000\mm3 Eclâmpsia refere-se à ocorrência de crise convulsiva tônico clônica generalizada ou coma em gestante com pré-eclâmpsia, sendo uma das complicações mais graves da doença. TRATAMENTO MEDICAMENTOSO Simpatóliticos de ação central: metildopa (750mg a 2g\dia) e clonidina (0,2 a 0,6m\dia) Bloqueadores de canais de cálcio: nifedipina (20 a 120 mg\dia) Vasodilatador periférico: hidralazina (50 a 150 mg\dia). TRATAMENTO CONTRA INDICADO NA GESTAÇÃO Inibidores da enzima conversora de angiotensina (iECA) - Captopril Bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRA II) - Losartana São associados a anormalidades do desenvolvimento dos rins fetais. TRATAMENTO NA CRISE HIPERTENSVA PRÉ-ECLÂMPSIA SOBREPOSTA A HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA Após 20 semanas de gestação, ocorre o aparecimento ou piora da proteinúria já detectada na primeira metade da gravidez (sugere-se atenção se o aumento for superior a três vezes o valor inicial); Gestantes portadoras de hipertensão arterial crônica necessitam de associação de anti-hipertensivos ou incremento das doses terapêuticas iniciais; Ocorrência de disfunção de orgãos alvos; SÍNDROME HELLP Disfunção endotelial causada pela ativação da cascata de coagulação e disfunção hepática, com ou sem presença de hipertensão arterial; com ou sem proteinúria; com presença de hemólise (equizócitos e equinócitos), plaquetopenia, elevação das enzimas hepáticas (AST, ALT, bilirrubinas indiretas) e desidrogenase lática. É uma forma de pr´́e-eclampsia. Saúde da Mulher Atentar para sinais de intoxicação; Manter a gaveta da paciente com ampola de gluconato de cálcio (antagonista do sulfato de magnésio); ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A PACIENTES EM SINDROME HIPERTENSIVA NA GESTAÇÃO ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A PACIENTES EM USO DE SULFATO DE MAGNÉSIO Posicionar em decúbito lateral esquerdo; Administrar O2 sob máscara; Administrar dose de ataque de sulfato de magnésio; Administrar antihi-pertensivos; Avaliar bem estar fetal. CUIDADOS DE ENFERMAGEM - ECLAMPSIA Orientar o paciente quanto ao tratamento que será realizado; Puncionar acesso venoso periférico calibroso; Instalar cateter vesical de demora; Explicar sobre os efeitos colaterais do sulfato de magnésio; Monitorizar a paciente; Infundir a dose de ataque em 20 minutos (preferencialmente em bomba infusora); Infundir a dose de manutenção de 1 a 2 gramas\hora de sulfato de magnésio; Realizar balanço hídrico; Verificar pressão arterial de 2\2 horas; Verificar frequência respiratória de 2\2 horas (maior ou igual a 16 IRPM); Monitoramento materno e fetal; Manter sulfato de magnésio por 24 horas; Iniciar o atendimento com classificação de risco; Verificar os sinais vitais da paciente e atentar para utilizar o esfignomanômetro adequado para aferir a pressão arterial; Orientar a paciente e acompanhante sobre o atendimento; Atentar para os medicamento utilizados pela paciente; Caso necessário manter acesso venoso periférico (salinizado); Pesar a paciente diariamente (preferencialmente em jejum); Atentar para oligúria; Atentar e registrar sintomas como escotomas, desconforto epigástrico e cefaléia. Manter uma assistência compartilhada com a equipe multiprofissional.